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MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL PROCURADORIA DA REPÚBLICA NO AMAZONAS PROCURADORIA REGIONAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ FEDERAL DA __ VARA DA SEÇÃO JUDICIÁRIA DO ESTADO DO AMAZONAS

AÇÃO CAUTELAR PREPARATÓRIA ASSUNTO: Projeto de Gás Natural de Urucu – Protocolos de Cooperação entre o Estado do Amazonas e a Petrobrás visando ao início da construção do gasoduto ligando Coari-Manaus e Urucu-Porto VelhoManaus

O ÓRGÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL, pelo Procurador da República signatário, com suporte no art. 129, XI, da Constituição Federal; art. 5º, III, alínea "e", e art. 6º, XII, ambos da Lei Complementar nº 75/93 (Lei Orgânica do Ministério Público da União), art. 82, I, da Lei n.º 8.078/90; bem como do art. 796, caput, do CPC, vem, perante V.Ex.ª, propor a presente

AÇÃO CAUTELAR PREPARATÓRIA (COM PEDIDO LIMINAR)
Em face do IBAMA, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, autarquia federal de regime especial, representado neste Estado por seu Gerente Executivo, o Sr. José Leland Juvêncio Barroso, passível de ser citado na Rua Min. João Gonçalves, s/nº, BR 319, km 01 Distrito Industrial, Manaus/AM; IPAAM, Instituto de Proteção Ambiental do Estado do Amazonas, autarquia estadual, representado por seu Presidente, o Sr. Virgílio Maurício Viana, passível de ser citado na Rua Recife, nº 3280, Adrianópolis, Manaus/AM; e

8. referente aos trechos Urucu-Porto Velho e CoariManaus. explicitou as prerrogativas inerentes ao Ministério Público Federal. III.] XII – promover a ação civil coletiva para a defesa de direitos individuais homogêneos 2 . O Ministério Público. tem como função precípua a defesa da ordem jurídica. em seu artigo 82.MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL PROCURADORIA DA REPÚBLICA NO AMAZONAS PROCURADORIA REGIONAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO PETROBRÁS S/A – GASPETRO. 6º. em favor da Petrobrás. sociedade de economia mista. CEP: 20035-900. terá por escopo seja a Petrobrás – Gaspetro condenada à obrigação de não fazer consistente na não construção dos gasodutos nos trechos Urucu-Porto Velho e CoariManaus. A Lei Complementar n.. estes entendidos como aqueles oriundos de uma base comum (art.078/90 . do meio ambiente e de outros interesses difusos e coletivos. A presente Ação Cautelar Preparatória visa obter provimento jurisdicional em defesa do meio ambiente. estabelece como mecanismo de atuação do MP a propositura de ação civil pública em defesa do patrimônio público e social. em seu art.. a Constituição Federal. parágrafo único. 13/03/2003. DO OBJETO DA AÇÃO CIVIL PÚBLICA PRINCIPAL 2. Compete ao Ministério Público da União: [. abaixo transcrito: “Art. o Sr. representada por seu Presidente. do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis. Lei n. A Ação Civil Pública Principal. 5. como Instituição essencial à Justiça. 4. inciso III. da qual esta é preparatória. II. o Código de Defesa do Consumidor. 127 da CF/88. I. da lei retrocitada). República do Chile.. em seu art. a fim de que se SUSPENDA a Licença Prévia nº 133/2002 concedida pelo IBAMA. 6º. conforme art. nº 65. 81. passível de ser citado na Av. Desta feita. 129. coletivos e individuais homogêneos. Rio de Janeiro/RJ. DA LEGITIMIDADE ATIVA DO MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL e ESTADUAL 3. Por seu turno. DO OBJETO DA AÇÃO CAUTELAR PREPARATÓRIA 1. José Eduardo de Barros Dutra. em 13/08/2002.º. conforme as Recomendações do MPF e as informações do Parecer Técnico dos órgãos ambientais. confere legitimidade ao Ministério Público para ajuizar toda e qualquer ação coletiva na defesa dos direitos difusos. a qual foi requerida pela Petrobrás na data de hoje. até que fique satisfatoriamente suplementado o Estudo de Impacto Ambiental apresentado. relativa ao Projeto de Gasoduto Urucu-Porto Velho e para EVITAR a concessão da Licença Prévia pelo IPAAM para o mesmo empreendimento.º 75/93.

e Resolução nº 09/87. 109. do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis”.. as conclusões da Informação Técnica nº 54/02. o IBAMA concedeu a Licença Prévia nº 133/2002. que analisa o documento Resposta ao Ministério Público Federal. e a Petrobrás.. os Procuradores da República no Amazonas e em Rondônia recomendaram à Petrobrás. especialmente que: “(. Ocorre que naquela mesma data.Porto Velho. Assim. homogêneos.000157/2000-30. até o cumprimento daquelas recomendações por parte da Petrobrás/Gaspetro. recomendaram ao IBAMA que se abstivesse de emitir qualquer Licença ou aprovar o projeto em questão. sociedade de economia mista. O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL.. comprovada está a legitimidade ativa do parquet para a propositura da presente Ação Cautelar Preparatória. respaldado nos arts. em defesa da ordem jurídica.. Consta da IT nº 156/02 – 4ª CCR diversos fatos que motivam a presente ação. no uso de suas atribuições legais e. o MP vem a Juízo defender o direito constitucional ao “meio ambiente ecologicamente equilibrado. de 23/12/2002. de 13 de outubro de 2002.) Levando em consideração. Com efeito. em 13/08/2002.000. órgão público federal. e 9º. nos seguintes termos: “RECOMENDAÇÃO N. da Carta Magna. que procedesse à suplementação do EIA/Rima apresentado. caput da CF/88).MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL PROCURADORIA DA REPÚBLICA NO AMAZONAS PROCURADORIA REGIONAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO d)outros interesses individuais indisponíveis. de 20 de maio de 1993. 001/2002. 9. RESUMO FÁTICO 8. esta enviou às fls. sob o nº 1. por força do art. o Ministério Público Federal expediu a RECOMENDAÇÃO nº 001/2002. IV. da Lei Complementar nº 75. Solicitada manifestação da 4ª Câmara de Coordenação e Revisão do MPF. sociais. 3 . 13/08/2002. inciso XX. inciso III. 892/908 a Informação Técnica nº 156/02 – 4ª CCR.” (art. entre outros documentos. sendo competente a Justiça Federal para processar e julgar o feito. 6. bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida. 225. 6º. No presente caso. difusos e coletivos. de 3 de dezembro de 1987 do CONAMA e. elaborado pela Petrobrás Gás S/A – Gaspetro e pela empresa Serviços de Consultoria em Meio Ambiente Ltda. eis que a questão toca o IBAMA.” 10. visando coibir o dano ao meio ambiente em face da insuficiência do EIA apresentado. Por fim. destacando uma série de providências. sobre o gasoduto Urucu.. através dos Procuradores da República que esta subscrevem. O Ministério Público Federal autuou a Representação oriunda da Comissão Pastoral da Terra – CPT. inciso I. 7. XIV – promover outras ações necessárias ao exercício de suas funções institucionais.13.

etc. 7º. de 29/05/2002. quais os dados que teriam alimentado o SIG. em caso positivo. 6º. III da Constituição Federal e art. a colonização (aumento populacional exagerado) e outros desastres ambientais. enviados pelo Ofício/4ª CCR/nº 293. VII. facilitando o desmatamento predatório. referente a análise do EIA/RIMA e documentos correlatos concernentes ao Gasoduto Urucu – Porto Velho e fitas das audiências públicas realizadas.000157/2000-30.Porto Velho . b) definir a área de influência a ser adotada no EIA privilegiando as características ambientais e sociais. com atenção às seguintes providências: a) esclarecer as divergências entre as informações divulgadas nas audiências públicas e as constantes no EIA/RIMA. I . e) obedecer a Resolução CONAMA 01/86. c) proceder a análise comparativa da viabilidade ambiental de outras opções de transporte do gás natural. o maior pólo de avanço da fronteira agropecuária sobre a Floresta Amazônica (o Estado de Rondônia) a partes ainda preservadas da maior floresta tropical contínua do planeta. CONSIDERANDO o dever legal do MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL de adotar providências com vistas a proteção do meio ambiente. e não somente a mera listagem dos mesmos.Manaus. que trata do projeto de gás natural de Urucu – Protocolos de Cooperação entre o Governo do Estado do Amazonas e a Petrobrás. RESOLVE. h) elaborar diagnóstico socioeconômico de acordo com o constante do termo de referência do IBAMA.13.RECOMENDAR à PETROBRÁS que proceda à SUPLEMENTAÇÃO do EIA/RIMA apresentado. em anexo.000.MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL PROCURADORIA DA REPÚBLICA NO AMAZONAS PROCURADORIA REGIONAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO CONSIDERANDO o teor da Representação PRDC/PR-AM nº 1. peixes e invertebrados que permitam uma avaliação dos potenciais impactos sobre esses grupos de animais. com estudos equivalentes aos apresentados para o transporte por gasoduto. d) informar se foi utilizado SIG para a escolha do menor traçado e da locação de clareiras. g) realizar a abordagem sobre a questão do comércio ilegal de espécies da fauna e da flora local. e. f) avaliar o potencial impacto do projeto sobre as populações de animais considerados sob algum risco de extinção na área de influência. por via terrestre e pela Hidrovia do Madeira. quanto aos diagnósticos do meio biótico. e o possível incremento de tal atividade em função do empreendimento. de acordo com o art. visando o início da construção do gasoduto ligando Coari Manaus e Urucu . CONSIDERANDO os “remarques fina is” constantes da Informação Técnica nº 54/02 – 4ª CCR. “b” c/c art. 129. 4 . canteiros de obras. alojamentos. I da Lei Complementar nº 75/93. CONSIDERANDO que o mencionado projeto ligará. com informações sobre mamíferos. tais como propor Inquérito Civil e Ação Civil Pública.

na forma do art. Alternativas locacionais e de transporte... Tal recomendação não restou cumprida.) Relembramos que quanto maior a largura da faixa. até o cumprimento por parte da Petrobrás das recomendações acima. decorrentes da fragmentação de habitats. III . e o) incluir no relatório informações detalhadas a serem obtidas com a FUNAI sobre a situação em que se encontram os Povos indígenas da região – incluindo os Povos Indígenas isolados . sob o ponto de vista técnico e econômico (item c) ainda não está claramente demonstrada. 6º... Muito pelo contrário. 8 e 20 metros (. III da Resolução CONAMA 01/86). foi também concedida pelo IBAMA a LP nº 133/2002. Área de Influência e faixa de servidão do gasoduto. Quanto às inconsistências encontradas no EIA/RIMA apresentado pela Petrobrás. que ligará a Província Petrolífera do rio Urucu – AM a uma usina termelétrica localizada na cidade de Porto Velho – RO. permanece a dúvida sobre a largura final. (. (. que poderá variar entre 6. totalizando 550 km de extensão. assim como apresentar datas para que seja realizado o processo de demarcação da Terra Indígena Juma. principalmente nos seguintes aspectos: “3.) Sobre a faixa de servidão (item a). em andamento ou planejados) para a região do empreendimento. utilizam recursos naturais e/ou trabalham nas áreas da faixa de domínio do gasoduto. 12. a qual agora se busca suspender. com dois “City Gates”.MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL PROCURADORIA DA REPÚBLICA NO AMAZONAS PROCURADORIA REGIONAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO i) atender integralmente às orientações do IPHAN.. 5º da Resolução nº 09/87 do CONAMA. do qual deverão ser informadas as Procuradorias da República no Amazonas e em Rondônia.FIXAR prazo de 60 dias para o cumprimento desta Recomendação. II . a IT nº 156/02 – 4ª CCR apontou que estas permanecem.. n) avaliar os impactos cumulativos dos vários projetos (concluídos. bem como para os trabalhadores do transporte fluvial de combustível. na mesma data em que expedida. e do efeito de borda. maiores também podem se mostrar certos impactos sobre a fauna e a flora. 5 .” 11. j) proceder estudos específicos nos Municípios de Coari e Humaitá.RECOMENDAR ao IBAMA que se ABSTENHA de proceder.) a alegação de que as outras opções de transporte do gás são inviáveis. qualquer LICENÇA ou APROVAÇÃO DO PROJETO em questão. inclusive com as informações advindas da Avaliação Ambiental Estratégica dos Eixos de Desenvolvimento da Amazônia (se já concluída). sobre as comunidades próximas ao Rio Madeira e os assentamentos rurais localizados nos últimos trechos do traçado. nos bairros urbanos de Porto Velho. 3. especialmente nas margens do Rio Mucuim. relativa ao projeto do Gasoduto Urucu – Porto Velho.assinalando a situação fundiária das Terras Indígenas ali localizadas.1.2. l) contemplar as conseqüências diretas para as famílias que residem. m) esclarecer a possibilidade de mitigação dos impactos ambientais (art.

(.MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL PROCURADORIA DA REPÚBLICA NO AMAZONAS PROCURADORIA REGIONAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO (..) Quanto à parte intitulada ‘Sistema Geográfico de Informações – SIG – Urucu-Porto Velho’.) falta de estudo sobre as espécies ornamentais de peixes. a justificativa para o baixo número de espécies listadas no EIA é que a atenção foi dada àquelas utilizadas na alimentação dos moradores locais. uma vez que seu corpo técnico considerou que: ‘De modo geral. (.) entendemos que a Licença Prévia do projeto não poderia ter sido emitida sem a apresentação da análise ambiental das alternativas – este é um direito da sociedade.. (.. Assim. portanto. A Gaspetro/Cepemar deve explicar em que sentido essas espécies são indicadoras de características ambientais e sensíveis às alterações previstas no meio em que vivem).) decorridos mais de dez anos da conclusão do estudo da ‘alternativa’ concebida pela Petrobrás. até o momento. os critérios e metodologias empregadas.....) A Gaspetro/Cepemar afirma que não foi considerado relevante efetuar uma lista sistemática completa dos animais da área de influência (. As 55 espécies listadas são chamadas de ‘indicadoras’ (o termo ‘indicador’ tem aplicação restrita quando se trata de estudos de Ecologia. Questões relativas ao meio biótico (. ressaltamos que a análise foi prejudicada porque o texto refere-se constantemente a cores das imagens da tela de monitor de microcomputador e esta equipe pericial somente trabalhou com uma cópia monocromática (.. inicialmente..) Quanto à mastofauna (mamíferos).. elaborada pela Engenharia da Petrobrás entre 1989 e 1992.. I. ou seja........ a Gaspetro/Cepemar apresenta somente análises de ‘microalternativas de traçado’. 3.3. análises em pontos específicos do traçado como um todo. Não há como caracterizar as 55 espécies listadas como indicadoras.. é incompreensível que o Ibama tenha aceitado o Estudo da Cepemar e atestado.) Quanto aos dados que teriam alimentado o SIG... a viabilidade ambiental do empreendimento.. (. a situação da BR-319 pode Ter mudado.) falta de diagnóstico da ocorrência e do uso de espécies ornamentais. igualmente. o que só poderia ter sido atendido mediante um levantamento mais demorado e elaborado das espécies que ocorrem na área de influência.) Deve-se considerar.). um memorial descritivo de uma opção de traçado..) o Parecer Técnico nº 189-A – DILIQ/CGLIC/COLIC do Ibama também indica falhas no EIA (. a Gaspetro/Cepemar apresenta como resposta.) pouca atenção que dedicou à biopirataria.. que a Resolução Conama 001/86 (art. (. (.... 6º.).. também..’ 6 .. o que não se tem. desta forma. (.. os estudos ficaram incipientes no que trata principalmente das áreas mais críticas. (. (..) É necessário que explicitem. sobretudo em atividades de Manejo de Fauna e Avaliação de Impactos. b) exige o diagnóstico das espécies raras e ameaçadas de extinção.

. positivas ou negativas. aos quais correspondem realidades e características peculiares e diferenciadas das comunidades ribeirinhas tradicionais. esta que é uma das questões de maior gravidade e interesse nessa obra. esta obra não deve ser tomada como se tratasse de uma obra isolada (. (. e a superficialidade da abordagem especificamente relacionada aos assentamentos do Incra. sem manifestação..) o EIA não considerou as conseqüências para os trabalhadores do transporte fluvial e suas famílias.. sobre o potencial de atração populacional do empreendimento (este tema da migração está no centro das preocupações dos diversos atores sociais que têm-se manifestado sobre o gasoduto e seu EIA e é matéria que consta do TR do Ibama. medidas de precaução devem ser largamente aplicadas pelos estados. ao patrimônio arqueológico e nada foi escrito sobre outros bens culturais abarcados pelo conceito. Questões socioambientais e culturais (.) Exige-se de um EIA. a simultaneidade e a quantidade de empregos diretos e indiretos previstos na fase de construção). Vale lembrar a duração das obras (2 anos e dois meses).. verbis: “Para proteger o meio ambiente. Observe-se. por falta de parâmetros..) Cumpre-nos observar que..4. se não foi devidamente analisada. (... Em caso de risco de danos graves ou irreversíveis.) considerar esta que é também uma das suas características: sua vinculação a um conjunto mais amplo de obras e atividades.. V. DO DIREITO 14. O que se busca com a presente ação é dar efetividade ao princípio da precaução que permeia o Direito Ambiental e está disposto no Princípio 15 da Declaração do Rio de Janeiro/92.) As ‘Respostas’ não apresentam elementos que sustentem não ter o gasoduto ‘potencial de atração de populações de forma permanente e definitiva’.. como no EIA. por fim.. segundo suas capacidades.) o Parecer Técnico do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas – IPAAM conclui pela recusa do Estudo de Impacto do gasoduto. (.... (. (. a ausência da 7 .MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL PROCURADORIA DA REPÚBLICA NO AMAZONAS PROCURADORIA REGIONAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO (. conforme a Resolução do CONAMA 001/86.) reiteramos nosso entendimento sobre as lacunas na pesquisa direta em todas as comunidades ribeirinhas.. que o prazo para a Petrobrás/Gaspetro apresentar informação sobre a IT nº 156/02 – 4ª CCR expirou em 28/02/2003.. 3.) as ‘Respostas’ se limitaram. análise das propriedades cumulativas dos impactos aos meios físico e biótico e suas repercussões socioambientais.) Para análise do potencial de indução de transformações locais e regionais deste grande empreendimento.. recomendando novas campanhas de campo.” 13. acima reproduzido.. (. não é possível aceitar o ponto de vista.

9º...... que prevê também o conteúdo do Estudo: área de influência do projeto..... que dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente.. O EIA é também um dos instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente (art.... IV.. o princípio da prevenção....... 1992.. dispõe que a Política Nacional do Meio Ambiente tem por objetivos a preservação. com base em Schmidt: ‘Pode ser visto como um quadro orientador de qualquer política moderna do ambiente.....cit........938/81). prioritariamente à correção dos efeitos dessas ações ou atividades suscetíveis de alterarem a qualidade do ambiente’ (ob.938.... análise das alternativas.. identificação e avaliação dos impactos ambientais do projeto...... IV – proteção dos ecossistemas..... No Brasil.... pp.. distribuição dos ônus e benefícios sociais do projeto. a Lei nº 6. que busca dar efetividade ao direito assegurado no caput....” ( in: MUKAI.. Eis aí contemplado.. ... dentre outros aspectos... descrição inicial do local.. os seguintes: I – ação governamental na manutenção do equilíbrio ecológico. as atuações com efeitos imediatos ou a prazo no ambiente devem ser consideradas de forma antecipada...... IX – proteção de áreas ameaçadas de degradação.. tendo em vista o uso coletivo. através do seu art.. dentre outros princípios.................... Quanto ao Estudo de Impacto Ambiental... 225... de 31 de agosto de 1981.. Leme Machado que: 17.... Quanto à licença prévia..... melhoria e recuperação da qualidade ambiental.......... medidas mitigadoras/compensatórias...... reduzindo ou eliminando as causas.. ensina o mestre Paulo Affonso “A autorização prévia.MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL PROCURADORIA DA REPÚBLICA NO AMAZONAS PROCURADORIA REGIONAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO certeza científica absoluta não deve servir de pretexto para procrastinar a adoção de medidas visando a prevenir a degradação do meio ambiente.... ....... análise do desenvolvimento sustentado....... com a preservação de áreas representativas. 2º.. 80). leciona a doutrina sobre o princípio da “É o autor português quem nos oferece o seguinte significado deste princípio.. § 1º......... no Direito positivo brasileiro........... cujo procedimento está regulamentado principalmente pela Resolução CONAMA 001/86.... p.... Toshio...... considerando o meio ambiente como um patrimônio público a ser necessariamente assegurado e protegido.... 35/36).......... Rio de Janeiro: Forense Universitária.. é uma fase em q ue a Administração Pública mostra ao requerente suas pretensões 8 ..... 16..... Direito Ambiental Sistematizado.... chamada licença prévia..... III da Lei nº 6..... atendidos.... este é uma exigência constitucional contida no art... Com efeito.. Utilizando os termos da alínea a do artigo 3º da Lei de Bases do Ambiente. Significa que deve ser dada prioridade às medidas que evitem o nascimento de atentados ao meio ambiente..” prevenção que: 15.

225. 746/797). vem o MPF requerer sua suspensão a fim de evitar danos irreversíveis ao meio ambiente. do 9 . 5ª edição. e também face ao comprovado não atendimento dos requisitos do EIA (art. IV da CF/88. 18.as audiências revelaram diferenças e divergências entre as informações repassadas ao público durante esses eventos e os textos do Estudo de Impacto Ambiental e.” ( in: MACHADO. Direito Ambiental Brasileiro. dado o caráter de precariedade da LP acima explicitado. encontrase amplamente comprovado. que ressalta no item “remarques finais”: “ .938/81 e Resolução CONAMA nº 001/86) que justificam a medida da suspensão/não concessão da Licença Prévia ao empreendimento. 2º da Lei nº 6. A fase chamada de ‘licença prévia’ pode coincidir com o estudo de impacto ambiental. Além disso. p. O perigo da demora de uma decisão favorável. 9º. mesmo que tenha despendido recursos com o planejamento da obra ou da atividade. principalmente. Paulo Affonso Leme. a licença expedida pelo IBAMA contrariou não somente a Recomendação do MPF. Trata-se. VI. III da Lei nº 6. mas também o Parecer dos próprios técnicos do órgão ambiental. não somente sob o aspecto do meio ambiente físico e biótico (impactos sobre a biodiversidade) mas também sociocultural.938/81). 1º.MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL PROCURADORIA DA REPÚBLICA NO AMAZONAS PROCURADORIA REGIONAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO lastreadas estas no seu poder vinculado e no seu poder discricionário. Os principais impactos sócio-ambientais que poderão ser provocados pela demora da decisão favorável estão descritos na Nota Técnica da 054/02 4ª CCR (fls. b) Periculum in mora 20. DO PEDIDO a) Do fumus boni juris 19. No caso em questão. Além disso. São Paulo: Malheiros. A plausibilidade do direito aqui invocado baseia-se na aplicação do Princípio da Precaução (Princípio 15 da Declaração do Rio de Janeiro/92 e art. e a não concessão da licença pelo órgão estadual. Assim. e a nulidade pode ser pronunciada pela própria Administração Pública ou pelo Judiciário. Vinculada está a Administração àquilo que a legislação expressa ou implicitamente já exigir. com o crescimento populacional acelerado que poderá ser causado pela migração e abertura de postos de trabalho. qualquer decisão precipitada da Administração Pública licenciando antes do RIMA é nula. repita-se. A ‘licença prévia’ não gera direitos para o requerente. a Administração ambiental poderá acrescentar requisitos que a ciência e o interesse público lhe ditarem. mas normalmente o estudo deverá anteceder a ‘licença prévia’. uma vez que o licenciamento do empreendimento sem a solução das questões não respondidas pelo EIA pode colocar em risco toda a região já pressionada pela expansão da fronteira agropecuária sobre a floresta (área de influência da BR-319). de fase de estudo em que não há engajamento definitivo da Administração Pública com o pedido. quando o projeto comportar o estudo de impacto ambiental. 1995. 174) (grifo nosso). 21. art.

Ademais. . . mesmo neste caso. . interpretados e valorados os impactos reconhecidos no EIA. sintetizados.o EIA não aborda a questão do tráfico de plantas e animais (comércio ilegal e biopirataria) na região do empreendimento e o possível incremento dessa atividade em função do empreendimento. peixes e invertebrados são limitados e não permitem uma avaliação dos impactos sobre esses grupos de animais. sobre as comunidades próximas ao rio Madeira e os assentamentos rurais localizados nos últimos trechos do traçado. destacando-se que os levantamentos (listagens) de mamíferos. comprometeu a avaliação de impactos. .o diagnóstico socioeconômico não atendeu ao necessário. sem que tal procedimento se apoie em adequada fundamentação.o EIA não permite avaliar com segurança o impacto do gasoduto sobre as populações de animais considerados sob algum risco de extinção na área de influência do projeto. . os dados que teriam alimentado o SIG. estes acabam por ser atenuados na avaliação final. utilizam recursos naturais e/ou trabalham nas áreas da faixa de domínio do gasoduto.MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL PROCURADORIA DA REPÚBLICA NO AMAZONAS PROCURADORIA REGIONAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO Relatório de Impacto Ambiental – documento de consulta das populações afetadas.a definição da área de influência adotada no EIA privilegia as características da obra em detrimento das características ambientais e sociais. . não tendo apresentado claramente e de modo extensivo. etc.o EIA transmite incerteza quanto ao uso de um Sistema de Informações Georreferenciadas – SIG para a escolha do melhor traçado e da locação de clareiras. pela forma como são nomeados. canteiros de obras.a ausência de estudos específicos em Coari e Humaitá. . alojamentos.o EIA não apresenta os levantamentos e a análise que permitiram concluir ‘ser plenamente viável o transporte do gás natural por gasoduto’. . bem como para os trabalhadores do transporte fluvial de combustível. sendo que. consequentemente.o atendimento às orientações do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN restringiu-se ao patrimônio arqueológico.os diagnósticos do meio biótico não atendem ao disposto na Resolução CONAMA 01/86. 10 . . especialmente nas margens do Mucuim. . nos bairros urbanos de Porto Velho. . a avaliação de impactos também não.o diagnóstico socioeconômico e as avaliações conclusivas nele baseadas não são satisfatórias e não respondem a tópicos essenciais do termo de referência do IBAMA. Para qualquer avaliação comparativa de viabilidade ambiental é necessário apresentar estudos equivalentes em relação a todas as opções de transporte. procedeu-se de modo diferente ao recomendado.a avaliação final do EIA não contemplou as conseqüências diretas para as famílias que residem.

11 da Lei 7.o EIA não avalia a eficiência das medidas apresentadas para fazer face à maior parte dos efeitos ambientais e sociais negativos. c) Do pedido Liminar 23. justifica-se a urgência da medida ora pleiteada.347/85. até o momento. restam muitas dúvidas quanto à possibilidade de mitigação de vários impactos. . Assim sendo.a inexistência de um Zoneamento Ecológico-Econômico para o Estado do Amazonas. não permite atestar a sustentabilidade ambiental do presente Gasoduto. fls. 799/801). indicar a necessidade de alterações em alguns projetos. por cada dia de atraso no cumprimento da liminar pleiteada. 6º. na data de 31/10/2002.MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL PROCURADORIA DA REPÚBLICA NO AMAZONAS PROCURADORIA REGIONAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO . em desacordo com o disposto na Resolução CONAMA 01/86.00 (quatro mil reais). . d) seja cominada aos Réus MULTA DE R$ 4. em andamento ou planejados) para a região do empreendimento. em face da presença do fumus boni juris e do patente periculum in mora. requer o Ministério Público seja concedida MEDIDA LIMINAR INAUDITA ALTERA PARS. Frente a todas essas irregularidades do EIA identificadas na primeira Nota Técnica da 4ª CCR e que permanecem presentes. não obstante a Recomendação do MPF para a suplementação do estudo.000. para que sejam: a) O Réu IBAMA obrigado a proceder à imediata suspensão da Licença Prévia nº 133/2002. Em conseqüência.consideramos que o EIA do Gasoduto Urucu-Porto Velho levado ao debate público não se apoiou nos estudos necessários à apropriada avaliação de impactos. 11 . III. art. como o do presente Gasoduto. b) O Réu IPAAM obrigado a não conceder a licença prévia requerida pela Petrobrás na data de 13/03/2003. relativa ao projeto do Gasoduto Urucu – Porto Velho. de 13/10/2002 (no anexo. c) A Ré PETROBRÁS obrigada a complementar o EIA-RIMA com as informações e providências descritas na Recomendação MPF nº 001/2002. Uma Avaliação Ambiental Estratégica dos Eixos de Desenvolvimento da Amazônia está sendo providenciada e seus resultados podem. . nos termos do art.não se fez. de forma que sua influência sobre a dinâmica regional não está satisfatoriamente determinada.” 22. uma avaliação dos impactos cumulativos dos vários projetos (concluídos. concedida a empresa Petrobrás Gás S/A – GASPETRO. não atendida. aliada às lacunas já apontadas no presente EIA/RIMA. em tese. Postergar tais estudos para uma etapa posterior à concessão da Licença Prévia – complementando um EIA deficiente – nos parece inaceitável.

18 de março de 2003. com IV volumes e 924 laudas. concedida a empresa Petrobrás Gás S/A – GASPETRO.000047/2003-11. 11 da Lei n. 799/801). na data de 31/10/2002. d) A Ré PETROBRÁS condenada a obrigação de fazer consistente na complementação do EIA-RIMA com as informações e providências descritas na Recomendação MPF nº 001/2002. Protesta-se provar o alegado por todos os meios de Dá-se à causa o valor de R$ 100.00 (cem mil reais) . e 1 Apenso (Representação nº 1. relativa ao projeto do Gasoduto Urucu – Porto Velho.º 7.000. com 07 laudas).347/85. 12 .13. de 13/10/2002 (no anexo. decisão cautelar. provas em direito admitidas. Ante o exposto requer o Ministério Público: a) Sejam os réus citados para contestação sob pena de revelia. d) seja cominada aos Réus MULTA DE R$ 4.00 (quatro mil reais).000. fls. Manaus.000.MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL PROCURADORIA DA REPÚBLICA NO AMAZONAS PROCURADORIA REGIONAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO d) Do Pedido Definitivo 24. 25. conforme o art.13. c) O Réu IPAAM condenado a obrigação de não fazer consistente na não concessão da licença prévia requerida pela Petrobrás na data de 13/03/2003. Sérgio Lauria Ferreira Procurador da República Anexo: Cópia do Procedimento Administrativo nº 1. apresentarem b) O Réu IBAMA condenado a obrigação de fazer consistente na imediata suspensão da Licença Prévia nº 133/2002. por cada dia de atraso no cumprimento da r.000157/2000-30.000.