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1.1 .Capitulo 1.

A Educação na era digital

Partindo do princípio que as tecnologias fazem parte do nosso quotidiano, é interessante observar como
estas vêm contribuindo para uma nova relação entre a sociedade e os seus usuários. Dentre as novas
experiências sociais, destacam-se os novos usos do espaço público e as diferentes formas de relações
sociais e comunicação.

A tecnologia, especialmente os dispositivos móveis e a internet, está influenciando diversos aspectos da


vida em sociedade, em outras palavras, práticas sociais de diferentes naturezas (GIDDENS, 2012;
GABRIEL, 2014), o que inclui práticas discursivas e educacionais.

O sociólogo Anthony Giddens (2012, p. 104) aponta que “a disseminação da tecnologia da informação
expandiu as possibilidades de contactos entre as pessoas ao redor do planeta”. Como reflexo disto,
podemos encontrar um crescente número de trabalhos que tratam dos “impactos” da tecnologia na
sociedade.

Distinguindo se dos demais seres vivos, os homens utilizaram galhos, pedras e ossos como ferramenta
dando-lhes múltiplas finalidades que garantissem a sobrevivência e uma melhor qualidade de vida,
produzindo e criando tecnologia, (SIMONDON,1969 apud KENSKI,1998,p.5859),que foram adquirindo
formas e elementos específicos a cada tempo histórico. Neste sentindo, do ´´osso utilizado como
ferramenta pelos primeiros humanóides até o ambiente quotidiano em que vivemos, a trajectória humana
tem paradoxalmente seus avanços e sus limites ligados ao uso das tecnologias´´ (KENSKI,2003,P.91),
que se configuram como uma das variáveis mais importantes para compreender a evolução sócio cultural
das sociedades (SILVA; CONÇEIÇAO,2013,P.137 ), reordenando as relações do homem com o mundo e
gerando transformações em diferentes níveis do sistema sócio cultural.

As mudanças que têm ocorrido com o surgimento de distintas tecnologias ao longo das história humana
têm promovido rupturas na ‘passagens de uma configuração comunicativa a outra´´(SILVA,2005) ,que se
recompondo com o passar do tempo e a adaptação da sociedade á configuração outrora temida. Na
contemporaneidade, as TICs conjugam elementos da’ ‘ das tecnologias computacional ou informática
com a tecnologia das telecomunicações ‘’ (MIRANDA, de novas formas de comunicação e de novos
processos de intelectualização humana’’(SILVA,2005,p.342007,p.42), com tudo, elas não representam a
primeira grande, revolução na história da comunicação humana, que se deu com a escrita. Silva(2005)
recorda que história da humanidade passou por ‘’três momentos de ruptura e continuidade comunicativa
provocadas pelo o aparecimento de novas tecnologias : a escrita, a imprensa e o cinema’’. A tecnologia da
escrita começou tardiamente a impulsionar a actividade intelectual. O ‘’ Homem sapiens terá uns 50000
anos , o homem Pictor uns 20 mil anos, mas a primeira verdadeira escrita que conhece apareceu apenas
entre os sumérios por volta de 4 mil a.C.’’ e esta associada as sociedades ‘’ sedentarizadas, urbanizadas,
uma industria e comércios desenvolvidos, necessitando, por conseguinte,).

Transformações na produção de conhecimento

Do ponto de vista científico e tecnológico, constatamos profundas transformações na maneira como


produzimos conhecimento contemporaneamente. Vivemos em um mundo onde as grandes velocidades e,
principalmente, a aceleração com que os aparatos se deslocam, provocam modificações profundas nas
nossas formas de pensar e de ser. Movemo-nos em velocidades nunca dantes experimentadas.

A humanidade passou de deslocamentos que giravam em torno dos três a 10 km/h velocidade do
caminhar ou dos animais para velocidades em torno de 1.000 km/h a dos aviões super sónicos. Tudo isso
no tempo equivalente à vida de apenas uma ou duas gerações.
Para o pesquisador argentino Alejandro Piscitelli (2002), essas mudanças provocaram um profundo
deslocamento existencial do ser humano, com consequências directas na relação sujeito/objecto, já que
componentes tecnológicos passam a ser elementos fundantes de uma nova estruturação cultural,
transformando a relação homem-máquina, sobretudo em função do desenvolvimento da nano tecnologia.

Tais mudanças estão directamente associadas às radicais transformações na forma como produzimos
conhecimentos, uma vez que, segundo o físico italiano Marcelo Cini em seu livro O paraíso perdido,
"[...] passamos de um mundo onde as leis científicas estavam centradas na ordem um modelo baseado em
leis simples que davam conta de sua explicação para um sistema mais complexo, onde a desordem, a
irregularidade, o inesperado, estão presentes de forma mais intensa" (Cini,1998, p. 111). As descobertas
dos fenómenos caóticos, das relações não lineares e dos fractais em muito contribuíram para as
transformações na maneira como pensamos contemporaneamente, demandando uma ampliação da nossa
relação entre tecnologia e cultura, como propõe Mark Poster, ao reflectir sobre o virtual.

Todas essas transformações trouxeram para o cenário actual a ideia da chamada sociedade da informação,
do conhecimento ou, como prefere Manuel Castells (1996), informacionalismo, no qual um dos
elementos marcantes é a velocidade com que as próprias tecnologias, particularmente as de informação e
comunicação, se implantam.

Há cerca de 60 anos nascia a televisão e, daqui a poucos anos, certamente, não mais a teremos com o
actual modelo (Gilder, 1994), que se manteve aproximadamente o mesmo desde o seu nascimento. Para
se ter um pequeno exemplo, nos Estados Unidos, o rádio levou 38 anos para ser usado por 50 milhões de
pessoas, enquanto a internet apenas quatro anos (Takahashi, 2000, p. 3). Isso nos mostra que uma única
geração é capaz de ver nascer e desaparecer uma dessas tecnologias, especialmente as digitais de
informação e comunicação, muitas vezes sem nem mesmo se aperceber disso. Implanta-se a cultura da
velocidade e essa associa-se, de forma intensa, com a velocidade com que são descartadas soluções
tecnológicas que mal foram criadas.

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