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MESTRES DO MEDO

LIVROS-JOGOS
O SENHOR DOS DRAGÕES: PARTE I ESCRITO POR
PAMELLA AVELAR

BASEADO NO UNIVERSO DE MEPHIROT


DE PAMELLA AVELAR E PHILIP FELDRICK

CAPA DE PHILIP FELDRICK


REVISÃO DE LIA SAMANTHA R.BARBOSA
PRODUÇÃO: MISTIK DAWN OF SOUL

Todos os direitos desta edição estão reservados à Mistik Dawn of Soul,


editora detentora da marca Mestres do Medo. Copyright © 2020-2022,
Mistik Dawn of Soul. É proibida a sua reprodução total ou parcial por
quaisquer meios existentes ou que venham a ser criados sem autorização
prévia por escrito da editora, estando sujeitos às responsabilidades e
sanções legais.
SUMÁRIO
DESCOBRINDO OS LIVROS-JOGOS
REGRAS
FICHA DE PERSONAGEM
O SENHOR DOS DRAGÕES - Parte 1
MESTRES DO MEDO
DESCOBRINDO OS LIVROS-JOGOS
Embarque em uma aventura imersiva, em que você é o mestre e
decide os caminhos que o protagonista irá seguir. Ao mesmo tempo que
descobre mais sobre o seu personagem, também será guiado por um novo
universo cheio de possibilidades.
Com uma mecânica simples e prática, a proposta dos livros-jogos do
Mestres do Medo é proporcionar todo mês uma experiência fora do
convencional, podendo assim, incentivar o hábito de leitura de forma
dinâmica, divertida, rápida e com um toque de terror.
Mais do que um livro, é um jogo que impacta no desenvolvimento
dos personagens, que com suas ações, caminham para finais diferentes,
fazendo com que cada leitura/jogatina seja distinta.
Com o auxílio do aplicativo gratuito Mestres do Medo , disponível
no Google Play Store, você pode gerenciar a vida de seu personagem, seus
recursos e fazer anotações sobre a jornada de onde estiver.
Acompanhe a história de vários personagens que surgirão nas
edições do Mestres do Medo e descubra formas diferentes de usar a sua
imaginação.
Mas, antes de seguir essa jornada, conheça regras importantes para
aproveitar a experiência por completo.
REGRAS
Para deixar a aventura mais realista e dinâmica, foram criadas regras
para determinar ações e recursos do personagem. Os comandos aparecem
sempre em negrito e dentro de parênteses.
Exemplos:
(Vá para 036) ( Ao clicar você é levado para bloco indicado )
(Desafio: 3)
(Perca 3 de vida)
A seguir, conheça o essencial sobre cada regra.
Cena
Sua aventura será composta de blocos numerados, que apresentam
um período de tempo ou um caminho alternativo. Através das cenas é
possível viajar pela história.
Ficha do personagem
A ferramenta mais importante para vivenciar o livro-jogo é a ficha
do personagem, pois contém a história do protagonista e dados sobre seus
recursos que serão gerenciados ao longo da narrativa.
Desafio
Durante as narrativas ou combates, os desafios serão apresentados
com um valor específico, para ser igualado ou superado, conforme o
exemplo a seguir:
(Desafio): 3
Sucesso: (Vá para 021)
Falha: (Vá para 019)
Resolução:
Um dado de 6 lados (D6) deve ser rolado: Sucesso: 3 ou mais.
Falha: 2 ou menos.
Após isso, se oriente pela tabela de desafio para seguir a aventura.
Combates
Em situações de combate, os oponentes apresentam “Desafio” e “Vida”.
Exemplo:
(Combate)
Bart - O cão
Desafio: 2
Vida: 5
Resolução:
Isso significa que para dar 1 de dano no inimigo, o jogador tem que tirar, no
mínimo, 2 na rolagem. Durante esse combate, o jogador tentou atacar a
criatura jogando um dado de 6 lados (D6) e tirou 3, consequentemente, o
inimigo perde 1 ponto de vida, ficando com 4.
Em caso de falha, o protagonista perde o valor de “Vida” do
inimigo, que nesta situação é “4”. Você pode repetir o ataque várias vezes
até derrotar o oponente, ou morrer.
Dano extra
Quando o sucesso supera mais vezes o “Desafio”, o personagem
causa “+1” de dano para cada superação.
Exemplo:
Desafio: 2
Resultado no dado: 6
2+2+2=6
Total de dano: 3
Finalização
Os combates podem ser acompanhados de finalizações narrativas.
Modificadores
Armas, armaduras, poções e outros itens podem adicionar
modificadores (positivos ou negativos) durante o combate.
Exemplo:
O personagem combate o inimigo com uma espada.
Seu oponente tem desafio 2.
Você tirou no dado = 2
(ou seja, é um sucesso), garantindo 1 de dano ao oponente.
Porém, a espada usada pelo personagem tem modificador +1, sendo
assim, o dano total é 2.
Resumo:
Dano: 1
Espada = +1
Dano total: 2
Modo de descanso
Durante a aventura haverá momentos exclusivos de descanso, em
que o personagem poderá consumir alimentos de seu inventário para
recuperar pontos de vida.
Aliados
Os livros-jogos são repletos de personagens, e aqui você encontra
provas de confiança que podem garantir um “Aliado”, e isso pode mudar o
rumo da história.
Sempre que conquistar um aliado, anote seu nome na ficha.
FICHA DO PERSONAGEM

NOME: GAIWAN RONAI IDADE: 22 anos.


HISTÓRIA:
Gaiwan nasceu em Garoth, um pequeno país ao norte de Wildengold ,
conhecido como terra dos ferreiros e marceneiros. De origem humilde, sua
família sempre trabalhou nas forjas, e seus pais esperavam que esse fosse o
seu caminho, mas não foi isso que Gaiwan escolheu.
Diferente de seus irmãos, dois mais velhos e duas mais novas, ele queria ser
um lutador. A violência não o instigava, mas se deleitava com as
recompensas, inclusive, a possibilidade de ajudar sua família e de viajar por
toda Mephirot. Quando não estava nas fornalhas, treinava, escondido, até
seu corpo desabar de exaustão.
Na adolescência, ele começou a se envolver em lutas clandestinas em
Bloodflush.
Com o tempo, os olhos roxos começaram a entregá-lo, seus pais ficaram
decepcionados, já que para eles, ganhar a vida em ringues para o
divertimento de apostadores não era um trabalho digno, e isso levou
Gaiwan a fugir.
No mesmo dia em que os abandonou, sua casa foi incendiada por ladrões,
seus pais e irmãos mais velhos não resistiram e suas irmãs foram levadas
para um destino desconhecido. Gaiwan logo soube, mas já era tarde demais.
Seis anos se passaram, estando solitário em um mundo desolador, Gaiwan
se entregou aos ringues, conheceu muitos lugares, lutou até perder a
consciência e quase a humanidade, colecionou inimigos e se decepcionou
com os resultados corruptos das lutas. Rendia-se ao álcool para afogar suas
mágoas, mas não era o suficiente para aplacar o desejo de vingar sua
família e trazer suas irmãs de volta.
Deixou de ser um lutador e tornou-se um mercenário, conciliando o acesso
à informação com o dinheiro. Seja para onde for, Gaiwan carrega o martelo
de seu pai, que é mais do que uma arma, é um amuleto que o encoraja.
INFORMAÇÕES INICIAIS DA FICHA (Adicione na ficha antes de
começar a aventura)
PONTOS DE VIDA: 82 Pontos
ARMA 1: Martelo de ferreiro (+1 de dano em combates)
ITENS INICIAIS: Poção de vida (+5 de vida): 1 unidade
Ração desidratada (+2 de vida): 2 unidades
Dinheiro: 25 Kelpos
PERÍCIAS:
Lutador
Nas ruas, ringues ou templos antigos você treinou a arte de dominação
física.
Punho de aço: +2 (Desafio) em combates corpo a corpo;
Esquiva de gato: 1 rolagem extra ao evitar ataques;
Atordoar: +2 (Desafio) ao tentar deixar um inimigo inconsciente;
Mais rápido que o som: 2 rolagens extras ao tentar golpear um inimigo.
INTRODUÇÃO AO UNIVERSO MEPHIROT
Você está prestes a adentrar o universo de Mephirot . Regresse se
não estiver preparado ou embarque nessa jornada sinuosa com sua sorte em
risco.
Eis que aqui continua o senhor(a)…
Vejo que a advertência não o(a) intimidou. Você tem coragem ou, ao
menos, curiosidade. Confesso que encontrei muitos homens e mulheres
assim, lhes apresentaria se eles ainda estivessem por aqui. Entretanto, foi
feita uma escolha, sem volta. Aconchegue-se, mas não se exceda, pois irei
lhe contar uma breve história.
Dizem que no começo dos tempos não havia nada, apenas a
escuridão que devorava o mundo feito um monstro insaciável. Da
obscuridade sobreveio Khan, regente da luz, o primeiro dos grandes deuses
do panteão. Ou seria Sophi, a deusa da lua, a primogênita das divindades
que coexistia nas trevas infinitas? Segredos de um tempo antes do tempo.
Uma fenda de incertezas que desperta o imaginário humano e origina
crenças e lendas.
Conta-se que a união dos deuses anciões resultou na concepção de
divindades de segundo plano. Estas foram responsáveis pela composição de
tudo o que conhecemos, embora, antes mesmo do mundo ganhar forma, os
anciões já haviam entrado em discórdia.
Após o rompimento de seus criadores, as divindades descendentes,
sem compreender a extensão de seus poderes, os usaram sem controle, não
percebendo, a princípio, que seus atos geraram consequências, como a
criação de um universo habitado.
O embrião do mundo surgira, Mephirot , o berço de várias raças que
foram abandonadas à própria sorte, amaldiçoadas a viver em um mundo de
caos e constante medo. Palco de inúmeros conflitos, crenças e segredos
insanos.
Senhor(a), eu lhe disse que seria breve e cumpri. Ainda que
Mephirot vá além das abreviações, você tem uma base de onde pisará. Ora,
não espere que os deuses lhe contem tudo, tem uma jornada de leitura para
seguir. Agora me despeço. Voltaremos a nos encontrar quando partires deste
mundo, e na escuridão meu nome descobrirá.
O SENHOR DOS DRAGÕES - PARTE I
Debruçado sobre um pergaminho envolto de pilhas de livros, um
homem negro de túnica preta mergulhava a pena no tinteiro, de modo
contínuo e impaciente. Havia muito o que registrar, seu trabalho estava
disposto por todo salão, dentro de tanques borbulhantes com seres amorfos,
em painéis de madeira com insetos empalhados e em recipientes com
colorações cintilantes expostos ordenadamente nas prateleiras e etiquetados
por runas. Este era um local tão excêntrico quanto o seu proprietário, que
balbuciava coisas desconexas enquanto registrava seus experimentos.
De repente, uma batida na porta, logo fez o seu rendimento
despencar e seu humor ficar ácido. Ele ignorou uma, duas, mas na terceira
vez que insistiam em roubar sua atenção, abandonou seus afazeres, subiu a
escada da antiga masmorra e indagou: — O que há de tão importante para
me importunar?
— Perdoe-me, Lorde Prissor, mas aquele mercenário retornou e
exige falar com o rei — respondeu uma voz amedrontada de uma jovem
criada.
Depois de um silêncio constrangedor, a porta do laboratório se
ergueu e Lorde Prissor, sem ao menos olhar para a serviçal, tomou o
caminho do grande salão, com sua capa esvoaçante, uma postura engessada
e um ar de superioridade.
A mera presença de Prissor destoava dos corredores, ele era um
mago vivendo em um castelo mecânico, com diversas engenhocas além do
tempo pertencentes a um rei fissurado pela ciência. Seu soberano Gordon
Fendel tinha motivos para confiar e nomeá-lo como seu conselheiro, pois
existia entre eles uma amizade perdurável, embora, indecifrável.
Chegando ao destino, as engrenagens ergueram o portão do salão
principal e o conselheiro adentrou. Sua primeira impressão foi de repúdio,
ao ver um rastro de imundície que levava a um jovem coberto de lama,
segurando na mão direita um saco encardido.
— O que posso dizer? Foi um trabalho bem sujo, mas está feito —
defendeu-se Gaiwan, dando um leve sorriso.
— Mostre-me a criatura! — Prissor foi direto ao ponto.
— Exijo falar com o re…
—... rei — cortou Prissor imediatamente. — Obviamente deseja, já
que ele lhe contratou, mas em sua falta, sou eu quem dou as ordens por
aqui. Então, mostre-me o que trouxe e seguiremos nossos caminhos.
— Senhor…?
— Lorde Prissor.
— Certo... milorde, aqui está a cabeça da criatura que atacava as
rotas mercantis — prontamente, Gaiwan retira da sacola a cabeça decepada
de um homem.
— Um homem?! Não me faça de tolo! — o conselheiro se irritou.
— Bem...era um monstro antes de retornar a sua forma original —
ao ouvir essas palavras, o mago se aproximou do cadáver e afundou seus
dedos nas pálpebras dele. Ao erguê-las, viu uma íris amarelada com um
círculo com quatro pontas na pupila.
— Você o capturou sozinho?— quis saber o lorde.
— Sim, milorde.
Prissor analisou mais um pouco o cadáver e, por fim, declarou: —
És um jovem de sorte. Tenho outro serviço para lhe oferecer.
Cavalgando em seu alazão sob a luz do luar, Gaiwan cruza a
fronteira com destino à Terras Livres, a região mais inóspita de Mephirot,
em que não há amparo dos reinos ou de qualquer forma de lei ou de bom
senso. Ele segue a viagem pela estrada desgastada, atento a qualquer
interrupção que possa lhe afetar. Por onde passa, nota as marcas de
depredação: focos de incêndio, casas em ruínas, corpos abandonados,
tabernas imundas e bordéis esdrúxulos.
— Vem cá, bonitão! Vamos te levar ao paraíso ou ao inferno, se
preferir — tentavam persuadir as meretrizes na sacada, abafando risadinhas
e fazendo atos obscenos para o viajante. Ao serem ignoradas, elas não
pouparam os palavrões.
— Seu filho de uma cadela, você não passa de um broxa.
Gaiwan se esforçava para não se intrometer. Se conteve até mesmo
quando um grupo de arruaceiros passou por ele, submetendo outros às mais
terríveis humilhações para satisfazer seus desejos mais insanos.
Obviamente, se sentiu revoltado com tudo que testemunhou, mas sabia que
a fronteira, apesar de tudo, ainda era um dos lugares mais brandos do
imenso território de Terras Livres, onde uma escolha errada comprometeria
sua sobrevivência.
Adiante, o mercenário avista a Ponte da Cruzada, uma bela estrutura
arquitetônica com arcos metálicos entrelaçados, presente do rei do norte ao
antigo reino que hoje pertence a Terras Livres, logo soube que estava
próximo de seu destino.

No meio da travessia, um som energético de espadas chamou a


atenção do mercenário, mas isso não o impediu de seguir. Ao se aproximar,
se deparou com seis homens contra um. O rapaz em desvantagem portava
apenas um escudo de aço nobre, e mesmo ferido, ele não recuava, até que
foi surpreendido por um dos agressores que saltou sobre sua barreira e
ligeiramente o perfurou com uma adaga nas costas. O escudeiro urrou e
logo respondeu com uma investida de aço, nocauteando o adversário.

Enquanto o homem jazia no chão, seus comparsas se aproximavam


furiosos, Gaiwan chegou mais perto e foi notado pelo rapaz com escudo.
Sem saber de que lado o desconhecido estava, com as últimas forças que
lhe restavam, o escudeiro retirou a adaga de suas costas e encarou todos,
inclusive o mercenário, como se aguardasse uma resposta.

1-Ajudar o escudeiro.
(Vá para 001)
2-Ignorar o escudeiro e continuar a sua jornada.
(Vá para 002)
001
Gaiwan salta do alazão, deixando o peso do martelo enrijecer em
suas mãos. Determinado, vai para cima do alvo mais próximo, e assume a
briga, para que o escudeiro possa repousar e conter o sangramento.
(Combate)
Assaltante novato
Desafio: 2
Vida: 2
Finalização: Gaiwan esmaga o crânio do oponente.
Trio da corrente de aço
Desafio: 4
Vida: 5
Finalização: Agilmente Gaiwan prende seu martelo nas correntes e os
arremessa no rio.
Assaltante parrudo
Desafio:4
Vida:3
Finalização: Gaiwan mira nas pernas do inimigo, dilacerando seus joelhos.
Recobrando o fôlego, o mercenário se apressa para verificar o
estado do escudeiro. O rapaz está pálido, sentado e apoiado em uma
pilastra, tentando conter o sangramento com farrapos de suas vestes.
— I sso não vai bastar. Temos que procurar ajuda, venha! — Gaiwan
estende a mão para o ferido.
— A quem devo agradecer?— diz o escudeiro ao aceitar ajuda.
— Gaiwan.
— Pois bem, Gaiwan, me chamo Sir…, digo Harold, saiba que tens
minha lealdade, nunca vou me esquecer disso.
— Então, meu amigo, é melhor nos apressar para eu ter como cobrar
a dívida depois — diz Gaiwan, sorrindo para o companheiro.
(+ Gaiwan ganhou a lealdade de Sir. Harold)
(Vá para 003)
002
Gaiwan vira as costas para o escudeiro, o guerreiro nunca se
esquecerá desse ato de abandono e se esforça para continuar lutando. Ao
longe, o mercenário escuta os gritos de agonia da vítima, e logo o
sentimento de culpa invade seu âmago. Ele segue em frente o mais rápido
que consegue, para que o passado se torne distante.
Horas depois, Gaiwan chega ao seu destino, um porto clandestino,
no qual há uma única embarcação ancorada. Ao se aproximar do píer, o
mercenário é ultrapassado por uma charrete apressada, com a qual o
condutor não perde tempo com sua presença. Há algo que vale mais o seu
esforço, e isso Gaiwan percebe no momento em que um homem com
cartola na cabeça desce da charrete e ajuda um rapaz muito ferido, mas com
o sangramento estancado, a se erguer, o destino de Gaiwan e do escudeiro
se cruza outra vez.
— Homem ferido! — berra o condutor da charrete.
De repente, outros homens saem do navio, o charreteiro diz algo
para eles, e levam o escudeiro para dentro da embarcação. Gaiwan percebe
que o escudo do rapaz fica com o charreteiro. Enquanto isso, um senhor,
com cerca de 50 anos, observa Gaiwan do convés.
(Vá para 004)
003
Minutos depois de cruzarem a ponte, Gaiwan e Sir. Harold
encontram uma taberna. O local está imundo, fede a urina e, embora esteja
silencioso, há vários homens e mulheres com olhares apáticos entornando
bebidas e tomando sopa, ignorando a presença uns dos outros. Até mesmo o
taberneiro não parecia ser a favor de conversa, estava concentrado no
preparo da refeição em meio a uma pilha de louças sujas. A água era
escassa, uma tigela limpa era uma raridade em Terras Livres.
— Precisamos de ajuda! — exclama Gaiwan, assim que entra na
taberna com o companheiro apoiado em seu ombro.
— Ele está perdendo muito sangue. Uma costura, um ferro quente, o
que tiver. Alguém pode nos ajudar? Alguém…!?
Vendo que ninguém se posicionou, ele enraivece e escolhe um alvo
para intimidar com o seu martelo.
— Eu não vou pedir de novo, agora trata de levantar essa bunda
gorda e traga algo para fechar a ferida. Anda, desgraçado!
O escolhido cospe no chão e desafia o mercenário. — Você não
manda em mim. Se quer afundar minha cabeça, vá em frente, não ligo.
Quero mais é que se foda!
— Deixa pra lá — diz Harold, de imediato, ao parceiro.
Logo um som de cavalos corta a madrugada, um ancião com uma
cartola na cabeça abandona sua charrete e entra na taberna. Ele vê uma poça
de sangue no chão, olha para os dois rapazes e diz: — Venham comigo!
Gaiwan e Harold se entreolham, e em seguida, seguem o sujeito.
— Eu vi o que fizeram na ponte, estava logo atrás de vocês.
Agradeço por limparem o caminho. Tenho como os ajudar, já fui médico,
mas deixo claro que vai ter um custo, já que empatia não enche barriga e já
recusei da obrigação do meu ofício. Então, por 5 kelpos salvo a vida do seu
amigo.
1-Aceitar a oferta (Vá para 005)
2-Não aceitar (Vá para 006)
004
— Esperava por dois, e eis que recebo um e meio — diz o ancião
cinicamente, reparando no ferimento do escudeiro.
— Mas fazer o quê? No fim estamos no mesmo barco, quebrados
por dentro ou por fora, e prontos para nos afogar. Acho que dá azar falar
disso antes de embarcar, né? Ah… não importa, melhor não criar muita
expectativa. Agora entrem! A aventura está prestes a começar! — o ancião
dá uma gargalhada amistosa e retorna para o navio, em seguida, os últimos
passageiros sobem a bordo.
(Vá para 007)
005
Gaiwan joga um saco de moedas ao ancião.
(Perca 5 kelpos)
Ele testa a autenticidade do dinheiro entre os dentes e logo depois
pede para os acompanhar até a traseira da charrete. Ali o ex-médico
improvisa uma sutura, enquanto Gaiwan fica do lado de fora ouvindo os
gemidos de Harold ao ser costurado.
Tudo acaba bem, embora Harold ainda esteja muito fraco, não corre
risco iminente. O charreteiro se despede com um aviso: — Vou lhes dar um
conselho, aproveitem que não vou cobrar. Cuidado em quem confia, outros
poderiam ter colocado uma substância no corpo dele para matá-lo em
poucas horas ou amputar um membro, acidentalmente. Fariam isso só por
puro divertimento, mas não foi o meu caso. Só fiquem alerta! Contem
comigo, e eu com os kelpos de vocês. Até mais, amigos!
— Até! — acenou Harold para o charreteiro que se afastava. — Que
bom que avisou que o conselho era grátis, fiquei até preocupado — zombou
ele em seguida.
Gaiwan dá um sorriso debochado. — Para onde vai? — questiona o
novo amigo.
E nessa hora, eles descobrem que vão para o mesmo lugar, para um
porto clandestino, onde serão revelados os detalhes de uma missão
altamente sigilosa. Chegando lá, avistam um ancião os aguardando na ponta
do convés de uma embarcação.
(Vá para 004)
006
— Você é um charlatão — xinga Gaiwan, aproximando-se
com seu martelo.
Só não previa que o malandro ancião tinha truques na cartola. Ele
retira o chapéu e se agacha como um jovem contorcionista. Preso na
cartola, havia uma bolsa com duas seringas abastecidas, e rapidamente o ex-
médico injeta a substância nas pernas de Gaiwan, que no mesmo instante,
ficam bambas e ele tropeça.
— O que fez comigo? — indaga o mercenário.
— Isso só vai imobilizá-lo por algum tempo. Que pena que fez a
escolha errada, eu havia gostado de vocês, mas negócios são negócios e
você me deve duas seringas agora.
O charreteiro retira dos bolsos de Gaiwan um saco com 10 kelpos e
vai para a sua condução.
(Perca 10 kelpos)
Não demora, ele retorna com um kit de sutura e joga sobre o
mercenário.
— Seu troco. Se vira agora! Melhor se apressar, hein, ou seu amigo
vai bater as botas — Gaiwan olha para o lado e Harold está ainda mais
pálido. — Até mais, amigos! — se despede o charreteiro.
Com as pernas imobilizadas, Gaiwan agarra o material e se arrasta
até o companheiro.
No chão próximo a uma taberna imunda, um escudeiro abatido
recebe ajuda de um mercenário temporariamente alejado. Mesmo exaustos,
eles conversam e acabam descobrindo que o destino deles é o mesmo,
ambos estavam a caminho do porto clandestino para uma missão altamente
sigilosa. Quando chegam lá, são recebidos por um ancião no convés da
embarcação.
(Vá para 004)
007
Gaiwan é o último a subir, o ancião faz um sinal para que o
mercenário o siga até o interior do navio. Eles descem uma escada, viram o
primeiro corredor e adentram uma sala espaçosa com várias poltronas
robustas ocupadas por outros tripulantes, que calados observam os recém-
chegados. A temperatura do ambiente é agradável, uma chama azul arde
dentro de um tubo de vidro e metal no meio do salão comunal. Gaiwan
observa a brasa distinta, enquanto se desloca para a última poltrona vazia,
longe do escudeiro que ocupa a lateral, aparentemente sentindo dor com a
mão apoiada na região enfaixada.
— A tripulação agora está completa — afirma o ancião de pé,
olhando para cada um dos embarcados. Como um bom observador, Gaiwan
percebe as inúmeras cicatrizes pelo corpo do sujeito.
— Eu sou o líder de incursão, mas podem deixar essa frescura de
lado e me chamem de Jordry. Vamos ficar um tempo juntos, então é melhor
não dificultarmos a convivência. Um amigo meu uma vez levou uma facada
do próprio pai por cansar de olhar a cara feia dele na segunda semana em
alto-mar. Imagina o que aconteceria sem um laço parental? Pior que isso só
estando embarcados num navio cheio de assassinos — Jordry olha para
todos e dá uma risada psicótica, em seguida, continua seu discurso.
— Podem ainda não me conhecer, mas peço que confiem em mim,
pois vamos para o continente de Exagorn buscar uma coisinha. Sou o único
a voltar de lá com vida, já fiz essa viagem uma dezenas de vezes, e cada vez
trago uma lembrança — ele alisa uma enorme cicatriz no pescoço.
— Mas essa equipe me parece promissora, embora tenham aqueles
que já se foderam no início — diz isso, olhando para o escudeiro.
— Eu já passei por coisas piores — defende-se o escudeiro
rapidamente — Não será isso que vai me impedir.
— Harold, eu sei disso, tá aqui na ficha. Suas habilidades são
inquestionáveis. Feitos heróicos... salvou sozinho um batalhão, blablablá...,
mas nunca esteve em Exagorn. Então é melhor não bancar o herói e se
preocupar com a própria pele.
— Chega de conversa fiada! Que coisa vamos buscar, afinal? —
Intervém um tripulante impaciente, um homem de quase 30 anos, forte
como uma muralha.
— Você deve ser Morghus. Sua cabeça está custando uma fortuna,
muitos o querem morto e não entendo porque está com pressa, aqui você
vai ter um pouco de paz. Mas já que tocou no assunto, o motivo de irmos
para Exagorn é para buscar a Chama Eterna.
— Chama Eterna? Vamos buscar fogo, é isso que está dizendo? —
indaga uma mulher de armadura.
— Senhorita Thesia, é isso, mas não só isso. A Chama Eterna não é
rara por nunca se apagar, mas pelas possibilidades infinitas — responde
Jordry.
— Quais possibilidades? E como vamos transportar fogo? —
pergunta Morghus apressadamente.
— Vão saber quando chegar a hora — afirma Jordry, tentando
encerrar o assunto.
— Vocês estão falando desse tal fogo milagroso, mas como vamos
chegar lá é o que mais me preocupa, além dos vatinezes selvagens que
habitam o litoral. O que faremos se cruzarmos com eles? — contesta um
homem de óculos que não parecia um adepto a lutas.
— Esmagar todos! — Morghus anuncia.
— Guarde essa fúria para depois, amigão — intervém Jordry. —
Entendo seus questionamentos, Brandon, não esperava menos do senhor,
mas isso já está sob controle. Romir, o capitão, é um vatinez, daqui a pouco
irão conhecê-lo. Caso não saibam, os vatinezes, até os mais selvagens, são
bons negociantes e nossos passaportes estão lá no porão. Venham comigo!
No caminho até o porão, Gaiwan analisa os tripulantes, um homem
aparentemente inteligente como Brandon destoava de todo o resto,
intrigante era tentar entender o que o levara a aceitar um risco incalculado,
em que qualquer tentativa de projeção o colocaria em desvantagem.
Já uma mulher de armadura só poderia ser de um local: Metalqueen.
Contudo, uma guerreira do aço jamais se submeteria a uma missão como
aquela, elas tinham um código de conduta ou algo do tipo. Até mesmo se
fosse uma desertora deveria abdicar de seu manto. Para Gaiwan, Thesia era
uma incógnita.
E o que pensar sobre Harold? Afamado por heroísmo, honra, mas
envolvido em corrupção? Dado que aceitar ir para Exagorn, além de invadir
um território, significaria saquear um elemento raro, sagrado para aquele
povo, a fim de contrabandear para fins desconhecidos.
Gaiwan não era o único em silêncio, observara naquele grupo
distinto outro que não se pronunciara, seu nome pouco importava. O sujeito
com roupas esfarrapadas, cabisbaixo, tinha um olhar perdido e melancólico.
Gaiwan o associava a um cadáver arrastado pela maré, sendo devorado pelo
tempo e por predadores, que viam na fragilidade um meio de se alimentar.
Um peso morto em uma missão como essa, era suicida e incompreensível.
De todos aqueles, Jordry, Morghus e até o capitão vatinez, que não
estava ali, mas ouvira dizer, eram os mais convenientes, Gaiwan pressumia.
Obviamente, já provaram do inferno e arriscavam tudo no terrível jogo pela
sobrevivência.
Ele mesmo não era perfeito, já aceitara muita coisa na tentativa de
um dia rever suas irmãs, agarrando-se na tênue linha da esperança para
achar um propósito para viver.
Logo Gaiwan concluiu, que apesar das diferenças, eram todos
iguais, escolhidos por ter capacidade de executar a missão, que deveria
envolver altos custos para ser financiada, mas também pelo impacto
mínimo de suas faltas. Exagorn seria um experimento, que no caso de falha
não teria um efeito colateral.
Ao chegarem no porão, os pensamentos de Gaiwan são desviados
para aquilo que Jordry mostrara. O líder da incursão revelou um
aglomerado de barris de vinho salamariano e declarou posteriormente: —
Nossa sobrevivência depende disso. Melhor ficarem longe!
(Vá para 008)
008
A bordo do navio, um mês se torna uma eternidade, a beleza da
imensidão azul esvai-se ao perder a singularidade, dando lugar a um velho
companheiro indesejado que não sabe a hora de partir. Refugiado em sua
cabine privativa, Gaiwan adormece, até que o silêncio do refúgio monótono
é cortado bruscamente por um alvoroço do lado de fora.
— VOOOOLTAAA aqui! Eu vi vocês. APAREÇAM, suas danadas!
— Jordry grita do convés.
O mercenário desperta assustado e logo se junta aos outros
tripulantes no corredor, que curiosos, caminham apressadamente para o lado
de fora. Chegando lá, a equipe avista uma parte da carga de vinho
salamariano amontoada, sendo que um dos barris foi inteiramente violado e
Jordry está embriagado, debruçado no convés.
— Parem de timidez e venham tomar um gole comigo — oferece
Jordry para alguém no mar.
— Que merda você fez? E com quem acha que está falando? —
questiona Brandon ao líder da incursão.
— Minhas meninas, belas sereias! Eu vi primeiro, já vou lhe
avisando — Jordry responde, apontando o dedo na cara do tripulante.
Brandon afasta o dedo com hostilidade.
— Elas não sabem o que estão perdendo — continua Jordry,
olhando para o mar — Não faz mal, sobra mais pra gente — em seguida, o
ancião observa a tripulação — Ah! Esse é um dos meus! — todos os
olhares se viram para Narzo, o rapaz calado e magricelo, que demonstra ser
mais forte do que parece, ao levantar um barril com uma única mão e beber
no gargalo.
— Larga isso, é nosso passaporte para… — recrimina Gaiwan.
— Tão ingênuo, Gaiwan. Confia em tudo que dizem? Coitado! A
carga de troca está lá embaixo, isso aqui é só um agrado, minha reserva
particular que estou disposto a dividir. Meu jovem, encare isso como uma
comemoração, pode ser a nossa última. Exagorn está logo ali. VAMOS
BEBER! — vocifera Jordry.
Os tripulantes se olham, vendo Narzo ficando cada vez mais
sorridente, um a um começa a se aproximar da bebida.
Romir, o capitão, entorna o bico, o escudeiro timidamente beberica,
Morghus e Thesia brindam, enquanto Gaiwan e Brandon ficam um pouco
relutantes. O mercenário tinha uma fraqueza ao álcool, era uma luta que ele
sempre perdia, e desta vez, não foi diferente. Um caneco para começar, e
não demorou para o vinho desaparecer do barril.
Pela primeira vez, a tripulação se divertia, e não só de bebida virou a
noite, eles começaram a inventar seus próprios jogos.
(Vá para 009)
009
Escolha o que Gaiwan vai jogar.
1-Cartas
(Vá para 010)
2-Duelo de precisão (Vá para 012)
3-Alvo vivo
*Só escolha a opção 3, após ter feito as duas primeiras.
(Vá para 011)
010
Sentado no chão com as pernas cruzadas, Jordry distribui algumas
cartas sobre um pano. Em seu deck há 6 cartas brancas e 1 preta, ninguém
consegue vencê-lo, o próximo a encará-lo é Gaiwan, que participa do jogo,
pagando 2 kelpos.
(Perca 2 kelpos)
— Venha, rapaz, vamos ver se você tem mais sorte do que esses
perdedores.
Jordry mostra as cartas para o desafiante, em seguida, embaralha
com maestria, seus movimentos são ordenados e ágeis. Gaiwan observa
atentamente, tentando acompanhar o experiente carteador.
— É essa — aponta o mercenário.
— Tem certeza? Te concedo uma chance — insiste Jordry.
— É essa, eu disse — o mercenário se mantém firme.
Jordry encara o desafiante e faz um suspense na revelação. Gaiwan dá
um sorriso cínico em espera. A carta é exposta, revelando a coloração
branca.
— Que droga! Você perdeu, Gaiwan. Você perdeu — gargalha o
ancião.
O que, Gaiwan, vai fazer?
1-Confrontar Jordry.
(Vá para 014)
2-Jogar outro jogo ( Vá para 009)
011
Narzo, agora enturmado, propõe um jogo.
— Vocês bancam os espertalhões, corajosos e orgulhosos, mas
quero ver se tem algum homem ou mulher nesse navio capaz de acertar uma
mera maçã. Por 5 kelpos eu os desafio, quem acertar, leva tudo.
O rapaz, antes tímido, dá uma faca para Gaiwan, Morghus e Thesia,
e se afasta, ficando próximo da proa, com a fruta equilibrada na cabeça.
— Tô dentro — Morghus coloca 5 kelpos na bancada.
— Você é mais idiota do que eu pensava — diz Thesia à Narzo, e
contribui com as moedas.
— Então vamos jogar — responde por último Gaiwan, aceitando o
desafio e joga 5 kelpos na mesa.
(Perca 5 kelpos)
Use um dado de seis lados (D6) para fazer a rolagem. Jogue
primeiro com Gaiwan, mas caso ele não acerte a maçã, jogue o dado para
Thesia e Morghus, respectivamente.
(Desafio)
Resultado: 1 ou 2
Passa de raspão A faca passa de raspão, próximo ao pescoço de Narzo e
desaparece no mar. Ele sorri e zomba do jogador.
— Ruim. Muito ruim, sabia que era só marra mesmo.
Resultado: 3-4-5
Cabeça
O jogador(a) acerta a faca na cabeça de Narzo. Ele desequilibra e cai no
mar, fim de jogo. Todos os tripulantes correm para socorrê-lo, mas uma
poça vermelha já se forma na água. Narzo está morto.
— Os jogos acabam aqui, pessoal — Jordry declara o fim da festa.
(Vá para 016 imediatamente)
Resultado: 6
Acerta a maçã
O jogador(a) acerta a maçã e ganha 15 kelpos.
— Sorte de principiante — Narzo desdenha.
(Vá para 016)
012
Brandon mostra um truque que aprendeu com o pai que é passar a
faca pelos dedos do oponente sem o cortar.
— Não se trata de aptidão física, mas de precisão, inteligência. É
preciso saber calcular os espaços vazios, que por sua vez precisam estar no
mesmo ângulo, sendo penetrados por movimentos contínuos.
— Não é fácil aprender de primeira, mas tenho uma metodologia —
continua ele. — E com meus dedos em risco, irei provar que não falha.
— Gaiwan, eu te desafio.
O mercenário aceita e abre as mãos conforme a orientação de Brandon, a
faca passa ligeiramente sem que ele sofra um arranhão.
— Agora concentre-se no que vou te explicar — em seguida,
Gaiwan recebe orientações de como segurar a faca e sobre a linha
imaginária que precisa traçar.
(Desafio): 3
Sucesso: (Vá para 013)
Falha: (Vá para 015)

013

Com a faca em mãos, Gaiwan se concentra, tentando encontrar o


ponto de equilíbrio nos espaços vazios. Passa toda a jogada em sua cabeça e
deposita a confiança na lâmina e em sua aptidão. Ambos ainda sentem o
efeito da embriaguez, mas de alguma forma o subconsciente de Brandon é
analítico e sabe que Gaiwan é a única opção válida para o cumprimento
desse desafio, assim como o mercenário persevera mesmo em condições
instáveis.
Gaiwan realiza a jogada, passando a faca rapidamente entre os
dedos do oponente, cumprindo assim o duelo de precisão, que sobretudo
trata-se mais sobre Brandon fazer a jogada certa.
(+ Gaiwan ganhou a lealdade de Brandon) ( Vá para 009)
014
— Isso foi forjado. Mostre-me todas as cartas, seu velho vigarista.
— Ninguém quer perder, eu sei. Mas não precisa ser um babaca —
retruca Jordry.
— Eu vou te mostrar um babaca — ligeiramente, Gaiwan se apossa
das cartas e, como imaginou, não havia nenhuma preta sobre a mesa. Ele
encara o ancião que o responde com um sorriso cínico.
— Uma, duas, três — Jordy conta as moedas e entrega ao
mercenário.
— São duas — responde Gaiwan.
— Essa é pelo nosso segredinho — fala o ancião, dando um tapinha
nas costas do adversário, e se afasta.
(Ganhe 3 kelpos)
( Vá para 009)
015
Gaiwan sua ao tocar na lâmina, sua visão está meio turva, embora
não queira dar o braço a torcer e desistir. Ele fecha os olhos rapidamente e
isso alerta Brandon, que recolhe seus dedos e o adverte.
— Você fracassou — condena ele.
— Ainda nem tentei — defende-se Gaiwan.
— Perdeu antes mesmo de começar, mas não foi o único a fracassar
— confessa ao mercenário, sentindo-se mal pela própria escolha.
( Vá para 009)
016
A escuridão é derrotada pelo amanhecer, trazendo não só um novo
dia como o começo de uma jornada na terra prometida. O apito do navio,
alto e agourento, anunciava Exagorn, passando aos tripulantes um
sentimento de apreensão e incerteza ao avistarem o litoral do continente
vermelho.
Apesar de que não só o desconhecido os assustava, após a ressaca,
os embarcados perceberam os estragos da noite anterior, já que no convés
havia mais barris do que antes da bebedeira.
— Mas que merda! Pegamos os lá debaixo também — Thesia se
indignou ao dar conta da situação.
— Vamos dar um jeito — respondeu secamente Jordry, com os
olhos pregados no horizonte.
Outro que também estava obcecado pelo continente era Gaiwan. Ele
observava, com auxílio de uma luneta, a paisagem do novo mundo. Havia
um porto improvisado na margem, onde os nativos o aguardavam. Logo
atrás era coberto de terra vermelha e imensas rochas que formavam
desfiladeiros. Ao longe, avistou o pico de duas grandiosas torres metálicas.
— Jordry, que tipo de construção é aquela? — indagou o mercenário
ao líder de incursão.
— A construção representa os Dentes da divindade Dawyne.
Conhece a lenda?
Gaiwan responde que não com a cabeça.
— Contam que ela e sua irmã gêmea Vawyne queriam engolir
Mephirot. Dawyne abocanhou, daí os dentes, e Vawyne tragou, dando
origem à garganta de Vawyne, um poço imenso que é protegido pelas torres
metálicas de sua irmã. Tem quem acredite que elas foram castigadas,
transformadas em uma fortaleza para abrigar eternamente um dos elementos
mais raros de toda a existência.
— Presumo que seja o Fogo Eterno — arrisca Gaiwan, e o ancião
opta pelo silêncio.
(Vá para 017)
017
O navio desembarca no porto clandestino, onde uma dúzia de
vatinezes exagornianos aguardavam a carga contrabandeada. Gaiwan ficou
surpreso em vê-los na forma humana, em que apenas os olhos vermelhos os
diferenciavam, pois imaginava que em Exagorn, esses mestiços de
demônios com humanos, só assumissem a forma original monstruosa.
Romir é o primeiro a desembarcar e cumprimenta seus
companheiros no idioma nativo, que o mercenário desconhece. Após uma
breve conversa, ele retorna ao navio e comunica a tripulação.
— Eles querem a carga que lhes pertence. Eu disse que fomos
atacados por piratas e que verificaria se havia remanescentes. Ficaram
furiosos, e mandaram nos apressar com a contagem. Só assim decidirão se
podemos desembarcar.
(Desafio): 4
Sucesso: (Vá para 021)
Falha: ( Vá para 019)
018
Quando Narzo desembarca do navio, ele deixa a carga de lado e
começa a olhar fixamente para o mar, como se estivesse em transe. Logo a
atitude do rapaz chama a atenção da equipe, que apesar de já achá-lo
estranho, nota uma reação mais bizarra agora.
— O que esse imbecil está olhando? — Thesia quis saber.
— Oh, retardado, vamos embora! — chama Morghus.
Gaiwan percebe que os vatinezes começam a rir e Jordry passa a
mão na testa preocupado. No entanto, o que deixou o mercenário mais
intrigado foi a mudança repentina do tempo, em que nuvens negras
começam a cobrir o céu e as ondas ficam cada vez mais agitadas. Nessa
hora, Narzo vai em direção ao mar.
Subitamente, Gaiwan, movido por um mau presságio, tenta deter o
rapaz, correndo para afastá-lo da água, mas fracassa, pois ao tentar puxar o
companheiro, o mercenário acaba sendo arrastado por ele. Narzo é
realmente forte e não está apenas compenetrado, mas também salivando.
— O que está fazendo, Narzo? — Gaiwan tenta dialogar.
Da praia, a equipe observa intrigada.
— Temos que ajudar Gaiwan — Harold fala à Jordry.
— Não podemos interferir — Jordry responde tristemente. — Os
rastros de opressão são mais fortes aqui, mentes fracas como a de Narzo são
presas fáceis. Uma vez tomado pela opressão, não há nada que possamos
fazer.
— Vamos apenas assistir ele matar Gaiwan? É isso que propõe? —
Harold insiste.
— Se Gaiwan é quem eu penso ser, vai sair dessa — afirma Jordry.
Chegando no mar, Narzo afunda a cabeça do mercenário, tentando
afogá-lo.
(Combate)
Narzo - O louco Desafio: 4
Vida: 3
(Vá para 022) caso morra em combate.
(Vá para 024) se foi sentenciado ao caminho da tríade.
(Vá para 023) se foi autorizado a seguir pelo caminho comum.
019
— Diz que isso é suficiente — Harold tenta entender.
Todos olham para Jordry e Romir em busca da resposta dos
veteranos, mas o silêncio deixa o clima ainda mais apreensivo.
O capitão e o líder de incursão conversam a sós, logo após, Romir
desembarca e tenta negociar com os vatinezes.
Gaiwan observa atentamente, quando um soco inesperado atinge a
face do capitão, e depois o vatinez que o agrediu, pega ele pela gola e fala
bem rente ao seu ouvido.
Romir humilhado retorna ao navio e pede para que desçam a carga
restante.
— O que eles disseram? Podemos passar? — Jordry se apressa a
perguntar.
— Se não pudéssemos, você já saberia. Vocês vão, mas pelo
caminho da tríade.
— Mas isso é suicídio! — protesta o ancião.
— Só há esse caminho para vocês agora — Romir encerra a
conversa.
(Vá para 024)
Mas se caso Narzo ainda esteja entre os tripulantes (Vá primeiro para 018)
020
O mercenário consegue escapar das mãos de Narzo, nessa altura já
entendeu que não tem como salvá-lo, portanto, afasta-se, e nada o mais
rápido que consegue para a praia. Chegando em terra firme, ele tenta
recuperar sua energia.

(momento de descanso)
(Vá para 023) se foi autorizado a seguir pelo caminho comum.
(Vá para 024) se foi sentenciado ao caminho da tríade.
021
— Achei que não íamos passar dessa — confessa Romir à Jordry.
— Eu também, meu amigo, eu também — responde o ancião,
aliviado.
Gaiwan se junta à equipe para levar os barris até os vatinezes, que
contentes, inspecionam a carga e entornam alguns barris em comemoração.
(Vá para 023)

Mas se caso Narzo ainda esteja entre os tripulantes (Vá para 018)
022
Gaiwan não consegue se livrar das mãos de Narzo, e sente a água
salgada entrando por suas narinas, regando seus pulmões e limpando
brutalmente a sua consciência.
O corpo do mercenário afunda em águas estrangeiras.
Sua jornada acaba aqui.

023

Depois que a carga é entregue aos vatinezes, Jordry apressa a


equipe.
— Vamos! Quanto antes pegarmos o Fogo Eterno, melhor serão
nossas chances — todos, exceto Romir, acompanham o líder.
— Romir não vai com a gente? — Harold quer saber.
— Não podemos arriscar nosso capitão, faz parte do acordo ele ficar
com os exagornianos.
Jordry vai na frente, mostrando o caminho, através de uma trilha
estreita que leva ao pico de um penhasco. A subida é longa e o calor é
excessivo durante o dia.
Horas depois, alcançam o topo da imensa montanha e avistam no
centro dos desfiladeiros, os Dentes de Dawyne.
— Mais algumas horas e estaremos lá. — Jordry aponta para o
templo. — Porém, não somos de pedra, vamos parar e descansar.

(momento de descanso)
Sem hesitar, o grupo inteiro desaba no chão.
Enquanto descansa, Gaiwan pode tentar estreitar os laços entre os
companheiros. Com quem ele quer conversar?

Falar com Thesia (Vá para 025)


Dialogar com Morghus (Vá para 027)
024
Jordry se despede de Romir e apressa o grupo. — Então é isso. Que
os deuses não cuspam em nossa cabeça. Vamos cambada, hora de zarpar!
— Romir não vai com a gente? — pergunta Gaiwan.
— Sem capitão o navio não navega. Faz parte do acordo ele ficar
com os exagorniados até nosso regresso — responde o ancião.
— E faz parte do plano os vatinezes nos acompanharem? — indaga
o mercenário, observando que três exagornianos os escoltavam.
— Não, não faz, mas o plano exigia que entregássemos a carga
completa, porém, como não fizemos nossa parte, eles vão nos levar até um
lugar que chamam de tríade.
— E o que isso quer dizer? — insiste Gaiwan.
— Que estamos bem encrencados a partir de agora — afirma o
ancião.
(Vá para 026)
025
Gaiwan observa Thesia, ela retira o peso de sua armadura, ficando
com uma parte das costas nua. Em seu ombro direito ele vê uma enorme
cicatriz com um nome gravado: Moah Myhat . A guerreira percebe que
alguém está a observando e seus olhos logo encontram Gaiwan. Depressa
ela cobre o ombro e adverte o mercenário.
— Tá olhando o quê? Eu arranco seus olhos se me olhar desse jeito
outra vez — ela o ameaça.
Gaiwan se aproxima com calma e senta-se ao lado dela. Thesia fica
furiosa, e ele se apressa a dizer.
— Calma! Eu não estou interessado se é o que pensa, Moah.
Thesia dá um riso irônico, cospe no chão, e em seguida, coloca a
mão na testa, encarando Gaiwan.
— Nunca mais me chame desse maldito nome, entendeu? — ela fala
seriamente. — Eu não sou ela, mas gostaria que estivesse morta.
— Costuma tatuar nomes de inimigos? — Gaiwan insiste na
conversa.
— Não, imbecil. Ela fez isso em mim.
Thesia se levanta bruscamente e avista algo que chama sua atenção.
— O que é aquilo? — ela aponta para duas pessoas na beira do
precipício.
(Vá para 029)
026
Afastando-se da praia, caminham em direção aos desfiladeiros, logo
depois, passam por um caminho estreito entre os paredões de pedra e terra.
Embora ainda seja dia, pouca luz penetra o labirinto formado pelas ravinas.
Durante o percurso, são acompanhados por tremores e
deslizamentos de rochas, deixando a jornada ainda mais perigosa.
Mais tarde, se deparam com uma ladeira íngreme, cheia de lodo e
imperfeições. A partir desse ponto, os vatinezes abandonam o grupo, mas
obrigam Jordry e sua equipe a continuar até chegarem à entrada da tríade, a
gruta que liga a praia ao templo. Este era o caminho mais arriscado, no qual
foram sentenciados como forma de punição por terem violado a carga.
O grupo atravessa a colossal entrada da caverna, percebendo que os
tremores ficaram cada vez mais intensos. Um filete de água corrente banha
os pés da equipe, e ali dentro o caminho não é linear, há inúmeros buracos
gigantescos, formando labirintos irregulares.
— Fiquem juntos e sigam o manancial — ordenou Jordry.
— Já esteve aqui? — perguntou Gaiwan em seguida.
— Uma vez, e levei um monte de lembranças pra casa — o ancião
alisa novamente a terrível cicatriz no pescoço.
De repente, um terremoto avassalador é sentido sob seus pés e o
grupo se dispersa, inesperadamente, o solo começa a se deslocar
desproporcionalmente, enquanto algumas partes sobem, outras descem.
Jordry grita para saltarem e irem sempre em frente.
Nessa hora, Gaiwan se prepara para se arriscar entre as rochas em
movimento.
(Desafio): 3
Sucesso: (Vá para 028)
Falha: (Vá para 030)
027
Morghus se distancia do grupo, Gaiwan vai atrás dele. De repente,
Morghus para, e de costas, ele repreende o mercenário.
— Vai ficar me seguindo, seu merdinha?
— Para onde vai? — questiona Gaiwan.
— Não te interessa.
— Interessa sim, somos um grupo agora — insiste o mercenário, e
se aproxima com rapidez do fugitivo, encarando Morghus de frente, ele
percebe que o grandalhão está com os olhos mergulhados em lágrimas.
— Eu não sei o que está acontecendo comigo — Morghus confessa.
— Mas não consigo controlar.
— Não há vergonha em chorar.
— Eu não choro, porra! Desde meus 8 anos, eu não choro. Tem algo
muito errado nesse lug… — Morghus não consegue terminar a frase, algo
do outro lado do desfiladeiro rouba a sua atenção.
(Vá para 029)
028
Gaiwan salta por uma fenda que surgiu e percorre o caminho,
tentando não ser atingido pelo solo furioso. Seus companheiros também
seguem obstinados, embora alguns se firam durante a jornada.
Do mesmo modo que o terremoto começou, ele cessa subitamente.
Reunidos outra vez, a equipe recobra o fôlego em frente a um lago
de coloração esmeralda.
(Vá para 032)
029
Gaiwan percebe que todos os seus companheiros agora observam
atentamente um casal nu, com mãos dadas, olhando para as profundezas do
cânion. Não demora e a dupla se joga no abismo, isso pega todos de
surpresa, exceto, Jordry, que apenas se levanta sem demonstrar espanto.
— Vamos! A moleza acabou — o líder junta seus pertences.
— Você sabe o que está acontecendo. Conte-nos!— Sir.Harold exige
saber.
— Isso é mais comum do que imaginam. É melhor se acostumarem
— conta Jordry indiferente com a situação.
— O que está escondendo da gente? — Gaiwan o questiona.
— Aqueles eram urbes, para esse povo a morte é uma libertação.
Agora peguem suas coisas, temos que chegar no templo antes do anoitecer.
A equipe começa a se deslocar, o sol se despede aos poucos e a
temperatura sofre quedas bruscas, dando espaço para uma brisa fria que
parece sussurrar maus presságios. Durante esse tempo, parecia que Jordry
estava apreensivo, olhava para todos os lados, e exigia, frequentemente, o
silêncio de seus companheiros.
Mais tarde, um tremor deixa todos em alerta, as cadeias de
montanhas são afetadas e estrondos simultâneos orquestram uma sinfonia
perturbadora, enquanto rachaduras se formam no solo. A sensação era de
que algo subterrâneo os rejeitava e estava prestes a engoli-los.
— Ela nos achou! — Jordry anuncia.
— Ela quem? — pergunta Brandon.
— Gamadak. Corram! — o ancião dá o comando e corre em direção
ao templo, que estava a um pouco mais de um quilômetro.
Os tremores se intensificam, Gaiwan olha para trás e vê que o solo
começa a ruir, observa o desconhecido com uma certa curiosidade ingênua.
— GAIWAN! — o grito de Jordry impulsiona o mercenário a reagir,
quando ele se atenta, percebe que havia ficado para trás e se apressa para os
alcançar.
Logo à frente, surge uma enorme fenda que bloqueia o caminho,
separando, definitivamente, Gaiwan dos outros. Sem outra alternativa, o
mercenário se prepara para saltar, se abastecendo de coragem ele recua para
pegar impulso.
(Desafio): 5
Sucesso: (Vá para 031)
Falha: (Vá para 033)
030
Gaiwan salta por uma fenda e bate de frente com um monte que se
ergue de repente. A pancada é brusca e ele perde a consciência. Quando
acordar, verá uma lembrança de Exagorn, um ferimento no centro da testa.
(Perca 3 de vida)
O mercenário cai direto em uma superfície que também se eleva.
Morghus se arrisca para ajudá-lo.
(+ Gaiwan ganhou a lealdade de Morghus)
Com Gaiwan em suas costas, Morghus segue desviando dos
obstáculos. Até que o tremor cessa inesperadamente, reunindo o grupo
próximo a uma lagoa de água verde intensa.
Gaiwan desperta e conversa sobre o que aconteceu.
(Vá para 032)
031
Movido por um instinto avassalador, o mercenário impulsiona seu corpo
para frente, urrando a pleno pulmões, ele externaliza toda a sua vontade, e
por alguns segundos seu corpo flutua no ar.
Gaiwan é arremessado no solo firme, sentindo a terra outra vez, ele
é acometido por uma sensação de euforia que o estimula a se erguer e
continuar.
(Vá para 037)
032
— O que foi aquilo? — Gaiwan indagou assustado.
— A tríade, na verdade, é a toca da Gamadak, uma serpente titã de
pedra que habita essa região — informou Jordry. — Olhem em sua volta,
esses buracos são por onde ela passa e ainda demos sorte dela estar
transitando por baixo. Acreditem, se ela estivesse nesse nível, já estaríamos
mortos.
— O que vamos fazer agora? — Brandon, cheio de cortes pelo
corpo, perguntou receoso.
— Sempre em frente. Isso significa que precisamos cruzar o lago.
Mas tomem cuidado, não é só a Gamadak que pode nos matar, quanto mais
tempo perdermos discutindo, piores serão nossas chances. Não se distraiam
no lago. Sempre em frente, entenderam?
Todos consentem com a cabeça.
Sem demora, o ancião mergulha naquela bacia mal-cheirosa, em
seguida, os outros o acompanham.
Gaiwan penetra a água congelante e fétida. Imerso, ele ouve uma
melodia funesta que o arrepia mais do que a temperatura, e logo pressente
que está sendo observado.
No meio do percurso, são cercados por um grupo de sereias com
cabeças de polvos e diversos tentáculos, eram as Zendéias, uma raça
desconhecida para o mercenário. As criaturas agarram os aventureiros e os
arrastam para as profundezas.
(Desafio): 3
Sucesso: (Vá para 036)
Falha: (Vá para 038)
033
Por mais que a coragem não o abandonasse, a cratera estava além de
seus esforços. O mercenário sentiu seu corpo perder força durante o salto,
sendo lançado para o abismo, enquanto suas mãos erguidas não desistiam
de lutar, estendidas para a superfície que era engolida pelas profundezas.
Ao longo da queda, ele sente mais tremores em sua volta, e de
repente, seu corpo é amparado violentamente sobre uma estrutura rochosa
que se move.
(Perca 5 de vida)
Sangue escorre de sua cabeça, mas ele tenta lutar para não perder a
consciência e o equilíbrio, se agarrando no desconhecido que abre caminho
por baixo da terra. Logo percebe que estava sobre um ser colossal, que só
podia ser a temida Gamadak, a serpente titã de pedra.
Gamadak costura a superfície, movimentando-se em direção ao
grupo de Gaiwan, que corre desesperado para o templo. Gaiwan, agarrado
no dorso da titã, vislumbra uma oportunidade.
Ele se equilibra, movendo-se até a cabeça da serpente. Chegando lá,
vê o imenso orifício que se assemelha a um olho, com presteza, retira do
suporte nas costas o seu martelo e tenta golpeá-la.
(Desafio): 6
Sucesso: (Vá para 034)
Falha: (Vá para 035)
034
Ao atingir Gamadak, ela fica desnorteada e começa a se debater, a fim de
afastar o intruso. Gaiwan espera ficar o mais próximo do templo para saltar
da titã, caindo a poucos passos da entrada, ele se levanta e corre para a
segurança do templo, onde seus companheiros o aguardam e o recebem
com calorosos cumprimentos pela ousadia insana.
(Vá para 040)
035
O plano de Gaiwan fracassa. Gamadak, já consciente do intruso, se
debate e o mercenário cai de uma altura considerável, sofrendo uma lesão
nas costas.
(Perca 4 de vida)
A serpente retoma à terra. Morghus se arrisca para resgatar o
mercenário, se aproxima de Gaiwan e joga o rapaz em suas costas,
enquanto corre em direção ao templo, a cobra surge outra vez. Gaiwan
desmaia, quando recobra a consciência, estava na segurança da fortaleza
com uma bandagem nas costas que amenizava a dor.
(Vá para 040)
036
Gaiwan dá um chute certeiro no rosto da zendéia, que desiste de
agarrá-lo, então, retoma a nadar e vê seus aliados em apuros. Thesia está
mais próxima, o mercenário vai ajudá-la e tenta desferir um soco na face da
criatura.
(Desafio): 2
Sucesso: Gaiwan gira o martelo agilmente e o golpe atordoa zendéia.
(+ Gaiwan ganhou a lealdade de Thesia) Falha: Thesia aproveita a distração
do mercenário e escapa sozinha, não reconhecendo o esforço do guerreiro.
A coragem de Gaiwan estimula os demais. Morghus resgata
Brandon de ser sufocado e Harold puxa Jordry, que não consegue
acompanhar a jovem equipe. Por fim, todos conseguem escapar da morte e
saem do lago.
(Vá para 039)
037
A equipe de Gaiwan vibra com sua conquista, eles já estão no portal
do templo, aguardando-o para entrar. No entanto, algo grande irrompe das
fissuras, levanta muita poeira e atrapalha a visão do mercenário. Quando
Gaiwan se dá conta, enxerga uma imensa serpente de pedra, Gamadak se
aproxima.
— Corra, Gaiwan, corra! — berram seus companheiros.
Gaiwan está a poucos metros da segurança do templo, e novamente
estimula todo o seu corpo a cooperar, movimentando-se o mais rápido que
consegue ele alcança o seu destino.
(Vá para 040)
038
O mercenário perde a chance de acertar o ponto mais frágil da
zendéia: a cabeça. Seu chute é fraco e abre espaço para a criatura enroscar
seus tentáculos no corpo dele, esmagando-o.
(Perca 3 de vida)
Mas Gaiwan não desiste, tenta soltar um dos braços para alcançar o
martelo preso às costas. A zendéia interpreta o ato como ameaça, e com
força, arremessa o mercenário para fora do lago contra um paredão de
pedra. Gaiwan lesiona as costas.
(Perca 4 de vida)
Seus companheiros também são arremessados pelas criaturas e se
espatifam no chão, de modo que não fossem dignos de morrer nas
profundezas.
(Vá para 039)
039
Assim que saem do lago, observam um paredão de pedra, que
impossibilita seguir em frente, que era o que Jordry havia instruído. Então,
olham para o líder em busca de uma direção, mas o ancião está muito
enfraquecido e fica mais tempo deitado no chão de olhos fechados.
— O velhote bateu as botas ou tá tirando um ronco? — debocha
Morghus.
— Velhote não deveria ser ofensa, você terá sorte se um dia chegar a
idade dele — retruca Sir. Harold.
— Quem te chamou na conversa? Nem arma você usa, seu frouxo
— Morghus ofende o escudeiro.
— Calados! — intervém Jordry, ainda com as pálpebras pregadas.
— Sentem, descansem e comam algo, pois precisam ter energia para
escalar.
— Escalar? Sério isso? — se surpreende Brandon, que estava
arrependido de aceitar a missão.
(momento de descanso)
Depois do breve intervalo, o grupo inicia a escalada. Brandon
fracassa já no começo, e Jordry usa um apetrecho para subir, um aparato
mecânico que lança uma corda metálica, agarra-se no topo e o impulsiona.
— Vem comigo, Brandon! — ele diz ao rapaz sem aptidão física.
Enquanto os dois sobem, os demais vão do jeito tradicional.
Durante a escalada, um verme gigante irrompe de um covil no
paredão. A larva se arrasta na direção de Gaiwan, que está à frente do
grupo. O mercenário faz um movimento lento para retirar o martelo das
costas.
(Combate)
Verme gigante
Desafio: 4
Vida: 2
Se vencer: (Vá para 042)
040
Assim que cruzaram a entrada da fortaleza de pedra e metal,
sentiram uma brisa quente vinda da fornalha da garganta, estalidos
constantes e um cheiro de ferro derretido que Gaiwan resgatou da infância.
O longo corredor estava desprotegido, nem mesmo a titã de pedra ousava
adentrar, mas vigiava os arredores, causando tremores, para que sua falta
não fosse esquecida.
Ao fim do saguão, se depararam com um monumento que representa
as deusas, um único corpo compartilhado por dois seres, esculpidos de
forma a expressar fúria na tentativa de se desprender, materializando
anomalias na forma carnal.
— Ninguém sabe quem esculpiu, mas se o artista representa deuses
assim, imagina só a galeria dos demônios? — brincou Jordry. — Agora
vamos, cambada! Temos uma garganta para descer! — acrescenta ele, indo
em direção ao poço no fim do corredor.
Na beira do abismo, Gaiwan olha para baixo e sente lufadas, ainda
mais inflamadas, que passam por ele e escapam pelo teto aberto do templo,
ele nota a descida do poço, circular e estreita, até a grande brasa, com
paredões impenetráveis, que acolhiam com integridade o elemento raro.
(Vá para 043)
041
Morghus estremece com a ideia de ajudar Jordry, que está na mira
do dragão, mas decide não deixar Gaiwan na mão.
— É melhor esse velhote valer a pena — diz ele e toma a dianteira.
Morghus faz força para levantar a pedra, abrindo caminho para
Gaiwan passar.
Sem demora, Gaiwan alcança o ancião e envolve um pedaço de
tecido no rosto dele.
— Aguenta mais um pouco — o mercenário diz ao companheiro
ferido, apoiando ele em seu ombro.
— O ovo. Precisamos do ovo — lembra o ancião.
Gaiwan avista o artefato, mas está quebrado ao meio.
— Vai logo, porra! — Morghus intervém. — O dragão tá vindo —
alerta em tom de desespero.
(Vá para 045)
042
Gaiwan não desiste até o verme gigante ser derrotado, golpeia
demasiadamente até que a larva estoura e excreta um líquido verde que
cobre o mercenário e respinga em Thesia, Morghus e Harold. Da ponta do
paredão, Jordry e Brandon acompanham enojados.
Finalmente, todos alcançam o topo e conseguem sair da tríade. Já na
superfície, eles avistam o imenso templo de Vawyne e Dawnye, suas torres
metálicas eram ainda maiores vistas de perto. O grupo se equilibra por um
caminho estreito até a passagem colossal, que os colocaria na rota do Fogo
Eterno.
(Vá para 040)
043
Depois de uma longa descida, eles encontram o berço da chama
azul. Ensopados de suor, a equipe aguarda para ver como Jordry vai
apanhar o elemento.
O ancião retira de sua bolsa um aparato mecânico no formato de um
ovo e o deposita, cuidadosamente, no braseiro. Não demora, e o artefato se
abre como uma flor de lótus, e aos poucos vai se preenchendo com a lava
que dá origem à combustão.
— Esse trabalho todo por tão pouco? — questiona Thesia.
— Já é mais do que o suficiente. Agora é só esperar o Ovo de
Dragão ficar completo — afirma o líder de incursão.
— Ovo de Dragão? — indaga Gaiwan.
— O nome é uma homenagem aos gigantes extintos.
— Entendo. Quem o projetou deve ter achado genial a ideia da
incubadora ser um ovo — analisa Gaiwan.
— Exato, captou bem a ideia — confirmou Jordry.
Enquanto o material é preenchido, uma lufada de ar frio desceu da
noite escura, atingindo o grupo de modo incompreensível. Logo são
tomados por uma sensação mórbida, como se a felicidade fosse assaltada
durante o sopro. Atordoados, sentiam a presença de algo muito negativo se
aproximando.
— O que foi isso? — pergunta Harold receoso.
— Não sei, mas melhor não ficarmos para descobrir — Gaiwan diz
— Como tiramos esse ovo? — acrescenta o mercenário, olhando para o
objeto.
— Com isso — Jordry se aproxima com um extrator do mesmo
material do Ovo de Dragão.
Na hora em que o ancião encaixa o puxador no artefato, um rugido
ensurdecedor invade o poço, assustando a equipe. Em seguida, ouvem
batidas de asas e uma criatura colossal irrompe no templo, ao passo que o
sentimento angustiante se intensifica.
Jordry fica estático, pois percebe a real forma da ameaça.
“Eles não estavam extintos?” , pensa Gaiwan
O dragão se move, esbarrando nas rochas que desabam na cratera.
— Corram! — grita Thesia.
Mas é tarde demais para o ancião, que recebe uma onda de lava no
rosto quando um dos pedregulhos é arremessado na fornalha, enquanto
várias rochas gigantes bloqueiam o seu caminho. Ele agoniza de dor, tento a
face sendo consumida pelo fogo.
Gaiwan percebe que Jordry fica para trás e pede ajuda de Morghus
para resgatá-lo.
(Vá para 041) se Morghus for aliado de Gaiwan.
(Vá para 044) se Morghus não for aliado de Gaiwan.
044
Morghus vira as costas para Gaiwan. Mesmo sem apoio, o
mercenário encara o problema. Ele vê as rochas em seu caminho, não há
como atravessá-las, mas ele conhece um meio de fazer isso. Com as duas
mãos ele segura o martelo e se prepara para acertar bem forte.
(Desafio): 5
Sucesso: (Vá para 047)
Falha: (Vá para 049)
045
O inacreditável dragão aterrissa próximo ao braseiro. A criatura
titânica era horrenda e parecia ter sido resgatada da morte, com olhos
brancos e pele necrosa. Ao tocar o solo, o monstro cria um tremor ainda
maior, nisso Gaiwan e Jordry são arremessados contra a parede. Harold e os
outros saem dos escombros e ajudam os companheiros a se erguer.
— Vocês voltaram — Gaiwan diz ao escudeiro.
— Não deveríamos ter ido — responde Sir. Harold, estendendo a
mão ao mercenário.
Estando mais próximo da criatura, o mercenário se sente
atormentado, até sua arma fica mais pesada. Ele percebe que o dragão
pousou para que um indivíduo de armadura negra deslizasse da montaria.
O cavaleiro negro ignora o grupo e vai em direção ao Fogo Eterno,
portando o cabo de uma espada em mãos. A cada passo que ele dá, Gaiwan
percebe sombras envolta do invasor e se dá conta de que, de alguma forma,
ele dominava a opressão.
Ao se aproximar do lago flamejante, uma espada se materializa nas
mãos do senhor do dragão, e ele a usa para sugar toda a fonte, criando uma
lâmina de coloração azul cintilante. Enquanto faz isso, o dragão vira-se para
o grupo e abre a boca para disparar de sua garganta uma bola de fogo.
— Corram! — ordena Sir. Harold à equipe.
(Vá para 046) se Sir.Harold for aliado.
(Vá para 048) se Sir. Harold não for aliado.

046

Todos saem correndo, exceto Harold, que fica para trás com o
escudo em mãos, encarando o dragão. Gaiwan percebe a ausência dele e
berra para o companheiro.
— HAROLD!
— Considere a dívida paga, Gaiwan — diz o escudeiro, sorrindo,
minutos antes do dragão cuspir fogo em sua direção.
O escudeiro aguenta alguns segundos, mas seu aço começa a
derreter.
— Vá! E proteja Jordry — e essas são suas últimas palavras, antes
de ser consumido pelo fogo.
Gaiwan fica em choque vendo o amigo se sacrificar. Ninguém,
jamais, havia dado a vida por ele.
Sua morte não poderia ser em vão, Gaiwan decidiu, e naquele
momento soube que precisava continuar e proteger não só Jordry, como
todos os outros. Então seguiu em frente, lutando para se manter firme,
enquanto ecoavam pelo templo os gritos de agonia de um leal companheiro.
CONTINUA… Na parte II
047
Diante do obstáculo, uma lembrança invade os pensamentos de
Gaiwan. Ele recorda de seu pai dando marteladas precisas no aço recém-
criado, que ainda incandescente, emanava uma tempestade de faíscas.
Seu espírito ardeu em coragem com esse pensamento, logo seus
músculos se enrijeceram, preparando-se para o golpe decisivo. Com toda
força, o filho do ferreiro desintegrou o obstáculo, atravessou e resgatou o
ancião antes do dragão aterrissar. Só não foi possível recuperar o ovo de
dragão, que foi esmagado.
(Vá para 045)
048
A rajada de fogo segue o grupo e alcança Gaiwan que está por
último. A bolsa do mercenário se incendeia e suas costas ficam feridas.
(Perca todos os seus alimentos e 2 de vida)
Gaiwan apaga o fogo e persiste, mesmo sentindo uma dor perturbadora.
Ele dá tudo de si para alcançar os outros pelo caminho circular. De repente,
um silêncio absurdo paira no ar e intriga todos eles. Nesse momento,
Harold procura Gaiwan com o olhar, e diz como se fosse diretamente para o
mercenário.
— Se eu tivesse o meu escudo, isso seria diferente.
De súbito, o dragão surge, sem anunciar sua chegada, abocanha a
cabeça de Sir.Harold, balançando selvagemente seu corpo.
Todos estremecem.
— Ah, merda! Vamos, vamos! Temos que continuar — grita Thesia.
Gaiwan é o último a passar e sente como se abandonasse o
escudeiro outra vez.
CONTINUA… Na parte II
049
Ele mira no obstáculo, e durante seu movimento uma voz penetra a sua
cabeça e enche seu peito de ódio.
“Um verme feito você não é capaz de cruzar o meu caminho.”
Isso faz com que o mercenário se enfureça e perca o controle,
desferindo golpes seguidos sobre a rocha, até ouvir uma voz distante.
— Chega, Gaiwan, não me machuque, por favor, não faça isso —
súplica Jordry.
Quando Gaiwan se deu conta, ele já havia destruído a pedra e seu
corpo estava ferido por estilhaços.
(Perca 2 de vida)
Diante dele estava Jordry, deitado no chão com as mãos protegendo
o corpo do martelo erguido pelo mercenário.
— Por favor, não me machuque — insistia o ancião.
Gaiwan abaixa o martelo, sem entender como tudo aconteceu, mas
reage tirando Jordry dali, antes do dragão aterrissar.
(Vá para 045)
CATARSE.ME/MESTRESDOMEDO
OBRIGADO POR LER/JOGAR
LEMBRE-SE DE AVALIAR
Table of Contents
The Legacy of Mephirot - O Senhor dos Dragões.docx
MESTRES DO MEDO
LIVROS-JOGOS
SUMÁRIO
MESTRES DO MEDO
DESCOBRINDO OS LIVROS-JOGOS
REGRAS
FICHA DO PERSONAGEM
INTRODUÇÃO AO UNIVERSO MEPHIROT
O SENHOR DOS DRAGÕES - PARTE I

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