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Metodologia Científica

Unidade 1
Metodologia Científica

1ª edição
2019
Produção do Material Didático - Pedagógico
Delinea Tecnologia Educacional

Diretoria Executiva
Charlie Anderson Olsen
Larissa Kleis Pereira Design Educacional
Margarete Lazzaris Kleis
Cristiane Lima
Gestão de Produção
Coordenação de Design Gráfico
Camila Sayury Nakahara
Edison Valim
Coordenação de Produção
Projeto Gráfico
Fátima Satsuki de Araujo Iino
Hortência Granair
Professor Conteudista
Diagramação
Antônio Feliciano Clara
Bruna Flôr
Mendonça Daniel Lipparelli
Fernandez Rangel Max Lima
Vidal
Sumário
1.1 Considerações sobre o conhecimento ���������������������������������������������������� 7

1.2 Tipos (ou níveis) de conhecimento humano����������������������������������������� 09

1.2.1 O senso comum������������������������������������������������������������������������������������ 10

1.2.2 Conhecimento artístico�������������������������������������������������������������������������� 11

1.2.3 Conhecimento teológico������������������������������������������������������������������������� 12

1.2.4 Conhecimento filosófico������������������������������������������������������������������������� 13

1.2.5 Conhecimento científico������������������������������������������������������������������������� 14

1.2.6 O conhecimento científico e as produções acadêmicas��������������������������������� 15

1.3 A pesquisa em tempos de web e internet���������������������������������������������� 16


Unidade 1
A produção do conhecimento científico

Para iniciar seus estudos


Olá!
Bem-vindo à disciplina Metodologia Científica!
Para iniciar nossos estudos, entendemos que os conhecimentos, por apresentarem diferentes natu-
rezas, não podem ser classificados como melhores ou piores. O que existe é uma adequação para o
meio em que eles circulam. Você não pode utilizar uma linguagem informal, ou seja, aquela que você
utiliza num ambiente descontraído, para apresentar um trabalho científico, pois na academia o interlo-
cutor é outro, e lá, circula o conhecimento social. Você deve estar se perguntando, como saber utilizar
as linguagens de cada meio de circulação social? É justamente sobre isso que vamos tratar. Veremos
os diversos tipos de conhecimentos que a humanidade acumulou e suas características. No decorrer
da disciplia, você também conhecerá os principais sites e bibliotecas virtuais de pesquisa científica.
Bons estudos!

Objetivos de Aprendizagem

• Identificar os diferentes tipos de conhecimento.


• Correlacionar os modelos de conhecimento e a produção científica.
• Conhecer os principais sites e bibliotecas virtuais de pesquisa científica.

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1.1 Considerações sobre o conhecimento


Você já tentou definir o que é conhecimento? Pode até parecer simples e você pode estar dizendo
para si mesmo que conhecimento é tudo aquilo que alguém sabe. Entretanto, definir o conhecimento
é uma tarefa muito complexa. Primeiro, pode-se dizer que ele transita por diferentes áreas e espaços
de aprendizagem, sendo que:
Conhecer é atividade especificamente humana. Ultrapassa o mero “dar-se conta de”, e significa
a apreensão, a interpretação. Conhecer supõe a presença de sujeitos; um objeto que suscita sua
atenção compreensiva; o uso de instrumentos de apreensão; um trabalho de debruçar-se sobre.
Como fruto desse trabalho, ao conhecer, cria-se uma representação do conhecido - que já não
é mais o objeto, mas uma construção do sujeito. O conhecimento produz, assim, modelos de
apreensão - que por sua vez vão instruir conhecimentos futuros (França, 2011, p. 140).

Segundamente, é importante compreender que o conhecimento não é individual (e nem pode ser).
Isso porque ninguém sabe tudo sobre determinado assunto. Cada pessoa sabe um pouco sobre algo
e esse pouco individual se junta com outros para formar um conhecimento ainda maior.
O conhecimento que a sociedade tem hoje dos diversos setores que a forma foi construído com o
tempo. Lembre-se de que nossos antepassados desenvolveram as tecnologias aos poucos. No iní-
cio, não existia nem mesmo o fogo, e esse foi um dos primeiros conhecimentos fundamentais para o
desenvolvimento da humanidade.
Hoje, a humanidade domina uma grande gama de conhecimentos. O de um padre ou o de um pastor,
por exemplo, é totalmente diferente do conhecimento de um médico. Para curar uma doença, o médico
vai pedir exames, receitar uma medicação, já o padre ou o pastor podem realizar uma oração em bene-
fício da cura do doente. Qual deles é o melhor conhecimento? Nenhum, pois não há juizo de valor para
isso. Nos dois casos, pressupõe-se que tanto o médico quanto o pastor ou o padre sejam estudiosos
de suas áreas de conhecimento. O diferencial entre uma área e outra é a linguagem e a metodologia
aplicada por quem constrói o conhecimento. Quando o estudioso vai a fundo em seus estudos, pode
ser considerado um pesquisador.

Figura 1.1: Pesquisador.

Fonte: Plataforma Deduca (2018).

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Mas o que faz o pesquisador?


Se você respondeu pesquisa, tem toda a razão, porém agora cabe outra pergunta, como e o que se
pesquisa? Perceba que para esta disciplina o mais importante são as perguntas que fazemos para
desvendar determinados mistérios. Esses questionamentos constituem a base das atividades do pes-
quisador, e percorrerão toda sua linha de investigação. A isto chamamos de método e suas respostas
chamamos de conhecimento científico.
Este conhecimento produzido a partir das respostas alcançadas pelas perguntas, conforme observa
França (2011), surge para o pesquisador como representações da realidade. É um conhecimento
construído sobre um conhecimento anterior, ampliando os horizontes dos saberes e produzindo novas
perguntas que culminarão em novos conhecimentos.
Diante desse contexto, observe que a construção do conhecimento, seja para entender a regra de um
jogo desportivo ou uma complexa organização social, ocorre a partir da inquietude, curiosidade e pro-
atividade de quem investiga.

Atenção

O conhecimento é resultado das dúvidas das pessoas que estudam determinado


assunto.

Sendo assim, o conhecimento aparece como:
[...] a abertura para o mundo, a cristalização (ou enquadramento) do mundo. Conhecer significa
voltar-se para a realidade, “deixar falar” o nosso objeto; mas conhecer significa também apreen-
der o mundo através de esquemas já conhecidos, identificar no novo a permanência de algo já
existente ou reconhecível. O predomínio de uma ou outra dessas tendências tem efeitos negati-
vos, e é através de seu equilíbrio que se pode alcançar o conhecimento ao mesmo tempo atento
ao novo e enriquecido pelas experiências cognitivas anteriores. (FRANÇA, 2011, p. 43)

Perceba, portanto, que em todos os tempos históricos a humanidade sempre construiu conhecimento,
de uma forma ou de outra, como colocam Bastos e Keller (2000):
A história humana é a história das lutas pelo conhecimento da natureza para interpretá-la e para
dominá-la. Cada geração recebe um mundo interpretado por gerações anteriores. Esta história
está constituída por interpretações místicas, proféticas, filosóficas, científicas, enfim, por ideolo-
gias. Cada indivíduo que vem ao mundo já o encontra pensado, pronto: regras morais estabele-
cidas, sociedade organizada, religiões estruturadas, leis codificadas, classificações preparadas.
No entanto, tal estruturação do mundo não justifica a alguém se sentir dispensado de repensar
este mundo, porque caso contrário tem-se o lugar comum, a mediocridade e, o que é pior, a alie-
nação. (BASTOS; KELLER, 2000, p. 54).

Cervo e Bervian (2010) lembram que por meio do conhecimento o homem acessa várias áreas da
realidade, porém, é preciso ressaltar que a própria realidade apresenta natureza diferenciada.

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1.2 Tipos (ou níveis) de conhecimento humano


Partimos da ideia de que o conhecimento humano pode ser classificado em cinco níveis ou tipos. São
eles:
• Senso Comum
• Conhecimento Artístico
• Conhecimento Teológico
• Conhecimento Filosófico
• Conhecimento Científico
Se você se tornar um estudioso da área e quiser aprofundar os seus conhecimentos, verá que pode
haver modificações na classificação dos níveis de conhecimento.
Mattar (2014), comenta que a divisão tradicional dos níveis de conhecimento ocorre a partir de um
exame mais apurado e muito frágil, pois o conhecimento artistístico também é um nível de conheci-
mento.

Figura 1.2: Arte é conhecimento.

Fonte: Plataforma Deduca (2018)

A seguir, para que você amplie as suas aprendizagens sobre os tipos de conhecimento, vamos explo-
rar cada um deles.

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1.2.1 O senso comum

Consideramos que o senso comum é um tipo de conhecimento. Ele recebe vários nomes, como, bom
senso, conhecimento popular, conhecimento empírico, conhecimento espontâneo e conhecimento
vulgar.
Você já deve ter ouvido essas frases: não passe debaixo da escada que dá azar; mulher quando ganha
bebê, só deve lavar os cabelos após o resguardo. E você já leu algum estudo científico comprovando
que passar por debaixo da escada dá azar? Ou que lavar o cabelo depois de ter um bebê causa algum
mal? Certamente não, pois esses conhecimentos não têm fundamentos científicos; contudo, muitas
vezes o senso comum pode estar certo.
Durante a sua infância, por exemplo, alguém deve ter lhe avisado para não colocar o dedo na tomada
elétrica, pois daria choque. O alerta pode ter sido dado por uma pessoa que já teve a experiência ou
vivenciou a situação. Daí vem o nome empirismo, que é uma teoria em que se acredita que o conheci-
mento advém da experiência prática, do contato direto e concreto com os fatos do mundo.
Mezzaroba e Monteiro (2017) lembram que o senso comum é resultado de informações trocadas
entre as pessoas com o passar do tempo. São conhecimentos que passam diferentes gerações sendo
adaptados e assimilados pela cultura popular. Esse conhecimento é acessível a qualquer pessoa, pois
ninguém precisa ser especialista no assunto.
A fragilidade desse tipo de conhecimento é que ele é destituído de teor crítico. Os fatos são simples-
mente aceitos do jeito que são enunciados. Os mesmos autores alertam que conhecimento desse tipo
podem gerar preconceitos, ou transformar-se em verdades absolutas.

Reflita

Esta forma de construção do conhecimento não é científica, não é filosófica. Ela tem
a particularidade de, muitas vezes, estar isenta de argumentações. O senso comum,
atende às necessidades imediatas da sociedade. Todos nós possuímos conheci-
mentos de senso comum. Quais são os seus?

É importante destacar que os conhecimentos de senso comum são usados, também, para resolver
problemas do cotidiano. É um conhecimento limitado, posto que «não é sistemático, nem eficiente,
e não permite identificar conhecimentos complexos ou relações abstratas» (GRESSLER, 2003, p. 27).
Para Lakatos e Marconi (2009, p. 18, grifos nossos) o senso comum “não se distingue do conheci-
mento científico nem pela veracidade nem pela natureza do objeto conhecido: o que os diferencia é a
forma, o modo ou o método e os instrumentos do ‘conhecer”. Todavia, recebe pejorativamente a deno-
minação de conhecimento vulgar ou popular. Para Petrin (2014), senso comum é:
[...] aquele tipo de conhecimento que se estende a todos os indivíduos e vem, inclusive, sem que
percebamos, como uma herança genética de geração em geração. Isso é usado diariamente
mesmo que a gente não se dê conta, em atividades comuns como por exemplo o uso das ervas
para confecção de chás e cura de doenças. Nós simplesmente confiamos, mesmo sem nos per-
guntar porque funcionam, apenas acreditando em tudo que ouvimos a respeito, principalmente
dos mais velhos.

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O senso comum também é capaz de produzir aquilo que as ciências chamam de dogma, ou seja, uma
crença em que as verdades impostas são consideradas inquestionáveis. Mezzaroba e Monteiro (2017)
definem dogmas como algo que se aceita como verdade, sem a presença de questionamentos. Os
autores trazem como exemplo as ações dos terroristas islâmicos, que se vestem de bombas e sacri-
ficam sua vida para matas muitas outras que não sigam a sua religião.

Figura 1.3: Racismo pode ser um dogma.

Fonte: Plataforma Deduca (2018).

O modo de se combater o dogmatismo é a atitude crítica. Conversar, debater e pesquisar sobre ide-
ologias e crenças são formas salutares de combater as intolerâncias que o dogma pode acarretar.
Vejamos agora outro nível de conhecimento.

1.2.2 Conhecimento artístico

Outro tipo de conhecimento abordado por França (2011) é o conhecimento artístico. Desde a história
primitiva, os homens utilizam desenhos (pinturas rupestres) com a finalidade de se comunicarem e de
se expressarem. Registravam suas apreensões, desejos e conhecimentos, como trilhas, onde estavam
determinados animais para caça, para onde poderiam fugir caso fossem atacados por predadores,
entre outros.
Assim, a Arte Rupestre tornou-se uma fonte de registro do conhecimento: os homens primitivos a
utilizavam como fonte de inspiração, confiança e para formular estratégias para abater animais muito
mais fortes e maiores do que eles.
Outra hipótese para a origem deste tipo de conhecimento é que os homens primitivos buscavam uma
sensação de poder sobre o mundo ao seu redor: ao desenhar uma cena de caça, desejavam antecipar
um resultado vitorioso. O conhecimento artístico também apresenta métodos e técnicas próprios,
como aponta Araújo (2016, p. 127-142):
Ela [a arte] possui métodos e técnicas, mas é, por definição (embora tal característica seja ideal
e não ocorra necessariamente na maioria das situações) espontânea, dinâmica e aberta. A arte
não apresenta discursos fechados e definitivos sobre a realidade, mas, antes, formula enunciados
abertos às diferentes interpretações, convoca os sujeitos para, com o uso da imaginação, produ-
zirem diferentes representações daquilo que lhes é apresentado. A arte, assim, está muito mais
voltada para a primeira dinâmica do processo de conhecer, para o “descobrimento” do mundo.

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Figura 1.4: Arte rupestre

Fonte: Plataforma Deduca (2018).

Portanto, a arte traduz a visão subjetiva de um determinado autor para o mundo, ela espelha a rea-
lidade vista apenas pela sua experiência, e aquele que a vê pode interpretar o que o autor-artista
colocou de uma maneira completamente diferente do original. Como você verá, isto não ocorre com o
conhecimento científico.
O conhecimento artístico engloba diferentes formas de expressão: música, literatura, teatro, cinema,
artes plásticas, dança etc. Todas essas formas de conteúdos artísticos também espelham a vida em
sociedade. Aristóteles (1989), dizia que “a arte é a mimese da vida”, ou seja, que a arte imita as ações
humanas.
Vamos dar sequência ao nosso estudo sobre os níveis do conhecimento, agora enfatizando o teoló-
gico.

1.2.3 Conhecimento teológico

Esse tipo de conhecimento tem como fundamento a religião e a fé. O princípio que o orienta é que não
é necessário ver para crer. Mezzaroba e Monteiro (2017) lembram que esse conhecimento pressupõe
a existência de forças que estão além da capacidade de explicação do homem. São instâncias divi-
nas e criadoras de tudo o que existe. No conhecimento religioso, também chamado de teológico, pelo
caráter sobrenatural que assume, as verdades são inquestionáveis e entendidas como revelações da
divindade.
O conhecimento religioso apoia-se em doutrinas que contêm proposições sagradas. Ele pode ser visto
como:
• Valorativo: atribui o conceito de certo e de errado.
• Inspiracional: dadas pela divindade, e, por esse motivo, tais verdades são consideradas indis-
cutíveis.
• Infalível e exato: por ter origem divina.
• Não verificados: Não podem ser comprovados e dependem da aceitação, de uma atitude de fé
perante um conhecimento revelado.
Vejamos, na sequência, uma explicação para o conhecimento filosófico.

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1.2.4 Conhecimento filosófico

Mattar (2014) argumenta que um dos grandes patrimônios da Filosofia é a sua própria história, que
teve início na Grécia antiga. De acordo com o autor, é a partir da Filosofia que nasce a própria Ciência.
Logo, os dois níveis de conhecimento, Filosófico e Científico, se relacionam pelo rigor, que se traduz
pela presença do método e pela busca da verdade.
Para Cervo e Bervian (2010), a principal tarefa da filosofia é a reflexão sobre os fatos e problemas que
cercam o ser humano, sempre na tentativa de compreender e problematizar, mas tem a intenção de
resolvê-los.

Figura 1.5: Reflexão é tarefa da Filosofia.

Fonte: Plataforma Deduca (2018).

A filosofia está sempre procurando o que é mais geral, procurando a formação de um ponto de vista
unificado. Procura sempre responder as questões do espírito humano, buscando pelas leis mais uni-
versais que envolvem a conformização e as conclusões da ciência.
O conhecimento filosófico pode ser caracterizado como:
• Valorativo – consiste em possiblidades filosóficas baseadas na experiência, e não na desco-
berta.
• Não verificável – pressupostos filosóficos não podem ser confirmados nem recusados.
• Racional – conjunto de enunciados logicamente ligados.
• Sistemático – as possibilidades e enunciados visam a uma interpretação harmoniosa da reali-
dade estudada, numa tentativa de entender em sua totalidade.
• Infalível e exato – as possibilidades e postulados não são submetidas a experimentações.
Por fim, vamos estudar o último tipo de conhecimento, mas muito importante para os estudantes de
todos os níveis de ensino: o conhecimento científico.

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1.2.5 Conhecimento científico

Talvez os maiores pontos de convergência entre o conhecimento filosófico e o científico é a presença


do método e a racionalidade, fato que a ciência herdou da filosofia, visto que a primeira é posterior à
segunda. Mezzaroba e Monteiro (2017, p. 42) descrevem que:
O conhecimento científico propriamente dito é uma conquista tardia da humanidade. Foi entre os
séculos XVI e XVII, com a revolução científica deflagrada por Copérnico, Bacon, Galileu, Descar-
tes e outros pensadores, que a Ciência conquistou campo próprio de investigação e de reflexão.
Daquele momento em diante, ela passou a utilizar métodos próprios de pesquisa, separando-se,
então, definitivamente do conhecimento filosófico.

O desenvolvimento da ciência a partir do século XVI foi tão expressivo que o homem começou a
estudar e entender profundamente os objetos, fatos e coisas existentes no mundo, de modo que ele
se tornou capaz de prever acontecimentos e melhorar a vida da sociedade em diversos setores, tais
como saúde, transporte e educação.
Importa também compreender que o conhecimento sobre determinado assunto sempre pode ser revi-
sitado, pois a tecnologia permite que novos fatos sejam descobertos. Na biologia, por exemplo, os
primeiros estudos sobre as células não apontaram a existência de organelas celulares. Com o advento
de microscópios mais modernos, descobriu-se a existência das organelas celulares e a intrincada
arquitetura dessas minúsculas estruturas.
Podemos elencar algumas características do conhecimento científico:
• Factual – pois estuda ocorrências, fatos e tudo aquilo que é real.
• Sistemático – seu conjunto de saberes é organizado sistematicamente, formando um sistema
de ideias (teoria) e não conhecimentos dispersos e desconexos.
• Verificável - as hipóteses que explicam os fenômenos podem ou não ser comprovadas.
• Falível - em virtude de não ser definitivo e estar em constante redescoberta.
O conhecimento científico, portanto, é pautado na reflexão crítica sobre determinado objeto e suas
conclusões são resultados de um processo que envolve: exploração e descoberta, hipóteses (ideias
explicativas), análise pelos pares (outros pesquisadores) e conclusões (benefícios e resultados).

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Figura 1.6: O ciclo do Conhecimento Científico

Hipótese

Conhecimento
Cientifico

Conclusões/
Teste/Validação
Aplicações

Fonte: Elaborado pela autora.

No tópico a seguir, veremos a relação do conhecimento científico com a vida acadêmica.

1.2.6 O conhecimento científico e as produções acadêmicas

É com o conhecimento científico que você, aluno, vai lidar durante todo o seu percurso acadêmico.
Durante o seu curso serão apresentadas as bases científicas que fundamentam a sua futura profis-
são. Também durante os seus estudos, você será orientado para compreender e aplicar os métodos
e técnicas de pesquisa da sua área, o que culminará com a escrita de artigos ou do seu trabalho de
conclusão de curso. Porém, o pensamento científico vai acompanhá-lo durante toda a sua vida pro-
fissional, pois é por meio do pensamento organizado, direcionado e lógico, que você vai resolver os
desafios que toda profissão apresenta.
O caminho da pesquisa é extremamente organizado. A própria comunidade científica trata de fazer
essa organização por meio de normas e orientações para escrita dos trabalhos acadêmicos e conse-
quente exposição do conhecimento aprendido e desenvolvido.

Saiba mais

O filme “2001: uma odisseia no espaço”, filme anglo-americano de 1968, dirigido e


produzido por Stanley Kubrick, apresenta, em seus minutos iniciais, como ocorre o
salto de um conhecimento pré-humano para o complexo conhecimento científico.
Assista ao filme e reflita sobre este processo que permeia a humanidade.

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Com relação à pesquisa que você irá realizar durante sua vida acadêmica e profissional, é preciso
tomar cuidado com as fontes, isso é, o local de onde você retira a informação. É esse o tema que o
próximo e último tópico da unidade abordará.

1.3 A pesquisa em tempos de web e internet


Foi o conhecimento científico, no campo das engenharias e das tecnologias da informação, o respon-
sável pelo acesso amplo a todo e qualquer tipo de informação. Hoje se você quiser saber mais sobre
determinado assunto, é só digitar o tema em um site de busca, como o Google, por exemplo, e diversos
sites aparecem diante de seus olhos, com informações dos mais variados tipos. Sobre isso, precisa-
mos fazer duas considerações:
1. Nem toda informação que circula pela internet é fidedigna, ou seja, nem tudo é confiável.
2. O conhecimento que circula na internet é de outrem, isso quer dizer que você precisa saber
resistir à tentação do “copia e cola” na hora de suas pesquisas acadêmicas.
Quanto à seleção das informações confiáveis, o conselho que Diehl e Tatim (2014) oferecem, é que
as pesquisas devem ser realizadas em artigos, livros, teses e dissertações em meio eletrônico. Os
autores também sugerem que o aluno pergunte para os professores sobre fontes de pesquisa ou que
consultem bibliotecas virtuais especializadas.
A verificação das informações obtidas pela internet deve ser rigorosamente observada, um bom modo
de saber a qualidade da fonte é saber quem é o autor. As abreviaturas dão uma boa pista:
• .edu – Indica universidade ou instituição educacional.
• .com – Fonte comercial.
• .gov – Fonte governamental
• .org – organização não governamental.
Existem alguns endereços na internet que podem se constituir em uma boa fonte de pesquisa, vejamos
alguns:

Tabela 1.1: Sites recomendados para pesquisa na internet.

Sites para pesquisa


Biblioteca Ana Maria Poppovic (Fundação Carlos Chagas) – www.fcc.org.br
Biblioteca Universitária da UFSC: www.bu.ufsc.br
Biblioteca Virtual do Estudante Brasileiro – www.bibvirt.futuro.usp.br
Biblioteca Central Irmão José Otávio – http://ultra.purs.br/biblioteca
Google acadêmico: http://scholar.google.com.br/schhp
Scientific Electronic Library Online – SCIELO: Organiza e publica textos completos de
revistas brasileiras na web - http://www.scielo.org/php/index.php?lang=pt
BVE. Biblioteca Virtual de Educação. Seleção de sites educacionais, do Brasil e Exterior,
organizados em 4 subcategorias. Prioriza a avaliação e estatísticas educacionais.
http://pergamum.inep.gov.br/pergamum/biblioteca 
Fonte: Elaborado pela autora (2018).

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É importante saber que existem softwares gratuitos que permitem abrir em PDF um texto, grifar, anotar
e até mesmo resumir. Essa é uma ferramenta que agiliza o estudo. O Mendeley e o Zotero são exem-
plos de programas que auxiliam os estudos e pesquisas.
Chegamos ao final da primeira unidade da disciplina Metodologia Científica. Esperamos que você
tenha ampliado as suas aprendizagens e ficado curioso pelo que ainda está por vir!

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Referências
ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. São Paulo: Nova Cultural. 1989.

ARAUJO, C. A. A. A ciência como forma de conhecimento. Science as a kind of knowledge. Ciênc. cogn.
[online]. 2006, v. 8, p. 127-142. Disponível em: <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?pid=S1806-
-58212006000200014&script=sci_abstract> Acesso em: 09 fev. 2018. 

BASTOS, C.; KELLER, V. Aprendendo a aprender: introdução à metodologia científica. Petrópolis:


Vozes, 2000.

CERVO, A. L.; BERVIAN, P. A. Metodologia científica. 6. ed. São Paulo: Makron Books do Brasil, 2010.

DIEHL, A. A. TATIM, D. C. Pesquisa em ciências sociais aplicadas: métodos e técnicas. São Paulo:
Pearson, 2014.

FRANÇA, J. L. et al. Manual para normalização de publicações técnico-científicas. 8. ed. Belo Hori-
zonte: UFMG, 2011.

GRESSLER, L. A. Introdução à pesquisa: projetos e relatórios. São Paulo: Loyola, 2003.

LAKATOS, E. M.; MARCONI, M. A. Metodologia do trabalho científico. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2009.

MATTAR, João. Metodologia científica na era da informática. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2014.

MEZZAROBA, O.; MONTEIRO, C. S. Manual de metodologia da pesquisa em direito. São Paulo: Saraiva,
2017.

PETRIN, N. Conhecimento Científico. São Paulo: Estudo Prático, 2014.

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