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UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MONTES CLAROS

Centro de Ciências Humanas Departamento de Comunicação e Letras Letras Inglês

Bruno Nogueira Silva

Cantares, de Hilda Hilst
O Poema Cantares, de Hilda Hilst, obra composta pela reunião de dois livros: Cantares de perda e predileção (1983) com setenta poemas e Cantares do sem nome e de partidas (1995), com dez. Apesar de o título dessa obra suscitar uma remissão ao livro bíblico, Cântico dos Cânticos, (atribuído ao rei Salomão) a poeta, alinhavada com as coordenadas da Pós-Modernidade, dessacraliza o sagrado para celebrar o profano. Hilda Hilst, poeta paulistana de Jaú, nascida no dia 21 de abril de 1930 e falecida a 4 de fevereiro de 2004, reconhecida pela unanimidade da critica brasileira como uma das nossas principais autoras. O erotismo e a arte poética em Hilda Hilst, que usou na inovação da linguagem poeta brasileira, apesar de que não tenha sido essa sua preocupação, os traços de sua personalidade impregnaram sua obra, o comportamento dela meio “rude”, direito trouxe a arte poética um novo dinamismo, a tensão narrativa movimentou a poesia , criando uma nova maneira de fazer arte. Em 1950 publica seu primeiro livro de poesia “Presságio”, chamando a atenção da crítica especializada por já apresentar marcas de uma poética pessoal. Em Cantares de perda e predileção, Hilda alterna temas amorosos e belicosos do livro, numa demonstração de que o amor em sua plenitude e contraditório e conflitante. De acordo com Duarte ([20--], p17) a poesia hilstiana a partir da década de 80, se caracteriza pelo fim da
busca da desconstrução da tarefa nomeadora do real, por meio da paradoxal desconstrução metafórica desse mesmo real. O texto poético, resíduo de si mesmo, torna-se um resto do que foi sua produção, a tentativa de constituição e fixação de sínteses mentais. O amor – em todas suas ramificações sensuais e místicas – surge agora com mais vigor. Para além dos despojos da paisagem, dos restos da linguagem, a poesia hilstiana abordará, neste momento, o

p. o principal contexto sociocultural em Cantares. Hilda Hilst nos faz pensar nas afinidades entre o místico e o erotismo. Os poemas de Hilst nos faz entender também a poesia como um espaço sagrado da linguagem que metaforicamente corporifica-se como mulher. 81. embora possa se tingir de tons de aparente contemplação ou humildade. Recriem seu momento. XLV Que no poema ao menos Viscosidade e luz De nós dois. Hilda. Cantares. 2002. HILST.UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MONTES CLAROS Centro de Ciências Humanas Departamento de Comunicação e Letras Letras Inglês Bruno Nogueira Silva gozo/prazer a partir do amor e da morte. elevando-se o humano a uma posição eqüidistante entre o homem e a divindade. nos revelará a aceitação da dificultosa tarefa de nomear as relações entre o sagrado e o profano. do vidro De palavras duras Coabitem O tosco e o transparente. . Que da desordem De dois encantamentos Do visgo. criaturas. São Paulo: Globo. E desconforto e gosto Disciplina e paixão Discursivo e ciência Construam pelo menos no poema A vizinhança dessas aparências. A poesia.

php> (REVELLI – Revista de Educação. erotismo. do vidro / De palavras duras”.UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MONTES CLAROS Centro de Ciências Humanas Departamento de Comunicação e Letras Letras Inglês Bruno Nogueira Silva No poema acima.v2. demonstrando o contraste do rústico e o límpido na convivência a dois.usp. É uma poeta que conseguiu sintetizar bem traços do tradicional e do contemporâneo.artigo11. como em” Do visgo. o que realmente vivemos.com/revelli/revelli3/numero_2/Revelli. criaturas. pois o visgo e o que prende. 143-159) <http://www. Hilda Hilst. pelo menos através desses versos escritos poderia viajar em pensamentos nas obras literárias. 1 – março de 2010 – p. do lírico.pdf> TERRA Ernani.São Paulo:Scipione.v. versátil e também polêmica. 2004 – Coleção de olho no mundo do trabalho Português volume único para o ensino médio . enfim nesse ultimo verso demonstra uma paixão quando em “ Construam pelo menos no poema / A vizinhança dessa aparências “ referindo-se que o que escrevera repassasse a fantasia e não o real. pode ser colocada no painel da literatura brasileira contemporânea. n. 2. Adiante temos “Coabitem / O tosco e o transparente” faz-se uma correlação desse verso com o anterior. voltado para seres e coisas. atrai e o vidro como uma fragilidade. Hilst finaliza com a arte da construção subjetiva e metafórica. escritora multifacetada.br/dlcv/revistas/crioula/edicao/edicao07.n1. o erotismo e passado de uma forma suave.ueginhumas. como mais uma poeta dona de sua voz e escolhedora de sua ascendência poética. NICOLA Jose de . Linguagem e Literatura da UEG-Inhumas. recriem seu momento” e quanto ao sagrado sendo simbolizado por “Viscosidade e luz” e “ Tosco e transparente” O amor e paixão são retratados por Hilst em um jogo amoroso quando ela escreve “Que da desordem / De dois encantamentos” insere o desentendimento nesse jogo amoroso onde há confronto de partes distintas. expressando todos os fatos desse jogo amoroso no poema. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Revistas/crioula/edição/07 <http://www.fflch. afetividade. assim como relação profano/sagrado respectivamente em “de nós dois.

81. Cantares.nom.pdf>. Revista Eletrônica Via Litterae <http://www. DUARTE. 2002.revista.agulha. Hilda. Edson Costa. Revista Agulha. Hilda Hilst: a poética da agonia e do gozo.br/vialitterae/> . São Paulo: Globo. Disponível em: <http://www.ueg.unucseh.UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MONTES CLAROS Centro de Ciências Humanas Departamento de Comunicação e Letras Letras Inglês Bruno Nogueira Silva HILST.br/hilda_hilst_poetica_da_agonia. p.