Teorias da Cinética Química e Catálise

Objetivos: Apresentar a Teoria das Colisões Apresentar a Teoria do Estado de Transição Discutir as catálises homogênea e heterogênea. Discutir a relação entre a cinética e o equilíbrio químico.

A Figura 2 ilustra uma colisão entre duas moléculas. ocorre um número muito grande de colisões moleculares por segundo. Existem abordagens teóricas bem mais avançadas. Serão discutidas as duas teorias mais simples: Teoria das Colisões e Teoria do Estado de Transição. por isso. Por exemplo. formando-se apenas uma molécula de produto A-B. denominado energia de ativação. Além disso. Apenas um dos dois resultados mostrados (1 ou 2) ocorre de fato. Figura 2. Considerando moléculas em um gás. (b) colisão efetiva. por cm3. a frequência de colisões é estimada como sendo da ordem de 1028 colisões por segundo. as colisões devem ocorrer com um valor de energia cinética mínimo. que leva à reação química A+B→A-B.Teoria das Colisões O objetivo de uma teoria da Cinética Química é explicar as velocidades de reação química a nível molecular. não serão discutidas aqui. Colisão entre duas moléculas. Esse número é denominado frequência de colisões e pode ser estimado pela Teoria Cinética dos Gases. para moléculas de oxigênio. A e B. A e B. Essas colisões são denominadas colisões efetivas. A teoria mais simples é denominada Teoria das Colisões. por unidade de volume. que não leva à reação química. O2 gasoso. Ea e com orientação apropriada das moléculas. a uma dada temperatura e pressão. (a) Colisão simples. Apenas as colisões efetivas produzem reação química. a 25 oC e 1 atm. que se baseia no pressuposto de que as moléculas dos reagentes devem colidir para que ocorra a reação química. mas essas fogem ao escopo deste texto e. .

a velocidade média relativa.02214 × 1023 mol–1 é a constante de Avogadro. v será dada pelo produto entre ZAB e a fração de moléculas com energia superior à energia de ativação. Ocorre que ZAB também aumenta com o aumento das concentrações [A] e [B] dos reagentes. chega-se à lei de velocidade abaixo. como bolas de bilhar. Considerando duas moléculas esféricas rígidas. = A frequência de colisões. sendo que a uma temperatura T. obtém-se a seguinte equação. com raios rA e rB. onde R=8. as moléculas são consideradas esferas rígidas. Substituindo a expressão para ZAB na equação acima. = . = + Dessa forma. quanto o aumento das concentrações dos reagentes acarretam uma elevação na velocidade de reação.14159. para uma reação química elementar A+B→produtos. ZAB entre as moléculas dos gases reagentes A e B é dada pela equação abaixo.31447 Jmol–1K–1 é a constante dos gases e π≈3. As moléculas apresentam uma distribuição de Maxwell-Boltzmann para as velocidades. c das moléculas aumenta. tanto o aumento da temperatura. a frequência de colisões. Ea. ZAB aumenta com o aumento da temperatura. a seção de choque da colisão será dada pela equação abaixo. k pela seguinte equação.Na Teoria Cinética dos Gases. pois a velocidade média. Logo. = A velocidade da reação. = Define-se a constante de velocidade. = 8 1 1 + M M A seção de choque. onde [A] e [B] são as concentrações em quantidade de matéria (mol/m3) e NA = 6. c entre duas moléculas com massas molares MA e MB é dada pela equação abaixo. = Assim. σ da colisão é a área efetiva das moléculas que colidem.

= Temos aqui um sistema de duas equações e duas incógnitas (Ea. Considere a seguinte reação: C3H6 → H2C=CH-CH3. Ea. Vamos resolvê-lo da seguinte forma. Ea e o fator pré-exponencial. consideramos as equações de Arrhenius para as duas temperaturas. explica a dependência da velocidade da reação com a temperatura. Calcule a energia de ativação. baseada na Teoria Cinética dos gases. [A] e [B] dos reagentes. abaixo.41 × 10–10 s–1. A). A. Solução. com inclinação. O termo lnA é o coeficiente linear da reta. ou coeficiente angular. A é proporcional à frequência de colisões moleculares. a 300 oC e k2 = 1. Vamos dividir as duas equações. k com a temperatura. = Na equação de Arrhenius. Essa equação ficou conhecida como Equação de Arrhenius e é dada abaixo.16 × 10–6 s–1. = 300 + 273 = 573 = 400 + 273 = 673 Depois. de onde se obtém a expressão abaixo para o fator préexponencial. convertem-se as temperaturas para a escala Kelvin. Primeiro. a Teoria das Colisões. = − Na forma logarítmica dada acima. = . A constante de velocidade é k1 = 2. 1 T Exemplo. A=σcNA2 De fato. A equação de Arrhenius pode ser escrita na forma logarítmica. T. igual a −(Ea/R).Em resumo. enquanto que o termo exponencial representa a fração de moléculas com energia superior à energia de ativação. a 400 oC. o fator pré-exponencial. Equação de Arrhenius O físico e químico sueco Svante Arrhenius (1859-1927) obteve uma equação empírica para a dependência da constante de velocidade. T e com as concentrações. onde C3H6 é o ciclopropano. o valor de lnk quando (1/T)=0. evidencia-se que o gráfico de ln k vs 1/T é uma reta. ou seja. Note que a equação de Arrhenius pode ser deduzida pela Teoria Cinética dos Gases. A é denominado fator pré-exponencial e Ea é a energia de ativação.

. a energia de ativação é Ea=138 kJ mol–1 e a constante de velocidade é k1=1.5 J mol–1.41 × 10−10 s−1 1. substituem-se os dados na equação acima. . A 200 oC. deve-se converter 138 kJ/mol em 138000 J/mol) = 1.32 × 10 . ou Ea = 271. Para encontrar o fator pré-exponencial. obtém-se a seguinte expressão. obtendo-se a expressão abaixo. Primeiro. consideramos a razão entre as equações de Arrhenius para as duas temperaturas.9 kJ mol–1 (1 kJ = 1000 J). k2 a 300 oC. . = .16 × 10 s Exemplo.16 × 10−6 s−1 = 8. = . 2. Calcule a constante de velocidade. = 200 + 273 = 473 = 300 + 273 = 573 Depois. = . conforme foi demonstrado no exemplo anterior. × × = = 1. . convertem-se as temperaturas para a escala Kelvin. Considere a reação: CH3I + HI → CH4+ I2.= = 1 1 Tomando o logaritmo da razão acima. = − Substituindo os dados na equação acima e usando R = 8. Solução. Ea = 271867. A basta colocar o valor de Ea em qualquer uma das duas equações de Arrhenius. para k2. encontra-se a energia de ativação para a reação. obtém-se a seguinte expressão. = = 2. A seguir.3145 Jmol–1K–1. obtém-se a equação abaixo.32×10–2 Lmol–1s–1. (obs.3145 Jmol−1 K−1 1 673 − 1 573 Resolvendo a equação acima. = = Rearranjando a equação acima.41 × 10 s .

HO– + CH3Br → [HO---CH3---Br]× → CH3OH + Br– . pois as moléculas não são esferas rígidas. A Teoria do Estado de Transição. De fato. simulações computacionais baseadas em cálculos de Química Quântica são bastante úteis para predizer a estrutura do estado de transição. que ocupam quase que todo o volume molecular. considera apenas o número de colisões moleculares efetivas e trata as moléculas como se fossem esferas rígidas. Quando duas moléculas se aproximam. Figura 3. Uma molécula é constituída por núcleos atômicos muito pequenos e densos e por nuvens eletrônicas difusas.Teoria do Estado de Transição A Teoria das colisões. forma-se uma espécie de alta energia denominada estado de transição. que será utilizado logo mais adiante para discutir a cinética de uma reação química. Essa espécie é altamente instável. possuindo tempo de vida tão curto que. também denominada Teoria do Complexo Ativado. há uma superposição das nuvens eletrônicas de ambas. pela Teoria do Estado de Transição. discutida anteriormente. A Figura 3 mostra um típico diagrama de coordenada de reação. muitas vezes não pode ser detectado experimentalmente. Diagrama de coordenada de reação. Se a energia cinética da colisão e a orientação relativa das moléculas for apropriada. considera o que ocorre durante as colisões moleculares. Considere a reação química abaixo. ou complexo ativado. bem como sua energia. Por isso. uma colisão molecular não pode ser rigorosamente comparada a uma colisão entre bolas de bilhar. a qual é abordada na Figura 3.

Neste caso. A diferença entre a energia dos reagente e a energia do estado de transição é a energia de ativação. aquele que determina a velocidade da reação. ∆S. Um diagrama deste tipo mostra a energia do sistema reacional. Este é o aspecto termodinâmico e este não interfere na cinética. o valor da energia de ativação. Ea determina a velocidade da reação. regenera-se na sua forma original. O catalisador não modifica a termodinâmica (∆H. a velocidade da reação aumenta quando o valor de Ea diminui. Logo. diminuindo a energia de ativação. denominada catalisador. o metanol (CH3OH) e o íon brometo (Br–) são os produtos. durante o avanço da reação. ao final.Na reação acima. Este modifica o mecanismo da reação. Efeito do catalisador no diagrama de coordenada de reação. ou seja. De fato. Ea e aumentando a velocidade da reação. não sendo convertido em produtos. o brometo de metila (CH3Br) e o íon hidroxila (HO–) são os reagentes.) da reação e. Figura 4. A catálise consiste em adicionar no meio reacional uma substância. etc. Catálise homogênea e heterogênea De acordo com o que foi discutido na seção sobre a Teoria do Estado de Transição. Este é o aspecto cinético. ∆G. na velocidade da reação. Ea da reação. O símbolo × costuma ser utilizado para indicar um estado de transição. ou complexo ativado da reação química. o calor da reação (∆H) é negativo e a reação é exotérmica. ou seja. . A Figura 4 ilustra o efeito do catalisador na cinética de reação. A Figura 3 mostra o diagrama de coordenada de reação para a reação discutida acima. ou seja. A espécie entre colchetes [HO---CH3---Br]× é o estado de transição. a energia dos reagentes é maior que a energia dos produtos. libera calor.

Note. a energia de ativação da reação não catalisada é Ea. então haverá apenas uma energia de ativação. pode haver uma ou mais energias de ativação (Ea1. da relação acima. ∆Go = −RT lnK Pode-se ver. onde o catalisador e as espécies reagentes estão em fases distintas. Catálise em fase gasosa A catálise em fase gasosa ocorre quando o catalisador e as espécies reagentes são gases. K depende da energia de Gibbs padrão (∆Go) da reação. Dependendo do mecanismo catalítico. ∆G = ∆H − T∆S A posição do equilíbrio químico é dada pela constante de equilíbrio. R = 8. Ea1. Catálise Homogênea Quando o catalisador está na mesma fase que os reagentes e produtos. Há dois tipos distintos de catálise. a saber: (a) catálise homogênea. que a constante de equilíbrio. geralmente líquida. na Figura 4. ou gasosa. Quando o catalisador é adicionado ao meio reacional. A adição de catalisador não modifica o valor do ∆Go da reação. As grandezas termodinâmicas da reação (energia de Gibbs. Ea2. Em outras palavras. ∆G. portanto não irá afetar a posição do equilíbrio químico. SO3 é um exemplo. A reação global é dada abaixo. Isto vai depender do número de estados de transição distintos presentes no mecanismo catalítico. SO2 ao gás trióxido de enxofre. Serão abordadas. Se houver apenas um estado de transição. ∆H e entropia. Ea3. K. entalpia. que a entalpia.3145 Jmol–1K–1 é a Constante dos Gases e T é a temperatura termodinâmica (em Kelvin) do meio reacional. a adição de catalisador torna a reação mais rápida.Na Figura 4. a seguir. mas não altera o rendimento da reação. A oxidação do gás dióxido de enxofre. onde ∆Go é a energia de Gibbs padrão (à pressão de 1 bar) da reação. ∆H da reação não é alterada pela adição de catalisador. ou gases. (b) catálise heterogênea. SO2 + ½ O2 → SO3 .). a catálise é homogênea. o catalisador pode ser um sólido e as espécies reagentes podem ser líquidos. onde o catalisador e as espécies reagentes estão todos na mesma fase. o mecanismo da reação se altera de tal forma que a energia de ativação diminui. os dois tipos de catálise. A reação se processa através de um determinado mecanismo e tem uma dada velocidade. etc. A relação entre a Termodinâmica e o Equilíbrio Químico pode ser resumida na expressão abaixo. Por exemplo. ∆S) relacionam-se através expressão abaixo.

por exemplo. O catalisador ácido em si (por exemplo. ou básica. O2 formando o gás NO2. o ânion hidroxila HO–. Assim. mas não depende das concentrações de ácidos diferentes. Ácidos mais fortes são mais eficazes. H2O + H2SO4 → H3O+ + HSO4– Na catálise específica. Na primeira etapa. enquanto que uma base é uma espécie química capaz de receber um próton. SO2 + NO2 → SO3 +NO NO + ½ O2 → NO2 Catálise ácida ou básica. De acordo com essa teoria. formando um intermediário. um ácido é uma espécie química capaz de doar um próton. H2O). Reações em que a transferência de próton é determinante para a velocidade de reação exibem catálise ácida geral. a velocidade de reação depende do pH do sistema. SO3. o dióxido de enxofre. é outro tipo de catálise homogênea. ou básica. reações de . Catálise Geral Na catálise ácida geral. Reações típicas catalisadas por ácidos ou bases são as seguintes: Esterificação: + Reação aldólica: + A catálise ácida. H+. H+.O gás dióxido de nitrogênio. NO e o produto. As hidrólises de ésteres e as reações aldólicas são exemplos de reações que ocorrem através de catálise específica. geralmente o ácido é o cátion H+ e a base. H2SO4) apenas contribui para o aumento da velocidade da reação. O mecanismo da catálise está mostrado abaixo. SO2 reage com o catalisador. Ela geralmente se processa em solução líquida e o catalisador é um ácido. pode ocorrer de duas maneiras diferentes: Catálise Específica Na catálise ácida específica em um dado solvente (por exemplo. o intermediário reage com o oxigênio. a velocidade de reação é proporcional à concentração das moléculas protonadas do solvente (H3O+). por exemplo. em uma solução tampão aquosa. A catálise ácida. NO2 atua como catalisador na reação química dada acima. o catalisador é regenerando ao final do processo. todas as espécies capazes de doar prótons contribuem para o aumento da velocidade de reação. Nesse tipo de catálise. ou uma base segundo a teoria de Br«nsted-Lowry. alterando equilíbrio químico entre o solvente (H2O) e o ácido (H2SO4) em favor da espécie do solvente protonado (H3O+). Na segunda etapa.

a mutarrotação da glicose (α-D-glicose → β-D-glicose) e a iodetação da acetona (CH3COCH3 + I2 → CH3COCH2I + HI). Essa forma mostra que a velocidade da reação. e não depende das concentrações de HA e A–. A primeira etapa.acoplamento de diazônio (C6H5-N≡N + C6H5OH → C6H5-N=N-C6H5OH). = Quando k–1[A–]>>k2. a qual é proporcional à [RH+]. isto é evidência de catálise ácida específico. R é o reagente e HA. tem constante de velocidade k2. obtém-se a equação abaixo. se processa por um mecanismo em duas etapas. Ka pode ser escrita na forma abaixo. o ácido. como requer a catálise específica. reversível. as velocidades de formação e de consumo de RH+ devem ser iguais. A catálise ácida. . mostrado abaixo. dada abaixo. No mecanismo. para Ka. Com isso. = + Quando k–1[A–]<<k2. a equação acima assume a forma dada abaixo e a catálise será específica. a equação acima assume a forma dada abaixo e a catálise será geral. ou básica. Ao se manter o pH constante e alterando a concentração do tampão. A segunda etapa. k1[R][HA] = k–1[RH+][A–] + k2[RH+] A Equação acima pode ser rearranjada. Se a velocidade da reação permanecer constante. para as reações direta e inversa. a equação para [RH+] pode ser reescrita na forma dada abaixo. HA V H+ + A– A constante de dissociação. tem constantes de velocidade k1 e k–1. R + HA V RH+ + A– RH+ + H2O → Produtos Usando a aproximação do estado estacionário. uma mudança na velocidade da reação é indicativa de catálise ácida geral. = Considere a dissociação do ácido HA. depende da concentração de H+. = Considerando a expressão dada acima. irreversível. obtendo-se a expressão abaixo.

= Catálise Enzimática Quando o catalisador for uma enzima. S é o substrato. A segunda. = + + A velocidade. onde E é a enzima. obtém-se a expressão abaixo. onde as velocidades de formação e de consumo de ES são iguais. k1[E] [S] = k–1 [ES] + k2 [ES] A equação abaixo dá a concentração de enzima adicionada inicialmente. para as reações direta e inversa. O mecanismo de Michaelis-Menten é aquele normalmente aceito para a catálise enzimática. [E]o. irreversível. tem-se a catálise enzimática. E + S V ES ES → E + Produtos A primeira etapa. obtém-se a seguinte lei de velocidade para reações com catálise enzimática. Ele é mostrado abaixo. v = k2 [ES] Pode-se definir a Constante de Michaelis. As enzimas são proteínas que possuem alta atividade catalítica e elevada especificidade. tem constante de velocidade k2. [E]o = [E]+ [ES] Combinando as duas últimas equações. Através da aproximação do estado estacionário. tem constantes de velocidade k1 e k–1. = + Usando a definição de Km e a expressão para [ES]. obtém-se a expressão abaixo. v da reação é dada pela equação abaixo. Este é um tipo muito importante de catálise homogênea. pois toda a vida como conhecemos depende dela. Km conforme a expressão abaixo. = + . reversível.

onde a velocidade. Adsorção química. a saber: • Adsorção física. Catalisadores sólidos. com alta superfície de contato. Há dois tipos de adsorção. Diferentes catalisadores podem levar a produtos distintos. Várias camadas de moléculas do reagente podem ser adsorvidas na superfície do catalisador. pode-se assumir que Km << [S] e a equação acima assume a forma dada abaixo. onde as moléculas formam ligações químicas com os átomos da superfície do catalisador. ou quimiossorsão. pode-se assumir que Km >> [S] e a equação para a velocidade. v da reação depende apenas da concentração inicial. ou fisiossorção. [E]o da enzima. Muitos processos industriais importantes são baseados em catálise heterogênea. Há um limite para a quantidade de moléculas que podem ser adsorvidas. onde as moléculas interagem com a superfície do catalisador por forças de var der Waals. As moléculas dos reagentes são adsorvidas na superfície do catalisador. v = k2 [ES]o Em baixas concentrações do substrato. podem reduzir bastante a energia de ativação de reações em fase gasosa ou líquida. onde v depende da concentração inicial da enzima e da concentração do substrato. a catálise é heterogênea. = Catálise Heterogênea Quando o catalisador está em uma fase distinta da fase dos reagentes e produtos.Em altas concentrações do substrato. conforme ilustrado na Figura 5. v da reação assume a forma dada abaixo. Este limite é atingido quando se forma uma monocamada molecular sobre a superfície do catalisador. ou ligações de hidrogênio. Langmuir explicou como uma superfície sólida atua como catalisador de uma reação química. • . A isoterma de Langmuir é utilizada para o caso da quimiossorção. Isoterma de Langmuir Em 1916. A catálise heterogênea é bastante específica.

p do gás. praticamente toda a superfície do catalisador está recoberta. θ da superfície do catalisador recoberta pelas moléculas dos reagentes depende da pressão. 1 No limite de baixa adsorção. a velocidade da reação também será proporcional à pressão do gás. . ou seja. onde a quantidade gás adsorvido é proporcional à pressão do gás. Assim. Logo. a fração. MA representa o sítio ocupado e A representa a molécula do reagente. θ << 1. Adsorção de moléculas (monocamada) sobre uma superfície sólida. a isoterma de adsorção de Langmuir assume a forma abaixo. Nesse caso. Considere o equilíbrio de adsorção-dessorção dado abaixo. e a isoterma de adsorção de Langmuir assume a forma abaixo. Nesse caso. No equilíbrio. vd=kdθ.Figura 5. denominada isoterma de Langmuir. a velocidade de adsorção. tem-se que (1−θ) ≈ 1. va=ka(1−θ)p é igual à velocidade de dessorção. = 1 A relação acima pode ser rearranjada na forma dada abaixo. onde M representa o sítio desocupado do catalisador. saturada. No limite de alta adsorção tem-se que θ ≈ 1. Para reações em fase gasosa. a velocidade da reação é constante e a ordem de reação é zero. Nesse caso a quantidade de gás adsorvido independe da pressão do gás. Assim. obtém-se a relação abaixo. 1 1 Há uma forma alternativa de se expressar a isoterma de Langmuir.

pode-se definir a constante de adsorção de Langmuir. ou a concentração. Isolando θ na equação anterior. e com a diminuição da temperatura. como no caso da molécula de hidrogênio (H2) que se dissocia em dois átomos (2H). obtém-se a isoterma de Langmuir na forma dada abaixo. Note que.M + A V MA A constante. α. ∙ 1 ∙ A Figura 6 ilustra a isoterma de Langmuir para diversos valores da constante de adsorção de Langmuir. α pela expressão abaixo. p do reagente A. o valor de θ tende a um patamar. Figura 6. Adsorção com dissociação Pode ocorrer adsorção com dissociação. entre o reagente e o catalisador. e [A] é proporcional à pressão. Essa característica da isoterma de Langmuir é denominada saturação e indica que a monocamada foi completamente adsorvida. [M] é proporcional à fração de sítios desocupados (1–θ). para diversos valores de α. = 1 O valor de α aumenta com o aumento na energia de ligação. à medida que a pressão. = Como [MA] é proporcional à fração de sítios ocupados θ. conforme mostrado na . Isotermas de Langmuir. K para o equilíbrio acima é dada pela expressão abaixo. da espécie reagente cresce.

obtém-se a seguinte relação. portanto. Nesse caso. B são os reagentes. θ será proporcional à raiz quadrada da concentração de H2. ou seja: vd = vi. Aplicando essa igualdade nas leis de velocidade dadas acima. (1–θ) da superfície do catalisador e HM representa um sítio ocupado. d são os respectivos coeficientes estequiométricos. respectivamente. c. b. a lei da ação das massas fornece as seguintes leis de velocidade para as velocidades das reações direta e inversa. onde kd e ki são as respectivas constantes de velocidade. conforme mostrado na expressão abaixo. kd[A]a[B]b = ki[C]c[D]d . para o processo acima descrito é dado pela seguinte expressão. onde A. aA +bB V cC +dD Como se trata de uma reação elementar. C. Nesse modelo. direta e inversa. = / / Cinética e equilíbrio químico Considere a reação elementar reversível dada abaixo. 1− = / / No caso de baixa adsorção tem-se que θ << 1 e.equação química abaixo. vd = kd[A]a[B]b vi = ki[C]c[D]d No equilíbrio químico as velocidades das duas reações. D são os produtos e a. θ por um átomo de hidrogênio. são iguais. obtém-se a seguinte expressão. M representa um sítio vazio. = = 1− Rearranjando a expressão acima. (1−θ) ≈ 1. 2M + H2V 2HM A constante de equilíbrio K.

Isto é uma consequência da lei da ação das massas. K da reação como sendo = obtém-se a expressão clássica para a constante de equilíbrio. .Rearranjando a expressão acima e definindo a constante de equilíbrio. = Verifica-se que a constante de equilíbrio e as leis de velocidade para uma reação elementar estão relacionadas. Quando kd < ki o equilíbrio químico estará deslocado no sentido da formação de mais reagentes. Quando kd > ki o equilíbrio químico estará deslocado no sentido da formação de mais produtos.

348 L/mol s. Explique por que um aumento na temperatura eleva a velocidade da reação. com base na Teoria das Colisões. As constantes de 6437 6679 6767 6851 6930 7006 273 298 308 318 328 338 14.57 × 10–3 L mol–1 s–1. Para uma reação química A + B → produtos . Faça um gráfico de ln k em função de 1/T e calcule a energia de ativação e o fator pré-exponencial. ou seja. a energia de ativação é Ea = 182 kJ mol–1 e a constante de velocidade é k1 = 1. a 503 e 513 K. obtiveram-se dados da variação da constante de velocidade com a temperatura. respectivamente. seus pressupostos e suas conclusões. Discuta a Teoria do Estado de Transição.314 J/mol K. 4. (c) catálise ácida específica. O que é um complexo ativado? Dê exemplos. (b) catálise heterogênea. Considere a seguinte reação: 2HI → H2+ I2. seus pressupostos e suas conclusões. com R = 8. A. O que é um catalisador? Dê exemplos.Problemas 1. Defina energia de ativação. A 700 oC. k2 a 600 oC. através do método dos mínimos quadrados. 7. 11. Utilize a equação de Arrhenius e calcule a energia de ativação. 3. Considere a seguinte reação: CH3I +HI → CH4+ I2. Determine a constante de velocidade a 600 oC. Determine a energia de ativação e o fator pré-exponencial para esta reação. k / 1015 s–1 T/K 10. 12. Utilize a Equação 4. aqueles cuja temperatura corporal segue a temperatura ambiente torna-se mais lento nos dias frios. Ea e do fator pré-exponencial. Estime a energia de ativação para a reação.57 x 10–3 L/mol s. A na equação de Arrhenius.32 × 10–2 s–1. 13. 8. 6. 2. Ea e o fator pré-exponencial. Discuta a Teoria das Colisões. (d) catálise ácida geral. a 200 oC e k2 = 1. (e) catálise enzimática.64 s–1. A velocidade de certa reação química a 100 oC é quatro vezes mais rápida que a 30 o C.2. Explique o significado da energia de ativação. a 275 oC. Calcule a constante de velocidade. A energia de ativação para a reação gasosa 2HI → H 2 + I 2 é 182 kJ/mol. .163 e 0. A constante de velocidade a 700 oC é 1. velocidade para a reação de segunda ordem 2ICl + H 2 → I 2 + 2HCl são 0. 5. Explique por que o metabolismo dos organismos dos animais de sangue frio. A constante de velocidade é k1 = 1. 15. Defina os seguintes termos e dê um exemplo de cada: (a) catálise homogênea. 9.

23. 34. . Quais são os tipos mais comuns de catálise homogênea? Dê exemplos. (b) 100 oC. Pesquise outros tipos de isotermas.3 x 10–2 s–1. 37. 38. O catalisador afeta a constante de equilíbrio de uma reação? Explique. Determine o valor da energia cinética média molar a (a) 30 oC. 21. Exemplifique. 32. O que é a hipótese do estado estacionário? 27. A reação elementar CO + O 2 → CO2 + O possui energia de ativação igual a 213. O que é um catalisador? Dê exemplos. sabendo os raios moleculares rCO = 0. Discuta os seguintes termos.6) à temperatura de 2700 K. O que é catálise enzimática? Exemplifique. Explique o significado da lei de distribuição de Maxwell-Boltzmann. Explique a isoterma de Langmuir. Discuta a semelhança entre a Equação 6. 36. a 550 oC e k=9.2 e a Equação de Arrhenius (Equação 4. Determine o valor da energia cinética média molecular a (a) 30 oC. (b) 100 oC. 18. 35. O que é catálise específica e catálise geral? Dê exemplos. Discuta a teoria dos sítios ativos. 30. Determine a energia de ativação. Explique por que a ordem da reação varia com a pressão. Discuta o conceito de fator estérico.5 x 109 L/mol s. (c) camada monomolecular.5) e o fator pré-exponencial (Equação 5.180 nm. Discuta o mecanismo de Lindemann. Procure exemplos.384 kJ/mol e fator pré-exponencial experimental igual a 3. De que forma a teoria do estado de transição explica o fator estérico? 25. (b) adsorção.16. 28. 17.2 x 10–2 s–1. 29.185 nm e rO2 = 0. Uma reação química de primeira ordem possui k=3. 19. a 575 oC. O que é catálise heterogênea. com relação à catálise heterogênea: (a) especificidade. O que é catálise homogênea. 33. 22. Discuta o significado de estado de transição. Calcule a constante de velocidade (Equação 5. Exemplifique. 26. 31.1) 24. 20. Discuta o mecanismo de Michaelis-Menten.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful