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Vou começar esse texto do mesmo jeito que você falou que começou o seu.

Foi como um furacão


mesmo. Rápido e intenso, por onde passou fez estrago, mas pra gente que tava bem ali no meio era
como se tivesse tudo até mais calmo do que antes.

Eu penso muito sobre o que a gente teve (ou o que a gente não teve) e por mais que eu me esforce
muito, não consigo encontrar as palavras exatas pra descrever o que foi. Nossa relação partiu de um
senso e um desejo por liberdade, por poder escolher, poder escrever nossa própria história, tomar
nossas próprias decisões e arcar com as consequências disso tudo. E funcionou muito. Nesses
últimos dois meses passei por situações que me fizeram amadurecer muito, entender melhor como o
mundo funciona, como o ser humano é completamente regido pelos desejos e emoções, e como tudo
que acontece é consequência do que sentimos. Posso dizer que, na minha visão, aconteceu a
mesma coisa com você. Fico muito orgulhoso de ver como você mudou nesse tempo, como passou a
cuidar mais do que você sente, do que você deseja, do que você acha que te faz bem. Acho que
para nós dois, esses dois meses foram um gostinho de como é se colocar em primeiro lugar, algo
que nunca fizemos muito. Pelo que você me mostrou do seu diário, acho que a gente era muito
parecidos quando pequenos - sensíveis (mais do que o normal), exageradamente preocupados com
a reação dos nosso amigos, e com medo de não ter esse lado compreendido por eles, e acho que
isso levou nós dois a se colocar em um lugar pouco saudável de passividade ao longo da vida . Se
priorizar também não é um mar de rosas, e disso a gente sabe bem, mas eu acho que as
consequências que a gente teve que lidar fazem parte de toda a história - ela não existiria sem toda a
dor, a culpa e angústia que sentimos e que, infelizmente, causamos nos outros.

Acho que posso dizer que a mesma palavra que marca nosso encontro também marca nossa
despedida - liberdade. Quando me peguei sentindo ciúmes de você, foram como se dois lados meus
entrassem em conflito. O lado que te quer pra mim e o lado que te quer bem. Que nem eu disse, a
gente veio de um lugar de busca por liberdade, não é justo que eu queira tirar essa liberdade de você
agora, justamente quando você tá, mais do que nunca, gostando de viver ela. Chega a ser irônico
isso, essa ideia de que o que criou a gente, também “matou” a gente. Coloco entre muitas aspas
porque por mais que essa partida doa em um primeiro momento, acho que pra nós dois ela vai
significar muito mais vida a longo prazo, principalmente pra você. Também porque o que vai embora
não é tudo que a gente é, ainda sobra aquele lado que não existe só nosso mundo escondido, o lado
que veio justamente antes desse.

Dito isso, queria te agradecer pelo que a gente dividiu. Criamos um lugar especial um para o outro, e
isso pra mim é muito importante. Com certeza o que a gente teve (e de novo, o que a gente não teve)
vai ficar guardado dentro de mim por muito tempo.

Termino te desejando todas as melhores experiências do mundo nos próximos quatro meses. Você é
uma menina incrível que carrega sua doçura e carinho por todo lugar que vai. Difícil conhecer alguém
que não se encante pela pessoa que você é. Espero que você coloque em prática tudo que a gente
aprendeu juntos - experimente tudo que você tiver vontade, explore qualquer canto da vida que te faz
curiosa, descubra coisas novas sobre o mundo e sobre você mesma. Espero mesmo. A história que
a gente dividiu me ensinou o quanto a vida é linda e cheia de coisas para acontecerem e serem
experienciadas. Me ensinou que não existe prazer maior do que segurar o lápis na mão e escrever a
própria história, por mais tortas que as linhas possam sair. Agora tá na hora de você colocar uma
vírgula (pra não dizer ponto final) nesse capítulo e continuar escrevendo.

Te espero aqui (mas não parado rs)

- Dˆ
PS: Não fiz o casaco, mas fiz uma coisa que acho que diz mais sobre nós dois. Sei o quanto você
queria o casaco, mas senti que ele não fazia tanto sentido nesse momento. Vou deixar ele guardado
pra você em outra ocasião.

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