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Farmácia e Profissão

Flávia Soares Lassie


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Lassie, Flávia Soares
L347f Farmácia e profissão / Flávia Soares Lassie.
Londrina : Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2020.
184 p.

ISBN 978-85-522-1655-1

1. Profissão. 2. Atuação. 3. Farmácia. I. Título.

CDD 615.1
Jorge Eduardo de Almeida CRB-8/8753

2020
Editora e Distribuidora Educacional S.A.
Avenida Paris, 675 – Parque Residencial João Piza
CEP: 86041-100 — Londrina — PR
e-mail: editora.educacional@kroton.com.br
Homepage: http://www.kroton.com.br/
Sumário

Unidade 1
Evolução histórica da profissão farmacêutica�������������������������������������������� 7
Seção 1
A história da farmácia������������������������������������������������������������������������ 8
Seção 2
A profissão farmacêutica�����������������������������������������������������������������18
Seção 3
Conceitos de interesse farmacêutico����������������������������������������������28

Unidade 2
Legislação sanitária e profissional farmacêutica�������������������������������������47
Seção 1
Principais legislações sanitárias voltadas à profissão
farmacêutica��������������������������������������������������������������������������������������48
Seção 2
Algumas normas voltadas à atuação em farmácias����������������������61
Seção 3
Outras normas pertinentes para atuação do profissional
farmacêutico��������������������������������������������������������������������������������������77

Unidade 3
Deontologia farmacêutica��������������������������������������������������������������������������95
Seção 1
Bases conceituais da deontologia farmacêutica����������������������������96
Seção 2
Código de ética e do processo ético�������������������������������������������� 110
Seção 3
Conselhos e outras autarquias relacionadas à farmácia����������� 122

Unidade 4
Farmacêutico em áreas específicas de trabalho������������������������������������ 135
Seção 1
Atuação na indústria��������������������������������������������������������������������� 136
Seção 2
Atuação em farmácias������������������������������������������������������������������� 147
Seção 3
Atuação em análises clínicas e outras áreas������������������������������� 160
Palavras do autor

O
lá, aluno, seja bem-vindo ao incrível mundo da Farmácia e Profissão.
Este livro é base para a introdução da profissão farmacêu-
tica e será de grande importância para auxiliá-lo na definição do
foco de sua carreira. Você encontrará conteúdos que promoverá o contato
com diversos temas muito discutidos no curso de Farmácia, bem como
será estimulado à discutir diferentes aspectos da prática farmacêutica.
Iniciaremos nosso estudo pela história da Farmácia no Brasil e no mundo,
desde a farmácia pré-histórica até a profissão nos dias de hoje, além disso,
conheceremos, também, quais são as grandes áreas de atuação do farmacêu-
tico, e você compreenderá o amplo mercado de trabalho da profissão e alguns
conceitos pertinentes das ciências farmacêuticas, além de conhecer os princi-
pais órgãos, as legislações e o código de ética que regulamentam a profissão e
a atuação do profissional farmacêutico no contexto da saúde.
O livro é composto de quatro unidades de ensino que irão abordar a
evolução histórica da profissão farmacêutica, as legislações sanitárias e
profissionais farmacêuticas, a deontologia farmacêutica e o farmacêutico em
áreas específicas de atuação.
Na Unidade 1, estudaremos a história da Farmácia desde a antiguidade,
idade média até os dias de hoje; abordaremos também a profissão farma-
cêutica das áreas que são privativas da atuação do farmacêutico às áreas que
são divididas com outras profissões; e, por fim, você conhecerá os principais
conceitos utilizados na profissão.
Na Unidade 2, conheceremos as principais legislações que regulamentam
a profissão e a atuação do farmacêutico no contexto da saúde.
Na Unidade 3, abordaremos o código de ética da profissão farmacêutica e a
criação dos conselhos federal e regional de farmácia e outras autarquias de saúde.
Na Unidade 4, por fim, identificaremos algumas características dos
principais campos de atuação do farmacêutico.
Ao final do estudo deste livro, você será capaz de compreender os
diferentes aspectos da prática farmacêutica, bem como uma possível área de
atuação no mercado de trabalho. Assim convido você a entrar e explorar o
espetacular mundo da Farmácia e Profissão. Vamos lá?
Unidade 1
Flávia Soares Lassie

Evolução histórica da profissão farmacêutica

Convite ao estudo
O ser humano tem como uma de suas características a necessidade de
aliviar os sintomas que as doenças provocam no seu organismo; pensando
nisso, na era pré-histórica as doenças eram tratadas com ingredientes ativos
ou drogas que eram encontradas na natureza.
A Farmácia é a ciência e a profissão dos medicamentos; compreender
o processo histórico dela é muito importante para que o profissional da
área saiba qual será a sua atuação no mercado de trabalho. Frente a isso, o
estudo desta unidade possibilitará o conhecimento da evolução histórica da
Farmácia no mundo e no Brasil.
Para trabalharmos os conteúdos desta unidade será apresentada uma
situação geradora de aprendizagem, e convidamos você a lê-la com uma
atenção especial. Vamos lá?
Alice, 19 anos, residente de uma cidade no interior de São Paulo, é uma
jovem apaixonada pela área da saúde e iniciou seus estudos no curso de
Farmácia. O sonho da família é ver Alice se formar no curso de Farmácia,
pois ela será a única na família com um diploma de nível superior.
Alice está cursando os primeiros semestres do curso e no momento está
dividindo seu tempo entre os estudos e os estágios iniciais. Ela está estagiando
em uma rede grande de farmácias na cidade onde mora, visando conhecer
o dia a dia do profissional farmacêutico e suas atribuições nesse campo de
atuação. Nesse cenário, terá a oportunidade de vivenciar situações práticas e
complexas que exigirão dela muito empenho em seus estudos, e isso certa-
mente irá contribuir de maneira significativa na sua formação profissional.
A cada dia de estágio, Alice se depara com uma situação diferente que faz
com que ela se apaixone ainda mais pelo curso e se sinta estimulada a buscar
cada vez mais conhecimento para se tornar uma excelente profissional. Sendo
assim, vamos acompanhar Alice e ajudá-la em seus desafios.
Seção 1

A história da farmácia

Diálogo aberto
Olá, caro aluno! Iniciamos agora a nossa primeira seção de estudos. Você
conheceu Alice, que é aluna do curso de Farmácia e estagia em uma farmácia
de uma grande rede de sua cidade.
Certo dia de estágio, Alice estava acompanhada de sua professora super-
visora, e muito interessada sobre o contexto da profissão que escolheu,
a questionou sobre o que ela conhecia a respeito da evolução da profissão
farmacêutica no Brasil e, na opinião dela, quais seriam as perspectivas para o
futuro da profissão farmacêutica?
Frente à situação descrita acima, como você, profissional de Farmácia,
esclareceria essa dúvida de Alice? Durante cada seção desta unidade, você
aprenderá conteúdos que abordam a evolução da Farmácia para ajudá-lo a
resolver essa situação. Vamos lá?

Não pode faltar

Iniciaremos então nosso estudo sobre a história da farmácia e apren-


deremos quais foram os marcos históricos dessa ciência do medicamento.
A história da farmácia e do medicamento é tão antiga como a história da
humanidade. A farmácia tem feito parte da vida do homem desde o início da
humanidade, quando, há milhares de anos, o homem pré-histórico coletava
plantas para curar doenças e ferimentos. Desde 60.000 a.C., povos antigos
como os egípcios, gregos, hindus e persas utilizavam as plantas para fins
medicinais, e por tentativa e erro, a partir de então, o conhecimento popular
das propriedades curativas de certas substâncias naturais acabou crescendo.
Assim, desde a antiguidade, o homem já sentia a necessidade de aliviar
as suas dores, e por isso, misturavam as substâncias naturais acreditando que
assim poderiam alcançar a cura. Há registros que há 5.000 a.C. os chineses
elaboraram listas contendo nomes e aplicações de drogas vegetais. Na Índia,
no vale do Indo (2.700 a.C), foram lançadas as bases para uns dos sistemas de
medicina mais antigos ainda em uso, baseado no emprego de vegetais para o
tratamento de doenças humanas e de animais. No antigo Egito, eram comuns
os usos ritual e terapêutico de espécies vegetais (ALLEN, 2016).

8
Segundo ALLEN (2016), foi na Grécia que surgiram os primeiros
conceitos da profissão médica moderna com a utilização do conceito de
fármaco ou pharmakon, uma palavra que significa, ao mesmo tempo, feitiço,
remédio ou veneno, dependendo apenas da dose administrada, e também
pharmakopolos, que seriam os vendedores de medicamentos. Entre os gregos,
alguns nomes que ganharam destaque foram Hipócrates, considerado o pai
da medicina, e Galeno, considerado o pai da farmácia.
Galeno (131-200 d.C) era um médico grego que atuava em Roma; compôs
as matérias-primas necessárias à preparação de medicamentos e a arte de os
preparar em função da teoria dos humores provenientes da Grécia Antiga,
por Hipócrates. Galeno criou um sistema que tentava equilibrar os humores
de um indivíduo doente por meio de substâncias ou compostos que se
opunham diretamente aos sinais e sintomas das enfermidades. Ele escreveu
bastante sobre farmácia e medicamentos, e em suas obras, elaborou uma lista
de remédios vegetais, conhecidos como galênicos, cuja maioria era composta
com vinho. Ele é considerado o precursor da alopatia. Observe a imagem a
seguir do médico grego considerado o pai da Farmácia (ALLEN, 2016).
Figura 1.1 | Galeno

Fonte: https://binged.it/302EuP3. Acesso em: 26 jul. 2019.

A medicina árabe, a partir do século VII, inicialmente simples, incor-


porou a notoriedade das escrituras médicas gregas, especialmente de Galeno,
tornando-se progressivamente mais complexa e passando a exercer grandes

9
influências nos séculos posteriores. A conquista de postos de comércios
distantes trouxe novas drogas e condimentos aos centros de ensino, e a
criação de medicamentos novos exigiam técnicas de preparação elaboradas.
Assim, os árabes divulgaram as práticas de alquimia e defendiam um labora-
tório farmacêutico; neles, haviam hortos botânicos para o cultivo de plantas
medicinais e boticas para a preparação dos medicamentos.
De acordo com Allen (2016), o mundo árabe iniciou a divisão de trabalho
entre médicos e farmacêuticos, que, no século X, ainda eram vistos como
uma só profissão, e a separação de farmácia e medicina alcançou o Ocidente
quando, na metade do século XIII, Frederico II, o governante do reino das
Duas Sicílias, por meio do chamado Édito de Melfi, estruturou a prática
separada da Farmácia pela primeira vez na Europa.
No século X foram criadas as primeiras boticas ou apotecas, como eram
conhecidas na época, na Espanha e na França, que foram as precursoras das
farmácias atuais. Nessa época, os pró-farmacêuticos eram denominados “apote-
cários” (ou boticários), um termo oriundo do termo grego apotheca, que signi-
fica depósito ou armazém. Era de responsabilidade dos boticários conhecer e
curar as doenças, mas para o exercício da profissão, deviam cumprir uma série
de requisitos e ter um local e equipamentos adequados para preparo e guarda
dos medicamentos, que eram produzidos e manipulados na frente do paciente
seguindo-se a prescrição médica e a farmacopeia. Observe as imagens a seguir
que ilustram as boticas do século X (ALLEN, 2016).
Figura 1.2 | Boticas ou apotecas

Fonte: https://binged.it/2KaxGIb. Acesso em: 26 jul. 2019.

10
Figura 1.3 | Boticário

Fonte: https://binged.it/32UslNR. Acesso em: 26 jul. 2019.

Para Allen (2016), a época da Idade Moderna na Europa Moderna foi


um período ótimo para se libertar de velhos conceitos sobre as doenças e
drogas de Galeno. Novas drogas iam chegando de terras desconhecidas, e
após terem cumprido as impressões de livros religiosos, iniciou-se as impres-
sões de obras farmacêuticas e médicas. Nessa época, para a farmácia, os
livros tiveram uma grande importância para os estudos das plantas medici-
nais, e Valerius Cordus (1515-1544) escreveu uma obra contendo fórmulas
farmacêuticas chamada Dispensatorium, que é considerada como a primeira
farmacopeia, um livro referência para a preparação de medicamentos na
cidade de Nuremberg, na Alemanha.
Nesse período surge Paracelso (1493-1541) como um importante
defensor dos medicamentos quimicamente preparados com matérias-
-primas vegetais e substâncias minerais. Ele era contrário à Teoria Humoral
para explicar o processo de saúde e doença e defendia uma filosofia natural
de base química. Devido à teoria de Paracelso, os medicamentos químicos
foram introduzidos e, assim, surgiu a farmácia química em oposição à
farmácia galênica (ALLEN, 2016).

Assimile
Em uma época em que os remédios eram simples e derivados de
plantas, Paracelso foi um defensor dos remédios minerais e metálicos,
suscitando que, para toda doença, havia uma terapêutica específica;
por exemplo: nessa época o mercúrio tornou-se um remédio específico

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para tratar a sífilis. Paracelso rejeitava a teoria dos humores de Galeno e
a substituiu por três novos elementos: o enxofre, o mercúrio e o sal. Os
estados patológicos deveriam ser tratados quimicamente, valorizando,
assim, os remédios químicos.

O estudo dos medicamentos teve um salto notável no século XVI com


a pesquisa dos princípios ativos de plantas e minerais capazes de curar
doenças; os farmacêuticos documentaram as fontes de drogas vegetais ao
redor do mundo e encontraram princípios ativos puros nas plantas medici-
nais (ALLEN, 2016).
Segundo Allen (2016), em 1777, na França, foi criado o Collège de
Pharmacie para que os farmacêuticos tivessem suas próprias organizações. A
padronização dos medicamentos foi realizada a partir da publicação de obras
denominadas farmacopeias, as quais estabeleciam a maneira de se preparar
os medicamentos e garantir que as prescrições fossem preparadas de forma
uniforme em qualquer cidade ou estado.

Exemplificando
Você acabou de ler a respeito da Farmacopeia, que é um livro que reúne
um conjunto de informações técnicas a respeito da nomenclatura das
substâncias, dos princípios ativos, insumos e equipamentos farmacêu-
ticos. Para saber mais a respeito da Farmacopeia acesse: http://portal.
anvisa.gov.br/documents/33832/260079/5%C2%AA+edi%C3%A7%-
C3%A3o+-+Volume+1/4c530f86-fe83-4c4a-b907-6a96b5c2d2fc.
Acesso em: 8 ago. 2019. Nesse link, você poderá conferir a 5ª edição da
Farmacopeia Brasileira.

Entre meados de 1600 e 1800 a Farmácia se estabeleceu como profissão


no continente europeu; nesse período os farmacêuticos aprenderam sobre os
novos métodos de preparação e manipulação, pois o uso de medicamentos
sintéticos tornou-se mais evidente (ALLEN, 2016).
No início do século XX, com a introdução das especialidades farmacêu-
ticas industrializadas, o mercado tornou-se mais estruturado, dando abertura
para a criação de empresas que começaram a exercer essa atividade.
Você acabou de estudar a evolução da Farmácia no mundo, agora, nosso
enfoque será a história da Farmácia no Brasil.
De acordo com Edler (2006), a história da Farmácia no Brasil iniciou-se na
época do Brasil colônia de Portugal, quando os primeiros colonos, deixados

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por Martin Afonso, utilizavam plantas medicinais indígenas para curar
as doenças, tratar ferimentos e picadas de insetos. Os primeiros europeus
que habitaram o Brasil aprenderam com as nações indígenas a preparar os
remédios para tratar suas próprias doenças.
Os medicamentos preparados pelos boticários eram trazidos quando havia
expedições de Portugal, Espanha e França, pois sempre havia um cirurgião-
-barbeiro ou aprendiz de boticário que traziam as caixas de botica — pequenas
arcas de madeira que continham certa quantidade de remédio (EDLER, 2006).

Reflita
Você acabou de ler sobre as caixas de botica. Você imagina o que são
caixas de botica e como elas são?

Quando foi instituído no Brasil, pela coroa portuguesa, o governo geral,


o primeiro governador nomeado foi Thomé de Souza, que trouxe consigo
jesuítas, padres, diversos oficiais e o primeiro boticário, chamado Diogo de
Castro. Os missionários jesuítas utilizaram muito da medicina indígena,
tornando as plantas medicinais brasileiras famosas em todo o mundo. Os
jesuítas eram os responsáveis pelo intercâmbio entre os universos da medicina,
pois eles absorviam o conhecimento dos cirurgiões e boticários e aplicavam
nos precários hospitais da Santa Casa de Misericórdia. As boticas dos jesuítas
eram quase sempre as únicas existentes nas cidades ou vilas (EDLER, 2006).
Para Edler (2006), os jesuítas possuíam um receituário particular em
que se encontravam as fórmulas dos medicamentos e seus processos de
preparação. A triaga brasílica produzida na botica de Salvador, um remédio
que continha extratos, gomas, óleos e sais químicos extraídos de 78 tipos
diferentes de plantas, era utilizado como um antídoto universal para todos os
males, contra a mordida de animais peçonhentos, em várias doenças febris e
foi a segunda fonte de renda da Companhia de Jesus no Brasil.
Em São Paulo, o padre jesuíta espanhol José de Anchieta preparava os
remédios e foi considerado o primeiro boticário de Piratininga. Importantes
boticas sob a responsabilidade dos jesuítas no Brasil estavam localizadas na
Bahia, em Olinda, no Recife, no Maranhão, no Rio de Janeiro e em São Paulo,
sendo que a botica com maior destaque foi a da Bahia, pois ela distribuía
medicamentos para as demais boticas do Norte ao Sul do Brasil (EDLER, 2006).
Nos anos de 1640, as boticas foram autorizadas como comércio no Brasil,
e em meados do século XVII, algumas tomaram a aparência das boticas
existentes no reino e situavam-se nas principais ruas. Os boticários eram
de famílias humildes, que obtinham seus conhecimentos trabalhando nas

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boticas, tornando-se ajudantes e aprendizes, e para se tornarem boticários
tiveram de ser aprovados, em Coimbra, pelo físico-mor (médico), um juiz.
Para Edler (2006), o comércio de drogas e medicamentos era privativo dos
boticários, segundo o que constava no conjunto de leis portuguesas chamadas
“Ordenações”, que regeram o Brasil durante todo o período colonial. Em
casos de descumprimento dessas leis, multas e apreensões de produtos eram
praticados a fim de se inibir o comércio ilegal de drogas e medicamentos. A
fiscalização das boticas era feita de acordo com o regimento, desde o exame
prestado pelos candidatos a boticários até a legalização do profissional responsável,
o estado de conservação das drogas e a existência de balanças, pesos e medidas.
A transferência da corte portuguesa para o Brasil, em fuga das tropas
napoleônicas, é considerada um acontecimento de muitas consequências
para a história da medicina e farmácia no Brasil. Após uma breve passagem
por Salvador, a comitiva real seguiu para o Rio de Janeiro. Em 1809, no Rio
de Janeiro, institui-se o curso de Medicina. No Brasil, a Academia Imperial
de Medicina (1829-89) foi o principal fórum de debates sobre o ensino
médico e a saúde pública. Por meio da reforma de ensino de 1832, ocorreu a
transformação das academias médico-cirúrgicas em faculdades de medicina.
Essa reforma previa a criação do curso farmacêutico com as faculdades de
medicina do Império. As disciplinas ministradas seriam divididas em 3 anos,
contemplando as áreas de: física médica, botânica médica e química médica,
e para obter o título de farmacêutico, o aluno teria de atuar em uma botica de
um boticário diplomado por um período de três anos (EDLER, 2006).
Segundo Edler (2006), o Rio de Janeiro e a Bahia possuíam as duas únicas
faculdades de medicina do Império, e em 1839, em Minas Gerais, foi criada
a Escola de Farmácia de Ouro Preto.
Em 1875, o farmacêutico Manoel Hilário Pires Ferrão chamou a atenção
para promover a distinção que deveria ser feita entre boticário e farmacêu-
tico. O boticário poderia ser qualquer um que resolvesse abrir uma botica
para comercializar remédios, e o farmacêutico era aquele formado em cursos
regulares de Farmácia.
Com a fundação das primeiras faculdades de Farmácia (1839-1898) no
país, o boticário foi lentamente sendo substituído pelo farmacêutico, mas
esse processo não foi nada fácil, pois a designação de boticário continuou
a ser utilizada pela população para se referir ao farmacêutico diplomado
(EDLER, 2006).
De acordo com Edler (2006), a botica onde o boticário pesquisava e prepa-
rava fórmulas, originou dois novos tipos de estabelecimentos: a farmácia e o
laboratório industrial farmacêutico. As boticas começaram a ser substituídas

14
por farmácias na segunda metade do século XIX, apresentando espaços mais
modernos para atendimento ao cliente, e foi entre o final do século XIX e
o começo século XX que ocorreram as grandes transformações, como o
reconhecimento legal da profissão do farmacêutico.
O conhecimento sobre os fármacos, os avanços da medicina, da comer-
cialização, da tecnologia e do desenvolvimento profissional, juntos, levaram
ao desenvolvimento da farmácia moderna.

Sem medo de errar

Agora que você aprendeu sobre o contexto da evolução da história da


farmácia no mundo e no Brasil, vamos relembrar a nossa situação geradora de
aprendizagem em que Alice questiona sua professora sobre a evolução histó-
rica da profissão farmacêutica? Você sabe como esclarecer a dúvida de Alice?
Para a resolução da situação devemos lembrar que, para o tratamento de
doenças humanas e de animais, utilizava-se somente o emprego de espécies
vegetais. E foi somente em Roma que começou a se utilizar as plantas como
matérias-primas para a preparação de medicamentos mais aprimorados.
A medicina árabe permitiu novos avanços na manipulação dos medica-
mentos, pois as novas drogas e os condimentos exigiam conhecimentos e
técnicas mais elaboradas, isso também foi o início da divisão da medicina e
da farmácia.
Nessa época, os pró-farmacêuticos, chamados boticários, tinham a
responsabilidade de conhecer e curar as doenças, bem como manipular,
preparar e armazenar os medicamentos, e assim foram criadas as primeiras
boticas, que foram as precursoras das nossas farmácias atuais.
Em meados do século XX, ocorreram grandes transformações na área
da ciência do medicamento, como o reconhecimento legal da profissão
do farmacêutico e novas tecnologias para a preparação e manipulação de
fármacos, e assim, o uso de medicamentos sintéticos tornou-se mais evidente.

Avançando na prática

Plantas medicinais

No colégio Santa Cruz, temos dois amigos: Lucas e Henrique, que estão
em um acampamento de férias. Durante uma partida de futebol, Lucas

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tropeçou e caiu no chão, fazendo um machucado em seu joelho. O professor
Luís acompanhou Lucas até a enfermaria e colocou uma planta em cima
de seu machucado. Após alguns minutos, Lucas sentiu que a dor havia
diminuído e perguntou ao seu professor por qual motivo ele havia colocado
aquela planta em seu ferimento. Frente a isso, qual é a relação que pode ser
feita com a utilização das plantas medicinais para curar doenças e ferimentos
com os medicamentos utilizados hoje em dia?

Resolução da situação-problema
Pensando nessa situação, poderíamos explicar para Lucas que as plantas
medicinais são utilizadas pelo homem desde o início da humanidade para
diversos fins terapêuticos, devido às suas propriedades farmacológicas
específicas, e fazer um breve relato sobre a história do uso das plantas medici-
nais no Brasil e no mundo, abordando o uso das espécies vegetais pelos pajés,
egípcios, gregos, chineses, entre outros povos que as utilizavam como forma
de tratamento de suas doenças, bem como estabelecer uma relação com os
medicamentos utilizados hoje em dia.

Faça valer a pena

1. A farmácia tem uma longa história, desde o início da humanidade,


quando, há milhares de anos, o homem, para curar ferimentos e doenças,
utilizava práticas mágico-religiosas e preparava remédios a partir de produtos
naturais.
Assinale a alternativa correta, segundo a evolução do processo histórico da
farmácia:
a. O pai da farmácia é Hipócrates.
b. Os boticários deram origem aos profissionais de medicina.
c. Os medicamentos sintéticos são utilizados pelo homem desde o início
da humanidade.
d. O pai da farmácia é Galeno.
e. As profissões de medicina e farmácia sempre foram distintas como
nos dias de hoje.

2. O mundo árabe iniciou a divisão de trabalho da área de medicina e


farmácia que, no século X, ainda eram uma só profissão.

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Nesse período, foram criadas as primeiras ____________ ou apotecas, como
eram conhecidas na época, na Espanha e na França, que foram as precur-
soras das farmácias atuais. Nessa época, os pró-farmacêuticos eram denomi-
nados “____________” (ou boticários), um termo oriundo do termo grego
apotheca, que significa depósito ou armazém.
Analise a sentença que completa as lacunas corretamente:
a. boticas; apotecários.
b. boticários; farmacêuticos.
c. drogarias; botica.
d. caixas botical; apotecas.
e. oficinas magistrais; farmacêuticos.

3. As práticas farmacêuticas existem desde o início da humanidade, quando


indivíduos pré-históricos coletavam plantas para fins medicinais. Os ingre-
dientes ativos eram coletados, processados e preparados para a sua incorpo-
ração em preparações medicamentosas, e essa atividade realizada desde o
início da humanidade ainda é o foco central da farmácia. Sobre o processo
de evolução da profissão farmacêutica:
I. A farmácia é a ciência de se criar medicamentos.
II. As atividades relacionadas à farmácia tiveram início com as boticas
ou apotecas. Nesse período, a medicina e a farmácia eram profissões
distintas.
III. O primeiro boticário no Brasil foi Thomé de Souza; ele foi trazido
da França após a coroa decretar que o acesso aos medicamentos só
aconteceria se nas expedições tivesse um boticário carregando uma
caixa botical cheia de drogas e medicamentos.
Leia o texto base, analise as afirmativas e assinale a alternativa correta:
a. Somente a afirmativa II está correta.
b. As afirmativas I, II e III estão corretas.
c. Somente a afirmativa III está correta.
d. Somente a afirmativa I está correta.
e. Somente as afirmativas I e II estão corretas.

17
Seção 2

A profissão farmacêutica

Diálogo aberto
Olá, caro aluno! Vamos continuar nosso estudo sobre farmácia e
profissão? Nós iniciaremos esta seção falando a respeito dos campos de
atuação do farmacêutico. Você conhecerá quais são as possíveis áreas de
atuação farmacêutica e, assim, poderá se familiarizar com a profissão. Para
isso, vamos retomar à situação hipotética mencionada no convite ao estudo
sobre a Alice, estudante do curso de Farmácia que está fazendo estágio em
uma grande farmácia do bairro onde mora e se depara com algumas situa-
ções que a faz se apaixonar ainda mais pelo curso.
Durante seu estágio, Alice conheceu Mariana, que também é estudante de
Farmácia e que trabalha como técnica em um laboratório de Análises Clínicas
do Hospital do Câncer. Alice ficou curiosa, pois não sabia da existência dessa
área. Você, como futuro profissional de farmácia, poderia ajudar Alice no
desafio de conhecer as áreas de atuação do Farmacêutico?

Não pode faltar

Na seção anterior, você estudou sobre a evolução da profissão farmacêu-


tica e pôde perceber que o boticário era o profissional autorizado a exercer as
funções que hoje são desempenhadas pelo farmacêutico. Em 1931, a profissão
de farmacêutico foi finalmente regulamentada, passando a ser exercida
apenas por profissionais formados em instituições de ensino oficialmente
reconhecidas. Agora, nós conheceremos as áreas da profissão farmacêutica.
A profissão farmacêutica é exercida em sua plenitude por profissionais
diplomados em uma faculdade de Farmácia. A ciência farmacêutica é ramo
de amplo espectro de conhecimentos, e têm como base os campos da química
e da biologia. Assim, para seguir carreira na área farmacêutica, é necessário
que se tenha aptidão e afinidade e com esses seguimentos.
O farmacêutico é o: “profissional da área de saúde, com formação centrada
nos fármacos, nos medicamentos e na assistência farmacêutica e, de forma
integrada, com formação em análises clínicas e toxicológicas, em cosméticos
e em alimentos, em prol do cuidado à saúde do indivíduo, da família e da
comunidade” (CNE, 2017, [s.p.]).

18
O farmacêutico é o profissional do medicamento que identifica e
manipula substâncias químicas para a produção de fármacos, bem como
conhece o mecanismo de ação, o metabolismo, a distribuição, a excreção e os
efeitos farmacológicos dos medicamentos no nosso organismo, o que o torna
um profissional especialista em produtos com importantes funções quando
se fala em recuperar, prevenir e promover saúde.
De maneira geral, o farmacêutico pode atuar em seis modalidades
básicas, que são: fármacos e medicamentos, análises clínicas e toxicológicas,
alimentos, educação, saúde pública, e práticas integrativas e complementares
(CONSELHO, 2015).
Para atuar com fármacos e medicamentos pode-se trabalhar em indústria
farmacêutica, em pesquisa de novos fármacos ou cosméticos, na produção
e no controle de qualidade de medicamentos. Também é possível atuar nas
farmácias de qualquer natureza, seja ela de manipulação, homeopatia e fitote-
rapia ou nas farmácias instaladas nos hospitais e unidades de saúde.
A Farmácia engloba vários tipos de estabelecimentos nos quais o
farmacêutico atua, mas dependendo da natureza dos serviços que nela são
prestados, ela recebe uma denominação, conforme segue na figura abaixo:
Figura 1.4 | Atividades farmacêuticas

Farmácia
Farmácia Farmácia
Pública
Homeopática Manipulação

Farmácia Farmácia
Clínica Dermatológica
Farmácia
Farmácia Farmácia
Hospitalar Veterinária

Farmácia Farmácia
Comunitária Farmácia Oncológica
Fitoterápica

Fonte: elaborada pela autora..

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as funções desenvol-


vidas pelo farmacêutico na farmácia são: orientar os pacientes sobre a correta
utilização dos medicamentos, contribuindo diretamente para o uso racional
dos medicamentos; aconselhar os pacientes sobre os riscos da automedi-
cação, entre outras atividades. A dispensação de medicamentos é um ato
privativo do farmacêutico, segundo o Decreto Federal nº 85.878/81. A Lei
13.021 determina que as farmácias, de qualquer natureza, inseridas nesse

19
contexto, inclusive os dispensários de medicamentos, deverão contar com
a presença de farmacêutico em todo o seu horário de funcionamento (essa
obrigatoriedade já era prevista pela Lei 5991/1973).
Na área de Análises Clínicas e Toxicológicas, o farmacêutico atua tanto
em laboratórios públicos quanto em privados, desempenha as funções de
execução de exames laboratoriais auxiliando no diagnóstico de doenças,
no monitoramento e adesão ao tratamento. Pode também atuar em toxicologia
ocupacional, realizando exames que atestem as condições de saúde do trabalhador
frente ao risco da exposição ocupacional. A área de atuação de Análises Clínicas
não é uma atribuição exclusiva do profissional farmacêutico, sendo dividida com
outras profissões, como, por exemplo, o biomédico.
Figura 1.5 | Setor de um laboratório de análises clínicas

Fonte: https://binged.it/2ZGVrhT. Acesso em: 8 ago. 2019

Na saúde pública, o Ministério da Saúde elaborou a Política Nacional


da Saúde; nela, constam os Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas
(PCDT), que são documentos que estabelecem critérios para o diagnóstico
da doença ou do agravo à saúde, bem como o tratamento preconizado com os
medicamentos e demais produtos apropriados, quando couber; as posologias
recomendadas; os mecanismos de controle clínico; e o acompanhamento e
a verificação dos resultados terapêuticos a serem seguidos pelos gestores do
SUS. Devem ser baseados em evidência científica e considerar critérios de
eficácia, segurança, efetividade e custo-efetividade das tecnologias recomen-
dadas. Principalmente no que diz respeito aos medicamentos excepcionais,
o farmacêutico participa diretamente desse processo nas farmácias de Alto
Custo nas Unidades Federativas, pois cabe ao farmacêutico a verificação de
toda documentação trazida pelo paciente para, assim, se realizar a dispen-
sação dos medicamentos denominados excepcionais de maneira adequada.

20
Reflita
O acompanhamento farmacoterapêutico é uma das atribuições clínicas
do farmacêutico e é um serviço que visa otimizar a farmacoterapia
prescrita. O acompanhamento farmacoterapêutico monitora os efeitos
terapêuticos do medicamento e a verificação de problemas relacio-
nados aos medicamentos, realiza intervenções quando necessário
e avalia os resultados, podendo alcançar melhores perspectivas em
relação à qualidade de vida dos usuários crónicos de medicamentos.
Você poderia imaginar em quais tipos de doenças e seus tratamentos
medicamentosos se faz necessário o serviço de acompanhamento
farmacoterapêutico? Pense sobre isso.

Na saúde pública, o farmacêutico tem como uma de suas atribuições toda


a gestão da farmácia, desde a aquisição até a dispensação dos medicamentos;
ele também atua no atendimento do paciente, dando todas as orientações
necessárias para uma condução correta, segura e racional do uso dos medica-
mentos, garantindo o melhor resultado terapêutico. Para o Ministério da
Saúde, a atuação do farmacêutico na rede pública é uma excelente ferramenta
para a promoção da saúde, e sua participação é essencial.
O profissional farmacêutico também pode atuar na indústria de alimentos
e pode desempenhar diversas funções, entre elas: realização do controle de
qualidade microbiológico, químico, físico-químico das matérias-primas e
produtos acabados; análises sensoriais dos alimentos; e desenvolvimento de
métodos analíticos e de produtos alimentares para uso humano e veterinário.
A área de alimentos não é privativa do profissional farmacêutico, sendo
assim, outras profissões podem atuar nessa área. O farmacêutico que se
especializa na área de alimentos é chamado de farmacêutico bromatologista.

Exemplificando
Alguns farmacêuticos que ganharam destaque na área de alimentos
são: o farmacêutico alemão Henri Nestlé, o criador da Farinha Láctea
Nestlé, que foi desenvolvida por ele para alimentar as crianças que, na
época, estavam com sérios problemas de desnutrição.
No início dos anos 1920, o farmacêutico Jesus Norberto Gomes criou
o guaraná Jesus, uma bebida obtida a partir do extrato de guaraná,
cafeína, teofilina e teobromina, que foi desenvolvida como medica-
mento para tratar indisposições estomacais, mas como era uma bebida
adocicada de sabor agradável, ficou famosa entre os seus familiares e
começou a ser comercializada em sua farmácia.
Em 1886, o farmacêutico Jonh Smith Pemberton criou a formulação da
Coca-Cola.

21
Figura 1.6 | Farinha Láctea Nestlé

Fonte: https://binged.it/30xGmzy. Acesso em: 15 ago. 2019.

Na área de educação, o farmacêutico, a partir de especializações na área,


poderá seguir a carreira acadêmica nas instituições de ensino e pesquisa, no
campo de conhecimento em que tiver maior afinidade, entre outros.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da
Saúde (MS), as práticas integrativas e complementares de Saúde (PICS) são
tratamentos que utilizam recursos terapêuticos baseados em conhecimentos
tradicionais, voltados para prevenir diversas doenças como depressão e
hipertensão. Em alguns casos, também podem ser usadas como tratamentos
paliativos de algumas doenças crônicas. Nesse contexto, o farmacêutico atua
na antroposofia aplicada à saúde, fitoterapia, homeopatia, acupuntura, entre
outras práticas terapêuticas alternativas. As práticas integrativas e comple-
mentares estão autorizadas no Sistema Único de Saúde (SUS) e não substi-
tuem o tratamento tradicional. Elas são um adicional, um complemento no
tratamento e indicadas por profissionais específicos conforme as necessi-
dades de cada caso.

Assimile
Segundo o Ministério da Saúde, a medicina antroposófica fundamen-
ta-se em um entendimento espiritual científico do ser humano e consi-
dera bem-estar e doença como eventos ligados ao corpo, mente e
espírito do indivíduo; realiza abordagem holística com foco em fatores
que sustentam a saúde por meio do reforço da fisiologia do paciente
e da individualidade, em vez de apenas tratar os fatores que causam a
doença (PRÁTICAS Integrativas e Complementares (PICS): quais são e
para que servem, 2019).

22
Atualmente, o farmacêutico também pode atuar no campo da saúde
estética, utilizando técnicas de tratamento facial e corporal por meio de
produtos, materiais e equipamentos adequados para cada tipo de procedi-
mento, atuando na preservação, no melhoramento ou na restauração estética
do corpo humano.
O campo de trabalho para o farmacêutico no Brasil é muito amplo,
com diversas oportunidades de trabalho. Segundo o Conselho Regional de
Farmácia do Estado de São Paulo, em matéria publicada no site, em 2018:
[...] a Profissão farmacêutica foi a terceira profissão que
mais teve contratações formais nos primeiros quatro meses
de ano de 2018. Foi o que apurou o site Quero Bolsa em um
levantamento que teve como base os dados do Cadastro
Geral de Empregados e Desempregados relativos aos
primeiros 4 meses do ano. A informação é da revista Exame.

Para o presidente do Conselho Federal de Farmácia (CFF),


Walter da Silva Jorge João, a estatística é o resultado do
movimento clínico liderado pelo conselho, em franca
expansão no Brasil. Desde 2012, o CFF vem investindo em
iniciativas que resgatam o farmacêutico como protago-
nista do cuidado à saúde dentro da farmácia comunitária, o
segmento que mais emprega farmacêuticos no Brasil.

[...] o presidente do CFF refere-se às resoluções do CFF, que


dispõem sobre as atribuições clínicas do farmacêutico e a
prescrição farmacêutica, ambas aprovadas em 2013. Ele
destaca também a aprovação da Lei 13.021/14, que reclas-
sificou as farmácias como unidades de assistência à saúde.
“Essas legislações desencadearam um boom de contratações,
porque o varejo está investindo em farmácias que prestam
serviços”, analisa. Apenas nas farmácias de redes, segundo
dados da Abrafarma, que congrega esses estabelecimentos,
já são 1,6 mil consultórios farmacêuticos no país (CONSELHO
REGIONAL DO ESTADO DE SÃO PAULO, 2018, [s.p.])”.

A indústria farmacêutica e cosmética cresceu muito nas últimas décadas


e são setores com boas perspectivas salariais e benefícios, no entanto, a
área industrial é um seguimento que requer, além da formação básica dos
profissionais, maior especialização para efetiva contratação em determi-
nados setores, além do conhecimento avançado de outros idiomas, princi-
palmente o inglês.

23
As drogarias e farmácias, devido às normatizações que regulamentam
e indicam a obrigatoriedade da presença do farmacêutico durante todo o
período de funcionamento desses estabelecimentos de saúde, sempre são
uma opção, quase que imediata, para a atuação na profissão, principalmente
para os recém-formados, pois é um seguimento que continua crescendo e que
não exige tanta experiência para a atuação. Todo esse contexto traz perspec-
tivas animadoras para o mercado de trabalho ao profissional farmacêutico.

Sem medo de errar

Agora que você aprendeu os conceitos abordados nesta seção, você


conseguirá solucionar a situação problema exposta, em que Alice, em um dia
de estágio, conheceu Mariana, que também é estudante de Farmácia e que
trabalha como técnica em um laboratório de Análises Clínicas do Hospital
do Câncer. Alice ficou muito curiosa, pois não sabia da existência dessa área.
Para a resolução dessa situação, você precisa relembrar que o farma-
cêutico é um profissional da área de saúde, com formação centrada nos
fármacos, nos medicamentos e na assistência farmacêutica, e de forma
integrada, com formação em análises clínicas e toxicológicas, em cosmé-
ticos e em alimentos, em prol do cuidado à saúde do indivíduo, da família
e da comunidade. Dessa forma, o farmacêutico é o profissional do medica-
mento, porém, ele não se restringe a atuar somente no balcão da farmácia
de dispensação. Ele pode atuar em diferentes campos de trabalho e suas
atribuições podem ser privativas ou não.
A Farmácia possui diversos ramos de atividades, como: farmácia de
dispensação, hospitalar, clínica, veterinária, de homeopatia, de fitoterapia,
análises clínicas e toxicológicas, acupuntura, docência, distribuição e trans-
porte, indústrias de alimentos, cosméticos, medicamentos, insumos farma-
cêuticos, entre outros.
Dentro da área de análises clínicas, o farmacêutico pode atuar tanto
em laboratórios públicos quanto em privados, e desempenha as funções de
execução de exames laboratoriais, auxiliando no diagnóstico de doenças,
no monitoramento e adesão ao tratamento, na pesquisa de novos fármacos
para verificar a eficácia terapêutica, efeitos tóxicos e metabólicos, bem como
pode atuar na toxicologia ocupacional, realizando exames que atestem as
condições de saúde do trabalhador frente ao risco de exposição ocupacional.
A área de atuação de Análises Clínicas não é uma atribuição exclusiva do
profissional farmacêutico, sendo dividida com outras profissões.

24
Das diversas áreas que o farmacêutico pode atuar, aquelas que são de
atribuição privativa são as áreas relacionadas aos medicamentos, como a
indústria farmacêutica no desenvolvimento de novos fármacos, as farmácias
de manipulação, homeopática, de dispensação e de atenção farmacêutica na
farmácia comunitária e hospitalar.

Avançando na prática

Trainee em uma indústria de medicamentos

Uma farmacêutica, recém-formada, estava procurando trabalho e viu em


um site de vagas de emprego que uma indústria farmacêutica estava contratando
Trainees no setor de controle de qualidade, especificamente com direcionamentos
para análises microbiológicas. Como a farmacêutica não tinha experiência na
indústria farmacêutica e não tinha participado de nenhum processo seletivo para
vagas nesse seguimento, ficou em dúvida sobre quais seriam os pontos importantes
que deveria considerar para se preparar para uma entrevista. Caso a farmacêutica
fosse para a entrevista dessa vaga, como ela deveria se preparar? Se você estivesse
no lugar dessa candidata, quais pontos você consideraria para realizar uma boa
entrevista visando a contratação?

Resolução da situação-problema

Dica
No processo de fabricação de medicamentos, cosméticos e alimentos,
a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) exige que sejam
seguidas as Boas Práticas de Fabricação (BPF), uma das exigências que
podem garantir a qualidade, a segurança e a eficácia de produtos e
medicamentos. As análises microbiológicas fazem parte desse contexto.

A qualidade microbiológica de produtos farmacêuticos constitui uma das


particularidades essenciais para garantir segurança, eficácia e aceitabilidade
dos produtos. Dentre as exigências das normas de boas práticas de fabricação
(BPF) está a necessidade de se realizar o controle de qualidade em todas as
fases do processo de fabricação.

25
Assim, a candidata deve conhecer bastante das práticas de análises micro-
biológicas, preferencialmente, ter uma especialização voltada a esse contexto,
deve estar bastante atualizada sobre as legislações que incidem neste contexto
e fluente em outros idiomas, essas e outras considerações devem ser conside-
radas. Busque complementar essas observações em seus estudos.

Faça valer a pena

1. O farmacêutico é um profissional da área da saúde que, além do trabalho


direto na farmácia, também atua em outras diferentes especialidades.
Sobre as áreas de atuação da profissão farmacêutica, assinale a alternativa
correta:
a. O farmacêutico pode atuar na dispensação de medicamentos, sendo
uma atribuição privativa dos profissionais farmacêuticos.
b. Na área de alimentos, o farmacêutico pode atuar especialmente no
controle de qualidade, e essa é uma atribuição privativa do farmacêutico.
c. Nas Análises Clínicas, o farmacêutico pode ser responsável pelo
banco de sangue, sendo uma atribuição exclusiva do profissional
farmacêutico.
d. A área de medicamentos é um campo dividido entre farmacêuticos
e outras profissões, pois o farmacêutico não é o profissional do
medicamento.
e. Uma área de atuação nova do profissional farmacêutico é a saúde
estética, e isso está ampliando o mercado de trabalho, pois é uma área
exclusiva de atuação do farmacêutico.

2. Na saúde pública, o farmacêutico participa do contexto das políticas


públicas de saúde, suas atribuições vão desde a _________ até a garantia da
qualidade dos processos. Ele também atua no ____________ do paciente
dando todas as orientações necessárias para uma condução correta, segura
e ___________ do uso dos medicamentos, garantindo melhores resultados
terapêuticos.
Analise a sentença e complete as lacunas.
a. negociação; auxílio; racional.
b. aquisição; atendimento; racional.
c. compra; manuseio; analítica.

26
d. manuseio; eficaz; atendimento.
e. obtenção; negociação; eficaz.

3. A Farmácia é uma área da saúde que apresenta diversos campos de


trabalho, porém, não importa o ramo de atuação, todo farmacêutico tem
obrigação de conhecer as normas que regulamentam suas atividades. Sobre
as áreas de atuação farmacêutica, analise as afirmativas a seguir:
I. O farmacêutico pode atuar na área de análises clínicas e toxicoló-
gicas, sendo o profissional responsável pelo diagnóstico das doenças.
II. As plantas medicinais são utilizadas para tratar doenças desde a
antiguidade, mas só recentemente a fitoterapia recebeu reconheci-
mento dos órgãos governamentais. Atualmente, algumas plantas
medicinais e medicamentos fitoterápicos são distribuídos pelo
Sistema Único de Saúde.
III. Estabelecimentos públicos ou privados onde ocorre a dispensação
de medicamentos devem contar com a assistência de um responsável
técnico, seja o farmacêutico ou outro profissional da saúde.
É correto o que se afirma em:
a. I, apenas.
b. II, apenas.
c. I e II, apenas.
d. II e III, apenas.
e. I, II e III.

27
Seção 3

Conceitos de interesse farmacêutico

Diálogo aberto
Olá, aluno!
Após conhecer como ocorreu a evolução do processo histórico da
Farmácia e as diversas áreas de atuação do profissional farmacêutico, nesta
seção, iniciaremos nosso estudo sobre alguns conceitos de interesse farma-
cêutico. Você compreenderá as diferenças entre medicamentos, remédios
e drogas, entre medicamentos alopáticos e homeopáticos, e conhecerá o
que são medicamentos referência, genérico e similar, bem como em quais
circunstâncias pode ocorrer a intercambialidade deles.
Para tanto, vamos relembrar a situação hipotética apresentada no início
da unidade sobre a Alice, estudante do curso de Farmácia que está fazendo
estágio em uma grande farmácia do bairro onde mora e se depara, todos os
dias, com algumas situações que fazem com que ela se apaixone ainda mais
pelo curso.
Durante o estágio, Alice conheceu o Sr. Reginaldo, um paciente que
frequenta a farmácia toda semana. Certo dia, ele foi à farmácia com uma
receita na qual estava prescrito um medicamento referência, porém, de custo
muito elevado. O Sr. Reginaldo quis saber se havia alguma possibilidade de
trocar esse medicamento por outro mais barato. Quais são os conhecimentos
que ela precisou ter para orientar corretamente o paciente?

Não pode faltar

Embora as pessoas utilizem popularmente as palavras medicamentos,


remédios e drogas com um mesmo significado, na verdade, no meio acadê-
mico eles apresentam conceitos diferentes, e, por isso, não podemos utilizar
esses vocábulos como se tivessem o mesmo sentido.
Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), medica-
mento é um produto farmacêutico, tecnicamente obtido ou elaborado desti-
nado ao diagnóstico, tratamento, cura ou prevenção de doenças em humanos
ou animais. É uma forma farmacêutica final que contém o fármaco, e, geral-
mente, é utilizada a associação de adjuvantes farmacotécnicos . A diversidade
de suas ações e seus efeitos sobre o organismo é umas das extraordinárias

28
qualidades do medicamento, o que torna seu uso seletivo em várias condi-
ções patológicas, envolvendo órgãos, tecidos ou células.
Os medicamentos contêm fármacos que atuam especificamente nos
sistemas e órgãos do nosso corpo, como, por exemplo, existem fármacos que
estimulam seletivamente o músculo cardíaco, assim como os que produzem
efeito contrário, inibindo a ação desse músculo .
Segundo Seizi Oga e colaboradores (2014), fármaco é toda substância de
estrutura química definida, capaz de modificar ou explorar o sistema fisio-
lógico ou estado patológico, utilizado em benefício do organismo receptor.
Ele tem como objetivo o uso para um efeito benéfico no organismo, como,
por exemplo, o alívio da dor ou diminuição da inflamação. A Organização
Mundial da Saúde (OMS) emprega os vocábulos fármaco e medicamento
como sinônimos, porém, no Brasil, no meio acadêmico, é comum a distinção
entre eles.
Droga é o termo empregado para substância ou matéria-prima que tenha
a finalidade medicamentosa ou sanitária, e por pessoas leigas é frequen-
temente utilizada para especificar as substâncias de uso abusivo e que
provocam dependência (LARINI, 2008). Para Seizi e colaboradores (2014), a
droga é entendida como qualquer substância capaz de modificar ou explorar
o sistema fisiológico ou estado patológico, utilizada com ou sem intenção
de benefício para o organismo receptor . Essas alterações podem ser tanto
benéficas quanto maléficas, como, por exemplo, estímulos cerebrais que
podem causar alucinações. As drogas podem ser utilizadas como ingredientes
em diversas indústrias, como as de medicamentos, cosméticas, químicas, etc.

Atenção
Pensando nisso, é importante você compreender as diferenças entre
fármaco e droga, dessa forma, podemos concluir que todo fármaco é
uma droga, mas nem toda droga é considerada um fármaco.

Popularmente, é muito comum o emprego do termo remédio como algo


utilizado para combater uma moléstia ou uma situação de desconforto.
O conceito de remédio está associado a todo e qualquer tipo de cuidado
utilizado para curar ou aliviar doenças, desconforto, sintomas e mal-estar
(ANVISA, 2010).

29
Assimile
Remédio é tudo aquilo que gera “bem-estar”. São meios ou cuidados
terapêuticos que ajudam a acalmar as sensações de desconforto.
Quando utilizados na forma de chás ou outras formas de utilização de
substâncias químicas, não podem ser considerados medicamentos,
pois são substâncias que não têm comprovação científica de órgãos
como a Anvisa, do Ministério da Saúde, e nem passaram por todas as
rigorosas etapas de fabricação, criteriosamente regulamentadas para
que possam ser enquadrados como um medicamento. Dessa forma,
todos os medicamentos são remédios, mas nem todos os remédios
são medicamentos. Pensando nisso, uma planta medicinal que você
utiliza para fazer um chá caseiro para tratar um resfriado ou um banho
quente para aliviar tensões, pode ser um remédio, mas não um medica-
mento. Muitos remédios têm origem em conhecimento popular, que vai
passando de geração em geração.

Você acabou de conhecer a diferença entre medicamentos e remédios,


agora, nós iremos estudar as diferenças dos medicamentos alopáticos,
homeopáticos e fitoterápicos.

Medicamentos alopáticos
A alopatia é a chamada medicina tradicional, que procura tratar
diretamente os sintomas utilizando medicamentos que irão produzir no
organismo do paciente uma reação contrária aos sintomas que ele apresenta
com o objetivo de neutralizá-los ou diminuí-los. Por exemplo, se o paciente
apresenta uma diarreia, prescreve-se um fármaco que irá constipar o intes-
tino; se apresenta febre, o médico prescreverá um medicamento que faça
diminuir a temperatura, etc. Dessa forma, será administrado aos pacientes
medicamentos como anti-inflamatórios, que combatem uma inflamação;
antibióticos, que combatem infecções; e analgésicos, que combatem uma dor.
Os medicamentos alopáticos são produzidos pelas indústrias farmacêu-
ticas em larga escala ou também pelas farmácias de manipulação, seguindo
a prescrição médica. Nas farmácias e drogarias são os principais produtos
farmacêuticos vendidos.

30
Os principais problemas encontrados nos medicamentos alopáticos são os
efeitos colaterais e a toxicidade, pois, enquanto a homeopatia utiliza substân-
cias extremamente diluídas, a alopatia utiliza substâncias mais concentradas.
Figura 1. 7 | Medicamentos alopáticos

Fonte: Shutterstock.

Medicamentos homeopáticos
A homeopatia se baseia na teoria de Hipócrates. Ele compreendia a
doença como uma perturbação do equilíbrio, o qual mantinha o ser humano
em harmonia consigo mesmo e com a natureza. Hipócrates evidenciou que
os sintomas são reações que o organismo produz frente à doença. Dessa
forma, a base da homeopatia é: “A doença é produzida pelos semelhantes
e pelos semelhantes o paciente retorna à saúde” (FONTES, 2012, p. 2), por
exemplo, substâncias que causavam tosse e diarreia e provocavam vômitos
curavam doenças que apresentavam sintomas semelhantes, desde que utili-
zadas em doses extremamente diluídas e dinamizadas. Em várias obras
atribuídas a Hipócrates há trechos que dizem similia similibus curantur, ou
seja, o semelhante será curado pelo semelhante.

Pesquise mais
Você pode saber mais sobre o que é homeopatia realizando a leitura do
Capítulo 1: História, Princípios e Fundamentos da Homeopatia, pág. 9,
que está presente na obra:
FONTES, O. L. et al. Farmácia Homeopática: teoria e prática. 4. ed.
Barueri: Manole, 2012. Disponível em: https://integrada.minhabiblio� -
teca.com.br/#/books/9788520444603/cfi/30!/4/4@0.00:0.00. Acesso
em: 11 set. 2019.
(Lembrando que, para conseguir acesso ao livro, você deve estar logado
na Biblioteca Virtual.

31
Os medicamentos homeopáticos se diferem dos medicamentos alopáticos
utilizados na medicina convencional. Segundo Hahnemann, médico criador
da homeopatia, os medicamentos homeopáticos realizam a cura mediante
sua capacidade dinâmica de atuar sobre a vitalidade.
A finalidade do medicamento homeopático é prevenir ou curar por meio
da sua capacidade de ativar todo um complexo reativo natural; para isso,
deve ser diluído e potencializado seguindo uma farmacotécnica especial e
empregado de acordo com a lei dos semelhantes.
Os medicamentos homeopáticos são preparados por meio de sucessivas
diluições de uma solução mais concentrada até se alcançar concentrações
muito pequenas; dessa forma, são considerados seguros, e seu uso é indicado
para crianças muito pequenas ou mesmo idosos, desde que com o acompa-
nhamento adequado. São elaborados a partir de extratos minerais, vegetais,
animais e sintéticos na forma de preparações dinamizadas, baseando-se na
diluição e na sucessão da mistura. Esses medicamentos apresentam diversas
formas de apresentação: líquidos, glóbulos, pastilhas, pó, tabletes.
Segundo a Farmacopeia homeopática brasileira (2011, p. 17), o medica-
mento homeopático é “toda forma farmacêutica de dispensação minis-
trada segundo o princípio da semelhança, com finalidade curativa e/ou
preventiva. É obtido através da técnica de dinamização e utilizado para uso
interno e externo”.

Figura 1. 8 | Medicamento homeopático

Fonte: Shutterstock.

32
Medicamentos fitoterápicos
Os medicamentos fitoterápicos são produzidos a partir de matérias-
-primas das plantas medicinais ou mesmo de seus princípios ativos. Eles
fazem parte da categoria dos medicamentos alopáticos, e o que os diferencia
são os princípios ativos e a forma de obtenção. As plantas medicinais são à
base de produção dos fitoterápicos e utilizadas como remédios na medicina
popular para tratar os problemas de saúde, normalmente nas formas de chá,
infusões e outros métodos .
Os fitoterápicos, como qualquer outro medicamento, devem seguir todas
as normas sanitárias e possuir registro na Anvisa, pois, dessa forma, sua
eficácia e segurança são validadas. Esses medicamentos são caracterizados
pela sua eficácia na cura de doenças ou na amenização de seus sintomas.

Exemplificando
Em sua opinião, podemos dizer que os medicamentos fitoterápicos e as
plantas medicinais significam a mesma coisa?
Não. As plantas medicinais são espécies vegetais que apresentam
substâncias em sua composição que auxiliam no tratamento de doenças
ou melhoram a situação da saúde das pessoas. A grande maioria delas
encontra-se descrita na primeira edição da Farmacopeia Brasileira
(1929). Elas são muito utilizadas pela população como produto natural e
agente promotor de cura.
Já o medicamento fitoterápico passa por um rigoroso processo de indus-
trialização e normalização para ser comercializado, bem como são obtidos
a partir das plantas medicinais ou parte delas como princípio ativo.

Figura 1.9 | Medicamento fitoterápico

Fonte: Shutterstock.

33
Agora que você já conheceu o que são os medicamentos alopáticos,
homeopáticos e fitoterápicos, você irá estudar os conceitos de medicamentos
de referência ou também conhecidos como de marca, genéricos e similares.

Medicamentos de referência
Os medicamentos de referência são os produtos inovadores, que são
registrados no órgão federal, responsável pela vigilância sanitária, e comer-
cializados no país. A eficácia, a segurança e a qualidade foram comprovadas
cientificamente junto ao órgão federal competente por ocasião do pedido de
registro (LARINI, 2008).
O laboratório que desenvolveu o princípio ativo tem o direito de produzir e
comercializar com exclusividade durante 20 anos, e só depois de passado esse
período, o medicamento poderá ser produzido por outros fabricantes. Todo
medicamento de referência é identificado pelo nome de marca (comercial)
em suas embalagens e foi o primeiro a obter registro para comercialização.
Os medicamentos de referência são divididos em grupos de acordo com o
insumo farmacêutico e as formas farmacêuticas. A lista desses medicamentos
está disponibilizada no endereço eletrônico da Anvisa.
A inclusão de um fármaco na lista de medicamentos de referência atribui
um parâmetro de eficácia, segurança e qualidade para os registros de medica-
mentos genéricos e similares no Brasil, sendo utilizado como comparador
nos testes de bioequivalência quando aplicáveis.

Vocabulário
Segundo Larini (2008, p. 33), Bioequivalência:
[...] consiste na demonstração de equivalência farmacêu-
tica entre produtos apresentados sob a mesma forma
farmacêutica, contendo idêntica composição qualitativa e
quantitativa de princípio(s) ativo(s) e que tenham compa-
rável biodisponibilidade, quando estudados sob um mesmo
desenho experimental.

Segundo Larini (2008, p. 33), Biodisponibilidade:


[[...] indica a velocidade e a extensão de absorção de um
princípio ativo em uma forma de dosagem, a partir de sua
curva concentração/tempo na circulação sistêmica ou sua
excreção na urina.

34
Reflita
Você sabia que os medicamentos de referência e os genéricos são inter-
cambiáveis?

Figura 1.10 | Medicamento genérico, Lei nº 9.787/1999

Fonte: Shutterstock.

Na Figura 1.10, você observa a embalagem de um medicamento genérico,


em que deve constar “medicamento genérico”, o número da Lei nº 9.787/1999
e a tarja amarela para que seja facilitada a sua identificação.
Considerando que os medicamentos genéricos possuem as mesmas
características do medicamento de referência e que são comprovados por
testes comparativos e registrados na Anvisa, eles são intercambiáveis. A
intercambialidade é a possibilidade de substituição de um medicamento
referência por um medicamento genérico e vice-versa.

Medicamentos similares
O medicamento similar deve conter o mesmo princípio ativo, com
idêntica concentração, mesma forma farmacêutica, via de administração,
posologia e indicação terapêutica, equivalente ao medicamento referência
registrado na Anvisa; porém, pode se diferenciar pelas propriedades relativas
ao tamanho e forma do produto, embalagem, rotulagem, prazo de validade,
veículos e excipientes, devendo sempre ser identificado pelo nome comercial.
Ao longo do nosso estudo sobre os medicamentos de referência, genéricos
e similares, você encontrou, por diversas vezes, a citação do vocábulo forma
farmacêutica, e neste momento, você entenderá o seu conceito.

35
Formas farmacêuticas
A forma farmacêutica é como o fármaco ou o princípio ativo se apresenta
no medicamento; é responsável por levar o fármaco até o organismo. Para
que o fármaco seja corretamente absorvido pelo corpo, é necessário verificar
a sua via de introdução, que pode ser por via oral, retal, intravenosa, entre
outras.
Um mesmo princípio ativo pode apresentar várias formas farmacêuticas
distintas para diferentes vias de administração ou na mesma via, proporcio-
nando uma forma mais fácil de administração de medicamentos, protegendo
a substância ativa contra as barreiras do corpo que dificultam sua entrada,
auxiliando o fármaco a chegar ao seu local de ação e garantindo a precisão
da dose.
Existem muitas possibilidades de formas farmacêuticas:
• Formas farmacêuticas sólidas:
– Comprimidos, drágeas, cápsulas e grânulos, que são de via de
administração oral.
– Supositórios, que são formas farmacêuticas para adminis-
tração retal.
– Óvulos para serem introduzidos por via vaginal.
• Formas farmacêuticas semissólidas:
– Pomada, creme, gel, pasta e emplastro, que são prepara-
ções para serem aplicadas na superfície do corpo, na pele ou
mucosas.

• Formas farmacêuticas líquidas:


– Xaropes, soluções e suspensões, que são de via de adminis-
tração oral.
– Colírios, que são soluções para uso oftálmico.
– Emulsões, que também podem ser líquidas e são utilizadas
para a pele.
– Soluções injetáveis, que são preparadas para serem adminis-
tradas via parenteral (subcutânea, intramuscular e intravenosa).

36
Figura 1.11 | Algumas formas farmacêuticas sólidas

Fonte: Shutterstock.

Os medicamentos são produtos farmacêuticos que necessitam de uso


diferenciado, e por isso existe uma lei federal que determina que eles devem
ser comercializados somente em locais específicos, como as farmácias e
drogarias, que são locais considerados como estabelecimento de saúde;
e para funcionarem, devem possuir um farmacêutico como responsável
técnico durante todo o horário de funcionamento, bem como a autorização
da Vigilância Sanitária e do Conselho de Farmácia.
O farmacêutico é o profissional do medicamento, ele é responsável pela
assistência farmacêutica que envolve desde a pesquisa e desenvolvimentos
dos fármacos até a dispensação, o acompanhamento e a avaliação do uso do
medicamento pela população, promovendo o uso racional dos medicamentos.

Assimile
Você sabe a diferença de farmácias, drogarias e ervanarias?
Segundo a Lei nº 5.991, de 17 de dezembro de 1973:

Farmácias são estabelecimentos de manipulação de


fórmulas magistrais e oficinais, de comércio de drogas,
medicamentos, insumos farmacêuticos e correlato,
compreendendo o de dispensação e o de atendimento
privativo de unidade hospitalar ou de qualquer outra
equivalente de assistência médica.

Drogarias são estabelecimentos de dispensação e comércio


de drogas, medicamentos, insumos farmacêuticos e corre-
latos em suas embalagens originais.

37
Ervanaria são estabelecimentos que realizam dispensação
de plantas medicinais. (BRASIL, 1973, p. 1-2)

Com a nova Lei nº 13.021/2014, tivemos uma alteração na definição de


farmácias, confirmando que é um estabelecimento de saúde e permi-
tindo que, no local, sejam prestados serviços pelo farmacêutico. O
conceito legal não sofreu alteração em comparação à Lei nº 5.991/1973,
na qual consta a definição no artigo 4º, X; dessa forma, continua abran-
gendo as farmácias hospitalares, públicas ou privadas, as que abastecem
pronto atendimento, entre outras.

Segundo a Lei nº 13.021/2014, artigo 3º:

Farmácia: é uma unidade de prestação de serviços desti-


nada a prestar a assistência farmacêutica, assistência à
saúde e orientação sanitária individual e coletiva, na qual
se processe a manipulação e/ou dispensação de medica-
mentos magistrais, oficinais, farmacopeicos ou industria-
lizados, cosméticos, insumos farmacêuticos, produtos
farmacêuticos e correlatos. (BRASIL, 2014, p. 3)

Farmácia passou a ser um termo mais amplo para abranger não apenas
farmácias com manipulação propriamente dita, mas também drogarias,
pois embora o conceito legal de drogarias, segundo a Lei nº 5.991, não
tenha sido alterado, as drogarias passaram a ser classificadas como
“farmácia sem manipulação”.

Sem medo de errar

Agora que você aprendeu mais sobre os medicamentos e conheceu as


diferenças dos conceitos de droga, fármaco, remédio, medicamentos alopá-
ticos, homeopáticos e fitoterápicos, além de compreender as diferenças entre
os medicamentos de referência, genérico e similar, vamos solucionar a situa-
ção-problema apresentada no Diálogo aberto, em que temos a estudante
Alice, que, durante o estágio, conheceu o Sr. Reginaldo, um paciente que
frequenta a farmácia toda semana. Certo dia, ele foi à farmácia com uma
receita na qual estava prescrito um medicamento de referência, porém, de
um custo muito elevado, e quis saber se havia alguma possibilidade de trocar
esse medicamento por outro mais barato.
Para a resolução dessa situação, você precisa compreender o que são
os medicamentos de referência, genérico e similares, e também quando é
possível realizar a intercambialidade deles.

38
O medicamento de referência é o produto inovador registrado no órgão
federal responsável pela vigilância sanitária cuja eficácia, segurança e quali-
dade foram comprovadas cientificamente. No dia a dia do comércio farma-
cêutico, é comum indicar o medicamento de referência como o “produto
ético”, comercializado pelo nome de marca.
O medicamento genérico é semelhante ao produto referência ou inovador
que, geralmente, é produzido após o término ou renúncia dos direitos de
exclusividade. Ele possui o mesmo princípio ativo, mesmo efeito, mesma
dosagem, mesma forma farmacêutica e a mesma indicação de um medica-
mento de referência, e ambos são intercambiáveis, ou seja, é possível tomar o
genérico no lugar do de referência e vice-versa, com toda segurança.
As linhas de produção dos medicamentos genéricos são constantemente
inspecionadas e precisam obedecer rigorosamente aos padrões estabelecidos
pelas Boas Práticas de Fabricação.
O medicamento similar deve conter o mesmo princípio ativo, com
idêntica concentração, mesma forma farmacêutica, via de administração,
posologia e indicação terapêutica, equivalente ao medicamento referência
registrado na Anvisa, porém, pode se diferenciar pelas propriedades relativas
ao tamanho e forma do produto, embalagem, rotulagem, prazo de validade,
veículos e excipientes e é identificado pelo seu nome de marca. Tal medica-
mento possui eficácia, segurança e qualidade comprovadas por meio de
testes científicos, além disso, é registrado pela Anvisa,
Os produtos similares necessitam apresentar os testes de equivalência
farmacêutica e biodisponibilidade para a obtenção do registro, dessa forma,
têm equivalência farmacêutica apenas com os medicamentos de referência,
assim, nenhum similar poderá ser intercambiável com outro similar. Pouco
tempo atrás, a Anvisa publicou a Resolução da Diretoria Colegiada (RDC
nº 58/2014), que recomenda os procedimentos para a intercambialidade de
medicamentos similares com o medicamento de referência, dessa forma,
somente os similares que tenham comprovado a equivalência farmacêutica
com o produto inovador poderão apresentar na bula que podem ser interca-
bializados aos de referência.

Atenção
Na bula do medicamento similar, a informação de que o produto pode
ser intercambiável deve estar presente e conter os dizeres: “MEDICA-
MENTO SIMILAR EQUIVALENTE AO MEDICAMENTO DE REFERÊNCIA”
(RDC nº 47/2009).

39
Segundo a Lei nº 9.787, de 10 de fevereiro de 1999: “o produto farmacêu-
tico intercambiável corresponde ao equivalente terapêutico de um medica-
mento de referência, quando comprovados, essencialmente, os mesmos
efeitos de segurança e eficácia” (BRASIL, 1999, [s.p.]).
Para que os medicamentos sejam intercambiáveis, ou seja, substituíveis,
precisam apresentar um dos três testes: biodisponibilidade para os similares,
bioequivalência no caso dos genéricos e bioisenção cujo objetivo é comprovar
a igualdade dos produtos.

Avançando na prática

Forma farmacêutica

Matheus, um menino de 5 anos, comparece ao pronto atendimento de


saúde acompanhado pela mãe, que relata que o filho está sentindo dores e
ardência ao urinar e que sente muita vontade de ir ao banheiro, mas urina
pouco. Após a realização do exame de urina, o médico concluiu que Matheus
está com uma infecção do trato urinário e prescreve um antibiótico para
tratar a infecção. A mãe de Matheus vai à farmácia para adquirir o medica-
mento e ele está na forma de comprimido revestido. Chegando em casa, ele
tenta tomar o medicamento, mas não consegue engolir, pois o comprimido é
muito grande. Sua mãe, então, teve a ideia genial de triturar o comprimido.
A conduta tomada pela mãe de Matheus está correta? O que o farmacêutico
poderia fazer para otimizar o tratamento de Matheus?

Resolução da situação-problema
As formas farmacêuticas são as diversas formas físicas que os medica-
mentos podem apresentar, proporcionando a utilização pelo paciente.
Os motivos de se produzir inúmeras formas farmacêuticas diferentes são:
garantir a precisão da dose e a presença no local de ação, facilitar a adminis-
tração e a ingestão da substância ativa e proteger o princípio ativo contra as
barreiras do corpo que possam dificultar a sua entrada, como, por exemplo, o
suco gástrico do estômago. Em alguns casos, as formas farmacêuticas possibilitam
a administração de medicamentos por pacientes de diferentes faixas etárias.
As formas farmacêuticas podem influenciar significativamente a ação e
o uso dos medicamentos devido à sua especificidade, como, por exemplo, o
comprimido sendo administrado pela via oral, um supositório por via retal e

40
assim por diante. É importante que você compreenda que uma criança utiliza
mais os medicamentos líquidos e um adulto mais as formas sólidas, como
comprimidos e cápsulas, pois para uma criança é mais fácil engolir gotas do
que engolir um comprimido.
A maioria das soluções líquidas são utilizadas pela via oral principal-
mente para idosos e crianças, pois permitem a fácil administração e deglu-
tição quando comparadas a cápsulas e comprimidos, e também permitem a
variação de dosagem pela alteração do volume a ser administrado.

Faça valer a pena

1. Medicamento é um produto farmacêutico tecnicamente obtido ou elabo-


rado em laboratórios sob a fiscalização de um farmacêutico com a finalidade
de diagnosticar, prevenir, curar doenças ou aliviar seus sintomas.
Sobre o contexto dos medicamentos e fármacos, assinale a alternativa correta:
a. Todos os remédios são considerados medicamentos, pois são qualquer
tipo de cuidado utilizado para curar ou aliviar doenças, sintomas,
desconforto e mal-estar.
b. A principal matéria-prima utilizada para a fabricação dos medica-
mentos fitoterápicos são os extratos de origem animal, vegetal e mineral.
c. O fármaco é toda substância de estrutura química definida, capaz de
modificar ou explorar o sistema fisiológico ou estado patológico em
benefício do organismo receptor.
d. Toda droga é considerada um fármaco, pois é qualquer substância que
cause alguma alteração no funcionamento do organismo por ações
químicas, que podem ter efeitos tanto benéficos quanto maléficos.
e. A maconha, o exctasy e o LSD são substâncias consideradas fármacos,
pois são substâncias químicas de estrutura definida que causam
alterações benéficas ao organismo.

2. Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), medica-


mento é um produto farmacêutico, tecnicamente obtido ou elaborado desti-
nado ao diagnóstico, ao tratamento, à cura ou à prevenção de doenças em
humanos ou animais.
I. O medicamento ____________ é produzido por meio de sucessivas
diluições a partir de uma solução concentrada até chegar a concentra-

41
ções muito pequenas. A teoria empregada para esse tipo de medica-
mento é a cura por meio de “semelhante curando semelhante”.
II. O medicamento ____________ atua realizando um efeito contrário
aos sintomas sentidos pelo paciente doente, assim, quando o paciente
apresenta febre, é administrado um antitérmico.
III. O medicamento ____________ é um produto obtido a partir de um
processo de industrialização que utiliza a planta ou parte dela como
princípio ativo
Analise as sentenças e complete as lacunas:
a. alopático; homeopático; fitoterápico.
b. industrializado; manipulado; alopático.
c. referência; alopático; fitoterápico.
d. referência; genérico; similar.
e. homeopático; alopático; fitoterápico.

3. Os medicamentos são produtos feitos a partir de fármacos que têm a


finalidade de provocar um efeito benéfico. São produzidos para fins comer-
ciais com finalidade terapêutica, e existem normas e controles para a sua
fabricação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Sobre os
medicamentos, analise as afirmativas a seguir:
I. O medicamento referência é todo aquele produto inovador cuja
eficácia, segurança e qualidade foram comprovadas cientificamente.
Todo o medicamento de referência possui o nome do princípio ativo
em suas embalagens.
II. O medicamento genérico é igual ao medicamento de referência, o
qual se apresenta exclusivamente com o nome do princípio ativo,
não sendo permitida a utilização de nome comercial.
III. O medicamento similar é aquele que contém o mesmo ou os
mesmos princípios ativos do produto inovador, apresenta mesma
concentração, forma farmacêutica, via de administração, posologia
e indicação terapêutica, podendo diferir em características relativas
ao tamanho e forma do produto, prazo de validade, embalagem,
rotulagem, excipientes e veículo. Os produtos similares podem ser
intercambiáveis com os medicamentos genéricos.

42
  É correto o que se afirma em:
a. I, apenas.
b. II, apenas.
c. III, apenas.
d. I e III, apenas.
e. I, II e III.

43
Referências

ALLEN, L. V.; POPOVIVCH, N. G.; ANSEL H. C. Formas farmacêuticas e sistemas de


liberação de fármacos. 9. ed. Porto Alegre: Artmed, 2013.

ALLEN, L. V. Introdução à farmácia de Remington. Porto Alegre: Artmed, 2016.

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C3%A7%C3%A3o+-+Volume+1/4c530f86-fe83-4c4a-b907-6a96b5c2d2fc. Acesso em: 15 ago.
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Brasília, 2019. Disponível em: http://portal.anvisa.gov.br/registros-e-autorizacoes/medica-
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ANVISA — Agência Nacional de Vigilância Sanitária. O que devemos saber sobre medica-
mentos. Brasília, 2010. Disponível em: http://www2.ebserh.gov.br/documents/214604/816023/
Cartilha+ANVISA.pdf/a0af7f45-7ef8-478c-bb06-9a1d2b4bdeb0. Acesso em: 20 ago. 2019.

BRASIL. Lei no 5.991, de 17 dezembro de 1973. Dispõe sobre o controle sanitário do comércio
de drogas, medicamentos, insumos farmacêuticos e correlatos, e dá outras providências.
Brasília, 1973. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L5991.htm. Acesso em:
11 set. 2019.

BRASIL. Lei nº 13.021, de 8 de agosto de 2014. Dispõe sobre o exercício e a fiscalização das
atividades farmacêuticas. Brasília, 2014. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_
Ato2011-2014/2014/Lei/L13021.htm. Acesso em: 11 set. 2019.

BRASIL. Ministério da Saúde. Práticas integrativas e complementares (PICS): quais são e para
que servem. 2019. Disponível em: http://www.saude.gov.br/saude-de-a-z/praticas-integrativas-
-e-complementares. Acesso em: 18 ago. 2019.

CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO. Resolução nº 6, de 19 de outubro de 2017. Institui


as Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Farmácia e dá outras provi-
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SOARES, J. F. T. O papel das análises clínicas na assistência farmacêutica. Rio de Janeiro,


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YAMAMOTO, C. H. et al. Controle de qualidade microbiológico de produtos farmacêuticos,


cosméticos e fitoterápicos produzidos na Zona da Mata, MG. In: CONGRESSO BRASILEIRO
DE EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA, 2, 2004. Zona da Mata. Anais... Zona da Mata, 2004.
Unidade 2
Flávia Soares Lassie

Legislação sanitária e profissional farmacêutica

Convite ao estudo
Nos últimos tempos vivemos cercados pela tecnologia que possibilitou
novas descobertas. O maior acesso e o uso crescente de medicamentos têm
sido considerados os responsáveis pela melhoria nos avanços da saúde.
Porém, na mesma proporção, os dados de morbimortalidade associados ao
uso indiscriminado de medicamentos também têm se elevado, e esse uso está
liderando o ranking de intoxicações no país desde 2006, constituindo diversos
riscos para a saúde do paciente. O profissional farmacêutico é responsável
por promover ao paciente o uso racional de medicamentos, proporcionando
essa utilização para suas condições clínicas em doses adequadas às necessi-
dades individuais por um período adequado.
O farmacêutico requer, como em toda a profissão, o seguimento de
normas e legislações, assegurando que o paciente tenha acesso a uma assis-
tência farmacêutica realizada com qualidade.
O estudo desta unidade será de grande importância para o seu cotidiano
profissional e será um grande aprendizado para o conhecimento de algumas
das principais legislações que regulamentam a profissão farmacêutica.
Para melhor compreensão das legislações farmacêuticas convido
você a ler com atenção o contexto de aprendizagem desta unidade. Você
está preparado?
Seção 1

Principais legislações sanitárias voltadas à


profissão farmacêutica

Diálogo aberto
Olá aluno, seja bem-vindo a nossa primeira seção de estudos! Nesta
seção, você acompanhará uma profissional farmacêutica, recém-formada,
que vai se deparar com várias situações desafiadoras na rotina de trabalho,
as quais serão muito importantes para a sua experiência e desenvolvimento
profissional. Considerando o contexto da saúde, quais são as principais leis
que determinam a fiscalização sanitária do comércio de medicamentos e
serviços farmacêuticos? Será que neste contexto da atuação em farmácia a
profissional deverá estar atualizada com as normas sanitárias que regula-
mentam esse segmento?
Em um dia de trabalho, na rotina da farmácia de uma grande rede da
cidade onde mora, a profissional recém-formada se deparou com o atendi-
mento de uma cliente que procurava alguns itens na farmácia, mas não estava
encontrando nas gôndolas da área de circulação comum para os clientes da
farmácia. Essa cliente havia esquecidos alguns ornamentos de beleza em sua
residência, e sem tempo de voltar e aproveitando que iria comprar um creme
para as suas mãos, ela procurava algumas bijuterias na farmácia. Como não
estava encontrando, ela pediu ajuda à farmacêutica, que prontamente lhe
explicou porque não estava encontrando tais produtos. Qual explicação, em
relação a esse contexto, que a farmacêutica deveria dar à cliente? Poderia
existir alguma complicação perante as normas sanitárias de se comercializar
esses produtos na farmácia? Como você ajudaria a farmacêutica a responder
esses questionamentos?
Durante o estudo dessa seção você aprenderá conteúdos que abordam
as principais legislações da profissão para ajudá-lo a resolver essa situação.
Vamos lá?

Não pode faltar

Para iniciarmos nosso estudo sobre legislação sanitária, primeiramente


vamos entender qual é o conceito da palavra.
Legislação significa ato de legislar, de fazer leis, é a área de conheci-
mento das leis. A legislação é um instrumento formal por meio do qual

48
se deve estruturar o setor da saúde a fim de permitir seu funcionamento
ideal. Nesse contexto, foram criadas diversas leis para regulamentar e
direcionar a aplicação das políticas públicas no âmbito da saúde e deter-
minar o controle sanitário a partir de normas que também incidem sobre a
profissão do farmacêutico.

Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990


A referida lei aborda as condições para a promoção, proteção e recupe-
ração da saúde, além do funcionamento e da organização dos serviços de
saúde. Segundo o art. 1:

Esta lei regula, em todo o território nacional, as ações e


serviços de saúde, executados isolada ou conjuntamente,
em caráter permanente ou eventual, por pessoas naturais
ou jurídicas de direito público ou privado. (Lei 8.080/90)

A saúde, segundo a Constituição Federal (1988), é direito de todos e


dever do estado. Isso quer dizer que qualquer pessoa pode utilizar das ações
e serviços de saúde, independentemente de prévia contribuição ou grau de
necessidade do cidadão.
De acordo com o parágrafo 1 do artigo segundo da referida lei:

O dever do Estado de garantir a saúde consiste na formulação


e execução de políticas econômicas e sociais que visem à
redução de riscos de doenças e de outros agravos e no estabe-
lecimento de condições que assegurem acesso universal
e igualitário às ações e aos serviços para a sua promoção,
proteção e recuperação. (BRASIL, 1990, grifo nosso).

Essa norma é conhecida como a Lei Orgânica da Saúde que regulamenta


o Sistema Único de Saúde (SUS), sendo muito conhecida pelos profissionais
de saúde como Lei do SUS.
O SUS é um conjunto de ações e serviços de saúde prestados por órgãos e
instituições públicas federais, estaduais e municipais.
Segundo o artigo 198 da Constituição Federal/1988:

49
As ações e serviços públicos de saúde integram uma rede
regionalizada e hierarquizada e constituem um sistema
único (SUS), organizado de acordo com as seguintes
diretrizes: descentralização, com direção única em cada
esfera de governo (federal, estadual, distrital e municipal).
(BRASIL, 1988)

Os órgãos e entidades ligados aos SUS são os hospitais, postos de saúde,


instituições de qualidade, pesquisa e produção de insumos, medicamentos,
sangue e hemoderivados, e também equipamentos para a saúde.
A iniciativa privada também pode participar do SUS em caráter comple-
mentar, como é o caso de hospitais e clínicas particulares, porém dando
prioridade às instituições filantrópicas e sem fins lucrativos.
De acordo com essa Lei 8080/90, são objetivos do SUS:
1. Identificar e divulgar os fatores determinantes e condicionantes da
saúde: cabe ao sistema público de saúde verificar, pesquisar, identificar
e, principalmente, divulgar os níveis desses fatores como: moradia,
alimentação, meio ambiente, saneamento básico, renda, trabalho,
educação, transporte, lazer e acesso aos bens e serviços essenciais.
2. Formular políticas de saúde destinadas a promover, nos campos
econômico e social, a melhoria da saúde dos cidadãos: é dever do
Estado garantir a saúde através da execução e formulação de políticas
sociais e econômicas, formuladas pelo SUS que objetivam a redução
de riscos de doenças e de outros agravos, e no estabelecimento de
condições que assegurem acesso universal e igualitário às ações e aos
serviços para promoção, proteção e recuperação da saúde.
3. Assistência às pessoas através de ações de promoção, proteção e
recuperação da saúde, com a realização integrada das ações assisten-
ciais e das atividades preventivas: o SUS deve prestar, além da saúde, a
assistência adequada às necessidades do indivíduo.

Assimile
O artigo segundo da Lei nº 8.080/90 contempla a responsabilidade
do Estado diante das ações e serviços de saúde devido à necessidade
de uma política econômica e social, objetivando reduzir os riscos de
doenças e agravos, com um tipo de acesso universal e igualitário para
todos.

50
As ações que estão incluídas nos campos de atuação do SUS são:
A execução de ações:
• Vigilância sanitária.
• Vigilância epidemiológica.
• De saúde do trabalhador.
• De assistência terapêutica integral, inclusive farmacêutica.
II - A participação na formulação da política e na execução de ações de
saneamento básico.
III - A ordenação da formação de recursos humanos na área de saúde.
IV - A vigilância nutricional e a orientação alimentar.
V - A colaboração na proteção do meio ambiente, nele compreendido o
do trabalho.
VI - A formulação da política de medicamentos, equipamentos, imuno-
biológicos e outros insumos de interesse para a saúde e a participação na
sua produção.
VII - O controle e a fiscalização de serviços, produtos e substâncias de
interesse para a saúde.
VIII - A fiscalização e a inspeção de alimentos, água e bebidas para
consumo humano.
IX - A participação no controle e na fiscalização da produção, transporte,
guarda e utilização de
substâncias e produtos psicoativos, tóxicos e radioativos.
X - O incremento, em sua área de atuação, do desenvolvimento científico
e tecnológico.
XI - A formulação e execução da política de sangue e seus derivados.
Segundo o art. 7 da Lei 8.080:

As ações e serviços públicos de saúde e os serviços privados


contratados ou conveniados que integram o Sistema Único
de Saúde- SUS são desenvolvidos de acordo com as diretrizes
previstas no Art. 198 da Constituição Federal, obedecendo
ainda aos seguintes princípios: […] (BRASIL, 1990).

51
Figura 2.1 | Princípios do SUS

Fonte: elaborada pela autora.

Para finalizarmos nosso aprendizado dessa lei, vamos compreender que a


Assistência Terapêutica Integral, conforme disposto na Lei do SUS, consiste
da dispensação de medicamentos e produtos de interesse para a saúde, cuja
prescrição esteja em conformidade com as diretrizes terapêuticas definidas
em protocolo clínico para a doença ou agravo à saúde a ser tratado.

Lei nº 5.991, de 17 de dezembro de 1973


Essa é uma lei federal que rege o controle sanitário do comércio de
drogas, medicamentos, insumos farmacêuticos e correlatos, em todo o terri-
tório nacional.
Você já sabe os conceitos de drogas e medicamentos, mas o que seriam os
insumos farmacêuticos e correlatos?

Vocabulário
Segundo a Lei Federal nº 5.991/73, “insumo farmacêutico é droga
ou matéria prima aditiva ou complementar de qualquer natureza,
destinada a emprego em medicamentos, quando for o caso, e seus
recipientes” (BRASIL, 1973).

Correlato é a substância, produto, aparelho ou


acessório não enquadrado nos conceitos anteriores,
cujo uso ou aplicação esteja ligado à defesa e proteção
da saúde individual ou coletiva, à higiene pessoal ou
de ambientes, ou a fins diagnósticos e analíticos, os

52
cosméticos e perfumes, e ainda, os produtos dieté-
ticos, óticos, de acústica médica, odontológicos e
veterinários. (BRASIL, 1973)

Ao longo do século XX, o farmacêutico afastou-se da farmácia, que é local


prioritário para a sua atuação. Esse afastamento facilitou, para aqueles que
veem o comércio de medicamentos apenas com o olhar econômico, a exercer
a maior pressão para a descaracterização da atividade do profissional farma-
cêutico nesse âmbito. Dessa forma criou-se a Lei nº 5.991/73, que normatiza
o controle sanitário do comércio de medicamentos.
Durante os anos 1960, alguns dados oficiais elaborados por lideranças
farmacêuticas mostravam a extinção da atividade profissional nas farmácias,
ainda que a Lei nº 5.991/73 estabelecesse a obrigatoriedade da responsabili-
dade técnica do farmacêutico pela farmácia. Essa lei criou situações e deixou
lacunas interpretativas que, a longo prazo, desvincularam a farmácia como
estabelecimento de saúde.
Essa lei regulamenta o comércio farmacêutico de drogas, medicamentos
e insumos farmacêuticos, e essa atividade é privativa das empresas e dos
estabelecimentos definidos nessa lei. Isso quer dizer que a dispensação de
medicamentos é privativa de farmácias, drogarias, postos de medicamentos e
unidade volante e dispensário de medicamentos. E a dispensação das plantas
medicinais é privativa das farmácias e ervanarias.
É importante você se lembrar da diferença do conceito de planta medicinal
e fitoterápico, pois quando falamos em planta medicinal, são comerciali-
zados as partes das plantas como raízes, folhas e flores, e essas só podem
ser vendidas em farmácias e ervanarias. Porém, segundo a Lei 5.991/73, os
medicamentos fitoterápicos podem ser vendidos em drogarias, postos de
medicamentos, unidade volante e dispensário de medicamentos.

Atenção
Segundo a Lei Federal nº 5.991/ 73:

Posto de medicamento e unidades volante- estabeleci-


mento destinado exclusivamente à venda de medica-
mentos industrializados em suas embalagens originais
e constantes de relação elaborada pelo órgão sanitário
federal, publicada na imprensa oficial, para atendimento
a localidades desprovidas de farmácias ou drogarias;

53
Dispensário de medicamentos: setor de fornecimento
de medicamentos industrializados, privativo de pequena
unidade hospitalar ou equivalente. (BRASIL, 1973)

Quanto à comercialização de correlatos, como aparelhos e acessórios,


produtos utilizados para fins diagnósticos e analíticos, odontológicos, veteri-
nários, de higiene pessoal ou de ambiente, cosméticos e perfumes, exercido
por estabelecimentos especializados, poderá ser extensivo às farmácias e
drogarias (BRASIL, 1973).
A referida lei também regulariza o comércio de medicamentos homeo-
páticos, permitindo a manipulação de fórmulas oficinais e magistrais obede-
cendo a farmacotécnica homeopática. Além disso, permite a venda de corre-
latos e de medicamentos não homeopáticos, desde que apresentados em suas
embalagens originais (BRASIL, 1973).
Ela afirma que a farmácia e a drogaria terão, obrigatoriamente, a assis-
tência de técnico responsável, inscrito no Conselho Regional de Farmácia e
que deve estar presente durante todo o período de funcionamento do estabe-
lecimento. Para reforçar essa obrigatoriedade, foi publicada a Lei nº 13.021
de 08 de agosto de 2014, que dispõe sobre o exercício e a fiscalização das
atividades farmacêuticas.

Reflita
Você acabou de ler que as farmácias e drogarias necessitam obriga-
toriamente da assistência de um responsável técnico durante todo o
período de funcionamento do estabelecimento. É possível, em alguma
ocasião, o funcionamento de farmácias e drogarias sem a assistência de
um profissional farmacêutico?

As farmácias e drogarias poderão funcionar sem a assistência do técnico


responsável por um período de até 30 dias e, nesse prazo, não serão aviadas
fórmulas magistrais ou oficinais nem vendidos medicamentos sujeitos a
controle especial, que são regulados pela a Portaria nº 344, a qual veremos
em outro momento.
Os estabelecimentos que realizam comércio de drogas, medicamentos,
insumos farmacêuticos e correlatos devem ser licenciados pelo órgão
sanitário competente. No pedido de licença deve conter: prova de consti-
tuição da empresa, relação contratual entre a empresa e seu responsável
técnico, expedida pelo Conselho Regional de Farmácia.

54
Lei nº 13.021 de 08 de agosto de 2014
A Lei nº 13.021 dispõe sobre as novas regras para o funcionamento das
farmácias, regulamentando as ações e serviços de assistência farmacêutica
executados tanto para o âmbito público quanto para o privado.
Essa lei trouxe novas perspectivas para a profissão farmacêutica, pois
reconheceu a farmácia com um estabelecimento de saúde e confirmou que
no local sejam prestados serviços farmacêuticos.
Segundo a Lei nº. 13.021/2014, farmácia é:

Uma unidade de prestação de serviços destinada a prestar


assistência farmacêutica, assistência à saúde e orien-
tação sanitária individual e coletiva, na qual se processe a
manipulação e/ou dispensação de medicamentos magis-
trais, oficinais, farmacopeicos ou industrializados, produtos
farmacêuticos e correlatos. (BRASIL, 2014).

A assistência farmacêutica está relacionada à pesquisa e ao desenvolvi-


mento de fármacos, a dispensação, o acompanhamento e a avaliação do uso
do medicamento pela população. O farmacêutico desempenha um papel
fundamental para promover ao paciente o uso racional dos medicamentos.
Antes da formulação dessa lei já eram permitidos na farmácia os serviços
de atenção farmacêutica, aferição de pressão e parâmetros bioquímicos, como
a dosagem de glicemia e a administração de medicamentos e perfuração de
lóbulo auricular para a colocação de brincos. Com a Lei 13.021, em seu artigo
7º, foi estendido aos serviços farmacêuticos o trabalho com vacinas e soros,
dependendo do perfil epidemiológico da região (BRASIL, 2014).
Com a referida lei surgiram algumas mudanças com relação ao termo
farmácia, que passou a abranger também as drogarias. O conceito de drogaria
estabelecido pela Lei nº 5.991/73 não foi alterado, mas a sua terminologia
passou a ser chamada de farmácia sem manipulação.
Nela constam as atribuições privativas dos profissionais farmacêuticos,
como a dispensação ou manipulação de fórmulas magistrais e farmacopeicas,
responsabilidade técnica em indústrias farmacêuticas que fabricam produtos
com indicações e/ou ações terapêuticas, anestésicos, ou auxiliares de diagnós-
tico, ou capazes de criar dependência física ou psíquica (CRF-SP, 2015).
A Lei 13.021 reafirma a necessidade de todas as farmácias disporem de
um farmacêutico, que será o único profissional responsável técnico pelo

55
estabelecimento e que deve assumir a responsabilidade técnica perante
o Conselho Regional de Farmácia (CRF) da região onde está localizado o
estabelecimento.
A referida lei considera que uma das obrigações do farmacêutico no
exercício de suas atividades é prestar orientação farmacêutica para esclarecer
ao paciente quais são os riscos e os benefícios do seu tratamento, a conser-
vação e a utilização de fármacos e medicamentos, bem como suas interações
medicamentosas e o correto manuseio.

Exemplificando
Segundo a Lei nº 13.021, o papel central do farmacêutico é induzir o
paciente ao uso racional dos medicamentos e é de sua responsabilidade o
acompanhamento quanto à adesão ao tratamento. Um exemplo é o caso
de um paciente que apresenta diabetes mellitus e não sabe sobre a correta
utilização da insulina: o farmacêutico deve orientá-lo sobre o armazena-
mento, a aplicação e a contagem das unidades de insulina, para que o
paciente compreenda a sua correta utilização e possa aderir ao tratamento.

Antes da dispensação do medicamento, o farmacêutico deve avaliar


a prescrição quanto à dosagem, posologia, avaliação do prontuário. No
momento da dispensação, ele pode realizar a intercambialidade com medica-
mentos genéricos ou similares.

Lei nº. 9.787 de 10 de fevereiro de 1999


Altera a Lei nº 6360 de 23 de setembro de 1976 que dispõe sobre a
vigilância sanitária e a utilização de nomes genéricos em produtos farmacêu-
ticos e estabelece os medicamentos genéricos.
Esta lei é considerada o marco da criação dos medicamentos genéricos,
e por esse motivo é conhecida como a “Lei dos Genéricos”. Ela define os
conceitos de medicamentos de referência, genérico e similar.
A Lei nº 9.787/ 1999 define os medicamentos como:

Medicamento de referência: produto inovador registrado


no órgão federal responsável pela vigilância sanitária e
comercializado no País, cuja eficácia, segurança e quali-
dade foram comprovadas cientificamente junto ao órgão
federal, competente, por ocasião do registro;

56
Medicamento genérico: medicamento similar a um produto
de referência ou inovador, que se pretende ser com este
intercambiável, geralmente produzido após a expiração ou
renúncia da proteção patentária ou de outros direitos de
exclusividade, comprovada a sua eficácia, segurança e quali-
dade, e designado pela DCB ou, na sua ausência, pela DCI
Medicamento similar: aquele que contém o mesmo ou
os mesmos princípios ativos apresenta a mesma concen-
tração, forma farmacêutica, via de administração, posologia
e indicação terapêutica, preventiva ou diagnóstica, do
medicamento de referência registrado no órgão federal
responsável pela vigilância sanitária, podendo diferir
somente em características relativas ao tamanho e forma
do produto, prazo de validade, embalagem, rotulagem,
excipientes e veículos, devendo sempre ser identificado
pelo nome comercial ou marca. (BRASIL, 1999)

A referida lei diz que as aquisições de medicamentos, prescrições médicas


e odontológicas de medicamentos realizados no Sistema Único de Saúde
(SUS), devem adotar obrigatoriamente a Denominação Comum Brasileira
(DCB) ou, na sua ausência, a Denominação Comum Internacional (DCI).

Vocabulário
Segundo a Lei nº 9.787/1999: “DCB- Denominação Comum Brasileira:
denominação do fármaco ou princípio farmacologicamente ativo
aprovado pelo órgão federal responsável pela vigilância sanitária”.
“DCI- Denominação Comum Internacional: denominação do fármaco
ou princípio farmacologicamente ativo recomendada pela Organização
Mundial da Saúde (OMS).” (BRASIL, 1999)

Nesta seção você estudou algumas das principais leis que regulamentam
o comércio de medicamentos, drogas, insumos farmacêuticos e correlatos,
além de conhecer quais são as novas regras para o funcionamento das farmá-
cias e a lei que é a base para todo profissional de saúde, que é a Lei nº 8.080,
de 19 de setembro de 1990.

Sem medo errar

Agora que você conheceu algumas legislações que regulamentam a


atuação do farmacêutico na farmácia, vamos solucionar a situação-problema

57
apresentada. É o caso de uma farmacêutica recém-formada que, em um dia
de trabalho, na rotina da farmácia de uma grande rede da cidade onde mora,
deparou-se com o atendimento de uma cliente que procurava alguns itens no
estabelecimento, itens esses que não estava encontrando nas gôndolas da área
de circulação comum para os clientes. Essa cliente havia esquecidos alguns
ornamentos de beleza em sua residência e, sem tempo de voltar e aproveitando
que iria comprar um creme para as suas mãos, procurava algumas bijuterias na
farmácia. Como não estava encontrando, ela pediu ajuda à farmacêutica, que
prontamente lhe explicou porque não estava encontrando tais produtos.
Para a resolução dessa situação é importante você relembrar qual é a lei
que regulamenta o controle sanitário do comércio de farmácias e drogarias. A
Lei nº 5.991, de 17 de dezembro de 1973, é uma lei federal que rege o controle
sanitário do comércio de drogas, medicamentos, insumos farmacêuticos e
correlatos em todo o território nacional. Pela lei, é permitido às farmácias e
drogarias comercializarem drogas, medicamentos alopáticos, homeopáticos,
fitoterápicos e correlatos, como aparelhos e acessórios, produtos utilizados
para fins de diagnósticos e analíticos, odontológicos, veterinários, de higiene
pessoal ou de ambiente, cosméticos e perfumes, porém não é permitido
vender ornamentos de beleza como brincos, anéis, bijuterias de maneira geral.

Avançando na prática

Farmácia com manipulação

Uma proprietária de uma farmácia de manipulação é formada em


administração de empresas e não tem muito conhecimento sobre a legis-
lação da área farmacêutica. Para conseguir resolver as situações relacionadas
à profissão, ela conta com a ajuda da farmacêutica, que tem muita experi-
ência no ramo de manipulação. Porém, a farmacêutica vai viajar, ausentan-
do-se das atividades da farmácia por um período de dez dias. A proprietária
fica em dúvida se a farmácia poderá funcionar normalmente durante esse
período. De acordo com o que você estudou nessa seção e com os conheci-
mentos adquiridos sobre a legislação, no lugar da farmacêutica, como você
orientaria a proprietária sobre o período de ausência?

Resolução da situação-problema
Segundo a Lei nº 13.021/2014, quando o proprietário da farmácia é leigo
nas questões técnicas da área, deve sempre se apoiar nas orientações do
farmacêutico responsável para tomar suas decisões. As farmácias e drogarias

58
poderão funcionar sem a assistência do técnico responsável por um período
de até 30 dias, e nesse prazo não serão aviadas fórmulas magistrais ou oficinais
nem vendidos medicamentos sujeitos à controle especial, que são regulados
pela a portaria nº 344. Durante esse período, não há permissão legal para
as atividades privativas do farmacêutico, que não podem ser exercidas por
outros profissionais.

Faça valer a pena

1. A Lei Federal nº 8.080 de 19 de setembro de 1990 regulamenta o SUS, que


é um sistema de saúde público e universal. Ele foi criado a partir da Consti-
tuição Federal Brasileira de 1988, conforme dispõe a constituição que a saúde
é direito de todos e dever do Estado.
Sobre a Lei nº 8080/90, assinale a alternativa correta:
a. Dispõe sobre as condições para a prevenção, proteção e tratamento da
saúde, a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes
e dá outras providências.
b. Dispõe sobre a assistência às pessoas por intermédio de ações de
tratamento da saúde por meio da realização integrada das ações assis-
tenciais e das atividades preventivas.
c. As ações que estão incluídas no campo de atuação do SUS são a
vigilância nas indústrias químicas e cosméticas.
d. Uma das diretrizes do SUS é a centralização com direção única em
uma única esfera do governo federal.
e. Regula, em todo o território nacional, as condições para a promoção,
proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento
dos serviços e dá outras providências.

2. A Lei nº 5.991 de 17 de dezembro de 1973 foi sancionada pelo presidente


da república Emílio G. Médici, e regulamenta, em todo o território nacional,
o comércio de drogas, medicamentos, insumos farmacêuticos e correlatos e
dá outras providências.
Sobre a Lei nº 5.991/1973, assinale a alternativa correta:
a. Os medicamentos podem ser comercializados em farmácias, droga-
rias, postos de medicamento e clínicas médicas.
b. A dispensação de plantas medicinais pode ocorrer em drogarias,
postos de medicamento e dispensários de medicamentos.

59
c. É facultativo às farmácias e drogarias contarem com a assistência de
um técnico responsável, inscrito no Conselho Regional de Farmácia
de sua localidade.
d. O farmacêutico poderá exercer a direção técnica de, no máximo, duas
farmácias, sendo uma comercial e uma hospitalar.
e. Fica claro nessa lei que as farmácias são consideradas estabeleci-
mentos de saúde, e nela são prestados os serviços farmacêuticos.

3. A Lei nº 13.021 de 8 de agosto de 2014 dispõe sobre o exercício e a fisca-


lização das atividades farmacêuticas. Essa é uma lei que regula as novas
regras para o funcionamento de farmácias e regulamenta as ações e serviços
de assistência farmacêutica executados, tanto para o âmbito público quanto
para o privado.
Considerando essa legislação, avalie as seguintes asserções e a relação
proposta entre elas:
I. A Lei nº 13.021/14 afirmou que a farmácia é um estabelecimento de
saúde e permitiu que no local fossem prestados serviços pelo farma-
cêutico.
PORQUE
II. A referida lei manteve a obrigatoriedade da assistência farmacêu-
tica integral em todas as farmácias, e a integralidade da assistência
não quer dizer que ela seja prestada por um único farmacêutico,
podendo o estabelecimento contar com tantos farmacêuticos substi-
tutos sejam necessários.
É correto que se afirma em:
a. As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justifica-
tiva da I.
b. As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma
justificativa da I.
c. A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição
falsa.
d. A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verda-
deira.
e. As asserções I e II são proposições falsas.

60
Seção 2

Algumas normas voltadas à atuação em


farmácias

Diálogo aberto
Olá, aluno! Vamos continuar nosso estudo sobre a legislação da profissão
farmacêutica. Nesta seção, você conhecerá algumas resoluções voltadas à
atuação em farmácias, no que diz respeito à atuação profissional e regula-
mentação sanitária desse segmento. Deste modo vamos relembrar nosso
contexto de aprendizagem: uma farmacêutica recém-formada está atuando
em uma farmácia de uma grande rede da cidade de onde mora, e está viven-
ciando diversas situações que serão muito importantes para a sua experiência
e desenvolvimento profissional.
Dentro dessas situações, em um certo dia de trabalho, a farmacêutica se
deparou com o atendimento de uma jovem de 18 anos que está finalizando o
ensino médio e está fazendo provas de vestibular para ingressar na faculdade.
Ela está sofrendo de muitas crises de ansiedade e comparece à farmácia com
uma receita médica contendo um medicamento ansiolítico. Essa notificação
de receita estava com nítidas rasuras na data de emissão e nas quantidades do
medicamento a serem dispensadas. Foi a primeira vez que a farmacêutica se
deparou com uma receita diferenciada, e encontrou dificuldade para conse-
guir dispensar aquele medicamento. Frente ao contexto descrito, como você,
profissional de Farmácia, resolveria essa situação?

Não pode faltar

Para iniciarmos nosso estudo sobre algumas normas voltadas à atuação


em farmácias, primeiramente vamos entender o significado do vocábulo
resolução. Vamos lá?
No poder executivo, resolução é o ato de autoridade competente de
um órgão de deliberação coletiva para estabelecer normas regulamentares.
No caso do profissional farmacêutico, o órgão que delimita as atribuições
inerentes do profissional é o Conselho Federal de Farmácia.
Resolução significa proposição de caráter normativo editada por autori-
dades de alto escalão (Secretários do Estado) ou por dirigentes de órgão
colegiados (Diretor-Presidente da Anvisa, Presidente do CFF). Versa sobre
assuntos internos, com força de aplicação sobre público interno e externo.

61
Tanto as resoluções como os atos derivados destas dão origem a uma série
de documentos legais, de explicitação e execução da lei, como instruções
normativas, regulamentos técnicos, entre outros (OLIVEIRA, 2009).

Resolução CFF nº308, de 2 maio de 1997


Essa resolução é do Conselho Federal de Farmácia, pois é uma atribuição
do conselho delimitar e esclarecer as atribuições pertinentes à profissão
farmacêutica. Ela dispõe sobre a assistência farmacêutica em farmácias
e drogarias.
Segundo a Resolução CFF nº 308 (p. 754), assistência farmacêutica:

[...] é o conjunto de ações e serviços com vistas a


assegurar a assistência terapêutica integral, a promoção
e a recuperação de saúde, nos estabelecimentos públicos
e privados que desempenham atividades de projeto,
pesquisa, manipulação, produção, conservação, dispen-
sação, distribuição, garantia e controle da qualidade,
vigilância sanitária e epidemiológica de medicamentos e
produtos farmacêuticos.

Considerando que a responsabilidade técnica das farmácias e droga-


rias é uma atribuição privativa do farmacêutico, torna-se interessante que
também seja atribuída a esse profissional a gestão técnica e administração
desses estabelecimentos.
As farmácias devem destinar áreas específicas para atendimento diferen-
cial e/ou confidencial, concedendo o diálogo privado com o paciente, bem
como a prestação de outros serviços na área da saúde, além de manter local
apropriado para armazenar produtos que necessitem de condições especiais
de conservação.
O farmacêutico deve elaborar manuais de procedimentos com o objetivo
de operacionalizar e normatizar o funcionamento do estabelecimento e estar
capacitado para gerenciar recursos humanos e materiais, garantindo a quali-
dade dos serviços prestados pela farmácia.
Segundo o art. 3º da Resolução CFF nº 308, de 2 maio de 1997 (p. 754),
durante o atendimento e o processamento do receituário, o farmacêu-
tico deverá:

62
a) Observar a legalidade da receita e observar se está
completa;
b) Avaliar se: a dose, a via de administração, a frequência de
administração, a duração do tratamento são apropriados
e verificar a compatibilidade física e química dos medica-
mentos prescritos.

Segundo o art. 4º da Resolução CFF nº 308, de 2 maio de 1997 (p. 754), na


dispensação de medicamentos, cabe ao farmacêutico:

a) Entrevistar os pacientes, a fim de obter o seu perfil


medicamentoso;
b) Manter cadastro de fichas farmacoterapêuticas de
seus pacientes, permitindo a monitorização de respostas
terapêuticas;
c) Informar de forma clara e compreensiva sobre o modo
correto de administrar os medicamentos e alertar sobre as
possíveis reações adversas;
d) Informar sobre as possíveis interações com a alimen-
tação ou da utilização simultânea de outros medicamentos
prescritos;
e) Orientar sobre utilização de medicamentos não
prescritos.

O farmacêutico participará ativamente de programas educacionais de


saúde pública, promovendo o uso racional de medicamentos, e atuará como
fonte de informação sobre medicamentos para outros profissionais de saúde
(Resolução CFF nº 308, de 2 maio de 1997).
Consta ainda na Resolução 308/97 que as farmácias deverão exibir em
lugar visível, para a leitura do público, o certificado de Regularidade emitido
pelo CRF contendo os nomes completos e respectivos números de inscrição
dos farmacêuticos responsáveis e uma prova de habilitação legal do diretor
técnico do estabelecimento.

Portaria nº 344, de 12 de maio de 1998


A referida portaria federal aprova o Regulamento Técnico sobre substân-
cias e medicamentos sujeitos a controle especial, portanto ela define todos
os critérios necessários para a autorização, o comércio, o transporte, a
prescrição, a escrituração, a guarda, os balanços, o controle e a fiscalização

63
das substâncias e medicamentos sujeitos a controle especial (BRASIL, 1998).
Sendo assim, essa é uma das legislações mais importantes e é imprescindível
que o profissional farmacêutico a conheça, pois essa será, acima de tudo, uma
ferramenta de trabalho.
A portaria SVS/MS nº 344 passa por constantes atualizações, sempre
buscando as classificações mais recentes das substâncias sujeitas a controle
especial. Dessa forma, é muito importante que o profissional farmacêutico
consulte periodicamente essa portaria para sempre se manter atualizado.

Reflita
O que são as substâncias sujeitas a controle especial? Por que esses
medicamentos necessitam de um controle mais rigoroso para a sua
comercialização?

Segundo essa portaria, as substâncias encontram-se distribuídas em listas


que têm como finalidade definir como deverão ser prescritas e dispensadas,
conforme mostra a Tabela 2.1:
Tabela 2.1 | Lista de medicamentos sujeitos à controle especial

Fonte: CRFMG (2019, p. 7).

Para esses medicamentos que têm um controle especial do governo, a


prescrição é retida no momento da compra, e é obrigatória a identificação

64
do comprador e o cadastro no sistema informatizado, chamado Sistema
Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados (SNGPC) da Agência
Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA).
A portaria 344/98 define receita como: “prescrição escrita de medica-
mento, contendo orientação de uso para o paciente, efetuada por profissional
legalmente habilitado, quer seja de formulação magistral ou de produto
industrializado” (BRASIL, 1998).
Na prática clínica, receitas são instruções escritas por um profissional
de saúde como médicos, dentistas, veterinários ou farmacêuticos, na qual
estão descritas a forma e a dosagem de um medicamento a ser utilizado por
um paciente. Essas instruções escritas precisam seguir algumas normas de
acordo com o grau de risco do medicamento, do tipo de paciente, dentre
outros fatores.
Existem os seguintes tipos de receitas:
• Receituário simples (pode ser branca ou não): é empregue para a
prescrição de medicamentos anódinos e medicamentos de tarja
vermelha com os dizeres “venda sob prescrição médica” e segue as
regras descritas na Lei nº 5.991/73 (BRASIL, 1973).

Assimile
Você sabe o que são medicamentos anódinos? Não há uma definição
legal para o medicamento anódino, dessa forma utilizaremos a
definição contida nos dicionários. O termo anódino significa “destinado
a mitigar ou cessar a dor; antálgico, paliativo”. Assim, enquadram-se
como medicamentos anódinos os analgésicos e anti-inflamatórios, que
não dependem de retenção de receita médica para serem dispensados.

• Receituário de Controle Especial: é conhecida como receita branca


carbonada, utilizada por médicos e dentistas para a prescrição de
medicamentos que apresentam tarja vermelha com os dizeres “venda
sob prescrição médica” e só pode ser vendido com retenção de receita.
As substâncias sujeitas à controle especial devem ser prescritas utili-
zando esse tipo de receituário. São exemplos dessas substâncias:
retinoicas de uso tópico, imunossupressoras, antirretrovirais, anabo-
lizantes, antidepressivos, etc. Esse tipo de receituário segue a Lei nº
5.991/73 e a portaria nº 344/98, que têm na sua maioria os medica-
mentos da lista C1. Esses medicamentos devem ser prescritos em
duas vias da receita branca, sendo que a primeira via fica retida no
estabelecimento farmacêutico e a segunda via fica com o paciente para

65
orientações sobre o uso. Ela é válida em todo o território nacional
e deverá estar escrita de forma legível sem emenda ou rasura. Terá
validade de 30 dias contados a partir da data de sua emissão.
Figura 2.2 | Receita de Controle Especial

Fonte: http://www.saude.campinas.sp.gov.br/dicas/receituarios_talonarios_medicamentos/inform3.jpg.
Acesso em: 13 set. 2019.

Vocabulário
A portaria nº 344/98 define notificação de receita como:

É o documento que acompanhado de receita autoriza


a dispensação de medicamentos à base de substâncias

66
constantes das listas “A1” e “A2” (entorpecentes), “A3”,
“B1” e “B2” (psicotrópicas), “C2” (retinóicas para uso sistê-
mico) e “C3” (imunossupressoras). (BRASIL, 1998)

A notificação de receita é um documento padronizado que apresenta


uma numeração controlada pela vigilância sanitária e é emitida por médicos
ou profissionais dentistas, para a prescrição de substâncias que podem causar
dependência e outros graves riscos à saúde.
Segundo o art. 35 da Portaria SVS/ MS 344/98:
§ 3º A Notificação de Receita deverá estar preenchida de
forma legível, sendo a quantidade em algarismos arábicos
e por extenso, sem emenda ou rasura. § 4º A farmácia ou
drogaria somente poderá aviar ou dispensar quando todos
os itens da receita e da respectiva Notificação de Receita
estiverem devidamente preenchidos. § 5º A Notificação de
Receita será retida pela farmácia ou drogaria e a receita
devolvida ao paciente devidamente carimbada, como
comprovante do aviamento ou da dispensação.
§ 7º A Notificação de Receita é personalizada e intransfe-
rível, devendo conter somente uma substância das listas
“A1” e “A2” (entorpecentes) e “A3”, “B1” e “B2” (psicotró-
picas), “C2” (retinóides de uso sistêmico) e “C3” (imunossu-
pressoras). (BRASIL, 1998)

• Notificação de Receita “B” (azul):

A Notificação de Receita “B”, de cor azul, impressa as


expensas do profissional ou da instituição, terá validade
por um período de 30 (trinta) dias contados a partir de
sua emissão e somente dentro da Unidade Federativa
que concedeu a numeração. A Notificação de Receita “B”
poderá conter no máximo 5 (cinco) ampolas e, para as
demais formas farmacêuticas, a quantidade para o trata-
mento correspondente no máximo a 60 (sessenta) dias.
(BRASIL, 1998)

Essa é utilizada para a prescrição de medicamentos com tarja preta, os quais


exigem um rigoroso controle, como as substâncias que fazem parte da lista B1 e
B2. A notificação de receita somente poderá conter um produto farmacêutico

67
das listas descritas. Deve sempre ser acompanhada por uma receita branca,
visto que a notificação ficará retida no estabelecimento farmacêutico para
a comprovação de que o medicamento foi dispensado de forma correta, e a
receita branca ficará com o paciente para a informação sobre seu uso correto.
Figura 2.3 | Notificação de Receita B

Fonte: adaptada de http://www.saude.campinas.sp.gov.br/dicas/receituarios_talonarios_medicamentos/in�-


form2.jpg. Acesso em: 13 set. 2019.

• Notificação de Receita “A” (amarela):

A Notificação de Receita “A”, para a prescrição dos medica-


mentos e substâncias das listas “A1” e “A2” (entorpecentes)
e “A3” (psicotrópicos), de cor amarela, será impressa, as
expensas da Autoridade Sanitária Estadual ou do Distrito
Federal, conforme modelo anexo IX, contendo 20 (vinte)
folhas em cada talonário. Será fornecida gratuitamente
pela Autoridade Sanitária competente do Estado, Município
ou Distrito Federal, aos profissionais e instituições devida-
mente cadastrados. Será válida por 30 (trinta) dias a contar
da data de sua emissão em todo o Território Nacional,
sendo necessário que seja acompanhada da receita médica
com justificativa do uso, quando para aquisição em outra
Unidade Federativa.
Parágrafo único. As farmácias ou drogarias ficarão
obrigadas a apresentar dentro do prazo de 72 (setenta e
duas) horas, à Autoridade Sanitária local, as Notificações de
Receita “A” procedentes de outras Unidades Federativas,
para averiguação e visto. (BRASIL, 1998)

As substâncias que fazem parte das listas A são potentes analgésicos,


como a morfina, que são substâncias entorpecentes e psicotrópicas.

68
Figura 2.4 | Notificação de Receita A

Fonte: adaptada de http://www.saude.campinas.sp.gov.br/dicas/receituarios_talonarios_medicamentos/in-


form1.jpg. Acesso em: 13 set. 2019.

• Receita especial para a lista C2 (retinoides de uso sistêmico): a notifi-


cação de receita especial é de cor branca e é utilizada para a prescrição
de medicamentos à base de substâncias da lista “C2” (retinoides de uso
sistêmico). Ela tem um símbolo indicativo de mulher grávida cortada
ao meio, com a seguinte advertência: “Risco de graves defeitos na face,
nas orelhas, no coração e no sistema nervoso do feto” (BRASIL, 1998)
Figura 2.5 | Notificação de receita especial para medicamentos da lista C2 da Portaria 344/98

Fonte: http://portal.anvisa.gov.br/documents/33864/284972/portaria_344.pdf/fabe45b7-1ded-4dd0-836f�
-
-79afac0bff54. Acesso em: 23 set. 2019.

RDC nº 22, de 29 de abril de 2014


A resolução da diretoria colegiada da Agência Nacional de Vigilância
Sanitária dispõe sobre o Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos
Controlados (SNGPC).

69
O SNGPC é um sistema de informação de vigilância sanitária para a
escrituração de dados referentes à produção, manipulação, distribuição,
prescrição, dispensação e ao consumo de medicamentos e insumos farma-
cêuticos. Abrange os medicamentos sujeitos ao controle especial perten-
centes à Portaria SVS/MS nº 344, de 12 de maio de 1998 e os medicamentos
antimicrobianos, que constam na Resolução de Diretoria Colegiada RDC nº
20, de 5 de maio de 2011.
Essa resolução estabelece que todas as farmácias e drogarias devem
utilizar esse sistema para a escrituração sanitária dos medicamentos, e que
cada estabelecimento deve possuir um programa de computador que faça a
geração do arquivo no formato XML.
O estabelecimento farmacêutico em nenhum momento pode comercia-
lizar medicamentos da Portaria SVS/MS nº344/98 na ausência do farma-
cêutico, e o prazo máximo para o envio das movimentações dos produtos
sujeitos ao controle especial é de sete dias.
O farmacêutico é o profissional responsável por cadastrar as informa-
ções no sistema, e deve ser o mesmo profissional responsável técnico cadas-
trado no SNGPC. Dessa forma, o SNGPC é considerado uma ferramenta de
trabalho para o farmacêutico, pois ele substitui a antiga escrituração que era
realizada por meio de livro de registro.

RDC nº44, de 17 de agosto de 2009


Essa resolução é da diretoria colegiada da Agência Nacional de Vigilância
Sanitária (ANVISA), que dispõe sobre as boas práticas farmacêuticas para o
controle sanitário do funcionamento, da dispensação e da comercialização
de produtos e da prestação de serviços farmacêuticos em farmácias e droga-
rias, dando outras providências. Ela é uma norma federal que se aplica às
farmácias e drogarias de todo o território nacional.
Segundo esta resolução, Boas Práticas Farmacêuticas são:

[…] o conjunto de técnicas e medidas que visam assegurar a


manutenção da qualidade e segurança dos produtos disponi-
bilizados e dos serviços prestados em farmácias e drogarias,
com o fim de contribuir para o uso racional desses produtos e
a melhoria da qualidade de vida dos usuários. (BRASIL, 2009)

O objetivo da ANVISA ao criar a RDC nº44 /2009 é deixar de forma


mais clara quais são os critérios para a comercialização de produtos e

70
medicamentos em farmácias e drogarias, como também a prestação dos
serviços realizados nesses estabelecimentos, com a finalidade de promover o
uso racional dos medicamentos, reduzindo a automedicação e o uso exces-
sivo dos medicamentos. A informação fornecida ao cidadão por um profis-
sional qualificado e habilitado promove o uso adequado dos medicamentos
que proporcionarão benefícios aos usuários dessas substâncias.
As farmácias e drogarias poderão, além da dispensação, prestar serviços
farmacêuticos como: a atenção farmacêutica e a perfuração de lóbulo
auricular para a colocação de brincos. A realização da atenção farmacêutica
abrange a aferição de parâmetros fisiológicos e bioquímicos, administração
de medicamentos e a atenção farmacêutica domiciliar (BRASIL, 2009).
As aferições de parâmetros bioquímicos e fisiológicos têm a finalidade
de contribuir para o monitoramento da terapia medicamentosa, objetivando
melhorar a qualidade de vida do paciente, porém não podem ser utilizadas
como critérios de diagnóstico (BRASIL, 2009).
Segundo o art. 69 da Resolução RDC nº44/2009:

§1º Os parâmetros fisiológicos cuja aferição é permitida nos


termos desta Resolução são pressão arterial e temperatura
corporal.
§2º O parâmetro bioquímico cuja aferição é permitida nos
termos desta Resolução é a glicemia capilar.
§3º Verificada discrepância entre os valores encontrados
e os valores de referência constantes em literatura técni-
co-científica idônea, o usuário deverá ser orientado a
procurar assistência médica.
§4º Ainda que seja verificada discrepância entre os valores
encontrados e os valores de referência, não poderão ser
indicados medicamentos ou alterados os medicamentos
em uso pelo paciente quando estes possuam restrição de
“venda sob prescrição médica. (BRASIL, 2009)

O art. 70 da Resolução RDC nº44/2009 diz:

As medições do parâmetro bioquímico de glicemia capilar


devem ser realizadas por meio de equipamentos de autoteste.
Parágrafo único. A aferição de glicemia capilar em farmá-
cias e drogarias realizadas por meio de equipamentos de
autoteste no contexto da atenção farmacêutica não é consi-

71
derada um Teste Laboratorial Remoto – TLR, nos termos da
legislação específica. (BRASIL, 2009)

Para o funcionamento, as farmácias e drogarias devem apresentar os


seguintes documentos no estabelecimento: autorização de funcionamento da
empresa expedida pela Anvisa; autorização especial de funcionamento para
farmácias, quando for aplicável; licença ou alvará sanitário, expedido pelo
órgão Estadual ou Municipal de Vigilância Sanitária; e certidão de regula-
ridade técnica, emitido pelo Conselho Regional de Farmácia da respectiva
unidade federativa. Esses documentos devem estar afixados em local visível
ao público; além do manual de boas práticas farmacêuticas, conforme a legis-
lação vigente e as especificidades de cada estabelecimento (BRASIL, 2009).
O estabelecimento deverá manter em local visível ao público um cartaz
informativo contendo o nome do farmacêutico responsável técnico e de
seus substitutos, seguido do número de inscrição no Conselho Regional de
Farmácia e os horários de trabalho de cada profissional.
Durante todo o horário de funcionamento dos estabelecimentos, as
farmácias e drogarias devem ter obrigatoriamente a assistência de farmacêu-
tico responsável técnico ou de seu substituto.
Em relação à organização e exposição dos produtos, consta na resolução
que os produtos de dispensação e comercialização permitidos em farmácias e
drogarias devem ser organizados em área de circulação comum ou em área de
circulação restrita aos funcionários. Os medicamentos deverão permanecer
em área de circulação restrita aos funcionários, pois não é permitida a sua
exposição ao alcance direto dos usuários, porém os medicamentos isentos
de prescrição poderão permanecer ao alcance dos usuários para obtenção
através do autosserviço do estabelecimento (BRASIL, 2009).
Os medicamentos isentos de prescrição e de mesmo princípio ativo
devem permanecer organizados em um mesmo local e serem identificados
de forma visível ao usuário com a Denominação Comum Brasileira (DCB)
do (s) princípio (s) ativo (s) ou, na sua falta, da Denominação Comum
Internacional (BRASIL, 2009).

Exemplificando
Segundo a Resolução (RDC) nº 98/2016, Medicamentos Isentos de
Prescrição (MIP) são:

72
Os medicamentos que podem ser dispensados sem exigência
de prescrição, isto é, são os medicamentos disponíveis ao
autosserviço em farmácias e drogarias e que não necessitam
de prescrição médica para que sejam dispensados.
As embalagens dos MIPs não possuem tarjas como aquelas
dos medicamentos sujeitos a prescrição (tarja vermelha) ou
sujeitos ao controle especial (tarja preta).

Os MIP estão descritos na Lista de Medicamentos Isentos de Prescrição


(LMIP), nos termos do art. 10 da Resolução (RDC) nº 98/2016, estabe-
lecida na IN nº11/2016 e alterada pela Resolução (RDC) nº 242/2018.

Nesta seção você aprendeu sobre algumas das principais normas que são
voltadas à atuação do farmacêutico em farmácias e drogarias. Elas são muito
importantes para a sua atuação profissional e a sua compreensão é impres-
cindível para a seu exercício no mercado de trabalho.

Sem medo de errar

Você conheceu algumas normas voltadas para a atuação do farmacêu-


tico em farmácias e drogarias. Em nossa situação-problema, a profissional
farmacêutica se deparou com atendimento de uma jovem que comparece à
farmácia com uma receita médica contendo um medicamento ansiolítico.
Essa notificação de receita estava com nítidas rasuras na data de emissão e
nas quantidades do medicamento a serem dispensadas. Foi a primeira vez
que a farmacêutica se deparou com uma receita diferenciada, e encontrou
dificuldade para conseguir dispensar aquele medicamento.
Para a resolução dessa situação, você precisa compreender que os princi-
pais medicamentos utilizados para tratar crises de ansiedade são os perten-
centes à classe dos ansiolíticos. Essas substâncias são sujeitas à controle
especial e fazem parte da Portaria nº 344/98; enquadram-se na lista B1 de
medicamentos psicotrópicos e o medicamento é prescrito em receituário
comum, acompanhado da Notificação de Receita B de cor azul.
É utilizada para a prescrição de medicamentos com tarja preta, os quais
exigem um rigoroso controle, e as substâncias fazem parte da lista B1 e B2. A
notificação de receita somente poderá conter um produto farmacêutico das listas
descritas. Deve sempre ser acompanhada por uma receita branca, visto que a
notificação ficará retida no estabelecimento farmacêutico para a comprovação

73
de que o medicamento foi dispensado de forma correta, e a receita branca ficará
com o paciente para a informação sobre o uso correto do medicamento.
A Notificação de Receita deverá estar preenchida de forma legível, sendo
a quantidade em algarismos arábicos e por extenso, sem emenda ou rasura.
A farmácia ou drogaria somente poderá aviar ou dispensar quando todos os
itens da receita e da respectiva Notificação de Receita estiverem devidamente
preenchidos, portanto a farmacêutica não poderia dispensar o medicamento
com uma notificação de receita contendo rasuras.
A escrituração dos dados de prescrição dos medicamentos controlados,
de acordo com a portaria nº 344/98, é realizada em sistema de informação
de vigilância sanitária chamado de Sistema Nacional de Gerenciamento de
Produtos Controlados (SNGPC).

Avançando na prática

Colocação de piercing na orelha

Maria, 18 anos, compareceu até a farmácia solicitando ao atendente de


balcão que fizesse o procedimento de perfuração na região hélix da orelha
para a fixação de um piercing.
Carlos é atendente recém-contratado pela farmácia, e de imediato ficou
na dúvida para realizar o procedimento, chamando o farmacêutico respon-
sável para realizar o atendimento. Você, no lugar do farmacêutico, que
conduta deveria adotar nessa situação?

Resolução da situação-problema
Segundo a Resolução RDC nº 44, de 17 de agosto de 2009, as farmá-
cias e drogarias poderão, além da dispensação de medicamentos, prestar
serviços farmacêuticos como a atenção farmacêutica e a perfuração de lóbulo
auricular para a colocação de brincos. Essa resolução permite a perfuração
do lóbulo auricular para colocação apenas de brincos, e não há liberação
para colocação de piercing. As farmácias e drogarias são proibidas de prestar
serviços que não são contemplados por essa resolução.

Faça valer a pena

1. A Resolução CFF nº 308, de 2 maio de 1997, do Conselho Federal


de Farmácia, dispõe sobre a assistência farmacêutica em farmácias e

74
drogarias. Segundo essa resolução, a­­­­ _____________ farmacêutica é o
conjunto de ações e serviços com vistas a assegurar a assistência terapêu-
tica _______________, a promoção e a _______________ de saúde, nos
estabelecimentos públicos e privados que desempenham atividades de
projeto, pesquisa, manipulação, produção, conservação, dispensação,
distribuição, garantia e controle da qualidade, vigilância sanitária e epide-
miológica de medicamentos e produtos farmacêuticos.
Analise as sentenças e complete as lacunas:
a. atenção; parcial; proteção.
b. assistência; integral; proteção.
c. atenção; integral; proteção.
d. assistência; parcial; recuperação.
e. assistência; integral; recuperação.

2. A Portaria SVS/MS nº 344, de 12 de maio de 1998, aprova o regulamento


técnico sobre substâncias e medicamentos sujeitos à controle especial. As
substâncias classificadas como entorpecentes, psicotrópicas, imunossupres-
soras estão dentro das listas regidas por essa normativa.
Analise as afirmações e assinale a alternativa correta:
a. A notificação de receita é um documento padronizado destinado à
notificação da prescrição de medicamentos isentos de prescrição.
b. A notificação de receita é personalizada e pode ser transferível,
devendo conter somente uma substância das listas “A1” e “A2” (psico-
trópicos) e “A3”, “B1”e “C2” (entorpecentes).
c. A farmácia ou drogaria somente poderá aviar ou dispensar quando
todos os itens da receita e da respectiva notificação de receita estiverem
devidamente preenchidos, sem rasuras ou emendas.
d. A notificação de receita “B”, de cor amarela, terá validade por um
período de 30 (trinta) dias contados a partir de sua emissão.
e. A Notificação de Receita será devolvida ao paciente devidamente
carimbada, como comprovante do aviamento ou da dispensação.

3. A resolução RDC nº 44, de 17 de agosto de 2009, da diretoria colegiada


da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) dispõe sobre as
boas práticas farmacêuticas para o controle sanitário do funcionamento, da

75
dispensação e da comercialização de produtos e da prestação de serviços
farmacêuticos, em farmácias e drogarias.
Considerando essa resolução, avalie as seguintes asserções e a relação
proposta entre elas:
I. As farmácias e drogarias, além da dispensação de medicamentos,
poderão realizar a prestação de serviços farmacêuticos para a
população, como a perfuração do lóbulo auricular para colocação de
brincos e a atenção farmacêutica.
PORQUE
II. O serviço de atenção farmacêutica contempla a aferição de parâme-
tros fisiológicos, que são a aferição de pressão arterial e temperatura
corporal.
A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta.
a. As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justifica-
tiva da I.
b. As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma
justificativa da I.
c. A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição
falsa.
d. A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verda-
deira.
e. As asserções I e II são proposições falsas.

76
Seção 3

Outras normas pertinentes para atuação do


profissional farmacêutico

Diálogo aberto
Olá, aluno, seja bem-vindo! Nesta seção você acompanhará uma profissional
farmacêutica recém-formada que se deparará com várias situações desafiadoras
na rotina de trabalho e que serão muito importantes para a sua experiência e
desenvolvimento profissional. Considerando a regulamentação da obrigatorie-
dade da presença do farmacêutico nas farmácias e drogarias e da oficialização do
reconhecimento das farmácias como estabelecimento de saúde, a carreira farma-
cêutica especializada em farmácia clínica vem sendo cada vez mais valorizada
pelo mercado de trabalho. Mas quais serão as principais atribuições do farma-
cêutico especializado em farmácia clínica? Será que nesse contexto o profissional
deverá estar atualizado com as normas que regulamentam esse segmento?
A profissional farmacêutica recebe na unidade da rede na qual trabalha
dois estagiários de uma faculdade de farmácia da região. Eles permanecerão
na farmácia por um período de seis meses por meio de um convênio firmado
entre a grande rede de farmácias e a instituição de ensino superior. A farma-
cêutica será a preceptora local e supervisionará o estágio durante esse período.
Em um dia de sua rotina, ela se deparou com o atendimento de um paciente
hipertenso com sintomas de tosse seca e improdutiva sob o uso do medicamento
captopril. O paciente relata que não teve nenhum sintoma de gripe ou resfriado
e que apresenta esse sintoma desde que iniciou o tratamento para hipertensão
utilizando o medicamento citado. Ele solicita à farmacêutica a sua ajuda para
a resolução desse caso, pois relata não aguentar mais a tosse. A farmacêutica, a
partir da análise técnica da situação, toma a decisão de entrar em contato com
o prescritor para tentar resolver a situação do paciente. Aproveitando a situação,
a farmacêutica contextualiza o atendimento da consulta farmacêutica desse
paciente aos estagiários, que rapidamente lhe fazem alguns questionamentos,
como: diante dessa situação, esse procedimento adotado pode ser realizado? Isso
se enquadra nas atribuições do farmacêutico para esse tipo de serviço? Você, no
lugar da farmacêutica, responderia essas dúvidas dos estagiários de que maneira?

Não pode faltar

Nesta seção, você continuará aprendendo sobre as normas pertinentes


que regulamentam a profissão do farmacêutico. Vamos iniciar nosso estudo

77
conhecendo a Resolução do Conselho Federal de Farmácia nº 586 de 29 de
agosto de 2013.

Resolução nº 586 de 29 de agosto de 2013


Essa resolução regulamenta a prescrição farmacêutica. Os modelos de
assistência à saúde no mundo contemporâneo têm passado por constantes
mudanças, que resultam da demanda por serviços, da incorporação de novas
tecnologias e dos desafios de sustentabilidade para o seu financiamento.
Dessa forma, a expansão para outros profissionais de saúde de maior respon-
sabilidade no manejo clínico dos pacientes, intensificando os cuidados em
saúde, faz com que haja mudanças para que distintos profissionais possam
adicionar, selecionar, alterar, ajustar, repetir ou interromper a terapia farma-
cológica de um paciente, e entre esses outros profissionais está o farmacêu-
tico (BRASIL, 2013a).
No contexto da saúde, considerando algumas peculiaridades e crité-
rios pré-definidos, profissionais não médicos estão autorizados a realizar a
prescrição de certas classes de medicamentos, e é dessa forma que surge o
novo modelo de prescrição como uma prática multiprofissional. O farma-
cêutico é um profissional que, a partir das competências e habilidades desen-
volvidas ao longa da sua formação, atende a maioria dos critérios que podem
subsidiar esse profissional para prescrever alguns tipos de medicamentos.
Segundo o art. 3º da resolução nº 586/2013, prescrição farmacêutica é:

[…] o ato pelo qual o farmacêutico seleciona e


documenta terapias farmacológicas e não farmaco-
lógicas, e outras intervenções relativas ao cuidado à
saúde do paciente, visando a promoção, proteção e
recuperação da saúde, e a prevenção de doenças e de
outros problemas de saúde (BRASIL, 2013a, p. 3)

A prescrição farmacêutica é uma atribuição clínica do farmacêutico e


deverá ser realizada baseada nas necessidades de saúde do paciente. Poderá
ser feita em diversos estabelecimentos farmacêuticos, consultórios, serviços e
níveis de atenção à saúde, desde que seja respeitado o princípio de confiden-
cialidade das informações e privacidade do paciente durante o atendimento
(BRASIL, 2013a).
Segundo o art. 5º dessa resolução:

78
O farmacêutico poderá realizar a prescrição de medica-
mentos e outros produtos com finalidade terapêutica, cuja
dispensação não exija prescrição médica, incluindo medica-
mentos industrializados e preparações magistrais- alopá-
ticos ou dinamizados, plantas medicinais, drogas vegetais
e outras categorias ou relações de medicamentos que
venham a ser aprovadas pelo órgão sanitário federal para a
prescrição do farmacêutico.
O ato da prescrição de medicamentos dinamizados de terapias
relacionadas às práticas integrativas e complementares,
deverá estar fundamentado em conhecimentos e habilidades
relacionados a estas práticas. (BRASIL. 2013a, p. 5)

O farmacêutico poderá prescrever medicamentos que exijam prescrição


médica desde que exista diagnóstico prévio e apenas quando estiver previsto
em protocolos, diretrizes e programas ou normas técnicas, aprovados para uso
em instituições de saúde, ou quando houver acordo de colaboração com outros
prescritores ou instituições de saúde. Para o exercício dessa ação, o profissional
deve possuir o título de especialista profissional farmacêutico na área clínica,
com comprovação de conhecimento nas áreas de: boas práticas de prescrição,
semiologia, fisiopatologia, farmacologia terapêutica e clínica. E para prescri-
ções de medicamentos dinamizados, o farmacêutico deverá possuir o título de
especialista em Homeopatia ou Antroposofia (BRASIL, 2013a).
É proibido ao farmacêutico modificar ou alterar a prescrição de medica-
mentos do paciente quando for emitida por outro profissional, exceto quando
ocorrer em acordo de colaboração, ou seja, uma parceria formal entre o
farmacêutico e o prescritor ou a instituição. Nesse caso, a modificação deverá
ser encaminhada para o prescritor responsável, acompanhada da justificativa
(BRASIL, 2013a).
Segundo o art. 7º da resolução CFF 586/2013, o processo de prescrição
farmacêutica é constituído das seguintes etapas:
1. Identificação das necessidades do paciente relacionadas à saúde.
2. Definição do objetivo terapêutico.
3. Seleção da terapia ou intervenções relativas ao cuidado à saúde, com
base em sua segurança, eficácia, custo e conveniência, dentro do
plano de cuidado.
4. Redação da prescrição.
5. Orientação ao paciente.

79
6. Avaliação dos resultados.
7. Documentação do processo de prescrição.
Segundo o art. 9º da resolução CFF 586/2013, a prescrição farmacêutica
deverá ser redigida em vernáculo, por extenso, de modo legível, observados a
nomenclatura e o sistema de pesos e medidas oficiais, sem emendas ou rasuras.

Reflita
Você conheceu a Resolução nº 586/2013 que regula a prescrição farma-
cêutica, mas a prescrição de medicamento por um farmacêutico pode
ocorrer para todos os tipos de medicamentos e em qualquer situação?

Resolução CFF nº 585 de 29 de agosto de 2013


Essa resolução regulamenta as atribuições clínicas do farmacêutico. Para
iniciarmos o estudo dessa resolução, primeiramente vamos entender o signi-
ficado de atribuições.

Assimile
As atribuições clínicas do farmacêutico são aquelas relacionadas aos
direitos e responsabilidade do profissional. É importante você compre-
ender as diferenças entre atribuições, atividades e serviços.
As atividades são as ações do processo de trabalho, e o conjunto de
atividades é identificado pela população como serviços.
O acompanhamento farmacoterapêutico, a conciliação terapêutica e a
revisão da farmacoterapia são exemplos de serviços clínicos farmacêuticos.

A farmácia clínica foi caracterizada nos anos 1960, nos Estados Unidos.
Originou-se na área hospitalar e compreende uma série de atividades voltadas
para maximizar os efeitos da terapêutica farmacológica, minimizar os riscos
e os custos do tratamento ao paciente. Nos dias de hoje incorpora a ideia do
Pharmaceutical care (Atenção Farmacêutica), e tem se expandido a todos
os níveis de atenção à saúde. Essa atividade pode ser realizada em hospitais,
unidades de atenção primária à saúde, ambulatórios, farmácias comunitárias,
instituições de longa permanência e domicílios de pacientes (BRASIL, 2013b).

Vocabulário
Você acabou de ler o termo Pharmaceutical care. Trata-se da atenção
farmacêutica que na Política Nacional de Assistência Farmacêutica é
definida como uma ação da assistência farmacêutica, considerada um

80
modelo de prática realizada pelo farmacêutico. Na execução dessa prática,
está inclusa a interação direta do farmacêutico com o usuário, com a finali-
dade de oferecer uma farmacoterapia racional e obter resultados clínicos
definidos e mensuráveis, além de compreender essa prática como impor-
tante para a integralidade das ações de saúde (ARAÚJO et al., 2017).

O farmacêutico clínico atua promovendo a saúde, prevenindo e monito-


rando eventos adversos, contribuindo na prescrição de medicamentos e
melhorando a qualidade de vida dos pacientes para obtenção de resultados
clínicos positivos (FERRACINI; ALMEIDA; BORGES FILHO, 2014).
Segundo o art. 7º da resolução 585/2013, são atribuições clínicas do
farmacêutico relativas ao cuidado à saúde, nos âmbitos individual e coletivo
(BRASIL, 2013b, p. 4):

I- Estabelecer e conduzir uma relação de cuidado centrada


no paciente;
II- Desenvolver, em colaboração com os demais membros
da equipe de saúde, ações para a promoção, proteção e
recuperação da saúde, e a prevenção de doenças de outros
problemas de saúde;
III- Participar do planejamento e da avaliação da farma-
coterapia, para que o paciente utilize de forma segura os
medicamentos de que necessita, nas doses, frequência,
horários, vias de administração e duração adequados,
contribuindo para que o mesmo tenha condições de realizar
o tratamento e alcançar os objetivos terapêuticos;
IV – Analisar a prescrição de medicamentos quanto aos
aspectos legais e técnicos;
V – Realizar intervenções farmacêuticas e emitir parecer
farmacêutico a outros membros da equipe de saúde, com
o propósito de auxiliar na seleção, adição, substituição,
ajuste ou interrupção da farmacoterapia do paciente;
VI – Participar e promover discussões de casos clínicos de
forma integrada com os demais membros da equipe de saúde;
VII - Prover a consulta farmacêutica em consultório farma-
cêutico ou em outro ambiente adequado, que garanta a
privacidade do atendimento;
VIII - Fazer a anamnese farmacêutica, bem como verificar sinais
e sintomas, com o propósito de prover cuidado ao paciente;

81
IX - Acessar e conhecer as informações constantes no
prontuário do paciente;
X - Organizar, interpretar e, se necessário, resumir os dados
do paciente, a fim de proceder a avaliação farmacêutica;
XI - Solicitar exames laboratoriais, no âmbito de sua compe-
tência profissional, com a finalidade de monitorar os resul-
tados da farmacoterapia;
XII - Avaliar resultados de exames clínico-laboratoriais
do paciente, como instrumento para individualização da
farmacoterapia;
XIII - Monitorar níveis terapêuticos de medicamentos, por
meio de dados de farmacocinética clínica;
XIV - Determinar parâmetros bioquímicos e fisiológicos do
paciente, para fins de acompanhamento da farmacoterapia
e rastreamento em saúde;
XV - Prevenir, identificar, avaliar e intervir nos incidentes
relacionados aos medicamentos e a outros problemas
relacionados à farmacoterapia;
XVI - Identificar, avaliar e intervir nas interações medica-
mentosas indesejadas e clinicamente significantes;
XVII - Elaborar o plano de cuidado farmacêutico do paciente;
XVIII - Pactuar com o paciente e, se necessário, com outros
profissionais da saúde, as ações de seu plano de cuidado;
XIX - Realizar e registrar as intervenções farmacêuticas
junto ao paciente, família, cuidadores e sociedade;
XX - Avaliar, periodicamente, os resultados das interven-
ções farmacêuticas realizadas, construindo indicadores de
qualidade dos serviços clínicos prestados;
XXI - Realizar, no âmbito de sua competência profissional,
administração de medicamentos ao paciente;
XXII - Orientar e auxiliar pacientes, cuidadores e equipe de
saúde quanto à administração de formas farmacêuticas,
fazendo o registro destas ações, quando couber;
XXIII - Fazer a evolução farmacêutica e registrar no prontu-
ário do paciente;
XXIV - Elaborar uma lista atualizada e conciliada de medica-
mentos em uso pelo paciente durante os processos de
admissão, transferência e alta entre os serviços e níveis de
atenção à saúde;
XXV - Dar suporte ao paciente, aos cuidadores, à família
e à comunidade com vistas ao processo de autocuidado,
incluindo o manejo de problemas de saúde autolimitados;

82
XXVI - Prescrever, conforme legislação específica, no
âmbito de sua competência profissional;
XXVII - Avaliar e acompanhar a adesão dos pacientes ao
tratamento, e realizar ações para a sua promoção;
XXVIII - Realizar ações de rastreamento em saúde, baseadas
em evidências técnico científicas e em consonância com as
políticas de saúde vigentes.

O farmacêutico clínico é o profissional que está inserido no cuidado ao


paciente, participando ativamente da terapia medicamentosa e da promoção
e/ou recuperação da saúde, exercendo suas atividades com autonomia para a
tomada de decisões baseadas nos princípios éticos da profissão. Para o desen-
volvimento das atividades clínicas, o farmacêutico deve possuir conheci-
mento amplo e integrado em diversas áreas, tais como: farmacologia, bioquí-
mica, fisiopatologia, farmacotécnica, farmacocinética e farmacodinâmica.
Mesmo parecendo uma simples orientação clínica, como demonstrado
na Figura 2.6, essa atividade sempre estará carregada de informações que são
cruciais para atingir os objetivos da farmacoterapia prescrita. Os profissio-
nais farmacêuticos devem ter isso como algo sempre presente ao longo de sua
vida profissional, quando na atuação nesse segmento.
Figura 2.6 | Orientação farmacêutica

Fonte: Shutterstock.

Resolução CFF nº 440, de 22 de setembro de 2005


A referida resolução dá nova redação à Resolução nº 335/98 do Conselho
Federal de Farmácia, que dispõe sobre as prerrogativas para o exercício da
responsabilidade técnica em homeopatia.

83
Segundo o art. 1º da resolução, considera-se habilitado para exercer a
responsabilidade técnica da Farmácia ou Laboratório Industrial Homeopático,
que manipule ou industrialize o medicamento homeopático, o farmacêutico
que comprovar uma das seguintes qualificações (BRASIL, 2005):
• Ter cursado a disciplina de Homeopatia de no mínimo 60 (sessenta)
horas, no curso de graduação de farmacêutico, complementadas com
estágio em manipulação e dispensação de medicamentos homeo-
páticos, de no mínimo 240 (duzentas e quarenta) horas, na própria
instituição de ensino superior, em farmácias que manipulem medica-
mentos homeopáticos ou laboratórios industriais de medicamentos
homeopáticos conveniados às instituições de ensino.
• Título de especialista ou curso de especialização em farmácia homeo-
pática que atenda às Resoluções pertinentes do Conselho Federal de
Farmácia, em vigor.
O art. 2º determina que:

[…] os farmacêuticos que comprovarem o exercício da


responsabilidade técnica em estabelecimentos farmacêu-
ticos que preparem medicamentos homeopáticos, obtida
até a data da publicação da Resolução nº 319 em 30/10/97,
serão asseguradas as prerrogativas profissionais sem o
prejuízo da aplicação do artigo anterior, onde o exercício
será obtido pelos registros perante o Conselho Regional de
Farmácia. (BRASIL, 2005)

Resolução RDC nº 306, de 7 de dezembro de 2004


Essa é uma resolução da diretoria colegiada da Agência Nacional de
Vigilância Sanitária (ANVISA) que dispõe sobre o Regulamento Técnico
para o gerenciamento de resíduos de serviços de saúde.
Esse regulamento é aplicado para todos os geradores de Resíduos de
Serviços de Saúde (RSS).

Exemplificando
Entende-se por geradores de Resíduos de Serviços de Saúde todos
os serviços referentes ao atendimento à saúde humana ou animal,
incluindo os serviços de assistência domiciliar e de trabalhos de campo;
laboratórios analíticos de produtos para a saúde; necrotérios, funerá-
rias e estabelecimentos onde se realizam atividades de embalsamento;

84
serviços de medicina legal; farmácias incluindo as de manipulação,
drogarias; estabelecimentos de ensino e pesquisa na área da saúde;
distribuidoresde produtos farmacêuticos, importadores; centros de
controle de zoonoses; distribuidores e produtores de materiais e
controles de diagnóstico in vitro; serviços de tatuagem; de acupuntura;
unidades móveis de atendimento à saúde, dentre outros (BRASIL, 2004).

O gerenciamento dos RSS estabelece o conjunto de procedimentos de


gestão, planejados e implantados a partir de bases científicas e técnicas,
normativas e legais, com a finalidade de reduzir a produção de resíduos e
oferecer aos resíduos gerados uma destinação segura e de forma eficiente, de
maneira que não contamine o meio ambiente e os recursos naturais, e que
também garanta a proteção dos trabalhadores.
O gerenciamento deve compreender todas as etapas de planejamento dos
recursos materiais, físicos e de capacitação dos recursos humanos envolvidos
na manipulação dos RSS. É indispensável que todo gerador elabore um Plano
de Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde (PGRSS) baseado nas
características dos resíduos gerados e na classificação de cada um, segundo
a RDC 306/04.
Figura 2.7 | Tipo e forma de descarte dos resíduos de serviços de saúde

Fonte: https://binged.it/32Youi8. Acesso em: 22 set. 2019.

Os resíduos gerados devem ser acondicionados em sacos ou recipientes


que evitem vazamentos e resistam às ações de ruptura e punctura.

85
A identificação permite o reconhecimento dos resíduos contidos nos
sacos e recipientes, fornecendo as informações sobre a correta manipulação
dos RSS, conforme o Quadro 2.1 (BRASIL, 2004).
Quadro 2.1 | Identificação dos resíduos de saúde
Símbolo de substância infectante constante na
GRUPO A NBR-7500 da ABNT, com rótulos de fundo
branco, desenho e contornos pretos.
Símbolo de risco associado, de acordo com a NBR
GRUPO B 7500 da ABNT e com discriminação de substância
química e frases de risco.
Símbolo internacional de presença de radiação ioni-
zante (trifólio de cor magenta) em rótulos de fundo
GRUPO C
amarelo e contornos pretos, acrescido da expressão
REJEITO RADIOATIVO.
Símbolo de substância infectante constante na
NBR-7500 da ABNT, com rótulos de fundo
branco, desenho e contornos pretos, acresci-
GRUPO E
do da inscrição de RESÍDUO PERFUROCOR-
TANTE, indicando o risco que apresenta o
resíduo.
Fonte: elaborado pela autora.

É de suma importância ao profissional da área da saúde conhecer a


maneira correta de descartar os resíduos de serviços de saúde, bem como
suas formas de manejo, segregação e acondicionamento.

Sem medo de errar

Você conheceu algumas normas que são pertinentes para a atuação do


profissional farmacêutico. Duas delas são a resolução CFF nº 586 e a nº 585,
que serão importantes para você compreender e solucionar a situação-pro-
blema exposta no início da seção. Vamos relembrar essa situação: temos o
caso da profissional farmacêutica que recebe na unidade da rede na qual
trabalha dois estagiários de uma faculdade de farmácia da região. Em um dia
de sua rotina, ela se deparou com o atendimento de um paciente hipertenso
com sintomas de tosse seca e improdutiva, sob o uso do medicamento capto-
pril. Ele solicita à farmacêutica a sua ajuda para a resolução desse caso, pois
relata não aguentar mais a tosse. A farmacêutica, a partir da análise técnica
da situação, toma a decisão de entrar em contato com o prescritor para tentar
resolver a situação do paciente.
Diante do sintoma apresentado pelo paciente e a medicação anti-hiper-
tensiva que ele toma, a farmacêutica relacionou a tosse a um efeito colateral

86
comum do captopril que é a tosse. Assim, ela tomou a decisão de entrar em
contato com o médico prescritor para discutirem o caso do paciente e alterar
a medicação anti-hipertensiva. De acordo com a resolução nº 586 de 29 de
agosto de 2013, é proibido ao farmacêutico modificar ou alterar a prescrição
de medicamentos do paciente quando for emitida por outro profissional,
exceto quando ocorrer em acordo de colaboração, ou seja, uma parceria
formal entre o farmacêutico e o prescritor ou a instituição, caso em que a
modificação deverá ser encaminhada para o prescritor responsável acompa-
nhada da justificativa.
A área de atuação na qual a situação faz referência é a farmácia clínica, que
tem como objetivo melhorar a qualidade de vida dos pacientes, e uma de suas
funções é solucionar os problemas com medicamentos. Um dos problemas
mais comuns são as reações adversas aos medicamentos, que ocorrem quando
o paciente apresenta um problema médico resultante de um efeito adverso.
Nessa área de atuação, o profissional farmacêutico tem como atribuições:
estabelecer e conduzir uma relação de cuidado centrada no paciente; desen-
volver, em colaboração com os demais membros da equipe de saúde, ações
para a promoção, proteção e recuperação da saúde e a prevenção de doenças
de outros problemas de saúde; participar do planejamento e da avaliação da
farmacoterapia, para que o paciente utilize de forma segura os medicamentos
de que necessita, nas doses, frequência, horários, vias de administração e
duração adequadas, contribuindo para que ele tenha condições de realizar
o tratamento e alcançar os objetivos terapêuticos; analisar a prescrição de
medicamentos quanto aos aspectos legais e técnicos; realizar intervenções
farmacêuticas e emitir parecer farmacêutico a outros membros da equipe de
saúde, com o propósito de auxiliar na seleção, adição, substituição, ajuste ou
interrupção da farmacoterapia do paciente; entre outras atribuições.

Avançando na prática

Resíduos de serviços de saúde

Um aluno do curso de graduação de Farmácia está fazendo estágio em


uma farmácia da sua região, que tem um programa de serviços farmacêuticos
chamado Mais Saúde. Nesse programa são oferecidos os serviços de aferição
de pressão arterial e de dosagem de glicemia capilar. A dosagem de glicemia
ocorre em um dia da semana estabelecido, no qual a maioria dos pacientes
comparecem à farmácia para a realização do teste. O aluno auxilia o farma-
cêutico nesse procedimento e pergunta se há alguma fiscalização quanto ao
descarte dos resíduos de saúde gerados, pois ele não tinha estudado ainda

87
sobre esse assunto na faculdade até o momento. Como você, futuro profis-
sional de farmácia, auxiliaria o farmacêutico a solucionar essa dúvida?

Resolução da situação-problema
A dosagem de glicemia capilar nas farmácias e drogarias é realizada
por meio de equipamentos de autoteste. Esse procedimento gera resíduos
de saúde, como os materiais perfurocortantes e algodão sujo com sangue.
Esses resíduos devem ser descartados conforme a resolução específica, que é
a RDC nº 306, de 7 de dezembro de 2004, que dispões sobre o regulamento
técnico para o gerenciamento de resíduos de serviços de saúde. Segundo o
Apêndice I dessa resolução, as agulhas e lancetas são resíduos que fazem
parte do grupo E, os materiais perfurocortantes, e devem ser descartados
separadamente, no local de sua geração, imediatamente após o uso ou neces-
sidade de descarte, em recipientes rígidos, resistentes à punctura, ruptura
e vazamento. Os recipientes devem ser identificados com o símbolo de
substância infectante constante na NBR-7500 da ABNT, com rótulos de fundo
branco, desenho e contornos pretos, acrescidos da inscrição de RESÍDUO
PERFUROCORTANTE, indicando o risco que apresenta o resíduo. As
agulhas descartáveis devem ser desprezadas juntamente com as seringas,
sendo proibido reencapá-las ou proceder sua retirada manualmente. Quando
os recipientes de descarte atingirem 2/3 da sua capacidade ou o nível de
preenchimento ficar a 5 cm de distância da boca do recipiente, estes devem
ser descartados, sendo proibido o seu esvaziamento ou reaproveitamento.

Faça valer a pena

1. Desde os anos de 1960, a farmácia clínica tem se estabelecido e vem


sendo cada vez mais valorizada pelo mercado, principalmente após as farmá-
cias serem consideradas como estabelecimentos de saúde, com o objetivo
de incluir as atividades relacionadas à utilização do uso racional de medica-
mentos aos pacientes. Essa área de atuação tem exigido do farmacêutico que:
Analise as afirmativas e assinale a alternativa correta.
a. Estabeleça e conduza uma relação de cuidado centrada no paciente,
preocupando-se com a segurança, o custo e os resultados da farma-
coterapia, analisando o impacto na qualidade de vida dos pacientes.
b. Priorize as ações voltadas ao medicamento, como para o sistema de
distribuição dos medicamentos.

88
c. Desenvolva, em colaboração com os demais membros da equipe
de saúde, ações para a promoção, proteção e recuperação da saúde
apenas de pacientes internados.
d. Auxilie na seleção, adição, substituição, ajuste ou interrupção da
farmacoterapia do paciente, sem a necessidade de se comunicar com
o profissional prescritor.
e. Realize as intervenções farmacêuticas junto ao paciente, família,
cuidadores e sociedade, sem a necessidade de registrar a intervenção,
pois há confiança entre o farmacêutico e o paciente.

2. A RDC nº 306, de 7 de dezembro de 2004, é uma resolução da diretoria


colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) que dispõe
sobre o Regulamento Técnico para o gerenciamento de resíduos de serviços
de saúde.
Sobre a RDC nº 306/ 2004, assinale a alternativa correta:.
a. Definem-se como geradores de resíduos de serviços de saúde apenas
os serviços relacionados com o atendimento à saúde humana.
b. O gerenciamento dos resíduos de serviços em saúde constitui-se de
procedimentos de gestão, planejados e implantados a partir de bases
científicas e técnicas, normativas e legais.
c. O manejo dos resíduos de serviços em saúde consiste na separação
dos resíduos no momento e local de sua geração.
d. A segregação é entendida como a ação de gerenciar os resíduos em
seus aspectos intra e extra estabelecimento.
e. Os resíduos sólidos devem ser acondicionados em saco branco consti-
tuído de material resistente à ruptura e vazamento, sendo permeável.

3. A Resolução nº 586 de 29 de agosto de 2013 regulamenta a prescrição


farmacêutica e dá outras providências. Em 26 de setembro de 2013 foi publi-
cada no Diário Oficial da União, seção 1, página 136, a resolução nº 586 pelo
Conselho Federal de Farmácia (CFF), que permite ao farmacêutico formado
e inscrito regularmente no seu CRF prescrever medicamentos.
Considerando essa resolução, avalie as seguintes asserções e a relação
proposta entre elas:
I. De acordo com a resolução nº 586 do Conselho Federal de Farmácia,
o farmacêutico pode prescrever medicamentos cuja dispensação
exija prescrição médica.

89
PORQUE
II. A referida resolução resolve que o farmacêutico poderá prescrever
medicamentos de prescrição médica desde que condicionado à
existência de diagnóstico prévio e apenas quando estiver previsto em
programas, protocolos, diretrizes ou normas técnicas.
A respeito dessas asserções, assinale a opção correta:
a. As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justifica-
tiva da I.
b. As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma
justificativa da I.
c. A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição
falsa.
d. A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verda-
deira.
e. As asserções I e II são proposições falsas.

90
Referências

ARAÚJO, P. S. et al. Pharmaceutical care in Brazil’s primary health care. Rev. Saúde Pública, São
Paulo, v. 51, supl. 2, 13 nov. 2017. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_
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BRASIL. Presidência da República. Lei nº 5.991, de 17 de dezembro de 1973. Dispõe sobre o


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BRASIL. Presidência da República. Lei nº 9.787, de 10 de fevereiro de 1999. Altera a Lei nº 6.360
de 23 de setembro de 1976, que dispõe sobre a vigilância sanitária, estabelece o medicamento
genérico, dispõe sobre a utilização de nomes genéricos em produtos farmacêuticos e dá outras
providências. Brasília/DF, [1999]. Disponível em: https://crf-pr.org.br/uploads/pagina/29587/
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Regulamenta as atribuições clínicas do farmacêutico e dá outras providências. Brasília/DF:
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Dispõe sobre o Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados- SNGPC,
revoga a resolução de Diretoria Colegiada nº 27, de 30 de março de 2007, e dá outras provi-
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2014%20dou.pdf. Acesso em: 15 set. 2019.

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exercício e a fiscalização das atividades farmacêuticas. Brasília/DF, [2014b]. Disponível em:
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FERRACINI, F. T.; ALMEIDA, S. M.; BORGES FILHO, W. M. Farmácia Clínica: Manuais


de especialização Albert Einstein Sociedade Beneficente Israelita Brasileira. 1. ed. Barueri:
Manole, 2014.

OLIVEIRA, S. T. de. Tópicos em deontologia e legislação para farmacêuticos. Belo Horizonte:


Coopmed, 2009.

PERREIRA, R. S. Clínica e prescrição farmacêutica. Belo Horizonte: Rona, 2014.


Unidade 3
Flávia Soares Lassie

Deontologia farmacêutica

Convite ao estudo
Nos últimos tempos vivemos cercados pela tecnologia que possibilitou
novas descobertas, o maior acesso e o uso crescente de medicamentos que
têm sido considerados os responsáveis pela melhoria nos avanços da saúde.
Porém, na mesma proporção, os dados de morbimortalidade associados ao
uso indiscriminados de medicamentos também têm se elevado, de forma que
esse uso passou a ser a causa que lidera o ranking de intoxicações no país
desde 2006, constituindo diversos riscos para a saúde do paciente. O profis-
sional farmacêutico é responsável por promover ao paciente o uso racional
de medicamentos proporcionando a utilização de medicamentos para suas
condições clínicas em doses adequadas às necessidades individuais por um
período apropriado.
O farmacêutico requer, como em toda a profissão, o seguimento de
normas e legislações assegurando que o paciente tenha acesso a uma assis-
tência farmacêutica realizada com qualidade.
O estudo dessa unidade será de grande importância para o seu cotidiano
profissional, além de um grande aprendizado para o conhecimento de algumas
das principais legislações que regulamentam a profissão farmacêutica.
Para melhor compreensão das legislações farmacêuticas, convido você a
ler com atenção o contexto de aprendizagem desta unidade.
Seção 1

Bases conceituais da deontologia farmacêutica

Diálogo aberto
Olá, aluno, seja bem-vindo! Nesta seção você estudará a respeito das
questões éticas e da deontologia, um conteúdo muito importante para o seu
cotidiano profissional. Você conhecerá uma profissional farmacêutica que
exerce a função de fiscal do Conselho Regional de Farmácia (CRF) e que
vivencia muitas situações desafiadoras ligadas a sua rotina de trabalho, nas
regiões onde estão os estabelecimentos sob sua responsabilidade de fiscali-
zação. Quais são os fundamentos de ética e moral que norteiam as tomadas
de decisões para a solução de problemas? Você já imaginou quais são as
situações éticas e morais que envolvem a atuação dos profissionais farmacêu-
ticos nas suas várias áreas de atuação?
Em um dia de sua rotina, a profissional farmacêutica fiscal do CRF recebe
uma denúncia anônima, relatando que uma farmácia de um bairro afastado
da região central de uma cidade está funcionando sem presença do farma-
cêutico e os proprietários estão dispensando medicamentos, incluindo os
pertencentes à Portaria 344/98, sem a retenção de receita ou notificação de
receita. Frente a essa situação, você, no lugar da profissional farmacêutica,
vislumbraria alguma complicação junto às normas sanitárias e profissionais
que regulamentam esse segmento? Quais pontos éticos e morais podem estar
envolvidos nessa situação? No lugar da fiscal, qual atitude você tomaria para
resolver essa situação?
Para ajudá-los na resolução dessa situação, estudaremos conceitos
sobre ética profissional e a diferença entre os conceitos de ética e moral na
atuação profissional.
Vamos lá? Aproveite bem o seu tempo e não deixe de estudar todos os
materiais que serão disponibilizados em mais uma seção da nossa disciplina!

Não pode faltar

Por diversas vezes você já ouviu falar sobre ética, seja no âmbito profis-
sional quanto na sua rotina diária. Assim, para iniciarmos nosso estudo sobre
ética, primeiramente vamos entender qual é o conceito e a origem da palavra.
Segundo Japiassú e Marcondes (2011), ética é a parte da filosofia respon-
sável pela investigação dos princípios que motivam, distorcem, disciplinam ou

94
orientam o comportamento humano, refletindo especialmente a respeito da
essência das normas, valores, prescrições e exortações presentes em qualquer
realidade social. Ela também pode ser entendida como um conjunto de regras
e preceitos de ordem valorativa e moral de um indivíduo, de um grupo social
ou de uma sociedade. Diferentemente da moral, a ética está mais preocupada
em detectar os princípios de uma vida conforme a sabedoria filosófica, em
elaborar uma reflexão sobre as razões de se desejar a justiça e a harmonia e
sobre os meios de alcançá-las.
A ética surge da necessidade de se fazer o bem, o que provoca o reconhe-
cimento do valor das coisas e das pessoas. O bem necessita ser ensinado, e
dessa forma o homem vivencia, aprende e incorpora os valores desde o nasci-
mento até o estágio final de vida.
Desde o período da antiguidade, os homens têm se preocupado com
os quesitos éticos e morais vinculados à natureza, à política, às normas de
convivência social e ao comportamento humano.
A ética presume a habilidade da pessoa decidir e optar, com base em
valores, crenças e normatizações sociais, como agirá em determinadas situa-
ções da vida.
A ética é individual, e nesse ponto de vista cada indivíduo tem a sua,
baseando-se em valores, princípios e sentimentos que cada um traz dentro
de si. Assim, a partir de sua própria escolha, é possível se aproximar ou se
distanciar dos valores de outros indivíduos. Cada pessoa apresenta um modo
de agir único, definindo suas condutas de acordo com aquilo que acredita e
aceita como verdade. Por outro lado, a moral é incorporada da sociedade,
com valores selecionados e definidos como as regras a serem seguidas por
um indivíduo ou sociedade.
Podemos entender por ética um conjunto de valores e princípios desig-
nados a direcionar a conduta de um indivíduo, de um grupo ou sociedade
(OGUISSO; ZOBOLI, 2017).
Ser um profissional ético fala daquele indivíduo responsável pelas suas
atitudes, pautadas pelos princípios e valores convencionados da profissão,
visando zelar pela integridade do paciente/cliente, sobressaindo-se o respeito
ao outro em todas as suas ações (OGUISSO; ZOBOLI, 2017).
A palavra moral originou-se do latim moralis, mos ou mores, e significa
costume ou costumes. A moral faz parte da vida real e aborda a prática real
dos indivíduos que se manifestam por costumes, valores e hábitos cultural-
mente definidos (OGUISSO; ZOBOLI, 2017).

95
Segundo Japiassú e Marcondes (2011), em um sentido mais estrito, a
moral diz respeito aos costumes, valores e normas de conduta específicos
de uma sociedade ou cultura, enquanto a ética considera a ação humana do
seu ponto de vista valorativo e normativo, em um sentido mais genérico e
abstrato.
A ética está estreitamente ligada à moral, e elas formam a base do compor-
tamento, do caráter e da conduta que conduz o indivíduo às atitudes e forma
de agir perante a sociedade. A moral é entendida como um conjunto de
normas e costumes, que tende a regular o agir das pessoas e também oferece
oportunidade de reflexão sobre a forma de agir.

Reflita
Em muitas situações da vida profissional, os conceitos de ética e moral
são constantemente sobrepostos ou interpretados de maneira equivo-
cada. No seu entendimento, ética e moral são sinônimos?

Durante todo o processo de formação profissional, o desenvolvimento


das competências e habilidades referentes a uma prática específica em deter-
minada área proporcionará ao aluno a capacidade reflexiva. Quando um
indivíduo completa a formação em nível superior, ele faz um juramento que
expressa sua adesão e comprometimento com a categoria profissional na qual
ele formalmente ingressou. Isso define o aspecto moral da ética profissional,
que é um conjunto de regras estabelecidas direcionadas a serem as mais
adequadas para definir a conduta profissional de um indivíduo.
Os profissionais de saúde necessitam conhecer técnicas e habilidades,
entretanto, devem também ter empatia para entender como aquela pessoa ou
a coletividade entendem o processo saúde-doença e quais são seus valores e
crenças. Algumas virtudes são indispensáveis para um profissional de saúde,
como: fidelidade, justiça, honestidade, coragem, sabedoria e generosidade,
entre outras (OGUISSO; ZOBOLI, 2017).
É esperado dos profissionais de saúde que sejam capazes de colocar o
bem das pessoas acima dos seus próprios ou da instituição, buscando-o
sempre, a não ser que isso possa trazer uma injustiça ou objeção de consci-
ência (OGUISSO; ZOBOLI, 2017).
A bioética originou-se do grego bios (vida) e ethos (ética), e significa a
ética da vida. A bioética tem como finalidade o respeito à pessoa humana
e responsabilidade civil e profissional com relação à promoção de saúde e
sobrevivência humana.

96
As diferenciadas áreas da saúde têm seus respectivos códigos deontoló-
gicos, os quais são determinados pelos conselhos de classe, objetivando a
padronização de normas e condutas dos profissionais na sua atuação frente
aos seus pares, nas relações multidisciplinares, na relação paciente e família/
profissional e na intervenção e limites da tecnologia (OGUISSO; ZOBOLI,
2017).
A bioética dispõe de quatro princípios norteadores, que são: beneficência;
não maleficência; autonomia; e equidade e justiça.

Assimile
Para você compreender quais são os princípios da bioética, discuti-
remos aqui os conceitos de:
• Beneficência: possui o significado de “fazer o bem”. Devemos
oferecer ao paciente o melhor atendimento.
• Não maleficência: significa “não fazer o mal”, evitando, em seus
atos e em sua conduta, qualquer erro ou atitude que coloque o
paciente em risco.
• Autonomia: refere-se à liberdade de informação. É dever do
farmacêutico esclarecer qualquer dúvida que o paciente tenha
com relação a sua terapia.
• Equidade e justiça: baseado na igualdade e justiça. Observando
que cada indivíduo tem suas próprias necessidades, devemos
respeitar o direito de cada um.

A deontologia é conhecida como a “teoria do dever”. É um conjunto


de regras, condutas e deveres de uma determinada profissão e que regula-
mentará o exercício profissional, seguindo o código de ética das profissões.
Isso quer dizer que temos deveres, direitos e obrigações específicas dentro
da nossa área de atuação profissional. Esse “código de ética” é criado pelo
conselho de classe que regulamenta e fiscaliza o exercício profissional.
Vamos discutir agora sobre alguns tópicos da estrutura normativa brasi-
leira. Segundo o art. 59 da Constituição Federal de 1988, o ordenamento
jurídico é composto de várias espécies normativas, como as emendas à
constituição, lei ordinária, lei complementar, medidas provisórias, decretos
legislativos e resoluções. E independentemente de qual é a espécie normativa
criada, a regra é o cumprimento da lei maior e suprema em nossa federação,
que é a Constituição da República Federativa do Brasil, publicada em 1988.
Portanto, a Constituição é a lei fundamental escrita do Estado, e a base de
todas as legislações. Assim, todas as leis, decretos, resoluções e portarias

97
devem estar de acordo e não devem destoar dos preceitos contidos nesse
documento (MASTROIANNI; LORANDI; ESTEVES, 2014).
A Constituição Federal Brasileira só pode ser modificada através de
emenda constitucional que tem como finalidade alterá-la, sem a necessi-
dade de se escrever uma nova constituição. No Brasil, para se realizar uma
emenda à constituição, é necessário que seja proposta por, no mínimo, um
terço dos membros da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal; ou pelo
Presidente da República ou por mais da metade das Assembleias Legislativas
das Unidades da Federação, sendo que em cada uma delas deve haver uma
manifestação da maioria dos seus membros (MASTROIANNI; LORANDI;
ESTEVES, 2014).

Exemplificando
Um exemplo de emenda que foi um marco na área da Saúde foi a Emenda
Constitucional nº 29, de 13 de setembro de 2000, que modificou o artigo
nº 198 da CF (1988), resultando em um passo fundamental para garantir
a efetivação do direito à saúde. A finalidade dessa emenda foi assegurar
uma quantidade mínima de recursos públicos para o financiamento dos
serviços e ações de saúde, garantindo a efetiva participação das esferas
federal, estadual, distrital e municipal, utilizando uma lei complementar
para a definição das normas de cálculo do montante que seria aplicado
por cada esfera de governo.

Conforme as hierarquias dos atos legais existem, as leis que são elabo-
radas pelo Poder Legislativo e as medidas provisórias lançadas pelo Poder
Executivo. A lei é uma categoria de regra escrita que apresenta características
definidas e é chamada de lei ordinária ou complementar. A lei complementar,
como o próprio nome já diz, tem o objetivo de adicionar, complementar algo
à constituição. Um exemplo de uma lei complementar é a Lei 141/12, que
regulamenta quais são os valores mínimos a serem aplicados pela União
anualmente, correspondendo à variação nominal do Produto Interno Bruto
(PIB), e Estados, Distrito Federal e Municípios, 12% e 15% das arrecadações
dos impostos respectivamente (MASTROIANNI; LORANDI; ESTEVES,
2014).
Já a lei ordinária trata de temas que não são contemplados pela lei
complementar. São exemplos de leis ordinárias que têm incidência sobre a
profissão farmacêutica, como a Lei nº 5991/73, que dispõe sobre o controle
sanitário do comércio de drogas, medicamentos, insumos farmacêuticos e
correlatos, e a Lei nº 13021/14, que dispõe sobre o exercício e a fiscalização
das atividades farmacêuticas.

98
Existem também as resoluções e portarias que são atos administrativos
que especificam as leis e decretos, sendo que a portaria é uma categoria
de ato administrativo entendida como uma estratégia pela qual as autori-
dades inferiores ao chefe do Poder Executivo editam as regras. Ela apresenta
recomendações, normas de execução de serviço, demissões, nomeações,
punições ou qualquer outra determinação de competência dos serviços
públicos de administração direta ou indireta (MASTROIANNI; LORANDI;
ESTEVES, 2014).

Exemplificando
Um exemplo de portaria é a Portaria SVS/ MS nº 344/98, que foi elabo-
rada pela Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde,
uma forma de administração pública direta, que aprova o regulamento
técnico sobre as substâncias e medicamentos sujeitos à controle
especial.

Já as resoluções são a maneira pela qual a deliberação de órgãos colegiados


é expressa. Também como atos administrativos normativos expedidos
pelas altas autoridades do Executivo e colegiados administrativos adminis-
tram matéria de sua competência específica (MASTROIANNI; LORANDI;
ESTEVES, 2014). Um exemplo desse tipo de ferramenta administrativa legis-
lativa é a Resolução nº 596 de 21 de fevereiro de 2014, que foi publicada pelo
Conselho Federal de Farmácia e dispõe sobre o Código de Ética Farmacêutica
e o Código do Processo Ético, e estabelece, além de outros critérios, as infra-
ções e regras de aplicação das sanções disciplinares aos profissionais farma-
cêuticos que descumprem os direcionamentos desse documento.
Sobre o ordenamento da estrutura normativa brasileira, é importante que
você, como futuro profissional da farmácia, conheça essa relação, pois isso
facilitará a interpretação das espécies normativas para as situações da prática
profissional, principalmente em áreas em que o farmacêutico é o responsável
técnico e deve assessorar o local em relação ao cumprimento de determi-
nadas normas. Isso a fim de manter a instituição adequada quanto à regula-
mentação sanitária e profissional de um determinado segmento de atuação.
Exemplo disso são as leis, portarias, resoluções, decretos e outras espécies
normativas que regulamentam o exercício sanitário de farmácias, drogarias
e laboratórios de análises clínicas. Nesses locais, o farmacêutico tem papel
de destaque na adequação, acompanhamento de validade e renovação dos
documentos. A Figura 3.1 demonstra a relação de superioridade das normas
jurídicas brasileiras.

99
3.1 | Pirâmide da estrutura normativa brasileira

NÍVEL I

RELAÇÃO DE SUPERIORIDADE
CF

NÍVEL II LEIS
COMPLEMENTARES

LEIS ORDINARIAS
NÍVEL III CÓDIGOS E
CONSOLIDAÇÕES

DECRETOS
NÍVEL IV

INSTRUÇÕES NORMATIVAS
PORTARIAS
NÍVEL IV REGULAMENTOS TÉCNICOS

Fonte: adaptada de Oliveira (2009, p. 25).

O Quadro 3.1 traz alguns exemplos em relação à classificação e tipo de norma,


quando estabelecido pelo nível de vinculação.
Quadro 3.1 | Classificação das normas jurídicas por nível de vinculação e espécie normativa

ESPÉCIE NORMA-
NÍVEL DE VINCULAÇÃO NORMA JURÍDICA
TIVA

CONSTITUIÇÃO FEDERAL NORMAS


NÍVEL SUPERIOR
EMENDAS À CONSTITUIÇÃO CONSTITUCIONAIS

NORMAS PRIMÁRIAS
• LEIS COMPLEMENTARES
• LEIS ORDINÁRIAS
• LEI DELEGADA
• MEDIDAS PROVISÓRIAS/
NÍVEL INTERMEDIÁRIO DECRETOS - LEI LEIS
• TRATADOS/CONVENÇÕES
INTERNACIONAIS
• CÓDIGOS E CONSOLIDAÇÕES
• DECRETOS E RESOLUÇÕES
LEGISLATIVAS
NORMAS SECUNDÁRIAS
• INSTRUÇÕES NORMATIVAS
• PORTARIAS
• REGULAMENTOS TÉCNICOS ATOS
NÍVEL INFERIOR
• AVISOS ADMINISTRATIVOS
• ORDENS DE SERVIÇO
• OUTRAS ESPÉCIES
ADMINISTRATIVAS
Fonte: adaptado de Oliveira (2009, p. 32).

100
As ações do Estado são regulamentadas pelos princípios do direito
administrativo. Dessa forma a administração pública indireta ou direta de
qualquer um dos poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios deverá obedecer aos princípios de moralidade, impessoalidade,
legalidade, publicidade e eficiência.
O Quadro 3.2 apresenta alguns exemplos de normas primárias
(nível IV) que estão em vigor e que estão relacionadas diretamente à
profissão farmacêutica.
Quadro 3.2 | Exemplos de normas primárias que incidem no exercício da farmácia no Brasil

DIPLOMA LEGAL PROMULGAÇÃO EMENTA


Aprova a regulamentação do exercício
Decreto n. 20.377 08/09/1931
da Farmácia no Brasil.
Regulamenta a Lei n. 5.991, de
17/12/1973, que dispõe sobre controle
Decreto n. 74.170 10/06/1974 do comércio de drogas, medica-
mentos, insumos farmacêuticos e
correlatos.
Estabelece normas para execução da
Lei n. 3.820, de 11/11/1960, sobre o
Decreto n. 85.878 07/04/1981
exercício da profissão de farmacêutico
e dá outras providências.
Fonte: adaptado de Oliveira (2009, p. 40).

É muito importante que o profissional farmacêutico, bem como outros


profissionais da saúde, tenham noções básicas das incompatibilidades do
ordenamento jurídico. Isso ocorre quando há interpretação ou inadequação
do documento após a sua publicação. A existência de incompatibilidades
entre normas que compõem o ordenamento jurídico chama-se antinomia.
As relações de incompatibilidade podem ser verificadas em algumas situa-
ções clássicas, baseadas na contrariedade ou contraditoriedade existente
entre documentos. Assim, temos:
• Entre uma norma que ordena fazer algo versus outra norma que
proíbe fazê-lo.
• Entre uma norma que ordena fazer algo versus outra norma que
permite não fazê-lo
• Entre uma norma que proíbe fazer algo versus outra norma que
permite fazê-lo.
Para a solução das incompatibilidades, existem alguns critérios que
devem ser levados em consideração e que podem ajudar na prática profis-
sional. Podemos considerar:

101
• Critério cronológico: no caso de duas normas incompatíveis, prevalece a
norma posterior.
• Critério hierárquico: entre duas normas incompatíveis, prevalece a hierar-
quicamente superior.
• Critério de especialidade: entre duas normas incompatíveis, uma de caráter
geral e outra especial, esta última prevalece.
Por exemplo: entre uma lei e uma resolução que estão incompatíveis,
considerando o critério hierárquico, a lei deve sempre prevalecer em relação
a uma resolução, pois esta última se encontra em um nível inferior, conside-
rando os níveis em que se encontram na pirâmide administrativa normativa.

Assimile
Para você compreender quais são os princípios do direito administra-
tivo, discutiremos aqui quais são os conceitos de:

• Moralidade: diz o inciso LXXIII, art. 5º da Constituição que


[…] qualquer cidadão é parte legitima para propor ação
popular que vise anular ato lesivo ao patrimônio público
ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade
administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico
e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento
de custos judiciais e do ônus da sucumbência. (BRASIL,
1988)

Isso quer dizer que a ação de um agente público deve ser fundamentada
em padrões éticos que objetivam o bem comum, nunca o bem pessoal.

• Legalidade: “ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer


alguma coisa senão em virtude da lei” (inc. II, art. 5º, CF) (BRASIL,
1988). Isso significa que o indivíduo só deixará de fazer determi-
nada ação se a lei delimitar.

• Publicidade: diz respeito à transparência pública e a prestação de


contas. Segundo o inciso XXXIII, art. 5º da CF (BRASIL, 1988):

[…] todos têm direito a receber dos órgãos públicos infor-


mações de seu interesse particular, ou de interesse coletivo
ou geral, que serão prestados no prazo da lei, sob pena de
responsabilidade, ressalvas aquelas cujo sigilo seja impres-
cindível à segurança da sociedade e do Estado.

102
Em relação à responsabilidade administrativa, civil e penal do farma-
cêutico, segundo a Lei nº 3.820/60, somente será permitido o exercício
da profissão farmacêutica no país aos membros inscritos nos Conselhos
Regionais de Farmácia, e a inscrição só será autorizada para aquele que for
graduado em Farmácia e possuir diploma devidamente registrado e reconhe-
cido pelo órgão competente, no caso o Ministério da Educação (MEC).
Vale ressaltar que os órgãos da administração pública, como a ANVISA
e suas ramificações em todas as unidades federativas, podem utilizar o
chamado Poder de Polícia Administrativo, que se refere a um conjunto
de atribuições concedidas aos órgãos auxiliares da administração pública
para regular áreas estratégicas, tais como o setor de saúde, quer arbitrando
conflitos ou disciplinando e limitando o exercício dos direitos individuais,
em benefício do interesse público. Esse poder de polícia administrativa pode
ser exercido por esses órgãos através de medidas de caráter:
• Preventivo: quando por exemplo é fornecida a concessão de certidão
de regularidade técnica para uma empresa de saúde como uma
farmácia, ou um registro de uma empresa da Vigilância Sanitária que
inspeciona o local a fim de garantir as condições sanitárias para o
funcionamento da empresa.
• Coercivo: por exemplo realizando a interdição de locais de fabri-
cação, controle, importação, armazenamento, distribuição e venda
de produtos e prestação de serviços relativos a saúde que não estão
devidamente regulamentados ou realizam seus serviços de maneira
inadequada. O cancelamento de autorização de funcionamento de
empresas também é um exemplo de medidas coercivas.
É fundamental que o profissional esteja sempre se atualizando sobre os
aspectos éticos, legais e técnicos, conduzindo suas condutas, posicionando-se
de forma crítica e reflexiva diante dos dilemas morais e éticos que perfazem
seu cotidiano.
Para finalizarmos esta seção, destaco que você, como futuro profissional
farmacêutico, deve possuir sólidos princípios éticos para analisar e refletir
sobre suas ações, visto que esses princípios influenciarão suas decisões
e atitudes, visando garantir e disponibilizar uma atuação farmacêutica
com qualidade, eficiência e segurança para a sociedade (MASTROIANNI;
LORANDI; ESTEVES, 2014).

103
Sem medo de errar

Agora que você conheceu os princípios de ética e aprendeu as diferenças


de ética e moral, vamos solucionar a situação-problema exposta. Temos
o caso de uma profissional farmacêutica fiscal do CRF que recebe uma
denúncia anônima sobre uma farmácia de um bairro afastado da região
central de uma cidade. A denúncia diz que o estabelecimento está funcio-
nando sem a presença de um farmacêutico, e os proprietários estão dispen-
sando medicamentos, incluindo os pertencentes à Portaria 344/98, sem a
retenção ou notificação de receita.
Para a resolução da situação-problema devemos nos lembrar de que o
farmacêutico é o profissional que tem a responsabilidade técnica de farmá-
cias e drogarias, e para que ele possa exercer a profissão de farmacêutico no
país, deve estar inscrito no Conselho Regional de Farmácia. A inscrição só
será autorizada para aquele que for graduado em Farmácia e possuir diploma
devidamente registrado e reconhecido pelo órgão competente, no caso o
Ministério da Educação (MEC).
Os conselhos profissionais foram criados com o objetivo de padro-
nizar, regulamentar e fiscalizar o exercício profissional de cada área da
saúde e focam a regulamentação, normalização e fiscalização ética e técnica
do exercício profissional para garantir a qualidade, segurança e ética dos
serviços prestados pelo profissional de farmácia. Como a farmacêutica fiscal
do CRF recebeu uma denúncia de que a farmácia estava funcionando sem a
presença do farmacêutico e os proprietários estavam dispensando medica-
mentos sujeitos a controle especial sem retenção de receita, ela necessita
comparecer à farmácia para fiscalizar e averiguar se a denúncia é realmente
verídica. Lembrando que o comércio dos medicamentos sujeitos à controle
especial é regulamentado pela Portaria SVS/MS nº 344/98, sendo assim, para
a dispensação do medicamento, é necessária uma notificação de receita, que
ficará retida na farmácia.
Outro aspecto importante para a resolução dessa situação-problema
é que, segundo a Lei nº 13.021/14, as farmácias e drogarias deixam de ser
estabelecimentos meramente comerciais e passam a ser estabelecimentos
de saúde, nos quais são prestados assistência e atenção farmacêutica. Essa
lei também reitera a obrigatoriedade da presença permanente do farmacêu-
tico nas farmácias e drogarias, conforme estabelecido pela Lei nº 5.991/73, e
somente o farmacêutico poderá exercer a responsabilidade técnica.

104
Avançando na prática

Visita de representante de medicamento

Uma farmacêutica responsável técnica por uma drogaria recebe a visita


de um representante de vendas de medicamentos de uma indústria farma-
cêutica pouco conhecida no mercado. Nessa visita, o representante apresenta
alguns medicamentos similares para o tratamento de crises alérgicas e diz
que há uma proposta animadora em relação à compra de uma grande quanti-
dade desses produtos para revenda na drogaria. Na conversa, ele enfatiza
que a farmacêutica poderá ganhar uma viagem para o Caribe mexicano,
dependendo da compra e da inserção dos produtos na drogaria. Diante desse
contexto, como você, no lugar da profissional farmacêutica, se posicionaria
frente a essa situação? Quais são os aspectos éticos envolvidos?

Resolução da situação-problema
O papel essencial do farmacêutico é propiciar ao paciente o uso correto
dos medicamentos, e é de sua responsabilidade o acompanhamento quanto
à adesão ao tratamento, sempre visando à melhor e mais adequada farma-
coterapia. É necessário observar também, nessa questão, os princípios da
ética: a beneficência, que significa “fazer o bem” e a não maleficência, que
significa “não fazer o mal”, ambos envolvidos. Há um claro dilema ético na
situação apresentada, visto que se trata de uma proposta comercial tenta-
dora que deve ser considerada, desde que isso não influencie o papel do
profissional da saúde, visto que ele deve zelar por valores como o bem-estar,
segurança e melhor qualidade de vida de seus pacientes. Assim, ele não deve
se beneficiar de situações que possam comprometer esses valores em prol
do lucro ou benefícios individuais, pois os princípios éticos que alicerçam
a conduta deveriam prevalecer na hora de uma tomada de decisão, seja em
relação a compra e às futuras vendas desses medicamentos. Você ainda pode
complementar a resolução dessa situação encontrando novas formas de se
posicionar frente a uma situação como essa. Pense nisso!

105
Faça valer a pena

1. A reflexão sobre a ética teve origem na Grécia Antiga, por volta do século
V a.C, sempre interrogando as ações humanas entre o bem e o mal, associando
a alma e a razão, buscando a felicidade. No Cristianismo, é relacionado à
ética ser um bom cristão, e com o passar do tempo várias foram as reflexões
sobre ética.
A _______________ é a ciência que tem como finalidade os atos morais, os
quais são oriundos da vivência prática e dos valores de determinado grupo
social, contextualizados no tempo e no espaço.
A ­­­­­­­­­­­­­­­­­_______________ é entendida como um conjunto de normas e costumes,
que tende a regular o agir das pessoas e também oferece oportunidade de
reflexão do agir do homem.
Analise as sentenças e complete as lacunas:
a. moral; ética.
b. moralidade; norma.
c. ética; conduta.
d. ética; moral.
e. deontologia; moral.

2. Os termos possuem origem etimológica distinta. A palavra ética


vem do grego ethos, que significa modo de ser ou caráter. Já a palavra
moral tem origem no termo latino morales, que significa relativo aos
costumes.
Considerando os conceitos de ética e moral, assinale a alternativa
correta:

a. Ética e moral são palavras sinônimas; dessa forma não é possível


diferenciá-las.
b. A moralidade é uma área da filosofia que investiga os problemas
relacionados ao agir humano e busca nas ações a conduta humana.

106
c. A ética é coletiva, dessa forma todas as pessoas possuem a mesma
ética, a qual se baseia em princípios, valores e sentimentos de uma
sociedade.
d. A ética é a ciência que estuda a maneira como as pessoas se comportam
dentro de uma sociedade.
e. A moral é parte da vida concreta e trata da prática real das pessoas que
se expressam por costumes, hábitos e valores culturalmente estabele-
cidos.

3. A ética designa a reflexão filosófica sobre a moralidade, sobre as regras e


os códigos morais que norteiam a conduta humana. A bioética é uma ética
aplicada que visa aos conflitos morais gerados pelas práticas no âmbito das
Ciências da Saúde. Em relação à bioética e ética, julgue as afirmativas em (V)
Verdadeiras ou (F) Falsas.
( ) A ética é formada por uma sociedade baseada na educação tradicional
das salas de aula.
( ) A bioética ressalta o respeito à pessoa humana e a responsabilidade profis-
sional e civil quanto à promoção de saúde.
( ) A bioética possui quatro princípios fundamentais: beneficência; não
maleficência; autonomia; equidade e justiça.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:
a. V – V –V.
b. F – F – F.
c. V – F– V.
d. V – V – F.
e. F – V – V.

107
Seção 2

Código de ética e do processo ético

Diálogo aberto
Olá, aluno, vamos dar continuidade ao nosso estudo sobre ética. Nesta
seção, você conhecerá o código de ética da profissão farmacêutica e compre-
enderá quais são os principais deveres, direitos e proibições da sua profissão e
também algumas das infrações e penalidades às quais a categoria está sujeita.
Para melhor compreensão destes temas, no contexto de aprendizagem
desta seção, você irá se deparar com uma farmacêutica que recebeu em sua
drogaria uma paciente que estava queixando-se de dores no peito, dificul-
dades para respirar e taquicardia.
Assim, chegamos à situação-problema desta seção, na qual uma farma-
cêutica está realizando atendimento de uma paciente que compareceu a
farmácia com dores no peito. Prosseguindo com o atendimento, a profis-
sional indaga se a paciente gostaria de passar por uma consulta farmacêutica,
informando a ela que a consulta lhe custaria R$100,00. A paciente concordou
com a consulta e, então, foi encaminhada até o consultório farmacêutico.
Durante a consulta a profissional realiza a anamnese da paciente e solicita
alguns exames laboratoriais como: hemograma, colesterol total e frações,
raios X de tórax e eletrocardiograma para realizar o posterior diagnóstico da
doença e lhe prescrever um medicamento, possivelmente Carvedilol, para o
tratamento dos sintomas da paciente.
Diante disso, você como farmacêutico fiscal de um CRF que recebeu
uma denúncia para averiguação, possivelmente da própria paciente, poderia
apontar alguma agressão ao código de ética profissional por parte da farma-
cêutica? Considere, principalmente, o fato de a profissional haver realizado
diagnóstico e ter clara intensão de prescrever um medicamento para o trata-
mento de angina?
Para ajudá-lo a resolver essa situação, trabalharemos nesta seção os princí-
pios fundamentais do exercício da profissão, principais direitos, deveres e
proibições do farmacêutico na sua atuação profissional. Além disso, discuti-
remos sobre o processo ético disciplinar e sua instauração, além do contexto
das denúncias que podem levar às sanções disciplinares da categoria. Vamos
nessa! Adeque seu tempo para os estudos e aproveite os materiais desta seção.

108
Não pode faltar

O termo deontologia foi criado por Jeremy Bentham em 1834 e origi-


nou-se do grego “deon” que significa obrigatório, justo, adequado, e “logos”
que significa estudo, ciência (COSTA, 2013).
A deontologia é entendida como um conjunto de deveres, normas
e condutas e é conhecida como a “teoria do dever” e constitui o código
moral das regras de uma determinada categoria profissional que regula-
menta o exercício profissional de acordo com o código de ética profissional
(JAPIASSÚ e MARCONDES, 2011).
O código de ética profissional é um instrumento legal que contempla uma
coletânea de normas referentes ao exercício de uma profissão específica, ou
seja, nada mais é que um conjunto de normas que devem ser seguidas pelos
profissionais no exercício do seu trabalho. É necessário que ele seja escrito
e fundamentado nos valores da sociedade, utilizando como referência os
princípios éticos, morais, científicos, filosóficos e humanitários. Este código
se torna referência e norteia a conduta do profissional nas suas atividades
diante dos seus pares e da sociedade. Ele é elaborado pelo conselho profis-
sional de cada categoria – no caso da profissão farmacêutica, o Conselho
Federal de Farmácia (CFF) é o responsável por elaborar o código de ética
farmacêutica e os Conselhos Regionais de Farmácia (CRF) são responsá-
veis por acompanhar e fiscalizar se as regras estabelecidas pelo CFF estão
sendo cumpridas. Dessa forma, o Código de Ética Profissional Farmacêutica
orienta as condutas do farmacêutico em quaisquer campos de atuação, como
nas farmácias e drogarias, nas análises clínicas, nas indústrias, entre outros
campos de trabalho desse profissional.
As infrações ao Código de Ética Farmacêutica acarretarão em procedi-
mentos administrativos chamados de Processo Ético-Disciplinar.
O Código de Ética Farmacêutica é publicado na forma de uma resolução
do Conselho Federal de Farmácia. Atualmente, a que está em vigor é a
Resolução CFF nº 596 de 21 de fevereiro de 2014. Esta dispõe sobre o Código
de Ética Farmacêutica, o Código de Processo Ético e estabelece as infrações e
as regras de aplicação das sanções disciplinares.
Na apresentação do código de ética, é exposta uma visão oficial do papel
do farmacêutico na sociedade:
O farmacêutico é um profissional da saúde, cumprindo-lhe executar
todas as atividades inerentes ao âmbito profissional farmacêutico de modo a
contribuir para a salvaguarda da saúde e, ainda, todas as ações de educação
dirigidas à coletividade na promoção da saúde. (BRASIL 2014, p. 2)

109
Assimile
Segundo a Resolução CFF nº 596/2014 (BRASIL, 2014, p. 2):
O Código de Ética Farmacêutica contém as normas
que devem ser observadas pelos farmacêuticos e os
demais inscritos nos Conselhos Regionais de Farmácia
(CRF) no exercício do âmbito profissional respectivo,
inclusive nas atividades relativas ao ensino, à pesquisa
e à administração de serviços de saúde, bem como
quaisquer outras atividades em que se utilize o conhe-
cimento advindo do estudo da Farmácia, em prol do
zelo pela saúde.

O anexo I da Resolução CFF nº 596/2014 apresenta o código de ética e


é estruturado em cinco títulos. Neste momento abordaremos o Título I, do
Exercício Profissional, que é subdivido em cinco capítulos: dos princípios
fundamentais, dos direitos, dos deveres, das proibições, da publicidade e dos
trabalhos científicos.

Capítulo I – Dos Princípios Fundamentais


A profissão farmacêutica é regulamentada por este código de ética e
também por leis, decretos e resoluções que estejam vigentes como, por
exemplo, a Portaria SVS/MS 344/98; a Lei nº 5991/73, a Resolução CFF
nº 586/2013 entre muitas outras. A desobediência ao código de ética ou a
alguma legislação que regulamenta a profissão resultará em sanções discipli-
nares por parte do Conselho Regional de Farmácia (CRF) e, independente-
mente das sanções aplicadas pelos conselhos, também resultará em penali-
dade estabelecida pela legislação em vigor no país (BRASIL, 2014).
O artigo 2º da referida resolução indica que o farmacêutico atuará com
respeito à vida humana, ao meio ambiente e à liberdade de consciência nas
situações de conflito entre a ciência e os direitos e as garantias fundamentais
previstas na Constituição Federal, ou seja, são apontados os princípios da
bioética da “Beneficência” e da “Não-Maleficência” (BRASIL, 2014).
O artigo 4º trata da responsabilidade do farmacêutico pelos seus atos,
assim, ele responde de forma individual ou solidária, pelos atos que autorizar,
praticar e delegar no exercício da profissão (BRASIL, 2014).

Exemplificando
Para que você possa compreender melhor esse artigo, pense nesse
exemplo: todas as atividades que ocorrem em uma farmácia comuni-

110
tária são de responsabilidade do farmacêutico. Isso significa que se o
balconista vender algum medicamento ou realizar algum procedimento
errado, o farmacêutico será responsabilizado por essa ação.

A profissão farmacêutica, em qualquer circunstância, não poderá ser


exercida exclusivamente com o objetivo meramente comercial e de lucro,
ela precisa estar focada na promoção, prevenção e recuperação da saúde. O
trabalho do farmacêutico deve ser exercido com autonomia técnica sem a
interferência de terceiros, ou com finalidade política ou religiosa (BRASIL,
2014).

Capítulo II – Dos Direitos


O capítulo II do Código de Ética Farmacêutica trata dos direitos do
farmacêutico, os quais estão descritos no artigo 11 e são estruturados em 12
incisos. Para começarmos a nossa discussão, será destacado o inciso 1 que
versa sobre um direito muito importante para a profissão, que é discrimi-
nação, ou seja, nós farmacêuticos temos o direito de exercer a profissão “sem
qualquer discriminação” (BRASIL, 2014, p. 2).
Vivemos em um mundo de pluralidade com várias religiões, idades,
raças, condições sociais, etnias, orientações sexuais e, dessa forma, o profis-
sional necessita exercer sua profissão sem nenhuma distinção.
Outro ponto em destaque deste capítulo é o direito de interação do
profissional farmacêutico com o prescritor, sempre que for necessário, com a
finalidade de assegurar a eficácia e segurança da terapia com enfoque no uso
racional de medicamentos (BRASIL, 2014).
O farmacêutico poderá negar-se a realizar atos farmacêuticos em casos
que houver justificativas aceitáveis, isso possibilita a liberdade de julgamento
e de tomada de decisão, como por exemplo, “ [...] decidir, justificadamente,
sobre o aviamento ou não de qualquer prescrição”. (BRASIL, 2014, p. 4).

Capítulo III – Dos Deveres


O capítulo III do Código de Ética Farmacêutica trata dos deveres do
farmacêutico, os quais estão descritos nos artigos 12 e 13, subdivididos em
16 incisos. Para iniciarmos nossa discussão sobre este capítulo é importante
destacar o artigo 12, em que é abordado que todo o profissional farmacêutico,
inscrito no Conselho Regional, está perante a influência do Código de Ética
Farmacêutica e, assim, é dever do farmacêutico “comunicar ao Conselho

111
Regional de Farmácia e às demais autoridades competentes os fatos que
caracterizem infringência” ao Código de Ética (BRASIL, 2014).
É dever do farmacêutico a contribuição para a promoção, proteção
e recuperação da saúde coletiva e individual. Este profissional necessita
garantir ao usuário o acesso à informação sobre as terapêuticas possíveis
possibilitando o direito de decisão do usuário sobre seu tratamento, exceto
aqueles que, mediante laudo médico, for considerado incapaz de decidir
sobre sua própria saúde e seu bem-estar (BRASIL, 2014).
O farmacêutico deve guardar sigilo sobre os fatos e as informações que
obtiver durante o exercício da profissão (BRASIL, 2014).
Já o artigo 13 versa sobre o afastamento do farmacêutico de suas ativi-
dades profissionais quando possui a responsabilidade técnica do estabeleci-
mento. Neste caso, quando não houver outro farmacêutico que, legalmente,
o substitua, ele deve comunicar previamente ao Conselho Regional de
Farmácia, por escrito, o afastamento temporário das suas atividades profis-
sionais (BRASIL, 2014).

Reflita
Quando ocorrer o afastamento por motivo de doença, qual é o período
máximo que poderá ocorrer à comunicação formal e documentada do
fato para o CRF?

Capítulo IV – Das Proibições


O capítulo IV do Código de Ética Farmacêutica trata das proibições do
farmacêutico, ou seja, das ações que o farmacêutico não pode realizar, as
quais estão descritas nos artigos 14 e 15, subdivididos em 43 incisos.
Dentre as proibições do farmacêutico podemos citar que o profissional
não pode praticar procedimentos que não sejam reconhecidos pelo CRF,
tampouco exercer simultaneamente a medicina, evitando-se a possibilidade
de induzir ao uso de medicamentos de forma desnecessária que poderiam
gerar prejuízos à saúde ou econômicos do usuário (BRASIL, 2014).
Um ponto muito importante é que o farmacêutico, como profissional
técnico responsável, não pode deixar de prestar assistência técnica efetiva
ao estabelecimento com o qual mantém vínculo profissional. Também não
é permitida a utilização do nome do farmacêutico por qualquer estabeleci-
mento ou instituição sem que o profissional exerça efetivamente sua função
(BRASIL, 2014).

112
Ao farmacêutico compete a responsabilidade técnica de produzir,
fornecer, dispensar medicamentos, fórmulas, especialidades farmacêuticas
que podem estar fracionadas ou não. No caso de especialidades fracionadas,
em todos os rótulos, deve estar presente a identificação clara e precisa da
composição das substâncias ativas nelas contidas, ou seja, não é permitida
a omissão no rótulo de substâncias presentes nos medicamentos, pois o
usuário tem pleno direito de saber o que está utilizando (BRASIL, 2014).
É proibido ao farmacêutico dificultar a ação fiscalizadora ou desacatar as
autoridades sanitárias ou profissionais. Como em qualquer outra profissão,
precisamos sempre agir com respeito e ética perante outros profissionais
(BRASIL, 2014).
Nos casos em que o profissional for sócio ou acionista de qualquer
categoria, ou prestar serviços a estabelecimentos que forneçam drogas,
medicamentos, insumos farmacêuticos e correlatos, indústrias farmacêu-
ticas, ele não poderá coordenar ou exercer a fiscalização sanitária ou profis-
sional, pois neste contexto há interesse e envolvimento pessoal e profissional,
gerando assim um conflito de interesses (BRASIL, 2014).
O farmacêutico não pode aceitar uma remuneração abaixo do piso salarial
estabelecido pela convenção coletiva ou dissídio da categoria, impedindo
assim a competição profissional injusta e desleal (BRASIL, 2014).
Se o farmacêutico deixar de realizar um dever, ou da mesma forma,
praticar algo expressamente proibido pelo Código de Ética, esses atos
poderão gerar Processos Éticos-Disciplinares que serão julgados e punidos,
se constatada a infração.
O anexo II da Resolução CFF nº 596/2014 aborda o Código de Processo
Ético, e este é estruturado em dois títulos e 9 capítulos.

Título I – Das Disposições Gerais

Capítulo I – Do Processo
Em caso de desobediência ao código de ética profissional e abertura de
um processo ético-disciplinar, a competência para averiguação, julgamento e
aplicação da pena é de responsabilidade do Conselho Regional de Farmácia
da unidade federativa na qual está inscrito o profissional no momento em que
o fato ocorreu. Todos os trâmites ocorrem no CRF de origem da inscrição
do profissional. Esses trâmites não são suspensos caso o profissional peça
transferência de inscrição para outra jurisdição, ou seja, este fato continuará
atrelado ao CRF de origem (BRASIL, 2014).

113
Você deve estar se perguntando quem são as pessoas que podem realizar
denúncias. As denúncias podem ser feitas por qualquer usuário ou consu-
midor que se sentir prejudicado por um produto ou serviço farmacêutico,
por outros profissionais de saúde e até mesmo por outro profissional farma-
cêutico. Os membros de órgãos públicos como VISA, ANIVISA, Ministério
Público etc. também podem realizar denúncias aos Conselhos Regionais de
Farmácia (MASTROIANNI; LORANDI e ESTEVES, 2014).
As infrações podem ser constatadas através da própria fiscalização dos
Conselhos Regionais de Farmácia por meio das suas inspeções. As formas
mais comuns de abertura de processos éticos são: irregularidades profissio-
nais ou sanitárias, denúncias sobre a não prestação da assistência nos períodos
em que este assumiu assunção de responsabilidade técnica, principalmente
em farmácias e drogarias, o que ainda é muito comum (MASTROIANNI,
LORANDI e ESTEVES, 2014).

Título II – Dos Procedimentos


Capítulo I – Do Recebimento da Denúncia e Capítulo II – Da
Instauração ou Arquivamento
Quando forem constatados os indícios de ocorrência de infração, existe
a necessidade de se instaurar um processo ético-disciplinar com o objetivo
de apurar o ocorrido e, ao final, quando constatada materialidade, autoria e
os demais requisitos da infração, deverão ser aplicadas as sanções adequadas
para o referido caso.
A apuração do processo ético-disciplinar se inicia quando o Presidente
do Conselho Regional toma ciência dos fatos e encaminha para o Presidente
da Comissão de Ética, no prazo de até 20 dias após o conhecimento do fato.
O Presidente da Comissão de Ética tem um prazo de 30 dias contados a partir
do recebimento da solicitação para entregar a análise e a partir disso, decidir
pela “instauração de processo ético-disciplinar” ou pelo “arquivamento” do
processo (BRASIL, 2014).
O anexo III da Resolução CFF nº 596/2014 estabelece as infrações e as
regras de aplicação das sanções disciplinares da categoria.
Deste anexo III podemos destacar que as “transgressões às normas”
das resoluções e às determinações dos Conselhos Federal e Regionais de
Farmácia, como também às infrações à legislação farmacêutica são sujeitas a
punição. Nas infrações éticas e disciplinares serão observadas a tipificação da
conduta, a reincidência, a análise dos fatos e suas consequências ao exercício
profissional e à saúde coletiva (BRASIL, 2014).

114
Assimile
Segundo o artigo 4 do Anexo III da Resolução CFF nº 596/2014:
Considera-se reincidente aquele que tiver antecedentes
disciplinares em processos findados administrativamente
ou com decisão transitada em julgado.
Verifica-se a reincidência quando se comete outra infração
ética durante o prazo de 5 anos após o trânsito em julgado
da decisão administrativa que o tenha condenado anterior-
mente. (BRASIL, 2014, p. 19)
Ainda segundo o Anexo III da Resolução CFF nº 596/2014, quando as
infrações éticas e disciplinares forem leves, as seguintes penalidades devem
ser aplicadas:
• Advertência sem publicidade na primeira vez;
• Advertência sem publicidade utilizando a palavra “censura”, na
segunda vez;
• Multa: no valor de 1 a 3 salários mínimos regionais que será elevado
ao dobro nos casos de reincidência, que são cabíveis no caso de
terceira falta e outras subsequentes, a juízo do conselho regional a que
pertencer o faltoso;
Quando as infrações éticas e disciplinares forem graves, as seguintes
penalidades devem ser aplicadas:
• Suspensão: de 3 meses na primeira vez, de 6 meses na segunda vez e
de 12 meses na terceira vez;
• Eliminação: “[...] imposta aos que porventura tiverem perdido algum
dos requisitos dos artigos 15 e 16 da Lei nº 3.820/60 para fazer parte
do Conselho Regional de Farmácia, inclusive aos que, por faltas
graves, já tenham sido 3 vezes condenados definitivamente à pena de
suspensão, ainda que em Conselhos Regionais de Farmácia diversos”
(BRASIL, 2014, p. 24).
Nesta seção estudamos o Código de Ética Farmacêutica e é imprescin-
dível você conhecer quais são os direitos, deveres e proibições do farmacêu-
tico para que você possa atuar com qualidade, respeito e ética perante seus
pares, os usuários dos produtos e serviços farmacêuticos e a sociedade.

115
Sem medo de errar

Nesta seção, você conheceu o Código de Ética Farmacêutica e aprendeu


sobre os direitos, deveres e proibições do profissional e quais são as penali-
dades aplicadas caso ocorra infrações ao código de ética profissional.
Agora solucionaremos a situação-problema exposta no início desta seção,
mas para isso vamos relembrar o caso da farmacêutica que está realizando
atendimento de uma paciente que compareceu a farmácia com dores no
peito, dificuldades para respirar e taquicardia. Prosseguindo com o atendi-
mento, a profissional indaga a paciente se ela gostaria de passar por uma
consulta farmacêutica, cujo custo seria de R$100,00.
Diante disso, você no lugar de um farmacêutico fiscal de um CRF que
recebeu uma denúncia para averiguação, possivelmente da própria paciente,
poderia apontar alguma agressão ao código de ética profissional por parte da
farmacêutica, principalmente ao realizar o diagnóstico e ter clara intensão de
prescrever um medicamento para o tratamento de angina?
Para a resolução desta situação, o fiscal do CRF deve analisar a
situação e lembrar quais são os direitos, deveres e proibições do profis-
sional farmacêutico.
Segundo o artigo 14 da Resolução CFF nº 596/2014 que aborda as proibi-
ções dos farmacêuticos, não é permitido ao farmacêutico exercer simultane-
amente a medicina e a farmácia. O farmacêutico possui a responsabilidade
técnica e social sobre os medicamentos desde a preparação até a comercia-
lização e a autonomia profissional visa o uso racional dos medicamentos.
Dessa forma é proibida ao farmacêutico a sobreposição de sua atividade com
o exercício simultâneo da medicina, evitando-se a possibilidade de indução
ao uso de medicamentos desnecessários que podem trazer prejuízos econô-
micos ou à saúde do usuário. Sendo assim, pode-se concluir que a farmacêu-
tica não está seguindo as condutas do código de ética profissional.

Avançando na prática

Auditor da Vigilância Sanitária Municipal

Um farmacêutico, fiscal da Vigilância Sanitária de Serviços de Saúde,


documentou, na forma de um relatório, informando ao Conselho Regional de
Farmácia, que um estabelecimento farmacêutico, classificado como distribui-
dora de medicamentos, estava funcionando sem a presença do farmacêutico,

116
no período em que o mesmo deveria estar no estabelecimento e que este
também não aparecia no local regularmente, pois havia realizado um acordo
salarial com o proprietário para ganhar abaixo do piso da categoria nesta
atividade. Também na inspeção do fiscal sanitário, foi relatado que a distri-
buidora comercializava produtos sem a devida identificação das substân-
cias contidas nas embalagens dos produtos. O CRF encaminhou a denúncia
para o fiscal da região, que averiguou o fato. Você, aluno, no lugar do fiscal
do CRF, poderia enquadrar o responsável técnico da distribuidora em que
artigos do código de ética farmacêutico em seu relatório para a Comissão de
Ética Disciplinar do CRF?

Resolução da situação-problema
O fiscal do CRF após averiguar os fatos necessita buscar no Código
de Ética Farmacêutica quais são as condutas adequadas ao farmacêutico.
De acordo com o artigo 14 do capítulo das Proibições do Código de Ética
Farmacêutica, o farmacêutico é proibido de aceitar uma remuneração abaixo
do estabelecido como o piso salarial proveniente de convenção coletiva;
esse profissional também é proibido de fornecer e dispensar medicamentos
fracionados ou não sem a devida identificação de forma clara e precisa.
Como o estabelecimento está funcionando sem a presença do profis-
sional farmacêutico, o fiscal do CRF deve denunciar às autoridades sanitárias
da sua jurisdição, no caso a Vigilância Sanitária (VISA), o funcionamento de
forma irregular desse estabelecimento.

Faça valer a pena

1. O Código de Ética Farmacêutica foi elaborado pelo Conselho Federal de


Farmácia e nada mais é que um conjunto de normas éticas que devem ser
seguidas pelo profissional no exercício de sua profissão. Nele consta que é
permitido a um profissional farmacêutico, no exercício de suas funções:
Assinale a alternativa correta:

a. Permitir a utilização do seu nome por estabelecimentos onde não


exerce efetivamente sua função.
b. Exercer a profissão em locais que não estejam devidamente regis-
trados nos órgãos de fiscalização sanitária.
c. Exercer ao mesmo tempo a profissão farmacêutica e atuar como
médico.

117
d. Praticar procedimentos que não sejam reconhecidos pelo CRF.
e. Pode interagir com o prescritor, sempre que for necessário, com a
finalidade de assegurar a eficácia e segurança da terapia.

2. A Resolução nº 596/2014 dispõe sobre o Código de Ética Farmacêutica,


o Código de Processo Ético e estabelece as infrações e as regras de aplicação
das sanções disciplinares. De acordo com o Código de Ética, é dever do
farmacêutico:
Assinale a alternativa correta:

a. Exercer a sua profissão sem qualquer discriminação, seja por motivo


de religião, etnia, raça, orientação sexual, nacionalidade, idade,
condição social ou de qualquer outra natureza vedada por lei.
b. Interagir com o profissional prescritor, quando necessário, para
garantir a segurança e a eficácia terapêutica.
c. Decidir, justificadamente, sobre o aviamento ou não de qualquer
prescrição, bem como fornecer as informações solicitadas pelo
usuário.
d. Exercer sua profissão com autonomia, não sendo obrigado a prestar
serviços que contrariem os ditames da legislação vigente;
e. Comunicar previamente ao CRF, por escrito, o afastamento tempo-
rário das atividades profissionais sobre as quais detém responsabili-
dade técnica, quando não houver outro que, legalmente, o substitua.

3. A profissão farmacêutica é regulamentada por uma legislação específica,


chamada de Código de Ética da Profissão Farmacêutica. Se o farmacêutico deixar
de realizar um dever, ou da mesma forma, praticar algo expressamente proibido
pelo Código de Ética, esses atos poderão gerar processos éticos-disciplinares.
Considerando as infrações graves, como: violar o sigilo de fatos e informações
de que tenha tomado conhecimento no exercício da profissão, excetuando-se os
amparados pela legislação vigente, cujo dever legal exija comunicação, denúncia ou
relato a quem é de direito, algumas sanções podem ser aplicadas quando o profis-
sional infringe o referido código:
Assinale a alternativa correta:
a. Multa de 1 (um) a 3 (três) salários equivalentes ao piso farmacêutico
estabelecido pela região onde estiver inscrito o profissional.

118
b. Suspensão de 3 (três) meses na primeira vez; de 6 (seis) meses na
segunda vez; e de 12 meses na terceira vez.
c. Multa, averbação e advertência e suspensão do exercício profissional
de 5 meses até 5 anos.
d. Eliminação do Conselho Regional em que estiver inscrito, sendo
permitida a inscrição em outra região.
e. Multa, advertência e suspensão do exercício profissional de 3 (três) meses
a 1 (um) ano.

119
Seção 3

Conselhos e outras autarquias relacionadas à


farmácia

Diálogo aberto
Olá, aluno. Seja bem-vindo a mais uma seção da disciplina de Farmácia
e Profissão, na qual você conhecerá os órgãos fiscalizadores da profissão
farmacêutica e compreenderá quais são as funções e atribuições do conselho
profissional de farmácia. Você também conhecerá a agência nacional regula-
dora da área da saúde, que está vinculada ao Ministério da Saúde, e entenderá
qual é a importância desse órgão. Você imagina quais são as atribuições da
ANVISA e de outras autarquias ligadas ao Ministério da Saúde no contexto
da profissão farmacêutica?
Na situação-problema desta seção, acompanharemos uma profis-
sional farmacêutica que exerce a função de fiscal do Conselho Regional
de Farmácia (CRF), e que vivencia muitas situações desafiadoras ligadas à
sua rotina de trabalho. Certo dia de trabalho, ela recebe a incumbência de
verificar uma denúncia a respeito de um farmacêutico estava assumindo
assunção de responsabilidade técnica em várias farmácias em localidades
diferentes sem que tivesse efetivamente exercendo sua função nos locais
indicados. Além disso, nesta unidade federativa não há deliberação do CFF
para tal conduta, de forma que havia necessidade de se investigar e tomar as
ações cabíveis. Diante dessa situação, você no lugar da farmacêutica fiscal do
CRF que recebeu a denúncia poderia apontar alguma infração realizada por
esse profissional ao código de ética da profissão? Algum tipo de penalidade
poderia também ser aplicada a ele?

Não pode faltar

Conselhos Federal e Regionais de Farmácia (CFF e CRF)


Os conselhos federais e regionais foram criados com o objetivo de regula-
mentar, padronizar e fiscalizar o exercício profissional das atividades farma-
cêuticas das instituições e dos profissionais inscritos nestes conselhos. Estes
órgãos existem com o intuito de garantir a qualidade dos serviços farmacêu-
ticos prestados à saúde e os interesses coletivos e individuais dos profissionais
– os quais são fundamentais para orientação ética e para o respeito aos direitos
humanos. Regulamentam e definem quais são os direitos, deveres, proibições

120
e sanções disciplinares, ou seja, estabelecem os padrões de conduta de cada
profissional, que definem o fazer da máxima “primum, non nocere” (“antes de
tudo, não causarei dano ao paciente”) que é um dos ideais do farmacêutico.
No ano de 1936 iniciou-se a ideia da criação de um órgão profissional de
farmácia e esse processo ocorreu por meio de reivindicações em convenções
e congressos que ocorreram pelo país. Em 11 de novembro de 1960, por meio
da Lei nº 3.820, foram criados os Conselhos Federal e Regionais de Farmácia.
A Lei nº 3.820/1960 foi decretada pelo presidente da República e declara
que os Conselhos Federal e Regionais de Farmácia são dotados de persona-
lidade jurídica de direito público, autonomia administrativa e financeira. É
de responsabilidade dos conselhos zelar pelos princípios da ética e da disci-
plina dos que exercem a atividade farmacêutica no país. Dentre suas ativi-
dades estão as de inscrever e habilitar os profissionais farmacêuticos, expedir
resoluções necessárias para a execução das leis e definir as atribuições e
competências dos profissionais farmacêuticos (BRASIL, 1960, [s.p.]).
A referida lei é estruturada em 6 capítulos, sendo que o primeiro capítulo
declara quais são as atribuições dos Conselhos Federal e Regionais, o segundo
trata sobre as inscrições, o terceiro sobre as anuidades e taxas e o quarto
sobre as penalidades disciplinares.
A Lei nº 3.820/1960 foi modificada pela Lei nº 9.120 de 26 de outubro de
1995.
Segundo o artigo 2 da Lei nº 3.820/1960 “o Conselho Federal de Farmácia
é o órgão supremo dos Conselhos Regionais, com jurisdição em todo o terri-
tório nacional e com sede no Distrito Federal” (BRASIL, 1960, [s.p.]).
O número de membros do Conselho Federal será constituído de tantos
membros quantos forem os Conselhos Regionais. Cada conselheiro federal
será eleito, em seu estado de origem, junto de um suplente. A eleição para os
conselhos ocorrerá por meio do voto direto e secreto, por maioria simples
(BRASIL, 1960).
O mandato dos membros dos Conselhos Federal e Regionais é privativo
aos profissionais farmacêuticos, de nacionalidade brasileira, e terá a duração
de 4 anos (BRASIL, 1960).
A diretoria do Conselho Federal é composta de: presidente, vice-presi-
dente, secretário-geral e tesoureiro e é eleita por meio da primeira reunião
ordinária de cada biênio, sendo que o presidente do Conselho Federal é o
responsável administrativo do conselho, incluindo a prestação de contas
perante o órgão federal competente (BRASIL, 1995).

121
Assimile
Segundo a Lei nº 9.120/1995, a diretoria do CFF é eleita pelo plenário
do próprio Conselho Federal, já a diretoria dos Conselhos Regionais de
Farmácia é definida pelos votos nas eleições dos farmacêuticos inscritos
no Conselho Regional. Caso o profissional não realize a votação, este
deve justificar sua ação sob a pena de pagar multa pela falta de justi-
ficativa.

Dentre as atribuições do Conselho Federal podemos destacar: “organizar


seu regimento interno”, “expedir as resoluções, definindo ou modificando
atribuições ou competência dos profissionais de farmácias, conforme as
necessidades futuras”, “deliberar sobre questões oriundas do exercício de
atividades afins às do farmacêutico” (BRASIL, 1960, [s.p.]).
Você acabou de saber que o Conselho Federal organiza o seu próprio
regimento interno, mas quem elabora o regimento dos Conselhos Regionais?
O regimento interno dos Conselhos Regionais é organizado pelos próprios
Conselhos Regionais, com a aprovação do Conselho Federal.
O Conselho Federal é responsável por elaborar, examinar e aprovar os
regimentos dos conselhos regionais, oferecendo assistência técnica perma-
nente. Ele também julga os recursos de penalidades aplicadas pelos Conselhos
Regionais, de forma que é como se o Conselho Federal também atuasse como
um Tribunal Superior de Ética Profissional.
As atribuições dos Conselhos Regionais estão presentes no artigo 10
da Lei nº 3.820/1960, e dentre elas podemos destacar o ato de registrar os
profissionais, sendo essa uma atribuição exclusiva dos Conselhos Regionais
(BRASIL, 1960, [s.p.]).

Assimile
Segundo a Lei nº 3.820/1960, é uma atribuição exclusiva dos Conselhos
Regionais o registro dos profissionais farmacêuticos, ou seja, esta ativi-
dade não é exercida pelo Conselho Federal.

Os Conselhos Regionais de Farmácia (CRF) julgam os processos e fisca-


lizam o exercício da profissão, impedindo as infrações à lei e punindo os
responsáveis quando elas ocorrem. Eles atuam como um Tribunal Regional
de Ética e enviam às autoridades competentes como a Vigilância Sanitária
Municipal ou ANVISA os relatórios documentados sobre os fatos que apuram.

122
Os Conselhos Regionais de Farmácia julgam os processos e apenas em
caso de recurso em última instância é que o processo será julgado pelo
Conselho Federal.
Os fiscais do CRF são profissionais farmacêuticos, pois a fiscalização
profissional é privativa do farmacêutico, porém um fiscal do CRF não pode
ser sócio ou proprietário, ou ter responsabilidade técnica ou prestar serviços
farmacêuticos com ou sem vínculo empregatício de estabelecimentos
da profissão farmacêutica como farmácias, drogarias, distribuidoras etc.
Durante a fiscalização, os fiscais do CRF verificam no estabelecimento os
atos profissionais praticados, não cabendo ao CRF à interdição do estabe-
lecimento farmacêutico e, tampouco, a apreensão de produtos. Essa é uma
função desempenhada pela Vigilância Sanitária que possui o poder de polícia
administrativa, porém toda inconformidade encontrada pelo CRF deve ser
documentada à autoridade competente.

Exemplificando
Os estabelecimentos farmacêuticos que exercerem atividade científica,
comercial, técnica ou sanitária sem a presença do farmacêutico estão
irregulares e compete ao CRF denunciar às autoridades sanitárias e ao
Ministério Público de sua jurisdição.

No artigo 13 da Lei nº 3.829/1960, é descrito que somente será permitido


o exercício de atividades farmacêuticas no país aos membros que estiverem
inscritos nos Conselhos Regionais de Farmácia (BRASIL, 1960).
Nos Conselhos Regionais serão inscritos os farmacêuticos que exercem
a profissão em sua territorialidade e constituirão o seu quadro de farmacêu-
ticos. Para a inscrição nos Conselhos Regionais o indivíduo deve ser diplo-
mado ou graduado em Farmácia por uma instituição de ensino reconhecida
pelo Ministério de Educação (MEC) (BRASIL, 1960).
A inscrição será realizada mediante um requerimento escrito que será
dirigido ao Presidente do Conselho Regional na qual serão anexados os
documentos comprobatórios que, conforme constam na Resolução CFF nº
521 de 16 de dezembro de 2009, são:
• Diploma e histórico escolar do curso de graduação em Farmácia,
Farmácia-Bioquímica ou Farmácia Industrial, de acordo com a
Resolução CFE nº 4 de 1/7/1969 ou diploma com formação de acordo
com a Resolução CNE/CES nº. 2 de 19/2/2002, de Instituição de
Ensino Superior devidamente reconhecida;

123
• Não estar proibido de exercer a profissão farmacêutica;
• 3 fotos coloridas 3x4, de frente, recentes;
• Documentos de identidade pessoal, CPF, título de eleitor e reservista
(para os homens);
• Recolhimento das taxas específicas e a anuidade proporcional
(BRASIL 2009).
Para a inscrição no Conselho Regional de Farmácia na jurisdição em
que estiver inscrito, o farmacêutico é obrigado a pagar uma anuidade até o
dia 31 de março de cada ano. Se não for paga até esse prazo, haverá 20% de
moratória pelo atraso. Vale dizer que as taxas e anuidades são fixadas com
intervalos não inferiores a 3 anos, ou seja, podem ser alteradas pelos conse-
lhos periodicamente.

Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA)


A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) é uma autarquia
sob regime especial que está vinculada ao Ministério da Saúde (MS), possui
sede e foro no Distrito Federal e atua em todo o território nacional (BRASIL,
2001). A ANVISA é uma autarquia que também possui uma independência
administrativa e autonomia financeira.
A agência tem o objetivo de promover a proteção da saúde da população,
por meio do controle sanitário da produção e comercialização de serviços e
produtos direcionados à saúde, submetidos à vigilância sanitária, incluindo
os ambientes, os insumos, os processos e também o controle das fronteiras,
portos e aeroportos (BRASIL, 1999).
A ANVISA foi criada pela Lei nº 9.782, de 26 de janeiro de 1999, e possui
a finalidade principal de orientar as ações do Sistema Nacional de Vigilância
Sanitária, que consiste em um conjunto de ações que são executadas por insti-
tuições da administração pública dos municípios, estados, união e Distrito
Federal que desempenham atividades de normatização, regulação, controle e
fiscalização na área de vigilância sanitária (BRASIL, 1999).
Segundo a Lei nº 9.782/1999, é de competência da ANVISA:
coordenar o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária,
estabelecer normas e padrões sobre limites de contami-
nantes, resíduos tóxicos, desinfetantes, metais pesados e
outros que envolvam risco à saúde, autorizar o funciona-
mento de empresas de fabricação, distribuição e impor-
tação de comercialização de medicamentos, “estabelecer,

124
coordenar e monitorar os sistemas de vigilância toxicoló-
gica e farmacológica”, “promover a revisão e atualização da
farmacopeia entre outras. (BRASIL, 1999, [s.p.])

É de encargo da Agência a regulamentação, o controle e a fiscalização dos


produtos e serviços que envolvam risco à saúde pública como os medica-
mentos de uso humano, as substâncias ativas e os insumos, os processos e
tecnologias; alimentos incluindo as bebidas como águas envasadas, resíduos
de agrotóxicos, medicamentos veterinários, equipamentos e materiais
médico-hospitalares, entre outros (BRASIL, 1999).
Segundo a Lei nº 5.991/1973 é de responsabilidade da ANVISA, CVS
(Centro de Vigilância Sanitária do Estado) e Vigilância Municipal a fiscali-
zação de todo estabelecimento que produzir, extrair, transformar, embalar,
sintetizar, fracionar, importar, exportar, armazenar, comercializar medica-
mentos, insumos farmacêuticos, fármacos, produto dietéticos, produtos de
higiene, cosméticos, perfumes, domissanitários e saneantes (BRASIL, 1973).
A ANVISA é responsável por elaborar regulamentos e normas e dar
suporte às atividades do setor da saúde no país. As ações da Vigilância
Sanitária (VISA) têm o objetivo de proteger e promover a saúde da população
e serem capazes de prevenir, eliminar ou reduzir riscos à saúde e intervir
nos problemas sanitários que impliquem no meio ambiente, na circulação e
produção de bens e da prestação de serviços de interesse à saúde.

Exemplificando
Para que você possa compreender a diferença das ações da ANVISA e
das VISA, veja esse exemplo: a ANVISA regula o que será liberado para
uso e comercializado, já a VISA irá fiscalizar os estabelecimentos comer-
ciais do munícipio como uma farmácia, uma drogaria, um hospital de
um município e outros.

Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos


(SCTIE)
A Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos (SCTIE) do
Ministério da Saúde foi desenhada durante a 1ª Conferência Nacional de
Ciência e Tecnologia em Saúde, realizada em 1994, porém só foi institucio-
nalizada em 2003. Ela tem a finalidade de desenvolver a capacidade tecnoló-
gica, científica e produtiva nacional para a fortificação do Sistema Único de
Saúde (SUS). A SCTIE possui a responsabilidade de programar e formular as

125
políticas nacionais de tecnologia, inovação e ciência em saúde, na assistência
farmacêutica e no desenvolvimento e na inovação da área da saúde.
Compete à SCTIE promover a cooperação técnica aos munícipios, estados
e DF, além de articular a ação do Ministério da Saúde visando o desenvol-
vimento tecnológico e científico em saúde. A SCTIE também é responsável
por programar, formular e avaliar as Políticas Nacionais da Assistência
Farmacêutica e de Medicamentos, englobando vacinas, imunobiológicos,
hemoderivados entre outros insumos relacionados à saúde.
A Política Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde
(PNCTIS) é uma ferramenta norteadora de todas as ações desenvolvidas pela
SCTIE. Ela faz parte da Política Nacional de Saúde e sua principal finalidade
é a contribuição para o desenvolvimento nacional direcionado às necessi-
dades do SUS.
Mais de 22% do total de pesquisas que foram financiadas pela secretaria
são para o combate às doenças transmissíveis. Dentre elas, destacam-se:
infecções sexualmente transmissíveis e AIDS, doenças negligenciadas, hanta-
virose e outras viroses. As infecções sexualmente transmissíveis e a AIDS têm
sido causas importantes de morbimortalidade e, por esse motivo, a SCTIE
tem investido no desenvolvimento científico e tecnológico nessa área.

Reflita
A SCTIE investiu entre os anos de 2003 e 2007 mais de R$ 410 milhões
na promoção de pesquisa em saúde. Qual é a origem dos recursos da
SCTIE?

Nesta seção você conheceu os Conselhos Federal e Regionais de Farmácia


e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Esses conhecimentos serão
fundamentais para que você, ao ingressar no mercado de trabalho, saiba
quais ações deve tomar e quais são os órgãos que fiscalizam e regulamentam
a profissão farmacêutica.

Sem medo de errar

Nesta seção você conheceu os Conselhos Federal e Regionais de Farmácia


e aprendeu quais são as atribuições e o funcionamento de cada um. Neste
momento iremos resolver a situação-problema exposta no início desta seção,
mas, primeiramente, vamos relembrar o caso de uma profissional farmacêu-
tica que exerce a função de fiscal do Conselho Regional de Farmácia (CRF) e
recebe uma denúncia sobre um farmacêutico da cidade que estava assumindo

126
responsabilidade técnica em várias farmácias, sem deliberação do conselho
e sem prestar devida assistência presencial nesses locais. Para resolver esse
problema precisamos compreender que é proibido ao farmacêutico permitir
a utilização do seu nome por qualquer estabelecimento ou instituição onde
não exerça pessoal e efetivamente sua função.
Possivelmente, a denúncia da infração foi realizada por outro profissional
farmacêutico e é caracterizada como uma ação correta, pois segundo o artigo
12 do capítulo dos deveres do Código de Ética Farmacêutica, o profissional
de farmácia deve comunicar ao Conselho Regional de Farmácia os fatos que
caracterizem infração ao Código de Ética.
Cabe ao Conselho Regional de Farmácia fiscalizar o exercício da profissão,
impedindo as infrações à lei e punindo os responsáveis quando elas ocorrem.
Dessa forma é de responsabilidade do CRF a punição disciplinar do infrator
que estiver inscrito, quando apurado e comprovado o fato ocorrido. Baseado
no que estudamos nesta seção, você conseguirá dar uma incrementada na
forma de responder essa situação-problema.

Avançando na prática

Venda de medicamentos fitoterápicos sem


registro

A VISA local de um município recebeu diversas reclamações da


população de que a drogaria de um bairro central estava vendendo um
medicamento fitoterápico sem registro no Ministério da Saúde. A VISA
direcionou um fiscal para que o fato possa ser averiguado. Se você fosse esse
fiscal e o farmacêutico se negasse a permitir uma fiscalização no local para
averiguação, como procederia? Como fiscal sanitário, caberia a você realizar
uma denúncia da conduta deste profissional ao seu conselho?

Resolução da situação-problema
Diante dessa situação, o fiscal sanitário, amparado pela Lei nº 6.437 de
20 de agosto de 1977, que configura as infrações à legislação sanitária federal
e estabelece as sanções respectivas, enquadraria esse estabelecimento no
artigo 10 da lei citada, visto que o parágrafo 10 deste artigo prevê que obstar
ou dificultar a ação fiscalizadora das autoridades sanitárias competentes no
exercício de suas funções caracteriza uma infração sanitária, suscetível à pena
de advertência, intervenção, interdição, cancelamento de licença e/ou multa.

127
Configurado o fato denunciado, o estabelecimento também seria enquadrado
no quarto parágrafo, do mesmo artigo, pois extrair, produzir, fabricar, transformar,
preparar, manipular, purificar, fracionar, embalar ou reembalar, importar, exportar,
armazenar, expedir, transportar, comprar, vender, ceder ou usar alimentos,
produtos alimentícios, medicamentos, drogas, insumos farmacêuticos, produtos
dietéticos, de higiene, cosméticos, correlatos, embalagens, saneantes, utensílios
e aparelhos que interessem à saúde pública ou individual, sem registro, licença,
ou autorizações do órgão sanitário competente ou contrariando o disposto na
legislação sanitária pertinente configuraria mais uma infração a esta lei sanitária,
passível advertência, apreensão e inutilização, interdição, cancelamento do registro,
e/ou multa (BRASIL, 1977).
Além disso, caberia ao fiscal denunciar o farmacêutico do local ao Conselho
Regional de Farmácia, pois este é o responsável por examinar reclamações e fisca-
lizar o exercício da profissão, impedindo e punindo as infrações à lei bem como
enviar às autoridades competentes relatórios documentados sobre os fatos que
apurarem. Segundo o artigo 14 do Código de Ética Farmacêutica, é proibido
ao farmacêutico praticar ato profissional que cause dano material, físico, moral
ou psicológico, que possa ser caracterizado como negligência, imprudência ou
imperícia, quando em atuação em qualquer área farmacêutica.

Faça valer a pena

1. A Lei nº 3.820, de 11 de novembro de 1960, criou o Conselho Federal e os


Conselhos Regionais de Farmácia. Os Conselhos Regionais também atuam
como tribunal regional de ética. Eles fiscalizam o exercício da profissão.
Sobre os Conselhos Regionais de Farmácia, assinale a alternativa correta:
a. Não podem arrecadar anuidade, multa ou taxas, pois essa é uma
função do Conselho Federal.
b. Recebem do Conselho Federal cerca de 30% das contribuições para
utilizarem para suas próprias necessidades.
c. As taxas e anuidades são fixadas pelos Conselhos Regionais com
intervalos não inferiores a 3 anos.
d. Todas as taxas, anuidades e multas arrecadas são repassadas para o
Conselho Federal de Farmácia.
e. Deliberam sobre questões oriundas do exercício de atividades afins às
do profissional farmacêutico.

128
2. A Lei nº 3.820, de 11 de novembro de 1960, criou o Conselho Federal e os
Conselhos Regionais de Farmácia.
Sobre as atribuições do Conselho Federal, assinale a alternativa correta:
a. É responsável por registrar os profissionais farmacêuticos e expedir a
carteira profissional.
b. É responsável por fiscalizar o exercício da profissão e julgar os processos.
c. Organiza o seu regimento interno e submete à aprovação dos Conselhos
Regionais.
d. É responsável pela inscrição do profissional de farmácia para exercer a
profissão.
e. É responsável por expedir as resoluções definindo as atribuições dos farma-
cêuticos.

3. Os Conselhos Federal e Regionais regulamentam e orientam as normas para


o exercício da profissão farmacêutica. Para a inscrição no quadro de farmacêu-
tico, além de preencher os requisitos legais de capacidade civil, o interessado deve
cumprir alguns requisitos. Julgue as afirmativas a seguir em (V) Verdadeiras ou (F)
Falsas.
( ) Ser diplomado ou graduado em Farmácia de uma Instituição de Ensino Superior
devidamente reconhecida pelo MEC.
( ) Não ser nem estar proibido de exercer a profissão farmacêutica.
( ) Gozar de boa reputação por sua conduta pública, atestada por 2 farmacêuticos
devidamente inscritos.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta.
a. Não podem arrecadar anuidade, multa ou taxas, pois essa é uma
função do Conselho Federal.
b. Recebem do Conselho Federal cerca de 30% das contribuições para
utilizarem para suas próprias necessidades.
c. As taxas e anuidades são fixadas pelos Conselhos Regionais com
intervalos não inferiores a 3 anos.
d. Todas as taxas, anuidades e multas arrecadas são repassadas para o
Conselho Federal de Farmácia.
e. Deliberam sobre questões oriundas do exercício de atividades afins às
do profissional farmacêutico.

129
Referências

BARROS, J. A. C. Estratégias mercadológicas da indústria farmacêutica e o consumo de medica-


mentos. Rev. Saúde Pública, São Paulo, v. 17, n. 5, p. 377-386, out. 1983. Disponível em: http://
www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-89101983000500003&lng=en&nrm=-
iso. Acesso em: 17 out. 2019.

BRASIL. Conselho Federal de Farmácia. Resolução nº 521, de 16 de dezembro de 2009. Dispõe


sobre a inscrição, o registro, o cancelamento de inscrição e a averbação nos Conselhos Regionais
de Farmácia e dá outras providências. Diário Oficial da União. Brasília, DF. Disponível em:
http://www.cff.org.br/userfiles/file/resolucoes/521.pdf. Acesso em: 23 out. 2019.

BRASIL. Conselho Federal de Farmácia. Resolução nº 596, de 21 de fevereiro de 2014. Dispõe


sobre o Código de Ética Farmacêutica, o Código de Processo Ético e estabelece as infrações e
as regras de aplicação das sanções disciplinares. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 2014.
Disponível em: http://www.cff.org.br/userfiles/file/resolucoes/596.pdf. Acesso em: 10 out. 2019.

BRASIL. Presidência da República. Emenda Constitucional nº 29, de 13 de setembro de 2000.


Altera os arts. 34, 35, 156, 160, 167 e 198 da Constituição Federal e acrescenta artigo ao Ato das
Disposições Constitucionais Transitórias, para assegurar os recursos mínimos para o financia-
mento das ações e serviços públicos de saúde. Brasília/DF: 2000. Disponível em: http://www.
planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Emendas/Emc/emc29.htm. Acesso em: 10 out. 2019.

BRASIL. Presidência da República. Lei nº 13.021, de 8 de agosto de 2014. Dispõe sobre o


exercício e a fiscalização das atividades farmacêuticas. Brasília/DF: 2014. Disponível em: http://
www.crfsp.org.br/images/stories/Lei%2013021_14%20completa.pdf. Acesso em: 14 out. 2019.

BRASIL. Presidência da República. Lei nº 3.820, de 11 de novembro de 1960. Cria o Conselho


Federal e os Conselhos Regionais de Farmácia, e dá outras providências. Diário Oficial da União.
Brasília, DF. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L3820.htm. Acesso em:
23 out. 2019.

BRASIL. Presidência da República. Lei nº 5.991, de 17 de dezembro de 1973. Dispõe sobre o


controle sanitário do comércio de drogas, medicamentos, insumos farmacêuticos e correlatos e
dá outras providências. Brasília/DF: 1973. Disponível em: http://www.cff.org.br/userfiles/file/
educacao_farmaceutica/Comissao_Ensino/Outras%20Legislacoes/Lein5991_1973.pdf. Acesso
em: 14 out. 2019.

BRASIL. Presidência da República. Lei nº 9.120, de 26 de outubro de 1995. Altera dispositivos


da Lei nº 3.820, de 11 novembro de 1960, que dispõe sobre a criação do Conselho Federal e os
Conselhos Regionais de Farmácia, e dá outras providências. Diário Oficial da União. Brasília,
DF. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9120.htm#art1. Acesso em: 23
out. 2019.

BRASIL. Presidência da República. Lei nº 9.782, de 26 de janeiro de 1999. Define o Sistema


Nacional de Vigilância Sanitária, cria a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, e dá
providências. Diário Oficial da União. Brasília, DF, Disponível em: http://www.planalto.gov.br/
ccivil_03/LEIS/L9120.htm#art1. Acesso em: 23 out. 2019.

BRASIL. Presidência da República. Subchefia para Assuntos Jurídicos. Lei n.º 6.437 de 20 de
agosto de 1977. Configura infrações à legislação sanitária federal, estabelece as sanções respec-
tivas, e dá outras providências. Diário Oficial da União. Brasília, DF, 1977. Disponível em:
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MASTROIANNI, P. C.; LORANDI, P. A.; ESTEVES, K. D. Direito Sanitário e Deontologia:


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OLIVEIRA, S. T. de. Tópicos em deontologia e legislação para farmacêuticos. Belo Horizonte:


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SILVA, L. M. V. da; SILVA, G. A. P.; ESPERIDIÃO, M. A. Avaliação da implantação da Política


Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde no Brasil. Saúde em debate, v. 41, p.
87-98, 2017.
Unidade 4
Flávia Soares Lassie

Farmacêutico em áreas específicas de trabalho

Convite ao estudo
O primeiro curso de Farmácia no Brasil foi criado em 1832 no Rio de
Janeiro. Nessa época, o profissional que realizava algumas das atividades do
atual farmacêutico era chamado de boticário. Apenas em 1931 a profissão
foi regulamentada e passou a ser exercida por profissionais graduados em
Farmácia em instituições oficialmente reconhecidas.
O farmacêutico é o profissional que possui conhecimentos sobre os
processos que envolvem o desenvolvimento de um fármaco, bem como os
processos que levam à produção de um medicamento. Além disso, ele deve
conhecer sobre a administração, absorção, mecanismo de ação e efeitos
farmacológicos, metabolismo e a excreção, bem como sobre as características
que levam ao uso racional dos medicamentos. Estes conhecimentos tornam o
farmacêutico um profissional especialista em produtos e serviços farmacêu-
ticos, podendo este atuar em diferentes áreas, de acordo com as normas e os
critérios que determinam as especificidades de cada área. Assim, o farmacêu-
tico atual, de formação generalista, pode atuar nas áreas de alimentos, análises
clínicas e toxicológicas, hospitalar, saúde pública e indústria farmacêutica.
O campo de atuação do profissional farmacêutico é muito diversificado,
devemos nos atentar que a promoção da saúde e da qualidade de vida da
população deve ser sempre o foco principal.
Assim, nesta unidade estudaremos as principais áreas de atuação do
farmacêutico, pois assim você compreenderá as características das atribui-
ções e quais são as atividades realizadas pelos farmacêuticos – o que lhe
ajudará na escolha da sua futura área de atuação.
Para que você tenha um ótimo desempenho nesta unidade, convido você
a ler com atenção o contexto de aprendizagem e aproveite ao máximo as
informações disponibilizadas.
Seção 1

Atuação na indústria

Diálogo aberto
Olá, aluno! Seja bem-vindo a mais um encontro da disciplina de Farmácia e
Profissão.
Nesta seção, você estudará algumas características da atuação do profissional
farmacêutico na indústria e conhecerá quais são as atribuições e o perfil do profis-
sional para exercer as suas atividades neste segmento.
Para melhor compreensão deste conteúdo, você conhecerá um farmacêutico
que trabalha em uma indústria de medicamentos e é o profissional responsável
pelo setor da garantia da qualidade.
Assim, chegamos à situação-problema desta seção, que se dá em uma indústria
farmacêutica de porte médio, atuante na produção de medicamentos genéricos,
tendo os medicamentos em cápsulas como a maior fração das linhas de produção
dessa indústria. Seguindo a rotina da empresa, quanto aos processos de produção
das cápsulas, foi identificado pelo setor da garantia da qualidade que o profissional
responsável pelo setor de produção negligenciou os procedimentos operacionais
padrão (POP) para as manutenções de calibração das balanças e isso comprometeu
todo o processo de produção de um lote de cápsulas de um medicamento, visto
que este não atingiu os padrões de qualidade exigidos pelo registro sanitário do
produto, quanto aos percentuais do fármaco contido nas cápsulas. Diante disso,
como você, no lugar do farmacêutico responsável pelo setor da garantia da quali-
dade, orientaria esse profissional responsável pelo setor da produção? Qual seria a
conduta adequada a ser tomada frente a essa situação?
Durante todo o estudo desta seção, você terá subsídios necessários para poder
solucionar essa situação. Administre seu tempo de maneira adequada para que
possamos nos aprofundar no conhecimento das atividades farmacêuticas nas
indústrias. Vamos lá?

Não pode faltar

A história da indústria farmacêutica no Brasil iniciou na época em que o Brasil


era colônia portuguesa, com a chegada de Diogo da Costa, o primeiro farmacêu-
tico que desembarcou na Bahia, no ano de 1549. Diogo veio de Portugal, junto de
Thomé de Souza, o primeiro governador geral da colônia portuguesa, e a partir daí

134
temos o início do processo de formação da indústria farmacêutica, que contou com
outros fatores para o desenvolvimento dessa área no país.
As figuras 4.1, 4.2 e 4.3 trazem uma linha do tempo que apresenta algumas
características evolucionárias da indústria farmacêutica no Brasil.
Figura 4.1 | Linha do tempo da indústria farmacêutica no Brasil

1550
Boticas
Jesuítas

1640
Permissão de
funcionamento
das boticas 1700
“Tríaga
Brasílica”

1794
Regulamentação
das boticas
1832
Cursos de 1839 1858
Farmácia 1º Escola de Boticas e
Farmácia médicos
em SP

Fonte: elaborada pela autora.

Figura 4.2 | Linha do tempo da indústria farmacêutica no Brasil (continuação)

1860
1º Produto
industrializado

1870
Boticas viram 1889
farmácias 1º fase
Industrial

1901
Reconhecimento 1907
da profissão Censo de 1915
1917
laboratório 2º fase

Industrial
Farmacopeia

Fonte: elaborada pela autora.

135
No período do Brasil colonial, os jesuítas que desembarcaram no país
possuíam a missão de evangelizar os moradores locais, mas também atuaram
como boticários, elaborando os remédios, muitos dos quais eram preparados
utilizando substâncias advindas dos conhecimentos indígenas. Os portu-
gueses autorizaram o funcionamento das boticas como estabelecimentos
que comercializavam remédios no Brasil colônia, e nesse período surgiu a
primeira fórmula brasileira chamada de “Tríaga Brasílica”, considerada o
primeiro medicamento brasileiro produzido através de várias drogas nacio-
nais pela botica do colégio dos jesuítas da Bahia, e que foi muito utilizada
como antídoto contra picada de animais peçonhentos e episódios de febre.
Figura 4.4 | O boticário

Fonte: https://binged.it/2r4ERvH. Acesso em: 3 de nov. 2019.

Em 1832 foram criados os primeiros cursos de graduação de Farmácia


integrados às faculdades de Medicina da Bahia e do Rio de Janeiro. Em 1839
foi criada a primeira faculdade de Farmácia de Ouro Preto, em Minas Gerais,
sendo a pioneira do ensino farmacêutico no Brasil.
No ano de 1860 foi lançado o primeiro produto industrializado, a
pomada Boro-borácica, desenvolvida por um farmacêutico do Rio Grande
do Sul, João Daudt Filho. Em 1870, as boticas são convertidas em farmá-
cias de manipulação, as quais foram as precursoras dos processos industriais
farmacêuticos. A partir do fim do século XIX, as primeiras indústrias farma-
cêuticas começaram a produzir medicamentos em larga escala.

136
Exemplificando
Em 1870 foi fundada a Casa Granado na cidade do Rio de Janeiro, um
dos laboratórios farmacêuticos pioneiros do país. O estabelecimento
criava diversas especialidades farmacêuticas a partir de extratos vegetais
de plantas, flores e ervas brasileiras.

Em 1889, durante a primeira fase industrial, a indústria farmacêutica


teve seu auge que se estendeu até 1914 quando foram fundados os primeiros
laboratórios industriais que fabricavam além de produtos de origem vegetal,
os de origem animal (soros e vacinas). Nesta época, no país, havia 35 labora-
tórios farmacêuticos. Em 1915 ocorreu a segunda fase industrial farmacêutica
que foi impulsionada pela Primeira Guerra Mundial, com o desenvolvimento
dos laboratórios nacionais e o aperfeiçoamento dos métodos de produção.
Em 1917 foi editada a primeira farmacopeia, a pioneira do país, que entrou
em vigor em todo o estado de São Paulo em 1959. A partir da publicação do
Decreto nº 45. 502 de 27 de fevereiro de 1959 foi oficializada a “Farmacopeia
Brasileira II” que passou a vigorar em todo o território nacional.

Reflita
Você acabou de conhecer a criação da Farmacopeia Brasileira, mas qual
é a importância das farmacopeias para o contexto da indústria farma-
cêutica?

No ano de 1970, com a Lei nº 5.468 de 11 de dezembro, foi criado o


Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) com o objetivo de
executar as normas que regulam a propriedade industrial. Em 1971 foi criada
a CEME, que é a Central de Medicamentos, um órgão do governo federal
com a finalidade de comprar e distribuir medicamentos para a população.
Em 1996, por meio da Lei nº 9.279, foram instituídos os direitos e obriga-
ções relativos à propriedade industrial que estabeleceu o novo regimento
para o registro de patente sobre alimentos, medicamentos, produtos bacte-
riológicos e químicos. Nesta ficou determinado que o período de 20 anos de
patente para invenções e 10 anos para registro de marcas (BRASIL, 1996a).
A farmácia industrial disponibiliza oportunidades aos farmacêuticos de
todas as áreas de formação, os quais podem atuar na indústria de medica-
mentos, cosméticos, alimentos, produtos domissanitários, produtos para a
saúde e produtos veterinários, entre outros.

137
Considerando um perfil geral para o contexto da atuação em saúde,
segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) o profissional farmacêu-
tico deve:
• Ser capaz de tomar decisões: deve avaliar as informações e decidir
qual é a mais adequada e a melhor decisão a seguir;
• Ser comunicador: devido ao contato direto com o paciente, o farma-
cêutico deve comunicar as informações sobre os medicamentos e a
saúde;
• Ser líder: o farmacêutico deve assumir a liderança pelo cuidado
da comunidade;
• Ser prestador de serviços farmacêuticos em uma equipe de saúde: o
farmacêutico desempenha um importante papel dentro da equipe de
saúde. Sendo assim, é necessário ter conhecimento e atitudes para
proporcionar serviços farmacêuticos de qualidade;
• Ser gerente: o farmacêutico deve administrar recursos físicos, finan-
ceiros e humanos;
• Ser atualizado permanentemente: o farmacêutico necessita atualizar
seus conhecimentos de maneira contínua, buscando sempre o
aprimoramento profissional;
• Ser educador: é de responsabilidade do farmacêutico oferecer treina-
mento e educação para os futuros profissionais e orientar a população
de maneira geral.
Para ser um farmacêutico industrial, o mercado exige conhecimentos aprofun-
dados de gestão industrial e ferramentas da qualidade, normas nacionais e interna-
cionais de boas práticas de fabricação, técnicas de controle de qualidade, gestão de
projetos e processos e, principalmente, da legislação sanitária do setor.
É essencial entender o mundo corporativista, pois ter capacidade de negociação,
aptidão para tarefas administrativas e algumas habilidades como liderança e
comunicação são imprescindíveis, visto que estes profissionais assumem, muitas
vezes, cargos de nível estratégico ou tático nas empresas onde atuam. Além disso,
ter domínio da língua inglesa é imprescindível para acessar a literatura técnica da
área; já o domínio da língua espanhola é um diferencial para quem pretende atuar
na carreira, seja na área da indústria de alimentos, farmacêutica ou cosmética.
Cabe ressaltar que a competição no meio industrial é muito acentuada, devido
às excelentes remunerações, aos benefícios e planos de carreiras bem definidos que
possibilitam acedência ao longo da atuação.

138
As atribuições do farmacêutico na indústria são amplamente variadas e esse
profissional pode atuar na produção, na garantia da qualidade, no controle de
qualidade físico-químico e microbiológico, na pesquisa clínica, farmacovigilância,
cosmetovigilância e tecnovigilância, nos assuntos regulatórios, serviço de atendi-
mento ao consumidor (SAC), marketing, inovação, pesquisa e desenvolvimento
(PID), desenvolvimento de embalagem, planejamento e controle de produção,
farmacoeconomia, responsabilidade técnica entre outras.
Para cada atribuição há uma particularidade: o farmacêutico que possui a
responsabilidade pela produção deve aplicar as boas práticas de fabricação (BPF)
em todos os estágios da produção, prevenindo que ocorra contaminação cruzada
dos produtos e garantindo a sua qualidade. Ele também identifica todas as fases
críticas do processo de produção, mantendo-o sempre atualizado e revisado. Esse
profissional atua em conjunto com a garantia da qualidade e avalia os possíveis
desvios da qualidade que possam ter ocorrido durante o processo de produção das
diversas especialidades farmacêuticas.
O farmacêutico atuante na garantia de qualidade necessita elaborar sistemas
nos quais os processos de produção e controle sejam determinados por escrito,
por meio de procedimentos operacionais padrão (POP) para garantir que as boas
práticas de fabricação (BPF) sejam alcançadas.
O responsável pelo controle de qualidade físico-químico e microbiológico
deve realizar e/ou coordenar os procedimentos técnicos das análises que visam
aprovar ou rejeitar matérias-primas, produtos semiacabados e acabados, além dos
materiais de embalagem.
O farmacêutico pode atuar na farmacovigilância desempenhando atividades
referentes à detecção, avaliação, compreensão e prevenção de efeitos adversos
ou outros tipos de problemas relacionados aos medicamentos. Esse profissional
realiza notificações dos casos de intoxicação medicamentosa, interações medica-
mentosas com alimentos, entre outras. Já o farmacêutico atuante na cosmetovigi-
lância desempenhará as atividades referentes à detecção, avaliação, compreensão
e prevenção de efeitos adversos ou outros tipos de problemas relacionados aos
cosméticos, como os perfumes e os produtos de higiene pessoal.
O farmacêutico que atua no setor de assuntos regulatórios irá executar os
processos e produzir os relatórios técnicos para que ocorra o registro dos produtos
nos órgãos sanitários. Ele também é responsável por manter toda a documentação
atualizada para a regularização no Instituto de Nacional da Propriedade Intelectual
(INPI).
O farmacêutico também pode atuar no serviço de atendimento ao consu-
midor (SAC), controlando e respondendo às demandas (como sugestões, críticas,
reclamações ou dúvidas) dos pacientes. Se em um primeiro momento as empresas

139
viram a lei que criou a obrigatoriedade do SAC (Lei nº 8.078/1990) como mais uma
despesa, hoje essa visão mudou e o SAC passou a ser uma área estratégica dentro de
boa parte das empresas. Na indústria farmacêutica, além de ser fundamental para
a correta orientação dos pacientes sobre características e uso de medicamentos, o
SAC, quando bem estruturado, pode ser um poderoso canal para notificações de
suspeitas de reações adversas associadas ao uso desses medicamentos. As informa-
ções coletadas pelo SAC podem contribuir para ampliar segurança dos pacientes,
evitar problemas para as empresas, reduzir custos e até mesmo alertar para novas
possibilidades terapêuticas dos medicamentos (SÃO PAULO, 2011/2012).
Dentro desse contexto, o farmacêutico tem uma importância fundamental
no monitoramento dos relatos de eventos adversos recebidos por intermédio do
SAC. A presença deste profissional nos SAC tem tornado ainda mais eficaz esse
canal de comunicação com o paciente, utilizando uma linguagem adequada para
orientá-los, possibilitando melhor adesão ao tratamento, orientando-os acerca dos
cuidados com higiene, alimentação e realização de exames clínicos e laboratoriais
periódicos (SÃO PAULO, 2011/2012).
Para atuar no setor de inovação, pesquisa e desenvolvimento (PID), o farma-
cêutico necessita entender sobre as propriedades farmacológicas, físico-químicas e
microbiológicas das substâncias farmacêuticas e suas interações, para poder criar
novos produtos farmacêuticos.
O farmacêutico também pode atuar como pesquisador na indústria farmacêu-
tica, mas vale salientar que a equipe da área de pesquisa e desenvolvimento requer
níveis de formação mais elevados, embora isso não seja uma regra. O profissional
que atua em pesquisa clínica para indústria necessita seguir as recomendações
dos protocolos de pesquisa, os quais devem ser aprovados por comitês de ética
em pesquisa. Nesse contexto, o farmacêutico elabora os protocolos de pesquisa
e desenvolvimento de novos produtos farmacêuticos como os medicamentos e
cosméticos, entre outros.
O farmacêutico pode, ainda, exercer a responsabilidade técnica por toda a
indústria e, dessa forma, passa a ter uma ampla variedade de responsabilidades e
atribuições, sendo necessário possuir a capacidade de tomar decisões e implemen-
tação de diretrizes para a produção de produtos.
Os farmacêuticos também podem estar envolvidos em propaganda, vendas
e gestão de marketing, como representantes para que forneçam informações aos
médicos e a outros profissionais farmacêuticos sobre seus produtos.
Vale dizer que outros profissionais, como os engenheiros químicos e de
alimentos também podem atuar nessa área, ou seja, não se trata de uma atuação
exclusiva do farmacêutico.

140
Assimile
Assim como na indústria farmacêutica e cosmética, o profissional
farmacêutico que atuará na indústria de alimentos também realizará
atividades de controle de qualidade físico-químico e microbiológico,
pesquisa e desenvolvimento de novos produtos, garantia da qualidade,
produção e análise de alimentos, assuntos regulatórios e marketing.

É importante salientar que independentemente da área que você escolha


para atuar na indústria, seja ela de alimentos, medicamentos, cosméticos,
produtos de saúde etc., é de suma importância que o profissional farmacêu-
tico conheça as normas administrativas de cada segmento, para que as boas
práticas de fabricação e produção sejam os pilares para se atingir a qualidade
dos produtos oferecidos para a população.

Sem medo de errar

Nesta seção, você conheceu as características da indústria farmacêutica e


compreendeu quais são as atribuições e o perfil do profissional farmacêutico
que atua neste campo de trabalho.
Agora vamos à resolução da situação-problema desta seção, em que um
farmacêutico que atua na garantia da qualidade de uma indústria farmacêu-
tica verificou que o profissional responsável pelo setor de produção negligen-
ciou os POP para as manutenções de calibração das balanças e isso compro-
meteu todo o processo de produção de um lote de cápsulas de um medica-
mento. Seu trabalho estava focado em orientar o profissional responsável
pelo setor da produção quanto ao problema identificado e indicar qual seria
a conduta adequada frente a essa situação.
O setor da garantia da qualidade em uma indústria é responsável por
coordenar e planejar o programa de treinamento de boas práticas de fabri-
cação (BPF) atuando na capacitação dos colaboradores dos diversos setores.
Este programa possui a finalidade de garantir que as operações de produção e
do controle de qualidade estejam especificadas por meio dos procedimentos
operacionais padrão (POP) por escrito. Ele também atua nos programas de
validação de limpeza, validação de processos, calibração e qualificação de
equipamentos e instrumentos. Dessa forma, o farmacêutico responsável pela
garantia da qualidade deve orientar o profissional responsável pela produção
quanto ao seguimento dos POP e das BPF para garantir a qualidade do
produto.

141
A conduta a ser tomada deve ser cumprir com as BPF e seguir todos
os POP de instruções de produção, assegurar a calibração e manutenção
periódica dos equipamentos, treinar os colaboradores qualificando-os
para as diferentes atividades do processo de fabricação. Você ainda
poderá propor outras orientações e diferentes alinhamentos, com base no
problema apresentado.

Avançando na prática

Falta de matéria-prima na indústria cosmética

Uma indústria de cosméticos está enfrentando um problema para a


produção de um creme hidratante, pois a matéria-prima para a fabricação
é importada e ocorreu uma falha no processo de importação do insumo. O
farmacêutico responsável pelo setor de produção deve atuar rapidamente
neste processo, pois a falta da matéria-prima acarretará em atrasos na
programação da produção e consequentemente na entrega do produto final
ao cliente. Como você, no lugar farmacêutico responsável pela produção,
poderia agir para evitar problemas futuros com a falta de matérias-primas e
assim evitar os transtornos gerados à produção dos produtos?

Resolução da situação-problema
Diante dessa situação, o farmacêutico responsável pela produção deve
garantir o fornecimento das matérias-primas e realizar o monitoramento dos
fornecedores aprovados de forma constante. Este profissional deve executar a
qualificação dos fornecedores por meio da análise de documentação, licença
de funcionamento e/ou também das suas certificações. Somente qualificar
o fornecedor, porém, não irá garantir que a indústria não tenha problemas
com ele, pois imprevistos podem acontecer. Por isso é importante monitorar
rotineiramente o fornecedor e inspecionar se alguns requisitos estão sendo
cumpridos como: atendimento ao prazo de entrega, se o pedido de compras
está compatível com a nota fiscal, a qualidade do material recebido etc.
Estes critérios poderão indicar se o fornecedor traz segurança nas entregas
e isso poderá mantê-lo dentro dos critérios que o levaram à aprovação. Você
poderia imaginar outros aspectos que poderiam responder a problemati-
zação a presentada? Vá em frente, discuta com seus colegas e as apresente.

142
Faça valer a pena

1. As farmácias de manipulação foram o pontapé inicial da indústria farma-


cêutica, que a partir do final do século XIX, começa a produzir medica-
mentos em larga escala.
Em 1889 durante a __________ fase industrial, a indústria farmacêutica
teve seu auge que se estendeu até 1914, quando foram fundados os primeiros
laboratórios industriais, estes fabricavam além de produtos de origem vegetal
também os de origem ________.
Analise as sentenças e complete as lacunas:
a. segunda e mineral.
b. primeira e animal.
c. terceira e sintética.
d. segunda e animal.
e. primeira e sintética.

2. Entre as atribuições do farmacêutico responsável pela produção em uma


indústria farmacêutica, seja ela de alimentos, medicamentos ou cosméticos,
está o dever de cumprir as boas práticas de fabricação (BPF) em todas as
etapas da produção. Em relação às boas práticas de fabricação aplicadas às
indústrias farmacêuticas:
Assinale a alternativa correta:
a. A garantia da qualidade compreende as informações sobre a forma
de organização e avaliação do sistema de controle de qualidade, e ela
pode ser utilizada como uma maneira para substituir as BPF.
b. As BPF são medidas de redundância utilizadas na indústria farma-
cêutica já que quando os ensaios nos produtos são realizados de
forma adequada consequentemente os produtos desenvolvidos não
apresentam riscos.
c. As BPF são normas de procedimentos que devem ser adotados pelas
indústrias farmacêuticas com o objetivo de atingir um determinado
padrão e identidade, além de qualidade dos produtos.
d. A legislação brasileira não obriga que as indústrias farmacêuticas
realizem as BPF, pois entendem que quando os processos são reali-
zados de maneira adequada não é necessário seguir as BPF.

143
e. O controle de qualidade é o setor da indústria farmacêutica respon-
sável por coordenar e planejar o programa de treinamento em BPF,
capacitando os colaboradores dos diversos setores da empresa.

3. São atribuições do profissional farmacêutico a direção, o assessora-


mento, a responsabilidade técnica e o desempenho de funções especializadas
exercidas em estabelecimentos em que se realizem análises em produtos
cosméticos, alimentos, saneantes e produtos para a saúde. Em relação às
atribuições do profissional farmacêutico nas indústrias, julgue as afirmativas
em (V), para as verdadeiras ou (F), para as falsas..
( ) O farmacêutico na indústria pode ser responsável pela produção de
medicamentos e cosméticos, porém não pode ser responsável pela produção
de alimentos.
( ) Ao farmacêutico que atua na produção de alimentos compete a aplica-
bilidade das boas práticas de fabricação.
( ) O farmacêutico responsável pelo setor de embalagem de medicamentos
deve priorizar ações que evitem a contaminação cruzada.
( ) O controle de qualidade físico-químico e microbiológico é responsável
por aprovar ou rejeitar apenas os produtos terminados.
a. V – V – V – V.
b. F – F – F – V.
c. F – V – F – F.
d. V – V – F – F.
e. F – V – V – F.

144
Seção 2

Atuação em farmácias

Diálogo aberto
Olá, aluno.
Nesta seção de estudos você aprenderá algumas características da atuação
do profissional farmacêutico e conhecerá quais são as atribuições e as atividades
do profissional nas farmácias: com manipulação alopática e homeopática, e sem
manipulação. Além disso, conhecerá as atribuições e atividades do farmacêutico no
SUS e na Saúde Pública e as atividades clínicas do farmacêutico em alguns campos
de atuação.
Para contemplarmos nossos objetivos de aprendizagem, acompanharemos
nesta seção uma farmacêutica que atua na farmácia de uma UBS. Neste local, a
profissional é responsável pela solicitação, organização e dispensação de todos os
medicamentos, além do segmento farmacoterapêutico dos usuários de medica-
mentos da UBS.
Em um dia de trabalho, a nossa farmacêutica se deparou com o atendimento
de uma paciente diabética, com quadro de dislipidemia e hipertensão arterial,
que fazia uso de vários medicamentos. Os medicamentos da paciente estavam
sobre prescrição médica e todos faziam parte da REMUME (Relação Municipal
de Medicamentos Essenciais). Ao verificar a prescrição e realizar a separação
para dispensação, a farmacêutica constatou que não contemplaria a prescrição
da paciente na sua totalidade, visto que alguns dos medicamentos estão em falta
na sua UBS e também na central de abastecimento do município. Diante dessa
situação e considerando o direito da paciente ao tratamento respaldado pelas
Políticas Públicas de Saúde direcionadas ao SUS, incluindo a Política Nacional de
Assistência Farmacêutica, você, no lugar da farmacêutica, adotaria qual conduta
para resolver o problema desse atendimento?
Não deixe de explorar todos os materiais que serão disponibilizados nesta
seção, aproveite seu tempo para o autoestudo e vamos em frente!

Não pode faltar

Ao longo da história, a profissão farmacêutica passou por muitas modificações


que foram aceleradas por questões econômicas, políticas e tecnológicas. Em uma
primeira etapa, era o farmacêutico quem manipulava e elaborava as fórmulas e as
comercializavam em sua própria farmácia, que na época também era conhecida

145
como dispensário. Na sequência, com o surgimento da indústria farmacêutica por
volta dos anos de 1950, a farmácia teve seu papel mudado, passando a representar
apenas um canal de distribuição de medicamentos industrializados. Foi nesse
momento que o farmacêutico começou a perder seu papel social e começou a
migrar para as atividades industriais.
Simultaneamente a esses acontecimentos, ocorreu o desenvolvimento da
farmácia hospitalar. Até então as funções do farmacêutico estavam relacionadas
apenas a dar suporte e prover os medicamentos, e a partir daí somaram-se outras
funções ao farmacêutico, que passou a dar suporte para a equipe de profissionais
de saúde, exercer atividades clínicas como assessorar o médico na terapia medica-
mentosa, na prevenção, na identificação e na resolução de problemas relacionados
ao medicamento, no contexto da atenção farmacêutica, com ação centrada no
paciente. Assim, o farmacêutico retomou fortemente o seu papel de profissional
direcionado a buscar o cuidado em saúde.
Em 1990, com o aparecimento do conceito de atenção farmacêutica e, conse-
quentemente, com a sua aplicação, a atuação do farmacêutico passou a ser centrada
no paciente, buscando o uso racional de medicamentos e avaliando se a terapia
farmacológica é efetiva, segura, necessária e com custo acessível. Dessa forma, a
otimização terapêutica medicamentosa é um dos principais focos na atuação dos
profissionais farmacêuticos.
A promulgação da Lei 13.021 de 8 de agosto de 2014 também foi um marco
para a atuação do farmacêutico, pois torna a farmácia um estabelecimento de
saúde e não um simples local de comércio, na qual são prestados os serviços farma-
cêuticos. Além disso, reafirma a obrigatoriedade da presença do farmacêutico
durante todo o período de funcionamento da farmácia, assumindo a responsabili-
dade e assistência técnica. Essa lei fez do farmacêutico o protagonista principal das
farmácias, com a finalidade de reduzir os problemas de saúde, aumentar a adesão
terapêutica do paciente e avaliar possíveis interações medicamentosas, intoxica-
ções e reações adversas.
As farmácias são classificadas de acordo com sua natureza em: farmácia sem
manipulação ou drogaria, que são os estabelecimentos de dispensação e comércio
de drogas, medicamentos, insumos farmacêuticos e correlatos em suas embalagens
originais; e farmácias com manipulação, classificadas como estabelecimentos de
manipulação de fórmulas magistrais e oficinais, de comércio de drogas, medica-
mentos, insumos farmacêuticos e correlatos, compreendendo também as farmá-
cias com essa caraterísticas que estão inseridas nas unidades hospitalares ou de
qualquer outro equivalente de assistência médica.
Agora que você conheceu um pouco mais sobre a história da farmácia com
a atenção voltada ao paciente, vamos compreender quais são as atribuições e

146
atividades do farmacêutico na farmácia clínica, nas farmácias com e sem manipu-
lação, nas farmácias homeopáticas e nas farmácias do SUS e na Saúde Pública.

Perfil exigido, atribuições e atividades do farmacêutico em


farmácias com e sem manipulação
O Conselho Federal e os Conselhos Regionais de Farmácia estabelecem
algumas diretrizes em relação às atribuições do farmacêutico em farmácia com e
sem manipulação, observando as legislações que normatizam o segmento.
Para atuar neste segmento, o profissional deve ter perfil de um prestador de
serviços farmacêuticos em uma equipe de saúde; deve ser capaz de tomar decisões;
ser comunicador e líder; um gestor permanentemente atualizado e, além disso, ser
um educador em saúde. Essas são habilidades consideradas essenciais para farma-
cêuticos, pautadas em valores e comportamentos éticos, compromissos e corres-
ponsabilidades na prevenção de doenças, promoção e recuperação da saúde de
forma integrada à equipe de saúde, com atenção às análises e gerenciamento de
risco sanitário inerentes à sua atividade. Esse é o perfil do profissional que faz a
diferença (BRASIL, 2016).
Segundo o Conselho Regional do Estado de São Paulo (BRASIL, 2016), cabe
ao farmacêutico responsável técnico devidamente cadastrado junto à Anvisa,
Vigilância Sanitária Municipal e CRF, representar o estabelecimento em todos
os aspectos técnico-científicos e responder por todos os atos técnicos praticados,
executados por ele ou não. Portanto, deve conhecer, interpretar e estabelecer condi-
ções para o cumprimento da legislação pertinente. As atribuições do farmacêutico,
responsável técnico pelo estabelecimento ou não, em farmácias e drogarias podem
ser divididas em clínicas (voltadas ao paciente) e não clínicas (voltadas ao produto)
(BRASIL, 2016).
Um dos principais avanços na profissão farmacêutica e que deve ser incor-
porado na rotina do farmacêutico são as atribuições de cuidados farmacêuticos,
que estão diretamente relacionadas ao cuidado direto do paciente, promovendo o
uso racional de medicamentos e também na prestação dos serviços farmacêuticos
como a atenção farmacêutica.
Dentre as atividades clínicas em farmácias podemos citar: avaliação da
prescrição, dispensação, prescrição farmacêutica, acompanhamento farmacotera-
pêutico, farmacovigilância, administração de medicamentos, aferição de parâme-
tros fisiológicos e bioquímicos, participação e difusão de campanhas de educação
em saúde.
Já as atribuições administrativas ou não clínicas têm outro foco, do
qual podemos destacar: a aquisição, o recebimento, armazenamento, a

147
conservação e o monitoramento do estoque de medicamentos e corre-
latos; elaboração, implantação e revisão do Manual de Boas Práticas em
Farmácia, que inclui a confecção de todos os Procedimentos Operacionais
Padrão (POP), e também do Programa de Gerenciamento dos Resíduos dos
Serviços de Saúde; treinamento e capacitação dos funcionários que realizam
as atividades não privativas do farmacêutico, realização das escriturações dos
medicamentos constantes na Portaria nº 344/1998 no SNGP, e emissão dos
balancetes, encaminhando-os à Vigilância Sanitária, entre outras funções.
Além dessas, podemos incluir o fracionamento de medicamentos, pois
somente os farmacêuticos de estabelecimentos licenciados pela Vigilância
Sanitária podem fracionar medicamentos (fabricados em embalagens fracio-
náveis), obedecendo ao disposto na RDC Anvisa nº 80/06. A intercambiali-
dade de medicamentos é atividade privativa do farmacêutico, que permite
a troca do medicamento de referência pelo medicamento genérico corres-
pondente e vice-versa. Sempre que houver a substituição, o farmacêutico
deve indicá-la na prescrição, carimbar, datar e assinar, conforme a legislação
vigente. (BRASIL, 2016).
Para seu exercício profissional é imprescindível que o farmacêutico
conheça as legislações referentes às suas atividades, além de conhecer os
documentos necessários para o funcionamento regular do estabelecimento.
Tais documentos devem estar sempre atualizados, mantendo-se as vias origi-
nais no estabelecimento de forma que possam ser verificados pelos fiscais no
ato da inspeção profissional ou sanitária. (BRASIL, 2016).
Em farmácias com manipulação, o farmacêutico é responsável pela
supervisão da manipulação das fórmulas magistrais e oficinais.

Assimile
Na farmácia com manipulação, os medicamentos são manipulados um
a um, por farmacêuticos e suas equipes, mediante a solicitação de um
usuário portador de uma receita médica, odontológica, nutricionista e
veterinária para a realização de preparações medicamentosas individu-
alizadas nas mais variadas formas farmacêuticas: pós, cápsulas, shakes,
sachês, comprimidos, xaropes, cremes, pomadas, géis, soluções para
uso otológico e nasal, supositórios e até mesmo medicamentos estéreis
para uso parenteral. As rígidas legislações que regem e normatizam o
segmento, dentre elas a RDC Anvisa nº 67/07 e a RDC Anvisa nº 87/08,
exigem que o farmacêutico esteja capacitado para atender plenamente
o setor regulador. A qualidade do produto magistral está diretamente
atrelada às competências do farmacêutico, que, ultimamente, tem
conquistado sua importância perante a sociedade. (BRASIL, 2016).

148
Perfil exigido, atribuições e atividades do farmacêutico em
farmácia clínica
Dentro de um mesmo perfil, as atribuições clínicas do farmacêutico
objetivam a proteção, promoção e a recuperação, bem como a prevenção
de doenças e de outros problemas de saúde. O farmacêutico clínico oferece
cuidado ao paciente, família e à comunidade, promovendo o uso racional de
medicamentos e otimizando a farmacoterapia, com a finalidade de melhorar
a qualidade de vida dos pacientes. Dessa forma, a atenção do farmacêutico
está centrada no paciente (BRASIL, 2013).
O profissional farmacêutico presta cuidados à saúde em todos os níveis
de atenção e em todos os lugares, inclusive em serviços públicos e privados
(BRASIL, 2013).
O farmacêutico clínico está habilitado para participar do planejamento
e da avaliação da farmacoterapia, possibilitando que o paciente utilize de
forma segura os medicamentos, na frequência, dosagem, horários, vias de
administração e duração de tratamento adequados, com o objetivo de contri-
buir para que o paciente alcance os objetivos terapêuticos (BRASIL, 2013).
O farmacêutico clínico pode realizar a análise da prescrição de medica-
mentos verificando os aspectos legais e técnicos, sendo que essa é uma
atribuição essencial para a atuação do farmacêutico para poder realizar inter-
venções farmacêuticas, além de expor seu parecer técnico frente a outros
membros da equipe de saúde (BRASIL, 2013).

Exemplificando
O farmacêutico clínico que atua na farmácia hospitalar é membro da
equipe multiprofissional de saúde e pode realizar intervenções na
prescrição médica junto à equipe, principalmente com relação aos
componentes, quantidade, compatibilidade, interações medicamen-
tosas, reações adversas, entre outros. Sendo assim, o farmacêutico
participa da validação da prescrição, auxiliando na seleção, adição,
substituição, ajuste ou interrupção da terapia medicamentosa do
paciente. Por exemplo, um farmacêutico clínico que atua em uma
Unidade de Terapia Intensiva de um hospital pode participar das discus-
sões dos casos clínicos dos pacientes de forma integrada com a equipe
multiprofissional de saúde, e analisar as informações dos prontuários
dos pacientes, como exames laboratoriais e histórico de uso contínuo
de medicamentos, a fim de verificar e contribuir para a adequação da
farmacoterapia.

149
O farmacêutico pode dispor de um consultório farmacêutico para
promover uma consulta farmacêutica com atendimento individualizado,
garantindo a privacidade do paciente. Nesse sentido ele pode: realizar a
anamnese farmacêutica, verificando os sinais e sintomas e solicitar exames
laboratoriais e determinar parâmetros bioquímicos e fisiológicos do paciente,
com o objetivo apenas de monitorar a farmacoterapia, não de realizar
diagnóstico. E por fim, ele vai avaliar e acompanhar a adesão do paciente ao
tratamento e realizar ações para a promoção da saúde.
O farmacêutico clínico é o profissional que está inserido no cuidado em
saúde, participando ativamente da terapia medicamentosa, da promoção e/
ou recuperação da saúde, exercendo suas atividades com autonomia para a
tomada de decisões baseadas nos princípios éticos da profissão. Para o desen-
volvimento das atividades clínicas, o farmacêutico deverá ter um perfil multi-
disciplinar, com habilidade de comunicação e capacidade de tomar decisões
e interagir com os pacientes, além do conhecimento amplo e integrado em
diversas áreas, tais como: farmacologia, bioquímica, fisiopatologia, farmaco-
técnica, farmacocinética e farmacodinâmica.

Perfil exigido, atribuições e atividades do farmacêutico em


farmácias homeopáticas
A farmácia homeopática é o estabelecimento que manipula fórmulas
magistrais e oficinais, segundo a sua respectiva farmacotécnica. Para isso,
deve contar com profissional farmacêutico habilitado, dispor de estruturas
física e técnica adequadas e estar regularizada perante a Vigilância Sanitária
para o exercício dessa atividade. Os medicamentos são aviados segundo uma
prescrição médica, odontológica ou veterinária e devem ser registrados em
livro de receituário. É permitido às farmácias homeopáticas manter seções de
vendas de correlatos e de medicamentos não homeopáticos quando apresen-
tados em suas embalagens originais. Assim como qualquer outro tipo de
farmácia, a farmácia homeopática deve contar com assistência farmacêutica
em tempo integral – responsável técnico ou substituto (BRASIL, 2019a).
A homeopatia é uma ciência complexa de caráter holística, baseada no
princípio da lei dos semelhantes. A base da homeopatia é “a doença é produ-
zida pelos semelhantes, e pelos semelhantes o paciente retorna à saúde”,
declarada por Hipócrates. Esta foi desenvolvida por Hahnemann, o médico
criador da homeopatia, que elaborou as bases científicas e práticas da homeo-
patia (BRASIL, 2019a).
Segundo Hahnemann, os medicamentos homeopáticos realizam a cura
mediante a sua capacidade dinâmica de atuar sobre a vitalidade, sendo assim,

150
o medicamento homeopático é utilizado para prevenir ou curar por meio da
sua capacidade de ativar todo um complexo reativo natural e, para isso, deve
ser diluído e potencializado seguindo uma farmacotécnica especial.
O perfil do farmacêutico homeopata é aquele capacitado a produzir
medicamentos homeopáticos em diferentes escalas, métodos e formas
farmacêuticas, além de orientar os pacientes com relação ao uso racional e os
cuidados com os medicamentos homeopáticos.
Segundo a Resolução do CFF nº 576, de 28 de junho de 2013, para o
exercício da responsabilidade técnica de uma farmácia ou laboratório
homeopático, o farmacêutico deve comprovar as suas qualificações como:
[…] a) ter cursado a disciplina de homeopatia com conteúdo
mínimo de 60 (sessenta) horas no curso de graduação, além
de estágio obrigatório com o mínimo de 120 (cento e vinte)
horas nas farmácias de Instituições de Ensino Superior ou
conveniadas, em laboratórios de medicamentos e/ou de
insumos homeopáticos;
b) possuir título de especialista ou curso de aprimoramento
profissional em homeopatia que atenda as resoluções
vigentes do Conselho Federal de Farmácia. (BRASIL, 2013)

O farmacêutico homeopata pode atuar nas áreas de produção magis-


tral e industrial de medicamentos homeopáticos, podendo também atuar
como docente em cursos de graduação e de especialização em Farmácia
Homeopática e Homeopatia (BRASIL, 2014).
O farmacêutico homeopata pode atuar na produção magistral de medica-
mentos homeopáticos, pois cabe ao farmacêutico todo o conhecimento da
farmacotécnica homeopática que está definida na Farmacopeia Homeopática
Brasileira (BRASIL, 2011).
Segundo a Resolução CFF nº 601 de 26 de setembro de 2014, são atribui-
ções privativas do farmacêutico homeopata: a responsabilidade técnica na
indústria farmacêutica, nas farmácias comunitárias e magistrais, no serviço
público e privado, na qual são desenvolvidas atividades de assistência e
atenção farmacêutica, relacionadas com a homeopatia, a manipulação e
a dispensação de medicamentos homeopáticos, a elaboração de laudos
técnicos e a realização de perícias relacionados a estabelecimentos, serviços e
produtos homeopáticos (BRASIL, 2014).
Ainda de acordo com essa Resolução, é de responsabilidade do farma-
cêutico homeopata a qualidade dos medicamentos e produtos homeopáticos
magistrais, oficinais, especialidades farmacêuticas e de outros produtos de

151
interesse a saúde. Ele também deve garantir a qualidade microbiológica e
físico-química de todos os produtos reembalados, reconstituídos, diluídos,
adicionados, misturados ou de alguma maneira manuseados antes de sua
dispensação (BRASIL, 2014).
É também de responsabilidade do farmacêutico homeopata definir,
aplicar e supervisionar os procedimentos operacionais e farmacotécnicos
padronizados nos processos de manipulação e fabricação dos produtos
homeopáticos.

Perfil exigido, atribuições e atividades do farmacêutico em


farmácias do SUS e na Saúde Pública
A Lei Federal nº 5.991/73 exige a presença do profissional farmacêutico
como responsável técnico pelas farmácias municipais, além de assumir a
responsabilidade sobre o gerenciamento da Assistência Farmacêutica (AF)
implantada pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
O farmacêutico na Saúde Pública pode atuar em diversas áreas, além
da sua atuação como responsável técnico pela Central de Abastecimento
Farmacêutico (CAF) e pelas farmácias das Unidades Básicas de Saúde. Ele
também pode atuar em outras áreas do âmbito da assistência farmacêutica
do município, como na vigilância sanitária, epidemiológica e ambiental e nos
laboratórios de análises clínicas do município.
As atribuições do farmacêutico na assistência farmacêutica compre-
endem dois grupos de atividades: as relacionadas à gestão do medicamento
e a assistência à saúde.
Para a gestão do medicamento, o farmacêutico é responsável por planejar,
executar e coordenar as atividades de assistência farmacêutica no contexto do
SUS; selecionar, programar, receber, armazenar, distribuir e dispensar os medica-
mentos e correlatos.
Para a assistência à saúde, o farmacêutico atua na implantação da atenção
farmacêutica para os pacientes diabéticos, hipertensos ou de doenças que neces-
sitam de acompanhamento constante; no acompanhamento e avaliação da utili-
zação de medicamentos pela população para evitar usos inadequados; orientação
da população e profissionais de saúde sobre o uso racional de medicamentos.
A Resolução nº 578 de 26 de julho de 2013 regulamenta quais são as atribui-
ções técnico- gerenciais do farmacêutico na gestão da assistência farmacêutica
no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo essa resolução, podemos
destacar as seguintes atribuições: participar na formulação de políticas e planeja-
mento de ações; participar do processo de seleção de medicamentos; elaborar a

152
programação da aquisição dos medicamentos em sua esfera de gestão; assessorar
na elaboração do edital de aquisição de medicamentos e outros produtos para a
saúde e das demais etapas do processo; desenvolver ações para a promoção do uso
racional de medicamentos, entre outras atividades (BRASIL, 2013).

Reflita
O profissional farmacêutico é responsável direto por várias etapas do
ciclo da assistência farmacêutica, no contexto do SUS e, entre essas
etapas, pelo processo de programação e aquisição dos medicamentos.
Você sabe como são comprados os medicamentos para o SUS?

Nesta seção você aprendeu quais são as áreas de atuação do farmacêutico nas
farmácias. Esse profissional pode atuar tanto em farmácias com ou sem manipu-
lação (drogarias), farmácias homeopáticas, em atividades clínicas e não clínicas
nesse segmento; além disso, está inserido na Saúde Pública, considerando os vários
aspectos do SUS. O conhecimento das atribuições e as atividades desempenhadas
pelo profissional farmacêutico em cada um desses campos de atuação é de suma
importância para determinar uma atuação diferenciada.

Sem medo de errar

Nesta seção você conheceu quais são as atividades e as atribuições do farma-


cêutico em alguns segmentos de atuação.
Na situação-problema desta seção temos uma farmacêutica que atual em
uma UBS. Ela havia se deparado com atendimento de uma paciente diabé-
tica, com quadro de dislipidemia e hipertensão arterial e que fazia uso de vários
medicamentos. Ao verificar a prescrição e realizar a separação para dispensação,
a farmacêutica constatou que não contemplaria a prescrição da paciente na sua
totalidade. E nosso trabalho seria indicar possibilidades para resolução problema
deste atendimento.
Para resolver essa situação, temos que nos lembrar das atribuições do farma-
cêutico no âmbito do SUS. Ele é responsável por participar do processo de seleção
de medicamentos; elaborar a programação da aquisição dos medicamentos em sua
esfera de gestão; assessorar na elaboração do edital de aquisição de medicamentos
e outros produtos para a saúde. Para ter ocorrido a falta de medicamento, alguma
falha no processo de aquisição ocorreu e essa falta vai influenciar o tratamento da
paciente. Dessa forma, a farmacêutica teria que orientar a paciente a procurar o
programa de Farmácia Popular nas farmácias que estão cadastradas e adquirir
esses medicamentos sem nenhum custo. Essa poderia ser uma forma de resolver

153
a situação. Avalie novamente o problema e tente indicar novos caminhos para
resolvê-lo.

Avançando na prática

Atividade privativa do farmacêutico sendo


exercida por outro profissional

Em um pequeno munícipio, uma das três Unidades Básicas de Saúde (UBS),


por sinal a mais afastada, localizada em um bairro periférico, fazia dispensação
rotineira dos medicamentos aos pacientes na pequena farmácia da unidade. Após
um atendimento na farmácia da UBS, um dos usuários fez uma denúncia ao CRF.
Nela, o usuário contextualizou que ao receber os seus medicamentos para trata-
mento de hipertensão e diabetes, os quais já fazia uso havia algum tempo, solicitou
ao profissional o serviço de acompanhamento farmacoterapêutico. O profissional
que dispensou respondeu que não podia oferecer tal serviço, pois não sabia do
que se tratava esse pedido e não podia ajudar, visto que estava ali apenas para
fazer a entrega dos medicamentos às pessoas. Sem entender, o usuário perguntou
se a pessoa que lhe entregou os medicamentos era um farmacêutico, e o rapaz
respondeu que era um agente administrativo, contratado pela prefeitura e direcio-
nado para tal atividade na UBS. Indignado, o paciente realizou a denuncia no CRF,
que direcionou um fiscal para o local. O fiscal confirmou a denúncia e precisava, a
partir disso, confeccionar um relatório de inspeção. Considerando o fato ocorrido
e as normas legislativas que determinam as atribuições do profissional farmacêu-
tico no contexto das farmácias e dispensatórios de medicamentos do SUS, se você
fosse o fiscal farmacêutico, como embasaria seu relatório para o CRF?

Resolução da situação-problema
No lugar do farmacêutico fiscal, você poderia confeccionar seu relatório consi-
derando o fato de que na UBS não havia farmacêutico presente, e assim várias
normativas que regulamentam a atividade de dispensação de medicamento foram
descumpridas. Uma forma de embasar seu relatório seria destacar que a dispen-
sação de medicamentos é, e sempre será, ato privativo do farmacêutico, conforme
dispõe o Decreto Federal nº 85.878/81:

Art. 1º - São atribuições privativas dos profissionais farma-


cêuticos: I - desempenho de funções de dispensação ou
manipulação de fórmulas magistrais e farmacopéicas

154
quando a serviço do público em geral ou mesmo de
natureza privada. (BRASIL, 1981)

Pois, como já previsto na Lei 5991/73 e reiterado pela Lei 13.021/2014, a


presença do farmacêutico legalmente inscrito no conselho regional de sua unidade
federativa, durante todo período de funcionamento de farmácias e dispensató-
rios de medicamentos do SUS, deve ocorrer em todo território nacional. O ato de
dispensar medicamentos é atribuição privativa do farmacêutico, uma vez que nessas
farmácias e dispensatórios há também a dispensação de psicotrópicos e antibió-
ticos, cuja regulamentação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)
define como de responsabilidade exclusiva do farmacêutico, sob pena de aplicação
de sanções administrativas e, ainda, de caráter criminal ante a sua inobservância,
podendo-se configurar, inclusive, a infringência lei de entorpecentes se praticada
por profissional incapaz, além do exercício ilegal da profissão. Além disso que,
segundo o exposto na denúncia, trata-se de um profissional que não é nem técnico
auxiliar em Farmácia, visto que esses, além do registro no conselho, conforme a
RDC 44/09, devem realizar as atividades que não são privativas de farmacêutico,
respeitando os Procedimentos Operacionais Padrão (POP) do estabelecimento e
o limite de atribuições e competências estabelecidos pela legislação vigente, sob
supervisão do farmacêutico responsável técnico ou do farmacêutico substituto.
Ainda conforme essa norma, em atendimento ao art. 23, é de responsabilidade do
município, como gestor da UBS em questão:
[…] São atribuições do responsável legal do estabeleci-
mento:
I - prover os recursos financeiros, humanos e materiais
necessários ao funcionamento do estabelecimento;
II - prover as condições necessárias para o cumprimento
desta Resolução, assim como das demais normas sanitárias
federais, estaduais e municipais vigentes e aplicáveis às
farmácias (na qual se enquadra a unidade da UBS) e droga-
rias;
III - assegurar as condições necessárias à promoção do uso
racional de medicamentos no estabelecimento; e
IV - prover as condições necessárias para capacitação e
treinamento de todos os profissionais envolvidos nas ativi-
dades do estabelecimento. (ANVISA, 2009, [s.p.], grifo
nosso)

Pois isso garantiria também o acesso ao serviço que foi solicitado pelo paciente,
pois a RDC 44/09 também prevê: “[…] Art. 21. A prestação de serviço farmacêu-
tico deve ser realizada por profissional devidamente capacitado, respeitando-se as

155
determinações estabelecidas pelos conselhos federal e regional de farmácia”. Essa
seria uma forma de resolver essa situação-problema, você ainda pode encontrar
novos caminhos. Pense nisso e vá em frente!

Faça valer a pena

1. A Lei Federal nº 5.991/73 exige a presença do profissional farmacêutico como


responsável técnico pelas farmácias municipais, além de assumir a responsabili-
dade sobre o gerenciamento da Assistência Farmacêutica (AF) implantada pelo
Sistema Único de Saúde (SUS).
O farmacêutico na Saúde Pública pode atuar em diversas áreas além da sua
atuação, como responsável técnico pela _______________ e pelas farmácias. Ele
também pode atuar em outras áreas do âmbito da Assistência Farmacêutica do
município, como na _____________, epidemiológica e ambiental e nos laborató-
rios de análises clínicas.
Analise as sentenças e complete as lacunas:
a. central de abastecimento farmacêutica; vigilância sanitária.
b. central de atendimento farmacêutica; autarquia municipal.
c. central de notificações farmacêutica; autarquia federal.
d. central de abastecimento farmacêutica; rede privada.
e. central de notificações farmacêutica; vigilância sanitária.

2. A atenção farmacêutica é um importante elemento da prática nas farmá-


cias e é baseada no desenvolvimento de ações que são centradas no paciente.
Tem, entre outros objetivos, o de garantir o uso racional de medicamentos.
Em relação às atribuições do profissional farmacêutico nas farmácias de
dispensação, julgue as afirmativas em (V) Verdadeiras ou (F) Falsas.
( ) O farmacêutico responde de forma individual apenas por seus atos, não
se responsabilizando pelos atos delegados durante o exercício da profissão.
( ) O farmacêutico tem duas áreas de atuação principais: uma relacionada
aos procedimentos administrativos e a outra, relacionada às habilidades
farmacêuticas.
( ) Os principais serviços executados em farmácia com e sem manipulação
são: a aferição de parâmetros fisiológicos (temperatura corporal e pressão
arterial) e bioquímicos (glicemia capilar) com fins de diagnóstico.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:

156
a. V – V – F.
b. V – V – V.
c. F – V – V.
d. F – V – F.
e. V – F – V.

3. A farmácia clínica, que teve seu início no âmbito hospitalar nos Estados Unidos
e atualmente incorpora a ideia de Pharmaceutical Care (Atenção Farmacêutica),
expande-se para outros níveis de atenção, como hospitais, unidades de atenção
primária à saúde e farmácias comunitárias, entre outros. Considerando as atribui-
ções do farmacêutico clínico, avalie as seguintes asserções e a relação proposta entre
elas:
I. As atribuições clínicas do farmacêutico visam oferecer cuidado ao
paciente, família e comunidade, com a finalidade de promover o uso
racional de medicamentos e otimizar a farmacoterapia.
PORQUE
II. O farmacêutico clínico participa e promove a discussão dos casos
dos pacientes com outros profissionais da equipe de saúde, sendo
que a decisão tomada por ele prevalece sobre os demais profissionais.
A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta.
a. As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa
da I.
b. As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma
justificativa da I.
c. A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa.
d. A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira.
e. As asserções I e II são proposições falsas.

157
Seção 3

Atuação em análises clínicas e outras áreas

Diálogo aberto
Olá, aluno, seja bem-vindo a nossa última seção da disciplina de
Farmácia e Profissão. Você estudará sobre outras áreas de atuação do profis-
sional farmacêutico e conhecerá quais são as atividades e atribuições de um
profissional nas áreas de Análises Clínicas e Toxicológicas, Farmácia Estética,
Acupuntura e Gestão Ambiental.
Para auxiliar na compreensão desses conteúdos, você conhecerá um
laboratório de análises clínicas de pequeno porte, mas muito bem-estrutu-
rado, localizado em uma pequena cidade do interior do Brasil. Esse labora-
tório coleta e processa amostras biológicas para fornecimento de laudos de
exames clínicos em hematologia, bioquímica, parasitologia e imunologia. O
laboratório tem como responsável técnico (RT) um farmacêutico. Além de
ser o responsável por todos os laudos dos setores analíticos do laboratório,
ele também deve estar comprometido constantemente com a excelência,
buscando novas metodologias e conhecendo os mais recentes equipamentos
e processos de automação. Também não pode deixar de se preocupar com o
treinamento e educação continuada da equipe em todas as fases do processo,
desde a coleta do material até a entrega do resultado. Mas será que somente o
farmacêutico poderá ser o responsável técnico por esse segmento? Para que
o farmacêutico possa atuar nesse campo de trabalho, há necessidade de uma
habilitação específica, considerando as normas sanitárias vigentes?
Nesse contexto, imagine-se o RT do laboratório de análises clínicas.
Seguindo a rotina de trabalho desse local, um médico da cidade deparou-se
com um laudo bioquímico realizado em seu laboratório, que apresentou
resultados normais de glicemia para um paciente que já tem diagnóstico de
diabetes do tipo 2 e faz acompanhamento da sua glicemia, já havia algum
tempo, em outro laboratório. O médico entrou em contato com você, pois não
sabia se poderia confiar nesse resultado, visto que, por um longo período, seu
paciente sempre apresentou valores de glicemia elevados. Diante disso, como
o RT do estabelecimento, como você verificaria se realmente houve uma
falha no processo de análise laboratorial? Qual seria a conduta adequada a
ser tomada frente a essa situação?
Para que consiga resolver essa situação, estudaremos quais são as
atribuições do farmacêutico na área de Análises Clínicas e Toxicológicas
e as características do farmacêutico analista clínico. Além disso, veremos

158
as atribuições, especificidades e atividades do farmacêutico em Gestão
Ambiental, Acupuntura e em Farmácia Estética. Adeque seu tempo,
dedique-se ao máximo no estudo desta seção e busque mais informações
para aprimorar seus conhecimentos!

Não pode faltar

A área de atuação do farmacêutico é muito ampla, contemplando


cenários que envolvem os fármacos, medicamentos e assistência farmacêu-
tica, as análises clínicas e toxicológicas, a indústria farmacêutica, cosmética
e de alimentos e o cenário da Saúde Pública. A área de análises clínicas é
a segunda maior depois dos medicamentos e um dos mais importantes
campos de atuação do farmacêutico. De acordo com o Cadastro Nacional
de Estabelecimentos em Saúde do Ministério da Saúde – CNES, existem no
Brasil aproximadamente 20 mil laboratórios de análises clínicas e aproxima-
damente 7 mil postos de coleta. Esses dados referem-se a todos os laborató-
rios prestadores de serviços, inclusive os de Saúde Pública. (BRASIL, 2017).
Os laboratórios de análises clínicas e toxicológicas são estabelecimentos
de saúde que dispõem de uma ampla gama de recursos humanos, materiais e
tecnológicos especializados.
[…] As análises clínicas e toxicológicas são áreas de extrema
importância e exigem dos profissionais farmacêuticos que
são responsáveis técnicos de laboratórios muita seriedade
e ética no cumprimento de seus deveres. As RDC nº 302/05
e 306/04 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. […]
trazem em seus textos normas que obrigam os profis-
sionais responsáveis por serviços de Análises Clínicas e
Toxicológicas a prestar serviços com qualidade, evitando a
concorrência desleal. Para que isso ocorra, é necessário o
empenho dos profissionais da área em denunciar aos órgãos
competentes os maus profissionais, quando sabidamente
cometem atos desleais e antiéticos, para que possam ser
tomadas as medidas cabíveis. Ainda na área das legislações,
não podemos esquecer a Resolução do Conselho Federal
de Farmácia e as Normas Regulamentadoras do Ministério
do Trabalho, principalmente a NR 32. (BRASIL, 2017, p. 17
e 18)

159
Neste contexto temos a ação do farmacêutico analista clínico, um profis-
sional da área da saúde que atua nas análises clínicas e toxicológicas, reali-
zando exames laboratoriais e que, com seus resultados, fornecem informa-
ções importantes que podem ser utilizadas para fins de prognóstico, diagnós-
tico e prevenção de doenças, além de ser um instrumento essencial para o
monitoramento do tratamento.
Os exames laboratoriais, no contexto do acompanhamento farmacotera-
pêutico, são ferramentas importantes, pois por meio deles podemos verificar
a efetividade farmacológica em diversas doenças, sendo assim se tornam
essenciais para tomada de decisão em farmácia clínica. É fundamental que o
farmacêutico entenda sobre a interpretação dos exames e também é preciso
conhecer os interferentes analíticos que podem influenciar os resultados
finais dos laudos a serem fornecidos.

Exemplificando
Os exames laboratoriais são muito utilizados para acompanhamento e
manejo de doenças como: diabetes (dosagem da glicemia e hemoglobina
glicada); dislipidemia (dosagem de colesterol total, frações e triglicerí-
deos; nas disfunções da coagulação (mensuração de plaquetas e fatores
proteicos da coagulação); nos distúrbios da tireoide (análise quantita-
tiva dos hormônios tireoidianos); na anemia ferropriva (hemograma,
ferro sérico, ferritina), entre outras doenças.

O farmacêutico analista clínico pode atuar em diferentes setores como


imunologia, bioquímica, microbiologia, citopatologia, toxicologia e hemato-
logia, entre outras. Para atuar e competir no segmento, é vital que os farma-
cêuticos atendam a requisitos indispensáveis. Assim, o profissional farma-
cêutico tem por obrigação atualizar permanentemente seus conhecimentos
técnicos e na gestão de qualidade. São também imprescindíveis, para aqueles
que querem atuar como empresários, conhecimentos nas áreas administra-
tiva e mercadológica (BRASIL, 2017).
O farmacêutico analista clínico deve garantir resultados laborato-
riais confiáveis, que sejam compatíveis com as características clínicas dos
pacientes e com um alto padrão de qualidade.
Para atuar no segmento de análises clínicas, é imprescindível que o farma-
cêutico conheça o regulamento técnico para o funcionamento dos laborató-
rios clínicos. A resolução da ANVISA nº 302, de 13 de outubro de 2005,
determina que o RT pode ser o diretor técnico por no máximo dois pontos de
coleta, ou um laboratório e um posto de coleta ou dois laboratórios. Porém, a

160
responsabilidade técnica de laboratórios clínicos não é uma atribuição priva-
tiva do profissional farmacêutico; outros profissionais, como médicos patolo-
gistas e biomédicos, também podem atuar nessa área com essa atribuição.
Segundo o artigo nº 3 da Resolução CFF nº 572 de 25 de abril de 2013,
o conjunto de especialidades por linhas de atuação nas análises clínico-la-
boratoriais são constituídas por: bacteriologia clinica; banco de materiais
biológicos; banco de órgãos, tecidos e células; banco de sangue; banco de
sêmen; biologia molecular; bioquímica clínica; citogenética; citologia clínica;
citologia clínica; citopatologia; citoquímica; cultura celular; genética; hemato-
logia clínica; hemoterapia; histocompatibilidade; histoquímica; imunocito-
química; imunogenética; imunohistoquímica; imunologia clínica; imunopa-
tologia; micologia clínica; microbiologia clínica; parasitologia clínica; repro-
dução humana e virologia clínica (BRASIL, 2013).
A seguir, você conhecerá algumas atribuições, características e exigências
que se fazem necessárias para que o farmacêutico analista clínico possa atuar
em algumas especialidades e setores dos laboratórios clínicos e toxicológicos.
Em banco de sangue, o farmacêutico deve conhecer a Resolução CFF
nº 617 de 27 de novembro de 2015, na qual constam todas as atribuições
e competências do farmacêutico nos hemocentros nacional e regionais.
Algumas das atribuições que podemos destacar são: planejar, coordenar e
assessorar o sistema de qualidade do serviço de hemoterapia e/ou banco de
sangue; coordenar e assessorar a pré-qualificação de fornecedores de bens ou
marcas de todos os insumos e equipamentos a serem utilizados nos serviços
de hemoterapia, entre outras.
Para atuar nessa especialidade, o profissional farmacêutico necessita
ter conhecimento sobre imunologia, hematologia e controle de qualidade.
Exemplo prático da necessidade desses conhecimentos pode ser ilustrada na
Figura 4.5, que mostra uma amostra de sangue coletada em tubo a vácuo
contendo o anticoagulante EDTA. É necessário que o farmacêutico conheça
as diferenças dos diversos tubos usados para coleta e acondicionamento das
amostras de sangue, até a hora da análise específica, pois caso não seja reali-
zada a coleta no tubo adequado, a qualidade da amostra pode ficar compro-
metia, e consequentemente levará a resultados inadequados das análises a
serem realizadas.

161
Figura 4.5 | Analista segurando uma amostra de sangue, acondicionada em tubo a vácuo con-
tendo anticoagulante EDTA

Fonte: Shutterstock.

Para atuar em microbiologia, o farmacêutico deve conhecer quais são as


interações dos microrganismos com o homem, ajudando no diagnóstico de
doenças infecciosas causadas por bactérias, fungos e/ou vírus. Deve realizar
identificação de microrganismos e também avaliar a suscetibilidade destes
frente à ação dos antibióticos.
O farmacêutico do setor de imunologia deve conhecer sobre as doenças
infecciosas, autoimunes e parasitárias. Esses conhecimentos são muito
importantes para a correta confecção e interpretação dos exames labora-
toriais. A imunologia atua pela pesquisa de antígenos e/ou anticorpos. São
exemplos das análises imunológicas os testes sorológicos de HIV, hepatite,
chagas e sífilis, entre outros. Este setor é também um dos mais impor-
tantes para os laboratórios clínicos, pois auxilia no diagnóstico de doenças
autoimunes, congênitas e infecciosas; na triagem sorológica para doação de
sangue; seleciona doadores e receptores de transplantes; e avalia o grau de
imunidade do paciente, entre outras atividades.
Na hematologia, o farmacêutico é responsável por realizar diferentes
exames, seja para avaliar o estado fisiológico do paciente ou para ajudar
no diagnóstico de doenças do tecido hematopoiético. Esse setor estuda os
elementos figurados do sangue (leucócitos, hemácias e plaquetas), os órgãos
hematopoiéticos como medula óssea, timo, linfonodos e baço, como também
os fatores relacionados à homeostasia sanguínea.

162
Exemplificando
Os exames laboratoriais mais comuns realizados no setor de hemato-
logia são hemograma completo, fatores de coagulação, mielograma e
eletroforese de hemoglobinas, entre outros.

O farmacêutico também pode atuar como analista no setor da bioquí-


mica. Ele contribuirá destacadamente para o diagnóstico e manejo de doenças
crônicas como a diabetes e hipertensão arterial, além de enfermidades renais,
hepáticas, cardíacas, pancreáticas, neurológicas e também endócrinas. Assim,
é de suma importância que o farmacêutico conheça as principais amostras
biológicas utilizadas para o diagnóstico das doenças, como sangue, urina e
fezes, entre outras. Além disso, deve conhecer os principais equipamentos e
metodologias utilizadas no setor da bioquímica, visto que esse setor chega a
ser responsável por cerca de 70% dos exames realizados na rotina dos labora-
tórios clínicos.
Não podemos esquecer que para atuar nas análises clínicas o farmacêu-
tico deve conhecer sobre o controle de qualidade. Esse dado contribui para
melhorar cada vez mais a precisão e a exatidão das análises. Atualmente,
graças aos avanços tecnológicos dos equipamentos médico-científicos, ao
desenvolvimento de programas de controle de qualidade interno e externo
por meio de amostras e calibradores, às padronizações, às boas práticas de
laboratório, aos treinamentos e aos exames de proficiência, a qualidade de
um exame laboratorial pode ser sentida e também cobrada, tanto pela socie-
dade quanto pela classe médica (BRASIL, 2017).
O profissional farmacêutico que atua em análises clínicas e toxicológicas
é responsável por verificar a validação dos métodos que utiliza e deve intervir
antes ou no momento em que se detecta uma situação de não conformidade
durante a realização de processos analíticos clínicos. Seja em qualquer setor
de um laboratório clínico, as boas práticas analíticas são indispensáveis, pois
isso traz garantias que os dados gerados sejam corretos e confiáveis. O valor
das medições analíticas depende do nível de confiança que pode ser estabe-
lecido nos resultados. Uma garantia da qualidade (GQ) apropriada pode
permitir que um laboratório mostre que dispõe de instalações e equipa-
mentos adequados para execução de análises e que o trabalho foi realizado
por pessoal competente de uma maneira controlada, seguindo um método
validado documentado. A GQ deve focar questões centrais que determinem
resultados de qualidade, custos e oportunidades, e evitem desvio de energias
para questões menos importantes (NEDERLAND, 2000).

163
Uma boa prática de GQ, incluindo seu reconhecimento formal por
habilitação, certificação etc., ajuda a garantir que os resultados sejam válidos
e adequados aos fins propostos. Contudo, é importante que tanto os labora-
tórios quanto seus clientes entendam que a GQ não pode garantir que 100%
dos resultados individuais sejam confiáveis. Segundo Nederland (2000),
existem duas razões para isto: (1) lapsos/erros grosseiros podem ocorrer,
quando, por exemplo, os resultados de duas amostras são confundidos. Em
um laboratório bem-operado, a frequência de lapsos será pequena, porém
não igual a zero; e (2) erros aleatórios e sistemáticos também ocorrem,
levando à incerteza no resultado medido. A probabilidade de um resultado se
situar dentro da faixa de incerteza declarada depende do nível de confiança
empregado, mas, novamente, mesmo em um laboratório bem-organizado,
desvios nos resultados ocorrerão eventualmente e, muito ocasionalmente, o
desvio será grande. A tarefa da GQ é administrar a frequência das falhas de
qualidade. Quanto maior for o esforço empregado, menor será o número
de falhas de qualidade que podem ser esperadas. É necessário equilibrar o
custo da GQ com o benefício na redução das falhas de qualidade a um nível
aceitável (NEDERLAND, 2000).
Para atuar em análises toxicológicas, o farmacêutico deve conhecer
sobre a realização de exames direcionados à toxicologia ocupacional, toxico-
logia ambiental, toxicologia de alimentos e toxicologia social. Por exemplo:
medicina ocupacional apoiará as ações em relação à saúde do trabalhador,
por meio de análises e quantificação de indicadores de exposição excessiva às
substâncias químicas relacionadas às atividades laborais como dosagem de
chumbo e mercúrio. Na toxicologia social e forense, na análise de substan-
cias lícitas e ilícitas com finalidades médico-legais. O farmacêutico analista
clínico desse segmento necessita ter conhecimentos sobre química analítica,
farmacologia, fisiologia, patologia, saúde ocupacional, medicina ocupacional
e legislações pertinentes, entre outros conhecimentos.
Você conheceu algumas especificidades da atuação do farmacêutico
analista em laboratórios clínicos e toxicológicos. Agora nosso enfoque será
direcionado a outras áreas de atuação do profissional farmacêutico.

Farmácia estética
A publicação da Resolução CFF nº 573 de 22 de maio de 2013, que
dispõe sobre as atribuições do farmacêutico no exercício da saúde estética
e da responsabilidade técnica por estabelecimentos que executam atividades
afins, possibilitou que o farmacêutico regularmente inscrito nos Conselhos
Regionais de Farmácia e que tenha capacidade técnica e científica esteja
habilitado a exercer as atividades nesta área (BRASIL, 2013).

164
A referida resolução reconhece a saúde estética como área de atuação do
farmacêutico, podendo ser responsável técnico pelos estabelecimentos nos quais
se realizam técnicas de natureza estética e recursos terapêuticos para fins estéticos,
contanto que não haja a prática de intervenções de cirurgia plástica (BRASIL,
2013).
De acordo com o rol de atividades preconizado nas Resoluções do CFF nº
573/2013 e CFF nº 616/2015, as técnicas de natureza estética e recursos terapêu-
ticos que o farmacêutico pode utilizar são:
• Avaliação, definição dos procedimentos e estratégias, acompanha-
mento e evolução estética.
• Cosmetoterapia.
• Eletroterapia.
• Iontoforese.
• Laserterapia.
• Luz intensa pulsada.
• Peelings químicos e mecânicos.
• Radiofrequência estética.
• Sonoforese (ultrassom estético).
• Radiofrequência.
• Criolipólise.
• Carboxiterapia.
• Agulhamento e microagulamento estético.
• Toxina botulínica.
• Preenchimentos dérmicos.
• Intradermoterapia/mesoterapia.
O artigo 3 da resolução aborda as atribuições do farmacêutico no exercício
da saúde estética, sendo que podemos destacar: atuar em consonância com o
Código de Ética da Profissão Farmacêutica; ter conhecimento atualizado das
normas sanitárias vigentes que regem o funcionamento dos estabelecimentos
de saúde estética; elaborar os Procedimentos Operacionais Padrão (POP)
relativos às técnicas de natureza estética e dos recursos terapêuticos especi-
ficados; garantir que sejam utilizados equipamentos de proteção indivi-
dual durante a utilização das técnicas, em conformidade com as normas

165
de biossegurança vigente. Essas são algumas das principais atribuições do
farmacêutico que pretende atuar na saúde estética. (BRASIL, 2013).

Reflita
Quais motivos poderiam ter levado o CFF a publicar resoluções envol-
vendo o contexto da atuação do farmacêutico nesse segmento? Poderia
ser devido à atuação de outros profissionais da saúde nessa área? Seria
no sentindo de garantir e ampliar o mercado de trabalho para o farma-
cêutico?

A Resolução CFF nº 616, de 25 de novembro de 2015, define os requisitos


técnicos para o exercício do farmacêutico no âmbito da saúde estética. Sobre
a atuação dos farmacêuticos interessados em atuar nesse segmento, exige-se:
[…] o farmacêutico é capacitado para exercer a saúde
estética desde que preencha um dos seguintes requisitos:
I. Ser egresso de programa de pós-graduação Lato Sensu
reconhecido pelo Ministério da Educação, na área de saúde
estética; II. Ser egresso de curso livre na área de estética,
reconhecido pelo Conselho Federal de Farmácia. (BRASIL,
2015)

Acupuntura
A acupuntura é uma técnica que faz parte da Medicina Tradicional
Chinesa. É um método de tratamento complementar que utiliza a
aplicação de agulhas em pontos energéticos do corpo, objetivando tratar e
prevenir doenças.
No Brasil, a acupuntura foi incluída no Sistema Único de Saúde por meio
da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares.
O Conselho Federal de Farmácia regulamenta a atuação do farmacêutico
na acupuntura pela Resolução nº 516 de 26 de novembro de 2009, a qual
define os aspectos técnicos do exercício da acupuntura como especialidade
do farmacêutico.
Para o exercício de atividades referentes à acupuntura, o farmacêutico
deverá dispor de um espaço físico específico, independente e privativo,
adequado para a realização da atividade. Esse poderá ser chamado de sala
de acupuntura ou consultório, e também poderá ser realizada como parte da
equipe multiprofissional de saúde em Unidades Básicas de Saúde (UBS), em
hospitais e clínicas (BRASIL, 2009).

166
Para atuar nessa área, o farmacêutico deve apresentar ao respectivo
Conselho Regional de Farmácia de sua jurisdição o título, por meio de
diploma, ou certificado de conclusão de curso de pós-graduação Lato sensu ou
Stricto sensu direcionados à acupuntura, expedido por instituições aprovadas
pelo Ministério da Educação (universidades, faculdades ou instituição de
ensino superior especializadas em acupuntura), reconhecidas pelo CFF.
No processo de trabalho do farmacêutico na acupuntura, deve-se priorizar
o sigilo ético sob as informações de atendimento do paciente contidas na
ficha de atendimento (BRASIL, 2009).

Assimile
A acupuntura é uma técnica da medicina tradicional chinesa. A técnica
consiste na aplicação de agulhas em pontos específicos do corpo que
são capazes de regular as funções orgânicas. No Ocidente, ela ficou
muito conhecida pela sua eficácia no tratamento de dores musculoes-
queléticas.

Gestão ambiental
Considerando o contexto e as responsabilidades profissionais voltadas ao
meio ambiente, o farmacêutico é um profissional da saúde que, no exercício
de sua profissão, seja qual for a atividade desenvolvida, deverá cumprir e
executar todas as atividades inerentes ao seu âmbito profissional, de modo
a contribuir para a salvaguarda da saúde pública. Além disso, deve atuar em
ações de educação dirigidas à comunidade e à promoção da saúde, sempre
com muito respeito à vida humana e ao meio ambiente. Assim, partindo
desse princípio, o farmacêutico e a sociedade devem ter a consciência de que
a educação ambiental é essencial e crucial para o desenvolvimento susten-
tável, a fim de resultar em uma população mais saudável e menos dependente
do uso de medicamentos (BRASIL, 2019).
O farmacêutico está apto a ser responsável pela elaboração, implantação,
coordenação e treinamento do Plano de Gerenciamento de Resíduos em Serviços
de Saúde (PGRSS), bem como atuar em equipe multiprofissional. Na geração de
resíduos é necessário garantir procedimentos adequados para o seu manejo, sendo
aplicáveis nas drogarias e farmácias de manipulação, farmácias públicas, serviços
de assistência domiciliar (home care), hospitais, postos de saúde, laboratórios de
análises clínicas e toxicológicas, distribuidoras de produtos farmacêuticos, laborató-
rios de ensino e pesquisas na área de saúde, importadores e produtores de materiais
e controle para diagnóstico in vitro e serviços de medicina legal (BRASIL, 2019).

167
Devido à necessidade de se definir as atribuições da carreira do farmacêu-
tico ambiental, o Conselho Federal de Farmácia elaborou a Resolução CFF
nº 463 de 27 de junho de 2007, que dispõe sobre as atribuições do farmacêu-
tico no controle de qualidade e tratamento de água para consumo humano,
seu padrão de potabilidade e controle ambiental, bem como o controle de
operação das estações de tratamento de água e esgotos domésticos e indus-
triais, de piscinas, praias, balneários, hotéis, condomínios e congêneres
(BRASIL, 2007).
Segundo a referida resolução, são atribuições do farmacêutico a análise e
o controle de qualidade de águas minerais e residuárias para o uso e consumo
humano, em todos os padrões de potabilidade, além da operação das estações
de tratamento de água e esgotos domésticos e industriais. O farmacêutico é
responsável pela coleta das amostras; das análises físico-químicas e microbio-
lógicas, pela emissão e assinatura de laudos técnicos, e também pelo controle
de qualidade da água como reagente e para fins terapêuticos. Compete ao
farmacêutico elaborar e planejar as ações de controle ambiental dentro de sua
área de atuação (BRASIL, 2007).
Nesta seção você conheceu as atividades e atribuições desenvolvidas pelo
farmacêutico na área de análises clínicas, como também em outras áreas:
farmácia estética, acupuntura e gestão ambiental. O conhecimento desses
segmentos de atuação será muito importante para auxiliar você na escolha
do futuro direcionamento da sua carreira profissional.

Sem medo de errar

Nesta seção você conheceu as atribuições e as atividades desempenhadas pelo


farmacêutico na área de análises clínicas e toxicológicas, na saúde estética, gestão
ambiental e acupuntura.
Em nossa situação-problemas, vimos que um farmacêutico RT de um labora-
tório de análises clínicas havia sido questionado por um médico sobre um resul-
tado de um paciente diabético que apresentou resultados normais. Diante disso,
o RT do estabelecimento verificaria se houve uma falha no processo de análise
laboratorial e qual seria a conduta adequada a ser tomada frente a essa situação.
Uma das atividades realizadas pelo farmacêutico no laboratório de análises
clínicas é atuar no controle de qualidade de todos os processos analíticos. As ações
estão relacionadas com a mediação da qualidade para diagnosticar se os requisitos
de qualidade analítica estão sendo respeitados, visando garantir que os exames
laboratoriais sejam confiáveis e gerando resultados compatíveis com as condições
clínicas dos pacientes.

168
Dentro dos processos que levam a qualidade e confiabilidade de um dado
gerado está a utilização de métodos analíticos validados. Além disso, deve-se
utilizar reagentes e kits analíticos de boa procedência, utilizar amostras controles
certificadas nas rotinas analíticas, realizar manutenção preventiva e corretiva de
equipamentos e automações utilizados, atualizar constantemente os processos
operacionais padrões para todas as atividades analíticas e garantir educação conti-
nuada, por meio de constantes treinamentos das equipes analíticas envolvidas nos
processos de confecção dos exames.
A alteração no exame laboratorial do paciente diabético ocorreu possivelmente
devido a uma falha na calibração do equipamento que realiza os exames bioquí-
micos. Assim, o laboratório deverá realizar todos os processos corretivos necessá-
rios para que falhas como essa não mais venham a ocorrer.
Você ainda pode resolver esse problema indicando novas formas de resolução,
vá em frente e tente!

Avançando na prática

Farmacêutico na acupuntura

Um administrador, proprietário de uma pequena rede de drogarias, vislum-


brou uma possibilidade de aumentar seus ganhos em suas farmácias. Lendo de
maneira superficial algumas revistas de saúde, viu que a acupuntura tem eficácia
comprovada por meio de inúmeros trabalhos científicos, publicados e indexados
nas bases de dados científicos, com referência a diversos quadros nosológicos,
envolvendo o sistema respiratório, oftalmológico, gastrointestinal, neurológico,
musculoesquelético e genitourinário, entre outros sistemas. Esse administrador
ainda leu que a OMS reconhece que a acupuntura atua de forma eficaz em diversas
patologias, como tendinites, depressão, cefaleias, enxaquecas, gastrites, dismenor-
reia, tensão pré-menstrual (TPM), lombalgia, cervicalgia, sinusite, rinite, asma,
ansiedade, estresse, impotência, insônia, artrite, artrose, fibromialgia, mal de
Parkinson e sequelas de acidente vascular cerebral, entre outros. Querendo ampliar
os serviços de sua rede de farmácias e considerando a acupuntura uma área de
atuação do farmacêutico, o gestor da rede de drogarias solicitou ao farmacêutico
responsável (RT) que implementasse o serviço de acupuntura na matriz da rede e
que cobrasse um valor alto por esse serviço, pois a procura por acupuntura estava
em alta no momento. Considerando a normatização sanitária e profissional que
regulamentam as atividades farmacêuticas em acupuntura, você, como o farma-
cêutico RT da matriz da rede de drogarias, atuaria frente ao contexto apresentado
pelo gestor?

169
Resolução da situação-problema
Uma forma de resolver essa questão é orientar o gestor da rede de
drogaria no sentido de que não há embasamento legal para implantação
do serviço de acupuntura em drogarias. Assim, você, como RT, conside-
rando a normatização sanitária e profissional farmacêutica, deveria expor ao
gestor que os locais e áreas de atuação do farmacêutico acupunturista, são:
hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS); hospitais particulares; clínicas
gerais; clínicas de acupuntura; consultório próprio e magistério, não sendo
permitido tal atividade em farmácias com ou sem manipulação. Considere a
Resolução 516/2009 do CFF, que define os aspectos técnicos do exercício da
Acupuntura na Medicina Tradicional Chinesa como especialidade do farma-
cêutico, em seu art. 1º:
O farmacêutico, no exercício de suas atividades profis-
sionais no âmbito da técnica de acupuntura na Medicina
Tradicional Chinesa, deverá realizá-la em espaço específico
e adequado à sua atividade, que poderá ser denominada de
Consultório ou Sala de Acupuntura e, como parte de equipe
multiprofissional de saúde em hospitais, em unidades
básicas de saúde, em clínicas, em entidades similares,
seguir técnicas específicas padronizadas e recomendadas
pela OMS e pela prática da Medicina Tradicional Chinesa,
desde que apresente ao respectivo Conselho Regional de
Farmácia, título, diploma, ou certificado de conclusão de
curso em nível de pós-graduação “lato sensu” ou “stricto
sensu” expedido por universidade, faculdade, instituição
de ensino superior ou entidade de acupuntura reconhecida
pelo CFF. (BRASIL, 2009)

Além disso, deveria ressaltar, como traz o Art 3º da RDC 216/09, que o
Consultório ou Sala de Acupuntura, espaço físico indepen-
dente, privativo, localizado em hospitais, clínicas públicas
ou privadas, bem como unidades básicas de saúde, postos
de saúde municipais e/ou estaduais, centros de referências
ou outros equivalentes, obedecerão critérios de higiene e
desinfecção já estabelecidos pela Resolução de Diretoria
Colegiada (RDC) nº 50, de 21 de fevereiro de 2002, da
Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). (BRASIL,
2009)

170
Perceba que nem sempre é possível atuar em uma especialidade da prática
farmacêutica devido à incompatibilidade com o segmento de atuação especi-
fico. Essa seria uma forma de solucionar esse problema, mas você ainda
poderia indicar outras maneiras para a resolução.

Faça valer a pena

1. O laboratório de análises clínicas é um estabelecimento de saúde que


possui uma ampla gama de recursos humanos, materiais e tecnológicos, com
a finalidade de promoção, recuperação e manutenção da saúde da população.
A ação do farmacêutico ___________ em um laboratório de análises clínicas
e toxicológicas é realizar exames laboratoriais, e os resultados podem fornecer
informações importantes que podem ser utilizadas para fins de _________,
diagnóstico e prevenção de doenças, além de ser um instrumento essencial
para o monitoramento do ____________.
Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas.
a. industrial; análise; tratamento.
b. analista clínico; prognóstico; tratamento.
c. clínico; análise; diagnóstico.
d. clínico; tratamento; prognóstico.
e. industrial; prognóstico; tratamento.

2. O farmacêutico é um profissional com formação multidisciplinar que


pode atuar em diversas áreas da saúde, dentre essas na área de análises
clínicas, na qual tem um importante papel na promoção de saúde de um
indivíduo. Em relação à atuação do farmacêutico nas análises clínicas, julgue
as afirmativas em (V) Verdadeira ou (F) Falsa.
( ) O farmacêutico nas análises clínicas é o profissional responsável por
diagnosticar as doenças da população.
( ) O controle de qualidade de um laboratório monitora e avalia todo o
processo de realização do exame laboratorial, com a finalidade de garantir
resultados eficazes, seguros e precisos.
( ) Os exames laboratoriais bioquímicos auxiliam no diagnóstico e monito-
ramento de doenças que afetam direta ou indiretamente o tecido hemato-
poiético.

171
( ) A imunologia é uma área de atuação das análises clínicas que fornece
o conhecimento da condição clínica do paciente por meio da pesquisa de
antígenos e anticorpos
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:
a. F – F – F – V.
b. V – F – V – F.
c. V – V – F – F.
d. F – V – F – V.
e. F – V – V – F.

3. O farmacêutico é um profissional da área da saúde que pode atuar em


diversas áreas, podendo desenvolver, pesquisar, produzir, manipular e
processar medicamentos, além de atuar em hospitais, laboratórios clínicos e
também na indústria de alimentos. Sobre as áreas de atuação do profissional
farmacêutico, analise as afirmativas a seguir:
I. O farmacêutico esteta pode ser responsável técnico pelos estabeleci-
mentos nos quais se realizam técnicas de natureza estética e recursos
terapêuticos para fins estéticos, incluindo os procedimentos de inter-
venções de cirurgia plástica.
II. Para o exercício da acupuntura, o farmacêutico deverá dispor de um
espaço físico específico, que seja adequado para a realização da ativi-
dade, podendo ser chamado de sala de acupuntura ou consultório,
sendo essa uma atividade privativa do farmacêutico.
III. O farmacêutico pode atuar na gestão ambiental e os campos de
trabalho para atuar nessa área são: controle de qualidade e o trata-
mento de água e esgotos industriais, padrão de potabilidade e
controle ambiental.
É correto que se afirma em:
a. I, apenas.
b. II, apenas.
c. III, apenas.
d. I e III, apenas.
e. I, II e III.

172
Referências

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agosto de 2009. Dispõe sobre Boas Práticas Farmacêuticas para o controle sanitário do funcio-
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ticos em farmácias e drogarias e dá outras providências. Ministério da Saúde, Brasília, 17 ago.
2009. Disponível em: http://portal.anvisa.gov.br/documents/10181/2718376/RDC_44_2009_
COMP.pdf/2180ce5f-64bb-4062-a82f-4d9fa343c06e. Acesso em: 9 jan. 2020.

BARBERATO, L. C.; SCHERER, M. D. A.; LACOURT, R. M. C. O farmacêutico na atenção


primária no Brasil: uma inserção em construção. Ciênc. saúde coletiva, Rio de Janeiro, v. 24, n.
10, p. 3717-3726, out. 2019. Disponível em: www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pi-
d=S1413-81232019001003717&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 21 nov. 2019.

BRASIL. Conselho Federal de Farmácia. Resolução nº 440, de 22 de setembro de 2005. Dá


nova redação à Resolução nº 335/98 do Conselho Federal de Farmácia, que dispõe sobre as
prerrogativas para o exercício da responsabilidade técnica em homeopatia. Diário Oficial da
União. Brasília, DF, 2005. Disponível em: http://www.cff.org.br/userfiles/file/resolucoes/440.
pdf. Acesso em: 13 nov. 2019.

BRASIL. Conselho Federal de Farmácia. Resolução nº 448, de 24 de outubro de 2006. Regula as


atribuições do farmacêutico na indústria e importação de produtos para a saúde, respeitadas as
atividades afins com outras profissões. Diário Oficial da União. Brasília, DF, 2006. Disponível
em: http://www.cff.org.br/userfiles/file/resolucoes/448.pdf Acesso em: 3 nov. 2019.

BRASIL. Conselho Federal de Farmácia. Resolução nº 463, de 27 de junho de 2007. Dispõe sobre
as atribuições do Farmacêutico no controle de qualidade e tratamento de água para consumo
humano, seu padrão de potabilidade e controle ambiental, bem como o controle de operação
das estações de tratamento de água e esgotos domésticos e industriais, de piscinas, praias, balne-
ários, hotéis, condomínios e congêneres. Diário Oficial da União. Brasília, DF, 200. Disponível
em: http://www.cff.org.br/userfiles/file/resolucoes/463.pdf. Acesso em: 20 nov. 2019.

BRASIL. Conselho Federal de Farmácia. Resolução nº 516, de 26 de novembro de 2009. Define


os aspectos técnicos do exercício da Acupuntura na Medicina Tradicional Chinesa como
especialidade do farmacêutico. Diário Oficial da União. Brasília, DF, Disponível em: http://
www.cff.org.br/userfiles/file/resolucoes/516.pdf. Acesso em: 20 nov. 2019.

BRASIL. Conselho Federal de Farmácia. Resolução nº 530, de 25 de fevereiro de 2010. Dispõe


sobre as atribuições e responsabilidade técnica do farmacêutico nas Indústrias de Alimentos.
Diário Oficial da União. Brasília, DF, 2010. Disponível em: http://www.cff.org.br/userfiles/file/
resolucoes/530.pdf. Acesso em: 3 nov. 2019.

BRASIL. Conselho Federal de Farmácia. Resolução nº 538, de 29 de setembro de 2010. Dispõe


sobre as atribuições do farmacêutico analista de medicamentos, cosméticos, saneantes,
alimentos e produtos para a saúde. Diário Oficial da União. Brasília, DF, 2010. Disponível em:
http://www.cff.org.br/userfiles/file/resolucoes/538.pdf. Acesso em: 3 nov. 2019.
BRASIL. Conselho Federal de Farmácia. Resolução nº 572, de 25 de abril de 2013. Dispõe sobre
a regulamentação das especialidades farmacêuticas, por linhas de atuação. Diário Oficial da
União. Brasília, DF, 2013. Disponível em: http://www.cff.org.br/userfiles/file/resolucoes/572.
pdf. Acesso em: 20 nov. 2019.

BRASIL. Conselho Federal de Farmácia. Resolução nº 573, de 22 de maio de 2013. Dispõe sobre
as atribuições do farmacêutico no exercício da saúde estética e da responsabilidade técnica por
estabelecimentos que executam atividades afins. Diário Oficial da União. Brasília, DF, 2013.
Disponível em: http://www.cff.org.br/userfiles/file/resolucoes/573.pdf. Acesso em: 20 nov. 2019.

BRASIL. Conselho Federal de Farmácia. Resolução nº 576, de 28 de junho de 2013. Dá nova


redação ao artigo 1º da Resolução/ CFF nº 440/05, que dispõe sobre as prerrogativas para o
exercício da responsabilidade técnica em homeopatia. Diário Oficial da União. Brasília, DF,
2013b. Disponível em: http://www.cff.org.br/userfiles/file/resolucoes/576.pdf. Acesso em: 13
nov. 2019.

BRASIL. Conselho Federal de Farmácia. Resolução nº 578, de 26 de julho de 2013. Regulamenta


as atribuições técnico-gerenciais do farmacêutico na gestão da assistência farmacêutica no
âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Diário Oficial da União. Brasília, DF, 2013. Disponível
em: http://www.cff.org.br/userfiles/file/resolucoes/578.pdf. Acesso em: 13 novembro 2019.

BRASIL. Conselho Federal de Farmácia. Resolução nº 585, de 29 de agosto de 2013. Regula as


atribuições clínicas do farmacêutico e dá outras providências. Diário Oficial da União. Brasília,
DF, 2013a. Disponível em: http://www.cff.org.br/userfiles/file/resolucoes/585.pdf. Acesso em: 13
nov. 2019.

BRASIL. Conselho Federal de Farmácia. Resolução nº 601, de 26 de setembro de 2014. Dispõe


sobre as atribuições do farmacêutico no âmbito da homeopatia e dá outras providências. Diário
Oficial da União. Brasília, DF, 2014. Disponível em: http://www.cff.org.br/userfiles/file/resolu�
-
coes/601.pdf. Acesso em: 13 nov. 2019.

BRASIL. Conselho Federal de Farmácia. Resolução nº 616, de 25 de novembro de 2015. Define


os requisitos técnicos para o exercício do farmacêutico no âmbito da saúde estética, ampliando
o rol das técnicas de natureza estética e recursos terapêuticos utilizados pelo farmacêutico em
estabelecimentos de saúde estética. Diário Oficial da União. Brasília, DF, 2015. Disponível em:
http://www.lex.com.br/legis_27045719_RESOLUCAO_N_616_DE_25_DE_NOVEMBRO_
DE_2015.aspx. Acesso em: 20 nov. 2019.

BRASIL. Conselho Federal de Farmácia. Resolução nº 617, de 27 de novembro de 2015. Dispõe


sobre as atribuições e competências do farmacêutico nos Hemocentros Nacional e Regionais
bem como nos serviços de hemoterapia e/ou bancos de sangue. Diário Oficial da União.
Brasília, DF, 2015. Disponível em: https://www.legisweb.com.br/legislacao/?id=310762. Acesso
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