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APOSTILA ESPECÍFICA

PREFEITURA DE
IBIRUBÁ/RS
- REPRODUÇÃO PROIBIDA –
Índice:

1. Avaliação psicológica: processo psicodiagnóstico........................................Página 03

2. Entrevista clínica.......................................................................................... Página 13

3. Entrevista lúdica........................................................................................... Página 15

4. Exame do estado mental...............................................................................Página 16

5. Avaliação psicodinâmica.............................................................................. Página 19

6. Instrumentos psicológicos. Escalas Wechsler (WISC III e WAIS III)........... Página 22

7. Psicopatologia: diagnóstico descritivo dos transtornos mentais em adultos, crianças


e adolescentes. DSM IV (Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais).
CID (Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento da CID)......Página 31

8. Perícia psicológica na área forense: conceitos básicos..............................Página 95

9. Destituição do poder familiar, definição de guarda e regulamentação de


visitas..............................................................................................................Página 99

10. Drogadição................................................................................................Página 106

11. Adoção......................................................................................................Página 118

12. Falsas Memórias.......................................................................................Página 123

13. Síndrome de Alienação parental..............................................................Página 125

14. Maus-tratos e abuso sexual..................................................................... Página 131

15. Código de ética profissional dos psicólogos............................................ Página 149

16. Elaboração de documentos decorrentes de avaliações psicológicas. Resolução


CFP nº
007/2003.........................................................................................................Página 159

17. Referências Bibliográficas..........................................................................Página169


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AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA: PROCESSO PSICODIAGNÓSTICO1

Esta unidade traz um breve histórico sobre a avaliação psicológica, além de


referir-se à importância, aos objetivos e às etapas do processo psicodiagnóstico, uma
técnica que há pouco tempo passou por rechaços e, atualmente, após uma revisão de
seu ―fazer‖, tem adquirido importância não só nos concursos públicos e processos
seletivos, como também, nas diversas áreas de atuação do profissional psicólogo.
Formiga e Mello (2000) afirmam que, atualmente, ―qualquer posição extremista
em relação aos testes psicológicos mostrará a falta de informação do momento
histórico, filosófico e social que influenciaram a psicologia‖; uma vez que os testes
psicológicos percorreram um grande caminho na caracterização da Psicologia
enquanto ciência. Foram criados e usados inicialmente para analisar e determinar
diferenças individuais, e, hoje, sua utilização é muito mais ampliada, indo do ponto de
vista psicológico, educacional, sociológico até o cultural; trabalhando-se com estudos
de grandes populações, passíveis de generalizações, mas também pequenos grupos
menos típicos.
Os testes psicológicos não consistem em 100% de neutralidade e eficácia em
seus resultados, o que não significa que os mesmos devam ser dispensados, uma vez
que, sendo atendidas as pré-condições de sua aplicação e o psicólogo examinador
tenha conhecimento, domínio da aplicação e da avaliação, os testes auxiliam a
eliminar boa parte da ―contaminação‖ subjetiva da sua percepção e julgamento. É
importante ressaltar a condição dos testes como mais um, e não o único recurso que
auxilia o profissional na compreensão e no fechamento das considerações a respeito
de um examinando, seja em processo seletivo, avaliação psicológica e/ou
psicodiagnóstico (SILVA, 2008).

Definição e Caracterização

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De acordo com o Dicionário Aurélio (1999), avaliação refere-se a: ―sf. 1. Ato ou


efeito de avaliar (-se). 2. Apreciação, análise. 3. Valor determinado pelos avaliadores‖.
O termo avaliação é abrangente e nos remete a diferentes conceitos, desta forma,
para o Conselho Federal de Psicologia, a avaliação psicológica é um processo técnico
e científico realizado com pessoas ou grupos de pessoas que, de acordo com cada
área do conhecimento, requer metodologias específicas. Suas estratégias aplicam-se
a diversas abordagens e recursos disponíveis para o processo de avaliação (CUNHA,
2000). Ela é dinâmica e constitui-se em fonte de informações de caráter explicativo
sobre os fenômenos psicológicos, com a finalidade de subsidiar os trabalhos nos
diferentes campos de atuação do psicólogo. Trata-se de um estudo que requer um
planejamento prévio e cuidadoso, de acordo com a demanda e os fins aos quais a
avaliação destina-se (CRP-SP, s.d.).
Avaliação psicológica, para Alchieri e Noronha (2004), é:
“[...] um exame de caráter compreensivo efetuado para responder questões
específicas quanto ao funcionamento psíquico adaptado ou não de uma
pessoa durante um período específico de tempo ou para predizer o
funcionamento psicológico da pessoa no futuro. A avaliação deve fornecer
informações cientificamente fundamentadas tais que orientem, sugiram,
sustentem o processo de tomada de decisão em algum contexto específico no
qual a decisão precisa levar em consideração informações sobre o
funcionamento psicológico.” (p. 44)
Segundo Cunha (2000), o conceito de avaliação psicológica é muito amplo,
englobando em si o psicodiagnóstico. Este seria uma avaliação psicológica de
finalidade clínica, e não abarcaria todos os modelos possíveis de avaliação
psicológica.
Para a autora, o psicodiagnóstico é definido como ―um processo científico,
limitado no tempo, que utiliza técnicas e testes psicológicos, em nível individual ou
não, seja para entender problemas à luz de pressupostos teóricos, identificar e avaliar
aspectos específicos, seja para classificar o caso e prever seu curso possível,
comunicando os resultados, na base dos quais são propostas soluções, se for o caso‖.
Visa, assim, identificar forças e fraquezas no funcionamento psicológico
(CUNHA, 2000).
A fim de caracterizar este processo, tem-se que o mesmo se dá em uma
situação bipessoal, com papéis bastante definidos e com um contrato, havendo uma

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pessoa que pede ajuda (paciente) e uma que recebe o pedido e se compromete em
solucioná-lo, na medida do possível, o psicólogo. Sua duração é limitada e seu
objetivo é conseguir, através de técnicas, investigar, descrever e compreender, de
forma mais completa possível, a personalidade total do paciente ou grupo familiar,
abrangendo aspectos passados, presentes e futuros desta personalidade (OCAMPO;
ARZENO, 2001).
Mostra-se, assim, como um processo científico, uma vez que parte do
levantamento prévio de hipóteses que serão confirmadas ou refutadas por meio de um
plano de avaliação, com passos e técnicas predeterminadas e objetivos específicos
(CUNHA, 2000).
Com os dados obtidos, faz-se uma inter-relação destes com as informações
obtidas a partir das hipóteses iniciais, e uma seleção e integração com os objetivos do
psicodiagnóstico, assim, os resultados são comunicados, a quem de direito,
determinando-se quais dados devem ser apresentados para que seja possível a oferta
de subsídios para recomendações e/ou decisões (CUNHA, 2000).
É importante ainda salientar a qual público o psicólogo que realiza
psicodiagnóstico atende. Este, geralmente, é formado por profissionais médicos
(psiquiatras, pediatras, neurologistas etc.), advogados, juízes e pela comunidade
escolar, que encaminham seus clientes. Há também, mas com menor frequência,
casos de procura espontânea do paciente ou familiar, principalmente quando
recomendado por amigo ou outro membro da família (CUNHA, 2000).
O profissional psicólogo deve, por fim, atentar-se para a finalidade da
investigação, para que as necessidades da fonte de solicitação sejam atendidas e seu
trabalho tenha o impacto e crédito merecidos. Para tanto, ao se observar a dificuldade
que o solicitante do encaminhamento pode apresentar ao requerer uma avaliação
psicológica, é de sua responsabilidade encontrar meios de manter contato e uma boa
comunicação com os diferentes profissionais com quem trabalha, para conhecer
melhor suas necessidades e, o mais importante, esclarecer e determinar, em conjunto,
o que se espera dele (CUNHA, 2000).

Breve Histórico

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A história da avaliação psicológica começou no fim do século XIX e início do


século XX e está muito ligada ao surgimento da Psicologia Experimental no século
XIX. A fundação do primeiro laboratório de Psicologia Experimental pelo psicólogo
alemão Wundt, em 1879, marcou o início das experiências científicas, visando
principalmente investigar as sensações auditivas e visuais, a psicofísica, tempos de
reação e outros. Esta época marcou o início do uso de testes psicológicos e propiciou
a imagem de ―aplicador de testes‖ que muitos têm do profissional psicólogo.
Segundo Cunha (2000), o psicodiagnóstico derivou da Psicologia Clínica, em
1896, introduzida por Lighter Witmer, sob a tradição da psicologia acadêmica e da
tradição médica. Esta última teria efeitos marcantes na identidade profissional do
psicólogo clínico.
Ao final deste século e início do seguinte, a Psicologia sofreu influência da
Biologia, com os trabalhos realizados por Galton, na década de 1880, que tentou
aplicar os princípios do evolucionismo de Darwin à seleção, à adaptação e ao estudo
do ser humano. Galton elaborou alguns testes a fim de identificar diferenças
individuais e determinar o grau de semelhança entre parentes em um estudo sobre
hereditariedade e genialidade (CUNHA, 2000; GEOCITES, 2008).
Influenciado por Galton, Cattel (psicólogo americano) fez seus estudos dando
ênfase às medidas sensoriais, afirmando que elas permitiam uma maior exatidão.
Elaborou também uma tese sobre diferenças no tempo de reação, que consistia em
registrar os minutos decorridos entre a apresentação de um estímulo ou ordem para
começar a tarefa, e a primeira resposta emitida pelo examinando. E desenvolveu
medidas das diferenças individuais, o que resultou na criação da terminologia Mental
Test (teste mental) (PASQUALLI, 2001 apud SILVA, 2008).
Stern, em 1900, estudava as diferenças raciais, culturais, sociais, profissionais
etc., e incluiu nestes o conceito de ―quociente intelectual‖ (Q.I.), sendo conhecido
como seu idealizador (GEOCITES, 2008).
O primeiro a fazer realmente testes de nível mental foi A. Binet, que fazia várias
críticas aos testes utilizados até então, por acreditar que as medidas exclusivamente
sensoriais, apesar de permitirem maior precisão, não tinham relação importante com
as funções intelectuais (SILVA, 2008).
Binet tinha seus interesses voltados para a avaliação das aptidões mais nas
áreas acadêmica e da saúde. Em 1905, ele e Simon desenvolveram o primeiro teste

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psicológico, com o objetivo de avaliar e detectar, através de medidas intelectuais como


julgamento, compreensão e raciocínio, o nível de inteligência ou retardo mental de
adultos e crianças das escolas de Paris. Estes testes de conteúdo cognitivo foram bem
aceitos, principalmente nos EUA, a partir da sua tradução por Terman (1916),
nascendo, assim, a era dos testes com base no Q.I. (CUNHA, 2000; SILVA, 2008).
A tradição em psicometria passou a ser mais bem sedimentada, então, pelas
escalas de Binet, as quais foram aperfeiçoadas por Terman e pela criação dos testes
do exército americano (CUNHA, 2000; GEOCITES, 2008).
Os primeiros testes de inteligência em forma coletiva surgiram por ocasião da
Primeira Guerra Mundial, em 1914. Eles foram elaborados para classificar
intelectualmente soldados do exército norte-americano e receberam os nomes de
―Army Alpha‖ e ―Army Beta‖ (CUNHA, 2000; GEOCITES, 2008).
Deste modo, tem-se que os testes psicológicos surgiram a partir de diferentes
fatores, porém, alguns merecem destaque: a necessidade de identificação de
deficientes mentais; os problemas de aprendizagem; a seleção rápida e eficiente de
contingente para as forças armadas; seleção e classificação de empregados; e a
adoção de crianças (GEOCITES, 2008).
No Brasil, em 1924, na Bahia, foi realizada por Isaias Alvez a adaptação da
escala Binet-Simon, sendo considerada um dos primeiros estudos de adaptação de
instrumentos psicométricos no país (NORONHA; ALCHIERI, 2005 apud SILVA, 2008).
Com a revolução e o aperfeiçoamento de técnicas, surgiram diversos tipos de
testes, entre eles os de aptidão (criados para aconselhamento vocacional, seleção e
classificação de pessoal), os psicológicos (medida objetiva e padronizada sobre uma
amostra de comportamento) e os de Q.I. (com a finalidade de medir o quociente de
inteligência entre pessoas de uma mesma faixa etária) (GEOCITES, 2008).
Atualmente, o progresso na elaboração dos testes psicológicos tem sido
constante, disponibilizando ao profissional psicólogo, cada vez mais, um número maior
de possibilidades a serem usadas.
É importante recordar que a contribuição da psicometria foi e é essencial para
garantir a cientificidade dos instrumentos do psicólogo, mas também, que existem
diferenças entre o psicometrista e o psicólogo clínico. O primeiro valoriza mais os
aspectos técnicos da testagem, já no psicodiagnóstico, o psicólogo utiliza testes e
outras estratégias para avaliar um sujeito de forma sistemática, científica e norteada

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para a resolução de um problema, relacionando-os com o contexto total da pessoa


(CUNHA, 2000).
Mesmo no período entre as duas grandes guerras, a classificação das doenças
mentais ainda pressupunha uma hierarquia, herança de um modelo médico, que
evidenciava alterações nas condições orgânicas, e quando isto ocorria, qualquer outro
diagnóstico era subjugado (CUNHA, 2000; SILVA, 2008).
É neste cenário que as obras de Freud e Kraepelin aparecem e dão novo
significado às antigas classificações, desvendando as diferenças entre estados
neuróticos e psicóticos, dentre os transtornos classificados na época como funcionais
(não-orgânicos) (CUNHA, 2000).
Assim, segundo Cunha (2000), Freud representou o primeiro elo de uma
corrente de conteúdo dinâmico, seguido pelo surgimento de Jung, com seu teste de
associação de palavras em 1906, e fornecendo forças para o lançamento posterior das
técnicas projetivas.
Começa o período áureo dos testes de personalidade e técnicas projetivas. Em
1921, é lançado o Rorschach, com grande sucesso, em seguida o TAT, e desde então
a multiplicação das técnicas projetivas.
Cunha (2000), fazendo referência a Groth-Marnat (1999), aponta que isto
ocorreu devido a dois fatores: o primeiro seria o de que os testes até então
consagrados, como os utilizados na área militar e industrial, não mais atendiam às
necessidades da população, na avaliação de problemas da vida, como neuroses etc.;
e o segundo, seria pela grande valorização do entendimento dinâmico por parte da
comunidade psiquiátrica. Porém, logo em seguida, as técnicas projetivas entraram em
certo declínio, por estarem muito associadas a uma perspectiva teórica (a psicanálise),
por apresentarem problemas metodológicos e por dar certa ênfase à interpretação
intuitiva (CUNHA, 2000).
Atualmente há uma busca por instrumentos mais objetivos e estruturados, por
isso o maior rigor na aprovação e na validação dos testes, pela necessidade de
manter embasamento científico para oferecer respostas adequadas e compatíveis com
outros ramos da ciência e em termos de questões diagnósticas. Porém, isto não
significa que as técnicas projetivas não tenham seu valor e não sejam utilizadas até
hoje, somente aponta para a necessidade de constantes reavaliações, para que haja

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um reconhecimento da qualidade do proposto por um psicodiagnóstico (CUNHA,


2000).

Objetivos

O principal objetivo do processo psicodiagnóstico é conseguir uma descrição e


compreensão da personalidade do paciente, de forma a explicar a dinâmica do caso
como aparece no material, integrando-o, posteriormente, num quadro global, sem
esquecer-se de incluir tanto aspectos patológicos como adaptativos (OCAMPO;
ARZENO, 2001).
É de suma importância que o psicólogo tenha ciência sobre qual a finalidade,
ou finalidades, do psicodiagnóstico a ser realizado, que depende do motivo do
encaminhamento. Isto confere ao profissional maiores condições de fazer escolhas
mais acertadas quanto às técnicas e materiais a serem utilizados (ARZENO, 1995;
CUNHA, 2000).
Dentre os motivos que levam a este tipo de consulta tem que se distinguir
basicamente dois tipos: o motivo latente e o motivo manifesto. O primeiro,
caracterizado por ser o mais oculto, inconsciente, que às vezes nem o cliente tem
muita certeza, e, o último, o mais consciente, geralmente é o motivo que aparece num
primeiro momento, quando o cliente é perguntado sobre o porquê da consulta
(ARZENO, 1995).
Cunha (2000) aponta que existem um ou vários objetivos em um processo
psicodiagnóstico, e que os mais comuns seriam os seguintes:
a) Classificação simples: quando há a comparação da amostra do
comportamento do examinado com os resultados obtidos por outros sujeitos de uma
população com condições semelhantes à dele (idade, escolaridade, sexo); os dados
são fornecidos de modo quantitativo e são classificados de maneira resumida e
simplificada, como, por exemplo, em uma avaliação intelectual.
b) Descrição: vai além da anterior, uma vez que interpreta diferenças de
escores, identifica potencialidades e fracassos, além de descrever o desempenho do
paciente, por exemplo, avaliações de déficit neurológico.
c) Classificação nosológica: as hipóteses iniciais são testadas tendo como
referência critérios diagnósticos. Uma avaliação com este objetivo pode ser realizada

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em diferentes situações. Uma refere-se ao paciente não testável, sendo assim, o


profissional deverá fazer um julgamento clínico acerca da presença ou não de
sintomas significativos, para verificar através da comparação com outros pacientes da
mesma categoria diagnóstica o que este tem em comum com ela. A outra situação é
quando o paciente é passível de teste, assim, a possibilidade da realização de um
psicodiagnóstico se faz possível, e as hipóteses iniciais podem ser testadas
cientificamente, através da bateria de testes – nesta situação não caberia somente
conferir quais critérios diagnósticos são preenchidos pelo paciente. A classificação
nosológica auxilia na comunicação entre profissionais e contribui para o levantamento
de dados epidemiológicos de uma comunidade.
d) Diagnóstico diferencial: são investigadas irregularidades e inconsistências
dos resultados dos testes e/ou do quadro sintomático para diferenciar categorias
nosológicas, níveis de funcionamento, alternativas diagnósticas ou natureza da
patologia. Para tanto, o psicólogo deve ter um vasto conhecimento em psicopatologia
e sobre técnicas sofisticadas de diagnóstico.
e) Avaliação compreensiva: considera o caso num sentido mais global. Tenta-
se determinar o nível de funcionamento da personalidade, examinam-se funções do
ego (insight) e condições do sistema de defesas para que a indicação terapêutica e/ou
a previsão das possíveis respostas aos mesmos possam ser facilitadas. Não há uma
necessidade explícita do uso de testes, porém, estes permitem evidências mais
precisas e objetivas, que podem contribuir na avaliação dos resultados terapêuticos,
por um reteste futuro.
f) Entendimento dinâmico: similar à avaliação compreensiva, uma vez que
enfoca a personalidade de modo global, mas a ultrapassa por pressupor um nível mais
elevado de inferência clínica, utilizando uma dimensão mais aprofundada, na direção
histórica do desenvolvimento, investigando conflitos, psicodinamismos e chegando a
uma compreensão do caso com base num referencial teórico. Requer uma condução
diferenciada das entrevistas e dos materiais de testagem.
g) Prevenção: propõe identificar problemas precocemente, avaliar riscos,
estimar forças e fraquezas do ego, de sua capacidade para enfrentar situações novas,
conflitivas, ansiogênicas ou difíceis. Geralmente utilizam-se recursos de triagem para
atingir uma maior população em um menor número de tempo, mas também é de
grande utilidade numa avaliação individual, mais aprofundada.

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h) Prognóstico: pode avaliar condições que possam influenciar, de algum


modo, no curso de um caso. Ressalta-se que esta área ainda exige maior estudo para
aprimorar tanto a adequação da testagem utilizada, como sua coleta de dados
estatísticos.
i) Perícia forense: contribui na resolução de questões relacionadas com
―insanidade‖, competência para o exercício de funções de cidadão, avaliação de
incapacidade ou de comprometimentos psicopatológicos que possam se associar com
infrações de leis etc.; geralmente o psicólogo deve responder a uma série de quesitos
pra instruir em decisões importantíssimas do processo, portanto, isto deve ser feito de
forma clara, precisa e objetiva.

Etapas do Processo

Os passos do psicodiagnóstico não apresentam muitas diferenças de autor


para autor; aqui será utilizado um modelo baseado em Cunha (2000) e Arzeno (1995),
sendo que a única diferença entre eles está no fato de que Arzeno considera uma
etapa anterior às apresentadas a seguir, sendo esta referente ao momento em que o
consultante faz a solicitação de avaliação até o encontro com o profissional.
As etapas são as seguintes:
 1º momento: realização da(s) primeira(s) entrevista(s) para levantamento e
esclarecimento dos motivos (manifesto e latente) da consulta, as ansiedades,
defesas, fantasias e a construção da história do indivíduo e da família em
questão. Nesta etapa ocorre a definição das hipóteses iniciais e dos objetivos
do exame.
 2º momento: reflexão sobre material coletado na etapa anterior e sobre as
hipóteses iniciais a fim de planejar e selecionar os instrumentos a serem
utilizados na avaliação. Em alguns casos se mostram de suma importância as
entrevistas, incluindo os membros mais implicados na patologia do paciente
e/ou grupo familiar.
 3º momento: realização da estratégia diagnóstica planejada. Ocorre o
levantamento quantitativo e qualitativo dos dados. É relevante salientar que
não deve haver um modelo rígido de psicodiagnóstico, uma vez que cada caso

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é único, demonstrando necessidades únicas, sendo estas sanadas com


instrumentos próprios para elas.
 4º momento: estudo do material coletado. Nesta etapa faz-se a integração dos
dados e informações, buscando recorrências e convergências dentro do
material, encontrar o significado de pontos obscuros, correlacionar os
instrumentos entre si e com as histórias obtidas no primeiro momento,
formulando inferências por estas relações tendo como ponto de partida as
hipóteses iniciais e os objetivos da avaliação.
 5º momento: entrevista de devolução. Nela ocorre a comunicação dos
resultados obtidos, as orientações a respeito do caso e o encerramento do
processo. Ela pode ocorrer somente uma vez, ou diversas vezes, uma vez que,
geralmente, faz-se uma devolutiva de forma separada para o paciente (em
primeiro lugar) e outra para os pais e o restante da família. Quando o paciente
é um grupo familiar, a devolutiva e as conclusões são transmitidas a todos.

O psicólogo deve se lembrar de que o processo psicodiagnóstico não é


agradável para o paciente, portanto, é importante ter bastante cuidado para não torná-
lo persecutório. Isto é possível quando o profissional explica como se dá o processo já
num primeiro encontro; evita que a(s) entrevista(s) inicial(is) se torne(m) um inquérito
sem fim, causando muita ansiedade; explicita em linguagem acessível e
compreensível o que é esperado do paciente em cada etapa do processo
(principalmente quando são utilizados testes); procura evitar que a entrevista de
devolução seja uma mera transmissão de conclusões, sem que haja a oportunidade
do paciente ou familiares expressarem suas reações, e sim, que neste momento,
ocorra um espaço para que uma conversa se instaure, para que possíveis dúvidas
possam ser sanadas e encaminhamentos realizados com maior esclarecimento.
Ao final do processo psicodiagnóstico2, dependendo da fonte solicitante, é
necessário que o psicólogo forneça um documento contendo as observações e as
conclusões a que chegou, o chamado laudo psicológico. Trata-se de um parecer
técnico que visa subsidiar o profissional a tomar decisões e é um dos principais
recursos para comunicar resultados de uma avaliação psicológica. Seu objetivo é

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Cada etapa do processo psicodiagnóstico está descrita de maneira mais detalhada no
capítulo 11 de Cunha, 2000.
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apresentar materialmente um resultado conclusivo de acordo com a finalidade


proposta de consulta, estudo ou prova e deve restringir as informações fornecidas às
estritamente necessárias à solicitação (objetivo da avaliação), com a intenção de
preservar a privacidade do paciente (SILVA, 2008).

ENTREVISTA CLÍNICA3

De acordo com Tavares (2000), “A entrevista clínica é um conjunto de


processos de técnicas de investigação, de tempo delimitado, dirigido por um
entrevistador treinado, que utiliza conhecimentos psicológicos, em uma relação
profissional, com o objetivo de descrever e avaliar aspectos pessoais, relacionais ou
sistêmicos (indivíduo, casal, família, rede social), em um processo que visa a fazer
recomendações, encaminhamentos ou propor algum tipo de intervenção em benefício
das pessoas entrevistadas”.
A entrevista clínica é dirigida, ou seja, tem objetivos definidos e é por meio dela
que o entrevistador estrutura sua intervenção. Todos os tipos de entrevista têm
alguma forma de estruturação, na medida em que a atividade do entrevistador
direciona a entrevista no sentido de alcançar seus objetivos (TAVARES, 2000).

Papel do Entrevistador
É necessário habilidades do entrevistador para que ele esteja preparado para
lidar com o direcionamento que o sujeito parece querer dar à entrevista, de forma a
otimizar o encontro entre a demanda do sujeito e os objetivos da tarefa. Quando o
entrevistador confronta uma defesa, ele empaticamente reconhece ou pede
esclarecimentos, está facilitando ou dificultando o processo. Portanto, é necessário
que o entrevistador domine as especificações da técnica.
Segundo Tavares (2000), para realizar uma entrevista de modo adequado o
entrevistador deve ser capaz de:
1. Estar presente, no sentido de estar inteiramente disponível para o outro
naquele momento sem a interferência de outras pessoas;

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2. Auxiliar o paciente para que ele se sinta à vontade e construa a


possibilidade de uma aliança terapêutica;
3. Facilitar a expressão dos motivos que levaram a pessoa até a consulta;
4. Buscar esclarecimentos para colocações vagas ou incompletas;
5. Confrontar esquivas e contradições de maneira gentil;
6. Tolerar a ansiedade relacionada aos temas evocados na entrevista;
7. Reconhecer defesas e modos de estruturação do paciente;
8. Identificar e compreender seus processos transferenciais;
9. Assumir a iniciativa em momentos de impasse;
10. Dominar as técnicas que utiliza no seu trabalho;
Outro ponto importante significa reconhecer a desigualdade intrínseca na
relação, que dá uma posição privilegiada ao entrevistador. Essa posição lhe confere
poder e, portanto, a responsabilidade de zelar pelo interesse e bem-estar do outro.
Também é do entrevistador a responsabilidade de reconhecer a necessidade de
treinamento especializado e atualizações constantes ou periódicas.

Papel do Entrevistado
O papel principal da pessoa entrevistada é o de prestar informações. Nos
casos em que parece haver dificuldades de levantar a informação, é bem provável que
o entrevistador tenha que centrar sua atenção na relação com a pessoa entrevistada
para compreender os motivos de sua atitude. Distorções relacionadas às pessoas ou
instituições interessadas na avaliação, a ideias preconcebidas em relação à psicologia
ou à saúde mental e a fantasias inconscientes vinculadas às ansiedades pessoais
acerca do processo.
O resultado de uma entrevista depende largamente da experiência e da
habilidade do entrevistador, além do domínio da técnica. Criar um clima que facilite a
interação nesse contexto e a abertura para o exame de questões íntimas e pessoais
talvez seja o desafio maior da entrevista clínica.
Nas entrevistas clínicas deseja-se conhecer em profundidade o sujeito, com o
objetivo de entender qual a situação que o levou à entrevista. Nessa situação o
entrevistado é porta-voz de uma demanda e espera um retorno que o auxilie. Nesses
casos é preciso que se crie um espaço às manifestações individuais e requer
habilidades e conhecimentos específicos que permitam ao entrevistador conduzir

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adequadamente o processo. Essa especificidade clínica favorece que sejam utilizadas


as entrevistas semiestruturas e de estruturação.

ENTREVISTA LÚDICA4

Segundo Franco e Mazorra, a entrevista lúdica é uma técnica de investigação


clínica da personalidade da criança introduzida inicialmente por Aberastury (1992).
Nesse procedimento, o comportamento da criança é observado em uma sala
destinada à ludoterapia, com brinquedos e material gráfico. Tendo em vista que a
atividade lúdica é a forma como a criança expressa suas fantasias, desejos e
experiências, o emprego desses recursos tem como objetivo a instrumentalização de
suas possibilidades comunicacionais (FRANCO; MAZORRA, 2007).
Para Duarte (2010):
“No atendimento com criança a queixa inicial é trazida pelos pais e esta
geralmente se apresenta de forma confusa; neste momento, o terapeuta tem
que intervir como facilitador da comunicação dos problemas, buscando uma
definição dos objetivos pretendidos. O profissional nesta situação deve ajudar
os pais a optarem pelo bem-estar da criança, definindo, então, metas para a
atuação terapêutica. A posição da criança no processo terapêutico é diferente,
visto que são os pais ou outros responsáveis que buscam atendimento para
ela. Em consequência, influenciam o estabelecimento de metas, concordam ou
não com o plano de atendimento e determinam até mesmo quando a terapia
deve ser encerrada” (p.1)

Duarte (2010) afirma que é comum as crianças mostrarem-se ansiosas perante


o terapeuta, por isso é importante os envolvimento dos pais no intuito de ajudar a
preparar a mesma, e os cuidados do terapeuta em deixar a criança à vontade.
De acordo com Franco e Mazorra, com freqüência os terapeutas entrevistam
os pais antes de ver a criança individualmente de modo a obter informações sobre os
problemas apresentados, a história dos problemas, formas anteriores de lidar com os
problemas, as forças da criança, acontecimentos significativos na vida da criança, tais
como mudança ou morte, além de problemas ou doenças físicas.
As entrevistas lúdicas podem ser estruturadas ou não. Geralmente elas se
iniciam de forma não estruturada, deixando a criança livre para mexer e/ou brincar
com os materiais. O terapeuta realiza de forma gradual questões que tenham relação

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com o brinquedo e/ou brincar do momento, ao mesmo tempo que realiza questões
referentes à problemática em questão (Duarte, 2010).
A criança tende a projetar no brinquedo as questões chaves referentes a
problemática. Nas palavras de Duarte (2010) ―(...) as crianças geralmente usam o
brinquedo para controlar suas preocupações. Elas podem, indiretamente, revelar
medos, fonte de raiva, preocupações sexuais, culpa e conflito com os pais por meio do
brinquedo(...)‖ (p.1)
Dessa forma, a entrevista lúdica permite levantar uma série de informações,
como por exemplo, inteligência, criatividade, espontaneidade, defesas, regras
estabelecidas, impulsividade, entre outros. Informações estas que devem ser
interpretadas cuidadosamente para um melhor entendimento dos problemas
apresentados (Duarte, 2010).
Os materiais utilizados numa entrevista lúdica não precisam ser elaborados,
porém, é importante que se disponibilizem materiais como: papel sulfite, lápis de cor,
lápis preto, giz de cera, canetinhas hidrocor, tesoura sem ponta, revistas, família de
pano, revólver de brinquedo, carrinhos ou caminhões, xícaras e seus respectivos
pires, fogão, panelinha, etc. Desenhos e o uso de fantasia (faz de conta) também são
muito utilizados em entrevistas lúdicas pois, são fontes ricas de informações. A
fantasia, por exemplo, ―favorece a identificação de possíveis sentimentos da própria
criança, através de inferências baseadas no seu relato verbal‖ (Duarte, 2010, p.1).

EXAME DO ESTADO MENTAL5

Segundo Cordioli, Zimermann e Kessler (2009) o exame do estado mental é a


pesquisa sistemática de sinais e sintomas de alterações do funcionamento mental,
durante a entrevista psiquiátrica. As informações são obtidas através da observação
direta da aparência do paciente, da anamnese, bem como do relato de familiares e
outros informantes como atendentes, amigos, colegas ou até mesmo autoridades
policiais. O exame do estado mental não deve ser realizado apenas pelos psiquiatras,
mas deve fazer parte do exame clínico do paciente, independente da sua morbidade.

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É essencial não só para o diagnóstico de possíveis transtornos psiquiátricos, como


pode também oferecer indícios importantes de transtornos neurológicos, metabólicos,
intoxicações ou de efeitos de drogas.

Cada função mental é considerada separadamente de uma forma paralela a


um exame físico. O resultado do exame e da entrevista clínica são combinados para
se formular o diagnóstico psiquiátrico.

Segundo Cordioli, Zimermann e Kessler (2009) o exame inicia-se com uma


descrição sumária sobre o local onde se realiza a entrevista (hospital, posto de saúde,
consultório particular). Em seguida, descreve-se o motivo pelo qual está sendo
realizada (avaliação para internação hospitalar ou tratamento ambulatorial,
diagnóstico, consultoria), seguindo-se de impressões sobre o paciente registradas pelo
entrevistador sobre os seguintes aspectos:

- Apresentação: Refere-se à impressão geral que o paciente causa no


entrevistador. Compreende aspectos como aparência; atividades psicomotoras e
comportamento; atitude para com o entrevistador e atividade verbal.
- Consciência: a capacidade do indivíduo de dar conta do que está ocorrendo
dentro e fora de si mesmo. Consciência, aqui, será a indicação do processo psíquico
complexo, que é capaz de integrar acontecimentos de um determinado momento
numa atividade de coordenação e síntese. Na prática, a consciência se revela na
sustentação, coerência e pertinência das respostas dadas ao entrevistador. Cabe ao
entrevistador avaliar o grau de alteração da consciência, observando se o paciente faz
esforço para manter o diálogo e levar a entrevista a termo, se a confusão mental
interfere na exatidão das respostas, que se fazem com lentidão, ou se o paciente
chega mesmo a cochilar, adormecer no curso da entrevista.
- Orientação: A orientação pode ser inferida da avaliação do estado de
consciência e encontra-se intimamente ligada às noções de tempo e de espaço. Em
geral, o primeiro sentido de orientação que se perde é o do tempo, depois o do
espaço, que envolve deslocamento e localização e, num estado mais grave, a
desorientação do próprio eu (identidade e corpo).
- Atenção: Destaca-se a vigilância (consciência sem foco, difusa, com atenção
em tudo ao redor) e a tenacidade (capacidade de se concentrar num foco). O paciente

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não pode ter essas duas funções concomitantemente exaltadas (o paciente maníaco,
por exemplo, é hipervigil e hipotenaz), porém, pode tê-las rebaixadas, como no caso
do sujeito autista, esclerosado ou esquizofrênico catatônico.
- Memória: A função mnésica pode ser avaliada pela rapidez, precisão e
cronologia das informações que o próprio paciente dá, assim como a observação da
capacidade de fixação. O exame da memória passada (retrógrada) faz-se com
perguntas sobre o passado do paciente, datas de acontecimentos importantes.
Contradições nas informações podem indicar dificuldades. Com relação à memória
recente (anterógrada), podem ser feitas perguntas rápidas e objetivas, como ―O que
você fez hoje?‖ ou dizer um número de 4 ou 5 algarismos ou uma série de objetos e
pedir para que o paciente repita após alguns minutos, se houver necessidade. Para o
exame da memória de retenção pode-se pedir ao paciente que repita algarismos na
ordem direta e depois inversa.
- Inteligência: É mais para se constatar se o paciente está dentro do chamado
―padrão de normalidade‖. Interessa a autonomia que o paciente tenha, a sua
capacidade laborativa.
- Sensopercepção: É o atributo psíquico no qual o indivíduo reflete
subjetivamente a realidade objetiva. Fundamenta-se na capacidade de perceber e
sentir.
- Pensamento: Este item da anamnese é destinado à investigação do curso,
forma e conteúdo do pensamento. Aqui se faz uma análise do discurso do paciente.
- Linguagem: Neste tópico, o que irá nos interessar é o exame da linguagem
falada e escrita. Sua normalidade e alterações estão intimamente relacionadas ao
estudo do pensamento, pois é pela linguagem que ele passa ao exterior.
- Consciência do Eu: O terapeuta orientará sua entrevista no sentido de saber
se o paciente acha que seus pensamentos ou atos são controlados por alguém ou
forças exteriores, se se sente hipnotizado ou enfeitiçado, se alguém lhe rouba os
pensamentos, se existe eletricidade ou outra força que o influencie, se pode
transformar-se em pedra ou algo estático, se sente que não existe ou se é capaz de
adivinhar e influenciar os pensamentos dos outros.
- Afetividade: Pesquisa-se estados de euforia, tristeza, irritabilidade, angústia,
ambivalência e labilidade afetivas, incontinência emocional etc. Observa-se, ainda, de
maneira geral, o comportamento do paciente.

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- Humor: O humor é mais superficial e variável do que a afetividade. É o que


se pode observar com mais facilidade numa entrevista; é uma emoção difusa e
prolongada que matiza a percepção que a pessoa tem do mundo. É como o paciente
diz sentir-se: deprimido, angustiado, irritável, ansioso, apavorado, zangado, expansivo,
eufórico, culpado, atônito, fútil, autodepreciativo.
- Psicomotricidade: A psicomotricidade é observada no decorrer da entrevista
e se evidencia geralmente de forma espontânea. Averigua-se se está normal,
diminuída, inibida, agitada ou exaltada, se o paciente apresenta maneirismos,
estereotipias posturais, automatismos, flexibilidade cérea, ecopraxia ou qualquer outra
alteração.
- Vontade: O indivíduo pode se apresentar normobúlico (vontade normal) ter a
vontade rebaixada (hipobúlico), uma exaltação patológica (hiperbúlico), pode
responder a solicitações repetidas e exageradas (obediência automática), pode
concordar com tudo o que é dito, mesmo que sejam juízos contraditórios
(sugestionabilidade patológica), realizar atos contra a sua vontade (compulsão),
duvidar exageradamente do que quer (dúvida patológica), opor-se de forma passiva ou
ativa, às solicitações (negativismo) etc.
- Pragmatismo: Aqui, analisa-se se o paciente exerce atividades práticas,
como comer, cuidar de sua aparência, dormir, ter autopreservação, trabalhar,
conseguir realizar o que se propõe e adequar-se à vida.
- Consciência da doença atual: Verifica-se o grau de consciência e
compreensão que o paciente tem de estar enfermo, assim como a sua percepção de
que precisa ou não de um tratamento.

AVALIAÇÃO PSICODINÂMICA

O objetivo da avaliação psicodinâmica é o estudo das manifestações do


inconsciente: determinações psíquicas, dinâmica da personalidade, comportamentos
psicopatológicos, sua origem e prognóstico. Neste tipo de avaliação são utilizados
instrumentos como, por exemplo, as entrevistas e as técnicas projetivas.

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Quando o clínico e o paciente se encontram pela primeira vez, dois estranhos


estão entrando em contato, cada um com uma variedade de expectativas a respeito do
outro. O estabelecimento do rapport e de um entendimento mútuo deve ser prioritário
em uma entrevista psicodinâmica. Após, a primeira tarefa do entrevistador é transmitir
que o paciente é aceito, valorizado e considerado uma pessoa singular com problemas
únicos.

Na entrevista psicodinâmica, os clínicos perseguem um curso direto desde a


queixa principal até a etiologia e patogênese. Os pacientes geralmente cooperam com
este processo, porque estão ávidos para eliminar o sofrimento associados aos
sintomas de sua enfermidade. Com frequência, os psiquiatras e psicólogos que tentam
dirigir a entrevista clínica em um curso linear, confrontar-se-ão com buracos e desvios
em toda parte. Os pacientes raramente são capazes de chegar rapidamente ao ponto
principal, devido à sua inabilidade de identificar o que realmente os incomoda. Podem
ser altamente ambivalentes a respeito de abandonarem seus sintomas, porque as
enfermidades psiquiátricas quase sempre constituem uma adaptação viável. Os
pacientes psiquiátricos sentem-se frequentemente envergonhados com seus sintomas,
podendo ocultar informações para dar uma boa impressão.

A história e o exame do estado metal do paciente (abordado acima) constituem


os recursos básicos de um diagnóstico e se desenvolvem, como outras interações
clínicas, no contexto de uma entrevista. Num modelo psicológico, a história e o exame
do paciente permitem a coleta de subsídios introdutórios que vão fundamentar toda a
avaliação.

Segundo Rosental (2008),

“um importante componente da abordagem psicodinâmica, e que continua


sendo aplicável mesmo quando o paciente está em algum outro tipo de terapia,
é a formulação psicodinâmica. Ela se constitui numa declaração sobre os
problemas e conflitos centrais do paciente, tenta explicar sua função na
presente situação e predizer como irão afetar o tratamento e a relação
terapêutica. De acordo com Perry et al., a formulação psicodinâmica começa
enfrentando a questão de por que este paciente em particular apresenta-se
com este diagnóstico e estes problemas específicos neste momento específico.

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Ela também enfatiza a importância de incluir uma descrição dos fatores não
psicodinâmicos (p. 43).‖

Esta formulação pode sofrer modificações, diante de novas informações e


alterações nas circunstâncias. Ela não precisa ser longa, mas necessita ser escrita,
pois o processo de escrevê-la auxilia na clarificação a respeito do que é essencial e
serve como um plano para manter a direção quando a terapia se torna difícil. Isto é
capaz de estimular a curiosidade do terapeuta, o que resultará em hipóteses que
serão testadas e alteradas (ROSENTAL, 2008).
Na medida em que transcorre a primeira entrevista é possível perceber se o
que o paciente traz como motivo manifesto da consulta é realmente um sintoma, do
ponto de vista clínico, ou se está somente encobrindo outros. O que ocorre
comumente é que o motivo latente não aflora no início porque, geralmente, isso
angustia muito e permanece inconsciente (ARZENO, 1995).
De acordo com ROSENTAL (2008) quanto maior o tempo transcorrido entre o
aparecimento da sintomatologia até o momento em que se concretiza a consulta,
maior a suspeita que exista de que exista outro motivo latente, que foi o
desencadeante para realizar a que os fez tomar a decisão de consultar.
Existem fantasias de doença e de cura. Há uma fantasia de doença em cada
um dos pais (quando os pacientes são crianças), no paciente e no profissional que
escuta o que é relatado. Estas fantasias nem sempre coincidem. Atentar para isso é
importante porque informa que as resistências são muitas (ARZENO, 1995).
Arzeno (1995) nos mostra que Madeleine Baranger enfatizou o conceito de
fantasia de análise que vai se desenvolvendo ao longo do tratamento. Este conceito é
importante porque se refere a fantasia de doença com um núcleo com o qual a pessoa
mantém algum tipo de relação; é algo que está dentro dela; sentido como egodistônico
(do contrário não seria fantasia de doença) e que exerce grande influência sobre si
mesmo (self) e com o qual existe um determinado tipo de vínculo.
Na primeira entrevista também é importante ―ouvir‖ a história familiar,
desvendando a história do sintoma, que se entrelaça com a história do próprio
paciente.
Segundo Rosental (2008) o sintoma apresentado durante a primeira entrevista
apresenta:

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1. Um aspecto fenomenológico,
2. Um aspecto dinâmico. Mostra e esconde ao mesmo tempo um desejo
inconsciente que entra em oposição com uma proibição do superego, ou seja, um
conflito que é resolvido parcialmente pelo ego evitando fobicamente a situação
angustiante.
3. Um beneficio secundário tanto para o paciente quanto para a família.
4. Fracasso ou rompimento de equilíbrio entre as séries complementares.
O sintoma como mostrado por Freud, inclui sempre o individuo e o outro. O
sintoma está no lugar de uma palavra que falta, ele vem como máscara ou palavra
fantasiada.

INSTRUMENTOS PSICOLÓGICOS

Os testes psicológicos são uma das mais típicas técnicas de avaliação, que se
caracterizam como medida objetiva e padronizada de uma amostra de
comportamento. É de fundamental importância que o profissional que utiliza testes
psicológicos tenha um preparo técnico para utilizá-lo e que os instrumentos
apresentem qualidades psicométricas, pois só assim seus resultados serão confiáveis.
Essa melhor qualidade diz respeito ao embasamento teórico dos testes, aos estudos
de padronização, e à verificação sua validade e precisão.

Existem diferentes formas de se classificar os testes psicológicos, tipo de


aplicação, finalidade etc.
Os testes são acompanhados pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP), que
sempre realiza avaliações a respeito da validação dos mesmos, o que torna a lista
sempre mutável e, devido a isso, tem-se a necessidade de consultas frequentes ao
site do Conselho para averiguação dos testes aprovados por este.
Muitas vezes ocorre de um teste passar por esta avaliação diversas vezes e,
em cada uma delas, o resultado apresentado parecer ser semelhante ao anterior,
porém, o que se observa é que algumas destas alterações aparentam-se sutis, mas
são de extrema relevância, como é o caso da alteração da edição do teste ou este ser

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o modelo revisado. Tais alterações podem modificar, e muitas vezes modificam, a


forma de aplicação do teste, correção e interpretação dos dados.
Os testes que não constam na relação dos testes aprovados pelo CFP só
podem ser utilizados para fins de pesquisa6.

Categoria dos Testes


Segundo Silva (s.d.), os testes podem ser divididos e subdivididos nas
seguintes categorias:
a) Objetividade e padronização: testes psicométricos e impressionistas;
b) Construto (processo psicológico) que medem: estes de capacidade intelectual
(inteligência geral – Q.I.); teste de aptidões (inteligência diferencial: numérica, abstrata,
verbal, espacial, mecânica etc.); testes de aptidões específicas (música,
psicomotricidade etc.); testes de desempenho acadêmico (provas educacionais etc.);
testes neuropsicológicos (testes de disfunções cerebrais, digestivos, neurológicos
etc.); testes de preferência individual (personalidade; atitudes: valores; interesses;
projetivos; situacionais: observação de comportamento, biografias);
c) Forma de resposta: verbal; escrita: papel-e-lápis; motor; via computador:
Vantagens: apresentam em melhores condições as questões do teste; corrige com
rapidez; enquadra de imediato o perfil nas tabelas de interpretação; produz registros
legíveis em grande número e os transmite à distância; motiva os testandos ao interagir
com o computador; Desvantagens: a interpretação dos resultados do perfil psicológico
é mais limitada do que a realizada pelo psicólogo.

Atualmente o site divulgou a legalidade de uso de 102 testes psicológicos.

Nota: no site do Conselho Federal de Psicologia (www2.pol.org.br/satepsi) você poderá acessar a


lista dos testes aprovados para utilização.

ESCALAS WECHSLER DE INTELIGÊNCIA

6
No site do Conselho Federal de Psicologia (www2.pol.org.br/satepsi) você poderá acessar a
lista dos testes aprovados para utilização.
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Desenvolvidas por David Wechsler, estas escalas têm sido incluídas entre os
instrumentos mais conhecidos para avaliação da inteligência (QI), embora não sirva
somente para isto, e vêm sendo constantemente revisadas para maior adaptação à
população brasileira (CUNHA, 2000).
São consideradas ―padrão ouro‖ nas avaliações psicométricas, sendo utilizadas
cada vez menos para determinação de um nível intelectual e cada vez mais para
atender necessidades bastante específicas no diagnóstico de psicopatologistas e
avaliações neuropsicológicas, tendo variações que permitem a avaliação desde
crianças a idosos (CUNHA, 2000).
A seguir serão expostas as duas versões mais usadas e mais recentes.

Teste WISC – III


Parecer do CFP
WISC-III (ESCALA DE INTELIGÊNCIA CASA DO
WISC 2002 Favorável
WECHSLER PARA CRIANÇAS) PSICÓLOGO

A Escala de Inteligência Wechsler para Crianças (WISC-III), desenvolvida por


David Wechsler em 1991, representa a terceira edição da Escala de Inteligência
Wechsler para Crianças (WISC) e tem por finalidade avaliar a capacidade intelectual
de crianças (CUNHA, 2000).
Como medida da capacidade intelectual geral, o WISC-III pode ser utilizado
para diferentes finalidades, como, por exemplo: avaliação psicoeducacional,
diagnóstico de crianças excepcionais em idade escolar, avaliação clínica,
neuropsicológica e pesquisa. Além disso, o instrumento pode ser útil não apenas para
diagnósticos de deficiências ou avaliações de uma criança, mas também para
identificar as forças e as fraquezas do sujeito e fornecer informações relevantes para a
elaboração de uma programação educacional específica para cada caso
(FIGUEIREDO, 2000).
O WISC-III é composto por 13 subtestes, sendo 12 deles mantidos do WISC-R
e um novo subteste (Procurador de Símbolos) organizados em dois grupos: verbais e
perceptivos-motores (ou de execução), que são aplicados nas crianças em ordem
alternada, ou seja, um subteste de execução e depois um subteste verbal e vice-versa
(WECHSLER, 2002).

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Os subtestes são organizados nos seguintes conjuntos:


a) Subtestes Verbais: Informação, Semelhanças, Aritmética, Vocabulário,
Compreensão e Dígitos;
b) Subtestes de Execução: Completar Figuras, Código, Arranjo de Figuras, Cubos,
Armar Objetos, Procurar Símbolos e Labirintos.
c) Subtestes Suplementares: Dígitos, Procurar Símbolos e Labirintos.
Na elaboração do WISC-III, muitas investigações foram realizadas (teóricas e
empíricas) e, embora tenham sido realizadas melhoras substanciais e acrescentado
importante número de itens novos, as características fundamentais do WISC e do
WISCR mantiveram-se iguais no WISC-III (WECHSLER, 2002).
Figueiredo (2000) aponta que, como no WISC-R, o WISC-III, é formado por
diversos subtestes que, individualmente, avaliam e predizem várias dimensões da
habilidade cognitiva, sendo que, quando agrupados, o desempenho das crianças
nesses subtestes fornece estimativas da capacidade intelectual das mesmas, a saber:
QIs Verbal, de Execução e Total (sendo que os subtestes Procurar Símbolos, Dígitos e
Labirintos não entram neste cômpito). Além da escala de QI, o teste também fornece
os Índices Fatoriais, que estimam diferentes construtos subjacentes ao teste, sendo
eles agrupados da seguinte maneira:
a) Compreensão Verbal: Informação, Semelhanças, Vocabulário e Compreensão;
b) Organização Perceptual: Completar Figuras, Arranjo de Figuras, Cubos e Armar
objetos;
c) Resistência à Distração: Aritmética e Dígitos;
d) Velocidade de Processamento: Código e Procurar Símbolos.
A Escala de Inteligência Wechsler para Crianças WISC-III foi desenvolvida
levando em consideração a concepção da inteligência como uma entidade agregada e
global, ou seja, capacidade do indivíduo em raciocinar, lidar e operar com propósito,
racionalmente e efetivamente com o seu meio ambiente. Por esta razão, os subtestes
foram selecionados com o objetivo de investigar muitas capacidades mentais
diferentes, mas que juntas oferecem uma estimativa da capacidade intelectual geral da
criança (FIGUEIREDO, 2000; WECHSLER, 2002).
É aconselhado que o teste seja aplicado de forma integral, incluindo todos os
subtestes do WISC-III. Todos os subtestes devem ser valorizados do ponto de vista da
avaliação, incluindo os que são considerados facultativos e não entram no cálculo dos

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três quocientes de base (QI-verbal, QI-execução, QI-total) (CUNHA, 2000;


FIGUEIREDO, 2000).
Simões (2002) aponta que a observação do perfil constituído pelas pontuações
ponderadas de cada subescala e de cada subteste comporta uma explicação de
natureza quantitativa. Os desempenhos da criança em cada subteste são, ao mesmo
tempo, diretamente comparados com os resultados nos restantes subtestes e com os
do seu grupo etário, colocando assim em evidência áreas fortes e fracas. O
reagrupamento de alguns subtestes, no interior de cada subescala, pode também
revelar aspectos importantes para a explicação do funcionamento cognitivo da criança.
O mesmo autor afirma que na análise item a item, ou seja, de cada subteste, ocorre a
apreciação qualitativa, a qual muitas vezes se mostra de grande relevância, por
permitir uma investigação mais acurada da especificidade medida por eles. Desta
forma, Simões (2002) retomou trabalhos de vários investigadores (GOIA; ISQUITH;
GUY, 2001, p. 329-336; GRÉGOIRE, 2000, p. 176-204; KAUFMAN;
LICHTENBERGER, 2000, p. 81-190; LUSSIER; FLESSAS, 2001, p. 51-58) a fim de
esboçar algumas análises relativas à interpretação associadas a cada subteste
isoladamente, e que serão exibidas a seguir.

Subescala Verbal
a) Informação: mede o nível dos conhecimentos adquiridos a partir da
educação na família e na escola. Recorre à memória de longo prazo. Permite verificar
a organização temporal. Nas crianças que apresentam problemas de linguagem
(disfasias), dificuldades de aprendizagem (déficits sequenciais) ou desatenção-
impulsividade é particularmente frequente a existência de um déficit na organização
temporal.
b) Semelhanças: avalia a capacidade de estabelecer relações lógicas e a
formação de conceitos verbais ou de categorias; além da capacidade de síntese e de
integração de conhecimentos. É um subteste difícil para as crianças com limitações
intelectuais. Pode ser o melhor resultado da subescala verbal para os sujeitos
disfásicos que frequentemente apresentam um nível elevado de inteligência geral e,
em especial, uma boa capacidade de síntese. É importante observar se a criança
alcança a pontuação máxima nos itens através de uma única resposta correta ou de
explicações pormenorizadas.

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c) Aritmética: Avalia a capacidade de cálculo mental, a compreensão de


enunciados verbais de alguma complexidade e a capacidade de raciocínio. É bastante
sensível a um déficit de atenção (e à falta de controle da impulsividade). Requer uma
boa capacidade da memória de trabalho (e da memória para sequências de
procedimentos) necessária para manter presente todos os elementos do problema a
resolver.
d) Vocabulário: Mede a competência linguística, os conhecimentos lexicais e,
sobretudo, a facilidade de elaboração do discurso. Assim como em ―Semelhanças”,
deve-se observar a equidade do vocabulário utilizado e a precisão do pensamento.
Um desempenho baixo pode traduzir falta de familiarização com o contexto educativo
ou ausência de experiência escolar.
e) Compreensão: Examina a capacidade de o sujeito exprimir as suas
experiências. Apela ao conhecimento de regras de relacionamento social. Permite
observar a facilidade de argumentação (quando o sujeito justifica suas respostas), e a
flexibilidade mental (quando é solicitada uma segunda resposta ao mesmo item). Um
resultado fraco pode sugerir alguma dificuldade neurológica do sujeito na mobilização
dos seus recursos cognitivos durante a tentativa de evocação de várias soluções para
um mesmo problema ou revelar desconhecimento das regras sociais, falta de empatia
e de julgamento (que caracterizam frequentemente os sujeitos que apresentam uma
disfunção não verbal).
f) Dígitos: na Ordem Direta, a prova mede a memória auditiva sequencial e é
bastante sensível à capacidade de escuta e às flutuações da atenção. Quando o
sujeito repete todos os números, mas não na ordem em que eles lhe foram
apresentados, trata-se especificamente de capacidade de evocação sequencial em
modalidade auditiva e não de um déficit de natureza mnésica ou atencional. A
Memória de Dígitos no Sentido Inverso mede a capacidade de memória de trabalho
(inteligência geral). Esta tarefa é geralmente mais difícil que a precedente. É esperado
que o resultado na Ordem Inversa seja um ou dois pontos inferiores ao obtido na
Ordem Direta. Um resultado (excepcional) igual ou superior na Ordem Inversa parece
indicativo do recurso a excelentes estratégias executivas e da utilização preferencial
de um modo de evocação visual (que substitui uma atenção auditiva enfraquecida).
Em termos globais esta prova está também associada ao processamento verbal
auditivo.

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Subescala de Execução
a) Completar Figuras: É o primeiro subteste da escala a ser aplicado podendo,
por isso, esperar-se que o resultado obtido seja negativamente influenciado pelo efeito
de novidade, sobretudo numa criança tímida, por uma reação de inibição ansiosa.
Recorre à memória visual e a um bom senso prático.
b) Código: Mede a capacidade de associar números a símbolos e de
memorizar corretamente essas associações, a fim de executar a tarefa o mais
rapidamente possível. Avalia a capacidade de aprendizagem mecânica/automatizada.
Um bom resultado sugere um estilo sequencial preferencial. A reprodução dos
símbolos requer uma boa caligrafia, muitas vezes ausente nas crianças impulsivas (os
problemas neuromotores finos são frequentemente relacionados com esta
problemática). Um resultado fraco pode dever-se a uma dificuldade da memória
cinestésica – ―capacidade da criança reter os movimentos motores necessários à
realização gráfica‖ (PSICOPEDAGOGIA BRASIL, 2009) – da sequência gestual a
executar, ou ser observado em algumas crianças dispráxicas (com dificuldades
motoras e de linguagem).
c) Arranjo de Figuras: Requer uma boa capacidade de análise perceptiva, bem
como uma integração do conjunto das informações disponíveis. A relação dos
desenhos que compõem cada história exige uma forma de discurso interior funcional,
o que pode não ocorrer nos sujeitos que apresentam uma disfasia, sobretudo
receptiva. Muitas vezes as crianças disfásicas evidenciam dificuldades na percepção
do tempo e do espaço, que podem ser detectadas nesta tarefa.
d) Cubos: Examina a capacidade de organização e processamento viso-
espacial/ não-verbal, a capacidade para decompor mentalmente os elementos
constituintes do modelo a reproduzir. É considerada uma medida de resolução de
problemas não-verbais e usada como uma das contraprovas de déficits nas funções
executivas. Neste contexto, permite identificar dificuldades de automonitorização
presentes quando a criança é incapaz de reconhecer erros evidentes, mesmo quando
é desafiada a descobrir esses erros ou a comparar o seu trabalho com o estímulo,
após a aplicação formal do subteste. A escolha do tipo de estratégia (global, analítica
ou sintética) que permite a execução da

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tarefa revela-se um excelente índice da inteligência não-verbal, bem como das


capacidades de raciocínio viso-espacial. Em comparação com outras medidas de
aptidão viso-espacial, o subteste de Cubos supõe o recurso a um funcionamento viso-
perceptivo, capacidades construtivas, coordenação, rapidez psicomotora.
e) Armar Objetos. Mede a capacidade de organizar um todo a partir de
elementos separados, recorre à capacidade de integração perceptiva. Proporciona
uma oportunidade para observar diretamente a estratégia de resolução dos problemas
(itens).
f) Procurar Símbolos: Recorre à capacidade de discriminação perceptiva.
Depende de uma boa capacidade de atenção visual e de memória de trabalho. As
crianças impulsivas, ou com déficit de atenção, obtêm com frequência os resultados
mais baixos, da subescala de execução, no Código e no Procurar Símbolos.
g) Labirintos: Examina a capacidade de antecipação e de planificação, requer
uma estratégia viso-espacial em memória de trabalho. É bastante sensível à
impulsividade do método ou abordagem adaptada. As crianças mais jovens, que
sofrem de dispraxia motora, apresentam dificuldades na realização desta tarefa: o
insucesso provém de uma incapacidade de planificação da sua execução gestual,
como se existisse uma desconexão entre a intenção e a realização do gesto a efetuar.

WAIS – III
Parecer do CFP
ESCALA DE INTELIGÊNCIA WECHSLER PARA CASA DO
WAIS 2004 Favorável
ADULTOS - WAIS III PSICÓLOGO

As Escalas Wechsler de Inteligência para Adultos (WAIS) foram desenvolvidas


a fim de auxiliar na avaliação do funcionamento intelectual de adolescentes e adultos.
Mostrando-se como importantes recursos diagnósticos para identificar tanto diferentes
habilidades cognitivas, como à investigação do impacto de problemas emocionais,
psiquiátricos e neurológicos no funcionamento cognitivo (NASCIMENTO, 2000).
O objetivo de sua utilização incide sobre a avaliação de problemas de
aprendizagem, predição de desempenho acadêmico futuro, diagnóstico de transtornos
psiquiátricos e neurológicos (NASCIMENTO, 2000).

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O WAIS-III apresenta-se como uma versão mais recente do WAIS, publicada


em 1997. É composto pela mesma estrutura do WAIS-R, sendo que houve um
aumento de 32% de novos itens, e sua idade de aplicação atual vai de 16 a 89 anos
(CUNHA, 2000). Pode ser indicado para medir a inteligência geral, identificar
potencialidades e fraquezas do funcionamento cognitivo e avaliar o impacto de
problemas psicopatológicos no funcionamento cognitivo (CUNHA, 2000;
NASCIMENTO, 2000).
Ele compreende 14 subtestes, sendo aplicados de forma alternada (subteste
de execução em seguida o verbal), iniciando pelo subteste de execução Completar
Figuras, mas, dependendo do objetivo da avaliação, a aplicação de todos não é
necessária. Para o cálculo do QI total, por exemplo, são necessários 11 subtestes
(CUNHA, 2000). A seguir serão apresentados os subtestes que compõe os conjuntos
de aplicação (verbal e de execução – lembrando que os testes suplementares e
opcionais não entram no cômpito do QI total):
a) Subtestes Verbais: Vocabulário, Semelhanças, Aritmética, Dígitos,
Informação, Compreensão e Sequência de Números e Letras (suplementar);
b) Subtestes de Execução: Completar Figuras, Códigos, Cubos, Raciocínio
Mental, Arranjo de Figuras, Procurar Símbolos (suplementar) e Armar Objetos
(opcional);
O WAIS-III segue os mesmos passos para interpretação das outras Escalas
Wechsler de Inteligência, sendo assim, oferece a possibilidade de oferecer medidas
referentes às escalas de QI (verbal, de execução e total) além dos Índices Fatoriais
(NASCIMENTO, 2000). O que cada Índice Fatorial reflete e os subtestes referentes a
cada um deles são:
a) Compreensão Verbal: subtestes – Vocabulário, Informação e Semelhanças;
evidencia o conhecimento verbal adquirido e o processo mental necessário para
responder às questões, que seria a capacidade de compreensão (raciocínio verbal).
b) Organização Perceptual: formado pelos subtestes Cubos, Completar Figuras
e Raciocínio Matricial; mede o raciocínio não-verbal, raciocínio fluido, atenção para
detalhes e integração viso-motora.
c) Memória de Trabalho: obtido pelos subtestes Aritmética, Dígitos e Sequência
de Números e Letras; está relacionado à capacidade de atentar-se para a informação,

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mantê-la brevemente e processá-la na memória para, em seguida, emitir uma


resposta.
d) Velocidade de Processamento: subtestes componentes – Códigos e
Procurar Símbolos; refere-se à resistência à distrabilidade, mede os processos
relacionados à atenção, memória e concentração para processar, rapidamente, a
informação visual.

PSICOPATOLOGIA. DIAGÓSTICO DESCRITIVO DOS TRANSTORNOS MENTAIS


EM ADULTOS, CRIANÇAS E ADOLESCENTES

Histórico da Doença Mental

 Homero (1000 a.C.): relata em seus poemas quadros de insanidade mental e


atribui sua etiologia ao castigo de Deus.
 Hipócrates (400 a.C.): descreve detalhadamente os sintomas de mania,
depressão e da paranoia. Realizava cuidadosa anamnese e reconhecia a
importância do vínculo médico-paciente.
 Racionalismo dos gregos (do século IV a VII a.C.): foi declinando gradualmente
e desapareceu na Idade Média. O doente mental passou a ser confundido com
um ―endemoninhado‖ e o tratamento antes humanitário foi mudado para
espancamentos, privação de alimentos, tortura generalizada e indiscriminada,
aprisionamento dos doentes para que estes se livrassem dessa possessão.
Inicialmente eles passaram por este processo de exorcismo e no final da Idade
Média eles eram queimados.
 Renascença traz novamente a indagação intelectual.
 Iluminismo (século XVIII): traz questionamentos e avanços científicos. Philippe
Pinel humaniza o atendimento aos doentes mentais, produz uma classificação
simples das doenças mentais e acredita que sua etiologia seja de natureza
hereditária e de história de vida. Ele escreve, em 1801, o Tratado médico-
filosófico sobre a alienação mental ou mania, introduzindo o conceito de
alienação no campo da medicina. Foi considerado o pai da Psiquiatria e

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conhecido por libertar os loucos das correntes. A psiquiatria desta época foi
chamada de Psiquiatria Clínica.
 Numa segunda fase, conhecida pelos ―Fundamentos da Nosologia Clássica‖
houve a preocupação com a caracterização da enfermidade, frequência,
características da população afetada, entre outros.
 Na chamada Psiquiatria Clássica, Kraeplin foi um dos maiores representantes,
e foi responsável pela sistematização de muitos conceitos já existentes; busca
da Etiologia, Patogenia e características do quadro clínico, curso e prognóstico.
 No século XIX, a Psiquiatria torna-se ramo independente na Medicina. Surge a
Psicanálise e o enfoque psicodinâmico para o entendimento das
psicopatologias. A Psicologia torna-se também um ramo da ciência.
Assim como a Medicina em geral, a Psiquiatria, desde o princípio, tinha a
necessidade de construir uma nomenclatura, estabelecer uma linguagem comum
sobre as doenças mentais e sintomas, isto é, sinais que poderiam indicar uma
enfermidade, trazendo um diagnóstico. A Organização Mundial da Saúde (OMS) é
responsável pela Classificação Internacional de Doenças (CID), que teve seu início em
1893. Ela se baseia em estudos nosográficos, isto é, de nomenclatura e classificação
de doenças que trazem a possibilidade de que sintomas, sinais, alterações patológicas
específicas recebam o mesmo diagnóstico em qualquer lugar do mundo.

Em 1938, na 5ª Conferência Internacional de Revisão da CID, foi incluída uma


categoria para transtornos mentais. A CID-10, chamada de "Classificação Estatística
Internacional de Doenças e de Problemas Relacionados à Saúde", foi lançada em
1993 para publicação e foi produto de pesquisa em 40 países.

O DSM – Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais foi


elaborado por psiquiatras da Associação de Psiquiatria Norte-Americana (APA),
independentemente da Classificação Estatística Internacional de Doenças e
Problemas Relacionados com a Saúde- CID, elaborada pela Organização Mundial de
Saúde (OMS).

A 3ª edição do DSM apresentou uma abordagem mais descritiva das doenças,


ou seja, sem qualquer conotação etiológica ou explicativa das doenças, restringindo-
se ao trabalho de descrever os sintomas e agrupá-los em síndromes. Assim, o DSM-III

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foi responsável pela incorporação de critérios diagnósticos, além da substituição do


conceito de doença pelo de transtorno, estímulo aos diagnósticos múltiplos,
determinação de hierarquias diagnósticas e pela abordagem multiaxial. Esta opção
permitiu grandes avanços na Psiquiatria a partir de então. Primeiramente, passou-se a
obter maior confiabilidade de diagnóstico, ou seja, psiquiatras provenientes de
diversas regiões ao entrevistarem os mesmos pacientes conseguiam chegar ao
mesmo diagnóstico, tarefa aparentemente banal, mas que não se conseguia fazer
antes do DSM-III. Foi tamanha a sua utilidade para o tratamento de doenças mentais
que a OMS logo incorporou grande parte dos avanços ao CID-10 (AMARAL, 1995).

O DSM-IV foi lançado em 1994. Através de ensaios multicêntricos, os


pesquisadores buscaram relacionar os diagnósticos à prática clínica. Foram feitas
poucas alterações em relação ao DSM-III, e elas dizem respeito principalmente à
inclusão do critério de significância clínica para quase metade das categorias.

As classificações são categorias de descrições clínicas que possibilitarão a


chegada a um diagnóstico, mas não oferecem uma interpretação das doenças
mentais. São, portanto, ateóricas. Baseadas em descrições sistematizadas, as
classificações são parâmetros, norteamentos e não um ponto de chegada.

Conceito de classificação: fenômenos complexos dispostos em categorias,


conforme determinados critérios (AMARAL, 1995).

As classificações em saúde mental têm o objetivo principal de possibilitar um


melhor direcionamento do tratamento para cada tipo de paciente. Além disso, as
classificações contribuem também para:

 Catalogação hospitalar;
 Auditoria médica;
 Avaliação da assistência médica;
 Estatística de seguros de saúde;
 Pagamento centralizado de serviços médicos;
 Verificação do progresso na assistência à saúde e no controle das doença.

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Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – DSM-IV

O DSM-IV organiza cada condição psiquiátrica em cinco níveis (eixos),


relacionados com os diferentes aspectos da doença. A avaliação nos diversos eixos
ajuda a planejar o tratamento (SPITZER, FIRST E WILLIAMS, 2007).
O médico deve saber não só qual ou quais as perturbações mentais presentes,
mas também se existem estados físicos gerais que possam influenciar o curso da
perturbação mental ou a sua gestão, se existem estressores psicossociais ou
ambientais que afetem o paciente e o nível atual de funcionamento do paciente
(SPITZER, FIRST E WILLIAMS, 2007).

 Eixo I: Desordens clínicas, incluindo as principais doenças mentais, como


também desordens de desenvolvimento ou aprendizado;
 Eixo II: Condições pervasivas e transtornos de personalidade, como também
retardo mental;
 Eixo III: Doenças mentais agudas e doenças físicas;
 Eixo IV: Fatores ambientais e psicossociais contribuintes com a doença;
 Eixo V: Avaliação global de funcionamento, ou (no caso dos menores de idade)
avaliação global de funcionamento de crianças. As avaliações são feitas com
base numa escala de 0 a 100.

EIXO I – Transtornos Clínicos e Outras Condições que Podem ser um Foco de


Atenção Clínica (SPITZER, FIRST E WILLIAMS, 2007):

 Delirium, demência, transtornos amnésticos e outros transtornos cognitivos;


 Transtorno mental devido a uma condição médica geral;
 Transtornos relacionados a substâncias;
 Esquizofrenia e outros transtornos psicóticos;
 Transtorno do humor;
 Transtornos de ansiedade;
 Transtornos somatoformes;
 Transtornos factícios;
 Transtornos dissociativos;

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 Transtornos sexuais e da identidade de gênero;


 Transtornos alimentares;
 Transtornos do sono;
 Transtornos do controle dos impulsos;
 Transtornos de ajustamento
 Outras condições que podem ser um foco de atenção clínica.

EIXO II – Transtornos da Personalidade – Retardo Mental (SPITZER, FIRST E


WILLIAMS, 2007):

 Transtorno da personalidade paranoide;


 Transtorno da personalidade esquizoide;
 Transtorno da personalidade antissocial (psicopata);
 Transtorno da personalidade boderline;
 Transtorno da personalidade histriônica;
 Transtorno da personalidade narcisista;
 Transtorno da personalidade dependente;
 Transtorno da personalidade obsessivo-compulsivo;
 Transtorno da personalidade sem outra especificação;
 Transtorno da personalidade esquiva;
 Retardo mental.

EIXO III – Condições Médicas Gerais (SPITZER, FIRST E WILLIAMS, 2007):

 Doenças infecciosas e parasitárias;


 Neoplasias;
 Doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas e transtornos da imunidade;
 Doenças do sangue e órgãos hematopoiéticos;
 Doença do sistema nervoso e órgãos sensoriais;
 Doenças do sistema circulatório;
 Doenças do sistema digestivo;
 Doenças do sistema geniturinário;

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 Complicações da gravidez, parto e puerpério;


 Doenças da pele e tecido subcutâneo;
 Doenças do sistema músculo-esquelético e tecido conjuntivo;
 Anomalias congênitas;
 Certas condições originadas no período perinatal;
 Sintomas, sinais e condições mal definidas;
 Ferimentos e envenenamentos.

EIXO IV – Problemas Psicossociais e Ambientais (SPITZER, FIRST E WILLIAMS,


2007):

 Problemas com o grupo de apoio primário;


 Problemas relacionados ao ambiente social;
 Problemas educacionais;
 Problemas ocupacionais;
 Problemas de moradia;
 Problemas econômicos;
 Problemas com acesso aos serviços de cuidados à saúde;
 Problemas relacionados à interação com o sistema legal/criminal;
 Outros problemas psicossociais e ambientais.

EIXO V – Escala de Avaliação Global de Funcionamento (AGF)

A Escala da Avaliação Global do Funcionamento avalia o desempenho de


papéis sociais, incluindo desempenho profissional, status social e inserção familiar. Ela
é dividida em três níveis: superior, médio e mínimo. Quando o sujeito apresenta dados
que sugerem que está no nível mínimo, significa que há um grave comprometimento
da capacidade de trabalho (operativa), de manutenção do status social e de obtenção
da proteção familiar. Na avaliação desse nível de gravidade, considera-se também a

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presença de condutas altamente perigosas para si e para os outros, tais como: atos
homicidas e suicidas (SPITZER, FIRST E WILLIAMS, 2007).

Considerar o funcionamento psicológico, social e ocupacional como fazendo


parte de um continuum hipotético de saúde-doença mentais. Não incluir a deficiência
do funcionamento devido a limitações físicas (ou ambientais) (SPITZER, FIRST E
WILLIAMS, 2007).

Códigos (SPITZER, FIRST E WILLIAMS, 2007).

Nota: Usar códigos intermédios sempre que seja adequado, por exemplo, 45, 68, 72.

100
Funcionamento superior num largo espectro de atividades; os problemas da
vida nunca parecem ficar sem solução; é procurado por outros devido às
91 suas muitas qualidades positivas. Ausência de sintomatologia.

Ausência ou sintomatologia mínima (por exemplo, ansiedade ligeira antes


90 de um exame), bom funcionamento em todas as áreas, interesse e
envolvimento num espectro alargado de atividades, eficaz socialmente, de
uma maneira geral satisfeito com a vida, os problemas e as preocupações
81
não ultrapassam os do dia a dia (por exemplo, discussão ocasional com
membros da família).

80
Se estiverem presentes sintomas, estes representam reações transitórias e
esperadas a fatores de stress psicossocial (por exemplo, dificuldade em
concentrar-se depois de uma discussão familiar); apenas uma ligeira
deficiência do funcionamento social, ocupacional ou escolar (por exemplo,
71
atraso temporário no rendimento escolar).

70
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61
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Alguma sintomatologia ligeira (por exemplo, humor deprimido e insônia


ligeira) OU alguma dificuldade no funcionamento social, ocupacional ou
escolar (por exemplo, faltas injustificadas à escola ocasionalmente ou furto
dentro de casa), mas geralmente funcionando muito bem; possui alguns
relacionamentos interpessoais significativos.

60

Sintomatologia moderada (por exemplo, afeto embotado e discurso


circunstancial, ataques de pânico ocasionais) OU dificuldade moderada no
funcionamento social, ocupacional ou escolar (por exemplo, poucos
51 amigos, conflitos com companheiros ou colegas de trabalho).

50 Sintomatologia grave (por exemplo, ideação suicida, rituais obsessivos


graves, frequentes furtos em lojas) OU qualquer deficiência do
funcionamento social, ocupacional ou escolar (por exemplo, ausência de
41 amigos, incapaz de manter um emprego).

40 Alguma deficiência em testes de realidade ou na comunicação (por


exemplo, o discurso é, por vezes, ilógico, obscuro ou irrelevante) OU
deficiência major em várias áreas, tais como trabalho ou escola, relações
familiares, juízos, pensamento ou humor (por exemplo, homem deprimido
que evita os amigos, negligencia a família e é incapaz de trabalhar; é
frequente a criança espancar crianças mais novas, tem uma atitude de
desafio em casa e mau rendimento escolar).
31

30
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21
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O comportamento é consideravelmente influenciado por atividade delirante


ou alucinações OU grave deficiência na comunicação ou nos juízos (por
exemplo, por vezes incoerente, atua com rudeza despropositadamente,
preocupação suicida) OU incapacidade de funcionamento em quase todas
as áreas (por exemplo, fica na cama todo o dia; não tem trabalho, nem
casa nem amigos).

20
Algum perigo de magoar-se a si próprio ou aos outros (por exemplo,
tentativas de suicídio sem esperar claramente a morte; frequentemente
violento; excitação maníaca) OU não consegue ocasionalmente manter a
higiene mínima pessoal (por exemplo, suja-se com fezes) OU acentuada
11
deficiência na comunicação (por exemplo, muito incoerente ou sem
expressão verbal).

10 Perigo persistente de magoar-se a si próprio ou aos outros (por exemplo,


violência recorrente) OU incapacidade persistente para manter o mínimo de
higiene pessoal OU ato suicida grave esperando claramente a morte.
1

0 Informação Insuficiente.

Classificação Estatística Internacional de Doenças e de Problemas Relacionados


à Saúde: CID – 10

Transtornos Mentais e Comportamentais:

Capítulo V – F – 100 categorias ( F00-F99)

Inclui: transtornos do desenvolvimento psicológico.

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Exclui: sintomas, sinais e outros achados clínicos e laboratoriais anormais não


classificados em outra parte (R00-R99).

Agrupamentos:
F0- Transtornos mentais orgânicos, incluindo sintomáticos;
F1- Transtornos mentais decorrentes do uso de substância;
F2- Esquizofrenia, transtornos esquizotípico e delirantes;
F3- Transtornos do humor (afetivos);
F4- Transtornos neuróticos, relacionados ao estresse e somatoformes;
F5- Síndromes associadas a perturbações fisiológicas;
F6- Transtornos de personalidade e de comportamento;
F7- Retardo mental;
F8- Transtornos do desenvolvimento psicológico;
F9- Transtornos emocionais e de comportamento com início usualmente na
infância e adolescencia.

F00 – F09: Transtornos mentais orgânicos, incluindo sintomático


 F00* Demência na doença de Alzheimer (G30);
 F01 Demência vascular;
 F02* Demência em outras doenças classificadas em outros locais;
 F03 Demência não especificada;
 F04 Síndrome mnéstica orgânica, não induzida por álcool e outras substâncias
psicoativas;
 F05 Delirium, não induzido por álcool e outras substâncias psicoativas;
 F06 Outros transtornos mentais decorrentes de lesão e disfunção cerebrais e
de doença física;
 F07 T. de personalidade e de comportamento decorrentes de doença, lesão e
disfunção cerebrais;
 F09 T. mental orgânico ou sintomático não especificado.

* inclui outro diagnóstico associado

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F10 – F19: Transtornos mentais e comportamentais devido ao uso de


substâncias psicoativas
 F10 T. mentais e de comportamento decorrentes do uso de álcool;
 F11 T. mentais e de comport. decorrentes do uso de opioides;
 F12 T. mentais e de comport. decorrentes do uso de canabinoides;
 F13 T. mentais e de comport. decorrentes do uso de sedativos ou hipnóticos;
 F14 T. mentais e de comport. decorrentes do uso de cocaína;
 F15 T. mentais e de comport. decorrentes do uso de outros estimulantes,
incluindo cafeína;
 F16 T. mentais e de comport. decorrentes do uso de alucinógenos;
 F17 T. mentais e de comport. decorrentes do uso de tabaco;
 F18 T. mentais e de comport. decorrentes do uso de solventes voláteis;
 F19 T. mentais e de comport. decorrentes do uso de múltiplas drogas e uso de
outras substâncias psicoativas.

F20 – F29: Esquizofrenia, transtornos esquizotípico e delirantes


 F20 Esquizofrenia;
 F21 Transtorno esquizotípico;
 F22 Transtornos delirantes persistentes;
 F23 Transtornos psicóticos agudos e transitórios;
 F24 Transtorno delirante induzido;
 F25 Transtornos esquizoafetivos;
 F28 Outros transtornos psicóticos não-orgânicos;
 F29 Psicose não-orgânica não especificada.

F30 – F39: Transtornos do humor (afetivos)


 F30 Episódio maníaco;
 F31 Transtorno afetivo bipolar;
 F32 Episódio depressivo;
 F33 Transtorno depressivo recorrente;
 F34 Transtornos persistentes do humor (afetivos);

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 F38 Outros transtornos do humor (afetivos);


 F39 Transtorno do humor (afetivo) não especificado.

F40 – F48: Transtornos neuróticos, transtornos relacionados ao estresse e


transtornos somatoformes
 F40 Transtorno fóbico- ansiosos;
 F41 Outros transtornos ansiosos;
 F42 Transtorno obsessivo-compulsivo;
 F43 Reação e estresse grave e transtornos de ajustamento;
 F44 Transtornos dissociativos (ou conversivos);
 F45 Transtornos somatoformes;
 F48 Outros transtornos neuróticos.

F50 – F59: Síndromes comportamentais associadas a transtornos


fisiológicos e a fatores físicos
 F50 Transtornos alimentares;
 F51 Transtornos não-orgânicos de sono;
 F52 Disfunção sexual, não causada por transtorno ou doença orgânica;
 F53 Transtornos mentais e de comportamentos associados ao puerpério, não
classificados em outros locais;
 F54 Fatores psicológicos e de comportamento associados a transtornos ou
doenças classificadas em outros locais;
 F55 Abuso de substâncias que não produzem dependência;
 F59 Síndromes comportamentais associadas a perturbações fisiológicas e
fatores físicos não especificadas.

F60 – F69: Transtornos da personalidade e do comportamento do adulto


 F60 Transtornos específicos de personalidade;
 F61 Transtornos de personalidade mistos e outros;
 F62 Alterações permanentes de personalidade, não atribuíveis a lesão ou
doença cerebral;
 F63 Transtornos de hábitos e impulsos;

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 F64 Transtorno de identidade sexual;


 F65 Transtornos de preferência sexual;
 F66 Transtornos psicológicos e de comportamento associados ao
desenvolvimento e orientação sexuais;
 F68 Outros transtornos de personalidade e de comportamentos em adultos;
 F69 Transtorno não especificado de personalidade e de comportamento em
adultos.

F70 – F79: Retardo mental


 F70 Retardo mental leve;
 F71 Retardo mental moderado;
 F72 Retardo mental grave;
 F73 Retardo mental profundo;
 F78 Outro retardo mental;
 F79 Retardo mental não especificado.

F80 – F89: Transtornos do desenvolvimento psicológico


 F80 Transtornos específicos do desenvolvimento da fala e linguagem;
 F81 Transtornos específicos do desenvolvimento das habilidades escolares;
 F82 Transtorno específico do desenvolvimento da função motora;
 F83 Transtornos específicos mistos do desenvolvimento;
 F84 Transtornos invasivos do desenvolvimento;
 F88 Outros transtornos do desenvolvimento psicológico;
 F89 Transtorno não especificado do desenvolvimento psicológico.

F90 – F98: Transtornos comportamentais e emocionais com início


habitualmente durante a infância ou a adolescência
 F90 Transtornos hipercinéticos;
 F91 Transtornos de conduta;
 F92 Transtornos mistos de conduta e emoções;
 F93 Transtornos emocionais com início específico na infância;

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 F94 Transtornos de funcionamento social com início específico na infância e


adolescência;
 F95 Transtornos de tique;
 F98 Outros transtornos emocionais e de comportamento com início usualmente
ocorrendo na infância e adolescência;
 F99 Transtorno mental não especificado.

Critérios Diagnósticos Extraídos do DSM- IV e CID-10

Fonte: www.psiquiatriageral.com.br

Delirium, Demência, Transtornos Amnésticos e Outros Transtornos Cognitivos

Delirium

Os transtornos da seção "Delirium" compartilham uma apresentação


sintomática comum, envolvendo uma perturbação na consciência e cognição, mas são
diferenciados com base em sua etiologia.

Características Diagnósticas:

A característica essencial de um delirium consiste de uma perturbação da


consciência acompanhada por uma alteração na cognição que não pode ser melhor
explicada por uma demência preexistente ou em evolução. A perturbação desenvolve-
se em um curto período de tempo, geralmente de horas a dias, tendendo a flutuar no
decorrer do dia.

A perturbação na consciência manifesta-se por uma redução da clareza da


consciência em relação ao ambiente. A capacidade para focalizar, manter ou deslocar
a atenção está prejudicada. As perguntas precisam ser repetidas porque a atenção do

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indivíduo se dispersa, ou o indivíduo pode perseverar na resposta a uma pergunta


anterior, ao invés de deslocar adequadamente o foco de sua atenção.
A pessoa se distrai facilmente com estímulos irrelevantes. Em vista desses
problemas, pode ser difícil (ou impossível) engajá-la em uma conversa.
Há uma alteração concomitante na cognição (que pode incluir comprometimento da
memória, desorientação ou perturbação da linguagem) ou desenvolvimento de uma
perturbação da percepção.

O comprometimento da memória é evidente, acomete com maior frequência a


memória recente. A desorientação é habitualmente manifestada por desorientação
temporal (por exemplo, pensa ser de manhã no meio da noite) ou espacial (por
exemplo, pensa estar em casa, não em um hospital). No delirium leve, a desorientação
temporal pode ser o primeiro sintoma a aparecer.

A perturbação na linguagem pode se evidenciar como disnomia (isto é, prejuízo


na capacidade de nomear objetos) ou disgrafia (isto é, prejuízo na capacidade de
escrever).

Demência

Os transtornos na seção "Demência" caracterizam-se pelo desenvolvimento de


múltiplos déficits cognitivos (incluindo comprometimento da memória) devido aos
efeitos fisiológicos diretos de uma condição médica geral, aos efeitos persistentes de
uma substância ou a múltiplas etiologias (por exemplo, os efeitos combinados de
doença cerebrovascular e doença de Alzheimer). Os transtornos nesta seção
compartilham uma apresentação sintomática comum, mas são diferenciados com base
em sua etiologia.

A demência é incomum em crianças e adolescentes, mas pode ocorrer em


decorrência de condições médicas gerais (por exemplo, traumatismo craniano,
tumores cerebrais, infecção com HIV, acidentes cerebrovasculares, entre outros).
A demência em crianças pode apresentar-se como uma deterioração do
funcionamento (como em adultos) ou como um atraso ou desvio significativo em

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relação ao desenvolvimento normal. Uma deterioração do desempenho escolar


também pode ser um sinal precoce da condição.

Características Diagnósticas:

A característica essencial de uma demência é o desenvolvimento de múltiplos


déficits cognitivos, que incluem comprometimento da memória e pelo menos uma das
seguintes perturbações cognitivas: afasia, apraxia, agnosia ou uma perturbação do
funcionamento executivo. Esses comprometimentos devem ser suficientemente
severos para causar prejuízo significativo no funcionamento social ou ocupacional (por
exemplo, frequentar a escola, trabalhar, fazer compras, vestir-se, tomar banho, tratar
de assuntos financeiros e outras atividades da vida diária) e devem representar um
declínio em um nível anteriormente superior de funcionamento.

A demência não é diagnosticada se esses sintomas ocorrem exclusivamente


durante o curso de um delirium. Entretanto, um delirium pode estar sobreposto a uma
demência preexistente e, neste caso, aplicam-se ambos os diagnósticos.

Sinais e Sintomas:

Comprometimento da memória: os indivíduos com demência ficam comprometidos em


sua capacidade de aprender coisas novas, ou esquecem de coisas que anteriormente
sabiam. Podem tornar-se incapazes de reconhecer membros de sua família ou até
mesmo sua própria imagem no espelho. Similarmente, podem ter sensações táteis
normais, mas ser incapazes de identificar objetos colocados em suas mãos apenas
pelo tato (por exemplo, uma moeda ou chaves).

Afasia: dificuldade na evocação de nomes de pessoas e objetos. O discurso dos


indivíduos com afasia pode tornar-se digressivo ou vazio, com longos circunlóquios e
uso excessivo de termos indefinidos de referência tais como "coisa" e "aquilo".

Ecolalia: fazer eco ao que é ouvido.


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Palilalia: repetir os próprios sons ou palavras indefinidamente.

Apraxia: prejuízo na capacidade de executar atividades motoras, apesar de as


capacidades motoras, função sensorial e compreensão estarem intactas para a tarefa
exigida (por exemplo, pentear os cabelos, acenar dizendo adeus).

Agnosia: fracasso em reconhecer ou identificar objetos, apesar da função sensorial


intacta. Por exemplo, o indivíduo perde a capacidade de reconhecer objetos tais como
cadeiras ou lápis.

Funcionamento executivo: envolve a capacidade de pensar abstratamente e planejar,


iniciar, sequenciar, monitorar e cessar um comportamento complexo.

Transtornos Amnésticos

Os transtornos da seção "Transtornos Amnésticos" caracterizam-se por uma


perturbação da memória devido aos efeitos fisiológicos diretos de uma condição
médica geral ou devido aos efeitos persistentes de uma substância (isto é, droga de
abuso, medicamento ou exposição a toxinas). Os transtornos desta seção
compartilham a apresentação sintomática comum de comprometimento da memória,
mas são diferenciados com base em sua etiologia.

Características Diagnósticas:

Os indivíduos com um transtorno amnéstico apresentam comprometimento em


sua capacidade de aprender novas informações ou são incapazes de recordar
informações aprendidas anteriormente ou eventos passados.

O déficit de memória é mais perceptível em tarefas que exigem a recordação


espontânea e pode também ser evidenciado quando o examinador oferece estímulos
que devem ser recordados pela pessoa, em um momento posterior.

Dependendo da área cerebral específica afetada, os déficits podem estar


relacionados, predominantemente, a estímulos verbais ou visuais. Em algumas
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formas de transtorno amnéstico, o indivíduo pode recordar coisas de um passado


muito remoto melhor do que eventos mais recentes (por exemplo, pode recordar em
detalhes vividos um período de hospitalização que ocorreu há dez anos, mas pode
não ter ideia de estar em um hospital no momento).

O diagnóstico não é feito se o comprometimento da memória ocorre


exclusivamente durante o curso de um delirium (isto é, ocorre apenas no contexto de
uma capacidade reduzida de manter e deslocar a atenção).

A capacidade de repetir imediatamente uma cadeia sequencial de informações


(por exemplo, memória para números) tipicamente não se mostra comprometida em
um transtorno amnéstico. Quando este prejuízo é evidente, ele sugere a presença de
uma perturbação da atenção que pode indicar um delirium.

O diagnóstico também não é feito na presença de outros déficits cognitivos (por


exemplo, afasia, apraxia, agnosia, perturbação no funcionamento executivo)
característicos de uma demência.

Os indivíduos com um transtorno amnéstico podem experimentar prejuízos


importantes em seu funcionamento social e ocupacional em consequência de seus
déficits de memória, que, em seu extremo, podem exigir supervisão, para a garantia
de alimentação e cuidados apropriados.

Transtornos Relacionados a Substâncias

Os Transtornos Relacionados a Substâncias incluem desde transtornos


relacionados ao consumo de uma droga de abuso (inclusive álcool), aos efeitos
colaterais de um medicamento e à exposição a toxinas.

No DSM-IV, o termo substância pode referir-se a uma droga de abuso, um


medicamento ou uma toxina. As substâncias discutidas nesta seção são agrupadas
em 11 classes:

 Álcool;
 Anfetamina ou simpaticomiméticos de ação similar;

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 Cafeína;
 Canabinoides;
 Cocaína;
 Alucinógenos;
 Inalantes;
 Nicotina;
 Opioides;
 Fenciclidina (PCP) ou arilciclo-hexilaminas de ação similar e sedativos;
 Hipnóticos ou ansiolíticos.
As seguintes classes compartilham aspectos similares, embora sejam
apresentadas em separado: o álcool compartilha características dos sedativos,
hipnóticos e ansiolíticos, e a cocaína compartilha características das anfetaminas ou
simpaticomiméticos de ação similar.

O DSM-IV também inclui Dependência de Múltiplas Substâncias e Transtornos


Relacionados a Outras Substâncias ou Substâncias Desconhecidas (incluindo a maior
parte dois transtornos relacionados a medicamentos ou toxinas).

Muitos medicamentos vendidos com ou sem prescrição médica também podem


causar Transtornos Relacionados a Substâncias. Os sintomas com frequência estão
relacionados à dosagem do medicamento e habitualmente desaparecem com a
redução da dosagem ou suspensão do medicamento.

Os sintomas em geral desaparecem quando o indivíduo deixa de expor-se à


substância, mas sua resolução pode levar de semanas a meses e exigir tratamento.
Os Transtornos Relacionados a Substâncias são divididos em dois grupos:

 Dependência de substância;
 Abuso de substância.

Dependência de Substância:

A característica essencial da dependência de substância é a presença de um


agrupamento de sintomas cognitivos, comportamentais e fisiológicos, indicando que o

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indivíduo continua utilizando uma substância, apesar de problemas significativos


relacionados a ela.

Existe um padrão de autoadministração repetida que geralmente resulta em


tolerância, abstinência e comportamento compulsivo de consumo da droga. Um
diagnóstico de dependência de substância pode ser aplicado a qualquer classe de
substâncias, exceto cafeína.

Embora não seja especificamente relacionada como um critério, a "fissura" (um


forte impulso subjetivo para usar a substância) tende a ser experimentada pela maioria
dos indivíduos com Dependência de Substância (se não por todos). A dependência é
definida como um agrupamento de três ou mais dos sintomas relacionados adiante,
ocorrendo a qualquer momento, no mesmo período de 12 meses.

Abuso de Substância:

Diferentemente dos critérios para dependência de substância os critérios para


abuso de substância não incluem tolerância, abstinência ou um padrão de uso
compulsivo, incluindo, ao invés disso, apenas as consequências prejudiciais do uso
repetido.

Transtorno Induzido por Substância:

Os sintomas não se devem a uma condição médica geral nem são melhor
explicados por um outro transtorno mental.

Intoxicação com substância: desenvolvimento de uma síndrome reversível específica a


substância devido à recente ingestão de uma substância (ou exposição a ela). Logo ou
após o uso da substância há alterações comportamentais ou psicológicas clinicamente
significativas e mal-adaptativas devido ao efeito da substância sobre o sistema
nervoso central (por exemplo, beligerância, instabilidade do humor, prejuízo cognitivo,
comprometimento da memória, prejuízo no funcionamento social ou ocupacional).
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Abstinência de substância
Delirium induzido por substância
Demência persistente induzida por substância
Transtorno amnéstico persistente induzido por substância
Transtorno psicótico induzido por substância
Transtorno do humor induzido por substância
Transtorno de ansiedade induzido por substância
Disfunção sexual induzida por substância
Transtorno do sono induzido por substância

Esquizofrenia e Outros Transtornos Psicóticos:

Esquizofrenia:

O início da esquizofrenia tipicamente ocorre entre o final da adolescência e por


volta dos 35 anos, sendo raro o início antes da adolescência (embora haja relatos de
casos com início aos 5 ou 6 anos). Os aspectos essenciais da condição são os
mesmos em crianças, mas pode ser particularmente difícil fazer o diagnóstico neste
grupo etário. Em crianças, os delírios e as alucinações podem ser menos elaborados
do que aqueles observados em adultos, e as alucinações visuais podem ser mais
comuns.
A esquizofrenia também pode começar mais tarde (por exemplo, após os 45
anos). Os casos de aparecimento tardio tendem a ser similares à esquizofrenia de
início mais precoce, exceto por uma proporção maior de mulheres, uma melhor
história ocupacional e maior frequência de casamentos. A apresentação clínica tende
mais a incluir delírios e alucinações paranoides, sendo menos propensa a incluir
sintomas desorganizados e negativos. O curso geralmente é crônico, embora os
indivíduos frequentemente respondam bastante bem aos medicamentos antipsicóticos
em doses menores.
A esquizofrenia envolve disfunção em uma ou mais áreas importantes do

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funcionamento (por exemplo, relações interpessoais, trabalho, educação ou higiene).

Sinais e Sintomas:

Os aspectos essenciais da esquizofrenia são um misto de sinais e sintomas


característicos (tanto positivos como negativos) que estiveram presentes por um
período de tempo significativo durante 1 mês (ou por um tempo menor, se tratados
com sucesso), com alguns sinais do transtorno persistindo por pelo menos 6 meses.
Esses sinais e sintomas estão associados a acentuada disfunção social ou
ocupacional. A perturbação não é melhor explicada por um Transtorno Esquizoafetivo
ou Transtorno do Humor com Características Psicóticas nem se deve aos efeitos
fisiológicos diretos de uma substância ou de uma condição médica geral.

Em indivíduos com um diagnóstico prévio de Transtorno Autista (ou outro


Transtorno Invasivo do Desenvolvimento), o diagnóstico adicional de esquizofrenia
aplica-se apenas se delírios ou alucinações proeminentes estão presentes por pelo
menos 1 mês.

Os sintomas característicos de esquizofrenia envolvem uma faixa de


disfunções cognitivas e emocionais que acometem a percepção, o pensamento
inferencial, a linguagem e a comunicação, o monitoramento comportamental, o afeto, a
fluência e produtividade do pensamento e do discurso, a capacidade hedônica, a
volição, o impulso e a atenção. O diagnóstico envolve o reconhecimento de uma
constelação de sinais e sintomas associados com prejuízo no funcionamento
ocupacional ou social.

Os sintomas característicos podem ser conceitualizados como enquadrando-se


em duas amplas categorias — positivos e negativos. Os sintomas positivos parecem
refletir um excesso ou distorção de funções normais, enquanto os sintomas negativos
parecem refletir uma diminuição ou perda de funções normais.

 Os sintomas positivos incluem distorções ou exageros do pensamento inferencial


(delírios), da percepção (alucinações), da linguagem e comunicação (discurso
desorganizado) e do monitoramento comportamental (comportamento
amplamente desorganizado ou catatônico). Esses sintomas positivos podem

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compreender duas dimensões distintas, que, por sua vez, podem estar
relacionadas a diferentes mecanismos neurais e correlações clínicas subjacentes:
a ―dimensão psicótica‖ inclui delírios e alucinações, enquanto a ―dimensão da
desorganização‖ inclui o discurso e comportamento desorganizados.
 Os sintomas negativos incluem restrições na amplitude e intensidade da
expressão emocional (embotamento do afeto), na fluência e produtividade do
pensamento (alogia) e na iniciação de comportamentos dirigidos a um objetivo
(avolição).

OBS: Os medicamentos neurolépticos frequentemente produzem efeitos colaterais


extrapiramidais que se assemelham muito ao embotamento afetivo ou à avolição. A
distinção entre os verdadeiros sintomas negativos e os efeitos colaterais de
medicamentos depende de um discernimento clínico envolvendo a gravidade dos
sintomas negativos, a natureza e tipo de medicamento neuroléptico, os efeitos de um
ajuste da dosagem e os efeitos de medicamentos anticolinérgicos.

Delírios:
Os delírios são crenças errôneas, habitualmente envolvendo a interpretação
falsa de percepções ou experiências. Seu conteúdo pode incluir uma variedade de
temas (por exemplo, persecutórios, referenciais, somáticos, religiosos, ou
grandiosos). Os delírios persecutórios são os mais comuns; neles a pessoa acredita
estar sendo atormentada, seguida, enganada, espionada ou ridicularizada.

Embora os delírios bizarros sejam considerados especialmente


característicos da esquizofrenia, pode ser difícil avaliar o grau de ―bizarria‖,
especialmente entre diferentes culturas. Os delírios são considerados bizarros se são
claramente implausíveis e incompreensíveis e não derivam de experiências comuns
da vida. Um exemplo de delírio bizarro é a crença de uma pessoa de que um estranho
retirou seus órgãos internos e os substituiu pelos de outra, sem deixar quaisquer
cicatrizes ou ferimentos. Um exemplo de delírio não-bizarro é a falsa crença de estar
sob vigilância policial.

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Alucinações:
As alucinações podem ocorrer em qualquer modalidade sensorial (por
exemplo, auditivas, visuais, olfativas, gustativas e táteis), mas as alucinações
auditivas são, de longe, as mais comuns e características da esquizofrenia, sendo
geralmente experimentadas como vozes conhecidas ou estranhas, que são
percebidas como distintas dos pensamentos da própria pessoa. O conteúdo pode ser
bastante variável, embora as vozes pejorativas ou ameaçadoras sejam especialmente
comuns.
As alucinações devem ocorrer no contexto de um sensório claro; aquelas que
ocorrem enquanto o indivíduo adormece (hipnagógicas) ou desperta (hipnopômpicas)
são consideradas parte da faixa de experiências normais. Experiências isoladas de
ouvir o próprio nome sendo chamado ou experiências que não possuem a qualidade
de uma percepção externa (por exemplo, zumbidos na própria cabeça) também não
são consideradas alucinações características da esquizofrenia.

OBS: As alucinações podem ser também um componente normal de uma experiência


religiosa, em certos contextos culturais.

Desorganização do Pensamento:

A desorganização do pensamento ("transtorno do pensamento formal",


"afrouxamento de associações") é defendida por alguns autores como o aspecto mais
importante da esquizofrenia.

O discurso dos indivíduos com esquizofrenia pode ser desorganizado de


variadas maneiras. A pessoa pode "sair dos trilhos", saltando de um assunto para
outro ("descarrilamento" ou "associações frouxas"); as respostas podem estar
obliquamente relacionadas ou não ter relação alguma com as perguntas
("tangencialidade"); raramente, o discurso pode estar desorganizado de forma tão

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severa, que é praticamente incompreensível e se assemelha à afasia receptiva em


sua desorganização linguística (―incoerência‖, salada de palavras‖).

Um comportamento amplamente desorganizado pode manifestar-se de


variadas maneiras, indo desde o comportamento tolo e pueril até a agitação
imprevisível. Podem ser notados problemas em qualquer forma de comportamento
dirigido a um objetivo, acarretando dificuldades no desempenho de atividades da vida
diária, tais como organizar as refeições ou manter a higiene.

A pessoa pode parecer mostrar-se acentuadamente desleixada, vestir-se de


modo incomum (por exeplo, usar casacos sobrepostos, cachecóis e luvas em um dia
quente), pode exibir um comportamento sexual nitidamente inadequado (por exemplo,
masturbar-se em público) ou uma agitação imprevisível e sem um desencadeante
(por exemplo, gritar ou praguejar).

O comportamento muito desorganizado deve ser diferenciado de um


comportamento meramente desprovido de objetivos e do comportamento organizado
motivado por crenças delirantes. Similarmente, alguns casos de comportamento
inquieto, irado ou agitado não devem ser considerados evidência de esquizofrenia,
especialmente se a motivação for compreensível.

Comportamentos Motores Catatônicos:

Os comportamentos motores catatônicos incluem uma diminuição acentuada


na reatividade ao ambiente, às vezes alcançando um grau extremo de completa falta
de consciência (estupor catatônico), manutenção de uma postura rígida e resistência
aos esforços de mobilização (rigidez catatônica), resistência ativa a instruções ou
tentativas de mobilização (negativismo catatônico), adoção de posturas inadequadas
ou bizarras (postura catatônica), ou excessiva atividade motora sem propósito e não
estimulada (excitação catatônica).

Embora a catatonia tenha sido historicamente associada à esquizofrenia, o


clínico não deve esquecer que os sintomas catatônicos são inespecíficos e podem
ocorrer em outros transtornos mentais (ver Transtornos do Humor com Características

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Catatônicas), em condições médicas gerais (ver Transtorno Catatônico Devido a uma


Condição Médica Geral) e Transtornos do Movimento Induzidos por Medicamentos
(ver Parkinsonismo Induzido por Neurolépticos).

Esquizofrenia: Subtipos

O diagnóstico de um determinado subtipo está baseado no quadro clínico que


ocasionou a avaliação ou admissão mais recente para cuidados clínicos, podendo,
portanto, mudar com o tempo. Critérios específicos são oferecidos para cada um dos
seguintes subtipos:

Tipo Paranoide: há a preocupação com um ou mais delírios ou alucinações auditivas


frequentes. Nenhum dos seguintes sintomas é proeminente: discurso desorganizado,
comportamento desorganizado ou catatônico, ou afeto embotado ou inadequado.
Tipo Desorganizado: todos os seguintes sintomas são proeminentes: discurso
desorganizado, comportamento desorganizado e afeto embotado ou inadequado.

Tipo Catatônico: há imobilidade motora evidenciada por cataplexia (incluindo


flexibilidade cérea ou estupor), atividade motora excessiva (aparentemente desprovida
de propósito e não influenciada por estímulos externos), extremo negativismo (uma
resistência aparentemente sem motivo a toda e qualquer instrução, ou manutenção de
uma postura rígida contra tentativas de mobilização) ou mutismo, peculiaridades do
movimento voluntário evidenciadas por posturas (adoção voluntária de posturas
inadequadas ou bizarras, movimentos estereotipados, maneirismos proeminentes ou
trejeitos faciais proeminentes), ecolalia ou ecopraxia.

CARACTERÍSTICAS SINTOMÁTICAS ESPECIFICAS E DIAGNOSTICO


DIFERENCIAL DOS PRINCPAIS TRANSTORNOS DO EIXO I E TRANSTORNOS DE
PERSONALIDADE – EIXO II (DSM-IV)7,8

7
Retirado de apostilas específicas EducaPsico.
8
Todo o texto foi baseado no DSM-IV e CID-10.
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Nesta unidade passaremos pelas especificidades sintomáticas dos principais


transtornos do Eixo I. Tais características devem ser notadas a fim de se realizar o
diagnóstico diferencial, isto é, de se fazer o diagnóstico mesmo em casos em que os
sintomas podem se confundir levando a diagnósticos errôneos. Falaremos também
sobre os Transtornos de Personalidade – Eixo II e sobre como são classificados e
divididos.

Critérios Diagnósticos (DSM- IV e CID-10)

Transtornos do humor – Eixo I

Os Transtornos do Humor do DSM-IV são:

Episódio de humor:

Episódio Depressivo Maior;

Episódio Maníaco;

Episódio Misto;

Episódio Hipomaníaco;

Transtornos depressivos:

Transtorno Depressivo Maior;

Transtorno Distímico;

Transtorno Depressivo Sem Outra Especificação;

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Transtornos Bipolares;

Transtorno Bipolar I;

Transtorno Bipolar II;

Transtorno Ciclotímico;

Transtorno Bipolar Sem Outra Especificação;

Outros Transtornos do Humor;

Transtorno do Humor Devido a... [Indicar a Condição Médica Geral];

Transtorno do Humor Induzido por Substância;

Transtorno do Humor Sem Outra Especificação.

Episódio de humor:

Critérios para Episódio Depressivo Maior

A. Cinco (ou mais) dos seguintes sintomas estiveram presentes durante o mesmo
período de 2 semanas e representam uma alteração a partir do funcionamento
anterior; pelo menos um dos sintomas é (1) humor deprimido ou (2) perda do interesse
ou prazer.

Nota: Não incluir sintomas nitidamente devidos a uma condição médica geral ou
alucinações ou delírios incongruentes com o humor.

(1) humor deprimido na maior parte do dia, quase todos os dias, indicado por relato
subjetivo (por exemplo, sente-se triste ou vazio) ou observação feita por outros (por
exemplo, chora muito);

Nota: Em crianças e adolescentes, pode ser humor irritável.

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(2) interesse ou prazer acentuadamente diminuídos por todas ou quase todas as


atividades na maior parte do dia, quase todos os dias (indicado por relato subjetivo ou
observação feita por outros);

(3) perda ou ganho significativo de peso sem estar em dieta (por exemplo, mais de 5%
do peso corporal em 1 mês), ou diminuição ou aumento do apetite quase todos os
dias;
Nota: Em crianças, considerar falha em apresentar os ganhos de peso esperados.

(4) insônia ou hipersonia quase todos os dias;

(5) agitação ou retardo psicomotor quase todos os dias (observáveis por outros, não
meramente sensações subjetivas de inquietação ou de estar mais lento);

(6) fadiga ou perda de energia quase todos os dias;

(7) sentimento de inutilidade ou culpa excessiva ou inadequada (que pode ser


delirante), quase todos os dias (não meramente autorrecriminação ou culpa por estar
doente);
(8) capacidade diminuída de pensar ou concentrar-se, ou indecisão, quase todos os
dias (por relato subjetivo ou observação feita por outros);

(9) pensamentos de morte recorrentes (não apenas medo de morrer), ideação suicida
recorrente sem um plano específico, tentativa de suicídio ou plano específico para
cometer suicídio;

B. Os sintomas não satisfazem os critérios para um Episódio Misto.

C. Os sintomas causam sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no


funcionamento social ou ocupacional ou em outras áreas importantes da vida do
indivíduo.
D. Os sintomas não se devem aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância (por
exemplo, droga de abuso ou medicamento) ou de uma condição médica geral (por
exemplo, hipotiroidismo).

E. Os sintomas não são melhor explicados por luto, ou seja, após a perda de um ente
querido, os sintomas persistem por mais de 2 meses ou são caracterizados por

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acentuado prejuízo funcional, preocupação mórbida com desvalia, ideação suicida,


sintomas psicóticos ou retardo psicomotor.

Critérios para Episódio Maníaco

A. Um período distinto de humor anormal e persistentemente elevado, expansivo ou


irritável, durando pelo menos 1 semana (ou qualquer duração, se a hospitalização é
necessária).
B. Durante o período de perturbação do humor, três (ou mais) dos seguintes sintomas
persistiram (quatro, se o humor é apenas irritável) e estiveram presentes em um grau
significativo:
(1) autoestima inflada ou grandiosidade;

(2) necessidade de sono diminuída (por exemplo, sente-se repousado depois de


apenas 3 horas de sono);

(3) mais loquaz do que o habitual ou pressão por falar;

(4) fuga de ideias ou experiência subjetiva de que os pensamentos estão correndo;


(5) distratibilidade (isto é, a atenção é desviada com excessiva facilidade para
estímulos externos insignificantes ou irrelevantes);

(6) aumento da atividade dirigida a objetivos (socialmente, no trabalho, na escola ou


sexualmente) ou agitação psicomotora;

(7) envolvimento excessivo em atividades prazerosas com um alto potencial para


consequências dolorosas (por exemplo, envolvimento em surtos incontidos de
compras, indiscrições sexuais ou investimentos financeiros tolos);
C. Os sintomas não satisfazem os critérios para Episódio Misto.

D. A perturbação do humor é suficientemente severa para causar prejuízo acentuado


no funcionamento ocupacional, nas atividades sociais ou relacionamentos costumeiros
com outros, ou para exigir a hospitalização, como um meio de evitar danos a si mesmo
e a outros, ou existem aspectos psicóticos.

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E. Os sintomas não se devem aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância (por
exemplo, uma droga de abuso, um medicamento ou outro tratamento) ou de uma
condição médica geral (por exemplo, hipertiroidismo).

Nota: Episódios tipo maníacos nitidamente causados por um tratamento somático


antidepressivo (por exemplo, medicamentos, terapia eletroconvulsiva, fototerapia) não
devem contar para um diagnóstico de Transtorno Bipolar I.

Critérios para Episódio Misto

A. Satisfazem-se os critérios tanto para Episódio Maníaco como para Episódio


Depressivo Maior (exceto pela duração), quase todos os dias, durante um período
mínimo de 1 semana.

B. A perturbação do humor é suficientemente severa para causar acentuado prejuízo


no funcionamento ocupacional, em atividades sociais costumeiras ou relacionamentos
com outros, ou para exigir a hospitalização para prevenir danos ao indivíduo e a
outros, ou existem aspectos psicóticos.

C. Os sintomas não se devem aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância (por
exemplo, droga de abuso, medicamento ou outro tratamento) ou de uma condição
médica geral (por exemplo, hipertiroidismo).

Nota: Episódios tipo mistos causados por um tratamento antidepressivo somático (por
exemplo, medicamento, terapia eletroconvulsiva, fototerapia) não devem contar para
um diagnóstico de Transtorno Bipolar I.

Critérios para Episódio Hipomaníaco

A. Um período distinto de humor persistentemente elevado, expansivo ou irritável,


durando todo o tempo ao longo de pelo menos 4 dias, nitidamente diferente do humor
habitual não-deprimido.

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B. Durante o período da perturbação do humor, três (ou mais) dos seguintes sintomas
persistiram (quatro se o humor é apenas irritável) e estiveram presentes em um grau
significativo:

(1) autoestima inflada ou grandiosidade;

(2) necessidade de sono diminuída (por exemplo, sente-se repousado depois de


apenas 3 horas de sono);

(3) mais loquaz do que o habitual ou pressão por falar;

(4) fuga de ideias ou experiência subjetiva de que os pensamentos estão correndo;

(5) distratibilidade (isto é, a atenção é desviada com demasiada facilidade para


estímulos externos insignificantes ou irrelevantes);

(6) aumento da atividade dirigida a objetivos (socialmente, no trabalho, na escola ou


sexualmente) ou agitação psicomotora;

(7) envolvimento excessivo em atividades prazerosas com alto potencial para


consequências dolorosas (por exemplo, envolver-se em surtos desenfreados de
compras, indiscrições sexuais ou investimentos financeiros tolos).

C. O episódio está associado com uma inequívoca alteração no funcionamento, que


não é característica da pessoa quando assintomática.

D. A perturbação do humor e a alteração no funcionamento são observáveis por


outros.
E. O episódio não é suficientemente severo para causar prejuízo acentuado no
funcionamento social ou ocupacional, ou para exigir a hospitalização, nem existem
aspectos psicóticos.

F. Os sintomas não se devem aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância (por
exemplo, droga de abuso, medicamento, ou outro tratamento) ou de uma condição
médica geral (por exemplo, hipertiroidismo).

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Nota: Os episódios tipo hipomaníacos nitidamente causados por um tratamento


antidepressivo somático (por exemplos, medicamentos, terapia eletroconvulsiva e
fototerapia) não devem contar para um diagnóstico de Transtorno Bipolar II.

Transtornos Depressivos

O Transtorno Depressivo Maior se caracteriza por um ou mais Episódios


Depressivos Maiores (isto é, pelo menos 2 semanas de humor deprimido ou perda de
interesse, acompanhados por pelo menos quatro sintomas adicionais de depressão).

Critérios Diagnósticos para Transtorno Depressivo Maior, Episódio Único


A. Presença de um único Episódio Depressivo Maior.

B. O Episódio Depressivo Maior não é melhor explicado por um Transtorno


Esquizoafetivo nem está sobreposto à Esquizofrenia, Transtorno Esquizofreniforme,
Transtorno Delirante ou Transtorno Psicótico Sem Outra Especificação.

C. Jamais houve um Episódio Maníaco, um Episódio Misto ou um Episódio


Hipomaníaco.

Critérios Diagnósticos para Transtorno Depressivo Maior, Recorrente

A. Presença de dois ou mais Episódios Depressivos Maiores.

Nota: Para serem considerados episódios distintos, deve haver um intervalo de pelo
menos 2 meses consecutivos durante os quais não são satisfeitos os critérios para
Episódio Depressivo Maior.

B. Os Episódios Depressivos Maiores não são melhor explicados por Transtorno


Esquizoafetivo nem estão sobrepostos à Esquizofrenia, ao Transtorno
Esquizofreniforme, ao Transtorno Delirante ou ao Transtorno Psicótico Sem Outra
Especificação.

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C. Jamais houve um Episódio Maníaco, um Episódio Misto ou um Episódio


Hipomaníaco. Nota: Esta exclusão não se aplica se todos os episódios tipo maníaco,
tipo misto ou tipo hipomaníaco são induzidos por substância ou tratamento ou se
devem aos efeitos fisiológicos diretos de uma condição médica geral.

Transtorno Distímico

O Transtorno Distímico caracteriza-se por pelo menos 2 anos de humor


deprimido na maior parte do tempo, acompanhado por sintomas depressivos
adicionais que não satisfazem os critérios para um Episódio Depressivo Maior.

Critérios Diagnósticos para Transtorno Distímico

A. Humor deprimido na maior parte do dia, na maioria dos dias, indicado por relato
subjetivo ou observação feita por outros, por pelo menos 2 anos.

Nota: Em crianças e adolescentes, o humor pode ser irritável, e a duração deve ser de
no mínimo 1 ano.

B. Presença, enquanto deprimido, de duas (ou mais) das seguintes características:

(1) apetite diminuído ou hiperfagia;

(2) insônia ou hipersonia;

(3) baixa energia ou fadiga;

(4) baixa autoestima;

(5) fraca concentração ou dificuldade em tomar decisões.

C. Durante o período de 2 anos (1 ano, para crianças ou adolescentes) de


perturbação, jamais a pessoa esteve sem os sintomas dos Critérios A e B por mais de
2 meses a cada vez.

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D. Ausência de Episódio Depressivo Maior (p. 312) durante os primeiros 2 anos de


perturbação (1 ano para crianças e adolescentes); isto é, a perturbação não é melhor
explicada por um Transtorno Depressivo Maior crônico ou Transtorno Depressivo
Maior, Em Remissão Parcial.

Nota: Pode ter ocorrido um Episódio Depressivo Maior anterior, desde que tenha
havido remissão completa (ausência de sinais ou sintomas significativos por 2 meses)
antes do desenvolvimento do Transtorno Distímico. Além disso, após os 2 anos iniciais
(1 ano para crianças e adolescentes) de Transtorno Distímico, pode haver episódios
sobrepostos de Transtorno Depressivo Maior e, neste caso, ambos os diagnósticos
podem ser dados quando são satisfeitos os critérios para um Episódio Depressivo
Maior.
E. Jamais houve um Episódio Maníaco, um Episódio Misto ou um Episódio
Hipomaníaco e jamais foram satisfeitos os critérios para Transtorno Ciclotímico.

F. A perturbação não ocorre exclusivamente durante o curso de um Transtorno


Psicótico crônico, como Esquizofrenia ou Transtorno Delirante.

G. Os sintomas não se devem aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância (por
exemplo, droga de abuso, medicamento) ou de uma condição médica geral (por
exemplo, hipotiroidismo).

H. Os sintomas causam sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no


funcionamento social ou ocupacional ou em outras áreas importantes da vida do
indivíduo.

Transtorno Depressivo Sem Outra Especificação

O Transtorno Depressivo Sem Outra Especificação é incluído para a


codificação de transtornos com características depressivas que não satisfazem os
critérios para Transtorno Depressivo Maior, Transtorno Distímico, Transtorno de
Ajustamento com Humor Deprimido ou Transtorno de Ajustamento Misto de Ansiedade
e Depressão (ou sintomas depressivos acerca dos quais existem informações
inadequadas ou contraditórias).

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Transtorno Bipolar I

O Transtorno Bipolar I é caracterizado por um ou mais Episódios Maníacos ou


Mistos, geralmente acompanhados por Episódios Depressivos Maiores.

Critérios Diagnósticos para Transtorno Bipolar I, Episódio Maníaco Único


A. Presença de apenas um Episódio Maníaco e ausência de qualquer Episódio
Depressivo Maior no passado.

Nota: A recorrência é definida como uma mudança na polaridade a partir da depressão


ou um intervalo de pelo menos 2 meses sem sintomas maníacos.

B. O Episódio Maníaco não é melhor explicado por Transtorno Esquizoafetivo nem


está sobreposto à Esquizofrenia, ao Transtorno Esquizofreniforme, ao Transtorno
Delirante ou ao Transtorno Psicótico Sem Outra Especificação.
Especificar se:

Misto: se os sintomas satisfazem os critérios para um Episódio Misto.

Critérios Diagnósticos para Transtorno Bipolar I, Episódio Mais Recente


Hipomaníaco
A. Atualmente (ou mais recentemente) em um Episódio Hipomaníaco.

B. Houve, anteriormente, pelo menos um Episódio Maníaco ou Episódio Misto.

C. Os sintomas de humor causam sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no


funcionamento social ou ocupacional ou em outras áreas importantes da vida do
indivíduo.
D. Os episódios de humor nos Critérios A e B não são melhor explicados por
Transtorno Esquizoafetivo nem estão sobrepostos à Esquizofrenia, ao Transtorno
Esquizofreniforme, ao Transtorno Delirante ou ao Transtorno Psicótico Sem Outra
Especificação.

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Critérios Diagnósticos para Transtorno Bipolar I, Episódio Mais Recente Maníaco

A. Atualmente (ou mais recentemente) em Episódio Maníaco.

B. Houve, anteriormente, pelo menos um Episódio Depressivo Maior, Episódio


Maníaco ou Episódio Misto.

C. Os episódios de humor nos Critérios A e B não são melhor explicados por


Transtorno Esquizoafetivo nem estão sobrepostos à Esquizofrenia, ao Transtorno
Esquizofreniforme, ao Transtorno Delirante ou ao Transtorno Psicótico Sem Outra
Especificação.

Critérios Diagnósticos para Transtorno Bipolar I, Episódio Mais Recente Misto

A. Atualmente (ou mais recentemente) em um Episódio Misto.

B. Houve, anteriormente, pelo menos um Episódio Depressivo Maior, Episódio


Maníaco ou Episódio Misto.

C. Os episódios de humor nos Critérios A e B não são melhor explicados por


Transtorno Esquizoafetivo nem estão sobrepostos à Esquizofrenia, ao Transtorno
Esquizofreniforme, ao Transtorno Delirante ou ao Transtorno Psicótico Sem Outra
Especificação.

Critérios Diagnósticos para Transtorno Bipolar I, Episódio Mais Recente


Depressivo
A. Atualmente (ou mais recentemente) em um Episódio Depressivo Maior.

B. Houve, anteriormente, pelo menos um Episódio Maníaco ou Episódio Misto.

C. Os episódios de humor nos Critérios A e B não são melhor explicados por


Transtorno Esquizoafetivo nem estão sobrepostos à Esquizofrenia, ao Transtorno
Esquizofreniforme, ao Transtorno Delirante ou ao Transtorno Psicótico Sem Outra
Especificação.

Critérios Diagnósticos para Transtorno Bipolar I, Episódio Inespecificado

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A. Os critérios, exceto pela duração, são atualmente (ou foram mais recentemente)
satisfeitos para um Episódio Maníaco, Episódio Hipomaníaco, Episódio Misto ou
Episódio Depressivo Maior.

B. Houve, anteriormente, pelo menos um Episódio Maníaco ou Episódio Misto.


C. Os sintomas de humor causam sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no
funcionamento social ou ocupacional ou outras áreas importantes da vida do indivíduo.

D. Os sintomas de humor nos Critérios A e B não são melhor explicados por um


Transtorno Esquizoafetivo nem estão sobrepostos à Esquizofrenia, ao Transtorno
Esquizofreniforme, ao Transtorno Delirante ou Transtorno Psicótico Sem Outra
Especificação.
E. Os sintomas de humor nos Critérios A e B não se devem aos efeitos fisiológicos
diretos de uma substância (por exemplo, droga de abuso, medicamento ou outro
tratamento), ou de uma condição médica geral (por exemplo, hipertiroidismo).

Transtorno Bipolar II

O Transtorno Bipolar II caracteriza-se por um ou mais Episódios Depressivos


Maiores, acompanhado por pelo menos um Episódio Hipomaníaco.

Critérios Diagnósticos para Transtorno Bipolar II

A. Presença (ou história) de um ou mais Episódios Depressivos Maiores.

B. Presença (ou história) de pelo menos um Episódio Hipomaníaco.

C. Jamais houve um Episódio Maníaco ou um Episódio Misto.

D. Os sintomas de humor nos Critérios A e B não são melhor explicados por


Transtorno Esquizoafetivo nem estão sobrepostos à Esquizofrenia, ao Transtorno
Esquizofreniforme, ao Transtorno Delirante ou ao Transtorno Psicótico Sem Outra
Especificação.
E. Os sintomas causam sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no

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funcionamento social ou ocupacional ou em outras áreas importantes da vida do


indivíduo.

Especificar episódio atual ou mais recente:

Hipomaníaco: se atualmente (ou mais recentemente) em um Episódio Hipomaníaco.

Depressivo: se atualmente (ou mais recentemente) em um Episódio Depressivo Maior.

Especificar (para Episódio Depressivo Maior atual ou mais recente apenas se este for
o tipo mais recente de episódio de humor):

Especificadores de Gravidade/Psicótico/de Remissão

Nota: Os códigos do quinto dígito especificados em Critérios para Especificadores de


Gravidade / Psicótico / de Remissão para Episódio Depressivo Maior atual não podem
ser usados aqui, pois o código para o Transtorno Bipolar II já usa o quinto dígito.

Crônico;

Com Características Catatônicas;

Com Características Melancólicas;

Com Características Atípicas;

Com Início no Pós-Parto.

Transtorno Ciclotímico

O Transtorno Ciclotímico é caracterizado por pelo menos 2 anos com


numerosos períodos de sintomas hipomaníacos que não satisfazem os critérios para
um Episódio Maníaco e numerosos períodos de sintomas depressivos que não
satisfazem os critérios para um Episódio Depressivo Maior.

Critérios Diagnósticos para Transtorno Ciclotímico

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A. Por 2 anos, pelo menos, presença de numerosos períodos com sintomas


hipomaníacos e numerosos períodos com sintomas depressivos que não satisfazem
os critérios para um Episódio Depressivo Maior.

Nota: Em crianças e adolescentes, a duração deve ser de pelo menos 1 ano.


B. Durante o período de 2 anos estipulado acima (1 ano para crianças e
adolescentes), a pessoa não ficou sem os sintomas do Critério A por mais de 2 meses
consecutivos.
C. Nenhum Episódio Depressivo Maior, Episódio Maníaco ou Episódio Misto esteve
presente durante os 2 primeiros anos da perturbação.

Nota: Após os 2 anos iniciais (1 ano para crianças e adolescentes) do Transtorno


Ciclotímico, pode haver sobreposição de Episódios Maníacos ou Mistos (sendo que,
neste caso, Transtorno Bipolar I e Transtorno Ciclotímico podem ser diagnosticados
concomitantemente) ou de Episódios Depressivos Maiores (podendo-se, neste caso,
diagnosticar tanto Transtorno Bipolar II quanto Transtorno Ciclotímico).

D. Os sintomas no Critério A não são melhor explicados por Transtorno Esquizoafetivo


nem estão sobrepostos à Esquizofrenia, ao Transtorno Esquizofreniforme, ao
Transtorno Delirante ou ao Transtorno Psicótico Sem Outra Especificação.

E. Os sintomas não se devem aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância (por
exemplo, droga de abuso, medicamento) ou de uma condição médica geral (por
exemplo, hipertiroidismo).

F. Os sintomas causam sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no


funcionamento social ou ocupacional ou em outras áreas importantes da vida do
indivíduo.

Transtorno Bipolar Sem Outra Especificação

O Transtorno Bipolar Sem Outra Especificação é incluído para a codificação de


transtornos com aspectos bipolares que não satisfazem os critérios para qualquer dos

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Transtornos Bipolares específicos definidos nesta seção (ou sintomas bipolares acerca
dos quais há informações inadequadas ou contraditórias).

Transtorno do Humor Devido a uma Condição Médica Geral

Um Transtorno do Humor Devido a uma Condição Médica Geral é


caracterizado por uma perturbação proeminente e persistente do humor, considerada
uma consequência fisiológica direta de uma condição médica geral.

Transtorno do Humor Induzido por Substância

Um Transtorno do Humor Induzido por Substância caracteriza-se por uma


perturbação proeminente e persistente do humor, considerada uma consequência
fisiológica direta de uma droga de abuso, um medicamento, outro tratamento somático
para a depressão ou exposição a uma toxina. O Transtorno do Humor Sem Outra
Especificação é incluído para a codificação de transtornos com sintomas de humor
que não satisfazem os critérios para qualquer Transtorno do Humor específico, e nos
quais é difícil escolher entre Transtorno Depressivo Sem Outra Especificação e
Transtorno Bipolar Sem Outra Especificação (por exemplo, agitação aguda).

Diagnóstico Diferencial Esquizofrenia e Transtorno do Humor com Aspectos


Psicóticos e Transtorno Esquizoafetivo

A distinção entre Esquizofrenia e Transtorno do Humor com Aspectos


Psicóticos e Transtorno Esquizoafetivo é dificultada pelo fato de que uma perturbação
do humor é comum durante as fases prodrômica, ativa e residual da Esquizofrenia. Se
os sintomas psicóticos ocorrem exclusivamente durante períodos de perturbação do
humor, o diagnóstico é de Transtorno do Humor com Aspectos Psicóticos.
No Transtorno Esquizoafetivo, deve haver um episódio de humor
concomitante com os sintomas da fase ativa da Esquizofrenia, os sintomas de humor

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devem estar presentes durante uma parcela substancial da duração total da


perturbação e os delírios ou alucinações devem estar presentes por pelo menos 2
semanas na ausência de sintomas proeminentes de humor. Em comparação, os
sintomas de humor na Esquizofrenia têm uma duração breve em relação à duração
total da perturbação, ocorrem apenas durante as fases prodrômica ou residual, ou não
satisfazem os critérios plenos para um episódio de humor.

Por definição, a Esquizofrenia difere do Transtorno Esquizofreniforme com


base em sua duração. A Esquizofrenia envolve a presença de sintomas (incluindo
prodrômicos e residuais) por pelo menos 6 meses, enquanto a duração total dos
sintomas no Transtorno Esquizofreniforme deve ser de pelo menos 1 mês, porém
inferior a 6 meses.

Transtornos de ansiedade

A Ansiedade no DSM-IV é subdividida em:

 Agorafobia;
 Ataque de Pânico;
 Transtorno de Pânico Sem Agorafobia;
 Transtorno de Pânico Com Agorafobia;
 Agorafobia Sem História de Transtorno de Pânico;
 Fobia Específica;
 Fobia Social;
 Transtorno Obsessivo-Compulsivo;
 Transtorno de Estresse Pós-Traumático;
 Transtorno de Estresse Agudo;
 Transtorno de Ansiedade Generalizada;
 Transtorno de Ansiedade Devido a uma Condição Médica Geral;
 Transtorno de Ansiedade Induzido por Substância;
 Transtorno de Ansiedade Sem Outra Especificação.

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Ataques de Pânico e Agorafobia ocorrem no contexto de diversos outros


transtornos.

Um Ataque de Pânico é representado por um período distinto no qual há o


início súbito de intensa apreensão, temor ou terror, frequentemente associados com
sentimentos de catástrofe iminente. Durante esses ataques, estão presentes sintomas
tais como falta de ar, palpitações, dor ou desconforto torácico, sensação de
sufocamento e medo de "ficar louco" ou de perder o controle.

A Agorafobia é a ansiedade ou esquiva a locais ou situações das quais


poderia ser difícil (ou embaraçoso) escapar ou nas quais o auxílio poderia não estar
disponível, no caso de ter um Ataque de Pânico ou sintomas tipo pânico.

O Transtorno de Pânico Sem Agorafobia é caracterizado por Ataques de


Pânico inesperados e recorrentes acerca dos quais o indivíduo se sente
persistentemente preocupado.

O Transtorno de Pânico Com Agorafobia caracteriza-se por Ataques de


Pânico recorrentes e inesperados e Agorafobia.

A Agorafobia Sem História de Transtorno de Pânico caracteriza-se pela


presença de Agorafobia e sintomas característicos de ataques de pânico sem uma
história de Ataques de Pânico inesperados.

A Fobia Específica caracteriza-se por ansiedade clinicamente significativa


provocada pela exposição a um objeto ou situação específicos e temidos,
frequentemente levando ao comportamento de esquiva.

A Fobia Social caracteriza-se por ansiedade clinicamente significativa


provocada pela exposição a determinados tipos de situações sociais ou de
desempenho, frequentemente levando ao comportamento de esquiva.

O Transtorno Obsessivo-Compulsivo: As características essenciais do


Transtorno Obsessivo-Compulsivo são obsessões ou compulsões recorrentes

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suficientemente severas para consumirem tempo (isto é, consomem mais de uma hora
por dia) ou causar sofrimento acentuado ou prejuízo significativo.

Em algum ponto durante o curso do transtorno, o indivíduo reconheceu que as


obsessões ou compulsões são excessivas ou irracionais. Em presença de outro
transtorno do Eixo I, o conteúdo das obsessões ou compulsões não se restringe a ele.
A perturbação não se deve aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância (por
exemplo, droga de abuso, medicamento) ou de uma condição médica geral.

As obsessões são ideias, pensamentos, impulsos ou imagens persistentes, que


são vivenciados como intrusivos e inadequados e causam acentuada ansiedade ou
sofrimento. A qualidade intrusiva e inadequada das obsessões é chamada de "ego-
distônica".*

O termo refere-se ao sentimento do indivíduo de que o conteúdo da obsessão


é estranho, não está dentro de seu próprio controle nem é a espécie de pensamento
que ele esperaria ter. Entretanto, ele é capaz de reconhecer que as obsessões são
produto de sua própria mente e não impostas a partir do exterior (como na inserção de
pensamento).

As obsessões mais comuns são pensamentos repetidos acerca de


contaminação (por exemplo, ser contaminado em apertos de mãos), dúvidas repetidas
(por exemplo, imaginar se foram executados dados atos, tais como ter machucado
alguém em um acidente de trânsito ou ter deixado uma porta destrancada), uma
necessidade de organizar as coisas em determinada ordem (por exemplo, intenso
sofrimento quando os objetos estão desordenados ou assimétricos), impulsos
agressivos ou horrorizantes (por exemplo, de machucar o próprio filho ou gritar uma
obscenidade na igreja) e imagens sexuais (por exemplo, uma imagem pornográfica
recorrente).

Os pensamentos, impulsos ou imagens não são meras preocupações


excessivas acerca de problemas da vida real (por exemplo, preocupação com
dificuldades atuais, como problemas financeiros, profissionais ou escolares) e não
tendem a estar relacionados a um problema da vida real.

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O indivíduo com obsessões em geral tenta ignorar ou suprimir esses


pensamentos ou impulsos ou neutralizá-los com algum outro pensamento ou ação
(isto é, uma compulsão). Um indivíduo assaltado por dúvidas acerca de ter desligado o
gás do fogão, por exemplo, procura neutralizá-las verificando repetidamente para
assegurar-se de que o fogão está desligado.

As compulsões são comportamentos repetitivos (por exemplo, lavar as mãos,


ordenar, verificar) ou atos mentais (por exemplo, orar, contar, repetir palavras em
silêncio), cujo objetivo é prevenir ou reduzir a ansiedade ou sofrimento, ao invés de
oferecer prazer ou gratificação. As apresentações do Transtorno Obsessivo-
Compulsivo em crianças geralmente são similares àquelas da idade adulta. Lavagens,
verificação e rituais de organização são particularmente comuns em crianças. As
crianças em geral não solicitam ajuda, e os sintomas podem não ser ego-distônicos.9

O Transtorno de Estresse Pós-Traumático caracteriza-se pela revivência de


um evento extremamente traumático, acompanhada por sintomas de excitação
aumentada e esquiva de estímulos associados com o trauma. Por exemplo: um
determinado sujeito não conseguir chegar perto de piscinas e lagos, mar, uma vez que
no passado presenciou um afogamento fatal de um familiar.

O Transtorno de Estresse Agudo caracteriza-se por sintomas similares


àqueles do Transtorno de Estresse Pós-Traumático, ocorrendo logo após um evento
extremamente traumático.

O Transtorno de Ansiedade Generalizada caracteriza-se por pelo menos 6


meses de ansiedade e preocupação excessivas e persistentes.

Transtornos Somatoformes

A característica comum dos Transtornos Somatoformes é a presença de


sintomas físicos que sugerem uma condição médica geral (daí o termo somatoforme),

9
Pensamentos ego-distônicos são aqueles percebidos como intrusivos, como algo que não é
próprio.
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porém não são completamente explicados por uma condição médica geral, pelos
efeitos diretos de uma substância ou por um outro transtorno mental (por exemplo,
Transtorno de Pânico).

O Transtorno de Somatização (historicamente chamado de histeria ou


síndrome de Briquet) é um transtorno polissintomático que inicia antes dos 30 anos,
estende-se por um período de anos e é caracterizado por uma combinação de dor,
sintomas gastrintestinais, sexuais e pseudoneurológicos.

O Transtorno Somatoforme Indiferenciado caracteriza-se por queixas físicas


inexplicáveis, com duração mínima de 6 meses, abaixo do limiar para um diagnóstico
de Transtorno de Somatização.

O Transtorno Conversivo envolve sintomas ou déficits inexplicáveis que


afetam a função motora ou sensorial voluntária, sugerindo uma condição neurológica
ou outra condição médica geral. Presume-se uma associação de fatores psicológicos
com os sintomas e déficits.

O Transtorno Doloroso caracteriza-se por dor como foco predominante de


atenção clínica. Além disso, presume-se que fatores psicológicos têm um importante
papel em seu início, gravidade, exacerbação ou manutenção.

A Hipocondria é preocupação com o medo ou a ideia de ter uma doença


grave, com base em uma interpretação errônea de sintomas ou funções corporais.
O Transtorno Dismórfico Corporal é a preocupação com um defeito
imaginado ou exagerado na aparência física.

O Transtorno de Somatização Sem Outra Especificação é incluído para a


codificação de transtornos com sintomas somatoformes que não satisfazem os
critérios para qualquer um dos Transtornos Somatoformes.

Transtornos Factícios

No Transtorno Factício Com Sinais e Sintomas Predominantemente Físicos e


na Simulação, os sintomas somáticos podem ser intencionalmente produzidos,

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respectivamente, para a adoção do papel de doente ou para angariar vantagens. Os


sintomas intencionalmente produzidos não devem contar para um diagnóstico de
Transtorno de Somatização.

No Transtorno Factício, a motivação consiste em assumir o papel de enfermo


para obter avaliação e tratamento médicos, ao passo que objetivos mais óbvios, tais
como compensação financeira, esquiva de deveres, evasão de processos criminais ou
obtenção de drogas, são perceptíveis na Simulação. Esses objetivos podem
assemelhar-se aos "ganhos secundários" nos sintomas conversivos, distinguindo-se
estes últimos pela falta de intenção consciente na sua produção. Entretanto, a
presença de alguns sintomas factícios ou simulados, mesclados a outros sintomas
não-intencionais, não é incomum. Nesses casos mistos, tanto Transtorno de
Somatização como Transtorno Factício ou Simulação devem ser diagnosticados.

Transtornos Dissociativos – CID-10

Os transtornos dissociativos ou de conversão se caracterizam por uma perda


parcial ou completa das funções normais de integração das lembranças, da
consciência, da identidade e das sensações imediatas, e do controle dos movimentos
corporais.
Os diferentes tipos de transtornos dissociativos tendem a desaparecer após
algumas semanas ou meses, em particular quando sua ocorrência se associou a um
acontecimento traumático. A evolução pode igualmente se fazer para transtornos mais
crônicos, em particular paralisias e anestesias, quando a ocorrência do transtorno está
ligada a problemas ou dificuldades interpessoais insolúveis. No passado, estes
transtornos eram classificados entre diversos tipos de "histeria de conversão".
Admite-se que sejam psicogênicos10, dado que ocorrem em relação temporal
estreita com eventos traumáticos, problemas insolúveis e insuportáveis, ou relações
interpessoais difíceis. Os sintomas traduzem frequentemente a ideia que o sujeito faz
de uma doença física.

10
Psicogênico: de origem psíquica e não somática.
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O exame médico e os exames complementares não permitem colocar em


evidência um transtorno físico (em particular neurológico) conhecido. Por outro lado,
dispõe-se de argumentos para pensar que a perda de uma função é, neste transtorno,
a expressão de um conflito ou de uma necessidade psíquica.

Os sintomas podem ocorrer em relação temporal estreita com um "estresse"


psicológico e ocorrer frequentemente de modo brusco. O transtorno concerne
unicamente, quer a uma perturbação das funções físicas que estão normalmente sob
o controle da vontade, quer a uma perda das sensações.

Os transtornos que implicam manifestações dolorosas ou outras sensações


físicas complexas que fazem intervir o sistema nervoso autônomo, são classificados
entre os transtornos somatoformes (F45.0). Há sempre a possibilidade de ocorrência
numa data ulterior de um transtorno físico ou psiquiátrico grave.

Inclui-se nessa classificação:


Histeria
Histeria de Conversão
Reação Histérica
Psicose Histérica

Exclui:
Simulador [simulação consciente]

Transtornos Alimentares

Os Transtornos Alimentares caracterizam-se por severas perturbações no


comportamento alimentar. Esta seção inclui dois diagnósticos específicos, Anorexia
Nervosa e Bulimia Nervosa.

A Anorexia Nervosa caracteriza-se por uma recusa a manter o peso corporal


em uma faixa normal mínima. Além disso, as mulheres pós-menarca com este

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transtorno são amenorreicas11 (o termo anorexia é uma designação incorreta, uma vez
que a perda do apetite é rara). A perda de peso em geral é obtida, principalmente, por
meio da redução do consumo alimentar total. Embora os indivíduos possam começar
excluindo de sua dieta aquilo que percebem como sendo alimentos altamente
calóricos, a maioria termina com uma dieta muito restrita, por vezes limitada a apenas
alguns alimentos. Métodos adicionais de perda de peso incluem purgação (isto é,
autoindução de vômito ou uso indevido de laxantes ou diuréticos) e exercícios intensos
ou excessivos.

Os indivíduos com este transtorno têm muito medo de ganhar peso ou de


ficarem gordos. Este medo intenso de engordar geralmente não é aliviado pela perda
de peso. Na verdade, a preocupação com o ganho ponderal frequentemente aumenta
à medida que o peso real diminui.

A vivência e a importância do peso e da forma corporal são distorcidas nesses


indivíduos. Alguns indivíduos acham que têm um excesso de peso global. Outros
percebem que estão magros, mas ainda assim se preocupam com o fato de
determinadas partes de seu corpo, particularmente abdômen, nádegas e coxas,
estarem "muito gordas". Eles podem empregar uma ampla variedade de técnicas para
estimar seu peso, incluindo pesagens excessivas, medições obsessivas de partes do
corpo e uso persistente de um espelho para a verificação das áreas percebidas como
"gordas".
A autoestima dos indivíduos com Anorexia Nervosa depende em alto grau de
sua forma e peso corporais. A perda de peso é vista como uma conquista notável e
como um sinal de extraordinária autodisciplina, ao passo que o ganho de peso é
percebido como um inaceitável fracasso do autocontrole. Embora alguns indivíduos
com este transtorno possam reconhecer que estão magros, eles tipicamente negam as
sérias implicações de seu estado de desnutrição.

Em mulheres pós-menarca, a amenorreia12 (devido a níveis anormalmente


baixos de secreção de estrógenos que, por sua vez, devem-se a uma redução da
secreção de hormônio folículo-estimulante [FSH] e hormônio luteinizante [LH] pela

11
Amenorreicas: que não menstruam.
12
Amenorreia: ausência de menstruação por pelo menos 3 meses.

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pituitária) é um indicador de disfunção fisiológica na Anorexia Nervosa.

A amenorreia em geral é uma consequência da perda de peso, mas, em uma


minoria dos indivíduos, pode, na verdade, precedê-la. Em mulheres pré-púberes, a
menarca pode ser retardada pela doença.

O indivíduo frequentemente é levado à atenção profissional por membros da


família, após a ocorrência de uma acentuada perda de peso (ou fracasso em fazer os
ganhos de peso esperados). Quando o indivíduo busca auxílio por conta própria, isto
geralmente ocorre em razão do sofrimento subjetivo acerca das sequelas somáticas e
psicológicas da inanição.

Raramente um indivíduo com Anorexia Nervosa se queixa da perda de peso


em si. Essas pessoas frequentemente não possuem insight para o problema ou
apresentam uma considerável negação quanto a este, podendo não ser boas fontes
de sua história. Portanto, com frequência, se torna necessário obter informações a
partir dos pais ou outras fontes externas, para determinar o grau de perda de peso e
outros aspectos da doença.

Subtipos
Os seguintes subtipos podem ser usados para a especificação da presença ou
ausência de compulsões periódicas ou purgações regulares durante o episódio atual
de Anorexia Nervosa.

Tipo Restritivo. Este subtipo descreve apresentações nas quais a perda de


peso é conseguida principalmente por meio de dietas, jejuns ou exercícios excessivos.
Durante o episódio atual, esses indivíduos não se envolveram com regularidades em
compulsões periódicas ou purgações.

Tipo Compulsão Periódica/Purgativo. Este subtipo é usado quando o


indivíduo se envolveu regularmente em compulsões periódicas ou purgações (ou
ambas) durante o episódio atual. A maioria dos indivíduos com Anorexia Nervosa que
comem compulsivamente também fazem purgações mediante vômitos autoinduzidos
ou uso indevido de laxantes, diuréticos ou enemas.

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Alguns indivíduos incluídos neste subtipo não comem de forma compulsiva,


mas fazem purgações regularmente após o consumo de pequenas quantidades de
alimentos. Aparentemente, a maior parte dos indivíduos com o Tipo Compulsão
Periódica/Purgativo dedica-se a esses comportamentos pelo menos uma vez por
semana, mas não há informações suficientes que justifiquem a especificação de uma
freqüência mínima.

A Bulimia Nervosa é caracterizada por episódios repetidos de compulsões


alimentares seguidas de comportamentos compensatórios inadequados, tais como
vômitos autoinduzidos; mau uso de laxantes, diuréticos ou outros medicamentos;
jejuns ou exercícios excessivos.

Entretanto, diferentemente dos indivíduos com Anorexia Nervosa, Tipo


Compulsão Periódica/Purgativo, os indivíduos com Bulimia Nervosa são capazes de
manter um peso corporal no nível normal mínimo ou acima deste.

Uma perturbação na percepção da forma e do peso corporal é a característica


essencial tanto da Anorexia Nervosa como da Bulimia Nervosa.

Transtornos do Controle dos Impulsos

A característica essencial dos Transtornos de Controle dos Impulsos é o


fracasso em resistir a um impulso ou tentação de executar um ato perigoso para a
própria pessoa ou para outros. Na maioria dos transtornos descritos nesta seção, o
indivíduo sente uma crescente tensão ou excitação antes de cometer o ato. Após
cometê-lo, pode ou não haver arrependimento, autorrecriminação ou culpa. Os
seguintes transtornos são incluídos nesta seção:

O Transtorno Explosivo Intermitente é caracterizado por episódios distintos


de fracasso em resistir a impulsos agressivos, resultando em sérias agressões ou
destruição de propriedades.

A Cleptomania caracteriza-se por um fracasso recorrente em resistir a


impulsos de roubar objetos desnecessários para o uso pessoal ou em termos de valor
monetário.
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A Piromania é caracterizada por um padrão de comportamento incendiário por


prazer, gratificação ou alívio de tensão.

O Jogo Patológico caracteriza-se por um comportamento mal-adaptativo,


recorrente e persistente, relacionado a jogos de azar e apostas.

A Tricotilomania caracteriza-se pelo ato de puxar de forma recorrente os


próprios cabelos por prazer, gratificação ou alívio de tensão, acarretando uma perda
capilar perceptível.

Trasntorno de Personalidade – Eixo II - DSM-IV

Um Transtorno da Personalidade é um padrão persistente de vivência íntima


ou comportamento que se desvia acentuadamente das expectativas da cultura do
indivíduo, é invasivo e inflexível, tem seu início na adolescência ou começo da idade
adulta, é estável ao longo do tempo e provoca sofrimento ou prejuízo. Muitos dos
critérios específicos para os Transtornos da Personalidade descrevem aspectos (por
exemplo, desconfiança, dependência ou insensibilidade) que também caracterizam
episódios de transtornos mentais do Eixo I. Um Transtorno da Personalidade deve ser
diagnosticado apenas quando as características definidoras apareceram antes do
início da idade adulta, são típicas do funcionamento do indivíduo a longo prazo e não
ocorrem exclusivamente durante um episódio de um transtorno do Eixo I.

Transtorno da Personalidade Paranoide é um padrão de desconfiança e


suspeitas, de modo que os motivos dos outros são interpretados como malévolos.
Transtorno da Personalidade Esquizoide é um padrão de distanciamento dos
relacionamentos sociais, com uma faixa restrita de expressão emocional.

Transtorno da Personalidade Esquizotípica é um padrão de desconforto


agudo em relacionamentos íntimos, distorções cognitivas ou da percepção de
comportamento excêntrico.

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Transtorno da Personalidade Antissocial há a desconsideração e violação


dos direitos dos outros.

Transtorno da Personalidade Borderline é um padrão de instabilidade nos


relacionamentos interpessoais, autoimagem e afetos, bem como de acentuada
impulsividade.

Transtorno da Personalidade Histriônica é um padrão de excessiva


emotividade e busca de atenção.

Transtorno da Personalidade Narcisista é um padrão de grandiosidade,


necessidade por admiração e falta de empatia.

Transtorno da Personalidade Esquiva é um padrão de inibição social,


sentimentos de inadequação e hipersensibilidade a avaliações negativas.

Transtorno da Personalidade Dependente é um padrão de comportamento


submisso e aderente, relacionado a uma necessidade excessiva de proteção e
cuidados.

Transtorno da Personalidade Obsessivo-Compulsiva é um padrão de


preocupação com organização, perfeccionismo e controle.

Os Transtornos da Personalidade são reunidos em três agrupamentos, com


base em similaridades descritivas.

1 - Agrupamento A: Os indivíduos com esses transtornos frequentemente parecem


"esquisitos" ou excêntricos.
Transtornos da Personalidade Paranoide
Esquizoide
Esquizotípica

2 - Agrupamento B: Os indivíduos com esses transtornos frequentemente parecem


dramáticos, emotivos ou erráticos.

Transtornos da Personalidade Antissocial


Borderline
Histriônica
Narcisista

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3 - Agrupamento C: Os indivíduos com esses transtornos frequentemente parecem


ansiosos ou medrosos.
Transtornos da Personalidade Esquiva
Dependente
Obsessivo-Compulsiva

Cabe notar que este sistema de agrupamento, embora útil em algumas


situações de ensino e pesquisa, apresenta sérias limitações e não foi
consistentemente validado. Além disso, os indivíduos frequentemente apresentam
Transtornos da Personalidade concomitantes de diferentes agrupamentos.

As categorias de Transtorno da Personalidade podem ser aplicadas a crianças


ou adolescentes nos casos relativamente raros em que os traços particularmente mal-
adaptativos do indivíduo parecem ser invasivos, persistentes e improvavelmente
limitados a um determinado estágio evolutivo ou a um episódio de um transtorno do
Eixo I.

Cabe reconhecer que os traços de um Transtorno da Personalidade que


aparecem na infância frequentemente não persistem inalterados até a vida adulta.
Para o diagnóstico de Transtorno da Personalidade em um indivíduo com menos de
18 anos, as características devem ter estado presentes por no mínimo um ano. A
única exceção é representada pelo Transtorno da Personalidade Antissocial, que não
pode ser diagnosticado em indivíduos com menos de 18 anos.

Embora, por definição, um Transtorno da Personalidade não deva ter início


após os primórdios da idade adulta, os indivíduos podem não chegar à atenção clínica
até uma fase relativamente tardia de suas vidas. Um Transtorno da Personalidade
pode ser exacerbado após a perda de pessoas de apoio significativas (por exemplo,
cônjuge) ou situações sociais anteriormente estabilizantes (por exemplo, um
emprego).
Certos Transtornos da Personalidade (por exemplo, Transtorno da
Personalidade Antissocial) são diagnosticados com maior frequência em homens.

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Outros (por exemplo, Transtorno da Personalidade Borderline, Histriônica e


Dependente) são diagnosticados com maior frequência em mulheres.

TRANSTORNOS PSIQUIÁTRICOS NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA

Transtornos da aprendizagem, transtornos das habilidades motoras e


transtornos da comunicação (linguagem)

Os transtornos da aprendizagem estão relacionados a dificuldades na leitura,


na capacidade matemática ou nas habilidades de escrita, medidas por testes padrões
que estão substancialmente abaixo do esperado, considerando-se a idade da criança,
seu quociente de inteligência (QI) e grau de escolaridade (ABC da SAÚDE).

No transtorno das habilidades motoras, o desempenho em atividades diárias


que exigem coordenação motora está abaixo do esperado para a idade, como por
exemplo, atraso para sentar, engatinhar, caminhar, deixar cair coisas, fraco
desempenho nos esportes ou caligrafia insatisfatória. Muitas vezes essa criança é
vista como desajeitada, tropeçando com freqüência ou inábil para abotoar suas roupas
ou amarrar os cadarços do sapato (ABC da SAÚDE).

Nos transtornos da comunicação a perturbação pode manifestar-se por


sintomas que incluem um vocabulário limitado, erros grosseiros na conjugação de
verbos, dificuldade para evocar palavras ou produzir frases condizentes com sua idade
cronológica. Os problemas de linguagem também podem ser causados por
perturbações na capacidade de articular sons ou palavras (ABC da SAÚDE).

Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade

Fonte: www.tdah.net.br

A característica essencial do Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade é


um padrão persistente de desatenção e/ou hiperatividade, mais freqüente e severo do

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que aquele tipicamente observado em indivíduos em nível equivalente de


desenvolvimento. Alguns sintomas hiperativo-impulsivos que causam prejuízo devem
ter estado presentes antes dos 7 anos, mas muitos indivíduos são diagnosticados
depois, após a presença dos sintomas por alguns anos.

Algum prejuízo devido aos sintomas deve estar presente em pelo menos dois
contextos (por ex., em casa e na escola ou trabalho). Deve haver claras evidências de
interferência no funcionamento social, acadêmico ou ocupacional apropriado em
termos evolutivos. A perturbação não ocorre exclusivamente durante o curso de um
Transtorno Invasivo do Desenvolvimento, Esquizofrenia ou outro Transtorno Psicótico
e não é melhor explicada por um outro transtorno mental (por ex., Transtorno do
Humor, Transtorno de Ansiedade, Transtorno Dissociativo ou Transtorno da
Personalidade).

Critérios Diagnósticos para Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade


A. Ou (1) ou (2)
1) seis (ou mais) dos seguintes sintomas de desatenção persistiram por pelo menos 6
meses, em grau mal-adaptativo e inconsistente com o nível de desenvolvimento:
Desatenção:
(a) freqüentemente deixa de prestar atenção a detalhes ou comete erros por descuido
em atividades escolares, de trabalho ou outras
(b) com freqüência tem dificuldades para manter a atenção em tarefas ou atividades
lúdicas
(c) com freqüência parece não escutar quando lhe dirigem a palavra
(d) com freqüência não segue instruções e não termina seus deveres escolares,
tarefas domésticas ou deveres profissionais (não devido a comportamento de
oposição ou incapacidade de compreender instruções)
(e) com freqüência tem dificuldade para organizar tarefas e atividades
(f) com freqüência evita, antipatiza ou reluta a envolver-se em tarefas que exijam
esforço mental constante (como tarefas escolares ou deveres de casa)
(g) com freqüência perde coisas necessárias para tarefas ou atividades (por ex.,
brinquedos, tarefas escolares, lápis, livros ou outros materiais)
(h) é facilmente distraído por estímulos alheios à tarefa

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(i) com freqüência apresenta esquecimento em atividades diárias


(2) seis (ou mais) dos seguintes sintomas de hiperatividade persistiram por pelo
menos 6 meses, em grau mal-adaptativo e inconsistente com o nível de
desenvolvimento:
Hiperatividade:
(a) freqüentemente agita as mãos ou os pés ou se remexe na cadeira
(b) freqüentemente abandona sua cadeira em sala de aula ou outras situações nas
quais se espera que permaneça sentado
(c) freqüentemente corre ou escala em demasia, em situações nas quais isto é
inapropriado (em adolescentes e adultos, pode estar limitado a sensações subjetivas
de inquietação)
(d) com freqüência tem dificuldade para brincar ou se envolver silenciosamente em
atividades de lazer
(e) está freqüentemente "a mil" ou muitas vezes age como se estivesse "a todo vapor"
(f)freqüentemente fala em demasia

Impulsividade:

(g) freqüentemente dá respostas precipitadas antes de as perguntas terem sido


completadas
(h) com freqüência tem dificuldade para aguardar sua vez
(i) freqüentemente interrompe ou se mete em assuntos de outros (por ex., intromete-se
em conversas ou brincadeiras)
B. Alguns sintomas de hiperatividade-impulsividade ou desatenção que causaram
prejuízo estavam presentes antes dos 7 anos de idade.
C. Algum prejuízo causado pelos sintomas está presente em dois ou mais contextos
(por ex., na escola [ou trabalho] e em casa).
D. Deve haver claras evidências de prejuízo clinicamente significativo no
funcionamento social, acadêmico ou ocupacional.
E. Os sintomas não ocorrem exclusivamente durante o curso de um Transtorno
Invasivo do Desenvolvimento, Esquizofrenia ou outro Transtorno Psicótico e não são
melhor explicados por outro transtorno mental (por ex., Transtorno do Humor,
Transtorno de Ansiedade, Transtorno Dissociativo ou um Transtorno da

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Personalidade).
Codificar com base no tipo:
F90.0 - 314.01 Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade, Tipo Combinado: se
tanto o Critério A1 quanto o Critério A2 são satisfeitos durante os últimos 6 meses.
F98.8 - 314.00 Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade, Tipo
Predominantemente Desatento: Se o Critério A1 é satisfeito, mas o Critério A2 não é
satisfeito durante os últimos 6 meses.
F90.0 - 314.01 Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade, Tipo
Predominantemente Hiperativo-Impulsivo: Se o Critério A2 é satisfeito, mas o Critério
A1 não é satisfeito durante os últimos 6 meses.
Nota para a codificação: Para indivíduos (em especial adolescentes e adultos) que
atualmente apresentam sintomas que não mais satisfazem todos os critérios,
especificar "Em Remissão Parcial".

Transtornos de conduta

A característica essencial do Transtorno da Conduta é um padrão repetitivo e


persistente de comportamento no qual são violados os direitos básicos dos outros ou
normas ou regras sociais importantes apropriadas à idade.

Critérios Diagnósticos para F91.8 - 312.8 Transtorno da Conduta

A. Um padrão repetitivo e persistente de comportamento no qual são violados os


direitos básicos dos outros ou normas ou regras sociais importantes apropriadas à
idade, manifestado pela presença de três (ou mais) dos seguintes critérios nos últimos
12 meses, com pelo menos um critério presente nos últimos 6 meses:

Agressão a pessoas e animais


(1) freqüentemente provoca, ameaça ou intimida outros
(2) freqüentemente inicia lutas corporais
(3) utilizou uma arma capaz de causar sério dano físico a outros (por ex., bastão, tijolo,
garrafa quebrada, faca, arma de fogo)

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(4) foi fisicamente cruel com pessoas


(5) foi fisicamente cruel com animais
(6) roubou com confronto com a vítima (por ex., bater carteira, arrancar bolsa,
extorsão, assalto à mão armada)
(7) forçou alguém a ter atividade sexual consigo
Destruição de propriedade
(8) envolveu-se deliberadamente na provocação de incêndio com a intenção de causar
sérios danos
(9) destruiu deliberadamente a propriedade alheia (diferente de provocação de
incêndio)
Defraudação ou furto
(10) arrombou residência, prédio ou automóvel alheios
(11) mente com freqüência para obter bens ou favores ou para evitar obrigações legais
(isto é, ludibria outras pessoas)
(12) roubou objetos de valor sem confronto com a vítima (por ex., furto em lojas, mas
sem arrombar e invadir; falsificação)
Sérias violações de regras
(13) freqüentemente permanece na rua à noite, apesar de proibições dos pais,
iniciando antes dos 13 anos de idade
(14) fugiu de casa à noite pelo menos duas vezes, enquanto vivia na casa dos pais ou
lar adotivo (ou uma vez, sem retornar por um extenso período)
(15) freqüentemente gazeteia à escola, iniciando antes dos 13 anos de idade
B. A perturbação no comportamento causa prejuízo clinicamente significativo no
funcionamento social, acadêmico ou ocupacional.
C. Se o indivíduo tem 18 anos ou mais, não são satisfeitos os critérios para o
Transtorno da Personalidade Anti-Social.
Especificar tipo com base na idade de início:
Tipo com Início na Infância: Início de pelo menos um critério característico de
Transtorno da Conduta antes dos 10 anos de idade.
Tipo com Início na Adolescência: ausência de quaisquer critérios característicos de
Transtorno da Conduta antes dos 10 anos de idade.
Especificar gravidade:
Leve: poucos problemas de conduta, se existem, além daqueles exigidos para fazer o

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diagnóstico e os problemas de conduta causam apenas um dano pequeno a outros.


Moderado: número de problemas de conduta e efeito sobre outros são intermediários,
entre "leve" e "severo".
Severo: muitos problemas de conduta além daqueles exigidos para fazer o diagnóstico
ou problemas de conduta que causam dano considerável a outros.

Transtornos depressivos na infância

O reconhecimento de transtornos depressivos na infância ocorreu no final da


década de 60. Surgiram então três conceitos (ABC da SAÚDE):

 sintomas depressivos análogos aos dos adultos não existem;


 a depressão manifesta-se por sintomas específicos nessa faixa etária;
 a sintomatologia depressiva surge mascarada por outros sintomas ou
síndromes; tais como hiperatividade, enurese, encoprese, déficit de
aprendizagem e transtorno de conduta;

Os transtornos depressivos podem ocorrer em meninos e em meninas. Os


sintomas são: isolamento, calma excessiva, agitação, condutas auto e hetero-
agressivas, intensa busca afetiva, alternando atitudes prestativas com recusas de
relacionamento. A socialização está geralmente perturbada, pode haver recusa em
brincar com outras crianças e dificuldade para aquisição de habilidades. As queixas
somáticas são freqüentes: dificuldade do sono (despertar noturno, sonolência diurna),
alteração do padrão alimentar. Queixas de falta de ar, dores de cabeça e no
estômago, problemas intestinais e suor frio também são freqüentes. Podem ocorrer
também baixa auto-estima e culpa excessiva, além da diminuição do rendimento
escolar (ABC da SAÚDE).

Os transtornos depressivos da infância podem ser classificados em duas


formas bem distintas: distimia (mal-humor crônico), onde o humor depressivo ou
irritável esteja presente quase todos os dias por pelo menos um ano e transtorno
depressivo maior, que é caracterizado por uma síndrome depressiva completa por

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pelo menos duas semanas, podendo estar presentes alucinações e ideação ou


condutas depressivas (ABC da SAÚDE).

Transtornos invasivos do desenvolvimento

 Transtorno Autista;

 Transtorno de Rett;

 Transtorno Desintegrativo da Infância;

 Transtorno de Asperger;

 Transtorno Invasivo do Desenvolvimento Sem Outra Especificação;

Esse grupo de transtornos é caracterizado por severas anormalidades nas


interações sociais recíprocas, nos padrões de comunicação estereotipados e
repetitivos, além de um estreitamento nos interesses e atividades da criança.
Costumam se manifestar nos primeiros cinco anos de vida (ABC da SAÚDE).

A forma mais conhecida é o Autismo Infantil, definido por um desenvolvimento


anormal que se manifesta antes dos três anos de vida, não havendo um período
prévio de desenvolvimento normal. As crianças com transtorno autista podem ter alto
ou baixo nível de funcionamento, dependendo do QI, da capacidade de comunicação
e do grau de severidade nos seguintes itens (ABC da SAÚDE):

 prejuízo acentuado no contato visual direto, na expressão facial, posturas


corporais e outros gestos necessários para comunicar-se com outras pessoas.
 fracasso para desenvolver relacionamentos com outras crianças, ou até
mesmo com seus pais
 falta de tentativa espontânea de compartilhar prazer, interesses ou realizações
com outras pessoas (por exemplo: não mostrar, trazer ou apontar objetos de
interesse)

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 atraso ou ausência total da fala (não acompanhado por uma tentativa para
compensar através de modos alternativos de comunicação, tais como gestos
ou mímicas )
 em crianças com fala adequada, acentuado prejuízo na capacidade de iniciar
ou manter uma conversa
 uso repetitivo de mesmas palavras ou sons ausência de jogos ou brincadeiras
variadas de acordo com a idade
 a criança parece adotar uma rotina ou ritual específico em seu ambiente, com
extrema dificuldade e sofrimento quando tem que abrir mão da mesma
movimentos repetitivos ou complexos do corpo preocupação persistente com
partes de objetos

Diagnóstico detalhado de cada transtorno disponível no site:


http://virtualpsy.locaweb.com.br

Transtornos de tique

Um tique é uma produção vocal ou movimento motor involuntário, rápido,


recorrente (repetido) e não rítmico (usualmente envolvendo grupos musculares
circunscritos), sem propósito aparente e que tem um início súbito. Os tiques motores e
vocais podem ser simples ou complexos (ABC da SAÚDE).

Os tiques simples em geral são os primeiros a aparecer. Podem ser: tiques


motores simples, tiques vocais simples, tiques motores complexos, tique vocal
complexo.

Transtornos da Excreção

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Estão presentes aqui a enurese e a encoprese . A enurese é caracterizada por


eliminação de urina de dia e/ou a noite, a qual é anormal em relação à idade da
criança e não decorrente de nenhuma patologia orgânica. A enurese pode estar
presente desde o nascimento ou pode surgir seguindo-se a um período de controle
vesical adquirido. A enurese não costuma ser diagnosticada antes de a criança
completar cinco anos de idade e requer, para ser caracterizada, uma freqüência de
duas vezes por semana, por pelo menos três meses (ABC da SAÚDE).

A encoprese é a evacuação repetida de fezes em locais inadequados (roupas


ou chão), involuntária ou intencional. Para se fazer o diagnóstico é preciso que esse
sintoma ocorra pelo menos uma vez por mês, por no mínimo três meses em crianças
com mais de quatro anos. Ambas patologias podem ocorrer pelo nascimento de um
irmão, separação dos pais ou outro evento que possa traumatizar a criança. A
encoprese deliberada pode significar grave comprometimento emocional. Ambas
podem durar anos, mas acabam evoluindo para uma remissão espontânea. Esses
transtornos comumente geram intenso sofrimento na criança, levando a uma
estigmatização, com conseqüente baixa da auto-estima. Geram também isolamento
social e perturbações no ambiente e nas relações familiares (ABC da SAÚDE).

Transtornos de Ansiedade na Infância

A ansiedade é um sentimento vago e desagradável de medo e apreensão,


caracterizado por tensão ou desconforto derivados de uma antecipação de perigos. As
crianças em geral não reconhecem quando seus medos são exagerados ou
irracionais. Uma maneira prática de diferenciar ansiedade normal de ansiedade
patológica é avaliar se a reação ansiosa é de curta duração, auto limitada e
relacionada ao estímulo do momento. Os sintomas de ansiedade podem ocorrer em
varias outras condições psiquiátricas tais como: depressões, psicoses, transtornos do
desenvolvimento, transtorno hipercinético, entre outros. A causa dos transtornos
ansiosos infantís é muitas vezes desconhecida e provavelmente multifatorial, incluindo

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fatores hereditários e ambientais diversos, com o peso relativo de cada fator variando
de caso a caso (ABC da SAÚDE).

Transtorno da Ansiedade de Separação

Esse é o mais comum dos transtornos de ansiedade, acometendo 4% das


crianças. Caracteriza-se por uma ansiedade não apropriada e excessiva em relação à
separação do lar (pais) ou de figuras importantes cuidadoras para a criança,
inadequada para a fase do desenvolvimento da criança. Essas crianças, quando ficam
sozinhas, temem que algo possa acontecer para elas ou para seus cuidadores que os
afastem definitivamente de si. Demonstram um comportamento excessivo de apego,
não permitindo o afastamento desses ou telefonando repetidamente para eles afim de
tranqüilizar-se sobre seus temores. É comum a ocorrência de recusa escolar. Se a
criança sabe que seus pais vão se ausentar apresenta manifestações somáticas de
ansiedade (dor abdominal, dor de cabeça, náusea, vômitos, palpitações, tonturas e
sensação de desmaio). Em muitos casos de crianças afetadas os pais foram ou são
portadores de algum transtorno de ansiedade (ABC da SAÚDE).

A perturbação tem uma duração mínima de quatro semanas e causa


sofrimento significativo no funcionamento da vida da criança.

Fobias específicas e Fobia social

Exposta ao estímulo fóbico, a criança procura correr para perto de alguém que
a faça sentir-se protegida. Pode apresentar crises de choro, desespero, imobilidade,
agitação psicomotora ou até mesmo ataque de pânico. Os medos mais comuns na
infância são de pequenos animais, injeções, escuridão, altura e ruídos intensos. Essas
fobias diferenciam-se dos medos normais da infância por serem reações excessivas,
não adaptativas e que fogem do controle da criança (ABC da SAÚDE).

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Na fobia social a criança apresenta um medo persistente e intenso de


situações onde julga estar exposta à avaliação de outros, tendendo a sentir-se
envergonhada ou humilhada. Essas crianças relatam desconforto em situações como:
falar em sala de aula, comer junto a outras crianças, ir a festas, escrever na frente de
outras crianças, usar banheiros públicos (ABC da SAÚDE).

NOTA: Os critérios diagnósticos para cada transtorno na infância e adolescência podem


ser encontrados no site: http://virtualpsy.locaweb.com.br (inclui DSM-IV e CID-10).

PERÍCIA PSICOLÓGICA NA ÁREA FORENSE: CONCEITOS BÁSICOS

A questão da resolução da justiça integra diversas áreas de interface com a


prática pericial em Psicologia: Direito, Medicina Legal, Criminologia, Psiquiatria
Forense e Ciências Sociais (a Sociologia Criminal e a Antropologia Criminal).

De acordo com Caires (2003), cada uma dessas matérias tem sua linguagem
própria, sua metodologia e seus pressupostos teóricos específicos. As tarefas do
psicólogo exercidas nas Instituições de Direito são de grande valia, à medida que
podem, com sistematização, não apenas somar entendimentos e subsídios extraídos
dos tantos anos nessas práticas, como também promover, a partir de reflexões e
debates, novas diretrizes do poder judiciário (CAIRES, 2003).

Segundo a autora, compõem o elenco judicial:

O Réu (indiciado, acusado, autor, requerido) – ele é o principal personagem do


elenco penal, ao contrário dos países regidos pelo sistema anglo-saxônico que prioriza
a vítima. O procedimento processual é iniciado com o Interrogatório Judicial (peça
importante do estudo no ato pericial), que, embora seja considerado fonte de prova é,
ou pode ser, primordialmente um meio de defesa.

O Ofendido – as suas declarações são meio de prova, que devem, contudo,


ser vistas com cautela, face ao demasiado interesse do ofendido.

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A Testemunha – assim como o ofendido, suas declarações são meio de prova,


mas também, à semelhança deles, podem estar sendo movidas pelos meandres
peculiares à natureza humana. A análise que se faz de uma situação assistida é
sempre parcial, na medida em que se acentua um aspecto dela em detrimento de
outros, favorecendo a distorções na percepção.

O Perito – a testemunha falará a respeito do que percebeu no momento da


ocorrência do fato, e o perito falará sobre o fato ao estudá-lo, e sempre
retrospectivamente, portanto isento do impacto emocional.

O Advogado – é o defensor, e no nosso código todo indivíduo tem, por direito


constitucional, o direito a defesa. Somente ao defensor é dada a possibilidade de agir
com parcialidade, porque faz parte dos seus recursos de defesa o de deixar-se
envolver pela emoção/comoção.

O Ministério Público – a ele cabe a imparcialidade/impessoalidade na busca


do culpado e não de um culpado; ao contrário do advogado, ele estará inspirado pelo
interesse social e não atado à rede dos sentimentos de um indivíduo/família.

É o promotor, o advogado de acusação, que remete o fato a julgamento


quando de posse de provas contundentes e sérias a favor da culpa, portanto,
substanciado de certeza jurídica. Cabe a ele também, entre suas diversas tarefas,
analisar se o réu se encontra sob defesa correta e pertinente; caso contrário, pode
solicitar a substituição do seu defensor.

Ao Juiz cabe ir formando com serenidade um juízo sobre o fato, a partir dos
elementos da acusação e da defesa, que o fundamentem de convicção jurídica para
que ele possa assimilar as diversas facetas legais do fato e formular uma síntese.

Os assistentes técnicos devem ser profissionais especializados na matéria a


ser peritada e em peritagem. São sempre indicados pelas partes legais (defensoria e
acusação), portanto da confiança delas e compromissados com a ética e tecnicamente
para o andamento legal dos fatos.

Perícia: Alcance e Limites

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Do ponto de vista jurídico, a perícia fica definida como ―exame realizado por
técnicos (profissionais de diversas áreas) a serviço da justiça‖. Dada a complexidade
dos procedimentos legais, essa prática compreende um conjunto de exames
especializados, realizados por profissionais nomeados pelo juiz (CAIRES, 2003).

A função da perícia é proceder a um exame com a finalidade de subsidiar os


julgadores, no estrito esclarecimento dos elementos adstritos às suas profissões, que
são de interesse e relevância no procedimento judicial (FIGUEIRÊDO, s.d.).

Em nosso meio, o papel do psicólogo como perito oficial já é legitimado, há


algumas décadas, na Vara do Menor e da Adolescência (antes como Juizado do
Menor), no Instituto de Medicina Social e Criminologia de São Paulo (IMESC), em
diversas Instituições do Sistema Penitenciário e, principalmente, na Vara da Família e
Sucessão. Nesse caso, o psicólogo realizará a perícia e emitirá o laudo.

Procedência e Modalidades de Perícia Psiquiátrica-Psicológica

Caires (2003) descreve de forma esquemática a procedência dos examinados


e a questão jurídica (quesito) a ser respondida pelo perito, que em geral acompanha a
cópia dos autos do processo, e que é, em última instância, a meta a ser alcançada e
explicitada como procedimento pericial, pois nela repousa a dúvida que impeliu o
Judiciário a recorrer à perícia médico-legal.

Um exemplo:

a. Do direito penal: casos provenientes da Vara Criminal e Vara de Execução


Penal;
Casos: Incidentes de insanidade mental (fase processual)
Incidência de farmacodependência (fase processual)
Questão: Verificação da capacidade de imputação
Verificação do grau e natureza da dependência química

Casos: Solicitação de progressão da pena (fase de execução)

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Sentenciados à Medida de Segurança


Questão: Verificação da eficácia do processo reeducativo, por meio do
―Exame Criminológico‖ (reinserção social/probabilidade de reincidência)
Verificação da cessação de periculosidade (fase de execução
penal)

Perícia Psicológica

Segundo Shine (2003), a palavra ―perícia‖ vem do latim perior, que quer dizer
experimentar, saber por experiência. Consiste num aporte especializado que
pressupõe um conhecimento técnico/científico específico que contribua no sentido de
esclarecer algum ponto considerado imprescindível para o procedimento processual.
Na atuação da Psicologia Forense, na elaboração do laudo e na perícia psicológica,
devem ser observadas algumas etapas necessárias para a elaboração do processo,
conforme segue.

Inicia-se com o estudo das partes do processo:


• Data do delito
• Data da notificação;
• Versão do acusado;
• Versão da vítima;
• Versão das testemunhas.
Na sequência, a importância da Entrevista Psicológica investigando-se:
• Peculiaridades;
• Contrato;
• Relato do ocorrido;
• Dados de anamnese.
Posteriormente, ocorre a avaliação das funções cognitivas:
• Funcionamento global;
• Peculiaridades (ex: cópia de desenho).
Levantam-se dados para uma avaliação de personalidade:
• Uso de técnicas psicológicas.
Relacionam-se os resultados e faz-se análise dos dados apurados:

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• Descrição minuciosa da avaliação.


Etapa conclusiva:
• Relacionar todas as informações colhidas;
• Elaboração do Laudo ou Parecer.

Procedência e modalidades de perícia psiquiátrica-psicológica

Caires (2003) descreve de forma esquemática, a procedência dos examinados


e a questão jurídica (quesito) a ser respondido pelo perito, que em geral acompanha a
cópia dos autos do processo, e que são em última instância a meta a ser alcançada e
explicitada como procedimento pericial, pois nela repousa a dúvida que impeliu o
Judiciário a recorrer à pericia médico-legal:
Um exemplo:
b. Do direito penal: casos provenientes da Vara criminal e Vara de Execução
Penal;
Casos: Incidentes de insanidade mental (fase processual)
Incidência de farmacodependência (fase processual)
Questão: Verificação da capacidade de imputação
Verificação do grau e natureza da dependência química
Casos: Solicitação de progressão da pena (fase de execução)
Sentenciados à Medida de Segurança
Questão: Verificação da eficácia do processo reeducativo, por meio do
―Exame Criminológico‖ (reinserção social/probabilidade de
reincidência)
Verificação da cessação de periculosidade (fase de execução
penal)

DESTITUIÇÃO DO PODER FAMILIAR, DEFINIÇÃO DE GUARDA E


REGULAMENTAÇÃO DE VISITAS

Segundo Rovinski (2007), existe um número significativo de casos relacionados


à disputa do poder familiar sobre os filhos. Uma análise da realidade atual mostra que

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esse índice está diretamente relacionado à crise por que passa a instituição do
casamento.

O Novo Código Civil (2002) garante o poder familiar (anteriormente


denominado pátrio poder) de forma igual para ambos os progenitores, sem alterar as
relações entre pais e filhos com a dissolução da relação conjugal.

Espera-se que, nos casos de rompimento do vínculo conjugal, os pais sejam


capazes de estabelecer, de forma consensual, a quem deverá ser estabelecida a
guarda. Isto é, definir aquele progenitor que será o guardião da criança, com quem
deverá residir e que se tornará prioritariamente responsável pela sua criação e
educação. Ao outro genitor deverá ser garantida uma forma de manutenção do
vínculo, através do estabelecimento de visitas. A instância do judiciário só interferirá à
medida que esse acordo não seja consumado ou em que haja evidências de que um
ou ambos os pais estejam colocando em risco a integridade física ou psíquica da
criança (ROVINSKI, 2007).

Segundo o autor, é necessário chegar a um acordo quanto à definição das


responsabilidades em relação ao suporte emocional e financeiro do filho. No sentido
de preservar o poder familiar por meio de intervenções que valorizem o papel dos pais
na tomada de decisão. Nem sempre os progenitores estão disponíveis ou possuem
capacidade para chegar a um acordo sobre a definição da guarda. Nesses casos, tem-
se observado a solicitação da perícia psicológica por parte do juiz. A solicitação tem
por objetivo esclarecer os conflitos existentes.

A Noção de Competência nas Funções Parentais

Segundo Rovinski (2007), a avaliação da competência para a manutenção do


poder familiar está diretamente relacionada à capacidade dos pais em garantir o bem-
estar de seus filhos.

O Código Civil (2002) no artigo 1.638, diz: Perderá por ato judicial o poder
familiar o pai ou mãe que:

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1. castigar imoderadamente o filho;


2. deixar o filho em abandono;
3. praticar atos contrários à moral e aos bons costumes;
4. incidir, reiteradamente, nas faltas previstas no artigo antecedente.
É preciso buscar, mediante análise de padrões relacionais, a compatibilidade
entre as necessidades da criança e as potencialidades para o atendimento dessas por
parte dos pais. O conceito de competência requer que seja descrito o que um pai (ou
mãe) pensa, faz, conhece e acredita.

Segundo Rovinski (2007), os cuidados parentais devem atender a três grandes


áreas de necessidades da criança:

1. Necessidades de caráter físico-biológico: aqui se inserem os cuidados


de alimentação, temperatura, higiene, sono, atividade física, integridade física e
proteção frente a riscos reais.
2. Necessidades cognitivas: envolve a estimulação sensorial, exploração e
compreensão da realidade física e social, aquisição de um sistema de valores e
normas.
3. Necessidades emocionais e sociais: compreendem as necessidades
sociais e relacionais com o seu contexto (segurança emocional, identidade pessoal e
autoestima, rede de relações sociais, atividades lúdicas, estabelecimento de limites de
comportamento), necessidades sexuais (educação e informação sexual).

Avaliação da Competência Parental

De acordo com Rovinski (2007), espera-se que o psicólogo perito realize


entrevistas individuais com cada progenitor para colher dados de história pessoal, da
relação matrimonial e de sua relação com o filho. A entrevista inicial deve começar
com um convite para que a pessoa fale sobre os motivos que provocaram aquela
avaliação. No decorrer das entrevistas de coleta de dados deverão ainda ser
investigados aspectos referentes a: informações de sua família de origem (relações
familiares, história de vínculos afetivos etc.), história educacional, história de trabalho e

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adaptação atual ao trabalho, tratamento psiquiátrico ou psicológico prévio, outros


problemas médicos, história de problemas com a lei (na infância, adolescência ou na
vida adulta), problemas com o uso de drogas lícitas ou ilícitas, história de abuso
sexual, história prévia da relação conjugal (a atual que se rompeu e anteriores, se
houver), situações especiais de estresse relacionado a si e a seus parentes mais
próximos.

É necessário um número de uma hora a dez ou doze horas para as entrevistas.


No entanto, conseguem-se os dados mais importantes entre duas a três horas da
entrevista.

Existe a necessidade de se colherem dados da relação com a criança. Dados


da vida escolar, como manejam situações-problema, sistema punitivo e de obediência,
hábitos de higiene, história médica, padrões de desenvolvimento desde o nascimento.

Avaliação da Personalidade do Progenitor

Deve-se partir para uma avaliação de personalidade de cada progenitor. São


indicados a aplicação de testes de nível intelectual (WAIS) e de personalidade (MMPI),
TAT, CAT, MMPI, Rorschach, Inventário Fatorial de Personalidade.

Avaliação da Criança

Após a avaliação dos pais, deve-se proceder a avaliação da criança. Rovinski


(2007) sugere que se deve colher dados com a criança sobre sua rotina com cada um
dos progenitores. Sugere que se façam perguntas do tipo: ―como você se sentiria se o
juiz determinasse que você fosse morar com a sua mãe?‖ ou ―e se ele determinasse
que você fosse morar com o seu pai?‖. Em hipótese alguma a pergunta deve ser feita
no sentido de ―Com quem você quer morar?‖. Questões sobre rotina, métodos de
punição ou recompensa podem ser feitas através de exemplos concretos do dia a dia.
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Os testes mais utilizados na avaliação de disputas de guarda são os testes


gráficos (HTTP e Desenho da família), com o uso também da entrevista lúdica.

Perícia Sobre a Definição de Guarda e Visitas

A perícia sobre a definição de guarda e visitas valoriza fundamentalmente as


condutas relacionais entre pais e filhos, é indicado pelos autores que, além das
entrevistas individuais e aplicação de testes, se façam entrevistas conjuntas. Estas
ficam apenas contraindicadas quando há suspeita de abuso sexual ou quando existir
nível muito elevado de ansiedade por parte da criança de defrontar-se com a figura
paterna/materna (ROVINSKI, 2007).

A autora sugere que devem ser feitas entrevistas com terceiros ou também
chamadas de ―contatos colaterais‖, procurando caracterizar as entrevistas com outros
que não fossem aqueles diretamente referidos como parte do processo judicial.
Salienta que essas pessoas são, muitas vezes, da família e sempre próximas à
criança – porque senão não teria sentido entrevistá-las. O importante é que essas
pessoas, chamadas para complementar a avaliação, estejam diretamente
relacionadas ao problema e tenham informações pertinentes para prestar. Após a
avaliação é realizado um laudo com as informações, o qual será encaminhado ao juiz,
que decidirá sobre a regulamentação das visitas.

A Presença de Maus-Tratos e Abuso na Avaliação da Competência Parental

A avaliação deve ser funcional. A avaliação deve ultrapassar a díade e os


próprios conceitos psicológicos, atingindo o contexto social, com os recursos da
família extensiva e da própria comunidade (ROVINSKI, 2007).

Uma das tarefas desse tipo de avaliação seria explicitar as relações causais
da conduta de incompetência parental, de forma a compreender o seu significado.
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Assim, enquanto a verbalização do intenso desejo em permanecer com a criança, ou a


descrição de condutas esperadas no cuidado parental, pode ser interpretada apenas
como um esforço momentâneo ou condutas dissimuladoras, o déficit nas funções
parentais pode ser decorrente de vários fatores que, em função de suas
características, terão repercussões diferenciadas na definição da perda do poder
familiar.

Rovinski (2007) apresenta como exemplo de determinantes causais:

 Estresse relacionado a crises situacionais – condutas inadequadas


manifestadas em reação a circunstâncias situacionais (abandono do marido,
crise econômica) contrárias aos padrões que já vêm de longo período;
 Estresse da situação avaliativa – a conduta parental durante o período de
avaliação pode não ser expressiva da maneira habitual, uma vez que pessoas,
ao se sentirem avaliadas, podem reagir de forma incapacitante;
 Ambivalência – a ambivalência pode não ser verbalizada nem conscientizada
pelos periciados, sendo a manifestação de condutas incapacitantes a
demonstração condutual de tal fenômeno;
 A falta de informações – alguns pais reagem pobremente frente a questões de
sensibilidade quando questionados sobre aspectos de criação de seus filhos.
Porém, essas falhas podem ser decorrentes muito mais da falta de informação
do que de uma incapacidade propriamente dita. Podem ser pais capazes de
apreender condutas mais adequadas;
 Incapacidade ou doença mental – a incapacidade pode estar ligada a estilos
comportamentais, deficiências na capacidade intelectual, doenças mentais ou
transtornos de personalidade entre outros.
Essas relações causais devem servir para explicar a disfuncionalidade da
relação entre pais e filhos.

A Realização do Laudo Psicológico Pericial

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De acordo com Rovinski (2007), o laudo final apresentado pelo psicológico


deve descrever todos os dados levantados e relacioná-los com a questão da
competência parental, finalizando com sugestões quanto à matéria legal que deu
origem ao pedido de avaliação. O perito psicológico realiza um ―julgamento‖ quanto ao
grau de incongruência entre as habilidades parentais e as necessidades da criança,
pois são a partir da identificação de compatibilidades e de incompatibilidades que se
realizarão as sugestões quanto às condições de exercer o poder familiar. Em alguns
casos, pode-se chegar à conclusão de que a criança não estará segura com nenhum
de seus progenitores, sendo necessário colocar junto às sugestões a falta de
condições dos pais para o cuidado com a criança.

Segundo Rovinski (2007), a decisão da retirada do poder familiar é uma


decisão em que o prejuízo que a criança possa sofrer justifica a intervenção estatal –
frente a uma relação considerada única, quanto à intimidade e à privacidade. A
tomada de decisão quanto à retirada do poder familiar dos pais (ou de um deles),
envolve um julgamento a partir de inúmeros fatores.

Cabe ao perito psicólogo apresentar evidências empíricas do bem-estar da


criança, deixando o julgamento final para o juiz. É preciso considerar o momento atual
do nível de cuidados parentais frente à criança; e, também, fazer previsões sobre o
efeito da retirada do poder familiar de seus pais em sua vida futura, quando então
essa relação já estará irremediavelmente danificada.

De acordo com Rovinski (2007), no âmbito moral, o psicólogo não deve ir além
de descrever essas relações entre pais e filhos, além de descrever ou oferecer
sugestões sobre a situação imediata, as consequências previsíveis da retirada ou
manutenção do poder familiar, evitando-se as especulações que os próprios dados
não permitem.

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DROGADIÇÃO

Em todas as sociedades sempre existiram drogas. Entendem-se assim


produtos químicos, de origem natural ou de laboratório, que produzem efeitos sentidos
como prazerosos, sobre o sistema nervoso central. Estes resultam em alterações na
mente, no corpo e na conduta. Na verdade, os homens sempre tentaram modificar o
humor, as percepções e as sensações por meio de substância psicoativas, com
finalidades religiosas ou culturais, curativas, relaxantes ou simplesmente prazerosas
(BUCHER, 1995 apud AZEVEDO, 2000).

O ser humano sempre procurou fugir de sua condição natural cotidiana,


empregando substâncias que aliviassem seus males ou que propiciassem prazer. À
semelhança de alguns animais, usuários intermitentes de drogas, o homem primitivo
aparentemente mostrou-se portador de determinada sabedoria, como se uma fronteira
separasse o possível do perigoso (CALANCA, 1991 apud AZEVEDO, 2000). Com o
passar dos séculos, esse tipo de autorregulação, esse senso inato de limites
desapareceu.

O recurso às drogas, inicialmente de cunho religioso ou médico, disseminou-se


com o homem nas suas migrações marginalizando-se ou tornando-se culturalmente
aceitável ou até mesmo banal. Numa perspectiva histórica, podemos dizer que a droga
tornou-se um problema de saúde pública a partir da metade do século XIX
(BERGERET, 1991 apud AZEVEDO, 2000).

Antigamente, tais usos faziam parte de hábitos sociais e ajudavam a integrar as


pessoas na comunidade por meio de cerimônias, rituais e festividades. Eles não se
mostravam tão perigosos, pois estavam sob o controle da coletividade. Hoje, tais
costumes encontram-se esvaziados em consequência das grandes mudanças
socioeconômicas e os prejuízos do consumo vêm se mostrando graves (AZEVEDO,
2000).

De acordo com Azevedo (2000), o consumo de substâncias que possuem a


capacidade de alterar estados de consciência e modificar o comportamento parece ser
um fenômeno universal da humanidade. Problemas relacionados ao abuso de

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determinadas substâncias narcóticas já têm ocorrido desde o fim do século passado e


já eram alvo da preocupação internacional. Naquela época, porém, o número de
substâncias disponíveis com potencial para uso problemático era bem menor.

Inicialmente marginal, concentrado em determinadas regiões do planeta, o


fenômeno disseminou-se no mundo inteiro predominando nos países industrializados.
Ambas as guerras mundiais vieram sucedidas pelo consumo de drogas pesadas pelos
adultos. Após os anos 1960, a droga atingiu uma população cada vez mais jovem,
num movimento de crítica a todo sistema ocidental de valores (CALANCA , 1991 apud
AZEVEDO, 2000).

Na atualidade, convivemos com um crescimento significativo no consumo de


substâncias psicoativas, que vem acompanhado do uso em idades cada vez mais
precoces e do desenvolvimento de substâncias novas e vias de administração
alternativas de produtos já conhecidos, com incremento nos efeitos e aumento no
potencial de desenvolvimento de dependência, como temos observado no consumo de
cocaína pela via pulmonar, na forma de crack (AZEVEDO, 2000).

A sociedade como um todo tem se questionado sobre as motivações deste


aumento no uso de substâncias psicoativas – SPAs. Parte das justificativas apoiam-se
no contexto sociopolítico que reforça os valores baseados no consumismo e prazer
imediatista, associado à pauperização de importante parcela da população em todo o
mundo. Apesar disto, tal explicação mostra-se insuficiente quando temos diante de
nós um adolescente que, intoxicado, coloca-se como incapaz de conseguir pensar sua
vida longe de sua substância de escolha. Considera-se, portanto, que muito há a
compreender deste trinômio sujeito-droga-momento de vida para que se possa de fato
oferecer-lhes algo que lhes faça um maior sentido do que a anestesia efêmera e cara
proporcionada pelos produtos psicoativos. Na atualidade, dependência química,
toxicomania, drogadição, são alguns dos termos utilizados pra nomear esta situação
clínica, bastante prevalente e, muitas vezes, grave (AZEVEDO, 2000).

Tal variedade de nomenclaturas indica estarmos lidando com uma área que
traz em si uma multiplicidade de concepções e ideologias, ora aproximam-se da
Medicina, ora do Direito, ora da Antropologia, ora da Psicologia e de algumas outras
áreas; mostrando que, neste campo, ainda temos mais perguntas do que respostas,

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embora a pluridisciplinaridade venha contribuindo com uma ampliação na


compreensão da relação do homem com as drogas.

Em função disso e com o objetivo de tentar explicitar os termos aqui utilizados,


a seguir serão sumarizados alguns conceitos para a compreensão do tema proposto,
bem como para o desenvolvimento deste trabalho (AZEVEDO, 2000).

Droga ou substância psicoativa – Substâncias que, ao entrarem em contato


com o organismo, sob diversas vias de administração, atuam no sistema nervoso
central produzindo alterações de comportamento, humor e cognição, possuindo
grande propriedade reforçadora sendo, portanto, passíveis de autoadministração
(OMS, 1981 apud AZEVEDO, 2000). Segundo Olivenstein (1982 apud AZEVEDO,
2000), são substâncias utilizadas na busca de alívio de tensões internas, como
angústia ou tristeza.

As duas definições, embora não excludentes, trazem dois aspectos


fundamentais na área da drogas: a ação química do produto e a motivação individual
para utilizá-lo.

Assim estabelecida a definição de ―droga‖, podemos tentar compreender as


relações do indivíduo com estes produtos.

Segundo a OMS (1974 apud AZEVEDO, 2000), os principais motivos para


experimentação de SPAs são:

a - satisfação de curiosidade a respeito dos efeitos das drogas;

b - necessidade de participação em um grupo social;

c - expressão de independência;

d - ter experiências agradáveis, novas e emocionantes;

e - melhora da ―criatividade‖;

f - favorecer uma sensação de relaxamento;

g - fugir de sensações / vivências desagradáveis.

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Ainda segundo a Organização Mundial da Saúde (1981 apud AZEVEDO,


2000), os principais fatores de risco para o consumo são:

a - indivíduos sem adequadas informações sobre os efeitos das drogas;

b - com uma saúde deficiente;

c - insatisfeitos com sua qualidade de vida;

d - com personalidade deficientemente integrada;

e - com fácil acesso às drogas.

Classificação das Substâncias Psicoativas

As substâncias psicoativas podem ser classificadas sob vários pontos de vista.

A primeira forma aqui apresentada é a classificação legal que divide as


substâncias psicoativas em:

Lícitas - A atual legislação brasileira permite o consumo e a venda de tabaco,


bebidas alcoólicas e medicamentos psicotrópicos, sendo os dois últimos sob algumas
restrições.
Ilícitas - As demais substâncias utilizadas como ―drogas‖ são consideradas de
consumo, porte e venda ilegais, de acordo com a Lei 6.368 de 21 de outubro de 1976,
que ―dispõe sobre medidas de prevenção e repressão ao tráfico ilícito e uso indevido
de substâncias entorpecentes ou que determinem dependência física ou psíquica‖
(GRECOFILHO, 1992 apud AZEVEDO, 2000).
A segunda forma aqui trazida para classificar as substâncias psicoativas,
divide-as de acordo com a sua ação no sistema nervoso central (SNC), como a seguir
(LARANJEIRA; NICASTRI, 1996 apud AZEVEDO, 2000):
1. Depressores da atividade do SNC: substâncias que tendem a produzir
diminuição da atividade motora, da reatividade à dor e da ansiedade, sendo comum
um efeito euforizante inicial (diminuição das inibições, da crítica) e um aumento da

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sonolência, posteriormente. São exemplos desta classe: álcool, benzodiazepínicos,


barbitúricos, opiáceos e solventes.
2. Estimulantes da atividade do SNC: substâncias que levam a um aumento do
estado de alerta, insônia e aceleração dos processos psíquicos. São exemplos desta
classe: cocaína, anfetaminas, nicotina e cafeína.

3. Perturbadores da atividade do SNC: substâncias que provocam o surgimento


de diversos fenômenos psíquicos anormais (dentre os quais alucinações e delírios),
sem que haja inibição ou estimulação globais do SNC. São exemplos desta classe:
cannabis e derivados, LSD25, ecstasy e anticolinérgicos.

Dados do Boletim Epidemiológico de DST/AIDS (1996) indicam que o uso de


SPAs tem se constituído em um dos principais problemas de saúde pública no estado
de São Paulo, especialmente na população jovem, e demonstra um contínuo aumento
de consumo dessas substâncias nesta população. Scivoletto e Andrade (1999 apud
AZEVEDO, 2000) referem que os levantamentos epidemiológicos, nacionais e
internacionais, mostram que, apesar da existência de tendência de manutenção ou até
redução do consumo de SPAs em geral, está crescendo o consumo de cocaína entre
adolescentes, principalmente de cocaína fumada (crack). Ainda que a proporção de
usuários de cocaína seja menor do que o verificado para outras drogas, como os
solventes e maconha, por exemplo, preocupa a velocidade com que este aumento
vem ocorrendo (AZEVEDO, 2000).

Não se pode esquecer, porém, que nem todo consumo de SPAs é


problemático em si, havendo situações clínicas e critérios diagnósticos para tentar
sistematizar e homogenizar a compreensão do espectro que associa o homem, o
consumo de drogas e a sua gravidade. No segundo sentido, a modificação dos
critérios deu-se por meio de uma valorização dos critérios qualitativos, que dizem
respeito à relação de prioridade que o sujeito estabelece com a droga em detrimento
de critérios quantitativos, que, em geral, dividiam as dependências em físicas e
psíquicas com alguma hierarquia dos critérios físicos, como tolerância e sintomas de
abstinência (AZEVEDO, 2000).

De acordo com o DSM-IV (1995 apud AZEVEDO, 2000) os critérios para que
seja considerado abuso de substâncias, é:

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A. Um padrão mal adaptativo de uso de substância levando a prejuízo ou sofrimento


clinicamente significativo, manifestado por um ou mais dos seguintes aspectos,
ocorrendo dentro de um período de 12 meses:

 uso recorrente da substância resultando em um fracasso em cumprir


obrigações importantes relativas ao seu papel no trabalho, na escola ou
em casa.

 uso recorrente da substância em situações nas quais isto representa


perigo físico.

 problemas legais recorrentes relacionados à substância.

 uso continuado da substância, apesar de problemas sociais ou


interpessoais persistentes ou recorrentes causados ou exacerbados
pelos efeitos da substância.

B. Os sintomas jamais satisfizeram os critérios para dependência da substância para


esta classe de substância.

Os critérios diagnósticos para a dependência de SPAs evoluíram


significativamente em dois sentidos: o primeiro deles diz respeito à criação de critérios
globais para a dependência de substâncias psicoativas, independentemente de serem
elas lícitas ou ilícitas; os critérios são, portanto, mais gerais, havendo apenas a
especificação do tipo de substância por um caráter que a designa, como estabelecido
no CID-10.

Síndrome de Dependência (CID-10, 1993 apud AZEVEDO, 2000)

Conjunto de fenômenos fisiológicos, comportamentais e cognitivos, no qual o


uso de uma substância ou uma classe de substâncias alcança uma prioridade muito
maior para um indivíduo que outros comportamentos que antes tinham maior valor. O
CID-10 propõe as seguintes diretrizes para o diagnóstico.

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Presença de pelo menos três ou mais critérios durante o ano anterior:

a) um forte desejo ou senso de compulsão para consumir a substância;

b) dificuldades em controlar o comportamento de consumir a substância em


termos de seu início, término ou níveis de consumo;

c) um estado de abstinência fisiológico quando o uso da substância cessou ou


foi reduzido, como evidenciado por: síndrome de abstinência característica para a
substância ou uso da mesma com a intenção de aliviar ou evitar sintomas de
abstinência;

d) evidência de tolerância, de tal forma que doses crescentes da substância


são requeridas para alcançar efeitos originalmente produzidos por doses mais baixas;

e) abandono progressivo de prazeres ou interesses em favor do uso da


substância psicoativa, aumento da quantidade de tempo necessário para obter ou
tomar a substância ou para se recuperar de seus efeitos;

f) persistência no uso da substância a despeito de evidência clara de


consequências nocivas.

Dependência de Substância (DSM-IV, 1995 apud AZEVEDO, 2000)

A. Um padrão mal-adaptativo de uso de substância, levando a prejuízo ou


sofrimento clinicamente significativo, manifestado por três ou mais dos seguintes
critérios, ocorrendo a qualquer momento no mesmo período de 12 meses:

Tolerância, definida por qualquer dos seguintes aspectos:

- uma necessidade de quantidades progressivamente maiores da substância


para adquirir a intoxicação ou efeito desejado;

- acentuada redução do efeito com uso continuado da mesma quantidade de


substância.

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Abstinência, manifestada por qualquer dos seguintes aspectos:

- síndrome de abstinência característica para a substância;

- a mesma substância (ou uma estreitamente relacionada) é consumida para


aliviar ou evitar sintomas de abstinência.

- a substância é frequentemente consumida em maiores quantidades ou por


um período mais longo do que o pretendido;

- existe um desejo persistente ou esforços mal-sucedidos no sentido de reduzir


ou controlar o uso da substância;

- muito tempo é gasto em atividades necessárias para obtenção da substância,


na sua utilização ou na recuperação de seus efeitos;

- importantes atividades sociais, ocupacionais ou recreativas são abandonadas


ou reduzidas em virtude do uso da substância;

- o uso da substância continua, apesar de haver um problema físico ou


psicológico persistente ou recorrente que tende a ser causado ou exacerbado pela
substância.

Segundo Olivenstein (1989 apud AZEVEDO, 2000), no sentido amplo, a


toxicomania é a resultante da interação de três elementos:

- a substância psicoativa, com suas propriedades farmacológicas, sejam elas


de entorpecimento ou euforia;

- o sujeito, com características de personalidade não redutíveis a uma


estrutura psicopatológica estanque, mas com um conjunto dinâmico de elementos em
que a fragilidade egoica desempenha um papel fundamental (SILVEIRA, 1995 apud
AZEVEDO, 2000);

-o contexto sociocultural onde se realiza este encontro do indivíduo e a


droga.

Os toxicômanos se caracterizam por um padrão de uso de drogas em que o


elemento dependência assume papel de destaque na relação dual indivíduo-droga. O
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toxicômano é um indivíduo que se vê diante de uma realidade objetiva e subjetiva


insuportável a qual não consegue modificar ou a ela adaptar-se. A conduta
toxicomaníaca apresenta-se então como alternativa para a situação: diante da
impotência completa frente a uma realidade insuportável, somente lhe resta como
recurso a modificação da percepção dessa realidade por meio da utilização da droga.
Nessa fase a droga cumpre o seu papel viabilizando a existência do toxicômano
(SILVEIRA, 1986 apud AZEVEDO, 2000).

O critério da abstinência era um dos mais valorizados no diagnóstico da


dependência a uma SPA até a década de 1970; atualmente, com a priorização dos
critérios psíquicos, teve seu valor redimensionado, principalmente devido ao
crescimento do consumo de substâncias como a cocaína, que apresentam importante
potencial de desenvolvimento de dependência, porém, com uma sintomatologia física
pobre na fase de abstinência se comparada com substâncias depressoras do SNC.
Por outro lado, ampliou-se o conceito de abstinência, que abarca hoje também os
sintomas psíquicos surgidos na redução ou parada do consumo de uma determinada
substância psicoativa.

Estado de Abstinência (CID-10, 1993 apud AZEVEDO, 2000)

Um conjunto de sintomas, de agrupamento e gravidade variáveis, ocorrendo


em abstinência absoluta ou relativa de uma substância, após uso repetido e
usualmente prolongado e/ou uso de altas doses daquela substância. O início e curso
do estado de abstinência são limitados no tempo e relacionados ao tipo de substância
e à dose que vinha sendo utilizada imediatamente antes da abstinência. O estado de
abstinência pode ser complicado por convulsões.

Abstinência de Substância (DSM-IV, 1995 apud AZEVEDO, 2000)

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A. Desenvolvimento de uma síndrome específica à substância devido à


cessação (ou redução) do uso pesado e prolongado da substância.

B. A síndrome específica à substância causa sofrimento ou prejuízo


clinicamente significativo no funcionamento social, ocupacional ou outras áreas
importantes da vida do indivíduo.

C. Os sintomas não se devem a uma condição médica geral nem são mais
bem explicados por outro transtorno mental.

Tratamento

O aspecto fundamental na abordagem terapêutica das dependências químicas


repousa na adequada definição do diagnóstico e dos objetivos do tratamento. Tal
colocação, à primeira vista óbvia, na realidade aborda alguns dos pontos cruciais
nesta área (AZEVEDO, 2000).

O cuidadoso estabelecimento do diagnóstico, realizado por meio de uma


minuciosa anamnese psiquiátrica, com especial ênfase na relação do usuário com o(s)
seu(s) produto(s), os fatores desencadeantes e atenuantes do quadro, além do padrão
de consumo, avaliação da existência de comorbidades e avaliação do estado mental e
físico são fundamentais por estarmos tratando de uma situação clínica que tem
interfaces com as questões legais e sociais em que está inserido o sujeito. Além disso,
o clareamento da visão de tratamento por todos os envolvidos é fundamental
(AZEVEDO, 2000).

A tentativa de estabelecer o mais precisamente possível as expectativas


investidas no tratamento, tanto para o indivíduo, como para sua família, e por que não
dizer para o profissional ou instituição que se propõe a auxiliá-lo no percurso do
tratamento, evita ou ao menos minimiza o risco de que cada agente envolvido no
tratamento caminhe num sentido diferente e por vezes contrário aos demais, gerando
grande sofrimento para o dependente e sua família (AZEVEDO, 2000).

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De acordo com Azevedo (2000), as principais possibilidades terapêuticas


serão, portanto, definidas a partir das avaliações supracitadas, podendo constar de:

 Abordagens baseadas na reestruturação da personalidade e compreensão


psicodinâmica das dependências, podendo ser de caráter individual, grupal
e/ou familiar;
 Abordagens que compreendem a dependência química como um aprendizado
e, portanto, as tratam por intermédio de técnicas cognitivas que podem ser de
caráter individual ou grupal;
 Abordagens medicamentosas, que se propõem a tratar a intoxicação e a
abstinência, uso de produtos de substituição e tratamento das comorbidades
que possam estar presentes;
 Abordagens de autoajuda, de caráter grupal, que visam a manutenção da
abstinência utilizando recursos de fortalecimento da rede social e modelos
identificatórios.
Tais possibilidades terapêuticas podem ser utilizadas unitariamente,
associadas entre si ou com outras possibilidades de abordagem dentro de uma gama
extensa de propostas que busca, em última análise, propiciar ao dependente o modelo
terapêutico que mais se adéque às suas características de personalidade e momento
de vida (AZEVEDO, 2000).

De acordo com Azevedo (2000), há basicamente dois “momentos” no


tratamento da dependência química:

- a desintoxicação, que compreende o processo de retirada da(s) droga(s),


que, na maior parte dos casos, poderá ser de caráter ambulatorial. O processo de
retirada, gradual ou abrupto, levará em conta o tipo de droga, o padrão de consumo e
o indivíduo que a utiliza; para tal, poderão ser utilizados medicamentos de substituição
ou fármacos que visem atenuar os sintomas de abstinência; e

- a manutenção, que consiste no tratamento propriamente dito, já que aqui o


sujeito irá reavaliar sua relação com o produto e as modificações objetivas e subjetivas
que deverá empreender para manter sua meta de abstinência ou uso controlado.
Nesta fase poder-se-á lançar mão de um arsenal de técnicas de caráter individual,
grupal, familiar e outros, como supracitado. Embora existam várias alternativas
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terapêuticas em dependência química, tem-se tentado estabelecer, por meio do


acompanhamento sistemático de instituições de tratamento e seguimento em longo
prazo de dependentes, algumas diretrizes a serem levadas em conta nesta área.

A seguir, algumas sistematizações relevantes no manejo do dependente são


expostas:

Segundo Washton (1989 apud AZEVEDO, 2000), as principais dificuldades no


tratamento do dependente são:

- expectativas irreais a respeito do processo terapêutico;

- manutenção do consumo mesmo após o início do tratamento;

- recaídas muito frequentes;

- características peculiares de algumas drogas (compulsão, sintomas de


abstinência).

O autor propõe que os integrantes do tratamento eficaz da dependência


consistem em: estrutura definida de tratamento; processo terapêutico em etapas;
abstinência completa de substâncias psicoativas; inclusão de aspectos
psicoeducacionais; envolvimento de familiares no tratamento; análises toxicológicas e
terapia de grupo.

As etapas da promoção de abstinência, segundo Washton (1989 apud


AZEVEDO, 2000) são: identificação de desencadeantes externos e internos do desejo
de usar a droga e criar estratégias para evitá-lo, estruturação de uma nova rotina de
substituição aos rituais de obtenção e consumo de droga, psicoeducação dirigida a
fatores relacionados ao uso compulsivo.

De acordo com Leite e Cabral (1999 apud AZEVEDO, 2000) há indicações de


tratamento hospitalar para dependentes químicos: paciente com ameaça de suicídio
ou comportamento autodestrutivo; paciente heteroagressivo; presença de
complicações clínicas importantes; uso de substância(s) que requeira(m) abstinência
assistida; falhas recorrentes na abstinência a nível ambulatorial; ausência ou escassez
de suporte social.

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Finalizando, FocchI et al. (1999 apud AZEVEDO, 2000) sintetizam alguns


fatores preditivos para um bom prognóstico no tratamento da dependência a SPAs:
pacientes que procuram tratamento voluntariamente, reconhecendo o seu problema,
suas consequências e sua gravidade, evoluem melhor que aqueles que se veem
obrigados pela família, justiça ou empregador e negam ou minimizam o seu problema
com drogas; pacientes que tomam a responsabilidade de sua recuperação para si
evoluem melhor que aqueles que colocam a responsabilidade no programa ou no
clínico, esperando uma cura rápida; pacientes que têm uma história de bom
funcionamento, incluindo um emprego e vida familiar estáveis além de ausência de
problemas psiquiátricos prévios, evoluem melhor que aqueles que têm uma história de
funcionamento errático, relacionamentos destrutivos e tumultuados e o uso de muitas
drogas diferentes, como automedicação para sintomas depressivos, disfóricos e outros
estados negativos do humor; pacientes que demonstram disposição e habilidade para
seguir as requisições do tratamento, especialmente no cumprimento do contrato,
evoluem melhor do que aqueles que barganham as regras e tendem a fazer quase
tudo da sua forma particular.

ADOÇÃO

O processo de adoção revela-se como um dos mais importantes na área da


Infância e da Juventude, posto que objetiva a colocação de criança ou adolescente em
lar substituto, de forma definitiva e irrevogável. Revela-se, desta forma, como um
processo que requer ―certo conhecimento da lei, compreensão do desenvolvimento
emocional do ser humano a partir do início da vida e também experiência no estudo
social do caso‖ (MOTTA, 2000 apud FERREIRA, 2001)

Segundo Ferreira (2001), o processo de adoção, na maioria das vezes, requer


uma fase preliminar de preparação e inscrição das partes interessadas em adotar
(cadastro de interessados à adoção) bem como da situação da criança ou do
adolescente a ser adotado, o que revela sua peculiaridade diante do sistema legal.

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Diante da situação revelada durante a instrução do processo de adoção, muitas


vezes torna-se necessária a continuidade da intervenção da Justiça Menorista, mesmo
após a constituição do vínculo adotivo, com o acompanhamento do caso (FERREIRA,
2001).

De acordo com Ferreira (2001), a intervenção técnica no processo adotivo é


complexa, assumindo uma visão multifocal do problema, ou seja, não só dos
pretendentes à adoção, mas também (e principalmente) das crianças e adolescentes
adotáveis e em fases distintas, podendo ser consideradas:

 Fase extraprocessual:

a) quando do cadastro dos interessados à adoção, analisando o casal


pretendente (pré-processual);

b) quando da análise da situação da criança ou do adolescente que necessita


ser colocado em lar substituto (adoção pré-processual);

c) na hipótese de acompanhamento posterior ao deferimento da adoção (pós-


processual)

 Fase processual:

Quando a intervenção técnica ocorre durante a tramitação do processo de


adoção em Juízo.

A intervenção técnica no processo adotivo tem por objetivo específico verificar


se os requerentes reúnem condições sociais e psicológicas para assumirem a adoção
e se é caso da criança ou o adolescente ser colocado à disposição para adoção
(FERREIRA, 2001).

A adoção é um instituto jurídico que procura imitar a filiação natural. Ela pode
ter sua base na pluralidade de vontades, como no caso da adoção pelo sistema do
Código Civil, quanto pode ter sua base na sentença judicial que pressupõe o devido
processo legal, como no caso da adoção do Estatuto da Criança e do Adolescente.

Nosso sistema jurídico conhece dois tipos de adoção: a plena, prevista no ECA
para os menores de dezoito anos de idade, e a do CC/02 para os maiores de dezoito
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anos. A primeira confere ao adotado a mesma posição da filiação biológica, pois


insere o adotado definitiva e exclusivamente na nova família.

A natureza jurídica da adoção mudou de finalidade, que anteriormente era a de


atender a interesses religiosos dos adotantes, e passou a ser a de atender aos
interesses do adotado, objetivando dar-lhe um lar, uma família. Por outro lado, vale
lembrar que a adoção só será deferida quando apresentar reais vantagens para o
adotando e fundar-se em motivos legítimos (art. 43, ECA).

O processo de adoção no Brasil tem relação em primeira instância com o


abandono de crianças devido às desigualdades sociais. Fonseca (1995, p. 15-16)
afirma que: ―Vivemos numa sociedade de classes onde as desigualdades sociais
econômicas e políticas ultrapassam os limites da imaginação. Essas desigualdades
são responsáveis pela situação de ‗apartação‘ reinante, em que, muitas vezes, ‗rico‘ e
‗pobre‘ só se encontram em situação de faxina ou assalto. De um lado, condomínios
de luxo, rodeados de grades de ferro, de outro, favelas que se estendem até os quatro
horizontes, levando à justaposição, na mesma sociedade, de modos de vida
radicalmente diferentes um do outro. É responsabilidade de todo cidadão zelar pela
erradicação desta desigualdade, resultado de estruturas políticas e econômicas
perversas‖.

O Histórico da Família

A família natural é construída por laços de consanguinidade e a substituta vem


em segundo plano, substituindo a primeira. A família substituta, por sua vez, não é
inferior à natural, mas, se o menor puder ser criado e educado por parentes de
sangue, a lei acatará e não será favorável à inserção da criança na família substituta.

Então, depois de toda formalidade no momento da adoção, que consiste num


compromisso prestado nos próprios autos e que se materializa por meio de assinatura
de termo pelo qual o juiz mediante ―termo nos autos‖ dará deferimento para que o

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responsável tenha a guarda da criança. Entretanto, quando o cidadão adota um


menor, ele também tem as pretensões referentes ao filho adotado.

Como afirma Fonseca (1995), ―Certamente as pessoas esperam que os filhos


adotivos lhes deem a mesma satisfação que seus próprios rebentos pela vida afora –
talvez até mais, pois se acredita que as crianças adotadas ‗devam mais‘ a essas
pessoas que cuidam delas por caridade e não por obrigação. Não há dúvida de que
esperam que essas crianças lhes sirvam de amparo na velhice – uma
responsabilidade filial extremamente importante em um país que não lhes oferece nem
aposentadoria eficaz nem seguro para idosos‖.

O Compromisso da Família Substituta

A adoção é uma das modalidades de colocação em família substituta que


desponta no ordenamento jurídico como a mais importante, quer pela sua natureza,
quer finalmente pelos seus inevitáveis efeitos jurídicos e fáticos.

A colocação do menor em família substituta será feita mediante guarda, tutela


ou adoção. Segundo o art. 32 do Código Civil, ao assumir a guarda ou a tutela, o
responsável prestará compromisso de bem e fielmente desempenhar o encargo
mediante termo nos autos. Deve-se lembrar que a adoção é uma modalidade de
colocação em família substituta extremamente distinta da guarda e da tutela, pois
aquela é detentora de um perfil legal próprio que, por essa razão, faz situá-la em grau
de importância das demais.

O adotante, uma vez deferida à adoção, passará a figurar como verdadeiro pai
ou mãe do adotado, recebendo, por conta do ordenamento jurídico, a missão de criá-lo
e educá-lo adequadamente, além de ministrar-lhe toda a assistência moral e material
exigida pelo Estatuto.

A Guarda e a Tutela no Estatuto da Criança e do Adolescente

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A guarda é um instituto destinado à proteção dos menores de vinte e um anos


de idade, sendo ela um dos componentes do pátrio poder, podendo, em casos
excepcionais, ela ser dissociada e entregue a terceiro ou a apenas um dos pais o
direito de ter consigo o filho menor e, consequentemente, o encargo de prestar-lhe
assistência material, moral e educacional. Segundo Guimarães (2000, p. 16): ―se, em
um determinado caso concreto levado à apreciação judicial, em que se discute a
guarda de uma criança ou adolescente, as questões levantadas forem relativas ao
exercício do pátrio poder sem, contudo, significarem violação aos direitos contidos no
Estatuto da Criança e do Adolescente, o caso deve ser tratado pelo juízo de família‖.
É, como afirma o ECA, no art. 39: ―A adoção de criança e de adolescente reger-se-á
segundo o disposto nesta Lei‖.

No entanto, as questões levadas ao conhecimento do judiciário se traduzem


em violação ou ameaça aos referidos direitos; o caso deverá ser examinado pelo Juízo
da infância e da juventude. Como diz Guimarães, ―o fato de haver disputa entre os
pais pela guarda do filho, que determinará a competência do Juízo da Família para
tratar do caso; contudo, se houver discussão de questões que importem violação dos
referidos direitos fundamentais, a competência será da justiça da Infância e da
Juventude‖.

A tutela é o conjunto de poderes e encargos conferidos pela lei a um terceiro,


para que zele pela pessoa de um menor que se encontra fora do pátrio poder, e lhe
administre os bens, tratando-se de um instituto de nítido caráter assistencial, com o
objetivo de substituir o pátrio poder.

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FALSAS MEMÓRIAS

De acordo com Lopes e Gesu (2007) no que diz respeito às falsas memórias,
são praticamente inexistentes os estudos sobre o tema e os graves inconvenientes
que elas podem trazer na formação e valoração da prova jurídico-penal.

Os primeiros estudos acerca da falsificação da memória surgiram no início do


Século XX, com Binet, em 1900, na França, e com Stern, em 1910, na Alemanha.
Estes autores realizaram os primeiros experimentos demonstrando a ilusão ou a
falsificação da lembrança em crianças. Mais tarde, em 1932, Bartlett investigou, pela
primeira vez, o fenômeno em adultos (LOPES E GESU, 2007).

Loftus apareceu nos anos 70. Entretanto, o que fez dela uma das maiores
autoridades sobre o tema foi a introdução de uma nova técnica para o estudo das
falsas memórias, consistente na sugestão da falsa informação. Cuida-se da inserção
de uma informação não-verdadeira em meio a uma experiência realmente vivenciada,
produzindo o chamado efeito ―falsa informação‖, no qual o sujeito acredita
verdadeiramente ter passado pela experiência falsa (LOPES E GESU, 2007).

Loftus chegou a conclusão, através de experimentos com mais de 20 mil


pessoas, que a informação incorreta pode se imiscuir em nossas lembranças quando
falamos com outras pessoas, somos interrogados de maneira evocativa ou quando
uma reportagem nos mostra um evento que nós próprios vivemos (LOPES E GESU,
2007).

Inicialmente pensava-se que as falsas memórias estavam relacionadas a um


processo inconsciente ou involuntário de ―inflação da imaginação‖ sobre um
determinado evento. As pessoas expostas à desinformação alterariam a memória de
maneira previsível ou espetacular, mas sempre de forma dirigida, isto é, não
espontaneamente. Contudo, Stein e Pergher alertaram para um novo fator,
considerando também ser possível a formação de uma falsa memória
espontaneamente ou através de auto-sugestão (LOPES E GESU, 2007).

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De acordo com Lopes e Gesu (2007) algumas pessoas estão mais suscetíveis
à formação das falsas lembranças, geralmente aquelas que sofreram algum tipo de
traumatismo ou lapso de memória. Contudo, através da observação casuística e de
estudos de experimentação, as crianças foram historicamente avaliadas como mais
vulneráveis à sugestão, pois a tendência infantil é justamente a de corresponder às
expectativas do que deveria acontecer, bem como às expectativas do adulto
entrevistador.

Binet verificou numerosos erros involuntários de crianças submetidas a testes


de recordação, concluindo que o grau de sugestionabilidade das crianças mais jovens
é significativamente mais alto, em razão de dois fatores diferentes: a) cognitio ou auto-
sugestão, porque a criança desenvolve uma resposta segundo sua expectativa do que
deveria acontecer; b) e outro social, que é o desejo de se ajustar às expectativas ou
pressões de um entrevistador. Isso veio demonstrar a fragilidade da memória infantil,
em termos de sugestionabilidade (LOPES E GESU, 2007).

Assim, há um alerta generalizado para o depoimento infantil. Disso tudo resulta


que a obtenção de informações precisas de crianças é uma tarefa bastante árdua,
tendo em vista que: 1) as crianças não estão acostumadas a fornecer narrativas
elaboradas sobre suas experiências; 2) a passagem do tempo dificulta a recordação
de eventos; e 3) pode ser muito difícil reportar informações sobre eventos que causam
estresse, vergonha ou dor (LOPES E GESU, 2007).

Além disso, conforme já foi salientado anteriormente, a tendência infantil é de


se adaptar à expectativa do entrevistador, a fim de demonstrar cooperação com o
adulto, razão pela qual raramente responde que não sabe (LOPES E GESU, 2007).

Soma-se a isso o fato de a credibilidade e a confiabilidade do relato das


crianças estarem abaladas pelas convicções prévias do entrevistador acerca da
ocorrência do evento, pois há clara tendência para moldar a entrevista de forma a
maximizar as revelações consistentes com suas convicções, não desafiando ou dando
a devida importância ao relato da vítima que não seja condizente com ela (LOPES E
GESU, 2007).

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A criança tende a ser desafiada pelo entrevistador quando o seu relato for
incongruente com a convicção inicial dele. O fato é que se o entrevistador está
previamente convicto acerca da ocorrência do delito, certamente vai dirigir todos os
questionamentos de modo a confirmá-lo, sem investigar ou explorar qualquer outra
hipótese, demonstrando um imenso grau de contaminação do relato (LOPES E GESU,
2007).

O tema é complexo e de fundamental importância, na medida em que os atores


judiciários lidam constantemente com as recordações das pessoas para obter provas
de um determinado delito e para realizar reconhecimentos pessoais ou por fotografias,
sejam elas vítimas, testemunhas ou apenas informantes. É preciso que tenham ciência
e consciência do fenômeno, possam identificá-lo e, por fim, estejam preparados para
lidar com ele, criando mecanismos que sirvam para suavizar a situação (LOPES E
GESU, 2007).

SINDROME DA ALIENAÇÃO PARENTAL

(Fonte: Site da Associação de Pais e Mães Separados. Disponível em: <www.apase.com.br>.)

A alienação parental é um processo que consiste em programar uma criança


para que odeie um de seus genitores sem justificativa. Quando a síndrome está
presente, a criança dá sua própria contribuição na campanha para desmoralizar o
genitor alienado.

Origens

Em caso de separação, é natural preocupar-se quando os filhos vão visitar


pelas primeiras vezes o outro genitor. Se o genitor é psicologicamente frágil, a
ansiedade pode aumentar, em vez de diminuir, e desencadear um processo de
alienação. O genitor alienador muitas vezes é uma pessoa superprotetora. Pode ficar
cego por sua raiva ou pode animar-se por um espírito de vingança provocado pela

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inveja ou pela cólera. Vê-se como vítima, injustamente e cruelmente tratado pelo outro
genitor, do qual procura se vingar fazendo crer aos filhos que o outro genitor tem todos
os defeitos.

Nas famílias que apresentam muitas disfunções, o fenômeno implica várias


gerações. O genitor alienador é muitas vezes apoiado pelos familiares, o que reforça
seu sentimento de estar com a verdade.

A criança é levada a odiar e a rejeitar um genitor que a ama e do qual


necessita. O vínculo entre a criança e o genitor alienado será irremediavelmente
destruído. Com efeito, não se pode reconstruir o vínculo entre a criança e o genitor
alienado, se houver uma separação de alguns anos. O genitor alienado torna-se um
desconhecido para a criança. O modelo principal das crianças será o genitor
patológico, mal adaptado e possuidor de disfunção. As crianças muitas vezes
desenvolvem sérios transtornos psiquiátricos.

Induzir uma Síndrome de Alienação Parental em uma criança é uma forma de


abuso. Em casos de abusos sexuais ou físicos, as vítimas chegam um dia a superar
os traumas e as humilhações que sofreram. Ao contrário, um abuso emocional irá
rapidamente repercutir em consequências psicológicas e pode provocar problemas
psiquiátricos para o resto da vida.

Os efeitos nas crianças vítimas da Síndrome de Alienação Parental podem ser


uma depressão crônica, incapacidade de adaptação em ambiente psicossocial normal,
transtornos de identidade e de imagem, desespero, sentimento incontrolável de culpa,
sentimento de isolamento, comportamento hostil, falta de organização, dupla
personalidade e às vezes suicídio. Estudos têm mostrado que, quando adultas, as
vítimas da alienação têm inclinação ao álcool e às drogas, e apresentam outros
sintomas de profundo mal-estar.

O sentimento incontrolável de culpa se deve ao fato de que a criança, quando


adulta, constata que foi cúmplice inconsciente de uma grande injustiça ao genitor
alienado. O filho alienado tende a reproduzir a mesma patologia psicológica que o
genitor alienador.

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O fenômeno, que consiste em um genitor usar seus filhos contra o outro


genitor, é uma ideia fácil de compreender. Todavia, historicamente, o processo foi de
difícil identificação. Foi seguido de intermináveis procedimentos, saturados de muitas
queixas e confusos em detalhes que, por vezes, ao final, se evaporaram por eles
mesmos. É importante, antes de diagnosticar isto, estar seguro de que o genitor
alienado não mereça, de forma alguma, ser rejeitado e odiado por comportamentos
realmente depreciáveis.

Deve-se confiar à tarefa um profissional da saúde mental que conheça ou que


tenha estudado este tipo de enfermidade. É preciso que os genitores passem por uma
série de testes psicológicos e que se formulem recomendações. Nos manuais para
pais e profissionais, em que se mostra pioneiro, Gardner apresentou uma descrição
detalhada do fenômeno identificando uma gama de comportamentos das crianças e
dos genitores.

Tentar a Mediação

Uma mediação procurando encontrar uma forma de entendimento e uma


maneira de viver é preferível a uma ação na justiça que venha a deteriorar de maneira
dramática a relação entre os genitores por um grande período.
Os profissionais da saúde, conhecedores da Síndrome da Alienação Parental,
de suas origens e de seus efeitos, devem intervir o mais rapidamente possível para
impedir que os danos causados pela alienação se tornem irreversíveis. Os genitores
devem ser avaliados separadamente. Uma vez constatado que nenhum dos genitores
representa perigo para os filhos, o trabalho de mediação pode começar. Um dos seus
efeitos será o de evitar a alienação das crianças por um de seus genitores. Se esta
primeira fase falhar, deve-se adotar uma atitude mais rígida e recorrer ao sistema
judicial.

Quando Recorrer à Justiça

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Caso se perceba o problema, deve ser considerado pelos profissionais como


uma violação direta e intencional de uma das obrigações mais fundamentais de um
genitor, que é a de promover e estimular uma relação positiva e harmoniosa entre a
criança e seu outro genitor. O genitor que induz os filhos a ignorar os direitos de visita
deve ser punido pelo tribunal para cumprir a ordem, pois não se pode admitir que um
genitor estável e capaz seja privado do direito de assumir o seu papel de pai ou mãe.

Geralmente o genitor necessita de ameaça de multas severas, de prisão ou da


perda total da guarda para ceder. Sem intervenção externa e sem ajuda psicológica, é
provável que o filho nunca se aperceba do que se passou. Pode-se cuidar dos filhos
com uma terapia apropriada, somente na condição de que a ação nefasta do genitor
alienador seja neutralizada.

Deve evitar os seguintes erros: considerar unicamente a opinião dos filhos,


determinar que ambos os genitores decidam juntos o bem-estar dos filhos (muitas
vezes é necessário recorrer à justiça, pois não se deve ignorar a existência do
problema) e determinar uma terapia familiar tradicional (o genitor alienador não tem
consciência do problema, elemento necessário para um tratamento tradicional).

Identificação do Genitor Alienador

O genitor alienador: deseja o controle total dos filhos; para ele, isso é uma
questão de vida ou morte; não aceita nem obedece a regras, inclusive do tribunal; é
incapaz de ver a situação por outro ângulo que não seja o seu; não distingue a
diferença entre falar a verdade e mentir; é convincente e muitas vezes conseguem
fazer os envolvidos no processo acreditarem nele (funcionários, policiais, assistentes
sociais, advogados e mesmo psicólogos); não é cooperativo e oferece resistência a
ser examinado por um especialista; durante a avaliação pode cometer falhas em seu
raciocínio, pois o que fala é baseado em mentiras e ilusões; não consegue perceber o
sofrimento dos filhos e o quanto a situação é degradante para eles.

Pode-se observar a presença de quatro critérios que permitem, de maneira


razoável, predizer que o processo de alienação está ocorrendo: obstrução a todo

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contato com o outro genitor, denúncias falsas de abuso, deterioração da relação após
a separação e reação de medo da parte dos filhos.

Identificação da Criança Alienada

O genitor alienador confidencia a seu filho, com riqueza de detalhes, seus


sentimentos negativos e as más experiências vividas com o genitor ausente. O filho
absorve a negatividade do genitor e chega a ser de alguma maneira seu terapeuta.
Sente-se no dever de proteger o genitor alienador.

Os filhos alienados absorvem as mesmas ilusões que o genitor alienador no


procedimento psiquiátrico chamado ―loucura a dois‖.

Alguns comportamentos podem ser observados na criança que desenvolve a


síndrome como: campanha de descrédito em relação ao outro genitor, justificativas
fúteis, ausência de ambivalência, fenômeno de independência, sustentação
deliberada, ausência de culpa, situações fingidas, generalização da animosidade a
outros membros da família do alienado.

A criança desenvolve a síndrome em três estágios:

Estágio I Leve: Neste estágio normalmente as visitas se apresentam calmas,


com um pouco de dificuldades na hora da troca de genitor. Enquanto o filho está com
o genitor alienado, as manifestações da campanha de desmoralização desaparecem
ou são discretas e raras. A motivação principal do filho é conservar um laço sólido com
o genitor alienador

Estágio II Médio: O genitor alienador utiliza uma grande variedade de táticas


para excluir o outro genitor. No momento de troca de genitor, os filhos, que sabem o
que genitor alienador quer escutar, intensificam sua campanha de desmoralização. Os
argumentos utilizados são os mais numerosos, os mais frívolos e os mais absurdos. O
genitor alienado é completamente mau e o outro completamente bom. Apesar disso,
aceitam ir com o genitor alienado e, uma vez afastados do outro genitor, tornam a ser
mais cooperativos:

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Estágio III Grave: Os filhos em geral estão perturbados e frequentemente


fanáticos. Compartilham os mesmos fantasmas paranoicos que o genitor alienador
tem em relação ao outro genitor. Podem ficar em pânico apenas com a ideia de ter
que visitar o outro genitor. Seus gritos, seu estado de pânico e suas explosões de
violência podem ser tais que ir visitar o outro genitor é impossível. Se, apesar disso,
vão com o genitor alienado, podem fugir, paralisar-se por um medo mórbido ou
manter-se continuamente tão provocadores e destruidores que devem
necessariamente retornar ao outro genitor. Mesmo afastados do ambiente do genitor
alienador durante um período significativo, é impossível reduzir seus medos e suas
cóleras. Todos estes sintomas ainda reforçam o laço patológico que têm com o genitor
alienador.

Como tratar a Síndrome de Alienação Parental – Medidas Legais e Terapêuticas

A intervenção psicoterápica deve ser sempre amparada em um procedimento


legal e deve contar com o apoio judicial.

No estágio I Leve não é necessária medida alguma.

No estágio II Médio as medidas legais devem ser: deixar a guarda principal


com o genitor alienador, nomear um terapeuta para servir de intermediário nas visitas
e para comunicar as falhas ao tribunal, estabelecer penalidades para a supressão de
visitas, uma penalidade financeira (redução da pensão alimentícia), o pagamento de
uma multa proporcional ao tempo das visitas suprimidas, uma breve reclusão ao
cárcere, em caso de desobediência constante e reincidência, além da prisão, passar a
guarda para o outro genitor. As medidas terapêuticas devem ser: o controle das visitas
pelo terapeuta responsável, aplicação de um programa terapêutico preciso, relato de
falhas diretamente aos juízes para que o tribunal execute as sanções previstas.

No estágio III Grave as medidas legais devem ser: transferência da guarda


para o genitor alienado, nomeação de um psicoterapeuta para um programa de
transição da guarda do filho e eleição de um local para a transição. As medidas
terapêuticas devem as mesmas que no estágio II Médio.

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O tratamento da enfermidade deve incluir: a criança alienada, o genitor


alienador e o genitor alienado.

MAUS-TRATOS E ABUSO SEXUAL

De acordo com Pinto Junior (2005), as próprias definições científicas da


violência contra a criança e o adolescente são complexas e muitas vezes
contraditórias entre si, pois utilizam indiscriminadamente muitos termos (maus-tratos,
agressão, disciplina, abuso etc.) que podem mascarar, deturpar ou mesmo
negligenciar a amplitude da violência doméstica contra crianças e adolescentes.

Considerando que a problemática, em sua manifestação, envolve relações


assimétricas de poder, caracterizadas pela dominação, exploração e opressão, por
isso mesmo uma forma de violência interpessoal, Tardivo (2008) prefere utilizar o
termo violência doméstica.

Para Adorno (1988), a violência é uma forma de relação social; está


inexoravelmente atada ao modo pelo qual os homens produzem e reproduzem suas
condições sociais de existência. Sob esta ótica, a violência expressa padrões de
sociabilidade, modos de vida, modelos atualizados de comportamentos vigentes em
uma sociedade em um momento determinado de seu processo histórico (p. 7).

Neste sentido, a violência doméstica mostra-se relacionada com a violência


estrutural, pelas desigualdades de gênero e geração. Por outro lado, mostra-se como
uma violência de caráter interpessoal, ou seja, uma violência intraclasses sociais.

A violência doméstica contra a criança e o adolescente decorrem da interação


de vários grupos de fatores: socioeconômicos, culturais e psicológicos das pessoas
envolvidas (TARDIVO, 2008).

Além deste pressuposto, outras facetas também são consideradas por


Azevedo e Guerra (1998) para maior compreensão do fenômeno da violência
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doméstica contra crianças e adolescentes, tais como: é um fenômeno endêmico;


nenhuma etnia, classe social ou religião está imune; não é característico da pobreza; é
estatisticamente significativo e não marginal; pode envolver de forma cíclica várias
gerações em sua reprodução; tem como característica a reiteração.

De maneira geral, a violência doméstica é uma forma de violência subjetiva e


interpessoal, na qual o adulto transgride o seu poder disciplinador, negando e
negligenciando as necessidades e direitos da criança e tolhendo-a de sua liberdade,
colocando-a, assim, numa posição de mero objeto dos desejos do adulto.

A definição elaborada pelo LACRI (Laboratório de Estudos da Criança) do


Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP) para a violência doméstica
contra crianças e/ou adolescentes é:

“Todo ato ou omissão praticado por pais, parentes ou responsáveis contra crianças e/ou
adolescentes que – sendo capaz de causar dano físico, sexual e/ou psicológico à vítima
– implica de um lado numa transgressão do poder/dever de proteção do adulto e, de
outro, numa coisificação da infância, isto é, numa negação do direito que crianças e
adolescentes têm de ser tratados como sujeitos e pessoas em condição peculiar de
desenvolvimento.” (AZEVEDO; GUERRA, 1998, p. 177)

Assim, a questão implícita nesta definição parece-nos mostrar que,


apesar da ideia da ―sagrada família‖ e/ou ―família perfeita‖ que povoa o imaginário
popular, esta não está isenta de responsabilidade, cometendo atos violentos contra
seus membros, considerados mais fracos e vulneráveis, trancafiados num amplo
―complô de silêncio‖, que mascara e esconde uma realidade trágica e injusta
(TARDIVO, 2008).

A literatura indica a existência de cinco tipos de violência doméstica, a saber:


violência física, violência sexual, violência psicológica, negligência e violência fatal
(AZEVEDO; GUERRA, 1998).

Nesta perspectiva, a violência doméstica contra a criança e o adolescente,


pode representar um verdadeiro fator de risco ao processo de desenvolvimento. A
experiência de vitimização pode trazer sérias consequências para a vítima, implicando
na perturbação da noção de identidade e outros distúrbios de personalidade e de
adaptação social (TARDIVO, 2008).

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Segundo Tardivo (2008), a violência doméstica contra crianças e adolescentes


está longe de ser uma ocorrência marginal e que necessita de ações comprometidas,
visando, além da construção de políticas públicas de prevenção do fenômeno, o
desenvolvimento de instrumentos eficientes para a identificação e o diagnóstico de
crianças e adolescentes em situação de violência doméstica.

Por se tratar de um fenômeno que, ao longo de toda a história da humanidade,


é cercado de mitos e tabus, a identificação da violência doméstica é quase sempre
problemática e difícil. Como apontado anteriormente, sua abordagem apresenta
inúmeras dificuldades em função de ser um fenômeno que se manifesta de maneira
sigilosa, configurando um segredo familiar, e estar envolvido por aspectos ideológicos
arcaicos. Assim, o enfrentamento eficaz do fenômeno exige a compreensão ampla e
profunda da temática e da sistematização nos passos para identificar o processo de
vitimização infantil (TARDIVO, PINTO JUNIOR, SANTOS, 2005).

Azevedo, Guerra e Pinto Junior (2003) apontam que, no processo de


investigação, o papel do profissional, e mais especificamente do psicólogo, é de vital
importância, pois a ele cabe levantar evidências sobre a possibilidade da violência
sofrida e sua natureza. O profissional deverá avaliar a gravidade do acontecimento,
seu impacto sobre a vítima e os demais membros da família, buscando investigar,
principalmente, o risco e o funcionamento psíquico desta vítima.

É através do que chamamos avaliação psicológica que o psicólogo investiga e


conhece outro ser humano em seu contexto de vida. Segundo Pasquali (2001), a
avaliação psicológica é o processo de investigação, análise e conclusão sobre o
sujeito em contexto e fase da vida específicos, com a finalidade de compreendê-lo
melhor e tomar decisão quanto a uma intervenção necessária. Pasquali (2001)
também aponta para a importância da avaliação psicológica na atuação do psicólogo
para fins de investigação e tomada de decisão. Segundo o autor, a avaliação
psicológica é uma prática que representa e difunde a Psicologia na sociedade,
considerando que foi por meio dela que a Psicologia se apresentou e se firmou no
meio científico e no mercado de trabalho.

Deve-se ressaltar que a avaliação psicológica envolve diferentes técnicas e


procedimentos, como a entrevista, anamnese e os chamados testes psicológicos.

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Desta forma, o processo de avaliação psicológica pode incluir diferentes


procedimentos de medidas para que se possa chegar a uma conclusão sobre o
sujeito.

Maus-tratos e Abuso Sexual

A definição de abuso sexual e de criança varia nas diferentes culturas. Um


importante problema ao desenvolver uma definição é decidir quais atos sexuais são
abusivos. O espectro de atos sexuais empregados no ASC (abuso sexual em
crianças) é bem amplo e inclui tanto comportamentos de contato como de não-contato
(SANDERSON, 2005).

O ASC integra um conjunto de abusos que uma criança pode experimentar. As


quatro principais categorias de abuso em crianças são:

1. Abuso físico;
2. Abuso emocional;
3. Negligência;
4. Abuso sexual.

Padrões Históricos de Abuso Sexual

Demause (apud SANDERSON, 2005) descreveu de maneira extensa a


evidência histórica do abuso em crianças, o qual está relacionado com a
conceitualização de crianças e com a infância. Os dados mostram que as atitudes, as
crenças relacionadas às crianças e aos padrões de cuidado dos filhos mudaram
consideravelmente ao longo do tempo.

O autor descreve os momentos de modo de cuidado com os filhos:

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Modo Infanticídio (Antiguidade até o séc. IV): tinham como base a ideia de que
as crianças existiam para atender às necessidades e à comodidade dos adultos e que
as crianças defeituosas eram responsáveis por suas desgraças.

Modo de Abandono (séc. IV ao XIII): as crianças eram vistas como possuidoras


do mal e por isso apanhavam e eram separadas de seus pais.

Modo de Ambivalência (séc. XIV ao XVIII): a tarefa dos pais era moldar a
criança, reprimindo-a e batendo nela. Nessa fase os pais eram mais ligados
emocionalmente com os seus filhos, mas ainda os temiam como um mal absoluto:

Modo de Intrusão (séc. XVIII) as crianças eram vistas como ameaçadoras e


menos malignas, e era obrigação dos pais controlar seu comportamento por meio de
ameaças, culpas e punições.

Modo de Socialização (século XIX e metade do século XX): os pais tentavam


guiar, treinar e ensinar boas maneiras, bons hábitos, corrigir comportamentos em
público e fazer com que a criança correspondesse às expectativas dos outros.

Modo de ajuda: (Desde a metade do séc. XX): se considera que as crianças


sabem mais do que precisam do que qualquer outra pessoa. A tarefa conjunta dos
pais é criar empatia com a criança e responder de maneira precisa às necessidades
dela em cada fase do desenvolvimento.

Essas mudanças do modo de cuidados com os filhos provocaram impacto tanto


nas crianças como nos pais, e às vezes os pais, inconscientemente, repetem as
experiências e padrões de como eles foram criados. Demause (apud SANDERSON,
2005) aponta que, se os pais foram abusados ou traumatizados na infância, podem se
sentir compelidos a repetir esse trauma. Isso não implica, no entanto, que todos agirão
dessa maneira, pois muitos pais que sofreram abuso não abusam de seus filhos.

Padrões inadequados de cuidado podem ocorrer por ignorância, crenças


religiosas, pobreza ou indisponibilidade de recursos e acesso a eles, portanto, de
maneira espontânea. Os adultos poderão considerar essas questões, mas as crianças
não, e, sendo assim, ela poderá se sentir abusada – independentemente de isso ter
ocorrido de maneira espontânea ou deliberada (SANDERSON, 2005).

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As definições de abuso utilizadas são do Departamento de Saúde (2003 apud


SANDERSON, 2005):

Abuso físico:

“Bater, sacudir, arremessar, envenenar, queimar ou escaldar, afogar, sufocar


ou, de outra forma, causar danos físicos à criança. Danos físicos também podem ser
causados quando o pai ou responsável finge sintomas de má saúde para a criança ou
deliberadamente os causa. Essa situação é comumente descrita usando-se termos
como „doença fictícia por procuração‟ ou „Síndrome de Munchhausen por procuração‟.”

Abuso emocional:

“Os maus-tratos emocionais contínuos de uma criança com a intenção de


causar efeitos adversos severos e contínuos ao seu desenvolvimento emocional. Isso
pode envolver transmitir à criança a ideia de que ela é inútil, não amada, inadequada
ou valorizada apenas na medida em que satisfaz as necessidades de outra pessoa.
Pode se caracterizar pela imputação à criança de expectativas inapropriadas à idade
ou ao seu desenvolvimento. Pode implicar sua exploração ou sua corrupção. Embora
o abuso emocional esteja presente em todos os tipos de maus-tratos, ele também
pode ocorrer isoladamente.”

Negligência:

“O fracasso constante em satisfazer as necessidades físicas e/ou psicológicas


de uma criança, o qual pode resultar em deterioração séria da saúde ou do
desenvolvimento da criança. Pode envolver a falha de um pai ou responsável em
fornecer comida, abrigo ou roupas adequadas ou proteger uma criança de danos
físicos ou de perigos ou o fracasso em garantir acesso a cuidados médicos ou
tratamento apropriado. Pode também incluir negligência ou indiferença em relação às
necessidades básicas da criança.”

Abuso sexual:

“Forçar ou incitar uma criança ou um jovem a tomar parte em atividades


sexuais, estejam ou não cientes do que está acontecendo. As atividades podem
envolver contato físico, incluindo atos penetrantes (por exemplo, estupro ou sodomia)
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e atos não-penetrantes. Pode incluir atividades sem contato, tais como levar a criança
a olhar ou produzir material pornográfico ou a assistir a atividades sexuais ou
encorajá-la a comportar-se de maneiras sexualmente inapropriadas.”

Embora os quatro tipos de abuso sejam considerados categorias bem distintas,


é possível argumentar que eles podem se sobrepor e que uma criança pode sofrer
qualquer um desses abusos, alguns deles ou todos eles. Abuso emocional, em
especial no ASC, combina tanto a exploração sexual como a violação da criança.

Culturas diferentes têm diferentes práticas de educação das crianças, e


algumas vezes dentro dessas culturas, em alguns casos, o abuso é aceito como parte
das práticas ―normais‖ da educação da criança e não é considerado abusivo nem
pelos adultos nem pelas próprias crianças.

Descrição dos Comportamentos de Abuso Sexual em Crianças

Os tipos de atividades sexuais realizadas com crianças cobrem um espectro


extremamente amplo e incluem abuso sem contato, tais como exposição indecente,
exibicionismo, voyeurismo e o uso de crianças na criação ou na exibição de imagens
ou filmes pornográficos. Abuso sexual sem contato físico também pode incluir: tirar
fotografias para propósitos pornográficos, utilizar linguagem referente a sexo
inapropriada em relação à criança e insistir em que a criança se vista de maneira
sexualmente excitante para o abusador. Pode-se incluir também nudez, observá-la
quando estiver se despindo ou utilizando o banheiro (SANDERSON, 2005).

Comportamentos sem contato:

 aliciar a criança;
 aliciar crianças pela Internet;
 invadir de maneira inapropriada o espaço da criança;
 insistir em comportamento ou roupas sexualmente sedutores;

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 estimular a nudez;
 fazer comentários verbais de natureza sexual;
 despir-se na frente de crianças;
 forçar a criança a compartilhar a mesma cama com o adulto além da idade
adequada ao seu desenvolvimento;
 expor a genitália deliberadamente;
 observar a criança, de maneira inapropriada, quando ela se despe ou usa o
banheiro;
 encorajar a criança a assistir atos sexuais ou ouvi-los;
 fotografar a criança para gratificação sexual ou uso pornográfico posterior;
 drogar a criança a fim de fotografá-la em poses sexualmente provocantes ou
como prelúdio da violência sexual;
 usar de comportamento evidentemente sexual na presença de criança;
 expor a criança à pornografia, para dessensibilizá-la – parte poderosa do
processo de aliciamento;
 filmar a criança em poses sexualmente explícitas;
 coagir a criança a participar de um círculo de pedofilia;
 fazer com que a criança recrute outras crianças para o abusador sexual.

Comportamentos com contato:

 beijar a criança com a boca aberta de maneira inapropriada;


 excitar a criança com toques e carícias;
 tocar os genitais ou as partes íntimas de uma criança para prazer sexual;
 fazer a criança tocar o genital de outra pessoa;
 brincar de jogos sexuais;
 masturbar a criança, fazer com que ela masturbe o abusador ou que ambos se
masturbem;
 fazer sexo oral (felação ou cunilíngua na criança, no abusador, ou mútuas);
 ejacular na criança;
 colocar objetos, doces, pequenos brinquedos na abertura vaginal/retal da
criança e depois tirá-los;

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 introduzir na vagina ou ânus grandes objetos, inclusive os usados por adultos;


 penetrar o ânus ou abertura retal com os dedos;
 penetrar o ânus ou abertura retal com o pênis (sodomia);
 penetrar a vagina com os dedos;
 penetrar a vagina com o pênis;
 colocar o pênis entre as coxas de uma criança e simular o coito – ―coito seco‖;
 forçar a criança a praticar atividades sexuais com outros adultos ou crianças;
 coagir a criança a participar de círculo de pedofilia;
 filmar atividade sexual com adultos ou crianças;
 forçar a criança a praticar atividade sexual com animais – bestialidade.

O aliciamento de crianças para propósitos sexuais é entendido como a maneira


como os abusadores selecionam e preparam crianças para encontros sexuais futuros.
É um processo sutil e meticuloso que pode levar até 18 meses e tem o objetivo de
preparar a criança para o abuso sexual.

De acordo com Sanderson (2005), pode-se definir abuso sexual em crianças


como ―o envolvimento de crianças e adolescentes dependentes em atividades sexuais
com um adulto ou qualquer pessoa um pouco mais velha ou maior, em que haja uma
diferença de idade, de tamanho ou de poder, em que a criança é usada como objeto
sexual para a gratificação das necessidades ou dos desejos, para a qual ela é incapaz
de dar um consentimento consciente por causa do desequilíbrio no poder, ou de
qualquer incapacidade mental ou física‖ (p. 17).

Quando se considera o que é um abuso podemos pensar sobre o


consentimento. As crianças não serão capazes de dar um consentimento se estiverem
abaixo da idade legal de consentimento. A criança pode até acreditar que há um
consentimento, mas isso não é o mesmo que o ―consentimento consciente‖, que inclui
um entendimento completo das dinâmicas de poder envolvidas nesses
relacionamentos.

As vítimas são tanto meninos como meninas. Estima-se que 73% de todas as
vítimas de abuso sexual em crianças sejam do sexo feminino e 27% sejam do sexo

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masculino. No entanto, é preciso tomar cuidado com esses dados, pois o que se
percebe é que, devido à cultura homofóbica, muitos meninos deixam de denunciar o
abuso, o que poderia levar a uma estimativa abaixo dos números reais. O abuso
sexual pode iniciar desde as primeiras semanas até os 18 anos. Os crimes de abuso
têm duração média de mais de um ano, ou seja, o abuso não ocorre uma única vez,
ele se faz repetidamente (SANDERSON, 2005).

Muitas crianças não contam sobre o abuso, pois não conseguem identificar que
a experiência que estão passando constitui um abuso, porque lhe disseram que o
comportamento é normal e que faz parte de um relacionamento especial. Um dado
importante é na maioria dos casos o abusador é conhecido da criança (87%). Essas
crianças muitas vezes são abusadas sexualmente todos os dias, atrás de portas
fechadas e intimidadas ou manipuladas para permanecerem em silêncio.

O pedófilo pode ser qualquer pessoa – homens e mulheres, adultos ou


crianças mais velhas. Estudos iniciais mostravam que entre 91% e 97% dos
perpetradores eram homens. No entanto, pesquisas recentes descobriram que entre
20% e 25% dos abusadores sexuais são mulheres (SANDERSON, 2005).

Há indícios de que um terço dos crimes sexuais contra crianças sejam


cometidos por adolescentes abaixo dos 17 anos, muitos deles também vítimas do
abuso sexual. Um em cada oito garotos abusados sexualmente na infância comete
abusos sexuais na adolescência, em média, a partir dos 14 anos.

É comum os abusadores escolherem profissões que lidam muito com crianças.


Eles também frequentam lugares, geralmente, onde possam encontrar suas vítimas.

Segundo Sanderson (2005), existem alguns comportamentos que podem


constituir motivo de preocupação para pais e professores:

 a maneira como eles brincam com a criança podem deixar outros adultos
pouco à vontade;
 sempre favorecem a criança;
 procuram razões para ficar sozinhos com a criança. Recusam-se à criança
privacidade suficiente para que ela tome as próprias decisões em questões
pessoais;
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 insistem em afeto físico – como beijar, abraçar ou brincar de lutar –, mesmo


quando a criança claramente não quer isso;
 são excessivamente interessados no desenvolvimento sexual de uma criança
ou adolescente;
 insistem em passar um tempo sozinhos com a criança sem interrupções;
 passam a maior parte do tempo livre com crianças e têm pouco interesse em
ficar com pessoas da mesma idade deles;
 oferecem-se regularmente para tomar conta de crianças, de graça, ou levá-las
para excursões que incluam passar a noite fora;
 compram presentes caros para as crianças ou lhes oferecem dinheiro sem
nenhuma razão aparente;
 frequentemente ―dão de cara‖ com crianças/adolescentes quando elas estão
no banheiro;
 tratam uma criança em particular como sua predileta, fazendo-a sentir-se
―especial‖ em comparação a outras na família;
 escolhem uma criança em particular.
De acordo com Sanderson (2005), existem algumas informações que
necessitam ser desmistificadas sobre a ASC: os sinais de que alguém tem um
interesse sexual em crianças são extremamente sutis e não necessariamente óbvios.
Os abusadores são espertos e bastantes manipuladores, no que se refere à maneira
como se tornam amigos de pais e criança, e são capazes de enganar a todos os
tipos de família. Geralmente é alguém conhecido da criança e que tem a confiança
dela. Eles não são monstros, geralmente eles são gentis e exibem a máscara da
simpatia, pois de outro modo não teria acesso às vítimas. Pelo fato de ser uma
pessoa conhecida e que as crianças amam geralmente as crianças tentam protegê-
lo, pois não querem perder o relacionamento com o abusador ou vê-lo punido, tudo o
que querem é que o abuso sexual pare.
Ele pode acontecer com qualquer criança em qualquer comunidade ou cultura,
ou seja, todas as crianças são vulneráveis até certo ponto. Um abusador sexual pode
enganar até o mais atento dos pais.

O ASC pode ser violento, mas a maneira pela qual ele é infligido não
necessariamente envolve algum tipo de violência física. A maior parte envolve engodo,

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manipulação e ―lavagem cerebral‖ sutil da criança. Muitas vezes envolve chantagem


através da retirada do amor ou recompensa com agrados ou presentes.

Muitas crianças experimentam excitação sexual e prazer durante a ASC, o que


é natural e normal em termos de excitação fisiológica e não significa que a criança
queira ser sexualmente abusada ou que ela necessariamente apreciou o abuso.
Garotos podem ter ereções e garotas podem ter lubrificação na área vagina, não só
por causa do prazer, mas também pelo medo. As crianças não entendem dessa forma
e acreditam que o abuso sexual é culpa delas. Devido a esse prazer e excitação os
abusadores manipulam a criança, fazendo-a acreditar que foi ela quem quis o contato
sexual porque teve prazer com ele. A criança não é capaz de saber do que ela está
participando, nem as consequências do seu comportamento e, como tal, não é capaz
de dar consentimento.

Não importa quão provocante seja uma criança, a responsabilidade do abuso


sexual reside sempre no abusador, e não na criança, sejam quais forem as
circunstâncias. Os adultos é que são responsáveis por interpretar o comportamento da
criança como ―sexual‖ ou ―provocante‖. A maioria das crianças não se comporta de
maneira sexualmente provocante, a não ser que tenha sofrido abuso sexual antes.

Geralmente as crianças não mentem sobre o abuso sexual, pois elas não têm
percepção nem conhecimentos sexuais suficientes para isso. As crianças não
necessariamente sabem que a atividade sexual entre crianças e adultos é errada, pois
na maioria dos casos o ASC não se inicia com um estupro. Elas podem tentar
comunicar os pais de formas não-verbais, que podem variar e muito – vão desde o
retraimento até a repetição do abuso sexual em crianças menores. O abuso sexual
pode causar danos significativos às crianças que podem ser a curto e a longo prazo.

A Atuação do Psicólogo nos Casos de Violência Sexual nos Centros de


Referência Especializados da Assistência Social (CREAS)

(Fonte: Texto retirado do documento elaborado pelo Conselho Federal de Psicologia “Serviço de Proteção
Social a Crianças e Adolescentes Vítimas de Violência, Abuso e Exploração Sexual e suas Famílias:
referências para a atuação do psicólogo”)

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Atendimento Psicológico

O atendimento psicológico deve compor a atenção psicossocial, que é


operacionalizada por um conjunto de procedimentos técnicos especializados, com o
objetivo de estruturar ações de atendimento e de proteção a crianças e adolescentes,
proporcionando-lhes condições para o fortalecimento da autoestima, o
restabelecimento de seu direito de convivência familiar e comunitária em condições
dignas de vida e a superação da situação de violação de direitos, além da reparação
da violência sofrida.

O Atendimento Psicossocial

O atendimento psicossocial é um instrumento fundamental para a garantia dos


direitos de crianças e adolescentes, que tem como referência básica os princípios de
prioridade absoluta, por serem sujeitos de direitos e em condição peculiar de
desenvolvimento. Configura conjunto de atividades e ações psicossocioeducativas, de
apoio e especializadas, desenvolvidas individualmente e em pequenos grupos
(prioritariamente), de caráter disciplinar e interdisciplinar, de cunho terapêutico – não
confundir com psicoterapêutico –, com níveis de verticalização e planejamento (início,
meio e fim), de acordo com o plano de atendimento desenvolvido pela equipe. Esse
atendimento deve ser operacionalizado, prioritariamente, pelos grupos de apoio às
crianças e aos adolescentes e pelo grupo de apoio às famílias e de oficinas
socioeducativas.

Sugere-se que o atendimento individual seja utilizado apenas nas entrevistas


iniciais, como forma de avaliação preliminar e preparação da criança e do adolescente
para a entrada nos grupos, ou quando, a partir dessa avaliação, ficar constatado que o
trabalho em grupo não é indicado.

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Entende-se por atendimento a atenção física, jurídica, psicológica, econômica e


social prestada a todas as pessoas envolvidas na situação de violência sexual. O
atendimento deve ser entendido ainda como conjunto de ações internas do CREAS e
dos demais serviços da rede, e deve estar voltado, além da atenção emergencial para
a redução de danos sofridos pelos sujeitos, para a mudança de condições subjetivas
que geram, mantêm ou facilitam a dinâmica e as ameaças abusivas. As ações devem
ser potencializadoras da autonomia, favorecendo a participação na rede social
ampliada, compreendendo crianças e adolescentes como sujeitos desejantes e de
direitos.

No caso do profissional psicólogo, não é incomum que se confunda abordagem


psicossocial com psicoterapia. A abordagem psicossocial, sem dúvida, pode e deve ter
efeitos terapêuticos, mas ela se distingue da psicoterapia pela forma de intervenção e
pelos objetivos. A psicoterapia tem o seu lugar na atenção à saúde, mais
especificamente, nos serviços de saúde mental. Nem todas as crianças e nem todos
os adolescentes que passam pelos serviços da assistência social têm demanda para a
psicoterapia, e o psicólogo do CREAS deve avaliar adequadamente cada situação,
indicando a psicoterapia quando necessário.

Os profissionais envolvidos no atendimento psicossocial devem, portanto, estar


aptos a lidar permanentemente com o novo, sendo capazes de observar, interpretar e
compreender as situações que se apresentam. Para tanto, devem ser
instrumentalizados com sólido instrumental teórico (que permita leitura e interpretação
da realidade apresentada) e estratégias metodológicas e técnicas (que possam ser
utilizadas como referências de suas ações).

O compromisso fundamental é a interrupção do ciclo da violência. Para isso,


serão necessárias medidas jurídicas de responsabilização do autor da agressão,
medidas sociais de proteção às crianças e de reinserção escolar ou laboral, medidas
médicas de tratamento das consequências e medidas psicossociais.

O serviço deve desenvolver acolhimento, escuta, atendimento especializado,


em rede, interdisciplinar, encaminhamento e acompanhamento de crianças,
adolescentes e famílias em situação de violência sexual (inclusive os autores da
agressão sexual), criando condições que possibilitem a garantia dos direitos, o acesso

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aos serviços de assistência social, saúde, educação, justiça e segurança, esporte,


lazer, cultura, geração de renda e qualificação profissional, garantindo compromisso
ético, político e multidisciplinaridade das ações.

Conceitos Importantes

Atendimento: ato ou efeito de atender; atenção sistemática prestada ao grupo


familiar e/ou à criança e ao adolescente pela equipe do Serviço de Enfrentamento, por
meio de atividades relacionadas à organização do processo de trabalho técnico de
cada área do conhecimento envolvida; conjunto de atividades desenvolvidas pela
equipe multiprofissional com o objetivo de prestar apoio psicossocial e jurídico;
processo de intervenção do técnico na dinâmica da criança, do adolescente e de sua
família.

Encaminhamento: ato de encaminhar; conduzir e dirigir as pessoas que estão


sendo atendidas no CREAS/Serviço de Enfrentamento para outras políticas setoriais
e/ou serviços da Rede de Proteção Integral; procedimentos que visam ao acesso de
famílias, seus membros e indivíduos aos serviços.

Acompanhamento: monitorar os encaminhamentos realizados para outras


políticas setoriais e serviços da Rede de Proteção Social; ato de acompanhar o
atendimento que está sendo realizado por outros serviços e ações definidos no Plano
de Intervenção, para a superação da violação dos direitos.

Segundo o documento editado pelo MDS no Módulo de Capacitação à


Distância de Gestores de Assistência Social, o acompanhamento é definido como:

O acompanhamento psicossocial tem como objetivo, ainda, proporcionar uma


reflexão e avaliação permanente acerca das metas, objetivos e compromissos
pactuados no Plano de Atendimento. Nessa etapa, a partir de uma interação ativa,
tem-se a possibilidade de construir um conhecimento mais aprofundado sobre a
família: seus recursos, sua história, seus vínculos, suas redes sociais de apoio, o

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contexto sócio-histórico e cultural no qual está inserida, sua relação com o mesmo,
etc.

Essa etapa tem como objetivo, portanto, oportunizar espaços de escuta,


diálogo e trocas que favoreçam: o protagonismo das famílias e sua participação social;
a reflexão crítica e criativa sobre a realidade vivida; a reparação de experiências de
violação de direitos; a construção de novas possibilidades de enfrentamento; e o
fortalecimento/reconstrução de seus vínculos afetivos familiares e comunitárias.

Atenção: conjunto de atos técnicos promovidos por profissional no campo da


assistência social, da saúde, da educação, da profissionalização e geração de renda,
da cultura, do esporte e lazer etc., como escuta, atendimento, encaminhamento,
acompanhamentos, orientação etc.

Planejamento da Intervenção

Atender a demanda tão complexa de promoção do desenvolvimento


psicossocial de crianças e adolescentes em situação de risco pressupõe a inserção de
práticas de outros campos e o envolvimento de diversos profissionais, de áreas
diferentes, promovendo prática transdisciplinar.

Isso significa que cada caso é visto como único, com suas especificidades e
particularidades. Os profissionais intervêm de maneira articulada, cada um em sua
especialidade, mas atuam com vistas a um objetivo comum, que é oferecer
atendimento especializado que compreenda esse sujeito em suas diversas dimensões.

O primeiro passo para o planejamento da intervenção consiste na identificação


do fenômeno. Segundo Azevedo e Guerra (2001 apud CFP, 2009), essa identificação
pode ser sumária, em casos emergenciais que demandem ação imediata, ou
aprofundada mediante diagnóstico multiprofissional.

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O segundo passo a se levar em conta é o envolvimento de parceiros,


profissionais e/ou institucionais, uma vez que a violência sexual é fenômeno complexo,
que pressupõe diversos olhares e intervenções em vários níveis.

Dessa forma, para que o planejamento da intervenção seja bem-sucedido,


torna-se necessário o envolvimento de toda a rede local de atenção à infância e à
adolescência bem como o conhecimento do fluxo de encaminhamento e atendimento/
acompanhamento a ser acessado.

Como já referido anteriormente, é necessário adotar uma prática de


atendimento articulada e integrada com outros profissionais e com outros serviços
(saúde, educação, justiça), para os encaminhamentos que ajudem na resolução do
problema. Nesse sentido, é fundamental reconhecer-se como parte de uma rede de
proteção que deve ser conhecida por quem faz o atendimento.

Além disso, os profissionais das diferentes áreas (advogado, psicólogo,


assistente social e educador social) não devem atuar de maneira isolada.

Toda a equipe tem acesso aos procedimentos adotados por seus membros de
acordo com o sigilo e a conduta ética de suas profissões. Dessa forma, a equipe
busca identificar necessidades individuais elaborando planos de intervenções
singulares.

Um ponto de destaque para o atendimento a esse público em situação de risco


é que muitas vezes torna-se necessária a ultrapassagem de settings (espaços,
contextos) terapêuticos clássicos, ou seja, não se pode ficar engessado nessas
amarras, sob pena de não se conseguir efetivar o trabalho. O profissional deve levar o
atendimento até onde se encontra o sujeito, e, muitas vezes, o encontro terapêutico se
dá em ambiente diverso do que está convencionado, qual seja, a sala de atendimento
propriamente dita. É importante pensar em momentos terapêuticos, que podem se dar
no consultório, em uma visita domiciliar, em uma consulta médica ou em uma saída
para confecção de documentos. O mais relevante nessa perspectiva é a formação de
vínculos, a possibilidade de interagir com o sujeito, acessar a sua subjetividade,
estabelecer relação.

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Atualmente, são aplicados diversos modelos de intervenção em casos de


violência contra crianças e adolescentes. Furniss (1993 apud CFP, 2009) traz à
reflexão alguns modelos de intervenção contemporâneos, que podem ser adaptados
para os casos de violência sexual.

A intervenção punitiva primária refere-se a toda intervenção cujo foco esteja


voltado para o autor da agressão com o objetivo exclusivo de puni-lo.

Esse modelo compreende a violência como fenômeno monocausal, ou seja, a


explicação se concentra apenas nas características individuais do agressor.

A intervenção primária protetora da criança tem como foco a criança/vítima,


com o claro objetivo de proteger seu desenvolvimento físico, emocional e moral.

Já a intervenção terapêutica primária considera a singularidade do sujeito e o


contexto em que está inserido; considera a família como o espaço privilegiado de
acolhimento e que a intervenção deve se dar com todos os seus membros.

Esses três modelos refletem as perspectivas que podem ser adotadas no


enfrentamento à violência sexual. Os dois primeiros focalizam apenas um dos
aspectos da situação (agressor versus vítima), sem considerar a característica
multifacetada do problema, e ainda se encontram muito presentes nas práticas de
intervenção. O terceiro é o que mais se aproxima dos parâmetros de atendimento no
qual o CFP acredita, pois concebe o sujeito atendido em contexto e ambiente familiar
que precisam ser contemplados no atendimento.

É sempre importante levar em conta que, além das medidas de atendimento,


devem-se oferecer também medidas de acompanhamento e controle,
acompanhamento para identificar eventuais falhas no processo de atendimento e
encaminhamentos, e controle para corrigir essas falhas. Os encaminhamentos à rede
não podem ser tratados como transferência de responsabilidade, pois cabe a todos os
profissionais e instituições zelar pelo bem-estar da criança e do adolescente e pelo
compromisso de contribuir para o processo de interrupção do ciclo da violência.

Não se fala apenas de intervenções técnicas, mas também de articulação entre


os membros da equipe (trabalho transdisciplinar) e entre os diversos setores da

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sociedade (trabalho interinstitucional), ou seja, a construção de redes que viabilizem


ações concretas. Essa é a única forma de enfrentar a rede que sustenta as violências
sexuais contra crianças e adolescentes.

CÓDIGO DE ÉTICA PROFISSIONAL DOS PSICÓLOGOS

Apresentação

Toda profissão define-se a partir de um corpo de práticas que busca atender


demandas sociais, norteado por elevados padrões técnicos e pela existência de
normas éticas que garantam a adequada relação de cada profissional com seus pares
e com a sociedade como um todo.

Um Código de Ética profissional, ao estabelecer padrões esperados quanto às práticas


referendadas pela respectiva categoria profissional e pela sociedade, procura fomentar
a auto-reflexão exigida de cada indivíduo acerca da sua práxis, de modo a
responsabilizá-lo, pessoal e coletivamente, por ações e suas conseqüências no
exercício profissional. A missão primordial de um código de ética profissional não é de
normatizar a natureza técnica do trabalho, e, sim, a de assegurar, dentro de valores
relevantes para a sociedade e para as práticas desenvolvidas, um padrão de conduta
que fortaleça o reconhecimento social daquela categoria.

Códigos de Ética expressam sempre uma concepção de homem e de sociedade que


determina a direção das relações entre os indivíduos. Traduzem-se em princípios e
normas que devem se pautar pelo respeito ao sujeito humano e seus direitos
fundamentais. Por constituir a expressão de valores universais, tais como os
constantes na Declaração Universal dos Direitos Humanos; sócio-culturais, que
refletem a realidade do país; e de valores que estruturam uma profissão, um código de
ética não pode ser visto como um conjunto fixo de normas e imutável no tempo. As
sociedades mudam, as profissões transformam-se e isso exige, também, uma reflexão
contínua sobre o próprio código de ética que nos orienta.

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A formulação deste Código de Ética, o terceiro da profissão de psicólogo no Brasil,


responde ao contexto organizativo dos psicólogos, ao momento do país e ao estágio
de desenvolvimento da Psicologia enquanto campo científico e profissional. Este
Código de Ética dos Psicólogos é reflexo da necessidade, sentida pela categoria e
suas entidades representativas, de atender à evolução do contexto institucionallegal
do país, marcadamente a partir da promulgação da denominada Constituição Cidadã,
em 1988, e das legislações dela decorrentes.

Consoante com a conjuntura democrática vigente, o presente Código foi construído a


partir de múltiplos espaços de discussão sobre a ética da profissão, suas
responsabilidades e compromissos com a promoção da cidadania. O processo ocorreu
ao longo de três anos, em todo o país, com a participação direta dos psicólogos e
aberto à sociedade.

Este Código de Ética pautou-se pelo princípio geral de aproximar-se mais de um


instrumento de reflexão do que de um conjunto de normas a serem seguidas pelo
psicólogo. Para tanto, na sua construção buscou-se:

a. Valorizar os princípios fundamentais como grandes eixos que devem orientar a


relação do psicólogo com a sociedade, a profissão, as entidades profissionais e a
ciência, pois esses eixos atravessam todas as práticas e estas demandam uma
contínua reflexão sobre o contexto social e institucional.

b. Abrir espaço para a discussão, pelo psicólogo, dos limites e interseções relativos
aos direitos individuais e coletivos, questão crucial para as relações que estabelece
com a sociedade, os colegas de profissão e os usuários ou beneficiários dos seus
serviços.

c. Contemplar a diversidade que configura o exercício da profissão e a crescente


inserção do psicólogo em contextos institucionais e em equipes multiprofissionais.

d. Estimular reflexões que considerem a profissão como um todo e não em suas


práticas particulares, uma vez que os principais dilemas éticos não se restringem a
práticas específicas e surgem em quaisquer contextos de atuação.
Ao aprovar e divulgar o Código de Ética Profissional do Psicólogo, a expectativa é de

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que ele seja um instrumento capaz de delinear para a sociedade as responsabilidades


e deveres do psicólogo, oferecer diretrizes para a sua formação e balizar os
julgamentos das suas ações, contribuindo para o fortalecimento e ampliação do
significado social da profissão.

Princípios Fundamentais

I. O psicólogo baseará o seu trabalho no respeito e na promoção da liberdade, da


dignidade, da igualdade e da integridade do ser humano, apoiado nos valores que
embasam a Declaração Universal dos Direitos Humanos.

II. O psicólogo trabalhará visando promover a saúde e a qualidade de vida das


pessoas e das coletividades e contribuirá para a eliminação de quaisquer formas de
negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.

III. O psicólogo atuará com responsabilidade social, analisando crítica e historicamente


a realidade política, econômica, social e cultural.

IV. O psicólogo atuará com responsabilidade, por meio do contínuo aprimoramento


profissional, contribuindo para o desenvolvimento da Psicologia como campo científico
de conhecimento e de prática.

V. O psicólogo contribuirá para promover a universalização do acesso da população


às informações, ao conhecimento da ciência psicológica, aos serviços e aos padrões
éticos da profissão.

VI. O psicólogo zelará para que o exercício profissional seja efetuado com dignidade,
rejeitando situações em que a Psicologia esteja sendo aviltada.

VII. O psicólogo considerará as relações de poder nos contextos em que atua e os


impactos dessas relações sobre as suas atividades profissionais, posicionando-se de
forma crítica e em consonância com os demais princípios deste Código.
Das Responsabilidades do Psicólogo

Art. 1º - São deveres fundamentais dos psicólogos:

a. Conhecer, divulgar, cumprir e fazer cumprir este Código;


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b. Assumir responsabilidades profissionais somente por atividades para as quais


esteja capacitado pessoal, teórica e tecnicamente;

c. Prestar serviços psicológicos de qualidade, em condições de trabalho dignas e


apropriadas à natureza desses serviços, utilizando princípios, conhecimentos e
técnicas reconhecidamente fundamentados na ciência psicológica, na ética e na
legislação profissional;

d. Prestar serviços profissionais em situações de calamidade pública ou de


emergência, sem visar benefício pessoal;

e. Estabelecer acordos de prestação de serviços que respeitem os direitos do usuário


ou beneficiário de serviços de Psicologia;

f. Fornecer, a quem de direito, na prestação de serviços psicológicos, informações


concernentes ao trabalho a ser realizado e ao seu objetivo profissional;

g. Informar, a quem de direito, os resultados decorrentes da prestação de serviços


psicológicos, transmitindo somente o que for necessário para a tomada de decisões
que afetem o usuário ou beneficiário;

h. Orientar a quem de direito sobre os encaminhamentos apropriados, a partir da


prestação de serviços psicológicos, e fornecer, sempre que solicitado, os documentos
pertinentes ao bom termo do trabalho;

i. Zelar para que a comercialização, aquisição, doação, empréstimo, guarda e forma


de divulgação do material privativo do psicólogo sejam feitas conforme os princípios
deste Código;

j. Ter, para com o trabalho dos psicólogos e de outros profissionais, respeito,


consideração e solidariedade, e, quando solicitado, colaborar com estes, salvo
impedimento por motivo relevante;

k. Sugerir serviços de outros psicólogos, sempre que, por motivos justificáveis, não
puderem ser continuados pelo profissional que os assumiu inicialmente, fornecendo ao
seu substituto as informações necessárias à continuidade do trabalho;

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l. Levar ao conhecimento das instâncias competentes o exercício ilegal ou irregular da


profissão, transgressões a princípios e diretrizes deste Código ou da legislação
profissional.

Art. 2º - Ao psicólogo é vedado:

a. Praticar ou ser conivente com quaisquer atos que caracterizem negligência,


discriminação, exploração, violência, crueldade ou opressão;

b. Induzir a convicções políticas, filosóficas, morais, ideológicas, religiosas, de


orientação sexual ou a qualquer tipo de preconceito, quando do exercício de suas
funções profissionais;

c. Utilizar ou favorecer o uso de conhecimento e a utilização de práticas psicológicas


como instrumentos de castigo, tortura ou qualquer forma de violência;

d. Acumpliciar-se com pessoas ou organizações que exerçam ou favoreçam o


exercício ilegal da profissão de psicólogo ou de qualquer outra atividade profissional;

e. Ser conivente com erros, faltas éticas, violação de direitos, crimes ou contravenções
penais praticados por psicólogos na prestação de serviços profissionais;

f. Prestar serviços ou vincular o título de psicólogo a serviços de atendimento


psicológico cujos procedimentos, técnicas e meios não estejam regulamentados ou
reconhecidos pela profissão;

g. Emitir documentos sem fundamentação e qualidade técnico-científica;

h. Interferir na validade e fidedignidade de instrumentos e técnicas psicológicas,


adulterar seus resultados ou fazer declarações falsas;

i. Induzir qualquer pessoa ou organização a recorrer a seus serviços;

j. Estabelecer com a pessoa atendida, familiar ou terceiro, que tenha vínculo com o
atendido, relação que possa interferir negativamente nos objetivos do serviço
prestado;

k. Ser perito, avaliador ou parecerista em situações nas quais seus vínculos pessoais
ou profissionais, atuais ou anteriores, possam afetar a qualidade do trabalho a ser
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realizado ou a fidelidade aos resultados da avaliação;


l. Desviar para serviço particular ou de outra instituição, visando benefício próprio,
pessoas ou organizações atendidas por instituição com a qual mantenha qualquer tipo
de vínculo profissional;

m. Prestar serviços profissionais a organizações concorrentes de modo que possam


resultar em prejuízo para as partes envolvidas, decorrentes de informações
privilegiadas;

n. Prolongar, desnecessariamente, a prestação de serviços profissionais;

o. Pleitear ou receber comissões, empréstimos, doações ou vantagens outras de


qualquer espécie, além dos honorários contratados, assim como intermediar
transações financeiras;
p. Receber, pagar remuneração ou porcentagem por encaminhamento de serviços;

q. Realizar diagnósticos, divulgar procedimentos ou apresentar resultados de serviços


psicológicos em meios de comunicação, de forma a expor pessoas, grupos ou
organizações.

Art. 3º - O psicólogo, para ingressar, associar-se ou permanecer em uma


organização, considerará a missão, a filosofia, as políticas, as normas e as
práticas nela vigentes e sua compatibilidade com os princípios e regras deste
Código.

Parágrafo único: Existindo incompatibilidade, cabe ao psicólogo recusar-se a prestar


serviços e, se pertinente, apresentar denúncia ao órgão competente.

Art. 4º - Ao fixar a remuneração pelo seu trabalho, o psicólogo:

a. Levará em conta a justa retribuição aos serviços prestados e as condições do


usuário ou beneficiário;

b. Estipulará o valor de acordo com as características da atividade e o comunicará ao


usuário ou beneficiário antes do início do trabalho a ser realizado;

c. Assegurará a qualidade dos serviços oferecidos independentemente do valor


acordado.
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Art. 5º - O psicólogo, quando participar de greves ou paralisações, garantirá que:

a. As atividades de emergência não sejam interrompidas;

b. Haja prévia comunicação da paralisação aos usuários ou beneficiários dos serviços


atingidos pela mesma.

Art. 6º - O psicólogo, no relacionamento com profissionais não psicólogos:

a. Encaminhará a profissionais ou entidades habilitados e qualificados demandas que


extrapolem seu campo de atuação;

b. Compartilhará somente informações relevantes para qualificar o serviço prestado,


resguardando o caráter confidencial das comunicações, assinalando a
responsabilidade, de quem as receber, de preservar o sigilo.

Art. 7º - O psicólogo poderá intervir na prestação de serviços psicológicos que


estejam sendo efetuados por outro profissional, nas seguintes situações:

a. A pedido do profissional responsável pelo serviço;

b. Em caso de emergência ou risco ao beneficiário ou usuário do serviço, quando dará


imediata ciência ao profissional;

c. Quando informado expressamente, por qualquer uma das partes, da interrupção


voluntária e definitiva do serviço;

d. Quando se tratar de trabalho multiprofissional e a intervenção fizer parte da


metodologia adotada.

Art. 8º - Para realizar atendimento não eventual de criança, adolescente ou


interdito, o psicólogo deverá obter autorização de ao menos um de seus
responsáveis, observadas as determinações da legislação vigente;

1. §1° - No caso de não se apresentar um responsável legal, o atendimento deverá ser


efetuado e comunicado às autoridades competentes;

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2. §2° - O psicólogo responsabilizar-se-á pelos encaminhamentos que se fizerem


necessários para garantir a proteção integral do atendido.

Art. 9º - É dever do psicólogo respeitar o sigilo profissional a fim de proteger,


por meio da confidencialidade, a intimidade das pessoas, grupos ou
organizações, a que tenha acesso no exercício profissional.

Art. 10 - Nas situações em que se configure conflito entre as exigências


decorrentes do disposto no Art. 9º e as afirmações dos princípios fundamentais
deste Código, excetuando-se os casos previstos em lei, o psicólogo poderá
decidir pela quebra de sigilo, baseando sua decisão na busca do menor prejuízo.

Parágrafo Único - Em caso de quebra do sigilo previsto no caput deste artigo, o


psicólogo deverá restringir-se a prestar as informações estritamente necessárias.

Art. 11 - Quando requisitado a depor em juízo, o psicólogo poderá prestar


informações, considerando o previsto neste Código.

Art. 12 - Nos documentos que embasam as atividades em equipe


multiprofissional, o psicólogo registrará apenas as informações necessárias
para o cumprimento dos objetivos do trabalho.

Art. 13 - No atendimento à criança, ao adolescente ou ao interdito, deve ser


comunicado aos responsáveis o estritamente essencial para se promoverem
medidas em seu benefício.

Art. 14 - A utilização de quaisquer meios de registro e observação da prática


psicológica obedecerá às normas deste Código e a legislação profissional
vigente, devendo o usuário ou beneficiário, desde o início, ser informado.
Art. 15 - Em caso de interrupção do trabalho do psicólogo, por quaisquer
motivos, ele deverá zelar pelo destino dos seus arquivos confidenciais.

1. § 1° - Em caso de demissão ou exoneração, o psicólogo deverá repassar todo o


material ao psicólogo que vier a substituí-lo, ou lacrá-lo para posterior utilização pelo
psicólogo substituto.

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2. § 2° - Em caso de extinção do serviço de Psicologia, o psicólogo responsável


informará ao Conselho Regional de Psicologia, que providenciará a destinação dos
arquivos confidenciais.

Art. 16 - O psicólogo, na realização de estudos, pesquisas e atividades voltadas


para a produção de conhecimento e desenvolvimento de tecnologias:

a. Avaliará os riscos envolvidos, tanto pelos procedimentos, como pela divulgação dos
resultados, com o objetivo de proteger as pessoas, grupos, organizações e
comunidades envolvidas;

b. Garantirá o caráter voluntário da participação dos envolvidos, mediante


consentimento livre e esclarecido, salvo nas situações previstas em legislação
específica e respeitando os princípios deste Código;

c. Garantirá o anonimato das pessoas, grupos ou organizações, salvo interesse


manifesto destes;

d. Garantirá o acesso das pessoas, grupos ou organizações aos resultados das


pesquisas ou estudos, após seu encerramento, sempre que assim o desejarem.

Art. 17 - Caberá aos psicólogos docentes ou supervisores esclarecer, informar,


orientar e exigir dos estudantes a observância dos princípios e normas contidas
neste Código.

Art. 18 - O psicólogo não divulgará, ensinará, cederá, emprestará ou venderá a


leigos instrumentos e técnicas psicológicas que permitam ou facilitem o
exercício ilegal da profissão.

Art. 19 - O psicólogo, ao participar de atividade em veículos de comunicação,


zelará para que as informações prestadas disseminem o conhecimento a
respeito das atribuições, da base científica e do papel social da profissão.

Art. 20 - O psicólogo, ao promover publicamente seus serviços, por quaisquer


meios, individual ou coletivamente:

a. Informará o seu nome completo, o CRP e seu número de registro;


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b. Fará referência apenas a títulos ou qualificações profissionais que possua;

c. Divulgará somente qualificações, atividades e recursos relativos a técnicas e


práticas que estejam reconhecidas ou regulamentadas pela profissão;

d. Não utilizará o preço do serviço como forma de propaganda;

e. Não fará previsão taxativa de resultados;

f. Não fará auto-promoção em detrimento de outros profissionais;

g. Não proporá atividades que sejam atribuições privativas de outras categorias


profissionais;

h. Não fará divulgação sensacionalista das atividades profissionais.

Das Disposições Gerais

Art. 21 - As transgressões dos preceitos deste Código constituem infração


disciplinar com a aplicação das seguintes penalidades, na forma dos
dispositivos legais ou regimentais:

a. Advertência;

b. Multa;

c. Censura pública;

d. Suspensão do exercício profissional, por até 30 (trinta) dias, ad referendum do


Conselho Federal de Psicologia;

e. cassação do exercício profissional, ad referendum do Conselho Federal de


Psicologia.

Art. 22 - As dúvidas na observância deste Código e os casos omissos serão


resolvidos pelos Conselhos Regionais de Psicologia, ad referendum do
Conselho Federal de Psicologia.

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Art. 23 - Competirá ao Conselho Federal de Psicologia firmar jurisprudência


quanto aos casos omissos e fazê-la incorporar a este Código.

Art. 24 - O presente Código poderá ser alterado pelo Conselho Federal de


Psicologia, por iniciativa própria ou da categoria, ouvidos os Conselhos
Regionais de Psicologia.

Art. 25 - Este Código entra em vigor em 27 de agosto de 2005.

ELABORAÇÃO DE DOCUMENTOS DECORRENTES DE AVALIAÇÃO


PSICOLÓGICA13

Além dos cuidados que se deve ter em todas as etapas da avaliação


psicológica, como na escolha dos testes a serem utilizados, outro momento que
necessita de atenção é a elaboração do informe com os resultados desta avaliação.
Este se constitui de um resumo das conclusões diagnósticas e prognósticas do caso
estudado e pode incluir recomendações terapêuticas. Ele também se diferencia
dependendo do seu objetivo e solicitante (ARZENO, 1995).
Ao produzir os documentos de informe, o psicólogo deve basear-se nos
princípios éticos e técnicos, apresentando sua fundamentação científica para embasar
suas ideias e conclusões (CFP, 2006).
A diferenciação entre nomes, formas de apresentação e objetivos dos
documentos que podem ser emitidos por profissionais da Psicologia, decorrentes de
avaliação psicológica, geralmente é motivo de dúvida. Sendo assim, esta unidade
pretende abordar os documentos mais conhecidos e utilizados, como, por exemplo, a
declaração, o atestado psicológico, relatório e laudo psicológicos e parecer
psicológico.
É importante desde já esclarecer que a declaração e o parecer psicológico não
são decorrentes da avaliação psicológica, mas, por serem muitas vezes utilizados
desta forma, se fazem presentes nesta unidade.

13
Retirado de apostilas específicas EducaPsico
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Informe Psicodiagnóstico

O informe, como dito anteriormente, refere-se ao resumo das conclusões


diagnósticas e prognósticas, e deve fazer parte de cada conjunto dos documentos
relativos às avaliações realizadas, seja num trabalho particular (como consultório),
seja em instituições, devendo ser guardados por um período de cinco anos (ARZENO,
1995; CFP, 2006).
No trabalho institucional, a realização do informe é imprescindível, uma vez que
diversos profissionais poderão ter acesso a este, como resposta a um pedido de
avaliação, e até mesmo outro profissional da área de Psicologia, seja devido à
rotatividade encontrada em tais estabelecimentos ou pelo fato de este poder dar
seguimento ao caso num trabalho terapêutico, por exemplo (ARZENO, 1995).
Por vezes pode ocorrer também um novo pedido de avaliação após algum
tempo, como no caso de alguma intervenção terapêutica ou cirúrgica, o que permite
uma comparação entre o informe atual e o anterior (ARZENO, 1995).
Pelo fato de poder ser outro o profissional a realizar, ou a ter realizado, a
avaliação e por geralmente estes informes serem encaminhados de modo escrito, em
forma de documento, a outros profissionais, não só da área da saúde, mas também
educacional e judicial, a maneira de redigi-los é bastante relevante, uma vez que
qualquer informação colocada poderá ser utilizada a favor, ou não, do paciente
avaliado.
A linguagem técnica é geralmente utilizada ao se enviar o documento a outro
profissional da mesma área. Referindo-se a testes, termos comuns à psicopatologia,
psicoterapia etc. Uma linguagem menos técnica e mais concisa é utilizada ao se emitir
o informe a profissionais da área da educação, tomando maiores precauções para não
transparecer intimidades do caso que não se relacionem com o campo pedagógico, ou
deixar brechas para a utilização de rótulos desnecessários, sendo importante
evidenciar potencialidades. Para médicos, geralmente interessados em receber
informações sobre a presença ou ausência de transtornos, o informe pode ser conciso,
com respostas claras aos objetivos da avaliação. No campo judicial, o informe deve
ser expresso em termos bastante inequívocos, afirmações que não sejam dúbias,
definições e conclusões claras e elucidativas, fazendo uso de alguns pontos do

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material utilizado e termos comuns ao âmbito forense, para que as informações


passadas não sejam utilizadas como convier à causa. Já no informe para fins
trabalhistas, este deve, preferencialmente, informar se os traços de personalidade
requeridos para a função são presentes, adequados, aceitáveis ou ausentes no
aspirante ao cargo, lembrando-se de apresentar as potencialidades do sujeito e até
mesmo qual seria o cargo para o qual estas seriam mais aproveitadas (ARZENO,
1995).
Algumas vezes, por insegurança, inexperiência ou com a finalidade de fazer
muito bem seu trabalho, o profissional psicólogo pode vir a colocar no documento de
informe tudo o que foi observado durante a avaliação, porém, não se deve dizer
absolutamente tudo, e sim o que foi solicitado, e servirá para esclarecer as conclusões
obtidas. Ou seja, é importante dizer o necessário e de uma forma que sempre possa
ser interpretado com objetividade e não possa ser usado em prejuízo do sujeito
avaliado (ARZENO, 1995; CFP, 2006).

Documentos Emitidos pelos Profissionais Psicólogos

Dando continuidade às questões referentes à maneira de se redigir os


documentos de informe, o Conselho Federal de Psicologia, pela resolução nº
007/2003, instituiu um Manual de Elaboração de Documentos Decorrentes de
Avaliações Psicológicas. Este será utilizado nos tópicos a seguir a fim de elucidar,
baseado nos preceitos do CFP, as definições, formas de apresentação etc. dos
documentos.

Princípios para Redação dos Documentos

Para a redação dos documentos, o psicólogo deverá adotar técnicas de


linguagem escrita e os princípios éticos, técnicos e científicos de sua profissão
(CONSELHO, 2003).
Quanto à linguagem escrita, o documento deve apresentar uma redação bem
estruturada, concisa, harmônica e clara, possibilitando a expressão do que realmente
se quer comunicar. Desta forma, deve se restringir pontualmente às informações que

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se fizerem necessárias, recusando qualquer tipo de consideração que não tenha


relação com a finalidade do documento específico (CONSELHO, 2003).
A clareza se revela na estrutura frasal, pela sequência/ordenamento adequado
dos conteúdos. A concisão se verifica no emprego da linguagem adequada, da palavra
exata e necessária. Essa ―economia verbal‖ requer do psicólogo a atenção para o
equilíbrio que evite uma redação muito sucinta ou o exagero de uma redação prolixa
(CONSELHO, 2003).
Por fim, a harmonia está presente na correlação adequada das frases, no
aspecto sonoro e na ausência de vícios de linguagem e/ou cacofonias (sons
desagradáveis formados pela união de palavras que podem dar a estas, sentido
pejorativo, obsceno ou engraçado) (CONSELHO, 2003).
A ordenação do documento deve possibilitar sua compreensão por quem o lê,
o que é permitido pela coerência gramatical, estrutura e composição de parágrafos ou
frases (CONSELHO, 2003).
Frases e termos devem ser utilizados de forma compatível com as expressões
próprias da linguagem profissional, garantindo a precisão da comunicação, evitando a
diversidade de significações da linguagem popular, considerando a quem o documento
será destinado. O que não significa que a linguagem deva ser sempre técnica, como
dito no tópico anterior, e sim que, quando há necessidade de termos mais simples,
estes devem corresponder aos seus reais significados (CONSELHO, 2003).
Com relação aos princípios técnicos, o documento deve considerar a natureza
dinâmica, não definitiva e não cristalizada do seu objeto de estudo (CONSELHO,
2003).
O profissional psicólogo, ao produzir documentos escritos, deve se basear
exclusivamente nos instrumentais técnicos (entrevistas, testes, observações,
dinâmicas de grupo, escuta, intervenções verbais) que se caracterizam como métodos
e técnicas psicológicas para a coleta de dados, estudos e interpretações de
informações a respeito do sujeito atendido, bem como sobre outros materiais e grupo
atendidos e sobre outros materiais e documentos produzidos anteriormente e
pertinentes à matéria em questão. Esses instrumentais técnicos devem obedecer às
condições mínimas requeridas de qualidade e de uso, devendo ser adequados à
investigação em questão (CONSELHO, 2003).

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Outro fato importante de ser lembrado é que todas as laudas, desde a primeira
até a penúltima, devem ser rubricadas, considerando que a última estará assinada, em
toda e qualquer modalidade de documento (CONSELHO, 2003).
Por fim, fazendo referência aos princípios éticos, ao elaborar um documento, o
psicólogo deverá sempre basear suas informações nos princípios e dispositivos do
Código de Ética Profissional do Psicólogo. Dentre estes, os cuidados em relação aos
deveres do psicólogo nas suas relações com a pessoa atendida, ao sigilo profissional,
às relações com a justiça e ao alcance das informações – identificando riscos e
compromissos em relação à utilização das informações presentes nos documentos em
sua dimensão de relações de poder (CONSELHO, 2003).
Seria expressamente proibido realizar, sob toda e qualquer condição, do uso
dos instrumentos, técnicas psicológicas e da experiência profissional da Psicologia na
sustentação de modelos institucionais e ideológicos que perpetuem qualquer forma de
segregação (CONSELHO, 2003).
Deve-se realizar uma prestação de serviço responsável pela execução de um
trabalho de qualidade cujos princípios éticos sustentam o compromisso social da
Psicologia (CONSELHO, 2003).

Tipos de Documentos

Neste tópico será apresentado conceito, finalidade e estrutura de cada tipo de


documento que pode ser emitido pelo profissional psicólogo, a saber: declaração,
atestado psicológico, relatório/laudo psicológico e parecer psicológico (CONSELHO,
2003).

Declaração

Documento que visa informar a ocorrência de fatos ou situações objetivas


relacionados ao atendimento psicológico. Nele não devem ser feitos registros de
sintomas, situações ou estados psicológicos (CONSELHO, 2003).
Tem a finalidade de declarar:
- Comparecimentos do atendido e/ou do seu acompanhante, quando necessário;
- Acompanhamento psicológico do atendido;

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- Informações sobre as condições do atendimento (tempo de acompanhamento, dias


ou horários).
Quanto à estrutura, a declaração deve expor:
- Registro do nome e sobrenome do solicitante;
- Finalidade do documento (por exemplo, para fins de comprovação);
- Registro de informações solicitadas em relação ao atendimento (por exemplo: se faz
acompanhamento psicológico, em quais dias, qual horário);
- Registro do local e data da expedição da declaração;
- Registro do nome completo do psicólogo, sua inscrição no CRP e/ou carimbo com as
mesmas informações.
- Assinatura do psicólogo acima de sua identificação ou do carimbo.
A declaração deve ser emitida em papel timbrado ou apresentar na subscrição
do documento o carimbo, em que constem nome e sobrenome do psicólogo, acrescido
de sua inscrição profissional (―Nome do psicólogo / N.º da inscrição‖).

Atestado Psicológico

Este documento é utilizado para certificar uma determinada situação ou estado


psicológico, e tem como finalidade afirmar sobre as condições psicológicas de quem o
solicita, por requerimento, com fins de:
- Justificar faltas e/ou impedimentos do solicitante;
- Justificar estar apto ou não para atividades específicas, após realização de um
processo de avaliação psicológica, dentro do rigor técnico e ético;
- Solicitar afastamento e/ou dispensa do solicitante, subsidiado na afirmação atestada
do fato, em acordo com o disposto na Resolução CFP nº. 015/96.
Ao se formular o atestado, as informações devem restringir-se às solicitadas,
contendo somente o fato constatado. Embora seja um documento simples, deve
cumprir algumas formalidades (CONSELHO, 2003).
O atestado deve ser emitido em papel timbrado ou apresentar na subscrição do
documento o carimbo, em que conste o nome e sobrenome do psicólogo, acrescido de
sua inscrição profissional (―Nome do psicólogo / N.º da inscrição‖).
Ele deve expor:
- Registro do nome e sobrenome do cliente;

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- Finalidade do documento;
- Registro da informação do sintoma, situação ou condições psicológicas que
justifiquem o atendimento, afastamento ou falta – podendo ser registrado sob o
indicativo do código da Classificação Internacional de Doenças em vigor;
- Registro do local e data da expedição do atestado;
- Registro do nome completo do psicólogo, sua inscrição no CRP e/ou carimbo com as
mesmas informações;
- Assinatura do psicólogo acima de sua identificação ou do carimbo.
Para evitar adulterações no documento, os registros devem estar transcritos de
forma corrida, ou seja, separados apenas pela pontuação, sem parágrafos. Caso haja
necessidade da utilização de parágrafos, o psicólogo deve preencher esses espaços
com traços (CONSELHO, 2003).
É importante ressaltar que o atestado emitido para justificar aptidão ou não
para determinada atividade, através do uso do psicodiagnóstico, deve ter seu relatório
correspondente guardado nos arquivos profissionais do psicólogo, pelo prazo mínimo
de cinco anos, ou o prazo previsto por lei (CONSELHO, 2003).

Relatório ou Laudo Psicológico

Referem-se a uma apresentação descritiva acerca de situações e/ou condições


psicológicas e suas determinações históricas, sociais, políticas e culturais,
pesquisadas no processo de avaliação psicológica. Como todo documento, deve ser
subsidiado nos dados colhidos e analisados, à luz de um instrumental técnico baseado
em referencial técnico-filosófico e científico adotado pelo psicólogo.
Finalidade do relatório ou laudo psicológico: apresentar os procedimentos e
conclusões geradas pelo processo da avaliação psicológica, relatando sobre o motivo
do encaminhamento, as intervenções, o diagnóstico, o prognóstico e a evolução do
caso, orientação e sugestão de projeto terapêutico, bem como, caso necessário,
solicitação de acompanhamento psicológico, limitando-se a fornecer somente as
informações necessárias relacionadas à demanda, solicitação ou petição
(CONSELHO, 2003).
O relatório psicológico é uma peça escrita de natureza e valor científicos.
Sendo assim, deve conter narrativa detalhada e didática, com clareza, precisão e

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harmonia, tornando-se acessível e compreensível ao destinatário. Os termos técnicos


devem, portanto, estar acompanhados das explicações e/ou conceituação retiradas
dos fundamentos teórico-filosóficos que os sustentam (CONSELHO, 2003).
Quanto à sua estrutura, o relatório psicológico deve conter no mínimo cinco
itens: identificação, descrição da demanda, procedimento, análise e conclusão.

Identificação
Constitui-se da parte superior do primeiro tópico do documento com a
finalidade de identificar:
- AUTOR/relator – quem elabora – nome(s) do(s) psicólogo(s) que realizará(ão) a
avaliação, com a(s) respectiva(s) inscrição(ões) no Conselho Regional;
- INTERESSADO – quem solicita – nome do autor do pedido (se a solicitação foi da
Justiça, se foi de empresas, entidades ou do cliente);
- ASSUNTO/finalidade – o psicólogo indicará a razão, o motivo do pedido (se para
acompanhamento psicológico, prorrogação de prazo para acompanhamento ou outras
razões pertinentes a uma avaliação psicológica) (CONSELHO, 2003).

Descrição da Demanda
Esta parte destina-se à descrição das informações referentes à problemática
apresentada e dos motivos, razões e expectativas que produziram o pedido do
documento. Nesta parte, deve-se apresentar a análise que se faz da demanda,
justificando o procedimento adotado (CONSELHO, 2003).

Procedimento
Nesta parte serão apresentados os recursos e instrumentos técnicos utilizados
para coletar as informações (número de encontros, pessoas ouvidas etc.) à luz do
referencial teórico-filosófico que os embasa (CONSELHO, 2003).
O procedimento adotado deve ser pertinente para avaliar a complexidade do
que está sendo demandado.

Análise
Na análise, o psicólogo faz uma exposição descritiva de forma metódica,
objetiva e fiel dos dados colhidos e das situações vividas relacionados à demanda.

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Como apresentado anteriormente, nos princípios técnicos, ―O processo de avaliação


psicológica deve considerar que os objetos deste procedimento (as questões de
ordem psicológica) têm determinações históricas, sociais, econômicas e políticas,
sendo as mesmas, elementos constitutivos no processo de subjetivação. O
documento, portanto, deve considerar a natureza dinâmica, não definitiva e não
cristalizada do seu objeto de estudo‖ (CONSELHO, 2003).
Nessa exposição, deve-se respeitar a fundamentação teórica que sustenta o
instrumental técnico utilizado, bem como princípios éticos e as questões relativas ao
sigilo das informações. Somente deve ser relatado o que for necessário para o
esclarecimento do encaminhamento, conforme explicita o Código de Ética Profissional
do Psicólogo. O psicólogo, ainda nesta parte, não deve fazer afirmações sem
sustentação em fatos e/ou teorias, devendo ter linguagem precisa, especialmente
quando se referir a dados subjetivos.

Conclusão
Na conclusão do relatório, serão expostos o resultado e/ou considerações a
respeito de sua investigação. As considerações geradas pelo processo de avaliação
psicológica devem transmitir ao solicitante tanto a análise da demanda como do
processo de avaliação psicológica como um todo.
Vale ressaltar a importância de sugestões e projetos de trabalho que
contemplem
as variáveis envolvidas durante todo o processo (CONSELHO, 2003).
Após isto, o documento é encerrado, com indicação do local, data de emissão,
assinatura do psicólogo e o seu número de inscrição no CRP.

Parecer Psicológico

O parecer é um documento fundamentado e resumido sobre uma questão focal


do campo psicológico cujo resultado pode ser indicativo ou conclusivo (CONSELHO,
2003).
Ele tem como finalidade apresentar uma resposta esclarecedora no campo do
conhecimento psicológico, através de uma avaliação especializada, de uma ―questão
problema‖, visando diminuir dúvidas que estão interferindo na decisão, sendo,

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portanto, uma resposta a uma consulta, que exige de quem responde competência no
assunto (CONSELHO, 2003).
O psicólogo parecerista deve fazer a análise do problema apresentado,
destacando os aspectos relevantes e opinar a respeito, considerando os quesitos
apontados e com fundamento em referencial teórico-científico (CONSELHO, 2003).
Havendo quesitos, o psicólogo deve respondê-los de forma sintética e
convincente, não deixando algum sem resposta. Quando não houver dados para a
resposta ou quando o psicólogo não puder ser categórico, deve-se utilizar a expressão
―sem elementos de convicção‖. Se o quesito estiver mal formulado, pode-se afirmar
―prejudicado‖, ―sem elementos‖ ou ―aguarda evolução‖ (CONSELHO, 2003).
Quanto à estrutura, tem-se que o parecer é composto de quatro itens:
identificação, exposição de motivos, análise e conclusão.

Identificação
Identifica o nome do parecerista e sua titulação, o nome do autor da solicitação
e sua titulação.

Exposição de Motivos
Nesta parte o parecerista transcreve o objetivo da consulta e dos quesitos ou
apresenta as dúvidas levantadas pelo solicitante. Deve-se apresentar a questão em
tese, não sendo necessária, portanto, a descrição detalhada dos procedimentos, como
os dados colhidos ou o nome dos envolvidos (CONSELHO, 2003).

Análise
A discussão do parecer psicológico se constitui na análise minuciosa da
questão explanada e argumentada com base nos fundamentos necessários
existentes, seja na ética, na técnica ou no corpo conceitual da ciência psicológica
(CONSELHO, 2003).
Nesta parte, deve respeitar as normas de referências de trabalhos científicos
para suas citações e informações.

Conclusão

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Parte final do parecer. O psicólogo deve apresentar seu posicionamento,


respondendo à questão levantada. Em seguida, deve informar o local e data em que
foi elaborado o documento e assiná-lo (CONSELHO, 2003).

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