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VICE-REITORIA DE ENSINO DE GRADUAÇÃO E CORPO DISCENTE COORDENAÇÃO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA FILOSOFIA Rio
VICE-REITORIA DE ENSINO DE GRADUAÇÃO E CORPO DISCENTE COORDENAÇÃO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA FILOSOFIA Rio
VICE-REITORIA DE ENSINO DE GRADUAÇÃO E CORPO DISCENTE COORDENAÇÃO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA FILOSOFIA Rio

VICE-REITORIA DE ENSINO DE GRADUAÇÃO E CORPO DISCENTE

COORDENAÇÃO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

FILOSOFIA

Rio de Janeiro / 2007

TODOS OS DIREITOS RESERVADOS À

UNIVERSIDADE CASTELO BRANCO

UNIVERSIDADE CASTELO BRANCO

Todos os direitos reservados à Universidade Castelo Branco - UCB

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U n3p

Universidade Castelo Branco.

Filosofia. – Rio de Janeiro: UCB, 2006.

44 p.

ISBN 85-86912-15-8

1. Ensino a Distância. I. Título.

CDD – 371.39

Universidade Castelo Branco - UCB

Avenida Santa Cruz, 1.631

Rio de Janeiro - RJ

21710-250

Tel. (21) 2406-7700 Fax (21) 2401-9696

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CoordenadoraCoordenadoraCoordenadoraCoordenadoraCoordenadora dedededede EducaçãoEducaçãoEducaçãoEducaçãoEducação aaaaa DistânciaDistânciaDistânciaDistânciaDistância Prof.ª Ziléa Baptista Nespoli

CoordenadoresCoordenadoresCoordenadoresCoordenadoresCoordenadores dosdosdosdosdos CursosCursosCursosCursosCursos dedededede GraduaçãoGraduaçãoGraduaçãoGraduaçãoGraduação Ana Cristina Noguerol - Pedagogia Denilson P. Matos - Letras Maurício Magalhães - Ciências Biológicas Sonia Albuquerque - Matemática

ConteudistaConteudistaConteudistaConteudistaConteudista Liliana Lúcia da S. Barbosa

SupervisorSupervisorSupervisorSupervisorSupervisor dododododo CentroCentroCentroCentroCentro EditorialEditorialEditorialEditorialEditorial ––––– CEDICEDICEDICEDICEDI Joselmo Botelho

Apresentação

Prezado(a) Aluno(a):

É com grande satisfação que o(a) recebemos como integrante do corpo discente de nossos cursos de graduação, na certeza de estarmos contribuindo para sua formação acadêmica e, conseqüentemente, propiciando oportunidade para melhoria de seu desempenho profissional. Nossos funcionários e nosso corpo docente esperam retribuir a sua escolha, reafirmando o compromisso desta Instituição com a qualidade, por meio de uma estrutura aberta e criativa, centrada nos princípios de melhoria contínua.

Esperamos que este instrucional seja-lhe de grande ajuda e contribua para ampliar o horizonte do seu conhecimento teórico e para o aperfeiçoamento da sua prática pedagógica.

Seja bem-vindo(a)! Paulo Alcantara Gomes Reitor

Orientações para o Auto-Estudo

O presente instrucional está dividido em três unidades programáticas, cada uma com objetivos definidos e

conteúdos selecionados criteriosamente pelos Professores Conteudistas para que os referidos objetivos sejam atingidos com êxito.

Os conteúdos programáticos das unidades são apresentados sob a forma de leituras, tarefas e atividades complementares.

As Unidades 1e 2 correspondem aos conteúdos que serão avaliados em A1.

Na A2 poderão ser objeto de avaliação os conteúdos das três unidades.

Havendo a necessidade de uma avaliação extra (A3 ou A4), esta obrigatoriamente será composta por todos os conteúdos das Unidades Programáticas 1, 2 e 3.

A carga horária do material instrucional para o auto-estudo que você está recebendo agora, juntamente com os

horários destinados aos encontros com o Professor Orientador da disciplina, equivale a 60 horas-aula, que você administrará de acordo com a sua disponibilidade, respeitando-se, naturalmente, as datas dos encontros presenciais programados pelo Professor Orientador e as datas das avaliações do seu curso.

Bons Estudos!

Dicas para o Auto-Estudo

1 - Você terá total autonomia para escolher a melhor hora para estudar. Porém, seja disciplinado. Procure reservar sempre os mesmos horários para o estudo.

2 - Organize seu ambiente de estudo. Reserve todo o material necessário. Evite interrupções.

3 - Não deixe para estudar na última hora.

4 - Não acumule dúvidas. Anote-as e entre em contato com seu monitor.

5 - Não pule etapas.

6 - Faça todas as tarefas propostas.

7 - Não falte aos encontros presenciais. Eles são importantes para o melhor aproveitamento da disciplina.

8 - Não relegue a um segundo plano as atividades complementares e a auto-avaliação.

9 - Não hesite em começar de novo.

SUMÁRIO

Quadro-síntese do conteúdo programático Contextualização da disciplina

1111111111

1212121212

UUUUUNIDADENIDADENIDADENIDADENIDADE IIIII

 

A

NATUREZA DA FILOSOFIA

 

1.1. O que é Filosofia?

 

1111133333

1.2. Noções de reflexão filosófica

1.3. Os principais períodos da Filosofia

1313131313

1515151515

UUUUUNIDADENIDADENIDADENIDADENIDADE IIIIIIIIII

   

TEMAS DE FILOSOFIA

2.1. Noções de Lógica

 

2323232323

2.2. Ética e valores

2424242424

2.3. Estética

 

2222266666

2.4. Filosofia política

2828282828

2.5. Antropologia filosófica

 

2929292929

UUUUUNIDADENIDADENIDADENIDADENIDADE IIIIIIIIIIIIIII

   

A

FILOSOFIA CONTEMPORÂNEA

 

3.1. Positivismo

 

3232323232

3.2. Marxismo

3333333333

3.3. Existencialismo

3333355555

3.4. Holismo

3636363636

   

4040404040

Glossário Gabarito Referências bibliográficas

4242424242

4343434343

Quadro-síntese do conteúdo programático

Quadro-síntese do conteúdo programático 11   UNIDADES DO PROGRAMA OBJETIVOS 1 - A NATUREZA DA FILOSOFIA
Quadro-síntese do conteúdo programático 11   UNIDADES DO PROGRAMA OBJETIVOS 1 - A NATUREZA DA FILOSOFIA

11

 

UNIDADES DO PROGRAMA

OBJETIVOS

1

- A NATUREZA DA FILOSOFIA

Perceber o significado e a importância da filosofia

1.1 - O que é Filosofia?

1.2 - Noções de reflexão filosófica

1.3 - Principais períodos da Filosofia

enquanto pensamento que pretende superar o senso comum e estabelecer uma visão crítica da realidade;

•Analisar as principais definições de filosofia durante a trajetória do pensamento humano; •Fornecer ferramentas necessárias para aquisição de uma metodologia apropriada à investigação filosófica;

Oferecer uma visão dos vários momentos da filosofia na história do homem.

2

- TEMAS DE FILOSOFIA

•Diferenciar os tipos de raciocínio; Assimilar e aplicar as regras de validade dos silogismos; Apresentar aspectos das condições de emergência do tipo de valoração moral que se tem nos dias de hoje como um instrumento para otimizar a prática da ética enquanto reflexão sobre as ações humanas;

2.1 - Noções de Lógica

2.2 - Ética e valores

2.3 - Estética

2.4 - Filosofia política

Construir um discurso reflexivo sobre o fazer

2.5 - Antropologia filosófica

artístico e o processo criativo humano e que possa subsidiar o entendimento do que vem a ser a arte propriamente dita;

Estabelecer relações entre a filosofia política – e as suas formulações éticas – com o contexto social atual; Discutir fenômenos significativos do ser humano enquanto pessoa.

3

-AFILOSOFIACONTEMPORÂNEA

Identificar os vários paradigmas epistemológicos

3.1 - Positivismo

ao longo da história do pensamento;

Estabelecer uma visão crítica da situação do homem no mundo, identificando teorias e práticas compatíveis com sua própria valorização.

3.2 - Marxismo

3.3 - Existencionalismo

3.4 - Holismo

 

12

Contextualização da Disciplina

O homem não vive sem uma filosofia. Essa frase nos remete a muitas reflexões. O ser humano vive no mundo

das indagações, dos questionamentos; sua vida vê-se tecida por uma teia muito complexa e que o põe em constantes reflexões sobre si mesmo e seu mundo.

O pensamento filosófico impõe-se como pensamento radical, rigoroso e de conjunto. Assim, a Filosofia implica

um raciocínio com métodos apropriados e que procura iluminar os caminhos dos homens.

A Filosofia é um pensar coerente, pois faz emprego dos recursos do raciocínio lógico, profundo, enquanto vai

até as raízes dos problemas, não permanecendo na superfície (é avesso ao achismo) e abrangente, já que procura abordar as questões, tendo presente o contexto em que estas se encontram e a multiplicidade de respostas possíveis. Enfim, procura não somente explicar as coisas, como o fazem as ciências, mas se esforça também em buscar o sentido que elas possam ter para a existência humana.

A Filosofia tem hoje o desafio de levar os homens a tomar consciência de seu tempo, apesar de os meios de

comunicação propagarem uma cultura de superficialidade. Na atualidade, a lixocultura é uma armadilha muito

sutil que convida os homens a não pensar.

No decorrer dos conteúdos, a Filosofia irá se desdobrando em áreas específicas, desde a lógica até a antropologia filosófica, na tentativa de oferecer um conhecimento mais profundo das idéias de grandes pensadores que contribuíram para a formação de um modelo mental nas diferentes sociedades.

Inicia com a natureza da Filosofia, seu método e depois oferece uma visão da trajetória do pensamento filosófico. Assim parte da Grécia Antiga, em torno do século VI a.C. O aparecimento da filosofia deveu-se a

intensificação da vida nas cidades (pólis) gregas (Mileto, Corinto, Atenas, Éfeso, Eléia, etc.). A partir do século

VIII a.C., as polis passaram a congregar pessoas provenientes de várias culturas – genos – e, com isso, nelas

criaram-se condições novas de vida, dando chances ao surgimento do cidadão (pólis).

Mais recentemente, principalmente a partir da década de 90, o avanço da ciência e da tecnologia e as transformações socioeconômicas (globalização, neoliberalismo e robotização dos sistemas de produção) têm provocado os filósofos a debater questões tais como os limites da inteligência artificial, a salvaguarda dos valores humanos na aldeia global, o futuro do homem numa sociedade robotizada, a revolução genética e outras temáticas que insurgem na sociedade do século XXI.

UNIDADE I

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1.11.11.11.11.1 ----- O que é Filosofia?

]lendo esse texto, e

tem a sensação de estar parado no universo, mas o universo está girando. Nosso planeta gira a uma velocidade de 1.300 quilômetros por hora e você tem a sensação de que está parado. Todos temos a sensação de que o sol nasce no leste e morre no oeste, mas, na verdade, quem gira é a Terra. Portanto, não confie muito nos seus órgãos dos sentidos, pois aquilo que você pensa que está vendo na realidade é uma ilusão. Temos a impressão de que estamos andando sobre uma Terra chata, mas ela é redonda. Da mesma forma. Existem muitas coisas que você considera verdadeiras, mas que são ilusórias. É bom saber que os seus olhos enganam, os seus ouvidos enganam, qualquer um dos nossos órgãos sensoriais pode nos enganar. A realidade que você percebe não é a realidade real; ela é a sua realidade, naquele determinado momento. Se você

modificar suas crenças, se você modificar seu modo de perceber o mundo, eu lhe garanto que o mundo

]” (RIBEIRO,

vai mudar. Asua realidade vai mudar.[ 2003: 5).

Você está neste momento “[

Segundo Leôncio Basbaum, “Devemos repelir qualquer idéia de que a filosofia seja um quadro exposto à contemplação passiva do homem, ou mesmo um entorpecente para mergulhá-lo em doces sonhos etéreos enquanto esquece a realidade da vida e o muito que há a fazer dentro dela. A filosofia é, antes de mais nada, em primeiro lugar e acima de tudo, uma arma, uma ferramenta, um instrumento de ação com a ajuda da qual o homem conhece a natureza e busca o conforto físico e espiritual para a vida. Se o homem realmente se destaca dos outros animais pela amplidão e profundidade do seu pensamento, se tudo o que ele realizou, desde que, saindo da selvageria, começou a construir o que

chamamos de civilização, foi a concretização desse pensamento, que, evoluindo, se transformou, através do tempo e do espaço; não há dúvida de que esse pensamento, mobilizando os dedos de sua mão, é a sua principal arma na conquista da natureza e, portanto, da sua liberdade” (1978: 302-3).

Diante de um mundo destituído de valores que expressam amor, fraternidade, solidariedade e

respeito ao homem, figura uma luz no final do túnel

– a Alegoria da Caverna, de Platão – um saber que

pede passagem e propõe uma nova ciência, a ciência do homem. A ciência que resgata o princípio e fim último de valor: a pessoa. Vivemos no fundo da caverna, enxergamos o mundo por uma única lente,

é preciso rever os valores que predominam na

sociedade, que possuidores da capacidade de

reflexão possamos construir um mundo mais justo

e digno para todos cidadãos.Somos levados ao

questionamento, às incertezas e às angústias diante de um cenário que não mais privilegia o humano. Somos impelidos a sair do marasmo e a arriscarmos a conquista de um novo mundo. No livro ‘O mundo de Sofia’ de Gaarder (1995) o autor faz uma analogia do coelhinho que o mágico retira da cartola com as pessoas que acreditam que o mundo é incompreensível. Segundo o autor, os homens são como bichinhos microscópicos que se instalam na base dos pêlos do coelho. No entanto, alguns homens tentam subir para a ponta dos pêlos a fim

de olhar bem dentro dos olhos do grande mágico. Esses homens são aqueles que não se satisfazem diante das situações do mundo e se lançam numa jornada rumo aos limites, à transcendência. E voltamos a insistir que só o homem é capaz da transcendência, visto que é um ser práxico (BARBOSA: 2002, 119).

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1.21.21.21.21.2 - Noções de Reflexão Filosófica

A FILOSOFIA é um modo de pensar os acontecimen-

tos além de suas aparências, podendo pensar a ciên- cia, seus valores, seus métodos e seus mitos; po-

dendo pensar a religião, a arte e o próprio homem em sua vida cotidiana, incluindo sua própria educação.

É ela que permite o distanciamento para a avalia-

ção dos fundamentos dos atos humanos e dos fins a que eles se destinam, é a possibilidade de transcendência humana, ou seja, a capacidade que o homem tem de superar a sua imanência (que significa a situação dada e não escolhida). Pela transcendência, o ser humano reconstrói conceitos e valores, ultrapas-

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sa os limites dados pelo cotidiano e refaz a si mes-

mo e o mundo num processo contínuo como partícipe da experiência humana.

No início (século VI a.C.), o filósofo procurava responder não só ao PORQUÊ das coisas mas também ao COMO, ao funcionamento, por isso a Filosofia englobava também o conhecimento científico além da indagação filosófica propriamente dita.

No século XVI, com Francis Bacon, a Ciência começou a se separar da Filosofia, quando defende um novo método – a indução – para atingir um novo conhecimento, crescente, progressivo e dinâmico; provisório e não mais dogmático, mas provável.

Somente a partir do século XVII, com Galileu, é que a Ciência se separa da Filosofia. Começam a surgir as diferentes ciências e as especializações, que se ocupam apenas de partes da realidade, cabendo à Filosofia a reflexão sobre o conjunto.

“A atitude filosófica pura e forte pode estar presente no cientista, no filósofo profissional e no homem comum e deve buscar uma sabedoria para distinguir as coisas boas e ruins para si, para a vida do outro e para a comunidade humana, no cotidiano

e na história [

]”

(TURATO, 2003: 51).

Por isso a Filosofia é importante, cabe a ela fazer a investigação dos fundamentos do conhecimento e da ação humana, refletindo, inclusive, se a Ciência é realmente um conhecimento objetivo, o que é objetividade e até que ponto o cientista pode ser objetivo.

O filósofo reflete sobre a condição humana atual e

Para resumir, segundo Dermeval Saviani:

sobre que tipo de homem é desejável no futuro, por isso reflete sobre a escola, para saber que tipo de homem essa escola está formando, se um ser criativo, político e participante ou um ser conformado com o status quo.

A Filosofia se propõe, através da reflexão profunda

dos problemas, descortinar as ideologias presentes nos discursos e desvelar suas contradições existentes, possibilitando um repensar humano.

A Filosofia vai além da realidade como ela se apresenta, procurando entender os problemas profundamente, para depois propor alternativas de mudanças.

Segundo Dermeval Saviani (1983: 24), o pensamento filosófico deve ser:

• Radical – isto é, deve chegar até a raiz, à origem dos problemas, deve ser profundo, chegar aos valores originais que possibilitaram o fato.

• Rigoroso – ou seja, deve seguir um método

adequado ao objeto em estudo, colocando em questão o senso comum e as generalizações científicas apressadas.

• De conjunto – como já foi dito, a Filosofia se

preocupa com o todo, com todos os atos, fatores e valores que estão envolvidos num determinado problema. Faz uma análise diacrônica e sincrônica do contexto analisado, sendo útil como complementação a cada ciência, que tem uma visão parcial da realidade.

do contexto analisado, sendo útil como complementação a cada ciência, que tem uma visão parcial da

1.31.31.31.31.3 - Os Principais Períodos da Filosofia

Filosofia Antiga (do séc. VI a.C. ao século VI d.C.)

A Filosofia Antiga nasceu na Grécia, no século VI a.C., com os filósofos pré-socráticos indo até o período helenístico, que é o predomínio da cultura grega nos três grandes reinos (da Macedônia, Síria e Egito).

A reflexão filosófica que se iniciou nesta época

continuou convivendo com a consciência mítica e religiosa que dominava até então, assim como acontece em nossos dias, guardadas as devidas proporções.

O pensamento mítico-sagrado foi sendo substituído por um pensamento fundamentado na razão. A “arché”, entendida como elemento constitutivo de todas as coisas, surgiu para oferecer uma ordenação do mundo.

Os filósofos pré-socráticos tinham, como ponto central de suas reflexões, a busca do princípio ou fundamento das coisas, a “arché”.

Os primeiros filósofos gregos são também chamados “filósofos da natureza” porque suas reflexões estavam centradas na natureza e nos processos naturais.

Queriam entender os fenômenos naturais através da observação, sem ter que recorrer aos mitos e aos deuses. Fizeram a Filosofia se libertar da Religião, deram os primeiros passos na direção de uma forma científica de pensar.

A Filosofia nesta época englobava a indagação

filosófica propriamente dita e o conhecimento “científico”, como o chamamos hoje.

As respostas às indagações que faziam sobre o princípio das coisas foram variadas e divergentes, uns afirmavam que era a água, outros já diziam que era o ar, ou o fogo, ou os quatro elementos (terra, ar, fogo e água).

Embora a atitude não fosse mais mítica, os elementos naturais ainda eram considerados quase que como divindades.

“A atitude filosófica rejeita as interferências dos deuses, do sobrenatural, buscando a coerência interna, definição dos conceitos, o debate e a discussão” (ARANHA, 1993: 67).

Sócrates (470-399 a.C.), “personagem mais enigmática

de toda a história da Filosofia, não escreveu uma única linha e está entre os que mais influência exerceram sobre

o

pensamento europeu” (GAARDER, 1996: 78). Ele criou

o

método socrático, que consistia na busca do rigor

através da discussão e do diálogo, através do qual o homem é encarado de frente para ser compreendido e analisado.

Com Sócrates surge o interesse pelo ser humano e suas virtudes, as quais são identificadas como:

bondade, justiça, temperança, coragem, etc.

Para Sócrates, o homem não podia ser definido, pois depende de sua consciência, não é como a natureza que possui propriedades objetivas.

O método socrático era composto de duas etapas:

“ironia” e “maiêutica”.

A “ironia” consistia em destruir as opiniões do senso

comum e o conhecimento espontâneo baseado em preconceitos e estereótipos através de perguntas feitas

a um interlocutor, exigindo que este responda justificando seu ponto de vista.

A “maiêutica” consistia em construir novos conceitos

baseados em argumentação racional.

Sócrates, com suas perguntas, destruía o saber constituído através do senso comum e dos preconceitos, para construir outro a partir de um raciocínio coerente e rigoroso.

Platão era discípulo de Sócrates, quando este morreu condenado a beber cicuta, aos 29 anos, por sua atividade como filósofo.

Conhecemos a vida de Sócrates através de Platão, que foi também um dos maiores filósofos da história.

Platão interessava-se pela relação entre aquilo que é eterno e imutável na natureza, na moral, na sociedade e aquilo que “flui”.

Para Platão, a verdadeira realidade se encontra no mundo das Idéias, lugar da essência imutável de todas as coisas, dos verdadeiros modelos ou arquétipos.

Todos os seres, inclusive o homem, são apenas cópias imperfeitas de tais realidades eternas e se aperfeiçoam

à medida que se aproximam do modelo ideal

Depois de Platão vem Aristóteles, que também foi um dos grandes filósofos gregos e que durante 20 anos foi aluno da Academia de Platão, para onde foi quando este tinha 61 anos.

15

16

“Platão estava tão mergulhado no mundo das ‘idéias’

que quase não registrou as mudanças da natureza. Aristóteles, ao contrário, interessava-se justamente pelas mudanças naturais” (Ibidem: 121).

Para Aristóteles, o ser é constituído de matéria e forma em potência a serem atualizadas, tem uma natureza essencial que se realiza aos poucos até alcançar um pleno desenvolvimento.

Para ambos, a plenitude humana dependia do aperfeiçoamento da razão.

Após a morte de Aristóteles (322 a.C.), a Filosofia Helênica continuou a investigar os problemas levantados por Sócrates, Platão e Aristóteles, com o ponto comum entre eles: a preocupação em saber qual seria a melhor maneira do homem viver e morrer.

A partir do ano 50 a.C., Roma passou a assumir o

poderio militar na região antes dominada pelos gregos,

mas a cultura e a filosofia continuaram sendo helênicas até muito tempo depois.

• Filosofia Patrística (do séc. I ao séc. VII)

É a filosofia dos primeiros Padres da Igreja, por isso

recebe este nome. Inicia-se com as epístolas de São Paulo, que se converteu ao Cristianismo pouco depois da morte de Jesus e começou a viajar como missionário através de todo o mundo greco-romano, transformando o cristianismo numa religião universal.

O Cristianismo começa a se infiltrar no mundo greco-

romano como algo completamente diferente da Filosofia Helênica, mas Paulo encontrava apoio nesta filosofia ao afirmar que a busca por Deus está dentro de todos os homens, o que para os gregos não era novidade.

O que Paulo pregava de novo é que esse Deus não

era “filosófico”, ao qual as pessoas pudessem chegar apenas pela razão, mas que ele tinha se revelado aos

homens.

Paulo conseguiu, com sua tarefa missionária, expandir o Cristianismo para as cidades gregas e romanas mais importantes: Atenas, Roma, Alexandria, Éfeso, Corinto e nos três ou quatro séculos seguintes todo o mundo greco-romano estava cristianizado. Procurou-se conciliar a cultura greco-romana com o cristianismo.

“Mas o cristianismo não era a única religião nova daquela época, o helenismo era marcado por um sincretismo religioso, por isso a Igreja precisava definir claramente a doutrina cristã, a fim de estabelecer seus

limites em relação às demais religiões e evitar uma cisão dentro da própria Igreja cristã” (Ibidem:179).

Para definir claramente a doutrina cristã, surgem os “dogmas” cristãos mais importantes que vão servir de base para a Filosofia Patrística. Um desses “dogmas” mais importantes foi que Jesus havia sido Deus e homem ao mesmo tempo e que através do milagre de Deus poderíamos ressuscitar para a vida eterna.

Um grande representante desse período, já no seu final, foi Santo Agostinho (354 a 430). Foi influenciado pelo neoplatonismo do final da Antiguidade, mas se converteu ao Cristianismo.

Com ele a Filosofia Patrística deu novo rumo à pedagogia da época, colocando a disciplina cristã como auxiliar para resolver as situações aflitivas do homem.

Segundo Santo Agostinho, a fé revela verdades ao homem de forma direta e intuitiva. A razão é posterior a fé. “Sua filosofia tem como preocupação central a relação entre a fé e a razão, mostrando que sem a fé a razão é incapaz de promover a salvação do homem e trazer-lhe a felicidade” (JAPIASSU e MARCONDES, 1995: 15 ).

• Filosofia Medieval (do séc. VIII ao séc.

XIV)

A “Idade Média” recebeu este nome por ser

intermediária entre duas outras épocas, a Antiguidade e o Renascimento. É considerada pelo homem renascentista como a longa “noite de mil anos” por ser vista como um período de decadência, mas, para outros, foi considerada o período de “mil anos de crescimento” pois foi aí que se iniciou o sistema escolar, por exemplo.

Já no princípio desse período, surgiram nos

conventos as primeiras escolas que, no século XII, também foram criadas à volta das catedrais. Por volta de 1200 começaram a ser fundadas as primeiras universidades.

“Os primeiros cem anos depois de 400 d.C. foram realmente de declínio cultural. A era romana fora uma época de “cultura elevada”, com grandes cidades que dispunham de sistemas de esgotos, banhos e bibliotecas públicas. Isto para não falar da imponente arquitetura” (GAARDER, 1995: 190).

Teodósio, o último imperador romano, dividiu o Império em Ocidental e Oriental em 395 e essa data marca o fim da Antiguidade e o começo da Idade Média.

Cresceu muito o poder da Igreja nesta época, em fins do século IV, quando Roma perdeu seu poder político,

o bispo de Roma se tornou o chefe de toda a Igreja católica romana e recebeu o nome de “papa” = “pai” e passou a ser considerado o representante de Jesus na terra.

No ano de 529 a Academia de Platão, em Atenas, foi fechada e no mesmo ano foi fundada a Ordem dos Beneditinos, a primeira grande ordem religiosa. Nesse momento, a Igreja católica se impõe e afasta a Filosofia grega, transformando os mosteiros em grandes centros monopolizadores da educação, reflexão e meditação.

A Filosofia Medieval passou a ser ensinada nas

escolas, a partir do século XII, por isso recebeu o nome de Escolástica.

Apesar de a Igreja ter fechado a Academia de Platão, os filósofos gregos não foram esquecidos, Platão e Aristóteles continuaram influenciando neste período, “embora o Platão que os medievais conhecessem fosse o neoplatônico (vindo da Filosofia de Plotino, do século VI d.C.), e o Aristóteles que conhecessem fosse aquele conservado e traduzido pelos árabes, particularmenteAvicena eAverróis” (CHAUÍ, 1995: 45).

De certa forma, a cultura da Antiguidade conseguiu sobreviver a toda a Idade Média, vindo a ressurgir no Renascimento.

O maior e mais importante filósofo da Idade Média

foi são Tomás de Aquino (1225 a 1274), que era um teólogo. Naquela época, não havia nítida distinção entre Filosofia e Teologia. Ele tentou conciliar a Filosofia de Aristóteles e o Cristianismo.

São Tomás de Aquino quis mostrar que existe apenas uma verdade. Uma parte dela reconhecemos através da razão e da observação e outra parte através da Bíblia. Ele acreditava poder provar a existência de Deus com base na Filosofia de Aristóteles (através da razão).

• Filosofia da Renascença (do séc. XIV ao séc. XVI)

“É marcada pela descoberta de obras de Platão desconhecidas na Idade Média, de novas obras de Aristóteles, bem como pela recuperação das obras dos grandes autores e artistas gregos e romanos” (CHAUÍ, 1995: 46).

As quatro grandes linhas de pensamento que dominavam o pensamento da Renascença eram:

• A idéia de que a natureza é um grande ser vivo e de que o homem faz parte dessa natureza como um microcosmo (como espelho do Universo inteiro), podendo agir sobre ela através da alquimia, da magia natural e da astrologia. Essa idéia é proveniente de

Platão, do neoplatonismo e da descoberta de livros de Hermetismo.

• A idéia que valorizava a vida ativa, a política e

defendia os ideais republicanos das cidades contra o poder hierárquico da Igreja, o império eclesiástico, o poderio dos papas e dos imperadores. Os pensadores dessa época foram buscar, nos antigos juristas e historiadores, essas idéias republicanas e propuseram

a “imitação dos antigos”.

•A idéia que defendia o ideal do homem como artífice de seu próprio destino, através dos conhecimentos como astrologia, magia e alquimia, assim como através da política, das técnicas (medicina, arquitetura, engenharia, navegação) e das artes (pintura, escultura, literatura e teatro).

• A certeza de que era possível constituir um

conhecimento novo, científico, baseado na indução e não mais na dedução ou na autoridade, experimental, diferente da filosofia, dissociado da teologia, e que possibilitaria uma nova cosmovisão.

Foi a época das grandes descobertas marítimas, da Inquisição e das críticas profundas à Igreja, que desembocaram na Reforma Protestante e na Contra- Reforma da Igreja.

Entre os nomes mais importantes desse período estão:

a) Representante da Filosofia da Natureza

– Kepler

b)

Representantes da Metafísica

Nicolau de Cusa (“docta ignorantia”)

Giordano Bruno (sistema panteísta)

c)

Representantes da Filosofia Política

Maquiavel (“O Príncipe”)

Tomás Morus (“Utopia”)

d)

Representante da Reforma da Ciência

- Luis Vives (“De tradendis disciplinis”, “De anima et

vita”)

• Filosofia Moderna – (do séc. XVII a meados do séc. XVIII)

É a época do Grande Racionalismo Clássico, marcado por três grandes mudanças intelectuais:

• A Filosofia muda o foco de suas indagações para o

intelecto do homem ao invés de começar a indagar sobre

a Natureza e Deus. Começa a questionar sobre a

capacidade de conhecer e, depois, como o intelecto pode conhecer o que é diferente dele.

17

18

• Tudo o que pode ser conhecido deve poder ser

transformado num conceito ou idéia clara e distinta formulada pelo intelecto. A Natureza, a Sociedade ou a Política podem ser inteiramente conhecidas pelos sujeitos porque são passíveis de serem transformadas em conceitos.

• “A realidade é concebida como um sistema racional de mecanismos físico-matemáticos, cuja estrutura profunda é matemática. O ‘livro do mundo’, diz Galileu, está escrito em caracteres matemáticos” (Ibidem: 47). Essa grande mudança intelectual deu origem à ciência clássica, à mecânica, por meio das quais são explicados todos os fatos da realidade: astronomia, física, química, psicologia, política e artes, que eram estudados de forma mecânica.

Nasce a idéia de conquista científica e técnica da realidade, a partir da explicação mecânica e matemática do Universo e da invenção das máquinas.

Havia uma grande confiança na razão para definir qual o melhor sistema político, qual a origem, as causas e os efeitos das paixões humanas, além da possibilidade de inseri-los, tornando a vida ética perfeitamente racional.

Os principais pensadores dessa época e suas principais obras:

- Representante da Reforma da Ciência – Francis Bacon (“Novum Organum” – método indutivo)

- Descartes ( “Discurso do Método”)

- Tomas Hobbes (“Leviatã” – teoria do Estado)

-Espinosa (“A ética, demonstrada segundo o método geométrico” – solução monista)

- Leibniz ( político, científico e filosófo – solução pluralista )

• Filosofia da Ilustração – (meados do séc. XVIII ao começo do séc. XIX)

Este período também enfatiza a primazia da razão. O nome Iluminismo vem de luzes (nome dado à razão) e acredita:

- Que, “pela razão, o homem pode conquistar a

liberdade e a felicidade social e política (a Filosofia

da Ilustração foi decisiva para as idéias da Revolução Francesa de 1789)” (Ibidem: 48).

- Que “a razão é capaz de evolução e progresso, e o

homem é um ser perfectível. A perfectibilidade consiste em liberar-se dos preconceitos religiosos,

sociais e morais, em libertar-se da superstição e do medo, graças ao conhecimento, às ciências, às artes e à moral” (Ibidem: 48).

- Que “o aperfeiçoamento da razão se realiza pelo

progresso das civilizações, que vão das mais atrasadas

(também chamadas de ‘primitivas’ ou ‘selvagens’) às mais adiantadas e perfeitas (as da Europa ocidental)” (Ibidem: 48).

-

Que “há diferença entre Natureza e civilização, isto

é,

a Natureza é o reino das relações necessárias de

causa e efeito ou das leis naturais universais e imutáveis, enquanto a civilização é o reino da liberdade

e da finalidade proposta pela vontade livre dos

próprios homens, em seu aperfeiçoamento moral,

técnico e político” (Ibidem: 48).

Nesse período há grande interesse pela biologia, pela economia e pelas artes, que são consideradas símbolo do grau de progresso de uma civilização.

Os principais pensadores dessa época e suas obras mais representativas:

a) John Locke - Ensaio sobre o entendimento

humano e Pensamentos sobre a educação

b) Boyle (química) e Newton - Teoria da gravitação

c) David Hume - Tratado da Natureza Humana

d) Franceses (progressiva emancipação): Voltaire,

Diderot, Condillac, D’Alembert e Rousseau.

Os temas rousseaunianos mais importantes são:

• o naturalismo: o homem é originalmente bom, a

natureza humana é boa , o mal existe no mundo;

• o individualismo: toda ação socializadora é nefasta

e funesta pois perverte a natureza humana – essa é a

maior contradição da pedagogia de Rousseau, pois de acordo com ele se está educando um ser anti-social.

• o sentido da pedagogia – que está em sua obra O

Emílio – a educação é preparação para a vida adulta – depois na vida adulta, a ação política contribui para a socialização que se dará espontaneamente.

• o subjetivismo – cada ser humano é único – a

importância da educação para a autenticidade.

e) Kant e o idealismo alemão (com ele se inicia a

corrente mais importante da filosofia contemporânea) – investiga sobre o sujeito para encontrar as condições subjetivas que fazem possível a objetividade. Como representante da ilustração, propunha uma emancipação do homem frente a tutelas auto-impostas com o uso da razão.

f) Schelling (período de filosofia negativa:

predomínio do estético; período de filosofia positiva:

predomínio do religioso).

g) Hegel (1770-1831 – culminação do idealismo.

“Fenomenologia do Espírito”, “Ciência da Lógica”) .

• Filosofia Contemporânea – (meados do séc. XIX até nossos dias)

Por se tratar de um período que está sendo vivido

por nós, fica difícil proceder à classificação, pois não

podemos manter a necessária distância para analisar com mais objetividade, mas pode-se citar as diferentes

correntes, com os seus nomes mais expressivos, que servirão de base para futuras investigações, segundo Aranha (1986).

Crítica da Ciência

Henri Poincaré (1854-1912) – Para Poincaré é uma ilusão a crença na infabilidade da ciência. Segundo

Aranha (1993: 163), “o que ocorre no início do século

XX é uma necessidade de reavaliação do conceito de

ciência, dos critérios de certeza, da relação entre ciência e realidade, da validade dos modelos científicos”.

Positivismo

Augusto Comte (1798-1857) “fundador do positivismo, corrente filosófica segundo a qual a humanidade teria passado por estágios sucessivos

(teológico e metafísico) até chegar ao ponto superior

do processo, caracterizado pelo conhecimento

positivo, ou científico” (ARANHA, 1986: 100).

Neopositivismo e Filosofia Analítica

Mathematica, Los problemas de la Filosofia).

Bertrand

Russell

(1872-1970

Principia

Pragmatismo

John Dewey (1859-1952).

Filosofia da Existência

– transcendência, Deus; Sobre a verdade.

Karl

Jaspers

(1883-1969)

existência

• Martin Heidegger (1889-1976) – O ser e o tempo, Que é metafísica? – sentido do ser.

Fenomenologia

Fundada por Edmund Husserl (1859-1938), cujos seguidores são: Heidegger, Karl Jaspers e Merleau- Ponty.

Existencialismo

• Jean-Paul Sartre (1905-1980) – O ser e o nada. O existencialismo é um humanismo.

Para Sartre só as coisas e os animais são “em si”. O homem, sendo consciente, é um “ser-para-si”, aberto

à possibilidade de construir ele próprio sua existência.

O homem não é mais que o que ele faz. Não se pode

falar numa natureza humana encontrada igualmente em todos os homens.

• Karl Popper (1902-1994) – filósofo austríaco –

segundo ele, “o cientísta deve estar mais preocupado não com a explicação e justificação da sua teoria, mas com o levantamento de possíveis teorias que refutem, ou seja, o que garante a verdade do discurso científico

é a condição de refutabilidade” (ARANHA, 1993: 163).

Marxismo

• Karl Marx (1818-1883) – Rejeita explicitamente a concepção de uma natureza humana universal. Os homens são seres práticos que se definem pelo trabalho, o que explica que não há uma essência separada da existência.

Marx, assim como Freud, mostra que a razão pode ser deturpadora e pervertida, pode estar a serviço da mentira e do poder. Esse tipo de racionalidade deve ser contestado pela atividade crítica da razão mais completa e mais rica.

Marx se posicionou contra a moral kantiana, fundada

na razão universal, abstrata, e tenta encontrar o homem concreto da ação moral.

A doutrina marxista é chamada de filosofia da práxis porque é a união dialética da teoria e da prática.

• Gramsci (1891-1937) – filósofo italiano, “teórico do

marxismo que recusara o dogmatismo do marxismo oficial, enfatiza a necessidade de formação do intelectual orgânico, ligado a sua classe e capaz de elaborar coerente e criticamente a experiência proletária” (ARANHA, 1993: 265).

• Louis Althusser (1918) – filósofo francês que analisa

a violência simbólica exercida pela classe dominante através dos Aparelhos Ideológicos do Estado (escola, família, meios de comunicação de massa, instituições

19

20

de cultura, partidos políticos) pelos quais é repassado

a ideologia dominante.

• Theodor Adorno (1903-1969) – levantou o problema da alienação promovida pela arte de massa.

• Max Horkheimer (1895-1973) – junto a Adorno,

afirmava que os produtos da indústria cultural levam inevitavelmente à alienação.

Estruturalismo

• Michel Foucault (1926-1984) – prefere examinar a

questão do poder não como manifestação do Estado,

PRINCIPAIS PERÍODOS DAFILOSOFIA

mas como uma rede de micropoderes que se estende por todo o corpo social.

Filósofos Independentes (sem escola)

Henri Bergson (1859-1941), Teillard de Chardin (1881- 1955) e Vladimir Jankélévitch (1903-1985).

Escola de Madri

Ortega y Gasset, Julian Marias e Xavier Zubini.

 

ÉPOCA

 

CARACTERÍSTICAS

PRINCIPAIS

FILOSOFIA

REPRESENTANTES

 

do séc. VI a.C. ao séc. VI d.C.

ANTIGA

englobava a indagação filosófica e o conhecimento científico;

Sócrates

Platão

 

fazia indagações sobre a natureza.

Aristóteles

 

PATRÍSTICA

filosofia dos Padres da Igreja;

São Paulo, apóstolo

 

do séc. I ao séc. VII

imposição das idéias cristãs.

São João, apóstolo outros padres e santos Santo Agostinho

 

do séc. VIII ao séc. XIV

MEDIEVAL

passou a ser ensinada na escola, no séc. XII, como nome de Escolástica;

São Tomás de Aquino Platão

 

nessa época surge a Teologia;

Aristóteles

fazia indagações sobre Deus

 

do séc. XIV ao séc. XVI

RENASCENÇA

acreditava que a naturaza era um grande ser vivo da qual o homem faz parte;

Dante Nicolau de Cusa Giordano Bruno

 

valorização da política;

Maquiavel

idéia do homem como artífice do seu próprio destino.

Tomas Morus Kepler Luis Vives

 

do séc. XVII

MODERNA

reforma da ciência;

Francis Bacon

a

meados do séc.

grande racionalismo clássico;

Galileu

XVIII

o foco passa a ser o intelecto do homem.

Descartes, Espinosa, Tomas Hobbes, Leibniz

de

meados do séc.

ILUSTRAÇÃO

- enfatiza a primazia da razão;

John Locke, Voltaire

XVIII

- o homem é um ser perfectível, liberta-

Boyle, Newton Rousseau, Kant, Dederot, Schelling Hegel, Hume

ao começo do séc. XIX

se dos preconceitos religiosos, sociais e morais

de meados do séc. XIX até os nossos dias

CONTEMPORÂNEA

- crítica da ciência;

Henri Poincaré

- positivismo;

Augusto Comte

- neopositivismo;

John Dewey

 

- pragmatismo;

Bertrand Russell

- racionalismo;

Edmund Husserl

- fenomenologia;

Heidegger, Jaspers

- marxismo;

Merleau-Pounty

- estruturalismo.

Althusser

Michel Foucault

Exercícios de Auto-Avaliação

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1) De acordo com o texto o que é Filosofia? (pesquise também no texto de Luckesi (1990, p. 22-23) e em Russell

(1957, 1. p.XI), constantes da bibliografia indicada, e escreva outros conceitos também), responda:

2)

Qual a relação da ciência com a Filosofia, segundo o texto?

3)

Quais são as principais características do pensamento filosófico?

4)

Qual a diferença entre teologia e ciência, segundo o texto de Bertrand Russell no livro História da Filosofia

Ocidental. Trad. Brenno Silveira. São Paulo: Cia. Editora Nacional, 1957. 1. p. XI.?

5) O que se entende por transcendência?

Leitura Complementar

Leia o capítulo 1 do livro Educação e Qualidade, de Pedro Demo, indicado na bibliografia, e reúna-se com um ou mais colegas de seu curso para juntos responderem a essas perguntas:

1) Para onde vai a educação brasileira?

Que tipo de homem estamos formando?

2) Qual é a apreciação que vocês podem fazer sobre os textos apresentados? Escreva as conclusões do grupo.

Leia no livro: A História da Educação – de M.G. Rosa:

a) o texto de Aristóteles – p. 50-56;

b) o texto de Santo Agostinho – p. 103-106;

c) o texto de São Tomás de Aquino – p. 108-112;

d) o texto de Maquiavel – p. 119-122;

e) o texto de Descartes – p. 161-171;

f) o texto de Rousseau – p. 198-214;

g) o texto de Dewey – p. 298-306.

Após a leitura desses textos, que representam cada época da Filosofia, trace um paralelo entre eles, destacando semelhanças e diferenças. Caso seja possível, reúna-se com outros colegas e escrevam uma conclusão em equipe.

3)

Explique duas diferenças entre o período medieval e o renascentista.

4)

Cite as três grandes mudanças intelectuais que caracterizaram o Grande Racionalismo Clássico:

5)

Que corrente filosófica afirma que “pela razão o homem pode conquistar a liberdade e a felicidade social e

política”?

6) Leia o capítulo sobre Hegel no livro O mundo de Sofia, de Gaardner. Descubra qual foi a sua contribuição

para a Filosofia da Ilustração.

- Envie o resultado deste trabalho para o tutor.

Sugestão de Leitura:

GAARDER, Jostein. O Dia do Curinga. Tradução João Azenha Jr. São Paulo: Cia. Das Letras, 1996. NEEDLEMAN, Jacob. O Coração da Filosofia. Tradução Júlio Fischer. São Paulo: Palas Athena, 1991.

22

Atividades Complementares

1- Procure assistir, caso tenha acesso, a pelo menos um dos filmes a seguir relacionados:

a)

“O Pato Donald no Mundo da Matemática” – de Walt Disney.

b)

“Em nome de Deus” (História do filósofo Abelardo e Heloisa).

c)

“O nome da Rosa” (baseado no livro de Humberto Eco).

d)

“Sonhos” – de Akira Kurosawa (ver especialmente o último sonho).

c)

“As Bruxas de Salém” (final da Idade Média).

Em cada um procure uma relação com esse tópico estudado, discuta as conclusões com outras pessoas e escreva para o tutor do curso.

2 - Leia no livro O Ponto de Mutação, de F. Capra, os textos: “A máquina do mundo newtoniana” (p. 49); “A concepção mecanicista da vida” (p. 95) e responda:

Qual a contribuição de Descartes e de Newton para a visão de mundo atual? Envie para o seu tutor avaliar.

UNIDADE II

UNIDADE II TEMASTEMASTEMASTEMASTEMAS DEDEDEDEDE FILOSOFIAFILOSOFIAFILOSOFIAFILOSOFIAFILOSOFIA 2.12.12.12.12.1 -----
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2.12.12.12.12.1 ----- Noções de Lógica

Vamos iniciar esse tema transcrevendo o texto inicial do capítulo 1 do livro de Marilena Chauí (1995) que diz o seguinte: “ ‘É lógico que vou’, ‘Lógico que ela disse isso!´. Quando dizemos frases como essas, a expressão ‘é lógico que´ indica, para nós e para a pessoa com quem estamos falando, que se trata de alguma coisa evidente. A expressão aparece como se fosse a conclusão de um raciocínio implícito, compartilhado pelos interlocutores do discurso. Ao dizer, ‘É lógico que eu vou’, estou supondo que quem me ouve sabe, sem que isso seja dito explicitamente, que também estou afirmando: ‘Você me conhece, sabe o que penso, gosto ou quero, sabe o que vai acontecer no lugar x e na hora y e, portanto, não há dúvida de que irei até lá’.

Ao dizer ‘É lógico que ela disse isso!’, a situação é semelhante. A expressão seria a conclusão de algo que eu e a outra pessoa sabemos, como se eu estivesse dizendo: ‘Sabendo o que ela é, o que pensa, gosta, quer, o que costuma dizer e fazer, e vendo o que está acontecendo agora, concluo que é evidente que ela disse isso, pois era de se esperar que ela o dissesse’.

Nesses casos, estamos tirando uma conclusão que nos parece óbvia, e dizer ‘é lógico que’ seria o mesmo que dizer: ‘é claro que’ou ‘não há dúvida de que’.

Em certas ocasiões, ouvimos, lemos, vemos alguma coisa e nossa reação é dizer: ‘Não. Não pode ser assim. Isso não tem lógica!’. Ou, então: ‘Isso não é lógico!’. Essas duas expressões indicam uma situação oposta às anteriores, ou seja, agora uma conclusão foi tirada por alguém, mas o que já sabemos (de uma pessoa, de um fato, de uma idéia, de um livro) nos faz julgar que a conclusão é indevida, está errada, deveria ser outra. É possível, também, que as duas expressões estejam indicando que o conhecimento que possuímos sobre alguma coisa, sobre alguém ou sobre um fato não é suficiente para compreendermos o que estamos ouvindo, vendo, lendo e por isso nos parece ‘não ter lógica’.

Nesses dois exemplos, podemos perceber que as palavras lógica e lógico são usadas por nós para significar:

1. ou uma inferência: visto que conheço x, disso posso

concluir y como conseqüência;

2. ou a exigência de coerência: visto que x é assim,

então é preciso que y seja assim;

3. ou a exigência de não haja contradição entre o que

sabemos de x e a conclusão y a que chegamos;

4. ou a exigência de que, para entender a conclusão y,

precisamos saber o suficiente sobre x para conhecermos por que se chegou a y.

Inferência, coerência, conclusão sem contradição, conclusão a partir de conhecimentos suficientes são algumas noções implicitamente pressupostas por nós toda vez que afirmamos que algo é lógico ou ilógico.

Ao usarmos as palavras lógica e lógico estamos participando de uma tradição de pensamento que se origina da Filosofia grega, quando a palavra logos – significando linguagem-discurso e pensamento- conhecimento – conduziu os filósofos a indagar se o logos obedecia ou não às regras, possuía ou não normas, princípios e critérios para seu uso e funcionamento. A disciplina filosófica que se ocupa com essas questões chama-se lógica” (CHAUÍ, 1995:

179 - 180).

Não se aprende lógica por si mesma, mas para que ela sirva de instrumento para o conhecimento de outras ciências.

Ela ajuda o nosso pensamento a proceder corretamente para alcançar o conhecimento desejado, analisando os argumentos e conclusões a que chegamos através das evidências observadas.

Aristóteles organizou a lógica clássica dividindo-a em formal e material em sua obra Órganon. A lógica formal trata das regras formais do pensamento para qualquer matéria sobre a qual pensamos. Se as regras formais forem seguidas, em qualquer situação chegaremos à conclusão automaticamente.

A lógica material é a própria metodologia de cada ciência, é a aplicação das operações do pensamento, de acordo com a matéria ou objeto a ser conhecido.

23

24

Ao ato de encadear nossos pensamentos para

chegar a uma conclusão chamamos de raciocínio lógico.

O raciocínio vai de um pensamento a outro,

passando por vários intermediários, por isso podemos dizer que o raciocínio é um conhecimento mediato, ele é intermediado por vários conhecimentos

até chegar à conclusão, ao contrário da intuição, que

é um conhecimento imediato, ou seja, não intermediado por vários outros.

“Raciocinamos ou argumentamos quando colocamos juízos ou proposições que contenham evidências em uma ordem tal que necessariamente

nos levam a um outro juízo, que se chama conclusão.

E por juízo ou proposição entendemos a afirmação

ou a negação da identidade representativa de dois conceitos ou termos. Exemplo: o cão é amigo do homem” (ARANHA, 1993: 51).

Quando nossos raciocínios ou argumentos são incorretos, caímos no que se chama falácia ou sofisma.

Existem três modos diferentes de se raciocinar ou argumentar logicamente:

• Raciocínio dedutivo - faz uso da dedução

• Raciocínio indutivo - faz uso da indução

• Raciocínio analógico - faz uso da analogia

A dedução parte do geral para o particular, organiza

o conhecimento que já temos, não chega a um

conhecimento novo.

Aristóteles a considerava o modelo de rigor lógico

e chamava o raciocínio dedutivo de silogismo.

O silogismo ou dedução organiza o pensamento da

seguinte maneira:

1. Parte de uma preposição geral. Ex.: “Todo metal é dilatado pelo calor. A prata é um metal”.

2.22.22.22.22.2 ––––– Ética e Valores

De onde parte o valor?

A vida, a existência do ser do homem, como um

ente em permanente estado de carência, privação ou vacuidade.

2. Conclui outra preposição geral ou particular que se apresenta como necessária, derivada das premissas. Ex.: “Logo, a prata é dilatada pelo calor”.

A indução, ao contrário da dedução, parte do

particular, da experiência sensível para o geral. Ex.: A prata, o ouro, o ferro, o zinco, são dilatados pelo calor Logo, todo metal é dilatado pelo calor.

É importante que muitos casos sejam observados para

que depois se chegue às conclusões. Esse tipo de raciocínio pode ser invalidado se aparecer um caso que segue a conclusão anterior, mas, mesmo assim, é um tipo de raciocínio muito importante, porque possibilita

o avanço da ciência através das descobertas.

A analogia procura semelhanças entre casos

particulares e as conclusões.

Através dela não se chega ao geral, mas a outra conclusão particular.

Na nossa vida particular raciocinamos muito por analogia; é uma forma mais rápida para se chegar à conclusão e, por isso mesmo, é preciso sempre formularmos nossos pensamentos, pois eles são passíveis de erros freqüentes por causa desse tipo de raciocínio.

O raciocínio analógico não oferece certeza, mas apenas

uma dose de probabilidade, embora através dele já tenhamos chegado a grandes descobertas; por exemplo:

Gutemberg inventou a imprensa a partir da observação das impressões de pés sujos de suco de uva no chão e Fleming inventou a penicilina ao ver que bactérias cultivadas em laboratório morriam em contato com o bolor que se formava por acaso, concluindo, analogicamente, que as bactérias que causavam doenças no corpo humano também poderiam ser destruídas por bolor.

O homem constrói o seu conhecimento de vários

modos; cada conhecimento depende de um tipo de raciocínio e chega a um tipo de verdade específica.

• Valor

O que caracteriza a pessoa é o fato de ela ser um ente

que valora.

O homem é o único Ser que faz sua vida desenrolar- se, essencialmente, no mundo da cultura, o qual é, em última análise, o próprio mundo dos valores.

Atribuir um valor a alguma coisa é não ficar indiferente a ela. Portanto, a não-indiferença é a principal característica do valor.

Axiologia

- Do grego axios: digno de ser estimado, e logos:

ciência, teoria. Designa a filosofia dos valores.

Deontologia

- É a ciência do que é justo e conveniente que o homem faça, do valor a que visa e do dever ou norma que dirige o comportamento humano. Portanto, a Deontologia coincide com a ciência da moralidade ou com a ética da ação humana. “Esse termo foi criado por Bentham em 1834 para designar sua moral utilitarista, mas que passou a significar, posteriormente, o código moral das regras e procedimentos próprios a determinada categoria profissional” (JAPIASSU e MARCONDES, 1995: 67).

• Origem e procedência do Valor:

- Mitológico – Lenda grega , de Zeus e Prometeu.

Quando este roubou uma centelha do fogo sagrado e deu aos homens, que assim foram dotados de inteligência, Zeus enviou Hermes e este distribuiu duas qualidades aos homens: respeito e justiça. Os critérios, ou os princípios éticos, para a fundamentação de uma moralidade social.

- Antigo – Sócrates = valor justiça. (princípio ético,

de que é preferível ser injustiçado, do que se cometer uma injustiça; e no caso de se cometer uma injustiça, devia-se assumir a responsabilidade pôr este ato);

Platão = ele apresenta o bem, como idéia, e não como valor, ou seja, o bem, como uma idéia que o homem pode alcançar ou conhecê-lo pela razão. O conhecimento da verdade levava à virtude, ou a ignorância da verdade levava ao erro.

-Medieval – O valor vai continuar, ainda que implicitamente, associado à idéia de Deus, na qual todos os outros valores se encontram ou se amarram, como dentro de todos os demais, a verdade, a beleza, etc.

- Moderno – O bem passa a ser o valor, e não mais uma idéia, pois esta começou a ser relacionada com a instância ou com a teoria do conhecimento do Ser e do próprio valor.

•Corte de paradigma I. Kant ( 1724 –

1804)

Separa a moral da religião e gera uma cosmovisão antropocêntrica.

Kant – Crítica da Razão Prática.

O homem é um ser determinado, dominado, de maneira imperativa e categórica, por uma lei, que é a lei moral, inexplicável pela Física ou pela Matemática.

Gira em torno dos postulados da imortalidade, da liberdade e da existência de Deus.

Kant concorda com Pascal e Rousseau quando afirma que acima da lógica da mente está o sentimento do coração; o primeiro sentenciou que o coração tem

razões que a razão nunca poderá compreender, ou que

a própria razão desconhece.

Para eles, se o homem é um ser moral, a ação do homem no mundo é que vai criar uma espécie de “sobremundo”, como sendo uma outra realidade. Por esse motivo, o homem não vive inserido no mundo da natureza e sim nesse outro mundo ou “sobremundo”, que é criado a partir da ação do próprio homem, que é, em última análise, o mundo da cultura.

Esse outro mundo, o da cultura, criado a partir do fazer, ou da ação, ou ainda do agir do homem, vai resultar desse aspecto da moralidade do próprio homem. São exatamente os valores, corres-pondentes

às carências humanas que vão manifestar-se na cultura

humana, isto é, no modo pelo qual o homem enfrenta os obstáculos que a natureza lhe impõe.

Portanto, a natureza oferece, ou impõe ao homem, uma série de obstáculos, ou problemas, e o homem vai

tentar resolvê-los; e ao fazer isso, passa a transformar

o mundo da natureza num mundo humanizado.

Obrigatoriedade Moral

- O comportamento moral é um comportamento obrigatório e devido;

- A obrigatoriedade moral inclui a liberdade de escolha

e de ação do sujeito, e este deve aceitar como fundamentada e justificada a mesma obrigatoriedade.

• Necessidade, Coação e Obrigatoriedade

- O comportamento moral como um comportamento livre e obrigatório;

- Não há comportamento moral sem certa liberdade,

25

26

mas concilia-se essa liberdade com a necessidade, em

vez de excluí-la;

- Um comportamento que não pode ser de outra

forma, isto é, não há opção, não tem um verdadeiro

sentido moral;

- Não é obrigatoriedade moral, porque existe esse

“ver-se obrigado”, isto é, fica determinado num sentido no qual não há opção;

- O sujeito pode ficar livre da obrigação moral, quando circunstâncias externas exercem uma influência tão decisiva – como uma coação externa –, que não deixa possibilidade nenhuma de o sujeito agir de acordo com a sua obrigação moral;

- Impondo ao agente uma forma de comportamento

não querida ou não escolhida livremente, a coação externa entra em conflito com a obrigação moral e acaba por substituí-la;

- A obrigatoriedade moral perde também a sua razão de ser quando o agente opera sob uma coação interna, ou seja, sob a ação de um impulso, desejo ou paixão irresistível que forçam ou anulam por completo a sua vontade.

• Obrigação Moral e Liberdade

- Nem toda liberdade de escolha possui uma

significação moral e traz consigo, por si só, uma obrigatoriedade moral;

- Só existe obrigação moral, a partir do momento em

que existe uma promessa que possa ser cumprida, pois temos a possibilidade de escolher entre uma e outra alternativa;

- Limitando minha escolha, sou eu quem escolhe

limitá-la e com isso afirmo a liberdade indispensável para que se possa imputar-se uma obrigação moral. Se esta limitação viesse de fora (coação externa) não haveria obrigação moral;

- Sou eu quem escolho, ainda que por dever, isto é,

2.32.32.32.32.3 ––––– Estética

“Etimologicamente, a palavra estática vem do grego aisthesis, com o significado de ‘faculdade de sentir’, ‘compreensão pelos sentidos’, ‘percepção totalizante’” (ARANHA, 1993: 341).

Em sua atuação, o homem é capaz de, pelo conhecimento, escolher, atribuir valores. Esses elementos cognitivos e valorativos podem ser

como sujeito moral.

• Caráter Social da Obrigação Moral

- A obrigação moral possui um caráter social;

- Somente pode haver obrigação para um indivíduo

quando as suas decisões e os seus atos afetam os outros ou a sociedade;

- A obrigatoriedade moral tem um caráter social,

porque se a norma deve ser aceita intimamente pelo indivíduo e este deve agir de acordo com a sua livre escolha ou a sua consciência do dever, a decisão pessoal não será operada num vácuo social. O obrigatório e o não-obrigatório não são algo que ele inventa, mas que encontra estabelecido numa sociedade determinada;

- O indivíduo certamente opera de acordo com o

ditame de sua consciência moral, mas esta por sua vez, dita somente aquilo que concorda com os princípios, valores e normas de uma moral efetiva e vigente.

• A Consciência Moral

- O termo “consciência” pode ser usado em dois

sentidos: um geral, o de consciência propriamente dita, e outro específico, o de consciência moral. Ex.:

“Pedro perdeu a consciência.”, “a minha consciência me diz”.

- A consciência moral somente pode existir sobre a base da consciência no sentido e como uma forma específica desta;

- O conceito de consciência está estritamente relacionado com o de obrigatoriedade;

- É a consciência moral que, neste caso, informando-

se da situação e com a ajuda das normas estabelecidas, que se interiorizam às nossas, toma as decisões.

integrados à noção de “ver como”, que possui, ainda, um “caráter emocional”.

Há uma ligação lógica entre o sentimento, a emoção e a percepção do objeto. O conteúdo emotivo, presente em qualquer operação estética, é muito mais profundo na criação artística.

O conhecimento e o sentido da qualidade são

características exclusivamente humanas que fundamentam a estética, a arte. A arte “funciona” como “objeto” na apreciação da criação artística e esse peculiar objeto, que é a obra artística, proporciona emoções raras, variadas, e tão bem constituídas que controlam as maneiras de ver e de sentir com uma precisão extraordinária (Hepburn, Rw, citado por Pérez Alonso – Geta, M. in Masota, 1989: 183).

A arte humaniza o homem. A arte e o homem são indissociáveis, porque ao conhecer e atuar buscando a qualidade, o ato de “criar” é próprio do homem. A realidade estética é uma função essencialmente humana, é algo que experimenta, desenvolve e cria o homem no tempo.

A estética necessita da confirmação e da relação de duas dimensões, a objetiva (existência externa do objeto), sobre a qual se exerce a atividade reflexiva, e a subjetiva, tanto na dimensão individual como na social. Na estética conclui-se uma série de questões

da sensibilidade e do sentimento estético do domínio

cutural próprio à arte (De la Calle, R, citado por Perez Alonso – Geta, M. in Masota, 1989: 185).

Para De la Calle, a estética se insere, como atividade, em três planos distintos:

• Plano antropológico, da vivência estética como tal,

que introduz no campo da experiência, que, segundo Dewey, deve ser intensa, ativa, plena e clarificadora, um processo em que a forma e o conteúdo, o momento

instrumental e o final se fundem e não se dissociam.

Nesse plano de vivência, o homem se desenvolve como autor, como elemento “poético” da atividade criadora, e como sujeito receptor na atividade contempladora. A “vertente interna” – vivencial – do estético se prolonga e potencia, por sua vez, na vertente externa, do âmbito dos objetos artísticos:

• Plano cultural – do campo feito artístico, como

fenômeno sociocultural. A arte está enraizada na vida do homem, que muda com a diversidade e a rapidez dos seus costumes, segundo o meio e o momento; reflete o mundo do homem. De fato, quando o homem de determinado tempo e lugar cria sua arte, ele a faz de acordo com sua concepção de mundo, suas condições de existência, suas aspirações vitais;

• Plano ontológico – da beleza, em todo alcance da

dimensão estética. É a problemática da beleza, presente na pergunta platônica-socrática a respeito do “belo” e que abre um capítulo fundamental no pensamento estético.

Esses três planos da realidade estética devem estar estreitamente vinculados à educação estética. Do

ponto de vista antropológico, a educação estética deve propiciar um maior conhecimento, uma imagem mais qualificada da vida e do mundo, uma vez que se garanta a busca constante da qualidade, da beleza, que transforma o vital, o material e o social em estético. Deve, ainda, educar as emoções. Essas, adequadas ou não, justificadas ou absurdas, são educáveis; expressam algo, têm geralmente um objeto.

As emoções têm um componente cognitivo. De fato, elas implicam “valorações”, provocadas por estímulo, que constituem um tipo de cognição.

O sistema cognitivo do sujeito que possui princípios

funcionais invariantes se vê modulado pelo contexto sociocultural em que se desenvolve a experiência do indivíduo: o planeta em que vivemos, como realidade, não é o mesmo “mundo” para todos os povos. O mesmo elemento água, por exemplo, pode ser visto diferentemente de uma para outra cultura. Tem-se visões de mundo diferenciadas, incluindo finalidades

da vida e dos fatores cosmológicos, das instituições

e relações sociais, das artes e da tecnologia. Os

conteúdos representativos sofrem um efeito cultural.

Conseqüentemente, sentimentos e emoções também se vêem alteráveis pelo meio sociocultural, onde, dependendo, podem ser reprimidos ou potencializados diante de um mesmo fato.

• Uma educação das emoções deve, segundo Peters

(citado por Pérez Alonso-Geita, M. in Masota, 1989:

185):

• Potencilizar a capacidade de objetividade, com uma consideração realista do meio;

• Controlar, canalizar e superar a passividade;

• Liberar o sujeito de falsas admirações e crenças, que o impedem de estabelecer valorizações

adequadas;

• Levar à expressão canalizada dos sentimentos e emoções.

A educação estética, como educação da

sensibilidade, dos sentimentos e das emoções, deve

englobar:

• A atividade de observação e percepção sensorial, que permite ao sujeito assumir seu conhecimento conceitual, sua concepção realista do meio.

A educação da sensibilidade, de fato, se apresenta

como um meio de desenvolver as operações cognitivas

e intelectivas do indivíduo e supõe aumentar a

capacidade de reconhecimento e discriminação de formas, sons, cores.

27

28

Além disso, a obra de arte pode provocar novas

emoções, evocando uma nova maneira de ver, que é logicamente inseparável de uma nova maneira de sentir. Amplia a experiência e aumenta o campo perceptivo, pela introdução de uma grande variedade de possíveis formas alternativas de sentir.

A educação estética deve propiciar, finalmente, uma

atitude viva e exploratória na atividade de “sentir” uma obra de arte.

• A atividade de apreciação e atribuição de valores, que se fundamenta na possibilidade humana de buscar a “qualidade”, é a resposta qualificada à atividade de observação e percepção. Pode-se desenvolvê-la pelo ensino de cânones estéticos fundamentados na beleza, porém é tão relativa do ponto de vista psicológico, como é a expressão;

• A atividade de auto-expressão e criação realiza a necessidade humana inata de comunicar sentimentos e emoções.

As duas atividades anteriores, assim como sua disposição em formas, levam à expressão dos sentimentos e emoções. Nesse sentido, a educação estética é um processo final dependente dessas atividades, que culmina com a comunicação do

2.42.42.42.42.4 ––––– Filosofia Política

“Etimologicamente, pólis, em grego, significa ‘cidade’. A política é, portanto, a arte de governar, de gerir os destinos da cidade” (ARANHA e MARTINS, 1993: 138).

O político é aquele que atua na vida pública, com poder

para orientar a sociedade para determinado rumo, de acordo com o bem comum.

Todo homem é político porque a política está na base de todas nas ações humanas, o tempo todo, mesmo as ações comuns do dia-a-dia, na família, no trabalho e no lazer.

“A ação política não é exclusividade de alguns seres especiais. Cada indivíduo, como cidadão (filho da cidade), deveria ter espaços de participação efetiva que em absoluto não se restringem apenas ao exercício do voto” (Ibidem: 138).

A participação na sociedade é um ato político, todos

nós temos uma dimensão política que precisa ser

atuante.

A política é a atividade humana que se preocupa com a

coisa pública, inferindo na vida de todos, mesmo sem o consentimento destes.

sentimento, canalizado em uma forma particular de expressão.

A “forma” de beleza de uma obra de arte, ainda que possa ser analisada intelectualmente, é, em sua origem, intuitiva. Esses elementos formais – permanentes na arte – são os que estabelecem contato com a sensibilidade estética. Uma mesma forma pode ter diferentes valores expressivos, segundo quem a perceba, o tempo e a cultura.

Toda arte é o desenvolvimento de suas relações formais, embora nem sempre captemos seus valores expressivos. Sempre presente na história, a arte define a imagem do homem e da sociedade.

A

arte é o produto da sensibilização, da imaginação

e

da inspiração do artista e sua finalidade é a

contemplação, que, pela visão do artista, é a busca

do belo (e não do útil, nem do agradável ou prazeroso) e, pela visão do público, a avaliação ou o julgamento do valor de beleza atingido pela obra (CHAUÍ, 1995: 321).

“Merleau-Ponty dizia que arte é advento – um vir a ser do que nunca antes existiu – como promessa infinita de acontecimentos – as obras dos artistas” (Ibidem: 321).

Quando pensamos nos problemas de educação, saúde, abastecimento, transporte, segurança, crianças de rua, favelização, desemprego, etc., podemos constatar que a política está por trás de todos eles. Como? Através das leis que são feitas pelos representantes do povo é que esses assuntos são administrados e priorizados.

Por isso, ninguém pode se considerar apolítico, nem neutro, porque desta maneira estará sendo conivente com a política vigente.

“O homem despolitizado compreende mal o mundo em que vive e é facilmente manobrado por aqueles que detêm o poder” (Ibidem: 139).

A compreensão do mundo é feita através da reflexão

filosófica e a partir daí o homem age conscientemente,

fazendo suas opções políticas.

A filosofia política é a expressão do mundo em que

vivemos; ela traz um convite à ação e uma interpretação

da realidade, que justifica suas ações:

• Para manter e justificar o status quo;

• Ou para levar à transformação da sociedade, seja pela utopia, pela reforma ou pela revolução.

É importante estudar a evolução da filosofia política para entendermos o estágio em que estamos no presente.

Desde as justificativas para o poder despótico até a evolução do estado como único representante supremo do poder e do uso legítimo da força, passando pelas teorias contratualistas nos séculos XVII e XVIII, são discutidas a origem e a legitimidade do poder, deslocando a soberania do Executivo para o Legislativo, para valorizar o poder que os cidadãos depositam em seus representantes.

A democracia que se baseia no poder do povo, o

liberalismo que defende a não-intervenção do estado em áreas que antes eram de sua competência e o socialismo que se funda na centralização excessiva do poder estatal estão permeando as leis e as ações dos governantes, cabendo ao cidadão maior participação política que poderá construir a sociedade sem privilégios que todos desejamos.

A filosofia política auxilía-nos a refletir sobre a

importância da participação de todos na construção das melhorias do setor público, corrigindo os

problemas que afetam a todos.

2.52.52.52.52.5 Antropologia Filosófica

A civilização do conhecimento, da ciência e da tecnologia agoniza, pede socorro diante do cenário de violência e barbárie que se instala nos corações dos homens. Esse é o grande paradoxo. Esses mesmos homens capazes de desenvolvimento científico e tecnológico surpreendentes, mergulhados no individualismo exacerbado, caminham cegamente para

a morte.

Acreditando-se superior aos demais seres do planeta, devido a sua capacidade de raciocínio, o homem transforma, deforma, constrói, destrói, impregnando marcas no mundo que acredita comandar. No entanto, esse ser que, levado pela racionalidade tecnicista,

esquece que é parte integrante da natureza e não o seu dono. Vê-se diante de um mundo destituído dos valores éticos que sustentam o humano. Levado pela ambição

e poder desmedidos, o homem ignora os sinais de alerta que a natureza – planeta Gaia – vem proporcionando como “respostas” aos seus desmandos e irres- ponsabilidades. Filósofos e estudiosos como Morin, Bergson e outros protagonistas da transição dos séculos XX e XXI têm buscado na literatura dos grandes clássicos os embasamentos para suas teorias, clamando pela urgência, pela complexidade, pela interdependência homem/ natureza/ciência/vida, num grito ao mesmo tempo de denúncia e de esperança.

• Teorias que fundamentam as concepções de homem

Teorias Dualistas

IDEALISMO

“No sentido gnosiológico (ou epistemológico) o termo foi empregado pela primeira vez por Wolf: ‘Denominam- se idealistas, diz ele, aqueles que admitem que os corpos têm somente uma existência ideal, em nossos ânimos, e por isso negam a existência real dos próprios corpos e do mundo” (Psychol. Rationalis, p: 36, In:ABBAGNAMO,

1970:498).

PLATÔNICO – PLATÃO (428-347 A.C)

“A doutrina das idéias, segundo a qual são objetos do conhecimento científico entidades ou valores que têm um status diverso do das coisas naturais e caracterizado pela unidade e pela imutabilidade. Com base nessa doutrina, o conhecimento sensível, que tem por objeto as coisas na sua multiplicidade e mutabilidade, não tem o mínimo valor de verdade e pode somente obstacular a aquisição do conhecimento autêntico” (Ibidem: 734 ).

“O verdadeiro conhecimento, a episteme (ciência), é

aquele pelo qual a razão ultrapassa o mundo sensível

e atinge o mundo das idéias, lugar das essências

imutáveis de todas as coisas, dos verdadeiros modelos

(arquétipos)” (ARANHA, 1993: 136).

AGOSTINIANO – SANTOAGOSTINHO (354-430)

Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona. Em sua obra “A Cidade de Deus”, o filósofo afirma a coexistência dos dois planos de existência: “a Cidade de Deus” e a “Cidade Terrestre”. “Para Santo Agostinho, a relação entre as duas dimensões é de ligação e não de oposição, mas a repercussão do seu pensamento, à revelia do autor, desemboca na doutrina chamada Agostinismo político, que marca toda a Idade

Média e significa o confronto entre o poder do Estado

e o da Igreja, considerando a superioridade do poder espiritual sobre o temporal” (ARANHA, 1993: 200).

CARTESIANO – DESCARTES (1596-1650)

“O ponto de partida é a busca de uma verdade primeira

que não possa ser posta em dúvida. Por isso, converte a dúvida em método. Começa duvidando de tudo, das afirmações do senso comum, dos argumentos da autoridade, do testemunho dos sentidos, das informações da consciência, das verdades deduzidas pelo raciocínio, da realidade do mundo exterior e da

realidade do seu próprio corpo [

]. O racionalismo é

29

30

o sistema que consiste em limitar o homem ao âmbito

O racionalismo exclue a expe-

riência sensível, mas esta é apenas a ocasião do conhecimento e está sujeita a enganos. A verdadeira

ciência se perfaz no espírito” (ARANHA e MARTINS, 1993: 104).

da própria razão [

].

Uma das conseqüências do racionalismo cartesiano “é o dualismo psicofísico (ou a dicotomia corpo- consciência), segundo o qual o homem é um ser duplo, composto de uma substância pensante e uma substância extensa” (ARANHA, 1993: 105).

REALISMO

“A palavra começou a ser usada por volta do fim do século XV para indicar a orientação mais antiga da Escolástica em oposição à orientação chamada

] No

sentido mais geral e moderno, o Realismo tem sido qualificado e definido das maneiras mais diferentes:

e quase sempre, as doutrinas que o adotaram como

lema qualificaram também como realistas as doutrinas do passado que coincidiam com seus pontos de vista”

(ABBAGNAMO, 1970: 802).

‘moderna’ dos nominalistas ou terminalistas.[

“Concepção filosófica segundo a qual existe uma realidade exterior, determinada, autônoma, independente do conhecimento que se pode ter sobre ela. O conhecimento verdadeiro, na perspectiva realista, seria então a coincidência ou correspondência entre nossos juízos e essa realidade” (JAPIASSU e MARCONDES, 1995: 210).

ARISTOTÉLICO – ARISTÓTELES (384-322 A.C.)

“Afirma que é possível conhecer o que é o real concreto e mutável por meio das definições e conceitos que permanecem inalterados. Basta que para isso seja estabelecido previamente o que importa ser conhecido acerca do ser, distinguindo-o daquilo que pode ser deixado de lado por ser meramente ocasional, factual ou acidental” (REZENDE, 1998: 58).

“Para Aristóteles, a filosofia implica o abandono do senso comum e o despertar da consciência crítica que tem uma função libertadora para o homem. O abandono do senso comum se dá em virtude do espanto (pathos), e este é a origem do filosofar” (Ibidem: 60).

MARXISMO - KARL MARX (1818-1883)

“Marx e Engels formularam seu pensamento a partir

da realidade social por eles observadas: de um lado,

o avanço técnico, o aumento do poder do homem

sobre a natureza, o enriquecimento e o progresso; de

outro, e contrariamente, a escravidão crescente da classe operária, cada vez mais empobrecida. Para a elaboração de sua doutrina, partiram da leitura dos economistas ingleses (Adam Smith e David Ricardo), da filosofia de Hegel (o conceito de dialética e uma nova concepção de história) e dos filósofos do socialismo utópico. A teoria marxista compõe-se de uma teoria científica, o materialismo histórico, e de uma filosofia, o materialismo dialético. O materialismo dialético parte da consideração de que os fenômenos materiais são processos. O mundo não é uma realidade estática, não é um relógio, um mecanismo regulado pelo ‘divino relojoeiro’, mas é uma realidade dinâmica, é um complexo de processos. Por isso, a abordagem da realidade só pode ser feita de maneira dialética, que considera as coisas na sua dependência recíproca, e não linear” (ARANHA e MARTINS, 1993:

240).

Teorias Unicistas

VISÃO UNICISTA

A visão unicista parte da conceituação centrada na

totalidade – ou Cosmos –, constitui nitidamente o embrião de uma nova abordagem de ciência. Para tanto, ela fundamenta-se, de um lado, na crítica e no estudo sistemático dos conceitos de ciência que a antecederam, de outro, no retorno às tradições espirituais como requisito necessário à aquisição de uma abordagem holística do real.

O extremo sentimento de mal-estar que muitas

pessoas sentem diante dos complexos e trágicos problemas da atualidade tem levado à busca de um diálogo entre os vários núcleos do saber e da atividade humana. Por exemplo, temos a ONU e a Unesco como grandes organizações internacionais que buscam uma maneira conjunta de solucionar muitos dos atuais problemas humanos, sem falar nos movimentos de encontros interdisciplinares e a busca pela ação cooperativa em todos os âmbitos, a medicina psicossomática e homeopática e a abordagem holística em psicoterapia, etc. É a essa busca, de uma visão de conjunto, uma visão do TODO – que possui características próprias independentes das características de suas partes constituintes, como o todo humano possui características próprias dos seus órgãos e tecidos –, que se dá o nome de holismo.

FENOMENOLOGIA – EDMUND HUSSERL (1859-

1938)

“A fenomenologia é o método e a filosofia fornece os conceitos básicos para a reflexão existencialista

O postulado básico da fenomenologia é a noção

]. [

de intencionalidade, pela qual se considera que toda

consciência é intencional, tende para algo fora de si” (ARANHA, 1993: 304).

“A fenomenologia propõe a superação da dicotomia, afirmando que toda consciência é intencional. Isso significa que não há pura consciência, separada do mundo, mas toda consciência tende para o mundo. Da mesma forma, não há objeto em si, independente de uma consciência que o perceba. Portanto, o objeto é um fenômeno, ou seja, etimologicamente, ‘algo que aparece’ para uma consciência” (ARANHA e MARTINS, 1993: 123).

Existencialismo –Sartre (1905-1980) – Heidegger (1889-1976)

Exercícios de Auto-Avaliação

“Segundo o existencialismo, a noção de engajamento significa a necessidade de um determinado pensador estar voltado para a análise da situação concreta em que vive, tornando-se solidário nos acontecimentos sociais e políticos de seu tempo.

Pelo engajamento, a liberdade deixa de ser apenas imaginária e passa a estar situada e comprometida na ação.

O existencialismo é uma moral da ação, porque considera que a única coisa que define o homem é o seu ato. Ato livre por excelência, mesmo que o homem sempre esteja situado num determinado tempo ou lugar. Não importa o que as circunstâncias fazem do homem, ‘mas o que ele faz do que fizeram dele’”(Ibidem: 305-

306).

31

1) Explique com suas palavras: “ A civilização científico-técnica confrontou todos os povos, nações, culturas

com suas tradições morais, culturais e grupais, com suas respectivas especificidades. Pela primeira vez na história da humanidade, os homens estão diante da tarefa prática de assumir a responsabilidade solidária pelas conseqüências de suas ações, seguindo parâmetros de dimensões planetárias” (K. Apel) – faça e entregue ao seu tutor.

2) Explique com suas palavras. “Nós vos pedimos com insistência: nunca digam – Isso é natural! Diante dos

acontecimentos de cada dia. Numa época em que reina a confusão, em que corre o sangue, em que o arbitrário

Não digam nunca: - Isso é natural! A fim de que nada

possa ser imutável!”(Berthold Brecht) – faça e entregue ao seu tutor.

tem força de lei, em que a humanidade se desumaniza

3) Responda às questões abaixo. Faça-as e entregue-as ao seu tutor:

a) Você concorda com a tese de que o único conhecimento válido é aquele baseado em fatos observáveis?

Justifique.

b) Como Platão via a dicotomia ou a duplicidade ‘deste mundo’ e ‘do outro’? Justifique.

Atividades Complementares

Leia o livro de Leonardo Boff, intitulado Ecologia, Mundialização Espiritualidade; faça um fichamento das idéias principais da Primeira Parte do livro e depois uma análise dessas idéias e envie ao seu tutor.

32

UNIDADE III

32 UNIDADE III AAAAA FILOSOFIAFILOSOFIAFILOSOFIAFILOSOFIAFILOSOFIA
32 UNIDADE III AAAAA FILOSOFIAFILOSOFIAFILOSOFIAFILOSOFIAFILOSOFIA

AAAAA FILOSOFIAFILOSOFIAFILOSOFIAFILOSOFIAFILOSOFIA CONTEMPORÂNEACONTEMPORÂNEACONTEMPORÂNEACONTEMPORÂNEACONTEMPORÂNEA

Em geral, os grandes pensadores contemporâneos reagem decididamente contra o materialismo e o positivismo do século XIX. Os problemas ontológicos tomam o passo, na importância que lhes é dedicada, no estudo puramente crítico do conhecimento, tão preferido há decênios. Há, sobretudo, um grande esforço de pôr a Filosofia mais em contato com a realidade integral do homem, da ação e da vida. Procura-se enriquecer o puro pensamento abstrato e deduzido com os tesouros da intuição e da experiência vital.

Isso vem acontecendo desde os meados do século

XIX até os nossos dias. O século XIX é, na Filosofia,

o grande século da descoberta da história ou da historicidade do homem, da sociedade, das ciências e das artes.

No entanto, no século XX, a Filosofia passou a desconfiar do otimismo científico-tecnológico

3.13.13.13.13.1 – Positivismo

August Comte (1798-1857). O termo positivismo foi adotado por Comte para designar toda diretriz filosófica marcada pelo culto da ciência e pela sacralização do método científico.

O positivismo expressa um tom geral de confiança nos benefícios da industrialização, bem como um otimismo em relação ao progresso capitalista, guiado pela técnica e pela ciência. Manifestando-se de modo variado em diversos países ocidentais, a partir da segunda metade do século XIX, o positivismo reflete, no plano filosófico, o entusiasmo burguês

pelo progresso capitalista e pelo desenvolvimento

técnico-industrial.

Embora muito criticado no plano teórico, é uma doutrina extremamente influente no plano prático. Ainda hoje continua bem viva e atuante em nossa sociedade.

O positivismo admite, como fonte única de conhecimento e critério de verdade, a experiência, os fatos positivos, os dados sensíveis. Nenhuma metafísica, portanto, como interpretação, justificação transcendente ou imanente da experiência. A Filosofia é reduzida à metodologia e à sistematização das ciências. A lei única e suprema, que domina o mundo concebido positivamente, é a

do

acontecimentos.

século

anterior,

em

virtude

de

vários

Uma escola alemã de Filosofia, a Escola de Frankfurt, elaborou uma concepção conhecida como Teoria Crítica, na qual distingue duas formas da razão:

Razão instrumental

A razão técnico-científica, que faz das ciências e das

técnicas não um meio de liberação dos seres humanos, mas um meio de intimidação, medo, terror e desespero.

Razão crítica

A razão crítica é aquela que analisa e interpreta os

limites e os perigos do pensamento instrumental e afirma que as mudanças sociais, políticas e culturais só se realizarão verdadeiramente se tiverem como finalidade a emancipação do gênero humano e não as idéias de controle e domínio técnico-científicos sobre a Natureza, a sociedade e a cultura.

evolução necessária de uma indefectível energia naturalista, como resulta das ciências naturais.

Surgiu como desenvolvimento filosófico do Iluminismo, a que se associou a afirmação social das ciências experimentais. Propõe à existência humana, valores completamente humanos, afastando radicalmente teologia ou metafísica. Assim, o Positivismo – em sua versão comtiana, pelo menos – associa uma interpretação das ciências e uma classificação do conhecimento a uma ética humana, desenvolvida na segunda fase da carreira de Comte.

Um dos temas centrais da obra filosófica de Comte é a necessidade de uma organização completa da sociedade. Nessa tarefa, ele próprio pretendeu desempenhar o papel de um reformador universal encarregado de instituir a

essa

reconstrução da sociedade consistia, para Comte, na regeneração das opiniões (idéias) e dos costumes (ações) dos homens. Tratava-se, portanto, de uma reestruturação intelectual das pessoas e não de uma revolução das instituições sociais, como propunham filósofos socialistas de sua época, como Saint-Simon, Fourier e Proudhon.

ordem

de

maneira

soberana.

Mas

Na obra de Comte destacam-se três partes fundamentais: a lei dos três estados, a classificação das ciências e a reforma intelectual da sociedade.

A Lei dos Três Estados:

33

 

Estágio do Conhecimento Humano

Princípio de Produção dos Fenômenos (motor da história)

Instância determinante na formulação das teorias

Teológico

   

Monoteísmo (um único Deus, é

Deus único

o

senhor da universo)

Politeísmo (vários deuses atuam

Diversos deuses

na natureza) Fetichismo (o espírito é compartilhado tanto pelo homem como pelos demais seres - animismo)

Diversos objetos

Imaginação de agentes sobrenaturais

(personificação)

 

Entes ontológicos, abstratos

Imaginação de entidades abstratas e absolutas mais razão (argumentos)

Metafísico

(natureza - o mais íntimo dos seres)

Positivo

   

Sociologia, Biologia, Química,

Leis universais

Observação dos fatos concretos, mais razão

Física e Astronomia

Fonte: COTRIM, Gilberto. Fundamentos da filosofia, 13 ed. São Paulo: Saraiva, 1997.

3.23.23.23.23.2 ––––– Marxismo

Karl Marx (1818-1883) e Friedrich Engels

(1820-1895)

Materialismo Dialético – 0 método. Insiste na necessidade de considerarmos a realidade socio- econômica de determinada época como um todo articulado, atravessado por contradições específicas, entre as quais a luta de classe.

Materialismo Histórico – a aplicação dos princípios do materialismo dialético no campo da história. É a explicação da história por fatores materiais, ou seja, econômicos e técnicos.

“Para Marx, a sociedade se estrutura em dois níveis:

Infra-estrutura (base econômica) – engloba as relações do homem com a natureza, no esforço de produzir a própria existência, e as relações dos homens entre si. Ou seja, as relações entre os proprietários e não-proprietários e os não- proprietários e os meios e os objetos do trabalho.

Superestrutura político-ideológica:

Estrutura jurídico-política – representada pelo Estado e pelo direito: segundo Marx, a relação de exploração de classe no nível econômico repercute

na relação de dominação política, estando o Estado a serviço da classe dominante.

Estrutura ideológica – referente às formas da consciência social, tais como a religião, as leis, a educação, a literatura, a filosofia, a ciência, a arte, etc. Também nesse caso ocorre a sujeição ideológica da classe dominada, cuja cultura e modo de vida reflete as idéias e os valores da classe dominante.

Marx chama de práxis a ação humana de transformar

a realidade. Nesse sentido, o conceito de práxis não

se identifica propriamente com a prática, mas significa

a união dialética da teoria e da prática. Isto é, ao mesmo tempo que a consciência é determinada pelo modo como os homens produzem a sua existência, também a ação humana é projetada, refletida, consciente.

Por isso a filosofia marxista é também conhecida como filosofia da práxis.

Para Karl Marx, o que fundamentalmente caracteriza

o homem é a forma pela qual reproduz suas condições

de existência. Marx inverte o processo do senso comum que pretende explicar a história pela ação dos “grandes homens”, ou, às vezes, até pela intervenção divina. Para o marxismo, no lugar das idéias, estão os fatos materiais; no lugar dos heróis, a luta de classes.

34

Modo de produção - maneira pela qual as forças

produtivas se organizam em determinadas relações de produção, num dado momento histórico.

Relações de produção e força produtiva - revelam a maneira pela qual os homens, com as condições naturais, usam técnicas e se organizam por meio da divisão do trabalho social. As relações de produção correspondem a um certo estágio das forças produtivas, que consistem no conjunto formado pelo clima, água, solo, matérias-primas, máquinas, mão-de- obra e instrumentos de trabalho.

• Modo de Produção Patriarcal - surge quando o

o burguês, que é o detentor do capital, e o proletário, que nada possui e só vive porque vende sua força de trabalho.

nada possui e só vive porque vende sua força de trabalho. Mais-Valia - o valor que

Mais-Valia - o valor que o operário cria além do valor de sua força de trabalho, e que é apropriado pelo capitalista. A parte do trabalho excedente não é paga ao operário, e serve para aumentar cada vez mais o

capital. Esse intercâmbio entre o capital e o trabalho é

homem inicia a domesticação de animais, desenvolve

o

que serve de base à produção capitalista, ou ao

a

agricultura graças ao uso dos instrumentos de metal

sistema do salariado, e tem de conduzir, sem cessar, à

e

fabrica vasilhas de barro, o que possibilita fazer

reservas. Alteram-se as relações de produção e o modo de produção: aparece uma forma específica de propriedade (propriedade da família); diferenciam-se funções de classe (autoridade do patriarca); há

alteração do direito hereditário, estabelecendo-se a filiação paterna (sociedades primitivas).

constante reprodução do operário como operário e do capitalista como capitalista.

Alienação - com a descrição da mais-valia, Marx configura o caráter de exploração do sistema capitalista. De imediato o operário não é capaz de reverter o quadro porque se encontra alienado.

• Modo de Produção Escravista - é decorrente do

aumento da produção além do necessário à subsistência e exige o recurso de novas forças de trabalho, conseguidas geralmente entre prisioneiros

de guerra, transformados em escravos. Com isso, surge

a propriedade privada dos meios de produção, e a

primeira forma de exploração do homem pelo homem, com a conseqüente contradição entre os senhores e escravos. Dá-se então a separação entre o trabalho intelectual e trabalho manual. A ociosidade passa a

ser considerada a perfeição do homem livre, enquanto

o trabalho manual, considerado servil, é desprezado (Antigüidade Grega e Romana).

• Modo de Produção Feudal - a base econômica é a propriedade dos meios de produção pelo senhor

feudal. O servo trabalha um tempo para si e outro para

o senhor, o qual, além de se apropriar de uma parte da

produção daquele, ainda lhe cobra impostos pelo uso comum do moinho, do lugar, etc. A contradição dos interesses das duas classes leva a conflitos que farão aparecer, paulatinamente, uma nova figura: o burguês (sociedades feudais).

• Modo de Produção Capitalista - é a nova síntese

que surge das ruínas do sistema feudal, ou seja, da contradição entre a tese (senhor feudal) e a antítese (servo). O que vimos até agora é o movimento dialético pelo qual a história se faz tem um motor: a luta de classes (Capitalismo).

Luta de Classes - confronto entre duas antagônicas que lutam pelos interesses de suas classes. No modo de produção capitalista, a relação antitética se faz entre

Segundo Marx, a alienação tem origem na vida econômica: quando o operário vende no mercado a força de trabalho, o produto que resulta do seu esforço não mais lhe pertence e adquire existência independente dele. A perda do produto significa outras perdas para o operário: ele não mais projeta ou concebe aquilo que vai executar (dá-se a dicotomia concepção- execução do trabalho, a separação entre o pensar e o agir); com o aceleramento da produção, provocado pela crescente mecanização do trabalho (linha de montagem), o operário executa cada vez mais apenas uma parte do produto (trabalho parcelado ou trabalho “em migalhas”); o ritmo do trabalho é dado exteriormente e não obedece ao próprio ritmo natural do seu corpo.

O produto do trabalho do operário subtrai-se, portanto, à sua vontade, à sua consciência e ao seu controle, e o produtor não se reconhece no que produz.

O produto surge como um poder separado do produtor,

como realidade soberana e tirânica que o domina e ameaça. A esse processo Marx chama fetichismo da mercadoria.

Produz-se então a grande inversão em que a reificação do homem (res: “coisa”) é o contraponto do fetichismo da mercadoria. Quando a mercadoria se “anima”, se “humaniza”, obriga o homem a sucumbir às forças das leis do mercado, que o arrastam ao enfrentamento de crises, guerras e desemprego. A conseqüência é a desumanização do homem, sua reificação.

Ideologia - idéias, condutas e valores que permeiam a concepção de mundo de uma determinada sociedade e

que representam os interesses da classe dominante, ao serem generalizadas às classes dominadas, ajuda- se a manter a dominação.

A ideologia impede que o proletariado tenha consciência da própria submissão, porque camufla a luta de classes quando faz a representação ilusória da sociedade, mostrando-a como uma e harmônica. Mas ainda, a ideologia esconde que o Estado, longe de representar o bem comum, é a expressão dos interesses da classe dominante.

Estado e Sociedade - para Marx , o Estado não supera as contradições da sociedade civil, mas é o reflexo delas, e está aí para perpetuá-las. Por isso só aparentemente visa ao bem comum, estando de fato a serviço da classe dominante. Portanto, o Estado é um mal que deve ser extirpado.

Ao lutar contra o poder da burguesia, o proletariado deve destruir o poder estatal, o que não será feito por meio pacíficos, mas pela revolução. Marx não considera viável a passagem brusca da sociedade sem Estado, havendo a necessidade de um período de transição.

A classe operária, organizando-se num partido

revolucionário, deve destruir o Estado burguês e criar um novo Estado capaz de suprimir a propriedade privada dos meios de produção. A esse novo Estado dá-se o nome de ditadura do proletariado, uma vez que, segundo Marx, o fortalecimento contínuo da classe operária é indispensável enquanto a burguesia não tiver sido liquidada como classe no mundo inteiro.

3.33.33.33.33.3 – Existencialismo

O existencialismo é uma filosofia de protesto, seus

partidários não são muito preocupados com a metodologia e a exposição sistemática. Alguns filósofos, porém, entendem que a fenomenologia proporciona uma metodologia rigorosa para descrever a experiência de vida e que a hermenêutica proporciona um enfoque interpretativo à experiência individual.

Jean-Paul Sartre (1905 – 1980). De todos os filósofos existencialistas importantes, provavelmente o mais conhecido seja Jean-Paul-Sartre. Nascido na França, ele cresceu em uma casa onde foi incentivado a desenvolver suas qualidades intelectuais. Começou a escrever muito cedo, enfatizando o sofrimento da condição humana. Sartre desejava tornar-se professor de Filosofia. Completou sua educação na França, mudou-se para a Alemanha, mais tarde fixou-se em Paris, onde se tornou professor de Filosofia.

Perseguia suas ambições literárias, escrevendo diversos romances e peças que se tornaram best-sellers na Europa.

Utopia Comunista - a primeira fase de vigência da ditadura do proletariado corresponde ao socialismo, que supõe a existência do aparelho estatal, da burocracia, do aparelho repressivo e do aparelho jurídico. Nessa fase persiste a luta contra a antiga

classe dominante, a fim de evitar a contra-revolução.

O princípio do socialismo é: “de cada um, segundo

sua capacidade, a cada um, segundo seu trabalho”.

A segunda fase, chamada comunismo, tem como princípio: “de cada um, segundo sua capacidade, a cada um, segundo suas necessidades”. O comunismo se define pela supressão da luta de classes e, conseqüentemente, pelo desaparecimento do Estado.

A “anarquia feliz”, o desenvolvimento prodigioso

das forças produtivas levaria à “era da abundância”, à supressão da divisão do trabalho em tarefas subordinadas (materiais) e tarefas superiores (intelectuais), à ausência de contraste entre cidade e campo e entre indústria e agricultura.

Se a passagem para o comunismo significa o desaparecimento das classes, como fica a afirmação

de Marx, de que a luta de classes é o motor da história?

O movimento da história continuaria, pois ela é um

processo; só que a luta não mais seria entre a classe dominante e a dominada, mas entre a vanguarda e os elementos que impedem as mudanças por comodismo

ou incompreensão. A luta seria entre o progresso e as forças conservadoras, entre o novo e o velho” (ARANHA, 1993: 240-245).

Na Segunda Guerra Mundial, foi capturado pelos alemães no princípio da guerra. Foi permitido que retornasse a Paris em liberdade condicional e lá juntou- se à resistência francesa.

Sartre via a condição humana em termos do indivíduo solitário em um mundo absurdo. Ele percebia a existência humana como algo principalmente sem sentido, pois somos jogados em um mundo totalmente sem sentido, e qualquer significado que encontrarmos no mundo deve ser construído por nós mesmos.O desenvolvimento do significado é uma questão individual e, como o mundo e o indivíduo não têm significado, não temos justificativa para existirmos. Não há um deus para conferir em significado à existência (Sartre era ateu) nem existe nenhum domínio de idéias ou realidade física independente com significado imutável, e próprio. A humanidade, individual e coletivamente, existe sem qualquer significado ou justificativa, exceto por aquilo que nós mesmos construímos.

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O ponto de vista de Sartre é muito austero, no mínimo

se comparado com, digamos, o idealismo ou o realismo.

Sartre afirmava que a existência precede a essência.

Sartre via a ciência como uma criação humana, nem pior ou melhor em si do que qualquer outra criação. A humanidade é absolutamente livre, como Sartre colocou em sua terminologia característica: “O homem está condenado a ser livre”.

Se somos livres, somos criadores de nossos próprios

males e podemos criar um estilo de vida mais humano

e melhor. A decisão é nossa. Tudo que devemos fazer

é tomar as nossas decisões e agir de forma adequada. Todavia essas escolhas e decisões não são fáceis. Sartre não ignorava a sociedade e os costumes existentes.

Filósofos Fenomenológicos e Seu Pensamento

Edmund Husserl (1859-1938). Nasceu na Moravia, na Tchecoslováquia.

O termo fenomenologia já havia sido usado

anteriormente por Kant e Hegel, porém o seu uso para designar um método filosófico particular é atribuído a Husserl.

Husserl entendia seu trabalho como sendo radicalmente diferente e similar à exigência de René Descartes, entendia que a Filosofia era baseada em

3.43.43.43.43.4 ––––– Holismo

A holopráxis é um retorno às raízes do Ser como

imerso no cósmico, parte integrante de um fundamento transdisciplinar.

O holismo é uma tendência que sintetiza unidades

em totalidades organizadas na qual o homem é um todo indivisível, não podendo ser explicado pelos seus

distintos componentes (físico, psicológico ou psíquico) considerados separadamente. Tudo é

interdependente. Tudo se interliga e se inter-relaciona

de forma global.

A visão holística procura romper com toda espécie

de reducionismo: o científico, o somático, o religioso,

o niilista, o materialista ou substancialista, o

racionalista, o mecanicista e o antropocêntrico, entre outros.

“Uma parte não está somente dentro de um todo. O todo está também dentro da parte; o indivíduo não está somente dentro da sociedade, a sociedade enquanto todo está também no indivíduo. Desde a infância aprendemos a distinguir o limpo do sujo, o

critérios além da possibilidade de dúvida. Pensava que, se o método fenomenológico fosse rigorosamente aplicado e executado, isso tornaria científica a Filosofia, mas de uma forma diferente das ciências tradicionais.

Heidegger (1889-1976).Heidegger trabalhou por um tempo como assistente de Husserl e aceitou a noção da fenomenologia como método e a ciência dos fenômenos da consciência. Para Heidegger, a tarefa não era simplesmente um esforço para descrever fenômenos, mas para chegar ao que está por trás deles, seu ser. Assim, para ele, a fenomenologia era a ciência do ser – a ontologia.

Maurice Merleau-Ponty (1908 – 1961). Maurice sustentava que não poderia haver nenhuma negação do mundo e, portanto, nenhum agrupamento completo. Merleau-Ponty entendia a percepção como sendo sempre uma parte do mundo. A percepção está no mundo e vem do mundo. A única maneira de vê-la com alguma exatidão é aceitar essa base terrena no estudo filosófico. Para Merleau-Ponty, não podemos escapar de nossa “faticidade”, de nossa existência terrena. Devemos reconhecer que a própria consciência humana é um projeto do mundo, um mundo que ela não tem nem aceita, mas que sem o qual não pode existir. A consciência está perpetuamente direcionada para o mundo das coisas, das idéias, dos eventos, das pessoas ou da experiência. A percepção é primordial. Pensar, pensamento e objetos de pensamentos não são concretos, mas abstratos.

bom do mau; nós aprendemos a linguagem, nós aprendemos a cultura que se introduz como um todo em cada um de nós e nos permite tornarmos nós mesmos” (PETRAGLIA, 2000: 83).

Estamos começando a antever e a construir um modelo científico que se baseia no conceito de relação, que é muito mais amplo que o de análise, como o usado pela ciência normal. Já não são somente as partes constituintes de um corpo ou de um objeto que são de fundamental importância para a compreensão da natureza desse objeto, mas o modo como se expressa todo esse objeto, e como ele se insere em seu meio. As partes que constituem um sistema têm um notável conjunto de características que se vêem no âmbito das partes, mas o sistema inteiro, o todo - o holos -, freqüentemente possui uma característica que vai bem além que a mera soma das características de suas partes. Por exemplo, sabemos que tanto o hidrogênio quanto o oxigênio são constituintes fundamentais no processo de combustão. Mas se juntamos esses elementos e formarmos a água, nós os usaremos para combater

a combustão. O Todo não elimina as características das partes, mas estas, quando em relações íntimas, dão o substrato a uma nova forma, cujas características transcendem às das partes constituintes. A Ecologia é a ciências moderna que melhor pode demonstrar esta relação parte/todo em simbiose íntima (GUIMARÃES, 2001: 8).

Pierre Weil, psicólogo francês, vice-presidente da Universidade Holística Internacional e principal mentor do movimento holístico no Brasil, define a abordagem holística da realidade como a tendência para se lançar pontes sobre todas as fronteiras de reducionismos humanos, estabelecendo dois distintos e complementares fundamentos: a holologia e a holopráxis.

Auto-Avaliação

A holologia refere-se ao enfoque especulativo e

experimental da Holística, destinada a adquirir o saber, através da análise e do conhecimento racional resultante da atuação ativa do hemisfério cerebral esquerdo, da racionalidade, da lógica e da abstração. A holologia desenvolve as funções psíquicas do pensamento e sensação.

A holopráxis abrange o conjunto dos métodos e

experiências de vivência direta do real pelo ser humano, além de qualquer conceito, representando o caminho vivencial para a experiência holística, de natureza transpessoal. “Para que o saber se torne sabedoria é necessária à via experencial, sintética, intuitiva e de mergulho na essência, para o desvelar do Ser. Aholopráxis desenvolve as funções psíquicas do sentimento e da intuição”

(BARBOSA,2006:52).

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1)

Responda às questões:

a)

O que Comte propôs para estudar a sociedade?

b)

Qual foi a contribuição do marxismo?

2)

O positivismo provocou um crescente desenvolvimento do conhecimento científico e conseqüentemente o

mito do especialista. Explique essa afirmação. Envie ao tutor.

3) Explique o que seriam as ciências positivas, segundo Comte.

4) Explique com suas palavras as poesias abaixo dentro da visão marxista. Entregue ao tutor.

positivas, segundo Comte. 4) Explique com suas palavras as poesias abaixo dentro da visão marxista. Entregue
positivas, segundo Comte. 4) Explique com suas palavras as poesias abaixo dentro da visão marxista. Entregue

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38 Exercícios Complementares 1- Leia o capítulo I do livro O Ponto de Mutação , de
38 Exercícios Complementares 1- Leia o capítulo I do livro O Ponto de Mutação , de

Exercícios Complementares

1- Leia o capítulo I do livro O Ponto de Mutação, de Capra e destaque os valores que estão em crise na sociedade atual e como o autor se posiciona em relação a esses valores. 2- Assista ao filme Matrix I e faça uma análise sobre ele dentro de uma abordagem filosófica, enfocando a idéia passada pelo filme de que a humanidade está “adormecida” em sua ignorância e só conseguirá acordar ao buscar o conhecimento.

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Se você:

1) concluiu o estudo deste guia; 2) participou dos encontros; 3) fez contato com seu tutor; 4) realizou as atividades previstas;

Então, você está preparado para as avaliações.

Parabéns!

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Glossário

Corporeidade – termo utilizado por Heidegger, “significando realidade humana, ente humano, a quem somente

é o ser do existente humano enquanto

o ser pode abrir-se. [

].

Heidegger prefere utilizar a expressão ser-aí. [

]

existência singular e concreta” (JAPIASSU e MARCONDES, 1995: 64-5).

Cosmologia – ciência que estuda o cosmos, sua origem, sua evolução e seu propósito. Imagem de mundo que uma sociedade produz para orientar-se nos conhecimentos e para situar o lugar do ser humano no conjunto dos seres.

Ética – a palavra ética vem do grego ethos, que significa o modo de ser, o caráter das atitudes humanas. Os romanos traduziram o ethos grego, para o latim mos que significa costume, origem da palavra “moral”. Ethos (caráter) e mos (costume) conceituam um comportamento propriamente humano que não é natural, porque o ser humano não nasce com ele como se fosse um instinto, mas o vai adquirindo à maneira que segue vivendo.

Existência – “o vocábulo existência, ponto básico da filosofia de Kierkegaard, é introduzido no léxico filosófico

a partir do artigo de Gabriel Marcel, Existence et objectivité, publicado na Renue de méttaphysique et de morale, 1925, pág. 175.

A partir do ‘ser-aí’, Heidegger mostra a especificidade do ser do homem, que é a existência. Se o homem é

lançado no mundo de maneira passiva, pode tomar a iniciativa de descobrir o sentido da sua própria existência

e orientar suas ações nas direções mais diversas” (ARANHA, 1986: 325).

Fenomenologia – o termo provém de duas palavras gregas, phainomenon e logos. Assim, seu sentido primeiro

é ciência ou estudo dos fenômenos. A amplitude deste sentido permite identificar a fenomenologia com a

própria investigação filosófica, uma vez que esta deve, necessariamente, partir disso que se apresenta, dos fenômenos, de modo a conferir-lhes uma unidade de sentido.

Gnosiologia – também chamada por vezes de gnoseologia, ou Filosofia do Conhecimento, estuda a capacidade humana de conhecer. A raiz filológica do termo vem das palavras gregas gnosi (conhecimento) e logia (verbo, palavra, discurso).

Ideologia – o termo se compõe de duas palavras gregas: (eidos = idéia ) + ( logia = estudo, investigação, ciência ). O termo foi criado por Destutt de Tracy (1754-1836), em 1796. Com essa palavra ele queria designar uma

“nova” disciplina filosófica, cujo objetivo seria o estudo das idéias. Em pouco tempo, porém, o sentido específico pretendido por Tracy praticamente cai em desuso. Quando Tracy ainda era vivo, foi empregado para designar tanto o pensamento filosófico como a atividade intelectual em geral. Assim os pensadores, especialmente os pensadores franceses do século XVIII que exaltavam temas políticos, são também chamados de ideólogos. Após a Revolução Francesa (1789-1799), o termo adquiriu um sentido diferente graças a Napoleão Bonaparte. O general francês, respondendo às críticas que lhes eram feitas por um grupo de intelectuais, chamou-os pejorativamente de “esses ideólogos”, dando um caráter depreciativo à palavra. Napoleão pretendeu realçar o fato de que estes não sabiam o que diziam ou que falavam muito e nada faziam. Assim, no sentido napoleônico, ideologia significa um conjunto de idéias ocas que a nada leva e que não corresponde à realidade dos fatos. Esses sentidos predominam até Karl Marx (1818-1883) e Friedrich Engels (1820-1895). Os dois darão um sentido específico ao termo. A filosofia desenvolvida por esses dois filósofos é normalmente conhecida como marxismo. Do ponto de vista filosófico, a denominação dada ao marxismo é Materialismo Histórico-Dialético.

O marxismo é, sobretudo, uma filosofia quase voltada para o tratamento de questões ligadas às áreas social,

econômica e política. Ele surgiu num ambiente que parecia pedir o aparecimento de um salvador para as classes menos favorecidas.

Intencionalidade – “a intencionalidade é a característica definidora da consciência, enquanto necessariamente voltada para um objeto: ‘ Toda consciência é consciência de algo’. A consciência só é consciência a partir de sua relação com o objeto, isto é, com um mundo já constituído, que a precede. Por outro lado, esse mundo só adquire sentido enquanto objeto da consciência, visado por ela” ( JAPIASSU e MARCONDES, 1995: 134).

Objetivo – conhecimento objetivo é aquele fundado na observação imparcial, independente das preferências individuais. Conhecimento resultante da descentralização do sujeito que conhece, pelo confronto com outros pontos de vista.

Ontognoseológico – termo derivado das palavras onto e gnose. “Onto vem de on (ente) e onta (entes), dos quais vem do substantivo to on : o Ser” ( CHAUÍ, 1995: 238); gnose em grego significa conhecimento e logos, teoria ou ciência. “Teoria do conhecimento que tem por objetivo a origem, a natureza, o valor e os limites da faculdade de conhecer” (JAPIASSU e MARCONDES, 1995: 111). A partir dessas derivações o termo gnoseológico é a ciência que procura conhecer o Ser.

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Percepção – “do latim perceptio. Ato de perceber, ação de formar mentalmente representações sobre objetos externos a partir dos dados sensoriais” (Ibidem: 192).

Silogismo – tipo de raciocínio dedutivo que, de uma proposição geral, conclui outra proposição geral ou particular. Aristóteles elaborou uma teoria do raciocínio como inferência. Inferir é tirar uma proposição como conclusão de uma outra, ou de várias outras proposições que a antecederam e são sua explicação ou causa. O raciocínio é uma operação do pensamento realizada por meio de juízos e enunciada lingüística e logicamente pelas proposições encadeadas formando um silogismo.

Sofisma – tipo de raciocínio incorreto, embora tenha a aparência de correto. É conhecida também como falácias e ou paralogismo. Alguns estudiosos dão ao sofisma o sentido pejorativo decorrente da intenção de enganar o interlocutor, enquanto no paralogismo não haveria esta intenção.

Subjetivo – conhecimento subjetivo é aquele que depende do ponto de vista pessoal, individual, não fundado no objeto, mas condicionado somente por sentimentos ou afirmações arbitrárias ao sujeito.

Totalitarismo – sistema político no qual todas as atividades do ser humano estão submetidas ao estado. A crítica ao liberalismo e a concepção individualista de homem, a hostilidade aos princípios da democracia, a valorização das elites e do papel do mais forte levam a exaltação do estado.

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Gabarito

UNIDADE I

Exercícios de Auto-Avaliação

1) De acordo com o texto, a Filosofia é um modo de pensar os acontecimentos além das aparências. (Os outros conceitos servirão para ensórias-lo)

2)

No início, a Filosofia estava ligada à Ciência, mas depois de Galileu as duas se separaram.

3)

Radical, rigoroso e de conjunto.

4)

Resposta pessoal.

5) É a superação da imanência do homem.

Leitura Complementar

1)

e 2) Resposta pessoal.

3)

O período medieval teve influências de Platão e Aristóteles; mas o Platão vindo do neoplatonismo (da

Filosofia de Plotino, do séc. VI d.C.) e o Aristóteles traduzido pelos árabes; o período renascentista descobre obras de Platão e Aristóteles desconhecidas na Idade Média e ainda recupera obras dos grandes autores e artistas gregos e romanos. Durante o período medieval surge a Filosofia cristã que é a linguagem que tenta falar dos dogmas, da Teologia; no período renascentista um dos pensamentos que dominava era contra o poder hierárquico da Igreja.

4) - Mudança do foco de indagações para o intelecto do homem;

- Tudo que pode ser conhecido deve ser transformado em conceito;

- A realidade é concebida como um sistema racional de mecanismos físico-matemáticos.

5) Iluminismo.

6) Resposta pessoal.

UNIDADE III

1- a) Propôs que se fizesse um estudo científico da sociedade, considerando o homem como um ser social.

b) Levou a compreender que os primeiros fatos humanos foram resultados da luta pela sobrevivência,

evidenciando que o plano econômico comanda todos os outros planos da existência humana.

3- As ciências positivas, segundo Comte seriam ciências, como a biologia, a química e a física, que partem da observação dos fatos concretos mais razão, isto é, do método experimental. Nelas ele inclui a Sociologia.

Referências Bibliográficas

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