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Bonifácio Feliciano Nhantumbo

Meios Urbano e Rural

Licenciatura em Geografia

Universidade Save
Xai-Xai
2022
Bonifácio Feliciano Nhantumbo

Meios Urbano e Rural

Trabalho de carácter avaliativo, a ser entregue na


cadeira de Geografia Urbana e Rural, 2º Ano, Pôs-
Laboral, Curso de Licenciatura em Geografia,
Departamento de Ciências Naturais e Exactas,
leccionada pelo docente:

Msc. Joaquim Rafael Machava

Universidade Save
Xai-Xai
2021
Índice

Introdução.........................................................................................................................................3

1. Conceito de urbano e rural...........................................................................................................5

1.1.As características dos Meios Urbano e Rural.............................................................................8

1.2. Causas e Problemas da Urbanização no Mundo......................................................................10

1.3. Origem da Preocupação com os Estudos da Geografia Urbana..............................................11

1.4.1 Conceito.................................................................................................................................13

1.4.2 Características........................................................................................................................14

Conclusão.......................................................................................................................................15

Bibliografia.....................................................................................................................................16
Introdução

O presente trabalho, visa essencialmente debruçar a cerca do meio ou espaço urbano e rural, onde
pretende-se abordar em torno das características dos meios urbano e rural, causas e problemas da
urbanização no mundo, origem da preocupação com os estudos da geografia urbana e a
gentrificação concernente ao conceito e características. Com isto, de acordo com a linha de
pesquisa1, enfatiza-se que os principais indicadores do que pode-se chamar desenvolvimento.
Neste sentido, em meio ao processo de modernização mundial, muitos passaram a acreditar que o
desenvolvimento está condicionado ao processo de urbanização, enquanto o meio rural é o
símbolo do atraso. Alguns estudiosos chegaram a afirmar que desenvolver o meio rural significa
urbanizá-lo.

Portanto, defende-se no trabalho em causa, a ideia segundo a qual, a busca do desenvolvimento


regional depende do abandono da ideia de que o rural é sinónimo de atraso e o urbano é sinónimo
de desenvolvimento. O desenvolvimento entendido não só como o crescimento económico, mas
também como a melhoria da qualidade de vida da população, bem como a sua sustentabilidade
baseada na satisfação das necessidades das gerações presentes, sem comprometer a capacidade de
as gerações futuras também poderem satisfazer suas necessidades, está atrelado à adopção de
estratégias e políticas públicas tanto no meio urbano, quanto no meio rural. Afinal, poderá haver
desigualdades sociais no campo ou na cidade e, além disso, está cada vez mais claro a
importância da integração destas duas realidades no plano do desenvolvimento regional,
entendido como “o processo localizado, de mudança social sustentável, que tem como propósito
último o progresso permanente de uma comunidade, e de seus respectivos membros, que vivem
num determinado espaço territorial” (Boisier e Higachi, citados por Mattedi & Theis, 2002,p.89).

Inerente aos objectos do mesmo, tem como intuito de compreender o meio urbano e rural, onde
pretende-se:
 Conceituar o termo urbano e rural;
 Caracterizar os meios (urbano e rural);
 Mostrar as causas e problemas da urbanização no mundo;

1
https://www.unisc.br/site/sidr/2004/urbano/01.pdf - Acessado aos 13/08/2022, às 12:04
 Apresentar a origem da preocupação com os estudos da Geografia Urbana; e
 Descrever a gentrificação, concernente a conceitualização e caracterização.

Inerente à estruturação do trabalho em causa, está organizado em títulos e assim como subtítulos,
como forma de melhorar a percepção do leitor, onde abordar-se-iá sobre o conceito de urbano e
rural, as características dos meios: urbano e rural, causas e problemas da urbanização no mundo,
origem da preocupação com os estudos da geografia urbana e também da gentrificação, tangente
à conceitualização e caracterização.

Por fim, quanto à eficácia e eficiência do trabalho em causa, recorreu-se às pesquisas


bibliográficas, com o auxilio da observação indirecta e assim como da comunidade académica em
geral.
1. Conceito de urbano e rural
Antes de fazer menção ao trabalho em causa, é pertinente enfatizar que a ruralidade em
Moçambique, não pode ser identificada apenas por aquilo que está fora do perímetro urbano dos
municípios (principalmente da Cidade de Xai-Xai), muito menos pelas actividades
exclusivamente agropecuárias (como é o caso do baixo do regadio do Limpopo e assim como
pecuária localizados na Cidade de Xai-Xai, concretamente no bairro 1 da Cidade e no Posto
administrativo de Patrice Lumumba, com isto, pode-se dizer que o fenómeno rural é
necessariamente territorial e não sectorial como os programas governamentais insistem em
propor e executar.

Neste sentido, as distorções na separação urbano-rural a partir da metodologia utilizada em


Moçambique, surgem novos critérios. De acordo com Veiga (2002) para que a análise da
configuração territorial possa realmente evitar a ilusão causada pela norma legal é preciso
combinar pelo menos outros dois fatores: a densidade demográfica e sua localização. No caso
mais específico de Moçambique, o autor elegeu o critério da densidade demográfica como sendo
insofismável. Para Veiga “é ela que estará no âmago do chamado “índice de pressão antrópica”,
quando ele vier a ser construído” (2002, p. 33). Neste sentido o autor afirma que, Nada pode ser
mais natural do que as escassas áreas de natureza intocada, e não existem ecossistemas mais
alterados pela acção humana do que as manchas ocupadas por megalópoles. É por isso que se
considera a “pressão antrópica” como o melhor indicador do grau de artificialização dos
ecossistemas e, portanto, do efectivo grau de urbanização dos territórios. (2002, p. 33)
Segundo Manuel (2003: 1), Os principais espaços urbanos de Moçambique,
“são o resultado de um complexo processo de origem alógena, que se
implantaram em território estranho, reproduzindo formas de organização
espacial estranhas ao ambiente local. Com a independência nacional, esses
espaços têm sofrido profundas alterações e reajustamentos que, apesar de tudo,
não têm eliminado o carácter segregador que caracteriza estes espaços como
duais. Ao mesmo tempo, com a independência nacional e como consequência de
uma série de fatores conjunturais, as cidades moçambicanas viram muito
aumentada a sua população, sem que isso tivesse sido acompanhado pelo
correspondente crescimento de infra-estruturas e serviços urbanos. Esta situação
fez com que os espaços urbanos do país se degradassem e neles proliferassem
actividades informais, como estratégia de sobrevivência de uma parte
considerável da sua população. Face a tudo isto, as cidades moçambicanas
sofrem transformações demasiado rápidas, o que tem dificultado as acções de
planeamento. Por isso impera uma estrutura espontânea onde as condições de
vida são bastante degradadas.”
Associa-se sempre a urbanização a um processo dinâmico e complexo de concentração de
população num determinado espaço a partir do seu "situ" original, assumpção que parte da ideia
de que, originalmente, a distribuição da população no território era de carácter disperso e rural.
Apesar de toda a polémica que pode envolver, sempre prevaleceu, e ainda assim sucede, esta
oposição entre rural-disperso/urbano-concentrado. Actualmente esta oposição é cada vez mais
polémica e, porque não, menos verdadeira, em função das novas relações que se estabelecem na
constituição dos espaços urbanos e rurais. Sendo isto, uma realidade cada vez mais evidente nas
regiões mais desenvolvidas, assim como em muitas outras que se encontram em etapas
intermédias de desenvolvimento, na África subsaariana, onde se insere Moçambique, o dualismo
entre o urbano e o rural ainda é muito marcado e manifesta-se por oposições notórias, que não se
transformam de imediato e, de acordo com a dimensão do movimento migratório, marcam a
cidade que, muito gradualmente, cria a sua p ró p ria cultura, o que não sucede sem sobressaltos e
antagonismos de diversa ordem. (Idem: 2-3)

Com isto, prende-se afirmar que os espaços urbano e rural inserem-se como diferentes expressões
materializadas no espaço geográfico, compreendidas por suas distintas dinâmicas económicas,
culturais, técnicas e estruturais. Embora componham meios considerados distintos, suas inter-
relações são bastante complexas. Por isso, muitas vezes é difícil separar ou compreender a
especificidade de cada um desses conceitos.

O conceito de espaço urbano segundo PENA (2022), designa a área de elevado adensamento
populacional com formação de habitações justapostas entre si, o que chamamos de cidade. Já o
conceito de espaço rural refere-se ao conjunto de actividades primárias praticadas em áreas não
ocupadas por cidades ou grandes.

No entanto, para além dessa definição simples e introdutória, é interessante perceber que rural e
urbano são, além de tudo, tipos diferentes de práticas quotidianas. Assim, podem existir práticas
rurais no espaço das cidades ou práticas urbanas no espaço do campo. Por exemplo: um cultivo
de hortaliças dentro do espaço de uma cidade (embora isso seja cada vez mais raro nos grandes
centros urbanos) é um caso de prática rural no meio urbano. Da mesma forma, a existência de um
hotel fazenda ou um resort (como Reff Resort da Praia da Cidade de Xai-Xai) em uma zona
afastada da cidade é um exemplo de prática urbana no meio rural.

Uma das principais diferenças entre urbano e rural está, assim, nas práticas socioeconómicas. O
espaço rural, como já dissemos, engloba predominantemente actividades vinculadas ao sector
primário (extrativismo, agricultura e pecuária), ao passo que o espaço urbano costuma reunir
actividades vinculadas ao sector secundário (indústria e produção de energia) e terciário
(comércio e serviços).

Outra diferença entre urbano e rural está na amplitude dos respectivos conceitos. Em termos de
escala, a abrangência espacial do meio rural é muito maior, pois ele reúne tantos as áreas
transformadas e cultivadas (espaço agrário) pelo homem quanto o espaço natural, pouco
transformado ou mantido totalmente sem intervenções antrópica. Por outro lado, a cidade,
embora possua uma maior dinâmica económica, apresenta-se em espaços mais circunscritos,
mesmo com o crescimento desordenado dos espaços urbanos na maioria dos países periféricos e
emergentes. Em termos de hierarquia económica, podemos dizer que, originalmente, o campo
exercia um papel preponderante sobre as cidades. Afinal, foi o desenvolvimento da agricultura e
da pecuária que permitiu a formação das primeiras civilizações e o seu posterior
desenvolvimento. No entanto, com o avanço da Revolução Industrial e as transformações
técnicas por ela produzidas, o meio rural viu-se cada vez mais subordinado ao urbano, uma vez
que as práticas agropecuárias e extractivistas passaram a depender cada vez mais das técnicas,
tecnologias e conhecimentos produzidos nas cidades. (PENA, 2022)

Actualmente, o urbano e o rural formam uma relação socioeconómica e até cultural bastante
ampla, muitas vezes se apresentando de forma não coesa e profundamente marcada pelo avanço
das técnicas e pelas transformações produzidas a partir dessa conjuntura. Nessa relação, o espaço
geográfico estrutura-se em toda a sua complexidade e transforma-se em reflexo e condicionante
das relações sociais e naturais, denunciando as marcas deixadas pelas práticas humanas no meio
em que se estabelecem."
1.1.As características dos Meios Urbano e Rural
A zona rural é, basicamente, o espaço do campo. É na zona rural onde as actividades produtivas
primárias acontecem: a agricultura, a pecuária, o extrativismo vegetal e mineral, e também a caça
e a pesca, por exemplo. A vida na zona rural é diferente da vida na zona urbana, especialmente
pelo tipo de actividade que acontece em cada uma delas. No entanto, as duas são amplamente
inter-relacionadas, o que significa que uma depende da outra para existir. Compreender o que é a
zona rural é uma possibilidade de conhecer a organização deste espaço e como suas dinâmicas
reflectem na sociedade. Além disso, a densidade demográfica das áreas urbanas é superior à
das zonas rurais. As pessoas que vivem nas cidades constituem a comunidade urbana.

Os aspectos que definem uma zona rural são:


 Espaço não urbanizado: a zona rural é facilmente detectada, pois não preserva os
aspectos das cidades, como aglomerados de casas e prédios, muitas pessoas transitando,
indústrias, comércios, estabelecimentos diversos.
 Actividades próprias: agricultura, pecuária, extrativismo e turismo rural são algumas das
coisas que são feitas no campo.
 Paisagem: na zona rural predominam as plantações, árvores em maior quantidade,
estradas de terra, rios e propriedades maiores do que nas cidades.
 Tempo marcado pela luz solar: o período de trabalho no campo é feito em sua maior
parte enquanto tem sol. Quando anoitece, as pessoas se recolhem em suas casas, pois na
lavoura ou junto aos animais não há muito o que ser feito. (SIEDENBERG, 2001. 177p.)

Os aspectos que definem uma zona urbana são:


 O espaço urbano é caracterizado pela oferta de comércios e serviços, além da forte
presença da actividade industrial. Sendo assim, no espaço urbano estão concentradas as
actividades dos sectores secundário e terciário da economia, sendo marcado pela elevada
dinâmica económica e pela concentração populacional.
 Passam pelo processo de urbanização fomentado sobretudo, pela industrialização.
 Além disso, a densidade demográfica das áreas urbanas é superior à das zonas rurais. As
pessoas que vivem nas cidades constituem a comunidade urbana.
Essas possuem diversas infra-estruturas que muitas vezes, não são encontradas no campo: ruas e
avenidas asfaltadas, habitações, indústrias, hospitais, escolas, comércios, abastecimento de água,
sistemas de esgoto, iluminação pública, dentre outros. Um factor importante a ser ressaltado é
que uma depende da outra, ou seja, as zonas urbanas adquirem produtos da zona rural. Por sua
vez, a zona rural adquire produtos e serviços oferecidos pelas zonas urbanas. Lembre-se que o
fenómeno do êxodo rural é quando as pessoas que vivem nas áreas rurais vão para os centros
urbanos em busca de melhores condições de vida: ofertas de trabalho, habitação, sistema de
saúde, escolas, etc. Na maior parte, esse fenómeno social gera muitos problemas nos centros
urbanos, como aumento da população, crescimento desordenado das cidades, favelização,
violência, dentre outros. (SOUZA, 1993)

Eis as características dos meios urbano e rural resumidamente:

Zona Rural Zona Urbana

Chamado de meio rural Chamado de meio urbano

Principais actividades desenvolvidas:


agricultura e pecuária Maior infra-estrutura

Paisagem natural Paisagem humanizada

Habitações: sítios, chácaras e fazendas Habitações: casas e prédios

Localizada fora dos centros urbanos Maior oferta de emprego

Área não urbanizada Intenso processo de urbanização

Baixa densidade demográfica Densidade demográfica elevada

Povoamento disperso Povoamento concentrado

Sector da Economia: secundário (indústria e


Sector Primário da Economia
produção de energia) e terciário (comércio e
(extrativismo, agricultura e pecuária)
serviços)

Fonte: https://www.todamateria.com.br/zona-rural-e-zona-urbana/ - Acessado aos 12/08/2022; ás 13:36


1.2. Causas e Problemas da Urbanização no Mundo
As causas da urbanização, estão atreladas principalmente às motivações que fizeram como que a
população rural, antes maioritária em todo o mundo, migrasse para a zona urbana. Esse
movimento populacional, chamado de êxodo rural, foi o grande responsável pelo aumento da
população urbana e a consequente expansão das cidades. Sendo assim, entre as principais causas
da urbanização,  estão:
 O processo de industrialização iniciado nas cidades transformou a forma de produção,
estabelecendo o emprego de máquinas e mudando as relações de trabalho;
 A mecanização do campo, que substituiu a mão-de-obra braçal humana pelo emprego de
máquinas e equipamentos;
 A elevada concentração fundiária nas zonas rurais, resultante da grande desigualdade
social presente, em especial, nos países subdesenvolvidos e emergentes;
 A péssima condição de trabalho e renda no campo assim como os baixos salários pagos
aos trabalhadores rurais. (AMARAL, 1983)

O processo de urbanização mundial ocorreu de maneira diferenciada entre dois grandes grupos de
nações do globo. Nos países economicamente desenvolvidos, ele ocorreu por meio de um
desenvolvimento urbano lento e planejado. Esse cenário foi predominante em países como os
Estados Unidos e o Japão, e ainda diversas nações da Europa. Desse modo, mediante políticas de
planeamento urbano e melhores condições de trabalho e renda, a urbanização nessas regiões foi
muito importante para o desenvolvimento económico das cidades e para a melhoria da qualidade
de vida da população. Por sua vez, no grupo de países denominados emergentes e
subdesenvolvidos, as cidades passaram por um processo de crescimento urbano rápido e
desordenado. Elas não foram capazes de absorver o grande fluxo de migrantes provenientes das
áreas rurais, assim como muitos deles tiveram inúmeras dificuldades para encontrar emprego e
moradia. O processo de ocupação do território urbano de maneira desordenada contribuiu
directamente para o surgimento de grandes bolsões de pobreza, como as favelas e as ocupações
irregulares, e, ainda, gerou graves prejuízos ambientais, como a retirada da vegetação e a perda
do solo. Nos países subdesenvolvidos, a rápida e desordenada urbanização gerou um aumento das
ocupações irregulares, como as favelas. Na actualidade, mais da metade da população mundial é
considerada urbana. A industrialização vivenciada pelos países do globo em diferentes momentos
ao longo do último século foi uma das grandes responsáveis pelo atracão populacional para as
cidades. A urbanização é um processo contínuo e tem se acentuado nos últimos anos em países
mais pobres da Ásia e da África. As cidades, no mundo actual, concentram uma grande gama de
serviços e atraem populações em busca de uma melhor qualidade de trabalho e renda.
(https://www.preparaenem.com/historia/urbanizacao.htm - Acesado aos 11/07/2022 às 10:45)

Com isto, prende-se afirmar que A urbanização é marcada pela mecanização do campo e pelo
processo de industrialização das cidades, que gera mais empregos na área urbana. Diante desse
contexto, a principal causa da urbanização é a saída da população rural do campo rumo às cidades
em busca de melhores condições de vida. E a urbanização desordenada, que pega os municípios
despreparados para atender às necessidades básicas dos migrantes, causa uma série
de problemas sociais e ambientais. Dentre eles destacam-se o desemprego, a criminalidade, a
favelização e a poluição do ar e da água.

1.3. Origem da Preocupação com os Estudos da Geografia Urbana


Como já afirmado anteriormente, é bastante evidente a estreita ligação da Geografia Histórica
com a História, no que diz respeito ao objecto do conhecimento e às metodologias utilizadas.
Nesse sentido, a Geografia Histórica Urbana apresenta conexão e intersecção com a História
Urbana.

A Geografia urbana é um ramo da Geografia que estuda as áreas urbanas e seus processos de
produção do espaço urbano. Ou seja: enquanto fenómeno geográfico, a urbanização se apresenta
como um conjunto de processos coordenados pela acção humana e cuja complexidade exige
grande aprofundamento dos pesquisadores com vistas a compreender como a cidade se produz e
reproduz, como compreende um todo ao mesmo tempo homogéneo e heterogéneo (os espaços
urbanos são, de modo geral, facilmente reconhecíveis na paisagem, porém cada espaço urbano
apresenta suas especificidades, particularidades e singularidades), como as pessoas se inserem e
são inseridas neste espaço, acompanhando também os diferentes modos produtivos e as diferentes
urbanizações que produzem e todas as diferenciações de apropriação do espaço urbano que
ocorrem sob determinadas lógicas sócio espaciais, produzindo assim tecidos urbanos que se
complexificam à medida que são aprofundadas as relações produtivas no espaço. A Geografia
Urbana está ligada directamente ao processo de desenvolvimento de uma cidade, onde podemos
observar vários aspectos físicos que ao longo do tempo foi modificado pelo homem, por sua
acção directa na natureza. O que antes era um lugar de grande vegetação está dando espaço a
grandes construções. A Geografia Urbana está ligada a todos os processos de transformações que
ocorrem no meio urbano. (Abreu, 2010)

Geografia urbana é a área da geografia humana que estuda as cidades, sua origem, crescimento,
desenvolvimento e o entorno. Ou seja, estuda o espaço urbano e tudo o que ocorre dentro dele. É
considerado um termo transversal e multidisciplinar porque abrange os aspectos sociais,
antropológicos, económicos, físicos e históricos. Por meio da geografia urbana conhecemos o
comportamento da população, sua reprodução social e das comunidades em geral. Isso quer dizer
que a geografia urbana é a responsável por estudar:
 O crescimento da população
 A organização dos territórios dentro da cidade
 O desenvolvimento: se é ou não desigual
 Os centros industriais
 O comportamento dos espaços internos, que são as ruas, os bairros, parques, áreas
comerciais e áreas de desenvolvimento
Os estudos sobre a geografia urbana começaram a ganhar força a partir da Segunda Guerra
Mundial. Isso ocorreu porque houve intensa reorganização das cidades, que passaram a induzir
directamente os processos sociais, políticos e económicos.2

1.4. A Gentrificação: Conceito e Características.


Esse é um assunto que causa muito polémica, já que alguns especialistas consideram que a
gentrificação é um processo natural. Mas ela causa graves problemas que impactam a população
e até mesmo o meio ambiente. Portanto, a gentrificação é um processo de transformação urbana
que “expulsa” moradores de bairros periféricos e transforma essas regiões em áreas nobres. A
especulação imobiliária, aumento do turismo e obras governamentais são responsáveis pelo
fenómeno.

2
https://www.todamateria.com.br/geografia-urbana/ - Acessado aos 10/08/2022 às 14:15
1.4.1 Conceito
Gentrificação  (do inglês gentrification) é o fenómeno que afecta uma região ou bairro pela
alteração das dinâmicas da composição do local, tal como novos pontos comerciais ou construção
de novos edifícios, valorizando a região e afectando a população de baixa renda local. Tal
valorização é seguida de um aumento de custos de bens e serviços, dificultando a permanência de
antigos moradores de renda insuficiente para sua manutenção no local cuja realidade foi alterada.
Esse processo nos bairros populares e/ou degradados pode tornar-se um problema social de sérias
consequências quando a oferta de moradia a preços módicos é inexistente. "Mesmo que os
moradores desalojados não fiquem sem teto, a conversão de hotéis dilapidados em apartamentos
significa que haverá menos opções de habitação para os mais pobres e, se isso ocorrer em grande
escala, criará uma grande pressão nas já assoberbadas organizações de auxílio voluntário, de
caridade e provedores de assistência social. (SLATER, 2006)

O termo gentrificação surge pela primeira vez na década de 60 do século XX, na obra de Ruth
Glass, em referência às mudanças ocorridas na cidade de Londres, especialmente nas regiões
habitadas pela classe operária, como Islington. A palavra gentrification, incorporada em nosso
vocabulário como gentrificação, surge de uma observação feita por Glass do processo de
renovação de certas áreas da capital britânica na década de 60 do século XX, com a substituição
de moradores mais pobres por outros integrantes de classes mais altas. Em suas palavras: "One by
one, many of the working class quarters have been invaded by the middle class - upper and
lower ... Once this process of 'gentrification' starts in a district it goes on rapidly until all or most
of the working classoccupiers are displaced and the whole social social character of the district is
changed" (GLASS, 1964, p.27).

Na definição dada por Glass para a gentrificação, esta corresponderia ao conjunto de dois fatores
observados em determinada área: (i) um processo de desalojamento de residentes pertencentes ao
proletariado, substituídos por grupos oriundos de classes sociais mais altas e (ii) um processo de
reabilitação física destas áreas. Desde então, o conceito de gentrificação foi problematizado e
aplicado a diversas situações de revitalização urbana pelo mundo, incluindo novas formas de
substituição social no território, novos atores e novos espaços (RÉRAT, 2010, p. 336)
1.4.2 Características
A principal característica da gentrificação segundo Cadernos (2014), é a ocupação pelos centros
das cidades pelas classes médias. Esse processo expulsa a classe baixa de forma directa e
indirecta, seja por meio de melhorias em infra-estruturas, comércios, habitações, equipamentos
públicos e serviços que aumentam o custo de vida, ou seja por expulsão directa, como
reintegração de posses.

Outras características da gentrificação segundo Cadernos (2014), são:


 Arquitectura das construções,
 Diversidade dos modos de vida,
 Infra-estrutura,
 Oferta de equipamentos culturais e históricos,
 Localização central ou privilegiada,
 Baixo custo em relação a outros bairros -passando a demandar e consumir outros
tipos de estabelecimentos e serviços inéditos.

A concentração desses novos moradores tende a provocar a valorização económica da


região, aumentando os preços do mercado imobiliário e o custo de vida locais, e levando
à expulsão dos antigos residentes e comerciantes, comummente associados a populações
com maior vulnerabilidade e menor possibilidade de mobilidade no território urbano,
tais como classes operárias e comunidades de imigrantes. Estes, impossibilitados de
acompanhar a alta dos custos, terminam por se transferir para outras áreas da cidade, o
que resulta na redução da diversidade social do bairro. (Idem: 2014)
Conclusão

Após uma investigação profunda do trabalho em causa, chegou-se a uma conclusão, segundo a
qual, a zona rural é o espaço clássico do campo, em que, as actividades desenvolvidas têm um
ritmo diferente das actividades da cidade. Existem problemas na zona rural, como a migração das
pessoas deixando o campo e indo para as cidades; fenómenos naturais como geada, granizo, seca
e chuvas em excesso; perca de nutriente dos solos, poluição dos rios e desmatamento. A zona
rural não é o contrário da zona urbana. São dois modos de vida e organização do espaço
diferentes, e que estão interligados, já que um depende do outro para existir.

Também, os actuais espaços urbanos em Moçambique são resultantes de um processo alógeno,


em que a concentração de actividades económicas foi decidida e imposta em função de interesses
exteriores (coloniais), como sucedeu, igualmente, em toda a África subsaariana. Muitas vezes,
nem sequer são interesses económicos directos que actuam como factor imediato da localização
do "situ" urbano, mas antes interesses ligado s às necessidades do poder colonial, como sejam o
de controlo militar e/ou administrativo e a exportação de matérias primas, geralmente
provenientes do interior.

Conclui-se ainda que, os estudos sobre a geografia urbana começaram a ganhar força a partir da
Segunda Guerra Mundial. Isso ocorreu porque houve intensa reorganização das cidades, que
passaram a induzir directamente os processos sociais, políticos e económicos.

Tangente a Gentrificação, conclui-se que, é o processo de revitalização dos espaços urbanos ou a
aparente substituição de paisagens de carácter popular por construções típicas de áreas nobres.
Trata-se de um processo em que o espaço geográfico urbano transforma-se e ressignifica-se,
sobretudo em função da valorização acentuada e do enobrecimento de uma área antes
considerada periférica. Muitas vezes, as áreas periféricas de uma cidade formam-se de maneira
não planejada, seja através de invasões, seja através de uma expansão descontrolada de
loteamentos imobiliários em áreas afastadas. Esses locais, quase sempre sem infra-estrutura
básica (como saneamento, asfalto e transporte público de qualidade), sofrem pela sua distância
em relação aos principais centros urbanos da cidade.
Bibliografia

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Janeiro: Instituto Pereira Passos.
AMARAL, Ilídio, 1983. A cidade e o futuro. O proposto da explosão urbana mundial" Memórias
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CADERNOS METRÓPOLE, v. 16, n.32. Desenvolvimento desigual e gentrificação na cidade
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Manuel G. Mendes de Araújo. Os Espaços Urbanos em Moçambique. GEOUSP Espaço e
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MATTEDI, Marcos A; THEIS, Ivo M. Cruzando fronteiras: conhecimento e interdisciplinaridade
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PENA, Rodolfo F. Alves. "Espaço urbano e rural"; Brasil Escola. Disponível em:
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SIEDENBERG, Dieter R. Desenvolvimento e disparidades socioeconómicas no Rio Grande do
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SLATER, Tom. The downside of upscale. Los Angeles: Los Angeles Times, July 30, 2006.
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