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CONCEITO DE TEOLOGIA

1. A origem do termo
O termo "teologia" compõe-se etimologicamente de dois termos
que lhe definem a natureza: Theós + logía = Deus + ciência. No centro
está Deus, seu objeto principal. Qualquer reflexão teológica refere-se de
alguma maneira a Deus. Ao determinar-se mais exatamente o estatuto
teórico, ver-se-á como tal referência se produz.
Teologia tem a ver com logía, com palavra, com saber, com ciência.
Coloca-se Deus em discurso humano. Etimologicamente, significa um
"discurso, um saber, uma palavra, uma ciência de ou sobre Deus".

2. Os diferentes usos do termo na história


A semântica estuda o significado das palavras. Debruça-se sobre as
transformações de sentido que um termo sofreu ao longo da história. Como o
termo "teologia" tem longa história, pode-se acompanhar-lhe as
transformações de acepção.
Não se trata no momento de tecer história da teologia, mas simplesmente
de perseguir alguns momentos históricos em que o conceito de teologia
passou por mudanças semânticas.
Deparamos, logo de início, com um paradoxo. A teologia, que no Ocidente
se vinculou fundamentalmente à tradição bíblico-cristã, não encontra na
Bíblia seu nascimento semântico. As Escrituras não conhecem tal termo. Em
seu lugar está a expressão "Palavra de Deus".
O Novo Testamento conhece os inspirados de Deus —
Theópneustos — (2Tm 3,16) —, os aprendizes de Deus — Theodídaktoi
(ITS 4,9) —, mas não conhece os teólogos. Além disso, o termo
"conhecer" na Escritura não tem o sentido de logía do mundo grego.
Significa, antes de tudo, fazer experiência profunda a ponto de exprimir
até as relações íntimas sexuais (Gn 4,1.17.25; 19,8; 24,16; LC 1,34).
Portanto, sem conhecer o termo, a primeira epístola de São Pedro exorta o
cristão, sobretudo aquele que vai aparecer diante do tribunal, a que saiba
justificar sua fé (IPd 3,15). Essa tarefa implica certo nível de reflexão teórica
sobre a própria fé, próprio da teologia. Nos sinóticos, há um momento em que
Jesus pergunta aos discípulos: "E vós, que dizeis que eu sou?" (Mt 16,13). No
fundo, a comunidade se faz a Pergunta teológica sobre Jesus Cristo. Não se
usa, porém, o termo "teologia", que naquele momento não viria bem para uma
reflexão sobre Jesus Cristo.

A intelecção do termo
O conceito "teologia" situa-se numa sequência de movimentos que terminam em
Deus. Trata-se, antes de tudo, de operação intelectual humana. Configura-se
determinado tipo de saber, de conhecimento. Esforço de compreensão que a
inteligência humana empreende.
O ser humano quer compreender sua fé. Pela fé, ele lança ponte intermédia que o
liga a Deus. Não quer fazer qualquer estudo de Deus. Mas intenta aprofundar,
justificar, esclarecer seu ato de fé nele. Portanto, a teologia define-se como
reflexão crítica, sistemática sobre a intelecção de fé. E a fé termina em Deus e
não nos enunciados a respeito de Deus, como muito bem explicita Santo Tomás:
"Actus credentis non terminatur ad enuntiabile, sed ad rem”. O ato do que crê não
termina no enunciado, mas na coisa.
Nesse sentido, a teologia trata de Deus, mas mediado pela fé, pela acolhida de sua
Palavra, que, por sua vez, nos vem comunicada pela revelação transmitida na Igreja
—- escrita, vivida, pregada, celebrada, testemunhada.
Evidentemente, poderia parecer muito simples dizer que pela teologia se busca a
inteligência da fé — "fides quaerens intellectum" (fé que busca inteligência), na
expressão de Santo Anselmo.

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