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Plano político da Retomada, Candidatura

Coletiva a Deputada Federal pelo Partido


Socialismo e Liberdade (PSOL) Mato
Grosso em 2022

"O nosso canto não é apenas um lamento


A coragem vem da alma de quem ergueu o parlamento
Do castigo na senzala à miséria da favela
O povo não se cala, oh Tereza de Benguela
Vem plantar a paz por essa terra
A emoção que se liberta
E a pele negra faz a gente refletir
Nossa força, nossa luta
De tantas Terezas por aí".

Pixulé / Mancha-Verde

Sumário:

1. O que é a Retomada? 2

2. Quais são as nossas propostas mato grossense para o Congresso Nacional? 4


Retomada do Poder: 5
Retomada da Riqueza: 6
Retomada da Dignidade: 7
Retomada dos Sonhos: 8
Retomada da Natureza e do Bem-viver: 9

3. A construção coletiva da Retomada e a unidade crítica ao agro para avançar


no programa ecossocialista 10

4. Organizar a luta política com horizonte ecossocialista 12

5. Nossas referências políticas 14

6. Nosso calendário de lutas 17

7. Acordos sobre a candidatura Coletiva 18

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1. O que é a Retomada?
“São tempos de Retomada
Qual é a sua Retomada?”

Partimos da compreensão crítica de que vivemos numa sociedade capitalista


que divide a humanidade em dois grupos com condições de vida bastante
diferenciadas: burgueses, os proprietários; e trabalhadoras: todas aquelas que vivem
da venda de seu trabalho). Entendemos que quem trabalha não o faz por ser livre
escolha fazê-lo, mas uma necessidade que nos é imposta na medida em que,
enquanto trabalhadoras, somos despossuídas de todo meio de sobrevivência,
restando-nos o trabalho como uma servidão imposta.
Mas nem sempre foi assim no nosso território. Antes da chegada da
colonização, diversos povos viviam em abundância e harmonia com a natureza e não
existia distinção de classe, raça ou gênero: todas as pessoas tinham acesso a
natureza e tiravam dela o que necessitavam e viviam em bem viver. Assim, bem viver
é a nossa forma de viver; a exploração humana é a forma de trabalhar e viver que nos
impõem os países capitalistas, desde Europa e Estados Unidos.
O aparente apocalipse que vivemos nos são sinais de fins de tempos: a crise
do capital se expressa em crise civilizatória que nos impõe construir uma outra forma
de viver e, do nosso ponto de vista, nós povos latino-americanos conhecemos muito
bem outra forma de viver. Por isso, a crise anuncia que são tempos de retomada.

São Tempos de Retomada…

Retomada de poder para o povo e meios de produção coletivizados, a serviços


das necessidades de quem trabalha e nenhum centavo a mais para quem vive da
exploração humana! Retomada do nosso território, hoje ocupado pelo lucro individual
do poder branco e patriarcal burguês serviçais das elites internacionais que são quem
realmente ganha dinheiro.
Se o nosso diagnóstico é o de que a pobreza das trabalhadoras advém da
exploração dos patrões, nossas soluções estão em enfrentar a lógica do dinheiro para
impor a lógica da necessidade humana no centro da economia. Temos, portanto,
propostas para enfrentar e superar o violento monopólio imposto pelo agronegócio às
custas do nosso chão, dos nossos rios, florestas e nas costas de trabalhadoras e toda
a população.
Retomada é uma candidatura coletiva à deputada federal pelo Partido
Socialismo e Liberdade (PSOL) de Mato Grosso. Disputamos um lugar no congresso
nacional para avançar em propostas e políticas que impliquem na efetiva distribuição
da riqueza ao povo mato-grossense e brasileiro.
Somos nós, quem trabalha, que financia o agronegócio, a exportação de
minérios e os ricos cofres dos bancos que operam este sistema que ficam com o
grosso do dinheiro. O que o governo deixa de arrecadar ao renunciar os impostos

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devidos pelos setores mais ricos, é o que o governo não investe em saúde, educação,
cultura, ciência, tecnologia e uma produção de alimentos não destrutiva.
Nossa luta tem compromisso político com a superação da lógica mercantil
capitalista que, em nome de lucros privados de meia dúzia de homens brancos e
superricos, nos impõem níveis de exploração humana cada vez mais insuportáveis
sustentados pelo patriarcado e o racismo; e de destruição do meio ambiente com
efeitos sem precedentes redundando no genocídio de povos e comunidades
tradicionais e na violência contra a população periférica.

Portanto, é uma luta contra:


→ O capitalismo racista, patriarcal e cisheteronormativo e seus efeitos
nefastos, expressão de sua fase decadente;
→ o imperialismo racista e patriarcal que subjuga nossas riquezas e dizima
nosso povo em seu estágio ultraliberal, neofascista e o conservadorismo.;
→ o latifúndio que toma as terras das camponesas e povos das florestas para
colocá-las a serviços de lucros privados;
→ a propriedade privada que precisa ser coletivizada para que o trabalhador
seja, ao mesmo tempo, quem trabalha e gere o trabalho e a produção
A Retomada: “Lidy e Bem Viver pela Retomada”, número 5088, é uma
candidatura coletiva composta por três profissionais da educação: Lidiany Sena,
técnica administrativa educacional, cuiabana, nutricionista, militante feminista e
ecossocialista; Lélica Elis, professora da UFMT, sapatão, militante organizada no
movimento de mulheres em Cuiabá; e Jheury Souza, apoio administrativo educacional,
militante do movimento bem viver Araguaia e estudante de geografia na UFMT
Araguaia.
A escolha do nome da nossa candidatura diz respeito às lutas que travamos
política e cotidianamente pela melhoria das condições de vida do nosso povo. Nos
terríveis tempos que a crise do capital nos impõe a viver, foram muitas as perdas:
perda de pessoas, de empregos, carreiras e sonhos, perda das condições de vida, do
poder de compra, da dignidade, da humanidade de milhares de famintos e pessoas
morando nas ruas sem alternativa de sobrevivência.
A dureza dos nossos dias grita: são tempos de Retomada! É por isso que
falamos em retomada dos sonhos, da riqueza, do poder popular, da boa relação com o
meio ambiente e são infinitas as retomadas, na medida dos sonhos e lutas coletivas
que a classe trabalhadora ousar travar!
Falamos em retomada da luta porque, apesar de nunca termos deixado de
lutar, vivemos um período de sanha golpista neofascista em que é necessário
reafirmar a nossa capacidade de lutar e não apenas resistir - mas avançar rumo a uma
revolução democrática para realizar nossos sonhos gestados há tantos séculos,
ávidos por vida!

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2. Quais são as nossas propostas mato
grossense para o Congresso Nacional?

“O correr da vida embrulha tudo.


A vida é assim: esquenta e esfria,
aperta e daí afrouxa,
sossega e depois desinquieta.
O que ela quer da gente é coragem”

Guimarães Rosa em o Grande Sertão Veredas

O grito de liberdade de 13 de maio de 1888 foi deveras tímido pelo que movia o
peito daquelas que derrubaram o sistema. Insurreições negras junto com a
movimentação de setores de trabalhadores brancos progressistas. Era tempo de
insurreição, a revolução haitiana reverberava em todos os malungueiros e, temendo
que isso aqui virasse o Haiti, as elites decidem pela abolição da escravatura de modo
a indenizarem-se pelas perdas econômicas com a libertação dos escravos, deixando
os então libertos à míngua para morrerem de fome e, sem compartilharem um
centímetro de terras com quem quer que seja, o senhor de escravo de ontem
tornou-se o fazendeiro de hoje; os escravizados de ontem, as trabalhadoras informais
de hoje, as assassinadas, as silenciadas e assim segue o eco colonial que sustenta o
capitalismo brasileiro.
Após heróica resistência a 21 anos de ditadura empresarial-militar,
conquistamos em 1988 a tão sonhada “Constituição Cidadã”, que reconhece direitos a
classe trabalhadora brasileira: direito de salário digno, de aposentadoria, de saúde e
educação públicas, gratuitas de qualidade e laicas; direito à habitação, à cultura e
lazer; à diversidade religiosa; direito de terras a indígenas, quilombolas, ribeirinhos;
etc. Reconhece, porém, o direito de propriedade, desde que sua função social seja
cumprida.
A sanha de lucros das elites brasileiras na atualidade faz com que, sob Estado
de Exceção, se esteja de emenda a emenda, se reescrevendo a constituição de forma
autoritária, sem a devida constituinte. isso porque sabem que tirar direitos é impopular
porque não condiz a necessidade da população; condiz apenas com o interesse dos
bolsos daqueles que serão beneficiados com a destruição do SUS, das escolas, do
INSS, etc.
Levaremos ao Congresso Nacional a necessidade do contexto de luta de
classes atual de “Retomada”. Enquanto o projeto ultraliberal quer transformar toda
terra comum em terra privada; nós queremos ao contrário: tornar toda terra privada,
pública. Queremos ampliar o poder de decisão popular sobre serviços públicos;
estatizar setores estratégicos e ampliar o poder popular sobre eles; tornar públicos os
lucros privados, seja pela estatização de setores, pela taxação, pela expropriação por

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descumprimento da função social e todos os demais meios que formos capazes de
criar a partir do entendimento de que todo lucro é roubo.
Nossas propostas sempre terão por horizonte que para que nossa riqueza
esteja a serviço do nosso povo, precisamos ter o direito de decidir sobre ela e este é
nosso projeto de Retomada que perpassa a eleição e o Congresso Nacional, mas vai
para além dela.
É pelo congresso nacional que passam as importantes leis que mexem com
diversos interesses nacionais: o quanto é investido na formação da nossa juventude,
direitos básicos à aposentadoria, até mesmo o preço dos nossos combustíveis e
quanto custará nossa conta de luz.
A deputada federal também é responsável por fiscalizar a aplicação dos
recursos por parte do governo e além de participar ativamente da discussão da Lei
Orçamentária Anual, que define como o governo organizará suas despesas e
investimentos no ano seguinte.
Nossas propostas estão voltadas para cinco eixos de retomada: poder, riqueza,
dignidade, sonhos e natureza & bem viver.

Retomada do Poder:
● Utilizar o mandato e o gabinete para aproximar a população mato grossense da
discussão sobre os fundos públicos e orçamento anual, fazendo denúncia
permanente da corrupção do centrão no uso dos fundos públicos;
● Auditar a dívida pública e cobrar a dívida histórica: Apoio à Auditoria Cidadã da
Dívida Pública: a auditoria da dívida pública federal é um direito constitucional
que visa dar a devida transparência no processo de endividamento público
brasileiro; também é direito da população cobrar a dívida histórica que grandes
oligopólios a internacionais tem conosco desde a exploração de prata e ouro
na colônia até os tempos atuais de pagamento indevido de suposta dívida
pública;
● Ampliar a participação popular nos Conselhos públicos e dar aos conselhos
maior poder deliberativo sobre o desenho, custeio e implementação de
políticas econômicas e sociais, com a participação exclusiva de trabalhadoras
das políticas públicas, movimentos sociais, entidades classistas e organizações
de trabalhadoras;
● Ampliar a descentralização de poder por meio de conselhos populares
divididos por território, com poder de definição de orçamento e
acompanhamento de execução orçamentária para acompanhar as políticas
públicas locais, tais como saúde, educação, cultura e segurança pública;
● Formular e apoiar propostas de emancipação do corpo feminino: i. redução da
jornada de trabalho para mães solos; ii. tema do aborto enquanto política de
saúde pública e autodeterminação da mulher; iii. adaptação da legislação para
o enfrentamento do feminicídio, violência contra a mulher e para favorecer a
escuta e o processo de investigação de assédio moral e sexual nas instituições
públicas e privadas; iv. priorização da formulação e institucionalização de

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políticas públicas para mulheres; multa a empresas que pratiquem
desigualdade salarial e assédio sexual; v. vi. inelegibilidade e proibição de
homens com histórico de violência contra a mulher de assumir cargos públicos;
● Permitir ao povo Negro e Indígena a vivência de sua ancestralidade significa
dar condições para que possam viver à sua maneira, conforme religião,cultura
e forma de vida; e a ancestralidade negra e indígena está baseada em formas
comunitárias de vida à lus das quais toda a sociedade ocidental precisa se
rever; no nosso caso, propomos a Retamada: i. Dos territórios (urbanos, rurais,
das florestas) e de toda riqueza cultural e espiritual (justiçar povos indígenas e
negros afastados de suas terras sagradas); ii. Da laicidade do Estado e da
Liberdade religiosa; iii. Por um Estado voltado a promover vida e construir
diversidade cultural, entendendo a vida, a cultura e o lazer como direitos
fundamentais de todo ser humano, compromisso número 1 da vida em
comunidade; v. Universalizar o acesso a instituições públicas e a direitos
sociais, trabalhistas e previdenciários, defendendo todo tipo de medida de
reparação histórica em relação ao capitalismo racista e machista que o
processo colonial nos impôs; vi. Profunda democratização dos meios de
comunicação, dos meios de produção e difusão cultural sob controle popular;
vii. Proposição e defesa de toda medida que funcione como engrenagem de
enfrentamento do racismo e patriarcado;
● arquivar a PEC 32, encaminhando uma medida totalmente oposta para que
consigamos ter dignidade, ampliando o poder popular e diminuindo os cargos
comissionados. Proporemos uma reforma administrativa popular- os cargos de
chefia de pastas públicas serão votados pelos trabalhadores e usuários dos
setores, a ser referendado pela população em geral; e todo cargo da
administração pública será concursado. Não queremos uma reforma
administrativa que dê poder aos coronéis; queremos uma que dê poder ao
Povo!

Retomada da Riqueza:

● Revogação de todas as medidas golpistas dos governos Temer e Bolsonaro


(Emenda Constitucional 95, Reforma trabalhista, Reforma da Previdência
Social, liberação de agrotóxicos) e proposição de reformas no sentido oposto: i.
Lei de responsabilidade social: que suspenda o pagamento da dívida pública
até que se conclua a auditoria pública e cidadã e estipule metas de melhoria
das condições de vida da população com aportes de recursos condizentes para
a institucionalização de distintas políticas públicas com prioridade às áreas
periféricas; ii. Reforma trabalhista que amplie direitos e reduza a jornada de
trabalho para 30 horas semanais; II. Reforma da previdência que elimine
privilégios de magistrados, militares e políticos e que dê dignidade a

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trabalhadora com a redução da idade e do tempo de contribuição,
aposentadoria especial para trabalhadoras domésticas e do lar;
● Apresentar estudo de viabilidade para revogação da Lei Kandir (Lei
complementar nº 87/1996) e sugestão de um novo modelo fiscal para taxar o
agro exportador e a saída em massa de água, energia e minérios in natura do
país;
● Luta por uma reforma tributária que tire das costas da população o
financiamento público de setores historicamente privilegiados, como grandes
monocultures, grandes mineradores e capital financeiro;
● Revogação da lei de Terras (Lei nº 601/1850) com a distribuição das terras
devolutas do império a setores da população historicamente negligenciados,
em especial quilombolas e pequenos agricultores;
● Proposição de um Fundo de Reparação Histórica (FRH) formado a partir da i.
cobrança de lucros sobre juros; ii. especulação imobiliária urbana e rural e iii.
imposto sobre heranças. O FRH será aplicado no desenvolvimento técnico e
cultural das atividades dos setores sociais incluídos na Política Nacional de
Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais (PNPCT)
e da Política Nacional de Agricultura Urbana e Peri-Urbana;
● Cobrança da dívida histórica - auditar quanto os países centrais devem ao
nosso povo em termos de expropriação de commodities, lucros com tráfico de
pessoas escravizadas, lucros remetidos ao exterior além da cobrança indevida
de títulos da dívida pública e cobrarmos o pagamento imediato da dívida
histórica.

Retomada da Dignidade:

● Revogação da Emenda Constitucional 95 (EC 95/2016) que institui o teto de


investimentos na área de saúde e educação e proposição da lei de
responsabilidade social;
● Rejeitar a atual proposta de Emenda Constitucional da Reforma Administrativa
(PEC 32/2020), revertendo a lógica proposta pelo Executivo. Nossa reforma
administrativa moderna e popular se baseia em: i. reduzir a carga horária de
trabalho no serviço público federal como expressão da redução da jornada de
trabalho geral; ii. extinguir o grande número de cargos comissionados e de
confiança; iii. eliminar a terceirização irrestrita e ampliar concursos públicos
para a recomposição de cargos vagos; iv. desmilitarizar a administração pública
vedando o acúmulo de cargos públicos por parte de integrantes das Forças
Armadas; v. obrigatoriedade dos órgãos públicos de instituir conselhos de
igualdade, combate ao assédio e violência moral e sexual e políticas de saúde
mental; v. retirar do presidente a autoridade unilateral para criar e extinguir
autarquias públicas e vi. proteger a atividade sindical do servidor público;
● Modificar a atual legislação do trabalho escravo (Lei 10.803/2003, que altera o
Código Penal) para prever a expropriação de propriedades, capital fixo e

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líquido de proprietários reincidentes na manutenção de trabalhadores em
condições análogas à escravidão;
● Propor real modernização das relações trabalhistas com redução de carga
horária de trabalho, aumento do salário real e maior proteção a trabalhos
insalubres, à maternidade e ao adoecimento laboral;
● Nova reforma da previdência com diminuição dos tempos de contribuição e
maior inclusão de trabalhadoras rurais, autonônomas, caminhoeiras,
trabalhadoras domésticas (remuneradas ou não) e trabalhadoras na
informalidade;
● Retomar a Lei 10.835/2004, da Renda Básica de Cidadania ou o que
chamamos de “Renda básica Universal”: articulação e pressão política sobre o
Executivo para que publique decreto que regule e aplique essa legislação;
● Desmilitarização da polícia, trazendo o controle sobre ela nas mãos das
comunidades;
● Descriminalização da produção e venda de drogas buscando desconstruir
socialmente a figura do negro e pobre enquanto inimigo público; prezar pela
vida e saúde das pessoas colocando a produção e venda sob regulamentação
estatal com padrões de qualidade de produção e de emprego às trabalhadoras
envolvidas.

Retomada dos Sonhos:

● Luta pelo reconhecimento da carreira profissional da Cientista, das áreas


humanas, sociais, naturais, exatas e da terra: regulamentar a grande massa de
jovens trabalhadoras e trabalhadores que não possuem garantia ou seguridade
apesar do intenso trabalho executado em grupos de pesquisas e laboratórios;
● Retomada da Petrobrás, como uma empresa de Energia que promova
ativamente: i. a transição energética dos combustíveis fósseis para
biocombustíveis; ii. a conversão da energia solar em biodiesel e bioprodutos a
partir de plantas pioneiras, ao mesmo tempo em que se recuperam os mais de
100 milhões de hectares de pastagem degradadas no Brasil; iii. a partilha justa
dos lucros do petróleo de pré-sal, em especial a modificação por lei da Política
de Paridade Internacional de Preços; iv. o beneficiamento interno do petróleo e
dos seus sub-derivados numa perspectiva de transição energética da qual o
Brasil deva ser líder mundial;
● Consolidação e ampliação dos incentivos da Lei de Incentivo à Cultura (Lei
Rouanet);
● Implementação de uma Política Nacional de Cultura pautada no entendimento
desta dimensão enquanto necessidade básica de toda a população brasileira;
● Luta pela retomada da Eletrobrás como empresa de energia estatal, soberana
e com administração pública e popular: i. destinar parte dos lucros dos capitais
privados e mistos de energia para as populações atingidas por barragens; ii.
criar o Fundo pró-peixe, no qual os grandes capitais de energia são obrigados

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a destinar parte de seus lucros de geração para a recuperação dos recursos
pesqueiros; iii. modificar a lógica de concorrência monopolista dos leilões de
energia, em especial os eixos de barramento que são leiloados sem nenhuma
consulta às populações locais; iv. promover limites dos financiamentos públicos
para grandes obras de energia executadas por capitais mistos ou privados;
● Reestatização da Vale priorizando a melhoria dos empregos na extração
mineral e a aliando a produção científica para a venda de mercadorias com
maior valor agregado, além de encontrar soluções ao transporte público e
bem-estar da população;
● Reestatização do setor de telecomunicações para que possamos não apenas
consumir o serviço, mas desenvolver tecnologias nacionais em
telecomunicações e garantir comunicação barata e com soberania, saindo do
jugo das grandes empresas internacionais;
● Estatizar o setor financeiro para colocar os recursos dos bancos a serviço das
necessidades da população; e não o contrário.

Retomada da Natureza e do Bem-viver:


● Endurecimento da legislação de controle dos agrotóxicos, promovendo imposto
adicional sobre os rótulos que estejam enquadrados nas classes toxicológicas
I, II e III;
● Defesa do Código Florestal: i. proposição de ampliação da proteção das Áreas
Úmidas, Áreas de Uso Restrito, banhados e áreas importantes para recarga
hídrica; ii. Manutenção de Mato Grosso na Amazônia legal;
● Luta contra o Projeto de Lei nº 495/2017 que modifica a Política Nacional de
Recursos Hídricos e cria os mercados de água, nos quais as fontes superficiais
e subterrâneas podem ser privatizadas por décadas para benefício do grande
capital;
● Modificar a Política Nacional de Recursos Hídricos para promover a proteção
das cabeceiras das bacias hidrográficas contra empreendimentos energéticos
que coloquem em risco a sua dinâmica hídrica;
● Criar o imposto da água e dos rios voadores destinado a grandes monoculturas
que exportam grãos in natura, o que resulta diretamente na retirada de água no
nosso território;
● Propor a criação da Empresa Brasileira de Biodiversidade, que buscará
soluções tecnológicas, estruturais e de recursos para aproveitar de maneira
não destrutiva o nosso vasto potencial de biodiversidade, contemplando: i. a
agricultura familiar; ii a produção agroecológica; iii. catadoras de sementes e de
viveiros destinados à alimentação saudável e recuperação de áreas
degradadas; iv. pesquisa de variedades e sementes crioulas; v. pesquisa de
soluções tecnológicas para beneficiamento industrial não destrutivo dos
elementos da biodiversidade; vi. interação com a EMBRAPA e outras empresas
de assistência técnica rural;

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● Garantir a manutenção da lei da fauna (Lei 5.197/1967) e a lei de crimes
ambientais (Lei 9.605/2008) reforçando a proibição da caça de animais
silvestres; incluir tipo na lei de crimes ambientais que vede a experimentação
animal, sobretudo em cosméticos e produtos cuja aplicação médica não é
urgente.

3. A construção coletiva da Retomada e a


unidade crítica ao agro para avançar no
programa ecossocialista

“Quando a situação é grave


Se organizar, a concentração é a palavra chave
Doa a quem doer
Eu não acredito em você
Não acredito no sucesso
Não acredito na tv
Não acredito no que
Me vem impresso
Acredito em ordem e progresso
Quando o povo tem acesso
Ao ingresso”

Black Alien

Em 2022, o PSOL em Mato Grosso formou unidade crítica à coligação com os


grandes setores do agronegócio. Nossa decisão coletiva foi motivada pelo
entendimento de que nossa proposta política, ao mesmo tempo que tem de enfrentar o
bolsonarismo como fenômeno político-institucional e cultural, não pode ficar a reboque
das conciliações promovidas a décadas pelo PT e campo da esquerda liberal aos
grandes setores da burguesia, incluindo grandes rentistas do capital financeiro.
Tampouco o surrado mote da “sustentabilidade” consegue dar respostas aos desafios
climáticos e ecológicos que enfrentamos.
Nas nossas urgências, não cabe mais nenhuma dose de veneno ou recuos que
nos deixarão ainda mais vulneráveis.
Considerando a atual conjuntura, o agro é hegemônico culturalmente e no seu
modo de produção, especialmente em Mato Grosso, onde a produção destrutiva da
monocultura vem encontrando sucessivos recordes, sobretudo no período 2015-2022.

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O resultado dessa hegemonia é bastante nítido: quanto maiores as safras, quanto
maior o rebanho bovino, maior a fome e a fila de ossos. Por mais que o atual
Presidente tenha aprovado um auxílio emergencial de R$ 600,00, certamente esse
valor não é necessário nem de longe para suprir o acúmulo histórico de desigualdades
na cidade e no campo que nosso Estado vive em função desse modo de produção.
Historicamente, o campo de esquerda tem se mobilizado entre pequenos e
médios agricultores, agricultores familiares, assentados, bem como agricultores no
cinturão urbano e peri-urbano, além dos Povos e Comunidades Tradicionais e junto da
massa de população urbana, por entender que são essas massas que produzem a
real riqueza e criam as condições materiais para que a atividade econômica se
sustente. Contudo, o mesmo campo de esquerda se afastou desses setores, dos quais
muitos foram cooptados pelo bolsonarismo ou então vivem uma condição material que
não os permite lutar para além da luta cotidiana do trabalho precário.
Ao buscar conciliação com o maior capital agro-rentista do mundo, a Amaggi, o
campo da frente ampla busca uma falsa e desastrosa solução que em tese está
“rachando o agronegócio”. Dessa concepção vulgar perde-se o principal: ao reforçar o
grande capital transnacional, que é responsável por escoar milhões de toneladas de
grãos e bilhões de litros de água, o campo da frente amplo e do PT se distancia ainda
mais da classe dos debaixo, que vivenciam um acirramento das condições de vida.
Nesse contexto apresentamos uma candidatura que possui o objetivo principal
de ser uma voz crítica e que pretende retomar a concepção histórica e material de que
somos nós, da classe trabalhadora, do povo, que produzimos a riqueza. Portanto,
nossa população é perfeitamente capaz de criar as condições materiais para uma vida
digna, condições essas que constantemente são usurpadas justamente para financiar
as gordas isenções fiscais que os setores de madeireiros, sojeiros, pecuaristas,
mineradoras se beneficiam. É do nosso trabalho que também vem o sustento do
obsceno capital financeiro, que a todos os dias e todos os minutos promove um
verdadeiro saque ao Estado.
Na nossa concepção, a coligação com o agro representa o salvo conduto para
mais destruição, porém o avanço e institucionalização da cultura do “agronejo” e do
bolsonarismo representa um desafio ainda maior.
Isso porque o campo de esquerda não vem sendo capaz de fornecer solução
política e organizacional para a crise cultural que vivemos. Se a conciliação representa
um problema em si, com graves consequências, certamente também conta a forma
que temos de avançar para organizar a luta e isso inclui como vamos lidar com a
extrema violência da cultura hegemônica atual.
As eleições constituem um momento dúbio: durante esse período as pessoas
se abrem para a política, porém de forma superficial e apressada. Isso encontra
respaldo na realidade nua e crua: i. os partidos políticos do campo de esquerda não
conseguem mais mobilizar as massas; ii. o sistema político não é representativo; iii. as
instituições que em tese deveriam ser guardiãs da “democracia”, estão em descrédito,
corroídas.
Certamente as eleições não serão o local de resolução desses conflitos e
contradições. Mas para nós constituem uma chance de ampliar a percepção da
necessidade de uma mudança radical na sociedade, na produção e na cultura. E essa

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solução não poderá mais se basear em um desenvolvimentismo ingênuo - visto que as
relações humanas, que já estão degradadas, ainda tem de enfrentar um enorme
desafio de sobreviverem às mudanças ecológicas e climáticas promovidas por nossa
própria espécie.
Por esses motivos, a construção da nossa candidatura considera que o
horizonte de participação eleitoral, e até mesmo a atuação no parlamento serão
limitados, pois outros instrumentos de mobilização e luta política devem ser criados
numa perspectiva ecológica e de luta de classes, ou seja, numa perspectiva
ecossocialista.

4. Organizar a luta política com horizonte


ecossocialista
(texto publicado nas redes sociais da candidatura em agosto de 2022)

O modelo de civilização capitalista, baseado na exploração e expropriação de


trabalhadoras pautadas no racismo, no patriarcado,, na destruição da natureza, no
reforço de opressões, no autoritarismo - mesmo sob regimes ditos democráticos, visto
que nossa “democracia” é apenas a ditadura da burguesia, que possui o Estado a
seus pés - e na concentração de renda e riqueza está levando a nossa sociedade ao
colapso. As facetas desse colapso são compostas pelas várias crises já citadas
anteriormente, que aparecem como sintomas desse modo de produção.
Não nos enganemos, não é a humanidade, em abstrato, que está levando a
sociedade humana e de milhares de outras espécies ao colapso: tal grau de
destruição somente foi possível com o desenvolvimento do capitalismo. Portanto, não
podemos cair em discursos ecofascistas de que a humanidade é o “vírus” do planeta e
que não temos mais salvação, visto que, como explica Andreas Malm “a mudança
climática não decorre da mera existência de bilhões de seres humanos que habitam o
planeta, mas é causada pelos poucos que controlam os meios de produção e tomam
as principais decisões sobre o uso da energia”. Logo, quem destrói nosso planeta não
é o trabalhador rural plantando em sua pequena porção de terra, não são os povos
indígenas mantendo vivas suas tradições, não é a classe trabalhadora de modo geral,
que apenas busca viver uma vida com o mínimo de dignidade e conforto. Quem
destrói nosso planeta é a burguesia: os donos dos meios de produção, das
monoculturas do agronegócio, das multinacionais, transnacionais e outras
megacorporações.
Esses discursos de que a humanidade é naturalmente má, além de esconder
os reais culpados pela grande crise civilizacional que vivemos, reforçam o derrotismo e
podem, inclusive, justificar ações genocidas/higienistas. Estamos nos reunindo e nos
organizando coletivamente justamente porque acreditamos que ainda há esperança,
que quando a classe trabalhadora se une, somos capazes de mudar o mundo,
inaugurar um novo período na história da humanidade, no qual problemas existirão,

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mas viveremos em uma sociedade emancipada, livre, auto-organizada, sem
exploração de qualquer ser humano ou outro animal e sem a destruição da natureza.

Estudos apontam que ainda nessa década poderemos atingir o chamado


“ponto de inflexão” do clima, ou seja, o ponto a partir do qual o metabolismo planetário
estará tão desregulado que o próprio planeta passará a “produzir” seu aquecimento,
por meio de seus mecanismos de retroalimentação. Se esse momento chegar, a
humanidade já não possuirá muito mais o que fazer para impedir o aquecimento
global, visto que este passará a ser produzido pelo próprio planeta. Portanto, essa
década em que estamos vivendo é essencial para definir o futuro que nós e milhares
de outras espécies terão na Terra.
Não acreditamos ser possível vencer a crise ecológica em que estamos
inseridos sem a superação do capitalismo, pois seu fim último é a acumulação de
capital e, para tanto, a produção precisa sempre aumentar. Uma produção infinita e
com graves impactos ambientais em um mundo finito e com o metabolismo sustentado
por frágeis relações de retroalimentação é a receita perfeita que nos leva ao colapso
em que estamos vivendo. Essa máquina de acumulação de capital que passa por cima
de tudo e todes que encontra no caminho não pode ser reformada; seu objetivo será
sempre o mesmo e aqueles que a operam farão de tudo para que o objetivo seja
cumprido. Devemos, então, destruir a máquina!
Porém, destruir o atual modo de produção não basta, é preciso construir outro
em seu lugar e é por isso que defendemos o ecossocialismo. O ecossocialismo surge
como um projeto de sociedade que se construiu sobre os pilares da ecologia marxista.
Esta, por sua vez, trata-se da síntese entre o marxismo e a ecologia, que fornece à
ecologia a radicalidade necessária para as transformações que precisamos para
conter o colapso ecológico e o método marxista de análise da realidade, enquanto
corrige o marxismo de desvios produtivistas, adotados a nível teórico e prático em
muitas experiências socialistas, e une as formulações e conceitos ecológicos de Marx
com as descobertas mais recentes da ciência ecológica.
É evidente que a ecologia marxista não é propriedade da corrente
ecossocialista, mas apenas essa incorpora a ecologia marxista em seu projeto de
sociedade com a seriedade que lhe cabe. O ecossocialismo assimila em seu projeto o
conceito marxista de “regulação metabólica” em que o desenvolvimento produtivo da
sociedade não pode romper o delicado metabolismo existente entre a sociedade
humana e o restante da natureza.
Isso significa que mega projetos com impactos incalculáveis sobre o
meio-ambiente deixarão de ser a regra. Significa também que a noção produtivista
deve ser totalmente abandonada, inclusive o produtivismo de esquerda, muito
presente no início do século XXI na América Latina, em que a inclusão social e
diminuição da pobreza esteve atrelada a uma grande exploração da natureza, com
altas extrações de petróleo, grande projetos de mineração, etc.
O projeto ecossocialista também implica lutar pelo fim da obsolescência
programada - produtos feitos para durarem menos que o possível -, contra o marketing
focado no mercado, que nos empurra mercadorias através de uma distorção
ideológica da nossa noção de necessidade. Esses são passos importantes para

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romper ideologicamente com a noção produtivista do capitalismo, que esteve
presente, inclusive, em muitas experiências socialistas. Dessa forma, o ecossocialismo
se apresenta como, não somente um novo modo de produção, como também um novo
paradigma de sociedade.
Outro aspecto fundamental é o controle democrático das decisões econômicas
da sociedade, através do planejamento democrático, indo na contramão de
planejamentos econômicos centralizados em dirigentes do Estado ou controlados por
multinacionais. Através do planejamento democrático, orientado por uma perspectiva
ecológica, é possível realizar a regulação metabólica necessária para garantir o futuro
da humanidade e de tantas outras espécies
Nada disso pode ser feito dentro dos marcos do capitalismo, portanto
defendemos uma revolução da classe trabalhadora para transformar o Estado burguês
em um Estado proletário, no qual é a imensa maioria da população, que constitui a
classe trabalhadora, que toma as decisões políticas/econômicas, sem se curvar aos
interesses de classe dos burgueses, que, por prezarem o lucro acima da vida, sempre
vão na direção contrária aos nossos interesses. É necessário, também, que os meios
de produção sejam controlados pelos trabalhadores livremente associados, a fim de
que não somente a mais-valia seja extinta e os burgueses expropriados do capital que
lhes confere poder, mas também para que as decisões a respeito da produção sejam
realmente democratizadas.
No contexto brasileiro, é essencial que empresas como a Petrobras sejam,
além de serem controladas por trabalhadores, passem por uma “transição verde” para
a produção de energia a partir de fontes renováveis e de baixo impacto ambiental, com
garantia de empregos para seus funcionários. Também é indispensável e fundamental
a efetivação de uma reforma agrária popular e radical, que dê fim ao agronegócio, que
destrói a natureza para o enriquecimento de latifundiários e produção de commodities,
sem matar a fome de nosso povo.
Por fim, é impossível pensar um modelo de ruptura com o capital e com o
produtivismo associado a ele sem uma perspectiva internacionalista. Lidamos com o
colapso climático iminente e uma mudança radical em apenas um país não é capaz de
detê-lo, o que nos leva, necessariamente, ao imperativo da solidariedade com a luta
internacional da classe trabalhadora contra as correntes do capital que a prendem e
contra toda a destruição e opressão gerada por ele.

5. Nossas referências políticas


Teresa de Benguela: fez a luta dos quilombos do Quariterê, no vale do Guaporé,
organizando produtiva, política e socialmente a população quilombola da região.
Símbolo de resistência contra a escravidão mas também grande quadro político que
propôs formas concretas de se organizar para a luta política. Em 25 de julho, no Brasil
e na América Latina, comemora-se seu nome e seu histórico de lutas.

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Sônia Guajajara: organizadora de movimento nacional e internacional indígena,
candidata à presidência do Brasil em 2018, possui forte referência política no bem
viver e na emancipação dos Povos e Comunidades Tradicionais. Sônia é uma potência
política para nós em Mato Grosso, com uma visão de Estado e sociedade que
questiona frontalmente o modo capitalista, colonial e neoliberal de produção.

Vladmir Lenin: um dos organizadores da Revolução Russa mas também fundamental


para construir no movimento político (passado e presente) a noção de imperialismo e
do domínio colonial que os países do centro promovem sobre os trabalhadores de
todo o mundo. Não foi um acadêmico mas foi quem melhor traduziu as idéias
marxistas acerca da sociedade e produção. Lênin sempre foi e será uma referência de
luta de emancipação das trabalhadoras e trabalhadores.

Rosa Luxemburgo: uma das críticas mais ferozes da conciliação de classes dos
trabalhadores com a burguesia, Rosa também fez do seu corpo um manifesto político.
Foi assassinada por seus detratores pois suas idéias eram ao mesmo tempo críticas à
burguesia mas também aos que em nome do povo e das trabalhadoras, promoveram
alianças catastróficas para a nossa luta.

Waldir Bertúlio: foi figura central na construção do movimento sindicalista e


movimento negro em Mato Grosso. Fundador da ADUFMAT, um dos sindicatos mais
combativos do Estado, foi preso pela ditadura e após a abertura democrática sempre
lutou pela emancipação da classe trabalhadora, sendo um crítico fundamental para a
construção de um movimento político à esquerda em MT.

Revolução de 8 de março de 1917 na Rússia: um processo revolucionário só ocorre


com as massas. Nesse caso, as massas de mulheres que, em uma sociedade
patriarcal e conservadora, determinaram os rumos da criação da União Soviética. O
movimento feminista de 1917 é uma lembrança histórica constante e contundente de
que as mulheres movem estruturas mesmo em sociedades conservadoras e
momentos adversos da história.

Revolução Haitiana de 1791 - A outra negra face esquecida da moeda da Revolução


Francesa, a Revolução Haitiana radicalizou os princípios de igualdade, liberdade e
fraternidade expandindo-os à população negra do Haiti. A única revolução de
escravizados da história, venceu todos os Impérios de sua época e até hoje o país
paga o preço de sua audácia.

Revolta dos Malês de 1835 - Foi um levante de cerca de 600 negros escravizados
que aterrorizaram as elites com o receio do Brasil se tornar um Haiti.

Angela Davis: intelectual negra e marxista, referência de luta para gerações de


militantes, foi a primeira intelectual a não fazer a separação dualista entre a luta de
classes e a luta do povo negro e das mulheres. Uma de suas frases mais célebres:
“Quando a mulher negra se movimenta, toda a estrutura da sociedade se movimenta

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com ela”, representa que a classe trabalhadora, em especial na periferia do mundo,
tem sim cor e gênero.

Praça da Mandioca: a origem do local remonta a 1727, quando a praça foi utilizada
como pelourinho, local de tortura e punição dos escravos. No início do século XX sua
característica foi mudando de local com residências reais e de fidalgos para um local
que abrigava uma feira popular cujo principal produto era a mandioca e seus
derivados. Ao longo dos anos, o local se tornou uma referência cultural do samba,
choro e também do hip-hop, na curva do capim cheiroso. Atualmente é cenário político
e cultural de Cuiabá, onde os movimentos sociais e organizações políticas de
esquerda e trabalhadores costumam realizar encontros políticos e culturais.

Marielle Franco: foi militante pelos direitos humanos sobretudo em comunidades e


favelas no Rio de Janeiro, representando também uma geração de mulheres
periféricas que fazem a luta pela ocupação dos espaços de poder no Brasil. Em 2018
foi covardemente assassinada em um dos crimes políticos mais marcantes da história
do Brasil. Ao contrário do que desejavam seus adversários políticos da extrema direita,
a morte de Marielle gerou um movimento de ocupação da política por jovens negras,
periféricas e LGBTQIA+.

Rusga: foi um movimento de independência, que contestava a ocupação portuguesa


na capital e no Estado de Mato Grosso. Apesar do movimento ter inclinação liberal e
pequeno burguesa, a adesão popular a este fez com que a Rusga se tornasse um
símbolo da revolta do povo periférico, negligenciado e à margem da história. Assim
como diversos outros movimentos políticos, a Rusga cuiabana é uma demonstração
que o povo brasileiro não é pacato nem cordial, que assim como todos os povos do
mundo, encontra as oportunidades de levante e de revolta contra o opressor, na
época, os portugueses.

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6. Nosso calendário de lutas
16/08 - lançamento da candidatura / 05/09 -
post e card em rede social 06/09 -
17/08 - lançamento do manifesto / 07/09 - Grito dos excluídos
formulário para adesão 08/09 - live de quinta feira: Viviane
18/08 - 19hs live de lançamento da 09/09 -
candidatura 10/09 - giro em cidades do Araguaia
19/08 - gravação de jingle / chamada 11/09 - giro em cidades do Araguaia
para atividade em Barra do Garças 12/09 -
20/08 - gravação de vídeo e material 13/09 -
em Barra do Garças 14/09 -
21/08 - lançamento da candidatura em 15/09 - live de quinta-feira: Saúde e
Barra do Garças (SINTEP) Educação
22/08 - 16/09 -
23/08 - 17/09 - Plenária / assembléia / saúde e
24/08 - educação
25/08 - live de quinta feira 18/09 -
26/08 - 19/09 -
27/08 - Participação e agitação na 20/09 -
Parada da Diversidade 21/09 -
28/08 - Lançamento da candidatura em 22/09 - live / abolicionismo, drogas e
Cuiabá aborto
29/08 - 23/09 -
30/08 - Posts e discussão sobre 24/09 - atividade em Cáceres
soberania alimentar 25/09 - atividade em Cáceres
31/08 - Posts e discussão sobre 26/09 -
soberania alimentar 27/09 -
01/09 - live de quinta-feira: Gracielle-/ 28/09 -
Sinop 29/09 - live de quinta feira
02/09 - 30/09 -
03/09 - atividade em Sinop (confirmar) 01/10 -
04/09 - atividade em Sinop (confirmar) 02/10 - Eleições do 1ª turno

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7. Acordos sobre a candidatura Coletiva
O objetivo da candidatura coletiva é de participar de forma crítica no sistema
político-administrativo, com horizonte de luta para contrapor o sistema capitalista
dependente e periférico do qual o Brasil incorpora as mais cruéis características de
superexploração da mão de obra e da natureza.
Três pessoas estão se colocando para dividir a legislatura de forma a ter mais
amplitude de mobilização popular do mandato, bem como de aumentar a
representação socialista e ecossocialista no parlamento brasileiro. Também envolve a
realização de assembleias populares, proposta na qual cada co-candidate se propõe a
realizar ao menos uma assembleia popular por mês em algum território de Mato
Grosso. A realização desses espaços será vital para as ideias e as linhas políticas do
mandato.
O sistema de candidatura coletiva ainda não é reconhecido pela burocracia
eleitoral brasileira, a não ser por algumas resoluções específicas e recentes do
Tribunal Superior Eleitoral. Todavia, o registro da candidatura segue sendo individual,
e na própria urna eletrônica a exigência é que exista uma foto do/da/ candidata com
posterior referência ao mandato coletivo.
A proposição da candidatura coletiva, portanto, é um manifesto político e crítico
ao personalismo eleitoral que é um dos sinais de falência do nosso sistema de
representação. Ao fazer a escolha, a eleitora vota na idéia de que o mandato não é
representado apenas por uma pessoa e nem que uma pessoa tome decisões
unilateralmente. Ao contrário, vota-se por existir discussão e debate sobre os temas
que a candidatura coletiva, ao mesmo tempo em que se estimulam assembleias
populares, aumentando o poder de representação do mandato.
Para fins burocráticos, a referência na administração pública é jurídica,
baseada no regramento da constituição federal. Nesse âmbito ainda não temos o
reconhecimento formal das candidaturas coletivas, por isso a candidatura da
Retomada foi registrada no nome da Lidiany Ramos Sena, cabendo a ela o peso
jurídico e fiscal da candidatura e do mandato.
Já no âmbito político, os mandatos coletivos vêm se ampliando em todo o
Brasil. A construção política do mandato coletivo, para além da atividade oficial e
institucional, é aquela que fazemos nas ruas, nas manifestações e atos, nas relações
sociais, nos acordos políticos estabelecidos.
Assim, Lidiany, mesmo tendo esta cobrança jurídica se compromete a legislar
coletivamente seguindo os encaminhamentos dos debates, faremos os debates
formatando até que cheguemos a um consenso. No caso de não haver consenso,
colocamos em votação interna entre os três co-deputades. Lidiany, se compromete
ainda a ficar com no máximo ⅓ do salário, repassando o restante para os outros
co-parlamentares. Por outro lado, Jheury e Lélica se comprometem a não fazer nada
que venha causar penas jurídicas à companheira Lidiany, entendendo que qualquer
ato traiçoeiro, trará grandes perdas no âmbito político.

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Ainda, a candidatura da Retomada está sendo construída com grande
participação da Setorial Ecossocialista do PSOL MT e o mandato também será,
seguiremos os acúmulos da setorial e a teremos como uma constante referência
política.

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