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2 UNIDADE 2

Módulo II

HISTÓRICO DO MOVIMENTO NEGRO; DA DECLARAÇÃO DE DURBAN ATÉ A


LEI 10.639/03; DÍVIDA SOCIAL DO BRASIL PARA COM O NEGO APÓS O 13 DE MAIO.

2.1 PRIMEIRAS PALAVRAS


Caderno Didático

Figura 6
Fonte: www.comciencia.br/reportagens/negros/02.shtml

As formas de reação ao racismo são múltiplas. Entendemos a


heterogeneidade dos Movimentos Sociais Negros brasileiros em face da
multiplicidade de organizações negras, das diferentes maneiras de formular,
de propor e de executar projetos de combate ao racismo, ou das diferentes
perspectivas de agir politicamente na luta anti-racismo; no entanto,
demonstraremos que há uma forma de combate ou um instrumento de luta
contra o racismo que é singular entre os Movimentos Sociais Negros.
Nesse sentido, para fins didáticos, inicialmente, dividimos o texto
em dois períodos: a) escravista; e b) pós-escravista. De acordo com
Fernandes (1972, p.71), entendemos que a luta contra a escravidão também
era uma luta contra o racismo, visto que o preconceito e a discriminação
raciais eram inerentes ao escravismo brasileiro.

2.1.1 As formas de luta no sistema escravista brasileiro

Florestan Fernandes destaca que os escravos reagiam de diversas


maneiras às formas de controle social e à ordem vigente, dentre as quais o
desânimo no trabalho e os constantes ataques contra o senhor:
O desmazelo, o descuido e o afrouxamento no trabalho; a
tentativa de suicídio, de aborto ou de fuga; a rebelião e o
ataque ao senhor ou aos seus prepostos. A documentação
demonstra que tais eclosões de desajustamentos e conflitos
sociais, inerentes ao próprio regime servil brasileiro,
ocorreram abundantemente em São Paulo. Em
consequência, o recurso aos castigos corporais, às torturas,
ao tronco, aos capitães do mato e à repressão policial não foi
aqui menos intenso que em outras regiões do país. (Bastide e
Fernandes 1955, p. 89)
A recusa ao trabalho escravo foi um dos primeiros atos de luta, não
só contra a escravidão, mas também contra o racismo, pois uma das
premissas básicas de negação do escravismo e ao racismo que lhe era
inerente era a afirmação do cativo como sujeito humano, por meio do
exercício de sua auto-deliberação, renegando o estatuto de “coisa” a ele

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atribuído pelos senhores brancos.


Santos (2007) ressalta que as expectativas dos senhores com relação
ao escravo eram negativas. Primeiro, porque imaginavam que o negro não
era humano, conforme o racismo predicava; segundo, porque, ao longo da
escravidão, sinais da luta contra o sistema escravista, não percebidos como
tal, reforçavam os estigmas contra o escravo. Assim, as representações ou
juízos de valor sobre o escravo negro eram estabelecidos de forma
pejorativa, por meio de estereótipos que o degradavam ainda mais.
A rebeldia coletiva foi outro tipo de luta contra o escravismo. Os
escravos não só atacavam os senhores e os seus prepostos, conforme afirmou
Florestan Fernandes (Bastide e Fernandes, 1955, p. 89), como também
fugiam das fazendas e formavam quilombos (Moura, 1981a, p. 14), que
eram uma espécie de sistema sócio-político alternativo ao escravismo
brasileiro.
Os quilombos, sem dúvida, foram uma das provas concretas de
confronto mais contundente dos movimentos sócio-políticos organizados
pelos negros no Brasil contra o sistema escravista/racista. Prova inconteste da
luta de classes e de raças entre senhores e escravos, que se travou durante
todo o período escravista brasileiro. Os quilombos eram
“toda habitação de negros fugidos que passem de cinco, em
parte despovoada, ainda que não tenham ranchos
levantados nem se achem pilões neles”, segundo resposta do
Rei de Portugal a consulta do Conselho Ultramarino datada
de 02 de dezembro de 1740. De acordo com esta definição
da Metrópole, o Brasil se converteu, praticamente, em um
conjunto de quilombos, uns maiores, outros menores, mas
todos significativos para a compreensão da nossa história
social. O quilombo, conforme definição acima, por isto
mesmo, não foi um fenômeno espontâneo. Pelo contrário
(...) pontilhou todo o território brasileiro durante o período
em que a escravidão existiu. Esses quilombos tinham vários
tamanhos e se estruturavam de acordo com o seu número de
habitantes. Os pequenos quilombos possuíam uma estrutura
muito simples: eram grupos armados. As lideranças, por isto,
surgiam no próprio ato da fuga e da sua organização. Os
grandes, porém, já eram muito mais complexos. O de
Palmares chegou a ter cerca de vinte mil habitantes e o de
Campo Grande, em Minas Gerais, cerca de dez mil ou mais.
Igual número tinha o Ambrósio, também naquele Estado
(Moura, 1981, 1981p. 16-18).
Ainda de acordo com Santos (2007) e Santos (2006), apesar de ter
havido poucos quilombos de grande porte, eles são exemplos irrefutáveis de
uma luta negra contundente contra o sistema escravista/racista brasileiro.
Luta essa que não só se mostrou viável, como teve o condão de assustar o
poder central do sistema escravista/racista brasileiro, em face de os
quilombos estarem à margem desse sistema e não serem apenas um enclave
negro isolado dentro da sociedade escravagista (Cf. Moura, 1981, 1981a).
Relatos comprovam que havia não só articulações entre os

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quilombolas e os escravos dos engenhos e das cidades, com o propósito de


fazer rebeliões contra a escravidão, como também relacionamentos de
diversos tipos, especialmente econômicos, entre os aquilombados e as
populações das cidades vizinhas aos quilombos. Segundo Clóvis Moura, “o
quilombo, como vemos, nada tinha de semelhante a um quisto, ou grupo
fechado, mas pelo contrário, constituía-se em polo de resistência que fazia
convergir para o seu centro os diversos níveis de descontentamento e
opressão de uma sociedade que tinha como forma de trabalho fundamental
a escravidão” (MOURA, 1981, p. 31).
O mais famoso de todos os quilombos brasileiros, em função da sua
extensão territorial, da sua magnitude populacional e, principalmente, do
seu prolongado tempo de existência no século XVII – quase um século –, o
quilombo dos Palmares era, sem dúvida, uma referência positiva de
sociedade para os escravos e outros grupos sociais oprimidos pelo sistema
escravista/racista (SANTOS, 2007).
O principal objetivo militar dos quilombos mudava de acordo com
o tamanho do quilombo – se grande, mais defensivo e, se pequeno, mais
ofensivo. Os quilombos, porém, independentemente do tamanho, davam
apoio militar às revoltas e rebeliões de escravos (bem como de negros e
mestiços livres) contra a escravidão e a opressão racial. Havia um processo
de interação dos quilombolas com outros grupos de escravos rebeldes, que
causava pânico tanto no meio rural como no urbano (Cf. Moura, 1981,
1981a).
Outra interação não menos importante entre quilombolas,
escravos, negros e mestiços urbanos livres contra a opressão escravista e
racista no Brasil ocorreu na cidade de Salvador, durante a revolta dos Malês,
em 1835.
O sistema escravista estava perdendo, cada vez mais, o controle
disciplinar sobre os escravos ante a luta destes por liberdade, que
recrudescia dia após dia.
Consideramos a Revolta da Chibata como uma das primeiras
manifestações públicas dos Movimentos Negros. Após a abolição da
escravatura, esta foi a única revolta com baixas humanas que aconteceu no
Brasil com forte conotação racial. Ainda que essa revolta não tenha sido
exclusivamente fundamentada na raça, a luta contra a discriminação racial
foi um dos principais fatores que condicionaram a Revolta da Chibata.

2.1.2 Movimentos Sociais Negros em São Paulo no século XX: a Imprensa

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Negra e a Frente Negra Brasileira

Para Nei Lopes (2004), na Enciclopédia Brasileira da Diáspora


Africana, o Movimento Negro é:
Nome genérico dado, no Brasil, ao conjunto de entidades
privadas integradas por afro-descendentes e empenhadas na
luta pelos seus direitos de cidadania. Numa visão mais
restrita, a expressão diz respeito às organizações nascidas a
partir do final da década de 1960 e que se incluem dentro
dessa denominação. As diferenças entre estas e as
organizações anteriores seriam, entre outras, sua
continuidade temporal e o fato de compartilharem uma
agenda internacional, graças, hoje, à popularização das
viagens aéreas e do progresso dos meios de comunicação,
particularmente da Internet. Das confrarias à era getuliana:
alguns do marcos iniciais do movimento negro brasileiro
estão nas confrarias e sociedades de auxílio mútuo
constituídas, ainda na época escravista, com a finalidade de
propiciar a alforria de seus membros. Após a abolição, talvez
a mais importante entre todas essas entidades tenha sido a
Frente Negra Brasileira, fundada em São Paulo em 1931.
Depois dela, entre 1935 e 1950 fundaram-se no Brasil, entre
outras, as seguintes organizações negras: Movimento
Brasileiro contra o Preconceito Racial (Rio, RJ, 1935);
Associação dos Brasileiros de Cor (Santos, SP, 1938);
Congresso Brasileiro do Negro (Rio, RJ, 1940); Cruzada
Social e Cultural do Preto Brasileiro (São Paulo, SP, 1948);
Teatro Experimental do Negro (Rio, RJ, 1944); União dos
Homens de Cor (Rio, RJ, 1948); Justiça Social Cristã (Rio, RJ,
1950).
Reestruturação: Na segunda metade dos anos de 1970, livre
do Estado Novo, mas ainda na vigência da ditadura
instaurada em 1964, o Movimento Negro começa a se
reestruturar, de forma contínua, em algumas das principais
cidades brasileiras. E se reorganiza certamente inspirado
pelos movimentos pelos direitos civis nos Estados Unidos e
pela independência dos países africanos. Surgem, então, em
Campinas, SP, o Grupo Evolução, em 1971; e, no Rio de
Janeiro, a partir de fóruns de debates promovidos na
Universidade Cândido Mendes, a Sociedade de Intercâmbio
Brasil-África, Sinba, e o Instituto de Pesquisa das Culturas
Negras, IPCN, ambos em 1975. O final da década vê
nascerem, na cidade de São Paulo, o Centro de Cultura e
Arte negra, Cecan, e a Associação Casa de Arte de Cultura
Afro-Brasileira, Acacab, fundados em 1977. E, no ano
seguinte, em que a cidade paulista de Araraquara sedia o
Feconezu, Festival Comunitário Negro Zumbi, nasce o
MNU, Movimento Negro Unificado. A partir daí, surgem, em
todo o Brasil, inúmeras entidades, de vida efêmera ou não,
algumas delas verbatizadas nesta obra. Movimento Negro e
pesquisa acadêmica: No final de 2002, Carlos Alberto
Medeiros e Ivanir dos Santos, em artigo jornalístico (O
Globo, 31-12-2002), chamavam a atenção para o fato de
que as denúncias do Movimento Negro já se respaldavam

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numa nova vertente da pesquisa acadêmica sobre relações


raciais no Brasil e que, por meio de indivíduos qualificados
do ponto de vista acadêmico, os negros já se assumiam como
agentes do discurso anti-racista, não necessitando mais de
intérpretes ou intermediários (Lopes, 2004, p.455-456).
Percebe-se que Lopes (2004) define o Movimento Negro como um
conjunto de entidades privadas, integradas por afro-descendentes e
empenhadas na luta pelos seus direitos de cidadania. Embora não esteja
explícito aí, entende-se por entidades negras as organizações com
regimento interno, estatuto, carta de princípio, entre outros documentos
que formalizam essas instituições, conforme, por exemplo, o Movimento
Negro Unificado (MNU), surgido em 1978.
Já de acordo com o Movimento Negro Unificado:
Compreende-se por Movimento Negro aqui o conjunto de
iniciativas de resistência e de produção cultural e de ação
política explícita de combate ao racismo, que manifesta em
diferentes instâncias de atuação, com diferentes linguagens,
por via de uma multiplicidade de organizações espalhadas
pelo país. (MNU. I ENEN – Um passo à frente? Jornal do
Movimento Negro Unificado, n. 18, jan. fev. mar. 1991,
apud Cardoso, 2002, p. 212).
As primeiras formas de luta organizadas coletivamente contra o
racismo, no pós-abolição, aparecem mais visivelmente nos estados de São
Paulo e do Rio de Janeiro, onde a disputa com os brancos, especialmente no
mercado de trabalho, foi mais acentuada, embora neste último estado os
afro-brasileiros tenham tido melhor sorte na integração à sociedade do
trabalho livre no Brasil que em São Paulo (Cf. Andrews, 1998; Hasenbalg,
1992).
Souza (2007), discorrendo sobre a questão, afirma que foi nas áreas
de lazer e recreação que apareceram as primeiras formas de luta dos pretos e
pardos contra a discriminação racial no pós-abolição; assim, formaram
associações tendo por fim agregar os afro-brasileiros, especialmente por
meio de bailes. O fato é que os pretos e pardos em ascensão social eram
barrados nas áreas de entretenimento dos brancos, no estado de São Paulo,
em função da sua raça/cor. Para ter acesso ao lazer e à recreação, os afro-
brasileiros tiveram de criar os seus próprios clubes sociais e sociedades de
danças, além dos clubes de futebol (Cf. Andrews, 1998; Pinto, 1990).
Ao criarem formas alternativas de entretenimento, os pretos e
pardos reagiam ao racismo do mundo dos brancos, tendo como propósito
combater ou driblar a discriminação racial, por meio da criação de
associações, cujo objetivo principal era promover a cultura entre os afro-
brasileiros. (SANTOS, 2007)
Com o passar do tempo, tenderam a construir outras formas de luta.
Geralmente, essas associações negras possuíam um jornal como órgão
informativo e de divulgação de suas atividades, ou melhor, como
visualização de sua existência humana no espaço público. Assim, “os

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primeiros jornais – basicamente com força em São Paulo, capital e interior –


estavam vinculados a sociedades dançantes, clubes recreativos e
associações beneficentes” (Gomes, 2005, p. 29). Os jornais passaram a
divulgar acontecimentos sociais, assuntos de natureza social, econômica, e
assuntos de natureza política. Passaram a discutir a questão racial e
acabaram combatendo a discriminação racial, por meio de denúncias e
protestos publicados nesses periódicos negros (Cf. Andrews, 1998; Pinto,
1990).
Porém, mesmo sob divergências, havia uma reivindicação nos
jornais negros que se tornou um consenso entre os diretores e editores
desses jornais: a necessidade de educação formal para a população afro-
brasileira.
Regina Pahim Pinto (1993), ao analisar os periódicos da chamada
Imprensa Negra (paulista) do início do século XX, afirma que essa imprensa
sempre incentivou e estimulou a escolarização da população negra, fazendo
apelos aos negros para que estudassem, a fim de melhorar a sua condição de
vida.
Portanto, considerando a educação formal como, no mínimo, uma
condição necessária para a superação da situação precária em que a maioria
esmagadora da população negra se encontrava no pós-abolição, ou melhor,
considerando a educação como um valor primordial, não era surpresa
encontrar vários jornais da Imprensa Negra do início do século XX
defendendo e estimulando a necessidade de aquisição de instrução formal.
Dessa maneira, em 1931, surge, com a articulação entre os seus
editores/produtores, a Frente Negra Brasileira (FNB). Esta foi uma das mais
significativas instituições de luta dos negros contra o racismo no início
daquele século, que chegou a ter cerca de 60 mil associados (MNU, 1988, p.
23). A sua importância no “meio negro” foi tão grande que, em 1936, foi
registrada como um partido político de negros e se tornou numa referência
importante para os afro-brasileiros de quase todo o Brasil, tendo entre os
seus fins a ressocialização dos negros brasileiros.
A Frente Negra tinha como um dos principais objetivos a luta pela
igualdade racial, condição necessária para a integração plena dos negros à
sociedade brasileira. Essa integração era uma das metas principais dos
movimentos negros do início do século XX que, além de ministrar aulas
voluntariamente para os negros analfabetos ou semi-alfabetizados, também
ministrava cursos preparatórios, entre os quais os de inglês e de admissão em
outros níveis educacionais.
Quando a Frente Negra Brasileira se registrou como um partido
político, em 1936, com o advento do Estado Novo, o presidente Getúlio
Vargas fechou todos os partidos políticos e, entre eles, o da referida frente.
Interrompia-se, assim, mais uma tentativa dos negros brasileiros de

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incluírem a questão racial na agenda pública brasileira, bem como um


projeto de escolarização de parte da população negra, por meio da
solidariedade sócio-racial da elite negra da época.
Contudo, mesmo sob a ditadura de Getúlio Vargas e a construção
da ideologia da democracia racial nesse período, não deixaram de surgir e
existir organizações dos Movimentos Sociais Negros após o fechamento da
Frente Negra.
No período pós-Estado Novo, ressurgiram, em São Paulo, alguns
movimentos sociais negros, bem como alguns jornais da imprensa negra,
mas nenhum desses causou o mesmo impacto ou teve a mesma expressão
que o protesto negro anterior, como exemplificaria a referida Frente Negra
Brasileira (Cf. Andrews, 1991, Nascimento e Nascimento, 2000).

2.1.3 O Teatro Experimental do Negro (TEN)

A história do Movimento Negro no Brasil se confunde muito com a


história da luta pela democracia.
É importante ressaltar que a criação do Teatro Experimental do
Negro, em 1945, por Abdias do Nascimento, foi uma das organizações
negras mais importantes na luta anti-racista no período da chamada
Segunda República (1945-1964), visto que também visava protestar contra a
discriminação racial, formar atores e dramaturgos negros capazes de ler a
realidade racial do Brasil, bem como resgatar a herança africana na
sociedade brasileira. Buscava desmascarar a hipocrisia racial brasileira,
especialmente na área cultural, que praticamente não contratava nem
formava artistas negros como protagonistas, ao contrário, os excluíam: “Em
consonância com os outros movimentos, como a Frente Negra e seus
herdeiros, o TEN tinha na educação a primeira prioridade de ação”
(NASCIMENTO E NASCIMENTO, 2004, p. 121).
Essa busca de igualdade racial e de descolonização intelectual,
visando à construção de uma real democracia racial para os negros (em
1945, em São Paulo e, em 1946, no Rio de Janeiro) possibilitou o surgimento
da proposta da Convenção Nacional do Negro Brasileiro, que apresentou
um “Manifesto à Nação Brasileira”, enviado a todos os partidos políticos da
época, reivindicando da Assembléia Nacional Constituinte a elaboração de
uma nova Constituição. O TEN encerrou suas atividades em 1968, quando
Abdias do Nascimento foi para o auto-exílio nos Estados Unidos da América,
em face das pressões e perseguições da ditadura militar brasileira (de 1964 a
1985) contra os movimentos democráticos de qualquer natureza (MNU,
1988, p. 74; Nascimento, 1982, p. 12).
2.1.4 Revigoramento e expansão dos Movimentos Sociais Negros no

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Brasil: décadas de 70 e 80

Podemos destacar que houve grande refluxo nos movimentos


sociais entre os períodos de 1964 a 1985, especialmente entre 1964 e 1977.
Esse período ditatorial não foi propício para as organizações sociais negras,
que também ficaram obscurecidas, mas não desapareceram por completo,
emergindo somente em 1978:
Em 1978 ocorreram importantes rupturas: o discurso
político ganhou consistência e uma forma mais definida, um
momento em que as concepções antigas conservadoras
sofreram dura crítica, o ano da abertura política (SANTOS,
2006).
Anteriormente, em 1970, houve intensificação da luta contra a
discriminação racial, abrindo portas
para reflorescer novas lideranças,
culminando em 1978 na criação do
Movimento Negro Unificado Contra PARA REFLETIR
a Discriminação Racial (MNUCDR),
que emergiu no clamor dos protestos
Quais foram as formas de
contra a repressão policial, ao luta e resistência do Povo
assassinar violentamente um jovem negro?
Negro sob a justificativa de roubar
frutas em uma feira livre na cidade de Como você analisa a
população Negra Brasileira?
Figura 7
São Paulo.
Fonte: coletivosopros.files.wordpress.com Após esse episódio, o
Movimento Negro Unificado (MNU)
promoveu manifestações, e tentou atuar no processo de conscientização da
população negra. Com o surgimento do MNU, em 1978, a educação
continua como um valor importante para as lideranças negras.
Paralelamente, a igreja católica, na década de 1970, estava
empenhada em lutar contra o regime autoritário no Brasil. Os teólogos da
libertação desenvolveram uma estratégia política no interior da igreja, como
suporte a essas ações políticas. Em 1982, por exemplo, criaram-se os agentes
de pastoral negros, com trabalhos ligados à sociedade civil e com os
movimentos negros. (SANTOS, 2006, p. 46-8). Esse embate, conforme o
autor, trouxe uma combinação importante contra a discriminação racial.
De acordo com Santos (2006) e Souza (2001), o fim da ditadura
militar permitiu o amadurecimento político e institucional do país,
estabelecendo frentes em 1990 responsáveis pelo aprimoramento e
amadurecimento do movimento negro como movimento social. Houve,
nessa época, o surgimento de inúmeras entidades não-governamentais que
operavam a luta anti-racista, no plano cultural, desenvolvimento de
pesquisas, apoio institucional às vítimas de racismo e de violência policial,
apoio às práticas religiosas, às mulheres e, sobretudo, o que foi mais

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Módulo II Caderno Didático

marcante nesse período, destacou-se a missão de vários negros e negras que


partiram para cursos de pós-graduação no Brasil e no exterior. Isso propiciou
a criação de uma nova geração de intelectuais negros que, no interior das
universidades públicas brasileiras, lugar possuidor de muitos resquícios
coloniais, teve a missão de reescrever a história do povo negro.
Já no século XXI, com os resultados da Conferência Mundial de
Durban, em 2001, fortaleceram-se as principais bandeiras do movimento
negro, estabelecendo a luta pelas políticas de ações afirmativas em território
nacional.
2.1.5 A Declaração de Durban

DICAS

Sugestão de leitura:
Documento Final da
Declaração Universal de
Durban.

Figura 8
Fonte: tesessobreacoesafirmativas/images/tambor702.jpg

A III Conferência Mundial contra o Racismo, Discriminação Racial,


Xenofobia e Intolerâncias Correlatas, ocorrida em Durban, África do Sul, em
2001, foi um importante marco na reflexão mundial e na consolidação de
propostas que garantissem o tratamento igualitário para grupos
discriminados.
De acordo com o Relatório do Comitê Nacional para a Preparação
da Participação Brasileira na III Conferência Mundial das Nações Unidas
Contra o Racismo, Discriminação Racial, Xenofobia e Intolerância Correlata
(2001), no Rio de Janeiro, participaram 1500 delegados e 500 ouvintes se
cadastraram. Os membros das vinte e sete delegações, cada uma delas eleita
em um estado brasileiro, se subdividiram em grupos temáticos e se reuniram
para apresentar as propostas elaboradas nas pré-conferências estaduais. O
que se pretendeu foi o encaminhamento das propostas para o Comitê
Nacional – que as incorporaria ao documento a ser levado para a
Conferência Mundial da ONU.
A III Conferência Mundial contra o racismo, a discriminação racial,

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a Xenofobia e as Formas Correlatas de Intolerância catalisou, no Brasil, um


acalorado debate público, envolvendo as organizações governamentais e
não-governamentais e representantes dos movimentos sociais interessados
em analisar as dinâmicas das relações raciais no Brasil, bem como elaborar
propostas de superação dos entraves postos em relevo pela elaboração da
conferência. (Cavalleiro, 2006, p.17-8). Essa Conferência Impôs-se no
cenário mundial como importante instrumento na luta contra o racismo, a
discriminação racial, a xenofobia, e intolerâncias correlatas, e impactou,
diretamente, muitos países, especialmente o Brasil, que, pressionado pelo
movimento negro, utilizou das deliberações da declaração para exigir
políticas de ações afirmativas reparatórias ao povo negro que,
historicamente, foi negligenciado no Brasil. (Brasil, 2001).
O que está em destaque é a luta pela reparação, cabendo ao Estado
brasileiro a responsabilidade histórica por essa reparação, por meio de
políticas públicas de ação afirmativa – principal reivindicação do movimento
negro, estreitando o diálogo entre o movimento negro e o Estado:

Figura 9: Durban, África do Sul


Fonte: http://www.alternativeroute.net/images/durban2.jpg

O Estado brasileiro assumiu, com a sua participação em


Durban, compromissos que envolvem diretamente a
eliminação de práticas do racismo e das diversas formas de
discriminação, dentre elas as dirigidas a grupos étnico-
raciais. Em balanço recente sobre a agenda do Ministério da
Educação, com foco nas políticas públicas afirmativas,
constatou-se que o enfrentamento desse quadro exige a
integração das perspectivas universalistas e diferencialistas
na elaboração de uma política educacional orientada pelos
valores da diversidade e do direito à diferença. (BRASIL,
2001)

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Módulo II Caderno Didático

Assim, admite-se a responsabilidade histórica do Estado brasileiro


em operacionalizar as resoluções de Durban, apreendendo a escola como
aliada das políticas públicas, das ações afirmativas, uma porta da sociedade
brasileira, estruturalmente marcada por uma discussão equivocada das
relações raciais. A escola, de acordo com Brasil (2001), passa a ser
importante instrumento para repensar as atitudes sociais discriminatórias,
cooperando para que ocorram mudanças direcionadas a um olhar positivo
para os(as) alunos(as) negros(as).

Figura 10
Fonte: http://www.igadi.org/artigos/2005

2.1.6 As consequências da Declaração de Durban: A Lei 10.639/2003

Devemos enfatizar que foi com a participação do Estado brasileiro


na III Conferência Mundial Contra o Racismo, a Discriminação Racial,
Xenofobia e Intolerâncias Correlatas que a escravidão e o tráfico de escravos
foram reconhecidos como crimes contra a humanidade. Esse
reconhecimento reforçou a luta por reparação humanitária ao povo negro. A
Declaração e o Programa de Ação, resultantes dessa Conferência, impelem
os Estados envolvidos à restauração e à promoção da dignidade das pessoas
racialmente discriminadas (CAVALLEIRO, 2005).
De acordo com Santos (2005), o Presidente da República
reconhece a importância das lutas anti-racistas dos movimentos sociais
negros, reconhece também as injustiças e discriminações raciais contra os
negros no Brasil; a partir daí, dá prosseguimento à construção de um ensino

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mais democrático, onde é incorporada a história dos povos que


participaram da construção do Brasil. Assim, conforme o autor, altera a Lei
nº. 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases
da educação nacional, e sanciona a Lei nº. 10.639, de 9 de janeiro de 2003.
Então, a Lei nº. 9.394/96 passou a vigorar acrescida dos seguintes artigos:
Art. 26-A. Nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio,
oficiais e particulares, torna-se obrigatório o ensino sobre História e Cultura
Afro-Brasileira.
§ 1ª - O Conteúdo programático a que se refere o caput deste artigo
incluirá o estudo da História da África e dos Africanos, a luta dos negros no
Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade
nacional, resgatando a contribuição do povo negro nas áreas social,
econômica e política pertinentes à História do Brasil.
§ 2ª - Os Conteúdos referentes à História e Cultura Afro-Brasileira
serão ministrados no âmbito de todo o currículo escolar, em especial nas
áreas de Educação Artística e de Literatura e História Brasileira.
Art. 79-B. O calendário escolar incluirá o dia 20 de novembro como
“Dia Nacional da Consciência Negra”.
Entendemos, tal como esse autor, que o racismo e seus derivados no
cotidiano e nos sistemas de ensino não podem ser desconsiderados ou
silenciados pelos quadros de professores (as). É imprescindível identificá-los
e combatê-los. Assim como é pungente que todos (as) os (as) educadores (as)
digam não ao racismo e, juntos, promovam o respeito mútuo e a
possibilidade de se falar sobre as diferenças humanas sem medo, sem receio,
sem preconceito e, acima de tudo, sem discriminação.
Segundo Munanga,
o preconceito incutido na cabeça do professor e sua
incapacidade em lidar profissionalmente com a diversidade,
somando-se ao conteúdo preconceituoso dos livros e
materiais didáticos e as relações preconceituosas entre os
alunos de diferentes ascendências étnico-raciais, sociais e
outras, desestimulam o aluno negro e prejudicam seu
aprendizado (MUNANGA, 2001, p. 8).
Nesse sentido, o estabelecimento dessas leis significou um grande
salto qualitativo no processo de democratização do ensino, bem como na
luta anti-racismo. Mas é preciso mais, faz-se necessário implementar
políticas que visem à capacitação dos professores para incorporar a Lei em
seu cotidiano escolar. Vários estudos têm sido realizados e comprovam que
conceitos e ideologias estereotipados
dificultam e, algumas vezes, impedem a
permanência dos alunos negros na escola.
Atitudes preconceituosas e tratamentos
vexatórios têm sido atitudes constantes na
vida do aluno negro.
Assim como afirma Cavalleiro Figura 11
(2005), um dos grandes desafios para a Fonte: www.ecodebate.com.br
nossa educação é a elaboração e a

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Módulo II Caderno Didático

implementação de instrumentos que tenham como meta o fim das


desigualdades entre os grupos raciais na sociedade brasileira como um todo,
e no sistema de ensino em particular.

2.1.7 A Dívida Social do Brasil para com o Negro após o 13 de maio

Santos (2005) e vários autores enfatizam que o fim da escravatura


não livrou os ex-escravos da discriminação racial e das consequências
nefastas desta, como a exclusão social, a vulnerabilidade e a miséria. Pelo
contrário, a discriminação racial, após a abolição, surge e passa a fazer parte
da vida social dos negros, determinando todas as ações. O autor ainda
enfatiza que, apesar de toda a violência do racismo e da desigualdade racial,
a sociedade brasileira, ao longo do seu processo histórico, político, social e
cultural, construiu, ideologicamente, um discurso que narra a existência de
uma harmonia racial entre negros e brancos. Tal discurso consegue desviar o
olhar da população e do próprio Estado brasileiro das atrocidades cometidas
contra os africanos escravizados no Brasil e seus descendentes, impedindo-
os de agirem de maneira contundente e eficaz na superação do racismo.
Esse discurso tem permeado e se impregnado no modo de pensar e
de agir de toda a sociedade. Especialmente, podemos verificar suas
consequências nos diversos indicadores sociais que apontam os negros
sempre nos níveis mais baixos, seja econômico, social, educacional, enfim.
Assim, após a abolição, negros e mulatos foram retirados das posições que
ocupavam no artesanato na prestação de serviços, sendo confinados na
realização de trabalhos extremamente degradantes e mal remunerados
(FERNANDES, 1978).
Conforme Silva (2008), o Racismo no Brasil possui uma
particularidade que foi, durante muito tempo, aceita pela maioria da
população. A crença na sua não existência foi perpetuada pelo surgimento,
na década de 1930, do “mito da democracia racial”, conceito criado por
Gilberto Freyre em sua obra Casa Grande e Senzala (1932) com grande
repercussão em todo o país. Dessa forma, o racismo se expressou de forma
velada, mascarado por uma ideia de que as três raças que formavam o país
(índio, negro, branco) conviveram de forma harmônica, sem resistência ou
conflitos perante as relações desiguais estabelecidas entre elas.
Silva (2008) ainda destaca que as políticas de promoção da
igualdade racial podem diminuir as taxas de desigualdades entre negros e
brancos, porém não podemos nos esquecer de que é preciso atacar, com a
mesma intensidade, a raiz do problema, isto é, o racismo e o preconceito.
Neste campo, não será demais lembrar que apenas a educação pode mudar
valores, contribuindo para a valorização da diversidade e a construção de
um senso de respeito recíproco entre os grupos que conformam esta rica
geografia de identidades culturais denominada Brasil.
O reconhecimento da dívida das responsabilidades históricas para

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Educação para as Relações Étnico-Raciais UAB/Unimontes

com a população negra abre a possibilidade para a implantação das políticas


reparatórias e a publicação das Leis nº. 10.639/03, o parecer CNE/CP3/04,
que instituíram as Diretrizes Curriculares para a Educação das Relações
Étnico-Raciais e o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileiras e Africanas, e
possibilitaram, como bem diz Cavalleiro (2006), que o Estado
operacionalizasse as resoluções de Durban:
Igual acesso à educação para todos e todas na lei e na prática.
Adoção e implementação de leis que proíbam a
discriminação baseada em raça, cor, descendência, origem
racial ou étnica, em todos os níveis de educação, tanto
formal quanto informal. Medidas necessárias para eliminar
os obstáculos que limitam o acesso de crianças à educação.
Recursos para eliminar, onde existem, desigualdades nos
rendimentos educacionais para jovens e crianças. Apoio aos
esforços que assegurem ambiente escolar seguro, livre da
violência e de assédio motivado por racismo, discriminação
racial, xenofobia e intolerância correlata. Estabelecimento
de programas de assistência financeira desenhados para
capacitar todos os estudantes, independente de raça, cor,
descendência, origem étnica ou nacional a frequentarem
instituições educacionais de ensino superior. (CAVALLEIRO,
2006, p.18-9).
Enfatizamos que essas medidas, apesar das falhas que inviabilizam
seu real objetivo, representaram avanço significativo que visa proporcionar
melhoria nas condições de vida da população negra. Necessitamos inserir,
no interior das escolas, a discussão acerca das relações raciais no Brasil;
precisamos efetivamente implementar essas medidas nos interiores dos
estabelecimentos educacionais. Para a concretização dessas medidas,
Cavalleiro (2005) entende que é preciso não só boa vontade e sensibilidade
dos profissionais da educação, mas também o fornecimento de material
didático-pedagógico anti-racista e recursos auxiliares aos professores para
que possam ministrar aulas, combatendo o preconceito e a discriminação
raciais. Esses esforços são necessários para que se trace uma educação
inclusiva, livre de preconceitos, democrática e não-etnocêntrica.
(CAVALLEIRO, 2005, p.14)

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Negros e Brancos em São Paulo. São Paulo: Anhembi, 1955.
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Módulo II Caderno Didático

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Montes Claros: Departamento de Ciências Sociais e Políticas, 2008.
(Monografia de Conclusão de Curso)

RESUMO

O texto discute o histórico do Movimento Negro nos períodos


escravista e pós-escravista. Enfatiza especialmente os Movimentos Sociais
Negros em São Paulo, no século XX, o papel da Imprensa Negra, da Frente
Negra Brasileira, do Teatro Experimental do Negro (TEN). Reflete sobre sua
contribuição no avanço e amadurecimento intelectual da população negra,
e qual sua reação durante o período ditatorial. Trata, ainda, do
Revigoramento e da expansão dos Movimentos Sociais Negros no Brasil nas
décadas de 70 e 80. Por fim, faz um balanço da III Conferência Mundial
contra o Racismo, Discriminação Racial, Xenofobia e Intolerâncias
Correlatas, ocorrida em Durban, África do Sul, em 2001, a implementação
da Lei. N. 10.639/03 e sua importância na reflexão e na consolidação de
propostas que garantam o tratamento igualitário para grupos discriminados.

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