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AO JUIZO DO TRABALHO DA ___ VARA DE RIO DO SUL – SANTA CATARINA.

CARLOS DE OLIVEIRA, brasileiro, casado, motorista, portador da CTPS nº 55.555 Série 0005,
CPF 555.555.555-55, CI nº 55.555 SESP/SC, residente e domiciliado na Rua das Flores, nº 555,
no Bairro Boa Vista, em Rio do Sul – SC, CEP 89.165.005, endereço eletrônico
coliveira@gmail.com.br, vem por intermédio de seu advogado infra-assinado, com escritório
funcional localizado no endereço constante no instrumento de mandato incluso, o qual deve
ser fixado para futuras intimações, ajuizar:

AÇÃO TRABALHISTA, em face de:

TRANSPORTES & TRANSPORTES LTDA, pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ
sob nº 55.555.555.0001-55, com sede na Rua Brasil nº 55, no Bairro Budag, em Rio do Sul, SC
CEP 89160-055, tendo como endereço eletrônico: www.transportestransportes@gmail.coml,
pelos fatos e fundamentos expostos a seguir.

I - DOS FATOS

1. O reclamante foi contratado em 20/04/2012, pela reclamada, em Rio do Sul, para realizar
entregas de mercadorias na região do alto vale, mediante remuneração mensal de um salário
convencional, que em junho de 2021 era de R$2.900,00.

2. Trabalhava de segunda até sexta feira das 07h30min até 12h00min e das 13h00min até
18h30min, no sábado das 07h30min até 13h00 horas e não recebia horas extras.

3. Como declinado, laborava habitualmente de segunda até sexta feira 10 horas diárias e no
sábado mais 5,5 horas o que totalizava na semana 55,5 horas, restando 11,5 destas como
extraordinárias, que na média de 4,5 semanas no mês somavam 51,75 horas. Na
contratualidade não prescrita de 4 anos 2 meses (52,5 meses) totalizaram 2.587,5 horas
extraordinárias.

4 - O controle das atividades se dava pela retirada e devolução do veículo no pátio da empresa,
além do controle de entrega das mercadorias nas rotas estabelecidas semanalmente. 

5. As horas extras eram habituais e ocorreram durante todo o pacto laboral. Não havia
controle via cartão ponto, mas sim pela retirada das chaves do veículo no início da manhã e a
devolução ao final do expediente na guarita do pátio da reclamada. Nos sábados somente saia
depois de efetuar a limpeza semanal do veículo.

6. Na data de 28/07/2021 o reclamante foi dispensado, tendo a empresa alegado justa causa
“bebedeira em serviço”. No entanto, o reclamante nega que tenha ingerido bebidas alcóolicas
em serviço durante toda a contratualidade, bem como alega não ter se apresentando para
trabalhar em condições de embriaguez.
7. No dia da dispensa houve confusão com uma situação de rosto inchado pela noite mal
dormida e pela topada que causou uma leve queda no pátio da empresa. Levando em
consideração, apenas por hipótese, de que o reclamante era pessoa com problemas de
alcoolismo, fato que se nega, mas que aqui se trabalha apenas para fins argumentativos, então
caberia à empresa lhe ofertar tratamento, fato que nunca ocorreu.

8. O reclamante não possui histórico de acidentes, multas ou comportamento inadequado na


empresa ou no trânsito, sendo que nunca foi advertido muito menos suspenso.

II - DO DIREITO

9. O reclamante, como já dito outrora, tinha como jornada de trabalho das 07h30min às
18h30min, com 1 hora de intervalo, das 12h00 às 13h00 horas e aos sábados das 07h30min
até 13h00 horas, desta forma ultrapassou os limites legais estabelecidos no artigo 7º, XIII da
CF, devendo ser remunerado nas horas extras realizadas com o adicional previsto no mesmo
artigo em seu inciso XVI.

10. Como restará provado em sede de instrução processual, o reclamante faz jus à percepção
do pagamento de horas extras, referente ao período não prescrito de toda a relação laboral
havida entre as partes, acrescido de 50% sobre a hora normal, conforme dispõe igualmente
o parágrafo 1º do artigo 59 da CLT.

11. A delimitação de um período máximo para o trabalho visa proteger a integridade física e
psíquica do trabalhador, neste sentido o ordenamento jurídico já mencionado dispõe regras de
proteção.

12. A rescisão contratual indica erroneamente motivação para o fim do contrato, no entanto,
não houve causa para aplicação desta modalidade de rescisão, visto que as falhas apontadas
não existiram e mesmo que se algum desvio apontado tivesse ocorrido a reclamada deveria
atuar de forma distinta. A rescisão aplicada desvirtua a realidade e mascara a verdade, deve
ser modificada para rescisão sem justa causa, sendo a rescisão nula nos termos do artigo 9º da
CLT.

13. Em razão do ocorrido o reclamante foi humilhado ao ser acusado de embriaguez, fato que
sempre negou, tal constrangimento comprometeu sua disponibilidade ao mercado de trabalho
dificultando, a recolocação na profissão que o reclamante atua de longa data, neste sentido a
utilização do disposto no artigo 223, letra g, caput e parágrafo primeiro, III, ou IV servem de
parâmetros para aplicação legal do dano moral.

14. O reclamante por não receber as horas extras possui direito em receber do reclamado a
multa prevista na CCT da categoria vigente, cláusula ....., pois houve desobediência às
determinações da referida convenção cláusula .....

15. Não operando o pagamento de verbas rescisórias em prazo e modo adequado também
deve o reclamante arcar com as penalidades da CLT, conforme regras do artigo 477, parágrafos
6º e 8º, mesmo que pela forma declinada na súmula 291 do TST, ante a não inclusão das horas
extras na rescisão de contrato;
16. O não pagamento das horas extras habitualmente realizadas geram direito ao pagamento
dos reflexos destas horas nos DSR e feriados nos décimos terceiros salários, nas férias com 1/3,
no aviso prévio e no FGTS com 40%, além de que, cabe entender que o valor completo deve
integrar o computo do valor das multas que devem ser calculadas com base na maior
remuneração, ou seja, com a média das horas extras inclusas.

Para servir de base legal aos reflexos o reclamante aponta os seguintes dispositivos: aviso
prévio (art. 487, §5°, CLT), férias (art. 142, §5°, CLT), 13° salário (art. 2°, Decreto-Lei n°
57.155/65), descanso semanal remunerado (súmula 172 TST) e FGTS (súmula 593 STF).

17.  O reclamante em razão de sua situação financeira não reúne condições de arcar com o
pagamento de custas e honorários advocatícios sendo detentor dos requisitos para receber a
gratuidade da justiça nos termos da legislação atual, Lei 13.467/2017, neste sentido deve ser
considerado presumidamente necessitado pois não possui renda.

III – DO PEDIDO

18. Diante dos fatos e direitos apresentados pretende receber as seguintes verbas e
providencias:

2900/220 = 13,18+50% = 19,77 valor hora*3105 horas = 61.395,31

01 Horas extras. (3.105) (60 meses) R$ 61.394,31 equivalente a R$ 1.023,23 ou 34,10 por dia;

02 Refl. horas extras no DSR (270 d.) + Feriados (50) 320 dias * 34,10/dia= R$   10.914,54;

03 Reflexos das horas extras no aviso prévio. (90 dias) (181,90+1023,23=1205,13*3) * 3


meses= R$   3.615,42

04 Refl. h. ext. no 13°sal. dá cont. não prescrita. + proj. av. = (1.205,13*5=6025,65) = R$  


6.025,65;

05 Reflexos das horas extras nas férias com 1/3. c/proj. Av. R$ 6025,65*0,3333 = R$8.034,19

7230,77

06 Refl.s h. extras no FGTS com 40%. (11,2%) (R$89.727,37) = R$ 10.049,46


Subtotais h.extras=100.580,25

07. Multa CCT e da categoria clausula XY. R$   3.923,23

08. Multa súmula 291 TST ref. Art. 477, 6º e 8º R$ 5.116,15

09. Aviso prévio (90 dias) R$ 8.700,00

10. 13º sal. prop. 2022 incl. P. aviso prévio (10/12). R$    2.416,66

12 Férias prop. com 1/3 = R$ 1.933,33 (6/12)

13. Indenização de 40% FGTS (136,33 depósitos do FGTS=31.628,56) da contratualidade =


12.651,42;

14. Dano moral (50 salários da CTPS (R$2.900 x 50) R$ 145.000,00

SUBTOTAL  R$ 26.996,48

Total Geral..............................................................................; R$281.616,11 (...)

Reclama ainda o fornecimento das guias de rescisão de contrato de trabalho com indicação de
se tratar de dispensa sem justa causa, para possibilitar o saque dos valores depositados a título
de FGTS junto a CEF, bem como do exercício do seguro desemprego. 

Neste sentido reclama ainda de forma alternativa, caso não seja apresentada a guia de
rescisão em tempo hábil para o exercício do seguro desemprego, e ou não se tenha a
determinação judicial para inclusão formal de pedido e liberação do pagamento de tal seguro,
que lhe seja paga uma indenização no valor correspondente as parcelas do seguro
desemprego inviabilizadas e que poderiam ser sacadas, no valor de R$ 9.559,20 (...), 5 parcelas
de R$1.911,20.

19. para regular processamento do feito requer ainda:

a) O recebimento da presente ação bem como dos documentos que a instruem, determinando
a notificação citatória da empresa reclamada na pessoa de seu representante legal, para que
compareça querendo na audiência de conciliação, instrução e julgamento a ser designada, seja
para propor/realizar acordo ou apresentar defesa sob pena de revelia e confissão quanto a
matéria alegada, além do disposto no artigo 467 para as verbas incontroversas;
b) Dar procedência aos pedidos formulados condenando a reclamada no pagamento de todas
as verbas especificadas no item 18 da exordial e nas providencias aqui requeridas e também,
caso ocorra o não fornecimento das guias, ou inviabilizado, no pedido alternativo de
indenização pelo seguro desemprego, tudo devidamente corrigido na data de seu efetivo
pagamento, bem como nas custas e honorários advocatícios;

c) produção de todos os meios de prova em direito admitidos, notadamente a documental


anexa, depoimento pessoal do reclamado, sob pena de confissão, testemunhal, pericial e
demais que se fizerem necessárias;

d) com a sentença determinara notificação dos órgãos responsáveis pela fiscalização, a saber:
CEF, INSS, SRF, DRT, para que cientes tomem as medidas que entenderem pertinentes ao caso;

e) determinar a atualização dos valores apontados em sentença por cálculo de liquidação a ser
efetuado pelo contador desta unidade judicial por ocasião do efetivo pagamento utilizando
como critério para os encargos o de competência mês, no sentido de evitar que o computo do
tributo seja efetuado sobre o total alcançado;

f) concessão da gratuidade da justiça nos termos da CRFB/1988 e do parágrafo 3° do artigo 790


da CLT, com base na nova redação aplicada pela Lei n° 13.467/17, pois se trata de trabalhador
que não dispõe de recursos para custear as despesas do processo e honorários advocatícios
sem que não venha sofrer prejuízo no sustento próprio e no da família.

Atribui à causa o valor de R$281.616,11 (...)

                                       Rio do Sul/SC, 17 agosto de 2022. 

MARÇAL LUCAS FRARE

OAB/SC N. XXXXXX

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