LFG – PROCESSO PENAL – Aula 07 – Prof.

Renato Brasileiro – Intensivo II – 06/10/2009 PROCEDIMENTO DO JÚRI

O PROCEDIMENTO DO JÚRI

Antes de adentrar no procedimento do júri, que é a aula de hoje, eu tenho que mencionar uma nova lei, que saiu na quinta-feira, a Lei 12.037/09 que é de 1º de outubro deste ano (2009). Essa lei revoga a antiga lei da identificação criminal vocês que tiveram aula comigo no Intensivo I, viram a Lei 10.054/00. Essa lei está revogada. Cuidado com isso! Essa antiga lei está revogada, lei, inclusive que era criticada porque trazia alguns crimes em que a identificação criminal seria obrigatória. Era criticado por ser um troço meio “lombrosiano”. Jogava alguns delitos lá em que se entendia que a identificação era obrigatória. Agora, não mais. A identificação criminal continua a mesma coisa, que é a identificação fotográfica e datiloscópica. A identificação criminal continua sendo obrigatória nos casos elencados no art. 3.º Art. 3º Embora apresentado documento de identificação, poderá ocorrer identificação criminal quando: I - o documento apresentar rasura ou tiver indício de falsificação; II - o documento apresentado for insuficiente para identificar cabalmente o indiciado; III - o indiciado portar documentos de identidade distintos, com informações conflitantes entre si; IV - a identificação criminal for essencial às investigações policiais, segundo despacho da autoridade judiciária competente, que decidirá de ofício ou mediante representação da autoridade policial, do Ministério Público ou da defesa; V - constar de registros policiais o uso de outros nomes ou diferentes qualificações; VI - o estado de conservação ou a distância temporal ou da localidade da expedição do documento apresentado impossibilite a completa identificação dos caracteres essenciais. O inciso IV abre uma porta porque dizer o que é essencial é extremamente complicado, porém, o inciso IV fala em despacho da autoridade policial. Nesse caso, depende de autorização judicial. Aquele rol de crimes que havia antes, já não existe mais. Agora são cláusulas genéricas para a identificação criminal. Um outro ponto interessante dessa lei 11.037 é o teor do art. 7º: Art. 7º No caso de não oferecimento da denúncia, ou sua rejeição, ou absolvição, é facultado ao indiciado ou

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LFG – PROCESSO PENAL – Aula 07 – Prof. Renato Brasileiro – Intensivo II – 06/10/2009 PROCEDIMENTO DO JÚRI ao réu, após o arquivamento definitivo do inquérito, ou trânsito em julgado da sentença, requerer a retirada da identificação fotográfica do inquérito ou processo, desde que apresente provas de sua identificação civil. É um dispositivo novo, que não havia na Lei 10.054, ou seja, arquivado o inquérito policial ou se você foi absolvido com trânsito em julgado, você tem a faculdade de requerer a retirada da identificação fotográfica dos autos. Vamos dar início à aula de hoje e vamos falar sobre o procedimento do júri.

1.

ORIGEM DO TRIBUNAL DO JÚRI

Muitos doutrinadores dizem que o mundo já conhecia o tribunal do júri na Grécia e em Roma. No entanto, numa prova, o ideal é você dizer que o tribunal do júri teria origem mesmo com a Magna Carta Inglesa do Rei João Sem-Terra, de 1.215, especificamente em seu art. 38, que tem a seguinte redação: “Ninguém poderá ser detido, preso ou despojado de seus bens, costumes e liberdades, senão em virtude de julgamento de seus pares, segundo as leis do país.” Então, essa expressão “pares”, será ouvida várias vezes por vocês no estudo do tribunal do júri. Ou seja, julgamento pelos seus pares, julgamento pelas pessoas que lhe são comuns. Essa é a ideia do tribunal do júri. Apesar de alguns doutrinadores dizerem que já existia júri na Grécia e em Roma, o melhor, para concurso é dizer que o tribunal do júri teve origem na Carta Magna Inglesa, de João Sem-Terra, de 1215, em seu art. 38. Posteriormente, com a Revolução Francesa, e seus ideais de liberdade, igualdade e fraternidade, o tribunal do júri acaba se expandindo para os demais países do mundo ocidental. Essa é a origem do tribunal do júri. 2. PREVISÃO CONSTITUCIONAL

O tribunal do júri está previsto na nossa Constituição Federal no art. 5. , XXXVIII, da CF, dispositivo amplamente conhecido de vocês e diz o seguinte: XXXVIII - É reconhecida a instituição do júri, com a organização que lhe der a lei, assegurados: a) a plenitude de defesa; b) o sigilo das votações; c) a soberania dos veredictos;

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5º seria um órgão do Poder Judiciário? É interessante esse tema porque se você questiona com um doutrinador de direito constitucional.o Supremo Tribunal Federal. obviamente. 5º? Sem dúvida. o contrário também se aplica. que se no Brasil o tribunal do júri não tivesse no art. VII .os Tribunais e Juízes Militares. Porque são poucos os operadores do direito nessa área que são grandes fãs do tribunal do júri e por um motivo simples: pelo fato de você ser julgado por pessoas do povo (seus pares). Às vezes. foi colocado aí porque se não tivesse aí já teria sido suprimido há muitos anos. é óbvio que lá o tribunal do júri funciona. muitos vão se ater ao art. até o caso é simples.os Tribunais e Juízes Eleitorais. 92 . para torná-lo uma cláusula pétrea. 95% dos casos são resolvidos nesse acordo. (Acrescentado pela EC-000.os Tribunais Regionais Federais e Juízes Federais. o que teria acontecido com ele há muitos anos: teria sido suprimido.São órgãos do Poder Judiciário: I . Às vezes é um caso claríssimo de absolvição e a pessoa pode ser condenada. 5º. a pessoa faz um acordo numa fase preliminar e evita um processo. na grande maioria dos países.os Tribunais e Juízes do Trabalho. as decisões do tribunal do júri são absolutamente imprevisíveis. não chega no tribunal do júri a mesma quantidade de processos que chegam aqui. você está convicto de que uma pessoa será condenada tranquilamente e ela acaba absolvida.o Superior Tribunal de Justiça. a atuação do advogado e do promotor acaba sendo muito decisiva. I-A . Então. V . Para falar a verdade.o Conselho Nacional de Justiça. E por que isso? Por que transformá-lo em cláusula pétrea? A doutrina vai dizer que. da Constituição.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 07 – Prof. Inclusive. Mas lá. dois questionamentos poderão ser feitos com relação a isso:  Por que teria havido a preocupação do constituinte originário em colocar o tribunal do júri no rol dos direitos e garantias fundamentais do art.os Tribunais e Juízes dos Estados e do Distrito Federal e Territórios. Renato Brasileiro – Intensivo II – 06/10/2009 PROCEDIMENTO DO JÚRI O tribunal do júri está previsto no rol dos direitos e garantias individuais do art. Às vezes. aqui no Brasil a litigiosidade é muito intensa. mas a atuação deficiente do promotor e do advogado pode prejudicar a parte. há vários institutos que visam a afastar o processo do júri. Então. Da mesma forma. Então. IV . 111 . Lá. III .  Tribunal do júri aí colocado no art. então. o único país em que se cultua o tribunal do júri são os EUA. 92. e eu ouso dizer. Esse é o primeiro detalhe importante. que diz o seguinte: Art. 5º. VI .045-2004) II . Se é assim. Agora. haja tribunal do júri para poder dar conta de toda essa demanda.

derruba muita gente. Renato Brasileiro – Intensivo II – 06/10/2009 PROCEDIMENTO DO JÚRI Não consta daí tribunal do júri. um órgão do Poder Judiciário. na matéria de processo penal. seria o de crime doloso contra a vida praticado a bordo de navio ou aeronave. Não existe tribunal do júri na justiça eleitoral. Então. E aí você pode lembrar do exemplo do caso dos fiscais do Ministério do Trabalho que foram mortos. Mesma coisa na eleitoral. o tribunal do júri é órgão do Poder Judiciário dentro da estrutura da Justiça Estadual e dentro da estrutura da Justiça Federal. Se você tem funcionários desses Ministérios e o crime doloso contra a vida está relacionado à função. o tribunal do júri é. sim. eleitoral? Como fica? Cuidado com isso porque para haver tribunal do júri. Os melhores exemplos são os de crimes praticados por ou contra funcionário público federal em razão de suas funções. mas não existe tribunal do júri. inclusive. inclusive o próprio motorista do Ministério da Saúde que também foi assassinado. 3. Então. você diga que o tribunal do júri é. para a doutrina processual penal. É óbvio que aqui vocês vão conciliar o que foi trabalhado com vocês no Intensivo I sobre competência da justiça federal. quem vai julgar é o tribunal do júri federal.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 07 – Prof. o ideal é que. Olha como isso cai: α) β) χ) 1 juiz presidente e 7 jurados 1 juiz presidente e 21 jurados 1 juiz presidente e 25 jurados 112 . na justiça militar. É mais raro. mas esses cruzeiros estão se tornando muito frequente e você pode imaginar algo nesse sentido. em alguns casos podermos ter tribunais do júri federais. crime doloso contra a vida vai ser julgado por tribunal do júri estadual. Juizado não está ali colocado e o juizado é um órgão do Poder Judiciário. vão dizer que o tribunal do júri não seria um órgão do Poder Judiciário. Mas. Há tribunal do júri na justiça militar? Não. mais difícil. muitos doutrinadores de direito constitucional. Mas. a lei precisa regulamentar e a lei regulamentou tribunal do júri em duas justiças: estadual e federal. Lá você é julgado por um conselho. órgão do Judiciário. Você vai ser julgado por quem? Pelo tribunal do júri. 92. Um outro exemplo recente é o de um delegado da PF de SP que matou o corregedor. COMPOSIÇÃO DO TRIBUNAL DO JÚRI Cuidado com isso porque quando essa questão cai em prova. Outro exemplo de tribunal do júri federal. sendo órgão do poder Judiciário. Para os doutrinadores do processo penal não há como concordar com isso de modo algum. Dessa forma. 92 e querer ver nele todos os órgãos do Poder Judiciário. sim. Foi caso. O julgamento demorou uns 5 ou 6 dias. ele funcionaria em quais justiças? Será que temos tribunal do júri na justiça federal. Então. Em regra. que teve a atuação do Pedro Taques. Não adianta querer olhar para o art. não há dúvida alguma. a partir dessa leitura do art.

Agora. A tendência do aluno é pensar na composição do conselho de sentença e aí acha que o júri só pensa no julgamento e lembra que na hora do julgamento está lá o juiz presidente e dos 7.689-2008) Quando você anotou 25. Se eu tenho 25. Vale a pena ficar atento e vamos ao longo dessas quatro aulas. Vamos explicar depois como funcionam essas recusas. O Tribunal do Júri é composto por 1 (um) juiz togado. Então. seria dizer que o MP faz parte do Poder Judiciário. XXXVIII: XXXVIII . MP 1 juiz presidente e 12 jurados. (Alterado pela L-011. Vamos dar uma olhada nas garantias constitucionais previstas pelo art. 5º. a possibilidade de que. 7 (sete) dos quais constituirão o Conselho de Sentença em cada sessão de julgamento. Quando havia vários acusados. aumentou o número de jurados. Essa é a sua resposta correta. E por que fez isso? Antigamente eram 21. para dar início à sessão de julgamento. de forma sábia. 113 .LFG – PROCESSO PENAL – Aula 07 – Prof. 4. Cuidado porque a composição vem antes disso. imaginando 21 jurados. 7 jurados. mas daí não dá pra concluir que faria parte do tribunal do júri. mesmo porque. 447. tentar destacar as principais alterações e você já tem aí uma delas. O legislador. Você tem que pensar no juiz e em todos os jurados que são convocados. Por que passou para 25. é muito maior. assegurados: a) a plenitude de defesa. Para evitar a separação dos processos no julgamento de corréus. Basicamente por dois motivos:  1º Motivo: Para evitar o adiamento do julgamento. GARANTIAS CONSTITUCIONAIS DO TRIBUNAL DO JÚRI É um ponto bastante interessante e tema legal para uma dissertação de segunda fase. com esse número mais elevado há uma dificuldade maior em relação a isso. Vamos falar sobre ele sobre um bom tempo. teoricamente. o júri será composto por 1 juiz presidente e mais 25 jurados. a probabilidade de eu conseguir 15 para dar início à sessão.  2º Motivo: Vista a composição do tribunal do júri. 447: Art. vamos ao ponto seguinte.É reconhecida a instituição do júri. sete dos quais irão compor o conselho de sentença. anote que na lei antiga esse número era de 21. diante das recusas peremptórias os acusados conseguissem separar os julgamentos era muito grande. indiretamente. seu presidente e por 25 (vinte e cinco) jurados que serão sorteados dentre os alistados. Vamos ler o art. Renato Brasileiro – Intensivo II – 06/10/2009 PROCEDIMENTO DO JÚRI δ) ε) 1 juiz presidente. O MP atua perante o tribunal do júri. Era possível que muitos jurados faltassem e aí você não conseguiria ter quorum suficiente (mínimo de 15). Pergunta que foi feita numa prova oral aqui em SP: o MP compõe o tribunal do júri? Cuidado! Negativo. com a organização que lhe der a lei.

Veja. faz menção à chamada ampla defesa (que. Aí colocaram absolve. como regra.1. Fora do júri.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 07 – Prof. num crime de furto. § 2º: § 2º Respondidos afirmativamente por mais de 3 (três) jurados os quesitos relativos aos incisos I e II do caput deste artigo (QUE SÃO A QUESTÃO DA MATERIALIDADE E DA AUTORIA) será formulado quesito com a seguinte redação: O jurado absolve o acusado? A lei já dá a redação do quesito. a defesa técnica e a própria autodefesa. por exemplo. a primeira garantia é a plenitude de defesa. emocional e de política criminal. algo a mais que a ampla defesa. XXXVIII. podendo se valer de argumentos de ordem social. O que significa esse quesito do § 2º? Lembre- 114 . 5º. o legislador faz menção à plenitude de defesa que seria especificamente assegurada dentro do júri. Vou dar um exemplo para que você entenda a realidade do júri (não estou dizendo que está certo). apelar para o lado emocional do juiz. E aí vem aqueles brocardos de hermenêutica que a gente é obrigado a acreditar. o ideal é você se ater às características específicas do júri que realmente demonstram que essa plenitude de defesa seria. 4. E dizem eles: “se a lei usou palavras distintas é porque o significado seria diferente. mas não é a melhor resposta.  1º Argumento: mais elevado. E aí você pode anotar o seguinte (tentando estabelecer uma diferença mais razoável. Então. na escala.” “a plenitude de defesa é a ampla defesa num grau Na prova. a Constituição em outro momento.” Aí você tem um argumento interessante. Por quê? Por causa do julgamento pelos seus pares. no tribunal do júri talvez você consiga isso.” Qual é a diferença entre plenitude de defesa e ampla defesa? Vocês podem até anotar esse primeiro argumento. 483. abrange também o júri). Quando você vai estudar essa garantia. O projeto previa o seguinte quesito: “o jurado condena o acusado?” Era “condena”. não vai surtir muito efeito. só que mudaram porque entenderam que isso seria induzir a resposta e violando o princípio da presunção de nãoculpabilidade. Essa é a que eu mais gosto. mais coerente): “No tribunal do júri. Mas. c) a soberania dos veredictos. Hoje você vai ter que lembrar que há um quesito no júri que é uma porta aberta para o jurado que quer absolver. E aí entra uma situação interessante que é o esforço doutrinário para explicar a diferença entre as duas. quiser invocar argumentos de ordem social. não precisam se limitar a uma argumentação exclusivamente jurídica. se você diante de um juiz comum. isso não ajuda muito. Renato Brasileiro – Intensivo II – 06/10/2009 PROCEDIMENTO DO JÚRI b) o sigilo das votações. O art. você logo precisa perceber que no art. PLENITUDE DE DEFESA Na ordem. obviamente. temos para todos os acusados a denominada ampla defesa. A plenitude de defesa é especificamente mencionada dentro do júri mas é óbvio que.

dissolver o 115 . neste caso. onde são torturados e mortos. Estou andando na rua aqui em SP. podendo. É mais ou menos nesse sentido. coloco lá e mostro pra ele: “jurado. a título de dolo eventual. Os soldados do Exército abordaram três indivíduos que teriam praticado desacato contra os militares e foram presos. etc. Vamos pensar no seguinte exemplo: eu.  2º Argumento: “Caso haja divergência de teses defensivas entre o advogado e o acusado. Ele vai dizer: “ô meu filho. 497. tanto a tese do acusado. sim. sobretudo diante desse novo quesito em que o jurado absolve o acusado. Então.nomear defensor ao acusado. No dia do julgamento pelo júri. o juiz presidente precisa incluir na quesitação.” É um outro argumento usado pela doutrina no seguinte sentido: pode ser que ocorra uma divergência. Renato. olha quem eu acabei de matar: um integrante do PCC”. o que eu faço? Por mais que o meu crime de homicídio não tenha sido praticado em legitimai defesa. social. o que eles fazem? Pegam os três jovens e levam para a facção rival. só que o acusado diz que nem matou a vítima. Vocês estão lembrados do caso do Morro da Mineira e da Providência? Dois morros rivais do RJ. Por exemplo: o advogado de defesa diz que seu cliente agiu em legítima defesa. mas eu recebi e já estão fazendo um dossiê dos três que morreram. se eu pego esse jurado. Outro dispositivo importante é o teor do art. quanto a tese do advogado. São atribuições do juiz presidente do Tribunal do Júri. eu estou tranquilo. diz a doutrina que. olho para um cara que está com a seguinte camisa: PCC. de homicídio. Se você pensa na população cada vez mais atemorizada e se você dá a sorte de um dos jurados (ou sua família) já ter sido vítima de um crime bárbaro. esses três não estavam na lista de canonização do papa.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 07 – Prof. deve o juiz presidente incluir no questionário quesito relativo a tese pessoal do acusado. além de outras expressamente referidas neste Código: V . quando considerá-lo indefeso. Basta dizer sim ou não e acabou o assunto. se eu demonstrar para os jurados que aquela vítima era integrante do PCC. Eu não sei se vocês receberam isso. vai pro tribunal do júri federal. o que eles já estão começando a fazer? Um processo de linchamento público das vítimas. para assegurar a plenitude de defesa. E de acordo com esse dossiê. o que você fez foi um serviço à sociedade. Nesse caso (vejam. 497. Eles estão sendo julgados na 6ª ou 7ª VF/RJ. A mídia divulgou que. quando foram soltos. Eu vou lá e mato o cara. sou promotor. não estou dizendo que está correto). Mas isso é só para demonstrar que acontece muito. Diante dessa divergência. de política criminal. V: Art. Renato Brasileiro – Intensivo II – 06/10/2009 PROCEDIMENTO DO JÚRI se que jurado não precisa fundamentar o seu voto. foi um crime. Olha o problema que já está acontecendo. eu quero que vocês entendam essa plenitude de defesa como a possibilidade de usar argumentos de ordem emocional. Sabendo que são facção rival teriam assumido o risco de produzir o resultado. desobedecendo às ordens. por mais absurdo que o meu delito tenha sido. Os militares estão respondendo por qual crime? Homicídio doloso.” É o que acontece muito. Como o homicídio doloso de militar contra civil não é julgado pela justiça militar.

a defesa sustentou cerceamento de defesa em virtude de restrição imposta pelo juiz presidente em razão de o advogado ter sido constituído 6 dias antes do julgamento. Não que haja um número mínimo de dias. bem interessante. 116 . devido à complexidade do caso. Nesse julgado. O que o Supremo fez? Anulou o julgamento alegando que teria havido violação à plenitude de defesa. Renato Brasileiro – Intensivo II – 06/10/2009 PROCEDIMENTO DO JÚRI Conselho e designar novo dia para o julgamento. primeiro vai considerar o acusado indefeso e vai intimá-lo para que constitua novo advogado. Então. o que é sigiloso é o voto do jurado. basta lembrar que o jurado recebe duas cédulas: “sim” e “não” e a cada quesitação. anulou o processo. tomem o seguinte cuidado: apesar de a Constituição dizer “sigilo das votações”. a plenitude de defesa. então. é o HC 96905. devido ao número de páginas do processo. o juiz presidente teria concedido uma hora por dia para extração de cópia dos autos e o advogado teria sido nomeado seis dias antes. Um outro julgamento. portanto. Então. 4. por conta da preservação do sigilo do voto do jurado. ou seja. sabedor o legislador do efeito deletério da atuação ruim de um advogado. mas. Então. Ás vezes. SIGILO DAS VOTAÇÕES O que você deve entender por sigilo das votações? Primeiro. que é o HC 85969. É preciso tomar muito cuidado como juiz porque imagina a quantidade de trabalho que você teve para aquela sessão e o advogado não aparece. Fica esquisito você buscar nesse tempo as peças mais interessantes para a defesa. Mas aí. ele vai depositando numa urna o seu voto e há uma outra urna de descarte. no afã de realizar o ato processual. O sigilo do voto do jurado. Ai. cuidado! Porque você tem que lembrar sempre que o direito de constituir advogado é do acusado. com a nomeação ou a constituição de novo defensor. Na verdade. Razoável. pode constituir advogado ou nomear defensor público em nome do acusado. (Alterado pela L-011. não é a votação em si que é sigilosa. O advogado foi nomeado para atuar dois dias antes do julgamento em plenário. Somente diante de sua inércia é que o juiz.689-2008) Esse dispositivo. ou seja.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 07 – Prof. Significando que ninguém pode saber o sentido do voto do jurado. Você. você tem que conciliar esse dispositivo com isso. o Supremo entendeu que. essa nomeação com dois dias de antecedência teria prejudicado a defesa técnica e. essa é a primeira garantia do tribunal do júri. Esse julgado é bem interessante pelo seguinte motivo: o advogado pleiteou a nulidade via habeas corpus e falou que a nomeação para atuar no júri teria ocorrido dois dias antes do julgamento em plenário. Nesse sigilo das votações. o próprio código prevê que o juiz pode nomear defensor ao acusado quando considerá-lo indefeso. nesse ponto. você. esse cuidado é sempre interessante. Jurisprudência relacionada ao assunto: vejamos um julgado do Supremo.2. preocupado com a ampla defesa e. no caso concreto. também do Supremo. pode dar um tiro no próprio pé.

descartar os votos de descarte. Renato Brasileiro – Intensivo II – 06/10/2009 PROCEDIMENTO DO JÚRI Disso vão derivar algumas consequencias importantes: Sala Secreta – Essa sala secreta. ou somente a estes. todo cuidado é pouco no sentido de preservar a imparcialidade do jurado. os jurados. as pessoas são retiradas do plenário do júri. O acusado não está presente à sala secreta. E também o oficial de justiça. Questiona-se na doutrina acerca da constitucionalidade dessa sala secreta. quando ele for o seu próprio advogado. Art. Por que existe essa sala secreta? Quem vai estar presente na sala secreta? O juiz presidente. da CF: LX . Você tem que lembrar o art. nesse caso. O art. Nem o acusado e nem o público. É lógico que. em determinados atos. às próprias partes e a seus advogados. Você consegue imaginar a votação desse jurado sendo feita perante o público? Consegue imaginar a votação perante o acusado? Por isso. observados os seguintes princípios: IX . Por que existe essa sala secreta? Por um motivo simples: jurados são pessoas do povo e não são dotados das mesmas garantias do magistrado.045-2004) Além disso. Quando ele atuar em sua própria defesa. em casos nos quais a preservação do direito à intimidade do interessado no sigilo não prejudique o interesse público à informação. podendo a lei limitar a presença. mas não tem caráter absoluto e a publicidade ampla e irrestrita. ele consegue criar uma antipatia e quando mistura as duas pessoas. já vai haver um prejuízo para a defesa. o que não é recomendável porque o jurado cria. o MP e o advogado de defesa. IX. disporá sobre o Estatuto da Magistratura. Aí exatamente. de acordo com o CPP. e fundamentadas todas as decisões. trabalha exatamente com a questão da restrição dos atos processuais. 5º. salvo. para colacionar os votos. de iniciativa do Supremo Tribunal Federal. o art. (Alterado pela EC-000. a sala secreta.a lei só poderá restringir a publicidade dos atos processuais quando a defesa da intimidade ou o interesse social o exigirem.todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos. se não for um advogado bom. Não é aberto ao público assistir a essa votação. Essa é a ideia da sala secreta. 93. Será que essa sala secreta não estaria violando o princípio da publicidade dos atos processuais? Com certeza que não. IX. 117 . 93 . é o interesse social na preservação dos jurados que vai justificar que essa votação se dê em uma sala secreta. É óbvio que a publicidade é uma garantia importante. deveria existir em todo plenário do júri. uma antipatia com a figura do acusado. etc. naturalmente. Veja você que o acusado não está presente na sala secreta. sob pena de nulidade. 93.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 07 – Prof. não existe essa sala secreta e o que acontece? Na hora da votação. Em alguns plenários do júri.Lei complementar. LX. Então. acaba cedendo em prol da preservação da imparcialidade dos jurados para a votação.

o sigilo do voto. AO (Ação Originária) 1.” Nessa linha. após a conclusão dos trabalhos. qual é a consequencia? Imagine um tribunal do júri Casa da Mãe Joana. poderá dizer: “fui sorteado. a violação a essa incomunicabilidade será causa de nulidade absoluta. coloquem a seguinte observação: “Essa garantia de incomunicabilidade não tem caráter absoluto. os jurados são recolhidos a um hotel onde não podem ter acesso a nenhum tipo de meio de comunicação. Renato jurado. A violação à incomunicabilidade.689. Aqui isso não existe por causa do sigilo do voto. Se isso for violado. disso vai derivar a ideia da incomunicabilidade. jurado com celular na mão. vai meter o ferro ou não vai?”) Cuidado porque se o meu voto é sigiloso. acerca do quesito tal.” Isso é quebra de incomunicabilidade. que é o seguinte: posso ficar eu. o jurado teria que ficar calado durante todo o julgamento e não é por aí que você tem que entender. o jurado fica batendo papo entre si. Jurado pode usar celular? Pode ficar mandando mensagem? Se eu ficar usando o celular. sem dúvida alguma. nem manifestar sua opinião sobre o processo. durante o julgamento.689.046.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 07 – Prof. exatamente para não prejudicar essa incomunicabilidade. o Supremo não reconheceu nulidade pelo fato de os jurados usarem o celular.” É mais ou menos isso. Mas é preciso tom ar cuidado porque a incomunicabilidade dos jurados tem caráter absoluto ou relativo? O que significaria se tivesse caráter absoluto? Que se uma vez sorteado. se por acaso você é um pai de família. Tanto é que a gente vê que os jurados são levados a uma sala secreta onde debatem o caso concreto. é óbvio que eu vou quebrar a incomunicabilidade porque eu vou me comunicar com outra pessoa que pode orientar o sentido do meu voto. surge um desdobramento disso. Como o juiz divulgava o placar da votação (“perguntados os jurados. etc. pergunto: quando é que o sigilo do voto acabava sendo quebrado? Cuidado com isso porque antes da Lei 11. Antes da Lei 11. Essa incomunicabilidade está ligada ao processo. o sigilo do voto acabava sendo quebrado nas hipóteses de votação unânime. é óbvio que não pode usar celular. logo após o sorteio tão-somente para comunicar familiares de que haviam sido sorteados na presença do oficial de justiça. Só para esclarecer. que alterou o procedimento do júri. Renato Brasileiro – Intensivo II – 06/10/2009 PROCEDIMENTO DO JÚRI Se eu estou dizendo que o meu voto é secreto. jurados não podem conversar entre si. jurado conversa entre si. Me aguarda que daqui a dez dias estou voltando para casa. ligar pra a sua família e. Sobre a incomunicabilidade. O que você tem que lembrar? “Uma vez sorteados para compor o conselho de sentença. na presença do oficial de justiça. conversando com outro jurado? (“E aí. em caso de 118 . Mas tudo depende do caso concreto. Cuidado para não ficar vendo muito filme americano de júri para não se complicar. responderam 7 a 0). Agora. O problema ocorre quando. jurado conversando entre si. Uma coisa é eu pegar o telefone e dizer: “você não vai acreditar: eu fui sorteado no caso Nardoni como jurado. É que lá no direito americano. eu não posso ficar conversando.” Se o meu voto é sigiloso. quando o julgamento dura mais de um dia. pois diz respeito apenas a manifestações relativas ao processo. vai pegar o celular. Então. você é uma mãe de família.

Da mesma forma. SOBERANIA DOS VEREDICTOS O que significa essa soberania dos veredictos? Significa o seguinte: “Um tribunal formado por juízes togados. Nesse ponto. por força dessa garantia.6892008) Esse parágrafo. tem caráter relativo.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 07 – Prof. teria sido quebrado. a votação será automaticamente interrompida. 593. que.” Essa seria a garantia da soberania dos veredictos. Renato Brasileiro – Intensivo II – 06/10/2009 PROCEDIMENTO DO JÚRI unanimidade. de mais de 3 (três) jurados. quando quaro votos forem atingidos numa direção. tamanha é a perplexidade da decisão que o tribunal acaba modificando essa decisão. III. Ele se contrapõe ao recurso de fundamentação livre. é óbvio que. você pode devolver ao tribunal o 119 . que você está acostumado a fazer porque aqui se trata de um recurso de fundamentação vinculada. Só que aí o aluno precisa tomar um certo cuidado.” Esse dispositivo é inteligente e salutar porque evita a violação de maneira indireta que se dava no caso de votação unânime. só que a doutrina tem dito o seguinte: com base nesse dispositivo. você vai ter que lembrar o seguinte: a apelação vai estar prevista no art. § 1º: § 1º A resposta negativa. a depender do caso concreto. a votação estará automaticamente interrompida para preservar o sigilo do voto. garantia essa.689 (foi uma alteração bem salutar). 483. se o jurado disse que eu sou inocente. Art. E qual foi essa alteração? Com a Lei 11. essa decisão deve ser mantida. a qualquer dos quesitos referidos nos incisos I e II do caput deste artigo encerra a votação e implica a absolvição do acusado. não pode modificar no mérito a decisão dos jurados. talvez seja a mais violada pelos tribunais de justiça ao julgar apelação contra o júri. da mesma forma que a anterior. Diante da apelação.3. E por que tem caráter relativo? Primeiro porque cabe recurso contra decisão do tribunal do júri. (Acrescentado pela L-011. ele só seria aplicável à resposta dos quesitos 1 e 2. Por quê? Porque teoricamente. vocês vão ficar muito atentos porque aqui houve uma alteração importante trazida pela Lei 11. o § 2º complementa (já lemos): § 2º Respondidos afirmativamente por mais de 3 (três) jurados os quesitos relativos aos incisos I e II do caput deste artigo será formulado quesito com a seguinte redação: O jurado absolve o acusado? 4. pela leitura dele. entre nós. a lei passou a dizer o seguinte: “Quando forem atingidos quatro votos num sentido. Agora. ou seja.689/08. E o aluno precisa entender que essa apelação do inciso III não é a apelação comum. Cuidado porque essa garantia (a gente vai comentar). O recurso de fundamentação livre é aquele ao qual estamos acostumados.

quando o rescisório.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 07 – Prof. sequer. Nos recursos de fundamentação vinculada ocorre a mesma coisa que se dá nos recursos extraordinários. o tribunal afasta a decisão anterior e. No recurso de fundamentação vinculada. Vamos dar uma olhada nas hipóteses de apelação do júri porque isso fica mais claro: 120 . ou ele não me dá nada. caso eu tenha entrado com apelação com base na letra ‘a’. ele dá outra. será conhecido. se eu apelei com base na letra ‘a’.” Esquece a apelação no júri e pensa numa apelação comum. Se você não invocar um desses fundamentos e se ele não estiver preenchido. o tribunal limita-se a desconstituir a decisão anterior. Renato Brasileiro – Intensivo II – 06/10/2009 PROCEDIMENTO DO JÚRI conhecimento de tudo. Esse é que é o detalhe e o ponto importante.O efeito devolutivo da apelação contra decisões do Júri é adstrito aos fundamentos da sua interposição. 593. num segundo momento. a própria Constituição já aponta para você o fundamento que você pode invocar. E aí. ou seja. Ou seja. Então. também conhecido como juízo rescisório. isso tem relevância porque o tribunal tem que tomar muito cuidado na hora de fazer o juízo rescisório porque nessa hora ele não pode invadir o mérito da decisão dos jurados.  Juízo rescindente – “No juízo rescindente. Mas é isso que acontece no júri? Não. Nessa apelação. ou o tribunal me dá a letra ‘a’. o máximo que você pode fazer é invocar um dos fundamentos citados pela lei. Ele não pode me dar a letra ‘c’. o tribunal dá provimento e absolve meu cliente. o tribunal substitui a decisão anterior por outra. Por exemplo. esses dois juízos se dão automaticamente. isso é quase que simultâneo. o cuidado que deve haver na hora do juízo rescisório para que o tribunal não viole a soberania dos veredictos. E é o que a gente vai ver no art. III. Por quê? Porque num primeiro momento. Mas antes. do Supremo: STF Súmula nº 713 . qual será a consequência? Seu recurso.”  Juízo rescisório (ou revisório) – “No juízo rescisório. mas na hora que a gente vai para o julgamento de uma apelação de decisão do júri. ele está violando a garantia da soberania dos veredictos. Numa apelação comum. Essa súmula é importante porque. é importante que você saiba a diferença entre o chamado juízo rescindente e não pode confundi-lo com o chamado juízo rescisório. de direito e da matéria probatória. anotem a Súmula 713. Se ele faz isso. ele faz. Eu apelo. tanto o juízo rescindente. Pense bem:quando o tribunal resolve reformar a decisão de primeira instancia e absolver o meu cliente. Antes de a gente ir ao CPP. está nos dizendo que. meu cliente foi condenado por furto. a lei já lhe dá o fundamento do seu recurso e o máximo que você pode fazer é invocar um desses fundamentos. No momento de uma apelação comum isso até que não tem muita relevância. da matéria de fato. na verdade. a própria lei já aponta a sua fundamentação. porque no tribunal do júri.DJ de 13/10/2003 . automaticamente ele estará fazendo os dois juízos.

como não preclui. “nulidade após a pronúncia”. (Intervalo) Vimos que a apelação no júri é um recurso de fundamentação vinculada.” É óbvio que. Por quê? Se você se deparou com uma nulidade relativa e não a arguiu no momento oportuno. Declarada a nulidade. com um detalhe óbvio. você pode argui-la posteriormente. Para concluir essa hipótese. d) for a decisão dos jurados manifestamente contrária à prova dos autos. Imaginando isso no tribunal do júri. nesse caso. cabe apelação. vai devolver você a julgamento pelo júri. c) houver erro ou injustiça no tocante à aplicação da pena ou da medida de segurança. Se você permanece calado. eu pergunto: o tribunal. Ele não vai fazer nenhum juízo rescisório. Quando o juiz faz os quesitos.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 07 – Prof. Vimos que pode ser tanto a relativa quanto a absoluta e vimos que deve ser após a pronúncia. vai fazer o juízo rescisório (dá nova decisão) e rescindente ou só o rescindente (desconstitui a decisão anterior)? Sem dúvida alguma. podem dar ensejo à apelação. E por que a lei diz que essa nulidade tem que ser uma nulidade ocorrida após a pronuncia? Ora. qual é a consequência? Preclusão. ou se você preferir. deve ter sido arguida no momento oportuno. sob pena de preclusão. b) for a sentença do juiz-presidente contrária à lei expressa ou à decisão dos jurados. o melhor exemplo é o da quesitação. A primeira hipótese de apelação no júri:  1ª Hipótese de apelação no júri: Nulidade posterior à pronuncia O examinador pergunta: que espécie de nulidade é essa? Absoluta ou relativa? E por que tem que ser após a pronúncia? Você vai responder para o examinador o seguinte: as duas. Tanto a nulidade absoluta. quando: a) ocorrer nulidade posterior à pronúncia.das decisões do Tribunal do Júri. durante de uma nulidade absoluta. quanto a nulidade relativa. E quais seriam as hipóteses de apelação no júri? Vimos a primeira delas. para julgar essa apelação. revidente. impugnada por meio de RESI. A nulidade relativa. Porém. o juízo que será feito pelo tribunal será somente o juízo rescindente. o tribunal vai se limitar a declarar a nulidade. 593 . Vamos colocar isso só para vocês raciocinarem um pouco em cima dessa hipótese.Caberá apelação no prazo de 5 (cinco) dias: III . 121 . Quando houver nulidade posterior à pronúncia. para dar ensejo à apelação. Leia-se. ela deve ter sido apreciada pelo juiz no momento da prenuncia e. ele indaga ás partes se há algum requerimento. Renato Brasileiro – Intensivo II – 06/10/2009 PROCEDIMENTO DO JÚRI Art. ou seja. você não tem total liberdade na hora de recorrer porque fica preso aos fundamentos apontados no fundamento legal. pelo seguinte: “Se essa nulidade ocorreu antes da pronúncia. teoricamente teria havido preclusão. alguma impugnação.

O TJ ou o TRF. Nesse caso. O problema é invadir o mérito da decisão dos jurados. como tal matéria é da competência do juiz presidente. agravantes e atenuantes não são mais quesitadas aos jurados portanto. Nessa apelação vão surgir detalhes interessantes. Com a Lei 11. aqui de apelação. era preciso formular para os jurados quesitos sobre agravantes e atenuantes. Detalhe interessante sobre isso: e no caso de agravante ou atenuante reconhecida de maneira equivocada? O TJ já pode afastá-la ou precisa devolver para o júri? Foi reconhecida e aplicada pelo juiz uma agravante que não deveria ter sido aplicada.  3ª Hipótese de apelação no júri: Ocorre quando houver erro ou injustiça no tocante à aplicação da pena. o tribunal de justiça pode fazer os dois juízos e não haverá problema algum de violação da soberania dos veredictos.  2ª Hipótese de apelação no júri: Ocorre quando a decisão do juiz presidente for contrária à lei expressa ou à decisão dos jurados. Você tem que raciocinar comigo o seguinte: hoje. tanto o juízo rescindente quanto o juízo rescisório. o tribunal irá fazer. não mais. É óbvio que essa aqui é um pouco mais difícil de acontecer porque a decisão do juiz tem que ser contrária à decisão dos jurados. Renato Brasileiro – Intensivo II – 06/10/2009 PROCEDIMENTO DO JÚRI porque se foi uma nulidade ocorrida antes. É como se os jurados tivessem dito que o crime teria sido de homicídio qualificado e o juiz aplicado um homicídio simples. é o juiz presidente. O juízo ad quem já pode simplesmente decotar essa agravante ou precisa me sujeitar a novo tribunal do júri? Se fizer isso. Então.689. deve ter sido analisada na decisão de pronúncia e o recurso competente é o RESI. E se é ele que decide. Aqui.689. com as alterações trazidas pela Lei 11. nada impede que o tribunal afaste sua aplicação. “Com a Lei 11. soberania dos vereditos está ligada à decisão dos jurados. Antigamente. agravantes e atenuantes já não são mais quesitadas aos jurados. Seria a terceira hipótese de cabimento. o problema é que não tem nada a ver com a decisão dos jurados e sim. ou decidiu contrariamente àquilo que foi dito pelos jurados. Antigamente. Portanto. aqui. o tribunal fará ambos os juízos.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 07 – Prof. Está na aplicação da pena feita pelo juiz presidente e mudar a decisão do juiz presidente não é problema. estará violado a soberania dos veredictos? Essa pergunta é boa e pertinente por um detalhe muito simples. ao julgar essa apelação vai fazer o juízo rescisório e rescindente ou somente o rescindente? O problema aqui é semelhante ao anterior. Nesse caso. Nesse caso. um regime integralmente fechado em crimes hediondos. o tribunal pode corrigir.” 122 . eram. com a decisão do juiz presidente que aplicou uma pena que não existia. o tribunal vai fazer o juízo rescindente e rescisório ou somente vai fazer o juízo rescindente? O que é a soberania do vereditos? Vamos raciocinar: é um tribunal formado por juízes togados não poder modificar no mérito a decisão dos jurados. O que um tribunal de justiça não pode fazer é querer absolver aquele que foi condenado pelo júri e vice-versa. Hoje.689. quem decide sobre isso.

Prevalece na doutrina que na hora da revisão criminal. tendo os jurados optados por uma delas. quando aí diz manifestamente. Se eles são soberanos e se há duas versões. aqui está a porta para ele cassar a decisão do júri quando deveria respeitar os jurados.” Isso é assim pelo menos em tese porque o tribunal acaba ignorando esse “manifestamente” e aí. o tribunal não pode invadir porque aí estaria violando a soberania. não foi colocado na lei à toa. “Se há duas versões. Sou condenado. é cabível no júri? Sim! A resposta usualmente trabalhada pela doutrina é a seguinte: “Tanto a revisão criminal quanto a soberania dos veredictos são garantias instituídas em prol da liberdade do acusado. Nessa situação. O que é uma decisão dos jurados manifestamente contrária à prova dos autos? Esse advérbio. Se fizesse isso. você tem que entender o seguinte. pouco importando. também será cabível apelação. o tribunal fará ambos os juízos. quem tenha apelado. “manifestamente”. não caberá apelação. Nesse caso. Eu digo que não matei. eis o preço que se paga pela existência do tribunal do júri. o tribunal não pode cassar a decisão e dar uma nova. Eu já disse que a soberania dos veredictos não é uma garantia absoluta. ambas amparadas por provas dos autos. se há duas versões amparadas pelas provas dos autos e os jurados optaram por uma delas. somente será feito um juízo rescindente. Então. Uma segunda testemunha diz que não fui eu. Resta falarmos da última garantia do tribunal do júri: 123 . Essa decisão é manifestamente contrária à prova dos autos? Não. Uma testemunha diz que fui eu.” Cuidado com isso. quando o tribunal não gosta da decisão do júri. E só um detalhe que foi o que caiu na prova da magistratura e acabou complicando os alunos: na hora da revisão criminal.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 07 – Prof. claramente estaria substituindo a vontade dos jurados no mérito e violando a soberania dos veredictos. Essa apelação aqui talvez seja a mais interessante e com algumas peculiaridades. Renato Brasileiro – Intensivo II – 06/10/2009 PROCEDIMENTO DO JÚRI Aquilo que for dos jurados. não será cabível apelação. Detalhe: essa apelação só é cabível uma única vez. Não é que cada parte tenha uma apelação. É uma só! Qual juízo será feito pelo tribunal ao julgar essa apelação? Nesse caso. Uma outra pergunta que já caiu na prova da magistratura de São Paulo seria a seguinte: e revisão criminal. Mas aquilo que é do juiz presidente o tribunal pode invadir porque não está protegido pela soberania dos veredictos. porque cabe apelação no júri.  4ª Hipótese de apelação no júri: Ocorre quando a decisão dos jurados for manifestamente contrária à prova dos autos. não há qualquer incompatibilidade. prevalece que o tribunal irá fazer tanto o juízo rescindente (afastando a decisão anterior) e também irá fazer o juízo rescisório. logo. Vou dar um exemplo para você raciocinar comigo. apesar de haver entendimento doutrinário em sentido diverso.

o tribunal do júri também vai julgar os crimes conexos.923. Salvo quais? • • Crimes Militares Conexos – impõe-se a separação dos processos Crimes Eleitorais Conexos – impõe-se a separação dos processos Quais crimes envolvendo a morte dolosa de uma pessoa não são julgados pelo júri? Latrocínio (roubo qualificado pelo resultado morte) – não é crime doloso contra a vida. Renato Brasileiro – Intensivo II – 06/10/2009 PROCEDIMENTO DO JÚRI 4. 158. Então. além de julgar os crimes dolosos contra a vida. nessa esteira. Foro por prerrogativa de função previsto na Constituição Federal – Aqui o aluno erra. do STF: STF Súmula nº 603 . Só que é óbvio que não há vontade política nisso. inclusive na nova figura criada pelo art. como era antes. poderão fazê-lo. Se houver maiores. dá-se o desmembramento para julgamento pelo tribunal do júri.A competência para o processo e julgamento de latrocínio é do juiz singular e não do Tribunal do Júri. deveria ser julgado pelo júri. é a súmula 603. Será julgado pelo juiz singular. ele seria extinto. § 3º. esse crime também não é julgado pelo júri. que foi difundida pela mídia e nós não podemos nos valer no direito penal e no processo penal de expressões vulgares. portanto. E. Se amanhã quiserem fazer. Só que essa é uma expressão vultar. Extorsão qualificada pela morte – Da mesma forma que o latrocínio não é julgado pelo júri. Isso hoje parece bobagem. O que eu quero dizer com isso? Nada impede que essa competência seja ampliada por lei ordinária. mas há vários anos havia uma grande discussão sobre isso porque já quiseram dizer que o latrocínio seria um homicídio qualificado para assegurar a ocultação do crime patrimonial e. COMPETENCIA PARA O JULGAMENTO DOS CRIMES DOLOSOS CONTRA A VIDA Essa é a última garantia prevista pela CF no tocante ao júri. Além de crimes dolosos contra a vida. Ato infracional – Também não vai ser julgado pelo júri. Essa competência é uma competência mínima.31/10/1984 . também abrange julgamento do crimes conexos. 124 . “crimes dolosos contra a vida” é a competência mínimia. E isso está sendo muito criticado pela doutrina porque a própria lei que criou o sequestro-relâmpago. Lei 11. Prova disso. senão amanhã a coisa complica. Em algumas Constituições estaduais. Latrocínio é julgado pelo juiz singular. delegado geral tem foro. que crimes contra a economia popular eram julgados pelo júri. o chamado sequestro-relâmpago. o próximo delito que também não vai à júri. usou essa expressão. É crime contra o patrimônio. Se o tribunal pudesse ser extinto. Hoje está pacificado. “sequestro-relâmpago”.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 07 – Prof.4.

O seu raciocínio é sempre buscar onde está o foro. por não ser um crime doloso contra a vida. Mas pode ser que eu não queira dar anticoncepcionais. e se. se eu tenho duas competências. resolver o agente praticar o genocídio matando membros do grupo? O genocídio pode ser praticado dando anticoncepcionais (para as índias. Eu até fiquei assustado com esse julgado porque a tendência é tirar da justiça militar. trabalhando. Estava sendo julgado e renunciou. PI). Mas. Matando-as. Foro por prerrogativa de função previsto na Constituição Federal. mas eles não serão julgados pelo júri? Serão! É que o foro por prerrogativa de função tem que estar previsto na CF. HC 91003) – esse foi um julgado que. serão julgados pelo júri. Qual é o bem jurídico tutelado pelo genocídio? Vocês estão lembrados? O bem jurídico tutelado é a existência de um grupo nacional. Genocídio – Aqui o aluno precisa lembrar que genocídio é crime da competência de juiz singular. Um deputado federal estava na iminência de ser julgado por um crime de tentativa de homicídio e cinco dias antes do julgamento ele renuncia ao mandato para que os autos baixassem à primeira instancia. A pessoa escolheu o juiz natural. Mas o que aconteceu no caso concreto? Manipulação do juízo natural. 125 . Renato Brasileiro – Intensivo II – 06/10/2009 PROCEDIMENTO DO JÚRI vereador (RJ. vou responder pelo genocídio e também pelos homicídios. os homicídios serão julgados por um tribunal do júri. por acaso. O que o júri faz com os crimes conexos? Força atrativa.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 07 – Prof. como o civil matou um soldado que estava dentro do quartel. e se ambas estão previstas na CF. que eu prefira matar as pessoas. Civil que mata militar das Forças Armadas em serviço (STF. Nesse julgado. o aluno erra. Quais outros crimes dolosos contra a vida não são julgados pelo júri? Militar da ativa que mata militar da ativa – O militar da ativa é aquele que não está aposentado. pelo princípio da especialidade. não merece ser julgado pelo Supremo. E aí a prescrição acontece. porque. Se está previsto apenas na Constituição estadual. também está a competência da justiça militar. acho que vocês já têm material suficiente. É questãozinha boa que já caiu em duas ou três provas. da mesma forma que o tribunal do júri está previsto na Constituição. A Súmula 721 do STF fala sobre isso: STF Súmula nº 721 .DJ de 13/10/2003 . racial ou religioso. por exemplo). Por isso.” Olha a quantidade de crime que sai do júri! Mas tem mais. Sobre garantias do júri. E questionável por quê? Você pode até pensar: ele não é mais deputado. que exercerá força atrativa em relação ao crime conexo de genocídio. não é julgado pelo tribunal do júri. Tudo bem.A competência constitucional do Tribunal do Júri prevalece sobre o foro por prerrogativa de função estabelecido exclusivamente pela Constituição estadual. o Supremo entendeu que. não pode prevalecer sobre o tribunal do júri que está na Constituição Federal. Mas nesse caso. Os homicídios. o Supremo entendeu que a competência seria da justiça militar. nesse caso. prevalece o foro por prerrogativa de função. Assim fez o Supremo numa decisão questionável. étnico. “Se o genocídio for cometido mediante morte de membros do grupo. se cai em prova.

você sendo sorteado. A pessoa no gozo de seus direitos políticos. o juiz poderá isentá-lo do serviço do júri. 437. de igual forma o profissional liberal com três filhos. vai trazer um sério prejuízo ao sustento da família. antes mesmo dessa lei. 126 . Esse dispositivo do CPP vai dizer o seguinte: Art. alguns doutrinadores. é aquele que o advogado de defesa vai falar e o jurado já percebe. desde que você demonstre ao juiz que há um motivo justo. pode ser jurada. O juiz. a idade era de 60 anos. Apesar disso. Por isso. ao elaborar a lista tem esse cuidado em razão da imaturidade.689. estará dispensado. quero focar no tocante aos jurados.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 07 – Prof. Idoso pode ser jurado? Tinha muito idoso que adorava ser jurado. Quem é que pode ser jurado. caso requeira a sua dispensa. demonstrando justo impedimento. Veja que esse cidadão com mais de 70 anos não é proibido de ser jurado.” Antigamente. 437. E naturalizado.1. A gente vai comentar sobre os “jurados profissionais”. Não existia antes e é uma previsão bastante salutar porque agora. já sustentavam que seria de 18 anos por força do novo Código Civil e agora virou texto de lei. X.aqueles que o requererem. seja nata. Por quê? Porque é aquele jurado que já está acostumado. a idade era de 21 anos. é óbvio que são os pares da comarca onde o delito foi praticado. O exemplo do taxista é interessante. o nato e o naturalizado. Estão isentos do serviço do júri: (Alterado pela L-011.689-2008) X . seja naturalizada. mas se você deve ser julgado pelos seus pares. que é dado pelo estatuto do idoso. Então. quais são os requisitos para que a pessoa seja jurado. Cuidado para não confundir o conceito de idoso. atuando no júri durante cinco dias seguidos. mas se requerer a dispensa. Se estou usando a palavra cidadão.  2º Requisito: Residência na comarca A lei não diz isso expressamente. Requisitos para ser jurado Aqui. deve ser residente na comarca. Com relação ao idoso: “Com a Lei 11.689. etc. o idoso com mais de 70 anos está isento do júri. pode? Sim. que é de 60 anos. significa que deverão estar no gozo dos seus direitos políticos. Renato Brasileiro – Intensivo II – 06/10/2009 PROCEDIMENTO DO JÚRI 5. Verdade seja dita.  1º Requisito: Cidadão com mais de 18 anos. O MP adora o jurado profissional. Antes da Lei 11. Isso aí é novidade. Taxista pode ser jurado? Eu cito esse exemplo que se encaixa direitinho no art. ORGANIZAÇÃO DO JÚRI 5. Essa pessoa. não vai ser muito comum você encontrar jovem de 18/19 anos no júri.

sexo. basicamente. A lei não diz que o deficiente visual não possa ser jurado. se o jurado não tem condição de ouvir. pelo princípio da oralidade. profissão. § 2º trata disso: § 2º A recusa injustificada ao serviço do júri acarretará multa no valor de 1 (um) a 10 (dez) salários mínimos. o problema é a questão do sigilo do voto. O alistamento compreenderá os cidadãos maiores de 18 (dezoito) anos de notória idoneidade. pode ser processado por crime de desobediência? Não. 436. escutar aquilo que as partes estão dizendo. Questiono: esse jurado que se recusou injustificadamente.689-2008) Já vi em alguns livros. se você só interpretar esse parágrafo primeiro. esse é o problema. classe social ou econômica. imagine você. já está aí a consequência (multa). Se o juiz começar a ler as peças dos autos. E é a posição majoritária. podem ser jurados? Nesse ponto. ele vai lá e lê. Mas é óbvio que você não precisa ter terceiro grau completo para ser jurado. 127 . Por isso. 5. Então. Por quê? Porque. a pronúncia já não pode ser usada como argumento de autoridade. em alguns momentos. Alguns até dizem que poderia. de acordo com a condição econômica do jurado. credo. O tribunal é regido. analfabeto. na verdade. O art. Recusa Injustificada Qual é a consequencia de determinada pessoa se recusar de maneira injustificada a prestar serviço como jurado? A consequência prevista pelo CPP é uma multa no valor de 1 a 10 salários mínimos. Porém. seria um negócio lusitano entregar cópias de decisões para o analfabeto. raça. Renato Brasileiro – Intensivo II – 06/10/2009 PROCEDIMENTO DO JÚRI  3º Requisito: Notória idoneidade. Então. A gente vai trabalhar mais sobre isso. Art. (Alterado pela L011. mas não passa. Hoje.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 07 – Prof. inclusive. (Acrescentado pela L-011. origem ou grau de instrução. Então. 436. a critério do juiz.689-2008) § 1º Nenhum cidadão poderá ser excluído dos trabalhos do júri ou deixar de ser alistado em razão de cor ou etnia. Mas o problema é que o próprio CPP prevê que os jurados vão receber cópias de algumas decisões. você poderia até dizer que o analfabeto pode ser jurado. muita atenção porque a lei não diz isso expressamente. O jurado não pode sofrer influencia do juiz presidente. a doutrina entende que o deficiente visual. só para você raciocinar. Todos os manuais vão trabalhar. Deficiente visual pode ser jurado? Surdo-mudo. nessa mesma linha. O serviço do júri é obrigatório. basicamente. caso ele tenha dúvida. os surdos-mudos e os analfabetos não podem ser jurados. é extremamente importante que o jurado possa ouvir as alegações das partes porque.2. mas o que acontece? O jurado precisa saber ler porque. isso também fica complicado. doutrinadores quererem colocar o analfabeto aí.

se a lei previu a multa e só a multa. no Poder Judiciário. Renato Brasileiro – Intensivo II – 06/10/2009 PROCEDIMENTO DO JÚRI “Como o dispositivo do art. § 2º O juiz fixará o serviço alternativo atendendo aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade. já que a lei passou a prever o que é o serviço alternativo: § 1º Entende-se por serviço alternativo o exercício de atividades de caráter administrativo. a lei deveria ter ressalvado. Isso agora virou moda. que falava da privação dos direitos políticos. Se fosse possível. Mas houve modificação trazida pela lei. na Defensoria Pública. antes da Lei 11. é como se a lei estivesse dizendo que essa é a única sanção cabível. no HC 22721 (que não é em relação ao jurado. § 2º. você não teria como ser privado de seus direitos políticos. mas quer 20 128 . por razões de ordem religiosa) e. não seria possível a acumulação com a sanção de natureza penal. filantrópico ou mesmo produtivo. 5. Às vezes a pessoa não tem problema jurídico. Então. (Acrescentado pela L011. do CPP traz a previsão do serviço alternativo: Art. Se só a multa foi prevista. filosófica ou política importará no dever de prestar serviço alternativo.689-2008) Se você se recusa a prestar o júri por conta de convicção religiosa e se recusa a prestar o serviço alternativo. Tudo quanto é lei fala isso. prevê única e exclusivamente a pena de multa.” Essa já é uma jurisprudência bem tranquila do STJ. no Ministério Público ou em entidade conveniada para esses fins. pelo que não caberia responsabilidade criminal pelo delito de desobediência. Art. seria o de psicólogo na Defensoria Pública.689-2008) E agora a grande novidade. quando a pessoa tem alguma formação. 436. não havia previsão de serviço alternativo. aquele dispositivo da Constituição.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 07 – Prof. sem fazer qualquer ressalva quanto à possibilidade de cumulação da sanção de natureza civil ou administrativa com a de natureza penal. Mas um bom exemplo de serviço alternativo.3. o STJ tem dito (como tem dito em outros julgados) que. não é possível a responsabilização criminal pelo crime de desobediência.689. 438. Há muitas infrações de trânsito em que só a multa é prevista (infrações administrativas). mas o raciocínio é idêntico). enquanto não prestar o serviço imposto. Escusa de Consciência Fiquem atentos a isso porque aí entram algumas alterações interessantes. como não havia o serviço alternativo. sob pena de suspensão dos direitos políticos. aí você vai ter seus direitos políticos suspensos. acabava perdendo a razão de ser porque você se recusava a prestar o serviço do júri (vamos imaginar. Isso acontece muito no Código de Trânsito. 438. assistencial. (Alterado pela L-011. A título de exemplo. A recusa ao serviço do júri fundada em convicção religiosa. Antigamente.

V . São impedidos de servir no mesmo Conselho: (Alterado pela L-011. 5.689-2008) I . Renato Brasileiro – Intensivo II – 06/10/2009 PROCEDIMENTO DO JÚRI minutos para reclamar da vida. É 129 . olha o que diz o art. Inciso I . Foi anulado? Então não posso atuar no segundo porque estaria sendo violado o sigilo das votações. E isso acontece. tem muita coisa nesse sentido. impedimento e incompatibilidade de jurados Isso já foi trabalhado nas primeiras aulas. § 1º O mesmo impedimento ocorrerá em relação às pessoas que mantenham união estável reconhecida como entidade familiar. o que cai é o art. Suspeição. se eu já atuei no primeiro julgamento. (Acrescentado pela L-011. houver integrado o Conselho de Sentença que julgou o outro acusado.irmãos e cunhados. 449.tio e sobrinho. III . Não poderá servir o jurado que: (Alterado pela L-011. durante o cunhadio. eu não posso atuar no segundo julgamento. VI .marido e mulher. E essas leis processuais são interessantes porque muito do que foi colocado no texto da lei era o q eu a jurisprudência já vinha dizendo. não haverá óbice. Então. Então. 448. III . 449.689-2008) II . Cuidado com esse inciso I.6892008) II .ascendente e descendente. pouco importando qual seria a causa desse segundo julgamento.sogro e genro ou nora. (Acrescentado pela L-011. 449: Art. 448 trabalha com esse tema: Art. que se for para cair em prova. Uma vez eu vi uma questão (não me lembro bem de onde) no seguinte sentido: um mesmo jurado pode julgar a mesma pessoa duas vezes? Cuidado com isso! Se for em relação a processo distinto.689-2008) I .De acordo com esse dispositivo. IV . não posso externar meu voto num segundo julgamento. a suspeição e as incompatibilidades dos juízes togados.no caso do concurso de pessoas.689-2008) § 2º Aplicar-se-á aos jurados o disposto sobre os impedimentos. O art. Eu estava até dando uma olhada na Lei do Mandado de Segurança.4. (Acrescentado pela L-011. eu posso apostar.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 07 – Prof. 449 porque esse artigo simplesmente materializou em lei o que antes era jurisprudência. madrasta ou enteado.padrasto. um bom psicólogo nessa hora seria muito mais interessante do que um defensor público.tiver manifestado prévia disposição para condenar ou absolver o acusado. Já externei meu voto num primeiro julgamento. O art.tiver funcionado em julgamento anterior do mesmo processo. independentemente da causa determinante do julgamento posterior.

Se ele não faz isso. E isso só é descoberto após o julgamento. Com a Lei 11. Pronto. atingidos 4 votos num sentido. entram nesse cômputo? O juiz. Como não é mais possível se saber o sentido do voto do jurado. você deve se declarar impedido para atuar no júri. Ai alguém levanta a mão e diz que tem um companheiro ali. Como eu não consigo mais estabelecer isso. nesse caso. deve declarar-se impedido. tenho que anular.” da atuação de jurados Marido e mulher. hipótese em que deveria ser comprovado o prejuízo (4 a 3). novo processo contra ele seja instaurado. qual é a consequência de dois jurados impedidos atuando no mesmo conselho? O primeiro que for sorteado. ele entrou e aí eu tenho marido e mulher. a atuação de jurado impedido será causa de nulidade absoluta. a participação de jurados impedidos no mesmo conselho.689. Os jurados excluídos por impedimento. antes de fazer o sorteio. Eu disse a vocês hoje que o júri é composto pelo juiz presidente e por mais 25 jurados. difícil.689. mas tecnicamente é possível. Eu posso funcionar como jurado de um acusado em um processo e.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 07 – Prof. tão logo seja sorteado. suspeição ou incompatibilidade serão considerados para a constituição do número legal exigível para a realização da sessão. Pergunta boa de prova: “Consequência impedidos no mesmo conselho. era causa de nulidade relativa. a nulidade é absoluta porque eu não consigo mais determinar qual teria sido o grau de influencia do jurado impedido.689-2008) Esse número. (Alterado pela L-011. é de 15 jurados. 15 jurados. se você já tiver externado a sua posição. teve prejuízo.” Pensem comigo: se eu tenho marido e mulher e a votação terminou 4 a 3. a consequência seria a nulidade absoluta. Ele espera que o jurado declare se há algum impedimento. Pergunto: ele é levado em consideração para esse número mínimo de 15 ou não? É uma questãozinha que continua caindo em prova e tem gente que continua errando. Então. caso depois. A gente já viu um pouco sobre isso. deve ser impugnado pelas partes. tio e sobrinho. Qual é a consequencia? “Antes da Lei 11. Para que eu possa dar início à sessão de julgamento (fazer o sorteio. as recusas). Renato Brasileiro – Intensivo II – 06/10/2009 PROCEDIMENTO DO JÚRI raro.5. O outro. deverão estar presentes. por exemplo. nada impede que esse mesmo jurado atue. Se não impugnado pelas partes.” Art. como eu já disse. fica. não há problema algum porque não houve prejuízo. 5. suspeição ou incompatibilidade são levados em consideração para o cômputo mínimo de 15 jurados. Hoje. a votação será interrompida. Ele está excluído. São levados em consideração! “Jurados excluídos por impedimento. Inciso III – Então. Pergunto: jurados excluídos por impedimento. 451. pelo menos. Se a votação terminou 7 a 0. O Jurado Profissional 130 . ele lê as causas de impedimento.

439. você teria atuado no julgamento. você não entra na regra do art. § 4º O jurado que tiver integrado o Conselho de Sentença nos 12 (doze) meses que antecederem à publicação da lista geral fica dela excluído. 439. sobretudo nas comarcas menores. era extremamente comum. Art. de ofício ou mediante reclamação de qualquer do povo ao juiz presidente até o dia 10 de novembro. Não fazendo parte do conselho de sentença. ou seja. estabelecerá presunção de idoneidade moral e assegurará prisão 131 . § 5º Anualmente. 436 a 446 deste Código. 5. data de sua publicação definitiva. fazer parte do conselho de sentença e aí. lista essa que serão sorteados os 25 convocados para a sessão de julgamento. mas um primeiro benefício importante é o do art. (Alterado pela L-011.689-2008) § 2º Juntamente com a lista.6. em cartões iguais. será publicada pela imprensa até o dia 10 de outubro de cada ano e divulgada em editais afixados à porta do Tribunal do Júri.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 07 – Prof. O § 4º. A pessoa sempre fazia parte da lista e. (Acrescentado pela L-011. Cuidado para não cair em pegadinha de prova objetiva. muito provavelmente. antes da Lei 1. era sorteada e volta e meia lá estava ela na composição do tribunal do júri. Você precisa. do art. Benefícios do efetivo exercício da função de jurado Quais são os benefícios que o exercício da função de jurado poderá trazer para você? Esses benefícios estão espalhados pelo CPP. O exercício efetivo da função de jurado constituirá serviço público relevante. efetivamente. houve uma preocupação da lei com relação a esse jurado. após serem verificados na presença do Ministério Público. Então. sob a responsabilidade do juiz presidente. § 3º Os nomes e endereços dos alistados. 426. Você atuou no julgamento. Renato Brasileiro – Intensivo II – 06/10/2009 PROCEDIMENTO DO JÚRI Essa figura.” É aquele negócio. de advogado indicado pela Seção local da Ordem dos Advogados do Brasil e de defensor indicado pelas Defensorias Públicas competentes.689. com indicação das respectivas profissões. está fora nos próximos 12 meses da lista geral. do CPP. §4º. ficará excluído da lista geral. a lista geral de jurados será. obrigatoriamente.689-2008) § 1º A lista poderá ser alterada. permanecerão guardados em urna fechada a chave. completada. A lista geral dos jurados. serão transcritos os arts. 426. efetivamente. não basta você ser convocado dentro do número de 25. “Se o jurado integrou o conselho de sentença nos 12 meses anteriores. trata do jurado profissional. O jurado profissional é excluído quando ele integra o Conselho de Sentença. Art. 426.

mas você não deve usar isso como critério primeiro de desempate. A partir do momento que você compareceu na sessão. provas e títulos e aí depois. o primeiro ponto importante é você lembrar que esse procedimento é chamado pela doutrina de um procedimento bifásico ou se você preferir. subsidiariamente. em caso de crime comum. (Alterado pela L-011. nas licitações públicas e no provimento. preferência. que é a Sala de Estado Maior. enquanto que outros doutrinadores preferem sustentar que basta a sua convocação dentro do número de 25 jurados. vem trabalhando com a tese de que agora o procedimento seria trifásico. A maioria de vocês (como advogados inscritos na OAB). fazer menção a isso. Cuidado com esse artigo que é novidade. em igualdade de condições. mediante concurso. o seu comparecimento já seria efetivo exercício da função de jurado.689 fala do jurado profissional.689-2008) Primeiro. Aqui ela não usa a mesma expressão. Constitui também direito do jurado. a lei fez essa previsão. de cargo ou função pública. bem como nos casos de promoção funcional ou remoção voluntária. Hoje em dia as organizações militares têm evitado essas salas por esse motivo. Quando a Lei 11. inclusive. até o julgamento definitivo. Para prova de concurso. utilizar a atuação de um dos candidatos como jurado para critério de desempate. tem previsão no Estatuto da OAB. senão a lei não diria que é efetivo exercício). 6. O PROCEDIMENTO DO JÚRI Em relação a isso. Estão querendo acabar com isso mas. vocês têm algo a mais. na medida em que seria dotado de tão-somente duas fases. mesmo que você não integre o conselho de sentença. 440. respeitada a posição dele. o que eu devo compreender por exercício efetivo da função de jurado? Aí vem o problema porque parte da doutrina (não existe uma doutrina majoritária) entende que exercício efetivo significa atuação no conselho de sentença (o que eu acho mais coerente. 439 deste Código. Cuidado com a leitura do professor Guilherme de Souza Nucci que. na condição do art. também é conhecido como procedimento escalonado. inclusive tem um livro específico de tribunal do júri lançado após a reforma. por hora. você poderia até fazer a interpretação no sentido de que basta o comparecimento dele. fala claramente em integrar o conselho de sentença.LFG – PROCESSO PENAL – Aula 07 – Prof.689-2008) “Condição do art. esse deve ser usado como um último critério de desempate. talvez não seja o melhor posicionamento. O edital mais atento às alterações deve. ou seja. Art. efetivo exercício da condição de jurado. Provas. Para a doutrina. Então. 439”. Renato Brasileiro – Intensivo II – 06/10/2009 PROCEDIMENTO DO JÚRI especial. Quais são as fases do procedimento do júri? 132 . Vamos ficar com a doutrina tradicional. Querendo incentivar a atuação de pessoas com terceiro grau no conselho de sentença. além da prisão especial. (Alterado pela L-011. por conta dessa previsão de que a pessoa teria que ser recolhida ao comando das Forças Armadas.

LFG – PROCESSO PENAL – Aula 07 – Prof. Já na segunda fase. Judicio causae ou Juízo da Causa Na primeira fase temos única e exclusivamente a atuação do denominado juiz sumariante. teremos também a participação dos jurados. Renato Brasileiro – Intensivo II – 06/10/2009 PROCEDIMENTO DO JÚRI 1ª Fase: 2ª Fase: Judicio accusationis ou Sumário da Culpa. obviamente. num primeiro momento os autos são remetidos à figura do juiz presidente (obviamente em comarcas em que tais figuras sejam distintas) e. 133 . aproximando-se o dia do julgamento.

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