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1ª Edição Física II

Física II

Isabel Cristina Souza

TROL
Física II
DIREÇÃO SUPERIOR
Chanceler Joaquim de Oliveira
Reitora Marlene Salgado de Oliveira
Presidente da Mantenedora Wellington Salgado de Oliveira
Pró-Reitor de Planejamento e Finanças Wellington Salgado de Oliveira
Pró-Reitor de Organização e Desenvolvimento Jefferson Salgado de Oliveira
Pró-Reitor Administrativo Wallace Salgado de Oliveira
Pró-Reitora Acadêmica Jaina dos Santos Mello Ferreira
Pró-Reitor de Extensão Manuel de Souza Esteves

DEPARTAMENTO DE ENSINO A DISTÂNCIA


Assessora Andrea Jardim

FICHA TÉCNICA
Texto: Isabel Cristina Souza
Revisão Ortográfica: Marcus Vinicius da Silva
Projeto Gráfico: Andreza Nacif, Antonia Machado, Eduardo Bordoni, Fabrício Ramos, Marcos Antonio Lima
da Silva e Ruan Carlos Vieira Fausto
Editoração: Antonia Machado
Supervisão de Materiais Instrucionais: Janaina Gonçalves de Jesus
Ilustração: Eduardo Bordoni e Fabrício Ramos
Capa: Eduardo Bordoni e Fabrício Ramos

COORDENAÇÃO GERAL:0
Departamento de Ensino a Distância
Rua Marechal Deodoro 217, Centro, Niterói, RJ, CEP 24020-420 www.universo.edu.br

Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca Universo – Campus Niterói.

S729f Souza, Isabel Cristina Silva.


Física II / Isabel Cristina Silva Souza e Tiago Moreira Cunha;
revisão de Marcus Vinicius da Silva. – Niterói, RJ:
EAD/UNIVERSO, 2013.
91 p. : il

1. Física. 2. Termodinâmica. 3. Dinâmica dos fluídos. I.


Cunha, Tiago Moreira. II. Silva, Marcus Vinicius da. III. Título.

CDD 530

Bibliotecária: Elizabeth Franco Martins – CRB 7/4990

Informamos que é de única e exclusiva responsabilidade do autor a originalidade desta obra, não se responsabilizando a ASOEC
pelo conteúdo do texto formulado.
© Departamento de Ensino a Distância - Universidade Salgado de Oliveira.
Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida, arquivada ou transmitida de nenhuma forma
ou por nenhum meio sem permissão expressa e por escrito da Associação Salgado de Oliveira de Educação e Cultura, mantenedora
da Universidade Salgado de Oliveira (UNIVERSO).
Física II

Palavra da Reitora

Acompanhando as necessidades de um mundo cada vez mais complexo,


exigente e necessitado de aprendizagem contínua, a Universidade Salgado de
Oliveira (UNIVERSO) apresenta a UNIVERSO Virtual, que reúne os diferentes
segmentos do ensino a distância na universidade. Nosso programa foi
desenvolvido segundo as diretrizes do MEC e baseado em experiências do gênero
bem-sucedidas mundialmente.

São inúmeras as vantagens de se estudar a distância e somente por meio


dessa modalidade de ensino são sanadas as dificuldades de tempo e espaço
presentes nos dias de hoje. O aluno tem a possibilidade de administrar seu próprio
tempo e gerenciar seu estudo de acordo com sua disponibilidade, tornando-se
responsável pela própria aprendizagem.

O ensino a distância complementa os estudos presenciais à medida que


permite que alunos e professores, fisicamente distanciados, possam estar a todo
momento ligados por ferramentas de interação presentes na Internet através de
nossa plataforma.

Além disso, nosso material didático foi desenvolvido por professores


especializados nessa modalidade de ensino, em que a clareza e objetividade são
fundamentais para a perfeita compreensão dos conteúdos.

A UNIVERSO tem uma história de sucesso no que diz respeito à educação a


distância. Nossa experiência nos remete ao final da década de 80, com o bem-
sucedido projeto Novo Saber. Hoje, oferece uma estrutura em constante processo
de atualização, ampliando as possibilidades de acesso a cursos de atualização,
graduação ou pós-graduação.

Reafirmando seu compromisso com a excelência no ensino e compartilhando


as novas tendências em educação, a UNIVERSO convida seu alunado a conhecer o
programa e usufruir das vantagens que o estudar a distância proporciona.

Seja bem-vindo à UNIVERSO Virtual!

Professora Marlene Salgado de Oliveira

Reitora.
Física II
Física II

Sumário

1. Apresentação da disciplina ................................................................................................... 07

2. Plano da disciplina .................................................................................................................... 09

3. Unidade 1 – Mecânica dos Fluidos ..................................................................................... 11

4. Unidade 2 – Propriedades Dinâmicas dos Fluidos em Movimento ..................... 29

5. Unidade 3 – Conservação de Energia em Processos Termodinâmicos................ 47

6. Unidade 4 - Teoria Cinética dos Gases .............................................................................. 67

7. Considerações finais ................................................................................................................ 89

8. Conhecendo o autor ............................................................................................................... 91

9. Referências .................................................................................................................................. 93

10. Anexos........................................................................................................................................... 95
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Física II

Apresentação da Disciplina

Caro aluno,

Bem-vindo a disciplina Física II. Esse livro foi desenvolvido de modo dinâmico
e prático, reconhecendo as particularidades da Física.

Como vimos no trimestre passado a Física é a ciência que estuda a natureza,


i. e., a maneira pela qual a Física surgiu, com a preocupação de nos levar ao
conhecimento dos fenômenos naturais, estes que estão presentes a todo o
momento, em todos os lugares, no cotidiano das pessoas, na Terra, em outras
galáxias, enfim, em todo o universo.

A disciplina contemplará quatro vertentes da Física, sendo elas a Mecânica


dos Fluidos, Conceitos Básicos de Termodinâmica, a Conservação de Energia
em Processos Termodinâmicos e a Teoria Cinética dos Gases.

Estamos certos que a leitura dos conteúdos e o desenvolvimento dos


exercícios serão atividades dinâmicas, práticas e prazerosas, além de somar de
forma considerável em seu intelecto acadêmico e profissional.

 
Bons Estudos !

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Física II

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Física II

Plano da Disciplina

Caro aluno,

Continuaremos os estudos de Física I, com o objetivo de desenvolver o


espírito científico e o raciocínio lógico. Para que você possa compreender e
interpretar, teórica e praticamente, os fenômenos físicos.

Com a finalidade de facilitar a compreensão segue uma síntese de cada


unidade, ressaltando seus objetivos específicos para que você possa ter uma visão
ampla do conteúdo que irá estudar.

Vejamos, então, o conteúdo programático, bem como seus objetivos


específicos:

Unidade 1 - Mecânica dos Fluidos

Nesta primeira unidade, estudaremos a estática dos fluidos, ou hidrostática.

Objetivo:

Conhecer as propriedades dos fluidos em repouso e as leis que os regem.

Unidade 2 - Conceitos Básicos de Termodinâmica.

Nesta unidade, estudaremos os conceitos de equilíbrio térmico, temperatura,


calor, bem como suas formas de propagação.

Objetivo:

Conhecer os conceitos básicos de Termodinâmica visando sua utilização como


base para sua formação profissional.

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Física II

Unidade 3 - A Conservação de Energia em Processos Termodinâmicos.

Nesta unidade, estudaremos a conservação de energia em processos


termodinâmicos e porque alguns só ocorrem em um sentido.

Objetivos:

Compreender a primeira lei da termodinâmica, relacionando os conceitos de


calor, energia e trabalho.

Conceituar entropia e enunciar a segunda lei da termodinâmica, aplicando


estes conceitos no dia-a-dia.

Conhecer o funcionamento de máquinas térmicas, como geladeira e ar


condicionado.

Unidade 4 - Teoria Cinética dos Gases

Nesta última unidade, vamos passar pela primeira vez da física macroscópica à
física microscópica, estudando a teoria cinética dos gases.

Objetivos:

Fazer uma análise microscópica de um gás e levar em conta suas propriedades


macroscópicas em termos das propriedades de suas moléculas.

Seguir o movimento de uma molécula e obter uma média desse


comportamento para todas as moléculas constituintes do sistema.

Bons Estudos!

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Física II

1 Mecânica dos Fluidos

Definição de fluido

Pressão em fluido

Massa específica

Teorema de Stevin

Princípio de Pascal

Princípio de Arquimedes

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Física II

Nessas duas primeiras unidades, nos dedicaremos ao estudo da mecânica dos


fluidos, que estuda o comportamento físico dos fluidos e suas propriedades. Os
aspectos teóricos e práticos da mecânica dos fluidos são de fundamental
importância para a solução de diversos problemas encontrados na engenharia,
sendo suas principais aplicações destinadas ao estudo de escoamentos de líquidos
e gases, máquinas hidráulicas, aplicações de pneumática e hidráulica industrial,
sistemas de ventilação e ar condicionado, entre outras.

O estudo da mecânica dos fluidos é dividido basicamente em dois ramos, a


estática dos fluidos e a dinâmica dos fluidos.

Primeiramente estudaremos a estática dos fluidos ou hidrostática (hidrostática


refere-se a água, que foi o primeiro fluido a ser estudado, assim por razões
históricas mantém-se o nome). Esta trata das propriedades e leis físicas que regem
o comportamento dos fluidos livre da ação de forças externas, ou seja, nesta
situação o fluido se encontra em repouso ou então com deslocamento em
velocidade constante.

Objetivo da Unidade :

 Conhecer as propriedades dos fluidos em repouso e as leis que os


regem.

Plano da Unidade :

 Definição de fluido

 Pressão em fluido

 Massa específica

 Teorema de Stevin

 Princípio de Pascal

 Princípio de Arquimedes

Bons Estudos

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Física II

Definição de fluido

Um fluido é caracterizado como uma substância que se deforma


continuamente quando submetida a uma tensão de cisalhamento, não
importando o quão pequena possa ser essa tensão.

A principal característica dos fluidos está relacionada a propriedade de não


resistir a deformação e apresentam a capacidade de fluir ou escoar facilmente, ou
seja, possuem a habilidade de tomar a forma de seus recipientes (Ver figura). Esta
propriedade é proveniente da sua incapacidade de suportar uma tensão de
cisalhamento em equilíbrio estático.

Os fluidos também são divididos em líquidos e gases, os líquidos formam uma


superfície livre. Os gases apresentam a propriedade de se expandirem livremente
quando não confinados (ou contidos) por um recipiente, não formando, portanto
uma superfície livre. A superfície livre característica dos líquidos é uma propriedade
da presença de tensão interna e atração/repulsão entre as moléculas do fluido,
bem como da relação entre as tensões internas do líquido com o fluido ou sólido
que o limita.

Um fluido que apresenta resistência à redução de volume próprio é


denominado fluido incompressível, enquanto o fluido que responde com uma
redução de seu volume próprio ao ser submetido à ação de uma força é
denominado fluido compressível.

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Física II

Pressão em fluido

A pressão média aplicada sobre uma superfície pode ser definida pela relação
entre a força aplicada e a área dessa superfície e pode ser numericamente
calculada pela aplicação da equação a seguir:

Como a força aplicada é dada em Newton (N) e a área em metro ao quadrado


(m2), o resultado dimensional será o quociente entre essas duas unidades, portanto
a unidade básica de pressão no sistema internacional de unidades (SI) é N/m2.

A unidade N/m2 também é usualmente chamada de Pascal (Pa), é comum na


indústria se utilizar a unidade Pa e os seus múltiplos kPa (quilo pascal) e MPa (mega
pascal).

Na indústria, muitas outras unidades para a especificação da pressão também


são utilizadas, essas unidades são comuns nos mostradores dos manômetros
industriais e as mais comuns são: atm, mmHg, kgf/cm2, bar e psi. A especificação de
cada uma dessas unidades está apresentada a seguir.

 atm (atmosfera)

 mmHg (milímetro de mercúrio)

 kgf/cm2 (quilograma força por centímetro ao quadrado)

 bar (nomenclatura usual para pressão barométrica)

 psi (libra por polegada ao quadrado)

A tabela abaixo fornece algumas pressões típicas expressas em pascal. O


termo “sobrepressão” inidca um valor de pressão que excede a pressão atmosférica
normal.

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Física II

Algumas pressões típicas Pressão (Pa)


A mais alta pressão conseguida em laboratório 1,5 x 1010
Maior profundidade oceânica (leito do mar) 1,1 x 108
Pneu de um automóvel (sobrepressão) 2 x 105
Atmosfera ao nível do mar 1,0 x 105
Pressão sanguínea normal* 1,6 x 104
Som mais baixo perceptível pelo ouvido humano** 30
Mais baixa pressão conseguida em laboratório (vácuo) 10-12
*Sobrepressão sistólica
**Sobrepressão na membrana do tímpano a 1.000 Hz

Massa específica

A massa específica será igual à massa do objeto como um todo dividida pelo
seu volume, quando o objeto for homogêneo, isto é, quando a massa específica
tiver o mesmo valor em todos os seus pontos. Podemos escrever:

.
A tabela a seguir fornece valores típicos da massa específica de alguns
materiais ou objetos.

Algumas massas específicas típicas Massa específica (kg/m3)


Gelo 0,917 x 103
Água a 20 ºC e 1 atm 0,998 x 103
Água do mar a 20 ºC e 1 atm 1,024 x 103
Sangue 1,060 x 103
Ferro 7,8 x 103

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Física II

Teorema de Stevin

Quando mergulhamos em uma piscina, lago, rio ou mar, nosso organismo


passa a suportar, além da pressão do ar, a da água também. Nosso corpo suporta
no máximo uma pressão de 4,0 atm ou 4,0 x 105 n/m2, o que equivale a uma
profundidade de aproximadamente 30 m, isso porque não estamos adaptados pra
a viver em meio líquido. Quanto mais fundo mergulhamos, maior será a pressão a
que estaremos submetidos.

Além da profundidade, a pressão exercida por um líquido depende também


da sua densidade e da gravidade local.

Com base nessas observações podemos enunciar o teorema de Stevin,


também conhecido por teorema fundamental da hidrostática, e sua definição é de
grande importância para a determinação da pressão atuante em qualquer ponto
de uma coluna de líquido.

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Física II

Este teorema diz que "A diferença entre as pressões de dois pontos de um
fluido em equilíbrio é igual ao produto entre a densidade do fluido, a
aceleração da gravidade e a diferença entre as profundidades dos pontos",
matematicamente essa relação pode ser escrita do seguinte modo:

Os engenheiros sabem disso e, quando calculam a espessura da barragem em


uma usina hidrelétrica, precisam conhecer e considerar a profundidade do rio e ou
da represa.

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Física II

Princípio de Pascal

O Principio de Pascal representa uma das mais significativas contribuições


práticas para a mecânica dos fluidos no que tange problemas que envolvem a
transmissão e a ampliação de forças através da pressão aplicada a um fluido.

O seu enunciado diz que: “quando um ponto de um líquido em equilíbrio sofre


uma variação de pressão, todos os outros pontos também sofrem a mesma
variação”.

Blaise Pascal (1623-1662), físico e matemático francês, descobriu que, ao se


aplicar uma pressão em um ponto qualquer de um líquido em equilíbrio, essa
pressão se transmite a todos os demais pontos do líquido, bem como às paredes
do recipiente.

Essa propriedade dos líquidos, expressa pela lei de Pascal, é utilizada em


diversos dispositivos, tanto para amplificar forças como para transmiti-las de um
ponto a outro. Um exemplo disso é a prensa hidráulica e os freios hidráulicos dos
automóveis.

Elevador Hidráulico

Os elevadores para veículos automotores, utilizados em postos de serviço e


oficinas, por exemplo, baseiam-se nos princípios da prensa hidráulica. Ela é
constituída de dois cilindros de seções diferentes. Em cada um, desliza um pistão.
Um tubo comunica ambos os cilindros desde a base. A prensa hidráulica permite
equilibrar uma força muito grande a partir da aplicação de uma força pequena. Isso
é possível porque as pressões sobre as duas superfícies são iguais (Pressão = Força
/ Área). Assim, a grande força resistente ( ) que age na superfície maior é
equilibrada por uma pequena força motora (F1) aplicada sobre a superfície menor
( /A2 = /A1) como pode se observar na figura.

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Física II

Dica de Filme:

Caçada ao outubro vermelho -

Apresenta um moderno submarino nuclear soviético se dirigindo para a costa


dos Estados Unidos. Neste filme, alguns conceitos físicos aprendidos nesta unidade
poderão observados. Veja o filme!

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Física II

Princípio de Arquimedes

Consideremos um corpo sólido de poliestireno em


forma de um paralelepípedo, com comprimento a,
largura b e altura h, totalmente imerso em um fluido
em equilíbrio cuja densidade é  (Ver figura). Por
simetria, vemos que a força sobre a base superior do
corpo sólido se equilibram com a força exercida na
base inferior (Ver figura). Entretanto, a pressão p1
exercida sobre a base inferior é maior do que a pressão
p2 sobre a base superior.

Pela equação,

_ .

Logo, a resultante das forças superficiais exercidas pelo fluido sobre o


paralelepípedo será uma força vertical dirigida para cima, com

,
onde V=hA é o volume do cilindro e m = é a massa do fluido deslocada
pelo cilindro. Por conseguinte, a força , que se chama empuxo, é dada por

,
onde é o peso da porção de fluido deslocada.

Este raciocínio mostra que o resultado não depende da forma do sólido


imerso, que havíamos tomado como sendo de um paralelepípedo. Para o fluido
substituído, e , que se equilibram , estão aplicados no centro de gravidade C
da porção de fluido substituída (Figura acima). Poderíamos, por exemplo, trocar
este paralelepípedo por um pedaço de madeira com dimensões e formas idênticas,
e essa força de sustentação ou empuxo, não seria modificada. A força direcionada
para cima será, ainda, igual ao peso da porção de fluido deslocado pelo
paralelepípedo de poliestireno. Esta constatação leva ao princípio de Arquimedes:

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Física II

“Um corpo total ou parcialmente imerso em um fluido é sustentado por


uma força cuja intensidade é igual ao peso do fluido deslocado pelo corpo”.

Leitura Complementar

USSENZVEIG, H. M. Curso de Física Básica: Fluidos, Oscilações e


Ondas, Calor. 2ª.ed. Editora Edgard Blucher, 1990.

Com os conceitos que aprendemos nesta unidade bem consolidados,


podemos seguir o estudo da Mecânica dos Fluidos, discutindo as propriedades
dinâmicas destes fluidos em movimento, na unidade seguinte.

É HORA DE SE AVALIAR!

Lembre-se de realizar as atividades desta unidade de estudo, elas irão


ajudá-lo a fixar o conteúdo, além de proporcionar sua autonomia no
processo de ensino-aprendizagem. Caso prefira, redija as respostas no caderno e
depois às envie através do nosso ambiente virtual de aprendizagem (AVA). Interaja
conosco!

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Física II

Exercícios – Unidade 1

 
1- A prensa hidráulica esquematizada consta de dois tubos cujos raios são,
respectivamente, 20 cm e 60 cm. Aplica-se no êmbolo do cilindro menor uma força
de intensidade 100 N.

100 N

Princípio de Pascal / Elevador Hidráulico.

Utilize as fórmulas:

 F1/S1 = F2/S2
 Δx1. S1 = Δx2. S2

Onde:
F = Força
S = Área
Δx = deslocamento

Determine:

a) A intensidade da força no êmbolo maior.

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b) O deslocamento do êmbolo menor para cada 30 cm de elevação do êmbolo
maior.

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2- Um carro de massa 900 kg. está parado sobre uma estrutura de concreto com os
quatro pneus apoiados. Admitindo que a área de contato do solo com cada pneu
seja 225 cm2, qual seria a pressão em N/m2, que o carro exerce sobre a estrutura de
concreto?

Dado: 1 cm2 = 0,0001m2


Considere a gravidade = 10m/s2

Aplique a seguinte fórmula:

 P=F/A

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3- Um bloco sólido, maciço e homogêneo, possui 10 cm de altura, 4 cm de


profundidade, 6 cm de comprimento e massa de 480g. Determine a massa
específica da substância que o constitui.

Aplique a seguinte fórmula:

 P=M/V

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4- Uma esfera metálica oca apresenta 30g de massa e volume de 10,0 cm3. O
volume da parte vazia é 5,0 cm3. Determine:

 d = m / V (densidade = massa / volume)

 p = m / V (peso específico = massa / volume específico)

a) A densidade da esfera.
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b) A massa específica da esfera metálica.

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5- Determine a pressão no fundo horizontal de um de um rio à profundidade de 40


cm.

Dados:

 Pressão atmosférica = 100000 N/m2


 Aceleração da gravidade g = 10 m/s2
 Densidade da água = 1000 kg/m3.

Utilizar a seguinte fórmula (Teorema de Stevin):

 P - P0 = pgh
 Por dedução termos:
 P = Patm + pgh ---- logo -----
 P = Patm + dgh

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Física II

2 Propriedades Dinâmicas dos


Fluidos em Movimento

Equilíbrio térmico e a Lei Zero da Termodinâmica

Temperatura

Medindo a Temperatura

Escalas de temperatura

Calor

Formas de Propagação de calor

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Temperatura e calor são grandezas físicas muito citadas atualmente. Todos os


dias as pessoas lêem em jornais, ouvem no rádio ou vêem na televisão os boletins
meteorológicos, indicando as temperaturas máxima e mínima para a sua região.
Neste capítulo, apresentaremos os conceitos de equilíbrio térmico, temperatura,
calor bem como suas formas de propagação.

Objetivo da Unidade :

 Conhecer os conceitos básicos de Termodinâmica visando sua


utilização como base para sua formação profissional.

Plano da Unidade:

 Equilíbrio térmico e a Lei Zero da Termodinâmica

 Temperatura

 Medindo a Temperatura

 Escalas de temperatura

 Calor

 Formas de Propagação de calor

Bons Estudos

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Física II

Equilíbrio Térmico e a Lei Zero da Termodinâmica

Vamos iniciar o estudo da termodinâmica, uma área da física que lida com
fenômenos associados aos conceitos de temperatura e calor.

Vamos nos deter em uma descrição macroscópica do gás como um sistema


termodinâmico que envolve somente um número muito pequeno de parâmetros:
a pressão P, o volume V e a temperatura T.

O estado termodinâmico de um gás, descrito pelas variáveis macroscópicas


(P,V,T), nos dá informações médias de um sistema. A pressão, por exemplo, está
relacionada com o valor médio da transferência de momento nas colisões das
partículas que constituem o sistema com as paredes, já a temperatura está
relacionada com a energia cinética média das mesmas.

Um sistema termodinâmico consiste geralmente em uma certa quantidade de


matéria contido dentro de um recipiente. As paredes podem ser fixas ou móveis.

A natureza das paredes afeta de forma fundamental a interação entre o


sistema e o meio externo que o cerca. Se temos uma parede que isola
perfeitamente o sistema termicamente, ou seja, o estado do sistema contido
dentro do recipiente não é afetado pelo ambiente externo, temos uma parede
chama da parede adiabática, um exemplo pode se uma parede espessa de
madeira.

Uma parede não-adiabática chama-se diatérmica e um exemplo é uma parede


metálica fina.

Um sistema contido em um recipiente de paredes adiabáticas chama-se


sistema isolado. Quando dois sistemas estão separados por uma parede diatérmica,
diz-se que estão em contato térmico. Quando as variáveis macroscópicas que
caracterizam o sistema não mudam mais com tempo diz-se que ele está em
equilíbrio térmico.

O conceito de temperatura está associado a uma propriedade comum de


sistemas em equilíbrio térmico.

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Física II

Consideremos dois sistemas isolados A e B. Cada um deles


independentemente, atinge o equilíbrio térmico; se separados por paredes
adiabáticas (fig. a) abaixo), o estado termodinâmico de equilíbrio de um deles não
é afetado pelo outro. Se agora substituirmos as paredes de separação adiabáticas
por uma parede de separação diatérmica (fig. b) abaixo), colocando A e B em
contato térmico, o sistema evoluirá em geral para um novo estado de equilíbrio
térmico diferente, ou seja, as variáveis macroscópicas tanto de A quanto de B
mudarão com tempo até que o sistema com A e B atinja o equilíbrio térmico. Diz-se
neste caso que A está em equilíbrio térmico com B.

Suponhamos que agora A e B estão ambos em equilíbrio térmico com C, mas


separados um do outro por uma parede adiabática (fig. a) abaixo). O que acontece
se substituirmos por uma parede diatérmica? (fig. b) abaixo). É um fato
experimental que nesta situação, A e B também estarão em equilíbrio térmico
entre si. Este fato é chamado de Lei Zero da Termodinâmica.

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Física II

Se dois corpos A e B estão em equilíbrio térmico com um terceiro corpo C (o


termômetro, por exemplo) ,eles também estarão em equilíbrio térmico entre si.

A noção intuitiva de temperatura leva à ideia de que dois sistemas em


equilíbrio térmico entre si têm a mesma temperatura. É graças a Lei Zero da
Termodinâmica que podemos medir temperaturas com o auxílio de um
termômetro.

Temperatura

O tato constitui uma das maneiras mais simples de fazer uma distinção entre
corpos quentes e frios. Mas essa maneira de avaliação é bastante imprecisa, e além
do mais poderá causar dificuldades se as temperaturas dos corpos estiverem muito
próximas. Se construirmos uma experiência com três recipientes contendo água
(figura abaixo), onde um deles está a temperatura ambiente, o segundo a uma
temperatura acima da ambiente e o terceiro a uma temperatura abaixo da
ambiente. Vamos mergulhar uma das mãos no recipiente com água a uma
temperatura acima da ambiente e a outra mão no recipiente com água a uma
temperatura abaixo da ambiente, e permanecer pouco mais de um minuto nessa
situação.

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Física II

Ao mergulhar as duas mãos no recipiente a temperatura ambiente iremos ter a


sensação estranha onde uma mão manda a informação que a água está numa certa
temperatura enquanto a outra mão manda uma informação de uma temperatura
diferente. A mão que estava no recipiente com água mais fria sente a água mais
quente, e a mão que estava no recipiente com água mais quente sente a água mais
fria.

Felizmente existem substâncias que nos dão uma medida da temperatura de


outros corpos e a relação entre elas. São chamadas de substâncias termométricas.

Importante

A temperatura é uma medida da agitação das partículas que compões


um certo material.

Se considerarmos as moléculas um gás, quanto maior a sua temperatura mais


energia cinética terão essas moléculas.

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Física II

Medindo a Temperatura

Existem várias grandezas que variam as suas características quando varia a


nossa percepção fisiológica de temperatura. Entre essas grandezas estão:
 o volume de um líquido,
 o comprimento de uma barra
 a resistência elétrica de um material
 o volume de um gás mantido a pressão constante

Qualquer dessas pode ser usada para construir um termômetro, isto é:


estabelecer uma determinada escala termométrica. Uma tal escala termométrica é
estabelecida pela escolha de uma determinada substância termométrica e também
uma propriedade termométrica desta substância.

Deve-se entender que a cada escolha de uma substância, da sua respectiva


propriedade termométrica, e da relação admitida entre essa propriedade e a
temperatura, conduza uma escala termométrica específica. As medidas obtidas
nesta escala não devem coincidir necessariamente com as medidas realizadas em
outra escala termométrica definida de forma independente. Justamente por essa
liberdade na construção de uma escala termométrica, historicamente apareceram
diversas escalas com leituras completamente diferentes de temperaturas.

Esse caos foi removido utilizando como padrão uma dada substância
termométrica, e a dependência funcional entre a propriedade termométrica dessa
substância e a temperatura.

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Física II

Escalas de Temperatura

A universalização de um escala de temperatura exigiu muitos anos de


pesquisa. Para se ter uma idéia, em 1779 havia dezenove escalas termométricas em
vigor, com enormes diferenças entre uma e outra. Atualmente apenas três usadas:
Celsius, Fahrenheit e a Kelvin.

Escala Celsius

Apresentada em 1742 pelo astrônomo sueco Anders Celsius (1701-1744), esta


escala tem divisão centesimal que facilita a leitura.

Assim, o intervalo entre os pontos de ebulição água e de fusão do gelo foi


dividido em cem partes iguais, cada uma valendo 1º grau Celsius. Esta escala é
utilizada em quase todo o mundo, inclusive o Brasil. Apenas em alguns países de
língua inglesa utilizam a escala Fahrenheit.

Escala Fahrenheit

Foi proposta pelo físico alemão Gabriel Daniel Fahrenheit (1686-1736) e faz
corresponder a 32 ºF o ponto de fusão do gelo e a 212ºF o ponto de ebulição da
água, com 180 ºF compreendidos entre esses dois pontos. Podemos estabelecer a
relação entre as escalas Celsius e Fahrenheit:

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Física II

Escala Kelvin

As escalas Celsius e Fahrenheit são como escalas relativas, pois o zero nela não
significa ausência de agitação molecular.

O Britânico William Thomson Kelvin ( Lorde Kelvin,1824-1907) inventou a


escala absoluta. Nela, a temperatura de fusão do gelo corresponde a 273 K (note
que não se emprega a notação ºK mas simplesmente K) e a de ebulição da água a
373 K.

A escala Kelvin é absoluta porque tem origem no zero absoluto de


temperatura. Isso significa que a temperatura de um corpo não pode decrescer
indefinidamente: seu ponto máximo de esfriamento é o zero absoluto, que
corresponde a -273ºC. Inexistentes na Terra ou em suas proximidades, temperatura
próximas ao zero absoluto podem ser alcançadas apenas em laboratório.

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Física II

Podemos estabelecer uma relação entre essas escalas:

Calor

Expressões como "Nossa! Que calor" e "O calor do Sol é muito forte" são muito
usadas na nossa linguagem diária. Mas o significado físico é bem diferente.

Para estabelecer o conceito de calor é preciso colocar dois corpos com


temperaturas diferentes em contato e verificar se o corpo com temperatura maior
esfria e também se o corpo com temperatura menor esquenta. Aí então, dizemos
que está ocorrendo uma transferência de energia de um corpo para outro.

Essa energia é denominada de calor.

36
Física II

Importante

Calor é a energia transferida de um corpo para outro devido à


diferença de temperatura entre eles.

A unidade usual de calor é a caloria (cal): 1 cal corresponde à energia


necessária para variar em 1º C a temperatura de 1 g de água.

Outra unidade, utilizada principalmente por nutricionistas é a quilocaloria


(kcal): 1 kcal corresponde à quantidade de calor necessária para aumentar 1ºC a
temperatura de 1kg de água.

37
Física II

Formas de Propagação de calor

Condução, convecção e irradiação são diferentes processos de propagação do


calor. A definição de calor é energia térmica em trânsito, ou seja, está em
constante movimentação e transferência entre os corpos do universo. No entanto,
para que ocorra transferência de calor entre dois corpos é necessário que ambos
possuam diferentes temperaturas, pois dessa forma, o calor irá fluir sempre do
corpo de maior temperatura para o corpo de menor temperatura.

Condução térmica

Tipo de propagação do calor que consiste na transferência de energia térmica


entre as partículas que compõe o sistema. Por exemplo: coloca-se uma das
extremidades de uma barra metálica na chama de fogo. Após alguns instantes,
percebe-se que a outra extremidade também esquenta, mesmo estando fora da
chama de fogo. Esse fato ocorre porque as partículas que formam o material
receberam energia e, dessa forma, passaram a se agitar com maior intensidade.
Essa agitação se transfere de partícula por partícula e se propaga em toda a barra
até alcançar a outra extremidade.

Esse tipo de transferência ocorre com maior ou menor facilidade dependendo


da constituição atômica do material, a qual faz com que ele seja classificado
condutor ou isolante de calor. Nas substâncias condutoras esse processo de
transferência acontece mais rápido como, por exemplo, nos metais. Já nas
substâncias isolantes, como na borracha e na lã, esse processo é muito lento.

A convecção térmica

É o tipo de propagação do calor que ocorre nos fluidos em geral em


decorrência da diferença de densidade entre as partes que formam o sistema. Por
exemplo: na geladeira os alimentos são resfriados dessa forma. Como sabemos, o
ar quente é menos denso que o ar frio e é por esse motivo que o congelador fica na
parte de cima da geladeira. Dessa maneira, formam-se as correntes de convecção: o
ar quente dos alimentos sobe para ser resfriado e o ar frio desce refrigerando os
alimentos, mantendo-os sempre bem conservados. Essa também é a explicação do
porquê o ar condicionador ser colocado na parte de cima de um ambiente.

38
Física II

A irradiação térmica

A condução e a convecção são formas de propagação de calor para que ocorra


é necessário que haja meio material, contudo, existe uma forma de propagação de
calor que não necessita de um meio material, ou seja, se propaga no vácuo, que é
a irradiação térmica. Esse tipo de propagação do calor ocorre através das ondas
eletromagnéticas. É dessa forma que o Sol aquece a Terra todos os dias, como
também é o meio que a garrafa térmica mantém, por longo tempo, o café
quentinho em seu interior.

39
Física II

A garrafa térmica é construída de forma que os três processos de propagação


de calor sejam reduzidos ao máximo. Entre suas paredes há o vácuo, o qual impede
a propagação do calor por condução. Estas são espelhadas tanto internamente
quanto externamente, de forma que os raios infravermelhos sejam refletidos e por
último temos a tampa. Esta última, quando bem fechada, evita o processo de
propagação por convecção. Construída dessa maneira, a garrafa térmica mantém
sempre bem quentinho o café ou o chá.

Com os conceitos que aprendemos nesta unidade bem consolidados,


podemos finalizar o estudo da Termodinâmica, com a 1ª e 2ª Lei da
Termodinâmica, que veremos na próxima unidade.

É HORA DE SE AVALIAR!

Lembre-se de realizar as atividades desta unidade de estudo, elas irão


ajudá-lo a fixar o conteúdo, além de proporcionar sua autonomia no processo de
ensino-aprendizagem. Caso prefira, redija as respostas no caderno e depois às
envie através do nosso ambiente virtual de aprendizagem (AVA). Interaja conosco!

40
Física II

Exercícios – Unidade 2

1- O termômetro em uma região está marcando 77 ºF, podemos afirmar que a


população dessa região irá sentir calor ou frio? Por quê ?

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___________________________________________________________________

___________________________________________________________________

___________________________________________________________________

___________________________________________________________________

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2- O calor pode passar de um corpo para outro estando os dois à mesma


temperatura? Explique.

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___________________________________________________________________

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___________________________________________________________________

___________________________________________________________________

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___________________________________________________________________

41
Física II

3- Represente em graus Fahrenheit a temperatura correspondente ao


congelamento e ao ponto de ebulição da água.

___________________________________________________________________

___________________________________________________________________

___________________________________________________________________

___________________________________________________________________

___________________________________________________________________

___________________________________________________________________

___________________________________________________________________

___________________________________________________________________

4- Qual é a leitura de um termômetro graduado em Celsius para a leitura de


200 K?

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___________________________________________________________________

___________________________________________________________________

42
Física II

5- Quanto às formas de propagação do calor, temos a condução térmica, a


convecção térmica e a irradiação térmica. Forneça exemplos de cada forma de
propagação supracitada.

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___________________________________________________________________

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___________________________________________________________________

___________________________________________________________________

43
Física II

44
Física II

3 Conservação de Energia
em Processos
Termodinâmicos

Quantidade de calor e a 1ª Lei da Termodinâmica

Entropia e a 2ª Lei da Termodinâmica

45
Física II

Como estudado na unidade anterior, a energia térmica na forma de calor só se


propaga do corpo mais quente para o mais frio, uma bola, quicando no solo
rapidamente, chega ao repouso, mas nunca se viu ,uma bola de repente começar a
quicar do nada. Para entender o motivo destes fenômenos, nesta unidade
estudaremos a conservação de energia em processos termodinâmicos e porque
alguns só ocorrem em um sentido.

Objetivos da Unidade :

 Conhecer a primeira lei da termodinâmica, relacionando os conceitos


de calor, energia e trabalho.

 Conceituar entropia e enunciar a segunda lei da termodinâmica,


aplicando estes conceitos no dia-a-dia, compreendendo o
funcionamento de máquinas térmicas, como geladeira e ar
condicionado.

Plano da Unidade :

 Quantidade de calor e a 1ª Lei da Termodinâmica

 Entropia e a 2ª Lei da Termodinâmica

Bons Estudos

46
Física II

Quantidade de calor e a 1ª Lei da Termodinâmica

Para levar à fervura 2 litros de leite, leva-se o dobro do tempo que é necessário
para 1 litro, colocado na mesma panela e levado à mesma chama. A variação de
temperatura é a mesma nos dois casos (variou-se da temperatura ambiente ao
ponto de ebulição), mas é necessário o dobro da quantidade de calor para ferver 2
litros de leite.

Como vimos na unidade 3, o calor é uma forma de energia e pode ser medido
em calorias, uma unidade de medida historicamente adotada e que persiste até
hoje.

A caloria é definida atualmente como a quantidade de calor necessária para


elevar de 14,5 ºC a 15,5 ºC a temperatura de 1 g de água.

A quantidade de calor necessária para elevar 1 ºC a temperatura de 1 g de uma


dada substância chama-se calor específico c dessa substância; c é medido em cal /
gº C.

Para que o calor específico esteja bem definido, é preciso especificar ainda em
que condições ocorre a variação de temperatura: se a pressão é mantida constante,
obtém-se um valor diferente, obtém-se um valor diferente daquele que se obtém
quando é mantido constante o volume da substância. O calor específico a pressão
constante, cp, e o calor específico a volume constante,cv são chamados de " calores
específicos principais".

Para líquidos e sólidos, a diferença ente cp e cv é pequena; geralmente, o calor


específico é mantido à pressão atmosférica, ou seja, trata-se de cp. Para gases, cp e
cv são bastante diferentes.

Alguns exemplos de valores de cp (p = 1 atm, temperatura ambiente; valores


em cal/g ºC). Al - 0,22; Cu - 0,092; Au - 0,032; Ag - 0,056; Pb - 0,031; Hg - 0,033. Note
que a maioria desses calores específicos são bem menores que o da água.

Se tivermos m gramas de uma substância pura de calor específico c, a


quantidade de calor ΔQ necessária para elevar sua temperatura de ΔT é

47
Física II

ΔQ = m .c. ΔT

onde C = m.c chama-se a capacidade térmica da amostra considerada (mede-se em


cal/ ºC).

Existe uma função de estado de um sistema termodinâmico, que chamaremos


de energia interna U. A energia interna U de um sistema é a soma das energias
cinéticas e das energias potenciais de todas as partículas que formam esse sistema
e, como tal, é uma propriedade do sistema. Qualquer variação ΔU na energia
interna só depende do estado inicial e do estado final do sistema na transformação
considerada e esta variação é dada pela expressão

ΔU = ΔQ - ΔW,

que equivale ao princípio de conservação de energia, conhecida como a 1ª Lei da


Termodinâmica.

O sinal de Q representa sempre o calor absorvido pelo sistema. Assim, a


energia interna de um sistema aumenta (ΔU > 0) quando lhe fornecemos calor (Q >
0) ou realizamos trabalho sobre ele (W < 0). Assim podemos convencionar :

• W > 0 quando o sistema se expande e perde energia para a vizinhança.


• W < 0 quando o sistema se contrai e recebe energia da vizinhança.
• Q > 0 quando a energia passa da vizinhança para o sistema.
• Q < 0 quando a energia passa do sistema para a vizinhança.

48
Física II

Importante

As convenções de sinal sobre Q e W se originaram historicamente da


aplicação da termodinâmica às máquinas térmicas, para as quais é conveniente
contar positivamente o calor fornecido à máquina e o trabalho realizador por ela.

Embora ΔU só dependa do estado inicial e do estado final do sistema porque


representa a variação da sua energia interna, as quantidades de energia W e Q
dependem, também, do processo que leva o sistema do estado inicial ao estado
final.

Ao invés dos líquidos e dos sólidos, o volume dos gases varia muito sob o
efeito de uma mudança de pressão. Por esta razão utilizamos gases para ilustrar as
leis da termodinâmica.

49
Física II

Um gás sofre transformação de estado quando se modificam pelo menos duas


entre as variáveis pressão (P), volume (V) e temperatura (T). Essa transformação
ocorre dentro da própria massa gasosa. Quando a modificação ocorre:
 na pressão e no volume, mantendo-se a temperatura constante, a
transformação do gás é isotérmica;
 no volume e na temperatura, mantendo-se a pressão constante, a
transformação é isobárica;
 na pressão e na temperatura, mantendo-se o volume constante, a
transformação é isocórica, isométrica ou isovolumétrica.

Para discutir essa propriedade importante da energia interna vamos


considerar uma amostra de gás que é levada do estado 1 para o estado 2 por três
processos diferentes como pode ser visto na figura abaixo.

50
Física II

A quantidade de energia associada ao trabalho realizado pelo sistema sobre a


vizinhança, no processo 1A2, é dada pela área sob a isóbara 1A, no processo 1B2, é
dada pela área sob a isóbara B2 e no processo 12, é dada pela área sob a curva
correspondente. Por isso, a quantidade de energia associada ao trabalho depende
do processo.

Por outro lado, se uma certa quantidade de energia entra no sistema por calor,
por um processo em que a pressão é mantida constante, uma parte dela
permanece no sistema como energia interna, aumentando a sua temperatura, e a
outra parte volta à vizinhança, associada ao trabalho de expansão do sistema.
Entretanto, se essa quantidade de energia associada ao calor entra no sistema por
um processo em que o volume é mantido constante, o sistema não realiza trabalho
sobre a vizinhança e toda a energia permanece no sistema como energia interna,
causando um aumento maior na sua temperatura. Por isso, a quantidade de
energia associada ao calor depende do processo.

Podemos citar alguns exemplos de processos:


1. Cíclico: trabalho produzido pelo sistema em um ciclo reversível é igual ao
calor que lhe é fornecido (W=Q);
2. Processo isobárico: a pressão permanece constante (W = P(Vf - Vi));
3. Processo adiabático: não há troca de calor entre o sistema e sua
vizinhança (Q = 0).

Entropia e a 2ª Lei da Termodinâmica

Vamos agora discutir de forma bem qualitativa o conceito de entropia. Vamos


identificar entropia como desordem. Para efeito de comparação, a matéria e a
energia em um gás com a matéria e a energia em um sólido, vemos que a entropia
é alta em um gás e baixa em um cristal: o gás é mais desordenado.

51
Física II

Qualquer processo em que a energia total seja conservada é compatível com a


1ª Lei da Termodinâmica. Se um dado processo ocorre em um certo sentido,
conservando a energia, nada impediria que ele ocorresse em sentido inverso, ou
seja, o processo seria reversível.

No entanto, a experiência mostra que os processos observados tendem a


ocorrer em um só sentido, ou seja, são irreversíveis. Por exemplo, se queimarmos
um tronco de madeira, convertemos a energia química de ligação das moléculas
em energia térmica das moléculas, mas é claro que recriar o tronco a partir da
energia térmica das moléculas é impossível, embora esteja de acordo com a lei de
conservação da energia.

Com este exemplo, podemos dizer que temos uma forma de energia ordenada
que se transforma em energia térmica e elas não são iguais. Pode-se facilmente
converter energia ordenada em energia térmica, mas, como vimos, o contrário é
bem mais complicado.

Dessas observações pode-se afirmar que a entropia de um sistema isolado


jamais decresce. Usualmente, a entropia é representada pela letra S.

A definição matemática de entropia é a seguinte:

ou seja, a variação da entropia em um certo processo é dada pela quantidade de


calor fornecida de modo irreversível divido pela temperatura (em K).

Mas o que determina o sentido de sucessão de eventos?

A resposta à questão acima está relacionada com a 2ª Lei da Termodinâmica.


Ela contribui para esclarecer a origem da "flecha do tempo".

Historicamente, a formulação da 2ª Lei da Termodinâmica esteve ligada com


um problema da engenharia, surgido pouco após a invenção das máquinas
térmicas: como se poderia aumentar o rendimento de uma máquina térmica,
tornando-o o mais eficiente possível?

52
Física II

Esta questão foi abordada em 1824 por um jovem e genial engenheiro francês,
Nicolas Sadi Carnot, em seu opúsculo "Reflexões sobre a potência motriz do fogo".

Após o trabalho de Carnot que conduziu à 2ª Lei , ela foi formulada de maneira
mais precisa por Clausius em 1850 e por Thomson (Lord Kelvin) em 1851. Embora
estas formulações sejam diferentes, elas são equivalentes.

Enunciado de Kelvin da 2ª Lei da Termodinâmica:

"É impossível realizar um processo cujo único efeito seja remover


calor de um reservatório térmico e produzir uma quantidade equivalente de
trabalho. "

Conseqüências imediatas do enunciado de Kelvin:

 A geração de calor por atrito a partir de trabalho mecânico é


irreversível.
 A expansão livre de um gás é um processo irreversível.

Enunciado de Clausius da 2ª Lei da Termodinâmica:

"É impossível realizar um processo cujo único efeito seja transferir


calor de um corpo mais frio para um corpo mais quente."

Uma máquina térmica converte energia interna em energia mecânica.


Um carro é um exemplo comum de máquina térmica.

53
Física II

Pelo enunciado de Kelvin, isto é impossível com um único reservatório


térmico: precisamos ter dois reservatórios térmicos a temperaturas diferentes (TA >
TB). Chamaremos de fonte quente o reservatório a temperatura TA e a fonte fria o
outro, a temperatura TB. A idéia básica por trás de uma máquina térmica é a
obtenção de energia mecânica, quando o calor flui de uma temperatura mais alta
para uma temperatura mais baixa, como esquematizado na figura abaixo.

54
Física II

Os motores reais operam de forma cíclica, ou seja, estão sempre


retornando ao seu estado termodinâmico inicial e executando o ciclo de novo.
Portanto, voltam-se ao seu estado termodinâmico inicial, podemos afirmar que a
energia interna durante o ciclo não varia e; portanto, num ciclo (da 1ª Lei):

ΔU = ΔQ + W = 0

ou seja

QA = W + Q B

Onde estamos utilizando uma convenção de sinais onde QA, QB e W são sempre
positivos.
Em um sistema real, por exemplo numa máquina a vapor, a chama e os
gases quentes na caldeira são o reservatório a alta temperatura e a água fria e o ar
utilizado para condensar e esfriar o vapor compõem o reservatório frio.
De forma ideal, gostaríamos da máquina mais eficiente possível, ou seja,
que todo o calor extraído do reservatório quente fosse transformado em trabalho e
nenhum calor fosse desperdiçado no reservatório frio.
Define-se a eficiência de uma máquina térmica como sendo a razão entre
o trabalho realizado e a quantidade de calor fornecido, da seguinte forma:

55
Física II

Se a máquina fosse perfeita, ou seja, 100% eficiente, teríamos que e = 1


(todo o calor fornecido seria utilizado para se realizar o trabalho). Porém, tal
eficiência não é possível, nem mesmo com a tecnologias avançadas.
Pela conservação da energia, temos que W = QA - QB e, sendo assim:

Uma máquina que não desperdiça energia nem aquece, quando está
operando seria uma máquina é ideal. Mas ela é útil para estabelecer o mais alto
rendimento possível de uma máquina. Ela é denominada máquina de Carnot.
Clausius também mostrou que para uma máquina reversível pode-se
escrever a equação anterior como

Outra propriedade da máquina térmica reversível é que ela pode ser


operada ao contrário. Um motor operando ao contrário é denominado um
refrigerador. Se uma quantidade de trabalho W for realizada na máquina, então QB
pode ser extraído do reservatório à temperatura mais baixa e depositado no
reservatório à temperatura mais alta, de modo que a relação

QA = W + QB

continua valendo. Vamos agora descrever com detalhes o funcionamento de um


refrigerador real, um aparelho de ar condicionado, na figura abaixo.

56
Física II

Esse aparelho transfere calor de um corpo frio (seu quarto) para um corpo
quente (o exterior da casa). Mas isso não possível ! Na realidade, temos de contar o
aumento de entropia devido ao consumo de energia pelo ar condicionado.

Conforme a figura, o aparelho de ar condicionado possui três componentes


fundamentais: o evaporador, o condensador e o compressor. O condensador fica
na parte de fora do quarto, assim como o compressor, já o evaporador fica no
interior do ambiente que será resfriado.

Na serpentina, mostrada na figura, corre um fluido (denominado fluido de


trabalho) que se liquefaz no condensador e se evapora no evaporador e nesse
processo absorve calor no interior do quarto (no evaporador) e o transfere para
fora (no condensador). Como discutido anteriormente, a transferência de calor de
um corpo mais frio (o quarto) para um mais quente (o exterior do quarto) só é
possível porque o compressor fornece a energia necessária para que o balanço de
entropia seja o correto.

57
Física II

O evaporador é basicamente um longo cano de metal (bom condutor de calor


e parecido com uma serpentina) por onde circula o fluido de trabalho. Sempre que
esse fluido estiver mais frio que o ambiente (dentro do quarto) ele vai absorver
calor.

Durante o processo de funcionamento do ar condicionado, o fluido sai do


condensador como um líquido a alta pressão e temperatura próxima à
temperatura do exterior do quarto. Ao passar por um estreitamento do cano que
impede o fluxo do fluido, sua pressão cai muito (depois do estreitamento). Essa
queda brusca de pressão, ocasionada pela passagem no estreitamento, faz com
que o líquido se evapore ao entrar no evaporador.

Ao evaporar dentro do cano o fluido fica bem mais frio, pois para que as
moléculas do líquido se separem ele necessita absorver energia térmica. Esse gás
frio esfria o evaporador e o calor do interior do quarto é absorvido por ele. O fluido
de trabalho sai do evaporador na forma de um gás a baixa pressão e se encaminha
pelo cano para o compressor.

O compressor então recebe esse fluido como um gás a baixa pressão e o


comprime de modo que sua densidade fique muito maior. A compressão requer
que haja trabalho e é nesse momento que o ar condicionado aumenta a sua conta
de eletricidade. No processo de compressão o gás aumenta muito a sua
temperatura. Ele a seguir vai para o condensador, que nada mais é do que um
longo cano de metal na forma de serpentina (algo como o que se vê atrás da
geladeira). Aqui o calor do fluido de trabalho é transferido para o meio ambiente,
fora do quarto. O condensador está na temperatura ambiente e o fluido de
trabalho se condensa de novo e volta a ser líquido. Quando o fluido de trabalho sai
do condensador ele está na forma de um líquido frio a alta pressão.

Iniciamos nossa disciplina aula com o conceito de quantidade de calor e calor


específico. Depois, como o sistema pode mudar de estado por meio de processos
adiabáticos, isovolumétricos, isotérmicos ou isobáricos.

58
Física II

Vimos as formulações da segunda lei. Definimos o conceito de entropia. E por


fim, estudamos o funcionamento de uma máquina térmica real, que foi o aparelho
de ar condicionado, que transfere calor de um ambiente frio para um ambiente
quente.

DICA DE FILME

Tudo pode dar certo de Woody Allen

Este filme nos apresenta um cientista que se apaixona por uma moça mais
jovem. No filme, alguns conceitos científicos são utilizados de forma qualitativa e
muitas vezes divertida.

Com o estudo finalizado das Leis da Termodinâmica, podemos iniciar o estudo


da Teoria Cinética dos Gases, que veremos na próxima unidade.

É HORA DE SE AVALIAR!

Lembre-se de realizar as atividades desta unidade de estudo, elas irão


ajudá-lo a fixar o conteúdo, além de proporcionar sua autonomia no processo de
ensino-aprendizagem. Caso prefira, redija as respostas no caderno e depois às
envie através do nosso ambiente virtual de aprendizagem (AVA). Interaja conosco!

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Física II

Exercícios – Unidade 3

1- Um corpo de massa 200g recebeu 5000 calorias, e sua temperatura variou


em 50 ºC, sem mudança de estado físico. Determine:

Utilize as fórmulas:

a) Qual sua capacidade térmica.


___________________________________________________________________

___________________________________________________________________

___________________________________________________________________

___________________________________________________________________

___________________________________________________________________

b) Qual o calor específico da substância que constitui o corpo.


___________________________________________________________________

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___________________________________________________________________

___________________________________________________________________

___________________________________________________________________

60
Física II

2- Um bloco de gelo de massa 750 gramas encontra-se a 0 ºC. Determine a


quantidade de calor latente para que toda a massa do gelo se transforme em água
a 0 ºC.

Dado calor latente de fusão do gelo igual a 80 cal/g.

Orientações:

O calor latente pode ser obtido pela relação entre a quantidade de calor
cedida ou recebida e a massa do corpo:

Onde:

 L = calor latente da mudança de estado físico do corpo ( cal/g)


 ΔQ = quantidade de calor cedido ou recebido (cal)
 m = massa do corpo (g)

___________________________________________________________________

___________________________________________________________________

___________________________________________________________________

___________________________________________________________________

___________________________________________________________________

3- Um corpo de massa 90g ao receber 3600 cal. varia sua temperatura de 10 ºC para
90 ºC, sem variar seu estado físico. Calcule o calor específico da substância que
constitui esse corpo, nesse intervalo de temperatura.

61
Física II

Orientações:

Equação Fundamental da Calorimetria:

Onde:
 ΔQ = quantidade de calor cedido ou recebido
 M = massa do corpo
 C = calor específico do material
 Δt = Variação de temperatura

___________________________________________________________________

___________________________________________________________________

___________________________________________________________________

___________________________________________________________________

___________________________________________________________________

4- Em um recipiente industrial, a temperatura varia de 50ºC a 210ºC à custa da


transferência de calor igual a 4000 kcal. Determine a capacidade térmica do
recipiente.

Utilize a fórmula:

___________________________________________________________________

___________________________________________________________________

___________________________________________________________________

___________________________________________________________________

62
Física II

5- Quantas calorias devem ser fornecidas a 250 gramas de uma substância de


calor específico 3,7 cal/g.ºC para que sua temperatura se eleve de 10ºC para 70ºC?

Utilize a fórmula:

___________________________________________________________________

___________________________________________________________________

___________________________________________________________________

___________________________________________________________________

___________________________________________________________________

63
Física II

64
Física II

4 Teoria Cinética dos Gases

Propriedades de um gás ideal

Uma visão molecular da pressão

A equipartição da energia de translação

A lei de Boyle- Mariotte

A Lei de Avogadro

Equação de Clapeyron

Livre percurso médio

65
Física II

Atualmente, nenhuma pessoa bem informada questiona o fato da matéria ser


constituída por átomos ou moléculas. Pode parecer surpreendente, mas a
aceitação universal da existência dos átomos pela comunidade científica só
ocorreu no início do século XX.

Nesta última unidade, vamos passar pela primeira vez da física macroscópica à
física microscópica, estudando a teoria cinética dos gases.

Objetivos da Unidade:

 Fazer uma análise microscópica de um gás e levar em conta suas


propriedades macroscópicas em termos das propriedades de suas
moléculas.

 Reconhecer o movimento de uma molécula e obter uma média


desse comportamento para todas as moléculas constituintes do
sistema.

Plano da Unidade :

 Propriedades de um gás ideal

 Uma visão molecular da pressão

 A equipartição da energia de translação

 A lei de Boyle- Mariotte

 A Lei de Avogadro

 Equação de Clapeyron

 Livre percurso médio

Bons Estudos

66
Física II

Propriedades de um Gás Ideal

Você sabe quais são a propriedades de um gás ideal?

Vamos conhecê-las.

O gás ideal consiste em partículas, que possuem movimento em todas as


direções e obedecem as leis de Newton do movimento;

O gás é constituído de um número extremamente grande de moléculas


idênticas;

O volume ocupado pelas moléculas é uma fração desprezível do volume


ocupado pelo gás;

Nenhuma força atua sobre uma molécula, exceto durante a colisão, seja com
as paredes do recipiente que a contém, seja com outra molécula.

Todas as colisões são (i) elásticas e (ii) de duração desprezível.

Uma Visão Molecular da Pressão

Vamos considerar o gás ideal como um sistema e derivar a expressão para


pressão por ele exercida em função das propriedades de suas moléculas.
Considere que as N moléculas de um gás ideal estejam confinadas em um
recipiente cúbico de lado L. Podemos denominar as faces laterais perpendiculares
ao eixo x de A1 e A2, cada uma com área L2. Concentraremos-nos na análise de
uma única molécula de massa m, cuja velocidade v pode ser decomposta segundo
as componentes vx, vy e vz. Quando essa molécula atinge a face A1, ela rebate com
a componente de velocidade x invertida, uma vez admitimos que todas as colisões
são elásticas, isto é, v  - v . Não haverá qualquer efeito sobre vy ou vz, de modo
que a variação na quantidade de movimento na direção x, expressa por

67
Física II

quantidade de movimento final – quantidade de movimento inicial =

Uma vez que a quantidade de movimento linear total é conservada


durante a colisão, a quantidade de movimento linear atribuída à área A1 é +2mv .
Suponha que essa molécula atinja a área A2 sem colidir com qualquer
outra molécula ao longo de sua trajetória. O tempo necessário para cruzar o cubo é
L
v . Em A2, ela novamente possui sua componente de velocidade na direção x
invertida, retornando para A1. Admitindo que não haja colisão com outra molécula,
a trajetória completa leva um tempo igual a 2L v , que é o tempo entre as colisões
com a superfície A1. A força impulsiva média exercida por essa molécula sobre A1 é
igual à quantidade de movimento transferida dividida pelo intervalo de tempo
entre as transferências, isto é,

2

2 /

mv
Para obter a força total sobre A1 deve-se somar as quantidades L
para todas as moléculas. Em seguida, para obter a pressão, divide-se essa força pela
área A1, ou seja, L2. A pressão é, portanto,

1 ⋯ …
,

onde v é a componente x da velocidade da molécula 1, v é a


componente x da velocidade da molécula 2, e assim por diante. Se N é o número
total de moléculas do recipiente, então Nm é a massa total e Nm/L3 é a massa
específica . Assim, m/L3=/N, e

68
Física II


 .

A quantidade entre parênteses na equação acima é o valor médio de v ,


para as moléculas no recipiente, que será representada por (v )méd. Assim,

 é .

Para uma molécula qualquer, v v v . Uma vez que existem muitas


moléculas e tendo em vista que elas se movem de uma forma totalmente aleatória,
os valores médios de v , v e v são idênticos, e o valor de cada um é exatamente
um terço do valor médio de v2. Não há preferência entre as moléculas para se
moverem ao longo de qualquer um dos três eixos coordenados. Logo, (v )méd =
(v )méd, de forma que a equação acima se torna

1
 é .
3

Embora esse resultado tenha sido derivado desprezando colisões entre


moléculas, ele é verdadeiro mesmo quando as colisões são consideradas. Tendo
em vista a troca de velocidade ocorrente em uma colisão elástica entre partículas
idênticas, haverá sempre uma molécula colidindo em A2 com quantidade de
movimento linear mvx correspondente a uma molécula que deixa A1 com uma
quantidade de movimento linear com esse mesmo valor. O tempo gasto durante as
colisões também é desprezível se comparado ao intervalo de tempo entre as
colisões. Logo, ao se desprezar os efeitos das colisões tem-se um bom artifício para
cálculos.

69
Física II

A raiz quadrada de (v2)méd. é chamada de velocidade média quadrática


das moléculas e é uma medida importante de velocidade molecular média.
Utilizando a equação abaixo, pode-se calcular a velocidade média quadrática dos
valores medidos da pressão e da massa específica do gás. Assim,

3
é .

Na equação acima relacionamos uma grandeza macroscópica (pressão)


ao valor médio de uma grandeza microscópica, isto é, a v é .

A Equipartição da Energia de Translação

Consideremos a colisão entre uma molécula do gás e uma molécula da


parede, tratando-as como esferas impenetráveis. Sejam (m, v ) e (M, V ) as massas e
velocidades iniciais (antes da colisão) da molécula de gás e da molécula da parede,
respectivamente, e v e V as velocidades finais (depois da colisão)
correspondentes. Seja OO’ a linha que liga os centros das duas moléculas no
instante da colisão (Ver figura abaixo).

70
Física II

Como a força que atua durante a colisão tem a direção da linha dos
centros, as componentes de velocidade perpendiculares a essa linha não são
alteradas pela colisão, de modo que basta considerar o movimento ao longo da
linha dos centros. É como tivéssemos uma colisão elástica unidimensional ao longo
dessa linha.

Temos a energia do sistema:


2 1
2

Como as componentes de velocidade perpendiculares à linha dos centros


não variam, a equação acima fornece então, para a variação de energia cinética da
molécula da parede devido à colisão,

1 1
2 2
2 1

4

71
Física II

4 1 1 1

2 2 2

ou, tomando a média sobre as colisões,

1 1
〈 〉 〈 〉
2 2

4 1 1 1
〈 〉 〈 〉 〈 〉
2 2 2

Os movimentos das moléculas da parede não guardam, em média,


correlação com os das moléculas do gás e, como a parede está em repouso, o valor
médio de Ui deve ser nulo. Logo,

〈 〉 〈 〉〈 〉 0,

e a média sobre as colisões fica

1 1 4 1 1
〈 〉 〈 〉 〈 〉 〈 〉
2 2 2 2

Uma vez que a parede está em repouso, uma variação de energia cinética
média das suas moléculas só pode representar uma variação de energia interna, ou
seja, aquecimento da parede com uma correspondente elevação de temperatura.
Mas o gás está em equilíbrio térmico com as paredes, de modo que a temperatura
permanece constante. Logo o primeiro membro da equação anterior tem que ser
nulo, e concluímos que

1 1
〈 〉 〈 〉.
2 2

72
Física II

Como 〈u 〉e 〈U 〉 são componentes de velocidade segundo direções


quaisquer, obtemos finalmente,
1 1
〈 〉 〈 〉,
2 2

ou seja, em equilíbrio térmico, a energia cinética média das moléculas do


gás e da parede é a mesma.
Se tivermos no recipiente uma mistura das moléculas de dois gases
diferentes, com moléculas de massas m e m’, a equação acima também se aplica
ao segundo gás, e concluímos então que
1 1
〈 〉 〈 〉,
2 2

ou seja, que em equilíbrio térmico a energia cinética média de diferentes


moléculas, num mistura gasosa é a mesma. Logo, moléculas mais pesadas se
movem em média mais lentamente do que moléculas mais leves.
Estes resultados demonstram a eqüipartição da energia cinética de
translação das moléculas à mesma temperatura (condição de equilíbrio térmico).
Como a energia cinética é a mesma para moléculas de todos os gases em
equilíbrio térmico, ela só pode depender da temperatura: a energia cinética
média de translação das moléculas de um gás é função apenas da
temperatura.
Vamos conhecer algumas consequências importantes deste resultado.

73
Física II

A Lei de Boyle- Mariotte

A primeira caracterização do estado gasoso foi obtida,


independentemente, em 1662 pelo físico e químico irlandês Robert Boyle (1627-
1691) e em 1976 pelo físico e biólogo francês Edmé Mariotte (1620-1684).
Em suas pesquisas, esses cientistas verificaram a transformação
isotérmica, a partir da qual se estabeleceu a seguinte lei: quando a temperatura
absoluta (T) de um gás se mantém constante, sua pressão absoluta (P) é
inversamente proporcional ao volume (V) do recipiente que o contém.
Então, a Lei de Boyle –Mariotte pode ser expressa assim:
PV = const.
Na transformação isotérmica, o diagrama P x V obedece à Lei de Boyle-
Mariotte. Assim, o gráfico obtido é uma curva denominada isoterma. Para cada
temperatura se obtém uma curva. À medida que a temperatura aumenta, as curvas
se afastam da origem dos eixos (Ver gráfico abaixo).

74
Física II

A Lei de Avogadro

A teoria cinética dos gases explica a lei de Avogadro: Volumes iguais de


todos os gases, nas mesmas condições de temperatura e pressão, contêm o
mesmo número de moléculas.
O número de moléculas por mol chama-se número de Avogadro, e é
dado por
N0 ≈ 6,023 x 1023 moléculas/mol

Equação de Clapeyron

Em homenagem ao engenheiro e físico francês Paul-Émile Clapeyron


(1799-1844), a equação dos gases ideais recebeu o nome de equação de Clapeyron.
Para determinada massa gasosa em condições normais de temperatura e
pressão (CNTP), ou seja, P = 1 atm e T = 273 K, temos:
PV 1 . 22,4
K ⇒ K ⇒ K 0,0082.
T 273

A constante K0, denominada constante universal dos gases perfeitos, é


representada por R:
R = 0,0082 atm. L/mol.K.
No Sistema Internacional (SI), 1 atm = 105 Pa e 1 L = 10-3 m3. Então:
R = 8,31 J/mol.K
Para um número n de mols de qualquer gás, podemos escrever:

PV
nR ⇒ PV nRT.
T
(equação geral dos gases perfeitos ou equação de Clapeyron).

75
Física II

Em gramas, a massa de 1 mol de moléculas de qualquer substância é


denominada massa molar, representada por M:
M = massa em gramas de 6,023 x 1023 moléculas do gás.
O número de mols do gás correspondente à massa do gás (m) dividida
por M:

Livre Percurso Médio

Quando abrimos um vidro de perfume em


uma extremidade de um quarto, o cheiro leva um
tempo apreciável para se transmitir até a outra
extremidade, embora moléculas do perfume não
devessem levar mais do que alguns centésimos de
segundo para atravessar essa distância, movendo-
se com velocidade média.
Esta aparente dificuldade é removida
quando levamos em conta as colisões entre as
moléculas do gás. Em consequência destas colisões,
a trajetória típica de uma molécula no gás é um caminho em zigue-zague
extremamente tortuoso (Ver figura abaixo), em que a molécula se move com
movimento retilíneo e uniforme entre cada duas colisões consecutivas.

76
Física II

A distância percorrida pela molécula entre duas colisões consecutivas


flutua ao longo de sua trajetória. O valor médio dessa l chama-se livre percurso
médio.
̅ 1 1
̅ .
̅   
Onde, v é a velocidade média da molécula, f̅ é frequência média da
colisão, n é o número médio de moléculas e  é a área da seção de transversal do
cilindro.

Leitura complementar

Uma leitura para você ligar a Física com a realidade da vida e da


sociedade.

Aquecimento global: O começo do fim -Texto Rafael Kenski

http://super.abril.com.br/ecologia/aquecimento-global-comeco-fim-
446034.shtml

É HORA DE SE AVALIAR!

Lembre-se de realizar as atividades desta unidade de estudo, elas irão


ajudá-lo a fixar o conteúdo, além de proporcionar sua autonomia no processo de
ensino-aprendizagem. Caso prefira, redija as respostas no caderno e depois às
envie através do nosso ambiente virtual de aprendizagem (AVA). Interaja conosco!

77
Física II

Exercícios – Unidade 4

1- Um determinado ar está em um recipiente de volume de 1L, quando a sua


temperatura e sua pressão eram respectivamente iguais a 40ºC e 1 atm. A massa de
gás foi comprimida isometricamente até ocupar um volume de 0,4L.

Pela lei de Boyle temos:


 PV = const.

Logo:

 P1. V1 = p2. V2

Determine:
a) Qual a temperatura da massa do gás no final do processo?
___________________________________________________________________

___________________________________________________________________

___________________________________________________________________

___________________________________________________________________

___________________________________________________________________

b) Qual a pressão da massa de ar no final do processo?


___________________________________________________________________

___________________________________________________________________

___________________________________________________________________

___________________________________________________________________

___________________________________________________________________

78
Física II

2- Foram introduzidos no interior de um recipiente de 30 litros, 280 gramas de


nitrogênio (Massa Molecular = 28g/mol) à 105ºC.

DICA:

Utilize: R = 0,082 atm. L / K. Mol

Atenção: Não se esqueça de transformar a temperatura de Celsius para Kelvin.

Determine:
a) Qual o número de mols n do gás?
___________________________________________________________________

___________________________________________________________________

___________________________________________________________________

___________________________________________________________________

___________________________________________________________________

b) Qual a pressão do gás?


___________________________________________________________________

___________________________________________________________________

___________________________________________________________________

___________________________________________________________________

___________________________________________________________________

3- Um recipiente cúbico de aresta 30 cm contém um gás à pressão de 0,4 atm. Para


outro cubo de aresta 40 cm, qual será a pressão do gás mantendo-se constante a
sua temperatura?

DICA:
Pela Lei de Boyle temos:

PV = const.

79
Física II

Logo:

p1.V1 = p2.V2

___________________________________________________________________

___________________________________________________________________

___________________________________________________________________

___________________________________________________________________

___________________________________________________________________

4- Em um recipiente de aço inoxidável há 12,046. 1024 moléculas dum certo gás


insalubre. Quantos mols desse gás existem no recipiente citado?

Utilize a lei de Avogadro

 N0≈ 6,023 x 1023 moléculas/mol

Logo:

1 mol = 6,023 x 1023 moléculas/mol (aplicar a regra de três)

___________________________________________________________________

___________________________________________________________________

___________________________________________________________________

___________________________________________________________________

___________________________________________________________________

5- Um silo de 60 m3 é totalmente preenchido com nitrogênio. A temperatura do


compartimento é de 77ºC e a pressão é igual a 2,5 atmosfera. Determine o número
de mols de nitrogênio, considerado um gás perfeito, contido no compartimento.

80
Física II

Dados:

 1 atm. = 105 N/m2

 R = 8,31 J/mol. K

Aplique a equação de Clapeuron

 PV = n.R.T

___________________________________________________________________

___________________________________________________________________

___________________________________________________________________

___________________________________________________________________

___________________________________________________________________

81
Física II

82
Física II

Considerações Finais

Esperamos que a disciplina tenha lhe proporcionado um estudo


agradável e tenha contribuído para torná-lo um multiplicador dos conhecimentos
adquiridos, facilitando a sua vida como cidadão e o seu futuro exercício
profissional.

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84
Física II

Conhecendo o Autor

Conhecendo a Autora

Isabel Cristina Silva Souza

Possui graduação em Bacharelado em Física Básica pela Universidade Federal


do Amazonas (2006),mestrado em Física pela Universidade Federal do Amazonas
(2009) e doutorado pelo Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas. Tem experiência na
área de Física, com ênfase em Física da Matéria Condensada, atuando
principalmente nos seguintes temas: Preparação de nanoestruturas magnéticas e
supercondutoras, caracterização de materiais utilizando Espectroscopia Mössbauer
e medidas de transporte.

85
Física II

86
Física II

Referências

AMALDI, Ugo. Imagens da Física – Curso Completo. 1. ed. São Paulo:


Scipione, 1995.

BASSALO, José Maria Filardo. Nascimentos da Física 3500a.C. -1900 a.D.


Belém: EDUFPA, 1996.

CRAWFORD, Waves, Berkeley Physics Course. vol. 3. New York: McGraw-Hill,


1968.

FEYNMAN, Richard P; LEIGHTON, Robert B & SANDS, Matthew. Feynman-


Lições de Física- Volume 1. 1.ed. Porto Alegre: Bookman, 2008.

GASPAR, Alberto. Física- Volume Único. 1ed. São Paulo: Ática, 2001. 496. P.

HALLIDAY, RESNICK, KRANE, Física 2. 4. edição. Rio de Janeiro. LTC, 1996.

HEWITT, Paul G. Física Conceitual. 3. Ed. Porto Alegre: Editora Bookman, 2002.
685p

IPLER, Física. Vol. 1. 4. Edição. Rio de Janeiro: LTC, 2000.

RESNICK, R. & HALLIDAY, D. FISICA – 1. 4. Ed. São Paulo: Editora LTC S.A. 1984.
310p.

RODITI, Itzhak. Dicionário Houaiss de Física. 1ed. Rio de Janeiro: Editora


Objetiva, 2005. 254p.

USSENZVEIG, HM; Curso de Física Básica 2: Fluidos, Oscilações e Ondas, Calor.


4. Edição. São Paulo: Edgard Blücher, 2002.

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Física II

88
Física II

A
nexos

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Física II

Gabarito

Unidade 1

1-

a) 900 N
b) 270 cm
2-100000 N/m2

3-2 g/cm3

4-3 g/cm3

5-6g/cm3

Unidade 2

1- Fazendo a conversão para Graus Celsius teremos a temperatura de 25 ºC, logo, a


população não sentirá calor nem frio, pois a temperatura é considerada agradável.

2- Não, pois calor é uma energia em trânsito, e se transfere de um corpo para o


outro devido à diferença de temperatura entre eles.

3- R =
Congelamento = 32 ºF
Ebulição = 212 ºF

4-– 73 ºC

5- Resposta pessoal. Utilize como base as páginas 32 e 33 do livro.

90
Física II

Unidade 3

1-

a) 100 cal/ºC
b) 0,5 cal/gºC
2-60000 cal

3-0,5 cal/gºC

4-25 kcal/ºC

5-1500 kcal

Unidade 4

1-

a) 313 K
b) 2,5 atm.
2-

a) 10 mols
b) 10,33 atm.
3-0,16875 atm.

4-20 mols

5-5157,3 mols

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