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Universidade Católica de Moçambique

Instituto de Educação a Distância

Tema: Métodos utilizados para a recomposição da história de África


Adelaide Mário Uatita-708212263

Docente: Emília Anduluce

Nampula, Agosto de 2022

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Universidade Católica de Moçambique

Instituto de Educação a Distância

Tema: Métodos utilizados para a recomposição da história de África

Trabalho de Carácter avaliativo da cadeira de


história das sociedades II, 2º ano, curso de
licenciatura em Ensino de história, turma c, a ser
apresentado no Instituto de Educação a
Distância.

Docente: Emilia Anduluce

Adelaide Mário Uatita-708212263

Nampula, Agosto de 2022

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Folha de Feedback
Classificação
Categorias Indicadores Padrões Pontuação Nota do Subtotal
máxima tutor
Aspectos . Capa 0.5
organizacionais . Índice 0.5
Estrutura . Introdução 0.5
. Discussão 0.5
. Conclusão 0.5
. Bibliografia 0.5
Introdução . Contextualização 1.0
(indicação clara do
problema)
. Descrição dos 1.0
objectivos
Metodologia 2.0
adequada ao
objecto do trabalho
Análise e . Articulação e 2.0
discussão domínio do
discurso académico
Conteúdo (expressão escrita
cuidada, coerência/
coesão textual)
. Revisão 2.0
bibliográfica
nacional e
internacionais
relevantes na área
de estudo
. Exploração dos 2.0
dados
Conclusão . Contributos 2.0
teóricos práticos
Formatação . Paginação, tipo e 1.0
Aspectos tamanho de letra,
gerais parágrafo,
espaçamento entre
linhas
Normas APA . Rigor e coerência 4.0
Referências 6ª edição em das
bibliográficas citações e citações/referências
bibliografia bibliográficas

ii
Folha para recomendações de melhoria: A ser preenchida pelo tutor ii
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Índice

Introdução...................................................................................................................................5

1. Conceito de fontes históricas...............................................................................................6

2. Tipos de fontes historicas....................................................................................................9

2. Vestigios arqueológicos e fontes da cultura material..........................................................9

3. Representacoes pictóricas..................................................................................................10

4. Registros orais...................................................................................................................10

5. Métodos e técnicas usadas para a reconstituição da História Africana.............................10

6. Principais pilares para a reconstituição da Historia Africana............................................11

6.1. A África nos escritos da Antiguidade........................................................................11

7. Os Árabes e a escrita da História da África.......................................................................12

8. A África e o Historicismo..................................................................................................13

Conclusão..................................................................................................................................15

Referências bibliográficas.........................................................................................................16

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Introdução

Este trabalho é referente a cadeira de história das sociedades II, onde iremos mencionar e
conceituar as as fontes da história, tipos de fontes históricas, métodos e técnicas usadas na
reconstituição da história de África, e os principais pilares na reconstituição da história de
África.

“Fonte Histórica” é tudo aquilo que, por ter sido produzido pelos seres humanos ou por
trazer vestígios de suas ações e interferência, pode nos proporcionar um acesso significativo à
compreensão do passado humano e de seus desdobramentos no presente. As fontes históricas
são as marcas da história. Quando um indivíduo escreve um texto, ou retorce um galho de
árvore de modo a que este sirva de sinalização aos caminhantes certa trilha; quando um povo
constrói seus instrumentos e utensílios, mas também nos momentos em que modifica a
paisagem e o meio ambiente à sua volta – em todos estes momentos, e em muitos outros, os
homens e mulheres deixam vestígios, resíduos ou registros de suas ações no mundo social e
natural (BARROS, 2019, p.15).

Todavia, o trabalho encontra-se organizado em elementos pré-textuais, nomeadamente: capa e


folha de feedback do tutor e índice, elementos textuais, a saber: introdução, análise e
discussão e elementos pós – textuais nomeadamente as referências bibliográficas. Contudo, a
paginação do trabalho está localizada na margem superior do lado direito de acordo com o
Manual de Investigação da Universidade Católica de Moçambique (2012).

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1. Conceito de fontes históricas

“Fonte Histórica” é tudo aquilo que, por ter sido produzido pelos seres humanos ou por trazer
vestígios de suas ações e interferência, pode nos proporcionar um acesso significativo à
compreensão do passado humano e de seus desdobramentos no presente. As fontes históricas
são as marcas da história. Quando um indivíduo escreve um texto, ou retorce um galho de
árvore de modo a que este sirva de sinalização aos caminhantes certa trilha; quando um povo
constrói seus instrumentos e utensílios, mas também nos momentos em que modifica a
paisagem e o meio ambiente à sua volta – em todos estes momentos, e em muitos outros, os
homens e mulheres deixam vestígios, resíduos ou registros de suas ações no mundo social e
natural (BARROS, 2019, p.15).

Este imenso conjunto de vestígios – dos mais simples aos mais complexos – constitui o
universo de possibilidades de onde os historiadores irão constituir as suas fontes históricas.
Também é verdade que os grandes processos naturais e planetários, mesmo sem a
interferência originária do homem (mas incidindo sobre este), podem produzir vestígios que
oportunamente poderão conformar fontes históricas. A ocorrência astronômica de um eclipse,
e a sua menção em um documento antigo, pode contribuir para datarmos com precisão um
certo acontecimento. Os terremotos que foram gerados por movimentos das placas tectônicas
podem produzir destruições em cidades e deixar resíduos que poderão ser escavados mais
tarde como fontes históricas. As subidas e descidas no nível do mar, ou os engrossamentos
nas camadas de troncos de árvores centenárias – indicativos de um clima mais frio – podem
também ser abordados como fontes históricas. Por ora, todavia, vamos nos ater mais
especificamente às fontes históricas produzidas diretamente pela ação e existência humanas.
No sentido que indicamos no parágrafo anterior, são fontes históricas tanto os já tradicionais
documentos textuais (crônicas, memórias, registros cartoriais, processos criminais, cartas
legislativas, jornais, obras de literatura, correspondências públicas e privadas e tantos mais)
como também quaisquer outros registros ou materiais que possam nos fornecer um
testemunho ou um discurso proveniente do passado humano, da realidade que um dia foi
vivida e que se apresenta como relevante para o Presente do historiador. Incluem-se como
possibilidades documentais (ou, mais precisamente, no âmbito do que chamamos de fontes
históricas) desde os vestígios arqueológicos e outras fontes de cultura material – a arquitetura
de um prédio, uma igreja, as ruas de uma cidade, os monumentos, cerâmicas, utensílios da
vida cotidiana – até representações pictóricas, entre outras fontes imagéticas, e as chamadas
fontes da história oral (testemunhos colhidos ou provocados pelo próprio historiador que

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conduz a sua investigação historiográfica). De igual maneira, as investigações sobre o genoma
humano fizeram do corpo e da própria genética uma fonte histórica igualmente útil e
confiável, que inclusive permitiu que os historiadores passassem a ter acesso aos primórdios
da aventura humana sobre a Terra, forçando a que se problematizasse aquele antigo conceito
de “pré-história” que antes parecia isolar toda uma região da realidade um dia vivida que
parecia até então interditada ao ofício dos historiadoresIV. Podemos lembrar ainda que, a
partir do século XX, quando a Geografia e a História passaram a atuar mais
interdisciplinarmente, mesmo uma paisagem natural passou a ser encarada como uma
possibilidade documental (BARROS, 2017), o que já começa a aparecer nas obras hoje
clássicas de historiadores como Marc Bloch (1931) e Fernand Braudel (1949).

O mesmo se pode dizer das relações entre a História e a Linguística, que trouxeram os
próprios fatos da língua para o campo das evidências históricas, e algo análogo ocorre com as
perspectivas que se produziram na confluência entre História e Antropologia, as quais
permitem que se abordem como fontes históricas as evidências e heranças imateriais, já sem
nenhum suporte físico e concreto, tais como as festas dramáticas populares e os ritos
religiosos que se deslocam e perpetuam-se tradicionalmente na realidade social, ou ainda
como os sistemas integrados e reconhecíveis de práticas e representações, os gestos e modos
de sociabilidade, os bens relacionáveis ao chamado ‘patrimônio imaterial’ (modos de fazer
algo, receitas alimentares, provérbios e ditos populares, anedotários, apenas para citar
exemplos). As fontes históricas, enfim, não precisam ser – não necessariamente – materiais
no sentido tradicional desta palavra. Nos dias de hoje, inclusive, começa a se abrir para o
tratamento historiográfico um enorme universo virtual produzido pelos ambientes da Internet.
Estes registros virtuais, que serão cada vez mais analisados pelos futuros historiadores como
objeto de estudo e abordados como fontes históricas para a investigação sobre temáticas
diversas, devem ser vistos como possuidores da mesma qualidade de fontes históricas que os
tradicionais documentos registrados no suporte papel. É certo que precisou haver um longo e
complexo desenvolvimento historiográfico até que se chegasse ao momento em que, para
além dos documentos e fontes concretizadas em papel ou qualquer outro material, fossem
também admitidas as ‘fontes imateriais’ como campos de evidências das quais poderia o
historiador se valer. De todo modo, pode-se dizer que, na atualidade, não há praticamente
limites para um historiador quanto às suas possibilidades de transformar qualquer coisa em
fonte histórica. Um repertório de gestos, por exemplo, pode ser revelador de permanências do
passado. Lembremos o hábito de cumprimentar tirando o chapéu, que provém do repertório de

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atitudes medievais: quando um cavaleiro cumprimentava o outro, tirava o elmo em sinal de
que suas intenções eram pacíficas (sem o elmo, peça bélica defensiva, ele manifestava algo
como uma proposta de desarmamento). Foram-se as batalhas e os elmos, e veio a galante
sociedade oitocentista dos chapéus burgueses. O gesto, contudo, manteve-se incrustado no
repertório de atitudes, e mesmo com os chapéus em desuso ainda permanece nos dias de hoje
como um movimento que toca a testa como que para tirar o “elmo imaginário”. É assim que,
em certos hábitos enraizados, expressos na vida cotidiana e na prática comportamental –
também aí poderemos ir buscar uma fonte, uma evidência ou um testemunho do passado.

A prática historiográfica foi mudando bastante, ao adentrar novas possibilidades teóricas e


metodológicas, da mesma forma que o universo de fontes possíveis aos historiadores,
conforme veremos neste livro, foi se expandindo para muito além do tipo de textos que os
historiadores utilizavam até o século XIX. Expandiu-se, inclusive, para além das
possibilidades meramente textuais, como já ressaltado. Por causa disso, a palavra
‘documento’, que estava já bastante incorporada ao metier do historiador, foi também
expandindo seus sentidos possíveis. Começou-se a se entender que tanto um texto (um
documento estatal ou uma receita de bolo) como um objeto material (uma cadeira, por
exemplo), ou ainda uma foto ou uma canção, são todos ‘documentos’, neste sentido ampliado.
Essa extraordinária expansão do universo das fontes históricas, que abordaremos no momento
oportuno, assim como a concomitante flexibilização de sentidos a partir daí proporcionados
pela palavra ‘documento’, favoreceram o surgimento de outra palavra muito evocada nos dias
de hoje para os mesmos conteúdos, materiais, vestígios e indícios que os historiadores tinham
passado a chamar de ‘documentos históricos’. “Fonte” (ou ‘fonte histórica’) é este termo mais
fluido que passou a ser empregado alternativamente à palavra ‘documento’. Pessoalmente,
acredito que essa nova expressão tenda a substituir mais amplamente, no futuro próximo, o
uso da palavra ‘documento histórico’, uma vez que esta última apresenta uma origem mais
restrita e mais bem acomodada aos tipos de textos – frequentemente documentos escritos
demarcados pelas instituições oficiais e encontráveis nos arquivos – com os quais os
historiadores costumavam trabalhar mais no século retrasado, na sua cuidadosa e obstinada
busca de informações. De todo modo, pode-se dizer que, nos dias de hoje, ‘fontes históricas’ e
‘documentos históricos’ (neste último caso considerando a palavra com o seu sentido
estendido) são expressões praticamente sinônimas no âmbito mais específico da
historiografia.

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2. Tipos de fontes historicas

Existem diferente tipos de fontes historicas, de entre elas iremos destacar segundo a teoria de
BARROS.

 Documentos textuais;
 Vestigios arqueologicos e fontes da cultura material;
 Representacoes Pictoricas;
 Registros horais;
1. Documentos textuais – são documentos oficiais, cartas pessoais e governamentais,
diarios, relatos de viagens, cronicas, livros literarios, processos de justica, jornais etc.

Assim, se os arquivos oficiais continuam a ser fundamentais para o trabalho dos historiadores,
eles estão longe de serem suficientes para fornecerem tudo o que os historiadores necessitam
para o seu trabalho. Na verdade, a questão de pesquisar ou não em fontes de arquivos tem
muito mais a ver com o objeto específico ou com os problemas históricos que estão sendo
examinados do que com qualquer outra coisaV. Por isso, conforme já ressaltei anteriormente,
este aspecto está algo ligado à gradual imposição da expressão fonte histórica em detrimento
da antiga ideia de ‘documento histórico’ – expressão mais afinada com a historiografia do
século XIX por estar muit relacionada tanto aos arquivos que na época começaram a ser
organizados mais sistematicamente, como também à maneira como se concebia a História
naquele momento. De fato, quando lançamos um olhar mais longo sobre a historiografia
predominante no século XIX, podemos notar que se esperava essencialmente, nesta primeira
fase da historiografia científica, que o historiador documentasse – ou mesm comprovasse no
sentido mais especificamente jurídico – as afirmações que fizesse no decorrer de sua narrativa
histórica.

2. Vestigios arqueológicos e fontes da cultura material

Referen-se a itens resgatados, pela arqueologia, como construcoes, ruas, estatuas, objectos
funerarios, roupas,peças de cerâmica etc. outros itens mais modernos e que não foram
resgatados pela arqueologia tam podemos considerar como vestigios ainda mesmo não
encontrados. No seio de uma nova história-problema, hoje já francamente estabelecida, as
fontes históricas assumem novos papéis, para além da mera disponibilização e comprovação
de conteúdo informativo. As fontes não seriam meros registros repletos de informações a
serem capturadas pelos historiadores, mas também diversificados discursos a serem
decifrados, compreendidos, interpretados. Não mais seriam apenas uma solução para o

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problema, mas parte do próprio problema. Nas fontes, espelhos de dupla face, poderíamos ver
o passado, mas também a nós mesmos. Não mais um solene ponto de partida ou de chegada –
o big-bang místico a partir da qual é gerada a operação historiográfica, ou o Santo Graal
finalmente encontrado depois de obstinadas aventuras – as fontes seriam, sim, um lugar
movente no qual o historiador interage com as ressonâncias deixadas pelas sociedades e
processos que decidiu examinar. Neste sentido, as fontes são como que pontos de encontro,
portais através dos quais se tocam. incorporada à análise historiográfica, tal como têm
proposto autores como Roger, Chartier (1994) e Alberto Manguel (2004.

3. Representacoes pictóricas

SERGIO, Fernando, Mahota (2015)

Refere-se aos quadros, fotos, afrescos, pinturas rupestres, charges marcashistoriograficas etc.
Essas pinturas são hoje entendidas pelo homem que a realizava como um ritual magico e
premonitorio, eficaz para o control de reserva aos magicos dentro do seu meio.

4. Registros orais

São testimunhos pessoais e mitos transmitidos oralmente de geracao para geracao. Existe
tambem uma classificacao, para diferenciar-se os tipos de fontes produzidos na propria epoca
dos acontecimentos daquelas produzidas na posteridade, com base em relatos artigos. Assim,
existem existem fontes primarias e secundarias. Esses termos no entanto, estao entrando em
desuso e ficando mais conhecidos como fontes diretas e fontes indiretas.

 Fontes diretas – são aqueleas produzidas por pessoas na mesma epoca dos
acontecimentos registrados.
 Fontes indiretas – Produzidas com base nos relatos e vestigios na epoca, portanto, as
fontes indiretas constroen-se por meio das fontes diretas.

5. Métodos e técnicas usadas para a reconstituição da História Africana.

de pesquisa em história da África Na metodologia para o estudo da história eurocêntrica


temos como parâmetro a escrita. Nas fontes escritas na cultura ocidental criamos a ideia de
que: “se não está no papel, não existe”. Exemplo, leis escritas; documentos pessoais; arquivos
é o papel que prova a existência ou a validade de algo. Isso faz parte da metodologia
positivista que atribuiu ao documento escrito com algo certo. Por isso, quando estudamos
história nos apegamos a esse tipo de fonte. Um grande problema em África é falta de fontes
escritas para algumas regiões e alguns períodos da história. Por isso que para algumas regiões

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trabalha-se com uma perspectiva de longa duração, como meio de criar um panorama geral.
Como na África Oriental dos séculos VI-X; séculos. XI-XV e séculos XVI-XIX. As fontes
podem se expressas em qualquer material: pedra; papiro; pergaminho; etc. Quanto mais se
aproxima de hoje, maior a quantidade de fontes e maior a variedade de idiomas. Antes do
século XV: fontes do mundo árabe; Egito antigo; gregos e romanos. Regiões: geralmente o
norte da África; mar Vermelho e parte da África oriental(proximidade com os Árabes que
chegam à África por volta do século VII). Depois do século XV: fontes do mundo árabe
(ampliação da influência do islã em África, norte e oriente) e fontes do mundo europeu com
as grandes navegações e o imperialismo. Regiões: costa Atlântica, África do Sul e o interior
do continente. Europa ocidental: amplia-se tanto que se torna quase que impossível uma
quantificação precisa. Há muitas fontes espalhadas pelo mundo devido as fases se “invasões”
que a África sobre ao longo dos séculos: Mundo árabe (VII em diante); Mundo europeu (XV
em diante). Concentrada em: bibliotecas, arquivos públicos e coleções privadas, etc. Aqui
tem-se um problema metodológico: em muitos casos essas fontes são o olhar do estrangeiro
sobre a África e os africanos. Tradição oral são menos precisas que as fontes escritas. Há
também um préconceito sobre a validade, pois acabamos por confiar na memória de quem
conta ahistória. Problema com a datação: as histórias não são datáveis “era uma vez...”. Os
tradicionalistas, responsáveis por armazenar a história contada, preservam a
tradição.Geralmente, utiliza-se a tradição oral como uma fonte secundária, auxiliada pela
fonte escrita. O primeiro a usar-se da tradição oral foi J. Vansina. Na década de 1960 muitos
africanistas, como Ki-Zerbo, estavam crentes de que a fonte oral resolveria os problemas das
lacunas da história da África.

6. Principais pilares para a reconstituição da Historia Africana

6.1. A África nos escritos da Antiguidade.

África é considerada atualmente como o “berço da Humanidade” devido ao fato de estudos


arqueológicos comprovarem que foi no continente que surgiu o primeiro hominídeo, o Homo
Sapiens, o qual, a partir daí, se expandiu por todo o globo3. A partir

deste inegável fato cientifico, podemos conjecturar que, portanto, o continente também é
responsável, em parte, pelo nascimento do gênero História, entendido aqui, como a tentativa
de registro das ações humanas ao longo do tempo4. Como afirma J. D. Fage, “os primeiros
trabalhos sobre a História da África são tão antigos quanto o início da história escrita” 5, e os
historiadores do velho mundo mediterrâneo e da civilização islâmica medieval tomavam

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como parte integrante do quadro de referência do conjunto do mundo conhecido uma grande
parte da África ao norte do deserto do Saara. Essa região integrava o campo de interesses
desses historiadores tal qual a história da Europa

ou do Oriente Próximo. A África ao sul do Saara, mais conhecida como África tropical,
também fazia parte do horizonte de interesses desses historiadores clássicos, contudo havia
certo limite nessa preocupação, devido à dificuldade e escassez de contatos que podiam se
estabelecer com essa parte do continente seja através do Saara, seja ao longo da costa do mar
Vermelho e do Oceano Indico6. Antes de mais, caberia aqui uma reflexão no sentido de
evidenciar que nem sempre foi possível falar de uma África. Referindo-se aqui não as áreas
geográficas do continente ou então as suas complexas e diversas sociedades, mas sim ao
termo/categoria “África”. Sempre que tal termo é mencionado, surgem referências a um
apanhado de ideias, imagens, preconceitos, conhecimentos e ignorâncias sobre esta parte do
mundo. Para os próprios africanos o termo e consequentemente a identidade que este conceito
carrega são significados muito recentes, só a partir do fim do século XIX e meados do XX,
como discute Oliva, é que se pode identificar a presença e o reconhecimento de uma
identidade africana e a ideia de uma África representativa de uma região em comum7. O
filósofo africano Kwame Appiah discute em sua obra Na casa do meu pai a relação que se
manteve até o XIX entre os habitantes do continente e a citada identidade, reforçando a
concepção de uma aceitação ou incorporação recente

da mesma:

7. Os Árabes e a escrita da História da África.

Ao contrário do que se possa imaginar, o privilégio do explicitado imaginário de inferioridade


sobre África não foi exclusivo da civilização cristã européia. Nos inúmeros relatos de
viajantes árabes e mulçumanos, é possível encontrar concepções e idéias semelhantes às
européias. Dessa forma, tal qual os europeus, árabes também deram destaque aos aspectos
físicos, dos povos, e geográficos do continente, além de acreditavam que o calor também seria
o responsável pelas diferenças estéticas dos africanos. Como exemplo pode-se citar o autor
árabe Al Kindi, que inferia: “sendo quente o país, os corpos celestes exercem sua influência e
atraem os humores para as partes superiores do corpo. Daí os lábios pendentes, o nariz
achatado e grosso (...) a ausência de inteligência” 25. Além do mais o próprio termo, de
origem árabe, utilizado por eles para referenciar-se a África, Sudão, significa “terra dos
homens negros”26. Para além dessas visões limitadas, que compartilhavam com os europeus,

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é importante destacar que desde, ao menos, o século IX, os árabes haviam estabelecido
relações intensas com a parte norte e ocidental do continente africano. Segundo Fage. Diante
disso, Fage afirma que, apesar dos problemas acima apontados, osautores árabes desse
período eram mais bem informados, sendo seus escritos de enorme valia para a reconstrução
do mundo africano, durante o período compreendido entre o IX e XV28. O historiador
português Manuel Maria Difiula enumera alguns desses escritores viajantes árabes ou
africanos islamizados, que foram secretários, embaixadores, ministros, conselheiros ou
geógrafos nos reinos que se montaram na África mulçumana, e que transitavam pelas regiões
tocadas pelas rotas de comércio do Sudão. Os principais são estes: Al-Mas’udi e Ibn Hawkal
(século X), Al Bakiri ( século XI), Al-Idrisi (século XII), Yakult (século XIII), Abu’l-Fida,
Al-Umari e Ibn Batuta (século XIV), Ibn Khaldun (século XIV-XV), Al- Hasan, conhecido
por Leão Africano ( séculos XV-XVI), Mahmud Kati (século XVI) e Es Saadi (século
XVII)29. Desses, merece destaque especial, segundo Fage, devido a suas formulações de
pesquisa e reflexões históricas, o tunisiano Ibn Khaldun. Para Fage, se este fosse mais
conhecido no mundo ocidental poderia facilmente destituir o título de pai da História de
Heródoto:

8. A África e o Historicismo.

Antes de fazer uma retrospectiva mais minuciosa sobre a historiografia africana desse
período, se faz necessário apresentar, brevemente, alguns aspectos marcantes do contexto
desse período. No final do século XVIII e durante todo o XIX, as relações entre africanos e
europeus se alteram, ganhando novos contornos. Causa primeira dessa mudança foram os
novos objetivos que passaram a dominar as viagens e expedições européias no continente, que
a partir desse momento se dedicavam a devasar os interiores da África, projetando um maior
reconhecimento da suas zonas mais interioranas, até então pouco exploradas. O que fez
ressurgir nos relatos europeus, antigas estigmas sobre os africanos, fortalecidas, nesse
período, por argumentos científicos. Além disso, em consonância com essas novas
expedições, encontramos o momento ápice do interesse imperialista/colonialista de nações
européias nas terras africanas, durante o final do século XIX. Ações de conquista e domínio
foram perpetradas proporcionando o controle territorial de grandes partes da África.
Inglaterra,

França, Bélgica, Portugal e Alemanha foram os principais países a tomaram partido nessa
“partilha africana” 31, e por isso, a grande maioria dos relatos escritos, importantes para a
compreensão da realidade de parcelas da população africana, apesar de conservar a

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perspectiva eurocêntrica, são frutos das atividades de missionários, militares, administradores
ou pesquisadores desses países. Quanto ao tipo de abordagem predominante desse período,
nota-se que aos recorrentes preconceitos, somam-se crenças cientificas cuja genealogia pode
ser buscada nas teorias desenvolvidas pelo Darwinismo Social, Determinismo racial e
Evolucionismo Social. Com a adição dessas teorias ao já embaçado olhar europeu, os
africanos acabam por serem alocados nos inicias degraus da escala da evolução humana32. E
para pensadores europeus, essas teorias raciais explicariam e evidenciariam o fato dos
africanos serem prova viva do desenvolvimento evolutivo do homem até o macaco, sendo
dessa maneira, mais próximos dos animais do que dos humanos. E tais argumentos acabavam
por receber a chancela de expedições ou achados científicos no continente33. Dessa forma ao
já rico vocabulário de termos pejorativos lançados para denominar e descrever as realidades
de África são incorporadas novas palavras tais como: infantis, primitivos, tribais e incapazes
de apreensão e evolução. Os escritos dos viajantes e aventureiros se impregnam desse víeis,
sendo exemplo categórico dos efeitos norteadores dessas teorias cientificas34 nas abordagens
elaboradas sobre os africanos.

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Conclusão

Chegado esta fase, concluimos que, as fontes historicas são os itens materiais e imateriais (ou
seus vestigios), que são produzidos pela accao humana. As fontes historicas são fundamentais
para que o historiador possa realizar o seu trabalho de investigacao, do passado humano.

Os historiadores entendem actualmente que tudo que é produzido pelo ser humano pode ser
considerado uma fonte historica, por tanto, não só o texto escrito deve ser entendido como tal.
Assim, pinturas, esculturas, construcoes, fotos, videos, e relatos orais tambem são uteis para o
historiador. Fontes podem ser diretas, isto é, feitas por contemporaneos, ou indiretas,
produzidas na consulta das fontes diretas.

Desde a fase neolitica ate os dias de hoje o ser humano vem deichando marcas e o homen
actual como preucupado em relatar o passado, tem se interessado nessas fontes para sua
rescricao em particular na África.

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Referências bibliográficas

ARÓSTEGUI, Júlio. A Pesquisa Histórica. Bauru: EDUSC, 2006 [original: 1995].

BARROS, José D'Assunção. A Fonte Histórica e seu lugar de produção. Petrópolis:

Editora Vozes, 2020.

BARROS, José D'Assunção. Fontes Históricas – introdução aos seus usos

historiográficos. Petrópolis: Editora Vozes, 2019.

BARROS, José D'Assunção. Espaço, História, Geografia. Petrópolis: Editora Vozes,

2017.

BLOCH, Marc. Apologia da História. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001 [original

publicado: 1949, póstumo] [original de produção do texto: 1941-1942].

BLOCH, Marc. Les Caracteres Originaux Le l’Histoire Rurale Française. Paris: A.

Colin, 1931.

BRAUDEL, Fernand. Escritos sobre a História. São Paulo: Perspectiva, 1978 [original:

1969].

JOSÉ Francisco dos Santos (2020)

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