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CORROSÃO EM “FRESTAS” DE ESTRUTURAS, COMO EVITAR ?


SOLUÇÕES UTILIZADAS COM SUCESSO NA UN-FAFEN-SE.
Eduardo Simões da Cruz1, João Correia da Cruz2

Copyright 2003, 7a Conferencia sobre Tecnologia de Equipamentos

Este Trabalho Técnico foi preparado para apresentação na 7a Conferência sobre Tecnologia de Equipamentos, realizada no período de 09 a 12 de
Setembro de 2003, em Florianópolis - SC. Este Trabalho Técnico foi selecionado para apresentação pela Comissão Técnica do Evento, seguindo
as informações contidas na sinopse submetida pelo(s) autor(es). O conteúdo do Trabalho Técnico, como apresentado, não foi revisado pelos
patrocinadores do 7 COTEQ. Os organizadores não irão traduzir ou corrigir os textos recebidos. O material, conforme apresentado, não
necessariamente reflete as opiniões das Associações envolvidas, Sócios e Representantes. É de conhecimento e aprovação do(s) autor(es) que este
Trabalho Técnico seja publicado nos Anais da 7ª Conferência sobre Tecnologia de Equipamentos.

Abstract

This work presents the experience and the practical results of field application of mastique
elastic polish to cold, as sealer of the breaches, of structures and accessories of equipment’s,
pipes, etc. It is intended to stop the corrosive process by differential aeration in highly aggressive
environment, thus increasing the operational reliability, safety, and the useful life of the
equipment and of the coating system reducing the current environmental damages of leaks and
reduction of the maintenance costs.

Resumo

Este trabalho apresenta a experiência e os resultados práticos de campo da aplicação do produto


mastique elástico betuminoso de aplicação a frio, como selador das frestas, de estruturas e
acessórios de equipamentos, tubulações etc., cujo objetivo é o de barrar o processo corrosivo por
aeração diferencial em ambientes altamente agressivos, aumentando assim consideravelmente a
confiabilidade operacional, a segurança, a vida útil do equipamento e do esquema de pintura
aplicado, redução dos danos ambientais decorrentes de vazamentos e redução dos custos de
manutenção.
Palavras Chaves, mastique betuminoso, selante e fresta

1 - Introdução:

Este trabalho visa divulgar a ampla aplicação com sucesso na FAFEN-SE, do produto Mastique
elástico betuminoso de aplicação a frio, como selador das frestas, cantos e regiões de difícil
acesso a aplicação de pintura como: estruturas metálicas, flanges, berços de equipamentos,
calhas de tubulações, chapas de piso, suportes, parafusos, fundo de tanques e etc., cujo objetivo é
o de barrar o processo corrosivo por aeração diferencial, em virtude da atmosfera altamente
agressiva nas nossas unidades operacionais, de armazenamento, tratamento de água, estruturas
dos transportadores, casas de transferência e de carregamento de amônia e uréia.
1
Técnico de Inspeção de Equipamentos - FAFEN/MI-SE/PIE-SE
2
Técnico de Manutenção - FAFEN/MI-SE/CR-SE
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1.1 - Benefícios na selagem das frestas com o mastique betuminoso:

Aumento da confiabilidade operacional, da segurança, da vida útil do equipamento e do esquema


de pintura aplicado visto que a deterioração do esquema de pintura geralmente inicia-se pelas
frestas, bem como redução dos danos ambientais decorrentes de vazamentos e redução
significativa dos custos de manutenção.

2 - Considerações sobre o produto Mastique betuminoso de Aplicação a Frio

2.1 - Características:

Massa betuminosa com cargas minerais inertes em várias consistência.

2.2 - Propriedades:

Formação de camada plástica de grande dureza e resistência químicas;


Impermeável a água e resistente as intempéries;
Produto de grande aderência e forte plasticidade;
Mantém as suas características após o endurecimento superficial;
Não escorre.

2.3 - Campo de aplicação:

Vedação de juntas de dilatação, junções em geral, juntas de montagem em planos, verticais,


horizontais e inclinados, vedação de trincas e calafetação de espaços vazios.

3 - Corrosão em frestas(aeração diferencial) suas causas, conseqüências, prevenção e


controle.

A corrosão por frestas ocorre em locais que duas superfícies estão em contato ou muito
próximas, devido a tensão superficial da água, esta se aloja nas fendas disponíveis e tende a
causar pilhas de aeração diferencial, onde a concentração de oxigênio nas bordas é superior a
concentração da área mais interna da fenda, fazendo dessa uma região anódica, veja figura 01,
02, 03, 04 e 05.
Como conseqüência, o processo de corrosão se concentra na parte mais profunda da fresta
dificultando o acesso e o diagnóstico desse problema.
Em geral, esse problema afeta somente pequenas partes da estrutura, sendo portanto mais
perigosa do que a corrosão uniforme, cujo alarme é mais visível.
A prevenção e o controle: se a corrosão estiver em estágio inicial, pode se recorrer a limpeza
superficial, secagem do interior da fenda e efetuar a vedação com um produto selante.

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Agente corrosivo – umidade


Umidade
Região de baixa concentração de oxigênio
Região de alta concentração de oxigênio

- Figura 01 - Pilha de Aeração Diferencial

Figuras 02 e 03 - Corrosão em frestas nas estruturas dos transportadores de uréia, FAFEN-SE.

Figuras 04 e 05 - Corrosão em frestas em flanges e na região de apoio no berço em vaso de


vagão de amônia. FAFEN-SE.

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4 - Histórico:

De forma a buscar uma solução alternativa, para barrar a corrosão acentuada, principalmente em
frestas das estruturas, acessórios de equipamento e tubulações das unidades da FAFEN-SE, visto
que a nossa atmosfera é bastante agressiva, devido as proximidades das nossas unidades com a
torre de refrigeração, a qual mantém a umidade do ar bastante elevada, umidade esta que dentre
outras, causa a hidrólise da uréia e desta dissociação é formado o acido carbônico, um dos
principais responsáveis pela corrosão em nossa planta e haja visto termos experimentados a
utilização da massas epóxi e das fitas anticorrosivas, sem obter o resultado esperado, pois a
grande maioria das nossas estruturas trabalham, fazendo com que as massas epóxi fissurassem,
devido a sua rigidez e as fitas descolassem e em curto espaço de tempo o processo corrosivo
voltava a aparecer, por tudo isso optamos por fazer experiências com o mastique betuminoso de
aplicação a frio e este vem nos dando resultados satisfatórios, principalmente porque estamos a
cada dia aprimorando a técnica de aplicação, pois o mesmo é facilmente aplicável e nos permite
a corrigir alguns erros de aplicação no passado.

No ano de 1996, iniciamos as primeiras experiências com a aplicação do produto mastique


betuminoso nos flanges das bombas 151022-A/B/C/D, da unidade de tratamento de água, região
com a umidade bastante elevada, devido aos respingos da torre de refrigeração, após mais de seis
anos de aplicação do mastique betuminoso a selagem dos flanges mantém-se eficiente(ver fotos
05,06,) e as frestas entre os flanges encontram-se preservados, sem a presença da corrosão,
recentemente retiramos uma amostra para reavaliação do produto aplicado e constatou-se que
apesar do mesmo apresentar-se ressecado na superfície externa, internamente nas frestas se
apresentam plástico(mole) e sem a presença de fissuras, o que garantiu assim a sua boa
performance.

Figuras 06 e 07 – FLANGES DAS BOMBAS 151022-A/B/C/D - Primeiros equipamentos


selados com mastique betuminoso, aplicações feitas em 1996/97. FAFEN-SE.

Após dois anos da aplicação do mastique nos flanges do equipamento acima e após constatação
da sua eficiência, a sua aplicação, foi estendida na selagem das frestas das estruturas metálicas
dos transportadores, casas de transferência, calhas de tubulação, suportes, berços de
equipamentos, flanges, válvulas e etc. ver fotos 08 e 09

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Figuras 08 e 09 – Frestas de estruturas seladas com mastique


betuminoso, aplicações feitas em 1997 e 1999. FAFEN-SE.

Recentemente, final do ano de 2001, foi efetuado selagens das frestas dos flanges e de alguns
suportes de toda a unidade de desmineralização, ver fotos 10, 11, 12, 13.

Figuras 10,11,12 e 13 – Frestas em flanges, bocas de visita, e calha de tubulação seladas


com mastique betuminoso, aplicações feitas em final de 2001. FAFEN-SE.

Uma aplicação de destaque do mastique, vem sendo feita recentemente nos berços dos vasos dos
vagões de amônia, cuja aplicação é feita adicionalmente a inserção da placa de borracha entre o
berço do vagão e o vaso(ver fotos 14,15,16 e 17).

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Figuras 14,15,16 e 17 – Etapas da selagem com mastique betuminoso berço X borracha X vaso
do vagão de amônia. aplicação feitas em 2002. FAFEN-SE.

No ano de 1999 ocorreu a primeira necessidade de se remover para pintura geral o vaso do berço
de três vagões, imaginava-se que as borrachas que encontravam-se inseridas entre os mesmos
evitavam a penetração de umidade, vedando as frestas entre os mesmos, barrando assim o
processo corrosivo por aeração diferencial, fato este que não foi constatado quando da inspeção
dos mesmos(ver foto 05), as regiões encontravam-se com corrosão bastante acentuada, sendo
necessário até o enchimento com solda em algumas regiões para recompor a espessura, que se
encontravam abaixo da mínima.
Apartir desta ocorrência alguns vasos dos vagões foram removidos dos seus berços, para
inspeção, manutenção e pintura e quando da sua colocação de volta nos seus berços, foi aplicado
o mastique betuminoso como selador do berço x borracha x vaso, selagem esta que até o
momento vem sendo bastante satisfatória. Procedimento este que nos dará maior confiabilidade e
segurança, no transporte da amônia, assim como reduziremos nas próximas campanhas os
tempos de execução dos serviços e consequentemente os custos de manutenção.

5 - Considerações sobre a Uréia:

Como as estruturas das unidades de armazenamento, casas de transferencia e transportadores de


uréia, são possuidoras de uma infinidade de regiões com frestas e o processo corrosivo nestas
encontravam-se bastante acentuadas devido ao meio altamente agressivo(ver fotos 02, 03), pois
os finos de uréia se depositavam nas frestas destas e com a umidade hidrolizavam. Estas áreas
também foram escolhidas para testarmos o mastique betuminoso. Com isso apresentamos
algumas considerações sobre a Uréia:

A Uréia é uma substância altamente higroscópica, sofre hidrólise segundo a seguinte reação
química:

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NH2CONH2 + H2O -------> 2 NH3 + CO2

Uréia + Água Amônia + Gás Carbônico

Este CO2 formado poderá reagir com a Umidade (H2O) formando o ácido carbônico segundo a
reação:

CO2 + H2O ----------> H2CO3

Gás Carbônico + Água Ácido Carbônico

Este Ácido Carbônico é o principal responsável pela corrosão nas tubulações e estruturas.

6 - Procedimento prático para aplicação do mastique betuminoso em “frestas”:

6.1. - Após a secagem(cura) da última demão de acabamento, adotar a seguinte seqüência:


6.1.1- Efetuar limpeza com solvente, conforme a N-5, para remoção de contaminantes.
6.1.2- Colocar fita crepe ao longo da região a ser selada, com afastamento de 20mm da borda da
peça a ser selada.
6.1.3- Em peças como cantoneiras sobrepostas inserir, antes da aplicação do mastique, tiras de
isopor para preencher a fresta, deixando um mínimo de 20mm, para o enchimento com o
mastique.
6.1.4- Aplicar o mastique comprimindo-o para o fundo da fresta preenchendo-a totalmente,
6.1.5- Efetuar o acabamento final, alisando o produto com as mãos úmidas com água.
6.1.5- Após o mínimo de três dias da aplicação do mastique, inspecionar a região selada, com o
objetivo de detectar, possíveis acomodações do produto e preenchê-la se necessário.

Nota: Quando for necessária a aplicação em regiões com a temperatura baixa, recomenda-
se aquecê-las em banho Maria, até atingir a consistência ideal ao trabalho que se destina e
deverá ser fortemente comprimido por meio de ferro aquecido.

7- Vantagens e desvantagens do Mastique betuminoso:

7.1– Vantagens:
7.1.1– Menor custo que as massas epóxi.
7.1.2– Boa aplicabilidade, Temperatura de utilização de –30° a 70° C.
7.1.3– Boa plasticidade, Acompanha as dilatações sem fissurar ou desagregar;
7.1.4– Pode ser aplicada em qualquer fase da aplicação da pintura

7.2- Desvantagens:
7.2.1- Não devem ser aplicadas em temperaturas acima de 70° C e abaixo de –30°C.

8 - Resultados:

O produto mastique elástico betuminoso de aplicação a frio, mostrou-se muito eficiente como
selador das frestas de estruturas, acessórios de equipamentos e tubulação, conforme experiência
já citada anteriormente, porém como todo produto cuja função é barrar o processo corrosivo,
deverá ser aplicado por pessoas treinadas e comprometidas com o serviço a ser executado.

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8 - Recomendações:

8.1 – Incluir a utilização do mastique betuminoso na norma petrobrás N-13.


8.2 – Atender as melhores práticas de projeto na proteção corrosiva, tais como:
Evitar contato de metais dissimilares, evitar frestas, evitar cantos vivos, prever soldas bem
acabadas, prever drenagem de águas pluviais, prever fácil acesso para manutenção e etc.

9- Bibliografia:

9.1 – Nunes, Laerce de Paula e Lobo, Alfredo Carlos O. - Pintura industrial na proteção
anticorrosiva.
9.2 – Manual técnico da Vedacit do Nordeste.
9.3 – Manual técnico da SIKA.
9.4 – Norma Petrobrás N-13.
9.5 – Apostilas da ABRACO – Associação Brasileira de Corrosão.

10 – Colaboradores:

10.1 – Eriosvaldo Martins – Eng.º de Processo – Petrobrás/Fafen.


10.2 – Humberto Batista Júnior – Técnico de Inspeção de Equipamentos – Contratado/Fafen
10.3 – Rildo Cambui Silva - Técnico de Inspeção de Equipamentos – Contratado/Fafen

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