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07/08/2022 14:42 TJDFT - Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios

Tribunal de Justiça do Distrito Federal e


Territórios - TJDFT
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Circunscrição : 5 - PLANALTINA
Processo : 2009.05.1.007281-3

Vara : 301 - PRIMEIRA VARA


CRIMINAL E PRIMEIRO JUIZADO ESPECIAL CRIMINAL DE PLANALTINA

Processo : 2009.05.1.007281-3
Ação : ACAO PENAL

Autor : MINISTERIO PUBLICO


Réu : GERALDO CHAMONE FILHO
e outros

Sentença

O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios ofereceu denúncia em desfavor de HÉLIO ROSA DOS PASSOS, NAIDE
ANTÔNIO CHAMONE, GERALDO CHAMONE FILHO, ISMAEL DE OLIVEIRA CAITANO, PAULO BATISTA DOS SANTOS
e TATIANE DOS SANTOS DE QUEIROZ, devidamente qualificados nos autos, atribuindo-lhes a autoria do crime previsto no artigo
171, caput, do Código Penal, por 250 vezes, narrando a conduta delitiva nos termos da exordial acusatória de fls. 2-8, a saber:
"Ao menos no período de 20/07/2009 a 24/07/2009, na sede ONG Viva Vida, situada na Rua Eugênio Jardim, Quadra 28, Lotes
07/09,
nesta cidade de Planaltina/DF, os denunciados, agindo de forma voluntária e consciente, com inequívoco ânimo de enganar/iludir
terceiros, obtiveram para o grupo considerável vantagem econômica ilícita, em prejuízo de diversas vítimas, todas identificadas nos
autos em apenso, induzindo-as a erro mediante ardil, ao alegaram fraudulentamente facilidade na aquisição de casa própria junto ao
Governo Federal, por meio do programa habitacional "Minha Casa Minha Vida".
A denúncia foi recebida em 23.6.2010 (fl. 142).

Os acusados foram citados (fls. 154, 163, 165, 167, 169), constituíram patrono nos autos (fls. 155, 156, 157, 158, 159 e 370) e
responderam à acusação (fls. 171-178), ocasião em que sustentaram a inépcia da inicial e arrolaram as testemunhas elencadas à fl.
178.

Afastada a preliminar arguida, não sendo verificada qualquer das hipóteses previstas no artigo 397 do CPP, foi designada data para a
instrução do feito.

foram ouvidas as testemunhas WILLIAM ANDRÉ SOARES (fl. 392), SHIRLEY ALMEIDA DE OLIVEIRA
No curso da instrução
(fl. 393), SIMONE ALMEDIA DE OLIVEIRA (fl. 394), JOELMA DA SILVA XAVIER (fl. 395), BRUNO LEONARDO DE
CARVALHO BORGES (fl. 396), MARCILEIDE DA SILVA AMORIM (fl. 485), MARCOS FEBOLI REZENDE (fl. 486),
ANTÔNIO LEÃO DO AMARAL (fl. 487), VALDETE RODRIGUES DA SILVA (fl. 488), CLEONICE BORGES DA SILVA (fl.
489), e SINARA DE ARAÚJO FERREIRA FLORES (fl. 490).
Interrogatório dos acusados às fls. 491-496.

Na fase do artigo 402 do CPP, o Ministério Público manifestou-se às fls. 498-499, enquanto a defesa se manifestou às fls. 504-505.
Em alegações finais (fls. 600-611), o Ministério Público pugnou pela condenação dos réus, nas penas do art. 171, caput, do CPB, nos

termos da denúncia.

Às fls. 614-616, a Defesa apresentou suas alegações finais e sustentou, preliminarmente, que as alegações finais oferecidas pelo órgão
ministerial são intempestivas e que o processo é nulo, afirmando que houve "flagrante preparado". Subsidiariamente, pugnou a Defesa
pela absolvição dos réus, ao fundamento de que suas condutas não tinham como ânimo promover qualquer ato lesivo às supostas
vítimas.
Por fim,
os autos vieram-me conclusos para sentença, em razão do afastamento temporário do Juiz que presidiu a instrução criminal,
para gozo de férias regulamentares.
É o relatório.

D E C I D O.

Preliminarmente, quanto à intempestividade das alegações finais apresentadas pelo Ministério Público, sem razão a defesa, uma vez
que o prazo para a apresentação de memoriais é impróprio e se traduz em mera baliza de razoabilidade, não havendo que se falar em
intempestividade. Neste sentido, aliás, trago o seguinte julgado:
APELAÇÃO CRIMINAL - ROUBO CIRCUNSTANCIADO - MÁQUINA PESADA - PÁ CARREGADEIRA - (...) ALEGAÇÕES
FINAIS DO MP INTEMPESTIVAS - CERCEAMENTO DE DEFESA - INVERSÃO DOS ATOS PROCESSUAIS - QUEBRA DO
CONTRADITÓRIO - NEGATIVA DE AUTORIA - INSUFICIÊNCIA DE PROVAS. I - Tanto a antiga redação do art. 500 do CPP
quanto a atual tratam de prazos impróprios, cujo desrespeito não gera qualquer sanção. No máximo, caracterizam constrangimento
ilegal por excesso de prazo na formação da culpa ou infração funcional. Não há nulidade.

II- (...). III - (...). IV - (...). V - (...). VI - (...). VII - (...). VIII - (...). IX - (...). (20020510026710APR, Relator SANDRA DE SANTIS,
1ª Turma Criminal, julgado em 07/01/2010, DJ 26/02/2010 p. 126)
Quanto à nulidade arguida nas derradeiras alegações, acerca do flagrante
ter sido preparado pela autoridade policial, também não
encontra amparo a tese defensiva.

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A situação de flagrante que se verifica nos autos foi aquela conceituada pela doutrina como flagrante esperado, e não provocado (ou
preparado), como aduz a Defesa.
Segundo leciona GUILHERME DE SOUZA NUCCI , o flagrante preparado ocorre "quando um agente provocador induz ou instiga
alguém a cometer uma infração penal, somente para assim poder prendê-la. Trata-se de crime impossível (art. 17, CP), pois inviável a
sua consumação." Quanto ao flagrante esperado, ensina o festejado processualista que "é uma hipótese viável que autoriza a prisão em
flagrante e a constituição válida do crime. Não há agente provocador, mas simplesmente chega à polícia a notícia de que um crime
será, em breve, cometido. Deslocando agentes pa

ra o local, aguarda-se a sua ocorrência, que pode ou não se dar da forma como a notícia foi transmitida."
Percebe-se que o ocorrido nos autos foi exatamente a hipótese de flagrante esperado, em que a Autoridade Policial e seus Agentes
interpretaram que estivesse ocorrendo na ocasião, não havendo que falar em qualquer nulidade processual.
Forte no que foi exposto, rejeito as preliminares arguidas pela Defesa.
Quanto ao mérito, merece parcial acolhida a pretensão punitiva estatal estampada na denúncia.
A peça acusatória afirmou, em síntese, que os denunciados, com inequívoco ânimo de enganar/iludir terceiros, obtiveram para o grupo
considerável vantagem econômica ilícita, em prejuízo de diversas vítimas, induzindo-as a erro mediante ardil, ao alegaram
fraudulentamente facilidade na aquisição de casa própria junto ao Governo Federal, por meio do programa habitacional "Minha Casa
Minha Vida". Segundo a peça acusatória, os denunciados mantinha vínculo com a entidade denominada Viva Vida e cada um passou a
divulgar falsamente, por meio de panfletos e carros de som, o cadastramento de pessoas residentes em Planaltina, para que tivessem
preferência na aquisição de imóveis residenciais situados preferencialmente na região da Nova Colina, Sobradinho-DF, em razão de
convênio firmado com a Caixa Econômica Federal. Narrou a denúncia, ainda, que as pessoas a serem cadastradas teriam que
contribuir com a quantia de R$ 10,00 (dez reais) cada, com a finalidade de confecção de carteira de associado e diversas taxas, sem
prejuízo de pagamentos posteriores, e que na sede da ONG Viva Vida os denunciados faziam discursos, afirmando fraudulentamente
que a entidade mantinha parceria com o Governo Federal para o cadastramento de pessoas de baixa renda para a distribuição de casas,
condicionando o cadastramento dos interessados ao pagamento da quantia de R$ 10,00 (dez reais). Aduziu ainda a inicial acusatória
que as vítimas, ludibriadas pela alegada certeza e facilidade na aquisição de imóveis por meio do programa "Minha Casa, Minha
Vida", entregaram aos denunciados a quantia exigida, conforme recibos acostados aos autos.
Pois bem. Nos termos do artigo 171 do Código Penal, constitui crime "obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo
alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento". Trata-se do crime de
estelionato, ao qual é cominada pena de 1 (um) a 5 (cinco) anos de reclusão e multa.
Veja-se que para a configuração do delito em tela se faz necessário a concorrência dos seguintes requisitos: que o agente empregue
artifício, ardil ou qualquer meio fraudulento, que a vítima seja induzida ou mantida em erro e que o agente obtenha vantagem
patrimonial ilícita em prejuízo alheio.
No presente caso, pois, após compulsar detidamente o conjunto probatório, em especial os depoimentos prestados pelas supostas
vítimas, constata-se o ardil utilizado pelos Réus, com o fito de obter vantagem ilícita, ao levarem as vítimas a erro.
A materialidade dos crime está suficientemente comprovada pelo auto de prisão em flagrante (fls. 10-35), pelo auto de apresentação e
apreensão (fls. 53-54), pelo relatório policial (fls. 91-95), pelos documentos de fls. 73, 513-519, 570-586 e 588, bem como pela prova
produzida em Juízo.
Em seus interrogatórios (fls. 491-496), os acusados afirmaram, em síntese, que faziam parte de um "movimento" cujo objetivo era a
luta pela moradia para pessoas de baixa renda; que não fizeram cadastro destinado ao programa habitacional Minha Casa Minha Vida;
que não faziam menção às pessoas sobre a facilidade para aquisição de casas pelo referido programa; que não houve promessa de que
as pessoas que se associassem teriam facilidade para aquisição de casas pelo programa em tela; que não houve a instituição de
cobrança obrigatória dos valores recebidos; que as informações foram passadas boca a boca; que as pessoas que compareceram à fila
eram pessoas que pretendiam se associar ao "movimento".
As testemunhas VALDETE RODRIGUES DA SILVA (fl. 488), CLEONICE BORGES DA SILVA (fl. 489) e SINARA DE ARAÚJO
FERREIRA FLORES (fl. 490) corroboraram em parte as versões dos acusados, ao afirmarem que fizeram suas inscrições como
associadas, a fim de que a entidade lutasse por elas pela conquista de uma casa própria, e que ninguém prometeu financiamento com a
CEF ou uma casa àqueles que se cadastrassem.
Por outro lado, a testemunha SIMONE ALMEIDA DE OLIVEIRA (fl. 394) apresentou versão diversa daquelas apresentadas pelos
Réus. Confira-se:
"no dia do fato o local estava cheio, e as pessoas comentavam que teriam que pagar pela inscrição; recorda-se da ré NAIDE, que ainda
fez críticas à declarante, que falou "às vezes é uma coisa errada que estão fazendo, desse jeito tão rápido", e ela disse "querida, não
acredita que você vai ter sua casa própria, ainda vou tomar café de manhã na sua casa"; NAIDE falava que era da CEF, que eles
tinham tudo "arrumado" os document

os, não havia nada de errado, (...) diziam que quem não tivesse dinheiro não poderia ser cadastrado; diziam que tinham que fazer o
cadastro para receber o imóvel; a declarante comentou que tinha inscrição no IDHAB e nunca conseguiu imóvel, e NAIDE respondeu
"chegou a oportunidade, você vai receber seu imóvel"; não se recorda dos demais réus aqui presentes, recorda-se mais da ré NAIDE,
recordando-se que o réu ISMAEL foi quem fez a inscrição da declarante; ISMAEL nada falou durante a inscrição, e a declarante
pagou a ele, que entregou um papel para a declarante. (...) foi a ré NAIDE quem disse que havia um convênio com a CEF, no
momento em que a declarante começou a dizer que as coisas estavam fáceis, pois tinham que pagar; (...) as pessoas da fila falavam
que havia alguma ligação com a CEF; não leu a ficha quando fez o cadastro, pois havia uma multidão de gente, no sol quente, todo
mundo cansado, com fome, e quando chegava a vez, chegava o documento, preenchia para sair o mais rápido possível; já ouviu falar
do movimento PRÓ-MORADIA, mas não sabe dizer do que se trata; não participou de nenhuma reunião; ficou sabendo porque
passando pela Feira, viu um carro anunciando; (...) as pessoas que chegavam ao local para efetuar o cadastro e não tinham dinheiro,
não faziam cadastro; (...)"
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No mesmo sentido foi o relato da testemunha SHIRLEY ALMEIDA DE OLIVEIRA (fl. 393):
"no dia em que foi fazer a inscrição, havia muita gente na fila; (...) disseram que para conseguir a casa própria teria que pagar R$
10,00 e fazer a carteirinha, pois teria convênio com a CEF, e agilizariam o procedimento; recorda-se de haver visto todos os réus aqui
presentes na sede da ONG, (...) percebeu que TATIANE organizava a fila, e dizia que as pessoas que não tivessem R$ 10,00 poderiam
voltar no dia seguinte, para então fazer a inscrição; a declarante foi atendida pelo réu GERALDO, aqui presente; preencheu o cadastro
com o réu GERALDO; no momento em que preencheu o cadastro, GERALDO não disse nada, depois disse que a declarante teria que
pagar os R$ 10,00; (...) nunca havia ouvido falar sobre o movimento PRÓ-MORADIA; a declarante trabalha em um hospital, e soube
por informações de conhecidos; a declarante ficou sabendo que haveria uma reunião na feira, mas a declarante não pôde comparecer,
pois teria trabalho; (...) não chegou a ler o conteúdo da ficha cadastral; a declarante foi confiando no que havia sido dito; não recebeu
via da ficha, nem carteirinha, apenas o recibo; assinou a ficha sem ler; (...)"
Os relatos de MARCILEIDE DA SILVA AMORIM (fl. 485) e JOELMA DA SILVA XAVIER (fl. 395) são no mesmo sentido.
Confira-se:
"soube por meio de um colega que estavam anunciando no estacionamento da feira de Planaltina que estavam realizando cadastro para
o programa Minha Casa Minha Vida; (...) no dia em que compareceu para fazer o cadastro tinha somente três reais; a secretaria da ré
NAIDE disse que não tinha problema, que a depoente podia fazer o cadastro e pagar o restante depois; NAIDE divulgou na fila que
estava tudo certo e que todos iriam receber as casas; NAIDE disse que todo mês teriam uma reunião; um senhor moreno continuou
esse mesmo discurso na fila; esse senhor se parece com o réu PAULO BATISTA; quando estava fazendo o cadastro a policia chegou
no local; (...) após isso fez um cadastro junto ao IDHAB; a secretária de NAIDE disse que os documentos iriam ser enviados para a
Caixa Econômica; (...) na fila o pessoal comentava que as casas seriam construídas no rumo da Estância; (...) não havia nenhuma
logomarca da Caixa Econômica no local; nunca tinha ouvido falar do movimento Pró-Moradia; chegou a assinar a ficha de inscrição;
reconhece como sendo sua a assinatura no documento anexo ao processo; não sabe ler; nunca soube de alguém que tenha ganho uma
casa pelo valor de dez reais; no seu entendimento os dez reais não eram para pagar a casa e sim o cadastramento; (...) não recebeu
nenhuma carteirinha; MARCILENE sabe ler. (...)" - MARCILEIDE DA SILVA.
"soube que umas vizinhas tinham ido fazer a inscrição, e cobravam R$ 10,00 pela inscrição; as vizinhas diziam que a inscrição
serviria para ganhar o lote; (...) todos os réus aqui presentes estavam no local; ouviu o réu PAULO, assim como ISMAEL e NAIDE
palestrando; a ré TATIANE estava fazendo as inscrições; (...) não chegou a ler a ficha da inscrição da declarante, pediram os
documentos, a declarante apresentou e preencheu (...)." - JOELMA DA SILVA.
Por sua vez, o Agente de Polícia WILLIAM ANDRÉ SOARES (fl. 392), que participou ativamente da investigação e até mesmo se
infiltrou entre as possíveis vítimas prestou percuciente relato, nos seguintes termos:
"(...) o delito consistia em cobrar uma taxa de R$ 10,00 para que as pessoas tivessem um cadastro que seria encaminhado à CEF, para
intermediação da ONG com a CEF, para que estas pudessem entrar no programa "MINHA CASA, MINHA VIDA"; a partir daí, as
pessoas receberiam proposta da CEF para financiamento de imóveis; descobriram então q

ue a CEF não mantinha convênio algum com nenhuma ONG, o acesso era livre e direto com a CEF, qualquer pessoa poderia solicitar
financiamento e encaminhar proposta, não havendo razão para cobrança, e descobriram que pessoas faziam pagamento não para se
filiarem à ONG, mas para conseguir financiamento, pois havia promessa de agilização no procedimento; estavam cadastrando as
pessoas, por preenchimento de ficha, levando foto, salvo engano, e pagamento; alguns responsáveis pelas ONGs chamavam as
pessoas do bairro para comparecerem à sede da ONG, através de carro de som e boca-a-boca, entre populares; (...) chegaram mais
cedo, inclusive o depoente ficou entre as pessoas que estavam na fila, para tomar conhecimento do que havia, e algumas pessoas
disseram que estavam na fila para fazer cadastramento junto à ONG para que pudessem conseguir um imóvel pela CEF; todas as
pessoas que estavam na fila estavam com o mesmo propósito, conseguir cadastramento para conseguir a compra de um imóvel ou
lote, salvo engano, no Nova Colina, Sobradinho/DF; (...) NAIDE chamava as pessoas para se cadastrarem, dizendo que a ONG estava
com proposta de cadastramento das pessoas junto à CEF, e que o cadastramento era para que elas pudessem reivindicar junto à CEF o
financiamento, e haveria algumas despesas com o programa, que as pessoas formassem uma fila que algumas atendentes fariam as
fichas cadastrais; (...)"
A corroborar o relato do Agente WILLIAM, assim se pronunciou o Agente de Polícia BRUNO LEONARDO DE CARVALHO
BORGES (fl. 396):
"(...) o colega conseguiu confirmar a informação de que os que estavam ali tinham o intuito de fazer um cadastramento, mediante
pagamento para que fossem favorecidos no programa MINHA CASA, MINHA VIDA do Governo Federal; (...) procederam à
abordagem, confirmando a situação que já imaginavam, ou seja, que as pessoas que estavam ali estavam sendo cadastradas para que
fossem favorecidas na espera pelos lotes; (...) perguntaram às pessoas presentes sobre o que se passava, entrevistaram previamente
alguns populares, que confirmaram a suspeita inicial; qualquer um que passasse na porta concluiria que a ONG prometia convênio
com a MINHA CASA, MINHA VIDA; (...) era noticiado que a ONG era credenciada pela CEF, essa informação foi passada por
PAULO e NAIDE ao agente de polícia; os réus se diziam credenciados pela CEF, confirmando não haver nenhum símbolo da CEF no
local; (...) o agente de polícia WILLIAM confirmou ao depoente que PAULO e NAIDE haviam passado a informação de que a ONG
era credenciada à CEF, e que teria apoio da CUT e de alguém da Presidência da República, que não especificaram quem seria. (...)"
Segundo o Agente BRUNO, os acusados PAULO e NAIDE, ao serem abordados pelas autoridades policiais, afirmaram que a ONG
era credenciada pela CEF e teriam legitimidade para fazerem o que divulgavam. Contudo, segundo certidão da Caixa Econômica
Federal, à fl. 73, o denominado Movimento Pró-Moradia ou mesmo a ONG Viva Vida não tinham cadastro ou convênio algum com a
instituição financeira.
Acrescente-se, aliás, que a testemunha arrolada pela Defesa, ANTÔNIO LEÃO DO AMARAL (fl. 487) reforçou a necessidade de a
associação estar cadastrada na CEF para poder realizar os cadastramentos das famílias que cumprissem com os requisitos legais, o que
não ocorreu. Confira-se:
"(...) esteve no Ministério Da Cidade quando houve a divulgação do Programa Minha Casa Minha Vida e ouviu do próprio ministro
que os movimentos poderiam fazer o cadastramento das famílias que se enquadrassem nos requisitos da lei, pois seriam um elo entre o
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governo e as famílias; o cadastramento foi feito em todo DF; todas as entidades que se propusessem a fazer o cadastramento deveriam
estar cadastradas junto a Caixa Econômica Federal, Secretaria de Habitação do DF e nos Movimentos Sociais; (...) o movimento Pró-
Moradia faria o cadastro das famílias que atendessem aos requisitos e que seriam encaminhadas a Caixa. (...) fez o cadastramento de
sua entidade perante a caixa em 2008 para o programa de credito solidário; o mesmo cadastro foi aproveitado para o programa Minha
Casa Minha Vida; (...)"
Os relatos dos policiais WILLIAM ANDRÉ (fl. 392) e BRUNO LEONARDO (fl. 396) esclarecem que, de fato, houve induzimento
ao erro, mediante ardil dos acusados, em prejuízo dos populares que compunham a fila, e não mero erro de comunicação.
Todas as testemunhas ouvidas confirmaram a presença de todos os acusados no ardil engenhado, mediante divisão de tarefas, não
taxativas, em que uns organizavam as filas - TATIANE -, outros se dirigiam aos populares - NAIDE, PAULO e HÉLIO - e outros
realizavam os cadastros, recebiam a quantia devida e emitiam recibos - ISMAEL e GERALDO -, todas em nome do Movimento Pró-
Moradia e da ONG Viva Vida.
Embora as atas de reunião do Movimento Pró-Moradia de fls. 238 e 239 aduzam que os pagamentos feitos pelas vítimas seriam
apenas contribuições voluntárias, não há ali menção expressa de benefícios, facilidades ou privilégios para

com a Caixa Econômica Federal, relativos ao Programa Minha Casa Minha Vida.
Conforme evidenciado nos autos, a vasta maioria das possíveis vítimas não participou da aludida reunião, desconheciam o conteúdo
da aludida ata, não conheciam o Movimento Pró-Moradia e não leram as fichas cadastrais preenchidas. Para as vítimas, conforme
ficou demonstrado, o pagamento da taxa de inscrição exigida pelos Réus lhes garantiria facilidades na obtenção de imóvel por meio
do Programa Minha Casa Minha Vida, mediante a intermediação dos Réus.
É de se ressaltar que a grande maioria de pessoas que acorreram à sede da entidade é de escolaridade incipiente e de baixa renda, que
não tinham regular capacidade de discernimento. E aproveitando-se dessa circunstância, os Réus noticiaram falsamente que poderiam
obter facilidades no financiamento perante a Caixa Econômica Federal, desde que tais pessoas se cadastrassem perante a autoridade.
Não há dúvida, até mesmo pelos relatos das testemunhas, que as vítimas foram induzidas em erro, haja vista que as condutas dos réus
as fizeram acreditar que se realizassem o cadastro, mediante pagamento de R$ 10,00 (dez reais), teriam facilidades com a Caixa
Econômica Federal para aquisição de casa pelo Programa Minha Casa Minha Vida.
Não há que falar em criminalização do direito constitucional de associação dos cidadãos, mas de intervenção estatal contra uma
distorcida prática associativa, flagrantemente ilícita, que foi plenamente tipificada pelo artigo 171, caput, do CPB.
Saliente-se que o valor cobrado pelos Réus de cada vítima parece irrisório, mas a soma de todo o valor arrecadado com a empreitada
fraudulenta supera R$ 3.000,00 (três mil reais), pelo que se pode inferir dos canhotos de recibos juntados por linha em autos
apensados.
Com isso, tenho que as provas carreadas aos autos são suficientes para embasar um juízo seguro de que os acusados, em conluio,
obtiveram vantagem patrimonial ilícita ao induzirem a erro, mediante ardil, as diversas vítimas, ao menos 250 (duzentos e cinquenta),
cujos nomes estão relacionados nos canhotos de recibo acostados por linha nos autos em apenso. Essas condutas, pois, se adéquam
perfeitamente ao tipo penal preconizado pelo artigo 171, caput, do CPB.
Cumpre destacar, no entanto, que os referidos delitos foram praticados em continuidade delitiva, haja vista que mediante mais de uma
ação, os Réus praticaram mais de 250 (duzentos e cinquenta) crimes da mesma espécie, em semelhantes condições de tempo, lugar e
modo de execução.
Por fim, verifico que não militam em prol dos réus quaisquer causas excludentes da ilicitude ou da culpabilidade, pois, imputáveis,
detinham pleno conhecimento do caráter ilícito de suas atitudes, não empreendendo esforços para agirem conforme o direito.
Ante o exposto, JULGO PROCEDENTE A PRETENSÃO PUNITIVA ESTATAL deduzida na denúncia e CONDENO HÉLIO ROSA
DOS PASSOS, NAIDE ANTÔNIO CHAMONE, GERALDO CHAMONE FILHO, ISMAEL DE OLIVEIRA CAITANO, PAULO
BATISTA DOS SANTOS e TATIANE DOS SANTOS DE QUEIROZ, devidamente qualificados nos autos, como incursos nas penas
do artigo 171, caput, do Código Penal, por 250 (duzentos e cinquenta) vezes, na forma do artigo 71 do Código Penal.
Atento às diretrizes dos artigos 59, 68 e 71 do CPB, passo à individualização e cálculo da pena.
HÉLIO ROSA DOS PASSOS
A culpabilidade do acusado vem demonstrada por meio de índice elevado de reprovabilidade, tendo em vista que possuía o potencial
conhecimento da ilicitude do fato, sendo socialmente reprovável a sua conduta quando dele se exigia comportamento diverso,
mormente pelo fato de liderar um movimento social que abriga pessoas de baixa renda e ser Diretor da entidade VIVA VIDA, por
meio da qual mobilizou as vítimas.
O réu não ostenta maus antecedentes (fls. 123-128).
A sua conduta social e personalidade não foram devidamente investigadas.
Os motivos são injustificáveis e reprováveis, evidenciando a cupidez de seu espírito e a vontade de lucro fácil, mediante fraude, em
detrimento do patrimônio alheio.
As circunstâncias são relevantes, haja vista que o Réu mobilizou grande número de pessoas, mormente de camadas sociais menos
abastadas, que depositaram no Réu esperanças de obterem um imóvel para moradia.
As consequências não foram relevantes, mesmo porque o valor obtido de cada vítima é diminuto, muito embora o valor total
arrecadado seja expressivo.
As vítimas em parte contribuíram para a prática do crime, posto que acorreram às falsas promessas perpetradas pelo Réu sem
adotarem as cautelas que o caso requeria.
Diante de suas circunstâncias judiciais, em especial o elevado grau de culpabilidade do Réu, fixo a PENA BASE acima do mínimo,
em 1 (um) ano e 6 (seis) meses de reclusão e 20 (vinte) dias-multa.
Não circunstâncias agravantes ou atenuantes a serem sopesadas.
Na terceira etapa da dosimetria da pena, ausentes causas de diminuição da pena, verifico que os diversos crimes de estelionato
comprovados nos autos foram praticados em con

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tinuidade delitiva, conforme ressaltado anteriormente. Portanto, a teor do disposto no artigo 71, primeira parte, do Código Penal,
considerando que foram praticados pelo menos 250 (duzentos e cinqüenta) delitos da mesma espécie, em circunstâncias muito
semelhantes, e considerando que o prejuízo sofrido por cada vítima foi diminuto, majoro a pena tão-somente em 1/2 (metade), para
fixá-la em 2 (dois) anos e 3 (três) meses de reclusão e 30 (trinta) dias-multa.
Ao exposto, fixo definitivamente a pena do Réu HÉLIO ROSA DOS PASSOS em 2 (dois) anos e 3 (três) meses de reclusão e 30
(trinta) dias-multa, calculados à razão de 1/30 (um trinta avos) do salário mínimo vigente à época do fato, devidamente corrigidos,
haja vista não haver informação nos autos quanto às condições econômicas do Réu.
Diante das diretrizes expostas no art. 33, § 2º, "c", do CPB, fixo o regime inicial aberto para o cumprimento da pena.
Tendo em vista que o condenado preenche os requisitos legais fixados no artigo 44, incisos I, II e III, do Código Penal, substituo a
pena privativa de liberdade aplicada por duas penas restritivas de direitos, a serem cumpridas nos moldes e condições estabelecidos
pelo Juízo da VEPEMA.
NAIDE ANTÔNIO CHAMONE
A culpabilidade da acusada vem demonstrada por meio de índice elevado de reprovabilidade, tendo em vista que possuía o potencial
conhecimento da ilicitude do fato, sendo socialmente reprovável a sua conduta quando dela se exigia comportamento diverso,
mormente pelo fato de ser co-líder de um movimento social que abriga pessoas de baixa renda e integrar a entidade VIVA VIDA, por
meio dos quais mobilizou as vítimas.
A ré não ostenta maus antecedentes (fls. 136-139).
A sua conduta social e personalidade não foram devidamente investigadas.
Os motivos são injustificáveis e reprováveis, evidenciando a cupidez de seu espírito e a vontade de lucro fácil, mediante fraude, em
detrimento do patrimônio alheio.
As circunstâncias são relevantes, haja vista que a Ré mobilizou grande número de pessoas, mormente de camadas sociais menos
abastadas, que depositaram na Ré esperanças de obterem um imóvel para moradia.
As consequências não foram relevantes, mesmo porque o valor obtido de cada vítima é diminuto, muito embora o valor total
arrecadado seja expressivo.
As vítimas em parte contribuíram para a prática do crime, posto que acorreram às falsas promessas perpetradas pela Ré sem adotarem
as cautelas que o caso requeria.
Diante de suas circunstâncias judiciais, em especial o elevado grau de culpabilidade da Ré, fixo a PENA BASE acima do mínimo, em
1 (um) ano e 6 (seis) meses de reclusão e 20 (vinte) dias-multa.
Não circunstâncias agravantes ou atenuantes a serem sopesadas.
Na terceira etapa da dosimetria da pena, ausentes causas de diminuição da pena, verifico que os diversos crimes de estelionato
comprovados nos autos foram praticados em continuidade delitiva, conforme ressaltado anteriormente. Portanto, a teor do disposto no
artigo 71, primeira parte, do Código Penal, considerando que foram praticados pelo menos 250 (duzentos e cinqüenta) delitos da
mesma espécie, em circunstâncias muito semelhantes, e considerando que o prejuízo sofrido por cada vítima foi diminuto, majoro a
pena tão-somente em 1/2 (metade), para fixá-la em 2 (dois) anos e 3 (três) meses de reclusão e 30 (trinta) dias-multa.
Ao exposto, fixo definitivamente a pena da Ré NAIDE ANTÔNIO CHAMONE em 2 (dois) anos e 3 (três) meses de reclusão e 30
(trinta) dias-multa, calculados à razão de 1/30 (um trinta avos) do salário mínimo vigente à época do fato, devidamente corrigidos,
haja vista não haver informação nos autos quanto às condições econômicas da Ré.
Diante das diretrizes expostas no art. 33, § 2º, "c", do CPB, fixo o regime inicial aberto para o cumprimento da pena.
Tendo em vista que a condenada preenche os requisitos legais fixados no artigo 44, incisos I, II e III, do Código Penal, substituo a
pena privativa de liberdade aplicada por duas penas restritivas de direitos, a serem cumpridas nos moldes e condições estabelecidos
pelo Juízo da VEPEMA.
GERALDO CHAMONE FILHO
A culpabilidade do acusado vem demonstrada por meio de índice elevado de reprovabilidade, tendo em vista que possuía o potencial
conhecimento da ilicitude do fato, sendo socialmente reprovável a sua conduta quando dele se exigia comportamento diverso,
mormente pelo fato de compor um movimento social que lida com pessoas de baixa renda baixo grau de esclarecimento.
A réu não ostenta maus antecedentes (fls. 129-133).
A sua conduta social e personalidade não foram devidamente investigadas.
Os motivos são injustificáveis e reprováveis, evidenciando a cupidez de seu espírito e a vontade de lucro fácil, mediante fraude, em
detrimento do patrimônio alheio.
As circunstâncias são relevantes, haja vista que o Réu ajudou a mobilizar grande número de pessoas, mormente de camadas sociais
menos abastadas, que depositaram no Réu e seus comparsas esperanças de obterem um im

óvel para moradia.


As consequências não foram relevantes, mesmo porque o valor obtido de cada vítima é diminuto, muito embora o valor total
arrecadado seja expressivo.
As vítimas em parte contribuíram para a prática do crime, posto que acorreram às falsas promessas perpetradas pelo Réu e seus
comparsas sem adotarem as cautelas que o caso requeria.
Diante de suas circunstâncias judiciais, em especial o elevado grau de culpabilidade do Réu, fixo a PENA BASE acima do mínimo,
em 1 (um) ano e 4 (quatro) meses de reclusão e 18 (dezoito) dias-multa.
Não circunstâncias agravantes ou atenuantes a serem sopesadas.
Na terceira etapa da dosimetria da pena, ausentes causas de diminuição da pena, verifico que os diversos crimes de estelionato
comprovados nos autos foram praticados em continuidade delitiva, conforme ressaltado anteriormente. Portanto, a teor do disposto no
artigo 71, primeira parte, do Código Penal, considerando que foram praticados pelo menos 250 (duzentos e cinqüenta) delitos da
mesma espécie, em circunstâncias muito semelhantes, e considerando que o prejuízo sofrido por cada vítima foi diminuto, majoro a
pena tão-somente em 1/2 (metade), para fixá-la em 2 (dois) anos de reclusão e 27 (vinte e sete) dias-multa.
https://cache-internet.tjdft.jus.br/cgi-bin/tjcgi1?MGWLPN=SERVIDOR1&NXTPGM=tjhtml122&ORIGEM=INTER&CIRCUN=5&SEQAND=289&CD… 5/7
07/08/2022 14:42 TJDFT - Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios

Ao exposto, fixo definitivamente a pena do Réu GERALDO CHAMONE FILHO em 2 (dois) anos de reclusão e 27 (vinte e sete) dias-
multa, calculados à razão de 1/30 (um trinta avos) do salário mínimo vigente à época do fato, devidamente corrigidos, haja vista não
haver informação nos autos quanto às condições econômicas do Réu.
Diante das diretrizes expostas no art. 33, § 2º, "c", do CPB, fixo o regime inicial aberto para o cumprimento da pena.
Tendo em vista que o condenado preenche os requisitos legais fixados no artigo 44, incisos I, II e III, do Código Penal, substituo a
pena privativa de liberdade aplicada por duas penas restritivas de direitos, a serem cumpridas nos moldes e condições estabelecidos
pelo Juízo da VEPEMA.

ISMAEL DE OLIVEIRA CAITANO


A culpabilidade do acusado vem demonstrada por meio de índice elevado de reprovabilidade, tendo em vista que possuía o potencial
conhecimento da ilicitude do fato, sendo socialmente reprovável a sua conduta quando dele se exigia comportamento diverso,
mormente pelo fato de compor um movimento social que lida com pessoas de baixa renda baixo grau de esclarecimento.
A réu não ostenta maus antecedentes (fl. 134).
A sua conduta social e personalidade não foram devidamente investigadas.
Os motivos são injustificáveis e reprováveis, evidenciando a cupidez de seu espírito e a vontade de lucro fácil, mediante fraude, em
detrimento do patrimônio alheio.
As circunstâncias são relevantes, haja vista que o Réu ajudou a mobilizar grande número de pessoas, mormente de camadas sociais
menos abastadas, que depositaram no Réu e seus comparsas esperanças de obterem um imóvel para moradia.
As consequências não foram relevantes, mesmo porque o valor obtido de cada vítima é diminuto, muito embora o valor total
arrecadado seja expressivo.
As vítimas em parte contribuíram para a prática do crime, posto que acorreram às falsas promessas perpetradas pelo Réu e seus
comparsas sem adotarem as cautelas que o caso requeria.
Diante de suas circunstâncias judiciais, em especial o elevado grau de culpabilidade do Réu, fixo a PENA BASE acima do mínimo,
em 1 (um) ano e 4 (quatro) meses de reclusão e 18 (dezoito) dias-multa.
Não circunstâncias agravantes ou atenuantes a serem sopesadas.
Na terceira etapa da dosimetria da pena, ausentes causas de diminuição da pena, verifico que os diversos crimes de estelionato
comprovados nos autos foram praticados em continuidade delitiva, conforme ressaltado anteriormente. Portanto, a teor do disposto no
artigo 71, primeira parte, do Código Penal, considerando que foram praticados pelo menos 250 (duzentos e cinqüenta) delitos da
mesma espécie, em circunstâncias muito semelhantes, e considerando que o prejuízo sofrido por cada vítima foi diminuto, majoro a
pena tão-somente em 1/2 (metade), para fixá-la em 2 (dois) anos de reclusão e 27 (vinte e sete) dias-multa.
Ao exposto, fixo definitivamente a pena do Réu ISMAEL DE OLIVEIRA CAITANO em 2 (dois) anos de reclusão e 27 (vinte e sete)
dias-multa, calculados à razão de 1/30 (um trinta avos) do salário mínimo vigente à época do fato, devidamente corrigidos, haja vista
não haver informação nos autos quanto às condições econômicas do Réu.
Diante das diretrizes expostas no art. 33, § 2º, "c", do CPB, fixo o regime inicial aberto para o cumprimento da pena.
Tendo em vista que o condenado preenche os requisitos legais fixados no artigo 44, incisos I, II e III, do Código Penal, substituo a
pena privativa de liberdade aplicada por duas penas restritivas de direitos, a serem cumpridas nos moldes e condições estabelecidos
pelo Juízo da VEPEMA.
PAULO BATISTA DOS SANTOS
A culpabilidade do acusado vem demonstrada por meio de índice elevado de reprovabilidade, tendo em vista que possuía

o potencial conhecimento da ilicitude do fato, sendo socialmente reprovável a sua conduta quando dele se exigia comportamento
diverso, mormente pelo fato de compor um movimento social que lida com pessoas de baixa renda baixo grau de esclarecimento.
A réu não ostenta maus antecedentes (fl. 140).
A sua conduta social e personalidade não foram devidamente investigadas.
Os motivos são injustificáveis e reprováveis, evidenciando a cupidez de seu espírito e a vontade de lucro fácil, mediante fraude, em
detrimento do patrimônio alheio.
As circunstâncias são relevantes, haja vista que o Réu ajudou a mobilizar grande número de pessoas, mormente de camadas sociais
menos abastadas, que depositaram no Réu e seus comparsas esperanças de obterem um imóvel para moradia.
As consequências não foram relevantes, mesmo porque o valor obtido de cada vítima é diminuto, muito embora o valor total
arrecadado seja expressivo.
As vítimas em parte contribuíram para a prática do crime, posto que acorreram às falsas promessas perpetradas pelo Réu e seus
comparsas sem adotarem as cautelas que o caso requeria.
Diante de suas circunstâncias judiciais, em especial o elevado grau de culpabilidade do Réu, fixo a PENA BASE acima do mínimo,
em 1 (um) ano e 4 (quatro) meses de reclusão e 18 (dezoito) dias-multa.
Não circunstâncias agravantes ou atenuantes a serem sopesadas.
Na terceira etapa da dosimetria da pena, ausentes causas de diminuição da pena, verifico que os diversos crimes de estelionato
comprovados nos autos foram praticados em continuidade delitiva, conforme ressaltado anteriormente. Portanto, a teor do disposto no
artigo 71, primeira parte, do Código Penal, considerando que foram praticados pelo menos 250 (duzentos e cinqüenta) delitos da
mesma espécie, em circunstâncias muito semelhantes, e considerando que o prejuízo sofrido por cada vítima foi diminuto, majoro a
pena tão-somente em 1/2 (metade), para fixá-la em 2 (dois) anos de reclusão e 27 (vinte e sete) dias-multa.
Ao exposto, fixo definitivamente a pena do Réu PAULO BATISTA DOS SANTOS em 2 (dois) anos de reclusão e 27 (vinte e sete)
dias-multa, calculados à razão de 1/30 (um trinta avos) do salário mínimo vigente à época do fato, devidamente corrigidos, haja vista
não haver informação nos autos quanto às condições econômicas do Réu.
Diante das diretrizes expostas no art. 33, § 2º, "c", do CPB, fixo o regime inicial aberto para o cumprimento da pena.
Tendo em vista que o condenado preenche os requisitos legais fixados no artigo 44, incisos I, II e III, do Código Penal, substituo a
https://cache-internet.tjdft.jus.br/cgi-bin/tjcgi1?MGWLPN=SERVIDOR1&NXTPGM=tjhtml122&ORIGEM=INTER&CIRCUN=5&SEQAND=289&CD… 6/7
07/08/2022 14:42 TJDFT - Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios

pena privativa de liberdade aplicada por duas penas restritivas de direitos, a serem cumpridas nos moldes e condições estabelecidos
pelo Juízo da VEPEMA.
TATIANE DOS SANTOS DE QUEIROZ
A culpabilidade da acusada vem demonstrada por meio de índice regular de reprovabilidade, tendo em vista que possuía o potencial
conhecimento da ilicitude do fato, sendo socialmente reprovável a sua conduta quando dela se exigia comportamento diverso,
mormente pelo fato de compor um movimento social que lida com pessoas de baixa renda e baixo grau de esclarecimento, cabendo
ressaltar, no entanto, que não exercia função de liderança.
A ré não ostenta maus antecedentes (fls. 141).
A sua conduta social e personalidade não foram devidamente investigadas.
Os motivos são injustificáveis e reprováveis, evidenciando a cupidez de seu espírito e a vontade de lucro fácil, mediante fraude, em
detrimento do patrimônio alheio.
As circunstâncias são relevantes, haja vista que a Ré ajudou a mobilizar grande número de pessoas, mormente de camadas sociais
menos abastadas, que depositaram na Ré e seus comparsas esperanças de obterem um imóvel para moradia.
As consequências não foram relevantes, mesmo porque o valor obtido de cada vítima é diminuto, muito embora o valor total
arrecadado seja expressivo.
As vítimas em parte contribuíram para a prática do crime, posto que acorreram às falsas promessas perpetradas pela Ré e seus
comparsas sem adotarem as cautelas que o caso requeria.
Diante de suas circunstâncias judiciais, em especial o elevado grau de culpabilidade da Ré, fixo a PENA BASE acima do mínimo, em
1 (um) ano e 2 (dois) meses de reclusão e 16 (dezesseis) dias-multa.
Não circunstâncias agravantes ou atenuantes a serem sopesadas.
Na terceira etapa da dosimetria da pena, ausentes causas de diminuição da pena, verifico que os diversos crimes de estelionato
comprovados nos autos foram praticados em continuidade delitiva, conforme ressaltado anteriormente. Portanto, a teor do disposto no
artigo 71, primeira parte, do Código Penal, considerando que foram praticados pelo menos 250 (duzentos e cinqüenta) delitos da
mesma espécie, em circunstâncias muito semelhantes, e considerando que o prejuízo sofrido por cada vítima foi diminuto, majoro a
pena tão-somente em 1/2 (metade), para fixá-la em 1 (um) ano e 9 (nove) meses de reclusão e 24 (vinte e quatro) dias-multa.
Ao exposto, fixo definitivamente a pe

na da Ré TATIANE DOS SANTOS DE QUEIROZ em 1 (um) ano e 9 (nove) meses de reclusão e 24 (vinte e quatro) dias-multa,
calculados à razão de 1/30 (um trinta avos) do salário mínimo vigente à época do fato, devidamente corrigidos, haja vista não haver
informação nos autos quanto às condições econômicas da Ré.
Diante das diretrizes expostas no art. 33, § 2º, "c", do CPB, fixo o regime inicial aberto para o cumprimento da pena.
Tendo em vista que a condenada preenche os requisitos legais fixados no artigo 44, incisos I, II e III, do Código Penal, substituo a
pena privativa de liberdade aplicada por duas penas restritivas de direitos, a serem cumpridas nos moldes e condições estabelecidos
pelo Juízo da VEPEMA.
Considerando a pena imposta e o regime inicial fixado para o seu cumprimento, permito aos sentenciados que apelem em liberdade, se
por outro motivo não estiverem presos.
Apesar do que dispõe o artigo 387, inciso IV, do CPP, deixo de fixar valor mínimo para a reparação de danos em favor das vítimas
porque não há suficientes elementos nos autos para aquilatar os eventuais prejuízos materiais e morais.
A teor do disposto no artigo 201, § 2º, do CPP, encaminhe-se cópia desta sentença, por A.R. ou meio eletrônico, às vítimas cujos
endereços constem nos autos.
Custas pelos réus. Eventual pedido de isenção deverá ser apreciado pelo juízo da Execução.
Operando-se o trânsito em julgado, lance-se o nome dos condenados no rol dos culpados e expeçam-se Cartas de Sentença ao Juízo
das Execuções Criminais, fazendo-se as anotações e comunicações necessárias, inclusive ao INI.
Publique-se. Registre-se. Intimem-se.
Planaltina - DF, sexta-feira, 14/10/2011 às 19h37.

Francisco Marcos Batista


Juiz de Direito Substituto

https://cache-internet.tjdft.jus.br/cgi-bin/tjcgi1?MGWLPN=SERVIDOR1&NXTPGM=tjhtml122&ORIGEM=INTER&CIRCUN=5&SEQAND=289&CD… 7/7

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