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TRIBUNAL DO JÚRI

A firmeza do magistrado presidente na condução do julgamento não acarreta, necessariamente, a quebra


da imparcialidade dos jurados.
Não é cabível a pronúncia fundada exclusivamente em testemunhos indiretos do “ouvi dizer”.
- muito embora a análise aprofundada dos elementos probatórios seja feita somente pelo Tribunal do
Júri, não se pode admitir, em um Estado Democrático de Direito, a pronúncia baseada, exclusivamente,
em testemunho indireto (por ouvi dizer) como prova idônea, de per si, para submeter alguém a
julgamento pelo Tribunal Popular.
- o testemunho do ouvi dizer, produzido somente na fase inquisitorial, não serve como fundamento para
pronúncia.
Quando a apelação contra a sentença condenatória é interposta com fundamento no art. 593, III, d, do
CPP, o Tribunal tem o dever de analisar se existem provas de cada um dos elementos essenciais do
crime, ainda que não concorde como peso que lhes deu o júri.
A tese de legítima defesa da honra é inconstitucional, por contrariar os princípios da dignidade da
pessoa humana, da proteção à vida e da igualdade de gênero.
Cabe apelação com fundamento no art. 593, III, d, do CPP (decisão manifestamente contrária à prova
dos autos) se o júri absolver o réu?
STJ: SIM – posição pacífica.
STF: NÃO – posição majoritária – a decisão do júri não precisa ser fundamentada podendo o júri
absolver por clemência, então, não há prova contrária à prova dos autos.
É possível a pronúncia do acusado baseada exclusivamente em elementos informativos obtidos na fase
inquisitorial?
- não, haverá violação ao art. 155 do CPP. Posição que está prevalecendo.
- sim, é possível admitir a pronúncia do acusado com base em indícios derivados do inquérito policial,
sem que isso represente afronta ao art. 155. Embora a vedação imposta no art. 155 se aplique a qualquer
procedimento penal, inclusive nos do Júri, não se pode perder de vista o objetivo da decisão de
pronúncia não é o de condenar, mas apenas o de encerrar o juízo de admissibilidade da acusação.
a ausência de exame de corpo de delito não inviabiliza, por si só, a pronúncia do réu quando presentes
outros elementos de prova.
- é possível a juntada de exame de corpo de delito após a decisão de pronúncia para que seja analisado
pelo juiz natural da causa, a saber, o Conselho de Sentença.
Não se deve anular a condenação do réu no júri por ausência de defesa no caso em que o advogado fez
sustentação oral por apenas 3 minutos, sendo que, antes disso, o Ministério Público já havia pedido a
absolvição.
a mera presunção de parcialidade dos jurados do Tribunal do Júri em razão da divulgação dos fatos e da
opinião da mídia é insuficiente para o desaforamento do julgamento para outra comarca.
- desaforamento é o deslocamento do julgamento do caso para outra comarca alterando-se a
competência territorial do júri, em virtude de motivos previstos taxativamente na lei.
MOTIVOS: interesse da ordem pública; dúvida sobre a imparcialidade do júri; falta de segurança
pessoa do acusado; em razão do comprovado excesso de serviço, se o julgamento não puder ser
realizado no prazo de 6 meses, contado do trânsito em julgado da decisão de pronúncia.
QUEM PODE REQUERER: MP, assistente de acusação, querelante, acusado, representação do juiz
competente.
QUEM DECIDE: Tribunal de Justiça ou Tribunal Regional Federal.
Não é possível a execução provisória da pena mesmo em caso de condenações pelo Tribunal do Júri.
BOATE KISS – DECISÃO LIMINAR STF. LER DECISÃO DO FUX MANDANDO PRENDER OS
CONDENADOS.
Decisão do TJ que, em revisão criminal, absolve o réu sob a alegação de que a condenação é contrária à
evidência dos autos viola acordão do STF que havia restaurado condenação proferida pelo Tribunal do
Júri.
Na fase de pronúncia deve-se adotar a teoria racionalista da prova, na qual não deve haver critérios
de valoração das provas rigidamente definidos na lei, no entanto, por outro lado, o juízo sobre os fatos
deve ser pautado por critérios de lógica e racionalidade, podendo ser controlado em âmbito recursal
ordinário.
Para a pronúncia, não se exige uma certeza além da dúvida razoável, necessária para a condenação.
Contudo, a submissão de um acusado ao julgamento pelo Tribunal do Júri pressupõe a existência de um
lastro probatório consistente no sentido da tese acusatória. Ou seja, requer-se um standard probatório
um pouco inferior, mas ainda assim dependente de uma preponderância de provas incriminatórias.
Existe divergência no STJ se a conduta do advogado ou Defensor Público de abandonar o plenário do
Júri pode configurar abandono do processo, ensejando a multa do art. 265 do CPP.
A conduta do advogado ou Defensor Público de abandonar o plenário do Júri (como estratégia de
defesa) pode configurar abandono do processo, ensejando a multa do art. 265 do CPP?
- SIM, o STJ tem rechaçado a postura de abandonar o plenário do Júri como tática de defesa,
considerando se tratar de conduta que configura, sim, abandono processual, apto, portanto, a atrair a
aplicação da multa do art. 265 do CPP.
- NÃO, não constitui a hipótese do art. 265 do CPP o abandono de ato processual pelo defensor do réu
se este permaneceu na causa, tendo, inclusive, atuado nos atos subsequentes.
A soberania relativa do veredito do conselho de sentença não permite o agravamento da pena com base
em novo julgamento pelo júri em consequência de recurso exclusivo da defesa.
Se a condenação proferida pelo Júri foi anulada pelo Tribunal em recurso exclusivo da defesa, isso
significa que deverá ser realizado um novo júri, mas, em caso de nova condenação, a pena imposta neste
segundo julgamento não poderá ser superior àquela fixada na sentença do primeiro júri. Em outras
palavras, se apenas o réu recorreu contra a sentença que o condenou e o Tribunal decidiu anular a
sentença, determinando que outra seja prolatada, esta nova sentença, se também for condenatória, não
pode ter uma pena superior à que foi aplicada na primeira. Isso é chamado de princípio da ne
reformatio in pejus indireta, que tem aplicação também no Tribunal do Júri. A soberania do veredicto
dos jurados não autoriza a reformatio in pejus indireta.
Jurado que fala: “é um crime” durante a sessão de julgamento viola o dever de incomunicabilidade.
Deve ser declarado nulo o júri em que membro do conselho de sentença afirma a existência de crime em
plena fala da acusação.
Caso concreto: durante os debates no Plenário do Tribunal do Júri, o Promotor de Justiça estava em pé
na frente dos jurados apresentando seus argumentos. Em determinado momento, o Promotor fez uma
pergunta retórica: “aí, então, senhores jurados, eu pergunto a Vossas Excelências: qual foi a conduta que
o réu aqui presente praticou?” Uma das juradas acabou “soltando” a seguinte resposta: “é um crime”. O
juiz presidente do Júri imediatamente a advertiu dizendo: por favor, a senhora não pode se manifestar. O
advogado, contudo, na mesma hora requereu ao magistrado que consignasse este fato na ata de
julgamento. O juiz decidiu que não houve quebra da incomunicabilidade e seguiu com o julgamento. O
réu foi condenado e a defesa recorreu alegando, entre outros argumentos, que houve nulidade do
julgamento por quebra da incomunicabilidade dos jurados. O STJ anulou o júri.
Validade das alegações finais feitas nos debates orais e ausência de inovação dos fatos no plenário. A
defesa sustentava a nulidade absoluta do processo, em razão da ausência das alegações finais por
abandono da causa pelo advogado.
Sustentava, também, a violação ao devido processo legal, diante da modificação da tese acusatória em
plenário, sem que tivesse sido oportunizado o exercício do contraditório.
O STF entendeu não ter ocorrido nulidade processual, tendo em vista que, na audiência de instrução, a
defesa técnica postulou a impronúncia. Além disso, afirmou haver correlação entre o que foi arguido
pelo Estado-acusador em plenário e a pronúncia. Em outras palavras, o MP pediu a condenação do réu
justamente pelos fatos que constavam na pronúncia.
Sustentação oral em tempo reduzido não caracteriza, necessariamente, a deficiência de defesa técnica.
Lembrar da defesa feita em 3 minutos que não foi anulada pelo Tribunal, pois não houve prejuízo para
defesa.
Na sentença de pronúncia, as qualificadoras somente podem ser excluídas quando se revelares
manifestamente improcedentes. A exclusão de qualificadora constante na denúncia somente pode
ocorrer quando manifestamente improcedentes, sob pena de usurpação da competência do Tribunal do
Júri, juiz natural para julgar os crimes dolosos contra a vida. Por vigorar nesta fase o princípio in dubio
pro societate, somente é autorizado ao julgador afastar as qualificadoras contidas na denúncia caso não
haja dúvidas de que elas não estão configuradas no caso concreto. Não havendo certeza disso, o juiz
deverá deixar para o Conselho de Sentença decidir sobre a incidência ou não da qualificadora.
Documento ou objeto somente pode ser lido ou exibido no júri se a parte adversa tiver sido cientificada
de sua juntada com até 3 dias úteis de antecedência. O prazo de 3 dias úteis que se refere o art. 479 do
CPP deve ser respeitado não apenas para juntada de documento ou objeto, mas também para a ciência da
parte contrária a respeito de sua utilização no Tribunal do Júri.
Há possibilidade de extensão de decisão de desclassificação adotada por júri em favor de corréu. O
processo foi desmembrado. O Plenário do Júri desclassificou a conduta do réu, sendo essa decisão
extensivo ao outro réu – art. 580 do CPP; em caso de decisões benéficas tenham sido proferidas em
outras esferas. Pois esse artigo visa equidade entre os réus. Sendo assim a decisão extensível não fere a
soberania dos vereditos.
- é juridicamente possível a existência de tentativa de homicídio doloso com dolo eventual.
A tese absolutória de legítima defesa, quando constituir a tese principal defensiva, deve ser quesitada ao
Conselho de Sentença antes da tese subsidiária de desclassificação em razão da ausência de animus
necandi. Assim, nos casos em que a tese principal for absolutória (ex: legítima defesa), o quesito de
absolvição deve ser formulado antes que o de desclassificação (tese subsidiária). Isso se justifica com o
objetivo de garantir a plenitude da defesa, já que a absolvição é mais vantajosa do que a mera
desclassificação para outro crime menos grave.
A desclassificação do crime doloso contra a vida para outro de competência do juiz singular promovida
pelo Conselho de Sentença em plenário do Tribunal do Júri, mediante o reconhecimento da denominada
cooperação dolosamente distinta (art. 29, § 2º, do CP), não pressupõe a elaboração de quesito acerca de
qual infração menos grave o acusado quis participar.
Assim, não há falar em ocorrência de nulidade absoluta no julgamento pelo Tribunal do Júri, por
ausência de quesito obrigatório, na hipótese em que houve a efetiva quesitação acerca da tese da
desclassificação, ainda que sem indicação expressa de qual crime menos grave o acusado quis participar.
Afastada pelos jurados a intenção do réu em participar do delito doloso contra a vida em razão da
desclassificação promovida em plenário, o juiz natural da causa não é mais o Tribunal do Júri, não
competindo ao Conselho de Sentença o julgamento do delito, e sim ao juiz presidente do Tribunal do
Júri, nos termos do que preceitua o art. 492, § 1º, primeira parte, do CPP.
O direito de recusa aos jurados é atribuído ao réu e não a defesa. Portanto, cada réu poderá
imotivadamente recusar até 3 jurados, ainda que as recusas tenham sido realizadas por um só defensor.
A sentença de pronúncia deve ser fundamentada. No entanto, é necessário que o juiz utilize as palavras
com moderação, ou seja, valendo-se de termos sóbrios e comedidos, a fim de se evitar que fique
demonstrado na decisão que ele acredita firmemente que o réu é culpado pelo crime. Se o magistrado
exagera nas palavras utilizadas na sentença de pronúncia, dizemos que houve um “excesso de
linguagem”, também chamado de “eloquência acusatória”.
O excesso de linguagem é proibido porque o CPP afirma que os jurados irão receber uma cópia da
sentença de pronúncia e das decisões posteriores que julgaram admissível a acusação e do relatório do
processo (art. 472, parágrafo único). Assim, se o juiz se excede nos argumentos empregados na sentença
de pronúncia, o jurado irá ler essa decisão e certamente será influenciado pela opinião do magistrado.
Havendo excesso de linguagem, o que o Tribunal deve fazer?
Deverá ANULAR a sentença de pronúncia e os consecutivos atos processuais, determinando-se que
outra seja prolatada.
Em vez de anular, o Tribunal pode apenas determinar que a sentença seja desentranhada (retirada do
processo) ou seja envelopada (isolada)? Isso já não seria suficiente, com base no princípio da economia
processual?
NÃO. Não basta o desentranhamento e envelopamento. É necessário anular a sentença e determinar que
outra seja prolatada. Isso porque, como já dito acima, a lei determina que a sentença de pronúncia seja
distribuída aos jurados. Logo, não há como desentranhar a decisão, já que uma cópia dela deverá ser
entregue aos jurados. Se essa cópia não for entregue, estará sendo descumprido o art. 472, parágrafo
único, do CPP.
Imagine que duas pessoas tenham praticado, em conjunto, homicídio. Uma delas foi julgada primeiro,
tendo sido condenada. No julgamento do segundo réu, durante os debates no Plenário do Júri, o
Promotor de Justiça leu a sentença que condenou o primeiro réu. Houve nulidade por violação do art.
478, I, do CPP?
NÃO. A leitura, pelo Ministério Público, da sentença condenatória de corréu proferida em julgamento
anterior não gera nulidade de sessão de julgamento pelo conselho de sentença. Segundo decidiu o STF,
o art. 478, I, não proíbe que se leia a sentença condenatória de corréu no mesmo processo. Logo, não é
possível falar que houve descumprimento da regra prevista nesse dispositivo.
Ligeira alteração na redação prevista no CPP para o quesito não gera nulidade.
Não existe mais quesito sobre excesso doloso.
O assistente da acusação tem direito à réplica, ainda que o MP tenha anuído à tese de legítima defesa do
réu e declinado do direito de replicar.
Ainda que a defesa alegue que a absolvição do réu por clemência do Júri, admite-se, mas desde que por
uma única vez, o provimento de apelação fundamentada na alegação de que a decisão dos jurados
contrariou manifestamente à prova dos autos (art. 593, III, d, do CPP).
No procedimento relativo aos processos de competência do Tribunal do Júri, o acusado solto que, antes
da Lei 11.689/2008, tenha sido intimado pessoalmente da decisão de pronúncia pode, após a vigência da
referida Lei, ser intimado para a sessão plenária por meio de edital caso não seja encontrado e, se não
comparecer, poderá ser julgado à revelia.
O art. 420, parágrafo único, do CPP, com a redação dada pela Lei 11.689/2008, estabeleceu a
possibilidade de a intimação da decisão de pronúncia ser feita por edital ao acusado que não for
encontrado. De acordo com o STJ, aludido dispositivo, por ter índole processual, deve ser aplicado
imediatamente, mesmo aos crimes ocorridos antes de sua vigência. No entanto, tal norma processual
penal não pode ser aplicada aos fatos anteriores à Lei 9.271/1996, em que foi decretada a revelia do réu,
uma vez que tal compreensão implicaria a sua submissão a julgamento pelo Tribunal do Júri sem que
sequer se tenha certeza da sua ciência acerca da acusação que pesa contra si.
Assim, não é admitido que a intimação da decisão de pronúncia seja realizada por edital quando o
processo houver transcorrido desde o início à revelia do réu que também fora citado por edital.
As pessoas condenadas pelo Tribunal do Júri pós a entrada em vigor da Lei nº 11.689/2008 não têm
direito ao recurso “protesto por novo júri”, ainda que o crime tenha sido cometido antes da referida lei
revogadora.
Em um júri, a única tese defensiva do advogado foi a negativa de autoria. No momento da votação, os
jurados responderam SIM ao quesito da autoria, ou seja, reconheceram que o réu era o autor do crime,
no entanto, responderam SIM para o quesito defensivo obrigatório “o jurado absolve o acusado”. O juiz
entendeu que houve contradição e, por conta disso, repetiu a votação do quesito defensivo. O STJ não
concordou com o procedimento do juiz porque não houve contradição nas respostas fornecidas. Isso
porque os jurados podem responder SIM ao quesito defensivo e absolver o acusado por outros motivos
diferentes daqueles alegados pelo defensor no Plenário. Logo, mesmo tendo reconhecido a autoria, os
jurados poderiam absolver o acusado. Vale ressaltar, no entanto, que, se houvesse realmente
contradição, o juiz deveria ter repetido os dois quesitos conflitantes e não apenas o último deles.
A sessão de julgamento do Tribunal do Júri só pode ser adiada caso a testemunha faltante tenha sido
intimada com a cláusula de imprescindibilidade. No caso concreto julgado pelo STJ, entretanto, o
mandado de intimação da testemunha foi expedido para endereço diverso do indicado pela defesa,
motivo pelo qual o oficial de justiça não a encontrou e, consequentemente, ela não compareceu ao
Tribunal do Júri, o que fez com que o causídico responsável pela defesa do paciente requeresse o
adiamento da sessão de julgamento, sendo este pedido, no entanto, indeferido pelo Juiz Presidente.
Diante disso, o STJ anulou o julgamento. Para a Corte, ainda que a testemunha não tenha sido indicada
como imprescindível, não se pode admitir que a defesa seja prejudicada por um equívoco do Estado, que
expediu mandado de intimação para endereço distinto daquele indicado pelos advogados do acusado,
obrando em evidente cerceamento de defesa.
No procedimento do Tribunal do Júri, o juiz pode, na fase do art. 415 do CPP, efetivar a absolvição
imprópria do acusado inimputável, na hipótese em que, além da tese de inimputabilidade, a defesa
apenas sustente por meio de alegações genéricas que não há nos autos comprovação da culpabilidade e
do dolo do réu, sem qualquer exposição dos fundamentos que sustentariam esta tese.
O art. 478, I, do CPP afirma que, durante os debates, as partes não poderão, sob pena de nulidade,
fazer referências à decisão de pronúncia ou às decisões posteriores que julgaram admissível a acusação
como argumento de autoridade para beneficiar ou prejudicar o acusado. Isso não significa, contudo, que
qualquer referência ou leitura da decisão acarretará, obrigatoriamente, a nulidade do julgamento. Na
verdade, somente haverá nulidade se a leitura ou as referências forem feitas como argumento de
autoridade para beneficiar ou prejudicar o acusado. Assim, por exemplo, não haverá nulidade se o MP
simplesmente ler, no Plenário, trecho da decisão do Tribunal que manteve a sentença de pronúncia
contra o réu, sem fazer a utilização do artifício do “argumento de autoridade”.
Não é possível a anulação parcial de sentença proferida pelo júri a fim de determinar submissão do réu a
novo julgamento somente em relação às qualificadoras, ainda que a decisão dos jurados seja
manifestamente contrária à prova dos autos apenas nesse particular.
Réu é condenado pelo Tribunal do Júri. Recorre ao Tribunal alegando que a decisão é manifestamente
contrária à prova dos autos. O Tribunal cassa a decisão e determina novo Júri. Neste segundo
julgamento, o Júri condena novamente o réu e reconhece uma nova circunstância (ex: uma nova
qualificadora). O juiz-presidente do Júri não poderá fixar uma pena superior à que foi estabelecida na
primeira sentença mesmo a condenação tendo mudado de homicídio simples para qualificado.
No caso de desaforamento do julgamento para outra comarca, deve-se preferir as mais próximas. No
entanto, em caso de desaforamento fundado na dúvida de imparcialidade do corpo de jurados, o foro
competente para a realização do júri deve ser aquele em que esse risco não exista. Assim, o
deslocamento da competência nesses casos não é geograficamente limitado às comarcas mais
próximas.
Imagine que a tese da acusação é tentativa de homicídio e a tese defensiva é a de desistência voluntária.
Se os jurados respondem que houve tentativa de homicídio, ou seja, que o agente só não consumou o
delito por circunstâncias alheias à sua vontade, não há lógica em se questionar se houve desistência
voluntária, que somente se configura quando o agente ‘voluntariamente desiste de prosseguir na
execução’. Assim, a resposta afirmativa dos jurados à indagação sobre a ocorrência de tentativa afasta
automaticamente a hipótese de desistência voluntária.
O CPP determina que, se o advogado do acusado não comparecer à sessão designada para o Júri, sem
apresentar escusa (justificativa) legítima, e se outro advogado não for constituído pelo réu, o juiz deverá
designar nova data para o julgamento, intimando a Defensoria Pública para que participe do novo
julgamento e faça a defesa do acusado caso este não apresente novamente defensor constituído. O novo
julgamento deverá ser marcado com uma antecedência mínima de 10 dias, a fim de que o defensor do
acusado possa conhecer o processo. Tal previsão está contida no art. 456 do CPP. No caso concreto, o
advogado constituído do réu não apareceu na sessão de julgamento, tendo sido designado novo júri com
antecedência de 12 dias e intimação da Defensoria Pública.
No dia do júri, a defesa em Plenário foi feita pelo Defensor Público, tendo ele alegado não ter tido
tempo suficiente para conhecer os autos. O réu foi condenado, tendo sido impetrados sucessivos habeas
corpus até que a questão chegasse ao STF.
A 2ª Turma do STF decidiu que, apesar da decisão do juiz de adiar o júri ter sido praticada em
conformidade com a lei, no caso concreto, o prazo concedido para o Defensor Público estudar o
processo (12 dias) foi muito exíguo considerando que se tratava de uma causa complexa e com vários
volumes de autos. Dessa forma, o julgamento foi considerado nulo por conta da violação aos princípios
da razoabilidade, da proporcionalidade e, ainda, do devido processo legal substantivo (e não o
meramente formal).
Não configura ilegalidade a determinação do Juiz-Presidente do Tribunal do Júri que estabeleça a
proibição de retirada dos autos por qualquer das partes, inclusive no caso de réu assistido pela
Defensoria Pública, nos cinco dias que antecedam a realização da sessão de julgamento.
O réu foi submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri. Houve recurso para o Tribunal de Justiça e o
júri foi anulado sob o argumento de que a decisão dos jurados foi manifestamente contrária à prova dos
autos. Foi, então, designada uma nova sessão do Júri.
O STJ decidiu que, para esse novo julgamento, não é possível que se conceda às partes o direito de
inovar no conjunto probatório mediante a apresentação de novo rol de testemunhas a serem ouvidas em
plenário.
A condenação penal definitiva imposta pelo Júri também pode ser desconstituída mediante revisão
criminal, não lhe sendo oponível a cláusula constitucional da soberania do veredicto do Conselho de
Sentença. Se o Tribunal de Justiça, ao julgar uma revisão criminal, entender que a condenação do réu foi
proferida de forma contrária à evidência dos autos, ele poderá absolver diretamente o condenado, não
sendo necessário que outro júri seja realizado. Havendo empate de votos no julgamento da revisão
criminal, se o presidente do Tribunal, Câmara ou Turma, não tiver votado ainda, deverá proferir o voto
de desempate. Caso já tenha votado, prevalecerá a decisão mais favorável ao réu.nSTJ. 5ª Turma. HC
137504-BA, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 28/8/2012.

No mesmo sentido:
(...) 1. A jurisprudência desta Corte é uníssona no sentido de admitir o pedido revisional (art. 621, I, do
CPP) do veredicto condenatório emanado do Tribunal do Júri, calcada no entendimento de que o direito
à liberdade prevalece em confronto com a soberania dos veredictos. Precedentes do STJ.
(...) 2. Diante do conflito entre os princípios da soberania dos vereditos e da dignidade da pessoa
humana, ambos sujeitos à tutela constitucional, cabe conferir prevalência a este, considerando-se a
repugnância que causa a condenação de um inocente por erro judiciário (REsp 964978/SP).
Essa é a posição também defendida por Renato Brasileiro:
"1.3.2. Cabimento de revisão criminal contra decisões do Júri
Prevalece na doutrina e na jurisprudência o entendimento de que ao Tribunal de Justiça é conferida a
possibilidade de, em sede de revisão criminal, proceder ao juízo rescindente e rescisório. Assim, se o
Tribunal togado se convencer que a sentença condenatória se fundou em depoimentos, exames ou
documentos comprovadamente falsos, pode, desde já, absolver o acusado, não havendo a necessidade de
submetê-lo a novo julgamento perante o júri. Portanto, na ação autônoma de impugnação que é a revisão
criminal, o tribunal de segundo grau tem competência tanto para o juízo rescindente, consistente em
desconstituir a sentença do tribunal do júri, quanto para o juízo rescisório, consistente em substituir a
decisão do júri por outra do próprio tribunal do segundo grau." (LIMA, Renato Brasileiro de. Manual de
Processo Penal. Salvador: Juspodivm, 2020, p. 1447).
Após a entrada em vigor da Lei nº 11.689/2008, em 8 de agosto de 2008, o reexame necessário de
decisão absolutória sumária proferida em procedimento do Tribunal do Júri que estiver pendente de
apreciação não deve ser examinado pelo Tribunal ad quem, mesmo que o encaminhamento da decisão
absolutória à instância superior tenha ocorrido antes da entrada em vigor da referida Lei. Ex: João matou
Pedro, tendo sido denunciado por homicídio doloso. Em 05/05/2008, depois de ouvir as testemunhas, o
juiz se convenceu que João agiu em legítima defesa, razão pela qual proferiu sentença de absolvição
sumária. Na época, havia previsão no CPP no sentido de que, após absolver o acusado, o magistrado,
mesmo sem recurso do MP, deveria mandar os autos para o Tribunal para que este examinasse se a
decisão foi correta. A remessa necessária ficou parada no TJ aguardando ser julgada. Em 08/08/2008
entrou em vigor a Lei nº 11.689/2008 acabando com a previsão da remessa necessária nestes casos. Isso
significa que o Tribunal não mais terá que julgá-la.

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