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1. COMO FUNCIONAM OS RELÉS Newton C. Braga - Revista Saber Eletrônica Os relés são dispositivos comutadores eletromecânicos.

A estrutura simplificada de um relé é mostrada na figura 1 e a partir dela explicaremos o seu princípio de funcionamento.

Nas proximidades de um eletroimã é instalada uma armadura móvel que tem por finalidade abrir ou fechar um jogo de contatos. Quando a bobina é percorrida por uma corrente elétrica é criado um campo magnético que atua sobre a armadura, atraindo-a. Nesta atração ocorre um movimento que ativa os contatos, os quais podem ser abertos, mfechados ou comutados, dependendo de sua posição, conforme mostra a figura 2. Isso significa que, através de uma corrente de controle aplicada à bobina de um relé, podemos abrir, fechar ou comutar os contatos de uma determinada forma, controlando assim as correntes que circulam por circuitos externos. Quando a corrente deixa de circular pela bobina do relé o campo magnético criado desaparece, e com isso a armadura volta a sua posição inicial pela ação da mola. Os relés se dizem energizados quando estão sendo percorridos por uma corrente em sua bobina capaz de ativar seus contatos, e se dizem desenergizados quando não há corrente circulando por sua bobina. A aplicação mais imediata de um relé com contato simples é no controle de um circuito externo ligando ou desligando-o, conforme mostra a figura 3. Observe o símbolo usado para representar este componente. Quando a chave S1 for ligada, a corrente do gerador E1 pode circular pela bobina do relé, energizando-o. Com isso, os contatos do relé fecham, permitindo que a corrente do gerador E2 circule pela carga, ou seja, o

circuito controlado que pode ser uma lâmpada. Para desligar a carga basta interromper a corrente que circula pela bobina do relé, abrindo para isso S1. Uma das características do relé é que ele pode ser energizado com correntes muito pequenas em relação à corrente que o circuito controlado exige para funcionar. Isso significa a possibilidade de controlarmos circuitos de altas correntes como motores, lâmpadas e máquinas industriais, diretamente a partir de dispositivos eletrônicos fracos como transistores, circuitos integrados, fotoresistores etc. A corrente fornecida diretamente por um transistor de pequena potência da ordem de 0,1A não conseguiria controlar uma máquina industrial, um motor ou uma lâmpada, mas pode ativar um relé e através dele controlar a carga de alta potência. (figura 4) Outra característica importante dos relés é a segurança dada pelo isolamento do circuito de controle em relação ao circuito que está sendo controlado. Não existe contato elétrico entre o circuito da bobina e os circuitos dos contatos do relé, o que significa que não há passagem de qualquer corrente do circuito que ativa o relé para o circuito que ele controla. Se o circuito controlado for de alta tensão, por exemplo, este isolamento pode ser importante em termos de segurança. Do mesmo modo, podemos controlar circuitos de características completamente diferentes usando relés: um relé, cuja bobina seja energizada com apenas 6 ou 12V, pode perfeitamente controlar circuitos de tensões mais altas como 110V ou 220V. O relé que tomamos como exemplo para analisar o funcionamento possui uma bobina e um único contato que abre ou fecha. Na prática, entretanto, os relés podem ter diversos tipos de construção, muitos contatos e apresentar características próprias sendo indicados para aplicações bem determinadas. Analisemos como são construídos na prática os relés:
2. OS RELÉS NA PRÁTICA

O que determina a utilização de um relé numa aplicação prática são suas características. O entendimento dessas características é fundamental para a escolha do tipo ideal. A bobina de um relé é enrolada com um fio esmaltado cuja espessura e número de voltas são determinados pelas condições em que se deseja fazer sua energização. A intensidade do campo magnético produzido e, portanto, a força com que a armadura é atraída depende tanto da intensidade da corrente que circula pela bobina como do número de voltas que ela contém. Por outro lado, a espessura do fio e a quantidade de voltas determinam o comprimento do enrolamento, o qual é função tanto da corrente como da tensão que deve ser aplicada ao relé para sua energização, o que no fundo é a resistência do componente. Todos estes fatores entrelaçados determinam o modo como a bobina de cada tipo de relé é enrolada. De um modo geral podemos dizer que nos tipos sensíveis, que operam com baixas

alguns até mesmo mais finos que um fio de cabelo! (figura 5). As armaduras dos relés devem ser construídas com materiais que possam ser atraídos pelos campos magnéticos gerados. e com isso pode circular corrente pelo circuito externo.1 Contatos NA ou Normalmente Abertos Os relés são dotados de contatos do tipo normalmente abertos. O material usado deve então ser resistente. ter um formato próprio. O número de contatos e sua disposição vai depender das aplicações a que se destinam os relés. apresentar boa capacidade de condução de corrente e. Temos então diversas possibilidades: 2. ou seja. dependendo da aplicação a que se destina o relé. a prata e o tungstênio. enquanto os contatos de tungstênio evitam a oxidação. Peças flexíveis de metal. além disso. e retorno à posição inicial quando o campo desaparece. são enroladas milhares ou mesmo dezenas de milhares de voltas de fios esmaltados extremamente finos. conforme mostra a figura 6. Quandoo relé é energizado. molas ou articulações são alguns dos recursos que são usados na montagem das armaduras. . quando estes permanecem desligados até o momento em que o relé seja energizado. Dentre os materiais usados para a fabricação dos contatos podemos citar o cobre. A corrente máxima que os relés podem controlar depende da maneira como são construídos os contatos. devem ser de materiais ferromagnéticos e montadas sobre um sistema de articulação que permita sua movimentação fácil. principalmente no controle de determinado tipo de carga (indutivas). A prata evita a ação de queima provocada pelas faíscas.correntes. Podemos ter relés com um ou mais contatos do tipo NA. Além disso existe o problema do faiscamento que ocorre durante a abertura e fechamento dos contatos de relé. os contatos fecham.

permitindo a circulação pela carga externa. Podemos usar este tipo de relé para comutar duas cargas. 2. (figura 7) Usamos este tipo de relé para desligar uma carga externa ao fazer uma corrente percorrer a bobina do relé. interrompendo a circulação de corrente pela carga externa. fechando então o circuito. o contato móvel C faz conexão com o contato fixo NF. 2. conforme mostra a figura 8. mantendo fechado este circuito. conforme sugere a figura 9. quando a bobina estiver desenergizada. Quando a bobina é percorrida por uma corrente. Energizando a bobina do relé o contato C (comum) passa a encostar no contato NA. Quando o relé está com a bobina desenergizada.Usamos relés com contatos do tipo NA quando queremos ligar uma carga externa ao fazer uma corrente percorrer a bobina do relé. .3 Contatos NA e NF ou Reversíveis Os relés podem também ter contatos que permitem a utilização simultânea dos contatos NA e NF ou de modo reversível. quando o energizarmos. o relé abre seus contatos. ou seja.2 Contatos NF ou Normalmente Fechados Estes relés apresentam um ou mais contatos que estão fechados.

. os relés usados em corrente contínua não são os mesmos empregados em circuitos de corrente alternada. Estes relés possuem coberturas de materiais diversos. umidade ou outros elementos que prejudiquem o componente. 2. Neste anel é então induzida uma forte corrente que cria um segundo campo magnético. ou seja. fechados e selados Dependendo das aplicações. quando a armadura pode "descolar". O número de contatos NA e NF de um relé pode variar bastante. que não estejam sujeitos a poeira. Temos também relés fechados mas sem vedação alguma que são utilizados na maioria das aplicações comuns. jogando com os dois contatos reversíveis. Os relés podem ser abertos. No caso de corrente contínua. Para evitar este problema técnicas especiais de construção são usadas. Assim. a inversão do sentido da corrente numa determinada freqüência faz com que o campo magnético apareça e desapareça dezenas de vezes por segundo.5 Reles abertos. se forem usados em equipamentos fechados. no caso do acionamento por corrente alternada. não existe um instante em que o campo seja nulo. a constância do campo garante um fechamento firme. sem proteção. No entanto. o que garante uma enorme versatilidade para este componente. podemos fazer inversões do sentido de circulação da corrente. Por este motivo. sendo que a mais eficiente consiste na colocação numa das metades do núcleo da bobina de um anel de cobre. sem problemas. o qual divide o campo principal em dois fluxos defasados. como por exemplo o plástico que pode ser opaco ou transparente. Os relés podem ainda ter bobinas para operar tanto com corrente contínua como com corrente alternada. Assim.A energia da fonte E passa então do circuito de carga 1 para o circuito de carga 2. temos ainda para os relés montagens diferentes do conjunto de peças que o formam. o que leva aarmadura e os contatos a uma tendência de vibração. e com isso causar as vibrações.

os relés são dotados de terminais. (figura 10) 2. 4 terminais sendo 2 para a conexão à bobina e 2 para os próprios contatos. A METALTEX possui na sua linha de produtos relés os três tipos com as mais diversas especificações adicionais.6 Ligação dos relés ao circuito externo Outro fato importante na construção de um relé é a maneira como ele vai ser ligado ao circuito externo. vindo a prejudicar o funcionamento do relé. então. Em especial estes relés são empregados em aplicações que ficam em atmosferas combustíveis.Existem ainda os relés herméticos que são encerrados em invólucros que impedem a penetração de ar do meio ambiente. (figura 11) O número de terminais aumentará na proporção em que aumenta o número de contatos e estes podem ter as mais diversas aparências.O tipo mais simples possui. . Esta proteção evita que a poeira se acumule principalmente nos contatos. Para esta finalidade. já que o acionamento dos contatos pode ser acompanhado de faíscas que causariam a ignição do combustível e com isso o perigo de explosão.

como os da METALTEX. o que significa que. (figura 14) A flexibilidade da lâmina usada permite que campos magnéticos muito fracos consigam atuar sobre elas fechando os contatos.Em aplicações profissionais. ele não pode operar com correntes elevadas nem tensões muito altas. e em alguns casos para outras. Duas lâminas no interior de uma ampola podem ser movidas pela ação de um campo magnético. e que utilizam conectores para os contatos do tipo coaxial.Temos ainda relés que comutam sinais de altas freqüências. é através do campo magnético de um imã. encontramos informações que permitem a avaliação do . estas mesmas lâminas não suportam correntes elevadas. A outra maneira é colocar este elemento no interior de uma bobina. que podem ser montados diretamente em placa de circuito impresso. conforme mostra a figura 13. onde a eventual substituição rápida de um relé deve ser feita com presteza. dando origem assim ao componente denominado reed-relé.Nos manuais de fabricantes de relés. Este tipo de configuração é necessário para que não ocorram perdas na transferência das correntes que o relé deve comutar em seus contatos. Uma das maneiras de fazer um reed-switch fechar os contatos.A METALTEX possui na sua linha de relés os tipos relés reed da série RD. 4. No entanto. REED RELÉS Reed-switches são interruptores hermeticamente encerrados em ampolas de vidro. o que dá origem a relés extremamente sensíveis e compactos. encostando uma lâmina na outra. são usados encaixes em bases fixas. CARACTERÍSTICAS ELÉTRICAS DOS RELÉS Como acionar um relé? Que tipo de circuitos externos podem ser controlados por um relé? Na utilização de qualquer tipo de relé num projeto é fundamental ter respostas para as duas perguntas acima. se obtemos um relé muito sensível. Existem aplicações em que a miniaturização do reed-relé e a sua sensibilidade tornam este componente ideal. 3. São os relés de encaixe ou plugin.

o que pode ser calculado facilmente pela lei de Ohm. corrente e tensão) ficam então perfeitamente definidas quando temos duas das três grandezas acima citadas:Se tivermos a tensão (V) e a corrente (I). significa a produção de calor. o campo já não precisa ser tão forte para mantê-la junto à bobina. Devemos então aplicar uma tensão de determinado valor.1 Características da bobina Para que o relé seja energizado corretamente e os contatos atuem. precisamos de uma certa intensidade de campo magnético que puxe a armadura para perto da bobina com certa força.Devemos então distinguir a tensão que aciona o relé da tensão que o mantém fechado que é muito menor. calculamos a tensão (V) pela fórmula: V=RxI Veja que estas tensões são "valores nominais". que devem ser levadas em conta num projeto. se tivermos a corrente (I) e a resistência (R). No entanto. ou seja. e com isso o relé fechado. como a bobina de um relé.Os valores superiores também são admitidos. Na prática o relé pode fechar seus contatos com tensões menores. que não deve ser superada.Assim. aqueles que são recomendados numa operação normal. que em função da resistência do enrolamento vai permitir que a corrente mínima determinada sejaestabelecida. apenas até certo limite.Resumindo: as características elétricas da bobina de um relé. calculamos a resistência (R) pela fórmula: R = V/I Se tivermos a tensão (V) e a resistência (R). é preciso saber interpretar estas informações.Fixando a tensão que deve disparar um relé de corrente contínua. calculamos a corrente pela fórmula: I = V/R Finalmente.02R = 1200 ohms As características da bobina do relé de corrente contínua (resistência. para fechar o relé. são: yTensão nominal. enquanto que a corrente que o mantém fechado (muito menor) é a corrente de manutenção. mas uma vez que a armadura se aproxima. Valores típicos estão entre 10 e 15% acima da tensão nominal. tensão de operação e tensão máxima de trabalho yCorrente nominal . temos aí um motivo claro da limitação. mas este fator deve. quando então circula uma corrente de 20 mA (0. Iniciaremos então nossas explicações pelas características elétricas dos relés.02 A).que um relé pode fazer e como deve ser usado. podemos calcular a resistência com uma simples divisão: R = V/IR = 24/0. Se a aplicação de uma tensão num circuito que tenha uma certa resistência. é preciso que uma corrente de intensidade mínima determinada circule pela sua bobina. As bobinas podem dissipar apenas uma quantidade definida de calor. Os fabricantes de relés indicam então qual é a porcentagem acima da tensão nominal que pode ser aplicada no máximo na bobina de um relé sem o perigo de haver aquecimento.Na prática os relés são especificados em termos da corrente que deve passar pelo enrolamento para uma determinada tensão que é a tensão de funcionamento. A corrente que aciona o relé é denominada corrente de acionamento. a corrente que vai circular por sua bobina é função da resistência do enrolamento. 4. para que não aconteçam surpresas desagradáveis num projeto. se um relé for especificado para uma tensão nominal de 24 volts. Na verdade é preciso levar em conta que. ser levado em conta quando se desejar máxima confiabilidade do componente.

ou seja.2 Características dos contatos Além do número de contatos e o tipo.Temos ainda como especificação importante a tensão máxima que os circuitos do contato podem admitir. Existe então um intervalo de tempo mínimo indicado pelo fabricante que decorre entre a aplicação da tensão na bobina e o pleno fechamento dos contatos. Evidentemente. a intensidade máxima da corrente que pode ser controlada. por outro lado.Como a potência controlada no circuito de carga é dada pelo produto da corrente pela tensão.Estas faíscas são mais intensas quando se comuta um circuito indutivo como por exemplo um transformador. temos a especificação da corrente máxima que cada contato pode controlar tanto em circuitos resistivos como indutivos. devemos também conhecer características elétricas desses contatos.na comutação e controle de cargas indutivas "amortecendo" as faíscas. A primeira característica que nos interessa é a corrente máxima que podem controlar. Assim.Alguns recursos permitem a proteção dos contatos com o prolongamento de sua vida útil. Estes dois fatores devem ser levados em conta na utilização de um relé. A abertura e fechamento dos contatos de um relé exige um certo tempo. Esta característica é importante levando-se em conta a possibilidade de ocorrer faiscamentos ou mesmo fugas entre os contatos dado o seu afastamento na posição em aberto. e como o desgaste ocorre nos momentos em que ocorrem as comutações. Uma outra especificação importante em certas aplicações é o tempo que o relé demora para fechar seus contatos. A superfície dos contatos determina. para utilizá-los sem problemas em qualquer projeto. se a tensão máxima for superada. . mas isso será visto posteriormente. Limita-se assim a potência. a corrente máxima num circuito resistivo é sempre maior que a permitida para um circuito indutivo.yResistência ôhmica yPotência nominal dissipada 4. Este valor varia de tipo para tipo e é dado tipicamente em milisegundos (ms). A vida útil de um relé está basicamente determinada pela durabilidade dos contatos. em alguns casos especifica-se a potência máxima também.Veja então que os dois tempos devem ser levados em conta quando se deseja que o relé opere em ciclos rápidos. esta característica é dada em termos de abertura e fechamento do relé em milhares ou mesmo milhões de vezes. pequenas faíscas quetendem a queimá-los com o tempo. o que significa que nos pontos de aproximação máxima podem ocorrer arcos. Existem casos em que não se recomenda que a corrente máxima especificada para os contatos seja aplicada também com a tensão máxima. um solenóide etc.Valores típicos estão na faixa dos 150 aos 250V. um motor.

Nesta contração. pois existe uma limitação para a vida útil dos contatos. e isso influi diretamente no tempo em que os contatos demoram para abrir.Além destas especificações todas existem outras que eventualmente podem ser necessárias nas aplicações mais críticas. conforme a corrente controlada.Temos ainda o peso do componente. Analisemos os principais casos: 5. (figura 15) Os fabricantes especificam também o tempo de abertura do relé em milisegundos. que é a resistência de um contato que ainda não comutou carga e. como de proteger os próprios componentes do circuito de acionamento. a vibração. ficando tipicamente entre 250 mil e 30 milhões. já que nestas condições podemos considerálos como as placas de um capacitor. 5. Finalmente devemos levar em conta a resistência dos contatos que pode ser expressa de diversas formas. começam a se contrair. ainda não sofreu desgaste pelo faiscamento. as espiras da bobina do próprio relé são cortadas.Uma das maneiras consiste em se indicar a resistência de contato inicial. Esta vida útil é indicada em termos de quantidade de operações. COMO USAR UM RELÉ Alguns pequenos cuidados no projeto de circuitos com relês podem ser importantes. É claro que não se recomenda a utilização deste tipo de componente em aplicações que exijam a repetição de muitos ciclos de operação rapidamente. a rigidez dielétrica entre bobina e contatos e entre os contatos etc. . Existe então um intervalo de tempo mínimo indicado pelo fabricante que decorre entre a aplicação da tensão na bobina e o pleno fechamento dos contatos. havendo então a indução de uma tensão. Estes tempos determinam a máxima freqüência que o relé pode responder. a capacitância entre os contatos quando eles estão abertos. Uma outra especificação importante em certas aplicações é o tempo que o relé demora para fechar seus contatos. Esta tensão tem polaridade oposta àquela que criou o campo e pode atingir valores muito altos.Do mesmo modo. As linhas de forças do campo magnético se contraem em velocidade limitada pela indutância da bobina. que se encontram em seu estado de expansão máxima.1 Proteção do circuito de acionamento No momento em que um relé é desenergizado. Este valor varia de tipo para tipo e é dado tipicamente em milisegundos (ms). tanto no sentido de se obter maior durabilidade para o componente. existe um tempo determinado para o desaparecimento do campo magnético na bobina a partir do instante em que a corrente é interrompida. portanto. as linhas de força do campo magnético da bobina. Dentre elas podemos citar o isolamento entre a bobina e os contatos. Esta resistência é expressa em milésimos de ohm (mohms) situando-se tipicamente entre 10 e 100.Veja então que os dois tempos devem ser levados em conta quando se deseja que o relé opere em ciclos rápidos.

se não houver uma proteção adequada. Assim. quando ocorre a indução de uma alta tensão nos extremos da bobina no momento da interrupção da corrente. Outra técnica. é a que faz uso de um varistor ligado em paralelo com a bobina do relé. existe um tempo determinado para o desaparecimento do campo magnético na bobina a partir do instante em que a corrente é interrompida. menos comum dado o custo do componente. de outra forma. (figura 15) Os fabricantes especificam também o tempo de abertura do relé em milisegundos. conforme mostra a figura 17. o diodo polarizado no sentido direto passa a ter uma baixa resistência absorvendo assim a energia que.O valor desta tensão depende da velocidade de contração do campo (di/dt) e da indutância da bobina (L). As linhas de forças do campo magnético se contraem em velocidade limitada pela indutância da bobina. Se o componente que faz o acionamento do relé não estiver dimensionado para suportar esta tensão. e isso influi diretamente no tempo em que os contatos demoram para abrir. conforme mostra a figura 18. poderia afetar o componente de disparo. (figura 16) Do mesmo modo. Diversas são as técnicas empregadas para eliminar este problema. sua queima será inevitável. . O que ocorre neste caso é que o diodo está polarizado inversamente em relação a tensão que dispara o relé. sendo a mais conhecida a que faz uso de um diodo.

dada a velocidade com que ocorre a comutação. Esta propriedade pode ser usada para absorver a corrente no instante em que o relé é desenergizado e que poderia causar problemas aos componentes de disparo. Na figura 19 temos um diodo usado em paralelo com a carga indutiva de modo que seja evitado o aparecimento de altas tensões nos contatos na sua abertura.2 Proteção dos contatos Além da observação das limitações de corrente e tensão que devem aparecer nos contatos de um relé. com isso. porém menor que a tensão máxima suportada pelo elemento usado no disparo. mas que nem sempre é recomendado. A utilização de um capacitor + resistor em paralelo com a bobina é também um meio de proteção. 5. Estas elevadas . a vida do próprio relé. normalmente de óxido de zinco que apresenta uma característica não linear de corrente versus tensão. existem alguns cuidados adicionais que podem prolongar sua vida e. A tensão do VDR ou Varistor deve ser escolhida de tal modo a ser maior que a tensão de disparo do relé.O varistor ou VDR é um componente. conforme mostra a curva da mesma figura. Quando a tensão supera certo valor a resistência do componente cai abruptamente. Na comutação de cargas indutivas é conveniente agregar-se ao circuito elementos de proteção contra faiscamento.

. OBSERVAÇÕES Os valores de R e C podem ser selecionados da seguinte forma: R. Use um diodo com tensão reversa mínima de 10 vezes a tensão do circuito e com corrente direta maior que a corrente da carga.0. Outro recurso consiste no emprego do varistor e até mesmo de capacitores e resistores. CIRCUITO APLICAÇÃO TIPO DE CARGA CA CC * SIM Se a carga for um relé ou solenóide o tempo de abertura aumenta. * Se este circuito for usado em tensão CA certifique-se que a impedância da carga seja menor que a impedância do circuito RC.tensões poderiam causar faiscamento excessivo e com isso a queima dos contatos. Use um diodo zener com tensão similar a da tensão da fonte. Este circuito aumenta o tempo de desoperação se comparado com o RC. Os valores acima podem variar dependendo das propriedades da carga e variações das características do relé. Diodo e Diodo Zener NÃO SIM É eficaz quando o tempo de não condução do diodo é muito longo. Na tabela abaixo temos algumas sugestões de circuitos para proteção dos contatos em cargas com tensões alternadas ou contínuas.0. Em circuitos eletrônicos quando a tensão não é muito alta a tensão reversa do diodo pode ser de 2 a 3 vezes a tensão de alimentação. SIM Circuito RC SIM Diodo NÃO SIM O diodo conectado em paralelo com a carga faz com que a energia acumulada na bobina flua em forma de corrente e a dissipe em forma de calor devido a resistência da carga indutiva. Mais eficaz quando conectado entre ambos os contatos e a tensão da fonte for 24V ou 48V e a tensão da carga de 100 a 200V.5 a 1W por 1V da tensão de contato. C. Para circuitos em CA os capacitores devem ser não-polarizados. onde o diodo não pode ser empregado.5 a 1mF por 1A da corrente que passa pelo contato. Os capacitores e resistores são indicados para os circuitos de corrente alternada. O capacitor deve ter tensão de ruptura de 200V a 300V.

Observe a utilização de um diodo de proteção em paralelo como relé.Varistor SIM SIM Usando a característica de tensão estável do componente.1. com este circuito. R1 funciona como limitador da corrente de entrada. Estes circuitos podem ser usados para aumentar a sensibilidade de um relé. Tipos recomendados são os BC547 e equivalentes. se o relé tem uma resistência de 100 ohms em um acionamento com 6V. Driver de 1 transistor PNP . A capacidade de corrente do circuito controlado vai depender das características de contato do relé empregado. A resistência R2 deve ser 100 vezes a resistência da bobina do relé para um ganho de 50 vezes. 6. Podemos usar qualquer transistor de silício de uso geral com o ganho superior a 50 e corrente de coletor máxima de 100 mA ou mais. A resistência da entrada deste circuito ficará multiplicada pelo ganho. Este circuito pode operar com relés tanto de 6 como de 12V para correntes de acionamento de até 100 mA. onde os valores dos resistores empregados dependem das características do relé e do transistor. CIRCUITOS PRÁTICOS . Mais eficaz quando conectado em ambos contatos e a tensão da fonte for 24V ou 48V e a tensão da carga de 100 a 200V. ele passará a representar uma resistência de 5 000 ohms. 20).DRIVERS Chamamos de drivers os circuitos que permitem excitar relés a partir de correntes ou tensões fracas demais para fazerem isso diretamente. 6. este circuito previne picos de tensão vindos da comutação dos contatos. 6. Assim. Driver de 1 transistor Este circuito permite a multiplicação por 100 da sensibilidade de um relé em termos de corrente (fig.2. ou simplesmente responder a faixas determinadas de tensões. permitir a operação de relés de corrente contínua a partir de sinais alternantes. Este circuito também aumenta o tempo de desoperação dos contatos. modificar o tempo de resposta. O que temos é um seguidor de emissor.

podendo ser fixado tipicamente em 50 vezes através de R2. (figura 23).4.A. Temos então uma mudança de todas as polaridades. .3. o transistor deve ser trocado por equivalente com tensão máxima entre coletor e emissor de pelo menos 50V. BC558. Driver para C. Driver de alto ganho com 2 transistores NPN O circuito apresentado a seguir tem uma sensibilidade maior ainda. Os valores dos componentes dependem das características do relé. com a diferença que usamos um transistor PNP. (figura 21) Como exemplos de transistores que podem ser usados nesta aplicação temos os seguintes: BC557. Assim. Com ele podemos multiplicar por 500 a sensibilidade de um relé com tensões de trabalho de 6 a 12V ou mais. 6. O ganho também depende das características do transistor. 6. Os dois circuitos anteriores podem ser usados para excitar relés a partir de sinais de correntes alternadas áudio ou RF) com a utilização de uma ponte de diodos. o resistor R2 deve ser 100 vezes maior que a resistência do relé empregado.As características do circuito dado a seguir são as mesmas do anterior. (figura 22) O capacitor é usado no caso de sinais de áudio ou RF. BC177. enquanto que para simples disparo com inversão de polaridade ele pode ser eliminado. Podemos empregar este circuito com relés de 6 a 12V. Para tensões maiores. 8C559. enquanto que R3 deve ter 100 vezes a resistência de R2. Esta ponte também permite que sinais de qualquer polaridade seja usados no disparo do relé.

mas com sinais alternantes ou sem polaridade definida (duas polaridades temos o circuito da fig.6.V aproximadamente conseguimos excitar o circuito. 6. para os tipos de silício o sinal de ativação deve ter uma amplitude mínima da ordem de 1. O capacitor será necessário se o circuito tiver de ser acionado com sinais de áudio ou mesmo RF. A tensão de ativação dos relés nestas aplicações também fica reduzida sensivelmente: com 0. Como temos dois diodos neste circuito.2 V nos de germânio a ser vencida para haver a polarização dos diodos. Os resistores são calculados de modo análogo ao caso anterior. e para os tipos de germânio . Driver de alto ganho para CA Para a ativação de um relé com ganho de sensibilidade da ordem de 500 vezes. R2 pode ser de 6k8.7. Driver de alto ganho com transistores PNP O mesmo circuito anterior. enquanto que R3 será de 680k. a ativação.25 A ponte retificadora de entrada se encarrega de aplicar a polaridade certa nos transistores e.7 V nos diodos de silício e da ordem de 0. Os transistores serão ambos 8C548 ou equivalentes. Lembramos que para estes circuitos será interessante que a tensão de alimentação seja pelo menos 2V maior que a tensão de acionamento do relé. na versão com transistores PNP. já que temos a mesma configuração básica.5. A corrente de acionamento do relé neste caso passará a ser de apenas 184 uA. é mostrado na figura 24. para compensar as quedas nos transistores. com isso. e o diodo de proteção pode ser o 1N4148 ou equivalente. e a sensibilidade será multiplicada por 500.4 V. 6.Para um relé como o ML2RC1 de 65 ohms de bobina. Os valores dos resistores são calculados da mesma forma que nos circuitos 4 e 5. Lembramos que existe uma barreira de potencial da ordem de 0.

Temos também como recurso importante para este circuito um ajuste de prépolarização que leva o relé ao limiar do disparo. São usados dois transistores. Para tensões maiores de alimentação os transistores devem ser trocados por tipos de maior VCE. isso feito num potenciômetro de 1M. Uma ponte de diodos na entrada permite sua atuação com sinais alternantes ou sem polaridade definida. Driver complementar 700mV x 50mA O driver apresentado permite o disparo de um relé de 6 a 12V com uma corrente de apenas 50 uA e tensão de 700 mV. O capacitor C1 influi no retardo ao disparo e também na filtragem de eventuais transientes que possam causar um disparo errático do relé.u1-1ia amplitude mínima de 0. um PNP e um NPN. Com isso. 6. Driver Darlington A configuração mostrada na figura 26 utiliza dois transistores NPN de uso geral na configuração Darlington.4 V. O ganho será dado aproximadamente pelo produto dos ganhos dos transistores. O relé pode ser de qualquer tipo com corrente até 100 mA e tensão da mesma ordem do que a usada na alimentação.7. devendo o circuito ser disparado com tensões contínuas. Levando em conta a pequena queda de tensão que ocorre no transistor Q2 e no resistor R3 será conveniente que a tensão de alimentação seja 1 a 3V maior que a tensão necessária ao disparo do relé. podendo o mesmo ser disparado com baixíssimas correntes. 6. a sensibilidade obtida é enorme.8. A resistência de entrada deste driver é da ordem de mega ohms. (figura 27) . Lembramos também que neste circuito existe uma pequena queda de tensão no circuito de acionamento que deve ser compensada por maior alimentação em relação ao mínimo requerido para o disparo do relé. Podemos empregar este circuito com relés de 6 ou 12V. com carga de coletor. o que significa uma excelente sensibilidade.

Para acionamento com sinais positivos damos o circuito da figura 30. Driver com operacional Amplificadores operacionais como o 741 podem ser usados para excitar relés conforme o circuito mostrado na figura 29.9. As características obtidas são as mesmas. Para tensões maiores do que 15V alterações nos valores dos componentes devem ser feitas e Q2 trocado por um equivalente de maior VCE. .O resistor R1 serve de limitador de corrente. o transistor Q2 é polarizado na saturação. Enquanto o primeiro é disparado por uma tensão positiva de 700 mV este é disparado por tensões negativas. mas com polaridade inversa. 6. exceto pela polaridade do sinal de disparo. e R2 determina a polarização em repouso de Q1.10. As características obtidas são as mesmas. Driver complementar inverso Na figura 28 temos o circuito equivalente ao anterior. Com a condução de Q1. exceto pela polaridade do sinal de disparo. Enquanto o primeiro é disparado por uma tensão positiva de 700 mV este é disparado por tensões negativas. 6. energizando assim a bobina do relé. Uma ponte de diodos na entrada permite a ativação com sinais sem polaridade ou alternantes.

(figura 31) A versão com transistor PNP é mostrada na figura 32. 6.7 e 1V tipicamente e correntes da ordem de 200uA.Neste circuito é feita a troca do transistor NPN por um PNP equivalente. Driver de potência Este circuito. O transistor deverá ser montado em radiador de calor e o diodo é de uso geral como o 1N4148. Driver com SCR O circuito mostrado na figura 33 faz o disparo de um relé através de um SCR apresentando enorme sensibilidade. e as relações entre os demais componentes são mantidas 6.12. O resistor de 470 ohms eventualmente deve ser aumentado em função da intensidade do sinal para limitação da corrente de base no transistor. com um ganho de aproximadamente 40 vezes (corrente). permite o acionamento de relés com correntes de bobina de até 500 mA e tensões até 24V.11. Os SCR da série 106 podem ser disparados com tensões entre 0. . A tensão de disparo deve estar em torno de 0.7 V.

Um valor típico para a corrente neste circuito é de 100mA. Isso pode ser conseguido com um interruptor de pressão ligado entre o ânodo e o cátodo ou então pela interrupção momentânea da corrente da fonte. a não ser que a tensão entre seu ânodo e cátodo seja momentaneamente reduzida a zero. tenhamos no disparo do SCR uma corrente maior que a de manutenção (Ih). Para desativá-lo bastará aplicar novo pulso. ativando o relé. O capacitor de 10uF de realimentação é obtido pela associação de dois eletrolíticos de 22uF em oposição. Para relés que exijam correntes maiores. Podemos ativar relés de corrente de até mais de 1A com tensões até 48V. após o disparo. O resistor R deve ser dimensionado para que. para que o relé dispare convenientemente. na tensão de alimentação do circuito. Estando inicialmente SCR1 em condução e SCR2 em não condução. será conveniente dotar o SCR de um radiador de calor. O SCR também provoca uma queda de tensão da ordem de 2V que deve ser compensada na fonte.13. Para correntes acima de 500 mA será conveniente dotar o SCR de um radiador de calor. O disparo é feito com pulsos de tensão positiva ou tensões contínuas positivas. . 6. Driver biestável com SCR O circuito apresentado na figura 34 é um biestável com SCR que dispara um relé.Deve ser observado que o SCR. um pulso de entrada inverte esta situação. não desliga.