TRIBUNAL DE JUSTIÇA PODER JUDICIÁRIO São Paulo

Registro: 2011.0000093936

ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos do Embargos de Declaração nº 0158529-07.2006.8.26.0100/50000, da Comarca de São Paulo, em que é embargante COOPERATIVA HABITACIONAL DOS BANCÁRIOS DE SÃO PAULO - BANCOOP sendo embargado ASSOCIAÇÃO DOS ADQUIRENTES DE APARTAMENTOS DO CONDOMÍNIO RESIDENCIAL JARDIM ANÁLIA FRANCO (JUSTIÇA GRATUITA).

ACORDAM, em 4ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo, proferir a seguinte decisão: "Rejeitaram os embargos. V. U.", de conformidade com o voto do Relator, que integra este acórdão.

O julgamento teve a participação dos Exmos. Desembargadores FÁBIO QUADROS (Presidente) e ENIO ZULIANI.

São Paulo, 30 de junho de 2011

FRANCISCO LOUREIRO RELATOR Assinatura Eletrônica

TRIBUNAL DE JUSTIÇA PODER JUDICIÁRIO São Paulo

EMBARGOS DE DECLARAÇÃO: 0158529-04.2006.8.26.0100/50000 COMARCA: SÃO PAULO JUIZ: GILSON DELGADO MIRANDA EBTE: COOPERATIVA HABITACIONAL DOS BANCÁRIOS BANCOOP

EBDO: ASSOCIAÇÃO DOS ADQUIRENTES DE APARTAMENTOS DO CONDOMINIO RESIDENCIAL JARDIM ANÁLIA FRANCO

VOTO No 13.121

EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Inexistência de vícios no aresto- Julgado que enfrentou todas as teses postas no recurso Caráter infringente dos embargos, estranho à sua função meramente integrativa do julgado Prequestionamento Embargos rejeitados.

São embargos de declaração contra o V. Acórdão de fls. 3073/3090, opostos pela apelante COOPERATIVA HABITACIONAL DOS BANCÁRIOS DE SÃO PAULO - BANCOOP, como o propósito de sanar vícios, que aponta em suas razões

recursais, bem como prequestionar a matéria. Sustenta a embargante, em apertada síntese, que o Acórdão foi omisso sobre pontos fundamentais da lide, sustentados nas razões recursais, dentre eles a demonstração inequívoca de inúmeros atos tipicamente cooperativos, a exemplo da realização de reuniões, envios de documentos e demais informes a respeito do empreendimento, demonstrando o déficit de caixa e a necessidade de realizar acordo para cobrança do saldo residual,

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suficientes para afastar a incidência do Código de Defesa do Consumidor,bem como para considerar a validade jurídica das cláusulas contratuais discutidas nos autos. Em razão do exposto e pelo que mais argumenta às fls.3123/3133, pede o provimento do seu recurso, com o prequestionamento explícito dos diversos artigos de lei suscitados nos embargos. É o relatório. Rejeito os embargos, de caráter nitidamente infringentes. Não há qualquer vício no julgado passível de saneamento. O que pretende, a cooperativa embargante, como expressamente admite, é a desconstituição do ato decisório, substituindo-o por outro, mediante apreciação da tese jurídica apresentada e debatida no recurso originário. Como é elementar, não se admitem embargos declaratórios com o propósito de questionar a correção do julgado e obter, em conseqüência, a substituição da decisão recorrida por outra. Lembre-se que não se trata e nem se agita a questão de erro material evidente do acórdão, ou manifesta nulidade, que permitiriam, em casos excepcionais a inversão do julgado. Não há como, por isso, utilizar os embargos de declaração substituição. A aplicação do Código de Defesa do Consumidor
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recurso de integração

como recurso atípico de

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ao presente caso, assim como a impossibilidade de cobrar saldo residual sem prestação de contas e assembléia específica, na qual se detalhe e demonstre a origem e a composição do crédito, foram amplamente justificadas no Acórdão embargado. Evidente que se discorda a embargante com a solução dada, é questão diversa, a ser dirimida em sede própria. Não custa destacar, ademais, entendimento tranqüilo do Colendo Superior Tribunal de Justiça, no sentido de que “o julgador não está obrigado a discorrer sobre todos os regramentos legais ou todos os argumentos alavancados pelas partes. As proposições poderão ou não ser explicitamente dissecadas pelo magistrado, que só estará obrigado a examinar a contenda nos limites da demanda, fundamentando o seu proceder de acordo com o seu livre convencimento, baseado nos aspectos pertinentes à hipótese sub judice e com a legislação que entender aplicável ao caso concreto” (Rec. Esp. nº 792.497/RJ, Rel. Min. Francisco Falcão, em 10.11.2005). Por fim, no que diz respeito à pretensão de prequestionamento, como é cediço, “para que se tenha por configurado o pressuposto do prequestionamento, é bastante que o tribunal de origem haja debatido e decidido a questão federal controvertida, não se exigindo expressa menção ao dispositivo legal pretensamente violado no especial” (RSTJ 157/31, 148/247, RT 659/192, entre dezenas de outras). O aresto embargado, de quase dezoito laudas, enfrentou todas as teses postas no recurso. Evidente que não há

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necessidade de se enumerar artigos de lei, nem de se efetuar cotejo analítico com cada do dos dispositivos mencionados no recurso, alguns deles sem relação direta com os temas relevantes do julgamento. Diante do exposto, pelo meu voto, rejeito os embargos de declaração. FRANCISCO LOUREIRO Relator

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