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SUMÁRIO

APLICAÇÃO DA LEI PENAL NO TEMPO ....................................................................................... 2


IRRETROATIVIDADE DE LEI PENAL ......................................................................................... 2
RETROATIVIDADE DE LEI MAIS BENÉFICA ............................................................................. 2
ULTRATIVIDADE DE LEI ............................................................................................................ 2
ABOLITIO CRIMINIS ................................................................................................................... 3
CRIMES PERMANENTES OU CONTINUADOS ......................................................................... 4

LEI TEMPORÁRIA / EXCEPCIONAL 6


TEMPO DO CRIME ........................................................................................................................ 8
CASOS CONCRETOS DA PARTE ESPECIAL DO CP ............................................................... 9

EXERCÍCIOS .................................................................................................................................. 9
GABARITOS ............................................................................................................................... 9

LEI PENAL NO ESPAÇO .............................................................................................................. 11


TERRITORIALIDADE ................................................................................................................ 11

EXERCÍCIOS ................................................................................................................................ 13

LUGAR DO CRIME ......................................................................................................................... 14


EXTRATERRITORIALIDADE .................................................................................................... 16
EXTRATERRITORIALIDADE INCONDICIONADA .................................................................... 17
EXTRATERRITORIALIDADE INCONDICIONADA E A LEI DE TORTURA ............................... 18
EXTRATERRITORIALIDADE CONDICIONADA ........................................................................ 19
EXTRATERRITORIALIDADE CONDICIONADA PREVISTA NO §3º DO ARTIGO 7º ................ 20
PRINCÍPIOS APLICADOS À EXTRATERRITORIALIDADE ...................................................... 21
RESUMO DOS CONCEITOS .................................................................................................... 22

ESQUEMA DIDÁTICO .................................................................................................................. 23

TEORIA DO CRIME

RELAÇÃO DE CAUSALIDADE ..................................................................................................... 24


SUPERVENIÊNCIA DE CAUSA RELATIVAMENTE INDEPENDENTE ..................................... 25
RELEVÂNCIA DA OMISSÃO .................................................................................................... 27

CRIME OMISSIVO .......................................................................................................................... 30


CRIME OMISSIVO IMPRÓPRIO ............................................................................................... 30
AGENTE GARANTIDOR ........................................................................................................... 30

CRIME CONSUMADO .................................................................................................................. 31


ITER CRIMINIS ......................................................................................................................... 31

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ESQUEMA DIDÁTICO .............................................................................................................. 32

CRIME TENTADO ........................................................................................................................ 33


ESPÉCIES DE TENTATIVA ...................................................................................................... 33
NATUREZA JURÍDICA DA TENTATIVA ................................................................................... 34
PENA DO CRIME TENTADO .................................................................................................... 35
INADMISSIBILIDADE DA TENTATIVA...................................................................................... 36
ESQUEMA DIDÁTICO .............................................................................................................. 36

EXERCÍCIOS ...................................................................................................................... 37

DESISTÊNCIA VOLUNTÁRIA E ARREPENDIMENTO EFICAZ .................................................... 38


DESISTÊNCIA VOLUNTÁRIA .................................................................................................... 38
ARREPENDIMENTO EFICAZ .................................................................................................... 38
DIFERENÇA ENTRE TENTATIVA, DESISTÊNCIA VOLUNTÁRIA E ARREPENDIMENTO
EFICAZ ...................................................................................................................................... 39
ARREPENDIMENTO POSTERIOR ............................................................................................ 40
TABELA DAS TENTATIVAS .......................................................................................................... 41

CRIME IMPOSSÍVEL .................................................................................................................... 43


INEFICÁCIA ABSOLUTA DO MEIO .......................................................................................... 43
IMPROPRIEDADE ABSOLUTA DO OBJETO ........................................................................... 43

DOLO E CULPA ......................................................................................................................... 45


CRIME DOLOSO ...................................................................................................................... 45
DOLO DIRETO; DOLO INDIRETO (EVENTUAL); DOLO ALTERNATIVO................................. 45
DOLO DE PRIMEIRO E DE SEGUNDO GRAU......................................................................... 46
CONCURSO MATERIAL ........................................................................................................... 46
CONCURSO FORMAL .............................................................................................................. 46
CRIME CULPOSO .................................................................................................................... 47
REQUISITOS DO CRIME CULPOSO ....................................................................................... 48
CULPA INCONSCIENTE OU PRÓPRIA ................................................................................... 49
CULPA CONSCIENTE .............................................................................................................. 49
CULPA IMPRÓPRIA ................................................................................................................. 49
DOLO EVENTUAL VERSUS CULPA CONSCIENTE ................................................................ 50
DOLO EVENTUAL .................................................................................................................... 50
CULPA CONSCIENTE .............................................................................................................. 50
ESQUEMA DIDÁTICO............................................................................................................... 51

CRIME PRETERDOLOSO ............................................................................................................ 52


AGRAVAÇÃO PELO RESULTADO........................................................................................... 52
REQUISITOS DO CRIME PRETERDOLOSO ........................................................................... 53

PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA ............................................................................................... 54

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TIPICIDADE FORMAL X TIPICIDADE MATERIAL .................................................................... 54

ERRO SOBRE ELEMENTOS DO TIPO ........................................................................................ 56


INTRODUÇÃO .......................................................................................................................... 56
ELEMENTARES........................................................................................................................ 56
CIRCUNSTÂNCIAS................................................................................................................... 56
ERRO DE TIPO ESSENCIAL .................................................................................................... 57
ESCUSÁVEL, DESCULPÁVEL, INVENCÍVEL OU INEVITÁVEL............................................... 58
INESCUSÁVEL, INDESCULPÁVEL, VENCÍVEL OU EVITÁVEL............................................... 58
ERRO DE TIPO ACIDENTAL .................................................................................................... 59
ERRO SOBRE A PESSOA (ABERRATIO IN PERSONA)............................................................................................... 60
ERRO NA EXECUÇÃO (ABERRATIO ICTUS) .................................................................................................................. 60
ERRO SOBRE O NEXO CAUSAL (ABERRATIO CAUSAE) ..................................................... 61

ERRO DE PROIBIÇÃO ................................................................................................................. 65


ESCUSÁVEL, DESCULPÁVEL OU INEVITÁVEL...................................................................... 67
INESCUSÁVEL, INDESCULPÁVEL OU EVITÁVEL .................................................................. 67
ERRO DE PROIBIÇÃO DIRETO E INDIRETO .......................................................................... 68

DESCRIMINANTES PUTATIVAS ................................................................................................... 69


O QUE É DESCRIMINANTE? ..................................................................................................... 69
O QUE É PUTATIVO?................................................................................................................. 69
DESCRIMINANTES PUTATIVAS ................................................................................................ 69
ERRO RELATIVO AO PRESSUPOSTO FÁTICO DO EVENTO DE UMA CAUSA DE EXCLUSÃO
DE ILICITUDE (ERRO DE TIPO) ................................................................................................ 70
ERRO RELATIVO À EXISTÊNCIA DE UMA CAUSA DE EXCLUSÃO DA ILICITUDE (ERRO DE
PROIBIÇÃO INDIRETO) ............................................................................................................. 71
ERRO RELATIVO AOS LIMITES DE UMA CAUSA DE EXCLUSÃO DA ILICITUDE (ERRO DE
PROIBIÇÃO INDIRETO) ............................................................................................................. 71
QUADRO SINÓTICO .................................................................................................................. 72

COAÇÃO IRRESISTÍVEL E OBEDIÊNCIA HIERÁRQUICA .......................................................... 74


COAÇÃO IRRESISTÍVEL .......................................................................................................... 74
OBEDIÊNCIA HIERÁRQUICA ................................................................................................... 77

EXCLUSÃO DA ILICITUDE (ANTIJURIDICIDADE) ...................................................................... 82


A ILICITUDE ............................................................................................................................. 82
EXCLUSÃO DA ILICITUDE ....................................................................................................... 82
EXCESSO PUNÍVEL ................................................................................................................. 83
ESTADO DE NECESSIDADE ................................................................................................... 84
MODALIDADES DE ESTADO DE NECESSIDADE ................................................................... 86
DEVER LEGAL DE ENFRENTAR O PERIGO........................................................................... 87

LEGÍTIMA DEFESA ...................................................................................................................... 89

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REQUISITOS PARA QUE SUBSISTA A LEGÍTIMA DEFESA ................................................... 89
TEMAS RECORRENTES QUE ENVOLVEM A LEGÍTIMA DEFESA ......................................... 92
LEGÍTIMA DEFESA DA HONRA ............................................................................................... 92
LEGÍTIMA DEFESA CONTRA INIMPUTÁVEL .......................................................................... 92
LEGÍTIMA DEFESA E PORTE DE ARMA DE FOGO (CONSUNÇÃO)...................................... 92
LEGÍTIMA DEFESA CONTRA EXCLUDENTE DE ILÍCITUDE REAL ........................................ 93
LEGÍTIMA DEFESA SUCESSIVA ............................................................................................. 95
LEGÍTIMA DEFESA NOS CASOS DE ABERRATIO ICTUS (ERRO NA EXECUÇÃO) ...................................... 95
LEGÍTIMA DEFESA DO AGENTE DE SEGURANÇA PÚBLICA (PACOTE ANTICRIME – LEI
13.964/2019) ............................................................................................................................. 96
EXCESSO PUNÍVEL ................................................................................................................. 96

ESTRITO CUMPRIMENTO DO DEVER LEGAL E EXERCÍCIO REGULAR DE UM DIREITO ...... 97


ESTRITO CUMPRIMENTO DO DEVER LEGAL ....................................................................... 97
EXERCÍCIO REGULAR DE UM DIREITO ................................................................................. 97

DA IMPUTABILIDADE PENAL.................................................................................................... 100

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APLICAÇÃO DA LEI PENAL NO TEMPO
Princípio da Anterioridade da lei - (artigo 1º) - Este princípio estabelece que "não há crime ou
pena sem lei anterior". Como decorrência deste princípio há uma regra que domina o conflito de
Leis Penais no Tempo, é o princípio da Irretroatividade da Lei Penal. Este princípio somente é
aplicável à lei mais severa que a anterior (lex gravior), pois uma lei nova mais benigna (lex
mitior) vai alcançar o fato praticado antes de sua vigência. Este princípio é chamado princípio da
retroatividade da lei mais benigna.

Art. 2º Ninguém pode ser punido por fato que lei posterior deixa de
considerar crime, cessando em virtude dela a execução e os efeitos
penais da sentença condenatória.
Parágrafo único: A Lei posterior, que de qualquer forma modo
favorecer o agente, aplica-se aos fatos anteriores, ainda que
decididos por sentença transitada em julgado.
Trataremos aqui de alguns princípios básicos referentes à lei penal no tempo:

IRRETROATIVIDADE DE LEI PENAL


A lei deve obedecer ao princípio da lei do tempo do crime que rege o Código Penal, ou
seja, quem pratica o fato de responder sobre o império da lei do tempo em que cometeu.

RETROATIVIDADE DE LEI MAIS BENÉFICA


A lei que de qualquer forma favorecer o agente deve retroagir e ser aplicada no caso
concreto.

Em regra, o Código Penal sempre adota a Lei vigente,“A”, no momento da ação ou


omissão do agente, sendo assim, se nesta época e cometido um crime, aquele irá responder
sobre o fato descrito no tipo penal. Contudo, por vezes, o processo se estende no tempo, e o
julgamento do agente demora a acontecer, nesse lapso temporal, caso surgir uma nova Lei,
“B”, que torne mais branda a sanção aplicada sobre o agente, esta irá retroagir ao tempo do
fato, beneficiando o réu.
1. (CESPE) A regra do Código Penal é a retroatividade de lei mais gravosa.
Gabarito: Errado
Comentário: A regra do Art. 2º do Código Penal é a irretroatividade de lei
penal, sendo utilizadas também as regras da retroatividade de lei mais benéfica,
ultratividade de lei mais benéfica e o abolitio criminis.

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ULTRATIVIDADE DE LEI
A lei, mesmo que revogada, deve ser aplicada ao caso concreto se for mais benéfica
e o agente cometeu o fato sob seu império.

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A ultratividade de lei mais benéfica. Seria o caso em que, no momento da ação vigorava a
Lei “A”, entretanto, no decorrer do processo, entrou em vigência nova Lei “B, revogando a Lei “
A”, tornando mais gravosa a conduta anteriormente praticada pelo agente. Sendo assim, no
momento do julgamento, ocorrerá a ultratividade da lei, ou seja, a Lei “A”, mesmo não estando
mais em vigor, irá ultragir ao momento do julgamento para beneficiar o réu, por ser menos
gravosa a punição que o agente ira receber.
2. (CESPE) Suponha que Leôncio tenha praticado crime de estelionato na vigência de lei
penal na qual fosse prevista, para esse crime, pena mínima de dois anos. Suponha, ainda,
que, no transcorrer do processo, no momento da prolação da sentença, tenha entrado em
vigor nova lei penal, mais gravosa, na qual fosse estabelecida a duplicação da pena mínima
prevista para o referido crime. Nesse caso, é correto afirmar que ocorrerá a ultratividade
da lei penal.
Certo ( ) Errado ( )
Gabarito: Certo
Comentário: Quando a lei mais benéfica vier depois do cometimento do crime,
ocorrerá a retroatividade de lei mais benéfica. Contudo, se a lei mais severa vier
depois do cometimento do delito, como exposto na questão, aplicará a lei mais
benéfica vigente na data do fato, ou seja, ocorrerá a ultratividade da lei mais
benéfica. As regras do Art. 2º devem ser analisadas com calma, pois sempre que
ocorrer o princípio da ultratividade de lei mais benéfica estará no caso concreto
ocorrendo também a irretroatividade de lei mais gravosa, isso ocorre porque temos
duas leis, a primeira mais leve e a segunda mais grave. Como a primeira já
revogada avança no tempo temos a ultratividade, da mesma forma que a mais
severa não retroage, assim temos a irretroatividade de lei mais gravosa.

ABOLITIO CRIMINIS
É a abolição do crime. Aqui faz cessar em virtude de nova lei que torna o fato anterior
como atípico todos os efeitos penais da sentença condenatória, permanecendo apenas a
obrigação civil de reparar o dano.

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Em relação à Abolitio Criminis, ocorre o seguinte fato: quando uma conduta que antes era
tipificada como crime pelo Código Penal, deixa de existir, ou seja, passa a não ser mais
considerada crime, dizemos que ocorreu a “abolição do crime”. Diante disso, cessam
imediatamente todos os efeitos penais que incidiam sobre o agente: tranca e extingue o
inquérito policial, caso o acusado esteja preso deve ser posto em liberdade.
Entretanto, não extingue os efeitos civis, ou seja, caso o agente tenha sido impelido em
ressarcir a vítima da sua conduta mediante o pagamento de multa, essa, ainda assim, deverá
ser paga.
3. (ALFACON) Com o advento de nova lei que descriminaliza fato anteriormente
considerado como crime, ocorre a abolitio criminis, na qual cessam os efeitos penais e os
civis, tornando tal fato atípico.
Certo ( ) Errado ( )
Gabarito: Errado
Comentário: Com a ocorrência da abolitio criminis, o fato anteriormente
considerado como crime passa a ser atípico. Cessam os efeitos penais, porém
permanecem os efeitos civis. A previsão legal encontra-se no Art. 2º do CP:
Ninguém pode ser punido por fato que lei posterior deixa de considerar crime,
cessando em virtude dela a execução e os efeitos penais da sentença condenatória.

CRIMES PERMANENTES OU CONTINUADOS


Devemos nos atentar para a excepcionalidade da lei, essa é dada pelo próprio Supremo
Tribunal Federal (STF). Nos crimes permanentes, ou seja, naqueles em que a consumação se
prolonga enquanto não cessa a atividade, aplica-se ao fato a lei que estiver em vigência
quando cessada a atividade, mesmo que mais grave (severa) que aquela em vigência quando
da prática do primeiro ato executório. O crime se perpetua no tempo, enquanto não cessada a
permanência.
É o que ocorre, por exemplo, com o crime de sequestro e cárcere privado. Assim, será
aplicada lei que estiver em vigência quando da soltura da vítima.
Observa-se, então, o momento em que cessa a permanência para daí se determinar qual
a norma a ser aplicada. É o que estabelece a Súmula 711 do STF.
Súm. 711. A lei penal mais grave aplica-se ao crime continuado ou
ao crime permanente, se a sua vigência e anterior a cessação da
continuidade ou da permanência.

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4. (ALFACON) Durante a ocorrência de um crime permanente ou continuado, caso entre
em vigor uma nova lei que trate deste crime, esta será aplicada ao agente no momento da
cessação da conduta ilícita, ainda que mais gravosa.
Certo ( ) Errado ( )
Gabarito: Certo
Comentário: A nova lei será aplicada ao agente do crime permanente ou
continuado, ainda que seja mais gravosa. Tal entendimento provém da Súmula 711
– STF, aplica-se ao crime permanente e ao crime continuado, a lei vigente quando
cessou a conduta ilícita do agente, mesmo que mais grave. Quando a Súmula
menciona mesmo que mais grave, entende-se que a lei também pode ser menos
grave. Para os crimes comuns, tal regra não se aplica.

LEI TEMPORÁRIA / EXCEPCIONAL


A lei excepciona ou temporária, embora decorrido o período
de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram,
aplica-se ao fato praticado durante sua vigência.

Segundo o Código Penal, se um crime for praticado durante a vigência de determinada lei
será julgado pelo texto dessa, mesmo que decorrido o prazo de sua validade.

São chamadas:

 Leis Temporárias: vigência fixada pelo Legislador (Autorrevogável)

Ex.: Lei nº 12.663/2012 – Lei Geral da Copa: Criou condutas criminosas para
proteger a propriedade material e imaterial da FIFA, com Reproduzir, imitar ou
falsificar ou modificar indevidamente quaisquer símbolos oficiais de titularidade da
FIFA.

 Leis Excepcional: vigente somente em situação de emergência

Ex.: Guerra declarada em que a publicação de leis penais perdurem durante o


período de guerra.
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ATENÇÃO ALUNO

Essas Leis exercem a ULTRA-ATIVIDADE, ou seja, aplicam-se ao fato cometido sob


a sua vigência, mesmo depois de revogadas pelo decurso do tempo ou pela superação
do carácter excepcional.

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TEMPO DO CRIME
Considera-se praticado o crime no momento da ação ou
omissão, ainda que outro seja o momento

Consoante artigo 4º do código penal, "Considera-se praticado o crime no momento da ação


ou omissão, ainda que outro seja o momento do resultado". Nos sistemas penais é possível adotar
a teoria da atividade na qual o que importa é o momento da conduta (omissiva ou comissiva)
delituosa, pouco importando em que momento se deu o resultado. Há também a teoria do
resultado na qual retira-se a importância do momento da conduta e o que importará é o
momento em que se deu o resultado, ou seja, a consumação. Por fim, existe ainda a teoria mista
ou da ubiquidade que adota as duas teorias anteriores ao mesmo tempo. Conforme leitura do
artigo 4º supracitado, fica evidente que o Código Penal pátrio adotou a teoria da atividade, neste
sentido, importa o momento da conduta comissiva ou omissiva para a prática de fato definido
como crime. Assim, Rogério Greco em seu Curso de Direito Penal 2010, "Pela teoria da atividade,
tempo do crime será o da ação ou da omissão, ainda que outro seja o momento do resultado. Para
essa teoria, o que importa é o momento da conduta, comissiva ou omissiva, mesmo que o resultado
dela se distancie no tempo".

A importância do Tempo do Crime ainda se verifica quando da incidência da extratividade


da lei penal. A extratividade da lei penal é composta de ultratividade e retoratividade, a
primeira se dá quando a lei penal mesmo já revogada continua a regular fatos ocorridos ao
tempo de sua vigência, já a segunda ocorre quando retroage para atingir fatos ocorridos antes
da sua vigência. Maior importância é com relação a ultratividade, uma vez que uma lei poderá
estar em vigor durante o cometimento de um fato definido como crime, entretanto lei nova
poderá dar um tratamento ainda mais rigoroso para os que praticarem tais condutas, neste
sentido, deverá ser a lei anterior mais benéfica ultrativa continuando a regular os fatos
ocorridos ao tempo da sua vigência, prevalecendo a irretroatividade da novatio legis in pejus.
Neste mesmo sentido Cleber Masson em seu Código Penal Comentado 2013, "Pode ocorrer
ainda a ultratividade da lei mais benéfica, que se verifica quando o crime foi praticado durante a
vigência de uma lei, posteriormente revogada por outra prejudicial ao agente. Subsistem, no caso,
os efeitos da lei anterior, mais favorável".
Este princípio traz o momento da ação ou da omissão do crime, ou seja, independente do
resultado,

: Caso um menor “A”, cometa disparos de arma de fogo contra “B”, vindo a feri-lo,
entretanto, devido às lesões causadas pelos disparos, três meses depois do fato, “B” vem a
falecer. Nessa época, mesmo “A” tendo completado sua maioridade penal - 18 anos - ainda assim
não poderá ser

FIQUE LIGADO!
Não existe o princípio do “resultado” no código penal. O princípio utilizado pelo nosso
código penal é o da atividade previsto no art. 4º. As provas de concursos costumam perguntar
sobre esse quesito. Assim vai a dica: Caiu princípio do resultado a questão está errada!
Sendo assim, o Artigo 4º do Código Penal é conhecido como a Teoria da Atividade, ou
seja, o crime reputa-se praticado no momento da conduta (momento da execução).

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CASOS CONCRETOS DA PARTE ESPECIAL DO CP

Art. 121 ...


Aumento de pena

§ 4o No homicídio culposo, a pena é aumentada de 1/3 (um terço), se


o crime resulta de inobservância de regra técnica de profissão, arte
ou ofício, ou se o agente deixa de prestar imediato socorro à vítima,
não procura diminuir as consequências do seu ato, ou foge para
evitar prisão em flagrante. Sendo doloso o homicídio, a pena é
aumentada de 1/3 (um terço) se o crime é praticado contra
pessoa menor de 14 (quatorze) ou maior de 60 (sessenta) anos.

FIQUE LIGADO!
A imputabilidade do agente deve ser aferida no momento em que o crime é
praticado.

1. (CESPE) De acordo com o Código Penal, considera-se praticado o crime no momento em


que ocorreu seu resultado.
Gabarito: Errado
Comentário: A teoria utilizada no art. 4º do Código Penal é a teria da
atividade, que diz: “ considera-se praticado o crime no momento da ação ou omissão
ainda que outro seja o momento do resultado”.

2. Anísio, com 17 anos de idade, no dia anterior ao que ele completaria 18 anos, no
horário de 23:58 h, atirou na cabeça de Huck. Este, em decorrência do disparo, faleceu
no dia seguinte. De acordo com o Código Penal, é possível afirmar que Anísio
responderá por crime com resultado morte, na modalidade consumado.
Gabarito: Errado
Comentário: De acordo com o entendimento do STF, Anísio era inimputável
quando realizou a ação e, ainda que o resultado tenha ocorrido em momento
posterior, em que o agente já era maior de idade, o momento do crime é o da ação
ou da omissão – Teoria da atividade. Neste caso, Anísio, por ser menor de idade, não
poderá responder por CRIME, mas por ato infracional.

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ATENÇÃO, ALUNO!
Devemos, contudo, ficar atento aos crimes permanentes e continuados, no caso
do sequestro, por

Nesta situação em questão, “A” não será mais inimputável, pois no momento de sua prisão
já havia completado 18 anos, não considerando neste caso, o momento em que se iniciou a ação,
mas sim, quando cessou.

3. (CESPE) Considere que Manoel, penalmente imputável, tenha sequestrado uma


criança com o intuito de receber certa quantia como resgate. Um mês depois,
estando a vítima ainda em cativeiro, nova lei entrou em vigor, prevendo pena mais
severa para o delito. Nessa situação, a lei mais gravosa não incidirá sobre a conduta
de Manoel.
Gabarito: Errado
Comentário: O crime de extorsão mediante sequestro é classificado como
crime permanente e sua consumação se protai (estende) no tempo, de acordo com
a vontade do agente. Dessa forma, conforme Súmula 711 STF: a lei penal mais grave
aplica-se ao crime continuado ou permanente, se sua vigência é anterior à cessação
da continuidade ou permanência.

4. (CESPE) No delito continuado, a lei penal posterior, ainda que mais gravosa, aplica-
se aos fatos anteriores à vigência da nova norma, desde que a cessação da atividade
delituosa tenha ocorrido em momento posterior à entrada em vigor da nova lei.
Gabarito: Correta
Comentário: Aqui está a aplicação da Súmula 711 STF - A Lei penal mais
grave aplica-se ao Crime Continuado ou Crime Permanente, se a sua vigência é
anterior à cessação da continuidade ou da permanência. Questão de interpretação
da lei, não usamos a mais leve ou a mais grave, tampouco a intermediária, sempre
a última, ou seja, do momento da cessação da conduta do agente.

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LEI PENAL NO ESPAÇO
O tema abordado neste material baseia-se na diferença entre Lei Penal (Código Penal) e
Lei Processual Penal (Código Processual Penal). Por isso, convém lembrar que as regras aqui
são da Lei Penal. Já o estudo espacial para a Lei Processual Penal segue outras regras
(específicas).
A abordagem da Lei Penal no Espaço é relacionada ao Direito Penal Internacional, então
trataremos de como se comportará a Lei Penal brasileira diante de crimes no estrangeiro e
vice-versa. A regra aqui é a territorialidade e, excepcionalmente, a extraterritorialidade.
Além disso, quando falamos em extraterritorialidade, estamos tratando somente da Lei Penal,
e não da Lei Processual Penal.

Territorialidad
e
(Art. 5º)
Lei
Penal
Extraterritorialidad
e
Lei Penal no (Art. 7º)
Espaço

Regras
Lei Processual específicas
Penal (CPP)

TERRITORIALIDADE
Art. 5º - Aplica-se a lei brasileira, sem prejuízo de convenções,
tratados e regras de direito internacional, ao crime cometido no
território nacional.
§1º - Para os efeitos penais, consideram-se como extensão do
território nacional as embarcações e aeronaves brasileiras, de
natureza pública ou a serviço do governo brasileiro onde quer que
se encontrem, bem como as aeronaves e as embarcações brasileiras,
mercantes ou de propriedade privada, que se achem,
respectivamente, no espaço aéreo correspondente ou em alto-mar.
§2º - É também aplicável a lei brasileira aos crimes praticados a
bordo de aeronaves ou embarcações estrangeiras de propriedade
privada, achando-se aquelas em pouso no território nacional ou em
voo no espaço aéreo correspondente, e estas em porto ou mar
territorial do Brasil.

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O princípio da territorialidade cuida da aplicação geográfica da Lei Penal dentro do
próprio território nacional do Estado soberano que editou a norma. Dessa forma, quando
aplicamos a lei brasileira em nosso espaço geográfico (físico), estamos usando o conceito de
territorialidade. Essa é a regra geral, porém o Art. 5º do Código Penal determina que esse
conceito não é absoluto, quando diz que a lei brasileira será aplicada sem prejuízo de
convenções, tratados e regras de direito internacional, ao crime cometido no território nacional.
Assim, certos crimes cometidos no ambiente geográfico interno do Brasil não serão julgados
pelo Brasil, mas sim pelo país do sujeito passivo ou do sujeito ativo do crime (a depender do
caso), bem como certos crimes cometidos no estrangeiro serão julgados no Brasil. Por isso, o
Código Penal adotou o princípio da territorialidade mitigada ou temperada.
O território nacional é o espaço onde certo Estado exerce sua soberania. Em termos
jurídicos, território nacional é a soma do espaço físico (geográfico) e do espaço jurídico
(espaço físico por ficção, por equiparação, por extensão ou território flutuante). São
elementos que constituem um determinado Estado:
 Território (físico + jurídico);
 Povo;
 Governo soberano.
Como mencionado, a lei brasileira aplica-se em todo o território nacional próprio ou por
assimilação. Por isso, aos nacionais e aos estrangeiros (mesmo que de forma irregular) será
aplicada a Lei Penal brasileira.
Por território físico, temos: o espaço terrestre, marítimo ou aéreo, sujeito à soberania
do Estado (solo, rios, lagos, mares interiores, baías, faixa do mar exterior ao longo da costa -
12 milhas marítimas de largura - e espaço aéreo correspondente).
Por território brasileiro por extensão ou assimilação,
temos:
1) embarcações ou aeronaves brasileiras de natureza pública: em qualquer lugar
(Art. 5º,
§1º);
2) embarcações ou aeronaves brasileiras de natureza privada desde que a serviço
do Estado brasileiro: em qualquer lugar (Art. 5º, §1º);
Embarcações ou aeronaves brasileiras mercantes ou privadas, em alto-mar ou no espaço
aéreo correspondente ao alto-mar: desde que não estejam em território alheio (Art. 5º, §1º).
Em decorrência do princípio da territorialidade ser mitigado (ou temperado) –
parte final do caput, do Art. 5º: sem prejuízo de convenções, tratados e regras de direito
internacional, ao crime cometido no território nacional –, a alguns casos não se aplicará a lei
brasileira, mesmo que os fatos sejam cometidos dentro do Brasil. Como exemplo disso,
podemos citar as imunidades diplomáticas e de chefes de governos estrangeiros. São
hipóteses acordadas por meio de adesão do Brasil às Convenções de Viena sobre Relações
Diplomáticas e Consulares (1961 e 1963), de sorte que essa garantia se estende aos agentes
diplomáticos e funcionários das organizações internacionais, quando em serviço no Brasil, e a
seus familiares.

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Exemplo para fixação:
1) Imaginemos que um navio de origem brasileira e de natureza privada
esteja em viagem pelo mar territorial argentino e que um crime seja cometido a
bordo dele. Em regra, será aplicada a Lei Penal da Argentina. Cuidado, pois
dependerá da natureza do crime e a quem foi cometido. Por exemplo, se um
brasileiro (ou qualquer outro estrangeiro) assassinar dolosamente outra pessoa de
férias (brasileiro ou não), então será utilizada a lei argentina, porque o navio não
estava a serviço do Brasil. Por outro lado, se o navio estiver em alto-mar (mar que
fica fora das águas territoriais de uma nação: “terra de ninguém”), então será
adotado o princípio da territorialidade, isto é, neste caso é considerado território
brasileiro por extensão ou por assimilação (Art. 5º, §1º, segunda parte) e,
portanto, aplicar-se-á a lei brasileira.

2) A mesma regra é utilizada para as aeronaves ou embarcações privadas


estrangeiras. Por exemplo, se uma aeronave comercial russa pousar no Brasil ou
estiver em voo sobre o território nacional com destino a São Paulo/SP, e um
passageiro belga de férias assassinar dolosamente um indiano (também de férias),
então será aplicada a lei brasileira, pois as aeronaves ou embarcações
estrangeiras de propriedade privada, quando em território brasileiro, são
consideradas parte do nosso território (Art. 5º, §2º). Caso a aeronave
estrangeira seja de natureza pública, então será aplicada a lei de origem dela: a lei
russa.

1) (CESPE) A bordo de um avião da Força Aérea Brasileira, em sobrevoo pelo território


argentino, Andrés, cidadão guatemalteco, disparou dois tiros contra Daniel, cidadão
uruguaio, no decorrer de uma discussão. Contudo, em virtude da inabilidade de Andrés
no manejo da arma, os tiros atingiram Hernando, cidadão venezuelano que também
estava a bordo. Nessa situação, em decorrência do princípio da territorialidade, aplicar-
se-á a lei penal brasileira.
Certo ( ) Errado ( )
Gabarito: Certo.
Comentário: Estamos falando em avião da Força Aérea Brasileira, que é
aeronave pública. Assim, o Código Penal considera como território nacional por
extensão ou assimilação.

2) (CESPE) Segundo o princípio da territorialidade, se uma pessoa comete latrocínio em


embarcação brasileira mercante em alto-mar, aplica-se a lei brasileira.
Certo ( ) Errado ( )

1
6
Gabarito: Certo.
Comentário: Está de acordo com o Art. 5º, caput, c/c Art. 5º, §1º, segunda
parte, ambos do CP: Aplica-se a lei brasileira, sem prejuízo de convenções, tratados
e regras de direito internacional, ao crime cometido no território nacional. §1º Para
os efeitos penais, consideram-se como extensão do território nacional (...) as
aeronaves e as embarcações brasileiras, mercantes ou de propriedade privada, que
se achem, respectivamente, no espaço aéreo correspondente ou em alto-mar, que
trata de território nacional por extensão. Neste caso, quando em alto-mar ou
espaço aéreo correspondente (ao alto-mar) e os navios e embarcações forem
privados, será aplicada a lei da bandeira que ostentam.

LUGAR DO CRIME
Art. 6º - Considera-se praticado o crime no lugar em que ocorreu a
ação ou omissão, no todo ou em parte, bem como onde se produziu
ou deveria produzir-se o resultado.
Lembre-se de que as regras relativas ao lugar do crime não são as mesmas para a Lei
Penal e a Lei Processual Penal.
Há certos crimes que afetam os interesses de mais de um Estado soberano, isto é, mais
de um país. A fim de dirimir os conflitos de jurisdição internacional aos crimes a distância
(crimes que percorrem dois Estados soberanos), o Código Penal adotou a teoria da
ubiquidade (ou mista) para definir o lugar do crime.
Existem três teorias mais citadas em prova:
I. Teoria da atividade;
II. Teoria do resultado;
III. Teoria da ubiquidade.
De acordo com a teoria da atividade (ou da ação), lugar do crime é somente aquele no
qual os atos executórios (ação ou omissão) ocorreram, isto é, o local onde o agente
desenvolveu a atividade criminosa (no todo ou em parte). Imagine que uma pessoa seja ferida
no Equador e venha a falecer no Brasil. Portanto, para essa teoria, apenas o Equador seria
competente para julgar o crime, pois é onde os atos executórios (ação ou omissão) se deram,
pouco importando o lugar do resultado.
Já para a teoria do resultado, lugar do crime é somente aquele onde se produziu o
resultado (a sua consumação). Assim, a competência para julgar o crime, no exemplo acima,
seria apenas do Brasil, porque é o lugar da ocorrência do resultado.
A teoria da ubiquidade (ou mista) é o hibridismo entre as duas teorias, sendo
considerado lugar do crime tanto o país em que se praticou os atos executórios (ação ou
omissão), no todo ou em parte, bem como onde se produziu ou deveria produzir-se o
resultado. Analisando o fato hipotético acima, os dois países seriam competentes para julgar o
crime.
Exemplo para fixação:
Imagine que um integrante do Estado Islâmico houvera imigrado, secretamente, para o
Brasil. A fim de assassinar o Presidente da África do Sul, tenha enviado uma bomba via
correio; porém, por circunstâncias alheias à vontade do agente, a correspondência foi
interceptada pela Força Nacional sul-africana, evitando que o resultado morte se consumasse.
Nessa situação hipotética, por força da teoria da ubiquidade, o local do crime será
considerado tanto o Brasil quanto a África do Sul.

1
7
DICA SOBRE AS TEORIAS ADOTADAS:
Quando falamos do lugar do crime (Art. 6º) e do tempo do crime (Art. 4º), o Código
Penal adotou, respectivamente, a teoria da ubiquidade e da atividade: LUTA!

1
8
• Lugar do
L Crime
• Ubiquidade
U
• Tempo do
Crime

T • Atividade

1. (CESPE) No CP brasileiro, no que tange à aplicação da lei no tempo e no espaço,


adotam-se, respectivamente, as teorias da ubiquidade e da atividade.
A Certo ( ) Errado ( )
Gabarito: Errado
Comentário: Questão sobre princípios determinados pelos Art. 6º (lei penal
no espaço) e Art. 4º lei penal no tempo. O erro está na inversão dos princípios já
que a aplicação da lei penal no tempo refere-se ao princípio da atividade em que se
considera praticado o crime no momento da ação ou omissão criminosa, ainda que
outro seja o momento do resultado (Art. 4º). E a aplicação da lei penal no espaço
refere-se ao princípio da ubiquidade (Art. 6º) do Código Penal.

2. (ALFACON) Considera-se ocorrido o crime somente no lugar onde tenha ocorrido o


resultado ilícito almejado pelo agente, embora a ação ou a omissão tenha se dado em local
diverso.
Certo ( ) Errado ( )
Gabarito: Errado
Comentário: A regra do Art. 6º que trata do princípio da ubiquidade prevê o
seguinte: Considera-se praticado o crime no lugar em que ocorreu a ação ou
omissão, no todo ou em parte, bem como onde se produziu ou deveria produzir-se
o resultado.

EXTRATERRITORIALIDADE
É a aplicação da legislação penal brasileira aos crimes cometidos no exterior. Justifica-se
pelo fato de o Brasil ter adotado, relativamente à lei penal no espaço, o princípio da
territorialidade temperada ou mitigada (CP, Art. 5º), o que autoriza, excepcionalmente, a
incidência da lei penal brasileira a crimes praticados fora do território nacional. A
extraterritorialidade pode ser incondicionada ou condicionada. Não se admite a aplicação
da lei penal brasileira às contravenções penais praticadas no estrangeiro, de acordo com a
regra estabelecida pelo Art. 2º da Lei das Contravenções Penais (Decreto-Lei nº. 3688/1941).

1
9
3. (CESPE) O Direito Penal brasileiro adotou expressamente a teoria absoluta de
territorialidade quanto à aplicação da lei penal, adotando a exclusividade da lei brasileira e
não reconhecendo a validez da lei penal de outro Estado.
Certo ( ) Errado ( )
Gabarito: Errado
Comentário: O Direito brasileiro adotou o princípio da territorialidade
mitigada, relativa ou temperada. Assim, o Estado, mesmo tendo a soberania,
pode abrir mão da aplicação da legislação pátria em virtude de convenções,
tratados e regras de Direito Internacional referido, como prevê o Art. 5º, caput, do
Código Penal - determina a aplicação da lei brasileira, sem prejuízo de
internacional, ao crime cometido no território nacional. É a regra da territorialidade.

EXTRATERRITORIALIDADE INCONDICIONADA
Art. 7º - Ficam sujeitos à lei brasileira, embora cometidos no
estrangeiro:
I - Os crimes:
a) contra a vida ou a liberdade do Presidente da República;
b) contra o patrimônio ou a fé pública da União, do Distrito Federal,
de Estado, de Território, de Município, de empresa pública,
sociedade de economia mista, autarquia ou fundação instituída pelo
Poder Público;
c) contra a Administração Pública, por quem está a seu serviço;
d) de genocídio, quando o agente for brasileiro ou domiciliado no
Brasil;
(...)
§1º - Nos casos do inciso I, o agente é punido segundo a lei
brasileira, ainda que absolvido ou condenado no estrangeiro.
São aqueles crimes que não estão sujeitos a nenhuma condição. A mera prática do
crime em território estrangeiro autoriza a incidência da lei penal brasileira,
independentemente de qualquer outro requisito. Suas hipóteses estão previstas no inciso I, do
Art. 7º, CP. No tocante a esses crimes, o agente é punido segundo a lei brasileira, ainda que
absolvido ou condenado no estrangeiro (Art. 7º, §1º).
Contra a vida ou a liberdade do Presidente de República: Aqui se aplica o princípio
real (da defesa ou da proteção), isto é, será utilizada a lei brasileira ao crime cometido fora do
Brasil, que afete o interesse nacional (Art. 7º, I, “a”, “b”, “c”). São os casos das infrações
cometidas contra o Presidente da República, contra o patrimônio de qualquer das entidades
da Administração direta, indireta ou fundacional etc. Se o interesse nacional foi afetado de
algum modo, justifica-se a incidência da legislação pátria. Dizemos que a lei penal está
protegendo o bem jurídico nacional, que é a vida ou liberdade do Chefe do Executivo.
ATENÇÃO: Não são todos os crimes contra o Presidente da República que
recebem essa regra, somente aqueles que versarem CONTRA A VIDA (ARTS. 121
AO 127, CP) ou A LIBERDADE (ARTS. 146 AO 149, CP) do Chefe do Executivo
Federal. Segundo Damásio de Jesus, esses crimes constituem delitos contra a
Segurança Nacional (Lei nº 7170/83).

2
0
a) Contra o patrimônio ou a fé pública da União, do Distrito Federal, de Estado, de
Território, de Município, de empresa de pública, sociedade de economia mista,
autarquia ou fundação instituída pelo Poder Público: Aqui também é adotado o
princípio real (da defesa ou da proteção).
b) Contra a Administração Pública, por quem está a seu serviço: Da mesma forma
que os anteriores, utiliza-se o princípio real (da defesa ou da proteção).
ATENÇÃO: Aqui, exige-se que o crime seja funcional, ou seja, tem que ser
praticado por quem esteja a serviço da Administração Pública. Assim, se um
funcionário público cometer crime de peculato no exterior, a lei penal brasileira
será aplicada de forma incondicionada.

c) De genocídio, quando o agente for brasileiro ou domiciliado no Brasil: Adota-se


aqui o princípio da justiça universal ou cosmopolita. Também conhecido como o
princípio da repressão universal ou da universalidade do direito de punir (Art. 70, I,
“d”, II, “a”). Todo Estado tem o direito de punir qualquer crime, seja qual for a
nacionalidade do delinquente e da vítima ou o local de sua prática, desde que o
criminoso esteja dentro de seu território. É como se o planeta se constituísse em um
só território para efeitos de repressão criminal. Aplica-se ao agente brasileiro ou
estrangeiro domiciliado no Brasil que praticou o crime de genocídio previsto na Lei
nº 2889/56.

EXTRATERRITORIALIDADE INCONDICIONADA
E A LEI DE TORTURA
Art. 2º, Lei n.º 9.455/97: O disposto nesta Lei aplica-se ainda
quando o crime não tenha sido cometido em território nacional,
sendo a vítima brasileira ou encontrando-se o agente em local sob
jurisdição brasileira.
O legislador pátrio incluiu mais uma hipótese de extraterritorialidade incondicionada,
qual seja, o crime de tortura.
Portanto, além dos casos previstos no Código Penal, também será aplicada a lei
brasileira para os crimes de tortura praticados no estrangeiro contra vítima brasileira ou o
torturador estiver em qualquer local sob a jurisdição brasileira.

4. (CESPE) Não ficarão sujeitos à lei brasileira, quando cometidos no estrangeiro, os delitos
praticados contra a Administração Pública por quem está a seu serviço.
Certo ( ) Errado ( )
Gabarito: Errado
Comentário: Trata-se do princípio da extraterritorialidade incondicionada
prevista no Art. 7º inciso I alínea “C”. Dessa forma, os crimes cometidos contra a
Administração Pública por quem está a seu serviço serão sempre julgados pela
legislação penal brasileira.

5. (ALFACON) Dado o princípio da extraterritorialidade incondicionada, estará sujeito à


jurisdição brasileira aquele que praticar, a bordo de navio a serviço do governo brasileiro
em águas territoriais argentinas, crime contra o patrimônio da União.
Certo ( ) Errado ( )

2
1
Gabarito: Errado
Comentário: Estamos falando aqui da extraterritorialidade de lei penal. A
previsão está no Art. 7º inciso I, ou seja, extraterritorialidade incondicionada. O erro
está em afirmar que o crime deve ser praticado contra a Administração Pública, por
quem está a seu serviço, essa última parte faltou e consequentemente deixou a
questão errada.

EXTRATERRITORIALIDADE CONDICIONADA
Art. 7º - Ficam sujeitos à lei brasileira, embora cometidos no
estrangeiro:
II - os crimes:
a) que, por tratado ou convenção, o Brasil se obrigou a reprimir;
b) praticados por brasileiro;
c) praticados em aeronaves ou embarcações brasileiras, mercantes
ou de propriedade privada, quando em território estrangeiro e aí
não sejam julgados.
(...)
§ 2º - Nos casos do inciso II, a aplicação da lei brasileira depende do
concurso das seguintes condições:
a) entrar o agente no território nacional;
b) ser o fato punível também no país em que foi praticado;
c) estar o crime incluído entre aqueles pelos quais a lei brasileira
autoriza a extradição;
d) não ter sido o agente absolvido no estrangeiro ou não ter aí
cumprido a pena;
e) não ter sido o agente perdoado no estrangeiro ou, por outro
motivo, não estar extinta a punibilidade, segundo a lei mais
favorável.
§ 3º - A lei brasileira aplica-se também ao crime cometido por
estrangeiro contra brasileiro fora do Brasil, se, reunidas as
condições previstas no parágrafo anterior:
a) não foi pedida ou foi negada a extradição;
b) houve requisição do Ministro da Justiça.
Aqui se fala dos crimes cometidos no estrangeiro, mas necessitam preencher alguns
requisitos para que sejam julgados no Brasil. Essas hipóteses estão elencadas no Art. 7º, inc. II,
do Código Penal, e deve haver o concurso de condições previstas no Art. 7º, §2º. Dessa forma,
aplica-se de forma condicionada a Lei Penal brasileira aos crimes:
a) Que, por tratado ou convenção, o Brasil se obrigou a reprimir: Alguns crimes o
Brasil por meio de trados e convenções obrigou-se a reprimir, como é o caso do
crime de tráfico ilícito de entorpecentes. Assim, apesar de cometido no exterior será
aplicada a Lei Penal brasileira. Porém, é fundamental que concorram as condições
definidas em lei. Aplica-se aqui o princípio da justiça universal ou cosmopolita.
Também conhecido como o princípio da repressão universal ou da universalidade do
direito de punir (Art. 70, I, “d”, II, “a”).
b) Praticados por brasileiros: Temos aqui o princípio da nacionalidade ou
personalidade ativa, sendo aplicada a lei brasileira aos crimes cometidos por
brasileiro fora do Brasil (Art. 7º, II, “b”). Não importando se o sujeito passivo é
brasileiro ou se o bem jurídico afeta interesse nacional, pois o único critério levado
em conta é o da nacionalidade do sujeito ativo. Justifica-se pela impossibilidade
Constitucional de extradição de brasileiro previsto no Art. 5º, LI, da Constituição
Federal de 1988.

2
2
c) Praticados em aeronaves ou embarcações brasileiras, mercantes ou de
propriedade privada, quando em território estrangeiro e aí não venham a ser
julgados: Utiliza-se aqui o princípio da representação, do pavilhão, da substituição
ou da bandeira, a Lei Penal nacional será aplicada aos crimes cometidos em
aeronaves e embarcações privadas, quando praticados no estrangeiro e aí não sejam
julgados. Notem que o fato não constituiu hipóteses de território por extensão ou
assimilação, pois as embarcações não são públicas tampouco estão a serviço do
Brasil.
ATENÇÃO: Observe que o texto de lei diz: se lá no exterior não sejam
julgados. Caso forem julgados no exterior, mesmo que tenham sido absolvidos, ou
mesmo condenados, ou não tenham cumprido a pena, NÃO se aplicará a lei
brasileira. Somente deve ser aplicada nos casos em que o país estrangeiro não
julgou, acrescidos dos requisitos previstos no Art. 7º, §2º, CP.

Além destas hipóteses, é necessário o concurso das seguintes condições (Art. 7º, §2º,
CP), que devem incidir todas ao mesmo tempo:
a) Entrar o agente no território nacional: O ingresso pode ser voluntário ou não,
temporário ou prolongado.
b) Ser o fato punível também no país em que foi praticado: Também chamado de
dupla tipicidade.
c) Estar o crime incluído entre aqueles pelos quais a lei brasileira autoriza a
extradição: Há uma perfeita coincidência entre os crimes pelos quais o Brasil
autoriza a extradição e os crimes pelos quais o Brasil aplica a lei brasileira (de forma
genérica e exemplificativa: os crimes devem ser punidos com reclusão e pena
mínima de 1 ano, conforme o Art. 77, do Estatuto do Estrangeiro).
d) Não ter sido o agente absolvido no estrangeiro ou não ter aí cumprido a pena: Se
o agente foi absolvido ou cumpriu a pena no estrangeiro, ocorre uma causa de
extinção da punibilidade. Se a sanção foi cumprida parcialmente, novo processo pode
ser instaurado no Brasil, com atendimento à regra do Art. 8º, CP.
e) Não ter sido o agente perdoado no estrangeiro ou, por outro motivo, não estar
extinta a punibilidade, segundo a lei mais favorável: Como é evidente, cuida-se de
causas de extinção da punibilidade.

EXTRATERRITORIALIDADE CONDICIONADA PREVISTA


NO §3º DO ARTIGO 7º
Também chamada de extraterritorialidade hipercondicionada. No caso de crimes
cometidos por estrangeiro contra brasileiro, fora do Brasil, será necessário, além das
condições previstas no §2º, outras duas:
a) não ter sido pedida ou ter sido negada a extradição;
b) ter havido requisição do Ministro da Justiça.
Falamos aqui do princípio da nacionalidade ou personalidade passiva. A Lei Penal
brasileira é aplicada por razões de nacionalidade do bem jurídico tutelado, contudo, deve
estar presente os requisitos dos dois parágrafos mencionados acima.
 Não ter sido pedida ou ter sido negada a extradição: Imagine que um
estrangeiro entre no território nacional após cometer crime contra brasileiro no
exterior. Se aqui estiver e não tenha sido pedido sua extradição pelo país de
origem, ou ainda se o pedido é negado pelo Brasil, aqui ele poderá ser julgado.
Difícil será encontrar algum estrangeiro que cometa crime contra brasileiro e fuja
para o Brasil!

2
3
 Ter havido requisição do Ministro da Justiça: É requisito de procedibilidade, ou
seja, a requisição do Ministro da Justiça é condição para que a Lei Penal possa ser
aplicada.

PRINCÍPIOS APLICADOS À EXTRATERRITORIALIDADE


a) Princípio real, da defesa ou proteção: Aplica-se a lei brasileira ao crime cometido
fora do Brasil, que afete o interesse nacional (Art. 7º, I, “a”, “b”, “c”). É o caso de
infração cometida contra o Presidente da República, contra o patrimônio de qualquer
das entidades da Administração Direta, Indireta ou fundacional etc. Se o interesse
nacional foi afetado de algum modo, justifica-se a incidência da legislação pátria.
b) Princípio da justiça universal ou cosmopolita: Também conhecido como o
princípio da repressão universal ou da universalidade do direito de punir. Todo
Estado tem o direito de punir qualquer crime, seja qual for a nacionalidade do
delinquente e da vítima ou o local de sua prática, desde que o criminoso esteja
dentro de seu território. É como se o planeta se constituísse em um só território para
efeitos de repressão criminal. Como exemplo: o genocídio, quando o agente for
brasileiro ou domiciliado no Brasil. (Art. 7º, I, “d”, c/c Art. 7º, II, “a”).
c) Princípio da nacionalidade ou personalidade ativa: Aplica-se a lei penal do país a
que pertence o agente (sujeito ativo do crime). Não importando o local do crime, a
nacionalidade da vítima ou do bem jurídico afetado. Por exemplo, os crimes
praticados por brasileiro, embora cometidos no estrangeiro (Art. 7º, II, “b”).
d) Princípio da nacionalidade ou personalidade passiva: Aplica-se a lei penal do
país da vítima (sujeito passivo do crime), o que interessa é a nacionalidade da vítima.
Por exemplo, os crimes cometidos por estrangeiro contra brasileiro fora do Brasil
(Art. 7º, §3º).
e) Princípio da representação, do pavilhão, da substituição ou da bandeira:
Aplica-se a lei brasileira aos crimes praticados em aeronaves ou embarcações
brasileiras, mercantes ou de propriedade privada, quando em território estrangeiro
e aí não sejam julgados (Art. 7º, II, “c”) e (Art. 5º, § 1º)

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RESUMO DOS CONCEITOS
Território nacional: É o espaço onde certo Estado exerce sua soberania. Em
termos jurídicos, é a soma do espaço físico e do espaço jurídico.
Território próprio: É o próprio espaço físico (geográfico): terrestre,
marítimo ou aéreo correspondente (solos, rios, lagos, baías e faixa do mar
territorial, 12 milhas náuticas de largura).
Território por extensão: Embarcações e aeronaves brasileiras, de natureza
pública ou a serviço do Estado, onde quer que se encontrem, bem como as
embarcações e aeronaves brasileiras, mercantes ou de propriedade privadas, que
se encontrem em alto-mar ou sobre o espaço aéreo correspondente ao do alto-mar.
Territorialidade: Aplicação da Lei Penal do local do crime, pouco importando
a nacionalidade do agente, da vítima ou do bem jurídico.
Territorialidade absoluta: Só a Lei Penal brasileira é aplicável aos crimes
cometidos no território nacional.
Territorialidade mitigada (temperada): Em regra, aplica-se a legislação
brasileira aos crimes cometidos no território nacional. Excepcionalmente, admite-se
a aplicação da legislação estrangeira aos crimes cometidos no território nacional,
total ou parcialmente, sem prejuízo de convenções, tratados e regras de Direito
Internacional. É, portanto, a regra utilizada no Brasil (Art. 5º, CP).
Imunidades diplomáticas: A Lei Penal é aplicada, igualmente, a todos,
nacionais ou estrangeiros, sem privilégios pessoais. Contudo, pelo fato de o Brasil
ter adotado a territorialidade mitigada (ou temperada), que existem as
imunidades diplomáticas – em decorrência de convenções, tratados e regras de
direito internacional (Art. 5º, CP). Assim, os agentes diplomáticos e os chefes de
governos estrangeiros gozam de imunidades por prerrogativa funcional, em
respeito aos Estados que representam, aplicando-se a lei do seu país.
Imunidades parlamentares: São garantias Constitucionais relativas ao
desempenho das funções parlamentares, pelo mandato eletivo, dos representantes
eleitos das Casas do Congresso Nacional (Deputados Federais e Senadores). Assim,
extrai-se a regra geral de que os parlamentares não poderão ser presos. A regra
abrange tanto a prisão provisória, de cunho penal, em qualquer de suas
modalidades, salvo no caso de flagrante de crime inafiançável, assim como a prisão
civil, uma vez que o texto constitucional não faz qualquer distinção.

Direito de passagem inocente: Existe a possibilidade da passagem inocente de embarcação


estrangeira no mar territorial brasileiro (12 milhas náuticas do continente), que significa a rápida e
contínua travessia de barcos estrangeiros por águas nacionais, sem a necessidade de pedir
autorização para o governo. Perceba que falamos em “embarcação”, e não aeronaves. A
regulamentação legislativa, acerca desse assunto, está prevista no Art. 3º, da Lei n.º 8.617/93: É
reconhecido aos navios de todas as nacionalidades o direito de passagem inocente no mar
territorial brasileiro. §1º A passagem será considerada inocente desde que não seja prejudicial à
paz, à boa ordem ou à segurança do Brasil, devendo ser contínua e rápida. §2º A passagem
inocente poderá compreender o parar e o fundear, mas apenas na medida em que tais
procedimentos constituam incidentes comuns de navegação ou sejam impostos por motivos de
força ou por dificuldade grave, ou tenham por fim prestar auxílio a pessoas a navios ou aeronaves
em perigo ou em dificuldade grave.

2
5
ESQUEMA DIDÁTICO
Espaço físico (geográfico): terrestre,
marítimo ou aéreo correspondente (solos,
rios, lagos, baías e faixa do mar territorial,
12 milhas náuticas de largura).

Própri
Territóri o
o
Por
Naciona
assimilaçã
l Embarcações e aeronaves brasileiras, de
o natureza pública ou a serviço do governo
brasileiro, onde quer que se encontrem,
bem como as mercantes ou de
propriedade privada, que se achem em
alto-mar ou sobre o espaço aéreo
respectivo: não é princípio da
representação ou qualquer outro princípio
da extraterritorialidade, mas é considerado
como extensão do território nacional
territorialidade por assimilação.

Lembre-se:
A regra adotada pelo Código Penal brasileiro é a da territorialidade mitigada
ou temperada. Excepcionalmente, a extraterritorialidade, em quaisquer de suas
formas (incondicionada, condicionada ou hipercondicionada), é adotada. Assim, os
outros princípios procuram disciplinar a aplicação “extraterritorial” da Lei Penal
brasileira.

TEORIA GERAL DO CRIME

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6
RELAÇÃO DE CAUSALIDADE
Art. 13 - O resultado, de que depende a existência do crime, somente
é imputável a quem lhe deu causa. Considera-se causa a ação ou
omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido.
Comumente, adota-se o nome de nexo causal para tratar da relação de causalidade.
O seu estudo é baseado na conduta pelo autor e no resultado por ele produzido, o vínculo
entre a conduta e o resultado. Doutrinariamente, a expressão “o resultado”, no início do
Art. 13, alcança somente “o resultado naturalístico”. Por isso, a pertinência relativa ao
estudo do nexo causal são os crimes materiais (nesses delitos, o tipo penal descreve uma
conduta e um resultado naturalístico necessário para a sua consumação do delito). De
maneira que os crimes de mera conduta e os formais não são objeto de estudo do nexo
causal, já que o resultado naturalístico nunca existirá nos crimes de mera conduta; e para
os crimes formais o resultado naturalístico é dispensável para a sua consumação, sendo
mero exaurimento do delito. Em regra, o Código Penal adotou a teoria da equivalência
dos antecedentes causais (ou conditio sine qua non) em relação à causalidade, essa
teoria determina que causa é todo ato humano sem o qual o resultado não teria ocorrido.
Lembre-se: a regra, prevista no caput do Art. 13, é a teoria da equivalência dos
antecedentes causais.

1. (CESPE) No que se refere à relação de causalidade penal, a teoria da equivalência dos


antecedentes causais situa-se exclusivamente no terreno do elemento físico ou
material do delito, razão pela qual, por si só, não pode satisfazer a punibilidade.
Certo ( ) Errado ( )
Gabarito: Certo
Comentário: A teoria da equivalência dos antecedentes vai analisar o nexo
causal entre a conduta e resultado. Lembre-se de que a pertinência de estudo
dessa teoria são os crimes materiais. Assim, deverá existir uma conduta e um
resultado naturalístico, sem o qual não haverá a consumação.

2. (CESPE - ADAPTADA) O estudo do nexo causal nos crimes de mera conduta é


relevante, uma vez que se observa o elo entre a conduta humana propulsora do crime
e o resultado naturalístico.
Certo ( ) Errado ( )

2
7
Gabarito: Errado
Comentário: A relação de causalidade ou do nexo causal possui pertinência
apenas aos crimes materiais, porquanto estuda a conduta e o resultado
naturalístico do tipo penal. Dessa forma, o Código Penal adotou como regra a
teoria da equivalência dos antecedentes ou conditio sine qua non, transcrito
na segunda parte, do caput, do Art. 13: (...) Considera-se causa a ação ou
omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido, ou seja, é irrelevante o
estudo do nexo causal para os crimes de mera conduta e os crimes formais, neste
último o resultado naturalístico pode ou não ocorrer, mas é mero exaurimento do
delito (a consumação é antecipada).

SUPERVENIÊNCIA DE CAUSA RELATIVAMENTE


INDEPENDENTE
Art. 13, §1º - A superveniência de causa relativamente
independente exclui a imputação quando, por si só, produziu o
resultado; os fatos anteriores, entretanto, imputam-se a quem os
praticou.
O nexo causal ganha maior importância quando o resultado, por si só, não é gerado por
um único comportamento. Assim, entra o estudo das concausas, que nada mais é do que as
causas externas à vontade do agente que auxiliaram para o resultado naturalístico por ele
desejado, e podem ser: preexistentes, concomitantes ou supervenientes; omissivas ou
comissivas; independentes ou dependentes; absolutas ou relativas. O Art. 13, §1º, do Código
Penal, trata das concausas (causas alheias) supervenientes (posteriores) relativamente (só
ocorrem porque têm relação com a conduta inicial do agente) independentes (o resultado
naturalístico ocorre de forma autônoma a conduta do agente), e podem ser divididas em dois
grupos: (1) as que por si sós produzem o resultado; (2) e as que por si sós não produzem o
resultado. O que nos interessa são aquelas que por si sós produzem o resultado, pois há a
quebra do nexo causal, aqui a concausa é verdadeiramente eficaz, produzindo o resultado
naturalístico. O agente que deu origem ao fato responderá só pelos atos já praticados, e o
resultado é imputado a quem originou a sua consumação.
Exemplo: “A” atira em “B”, contudo “B” morre devido a um veneno ingerido
anteriormente. A causa efetiva da morte de “B” foi o envenenamento, e não o disparo de
efetuado por “A”. Nessa situação, “A” responderá apenas por tentativa de homicídio.
Acerca deste tema, o Código Penal adotou a teoria da causalidade adequada, uma
exceção à teoria da equivalência dos antecedentes causais (Art. 13, caput, CP).
3. (CESPE - ADAPTADA) O CP adota, como regra, a teoria da causalidade adequada, dada a
afirmação nele constante de que o resultado, de que depende a existência do crime,
somente é imputável a quem lhe deu causa; causa é a ação ou omissão sem a qual o
resultado não teria ocorrido.
Certo ( ) Errado ( )
Gabarito: Errado
Comentário: Como regra, o Código Penal adotou a teoria da equivalência
dos antecedentes ou da conditio sine qua non, no tocante à causalidade, assim
previsto no caput do Art. 13: O resultado, de que depende a existência do crime,
somente é imputável a quem lhe deu causa. Considera-se causa a ação ou omissão
sem a qual o resultado não teria ocorrido. Já como exceção, adotou-se a teoria
da causalidade adequada, prevista no Art. 13, §1º, que trata da superveniência
de causas relativamente independentes.

2
8
Causas supervenientes relativamente que por si sós não produzem o resultado:
Regra: Teoria da equivalência dos antecedentes causais (Art. 13, caput, CP).
 Infecção hospitalar: Imagine que “A” dolosamente efetue vários disparos de
arma de fogo contra “B”, sendo socorrido e levado ao hospital, chegando lá passa
por uma cirurgia e posteriormente morre em decorrência de infecção hospitalar.
Quem é baleado possui grandes chances de contrair infecção hospitalar, portanto
o resultado é imputado a quem lhe deu causa, “A” responderá por homicídio
consumado.
 Procedimento cirúrgico: Imagine que “A” tenha disparado um tiro na cabeça de
“B” e, por força do tiro, ele tenha que passar por uma cirurgia para se salvar.
Contudo, durante a cirurgia “B” morre. Nesse caso, haverá o homicídio
consumado pelo “A”, pois a morte não foi em decorrência da cirurgia, e sim do
tiro.
Causas supervenientes relativamente que por si sós produzem o resultado:
Exceção: Teoria da causalidade adequada (Art. 13, §1º, CP).
 Caso fortuito/Força maior: São aqueles fatos imprevisíveis e inevitáveis ao ser
humano. Imagine que “A” dolosamente efetue vários disparos de arma de fogo
contra “B”, sendo socorrido e levado ao hospital. Durante a noite, uma
tempestade venha a derrubar o hospital e fatalmente mate “B”. Nessa situação,
haverá superveniência de concausa relativamente independente, que por si só,
produziu o resultado naturalístico, quebrando o nexo causal entre a conduta de
“A” e o resultado gerado, que responderá por tentativa de homicídio.
 Imperícia médica (Erro médico): Nem toda imperícia médica é capaz de causar
a morte, mas só aquela em que o paciente necessitava de cuidados médicos
essenciais. Imagine que “A” dolosamente efetue vários disparos de arma de fogo
contra “B”, sendo socorrido e levado ao hospital. Pela gravidade dos ferimentos, a
vítima necessite urgentemente de uma cirurgia para lhe salvar a vida. Porém,
durante a cirurgia, o médico por imperícia cause a morte da vítima. Nesse caso,
haverá superveniência de concausa relativamente independente, que por si só,
produziu o resultado naturalístico, quebrando o nexo causal entre a conduta de
“A” e o resultado gerado, que responderá por tentativa de homicídio e o médico
por homicídio culposo consumado pela imperícia. Na prática, há dois crimes e
dois autores, cada qual com sua responsabilidade.
 Motorista de ambulância imprudente/negligente/imperito: “A” atira na
cabeça de “B”, esse é socorrido em ambulância, no trajeto para o hospital a
ambulância capota causando a morte de “B”. Mesmo “A” tendo concorrido
diretamente para que “B” estivesse na ambulância, o Código Penal manda que “A”
responda somente por tentativa de homicídio.

2
9
RELEVÂNCIA DA OMISSÃO
Art. 13, §2º - A omissão é penalmente relevante quando o omitente
devia e podia agir para evitar o resultado. O dever de agir incumbe
a quem:
a) tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou vigilância;
b) de outra forma, assumiu a responsabilidade de impedir o
resultado;
c) com seu comportamento anterior, criou o risco da ocorrência do
resultado.
A omissão penalmente relevante é aplicável aos crimes omissivos impróprios
(omissivos espúrios, omissivos impuros, comissivos por omissão ou participação por
omissão). São crimes materiais, porque o tipo penal descreve uma ação, mas por inércia do
agente o resultado naturalístico se produz, o qual podia e devia agir para impedir tal
resultado. A regra para os crimes omissivos, adotada pelo Código Penal, é a teoria normativa,
pois não se pune qualquer pessoa pelo simples fato de não fazer (omitir-se); mas sim, aqueles
que a norma determina (por isso normativo).
Veja a posição do STJ acerca do tema: (1). Para que o agente seja condenado pela prática
de crime culposo, são necessários, dentre outros requisitos: a inobservância do dever de cuidado
objetivo (negligência, imprudência ou imperícia) e o nexo de causalidade. (2). No caso, a
denúncia imputa ao paciente a prática de crime omissivo culposo, na forma imprópria. A
teor do §2º do art. 13 do Código Penal, somente poderá ser autor do delito quem se encontrar
dentro de um determinado círculo normativo, ou seja, em posição de garantidor. (3). A hipótese
não trata, evidentemente, de uma autêntica relação causal, já que a omissão, sendo um não-agir,
nada poderia causar, no sentido naturalístico da expressão. Portanto, a relação causal exigida
para a configuração do fato típico em questão é de natureza normativa. (STJ, HC 68.871/PR,
Min. Rel. Maria Thereza de Assis Moura, em 06/08/2009).
As pessoas as quais incumbem o dever de agir foram enumeradas em um rol taxativo, de
sorte que o critério legal foi aquele optado para enumerar estas hipóteses, isto é, quem tem o
dever jurídico de impedir o resultado (dever de agir). Doutrinariamente, chamamo-los de
garantidor(es). Além disso, não basta o dever de agir, mas para que a omissão seja
penalmente relevante, o omitente devia e podia agir para evitar o resultado (Art. 13, §2º). O
poder de agir é a possibilidade real e efetiva de qualquer homem médio para evitar o
resultado. Um exemplo seria o caso de um único policial militar em serviço que vê 14 homens
fortemente armados entrando em uma agência bancária, neste caso ele tem o dever de agir,
mas não o poder de agir para evitar o resultado.
A. Tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou vigilância (dever legal):
Aqui o Código Penal adotou a palavra “lei” em sentido amplo, trata-se de deveres
impostos pelo ordenamento jurídico lato sensu, e não apenas leis em sentido
formal. Por isso, a obrigação dos pais cuidarem dos filhos menores e dos policiais
no tocante aos indivíduos em geral.
Temos como exemplo o policial que pode agir e não age. Imagine que um policial esteja
de serviço e presencie um assaltante roubando um pedestre. Podendo agir e tendo o dever
imposto por lei, ele simplesmente “se omite”. Essa omissão, para o Código Penal, é
considerada como uma verdadeira ação (comissivo -devia agir- por omissão - não age). Nesse
caso, o policial deverá responder pelo resultado, ou seja, responderá juntamente com o
criminoso pelo crime de roubo. Mas por que isso acontece? Isso acontece porque quem tem o
dever de agir e não age responde pelo resultado produzido. No caso concreto mencionado, a
ação geradora do resultado foi um crime doloso. Sendo assim, o policial responderá como
partícipe nesse crime. Daí o crime comissivo por omissão também receber o nome de
participação por omissão.

3
0
Podemos citar como exemplo também o pai que deixa o filho no carro e vai ao shopping
e quando volta o filho está morto. O pai responderá pelo resultado causado (morte), mas não
na modalidade dolo, e sim por culpa na modalidade negligência. Nesse caso, o pai responderá
por homicídio culposo por sua negligência.
B. De outra forma, assumiu a responsabilidade de impedir o resultado: Aqui é
o que se convencionou em chamar de garante ou garantidor, pois o dever de
agir não decorre de uma lei, mas “de outra forma” o agente assumiu a
responsabilidade, é aquele que assume a responsabilidade.
Temos aqui o exemplo da babá que assume tomar conta de uma criança e durante a
noite – distraída com o computador – não percebe que a criança engatinha perigosamente em
direção à escada, vindo ao final a despencar, o que ocasiona o óbito. O resultado aqui foi uma
morte gerada por negligência, o que no caso concreto irá gerar a responsabilidade do agente
garantidor no crime de homicídio culposo.
C. Com seu comportamento anterior, criou o risco da ocorrência do resultado:
Aqui se trata da ingerência ou situação precedente, isto é, aquele que com seu
comportamento anterior criou uma situação de perigo deve impedir o resultado
lesivo ao bem jurídico.
Exemplos: 1) A pessoa que por brincadeira esconde o remédio de um cardíaco, tem o
dever de ajudá-lo e impedir sua morte. 2) A pessoa que atira um amigo na piscina e ele se
afoga, então tem o dever de socorrê-lo. 3) O marinho que arremessa tripulante ao mar, se não
evitar que ele morra, então responderá pelo homicídio. 4) Uma pessoa que ateia fogo em uma
mata, tem o dever jurídico de apagar o incêndio.
Esses crimes são chamados de crimes omissivos impróprios ou comissivos por omissão.
Em todos esses casos o omitente responderá pelo resultado, a não ser que este não lhe possa
ser atribuído nem por dolo nem por culpa. O agente tem que ter consciência que se encontra
na função de agente garantidor.
4) (CESPE) É possível, do ponto de vista jurídico-penal, participação por omissão em
crime comissivo.
Certo ( ) Errado ( )
Gabarito: Certo
Comentário: Quando falamos em crime comissivo, estamos falando de crime
executado por meio de ação e crime omissivo por meio de inação. Contudo, quando
falamos de crime comissivo por omissão estamos falando no agente que tinha o
poder-dever de agir, ou seja, o agente garantidor previsto no Art. 13, § 2º, do
Código Penal. O agente garantidor tem o dever de agir e quando não o faz
(omissão) responde por participação em omissão. Temos como exemplo um policial
de serviço (está com o poder-dever de agir) que presencia uma senhora sendo
roubada e nada faz, omitindo-se. Como ele tinha o dever e podia agir, mas não fez,
ele responderá por essa omissão juntamente com o autor do crime, ou seja,
responderá por participação por omissão.

5) Não há crime comissivo por omissão sem que exista o especial dever jurídico de
impedir o dano ou o perigo ao bem jurídico tutelado, sendo, também, indispensável,
nos delitos comissivos por omissão dolosa, a vontade de omitir a ação devida.
Certo ( ) Errado ( )

3
1
Gabarito: Certo
Comentário: Os crimes comissos por omissão, também chamados de
omissivos impuros ou impróprios, obrigam o agente a agir por expressa
determinação legal. Assim, o agente que se omitir tem que ter a ciência de que o
está fazendo quando poderia agir. A previsão legal está no Art. 13, §2º, do Código
Penal.

CRIME OMISSIVO
CRIME OMISSIVO IMPRÓPRIO
Art. 13, § 2º - A omissão é penalmente relevante quando o omitente
devia e podia agir para evitar o resultado. O dever de agir incumbe
a quem:
a) Tem por lei obrigação de cuidado, proteção e vigilância;
b) De outra forma, assumiu a responsabilidade de impedir o
resultado;
c) Com seu comportamento, anterior, criou o risco da ocorrência
do resultado.

AGENTE GARANTIDOR
O Crime Omissivo Impróprio (Comissivo por Omissão) é a omissão, ou melhor, não
execução de uma atividade predefinida juridicamente do agente. O sujeito deveria evitar o
tipo penal correspondente ao resultado, tem “O dever de agir”.
São crimes de mera conduta, ou seja, independem do resultado.
Ao analisarmos ponto a ponto, temos as alíneas:
a) Tem por lei obrigação de cuidado, proteção e vigilância;
Ex.: Policial, Pai e mãe, Bombeiro.
b) De outra forma, assumiu a responsabilidade de impedir o resultado;
Ex.: Amigo que chama o outro para nadar e, mesmo o outro não sabendo nadar, insiste
em levá-lo, assumindo o risco de um afogamento.
c) Com seu comportamento anterior, criou o risco da ocorrência do
resultado.
Ex.: Vizinho que acendeu uma fogueira para queimar seu lixo e, não a apagando,
ocasionou um incêndio de grandes proporções, causando risco aos demais moradores
daquela vizinhança.
ATENÇÃO, ALUNO!
O AGENTE GARANTIDOR não responde por ter causado o crime, mas por
não o impedir, podendo fazê-lo.

Alguns pressupostos são exigidos para a figura do Agente Garantidor:


I. Poder agir
II. Capacidade de evitar o resultado
III. Dever de impedir o resultado
O poder de agir, entende-se como a capacidade que tem o agente de agira com êxito
para eliminar o perigo, evitando ou tentando evitar o RESULTADO.

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2
CRIME CONSUMADO
CRIME CONSUMADO
Art. 14 – Diz-se do Crime:
I – Consumado, quando nele se reúnem todos os elementos de sua
definição legal.

3
3
Para que o crime seja consumado, é necessário que ele percorra todas as fases do iter
criminis, quais sejam: cogitação, preparação, execução e consumação. O agente, com sua
conduta, “caminha” por todas as fases até atingir o resultado.
ITER CRIMINIS
Iter criminis (expressão em latim) que significa “fases do crime”. Utiliza-se no Direito
Penal para referir-se ao processo no qual o crime percorre, isto é, as etapas pelas quais o
crime passa, desde o momento em que surgiu a ideia delitiva (cogitação) até a sua conclusão
(consumação).
Divide-se em quatro etapas:
1. Cogitação: é a fase interna, ou seja, é o “pensar” no crime. Não se pune esta fase,
pois o mero pensamento não é considerado crime para o Direito Penal.
2. Atos preparatórios: fase externa, ou seja, o agente já cogitou o crime e agora
necessita das ferramentas para iniciar sua execução, os atos preparatórios
também não são puníveis, desde que não sejam crimes autônomos 1(por
exemplo, porte ilegal de arma de fogo). Há também outros exemplos, como a
associação criminosa (Código Penal, Art. 288) e os petrechos para a falsificação de
moeda (Código Penal, Art. 291), pois, em ambos os casos, são crimes formais (de
consumação antecipada, isto é, os atos preparatórios são considerados crimes
consumados).
3. Atos de execução: fase externa, é o início da prática delitiva, a própria execução
do verbo contido no tipo legal, iniciando-se a agressão ao bem jurídico. Segundo o
artigo 14, inciso II, do Código Penal, o crime será considerado “tentado” quando a
execução delitiva for iniciada e, por circunstâncias alheias à vontade do agente, o
crime não se consuma. Para tentar diferenciar os atos preparatórios dos atos de
execução, adotou-se a teoria objetivo-formal: é necessário que o agente realize
pelo menos uma parte da conduta típica (o verbo do crime), ou seja, adentrar no
núcleo do tipo. A tentativa somente será punida se o crime não se consumar (o
fim do crime).
4. Consumação: fase externa, é a conclusão do crime, o fim do crime, o crime
completo. Haverá crime consumado quando se reunirem todos os elementos de
sua definição legal (Art. 14, I, CP), ou seja, aqui estão presentes todos os
elementos típicos descrito no crime em si.
ESQUEMA DIDÁTICO

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4
CRIME TENTADO
Art. 14 – Diz-se do crime:
II – Tentado, quando, iniciada a execução, não se consuma por
circunstâncias alheias à vontade do agente.
Pena da tentativa:
Parágrafo único – Salvo disposição em contrário, pune-se a
tentativa com a pena correspondente ao crime consumado,
diminuída de um a dois terços.
No crime tentado, o agente quer o resultado criminoso, mas por circunstâncias que
fogem à sua vontade (circunstâncias alheias) o crime não se completa.

ESPÉCIES DE TENTATIVA
1. Tentativa imperfeita (inacabada): o autor não pratica todos os atos de
execução do crime. Aqui ocorre a interrupção da execução, por circunstâncias
alheias à sua vontade. Exemplo: “A”, com intenção de matar “B”, possui um revólver
com cinco munições e deflagra dois disparos contra “B”, não conseguindo efetuar os
outros três, por circunstâncias alheias à sua vontade, por exemplo, alguém o
impede de prosseguir. Aqui não conseguiu usar todo o potencial lesivo.
2. Tentativa perfeita (acabada ou crime falho): o autor pratica todos os atos
executórios à sua disposição, porém não há consumação do crime, por
circunstâncias alheias à sua vontade. Exemplo: “A”, com intenção de matar “B”,
possui um revólver com cinco munições e deflagra todas elas contra “B”, mas os
disparos não foram suficientes para matar a vítima. Aqui utiliza todo o potencial
lesivo.
3. Tentativa incruenta (branca): o alvo (a vítima) não é atingido e, portanto, não
sofre lesões (ferimentos). A tentativa incruenta ou branca pode ser, ao mesmo
tempo, perfeita ou imperfeita. Exemplo: “A”, com intenção de matar “B”, possui um
revólver com cinco munições e deflagra todas elas contra “B”, mas não acertou
nenhum disparo em “B”. Aqui a tentativa foi branca (incruenta) e perfeita.
4. Tentativa cruenta (vermelha): o alvo (a vítima) é atingido, portanto ocorre
lesão ao bem jurídico tutelado, isto é, a vítima é ferida. A tentativa cruenta ou
vermelha pode ser, ao mesmo tempo, perfeita ou imperfeita. Exemplo: “A”, com
intenção de matar “B”, possui um revólver com cinco munições e acerta dois tiros
contra “B”, ferindo-o gravemente, porém não conseguiu disparar as outras três
munições, por circunstâncias alheias à sua vontade, um transeunte o impediu de
prosseguir. Aqui a tentativa foi vermelha (cruenta) e imperfeita.
1. (CESPE) Configura-se tentativa incruenta no caso de o agente não conseguir atingir a
pessoa ou a coisa contra a qual deveria recair sua conduta.
Certo ( ) Errado ( )
Gabarito: Certo
Comentário: A tentativa incruenta ou branca é aquela em que a vítima não
sofre qualquer lesão.

3
5
NATUREZA JURÍDICA DA TENTATIVA
Antecipação temporal da figura típica (adequação típica de subordinação mediata), isto é,
nos tipos penais incriminadores não há a definição do crime tentado e, portanto, o Código
Penal utiliza a definição do crime consumado com extensão da norma (Art. 14, II) da Parte
Geral ao fato delituoso. Por exemplo: homicídio tentado é a combinação do Art. 121 (Parte
Especial) com o Art. 14, inc. II (Parte Geral).

2. (CESPE) A tentativa, uma norma de extensão temporal, não se enquadra diretamente


no tipo incriminador; faz-se necessária uma norma que amplie a figura típica até alcançar o
fato material.
Certo ( ) Errado ( )
Gabarito: Certo.
Comentário: Isso mesmo, pois nos tipos penais incriminadores não há a
previsão de crime consumado e crime tentado, restando, portanto, a ampliação da
tentativa ao crime consumado.

3. (ALFACON) Na natureza jurídica do crime tentado há a antecipação temporal da figura


típica.
Certo ( ) Errado ( )
Gabarito: Certo.
Comentário: Como o momento de consumação não ocorreu, o Código Penal
punirá os momentos de execução. A tentativa trata-se de norma de extensão. Ela é
a antecipação temporal da figura típica e está na natureza jurídica do crime
tentado. Nesta modalidade, o crime não se consuma por circunstâncias alheias à
vontade do agente e há a diminuição da pena que pode variar de 1/3 a 2/3. É
importante lembrar que para os crimes formais ou crimes de mera conduta, em
regra, não cabe a tentativa.

4. É correto afirmar que o crime tentado ocorre quando um agente tenta cometer um fato
delituoso, mas não consegue consumá-lo por fatores alheios à sua vontade.
Certo ( ) Errado ( )

3
6
Gabarito: Certo.
Comentário: Quando iniciada a execução de um crime; mas, por
circunstâncias alheias à vontade do agente, o fato não se consuma, ocorre o crime
tentado. É importante lembrar a diferença entre crime tentado e tentativa
abandonada. A tentativa abandonada não se classifica como crime tentado, trata-se
de desistência voluntária (Art. 15, primeira parte, CP) ou arrependimento eficaz
(Art. 15, segunda parte, CP).

5. (CESPE) Na redação atual do Código Penal brasileiro, o ajuste, a determinação ou


instigação e o auxílio, salvo disposição expressa de lei em contrário, não são puníveis se,
pelo menos, o delito não é tentado.
Certo ( ) Errado ( )
Gabarito: Certo
Comentário: A questão traz os casos de impunibilidade previstos no artigo 31
do Código Penal. Mais especificamente, trata-se do iter criminis, afirmando que se o
crime não chegar à fase de execução, ele não é punível. A cogitação e a preparação
serão puníveis apenas quando houver previsão legal e se tratar de crimes
autônomos.

6. (CESPE) Um crime é enquadrado na modalidade de delito tentado quando,


ultrapassada a fase de sua cogitação, inicia-se, de imediato, a fase dos respectivos atos
preparatórios, tais como a aquisição de arma de fogo para a prática de planejado homicídio.
Certo ( ) Errado ( )
Gabarito: Errado
Comentário: Em regra, a cogitação e a preparação não constituem crime até
entrar na esfera de execução, salvo se constituir crime autônomo. Na questão não
teríamos nem ao menos tentativa do crime principal que o agente queria cometer
porque não chegou a entrar na execução, ou seja, o fato principal fica impunível.
Contudo, a mera aquisição de arma de fogo não permitida já configura o crime de
porte ilegal de arma na forma consumada, ou seja, configurando um crime
autônomo.

PENA DO CRIME TENTADO


Pena de tentativa:
Art. 14, Parágrafo único – Salvo disposição em contrário, pune-se a
tentativa com a pena correspondente ao crime consumado,
diminuída de um a dois terços.
O crime tentado é o mesmo do consumado, ou seja, o juiz irá determinar a pena e
imediatamente diminuir de 1/3 a 2/3 dependendo da proximidade que os atos executórios
chegaram da consumação.
A teoria adotada pelo Código Penal para aplicação da tentativa é a teoria objetiva, pois é
uma causa obrigatória de diminuição de pena da Parte Geral, não importando a subjetividade
do delito praticado pelo agente. Por exemplo: “A”, com intenção de matar “B”, possui um
revólver com cinco munições e acerta dois tiros contra “B”, ferindo-o gravemente, porém não
conseguiu disparar as outras três munições, por circunstâncias alheias à sua vontade, um
transeunte o impediu de prosseguir. Neste caso, “A” queria matar “B” (seu elemento subjetivo),
mas obrigatoriamente o juiz deverá diminuir a pena de “A”, ou seja, objetivamente.

3
7
7. É correto afirmar que a pena do crime tentado, salvo disposição em contrário, é
correspondente ao crime consumado, diminuída de um a dois sextos.
Certo ( ) Errado ( )
Gabarito: Errado.
Comentário: A afirmativa trocou a razão da diminuição da pena. De acordo
com o Art. 14, inc. II do CP: Salvo disposição em contrário, pune-se a tentativa
com a pena correspondente ao crime consumado, diminuída de um a dois terços.

INADMISSIBILIDADE DA TENTATIVA

P • Preterdolosos; PUCCA CHO


• Unissubsistentes;
• Contravenções Penais;
U
• Culposos;
• Atentados;
C
• Condicionados;
• Habituais;
C • Omissivos próprios.

A
C
ESQUEMA DIDÁTICO
H

3
8
EXERCÍCIOS
1. Na natureza jurídica do crime tentado há a antecipação temporal da figura típica.
Certo ( ) Errado ( )
2. Os atos de cogitação materialmente não concretizados são impuníveis em quaisquer
hipóteses.
Certo ( ) Errado ( )
3. Suponha que Kiko e Relkes entraram em uma discussão, nessa hipótese, Kiko, homem
valente e armado deflagrou todas as suas munições em direção a Relkes, com intenção de
matá-lo, mas Relkes fugiu ileso. Nesse contexto, pode-se dizer que se caracterizou uma
tentativa perfeita incruenta.
Certo ( ) Errado ( )
4. Considere a seguinte situação hipotética. Joaquim, plenamente capaz, desferiu diversos
golpes de facão contra Manoel, com o intuito de matá-lo, mas este, tendo sido socorrido e
levado ao hospital, sobreviveu. Nessa situação hipotética, Joaquim responderá pela prática
de homicídio tentado, com pena reduzida levando-se em conta a sanção prevista para o
homicídio consumado.
Certo ( ) Errado ( )
5. Na tentativa perfeita, também denominada quase-crime, o agente realiza todos os atos
executórios, mas não atinge a consumação por circunstâncias alheias à sua vontade.
Certo ( ) Errado ( )

GABARITO
1. CERTO
2. CERTO
3. CERTO
4. CERTO
5. ERRADO

3
9
DESISTÊNCIA VOLUNTÁRIA E
ARREPENDIMENTO EFICAZ
Art. 15 – O agente que, voluntariamente, desiste de prosseguir na
execução ou impede que o resultado se produza, só responde pelos
atos já praticados.
A desistência voluntária e o arrependimento eficaz são espécies de tentativa abandonada
ou qualificada. São chamadas assim porque o agente dá início à execução do delito, mas desiste
de consumá-lo, abandonando-o ou impedindo-o que se consume. Diferente da tentativa
propriamente dita, que não se consuma por circunstâncias alheias à sua vontade, nessas
formas o crime não se consuma por vontade do agente.
DESISTÊNCIA VOLUNTÁRIA
A desistência voluntária é a primeira espécie de tentativa abandonada ou qualificada,
presente na primeira parte do Art. 15: O agente que, voluntariamente, desiste de prosseguir na
execução (...) só responde pelos atos já praticados.
Consiste em uma atitude negativa por parte do agente, isto é, numa desistência à
execução do crime quando lhe sobrava (durante a execução), objetivamente, margem de
atuação, então o agente só responderá pelos atos praticados, desde que o resultado
naturalístico não ocorra.

ARREPENDIMENTO EFICAZ
O arrependimento eficaz é a segunda espécie de tentativa abandonada ou qualificada,
presente na segunda parte do Art. 15: O agente que, voluntariamente, (...) impede que o
resultado se produza, só responde pelos atos já praticados.
Consiste em uma atitude positiva por parte do agente, isto é, buscando retroceder na
atividade delituosa desenvolve uma nova conduta visando a reparar o dano causado ao bem
jurídico, depois de terminada a execução, evitando o resultado naturalístico (evita a
consumação do delito).
Em ambos os casos o agente responde só pelos atos já praticados, ou seja, no caso do
crime de homicídio, por exemplo, responderá ele pelo crime da lesão corporal, ou
simplesmente os atos já praticados.
Dois detalhes a serem lembrados: o ato deve ser voluntário (não é necessário que seja
espontâneo) e o resultado não pode ocorrer.

4
0
DIFERENÇA ENTRE TENTATIVA, DESISTÊNCIA
VOLUNTÁRIA E ARREPENDIMENTO EFICAZ
DESISTÊNCIA ARREPENDIMENTO
TENTATIVA
VOLUNTÁRIA EFICAZ
Art. 14, II, CP Art. 15, 1ª parte, CP Art. 15, 2ª parte, CP
Tentativa abandonada Tentativa abandonada
Tentativa (conatus,
ou qualificada ou qualificada
original)
Motivos externos Motivos internos Motivos internos
Não consumação por Não consumação por
Não consumação por
circunstâncias inerentes circunstâncias inerentes
circunstâncias alheias à
à vontade do agente à vontade do agente
vontade do agente
Durante ou após a execução Durante a execução Após a execução

########## Ação negativa Ação positiva

########## Ato voluntário Ato voluntário e


eficaz
Desclassificação da Desclassificação da
Antecipação da figura típica
figura típica figura típica
Pune-se pelos atos Pune-se pelos atos
Pune-se o crime consumado
já praticados já praticados
com diminuição de pena 1/3
a 2/3
1. (CESPE) Configura-se a desistência voluntária, ainda que não tenha partido
espontaneamente do agente a ideia de abandonar o propósito criminoso, com o
resultado de deixar de prosseguir na execução do crime.
Certo ( ) Errado ( )
Gabarito: Certo.
Comentário: A desistência voluntária é uma espécie de tentativa abandonada
ou qualificada, prevista no Art. 15, 1ª parte, do CP, exige voluntariedade, contudo
não precisa de espontaneidade. Basta que o desejo de desistir tenha partido do
próprio agente (a ação negativa), mesmo que a motivação tenha advindo
externamente. Mesmo que tenha a denominação de tentativa abandonada ou
qualificada em nada tem a ver com a tentativa (conatus, original) do Art. 14, inc.
II, do CP.

2. (CESPE) O agente que tenha desistido voluntariamente de prosseguir na execução ou,


mesmo depois de tê-la esgotado, atue no sentido de evitar a produção do resultado,
não poderá ser beneficiado com os institutos da desistência voluntária e do
arrependimento eficaz caso o resultado venha a ocorrer.
Certo ( ) Errado ( )

4
1
Gabarito: Certo.
Comentário: O Art. 15, do Código Penal, trata da desistência voluntária e do
arrependimento eficaz, os quais só geram efeitos se a consumação do crime não
ocorrer. Assim, mesmo que um indivíduo após os disparos resolva socorrer a
vítima, responderá pelo crime de homicídio consumado caso ela morra. Contudo,
exige-se a voluntariedade em socorrer e também que a morte não se consume,
então responderá pelos atos já praticados, ou seja, lesão corporal.

ARREPENDIMENTO POSTERIOR
Art. 16 - Nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à
pessoa, reparado o dano ou restituída a coisa, até o recebimento da
denúncia ou da queixa, por ato voluntário do agente, a pena será
reduzida de um a dois terços.
O arrependimento posterior é uma causa geral de diminuição de pena, de natureza
obrigatória, prevista no artigo 16 do Código Penal. Em regra, somente é possível ser aplicado
em crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa. É necessária a restituição
integral da coisa ou a reparação integral do dano, por ato voluntário, até o recebimento da
denúncia ou queixa.
O objetivo é estimular a reparação do crime nos danos patrimoniais cometidos sem
violência ou grave ameaça.
São requisitos para que possa o agente se beneficiar do instituto do arrependimento
posterior:
 Reparação do dano: deve ser integral. Basicamente importa na obrigação de
indenizar ou de satisfazer o pagamento dos prejuízos decorrentes da prática do
crime.
 Restituição da coisa: deve ser integral. Segundo De Plácido e Silva, restituir é
devolver, dar de volta, ou recolocar a coisa em mãos de seu legítimo proprietário ou
em poder de quem licitamente deve estar. Conduz o sentido de restabelecer, pelo
que a coisa restituída deve voltar nas mesmas condições ou no mesmo estado, em
que antes se mostrava ou apresentava.
Tanto a reparação do dano, quanto a restituição da coisa, devem ser praticados
voluntariamente pelo agente, ainda que não haja espontaneidade, ou seja, o agente pode, por
interesse, reparar ou restituir a vítima, visando à diminuição da sua pena, podendo ser feito
pelo advogado do criminoso.
É causa de diminuição de pena que se estende a todos os agentes, mesmo que somente
um tenha efetivamente reparado integralmente o dano, a todos se estenderá.
1. (CESPE) Denomina-se arrependimento eficaz a reparação do dano ou a restituição
voluntária da coisa antes do recebimento da denúncia, o que possibilita a redução da
pena, em se tratando de crimes contra o patrimônio.
Certo ( ) Errado ( )

4
2
Gabarito: Errado.
Comentário: Em nada tem a ver o arrependimento eficaz tratado no Art. 15,
CP, com o arrependimento posterior tratado no Art. 16, CP. A questão fala do Art.
16 (arrependimento posterior) em que, reparado o dano e restituída a coisa até o
recebimento da denúncia ou da queixa por ato voluntário do agente, a pena do
autor do crime é diminuída, ou seja, o Art. 16 trata de tema de redução de pena. Já
o Art. 15 traz uma norma que opera a desclassificação da figura típica, deixando o
autor responder somente pelos atos já praticados. No mais, o Art. 15 está sempre
antes da consumação e o Art. 16 depois da consumação.

2. (CESPE) O arrependimento posterior só pode ser aplicado se o crime tiver sido


cometido sem violência ou grave ameaça à pessoa, se houver reparação do dano ou
restituição do objeto material antes do recebimento da denúncia ou da queixa e se o
ato do agente for voluntário.
Certo ( ) Errado ( )
Gabarito: Correto.
Comentário: O arrependimento posterior está previsto no Art. 16 do Código
Penal e é causa de diminuição de pena, assim está previsto: Art. 16 - Nos crimes
cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa, reparado o dano ou restituída
a coisa, até o recebimento da denúncia ou da queixa, por ato voluntário do agente,
a pena será reduzida de um a dois terços.

TABELA DAS TENTATIVAS


1. TENTATIVA BRANCA OU INCRUENTA:  Não acerta o alvo.

2. TENTATIVA VERMELHA OU CRUENTA:  Atinge o alvo.


3. TENTATIVA PERFEITA, ACABADA OU CRIME  Esgota todos os meios executórios a sua
FALHO: disposição.
 Não utiliza todos os meios executórios a
4. TENTATIVA IMPERFEITA OU INACABADA:
sua disposição.
 Desistência voluntária e arrependimento
5. TENTATIVA ABANDONADA OU QUALIFICADA:
eficaz.
6. TENTATIVA INIDÔNEA, INADEQUADA,
 Crime impossível.
IMPOSSÍVEL
OU QUASE CRIME:

EXERCÍCIOS
1. A desistência da tentativa inacabada deve ser entendida como arrependimento eficaz.
Certo ( ) Errado ( )
2. A Desistência Voluntária caracteriza-se quando um agente tinha condições de realizar e
consumar um crime, mas desiste durante a execução, ou seja, ele realiza uma ação positiva.
Certo ( ) Errado ( )

4
3
3. Para que fique caracterizado o arrependimento eficaz ou a desistência, a atitude do
agente deve ser espontânea, ou seja, natural, sincera e verdadeira.
Certo ( ) Errado ( )
4. Para a configuração do arrependimento posterior, o agente deve agir
espontaneamente, e a reparação do dano ou a restituição do bem devem ser integrais.
Certo ( ) Errado ( )
5. Considere que José, com intenção de matar, tenha desferido dois tiros certeiros de
arma de fogo em direção a Carlos, que estava deitado. Carlos, por sua vez, tinha ingerido
veneno para se suicidar. Após a autópsia, foi constatado que a morte da vítima foi
provocada pelo veneno e, quando o disparo foi feito, Carlos já estava morto. Nesta
situação, será imputado a José o resultado morte.
Certo ( ) Errado ( )
GABARITO
1. ERRADO
2. ERRADO
3. ERRADO
4. ERRADO
5. ERRADO

4
4
CRIME IMPOSSÍVEL
Art. 17 - Não se pune a tentativa quando, por ineficácia absoluta do
meio ou por absoluta impropriedade do objeto, é impossível
consumar-se o crime.
Também chamado de tentativa inidônea, inadequada, impossível ou quase-crime. É
aquele que jamais poderia ser consumado em razão da ineficácia absoluta do meio empregado
ou pela impropriedade absoluta do objeto.
Teoria adotada pelo Código Penal: teoria objetiva temperada ou intermediária. Caso a
ineficácia do meio ou a do objeto sejam relativas, pune-se a tentativa!
INEFICÁCIA ABSOLUTA DO MEIO
A ineficácia absoluta do meio se caracteriza quando o instrumento utilizado não permite
que o delito possa ser consumado.
Exemplos:
 Usar uma arma de brinquedo que atira água para tentar matar alguém, afogado.
 Tentar envenenar alguém com sal. “A” com intenção de envenenar “B”, coloca sal
na comida desse, pensando ser arsênico.
IMPROPRIEDADE ABSOLUTA DO OBJETO
A impropriedade absoluta do objeto se caracteriza quando a pessoa ou a coisa sobre a
qual recai a conduta é absolutamente inidônea para produção de algum resultado lesivo.
Exemplo:
 Matar quem já está morto. “A” com intenção de matar “B”, enquanto esse está
dormindo, efetua vários disparos. Contudo, “B” já estava morto devido ao veneno
administrado por “C” horas atrás.
1. (CESPE) Configura crime impossível a tentativa de subtrair bens de estabelecimento
comercial que tem sistema de monitoramento eletrônico por câmeras que
possibilitam completa observação da movimentação do agente por agentes de
segurança privada.
Certo ( ) Errado ( )
Gabarito: Errado.
Comentário: A existência de um eficiente sistema de segurança não basta
para que eventual tentativa de furto em estabelecimento comercial seja
considerada crime impossível – o que excluiria a possibilidade de punição. A decisão
é da Terceira Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

2. Considera-se crime impossível também chamado de quase-crime, a ineficácia


relativa do meio e também a impropriedade relativa do objeto material.
Certo ( ) Errado ( )
Gabarito: Errado.
Comentário: Para caracterizar crime impossível é necessário que a ineficácia
do meio e a impropriedade do objeto sejam ABSOLUTAS, caso contrário configura-
se crime. O crime impossível está tipificado no Art. 17 do Código Penal o qual
descreve que: Não se pune a tentativa quando, por ineficácia absoluta do meio ou
por absoluta impropriedade do objeto, é impossível consumar-se o crime.

4
5
DOLO E CULPA
CRIME DOLOSO
Art. 18 - Diz-se o crime:
I - Doloso, quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de
produzi-lo.
No conceito finalista da ação, o dolo é natural e integra a conduta (que está inserida no
fato típico) e consiste na vontade (elemento volitivo) e consciência (elemento intelectivo) de
realizar os elementos do tipo incriminador.
Nessa concepção, a consciência da ilicitude (ou antijuridicidade) está na culpabilidade,
isto é, desvinculada da conduta.

DOLO DIRETO; DOLO INDIRETO


(EVENTUAL); DOLO ALTERNATIVO
Vamos dividir aqui o dolo de três formas:
a) Dolo direto: Quando o agente quis o resultado. É o elemento subjetivo do agente,
a vontade livre e direta de causar o resultado criminoso: teoria da vontade.
b) Dolo indireto: Quando o agente assumiu o risco de produzir o resultado. Também
chamado de dolo eventual, aqui o agente não quer diretamente, mas assume a
responsabilidade pelo resultado: teoria do assentimento.
c) Dolo alternativo: Quando o agente deseja, indistintamente, um ou outro resultado.
Sua intenção se destina, com igual intensidade, a produzir um entre vários
resultados previstos como possíveis. Ex.: “A” atira em “B”, seu desafeto, com o
intuito de matar ou ferir. Se matar responderá por homicídio consumado e se
ferir responderá por tentativa de homicídio. No caso de dolo alternativo o agente
sempre responderá pelo resultado mais grave.

4
6
DOLO DE PRIMEIRO E DE SEGUNDO GRAU
a) Dolo de primeiro grau: quando o agente quer um resultado determinado,
valendo-se dos meios próprios direcionados para este fim. Por exemplo, Mévio
quer matar Tício com emprego de explosivo, tem dolo direto para homicídio
qualificado por causa do explosivo (lembre-se de que o homicídio qualificado é
hediondo). Nesta modalidade de dolo, a vontade do sujeito se adapta de modo
perfeito ao resultado.
b) Dolo de segundo grau (ou de consequências necessárias): o agente quer
produzir um resultado específico, porém para alcançar esse resultado outros irão
ocorrer, os quais são necessários (colaterais ou consequenciais) para a obtenção
do resultado específico; mas por ele já previstos. Por exemplo, Mévio quando foi
empregar o explosivo contra Tício (guitarrista de uma banda de Rock: The dógui
nhéc nhéc my pernation), ele estava em uma praça pública durante um show de
Rock com pessoas e seus cachorros: Rocão (isso é muito comum na cidade de
“Sucuri”). Mévio colocou o artefato explosivo embaixo do palco e, ao detonar,
matou 32 pessoas, incluindo Tício (certamente, ele sabia que a explosão mataria
as outras pessoas que ali se encontravam). Nesse caso, embora o agente não
quisesse atingir outras vítimas, esse resultado era absolutamente esperado na
explosão do artefato, então haverá 1 dolo direto de primeiro grau contra Tício e
outros 31 dolos diretos de segundo grau contra as pessoas inocentemente
mortas. O juiz aplicará, pois, a regra do concurso formal impróprio de crimes
(ou desígnios autônomos), somar-se-ão as penas de 32 homicídios qualificados
(considerando a pena máxima, seriam só 960 anos de reclusão). Este período
será usado para as regras de progressão de regime (2/5 se primário: 384 anos;
3/5 se reincidente: 576 anos); e condicional (2/3 se primário: 640 anos);
contudo, no Brasil, o cumprimento máximo de pena privativa de liberdade é de
30 anos (Art. 75, CP: O tempo de cumprimento das penas privativas de liberdade
não pode ser superior a 30 anos), então ficará os 30 anos em regime fechado.

CONCURSO MATERIAL
Art. 69 - Quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão,
pratica dois ou mais crimes, idênticos ou não, aplicam-se
cumulativamente as penas privativas de liberdade em que haja
incorrido. No caso de aplicação cumulativa de penas de reclusão e
de detenção, executa-se primeiro aquela. (Redação dada pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984)

CONCURSO FORMAL
Art. 70 - Quando o agente, mediante uma só ação ou omissão,
pratica dois ou mais crimes, idênticos ou não, aplica-se-lhe a mais
grave das penas cabíveis ou, se iguais, somente uma delas, mas
aumentada, em qualquer caso, de um sexto até metade. As penas
aplicam-se, entretanto, cumulativamente, se a ação ou omissão é
dolosa e os crimes concorrentes resultam de desígnios autônomos,
consoante o disposto no artigo anterior.(Redação dada pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984)
1. (CESPE) Excetuadas as exceções legais, o autor de fato previsto como crime só poderá
ser punido se o praticar dolosamente.
Certo ( ) Errado ( )

4
7
Gabarito: Certo.
Comentário: Isso mesmo, veja o Art. 18, Parágrafo único: Salvo os casos
expressos em lei, ninguém pode ser punido por fato previsto como crime, senão
quando o pratica dolosamente.

A regra é o crime doloso (Art. 18, inc. I, do Código Penal); a exceção, o crime
culposo (Art. 18, inc. II, do Código Penal), desde que haja “previsão legal”.

2. (CESPE) Se o sujeito ativo do delito, ao praticar o crime, não quer diretamente o


resultado, mas assume o risco de produzi-lo, o crime será culposo, na modalidade
culpa consciente.
Certo ( ) Errado ( )
Gabarito: Errado
Comentário: Não é culpa consciente, mas sim dolo eventual ou indireto. Na
culpa consciente o resultado era previsível para o agente, mas ele acreditava
plenamente que não ocorreria por causa das suas habilidades. De outro modo, no
dolo eventual o agente se mostra indiferente com o resultado, que é previsto por
ele, assumindo-o ou aceitando o risco de produzi-lo. É o conhecido “foda-se”!

CRIME CULPOSO
Art. 18 - Diz-se o crime:
II - Culposo, quando o agente deu causa ao resultado por
imprudência, negligência ou imperícia.
Parágrafo único - Salvo os casos expressos em lei, ninguém pode ser
punido por fato previsto como crime, senão quando o pratica
dolosamente.
Os crimes culposos não possuem uma conduta completa, isto é, são tipos penais
abertos e necessitam de uma valoração do exegeta1, no caso o próprio juiz. Nada impede,
porém, que hajam crimes culposos em tipos penais fechados, por exemplo, a receptação
culposa (Art. 180, §3º, CP)2.
Normalmente, a norma penal incriminadora define uma conduta dolosa, porém em um
parágrafo dentro do artigo descreve a modalidade culposa (se o crime é culposo).
Conceitualmente, o crime culposo advém de uma conduta voluntária de um agente, de forma
imprudente, negligente ou imperita, o qual deixou de observar os seus deveres objetivos de
cuidado, gerando um resultado naturalístico involuntário, que era previsível objetivamente,
mas não desejado nem previsto por ele. Assim, quem não age como a maioria das pessoas
(“homem médio”), nas mesmas condições, agiria e dá origem a um resultado relevante para o
Direito Penal, então deverá responder pelo crime culposo, se houver previsão legal.
 Imprudência: Homicídio culposo (Art. 121, §3º, CP).
 Exemplo: A pessoa que dirige em estrada falando ao celular e vem a atingir
pedestre.
 Negligência: Art. 121, §3º, do Código Penal - Homicídio culposo. Exemplo: A
pessoa que esquece filho recém-nascido no interior do carro resultando na morte
por asfixia da criança.
1
Exegeta: intérprete.
2
Código Penal, Art. 180, §3º: Adquirir ou receber coisa que, por sua natureza ou pela desproporção
entre o valor e o preço, ou pela condição de quem a oferece, deve presumir-se obtida por meio criminoso.

4
8
 Imperícia: Art. 129, §6º do Código Penal - Lesão corporal culposa. Exemplo:
Policial que ao limpar a arma em casa efetua disparo acidental e atinge a perna da
própria esposa.
3. (CESPE) Caso um renomado e habilidoso médico, especializado em cirurgias
abdominais, ao realizar uma intervenção, esqueça uma pinça no abdome do paciente,
nesse caso, tal conduta representará culpa por imperícia, pois é relativa ao exercício
da profissão.
Gabarito: Errado.
Comentário: Nesse caso não estamos diante de imperícia, e sim negligência
do agente ao “esquecer” a pinça no abdômen do paciente.

REQUISITOS DO CRIME CULPOSO


1 • Conduta voluntária;
2 • Violação do dever objetivo de
cuidado;
3
• Resultado naturalístico involuntário;
4
• Nexo causal;
5 • Tipicidade;
6 • Previsibilidade objetiva;
7 • Ausência de previsão.

Os dois principais requisitos para fins de concursos são a previsibilidade objetiva, ou


seja, o Código Penal determina que pelo menos o resultado seja previsível nas circunstâncias
em que realmente aconteceu; e previsão legal, pois todo crime é doloso, a não ser que esteja
expressa no Código Penal ou nas leis especiais a modalidade culposa.
4. (CESPE) São elementos do fato típico culposo: conduta, resultado involuntário, nexo
causal, tipicidade, ausência de previsão, quebra do dever de cuidado objetivo por
meio da imprudência, negligência ou imperícia e previsibilidade subjetiva.
Certo ( ) Errado ( )
Gabarito: Errado.
Comentário: A questão traz de maneira correta os elementos do fato típico
culposo, porém se equivoca ao trazer previsibilidade subjetiva quando o correto
seria previsibilidade objetiva.

5. (CESPE) Considerando que, em determinada casa noturna, tenha ocorrido, durante a


apresentação de espetáculo musical, incêndio acidental em decorrência do qual
morreram centenas de pessoas e que a superlotação do local e a falta de saídas de
emergência, entre outras irregularidades, tenham contribuído para esse resultado,
julgue os itens seguintes. A causa jurídica das mortes, nesse caso, pode ser atribuída a
acidente ou a suicídio, descartando-se a possibilidade de homicídio, visto que não se
pode supor que promotores realizadores e apresentadores de shows em casas
noturnas tenham, deliberadamente, intenção de matar o público presente.
Certo ( ) Errado ( )

4
9
Gabarito: Errado
Comentário: Nesse caso pode ocorrer o homicídio culposo na modalidade
culpa comum ou inconsciente, em que os agentes agiram com imprudência,
imperícia ou negligência. Quando a questão prevê a falta de saídas de emergência
entre outras irregularidades, está prevendo a falta do dever de cuidado objetivo por
parte dos responsáveis. Contudo, eles não queriam nem assumiram a
responsabilidade pelas mortes, mas foram “descuidados” em suas condutas,
podendo gerar, conforme o caso, um homicídio culposo.

CULPA INCONSCIENTE OU PRÓPRIA


É a culpa comum, o resultado não é previsto pelo agente, embora previsível. A culpa sem
previsão, a culpa por excelência, a culpa propriamente dita, que se manifesta na imprudência,
negligência ou imperícia.

CULPA CONSCIENTE
O agente é capaz de prever o resultado, e realmente o prevê, porém, por possuir peculiar
habilidade, espera sinceramente que ele não ocorra: ele confia que sua ação conduzirá tão
somente ao resultado que pretende, o que só não ocorre por erro no cálculo ou erro na
execução.
A simples previsão do resultado, por si só, não caracteriza que o agente agiu com culpa
consciente. Aqui se faz necessário que ele tenha possuído no momento da ação ou omissão a
consciência acerca da infração ao dever de cuidado.
A principal característica é a confiança que o agente possui quanto à inexistência do
resultado desfavorável, não se devendo confundi-la com uma mera esperança em fatores
aleatórios.
O agente, mesmo prevendo o resultado, não o aceita, não assume o risco de produzi-lo,
nem permanece indiferente a ele. Apesar de prevê-lo, confia o agente em sua não produção.

CULPA IMPRÓPRIA
Também chamada de culpa por assimilação, por extensão ou por equiparação, é
aquela em que o agente, no processo psicológico, entende mal a situação de fato, por erro
evitável, supondo que, se existisse o fato real, a sua ação é legítima. Contudo, agindo em erro
(evitável, vencível, indesculpável, inescusável) o qual poderia ser evitado se tivesse agido
com cautela, neste caso o Código Penal irá punir o agente por culpa, se previsto em lei. É a
famosa descriminante putativa:
Código Penal, Art. 20, §1º: É isento de pena quem, por erro
plenamente justificado pelas circunstâncias, supõe situação de fato
que, se existisse, tornaria a ação legítima. Não há isenção de pena
quando o erro deriva de culpa e o fato é punível como crime culposo
Exemplo: “A” é policial federal e efetuou a prisão em flagrante de “B”, chefe de uma
organização criminosa, e este prometeu matá-lo no instante em que o encontrasse.
Fatalmente, “B” foi liberado no dia seguinte (sabe como é o Brasil, habeas corpus etc.), o
policial estava sabendo do fato e já com receio da ameaça de morte. Enquanto “A” estava no
shopping com sua família, depara-se com “B” vindo em sua direção e colocando a mão no
bolso detrás da calça. Logo, “A” deduziu que ele iria sacar uma arma e matar toda a sua
família, por isso prontamente desferiu 10 tiros contra “B”, matando-o ali mesmo! Quando
chegou próximo a seu corpo, “B” estava segurando uma bíblia e uma carta de perdão para “A”,

5
0
ou seja, este não estava em legítima defesa, pois não existia injusta agressão! O Código Penal
irá puni-lo por homicídio culposo, por erro evitável e inescusável.
6. (CESPE) A culpa inconsciente distingue-se da culpa consciente no que diz respeito à
previsão do resultado: na culpa consciente, o agente, embora prevendo o resultado,
acredita sinceramente que pode evitá-lo; na culpa inconsciente, o resultado, embora
previsível, não foi previsto pelo agente.
Certo ( ) Errado ( )
Gabarito: Certo.
Comentário: A culpa inconsciente (também chamada de culpa comum) e a
culpa consciente se diferenciam no que tange ao conceito da previsão do resultado.
Contudo, ambas são tratadas no Art. 18, II, do CP, da mesma maneira. Na culpa
inconsciente o resultado, embora possa ser previsível, não é previsto pelo agente.
Aqui ocorre um descuidado com o dever objetivo de cuidado que todos devem ter.
Já na culpa consciente, o agente acredita sinceramente que pode evitar o resultado.

DOLO EVENTUAL VERSUS CULPA CONSCIENTE


DOLO EVENTUAL
O agente, embora não querendo diretamente a realização do tipo, aceita-o como possível
ou mesmo como provável, assumindo o risco da produção do resultado. Não se requer que a
previsão da causalidade ou da forma em que se produza o resultado seja detalhada, é necessário
somente que o resultado seja possível ou provável.
O agente não deseja o resultado (se assim ocorresse seria dolo direto). Ele prevê que é
possível causar aquele resultado, mas a vontade de agir é mais forte. Ele assume o risco. Não
há uma aceitação do resultado em si, há a sua aceitação como probabilidade, como
possibilidade. Entre desistir da conduta e poder causar o resultado, este se lhe mostra
indiferente.
Agir com dolo significa: “jogar com a sorte” o “dane-se da questão”. Para aquele que se
comporta com dolo eventual, o acaso constitui a única garantia contra a materialização do
sinistro; o agente tem consciência da sua incapacidade para impedir o resultado, mas mesmo
assim fica insensível ao que se apresentou diante da sua vontade.

CULPA CONSCIENTE
Não se “joga com sorte”, pois, em seu íntimo, agente acredita sinceramente que vai evitar
o resultado danoso.
7. Denomina-se culpa inconsciente, quando o agente acredita que, com a sua perícia, ele
pode evitar um resultado, caracterizado por crime.
Certo ( ) Errado ( )
Gabarito: Errado.
Comentário: Quando o agente acredita que, com a sua perícia, ele pode
evitar um resultado, caracterizado por crime, trata-se da culpa consciente. O
crime culposo é previsto no Art. 18, inc. II, do Código Penal, descrito por: culposo,
quando o agente deu causa ao resultado por imprudência, negligência ou imperícia.

5
1
8. (CESPE) Ricardo, com o objetivo de matar Maurício, detonou, por mecanismo remoto,
uma bomba por ele instalada em um avião comercial a bordo do qual sabia que
Maurício se encontrara, e, devido à explosão, todos os passageiros a bordo da
aeronave morreram. Nessa situação hipotética, Ricardo agiu com dolo direto de
primeiro grau no cometimento do delito contra Maurício e dolo direto de segundo
grau no do delito contra todos os demais passageiros do avião.
Certo ( ) Errado ( )
Gabarito: Certo.
Comentário: O Art. 18, I, do Código Penal, trata dos tipos de dolo, em que
temos o dolo direito e o dolo indireto ou eventual. O dolo direto se divide em dolo
direto de primeiro grau e dolo direto de segundo grau. O dolo direto de primeiro
grau está presente quando o agente direciona de forma certa e precisa o alvo da
lesão jurídica, ou seja, se “A” atira contra “B” o alvo certo e direcionado é “B”,
assim, temos dolo direto de primeiro grau (tinha vítima certa). O dolo direto de
segundo grau entendemos como consequências necessárias e suficientes derivadas
do ato, ou seja, quando alguém coloca uma bomba em um avião par matar
determinada pessoa, tem a clara noção de que a morte dos demais passageiros
será efeito obrigatório (necessário e suficiente). Assim, contra os demais
passageiros, temos um dolo direto de segundo grau. A consequência disso é a
aplicação do concurso formal impróprio com desígnios autônomos, que faz com que
as penas do agente sejam somadas.

ESQUEMA DIDÁTICO

EXERCÍCIOS
1. É correto afirmar que o crime doloso ocorre quando o agente quis o resultado ou
assumiu o risco de produzi-lo.
Certo ( ) Errado ( )
2. Suponha que em naufrágio de embarcação de grande porte, tenha havido tombamento
das cabines e demais dependências, antes da evacuação da embarcação e resgate dos
passageiros e, em razão desse fato, os sobreviventes tenham sofrido diversos tipos de
lesões corporais e centenas tenham morrido por politraumatismo e afogamento. Com base
nessa situação hipotética, julgue o item seguinte, de acordo com a legislação brasileira.
Caso seja comprovada imperícia, negligência ou imprudência da tripulação, esta poderá
responder judicialmente pelo crime de homicídio em relação às mortes ocorridas no
naufrágio.
Certo ( ) Errado ( )

5
2
CRIME PRETERDOLOSO
AGRAVAÇÃO PELO RESULTADO
Art. 19 - Pelo resultado que agrava especialmente a pena, só
responde o agente que o houver causado ao menos culposamente.
O crime preterdoloso é espécie dos crimes qualificados pelo resultado (gênero).
Os crimes qualificados pelo resultado são aqueles em que o agente pratica uma
conduta inicial simples caracterizada como crime, contudo o resultado é superior àquela
conduta inicial, seja por excesso nos meios empregados, seja por uma nova conduta mais
gravosa, de tal forma que a pena é maior (qualificada).
Assim, existem dois momentos desse tipo de crime: o antecedente e o consequente. O
primeiro realiza-se com uma conduta voluntária do agente, seja dolosa, seja culposa
(subjetivamente); e o segundo, que é o resultado mais grave, pode ser produzido tanto de
forma dolosa quanto culposa (objetivamente). Acresce-se que essas condutas devem estar no
mesmo nexo causal.
Existem quatro tipos de crime qualificados pelo resultado:
1. DOLO + DOLO: Exemplo: namorado inconformado que descobre que o feto é incesto
e decide espancar a namorada até causar-lhe o aborto;
Código Penal, Art. 129: Ofender a integridade corporal ou a saúde
de outrem:
§2º Se resulta: (...) V - aborto. (Pena - reclusão, de dois a oito anos)
2. CULPA + CULPA: Exemplo: incêndio culposo que resulta em homicídio culposo das
pessoas que estavam no local;
Código Penal, Art. 258: Se do crime doloso de perigo comum resulta
lesão corporal de natureza grave, a pena privativa de liberdade é
aumentada de metade; se resulta morte, é aplicada em dobro. No
caso de culpa, se do fato resulta lesão corporal, a pena aumenta-se
de metade; se resulta morte, aplica-se a pena cominada ao
homicídio culposo, aumentada de um terço.
3. CULPA + DOLO: Exemplo: lesão corporal culposa de trânsito em que há omissão de
socorro;
CTB, Art. 303: Praticar lesão corporal culposa na direção de veículo
automotor
Parágrafo único: Aumenta-se a pena de 1/3 (um terço) à metade, se
ocorrer qualquer das hipóteses do §1º do art. 302.
CTB, Art. 302, §1º, III: deixar de prestar socorro, quando possível
fazê-lo sem risco pessoal, à vítima do acidente
4. DOLO + CULPA: é o crime preterdoloso. Exemplo: o agente deseja torturar (Lei nº
9.455/97) o michê que sua esposa estava saindo, a fim de que ele confesse o
adultério praticado, porém culposamente se excede nos meios empregados e
acaba matando-o.
Lei nº 9.455/97, Art. 1º, §3º: Se resulta lesão corporal de natureza
grave ou gravíssima, a pena é de reclusão de quatro a dez anos; se
resulta morte, a reclusão é de oito a dezesseis anos.

5
3
Observação: Os itens I, II e III são chamados crimes agravados pelo
resultado, assim como o item IV, mas somente essa última pode ser chamada de
preterdolosa, ou seja, dolo na conduta antecedente e culpa no consequente.

REQUISITOS DO CRIME PRETERDOLOSO


Como a conduta do “consequente” do crime preterdoloso é culposa, então todos os
requisitos dos crimes culposos caberão aqui.

• Conduta voluntária;
1
• Violação do dever objetivo de
2 cuidado;
3 • Resultado naturalístico involuntário;
• Nexo causal;
4
• Tipicidade;
5
• Previsibilidade objetiva;
6
• Ausência de previsão.
7

Portanto, não se admite a tentativa nos crimes preterdolosos, já que esta é


impossível. Isso acontece porque se o resultado agravador não era o pretendido pelo agente,
não será possível tentar produzi-lo.
1. (CESPE) Comprovado o animus laedendi na conduta do réu e a sua culpa no
resultado mais grave, qual seja, a morte da vítima, ainda que esse resultado seja
previsível, restará configurado o delito preterdoloso de lesão corporal seguida de
morte.
Certo ( ) Errado ( )
Gabarito: Certo.
Comentário: O animus laedendi ou animus nocendi é a intenção de
prejudicar, ferir, agredir prevista no Art. 129 do Código Penal, a lesão corporal.
O Código Penal pune o agente por aquilo que ele queria fazer (elemento subjetivo).
Assim, se o agente com intenção (dolo) de ferir vem a causar, por culpa, a morte,
deverá ele responder pelo crime de lesão corporal seguida de morte, que é um
crime preterdoloso ou preterintencional, pois o agente age com dolo na conduta
antecedente e com culpa na conduta consequente.

2. (CESPE) Considere que Antônio, com a intenção de provocar lesões corporais, tenha
agredido José com uma barra de ferro, sendo comprovado que José veio a falecer em
consequência das lesões provocadas pelo agressor. Nesse caso, Antônio responderá
pelo delito de homicídio, ainda que não tenha desejado a morte de José nem
assumido o risco de produzi-la.
Certo ( ) Errado ( )

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4
Gabarito: Errado.
Comentário: Estamos diante de uma lesão corporal seguida de morte,
isso porque o Código Penal leva em conta o elemento subjetivo do agente que
causou o resultado e no caso concreto ele tinha a intenção de lesionar, e não
matar. Contudo, o resultado do crime foi mais grave que o dolo inicial e gerado por
culpa do agente. Assim, temos dolo na conduta antecedente e culpa no
consequente, isto é, um crime preterdoloso previsto no Art. 129, §3º, CP: Se
resulta morte e as circunstâncias evidenciam que o agente não quis o resultado,
nem assumiu o risco de produzi-lo.

PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA
TIPICIDADE FORMAL X TIPICIDADE MATERIAL
Princípio da insignificância: decorrente da intervenção mínima do Estado,
pressupondo que nem todas as condutas tipificadas como crime (formalmente) serão
materialmente típicas, devendo ser analisadas no caso em concreto se houve lesão expressiva
a um bem jurídico relevante e se houve um comportamento agressivo pelo agente.
A tipicidade penal não pode ser percebida como o trivial exercício da adequação do fato
concreto à norma abstrata. Além da correspondência formal, para a configuração da
tipicidade, é necessária uma análise materialmente valorativa das circunstâncias do caso
concreto, no sentido de se verificar a ocorrência de alguma lesão grave, contundente e
penalmente relevante do bem jurídico tutelado. O princípio da insignificância reduz o âmbito de
proibição aparente da tipicidade legal e, por consequência, torna atípico o fato na seara penal,
apesar de haver lesão a bem juridicamente tutelado pela norma penal. (STF, HC 108946, Rel.
Min. Cármen Lúcia, 07/12/2011).
 Requisitos objetivos:
Mínima ofensividade da conduta do agente;
Ausência de periculosidade social da ação;
Reduzido grau de reprovabilidade do comportamento;
Inexpressividade da lesão jurídica provocada.
 Natureza jurídica: Causa supralegal de exclusão da tipicidade.
 Aplicabilidade: Qualquer delito que seja com ele compatível, sua maior
incidência ocorre nos crimes patrimoniais (furto). É inadmissível quando o crime
acontecer com violência ou grave ameaça à pessoa.
 TABELA PRÁTICA:
Crimes contra a Adm. Pública: Regra: Não admite

STJ: Até R$10 mil


Descaminho
STF: Até R$20 mil
Crimes Funcionais: STJ: Não admite
Crimes ambientais: STJ/STF: Admitem
Moeda Falsa,
Inaplicável
Fé Pública:
Tráfico de drogas,
Inaplicável
Posse de droga para uso pessoal:
Crimes de perigo abstrato: Inaplicável
Crime eleitoral: Inaplicável
Rádio Clandestina: Inaplicável

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5
EXERCÍCIOS
1. Ocorre crime preterdoloso quando o agente pratica dolosamente um fato do qual
decorre um resultado posterior culposo. Para que o agente responda pelo resultado
posterior, é necessário que este seja previsível.
Certo ( ) Errado ( )
2. Crime qualificado pelo resultado é o mesmo que crime preterdoloso.
Certo ( ) Errado ( )
3. Considere a seguinte situação hipotética. Alberto, pretendendo matar Bruno, desferiu
contra este um disparo de arma de fogo, atingindo-o em região letal. Bruno foi
imediatamente socorrido e levado ao hospital. No segundo dia de internação, Bruno
morreu queimado em decorrência de um incêndio que assolou o nosocômio. Nessa
situação, configura um crime preterdoloso ou preterintencional.
Certo ( ) Errado ( )
4. Admite-se a tentativa nos crimes preterdolosos.
Certo ( ) Errado ( )
5. Os critérios para a aplicação do princípio da insignificância descrevem-se pela mínima
ofensividade da conduta do agente, nenhuma periculosidade social da ação, reduzidíssimo
grau de reprovabilidade do comportamento e expressividade da lesão jurídica provocada.
Certo ( ) Errado ( )

GABARITO
1. Certo
2. Errado
3. Errado
4. Errado
5. Errado

5
6
ERRO SOBRE ELEMENTOS DO TIPO
INTRODUÇÃO
No ordenamento jurídico, os erros são tratados quando se quer discutir sobre falsa
percepção da realidade em um caso concreto. O Direito Penal trata de dois gêneros de erro
jurídico-penal. ERRO DE TIPO: essencial ou acidental. ERRO DE PROIBIÇÃO. Nesse primeiro
momento, estudaremos sobre o ERRO DE TIPO ESSENCIAL. Para tanto, faz-se necessário
conceituar elementares e circunstâncias.
Erro sobre elementos do tipo
Art. 20 - O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime
exclui o dolo, mas permite a punição por crime culposo, se previsto
em lei.
Descriminantes putativas
§ 1º - É isento de pena quem, por erro plenamente justificado pelas
circunstâncias, supõe situação de fato que, se existisse, tornaria a
ação legítima. Não há isenção de pena quando o erro deriva de culpa
e o fato é punível como crime culposo.

ELEMENTARES
É a descrição típica do crime (aquilo que está logo depois do “artigo”, o próprio caput),
seguindo a princípio da legalidade que está no art. 1º do Código Penal. Nesse caso, cada palavra
da cabeça do artigo (CAPUT) constitui os elementos desse tipo legal. Desse modo, quando há a
exclusão de algum termo desse tipo penal, isto é, quando o autor pratica os elementos
constitutivos do tipo legal, mas falta um ou outro, estaremos diante de uma atipicidade do fato
ou desclassificação do crime para outro.
Exemplos:
a) ATIPICIDADE: Furto - Art. 155 - “Subtrair coisa alheia móvel”. Caso o
indivíduo subtraia coisa própria por engano, não haverá o crime, pouco importando
sua intenção. Assim, se o agente subtrai sua própria bicicleta por “engano”,
acreditando fielmente que está subtraindo bicicleta de seu vizinho, não comete crime
algum. Não há como punir uma pessoa que subtrai suas próprias coisas.
b) DESCLASSIFICAÇÃO PARA OUTRO CRIME: Infanticídio - Art. 123 –
“Matar, sob a influência do estado puerperal, o próprio filho, durante o parto ou logo
após”. Uma mãe resolve tirar a vida do seu filho logo após o parto, mas o mata sem
a influência do estado puerperal. Não responde por Infanticídio, mas a conduta
configura o delito de Homicídio, tipificado no art. 121 do Código Penal.

CIRCUNSTÂNCIAS
São dados acessórios do crime, que suprimidos não afetam a punição do agente. Seguindo
o rigor técnico, as circunstâncias estão após o CAPUT do artigo, e servem para qualificar,
privilegiar, majorar, minorar, agravar ou atenuar a pena. Em determinadas situações, as
circunstâncias agravantes genéricas fazem parte das qualificadoras dos crimes (CP, Art. 121,
§2º, II: “por motivo fútil”).

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7
ART. 121 - HOMICÍDIO

ELEMENTARES
• CAPUT - MATAR ALGUÉM.

CIRCUNSTÂNCIAS
• PARÁGRAFOS E INCISOS -
• § 1º Se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor
social ou moral, ou sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida a
injusta provocação da vítima, o juiz pode reduzir a pena de um sexto a um
terço.
• § 2° Se o homicídio é cometido: I - mediante paga ou promessa de
recompensa, ou por outro motivo torpe; II - por motivo futil; III - com
emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio insidioso
ou cruel, ou de que possa resultar perigo comum (...).

ERRO DE TIPO ESSENCIAL


Art. 20 - O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime
exclui o dolo, mas permite a punição por crime culposo, se previsto
em lei.
O ERRO DE TIPO ESSENCIAL ocorre quando a pessoa tem uma falsa percepção da
realidade sobre os elementos que constituem o tipo penal. Significa que o agente conhece as
condutas que são tipificadas como crime, mas, em um contexto fático, erra em relação
determinado elemento sem perceber que está diante de um fato criminoso. É por isso que a
doutrina o classifica como um RELEVANTE PENAL, pois as circunstâncias do caso são
relevantes para caracterizar a atipicidade do fato ou classificar outro crime.

1 2 3 4
ART. 155. CP: SUBTRAIR COISA MÓVEL ALHEIA = 4 ELEMENTOS
CONSTITUTIVOS
O Erro de Tipo Essencial pode ser escusável ou inescusável. Em ambas as situações, o
dolo sempre será excluído, mas a culpa permanecerá se houver punição legal por crime culposo.
É importante destacar que essa culpa é denominada “Culpa Imprópria” pela doutrina, a banca
pode te perguntar sobre isso. A propósito, veja dois exemplos desse erro jurídico-penal.
Exemplo:
1) Tício sabe que subtrair coisa móvel alheia é crime de furto, mas
pega caneta de Marisvalda pensando que é dele.

2) Merinelson sabe que matar alguém é crime de homicídio, mas no


momento da caça, observa os matos se mexendo e pensa que ali tem
um animal, atira e, quando vai olhar, era apenas Crecildo que estava
com dor de barriga.
Analise que Tício subtraiu o patrimônio de Marisvalda, mas achava que estava
simplesmente guardando a caneta dele. Por outro lado, no exemplo 2, Merinelson estava
praticando caça legal, fez um disparo de arma de fogo, mas achou que tinha matado um animal,
quando na verdade era Crecildo. Apesar de excluir o dolo de ambas as condutas, Merinelson
poderá responder por Homicídio Culposo, por expressa previsão legal. Por outro lado, Tício não
será responsabilizado por crime algum, já que não existe a modalidade de Furto Culposo.

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8
Atente-se ao seguinte: a culpa imprópria estará caracterizada se o fato era
plenamente evitável no caso concreto. Por outro lado, ainda que haja previsão legal
por crime culposo, mas as circunstâncias do caso demonstraram que era inevitável,
excluir-se-á o crime, pois o dolo e a culpa também serão excluídos, assim, não
havendo conduta e, consequentemente, o fato típico. FIQUE LIGADO!

ESCUSÁVEL, DESCULPÁVEL, INVENCÍVEL OU


INEVITÁVEL
É considerado desculpável o crime que que não havia como ser evitado diante das
circunstâncias em que o agente estava, apesar de tomar toda a prudência e a cautela do “homem
médio”.
Nesses casos, o fato será atípico, já que estaremos diante da exclusão do dolo por
ausência de vontade livre e consciência na conduta do agente; e da culpa (por ausência da
previsibilidade objetiva, um dos requisitos de Crime Culposo).
Exemplos:
 Em um dia chuvoso, Mévio pegou um guarda-chuva na chapelaria1 ao sair do
restaurante. Ele o fez achando que era o dele, mas acabou levando o guarda-chuva
de outra pessoa por engano, pois eram totalmente iguais;
 Tício foi a uma boate que era proibida a entrada de menores de 18 anos. Ao chegar
no local, conheceu uma pessoa que aparenta fisicamente ter 18 anos ou mais que,
além disso, afirmou claramente a ele que possuía 19 anos. Diante dessas
informações, Tício a levou ao motel, onde praticam conjunção carnal. Acontece
que a menina tinha 13 anos de idade.
 Caio, alcoolizado, foi em direção ao estacionamento e ligou, com sua própria
chave, um carro de outra pessoa, mas que era idêntico ao que ele tem.

INESCUSÁVEL, INDESCULPÁVEL, VENCÍVEL OU


EVITÁVEL
É indesculpável aquele que poderia ser evitado diante das circunstâncias do caso
concreto, com o mínimo de prudência ou cautela necessária do “homem médio”. Assim como
nos casos anteriores, haverá a exclusão do dolo, mas subsistirá a modalidade culposa (culpa
imprópria), se prevista em lei. Fique ligado em um ponto específico: quando não houver
previsão legal da modalidade culposa, então não haverá o crime (fato atípico), conforme art. 20
do CP.
Aa BANCAS costumam cobrar os sinônimos: INESCUSÁVEL, VENCÍVEL OU
EVITÁVEL. A dica é criar uma lógica: o que é evitável é aquilo que se pode vencer
(vencível). O que eu posso evitar, mas eu faço, ninguém vai me desculpar
(indesculpável). O que é indesculpável, também é inescusável.

 CULPA IMPRÓPRIA/POR ASSIMILAÇÃO/EQUIPARAÇÃO: é quando o agente tem o


animus de praticar determinada conduta, mas por causa de erro plenamente evitável,
por entender mal a situação de fato, responde a título de culpa, como se assim tivesse
praticado um crime culposo. Nesse contexto, podemos discutir sob a ótica da
descriminante putativa:
Código Penal, Art. 20, §1º: “É isento de pena quem, por erro
plenamente justificado pelas circunstâncias, supõe situação de fato
que, se existisse, tornaria a ação legítima. Não há isenção de pena
quando o erro deriva de culpa e o fato é punível como crime culposo”.

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9
1
Lugar onde se guardam chapéus, casacos, guarda-chuvas, etc.

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0
 Exemplo: “A” é policial federal e efetuou a prisão em flagrante de “B”, chefe de uma
organização criminosa, que prometeu matá-lo no instante em que o encontrasse.
Fatalmente, “B” foi liberado no dia seguinte (sabe como é a Nova Zelândia, habeas
corpus, etc.), sendo o policial informado sobre o fato e, portanto, com receio da
ameaça de morte. Enquanto “A” estava no Shopping com sua família, depara-se com
“B” vindo em sua direção e colocando a mão no bolso de trás da calça. Logo, diante
da ameaça de morte que havia sofrido, “A” deduziu que B iria sacar uma arma e
matar toda a sua família. Prontamente, não esperou e desferiu 10 tiros contra “B”,
matando-o ali mesmo! Todavia, quando chegou próximo ao corpo de “B”, observou
que ele estava segurando uma bíblia e uma carta de perdão para “A”, ou seja, esse
não estava em legítima defesa, pois não existia injusta agressão! O Código Penal irá
puni-lo por homicídio culposo por erro evitável e inescusável.
(CESPE) Tanto a conduta do agente que age imprudentemente, por
desconhecimento invencível de algum elemento do tipo quanto a conduta do agente
que age acreditando estar autorizado a fazê-lo ensejam como consequência a
exclusão do dolo e, por conseguinte, a do próprio crime.
GABARITO: ERRADO
COMENTÁRIO: É importante destacar que a primeira parte pode caracterizar
hipótese de ERRO DE TIPO, pois o erro foi sobre os elementos que constituem o tipo
legal. Por outro lado, a segunda parte aponta o desconhecimento da lei, isto é, a
potencial consciência da ilicitude do fato. Nesse caso, estar-se-á diante de ERRO DE
PROIBIÇÃO, que pode isentar a pena ou reduzir de 1/3 a 1/6 a pena, a depender da
modalidade. Além disso, não é todo ERRO DE TIPO que irá excluir o crime. Se
invencível/desculpável/escusável, abolirá o crime por eliminação do dolo e da culpa.
Já no caso de um ERRO DE TIPO vencível/indesculpável/inescusável, o dolo estará
excluído, mas será punido a título de CULPA IMPRÓPRIA se previsto em lei.
(CESPE) O erro de tipo é aquele que recai sobre os elementos ou circunstâncias
do tipo, excluindo-se o dolo e, por consequência, a culpabilidade.
GABARITO: ERRADO
COMENTÁRIO: Já está batida e você sabe que o ERRO DE TIPO, quando exclui
o dolo e a culpa, necessariamente excluirá o crime. Entretanto, poderá ser punido a
título de culpa se previsto em lei, nos casos de ERRO DE TIPO indesculpável.
Por outro lado, quem PODERÁ isentar o indivíduo de pena é o ERRO DE
PROIBIÇÃO INVENCÍVEL.

ERRO DE TIPO ACIDENTAL


O ERRO DO TIPO ACIDENTAL é considerado um IRRELEVANTE PENAL, pois o agente não
deixará de ser responsabilizado em nenhum dos casos praticados nesse contexto. O autor
pratica um fato sabendo que é crime, portanto, com vontade livre e consciente na conduta
delituosa, mas erra sobre os elementos secundários ou acessórios.
As modalidades desse erro-jurídico podem ser determinadas pelo objeto do crime, pela
pessoa a qual se pretendia alcançar o resultado, pelas circunstâncias da execução do crime ou,
de modo geral, pelo resultado pretendido pelo agente.

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1
ERRO SOBRE A
PESSOA
(ABERRATIO IN
PERSONA)
ERRO NA
EXECUÇÃO

ERRO DE TIPO
(ABERRTIO ICTUS)
ERRO SOBRE O
NEXO CAUSAL

ACIDENTAL
(ABERRATIO CAUSAE)

ABERRATIO IN
DELICTI

ERRO SOBRE O
OBJETO
(ABERRATIO IN
Sem dúvidas, os que sempre caem em provaOBJECTO)
são os três primeiros.
ERRO SOBRE A PESSOA (ABERRATIO IN PERSONA)
Art. 20, CP (...)
§ 3º - O erro quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado não
isenta de pena. Não se consideram, neste caso, as condições ou
qualidades da vítima, senão as da pessoa contra quem o agente
queria praticar o crime.
Nessa modalidade, os elementos do tipo estão intactos, mas o erro recai sobre a
identidade da vítima a que se pretendia atingir. Em outros termos, ocorre quando autor “A”
pretendia matar “B”, mas acaba se confundindo por ser muito parecido e mata C. No caso de
aberratio in persona, a vítima virtual (que deveria morrer) não está correndo perigo, isto é, não
se encontra no ambiente do crime no momento da execução.
O autor responderá como se houvesse praticado o homicídio contra B (vítima virtual)
mesmo tendo matado indivíduo C (vítima efetiva), pois não serão consideradas as condições ou
qualidades da vítima efetiva, mas tão somente as da vítima virtual, que era contra quem o
agente queria praticar o delito.
ERRO NA EXECUÇÃO (ABERRATIO ICTUS)
Art. 73 - Quando, por acidente ou erro no uso dos meios de execução,
o agente, ao invés de atingir a pessoa que pretendia ofender, atinge
pessoa diversa, responde como se tivesse praticado o crime contra
aquela, atendendo-se ao disposto no § 3º do art. 20 deste Código. No
caso de ser também atingida a pessoa que o agente pretendia
ofender, aplica-se a regra do art. 70 deste Código.
Pela redação do art. 73, percebe-se que ele quer tratar apenas de pessoa, pois se estiver
diante de objetos, poder-se-ia estar diante de um aberratio in objecto ou aberratio delicti, que
veremos sucintamente mais à frente.
Estará configurando quando o agente, no momento do iter criminis, por circunstâncias
que ele não esperava, atinge pessoa diversa da qual pretendia, por causa da falta de habilidade
ou até mesmo porque outra pessoa passou naquele momento e foi atingida. Não se confunde
com o aberratio in persona, pois aqui a vítima virtual e a efetiva estavam no ambiente criminoso,

6
2
ou seja, sofrendo perigo. Além disso, não há qualquer confusão em relação à identidade da
vítima, já que o autor simplesmente erra no momento do crime por causa de um acidente ou no
uso dos meios de execução.
Entretanto, mesmo nesses casos, aplicar-se-á regra do art. 20, § 3º, responde como se
tivesse praticado o crime contra a vítima efetiva. Importa destacar que se o autor atingir ambas
as vítimas, haverá o Concurso Formal de Crimes, atendendo-se ao disposto no art. 70 do Código
Penal.
ABERRTIO IN PERSONA X ABERRATIO ICTUS

(CESPE) Um agente, com a livre intenção de matar desafeto seu, disparou na


direção deste, mas atingiu fatalmente pessoa diversa, que se encontrava próxima ao
seu alvo. Assertiva: Nessa situação, configurou-se o erro sobre a pessoa e o agente
responderá criminalmente como se tivesse atingido a pessoa visada.
GABARITO: ERRADO
COMENTÁRIO: Ao resolver esse tipo de questão, você deve analisar se ambas
as vítimas estão em situação de perigo (vítima virtual e efetiva). Se estiverem,
estaremos diante do ABERRATIO ICTUS (erro na execução). Mas se apenas a vítima
efetiva estiver em perigo, no ambiente do crime, será ABERRATIO IN PERSONA (erro
sobre a pessoa). É isso “memo”. Além de passar o conteúdo que interessa, nós
também ensinamos a resolver questões!
Em ambos os erros acidentais, o autor do fato responderá criminalmente como
se tivesse atingido a pessoa visada (virtual).
ABERRTIO IN PERSONA X ABERRATIO ICTUS

ERRO SOBRE O NEXO CAUSAL (ABERRATIO CAUSAE)


Ocorre quando o autor pratica determinado crime, mas atinge o resultado por causa
diversa. As bancas geralmente tratam o aberratio causae associado ao “dolo geral”,
caracterizado quando o agente julga ter obtido o resultado que queria, mas pratica segunda
ação consecutiva à primeira, e, só a partir daí, é que se produziu efetivamente o resultado
pretendido.
Exemplo: “A” efetua disparos de arma de fogo contra “B”, que cai ao
chão todo ensanguentado (1ª AÇÃO). “A” pensa que “B” está morto,
vai a um rio e joga o corpo, no intento de ocultar o cadáver (2º
AÇÃO). Entretanto, “B” ainda estava vivo e morreu em razão do
afogamento.

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3
ERRO DO TIPO

Dolo
Inevitável EXCLUI O CRIME
Culpa

ESSENCIAL
Dolo
Evitável Permite a punição por crime
Culpa
culposo se previsto em lei.

(CULPA IMPRÓPRIA)

Aberratio in persona (Art. 20, § 3º)

Aberratio ictus (Art. 73)

ACIDENTAL Aberratio causae

Aberratio delicti (Art. 74)

Aberratio in objecto

(CESPE) Zilda, funcionária pública responsável por certame licitatório, admitiu


à licitação empresa declarada inidônea, vindo a praticar conduta prevista como crime
na Lei de Licitações e Contratos. Ao tempo do fato, Zilda não tinha conhecimento da
declaração de inidoneidade da empresa por condições alheias à sua vontade.
Nessa situação, Zilda não deverá responder por crime previsto na Lei de
Licitações e Contratos, uma vez que agiu em erro de tipo, por desconhecimento de
elemento constitutivo do tipo penal.
GABARITO: CERTO
COMENTÁRIO: A questão é extremamente perigosa porque trouxe um termo
que geralmente está associado ao erro de proibição, qual seja, a palavra
desconhecimento. Mas repare que Zilda, responsável por um setor de processo
licitatório, acabou admitindo uma empresa que era declarada inidônea, o que
configurou um crime previsto na Lei de Licitações. Entretanto, essa prática delituosa
se deu por desconhecimento de um dos elementos que constitui o crime. E aí
está o pulo do gato em relação a essa questão, pois se Zilda tivesse conhecimento
da inidoneidade da empresa, mas mesmo assim aceitasse, desconhecendo a ilicitude
em si dessa admissão, estaria no ambiente da Culpabilidade, sob a ótica da Potencial
Consciência da Ilicitude, que configuraria erro de proibição.
Importa destacar que se trata de um ERRO DE TIPO evitável, já que Zilda é
funcionária pública e poderia por um esforço mínimo, diante das circunstâncias do
caso, obter a informação sobre a inidoneidade da empresa. Apesar disso, Zilda não
terá praticado crime, já que o dolo estará excluído e o delito não é punido a título de
culpa por não haver previsão legal no tipo penal do art. 97 da Lei 8666/1993.
LEI DE LICITAÇÕES E CONTRATOS
Art. 97. Admitir à licitação ou celebrar contrato com empresa ou profissional
declarado inidôneo:
Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa.
CÓDIGO PENAL
Art. 20 - O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o dolo,
mas permite a punição por crime culposo, se previsto em lei.

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4
EXERCÍCIOS
1. O erro de tipo, se vencível, afasta o dolo e a culpa, estando diretamente ligado à tipicidade
da conduta do agente.
Certo ( ) Errado ( )
2. Na culpa imprópria, um agente age com dolo, mas é punido com culpa e ela ocorre no
erro do tipo essencial inescusável, no qual se exclui o dolo, mas admite-se a culpa se
prevista em lei.
Certo ( ) Errado ( )
3. É correto afirmar que o erro do tipo acidental possui o erro sobre a pessoa,
doutrinariamente denominado aberractio in persona e, neste caso, a pessoa que se quer
executar – a vítima virtual – não sofre diretamente o perigo.
Certo ( ) Errado ( )
4. O erro de tipo evitável isenta de pena o agente.
Certo ( ) Errado ( )
5. O erro sobre elemento essencial do tipo, escusável ou inescusável, exclui o dolo, mas
permite a punição a título de culpa.
Certo ( ) Errado ( )
6. Estará configurado o dolo geral ou aberratio causae quando o sujeito realiza uma conduta
objetivando produzir determinado resultado, acreditando ter produzido o resultado
almejado, pratica nova conduta, com finalidade diversa, e é nessa nova conduta que o
agente produz o que buscava desde o início.
Certo ( ) Errado ( )

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5
GABARITOS
1. Errado
2. Certo
3. Certo
4. Errado
5. Errado
6. Certo

6
6
ERRO DE PROIBIÇÃO
Na aula passada, tratamos sobre as modalidades de ERRO DE TIPO, que recai sobre os
pressupostos fáticos. Nesta aula, versaremos sobre outra modalidade de erro-jurídico, mas que
recai sobre o caráter ilícito do fato em si. Esse se encontra no art. 21 do Código Penal, aquele,
no art. 20. Além disso, veremos os efeitos gerados nos casos de ERRO DE PROIBIÇÃO DIRETO e
INDIRETO, evitável ou, além da sua relação com as descriminantes putativas, tipificadas no Art.
20, §1º.
Erro sobre a ilicitude do fato
Art. 21 - O desconhecimento da lei é inescusável. O erro sobre a
ilicitude do fato, se inevitável, isenta de pena; se evitável, poderá
diminuí-la de um sexto a um terço.

ERRO DE PROIBIÇÃO

(Erro sobre a ilicitude do Fato)

INEVITÁVEL EVITÁVEL

ISENTA REDUÇÃO
A PENA DA PENA
1/6 – 1/3

Enquanto o Erro de Tipo pode excluir o crime ou punir a título de culpa, quando previsto
em lei, o autor que comete delito em ERRO DE PROIBIÇÃO pode resultar em isenção de pena,
quando inevitável; ou diminuí-la de 1/6 a 1/3, quando evitável. Isso porque, na teoria tripartite
do crime, esse erro-jurídico está localizado na Potencial Consciência da Ilicitude, que é uma das
características da Culpabilidade.
(CESPE) É considerado erro evitável, capaz de reduzir a pena, aquele em que
o agente atue ou se omita sem a consciência da ilicitude do fato, quando lhe era
possível, nas circunstâncias, ter ou atingir essa consciência.
GABARITO: CERTO
COMENTÁRIO: questão bem clara e objetiva que elenca as regras do erro
sobre a ilicitude do fato, que está topograficamente na Culpabilidade. Lembre-se de
que se for inevitável, ISENTARÁ A PENA do autor, mas se for evitável, como está na
questão, a pena será REDUZIDA de 1/3 – 1/6.
Art. 21 - O desconhecimento da lei é inescusável. O erro sobre a ilicitude do
fato, se inevitável, isenta de pena; se evitável, poderá diminuí-la de um sexto
a um terço.
Parágrafo único - Considera-se evitável o erro se o agente atua ou se omite
sem a consciência da ilicitude do fato, quando lhe era possível, nas circunstâncias,
ter ou atingir essa consciência.

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7
CONDUTA

TEORIA TRIPARTITE
NEXO CAUSAL
FATO TÍPICO
TIPICIDADE

RESULTADO

ANTIJURÍDICO

EXIGIBILIDADE DE CONDUTA DIVERSA

CULPÁVEL IMPUTABILIDADE PENAL

POTENCIAL CONSCIÊNCIA DA ILICITUDE

O desconhecimento da lei é indesculpável/inescusável, não havendo possibilidade de


permissivo para prática de crimes por causa disso. O conhecimento do que está escrito em lei
têm presunção legal absoluta, isto é, todo. Portanto, conhecer a norma escrita é uma presunção
legal absoluta. Por outro lado, se por falta de acesso, justificadamente, à informação de
conteúdo normativa, poderá o indivíduo se valer do erro de proibição. O autor pratica
determinada conduta com vontade livre e consciente de agir, ou seja, com dolo, mas acredita
que está amparado por lei.
Exemplo: Nucci1 se utiliza de um exemplo bem prático, em que um
soldado que está em guerra juntamente de sua tropa, mas se perde
dela, sem ter consciência de que foi celebrada a paz. Se esse soldado
mata um inimigo acreditando que ainda está em situação de
combate, é plenamente aplicável o instituto do Erro de Proibição.
Ora, o autor praticou o homicídio com animus de cometer aquela
conduta, mas errou quanto à ilicitude do fato, pois achava que estava
em período de guerra.
Em outras palavras, o Erro de Proibição está associado à característica da Potencial
Consciência da Ilicitude do Fato sob o aspecto cultural, e não em relação à capacidade
biológica ou psíquica do indivíduo, pois, nesses últimos casos, estaríamos diante da
Imputabilidade Penal. Portanto, sendo o fato típico, ilícito e culpável, sendo mentalmente são
e maior de 18 anos, será analisado o desconhecimento da lei sob o aspecto cultural.

1
Nucci, Guilherme de Souza. Curso de Direito Penal: parte geral: arts. 1º a 120 do Código Penal /
Guilherme de Souza Nucci. – 3.ed. – Rio de Janeiro: Forense, 2019.

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(CESPE) Na confraternização de final de ano de um tribunal de justiça, Ulisses,
servidor do órgão, e o desembargador ganharam um relógio da mesma marca — em
embalagens idênticas —, mas de valores diferentes, sendo consideravelmente mais
caro o do desembargador. Ao ir embora, Ulisses levou consigo, por engano, o
presente do desembargador, o qual, ao notar o sumiço do relógio e acreditando ter
sido vítima de crime, acionou a polícia civil. Testemunhas afirmaram ter visto Ulisses
com a referida caixa. No dia seguinte, o servidor tomou conhecimento dos fatos e
dirigiu-se espontaneamente à autoridade policial, afirmando que o relógio estava na
casa de sua namorada, onde fora apreendido.
Nessa situação hipotética, a conduta de Ulisses na festa caracterizou erro de
proibição.
GABARITO: ERRADO
COMENTÁRIO: Observe os seguintes detalhes quando estiver diante de
questões sobre Erro de Tipo x Erro de Proibição:
1º) Sabe que está levando o patrimônio de outra pessoa?
2º) Se ele sabe o que está fazendo, tem consciência de que é crime?
3º) Seguindo 1º e 2º apontamentos: está recaindo sobre algo que constitui o
crime, aquilo que está escrito no artigo, ou sobre a consciência da ilicitude?
Ulisses ganhou um relógio da mesma marca e em embalagens idênticas que o
do desembargador. Por uma falsa percepção da realidade, de que estaria levando o
relógio que era dele, Ulisses nem sabia que estava diante de uma conduta delituosa,
até porque não tinha conhecimento de que era o relógio do desembargador. Perceba
que o erro recai sobre os elementos constitutivo do tipo legal, não caracterizando
uma conduta criminosa, já que haverá a exclusão do dolo por causa de erro de tipo
plenamente escusável/desculpável. Portanto, não estamos em um caso de erro de
proibição como afirmado na questão. Se assim fosse, o indivíduo teria consciência do
de sua conduta, mas acreditando que estaria diante de uma prática lícita, recaindo
em erro sobre a ilicitude do fato, que é analisado sob o aspecto cultural do indivíduo
em relação às circunstâncias do caso concreto, que não é a situação hipotética da
questão.

ESCUSÁVEL, DESCULPÁVEL OU INEVITÁVEL


Considera-se escusável quando o agente não possuía, no momento da prática delituosa,
consciência da ilicitude e nem teria condições alguma de saber o caráter ilícito do fato, por causa
das circunstâncias culturas levadas ao caso concreto, embora mentalmente são e maior de
idade. Nesses casos da falta de consciência potencial da ilicitude do fato, o autor será ISENTO
DE PENA. A banca vai tentar te enganar, afirmando que o Erro de Proibição exclui o crime, mas
não é verdade. A exclusão do crime se dá quando há a supressão de um fato típico ou quando
se torna jurídico um ato, como nos casos de Legítima Defesa. Quando se trata da exclusão da
Culpabilidade, estar-se-á diante da ISENÇÃO DE PENA.
ERRO DE PROIBIÇÃO ESCUSÁVEL
Exemplos:
 Holandês, com 40 anos de idade, que resolve vir ao Brasil e é flagrado fumando
maconha na rua. Na Holanda, é plenamente autorizado o uso da maconha.
 Indígena que foi criado em uma tribo isolada da sociedade. Ao possuir maioridade
penal, resolve conhecer a cidade de Recife e quebra uma loja que vende animais,
acreditando que está salvando-os, pois na sua cultura os animais devem viver
livres.

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INESCUSÁVEL, INDESCULPÁVEL OU EVITÁVEL
Será indesculpável se o agente, no momento do crime, apesar de não possuir plenamente
a consciência da ilicitude, teria condições suficientes de entender o caráter ilícito do fato
diante das circunstâncias culturais dele. Nesses casos, o autor terá sua pena reduzida de 1/6 a
1/3.
 ISENÇÃO DE PENA: DESCULPÁVEL/ESCUSÁVEL/INEVITÁVEL.
 REDUÇÃO DE PENA: INDESCULPÁVEL/INESCUSÁVEL/EVITÁVEL.
 Se a banca afirmar, simplesmente, que o indivíduo será isento de pena
por cometer um crime em Erro de Proibição, a questão estará errada!
 Na mesma esteira, ao afirmar que terá sua pena reduzida de 1/6 a
1/3 por erro de proibição o autor da conduta delituosa, também
estará errada.
 É necessário verificar o verbo PODER ou, em caso impositivo, observar
se foi por Erro Inevitável (que isentará a pena); ou por Erro Evitável
(que reduzirá a pena – 1/6 a 1/3).

ERRO DE PROIBIÇÃO DIRETO E INDIRETO


Sendo objetivo, porque é o que interessa para a sua prova, o Erro de Proibição Direto
recai sobre a falta de conhecimento da ilicitude do fato (achado não é roubado). O agente sabe
o que está fazendo, mas não tem a consciência de que é crime. Por outro lado, o Erro de
Proibição Indireto, recai sobre a existência de uma excludente de ilicitude (cria na sua cabeça
uma causa de justificação que não existe) ou sobre os limites dela. E trataremos sobre isso
logo em seguida: Descriminantes Putativas e seus efeitos no caso concreto.

DESCRIMINANTES PUTATIVAS
Art. 20, §1º - É isento de pena quem, por erro plenamente justificado
pelas circunstâncias, supõe situação de fato que, se existisse, tornaria
a ação legítima. Não há isenção de pena quando o erro deriva de
culpa e o fato é punível como crime culposo.
Agora que você sabe as diferenças entre Erro de Tipo x Erro de Proibição, está apto a
voltar ao art. 20, §1º, que dispõe sobre as DESCRIMINANTES PUTATIVAS. Tudo ficará mais
claro!

O QUE É DESCRIMINANTE?
As descriminantes são as causas legais que excluem o crime, as excludentes de ilicitude,
previstas no art. 23 do Código Penal: estado de necessidade, legítima defesa, estrito cumprimento
de dever legal e exercício regular de direito e outras que estão topograficamente localizadas na
Parte Especial do Código Penal, aborto praticado por médico em determinadas situações, coação
exercida para impedir suicídio, etc.

O QUE É PUTATIVO?
É aquilo que aparenta ser verdadeiro, legal e certo, mas não é. Está determinado apenas
no imaginário do agente.

DESCRIMINANTES PUTATIVAS
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As descriminantes putativas ocorrem nas hipóteses em que o agente acredita estar
amparado por uma causa legal de exclusão da antijuridicidade (descriminante) que não
existe (putativa). Sendo assim, ele acredita estar amparado pelo estado de necessidade, legítima
defesa, estrito cumprimento do dever legal ou exercício regular de direito, porém não há tais
situações no caso concreto.
 Podem ocorrer 3 formas diferentes de o agente fantasiar (erro) acerca das
descriminantes:
 Sobre o pressuposto fático do evento de uma causa de exclusão de ilicitude;
 Sobre a existência de uma causa de exclusão da ilicitude;
 Sobre os limites de uma causa de exclusão da ilicitude.

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VAMOS APROFUNDAR UM POUCO, MAS NECESSÁRIO, HAJA VISTA A EVOLUÇÃO DAS BANCAS

Para melhor o entendimento dos efeitos provocados pelas situações elencadas


acima, faz-se necessário saber que o Código Penal adotou a Teoria Normativa Pura
da Culpabilidade, entendendo que o autor de um fato típico e antijurídico será
culpável quando presentes à imputabilidade penal, à potencial consciência da ilicitude
e à exigibilidade de conduta diversa. Nesse contexto, importa destacar que a regra
utilizada pelo Código Penal, e adotada pela maioria da doutrina, é a Teoria da
Culpabilidade Limitada, gerando efeitos diversos quando o recai sobre as
descriminantes putativas.
 Descriminante Putativa por Erro do Tipo (Efeitos do ERRO DE TIPO) –
FATO TÍPICO – Art. 20, §1º do CP.
a) Erro sobre os pressupostos fático que, se existisse, tornaria a ação legítima.
(Excludente de ilicitude existente, mas o agente achava que estava nesta situação
de fato).
 Descriminante Putativa por Erro de Proibição Indireto (Efeitos do ERRO
DE PROIBIÇÃO) – CULPABILIDADE – Art. 21 do CP.
a) O erro recai sobre a existência de uma excludente de ilicitude, isto é, o
agente cria na cabeça uma causa de justificação que não existe na lei;
b) Erra sobre os limites de uma exclusão de ilicitude.
DESCRIMINANTES

POR PRESSUPOSTOS
PUTATIVAS

ERRO FÁTICOS DE CAUSA


DE DE JUSTIFICAÇÃO
TIPO

INEXISTÊNCIA DE
EXCLUDENTE DE
POR ERRO DE ILICITUDE
PROIBIÇÃO
LIMITES DE
EXCLUDENTE DE
ILICITUDE

ERRO RELATIVO AO PRESSUPOSTO FÁTICO DO


EVENTO DE UMA CAUSA DE EXCLUSÃO DE ILICITUDE
(ERRO DE TIPO)
O erro recai sobre uma situação fática que faz o agente acreditar que está amparado pelas
descriminantes. Dessa forma, provocado por uma falsa percepção da realidade.
Aqui usaremos a regra do erro do tipo. O dolo estará sempre excluído, mas se for
percebido que o agente poderia evitar, será responsabilizado por culpa.
É a chamada culpa imprópria, em que o agente age com dolo, mas responde a título de
culpa, desde que previsto em lei. (Regra do erro de tipo, art. 20, §1º).
Exemplos:
 Imagine que você tenha prendido um perigoso bandido e ele o ameaçou de morte.
Após dias você o encontra na rua e ele leva a mão à cintura dando a crer que

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sacaria uma arma. Você, “pensando” estar em legítima defesa (excludente de
ilicitude), efetua disparos para conter injusta agressão, que não existia de fato,
pois o perigoso bandido estava apenas tirando uma bíblia para mostrar sua
conversão ao catolicismo, ou seja, você pensou erroneamente que estava
correndo perigo quando na verdade não estava.
 Você estava fazendo reforma na sua casa, à noite, pouco iluminação, quando um
amigo adentra à sua residência, anuncia um assalto com uma furadeira (que
parece uma arma) para te dar um susto. O local estava com baixa iluminação, você
estava assustado e as circunstâncias do contexto fático não permitiam
diferenciar, naquele momento, uma arma de uma furadeira. Diante disso, você
saca sua arma e efetua disparos contra seu amigo.

ERRO RELATIVO À EXISTÊNCIA DE UMA CAUSA DE


EXCLUSÃO DA ILICITUDE (ERRO DE PROIBIÇÃO
INDIRETO)
Aqui o agente achava que existia uma norma penal permissiva para aquela conduta, por
exemplo, imagine que “A” é de uma linhagem dos senhores de engenho e que o seu avô
conhecedor exímio do direito no Brasil, e que veio falecer em 1910, tenha dito a ele que matar
a esposa em estado de adultério não era crime, e assim o fez quando a encontrou em adultério.
Porém, ele desconhecia a nova lei penal de 1940 (eu sei, forçado!), acreditando estar acobertado
por uma excludente de ilicitude, que não é verdade! (Regra do erro de proibição, art. 21).

ERRO RELATIVO AOS LIMITES DE UMA CAUSA DE


EXCLUSÃO DA ILICITUDE (ERRO DE PROIBIÇÃO
INDIRETO)
O agente acredita que poderia usar qualquer meio para se defender de uma injusta
agressão, mas existe um limite para isso, por exemplo, “A” recebe um soco de “B” e acredita que
poderia mata-lo só por isso, mas ele errou nos limites da excludente. (Regra do erro de
proibição, art. 21).
(CESPE) O erro que recai sobre elemento constitutivo do tipo permissivo
também é conhecido como descriminante putativa, embora nem todo erro
relacionado a uma descriminante seja erro sobre elemento constitutivo do tipo
permissivo.
GABARITO: CERTO
COMENTÁRIO: Repare o seguinte, a questão cita um tal de tipo permissivo,
que é utilizado no Direito Penal para dispor sobre uma norma supressora de
antijuridicidade, tornando-se, nesse caso, numa conduta jurídica, que resulta na
exclusão do crime. Em outras palavras, um tipo permissivo é uma excludente de
ilicitude. Portanto, o erro que recai sobre os elementos constitutivos do tipo
permissivo é classificado como um descriminante putativa que seguirá a regra do
ERRO DE TIPO, havendo sempre a exclusão do dolo, mas permitindo a punição a
título de culpa (que a doutrina denomina culpa imprópria), quando for
evitável/vencível/inescusável/indesculpável, ainda que o agente tenha praticado com
a vontade livre e consciente. Por outro lado, é importante destacar que nem todo
tipo de descriminante putativa recairá sobre o erro de tipo permissivo, porque,
conforme a teoria da culpabilidade limitada, uma falsa percepção da realidade
associada à (A) INEXISTÊNCIA DE UMA EXCLUDENTE DE ILICITUDE ou sobre
os (B) LIMITES DELA é um ERRO DE PROIBIÇÃO INDIRETO.
 (A) Cria, na sua mente, uma excludente de ilicitude que não há no
ordenamento jurídico, mas acredita fielmente que existe.
 (B) A excludente de ilicitude existe, mas o autor erra em relação aos limites,
acreditando que está tudo certo.
Nesses casos, será isento de pena se for inevitável; ou terá a pena reduzida
de 1/3 – 1/6 se plenamente evitável.
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QUADRO SINÓTICO

ERRO-JURÍDICO
ERRO DE TIPO ERRO DE TIPO ERRO DE DESCRIMINANTES
ESSENCIAL ACIDENTAL PROIBIÇÃO PUTATIVAS

- PRESSUPOSTOS FÁTICOS
CONDUTA POTENCIAL CONSCIÊNCIA - EXISTÊNCIA OU LIMITE
CONDUTA
DA ILICITUDE DE EXCLUDENTES DE
ILICITUDE

1. INESCUSÁVEL, 1. INESCUSÁVEL, 1. INESCUSÁVEL,


INDESCUPÁVEL, VENCÍVEL, 1. ABERRATIO IN PERSONA INDESCUPÁVEL, VENCÍVEL, INDESCUPÁVEL, VENCÍVEL,
EVITÁVEL EVITÁVEL EVITÁVEL
2. ABERRATIO ICTUS
2. ESCUSÁVEL, 2. ESCUSÁVEL, 2. ESCUSÁVEL,
DESCUPÁVEL, INVENCÍVEL, 3. ABERRATIO CAUSAE DESCUPÁVEL, INVENCÍVEL, DESCUPÁVEL, INVENCÍVEL,
INEVITÁVEL INEVITÁVEL INEVITÁVEL

1. PUNE A TÍTULO DE 1. EFEITOS DO ERRO DE


- IRRELEVANTE PENAL. 1. REDUZ A PENA DE 1/6 A
CULPA SE PREVISTO EM LEI TIPO
CONTINUA RESPONDENDO 1/3
2. EXCLUI O CRIME PELO CRIME 2. EFEITOS DO ERRO DE
2. ISENTA A PENA PROIBIÇÃO

EXERCÍCIOS
1. Se o agente oferece propina a um empregado de uma sociedade de economia mista,
supondo ser funcionário de empresa privada com interesse exclusivamente particular,
incide em erro do tipo.
Certo ( ) Errado ( )
2. A diferença entre erro sobre elementos do tipo e erro sobre a ilicitude do fato reside na
circunstância de que o erro do tipo exclui o crime, já o erro sobre a ilicitude do fato
diminui a pena.
Certo ( ) Errado ( )
3. O erro quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado não isenta de pena,
considerando-se as condições e qualidades da vítima, e não as da pessoa contra quem o
agente queria praticar o crime.
Certo ( ) Errado ( )
4. Considerando o disposto no Código Penal brasileiro, quanto à matéria do erro, é correto
afirmar que, em regra, o erro de proibição recai sobre a consciência da ilicitude do fato,
ao passo que o erro de tipo incide sobre os elementos constitutivos do tipo legal do crime.
Certo ( ) Errado ( )
5. O erro de ilicitude exclui o crime.
Certo ( ) Errado ( )

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COAÇÃO IRRESISTÍVEL E OBEDIÊNCIA
HIERÁRQUICA
O Direito Penal pune a pessoa por aquilo que ela tem interesse em praticar, que é o
chamado elemento volitivo, o dolo, elemento subjetivo da conduta do agente. Além disso, é
necessário que seja um fato típico, ilícito e que o indivíduo preencha os requisitos de
culpabilidade, como a Potencial Consciência da Ilicitude do Fato, a imputabilidade pena, além
de ter a opção, no caso concreto, de praticar uma conduta diversa da criminosa.
Nesse contexto, trataremos de duas causas de inexigibilidade de conduta diversa, que
retira a culpabilidade do indivíduo, tornando-o isento de pena, já que ele é obrigado a cometer
determinada conduta para que algo pior não lhe aconteça, diante das circunstâncias do caso
concreto.
Trata-se da COAÇÃO MORAL IRRESISTÍVEL e a OBEDIÊNCIA HIERÁRQUICA, tipificadas
no art. 22 do CP.
Art. 22 - Se o fato é cometido sob coação irresistível ou em estrita
obediência a ordem, não manifestamente ilegal, de superior
hierárquico, só é punível o autor da coação ou da ordem.

COAÇÃO IRRESISTÍVEL
De modo geral, coação é obrigar alguém a fazer ou não alguma coisa, é forçar determinada
conduta, constranger uma pessoa. Existem duas coações no Direito Penal, a física e a moral,
cujos efeitos são diferentes quando IRRESISTÍVEIS. Uma exclui o crime (FÍSICA), e a outra
isenta a pena do coagido (MORAL).

COAÇÃO
IRRESÍSTIVEL

MORAL
FÍSICA
vis relativa
vis absoluta
(art. 22 CP)

Exclui o crime por


Isenta de pena por
ausência de conduta inexigibilidade de
conduta diversa

(CESPE) A coação física irresistível afasta a tipicidade, excluindo o crime.


GABARITO: CERTO
COMENTÁRIO: Repare que a questão é bem simples e objetiva, afirmando
que a coação física irresistível afasta a tipicidade. Essa coação caracteriza ausência
de conduta, afastando a tipicidade nesses casos. Para que a banca não te engane,
você deve perguntar se a coação irresistível é física ou moral. Se for física, afasta a
tipicidade por falta de conduta (excluindo o crime). Se for moral, afasta a
culpabilidade por inexigibilidade de uma conduta diversa da criminosa, gerando como
consequência a isenção de pena.

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 Exemplos:
 “A” imobiliza “B”, logo após, coloca uma arma em sua mão e força-o a apertar o
gatilho. O disparo acerta “C” que morre. Devido à coação FÍSICA irresistível:
o “B” NÃO comete crime.
o “A” responderá por homicídio.

 “A” encosta uma arma carregada na cabeça de “B” filho de “C” que é gerente de
banco, e ordena que ele abra o cofre do banco e subtraia o dinheiro, caso contrário
irá matar “B”. Considerando a coação MORAL irresistível:
o A” e “C” cometem crime, por praticarem
um fato típico e antijurídico.
o Apenas “C” será isento de pena, por
inexigibilidade de conduta diversa no
caso concreto.
Perceba que no primeiro exemplo (coação física irresistível), “B” sequer teve conduta,
ele foi forçado fisicamente a apertar o gatilho, sendo simplesmente um fantoche de “A”, pois
não teve voluntariedade de ação alguma. Por outro lado, no segundo exemplo (coação moral
irresistível), “C” é voluntário na ação, apesar de não querer praticar a conduta, ele é um “MEIO”
para a prática do crime de “A”, que é o autor mediato. Nesse segundo caso, “C” tem a opção de
não executar determinado delito, mas é claro que ele fará, já que seu filho está na mira de uma
arma de fogo.
Portanto, é importante destacar que a COAÇÃO IRRESISTÍVEL que trata o art. 22 do
Código Penal é a MORAL!!! Fique atento, pois só isentará a pena do indivíduo se for irresistível.
Sendo resistível, o autor do crime será passível de punição, mas com a pena atenuada.

ISENTA A PENA
IRRESISTÍVEL
(Art. 22 CP)
COAÇÃO
MORAL
ATENUA A
RESISTÍVEL PENA
(Art. 65, III, c)

O STF já decidiu que é preciso que se tenha três personagens para haver a Coação Moral
Irresistível: Coagido, Coator e Vítima. Vale lembrar que o COATOR e a VÍTIMA, em casos
excepcionalíssimos, podem ser a mesma pessoa, o que não descaracteriza a figura dos três
personagens.

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(CESPE) Segundo a doutrina majoritária, de acordo com a teoria tripartite, a
coação pode estar no âmbito do fato típico, como pode estar no âmbito da
culpabilidade, bem como pode ser resistível e irresistível. Quando tratar de coação
física irresistível, essa encontra-se no âmbito do fato típico, excluindo a conduta do
agente. Já, quando tratar de coação moral irresistível, essa encontra-se no âmbito
da culpabilidade, e isenta o agente de pena.
GABARITO: CERTO
COMENTÁRIO: É a questão típica que a CESPE cria para ensinar o aluno. Há
duas modalidades de COAÇÃO IRRESISTÍVEL:
 FÍSICA – Exclui o crime;
 MORAL – Isenta de pena.
A FÍSICA caracteriza ausência de CONDUTA, que está no FATO TÍPICO, gerando
a exclusão do crime. Por outro lado, quando se trata da MORAL, o ambiente passa a
ser da EXIGIBILIDADE DE CONDUTA DIVERSA, que está dentro da CULPABILIDADE,
onde se localiza topograficamente a EXIGIBILIDADE DE CONDUTA DIVERSA.
Por outro lado, há uma característica em comum nas duas, mas somente
quando for RESISTÍVEL, qual seja, os agentes coagidos serão punidos, mas com
pena ATENUADA, conforme art. 65, III, C, do Código Penal.
(CESPE) Cláudio, gerente de um banco, sob irresistível ameaça de morte,
dirigiu- se à sua agência bancária, fora do horário de expediente e de lá subtraiu
vultosa quantia em dinheiro, entregue, posteriormente, ao autor da ameaça. Nessa
situação, Cláudio praticou crime de furto, mas terá a pena atenuada, pois o crime foi
cometido sob coação moral irresistível.
GABARITO: ERRADO
COMENTÁRIO: Há uma pegadinha nessa questão! Cláudio estava sob
irresistível ameaça de morte, ou seja, de fato houve um mal injusto e grave em
relação a Cláudio. Nesse caso, foi caracterizada a violência psicológica (vis
compulsiva/relativa). Ou ele praticava o crime contra o patrimônio do banco, ou ele
morreria. Portanto, Cláudio de fato cometeu um crime de furto, mas estará ISENTO
DE PENA por inexigibilidade de conduta diversa. Não há atenuante como a questão
informa. Só haveria se houvesse possibilidade de resistir a coação.

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(CESPE) Aquele que for fisicamente coagido, de forma irresistível, a praticar
uma infração penal cometerá fato típico e ilícito, porém não culpável.
GABARITO: ERRADO
COMENTÁRIO: Conforme a Teoria Tripartida, a coação física irresistível se
encaixa na conduta, que está no FATO TÍPICO. Nesse caso, essa coação caracterizaria
o afastamento da tipicidade por ausência de conduta.
O conceito que a questão traz é o da Coação MORAL Irresistível, pois, nesse
caso, o caso concreto preenche:
 FATO TÍPICO
- Conduta.
- Nexo Causal.
- Tipicidade.
- Resultado.
 ANTIJURÍDICO (ILÍCITO)
Mas exclui a CULPABILIDADE por inexigibilidade de conduta diversa.
Nesses termos, quando um crime for praticado sob COAÇÃO MORAL IRRESISTÍVEL,
diz-se que ele é TÍPICO, ILÍCITO, NÃO CULPÁVEL, gerando a ISENÇÃO DE PENA.

OBEDIÊNCIA HIERÁRQUICA
A obediência hierárquica, tratada no mesmo artigo da Coação (MORAL) Irresistível,
também é excludente de culpabilidade por inexigibilidade de conduta diversa, decorrente de
uma obediência à ordem não manifestamente ilegal de superior hierárquico, tornando viciada
a vontade do subordinado e afastando a exigência de conduta diversa.
Art. 22 - Se o fato é cometido sob coação irresistível ou em estrita
obediência a ordem, não manifestamente ilegal, de superior
hierárquico, só é punível o autor da coação ou da ordem.

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Aqui, o punido é a autoridade hierarquicamente superior, pois determina uma ordem não
manifestamente ilegal ao seu subordinado. Por óbvio, se a ordem for manifestamente ilegal,
ambos respondem pelo crime praticado.
 Ordem de superior hierárquico: É a manifestação de vontade do titular de uma
função pública a um funcionário que lhe é subordinado.
 Ordem não manifestamente ilegal: A ordem tem aparência de legalidade. Se é
manifestamente ilegal, deve o subordinado responder pelo crime.

ORDEM NÃO MANIFESTAMENTE ORDEM DE AUTORIDADE


ILEGAL HIERARQUICAMENTE SUPERIOR

OBEDIÊNCIA
HIERÁQUICA
(Art. 22 CP)
TRÊS PERSONAGENS:
RELAÇÃO DE HIERARQUIA DEVE
1. SUPERIOR
SER DE DIREITO PÚBLICO
2. SUBORDINADO
(FUNÇÃO PÚBLICA)
3. VÍTIMA

PARA FINS DA OBEDIÊNCIA HIERÁRQUICA DO ART. 22 CP, NÃO HÁ


RELAÇÃO HIERÁRQUICA ENTRE PARTICULARES, COMO NO CASO DO
GERENTE DE UMA AGÊNCIA BANCÁRIA E SEUS SUBORDINADOS.
Curso de Direito Penal: parte geral: arts. 1º a 120 do Código Penal / Rogério Greco. – 22.ed.
Revista, ampliada e atualizada até 1º de janeiro de 2020 – Rio de Janeiro: Impetus, 2020.

 Exemplos:
ORDEM NÃO MANIFESTAMENTE ILEGAL
 Determinado delegado de polícia determinou que um agente prendesse
Antônio, indiciado por crime de latrocínio, sob o fundamento de que havia um
mandado de prisão expedido pela autoridade judiciária em desfavor de Antônio.
O agente então cumpriu a ordem determinada pelo delegado e conduziu Antônio
àquela delegacia. Todavia, não existia mandado algum contra Antônio. Nessa situação,
o delegado e o agente praticaram crime de abuso de autoridade. Contudo, somente o
delegado terá receberá pena, mas o agente ficará isento, devido à ‘‘aparência’’ de
ordem NÃO manifestamente ilegal.

ORDEM MANIFESTAMENTE ILEGAL


 O delegado de polícia Cornélio determinou que seu agente Babonilson desse um
susto em Brocadilson, pois ele estava conversando muito com a namorada dele.
O agente, que também é muito amigo do delegado Cornélio, encontra
Brocadilson e aponta a arma para ele dizendo que se afastasse da namorada do
delegado. Acontece que a ordem dada é revestida de ilegalidade, pois a polícia
não trabalha para dar sustos nas pessoas e, além disso, conversar com alguém,
até então, não é conduta ilícita no país. Nesse caso, ambos receberão pena: o

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delegado Cornélio com agravante do art. 62, III, CP, e o agente Babonilson com a
atenuante do art. 63, III, C, do CP.

(CESPE) São causas de exclusão da culpabilidade, expressamente previstas


no Código Penal brasileiro, a coação moral irresistível e a ordem não manifestamente
ilegal de superior hierárquico.
GABARITO: CERTO
COMENTÁRIO: Os elementos da CULPABILIDADE são:
 IMPUTABILIDADE
- Regra: Biopsicológico (mentalmente são).
- Exceção: Biológico (menoridade penal – inimputável).
 POTENCIAL CONSCIÊNCIA DA ILICITUDE
- Erro de proibição pode isentar o indivíduo quando, diante das
circunstâncias do caso, foi inevitável ter o conhecimento do caráter ilícito do fato,
ainda que mentalmente são e maior de idade.
 EXIGIBILIDADE DE CONDUTA DIVERSA
- Coação MORAL irresistível.
- Obediência Hierárquica (de Função Pública).
Art. 22 - Se o fato é cometido sob coação irresistível ou em estrita obediência
a ordem, não manifestamente ilegal, de superior hierárquico, só é punível o autor da
coação ou da ordem. Deve-se ficar atento, para a seguinte situação: se a assertiva
afirmar apenas coação irresistível ou coação física irresistível, a questão estará
errada, haja vista a necessidade de especificar a espécie da coação tratada na
questão. A moral isenta de pena. A física exclui o crime, quando irresistíveis.

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EXERCÍCIOS
1. Em um clube social, Paula, maior e capaz, provocou e humilhou injustamente Carlos,
também maior e capaz, na frente de amigos. Envergonhado e com muita raiva, Carlos foi
à sua residência e, sem o consentimento de seu pai, pegou um revólver pertencente à
corporação policial de que seu pai faz parte. Voltando ao clube depois de quarenta
minutos, armado com o revólver, sob a influência de emoção extrema e na frente dos
amigos, Carlos fez disparos da arma contra a cabeça de Paula, que faleceu no local antes
mesmo de ser socorrida.
A culpabilidade de Carlos poderá ser afastada por inexigibilidade de conduta diversa.
Certo ( ) Errado ( )
2. Arnaldo, gerente de banco, estava dentro de seu veículo juntamente com familiares
quando foi abordado por dois indivíduos fortemente armados, que ameaçaram os
ocupantes do veículo e exigiram de Arnaldo o fornecimento de determinada senha para
a realização de uma operação bancária, o que foi por ele prontamente atendido. Nessa
situação, o uso da senha pelos indivíduos para eventual prática criminosa excluirá a
culpabilidade de Arnaldo.
Certo ( ) Errado ( )
3. Caso o fato seja cometido em estrita obediência a ordem, não manifestamente ilegal, de
superior hierárquico, não serão puníveis o agente que obedeceu nem o autor da coação
ou da ordem.
Certo ( ) Errado ( )
4. É causa de exclusão da culpabilidade o fato de a conduta ser praticada por meio de coação
física irresistível.
Certo ( ) Errado ( )
5. A coação irresistível pode ser física, fato que opera a exclusão do crime, ou moral, fato
que opera a isenção da pena.
Certo ( ) Errado ( )
6. Considera-se causa de exclusão da culpabilidade a coação moral resistível.
Certo ( ) Errado ( )

GABARITO
1. Errado
2. Errado
3. Errado
4. Errado
5. Errado

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EXCLUSÃO DA ILICITUDE
(ANTIJURIDICIDADE)
A ILICITUDE
Conceito: É a contradição que se dá entre a conduta humana e o ordenamento jurídico.
Dessa forma, qualquer ação ou omissão que está prevista em lei como crime (conduto típica)
torna-se ilícita, ou seja, ilegal. Contudo, temos que nos atentar que todo fato ilícito a princípio é
típico (está escrito), mas nem todo fato típico é ilícito, pois poderão ocorrer as excludentes de
ilicitude previstas no artigo 23 que passaremos a analisar:
TEORIA INDICIÁRIA (RATIO COGNOSCENDI) – TODO FATO ILÍCITO, A
PRINCÍPIO, É TÍPICO, MAS NEM TODO FATO TÍPICO É ILÍCITO.
Havendo uma exclusão de ilicitude, o fato torna-se jurídico, mas continua
tipificado na lei. Portanto, a tipicidade é um indício de ilicitude.

(CESPE) Conforme a doutrina pátria, uma causa excludente de


antijuridicidade, também denominada de causa de justificação, exclui o próprio
crime.
GABARITO: CERTO
COMENTÁRIO: É isso “memo”! Conforme a teoria tripartida, o crime é
composto por:
 FATO TÍPICO.
 ANTIJURÍDICO (causas de justificação ou também chamados de
descriminantes).
 CULPÁVEL
Eliminando os dois primeiros, há a exclusão do próprio crime!
Por outro lado, quando for uma excludente de CULPABILIDADE, o efeito gerado
será a ISENÇÃO DE PENA.
(CESPE) Entende-se por ilicitude o juízo de reprovação que recai sobre o
agente quando ele podia e devia agir em conformidade com o direito.
GABARITO: ERRADO
COMENTÁRIO: Muito cuidado com a questão, pois o conceito apresentado é o
da CULPABILIDADE (que veremos mais à frente). A CULPABILIDADE é a avaliação
de um juízo de reprovação (POTENCIAL CONSCIÊNCIA DA ILICITUDE) que recai
sobre a conduta do agente (IMPUTÁVEL) quando ele tem a opção de agir em
conformidade com a lei (EXIGIBILIDADE DE CONDUTA DIVERSA), mas age diferente.
Por outro lado, a ILICITUDE é a contrariedade de uma conduta humana com
o ordenamento jurídico.

EXCLUSÃO DA ILICITUDE
Também denominadas causas justificantes ou descriminantes, as exclusões de ilicitude
são situações em que o indivíduo comete um fato tipificado como crime, mas a própria lei, pela
natureza e circunstâncias do caso concreto, o autoriza a fazer, tornando a conduta jurídica. Tais
situações excluem o caráter ilegal da ação ou omissão praticada, e estão previstas no artigo 23
do Código Penal.

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Art. 23 - Não há crime quando o agente pratica o fato:
I. Em estado de necessidade;
II. Em legítima defesa;
III. Em estrito cumprimento de dever legal ou no exercício regular de
direito.

ESTADO DE
NECESSIDADE

EXCLUDENTES DE
ILICITUDE
(Parte Geral)
LEGÍTIMA DEFESA

ESTRITO
CUMPRIMENTO DO
DEVER LEGAL

EXERCÍCIO
REGULAR DE
DIREITO

É importante destacar que a lista acima não é exaustiva (ou seja, não acaba aí), pois
existem outras excludentes de ilicitudes que estão dispostas na Parte Especial do Código Penal,
como é o caso de Aborto praticado por médico (em situações específicas), intervenção médica
ou cirúrgica (perigo de vida) e coação para impedir suicídio.
Art. 128. Não se pune o aborto praticado por médico:
I - se não há outro meio de salvar a vida da gestante;
II - se a gravidez resulta de estupro e o aborto é precedido de
consentimento da gestante ou, quando incapaz, de seu representante
legal.

Art. 146. (...)


I - a intervenção médica ou cirúrgica, sem o consentimento do
paciente ou de seu responsável legal, se justificada por iminente
perigo de vida;
II - a coação exercida para impedir suicídio.

EXCESSO PUNÍVEL
Parágrafo único - O agente, em qualquer das hipóteses deste artigo,
responderá pelo excesso doloso ou culposo.
Em essência, nas hipóteses mencionadas no artigo 23, o indivíduo deverá agir de forma
moderada, caso contrário, poderá ser responsabilizado criminalmente pelo excesso na ação,
seja ela dolosa ou culposa.

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(CESPE) A responsabilidade penal do agente nas hipóteses de excesso doloso
ou culposo aplica-se a todas as seguintes causas de excludentes de ilicitude previstas
no CP: estado de necessidade, legítima defesa, estrito cumprimento de dever legal
ou exercício regular de direito.
GABARITO: CERTO
COMENTÁRIO: É o que preconiza o Parágrafo único do art. 23 do CP.
Art. 23 - Não há crime quando o agente pratica o fato:
I - em estado de necessidade;
II - em legítima defesa;
III - em estrito cumprimento de dever legal ou no exercício regular de direito.
Excesso punível
Parágrafo único - O agente, em qualquer das hipóteses deste artigo, responderá pelo
excesso doloso ou culposo.
Vale destacar que o excesso, em casos excepcionais, pode gerar a exclusão
da culpabilidade por inexigibilidade de conduta diversa, a exemplo de uma
LEGÍTIMA DEFESA EXCULPANTE.

ESTADO DE NECESSIDADE
Art. 24 - Considera-se em estado de necessidade quem pratica o fato
para salvar de perigo atual, que não provocou por sua vontade, nem
podia de outro modo evitar, direito próprio ou alheio, cujo sacrifício,
nas circunstâncias, não era razoável exigir-se.
Ocorre quando um bem jurídico tutelado pela norma é sacrificado para que outro seja
salvo, que estava em perigo atual e inevitável. O bem que se pretende proteger pode ser próprio
ou de terceiros.
Exemplo de Estado de Necessidade de Terceiros: Após o naufrágio do
TITANIC, Jack achou um pedaço de uma porta no mar. Jack tirou a
pessoa (ainda vida) que estava sobre a porta e deu pra Rose.
REQUISITOS PARA CONFIGURAÇÃO DO ESTADO DE
NECESSIDADE
 Perigo atual.
 Direito próprio ou alheio.
 Perigo não causado voluntariamente pelo agente.
 Inevitabilidade de comportamento.
 Razoabilidade do sacrifício.
 Requisito subjetivo (deve saber que está sob uma excludente de ilicitude).
O PERIGO ATUAL
Aqui o perigo deve ser atual e não iminente, ou seja, efetivamente a “coisa” deve estar
acontecendo. O “estar para acontecer” não vale para se alegar o estado de necessidade. Em
suma, atual é a ameaça que está se consumando no exato momento em que o agente sacrifica o
bem jurídico.
 Exemplo: Perigo atual é quando o navio está afundando e não quando esta preste a
bater em alguma coisa e na “iminência” de afundar. Dessa forma, fica fácil
visualizarmos a questão em si. Para provas objetivas, temos de nos atentar que para
a situação de legítima defesa a agressão injusta pode ser atual e iminente.

NÃO HÁ INJUSTA AGRESSÃO NO ESTADO DE NECESSIDADE

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O DIREITO PRÓPRIO OU ALHEIO
Pode-se alegar estado de necessidade próprio ou para terceiros, aquele que pratica o fato
jurídico para salvar, de perigo atual, a própria pessoa ou um terceiro, ambos quando não
podiam de outro modo evitar.
Exemplo: O indivíduo age em estado de necessidade próprio ao se defender de um
cão bravo que não foi atiçado por alguém. Entretanto, se o cão ataca, por exemplo,
uma criança e, logo em seguida, é alvejado por outra pessoa, estar-se-á diante de
Estado de Necessidade de terceiros.
O PERIGO NÃO CAUSADO VOLUNTARIAMENTE PELO
AGENTE
Aqui, o agente não pode ter dado causa ao evento. Assim, não pode alegar estado de
necessidade o próprio causador do perigo atual. Um agente que invade um domicílio e se depara
com um pitbull, por exemplo, esse não pode alegar EN. Por outro lado, a CESPE já entendeu que se
o perigo for provocado, CULPOSAMENTE, pelo agente, estará autorizado o Estado de Necessidade.

(CESPE) Agirá em estado de necessidade o motorista imprudente que, após


abalroar um veículo de passageiros, causando-lhes ferimentos, fugir do local sem
prestar socorro, para evitar perigo real de agressões que possam ser perpetradas
pelas vítimas.
GABARITO: CERTO
COMENTÁRIO: Conforme o texto de lei, considera-se em estado de
necessidade quem pratica o fato para salvar de perigo atual, agora repare, que não
provocou por sua vontade e nem podia de outro modo evitar.
Portanto, acertadamente, a banca considerou o posicionamento do renomado
doutrinador Rogério Greco, entendendo que a expressão sublinha acima significa não
produzir dolosamente. Ora, segundo o art. 18 do Código Penal, diz-se que o crime é
doloso quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzi-lo. Já o
culposo, é quando o agente dá causa a um resultado por negligência, imperícia ou
imprudência.

INEVITABILIDADE DE COMPORTAMENTO
O agente não pode ter outro meio de evitar o resultado que não o utilizado no caso
concreto. Assim, caso um indivíduo mate outra pessoa para se salvar de perigo atual, poderá
ser responsabilizado penalmente se for provado que havia uma alternativa menos danosa para
o caso.
RAZOABILIDADE DO SACRIFÍCIO
Apesar de a lei não ser clara em relação às comparações entre os direitos, maior, menor
ou igual, devemos guardar a informação de que o Código Penal adotou a TEORIA UNITÁRIA
DO ESTADO DE NECESSIDADE, a qual define que o bem jurídico sacrificado deve ser menor
ou igual ao bem jurídico tutelado. A lei em momento algum falou em bem maior, menor ou
igual. Apenas citou razoabilidade do sacrifício. As questões de concurso geralmente cobram a
objetividade da expressão, isto é, a razoabilidade do sacrifício ou tratam situações hipotéticas
envolvendo VIDA X PATRIMÔNIO.

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 Exemplo: O indivíduo que está em um bote que acabara de naufragar e prefere
salvar suas malas a salvar a vida de outra pessoa que está se afogando. Nesse caso,
há o sacrifício de uma vida em detrimento de um patrimônio, sendo incabível a
alegação de estado de necessidade.
Por outro lado, se ocorrer um fato distinto que não é tutelado pela Teoria Unitária, qual
seja, o bem jurídico protegido ser menor que o sacrificado, aplicar-se-á a diminuição de pena
prevista no § 2º do art. 24.
Art. 24 (...)
§ 2º - Embora seja razoável exigir-se o sacrifício do direito
ameaçado, a pena poderá ser reduzida de um a dois terços.

(CESPE) Quanto ao estado de necessidade, o CP brasileiro adotou a teoria da


diferenciação, que só admite a incidência da referida excludente de ilicitude quando
o bem sacrificado for de menor valor que o protegido.
GABARITO: ERRADO
COMENTÁRIO: O Código Penal adotou a Teoria Unitária do Estado de
Necessidade, que admite a exclusão da ilicitude pelo estado de necessidade quando
o bem protegido em detrimento do sacrificado for de igual ou maior valor. Por outro
lado, sendo o bem protegido de valor inferior e razoável exigir-se esse sacrifício,
haver-se-á a incidência da redução de 1/3 – 2/3.

TEORIA PENAL DO
ESTADO DE
NECESSIDADE

UNITÁRIA
DIFERENCIADORA
(CÓDIGO PENAL)

BEM PROTEGIDO É
BEM PROTEGIDO É BEM PROTEGIDO É BEM PROTEGIDO É
MAIOR OU IGUAL INFERIOR QUANDO MAIOR OU IGUAL INFERIOR
RAZOÁVEL EXIGIR-SE

EXCLUDENTE DE REDUÇÃO DE EXCLUDENTE DE EXCLUDENTE DE


ILICITUDE 1/3 - 2/3 ILICITUDE CULPABILIDADE

REQUISITO SUBJETIVO
O agente que está praticando deve ter conhecimento da situação justificante. Se ele já
tinha prévia intenção de praticar a conduta tipificada como crime, não poderá alegar a
descriminante.
 Exemplo: Imagine que “A” está em um barco com a intenção de matar “B”. Ao se
aproximar para iniciar a execução do crime, o barco em que eles estão começa a
afundar e o indivíduo lembra que existe somente um salva-vidas e ele não sabe

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nadar. A princípio, todos os elementos estão presentes para caracterização do
Estado de Necessidade, mas não serão válidos, haja vista intenção pretérita do
resultado morte em relação à situação de perigo atual.
MODALIDADES DE ESTADO DE NECESSIDADE
A doutrina criou espécies do gênero Estado de Necessidade. Como as questões dos
concursos estão cada vez mais evoluindo, é importante conceituar as mais importantes, que já
foram objetos de prova.

 ESTADO DE NECESSIDADE JUSTIFICANTE


 É o Estado de Necessidade “Tradicional”, ou seja, o bem jurídico sacrificado é de
menor ou igual valor ao bem jurídico protegido, que exclui a ILICITUDE DO
FATO, conforme Teoria Unitária do Estado de Necessidade (adotado pelo Código
Penal).

 ESTADO DE NECESSIDADE EXCULPANTE


 Essa modalidade exclui a CULPABILIDADE, criado pela TEORIA
DIFERENCIADORA DO ESTADO DE NECESSIDADE, que não foi adotado pelo
Código Penal.

 ESTADO DE NECESSIDADE DEFENSIVO


 O bem sacrificado nesse contexto é daquele que criou a situação de perigo.

 ESTADO DE NECESSIDADE AGRESSIVO


 O bem jurídico sacrificado é de outra pessoa que não deu causa a situação de
perigo.
Exemplo: É o que eu venho falando em aula, tem até videozinho na
internet. “A” está chegando à sua casa, quando “B” anuncia o salto
contra “A”. Nesse momento, “A” arranca o carro desesperadamente e
atropela “C”, que não tinha nada a ver com o fato.

 ESTADO DE NECESSIDADE RECÍPROCO


 Quando ambos estão no contexto definido pelo art. 24 do CP, mas não criaram o
perigo atual.

EXEMPLOS DE ESTADO DE NECESSIDADE DO CÓDIGO PENAL


 Em um cruzeiro marítimo, 10 passageiros estão a bordo de um navio. No entanto,
só existem 9 salva-vidas e o navio está afundando em alto-mar. O único que ficou
sem o apetrecho não sabe nadar e para salvar sua vida do perigo atual desfere
facadas em outro passageiro a fim de conseguir se salvar.
 Trabalhador desempregado (em estado de penúria) e vendo seus filhos passarem
fome, entra em supermercado e furta dois pacotes de arroz e um pedaço de carne
seca. Essa situação também é chamada de furto famélico e é bastante cobrada
em provas.

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 Cidadão não tem carteira de motorista e observa motorista em avançado estado
de infarto, nessa situação, toma a direção de veículo automotor e dirige
perigosamente até o hospital, gerando perigo de dano.
DEVER LEGAL DE ENFRENTAR O PERIGO
Art. 24 (...)
§ 1º - Não pode alegar estado de necessidade quem tinha o dever legal
de enfrentar o perigo.
Existem profissões que estão constantemente em situações de perigo, como é o caso
daquelas envolvidas na segurança pública (Policiais e Bombeiros). Nesses casos, a lei adotou
como regra o dever legal de enfrentar o perigo atual, sem que seja possível a alegação de Estado
de Necessidade. Entretanto, guarde o seguinte, em situações excepcionais, podem esses atores
alegar Estado de Necessidade em condições especiais. Como leciona Rogério Greco, não se pode
exigir que um bombeiro sacrifique sua vida em detrimento de um objeto patrimonial. Em outros
termos, um ato heroico é que não se deve exigir desses indivíduos que tem obrigação legal.
Portanto, se a banca cobrar o texto de lei somente, pode marcar correta. Por outro lado,
impondo termos como: NUNCA, JAMAIS, EM HIPÓTESE ALGUMA, então a questão estará errada.
(CESPE) Não pode alegar estado de necessidade quem tem o dever legal de
enfrentar o perigo, desde que demonstre que praticou o fato para salvar de perigo
atual direito próprio cujo sacrifício, nas circunstâncias, não era razoável exigir-se.
GABARITO: CERTO
COMENTÁRIO: A questão não entrou em maiores detalhes e cobrou dois
parágrafos do art. 24, sem dar espaço para interpretação doutrinária e
jurisprudencial.
Art. 24 (...)
§ 1º - Não pode alegar estado de necessidade quem tinha o dever legal de
enfrentar o perigo.
§ 2º - Embora seja razoável exigir-se o sacrifício do direito ameaçado, a pena
poderá ser reduzida de um a dois terços.
Fique ligado no seguinte, se a questão apresentar termos restritos, como
NUNCA, JAMAIS, EM HIPÓTESE ALGUMA, a questão estará errada, já que o Direito
Penal não busca atos de heroísmo.
De ver-se a possibilidade, inclusive, por uma questão da banca CESPE, que foi
considerada correta. (CESPE) Age impelido por estado de necessidade o bombeiro
que se recusa a ingressar em prédio onde há incêndio de grandes proporções, com
iminente risco de desabamento, para salvar a vida de alguém que se encontre em
andar alto e que tenha poucas chances de sobreviver, dada a possibilidade de
intoxicação por fumaça, se houver risco para sua própria vida – CERTO.

ESTADO DE NECESSIDADE E OUTROS TEMAS DISCUTIDOS NO CÓDIGO PENAL


 ABERRATIO x ESTADO DE NECESSIDADE: o E.N permanece intacto.
 FURTO FAMÉLICO: considera-se em ESTADO DE NECESSIDADE aquele que
não tem, concretamente, os meios necessários/econômicos de prover sua
própria existência e acaba furtando alimentos.

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EXERCÍCIOS
1. São causas excludentes de culpabilidade o estado de necessidade, a legítima defesa e o
estrito cumprimento do dever legal.
Certo ( ) Errado ( )
2. As causas legais de exclusão da ilicitude, previstas na parte geral do Código Penal, são
estados de necessidade, legítima defesa, estrito cumprimento de dever legal, exercício
regular de direito e consentimento do ofendido.
Certo ( ) Errado ( )
3. Considere que, para salvar sua plantação de batatas, um agricultor desvie o curso de água
de determinada barragem para a chácara vizinha, causando vários danos em razão da
ação da água. Considere, ainda, que tanto a plantação desse agricultor quanto os danos
na chácara vizinha sejam avaliados em R$ 50.000,00. Nessa situação, não se configura o
estado de necessidade, uma vez que, segundo a sistemática adotada no Código Penal, a
exclusão de ilicitude só deve ser aplicada quando o bem sacrificado for de menor valor
que o bem salvo.
Certo ( ) Errado ( )
4. A atuação em estado de necessidade só é possível se ocorrer na defesa de direito próprio,
não se admitindo tamanha excludente se a atuação se destinar a proteger direito alheio.
Certo ( ) Errado ( )
5. Considere a seguinte situação hipotética. Ana estava passeando com o seu cão, da raça
pitbull, quando, por descuido, o animal soltou-se da coleira e atacou uma criança. Um
terceiro, que passava pelo local, com o intuito de salvar a vítima do ataque, atingiu o cão
com um pedaço de madeira, o que causou a morte do animal. Nessa situação hipotética,
ocorreu o que a doutrina denomina de estado de necessidade agressivo.
Certo ( ) Errado ( )

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LEGÍTIMA DEFESA
Art. 25 - Entende-se em legítima defesa quem, usando
moderadamente dos meios necessários, repele injusta agressão, atual
ou iminente, a direito seu ou de outrem.
Trata-se de uma causa de excludente de ilicitude que se completa ao se repelir injusta
agressão, atual ou iminente, a direito próprio ou alheio, usando dos meios necessários (leiam-
se disponíveis). O agente tem autorização legal para reagir a uma agressão (injusta) de outro
indivíduo, objetivando a cessação desse injusto pelo agente.

REQUISITOS PARA QUE SUBSISTA A LEGÍTIMA


DEFESA
 Agressão humana;
 Agressão injusta;
 Agressão atual ou iminente;
 Agressão a direito próprio ou de terceiros;
 Meios necessários (disponíveis);
 Requisito subjetivo.
(CESPE) Em relação às excludentes de ilicitude, na hipótese de legítima defesa,
o agente deve agir nos limites do que é estritamente necessário para evitar injusta
agressão a direito próprio ou de terceiros.
GABARITO: CERTO
COMENTÁRIO: É fato que o indivíduo deve agir de acordo com a lei, usando
os meios necessários para repelir a injusta agressão. Todavia, é preciso ter cuidado
em relação ao termo que a banca elencou como “limites”, pois a doutrina entende
que os meios necessários são aqueles disponíveis no momento do fato. Portanto, se
o indivíduo vem em sua direção com uma faca e você só tiver de posse de uma
bazuca, não haverá excesso se você disparar contra ele, a depender do contexto
fático e do número de disparos necessários a repelir o injusto.

AGRESSÃO INJUSTA
Agressão injusta significa agressão ilícita, ou seja, contra o ordenamento jurídico. Em
regra, a pessoa à qual o elemento está fazendo cessar a agressão está contra ele cometendo um
ilícito, não precisa ser necessariamente um crime, já que é permitido a legitima defesa para a
proteção da posse CC artigo 1.210 § 1º.
Ao seguir o rigor técnico, devemos lembrar que o termo agressão está associado a uma
conduta livre e consciente de um ser humano. Diante disso, lembro que o animal não tem
vontade no agir, digo, elemento subjetivo, pois age por instinto. Por esse motivo que não se
considera agressão injusta quando ele avança sem instigação de uma pessoa,

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consequentemente, não haverá legítima defesa se o indivíduo mata o cachorro nessa situação,
mas sim a excludente do Estado de Necessidade.
“A”, surpreendido por cão feroz, efetua disparos para que não seja
atacado ou para cessar o ataque: ESTADO DE NECESSIDADE.
Por outro lado, quando o animal é instigado por “A” a atacar “B”, muda-se de um simples
ataque (animal) para uma agressão (humana), pois o animal está sendo utilizado como um meio
empregado para a dita agressão humana, isto é, passa a ser uma arma de “A”. Portanto, estar-
se-ia, nesse caso, configurada a legítima defesa.
Cão foi atiçado por seu dono para atacar “A”, que mata o cão:
LEGÍTIMA DEFESA.
Vale lembrar que, no caso de legitima defesa, os disparos devem ser
feitos contra o cão, e não contra o dono, pois nesse caso, seria
configurado homicídio por parte de “A”.

INJUSTA PROVOCAÇÃO NÃO É UM DOS REQUISITOS PARA A LEGÍTIMA


DEFESA. NESSE CASO, NÃO HAVERÁ EXCLUDENTE DE ILICITUDE, MAS ATENUANTE

OU MINORANTE PREVISTAS NO CÓDIGO PENAL

(CESPE) Henrique é dono de um feroz cão de guarda, puro de origem e


premiado em vários concursos, que vive trancado dentro de casa. Em determinado
dia, esse cão escapou da coleira, pulou a cerca do jardim da casa de Henrique e
atacou Lucas, um menino que brincava na calçada. Ato contínuo, José, tio de Lucas,
como única forma de salvar a criança, matou o cão.
Nessa situação hipotética, José agiu em legítima defesa de terceiro.
GABARITO: ERRADO
COMENTÁRIO: pegadinha!!! José agiu em Estado de Necessidade de
Terceiros, pois o cão não foi utilizado por Henrique como uma arma. O cão
simplesmente escapou da casa e atacou o Lucas. Nesse caso, José salvou o menino
de um perigo atual, que não foi provocado por ele. Por outro lado, se o Henrique
tivesse instigado/dado ordem para que o cão atacasse o garoto, estaríamos diante
de uma Legítima Defesa, já que José, nessa hipótese, repeliria injusta agressão dada
por Henrique.
Lembrem-se:
 CÃO ATACA.
 HOMEM AGRIDE.

AGRESSÃO ATUAL OU IMINENTE


Nós vimos que no Estado de Necessidade somente é válido quando diante de um PERIGO
ATUAL, não havendo possibilidade nos casos de iminência do perigo. Entretanto, para a
Legítima Defesa pode ser uma AGRESSÃO INJUSTA atual (lesão efetiva) ou iminente (situação
de perigo).

AGRESSÃO PASSADA CONSTITUI VIGANÇA E NÃO LEGÍTIMA DEFESA

AGRESSÃO A DIREITO PRÓPRIO OU DE TERCEIRO

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Vale aqui a mesma explicação que foi dada no estado de necessidade, mas adequando-se
que a “agressão” tem de partir de um ser humano, em caso de ataque de animal, sem ser um
meio empregado por uma pessoa, o caso passa a ser de estado de necessidade.
MEIOS NECESSÁRIOS
Aqui se lê “meios disponíveis”. O agente deve repelir a injusta agressão sempre com os
meios que estiver a sua disposição no momento da agressão.
Exemplo: “A” é policial e apreende uma bazuca com “B”. Acontece que “C” aparece de posse de
um revólver .38 para matar o policial “A” e fugir com seu comparsa “B”.
 O QUE FAZER:
 Solicita que “C” aguarde um momento para que “A” coloque a bazuca ao chão e se
utilize de uma pistola .40 para haver proporcionalidade?
 Levando-se em conta o bem jurídico em jogo (vida), “A” pode se utilizar da bazuca
e estraçalha “C”, já que é o único jeito de cessar a agressão?
 RESPOSTA:
Nesse caso, a brincadeira é muito válida, pois é aqui que tiramos do concursando a ideia
que os meios necessários devem ser “equivalentes” ao do agressor. O que conta são os meios
disponíveis. Assim, ficamos com o número 02, ou seja, explodimos o agressor com a finalidade
de que cesse sua agressão!
REQUISITO SUBJETIVO
Aqui vale também a explicação do estado de necessidade, pois o agente não pode estar
com a ideia anterior de cometer crime e se utilizar do caso posterior concreto para alegar
legítima defesa. Aquele que chama outra pessoa para brigar não está amparado por essa
excludente, pois provocou a situação para se valer da legítima defesa.

(CESPE) João não poderá alegar legítima defesa, pois utilizou navalha para
revidar agressões de homem desarmado.
GABARITO: ERRADO
COMENTÁRIO: No presente caso, João agrediu verbalmente Pedro. João não
poderia alegar legítima defesa, porquanto deu causa ao resultado briga, já com essa
intenção. A questão é bem clara quando diz "atracaram-se". Não foi Pedro que partiu
para cima de João e esse tentou se defender. Visto isso, João, realmente, não poderá
alegar legítima defesa, mas não pelo fato de ter usado uma navalha, por isso a
questão está incorreta.

 EXEMPLOS DE LEGÍTIMA DEFESA:


1. “A”, desafeto de “B”, arma-se com um machado e prestes a desferir um golpe
é surpreendido pela reação de “B”, que saca um revólver e efetua um disparo.
2. “A”, munido de um cão, atiça o animal na direção de “B”, que atira no
enfurecido animal para repelir a injusta agressão

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3. “A”, menor de idade, saca um fuzil para atirar em “B”, mas é surpreendido por
ele, que saca uma bazuca, único meio disponível no momento, vindo a
“explodi-lo”.
DIFERENÇA ENTRE ESTADO DE NECESSIDADE E LEGÍTIMA
DEFESA
ESTADO DE
NECESSIDADE LEGÍTIMA
DEFESA

AGRESSÃO INJUSTA
PERIGO ATUAL ATUAL OU
IMINENTE
CONFLITO DE
BEM DIREITO SOFRE
JURÍDICO PERIGO

PERIGO PODE OU INJUSTA AGRESSÃO


NÃO VIR DE DE UMA CONDUTA
CONDUTA HUMANA HUMANA
VALE CONTRA SOMENTE
TERCEIRO CONTRA O
INOCENTE AGRESSOR
A SITUAÇÃO DE NECESSITA SER
PERIGO NÃO PRECISA UMA AGRESSÃO
SER INJUSTA INJUSTA

TEMAS RECORRENTES QUE ENVOLVEM A LEGÍTIMA


DEFESA
LEGÍTIMA DEFESA DA HONRA
Muito cuidado nesse ponto, pois a doutrina majoritária entende pela possibilidade de
legítima defesa da honra, mas calma!!!
Em uma situação de injúria contra determinada pessoa, caberá legítima defesa para que
o ofendido cale o autor da injúria, mas somente com os meios e modos estritamente necessários
à cessação da injúria. Tudo vai depender da intensidade a que se encontra o caso concreto. O
objetivo é sempre calar o agressor que está proferindo injúrias de maneira contínua. Por óbvio,
não se valerá da morte do indivíduo ou de lesões gravíssimas para cessar o injusto.
“A” inicia, sem parar, uma série de xingamentos ao indivíduo “B”,
chamando de gordo seboso sovaco cheira mal. “B”, para cessar a
injúria, parte em direção a “A” para calar a boca dele.
Por outro lado, o que o Direito Penal não autoriza é a Legítima Defesa da Honra no
contexto do ADULTÉRIO, como nos tempos passados, em que o marido lavava sua honra com a
morte da adúltera e do adúltero.
“A” marido traído chega em casa e surpreende “C”, sua esposa, em
conjunção carnal com “B”. Enfurecido pega sua arma e dispara
contra a esposa traidora.

LEGÍTIMA DEFESA CONTRA INIMPUTÁVEL


Apesar de o ordenamento jurídico entender que os inimputáveis não são culpáveis, é
plenamente possível a legítima defesa contra esses indivíduos, isso porque o que prevalece é o
caráter de uma agressão (humana) injusta, sendo uma conduta livre e consciente. Em outros
termos, não importa se o indivíduo era incapaz de entender o caráter ilícito do fato ao tempo
da ação ou omissão. Bastando que seja uma agressão injusta.

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LEGÍTIMA DEFESA E PORTE DE ARMA DE FOGO
(CONSUNÇÃO)

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É recorrente a banca cobrar um caso concreto envolvendo homicídio no contexto em que
o autor não possuía autorização do porte no momento da ação. Você vai levar para a sua prova
que será utilizado o PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO quando o indivíduo se apossou da arma apenas
no momento da injusta agressão, justamente para essa finalidade.
NÃO RESPONDERÁ POR NENHUM CRIME
“A”, Policial Federal, prende “B” e deixa-o encostado na parede para
verificar as condições da viatura. Acontece que “A” não fez a busca
pessoal após a prisão. Nesse meio tempo, “B” consegue se
desvencilhar das algemas e saca uma arma para matar o Policial “A”.
Para a sorte desse policial, “C”, um cidadão de bem, estava indo ao
encontro de “A” para tirar uma dúvida, momento este que percebeu
a movimentação do bandido, pegou a arma de “A” e efetuou disparos
contra “B”, que morreu no local.
Por outro lado, se o porte se deu anterior ao momento da ação ou omissão, o indivíduo
que agiu em legítima defesa responderá pelo crime do art. 14 ou art. 16 do Estatuto do
Desarmamento.
Se no mesmo contexto anterior, “C” já estivesse portando uma arma
sem autorização, ele não responderia pelo homicídio, mas estaria
diante de um crime tipificado na Lei 10.826/2003.

PORTE APENAS NO NÃO HÁ CRIME DE


MOMENTO DA PORTE ILEGAL
LEGÍTIMA DEFESA (CONSUNÇÃO)
PORTE ILEGAL DE
ARMA DE
FOGO
CRIME DO ART. 14 OU 16
PORTE ANTERIOR À LEGÍTIMA
DO

DEFESA E
S
T
A
T
U
T
O
D
O
D
E
S
A
R
M
A
M
E
N
T
O

LEGÍTIMA DEFESA CONTRA EXCLUDENTE DE


ILÍCITUDE REAL
Não é possível essa aplicação justamente por um dos requisitos da Legítima Defesa Real,
qual seja, INJUSTA AGRESSÃO. Aquele que está diante de uma excludente de ilicitude pratica
um ato justo, revestido de licitude. Assim como não é possível Legítima Defesa Real simultânea,

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pois impossível haver duas injustas agressões, ao mesmo tempo, de ambos os lados.
Por outro lado, é plenamente possível a LEGÍTIMA DEFESA REAL contra LEGÍTIMA
DEFESA PUTATIVA, já que a agressão só é justa na cabeça do indivíduo que acredita estar diante
de uma legítima defesa. Assim como o contrário também é verdadeiro, LEGÍTIMA DEFESA
PUTATIVA CONTRA LEGÍTIMA DEFESA REAL. O agente em legítima defesa putativa acha,
plenamente, que está diante de uma agressão injusta.
LEGÍTIMA DEFESA PUTATIVA CONTRA LEGÍTIMA DEFESA
REAL
“A” está agredindo um mendigo que está em frente à sua casa, “B”
visualiza a situação e começa a repelir injusta agressão contra
terceiros. Todavia, “C”, filho de “A”, chegando em casa, observa que
seu pai está apanhando de “B”, e começa a agredi-lo. Mal sabia que
foi seu pai o causador de tudo isso.
 LEGÍTIMA DEFESA REAL x PUTATIVA = POSSÍVEL
 LEGÍTIMA DEFESA PUTATIVA x REAL = POSSÍVEL
 LEGÍTIMA DEFESA PUTATIVA x PUTATIVA = POSSÍVEL
 LEGÍTIMA DEFESA REAL X REAL = IMPOSSÍVEL

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LEGÍTIMA DEFESA SUCESSIVA
É caracterizado quando determinado indivíduo consegue cessar injusta agressão de outra
pessoa, mas continua na empreitada, caracterizando o excesso. Nesse caso, aquele que iniciou
a agressão pode agora se valer da legítima defesa (sucessiva). Interessante, né?
“A” anuncia assalto contra indivíduo “B”, que consegue se
desvencilhar do assalto, vai para cima de “A” e desfere vários golpes.
“B” já cessou a injusta agressão, mas continua esmurrando “A”. Nesse
momento, dado o excesso na legítima defesa de “B”, o ordenamento
jurídico autoriza a legítima defesa sucessiva de “A.

(CESPE) Considere que um estuprador, no momento da consumação do delito,


tenha sido agredido pela vítima que antes tentara subjugar. A vítima, então, de posse
de uma faca, fere e imobiliza o agressor, mas, pensando ainda estar sob o influxo do
ataque, prossegue na reação, infligindo-lhe graves ferimentos. Nessa situação, não
é cabível ao estuprador invocar legítima defesa em relação à vítima da tentativa de
estupro, porquanto aquele que deu causa aos acontecimentos não pode valer-se da
excludente, mesmo contra o excesso.
GABARITO: ERRADO
COMENTÁRIO: É importante que não coloquemos nosso achismo nas
questões. Traga somente o conteúdo estudado, pois em um caso como esse, você
pode errar por besteiras. A Legítima Defesa é caracterizada pela repulsa de injusta
agressão ATUAL OU IMINENTE. Nesse contexto, o agressor já tinha sido
imobilizado, cessando a condição de agressão atual ou iminente e, assim,
descaracterizando a Legítima Defesa a partir daquele momento. Diante disso, se a
vítima inicial passar a agredir o estuprador, passa-se ao ambiente do excesso,
podendo, portanto, o estuprador invocar a Legítima Defesa contra a vítima,
denominada LEGÍTIMA DEFESA SUCESSIVA.

LEGÍTIMA DEFESA NOS CASOS DE ABERRATIO


ICTUS (ERRO NA EXECUÇÃO)
A legítima defesa permanecerá intacta nos casos envolvendo erro na execução, pois o
Direito Penal vai se valer do elemento subjetivo do indivíduo, analisando aquilo que ele queria
praticar, inclusive, seguindo o art. 73 c/c o art. 20, art. § 3º do Código Penal, pois não se será
considerada, neste caso, as condições ou qualidades da vítima, senão as da pessoa contra quem
o agente queria repelir a injusta agressão.
Policial que repele injusta agressão de um bandido, mas acaba
acertando uma criança que passa correndo em frente ao confronto.
Nesse caso, o Policial não responderá pelo homicídio da criança, pois
continuará em Legítima Defesa, haja vista a intenção de atingir o
bandido.

(CESPE) Em uma situação hipotética, um assaltante atirou em um policial que,


na Legítima Defesa, atirou na direção do assaltante para conter a sua conduta.
Acidentalmente, o policial acertou um terceiro, inocente, que veio a falecer. Nesta
situação hipotética, a Legítima Defesa continua caracterizada.
GABARITO: CERTO
COMENTÁRIO: É muito comum deslizar nesse tipo de questão por achar que
o policial em confronto age em estrito cumprimento do dever legal. Entretanto,

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ninguém, no país, tem o dever legal de matar. Essa figura é aceita em alguns países,
executada pelo Carrasco. O policial tem o dever legal de prender o indivíduo que está
em flagrante delito. Por outro lado, se repele injusta agressão atual ou iminente,
estará diante de uma Legítima Defesa. ATENTE-SE A NOVA MODALIDADE!

LEGÍTIMA DEFESA DO AGENTE DE SEGURANÇA


PÚBLICA (PACOTE ANTICRIME – LEI 13.964/2019)
CÓDIGO PENAL
Art. 25 (...)
Parágrafo único. Observados os requisitos previstos no caput
deste artigo, considera-se também em legítima defesa o agente de
segurança pública que repele agressão ou risco de agressão a
vítima mantida refém durante a prática de crime.
Estamos diante de uma legítima defesa de terceiros, mas com um caráter mais específico:
Policial que repele injusta agressão para salvar vítima mantida refém durante a prática de
crime. Esse dispositivo torna mais objetivo o enquadramento de situações que envolvem os
casos de snipers abatendo criminosos que mantém a vítima como refém. O exemplo mais atual
foi o ocorrido no Rio de Janeiro no ano de 2019.
EXCESSO PUNÍVEL
Art. 23 (...)
Parágrafo único - O agente, em qualquer das hipóteses deste artigo,
responderá pelo excesso doloso ou culposo.

Nesse tópico, basta conhecer os tipos e os conceitos a respeito dos excessos:

 EXCESSO EXTENSIVO: Não está mais em legítima defesa. O agente já cessou a


agressão, mas continua na empreitada.

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 EXCESSO INTENSIVO: Continua em situação de legítima defesa, apenas se excede
nos meios empregados, como já falamos sobre o exemplo da bazuca.

 EXCESSO EXCULPANTE: criado pela doutrina e jurisprudência, é utilizado nos


momentos em que não há a possibilidade de raciocínio moderado da vítima. Decorre
de uma mudança de estado de ânimo no momento da ação, seja por medo ou reação
de surpresa. Nesse tipo de excesso, EXCLUI-SE A CULPABILIDADE POR
INEXIBILIDADE DE CONDUTA DIVERSA.

ESTRITO CUMPRIMENTO DO DEVER LEGAL E


EXERCÍCIO REGULAR DE UM
DIREITO
Tratam-se de excludentes de ilicitude que necessitam de outros dispositivos para
complementá-las, assim como as normas penais em branco. O Estrito Cumprimento do Dever
Legal é de cunho obrigatório, que decorre de LEI. Por outro lado, o Exercício Regular de um
Direito é exercido opcionalmente. Um caso prático é a prisão de infratores por Policiais (no
primeiro caso) ou particulares (no segundo caso).
CÓDIGO DE PROCESSO PENAL
Art. 301. Qualquer do povo poderá (Exercício Regular de um
Direito) e as autoridades policiais e seus agentes deverão (Estrito
Cumprimento do Dever Legal) prender quem quer que seja
encontrado em flagrante delito.

ESTRITO CUMPRIMENTO DO DEVER LEGAL


Como o nome já diz, é a excludente de ilicitude utilizada nos ditames do cumprimento da
LEI, em sentido amplo. Lembre-se de que NÃO É DEVER LEGAL de ninguém tirar a vida de uma
pessoa, pois não existe a figura do carrasco no Brasil. A banca vai jogar um caso concreto de
legítima defesa em um contexto de confronto entre policiais e bandidos, mas vai afirmar ser um
caso de estrito cumprimento do dever legal. NÃO CAIA NESSA!
O policial que mata bandido em uma ação, porque repeliu injusta agressão, age em
LEGÍTIMA DEFESA.
ALGUNS CASOS DE ESTRITO CUMPRIMENTO DO DEVER LEGAL
 Pena de morte exercida pelo carrasco;
 Prisão em flagrante realizada por policiais;
 Busca pessoal autorizada por lei;
 Entrada forçada em domicílio quando em estado de flagrância.

EXERCÍCIO REGULAR DE UM DIREITO


Por ser um direito, tem-se o seu exercício de caráter opcional, diferentemente da
excludente supracitada. Nota-se que determinada conduta pode ser um DEVER LEGAL, mas
quando praticado por um particular, pode configurar, em regra, um exercício de um DIREITO,
como foi citado o exemplo da prisão em flagrante.
ALGUNS CASOS DE EXERCÍCIO REGULAR DE UM
DIREITO
 Prisão em flagrante de particular.

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 Entrada em domicílio alheio sem autorização quando, por exemplo, socorrer o
morador ou em caso de desastre.
 Utilização de ofendículos nos muros para proteção da casa (desde que visível e
inacessível a terceiros inocentes, conforme jurisprudência dos tribunais
superiores).
(CESPE) Quanto ao sujeito ativo da prisão, o flagrante executado por policiais
é classificado como obrigatório, hipótese em que a ação de prender e as eventuais
consequências físicas dela advindas em razão do uso da força se encontram abrigadas
pela excludente de ilicitude denominada exercício regular de direito.
GABARITO: CERTO
COMENTÁRIO: Por expressa previsão legal, a autoridade policial e seus
agentes DEVERÃO prender quem quer que esteja em flagrante delito.
CÓDIGO DE PROCESSO PENAL
Art. 301. Qualquer do povo poderá e as autoridades policiais e seus agentes
deverão prender quem quer que seja encontrado em flagrante delito.
É importante destacar que se alterar a figura do agente, isto é, substituir por
um particular, deixa de ser uma excludente de ilicitude por ESTRITO CUMPRIMENTO
DO DEVER LEGAL e passa-se a ser a excludente DENOMINADA EXERCÍCIO REGULAR
DE UM DIREITO.
FIQUE LIGADO!!!

EXERCÍCIOS
1. Situação hipotética: Um policial, ao cumprir um mandado de condução coercitiva
expedido pela autoridade judiciária competente, submeteu, embora
temporariamente, um cidadão a situação de privação de liberdade. Assertiva: Nessa
circunstância, a conduta do policial está abarcada por uma excludente de ilicitude
representada pelo exercício regular de direito.
Certo ( ) Errado ( )
2. O oficial de justiça encontra-se em exercício regular de direito ao cumprir mandado
de reintegração de posse de bem imóvel de propriedade de banco público, com ordem
de arrombamento, desocupação e imissão de posse.
Certo ( ) Errado ( )
3. A legítima defesa é causa de exclusão da ilicitude da conduta, mas não é aplicável caso
o agente tenha tido a possibilidade de fugir da agressão injusta e tenha optado
livremente pelo seu enfrentamento.
Certo ( ) Errado ( )
4. Haverá legítima defesa sucessiva na hipótese de excesso, que permite a defesa
legítima do agressor inicial.
Certo ( ) Errado ( )
5. A execução de pena de morte feita pelo carrasco, em um sistema jurídico que admita
essa modalidade de pena, é exemplo clássico de estrito cumprimento de dever legal.
Certo ( ) Errado ( )

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0
GABARITO
1. Errado
2. Errado
3. Errado
4. Certo
5. Certo

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0
DA IMPUTABILIDADE PENAL
CULPABILIDADE
A culpabilidade é o juízo de valor negativo, isto é, reprovação social que é feita a respeito
do autor de um fato típico e antijurídico. Isso porque o indivíduo pode ao menos prever as
consequências dos seus atos no caso concreto. Diante disso, pode-se notar que a culpabilidade
é um dos requisitos do crime, que irá se utilizar nesse quesito da Teoria Normativa Pura da
Culpabilidade, entendendo que o autor de um fato típico e ilícito será culpável quando
presentes à imputabilidade penal, à potencial consciência da ilicitude e à exigibilidade de
conduta diversa. Nesse contexto, importa destacar que a regra utilizada pelo Código Penal, e
adotada pela maioria da doutrina, é a Culpabilidade Limitada, gerando efeitos diversos
quando o recai sobre as descriminantes putativas (estudamos esse assunto na aula de Erro de
Proibição).

CULPABILIDADE

POTENCIAL
EXIGIBILIDADE DE
CONSCIÊNCIA DA
CONDUTA DIVERSA IMPUTABILIDADE
ILICITUDE

(CESPE) A imputabilidade, a exigibilidade de conduta diversa e a potencial


consciência da ilicitude são elementos da culpabilidade.
GABARITO: CERTO
COMENTÁRIO: O crime em sua corrente tripartida é dividido em fato típico,
antijurídico e culpável (culpabilidade). A culpabilidade, por sua vez, é dividida em
imputabilidade, potencial consciência da ilicitude e exigibilidade de conduta diversa.

INIMPUTABILIDADE
Art. 26 - É isento de pena o agente que, por doença mental ou
desenvolvimento mental incompleto ou retardado, era, ao tempo da
ação ou da omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter
ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento.
Redução de Pena:
Parágrafo único - A pena pode ser reduzida de um a dois terços, se
o agente, em virtude de perturbação de saúde mental ou por
desenvolvimento mental incompleto ou retardado não era
inteiramente capaz de entender o caráter ilícito do fato ou de
determinar-se de acordo com esse entendimento.
Na aula de hoje, especificamente, estudaremos as EXCLUDENTES DE IMPUTABILIDADE
PENAL (INIMPUTÁVEL), que é tema recorrente em provas de concursos da Carreira Policial. A
Imputabilidade Penal está relacionada a capacidade de entender que o fato cometido é tido
como ilícito ou de determinar-se de acordo com esse entendimento.

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Diante da leitura do artigo supracitado, nota-se que o ordenamento jurídico penal adotou,
como regra, o critério BIOPSICOLÓGICO para aplicação INIMPUTABILIDADE.

INIMPUTABILIDADE SANIDADE BIOPSICOLÓGICO


MENTAL (RELAT
CULPABILIDADE
MENOR DE 18 BIOLÓGICO
ANOS
(ABSOLUTO)

Portanto, a Imputabilidade Penal do indivíduo será excluída quando o autor do fato, no


momento do crime, não somente não possuía doença mental ou desenvolvimento mental
incompleto, mas também não tinha capacidade de entender o caráter ilícito do fato ou de
determinar-se de acordo com esse entendimento. De ver-se, então, que há um critério relativo,
não bastado que seja somente doente mental.
INIMPUTABILIDADE (ISENÇÃO DE PENA)
Imagine que o remédio de “A” tenha acabado e que ele ficou
COMPLETAMENTE louco. Em um ato insano, veio a esfaquear uma
pessoa. Ser-lhe-á aplicada a inimputabilidade penal, já que, no
momento do crime, ele ficou inteiramente incapaz de entender-se de
acordo com o entendimento da ilicitude do fato, não lhe sendo
aplicada pena. Por outro lado, seguindo o sistema vicariante de pena,
aplicar-se-á MEDIDA DE SEGURANÇA.

CONTINUA IMPUTÁVEL (COM CAPACIDADE DE RECEBER PENA)


“A” estava interditado judicialmente por loucura total. Contudo, em
um certo dia, ele tomou remédio e retornou lucidez. Apesar de ser
diagnosticado como louco pela perícia, “A”, em determinado
momento de uma conduta delituosa, estava em condições de
entender o caráter ilícito do fato. Como o Direito Penal adotou o
critério BIOPSICOLÓGICO, “A” responderá pelo crime.
Do critério biopsicológico, extrai-se as seguintes excludentes de imputabilidade:
BIOPSICOLÓGICO

DOENÇA MENTAL OU
DESENVOLVIMENTO
MENTAL INCOMPLETO

EMBRIAGUEZ
COMPLETA
INVOLUNTÁRIA

DEPENDÊNCIA
QUÍMICA

Por outro lado, há uma exceção à regra quando tratamos sobre causas de
inimputabilidade penal, que é o critério biológico, levando em consideração, exclusivamente, a
idade do indivíduo no momento da prática delituosa. Nesse caso, não há relativização, basta
que o indivíduo seja menor de idade para que recaia sobre ele essa condição. Vale lembrar que
essa condição decorre da própria Constituição Federal, sendo, simplesmente, corroborada pelo
Código Penal.

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0
CONSTITUIÇÃO FEDERAL
Art. 228. São penalmente inimputáveis os menores de dezoito anos,
sujeitos às normas da legislação especial.
CÓDIGO PENAL
Art. 27 - Os menores de 18 (dezoito) anos são penalmente
inimputáveis, ficando sujeitos às normas estabelecidas na legislação
especial.
Para tanto, deve-se considerar sempre O TEMPO DO CRIME, conforme Princípio da
Atividade do Direito Penal.
Piquinelson, às 23h59 do dia 11/03/2020, praticou uma conduta
tipificada no Código Penal. Entretanto, neste exato momento,
Piquinelson tinha 17 anos, sendo considerado inimputável. Portanto,
como se considera praticado o crime no momento da ação ou omissão
ainda que outro seja o momento do resultado, Piquinelson não
cometeu crime, mas ato infracional.
Destaca-se que os menores não sofrem sanção penal pela prática do ilícito por causa da
ausência de culpabilidade. Nesse caso, eles se sujeitam ao procedimento e às medidas
socioeducativas previstas no ECA.
PARA EFEITOS PENAIS, O RECONHECIMENTO DA MENORIDADE DO RÉU
REQUER PROVA POR DOCUMENTO HÁBIL.
SÚMULA 74 DO STJ

(CESPE) Em relação à menoridade penal, o Código Penal adotou o critério


puramente biológico, considerando penalmente inimputáveis os menores de dezoito
anos de idade, ainda que cabalmente demonstrado que entendam o caráter ilícito de
seus atos.
GABARITO: CERTO
COMENTÁRIO: O Direito Penal adotou como regra o sistema biopsicológico.
Nesse sentido, será excluída quando o autor do fato, no momento do crime, não
somente não possuía doença mental ou desenvolvimento mental incompleto, mas
também não tinha capacidade de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-
se de acordo com esse entendimento. De ver-se, então, que há um critério relativo,
não bastado que seja somente doente mental. Por outro lado, como exceção
adotou o sistema puramente biológico para condição da menoridade penal. Falamos
aqui em caráter absoluto, pois basta ter idade inferior a 18 anos, que o indivíduo será
considerado INIMPUTÁVEL, independente da potencial consciência da ilicitude do fato
e da exigibilidade de conduta diversa.

EMBRIAGUEZ COMO CAUSA DE INIMPUTABILIDADE


PENAL
Há dois casos de embriaguez que resulta na inimputabilidade penal do indivíduo.
Art. 28 (...)
§ 1º - É isento de pena o agente que, por embriaguez completa,
proveniente de caso fortuito ou força maior, era, ao tempo da ação
ou da omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito
do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento.

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0
EMBRIAGUEZ COMPLETA INVOLUNTÁRIA

A banca costuma cobrar o texto seco da lei. Todavia, você tem de entender o seguinte, a
ingestão de álcool se dá em decorrência de um CASO FORTUÍTO ou FORÇA MAIOR. Portanto,
a banca pode afirmar que é ISENTO DE PENA quem, no momento da ação ou omissão, por causa
de embriaguez completa INVOLUNTÁRIA (leia-se caso fortuito ou força maior), era
INTEIRAMENTE incapaz de entender a ilicitude do fato ou de determinar de acordo com esse
entendimento.
Por outro lado, ocorrerá a SEMI-IMPUTABILIDADE PENAL quando reunidas as
características acima, o indivíduo não era plenamente capaz de entender o caráter ilícito do
fato. Em outras palavras, enquanto que o inteiramente incapaz é ISENTO DE PENA, o
“parcialmente capaz” é SEMI-IMPUTÁVEL, tendo sua pena reduzida de 1/3 – 2/3, de acordo
com o Art. 28, II, § 2º.
Art. 28 (...)
II (...)
§ 2º - A pena pode ser reduzida de um a dois terços, se o agente, por
embriaguez, proveniente de caso fortuito ou força maior, não
possuía, ao tempo da ação ou da omissão, a plena capacidade de
entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo
com esse entendimento.
EMBRIAGUEZ PATOLÓGICA
O Direito Penal entende que a embriaguez patológica se equipara aos casos do art. 26,
porque o indivíduo é tratado como enfermo mentalmente. Entretanto, é necessário analisar se,
diante da embriaguez patológica, ele era ao tempo do crime inteiramente incapaz de entender
a ilicitude do fato, conforme critério biopsicológico.

EMBRIAGUEZ QUE NÃO EXCLUE A IMPUTABILIDADE


PENAL
Art. 28 - Não excluem a imputabilidade penal:
II - a embriaguez, voluntária ou culposa, pelo álcool ou substância
de efeitos análogos.
Existem modalidades de embriaguez completa que não ensejará na ISENÇÃO DE PENA do
autor de um crime. E é com isso que devemos ter cuidado ao analisar as questões. Portanto, a
embriaguez voluntária, ou seja, quando se tem a vontade livre e consciente de ficar bêbado,
não isentará o indivíduo de pena. Assim também será com a embriaguez culposa, justamente
quando o indivíduo fica bêbado por imprudência apesar de não ter intenção de se embriagar.
Vale lembrar que não será punido a título de dolo direito e nem de dolo eventual quando,
por si só, o indivíduo se embriaga, toma direção de veículo automotor e mata alguém, exceto se
utilizar o veículo para praticar o homicídio.

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EMBRIAGUEZ PREORDENADA
Meu aluno, o Direito Penal pune o agente por aquilo que ele QUER praticar, denominado
elemento subjetivo. Entretanto, será aplicada a responsabilização objetiva nos casos em que o
indivíduo perde parcial ou totalmente a consciência, mas se valendo de bebida alcoólica para
praticar determinada conduta delituosa como se fosse um “agente motivador”, pois não tem
coragem de realizar quando se encontra em estado sóbrio. Nesses casos, o Direito Penal pune
mais severamente, aplicando a agravante genérica e a teoria do actio libera in causa, que
significa que “a ação do autor é livre na causa”, mesmo sendo, ao tempo do crime, inteiramente
incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse
entendimento, o indivíduo será punido por crime DOLOSO.
(CESPE) Tendo sido adotada a teoria da actio libera in causa pelo Código Penal,
é permitida a exclusão da imputabilidade do agente se a embriaguez não acidental
for completa e culposa.
GABARITO: ERRADO
COMENTÁRIO: Segundo o princípio do actio libera in causa quem se coloca na
condição voluntária de embriaguez responde pelo crime. Para que a embriaguez
exclua a culpabilidade, gerando a isenção de pena, é necessário que ela seja
involuntária (acidental) absoluta/completa, proveniente de caso fortuito ou força
maior.

EMBRIAGUEZ
COMPLETA

PREORDENADA
VOLUNTÁRIA OU
INVOLUNTÁRIA (actio libera in
CULPOSA
causa)

RESPONDE PELO
RESPONDE PELO CRIME COM
ISENTA DE PENA
CRIME AGRAVANTe DO
CÓDIGO PENAL

SISTEMA VICARIANTE DE PENA


Diante da análise da inimputabilidade e dos demais assuntos da Parte Geral do Código
Penal, é importante destacar que o Direito Penal adotou o Sistema Vicariante no momento da
aplicação da pena, ou seja, o indivíduo sofrerá PENA (Prisão) ou Medida de Segurança, NUNCA
POR AMBOS. Sofrerá sanção penal o autor considerado IMPUTÁVEL; e Medida de Segurança, o
INIMPUTÁVEL.

1
0
RESPONDE PELO
PENA CRIME
SISTEMA VICARIANTE
MEDIDA ISENÇÃO DE PENA
DE SEGURANÇA

É importante você saber sobre esse sistema, pois existem os casos de SEMI-
IMPUTABILIDADE PENAL, que o indivíduo responderá pelo crime, mas com redução de 1/3 a
2/3 da pena aplicada, nunca ambas ao mesmo tempo.
SEMI-IMPUTABILIDADE
Art. 26 (...)
Parágrafo único - A pena pode ser reduzida de um a dois terços, se
o agente, em virtude de perturbação de saúde mental ou por
desenvolvimento mental incompleto ou retardado não era
inteiramente capaz de entender o caráter ilícito do fato ou de
determinar-se de acordo com esse entendimento.

RESUMO ESQUEMATIZADO

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0
EXERCÍCIOS
Pedro, com vinte e dois anos de idade, e Paulo, com vinte anos de idade, foram
denunciados pela prática de furto contra Ana. A defesa de Pedro alegou inimputabilidade. Paulo
confessou o crime, tendo afirmado que escolhera a vítima porque, além de idosa, ela era sua tia.
1. (CESPE) Se, em virtude de perturbação de saúde mental, Pedro não for inteiramente
capaz de entender o caráter ilícito do seu ato ou de determinar-se de acordo com esse
entendimento, a pena imposta a ele poderá ser reduzida.
Certo ( ) Errado ( )
2. (CESPE) É isento de pena o agente que, por embriaguez voluntária completa, era, ao
tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato.
3. (CESPE) A responsabilidade penal independe da imputabilidade do agente.
Certo ( ) Errado ( )
4. (CESPE) É isento de pena o agente que, por embriaguez completa, proveniente de caso
fortuito ou força maior, tenha sido, ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente
incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse
entendimento.
Certo ( ) Errado ( )
5. A embriaguez completa provocada por caso fortuito é causa de inimputabilidade do
agente.
Certo ( ) Errado ( )
6. Pessoas doentes mentais, que tenham dezoito ou mais anos de idade, mesmo que sejam
inteiramente incapazes de entender o caráter ilícito da conduta criminosa ou de
determinar-se de acordo com esse entendimento, são penalmente imputáveis.
Certo ( ) Errado ( )

1
0
GABARITO
1. Certo
2. Errado
3. Errado
4. Certo
5. Certo
6. Errado

EMOÇÃO E PAIXÃO
Art. 28 - Não excluem a imputabilidade penal:
I. A emoção ou a paixão;
Por expressa previsão legal, a emoção e a paixão não excluem a imputabilidade penal,
consequentemente, não haverá isenção de pena.
Por outro lado, poderá, em casos específicos, servir como diminuição de pena,
denominado em algumas situações como privilégio, a exemplo do homicídio – Art. 121, §1º, CP.
Para tanto, no momento do fato, haver-se-á necessidade da existência de alguns requisitos
associados ao autor do fato:

I - IMPELIDO POR RELEVANTE VALOR SOCIAL OU MORAL

OU

II - SOB DOMÍNIO DE VIOLENTA EMOÇÃO

+
III - APÓS INJUSTA PROVOCAÇÃO DA VÍTIMA

Da leitura do código, percebemos que a emoção e a paixão não são termos com o mesmo
significado. A emoção é um sentir intenso mais transitório, mais volátil, que se esvai
rapidamente. Já a paixão se trata de algo mais duradouro. Nas palavras de Fernando Capez,
Fernando Capez, “um torcedor de futebol fanático sente ‘paixão’ por seu clube preferido e
‘emoção’ quando o time marca um gol. Além disso, do texto se extrai que haverá a diminuição
de pena/privilégio quando cumulados os requisitos I “a” ou “b” + III; ou também II + III.
Portanto, não necessita que o indivíduo esteja impelido por relevante valor social e moral, e sob
domínio de violenta emoção. Bastando que esteja em uma das situações I ou II, mas sempre
somada à III.
É importante destacar que o art. 121, §1º, CP, descreve que, no caso da violenta emoção,
o indivíduo deve estar SOB DOMÍNIO, pois se estiver SOB INFLUÊNCIA, não haverá diminuição
da pena, mas simples atenuante genérica. Cuidado com esse tipo de questão. A banca sempre
vai querer te pegar colocando o termo INFLUÊNCIA, mas não haverá diminuição de pena nesses
casos.

1
0
DOMÍNIO REDUÇÃO/PRIVILÉGIO

ATENUANTE GENÉRICA
INFLUÊNCIA (Art. 65, III, c, do CP)
VIOLENTA EMOÇÃO

Além disso, é importante lembrar que é logo após injusta PROVOCAÇÃO da vítima, e não
injusta AGRESSÃO, pois, nesse último caso, estaríamos diante de uma EXCLUDENTE DE
ILICITUDE, excluindo o crime.

INJUSTA

PROVOCAÇÃO AGRESSÃO

DIMINUIÇÃO/
LEGÍTIMA DEFESA
PRIVILÉGIO

1
1
EXERCÍCIOS
1. (CESPE) É correto afirmar que a emoção e a paixão não podem excluir a
imputabilidade penal, de acordo com o Código Penal.
Certo ( ) Errado ( )
2. (CESPE) É isento de pena o agente que, por desenvolvimento mental incompleto,
embriaguez completa decorrente de força maior, emoção ou paixão, era, ao tempo do
crime, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato.
Certo ( ) Errado ( )
Em um clube social, Paula, maior e capaz, provocou e humilhou injustamente Carlos,
também maior e capaz, na frente de amigos. Envergonhado e com muita raiva, Carlos foi à sua
residência e, sem o consentimento de seu pai, pegou um revólver pertencente à corporação
policial de que seu pai faz parte. Voltando ao clube depois de quarenta minutos, armado com o
revólver, sob a influência de emoção extrema e na frente dos amigos, Carlos fez disparos da
arma contra a cabeça de Paula, que faleceu no local antes mesmo de ser socorrida.
3. (CESPE) Por ter agido influenciado por emoção extrema, Carlos poderá ser
beneficiado pela incidência de causa de diminuição de pena
Certo ( ) Errado ( )
4. (CESPE) Por ter cometido homicídio logo após injusta provocação da vítima, tendo
agido sob domínio de violenta emoção, o indivíduo estará isento de pena
Certo ( ) Errado ( )
5. (CESPE) Considere que José, penalmente imputável, horas após ter sido injustamente
provocado por João, agindo sob influência de violenta emoção, tenha desferido uma
facada em João, o que resultou em sua morte. Nessa situação, impõe-se em benefício
de José, o reconhecimento do homicídio privilegiado.
Certo ( ) Errado ( )

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