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Estudo sobre Reflexão e Refração de Ondas

Eletromagnéticas em Interfaces Planas

Carla de Sousa Martins
Departamento de Microondas e Optoeletrônica – Instituto Tecnológico de Aeronáutica
Praça Mal Eduardo Gomes nº 50, Jardim das Acácias – São José dos Campos – SP – Brasil

Resumo ÷ ÷÷ ÷ Apresenta-se um estudo de revisão do pro-
blema clássico de refração de onda em uma interface
plana e gráficos de contorno de campos vetoriais são es-
boçados de forma simples e direta. Estas figuras de cam-
pos, juntamente com um desenvolvimento matemático
anterior, proporcionam uma visão clara da natureza físi-
ca da onda.

Palavras-chaves ÷ ÷÷ ÷ Leis de Snell, Refração de Onda, Re-
flexão de Onda.

I. INTRODUÇÃO

Esta publicação revisita o problema clássico de refração e
reflexão de onda eletromagnética, com o auxílio da formula-
ção apresentada em [1]. Sempre que possível, será mantida a
nomenclatura adotada nessa referência.
O uso de uma rotina para esboçar gráficos de contorno, que
requer um mínimo de programação, pode se tornar um recur-
so facilitador para o entendimento do problema de reflexão e
refração de ondas, sob a enorme quantidade de exponenciais,
coeficientes e operações vetoriais que conduzem às leis de
Snell, conforme são ministradas nos cursos de graduação
típicos sobre eletromagnetismo.
A contribuição singela deste artigo é um conjunto de figuras,
na verdade instantes de tempo de linhas de campo no espaço,
junto com uma receita simples para produzi-las. A visualiza-
ção desses campos torna fácil a compreensão, mesmo por
parte daqueles que já estudaram essas equações, do compor-
tamento espaço-temporal de uma onda eletromagnética em
uma interface plana.
Na solução do problema harmônico, os vários números de
onda k são parâmetros naturais a usar, em contraste ao com-
primento de onda e velocidade, pois a matemática subseqüen-
te é simplificada e todas as dimensões lineares são escalona-
das por um k apropriado. Note que os vetores de onda são
primordialmente escritos em termos de suas componentes
cartesianas, sem a aparência explícita de funções seno e co-
seno dos três ângulos (i, r, t) em cada passo do desenvol-
vimento. Uma vantagem pedagógica desta notação é evitar a
interpretação da forma cost como um número complexo no
caso de reflexão interna total.

II. ANÁLISE: POLARIZAÇÃO PERPENDICULAR

A onda plana incidente da Fig. 1 é polarizada com o campo
elétrico dirigido para fora da página, na direção
yˆ , que é
perpendicular ao plano x-z de incidência. A polarização para-
lela pode então ser tratada imediatamente por dualidade, em
termos do campo magnético na direção yˆ . Os fasores com-
plexos representam os sinais harmônicos em regime perma-

C. Martins, carlasm@ita.br, Tel +55-12-39476897, Fax +55-12-39476893
nente via, por exemplo,

| |
t j
e z x E t z x
e
) , ( Re ) , , (

= . (1)

O meio 1, com os parâmetros constitutivos (
1
,
1
), ocupa o
semi-espaço esquerdo (z < 0) e (
2
,
2
) caracteriza o meio 2
que ocupa o semi-espaço direito (z > 0). Os campos elétrico
e magnético de uma onda plana são da forma

r k j
e E r E

· ÷
=
0
) (
,
r k j
e H r H

· ÷
=
0
) (
(2)

onde k

corresponde ao vetor de onda ou vetor de propagação,
ou seja, vetor que determina a direção de propagação da
onda. No caso geral, o vetor de onda é da forma

z k y k x k k
z y x
ˆ ˆ ˆ + + =

(3)

onde k
x
, k
y
e k
z
são constantes. O módulo de k

corresponde
ao número de onda, isto é,

uc e = k

. (4)

O vetor r

corresponde ao vetor posição

z z y y x x r ˆ ˆ ˆ + + =

(5)

e o vetor
0
E

corresponde ao vetor amplitude

z E y E x E E
z y x
ˆ ˆ ˆ
0 0 0 0
+ + =

. (6)



Fig. 1 – Representação de onda plana em uma interface plana

As equações de Maxwell aplicáveis a esses campos são sim-
plificadas se forem utilizadas as seguintes formas algébricas

ec
eu
) (
) (
) (
) (
r H k
r E
r E k
r H

×
÷ =
×
=

0 ) (
0 ) (
= ·
= ·
r E k
r H k

. (7)
Da verificação de (7), percebe-se que ) (r E

é perpendicular
ao plano formado pelo vetor
) (r H

e k

. Das expressões dos
divergentes, vê-se também que ) (r E

e
) (r H

são perpendicu-
lares a k

, significando que ) (r E

,
) (r H

e k

são perpendicula-
res entre si, o que caracteriza uma onda plana transversal
eletromagnética (TEM – “Transverse Electric and Magne-
tic”).
Retornando ao estudo da polarização perpendicular, e intro-
duzindo os índices i (incidente), r (refletida) e t (transmitida),
as expressões gerais para as ondas incidente, refletida e
transmitida são

) 0 (
) ˆ ˆ ( ) , (
ˆ ˆ ) , (
1
0
1
0 0
<
¦
)
¦
`
¹
÷ =
×
=
= =
÷ ÷
÷ ÷ · ÷
z
e e
E
k x k z
E k
z x H
e e E y e E y z x E
z jk x jk i
iz ix
i i
i
z jk x jk
i
r k j
i i
iz ix
iz ix i
eu eu

(8)

) 0 (
) ˆ ˆ ( ) , (
ˆ ˆ ) , (
1
0
1
0 0
<
¦
)
¦
`
¹
÷ =
×
=
= =
÷ ÷
÷ ÷ · ÷
z
e e
E
k x k z
E k
z x H
e e E y e E y z x E
z jk x jk r
rz rx
r r
r
z jk x jk
r
r k j
r r
rz rx
rz rx r
eu eu

(9)

) 0 (
) ˆ ˆ ( ) , (
ˆ ˆ ) , (
2
0
2
0 0
>
¦
)
¦
`
¹
÷ =
×
=
= =
÷ ÷
÷ ÷ · ÷
z
e e
E
k x k z
E k
z x H
e e E y e E y z x E
z jk x jk t
tz tx
t t
t
z jk x jk
t
r k j
t t
tz tx
tz tx t
eu eu

. (10)

As componentes cartesianas dos três vetores de onda são

tz tx t
rz rx r
iz ix i
k z k x k
k z k x k
k z k x k
ˆ ˆ
ˆ ˆ
ˆ ˆ
+ =
+ =
+ =

(11)

e cada um deles deve representar uma onda legítima em seu
domínio, ou seja,

1 1 1
c u e = = = k k k
r i

e
2 2 2
c u e = = k k
t

. (12)

Geometricamente, as componentes cartesianas podem ser
expressas em termos dos três ângulos medidos a partir da
interface normal (
i
,
r
e
t
), conforme demonstra a Fig. 1.

t tz t tx
r rz r rx
i iz i ix
k k k k
k k k k
k k k k
u u
u u
u u
cos , sen
cos , sen
cos , sen
2 2
1 1
1 1
= =
÷ = =
= =
(13)

onde esta interpretação de
t
k

depende da formação de fato de
uma onda se propagando no meio 2.
Introduzindo os coeficientes de reflexão e transmissão de
Fresnel, respectivamente,

i
t
i
r
E
E
T e
E
E
0
0
0
0
= = I
± ±
(14)

e impondo a continuidade dos campos elétrico e magnético
tangenciais à interface z = 0, tem-se, respectivamente,
). (
2
1
· < < ÷·
¦
)
¦
`
¹
= I +
= I +
÷
±
÷
±
÷
÷
±
÷
±
÷
x
e T
k
k
e
k
k
e
e T e e
x jk
iz
tz x jk
iz
rz x jk
x jk x jk x jk
tx rx ix
tx rx ix
u
u
(15)

A observação mais apurada de (15) mostra que, para que
estas condições de contorno sejam válidas para todo x, é
necessário que o comportamento em x de todos os campos
seja igual ao da onda incidente. Em outras palavras, para que
haja continuidade das componentes tangenciais à interface z
= 0 para todo x, os campos existentes nos lados adjacentes à
interface devem exibir a mesma variação com x, isto é,

tx rx ix
k k k = = (16)

comumente conhecido como casamento de fase (“phase mat-
ching”).
A partir da interpretação geométrica da aplicação da condi-
ção (16) em (13), surgem imediatamente as leis de reflexão e
refração de Snell:
r i
r i
rx ix
k k
k k
u u
u u
=
=
=
sen sen
1 1

i
r r
r r
t
t i
tx ix
k k
k k
u
c u
c u
u
u u
sen sen
sen sen
2 2
1 1
2 1
=
=
=

Definindo o índice de refração do meio 1 como
1 1 1 r r
n u c =

e do meio 2 como
2 2 2 r r
n u c = , onde
0 1 1
c c c =
r
,
0 1 1
u u u =
r
,
0 2 2
c c c =
r
e
0 2 2
u u u =
r
correspondem às per-
missividades e permeabilidades relativas do meio 1 e do meio
2, respectivamente, pode-se escrever as leis de reflexão e
refração de Snell como

i t r i
n
n
e u u u u sen sen
2
1
= =
(17)

Duas situações físicas distintas devem ser consideradas:
(1)
ix
k k >
2
, isto é,
i
n n u sen
1 2
> .
Neste caso,
¬ + =
2 2 2
2 tz tx
k k k
2 2
2 tx tz
k k k ÷ + =
ou
2 2
2 ix tz
k k k ÷ + =
, o meio 2 é mais refringente que o meio 1.
Logo, k
tz
é um número real positivo, e o campo na região 2 é
uma onda plana propagante

. ~ )) , ( ), , ( (
z jk x jk
t t
tz ix
e e z x H z x E
÷ ÷
(18)

(2)
ix
k k <
2
, isto é,
i
n n u sen
1 2
< .
Neste caso,
2 2
2 tx tz
k k k ÷ ÷ =
ou
o j k k j k
ix tz
÷ = ÷ ÷ =
2
2
2
, com
real e positivo, e o meio 1 é mais refringente que o meio 2.
Logo, o campo na região 2 é evanescente

. ~ )) , ( ), , ( (
z x jk
t t
e e z x H z x E
ix
o ÷ ÷
(19)

O valor de
i
tal que
1 2
sen n n
i
= u é chamado de ângulo
crítico
c
,
1
2 1
sen
n
n
c
÷
= u
. (20)

A Fig. 2 mostra claramente, e sem algebrismo, a relação
entre o vetor de onda incidente e o vetor de onda que é
transmitido em um meio menos refringente. À medida que o
ângulo incidente se aproxima do ângulo crítico, o início da
onda superficial (19) em
2 t u =
t
é evidente.


Fig. 2 – Casamento de fase dos números de onda tangenciais;
caso em que
.
2 1
k k >


Após cancelar os fatores exponenciais em comum, as ex-
pressões em (15) podem ser resolvidas a fim de obter os
coeficientes de Fresnel:

tz iz
tz iz
k k
k k
1 2
1 2
u u
u u
+
÷
= I
±
e
tz iz
iz
k k
k
T
1 2
2
2
u u
u
+
=
±
. (21)

Note que se n
1
> n
2
e se
c i
u u >
então
1 2
sen n n
i
> u
. Logo,
pela lei de refração de Snell,

1 sen sen
2
1
> =
i t
n
n
u u


o que corresponde à situação (2) apresentada anteriormente,
na qual
o j k
tz
÷ =
, isto é, a onda no meio 2 é evanescente. O
módulo do coeficiente de reflexão neste caso é igual a

1
2
2
=
÷
+
= I
±
o u
o u
j k
j k
iz
iz (22)

o que significa que toda a potência da onda incidente é refle-
tida, ocorrendo assim reflexão interna total no meio 1, situa-
ção que ocorre quando o ângulo de incidência é maior que o
ângulo crítico.
Outro caso limite, a ausência total de onda refletida, ocorre
para um ângulo de incidência especial chamado ângulo de
Brewster para polarização perpendicular, obtido fazendo o
numerador de
±
I em (21) igual à zero,

|
|
|
|
|
.
|

\
|
|
|
.
|

\
|
÷
÷
=
÷
±
2
1
2
2
1
1 2
2 1
1
1
1
sen
u
u
c u
c u
u
B
(23)

Excetuando o expoente ½, o resultado acima concorda com o
apresentado em [1].
A densidade de fluxo de potência é representada pelo vetor
de Poynting complexo
*
H E S

× = , que na região 1 exibe um
comportamento de onda estacionária normal à interface.
A partir de (8) e (9), pode-se escrever as expressões para o
campo elétrico total e campo magnético total do meio 1 da
forma
) , ( ) , ( ) , (
) , ( ) , ( ) , (
1
1
z x H z x H z x H
z x E z x E z x E
i i meio
i i meio


±
±
I + =
I + =
. (24)

Após algumas manipulações matemáticas em (24) obtém-se,
para a densidade de fluxo de potência do meio 1,


{ + I + · =
+
±
÷
2
1
2
0
1
ˆ ) , (
z jk z jk
ix
i
iz iz
e e k x
E
z x S
eu

( ) | |}
z jk
iz
iz
e j k z
2
2
Im 2 1 ˆ
+
± ±
I + I ÷ · +
(25)

Na região 2, a estrutura do vetor de Poynting complexo de-
pende da natureza propagante ou evanescente da onda trans-
mitida, assim, distinguem-se duas situações:

Situação 1 –
ix
k k >
2

Neste caso, a partir das equações (10) e (16), pode-se escre-
ver o campo elétrico e o campo magnético do meio 2 na for-
ma
( )
z jk x jk i
tz ix t
z jk x jk
i t
tz ix
tz ix
e e
E T
k x k z z x H
e e E T y z x E
÷ ÷ ±
÷ ÷
±
÷ =
=
2
0
0
ˆ ˆ ) , (
ˆ ) , (
eu

. (26)

Situação 2 –
ix
k k <
2

Neste caso, a partir das equações (10), (16) e (19), pode-se
escrever o campo elétrico e o campo magnético do meio 2 na
forma
( )
z x jk i
ix t
z x jk
i t
e e
E T
j x k z z x H
e e E T y z x E
ix
ix
o
o
eu
o
÷ ÷ ±
÷ ÷
±
+ =
=
2
0
0
ˆ ˆ ) , (
ˆ ) , (

. (27)

Após os algebrismos necessários de (26) e (27), obtém-se,
para a densidade de fluxo de potência do meio 2,

| |
| |
¹
´
¦
< ÷
> +
=
÷
±
ix
z
ix
ix tz ix i
k k para e j z k x
k k para k z k x
T E
z x S
2
2
2
2
2 2
0
2
; ˆ ˆ
; ˆ ˆ
) , (
o
o eu

. (28)

Note que (28) mostra explicitamente o decaimento exponen-
cial no meio 2, no caso de onda evanescente, que não carrega
potência na direção normal à interface, visto que a compo-
nente em zˆ é imaginária. Neste ponto, talvez alguém pudesse
interpretar este resultado como a inexistência de campos no
meio 2, o que absolutamente não é verdade. De (27), verifica-
se que, para a situação de reflexão interna total, os campos
eletromagnéticos no meio 2 decaem exponencialmente ao
longo da direção zˆ (são multiplicados por um fator
z
e
o ÷
), e
à medida que z ÷ , os campos tendem a se anularem.

III. LINHAS DE CAMPO VETORIAIS INSTANTÂNEAS A PARTIR
DE CONTORNOS ESCALARES

No domínio bidimensional da Fig. 1 (plano x-z), associado à
intensidade de campo elétrico na direção

(
) , ( z x E
y
) está a
intensidade do campo magnético
) , ( z x H

, que pode ser obtida
através da aplicação direta das equações de Maxwell. Logo,
eu j
z x E y
z x H
y
)] , ( ˆ [
) , (
× V
÷ =

Relembrando a seguinte identidade vetorial,

( ) A A A

× V + × V = × V o o o


onde o representa um escalar e A

representa um vetor, pode-
se reescrever a expressão para a intensidade de campo mag-
nético ) , ( z x H

como

eu eu j
y z x E y z x E
j
z x E y
z x H
y y y
ˆ ) , ( ˆ ) , ( )] , ( ˆ [
) , (
× V + × V
÷ =
× V
÷ =

.

Percebe-se claramente que 0 ˆ = × V y , logo
) , ( ˆ
1
)] , ( ˆ [
) , ( z x E y
j j
z x E y
z x H
y
y
V × + =
× V
÷ =
eu eu

. (29)

O gradiente de
) ; , ( t z x
y

é um campo vetorial no plano x-z,
que é ortogonal aos contornos de ) ; , ( t z x
y
e igual a uma
constante, ou seja,
) ; , ( t z x
y
V
é ortogonal à superfície defini-
da por
c t z x
y
= ) ; , (
, onde c é uma constante. Ao fazer o pro-
duto vetorial ) ; , ( ˆ t z x y
y
V × , obtém-se um campo vetorial
instantâneo tangente aos contornos de
) ; , ( t z x
y

, em qualquer
ponto. A magnitude deste novo campo vetorial é igual à
magnitude de
) ; , ( t z x
y
V
e, conseqüentemente, os contornos
de
c t z x
y
= ) ; , (
são automaticamente a figura do campo
) ; , ( ˆ t z x y
y
V ×
, onde a densidade de contornos é proporcional
à força do campo.
A figura da variação espacial do vetor campo magnético
) ; , ( t z x

, em qualquer instante de tempo t, é gerada pelos
contornos de valores constantes da parte real da função esca-
lar
)
`
¹
¹
´
¦
t j y
e
j
z x E
e
eu
) , (
Re
.

O fator constante é de menor conseqüência aqui, enquan-
to que, em vista de (1), a inclusão do fator j tem o efeito de
manter a referência de fase t e cos da onda incidente na ori-
gem das coordenadas (x,z) = (0,0).

IV. RESULTADOS E INTERPRETAÇÃO FÍSICA

A Fig. 3(a)-(c) mostra as linhas de campo magnético instan-
tâneas no tempo (normalizado) t = 0, resultantes de uma
onda perpendicularmente polarizada que incide sob um ângu-
lo
i
= 45°, passando do ar para o semi-espaço dielétrico (z
0) tendo
r2
= 1.1, 2.0 e 20.0, respectivamente. À medida que
t aumenta, todas essas linhas de campo se propagam na dire-
ção +x, tangente à interface, com velocidade de fase igual a
ix
k e . Em todos os três gráficos da Fig. 3, o campo transmi-
tido (lado direito do domínio) é uma onda plana singela se
propagando com ângulos
t
cada vez menores. As linhas de
campo magnético da onda estacionária à esquerda da interfa-
ce ora formam círculos fechados ora estendem-se até infinito.

k1*z
k
1
*
x
u
i
= 45°, Meio 1: (c
r
=1.0, u
r
=1.0), Meio 2: (c
r
=1.1, u
r
=1.0)
-5 -4 -3 -2 -1 0 1 2 3 4 5
-5
-4
-3
-2
-1
0
1
2
3
4
5

(a)

k1*z
k
1
*
x
u
i
= 45°, Meio 1: (c
r
=1.0, u
r
=1.0), Meio 2: (c
r
=2.0, u
r
=1.0)
-5 -4 -3 -2 -1 0 1 2 3 4 5
-5
-4
-3
-2
-1
0
1
2
3
4
5

(b)

k1*z
k
1
*
x
u
i
= 45°, Meio 1: (c
r
=1.0, u
r
=1.0), Meio 2: (c
r
=20.0, u
r
=1.0)
-5 -4 -3 -2 -1 0 1 2 3 4 5
-5
-4
-3
-2
-1
0
1
2
3
4
5

(c)

Fig. 3 – Linhas de campo magnético instantâneas no domínio
(-5 k1x, k1z 5); Caso: i = 45°, t = 0, r1 = r2 = r1 = 1.
(a) r2 = 1.1. (b) r2 = 2.0. (c) r2 = 20.0.

Tais campos são chamados de solenoidais. Através do prin-
cípio da dualidade, citada no começo da Seção II, que requer
um intercâmbio entre e e entre

e

, essas figuras tam-
bém são as linhas de campo elétrico para o caso dual de pola-
rização paralela. O valor relativamente pequeno de
1 2 r r
c c da
Fig. 3(a) resulta numa pequena taxa de onda estacionária no
meio 1, enquanto que a descontinuidade mais acentuada da
Fig. 3(c) produz uma reflexão maior, criando assim um pa-
drão gráfico de onda estacionária mais substancial via interfe-
rências construtivas e destrutivas entre a onda incidente e a
refletida.
A situação de uma onda plana incidindo de um meio mais
denso (
r1
= 2,
r1
=1) para um meio menos denso (
r2
=
r2
=1)
é mostrada na Fig. 4, onde o ângulo crítico
c
= 45°. A Fig.
4(a) mostra o caso de incidência sob ângulo crítico, onde se
percebe que não existe variação com a coordenada z no meio
2. À medida que o ângulo de incidência se torna maior que o
ângulo crítico, de
i
= 50° [Fig. 4(b)] até
i
= 80° [Fig.4(c)], a
onda superficial no meio 2 se torna cada vez mais próxima da
interface. Isto se deve devido ao comportamento evanescente
da onda transmitida na direção z que, quanto maior for
i

maior será o valor de em (19).

k1*z
k
1
*
x
u = 45°, Meio 1: (c
r
=2.0, u
r
=1.0), Meio 2: (c
r
=1.0, u
r
=1.0)
-5 -4 -3 -2 -1 0 1 2 3 4 5
-5
-4
-3
-2
-1
0
1
2
3
4
5

(a)

k1*z
k
1
*
x
u
i
= 50°, Meio 1: (c
r
=2.0, u
r
=1.0), Meio 2: (c
r
=1.0, u
r
=1.0)
-5 -4 -3 -2 -1 0 1 2 3 4 5
-5
-4
-3
-2
-1
0
1
2
3
4
5

(b)

k1*z
k
1
*
x
u
i
= 80°, Meio 1: (c
r
=2.0, u
r
=1.0), Meio 2: (c
r
=1.0, u
r
=1.0)
-5 -4 -3 -2 -1 0 1 2 3 4 5
-5
-4
-3
-2
-1
0
1
2
3
4
5

(c)

Fig. 4 – Linhas de campo magnético instantâneas no domínio
(-5 k1x, k1z 5); Caso: t = 0, r1 = 2, r2 = r1 = r2 =1.
(a) i = 45° . (b) i = 50°. (c) i = 80°.

A Fig. 5 apresenta uma visualização tridimensional para a
situação representada na Fig. 3(b), ou seja, onda perpendicu-
larmente polarizada que incide sob um ângulo
i
= 45°, pas-
sando do ar para o semi-espaço dielétrico (z 0) tendo
r2
=
20.0.

-10
-5
0
5
10
-10
-5
0
5
10
-2
-1
0
1
2
k
z
z
Visualização 3-D: u
i
= 45°, Meio 1: (c
r
=1.0, u
r
=1.0), Meio 2: (c
r
=20.0, u
r
=1.0)
k
x
x

Fig. 5 – Visualização 3D das linhas de campo magnético instantâneas no do-
mínio (-10 k1x, k1z 10); Caso: i = 45°,t = 0, r1=r2 =r1 = 1 e r2= 20.0.

A Fig. 6 apresenta uma visualização tridimensional para a
situação representada na Fig. 4(c), ou seja, uma onda plana
incidindo de um meio mais denso (
r1
= 2,
r1
=1) para um
meio menos denso (
r2
=
r2
=1), com ângulo de incidência
maior que o ângulo crítico (
i
= 80° e
c
= 45°).
A Fig. 7 apresenta o script da função “PERP” utilizada para
a geração dos gráficos, na linguagem do software MATLAB.
-10
-5
0
5
10
-10
-5
0
5
10
-2
-1
0
1
2
k
x
x
Visualização 3-D: u
i
= 80°, Meio 1: (c
r
=2.0, u
r
=1.0), Meio 2: (c
r
=1.0, u
r
=1.0)
k
z
z

Fig. 6 – Visualização 3D das linhas de campo magnético instantâneas no do-
mínio (-10 k1x, k1z 10); Caso: t = 0, r1 = 2, r2 = r1 = r2 =1 e i = 80°.

Function [ey]=perp(xi,zeta,tincd,e1,e2,u1,u2)
% Função PERP
% Referência: SCHARSTEIN, R. W. “Visualization and Interpretation for the Electromag
% netic Derivation of Snell’s Laws”. IEEE Transactions on Education. Vol. 41. n°4. 1998.
%
% Sintaxe: [Ey]=PERP(xi,zeta,tincd,e1,e2,u1,u2)
%
% Onda plana obliquamente incidente em uma interface dielétrica plana. Polar. Perpend.
%
% Entradas: xi = K1*x (n°de onda do meio 1 * coordenada x)
% zeta = K1*z (n°de onda do meio 1 * coordenada z)
% tincd = ângulo de incidência em graus
% e1 = constante dielétrica do meio 1
% e2 = constante dielétrica do meio 2
% u1 = permeabilidade relativa do meio 1
% u2 = permeabilidade relativa do meio 2
%
% Saída: Ey = Fasor do campo elétrico em (xi,zeta)
tinc=tincd*pi/180; % transformando o ângulo de incidência para radianos
stinc=sin(tinc); ctinc=ti(tinc); % seno e co-seno do ângulo de incidência
rn21=sqrt((e2*u2)/(e1*u1)); % razão n2/n1 – índices de refração
kixx=xi.*stinc; kizz=zeta.*ctinc; % componentes cartesianas do vetor de onda incidente

if stinc <= rn21 % teste para qualquer fenômeno de ângulo crítico
ktzk2=sqrt(1-(stinc/rn21)^2 );
else % razão ktz/k2 (= ti(âng. De trans.) se a onda for propagante)
ktzk2=-i*sqrt((tink/rn21)^2-1 );
end
ktzz=zeta.*ktzk2*rn21; % ktz*z
refl=(u2*ctinc-u1*rn21*ktzk2)/(u2*ctinc+u1*rn21*ktzk2); % coeficientes de reflexão e
tran=2*u2*ctinc/(u2*ctinc+u1*rn21*ktzk2); % transmissão de Fresnel
for l=1:1:size(xi,1)
for m=1:1:size(xi,2)
if zeta(l,m) <= 0
ey(l,m) = exp(-kizz(l,m)*i)+refl*exp(kizz(l,m)*i);
else
ey(l,m) = tran*exp(-ktzz(l,m)*i);
end
ey(l,m)=ey(l,m)*exp(-kixx(l,m)*i);
end
end
end
Fig. 7 – Script da função “PERP”.

V. OBSERVAÇÕES FINAIS

Algumas simplificações na abordagem do fenômeno de
reflexão e refração de ondas planas, que facilitam a compre-
ensão física e matemática do fenômeno, foram apresentadas.
Uma delas é a abordagem da situação de reflexão interna
total sem falar sobre o valor da função co-seno como um
número imaginário. A outra simplificação está na forma de
apresentação gráfica, na qual os gráficos são apresentados em
função das variáveis adimensionais ) , (
1 1 z x
k k ao invés das
coordenadas originais (x,z). Consequentemente, o valor abso-
luto da freqüência não é necessário, e os parâmetros inde-
pendentes das funções passam a ser o ângulo de incidência
i

e os parâmetros constitutivos
r1
,
r2
,

r1
e
r2
apenas. Os re-
sultados obtidos concordam com a referência [1].

REFERÊNCIAS

[1] R. W. Scharstein, “Visualization and Interpretation for the Electromag-
netic Derivation of Snell’s Laws”, IEEE Transactions on Education, vol. 41,
Nº. 4, pp. 286-292, November 1998.
[2] R. E. Collin, “Foundations for Microwave Engineering”, 2. ed, New
York: McGraw-Hill, 1992 .
[3] S. Ramo, “Fields and waves in communication electronics”, New York:
Wiley, 1994.

respectivamente. onde . (15) A observação mais apurada de (15) mostra que. r (refletida) e t (transmitida). c e impondo a continuidade dos campos elétrico e magnético tangenciais à interface z = 0. r e t). respectivamente. vê-se também que E (r ) e H ( r ) são perpendiculares a k . z ). Neste caso. Logo. (12) Duas situações físicas distintas devem ser consideradas: (1) k2 kix . Das expressões dos divergentes. surgem imediatamente as leis de reflexão e refração de Snell: kix ktx k k ix rx k1sen . as componentes cartesianas podem ser expressas em termos dos três ângulos medidos a partir da interface normal ( i. e o campo na região 2 é uma onda plana propagante kix krx ktx k1sen i . krz k 2sen t . z ) H r ( x. percebe-se que E (r ) é perpendicular ao plano formado pelo vetor H (r ) e k . kiz k1sen r . tem-se. e introduzindo os índices i (incidente). n2 . (19) E0 r E0i e T E0 t E0 i (14) tal que sen sen i n2 n1 é chamado de ângulo 1 crítico c. para que estas condições de contorno sejam válidas para todo x. as expressões gerais para as ondas incidente. é necessário que o comportamento em x de todos os campos seja igual ao da onda incidente. (10) i i k1sen r r k1sen t i k 2 sen t ˆ yE0t e kt Et 2 jkt r ˆ yE 0 t e ˆ ( zktx e jktz z jktx x jktz z sen r1 r1 r2 r 2 sen i ˆ xktz ) E 0t 2 e e (z 0) Definindo o índice de refração do meio 1 como n1 e do meio 2 como r1 1 0 r1 r1 1 r1 0 As componentes cartesianas dos três vetores de onda são n2 e r2 2 r2 0 r2 . e o meio 1 é mais refringente que o meio 2. Retornando ao estudo da polarização perpendicular. H t ( x. n1 sen n2 i (17) ki kr k1 1 1 e kt k2 2 2 . Logo. isto é. onde esta interpretação de kt depende da formação de fato de uma onda se propagando no meio 2. z ) Er ( x. ktz k 2 ktx ou ktz j kix k2 j . significando que E (r ) . o meio 2 é mais refringente que o meio 1. isto é. 2 k2 2 ktx 2 k tz ktz 2 k2 2 ktx ou Geometricamente. pode-se escrever as leis de reflexão e refração de Snell como i r e sen t e cada um deles deve representar uma onda legítima em seu domínio. n2 n1 jkix x e jktz z . (18) sen i . Introduzindo os coeficientes de reflexão e transmissão de Fresnel. 2 2 ktz k 2 kix . o que caracteriza uma onda plana transversal eletromagnética (TEM – “Transverse Electric and Magnetic”). para que haja continuidade das componentes tangenciais à interface z = 0 para todo x. isto é. 2 2 2 2 Neste caso. refletida e transmitida são e e jk ix x jk ix x e e jk rx x jk rx x Te 1 tz jktx x jktx x krz kiz k Te 2 kiz ( x ). H t ( x. os campos existentes nos lados adjacentes à interface devem exibir a mesma variação com x. conforme demonstra a Fig. z )) ~ e kix . respectivamente. z ) H i ( x. n2 n1 sen i .Da verificação de (7). z ). H ( r ) e k são perpendiculares entre si. . A partir da interpretação geométrica da aplicação da condição (16) em (13). com real e positivo. z ) H t ( x. n1 (20) . 1. r2 2 0 correspondem às per- ki kr kt ˆ xkix ˆ xkrx ˆ xktx ˆ zkiz ˆ zk rz ˆ zktz (11) missividades e permeabilidades relativas do meio 1 e do meio 2. z )) ~ e O valor de i jkix x e z . z ) Et ( x. ktz é um número real positivo. ou seja. ktz k1 cos k2 cos i r t k1 cos (13) (2) k2 ( Et ( x. z ) ˆ y E0 i e k i Ei 1 j ki r ˆ yE 0 i e ˆ ( zkix jkix x e jk iz z kix jkix x k rx ktx (16) ˆ xkiz ) jk rx x E0 i 1 e e jk iz z (z 0) (8) ˆ yE0 r e 1 jkr r ˆ yE 0 r e ˆ ( zk rx e jk rz z k r Er ˆ xkrz ) jktx x E0 r 1 e jkrx x e jkrz z (z 0) (9) comumente conhecido como casamento de fase (“phase matching”). o campo na região 2 é evanescente ( Et ( x. Ei ( x . Em outras palavras.

para a densidade de fluxo de potência do meio 1. 2 mostra claramente. S 2 ( x. verificase que. z ) E0 i T 2 2 2 o que significa que toda a potência da onda incidente é refletida. pode-se escrever as expressões para o campo elétrico total e campo magnético total do meio 1 da forma E meio1 ( x. ˆ zj e 2 z para k2 . distinguem-se duas situações: Situação 1 – k2 kix Neste caso. caso em que k1 k 2 . na qual ktz j . A densidade de fluxo de potência é representada pelo vetor de Poynting complexo S E H * . no caso de onda evanescente. a estrutura do vetor de Poynting complexo depende da natureza propagante ou evanescente da onda transmitida. 2 kiz 1ktz então sen i (21) Note que se n1 > n2 e se pela lei de refração de Snell. isto é. obtido fazendo o numerador de em (21) igual à zero. para a densidade de fluxo de potência do meio 2. o início da onda superficial (19) em t 2 é evidente. as expressões em (15) podem ser resolvidas a fim de obter os coeficientes de Fresnel: k 2 k iz 2 iz 1 tz k e T 1k tz i c 2 2 kiz . . a relação entre o vetor de onda incidente e o vetor de onda que é transmitido em um meio menos refringente. e ˆ à medida que z . z ) Ei ( x. De (27). para a situação de reflexão interna total. O módulo do coeficiente de reflexão neste caso é igual a 2 iz Situação 2 – k2 kix Neste caso. z ) Após algumas manipulações matemáticas em (24) obtém-se. que não carrega potência na direção normal à interface. sen t n2 n1 . 2 – Casamento de fase dos números de onda tangenciais. associado à intensidade de campo elétrico na direção y ( E y ( x. Neste ponto. S1 ( x. (27) T E0 i jkix x z ˆ ˆ H t ( x. a onda no meio 2 é evanescente. 2 j Im & e 2 jkiz z '( (25) Na região 2. n1 sen n2 i 1 o que corresponde à situação (2) apresentada anteriormente. À medida que o ângulo incidente se aproxima do ângulo crítico. z ) ) está a ˆ intensidade do campo magnético H ( x. (26) T E0i jkix x jktz z ˆ ˆ H t ( x. que na região 1 exibe um comportamento de onda estacionária normal à interface. z ) & z kix x ktz ' e e 2 Após cancelar os fatores exponenciais em comum. situação que ocorre quando o ângulo de incidência é maior que o ângulo crítico. Logo. ocorrendo assim reflexão interna total no meio 1. a partir das equações (10). assim. z ) H i ( x. visto que a componente em z é imaginária. (24) H meio1 ( x. z ) & z kix x j ' e e 2 k 2 k iz j j 1 (22) Após os algebrismos necessários de (26) e (27). e sem algebrismo. III. z ) . ocorre para um ângulo de incidência especial chamado ângulo de Brewster para polarização perpendicular. os campos tendem a se anularem. kix (28) B sen 1 $ " 1 " " " "1 # 1 2 2 1 2 ! 1 2 (23) $ " " # 1 2 ! Note que (28) mostra explicitamente o decaimento exponencial no meio 2. o que absolutamente não é verdade. z ) E0i 2 1 %xˆ k ix e jkiz z 2 e jkiz z 2 ˆ z k iz 1 Fig. Outro caso limite. LINHAS DE CAMPO VETORIAIS INSTANTÂNEAS A PARTIR DE CONTORNOS ESCALARES No domínio bidimensional da Fig. que pode ser obtida Excetuando o expoente ½. z ) H i ( x. z ) Ei ( x. obtém-se. o resultado acima concorda com o apresentado em [1]. para k2 kix . a partir das equações (10) e (16). 1 (plano x-z).A Fig. talvez alguém pudesse ˆ interpretar este resultado como a inexistência de campos no meio 2. . ˆ + xkix * ˆ ) xkix ˆ zktz . pode-se escrever o campo elétrico e o campo magnético do meio 2 na forma ˆ Et ( x. z ) yT E 0i e jkix x e z . os campos eletromagnéticos no meio 2 decaem exponencialmente ao longo da direção z (são multiplicados por um fator e z ). (16) e (19). z ) . a ausência total de onda refletida. z ) yT E0i e jkix x e jktz z . A partir de (8) e (9). pode-se escrever o campo elétrico e o campo magnético do meio 2 na forma ˆ Et ( x.

Meio 1: ( r=1.0. ou seja. Isto se deve devido ao comportamento evanescente da onda transmitida na direção z que. z . t ) c . (c) r2 = 20. resultantes de uma onda perpendicularmente polarizada que incide sob um ângulo i = 45°. Em todos os três gráficos da Fig.1.0.0. enquanto que. onde o ângulo crítico c = 45°.através da aplicação direta das equações de Maxwell. .A ' -.0. Meio 2: ( r =2.0). Ao fazer o produto vetorial y ˆ y ( x. z.1. r=1. onde a densidade de contornos é proporcional y ( x. (a) r2 = 1. k1z 5). 4(a) mostra o caso de incidência sob ângulo crítico. podese reescrever a expressão para a intensidade de campo magnético H ( x.y 0 . A figura da variação espacial do vetor campo magnético ( x. Tais campos são chamados de solenoidais.0 e 20.y ( x. os contornos de ˆ y y ( x. k1*x 5 4 3 2 1 0 -1 -2 i = 45° Meio 1: ( r =1. z ) ˆ . r =1. é gerada pelos contornos de valores constantes da parte real da função escalar + E ( x. representa um escalar e A representa um vetor. j -3 -4 -5 -5 -4 -3 -2 -1 0 k1*z 1 2 3 4 5 (a) 5 4 3 2 1 k1*x 0 -1 -2 -3 i = 45° Meio 1: ( r =1. todas essas linhas de campo se propagam na direção +x.0. z. t ) e. conseqüentemente.[ yE y ( x. A situação de uma onda plana incidindo de um meio mais denso ( r1= 2.0). A Fig. r1=1) para um meio menos denso ( r2 = r2 =1) é mostrada na Fig. z. 4(b)] até i = 80° [Fig. A magnitude deste novo campo vetorial é igual à magnitude de .A onde .y ( x. t = 0. t ) c são automaticamente a figura do campo . z. r =1.z) = (0.1. onde se percebe que não existe variação com a coordenada z no meio 2. As linhas de campo magnético da onda estacionária à esquerda da interface ora formam círculos fechados ora estendem-se até infinito. z ) j t . em qualquer instante de tempo t. (b) r2 = 2. RESULTADOS E INTERPRETAÇÃO FÍSICA A Fig. z ) . criando assim um padrão gráfico de onda estacionária mais substancial via interferências construtivas e destrutivas entre a onda incidente e a refletida.0) i constante. 3(c) produz uma reflexão maior. a onda superficial no meio 2 se torna cada vez mais próxima da interface. t ) .0. 3(a)-(c) mostra as linhas de campo magnético instantâneas no tempo (normalizado) t = 0. t ) . enquanto que a descontinuidade mais acentuada da Fig. passando do ar para o semi-espaço dielétrico (z 0) tendo r2 = 1. 4. essas figuras também são as linhas de campo elétrico para o caso dual de polarização paralela. 3. em vista de (1). t ) é ortogonal à superfície definida por y ( x.0). . z ). z )] 1 ˆ y -E y ( x. z. ˆ . que requer um intercâmbio entre e e entre e .[ yE y ( x. onde c é uma constante.0). z. quanto maior for i maior será o valor de em (19). z )] j ˆ ˆ -E y ( x. IV. 2. z ) j j O gradiente de y (29) ( x . logo ˆ ˆ . Meio 2: ( r=20. z ) y E y ( x. z. obtém-se um campo vetorial . a inclusão do fator j tem o efeito de manter a referência de fase cos t da onda incidente na origem das coordenadas (x. Logo. t ) 0 k1*z 1 2 3 4 5 à força do campo. Percebe-se claramente que . citada no começo da Seção II. r1 = r2 = r1 = 1. de i = 50° [Fig. z. O valor relativamente pequeno de r 2 r1 da Fig. - &. com velocidade de fase igual a kix . z )] H ( x. t ) é um campo vetorial no plano x-z. z ) como H ( x. A . t ) 5 4 3 2 1 k1*x 0 -1 -2 -3 -4 -5 -5 -4 -3 -2 -1 (b) = 45°. o campo transmitido (lado direito do domínio) é uma onda plana singela se propagando com ângulos t cada vez menores. z. À medida que o ângulo de incidência se torna maior que o ângulo crítico. t ) instantâneo tangente aos contornos de ponto.0..4(c)]. respectivamente. À medida que t aumenta. -4 -5 -5 -4 -3 -2 -1 0 k1*z 1 2 3 4 5 que é ortogonal aos contornos de e igual a uma y ( x. r =1. 3 – Linhas de campo magnético instantâneas no domínio (-5 k1x.0.[ yE y ( x. (c) Fig. z ) j Relembrando a seguinte identidade vetorial. Meio 2: ( r =1. r=1. Através do princípio da dualidade. r=1.0) . 3(a) resulta numa pequena taxa de onda estacionária no meio 1. tangente à interface.y . H ( x. em qualquer y ( x. Caso: i = 45°. e Re * y ) j O fator constante é de menor conseqüência aqui.0) .

0). V isualização 3-D: i Fig. Meio 2: ( r =1. r =1. 286-292.m) = exp(-kizz(l.u1. k1z 5). na qual os gráficos são apresentados em função das variáveis adimensionais ( k1x .0). for l=1:1:size(xi.z). passando do ar para o semi-espaço dielétrico (z 0) tendo r2 = 20. 6 apresenta uma visualização tridimensional para a situação representada na Fig.5 4 3 2 1 k1*x = 45° Meio 1: ( r =2. “Fields and waves in communication electronics”.0). vol.0.m)*i)+refl*exp(kizz(l. com ângulo de incidência maior que o ângulo crítico ( i = 80° e c = 45°). % % Sintaxe: [Ey]=PERP(xi. 3(b).*stinc. Vol. r2. Meio 2: ( r =1. 7 apresenta o script da função “PERP” utilizada para a geração dos gráficos. “Visualization and Interpretation for the Electromagnetic Derivation of Snell’s Laws”. % ktz*z refl=(u2*ctinc-u1*rn21*ktzk2)/(u2*ctinc+u1*rn21*ktzk2). A outra simplificação está na forma de apresentação gráfica. 7 – Script da função “PERP”. r2 = r1 = r2 =1 e i = 80°. r1 = 2. r=1. De trans.e2.e1.0) .0). Meio 1: ( r=2. end ktzz=zeta. r=1. Function [ey]=perp(xi.m)*i).m)*i). r=1. r1 e r2 apenas.0) . Collin. 1998. Visualização 3-D: i= 80°. M eio 1: ( =1. OBSERVAÇÕES FINAIS Algumas simplificações na abordagem do fenômeno de reflexão e refração de ondas planas. % transformando o ângulo de incidência para radianos stinc=sin(tinc). r =1. “Foundations for Microwave Engineering”. % % Entradas: xi = K1*x (n° de onda do meio 1 * coordenada x) % zeta = K1*z (n° de onda do meio 1 * coordenada z) % tincd = ângulo de incidência em graus % e1 = constante dielétrica do meio 1 % e2 = constante dielétrica do meio 2 % u1 = permeabilidade relativa do meio 1 % u2 = permeabilidade relativa do meio 2 % % Saída: Ey = Fasor do campo elétrico em (xi. W. Caso: i = 45°. New York: McGraw-Hill.0. r1= r2 = r1 = 1 e r2= 20. r2 = r1 = r2 =1. 4(c). t = 0.0) 2 1 0 -1 -2 -3 -4 -5 -5 -4 -3 -2 -1 0 k1*z 1 2 3 4 5 kzz 0 -1 -2 -10 -5 0 5 10 -10 -5 kxx 5 0 10 (a) 5 4 3 2 1 k1*x 0 -1 -2 -3 -4 -5 -5 -4 -3 -2 -1 0 k1*z 1 2 3 4 5 i Fig. 4 – Linhas de campo magnético instantâneas no domínio (-5 k1x.zeta) tinc=tincd*pi/180. % coeficientes de reflexão e % transmissão de Fresnel tran=2*u2*ctinc/(u2*ctinc+u1*rn21*ktzk2). foram apresentadas. E. 6 – Visualização 3D das linhas de campo magnético instantâneas no domínio (-10 k1x.1) for m=1:1:size(xi. ou seja. que facilitam a compreensão física e matemática do fenômeno.0. % razão n2/n1 – índices de refração kixx=xi. r1 =1) para um meio menos denso ( r2 = r2 =1). IEEE Transactions on Education. (a) i = 45° . Caso: t = 0. 2.zeta. Os resultados obtidos concordam com a referência [1]. r =1. 41. (b) 5 4 3 2 1 k1*x 0 -1 -2 -3 -4 -5 -5 -4 -3 -2 -1 0 k1*z 1 2 3 4 5 i = 80° Meio 1: ( r =2. = 45° . uma onda plana incidindo de um meio mais denso ( r1 = 2.*ktzk2*rn21.e1. “Visualization and Interpretation for the Electromag % netic Derivation of Snell’s Laws”. New York: Wiley. A Fig. else ey(l. ed. 1992 .u2) % Função PERP % Referência: SCHARSTEIN. A Fig. o valor absoluto da freqüência não é necessário. r r =1.0) 2 1 0 -1 -2 10 5 0 -5 k x x -10 -10 -5 k z z 0 5 10 Fig. [2] R.0.m) <= 0 ey(l. Scharstein. Polar. V. IEEE Transactions on Education.*ctinc. k1z ) ao invés das coordenadas originais (x.u2) % % Onda plana obliquamente incidente em uma interface dielétrica plana. W. onda perpendicularmente polarizada que incide sob um ângulo i = 45°.tincd. n° 4. [3] S. % componentes cartesianas do vetor de onda incidente if stinc <= rn21 % teste para qualquer fenômeno de ângulo crítico ktzk2=sqrt(1-(stinc/rn21)^2 ). na linguagem do software MATLAB.0.m)*exp(-kixx(l. . (c) Fig. Meio 2: ( r =1. end ey(l. kizz=zeta. pp. Meio 2: ( =20.0) .m)=ey(l.m) = tran*exp(-ktzz(l.0. e os parâmetros independentes das funções passam a ser o ângulo de incidência i e os parâmetros constitutivos r1. k1z 10).zeta. 41.tincd. November 1998.u1. A Fig.0. 1994. (b) i = 50°. Meio 2: ( r=1.e2. 5 – Visualização 3D das linhas de campo magnético instantâneas no domínio (-10 k1x.) se a onda for propagante) ktzk2=-i*sqrt(( tink/rn21)^2-1 ). r=1. REFERÊNCIAS [1] R. r =1. ctinc= ti(tinc). Perpend. 4.2) if zeta(l. else % razão ktz/k2 (= ti(âng. ou seja. Nº.0.m)*i).0.0.0). Consequentemente. (c) i = 80°. Ramo. Caso: t = 0. r r =1.0. 5 apresenta uma visualização tridimensional para a situação representada na Fig. % seno e co-seno do ângulo de incidência rn21=sqrt((e2*u2)/(e1*u1)). end end end = 50° Meio 1: ( r =2.0. k1z 10). R. Uma delas é a abordagem da situação de reflexão interna total sem falar sobre o valor da função co-seno como um número imaginário. r1 = 2.