1.

INTRODUÇÃO O folclore brasileiro, segundo o Capítulo I da Carta do Folclore Brasileiro, é sinônimo de cultura popular brasileira, e representa a identidade social da comunidade através de suas criações culturais, coletivas ou individuais; é também uma parte essencial da cultura do Brasil em seu todo. Pernambuco é um estado que possui uma enorme riqueza cultural, reflexo da miscigenação étnico-cultural e por conseqüência disso origina um patrimônio extremamente diversificado. Um período importante para o estado é o festivo destacando o carnaval de rua que já virou tradição perante os nordestinos e brasileiros que se encantam com os desfiles de bonecos gigantes, máscaras, fantasias e decorações tudo ao ritmo de diversos estilos musicais, porem um que é destaque e bastante comum é o frevo. Um marco do folclore pernambucano. Inicialmente analisa-se a música e a dança carnavalesca própria e original do carnaval recifense: o frevo, abordando aspectos essenciais para a compreensão da origem desse estilo e logo após foca-se mais precisamente nas distinções entre ele no passado e no presente e como o processo de estilização e os meios de comunicação influenciaram durante a trajetória do frevo.

2. FOLCLORE

No dia 22 de agosto é comemorada uma das maiores expressões culturais populares, o folclore. O termo foi criado em 22 de agosto de 1846, em Londres, pelo pesquisador inglês WILLIAM THOMS. 'Folk', que significa povo, e 'Lore', saber formando assim 'Folk-Iore', sabedoria do povo. O Brasil é um país rico em diversidades, com uma cultura bastante característica e heterogênea, apresenta em cada região peculiaridades destacados em costumes, crenças e tradições específicas formando um grande conjunto de culturas especiais. "Através do folclore o homem expressa as suas fantasias, os seus medos, os melhores e piores desejos, de justiça e de vingança, às vezes apenas como forma de escapar àquilo que ele não consegue explicar´. (IBGE, Dia Mundial do Folclore, 2011) O folclore traduz a identidade e cultura de um lugar que é transmitido pelas suas tradições expressões e costumes, como as lendas, os contos, os provérbios, as canções, as danças, o artesanato, os jogos, a religiosidade, as brincadeiras infantis, os mitos, os
1

enérgico e alegre resulta em uma cultura popular pernambucana extremamente rica e diversificada. Destaque para Olinda e Recife (Boa Viagem e Centro). aceitos coletivamente. acontecimentos do cotidiano e brincadeiras. O Ciclo Carnavalesco é uma das principais festas populares e manifesta-se em praticamente todo Estado. os Caboclinhos. modificou elementos de origens e retraduziu tudo como um conhecimento coletivo. coletivizadas. religião e os costumes locais surgiram as mais variadas expressões populares. servindo para compreender a história de um determinado povo como ele atua e suas particularidades. os comportamentos. e figurinos e cenários representativos.´ 1 2 . de simples gestos coletivos ou individuais às grandes manifestações de caráter popular como exemplo: festejo. danças. que é objeto central deste trabalho. popular. maracatu. Mas justamente porque foram aceitas. algumas delas são: Maracatu Leão Coroado. esqueceu autorias. As principais danças folclóricas são: samba de roda.1 Os provérbios que repetimos de vez em quando. as adivinhações. que quase sempre são associadas aos principais ciclos festivos. Através das festas. com vários tipos de músicas e danças. O folclore brasileiro é rico em danças que representam as tradições e a cultura de uma determinada região. folguedos e nos costumes do estado onde se preserva a tradição popular. com o tempo a memória oral. com letras simples e populares. os padrões das colchas de fiadeira ou das rendas de bilro. FOLCLORE PERNAMBUCANO Pernambuco lugar de belezas naturais e grande riqueza cultural que unido a criatividade de um povo perspicaz. conhece e reproduz.1 (BRANDÃO. fatos históricos. Nos festejos.idiomas e dialetos característicos. que é o caminho por onde flui o saber do folclore. Estão ligadas aos aspectos religiosos. os La 2. ³O folclore vive da coletivização anônima do que se cria. baião. estes centralizam as maiores e mais numerosas convergências das festas e possuem data confirmada no calendário do brasileiro.1982. 34) . música. as festas e outras atividades culturais que nasceram e se desenvolveram com o povo. lendas. catira. O folclore está no cotidiano do pernambucano. o sistema de rimas das modas do fandango paranaense. São João e Natal. ainda que durante algum tempo os autores possam ser conhecidos. são eles: Carnaval. quadrilha e o frevo pernambucano. festas. os modos artesanais de se fazer a pesca no mar. As danças folclóricas brasileiras caracteri am-se z pelas músicas animadas. algumas marchas de rua e as longas e antigas ³embaixadas´ dos ternos de congos tiveram um dia seus criadores. onde se valorizam as crenças. Enfim. P. o folclore é o conjunto de criações.

chambaril. a literatura. Paulista. o Zé Pereira. A literatura apresenta grandes e renomeados nomes que fizeram diferença através do cordel um tipo de poema popular. as Troças. a pipa (ou papagaio). a carrapeta ou pinhão. São João e São Pedro com ruas enfeitadas de bandeirolas. batata doce. o reisado. canjica. ioiô. fogos. inhame. Em dezembro o foco é o Ciclo Natalino onde o principal representante é o pastoril. originalmente oral. A culinária reflete a cultura diversificada da região. São exemplos deles o pião. fios. couro. Observa-se também o pastoril profano. que se transforma com os costumes. xaxado. a finca. amarelinha. o fandango. homenageia-se Santo Antônio. Alguns exemplos são: Pratos como a carne-de-sol com feijão-de-corda ou com macaxeira. peixada pernambucana. O artesanato apresenta tipos humanos. algumas podem ser fabricados em casa. o Homem da Meia-Noite. apreciam-se bandas de pífano. 3 . forró. Algumas brincadeiras populares são simples e fáceis. xote. brincadeiras populares. o sarapatel com farinha d'água. tecidos. fibras entre outras tipologias. coco e baião entrando assim no Ciclo Junino onde há um certo destaque para as regiões de Caruaru (a capital do forró) Carpina. a queima da lapinha. pamonha.. o Vassourinha. Recife e Olinda. lendas. buchada.. caldinhos. torna uma alimentação bastante saborosa e diferenciada. madeira. Já durante o período do mês de Junho. cantadores. com sua gastronomia e pratos típicos característicos.boi e em especial o Frevo.Ursas. mas sempre retratando a região. Individuais ou coletivas. balões. o Bumba .. emboladores. histórias e cultura de cada região do Estado. São usados para compor o imaginário infantil. o Clube das Pás. cozido. bolinhas de gude. o jabá com jerimum (carne-seca com abóbora). e faz parte da expressão da infância e transmitidos também por gerações. Petrolina.. O fazer artesanal é um dos grandes patrimônios. Outras manifestações folclóricas que não seguem os ciclos. cuscuz de milho ou de mandioca. bacamarteiros. ou a tapioca molhada (com leite de coco). banana comprida. frutos do mar. dobradinha. fogueiras. a cavalhada. o artesanato. quadrilhas. e depois impresso em folhetos rústicos ou outra qualidade de papel e também de escritores seguem a linha mais culta. munguzá. o Galo da Madrugada. ciranda. objetos de grandes e variadas expressões através do uso da cerâmica.meu . mão-de-vaca. mas merecem destaque são a gastronomia. violeiros. nas festas há adivinhações.

. origina-se da linguagem simples e vem de "ferver" e as pessoas pronunciavam "frever. Uma das músicas do repertório chamava ³O -se Frevo´. do bairro do Hipódromo. uma descoberta do pesquisador Evandro Rabello. dando origem a palavra frevo. As lendas são narrativas que enfeitam e caracterizam um lugar. quei ada. no Recife. assombrações e medo.passa anel bola. acompanhadas de mistérios. por corruptela. São al uns si ples exemplos das vastas brincadeiras que fazem parte da cultura da região. As crendices. que valoriza ainda mais o universo mític e o lendário local mostrando que essas expressões culturais devem ser admiradas e apreciadas para manter assim o caráter dos costumes regionais e conscientizar a população a estimar os aspectos simbólicos locais que refletem tanto a identidade do povo per nambucano. 2. lendas. à import ncia do ritmo e a sua data de origem. cada um com sua particularidade. no extinto ³Jornal Pequeno´ vespertino do Recife que mantinha uma detalhada seção carnavalesca da época. gênero e especialidade são depositados uma carga emocional muito fort do fator crença. A nota. acompanham fatos e acontecimentos comuns. assinada pelo jornalista " swaldo Oliveira". que 4 . A palavra é uma expressão popular. contos e os mitos pernambucanos também fazem parte das manifestações folcl ricas. ilustrada por cenários exóticos e de curta extensão. brincadeira de roda. Enfim a região pernambucana é repleta de características e peculiaridades próprias criando assim uma cultura representativa.2 FREV Em 9 de fevereiro de 2007 comemorou-se os Cem anos do Frevo. A palavra frevo foi publicada pela primeira vez no dia 9 de fevereiro de 1907.. citava um ensaio do clube Empalhadores do Feitosa. que é fundamental para o e processo de sobrevivência dos mesmos representam uma sabedoria humilde e a curiosidade popular.

. festança. como já foi dito.. de acordo com o Vocabulário Pernambucano de Pereira da Costa. Assim o ensaísta Mário de Andrade sumariza o frevo em seu Dicionário Musical Brasileiro (Editora Itatiaia. 1989) O frevo é uma dança e um ritmo secular. possuindo como referência a data oficializada na primeira vez que a palavra foi divulgada na imprensa em 09 de fevereiro de 1907 no Jornal Pequeno. 5 . Assim nascia da junção da capoeira com o ritmo do frevo. traduz delírio. feita para o carnaval.. o Passo. como eram comuns conflitos entre blocos. rebuliço. ³O frevo. reedição. Dança instrumental. Os músicos pensavam em dar ao povo mais animação nos folguedos. palavra exótica. tudo rói. multidão. Pode-se afirmar que o frevo é uma criação de compositores de música ligeira. vale por um dicionário. dançando ao ritmo dos dobrados. a dança do frevo. tudo que é de bom diz. tudo come. No decorrer do tempo. bom que dói. tendo como principal articulador Osvaldo Almeida em sua ³Coluna Carnaval´ e significava folia. apertão nas reuniões de grande massa popular no seu vai-e-vem em direções opostas como pelo Carnaval".´ (jornal A Província. 1913). confusão. agitação. alguns capoeiristas passaram a ir à frente dos seus blocos para intimidar blocos rivais. A dança originou-se dos antigos desfiles de carnaval. É inigualável. tudo salta. sublime. marcha em tempo binário e andamento rapidíssimo. completou 100 anos em 2007. tudo dança.passou a designar: "Efervescência. termo raro. exprime. a música ganhou características próprias acompanhadas por um bailado inconfundível de passos soltos e acrobáticos. proteger seu estandarte e defender os músicos das multidões..

Estes se tornaram fiéis as bandas que acompanhavam o que serviu para dividir os capoeiristas em dois partidos. e polca-marcha. as agremiações carnavalescas populares os abrigaram. As primeiras bandas maciais em Pernambuco surgiram em meados do século XIX e tocavam dobrados. também formavam as fanfarras das agremiações. traziam à frente das bandas para defendê-las. Os capoeiristas escolhiam uma banda de sua preferência e consideravam todas as outras como adversárias. efervescência. "O frevo fixou sua estrutura numa vertiginosa evolução da música das bandas de rua. surge musicalmente o frevo e este surgimento está ligado ao repertorio das bandas militares. Nesse caso. empenhada em controlar a massa popular. pessoas que são forçadas a mudar seus modos de vidas e valores. Quando foi proibido que os capoeiristas saíssem à frente das bandas maciais no carnaval. os ex escravos migraram dos engenhos para o centro das cidades. Desta forma concluímos que assim como o maxixe. ressaltando seu papel de movimento social de liberação. Jose Ramos. Como já foi mencionado. De um lado a elite dominante. em busca de oportunidades e de uma vida nova. os capoeiristas criaram coreografias ritmadas para dar suporte às manobras da capoeira. Uma vez que o estilo de dança faz parecer que abaixo dos pés das pessoas exista uma superfície com água fervendo. machas e polcas desfilando pelas ruas do centro de Recife. Da fusão de vários ritmos como o maxixe. 137). para abrir caminho e intimidar os grupos rivais. Só que esses confrontos foram rigorosamente reprimidos pela polícia.agitação. inicia-se um período de mudanças. de inícios da década de 1880 até aos primeiros anos do século XX". uma população majoritariamente analfabeta. Mas sua denominação veio muito depois do surgimento do ritmo já consolidado. e dessa vez ao invés de 6 . a modinha. E assim o carnaval de recife é definido por essas classes populares. a quadrilha. O frevo já fazia parte do carnaval de rua do Recife como marcha carnavalesca desde o século XIX. dando pernadas. capoeiristas fazendo piruetas no embalo das músicas. E eles saiam à frente pulando. E os mesmos músicos que formavam as bandas maciais. 1978 pg. (TINHORÃO. por isso que inicialmente era chamado de ³marcha pernambucana´. reboliço. em 1888. Com a Abolição da Escravatura. o dobrado. E as rivalidades dos partidos de capoeiristas se manifestavam através dessas bandas. e de outro. que por sua vez estavam sendo reprimidas. o frevo surgiu da interação entre a música e a dança. uma nova ordem cultural na sociedade brasileira. Com o advento da República. o tango. saltando.

protegiam os símbolos dos clubes carnavalescos como o estandarte por exemplo. 7 . Também pelo fato do seu modelo de carnaval que visava o monopólio da festividade pela elite dominante. Surgiram também os primeiros clubes de carnaval de Pernambuco. Em 1856. eles foram entrando em decadência. Segundo José Ramos Tinhorão. entre eles o Clube Carnavalesco Misto Vassourinhas (1889) e o Clube Carnavalesco Misto Lenhadores (1897). enquanto a população se mobilizava e organiza suas próprias formas de divertimento. foram os mesmos atores sociais. com o aumento da massa popular. durante o Império o carnaval é ³privatizado´ por clubes. formados por trabalhadores e os Clubes de Alegorias e Críticas das Sociedades Carnavalescas representavam a burguesia. e então. como acontecia nas festas fechadas de salões na Europa. que propiciaram o surgimento do FREVO. a elite. o frevo nasce dos conflitos sociais das ruas do Recife. Quando os grandes comerciantes deixaram de patrocinar os Clubes de Alegoria e Crítica e se recusaram a decorar a cidade. Suas origens remetem as lutas e resistências. E ao contrário do carnaval burguês que oscilavam a cada ano devido à crise econômica financeira dos seus patrocinadores.com. o que acontece não só em Recife.proteger os músicos. ³Dessa forma. que mais tarde vem formar a classe média. Os Clubes Carnavalescos Pedestres representavam as classes populares. a expulsão dos portugueses e a Proclamação da República. os capoeiristas foram proibidos de brincar o carnaval pelo governo da província de Pernambuco.´ (www. mas também em São Paulo e no Rio de Janeiro. ao longo do século XIX. a partir de 1880 a música de rua do recife deixou de ser fornecida apenas por bandas militares. as classes conservadoras. que organizam bailes para divertimento exclusivo da elite. esse movimento popular que posteriormente é denominado frevo é perseguido violentamente. o que era público passa a ser pago. reagindo a polícia extremamente violenta. surgindo nesta década as fanfarras a serviço dos trabalhadores urbanos. Depois de 1888. esses clubes passaram a ter maior destaque no cenário do carnaval de rua do Recife.br) No intuito de restabelecer a ordem preestabelecida pela elite vigente. O carnaval segue dessa forma um modelo de carnaval veneziano. Os pernambucanos que reivindicavam a libertação dos escravos. autor do livro ³Pequena História da Música Popular Brasileira´.claudialima. o carnaval popular ia conquistando as ruas e engolindo a cidade. Nessa mesma época.

com o ritmo do frevo. de suas gingas e rasteiras. foram criados certos tipos e arquétipos de passos. E como decorrer dos tempos. Atualmente o frevo possui mais de 120 passos catalogados. pontilhado. ou componentes de grupos especialistas em música de dança do fim do século XIX tocadores de polcas. saci-pererê. executando verdadeiras acrobacias que desafiam as leis do equilíbrio. tangos. Ou seja. caindo nas molas. locomotiva. a estilização dos passos foi resultado da perseguição infligida pela polícia aos capoeiristas. possíveis e imagináveis. o que permite ao dançarino criar. Os golpes da luta viraram passos de dança e foram evoluindo junto com a música. a dança do frevo. abanando. e pernada. uma dança carnavalesca própria. este claramente identificável na capoeira. nascida do povo. parafuso. inventar os passos mais variados. Surgido no Recife no final do Século XIX. é. Os passos nascem diversas vezes da improvisação e espontaneidade individual do passista. dessa improvisação. tesoura. modificaram seus golpes e trocaram suas antigas armas pela sombrinha. ponta de pé e calcanhar. original. O frevo é um ritmo pernambucano. que aos poucos sumiram das ruas dando lugar aos passistas. E da união da capoeira. uma das criações mais originais dos mestiços da baixa classe média urbana brasileira. nasce o passo. quadrilhas e maxixes como disse Tinhorão: 8 . na sua maioria instrumentistas de bandas militares tocadores de marchas e de dobrados. sem sombra de dúvidas. dos simples aos mais malabarísticos. ferrolho. Então os capoeiristas disfarçadamente passaram a acompanhar a banda dos clubes já que estavam sendo perseguidos pela polícia.formados por trabalhadores. entre eles a dobradiça.

com quiálteras. 1989). 139) 3. assim começou a ser estabelecida as diferenças do frevo: introdução sincopada. criada pelo próprio povo.´ (TINHORÃO. O ensaísta Mário de Andrade sumariza o frevo em seu dicionário musical brasileiro como sendo uma ³Dança instrumental. a dança do frevo. Eram usadas gingas e rasteiras para abrir o caminho.³Na verdade. dai teria nascido o passo. reedição. E atualmente até as sobrinhas coloridas que são umas dos principais símbolos do carnaval. Jose Ramos. a palavra estilização se conceitua como ³processo artístico. O frevo nasceu espontaneamente no meio do povo. seria uma estilização 9 .´ Para entendermos melhor o processo de estilização do frevo vamos voltar às origens do frevo. o frevo é um amálgama destes gêneros musicais. Os golpes das lutas viraram passos de dança e foram evoluindo juntamente com a música. No seu início o frevo trazia capoeiristas à frente do cortejo. modificando segundo as -os regras da arte. marcha em tempo binário e andamento rapidíssimo. A marcha e a polca não tinham introdução. ou melhor. pg. um complementando o outro. que consiste em dar estilo.´ (Editora Ilaiaia. Não se sabe ao certo quem surgiu primeiro se o passo ao a música. O PROCESSO DE ESTILIZAÇÃO E O FRE O De acordo com o ³dicionário ilustrado ± Decôs in labor´. Na verdade eles evoluíram juntos.

surgira à instrumental. para os que eram cantados e Frevo de Bloco... o site Wikipédia afirma o oposto de Saldanha: antes da música cantada. pg. rasgados e velhos. Outro processo de estilização ocorreu em 1930. cores e texturas.dos guarda-chuvas utilizados anteriormente como armas para ataque e defesa dos capoeiristas. acompanharam a evolução da dança. feita de diversos formatos. (Koellreuter. Frevo Canção. sendo que o dobrado chamado Banha Cheirosa (compositor anônimo) é considerado o primeiro frevo-canção. quando surgiu a divisão do frevo em três tipos: Frevo de Rua seriam para os grupos instrumentais orquestrais. cheias de adornos e enfeites para facilitar a dança e embelezar a coreografia. o gênero musical pernambucano já nasce como música cantada. [. 1983. para aqueles que executam antigas marchas 10 . substituindo e/ou acrescentando elementos para obter determinados efeitos estéticos ou estilísticos. Entretanto. suprimindo. esses guarda-chuvas pretos. dar estilo. Com o tempo.] Estilização: ato de modificar. estilizaram-se em uma sobrinha pequena. grandes. 7) De acordo com Saldanha (2008).

cresceu e se consolidaram por razões regionais. As cidades se enchem de turistas em busca de divertimento que lhe são oferecidos através das músicas e das danças e uma delas é o frevo. A gravadora Rozemblit. p. fez com que a música crescesse até um determinado ponto. RCA Victor . TELES. A cultura popular tem sido vendida. Caetano Veloso. em seus catálogos. de culinária e porque não dizer que o divertimento também tem sido vendido. 2008. o compositor Carlos Fernando foi o idealizador do projeto fonográfico Asas da América. Foi o rádio que consolidou o gênero pernambucano. a música do carnaval pernambucano. como Chico Buarque. foi à maior divulgadora do carnaval pernambucano (SALDANHA. o fazendo papel de grande divulgador. Copacabana. Odeon. foi a victrola que propiciou um maior conhecimento do frevo até o surgimento do rádio. Entretanto. pois divulgou o gênero nacionalmente por meio dos grandes nomes da Música Popular Brasileira. Esta foi à primeira tentativa de modernização do frevo. Durante todo seu desenvolvimento o frevo passou pelo processo de estilização. agregando importantes nomes do gênero de Recife com grandes nomes da música popular brasileira. Gilberto Gil . Antes tido como divertimento. de roupas. em forma de artesanato. 2002). As gravadoras instaladas no Rio de Janeiro. a música pernambucana e a nordestina. Continental . p. 2008. O Frevo como os produtos que o folclore virou um comércio. De acordo com Vianna (2007. entre outros (O frevo. As gravadoras tiveram um importante papel na divulgação do gênero.carnavalescas. que. Houve um mercad regional de discos. perceberam o grande potencial econômico do frevo e passaram a incluir . Conseguiu também expandir o conhecimento do frevo. 93). e não tem sido diferente nos dias atuais. 137). o frevo virou uma forma lucrativa de ganhar dinheiro. por meio do Maestro Nelson Ferreira. Por outro lado. 11 . de uma maneira geral. entre outras . Philips .

onde todas as classes sociais se misturam num ritmo tipicamente popular. Enfim. que fazem shows. e participam de festivais e competições. restaurantes. com uma identidade coreográfica específica e exuberante µO Passo¶ unida a uma música instrumental consagrada que também 12 . p. são os carnavais que rendem lucros tanto para os cantores e dançarinos. Em 2007 o frevo fez 100 anos de história e não faltaram homenagens para esse ritmo que contagia multidões. CONCLUSÃO O frevo. quanto para as redes hoteleiras. Por isso. 4. do povo. é uma dança de multidão. do frevo surge um leque de meios para obtenção de lucros. O processo de estilização ajudou o frevo a se modernizar. são os CDs e DVDs. atrai e empolga quem passa que acaba fazendo parte do folguedo e caindo no frevo.Hoje existe um lucro enorme por traz do divertimento que o frevo traz. de gente. 2000. a torna-se visualmente bonito e convidativo. 629). O processo de estilização sofrido pelo frevo foi quem possibilitou todo esse reconhecimento que esse ritmo possui. sem hesitar. O volume de Koogan/Houaiss assim define: ³Estilizar é simplificar uma figura dandolhe aspecto decorativo´ (Labor.

extravasamento e alegria daqueles que dançam. 1991. Rio de Janeiro. da modinha à lambada. A comunicação gestual.php 13 . REFERÊNCIAS COMPLEMENTARES http://jornalmusical. marcha e maxixe e características próprias unido a criatividade de um povo animado. O que é o folclore? São Paulo. TINHORÃO. ganhando cada vez mais reconhecimento e perpetuando-se no cenário musical. Aurora. Por fim o frevo é contagiante na essência dos passistas ou da multidão. Rio de Janeiro. 1972.php?edicao=0307&id_mat=924 http://cliquemusic. Pequena história da música popular. 2003. Coleção Primeiros Passos. 3. Onde primeiramente surgiu o espírito. REFERÊNCIAS RIBEIRO.com/musicacultura/frevo. Mais precisamente no dia 9 de fevereiro o frevo completa 104 anos desde a oficialização da data tornando-se assim um fenômeno único e típico da música popular brasileira. Jose Ramos. 1977. sem sombra de dúvidas. se divertem e participam desse contagiante ritmo.com. ALBUQUERQUE.uol.br/generos/ver/frevo http://www. 1990. dançarem através de passos entusiasmados e com uma estrutura rítmica de grande melodia e harmonia que ecoa alegria. José. São Paulo. Florestan. 2 . Carlos. Brasiliense. BRANDÃO.portalsaofrancisco. Eudenise. vol.br/publisher/preview. n 5. 75-92. ele faz as pessoas interagirem.suapesquisa. acelerando os corações das gerações. um folguedo carnavalesco e folclórico que vem desbravando os anos.série universitária. Rio.asp?iidtexto=876&iqdesecao=1 http://www.com. p.com. ESTUDOS HISTÓRICOS. Martins Fontes. uma das danças e ritmo mais vivos.com.br/alfa/historia-do-carnaval/frevo-2. vol. Rio de Janeiro. Art. O folclore em questão.htm http://revistahost.br/textoDetalhe. FERNANDES. onde o berço é o Estado de Pernambuco. a essência acelerada e efervescente para depois a denominação µfrevo¶ e mais tarde a o ritmo ser considerado um gênero musical importante e se consagrar em nossos carnavais. Editora.envolve admiráveis poemas populares os frevos-canção dos blocos que realçam toda exuberância.uol. Brasil no Folclore. Originário de elementos da capoeira. agitado e autêntico o frevo se tornou. 1ª edição. região de grandes belezas naturais e históricas aliada a uma riqueza cultural extremamente diversificada e marcante. 1982.

14 .

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful