Você está na página 1de 200

Práticas de

Eletromagnetismo
Prof. Eduardo Vinicius Galle
Prof. Guilherme de Lima Lopes
Prof. Ivan Rodrigo Kaufman
Prof.a Mariana Sacrini Ayres Ferraz

Indaial – 2020
1a Edição
Copyright © UNIASSELVI 2020

Elaboração:
Prof. Eduardo Vinicius Galle
Prof. Guilherme de Lima Lopes
Prof. Ivan Rodrigo Kaufman
Prof.a Mariana Sacrini Ayres Ferraz

Revisão, Diagramação e Produção:


Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI

Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri


UNIASSELVI – Indaial.

G166p

Galle, Eduardo Vinicius

Práticas de eletromagnetismo. / Eduardo Vinicius Galle; Guilherme


de Lima Lopes; Ivan Rodrigo Kaufman; Mariana Sacrini Ayres Ferraz. – Indaial:
UNIASSELVI, 2020.

191 p.; il.

ISBN 978-65-5663-199-8
ISBN Digital 978-65-5663-194-3

1. Eletromagnetismo. – Brasil. I. Galle, Eduardo Vinicius. II. Lopes,


Guilherme de Lima. III. Kaufman, Ivan Rodrigo. IV. Ferraz, Mariana Sacrini
Ayres. V. Centro Universitário Leonardo Da Vinci.

CDD 530.141

Impresso por:
Apresentação
Olá, acadêmico! Bem-vindo à disciplina de Práticas de
Eletromagnetismo! Esta disciplina visa desenvolver a teoria eletromagnética
das equações de Maxwell de forma prática (experimental). Em todos os
tópicos procuramos sugerir práticas simples, com materiais do cotidiano,
a fim de proporcionar a você, acadêmico, um primeiro contato com o
eletromagnetismo. O eletromagnetismo pode ser considerado como o estudo
da interação das cargas elétricas em repouso (eletrostática) e em movimento
(eletrodinâmica). Essa área da engenharia envolve a análise dos campos
elétricos e magnéticos, cujos quais constituem o conjunto das Equações de
Maxwell. Todo campo elétrico gera um campo magnético e vice-versa. Esse
é o princípio das ondas eletromagnéticas.

Os princípios do eletromagnetismo se aplicam em várias disciplinas


afins, tais corno, eletromagnetismo aplicado: guias de onda, linhas de
transmissão, micro-ondas, antenas e em máquinas elétricas e comunicações
por satélite.

Neste livro, estudaremos os conceitos fundamentais em que se


baseiam todas as equações de Maxwell. O início do nosso estudo, na Unidade
1, abordará os conceitos fundamentais da eletrostática, o cálculo do campo
elétrico e o estudo dos diferentes tipos e geometrias de capacitores.

O eletromagnetismo está dividido em duas partes, ou seja, o


eletromagnetismo em baixas frequências, que foi visto nas Unidades 1 e 2
e o eletromagnetismo em altas frequências, que será visto na Unidade 3. O
eletromagnetismo em altas frequências corresponde às equações de Maxwell
e as ondas eletromagnéticas que serão mostradas no Tópico 3 da Unidade 3.

Na Unidade 2, nosso estudo se aprofunda ao tratar da análise


dos campos magnetostáticos, a atuação de uma força magnética sobre
as partículas e o conceito de campo magnético, bem como, suas fontes de
origem.

Por fim, na Unidade 3, são estudados a magnetodinâmica e as


equações de Maxwell. Os celulares, os radares, os sonares, os GPS’s e
quase todos os equipamentos eletrônicos são baseados na teoria de onda
eletromagnética para funcionarem. Sem as equações de Maxwell não
teríamos as tecnologias disponíveis atualmente, ao alcance de muitas pessoas
no mundo. Você compreende como esta disciplina é importante para a sua
formação, acadêmico? Espero que você a desfrute de forma muito agradável
e que o conteúdo apresentado o instigue a procurar por mais informações
sobre as atividades práticas nessa área.
Para um bom aproveitamento da disciplina, é muito importante
que você, acadêmico, leia as unidades com antecedência aos encontros,
desenvolva as atividades solicitadas e tire suas dúvidas com a tutoria sempre
que necessário. Lembre-se que você não está sozinho nessa jornada do
aprendizado. Vamos lá?

Bons estudos!

Prof.ª Julia Grasiela Busarello Wolff

NOTA

Você já me conhece das outras disciplinas? Não? É calouro? Enfim, tanto para
você que está chegando agora à UNIASSELVI quanto para você que já é veterano, há
novidades em nosso material.

Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é


o material base da disciplina. A partir de 2017, nossos livros estão de visual novo, com um
formato mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura.

O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com nova
diagramação no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página, o que também
contribui para diminuir a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo.

Assim, a UNIASSELVI, preocupando-se com o impacto de nossas ações sobre o ambiente,


apresenta também este livro no formato digital. Assim, você, acadêmico, tem a possibilidade
de estudá-lo com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador.
 
Eu mesmo, UNI, ganhei um novo layout, você me verá frequentemente e surgirei para
apresentar dicas de vídeos e outras fontes de conhecimento que complementam o assunto
em questão.

Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas
institucionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa
continuar seus estudos com um material de qualidade.

Aproveito o momento para convidá-lo para um bate-papo sobre o Exame Nacional de


Desempenho de Estudantes – ENADE.
 
Bons estudos!
LEMBRETE

Olá, acadêmico! Iniciamos agora mais uma disciplina e com ela


um novo conhecimento.

Com o objetivo de enriquecer seu conhecimento, construímos, além do livro


que está em suas mãos, uma rica trilha de aprendizagem, por meio dela você terá
contato com o vídeo da disciplina, o objeto de aprendizagem, materiais complementares,
entre outros, todos pensados e construídos na intenção de auxiliar seu crescimento.

Acesse o QR Code, que levará ao AVA, e veja as novidades que preparamos para seu estudo.

Conte conosco, estaremos juntos nesta caminhada!


Sumário
UNIDADE 1 — ELETROSTÁTICA...................................................................................................... 1

TÓPICO 1 — CONCEITOS FUNDAMENTAIS DA ELETROSTÁTICA..................................... 3


1 INTRODUÇÃO..................................................................................................................................... 3
2 NATUREZA ELÉTRICA DA MATÉRIA.......................................................................................... 3
3 PROPRIEDADES DE CONDUTORES E ISOLANTES................................................................ 9
4 PROCESSOS DE ELETRIZAÇÃO................................................................................................... 10
RESUMO DO TÓPICO 1..................................................................................................................... 18
AUTOATIVIDADE............................................................................................................................... 19

TÓPICO 2 — CÁLCULO DE CAMPO ELÉTRICO......................................................................... 21


1 INTRODUÇÃO................................................................................................................................... 21
2 CAMPO ELÉTRICO PRODUZIDO POR UMA CARGA PUNTIFORME.............................. 21
3 CARGA ELÉTRICA EM UM CAMPO ELÉTRICO UNIFORME.............................................. 24
4 LEI DE GAUSS.................................................................................................................................... 25
5 CAMPO PRODUZIDO POR UMA ESFERA METÁLICA (APLICAÇÃO DA LEI
DE GAUSS).......................................................................................................................................... 29
6 RUPTURA DIELÉTRICA.................................................................................................................. 32
RESUMO DO TÓPICO 2..................................................................................................................... 39
AUTOATIVIDADE............................................................................................................................... 41

TÓPICO 3 — CAPACITORES............................................................................................................. 43
1 INTRODUÇÃO................................................................................................................................... 43
2 CAPACITÂNCIA................................................................................................................................ 43
3 CALCULANDO A CAPACITÂNCIA: CAPACITOR DE PLACAS PARALELAS................. 46
4 CAPACITORES EM PARALELO E EM SÉRIE............................................................................. 48
5 ARMAZENAMENTO DE ENERGIA EM UM CAPACITOR.................................................... 53
6 DIELÉTRICOS..................................................................................................................................... 54
7 APLICAÇÕES...................................................................................................................................... 58
8 COMO IDENTIFICAR CAPACITORES?...................................................................................... 62
LEITURA COMPLEMENTAR............................................................................................................. 70
RESUMO DO TÓPICO 3..................................................................................................................... 71
AUTOATIVIDADE............................................................................................................................... 72

UNIDADE 2 — CAMPOS MAGNÉTICOS EM REPOUSO.......................................................... 73

TÓPICO 1 — CAMPOS MAGNETOSTÁTICOS............................................................................ 75


1 INTRODUÇÃO................................................................................................................................... 75
2 CAMPOS EM REPOUSO.................................................................................................................. 75
3 UMA DISCUSSÃO IMPORTANTE............................................................................................... 76
4 AS FACILIDADES MATEMÁTICAS............................................................................................. 77
5 CONDUTORES E MEIOS................................................................................................................. 80
6 CONDIÇÕES DE FRONTEIRA....................................................................................................... 81
7 A FORÇA MAGNÉTICA................................................................................................................... 83
RESUMO DO TÓPICO 1..................................................................................................................... 91
AUTOATIVIDADE............................................................................................................................... 93

TÓPICO 2 — FORÇA MAGNÉTICA SOBRE PARTÍCULA......................................................... 95


1 INTRODUÇÃO................................................................................................................................... 95
2 FORÇA MAGNÉTICA....................................................................................................................... 95
3 FORÇA DE LORENTZ....................................................................................................................... 98
4 CAMPOS CRUZADOS...................................................................................................................... 99
5 CARGA EM MOVIMENTO EM TRAJETÓRIA CIRCULAR.................................................. 104
6 TRAJETÓRIAS HELICOIDAIS..................................................................................................... 106
RESUMO DO TÓPICO 2................................................................................................................... 109
AUTOATIVIDADE............................................................................................................................. 110

TÓPICO 3 — CAMPO MAGNÉTICO E FONTES DE CAMPO MAGNÉTICO..................... 111


1 INTRODUÇÃO................................................................................................................................. 111
2 CAMPO MAGNÉTICO................................................................................................................... 111
3 FONTES DE CAMPO MAGNÉTICO........................................................................................... 114
4 LINHAS DE CAMPO MAGNÉTICO E CAMPO MAGNÉTICO EM GEOMETRIA
DEFINIDAS....................................................................................................................................... 117
LEITURA COMPLEMENTAR........................................................................................................... 124
RESUMO DO TÓPICO 3................................................................................................................... 133
AUTOATIVIDADE............................................................................................................................. 134

UNIDADE 3 — MAGNETODINÂMICA....................................................................................... 137

TÓPICO 1 — MAGNETODINÂMICA I......................................................................................... 139


1 INTRODUÇÃO................................................................................................................................. 139
2 O PRINCÍPIO CONCEITUAL E MATEMÁTICO...................................................................... 139
3 O QUE É UM CAMPO DINÂMICO?........................................................................................... 139
4 OS POTENCIAIS.............................................................................................................................. 141
5 DADO UM POTENCIAL, COMO ACHAR UM CAMPO?...................................................... 143
6 APERTANDO A CONVERSA COM OS POTENCIAIS........................................................... 144
7 TRANSFORMAÇÃO DE CALIBRE.............................................................................................. 144
RESUMO DO TÓPICO 1................................................................................................................... 151
AUTOATIVIDADE............................................................................................................................. 153

TÓPICO 2 — MAGNETODINÂMICA II....................................................................................... 155


1 INTRODUÇÃO................................................................................................................................. 155
2 CONDUTORES EM CONDIÇÕES MAGNETODINÂMICAS.............................................. 155
3 CONDUTORES MÓVEIS SEGUNDO A LEI DE FARADAY.................................................. 159
4 CONCEITO DE FEM E DDP.......................................................................................................... 160
5 TENSOR DE MAXWELL................................................................................................................. 161
RESUMO DO TÓPICO 2................................................................................................................... 167
AUTOATIVIDADE............................................................................................................................. 168

TÓPICO 3 — AS EQUAÇÕES DE MAXWELL.............................................................................. 169


1 INTRODUÇÃO................................................................................................................................. 169
2 ELETRICIDADE E MAGNETISMO: A LEI DE FARADAY..................................................... 169
3 EQUACIONAMENTOS, VAMOS LÁ!......................................................................................... 171
4 RELEMBRANDO ALGUNS TEOREMAS IMPORTANTES................................................... 172
4.1 TEOREMA DE GAUSS, OU TEOREMA DA DIVERGÊNCIA............................................. 172
4.2 AS LEIS, OS MANDAMENTOS DO ELETROMAGNETISMO............................................ 172
LEITURA COMPLEMENTAR........................................................................................................... 177
RESUMO DO TÓPICO 3................................................................................................................... 185
AUTOATIVIDADE............................................................................................................................. 187

REFERÊNCIAS..................................................................................................................................... 189
UNIDADE 1 —

ELETROSTÁTICA

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:

• compreender a natureza elétrica da matéria;


• diferenciar as propriedades entre condutores e isolantes;
• conhecer os processos de eletrização.
• calcular campo elétrico de uma carga puntiforme;
• determinar o vetor campo elétrico resultante para uma distribuição de
cargas puntiformes;
• aplicar qualitativamente e quantitativamente a Lei de Gauss para uma
distribuição de cargas para corpos com alto grau de simetria.
• definir capacitância e o funcionamento de um capacitor, relacionando-os
mutuamente;
• descrever o raio como quebra de um dielétrico, o ar, e entender a sua alta
letalidade;
• criar circuitos capacitivos como armazenadores de carga e energia.

PLANO DE ESTUDOS
Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer da unidade
você encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo
apresentado.

TÓPICO 1 – CONCEITOS FUNDAMENTAIS DA ELETROSTÁTICA

TÓPICO 2 – CÁLCULO DE CAMPO ELÉTRICO

TÓPICO 3 – CAPACITORES

CHAMADA

Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos


em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá
melhor as informações.

1
2
TÓPICO 1 —
UNIDADE 1

CONCEITOS FUNDAMENTAIS DA ELETROSTÁTICA

1 INTRODUÇÃO
A carga elétrica é a propriedade fundamental da matéria, disponível
em todos os corpos, tornando-os sensíveis a interações. Para iniciarmos nossos
estudos, vamos analisar as cargas elétricas em repouso. Por que as cargas elétricas
exercem forças umas sobre as outras?

Como podemos quantificar e aplicar estes conceitos de carga elétrica


e força elétrica? Dois tipos de materiais, como o cobre e a madeira, possuem
propriedades diferentes, o primeiro é um material condutor e o segundo é um
material isolante, mas o que define isso?

Por fim, é possível alterarmos a quantidade de carga elétrica de um corpo


através de diferentes processos, por exemplo por contato, quais outros processos
podem ser utilizados e como funcionam? A partir dos conceitos apresentados
neste tópico, você será capaz de responder a estas e outras perguntas.

2 NATUREZA ELÉTRICA DA MATÉRIA


Desde o século XIX, cientistas investigam e propõem explicações sobre a
constituição da matéria, ou seja, desenvolvem um modelo atômico.

Um desses modelos atômicos muito utilizados para compreender a


natureza elétrica da matéria é o desenvolvido no decorrer do século XX, por
Ernest Rutherford (1871-1937), e aperfeiçoado por Niels Bohr (1885-1962). Neste
modelo, o átomo é formado por partículas menores, como elétrons, prótons e
nêutrons.

Na visão de Rutherford e Bohr, os elétrons orbitam o núcleo atômico,


no qual dispõem-se os prótons e os nêutrons, formando um agrupamento
surpreendentemente coeso.

Tal modelo é bastante semelhante à representação planetária, na qual os


astros orbitam o Sol, que analogamente é o núcleo, e os elétrons comportam-se
como os astros. A região onde os elétrons encontram-se é definida por eletrosfera.
Este modelo atômico está representado na Figura 1.

3
UNIDADE 1 — ELETROSTÁTICA

FIGURA 1 – MODELO ATÔMICO PROPOSTO POR RUTHERFORD

FONTE: <https://blogdoenem.com.br/wp-content/uploads/2015/03/modelos-at%C3%B4micos.jpg>.
Acesso em> 2 jul. 2020.

Por meio de estudos sobre os fenômenos elétricos, foi possível verificar


experimentalmente que prótons e elétrons têm comportamentos elétricos opostos.
Por exemplo, se confrontarmos um corpo carregado com alguma dessas cargas,
e em determinada circunstância um for atraído, o outro será repelido. Se um for
desviado para a direita, o outro será para a esquerda. Essas propriedades estão
associadas ao poder de atração ou repulsão que essas partículas apresentam.

Por isso, define-se carga elétrica como uma propriedade intrínseca das
partículas fundamentais de que é feita a matéria. Em outras palavras, é uma
propriedade associada à própria existência das partículas (HALLIDAY; RESNICK;
WALKER, 2012).

A Eletricidade é baseada nos conceitos de carga elétrica e, assim, ela torna-


se tão importante quanto o conceito de massa para a Mecânica.

Em todos os objetos, existe uma imensa quantidade de cargas elétricas,


todavia raramente observamos essas propriedades, pois a maioria dos corpos
contém quantidades iguais de dois tipos de cargas: as cargas positivas e as
negativas.

Quando ocorre essa igualdade, ou esse equilíbrio, de cargas, dizemos


que o objeto está eletricamente neutro. Sendo assim, a carga total do corpo é
zero. Utilizando o mesmo raciocínio, quando a quantidade de cargas positivas e
negativas de um objeto for diferente, a carga total será diferente de zero. Dizemos,
assim, que o corpo está eletricamente carregado. É válido notar que a diferença
entre as quantidades de cargas negativas e positivas é sempre muito menor do
que as quantidades absolutas dessas cargas em qualquer objeto.

Os corpos eletricamente carregados interagem exercendo uma força sobre


outros corpos.

4
TÓPICO 1 — CONCEITOS FUNDAMENTAIS DA ELETROSTÁTICA

Você provavelmente já deve ter tomado um choque ao descer do carro.


Isso ocorre porque o carro em movimento atrita-se com as moléculas de ar,
carregando-se eletricamente. Quando você encosta nele, as cargas elétricas
acumuladas são transferidas a você, produzindo a sensação de choque.

Observando esses fenômenos, foi possível determinar a Lei de Atração e


Repulsão, ou Lei das Cargas Elétricas, em que partículas com cargas de mesmo
sinal repelem-se, e partículas com cargas de sinais diferentes atraem-se.

Essas forças são geralmente observadas quando as partículas estão


próximas, tendo em vista que a força diminui com o aumento da distância entre
as cargas.

Vamos considerar as seguintes situações:

• Dois corpos neutros estão próximos o suficiente para haver atração ou repulsão;
não haverá interação entre eles, pois os dois corpos são eletricamente neutros.
• Dois corpos são eletrizados com cargas de sinais opostos e colocados próximos
o suficiente para haver atração ou repulsão; neste caso, haverá uma atração
mútua.
• Dois corpos eletrizados com cargas de sinais iguais e próximos o suficiente
para haver atração ou repulsão repelem-se reciprocamente.

Um corpo eletrizado e um outro neutro são colocados próximos o


suficiente para haver atração ou repulsão; o corpo eletrizado atrai o neutro. Tais
situações são expressas na Figura 2.

FIGURA 2 – ATRAÇÃO E REPULSÃO DE CARGAS ELÉTRICAS.

FONTE: A autora

5
UNIDADE 1 — ELETROSTÁTICA

Segundo o modelo de Rutherford-Bohr, elétrons e prótons são as menores


partículas integrantes do átomo, e suas cargas elétricas são as menores existentes
na natureza.

O próton possui uma massa quase duas mil vezes maior que a do elétron.
Apesar disso, a quantidade de carga elétrica dos dois é igual, em valor absoluto.
Este valor absoluto foi definido como carga elétrica elementar, simbolizado por
“e”, cujo valor foi encontrado de forma experimental, pela primeira vez, pelo físico
estadunidense Robert Andrews Millikan (1868-1953), por meio da experiência
que levou seu nome, a Experiência de Millikan.

E
IMPORTANT

A Experiência de Millikan

A fim de determinar o valor da carga do elétron, Robert Millikan avaliou o


comportamento de gotículas de água eletrizadas submetidas à força peso e força elétrica,
que atuavam simultaneamente.

Millikan borrifou gotículas eletrizadas entre duas placas


carregadas com sinais contrários (+ e -), localizadas no interior
de um recipiente com vácuo. Consequentemente, as gotículas
foram submetidas à força peso e à elétrica. As cargas da placa
estavam reguladas de modo que as gotículas ficassem em
equilíbrio. Nessa situação, a força elétrica e a força peso são
iguais em módulo. Com esse procedimento, pode-se igualar
as forças e, assim, calcular a quantidade de carga presente em
uma gotícula (VÁLIO et al., 2016, p. 14).

Um elétron tem uma carga que vale -e, e um próton tem carga +e, ou
seja, ambos possuem cargas iguais à carga elétrica elementar, porém com sinais
opostos.

A quantidade de carga Q de qualquer corpo ou objeto corresponde


à quantidade total de elétrons que esse corpo recebeu ou doou em relação ao
seu estado eletricamente neutro. Para calculá-la, multiplicamos a quantidade de
elétrons em ganhados ou cedidos pelo valor absoluto da carga elementar:

Q = ±n ∙ e (n ∈ Z)

O sinal da carga elétrica indicará o estado de eletrização do corpo e, a


partir dele, obtemos as seguintes conclusões:

6
TÓPICO 1 — CONCEITOS FUNDAMENTAIS DA ELETROSTÁTICA

• Se o corpo tiver carga positiva (+), quer dizer que o número de prótons será
maior que o de elétrons; portanto, o corpo perdeu elétrons em relação ao estado
eletricamente neutro.
• Se o corpo tiver carga negativa (-), significa que o número de elétrons é maior
que o número de prótons; portanto, o corpo ganhou elétrons em relação ao
estado eletricamente neutro.

Vamos considerar um corpo neutro: se este perder elétrons, ele ficará


carregado positivamente; e se ganhar elétrons, ficará eletrizado negativamente.

Observe que tratamos a eletrização como o acúmulo ou a falta de elétrons,


pois eles são partículas eletrizadas presentes em todos os átomos e que podem
mover-se pela eletrosfera com maior facilidade que os prótons presos ao núcleo.

Contudo, não há impedimento para ocorrer a eletrização por recebimento


ou doações de partículas elétricas positivas, como, por exemplo, no acréscimo de
íons de prata (Ag+) em uma solução iônica, sob condições específicas.

A Figura 3 representa três corpos: um eletricamente neutro; um eletrizado


negativamente; e um eletrizado positivamente.

FIGURA 3 – CORPO a) ELETRICAMENTE NEUTRO, b) ELETRIZADO NEGATIVAMENTE E


c) ELETRIZADO POSITIVAMENTE

FONTE: A autora

A soma algébrica das quantidades de carga elétrica contidas em um


sistema eletricamente isolado (que não realiza trocas de carga) é uma constante.
Isso constitui o princípio de conservação de cargas elétricas.

Vamos considerar inicialmente três objetos, A, B e C, eletrizados e


com cargas elétricas de QA, QB e QC, respectivamente. Após terem realizado
transferências de cargas entre si, em um sistema eletricamente isolado, adquirem
os seguintes valores de cargas: Q’A, Q’B e Q’C.

Segundo o princípio de conservação de cargas, temos:

QA + QB + QC= Q’A+ Q’B +Q’C → ∑Qantes = ∑Qdepois

7
UNIDADE 1 — ELETROSTÁTICA

Note que no decorrer dos processos de eletrização os elétrons não são


criados e nem destruídos; eles são apenas trocados entre um corpo e outro,
conforme estabelece o princípio de conservação de cargas.

EXEMPLO

Três corpos carregados com Q1 = 2µC, Q2 = -4µC e Q3 = 6µC, encontram-


se em um sistema eletricamente isolado. Depois de algumas trocas de cargas
entre eles, os corpos 2 e 3 ficaram com cargas Q’2 = -2µC e Q’3 = 3µC. Pede-se
o seguinte:

1. Determine a carga final do corpo 1 (Q’1).


2. O corpo 1 cedeu ou recebeu elétrons? Calcule o número de elétrons do corpo
1 após as transferências.
3. Após a troca de cargas, haverá atração ou repulsão entre os corpos 1 e 3?
Explique.

Resolução:

1. Pelo princípio de conservação de cargas elétricas, temos:

∑Qantes = ∑Qdepois
Q1 + Q2 + Q3= Q’1 + Q’2 + Q’3
2µC + (-4µC) + 6µC = Q’1 + (-2µC) + 3µC
4µC = Q’1+ 1µC
Q’1 = 3µC

2. A quantidade de carga transferida pelo corpo 1 é dada por:

ΔQ1 = Q’1 - Q1
ΔQ1 = 3µC - 2µC
ΔQ1 = 1µC

Para calcular o número de elétrons envolvidos nessas trocas, temos:

ΔQ1 = n ∙ e
1µC = n ∙ 1,6 ∙ 10-19 C
n = 6,25 ∙ 1012 elétrons

3. Após as trocas de cargas, Q’1 = +3µC e Q’3 = +3µC, portanto, segundo o


princípio de atração e repulsão de cargas elétricas, cargas de mesmo sinal
repelem-se.

8
TÓPICO 1 — CONCEITOS FUNDAMENTAIS DA ELETROSTÁTICA

3 PROPRIEDADES DE CONDUTORES E ISOLANTES


As características dos condutores e dos isolantes (não condutores) devem-
se à estrutura e às propriedades elétricas dos átomos.

Os materiais podem ser classificados conforme a facilidade com a qual as


cargas elétricas deslocam-se no seu interior. Temos, então:

• Nos condutores – como os metais, o grafite, as soluções eletrolíticas, os gases


ionizados, o corpo humano, a superfície da Terra, entre outros –, as cargas
elétricas movem-se com facilidade.
• Nos não condutores, ou isolantes ou dielétricos – como o ar seco, a água pura,
o vidro, o plástico, a seda, a lã, o enxofre, a parafina, a madeira, a cortiça, a
borracha, entre outros –, as cargas não se movem.
• Os semicondutores – como o germânio, o silício, entre outros – têm propriedades
elétricas ora iguais aos dos condutores e ora iguais aos dos isolantes.
• Os supercondutores são condutores perfeitos, ou seja, materiais nos quais as
cargas deslocam-se sem qualquer resistência.

Durante a formação de um sólido de material condutor, elétrons que


estão mais afastados do núcleo – estando, portanto, mais fracamente atraídos –
tornam-se livres e vagam pelo material. Esse processo gera átomos positivamente
carregados, íons positivos. A facilidade de ceder ou receber elétrons livres uns
dos outros faz com que conduzam eletricidade. Esses elétrons livres recebem o
nome de elétrons de condução. Os materiais isolantes possuem um número muito
reduzido, ou mesmo nulo, de elétrons de condução. Os materiais condutores
são assim chamados por conduzirem eletricidade – e mesmo que os materiais
dielétricos não conduzam eletricidade, eles podem ser eletrizados. Geralmente
isso ocorrerá em duas situações:

1. Um material isolante permanece com a carga elétrica localizada na região em


que recebeu ou doou elétrons. Essa região atuará como um polo positivo ou
negativo e exercerá atração ou repulsão sobre corpos com os quais interagir.
2. Ao submeter-se a forças elétricas externas, substâncias não condutoras
formadas de moléculas polares podem orientar-se no interior do dielétrico.
Dessa maneira, o objeto ainda permanece eletricamente neutro, tendo em vista
que sua carga total permanece nula, porém agora estará polarizado e poderá
atrair ou repelir outros objetos devido às polaridades que o corpo apresentará
(Figura 4).

9
UNIDADE 1 — ELETROSTÁTICA

FIGURA 4 – ISOLANTE ELETRICAMENTE NEUTRO a) ANTES DA POLARIZAÇÃO E


b) POLARIZADO

FONTE: A autora

4 PROCESSOS DE ELETRIZAÇÃO
Um corpo é eletricamente neutro quando as quantidades de prótons e
elétrons contidas nele forem iguais. Um corpo em que há excesso de uma dessas
partículas, dizemos que está eletrizado.

Existem diferentes processos para eletrizar corpos neutros, que são:


eletrização por contato, eletrização por atrito e eletrização por indução.

Na eletrização por contato, no mínimo, um dos corpos deve estar


previamente eletrizado. Os corpos são aproximados, fazendo com que ocorra o
contato entre eles, acarretando, assim, na transferência de carga. É importante
entender que, na eletrização por contato, os corpos ficam com cargas do mesmo
sinal que o objeto previamente eletrizado.

Esse processo de eletrização por contato está representado na Figura 5.

FIGURA 5 – ELETRIZAÇÃO POR CONTATO, EM QUE a) OS CORPOS ATRAEM-SE ANTES DO


CONTATO E b) OS CORPOS REPELEM-SE DEPOIS DO CONTATO

FONTE: A autora

10
TÓPICO 1 — CONCEITOS FUNDAMENTAIS DA ELETROSTÁTICA

ATENCAO

Se o objeto eletrizador A e o eletrizador B forem esféricos e de mesmo


material, com raios RA e RB diferentes, parte da carga do corpo A é transferida para o corpo
B, obedecendo à proporcionalidade dos raios das esferas. Dessa forma, a relação entre as
quantidades de cargas dos corpos (Q’A e Q’B) após o contato será proporcional aos seus
raios, ou seja:

Q’A = RA
Q’B RB

Particularmente quando temos duas esferas iguais, de mesmo material e mesmo


raio, depois de realizado o contato, cada uma delas terá metade da quantidade de carga
total que havia antes do contato.

A eletrização por atrito dá-se quando atritamos dois corpos de materiais


diferentes, podendo ocasionar trocas de elétrons entre os objetos envolvidos. Após
o atrito, um dos corpos estará carregado negativamente, pois recebeu elétrons
do outro objeto. Consequentemente, o segundo corpo, que cedeu os elétrons,
ficará eletrizado positivamente. Esse tipo de eletrização pode ser facilmente
demonstrado da seguinte maneira: atrite uma régua plástica em uma folha de
caderno repetidamente e em um único sentido; separe pequenos pedaços de
papel picado (eletricamente neutros) e aproxime a régua deles; você verá que
os pedaços de papel são atraídos para a régua, comprovando que o objeto está
carregado e eletrizado pelo processo de atrito. Nesse tipo de eletrização, ao final
do processo, os corpos adquirem cargas de sinais opostos. A fim de determinar
qual dos corpos cederá e qual receberá elétrons, devemos consultar a Série
Triboelétrica, conforme a Figura 6.

11
UNIDADE 1 — ELETROSTÁTICA

FIGURA 6 – SÉRIE TRIBOELÉTRICA

Isopor

Cobre

Borracha

Âmbar

Papel

Náilon

Vidro

Pele humana
+

FONTE: A autora

A Série Triboelétrica informa o material que ficará eletrizado negativamente


e o que será carregado positivamente.

Os materiais à esquerda ficaram carregados negativamente e os mais à


direita eletrizaram-se positivamente.

Assim, se atritarmos um isopor contra nossa pele, supondo que os dois


corpos estão eletricamente neutros, a pele humana cederá elétrons ao isopor.
Sendo assim, o isopor ficará carregado negativamente e a pele, positivamente.

A eletrização por atrito acontece devido aos elétrons dos materiais que
estão mais fracamente ligados aos núcleos – elétrons mais afastados – serem
transferidos para o outro material. Sobre a eletrização por atrito, ainda é
importante considerar os seguintes fatos:

• Nem sempre é possível eletrizar dois corpos por atrito. Por exemplo, quando
atritamos dois corpos de mesmo material, poderá não acontecer a troca de
elétrons entre eles.
• Na eletrização por atrito de corpos não condutores ou isolantes, o excesso
de cargas permanecerá localizado na região do corpo onde ocorreu o atrito,
semelhante ao ocorrido na eletrização por contato.
• Na eletrização por atrito de materiais condutores, as cargas distribuir-se-ão
por toda a sua superfície. Tal fenômeno ocorre devido à repulsão das cargas
elétricas no interior do material, fazendo, assim, com que as cargas fiquem o
mais distante possível umas das outras.
• Para manter um corpo eletrizado, é necessário isolá-lo, utilizando, por exemplo,
um material dielétrico como apoio.

12
TÓPICO 1 — CONCEITOS FUNDAMENTAIS DA ELETROSTÁTICA

Na eletrização por indução, é possível eletrizar um corpo neutro sem a


necessidade de encostar dois corpos, seja por atrito ou contato.

Quando um condutor eletrizado, chamado de indutor, é aproximado de


um condutor neutro, denominado “induzido”, ocorre uma indução eletrostática,
ou seja, a separação de cargas no corpo neutro. Aproximando os corpos sem
contato, ocorrerá uma movimentação de cargas no induzido.

A eletrização por indução está representada na Figura 7.

FIGURA 7 – ELETRIZAÇÃO POR INDUÇÃO a) ANTES DA INDUÇÃO E b) DURANTE A INDUÇÃO

FONTE: A autora

A seguir, na Figura 8, está apresentada uma situação específica com


indução eletrostática, em que é colocado um fio no condutor induzido, ligando-o
ao solo. A essa ligação dá-se o nome de “aterramento”, pois possibilita o
deslocamento de cargas através do fio condutor à Terra. Quando a carga de um
objeto é neutralizada pela retirada do excesso de cargas negativas ou positivas
através do solo, dizemos que o objeto foi descarregado.

O solo, por ser um corpo muito extenso, geralmente pode ser tratado
como um corpo infinito em relação à maioria dos objetos, o que significa que
a distribuição não altera em nada as propriedades dele, e, portanto, pode
comportar-se doando ou recebendo elétrons. Sendo assim, a carga no induzido
depende somente do indutor e tem sinal contrário à sua carga.

A eletrização por indução é temporária, ocorrendo enquanto o indutor


estiver suficientemente próximo ao induzido. Para que o corpo permaneça
eletrizado após a retirada do indutor, é necessário que ocorra o aterramento.
Assim, ao final de uma eletrização por indução, os corpos envolvidos adquirem
cargas de sinais opostos, assim como no processo de eletrização por atrito.

Note, ainda, que esse processo de eletrização se dá em condutores, pois,


em isolantes, as cargas elétricas movimentam-se pouco ou não no interior do
objeto.

13
UNIDADE 1 — ELETROSTÁTICA

FIGURA 8 – ELETRIZAÇÃO POR INDUÇÃO COM ATERRAMENTO,


a) ANTES DA INDUÇÃO, b) DURANTE A INDUÇÃO E c) APÓS A INDUÇÃO

FONTE: A autora

NTE
INTERESSA

Os estudos a respeito da eletricidade estática, criadora dos campos elétricos,


remontam ao filósofo grego Tales de Mileto no século VI a.C. O filósofo e estudioso da
natureza descreveu o fenômeno que consiste em uma barra de âmbar que atrai pequenos
objetos depois de atritada com uma pele de coelho. No cotidiano, é o mesmo que esfregar
uma caneta de plástico (material isolante) contra um pano ou o próprio cabelo. Em ambas
as situações, o objeto fica eletricamente carregado.

FONTE: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Campo_el%C3%A9trico>. Acesso em: 2 jul. 2020.

14
TÓPICO 1 — CONCEITOS FUNDAMENTAIS DA ELETROSTÁTICA

EXPERIMENTO 1

Eletrização

Esse experimento visa demonstrar os princípios da eletrização, seja


por atrito, por contato e por indução e, a força elétrica ou Lei de Coulomb,
mostrada na Equação (1), na qual os objetos se atraem ou se repelem:

(1)

A intensidade da força elétrica é diretamente proporcional ao produto


dos módulos de cada carga e inversamente proporcional ao quadrado da
distância que as separa, sendo K uma constante eletrostática que é definida em
função da constante de permissividade elétrica no vácuo.

Objetivo

Movimentar a latinha de refrigerante usando a força eletrostática entre


as cargas na bexiga e na latinha. Ganha quem conseguir movimentar a latinha
para o seu lado, de forma equivalente a um cabo de guerra.

Materiais utilizados

• duas bexigas cheias;


• uma latinha de refrigerante vazia.

Explicações
O princípio básico é que ao atritar a bexiga com o cabelo, esta irá se
eletrizar pelo atrito. As cargas presentes na bexiga são capazes de atrair a
latinha pela força elétrica descrita pela Lei de Coulomb.

Outras informações

A brincadeira permite uma abordagem lúdica do tema, atraindo a


atenção dos alunos para o conteúdo da aula.

Montagem e procedimentos

1. Dois participantes ficam em lados opostos da mesa, com uma latinha vazia
na posição média entre eles.
2. Cada um atrita vigorosamente a bexiga inflada no cabelo.
3. Ao dar início, cada competidor aproxima sua bexiga da latinha, sem
encostar, buscando atraí-la para o seu lado

15
UNIDADE 1 — ELETROSTÁTICA

FIGURA - DEPOIS DE ATRITADA, A LATA (a) SOFRE ATRAÇÃO PELA BEXIGA, DEVIDO À
FORÇA ELETROSTÁTICA QUE GERA MOVIMENTO NA MESMA (b)

FONTE: Monteiro e Delgado Silva (2018, p. 9-10)

FONTE: MONTEIRO, H. R.; DELGADO SILVA, A. O. Manual para a construção de


experimentos sobre eletromagnetismo. Sorocaba: UFSCar, 2018. Disponível em: http://
www.mnpefsorocaba.ufscar.br/produtos/produto-hudson. Acesso em: 16 mar. de 2020.

E
IMPORTANT

• O processo de eletrização por atrito consiste basicamente colocando dois corpos de


substancias diferentes e inicialmente neutros em contato, cria-se então um atrito entre
os dois corpos e os mesmos tornam-se carregados com cargas de diferentes sinais e
módulos iguais.
• O processo de eletrização por contato, é feito quando dois corpos condutores, sendo
um deles eletrizado, são postos em contato. Ao entrarem em contato, as cargas são
distribuídas pelos corpos até se estabilizarem, com isso os dois corpos ficam com cargas
de mesmo sinal e módulo.
• Indução eletrostática é a separação das cargas de um corpo condutor provocada pela
aproximação de um corpo eletrizado. Na eletrização por indução, o corpo induzido
sempre se eletriza com carga de sinal contrário à do indutor.

16
TÓPICO 1 — CONCEITOS FUNDAMENTAIS DA ELETROSTÁTICA

NTE
INTERESSA

Chama-se serie triboelétrica a relação ordenada de substâncias em que, ao


atritarmos duas delas, a que figura antes se eletriza positivamente e a que figura depois,
negativamente.

FIGURA – CLASSIFICAÇÃO DOS MATERIAIS NA SÉRIE TRIBOELÉTRICA

FONTE: <https://www.stoodi.com.br/resumos/fisica/eletrostatica/>.
Acesso em: 19 mar. de 2020.

17
RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico, você aprendeu que:

• A carga elétrica é a propriedade fundamental da matéria, disponível em todos


os corpos, tornando-os sensíveis às interações.

• A principal interação entre as cargas é a lei de atração e repulsão.

• Cargas de mesmo sinal tendem a se repelir mutuamente.

• Cargas de sinais opostos tendem a se atrair, também de forma mútua.

• Existem diversos tipos de eletrização de corpos: eletrização por contato,


eletrização por atrito e eletrização por indução.

• A eletrização por contato ocorre quando dois condutores um eletrizado e outro


neutro, por exemplo, forem colocados em contato físico entre si.

• Através do contato os elétrons livres se encarregam de conduzir e redistribuir


as cargas nos dois condutores.

• A eletrização por atrito ocorre quando atritamos dois corpos de substâncias


diferentes (ou não), inicialmente neutros, e haverá transferência de eletros de um
corpo para o outro, de tal forma que um corpo fique eletrizado positivamente
(cedeu elétrons), e outro corpo fique  eletrizado  negativamente (ganhou
elétrons).

• A eletrização por indução consiste em atribuir carga elétrica a um objeto


utilizando outro corpo carregado sem que haja contato entre eles.

• A eletrização por indução ocorre quando a carga elétrica final do condutor que
estava neutro sempre possui sinal oposto à do indutor.

• Um exemplo de eletrização por indução é a ocorrência de raios. Quando uma


nuvem está carregada eletricamente, ela induz na superfície terrestre cargas
de sinais contrários, criando um campo elétrico entre a nuvem e a superfície.
Se o campo elétrico for muito intenso, o ar pode funcionar como condutor de
eletricidade, acarretando uma descarga elétrica.

18
AUTOATIVIDADE

1 O que é carga elétrica?

2 O que é eletrização?

3 Quais são os processos de eletrização?

4 Descreva a experiência de Millikan.

19
20
TÓPICO 2 —
UNIDADE 1

CÁLCULO DE CAMPO ELÉTRICO

1 INTRODUÇÃO
O que faz uma partícula carregada perceber outra partícula sem entrar
diretamente em contato? Como acontece o movimento ordenado de cargas dentro
de um fio condutor? Esses são exemplos em que o campo elétrico é o agente
responsável por proporcionar a interação entre cargas eletricamente carregadas.

Graças ao campo elétrico, possuímos os inúmeros eletrodomésticos que


compõem as nossas casas e que fazem parte do nosso dia a dia.

Neste tópico, você vai aprender a calcular o campo elétrico para cargas
pontuais e para um sistema de cargas homogeneamente distribuídas.

Para esse último caso, você saberá resolver problemas utilizando a Lei
de Gauss, que facilita muito a resolução de problemas para certas geometrias de
cargas.

2 CAMPO ELÉTRICO PRODUZIDO POR UMA CARGA


PUNTIFORME
Todos os equipamentos eletrônicos funcionam com base nos princípios
que regem o campo elétrico. O campo elétrico é o agente, por assim dizer,
responsável por mover cargas eletricamente carregadas. Essas cargas elétricas
são elétrons ou átomos ionizados, que ganharam ou perderam elétrons,
tornando-os carregados eletricamente.

A interação entre duas partículas carregadas acontece através da força


eletrostática envolvida. Ou seja, uma partícula percebe a outra por meio do campo
elétrico estabelecido entre elas. Sempre que uma partícula é mais carregada que
outra, representamos o campo elétrico por meio de mais linhas deste.

Lembre-se que, quando temos uma carga positiva, as linhas de campo


elétrico são direcionadas para fora da carga. Já, quando temos uma carga
negativa, as linhas são direcionadas para dentro da carga. A Figura 9 ilustra as
duas situações para o caso de uma carga +q e –q.

21
UNIDADE 1 — ELETROSTÁTICA

FIGURA 9 – UMA CARGA +Q E OUTRA CARGA –Q COM A REPRESENTAÇÃO DAS LINHAS DE


CAMPO ELÉTRICO PARA CADA UMA DAS SITUAÇÕES

FONTE: A autora

Para encontrar o valor do campo elétrico E em uma determinada região


do espaço devido à presença de uma carga carregada (usualmente chamada
de carga pontual), podemos colocar uma carga de prova positiva em um ponto
próximo da partícula, com uma distância r em relação à partícula carregada. A
força F de interação entre as duas partículas é dada a partir da Lei de Coulomb:

Sendo uma constante (em que ε0 é a constante de permissividade,


com valor de 8,85×10 C2/Nm2), q0 a carga de prova positiva e q a carga que gera
-12

o campo elétrico. Se a carga q é positiva, a carga de prova q0 sente uma força de


interação que tende a afastá-la da carga q. Já, quando a carga q é negativa, a força
de interação eletrostática entre as cargas tende a aproximar da carga de prova.

FIGURA 10 – INTERAÇÃO ELETROSTÁTICA ENTRE DUAS CARGAS +q E –q


EM RELAÇÃO A UMA CARGA DE PROVA q0

FONTE: A autora

22
TÓPICO 2 — CÁLCULO DE CAMPO ELÉTRICO

Note que a força eletrostática de interação entre a carga positiva e a carga


de prova aponta na mesma direção e no mesmo sentido das linhas de campo
elétrico gerado por uma carga positiva da Figura 9. O mesmo raciocínio vale
para a força eletrostática e as linhas de campo elétrico da carga –q. Desta forma
podemos determinar imediatamente a direção do campo elétrico E a partir
do sinal da carga elétrica da partícula carregada. Nesse caso, a carga de prova
sempre é uma carga positiva (por definição) e move-se na direção indicada pelo
campo elétrico. O campo elétrico é direcionado para fora da partícula, se a carga
é positiva, e direcionado para dentro da partícula, se a carga é negativa.

Como a força eletrostática pode ser escrita em função da carga de prova e


do campo elétrico (F = q0 ∙ E), podemos obter a expressão para o campo elétrico no
caso de uma partícula carregada (carga puntiforme):

Como já sabemos determinar a direção e o sentido do campo elétrico


gerado por uma carga puntiforme positiva ou negativa, podemos expressar o
módulo do campo elétrico como sendo:

A unidade de campo elétrico é dada pelo SI como sendo N/C (Newton/


Coulomb). Considerando o módulo da carga q, evitamos confusões em relação a
se obter um campo elétrico negativo quando a carga q é negativa, o que poderia
levar ao raciocínio errôneo de que o sinal do campo elétrico teria relação com a
direção do campo elétrico. Para pensar sobre a direção do campo elétrico, pense
sempre nas linhas de campo geradas pela carga que gera o campo elétrico.

Vamos analisar como o campo elétrico comporta-se com relação à distância


da carga que o gera. Imagine que você tenha uma carga de prova e coloque-a
próxima da carga pontual que gera um campo elétrico. Você pode pensar na
intensidade do campo elétrico como sendo a densidade das linhas dele. Quanto
mais próximo da carga pontual, mais próximas serão as linhas de campo elétrico.
Dessa forma, a intensidade do campo elétrico aumenta.

Já, quando você começa a afastar a carga de prova da carga pontual


carregada, as linhas de campo também tendem a se afastar uma das outras.
Ou seja, a densidade das linhas de campo nessa região mais afastada da carga
diminui. Com isso, o campo elétrico em um ponto mais distante da carga pontual
também diminui. Como você pode ver pela equação que define o campo elétrico,
este é proporcional ao inverso do quadrado da distância. Dessa forma, podemos
representar graficamente o campo elétrico em função da distância da carga
pontual, como ilustrado na Figura 11. A função que representa o campo elétrico,
neste caso, é inversamente proporcional ao quadrado da distância.
23
UNIDADE 1 — ELETROSTÁTICA

FIGURA 11 – REPRESENTAÇÃO GRÁFICA DO CAMPO ELÉTRICO E EM FUNÇÃO


DA DISTÂNCIA R DA CARGA PONTUAL CARREGADA

FONTE: A autora

Para uma situação na qual queremos determinar o campo elétrico


resultante em um ponto pré-determinado no espaço, para o caso de duas
partículas carregadas (podendo ser uma positiva e a outra negativa, ou as
duas com mesmo sinal), devemos calcular o campo elétrico resultante. Ou seja,
podemos calcular o vetor campo elétrico naquele ponto do espaço referente a
cada uma das partículas carregadas. Em seguida, somamos vetorialmente os
campos elétricos e, assim, obtemos o campo elétrico resultante, indicando a
direção e o sentido. No caso de um sistema com várias partículas carregadas, o
procedimento é o mesmo. O campo elétrico resultante também é a soma vetorial
de cada um dos campos elétricos gerados por cada uma das partículas em uma
determinada região do espaço.

3 CARGA ELÉTRICA EM UM CAMPO ELÉTRICO UNIFORME


Quando uma carga elétrica se encontra imersa em um campo elétrico
uniforme, a mesma pode mover-se na direção do campo elétrico ou contrariamente
a ele. Quem definirá a direção do movimento será a própria carga. Se for uma
carga positiva, ela irá mover-se na direção do campo elétrico. Se for uma carga
negativa, irá mover-se contrariamente ao campo elétrico.

Considere a situação em que temos duas placas planas e paralelas, uma


carregada positivamente e a outra carregada negativamente, como é ilustrado na
Figura 12.

24
TÓPICO 2 — CÁLCULO DE CAMPO ELÉTRICO

FIGURA 12 – CAMPO ELÉTRICO UNIFORME ENTRE DUAS PLACAS CARREGADAS


POSITIVAMENTE (PLACA SUPERIOR) E NEGATIVAMENTE (PLACA INFERIOR). A FORÇA
ELETROSTÁTICA PARA DUAS CARGAS INTERNAS É INDICADA PELO VETOR F

FONTE: A autora

O campo elétrico interno às placas é constante devido à distribuição


homogênea de cargas nas duas placas. Você pode imaginar que cada linha de
campo gerada por uma carga positiva na placa superior vai de encontro à carga
negativa da placa inferior. Se ambas as placas forem carregadas com a mesma
quantidade de cargas, mas com sinais contrários, o campo elétrico interno às
placas mantém-se constante e uniforme. Dessa forma, não importa onde uma
carga qualquer (positiva ou negativa) for colocada, ela irá sentir uma força
eletrostática devido ao campo elétrico uniforme existente entre as placas. A força
eletrostática que uma partícula carregada sente quando se encontra dentro de um
campo elétrico uniforme pode ser calculada a partir da equação:

A força eletrostática F, atuando na partícula carregada q localizada em


um campo elétrico E, tem a direção de E, se a carga q é positiva, e tem a direção
oposta, se a carga q for negativa.

4 LEI DE GAUSS
Até agora tratamos das situações de uma carga pontual gerando um campo
elétrico e uma partícula carregada imersa em um campo elétrico homogêneo.
Mas, quando queremos determinar o campo elétrico de uma distribuição de
cargas, como procedemos? A Lei de Gauss é uma ferramenta abstrata que nos
auxilia no cálculo do campo elétrico para uma distribuição de cargas pontuais.
Do contrário, teríamos que calcular o campo elétrico em uma determinada região
do espaço referente a cada uma das cargas pontuais da distribuição de cargas. A
Figura 13 ilustra essa situação, em que uma fita linear carregada de comprimento
L gera um campo elétrico em um ponto P, a uma distância d da fita. Nesse caso,

25
UNIDADE 1 — ELETROSTÁTICA

o campo elétrico no ponto P é calculado para cada uma das cargas, gerando os
campos elétricos E1, E2, E3... Ex. O campo elétrico resultante é a soma vetorial de
cada um dos campos elétricos em separado. Se o número de cargas da fita é muito
grande, teríamos que calcular trabalhosamente cada um dos campos elétricos e
depois realizar a soma vetorial. Caso a distribuição de cargas seja homogênea, a
nossa álgebra pode ser facilitada tornando o somatório em uma integral que varia
seus limites de integração do início da fita até o seu final.

FIGURA 13 – FITA COM UMA DISTRIBUIÇÃO DE CARGAS LINEARMENTE DISTRIBUÍDAS E O


CAMPO ELÉTRICO PARA CADA UMA DAS CARGAS, CALCULADAS PARA O PONTO P QUE FICA
A UMA DISTÂNCIA d DA FITA

FONTE: A autora

Na situação do exemplo anterior, poderíamos considerar uma superfície


hipotética com simetria parecida com a linha de cargas para o cálculo do
campo elétrico no ponto P. Todas as cargas internas dessa superfície hipotética,
chamada, muitas vezes, de superfície Gaussiana, geram o campo elétrico que
pode ser calculado a partir do fluxo de linhas de campo que entram e saem dessa
superfície. Em outras palavras, a Lei de Gauss relaciona o fluxo resultante de um
campo elétrico por uma superfície fechada (superfície Gaussiana) com a carga
resultante envolvida qenv pela superfície. Algebricamente temos:

Sendo Φ o fluxo das linhas de campo elétrico, dada pela seguinte integral:

26
TÓPICO 2 — CÁLCULO DE CAMPO ELÉTRICO

Ou seja, o fluxo das linhas de campo pode ser calculado pela integral de
linha do campo elétrico multiplicado de forma escalar por um elemento de área
dA. Quando obtemos um fluxo negativo, é porque as linhas de campo que entram
na superfície são em maior número do que aquelas que saem da superfície. Isso
só é possível se a carga resultante interna à superfície Gaussiana é negativa. Deste
modo, o vetor E está direcionado para dentro da superfície. O vetor dA sempre
estará direcionado perpendicularmente para fora da superfície. Como o fluxo é
dado pelo produto escalar entre os dois vetores, sabemos que E ∙ dA = E ∙ dA ∙
cosθ, sendo θ o ângulo formado pelos vetores E e dA.

De forma geral, podemos escrever a Lei de Gauss como sendo:

Vamos aplicar a Lei de Gauss para um exemplo simples. Assim poderemos


entender melhor esse conceito um tanto quanto abstrato, envolvendo uma
superfície Gaussiana. Digamos que temos uma carga q positiva pontual. Dada
uma distância r dessa carga, vamos calcular o campo elétrico neste ponto. A
Figura 14 ilustra o nosso exemplo.

FIGURA 14 – UMA SUPERFÍCIE GAUSSIANA ESFÉRICA CENTRADA EM UMA


PARTÍCULA DE CARGA +q

FONTE: Halliday, Resnick e Walker (2014, p. 666)

A carga pontual +q pode ser envolvida por uma superfície simétrica,


como uma esfera, representada em amarelo na figura. Note que essa superfície
envolve perfeitamente a carga. Se você imaginar as linhas de campo saindo da
carga e passando pela superfície, todas elas saem, também, perpendicularmente
à superfície Gaussiana. Logo, o ângulo formado entre o vetor E e o vetor elemento
de área dA é de 0° (o elemento de área dA sempre aponta perpendicularmente à
superfície Gaussiana). Agora, podemos aplicar diretamente a Lei de Gauss:

27
UNIDADE 1 — ELETROSTÁTICA

Como o campo elétrico é o mesmo em todos os pontos da superfície


Gaussiana (todos os pontos da superfície ficam a uma distância r da carga), o
campo elétrico é constante em toda essa superfície. A carga envolvida qenv é a
carga +q. Dessa forma, podemos escrever:

A integral que sobrou é somente a soma de todos os elementos de área da


superfície Gaussiana. Ou seja, somando todos os elementos de área, obtemos a
área de uma esfera, dada por A = 4πr2. Substituindo a área na equação anterior,
obtemos que:

Assim chegamos à equação do campo elétrico para uma carga pontual,


exatamente a equação que obtivemos anteriormente, utilizando a Lei de Coulomb.

Se quisermos aplicar a Lei de Gauss para calcular o campo elétrico


resultante de uma distribuição de cargas em uma fita, como no exemplo da Figura
13, podemos usar uma simetria cilíndrica, como ilustrado na Figura 15.

FIGURA 15 – UMA SUPERFÍCIE GAUSSIANA EM FORMA CILÍNDRICA ENVOLVENDO UMA


FITA CARREGADA COM UMA DENSIDADE DE CARGAS LINEAR

FONTE: Halliday, Resnick e Walker (2014, p. 671)

28
TÓPICO 2 — CÁLCULO DE CAMPO ELÉTRICO

Neste caso, a distribuição de cargas na fita deve ser conhecida. Digamos


que a fita tenha uma densidade de cargas λ (C/m). Dessa forma, a carga envolvida
pela superfície Gaussiana pode ser calculada como sendo a densidade de cargas
multiplicada pelo comprimento da fita (L): qenv = λ ∙ L. O campo elétrico

• perpendicular em todas as partes do cilindro, exceto na base e no topo do


cilindro, onde o vetor elemento de área nessas regiões forma um ângulo de
90° com o campo elétrico (que é no plano horizontal da página). Nesses dois
casos, o fluxo elétrico é nulo. Portanto, o fluxo elétrico que importa é aquele
que permeia toda a lateral do cilindro, que tem uma área total de A = (2πr) ∙ L.
Aplicando a Lei de Gauss, obtemos:

Assim, obtemos o campo elétrico para uma distribuição de cargas linear


em uma fita.

5 CAMPO PRODUZIDO POR UMA ESFERA METÁLICA


(APLICAÇÃO DA LEI DE GAUSS)
Agora você já sabe como calcular o campo elétrico, dada uma distribuição
de cargas em uma determinada superfície. Então, como fica o campo elétrico
no interior de uma casca esfera metálica carregada ou de uma esfera maciça
carregada? E externamente a essas esferas? Se você pensar na Lei de Gauss, esse
raciocínio torna-se muito trivial.

Vamos começar pensando como fica o campo elétrico externamente à


esfera, de uma distância r da esfera, como ilustrado no exemplo da Figura 16a.

29
UNIDADE 1 — ELETROSTÁTICA

FIGURA 16 – a) UMA SUPERFÍCIE GAUSSIANA ENVOLVENDO UMA CASCA ESFÉRICA METÁLICA


COM CARGA +Q E b) UMA SUPERFÍCIE GAUSSIANA INTERNAMENTE À CASCA METÁLICA

FONTE: A autora

Como a carga +Q distribui-se igualmente sobre a superfície da esfera


metálica, podemos considerar, neste caso, uma superfície Gaussiana esférica
para calcular o campo elétrico. Esse é um caso similar ao exemplo calculado para
uma carga pontual. Como a superfície Gaussiana engloba toda a carga da esfera,
que possui a carga igualmente distribuída em sua superfície, podemos calcular o
campo elétrico por meio da aplicação da Lei de Gauss. É importante notar aqui que
a distância R da superfície Gaussiana é maior que a distância r da casca esférica,
R > r. Somente nessa situação teremos a superfície Gaussiana envolvendo toda a
casca esférica. Desse modo, podemos calcular o campo elétrico:

Este é o campo elétrico calculado quando R > r. Quando R = r, o campo


elétrico é máximo. Agora, vamos calcular o campo elétrico interno à casca metálica.
Neste caso, novamente desenhamos uma superfície Gaussiana esférica centrada
internamente à casca metálica. Porém, aqui R < r, uma vez que estamos interessados
em analisar o campo elétrico interno. Fica fácil notar qual é a carga envolvida
pela superfície Gaussiana. Não existe nenhuma carga! Deste modo, o campo
elétrico internamente à casca metálica é zero. Você ainda não está convencido?
Então, vamos fazer um exercício mental: pense que agora colocamos uma carga
de prova bem no centro da casca metálica. Neste caso, o campo elétrico resultante
sobre a carga de prova é nulo, uma vez que a soma vetorial de todos os campos

30
TÓPICO 2 — CÁLCULO DE CAMPO ELÉTRICO

elétricos, gerados por cada uma das infinitesimais cargas distribuídas na casca,
anula-se. Pense agora que a carga de prova se mova para bem próximo do lado
esquerdo da casca metálica. As cargas positivas da casca esférica redistribuem-se,
de modo que a maioria das cargas positivas se mova para o lado direito. Por sua
vez, as cargas negativas da casca esférica são transferidas para o lado esquerdo.
Um condutor carregado majoritariamente com um tipo de carga não quer dizer
que a carga oposta também não exista. Ela existe, porém, em minoria. Dessa
forma, o campo elétrico entre as cargas negativas na esquerda e a carga positiva
da carga de prova são contrabalanceados pelo campo elétrico gerado pelas cargas
positivas do lado direito da casca com as cargas negativas do lado esquerdo. Por
fim, o campo elétrico resultante é nulo.

A Gaiola de Faraday é uma estrutura metálica que funciona com o


princípio do campo elétrico nulo no seu interior. Para tanto, a estrutura metálica
é completamente fechada, ou seja, isola eletricamente o meio interno do meio
externo. As ondas eletromagnéticas (que possuem uma de suas componentes o
campo elétrico) não conseguem penetrar esse tipo de estrutura. As aplicações
desse tipo de estrutura são várias, como, por exemplo, para isolar a radiação
de micro-ondas internas ao aparelho de micro-ondas da sua casa. Neste caso, é
importante que o aparelho não vaze a radiação para o meio externo, o que não
seria agradável para o usuário ao lado do aparelho que também iria sofrer a
incidência da radiação no seu corpo. Por isso, a blindagem elétrica para essa faixa
de radiação é essencial. Outro exemplo prático é a blindagem elétrica da estrutura
metálica do carro, de modo a evitar grandes descargas elétricas provenientes de
um raio. Quando um raio incide sobre um carro, toda a descarga elétrica distribui-
se sobre a estrutura metálica, que, depois, descarrega no solo. Aliás, o local mais
seguro para se ficar em uma tempestade não é debaixo de uma árvore, e, sim,
dentro do carro!

Podemos representar graficamente o campo elétrico de uma casca esférica


carregada com +Q. Nesse caso, o campo elétrico até a distância r em relação ao
centro da casca é nulo. Já, quando R > r, o campo elétrico decai com o inverso
do quadrado da distância. A Figura 17 ilustra o campo elétrico em função da
distância para o caso de uma casca esférica metálica.

31
UNIDADE 1 — ELETROSTÁTICA

FIGURA 17 – CAMPO ELÉTRICO EM FUNÇÃO DA DISTÂNCIA PARA UMA CASCA


ESFÉRICA METÁLICA CARREGADA E DE RAIO r

FONTE: A autora

6 RUPTURA DIELÉTRICA
Para falar sobre a ruptura dielétrica, precisamos entender, primeiramente,
o que são materiais isolantes e materiais condutores. Um material isolante é um
tipo de material que não conduz cargas pelo seu meio. Isso porque esse tipo de
material não possui muitos elétrons livres e, portanto, o campo elétrico não faz
fluir nenhuma carga sobre ele. Já um material condutor possui muitos elétrons
livres em sua estrutura, permitindo, assim, que um campo elétrico aplicado no
material faça fluir corrente elétrica (cargas em movimento).

Quando for aplicado um campo elétrico muito elevado em um material


isolante, a partir de certo valor limiar, este material deixa de ser isolante e passa
a conduzir corrente elétrica. Esse valor de campo elétrico limiar aplicado, no
qual, então, a propriedade isolante deixa de existir, é o que chamamos de rigidez
dielétrica, causando uma ruptura dielétrica do material.

O ar possui um campo elétrico de ruptura dielétrica na ordem de 3 milhões


V/m, o que equivale a 3 milhões N/C. Campos elétricos igual ou acima desse
valor fazem com que a rigidez dielétrica do ar seja rompida e, assim, conduza
corrente elétrica. Já a borracha possui um campo elétrico de ruptura ainda maior,
na ordem de 25 milhões V/m. Por isso, ela é utilizada para isolar eletricamente
ferramentas e até circuitos elétricos.

A ruptura dielétrica também deve ser levada em conta no projeto de


circuitos integrados e outros dispositivos eletrônicos de estado sólido. Camadas
isoladoras nesses dispositivos são designadas para funcionar operando certas
faixas de campo elétrico (ou tensões). Em situações em que o campo elétrico é
aumentado drasticamente, como, por exemplo, em descarga eletrostática, os

32
TÓPICO 2 — CÁLCULO DE CAMPO ELÉTRICO

dispositivos podem ser danificados e, até mesmo, ficarem inutilizados, afetando


severamente as camadas isoladoras. Se você já abriu um rádio velho ou qualquer
outro tipo de eletrônico danificado, pode ter notado que os componentes
capacitores, muitas vezes, estão inchados ou, até mesmo, estourados. Nesses
casos, a ruptura dielétrica aconteceu e danificou completamente os mesmos.

E
IMPORTANT

Ruptura dielétrica do ar a partir de um raio

Quando um campo elétrico é alto demais, pode acontecer o processo de ruptura dielétrica.
Esse é o caso típico da descarga elétrica de um raio em meio a uma tempestade. As nuvens
ficam tão carregadas que criam um campo elétrico muito intenso capaz de romper a rigidez
dielétrica do ar. Nesse processo, o campo elétrico remove elétrons dos átomos do ar. O
ar começa a conduzir esses átomos ionizados e elétrons removidos. Estes começam um
processo chamado “efeito cascata”, no qual a ionização do ar acontece muito rapidamente,
pois os íons acabam colidindo com outros átomos, ionizando-os, que, por sua vez,
também acabam ionizando outros átomos. Em alguns milésimos de segundos, todo um
caminho no ar, das nuvens até o solo, é ionizado. Por meio desse caminho é que acontece
a descarga de corrente elétrica, gerando o raio. O processo de ionização também emite luz,
que é o “clarão” que um raio produz.

Você pode obter mais informações sobre o assunto acessando o seguinte link: https://goo.
gl/pNhwFQ.

NOTA

O campo elétrico em um ponto é uma grandeza vetorial, portanto, é


representado por um vetor. Para verificarmos a sua presença neste ponto, colocamos neste
uma carga de prova positiva. Se esta ficar sujeita a uma força eletrostática, dizemos que
a região em que a carga se encontra está sujeita a um campo elétrico. O vetor campo
elétrico tem sempre a mesma direção da força a que a carga está sujeita e, no caso de a
carga ser positiva, o mesmo sentido. Se negativa o oposto.

FONTE: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Campo_el%C3%A9trico>. Acesso em: 2 jul. 2020.

33
UNIDADE 1 — ELETROSTÁTICA

EXPERIMENTO 2

Linhas equipotenciais

Objetivo

Fazer o estudo qualitativo da distribuição de linhas equipotenciais e


de campo elétrico em diferentes "distribuições de cargas" (configurações de
eletrodos).

Material

• solução de sulfato de cobre;


• fonte de tensão dc (12v);
• galvanômetro de ponteiro central;
• cuba para solução;
• folhas de papel milimetrado;
• sondas;
• eletrodos.

Fundamentação Teórica

Nesse experimento mapeamos as linhas equipotenciais e, por meio


destas, determinamos as linhas de campo elétrico, geradas por diferentes
configurações de eletrodos mergulhados em uma solução condutora de sulfato
de cobre (CuSO4), que atuarão como cargas elétricas. O campo elétrico gerado
por uma distribuição de cargas em repouso (campo eletrostático) configura-
se como um campo conservativo. Ao dizermos conservativo estamos dizendo
que a integral.

∫ 𝐸⃗. 𝑑𝑙 = 0,

Ou seja, a integral de caminho do campo eletrostático, 𝐸⃗, independe


da trajetória. Assim, se calcularmos essa integral entre dois pontos quaisquer,
o seu resultado deverá depender apenas do ponto inicial e do sinal, assim,

∫ 𝐸⃗. 𝑑𝑙 𝑏 𝑎 = − (𝑉𝑏 − 𝑉𝑎),

Em que a função 𝑉 = 𝑉 (𝑥, 𝑦, 𝑧), chamamos de potencial eletrostático ou


potencial elétrico e a diferença

(𝑉𝑏 − 𝑉𝑎) = 𝑈𝑎𝑏,

34
TÓPICO 2 — CÁLCULO DE CAMPO ELÉTRICO

Chamamos de diferença de potencial ou d.d.p., simplesmente. Como


vimos nos experimentos anteriores, essa diferença de potencial está associada
ao surgimento de uma corrente elétrica em um condutor, cuja intensidade é
estabelecida pela Lei de Ohm:

𝑖 = 𝑈. 𝑅

Dessa forma, se em algum momento a d.d.p. sobre um condutor se


anula, a corrente a ela associada também se anulará. Essa situação é denominada
equilíbrio eletrostático. Assim, um condutor se encontrará em equilíbrio
eletrostático se a d.d.p. sobre o mesmo for constante (𝑈 = 0), configurando-se,
portanto, a superfície desse condutor como uma superfície equipotencial (de
mesmo potencial). Superfícies equipotenciais são formadas sempre que temos
a presença de um campo eletrostático, visto que para esse campo sempre será
possível se obter pontos:

𝑃1 (𝑥1, 𝑦1, 𝑧1), 𝑃2 (𝑥2, 𝑦2, 𝑧2), . . ., 𝑃𝑁 (𝑥𝑁, 𝑦𝑁, 𝑧𝑁),

Tais que,

𝑉 (𝑥1, 𝑦1; 𝑧1) = 𝑉 (𝑥2; 𝑦2; 𝑧2) = 𝑉 (𝑥𝑁; 𝑦𝑁; 𝑧𝑁).

FIGURA – REPRESENTAÇÃO DAS LINHAS DE CAMPO E LINHAS EQUIPOTENCIAIS


DE UMA CARGA PUNTIFORME

Um exemplo simples disso é o campo gerado por uma carga puntiforme


𝑞, onde suas superfícies equipotenciais são esferas concêntricas cuja origem se
encontra na própria carga (Fig. 2). Nesse caso, o potencial assume a forma

𝑉 (𝑥, 𝑦, 𝑧) = 𝑘 𝑞 𝑟

35
UNIDADE 1 — ELETROSTÁTICA

Em que, e 𝑘 é uma constante associada ao meio (no


caso do vácuo, ela assume o valor 𝑘0 = 9 x 109 [𝑁𝑚2/𝐶2]). Podemos ver, então,
que para os pontos nos quais 𝑟 = 𝑐𝑜𝑛𝑠𝑡𝑎𝑛𝑡𝑒 acarretarão em superfícies nas
quais 𝑉 = 𝑐𝑜𝑛𝑠𝑡𝑎𝑛𝑡𝑒 e, consequentemente, 𝑈 = 0.

Uma característica importante das linhas equipotenciais é que elas


apresentam sempre perpendiculares às linhas de campo, assim, conhecidas as
linhas equipotenciais, podemos determinar a direção das linhas de campo (ou
de força no caso de haver cargas livres) e vice-versa.

Em nosso experimento, mapearemos as linhas de campo elétrico


através das linhas de corrente geradas numa solução de 𝐶𝑢𝑆𝑂4(sulfato de
cobre). A presença de eletrodos, negativo e positivo (ligados a uma fonte
de tensão), no líquido produzir á o deslocamento de portadores de cargas
positivas (íons 𝐶𝑢++) e portadores de cargas negativas (íons 𝑆𝑂4−−) dessa solução
aos respectivos eletrodos.

Na parte exterior, por baixo da cuba, foi colocado um papel milimetrado


que serve como padrão de referência das medidas.

Estabelecida, então, uma configuração de eletrodos (ver Figuras. 3 a 5),


fixaremos uma sonda, que está ligada a um galvanômetro de ponteiro central
(G), em uma parte da solução enquanto a outra (também ligada ao mesmo
galvanômetro) irá mapear toda a região em busca de uma posição na qual a
leitura do medidor (galvanômetro) se anula (Fig. 3 - esquerda).

Esses pontos, portanto, pertencem a uma mesma linha equipotencial.


Conhecidas as linhas equipotenciais é possível se determinar as linhas de
campo elétrico geradas por diferentes configurações de eletrodos na solução.

EXPERIMENTO

1. Derrame um pouco da solução de CuSO4 sobre a cuba e tome o cuidado


para que ela se espalhe uniformemente sobre toda ela. Verifique se não há
algum declive. Se houver ajuste com um calço. Qual a importância desse
procedimento? (Lembre-se que estamos tratando de uma solução).

36
TÓPICO 2 — CÁLCULO DE CAMPO ELÉTRICO

FIGURA – MONTAGEM EXPERIMENTAL E UMA CONFIGURAÇÃO DE ELETRODOS

2. Monte as configurações indicadas pelo professor, mergulhando os eletrodos


conectados a uma fonte de tensão (não esqueça de indicar a polaridade dos
eletrodos), na solução e utilizando o galvanômetro encontre uma família de
linhas equipotenciais para cada configuração. Priorize pontos importantes
como pontas e bordas dos eletrodos. Seja criterioso também com o número
de pontos mapeados para cada linha e com a quantidade de linhas para
cada configuração. Qualquer dúvida, consulte o professor.

FIGURA – OUTRAS CONFIGURAÇÕES DE ELETRODOS

3. Analise também com as sondas a superfície dos eletrodos. O que podemos


afirmar sobre cada um deles?
4. O que é medido ao se mergulhar a sonda móvel na solução?
5. Se duas linhas equipotenciais se interceptam elas pertencem,
obrigatoriamente, à mesma superfície equipotencial? Justifique.
6. Seria possível a realização desse experimento sem a presença da solução
condutora (no ar, por exemplo)? Por quê?
7. Como é possível realizar esse experimento quantificando o valor do potencial
em cada linha? Sugira um método neste intuito (desenhe um diagrama se
for necessário).

37
UNIDADE 1 — ELETROSTÁTICA

FIGURA – OUTRAS CONFIGURAÇÕES POSSÍVEIS

FONTE: CAVALCANTE, E. S.; SANTOS, E. S. dos; MENEZES Jr., R. dos S. Roteiros de atividade
experimental de Física: eletricidade e magnetismo. Salvador: IFB, 2014. Disponível em:
https://www.passeidireto.com/arquivo/74509404/roteiros-ifba-fis-3. Acesso em: 15 jul. 2020.

NTE
INTERESSA

Um típico exemplo de interação acontece quando encostamos o braço na tela


de uma televisão recém-desligada e os pelos ficam arrepiados. Esse fenômeno acontece
porque os circuitos elétricos internos da televisão geram uma alta tensão para o seu
funcionamento, a qual é aplicada internamente, bem próximo da tela. 

FONTE: <https://www.educamaisbrasil.com.br/enem/fisica/campo-eletrico>. Acesso em: 2


jul. 2020.

38
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você aprendeu que:

• O campo elétrico é definido como a força elétrica por unidade de carga.

• A direção do campo elétrico define a direção da força elétrica que surge entre


duas cargas.

• O campo elétrico é radial e pode apontar tanto para dentro quanto para fora da


carga, para as cargas de sinal negativo e positivo, respectivamente.

• Costumamos chamar as cargas elétricas positivas de fontes de campo elétrico e


as cargas elétricas negativas de sumidouros.

• Uma partícula percebe a outra por meio do campo elétrico estabelecido sobre
ela.

• Quando temos um campo elétrico positivo as linhas de campo são direcionadas


para fora da carga.

• Quando temos um campo elétrico negativo as linhas de campo são direcionadas


para dentro da carga.

• Toda  carga  elétrica  é capaz de influenciar o meio ao redor através do


seu campo elétrico.

• Quando uma carga elétrica é colocada em uma região próxima de outra carga,


seus campos elétricos se somam vetorialmente. 

• Força eletrostática é a força de interação eletrostática entre duas cargas elétricas


através da atração e da repulsão.

• A constante  eletrostática, também conhecida como constante de Coulomb,


é influenciada pelo meio onde as cargas elétricas se encontram. Assim, a
constante eletrostática influencia o valor da força.

• A lei que nos permite calcular o módulo da força elétrica exercida entre duas
cargas é a Lei de Coulomb, apresentada pela expressão a seguir:

39
• O campo elétrico gerado por uma carga elétrica Q1 pode ser calculado por
meio da expressão a seguir:

• O potencial elétrico é uma grandeza física escalar representada totalmente por


seu módulo e medida em Volts (V) no Sistema Internacional de Unidades. Essa
grandeza mede a quantidade de energia fornecida por um campo elétrico para
cada Coulomb de carga.

• O potencial elétrico gerado por uma carga elétrica de módulo Q1 pode ser


calculado utilizando-se a expressão a seguir:

• A lei de Gauss é a lei que estabelece a relação entre o fluxo do campo elétrico
através de uma superfície fechada com a carga elétrica que existe dentro do
volume limitado por esta superfície.

• A lei de Gauss é geral, mas a sua utilidade no cálculo do campo elétrico criado
por uma distribuição de cargas depende da simetria desta distribuição.

• Superfície gaussiana é uma  superfície  fechada tridimensional e imaginária


utilizada em Eletromagnetismo para o cálculo do Campo Elétrico e Fluxo
Elétrico através da Lei de Gauss.

• O campo elétrico no interior de um condutor em equilíbrio eletrostático é


sempre nulo. Assim sendo, a lei de Gauss nos permite demonstrar que todo o
excesso de carga no condutor deverá migrar para a sua superfície.

• Gaiola de Faraday foi um experimento conduzido por Michael Faraday.

• A Gaiola de Faraday serve para demonstrar que uma superfície condutora


eletrizada possui campo elétrico nulo em seu interior, dado que as cargas se
distribuem de forma homogênea na parte mais externa da superfície condutora.

40
AUTOATIVIDADE

1 O que é campo elétrico?

2 Como é calculado o campo elétrico?

3 O que são superfícies equipotenciais?

4 Como acontece a interação através de duas partículas carregadas?

41
42
TÓPICO 3 —
UNIDADE 1

CAPACITORES

1 INTRODUÇÃO
Capacitores são altamente usados em circuitos eletrônicos e suas principais
funções são armazenar cargas e energia potencial elétrica, opor-se a mudanças
de tensão e discriminar frequências, útil em circuitos de corrente alternada
(ALEXANDER; SADIKU, 2013). Muitos equipamentos utilizam capacitores,
como desfibriladores, nobreaks e estabilizadores de tensão, sendo essenciais para
seu funcionamento.

Neste tópico, você entenderá como um capacitor funciona e qual é o


conceito de capacitância. Aprenderá a calcular a capacitância de capacitores de
placas paralelas, entendendo do que ela depende. Verá, também, como encontrar
a energia potencial acumulada nos capacitores e qual a função dos dielétricos.

2 CAPACITÂNCIA
A capacitância é uma propriedade dos condutores (BAUER; WESTFALL;
DIAS, 2012). Os capacitores são basicamente formados por dois condutores
isolados, que, independentemente de sua forma, são chamados de placas. A
Figura 18a mostra um exemplo genérico de capacitor, e a Figura 18b mostra
alguns tipos de capacitores encontrados, com diversos tamanhos e formas.

FIGURA 18 - CAPACITORES: a) DOIS CONDUTORES ISOLADOS SEM GEOMETRIA ESPECÍFICA


FORMANDO UM CAPACITOR; b) EXEMPLOS DE CONDUTORES ENCONTRADOS, COM
DIVERSOS TAMANHOS E FORMAS

FONTE: Halliday, Resnick e Walker (1996, p. 92); Bauer, Westfall e Dias (2012, p. 98)

43
UNIDADE 1 — ELETROSTÁTICA

Nos capacitores, as placas são carregadas com cargas opostas, +q e –q.


Como elas são condutoras, cada uma delas constitui uma superfície equipotencial,
com uma diferença de potencial V entre elas. Essa diferença de potencial V em um
capacitor é proporcional à carga q, ou seja:

q = CV

Cuja constante de proporcionalidade C é chamada de capacitância do


capacitor, e depende da geometria das placas. A unidade em SI da capacitância 5
C/V, que é equivalente ao farad (F), ou seja:

1F=C/V

O capacitor pode ser carregado ligando-o a uma bateria ou alguma outra


fonte de energia que tenha tensão constante. O capacitor, então, carregará até
atingir uma diferença de potencial entre as placas igual à tensão da fonte.

E
IMPORTANT

GARRAFA DE LEYDEN

FIGURA – EXEMPLO DE GARRAFA DE LEYDEN

FONTE: <https://miro.medium.com/max/184/1*kulQO1ZPZ0rjxCjwUCnK5w.jpeg>.
Acesso em: 2 jul. 2020.

A garrafa de Leyden é considerada o primeiro modelo de capacitor. Ela foi inventada


por Pieter van Musschenbroeck (1692-1761), docente na Universidade de Leyden na Holanda,
no ano de 1745. Inicialmente, ela consistia apenas em uma garrafa preenchida com água e
um fio, como terminal interior, e a mão do experimentador, como terminal exterior. Existem
algumas versões da garrafa de Leyden, mas os principais componentes são:

44
TÓPICO 3 — CAPACITORES

1) uma garrafa de vidro com dois eletrodos, que podem ser lâminas tipo papel alumínio,
uma forrando o interior da garrafa e outra o exterior;
2) o vidro é o dielétrico que separa as duas placas metálicas;
3) haste metálica com contato com o eletrodo interno, com rolha ou borracha isolante;
4) esfera na haste.

A garrafa é carregada por contato, via esfera na haste. Esse tipo de garrafa alcança
altas tensões, sendo visíveis faíscas ao se descarregarem.

FIGURA – ESQUEMA DE MONTAGEM DA GARRAFA DE LEYDEN

Metal Metal
Vidro
Água

FONTE: Adaptado de <https://www.wired.com/wp-content/uploads/2017/01/spring_2017_


sketches_key6.jpg>. Acesso em: 16 jul. 2020.

FIGURA – PARTES QUE COMPÕEM A GARRAFA DE LEYDEN

FONTE: Adaptado de <https://image.shutterstock.com/image-vector/leyden-jar-


600w-254501572.jpg>. Acesso em: 2 jul. 2020.

45
UNIDADE 1 — ELETROSTÁTICA

3 CALCULANDO A CAPACITÂNCIA: CAPACITOR DE


PLACAS PARALELAS
Nesta seção, vamos calcular a capacitância de um capacitor, escolhendo
a geometria de placas paralelas. Lembre-se que existem outras geometrias, como
cilíndricas, esféricas, dentre outras. A Figura 19a mostra um esquema de um
capacitor de placas paralelas, carregado com carga.

FIGURA 19 – ESQUEMAS DE CAPACITORES DE PLACAS PARALELAS

Legenda: a) capacitor com placas de área A e carregado com carga +q e –q. Pode-se notar que as
linhas de campo centrais são uniformes, e as da borda destorcem-se; b) representação ignorando
a distorção das bordas, com as placas separadas por uma distância d. A região pontilhada
em vermelho representa a superfície Gaussiana e a flecha em azul representa o caminho de
integração, usados para o cálculo da capacitância.

FONTE: Adaptado de Halliday, Resnick e Walker (1996, p. 92); Bauer, Westfall e Dias (2012, p. 101)

Para calcularmos a capacitância das placas paralelas, vamos inicialmente


encontrar a carga q. A carga está relacionada com o campo elétrico Ē via lei de
Gauss. A lei de Gauss é expressa como:

46
TÓPICO 3 — CAPACITORES

Ou seja, a integral de Ē. dĀ sobre uma superfície Gaussiana é igual à carga


interna a essa região q dividida pela constante de permissividade ∈0. A Figura
19b mostra a seção transversal da superfície Gaussiana em vermelho pontilhado.
Para os cálculos, iremos ignorar o efeito de borda e considerar o campo uniforme
dentro do capacitor.

Para resolvermos a lei de Gauss, devemos considerar as contribuições


de todas as faces da superfície Gaussiana. As faces laterais não contribuem para
a integral, pois são muito pequenas e podem ser desprezadas. A face superior
encontra-se dentro do condutor e, pelo fato de o campo elétrico ser nulo, não há
contribuição para a integral. Resta-se, então, a superfície inferior. Nesta, o campo
elétrico aponta para baixo, e o vetor normal à superfície dĀ também. Assim,
ficamos com:

Portanto:

Dessa maneira, encontramos a carga em função do campo elétrico e da


área da placa. A diferença de potencial entre as placas pode ser encontrada como:

Os pontos i e f são os pontos iniciais e finais de uma trajetória escolhida,


no caso da placa negativa para a positiva marcada pela flecha em azul na Figura
19b. Resolvendo a integral, obtemos:

Tínhamos que:

q = CV

Ou seja:

47
UNIDADE 1 — ELETROSTÁTICA

Essa é a capacitância de um capacitor de placas paralelas. Note que a


capacitância só depende da geometria do capacitor, ou seja, de sua área e distância
entre as placas. A capacitância não é influenciada pela diferença de potencial
entre as placas, e nem pela quantidade de carga presente.

ATENCAO

Outras geometrias afetam a capacitância de maneira diferente. Veja o quadro


a seguir.

QUADRO – GEOMETRIAS DE CAPACITORES

FONTE: Halliday, Resnick e Walker (1996, p. 89)

4 CAPACITORES EM PARALELO E EM SÉRIE


Os capacitores podem ser distribuídos em série ou paralelo em circuitos
eletrônicos. Assim, um grupo de capacitores em série ou em paralelo pode ser
substituído por um capacitor equivalente, ou seja, um único capacitor que tenha
capacitância igual ao do grupo em questão.

48
TÓPICO 3 — CAPACITORES

A Figura 20a mostra um exemplo de circuito com três capacitores de


capacitâncias C1, C2 e C3, ligados em paralelo, e uma bateria, responsável por
manter uma diferença de potencial V. Dizemos que os capacitores estão ligados
em paralelo quando a mesma diferença de potencial fornecida pela bateria é
mantida em todos eles. Assim, temos que:

q1 = C1V
q2 = C2V
q3 = C3V

FIGURA 20 – FIGURA REPRESENTATIVA DE CAPACITORES EM PARALELO

Legenda: a) esquema de três capacitores com capacitâncias C1, C2 e C3, ligados em


paralelo, e uma bateria, cuja diferença de potencial é V; b) esquema equivalente à Figura
20a, mas com o capacitor equivalente substituindo os outros três.

FONTE: Bauer, Westfall e Dias (2012, p. 104-105)

A carga total dos capacitores será dada por:

q = q1 + q2 + q3

Substituindo cada uma das cargas por q = CV, encontramos que:

q = q1 + q2 + q3 = C1V + C2V + C3V = (C1 + C2 + C3) V = CeqV

Portanto, a capacitância equivalente para o circuito em paralelo com carga


total q e diferença de potencial V, como mostrado na Figura 20b, é dada por:

Ceq = C1 + C2 + C3

Assim, se tivermos n capacitores em paralelo, teremos:

n
Ceq = ∑ Ci
i=1

49
UNIDADE 1 — ELETROSTÁTICA

Ou seja, a capacitância equivalente de capacitores ligados em paralelo é a


soma de cada uma das capacitâncias.

Mas se os capacitores estiverem ligados em série? A Figura 21 mostra um


esquema de três capacitores com capacitâncias C1, C2 e C3, ligados em série e a
uma bateria, que mantém uma diferença de potencial V. A bateria produz uma
carga +q na placa ligada ao terminal positivo, e uma carga –q à placa ligada ao
terminal negativo. Essas placas carregadas induzem cargas de sinais opostos nas
placas mais próximas, como o que ocorre nos capacitores C1 e C3. As cargas das
placas do capacitor C2 são induzidas pelas placas mais próximas de C1 e C3, cuja
carga líquida entre as placas mantém-se zero, como mostrado na Figura 21.

FIGURA 21 – ESQUEMA DE CIRCUITO COM TRÊS CAPACITORES

FONTE: Bauer, Westfall e Dias (2012, p. 105)

Após os capacitores estarem carregados, a diferença de potencial mantida


pela bateria será igual à soma das diferenças em cada capacitor:

V=V1+V2+V3

Mas, para cada um deles, temos que:

50
TÓPICO 3 — CAPACITORES

Substituindo, ficamos com:

Ou seja, , então:

Se tivermos n capacitores em série, ficamos com:

Ou seja, o inverso da capacitância equivalente para capacitores em série é


igual à soma do inverso das capacitâncias.

Falamos, neste subtópico, de capacitores associados em paralelo ou em


série, mas podemos encontrar combinações mais complicadas. Essas combinações
podem ser subdivididas em partes com combinações em série ou paralelo,
facilitando os cálculos para se encontrar um capacitor equivalente.

EXEMPLO

Suponha o circuito mostrado na figura a seguir:

FIGURA – CIRCUITO CAPACITIVO MISTO

Qual a capacitância equivalente? Considere C1 = C2 = 1μF e C3 = 2μF.

51
UNIDADE 1 — ELETROSTÁTICA

Podemos resolver essa questão por partes. Primeiramente, podemos


ver que os capacitores 1 e 2 estão em paralelo. Assim, a capacitância equivalente
C12 será: C12=C1+C2=1+1=2μF.

O resultado está mostrado na figura a seguir. Como podemos ver, agora


ficamos com dois capacitores em série. Assim, a capacitância equivalente C123
será:

FIGURA – CIRCUITO CAPACITIVO EM SÉRIE

C123 = 1 μF

FIGURA – CIRCUITO RESULTANTE

Assim, a capacitância equivalente para o circuito inicial é 1μF.

FONTE: HALLIDAY, D.; RESNICK, R.; WALKER, J. Fundamentos de física: eletromagnetismo.


4. ed. Rio de Janeiro: LTC, 1996. p. 98. v. 3.

52
TÓPICO 3 — CAPACITORES

5 ARMAZENAMENTO DE ENERGIA EM UM CAPACITOR


Os capacitores são muito importantes para o armazenamento de energia
potencial elétrica. Para o seu carregamento, a bateria tem que realizar trabalho. A
carga tem que se mover contra o potencial existente entre as placas do capacitor.
Assim, o trabalho realizado pela bateria para o carregamento é armazenado sob
a forma de energia potencial elétrica U no campo elétrico entre as placas. Essa
energia pode ser recuperada quando o capacitor for usado e descarregar.

Suponha que uma carga q’ tenha sido transferida de uma placa para a
outra. Neste momento, a diferença de potencial é igual a V’ = q’/C. O trabalho
infinitesimal dW necessário para transferir mais carga infinitesimal dq’ será:

Assim, o trabalho necessário para carregar totalmente o capacitor até uma


carga q é dado por:

Trabalho que é armazenado como energia potencial elétrica, ou seja:

Usando a relação q = CV, encontramos que:

Portanto, temos três relações para a energia armazenada em um capacitor.


Essas equações são válidas para qualquer tipo de geometria de capacitores.

53
UNIDADE 1 — ELETROSTÁTICA

EXEMPLO

Como foi visto ao longo deste tópico, os capacitores podem armazenar


carga e energia potencial elétrica. Para isso, o circuito básico necessário é ligar
o capacitor a uma fonte constante de tensão constante, como uma bateria,
como mostrado no esquema a seguir.

FIGURA – CIRCUITO RC DE 1ª ORDEM

FONTE: A autora

Assim, dado dV = 160,0 V, e C = 80,0μF, qual a carga e energia potencial


elétrica acumuladas no capacitor?

Sabemos que q = CdV. Então:

q = 80,0 ∙ 10–6 160,0 = 12,8 ∙ 10–3C

A energia acumulada é dada por U = q² / 2C. Então:

6 DIELÉTRICOS
Os capacitores que foram mostrados e discutidos até esta seção teriam
ar ou vácuo entre as suas placas. Mas os capacitores usados na prática são
preenchidos por um tipo de material chamado dielétrico. Dielétricos são materiais
isolantes, como, por exemplo, o plástico. Há várias finalidades para a presença
dos dielétricos em capacitores, dentre elas: garantir a separação entre as placas e
isolá-las eletricamente, manter uma diferença de potencial maior do que quando
preenchido por ar ou vácuo, e aumentar a capacitância do capacitor (BAUER;
WESTFALL; DIAS, 2012).

54
TÓPICO 3 — CAPACITORES

O capacitor que é preenchido por um dielétrico tem sua capacitância igual


C = kCar, na qual Car é a capacitância do dielétrico quando preenchido com ar, e k é
a constante dielétrica do material de preenchimento. A Tabela 1 mostra a constante
k para alguns materiais comumente encontrados. Note que a constante do vácuo é
considerada exatamente 1, por definição, e a constante do ar é aproximadamente 1.

TABELA 1 – VALORES DAS CONSTANTES DIELÉTRICAS K E RIGIDEZ DIELÉTRICA DE MATERIAIS


COMUMENTE ENCONTRADOS (VALORES APROXIMADOS PARA TEMPERATURA AMBIENTE)

FONTE: Adaptado de Bauer, Westfall e Dias (2012)

55
UNIDADE 1 — ELETROSTÁTICA

O campo elétrico no capacitor preenchido com um dielétrico diminui,


permitindo que mais cargas sejam armazenadas nas placas. Para um capacitor de
placas paralelas, temos que:

Onde tivermos ∈0 será substituído por k∈0, que é igual a ∈, permissividade


elétrica do dielétrico: ∈ = k∈0.

Dessa maneira, usando ∈, podemos encontrar a diferença de potencial


entre as placas de um capacitor de placas paralelas:

Assim, a capacitância será dada por:

Como havíamos comentado anteriormente.

Os materiais dielétricos possuem uma rigidez dielétrica, que é a capacidade


do material em resistir a uma diferença de potencial aplicada (Bauer). Assim, se
a intensidade do campo elétrico ultrapassar esse limite, ele é rompido, podendo
ser destruído. A Tabela 1 mostra os valores da rigidez dielétrica para diversos
materiais dielétricos comumente encontrados.

EXEMPLO

Considere um capacitor de placas paralelas, preenchido por ar, com


capacitância de C = 10,0μF. Esse capacitor é ligado a uma bateria que mantém
uma diferença de potencial de V = 20,0 V, como mostrado na figura a seguir.
Qual é a carga armazenada nesse capacitor?

Agora, suponha que esse mesmo capacitor seja preenchido por um


material dielétrico de constante dielétrica k = 3,0. Qual a carga armazenada
nessa nova configuração?

56
TÓPICO 3 — CAPACITORES

FIGURA – CIRCUITOS CAPACITIVOS PREENCHIDOS COM AR E COM


MATERIAL ISOLANTE DE k =3, RESPECTIVAMENTE

Sabemos que:

Assim,

q = CV = 10,0 × 20,0=200,0 μC =2,0 ∙ 10–4 C

Na nova configuração, temos que a constante dielétrica é: C = kCar = 3,0 ∙ 10,0


= 30,0μF.

Usando novamente que q = CV, encontramos que:

q = 30,0 × 20,0 = 600,0 μC = 6,0 ∙ 10–4 C

Ou seja, a carga do capacitor aumenta. Mantendo ∆V constante e


aumentando C, a carga q aumenta. A bateria fornece carga extra até carregar o
capacitor totalmente.

FONTE: BAUER, W.; WESTFALL, G.; DIAS, H. Física para universitários. Porto Alegre: AMGH,
2012. (Eletricidade e Magnetismo, v. 3). p. 114.

O raio que vimos durante as tempestades é um exemplo de ruptura da


rigidez dielétrica. As cargas, ao se acumularem nas nuvens, geram uma diferença
de potencial muito alta entre ela e a superfície da Terra. Assim, há uma ruptura
da rigidez dielétrica do ar, e uma corrente elétrica é conduzida, formando os
relâmpagos que vemos. A elevada corrente provoca aquecimento, podendo levar
a consequências explosivas e incendiárias.

57
UNIDADE 1 — ELETROSTÁTICA

DICAS

Para saber mais sobre correntes elétricas de raios, acesse o link a seguir: https://
goo.gl/FJkQzb.

7 APLICAÇÕES
Os capacitores são muito utilizados em circuitos eletrônicos. Eles têm três
características relevantes que os fazem tão úteis (ALEXANDER; SADIKU, 2013):

• A capacidade de armazenar energia e, por consequência, serem fontes de


tensão ou corrente por um dado período de tempo, como já visto neste tópico.
O segundo exemplo mostra um esquema de circuito para armazenamento de
energia em um capacitor.
• Capacitores opõem-se a variações de tensão e, assim, podem ser utilizados em
conversores de tensão pulsante para uma tensão mais suave.
• Capacitores também são sensíveis a frequências, sendo úteis para
determinadores de frequências.

As duas primeiras características são utilizadas em circuitos de corrente


contínua, enquanto a última é utilizada em circuitos com corrente alternada.

Portanto, pelas características anteriormente citadas, os capacitores são


encontrados em diversos equipamentos, como nobreaks, estabilizadores de
tensão, antenas, desfibriladores, flash de máquina fotográfica, dentre outros,
sendo essenciais para seu funcionamento.

EXPERIMENTO 3

Capacímetro

Fundamentação Teórica:

O capacitor é um dispositivo que armazena energia elétrica


armazenando cargas elétricas, para que possam ser utilizadas, guardadas e
transferidas de uma maneira mais flexível. O seu processo de criação se deu
logo após o descobrimento e manuseamento da corrente elétrica, um dos
maiores problemas e preocupações foi: "Como armazenar as cargas elétricas?”

58
TÓPICO 3 — CAPACITORES

As aplicações com a resposta desta questão são diversas tais como


armazenar e usar a energia dessas cargas elétricas quando quiser, além
de aumentar os efeitos elétricos, decorrente de um alto acúmulo de cargas,
o armazenamento de cargas é usado para experiências, para atender altas
demandas, para gerar energia quando não há demanda etc.

A característica principal do funcionamento dos capacitores é o


acúmulo de cargas opostas, em duas placas, separadas por um material
isolante (chamados dielétricos) e essas placas ficam bem próximas, uma da
outra, o possível. Como são cargas opostas, elas se atraem, encontrando-se,
portanto, armazenadas nas superfícies das placas mais próximas do isolante.
Também devido a essa atração e orientação das cargas, um campo elétrico é
criado entre as placas, através do material dielétrico do capacitor. Ao contrário
do que muitos pensam, a energia que o capacitor armazena não advém das
placas, e sim, do campo elétrico entre elas. É, portanto, uma energia de campo
eletrostático. A figura a seguir mostra, à esquerda, dois capacitores comerciais
e, à direita, as partes principais que constituem um capacitor.

FIGURA – CAPACITORES E SEUS CONSTITUINTES

FONTE: Reis (2017, p. 1)

Quando ligamos um capacitor a um gerador, a uma tensão V, o


capacitor adquire uma carga Q. A placa superior fica com uma carga +Q (falta
de elétrons), enquanto a placa inferior ficará com uma carga – Q (excesso de

59
UNIDADE 1 — ELETROSTÁTICA

elétrons). O número de elétrons, em excesso em uma placa, é igual ao número


de elétrons faltantes na outra placa. A relação entre a carga adquirida e tensão
aplicada é o que se define como a capacitância (C) do capacitor:

No Sistema internacional de unidades, a capacitância é medida em


Farad (símbolo: F), sendo 1 F = 1 [C/V].

A capacitância, por sua vez, é uma característica dos parâmetros


geométricos do capacitor, como a área de suas placas, a espessura de seu
dielétrico e o material de que é feito o dielétrico.
O dielétrico, por sua vez tem como objetivo, aumentar o valor da
capacitância do capacitor. No caso de um capacitor de placas planas e paralelas,
a sua capacitância (C) será dada por:

Na qual, A é a área do capacitor, d, a distância entre as placas e, ԑo


a permissividade elétrica no vácuo, que vale ε0 ≈ 8,85 pF/m. A constante
dielétrica k, é um parâmetro físico associado com o dielétrico. No vácuo, k = 1.
No ar pode–se admitir também que k ~ 1. A Figura 1, é uma ilustração de um
capacitor de placas planas e paralelas:

FIGURA – ILUSTRAÇÃO DE UM CAPACITOR DE PLACAS PLANAS E PARALELAS

FONTE: CEUNES (20--, p. 35)

Devido a características constitutivas as capacitâncias de capacitores


comerciais são disponibilizadas com valores da ordem de 10-12 F (picofarads) a
10-3 F (milifarads). Além do valor da capacitância, é preciso especificar o valor
limite da tensão a ser aplicada entre seus terminais. Esse valor é denominado
tensão de isolação e varia conforme o tipo de capacitor.

60
TÓPICO 3 — CAPACITORES

Na prática, encontramos vários tipos de capacitores, com aplicações


específicas, dependendo de aspectos construtivos, tais como, material usado
como dielétrico, tipo de armaduras, dentre outros. Vejamos alguns deles:

Capacitores plásticos (Poliestireno, poliéster)

Consistem em duas folhas de alumínio separadas pelo dielétrico de


material plástico. Sendo os terminais ligados às folhas de alumínio, o conjunto
é bobinado e encapsulado, formando um sistema compacto.

Capacitores eletrolíticos

O Capacitor eletrolítico internamente é composto por duas folhas


de alumínio, separadas por uma camada de óxido de alumínio, enroladas e
embebidas em um eletrólito líquido (composto predominantemente de ácido
bórico ou borato de sódio). Por ser composto por folhas enroladas, tem a
forma cilíndrica. Suas dimensões variam de acordo com a capacitância e limite
de tensão que suporta. É um tipo de capacitor que possui polaridade, ou seja,
não funciona corretamente se for invertido. Se a polaridade for invertida dá-se
início à destruição da camada de óxido, fazendo o capacitor entrar em curto-
circuito.

Capacitores cerâmicos

Apresentam como dielétrico um material cerâmico, que é formado


por uma camada de tinta, que contém o elemento condutor, formando as
armaduras. O conjunto recebe um revestimento isolante. São capacitores
de baixos valores de capacitância e altas tensões de isolação. Existem várias
formas de leituras dos valores de capacitância de um capacitor, sendo que
estas podem estar na forma de códigos numéricos, código de cores e também
impressas no capacitor (UFES, s.d.).

FONTES: CEUNES - CENTRO UNIVERSITÁRIO NORTE DO ESPÍRITO SANTO. Física


experimental III: roteiros de experiências. São Mateus: Universidade Federal do Espirito
Santo, [20--]. p. 35-36. (Apostila de Licenciatura em Física). Disponível em: http://
cienciasnaturais.saomateus.ufes.br/sites/cienciasnaturais.saomateus.ufes.br/files/field/
anexo/F%C3%ADsica%20Experimental%20III_F%C3%ADsica.pdf. Acesso em: 27 mar. de
2020; e REIS, E. Eletromagnetismo: experimento capacitores. Brasília: UNB, 2017. (Relatório
2). https://www.studocu.com/pt-br/document/universidade-de-brasilia/eletromagnetismo/
pratico/relatorio-2-experimento-capacitores/4371314/view. Acesso em: 13 mar. de 2020.

61
UNIDADE 1 — ELETROSTÁTICA

8 COMO IDENTIFICAR CAPACITORES?


Cada fabricante de capacitor tem uma marcação específica para indicar
o valor nominal do componente, de acordo com suas características, tais como,
capacitância, tensão de trabalho, potência elétrica que o componente suporta etc.
A figura a seguir mostra os diversos tipos de capacitores.

FIGURA 22 – TIPOS DE CAPACITORES

FONTE: <https://1.bp.blogspot.com/-58RSK1_pjRE/XFnD_Jbk6XI/
AAAAAAAAT_A/58Dp3EBsJC4Xqs4PnV5IDHlnI6qEiOPIgCLcBGAs/s320/Capacitores.JPG>.
Acesso em: 2 jul. 2020.

E
IMPORTANT

Prezado acadêmico, não confunda o código de cores dos resistores com o


código de cores dos capacitores, ok?

A única exceção é a grande maioria dos capacitores eletrolíticos


polarizados, cuja marcação geralmente apresenta todo o valor nominal.

Alguns capacitores de poliéster, mais antigos, ainda usam a marcação de


valor nominal através do código de cores, com anéis. Mas isso está mudando,
atualmente.

O quadro a seguir mostra um código de cores para identificação dos


valores nominais dos capacitores comerciais.

62
TÓPICO 3 — CAPACITORES

QUADRO 1 – CÓDIGO DE CORES DOS CAPACITORES (CONDENSADORES)

FONTE: <http://labvirtual.gaveta.net/imagens/Applets/Codigo_de_Cores/Tabela_Condensador_
Polyester.png>. Acesso em: 2 jul. 2020.

EXEMPLO

Se um capacitor cerâmico tiver a sequência de cores:

• 1a Banda – Azul,
• 2a Banda – Verde,
• Multiplicador – Vermelho,
• Tolerância – Verde.

Resultando em:

C = 65 x 102 pF = 6500 x 10-12 F = 6500 pF = 6,50 nF.

Tolerância = ±5%.
Cmin = C – (C x tolerância) = 6500 x 10-12 – (6500 x 10-12 x 0,05) = (6500 – 325) pF = 6175 pF.
Cmax = C + (C x tolerância) = 6500 x 10-12 + (6500 x 10-12 x 0,05) = (6500 + 325) pF = 6825 pF.

FONTE: <http://labvirtual.gaveta.net/imagens/Applets/Codigo_de_Cores/Tabela_
Condensador_Polyester.png>. Acesso em: 2 jul. 2020.

63
UNIDADE 1 — ELETROSTÁTICA

A unidade de medida de capacitância [F] é mostrada em submúltiplos


diferentes em cada capacitor, mostrado em:

• µF,
• nF,
• kF ou,
• pF.

Geralmente, os capacitores são dados em pF.

O problema é que não está escrito no corpo do capacitor qual é o submúltiplo


utilizado! A simples troca de um capacitor queimado por outro equivalente
poderá gerar transtornos, se o valor da capacitância não for observado.

Para fazer a leitura de capacitores, primeiramente precisamos saber quais


são as informações mais comuns que são apresentadas em seu invólucro.

A tabela a seguir mostra um código de identificação de valores nominais


dos capacitores comerciais.

TABELA 2 – IDENTIFICAÇÃO DE VALORES DOS CAPACITORES DISPONÍVEIS NO MERCADO

64
TÓPICO 3 — CAPACITORES

FONTE: <https://www.mundodaeletrica.com.br/i/1088/leitura-de-capacitores-leitura-1-600.webp>.
Acesso em: 2 jul. 2020.

Associação de capacitores

No que segue, vamos lembrar as expressões para a capacitância


equivalente de capacitores em série e paralelo. A figura a seguir é uma
representação de associações em paralelo e em série de capacitores.

FIGURA – CIRCUITOS COM ASSOCIAÇÕES DE RESISTORES

FONTE: CEUNES (20--, p. 36)

65
UNIDADE 1 — ELETROSTÁTICA

Temos as seguintes relações para as associações em série e paralelo de


capacitores:

Para arranjos em série: .

Para arranjos em paralelo: .

Objetivos:

Medir a capacitância de três capacitores com o capacímetro do


multímetro. Associar e medir os capacitores em série e em paralelo. Aprender
a ler a capacitância de um capacitor.

Materiais:

• 1 protoboard;
• capacitores;
• 1 voltímetro;

Procedimentos Experimentais:

• Medidas e associação de capacitores


1. Selecione três capacitores, doravante chamados C1, C2 e C3. Um deles
deve ser de poliéster, outro cerâmico e o terceiro um capacitor cilíndrico
(15 X 250 Vac).
2. Realize e registre na Tabela I, as leituras dos valores nominais (CN) de
capacitância com suas incertezas ±∆CN, indicando qual o tipo de cada
capacitor.

TABELA I – VALORES NOMINAIS E MEDIDOS DAS TRÊS CAPACITÂNCIAS.

FONTE: CEUNES (20--, p. 40)

3. Meça e registre na Tabela I, os valores (CM) de capacitância e suas


respectivas incertezas ±∆CM. Você conseguiu medir todos os capacitores
com o capacímetro do multímetro? Por quê? A figura a seguir mostra três
tipos de capacitores comerciais.

66
TÓPICO 3 — CAPACITORES

FIGURA – CAPACITORES DO TIPO (a) POLIÉSTER, (b) CERÂMICO E (c) ELETROLÍTICO

FONTE: CEUNES (20--, p. 39)

4. Use a placa protoboard, conforme mostra a figura a seguir. Chame o


seu tutor para uma orientação correta de seu uso. Conecte as seguintes
ligações em série: C1 e C2; C1 e C3; C2 e C3; C1, C2 e C3.

FIGURA – PROTOBOARD PARA ASSOCIAÇÃO DE CAPACITORES EM SÉRIE E EM PARALELO

FONTE: CEUNES (20--, p. 40)

5. Meça a capacitância de cada conjunto com o capacímetro do multímetro.


Anote os valores no quadro a seguir. Quais conjuntos puderam ser
obtidos? Por quê?

67
UNIDADE 1 — ELETROSTÁTICA

QUADRO – VALORES DE MEDIÇÃO DOS CAPACITORES EM SÉRIE

FONTE: CEUNES (20--, p. 40)

6. Conecte os mesmos conjuntos em paralelo.


7. Meça a capacitância de cada conjunto com o capacímetro do multímetro.
Anote os valores na no quadro a seguir. Quais conjuntos puderam ser
obtidos? Por quê?

QUADRO – VALORES DE MEDIÇÃO DOS CAPACITORES EM PARALELO

FONTE: CEUNES (20--, p. 41)

FONTE: CEUNES - CENTRO UNIVERSITÁRIO NORTE DO ESPÍRITO SANTO. Física


experimental III: roteiros de experiências. São Mateus: Universidade Federal do Espirito
Santo, [20--]. p. 39-41. (Apostila de Licenciatura em Física). Disponível em: <http://
cienciasnaturais.saomateus.ufes.br/sites/cienciasnaturais.saomateus.ufes.br/files/field/anexo/
F%C3%ADsica%20Experimental%20III_F%C3%ADsica.pdf>. Acesso em: 27 mar. de 2020.

68
TÓPICO 3 — CAPACITORES

ATENCAO

FIGURA – MAPA CONCEITUAL DE ELETROMAGNETISMO

FONTE: <http://web.archive.org/web/20180925084347/http://www.feiradeciencias.com.br/
sala13/13_43.asp>. Acesso em: 18 mar. de 2020.

69
UNIDADE 1 — ELETROSTÁTICA

LEITURA COMPLEMENTAR

A GARRAFA DE LEYDEN

Antônio Carlos M. de Queiroz

A "garrafa de Leyden" e um tipo de capacitor de alta tensão de uso comum


em eletrostática. Na forma usual atualmente (últimos 200 anos), consiste em um
pote cilíndrico de material altamente isolante, com uma folha metálica fixada por
for fora e outra fixada por dentro. Um terminal atravessando a tampa do pote faz
contato com a folha interior, e um anel metálico faz contato com a folha exterior,
constituindo assim os dois terminais do capacitor.

O dispositivo foi inventado independentemente, em 1745, por Von


Musschenbroek, em Leiden (ou Leyden), Holanda, a partir de uma experiência de
seu amigo Cunaeus, e por Von Kleist na Pomerânia. Na forma original era apenas
uma garrafa com água dentro e um fio servindo de terminal interior, com a mão
do experimentador servindo de terminal exterior. Logo foi aperfeiçoada até a
forma que ainda é usada. Foi a primeira forma prática encontrada para o acúmulo
de significantes quantidades de carga elétrica. Antes eram usados grandes
condutores metálicos, que armazenavam carga em suas "capacitâncias de corpo",
mas sempre em pequena quantidade. Com a garrafa de Leyden, quantidades
suficientes para produzir fortes faíscas elétricas podiam ser armazenadas, o que
logo levou a melhor entendimento das propriedades da eletricidade. Serviam
também para impressionantes demonstrações, como dar choques elétricos em
cadeias de centenas de voluntários de mãos dadas. A forma, em que o terminal
de alta tensão é bem isolado no interior, ainda é conveniente para um capacitor
de alta tensão.

[...]

FONTE: <https://www.coe.ufrj.br/~acmq/leydenpt.html>. Acesso em: 19 mar. de 2020.

70
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico, você aprendeu que:

• O capacitor é capaz de armazenar energia potencial elétrica durante um


intervalo de tempo, ele é construído utilizando um campo elétrico uniforme.

• Um capacitor é composto por duas peças condutoras, chamadas armaduras e


um material isolante com propriedades específicas chamado dielétrico.

• Para que haja um campo elétrico uniforme é necessário que haja uma interação
específica, limitando os possíveis formatos geométricos de um capacitor.

• A  capacitância  é umas das principais propriedades dos capacitores. Ela é


responsável por definir a principal capacidade desse dispositivo e é representada
pela letra “C” em maiúscula. Também pode ser chamada de capacidade de
armazenamento.

• A unidade de medida que representa a capacitância é a  farad (F)  e quanto


maior o seu número, consequentemente maior a capacidade de armazenar
energia.

• Os capacitores podem ser de mica, de papel, de polipropileno, de policarbonato,


de poliéster, eletrolíticos de alumínio, eletrolíticos de tântalo.

• Existem três tipos de associações de capacitores. São elas: associação em série,


associação em paralelo ou associação mista. 

• As associações dos capacitores acontecem da mesma forma como acontecem


em outros dispositivos elétricos, como por exemplo, resistores, geradores de
energia e receptores.

• A garrafa de Leyden é considerada o primeiro tipo de capacitor.

CHAMADA

Ficou alguma dúvida? Construímos uma trilha de aprendizagem


pensando em facilitar sua compreensão. Acesse o QR Code, que levará ao
AVA, e veja as novidades que preparamos para seu estudo.

71
AUTOATIVIDADE

1 O que são capacitores?

2 Para que servem os capacitores?

3 Quais são os tipos de capacitores?

4 O que é uma capacímetro?

5 O que é capacitância?

6 Disserte sobre a garrafa de Leyden.

72
UNIDADE 2 —

CAMPOS MAGNÉTICOS EM
REPOUSO
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:

• definir as equações fundamentais da magnetostática;


• analisar condutores em condições magnetostáticas;
• interpretar a força magnetostática.
• calcular a força magnética de uma partícula em movimento em campo
magnético;
• identificar a força de Lorentz como a superposição da força elétrica e
magnética sobre uma partícula carregada em movimento;
• analisar as trajetórias de uma partícula carregada em campo magnético
uniforme.
• explicar o conceito de campo magnético e suas propriedades;
• exemplificar as diferentes fontes de campo magnético;
• relacionar a forma funcional do campo magnético em regiões do espaço
dependente da geometria da fonte que gera o campo.

PLANO DE ESTUDOS
Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer da unidade
você encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo
apresentado.

TÓPICO 1 – CAMPOS MAGNETOSTÁTICOS

TÓPICO 2 – FORÇA MAGNÉTICA SOBRE PARTÍCULA

TÓPICO 3 – CAMPO MAGNÉTICO E FONTES DE CAMPO MAGNÉTICO

CHAMADA

Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos


em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá
melhor as informações.

73
74
TÓPICO 1 —
UNIDADE 2

CAMPOS MAGNETOSTÁTICOS

1 INTRODUÇÃO
Neste tópico, você vai estudar a magnetostática, ciência que investiga o
magnetismo criado devido a correntes estacionárias, isto é, correntes que são
constantes. A magnetostática tem aplicações tecnológicas tais como espectrômetro
de massa e aceleradores de partículas, estruturas que precisam controlar a
direção das partículas... e não há nada mais útil para essa tarefa do que campos
magnéticos estáveis.

Será abordado, com contextualização teórica, um pouco de história para


enfim chegarmos aos modelos matemáticos. Teremos discussão sobre o campo
magnético na matéria e no vácuo, fórmulas diferenciadas, leis que utilizam de
simetria, exemplos e discussões sobre força e sobre os campos magnéticos nas
fronteiras entre dois meios.

2 CAMPOS EM REPOUSO
Deve-se ao físico dinamarquês Oesterd, no início do século XIX, a descoberta
de que uma corrente estacionária consegue alterar a direção da ponteira de uma
bússola. Foi uma descoberta fantástica, pois se pensava, até então, que fenômenos
puramente elétricos não tinham relação alguma com fenômenos magnéticos, tais
como os observados na bússola.

Com a evolução do formalismo e da teoria eletromagnética, entendeu-se


que o que acontece é que uma corrente elétrica gera campo magnético.

Os franceses Biot e Savart, a partir de observações fenomenológicas e


técnicas experimentais, conseguiram quantificar esse fenômeno, criando uma
equação que o descreve matematicamente:

(1) (lei de Biot-Savart na


forma integral)

Vamos discuti-la um pouco mais por meio da observação da Figura 1, a


seguir.

75
UNIDADE 2 — CAMPOS MAGNÉTICOS EM REPOUSO

FIGURA 1 – CAMPO MAGNÉTICO DIFERENCIAL

FONTE: Hayt Junior e Buck (2017, p. 181)

Usaremos a figura da fórmula diferencial, por ser mais didática.

A fórmula de Biot-Savart diz que cada elemento infinitesimal, ou seja, cada


pedaço do fio, gera um campo magnético H no ponto P. Esse campo depende da
corrente que passa pelo fio, depende do produto vetorial entre a direção do fio
num dado pedaço e a direção que une esse pedaço ao ponto. Depende, ainda, na
razão inversa, da distância ao quadrado. Observe que, na forma integral, estamos
somando a contribuição de todos os pedacinhos do fio para termos um campo
somente.

A integral é fechada, pois depende da corrente que passa por um circuito


fechado.

3 UMA DISCUSSÃO IMPORTANTE


Durante uma aula alguns alunos trouxeram uma dúvida a respeito de um
exercício sobre o campo magnético. Não tinham o original, mas haviam copiado o
exercício para me mostrar. Ao tentar resolvê-lo, não consegui bater com a resposta
numérica trazida por eles. Sabia que havia algum equívoco, pois, se tratava de
uma questão de pequena dificuldade, de uma cadeira de física geral. Contudo,
com alguma experiência em aula, pedi que me trouxessem o exercício original.

Na aula seguinte, com o original em mãos, pude achar o equívoco. O


problema versava sobre densidade de fluxo magnético B, e não de intensidade de
campo magnético H.

76
TÓPICO 1 — CAMPOS MAGNETOSTÁTICOS

Essa história pode parecer inexpressiva. Contudo, o uso indiscriminado


de B e H como sendo campo magnético, na verdade, é uma confusão bem comum.
Por isso, lembre-se:

(2)

Na qual M é o campo magnético induzido na matéria. Também, observe


que no vácuo:

(3) (vácuo)

Então, para acertar o exercício e explicá-lo aos alunos, tive que adaptar
as fórmulas que estávamos usando para trabalhar com a densidade de fluxo
magnético.

Observe que µ0 = 4 π ∙ 107 NA–2 e se chama permeabilidade magnética.

4 AS FACILIDADES MATEMÁTICAS
As fórmulas apresentadas até aqui são de caráter mais generalistas.
Funcionam, mas são difíceis. Por isso, vamos analisar as adaptações e fórmulas
que podem facilitar nossas vidas em alguns casos.

Comecemos pela lei de Ampère.

(4) Lei de Ampère

Essa lei diz que, se criarmos um caminho fechado em torno de uma


corrente, a integral do lado direito é exatamente igual à corrente que passa pelo
caminho fechado.

Isso é uma maravilha (!), pois, em campos magnéticos com direção e


sentidos bem conhecidos e com uma geometria relativamente fácil, podemos
calcular aquela integral.

77
UNIDADE 2 — CAMPOS MAGNÉTICOS EM REPOUSO

EXEMPLO

Suponha o torroide da figura a seguir.

FIGURA – TORROIDE

FONTE: <https://image.shutterstock.com/image-vector/toroidal-solenoid-600w-317006063.jpg>.
Acesso em: 17 jul. 2020.

Vamos achar o campo magnético H no seu centro. Para fazer isso, vamos
criar uma circunferência que tenha o mesmo centro do torroide, conforme a
circunferência da Figura 2.

Temos a integral da lei de Ampère (4):

Em que a primeira igualdade vem da fórmula; a segunda porque o


campo magnético aponta na direção do caminho de integração; a terceira
porque a integral resulta no perímetro da circunferência; e a quarta porque
a corrente que está englobada é o número de espiras N multiplicado pela
corrente que passa por ela.

Logo:

Em situações de vácuo, podemos achar o campo densidade de fluxo


magnético facilmente, com:

78
TÓPICO 1 — CAMPOS MAGNETOSTÁTICOS

Mas você reparou que estamos tratando de uma quantidade escalar?


Como incluímos a direção e sentido no H?

Simples, sabemos qual é a direção e o sentido ao iniciar o problema.


Mas para escrever de forma compacta, temos que escrever em coordenadas
esféricas. Assim, temos:

A facilidade de usar as coordenadas esféricas, neste caso, é que não


precisamos projetar com trigonometria no versores “i” e “j”.

Vamos continuar a nossa análise matemática. Até o momento, você já deve


ter percebido que:

(5) correntes estacionárias

É uma exigência para nos mantermos na magnetostática. Isto é, não


pode haver fontes de densidade de corrente, nem algum lugar que consome a
densidade de corrente.

É interessante expressar a Lei de Biot-Savart em termos da corrente de


superfície e da densidade de corrente, então, caso não tenha a informação de uma
corrente, mas da densidade de corrente, poderá utilizar as seguintes fórmulas.

(6) Formas alternativas


de lei de Biot-Savart

Na qual K é a densidade de corrente superficial. Essa corrente é importante,


pois como o nome sugere, ela atua em regiões de fronteira entre meios, sendo que
somente algumas vezes ela gera algum campo magnético.

ATENCAO

Não foram encontrados monopolos magnéticos. Até hoje, não se encontrou


uma partícula magnética, isto é, uma partícula que tem somente o polo sul, ou:

(7) Lei Gauss do magnetismo

79
UNIDADE 2 — CAMPOS MAGNÉTICOS EM REPOUSO

5 CONDUTORES E MEIOS
O campo elétrico polariza os meios em que está presente, isto é, produz
cargas polarizadas. Será que acontece o mesmo com o campo magnético?

Sim! O campo magnético pode magnetizar os materiais e assim produzir


um efeito resposta que tem que ser levado em conta.

DICAS

Para saber com mais detalhes sobre a magnetização, leia o livro


Eletromagnetismo aplicado, de Wentworth (2009, p. 267-273). Lá você encontra uma
explicação teórica bem mais detalhada.

De forma resumida, vamos considerar os casos paramagnéticos,


ferromagnéticos e diamagnéticos num meio isotrópico – isto é, onde o material
responde da mesma forma em todos seus pontos.

O efeito de magnetização será representado por:

(8) magnetização

O ferromagnético intensifica o campo magnético muito fortemente, na


ordem de milhares a milhões de vezes. O paramagnético intensifica de forma
mais fraca.

Já o diamagnetismo é uma oposição extremamente fraca, existente


em todos os materiais, mesmo os que apresentam paramagnetismo ou
ferromagnetismo.

DICAS

Acesse o link https://goo.gl/PnFjKm para acompanhar um experimento


mostrando a repulsão magnética fraca da água devido ao diamagnetismo.

Assista ao vídeo disponível no link https://goo.gl/3viLTm e observe a intensidade da interação


entre ímãs e materiais ferromagnéticos. Lembre-se: nem todo metal é ferromagnético!

No link https://goo.gl/XxaG4m, você pode acompanhar o efeito do paramagnetismo.

80
TÓPICO 1 — CAMPOS MAGNETOSTÁTICOS

Em síntese:

• materiais diamagnéticos são repelidos muito fracamente pelo campo magnético;


• materiais paramagnéticos são atraídos fracamente pelo campo magnético;
• materiais ferromagnéticos são fortemente atraídos pelo campo magnético.

Para calcular os valores dos campos, precisamos utilizar o valor da


susceptibilidade magnética nas fórmulas (8) e (2).

6 CONDIÇÕES DE FRONTEIRA
Suponha que você tenha um material paramagnético e o vácuo, como é
a relação dos campos nesta transição? Podemos responder utilizando a lei de
Gauss e a lei de Ampère! Vejamos a Figura 2.

FIGURA 2 – CAMINHO PERCORRIDO NA FRONTEIRA ENTRE DOIS MEIOS COM UMA


CORRENTE SUPERFICIAL “K”

FONTE: Wentworth (2009, p. 273)

Temos a lei de Ampère (4):

A corrente englobada é a densidade de corrente superficial K multiplicada


pela largura Δw. Assim, i = K* Δw. Porém, para resolver a integral, vamos usar
coordenadas cartesianas e dividir a integral em quatro pedaços:

81
UNIDADE 2 — CAMPOS MAGNÉTICOS EM REPOUSO

Mas queremos que a variação na altura tenda a zero, pois queremos


o efeito na superfície. Como queremos que Δw valha para qualquer valor
infinitesimal, ou seja, queremos tender a um ponto, podemos concluir que os
caminhos d → a = - b → c. O campo magnético, porém, não tem como variar
muito nesse intervalo, pois queremos fazer Δw pequeno. Concluímos, então,
que as integrais 2 e 4 se anulam, uma vez que o campo é o mesmo e o caminho
somente altera o sinal. Assim, concluímos que não há componente normal de H
na superfície.

Porém, temos ainda:

(9)

Contudo, esses campos magnéticos, devido ao produto escalar, são os


campos na direção tangencial à superfície. Um caminho é o negativo do outro,
mas não há motivo para crer que os campos são iguais. Como o Δw é pequeno,
podemos dizer que, em cada meio, o H é constante. Assim, temos:

H1 ∫ab dl1 + H3 ∫cd dl3 = H1 ∫ab dl1 – H3 ∫cd dl1 = (H1 – H3) ∫cd dl1 = (H1 – H3) Δ (10)

Assim, por comparação de (9) e (10), concluímos:

H1–H3=K

Porém, usando uma notação mais clara:

HT1–HT2=K (11)

Na qual T, indica componente tangencial à superfície e o índice indica o
meio, sendo 1 fora e 2 dentro.

Até aqui, tratamos somente do módulo. Vamos generalizar para tratar de


vetor, com a fórmula:

(12)

Com sendo o vetor unitário que sai de 2 e vai para 1.

A outra condição de fronteira trata das componentes normais. Para


deduzir, utilizamos a lei de Gauss e um cilindro como superfície, aproveitando a
mesma ideia empregada nas condições tangenciais. O resultado é:

82
TÓPICO 1 — CAMPOS MAGNETOSTÁTICOS

7 A FORÇA MAGNÉTICA
Uma partícula imersa num campo magnético pode sofrer uma força, desde
que sua velocidade não seja paralela ao campo magnético. A força é expressa por:

(13)

A fórmula (13) diz que a força é perpendicular à velocidade e ao campo


magnético. Como consequência, essa força não realiza trabalho. Isso acontece,
uma vez que ela é perpendicular ao deslocamento – já que é perpendicular à
velocidade. Assim, a integral do trabalho:

Já que o produto sempre será nulo. Observe que estamos falando de uma
partícula. Vejamos a fórmula da força sobre um fio com corrente estacionária.
Temos que a corrente num fio é estacionária, usando a seguinte fórmula:

Que sai direto das definições de comprimento do fio (L), tempo (t), corrente
(i) e velocidade de deslocamento dos elétrons (vd).

Assim, substituindo em (13).

(14) força sobre um


fio longo.

Basta substituir o valor do campo magnético sobre o fio.

83
UNIDADE 2 — CAMPOS MAGNÉTICOS EM REPOUSO

EXPERIMENTO 4

Fio cria campo magnético

Objetivo

Neste experimento vamos mostrar que é possível criar um campo


magnético com a eletricidade.

Contexto

Quando uma corrente elétrica atravessa um fio condutor, cria em torno


dele um campo magnético. Este efeito foi verificado pela primeira vez, por
Hans Christian Orsted, em abril de 1820. Ele observou que a agulha de uma
bússola defletia de sua posição de equilíbrio quando havia próximo a ela um
fio condutor pelo qual passava uma corrente elétrica.

Experimento

Se fizermos fluir num fio condutor de eletricidade uma corrente


elétrica, criaremos em torno deste fio um campo magnético. Para verificarmos
se o campo magnético foi criado, basta aproximarmos este fio a uma bússola.
O papel da bússola neste experimento é o de um aparelho de teste, que vem
confirmar a existência ou não do campo magnético.

Como sabemos, a agulha de uma bússola é um pequeno ímã, e como


todo ímã é atraído ou repelido quando aproximado de outro ímã ou um campo
magnético.

Portanto, se o campo magnético foi criado no fio, ao aproximá-lo da


bússola, sua agulha defletirá da sua posição, sendo esta atraída ou repelida
por este fio.

Com as informações anteriores já é possível realizar este experimento e


verificar que todo fio condutor, quando atravessado por uma corrente elétrica,
cria em torno de si um campo magnético. Mas você perceberá que dependendo
da posição do fio em relação à agulha da bússola, ela girará para um lado ou
para outro; ou se invertermos o sentido da corrente, ela inverterá o sentido da
deflexão.

Caso as informações anteriores forem suficientes para você, passe para


a leitura das Seções Tabela de Materiais e Procedimento de Montagem. Mas se
você quer saber mais sobre este efeito magnético, e saber por que ora a agulha
deflete para um lado ora para outro, continue lendo esta seção. Daqui por
diante daremos uma explicação mais detalhada do campo magnético gerado
por um fio condutor.

84
TÓPICO 1 — CAMPOS MAGNETOSTÁTICOS

Um ímã não interage com cargas elétricas estacionárias. Mas quando


estas cargas estão em movimento, surge uma interação entre o ímã e o fio
que as conduz. Isso se dá porque um fio condutor quando percorrido por
uma corrente elétrica, gera em torno de si um campo magnético, de mesma
natureza que daquele de um ímã natural.

Um ímã, como a agulha da bússola, possui dois polos magnéticos,


norte e sul. Quando o campo magnético de dois ímãs naturais interage, o polo
sul de um ímã é atraído pelo polo norte do outro e vice e versa. Da mesma
forma, polos iguais se repelem. Por isso, a agulha de uma bússola possui uma
orientação preferencial: seus polos norte e sul estão sendo atraídos pelos polos
sul e norte do campo magnético da Terra. Por convenção as bússolas apontam
para o polo norte magnético da Terra. Assim, uma marca é feita no polo sul da
agulha da bússola.

Quando outro campo magnético, além do da Terra, se aproxima da


agulha da bússola, este campo passa a interagir com esta, fazendo que sua
agulha seja atraída ou repelida por este segundo campo. Por isso usamos a
bússola como "verificador" da existência de um campo magnético, quando
desconfiamos que algum objeto está imantado.

Logo, se usarmos este raciocínio, podemos com a bússola verificar se


há um campo magnético em torno de um fio condutor, quando por este passar
uma corrente elétrica.

Mas antes de verificarmos experimentalmente, devemos atentar


para algumas informações importantes quanto às características do campo
magnético deste fio.

Pela convenção do eletromagnetismo, a orientação das linhas do campo


magnético é "saindo" do polo norte e "entrando" no polo sul. Veja a figura a
seguir.

FIGURA – ATRAÇÃO ENTRE POLOS DE ÍMÃS

85
UNIDADE 2 — CAMPOS MAGNÉTICOS EM REPOUSO

O campo magnético que se forma em torno do fio é circular, ou seja,


podemos imaginar linhas de campo circulares concêntricas que tem uma
determinada orientação.

FIGURA – LINHAS DE CAMPO MAGNÉTICO AO REDOR DE UM FIO CONDUTOR

Existe uma regra para descobrirmos qual é o sentido do campo


magnético no fio condutor, ou seja, será possível descobrir para onde apontam
as linhas de campo. Com isso, é possível prever para que lado irá girar a agulha
da bússola quando interagir com o campo. Esta regra é conhecida como regra
da mão direita, e funciona da seguinte forma: com o polegar apontando no
sentido da corrente, que flui do polo positivo para o polo negativo da pilha,
flexione os demais dedos fazendo um movimento circular no sentido de fechar
a mão. O sentido do campo terá o mesmo sentido de rotação dos demais dedos.
Ou seja, imagine que a ponta dos seus dedos, excluindo-se o polegar são setas
que apontam para o norte. Então pode-se imaginar que a ponta de seus dedos
irá repelir o norte e atrair o sul da agulha da bússola, como mostra a figura.

FIGURA – REGRA DA MÃO DIREITA

86
TÓPICO 1 — CAMPOS MAGNETOSTÁTICOS

Agora, com estas informações, é possível entender o porquê que a


agulha da bússola gira para um lado ou para outro, dependendo da forma
como se aproxima o fio da agulha da bússola. E ainda entender por que a
agulha da bússola gira para o sentido oposto quando se inverte a polaridade
da bateria (invertendo o sentido da corrente). Se a agulha da bússola estiver em
repouso, sem interferência de um campo magnético próximo, ela apontará no
sentido norte-sul magnético da Terra, como já foi dito. Então, se raciocinarmos
em termos de linhas de campo, e se a orientação das linhas de campo geradas
pelo fio que atuam sobre a agulha estiverem apontando para o polo norte da
agulha da bússola (que por sua vez aponta para o polo sul da Terra), esta será
repelida pela ação deste campo magnético. E se estiver apontando para o sul
da agulha, esta será atraída pela ação deste campo. Veja a figura a seguir.

FIGURA – BÚSSOLA

Para a verificação da deflexão da agulha da bússola, devido a influência


do campo magnético gerado pelo fio condutor, coloque a parte reta do fio
sobre a bússola no mesmo sentido da agulha, quando esta está em repouso em
relação à Terra, antes de ligar a corrente elétrica. Veja a figura a seguir.

FIGURA – BÚSSOLA LIGADA A UMA PILHA ATRAVÉS DE UM FIO CONDUTOR

Ao ligar o fio a uma pilha, uma corrente elétrica será estabelecida. Então
a agulha da bússola vai tender a assumir uma direção ortogonal à direção do
fio, acompanhando o campo do fio. Esta deflexão pode ser para um lado ou
outro do fio, dependendo da direção em que está fluindo a corrente elétrica
(regra da mão direita). Veja figura a seguir.

87
UNIDADE 2 — CAMPOS MAGNÉTICOS EM REPOUSO

FIGURA – DEFLEXÃO NO PONTEIRO DA BÚSSOLA DEVIDO A CORRENTE QUE CIRCULA NO FIO

O quanto a agulha vai defletir dependerá da intensidade do campo


magnético gerado pelo fio. Logo, se a intensidade do campo magnético for
pequena, a agulha fará uma pequena abertura e se a intensidade do campo
magnético for alta, a agulha tenderá a ficar com uma abertura perpendicular
ao fio. A intensidade do campo gerado pelo fio é diretamente proporcional
à corrente que passa por esse. Não se recomenda trabalhar com correntes
elétricas intensas, nem tampouco com grandes tensões. A corrente elétrica de
uma ou mais pilhas comuns a uma voltagem de 1.5 volts cada são suficientes
para a verificação experimental.

Efeito similar se dá quando o fio ao invés de estar sobre a bússola


no sentido norte-sul, estiver perpendicular à bussola. Neste caso a agulha
permanece na mesma posição, ou a inverte completamente. E o raciocínio para
verificar se o sentido de rotação da agulha da bússola é coerente, é aplicar a
regra da mão direita.

Material:

QUADRO – MATERIAIS

Item Observações
Aproximadamente 10 cm de fio elétrico comum. Pode ser encontrado
Um pedaço de fio em casa de materiais elétricos ou eletrônicos ou então retirados de
condutor enrolamentos elétricos velhos. Ou retirados de aparelhos elétricos ou
eletrônicos fora de uso.
Pilha 1 pilha comum de 1,5 volts será suficiente.
Verifique o funcionamento da bússola antes de usá-la ou faça uma
Bússola
(veja a seção de comentários).
Porta Pilhas e Fios Estes equipamentos são opcionais. O funcionamento do experimento
de Conexão (jacaré) não será prejudicado, na falta destes.

88
TÓPICO 1 — CAMPOS MAGNETOSTÁTICOS

Montagem:

• Coloque a bússola sobre uma mesa plana e longe da influência de campos


magnéticos que não o terrestre, como o de alto-falantes, por exemplo.
• Coloque o fio sobre a bússola, no sentido de sua agulha.
• Ligue o fio na pilha.

Comentários:

• Tome cuidado com os alto-falantes, pois eles contêm ímãs bastantes fortes
e o campo gerado por eles atrapalhará o experimento, caso haja algum por
perto.
• Inverta a polaridade da pilha e veja a deflexão da agulha para o outro lado.
• O consumo de pilha é alto, pois, a corrente elétrica não tem resistência no
percurso, ou seja, o circuito está em curto. Por isso, é aconselhável não deixar
o circuito fechado por muito tempo desligando-o a cada demonstração. Outra
maneira de resolver este problema é colocar uma resistência no circuito. Uma
lâmpada de lanterna seria um bom resistor, mas daí serão necessárias duas
pilhas, visto que uma lâmpada necessita de no mínimo 1,5 volts.
• Caso você não consiga uma bússola para a realização do experimento, é
possível construir uma. Para isso você vai precisar de um copo comum com
água, uma agulha de costura fina, uma rolha e um ímã natural.

Siga os passos seguintes:

1. Primeiro deve-se imantar a agulha de costura, passando-se o ímã natural


várias vezes na agulha de costura, sempre na direção do seu comprimento
e no mesmo sentido. Para saber se agulha já está bem imantada, aproxime-a
de algum objeto metálico e verifique se há atração ou repulsão.
2. Corte uma fatia circular bem fina da rolha. Esta fatia de rolha serve para
permitir que a agulha de costura possa flutuar sobre a água.
3. Atravesse ou cole no disco circular de rolha já cortado, a agulha.
4. Coloque o disco circular de rolha com agulha em um copo cheio de água.
5. Verifique por algum método se sua bússola está funcionando, comparando a
direção para onde a agulha está apontando com alguma referência. Sem outros
campos magnéticos por perto, ela deve se orientar na direção norte-sul.
6. Veja a figura de como fica a construção desta bússola.

89
UNIDADE 2 — CAMPOS MAGNÉTICOS EM REPOUSO

FIGURA – BÚSSOLA INSERIDA NUM RECIPIENTE COM ÁGUA

FIGURA – ESQUEMA GERAL DE MONTAGEM

FONTE: <http://www2.fc.unesp.br/experimentosdefisica/ele09.htm#:~:text=Esta%20
regra%20%C3%A9%20conhecida%20com,sentido%20de%20fechar%20a%20m%C3%A3o.>.
Acesso em: 13 jul. 2020.

90
RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico, você aprendeu que:

• Os campos elétricos e magnéticos coexistem juntos, formando os campos


eletromagnéticos.

• Correntes elétricas geram campo magnético.

• A lei de campo magnético de Biot-Savart descreve, matematicamente e


vetorialmente, como uma corrente elétrica cria um campo magnético.

• Cada pedaço de fio gera um campo magnético no ponto P.

• Campo magnético é um conceito diferente de indução magnética . Ambos


estão relacionados pela equação: , no vácuo e na matéria.

• µ é a permeabilidade magnética e é dada por: .

• A permeabilidade magnética do ar ou do vácuo vale: [H/m]


ou, ainda, [NA–2].

• A permeabilidade relativa indica quantas vezes a permeabilidade magnética


µ de um determinado material é maior que a do ar µ0, que é tomada como
referência.

• O vetor de magnetização é o campo magnético induzido na matéria e


sua intensidade, direção e sentido devem ser levados em conta quando não
considerarmos o váculo.

• Os materiais são divididos em ferromagnéticos, diamagnéticos e


paramagnéticos.

• Os materiais ferromagnéticos têm valores da permeabilidade relativa muito


superiores a 1. O permalloy (liga de ferro e níquel) tem um valor inicial de 6000
e máximo de 80000.

• As substâncias paramagnéticas têm valores da permeabilidade relativa


ligeiramente superiores a 1. Para o ar é de 1,000 000 37. Como se vê, é um valor
muito próximo do correspondente ao vazio. Para o alumínio é 1,000 02.

91
• As substâncias diamagnéticas têm valores da permeabilidade relativa
ligeiramente inferiores a 1. Para a água é 0,999 991 e para o cobre é 0,999 990.

• A lei de Ampère diz que, se criarmos um caminho fechado em torno de uma


corrente, a integral do lado direito é exatamente igual à corrente que passa pelo
caminho fechado.

• O campo elétrico polariza os meios em que está presente, isto é, produz cargas
polarizadas. Os campos magnéticos magnetizam os materiais, segundo a
equação: .

• Uma partícula imersa num campo magnético pode sofrer uma força, desde que
sua velocidade não seja paralela ao campo magnético.

92
AUTOATIVIDADE

1 O que é magnetostática?

2 O que é um ímã e para que ele serve?

3 O que é um campo magnético?

4 Descreva como funciona a regra da mão direita.

5 Como um campo magnético é criado?

93
94
TÓPICO 2 —
UNIDADE 2

FORÇA MAGNÉTICA SOBRE PARTÍCULA

1 INTRODUÇÃO
Muitos equipamentos empregados na área da física experimental
utilizam os conhecimentos acerca da força magnética sobre uma partícula
carregada. Como exemplo, podemos citar um espectrômetro de massa, usado
para determinar a razão entre a massa e a carga de uma partícula. Outro exemplo
são os aceleradores de partículas, que têm seus feixes iônicos defletidos em uma
direção ou outra, utilizando campos magnéticos uniformes, ou, em algumas
situações, campos cruzados, formados por um campo magnético perpendicular a
um campo elétrico. Em particular, campos cruzados eram usados para guiar um
feixe de elétrons em uma televisão antiga de tubos de raios catódicos.

Neste tópico, você vai aprender como uma força magnética surge sobre
uma partícula carregada movimentando-se sobre um campo magnético. Também,
verá que campos cruzados são importantes para guiar um feixe de íons, quando,
então, a força de Lorentz é a resultante, atuando sobre uma partícula. O movimento
circular de um íon, quando se movimenta sobre um campo magnético, também
será estudado.

2 FORÇA MAGNÉTICA
Você, com certeza, já deve ter brincado com algum imã de geladeira.
Esses imãs são objetos que possuem um campo magnético intrínseco, ou seja,
um campo magnético permanente. A origem deste campo magnético é devido à
estrutura da matéria que compõe o imã. Aqui, não vamos entrar em detalhes sobre
a estrutura atômica da matéria, mas vale lembrar que um campo magnético tem
origem no movimento dos elétrons em átomos. Mais precisamente, uma carga em
movimento gera um campo magnético em sua volta. Você já deve saber que um
átomo é composto por um núcleo positivo (de prótons e neutros ligados por uma
força nuclear) e elétrons (carregados negativamente) orbitando o núcleo. Esses
elétrons são partículas elementares em movimento.

Um campo magnético é a característica básica de uma partícula, assim


como massa e cargas elétricas. Em determinados materiais magnéticos, que
possuem uma propriedade magnética macroscópica (como um imã de geladeira),
o campo magnético gerado pelos elétrons de cada átomo ou molécula é somado,

95
UNIDADE 2 — CAMPOS MAGNÉTICOS EM REPOUSO

contribuindo para um campo magnético total. Esse tipo de adição de campos


magnéticos individuais resulta nos ímãs permanentes. Em outros materiais que
não apresentam uma propriedade magnética macroscópica, o campo magnético
total é nulo. Isso não quer dizer que não exista campo magnético sendo gerado
pelos elétrons dos átomos, mas, sim, que o campo magnético total, que é o
resultado da soma vetorial de cada campo magnético individual, é nulo.

Quando queremos relacionar a força eletrostática com o campo elétrico,


simplesmente colocamos uma partícula carregada q dentro de um campo elétrico
uniforme e observamos a força sendo aplicada sobre a partícula. E, assim, podemos
relacionar as duas grandezas vetoriais. Algebricamente, podemos relacionar a força
eletrostática e o campo elétrico a partir da seguinte equação: F = q.E. Já, quando
queremos relacionar o campo magnético com a força magnética, não podemos
colocar um monopolo magnético interno a um campo magnético uniforme. Isso
porque monopolos magnéticos não são praticáveis experimentalmente até os dias
de hoje. Eles até são teoricamente previstos, mas, experimentalmente, o problema
é mais complexo. Para, então, relacionar o campo magnético e a força magnética,
inserimos uma partícula de prova carregada (carga q) com uma velocidade v
variando a sua direção ao longo do campo magnético. Quando a partícula é inserida
com uma velocidade paralela ao campo magnético B, nada acontece. A partícula
simplesmente continua seu percurso com a velocidade inalterada. A partir do
momento em que o vetor velocidade v forma um ângulo com B que seja diferente
de zero, a trajetória da partícula carregada começa a mudar. É nesse momento
que uma força magnética FB começa a atuar sobre a partícula. Experimentalmente,
sabemos que a magnitude de FB é proporcional a v.senθ, sendo θ o ângulo formado
entre o eixo onde FB é nulo (direção do campo magnético) e v. Ainda, a direção de
FB é perpendicular à direção de v. Esses resultados experimentais sugerem que o
vetor campo magnético e o vetor velocidade são multiplicados de forma vetorial
e resultam no vetor força magnética:

(1)

O módulo da força magnética pode ser obtido a partir da seguinte equação:

FB = |q|vBsenθ (2)

A força magnética é nula quando os vetores v e Bb são paralelos, e máxima,


quando formam um ângulo de 90°. Note que, no cálculo da magnitude da força
magnética, consideramos o módulo da carga q. O sinal da carga importa somente
para inferir o sentido da força.

A força magnética FB sempre aponta perpendicularmente ao plano


formado entre os vetores velocidade e campo magnético. Por exemplo, a Figura 3
mostra uma partícula carregada positivamente, movendo-se na direção positiva
do eixo x com uma velocidade constante v. Se um campo magnético é aplicado na
direção positiva do eixo y, uma força magnética surgirá atuando sobre a partícula,

96
TÓPICO 2 — FORÇA MAGNÉTICA SOBRE PARTÍCULA

direcionada no eixo z, no sentido positivo deste. Para descobrir a direção de FB, um


macete simples e fácil pode ser utilizado. Para tanto, utilizamos a regra da mão
direita: o polegar da sua mão deve indicar a direção da velocidade da partícula
carregada, o dedo indicador deve indicar a direção do campo magnético e o
dedo médio, a direção da força magnética. É importante ressaltar que v e B não
precisam ser necessariamente perpendiculares entre si, porém FB deve sempre ser
perpendicular ao plano formado pelos dois vetores v e B.

Vamos aplicar essa regra para definir a direção da força FB da partícula


carregada mencionada anteriormente. Sabemos que v está na direção positiva
de x, e B está no sentido positivo de y: coloque os dedos polegar e indicador
conforme a direção de v e de B, respectivamente, e veja para onde aponta o dedo
médio. E, assim, você descobre qual a direção e o sentido de FB. Lembre-se que FB
sempre é perpendicular ao plano formado pelos vetores v e B.

FIGURA 3 – A) REPRESENTAÇÃO VETORIAL DA VELOCIDADE V, CAMPO


MAGNÉTICO B E FORÇA MAGNÉTICA FB ATUANDO SOBRE UMA PARTÍCULA
POSITIVA. B) REPRESENTAÇÃO VETORIAL, UTILIZANDO A REGRA DA MÃO DIREITA

FONTE: Bauer, Westfall e Dias (2012, p. 192)

O exemplo anterior foi realizado para uma partícula positiva. Quando


temos uma partícula negativa, a regra é a mesma, porém com um detalhe
adicional: FB deve apontar na direção oposta da obtida a partir da regra da mão
direita. Para o caso da Figura 3, se a partícula em movimento fosse negativa, FB
deveria apontar ainda na direção do eixo z, porém no sentido negativo do eixo.
Neste caso, a força é defasada em 180° da sua posição original obtida a partir
da regra da mão direita. Isso é muito importante e deve-se ter cuidado para não
cometer confusão aqui: sempre que aparecer uma carga negativa, fique atento
para a direção da força magnética.

A unidade no Sistema Internacional de Medidas para a força é Newton.


Já para o campo magnético, é o Tesla (T). Podemos representar 1 T = 1 N/ (C.m/s).
Muitas vezes, o campo magnético é inferido pela unidade Gauss (G), sendo que
1 Tesla = 104 Gauss.
97
UNIDADE 2 — CAMPOS MAGNÉTICOS EM REPOUSO

3 FORÇA DE LORENTZ
Você, agora, já sabe determinar a força magnética. A princípio, também
deve saber determinar a força eletrostática atuando sobre uma partícula. A
primeira é oriunda de um campo magnético no espaço, que atua sobre a partícula
carregada e muda a sua direção. Já a força eletrostática é resultado de um campo
elétrico atuando no espaço, de modo a acelerar a partícula carregada em uma
das direções do campo. E o que acontece quando temos uma partícula carregada
movendo-se no espaço, que contenha os dois campos? Que tipo de força resultante
atua sobre essa partícula?

A combinação das forças eletrostática e magnética é o que chamamos


de força de Lorentz. Ou seja, a força resultante que atua sobre uma partícula
carregada sob o efeito de ambos os campos elétrico e magnético é conhecida
como força de Lorentz (FL). Como sabemos que a força eletrostática Fe devido a
um campo elétrico, é dada por Fe = q.E, e a força magnética FB = qv x B, a força de
Lorentz é a soma vetorial dessas duas forças, de modo que temos:

(3)

É importante destacar que a força eletrostática atua na direção do campo


elétrico, no sentido positivo do campo, se a partícula for positiva, ou no sentido
negativo do campo, se a partícula for negativa. Dessa forma, o campo elétrico
altera o módulo da velocidade da partícula carregada, podendo aumentar ou
diminuir a energia cinética da partícula. Já o campo magnético induz uma força
magnética que não muda a velocidade da partícula, mudando somente a direção
do movimento. Isso você pode facilmente ver pela equação (1), que define a força
magnética que atua sempre perpendicularmente ao movimento da partícula.
Como FB aparece perpendicularmente ao movimento dado pelo vetor v, o trabalho
realizado pela força FB é nulo (lembre-se que trabalho é o produto escalar entre os
vetores força e deslocamento, sendo o deslocamento sempre na mesma direção
da velocidade).

A Figura 4 mostra o exemplo da Figura 3, porém agora com a adição de um


campo elétrico atuando no plano xz. A força Fe = q.E muda a direção e o módulo
de v. Para um determinado instante, como o mostrado na Figura 2, a força de
Lorentz FL é a soma vetorial das duas forças, eletrostática e magnética. A força
eletrostática atua sempre na mesma direção e sentido, porém a força magnética
varia seu vetor de modo a permanecer perpendicular ao plano formado pelos
vetores v e B.

98
TÓPICO 2 — FORÇA MAGNÉTICA SOBRE PARTÍCULA

FIGURA 4 – REPRESENTAÇÃO VETORIAL DAS FORÇAS ELÉTRICA E MAGNÉTICA, ATUANDO


SOBRE UMA PARTÍCULA DE CARGA POSITIVA, GERANDO UMA FORÇA RESULTANTE FL

FONTE: A autora

4 CAMPOS CRUZADOS
Como vimos anteriormente, uma partícula carregada pode estar inserida
em um campo magnético e, ao mesmo tempo, em um campo elétrico. Quando
esses campos estão direcionados de modo a formar um ângulo de 90° entre si,
dizemos que temos um campo cruzado. Esse tipo de configuração eletromagnética
é a base de funcionamento das televisões antigas de tubos de raios catódicos.
Para você entender melhor como campos magnético e elétrico sobrepõem-se e
influenciam na trajetória de uma partícula carregada, vamos examinar dois
experimentos físicos que utilizam o princípio de campos cruzados. O primeiro
que abordaremos é a televisão de tubos de raios catódicos e o segundo é o efeito
Hall, importante em experimentos em que se busca determinar a concentração
volumétrica de portadores de carga em um metal ou semicondutor.

A Figura 5 ilustra esquematicamente o princípio de funcionamento da


televisão de tubos de raios catódicos. Quando um filamento é aquecido a partir
da aplicação de uma diferença de potencial entre seus terminais, elétrons são
emitidos. Esses elétrons são acelerados a partir do filamento em direção a uma
placa com um pequeno furo no seu centro (screen C), por meio da aplicação de um
campo elétrico direcionado da placa para o filamento (lembre-se que os elétrons
se movem na direção contrária do campo elétrico). Muitos dos elétrons colidem
com a placa, de modo que somente os elétrons que incidem no pequeno orifício
central da placa passam. Finalmente, os elétrons chegam a uma região dentro do
tubo onde existem dois campos cruzados. Na Figura 5, somente está ilustrado um
destes campos cruzados, indicando a direção do campo elétrico E para baixo no
plano da página, e o campo magnético B para dentro do plano da página. Mas

99
UNIDADE 2 — CAMPOS MAGNÉTICOS EM REPOUSO

existe outro campo cruzado, que não está desenhado para evitar uma poluição
visual muito grande na imagem. Esse segundo campo cruzado está localizado
na mesma região do tubo e possui um campo elétrico direcionado para dentro
do plano da página e um campo magnético direcionado para cima do plano da
página.

Para facilitar o entendimento, vamos, primeiramente, considerar somente


o primeiro campo cruzado, como ilustrado na figura. Quando o feixe de elétrons
passa pelo campo cruzado, mas o mesmo possui E = B = 0, nada acontece com o
feixe de elétrons. Nesse caso, este continua sua trajetória em linha reta e, por fim,
atinge a tela da televisão (screen S), bem no centro. Agora, digamos que um campo
magnético uniforme é aplicado, mantendo o campo elétrico nulo. Pela regra da
mão direita, você pode facilmente notar que a força magnética que atua sobre o
feixe de elétrons é direcionada para baixo no plano da página (não esqueça de
que elétrons são cargas negativas). Sendo assim, o feixe de elétrons é defletido
para baixo na tela da televisão de tubos por meio da força magnética oriunda do
campo magnético uniforme. Agora, vamos gradualmente aumentar a diferença
de potencial aplicada entre os terminais que geram um campo elétrico na região
do campo cruzado. A partir de então, o campo elétrico não é mais nulo e tem
direção indicada na figura, para baixo no plano da página. Assim, um campo
cruzado é estabelecido. Além da força magnética, agora existe, também, uma força
eletrostática atuando sobre o elétron, direcionada no sentido contrário do campo
elétrico. Enquanto o campo elétrico é aumentado gradualmente, o feixe de elétrons
é defletido aos poucos de volta para cima na tela. Em um dado momento, pode
até acontecer de o feixe de elétrons novamente colidir com o centro da tela, como
se não houvesse nenhum campo elétrico e nem magnético aplicados. Mas existe!
Ou seja, nesse ponto, o campo elétrico gera uma força elétrica de mesmo módulo,
porém na direção contrária da força magnética gerada pelo campo magnético.

Quando a força magnética cancela a força eletrostática, ou vice-versa, a


força de Lorentz é nula. Logo podemos escrever:

(4)

–qE + qvBsenθ = 0 (5)

O sinal negativo em -qE é porque adotamos um eixo vertical no plano da


página, crescendo seus valores para cima, na direção contrária da indicada pelo
vetor E. O ângulo formado entre o vetor velocidade e o campo magnético é de 90°,
e, assim, sen90° = 1. Por fim, podemos isolar v da equação e obter a relação entre
a velocidade, o campo elétrico e o campo magnético:

(6)

100
TÓPICO 2 — FORÇA MAGNÉTICA SOBRE PARTÍCULA

FIGURA 5 – PRINCÍPIO SIMPLIFICADO DO FUNCIONAMENTO DE UMA TELEVISÃO


DE TUBOS DE RAIOS CATÓDICOS

FONTE: Halliday, Resnick e Walker (2014, p. 809)

Se o campo magnético continuar a aumentar, o feixe de elétrons é defletido


cada vez mais para baixo na tela.

Você pode fazer o mesmo raciocínio para o segundo campo cruzado


(campo elétrico direcionado para dentro do plano da página e um campo
magnético direcionado para cima do plano da página) e verá que este campo tem
o objetivo de variar o feixe de elétrons na direção horizontal da tela da televisão
(na Figura 5, para dentro e fora da página). Quando esses dois campos cruzados
funcionam simultaneamente, o feixe de elétrons consegue varrer toda a tela da
televisão, escrevendo, assim, a imagem na tela. É importante, ainda, que todo o
tubo esteja à baixa pressão, na ordem de alguns mbar. Na figura, é indicada uma
bomba de vácuo (vacum pump), porém as televisões não possuem esta bomba.
Elas possuem uma pressão interna no tubo na ordem de alguns milibares, de
modo a permitir um alto livre caminho médio para os elétrons atravessarem o
tubo sem colidir com partículas microscópicas dentro dele.

NOTA

A invenção da televisão revolucionou a maneira como vemos o mundo


nos dias de hoje. As primeiras televisões eram de tubos de raios catódicos em preto e
branco. Foram evoluindo para as televisões coloridas e, nos dias de hoje, temos diferentes
tecnologias sendo utilizadas, tais como as TVs LCD, de plasma e LED.

No link https://goo.gl/FTW9pF, você encontrará um breve relato sobre a evolução


da televisão, assim como uma breve explicação sobre o princípio básico de funcionamento
de cada tipo de televisão.

101
UNIDADE 2 — CAMPOS MAGNÉTICOS EM REPOUSO

O efeito Hall é similar ao efeito causado pelos campos cruzados em uma


televisão de tubo de raios catódicos. Porém, aqui, temos uma fita metálica imersa
em um campo magnético uniforme, conforme ilustrado na Figura 6. Digamos que
temos uma corrente i passando pela fita metálica imersa em um campo magnético
uniforme direcionado para dentro da página. Nesse caso, os elétrons deslocam-
se no sentido contrário da corrente, com uma velocidade chamada velocidade
de deriva vd. Se a corrente i for no sentido para baixo do plano da página, os
elétrons movem-se no sentido para cima do plano da página. Pela regra da mão
direita, você verá que aparece uma força magnética direcionada para a direita no
plano da página. Enquanto mais e mais elétrons vão passando pela fita metálica
e sendo defletidos para a direita, cargas negativas são acumuladas neste lado. Em
contrapartida, cargas positivas são acumuladas no lado esquerdo da fita. Por fim,
um campo elétrico é formado, direcionado da esquerda para a direita.

Em um determinado momento, a força eletrostática gerada pelo campo


elétrico das cargas acumuladas na direita e esquerda da fita iguala a força
magnética gerada pelo campo magnético uniforme. A partir de então, a corrente
elétrica (mais precisamente os elétrons) flui através da fita condutora sem ser
mais defletida, atingindo um equilíbrio eletrostático. Uma diferença de potencial
Hall (V) é estabelecida devido ao acumulo de cargas na fita metálica de largura d.
Em equilíbrio eletrônico, a força de Lorentz é nula, de modo que (q = e):

–eE + evdBsenθ = 0 (7)

A velocidade de deriva dos elétrons pode ser calculada como sendo o


tempo necessário para os elétrons atravessarem a fita de comprimento L: vd =
L/t. A corrente elétrica é calculada como sendo i = q/t, ou ainda, i = qvd/L. Já a
carga elétrica em um metal ou semicondutor pode ser calculada como sendo a
densidade volumétrica de portadores livres (n) multiplicado pelo volume (V) e
a carga do elétron: q = nVe. O volume pode ser calculado como sendo a área
da secção transversal por onde a corrente passa (área da secção transversal da
fita), multiplicada pelo comprimento da fita, L. Dessa forma, temos: q = nALe.
Substituímos este valor na corrente e obtemos:

(8)

Isolamos Vd e substituímos na equação (7) para obter a equação (9):

(9)

102
TÓPICO 2 — FORÇA MAGNÉTICA SOBRE PARTÍCULA

O ângulo entre v e B é 90° e, assim, sen 90° = 1. Como o potencial elétrico


e o campo elétrico são relacionados por V = E.d, podemos escrever a equação (7)
na forma da equação (10):

(10)

E, por fim, podemos obter densidade volumétrica de portadores livres:

(11)

FIGURA 6 – UMA FITA METÁLICA IMERSA EM UM CAMPO MAGNÉTICO UNIFORME. A


PASSAGEM DE CORRENTE PELA FITA DEFLETE OS ELÉTRONS PARA A DIREITA DO PLANO DA
PÁGINA, CRIANDO UM CAMPO ELÉTRICO DA ESQUERDA PARA A DIREITA

FONTE: Halliday, Resnick e Walker (2014, p. 811)

103
UNIDADE 2 — CAMPOS MAGNÉTICOS EM REPOUSO

5 CARGA EM MOVIMENTO EM TRAJETÓRIA CIRCULAR


Uma partícula carregada, que penetra em um campo magnético uniforme,
sentirá uma força magnética atuando sobre ela, que modificará a sua trajetória.
Durante a trajetória, a partícula sentirá a força magnética atuando sempre
na direção ortogonal da direção da velocidade. Você pode convencer-se disso
fazendo a regra da mão direita: determine uma direção inicial da velocidade
e uma direção para o campo magnético. Por exemplo, se você decidir que a
velocidade é na direção para cima do plano desta página e que o vetor campo
magnético é direcionado para dentro da página, a força que atuará sobre uma
partícula positiva atuará na direção para a esquerda desta página. Os vetores
velocidade e campo magnético não precisam ser ortogonais entre si, porém a força
magnética sempre será ortogonal em relação aos dois vetores. Mas, e enquanto
a partícula movimenta-se internamente a um campo magnético uniforme, que
tipo de trajetória a partícula descreverá? A única força atuando (sem considerar
a força peso em uma primeira análise) é a força magnética. A partícula descreve
uma trajetória circular, conforme ilustrado na Figura 7. Aliás, a esta figura é a
representação experimental de um espectrômetro de massa. Nele, um campo
magnético uniforme, orientado para fora do plano da página, é responsável por
defletir uma carga positiva. Desse modo, é possível relacionar o raio da trajetória
da partícula com a razão massa/carga. Vamos aos cálculos! A força resultante
sentida pela partícula é igual à força magnética:

(12)
F = ma = |q|vBsen90°

A aceleração a é a aceleração centrípeta, dada por a = v2/r, sendo r o raio


de curvatura da trajetória. Logo:

(13)

Assim, obtemos o raio de curvatura da trajetória da partícula:

(14)

A energia cinética que a partícula adquire, partindo do repouso a partir


da fonte S, é devido à diferença de potencial da saída da fonte e da entrada do
espectrômetro, que acaba acelerando a partícula. Ou seja:

(15)

104
TÓPICO 2 — FORÇA MAGNÉTICA SOBRE PARTÍCULA

Assim, obtemos o valor da velocidade:

(16)

Substituímos (16) em (14) e obtemos a relação entre o raio de curvatura da


trajetória e a razão entre massa e carga.

(17)

É importante destacar que podemos inferir qual é a carga detectada,


uma vez que, a princípio, sabemos quantas vezes esta carga foi ionizada. Para
diferentes átomos, o valor da massa muda, assim como o poder de ionização da
partícula. Em geral, esse equipamento é utilizado para detecção de gás residual,
na qual se tem uma noção de que tipo de átomos pode ser detectado. Dessa forma,
pode-se inferir a razão entre a massa e a carga com relação ao raio da trajetória,
conforme demonstrado na Figura 7.

FIGURA 7 – ESQUEMÁTICO DE UM ESPECTRÔMETRO DE MASSA, NO QUAL UMA PARTÍCU-


LA CARREGADA +Q É ACELERADA POR UMA DIFERENÇA DE POTENCIAL V E ENTRA EM UM
CAMPO MAGNÉTICO UNIFORME, APONTANDO PARA FORA DO PLANO DA PÁGINA

FONTE: Halliday, Resnick e Walker (2014, p. 817)

105
UNIDADE 2 — CAMPOS MAGNÉTICOS EM REPOUSO

Se uma partícula carregada estiver sob a influência de um campo magnético


uniforme, e não forem aplicadas forças externas além da magnética, a partícula
pode descrever uma trajetória circular indefinida. Nesse caso, podemos inferir
o período T (tempo para completar uma volta completa). A velocidade pode ser
relacionada com a distância percorrida pela partícula em uma volta completa
(2πr), em um período de tempo T:

(18)

Isolamos T e substituímos r a partir da equação (14) e obtemos o período:

(19)

Para o cálculo da frequência f do movimento circular, você só precisa


lembrar que f = 1/T.

6 TRAJETÓRIAS HELICOIDAIS
Até aqui consideramos os casos em que a velocidade era perpendicular ao
campo magnético. Mas que tipo de trajetória uma partícula carregada descreve
quando existe uma componente da velocidade na direção do campo magnético?
Neste caso, a partícula ainda continua realizando um movimento circular, porém
se deslocando na direção do campo magnético com uma velocidade constante,
definida pela componente da velocidade da partícula na direção do campo
magnético.

A Figura 8 ilustra uma partícula carregada positivamente com velocidade


v. Os vetores v e B formam um ângulo θ ≠ 90°. Portanto, o vetor velocidade pode
ser decomposto em dois outros vetores: vperpendicular e vparalelo. A componente da
velocidade perpendicular ao campo magnético, multiplicada vetorialmente pelo
campo magnético, resulta em uma força magnética que faz com que a partícula
descreva uma trajetória circular. Já a componente da velocidade paralela ao
campo, multiplicada vetorialmente pelo campo magnético, resulta em uma
força magnética nula, uma vez que o ângulo entre vparalelo e B é 0°. Porém, a
velocidade paralela ao campo continua existindo, fazendo com que a partícula se
mova também na direção do campo magnético. A combinação dos dois tipos de
movimento, circular e na direção do campo magnético, resulta em uma trajetória
helicoidal.

106
TÓPICO 2 — FORÇA MAGNÉTICA SOBRE PARTÍCULA

FIGURA 8 – UMA PARTÍCULA CARREGADA POSITIVAMENTE DESCREVENDO UMA TRAJETÓRIA

FONTE: A autora

EXPERIMENTO 5

Ação do campo sobre as correntes


(Usando o campo magnético terrestre)

Luiz Ferraz Netto

Apresentação

Você vai precisar de um pedaço de madeira, dois suportes isolantes


(pode ser de borracha ou cortiça, ou palitos de churrasco de madeira.

Uma tira de papel alumínio de 1 m de comprimento e 1 cm de largura


é suportada 'bamba' pelos extremos, conforme mostra a Figura:

FIGURA – ESQUEMA DE MONTAGEM

107
UNIDADE 2 — CAMPOS MAGNÉTICOS EM REPOUSO

Mediante a passagem da corrente elétrica de corrente contínua, de


intensidade de cerca de 2 A, que pode ser conseguida através de uma pilha.
Por breve intervalo de tempo, a tira de alumínio apresentará um ligeiro
deslocamento. Invertendo-se o sentido da corrente, inverte-se também o
sentido do deslocamento.

Conceitue aqui a força magnética que o campo magnético (terrestre ou


não) desperta em cargas elétricas em movimento ordenado (corrente elétrica).
Use a regra da mão esquerda nas justificações para o deslocamento.

Qual a melhor orientação geográfica a ser dada para a fita para bem
visualizar seu deslocamento durante a passagem da corrente?

FONTE: <http://web.archive.org/web/20180924214300/http://www.feiradeciencias.com.br/
sala13/13_07.asp>. Acesso em: 18 mar. de 2020.

108
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você aprendeu que:

• Um campo magnético tem origem no movimento dos elétrons nos átomos do


material sob análise.

• Uma carga em movimento gera um campo magnético ao seu redor.

• Monopolos magnéticos não existem. Os polos magnéticos sempre aparecem


aos pares (norte e sul) nos ímãs.

• O campo magnético produz uma força sobre um fio, diretamente proporcional


à corrente.

• A força magnética sobre um pequeno segmento de fio depende da orientação


do fio em relação ao campo magnético; se o fio for paralelo ao campo magnético,
a força é nula, e se o fio for perpendicular ao campo, a força é máxima.

• Quando não há corrente, a velocidade média das cargas de condução é nula e


a força magnética resultante também é nula.

• A força magnética sobre uma partícula é dada por: .

• A força magnética é sempre perpendicular aos vetores campo magnético e


velocidade.

• A Regra de Fleming, popularmente conhecida como Regra da mão direita,


diz que “o polegar da mão direita indica o sentido convencional da corrente
elétrica; e os outros dedos, ao envolverem o condutor por onde passa a corrente,
dão o sentido das linhas de campo magnético”.

• 1 Tesla é igual a 104 Gauss.

• A força de Lorentz combina as forças eletrostática e magnetostática, atuando


sobre uma partícula carregada eletricamente, que se move no espaço.

• O efeito Hall está relacionado ao surgimento de uma diferença de potencial em


um condutor elétrico, transversal ao fluxo de corrente e um campo magnético
perpendicular à corrente.

• Quando dois campos são mutuamente perpendiculares dizemos que se trata


de campos cruzados.

109
AUTOATIVIDADE

1 O que é força magnética e como ela age sobre uma partícula?

2 O que é a regra da mão direita e para que ela serve?

3 Descreva a força de Lorentz.

4 O que é o efeito Hall?

5 Descreva, de forma resumida, como se comporta uma partícula em


movimento em uma trajetória circular. Se preferir, pode utilizar expressões
matemáticas, esboços de desenhos e gráficos para ilustrar o caso.

110
TÓPICO 3 —
UNIDADE 2

CAMPO MAGNÉTICO E FONTES DE CAMPO MAGNÉTICO

1 INTRODUÇÃO
O magnetismo está presente em muitas situações cotidianas, seja de forma
explicita – como no caso dos ímãs de geladeira, no uso de bússolas, etc. – seja de
forma menos evidente – como no funcionamento de aparelhos de alto-falantes,
televisões, telefones, entre outras (VÁLIO, 2016).

Desde as primeiras descobertas do material magnetita, na Grécia, capaz de


atrair certos metais, até o desenvolvimento da teoria do eletromagnetismo, passou-
se um grande período. Hoje, somos capazes de criar eletroímãs, dispositivos
que utilizam corrente elétrica para gerar campos magnéticos, capazes de elevar
toneladas de metais por vez.

Dos ímãs permanentes, como a magnetita, até os eletroímãs, comportam-


se segundo algumas leis, como a de atração e repulsão magnética, lei de Ampère
e outras que serão discutidas aqui.

Neste tópico, você vai entender o que é o campo elétrico, quais as


propriedades do campo que é possível gerar campos magnéticos de diferentes
fontes e, por fim, como traçar as linhas de campo magnético e encontrar a
intensidade dele em algumas configurações geométricas definidas.

2 CAMPO MAGNÉTICO
Em uma região da Magnésia (na Grécia central), os gregos antigos
encontraram diversos tipos de minerais naturais capazes de atrair e repelir uns aos
outros e certos tipos de metal, como o ferro (BAUER; WESTFALL; DIAS, 2012).

Aos materiais que, em seu estado natural, produzem campo magnético,


damos o nome de “ímãs permanentes”.

As interações entre ímãs permanentes e agulhas de bússolas podem ser


explicadas por meio do conceito de polos magnéticos. Dessa maneira, quando
suspenso pelo centro de gravidade, um ímã permanente tende a se orientar
com os polos terrestres. Assim, definimos polo norte como a parte do ímã que

111
UNIDADE 2 — CAMPOS MAGNÉTICOS EM REPOUSO

aponta próximo ao norte geográfico da Terra; utilizando o mesmo raciocínio, a


parte que aponta ao sul geográfico é denominada polo sul. Esse é o princípio de
funcionamento de uma bússola, que aponta sempre ao norte geográfico da Terra.
Observe a Figura 9.

Agora, vamos analisar as forças de atração e repulsão magnéticas que


ocorrem entre os polos e, depois, aprofundaremos o estudo do campo magnético
terrestre e suas orientações geográficas.

FIGURA 9 – DEFINIÇÃO DE POLO NORTE E POLO SUL

FONTE: A autora

A partir desses ímãs permanentes, e semelhante ao observado com as


cargas elétricas, podemos definir a Lei de Atração e Repulsão Magnética. Desta
maneira, os polos diferentes atraem-se, e polos iguais repelem-se. Ainda sobre a
atração e repulsão magnética, um material ferromagnético é atraído por um ímã
permanente ou temporário, independentemente da polaridade em que o ímã é
posicionado. Veja a representação na Figura 10.

FIGURA 10 – (a) POLOS OPOSTOS ATRAEM-SE; (B) POLOS IGUAIS REPELEM-SE; E (C)
QUALQUER POLO DE UM ÍMÃ ATRAI UM OBJETO NÃO IMANTADO

FONTE: A autora

112
TÓPICO 3 — CAMPO MAGNÉTICO E FONTES DE CAMPO MAGNÉTICO

No século 18, o físico dinamarquês, Hans Christian Orsted, fez as


primeiras observações de campos magnéticos gerados por corrente elétrica. Em
uma demonstração aos seus alunos, Oersted mostrou que uma bússola variava
sua indicação quando um condutor, próximo a ela, era percorrido por corrente
elétrica.

Mas foi somente o físico francês André-Marie Ampère que propôs que
toda partícula carregada em movimento gera um campo magnético próprio. Ou
seja, cargas elétricas em movimento geram campos magnéticos.

O campo magnético B pode ser definido como a região em volta de um


ímã, onde ocorrem interações magnéticas. O campo magnético, similar ao campo
elétrico, consegue produzir forças magnéticas em um corpo a distância, ou seja,
existe uma força de interação mesmo sem o contato dos corpos.

Cargas elétricas em movimento geram campos magnéticos. Portanto,


correntes elétricas, percorrendo condutores, são capazes de gerar campo
magnético. Aos componentes que produzem campo magnético a partir de
corrente elétrica dá-se o nome de eletroímã.

NOTA

O conceito de polo magnético pode parecer semelhante ao de carga elétrica.


O polo norte e o polo sul podem parecer análogos a uma carga positiva e uma negativa.
Porém, essa analogia é capaz de causar confusão. Embora existam cargas negativas e
positivas isoladas, não existe nenhuma evidência experimental da existência de um polo
magnético isolado. Os polos magnéticos sempre existem formando pares. Quando uma
barra imantada é partida ao meio, cada extremidade de cada pedaço constitui um polo
(SILVA, 2019, p. 40).

FONTE: A autora

113
UNIDADE 2 — CAMPOS MAGNÉTICOS EM REPOUSO

3 FONTES DE CAMPO MAGNÉTICO


A Terra possui um campo magnético próprio. Dessa maneira, as agulhas
das bússolas são imantadas e alinham-se com as posições geográficas da Terra.

Conforme já mencionado, os polos iguais repelem-se e polos diferentes


atraem-se. Dessa maneira, quando definimos a parte da agulha da bússola que
aponta para o norte geográfico como sendo o polo norte, temos que os polos
magnéticos na Terra são contrários aos polos geográficos. Assim, o polo norte
geográfico é o polo sul magnético da Terra, e o polo sul geográfico é o polo norte
magnético.

O campo magnético da Terra já é conhecido há muitos séculos, porém, a


explicação dele não é conhecida precisamente e constitui um tema de pesquisa
corrente.

Com maior probabilidade, ele é causado por correntes elétricas intensas


no interior da Terra, devido à rotação do núcleo líquido de ferro e níquel. A
rotação e chamada com frequência de efeito geodinamo (BAUER; WESTFALL;
DIAS, 2012).

Esse campo magnético é importantíssimo, pois nos protege de um tipo


de energia radiante de alta energia oriunda do espaço. Essa energia radiante
é constituída principalmente de partículas eletrizadas que são desviadas da
superfície terrestre devido ao seu campo magnético.

NTE
INTERESSA

O campo magnético da Terra e distorcido por vento solar, um fluxo de


partículas ionizadas, principalmente prótons, emitidas pelo Sol a cerca de 400 km/s. Duas
faixas dessas partículas carregadas que foram capturadas do vento solar circulam em volta
da Terra. Elas são denominadas cinturões de radiação de Van Allen, em homenagem a
James A. Van Allen (1914-2006).

Os cinturões de radiação de Van Allen são mais próximos da superfície da Terra ao


redor dos polos magnéticos norte e sul, onde as partículas carregadas mantidas dentro dos
cinturões colidem com frequência com os átomos da atmosfera do planeta, excitando-os.

Esses átomos excitados emitem luz de cores diferentes e perdem energia; o


resultado é a fabulosa Aurora Boreal (“luzes do Norte”), em altas latitudes Norte, e Aurora
Austral (“luzes do Sul”), em altas latitudes Sul. As auroras não são exclusivas da Terra; elas
também têm sido observadas em planetas externos dotados de campos magnéticos
intensos, como Júpiter e Saturno.

114
TÓPICO 3 — CAMPO MAGNÉTICO E FONTES DE CAMPO MAGNÉTICO

FIGURA – AURORA BOREAL

FONTE: BAUER, W.; WESTFALL, G. D.; DIAS, H. Física para universitários: eletricidade e
magnetismo. São Paulo: AMGH, 2012. p. 190-191.

Temos, então, as fontes de campo magnético, os ímãs permanentes, como a


magnetita, os eletroímãs, como sendo qualquer condutor percorrido por corrente
elétrica, os astros e planetas, com os ventos solares e o campo magnético terrestre.

Assim, para calcular o campo magnético resultante, causado por mais de


uma fonte de campo magnético, ou, então, pelo movimento de conjuntos de cargas
elétricas, devemos entender o princípio de superposição dos campos magnéticos.

Analogamente ao campo elétrico, o campo magnético total produzido por


diversas fontes de campo magnético é a soma vetorial dos campos produzidos
pelas fontes individuais. Dessa maneira, temos:

As semelhanças entre o campo elétrico e o campo magnético não se


restringem apenas a isso. Vamos relembrar que o campo elétrico total, associado
a uma distribuição genérica de cargas, pode ser encontrado calculando o campo
elétrico elementar produzido por cada elemento de carga, sendo em geometrias
complexas, mas com distribuições simétricas podem ser encontradas pelo uso da
lei de Gauss.

O campo magnético produzido por uma distribuição de elementos com


simetria pode ser calculado pela lei de Ampère, análoga à lei de Gauss, que diz o
seguinte:

115
UNIDADE 2 — CAMPOS MAGNÉTICOS EM REPOUSO

Sendo assim, é possível encontrar o campo magnético em distribuições


de corrente, necessitando conhecer a geometria de invólucro das cargas e a
intensidade da corrente envolvida.

EXEMPLO

A Figura mostra um fio longo retilíneo percorrido por uma corrente i.


O campo magnético produzido pela corrente tem o mesmo módulo em todos
os pontos situados a uma distância do fio, com uma simetria cilíndrica em
relação a este.

FIGURA – CORRENTE ELÉTRICA E CAMPO MAGNÉTICO EM UM FIO

FONTE: A autora

Aplicando as devidas simetrias, vemos que a integral do campo


magnético se dá por:

Sendo a corrente envolvida pela curva igual a i, temos o lado direito da


lei de Ampère dado por:

Então, o campo magnético, produzido por uma corrente elétrica em


um fio condutor retilíneo a uma distância r, é dado por:

116
TÓPICO 3 — CAMPO MAGNÉTICO E FONTES DE CAMPO MAGNÉTICO

4 LINHAS DE CAMPO MAGNÉTICO E CAMPO MAGNÉTICO


EM GEOMETRIA DEFINIDAS
Assim como no caso do campo elétrico, podemos representar o campo
magnético por meio de linhas de campo. As regras são as mesmas: (1) a direção
da tangente a uma linha de campo magnético em qualquer ponto fornece a
direção de B neste ponto; (2) o espaçamento das linhas representa o módulo de
B – quanto mais intenso o campo, mais próximas estão as linhas e vice-versa
(HALLIDAY, 2012).

Observe as Figuras 11 e 12, que representam, respectivamente, a direção


do campo magnético, que é tangente às linhas de campo, e a relação entre a
quantidade de linhas de campo e a intensidade do campo magnético.

FIGURA 11 – CAMPO MAGNÉTICO E LINHAS DE CAMPO

FONTE: A autora

FIGURA 12 – DISTRIBUIÇÃO DE LINHAS DE CAMPO

FONTE: A autora

As linhas de campo magnético são sempre fechadas. O sentido das linhas


de campo é saindo dos polos norte e entrando nos polos sul. Dessa maneira, é
simples fazer uma analogia entre as linhas de campo elétrico e as polaridades das
cargas elétricas envolvidas. Observe as linhas de campo em um ímã permanente
do tipo barra: as linhas são fechadas e saem do polo norte do ímã e entram no
polo sul, como visto na Figura 13, a seguir.

117
UNIDADE 2 — CAMPOS MAGNÉTICOS EM REPOUSO

FIGURA 13 – LINHAS DE CAMPO EM UM ÍMÃ DA BARRA

FONTE: A autora

Para um ímã do tipo U, os mesmos princípios devem ser seguidos. Dessa


maneira, podemos verificar que o campo magnético produzido por um ímã
permanente do tipo U é dado conforme representação da Figura 14.

FIGURA 14 – LINHAS DE CAMPO EM UM ÍMÃ DO TIPO U

FONTE: A autora

Um condutor elétrico percorrido por corrente elétrica possui um campo


magnético circular a ele e que pode ter sua direção e seu sentido determinados
pela regra da mão direita. Se apontarmos o dedo polegar na direção da corrente e
fecharmos os demais dedos, teremos que o campo magnético é circular ao condutor
e tem o mesmo sentido que apontam os dedos fechados. Veja a representação da
Figura 15.

118
TÓPICO 3 — CAMPO MAGNÉTICO E FONTES DE CAMPO MAGNÉTICO

FIGURA 15 – LINHAS DE CAMPO EM UM CONDUTOR RETILÍNEO

FONTE: A autora

A intensidade do campo magnético em um ponto que dista r do condutor


pode ser determinada por:

As linhas de campo em uma espira condutora podem ser determinadas


também pela regra da mão direita, sendo que o campo magnético resultante é a
soma dos campos magnéticos de cada segmento do fio condutor. Assim, o campo
magnético no centro de uma espira tem a direção do seu eixo central, e sentido
saindo para cima, quando a espira é percorrida por uma corrente elétrica no
sentido anti-horário. Veja na Figura 16.

FIGURA 16 – LINHAS DE CAMPO EM UMA ESPIRA

FONTE: A autora

119
UNIDADE 2 — CAMPOS MAGNÉTICOS EM REPOUSO

A intensidade do campo magnético no centro da espira geralmente é


o valor mais importante para um projeto com esse dispositivo. Sendo assim, a
intensidade do campo magnético no centro da espira circular é:

Ao unirmos várias espiras, criamos um dispositivo chamado solenoide.


O campo magnético produzido por este componente é de grande aplicação.
No interior do dispositivo, o campo magnético tem intensidade praticamente
constante e pode ser determinado por:

Esse dispositivo é muito utilizado, pois o seu intenso campo magnético é


capaz de produzir forças magnéticas também muito intensas, sendo aplicadas em
relés eletromecânicos, disjuntores termomagnéticos, entre outras aplicações. A
Figura 17, a seguir, apresenta um exemplo de linhas de campo em um solenoide.

FIGURA 17 – LINHAS DE CAMPO EM UM SOLENOIDE

FONTE: A autora

ATENCAO

O eletroímã é um dispositivo que utiliza corrente elétrica para gerar um campo


magnético, semelhantes àqueles encontrados nos ímãs naturais.

120
TÓPICO 3 — CAMPO MAGNÉTICO E FONTES DE CAMPO MAGNÉTICO

EXPERIMENTO 6

Atividades com ímãs


(De que modo a Terra age como um imã?)

Luiz Ferraz Netto

Você sabe que a agulha de uma bússola sempre se orienta


na direção norte-sul. Este comportamento dos objetos imantados,
livres para girar, é conhecido há  milhares de anos, mas as razões
verdadeiras porque isto acontece são conhecidas há mais de 300 anos.
Em 1690, Sir  William Gilbert, o físico da corte da Rainha Elizabeth, fez a
impressionante descoberta de que a Terra age como um gigantesco ímã. Antes
disso todas as explicações foram dadas para a propriedade da bússola de
apontar para o norte. Acreditava-se, entre outras tantas hipóteses, que a causa
disto fosse um 'poder de atração' da Estrela Polar.

Naturalmente, é preciso entender que a bússola não aponta diretamente


para o norte verdadeiro de todas as partes da Terra – não aponta para o Norte
Geográfico. Colombo descobriu isto a caminho da América, para consternação
de seus marinheiros supersticiosos. Ele e seus pilotos notaram, a milhares de
quilômetros da terra natal, que a agulha da bússola deixou de apontar para a
Estrela Polar. A tripulação pensou que os deuses furiosos estavam interferindo
na bússola e que a expedição estava destinada à destruição. Colombo acalmou
o medo dos marinheiros dizendo-lhes que a bússola os estava guiando
corretamente, mas a própria Estrela Polar se movia lentamente, seguindo
um curso regular pelo céu. Seus homens, tendo grande confiança em seus
conhecimentos astronômicos, acreditaram em sua explicação.

Mais tarde ficou-se sabendo que esta incapacidade da bússola de


apontar para o norte, a não ser de alguns pontos especiais sobre a superfície da
Terra, deve-se ao fato de que os polos magnéticos norte e sul estão localizados
a muitos quilômetros de distância dos verdadeiros  polos geográficos  norte
e sul  da Terra (figura 1). A atividade a seguir ajudará a compreender mais
alguma coisa a respeito da Terra atuando como um ímã.

121
UNIDADE 2 — CAMPOS MAGNÉTICOS EM REPOUSO

Se uma grande folha de papel pudesse ser estendida sobre toda a


Terra, e se fizéssemos com que limalha de ferro muito fina chovesse sobre a
mesma, você pode imaginá-la formando, em escala gigantesca o mesmo tipo
de desenho que você obteve na Atividade 4, com o ímã e a folha de papel.
Veríamos o grande labirinto de linhas de força, invisível, partindo do polo
norte magnético, perto da baia de Hudson e se estendendo, geralmente, para
o sul em direção ao polo sul magnético, ao sul da Austrália.

Talvez o Globo Terrestre existente em sua sala de aula tenha assinalados


os polos magnéticos.

Os navegadores e exploradores aprenderam que as linhas de força, no


Equador, se estendem paralelamente à superfície da Terra, exatamente como
aquelas que ficam próximas ao meio do imã. (figura 2). Mas, à medida que
você se dirige para o polo norte, o N da agulha da bússola apontará cada vez
mais em direção à Terra e, à medida que você caminhar em direção do Polo Sul
essa extremidade N apontará cada vez mais para longe da Terra.

• Demonstração 1: você pode realizar uma experimentação convincente


(figura 3), para demonstrar este efeito. Coloque um objeto imantado,
de vários centímetros de comprimento (um ímã em forma de barra, por
exemplo), sobre uma folha de papel e coloque uma bússola de bolso próxima
à extremidade norte. Veja que o polo N da bússola aponta para o ímã. Agora,
lentamente, mova a bússola ao longo do papel, até a extremidade oposta e
note a mudança na direção da agulha da bússola nas diferentes posições que
toma. O próximo experimento permitirá que você veja o quanto a agulha se
inclina em direção à Terra na localidade em que mora.
• Demonstração 2: se qualquer objeto imantado, tal como uma agulha de aço
para tricô, for suspenso por um barbante, em equilíbrio perfeito, ele girará,
colocando-se na posição norte-sul, como era de se esperar, mas, também
inclinará sua extremidade norte em sentido à superfície da Terra, formando
um determinado ângulo.  O grau de inclinação difere de uma localidade
para outra, ao norte ou ao sul. A razão disto deve estar clara a esta altura
já que todas as atividades que você realizou até aqui indicam que a agulha
magnética de uma bússola toma sempre uma "direção paralela à direção
das linhas de força magnética" (veja Nota, a seguir). O grau de inclinação da
agulha da bússola em relação à terra é conhecido como ângulo de inclinação
magnética.

Nota: outro modo de dizer isso é: a agulha da bússola sempre toma


a direção da tangente geométrica à linha de força no ponto considerado. No
Rio de Janeiro, por exemplo, a agulha da bússola teria a extremidade Sul
apontando em direção à terra, formando um ângulo de cerca de 30o.

122
TÓPICO 3 — CAMPO MAGNÉTICO E FONTES DE CAMPO MAGNÉTICO

É fácil fazer uma bússola que se inclina; uma  bússola de inclinação.


Compre numa loja de armarinhos uma agulha de aço para tricô. Passe a
agulha pelo eixo central de uma rolha (figuras  4 e 5). Enfie na parte lateral
da rolha as pontas de dois pregos finos (alfinetes), à altura da agulha de tricô
e perpendiculares à mesma. Ajuste a agulha, puxando-a para a frente e para
trás, até que ela se equilibre, por meio dos preguinhos, sobre as bordas de
dois copos. Quando a agulha estiver perfeitamente equilibrada na horizontal,
imante-a e recoloque-a sobre os copos, na direção norte-sul geográfica. Se o
seu trabalho foi feito com exatidão, o polo Sul da agulha deverá inclinar-se em
direção ao solo (se você mora no Hemisfério Sul, assim como eu), o suficiente
para indicar o ângulo de inclinação da localidade em que você mora.

Conclusão

Você aprendeu, com este estudo, de que modo a Terra age como um
imenso ímã. Você aprendeu onde estão localizados seus polos. Você aprendeu
porque a bússola se desvia do norte verdadeiro em quase todos os pontos da
Terra e aprendeu também o significado de inclinação magnética.

NOTA

A bússola é um instrumento usado para determinar direções horizontais,


o meridiano magnético terrestre ou a posição de algo ou alguém em relação a ele, e
constante de uma agulha naturalmente magnética ou magnetizada, imantada, geralmente,
montada numa caixa com limbo graduado. Essa agulha, girando livremente na horizontal
sobre um pino colocado no seu centro de gravidade, aponta para o norte magnético
(Dicionário Google, 2020).

FONTE: <https://brainly.com.br/tarefa/22249135>. Acesso em: 13 jul. 2020.

123
UNIDADE 2 — CAMPOS MAGNÉTICOS EM REPOUSO

LEITURA COMPLEMENTAR

CAMPOS MAGNÉTICOS DE FREQUÊNCIA EXTREMAMENTE BAIXA


E EFEITOS NA SAÚDE: REVISÃO DA LITERATURA

Izabel Marcilio; Mateus Habermann; Nelson Gouveia

Os efeitos da exposição a campos magnéticos na saúde têm sido alvo de


preocupação e suscitado a produção de estudos sobre o tema. O primeiro trabalho
nesse sentido foi publicado na década de 1960 e focava a exposição ocupacional.
Em 1979, o estudo de Wertheimer e Leeper  colocou o assunto definitivamente
em evidência ao apontar uma relação entre o risco para leucemia em crianças
e a exposição a campos eletromagnéticos. Desde então, observa-se uma vasta
produção de trabalhos avaliando o possível risco à saúde advindo da exposição a
campos magnéticos (CM) e eletromagnéticos (CEM).

Campos magnéticos e campos elétricos estão ambos associados à presença


da passagem de corrente elétrica e, portanto, é comum o uso do termo CEM para
se referir às suas presenças. A avaliação de efeitos na saúde, no entanto, se refere
mais frequentemente aos CM, uma vez que os materiais comuns de construção
civil não bloqueiam a sua passagem, o que não ocorre com os campos elétricos. CM
são radiações geradas por diferentes fontes, naturais e produzidas pelo homem.
Por volta dos últimos cem anos, o homem passou a ser exposto artificialmente aos
CM oriundos da transmissão de energia elétrica e esses campos constituem parte
fundamental das sociedades industrializadas.

Os campos elétricos são gerados a partir de diferenças de voltagem, sendo


tanto maiores quanto maior for a voltagem, e sua intensidade diminui com a
distância da fonte. Os campos magnéticos acontecem quando há fluxo de corrente
elétrica, e sua força é diretamente proporcional à grandeza da corrente. Entre as
fontes naturais de CM estão a radiação solar e a luz ultravioleta. São exemplos de
CM gerados pelo homem as ondas de rádio e a energia elétrica.

Os CM variam em relação à frequência, medida em Hertz (Hz), e ao


tamanho das ondas. O extremo inferior do espectro de frequência (0 Hz) é
representado pela corrente direta ou campos estáticos. O extremo superior,
com frequência acima de 1016 Hz, compreende as radiações ionizantes - raios-X,
raios Gama e luz ultravioleta. Os campos de baixa frequência ocupam a faixa
de 3 a 3.000 Hz, com um longo comprimento de onda. As redes de geração e
transmissão de energia elétrica são campos de frequência extremamente baixa,
compreendendo as faixas de 50 a 60 Hz.

A intensidade do CM é medida em Ampères por metro (A/m). Para fins de


pesquisa e comunicação de risco, no entanto, tem-se usado a unidade de medida
da indução magnética, descrita em Gauss (G) e, mais comumente, em Tesla (T)
ou micro-Tesla (μT).

124
TÓPICO 3 — CAMPO MAGNÉTICO E FONTES DE CAMPO MAGNÉTICO

Mecanismos Biológicos

A interação conhecida entre os CM de frequência extremamente baixa


e o corpo humano é a indução de correntes elétricas fracas. Esses campos não
são capazes de quebrar ligações químicas e são conhecidos como "radiações não
ionizantes".

A despeito das muitas pesquisas realizadas, até o momento não existe


concordância sobre efeitos adversos à saúde gerados por campos de frequência
extremamente baixa, já que estes parecem possuir energia insuficiente para romper
ligações entre as cadeias de DNA e desencadear um processo de carcinogênese,
com exceção das exposições agudas iguais ou superiores a 100 μT10. A tendência
atual, portanto, é de se considerar os CM de frequência extremamente baixa como
um fator de promoção tumoral ou de cocarcinogênese.

Evidências experimentais sugerem que os CM podem influenciar algumas


funções celulares, como a proliferação das células e a comunicação intercelular.
A exposição a níveis elevados de CM pode levar à promoção tumoral ou outros
tipos de danos celulares através da produção de radicais livres endógenos, ou
através da interferência nos canais de cálcio.

Uma outra hipótese para explicar a associação de leucemia e câncer de


mama com os CM é a influência destes no sistema de melatonina. A melatonina
é produzida principalmente pela glândula pineal. Sua secreção está diretamente
relacionada ao ciclo circadiano, influenciada pela percepção de ausência da
luz por células sensíveis no olho. Alguns trabalhos demonstraram que os CM
reduzem diferentes parâmetros da produção de melatonina na glândula pineal
de mamíferos. Da revisão de literatura relacionada ao tema conclui-se que, apesar
dos resultados obtidos em alguns experimentos com animais, não há evidências
suficientes de alterações na fisiologia da melatonina em seres humanos em relação
à exposição a CM de frequência extremamente baixa.

O sistema nervoso funciona através da estimulação elétrica e é considerado


particularmente vulnerável aos efeitos dos CM e às correntes elétricas por
eles induzidas. Embora os CM de frequência extremamente baixa provoquem
correntes menores dos que aquelas fisiologicamente presentes e capazes de
estimular o tecido nervoso periférico, evidências sugerem que os mesmos podem
modular a atividade elétrica funcional no sistema nervoso central (SNC).

Os estudos experimentais avaliando os efeitos dos CM na saúde apresentam


algumas limitações. Grande parte deles utiliza exposições muito acima dos níveis
que em geral estão presentes no ambiente domiciliar. É o caso do estudo de Iorio
et al., que encontrou aumento na mobilidade de espermatozoides expostos a
campos a partir da intensidade mínima de 2,5 mT, e do estudo de Tokalov e
Gutzeit, que encontrou diferenças na expressão de proteínas de estresse com a
estimulação das células por CM de 10 a 140 μT.

125
UNIDADE 2 — CAMPOS MAGNÉTICOS EM REPOUSO

A não identificação de um órgão-alvo (ou mecanismo alvo) dos CM


representa um desafio para as pesquisas experimentais acerca de seus efeitos na
saúde. A falta de replicação independente também é frequente nesses estudos, o
que dificulta o estabelecimento de uma associação causal entre a exposição aos
CM e seus efeitos na saúde.

Assim, os estudos experimentais até o momento não foram capazes


de estabelecer um mecanismo biofísico que justifique uma resposta biológica
induzida pelos CM. Ressalta-se, no entanto, que, uma vez que os estudos
epidemiológicos demonstram que a exposição a CM pode trazer danos à saúde,
um mecanismo de interação deve existir, ainda que no momento esse mecanismo
não possa ser demonstrado, ou mesmo parecer implausível.

[...]

Método

Foi realizada uma busca da literatura na base de dados do PubMed


e do Scielo utilizando os termos  electromagnetic, electric  ou  magnetic fields
(emf) + health effects  e campo eletromagnético, campo magnético, efeitos na
saúde. Os termos  health effects  e efeitos na saúde foram também substituídos
por: cancer, leukemia e neurodegenerative disorders,  e câncer, leucemia e doenças
neurodegenerativas.

Todos os artigos encontrados foram incluídos na análise dos métodos


utilizados para quantificar a exposição. Entretanto, a descrição dos resultados
encontrados na avaliação do risco à saúde se limitou aos últimos 10 anos (1998 a
junho de 2008).

Avaliação da exposição

Um dos principais problemas enfrentados na investigação dos efeitos dos


CM na saúde é a avaliação e quantificação da exposição. Essa dificuldade passa
pela prevalência e ubiquidade da exposição. Há, ainda, a complexidade para se
caracterizar e somar o efeito das diversas fontes de CM.

A falta de um modelo dose-resposta ou de um mecanismo de ação, além


da dificuldade em se definir o período necessário para a indução de efeitos
nocivos, é um obstáculo para o estabelecimento de parâmetros relevantes a serem
quantificados para a avaliação do risco.

A despeito da dificuldade para se caracterizar a exposição aos CM,


não parece haver uma tendência viciada de erros. Presume-se que há a mesma
probabilidade de erro na classificação dos sujeitos em expostos e não expostos.
Esse fato acarretaria no chamado "erro de classificação não diferencial", e as
dificuldades encontradas não resultariam num falso risco à saúde; ao contrário,
elas tenderiam a subestimar um risco real existente.

126
TÓPICO 3 — CAMPO MAGNÉTICO E FONTES DE CAMPO MAGNÉTICO

Exposição residencial

A avaliação da exposição residencial a CM tem sido feita, na maioria


das vezes, através de modelos de aproximação da exposição. O primeiro estudo
publicado utilizou uma classificação desenvolvida pelos próprios autores, o
sistema wire code. Estudos subsequentes utilizaram, além desse sistema, diversas
combinações de índices de exposição, tais como:

• Sistema  wire code: Mais comumente usado nos EUA, o sistema  wire code,
classifica a exposição a partir da inspeção visual das linhas e equipamentos
de transmissão próximos às casas, levando em consideração características
como a provável carga nas linhas de transmissão (LT), a espessura dos fios,
a localização de transformadores, além da proximidade das casas às linhas.
A primeira classificação categorizava as residências como  high current
configurations  (HCC) ou  low current configurations  (LCC). Posteriormente, a
categorização foi refinada, e foram criadas 5 faixas de exposição.

O sistema wire code tem a vantagem de se manter relativamente estável


ao longo dos anos, além de dispensar a participação dos sujeitos nos estudos,
diminuindo a chance de viés por recusa em participação, ou mesmo viés de
memória15. Por outro lado, não são levadas em conta outras fontes de exposição,
como os equipamentos elétricos presentes nos domicílios:

• Cálculo da distância entre as residências e os equipamentos de transmissão


de energia: Coleman et al. consideraram a distância da residência para a LT,
dividindo os sujeitos nos grupos: 0-24 m, 25-49 m, 50-99 m e >100 m (grupo
referência). Depois desse, diversos outros estudos utilizaram a distância entre
as residências e as LT para avaliar a exposição aos CM. O uso da distância
para avaliação da exposição tem se tornado mais comum com o advento dos
sistemas de informações georeferenciadas,
• Cálculo histórico dos CM a partir de informações cedidas pelas companhias
de energia elétrica sobre a estrutura da distribuição de energia. O campo em
cada casa é calculado com base nas informações sobre a distância entre a casa
e a LT, o tipo, carga, e fluxo de corrente nas LT, altura das torres, distância
entre as torres, distância e ordenamento das fases, fluxo de corrente e data de
construção das LT.

Assim como a classificação em  wire codes, a avaliação de acordo com o


cálculo da distância das residências em relação às LT e de acordo com o cálculo
histórico dos campos apresenta as vantagens de ser relativamente estável ao longo
do tempo e de não depender diretamente da participação do sujeito no estudo.
Além das vantagens, esses dois métodos de avaliação apresentam as mesmas
limitações que a classificação no sistema wire code:

• Medições focais nas residências do sujeito: A medição focal dos CM próxima


à porta das residências e nos quartos dos pais e das crianças foi utilizada por
Savitz et al., juntamente com a aplicação de questionários e a classificação das

127
UNIDADE 2 — CAMPOS MAGNÉTICOS EM REPOUSO

casas segundo o sistema  wire code. Outros autores utilizaram o CM medido


nas residências, escolas e creches como indicador, isoladamente ou associado a
outros indicadores,
• Medições pessoais por dosímetros portados pelos sujeitos do estudo, durante
períodos específicos.

Se, por um lado, as medições focais e a medição pessoal representam


modelos aparentemente mais precisos na quantificação da exposição, ao
medir a influência de diferentes fontes de exposição, por outro eles podem ser
influenciados por mudanças de comportamento e consumo ao longo do tempo
e depende da participação do sujeito no estudo. Além disso, a avaliação da
exposição através da medição pessoal em estudos do tipo caso-controle pode ser
influenciada por fatores ligados a mudanças de comportamento determinadas
pelo estado de adoecimento ou saúde.

Exposição Ocupacional

Na avaliação da exposição ocupacional, dificuldades semelhantes àquelas


presentes no estudo da exposição residencial são descritas na literatura, como
a raridade dos desfechos e o desconhecimento do período relevante para a
exposição. Acrescem-se a essas algumas peculiaridades do ambiente de trabalho.
A intensidade dos CM em certas ocupações, por exemplo, atinge níveis bem mais
elevados do que na exposição residencial. Além disso, a exposição ocupacional
se caracteriza pela grande variação da intensidade dos campos, tanto no espaço
como no tempo. Um exemplo caricato dessa variação foi descrito na revisão da
ICNIRP, supondo-se a situação de um operário que durante o trabalho de reparo
de linhas está exposto a campos que ultrapassam 100 μT e durante o deslocamento
entre um local e outro pode estar exposto a campos nulos.

A exposição ocupacional vem sendo estimada a partir de indicadores, tais


como a divisão de níveis de exposição por categoria de emprego ou a formulação
de matrizes mais complexas de exposição. Outra forma é a avaliação detalhada
de uma amostra de trabalhadores através de dosímetros pessoais, extrapolando-
se os resultados para um grupo de interesse maior.

A classificação da exposição de acordo com a categoria de emprego foi


utilizada primeiramente por Milham, em 1982, e constitui o primeiro modelo
de avaliação da exposição ocupacional a CM. Possui as vantagens de se basear
em informações relativamente fáceis de obter, sendo possível o uso de dados
secundários, além de representar uma forma simples para comunicação dos
riscos e resultados dos estudos. Por outro lado, apresenta uma importante
desvantagem: a classificação baseada apenas na categoria de emprego pode
apresentar uma desconexão com a real exposição. É o caso de engenheiros de
linhas que trabalham a maior parte do tempo em escritórios, longe de instalações
elétricas.

128
TÓPICO 3 — CAMPO MAGNÉTICO E FONTES DE CAMPO MAGNÉTICO

Visando aprimorar a quantificação da exposição ocupacional, diversos


pesquisadores investiram no desenvolvimento de matrizes de exposição. Essas
matrizes se constituem em algoritmos, de maior ou menor complexidade, que
podem levar em conta o título do emprego, o local de trabalho, a descrição das
atividades desenvolvidas, a utilização de equipamentos elétricos, e mesmo o CM
medido por dosímetros pessoais em uma amostra de trabalhadores nas diversas
categorias da matriz.

Os estudos que utilizam dosímetros para a construção da matriz


ocupacional apresentam a vantagem de serem mais facilmente replicados, além
de poderem ser comparados a outros estudos, inclusive estudos que avaliaram a
exposição residencial.

Efeitos dos CM na saúde

A busca bibliográfica de estudos epidemiológicos investigando os efeitos


dos CM na saúde, publicados entre 1998 e junho de 2008, resultou em 82 artigos.
A maioria desses avaliou a ocorrência de leucemias (25 artigos) e cânceres de
variados tipos, principalmente tumores no cérebro (17 artigos). Há também
estudos sobre doenças cardiovasculares, aborto e malformação congênita,
doenças neurodegenerativas e distúrbios psíquicos.

Dentre os estudos encontrados, 47 eram do tipo caso-controle e 19 eram


coortes. Os outros artigos encontrados foram 8 estudos de revisão, 3 metanálises,
2 análises agrupadas, um estudo de caso-coorte, um estudo ecológico e um
estudo de cluster. Os artigos publicados foram realizados principalmente nos
EUA (25 artigos) e na Europa (30 artigos). Dentre a produção europeia, ressalta-se
a importância dos países escandinavos, com 20 publicações. Foram encontrados
apenas 4 estudos realizados na América Latina, sendo 3 no Brasil e um no México.

[...]

Câncer de mama

A hipótese da influência dos CM no sistema de melatonina colocou o


câncer de mama como um desfecho possivelmente associado à exposição a CM.
A partir dela, diversos estudos foram publicados avaliando essa associação.

Algumas publicações avaliaram o risco da doença associado à exposição


a CM gerados por cobertores elétricos e outros equipamentos domésticos. Os
resultados encontrados não sugerem um aumento do risco entre as mulheres que
usam esses equipamentos. Um estudo com metodologia semelhante, mas que
avaliou o risco apenas entre mulheres afro-americanas, encontrou um aumento do
risco entre aquelas que utilizavam cobertores elétricos (OR: 1,4; IC 95%: 0,9 - 2,2).
O risco foi tanto maior quanto maior fosse o período de uso desse equipamento.

129
UNIDADE 2 — CAMPOS MAGNÉTICOS EM REPOUSO

Os estudos investigando o risco de câncer de mama associado à exposição


residencial utilizaram diversos indicadores de exposição, tais como a aplicação
de questionários, a medição do CM nas casas dos sujeitos, o uso do sistema wire
code e a distância da casa para a LT mais próxima. Não foi encontrado aumento
do risco entre as mulheres mais expostas.

O risco da exposição ocupacional também foi avaliado. Uma coorte


conduzida na Noruega encontrou um RR de 1,1 (IC 95%: 1,0 - 1,2) entre as
mulheres com exposição cumulativa maior que 3,0 μT-anos, comparadas àquelas
com exposição igual ou menor a 0,8 μT-anos.

Outro estudo, avaliando o risco de câncer de mama entre as mulheres


pós-menopausadas associado à exposição ocupacional, encontrou um aumento
do OR para exposições substanciais a CM (por mais de 5 anos) ocorridas antes
dos 35 anos de idade.

Dois estudos de caso-controle populacional, utilizando metodologias


semelhantes, não encontraram risco aumentado em nenhuma das categorias de
exposição estudadas. O primeiro avaliou mulheres ocupacionalmente expostas
nos EUA, o segundo, na Suécia.

Um estudo de caso-controle aninhado avaliou tanto a exposição residencial,


quanto a ocupacional. A exposição residencial foi considerada a partir do cálculo
do CM em cada domicílio. Para a exposição ocupacional foi utilizada uma matriz
de exposição. Encontrou-se um aumento do risco para as mulheres na maior
categoria de exposição residencial (> 0,2 μT), com OR de 1,4 (IC 95%: 1,0 - 1,8). O
risco também esteve ligeiramente aumentado entre o grupo de maior exposição
ocupacional (OR: 1,1; IC 95%: 0,9 - 1,4).

Mais recentemente, foram publicados os resultados de um estudo de caso-


controle populacional conduzido nos EUA. Para as mulheres com alta exposição
a CM, foi encontrado um OR de 1,2 (IC 95%: 0,9 - 1,5).

Outros cânceres

Alguns estudos avaliaram o efeito da exposição a CM em relação à


ocorrência de câncer de outros tipos e localizações, em crianças e adultos. Linfomas
e mieloma foram os desfechos mais estudados. Outras localizações foram câncer
do endométrio, melanoma, testículo, neuroma do acústico  e próstata. Até o
momento, esses estudos não formam um conjunto de informações suficientes
para se suspeitar de um risco associado à exposição a CM.

Doenças neurodegenerativas

Diversos estudos epidemiológicos avaliaram o risco de ocorrência de


doenças neurodegenerativas, como Mal de Parkinson, Mal de Alzheimer e
Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), associado à exposição a CM. Embora essas

130
TÓPICO 3 — CAMPO MAGNÉTICO E FONTES DE CAMPO MAGNÉTICO

condições tenham localização e patogênese distintas, elas foram avaliadas em


geral de forma agrupada, uma vez que todas envolvem a morte de um grupo
específico de neurônios. Dentre essas, ELA foi o diagnóstico mais estudado.

Os neurônios são diretamente ativados pela estimulação por correntes


elétricas. Evidências sugerem que a exposição a CM de frequência extremamente
baixa pode modular a atividade elétrica funcional no SNC. Embora esses efeitos
aparentemente não causem danos ao tecido nervoso, é possível que a exposição
prolongada possa interferir em neurônios de maior sensibilidade aos campos,
possivelmente alterando a fisiologia dos canais de cálcio. Argumenta-se, ainda,
que pequenos efeitos causados pelos campos de baixa frequência podem exacerbar
uma condição patológica de neurônios já comprometido.

[...]

Mal de Alzheimer

Os estudos investigando o risco para Mal de Alzheimer e CM avaliaram


a exposição ocupacional e, em geral, encontraram um aumento do risco entre
os trabalhadores com maior nível de exposição. Em 1998, o estudo de caso-
controle conduzido por Savitz et al. encontrou o OR de 1,2 (IC 95%: 1,0 - 1,4) entre
trabalhadores do setor elétrico.

Mais recentemente, os resultados de três coortes demonstraram um


aumento do risco para os trabalhadores com maior nível de exposição. Em duas
delas, o risco só esteve aumentado quando a análise foi restrita aos homens, com
RR de 2,3 (IC 95%: 1,6 - 3,3) e 2,4 (IC 95%: 1,1 - 5,2), respectivamente. Na terceira
delas, foi encontrado um risco aumentado entre homens e mulheres, com RR de
4,0 (IC 95%: 1,4 - 11,7) para a categoria de maior exposição (> 0,53 μT).

Uma metanálise publicada recentemente incluiu resultados de 14 estudos


que avaliaram o risco da doença em relação à exposição ocupacional, e encontrou
aumento do risco entre os trabalhadores com maior exposição, tanto quando
analisaram apenas estudos do tipo caso-controle (OR: 2,0; IC 95%: 1,4 - 3,0) quanto
quando estudaram os estudos de coorte (OR: 1,6; IC 95%: 1,2 - 2,3).

Mal de Parkinson

No estudo de caso-controle descrito acima, Savitz et al. encontraram um


pequeno aumento do OR entre os trabalhadores do setor elétrico (OR: 1,1; IC 95%:
0,9 - 1,2). Estudos posteriores, no entanto, não repetiram esse resultado.

Duas coortes, uma realizada na Dinamarca  e outra na Suécia, não


encontraram aumento do risco para Mal de Parkinson entre os trabalhadores
com maior exposição ocupacional. Na coorte conduzida por Feychting et al.,
encontrou-se um pequeno aumento do risco, não estatisticamente significante,
entre os homens nas categorias mais expostas. Quando a análise foi realizada
entre as mulheres, não houve aumento do RR.

131
UNIDADE 2 — CAMPOS MAGNÉTICOS EM REPOUSO

Suicídio e depressão

Os estudos realizados até o momento para avaliar o risco de suicídio e


depressão associados à exposição a CM não produziram resultados consistentes.
Todos eles avaliaram o risco associado à exposição ocupacional. Os estudos de
coorte conduzidos por Johansen e Olsen e Jarvholm e Stenberg não demonstraram
aumento do risco entre os trabalhadores expostos a maiores níveis de CM. Por
outro lado, dois estudos de caso-controle encontraram aumento do risco para
suicídio entre a população com maior exposição.

Doenças do aparelho cardiovascular

As suspeitas sobre possíveis riscos de doenças cardiovasculares (DCV)


associados a CM surgiram a partir de relatos de sintomas adversos ocorridos entre
trabalhadores com exposição ocupacional a níveis elevados de CM na Rússia, na
década de 60.

Corroborando essa hipótese, alguns estudos experimentais com humanos


mostraram uma diminuição na variação da frequência cardíaca após a exposição
a CM. Essa redução da variação na frequência foi considerada um fator de risco
para DCV em estudos observacionais.

Todos os estudos realizados até o momento para avaliação do risco de


DCV associado a CM avaliaram a exposição ocupacional. Em três coortes que
acompanharam trabalhadores do setor elétrico, uma na Dinamarca, uma nos
EUA e outra na Grã-Bretanha, não houve aumento do risco entre os trabalhadores
sob maior exposição. Da mesma forma, um estudo de caso-controle analisando o
risco de infarto agudo do miocárdio não encontrou aumento do risco associado
a maior exposição a CM45. Por outro lado, Savitz et al. encontraram um aumento
do risco para mortes por arritmias (RR: 1,5; IC 95%: 1,0 - 2,2) e doença isquêmica
do coração (RR: 1,4; IC 95%: 1,3 - 1,6) entre trabalhadores com maior permanência
em ocupações sob alta exposição (> 20 anos).

[...]

FONTE: <https://www.scielosp.org/article/rbepid/2009.v12n2/105-123/pt/>. Acesso em: 24 set. 2020.

CHAMADA

Ficou alguma dúvida? Construímos uma trilha de aprendizagem


pensando em facilitar sua compreensão. Acesse o QR Code, que levará ao
AVA, e veja as novidades que preparamos para seu estudo.

132
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico, você aprendeu que:

• Os materiais que produzem campo magnético naturalmente são denominados


ímãs permanentes.

• Quando suspensos pela lei da gravidade, os ímãs permanentes tendem a se


alinhar com os polos magnéticos terrestres.

• O polo norte do ímã é o que aponta próximo ao norte geográfico da Terra e o


polo Sul é a parte que aponta para o sul geográfico.

• A força de atração magnética entre os polos do ímã ocorre quando eles são
diferentes, por exemplo: polo sul do ímã 1 e polo norte do ímã 2, quando
colocados em proximidade, se atraem.

• A força de repulsão magnética entre os polos do ímã ocorre quando eles


são iguais, por exemplo: polo norte do ímã 1 e polo norte do ímã 2, quando
colocados em proximidade, se repelem. Outro exemplo: polo sul do ímã 1 e
polo sul do ímã 2, quando próximos, também se repelem.

• Os materiais ferromagnéticos sempre são atraídos por ímãs.

• Na Dinamarca, no século XVIII, Hans Oersted demonstrou que uma bússola


variava sua agulha quando era colocada próxima a um condutor cujo o qual
fluía corrente elétrica.

• Ampère propôs que cargas elétricas fluindo por um condutor, independentemente


de sua geometria, criam campo magnéticos nesse condutor. As linhas de campo
magnético fluem ao redor dele.

• Um campo magnético produz força magnética em uma partícula posicionada


a uma determinada distância “d” do campo.

• O campo magnético terrestre assemelha-se a um  dipolo magnético,  com


seus polos próximos aos polos geográficos da Terra.

133
AUTOATIVIDADE

1 O físico francês Ampère propôs que partículas carregadas em movimento


são capazes de gerar campo magnético. Assim, uma corrente elétrica
percorrendo um condutor gera campo magnético. Ao dispositivo que cria
um campo magnético por meio de uma corrente elétrica damos o nome de?

2 As linhas de campo magnético são uma boa representação para avaliar o


comportamento do campo magnético em diversas geometrias. Assinale a
alternativa que apresenta corretamente as linhas de campo magnético em
um ímã permanente.

a) ( )

b) ( )

c) ( )

d) ( )

134
3 Um fio condutor reto e horizontal está abaixo de uma mesa. Sobre a mesa,
está uma bússola. Observe a representação do esquema. Quando uma
corrente, suficientemente grande para criar um campo magnético de mesma
intensidade que o campo da Terra, no ponto, percorre o condutor, qual será
a posição da agulha da bússola?

FONTE: A autora

4 Na condição de equilíbrio, um corpo colocado sobre o ponto P não sofre


força magnética, tendo em vista que, nesse ponto, o campo magnético é
nulo. Assim, qual a relação entre as correntes, i1 e i2 que atravessam os
condutores, sabendo que as correntes possuem sentidos contrários?

FONTE: A autora

5 Dois condutores retilíneos infinitos estão alocados em paralelo. A direção


desses condutores é perpendicular ao plano da tela, veja a imagem a seguir.
Ambos condutores são percorridos por uma corrente de intensidade i
saindo do plano da tela. No ponto P, localizado entre os condutores a uma
certa altura deles, qual a direção e sentido do vetor campo magnético?

FONTE: A autora

135
136
UNIDADE 3 —

MAGNETODINÂMICA
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:

• definir as equações fundamentais da magnetodinâmica;

• analisar potenciais de distribuição de carga e corrente;

• determinar campos de distribuição de carga e corrente.

• analisar condutores em condições magnetodinâmicas;

• reconhecer a Lei de Faraday para condutores móveis;

• interpretar o tensor magnético de Maxwell.

• interpretar a Lei de Faraday;

• determinar as equações fundamentais de Maxwell;

• analisar a conservação da energia.

PLANO DE ESTUDOS
Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer da unidade
você encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo
apresentado.

TÓPICO 1 – MAGNETODINÂMICA I

TÓPICO 2 – MAGNETODINÂMICA II

TÓPICO 3 – AS EQUAÇÕES DE MAXWELL

CHAMADA

Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos


em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá
melhor as informações.

137
138
TÓPICO 1 —
UNIDADE 3

MAGNETODINÂMICA I

1 INTRODUÇÃO
Neste tópico, você vai estudar os potenciais, seja o vetor, seja o escalar,
que iremos relacionar aos campos dinâmicos, especialmente à magneto-dinâmica.
Iniciaremos com um princípio conceitual, depois estudaremos os potenciais e, em
seguida, seus tratamentos matemáticos.

Em vez de imagens, vamos trabalhar muito mais com exemplos


matemáticos, uma vez que os potenciais não têm significado físico. Ou será que
têm? A resposta está neste tópico.

2 O PRINCÍPIO CONCEITUAL E MATEMÁTICO


As equações de Maxwell falam da geração de um campo eletromagnético
através de outro campo eletromagnético. Vinculam os campos, que não são
independentes. A questão é, como os campos se relacionam?

Basicamente, se um campo for variante no tempo, ou seja, dinâmico, ele


gerará outro campo. Se for elétrico, gerará um campo magnético, e vice-versa.
Contudo, não há somente essa possibilidade. Também podemos ter cargas
elétricas em movimento e assim gerar o campo magnético.

Há uma possibilidade matemática para todos os aspectos e situações


geométricas que podemos analisar. Por isso, se criaram os potenciais, funções
matemáticas sem atribuição física – até onde se sabe. No entanto, quando aplicados
a uma operação, ajudam a calcular os valores dos campos eletromagnéticos.

3 O QUE É UM CAMPO DINÂMICO?


Estudamos anteriormente os campos estáticos, aqueles que não
dependem do fator tempo. No caso de cargas imóveis, temos a eletrostática. No
caso de correntes constantes, temos a magnetostática. Mas e se tivermos uma
densidade de carga variante no tempo? Aqui entra a eletrodinâmica, que unifica
a magnetostática e a eletrostática com uma evolução conceitual.

139
UNIDADE 3 — MAGNETODINÂMICA

Porque falamos de eletrodinâmica, se este tópico é sobre magnetodinâmica?


É porque não há como separá-las, uma vez que uma gera a outra. Contudo,
podemos focar no aspecto magnético.

A equação de Maxwell focada na magnetodinâmica é:

(1) lei de Ampère-Maxwell

Repare em um detalhe: o termo da derivada temporal surge na


eletrodinâmica. Antes, J referia-se somente às correntes estacionárias livres. Como
ela começou a variar, temos que considerar a correção deduzida por Maxwell.

Há também a equação da continuidade:

(2) equação da continuidade

Repare que ela existia na magnetostática, quando definíamos que a


corrente era estacionária:

Com a possibilidade de correntes dependentes do tempo, no entanto,


tivemos que adaptá-la. Vamos resumir o que mudou na nossa evolução conceitual.

QUADRO 1 – PARÂMETROS ELÉTRICOS E MAGNÉTICOS DAS EQUAÇÕES DE MAXWELL

FONTE: Adaptado de Haliday, Resnick e Walker (1996)

140
TÓPICO 1 — MAGNETODINÂMICA I

4 OS POTENCIAIS
Dizem que os jovens são o futuro do Brasil, o que significa que podem
se tornar algo muito importante e fazer coisas maravilhosas. A mesma ideia se
aplica aos potenciais do eletromagnetismo. Podemos transformá-los nos campos
eletromagnéticos. Mas de fato, eles existem?

Diferente dos jovens, que sabemos existirem, discute-se a real existência


dos potenciais. Na física clássica, eles não têm como se manifestar, mas na
mecânica quântica, sim.

DICAS

Não é o nível matemático do nosso curso, porém, caso tenha interesse maior
em saber, veja este artigo. Não se preocupe com os passos matemáticos. No texto, eles
explicam as ideias por meio de discussões e mostram um pouco da física do potencial vetor.

https://goo.gl/XMeikh

Mesmo assim, é muito útil trabalhar com eles, pois reduzem as equações
de 6 para 4 e podemos trabalhar melhor com o denominador com módulo, do que
com o módulo ao quadrado. É interessante essa observação, pois, na física, isso
é situação corriqueira. Afinal, as forças e campos não dependem da distância ao
quadrado no denominador?

Seguindo em frente, vamos conferir quais são os potenciais


eletromagnéticos. No caso estático, é simplesmente:

(3) potencial escalar

(4) potencial vetor

Com R sendo , r é a posição analisada, e r´ é a posição do corpo


que gera o potencial.

Geralmente, este R é um problema. É com ele que nos preocupamos, uma


vez que as densidades normalmente apresentam deltas de dirac, que facilitam a
integral via o processo de filtragem. Isto é, ∫ F(x) δ (x – a) dx = F(a), se a integral
cobrir a região do delta.

141
UNIDADE 3 — MAGNETODINÂMICA

Um detalhe importante é o “vol” na integral. Isso quer dizer que somente


integramos sobre o volume das cargas, ou seja, integramos sobre a variável r´.
Não integramos o espaço inteiro!

EXEMPLO

Vamos supor uma esfera com carga “Q” e raio “a”, uniformemente
distribuída, com a esfera parada. Então, procuramos seu potencial escalar
numa posição “r” longe da esfera. Isto é, , temos que:

Sendo que para chegar nesse valor de densidade volumétrica, aplicamos


a definição: carga por volume. É que, às vezes, nós mesmos temos de achá-la
combinando a definição com a geometria do problema.
Assim, temos:

O resultado é justamente o potencial elétrico de uma carga pontual.


Repare que usamos o elemento de volume em coordenadas esféricas.

Agora, se a densidade de carga, ou de corrente, for dinâmica? Teremos


que introduzir uma correção no tempo.

Se uma densidade de carga for do tipo pv = e–r cos(wt) → e–r cos (w (t – R/v)),
em que R é a distância da carga ao ponto analisado num instante. Essa correção
ajusta o fato de termos variações temporais nas cargas e correntes. Já v é a
velocidade de propagação do potencial que, no vácuo, equivale à velocidade da
luz, mas, dependendo do meio, sofre variações, c ≈ 3 ∙ 108m/s e nos demais meios
.

142
TÓPICO 1 — MAGNETODINÂMICA I

5 DADO UM POTENCIAL, COMO ACHAR UM CAMPO?


Já sabemos que os potenciais podem gerar campos, mas como obtê-los?
Simples, usemos as fórmulas:

(5)

(6)

ATENCAO

As fórmulas (5) e (6) são obtidas das identidades matemáticas vetoriais e das
equações de Maxwell. Temos:

Mas existe a seguinte identidade:

∇ . (∇ x vetor qualquer) = 0

Logo, é possível dizer que o campo magnético provém de um rotacional de um


vetor, o dito potencial vetor.

Já o campo elétrico vem da equação da continuidade e da propriedade:

∇ . (∇ x função escalar) = 0

Como na eletrostática não há potencial vetor dependente do tempo, o termo


- é nulo, mas aparece na unificação das teorias na eletrodinâmica.

EXEMPLO

Vamos supor um potencial vetor do tipo e um


potencial escalar do tipo V = e–r. Qual é o campo elétrico e o campo magnético?

uma vez que as variáveis espaciais estão na mesma direção que apontam
o vetor. Assim, o ∇ é paralelo ao potencial vetor.

143
UNIDADE 3 — MAGNETODINÂMICA

6 APERTANDO A CONVERSA COM OS POTENCIAIS


Fomos um tanto flexíveis nas escolhas dos potenciais ao apresentar
essa narrativa. No entanto, é evidente que, se eles representam os campos
eletromagnéticos e estes obedecem às leis de Maxwell, os potenciais devem
obedecer a alguma regra. Então, ao substituir os potenciais, ficamos com as regras
a seguir.

(7) (escalar)

(8) (vetor)

Não precisamos fixar essas equações, pois elas são relações que devem ser
satisfeitas. Para isso, no entanto, podemos escolher mais de um potencial vetor e
mais de um potencial escalar. Afinal, eles não têm significado físico e podemos
achar outro que também satisfaça o problema.

7 TRANSFORMAÇÃO DE CALIBRE
Há duas transformações importantes, a de Coulomb e a de Lorentz.

Por consequência,

Esse calibre você deve reconhecer da magnetostática, assim como a


equação de Poisson da eletrostática.

Também temos o calibre de Lorentz:

(10)

Este é muito importante para nosso curso, uma vez que reduz as equações
(7) e (8) a:

(11)

144
TÓPICO 1 — MAGNETODINÂMICA I

(12)

Essas equações são importantes, uma vez que são equações de onda com
fonte usadas em ondas.

EXEMPLO

Dado o potencial vetor A = sin(wt) xî, qual é o potencial escalar, se este


potencial obedece ao calibre de Lorentz?

Usando o calibre de Lorentz, temos:

Logo,

Podemos desprezar as constantes ao se tratar de potenciais. E se


quisermos achar os campos?

, uma vez que o potencial vetor só tem o x como variável espacial


e este aponta na direção do seu versor, o rotacional é nulo.

Observe que não derivamos o x, isto porque se tratava de uma derivada


parcial e não total.

145
UNIDADE 3 — MAGNETODINÂMICA

EXEMPLO

Dado um potencial vetor do tipo , qual é a corrente


que gera esse potencial? Estamos na magnetostática?

Em coordenadas cartesianas, o divergente é simples. Então, verificamos


rapidamente se estamos na magnetostática.

Logo, estamos sim. Para achar a corrente, temos que usar a equação de
Ampère-Maxwell? Na verdade, a adaptação de Maxwell é desnecessária, por
estarmos na magnetostática.

Assim:

Para conferir, faça o rotacional de forma aberta. Temos que:

Observe os resultados dos rotacionais, como trocamos de versores e o


surgimento de um sinal.

146
TÓPICO 1 — MAGNETODINÂMICA I

ATENCAO

Para lembrar do rotacional, em coordenadas cartesianas:

Sendo ∂x a derivada em relação a x, e Ax a componente na direção do versor i. Em


outras coordenadas, as adaptações devem ser feitas com as métricas adequadas.

E
IMPORTANT

A magnetodinâmica é importante para o estudo de antenas, uma vez que os


efeitos de campos variáveis devem ser levados em conta na transmissão de informação a
longas distâncias.

ATENCAO

Em magnetodinâmica, estamos na presença dos fenômenos


eletromagnéticos que podem possuir grande complexidade. Por um lado, uma variável
nova é introduzida nas equações: o tempo (t). Por outro lado, os problemas são, geralmente,
tridimensionais, pois, a indução variável e o campo elétrico gerado por esta variação
estão em planos diferentes.

147
UNIDADE 3 — MAGNETODINÂMICA

EXPERIMENTO 7

Atividades com ímãs


O ‘magnetismo’ passa através dos corpos?

Luiz Ferraz Netto

Se você colocar uma bússola de bolso sobre a palma de sua mão e


mover um ímã em baixo da mão, a agulha da bússola gira como se sua mão
não estivesse ali. Será interessante tentar vários outros materiais, para ver se o
'magnetismo' passa através deles.

Coloque uma bússola de bolso na posição indicada pela figura 1. Ponha


um livro entre a bússola e o ímã. Mude o ímã de posição e veja se a agulha
reage tão prontamente ao ímã, como se o livro não existisse. Experimente com
uma placa de vidro, uma tábua ou qualquer outro material que você achar
conveniente. O 'magnetismo' atravessa todos eles?

FIGURA – ESQUEMA DE MONTAGEM DO EXPERIMENTO

Outra maneira interessante de demonstrar esta transparência magnética


de alguns materiais é ilustrada pela figura 2.

Ponha o material a ser testado, um pedaço de papelão, madeira, vidro


etc., sobre um monte de tachinhas (ou limalha de ferro). Encoste o ímã ao
papelão, e este, por sua vez, em cima do monte de tachinhas, e levante-o. Será
que o ímã suspende tantas tachinhas através do papelão como sem ele? Está
claro que, se você usar um objeto muito grosso, de modo que as tachinhas
fiquem fora do campo de ação do imã, isto fará uma diferença.

Você pode demonstrar a transparência magnética da água pelo processo


ilustrado na figura 3. Arranje uma forma grande e chata, de alumínio (forma
de pizza). Coloque 4 copos plásticos sob as extremidades da mesma para que
ela fique uns 10 centímetros acima da mesa. Encha de água a forma e ponha
a flutuar, uma agulha ou lâmina de barbear imantada. Se você untar o objeto

148
TÓPICO 1 — MAGNETODINÂMICA I

imantado com uma fina camada de vaselina, ele flutuará melhor. Agora segure
o ímã em baixo da forma e note os movimentos do objeto flutuante quando
você inverte as posições dos polos do ímã, ao mover o mesmo para cá e para
lá. Um barquinho com uma agulha magnética colada em seu casco pode ser
movimentado à sua vontade por este processo.

FIGURA – ESQUEMA DE MONTAGEM PARA VISUALIZAÇÃO DE FLUTUAÇÃO DE BARCO


COM AGULHA MAGNÉTICA

Uma experimentação curiosa é ilustrada pela figura  4. Coloque uma


travessa grande com água sobre um ímã em ferradura. Se a água estiver a um
nível de, aproximadamente, 5 cm será melhor. Enfie uma agulha de costura
imantada numa rolha pequena e chata, o suficiente para que a agulha flutue
em posição vertical. Coloque-a na água perto do pólo semelhante e note que
a agulha se dirige, fazendo urna curva, para o pólo oposto do ímã. Tente a
mesma experimentação começando com a agulha em posições diferentes.
Você consegue encontrar posições, a partir das quais a agulha se movimenta
em linha reta? Tente a mesma experimentação com um ímã em barra reto em
lugar do ímã em U.

Atenção, água não é material magnetizável! Não caia nessa história de


memória da água, água magnética e coisas típicas das pseudociências, se não
pior, de misticismos.

Parece que alguma propriedade estranha, do ímã, deve passar através


da água, para fazer com que a agulha se comporte deste modo. Até os melhores
cientistas ficam intrigados com a natureza real desta manifestação. A atividade
seguinte, entretanto, ajudará você a compreender melhor o modo de agir do
magnetismo e proporcionar-lhe-á novas diversões e alegrias.

FONTE: <http://web.archive.org/web/20180923192707/http://www.feiradeciencias.com.br/
sala13/13_magn_06.asp>. Acesso em: 14 jul. 2020.

149
UNIDADE 3 — MAGNETODINÂMICA

NTE
INTERESSA

Um controle remoto para emitir o sinal de luz para o detector de uma tv,
tem um emissor pelo qual passa uma corrente elétrica, não constante no tempo. Devido
a geometria do problema, é enviado um sinal com características específicas. Em casos
como esse, a magnetodinâmica é utilizada para projetar controles remotos, aviões, sonares,
radares etc.

150
RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico, você aprendeu que:

• As leis de Maxwell definem que um campo elétrico gera um campo magnético


e, um campo magnético gera um campo elétrico.

• Esses campos são chamados de campos eletromagnéticos. Eles estão


relacionados através das seguintes equações:

• Achar os campos eletromagnéticos pode ser algo bem complicado.

• Existe uma técnica para encontrar os potenciais e, então, calcular os campos


elétrico e magnético.

• As equações de Maxwell tratam da geração de um campo eletromagnético


através de outro campo eletromagnético.

• É possível definir um potencial magnético Vm, análogo ao potencial elétrico.

• O potencial magnético é bastante usado na análise de circuitos magnéticos.

• O potencial magnético é definido de forma que é o negativo do gradiente


de Vm, ou seja, .

• Se tomarmos o rotacional de . Pois, o rotacional do


gradiente de qualquer campo escalar é sempre zero.

• Este último resultado é conflitante nas regiões onde existe .

• O potencial Vm só pode ser definido em regiões onde não existe .

• De forma similar ao potencial elétrico V, Vm também satisfaz uma equação de


Laplace: ∇2Vm = 0.

151
• Com relação ao potencial elétrico, outra diferença é que não é um campo
conservativo.

• Vm não é unicamente definido para cada ponto do espaço.

• Além de Vm, é possível definir um potencial magnético vetorial [Wb/m].

• Este potencial será usado para calcular os campos irradiados por antenas.

• A motivação para a definição de é a lei de Gauss para o magnetismo: .

• Como o divergente do rotacional de qualquer vetor é zero, é possível definir


tal que: .

• Substituindo esta definição de A na Lei de Ampère na forma diferencial, chega-se


à equação que relaciona A com a densidade de corrente: .

• O potencial vetor magnético é dado por: .

152
AUTOATIVIDADE

1 Explique, com suas palavras, o que é magnetodinâmica.

2 Cite algumas aplicações práticas que utilizam os conceitos estudados em


magnetodinâmica.

3 O que é o vetor potencial elétrico (Vm)?

4 O que é o vetor potencial magnético ( )?

5 Escreva o conjunto das equações de Maxwell:

153
154
TÓPICO 2 —
UNIDADE 3

MAGNETODINÂMICA II

1 INTRODUÇÃO
Neste tópico, você estudará os aspectos da lei de Faraday relacionados
à tensão induzida devido à variação da área, e não somente a campos
magnéticos dinâmicos. Conhecerá os aspectos dos condutores em condições
magnetodinâmicas, bem com o tensor de Maxwell.

Os temas serão abordados de forma conceitual, bem como os pontos


matemáticos explicados de forma clara e objetiva.

2 CONDUTORES EM CONDIÇÕES MAGNETODINÂMICAS


Os condutores sofrem efeitos diferentes devido aos campos dinâmicos?
Sim, pois a existência deles interfere na criação do campo associado, isto é, um
campo magnético variável gera um campo elétrico.

Os condutores se diferenciam dos demais materiais por terem uma


capacidade de passagem de corrente facilitada, que interfere com o campo. Daí,
como ficam as condições de contorno nas superfícies?

Elas são iguais à magnetostática:

(1)

(2)

Observe que falamos da densidade de fluxo magnético para tratar


do campo magnético. Temos que converter com a devida constante de
proporcionalidade, a saber:

Em que M é o campo de magnetização, uma resposta dos meios materiais


ao campo H aplicado. Observe que, no vácuo, μ = μ0.

155
UNIDADE 3 — MAGNETODINÂMICA

A ideia de antes e depois é facilmente entendida se pensarmos no vetor


que indica a orientação da área. Ele pode apontar de fora para dentro, ou de
dentro para fora, ou de cima para baixo etc. Tendo escolhido uma orientação,
o lado que sai da origem na direção do vetor normal e que passou a superfície
é depois, enquanto antes fica o que ainda não passou a superfície. Isto é, se o
vetor normal tiver a orientação convencional de dentro para fora, fica mais fácil
identificar o lado da superfície mais perto da seta do vetor normal como depois,
e o lado mais perto da cauda como antes.

EXEMPLO

FIGURA – CONDUTOR ELÉTRICO DE FORMATO CILÍNDRICO

FONTE: A autora

Suponha que no fio condutor à esquerda, num dado ponto da superfície,


há uma corrente superficial . Sabendo que, no vácuo, o campo magnético
é . Qual é o valor do campo de magnetização no ponto?

Os campos que apontam na direção normal – isto é, horizontal – são


iguais nos dois meios, devido à Equação (1).

Então, dentro do condutor, a componente normal é ,


mas, como sabemos o valor do μ, podemos achar H também.
, mas ainda há uma componente tangencial à
superfície. Vamos achá-la com a Equação (2).

O campo magnético tangencial do lado de fora é nulo, pois o problema


diz que só há a componente normal. Logo temos:

156
TÓPICO 2 — MAGNETODINÂMICA II

Assim, o campo magnético dentro é:

O campo de magnetização não geraria uma corrente? Não haveria um


efeito gerado por esse campo?

Sim, podemos obtê-los pelas seguintes equações para campo estático.

Assim como a polarização induz cargas, a magnetização induz certas


correntes. Elas não entram nas equações de Maxwell, pois é um campo que trata
somente com cargas e correntes livres, como D e H.

ATENCAO

Um erro comum, que vale a pena mencionar:

Se , logo está correto? Não está!

Por isso, é importante trabalhar com B na lei de Gauss, e H na lei de Ampère. Aliás,
H faz isto: ele engloba a resposta do meio, deixando a lei de Ampère somente em função
das correntes livres.

Por que trabalhamos com E e H nos laboratórios? É que, com , o campo


elétrico é relacionado diretamente à ddp, e H à corrente livre – ambos fáceis de medir, já
que são entidades externas criadas por uma fonte.

157
UNIDADE 3 — MAGNETODINÂMICA

Como os campos variantes entram na brincadeira das correntes e


densidades de carga induzidas? Agora teremos que generalizar, pois temos a
equação da continuidade:

Sendo que na magnetostática, o divergente da densidade de corrente era


nulo. Mas estamos nos campos dinâmicos, o que nos leva a adaptar. Antes, uma
lembrança importante:

Sendo o índice “l” como livre, isto é, não é induzido.

Tendo dito isso, sabemos que a polarização gera uma carga induzida via:

Se houver uma derivada temporal, teremos uma corrente, fazendo sentido,


uma vez que uma densidade de cargas variante no tempo é, conceitualmente,
ligada à corrente.

Vamos ver a corrente total num meio material.

Na existência de uma corrente, temos de lembrar que há essas duas outras


correntes.

E
IMPORTANT

Fizemos uma análise conceitual, mas limitamos alguns pontos à análise


matemática. Contudo, deveríamos nos perguntar se campos variantes criam outros campos
induzidos (ponto A). Na matéria, campos – induzidos ou não – geram uma resposta do
meio (ponto B). Os campos relacionam densidades de carga e de corrente (ponto C). Ao
pensar nos três pontos ao mesmo tempo, é natural a dúvida sobre a existência de correntes
e densidades de carga modificadas devido às respostas dos meios.

158
TÓPICO 2 — MAGNETODINÂMICA II

3 CONDUTORES MÓVEIS SEGUNDO A LEI DE FARADAY


A lei de Faraday diz que um campo magnético que varia induz um
campo elétrico. Mas o campo elétrico induzido tem uma origem diferente do
campo elétrico produzido por cargas. Esse destaque é interessante, uma vez
que, conceitualmente, há diferenças, como ≠ ddp. Isto é, não faz sentido falar
em diferença de potencial quando se fala em fora eletromotriz (fem). Diferença
de potencial elétrico (ddp) faz sentido em pilhas, mas não como a causa da
corrente em uma espira circular – afinal, onde estaria a descontinuidade de
potencial no fio?

Então, um dos aspectos da indução elétrica é que não somente um campo


magnético variante induz um campo elétrico, mas, também, a mudança do
aspecto de englobar o campo magnético por um condutor.

Para entender esse aspecto, vejamos a Figura 1.

FIGURA 1 – (a) O CÍRCULO VAI DE 1 PARA 2;


(b) A ESPIRA PASSA POR UMA REGIÃO DE CAMPO ESTÁTICO

FONTE: Haliday, Resnick e Walker (1996, p. 122)

Observe que o círculo muda de área e, assim, engloba mais campo


magnético, o que varia o fluxo que atravessa sua área, induzindo uma fem.
Também, no segundo caso, a espira não tem fluxo magnético, até que entra
num campo magnético e inicia uma indução, conforme ocorre a mudança da
quantidade de campo englobado.

EXEMPLO

Um círculo de raio r(t) muda a uma velocidade de r pequena. Isso é


importante, pois, do contrário, a lei de Maxwell teria de ser modificada. Se
o círculo está imerso num campo magnético estático, temos ,
e a fem é .

Se a área estiver entrando num campo, como na Figura 1b, temos que
considerar a velocidade da área, uma vez que a fórmula é área englobada pelo
campo, e não a área da espira como um todo.

159
UNIDADE 3 — MAGNETODINÂMICA

4 CONCEITO DE FEM E DDP


Numa bateria, nós temos uma ddp e, numa indução elétrica devido a campo
magnético dinâmico, temos uma fem. Como entender isso conceitualmente?

Primeiro, uma configuração de qualquer coisa instável tem tendência


a ir a uma configuração também estável. A ddp é uma região no espaço que
expulsa as cargas e outra que as recebe, porém estão limitadas fisicamente a
essa troca. Então, há potencial para realizar o movimento das cargas, mas há
uma restrição física.

Se colocarmos um condutor perfeito – que não existe – as regiões, quase


que instantaneamente, fariam a troca que desejam: dar e receber cargas. Porém,
o condutor tem suas próprias cargas e, ao colocar uma a mais na configuração,
geraria um estado não estável no campo elétrico, o que exigiria uma redistribuição
das cargas para uma nova configuração, a fim de se acomodarem.

A ddp precisa de um intermédio para realizar a equiparação de potenciais,


porém esse intermédio também interfere, fazendo com que a troca não seja
instantânea e, dependendo do intermédio, haverá uma resistência maior, ou
menor, gerando diferentes correntes.

Apresentamos até aqui a ideia de ddp e movimento das cargas. Mas e a


fem? Vimos que a redistribuição das cargas leva a uma configuração de campos
que não deixa as cargas paradas. Será que é possível uma configuração de campos
não estável que leve ao movimento das cargas, mas sem ter uma ddp? Sim!

Lembre-se de que, num ponto, a variação temporal do campo magnético


leva à geração de um campo magnético e vice e versa (leis de Faraday e Ampère–
Maxwell).

Então, se num ponto houver um campo magnético dinâmico, haverá uma


instabilidade no campo elétrico. Este, por sua vez, gerará uma corrente, a fim de
se equilibrar novamente, gerando uma fem.

Em síntese, não faz sentido equiparar ddp a fem, pois fem não é medida
entre dois pontos, mas é resultado do desequilíbrio do campo elétrico.

DICAS

Para saber mais sobre a diferença conceitual entre fem e ddp, acesse o link a
seguir: https://goo.gl/C5Cvyb.

160
TÓPICO 2 — MAGNETODINÂMICA II

5 TENSOR DE MAXWELL
(componente ij do
tensor de Maxwell)

Primeiro, lembre-se da simetria: é só copiar e colar o primeiro termo em


parênteses, substituindo E por B e ajeitando a constante.

Então, o tensor de Maxwell é uma matriz que dá um valor em unidade de


força por unidade de área. Repare na semelhança com a densidade de energia,
em que há termos quadráticos dos campos: a ideia do tensor de Maxwell é
fornecer a força atuante num corpo, fazendo a integral de superfície de uma
região que engloba este corpo. Assim, se não houver carga numa região, haverá
um tensor não nulo. Mas, fazendo o divergente desse tensor e retirando o
efeito da radiação emitida – vetor de Poynting –, saberemos que a força é nula.
Contudo, se houver uma carga, ela alterará o campo dentro da região, e o tensor
carregará essa informação. Assim, podemos saber a força que o corpo sofrerá
dentro dessa região.

EXEMPLO

Dada uma carga q estática numa região com campo externo nulo, qual
é o tensor de Maxwell?

Sabemos que, em coordenadas cartesianas, . Assim,


em coordenadas cartesianas, o tensor de Maxwell é:

Já a força por unidade de volume é:

E o vetor de Poynting é:

Nulo neste exemplo, já que não tem B.

161
UNIDADE 3 — MAGNETODINÂMICA

Lembrando:

O cálculo de pode ser feito à mão – o que dá um pouco de trabalho


– ou por meio do uso do WolframAlpha, conforme exemplo no link a seguir:
https://goo.gl/KJ7ZCn.

Então, o tensor de Maxwell é uma quantidade um tanto complicada


em termos matemáticos, uma vez que trabalha com matemática tensorial, não
costumeira nas graduações. Mesmo onde há aulas específicas para seu ensinamento,
não é fácil trabalhar com ela. Pois, se quiséssemos trocar de coordenada – como a
esférica, que facilita a análise do problema –, essas abordagens necessitam certa
experiência.

A dificuldade no tensor de Maxwell existe por se tratar de um tensor,


embora sua aplicação seja grande.

EXPERIMENTO 8

Tubo de Indução
(Lei de Faraday)

Luiz Ferraz Netto

Objetivo

Destacar o fenômeno da indução eletromagnética e a Lei de Faraday.

Material

• tubo de PVC de diâmetro 1/2" e comprimento 1,5 m; 5 bobinas com núcleo
de ar com 1000 espiras de fio de cobre esmaltado #28;
• 5 LEDs vermelho e 5 LEDs amarelos;
• 1 ímã cilíndrico de comprimento maior que 3 cm e diâmetro menor que 1/2".

Montagem

162
TÓPICO 2 — MAGNETODINÂMICA II

FIGURA – ESQUEMA DE MONTAGEM DO EXPERIMENTO: TUBO DE PVC E BOBINAS

O tubo de indução consiste num tubo de PVC de 1/2" de diâmetro e


1,5 m de comprimento, ao redor do qual são fixadas (coladas) 5 bobinas de fio
isolado. Cada bobina tem cerca de 1000 espiras de fio de cobre esmaltado # 28
ou # 30. Ligado aos terminais de cada bobina temos 2 LEDs (diodo emissor de
luz), um vermelho e outro amarelo, conectados como se ilustra anteriormente
(em paralelo e em oposição). Com esse tipo de ligação dos LEDs, apenas um
deles acenderá para um dado sentido da corrente elétrica na bobina.

Funcionamento

Com o tubo na vertical (depois, para minimizar a velocidade de


queda do ímã, poderá ser colocado com certa inclinação) abandone o ímã
pela extremidade superior. Conforme o ímã cai, passando pelos interiores
das bobinas, você deverá observar as 'piscadas' dadas pelos LEDs vermelhos
e amarelos de cada bobina. Quanto melhor for o ímã, mais evidente será o
fenômeno.

163
UNIDADE 3 — MAGNETODINÂMICA

Resumo teórico

QUADRO – OBJETIVOS DO EXPERIMENTO COM TUBO E BOBINAS

Conforme o ímã desliza no tubo abaixo seu campo magnético penetra na bobina,
por cima, e sai por baixo. Para o professor, recomendamos que desenhe uma única
espira fechada, na horizontal, e o ímã reto vertical em três posições: antes de entrar
na espira; simétrico em relação à espira e depois de sair da espira --- como se ilustra
ao lado ---; em cada caso examinar o comportamento da corrente induzida na
espira, durante o movimento do ímã.
  Um gráfico dessa intensidade de corrente induzida, função da posição do ímã,
será bastante ilustrativo. Nesse gráfico, destacar como o aumento da velocidade de
queda do ímã afeta a f.e.m. induzida na espira. 

Durante a aproximação ocorrerá uma variação do fluxo de indução


concatenado com a bobina, dando nascimento a uma d.d.p. induzida nos
terminais dessa bobina, com uma dada polaridade. Essa d.d.p. é aplicada ao
circuito externo representado pelos LED’s em paralelo e em oposição e fará
circular uma corrente elétrica induzida apenas naquele LED diretamente
polarizado, o qual acenderá. 

Quando o centro do ímã estiver passando pelo centro da bobina o fluxo


de indução total é nulo e não haverá d.d.p. induzida.

Durante o afastamento do ímã ocorrerá nova variação de fluxo, agora


em sentido inverso, dando, portanto, nascimento a uma nova d.d.p. de
polaridade invertida em relação à anterior. Uma corrente de sentido oposto
percorrerá o circuito e apenas o outro LED (agora diretamente polarizado)
acenderá.

A d.d.p. induzida na bobina (em circuito aberto) pela variação do fluxo


no decorrer do tempo é dada pela Lei de Faraday da Indução:

Φ = - N(dΦ/dt)

Em que  ε  é a força eletromotriz (d.d.p. induzida nas partes do


enrolamento), N é o número de espiras da bobina, dΦ é a variação do fluxo de
indução e dt é o breve intervalo de tempo no qual ocorre a variação dΦ.
 
O fluxo útil aumenta conforme o ímã se aproxima da bobina e, após
passar pelo centro da bobina, diminui. A d.d.p. induzida nos terminais
da bobina é razoavelmente 'senoidal' e essa é a causa primeira do porquê
primeiro um LED acende e depois o outro. Com um ímã suficientemente

164
TÓPICO 2 — MAGNETODINÂMICA II

longo (recomendamos um ímã cilíndrico de comprimento maior que 3 cm) a


mudança de polaridade da bobina é relativamente lenta e isso permite ao olho
perceber facilmente que os dois LED’s piscam em sequência (se os ímãs forem
pequenos os dois 'flashes' parecerão simultâneos).

Sabemos que, durante a queda do ímã, sua velocidade aumenta e,


então, o intervalo de tempo de passagem do ímã pelo interior de uma bobina
diminuirá. Quanto menor for esse intervalo de tempo maior será o fluxo de
indução, a d.d.p. induzida e, consequentemente, a intensidade de corrente em
cada LED. Os brilhos dos LED’s (potência) nas bobinas mais baixas serão mais
intensos.

Variante do experimento

A ficha a seguir descreve uma variante simples para a constatação das


correntes parasitas:

FIGURA – CORRENTES EDDY (PARASITAS) EM TUBOS CONDUTORES

FONTE: <http://web.archive.org/web/20180924213054/http://www.feiradeciencias.
com.br/sala13/13_41.asp>. Acesso EM: 15 jul. 2020.

165
UNIDADE 3 — MAGNETODINÂMICA

ATENCAO

A magnetização que um meio adquire depende da intensidade de campo


magnético aplicada. [...] As substâncias ferromagnéticas são caracterizadas por possuírem
largas regiões, denominadas domínios, onde o vetor magnetização está orientado em
determinada direção. Dois exemplos paradigmáticos desses materiais são o ferro e o níquel
(GALVÃO, 20--, p. 6).

E
IMPORTANT

A magnetização permanente desses domínios vem dos momentos de dipolo


magnético dos elétrons nas camadas internas dos átomos e é devido à interação deles
com os dos átomos vizinhos. Em condições normais, sem aplicação de campo externo,
as direções dos vetores magnetização estão em direções arbitrárias em diferentes
domínios, de forma que o material não apresenta magnetização resultante substancial.
No entanto, quando o colocamos na presença de um campo externo, os domínios com
vetor magnetização na direção do campo externo tendem a crescer às expensas com
magnetizações em outras direções e o campo dentro do material cresce substancialmente,
e de forma não linear. Além disso, quando o campo externo é retirado, fica um campo
remanescente no material. Para anular este campo, é necessário mesmo reverte o campo
externo (GALVÃO, 20--, p. 6-7).

166
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você aprendeu que:

• Os condutores sofrem efeitos distintos devido aos campos dinâmicos.

• Nos condutores, as condições de contorno para os campos magnéticos e para


as induções magnéticas são dadas por:

• O campo magnético nos meios condutores é dado por: ,


em que: é o campo de magnetização, uma resposta dos meios materiais ao
campo aplicado.

• Assim como a polarização induz cargas elétricas, a magnetização induz certas


correntes elétricas.

• As correntes elétricas produzidas pelo vetor de magnetização não entram


nas equações de Maxwell, pois, é um campo que trata somente com cargas e
correntes livres.

• A lei de Faraday diz que um campo magnético variante no tempo induz um


campo elétrico. Porém, atende que o campo elétrico induzido tem uma origem
diferente do campo elétrico produzido por cargas.

• A lei de Lorentz é dada por: , na qual: σ é a condutividade elétrica


e é a velocidade das cargas, que, geralmente, é nula (ou muito pequena,
podendo ser desprezada).

• O tensor de tensão Maxwell é um tensor simétrico, de segunda ordem, que


é utilizado para representar a interação entre as forças eletromagnéticas e, o
momento mecânico. 

• O tensor de Maxwell é dado por: . Onde


é só copiar o primeiro termo em parênteses, substituindo o campo elétrico E pelo
campo magnético B e trocando a permissividade elétrica pela permeabilidade
magnética.

• O tensor de Maxwell fornece como resultado um valor em unidade de força


por unidade de área [N/m2].

167
AUTOATIVIDADE

1 O que são condutores?

2 O que é o vetor de magnetização?

3 O que são tensores?

4 O que é o tensor de Maxwell e para que ele serve em engenharia elétrica?

5 Qual a função da lei de Lorentz? Descreva sua expressão matemática para


a força.

168
TÓPICO 3 —
UNIDADE 3

AS EQUAÇÕES DE MAXWELL

1 INTRODUÇÃO
Neste tópico, você vai estudar como se cria eletricidade. A bem da
verdade, criar eletricidade é uma consequência, pois a física não se preocupa com
situações particulares e sim com situações gerais. Porém, a partir das ideias que
vamos apresentar a seguir, você vai adquirir o conhecimento para a geração de
eletricidade.

Como vai obter esse conhecimento? Por meio do estudo da lei de


Faraday, das equações de Maxwell, nas suas diversas formas, e de uma análise
da conservação de energia.

2 ELETRICIDADE E MAGNETISMO: A LEI DE FARADAY


Será que o magnetismo e a eletricidade têm alguma conexão? Bem,
antes mesmo de Faraday, físico inglês que contribuiu imensamente para o
desenvolvimento do eletromagnetismo, no início do século XIX, já se sabia que
sim. Uma bobina com corrente passando através dela poderia desviar a agulha
de uma bússola, que funciona inteiramente via magnetismo. Porém, será que o
contrário era verdadeiro? Será que o campo magnético poderia gerar um campo
elétrico? Em termos práticos, eletricidade? Faraday mostrou que sim! Vejamos a
Figura 2.

FIGURA 2 – ÍMÃS APROXIMANDO-SE E AFASTANDO-SE DE UMA BOBINA

FONTE: A autora

169
UNIDADE 3 — MAGNETODINÂMICA

O que vemos na Figura 2? Vemos um ímã – campo magnético – se


aproximando e se afastando, primeiro com o norte e depois com o sul. Isto é, temos
um campo magnético que altera sua intensidade pois, quando mais próximo do
ímã, o campo magnético é mais intenso. Se mais distante, é mais fraco. Vemos
que, com a alteração do campo magnético, surge uma corrente na espira.

Muito bem, até aqui observamos um fenômeno físico novo, mas o que
podemos tirar dele? Como o equacionamos e entendemos melhor? Com mais
testes e controlando as variáveis.

Conforme Hayt Junior e Buck (2017, p. 89), após um extensivo estudo,


Faraday concluiu que “a variação do fluxo magnético no tempo gera uma tensão
induzida na espira”.

Cabe ainda citar o trabalho de Lenz, importante físico estoniano do início


do século XIX, afirmando que “a tensão induzida trabalha de forma a gerar um
fluxo magnético oposto à variação do fluxo original”.

Isto é, a corrente induzida seguirá a regra da mão direita e o polegar


indicará a direção do fluxo que se opõem à variação. Podemos entender melhor,
observando a Figura 2, itens “a”, “b”, “c” e “d”.

No item “a”, surge uma corrente de forma a gerar um campo magnético,


que repele o norte em movimento. No item “b”, a corrente está no outro sentido,
uma vez que agora o norte está se afastando. Nos itens “c” e “d”, a diferença
é que tratamos com o polo sul. A corrente tem que ser ao contrário no caso de
aproximação e afastamento.

DICAS

Assista ao vídeo-experimento disponível no link https://goo.gl/uiEGBW para


verificar o efeito da lei de Lenz. O ímã cai e, assim, varia o campo magnético dentro do
tubo de cobre. Esse, então, adquire uma tensão induzida e, assim, uma corrente. Por fim, a
corrente gera um campo magnético, de forma a se opor ao movimento do ímã, que acaba
se movimentando mais devagar.

Para visualizar a lei de Faraday, assista aos vídeos disponíveis nos links a seguir,
cujos experimentos demonstram o fenômeno descoberto pelo cientista inglês.

• https://goo.gl/BBo2wT;
• https://goo.gl/s5ff1w.

170
TÓPICO 3 —

3 EQUACIONAMENTOS, VAMOS LÁ!


Vejamos, um fluxo magnético é dado por:

(1)

Ou seja, o fluxo magnético é uma medida do quanto do campo atravessa


uma superfície. Então, se o campo estiver perpendicular à superfície, consegue
atravessá-la totalmente. Se estiver paralelo, não atravessa nada. Observe que este
efeito está expresso via o produto escalar, pois é com o vetor ortonormal que se
faz o produto.

Já a lei de Faraday, com uma adaptação de sinal devido à lei de Lenz, diz
que:

(2)

Isto é, surge uma tensão induzida devido à variação do fluxo magnético.

Caso tenhamos N espiras, todas contribuem.

(3)

Já a tensão induzida é definida como:

(4)

Então, se juntarmos a equação (4) com as equações (2) e (1), temos:

(5)

É importante destacar que a equação (5) diz que o campo magnético


perpendicular à superfície integrada gera um campo elétrico numa borda
fechada. Então, se a superfície for um círculo, o campo elétrico estará orientado
na circunferência.

171
UNIDADE 3 — MAGNETODINÂMICA

4 RELEMBRANDO ALGUNS TEOREMAS IMPORTANTES


Esses teoremas, que usaremos e que você deve dominar para aproveitar
este curso, serão muito úteis, pois facilitarão as manipulações e os cálculos.

Começamos com o Teorema de Gauss, matemático alemão do início do


século XIX.

4.1 TEOREMA DE GAUSS, OU TEOREMA DA DIVERGÊNCIA

(6)

Esse teorema é de suma importância para trabalhar com as duas primeiras


leis de Maxwell, físico escocês, também da primeira metade do século XIX. Já
o teorema de Stokes, físico e matemático irlandês, de meados do século XIX,
que veremos a seguir, é importante para trabalhar com as duas últimas leis de
Maxwell e com a lei de Faraday, a terceira lei.

(7)

Agora que temos a lei de Faraday e os teoremas integrais, podemos partir


para o estudo das leis de Maxwell.

4.2 AS LEIS, OS MANDAMENTOS DO


ELETROMAGNETISMO
Antes de apresentarmos as leis de Maxwell, entendamos sua importância.

NTE
INTERESSA

Maxwell não apresentou suas leis na forma que conhecemos, mas de acordo
com um formalismo antigo. Foi Heaviside quem a atualizou para a versão que hoje
utilizamos. O trabalho de Maxwell é reconhecido mais por sua importância na criação de
uma teoria sólida e única, que ligou todos os fenômenos através de matemática.

172
TÓPICO 3 —

As leis descritas por Maxwell em suas equações já eram conhecidas antes


dele. O que o físico escocês concretizou foi juntá-las em uma forma matemática e
modificar uma delas adicionando um termo, pois, antes era um caso particular.
Já Oliver Heaviside, matemático e físico inglês do final do século XIX e início do
século XX, publicou a forma compacta e diferencial que apresentaremos a seguir.

Iniciamos com as leis de Maxwell no vácuo, num ponto, isto é, a forma


diferencial.

(8) Lei de Gauss

(9) Lei de Gauss


do magnetismo

(10) Lei de Faraday

(10) Lei de
Ampère-Maxwell

Mas afinal, como trabalhamos com elas? Quanto encontrar uma situação-
problema no âmbito do eletromagnetismo, você terá que achar o campo elétrico
e o magnético e assim terá os dois campos para poder extrair toda informação
que quiser. Achar os campos é uma tarefa que muitas vezes envolve um bom
desenvolvimento matemático, mas sempre as leis de Maxwell permanecerão
válidas.

Vamos utilizar os teoremas (6) e (7), para achar a forma integral das
equações de Maxwell. Trabalharemos num passo a passo, pois é importante que
fique claro como se utilizam os teoremas.

Começamos pela lei de Gauss:

(11)

Então, integramos ambos os lados num volume com superfície de formato


genérico, mas, que numa situação de uma esfera condutora carregada, poderia ser
uma superfície esférica. Depois aplicamos a Equação (6) e obtemos as Equações
(12) e (13).

(12)

173
UNIDADE 3 — MAGNETODINÂMICA

(13)

Sendo qt a carga total dentro do volume integrado.

A equação (9) trabalha a mesma ideia. Então, treine repetindo os passos


anteriores.

(14)

Já na equação (10), usaremos o teorema de Stokes (7). Integrando numa


superfície genérica aberta, obtemos:

(15)

Observe que a substituição do rotacional pela integral fechada é direta.


Por fim, vamos ver a equação (11) em sua forma integral.

(16)

Sumarizado, temos as equações de Maxwell na forma integral.

(13)

(14)

(15)

(16)

Essas são as equações de Maxwell no vácuo, mas como ficam as equações


na matéria? Vamos sumarizá-las a seguir.

(17) Lei de Gauss

174
TÓPICO 3 —

(18) Lei de Gauss


do magnetismo

(19) Lei de Faraday

(20) Lei de Ampère-Maxwell

O que acontece é que quando aplicamos um campo elétrico num meio,


este responde com um campo polarizante que tem efeitos elétricos e com um
campo magnetizante que tem efeitos magnéticos. Por isso, levando em conta
esses campos temos:

• ⍴f = densidade de cargas livres, considerar somente cargas não induzidas;


• Jf = correntes livres.

(21) Densidade de
fluxo elétrico

EXPERIMENTO 9

Lá se vão meus anéis ...


(Lei de Faraday - Correntes de Foucault)

Luiz Ferraz Netto

Objetivo

Notar que os anéis magnéticos caem com diferentes velocidades ao


longo das distintas varetas. Destacar o modelo da indução eletromagnética e
as correntes turbilhonares de Foucault.

Material

• 3 varetas (hastes maciças) de 0,5 m de comprimento por 1,0 cm de diâmetro,


sendo uma de cobre, uma de alumínio e outra de PVC (ou outro plástico
rígido).
• 2 "triângulos" de madeira de espessura 1,5 cm e 10 cm de lado.
• 3 ímãs de neodímio em forma de anéis de diâmetro interno ligeiramente
maior que o diâmetro das varetas e diâmetro externo cerca de 2,0 cm.

Montagem

Montar a estrutura conforme a ilustração.

175
UNIDADE 3 — MAGNETODINÂMICA

FIGURA – ESQUEMA DE MONTAGEM PARA VERIFICAÇÃO DAS CORRENTES EDDY

Descrição e procedimento

Três fortes ímãs permanentes de Neodímio, em forma de anel,


com  cerca de  2,0 cm de diâmetro externo, 1,2 cm de diâmetro interno e 0,6
cm de espessura, podem deslizar facilmente ao longo de varetas separadas,
fixadas na vertical (50 cm de comprimento e 1,0 cm de diâmetro). Uma vareta
é de alumínio, outra de cobre e outra de PVC.

Durante sua queda (movimento) o ímã induz corrente turbilhonar


(corrente de Foucault) tanto no alumínio como no cobre, originando campo
magnéticos os quais, por sua vez, originam forças que se opõem à queda
dos anéis, os quais, então, descem mais lentamente que numa queda livre. A
vareta de PVC (ou outro plástico rígido), material não-magnético, não sofre o
fenômeno da indução e assim o anel cai praticamente como em queda livre.

Operação

Inicialmente os anéis encontram-se em repouso na base da estrutura. O


aparelho é girado de 180o e os anéis iniciam suas quedas.

Demora 4,9 s para o anel descer a vareta de cobre; 1,7 s para descer a de


alumínio e 0,3 s para descer a de PVC.

FONTE: <http://web.archive.org/web/20180924220549/http://www.feiradeciencias.com.br/
sala13/13_47.asp>. Acesso em: 18 mar. de 2020.

176
TÓPICO 3 —

LEITURA COMPLEMENTAR

AS EQUAÇÕES DE MAXWELL E APLICAÇÕES

Ana Paula Bertoldi Oberziner

Maxwell dedicou-se a formular matematicamente as teorias sobre


eletromagnetismo, conseguindo obter equações simples que permitem descrever
fenômenos elétricos e magnéticos. Formou-se, então, a teoria do eletromagnetismo
que tem como base as quatro equações de Maxwell.

[...]

Introdução: um pouco de história

James Clerk Maxwell foi um físico matemático escocês. Nasceu em 1831


em Edimburgo, na Escócia e faleceu em 1879 em Cambridge na Inglaterra.

Desde cedo mostrou ter habilidade com matemática. Com apenas 15 anos
redigiu um trabalho apresentando um método para traçar curvas ovais. Aos 19
anos foi estudar matemática na Universidade de Cambridge, na Inglaterra, mais
precisamente no Trinity College. Em 1854 graduou-se entre os melhores alunos
do seu ano e logo após apresentou um brilhante artigo à Sociedade Filosófica de
Cambridge, com o título “On the Transformation of Surfaces by Bending”.

Este foi um dos poucos artigos puramente matemáticos que escreveu.


Depois de sua graduação tornou-se professor na Marischal College em Aberdeen
(1856) e, pouco depois, no King’s College em Londres (1860). Neste período
realizou desde estudos sobre as cores até a natureza dos anéis de Saturno (1857),
onde demonstrou teoricamente que eles deviam ser constituídos por partículas
sólidas, pois se fossem formados por líquidos ou gases não teriam estabilidade
para se manter em rotação.

Estudou matematicamente o comportamento dos gases e chegou a


importantes conclusões como a teoria de que as moléculas se movem em todas as
direções e com todas as possíveis velocidades, chocando elasticamente entre si e
contra os obstáculos.

Mostrou que a maioria delas, porém, se moveria com velocidades


intermediárias, ou seja, o melhor indicador do estado de agitação interna de um
gás seria a velocidade média de suas moléculas. Isso permitiu concluir que a
temperatura de um corpo podia ser interpretada em termos dessa velocidade
média molecular.

177
UNIDADE 3 — MAGNETODINÂMICA

O cálculo da velocidade média só foi possível fazendo uso de funções


estatísticas, ideia de Maxwell que foi uma grande novidade na época.

A partir disso, também foi possível calcular outras propriedades como


pressão, coeficiente de viscosidade, entre outros. Para completar o trabalho do
Maxwell, o físico Ludwig Boltzmann publicou a conhecida distribuição Maxwell-
Boltzmann, que explica a condução de calor em gases. Aos 30 anos, Maxwell
tornou-se o primeiro professor da cadeira de Física Experimental em Cambridge.
A partir de 1864 dedicou-se a formular matematicamente as teorias de Faraday
sobre o eletromagnetismo, conseguindo obter equações simples que permitiam
descrever tanto os fenômenos elétricos quanto os magnéticos. São quatro equações
diferenciais parciais que foram reveladas pela primeira vez em 1873, tendo sido
conhecidas desde então como as “equações de Maxwell”.

Ficou assim demonstrado que a eletricidade e o magnetismo fazem parte


de uma mesma teoria. Maxwell percebeu que a oscilação de uma carga elétrica
produz um campo magnético e ao tentar calcular a velocidade de propagação
desse campo, obteve o valor aproximado de 3 x 108 m/s, que é a velocidade da luz
já calculada experimentalmente por Fizeau e Foucault.

Assim, afirmou que a luz nada mais era do que uma radiação
eletromagnética, mais ainda, que se as cargas elétricas podiam oscilar com
qualquer velocidade, poderiam dar origem a radiações de todos os comprimentos
de onda, sendo a luz apenas uma variedade específica dessas variações.

É interessante ressaltar que todas as conclusões acima, foram baseadas


em cálculos teóricos, ou seja, não houve nenhum experimento prático que as
confirmassem.

Na época conheciam somente a luz visível, radiações infravermelhas e


ultravioletas, mas Maxwell previu que existiam outras de comprimento de ondas
diferentes, sendo a luz apenas uma variedade específica dessas radiações.

Vinte anos depois, essas foram detectadas experimentalmente pelo


físico alemão Heinrich Hertz, que construiu aparelhos detectores e emissores de
ondas de rádio. Em Cambridge, Maxwell publicou os trabalhos experimentais
desconhecidos de Henry Cavendish sobre eletricidade, onde também foi criado
o Laboratório de Cavendish. Após estabelecer o laboratório como centro de
excelência científica, Maxwell morre prematuramente.

As Grandezas Fundamentais do Eletromagnetismo

As equações de Maxwell formam um conjunto de quatro equações


diferenciais lineares sobre o tempo e o espaço, aplicadas as grandezas ditas
eletromagnéticas. Estas equações são, na verdade, postulados, pois até hoje elas

178
TÓPICO 3 —

nunca foram provadas, ou seja, não há garantia de que as equações de Maxwell


sejam exatas. Todavia, até hoje, as precisas medições experimentais nunca as
contradisseram.

As grandezas fundamentais do eletromagnetismo são:

• O campo elétrico e;
• O campos magnéticos h;
• A indução magnética b;
• A indução elétrica d;
• A densidade superficial de corrente j;
• A densidade volumétrica de carga ρ;
• A permeabilidade magnética µ;
• A permissividade elétrica ε;
• A condutividade elétrica σ;

Agora faremos uma breve explicação do significado de cada uma das


grandezas citadas.

O Campo Elétrico e

Uma carga ou um conjunto de cargas q, sem movimento no espaço tem


a propriedade de criar, no volume que a envolve, uma grandeza chamada de
campo elétrico e.

O campo elétrico e (V/m, volts por metro) é uma grandeza vetorial e tem
o caráter de um campo de vetores.

O Campo Magnético h

Suponhamos uma carga, ou um conjunto de cargas possua uma velocidade


de deslocamento. Neste caso, haverá a formação de um campo magnético h (A/m,
Ampere por metro).

Um conjunto de cargas em deslocamento nos conduz à noçaõ de corrente


elétrica e esta última cria então o campo de vetores h.

A indução magnética b e a permeabilidade magnética µ

Chama-se indução magnética b (T, Tesla) ou densidade de fluxo magnético


em um ponto ao produto da permeabilidade magnética µ (H/m, Henry por metro)
do meio pelo campo magnético h nesse ponto. Ou seja: b = µh.

Podemos observar que quanto maior a permeabilidade do meio, maior sua


indução e maior o fluxo que poderá passar em uma determinada superfície S. Em
outras palavras, é chamado “indução”, pois esta grandeza expressa a capacidade
de induzir fluxo em um dado meio.

179
UNIDADE 3 — MAGNETODINÂMICA

Geralmente uma alta indução está associada à alta permeabilidade


. Utilizando o sentido literal das expressões “indução” e “permeabilidade”,
podemos dizer que se um meio “induz” mais fluxo é porque ele o “permite” mais.

Sendo b um vetor, podemos calcular seu fluxo ϕ através de uma superfície S.

Este fluxo ϕ é chamado de fluxo magnético.

A Indução Elétrica d e a Permissividade Elétrica ε

Chama-se indução elétrica (C/m2, Coulomb por metro quadrado) ou


densidade de fluxo elétrico d em um ponto ao produto da permissividade elétrica
ε (F/m, Farad por metro) do meio pelo campo elétrico e nesse ponto. Ou seja,
Observa-se novamente que quanto maior a permissividade do meio, maior a
indução elétrica e maior o fluxo que passa através da superfície. Da mesma forma
que foi feito para as grandezas b e µ, podemos observar que d é um vetor e assim
calcular o fluxo Ψ através de uma superfície S.

A Densidade Superficial de Corrente j

A densidade superficial média de corrente j (A/m2, Ampère por metro


quadrado) através de uma superfície S é definida por:

Definindo um vetor j = ju, sendo u um vetor unitário perpendicular à


secção S, o fluxo de j por S nos fornece a corrente elétrica i:

A Condutividade Elétrica σ

Em geral, nos problemas de campos elétricos podemos ter meios


dielétricos (ou isolantes) e meios condutores. Os isolantes são caracterizados pela
permissividade elétrica ε e por sua rigidez dielétrica. Os meios condutores são
caracterizados por sua condutividade elétrica σ, que expressa a capacidade do
meio conduzir mais ou menos corrente elétrica. Podemos observar este fato na
relação abaixo, conhecida como Lei de Ohm sob forma local.

180
TÓPICO 3 —

As Equações de Maxwell sob a forma local

As quatro equações de Maxwell são as seguintes:

As quatro equações acima são, respectivamente, a Lei generalizada de


Ampère, Lei de Faraday, Lei de Gauss Magnética e a Lei de Gauss Elétrica. Os
quatro vetores h, e, b, e d, juntos formam a representação matemática do mesmo
fenômeno físico: o campo eletromagnético. Das equações acima, podemos deduzir
outra equação aplicando o divergente na primeira equação.

Como div (rot h) = 0, obtemos:

Utilizando a equação div (d) = ρ , obtemos a chamada equação da


continuidade elétrica:

Comentário das equações

O desenvolvimento das equações de Maxwell como generalizações das


relações do circuito, envolve tanto um raciocínio indutivo como físico. Como já
havíamos comentado, as equações de Maxwell justificam-se pelo fato de serem
conclusões baseadas em experimentação. As duas primeiras equações significam
que os campos magnéticos e elétricos variando com o tempo são capazes de gerar
um ao outro, ou seja, um campo magnético variável é capaz de gerar um campo
elétrico e vice-versa. Este fenômeno é chamado de acoplamento eletromagnético.

181
UNIDADE 3 — MAGNETODINÂMICA

No caso da primeira equação, o termo que gera o campo magnético é


chamado de densidade de deslocamento de corrente. Este termo é o centro da
teoria das radiações das ondas eletromagnéticas.

A conclusão disto é que o campo eletromagnético variando no tempo


propaga a energia através do espaço vazio com a velocidade da luz e ainda que a luz
é de natureza eletromagnética. As ondas de rádio eram desconhecidas na época e
isto foi quinze anos antes de Hertz demonstrar que as ondas eletromagnéticas (ou
de rádio) eram possíveis, como foi predito por Maxwell. Na penúltima equação, o
fato do divergente ser igual a zero significa que o fluxo magnético é conservativo.

Pode-se entender então que o fluxo magnético que entra em um volume


é idêntico ao que sai do mesmo. Já na última equação, o fluxo elétrico não
é conservativo. Teremos, então, uma variação do fluxo que entra e sai de um
volume que é gerada por uma fonte que no caso é ρ. Agora iremos escrever as
equações de Maxwell na forma integral.

Equações de Maxwell na Forma Integral

As equações de Maxwell na forma local são mais convenientes para


fazermos operações matemáticas, pois elas envolvem operações com gradiente,
divergentes e rotacionais que estão bem definidas no cálculo vetorial.

Já quando desejamos calcular o campo elétrico e criado pela indução


magnética b, fica mais conveniente utilizarmos a forma integral da equação de
Maxwell. Veremos agora as equações de Maxwell na forma integral.

Vamos utilizar a primeira equação e definir uma superfície S onde


queremos estudar as correntes e os campos magnéticos. Chamemos L a borda
desta superfície. Integrando a priemir equação na superfície, obtemos:

Utilizando o teorema de Stokes no lado esquerdo da equação acima,


temos:

Esta relação é chamada a forma integral da equação de Maxwell obtida da


lei generalizada de Ampère. Para a segunda equação, vamos aplicar novamente a
integral numa superfície S onde o campo elétrico e a indução magnética estejam
definidos. Obtemos então a equação:

182
TÓPICO 3 —

Pelo teorema de Stokes,

Na qual L é a linha que envolve esta superfície. A equação acima é chamada


a forma integral da equação de Maxwell obtida da lei de Faraday.

Para obtermos a segunda equação na forma integral, vamos aplicar


o teorema do divergente que associa a integral do volume V e da superfície S
que envolve este volume, onde a indução magnética está bem definida. Assim
obtemos a equação:

Ou seja,

A equação acima é chamada a forma integral da equação do campo


magnético de Maxwell obtida da lei de Gauss.

Enfim, para a última equação, faremos a integração no volume V onde


a indução elétrica d e a densidade volumétrica de carga ρ estão bem definidas,
obtendo:

Aplicando novamente o teorema do divergente no volume V e na


superfície S que envolve este volume obtemos a seguinte equação:

A equação acima é chamada a forma integral da equação do campo


elétrico de Maxwell obtida da lei de Gauss.

183
UNIDADE 3 — MAGNETODINÂMICA

Relações Constitutivas

Um segundo conjunto de equações é necessário para completar a


informação contida no sistema construído pelas quatro equações: as relações
constitutivas. Essas relações, também conhecidas como leis de comportamento,
exprimem as propriedades dos materiais. Se representa a permeabilidade
magnética µ, a permissividade elétrica ε e a condutividade elétrica σ, as leis de
comportamento se enunciam como segue:

A última equação é também conhecida como lei de Ohm.

FONTE: ORBENIZER, A. P. B. As equações de Maxwell e aplicações. 2008. 74f. Trabalho


de Conclusão de Curso (Graduação em Matemática) – Universidade Federal de Santa
Catarina, Florianópolis, 2008. Disponível em: <https://repositorio.ufsc.br/bitstream/
handle/123456789/119376/Ana_Paula%20%281%29.pdf?sequence=1&isAllowed=y>. Acesso em:
22 set. 2020.

184
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico, você aprendeu que:

• Uma bobina com corrente passando através dela poderia desviar a agulha de
uma bússola.

• Quando mais próximo do ímã, maior é a intensidade do campo magnético e


quanto mais distante, mais fraca é a sua intensidade.

• Um campo magnético variável no tempo faz surgir uma corrente elétrica na


espira.

• Há muito tempo atrás, Faraday concluiu que a variação do fluxo magnético no


tempo gera uma tensão induzida na espira.

• Lenz diz que a tensão induzida trabalha de forma a gerar um fluxo magnético
oposto à variação do fluxo original.

• A corrente induzida seguirá a regra da mão direita e o polegar indicará a


direção do fluxo que se opõem à variação.

• O fluxo magnético é uma medida do quanto do campo atravessa uma superfície.

• Se o campo estiver perpendicular à superfície, consegue atravessá-la totalmente.

• Se o campo estiver paralelo à superfície, não conseguirá atravessá-la.

• O conjunto das leis de Maxwell é dado por:

• Os problemas de eletromagnetismo podem ser difíceis de resolver em algumas


coordenadas. Portanto, é importante conhecer outros tipos de coordenadas
que são: cilíndricas e esféricas.

185
• As coordenadas cilíndricas são:

• As coordenadas esféricas são:

• A lei ou princípio da conservação de energia estabelece que a quantidade total


de energia em um sistema isolado permanece constante. 

• A energia do campo dentro de um volume é dada por:

• A energia do campo num ponto é dada por:

CHAMADA

Ficou alguma dúvida? Construímos uma trilha de aprendizagem


pensando em facilitar sua compreensão. Acesse o QR Code, que levará ao
AVA, e veja as novidades que preparamos para seu estudo.

186
AUTOATIVIDADE

1 Em certo ponto, o campo elétrico é dado por: .


Qual é o campo magnético?

2 Parte de um campo magnético atravessa uma superfície circular com


raio de 2m. O vetor, na direção normal à superfície, vale: ,
já o campo magnético nessa região é: .
Quanto vale a intensidade do campo elétrico no perímetro do círculo?

3 No vácuo, dado um campo magnético: e um campo elétrico


de , qual é a densidade de energia
contida no campo eletromagnético do ponto (x,y,z) = (1, 5, 53) no tempo
t = 5s? E se o tempo for t = 10 s?

4 Um retângulo é feito de fios de cobre e tem um lado móvel. Assim, sua


área é dada por: álida para t ≥ 0. Se o campo magnético
for perpendicular a essa área e tiver intensidade B = cos(2t), quanto vale a
tensão induzida (fem) nos fios em um tempo qualquer?

187
188
REFERÊNCIAS
ALEXANDER, C. K.; SADIKU, M. N. O. Fundamentos de circuitos elétricos. 5.
ed. Porto Alegre: AMGH, 2013.

ALLAIN, R. Let’s geek out on the physics of leyden jars. Wired, New York,
24 jan. 2017. Disponível em: https://www.wired.com/2017/01/the-physics-of-
leyden-jars/. Acesso em: 2 jul. 2020.

BAUER, W.; WESTFALL, G.; DIAS, H. Física para universitários. Porto Alegre:
AMGH, 2012. (Eletricidade e Magnetismo, v. 3).

BEZERRA. A. Como fazer a leitura do valor de capacitores. Tec. Alexandre


Bezerra, [S. l.], mar. 2015. Disponível em: http://tecalexandrebezerra.blogspot.
com/2015/03/como-fazer-leitura-do-valor-de.html. Acesso em: 26 mar. de 2020.

BÚSSOLA. Google Dicionário, [S. l.], c2020. (on-line). Disponível em:


https://www.google.com/search?sxsrf=ALeKk02yQBYBWOeG5n0NCbh
XHu2-4bWZ3Q:1586451202766&q=Dicion%C3%A1rio&stick=H4sIAAA
AAAAAAONQesSowS3w8sc9YSn5SWtOXmOU5OLzL0jNc8lMLsnMz0s-
sqrRiV2ItKNF1CuJZxMoNFAaKHl5YlJkPAKWEZ7E7AAAA&zx=1586451
272134#dobs=b%C3%BAssola. Acesso em: 6 abr. de 2020.

CEUNES - CENTRO UNIVERSITÁRIO NORTE DO ESPÍRITO SANTO. Física


experimental III: roteiros de experiências. São Mateus: Universidade Federal do
Espirito Santo, [20--]. (Apostila de Licenciatura em Física).

FERRARO, N. G.; SOARES, P. A. T.; FOGO, R. Física básica. 3. ed. São Paulo:
Atual, 2009.

GALVÃO, R. Campo magnético na matéria: uma introdução. São Paulo: USP,


[20--].Disponível em: https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/181958/mod_
resource/content/1/Campo%20Magnetico%20na%20Materia%20Galvao.pdf.
Acesso em: 24 abr. de 2020.

GRIFFITHS, D. J. Eletrodinâmica. 3. ed. São Paulo: Pearson Addison Wesley,


2011.

HALLIDAY, D.; RESNICK, R.; WALKER, J. Fundamentals of physics. 10. ed.


New Jersey: John Wiley & Sons, 2014.

HALLIDAY, D.; RESNICK, R; WALKER, J. Fundamentos de física. 9. ed. Rio de


Janeiro: LTC, 2012.

189
HALLIDAY, D.; RESNICK, R.; WALKER, J. Fundamentos de física:
eletromagnetismo. 4. ed. Rio de Janeiro: LTC, 1996. v. 3.

HAYT JR, W. H.; BUCK, J. A. Eletromagnetismo. 8. ed. Porto Alegre: AMGH,


2017.

MARQUES, J. Como fazer leitura de capacitores de poliéster e cerâmico


corretamente. FMV Learning, [S. l.], 6 fev. 2019. Disponível em: http://www.
fvml.com.br/2019/02/como-fazer-leitura-de-capacitores-de.html. Acesso em: 27
mar. de 2020.

MONTEIRO, H. R.; DELGADO SILVA, A. O. Manual para a construção de


experimentos sobre eletromagnetismo. Sorocaba: UFSCar, 2018. Disponível em:
http://www.mnpefsorocaba.ufscar.br/produtos/produto-hudson. Acesso em: 16
mar. de 2020.

MUNDO DA ELÉTRICA. Como identificar capacitores. [S. l.], c2020. Disponível


em: https://www.mundodaeletrica.com.br/como-identificar-capacitores/. Acesso
em: 27 mar. de 2020.

MUSEU INTERATIVO DA FÍSICA. Garrafa de Leyden. Belém: UFPA, c2020.


Disponível em: http://minf.ufpa.br/index.php/garrafa-de-leyden. Acesso em: 26
mar. de 2020.

NETTO, L. F. Mapa conceitual de eletromagnetismo (Gerador de Corrente


Alternada). Feira de Ciências, [S. l.], 13 out. 2018. Disponível em: http://
web.archive.org/web/20180925084347/http://www.feiradeciencias.com.br/
sala13/13_43.asp. Acesso em: 18 mar. de 2020.

NETTO, L. F. Ação do campo sobre as correntes. (Usando o campo magnético


terrestre). Feira de Ciências, [S. l.], 25 nov. 2018. Disponível em: http://
web.archive.org/web/20180924214300/http://www.feiradeciencias.com.br/
sala13/13_07.asp. Acesso em: 18 mar. de 2020.

NETTO, L. F. Lá se vão meus anéis (Lei de Faraday – correntes de Foucault).


Feira de Ciências, [S. l.], 21 ago. 2009. Disponível em: http://web.archive.org/
web/20180924220549/http://www.feiradeciencias.com.br/sala13/13_47.asp.
Acesso em: 18 mar. de 2020.

NETTO, L. F. Atividades com Ímãs. Feira de Ciências, [S. l.], 18 dez. 2005.
Disponível em: http://web.archive.org/web/20180923192707/http://www.
feiradeciencias.com.br/sala13/13_magn_06.asp. Acesso em: 18 mar. de 2020.

NETTO, L. F. Tubo de Indução (Lei de Faraday). Feira de Ciências, [S. l.], 17


out. 2003. Disponível em: http://web.archive.org/web/20180924213054/http://
www.feiradeciencias.com.br/sala13/13_41.asp. Acesso em: 18 mar. de 2020.

190
PINHEIRO, J. C. A. Roteiro de atividades experimentais de Física III.
Alagoinhas: Faculdade Santíssimo Sacramento, 2017.

QUEIROZ, A. C. M. A garrafa de Leyden. Máquinas Eletrostáticas, UFRJ, Rio


de Janeiro, 3 mar. 2000. Disponível em: http://www.coe.ufrj.br/~acmq/leydenpt.
html. Acesso em: 2 jul. 2020.

STOODI. Resumo de Eletrostática – Carga, Força e Campo – Física. Stoodi


Ensino e Treinamento a distância S.A, São Paulo, c2020. Disponível em: https://
www.stoodi.com.br/resumos/fisica/eletrostatica/. Acesso em: 19 mar. de 2020.

TIPLER, P. A.; MOSCA, G. Physics for scientists and engineers. 6. ed.


Gordonsville: W. H. Freeman and Company, 2008.

UFES – UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO. Física


experimental III: roteiros de experiências. São Mateus: Centro Universitário
Norte do Espírito Santo. Departamento de Engenharia e Ciências Exatas, [20-
-]. (Curso: licenciatura em Física). Disponível em: http://cienciasnaturais.
saomateus.ufes.br/sites/cienciasnaturais.saomateus.ufes.br/files/field/anexo/
F%C3%ADsica%20Experimental%20III_F%C3%ADsica.pdf. Acesso em: 27 mar.
de 2020.

UNESP – UNIVERSIDADE ESTADUAL DE SÃO PAULO. Projeto


experimentos de física com materiais do dia a dia: fio cria campo magnético.
Bauru, [20--]. Disponível em: http://www2.fc.unesp.br/experimentosdefisica/.
Acesso em: 16 mar. de 2020.

UNESP – UNIVERSIDADE ESTADUAL DE SÃO PAULO.


Eletromagnetismo demonstrações: garrafa de Leyden. Marília, [20-
-]. Disponível em: http://www.rc.unesp.br/showdefisica/99_Explor_
Eletrizacao/paginas%20htmls/Garrafa%20de%20Leyden.htm. Acesso
em: 2 jul. 2020.

VÁLIO, A. B. M. et al. Ser protagonista: física. 3. ed. São Paulo: Edições SM,
2016. v. 3.

WENTWORTH, S.M. Eletromagnetismo aplicado: Abordagem antecipada das


linhas de transmissão. Bookman: Porto Alegre, 2009.

YAMAMOTO, K.; FUKE, L. F. Física para o ensino médio. 4. ed. São Paulo:
Saraiva, 2017. (Eletricidade e Física Moderna, v. 3).

YOUNG, H. D.; FREEDMAN, R. A. Física III: eletromagnetismo. 12. ed. São


Paulo: Pearson, 2012.

191

Você também pode gostar