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Tribunal Superior Eleitoral

PJe - Processo Judicial Eletrônico

16/09/2022

Número: 0601137-90.2022.6.00.0000
Classe: REPRESENTAÇÃO
Órgão julgador colegiado: Colegiado do Tribunal Superior Eleitoral
Órgão julgador: Juiz Auxiliar - Ministro Paulo de Tarso Vieira Sanseverino
Última distribuição : 16/09/2022
Valor da causa: R$ 0,00
Assuntos: Cargo - Presidente da República, Propaganda Política - Propaganda Eleitoral -
Divulgação de Notícia Sabidamente Falsa
Segredo de justiça? NÃO
Justiça gratuita? NÃO
Pedido de liminar ou antecipação de tutela? SIM
Partes Procurador/Terceiro vinculado
COLIGAÇÃO BRASIL DA ESPERANÇA (REPRESENTANTE) MATHEUS HENRIQUE DOMINGUES LIMA (ADVOGADO)
ROBERTA NAYARA PEREIRA ALEXANDRE (ADVOGADO)
FERNANDA BERNARDELLI MARQUES (ADVOGADO)
GUILHERME QUEIROZ GONCALVES (ADVOGADO)
GEAN CARLOS FERREIRA DE MOURA AGUIAR
(ADVOGADO)
VICTOR LUGAN RIZZON CHEN (ADVOGADO)
VALESKA TEIXEIRA ZANIN MARTINS (ADVOGADO)
MIGUEL FILIPI PIMENTEL NOVAES (ADVOGADO)
MARIA EDUARDA PRAXEDES SILVA (ADVOGADO)
MARIA DE LOURDES LOPES (ADVOGADO)
MARCELO WINCH SCHMIDT (ADVOGADO)
EUGENIO JOSE GUILHERME DE ARAGAO (ADVOGADO)
CRISTIANO ZANIN MARTINS (ADVOGADO)
ANGELO LONGO FERRARO (ADVOGADO)
EDUARDA PORTELLA QUEVEDO (ADVOGADO)
JAIR MESSIAS BOLSONARO (REPRESENTADO) MARINA FURLAN RIBEIRO BARBOSA NETTO
(ADVOGADO)
ADEMAR APARECIDO DA COSTA FILHO (ADVOGADO)
MARINA ALMEIDA MORAIS (ADVOGADO)
EDUARDO AUGUSTO VIEIRA DE CARVALHO (ADVOGADO)
TARCISIO VIEIRA DE CARVALHO NETO (ADVOGADO)
COLIGAÇÃO PELO BEM DO BRASIL (REPRESENTADA) EDUARDO AUGUSTO VIEIRA DE CARVALHO (ADVOGADO)
MARINA ALMEIDA MORAIS (ADVOGADO)
ADEMAR APARECIDO DA COSTA FILHO (ADVOGADO)
MARINA FURLAN RIBEIRO BARBOSA NETTO
(ADVOGADO)
TARCISIO VIEIRA DE CARVALHO NETO (ADVOGADO)
Procurador Geral Eleitoral (FISCAL DA LEI)
Documentos
Id. Data da Documento Tipo
Assinatura
15808 16/09/2022 18:52 Representação Petição Inicial Anexa
0292
EXCELENTÍSSIMO SENHOR MINISTRO PRESIDENTE E. DO TRIBUNAL

SUPERIOR ELEITORAL

COLIGAÇÃO BRASIL DA ESPERANÇA, formada pela FEDERAÇÃO

BRASIL DA ESPERANÇA (FE BRASIL), inscrita no CNPJ/MF sob o nº

46.406.275/0001-20, com sede no Setor Comercial Sul, Quadra 02, Bloco C, Edifício

Toufic, 1º andar, CEP 70302-000, Brasília/DF, constituída pelo Partido dos

Trabalhadores (PT), Partido Verde (PV) e Partido Comunista do Brasil (PCdoB);

pela FEDERAÇÃO PSOL-REDE, inscrita no CNPJ/MF sob o nº 46.875.220/0001-


6, com sede no Setor Comercial Sul, Quadra 02, Bloco C, nº 252-A, Ed. Jamel

Cecílio, 5º Andar, Brasília/DF, CEP 70302-905, integrada pelo Partido Socialismo

e Liberdade (PSOL) e pela Rede Sustentabilidade (REDE); pelo PARTIDO

SOCIALISTA BRASILEIRO (PSB) inscrito no CNPJ sob o nº 01.421.697/0001-37,

com sede no SCLN 304, Bloco A, Sobreloja, Brasília/DF, CEP n. 70.736-510; pelo

SOLIDARIEDADE, inscrito no CNPJ/MF sob o nº 18.532.307/0001-07, com sede

na SRTVS, Quadra 701, Bloco O, Salas 790 a 793, Ed. Multiempresarial, Asa Sul,

Brasília/DF; pelo AVANTE, inscrito no CNPJ/MF sob o nº 59.933.952/0001-00,

com sede no SAI, Quadra 05, Ed. Heleno Center, Sala 301, Guará, Brasília/DF,

CEP 71200-055; e pelo PARTIDO AGIR, inscrito no CNPJ/MF sob o nº

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32.206.989/0001-80, com sede no SCS, Quadra 06, Bloco A, sobreloja 02, Ed.

Presidente, Asa Sul, Brasília/DF, CEP: 70.327-900; PARTIDO REPUBLICADO

DA ORDEM SOCIAL (PROS), inscrito no CNPJ sob o nº 12.952.205/0001-56,

com sede em SHIS, QL 26, conj. 1, cs 19, Lago Sul, Brasília/DF, CEP 71.665-115; e

representada pela Deputada Federal GLEISI HELENA HOFFMANN, brasileira,

casada, Deputada Federal (PT/PR), endereço funcional na Esplanada dos

Ministérios, Praça dos Três Poderes, Câmara dos Deputados, Gabinete 232 –

Anexo, vem, respeitosamente, por meio de seus advogados, mediante


instrumento de procuração anexo, com fundamento na Resolução 23.610/2019 do

TSE, ajuizar a presente

REPRESENTAÇÃO ELEITORAL

contra JAIR MESSIAS BOLSONARO, brasileiro, casado, Presidente da

República, portador do inscrito no CPF sob o nº 453.178.287-91, com endereço

funcional no Palácio do Planalto, Praça dos Três Poderes, Brasília/DF CEP 70150-
900 ou no SHIS QI 15, Conjunto 11, Casa 06, Lago Sul, Brasília (DF), CEP 71635-

310, telefone (61) 99697-5722 – WhatsApp, correio eletrônico

initmacoes@vcaa.adv.br e mauro.cio@presidencia.gov.br; e COLIGAÇÃO PELO

BEM DO BRASIL (PL/PP/REPUBLICANOS), com endereço no SHIS QI 15,

Conjunto 11, Casa 06, Lago Sul, Brasília (DF), CEP 71.635- 310, telefone (61) 99697-

5722 – WhatsApp, correio eletrônico initmacoes@vcaa.adv.br, cujos dados foram

obtidos através do pedido de registro de candidatura e DRAP 1 , em razão dos

acontecimentos a seguir expostos.

1 Processo RCAND 0600729-02.2022.6.00.0000 e Processo DRAP 0600728-17.2022.6.00.0000


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I – DOS FATOS

1. A presente representação eleitoral surge diante de desinformaçã o

promovida pelos Representados no horário eleitoral gratuito, veiculado em 15 de


agosto de 2022. A propaganda divulga fatos inverídicos e descontextualiza dos,

que possuem o condão de atingir, de sobremaneira, o processo eleitoral. Além

disso, também a) visa degradar e ridicularizar o candidato à Presidência, Sr. Luiz

Inácio Lula da Silva; b) injuria e difama; bem como c) provoca estados passionais

no eleitor. Senão vejamos.

2. Confira-se, pois, o inteiro teor do material veiculado:

Locutora da Propaganda (‘00:00 – 00:17’)


“Este espaço é para divulgar propostas, ideias e o que
acreditamos ser o melhor para o Brasil. Mas hoje, eu quero pedir
licença porque estão tentando fazer você acreditar numa mentira
e nós não podemos permitir. Não vamos fazer julgamento,
apenas dizer a verdade”.

Fala do jornalista William Bonner – Jornal Nacional (‘00:17 –


00:23’)
“Nunca antes no país, um ocupante da presidência tinha sido
condenado por crime comum”.

Fala do jornalista Rodrigo Bocardi – TV Globo (‘00:23 – 00:29’)


“Existem provas de que Lula cometeu os crimes de corrupção
passiva e lavagem de dinheiro”.

Fala da jornalista Renata Vasconcelos – TV Globo (‘00:29 –


00:34’)
“A condenação de Lula no caso do tríplex está confirmada por
três instâncias da Justiça”.

Fala da jornalista Giuliana Morrone – TV Globo (‘00:35 – 00:38’)


“Lula é o primeiro ex-presidente da República preso”.

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Locutora da Propaganda (‘00:39 – 00:41’)
“Foram mais de 60 delações no processo”.

Delator Antonio Palocci (‘00:41 – 00:52’)


“O doutor Emílio Odebrecht fez uma espécie de pacto de sangue
com o presidente Lula e levou um pacote de propinas do
presidente Lula de R$ 300.000.000,00”.

Delator Marcelo Odebrecht (’00:52 – 00:55’)

“E eu acabei disponibilizando para ele ao redor de R$


300.000.000,00”.

Lula – Em sede de debate (’00:55 – 00:59’)


“Eu fui julgado, fui considerado inocente”.

Locutora da Propaganda (’00:59 – 01:07’)


“Não, não foi. A pior e maior mentira dessa eleição é dizer que
Lula foi inocentado”.

Josias de Souza – Colunista UOL (’01:07 – 01:12’)


“É falsa a ideia de que Lula se tornou um político inocente”.

Ives Gandra – Jurista (’01:12 – 01:18’)


“Não foi inocentado. O processo vai ser recomeçado numa outra
jurisdição”.

Maria Beltrão – Globo News (‘01:19 – 01:22’)


“Isso não quer dizer também que o ex-presidente Lula foi
inocentado”.

Marco Aurélio – Entrevista na Band do Ex-Ministro (‘01:23 –


01:34’)
“O Supremo não o inocentou. O Supremo aceitou a nulidade dos
processos crime, o que implica o retorno à fase anterior, à fase
inicial”.

População – entrevista 1 (’01:35 – 01:37’)


“A maior mentira das eleições é que o Lula é inocente”.

População – entrevista 2 (‘01:37 – 01:39’)

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“Foi preso, ficou quase dois anos”.

População – entrevista 3 (‘01:39’ – 01:42’)


“Uma pessoa que rouba, que deixa a nação do jeito que deixou”.

População – entrevista 4 (’01:42 – 01:43’)


“O povo precisa saber a verdade”.

População – entrevista 5 (’01:43 – 01:48”)


“É vergonhoso para o país ter um cara como ele disputando uma
presidência”.

Narrador (01:49 – 01:52’)


“Se Lula foi condenado, por que ele está solto?” (01:49 – 01:52’)

Locutora da Propaganda (’01:53 – 02:34’)


“Eu vou explicar. Imagina um bandido assaltando uma mulher.
Um policial age, prende o bandido e junto com as testemunhas
vão todos para a delegacia federal. São ouvidos e o bandido é
preso. Aí chega o advogado e diz que o crime não é federal e,
portanto, o ladrão deveria estar em outra delegacia. Aí o bandido
é solto, ou seja, o roubo existiu, só que o ladrão será julgado em
outro lugar. Foi isso que aconteceu com o Lula. O processo
mudou de lugar, mas a verdade, essa não muda. Democracia é
isso. Você pode votar em quem você quiser, mas como você viu,
Lula está mentindo. Ele não foi inocentado”.

Propaganda (’02:34 – 02:41’)


“Bolsonaro Presidente. Pelo bem do Brasil”.

3. Na aludida peça publicitária, foram retiradas de contexto diversas falas de

jornalistas (grupo 1), delatores (grupo 2) e especialistas (grupo 3), de modo a

configurar-se verdadeira desinformação no eleitor a partir da

descontextualização, o que é expressamente defeso pelo ordenamento jurídico

pátrio. O intuito é apenas um: incutir falsas ideias na mente do eleitor, gerando

verdadeiros estados passionais e desequilibrar o pleito que se avizinha.

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4. Igualmente, há também a existência inconteste de propaganda eleitoral

negativa em face do ex-Presidente Lula, construída a partir de injúria e

difamação, bem como degradação do candidato. Logo, não é crível que a referida

propaganda permaneça sendo veiculada em canais televisivos – os quais contém

imensurável alcance de telespectadores que podem ser influenciados de maneira

negativa.

5. No primeiro grupo, no qual foram pinçadas falas esparsas dos jornalistas

William Bonner (‘00:17 – 00:23’), Rodrigo Bocardi (‘00:23 – 00:29’), Renata

Vasconcelos (‘00:29 – 00:34’) e Giuliana Morrone (‘00:35 – 00:38’), verifica-se com

hialina clareza que as mesmas foram retiradas de contexto, de modo a configurar

descontextualização.

6. Os trechos selecionados são temporalmente incompatíveis com o

resultado 100% favorável que o ex-presidente Lula obteve em todos os processos

e procedimentos criminais - resultado esse que é público e notório. O uso de

informação sabidamente inverídica, nessa perspectiva, também é patente.

7. Por conseguinte, no que diz respeito ao segundo grupo, ora relativo à

existência de supostas delações premiadas desabonadoras ao candidato Luiz

Inácio Lula da Silva, é preciso dizer que, por expressa disposição legal, tais

acordos são meros meios de obtenção provas e não provas propriamente ditas.

8. No ponto, é preciso registrar que, em um passado recente, a falecida

“operação lava jato”, por meio de um verdadeiro modus operandi instituído,

utilizou-se de uma autêntica indústria de delações premiadas como instrumento

de: (i) alienação e insuflação da opinião pública, (ii) vulneração da presunção de

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inocência dos delatados e (iii) interferência nas decisões políticas do país. Dessa

forma, visando exatamente os mesmos objetivos, os delatores de plantão

pinçados pelos Representados não poderiam ser mais emblemáticos: os senhores

Antonio Palocci Filho e Marcelo Bahia Odebrecht Filho.

9. No que diz respeito ao acordo do senhor Antonio Palocci Filho, nunca é

demais lembrar que sua fantasiosa narrativa engendrada foi rejeitada – de saída

– pelo próprio Ministério Público Federal, por meio das forças-tarefas em

Curitiba, em São Paulo e, também pela Procuradoria-Geral da República, no

Distrito Federal.

10. Nesse diapasão, quadra estampar que em entrevista concedida ao jornal

Folha de São Paulo o então coordenador da força-tarefa na lava jato em Curitiba,

o ex-procurador da República Carlos Fernando dos Santos Lima, alertou de

maneira contundente o fiasco que se avizinhava:

“Vou dar o exemplo também do acordo do Antônio Palocci,


celebrado pela PF depois que o Ministério Público recusou.
Demoramos meses negociando. Não tinha provas suficientes.
Não tinha bons caminhos investigativos. Fora isso, qual era a
expectativa? De algo, como diz a mídia, do fim do mundo. Está
mais para o acordo do fim da picada. Essas expectativas não vão
se revelar verdadeiras” (entrevista ao Jornal Folha de São Paulo,
de 30 de julho de 2018; grifei).

11. Fato é que acolhida pela Polícia Federal no Paraná, em março de 2018, à

revelia do Ministério Público Federal, tal acordo se revelou, como é de

conhecimento amplo e geral, absolutamente inconsistente - a ponto de ser

rejeitado, igualmente, pela própria Polícia Federal, em São Paulo.

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12. Naquela oportunidade, o relatório da PF concluiu que, “as afirmações

foram desmentidas por todas as testemunhas, declarantes e por outros

colaboradores da Justiça” e “parecem todas terem sido encontradas em

pesquisas na internet, porquanto baseadas em dados públicos, sem acréscimo

de elementos de corroboração, a não ser notícias de jornais” (Relatório conclusivo

do DPF Marcelo Feres Daher).

13. Nesse conduto, olvidam-se os Representados de informar, ao se socorrer

as fábulas contadas pelo senhor Antonio Palocci Filho, que tal acordo, em

verdade, se prestou apenas para convulsionar o país às vésperas das últimas

eleições, favorecendo justamente o candidato Jair Messias Bolsonaro. Sem

contorcionismos retóricos, confira-se, pois, o seguinte trecho de decisão da

Suprema Corte reconhecendo este cenário:

Registro, nesse ponto, que em 1º/10/2018, às vésperas do


primeiro turno da eleição presidencial (ocorrido em 7/10/2018), e
após o encerramento da instrução processual nos autos da AP
5063130- 17.2016.4.04.7000/PR, o então Juiz federal Sérgio Moro
proferiu decisão, determinando, de ofício, o levantamento do
sigilo e o translado de parte dos depoimentos prestados por
Antônio Palocci Filho, em acordo de colaboração premiada, para
os autos da referida ação penal (e-doc 4).
Em outras palavras, o ex-magistrado aguardou mais de 3 meses
da homologação da delação de Antônio Palocci, para, na semana
do primeiro turno das eleições de 2018, determinar, sem prévio
requerimento do órgão acusatório, a efetiva juntada no citado
processo criminal.
(...)
Com essas e outras atitudes que haverão de ser verticalmente
analisadas no âmbito do HC 164.493/PR, o referido magistrado -
para além de influenciar, de forma direta e relevante, o resultado
da disputa eleitoral, conforme asseveram inúmeros analistas

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políticos, desvelando um comportamento, no mínimo,
heterodoxo no julgamento dos processos criminais instaurados
contra o ex-Presidente Lula -, violou o sistema acusatório, bem
como as garantias constitucionais do contraditório e da ampla
defesa (art. 5º, LV, da CF).
(STF – HC 163.943 AgR/PR – voto condutor Min. Ricardo
Lewandowski)

14. Ao seu turno, também em sentido bem diverso do que pretendem induzir

os Representados, o acordo entabulado pelos executivos do Grupo Odebrecht é

imprestável por múltiplos ângulos – v.g. remuneração dos delatores2 ; coação de

delatores para criarem relatos3 , adulteração dos elementos de corroboração4 , etc.

15. Já no caso específico do Sr. Marcelo Bahia Odebrecht, o trecho retro

pinçado pelos Representados sequer condiz com o posicionamento derradeiro do

delator em comento. Com efeito, em meados de outubro de 2019, o Sr. Marcelo

foi ouvido na qualidade de testemunha de acusação nos autos da Ação Penal nº

1004454-59.2019.4.01.3400, em trâmite perante da 10ª Vara Federal Criminal do

Distrito Federal, onde teceu severas críticas às acusações apontadas contra o ex-

Presidente Lula.

2 Odebrecht pagou R$ 1,5 bi a 77 delatores. Disponível em:


https://valor.globo.com/impresso/noticia/2020/01/13/odebrecht-pagou-r-15-bi-a-77-
delatores.ghtml Acesso em: 16.09.2022.
3 Delator diz que foi coagido a ‘construir relator’ sobre sítio de Atibaia. Di sponível em:

https://www.poder360.com.br/justica/delator-diz-que-foi-coagido-a-construir-relato-sobre-sitio-
de-atibaia/. Acesso em: 16.09.2022.
4 Peritos da PF admitem que documentos da Odebrecht podem ter sido adulterados. Disponível

em: https://www.conjur.com.br/2020-fev-27/peritos-admitem-documento-odebrecht-sido-
alterado#author. Acesso em: 16.09.2022.
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16. Em suas palavras, Marcelo Bahia Odebrecht disse ser “extremamente

injusto fazer qualquer espécie de acusação ou condenação de Lula sem que se

esclareça contradições”5 .

17. Corroborando tal assertiva, foi publicado pelo O Globo, aos 15.12.2019,

que o referido delator teria confidenciado a pessoas próximas que as provas

apresentadas ao Ministério Público Federal não comprovam os supostos

benefícios ao ex-Presidente Lula em desvios da Petrobras e que, portanto,

acredita na anulação das condenações – como de fato veio a ocorrer.

18. Nesse conduto de razões, ao se valer de acordos de delação sabidamente


imprestáveis, a uma porquanto terminantemente rejeitado pelas próprias

autoridades competentes (caso do senhor Antonio Palocci Filho) e a duas na

medida em que desacreditado pelo próprio delator (caso do senhor Marcelo

Bahia Odebrecht) – cujos elementos, é de bom alvitre consignar, foram

inutilizados por decisão já transitada da Suprema Corte (Reclamação

Constitucional n.º 43.007/DF), jaz inequívoco uso deliberado de informação

mendaz.

19. Por fim, no que se refere ao terceiro grupo, por sua vez composto por

comentários de experts (Josias de Souza, 01:07 – 01:12; Ives Grandra, 01:12 – 01:18;

Maria Beltrão, 01:19 – 01:22; e Marco Aurélio, 01:23 – 01:34), ora pinçados com o

propósito de incutir a falsa ideia de que o candidato Luiz Inácio Lula da Silva não

se trata de um político inocente, traduz-se, novamente, em verdadeira

5 Marcelo Odebrecht: é “injusto” condenar Lula sem esclarecer contradições. Disponível em:
https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2019/10/04/marcelo-odebrecht-e-injusto-
condenarlula-sem-esclarecer-contradicoes.htm. Acesso em: 16.09.2022.
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descontextualização – por meio de recortes – para incutir falsas ideias na mente

do eleitor e desequilibrar o pleito que se avizinha.

20. Assim, vale ressaltar que, ao revés da “montagem” lançada, é

incontroverso que fora da dimensão da pós-verdade, onde apelos emocionais

importam mais que fatos objetivos, inexiste uma mácula sequer a tisnar o status

de inocente do candidato Luiz Inácio Lula da Silva – o qual jamais foi perdido,

segundo os ditames constitucionais, como inclusive é de pleno conhecimento do

único expert que de algum modo participou dos processos do ex-Presidente Lula

e cuja fala fora recortada na peça publicitária em comento, o ex-Ministro Marco

Aurélio, que por sinal restou vencido em todas as deliberações travadas no writ

193.726/PR, objeto de sua fala.

21. Ademais, quanto à alegação dos Representados, no sentido de que o ex-

presidente Lula não é inocente, quadra evidenciar o óbvio: o estado de inocência

somente pode ser infirmado com o trânsito em julgado de eventual sentença

penal condenatória (art. 5º, inciso LVII, da Constituição da República).

22. Nesse sentido, conforme os ensinamentos de Aury Lopes Junior, o

princípio constitucional da presunção de inocência impõe um verdadeiro dever

de tratamento, impedindo, dentre outras coisas, a publicidade abusiva e a

estigmatização precoce do cidadão:

“[...] a presunção de inocência impõe um verdadeiro dever de


tratamento (na medida em que exige que o réu seja tratado como
inocente), que atua em duas dimensões: interna ao processo e
impõe-se a obrigação de tratar o acusado como inocente até o
trânsito em julgado; enquanto na segunda exterior a ele.
Internamente, é a imposição – ao juiz – de tratar o acusado

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efetivamente como inocente até que sobrevenha eventual
sentença penal condenatória transitada em julgado. Isso terá
reflexos, entre outros, no uso excepcional das prisões cautelares,
como explicaremos no capítulo específico. Na dimensão externa
ao processo, a presunção de inocência exige uma proteção contra
a publicidade abusiva e a estigmatização (precoce) do réu.
Significa dizer que a presunção de inocência (e também as
garantias constitucionais da imagem, dignidade e privacidade)
deve ser utilizada como verdadeiro limite democrático à abusiva
exploração midiática em torno do fato criminoso e do próprio
processo judicial. O bizarro espetáculo montado pelo julgamento
midiático deve ser coibido pela eficácia da presunção de
inocência6.

23. Dessa forma, ao extirpar do mundo jurídico duas sentenças condenatória s

ilegítimas (HC nº 164.493/PR e HC nº 193.726/PR), o Supremo Tribunal Federal

reafirmou a inocência do candidato Luiz Inácio Lula da Silva.

24. Igualmente, no âmbito das Nações Unidas, tem-se que, em um primeiro

momento, o Comitê de Direitos Humanos da ONU acolheu pedido liminar

formulado pela defesa do ex-presidente, determinando ao Estado brasileiro a

adoção de todas as medidas necessárias para que ele pudesse concorrer nas

eleições presidenciais de 2018. Mesmo que essa r. decisão tenha sido

lamentavelmente descumprida, a conclusão preliminar adotada pelo Comitê foi

a de que, diante da ausência de decisão transitada em julgado, os direitos

políticos do candidato deveriam ser respeitados7 .

6 LOPES JÚNIOR, Aury. Direito Processual Penal. 17 ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2020, pp.
141/142
7 https://www.cartacapital.com.br/politica/comite-de-direitos-humanos-da-onu-defende-lula-
candidato-diz-defesa/
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25. Ou seja, em outras palavras, o referido organismo internacional

reconheceu que o estado de inocência do ex-presidente Lula permanecia

intacto e, assim, obrigou o Governo brasileiro a conceder um tratamento

compatível com tamanha condição.

26. Não bastasse, já em um segundo momento, o Comitê de Direitos

Humanos da ONU (composto por 18 juízes independentes) proferiu uma decisão

histórica, apontando que as investigações e os processos movidos contra o ex-

presidente Lula, no âmbito da operação lava jato, violaram o seu direito a ser

julgado por um tribunal imparcial, assim como o seu direito à privacidade e seus

direitos políticos8 .

27. Ainda, o aludido Comitê determinou ao Estado brasileiro a adoção de

medidas destinadas a “assegurar que quaisquer outros procedimentos criminais

contra Lula cumpram com as garantias do devido processo legal, e a prevenir

violações semelhantes no futuro”.

28. Portanto, frise-se, por consequência lógica, a ONU reconheceu que o

estado de inocência do ex-presidente Lula não foi infirmado pela Justiça


brasileira.

29. Para além disso, é oportuno memorar que, em mais de vinte

oportunidades, o ex-presidente Lula conseguiu vitórias nos Tribunais pátrios,

de modo que nenhuma das pretensões acusatórias movidas contra ele resultaram

em condenações. Confira-se:

8 https://pt.org.br/onu-sergio-moro-violou-direito-de-lula-a-um-tribunal-imparcial/
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i. Caso Quadrilhão - 1ª tempo: 12ª Vara Federal
Criminal de Brasília - Ação Penal n.º 1026137-
89.20184.01.3400 - absolvido sumariamente (julgado em:
04.12.2019). transitado em julgado

ii. Caso Quadrilhão - 2ª tempo: 12ª Vara Federal


Criminal de Brasília - Inquérito n.º 1007965-
02.2018.4.01.34000 – denúncia rejeitada (julgado em:
19.11.2020). transitado em julgado

iii. Caso Taiguara (Janus I) - 10ª Vara Federal Criminal de


Brasília - Ação Penal n.º 1035829-78.2019.4.01.3400 –
trancado pelo TRF1, ante o reconhecimento da inépcia
formal da denúncia (julgado em: 04.09.2020). transitado em
julgado

iv. Caso Angolão (Janus II) - 10ª Vara Federal Criminal


de Brasília - Ação Penal n.º 1004454-59.2019.4.01.3400 –
trancado pela Justiça Federal do Distrito Federal, diante da
ausência de justa causa para o prosseguimento da ação
(julgado em: 03.09.2021). transitado em julgado

v. Caso Obstrução de justiça (Delcídio) - 10ª Vara


Federal Criminal de Brasília - Ação Penal n.º 0042543-
76.2016.4.01.3400 (42543-76.2016.4.01.3400) - absolvido em
sentença (julgado em: 16.07.2018). transitado em julgado

vi. Caso Frei Chico: 7ª Vara Criminal Federal de São


Paulo - Inquérito n.º 0008455-20.2017.4.03.6181 - denúncia
rejeitada (julgado em: 16.09.2019). transitado em julgado

vii. Caso Invasão no Tríplex: 6ª Vara Criminal Federal de


Santos - Inquérito n.º 5000261-75.2020.4.03.6104 – absolvido
sumariamente pela Suprema Corte, nos autos do Agravo

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em Recurso Extraordinário n.º 1.362.539/SP (julgado em
25.02.2022). transitado em julgado

viii. Caso Segurança Nacional - 15ª Vara Federal Criminal


de Brasília - Inquérito n.º 1045723-78.2019.4.01.3400 -
arquivado sumariamente (julgado em: 20.05.2020).
transitado em julgado

ix. Caso Touchdown: 6ª Vara Criminal Federal de São


Paulo - Inquérito n.º 0008633-66.2017.4.03.6181 - arquivado
sumariamente diante da atipicidade dos fatos (julgado
em: 07.12.2020). transitado em julgado

x. Caso Carta Capital: 10ª Vara Criminal Federal de São


Paulo – Procedimento Investigatório Criminal n.º 0005345-
13.2017.4.03.6181 – relatada pela Autoridade Policial com
sugestão de arquivamento e declarada a extinção da
punibilidade (julgado em: 18.01.2021). transitado em
julgado

xi. Caso Palestras: 13ª Vara Criminal Federal de Curitiba


– Inquérito Policial n.º 5054533-93.2015.4.04.7000/PR –
Autoridade Policial e Ministério Público concluíram pela
inexistência de ilicitude (julgado em: 23.10.2020). transitado
em julgado

xii. Caso Triplex: 13ª Vara Criminal Federal de Curitiba –


Ação Penal n.º 5046512-94.2016.4.04.7000/PR – anulada pela
Suprema Corte, nos autos do habeas corpus n.º 164.493/PR
(suspeição - julgado em 23.03.2021) e do habeas corpus n.º
193.726/PR (incompetência - julgado em: 08.03.2021).
transitado em julgado

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xiii. Caso Triplex - 2° tempo: 12ª Vara Criminal Federal de
Brasília – Autos n.º 1070239-94.2021.4.01.3400 – promoção
do arquivamento (julgado em: 28.01.2022). transitado em
julgado

xiv. Caso Sítio de Atibaia - 1° tempo: 13ª Vara Criminal


Federal de Curitiba – Ação Penal n.º 5021365-
32.2017.4.04.7000 - anulada pela Suprema Corte, nos autos
do habeas corpus n.º 164.493/PR (suspeição - julgado em:
24.06.2021) e do habeas corpus n.º 193.726/PR
(incompetência - julgado em: 08.03.2021). transitado em
julgado

xv. Caso Sítio de Atibaia - 2° tempo: 12ª Vara Criminal


Federal de Brasília – Autos n.º 1032252-24.2021.4.01.3400 -
denúncia rejeitada (julgado em: 21.08.2021).

xvi. Caso Sede do Instituto Lula - 1° tempo: 13ª Vara


Criminal Federal de Curitiba – Ação Penal n.º 5063130-
17.2016.4.04.7000 - anulada pela Suprema Corte, nos autos
do habeas corpus n.º 164.493/PR (suspeição - julgado em:
24.06.2021) e do habeas corpus n.º 193.726/PR
(incompetência - julgado em: 08.03.2021). transitado em
julgado

xvii. Caso Sede do Instituto Lula - 2° tempo: 10ª Vara


Criminal Federal de Brasília – Autos n.º 1033115-
77.2021.4.01.3400 – suspenso pela Suprema Corte, nos autos
da Reclamação n.º 43.007/DF (julgado em: 14.09.2021).

xviii. Caso Doações para o Instituto Lula - 1° tempo: 13ª


Vara Criminal Federal de Curitiba – Ação Penal n.º
5044305-83.2020.4.04.7000 – anulada pela Suprema Corte,

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nos autos do habeas corpus n.º 193.726/PR (incompetênc ia
- julgado em: 08.03.2021). Transitado em julgado

xix. Caso Doações para o Instituto Lula - 2° tempo: 10ª


Vara Criminal Federal de Brasília – Autos n.º 1017822-
67.2021.4.01.3400 – suspenso pela Suprema Corte, nos autos
da Reclamação n.º 43.007/DF (julgado em: 14.09.2021).

xx. Caso Caças Gripen (Zelotes 1): 10ª Vara Criminal


Federal de Brasília – Ação Penal n.º 1016027-
94.2019.4.01.3400 – suspenso pela Suprema Corte, nos autos
da Reclamação n.º 43.007/DF (julgado em: 02.03.2022).

xxi. Caso MP 471 (Zelotes 2): 10ª Vara Criminal Federal de


Brasília – Ação Penal n.º 1018986-72-2018.4.01.3400 –
absolvido por ausência de provas (julgado em: 21.06.2021).

xxii. Caso Guiné: 2ª Vara Criminal Federal de São Paulo –


Ação Penal n.º 006803-31.2018.4.03.6181 – trancado pelo
TRF3 (julgado em: 02.07.2021). Transitado em julgado

xxiii. Caso Costa Rica: 9ª Vara Criminal Federal de São


Paulo – Petição Criminal n.º 5003916-52.2019.4.03.6181 –
inquérito arquivado por falta de provas e declarada a
extinção da punibilidade (julgado em: 10.09.2021).
Transitado em julgado

xxiv. Caso Penal-Tributário de São Bernardo: 1ª Vara


Federal de São Bernardo do Campo – Autos n.° 5003825-
95.2021.4.03.6114 – inquérito arquivado pelo
reconhecimento da ilicitude das provas que
fundamentavam a investigação (julgado em: 18.10.2021).
Transitado em julgado

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xxv. Caso Ministrão: 1ª Vara Federal de São Bernardo do
Campo – PIC n.º 1001341-34.2018.4.01.3400/DF —
declarada a extinção da punibilidade (julgado em:
11.08.2022). Transitado em julgado

30. Já em relação ao que a pretensa conferência taxou de meros 'erros

processuais', não é apropriado afirmar que Lula não foi absolvido pois os casos

simplesmente prescreveram quando foram reiniciados. Esse raciocínio não

encontra amparo no texto constitucional, e, além disso, a publicação deixou de

considerar que, nesse estágio preambular de reinício do processo, o tratamento

jurídico conferido pelo Código de Processo Penal às causas de extinção de

punibilidade, como é do jaez da prescrição, é o da absolvição sumária.

31. Inclusive, esse fora o entendimento adotado pelo e. Ministro Ricardo

Lewandowski que concordou com a defesa técnica do ex-Presidente, no Supremo


Tribunal Federal: "Como se sabe, uma vez reconhecida a prescrição da pretensão

punitiva do Estado, seguem-se várias consequências de natureza jurídica, dentre

as quais a presunção de inocência do acusado, que legitima a decretação sumária

de sua absolvição.”

32. Por fim, o e. Ministro atendeu ao pedido de Lula, nos autos, e decidiu por
sua absolvição: "Em face do exposto, dou provimento ao presente recurso para

absolver sumariamente o recorrente.”

33. Pelo exposto, tem-se, indene de dúvidas, que o vídeo em debate fora

criado para passar a falsa imagem aos eleitores de que Lula mente ao dizer que

não foi condenado. Entretanto, não assiste qualquer razão aos Representados, de

modo que a propaganda deve ser removida, senão vejamos.

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II – DO DIREITO

34. Com efeito, o horário eleitoral gratuito iniciou-se na sexta-feira, dia 26 de


outubro, e está prevista para ocorrer até o dia 29 de setembro, deste ano. A

transmissão é feita nas emissoras de rádio e televisão que operam em VHF e UHF,

assim como nos canais de TV por assinatura administrados pelo Senado Federal,

Câmara dos Deputados, Assembleias Legislativas, Câmera Legislativa do

Distrito Federal e demais Câmaras Municipais. O alcance, portanto, é patente.

35. Dessa forma, diante do “poderio” do instrumento dado aos candidatos, o

Tribunal Superior Eleitoral cuidou de bem disciplinar o tema, por meio da

Resolução 23.610 em 18 de dezembro de 2019. A norma previu uma série de

vedações que devem ser observadas por todo e qualquer participante do pleito

que se avizinha.

36. Entretanto, no caso dos autos, houve uma série de violações à norma que

merecem ser coibidas e punidas por essa d. Corte. Sendo assim, passaremos a

demonstrar pormenorizadamente todos os artigos da aludida Resolução que

foram descumpridos e inobservados.

a) Da produção artificial de estados mentais, emocionais e passionais no

eleitorado

37. A propaganda eleitoral serve a uma finalidade: transmitir ao eleitorado as


ideias, propostas e mensagens de interesse do candidato que tenham interesse e

pertinência com o pleito. Por outro lado, a legislação é bastante restritiva sobre a

forma pela qual essa propaganda deve ocorrer, sendo certo que, nos termos do

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art. 242 do Código Eleitoral, reforçado pelo art. 10 da Resolução/TSE nº 23.610, é

vedado o uso de meios publicitários destinados a criar, artificialmente, na opinião

pública, estados mentais, emocionais ou passionais. Vejamos:

Art. 242. A propaganda, qualquer que seja a sua forma ou


modalidade, mencionará sempre a legenda partidária e só
poderá ser feita em língua nacional, não devendo empregar
meios publicitários destinados a criar, artificialmente, na
opinião pública, estados mentais, emocionais ou passionais".

Resolução-TSE nº 23.610/19
Art. 10. A propaganda, qualquer que seja sua forma ou
modalidade, mencionará sempre a legenda partidária e só
poderá ser feita em língua nacional, não devendo empregar
meios publicitários destinados a criar, artificialmente, na opinião
pública, estados mentais, emocionais ou passionais.

38. Não é sem razão a disposição legislativa em tela. Uma vez que o sufrágio

é um dos atos centrais do exercício da democracia, é imperioso que, dentro do

razoável, o eleitorado faça sua escolha com base em critérios orientados pelo

alvitre da racionalidade, e não induzidos por estados emocionais e passionais

artificiosamente gerados para conduzi-lo às urnas com essa ou aquela escolha.

39. Em outras palavras, a criação maliciosa de estados emocionais no

eleitorado tem o potencial de inquinar o processo eleitoral, pois o voto não seria,

então, livre, mas artificiosamente induzido. É o caso do conteúdo aqui

impugnado, que, ao gerar estado emocional mediante a simulação de

sentimentos contrários a Luiz Inácio Lula da Silva, carrega o potencial de macular

a escolha livre e consciente dos cidadãos e cidadãs.

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40. A violência política da referida propaganda, ora combatida, é imensa. Os

Representados criam verdadeira narrativa de que o ex-Presidente Lula não seria

inocente e ainda se utiliza da imagem de eleitores “

41. Em razão do exposto, diante da propaganda que cria artificialmente

estados mentais, emocionais e passionais veiculada, requer que, com base no

artigo 242, parágrafo único9 , do Código Eleitoral, seja determinada a remoção do

conteúdo impugnado, como forma de fazer cessar a propaganda eleitoral que

afronta o caput do aludido dispositivo e do artigo 10º da Resolução-TSE 23.610/19.

b) Da impossibilidade de ridicularizar ou degradar candidato, bem como


injuriar e difamar

42. Igualmente, com base no art. 72, §1º e § 2º da Resolução 23.610, é vedada a

veiculação de propaganda que possa degradar ou ridicularizar candidatos ou

candidatas. O partido político que cometer a referida infração perderá o direito à

veiculação no horário eleitoral gratuito do seguinte dia. Isso, sem prejuízo de a

Justiça Eleitoral impedir a reapresentação de propaganda eleitoral gratuita que

seja ofensiva à honra de candidato – hipótese que se amolda à realidade dos

autos.

43. Vejamos a textualidade do artigo:

9 Art. 242, Parágrafo único. Sem prejuízo do processo e das penas cominadas, a Justiça Eleitoral
adotará medidas para fazer impedir ou cessar imediatamente a propaganda realizada com
infração do disposto neste artigo.
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Art. 72. Não serão admitidos cortes instantâneos ou qualquer
tipo de censura prévia nos programas eleitorais gratuitos (Lei nº
9.504/1997, art. 53, caput) .

§ 1º É vedada a veiculação de propaganda que possa degradar


ou ridicularizar candidatas e candidatos, sujeitando-se o
partido político, a federação ou a coligação que cometeu infração
à perda do direito à veiculação de propaganda no horário
eleitoral gratuito do dia seguinte ao da decisão nos
termos dos arts. 51, IV , e 53, § 1º, da Lei nº 9.504/1997 . (Redação
dada pela Resolução nº 23.671/2021)

§ 2º Sem prejuízo do disposto no § 1º deste artigo, a requerimento


de partido político, coligação, federação, candidata, candidato ou
do Ministério Público, a Justiça Eleitoral impedirá a
reapresentação de propaganda eleitoral gratuita ofensiva à
honra de candidata ou candidato, à moral e aos bons costumes
( Lei nº 9.504/1997, art. 53, § 2º ; e Constituição Federal, art.
127 ). (Redação dada pela Resolução nº 23.671/2021)

[...]

44. A incidência da aplicação da norma, ao caso, se dá em virtude da tentativa

ardil de levar o eleitor a acreditar que o ex-Presidente é um “bandido”, através

da veiculação de metáfora que o compara diretamente com um assaltante.

Ademais, o programa inteiro visa somente atacar Lula e não transmite nenhuma

ideia de governo ou proposta – objetivo maior da propaganda eleitoral.

45. No mais, não há que se confundir a divulgação de desinformação com o

exercício do direito à liberdade de expressão. Sobre o ponto, o artigo 22 da

Resolução, inciso X, da Resolução nº 263.610/2019 bem explicita que a livre

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manifestação do pensamento encontra limitação quando ofende a honra ou a

imagem de candidatos, partidos, federações, coligações. In verbis:

Art. 22. Não será tolerada propaganda, respondendo a pessoa


infratora pelo emprego de processo de propaganda vedada e, se
for o caso, pelo abuso de poder ( Código Eleitoral, arts.
222 , 237 e 243, I a X ; Lei nº 5.700/1971 ; e Lei Complementar nº
64/1990, art. 22 ): (Redação dada pela Resolução nº 23.671/2021)
[..]
X - que caluniar, difamar ou injuriar qualquer pessoa, bem como
atingir órgãos ou entidades que exerçam autoridade pública;

46. Neste ponto, frise-se que os Representados, como já bem delineado nos

fatos da presente petição, tentaram indisfarçavelmente menosprezar o ex-

Presidente Lula, assim como o injuriariam e o difamaram. Veja-se, a leviana peça

de ficção contém:

(a) Informação difamatória ao ferir a honra objetiva do

candidato Lula, ao compara-lo com um assaltante que teria

roubado uma cidadã e taxando-lhe de criminoso, bem

como de mentiroso.

(b) Informação injuriosa, eis que também atinge a honra

subjetiva do candidato Lula, ao passo que ele é

menosprezado a peça inteira e igualmente ofendido por

simplesmente afirmar o seu estado de inocência.

47. Não há que se falar, portanto, de mera manifestação do pensamento.

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48. Inclusive, em caso análogo, assim entendeu o Min. Alexandre de Moraes,

no tocante à divulgação de ideias que visavam agredir, pura e simplesmente, o

candidato à Presidência, o Sr. Luiz Inácio Lula da Silva. Vejamos:

“A plena proteção constitucional da exteriorização da opinião


(aspecto positivo) não significa a impossibilidade posterior de
análise e responsabilização de pré-candidatos, candidatos e seus
apoiadores por eventuais informações injuriosas, difamantes,
mentirosas, e em relação a eventuais danos materiais e morais,
pois os direitos à honra, intimidade, vida privada e à própria
imagem formam a proteção constitucional à dignidade da pessoa
humana, salvaguardando um espaço íntimo intransponível por
intromissões ilícitas externas, mas não permite a censura prévia
pelo Poder Público. (...) Liberdade de expressão não é Liberdade
de agressão! Liberdade de expressão não é Liberdade de
destruição da Democracia, das Instituições e da dignidade e
honra alheias! Liberdade de expressão não é Liberdade de
propagação de discursos mentirosos, agressivos, de ódio e
preconceituosos!” (Representação Eleitoral n. 0600543-
76.2022.6.00.0000) (grifamos)

49. Nesse sentido, medida que se impõe é a perda do direito à veiculação de

propaganda no horário eleitoral gratuito do dia subsequente ao da decisão, que

ocorre nas terças, quintas e sábados nos horários: das 13h às 13h12m30 e das

20h30 às 20h42m30, em televisão.

50. Igualmente, não há outra medida que não a imediata proibição de

veiculação da propaganda em questão – para que não seja mais veiculada, sob

qualquer pretexto.

51. Portanto, requer-se a condenação dos Representados a fim de manter


incólume o pleito eleitoral que se avizinha, determinando-se a abstenção de

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novas práticas de igual natureza, com a fixação de multa para o caso de

descumprimento.

c) Da impossibilidade de veicular desinformação

52. Igualmente, a Resolução ainda prevê que, na propaganda eleitoral, de

qualquer modalidade, é vedada a divulgação de compartilhamento de fatos

sabidamente inverídicos ou gravemente descontextualizados que atinjam a

integridade do processo eleitoral. Como bem se sabe, a desinformação significa

prática antijurídica, que afeta a liberdade de conhecimento dos cidadãos e,

automaticamente, influencia negativamente no processo democrático.

53. Dessa forma, no presente período eleitoral, o combate à desinformaçã o

deve ser realizado com o máximo vigor e eficiência, sob pena de subversão da

própria democracia. O regramento que trata da questão está amoldado no artigo

9ºA:

Art. 9º-A. É vedada a divulgação ou compartilhamento de fatos


sabidamente inverídicos ou gravemente descontextualizados
que atinjam a integridade do processo eleitoral, inclusive os
processos de votação, apuração e totalização de votos, devendo
o juízo eleitoral, a requerimento do Ministério Público,
determinar a cessação do ilícito, sem prejuízo da apuração de
responsabilidade penal, abuso de poder e uso indevido dos
meios de comunicação. (Incluído pela Resolução nº 23.671/2021)

54. Nesse sentido, os Representados evidentemente tentaram atingir a

integridade do processo eleitoral, manipulando a opinião pública com fatos

sabidamente inverídicos. Emerge indisfarçável estratégia de desinformação na

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sua conduta, que teve alcance imensurável – diante da divulgação no horário

eleitoral gratuito.

III – DA NECESSIDADE DE CONCESSÃO DA MEDIDA LIMINAR

55. Consoante o caput do art. 300 do Código de Processo Civil, a tutela de

urgência será concedida quando houver elementos que evidenciem a

probabilidade do direito e o perigo de dano ou o risco ao resultado útil do

processo.

56. A probabilidade do direito no presente caso é a manifesta violação às

normas e princípios que regem a propaganda eleitoral, sobretudo a Resolução


nº23.610/2019 deste c. TSE, de modo a ferir a lisura do processo eleitoral,

conforme demonstrado nos tópicos anteriores.

57. O perigo do dano encontra-se na perpetuação de propaganda eleitoral

que, por todas as violações narradas, tem o potencial de macular o voto livre e

consciente. Ainda, a veiculação da televisão – em horário eleitoral gratuito –

atinge milhões de eleitores que assistem a canais abertos de comunicação.

58. Igualmente, para além disso, os impactos negativos da propaganda

impugnada restam evidenciados, uma vez que também foram compartilhadas na

internet, alcançando um número inestimável de eleitores brasileiros de modo a

influenciar diretamente na sua escolha, violando o direito de voto livre e

consequentemente a democracia, o que torna urgente medida judicial para cessar

os danos.

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IV – DOS PEDIDOS

59. Por todo o exposto, requer-se:

(i) Liminarmente:

a. A adoção de medidas por esta d. Justiça Eleitoral para impedir ou fazer

cessar imediatamente a propaganda realizada;

(ii) A citação dos Representados para, querendo, apresentar defesa;

(iii) No mérito:

a. A confirmação da medida liminar, de modo a determinar que os

Representados, sejam proibidos de veicularem a propaganda em questão – em

qualquer meio de transmissão.

b. A condenação dos Representados, determinando-se a abstenção de novas

práticas de igual natureza, com a fixação de multa e perda do direito à veiculação


de propaganda no horário eleitoral gratuito do dia subsequente ao da decisão,

que ocorre nas terças, quintas e sábados nos horários: das 13h às 13h12m30 e das

20h30 às 20h42m30, em televisão.

Nestes termos, pede deferimento.

Brasília, em 16 de setembro de 2022.

Cristiano Zanin Martins Eugênio Aragão


OAB/SP 172.730 OAB/DF 4.935

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Valeska T. Zanin Martins Angelo Longo Ferraro
OAB/SP 153.720 OAB/DF 37.922

Maria de Lourdes Lopes Marcelo Winch Schmidt


OAB/SP 77.513 OAB/DF 53.599

Victor Lugan R. Chen Miguel Filipi Pimentel Novaes


OAB/SP 448.673 OAB/DF 57.469

Eduarda P. Quevedo Maria Eduarda Praxedes Silva


OAB/SP 464.676 OAB/DF 48.704

Eliakin T. Y. Pires dos Santos Gean Carlos Ferreira De Moura Aguiar


OAB/SP 386.266 OAB/DF 61.174

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