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© 2006, Elsevier Editora Ltda. Todos os direitos reservados e protegidos pela Lei no 9.610, de 19/02/1998. Nenhuma parte deste livro, sem autorização prévia por escrito da editora, poderá ser reproduzida ou transmitida, sejam quais forem os meios empregados: eletrônicos, mecânicos, fotográficos, gravação ou quaisquer outros. Editoração Eletrônica SBNIGRI Artes e Textos Ltda. Revisão Gráfica Tânia Gonçalves Coordenador da Série Sylvio Motta Projeto Gráfico Elsevier Editora Ltda. A Qualidade da Informação Rua Sete de Setembro, 111 — 16o andar 20050-006 — Rio de Janeiro — RJ — Brasil Telefone: (21) 3970-9300 Fax (21) 2507-1991 E-mail: info@elsevier.com.br Escritório São Paulo Rua Quintana, 753 – 8o andar 04569-011 – Brooklin – São Paulo – SP Telefone: (11) 5105-8555 ISBN 13: 978-85-352-1985-2 ISBN 10: 85-352-1985-4 Muito zelo e técnica foram empregados na edição desta obra. No entanto, podem ocorrer erros de digitação, impressão ou dúvida conceitual. Em qualquer das hipóteses, solicitamos a comunicação à nossa Central de Atendimento, para que possamos esclarecer ou encaminhar a questão. Nem a editora nem o autor assumem qualquer responsabilidade por eventuais danos ou perdas a pessoas ou bens, originados do uso desta publicação. Central de atendimento Tel: 0800-265340 Rua Sete de Setembro, 111, 16o andar – Centro – Rio de Janeiro e-mail: info@elsevier.com.br site: www.campus.com.br

CIP-Brasil. Catalogação-na-fonte. Sindicato Nacional dos Editores de Livros, RJ _________________________________________________________________________ P698d Pimentel, Carlos Barbosa Direito Comercial: teoria e questões comentadas / Carlos 5. ed. Barbosa Pimentel — 5. ed. — Rio de Janeiro: Elsevier, 2006. 376p. — (Impetus provas e concursos) Inclui bibliografia ISBN: 85-352-1985-4 1. Direito comercial. 2. Direito comercial – Problemas, questões, exercícios. 3. Serviço público – Brasil – Concursos. I. Título. II. Série. CDU — 347.7(81) 05-3692. _________________________________________________________________________

Dedicatórias

Aos meus pais, que me ensinaram a importância do conhecimento; à Patrícia, minha esposa, pelo estímulo e compreensão; aos meus filhos, Carlinhos e Clarinha, que inundaram minha alma de felicidade; ao meu sobrinho, Victor, que sempre esteve presente em minha vida; aos amigos sinceros, pelo apoio e ajuda na realização deste trabalho.

Nota do Autor

A disciplina a que nos propomos estudar tem como característica a variedade de normas regulamentadoras. São muitas leis e decretos, todos tendentes a estabelecer regras a respeito de Empresários, Empresas, Registro Público de Empresas, Livros Empresariais, Títulos de Crédito, Falência, Concordata, Contratos Mercantis, entre outros temas ligados ao Direito Comercial. Quando a finalidade do estudo é a participação e a aprovação em concursos públicos, devemos estar atentos para o melhor aproveitamento possível do tempo disponível, sem desperdiçá-lo na leitura de assuntos que não se referem diretamente aos programas. Geralmente, o aluno iniciante depara-se com certa dificuldade, absolutamente compreensível, devido à diversidade própria da matéria. Ciente da importância de maximizar o aprendizado, face à extensão dos tópicos constantes nos editais, que não são poucos, procurei reunir numa única obra os objetos do Direito Comercial mais requeridos nos competitórios, já aproveitando as novidades introduzidas pelo Código Civil de 2002, sobretudo no que se refere ao Direito de Empresa e Empresários. Este trabalho, portanto, desenvolvido tanto a partir da observação de questões presentes em concursos realizados pelas mais conceituadas instituições do gênero no país, como da leitura de importantes autores, a exemplo de Fábio Ulhoa Coelho, Fran Martins e Rubens Requião, entre outros, tem a finalidade de ajudar o candidato, na medida em que ele terá a oportunidade de apreciar os principais pontos da matéria, ao mesmo tempo em que disporá de cerca de oitenta quesitos comentados (todos extraídos de concursos). Com a pretensão de estar colaborando na busca pelo objetivo dos aspirantes a um cargo público, lembro que todo propósito a ser conseguido, por mais difícil que possa ser, necessita da conjunção de três fatores: a vontade de conquistá-lo, a persistência do agente e a organização de suas ações. Carlos Barbosa Pimentel carlospimentel@tce.pe.gov.br

depois. um ótimo aproveitamento e que o esforço de meu trabalho seja útil à realização dos objetivos de cada um. no sentido de debutar no conhecimento da ciência jurídico-comercial. cuja iniciativa nasceu da observação das grades curriculares de algumas universidades. sob uma visão finalística da matéria. a exemplo do item específico tratando das sociedades simples. O primeiro. com a evolução histórica do Direito Comercial até seu surgimento no Brasil. a partir desta edição. Nota à 3a edição Feliz por ter nova oportunidade de enriquecer este trabalho com cada vez mais matérias de Direito Comercial. procurando enfocar os principais temas ligados ao Direito Comercial sob a ótica de quem pretende enfrentar e vencer o desafio da aprovação em concursos públicos. embora válidos. que nasce dentro de cada um de nós. muitas vezes longo. Técnico do Banco Central etc. novas matérias. Auditor Fiscal da Receita Federal. ao mesmo tempo. que é o de oferecer. como os que venho observando nos últimos anos. portanto. não posso esquecer o objetivo inicial a que me propus. um material didático abrangente dos assuntos requeridos nas provas. e envolve a participação do Banco Central do Brasil na intervenção. é conhecido por “Liquidação Extrajudicial de Instituições Financeiras”. O outro tema acrescentado. remonta às origens do comércio. e. aproveito para inserir dois importantes temas relacionados à disciplina. Waldirio Bulgarelli. não trarão proveito prático. a exemplo do Auditor Fiscal da Previdência Social. Para que um trabalho dessa natureza atinja o fim a que se propõe. questões aplicadas em certames realizados mais recentemente. liquidação extrajudicial e administração especial temporária nas instituições financeiras e assemelhadas. Por isso. Desejo aos leitores. Diferente do primeiro. é preciso organizar as ações que permearão o caminho.Nota à 2a edição A segunda edição dessa obra mantém a opção por um estudo objetivo. até mesmo. pois o candidato que se prepara para enfrentar processos seletivos com tamanho grau de dificuldade. por fim. aproveitei para inserir novos conceitos. quando o desânimo e o pessimismo devem ser afastados. a persistência de quem parece disposto a atingir uma meta. . dentre outros). Lembrem-se! A conquista de um sonho necessita de três fatores: o primeiro é o desejo de alcançá-lo. Seu estudo proporcionará ao leitor um substrato importante. Fran Martins. deverá ser constantemente revisto e atualizado. não pode utilizar seu precioso tempo na leitura de ensinamentos que. Entrementes. enfocando-os com clareza e precisão. busquei reunir conceitos e avaliações de renomados mestres (cito Rubens Requião. este é contemplado em programas de vários editais de concursos públicos. apesar da vontade de enriquecer o livro com cada vez mais temas relacionados à disciplina. Para não me afastar da própria concepção objetiva da obra.

com graves conseqüências econômicas e sociais à nação. essa nova ordem. A falência.Nota à 4a edição O Direito é uma disciplina dinâmica. mais conhecida como a "Nova Lei de Falências". imprescindível era uma norma moderna. aqui entendidos pessoas físicas ou jurídicas. adaptável ao dinamismo da própria sociedade. que poderia ser intitulada como a "Lei de Recuperação e Falências das Empresas e dos Empresários". constituise no grande atrativo a essa 4a edição. sempre perseguidora do progresso e do bem-estar social. Essa busca dos grupos sociais por mudanças leva à necessidade de constantes conciliações entre os anseios do povo e as normas jurídicas aplicáveis. com seus detalhes mais importantes reunidos de maneira didática. Trata-se da recuperação judicial e extrajudicial. Se a antiga legislação. foi mantida. pois não trazia instrumentos para propiciar a recuperação de pessoas jurídicas que atravessassem crises momentâneas em seu fluxo de caixa. Foi com base nessas premissas que surgiu a Lei Federal no 11. capaz de possibilitar o soerguimento de empresas invariavelmente fadadas à extinção. nas quais devedor e credores têm a chance de resolver seus conflitos através de um plano de recuperação proposto pelo devedor e levado a juízo. representada pelo Decreto-lei no 7. mas com alterações. de 1945. . já não contribuía com a impulsão da atividade econômica. A Nova Lei de Falências. publicada em 09 de fevereiro próximo passado. Pois bem. que também conta com os demais capítulos já apresentados em edições passadas. da forma como era apresentada no antigo decreto. procurando sempre tornar a leitura o mais prazerosa possível ao leitor.101/2005. é um exemplo de como o sistema jurídico de um país deve acompanhar as mutações em seu panorama econômico.661. Isso porque trouxe novas formas de processamento para a recuperação dos empresários.

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em razão da excepcional qualidade das obras que apresenta. graças a dois fatores primordiais: a excelência dos professores signatários das obras que a compõem e o rígido controle de qualidade da Editora. de forma didática e agradável.Palavras da Coordenação A Série Impetus Provas e Concursos tem se consagrado junto ao seu fiel público leitor. E isso tem ocorrido. permeando sua narrativa de advertências oportunas para aquele que se prepara para enfrentar uma banca examinadora exigente. E é atestando a qualidade da obra que a Editora Campus/Elsevier tem o prazer de colocá-la em suas mãos. Sylvio Motta . Pois bem. O Professor Carlos Barbosa consegue dispor. agradecendo a confiança e fazendo de tudo para continuar a merecê-la. esta empreitada ainda dispõe de inúmeras questões de prova. Sempre foi objetivo desta Série propiciar ao candidato instrumentos eficazes para o seu êxito no certame público. o Direito Comercial. Atualizada pelo novo Código Civil. com essa obra não é diferente. para facilitar a fixação do conteúdo explanado.

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... Fontes do Direito Comercial ........... 14 9......... 1 2. Atividade Econômica . Evolução Histórica do Direito Comercial .........5...............................2......................................................................................4................... 1 1...... 14 9.............. 2 3........ 14 9................... 3 3..................... 21 11..... 3 3................. 18 10..................... 17 9........... 14 9....................... 21 11............................... 11 8........5.................................................... Os Fenícios ......... Origem do Comércio ......................................................... 13 9............. Os Estados Nacionais .......... 7 6.................................................3.......................... O Empresário Rural e o de Pequeno Porte .......................................... Império da Babilônia ..... Características do Direito Comercial .......................................1........ Surgimento do Direito Comercial .... Conceito .............. 3 3................ Requisitos ................ Conceito ......... Conceitos de Direito Comercial ........2...... 15 9.................... 4 3.............. Capacidade . Organização ... Os Romanos .. Autonomia do Direito Comercial ................................2............ Empresário ...............4..................2.................... 5 4.................... Idade Média ...............................3.......... 2 3. O Histórico do Direito Comercial no Brasil ......................... Profissionalismo ......4.................................................2...................................2............. Livros Empresariais ............................ Continuação da Empresa por Incapaz ..2........1......... 6 5......................................... 13 9................... 10 7.............................. 12 9.................................................................................... Classificação ..................1.. Os Impedidos ...............3......................1..2..... 22 ..................... 20 11.......................... 17 9... Prepostos do Empresário .....Sumário CAPÍTULO 1 NOÇÕES GERAIS .......

................... Composição ................... 25 12... 48 15............. 29 13. Patentes .. Princípios ......... Registrabilidade do Desenho Industrial . 35 14............5.... Inatividade do Registro .................................................... Do Pedido e Concessão da Patente ......... Conceito ................................. Força Probante ...........................2....... 50 15.....4.........4.......... 33 13....... Formação ....8..............................5.. Conceito ............ Eficácia do Registro . O Ponto Empresarial .. 39 14....................2............. 23 11........2..2..........................................1....................... Registro ... 27 12........................ Proteção ............4...... 47 15......... 24 Registro Público de Empresas ...... Das Licenças ........... Função .....4......................................................... 34 Nome Empresarial ....... 27 12.....................3.......................3........................ 29 Estabelecimento Empresarial ....... Modelo Organizacional do Registro ........... 14... 44 15... 51 15..................................................... Da Patente de Interesse da Defesa Nacional ....2.1.....................................4.......2............... 24 11.....2...........1.................................................... 42 15..3..............................................7........2.....................3............1..................1....... 43 15.............................. Da Realização por Empregado ou Prestador de Serviço . 15......................................... Natureza Jurídica .................... 41 Direitos de Propriedade Industrial ..2.............. 50 15...12.... Da Extinção da Patente .2.............................7.... Formalidades ..................5.............2.......1.............................. 30 13......6...2........... 29 13... 48 15............... Invenção e Modelo de Utilidade ..1.... Disposições Preliminares ... 31 13..... Da Vigência e da Proteção Conferida pela Patente .................... Alienação ........2............2........3......................... 11............................. 32 13.2................ Exibição dos Livros Empresariais ................................... 35 14....... 38 14...................... 40 14...... Utilização por quem de Direito .................................. 28 12............. 50 15............ 25 12........ 36 14.................................................... O Título do Estabelecimento . 38 14................................ 13. 45 15.......... Alienação ..5......... Da Nulidade da Patente .........6..............................3......................... Atos de Registro .. 51 ............3..................................... Disposições Preliminares .................... 42 15.............2........................

...6...5................5... 72 17...............4. Consumidor ............. Fornecedor ................................4........... 60 16..1......6.1........5.. 63 17..3.3.....3................................ 60 16......... 64 17......5.......... 74 17........... 53 15.....3.......... 63 17....... 60 16..1............. Da Vigência e da Proteção Conferida pelo Registro ........1............2.......... O Conselho Administrativo de Defesa Econômica – CADE .............. Meios de Proteção à Ordem Econômica .........4.......... Repressão às Infrações Contra a Ordem Econômica ...........................4................ Da Desconsideração da Personalidade Jurídica ........ 61 16........................... Da Publicidade .............. Direitos do Consumidor ......................... 53 15..................................... Da Decadência e da Prescrição ..........................8. 54 15.... 53 15.....3....... Da Intervenção Judicial ............ Das Responsabilidades ..........................4.............2.........7....... Dos Direitos Básicos do Consumidor ............5.......2.... Disposições Preliminares ................ 62 16.... Das Infrações e das Penas ................................. Da Proteção Contratual ........................3...2...3............... 58 16........4.......4. Indicações Geográficas .1.......................................2.............2.......................3..........4.. 68 17. 58 15. Da Responsabilidade por Vício do Produto ou do Serviço .... 52 15.1..... Disposições Preliminares ....................1......4.1... . Repressão aos Crimes Contra a Ordem Econômica ...... Da Extinção do Registro ................................................ Concorrência Desleal .............. 63 17. Disposições Preliminares ........ 73 17... 54 15....... 77 15... Da Nulidade do Registro ...Do Pedido e da Concessão do Registro de Desenho Industrial ..................... 57 15................. 63 17.... Do Pedido e da Concessão do Registro ................................... Da Responsabilidade pelo Fato do Produto ou do Serviço ......... 67 17....... Da Vigência e da Proteção Conferida pelo Registro ...3.......... 55 15..........................5.................. 56 15...................... Registro de Marcas ................. 57 15.....5.................................4........... 61 16......... 75 Exercícios ... 65 17..1.... Extinção do Registro .. 67 17... Da Nulidade do Registro ........

...........1............. Em Comandita Simples ..1........... 87 1..........8................................. 103 7............. Natureza ........................2......... Da Dissolução ..7.................. Modificação das Sociedades ..1............... 104 7........ 123 8................... Tipos de Sociedades ......................................... Dissolução da Sociedade ...... Da Resolução em Relação a um Sócio ........... 123 8.................... 94 5....2............4............... 130 8.3..1........................2..1........2....... Em Nome Coletivo .. 127 8..3.........7..........................1................. Constituição ............. Responsabilidade dos Sócios ..... Conceito ..5......... Em Conta de Participação ...8................. 87 1.....2...................4.....1..... Personificação das Sociedades .. 125 8....................4...... Administração .3................ 97 6........................1............. 123 8..............1........ 132 ....3................................................. 106 7...................... Em Comandita por Ações ............................ 93 4..............................1...... 117 7................ 103 7.........1..................1.. 114 7................... Da Liquidação Extrajudicial .. 118 7...2....... Regência ................. Sociedades Empresárias ............. 89 2....... Disposições Preliminares ...............7. 113 7.........4. Disposições Preliminares . 105 7......................1...... 121 8............................ Cessão de Quota Social ... Constituição das Sociedades ...3.......................1....1..... Responsabilidade dos Sócios ....... 128 8...........1.......... 108 7.. 103 7........ Deveres dos Sócios ....... O Sócio Quotista .4........5.......... Sociedades Simples ........... Classificação das Sociedades .... 111 7........................... Direitos dos Sócios .....1...1........................................4..................... Sociedade Limitada . 105 7............................ 124 8............................... 123 8..............1........................................2............... 88 1.1....... 128 8................ 124 8................. 116 7......... Deliberações Sociais .....................4...............................4.............. Conceito .. 110 7.. 100 7....6................ A Quota Social ... 91 3......8............1................CAPÍTULO 2 DIREITO DE EMPRESA .......... 112 7.............. Sociedades Simples ...............1..............4........................................ Da Liquidação Judicial ........... Formação do Capital Social ..... Constituição .... Da Liquidação ........1.. O Nome . 119 7..............1...........................................2........... O Patrimônio das Sociedades ....... 129 8.........

..... 188 ........................................................... Bônus de Subscrição ........ 173 12........................................... 141 9.............. 153 9........ 175 14.............. Liquidação e Extinção .....3............ 159 9.........8. 171 12.......1...........2..2..........8.................... 148 9...... Responsabilidades dos Acionistas ..... 167 10.... Debêntures .......... 169 10................8................................................................. Dissolução...3...................................................8..2......... Direitos dos Acionistas . 165 10.......................... Características Principais ......... Administração ...................11..............3............... Sociedade entre Cônjuges ........... Ações .......................... 165 10............. 176 Exercícios ..... 158 9............................ 144 9.................... 156 9.......... 170 11........................................... Dividendos Obrigatórios ............. 162 9........... Classificação das Cooperativas .............. 166 10...............................................................8.. 136 9..........................................................4.......11.... 173 12.. Sociedades de Economia Mista ................................3..1.................... 153 9............11............................3......................5....8.......... Ligações entre Sociedades ....... Sociedade Cooperativa .... 146 9......................................... 160 9.......7... Disposições Preliminares ............. 162 9.......... Sociedade Estrangeira ....................... Disposições Preliminares ..... Órgãos .........8............ 165 10.. 163 9..............2........................................ 163 10..10.......... Regência .... Partes Beneficiárias ........... Sociedades Anônimas ..4......6............ Livros Sociais .. Reservas e Dividendos .............. 156 9..6. Lucros........... 174 13...............5.....6.9.............. Disposições Gerais ............11.5....1....................11........................... Órgãos da Companhia .. 143 9......... Responsabilidade dos Sócios ........................ 169 10...... Órgãos da Limitada . 145 9..........3... Administração da Limitada ...................... 168 10..................................... Valores Mobiliários ......7....................11..3............. Dividendos ................ 157 9.......... 134 8. 141 9.................. Demonstrações Financeiras ..12......................2..... 159 9.... Conceito ........ Constituição .......................................1... Dividendos Prioritários ........... Sociedades Dependentes de Autorização .. Constituição ..... Deveres dos Acionistas .... Dissolução da Cooperativa ......................................1.........................2....................5...........8..............1....... Sociedade Nacional .. 174 12..... Administração da Companhia ........... 153 9.................... Reservas .......... 141 9.4.................. 158 9.....................

............................9... 214 8.............. 208 7................................. 201 2................ Características dos Títulos de Crédito .................................6............................. Endosso . 207 7......... 213 7............. Vencimento e Pagamento ...................................... 213 7............................................ Endosso. 215 8........................................... 216 9....... 211 7....1....... Vencimento.............................................. Requisitos de Validade ............................................ Vencimento ............ 204 6................ Nota Promissória .......... Aval.... Cheque ...........2......... 201 1.... 216 9.........................5............... 217 9........... 202 4.8...CAPÍTULO 3 DIREITO CAMBIÁRIO ........................................................................................... 220 ........................3............................................4........................................................................... 207 7..................................................11........... 214 8..........4.............. Conceito ............2....................... Conceito .......... Ressaque .................. 205 7...... Aval .............. 216 9....................................... 208 7.....................................12......... 212 7.............................. Conceito ...................... Legislação Aplicável ...................................... Atributos dos Títulos de Crédito ....................5.... Legislação Aplicável ............ Figuras Intervenientes ................. Aceite ....................1.......................................... Protesto ...... 214 8....3............... Endosso....... 207 7...... 219 9..................2..........................6...................... Legislação Aplicável ............................................. 216 9................. 218 9...............................9......................................... Aceite ........................................................ 218 9.. Aceite .. Ação de Cobrança .................. 215 8.... Figuras Intervenientes ................................................................... Ação de Cobrança.................... Requisitos de Validade .. Pagamento..................... Protesto ............................. 202 5.. 210 7........................... 219 9....3............................ Endosso ... Aceite.... Disposições Preliminares ..... 217 9..................6................ Conceito de Títulos de Crédito .................... Ação de Cobrança ........5...................... Aval................. Características Principais .. 219 9............................... Protesto ........ 202 3..................................................... Protesto . 215 8................................... 214 8..... Modo de Circulação ....... Pagamento ..........7............8..................10................... Aval ....10...............................1....4..11......... 216 9. Requisitos de Validade ...................................... Letra de Câmbio .......... 207 7.7.... Figuras Intervenientes . 209 7..

.. Títulos de Crédito Rural ............ A Massa Falida ........................................................ 226 11.. 249 1..................................................4............................................ Protesto .... Características Principais ............. 227 11.... 241 Introdução ..... Protesto .... Figuras Intervenientes ................ 223 10..................................................2. 225 10.......................................... 226 11... 226 11....................................... Legislação Aplicável ................ Endosso ...................................................5.........4.....................8.. Legislação Aplicável ..5......................................................................................5. 244 1........ 222 10...............................2..... Duplicata ............. 229 12...........6.................9............12............... 222 10.......1...... Aval .............5............................ 224 10..... 245 1...................... 225 10.....3.............................3........................ 248 1.......................... 228 12.. 221 9.........1................1........ 230 12...... 227 11........ 225 10.. 228 12............................... 241 1....... Falência ........... 229 12.......................................................................... Sustação ..............................................2...................................................................... Sujeitos Passivos da Falência.............10.......... Conhecimento de Depósito e Warrant .............................. Sujeitos Ativos da Falência ............................6.......... Aceite .....3........................................... 223 10.................................................4....................7...................... Conceito ... 223 10........ 228 12........................ Caracterização da Falência .....................7... 229 12.................................................................... 235 CAPÍTULO 4 DIREITO FALIMENTAR ................................................ Ação de Cobrança . 249 ..................................................... Legislação Aplicável ..................... Aval ..........................................................................6............................................. 224 10......... 223 10............ Requisitos de Validade ................4. Espécies .................... Endosso .......... 227 11.............................. 228 11................................................. Protesto ..................... 221 10... 230 Exercícios ........................................ Vencimento .............. Requisitos de Validade ..... Conceito ............ Conceito ......... Aval ....... Figuras Intervenientes ........................... Características Principais ........11..1... 244 1..9...........7........................................................ Características Principais .................................... 230 12...........13...............3..............2.............. 228 11..................................... Endosso ... Disposições Preliminares .........

.6.................... Caracterização da Recuperação Judicial .................1...... 1.. Quanto à Ineficácia e Revogação de Certos Atos ....5.7.. Efeitos Jurídicos da Recuperação Extrajudicial ............1.. 288 2...................................4....................... . 282 2.. Sujeitos Ativos da Recuperação Extrajudicial .............6.2...... 263 1............... 275 2....... Órgãos da Falência .5.1..................................1.............. 279 2..1.............. 266 1...3.........6..................1...... 279 2............................9...1. Órgãos da Recuperação Judicial ....... Quanto ao Negócio do Falido ...9.4.................... 250 O Juízo da Falência ..... 259 1............2.. 1...4....5.............................. 282 2..2.... 262 1.............9.... 258 1..1...... 255 Efeitos Jurídicos da Falência ..2..............2......... 253 Verificação e Classificação dos Créditos .......... 1...2...............9.. Disposições Preliminares ......... O Processo Falimentar ....... 287 2.................. 258 1............2..... Quanto aos Contratos do Falido ........... O Juízo da Recuperação Extrajudicial .................. 276 2.............................. Sujeitos Passivos da Recuperação Judicial ............... 290 1................. 278 2........ 279 2......7.......9.................1.. 287 2............................. Recuperação Judicial ... Órgãos da Recuperação Extrajudicial .. Quanto aos Bens do Falido .10...2........ 275 2..........9. O Processo de Recuperação Extrajudicial ............. Recuperação Extrajudicial ..1......... O Juízo da Recuperação Judicial ........ Disposições Preliminares ...... Caracterização da Recuperação Extrajudicial ...... Sujeitos Passivos da Recuperação Extrajudicial ..1........1..................2. 278 2....2..........8. 280 2.......3..... Quanto aos Direitos dos Credores .....3..2........................................... 284 2...................... 268 Recuperação de Empresas ........ 275 2.8.... Sujeito Ativo da Recuperação Judicial ..................................................

.... Liquidação Extrajudicial ............ Efeitos Jurídicos da Recuperação Judicial ...3.. Sujeito Ativo . O Processo de Recuperação Judicial ..........3.2.................8..8.4.2..................................2...... 294 2.7....... 307 3................2................................ 292 2..1............................... Administração Especial Temporária ....... Sujeito Ativo .. O Processo de Liquidação Extrajudicial ..........8...........4... 306 3..................2............3........ 305 3. 306 3..5.2.. Quanto aos Bens do Devedor . ..2... 302 3..................2.....................2......2............... 293 2....................... 303 3.............................. 307 Exercícios .... 295 2......... Responsabilidade dos Administradores ...... Disposições Preliminares . Conceito . 303 3.... 300 3... Intervenção .........3.....9...... 309 2.........2...8............ Causas ....3....... 303 3............. Conceito ...4....4. Causas ................................. O Processo de Intervenção .............3..........4...2..5......7.......................................4................6.......4.. 298 3.....3.......2..... Causas .................Verificação e Classificação dos Créditos ........... O Processo de Administração Especial Temporária ...3........... 299 3...2........................................................3...........................................................................................................6... 304 3.....8. 297 3.1.... Sujeito Passivo .... 301 3........................................ 300 3....... 301 3..... Efeitos da Intervenção ........ Quanto aos Direitos dos Credores .. 298 3............................... Conceito ..1....2....1...................... 297 3....3...... 293 2.................................. Sujeito Passivo .......... 291 2........... Liquidação Extrajudicial de Instituições Financeiras ............. Quanto aos Contratos Celebrados pelo Devedor . 295 3..... 299 3. Quanto ao Negócio do Devedor .....2......2.. Efeitos da Liquidação Extrajudicial ............. 299 3....1.........3...3.........2.........

...... Concessão Comercial .. Franquia Mercantil ..... 324 Exercícios ...... 320 5................... 326 . Constituição dos Contratos ..........................................................................................................3............... Compra e Venda Mercantil ..................... 316 5........................................................................................................................... 321 5.................................... 318 5......................................................8............ Alienação Fiduciária ....... 329 GABARITO COMENTÁRIO ...................... 313 1.............6........................................ Faturização .............4......................... 313 2........... 324 5.............. 351 .......................................................... 317 5............ Cartão de Crédito ........ Efeitos da Celebração dos Contratos ..2............... 331 BIBLIOGRAFIA ................................................................... 323 5.............5........................ Representação Comercial ....................... 314 3......................... 322 5......... Espécies de Contratos .............................. Classificação dos Contratos ..... Disposições Preliminares ...........7................................................. Leasing ou Arrendamento Mercantil ....................... 317 5.... 315 4..............................................1..................................................CAPÍTULO 5 CONTRATOS .........

imperiosa a criação de uma unidade comum de valor – a moeda – cobiçada por todos. pois nem sempre o grupo social detentor de gêneros desejados por outro estava interessado na aquisição do excesso produtivo daquele. . seus componentes buscavam produzir os bens de que necessitavam. ofertando aquilo que tinham em abundância. Nessa seara. identificados como aquelas pessoas que promoviam a intermediação dos bens entre o produtor e o consumidor. ou seja. Outros eram extraídos da natureza. Desde o início. através da caça. logo esse modelo demonstrou-se ineficaz. A moeda foi o fator determinante para o surgimento do comércio. para revendê-los com majoração no valor da compra. Tornou-se. Origem do Comércio Nas sociedades primitivas. À atividade precípua do comerciante. com uma parte devendo ser vendida a outros contingentes populacionais. A diferença.Capítulo Noções Gerais 1 1. mercadores. então. subsistência. era a margem de lucro. Contudo. começou a haver uma permuta do excedente de produção entre as sociedades. para uma economia de escala voltada para a produção maciça de escala. excluídos seus custos. ao ato de comprar bens para posterior revenda. surgiram os comerciantes conhecidos no início como mercadores comerciantes. Com o passar dos tempos e o natural crescimento dos grupos sociais. da pesca. deu-se o nome de “atividade mercantil ou comercial”. ou da atividade mercantil. determinados bens. pois geralmente adquiriam produtos por um preço inferior. tiveram por objetivo auferir lucro da profissão. quando elas tentavam suprir a carência na produção de certos artigos. da pecuária ou do cultivo agrícola e vegetal. mercantil uma vez que possibilitou a transição de uma economia de subsistência na qual o principal elo econômico entre os grupos sociais eram as trocas do excedente produzido.

além de outras fontes do Direito. Por isso. sabemos que a qualificação como disciplina só é possível face a um conjunto sistematizado. . ou mercantil. criadas a partir do século XII justamente para proteger os exercentes da atividade mercantil. na Roma Antiga quando não existia regramento específico Antiga. os governantes perceberam que ali estava uma promissora fonte de renda e que deveriam agir para seu disciplinamento. no sentido de criarem normas que regulassem a atividade comercial. No entanto. E foi desta forma que teve início a disciplina. inclusive. costumes. 3. é sempre onerosa. mas sim àquele outro ramo do Direito Privado. que envolve normas. serem absorvidas pelo próprio Estado. antes mesmo do nascimento de Cristo. fizeram dos usos e costumes comerciais da época verdadeiros diplomas do Direito Consuetudinário Consuetudinário. codificado ou não. como os fenícios que. 2. usos. destinado ao Direito Comercial.2 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel É claro que nem sempre a equação funciona dessa forma. ultrapassando. Surgimento do Direito Comercial Com o fomento da atividade mercantil. E isso não havia ocorrido ainda. algumas até mesmo importadas do Direito Civil. no apogeu de sua civilização. diz-se que a atividade comercial. como era hábito. as fronteiras das corporações e sendo recepcionados pelas Cidades. não-comerciantes. a exemplo da emissão de um cheque ou de uma nota promissória assim como o aval ou o endosso nos promissória. intensificaram o comércio marítimo entre a Ásia e as cidades costeiras do Mediterrâneo. em seguida. o escopo da atividade sempre será o lucro. Idade Média quando as corporações de mercadores. Já num estágio evolutivo posterior. por exemplo. fenícios. em contraste com a forma esparsa de regras ou costumes até então praticados. conforme estudaremos no Capítulo 03. títulos de crédito em geral. No entanto. o Direito Comercial passou a regular até mesmo atos praticados por pessoas comuns. quando um conjunto sistematizado de normas lastreadas nos usos e costumes dos mercadores nasceu no âmbito das corporações. pois pode acontecer de o preço de venda ser inferior ao de compra. Evolução Histórica do Direito Comercial A Idade Média marcou o surgimento do Direito Comercial. a princípio restrita ao seio das corporações para. senão a partir da Média. Tal providência normativa remonta a civilizações muito antigas.

a majoritária doutrina não considera o Código de Hamurábi um precursor dos códigos comerciais. é creditada a elaboração de um dos primeiros dizeres a respeito de matéria comercial. o prejuízo seria repartido entre o proprietário do carregamento e o da embarcação. Os Romanos Na Era Cristã. na história de vários povos. muito menos se traduzir em um corpo sistematizado. em caso de perigo iminente. símbolo do poder da época. a falência e os Antiga. –. estava destinada aos escravos. Apesar de seu conteúdo.1. ou aos estrangeiros. que era a faculdade que detinham os comandantes dos navios de se livrar da carga. estavam proibidos de exercer o comércio. tendo em vista não conter dispositivos a respeito de compra e venda mercantil. principalmente o marítimo. de sociedade e de comissão. 3. iremos observar normas especiais a respeito do Direito Comercial. que se desenvolveu entre a Ásia e as cidades costeiras do Mediterrâneo. contudo. princípio basilar da atividade comercial. Também não há indícios de que os fenícios houvessem realizado qualquer obra sistematizada do Direito Comercial. . povo de forte tradição guerreira. eles já haviam consagrado a prática do alijamento alijamento. tiveram origem na Roma Antiga como. Nesta situação. detentora das maiores propriedades rurais.083 a. 3. 3. assim como os senadores. sempre marginalizados na sociedade.. A aristocracia romana considerava a prática do comércio uma atividade indigna de um cidadão romano. praticaram o comércio. Império da Babilônia Aos babilônios. Trata-se do Código de Hamurábi – inscrição em pedra datada do ano 2. C. dentre outras. Por volta do século X a.2. banqueiros. que merecesse ser chamado de Direito Comercial. povo que ocupou extensão territorial na Ásia e no Oriente Médio. contratos de depósito. Essa atividade. eram resolvidas através do Direito Civil. especialmente as referentes aos contratos e obrigações. no entanto. Algumas questões envolvendo a prática mercantil. Os Fenícios Esse povo intensificou sobremaneira o comércio dos tempos antigos. A classe patrícia. C. conforme veremos a seguir. Outras. com disposições sobre empréstimo a juro.3. Isso porque o Direito Romanístico condenava a usura usura. por exemplo.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 3 Série Impetus Provas e Concursos Entretanto. os romanos.

3. na ausência do Estado. Muitas passavam a compor o ordenamento jurídico das cidades. centralizadores de diversos pontos de venda. para onde se dirigiam clientes. como disciplina autônoma. ou o Consulado do Mar em Barcelona. Alguns autores sustentam que foi a atribuição dos cônsules precursora dos também extintos “Tribunais do Comércio”. pois ainda faltava a sistematização da matéria. os portos marítimos tornaram-se núcleos comerciais. Elas tinham jurisdição sobre determinado território e eram criadas pelos próprios mercadores. na França. Idade Média O Império Romano ruiu por volta do século V quando os árabes assumiram o . expressada a partir da elaboração das normas a serem aplicadas aos comerciantes. fornecedores e consumidores. nascida justamente daquelas pessoas que. que perduraram até 1875. Aos poucos. . sob a égide do Código Comercial de 1850. com atribuições até para punir os culpados. Fortaleceu-se a “classe burguesa” nas cidades. com a Tabla Amalfitana (século XII). Após longo período de dominação árabe no Mediterrâneo. Possuíam as corporações força legislativa e judicante. Serviam para dirimir conflitos entre eles. da atividade mercantil. por meio do qual a produção dos campos era escoada para outras terras. Sucedeu-se um período de profundas mudanças na sociedade européia. viu-se compelida a buscar segurança junto aos seus senhores nas áreas rurais.4. em contraposição aos senhores feudais. por conseqüência. o que causou isolamento das comunidades e. controle sobre o Mar Mediterrâneo. Já no século XII. As corporações exerceram tanta influência sobre a sociedade mercantilizada da época. a fragmentação do poder central. os europeus retomaram as antigas rotas. escolhiam-se cônsules que deveriam trabalhar na aplicação das normas elaboradas cônsules. já no século XVI. não podemos afirmar que o Direito Comercial. sob determinadas regras. com sua Capitulares Nauticum Capitulares Nauticum. pois os muçulmanos bloquearam as vias de acesso ao comércio marítimo. apareceram as primeiras corporações que reuniam os praticantes corporações. devido à pulverização do Estado. Uma apreensão crescente tomava conta da população que. a princípio. naquele início do segundo milênio da era cristã.4 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Apesar da origem desses institutos. surgiu. existentes inclusive no Brasil. dedicado praticamente ao seguro marítimo. Veneza. o Guidon de la Mer. na própria corporação. Foi o caso de Amálfi. buscaram segurança junto aos seus senhores. Um pouco mais adiante. teve origem em Roma. Para tanto. fazendo reflorescer um intenso comércio marítimo na região. a primeira. que muitas cidades aproveitaram suas normas na criação das primeiras codificações do Direito Comercial. enquanto a outra relacionava-se ao poder consular. Mar.

além de alguns títulos de crédito. estava sob o comando de Napoleão. embora toleradas e incorporadas pelo enfraquecido poder estatal de então. do Brasil. de forma profissional e habitual. sociedades. a elaboração de outros Códigos Comerciais em diversos países. a exemplo do contrato de transporte. dentre outras. que. Para tanto. influenciou. Entrementes. no século XVIII. inclusive. só foi elaborado em 1807. O primeiro Código Comercial. procurou evitar privilégios corporativos que dominaram o comércio na Idade Média. qualificando o comerciante como qualquer pessoa que praticasse “atos de comércio”. falências. . de Portugal. veio a outra. Partiram. atividades bancárias. da Itália e. como vimos. à época. Oito anos mais tarde. no entanto. Percebam que aquelas regras relacionadas ao comércio da época medieval. Tais atos estavam relacionados no próprio código e possuíam correlação com atividades de intermediação de mercadorias. dispunha sobre o comércio terrestre.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 5 Série Impetus Provas e Concursos Remonta ainda à Idade Média o aparecimento de alguns dos principais contratos comerciais. foram aproveitados. regulando agentes de bancos. ficando por isso conhecido como o Código Napoleônico Em sua feitura. seguros e transporte de mercadorias. que só implantou o seu em 1850. Os Estados Nacionais Os séculos XV e XVI são caracterizados pela retomada do poder central nos Estados. quando prevalecia o subjetivismo caracterizador dos comerciantes. que logo perceberam a importância da atividade mercantil para o fortalecimento de suas economias e conseqüente prosperidade das nações. através da Lei no 556. de seguro marítimo e de seguro. muitos dos dispositivos das Ordenanças Napoleônico. baixada no ano de 1673. não haviam sido por ele elaboradas. 3. que só seriam alçados a tal condição se pertencessem a uma corporação. se o Código Napoleônico não acrescentou grandes inovações ao Direito Positivo então vigente. O fato que marcou o surgimento do Direito Comercial nascido do próprio Estado foram as Ordenanças Francesas Francesas. não podemos olvidar sua maior contribuição que. guiado pelos princípios da igualdade e da liberdade permeadores da Revolução Francesa. a exemplo da Bélgica.5. De outra forma. quando a França encontrava-se sob a regência de Luís XIV. da organização dos mercadores. que dispôs sobre o comércio marítimo. A primeira. aquele diploma de 1807 tratou de regulamentar as questões relativas ao exercício do comércio de forma objetiva. podendo até se afirmar que poucas inovações normativas ele trouxe. também na França. da Espanha. com seu objetivismo. de 25 de junho de 1850.

Com forte influência francesa. o Código Brasileiro adotou a Teoria dos Atos de Comércio. em seu art. em 1603. . E foi esta que. refugiou-se no Brasil a Corte Lusitana. que com elas estavam resplandecendo na boa. Estava criada a base para o desenvolvimento do Direito Comercial Brasileiro. pois a colônia sujeitava-se aos ditames da Coroa. foi contemplado com uma série de medidas de caráter econômico. Não se tratava evidentemente de um Código Comercial. já em 1834. 4o. No entanto. de 1769. deveriam ser adotadas leis de outras “nações cristãs. prescreveu a necessidade de inscrição dos comerciantes nos então existentes Tribunais do Comércio (em seguida substituídos pelas Juntas Comerciais). assim conhecida por determinar que. fincado no objetivismo. em 1808. além de outras já citadas. pois.. enquanto ela abrangia outros ramos do Direito. o Processual etc. O Histórico do Direito Comercial no Brasil No período colonial brasileiro. dois séculos mais tarde. reputando comerciante todo aquele que praticasse compra e venda de mercadorias de forma profissional. decisivas para o incremento da atividade mercantil no País.6 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 4. Outro importante diploma português daqueles tempos foi a Lei da Boa Razão Razão. que ameaçava invadir Portugal. pois já estudamos que o primeiro do gênero nasceu na França. Sua vigência estendeu-se até pouco depois da vinda de Dom João VI para o Brasil. até surgir a Lei Federal no 556. as Ordenanças Francesas tratavam da disciplina exclusivamente comercial. Filipinas em alusão ao rei. sob a regência de Felipe II. mais conhecida como o Código Comercial Brasileiro. o Direito aplicado era o português. iluminadas e polidas. Pressionada por Napoleão. através do qual a concepção do status de comerciante era atribuída aos que praticassem atividades específicas. também a criação da Real Junta do Comércio. Ainda assim. editou as Ordenações Filipinas. na condição de “Sede Provisória da Coroa”. Alguns anos após a declaração da independência. em 1808. também naquele ano de 1808. foi apresentado à Câmara o Projeto do Código Comercial. Destacam-se a “abertura dos portos às nações amigas”. Esse ato trouxe profundas transformações para o Brasil-Colônia que. na ausência de norma legal a respeito de certo tema. apesar do intenso comércio desenvolvido por aqui. de 25 de junho de 1850. pelo menos para poderem usufruir dos benefícios da legislação comercial. continham dispositivos tratando da matéria. Dezesseis anos de discussões legislativas passaram-se. e a criação do Banco do Brasil. depurada e sã jurisprudência”. como o Penal. Também não podemos equipará-la às Ordenanças Francesas surgidas setenta anos depois. a serem definidas posteriormente. além de algumas poucas espécies de serviço.

não enumerou os chamados “atos de comércio”. unificando normas básicas do Direito Civil e do Comercial. a partir da forma organizacional apresentada. como fizera o subjetivismo corporativo da Idade Média. como sociedades empresárias. o “golpe de misericórdia” foi dado com a edição do Código Civil de 2002. a Lei no 10. . mas apenas reputava comerciantes irregulares aqueles exercentes da atividade mercantil que não tomassem tal providência. mas introduziu grandes inovações nesta seara. Hoje. tais como: empresas. claro. Sobreviveram apenas os relativos ao comércio marítimo. banco e corretagem. implantou um novo sistema jurídico para o Direito Comercial. Esse fato trouxe de volta uma discussão antiga. conforme dispunha a antiga teoria objetiva dos atos de comércio. muitos dos dispositivos do código foram sendo revogados por legislações mais contemporâneas. disciplina matérias específicas do Direito Comercial. a moderna Lei Civil Brasileira acabou por provocar uma fusão legislativa entre os dois ramos do Direito Privado. contemplado em sua Parte Segunda. a exemplo da Lei das Sociedades Anônimas (1976) e da Lei de Falências e Concordatas (1945). contemporâneo ao código. mais conhecida como Código Civil Brasileiro. a respeito da autonomia do Direito Comercial. Curiosamente. que relacionou todas as operações que se constituíam em “atos de comércio”. como fizera o Código Francês. 5. seguros. que revogou praticamente todos os artigos que ainda vigoravam do Código de 1850. pois passou a enquadrar pessoas jurídicas. da compra com objetivo de posterior revenda de bem móvel ou semovente. veio à tona novamente a discussão sobre a autonomia do Direito Comercial. antes consideradas sociedades civis por força do objeto social. Dentre elas. dentre outras.406. Autonomia do Direito Comercial Com o advento do Código Civil de 2002. Esses só foram detalhados quando da edição do Regulamento no 737. empresários. Por outro lado. fundamentado no perfil subjetivo do empresário. a ser enfrentada no tópico seguinte.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 7 Série Impetus Provas e Concursos Percebam que esse dispositivo não tratou de excluir os não-inscritos do conceito de comerciante. operações de câmbio. registro público de empresas. além. ou até para alugar seu uso. Ao longo dos anos. transporte de mercadorias. Essa nova concepção não se resumiu apenas a uma mudança de nomenclatura. subtraindo alguns direitos exclusivos dos regulares regulares. Inspirado no modelo do Código Civil Italiano. No entanto. contudo. livros empresariais e nome empresarial. de 1942. dentre outras. de 10 de janeiro de 2002.

por exemplo. como. Seu discurso surpreendeu a todos. Também no Título VII. . o célebre jurista italiano Cesare Vivante posicionou-se contra a autonomia do Direito Comercial. com a matéria comercial e civil unificadas em um único código. e outro. nomeado para coordenar estudos visando à edição do Novo Código Civil Italiano. Nada disso compromete a autonomia das disciplinas. III. do Código Tributário Nacional. ao posicionar-se contra a unificação dos dois ramos de Direito. a exemplo da responsabilização dos sócios-gerentes de limitadas por obrigações da sociedade de natureza tributária. o Direito Administrativo utiliza-se de normas do Direito Processual. 135. Público ou Privado. Existe uma correlação entre as disciplinas jurídicas. à exegese do art. onde o Direito Comercial era codificado de forma exclusiva. há menção ao exercício da atividade empresarial. o art. em 1919. ao final do século XIX. em pronunciamento na Universidade de Bolonha.8 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Essa polêmica não é inédita. Direito Tributário b) com o Direito Tributário Esse ramo conserva relações estreitas com o Direito Comercial. apresentou dois projetos. da CF prevê a competência privativa da União para legislar. a unificação foi aprovada. principalmente por se tratar do maior comercialista da época. 22. pois nenhuma é completamente autônoma. mais precisamente em 1911. que continuam tendo campo próprio de atuação. Com relação ao Direito Comercial. o Novo Código Civil Italiano. a fim de subsidiar o processo administrativo. quando Inglês de Souza. Um. ao regular crimes falimentares. incumbido de elaborar projeto do novo Código Comercial. surgindo. ou o Direito Comercial aproveita dispositivos do Código Penal. por entender que este não possuía critérios claros e objetivos que o distinguissem do Direito Civil. devemos ter em mente o ensinamento de Marcelo Bertoldi. em 1942. senão vejamos: a) com o Direito Constitucional Relaciona-se esse ramo do Direito Público com praticamente todos os demais. A par de toda essa discussão. convém expor a relação do Direito Comercial com outros ramos do Direito. que trata da Ordem Econômica e Financeira. Antes dessa época. ou mesmo da imposição de algumas espécies de livros fiscais aos empresários. pois a Constituição Federal pode ser considerada o nascedouro do sistema normativo do País. Mesmo assim. I. Apesar disso. basta reportarmo-nos ao início do século XX. voltou atrás e mudou de opinião. de modo que uma aproveita regras das outras. quando afirma que a autonomia de uma disciplina não deve ser vista como um princípio absoluto. que juntou os dois ramos de Direito Privado em um único diploma legislativo. Nesse ponto.

• autonomia substancial que tem a ver com o conteúdo da disciplina. empresário. como bem ressaltou Fran Martins. sua substancial. • autonomia legislativa considerada a partir da codificação própria da matéria. . Sob esse ponto de vista. abrangência. temas que podem ser facilmente isolados dos demais. da falência e da concordata. tratando do Direito Marítimo. ainda que o Código Civil Brasileiro de 2002 tenha praticamente unificado os dois ramos. a exemplo dos empresários. Para inserção das normas em nosso ordenamento jurídico. família e obrigações civis. empresa.. Por último. um ramo do Direito Privado que mantém ligação forte com o Direito Comercial. também temos que admitir a autonomia do Direito Comercial. e) com o Direito Internacional O Brasil é seguidor de convenções internacionais que tratam de títulos de crédito e propriedade industrial. ainda restou sua Segunda Parte. em seguida. a matéria que regula. assim. Também os débitos de natureza trabalhista sendo cobrados dos sócios das sociedades anônimas ou limitadas. a começar do atual compartilhamento do Código Civil. Já o Direito Civil cuida de sucessão. legislativa. dentre outros. Basta vermos as causas trabalhistas sendo decididas no âmbito da Justiça do Trabalho para. dos títulos de crédito. inúmeras são as relações. a fim de consolidar a tese da autonomia do Direito Comercial. • autonomia didática que é medida de acordo com a grade curricular das universidades. não podemos hesitar em apontar assuntos específicos da matéria comercial. pois. não havendo razão para contestar-se a autonomia didática do Direito Comercial. enfim. analisemos a disciplina de acordo com os seguintes aspectos: didática. dentre outros. que reservou dispositivos dedicados à matéria comercial.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 9 Série Impetus Provas e Concursos Direito Trabalho c) com o Direito do Trabalho Aqui. d) com o Direito Civil Com este. pois a disciplina aparece em todos os programas dos cursos de Direito. utilizam-se procedimentos afeitos ao Direito Internacional. E. registro de empresas etc. habilitarem-se no Quadro Geral de Quadro Credor edores Credores admitidos na falência. das sociedades empresárias. seja sobre títulos de crédito.

ele era consuetudinário. Dividem-se as fontes formais em primárias e secundárias As primeiras secundárias. normalmente a definição restringe-se à própria expressão do direito. componentes do grupo social. ou. embora com a revogação da maioria de seus artigos. variando com as gerações.404/76. mas se revelam determinantes para o surgimento do ordenamento jurídico de uma nação. • Regulamentos – São considerados fontes primárias justamente porque servem à eficacização das leis comerciais. Também no âmbito do Direito Civil. na parte que trata sobre Direito de Empresa. aos costumes. a começar pelo próprio Código Comercial de 1850. 4o. São elas: usos e costumes comerciais. norma primária sobre a matéria. sociais. Os costumes. que dispõe sobre duplicatas. a Lei de Introdução ao Código Civil. traduzindo-se numa obrigatoriedade de esgotá-las. ou seja. antes de invocar-se uma fonte secundária. Inexistindo. religiosos ou. internacionais • Tratados internacionais – A matéria comercial também incorporou alguns tratados internacionais. Outras. em um caso concreto. tratando de cheque.474/68. Existe uma profusão delas. • Usos e costumes comerciais – Estes se constituem em importante fonte do Direito Comercial. em seu art. Fontes do Direito Comercial Quando tentamos conceituar fontes do Direito. apenas para citar algumas. Aliás. No entanto. de forma subsidiária. no princípio (Idade Média). Muitos autores costumam classificá-las em fontes materiais e formais As primeiras formais. estão relacionadas a fatores políticos. e no 5. são as Leis no 6. que disciplina as sociedades por ações.10 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 6. letra de câmbio e nota promissória. que. a forma como ele se manifesta. concede à analogia. Estes são mutantes. mesmo. para serem aceitos como fonte do Direito . aos princípios gerais do Direito a qualificação de fontes subsidiárias do Direito. E são estas últimas que compõem o objeto de nosso estudo. • Leis – A principal fonte primária de nosso Direito Comercial é a lei. Importa ressaltar que o Código Civil de 2002. tratando do comércio marítimo. econômicos. a exemplo da “Lei Uniforme de Genebra”. é considerado fonte primária do Direito Comercial. portanto. fica a autoridade judiciária autorizada a lançar mão de uma norma secundária. a jurisprudência e os princípios gerais do Direito. é importante entendermos que antecedem à norma os anseios da sociedade. mesmo. permanece vivo em sua Segunda Parte. posicionam-se em ordem de preferência em relação às outras. a analogia. enquanto as fontes formais são justamente as normas jurídicas.

é preciso que se trate de uma prática reiterada e uniforme. permite-se a aplicação da analogia. como no art. nós temos os costumes: a) praeter legem. pois ele pode desenvolver sua própria convicção. Não pode. necessitam revestir-se de alguns requisitos. 113 do Código Civil. contudo. que seja assimilada por todos como se fora lei. Primeiro. Isso não implica a obrigação de o juiz segui-la.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 11 Série Impetus Provas e Concursos Comercial. necessitam estar assentados na Junta Comercial. considerada como a possibilidade de utilizar-se entendimento a respeito de um caso concreto similar. citado por Bulgarelli. a fim de dirimir a lide. conseqüentemente. já julgado. que emitem certidão a respeito. De outra forma. também é fonte secundária do Direito Comercial. Normalmente. Conceitos de Direito Comercial Após estudados alguns temas relacionados ao desenvolvimento histórico do Direito Comercial. assim entendida como a uniformidade das decisões dos tribunais a respeito de determinada matéria. ser contra a lei. por entenderem que ela não é fonte geradora do Direito. • Princípios gerais do Direito – Por último. . mesmo que seja diversa daquela. não aceitos como fonte do Direito. assim como a abrangência da disciplina. aceitos e aplicados para suprirem as lacunas legislativas. • Analogia – Na ausência de outra fonte formal do Direito. que decorrem da prática mercantil. estes não são tolerados pelo ordenamento jurídico e. a exemplo do cheque visado. no Direito Comercial. que é um título de crédito à vista. Assim. c) contra legem. já que se trata da observação de fatos pretéritos. a exemplo do cheque pré-datado. desde que não se afaste das premissas básicas quanto à ilegalidade das mesmas. sua importância no desenvolvimento das nações. vejamos como os pesquisadores da matéria comercial têm se esforçado no sentido de melhor conceituar o Direito Comercial. pois violaria a própria concepção de fonte subsidiária à lei. pois são previstos na própria lei. os princípios gerais do Direito. b) secundum legem. para serem admitidos como prova. que anuncia: “Os negócios jurídicos devem ser interpretados conforme a boa-fé e os usos do lugar de sua celebração”. • Jurisprudência – A jurisprudência. os costumes. que vai de encontro à própria natureza do documento. o juiz tem direito à livre convicção na análise das provas. deverá estar previsto na própria lei. No entanto. que são os norteadores da construção do próprio sistema jurídico positivo vigente. seu surgimento. 7. Alerto que há autores que não consideram esta uma fonte do Direito Comercial.

Fran. Rio de Janeiro: Forense. formalista e complexo. especialmente do Direito Civil.” Carvalho de Mendonça trilhou caminho parecido. de autoria de Fran Martins. mesmo sem se revestirem dessa qualidade. da mesma forma que uma letra de câmbio ou uma nota promissória ou. 8. por objeto regular as relações jurídicas que surgem do exercício do comércio. feita por quem não se reveste da qualidade de empresário. ed. tem-se que as normas do Direito Comercial alcançam não apenas os empresários. e que se encontram relacionados a seguir.” Esta definição. a) Simplicidade ou informalismo Propõe adoção de fórmulas simples para solução de conflitos. Exemplo destes é a emissão de um cheque. bem como os atos considerados comerciais. que melhor sintetiza a disciplina: “Direito Comercial é o conjunto de regras jurídicas que regulam as atividades das empresas e dos empresários. foi criticada por não contemplar atos praticados por não-comerciantes. proposta pelo comercialista italiano Cesare Vivante. Todos esses atos possuem regulamentação em legislações próprias. ao mesmo tempo. Curso de Direito Comercial. principalmente. independentemente de haverem sido praticados por empresário ou representante de sociedade empresária. concernente aos títulos de crédito. 1 MARTINS. dos direitos e das obrigações das pessoas que os exercem profissionalmente e dos seus auxiliares. Exemplo: circulação de títulos de crédito mediante endosso. e fazem parte do campo de abrangência do Direito Comercial. praticam atos aos quais a lei atribuiu características tais que se tornaram regidos pelo Direito Comercial. 2002. ao afirmar que: “O Direito Comercial é a disciplina jurídica reguladora dos atos de comércio e. Características do Direito Comercial O Direito Comercial apresenta traços que o distinguem de outros ramos do Direito. como veremos no Capítulo 3.” Dessas duas últimas definições surgiu uma. Waldemar Ferreira propôs: “Direito Comercial é o conjunto sistemático de normas jurídicas disciplinadoras do comerciante e seus auxiliares e do ato de comércio e das relações dele oriundas. até. mas aqueles que. p. mesmo que esses atos não se relacionem com as atividades das empresas. uma garantia prestada por aval. mas regulados por leis comerciais (exemplo da emissão de cheque).”1 Da assertiva. 25. 28.12 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel “O Direito Comercial é a parte do Direito Privado que tem. diferentemente do Direito Civil. .

que dispõe sobre letras de câmbio.1. sobretudo após a primeira metade do século passado.406. de natureza científica. em regra lastreados na moderna concepção de atividade econômica. elaborada há mais de cento e cinqüenta anos. introduzindo definitivamente no Direito Brasileiro as definições de empresa e empresário empresário. A Teoria da Empresa alargou o campo de incidência do Direito Comercial. assim como o de produção de mercadorias. agora não mais restrita àquele agente que pratica freqüentemente atos de intermediação de mercadorias ou umas poucas espécies de serviços. outros simplesmente vinham sendo ignorados pelas autoridades judiciárias e até pelos tribunais. salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa”. Se muitos dispositivos da principal Lei Comercial. caput. convivemos com uma legislação comercial que já não atendia as transformações ocorridas. literária ou artística. adaptando-se à evolução das relações de comércio. aprovado pela Lei no 10. O novo Código Civil. transporte de mercadorias. que é justamente a prestação de serviços como um todo. ainda que com o concurso de auxiliares ou colaboradores. Em seu art. seja pela Constituição Federal de 1988. cuja atividade é sempre onerosa. seja por leis esparsas. o empresário é considerado como “quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou serviços”. 9. Exemplo: Lei Uniforme de Genebra.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 13 Série Impetus Provas e Concursos b) Internacionalidade ou cosmopolitismo Está regulamentado por normas de alcance internacional. seguros. 9. como a da empresa ou do empresário. Empresário Conceito Durante muito tempo. além de outros. O parágrafo único do mesmo dispositivo excluiu daquela categoria “os profissionais que exerçam atividade intelectual. só veio confirmar a teoria. excluindo importante segmento da atividade econômica. . de 10 de janeiro de 2002. notas promissórias e cheque. através das quais se atribuía uma nova visão ao profissional do comércio. d) Onerosidade Tem o lucro como o fim perseguido pelos empresários. 966. trazendo para seu âmbito justamente o segmento de serviços. Daí o fortalecimento de teorias. tais como bancos. Exemplo: contratos de leasing e franchising. c) Elasticidade Permanece em constante processo de mudanças. estavam expressamente revogados.

juntamente com os móveis. 966. seja pessoa física ou jurídica. O estabelecimento empresarial. que prescreveu. mesmo. por empresário ou por sociedade empresária. independentemente da dimensão tomada. para a produção ou a circulação de bens ou de serviços.2. 966 do CC/2002 apresenta elementos característicos ao empresário. Não bastava a realização de uma única operação comercial ou. 1. assumindo o ofício como sua profissão. fizesse dela a sua profissão. Em absoluto. Em outras palavras. agora no Código Civil de 2002. como o complexo de bens organizados para o exercício de empresa. Organização Significa a necessidade de o exercente da atividade econômica aparelhar-se de forma adequada para o desempenho de sua profissão.2. o estoque de mercadorias. Portanto.2. ainda assim dela serão exigidas instalações compatíveis com sua atividade. permanece consagrado o requisito. Profissionalismo O titular do negócio deverá fazê-lo não em caráter eventual.14 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Como se vê. caso contrário incorreto seria o seu enquadramento como comerciante. desprovido de um conjunto de bens organizados destinados ao exercício da empresa. movimentando diminuto volume de recursos. 9. Seria preciso que o agente tomasse essa atividade como ofício. 9. Se tomarmos como exemplo uma pessoa que revende objetos em pequena proporção. 9. todo empresário deverá dispor de estabelecimento empresarial. novos requisitos surgiram para classificar alguém como empresário. Não se concebe um empresário. utensílios e instalações utilizadas diretamente na atividade econômica já são assim considerados. caput. não é exclusividade de empresários de médio ou grande porte. algumas eventualmente observadas.1. analisada adiante.2. ao contrário do que possa parecer. a forma profissional de atuação do empresário. mas habitualmente. a antiga Teoria dos Atos de Comércio já se guiava pela prática habitual da compra e venda de mercadorias. definido no art. Requisitos 9. que poderão ser somados à capacidade civil. em seu art. Atividade Econômica O teor do art. . Essa não é uma disposição inédita.2.142 do Código Civil. aqui entendido como a pessoa física que exerce em seu próprio nome uma atividade econômica organizada.3.

9. podemos enquadrar o empreendimento como uma sociedade empresária. clinicando ou. apesar de possuírem caráter econômico. entre atendentes. pintando e colocando à venda telas à similitude do fundador do negócio. Entretanto. incluem-se médicos. ele reúne todas as condições de ser classificado como empresário. prevalece o caráter empresarial da atividade hospitalar. dispôs o legislador: “Toda pessoa é capaz de direitos e deveres na ordem civil”. Com relação às implicações práticas advindas desse novo conceito. tanto que. na qualidade de empresário individual ou administrador de sociedade. independente de sua idade. Imaginemos um famoso pintor de quadros. Neste contexto. o exercício dessa capacidade pode ser restringido por algum fator genérico como o tempo (a maioridade ou menoridade). se esses profissionais exercerem o ofício.2. Enfim. mesmo.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 15 Série Impetus Provas e Concursos Excluídas do conceito estão as profissões consideradas intelectuais que. telefonistas. 1o. é o pleno gozo da capacidade civil. Também poderão fazer prova com os livros empresariais. literária ou artística. Com a precisão que lhe é peculiar. Maria Helena Diniz chega a afirmar que a capacidade de direito não pode ser recusada ao indivíduo. proprietário de um grande hospital. arquitetos. proprietário de um atelier. conforme exposição no item 1 do capítulo seguinte. sob pena de se negar sua qualidade de pessoa. escritores e artistas em geral. É o caso do médico. O raciocínio não se aplica às sociedades de advogados. Capacidade Requisito fundamental à correta atuação empresarial. previstas nos arts. Entretanto. saúde mental ou vícios possui capacidade para contrair direitos e assumir obrigações. assim como a possibilidade de ele requerer recuperação judicial ou extrajudicial. objetivando apenas conduzir o empreendimento. tudo na dependência de estarem cumpridas as formalidades legais. deve ser conjugada com as disposições sobre personalidade e capacidade na esfera civil. onde emprega variados profissionais. Nesta situação. E. estando presente “elemento de empresa”. têm natureza científica. dentistas. Mas o que vem a ser elemento de empresa? É fácil. poderemos presenciar a sujeição à falência do prestador de serviços em geral. o mesmo poderá continuar sem maiores conseqüências. ou devido a uma insuficiência somática (deficiência mental). dentre outros. 1o a 10 da mesma lei. A regra. contida no art. Significa afirmar que qualquer indivíduo. operando em suas dependências. despindo-o dos atributos da personalidade. logo no art. secretárias e outros ligados à mesma arte. . se ele parar de pintar.4. Nessa categoria. a dimensão econômica conquistada com o seu intelecto ultrapassou a sua aptidão primitiva para o ofício. 972 do Código Civil.

aquele que não desfrutar do livre exercício de sua capacidade civil não poderá ser empresário. no que pese serem os entes federados e a própria União livres para determinar a idade mínima dos que podem ingressar no serviço público. Nessa condição. quando a pessoa fica habilitada à prática de todos os atos da vida civil. Quanto ao exercício de emprego público efetivo. o art. No entanto. o legislador condicionou a emancipação a uma idade mínima de dezesseis anos. Sob o aspecto temporal. desde que. e não foi por acaso. Logo. quais sejam: a) pela concessão dos pais. Antes dessa idade. De outra forma. . salvo na condição de aprendiz. 3o e 4o do Código. na conformidade do que dispõem os arts. Se observarmos as outras três hipóteses. será o indivíduo absolutamente incapaz. 5o do Código prevê que a menoridade cessa aos dezoito anos completos. se o menor tiver dezesseis anos completos. Pois bem. Sendo a enfermidade enquadrada no art. apenas nas letras “a” e “e”. ou de um deles na falta do outro. 1. independente de homologação judicial.16 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Em ocorrendo uma restrição legal no exercício da capacidade jurídica. c) pelo exercício de emprego público efetivo. impossível a efetivação da hipótese aos menores daquela idade.517 do CC/2002 previu que somente a partir dos dezesseis anos podem os pais autorizar o casamento de menor. 3o. ou por sentença do juiz.520. Perceba o leitor que a capacidade de direito pode subsistir sem a de exercício. 1. ou pela existência de relação de emprego. o menor com dezesseis anos completos tenha economia própria. suprime-se do sujeito o direito ao exercício pessoal de pleno gozo da capacidade de direito. pois o incapaz está completamente privado do gozo de sua capacidade jurídica. incapazes também são os maiores de dezoito anos portadores de alguma das patologias especificadas nos arts. a Constituição Federal proíbe o emprego ou a ocupação de cargo público aos que contarem com menos de dezesseis anos de idade. somente haveria dúvida em relação à idade mínima para a emancipação nos casos de colação de grau em curso superior. pressupõe a existência da outra. 3o e 4o do Código Civil. Observem que. o cometimento de qualquer ato jurídico depende de um representante. em função deles. o casamento só é possível para evitar a imposição ou cumprimento de pena criminal ou em caso de gravidez. o parágrafo único do mesmo artigo traz hipóteses de aquisição da capacidade civil antes da maioridade. de acordo com a previsão do art. b) pelo casamento. Esta. por sua vez. ouvido o tutor. mediante instrumento público. ou e) pelo estabelecimento civil ou comercial. É que o art. d) pela colação de grau em curso de ensino superior.

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Outros são os relativamente incapazes, a que se refere o art. 4o. Para esses, a autoridade judiciária poderá autorizar a prática de atos da vida civil, desde que devidamente assistidos. Com a representação ou a assistência, estará suprida a incapacidade de exercício, ao menos para os atos da vida civil. No entanto, um e outro instituto dependem de um regular processo de curatela, quando se observará a condição do incapaz, e o seu enquadramento em uma das hipóteses legais, após o que será o indivíduo considerado interdito, tudo conforme a previsão dos arts. 1.767 a 1.783 (os filhos menores são postos em tutela, quando falecidos ou ausentes os pais ou se estes decaírem do poder familiar). Entrementes, mesmo que assistidos ou representados, não esqueçamos que a regra geral do art. 972 torna proibitiva aos incapazes a atividade de empresário.

9.3.

Continuação da Empresa por Incapaz

O art. 972 vedou o exercício da atividade de empresário aos juridicamente incapazes. De outra maneira, o art. 974 permitiu aos interditos, cuja incapacidade foi superveniente ao exercício da atividade empresarial, ou aos menores tutelados, que tiveram seus pais falecidos ou ausentes, dar continuidade à empresa, desde que devidamente assistidos ou representados, conforme a incapacidade seja relativa ou absoluta. Para configuração da hipótese, a lei exige autorização judicial que, como tal, poderá ser revogada a qualquer momento pelo juiz, ouvidos os pais, tutores ou representantes legais do menor ou do interdito, sem prejuízo dos direitos adquiridos por terceiros. Essa possibilidade de revogação lhe confere a qualidade de ser considerada a título precário. Os bens do incapaz existentes à época da interdição ou da sucessão ficam protegidos em relação ao resultado do negócio, desde que estranhos ao seu objeto. Situação curiosa ocorre quando o representante ou assistente do incapaz estiver legalmente impedido de exercer a atividade empresarial. Nesse caso, essa pessoa deverá indicar um ou mais gerentes, que se submeterão à aprovação judicial. Ainda assim permanece o representante ou assistente responsável pelos atos dos gerentes nomeados. 9.4. Os Impedidos

Os impedidos não são incapazes. Contudo, alguma circunstância tornou-os incompatíveis ao exercício da atividade empresarial. É o caso, por exemplo, dos servidores públicos em geral, que estão, por leis administrativas, proibidos de ser empresários individuais ou administradores de sociedades empresárias.

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Para eles, a condição de acionista ou quotista de sociedade empresária não deve ser considerada englobada pela disposição do art. 972, que proíbe exclusivamente a qualificação como empresário individual ou administrador de sociedade empresária. Outro que pode ser enquadrado na proibição é o falido. Prevê o art. 102 da Lei Federal no 11.101/2005 (Nova Lei de Falências) que o falido fica inabilitado para exercer qualquer atividade empresarial a partir da decretação da falência. O impeditivo somente perde o efeito após declaradas extintas todas as suas obrigações, na conformidade do disposto no art. 158 do mesmo diploma legal, e ainda assim se não tiver sido constatada a ocorrência de crime falimentar, fato que postergaria ainda mais a sua reabilitação, conforme exposto adiante, no capítulo 04 desta obra. Contudo, a proibição legal não tem o condão de exonerar o agente que desrespeitou a lei pelas responsabilidades advindas de seus atos, tanto que o art. 973 do Código previu a assunção pelos impedidos das obrigações por eles contraídas, oriundas do exercício de atividade própria de empresário. 9.5. O Empresário Rural e o de Pequeno Porte

O art. 971 do Código Civil contém redação nos seguintes termos, a respeito dos intitulados empresários rurais: “O empresário, cuja atividade rural constitua sua principal profissão, pode, observadas as formalidades de que tratam o art. 968 e seus parágrafos, requerer inscrição no Registro Público de Empresas Mercantis da respectiva sede, caso em que, depois de inscrito, ficará equiparado, para todos os efeitos, ao empresário sujeito a registro.” Nesse particular, o legislador considerou o produtor rural, geralmente organizado em economia familiar, com um ou outro funcionário, mas sem a dimensão de uma grande organização, cuja base de sustentação provenha da natureza, seja de uma cultura agrícola, da pecuária ou do extrativismo vegetal ou mineral. Pode ser até uma sociedade, conforme prevê o art. 984, mas, se o seu objeto for aquele do empresário rural, sofrerá o mesmo tratamento. Estão à margem do conceito as corporações agrícolas, conhecidas como agronegócio, detentoras de estruturas tipicamente empresariais. Essas estão obrigadas ao registro antes do início de suas atividades, conforme reza o art. 967. Já para aqueles classificados como empresários rurais, ou para os pequenos empresários, o art. 970 previu a edição de lei garantidora de um tratamento favorecido, pelo menos no que concerne à inscrição e aos efeitos daí decorrentes.

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Na inexistência da norma prevista, o que se tem é o teor do art. 971 que, combinado com o art. 970, leva-nos a concluir que o empresário rural não está obrigado ao registro. No entanto, se o mesmo for efetivado, o praticante de uma atividade econômica rural passa a ser equiparado ao empresário, para todos os efeitos. O mesmo acontece em se tratando de sociedade que tenha por objeto atividade própria de empresário rural, com a condição de que tenha adotado um dos tipos da sociedade empresária e, da mesma forma, haja requerido o registro. Dessa intelecção deflui-se a possibilidade de virem a falir, de obterem recuperação judicial ou extrajudicial, dentre outras questões próprias do empresário. Percebam que o fato de o legislador, logo no início do art. 971, haver nomeado o exercente da pequena atividade rural pelo termo “empresário”, não significa que o mesmo deva ser tratado da mesma forma que os outros, enquadrados no conceito do art. 966. Isso porque o próprio código contém dispositivos que lhe conferem tratamento favorecido, como já fora citado. Com relação ao pequeno empresário, Fábio Ulhoa Coelho e Sérgio Campinho defendem que, na ausência de norma regulamentadora do dispositivo, deve o mesmo ser aproveitado em favor dos microempresários e empresários de pequeno porte, como tais previstos na Lei Federal no 9.841/99. Esse diploma jurídico, regulamentado pelo Decreto no 3.474, de 19 de maio de 2000, foi editado em obediência à Lei Maior brasileira que, em seu art. 170, IX, previu tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte, constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sua sede e administração no país. E logo no art. 2o, incisos I e II, do decreto, foi estabelecido: I- microempresa, a pessoa jurídica e a firma mercantil individual que tiver receita bruta anual igual ou inferior a R$ 244.000,00 (duzentos e quarenta e quatro mil reais); II- empresa de pequeno porte, a pessoa jurídica e a firma mercantil individual que, não enquadrada como microempresa, tiver receita bruta anual superior a R$ 244.000,00 (duzentos e quarenta e quatro mil reais) e igual ou inferior a R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais). Conforme foi observado por Láudio Fabretti, para a pessoa física ser enquadrada em um ou noutro conceito, necessário é que seja a atividade praticada de natureza mercantil, que hoje, já na vigência do novo código, deve ser considerada a atividade própria de empresário, conforme definição do art. 966, anteriormente comentado.

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De outra forma, a pessoa jurídica, independentemente de seu objeto ou forma organizacional, poderá ser enquadrada em uma ou em outra classificação, a depender de seu faturamento. Tanto os microempresários como os empresários de pequeno porte gozam de benefícios concedidos pela legislação, relacionados à simplificação do exercício da empresa. 10. Prepostos do Empresário

A matéria encontra-se disciplinada pelos arts. 1.169 a 1.178 do Código Civil de 2002, que faz citação expressa a dois tipos de prepostos do empresário; o gerente e o contabilista Isso não significa a exclusão dos demais colaboradores, tais como contabilista. escriturários, pessoal técnico, vendedores etc., tanto que a Seção III do Capítulo II invoca a presença de outros auxiliares do empresário. Na verdade, a escolha do legislador foi detalhar as responsabilidades e limitações de dois dos mais importantes agentes diretamente ligados ao empresário, sabendo-se, de antemão, que a disciplina é extensiva aos demais. Essas pessoas trabalham, contribuindo com o empresário no exercício de sua profissão. O primeiro, no desempenho de atividades administrativas, relacionando-se com clientes e funcionários ou até representando o empresário em tarefas externas; já o contador responsabiliza-se pela escrituração da empresa. Todos, entretanto, possuem uma característica comum, que é a da continuidade dos serviços prestados, diferentemente da relação criada com um contrato de mandato mercantil, que tem caráter eventual. Também podemos destacar, como característica do vínculo jurídico entre preponente e preposto, a subordinação deste àquele. Esse caráter diferencia-o, por exemplo, do contrato de representação comercial, por não se subordinar o representante ao representado. Prevê o art. 1.178 a responsabilidade do preponente (empresário) pelos atos de quaisquer prepostos, quando praticados dentro do estabelecimento, desde que relativos à atividade da empresa, mesmo que não haja autorização por escrito. Fora do estabelecimento, somente se forem cometidos nos limites dos poderes conferidos. Entretanto, ainda quanto à responsabilidade pelos atos do preposto, importante destacar o comentário ao art. 1.177, presente na obra Novo Código Civil Comentado, cuja autoria pertence a renomados juristas brasileiros, sob a coordenação do Deputado Ricardo Fiúza, que esclarece:

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Como regra geral de responsabilidade na relação de preposição, o parágrafo único deste artigo estabelece que haverá responsabilidade objetiva da empresa quando o preposto venha a causar dano a terceiro em virtude de ato culposo, cabendo ao preponente indenizar os prejuízos causados, com ação regressiva contra o responsável. No caso de ato doloso, ocorrerá situação de solidariedade, devendo o preponente ser demandado juntamente com o preposto para o ressarcimento de prejuízos provocados a terceiros. Além dos prepostos, o Direito Comercial regulamenta a profissão de outros agentes que têm laços estreitos na relação com os empresários. Trata-se de corretores, leiloeiros e titulares de armazéns gerais, entre outros. Estes, no desempenho de suas atividades, agem em nome próprio, assumindo responsabilidade por seus atos e devendo, inclusive, obedecer a formalidades necessárias ao exercício da profissão, tais como prévio registro na Junta Comercial, autenticação de livros de escrituração etc. Outrossim, sujeitam-se a requisito próprio do empresário, como a necessidade de estarem desfrutando da plena capacidade civil. 11. Livros Empresariais

11.1. Conceito O empresário e a sociedade empresária têm obrigações de cumprir com formalidades previstas em lei, a fim de que possam usufruir dos benefícios que a legislação comercial oferece, entre os quais concordata, valor probante dos livros comerciais, requerimento de falência de outro empresário etc. Uma delas é a manutenção de um sistema de contabilidade baseado na correta escrituração de seus livros, conforme acentua o art. 1.179 do CC/2002. Esses podem ser utilizados livremente pelos empresários, que terão a faculdade de adotar as espécies que considerarem convenientes para seu negócio, desde que escriturem aqueles livros considerados obrigatórios para sua atividade. Dessa forma, o art. 1.180 do CC/2002 manteve a já conhecida obrigatoriedade de escrituração do Livro Diário (pode ser substituído por fichas, a fim de viabilizar a escrituração eletrônica) para todos os empresários, indistintamente, assim como para as sociedades empresárias. A ele devem ser somados outros livros, tidos como obrigatórios para os variados tipos de sociedades ou ramos específicos de atividade. Atente-se para a abrangência do tópico, que engloba apenas os livros requeridos pela lei comercial. Os demais, sejam os exigidos pelas legislações trabalhista, tributária ou previdenciária, não serão objeto de nosso estudo.

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11.2. Classificação Os livros empresariais classificam-se em obrigatórios (comuns e especiais) e facultativos. facultativos Os obrigatórios comuns são aqueles exigidos de todos os empresários, indistintamente; obrigatórios especiais são impostos a determinadas categorias de empresários; já os livros facultativos como o próprio nome sugere, são aqueles facultativos, cujas ausências não trazem qualquer sanção ao seu titular. Vejamos abaixo todos eles. a) Obrigatórios comuns Atualmente, por força do já citado art. 1.180 do CC/2002, o único livro empresarial que se encaixa nessa categoria é o Diário Diário. Permite-se a substituição do diário por fichas, no caso de escrituração mecanizada ou eletrônica. Ainda assim, não se dispensa o uso de livro apropriado para lançamento do balanço patrimonial e do resultado econômico, que pode ser o Livro Balancetes Diários e Balanços. A escrituração do diário é feita dia a dia, com todas as operações relativas ao exercício da empresa, mas resumida em totais que não excedam trinta dias. b) Obrigatórios especiais O rol dos livros incluídos nessa categoria é extenso e variado. A título de exemplificação, podemos discriminar: • Registro de Duplicatas – exigido dos empresários que emitem duplicatas; • Entrada e Saída de Mercadorias – para proprietários de armazéns gerais; • Diário de Entrada, Diário de Saída, Diário de Leilão, Contas Correntes, Livro-Talão e Protocolo – para os leiloeiros; Livro-T o-Talão Protocolo • Cadernos Manuais e Protocolo – para os corretores de mercadorias; • Registro de Ações Nominativas, Transferência de Ações Nominativas, Registro Transferência Presença dos Acionistas, Atas de Assembléias Gerais etc. – para as sociedades anônimas. c) Facultativos Além dos prescritos em lei, os empresários têm liberdade de criar outros livros, de acordo com suas necessidades. Alguns deles são enumerados a seguir. • Razão. • Caixa. • Contas Correntes. • Borrador ou Costaneira. • Estoque.

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11.3. Formalidades Os livros empresariais, sejam eles obrigatórios ou facultativos, para produzirem os efeitos jurídicos que lhes reserva a lei, necessitam obedecer a certos requisitos, normalmente conhecidos pela doutrina como formalidades intrínsecas e extrínsecas. As primeiras acham-se estipuladas no art. 1.183 do Novo Código e têm a ver com a maneira de preenchimento dos livros, requerendo que seja feita em idioma e moeda nacionais, em forma contábil, por ordem cronológica de dia, mês e ano, sem intervalos em branco, nem entrelinhas, borrões, rasuras, emendas ou transporte para as margens. De outra forma, as formalidades extrínsecas referem-se a providências a serem tomadas em momento que antecede o início da escrituração, a fim de garantir a segurança jurídica dos livros. Sobre elas, o art. 1.181 determinou a necessidade de autenticação, antes do início de uso, no Registro Público de Empresas Mercantis (só poderá fazê-lo quem já tiver registro no mesmo órgão). Descumprida qualquer das formalidades enunciadas, relativamente aos livros obrigatórios, vejamos quais as conseqüências para o empresário ou para a sociedade empresária: • não fará prova a favor de seu autor (art. 379 do CPC); • não poderá, a partir da análise de seus livros, verificar judicialmente obrigações de seus devedores (ação de verificação de contas), para fins de petição de falência daqueles (art. 1o, § 1o, II, da LF). De outra forma, se o antigo Decreto no 7.661/1945, que regulava a falência e a concordata, reputava como crime falimentar a inexistência dos livros obrigatórios ou sua escrituração atrasada, lacunosa, defeituosa ou confusa (art. 186, VI, do Dec. no 7.661/45), a Nova Lei de Falências, no 11.101/2005, em seu art. 178, classifica como crime nela previsto a omissão de documentos contábeis obrigatórios, materializada quando o empresário deixar de elaborar, escriturar ou autenticar, antes ou depois da sentença que decretar a falência, conceder recuperação judicial ou homologar e plano de recuperação extrajudicial, os documentos de escrituração contábil obrigatórios. Na realidade, há uma similitude entre os dispositivos. No entanto, o que podemos observar é a tipificação penal por conta de omissão na escrituração não apenas no processo de falência, mas nos de recuperação judicial ou extrajudicial. Esses, contudo, são temas abordados no Capítulo 4 deste livro, não cabendo maiores esclarecimentos por enquanto.

Força Probante Uma vez satisfeitas as formalidades intrínsecas e extrínsecas.5. mais. por força de exibição determinada pelo juiz.190 do CC/2002. os livros comerciais farão prova: • contra seus proprietários. que requer prova por escrito. insculpido no art.4. por si só. assinada por quem recebe a garantia). a omissão é tipificada como crime. do administrador judicial ou de qualquer interessado que tenha autorização judicial. 178 da Lei no 11. 11. conforme o art. não possa valer como prova. com os demais documentos de escrituração. • a favor de quem os escriturou. desde que presente outro documento sobre a mesma operação. • contra não-empresários. atenção! Em qualquer hipótese não se trata de prova plena. Mas. 1. é de se ressaltar que. Comparando a exigência com os requisitos necessários ao deferimento do pedido de recuperação judicial (instituto que substituiu a concordata). e estando em perfeita harmonia uns com os outros e.101/05. 140. para fins de obtenção de concordata preventiva.101/05 exigiu a apresentação de demonstrações contábeis relativas aos últimos três exercícios sociais. independente de terem efetuado qualquer negócio com o titular dos livros. para recuperação judicial. Entretanto. observam-se diferenças posto que. I. o art. em ocorrendo uma falência ou um processo de recuperação judicial ou extrajudicial do empresário. Em resumo. A materialização desse poder probatório dos livros nasce em razão de uma perícia contábil ou. judicial ou extrajudicial.24 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Ainda assim. posto permitir sua desconsideração com outro meio admitido em Direito. do antigo decreto estipulava como requisito a correta escrituração contábil. . 11. • contra empresários com os quais os proprietários dos livros tenham feito alguma transação mercantil. mesmo. a apresentação dos livros não é requisito obrigatório à obtenção da recuperação. nos casos em que não se exigir comprovação por documento público ou particular (a exemplo do penhor mercantil. garante aos livros proteção contra a divulgação de informações que digam respeito a seus proprietários. nos casos em que exista um documento que. uma vez não escriturados. Exibição dos Livros Empresariais O princípio do sigilo. devendo permanecer à disposição do juízo. o art. 51 da Lei no 11.

A recusa na exibição implica a apreensão judicial dos livros e. vinculam-se ao Registro Público de Empresas. os livros são disponibilizados aos interessados. mas o Cartório no qual seu ato constitutivo for arquivado deverá obedecer às normas fixadas para o registro na Junta. não quer dizer que ela fica obrigada ao registro na Junta Comercial. sem que haja limite para a verificação de seus termos. a requerimento da parte. Esse é o entendimento que se depreende da leitura do art. No entanto. . Na parcial. as sociedades simples devem levar seus atos ao Cartório de Registro Civil das Pessoas Jurídicas. pessoas físicas ou jurídicas. A exibição parcial pode ser decretada de ofício ou a requerimento da parte. De outra forma. comunhão ou sociedade. devendo o exame ser feito na presença do empresário ou de representante seu. 12. nas seguintes ações: sucessão. A exibição integral poderá ser determinada pelo juiz. e é necessário pelo fato de ser facultado aos sócios de uma sociedade simples contratarem-na sob o modelo que se encontra previsto nos artigos do código que lhe são próprios. em qualquer ação judicial. extrai-se apenas a parte que interessar à questão. a cargo das Juntas Comerciais. por força do art.1. ou aproveitarem um dos tipos previstos para as sociedades empresárias. Somente em casos de falências e concordatas o juiz determinará de ofício a exibição integral. no caso em que for determinada a exibição parcial. tomam-se como verdadeiros os fatos argüidos. 1. Disposições Preliminares Os empresários. menos as que tenham o capital dividido em ações (anônima e comandita por ações). Pela primeira. 1. há situações (art.193 do CC/2002. Na hipótese de uma sociedade simples adotar um dos tipos da sociedade empresária.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 25 Série Impetus Provas e Concursos Excetuam-se dessas restrições as autoridades fazendárias. 1. que pode ser integral ou parcial.191) em que se prevê a exibição em juízo. administração ou gestão à conta de outrem. Contudo. apenas os pontos que interessem ao bom andamento do feito são extraídos para o conhecimento das partes.150 do Código Civil. desde que não se apresente prova documental em contrário. sempre que importante ao litígio. Registro Público de Empresas 12.

Isso não quer dizer que. incorrendo em crime previsto na Lei de Falências. para a autenticação dos documentos. Nem poderia. publicidade (qualquer um. haja uma descaracterização da figura do empresário. 161. . Como o registro na junta é pré-requisito. antes do início de suas atividades. 1. pois o que define se alguém é ou não empresário são as características do art. é a falência decretada por solicitação do próprio devedor. deduz-se que o empresário não-registrado não possui livros devidamente autenticados. conforme veremos no Capítulo 4. da Nova Lei de Falências). a obrigatoriedade da inscrição do empresário no Registro Público de Empresas.154 do CC/2002. recuperação judicial ou extrajudicial de empresário que não tenha elaborado.934/94. já estudadas no item 9 deste Capítulo. disposto na Lei Federal n o 8. independentemente de comprovar legítimo interesse. 178 da Nova Lei de Falências prescreve que. embora impedido de pleitear a falência de outro. a compulsoriedade do registro tem muito mais a função de alertar os pretendentes ao exercício da atividade empresarial para a importância da providência do que desfigurá-los do status de empresário. autenticidade. escriturado ou autenticado documentos contábeis obrigatórios.26 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel O Registro Público de Empresas. 967. proporcionando segurança aos que desenvolvem atividade mercantil. de um a dois anos. uma vez não cumprida a providência preliminar. A primeira é a vedação de requerer recuperação judicial ou extrajudicial para si ou falência de outro empresário (arts. 379 do CPC. 48. e 97. De outra forma. segurança e eficácia aos atos jurídicos dos empresários individuais e das sociedades empresárias. ficará o agente sujeito à pena de detenção. parágrafo 1o. Na verdade. tem por fim dar garantia. haverá conseqüências para o empresário omisso. pode requerer à Junta informações sobre outrem). Outrossim. e multa. prevista no art.800/96 e pelos arts. o art. 966 da mesma lei. se for decretada a falência. se o fato não constituir crime mais grave. O empresário não-registrado. além de se permitir a autofalência que. O Código Civil de 2002 determinou. regulamentada pelo Decreto no 1. livros empresariais não-autenticados na Junta Comercial ficam desprovidos de eficácia probatória.150 a 1. Não sendo obedecida a determinação legal. de tal maneira que ele se sentirá compelido a providenciar o registro. em seu art. pode ter a sua própria requerida e declarada.

mas de ordem absolutamente técnica.2. Desse enquadramento. no que pese a natureza federal dos mesmos. 986 da mesma Lei Civil. por exemplo. Também podem ser arquivados atos referentes a consórcio. Daí a conclusão de que as questões que envolvam os serviços técnicos a cargo das Juntas são decididas no âmbito da Justiça Federal. No caso de sociedades empresárias decorre da ausência do arquivamento de seus atos a sua tipificação como sociedade não-personificada. Modelo Organizacional do Registro Os serviços registrais são exercidos pelo Sistema Nacional de Registro de Empresas Mercantis – SIREM. composto pelo Departamento Nacional de Registro do Comércio – DNRC e pelas Juntas Comerciais nos Estados. como prevê o art. face ao disposto no art. Entendam que não se trata de disposições que digam respeito aos serviços administrativos das Juntas. De outra sorte. a autenticação e o arquivamento. O DNRC possui funções de supervisão. coordenação e normatização técnica dos serviços. dissolução e extinção de firmas mercantis individuais e sociedades empresárias. mais especificamente sociedade em comum. Atos de Registro Os atos de registro compreendem a matrícula. ainda que o objetivo fosse criar uma sociedade limitada. • Arquivamento compreende os documentos relativos à constituição. grupos . surge a responsabilidade solidária e ilimitada de todos os sócios pelas obrigações sociais. alteração. orientação. Já as Juntas são órgãos locais (haverá uma em cada unidade da Federação) que executam funções técnicas antes determinadas pelo DNRC. enquanto as disputas envolvendo aspectos administrativos. tradutores públicos. 12. • Matrícula é a inscrição dos leiloeiros oficiais. administradores de armazéns gerais e trapicheiros. também se incluem as sociedades em conta de participação. conforme prevê o art. competindo-lhe estabelecer normas gerais que deverão ser seguidas pelas Juntas.934/94. são de competência da Justiça Estadual.3. naquela categoria.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 27 Série Impetus Provas e Concursos empresárias. já que. mesmo que seus atos sejam arquivados na Junta). intérpretes comerciais. 990 do CC/2002. 12. Excetuam-se dessa regra as sociedades por ações em organização. assim como de cooperativas (atenção! as cooperativas serão sempre sociedades simples. que estudaremos no Capítulo 2. como funcionalismo em geral. 32 da Lei Federal no 8. seus serviços administrativos são criados e mantidos pelos Estados.

pelo menos para fins de contabilizar-se o efeito do ato frente a terceiros. seus efeitos retroagem à data neles constantes.015. salvo se aquele já tinha ciência. (ato ultra vires) no sentido de eximir a responsabilidade da pessoa jurídica. O ato sujeito a registro não pode ser invocado contra terceiro. os efeitos somente se contam a partir da concessão pela Junta. utiliza-se o disposto no art. Sim. aqueles relativos à incorporação. pois se assim não fosse. Se a garantia se deu em momento anterior à averbação. estaria se exigindo daquele que transacionou com a empresa o conhecimento de fato decidido em assembléia de cotistas. cisão. Neste caso. Importa frisar que o Código Civil de 2002. Contudo. 1. à revelia de alteração contratual que expressamente vedou o ato. mas que não fora ainda averbado na junta. Sérgio Campinho alerta que nem sempre é válida a regra da retroatividade. os atos sujeitos a registro devem ser requeridos pelas pessoas habilitadas para tanto: no caso das sociedades empresárias. comumente. na hipótese de a fiança ser concedida após a expedição do registro. § 2o. Por outro lado. alerta o doutrinador que não é justa a manutenção da retroatividade. senão depois de cumpridas tais formalidades. 1. passa para qualquer sócio ou interessado. sem prejuízo de ação contra o administrador. são os administradores e. Eficácia do Registro Para produzir seus efeitos. Uma fiança prestada por representante de uma limitada.4. 12. desde que devidamente registrado. Apresentados além desse prazo. que representa o arquivamento de atos modificativos da inscrição do empresário. inciso I. conforme disposto no art. Completam a relação os atos de empresas estrangeiras autorizadas a funcionar no Brasil. Basta ver o exemplo seguinte. Exceção a essa regra é a ata de reunião ou assembléia de quotistas das sociedades limitadas. do CC/2002. . após sua realização. que têm um prazo menor. fusão e transformação de sociedades.075. na inércia desses.28 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel de sociedades e até de empresário rural. O prazo para protocolar na Junta os documentos sujeitos a registro é de trinta dias da lavratura. • Autenticação refere-se aos livros empresariais. do CC/2002. de microempresas. Assim procedendo. responsabiliza-se a pessoa jurídica. mesmo sendo posterior à assembléia de quotistas que a decidiu. utiliza-se do termo averbação. que recai sobre o agente praticante do ato. terceiro não pode alegar ignorância. de apenas vinte dias.

Conceito Complexo de bens reunidos segundo a vontade do empresário. e este. 1. pois o art. Significa afirmar que é possível desconsiderar certidão fornecida pelas Juntas Comerciais. inclusive. pois podem ser elididos face à melhor prova admitida no Direito. dos móveis e utensílios. perdendo. Caso contrário. É claro que. no prazo de dez anos consecutivos. Cada estabelecimento. seja o empresário individual ou a sociedade empresária. como é que ele poderia desenvolver sua atividade empresarial? Imaginemos. em se tratando de elementos incorpóreos. além da sede de seu negócio. seja pessoa física ou jurídica. somente poderá ser qualificado como tal se possuir estabelecimento. além de outros estudados a seguir. o título do estabelecimento. Pois bem. É lá onde estão reunidos os elementos do estabelecimento empresarial. direito à exclusividade do nome. É próprio dos empresários. algum arquivamento. deverá comunicar à Junta que permanece ou quer continuar em atividade. não haverá um para cada filial ou estabelecimento. que não proceder. mas seu funcionamento de forma irregular. 13. mas relativa. a exemplo do estoque de mercadorias. pessoa física ou jurídica. Em outras palavras. que podem ser corpóreos. tais atos não têm o condão de constitui prova absoluta.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 29 Série Impetus Provas e Concursos Ainda a respeito da eficácia do registro.1. A inatividade não significa a dissolução da sociedade. Estabelecimento Empresarial 13. 12. . desde que se apresente outro documento capaz de se sobrepor ao primeiro. mas um utilizado por todos. determinado empresário do ramo de farmácia. como o nome empresarial. manterá sua escrituração individualizada. então. ou incorpóreos. o estabelecimento empresarial é uma organização de bens pertencente necessariamente a empresário. com livros contábeis e fiscais próprios. inclusive. sede e filiais serão consideradas estabelecimentos do empresário. Inatividade do Registro Todo empresário. é titular de duas filiais. que.142 do CC/2002 assim o caracterizou. a exemplo do nome empresarial. por sua vez. sob pena de ser considerado inativo. que lhe serve como instrumento para a realização de sua atividade econômica.5.

integrariam o estabelecimento empresarial.. dentre outros). . o título do estabelecimento etc. o aviamento é um atributo da empresa. a exemplo de um galpão ou de um armazém.2. a exemplo do estoque de mercadorias. equipamentos. que se traduz num sobrepreço do estabelecimento em relação à soma dos preços de cada bem. No que pesem divergências doutrinárias. o ponto. ponto etc. integrem o estabelecimento.30 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Fazendo uma digressão sobre alguns dos conceitos estudados até aqui. Como vemos. Já o estabelecimento empresarial é o aparelhamento necessário ao exercício da empresa. desde que pertencentes ao empresário. Há até autores que consideram o aviamento como elemento incorpóreo do estabelecimento. patentes de invenção. Ao valor agregado dá-se o nome de aviamento. somados ao nome empresarial. empresário é a própria sociedade. não um bem do empresário. utensílios. Contudo. mas. Sérgio Campinho e Fábio Ulhoa Coelho) é no sentido de aceitar que os bens imóveis utilizados diretamente na atividade empresarial. a doutrina dominante (cito Fran Martins. reservam-se tópicos específicos. Composição Compreende diversos elementos que. Quanto maior for a disposição para o lucro. título. assim como o registro das marcas. à empresa e ao estabelecimento empresarial. mas não é correta essa afirmação. mantêm suas autonomias. podemos afirmar ser o empresário o sujeito de direito. Há uma relação direta entre o preço atribuído ao aviamento e a capacidade de o estabelecimento produzir lucro. na conformidade da importância. sendo a empresa a fabricação e comercialização de pães. 13. se tomarmos a Panificadora Pão de Ouro Ltda. nome empresarial. mobiliário. Discute-se se bens imóveis. da extensão dos temas. Para o ponto. Cada bem individualmente considerado possui um valor econômico. a reunião de todos acarreta um valor agregado bem maior. maior valor terá o aviamento. apesar de reunidos pela vontade do empresário. bens corpóreos ou incorpóreos são todos destinados ao exercício da atividade empresarial. são o estabelecimento empresarial. como exemplo. São bens indispensáveis ao exercício da empresa. enquanto a empresa é a atividade econômica desenvolvida pelo empresário. pessoa física ou jurídica. Conforme destaca a doutrina. pendendo Requião por não recepcionar a tese. o nome empresarial e os bens da propriedade industrial (registro de marcas. especialmente quanto ao empresário. o título do estabelecimento. enquanto os meios utilizados especificamente no fabrico. patentes de invenção. ainda que necessários à atividade econômica do empresário. sobretudo. Por exemplo.

ascendente ou descendente. protegendo-o. mais conhecida como Lei do Inquilinato: a) o contrato a renovar tenha sido celebrado por escrito e com prazo determinado. em caso de prédio alugado. pois. Em outras palavras. se compelido a sair. Nesta hipótese. com seus atos arquivados no órgão de registro competente. 51 da Lei Federal no 8. é preciso ficar atento.245/91. salvo se a locação também envolvia elementos do estabelecimento empresarial. Ainda que obedecidas todas as exigências. no máximo. desde que presentes os seguintes requisitos. ou mesmo ser indenizado.1. por determinação do Poder Público. o art. que é espécie de bem incorpóreo do empresário. não o domínio do locatário. mas a faculdade a ele conferida em permanecer no local. através da ação renovatória de contrato de locação comercial. e) que o locatário tenha proposto a ação renovatória no interregno de um ano. no sentido de ressaltar. Quando se afirma que o ponto é espécie de bem incorpóreo do empresário. São elas: a) quando. 52 prevê hipóteses de exoneração da obrigação do locador renovar o contrato. o que se tem é um direito à inerência sobre o ponto. c) o imóvel vier a ser utilizado por ele próprio ou para transferência de estabelecimento empresarial existente há mais de um ano. define-se como o lugar no qual aquele exerce suas atividades profissionais. tiver que realizar no imóvel obras que importarem na sua radical transformação. estipulados no art. anteriores à data de finalização do prazo do contrato em vigor.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 31 Série Impetus Provas e Concursos 13. A lei o reconhece como resultado do esforço desenvolvido por seu titular. desde que a maioria do capital social do sujeito de direito titular do estabelecimento pertença ao locador. c) o locatário esteja explorando o mesmo ramo de atividade pelo prazo mínimo e ininterrupto de três anos. o imóvel não poderá ser destinado ao mesmo ramo do locatário. na realidade. b) para fazer modificações de tal natureza que aumente o valor do negócio ou da propriedade. d) o locatário esteja regularmente constituído.2. o titular de estabelecimento situado em prédio alugado detém o direito à renovação do contrato. no mínimo. como . até seis meses. b) o prazo mínimo do contrato a renovar ou a soma dos prazos ininterruptos dos contratos escritos seja de cinco anos. seu cônjuge. O Ponto Empresarial Com relação ao ponto.

tanto que o parágrafo 3o do art. reputavam-se comerciantes os que promovessem a intermediação de mercadorias e umas poucas espécies de serviços.2. respeitadas as disposições da lei. singularizando o ponto comercial. resta evidenciado que os termos da lei são extensivos às atualmente denominadas sociedades simples. enquanto o título do estabelecimento é o meio pelo qual a empresa torna-se conhecida do público. 51. se o locador. Império do Colchão etc. Permite-se a alienação do título. Por último. mesmo. sempre que tiver de deixar o ponto em função de proposta mais vantajosa oferecida por outrem ou. que estende o direito de inerência às locações celebradas por indústrias e por sociedades civis com fins lucrativos. que classificou as sociedades em simples ou empresárias. também integra o elenco dos bens incorpóreos o título do estabelecimento. 13. Não se confunde com o nome empresarial. 51. pois devem prevalecer as condições livremente pactuadas nos contratos. 52 garante ao locatário direito à indenização. seja o empresário ou a sociedade empresária. É de se ressaltar a proteção dada pela lei ao locatário contra medidas arbitrárias do locador. Espaço das Vitrines.2. assim como às indústrias. Isso porque. . o locador não poderá recusar a renovação lastrado nas causas dessa alínea. claro. havendo recusa do locatário em cobrir o valor.32 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel instalações e outros pertences. Este identifica o sujeito de direito proprietário.O Título do Estabelecimento Mais conhecido como “nome fantasia”. não der o destino alegado ou não iniciar as obras determinadas pelo Poder Público ou que declarou pretender realizar. Após a edição do novo Código. d) se houver proposta de preço ofertada por terceiro mais vantajosa ao locador e. quando se tratar de espaço em shopping centers. agora enquadradas como sociedades empresárias. e) se o locatário não cumprir qualquer dos requisitos estabelecidos no art. na vigência da antiga Teoria dos Atos de Comércio. no prazo de três meses da entrega do imóvel. merece comentário a disposição do parágrafo 4o do art. as sociedades produtoras de bens e as então classificadas como sociedades civis ficavam à margem do conceito. estas abrangendo também as indústrias. Exemplo: Casa das Baterias. Logo. Saliente-se ainda que.

estaria comprovado o direito à exclusividade de seu uso. o falido não possui tal prerrogativa. Fran Martins. em que o art. 1. A assertiva. não posso concordar com a tese defendida por Marcelo Bertoldi.166 do CC/2002 garante o uso exclusivo a quem primeiro promover seu arquivamento ou averbação no órgão de registro. Percebam uma diferença fundamental entre um e outro conceito. a fim de demonstrar que sua utilização antecedeu à da outra parte envolvida na disputa. 90 do CC/2002. aparecem como universalidades de direito.” Diversa é a natureza jurídica da herança ou da massa falida. Isso porque. Natureza Jurídica Sua natureza é de uma universalidade de fato. que trata o estabelecimento como uma universalidade de direito pelo fato de o art. pode acontecer em momento posterior ao arquivamento do ato constitutivo da sociedade. entendeu que a presença do título no ato de registro deve ser tomada como elemento de prova a favor de quem primeiro providenciou o arquivamento. para o título do estabelecimento não há norma legal disciplinadora do assunto. é merecedora de reparos. apesar da omissão legislativa. na hipótese de o título aparecer destacado no ato constitutivo do empresário registrado. diferentemente do nome. uma vez que todos os seus bens serão destinados à composição da massa falida. pertencentes à mesma pessoa. ao assimilar a tese esposada por Fran Martins. apesar de serem constituídas a partir da reunião de bens. presente no art. sustentou que. Nesta condição. 1. 13.3. tenham destinação unitária. Ambas. Já Sérgio Campinho. que assim preceitua: “Constitui universalidade de fato a pluralidade de bens singulares que. . não pelo desejo de alguém. à semelhança do que já está reconhecido para o nome empresarial.142 do Código definir a sua existência. Enquanto o empresário pode livremente estabelecer quais os bens que comporão seu estabelecimento. com exceções e particularidades abordadas no Capítulo 04. A conclusão é extraída da definição desse instituto. assim o são por disposição legal.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 33 Série Impetus Provas e Concursos Sua proteção contra reprodução indevida por parte de outrem advém do registro na Junta Comercial que. ou mesmo de posterior averbação. em posicionamento seguido pelos melhores doutrinadores da matéria. contudo. ao contrário do que ocorre com o nome empresarial. Por essa razão.

longe de poder ser sujeito de direito. Em termos práticos. Assim. conforme dispõe o art. pode ser alvo de transações ou disputa jurídica. a exemplo da sua própria alienação. emprestando-lhes uma destinação unitária. fundações. o estabelecimento muda de titular. titular da sede e mais cinco filiais. em raciocínio diametralmente oposto. é possível a mudança de titularidade do estabelecimento. Alienação Vimos que o estabelecimento pode ser objeto unitário de direitos e de negócios jurídicos translativos ou constitutivos.4. É ele o detentor da legitimidade para tanto. 1. Podemos. Essa é que terá novos sócios. Como tal.145 do CC/2002 condiciona a eficácia da alienação a alguns fatores.34 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Waldo Fazzio Júnior. o estabelecimento está excluído do rol de pessoas jurídicas elencadas no art.143 do Código. Na hipótese de alguém reivindicar o domínio sobre eles. não tem personalidade jurídica. No primeiro. mas da própria pessoa que seja seu titular. que são as associações. desde que compatíveis com sua natureza. afirmar que o estabelecimento pode ser objeto de relações jurídicas próprias. pode ser alvo ou objeto de direitos e de negócios jurídicos. passando a integrar o patrimônio de outra pessoa. não é ele capaz de direitos e obrigações. Logo. permanece na propriedade da mesma pessoa jurídica. O art. 44 do CC/2002. compete ao sujeito de direito empresário a manifestação a respeito. Tem o transmitente que ficar com bens livres e desembaraçados para pagamento de . por conseqüência. um empresário do ramo frigorífico. sociedades. Os bens que o compõem pertencem a seu titular. Já o estabelecimento. Observem que o trespasse não é o mesmo que a cessão de quotas sociais de uma sociedade limitada. ou das ações de uma sociedade anônima. Nesta condição. Em outras palavras. partidos políticos e organizações religiosas. Já na cessão de quotas ou de ações. não há como se falar em capacidade processual do estabelecimento. translativos ou constitutivos. 1. entretanto. por ser desprovido de personificação. o empresário. que recebe o nome de trespasse ou traspasse. condição que isenta de dúvida a sua natureza de universalidade de fato. 13. será a parte legítima para representar em juízo sobre qualquer ação que tenha por objeto bens componentes de algum de seus estabelecimentos. sem que isso signifique ser sujeito de direitos e obrigações. enfatiza corretamente a vontade do titular do estabelecimento em reunir bens diversos.

Juridicamente falando. III. 14. Do contrário. o art. 1. desde que contabilizados nos livros do vendedor. Conceito Uma pessoa natural. Nome Empresarial 14. a responsabilidade do alienante. ao nascer. que se materializa em trinta dias a partir da notificação. da conhecida Lei do Inquilinato. arrendador ou aquele que transfere estabelecimento em usufruto desvie clientela do comprador. a menos que haja concordância do adquirente. que vai depender do local onde se situe a filial. ou dos respectivos vencimentos para os vincendos. conforme previsto no art.149 preserva a boa-fé daqueles que efetuarem o pagamento ao cedente. da Lei Federal no 11. a eficácia depende do pagamento de todos eles. se ocorrer justa causa.144. contudo. tem direito a ser identificada por um nome civil.101/2005. continua solidário com aquele pelo prazo de um ano. neste caso. reputando-os exonerados da obrigação mesmo que a publicação da transferência já tenha sido realizada. parágrafo 1o.1. não pode o alienante fazer concorrência nos cinco anos subseqüentes à transferência. se não tiverem caráter pessoal. Eficaz o trespasse. a transferência do estabelecimento importa em sub-rogação do adquirente nos contratos destinados à exploração do estabelecimento. a proibição se estende ao prazo do contrato. que está em sintonia com a do art. Em se tratando de arrendamento ou usufruto do estabelecimento.148. é evitar que o alienante. c. a materialização desse direito ocorre por ocasião do registro do indivíduo no Cartório de Registro Civil. ressalvada. arrendatário ou do usufrutário em função do conhecimento que gozem junto ao público em geral. Este. 1. para os vencidos. passa o adquirente a ser responsável pelos débitos anteriores ao ato. alienante do estabelecimento. 1. contado da publicação de transferência na imprensa oficial. ou do consentimento expresso ou tácito. Outrossim. Com relação aos devedores por créditos cedidos ao adquirente. A finalidade. 51. . ao invés do cessionário. quando é expedida a Certidão de Nascimento. 94. prevê que. a previsão do art. A desobediência a esse requisito representa ato de falência.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 35 Série Impetus Provas e Concursos seus credores existentes à época. Em seguida. podendo os terceiros rescindir o contrato em noventa dias a contar da publicação de transferência a que se refere o art. contudo. A proibição aqui tratada deve ser entendida em certo âmbito territorial. salvo disposição em contrário.

do DNRC. conforme reza o art.L.168. Costa Farias. que uniformizou critérios para o exame dos atos submetidos ao Registro Público de Empresas. Assim como a firma individual. P. são válidas. admite a supressão de prenomes. 1. 14. se houver mais de um patronímico. Exemplos: Pedro Luiz Costa Farias. Costa Farias–Mercearia. mais de um sócio poderá . Formação O nome empresarial pode ser de três espécies. no que se refere ao nome empresarial. sua formação gira em torno de nomes civis. aquele sob o qual a sociedade ou o empresário individual exerce sua atividade econômica e obriga-se nos atos a eles pertinentes. 1. a) Firma Individual Constitui-se a partir de um nome de pessoa natural e serve para nominar o empresário individual. não se contrapondo aos ditames da lei. um deles não poderá ser abreviado ou suprimido. De outra forma. aditando-lhe. em se tratando de pessoa jurídica. Uma é a IN no 53. A diferença é que.36 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel No caso dos empresários individuais ou das sociedades empresárias.2. Pedro Luiz Costa Farias–Mercearia. que deverá adotar seu nome civil. se quiser. 1. A alínea a do parágrafo 1o do art. Costa Farias. designação mais precisa de sua pessoa ou do gênero de atividade. O nome empresarial é. completo ou abreviado. que vai do art. b) Firma ou Razão Social Constitui-se a partir de um ou mais nomes de pessoas naturais e serve para nominar as sociedades empresárias. a titularidade sobre o nome acontece a partir do arquivamento de seus atos constitutivos na Junta Comercial do Estado. pois. de 15 de março de 1996. Além dessas disposições.156 do Código. e o faz através de instruções normativas que. o Departamento Nacional de Registro do Comércio é entidade habilitada a normatizar esse e outros assuntos relacionados à empresa e ao empresário.155 ao art. O Código Civil de 2002 trouxe capítulo específico a respeito do tema. 6o da IN no 53/96.

do Código. Exemplos: Melo Lins e cia. contudo. em uma sociedade de muitos sócios. dois nomes de sócios. seja na lei ou em norma complementar. tal como “e filhos” ou “e irmãos”. O mesmo dispositivo. se determinada sociedade abranger em seu quadro social uma outra pessoa jurídica. parágrafo 1o. Sem disposição expressa sobre elas. . tem o caráter de mera homenagem. permite a inclusão de nome de um ou mais sócios. 1. parágrafo 1o. 1. sempre acrescida do objeto social. limitada (para sociedade limitada). 1.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 37 Série Impetus Provas e Concursos emprestar seu nome à formação da firma social. que possibilitou sua substituição por termos equivalentes. dentre outros. não se revestindo da natureza obrigacional que permeia a firma. do CC/2002 vedou a inserção na razão social de nome de sócio que não seja pessoa física. c) Denominação Essa espécie de nome serve tanto às sociedades empresárias como às sociedades simples e. mas em expressão de fantasia. do Código. sem abreviaturas. Paulo Melo Lins e João Pedro Silva (em nome coletivo ou em comandita). esta não poderá emprestar seu nome à formação da razão social da primeira. Difere das outras duas formas em alguns aspectos. Expressões como: filho. Mas não precisa serem todos. O art.158. João Fonseca e irmãos (em nome coletivo ou em comandita). A respeito do uso da expressão “e companhia”. sempre que omitido nome de algum sócio. Por isso o art.157 do Código previu a possibilidade de se adotar a expressão “e companhia” ou sua abreviatura. convém ressaltar a disposição da alínea a. não são sobrenome. Assim. Essa previsão. nem seria razoável admitir um nome empresarial composto por tantos nomes civis. conforme prevê o art. devem constar do nome na forma por extenso. 6o da mesma IN no 53/1996. neto. ou até de alguém que não seja membro da sociedade. parágrafo 1o. O usual é a razão social ser composta de um ou no máximo. 1. Aliás.158. júnior. É que sua constituição se baseia não em nomes civis.155. de acordo com a exigência do art. às associações e fundações. dentre outras similares. (para sociedade em nome coletivo ou em comandita).160. O direito as reconhece pelo termo agnome. 1. até. combinado com o parágrafo único do art. Melo Lins e cia. sobretudo na sua formação. indicam relação de parentesco e servem para diferenciar parentes que tenham o mesmo nome. do parágrafo 1o do art.

também faz referência ao mesmo princípio.38 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Exemplos: Fiação José Pereira S.163 do Código que. de forma a evitar o registro daqueles que não correspondam à realidade. Podemos encontrá-lo no art. na hipótese de casamento. Esta é a regra do art. Indústrias Reunidas Brasil Limitada (para uma sociedade limitada). Esta. dispõe o parágrafo único do artigo. se registrado na forma de lei especial. a extensão da garantia a todo território nacional. 14. impõe o emprego de alguma designação distintiva ao nome do empresário. em caso de homônimos já inscritos.A. 7o da IN no 53/96. que prevê. ainda não foi elaborada. . ao proibir a presença no nome de palavras ou expressões que denotem atividade nãoprevista no objeto da empresa. individual ou social. sempre que promoverem alteração em seus respectivos nomes civis. por sua vez. 6o. 1. Essa é a disposição do art. em seu parágrafo único.3. igualmente. observa o princípio da novidade.166. não pode ser conservado na firma social. Frigorífico Carnefresca Comandita por Ações (para uma comandita por ações). dois princípios deverão ser observados. será necessária a alteração do nome empresarial. em seu parágrafo único. É o caso de a denominação de uma sociedade do ramo de papelaria conter objeto social diverso. Com fundamento nele.4. (para uma sociedade anônima). quando houver outra já registrada. 14. parágrafo 2o. b) Princípio da novidade O nome de empresário deve distinguir-se de qualquer outro já inscrito no mesmo registro. a exemplo de frigorífico ou farmácia. quando dispõe que sócio que vier a falecer. Princípios Para legal constituição do nome. permite-se agregar designação distintiva. Em se tratando de firma. O art. a) Princípio da veracidade Esse princípio permeia a constituição do nome empresarial. 1.165 do Código. sócio de sociedade que emprestar seu nome à razão social ou o empresário individual. 1. por exemplo. destacando a impossibilidade de coexistência de nomes idênticos ou semelhantes no âmbito da mesma unidade federativa. quando um cônjuge pode incorporar sobrenome do outro. em seu art. Proteção A inscrição do empresário individual ou dos atos constitutivos das pessoas jurídicas assim como as respectivas averbações no registro próprio asseguram o uso exclusivo do nome nos limites do respectivo Estado. for excluído ou se retirar. A IN no 53/96.

que regulamentou a Lei no 8. 13. portanto. é a identificação do sujeito de direito que o emprega. 14. Função A principal função do nome empresarial. observada instrução normativa do Departamento de Registro do Comércio – DNRC. Essa é a previsão do art. significando afirmar que as juntas não abrem um processo específico para a análise do nome constante do ato. Portanto. do Decreto no 1. através da assinatura de seu representante. que. 61. a firma. 968. dispondo sobre o Registro Público de Empresas Mercantis e Atividades Afins. enquanto não editada a lei especial a que se refere o parágrafo único do art. A primeira. E é justamente a IN no 53/96 que prevê duas hipóteses para a extensão da proteção do nome a outros Estados. 2o do Decreto 916/1890. parágrafo 1o. instruído com certidão da Junta Comercial da unidade federativa onde se localize a sede da sociedade. a requerimento do interessado. com a respectiva assinatura autógrafa. assim como com o art. pessoa física ou jurídica. esse dispositivo inclusive encontra eco no Código Civil. se a sociedade chamada Tecelagem Rio Grande S/A. também serve como assinatura do empresário.5. prevê que a inscrição do empresário far-se-á mediante requerimento que contenha. que criou o registro de firmas ou razões comerciais. Entrementes. A par dessa função. não há outra maneira de a proteção ao nome empresarial ser eficaz em outros Estados. outra. citadas no parágrafo anterior. já vimos. em seu art. em caso de abertura de filial em outro Estado. dentre outras informações. a firma.934/94. contrair um empréstimo bancário no valor de um milhão de reais a ser pago no prazo de seis meses. Na opinião de Sérgio Campinho. o parágrafo 2o do mesmo art.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 39 Série Impetus Provas e Concursos Continua. pelo pedido específico. senão nas hipóteses do art. desde que o agente possua representação legítima. como o estatuto ou contrato de sociedade. É da sua utilização que nascem os direitos e obrigações do empresário. 13 da IN no 53/96. Esse trabalho é feito ao mesmo tempo em que se avalia tanto o requerimento do empresário individual. que é coincidente com a do art. Outro ponto que merece destaque é a simultaneidade entre o registro e a proteção. . é ela a pessoa obrigada ao pagamento. II. 1. parágrafo 1o. Exemplificando.165. da IN do DNRC no 53/96. 61 do Decreto prevê que a proteção ao nome poderá ser estendida a outras unidades da Federação. seja individual ou social.800/96. a disposição do código.

Já com relação ao título. De outra forma.. mas de seus próprios nomes. os mesmos poderão livremente ser alienados. Idêntico raciocínio pode ser formulado quando se tratar de uma denominação. materiais ou não. uma vez que não pode haver empresário sem aquele conjunto de bens organizados para o exercício da empresa. do nome empresarial. acrescentado do termo “sucessor de”. Quando a venda abrange todos os estabelecimentos. sendo a venda parcial.6. sem que isso o descaracterize como tal. . que passará a usar o nome Cia. Para o bom entendimento do assunto. ou aos demais bens incorpóreos ou não. porém. 14. normalmente farão parte do negócio a totalidade de seus bens. por ocasião da negociação de venda de um ou todos os estabelecimentos do empresário. teremos: Paiva Costa e Cia. Brasil de Cosméticos. Logo. o contrato de alienação deve conter a previsão do objeto contratado. Também é possível haver negociação em cima de bens incorpóreos. adquirente da Cosméticos Nova Cruz S/A.. Caso. compete aos contratantes definir quais os bens farão parte do negócio. na conformidade do parágrafo único do mesmo artigo. que adquiriu o estabelecimento empresarial de João Armando Silva e Irmãos. Imaginemos.164 do CC/2002. o adquirente pode. 1. do ponto etc. que concordou com o uso de seu nome pelo adquirente. a exemplo do título. precedido de seu próprio. Isso porque o empresário que se desfaz de todo o seu estabelecimento invariavelmente perderá esta qualificação. Exemplo: Cia. a sociedade Paiva Costa e Cia. independentemente da venda do estabelecimento. com a ressalva já feita para o uso do nome. seja alienado o próprio estabelecimento empresarial. sucessor de João Silva e Irmãos Irmãos. então. Brasil de Cosméticos. usar o nome empresarial do alienante. sucessor de Cosméticos Nova Cruz S/A. percebam que. se houver previsão contratual. é forçoso reconhecer a pouca ou quase nenhuma aplicação prática do dispositivo. O alienante pode até excluir um ou outro bem originário do estabelecimento. Alienação O nome empresarial não pode ser objeto de alienação. Essa é a regra do art.40 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Por outro lado. pois a maioria esmagadora dos empresários ou representantes de sociedade não se utiliza da firma como assinatura.

Utilização por quem de Direito TIPO Empresário Individual Sociedade Simples Em Nome Coletivo Em Comandita Simples Em Comandita por Ações Em Conta de Participações Sociedade Limitada Sociedade Anônima X X X Com o termo “Ltda. – X FIRMA FIRMA INDIVIDUAL SOCIAL X Com o termo “S.S. DENOMINAÇÃO OBSERVAÇÕES X X Com o termo “C. Não possui nome.” ou “S/A”.”.7. assim ou por extenso Com o termo “Cooperativa”. X X – – Sociedade Cooperativa X .”. assim ou por extenso.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 41 Série Impetus Provas e Concursos 14.A. assim ou por extenso. assim ou por extenso. Com um dos termos: “Cia.”.

visando ao desenvolvimento tecnológico e econômico do país. por sua vez. Direitos de Propriedade Industrial 15. ficando o direito autoral a cargo do Direito Civil. mais conhecida como o Código de Propriedade Industrial – CPI que. dividem-se em: a) normas regulamentadoras da propriedade literária. existem normas conhecidas como Direito da Propriedade Intelectual. Para tutelar o direito dos autores de obras oriundas da capacidade intelectual do homem. e d) registro de marca. Disposições Preliminares Se fizermos uma retrospectiva histórica do desenvolvimento da humanidade. para o direito da propriedade industrial. O Congresso Brasileiro. editou a Lei no 9.42 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 15. nacionais ou domiciliadas no Brasil. Alvo desse trabalho será o direito da propriedade industrial. enquanto que. Analisando o dispositivo acima. previu as formas de proteger a atividade inventiva e a própria atuação empresarial de pessoas físicas e jurídicas. 2o. . requisito fundamental é a novidade da criação. através da: a) concessão de patentes de invenção e de modelo de utilidade.1. que recebem o título de Direito da Propriedade Industrial. entendo-se como o desconhecimento público sobre objeto. artísticas e científicas obedecem ao critério da originalidade. podemos destacar quatro bens incorpóreos componentes do estabelecimento empresarial e que são abrangidos pelo direito de propriedade industrial. o mesmo não ocorre nas obras protegidas pelo direito autoral. iremos observar que a necessidade e o poder inventivo são características inerentes ao ser humano.279. c) concessão de registro de marca. c) registro de desenho industrial. no sentido de que se trata de algo exclusivo para o próprio autor da obra. b) patentes de modelo de utilidade. que recebem o título de Direito Autoral. Estas. o homem estará sempre tentando descobrir novas formas de melhorar seu bem-estar por meio de criações as mais variadas possíveis. e e) repressão à concorrência desleal. e b) normas regulamentadoras da propriedade industrial. Uma diferença marcante entre os objetos de um e outro sistema jurídico reside no fato de que as obras literárias. já no seu art. São eles: a) patentes de invenção. b) concessão de registro de desenho industrial. d) repressão às falsas indicações geográficas. artística e científica. Não importa o grau de desenvolvimento de uma sociedade. de 14 de maio de 1996. enquanto o objeto da propriedade industrial é destinado à produção em escala industrial. De outra forma.

autarquia federal com sede no Estado do Rio de Janeiro. ao passo que uma invenção pode jamais haver sido alvo de um modelo de utilidade. em seu art. Competente para regulação e concessão da maioria desses direitos é o Instituto Nacional de Propriedade Industrial – INPI. entendida como o instrumento jurídico capaz de assegurar aos inventores e aos criadores de modelo de utilidade a proteção contra reproduções indevidas de suas obras. que dispõe sobre direitos e deveres individuais e coletivos.279/96 garantiu aos autores de invenção ou de modelo de utilidade direitos que nela são relacionados. A título de exemplo. vejamos as formas de proteção à propriedade industrial.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 43 Série Impetus Provas e Concursos Os direitos atribuídos aos titulares da propriedade industrial vão da reserva temporária. à propriedade das marcas. ao passo que modelo de utilidade seria um aperfeiçoamento de algo já existente. inciso XXIX. aos nomes de empresas e a outros signos distintivos. pois o seu sentido é incrementar a utilização de algo já existente. na hipótese de o modelo tradicional ter sido precursor dos demais. A seguir. A própria Constituição Federal. valendo lembrar que questões atinentes ao nome empresarial e ao título do estabelecimento são reguladas pelo Departamento Nacional de Registro do Comércio – DNRC. prescreve: A lei assegurará aos autores de inventos industriais privilégio temporário para sua utilização. ao uso exclusivo da marca e do nome empresarial. . igualmente capaz de ser produzido industrialmente. poderíamos dizer que a geladeira doméstica é uma invenção. Conclui-se que o modelo de utilidade pressupõe uma prévia invenção. Patentes O art. Mas qual a diferença entre invenção e modelo de utilidade? A primeira pode ser conceituada como o produto do intelecto humano que traz à tona coisas até então inexistentes e capazes de serem produzidas em escala industrial. 2o da Lei no 9. ou de parede. A materialização desses direitos advém da concessão da patente. tendo em vista o interesse social e o desenvolvimento tecnológico e econômico do país.2. 15. Também serviria à exemplificação a criação do ventilador de teto. conforme exposição no item anterior. 5o. para exploração e produção dos bens. enquanto o seu descongelamento automático é um modelo de utilidade. cabendo às Juntas Comerciais recepcionar as documentações dos empresários para fins de registro e concessão do direito de propriedade sobre eles. bem como proteção às criações industriais.

Nova é a invenção que não está compreendida no estado da técnica. Uma criação que dependa de um componente só existente nas estrelas não possui aplicação industrial. enquadrando-se nesse dispositivo a informação divulgada. assim entendido como toda informação que é disponibilizada ao público antes da data de depósito do pedido da patente. Já a aplicação industrial é requisito que decorre da possibilidade de o invento ou o modelo industrial poder ser produzido em escala industrial. portanto. faz-se necessário que a divulgação tenha sido promovida: a) pelo próprio inventor. b) pelo INPI. A atividade inventiva. pois decorre da capacidade criativa do ser humano em construir algo até então inexistente. o art. ou a partir de atos realizados por ele. c) por terceiros. . Para tanto. baseados em informações obtidas do inventor. 12 estabeleceu um período de doze meses imediatamente anteriores à data do depósito no qual a divulgação de informações sobre a invenção ou do modelo de utilidade não será enquadrada no estado da técnica. ainda assim a invenção ou o modelo de utilidade seriam considerados novos. Dessa forma. ou em decorrência de atos realizados por ele. 8 o do CPI.2. e ficando provado que se trata de algo criado a partir de informações vindas a público a respeito da criação. à luz do art. a partir de informações deste obtidas. ao requisito da novidade imposto pelo CPI. Em outras palavras.44 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 15. e c) aplicação industrial. haverá quebra do requisito da novidade. No entanto. resultando na negativa de patente. é a criação que não decorre de forma óbvia ou evidente do estado da técnica. pode ser considerada nova diante dos olhos humanos. tampouco para modelo de utilidade.1. Esses dois primeiros requisitos. 11). Na verdade. mas não decorreu de sua atividade inventiva. De outra forma. poderíamos afirmar que todo invento é novo. a descoberta de um novo mineral. se alguém tentar patentear invento que diz ser novo. são requisitos à patenteabilidade de uma invenção: a) novidade. o leitor pode perceber. por exemplo. nem tudo que é novo decorre da atividade inventiva do homem. no Brasil ou no exterior (art. preferiram os legisladores estabelecer requisitos para a caracterização e enumerar o que não se enquadra em um ou em outro aspecto.Invenção e Modelo de Utilidade O Código de Propriedade Industrial não trouxe conceitos para invenção. estão interligados. Portanto. 13. por uso ou qualquer outro meio. conforme a disposição do art. por descrição escrita ou oral. através de publicação oficial de pedido de patente depositado sem o consentimento do inventor. obedecendo. b) atividade inventiva.

6o. matérias. não importando se é. d) as obras literárias. bem como a modificação de suas propriedades físico-químicas e os respectivos processos de obtenção ou modificação. elementos ou produtos de qualquer espécie. exceto os microorganismos transgênicos que atendam aos três requisitos de patenteabilidade (novidade. bem como métodos terapêuticos ou de diagnóstico. que privilegia a pessoa que primeiro encaminhou o pedido de patente.2.2. Observem a diferença entre o teor de cada dispositivo. aos bons costumes e à segurança. princípios ou métodos comerciais. e c) o todo ou parte dos seres vivos. artísticas e científicas ou qualquer criação estética. ou não. Do Pedido e Concessão da Patente Salvo prova em contrário. Diversa é a disposição do art. c) esquemas. o inventor ou o autor do modelo de utilidade. educativos.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 45 Série Impetus Provas e Concursos O art. e i) o todo ou parte de seres vivos naturais e materiais biológicos encontrados na natureza. o outro obsta a concessão de patentes a invenções ou a modelos de utilidade que se encaixem ao menos em uma daquelas proibições. quando resultantes de transformação do núcleo atômico. teorias científicas e métodos matemáticos. de sorteio e de fiscalização. h) técnicas e métodos operatórios ou cirúrgicos. f) apresentação de informações. e) programas de computador em si. 18. b) substâncias. . tampouco modelo de utilidade. publicitários. g) regras de jogo. atividade inventiva e aplicação industrial) acima referidos. contábeis. planos. ou ainda que dela isolados. b) concepções puramente abstratas. inclusive o genoma ou germoplasma de qualquer ser vivo natural e os processos biológicos naturais. enquanto o art. misturas. Esse é o teor do parágrafo 1o do art. São elas: a) descobertas. 10 contém relação de algumas ocorrências que não são consideradas invenção. arquitetônicas. financeiros. presume-se o requerente legitimado a obter a patente. que proíbe a concessão de patentes às seguintes criações: a) tudo o que for contrário à moral. à ordem e à saúde públicas. para aplicação no corpo humano ou animal. 15. 10 enumera realizações que não são consideradas invenções ou modelo de utilidade.

Essa disposição. está em sintonia com o princípio de que o primeiro a chegar será considerado o titular do direito. mas existindo dados relativos ao objeto. presente no art. Satisfeitas as exigências. sob pena de arquivamento do . resumo. É lá onde se faz o exame formal preliminar do requerimento e. Para tanto. faculta-se aos interessados apresentar novos documentos e informações. para se observar a divulgação de informações sobre o objeto do depósito. reivindicações. estabelecendo as exigências a serem cumpridas no prazo de trinta dias. sob pena de devolução ou arquivamento da documentação. Faltando algum requisito essencial. e. salvo por solicitação do depositante. relativa ao estado da técnica. o pedido pode ser dirigido por todas ou uma delas. a fim de subsidiarem o exame técnico ou de mérito. por todo o tempo. O órgão competente para receber os pedidos de patentes relativos a invenções e modelos de utilidade é o Instituto Nacional de Propriedade Industrial-INPI. ao depositante e ao inventor. até o deferimento da patente. 7o. No entanto. 19 (requerimento. e c) pela pessoa a quem a lei ou o contrato de trabalho ou prestação de serviço indicar como titular do direito. Conforme reza o art. se for o caso. o pedido deve ser mantido em sigilo. em se tratando de invenção ou de modelo de utilidade realizado conjuntamente por duas ou mais pessoas. quando ocorrer invenção ou criação de modelo de utilidade por uma ou mais pessoas de forma independente. com a data de apresentação sendo tomada como data de depósito.46 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel O parágrafo seguinte. relatório descritivo. será protocolizado. salvo prova em contrário. desenhos. 30 do CPI. Uma vez publicado o pedido. conforme exposto no item anterior. do mesmo artigo. b) pelo cessionário. e comprovante de pagamento da retribuição relativa ao depósito). permite que o pedido seja feito em nome próprio: a) pelos herdeiros ou sucessores do autor. mediante nomeação dos demais. não importando da data de invenção ou criação. em se tratando de matéria referente à defesa nacional. não havendo publicação pelo prazo de dezoito meses desde a data do depósito. é necessário que o depositante ou qualquer interessado o requeira no prazo de trinta e seis meses da data do depósito. o direito de obter a patente será assegurado àquele que promover o depósito mais antigo. que não será iniciado senão após o prazo de sessenta dias da publicação do pedido. Esta data é importante. além de outros fins. De outra forma. considera-se data do depósito a mesma do recibo. o INPI pode emitir recibo. quando devidamente instruído de acordo com a exigência do art.

o titular de patente tem o direito de impedir terceiro. 34 a 36. seu titular tem direito à exploração exclusiva do objeto. usar. o INPI deve proceder a uma análise preliminar do pedido que. o instrumento utilizado é a carta-patente. que será considerado bem móvel. contado não da publicação do pedido. que somente será emitida após o pagamento de retribuição correspondente. por ato oneroso ou gratuito. conforme as exigências postas nos arts. parágrafo 1o. No entanto. 38. garantem-se aqueles prazos mínimos de vigência da patente. sem o seu consentimento. indeferindo ou deferindo a patente. 15.2. 58 permite a cessão do pedido). por causa mortis ou inter vivos. quando estaria prejudicado o direito do titular. Em resumo. enquanto a do modelo de utilidade é de sete anos. de produzir. mesmo. a satisfação no pedido não garante a realização do exame técnico. sem importar o intervalo de tempo compreendido entre o depósito e a concessão. 5o. Essa previsão é importante. no prazo de trinta e seis meses.3. o prazo mínimo de vigência da patente de invenção é de dez anos. porém da data de depósito. conforme prevê o art. Neste último caso. 44 indenização em favor do titular da patente. De outra forma. Concluído o exame. na hipótese de exploração indevida de seu objeto. se. inclusive em relação à exploração ocorrida entre a data da publicação do pedido e a da concessão da patente. Portanto. pode haver o desarquivamento do pedido. ou. podendo ser cedido (o art. colocar à venda. no prazo de sessenta dias do deferimento. o depositante solicitar. se aprovada. no prazo de sessenta dias. salvo por solicitação do depositante. conforme reza o art. vender ou importar com estes propósitos o produto objeto da patente ou o processo ou produto obtido diretamente por processo patenteado. Neste caso. . Prevê o art.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 47 Série Impetus Provas e Concursos pedido. mediante o pagamento de retribuição específica. Da Vigência e da Proteção Conferida pela Patente Enquanto perdurar a patente. ser objeto de contrato para licença de exploração. porque pode acontecer de a concessão sofrer demora no processo. ambos contados da data de depósito. retardando o início da exploração industrial e comercial do bem. que somente será feito mediante nova solicitação. ficará em sigilo pelo prazo de dezoito meses. Conforme a disposição do art. será proferida decisão. 42. sob pena de arquivamento em definitivo. A patente de invenção vigorará pelo prazo de vinte anos e a do modelo de utilidade pelo prazo de quinze anos.

sempre que: a) não tiver sido atendido qualquer requisito legal. Na hipótese de ação judicial para a nulidade da patente. igualmente é parte legítima para a propositura tanto o INPI como qualquer interessado.48 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Entrementes. incluindo-se a patente ou. Das Licenças Vimos que o art. A nulidade poderá ser total ou parcial. mesmo. 46 a 48). 45 prescreve que o direito não poderá ser cedido. Para que produzam efeitos em relação a terceiros. Sendo administrativa. . ou parte desta que tenha relação direta com a exploração objeto da patente. quando o instituto promoverá a publicação da oferta. desde de a data do depósito. de forma onerosa ou gratuita. b) o objeto da patente se estenda além do conteúdo do pedido original depositado.4. será assegurado o direito de continuar a exploração. por solicitação das partes. Neste caso. no prazo de seis meses da concessão. c) houver omissão de qualquer formalidade essencial à concessão. quando o licenciado poderá ser investido de todos os poderes para agir em defesa da patente (art. arbitrar a remuneração cabível.5. por ato inter vivos ou mortis causa. antes da data de depósito ou de prioridade de pedido de patente. de boa-fé. não haverá limitação de prazo. 61). Pode o titular da patente solicitar ao INPI que a coloque em oferta para fins de exploração. A nulidade da patente poderá ser declarada administrativamente ou na esfera judicial. até. já explorava seu objeto no país. para aquele que. 6o do CPI considera bens móveis os direitos relativos à propriedade industrial. Neste caso. por alienação ou arrendamento. 15. intervindo o INPI. ou mediante requerimento de pessoa com legítimo interesse.2. e o foro competente será a Justiça Federal. quando não for o autor. 15. pelo próprio INPI. o parágrafo 1o do art. na forma e nas condições anteriores. sem ônus.2. Igualmente permite-se ao titular de patente ou o depositante celebrar contrato de licença para exploração industrial do objeto da patente. O titular desses direitos pode cedê-los. neste caso quando as reivindicações subsistentes constituírem matéria patenteável por si mesma (arts. da forma como ocorre na nulidade administrativa. senão juntamente com o negócio ou empresa. a patente concedida contrariando as disposições do CPI. a nulidade será instaurada de ofício. podendo. o pedido de patente. o contrato deverá ser averbado no INPI. Da Nulidade da Patente É nula.

CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 49 Série Impetus Provas e Concursos Nesta condição. b) o objeto da patente dependente constituir substancial progresso técnico em relação à patente anterior. se o licenciado interromper a exploração por prazo superior a um ano. quais sejam: a) ficar caracterizada situação de dependência de uma patente em relação à outra. quando ocorrerem cumulativamente as três hipóteses previstas no dispositivo. Outras hipóteses previstas no art. Outra hipótese para concessão da patente compulsória está no art. pode o titular da patente requerer o cancelamento da licença. desde que o titular da patente ou seu licenciado não atenda a essa necessidade. em função do exercício abusivo ou se. a concessão dar-se-á de ofício. c) justificar a falta de fabricação ou comercialização por obstáculo de ordem legal. Diferente é a licença compulsória ou. por meio dela. 68. e c) o titular não realizar acordo com o outro titular da patente dependente para exploração da patente anterior. ou mesmo se não forem obedecidas as condições impostas para exploração (art. O art. assim entendida como a patente cuja exploração depende obrigatoriamente da utilização do objeto da patente anterior. restar constatado o abuso de poder econômico. o titular: a) justificar o desuso por razões legítimas. e será temporária e nãoexclusiva. b) quando a comercialização não satisfizer as necessidades do mercado. Se o licenciado não iniciar a exploração em um ano da concessão. 67). que podem ensejar a licença compulsória. . da mesma forma que. O art. a anuidade devida ao INPI será reduzida à metade. Neste caso. conforme linguagem popular costumar se referir. a “quebra de patente”. que trata dos casos de emergência nacional ou interesse público. 71. igualmente no prazo de três anos da concessão. fica sujeito a uma ação movida pelo titular da patente. Caso o licenciado não dê início à exploração em um ano da concessão. 69 prevê que não será concedida licença compulsória se. são: a) não-exploração do objeto da patente no território brasileiro. até que seja concedida a primeira licença. à data do requerimento. declarados em ato do Poder Executivo Federal. b) comprovar a realização de sérios e efetivos preparativos para a exploração. efetuada por decisão administrativa ou judicial. após decorridos três anos da concessão da patente. 70 se refere a casos de licença compulsória concedida à patente dependente da outra.

Cabe ao INPI encaminhar tal pedido ao órgão específico do Poder Executivo Federal para que este se manifeste no prazo de sessenta dias. ressalvado o direito de terceiros. 15. b) pela renúncia de seu titular. 78. Da Realização por Empregado ou Prestador de Serviço O art. instalações ou equipamentos do empregador. c) pela caducidade (pode ser de ofício ou a requerimento de interessado e ocorre quando. quando qualquer um poderá explorá-la industrialmente. 88 prevê que a invenção e o modelo de utilidade pertencem exclusivamente ao empregador. decorridos dois anos da concessão da primeira licença compulsória. a patente será extinta: a) pela expiração do prazo de vigência. seu objeto cai em domínio público. o processamento do pedido perde o caráter sigiloso. salvo motivos justificáveis). será processado em caráter sigiloso e não estará sujeito a publicações previstas no CPI (art. Até um ano da extinção do vínculo empregatício. .2.2.50 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 15. não for sanado o abuso ou desuso. ou resulte esta da natureza dos serviços para os quais foi o empregado contratado.6. cujo objeto interesse à defesa nacional. considera-se desenvolvida na vigência do contrato de trabalho a invenção ou o modelo de utilidade. quando decorrerem de contrato de trabalho cuja execução ocorra no Brasil e que tenha por objeto a pesquisa ou a atividade inventiva. sem a utilização de meios. 75 proíbe o depósito no exterior de pedido de patente cujo objeto tenha sido considerado de interesse da defesa nacional. 15. O parágrafo 2o do art. pode haver propriedade comum de invenção ou de modelo de utilidade. instalações ou equipamentos do empregador. Não havendo manifestação do órgão próprio. aquelas pertencerão exclusivamente a ele.2. De outra forma. salvo disposição contratual em contrário. Quando o empregado desenvolver o objeto da invenção ou do modelo de utilidade de forma desvinculada do contrato de trabalho. salvo prova em contrário. Da Patente de Interesse da Defesa Nacional O pedido de patente originário do Brasil. Da Extinção da Patente Segundo a disposição do art. Extinta a patente. d) pela falta de pagamento da retribuição anual. quando resultarem da contribuição pessoal do empregado em combinação com a utilização de meios.7. 75).8.

3. ao passo que a originalidade tem a ver com o resultado visual inédito alcançado. apenas agrega outra aparência a ele.2. mais conhecido como design. convém entender o sentido de um e outro conceito. A diferença entre um e outro elemento reside no fato de que a novidade se refere à técnica de aplicação industrial. b) originalidade.1. 96. 97). decorrente do emprego ornamental de linhas e cores ao objeto. . 11 e 12.. em relação a outros objetos anteriores.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 51 Série Impetus Provas e Concursos 15. 95 traz elementos essenciais ao registro do desenho industrial. Outros são expostos em seguida. tratando-se de marca ou de desenho industrial assume o nome de registro. para a divulgação do desenho industrial sem ser incluído no estado da técnica. analisados em item anterior. No que pese a diferença de nomenclatura. a exemplo do órgão competente para processá-lo. para onde o leitor deve se reportar. Novo é o desenho industrial não compreendido no estado da técnica. que reproduz praticamente o mesmo conteúdo dos arts. Registrabilidade do Desenho Industrial O teor do art. contudo. Da mesma forma que os desenhos industriais. que é o INPI.1. Desenho industrial. são registráveis no INPI. são sinais ou expressões que servem à identificação de produtos ou serviços. pois não introduz nova forma à utilização do bem. 15. podendo até haver utilização de elementos já conhecidos (art. e c) aplicação industrial. representa o resultado visual novo em um produto já existente. São eles: a) novidade. ou com a questão estética. conforme dispõe o art. Antes. de no 15. há pontos coincidentes entre as patentes e os registros. Registro É o ato pelo qual se assegura ao titular de um desenho industrial ou de uma marca a propriedade sobre esses bens. de cento e oitenta dias anteriores à data de depósito (tratando-se de patentes é de doze meses). Não se confunde com o modelo de utilidade. É o que ocorre com os novos modelos de veículos surgidos a cada ano.3. As marcas. A diferença é o prazo constante do parágrafo 3o. Original é o desenho industrial que resulte em uma configuração visual distintiva. por sua vez. Enquanto para as invenções e modelos de utilidade o instrumento garantidor da propriedade é a patente.

Para as demais particularidades. sob pena de ser considerado inexistente (em se tratando de patentes. devendo ser observado que. ao menos no que se refere aos peticionários do direito. Desta forma. para o registro de desenho industrial. Obras de caráter puramente artístico não são consideradas desenhos industriais (art. b) a forma necessária comum ou vulgar do objeto ou. salvo prova em contrário. por parte do requerente. o art. ao desenho industrial e ao autor.52 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Aplicação industrial é outro elemento comum ao registro do desenho industrial. mas existindo dados suficientes relativos ao depositante. As regras para processamento do pedido também são coincidentes em sua maioria.2. há desenhos que não são passíveis de registro. Somente se permite o registro daqueles desenhos que possam entrar numa linha de produção industrial. 101. conforme foi explicitado no item 15. que estabelecerá prazo de cinco dias para o cumprimento das exigências. No entanto. nas condições estabelecidas na lei. uma vez depositado o pedido de registro de desenho industrial. esse prazo é de trinta dias). 98). quando comparada com a concessão de patente.2. Do Pedido e da Concessão do Registro de Desenho Industrial Ao autor de desenho industrial. Por outro lado. Logo. desde que . crença. 94 assegura o direito de obter registro que lhe confira a propriedade sobre o bem. o parágrafo único do mesmo dispositivo remete o tema à regulamentação feita pelos arts. geralmente por ofenderem a moral e os bons costumes. de acordo com o art.2. ou atente contra a liberdade de consciência. culto religioso ou idéia e sentimentos dignos de respeito e veneração. aquela determinada essencialmente por considerações técnicas ou funcionais. que tratam das pessoas que podem ingressar junto ao INPI com pedidos de patente. não são registráveis como desenho industrial: a) o que for contrário à moral e aos bons costumes ou que ofenda a honra ou a imagem de pessoas.3. Diferente é a forma de concessão do registro. enquanto para esta há um exame formal preliminar do pedido que antecede a solicitação. a ser feita no prazo de trinta e seis meses da data do depósito.2. assim como acontece com as patentes. de um exame de mérito. uma vez não atendidas as exigências do art. O órgão para recepcionar e processar o pedido é o mesmo Instituto Nacional de Propriedade Industrial.. o leitor deve se reportar ao item 15.2. Significa afirmar que. a lei segue os mesmos princípios aplicados às patentes. 100. o pedido poderá ser entregue mediante recibo datado ao INPI. vale a regra de que o primeiro a chegar presume-se proprietário. 15. pois. ainda. 6o e 7o.

42 e 43. pois. 120.3. Deve.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 53 Série Impetus Provas e Concursos cumpridas as exigências formais. o leitor se reportar àquele item. para fins de anulação administrativa do registro. Observa-se. vender ou importar produtos objeto do desenho industrial. V. pode impedir terceiro. aplicado às patentes. requeira o depositante. que é de cinco anos. contados da concessão do registro. 46.5. 113. ou d) quando se tratar de titular domiciliado no exterior. pela falta de indicação de representante no Brasil. pelo prazo de cento e oitenta dias da data de depósito. b) pela renúncia de seu titular. expedindo-se o respectivo certificado. assim como outros direitos especificados nos arts.2. Extinção do Registro O registro extingue-se pelas causas previstas no art. VI e VII do art. prorrogável por três períodos sucessivos de cinco anos cada (art. Também coincidentes com as regras das patentes são os processos de nulidade administrativa e judicial. será automaticamente publicado e simultaneamente concedido o registro. 112. Caso. c) pela falta de pagamento da retribuição qüinqüenal. que copia os termos do art. então. será de dez anos contados da data de depósito. colocar à venda. ressalvado direito de terceiros. porém. 15. prevista no art. Quanto à vigência. Essa é a disposição do art. 15. de produzir. 108).Da Vigência e da Proteção Conferida pelo Registro A proteção conferida ao titular de registro de desenho industrial é similar ao do titular de patente.4. tem prazo de seis meses contados da concessão da patente. quando referente à anulação de patentes.4. Diferem no prazo previsto no parágrafo 1o do art. após o que será processado (art. Da Nulidade do Registro É nulo o registro concedido em desacordo com a lei. usar. exceto os dos incisos III. A mesma hipótese. um prazo máximo possível de vinte e cinco anos. 106). 43.3.3. poderá ser o pedido mantido em sigilo. a fim de conferir todos os demais conceitos. sem o seu consentimento. 119: a) pela expiração do prazo de vigência. ou seja. . expostos no item 15.3. 15.

ainda que não haja registro no INPI. 15. para que se respeite o princípio da especificidade. O art. 6o desse documento garantiu exclusividade aos titulares de marcas assim classificadas em todos os países signatários da Convenção.2. afinal. primeiramente. senão quanto aos seus aspectos formais. deve ser observada dentro de cada classe de produtos ou de serviços. Assim. No entanto. da qual o Brasil é signatário. Estas. pois não pode haver colidência de marca nova com outra criada anteriormente. Diferente são as marcas de alto renome. As proibições a que se refere o legislador têm o sentido de. 126.5. A origem dessa proteção remonta à Convenção da União de Paris. citadas no art. mesmo que não estejam registradas. mas somente em seu ramo de atividade. desde que não estejam compreendidos nas proibições legais. o seu art. por exemplo. É que o INPI. Fábio Ulhoa Coelho adverte que o registro de marcas nessa categoria é ato discricionário do INPI. o que significa que não haverá problema se a marca já servir a um determinado tipo de manteiga. Basta. São marcas que possuem um forte apelo popular. 121 remete à mesma disciplina apropriada às patentes. . mas que não poderiam ficar sujeitas ao uso por outras pessoas. somados aos texto legal. se alguém tentar registrar uma marca de refrigerante. Trata-se de marcas que.8. devido ao conhecimento generalizado de populações de vários países. não poderiam ficar sujeitas ao registro. previstas no art. o art. e 15.4. Também merecem destaque as marcas notoriamente conhecidas. portanto. classificou serviços e produtos conforme a natureza de cada um. 125.54 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Com relação às licenças e à realização por empregado ou prestador de serviços.1. a marca registrada representa um bem móvel negociável. tendo em vista a tripartição constitucional dos Poderes do Estado. ainda que limitado às fronteiras do país. proteger as marcas já existentes. através do Ato Normativo no 150/99.Disposições Preliminares O Código de Propriedade Industrial não trouxe conceito para marca. oferecem uma boa visão dos temas. ainda que para produtos ou serviços diversos. insuscetível de revisão pelo Poder Judiciário. uma vez registradas sob esse título. 122 prescreve que são suscetíveis de registro como marca os sinais distintivos visualmente perceptíveis. gozam de proteção contra reprodução em todas as classes de produtos ou serviços. contudo.2. Registro de Marcas 15. que. o exame da colidência se verificará tão somente na classe específica dos refrigerantes.4. Essa regra. a fim de não induzir o consumidor. o leitor se reportar aos itens 15.

públicos. econômico ou técnico. a saber: a) em se tratando de pessoas de Direito Privado – a lei exige prática de atividade lícita. bandeira. Do Pedido e da Concessão do Registro Podem requerer o registro de marcas ao INPI as pessoas físicas ou jurídicas de Direito Público ou Privado (art. mas o efeito de tal qualificação é restrito ao ramo de atividade. distintivo e monumentos oficiais. . de origem diversa. considerando: a) marca de produto ou serviço – aquela usada para distinguir produto ou serviço de outro idêntico. b) em se tratando de marcas coletivas – o requerimento tem que ser feito por pessoa jurídica representativa da coletividade. são impostas aos requerentes. político. nacionais. que. para uma marca ser considerada de alto renome. necessita estar registrada no INPI. Desta forma. não são registráveis como marca: a) brasão. salvo quando autorizados pela autoridade competente ou entidade promotora do evento. medalha. 124. e o efeito da proteção alcança todos os ramos de atividade. Outras proibições legais ao registro de marcas estão no art. à natureza. algarismo e data. 15. prêmio ou símbolo de evento esportivo. bastando observar alguns. b) letra. e c) marca coletiva – aquela usada para identificar produtos ou serviços provindos de membros de uma determinada entidade. figura ou imitação.4.2. Outrossim. notadamente quanto à qualidade. salvo quando revestido de suficiente forma distintiva. b) marca de certificação – aquela usada para atestar a conformidade de um produto ou serviço com determinadas normas ou especificações técnicas.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 55 Série Impetus Provas e Concursos Percebam. cultural. emblema. estrangeiros ou internacionais. 128). ao passo que a marca notoriamente conhecida não precisa estar registrada no país signatário da convenção. c) em se tratando de marca de certificação – somente pode ser requerida por pessoa sem interesse comercial ou industrial direto no produto ou serviço atestado. portanto. isoladamente. oficialmente reconhecido. social. c) nome. a título de mera exemplificação. artístico. bem como a imitação suscetível de criar confusão. ao material utilizado e à metodologia empregada (exemplo: certificado ISO 9000). que se estende do inciso I ao XXIII. o art. Despiciendo a reprodução de todo o dispositivo. diretamente ou através de pessoas jurídicas. dentre outros. armas. Algumas exigências. semelhante ou afim. 123 contém classificação a respeito das marcas. no entanto. bem como a respectiva designação.

Neste caso. impressos. no entanto. 110. b) fabricantes de acessórios usem a marca para indicar a destinação de seus produtos. já a utilizava seis meses antes do depósito. 132): a) comerciantes ou distribuidores utilizem a marca do produto. Diferem. os titulares de marcas impedir que (art. quando ausente a prática comercial. Da Vigência e da Proteção Conferida pelo Registro O registro validamente expedido confere ao seu titular o direito de uso exclusivo da marca em todo o território nacional. usava marca idêntica ou semelhante no país. contudo. d) haja a citação da marca em obras literárias. O parágrafo 1o do art. juntamente com sinais distintivos. desde que tenha sido deferido. propaganda e documentos relativos à atividade do titular.3. de boa-fé. 110 assegurou o direito à continuidade da exploração do objeto do desenho industrial dos que. 158 e 159. o direito de precedência somente poderá ser cedido juntamente com o negócio da empresa. . porque. Não podem.3. 15. já o exploravam. e c) zelar pela sua integridade material ou reputação. que tenha direta relação com o uso da marca. tudo na conformidade dos arts. de boa-fé. b) licenciar seu uso. de boa-fé.56 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel As normas para concessão do registro de marca são similares às aplicadas ao registro de desenho industrial. na sua promoção e comercialização. o art. 129 garante o direito de precedência ao registro por parte da pessoa que. quando é concedido prazo de sessenta dias para oposição. Percebam que o teor desse último dispositivo analisado difere do correspondente relativo ao registro de desenho industrial.2. ou parte deste. c) haja a livre circulação dos produtos regularmente colocados no mercado interno. Sim. enquanto para a marca o legislador garantiu o direito à prioridade daquele que. expostas no item 15. quanto à necessária publicação do pedido para fins de oposição. semelhante ou afim. há pelo menos seis meses.4. O certificado de registro de marca somente é expedido após a conclusão do exame do pedido. e outros sessenta dias para defesa do depositante. discursos ou qualquer outra publicação. que é o art. a ser efetivado em papéis. para certificar produto ou serviço idêntico. Outros direitos conferidos ao titular da marca são: a) ceder seu registro ou pedido de registro.

4. contados da data de concessão do registro. aliás. que poderá ser total ou parcial em relação a produtos ou serviços assinalados pela marca. após cinco anos da concessão: a) não haja sido iniciado o uso da marca no Brasil. enquanto. instruído com pagamento de retribuição. desde que seja paga a retribuição adicional. Com algumas adaptações. conforme prevê o art. constituindo-se no único bem da propriedade industrial que possui tal privilégio. d) em se tratando de titular domiciliado no exterior. quando não mantiver representante no país. que as marcas podem guardar exclusividade por tempo indeterminado. 142. merece destaque o teor do art. 15.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 57 Série Impetus Provas e Concursos Com relação à vigência da marca. sem que tenha havido prorrogação. conforme reza o art. o registro da marca extingue-se: a) pela expiração do prazo de vigência.4. Da Nulidade do Registro Os arts. para a patente. de forma absolutamente justa. que estipula prazo de cinco anos para a prescrição da ação judicial de nulidade do registro de marca.4. em ambos os casos sem justificativas legítimas. Admite-se o pedido de prorrogação em até seis meses subseqüentes ao término da vigência. ou seja. 174. contado da concessão. será pelo prazo de dez anos. Da Extinção do Registro De acordo com o art. Deve. mas aplicados a patentes. e que foram expostos no item 15. No entanto. a requerimento de qualquer interessado. portanto.3. . pois não poderíamos admitir que seu proprietário fosse obrigado a partilhar de um direito para qual investiu anos de trabalho na sua divulgação. por conseguinte.4. o leitor se reportar a ele. pode ser promovida a qualquer tempo. A caducidade acontece quando. O pedido de prorrogação deverá ser feito no último ano de vigência do decênio. 56. prorrogável por períodos iguais e sucessivos. b) houver interrupção de uso por prazo superior a cinco anos.5. 165 a 175 regulam o processo de nulidade de registro de marcas. c) pela caducidade. b) pela renúncia. Em se tratando de nulidade administrativa. Conclui-se. 133. seis meses. esses dispositivos praticamente copiam aqueles referentes ao mesmo assunto. os prazos são coincidentes. 15.

Porém. estabeleceu a livre concorrência como princípio geral da atividade econômica. coerente com o papel de “Estado Liberal Brasileiro”. que varia de três meses a um ano. que dispõe serem todos de ação privada. em seu art. região ou localidade que designe produto ou serviço cujas qualidades se devam exclusiva ou essencialmente ao meio geográfico. como o empresário. exportar. região ou localidade que se tenha tornado conhecido como centro de extração. 192 pune com pena de detenção. Trata-se de uma característica inerente à atividade empresarial. incluídos fatores naturais e humanos. É aí que entra o poder repressor do Estado. que poderá maximizar a oferta de bens e serviços. a concorrência se desenvolve de forma a satisfazer o interesse de todos. Indicação de procedência é o nome do país. beneficia tanto o consumidor. que tem o lucro como seu objetivo maior. vale a prescrição do art. Concorrência Desleal A concorrência é algo que acompanha o exercício da atividade mercantil desde seus primórdios. nem sempre. cidade. 15. de um a três meses. Para eles. vender. Regularmente praticada.6. que se vêem prejudicados e impotentes diante de certas práticas empresariais inescrupulosas e fraudulentas. inciso IV. importar. quem fabricar.58 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 15. cidade. expuser ou oferecer à venda ou tiver em estoque produto que apresente falsa indicação geográfica. O art. O art. 170. que tende a adquirir produtos e serviços por preços mais baratos. sobretudo dos consumidores.5. produção ou fabricação de determinado produto ou de prestação de determinado serviço. sem prejuízo de perdas e danos em favor dos prejudicados. 199. O uso da indicação geográfica é restrito aos produtores e prestadores de serviço estabelecidos no local. Já a denominação de origem representa igualmente o nome de país. Indicações Geográficas Constitui indicação geográfica a indicação de procedência ou a denominação de origem. para coibir e punir aqueles que se enquadrarem nas hipóteses legais. 195 do CPI relaciona crimes de concorrência desleal. A própria Carta Magna do País. puníveis com pena de detenção. ou multa. ou multa. São eles: .

em proveito próprio ou alheio. ou menciona-o. acerca de concorrente. em anúncio ou papel comercial. nome comercial. clientela de outrem. expõe ou oferece à venda produto. título de estabelecimento ou insígnia alheios ou vende. ou aceita promessa de pagamento ou recompensa. usa expressão ou sinal de propaganda alheios. produto adulterado ou falsificado. como meio de propaganda. se o fato não constitui crime mais grave. proporcionar vantagem a concorrente do empregador. declarando ser objeto de patente depositada. falsa informação. que não o seja. sem o seu consentimento. a que teve acesso mediante relação contratual ou empregatícia. de resultados de testes ou outros dados não divulgados. para desviar. faltando ao dever de empregado. de modo a criar confusão entre os produtos ou estabelecimentos. sem autorização. ou divulga. excluídos aqueles que sejam de conhecimento público ou que sejam evidentes para um técnico no assunto. vende. expõe ou oferece à venda ou tem em estoque produto com essas referências. ou os imita. presta ou divulga. em detrimento de concorrente. indevidamente. pelo seu próprio nome ou razão social. ou concedida. ou de desenho industrial registrado. de conhecimento. embora não-adulterado ou falsificado. explora ou utiliza-se. substitui. usa. por qualquer meio. ou registrado. como depositado ou patenteado. informações ou dados confidenciais. mesmo após o término do contrato. explora ou utiliza-se. de conhecimentos ou informações a que se refere o inciso anterior. ou dele se utiliza para negociar com produto da mesma espécie. cuja elaboração envolva esforço considerável e que tenham sido apresentados a entidades governamentais como condição para aprovar a comercialização de produtos. em recipiente ou invólucro de outrem. lhe proporcione vantagem. recompensa ou distinção que não obteve.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 59 Série Impetus Provas e Concursos a) b) c) d) e) f) g) h) i) j) k) l) m) n) publica. faltando ao dever do emprego. o nome ou razão social deste. sem o ser. explora ou utiliza-se. emprega meio fraudulento. atribui-se. dá ou promete dinheiro ou outra utilidade a empregado de concorrente. para que o empregado. com o fim de obter vantagem. vende ou expõe ou oferece à venda. recebe dinheiro ou outra utilidade. comércio ou prestação de serviços. obtidos por meios ilícitos ou a que teve acesso mediante fraude. com o fim de obter vantagem. utilizáveis na indústria. sem autorização. divulga. divulga. . em produto de outrem. sem autorização. para. falsa afirmação.

16. portanto. De acordo com o art. . que praticar infração da ordem econômica. Vale a pena. Repressão as Infrações Contra a Ordem Econômica 16.884/94 nasceu sob a bandeira constitucional da liberdade de iniciativa. analisar cada uma das normas legais. livre concorrência. reputando-as como infrações à ordem econômica. que define crimes contra ordem tributária. sua abrangência atinge pessoas físicas ou jurídicas de Direito Público ou Privado. ou judicial. Outro é a Lei no 8. que dispõe sobre a prevenção e a repressão às infrações contra a ordem econômica.1. pois contêm dispositivos para prevenir e reprimir certas atitudes. 17). Neste caso.Disposições Preliminares A Lei no 8. 18 a possibilidade de desconsideração da personalidade jurídica da sociedade.1.884.1. por meio do Conselho Administrativo de Defesa Econômica-CADE. de 11 de junho de 1994.60 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 16. solidariamente (art. constituídas de fato ou de direito. de fato ou de direito. Um é a Lei no 8. prevê o art. Meios de Proteção à Ordem Econômica Além da repressão aos crimes de concorrência desleal. a fim de atingir o patrimônio particular daqueles que deram causa à infração (esse tema será melhor avaliado no capítulo seguinte). função social da propriedade. Quando se tratar de grupo econômico. o Brasil possui instrumentos legais que visam a combater práticas abusivas de mercado. bem como a quaisquer associações de entidades ou pessoas. mesmo que exerçam atividade sob regime de monopólio. defesa dos consumidores e repressão ao abuso do poder econômico. 15. O efeito das punições nela previstas implica responsabilidade da sociedade e a de seus dirigentes ou administradores. passíveis de punição na esfera administrativa. ainda que temporariamente. dispondo a respeito de praticadas consideradas abusivas àqueles princípios. enquanto que o outro contém crimes contra a ordem econômica. de 27 de dezembro de 1990. haverá solidariedade entre as entidades componentes (art. com ou sem personalidade jurídica. econômica e contra as relações de consumo. O primeiro relaciona infrações contra a ordem econômica.137. 16). previstos no Código de Propriedade Industrial. Ambos os textos legais servem de escudo contra práticas abusivas de mercado.

16. na estrutura do Ministério da Justiça. a responsabilidade do infrator é objetiva. existe. b) obter ou influenciar a adoção de condutas comercial uniforme ou concertada entre concorrentes. constituem infração da ordem econômica. prejudicar a livre concorrência ou a livre iniciativa. O Conselho Administrativo de Defesa Econômica – CADE O CADE é uma autarquia federal. Mas a lei foi além. com competência para decidir sobre a existência de infração à ordem econômica e aplicar as penalidades previstas na lei. ao relacionar. acabados ou semi-acabados ou as fontes de abastecimento de matérias-primas ou produtos intermediários. ou d) exercer de forma abusiva posição dominante. 20 se revestem de natureza genérica. diversas condutas que. de qualquer forma.1. e mais. caracterizam infração da ordem econômica.1. Além do CADE. 20. c) dividir os mercados de serviços ou produtos.2. Das Infrações e das Penas Segundo o art. sob qualquer forma. independente de culpa. d) limitar ou impedir o acesso de novas empresas ao mercado. basta a ocorrência fática. com sede e foro no Distrito Federal e jurisdição em todo território nacional. Pelo teor desse art. .CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 61 Série Impetus Provas e Concursos 16. e ainda que seus efeitos não sejam alcançados: a) limitar. se configurarem uma das hipóteses do art. em seu art. que deverão ser remetidos ao CADE para julgamento. dentre outras atribuições previstas no art. 20 reproduzidas acima. 21. Vejamos alguns: a) fixar ou praticar. vinculada ao Ministério da Justiça. visando à apuração e repressão de infrações previstas na lei. pois não depende de existência de culpa. 20. se o forem e estiverem revestidos de uma daquelas características. em acordo com concorrente. enquanto que as do art. 21 são atos possíveis de serem cometidos e. pois é este que possui o poder decisório. dentre outros. c) aumentar arbitrariamente os lucros. falsear ou. independente do resultado produzido. 7o. preços e condições de venda de bens ou de prestação de serviços.3. a título de exemplificação. com atribuições para averiguações preliminares e instauração de processos administrativos. Para o bom entendimento do tema. percebam que as hipóteses enumeradas no art. a Secretaria de Direito Econômico – SDE. b) dominar mercado relevante de bens ou serviços. Observem que a SDE detém competência para instauração dos processos. estará tipificada a infração.

cessação parcial de atividade ou qualquer outro ato que contribua para eliminação dos efeitos nocivos à ordem econômica (arts. o legislador adotou o percentual de 20% do mercado relevante. 69 a 78. serviço ou tecnologia a ele relativa. igualmente. às expensas do infrator. nomeando interventor que assumirá responsabilidade por suas ações e omissões similares à dos administradores das sociedades.1. dominado por sociedade ou grupo de sociedades. como fornecedor. 20. O prazo máximo da intervenção será de cento e oitenta dias. conforme a disciplina dos arts. proibição de contratar com instituições financeiras oficiais e de participar de licitação com o Poder Público. b) denunciar ao juiz quaisquer irregularidades praticadas pelos responsáveis pela sociedade e das quais venha a ter conhecimento. Em seguida. e que sejam cancelados incentivos e subsídios públicos. permitida a prorrogação. inscrição do infrator no Cadastro de Defesa do Consumidor.Da Intervenção Judicial O juiz decretará a intervenção em sociedade quando necessária para permitir a execução específica de penas estabelecidas na lei. do art. à escolha do CADE (arts. 60 e 64).62 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel A prática de infração da ordem econômica sujeita os responsáveis à multa pecuniária. como presunção para se considerar a posição dominante. o seu parágrafo 2o esclarece que há ocorrência quando uma sociedade ou grupo de sociedades controla parcela substancial de mercado relevante. de extrato da decisão condenatória.4. venda de ativos. . intermediário. 23 e 24). além de publicação. Para setores específicos da economia. recomendação aos órgãos públicos competentes para que seja concedida licença compulsória de patentes pertencentes ao infrator e não lhe seja concedido parcelamento de tributos federais. recomendação para processar a cisão da sociedade. Sobre a posição dominante referida na letra b. 16. A decisão do plenário do CADE que cominar multa ou impuser obrigação de fazer ou não-fazer constitui título executivo extrajudicial e será promovida na Justiça Federal do Distrito Federal ou da sede ou domicílio do executado. o CADE detém atribuição para alterar aquele percentual. e mais. adquirente ou financiador de um produto. e c) apresentar ao juiz relatório mensal de suas atividades. Ao interventor compete: a) praticar ou ordenar que sejam praticados os atos necessários à execução. a critério da autoridade judiciária. já no parágrafo 3o. transferência de controle.

as operações das quais participem.2. Repressão aos Crimes Contra a Ordem Econômica Se. de 11 de setembro de 1990. .137/90. e detenção de um a 4 quatro anos. elevou a defesa do consumidor à qualidade de direitos e garantias fundamentais. para as hipóteses do art. além do Código Civil. o consumidor final desses bens ou serviços. em seu art. portanto. inciso V.2. quando este poderá assumir a administração total do negócio. veio impor nova ordem às relações entre fornecedores e consumidores. 4o. ainda que indetermináveis. equiparando-se a ele a coletividade de pessoas. A Carta Magna Federal de 1988. ganhou um regramento específico. puníveis com penas que vão da: reclusão de dois a cinco anos. uma importância demasiada à figura do consumidor por parte do legislador pátrio. que se encarregava dos contratos puramente civis. conforme veremos adiante. ou multa. 17. salvo se obstarem o cumprimento dos atos de competência do interventor. inciso XXXII. do outro.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 63 Série Impetus Provas e Concursos Durante a intervenção. 16. 2o do CDC define consumidor como a pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário final. para as hipóteses do art. o fornecedor de bens ou serviços. 17. sob a chancela da Lei no 8. materializado pela Lei Federal no 8. 170.884/94 as atitudes nela previstas caracterizam infração à ordem econômica. 5o. 6o. Direitos do Consumidor 17. e. os responsáveis pela sociedade não são afastados de suas funções. fundamentado sobretudo na vulnerabilidade do consumidor que. Percebe-se. mas que intervenha nas relações de consumo. Já o art. com a edição do CDC. considerou a defesa do consumidor como um dos princípios gerais da atividade econômica. ou multa. Disposições Preliminares O Código de Defesa do Consumidor. ou multa. de um lado. culminando com a edição do Código. é teoricamente a parte mais frágil numa relação de consumo.1. na disciplina da no Lei 8. Se antes nós tínhamos o Código Comercial de 1850 disciplinando as operações entre esses sujeitos que tivessem natureza eminentemente mercantil. 4ª a 6o tipificam como crime contra ordem econômica as hipóteses ali relacionadas. 5o. os arts. para as hipóteses do art. detenção de dois a cinco anos. Consumidor O art.078.

bem como os entes despersonalizados que desenvolverem atividades de produção. nacional ou estrangeira. construção. a exemplo dos serviços de fornecimento de água. o que o Código pretendeu foi resguardar os direitos daqueles que se encontrem vulneráveis à ação do fornecedor. transformação. 3o do CDC. justamente para evitar a exclusão de algum praticante de conduta danosa ao consumidor. luz ou energia elétrica. Determinada é aquela que apresenta um número certo de sujeitos envolvidos. pública ou privada. Para fins da proteção do Código. O consumidor pode aparecer na relação de forma individual ou coletiva. Desta forma. não por preços. 29. estará se revestindo da condição de consumidores. considerando-se uma coletividade indeterminável de pessoas. . não é requisito à qualificação de fornecedor ser o ente personificado. equiparam-se à pessoa jurídica a massa falida. rico ou pobre. posto que regidos pela legislação do trabalho. no fornecimento de energia elétrica prestado por uma concessionária de serviço público. a coletividade pode ser determinada ou não. Neste último caso.64 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel A partir do dispositivo. Fornecedor Pelo teor do art.3. pois o termo foi utilizado em seu sentido mais amplo. O proprietário de um veículo danificado após passar em uma via repleta de buracos não encontra proteção no CDC. De outra forma. criação. 17. não se pode determinar o número correto de consumidores atendidos. conforme a prescrição do art. Exemplo: se um grupo de vizinhos resolver contratar serviço de vigilância de uma empresa especializada. pois a conservação das vias públicas deve ser realizada com verbas oriundas dos impostos pagos pelos cidadãos. montagem. individual ou coletivo. não importa. Do caput daquele artigo podemos inferir que a conceituação de fornecedor é ampla. observem que o princípio da vulnerabilidade do consumidor independe de sua qualificação. Já o poder público somente será considerado fornecedor quando atuar mediante o pagamento de preço. quando se conclui que uma sociedade em comum (assunto do próximo capítulo) pode ser enquadrada no conceito de fornecedor. seja pessoa física ou jurídica. Quanto aos serviços. salvo os de caráter trabalhista. materiais ou imateriais. o condomínio de apartamentos e o espólio. distribuição ou comercialização de produtos ou prestação de serviços. fornecedor é toda pessoa física ou jurídica. podem ser qualquer um. exportação. desde que fornecidos mediante remuneração. Por produto o legislador considerou bens móveis ou imóveis. importação.

da eqüidade ou de tratados e convenções internacionais dos quais o Brasil seja signatário. individuais. c) aquisição pela concessionária de veículo novo ou usado. ou. mesmo. pois o vendedor não se enquadra no conceito de fornecedor. c) a informação adequada e clara sobre os diferentes produtos e serviços. asseguradas a liberdade de escolha e a igualdade nas contratações. f) a efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e morais. qualidade e preço. 17. e) a modificação das cláusulas contratuais que estabeleçam prestações desproporcionais ou sua revisão em razão de fatos supervenientes que as tornem excessivamente onerosas. saúde e segurança contra riscos provocados por práticas no fornecimento de produtos e serviços considerados perigosos ou nocivos. . mas que possam ser derivados dos princípios gerais do Direito.4. bem como contra práticas e cláusulas abusivas ou impostas no fornecimento de produtos e serviços. assegurada a proteção jurídica. com vistas à prevenção ou reparação de danos patrimoniais e morais. teríamos as seguintes situações: a) aquisição pela concessionária à fábrica – não será regida pelo CDC. características. métodos comerciais coercitivos ou desleais. dos costumes. bem como sobre os riscos que apresentem. coletivos ou difusos. à pessoa física – não será regida pelo CDC. individuais. independentemente de a compradora ser ou não destinatária final do bem. Dos Direitos Básicos do Consumidor Além de outros não especificados no Código. g) o acesso aos órgãos judiciários e administrativos. da analogia. b) a educação e divulgação sobre o consumo adequado dos produtos e serviços. b) aquisição pelo consumidor à concessionária – será regida pelo CDC.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 65 Série Impetus Provas e Concursos Tomando-se como exemplo uma operação de compra e venda de veículos. administrativa e técnica aos necessitados. com especificação correta e quantidade. de legislação interna ordinária ou de regulamentos expedidos por autoridade administrativas competentes. uma vez que o comprador é o destinatário final e a concessionária é fornecedora do produto. 6o relaciona como direitos básicos do consumidor: a) proteção à vida. d) a proteção contra a publicidade enganosa e abusiva. coletivos e difusos. composição. o art. uma vez que a concessionária não é destinatária final do produto.

Por exemplo. Daí dispensa-se informação nesse sentido. pode provocar queimaduras. Decorre que. pode haver dano ao consumidor. Defeituoso é o fornecimento de produto ou serviço que traga dano ao consumidor. de acordo com a previsão do art. . a lei excetuou da necessária informação aos consumidores os produtos e serviços para os quais os riscos oferecidos são considerados normais e previsíveis. não pelo uso indevido decorrente da falta de informação. respectivamente. 8o. i) a adequada e eficaz prestação de serviços públicos em geral. 8o obriga os fornecedores a prestarem informações necessárias e adequadas a respeito. precisam ser melhor avaliados. o mesmo art.66 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel h) a facilitação da defesa de seus direitos. Por outro lado. o CDC. ainda invocando o caput do art. pois dependem de certa dose de razoabilidade. da utilização de um produto ou serviço. Perigoso ou nocivo é o fornecimento de produtos ou serviços que possam vir a acarretar riscos à saúde ou à segurança dos consumidores. ainda que ausente qualquer defeito em um ou em outro. em seus arts. todos sabem que. inclusive com a inversão do ônus da prova. que tratam da necessária comunicação aos consumidores a respeito de produtos ou serviços já introduzidos no mercado. portanto. Por exemplo. Essa premissa também vale nas hipóteses do art. não contiver alerta de perigo aos consumidores. Tais riscos. mas em que fora posteriormente verificado algum grau de periculosidade. na embalagem de um veneno para ratos. É o chamado recall. a fim de se eximir de qualquer responsabilidade pela utilização indevida do produto. Explica-se pela ausência de informações adequadas. no processo civil. em decorrência da própria natureza e fruição deles. é o elemento que define a correção do fornecimento. quando aquecido. no entanto. uma vez que o fornecedor tem obrigação de informar de maneira clara tal condição. for verossímil a alegação ou quando for ele hipossuficiente. a critério do juiz. define a responsabilidade por fornecimento defeituoso e viciado. segundo as regras ordinárias de experiências. em se tratando de um ferro de passar roupas. Em primeiro lugar. o fornecimento é considerado perigoso ou nocivo aos usuários. 10. mas por falha na fabricação ou na prestação do serviço. 12 e 18. A boa informação. Além do fornecimento perigoso. que obriga o fornecedor a anúncios publicitários para alerta dos consumidores. a seu favor. 8o. Viciado também é um fornecimento cujo objeto contenha falha que possa vir a comprometer a sua perfeita utilização. se. quando.

encarregando-se a doutrina de nominá-la como acidente de consumo). enquanto que o outro. que prevê a inversão do ônus da prova a seu favor (significa que a responsabilidade de produzir provas para descaracterizar o fato passa para o fornecedor). nacional ou estrangeiro. . 6o. Isso porque o prejuízo sofrido pelo consumidor relativamente ao próprio bem ou serviço consumido é tratado adiante. e o importador respondem. no art.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 67 Série Impetus Provas e Concursos A diferença entre um e outro fornecimento reside no fato de o primeiro efetivamente provocar o dano ao usuário. 18.1. o construtor. 12 e 14 do Código. do dano e do nexo de causalidade entre ambos. Explique-se. a responsabilidade do fornecedor é objetiva. Basta ao consumidor provar a ocorrência do fato. contudo. De outra forma. Igualmente o prestador de serviços responde pela reparação de danos aos consumidores. independentemente de ser ressarcido dos prejuízos materiais em seu veículo. Por exemplo. seja por informações insuficientes ou inadequadas ou por fornecimento defeituoso de produto. tanto no fornecimento perigoso como no defeituoso. Das Responsabilidades 17. Essas são as exegeses dos arts.Da Responsabilidade pelo Fato do Produto ou do Serviço O fabricante. foram utilizados produtos químicos com prazos de validade vencidos. na prestação de um serviço de conservação e limpeza. sempre lembrando do teor do inciso VIII do art. Exime-se a responsabilidade do fabricante. se essa conseqüência não se confirmou. independentemente de culpa.5. em caso afirmativo. o produtor. mas o defeito é inexistente. o consumidor tem o direito de ser indenizado pelos danos sofridos à sua pessoa. 17. em sintonia com o princípio da vulnerabilidade do consumidor. ou c) quando a culpa for exclusiva do consumidor ou de terceiro. trata-se de um fornecimento viciado. pela reparação dos danos causados aos consumidores. ao sofrer um acidente de carro provocado por defeito na fabricação dos pneus. produtor ou importador nas seguintes hipóteses: a) quando não colocou o produto no mercado. b) quando colocou no mercado. pois independe de se comprovar a existência de culpa. construtor. o que poderia provocar dano à saúde das pessoas e aos móveis e materiais envolvidos. E. claro.5. Desta forma. se não for por culpa do consumidor (o CDC chama de responsabilidade pelo fato do produto ou do serviço. que a responsabilidade a que se referem esses dispositivos é sobre os danos decorrentes da má utilização dos produtos ou serviços. o fornecimento é defeituoso. No entanto. independentemente de culpa. não.

deverá reunir provas de que o médico atuou com negligência. do construtor ou. que é de cinco anos. é comum haver dificuldade na individualização dessas pessoas. contados a partir do conhecimento do dano e de sua autoria. da forma como ocorre nos demais casos de fato do produto ou do serviço. dentistas. o raciocínio é similar ao de fornecimento de produtos. É que parágrafo 4o do art. Nas hipóteses das letras “a” e “b”. como médicos. pelos danos causados aos consumidores por defeitos e/ou falhas de informação relativos à prestação dos serviços. do importador. para fins de sua responsabilização.2. não bastando apenas a ocorrência do fato. 13. quando foi citado como exemplo desastre automobilístico causado por defeito na fabricação de pneus. o produtor ou o importador não puderem ser identificados. no entanto. Desta forma. a responsabilidade do comerciante é subsidiária. Estes. devem estar atentos ao prazo prescricional para responsabilização do fornecedor pelos danos causados pelo fato do produto ou do serviço. 14 retoma ao modelo clássico de responsabilidade subjetiva do agente.68 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Observem que. quando exige a apuração de culpa do profissional. com danos ao condutor e/ou terceiros. que prevê a sua responsabilidade pelo fato do produto quando: a) o fabricante. 13 o direito de regresso contra os demais responsáveis.Da Responsabilidade por Vício do Produto ou do Serviço Vimos no item anterior a responsabilidade decorrente de acidente de consumo. 17. pois o prestador responde. Nestes casos. situação que torna esse dispositivo de grande valia para os consumidores. construtor ou importador. uma vez que ele somente responde pelo acidente de consumo se não forem identificadas uma daquelas pessoas citadas no caput. independentemente de culpa. 27. b) o produto for fornecido sem identificação clara do seu fabricante. arquitetos etc. conforme prevê o art. c) não conservar adequadamente os produtos perecíveis. Ele é citado no art. do dano e do nexo causal entre ambos. produtor. o construtor. não se falou da responsabilidade do comerciante que vendeu o produto. mesmo. Situação interessante é a dos profissionais liberais. Normalmente não há dificuldade na identificação do fabricante. prevê o parágrafo único do art.5. imprudência ou imperícia. até aqui. Com relação à prestação de serviços. Já em relação ao produtor. na hipótese de um paciente se sentir prejudicado por uma cirurgia mal realizada. .

e responsabilizam tanto o fabricante como o empresário que vendeu o produto. 18 que os fornecedores de bens duráveis. podem ser na qualidade ou na quantidade dos produtos. referido no item anterior. ao chegar em casa. Sobre esse tema. prevê o art. Os vícios.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 69 Série Impetus Provas e Concursos No presente tópico. o conteúdo líquido ou o número de unidades não corresponder à descrição do rótulo. da embalagem. pode reclamar a substituição das partes viciadas (vício de qualidade). c) o abatimento proporcional do preço. independentemente de virem a causar acidente de consumo. faculta as seguintes opções: a) a substituição do produto por outro da mesma espécie. O vício na quantidade se materializa quando o peso. Logo. vale comparar que. o vício. ou se o vício for atribuído à má conservação sob a responsabilidade do vendedor. uma vez que a lei prevê a responsabilidade solidária entre eles. percebe que o equipamento não dispõe da capacidade de processamento anunciada pelo fabricante. embalagem ou mensagem publicitária. É como se o proprietário do veículo citado em nosso exemplo tivesse detectado o problema antes da ocorrência. Também respondem por disparidade entre o conteúdo e as indicações constantes do recipiente. em perfeitas condições de uso. que. rotulagem ou mensagem publicitária. portanto. . estudaremos a responsabilidade pelo fornecimento de produtos e serviços viciados. um usuário que adquire um computador e. respondem solidariamente pelos vícios dos produtos que os tornem impróprios ao consumo ou que lhes diminuam o valor. o empresário que vendeu somente é responsabilizado nas hipóteses de não-localização ou identificação do fabricante. ou não. dispõe o consumidor das mesmas alternativas referentes ao vício de qualidade. sem prejuízo de eventuais perdas e danos. desde que não fique inferior a sete nem superior a 180 cento e oitenta dias. a partir da observação de pequenas fissuras nos pneus. independentemente de conhecerem. monetariamente atualizada. Nestes casos. O prazo de trinta dias para solução do problema pode ser alterado de comum acordo pelas partes. em caso de acidente de consumo. ou não. Pois bem. b) a restituição imediata da quantia paga. condição que o obrigou a cessar a utilização do automóvel com a finalidade de evitar o sinistro. se não for efetivada em trinta dias. acrescidas da possibilidade de complementação do peso ou da medida.

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Quando se tratar de produto essencial ao consumidor ou de outros cuja substituição da parte viciada possa diminuir-lhes o valor, permite-se ao consumidor fazer uso imediato de uma daquelas alternativas reproduzidas acima. Sendo o produto in natura, a exemplo da venda de grãos, frutas e legumes, dentre outros, será responsabilizado o fornecedor imediato, salvo quando o produtor puder ser identificado. Relativamente ao vício de quantidade, prevê o parágrafo 2o do art. 19 a responsabilidade do fornecedor imediato quando fizer a pesagem ou a medição com instrumento que não esteja aferido segundo os padrões oficiais. Isso é o que ocorre na aquisição de produtos por meio de balanças ou outros equipamentos que não obedecem às medições impostas por órgãos oficiais. Impróprios ao consumo são os produtos: a) com prazos de validade vencidos; b) deteriorados, alterados, adulterados, avariados, falsificados, corrompidos, fraudados, nocivos à vida ou à saúde, perigosos ou, ainda, aqueles em desacordo com as normas regulamentares de fabricação, distribuição ou apresentação; c) que, por qualquer motivo, revelem-se inadequados ao fim a que se destinam. Com relação à prestação de serviços, prevê o art. 20 que o fornecedor responde pelos vícios de qualidade que tornem os serviços impróprios ao consumo ou que lhes diminuam o valor, assim como por aqueles decorrentes de disparidade com as indicações constantes da oferta ou mensagem publicitária. Nestes casos, faculta-se ao consumidor exigir alternativamente e à sua escolha: a) reexecução dos serviços, sem custo adicional, que pode ser confiada a terceiros capacitados, por conta e risco do fornecedor original; b) restituição imediata da quantia paga, monetariamente atualizada, sem prejuízo de eventuais perdas e danos; c) abatimento proporcional do preço. Não é rara a prestação de serviços deficiente em nosso país, frustrando as expectativas dos consumidores que, na maioria das vezes, vêem-se lesados por falsas promessas de execução de serviços os mais variados possíveis. Por exemplo, determinado consumidor contrata a reparação de um aparelho de som danificado. Na hipótese de o serviço realizado não corresponder à descrição anunciada, pode o contratante solicitar a sua reexecução ou a restituição da quantia paga devidamente corrigida ou, ainda, um abatimento no valor pago, não se admitindo a ignorância do fornecedor sobre vícios de qualidade por inadequação dos produtos e serviços. Isso quer dizer que não pode o fornecedor alegar que desconhecia o mecanismo de funcionamento do aparelho, a fim de se furtar à responsabilidade (art. 23).

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Em se tratando de serviços que tenham por objeto a reparação de qualquer produto, o art. 21 obriga o fornecedor a empregar somente componentes de reposição originais adequados e novos, ou pelo menos que mantenham as especificações técnicas do fabricante, salvo autorização em contrário do consumidor. Quanto aos serviços públicos, a exemplo do fornecimento de água, energia elétrica e coleta de lixo, independentemente de serem prestados por órgãos ou entidades da Administração Direta ou Indireta das três esferas de Poder, os mesmos devem ser adequados, eficientes, seguros e, se forem essenciais, deve haver continuidade na prestação. Esta é a disposição do art. 22, que prevê a necessária reparação de danos causados pelo descumprimento total ou parcial do serviço. Isso não significa a impossibilidade de interrupção do serviço, em caso de inadimplência do consumidor, pois o princípio básico do fornecimento é a retribuição remuneratória, citada no parágrafo 2o do art. 3o. Desta forma, se tomarmos como exemplo o fornecimento de energia elétrica, na hipótese da ocorrência de dano em aparelhos elétricos provocados pela súbita interrupção no fornecimento de energia, tem o consumidor direito ao ressarcimento do prejuízo. Sobre a garantia legal do fornecimento, a lei trouxe disposição comum tanto para produto como para serviço. É o que está disposto no art. 24, que veda a exoneração contratual da garantia do fornecedor, asseverando que ela independe de termo expresso. Em outras palavras, mesmo que o consumidor tenha assinado termo pelo qual o fornecedor queira se furtar à garantia de reparação do produto ou do serviço viciado, mantém-se a obrigação do fornecedor em prestar a garantia. Por outro lado, se nada dispuser o contrato de fornecimento de produto ou serviço, valem os prazos de trinta dias para os serviços e produtos não-duráveis, e de noventa dias para os serviços e produtos duráveis (art. 26). Percebam que esses prazos legais somam-se aos concedidos pelos fornecedores, significando afirmar que, na hipótese de a oficina contratada para o conserto do aparelho de som conceder um prazo de garantia do serviço igual a sessenta dias, este somente começa a correr findo o prazo legal, que é de noventa dias, por se tratar de um serviço de natureza durável. In casu, teríamos uma garantia de cento e cinqüenta dias. Disposição semelhante está contida no art. 25, através do qual o legislador vedou a estipulação contratual que tenha por objetivo exonerar ou atenuar a obrigação do fornecedor de indenizar o consumidor de produto ou serviço. Decorre que a contratação de um serviço de mudança, pelo qual a transportadora inseriu cláusula contratual isentando-se da responsabilidade por dano provocado no deslocamento, não possui qualquer eficácia. O mesmo pode ser repetido para cláusulas do tipo: “Esse estacionamento não se responsabiliza por danos sofridos pelos veículos”.

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Ainda a respeito do mesmo art. 25, os seus parágrafos 1o e 2o previram a responsabilidade solidária de todos os responsáveis pela causação do dano. Se tomarmos novamente o exemplo do pneu defeituoso, que apresentou fissuras observadas pelo proprietário do veículo, tem o consumidor a faculdade de reclamar o dano tanto da montadora, quando se tratar de veículo novo, como do próprio fabricante do pneu. Se o pneu foi adquirido em loja especializada para ser incorporado ao carro, a responsabilidade será solidária entre o fabricante do pneu e a loja, tudo para garantir ao consumidor lesado uma boa proteção contra abusos dos fornecedores. 17.5.3. Da Decadência e da Prescrição Os arts. 26 e 27 do CDC tratam respectivamente dos limites máximos de tempo para o consumidor reclamar por vícios do produto ou do serviço, assim como pelos danos decorrentes de acidentes de consumo. Os prazos a que se referem ambos os dispositivos são bem distintos, variando de trinta dias a cinco anos, em função da constatação de vícios ou da ocorrência de acidentes de consumo, quando, ultrapassado esse tempo, terá caducado o direito do consumidor. A lei chamou de decadenciais os prazos referidos no art. 26, enquanto prescricional é o do art. 27. Dessa forma, contados a partir da entrega do produto ou do término da execução do serviço, decai o direito de o consumidor reclamar por vícios aparentes e de fácil constatação em: a) trinta dias – para fornecimento de produtos e serviços não-duráveis; b) noventa dias – para fornecimento de produtos e serviços duráveis. Vício aparente e de fácil constatação é aquele que se torna visível por uma simples observação. Se tomarmos como exemplo a aquisição de um computador, o mesmo estará maculado por vício aparente se o seu visor estiver rachado. De outra forma, o mesmo produto conterá vício oculto se sua capacidade de memória não corresponder à descrição do fornecedor. Neste último caso, o prazo decadencial começa a contar a partir do momento em que ficar evidenciado o defeito. Obsta a decadência a reclamação comprovadamente formulada pelo consumidor perante o fornecedor até a resposta negativa transmitida por forma inequívoca, da mesma forma que o inquérito civil, até o seu encerramento. Durável é o produto ou serviço que não é consumido com o uso. Um serviço de lavagem de veículo é não-durável, enquanto que o de pintura é durável.

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Já em relação aos acidentes de consumo, o prejudicado tem um prazo de cinco anos para pretender a reparação pelos danos causados, contado a partir do conhecimento do dano e de sua autoria, após o que estará prescrito o direito de o consumidor pleitear a indenização. 17.6. Da Desconsideração da Personalidade Jurídica O juiz poderá desconsiderar a personalidade jurídica da sociedade sempre que os seus representantes agirem de forma a fraudar consumidores, valendo-se da vulnerabilidade normalmente presente entre eles. Ressalte-se que esse tema será melhor apreciado no capítulo seguinte, relativo ao Direito Societário, quando será abordada a desconsideração com o fito de resguardar os direitos dos credores em geral. Neste momento, contudo, vale a pena uma visão rápida sobre ele, a fim de adaptá-lo ao Direito do Consumidor. Por conseguinte, podemos afirmar que desconsiderar a personalidade jurídica de uma sociedade significa afastar momentaneamente a limitação da responsabilidade dos sócios pelas dívidas e obrigações contraídas em nome da pessoa jurídica, com a finalidade de atingir o patrimônio pessoal dos sócios ou administradores. Imaginem, então, uma sociedade limitada, caracterizada justamente pela limitação da responsabilidade dos sócios à integralização do capital social (uma vez integralizado 100% do capital social subscrito, nenhuma responsabilidade mais caberia aos sócios pelas dívidas contraídas em nome da pessoa jurídica), através da qual foram vendidas cem unidades de computadores, todos com configuração inferior ao especificado. Chegando os consumidores para reclamar do vício, perceberam que a empresa havia encerrado suas operações, com paradeiro desconhecido dos sócios. Ora, fica evidente que houve fraude aos consumidores, prevalecendo-se aquelas pessoas da ausência de responsabilidade oriunda da integralização total do capital social, pois assim prevê o art. 1.052 do Código Civil, que se refere às sociedades limitadas. É nesta situação que o juiz pode não aplicar a regra geral da limitação da responsabilidade, a fim de atingir diretamente o patrimônio particular dos sócios. O mesmo poderia ser repetido para outros tipos de sociedades onde houvesse obstáculo à responsabilização dos sócios. Em seguida, algumas disposições específicas quando se tratar de (a conceituação sobre cada uma dessas figuras jurídicas está Capítulo 2):

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a) grupo de sociedade – existe responsabilidade subsidiária de cada sociedade componente do grupo pelas obrigações contraídas em nome dele, relativamente aos direitos dos consumidores; b) sociedade controlada – também responde, de forma subsidiária, pelas obrigações para com os consumidores que não forem cumpridas pela controladora; c) consórcio – neste caso, há solidariedade entre as consorciadas, significando afirmar que o consumidor lesado pode acionar qualquer das sociedades integrantes do consórcio, independentemente de ordem; d) sociedades coligadas – uma somente responderá pelas obrigações da outra se restar comprovada a culpa no dano sofrido pelo consumidor. 17.7. Da Publicidade A publicidade de produtos e serviços é própria do mercado de consumo. Numa sociedade consumista, é difícil imaginar a comercialização de bens ou a prestação de serviços sem o fator publicitário. Existem empresas especializadas em propaganda e as despesas decorrentes de suas contratações são mensuradas e compõem os custos dos produtos e serviços colocados no mercado. Com a concorrência cada vez mais acirrada, nada mais legítimo do que os fornecedores investirem nesse componente que vem, ano a ano, tornando-se mais criativo, havendo até concursos para escolha da melhor mensagem. No entanto, o CDC impõe regras destinadas à proteção do consumidor, que não pode ser iludido ou enganado com falsas promessas ou tentativas de se aproveitarem da vulnerabilidade de sua conduta. Desta forma, os arts. 36 e 37 proibiram mensagens disfarçadas, enganosas ou abusivas. Disfarçada é a publicidade que aparece de maneira camuflada dentro de uma determinada reportagem. Por exemplo, certo fornecedor contrata espaço pago em jornal de grande circulação para veicular matéria relativa ao seu produto como se fosse uma reportagem gratuita, de interesse da própria edição jornalística, quando, na verdade, se trata de peça publicitária. Também disfarçada é a publicidade invisível aos olhos e ouvidos, mas que é detectada pelo subconsciente humano. Por exemplo, durante um programa televisivo, certa marca de refrigerante pode ser inserida na tela com tamanha rapidez e freqüência que não é captada pelo olho humano, porém atinge o subconsciente das pessoas. Esta possibilidade está cientificamente comprovada e, como tal, é considerada publicidade disfarçada.

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Enganosa é a publicidade inteira ou parcialmente falsa, capaz de induzir o consumidor em erro a respeito do produto ou serviço adquirido. Por exemplo, uma peça publicitária de veículo, na qual o fabricante anuncie que aquela marca consegue percorrer 20 km na estrada com um litro de gasolina quando, na realidade, não passa dos 10 km, é uma publicidade enganosa. O parágrafo 3o do art. 37 chega a mencionar a publicidade enganosa por omissão, que é aquela que deixa de informar dado essencial do produto ou serviço. Por exemplo, ainda na hipótese do veículo prometido como o mais econômico do mercado, faltou a mensagem informar que somente seria possível atingir aquela meta se fosse misturado outro componente químico à gasolina. Considera-se abusiva a publicidade discriminatória, que incite à violência, explore o medo ou a superstição, aproveite-se da deficiência de julgamento e experiência das crianças, desrespeite valores ambientais, ou que seja capaz de induzir o consumidor a se comportar de forma prejudicial ou perigosa à sua saúde ou segurança. Essa forma de publicidade não traz necessariamente dano econômico ao consumidor, da forma como pode acontecer com a publicidade enganosa, porém ela agride valores sociais. Por exemplo, a propaganda de calças jeans que estimule os filhos a considerarem os pais ultrapassados em seus valores morais. A propaganda enganosa e a abusiva constituem crimes contra as relações de consumo e sujeitam tanto o publicitário como o fornecedor do produto ou serviço à pena de três meses a um ano de detenção e multa (arts. 61 e 67), além de uma contrapropaganda, prevista nos arts. 56, XII, e 60, cujo objetivo é desfazer o efeito da primeira. 17.8. Da Proteção Contratual Vimos que um dos princípios basilares do CDC é o reconhecimento da situação de vulnerabilidade do consumidor, tido como a parte mais fraca numa relação que envolva este e o fornecedor de produtos ou serviços. E é natural que seja assim, afinal o fornecedor que trabalha com certo produto ou serviço normalmente já conhece todos os meandros do objeto ofertado, inclusive as formas de melhor repassá-lo ao mercado, sempre com o objetivo de maximizar o lucro. Já o consumidor, muitas vezes gente simples e humilde, que não dispõe da mesma gama de informações do fornecedor, tem que ser protegido contra abusos do fornecedor. Portanto, o Código trouxe uma série de dispositivos tendentes a resguardar os direitos dos consumidores que celebrem contratos de consumo. Eles estão relacionados nos arts. 46 a 54 e podemos expô-los da forma abaixo.

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a) Conhecimento prévio e exposição clara do conteúdo – imaginem certos contratos de seguro nos quais a seguradora coloca em letras microscópicas e nas entrelinhas certas cláusulas de comprometimento do consumidor imperceptíveis numa leitura normal. b) Interpretação favorável ao consumidor – na dúvida, o juiz deve interpretar as cláusulas contratuais de forma a beneficiar o consumidor. c) Declarações de vontade apartadas vinculam o fornecedor – mesmo que não haja ainda a celebração de contrato de consumo, documento escrito e assinado pelo fornecedor obriga-o ao cumprimento do que nele constar. Por exemplo, no caso do aparelho de som levado à reparação, na hipótese de o prestador do serviço fornecer orçamento escrito, a ele se vinculará, ao menos pelo prazo de dez dias, que é a validade do orçamento, conforme prevê o art. 40, parágrafo 1o. d) Possibilidade de arrependimento do consumidor – este, no prazo de sete dias, a contar de sua assinatura ou do ato de recebimento do produto ou serviço, sempre que a contratação ocorrer fora do estabelecimento empresarial, especialmente por telefone ou em domicílio, pode desistir do contrato, quando deverão ser devolvidos os valores já pagos, corrigidos monetariamente. e) A garantia contratual é complementar à legal – já foi dito que o fornecedor tem a faculdade de oferecer garantia adicional pelos produtos ou serviços contratados. Essa, contudo, deve ser somada à garantia prevista no art. 26, já exposta em item antecedente. f) Impossibilidade de renúncia de direitos por parte do consumidor – o art. 51 discrimina uma série de atos ineficazes, quase todos girando em torna da renúncia de direitos por parte do consumidor. Pois bem, são nulas de pleno direito as cláusulas contratuais que visem a subtrair direitos garantidos por lei ao consumidor. Por exemplo, certo fornecedor promete aos consumidores bens de consumo durável por preços inferiores ao de mercado, desde que eles renunciem ao direito à garantia legal do produto. Mesmo que o consumidor assine tal contrato, continuará o fornecedor vinculado à garantia prevista no art. 26 do CDC. g) Nulidade de cláusula para perda total de prestações pagas – em contratos de compra e venda de móveis ou imóveis, ou de alienação fiduciária em garantia, consideram-se nulas de pleno direito as cláusulas que estabeleçam a perda total das prestações pagas em benefício do credor que, em razão do inadimplemento do comprador, pleitear a resolução do contrato e a retomada do produto alienado.

d) Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo S. (firma individual). por extenso ou abreviadamente. b) Refinações de Milho Brasil Ltda. . a ser efetuado no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). e) Viação Planalto S.A. sendo vedado. é uma modalidade de nome empresarial que somente pode ser utilizada por sociedade anônima. (firma social). Almeida e Cia. julgue os seguintes itens. firma social e denominação. também chamado de “nome fantasia. 2. – Viplan (firma social). acrescidas. e) ( ) A proteção ao nome empresarial decorrerá do seu registro. A respeito do tema. o uso desse termo ao final da denominação. b) ( ) As sociedades anônimas podem ser identificadas pelo termo companhia. a) ( ) Comerciantes individuais devem adotar como nome empresarial a firma individual. porém. indistintamente. razão social ou denominação. c) ( ) Sociedades por quotas de responsabilidade limitada podem usar. constam de forma dispersa no Código Comercial e nas legislações que cuidam das diversas sociedades mercantis.A. terminologia adotada pela legislação vigente sobre registro público de empresas mercantis. (firma individual). marcando V ou F. por extenso ou abreviadamente. c) Fagundes. CESPE – UnB (INSS/1998) Os comerciantes individuais e as sociedades comerciais necessitam de um nome para exercerem as suas atividades mercantis. a) Arhur Lundgren Tecidos S.Exercícios 1. d) ( ) Título de estabelecimento. assinale a alternativa correta entre os seguintes nomes comerciais.A. As regras disciplinadoras da composição dos nomes comerciais ou nomes empresariais. em qualquer caso. (denominação). ESAF (TTN/1989) Sabendo-se que uma empresa pode adotar nome comercial do tipo firma individual. do termo limitada.

d) ( ) a matrícula no registro do comércio. observa-se que (V ou F): a) ( ) a matrícula do contrato social no registro do comércio assegura a condição de comerciante. (ICM – SP/1986) Fundo de comércio é o conjunto de bens corpóreos e incorpóreos operado pelo comerciante. c) ( ) o registro do comércio constitui um instrumento de publicidade. b) a escrituração ficar a cargo de profissional qualificado. b) pode ser cedida.78 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 3. mas somente aos sócios que remanescerem. 7. 6. e não sujeito de direitos. diretamente ou por reprodução. JUIZ FEDERAL DA 5 a REGIÃO (FCC/2002) A espécie societária que não admite firma para formação do nome comercial é a sociedade: a) de capital e indústria. através de instrumento público de alteração contratual. e) anônima. e) não pode ser cedida a terceiros. e) ( ) o registro dos atos de comércio não é constitutivo de direito. b) conjunto de direitos exclusivos do comerciante. em princípio. pelo só efeito do registro. com a concordância do seu titular. qualidade esta que pode ser contestada por terceiro. b) ( ) os atos de registro do comércio não podem ser elididos em face de melhor prova. cujo valor está longe de ser absoluto. d) em nome coletivo. d) pode ser cedida por simples autorização do titular. Sua natureza jurídica é a de: a) sujeito de todos os direitos mercantis. com o nome pelo qual a sociedade exerce o comércio e assina seus atos. e) mantidos com observância das formalidades legais. (JUIZ SUBSTITUTO – BA/1999) No que tange aos efeitos do registro do comércio. ESAF (TTN – MANAUS/1992) Os livros e as fichas de escrituração mercantil provam a favor do comerciante quando: a) mantidos em boa ordem cronológica. ESAF (AFTN/1991) A firma. c) universalidade de direito. não determina a qualidade de comerciante. c) em comandita simples. f) ( ) a inscrição de firma individual ou contrato social não assegura a qualidade de comerciante. c) sua escrituração for efetuada por lançamentos diários. sendo objeto. no instrumento particular de alteração contratual. 4. desde que haja cessão do estabelecimento comercial a que está ligada. d) universalidade de fato. b) por quotas de responsabilidade limitada. 5. d) sua escrituração for efetuada em idioma e moeda correntes nacionais. . c) poderá ser cedida. contraindo obrigações perante terceiros: a) jamais poderá ser cedida.

A leitura do nome social por olhos treinados revela informações invisíveis aos leigos. pode-se. c) ressalvadas as autoridades judiciárias e fiscais. Compreende três espécies: a firma individual. as comanditas por ações e as sociedades por quotas de responsabilidade limitada podem adotar tanto a razão social quanto a denominação como nome empresarial. ESAF (TTN – RECIFE/1992) As fichas seguidamente numeradas. b) ( ) As sociedades anônimas. mecânica ou tipograficamente: a) não podem substituir o Diário. 9. na forma exigida para o Diário. o objeto social. 11. dos Estados. identificar o tipo societário sob o qual a empresa se constituiu. independentemente de comprovar legítimo interesse. CESPE – UnB (FISCAL DE ALAGOAS/2002) O nome empresarial contém elementos importantes que podem passar despercebidos por muitos. d) dispensam a autenticação. todas as pessoas físicas ou jurídicas necessitam comprovar legítimo interesse. os móveis e o imóvel. A respeito desse assunto. como os estoques. a) ( ) O nome empresarial é aquele sob o qual a empresa mercantil exerce sua atividade e se obriga nos atos a ela pertinentes. também. em regra. c) ( ) Em obediência ao princípio da novidade. a firma ou razão social e a denominação. A partir do nome. ESAF (BNDES/2002) O estabelecimento empresarial é formado: a) por todos os bens corpóreos e incorpóreos que são utilizados na exploração da atividade empresarial. o nome empresarial não poderá conter palavras ou expressões que denotem atividade não-prevista no objeto da empresa mercantil. c) dispensam os termos de abertura e de encerramento. do Distrito Federal e dos Municípios. b) está ao alcance de qualquer pessoa. b) podem substituir o Diário.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 79 Série Impetus Provas e Concursos 8. e) apenas pelos bens cuja propriedade pertença à sociedade mercantil. b) apenas pelos bens de natureza material. d) apenas pelos bens que estão dentro do estabelecimento físico do comerciante. d) requer prévia autorização judicial. . e) é reservada aos Poderes constituídos da União. os sócios e a responsabilidade deles pelas obrigações sociais e. por totais periódicos. d) ( ) O nome João Batista e Companhia Limitada indica que a empresa é uma sociedade por quotas de responsabilidade limitada ou uma sociedade anônima. c) apenas pelos bens de natureza imaterial. julgue os itens que se seguem (V ou F). pode-se afirmar que: a) é reservada às pessoas que comprovem legítimo interesse. 10. ESAF (TTN – ALAGOAS/1992) Sobre a obtenção de certidões dos livros de registro do comércio. e) ( ) O nome empresarial Manoel Dias e Filhos indica que a responsabilidade de todos os sócios pelas obrigações contraídas pela sociedade é solidária e ilimitada. e) não comportam escrituração resumida.

b) permitir avaliar a eficácia da ação administrativa. dono da firma individual João Verdureiro. d) efetuam o registro de empresas estrangeiras após autorizadas pelo órgão federal competente. se alguém. b) ( ) Supermercado J&M Ltda. a) ( ) A atividade empresária somente poderá ser exercida por quem não estiver legalmente impedido.406/2002). se determinado sócio-gerente estiver interditado. exercê-la. comerciante antigo no Distrito Federal. b) ( ) Nas sociedades em geral. elas: a) somente podem fazer o exame formal dos atos que lhes são apresentados. elaboraram o contrato social do Supermercado J&M Ltda. b) abrem um processo próprio para registrar e dar proteção ao nome empresarial. e) estar escoimada de imperfeições. ele poderá continuar o negócio por meio de seu pai. CESPE – UnB (AGU/2002) João. seu conhecido. 15. associou-se a Manoel.80 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 12 ESAF (AUDITOR DA PREFEITURA DO RECIFE/2003) A escrituração mercantil. desde que autorizado pelo juiz. e solicitaram à Junta Comercial do Distrito Federal o seu registro. nos termos do Novo Código Civil (Lei no 10. d) ( ) Caso tivesse sido registrado segundo a Lei de Registro Público de Empresas Mercantis e Atividades Afins. c) ( ) Sabendo que João Verdureiro é o nome empresarial do mercadinho de João e sendo João empresário mercantil. a partir do momento em que assumir(em) o(s) novo(s) gerente(s). visando à ampliação do seu negócio. e) deverão efetuar o registro também de associações. extingue-se a responsabilidade do pai sobre os atos praticados. João tinha um mercadinho. a) ( ) Ao negar o registro ao contrato social do Supermercado J&M Ltda. alegando que Manoel estaria sendo processado criminalmente por peculato e não poderia constar como sócio do supermercado. Nesse caso. julgue os itens que se seguem (V ou F). . se o pai for legalmente impedido. a Junta agiu de acordo com a Lei de Registro Público de Empresas Mercantis e Atividades Afins. o patrimônio como pessoa física de João não se confunde com o patrimônio da firma individual. Dessa forma. por permitir a verificação das mutações patrimoniais e dado seu valor probatório. deve: a) facilitar a análise dos agentes da fiscalização. responderá pelas obrigações contraídas pela empresa. d) dar aos credores informações sobre as operações contratadas. 14. c) garantir a apuração dos tributos devidos pelo empresário. Considerando a situação hipotética acima e as normas que regem o nome e o registro comercial. é nome empresarial da espécie denominação.. ainda que legalmente impedido. nomeará gerente(s) com aprovação do juiz. ESAF (AUDITOR DA PREFEITURA DO RECIFE/2003) Em relação às Juntas Comerciais. 13. mas suas decisões são vinculantes em definitivo. c) são órgãos administrativos. para abrirem um supermercado na região onde. até então. o nome empresarial Supermercado J&M Ltda. A Junta negou o registro. a partir do arquivamento do contrato social. uma vez que as sociedades limitadas não admitem nome comercial de outra natureza. Juntos. CESPE – UnB (AUDITOR DO INSS/2003) Marque V ou F. teria proteção automática.

aqueles locais nos quais o titular for empresário. o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia. em qualquer ponto do território nacional. é correto afirmar que: a) o costume é meio de integração do direito. d) não implica a cessão de créditos relativos à atividade exercida no estabelecimento. empresarial julgue os itens que seguem. 4 o).CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 81 Série Impetus Provas e Concursos 16. c) somente se admite o costume secundum legem. “quando a lei for omissa. a) ( ) O estabelecimento empresarial confunde-se com o patrimônio da sociedade. suas obrigações manterse-iam válidas. 20. desde que em local diferente do da residência. não fazem parte do estabelecimento. mas não pode ser considerado fonte ou forma de expressão do Direito. mas que não guardam liame com a atividade-fim da empresa. d) ele não poderia ter a falência decretada. b) impede o alienante de exercer a mesma atividade que exercia anteriormente pelo prazo de cinco anos. e) os costume praeter legem desempenha função supletiva da lei. vários profissionais de Direito que dividem tarefas conforme as diferentes especializações. exonerando o alienante de qualquer responsabilidade. b) o costume constitui apenas regra de hermenêutica. foi descoberto que um funcionário público era titular de um estabelecimento comercial. 19. b) o consultório dentário em que são prestados serviços e oferecidos aos clientes. e) sua falência seria decretada de pleno direito. d) é admitido amplamente o costume contra legem. c) o escritório de advocacia de que são locatários. c) independentemente de efeitos na esfera administrativa. 17. Como conseqüência desse fato: a) os negócios por ele feitos eram nulos de pleno direito. ESAF (AUDITOR DA PREFEITURA DE FORTALEZA/2003) Em vista de uma denúncia anônima. produtos para higiene bucal. desde que ele não tivesse se valido do cargo para conseguir algum favor. os costumes e os princípios gerais de direito” (art. ESAF (AUDITOR DA PREFEITURA DE FORTALEZA/2003) Considera-se estabelecimento: a) o estúdio de um artista plástico. FCC (PROCURADOR DO ESTADO DE PE/2003) Estabelecendo a Lei de Introdução ao Código Civil que. CESPE – UnB (JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO DA 5a REGIÃO/2004) Acerca do estabelecimento. e) equivale à alienação do imóvel utilizado para o exercício de atividade empresarial. sujeitos à disciplina do Código Civil. . c) não importa sub-rogação no contrato de locação comercial. b) ( ) Os imóveis pertencentes à sociedade empresarial. em conjunto. para venda. 18. e) somente são estabelecimentos. c) ( ) O alienante de determinado estabelecimento empresarial não poderá fazer concorrência ao adquirente nos dois anos subseqüentes à transferência. ESAF (PROCURADOR DO DF DF/2004) A alienação do estabelecimento empresarial: a) transfere automaticamente ao adquirente as obrigações regularmente contabilizadas. b) não haveria qualquer penalidade. d) os locais mantidos por fotógrafos amadores no qual são revelados os filmes.

a) ( ) Configura infração à ordem econômica a retenção de bens de produção ou de consumo. . b) respeito ao sinalagma genético ao longo da execução do contrato. em face da insatisfação do consumidor com os serviços prestados. c) ( ) Se três pessoas trabalharam conjuntamente para inventar um modelo de utilidade. a) ( ) Se um inventor requerer uma patente perante o Instituto Nacional de Propriedade Industrial. por dano moral. julgue os itens que se seguem. d) acarretam responsabilidades para os sócios não-administradores por culpa in vigilando. c) são relevantes apenas do ponto de vista fiscal. 22. contados da celebração do contrato. pelos quais o ordenamento jurídico pátrio tem especial apreço. em face de insatisfação do consumidor. UnB/CESPE (PROCURADOR DO ESTADO DE RORAIMA/2004) No que concerne a patentes. ESAF (AUDITOR DO TCE DO PARANÁ/2003) A Lei no 8. 23.82 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 21. responsabilidade no plano cível apenas para o contador responsável. e) podem levar à prisão civil os administradores. é permitido a seus herdeiros requererem a patente. caso os livros obrigatórios não tenham sido escriturados ou o tenham sido de forma indevida. baseou-se na vulnerabilidade do consumidor. 24. b) ( ) Os atos de concentração de empresa que possam prejudicar a livre concorrência devem ser submetidos previamente à apreciação do Conselho de Administração de Defesa Econômica (CADE) ou no prazo de quinze dias úteis. mesmo que seja para garantir a cobertura dos custos de produção.078/90. e) impossibilidade de reajuste de prestações vincendas. ao estabelecer a política nacional das relações de consumo. A proteção de seus interesses implica: a) renegociação do preço do bem ou serviço. b) ( ) Falecido o inventor de um modelo de utilidade. na sua desobediência. no seu descumprimento. b) determinam. não se admitindo que apenas uma delas faça o requerimento que contenha a nomeação e qualificação dos demais. UnB/CESPE (JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO DA 5 a REGIÃO/2004) Com referência à atividade econômica e ao regime jurídico da concorrência. determinando a caracterização de crimes de sonegação fiscal. ESAF (AUDITOR FISCAL DO TRABALHO/2003) As obrigações relacionadas com a escrituração: a) têm em conta o interesse de terceiros quanto à informações daquela constantes. a lei prevê que as três requeiram juntas a patente. c) anulação de cláusulas contratuais que impeçam a defesa do consumidor. passa ele a gozar de uma presunção relativa de ser legitimado a obter a patente. julgue os itens subseqüentes. d) reparação.

basta que a informação publicitária. UnB/CESPE (JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO DA 5a REGIÃO/2005) Julgue os itens que se seguem. não se exige culpa ou dolo do anunciante. Nessa situação. por ser falsa. para que uma sociedade seja considerada fornecedora. nos termos previstos no contrato. julgue os itens subseqüentes. e cujas sedes localizam-se na mesma avenida. Nessa situação. há exclusão absoluta da responsabilidade do comerciante.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 83 Série Impetus Provas e Concursos 25. c) ( ) Estando individualizada a responsabilidade do fornecedor pela colocação de um produto no circuito comercial. no caso. prática vedada pelo Código de Defesa do Consumidor. 27. julgue os itens subseqüentes. inteira ou parcialmente. 26. Duas auto-escolas. a) ( ) Para a defesa do consumidor. leve o consumidor ao erro. pessoa ou empresa que vendeu ou fez a entrega do produto ao consumidor. UnB/CESPE (JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO DA 5 a REGIÃO/2005) A respeito da defesa da proteção do consumidor. a) ( ) Para caracterização da publicidade enganosa. b) ( ) Uma instituição financeira pode encerrar conta-corrente mediante notificação do correntista. não caracterizando. que dominam menos de 1% do mercado relevante. d) ( ) Apesar de terem um regime próprio de direitos do consumidor. preços e condições para a prestação de seus serviços. terá que ser dotada de personalidade jurídica. c) ( ) Para efeito de direito do consumidor. a) ( ) Considere a seguinte situação hipotética. uma pessoa física que preste serviço enquadrase no conceito de fornecedor. os serviços de natureza bancária enquadram-se no conceito de serviços previstos no CDC. é correto concluir que não houve infração à ordem econômica. b) ( ) De acordo com o Código de Defesa do Consumidor (CDC). decidiram fixar. com base na disciplina jurídica da concorrência empresarial. em comum acordo. . proíbe-se apenas o resultado: que a publicidade induza o consumidor a formar falsa noção da realidade. recusa à prestação do serviço. ou por omitir dados importantes. quanto à disciplina jurídica da concorrência empresarial. não se enquadram como produtos os bens de natureza imaterial. UnB/CESPE (PROCURADOR DO ESTADO DE RORAIMA/2004) Em relação a conceitos utilizados para a aplicação das normas de defesa do consumidor. b) ( ) A pessoa jurídica que incidir em prática de infração da ordem econômica poderá se sujeitar à pena de multa de até 20% do valor do faturamento bruto no seu último exercício.

relativos à propriedade industrial e intelectual. a) ( ) Tal como ocorre no direito autoral. a modificação de cláusulas que estabeleçam prestações desproporcionais. f) ( ) Caso os agentes do INPI verifiquem que tenha sido patenteada determinada invenção contrária à saúde pública. esse novo objeto poderá. no dia 1o de janeiro de 2004. legalmente. por intermédio dessa prova. Isso não implica. tem seus direitos materiais resguardados desde o momento da criação de sua obra. químico-farmacêuticos e medicamentos de qualquer espécie. mas. já utilizavam. autora de modelo de utilidade. direito básico do consumidor. a) ( ) Não é considerado relação de consumo o negócio jurídico de natureza creditícia. sob pena de ser arquivado. o próprio INPI poderá propor ação de nulidade de patente. facilmente adaptável à cabeça. contudo. dado que ela envolve instituições financeiras. UnB/CESPE (JUIZ SUBSTITUTO DO ESTADO DA BAHIA/2005) Julgue os itens que se seguem. Nessa situação. e) ( ) Determinada pessoa. Não permite. o autor de propriedade industrial. em razão de fatos supervenientes. Nessa situação. sim. b) ( ) Não serão objeto de patente.84 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 28. Não se aplica a essa situação o Código de Defesa do Consumidor (CDC). c) ( ) Considere que alguém modifique a forma de uns óculos e isso resulte em um novo modelo. tal qual o empréstimo bancário. ser considerado um modelo de utilidade e o prazo de proteção da patente será de quinze anos. não sendo o contratante destinatário final de produto ou serviço. o depósito relativo ao pedido de patente no INPI. d) ( ) Considere que o autor de uma invenção tenha feito. . pois aos criadores de obras intelectuais é assegurado o direito de exploração. concedida pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). visa a facilitar a defesa da parte hipossuficiente na relação de consumo. produtos alimentícios. se pretenda provar. que suporte o ônus de sua não-produção. c) ( ) O CDC permite a revisão de cláusulas que. UnB/CESPE (JUIZ SUBSTITUTO DO ESTADO DA BAHIA/2005) Acerca da normatização do Direito do Consumidor. julgue os itens a seguir. o exame do pedido de patente deve ser requerido até o dia 1o de janeiro de 2007. g) ( ) Será passível de licença compulsória a patente concedida a empresário que utilize os direito dela decorrentes de forma a praticar abuso do poder econômico comprovado nos termos da lei. a qual deverá ser ajuizada no foro da Justiça Federal. tornem-se excessivamente onerosas. Nessa situação. pois o bem adquirido por essa modalidade de contrato é utilizado para aquisição de outros bens de consumo. oponível contra todos. sendo considerados verdadeiros os fatos que. de boa-fé. tomou conhecimento de que algumas pessoas. como forma de se resguardar o interesse público. que o fornecedor seja obrigado a arcar com as custas para a produção de prova requerida pelo consumidor. contudo. 29. em regra. promoveu o depósito referente ao pedido de patente de sua obra e. antes da data do depósito no INPI. por decisão administrativa ou judicial. tal objeto. para efeito de patente. em virtude do princípio da pacta sunt servanda. decorrido longo período. o autor deveria ter notificado as pessoas para que cessassem a exploração do objeto. b) ( ) A inversão do ônus da prova.

pegasse e trouxesse. para que José o utilizasse enquanto fosse efetuado o conserto no carro por ele adquirido. no valor de R$ 500. foi informado de que bastaria a reinstalação de um software e de que a execução do serviço custaria R$ 35. engenheiro civil. que rege as relações de consumo. Mais de trinta dias se passaram sem que o veículo fosse consertado. em razão do princípio da responsabilidade objetiva. Nessa situação. até o carrinho de compras. na condição de fornecedor de produtos e serviços. visto que a culpa é exclusiva da vítima. Nessa situação.CAMPUS Capítulo 1 — Noções Gerais 85 Série Impetus Provas e Concursos d) ( ) Considere a seguinte situação hipotética. dispôs-se a reparar o dano. e pagou à vista. Nessa situação. usado e de menor valor. sofreu cortes profundos na perna. e) ( ) Suponha que um cliente. José adquiriu veículo novo. i) ( ) Considere a seguinte situação hipotética. a atitude meramente liberal de Arnaldo não é caracterizada como prestação de serviços. independentemente da existência de culpa. visando a auxiliar uma cooperativa habitacional. Arnaldo. José teria direito. a prática descrita é abusiva. k) ( ) A venda de frutas e hortaliças torna responsável. j) ( ) Determinada marca de computador estava sendo vendida pelo estabelecimento empresarial X. o fornecedor não responde pela reparação dos danos causados ao consumidor. alternativamente e à sua escolha. Sendo assim. cujo computador apresentou problemas. o estabelecimento empresarial X será solidariamente responsável apenas se o fabricante ou o importador do produto não puderem ser identificados. de posse do veículo. para fins de incidência do CDC. Nesse caso. de apenas dez anos de idade. exceto no caso em que for possível identificar claramente o produtor.00. No percurso. elaborou projeto para a construção de casas populares.00. f) ( ) O profissional liberal. é pessoalmente responsável por danos causados ao consumidor. Antônio pediu que seu filho. recebeu a fatura discriminando a troca de um componente de computador. uma garrafa de vidro que continha refrigerante. o garoto. ao deixar cair a garrafa de vidro no chão. sem cobrar remuneração. entregando um outro veículo. Os computadores dessa marca apresentavam defeitos de montagem. em princípio. tenha procurado uma empresa de assistência técnica para consertá-lo e. não pode o órgão público prestador de serviço público essencial cortar o fornecimento de serviço a consumidor que permaneça inadimplente após ter sido previamente notificado. . entre outros acessórios. constatou que o arcondicionado não estava funcionando. Dias após. à substituição do veículo. à restituição imediata da quantia paga ou ao abatimento proporcional do preço pago. Entrou em contato com a concesionária e exigiu a substituição desse acessório. prontamente. h) ( ) Os serviços públicos essenciais devem ser prestados de maneira contínua. o fornecedor imediato. Entretanto. conforme o CDC. com ar-condicionado. Em um supermercado. A concessionária. por vícios do produto. Portanto. g) ( ) Considere a seguinte situação hipotética.

salvo se expressamente convencionado no contrato.86 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel l) m ) n) o) p) q) ( ) Dada a responsabilidade do fornecedor por disparidade de indicações do produto constantes de mensagem publicitária. é responsabilizado o seu fornecedor. Lucas comprou. Depois do primeiro pagamento. ele deve sanar o vício no prazo máximo de trinta dias. Nessa situação. em se tratando de fornecimento de serviço ou de produto não-durável. mesmo que ele ignore a mácula. ( ) O prazo para reclamação de vícios de fácil constatação decai em trinta dias. Lucas terá direito. o qual vincula o fornecedor do produto ou serviço e pode ser objeto de execução específica. Entretanto. à devolução da primeira prestação não corrigida monetariamente. por telefone. Lucas não gostou do bem adquirido. . ( ) O anúncio publicitário é considerado parte integrante do contrato que estabelece a relação de consumo. podendo ser estendido uma única vez por igual período. a supressão desse prazo. o que fez o desistir do contrato três dias após a entrega do produto. Lucas recebeu o produto em sua residência. tendo acertado que o pagamento seria efetuado em quatro parcelas iguais. ( ) O fornecedor de serviços de reparação de produtos não é obrigado a empregar componentes originais. o aumento ou. conforme disposição do CDC. imediatamente. até mesmo. Todavia. um equipamento de ginástica. as partes podem convencionar a redução. ( ) Pela existência de vício de qualidade que torne o produto inadequado para consumo. ( ) Considere a seguinte situação hipotética.

senão vejamos: . sociedades. Disposições Preliminares O Código Civil de 2002. caracterizada pela inexistência de fim lucrativo em seu objeto. precede a criação de uma fundação a afetação de bens que serão empregados na realização do fim proposto que. definiu as espécies de pessoas jurídicas de Direito Privado. presta-se a reunir indivíduos ligados a uma mesma causa. A título de exemplificação. • SOCIEDADE – Tem definição no art. que é a destinação de um patrimônio para dar surgimento ao ente jurídico. 62. 981 do CC/2002. • ASSOCIAÇÃO – É forma de construção de pessoa jurídica. recreativa. enquanto as outras espécies de pessoas jurídicas constituem-se a partir do agrupamento entre seres naturais. seja ela social. são enquadradas nessa categoria as associações as sociedades partidos as fundações as organizações religiosas e os partidos políticos (os dois últimos ganharam fundações.825/2003. A alteração teve o condão de definir uma forma jurídica própria para cada uma. organizações tal destaque a partir da Lei no 10. Observe-se que. provêm de um desmembramento das anteriores. política ou profissional. Serve como exemplo a Associação Atlética Banco do Brasil. enquanto as organizações religiosas eram fundações. criadas com recursos oriundos apenas da iniciativa privada. conforme o mandamento do art. deve ser religioso. a fonte de origem das fundações são bens. • PARTIDOS POLÍTICOS E ORGANIZAÇÕES RELIGIOSAS – Essas ARTIDOS novas formas de pessoas jurídicas. moral. Para o bom entendimento da matéria. os partidos políticos assumiam forma de associação. temos a Fundação de Cultura Roberto Marinho. é necessário distinguirmos cada uma das espécies relacionadas pela Lei Civil. de 22 de dezembro de 2003). possíveis de serem adotadas no ordenamento jurídico brasileiro. esportiva. do CC/2002. parágrafo único. Em regra.825. Antes. 44. Por aquele dispositivo. cultural ou de assistência. • FUNDAÇÃO – Existe um traço marcante em sua composição. Com efeito.Capítulo Direito de Empresa 2 1. inseridas no Código a partir da Lei Federal no 10. em seu art. associações.

a atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou serviços. A ressalva é se o exercício dessas profissões constituir elemento de empresa. fossem consideradas empresárias. 1. Em um. estão fora do conceito as sociedades de professores. ainda que o objeto seja de caráter intelectual. Nessa hipótese. caput. dos resultados. enquanto. quando o objeto social for diretamente relacionado às atividades profissionais respectivas. a sociedade pode vir a ser empresária. desde que presente a forma organizacional requerida. . ou seja. Sociedades Empresárias O art. conforme a definição do art.88 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Art. artistas. 966. há um intuito econômico na formação da sociedade. portanto. no outro. enquanto os membros de uma sociedade perfilham a busca dos ganhos decorrentes da atividade econômica. poderemos presenciar o surgimento de sociedades empresárias cujos objetos sociais possam ser justamente o desenvolvimento daquelas atividades. além de outras. as sociedades simples. a sociedade será considerada empresária. O Código Civil de 2002 elegeu a bipartição das sociedades em ramos distintos. as associações das sociedades o fato de as primeiras não possuírem finalidade econômica. 982 do CC/2002 determinou que as sociedades que tiverem por objeto atividades próprias de empresário. com bens ou serviços. De outra maneira. ficaram as sociedades empresárias. 981. independentemente de seu porte ou organização. encaixando-se o objeto como atividade própria de empresário. pois as pessoas que dela participam visam à partilha de seus resultados entre si. simples Vejamos os traços singulares entre umas e outras. pois. a exemplo de uma instituição de ensino ou de um hospital. a priori situadas à margem do conceito empresarial. mas também à forma organizacional por ela adotada. previstas no parágrafo único do mesmo art. Diferencia. A opção do legislador em caracterizar determinada sociedade como empresária não se limitou à análise de seu objeto social. O dispositivo excluiu da conceituação as sociedades criadas para o desenvolvimento de atividades intelectuais.1. conforme já exposto no Capítulo 1. entre si. 966. Como se vê. para o exercício de atividade econômica e a partilha. Celebram contrato de sociedade as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir. médicos e dentistas. Desta forma. Parágrafo único. A atividade pode restringir-se à realização de um ou mais negócios determinados.

onde o caráter pessoal do serviço é menos importante. a pessoa jurídica terá a forma de sociedade simples. com muitos profissionais envolvidos. ou seja. podem ser classificadas como tal. 966.708/1919 para as limitadas e Lei no 6. Se traçarmos um paralelo entre a classificação existente anteriormente ao Código Civil de 2002 com a que passou a vigorar a partir da nova Lei Civil. Além dessas. É o que pode ocorrer com uma sociedade de grande porte.2. mas empresária. no 3. Observem que toda sociedade simples deve possuir como objeto social o exercício de uma daquelas profissões intelectuais. especializada em consultoria de projetos.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 89 Série Impetus Provas e Concursos 1. as que forem organizadas como empresa. quando ausente elemento de empresa. . podemos elaborar o seguinte quadro comparativo: Situação antes do novo Código 1-Sociedades comerciais reguladas pelo Código Comercial e legislação complementar (Dec. literária ou artística. Nesta condição. das grandes consultorias etc. o mesmo de profissões intelectuais de natureza científica. atividade tipicamente intelectual. Também algumas prestadoras de serviço já eram assim consideradas. Nesse âmbito se encontravam todas as que tivessem por objeto a compra e venda de mercadorias.404/76. porém desempenhada de uma forma empresarial. todas aquelas que já tinham por objeto a compra e venda de mercadorias ou a prestação de umas poucas espécies de serviços exemplificados na primeira coluna foram aqui enquadradas. a exemplo dos grandes hospitais. a exemplo das instituições financeiras e transportadoras. temos não uma sociedade simples. mas nem toda sociedade cujo objeto social seja daquela espécie será sociedade simples.. Situação após o novo Código 1-Sociedades e mpresárias reguladas pelo Código Civil de 2002 e Lei no 6. Em se tratando de uma sociedade cujo objeto seja um daqueles previstos no parágrafo único do art. Com a nova ordem.404/76 para as por ações). de natureza científica. Sociedades Simples Estas são determinadas pelo seu objeto social.

gozam de classificação já anunciada legalmente.90 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 2-Sociedades civis reguladas pelo antigo Código Civil. Trata-se de sociedades que. como tal definido no parágrafo único do art. ou a ausência daquele. cujos objetos seriam todos os outros. em se tratando de objeto civil. todas sem elemento de empresa. além daquelas poucas espécies de serviços já mencionadas. quer dizer. como número de funcionários. que poderá indicar a presença de elemento de empresa. 2-Sociedades simples reguladas pelo Código Civil de 2002. pelo seu objeto. pois assim quis o legislador. pois a observação do objeto era bastante para definição de sua classificação. a dificuldade reside na ausência de parâmetros objetivos. faturamento bruto. pela sua forma. De outra maneira. temos uma clínica médica ou sociedades de arquitetos. não enqua-drados no campo comercial. será necessária a análise da estrutura organizacional. algumas organizações têm suas espécies previamente definidas. pois o legislador não se preocupou em traçar elementos indicativos de uma ou outra espécie. independentemente de sua estrutura. quando será ela simples. Do exposto. independentemente da forma como se organizem. levando a sociedade a ser classificada como empresária. a fim formar um divisor de águas entre aquela que poderia ser uma sociedade simples. será ela considerada empresária. literária ou artística. de natureza científica. desprovidas de estrutura empresarial. não importava a forma pela qual estava organizada a pessoa jurídica. recolhimento de impostos. 966. mas passou a ser empresária. a atividade de produção ou intermediação de mercadorias. pintores. A par desse raciocínio. são consideradas as antigas sociedades civis. Sendo o objeto mercantil. senão vejamos: . tanto pelos seus objetos como pelos seus tipos. que tenham por objeto o exercício de uma profissão intelectual. Como exemplo. podemos afirmar que o critério para se definir se uma sociedade é simples ou empresária depende tanto do objeto social como de sua estrutura. ou qualquer outro. Nessa categoria. Nesses casos. Nessa época.

inclusive. da Lei no 8. O art. simples. desde que tenham registro na Junta e adotem um dos tipos daquelas. os principais efeitos da caracterização de sociedade como empresária são a submissão à falência. além de ficar obrigada a manter escrituração especial. 15. sempre soc. sempre empresárias.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 91 Série Impetus Provas e Concursos ESPÉCIES EMPRESÁRIAS SIMPLES 1-Anônima e comandita Pelo art. 982 do CC/2002. Em geral. 5-Sociedade com objeto próprio de empresário rural. 982. 4-Sociedade de advogados. mas sem registro. que considera simples todas as que não forem empresárias. A conclusão vem da combinação dos arts. visando à participação no resultado econômico. parágrafo por ações. parágrafos 1o e 2o. Sempre sociedade simples. possibilidade de obter recuperação judicial ou extrajudicial. 2-Sociedade de construção. Constituição das Sociedades As sociedades nascem da comunhão de vontade entre os sócios.904/94 (Estatuto da OAB) e do art. declarou comerciais as sociedades de construção. Pelo art. 984 do CC/2002 diz que se equiparam as empresárias. único. 1o da Lei no 4. 2. O art. fazer prova com seus livros empresariais. que se propõem a contribuir com o fundo social. permitindo-se. parágrafo único. 3-Cooperativa. . 982.068/62.

008 do CC/2002 veio modificar o antigo Código Comercial. Atualmente. ou mesmo aquela em que algum seja excluído do resultado. deve se revestir dos mesmos quesitos exigidos do negócio jurídico em geral. entretanto. quais sejam: a) agente capaz. probatório de suas existências. ou seja. c) forma prescrita ou não defesa em lei. O art. quando se tratar de sociedade simples. desde o Código Comercial. Leonina é a sociedade na qual se estipule que a totalidade dos lucros competirá a um só sócio. As demais estão relacionadas no subtítulo “sociedades personificadas”. 104 do Código Civil/2002. que é uma S. Também se considera assim a sociedade onde algum sócio seja desonerado da contribuição para o fundo social. Outros requisitos são igualmente necessários à validade dos atos de constituição. classificando-as como “sociedades não-personificadas”. cuja totalidade do capital encontra-se em mãos de outra sociedade). serão estudadas detalhadamente em tópico seguinte. a sociedade. determinado ou determinável. . Entretanto.A. não a própria sociedade. são efetivados por escritura. ou no Cartório de Registro Civil das Pessoas Jurídicas. e mais a participação necessária de. se forem empresárias. reunindo os tipos societários que tiveram seus atos de constituição arquivados na Junta Comercial. pública ou particular. será tida como irregular. Neste caso. assim como a participação nos lucros ou prejuízos. a lei admite a existência de contratos orais. O Código Civil de 2002 reservou um subtítulo que trata especificamente das sociedades não-registradas. seja ela simples ou empresária. temos as sociedades em comum (antes intituladas sociedades irregulares ou de fato) e as sociedades em conta de participação assim conhecidas participação.. b) objeto lícito. quais sejam: a contribuição dos sócios na formação do capital social. sociedades constituídas a partir de acordos firmados à revelia de qualquer documento escrito. embora podendo vir a ter provada sua existência. expressos no art. Todas. possível. que considerava nula a sociedade em cujo contrato constasse uma dessas cláusulas.92 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel O acordo celebrado entre os componentes da sociedade. 1. pelo menos. Na forma. que pode ser um contrato ou um estatuto social. dois sócios no quadro social (exceção para subsidiária integral. pois não poderá arquivar seus atos constitutivos no órgão de registro do comércio. tornando nula apenas a cláusula específica. apenas se considera ineficaz estipulação nesse sentido. Neste grupo.

sujeito de direito. ou no Cartório de Registro Civil das Pessoas Jurídicas. Da personalidade jurídica decorrem. praticando. Contudo. tudo de forma distinta de seus sócios. ao empresário inscrito. pessoa física ou jurídica. estará agindo em nome dela. é a pessoa jurídica. d) proteção ao nome e ao título – o art. no caso de sociedades simples. que estará demandando ou sendo demandada judicialmente. Trazidos em prazo posterior. Não providenciada tal formalidade. ao menos no primeiro momento. não seu representante. a sociedade pode até funcionar. providenciado o arquivamento.166 do Código assegura o uso exclusivo do nome. através de seu representante. O art. representante seu. a pessoa jurídica poderá exercer direitos e contrair obrigações. Em qualquer sociedade. quando providenciada pelo titular.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 93 Série Impetus Provas e Concursos 3. o representante de pessoa jurídica que ingressar em juízo na defesa de interesses da sociedade. ou seja. b) capacidade negocial – quando um legítimo representante da sociedade contrai uma obrigação ou adquire um direito para a sua representada o faz em nome dela. 1. não importa o tipo. A mesma . podendo haver a extensão da proteção a todo território nacional. atos relacionados ao objeto social. pois é a pessoa jurídica que assume um dos pólos da relação negocial. todavia. Esta. dentre outras conseqüências: a) capacidade patrimonial – significa afirmar que o patrimônio da pessoa jurídica não se confunde com o de cada sócio. nos limites do respectivo Estado. não o agente. Logo. 1.151 do CC/2002 prescreve que os documentos de constituição da empresa devem ser apresentados a registro até trinta dias da lavratura. sendo um ente abstrato. além de possuir patrimônio próprio. Personificação das Sociedades Enquanto as pessoas naturais adquirem personalidade jurídica a partir do nascimento com vida (a lei resguarda o direito do nascituro). sendo empresárias. são os bens e direitos atinentes a ela que têm que fazer face às obrigações contraídas em seu nome. não significa que perderão a validade. c) capacidade judicial – o mesmo princípio exposto acima pode ser invocado. pois há aquelas nas quais os sócios assumem responsabilidade subsidiária. o registro só terá efeito a partir da data de sua concessão. Por outro lado. nome e domicílio. será reputada não-personificada. as sociedades somente podem ser consideradas personificadas depois do arquivamento de seus atos de constituição na Junta Comercial. somente poderia atuar por meio de alguém.

quando foi citada a Lei do Inquilinato. Quanto ao título do estabelecimento. sinônimo de nome de fantasia. em seu art. a fim de poder alcançar bens particulares dos sócios que se valeram da pessoa jurídica para o cometimento de atos com fraude. Entretanto. para o cancelamento da inscrição. em princípio. A equiparação daquela proteção é fruto de posição doutrinária. receber indenização pela saída. é claro. 4o. os sócios poderão ser compelidos a disponibilizar seus bens para satisfação dos credores sociais. defendida inicialmente por Fran Martins. tudo dependendo de estarem presentes outras condições legais. como a sociedade em nome coletivo e as em comandita simples ou por ações. independentemente do tipo societário adotado. conforme o disposto no art. O Patrimônio das Sociedades Vimos. há a possibilidade de desconsiderar-se a separação patrimonial. 4. faz-se uso da Teoria da Desconsideração da Personalidade Jurídica. em situações onde se verifique a ocorrência de atos fraudulentos cometidos por sócios. . no 8. a Lei Civil não fez qualquer referência expressa ao título. que foi logo seguida pelos demais autores. Por ela se afasta a autonomia patrimonial da sociedade. que previu. que um dos efeitos da personalização das sociedades é a separação patrimonial entre os bens sociais e os particulares do sócio. Não se trata de despersonalizar um ente que adquiriu personalidade jurídica por meio do arquivamento de seu ato constitutivo no órgão de registro. ser arcadas pelo ativo dela própria. Significa afirmar que as obrigações assumidas pela sociedade devem. desde que o registro tenha sido efetivado no órgão próprio. não existe a mesma previsão legal. ao contrário. 1. mesmo. f) Registro e patentes junto ao INPI – também outro tema abordado no Capítulo 1 deste obra. no item antecedente.94 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel garantia é dada às denominações de sociedades simples.245/1991. seria preciso processo específico junto ao mesmo órgão.155. Esta hipótese. para onde o leitor deve se reportar. Nesses casos. único. Para tanto. in casu. é apropriada para os tipos de sociedade que possuam sócios de responsabilidade ilimitada. associações e fundações. a regularidade de constituição como requisito para o titular do ponto gozar do direito à renovação do contrato de locação ou. Não sendo esse suficiente. o Cartório de Registro de Pessoas Jurídicas. e) Proteção ao ponto – esse tema foi objeto de apreciação no Capítulo 1.

de acordo com o tipo societário adotado. A fim de facilitar o entendimento. fornecedores. acionistas de uma sociedade anônima. nas sociedades simples em cujos contratos de constituição não constem tal exigência. com evidente intenção de esvaziar a sociedade. estão elas dispostas a se acobertar sob a tutela legal atribuída aos sócios daqueles tipos sociais com o intuito de praticarem atos fraudulentos. nenhuma responsabilidade têm os sócios pelos débitos da pessoa jurídica. referindo-se a sociedades nas quais a lei resguarda o patrimônio particular dos sócios. Se estivéssemos falando de uma sociedade em nome coletivo. desta vez uma limitada. ainda. sabedores de que as obrigações não passariam da pessoa jurídica. Observem que essas pessoas usam indevidamente o nome da organização na contratação de obrigações. o patrimônio particular daqueles é chamado a cobrir o saldo das obrigações sociais. portanto. enfim. de qualquer forma. constituíram uma nova. com o mesmo objeto da anterior. esse benefício criado para a indução da atividade econômica não pode servir de manto ao cometimento de fraude por parte dos sócios. É óbvio que eles somente agem dessa forma na segurança de não serem atingidos por provável inadimplência da devedora. Contudo. materializada com a assinatura de uma nota promissória a vencer em trezentos e sessenta dias. Nesse período. nas quais sócios ou administradores assumem responsabilidade subsidiária e ilimitada pelas obrigações da sociedade. para as quais não há previsão legal de responsabilidade subsidiária de seus sócios pelas dívidas contraídas em nome da pessoa jurídica.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 95 Série Impetus Provas e Concursos A teoria. Isso é o que vem acontecendo com os representantes de sociedades. citado por Fábio Ulhoa Coelho. pois. da forma como acontece nas sociedades anônimas ou nas limitadas. mesmo sabedores da incapacidade para o pagamento. vejamos o seguinte exemplo. não tem tamanho propósito. em sua obra Curso de Direito Comercial: Pedro e Carlos. O que ela busca é evitar o encobrimento de sócios inescrupulosos sob o nome empresarial de sociedades para as quais a responsabilidade pelos débitos da pessoa jurídica não alcança o patrimônio dos sócios. Em outras palavras. conforme abordagem no item 7 deste Capítulo. que aproveitam essa prerrogativa para o exercício de atos que trazem encargos consideráveis à pessoa jurídica. ou de uma comandita simples ou por ações. para onde se dirigiram clientes. uma vez que. ou. contraíram pesada obrigação em nome da pessoa jurídica. toda a base de negócios antes . desnecessário seria o uso da teoria.

estado de insolvência. Imaginem. Vale como exemplo o art.A. encontra-o fechado. com a informação de que fora encerrada a atividade econômica ali realizada. enquanto a teoria provém de uma seara puramente doutrinária. 28. já podemos observar igual linha de pensamento sendo inserida na legislação vigente. falência. a possibilidade do juiz decidir.078/1990. Nesta situação. Nesta situação. O dispositivo é complementado pelo parágrafo 5o. sem comprometer a atividade social. atingindo o patrimônio dos sócios e/ou administradores. desconsiderar essa pessoa jurídica. que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica. ou. Também o Código de Defesa do Consumidor. exclusivamente para atingir o patrimônio pessoal dos sócios que promoveram o ato fraudulento. infração da lei. então.96 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel pertencentes à S. vendendo produtos por preço vil. sabendo que não efetuariam a entrega. Ora. de alguma forma. obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados aos consumidores. acobertando-se no manto da sociedade anônima. chegando ao estabelecimento. . a requerimento da parte ou do Ministério Público. encerramento ou inatividade da pessoa jurídica provocados por má administração. Lei no 8. em seu art. quando a lei dispuser sobre sua atuação no processo. em caso de abuso de pessoa jurídica. ainda. tendo em vista a inatividade social. estando inviabilizado o pagamento da obrigação por parte da sociedade anônima. em detrimento do consumidor. caracterizado pelo desvio de finalidade. Ora. houver abuso de direito. a intenção era justamente escapar ao pagamento do título. adquire-os à vista. pode a autoridade judiciária invocar a aplicação da lei. desde que preservem direitos dos credores da sociedade antiga. fica claro que a intenção dos sócios foi fraudar o consumidor incauto. fato ou ato ilícito ou violação dos estatutos ou contrato social. com a finalidade de proteger o consumidor. a requerimento da parte. ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo. Não foi o que eles fizeram. pelo contrário. atraído pelo anúncio de grande liquidação de bens. um consumidor que. com entrega dos produtos marcada para o dia seguinte. ou pela confusão patrimonial. que não permite a indisponibilidade dos bens particulares dos sócios. que prevê a desconsideração da pessoa jurídica sempre que sua personalidade for. 50 do Código Civil de 2002. Nessa data. que prevê. não há qualquer ilegalidade na atitude dos sócios. Entretanto. e mesmo que se trate de uma sociedade onde não existam sócios para responder subsidiariamente pela obrigação. excesso de poder. preceitua que o juiz poderá desconsiderar a personalidade jurídica da sociedade quando. não mais dispondo a pessoa jurídica de bens para o ressarcimento do consumidor. permite-se à autoridade judicial.

aumentando assim as chances de ressarcimento. nas sociedades de pessoas. Assim. Já em relação às de capital. proíbe-se a cessão ou alienação de quotas sociais e. não deve haver qualquer interferência na qualificação pessoal do candidato a sócio. nos moldes dos arts.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 97 Série Impetus Provas e Concursos Ainda sobre o mesmo art. Se a intenção for constituir sociedade empresária. . 28. podemos encontrar as classificações seguintes: a) De pessoas ou de capital Essa classificação importa em conceder importância maior às qualidades individuais dos sócios (de pessoas) ou ao capital investido na empresa (de capital). 991). quais sejam: em nome coletivo. A depender do objeto social. grupos de sociedades. assemelhando-se mais a um contrato de empreendedores do que propriamente a uma sociedade.039 a 1. consórcios entre sociedades e sociedades coligadas. pois o que importa é sua contribuição social. sociedade anônima ou em comandita por ações. até. salvo com autorização dos demais sócios. conforme estudaremos adiante. em comandita simples. Os demais sócios. seus parágrafos 1o. 997 a 1. podendo também adotar o tipo de uma sociedade em nome coletivo. O trabalho dos autores serve para identificar melhor as peculiaridades próprias dos tipos sociais. já vimos no início do capítulo que ela não perde a característica de sociedade simples. como é usual. é uma espécie social sui generis. tanto em relação aos sócios como em relação ao capital empregado no fundo social ou. Classificação das Sociedades O Código Civil de 2002 estabeleceu os tipos societários previstos no Direito brasileiro. os empreendedores podem contratar uma sociedade simples. se consentâneo com a filosofia do negócio. enquanto nas de capital não há tal restrição. Cada um dos tipos societários previstos possui suas particularidades. até mesmo.090 da Lei Civil. se menor de idade. 1. há uma preocupação em se conhecer quem é que vai ingressar no quadro social. diante da obrigação ao consumidor. 5. portanto. contudo. de uma comandita simples ou. os interessados deverão escolher uma das formas dispostas pelos arts.038. se capaz. o ingresso de herdeiro de sócio falecido. 2o. Nesses casos. o de uma limitada. possuem o poder de barrar a entrada de sócio não desejado. que. Daí se dizer que. sociedade limitada. na forma de constituição. a doutrina desenvolveu formas de agrupá-los em razão de semelhanças encontradas em cada sociedade. 3o e 4o estendem a proteção ao consumidor quando vítima de sociedades controladas. Pode ainda criar uma sociedade em conta de participação (art. No primeiro caso. salvo se presente elemento de empresa. para que uma possa responder pela outra. Pensando nisso.

98 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel b) Contratual ou institucional A formação de todas as sociedades depende de ato volitivo de seus sócios. capacidade das partes. são institucionais. conforme abordado no item 2 deste Capítulo. ilimitada ou mista A responsabilidade aqui tratada não é da sociedade. uma diferença pode ser sentida. a aquisição e venda das cotas sociais se materializa com alteração do contrato social. 83 dessa lei. estes podem responder pelos débitos sociais ou não. do CC/2002. pode-se cobrar parcela do patrimônio particular dos sócios (responsabilidade subsidiária). posto que a entidade sempre terá de comprometer todo seu patrimônio no pagamento dos débitos sociais. 84. lesão e fraude contra credores. .057. 95. são dessa espécie as sociedades simples e. Em se tratando de sociedades por ações. representado por ações. parágrafo único. esse ato se manifesta através de um contrato. coação. com todas as exigências Conforme a disposição do art. em comandita simples. 1. ou a saída de algum. igualmente são classificadas como sociedades contratuais as em nome coletivo. Já as sociedades cujo capital social se divide em ações. este aplicado às sociedades limitadas. Desta forma. quando o instrumento deverá ser averbado no órgão próprio de registro. c) De responsabilidade limitada. caput. dolo. É por isso que se exige também das sociedades estatutárias objeto lícito. quais sejam: anônima e comandita por ações.003 e 1. inclusive. O art. . dentre outros. 82. por se constituírem de um estatuto social. Apesar da similitude. em conta de participação e as limitadas. além da ausência de defeitos previstos no Capítulo IV Livro III. forma prescrita ou não defesa em lei. É quando ocorre o ingresso de novos sócios.404/76. 83. basta a concretização do acordo entre comprador e vendedor. mas dos sócios. todos da Lei no 6. estado de perigo. do Código Civil. 997. A assertiva está fundamentada nos arts. conforme referência nos arts. Nas contratuais. como o capítulo se aplica subsidiariamente às demais. para que aconteça o ingresso ou saída de sócio. com a conseqüente transferência de propriedade do capital social. Sendo a sociedade constituída por contrato. prevê que o estatuto social deverá obedecer aos mesmos requisitos exigidos para os contratos das demais sociedades. em relação à responsabilidade dos sócios. quando a natureza do vínculo existente entre os sócios será contratual. Apenas na hipótese de exaurido aquele. Vai depender do tipo societário adotado. como o erro ou ignorância.

Neste caso.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 99 Série Impetus Provas e Concursos Tratando-se de uma sociedade em nome coletivo. por serem desprovidas de regular existência no mundo jurídico. Igualmente. já existentes desde o antigo Código Comercial. III. da Lei no 6. que prevê até a dispensa do capital social. I. 1. se for sociedade anônima. personificadas são todas as demais. é cláusula indispensável. são desprovidas de personalidade jurídica. conseqüentemente. Nessa categoria. como as em comandita simples ou por ações. em se tratando de ações do próprio sócio individualmente consideradas. toda alteração de capital deverá ser precedida da correspondente alteração do ato. não possuem atos arquivados e.404/76). antes conhecidas como irregulares ou de fato. 84. assim classificadas por não possuírem atos arquivados no órgão próprio de registro. Nas sociedades mistas. I. na razão direta da responsabilidade assumida. seja o contrato plurilateral ou o estatuto. são objeto de comentários adiante. são tidas como sociedades despersonificadas. Tanto as sociedades empresárias como as sociedades simples em geral são constituídas com a fixação do capital social. seja limitada ou ilimitada. d) De capital Fixo ou variável De capital fixo é a sociedade cujo capital social vem definido em seu ato de constituição. Esta. . isso só é possível na hipótese de haver capital ainda não completamente integralizado e. contudo. esgotado o patrimônio social no pagamento de dívida. do CC/2002) ou ao estatuto social (art. As primeiras. e ainda assim existindo credores nãosatisfeitos. existe mais de uma categoria de sócios. seja a Junta Comercial ou o Cartório de Registro de Pessoas Jurídicas. De capital variável são as sociedades cooperativas. e) Personificadas ou não-personificadas O Código Civil de 2002 traz subtítulos distintos para as sociedades nãopersonificadas e as personificadas. assim mesmo. De outra forma.094. seja ao contrato (art. cujos atos de constituição foram regularmente arquivados. conforme disposição do art. quando vieram a adquirir personalidade jurídica. Se falarmos de uma sociedade limitada ou de uma sociedade anônima. Essas. as sociedades em conta de participação. subtraem-se bens particulares de sócio para a satisfação daqueles. por exemplo. incluem-se as sociedades em comum. aliás. 997.

989. o que não deixa de ser estranho. enquanto não tiverem seus atos arquivados na Junta Comercial ou no Cartório. Para estas. 990. representantes da sociedade. salvo pacto expresso limitativo de poderes. Portanto. vale enfatizar que as pessoas jurídicas constituídas sob um dos tipos das sociedades empresárias. primeiro deve ser exaurido o ativo da sociedade para. ou devam conhecer. entrarem nos bens particulares dos sócios. Com relação à prova de existência das sociedades em comum. pelas normas das sociedades simples. Merece destaque a exceção reservada às sociedades por ações. 986 do Código. permite-nos concluir que elas. já que nessa condição a sociedade não teria patrimônio próprio. a abordagem completa está reservada aos itens 7 a 9 deste Capítulo. 6. ou mesmo quando se tratar de uma sociedade simples. regidas pelos arts. prevê o art. Modificação das Sociedades São formas de alteração ou reorganização societária. mas à da lei específica. para quitação dos débitos sociais. enquanto os sócios. serão tidas como sociedades em comum. com os arts. conforme prevê a parte final do art. não se submeterão às normas da sociedade em comum. no que diz respeito à previsão de os bens sociais responderem pelas obrigações sociais assumidas por qualquer dos sócios. . Fora do benefício de ordem está aquele sócio que contratou pela sociedade. de acordo com o preceito do art. não subsidiária. 987 que terceiros que mantiverem relações jurídicas com elas poderão provar sua existência por qualquer modo lícito de prova. A intenção da lei parece facilitar a ação de quem transacionou com a sociedade.404/76. como exposto no item 9 deste Capítulo. somente comprovam a existência da sociedade por prova escrita. mesmo sem o estatuto social arquivado. através das quais pode a pessoa jurídica promover mudanças substanciais em sua estrutura. pois sua obrigação será pessoal. ou não. Outra inovação do Código a respeito das sociedades em comum foi o caráter subsidiário de responsabilidade atribuído aos sócios. subsidiariamente. sem se ater ao fato de serem. 986. a combinação do art. Acrescento o teor do art. 986 a 990 do CC/2002 e. que terá eficácia contra terceiros que o conheçam. seja nas relações recíprocas ou com terceiros.100 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Sobre as sociedades em comum. 94 e 99 da Lei no 6. Com relação às sociedades em conta de participação e às outras personificadas. depois.

a matéria se encontrava disciplinada unicamente pela Lei das Sociedades Anônimas. aplicada às sociedades por ações. da Lei no 6. salvo se prevista no ato constitutivo. ransformação a) Transformação É a operação pela qual a sociedade passa. uma vez que. a eficácia da operação depende de consentimento unânime dos sócios. que vai do art. quando a transformação for para uma companhia. Em qualquer caso. ou uma sociedade em nome coletivo que se transforma numa limitada. os credores anteriores à mudança continuarão titulares de créditos pelos quais poderão argüir a responsabilidade subsidiária. citada apenas no art. 1. quando o sócio dissidente poderá retirar-se da sociedade. passamos a contar com duas disciplinas a respeito do tema. . para as sociedades não-reguladas por aquela norma. Da Incorporação. independente de dissolução ou liquidação. e manterão. uma limitada que se transforma numa sociedade anônima. se uma sociedade em nome coletivo se transformar em sociedade anônima. 1. Outra constante do Código. Da Fusão e Da Cisão das Sociedades”. raríssimo de acontecer. 220 ao 234. Não importa o tipo transformado. Uma já existente. disposta nos arts. Por exemplo. nenhuma legislação sobre o tema havia. Desta forma. aliás. parágrafo 3o. Esse direito de retirada. que trouxe capítulo específico intitulado “Da Transformação. de um tipo para outro. também se aplica o mesmo raciocínio. o credor de uma sociedade anônima transformada em sociedade em nome coletivo não pode invocar responsabilidade subsidiária dos sócios na satisfação de seu crédito.404/76. Com a chegada do Novo Código Civil. até a integral satisfação de seus créditos. solidária e ilimitada dos sócios.122.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 101 Série Impetus Provas e Concursos Até o advento do Código Civil de 2002.113 ao art. Neste caso. No exemplo inverso. que servia às demais espécies. a transformação não pode prejudicar o direito dos credores. pode até ser renunciado no contrato social. nem modificá-los. que se refere à falência da sociedade cindida. continua a regência pela lei. ou seja. somente os titulares por créditos constituídos após a transformação possuiriam tal direito.122. além de necessário registro conforme as especificações do tipo em que vai se converter. como há em relação à cisão. as mesmas garantias que tinham antes da alteração. Existindo omissão do Código sobre algum instituto. 1. específica para os demais tipos societários.

. devendo todas aprová-la. na qual não tenham os sócios as mesmas responsabilidades. a nova empresa garantirá os direitos dos credores. deste vez de limitada para em nome coletivo. que lhe sucede em todos os direitos e obrigações. Observem. Pode haver extinção da empresa fornecedora do patrimônio. De outra forma. e sua efetivação será causa de extinção da(s) sociedade(s) incorporada(s). Em outras palavras. garantirá o interesse dos credores da(s) incorporada(s). d) Cisão Operação pela qual uma sociedade transfere. solidária e ilimitada dos sócios. já que é sucessora de suas obrigações. Esta. que do ato não surge nova sociedade. titular de um direito garantido pela responsabilidade subsidiária. Pode ser operada entre sociedades de tipos iguais ou diferentes. também em caso de falência da sociedade transformada. o patrimônio para uma ou mais sociedades criadas para esse fim ou já existentes. caso não houvesse a transformação. total ou parcialmente.102 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel No entanto. contudo. no caso de reversão total daquele. por sua vez. na forma estabelecida para os respectivos tipos. A operação provoca a extinção das pessoas jurídicas fusionadas. quando transformada a sociedade em outro tipo. pois a incorporadora permanece com sua personalidade jurídica inalterável. quando compete à incorporadora declarar extinta(s) a(s) incorporada(s) e promover respectiva averbação. pode o credor de uma sociedade em nome coletivo. Da mesma forma. que seus créditos usufruirão das garantias próprias ao novo tipo societário adotado. na hipótese de falência da sociedade transformada. que lhes sucederá em todos os direitos e obrigações. c) Fusão Operação pela qual duas ou mais sociedades se unem para formar uma nova. aos credores por créditos constituídos anteriormente ao ato basta não se manifestarem. Aos primeiros administradores da sociedade que surgem compete promover o arquivamento dos atos de fusão. vier ela a falir. fazer valerem tais prerrogativas. b) Incorporação Operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra já existente. têm os titulares de créditos constituídos antes da mudança a faculdade de requererem o tratamento que receberiam.

7. em conta de participação. Sociedades Simples 7. 1.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 103 Série Impetus Provas e Concursos Sendo total a cisão. aplicam-se as regras das sociedades simples.404/76. Tipos de Sociedades Neste tópico. o art. Caso seja parcial. A maioria tem disciplinamento no Código Civil de 2002. ou seja. em comandita simples. 7. reputa-se como sociedade em comum durante o tempo em que funcionou até a expedição do registro. a empresa que recebeu o patrimônio obriga-se pelos direitos dos credores. trinta dias da lavratura.122. portanto.038. do CC/2002 garante o direito de credores prejudicados promoverem ação de anulação dos atos. podem servir à regulação da matéria as disposições concernentes às sociedades simples. Ali são postos assuntos como forma de constituição. são analisadas as especificidades de cada um dos tipos societários previstos no Direito brasileiro. o instrumento da cisão pode estabelecer quais as obrigações que passam à outra empresa. com o ato devendo ser registrado no Cartório de Pessoas Jurídicas do local de sua sede. apesar de terem previsão legal de existência na mesma Lei Civil. no prazo de noventa dias da publicação dos mesmos. Se mais de uma empresa recepcionou os bens da cindida. na hipótese de serem omissas as normas específicas ditadas pelo Código Civil de 2002. além de outros.1.1. Antes da abordagem individual de cada uma. Sendo em prazo superior. Importante. haverá solidariedade entre elas no pagamento aos credores.1. Isso quer dizer que. de no 6. o estudo daquelas. tendo em vista o fato de suas normas aplicarem-se supletivamente às sociedades empresárias. ou mesmo relativas às sociedades por ações. 1. são reguladas por norma própria. Em se tratando de incorporação. vale explicar que o Código Civil de 2002 reservou capítulo específico tratando de normas gerais das sociedades simples (antigas sociedades civis). para as sociedades por ele disciplinadas. Nos casos de omissão do legislador. relativamente aos capítulos específicos das sociedades em nome coletivo. direitos e obrigações dos sócios. com atualizações. . que vão do art. pelo menos para fins de retroatividade dos efeitos. 997 ao art. das limitadas. administração da sociedade e dissolução. O prazo de registro é o mesmo exigido nas Juntas Comerciais. e até mesmo das sociedades por ações. ao passo que as sociedades por ações. Constituição As sociedades simples são de natureza contratual. fusão ou cisão.

no art.004 do CC/2002. 997 do CC/2002 (a ausência de algum acarreta a negação do registro. somente podem ser aceitos aqueles relacionados ao objeto social (a Lei das S. no Cartório da sede. sem prejuízo de outros estipulados pelos sócios. fica ele sujeito à notificação premonitória por parte da sociedade. O parágrafo único do mesmo art. Formação do Capital Social Vimos anteriormente que não é possível haver cláusula excludente da contribuição de sócio para o fundo social. pois tem o sócio benefício de ordem em relação ao devedor.104 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel O conteúdo do instrumento contratual deve revestir-se dos elementos enumerados no art. dinheiro ou. deverá averbar aquela. Essa responsabilidade.2. nele deverá inscrevê-la com a prova do registro original e. O prazo para efetivação da contribuição dos sócios é previsto no contrato social. que exigiu a notificação prévia do sócio devedor para constituí-lo em mora. salvo convenção em contrário. Não cumprida a estipulação. devem participar.A. sucursal ou agência na circunscrição de outro Cartório de Registro de Pessoas Jurídicas. quanto à designação dos administradores). . em caso de insolvência. contrários ao instrumento do contrato. cujo entendimento é extensivo às demais). a qual a lei equipara ao nome empresarial. essa última opção não é possível). A contribuição pode materializar-se em bens. Sendo em serviços. o que inclui os vícios redibitórios e a evicção). portanto. Opera sob uma denominação (acrescida do termo S/S). 997 dispõe que pactos em separado.1. 1. Isso é o que se depreende da leitura do art. Para as demais. mesmo. 1.006 do CC/2002 a proibição de o sócio empregar-se em atividade estranha à sociedade. parágrafo 1o. 7. mas subsidiária.404/76 prevê idêntica responsabilidade do vendedor. com a concessão do prazo de trinta dias para adimplir sua obrigação. no entanto. promover a cobrança judicial do crédito. não têm validade perante terceiros. é a integralização em dinheiro. ao menos para fins de proteção. Todos. mas apenas em relação aos vícios (já a Lei no 6. A sociedade simples que constituir filial. portanto. uma vez que deve a sociedade primeiro. outra vez o Código Civil omitiu-se. não se admitindo sequer pacto em contrário. O mais usual. alínea h. ressalvo. Sobre a responsabilidade dos sócios pelos vícios redibitórios e pela evicção desses bens. não é solidária. na prestação de serviços (nas limitadas. entendendo-se que terão perante os sócios. basta a maioria absoluta. estabelece o art. menos a omissão do teor do inciso VI. pela evicção o sócio que entrar com bens para o capital social. Se em créditos. deve o sócio responder não só pela sua existência. é clara a esse respeito. Responde. 117. mas pela solvência da dívida. Somente após o não-atendimento à notificação é que o sócio poderá ser considerado remisso. Sendo em bens. Qualquer alteração nessas cláusulas necessita de aprovação unânime dos sócios.

Pelas obrigações que o cedente tinha antes da transferência.010. a alteração deve ser averbada no órgão competente. em lugar da indenização. a totalidade de suas cotas. Outras são o exercício do direito de retirada e a exclusão. do CC/2002 prevê a punição do sócio que votar de acordo com seus interesses privados. O mesmo dispositivo reporta-se ao art. 1. Outros detalhes a respeito do tema. 1. Judicial é a exclusão que depende da ocorrência de falta grave no cumprimento das obrigações de sócio e. com perdas e danos em favor da pessoa jurídica. 7. que passará a conter os dados do novo sócio. Percebam que a cessão aqui abordada é uma das maneiras através das quais o sócio pode desligar-se do quadro social. conforme a previsão do art. podendo os demais decidir por sua exclusão. se cedida.1.030. Havendo interesse conflitante entre o sócio e a sociedade. deve aquele se abster de votar na deliberação. claro. assim mesmo. são dispostos no item 7. De pleno direito é a exclusão que não passa pelo crivo judicial. e ocorre se o sócio for declarado falido (a falência aqui tratada não é a da sociedade que o estiver excluindo. mediante iniciativa da maioria dos demais componentes do quadro social. conforme dispõe o art. continua respondendo solidariamente com o cessionário.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 105 Série Impetus Provas e Concursos Configurada a condição de sócio remisso. com antecedência mínima de sessenta dias. no que pese a falta grave. Cessão de Quota Social É possível haver cessão de quotas sociais. . a seguir. 7.004. em possível atividade empresarial) ou tiver sua quota liquidada. quando a sociedade for de prazo indeterminado. ela pode acontecer judicialmente ou de pleno direito. O art. Sendo constituída por prazo determinado.1. decidindo questões que objetivem o melhor para ela.4. para ressalvar que a exclusão do sócio remisso não precisa de provocação ao Poder Judiciário – é extrajudicial. responderá o sócio perante a sociedade pelos danos emergentes da mora.7. 1. durante o prazo de dois anos. Deliberações Sociais Os sócios têm o dever de influir na condução dos negócios da sociedade. 1. O primeiro tem previsão legal no art. Para a eficácia perante terceiros. depende de justa causa. parágrafo 3o. provada judicialmente. 1.026. desde que com a concordância unânime dos demais sócios. a contar da averbação da alteração.029 do CC/2002 e dependerá de notificação aos demais sócios.1.3. além da alteração do contrato. Quanto à exclusão. mas dele próprio.

pois elas se posicionam à frente dos negócios. o juiz decide. o contrato ou a lei estipular quóruns diversos como. mesmo.A. possibilitando à sociedade o ressarcimento de danos sofridos por essas atuações. 7. mesmo agindo com zelo e lealdade à pessoa jurídica. ainda que seu voto não tenha prevalecido. quando configuradas as hipóteses do art.011 exigiu do administrador o cuidado e a diligência que todo homem ativo e probo costuma empregar na condução de seus próprios negócios. Em caso de empate. 3/4 ou. Mas não parou por aí. Entretanto. seu art. Quanto ao quórum exigido. o assunto será objeto de estudo específico. parágrafo único. É claro que.5. Dispositivos do Código prevêem punição aos administradores que agirem em desconformidade com a lei ou com o contrato social. ou simplesmente se eximirem de qualquer responsabilidade oriunda de prejuízos sofridos por terceiros. a unanimidade.015. se este persistir. 2/3 do capital social.1. não pode a deliberação ser anulada. . 1. Nas limitadas. Não é por outro motivo que muitas sociedades foram levadas à ruína. a regra é a maioria absoluta do capital social. ainda assim a atuação do administrador. respeitando os rigores da lei e do contrato social. contraindo direitos e obrigações em nome da sociedade. o que se observa são atuações temerárias dessas pessoas. sempre buscando o melhor resultado para a organização. em decorrência de gestores despreparados ou mal intencionados. Nas sociedades simples. computando-se a quantidade e o valor de cada quota (lembro que as quotas podem ter valores diversos. por exemplo. 115 estabelece a responsabilidade do acionista. 1. Administração A administração de uma sociedade deve ser exercida por uma ou mais pessoas comprometidas em realizar o fim social previsto para a pessoa jurídica. Já na disciplina do Código Civil. exige-se unanimidade para alteração de uma das cláusulas do contrato previstas no art.106 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel No âmbito da Lei das S. deixando tal encargo para os próprios administradores. que colocam em risco todo o negócio em nome de interesses pessoais. Pode. pode resultar em prejuízo social. diferentemente das ações. o caput do art. cujos valores nominais são iguais). entretanto. assim como a possibilidade de anulação da decisão. Por essas razões. por motivos alheios a sua vontade. 997 do CC/2002. celebrando contratos. em nome coletivo e nas comanditas simples. a responsabilização é apenas nos casos de prevalência do voto daquele quotista.. hipótese em que estaria isento de responsabilidade sobre o ocorrido. prevalece a decisão sufragada pelo maior número de sócios e. e mais.

. Silente o contrato social.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 107 Série Impetus Provas e Concursos Esses e outros aspectos relacionados à função do administrador são alvo de abordagem neste item. com as sociedades em nome coletivo e as em comandita simples. Neste último caso.015.012). da Lei das Sociedades por Ações. a pedido de qualquer dos sócios. Mas. Não podem ser administradores aqueles condenados à pena que vede. ou contra a economia popular. o acesso a cargos públicos. salvo justa causa. contra o sistema financeiro nacional. 1.019. O contrato social poderá ainda definir a competência dos administradores. desde que prove uma das seguintes hipóteses: a) o conhecimento do terceiro quanto à falta de poder do administrador. como se vê. Também o parágrafo único do art.019 serve de supedâneo ao raciocínio. nos arts. O administrador pode ser nomeado no próprio contrato ou em ato separado.042 e 1. a fé pública. De outra forma. Este é o teor do art. enquanto perdurarem os efeitos da condenação (art. responderá pessoal e solidariamente com a sociedade pelos atos que vier a praticar (art.046. a exoneração da pessoa jurídica em responder perante terceiros. 997. a administração da sociedade caberá separadamente a cada um dos sócios. não é extensiva aos demais sócios da sociedade. encontra lastro na omissão do Código que não veda tal hipótese como fez. 1. conforme dispõe o art. menos se tal atividade for do próprio objeto social.015. Caso contrário. peita ou suborno. são revogáveis a qualquer tempo. contra as normas de defesa da concorrência. 1.013 do CC/2002. que vai de encontro ao exposto na segunda edição desta obra. o Código Civil de 2002 inovou ao prever. 1. quando não ocupem função de administração. b) encontrar-se a limitação de poderes registrada no órgão próprio. parágrafo 1o. que. contra as relações de consumo. ou a quem não seja sócio. prevaricação. A doutrina vem consagrando a possibilidade de o administrador ser sócio ou não. 147. peculato. 1. decorrente de norma expressa do novo Código Civil. ou a propriedade. deverá promover a averbação à margem do contrato. atenção: a vedação exposta no parágrafo anterior. ainda que temporariamente. de forma expressa. 1. conforme dissertação em seguida. em seu art. e que encontra correspondente no art. Quanto à responsabilidade dos administradores. parágrafo único. 1. ou por crime falimentar. eles poderão praticar todos os atos pertinentes à gestão da sociedade. salvo a venda de bens imóveis. desconsidera a cláusula a que se refere o inciso VI do art. reconhecida judicialmente.011). poderes conferidos a sócio por ato separado. Esta tese. Essa é a regra do art. Se não o fizer. 1. que depende de aprovação da maioria absoluta. concussão. seus poderes serão irrevogáveis. Se investido na função por cláusula expressa no contrato. c) tratando-se de operação evidentemente estranha ao objeto social.

perante a sociedade e terceiros prejudicados.024. inciso VIII. Por último. se aquela assumir a responsabilidade perante terceiros.017. restituírem à sociedade ou pagarem o equivalente.6. com todos os lucros resultantes e. faculta aos contratantes definir se respondem. por atos culposos decorrentes da função. Caso. por ato praticado pelo administrador com excesso de poder. o art. os sócios têm a opção de adotar um dos tipos das sociedades empresárias. no Direito brasileiro.016 impôs a responsabilidade solidária dos administradores. subsidiariamente. quando a parte demandada é a pessoa jurídica da qual participe. Seguindo a disposição do Código. regressivamente. em havendo previsão . deve ser conjugada com os arts.023 e 1. suas responsabilidades pelos débitos contraídos em função da pessoa jurídica serão regidas na conformidade do tipo escolhido. se houver prejuízo. não exigindo a lei a averbação no órgão de registro. como a presença em determinada audiência na Justiça do Trabalho. vale conferir a exegese do art. ou aplicação de recursos no mercado de valores mobiliários. 1. 997. se agirem com violação à lei ou ao contrato social. a da Desconsideração da Pessoa Jurídica. 1. a exemplo da assinatura de cheques. A primeira. Nesta situação. ao mesmo tempo em que permite a constituição de procurador ou mandatário para realização de negócio específico. Outra seria a nomeação de alguém para representá-lo em algumas operações ou atos específicos. Observem que se trata de duas situações bem distintas. da celebração de contratos. porém. Já no art. neste caso. contudo. através da qual a pessoa jurídica exime-se da responsabilidade perante terceiros. prefiram adequá-la tão somente às linhas traçadas no capítulo específico do Código.1. o art. por ele também responderão. em caso de aplicarem bens ou créditos da sociedade em proveito próprio ou de terceiros sem autorização escrita dos demais sócios. Responsabilidade dos Sócios Na formação de uma sociedade simples. 7. previu a obrigação a eles imposta de. Esse último preconiza a responsabilidade subsidiária dos sócios pelas dívidas contraídas em nome da sociedade. Isso quer dizer que. ficarão os administradores sujeitos a indenizar terceiros ou a sociedade. da Teoria Ultra Vires. ou não.108 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Essa é a positivação. 1.018. pelas obrigações sociais. se refere à hipótese de o administrador fazer-se substituir em suas atribuições precípuas do cargo. 1. já sabemos. proibida pela lei. mesmo que ausente a fraude. menos aquelas constituídas por ações. Melhor explicando. que veda a delegação da função de administrador. A disposição. esta pressuposto para o uso de outra teoria.

que poderá cobrar a dívida normalmente daquele sócio posteriormente admitido. pois o prazo somente começa com aquela providência. a responsabilidade será proporcional à participação de cada um nas perdas ou no prejuízo da sociedade. 1. apesar de o art. da maneira como acontece na sociedade em nome coletivo.025. os sócios possuem a faculdade de escolher se assumirão. O outro dispositivo. qualquer um que pretenda adquirir parcela do capital social de sociedade já constituída e em funcionamento necessita estar atento às dívidas da sociedade. a responsabilidade subsidiária pelas dívidas contraídas em nome da pessoa jurídica. deverá ser respeitado o princípio que rege todos os tipos sociais. a contar da averbação da modificação contratual. conforme exposto nos itens a seguir. neste caso em se tratando de sócios comanditados. que determina a responsabilidade do sócio que ingressar na sociedade por dívidas anteriores à sua presença. quando da contratação de uma sociedade simples sem a adoção de algum dos tipos da empresária. ou seja. E como a lei não prevê ressalvas. ou em comandita simples. esse pacto não terá validade contra terceiros. em havendo saldo a pagar. portanto. Se a averbação demorar a ser feita. Têm. Sendo a resposta positiva. mesmo que seja acordada a exclusão de tal responsabilidade. ou a proporcionalidade sugerida.007 prevê a possibilidade de estipulação contratual diversa. no sentido de a participação de cada um nos lucros e nas perdas não guardar correlação percentual igual à da participação per capita no capital social.003. serem utilizados os bens particulares dos sócios. vale citar a previsão do art. ou não. por sua vez. conforme prevê o art. permanece ele solidário com o que adquiriu suas cotas durante o prazo de dois anos. Com relação ao sócio que se desliga da sociedade. Em suma. quando poderão optar entre a solidariedade. Para complementar o tema.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 109 Série Impetus Provas e Concursos contratual de responsabilidade dos sócios por débitos da pessoa jurídica. quando normalmente acompanha a participação de cada um no capital social. assim como ao contrato social para se certificar quanto à possível previsão de responsabilidade subsidiária dos sócios. primeiro deve ser consumido o patrimônio da entidade para depois. salvo cláusula de responsabilidade solidária. salvo se preferirem a responsabilidade solidária. pior para ele. estipula que a responsabilidade subsidiária dos sócios será cobrada de forma proporcional à participação de cada um nas perdas sociais. os sócios a opção de escolher contratualmente a forma de cobrança da responsabilidade subsidiária a eles dirigida. 1. Por conseguinte. . pois o acordo valeria apenas entre eles. parágrafo único. 1.

109 do Código. pouco a pouco. 1. É justamente a primeira fase. Antes. expressão que o Código de 2002 substituiu por “resolução da sociedade em relação a um sócio”. conforme prevê o art. no caso da liquidação de sociedade. vale a pena pontuarmos a respeito de alguns conceitos relacionados ao assunto.110 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 7. caso exista saldo remanescente. que se chama de liquidação.7. se materializa com a averbação no registro próprio da ata da assembléia que aprovar as contas do liquidante. foi cedendo espaço ao princípio da continuidade da empresa. visando ao pagamento dos credores e. deixando aos remanescentes a continuidade do objeto social. 335 daquela lei e. Dissolução da Sociedade Na vigência do antigo Código Comercial. . acontece a alienação de todo o ativo. divide-se o acervo com os sócios. quando os operadores do Direito perceberam a importância em preservar a atividade produtiva desenvolvida.033 ao 1. Diferente é o que ocorre quando um ou mais sócios resolvem sair da sociedade. dissolução de sociedade representa uma etapa no processo de extinção da pessoa jurídica. acontece com a baixa de sua inscrição no órgão de registro competente. restringindo a gestão própria aos negócios inadiáveis. pode então a sociedade ser extinta. pela qual a sociedade paralisa suas atividades. vejamos o estudo pormenorizado de cada um deles. Aliás. 1. distribuídas nos arts. No antigo Direito. e passa a inventariar seus bens e direitos na preparação de outra etapa. o mesmo órgão pelo qual faz nascer a personalidade jurídica de uma sociedade é também responsável pela sua extinção que. de abordá-las. A previsão legal estava assentada no art. pelas quais responderão os administradores solidária e ilimitadamente. Esse derradeiro ato é o que decreta o fim da personalidade jurídica. bastava a vontade de apenas um dos sócios para a sociedade ser dissolvida. vedadas novas operações. Nesta.1. porém. em detrimento do desejo individual de um sócio. No âmbito do Direito Comercial. condição que. Para facilitar a aprendizagem dos institutos. Concluída a liquidação. O Código Civil de 2002 procurou incorporar os fundamentos da preservação da atividade econômica trazendo novas regras ao tema. essa operação era conhecida como “dissolução parcial da sociedade”.038. juridicamente falando.

ou a verificação de que o mesmo é inexeqüível. .033. 1. parágrafo único. vencido este e sem oposição de sócio. d) pela falta de pluralidade de sócios. de autorização para funcionar. observem que basta a configuração de uma delas para que tenhamos aperfeiçoada a causa para a dissolução da pessoa jurídica. não entrar a sociedade em liquidação. e é originada a partir do requerimento de qualquer sócio. que poderá ser um sócio já indicado no contrato social ou. 1. c) pela deliberação dos sócios por maioria absoluta na sociedade de prazo indeterminado. Outra forma de dissolver a sociedade extrajudicialmente é a prevista no art. ou se nenhum sócio exercer a faculdade a eles assegurada pelo art. cabe aos administradores promover a investidura do liquidante. Sobre essas hipóteses de dissolução. Nessa situação.7. não reconstituída no prazo de cento e oitenta dias. que será considerada de pleno direito. b) pelo consenso unânime dos sócios.034. a omissão do órgão ministerial. são causas de dissolução judicial: a) a anulação da constituição da sociedade. 1. alguém estranho ao quadro social Se a causa for a da alínea “e” acima citada.1. segundo a previsão do art.036. salvo se. que se refere à morte de sócio. caso em que se prorrogará por tempo indeterminado. Pelo art. na forma da lei.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 111 Série Impetus Provas e Concursos 7. Sendo a dissolução de pleno direito.028. II. nos quinze dias subseqüentes ao recebimento da comunicação sobre o fato. e) pela extinção. 1.1. b) o exaurimento do fim social. Caso prefiram a liquidação administrativa. quando os demais preferem a dissolução total à parcial. quando o juiz nomeará um liquidante para conduzir o processo. Judicial é a dissolução que necessita passar pelo crivo do Poder Judiciário. na omissão desse. desde que os administradores não o façam nos trinta dias seguintes à perda da autorização. qualquer sócio está habilitado a requerer que a liquidação se processe judicialmente. o Ministério Público detém a prerrogativa subsidiária para promover a liquidação judicial. permite à autoridade competente para conceder a autorização nomear interventor com poderes para requerer a medida e administrar a sociedade até que seja nomeado o liquidante. Da Dissolução Assim. a sociedade dissolve-se de pleno direito: a) com o vencimento do prazo de duração.

do CC/2002. De outra forma.028. . por acordo com os herdeiros. c) se. 1. faz-se necessário verificar a situação patrimonial da sociedade. tanto em caso de morte de sócio como na hipótese da prática do direito de recesso. Neste último caso. 45. contudo. Por exemplo. Quando se afirma. liquidar-se-á a quota. b) se os sócios remanescentes optarem pela dissolução da sociedade. que a saída de sócio não leva necessariamente a sociedade à extinção. contudo. diversamente ao item antecedente. à data da resolução. que essas hipóteses do art. pois o art. uma transportadora que perde seus caminhões e fica sem meios ou créditos para novas aquisições. embora podendo ser realizado em outras condições. seja por redução substancial do capital social ou quebra do affcetio societatis. 1. mas à liquidação individual da quota do sócio que saiu. conforme a previsão do art. não o é para certas sociedades. No momento em que a atividade extrativa se esgotar. Entenda o leitor que liquidar a quota do sócio falecido significa apurar seus haveres diante da sociedade. Importante ressaltar. a escolha é motivada em possível dificuldade para cumprir o fim social. quando ele pratica o que se conhece como “direito de recesso”. Da Resolução em Relação a um Sócio Já foi mencionado que esse instituto corresponde à dissolução parcial da sociedade que. Desta forma. se preferirem. Para tanto. É o que acontece com a sociedade que tem por objeto social a exploração de determinada mina. conforme prevê o art. regular-se a substituição do sócio falecido. Já a exaustão do objeto social compromete a continuidade do negócio. no caso de morte.112 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Com relação a cada uma das hipóteses de dissolução judicial.1. promover a dissolução da sociedade. contado da publicação e sua inscrição no registro. seja por morte ou por simples vontade do retirante. exaure-se seu fim social.7. que se refere à anulação da sociedade. possui prazo decadencial de até três anos.035 permite que o contrato social preveja outras causas de dissolução judicial. quando será levantado balanço especial. quando esta se obriga pelo pagamento correspondente aos herdeiros. 1. não conduz necessariamente à extinção da pessoa jurídica. parágrafo único. inexeqüível é o fim social que. é porque os sócios remanescentes podem optar entre a resolução em relação a um sócio ou. salvo: a) se o contrato dispuser diferentemente. 1. 7.034 não são taxativas.2. a primeira. conforme prevê o art.031.

003. o art. o sócio pode retirar-se da sociedade. em qualquer dos casos de retirada. 1. é preciso por conta da dificuldade imposta pelo art. conforme dispõe o art. parágrafo único. a fim de quitar suas dívidas perante os credores. enquanto não se requerer a averbação. 7. É o momento em que a sociedade previamente dissolvida passa a vender seu ativo. faz-se necessário provar judicialmente justa causa. 1. exclusão ou morte de sócio. Esse permissivo. em se tratando de sociedade por prazo indeterminado. deve o leitor ficar atento à distinção entre a liquidação judicial. É o que ocorre quando o sócio for declarado falido. que exige a concordância unânime dos demais sócios para a cessão ou alienação das quotas de algum. porém igualmente passa . 1. Por último. Se assim não fosse. contado da averbação da resolução da sociedade. por atividade empresarial alheia à sua condição de sócio da pessoa jurídica referida. mediante iniciativa da maioria dos demais. que se processa no âmbito de um processo falimentar. ou mesmo quando sua quota social for liquidada por requerimento do credor legitimado. na proporção da participação do capital social. O mesmo dispositivo ressalva a exclusão de sócio remisso. Especificamente quando se tratar de retirada ou exclusão. simplesmente por decisão dos demais. desde que notifique os demais com antecedência mínima de sessenta dias. Se constituída por prazo determinado. 1.032. além das previstas na lei. ou seja. a responsabilidade alcança também obrigações constituídas posteriormente à saída.026. a obrigação deste ou de seus herdeiros pelas obrigações sociais anteriores. e aquela desenvolvida independentemente da instauração de falência.029. pelo mesmo prazo de até dois anos. previsto no art. que prevê. Além de todas essas hipóteses. por falta grave ou incapacidade superveniente. 1. Da Liquidação Já foi dito que a liquidação é um estágio do processo que leva à extinção da pessoa jurídica.030 determina a resolução da sociedade por exclusão judicial de sócio. à revelia de manifestação do Poder Judiciário. O acervo porventura resultante.8. que pode ocorrer de forma extrajudicial. poderíamos presenciar casos em que o sócio seria obrigado a permanecer como tal. Para o bom entendimento da matéria. durante o prazo de dois anos. Em seguida. De outra forma. o parágrafo único do mesmo dispositivo acrescenta hipóteses de resolução da sociedade por exclusão de sócio considerada de pleno direito.1. convém ressaltar a exegese do art. deverá ser distribuído aos sócios. o contrato social pode prever outras hipóteses de retirada do sócio.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 113 Série Impetus Provas e Concursos Por vontade própria.

O art. 1.1.1. O liquidante cujo nome já conste no contrato social somente pode ser destituído por via judicial. abordada no Capítulo 04 desta obra. 7. conforme exposição no mesmo Capítulo 04.033. que poderá ser sócio já designado no contrato social. pois. que é promover a alienação do ativo e o conseqüente pagamento do passivo. tudo de acordo com o art. para se perpetuar na função. sendo ele eleito pelos demais. entra em cena todo um regramento específico. capitaneado pela Lei Federal no 6. b) arrecadar bens. que ainda prevê hipóteses para sua realização.037 do Código. passa ao Ministério Público a iniciativa ou. 1. se este não providenciar a liquidação judicial. quando se tratar de instituição financeira e assemelhada. neste caso. De outra forma.111 do Código Civil. quando os demais não quiserem mais continuar o negócio. 1. têm os sócios a opção entre a liquidação judicial ou extrajudicial. que não é exclusivo para as sociedades simples. conforme a previsão do art.103 do Código Civil. 1. deve ser observado o disposto no Código de Processo Civil. pois. A exceção está na hipótese do inciso V do art. ocorrendo justa causa. sempre quando se tratar de liquidação de pleno direito. desde que haja justa causa. podem ser assim reproduzidos: a) averbar no registro próprio o instrumento de dissolução. livros e documentos da sociedade. c) providenciar. será nomeado um interventor com poderes para tanto. ou em caso de morte ou retirada de sócio. de forma resumida. enquanto para a outra. compete aos administradores providenciar a investidura do liquidante. Acontece que a primeira é regulada na própria Lei de Falências. Da Liquidação Extrajudicial Dissolvida de pleno direito a sociedade pelas hipóteses previstas no art.114 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel pela chancela do Poder Judiciário. bastaria o liquidante gozar de prestígio perante a maioria dos sócios representativos do capital social. sua destituição depende de simples deliberação. pois faz parte do capítulo que regula a liquidação de todas as sociedades contratuais. 1. Também para a liquidação extrajudicial há disciplina específica.033. a requerimento de um ou mais sócios. nós já estudamos que. Neste caso. pode ele também ser destituído pela via judicial. Ambas possuem uma só finalidade. e compõe uma das etapas do processo falimentar. inventário e balanço patrimonial. se não requerida a medida judicial pelos sócios.8. . se assim não fosse. discriminou os deveres do liquidante que. em até quinze dias da investidura. Em todo caso. ou não-sócio. É claro que.024/74.

se aprovadas. o liquidante deve pagar inicialmente os credores por títulos preferenciais. e) chamar os sócios à integralização do capital social. Sobrando ativo. i) averbar no órgão de registro o instrumento firmado pelos sócios que considerar encerrada a liquidação. pode o liquidante dar preferência às dívidas vencidas.105. inclusive alienar bens móveis e imóveis. Contudo. nem prosseguir. além de exigir as quantias necessárias. salvo quando indispensáveis ao pagamento de obrigações inadiáveis. se a maioria preferir. ato que. No pagamento das dívidas. conforme a disposição do parágrafo único do art. quando insuficiente o ativo. na atividade social. de forma similar ao que acontece na falência. nem contrair empréstimo. nos limites da responsabilidade de cada um. com desconto. g) em se tratando de sociedade empresária. . transigir. encerra-se a liquidação. antecipa-se a partilha. o saldo remanescente será partilhado entre os sócios. Sempre que o liquidante utilizar o nome empresarial. com a declaração de sua qualidade. não precisa esperar a alienação de todo o ativo e a apuração dos haveres para começar a partilha. não é permitido a ele gravar de ônus reais os móveis e imóveis. este deverá vir seguido da expressão “em liquidação” e de sua assinatura individual. apresentar aos sócios o relatório da liquidação e suas contas. pagará os demais de forma proporcional. complementada com a averbação no registro próprio da ata da assembléia. cabe ao liquidante convocar assembléia de sócios para prestação de contas após o que. salvo expressa previsão contratual ou autorização pelo voto da maioria dos sócios. Neste caso. h) ao final do processo. À medida que for aquele for sendo realizado. Se o ativo for superior ao passivo. embora para facilitar a liquidação. O liquidante assume responsabilidades similares às dos administradores da sociedade liquidanda. f) convocar assembléia de quotistas a cada seis meses para prestação de contas. Ao final desse processo. mas em relação a essas últimas. sem distinção entre vencidas ou vincendas. como já foi mencionado. provoca a extinção da sociedade. confessar falência e requerer a recuperação judicial ou a extrajudicial. receber e dar quitação. instruída com relatório e balanço do estado da liquidação. alienar o ativo.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 115 Série Impetus Provas e Concursos d) ultimar os negócios. 1. Depois de quitados todos os credores. pagar o passivo e distribuir o saldo com os sócios. A ele compete representar a sociedade e praticar todos os atos necessários à sua liquidação.

112 do Código Civil chega a mencionar que.2. reunião ou assembléia para deliberar sobre os interesses da liquidação. a contar da publicação da ata já averbada. Os deveres e obrigações do liquidante judicial pouco diferem daqueles especificados no art. 7. é sempre bom repetir que. ou depois. e as presidirá.8. com o saldo sendo restituído aos sócios. porém. embora referida em algumas passagens do Código Civil. ou do art. conforme já frisado. o Código de Processo Civil de 1939. Já o credor insatisfeito pode exigir de cada sócio valor correspondente a soma individualmente recebida em partilha. resolvendo sumariamente as questões suscitadas. o liquidante. A destituição do liquidante judicial é ato privativo do juiz. O art. em seus arts. que será indicado em petição. 1. ambos devem promover a alienação de todo ativo da sociedade visando ao pagamento dos credores. 1. o leitor deve observar que.034. cujo nome já esteja presente no contrato social. 1. se necessário. sem extrapolar o montante de seu crédito ou propor contra o liquidante ação de perdas e danos. para a ação que couber. que poderá agir de ofício a requerimento de qualquer interessado. em se tratando de dissolução judicial provocada por uma das causas do arts.1. Da Liquidação Judicial Essa forma de liquidação da sociedade. Sendo este omisso. claro. é nomeado pelo juiz na própria sentença que decretar a dissolução. Antes.033. a escolha deverá ser feita em assembléia de cotistas. o sócio dissidente tem um prazo de trinta dias. em cópias autênticas. As atas dessas reuniões serão.103. inciso V. as sociedades limitadas e as anônimas ganharam tópicos específicos neste livro. na essência. 657 a 674.116 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Após a averbação. apensadas ao processo judicial. . à exceção daquelas cujos capitais se dividem em ações. o juiz convocará. sempre que tiver justa causa. no curso da liquidação judicial. Fora esses dispositivo. disciplina a liquidação judicial. Vejamos agora as principais características dos tipos societários reservados pela lei às sociedades empresárias que. proporcionalmente à participação de cada um no capital social. pois. em caso de omissão do instrumento. Ademais. incisos I e II. estabelecendo que compete ao juiz a nomeação do liquidante cujo nome já conste do contrato social. menos se já houver unanimidade em algum nome. podem ser adotados pelas sociedades simples. 1. devido à importância que representam. é regulamentada pelo Direito Processual.

que cometerem atos fraudulentos. Também o teor do art. não atingindo terceiros. que somente seria eficaz entre eles. Sua principal característica é a responsabilidade ilimitada e solidária dos sócios frente a terceiros (todos pessoas físicas) pelos débitos contraídos em nome da sociedade (claro que após exaurido o patrimônio social. Não percam de vista que. Essa é regra geral aplicada a todos os tipos sociais.2.044 do Código Civil de 2002. De outra maneira. que exige o consentimento unânime dos demais sócios para a cessão de quota social. aí sim. perde o sentido. diante da própria pessoa jurídica da qual fazem parte. não há solidariedade entre eles. caso não tivesse sido efetuado no ato constitutivo. tanto que a quantidade dessas empresas registradas nas Juntas Comerciais é ínfima. 997 do CC/2002. público ou particular. posto ser subsidiária).039 a 1. quando da contratação da sociedade. Nesta hipótese. cada sócio se responsabiliza pessoalmente pela parcela do capital social adquirido. Quanto à natureza. parece. 1.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 117 Série Impetus Provas e Concursos 7. Possível haver pacto de limitação da responsabilidade dos sócios. quando se tratar de atribuir responsabilidade por débitos sociais diante de credores que efetuaram negócios com a sociedade. . esse tipo social só poderia cair no atual desuso. Percebam que a aplicação de teorias ou dispositivos legais que prevêem a desconsideração da personalidade jurídica da sociedade para fins de atingir o patrimônio particular dos sócios. o acordo necessitaria de aprovação unânime. 1. até mesmo pelo caráter subjetivo que envolve essa classificação. Para essa responsabilidade. a doutrina não é unânime em afirmar que se trata de uma sociedade de pessoas ou de capital.003 do CC/2002. justamente de ver seus bens particulares comprometidos com dívidas oriundas da atividade econômica organizada. até mesmo para não descaracterizar o próprio tipo social. aplica-se a regra da responsabilidade solidária. Em Nome Coletivo Tipo societário regulado pelos arts. já tornaram seus bens privados vulneráveis a possíveis perdas. É sociedade constituída por contrato escrito. Aqueles que defendem tratar-se de sociedade de pessoas fundamentam a opção na forte ligação existente entre os sócios. cujas cláusulas essenciais estão discriminadas no art. Com tamanho risco assumido pelo empreendedor. uma vez que essas pessoas. decisivo nessa linha de raciocínio. que assumem responsabilidade solidária pelos débitos sociais. ao menos enquanto não for integralizado.

3. se o devedor não possuir outros bens. deste Capítulo. Ainda assim. Já em relação à sociedade em nome coletivo. a iniciativa do credor naquele sentido. para indicar a existência de sócios ausentes do nome. apurada em balanço patrimonial. 1. As normas para sua constituição são similares às da sociedade em nome coletivo. talvez não tenha finalidade prática a decisão de se guiar por uma ou outra corrente. porém adaptadas ao tipo social.1. prevê o art. 7. Pedro Bento e Cia. 1. assinado por qualquer sócio designado no contrato social. A administração da sociedade compete exclusivamente a sócios e. Seu nome empresarial será sempre firma social. que trata o tipo social como sociedade de pessoas. 1.026. Em Comandita Simples Tipo societário regulado pelos arts. no prazo de noventa dias da publicação do ato dilatório. há uma quebra do fator pessoal que envolve os membros da sociedade. até o julgamento definitivo do feito.003. ou similar. o credor tenha promovido oposição judicial. cujas cláusulas estão presentes no art.051 do Código Civil 2002. 1. Utiliza-se a expressão “e cia. o credor pode pleitear a liquidação. parágrafo único. em se tratando de prorrogação por deliberação entre os sócios. acrescentando-se.033 do CC/2002. pautando-se por contrato escrito. é necessário o consentimento dos demais sócios. 997. Neste caso. e que foram analisadas no item 7. que a importância seja depositada em juízo. próprios para as sociedades simples. 1. a falência. sobretudo quando invocamos a exegese do art. somente poderia ser admitida na hipótese de a sociedade constituída por prazo determinado haver sido prorrogada tacitamente ou. no prazo de noventa dias da liquidação.045 a 1. se for alterado o contrato social para permitir o livre ingresso de novos sócios. . aos que detenham plena capacidade civil e não sejam impedidos por leis especiais. A penhora da quota social obedece aos mesmos requisitos da cessão.043. que significa o pagamento por parte da sociedade de quantia proporcionalmente devida ao sócio retirante.1. se empresária. os seguidores de tese contrária o fazem por entenderem que. ou seja.118 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel De outra forma.”. Nesta. parece-me mais plausível a primeira.7. As razões para sua dissolução obedecem aos termos do art. Exemplo: João Alves. conforme prevê o art. a regra é distinta da aplicada às sociedades simples. Do confronto de posições. ainda assim. anteriormente à dissolução da sociedade. Quanto à possibilidade de credor particular de sócio pretender a liquidação da quota do sócio devedor.

ou similar. chamados de comanditados. 1. quando se atribui importância superior ao capital empregado na sociedade. com a peculiaridade de haver a dissolução quando.. possuem direitos e obrigações iguais aos dos sócios das sociedades em nome coletivo. As regras para sua dissolução seguem as da sociedade simples. somente pessoas físicas. Não obstante. são simples prestadores de capitais. daí seu caráter institucional. 1. sob pena de assumirem responsabilidade de sócio comanditado. e é constituída a partir de um estatuto. não por contrato. pessoas físicas ou jurídicas. conforme reza o parágrafo único do art.4.092 do Código Civil/2002. os comentários concernentes à sociedade em nome coletivo podem ser aproveitados. É sociedade de capital. acrescido da expressão e cia. pois prevalece a impessoalidade dos sócios. respondendo tão somente pelo valor de sua quota. Não possuem qualquer ingerência na administração da sociedade. 1. obrigam-se como sócios ilimitada e solidariamente responsáveis perante terceiros. Quanto à natureza. uns. Os outros. perdurar a falta de uma das categorias de sócio. assim como a sociedade anônima. O nome empresarial será sempre firma social. essas também estão em desuso. depois de esgotado o patrimônio social. para indicar existência de sócios ausentes do nome. uma vez que poucas pessoas se aventurariam a ser sócios comanditados. sem restrições decorrentes de impedimentos. ou de fiscalizar as operações. A comandita por ações possui seu capital dividido em ações.047. estes nomearão administrador provisório que. mas com algumas diferenças. Em Comandita por Ações Tipo societário cuja existência legal está prevista nos arts. Esses sócios assumem a administração e a direção da pessoa jurídica e. de acordo com o teor do parágrafo único do art. por mais de cento e oitenta dias.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 119 Série Impetus Provas e Concursos Caracteriza-se pela existência de duas categorias de sócios. A administração deve ficar a cargo de comanditado que goze da plena capacidade civil.090 a 1. para respeitar a subsidiariedade das obrigações. irá praticar os atos de administração. Nesta situação. Da mesma maneira que as sociedades em nome coletivo. é regida pela mesma Lei das Sociedades Anônimas. ou. ainda. comanditários. restando apenas os comanditários. sem assumir a condição de sócio. formado pelo nome civil de um ou mais sócios comanditados. salvo a faculdade de tomar parte nas deliberações. 7. de ser constituído procurador da sociedade para negócio determinado e com poderes especiais.046. em detrimento à .

aquele sócio que desempenhar função de administração na sociedade ficará ilimitada e solidariamente responsável com os demais administradores. estes se tornarão responsáveis solidários pelas dívidas sociais. A conclusão está arrimada no art. alienar ou penhorar suas ações em favor de qualquer pessoa. ou mesmo de novas ações. Se for firma. sempre acompanhado da expressão comandita por ações. quando se desconsidera a personalidade jurídica da sociedade. a fim de atingir o patrimônio particular de sócios ou administradores que cometeram atos com abuso da personalidade jurídica. Somente os valores mobiliários emitidos por companhia registrada nos termos deste artigo podem ser negociados na bolsa e no mercado de balcão. o que significa dizer que se permite ao sócio ceder. conforme exposto no item próprio. não pode haver impedimento ao ingresso de outros sócios. A Comissão de Valores Mobiliários manterá.. se houver. isso só pode acontecer em situações muito especiais.385/76. que assim expressa: Art. A responsabilidade dos sócios é similar à dos acionistas das sociedades anônimas. salvo por maioria de dois terços dos acionistas. além do registro de que trata o art. O nome empresarial pode ser denominação ou firma social. Constando nome de outros sócios. 21. 19: (. Nas anônimas. ou procederem à emissão de debêntures e partes beneficiárias. ou seja. trabalhista ou previdenciária.) § 1o. § 1o. Daí não poderem ser destituídos tão facilmente como naquelas. da Lei Federal no 6. que dispõe sobre o Mercado de Valores Mobiliários – MVM e a Comissão de Valores Mobiliários – CVM. Diferentemente das anônimas. por extenso ou abreviadamente. ou nos casos de débitos de natureza tributária. pela integralização das ações por eles subscritas. continuam responsáveis pelas dívidas contraídas sob sua gestão. à revelia do consentimento dos demais. de forma subsidiária. diferenciam-se das sociedades anônimas por não poderem lançar aqueles títulos no Mercado de Valores Mobiliários.. esta será composta com o nome do sócio-administrador. 21. somente aos acionistas é permitido ocupar cargo de administração.120 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel figura humana de cada um. sendo nomeados pelo estatuto. Apesar de poderem organizar-se em assembléias. Neste caso. pelas dívidas contraídas. Entretanto. . Nela.

atuando em seu próprio nome. não há sequer a subsidiariedade em relação . Uma. verbal ou escrito. Significa afirmar que não é possível haver conselho de administração numa comandita por ações. Essa singularidade confere a ela o título de sociedade despersonificada. serve à normatização da matéria o capítulo específico das sociedades simples. pessoas físicas ou jurídicas. assim como prévia autorização para aumento de capital e. Compõe-se de duas categorias de sócios. patrimônio. Outra distinção reside na vedação contida no art. É uma forma social sui generis. é ele que aparece frente a terceiros. ainda que. em qualquer hipótese. Em Conta de Participação Tipo societário regulado pelos arts.5. A outra. inclusive porque o próprio Código Civil a insere no capítulo específico das sociedades. conforme dispõe o art.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 121 Série Impetus Provas e Concursos Logo. pessoas físicas ou jurídicas. entendendo tratar-se de um contrato. Esta. cuja característica principal reside na ausência de personalidade jurídica. desprovidos de qualquer ingerência no negócio social. seu ato constitutivo seja levado a registro. 991 a 996 e. se forem abertas. existe um pacto entre empreendedores e investidores. visando à realização de uma atividade econômica.404/76. personalidade jurídica nem mesmo sede ou estabelecimento. Observem que o sócio ostensivo é quem vai gerir o negócio. A rigor. e assumindo responsabilidade ilimitada pelas obrigações contraídas. contudo. emissão de bônus para subscrição de novas ações. composta por um ou mais sócios chamados de participantes. capital. Para o ostensivo. conseqüentemente. não seria a melhor orientação. formada por um ou mais sócios chamados de ostensivos. unicamente às companhias ou sociedades anônimas é facultado o direito de negociar com títulos no Mercado de Valores Mobiliários. 284 da Lei no 6. deve nomear representante. 993. 7. sob inteira responsabilidade de cada um. que exercem a atividade constitutiva do objeto social em seus próprios nomes. sob pena de assumirem responsabilidade ilimitada. Trata-se de uma sociedade constituída por contrato. Sendo o ostensivo uma pessoa jurídica. eventualmente. como veremos adiante. Parte da doutrina chega até a deixá-la à margem do conceito de sociedade. no que for compatível com esses dispositivos. pois não possui nome empresarial. quanto à existência de conselho de administração e a autorização estatutária de aumento de capital e emissão de bônus de subscrição.

sendo a falência do sócio participante.4. se empresário. ou seja. a responsabilidade ilimitada do sócio ostensivo para com terceiros. que pode ser nenhuma. ao mesmo tempo em que a conta será liquidada nos termos da legislação processual que rege a matéria. constitui-se crédito quirografário em favor do sócio participante. Aos participantes. então. Não se inclui na proibição imposta ao participante o direito de fiscalizar a gestão social. como vimos. Por isso. ou ilimitada. pois. ou não. Tal especialização patrimonial somente tem efeito entre os sócios. pode celebrar um contrato de participação com um ou mais sócios participantes que acabaram de adquirir um condomínio de apartamentos. do contrato. ao contrário dos anteriores. Essa pessoa jurídica. não é subsidiária. sob a denominação “Hotéis do Brasil Ltda”. conforme exposto no item 1. Percebam que a falência aqui tratada não é da sociedade. quando é conferida a faculdade ao administrador judicial para escolher entre a rescisão. Pelas obrigações decorrentes da gestão da sociedade em conta de participação. A contribuição do participante e do ostensivo constitui patrimônio especial. de forma ilimitada. credores da sociedade. claro. . com o propósito específico de administrar o empreendimento. o contrato de participação fica sujeito às mesmas regras dos contratos bilaterais. a doutrina também o intitula de sócio oculto. tendo em vista ausência de personalidade jurídica da sociedade. pois os credores podem consumir todo o patrimônio do sócio ostensivo na satisfação de seus direitos. sob sua inteira responsabilidade. não depende de esgotar o patrimônio social. na condição de sócio ostensivo. Já o sócio participante é mero prestador de capital. ele pode compartilhar da gestão social ou se mostrar diante de terceiros com ânimo de sócio ostensivo. em nenhum momento. da forma como acontece para os outros tipos sociais. se quiser. Vindo a falir o sócio ostensivo. Imaginem. De outra forma. Havendo saldo. No entanto. da forma estipulada no contrato. se o participante tomar parte nas relações do sócio ostensivo com terceiros.122 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel à sociedade. a sociedade em participação será dissolvida. pois. é largamente utilizado. A lei proíbe ao ostensivo admitir outro sócio sem a concordância dos demais. Significa afirmar que ambas as categorias são livres para determinar a responsabilidade do participante. passa a responder solidariamente com aquele pelas obrigações em que intervier. uma sociedade já constituída que opera no ramo de hotelaria.9. mas do próprio sócio ostensivo. responde exclusivamente a “Hotéis do Brasil Ltda”. mas sempre diante do ostensivo. do Capítulo 04. tanto com objeto civil como mercantil. cabe cumprir as obrigações determinadas no contrato. A responsabilidade do participante se opera exclusivamente em face do sócio ostensivo. Esse tipo social. facultando-se aos demais a fiscalização dos negócios.

no item 8. Regência A sociedade limitada rege-se pelos arts.2. No entanto. e não havendo resolução da questão no próprio instrumento de contrato. conforme já mencionado. direito de recesso. 997 ao art. 1. tais dispositivos não são suficientes para exaurir todas as questões a ela relacionadas. na forma da lei processual. ainda que haja mais de um sócio ostensivo. liquidação da cota de sócio falecido. Conceito Define-se como a sociedade cuja principal característica é a limitação da responsabilidade de seus sócios ao valor das quotas adquiridas por cada um. . Mas. podemos afirmar que o silêncio do contrato a respeito de determinado tema não-previsto no capítulo específico do Código permite a suplementação pelas normas da sociedade simples.087 do Código Civil. ao menos naquilo em que o Código Civil for omisso. nas omissões da lei. a sociedade pode guiar-se pela Lei no 6. pela clara natureza contratual.1.1. como tais.052 a 1. como acentuou Sérgio Campinho. Assim.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 123 Série Impetus Provas e Concursos Sua liquidação. Logo.404/76. b) suplementar o tema com o capítulo próprio relativo às sociedades simples. pois não devemos esquecer que as limitadas são sociedades contratualistas e. que vai do art. Contudo.1. bastando um único processo de prestação. que têm as regras traçadas no Código.037.1. e c) subsidiarem-se com o regramento das sociedades por ações. havendo expressa previsão contratual. 8. dentre outras. devem pautar-se por certos princípios. 8. 8. Sociedade Limitada Disposições Preliminares 8. É justamente por isso que os sócios podem lançar mão de três opções: a) livre estipulação contratual. diferentemente das demais sociedades contratuais. apesar de todos responderem solidariamente pela integralização do capital social. matérias atinentes à sua formação e dissolução serão sempre reguladas de acordo com as sociedades simples. 1. são questões de caráter contratual. cláusula leonina e mora de sócio. Para a boa compreensão da matéria. rege-se pelas normas da prestação de contas. quando abordaremos a responsabilidade dos sócios da limitada. Esse conceito será melhor explicado a seguir.4. atenção! Nem todos os assuntos podem ser regulados pela Lei das Sociedades Anônimas.

1. são de exclusividade das sociedades anônimas.3. apenas os nomes de sócios devem constar no nome empresarial. basta inserirem cláusula no instrumento que subtraia a faculdade de eles próprios limitarem a entrada de terceiros. Natureza Interpretações doutrinárias divergentes sempre surgiram quando tentamos determinar a natureza das sociedades limitadas. quando serão aproveitados todos. No entanto. 1. quis o legislador (Lei no 6. os administradores que assim a empregarem. solidária e ilimitadamente.”). participante da operação.A. não precisa da anuência dos demais. acresce-se o termo “e cia. em seu art. No primeiro caso. . 8. Entrementes. deverá estampar o objeto da sociedade. pois. haveria a chance de os sócios obstarem o ingresso de novos componentes no quadro associativo. se destinadas a terceiro.385/76. não pode haver oposição de titulares de mais de 1/4 do capital social. E não vem sendo diferente após o novo Código.1.087 prescreve as mesmas hipóteses da sociedade em nome coletivo. Outras. alguns ou apenas um (nestes casos. O Nome Quanto ao nome empresarial. que criou a Comissão de Valores Mobiliários).124 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel impossíveis de se submeterem à Lei das S. previu que o sócio pode ceder suas quotas tanto a quem já seja sócio como a estranho. Escolhida uma denominação. poderá ser uma firma social ou denominação denominação. invariavelmente.1. como a emissão de títulos no Mercado de Valores Mobiliários. se empresária. em ambas as hipóteses acrescido do termo limitada ao final. 8. os sócios podem contratar uma sociedade limitada cuja natureza seja de capital. por sua vez. Este. o mesmo dispositivo deixa claro que pode haver estipulação contratual diversa. Exemplo de denominação Frigorífico Ribeira Ltda denominação: Ltda. uma vez que. mas apenas diante daquele credor específico. Logo. A omissão desta limitada. que. desta forma.057. Se a opção for por uma firma social. Sobre a dissolução de pleno direito da sociedade limitada.4. expressão tornará responsáveis. o art. Se o dispositivo parasse por aí. com certeza teríamos que concordar que a sociedade limitada seria considerada de pessoa. em detrimento do capital. o que caracterizaria uma importância demasiada à figura humana. já aproveita as da sociedade simples acrescida da falência.

não prevêem limite para o quantitativo de sócios. Há. contudo. não do contrato. cabe uma observação a respeito da possibilidade de participação de menores no quadro social da limitada. Neste caso. A doutrina salienta que o instrumento contratual que dá origem à sociedade é plurilateral e de estrutura aberta. Hoje. que poderão ser reunidos em dois grupos específicos. aliás. conhecida como affectio societatis. Para sua plena validade. as partes são livres para contratar outras cláusulas além daquelas previstas na lei. O outro grupo de requisitos essenciais à plena validade do contrato diferencia-se do primeiro quanto à conseqüência advinda pelo seu descumprimento. será assistido. A ausência desses pressupostos leva à dissolução da sociedade. Constituição As sociedades limitadas são contratuais. Muitos desses requisitos. se em fase de constituição. posto admitir a participação de número ilimitado de sócios. que admite o ingresso. não havendo espaço para fixação de tema não constante da lei. O primeiro traz as condições de validade de qualquer ato jurídico. como capacidade das partes. assim como participarem do resultado social. são igualmente exigidos quando se tratar de estatuto social. . esse tema encontra-se pacificado na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. mas sem obedecer àquela parte do acordo. uma grande diferença entre um contrato e um estatuto de sociedade. É que. forma prescrita em lei. o contrato deve obedecer a certos requisitos de validade. Exprimem-se na necessária pluralidade de sócios na formação do capital social e na intenção deles em executar o objeto social. o instrumento é nulo e gera a inexistência da pessoa jurídica. desde que não colidam com o texto legal. Em se tratando de incapacidade civil absoluta. No grupo em referência. Se relativa. Não cumpridos esses primeiros requisitos no contrato social. aparece a obrigatoriedade de todos os subscritores do capital social contribuírem na sua formação. o estatuto social exige que os sócios sigam apenas as determinações legais. ou ao não-registro do instrumento. o desrespeito provoca a nulidade da cláusula. objeto lícito e possível. a sociedade continua a existir.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 125 Série Impetus Provas e Concursos 8. desde que o menor não assuma função de gerência (administração da sociedade). na feitura do contrato social. Nesta hipótese. devendo ainda o capital subscrito encontrar-se completamente integralizado. se já constituída. pois nascem a partir de um contrato celebrado entre seus sócios. Existem ainda pressupostos de existência igualmente apropriados a todas as sociedades contratuais.2. deve contar com representante na assinatura do instrumento do contrato. assim como as contratuais. Esse raciocínio vale também para o estatuto das sociedades estatutárias que. Para esse grupo. De outra forma.

não sendo razão de impedimento ao registro. previsão de assembléia ou reunião de sócios. pode ser declarada a nulidade do contrato. por se tratar de limitada: a) informações dos sócios. forma prescrita em lei). ainda assim a responsabilidade é limitada. todos os sócios podem gerir a empresa.126 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Observem que as conseqüências pelo não-cumprimento dos requisitos essenciais diferem entre si. i) cláusula de limitação da responsabilidade (veda-se registro de contrato sem essa informação. 1. sua omissão provoca a dissolução da sociedade. da mesma forma que geram efeitos distintos à falta de pressuposto. como nacionalidade. j) conforme o caso. seus efeitos entre os sócios. Em outras palavras. Quanto aos pressupostos (pluralidade de sócios e affectio societatis). se passar.013 do CC/2002). g) percentual de cada sócio nos lucros e nas perdas. inclusive. à exegese do art. . domicílio. Além de tudo isso. objeto lícito e possível. 1. o contrato deve trazer informações a respeito dos sócios e da própria sociedade. mantendo-se os efeitos já produzidos. f) a quota com que cada sócio entrou para a sociedade. a ineficácia da cláusula contratual não invalida o contrato. De outra forma. do CC/2002. e) fixação do capital social. pessoa física ou jurídica. h) data de encerramento do exercício social. parágrafo 1o. b) duração da sociedade. podendo ser indeterminada (se por tempo certo. comprometendo.. d) informação sobre os administradores (em caso de omissão. para deliberar assuntos escolhidos ou determinados por lei. conforme dispõe art. com as devidas adaptações. São as relacionadas no art. possível prorrogação). nome etc. expresso em moeda corrente. insuficientes os requisitos do primeiro grupo (capacidade das partes.072. faltando requisito do segundo grupo (contribuição de sócio no capital social ou participação no resultado social). pois valerá a intenção contextual). 997 do CC/2002. quando não coincidir com o ano civil. c) tipo adotado e objeto detalhado da sociedade.

do que se deduz que várias quotas podem ser de propriedade de um único titular. . nas sociedades anônimas.055 do CC/2002).3. O direito patrimonial materializa-se na participação nos lucros e acervo da sociedade. são sempre representadas por papéis. Diferentemente das ações. os outros condôminos respondem solidariamente pela integralização do capital social (art. A essa situação dá-se o nome de co-propriedade das quotas. Se. que lhe confere a possibilidade de participar das deliberações sociais e fiscalizar atos dos administradores. A Quota Social Podemos conceituá-la como uma fração do capital social. Já as ações das companhias. 1. inferindo-se que a prova do domínio vem do contrato social. mais influência ele terá nas deliberações sociais. dentre outros. Perante a sociedade. enquanto o direito pessoal vem do status de sócio.056). à exceção das escriturais. Mas uma quota pode ser de mais de um sócio? Sim. 1. onde deve constar a participação de cada sócio. Quanto mais quotas um sócio possuir. quando se forma um condomínio onde o representante (cabecel).CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 127 Série Impetus Provas e Concursos QUADRO-RESUMO 8. as quotas sociais podem ter valores nominais iguais ou não (art. indicado pelos demais. por encerrar um direito patrimonial e um direito pessoal. Sua natureza jurídica é de direito bifrontal. irá exercer os direitos de sócio. nas sociedades contratuais a quota social representa a unidade do capital social. a expressão do capital da companhia é o montante do valor nominal de todas as ações. Não são representadas por cártula.

128 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Com relação à integralização das quotas. A cessão de quotas sociais é possível. a regra é similar à do parágrafo anterior. por um dos motivos: a) após integralizado. a livre alienação. por exemplo. 1. 1. O contrato. e usufruirá do status de sócio. qualquer credor quirografário pode opor-se a ela. havendo perdas irreparáveis. no caso das limitadas. tem que ser averbada. que é o ato de dar em garantia de pagamento por alguma prestação. Conceito O sócio quotista é o proprietário de parcela do capital da sociedade. Igualmente pode haver a redução do capital social. b) se excessivo em relação ao objeto social (no prazo de noventa dias da publicação da ata de assembléia que aprovar a redução. Aplica-se a regra da caução. pode estabelecer de forma diversa. como. trata-se do principal dever que aqueles têm diante da sociedade. Gozam os sócios de preferência para novas subscrições (proporcional à participação). a contribuição em prestação de serviços.4. Pode ser pessoa física ou jurídica. que deve ser manifestada no prazo de trinta dias após a deliberação (art. não há prazo legal para a integralização. pondo o termo no contrato social. A cessão. não há óbice legal no Código. A integralização pode ser feita em bens. .1. por ocasião da subscrição do capital social (nas sociedades por ações o mínimo é de 10%).4. com a alteração averbada. Sobre a penhora de quotas.081). direitos ou em dinheiro. Também pode haver a caução de quotas sociais. desde que não haja oposição de sócios representativos de 1/4 do capital social. para ser oponível à sociedade e a terceiros.057). decorrente da falta de integralização das mesmas quotas. Também não existe percentual mínimo de integralização das quotas. a quota muda de titularidade. o capital social pode ser aumentado. Não satisfeita a obrigação. não se pode contar o tempo (dois anos) para liberação da responsabilidade solidária do alienante perante a sociedade. O Sócio Quotista 8. Em todo caso. A lei não admite. ficando a critério dos sócios decidir. Pois bem. à revelia da concordância de outros sócios (art. contudo. 8. desde que seu título seja anterior àquela data). Antes dessa providência. Após integralizadas todas as quotas. basta não haver oposição de 1/4 do capital social.

deverão ter em mente a quantia inicial necessária ao início das operações da empresa. o adquirente cumpriu a sua obrigação perante a sociedade (em se tratando de bens e direitos. responderá perante a pessoa jurídica pelos danos emergentes da mora. Mas não é o único. Esse pode ser considerado como o principal compromisso que os subscritores do capital social assumem frente à sociedade. será alienado aos sócios e terá o nome de capital social subscrito subscrito. atenção! É necessário haver prévia notificação (notificação premonitória). se a limitada tiver regência supletiva nas anônimas. Deveres dos Sócios Quando duas ou mais pessoas resolverem contratar a formação de uma sociedade limitada. que não poderá ser feita na forma de prestação de serviços. caso detenha parcela já integralizada. pelo menos enquanto não promoverem a entrega efetiva dos recursos correspondentes à parcela do capital adquirida. lealdade à pessoa jurídica no sentido de não cometerem atos que prejudiquem o fim por ela perseguido. conforme art. Esse valor. fixado no contrato social. § 2o. c) redução de sua participação. . arcando com ônus proporcional à sua participação societária. b) exclusão da sociedade. o sócio remisso poderá ter suspenso seu direito ao voto. Devem. É claro que. 120 da Lei no 6. do CC/2002. ou mesmo bens ou créditos.404/76. Essa conseqüência pode traduzir-se em uma das seguintes hipóteses: a) cobrança da dívida acrescida dos encargos de mora. Mas. o Código silencia. na visão da majoritária doutrina. situação em que. a desoneração só ocorre se não houver vício na coisa ou após a satisfação do crédito) e não mais pode ser considerado devedor perante ela. sem que tenha adimplido sua prestação. se a venda for contra recebimento à vista de numerário. findo o qual.2. mais.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 129 Série Impetus Provas e Concursos 8. 1. sobretudo. Quanto à possibilidade de o sócio remisso ser tolhido em seu direito de voto. participarem das perdas dos resultados sociais. devedores da sociedade. portanto. Os subscritores do capital social são. conforme dispõe o art. além de buscarem agir com zelo e profissionalismo em relação às atividades desenvolvidas e. Sérgio Campinho alerta que.4. Remisso será o sócio que faltar com sua prestação.055. quando ele terá um prazo de trinta dias. não pode haver obstáculo ao voto do sócio remisso.

3. 135. e Manoel. inciso III. então. mesmo aquele que já tenha cumprido a sua parte. embora 100% do capital subscrito tenham sido integralizados. o órgão da previdência pode cobrar a dívida diretamente do sócio. De fato. Se João adquiriu quinhentas quotas. ainda que sua parte já tenha sido satisfeita. as duzentas restantes. que João. Significa dizer que.00 cada. assume responsabilidade pessoal o sócio-gerente que descumprir a lei ou o contrato .052 do CC/2002 que a responsabilidade de cada sócio é limitada ao valor das quotas por eles subscritas. gerente ou não. José e Manoel tenham contratado a formação de empresa limitada. há que se respeitar a subsidiariedade em relação à pessoa jurídica. Isso acontece nos seguintes casos: • CRÉDITOS A FAVOR DA PREVIDÊNCIA SOCIAL – prevê o art. estarão quitando suas dívidas diante da organização. Em outras palavras. trezentas. do Código Tributário Nacional.000. quando todo o capital social subscrito ingressar na sociedade. reza o art. Isso se deve principalmente à maneira pela qual os sócios responsabilizam-se pelas obrigações sociais. qualquer sócio pode ser compelido a fazê-lo. Pelo dispositivo. estando o capital completamente realizado. os sócios podem ser compelidos a responder por obrigações originárias da pessoa jurídica.4. só se livram de responder pelas obrigações sociais contraídas. José. não haverá responsabilidade dos sócios pelas dívidas sociais. No momento em que aportarem recursos correspondentes à parcela do capital comprada (em dinheiro.00. bens ou créditos). Ao contrário. Não é à toa que mais de 90% das empresas registradas pelas Juntas Comerciais espalhadas pelo país são desse tipo. 1.620/93 a responsabilidade solidária dos sócios da limitada pelos débitos junto à Previdência Social. cujo capital social foi fixado em R$1. Em se tratando de administrador não-sócio. a regra da limitação de responsabilidade comporta exceções. sem se ater primeiro ao esgotamento do patrimônio da sociedade. mas todos respondem solidariamente pela integralização do capital social. distribuído em mil quotas com valor de R$1. Responsabilidade dos Sócios As sociedades limitadas gozam da preferência absoluta dos empreendedores brasileiros. se parcela do capital social ainda não foi realizada. estes atos correspondem à subscrição do capital social feita por cada um dos quotistas e geram obrigação para eles perante a empresa. Contudo. 13 da FA o Lei Federal n 8. No entanto.130 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 8. • OBRIGAÇÕES DE NATUREZA TRIBUTÁRIA – conforme dispõe o NATUREZA art. Imaginemos.

012. 1. em conjunto com a sociedade.016.015 trouxe grande inovação. mas a mora injustificada. O primeiro prevê a responsabilidade pessoal e solidária do administrador. Também servem à hipótese os casos de positivação da teoria. 50 do Código Civil de 2002.015 e 1. 1. • CASOS DE DESPERSONALIZAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA – vimos.2. afastar a autonomia patrimonial da empresa. ao positivar a Teoria da Aparência. quando a responsabilidade pelos atos ultra vires (aqueles que extrapolam os poderes do administrador) deve ser imputada não à pessoa jurídica. através da qual se permite à autoridade judiciária. • DELIBERAÇÕES INFRINGENTES DO CONTRATO SOCIAL – pelo CONTRATO disposto no art.080 do CC/2002. • ATOS PRATICADOS PELOS ADMINISTRADORES – a parte do Código PRATICADOS destinada a regular as sociedades simples traz hipóteses de responsabilização de seus administradores. que votaram contra ou abstiveram-se. o órgão é a Junta Comercial). É justamente o que ocorre com os arts. Os demais. pelos atos que cometer antes de averbar o instrumento em separado de sua nomeação (sendo sociedade empresária.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 131 Série Impetus Provas e Concursos social. por solicitação da parte ou do Ministério Público. não são afetados. admite-se a suplementação do assunto pelas normas disciplinadoras da sociedade simples. que é possível os sócios responderem por atos fraudulentos cometidos sob o manto da pessoa jurídica. no subitem 8. quando a empresa dispunha de recursos e o administrador optou por gastá-los em outras finalidades. não quitando dívidas fiscais junto à Fazenda Pública. mas ao próprio agente que os praticou. havendo omissão em relação a algum tema das limitadas. É a Teoria da Despersonalização. O art. que colidiu com o contrato. a exemplo do art. que. 1. no item 4 deste Capítulo. Vimos.1. o parágrafo único do mesmo artigo exige a materialização de uma das seguintes hipóteses: a) o . O leitor deve observar que não é o simples atraso no pagamento que provoca a responsabilização pessoal do administrador. já mencionados no item “4” deste Capítulo. a aprovação de matéria contrária ao que dispuser o contrato social torna ilimitada a responsabilidade daqueles sócios que votaram a favor da deliberação. Para tanto. A melhor doutrina alerta que o efeito desse dispositivo restringe-se à operação específica. 1. a fim de atingir diretamente os bens dos sócios que cometeram tais atos. deste Capítulo.

Direitos dos Sócios Aquele que resolve ingressar no quadro social de uma sociedade busca. que se situa à margem do Direito positivo vigente. seja na assembléia (obrigatória para as limitadas com número de sócios superior a dez) ou na reunião de sócios (facultativa para as limitadas com até dez sócios). Para tanto. se um sócio é detentor de 51% do capital social. respeitar-se-á a participação no capital social de cada um. Também se permite a fiscalização da gestão dos negócios. perante a sociedade ou terceiros prejudicados. a pessoa jurídica assume a responsabilidade frente ao terceiro prejudicado. não mais compondo o quadro social. evidentemente. neste caso. 1. É comum a configuração de prejuízo e. Diferentemente das outras exceções. sua vontade normalmente irá prevalecer. sobre as questões de interesse social. através de relatórios apresentados ou. Mas os direitos dos sócios não se resumem apenas à participação no resultado social: eles também têm a faculdade de decidir os destinos da pessoa jurídica. Uma é vender suas quotas a outro . tem o sócio direito de afastar-se da sociedade. sócio que não desempenhe a gerência da sociedade pode fiscalizar as ações dos administradores. • OBRIGAÇÕES TRABALHISTAS – por último. não há qualquer respaldo legal nessa atitude. ele terá duas opções. com direito de regresso contra seu administrador.132 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel registro competente da limitação. todos os sócios deverão suportá-lo de forma proporcional à participação no capital social. colher frutos de seu investimento com o retorno do capital empregado. por atos praticados com culpa no desempenho de suas funções. Em outras palavras. deliberando. de existência facultativa nas limitadas.4. c) tratando-se de operação evidentemente estranha ao objeto social. mesmo.016 previu a responsabilidade solidária dos administradores. tem-se observado que a TRABALHISTAS Justiça do Trabalho vem desconsiderando a limitação da responsabilidade para cobrar dívidas trabalhistas diretamente no patrimônio dos sócios. Caso contrário. Por último. 8. pois a sua parcela no capital social suplanta a soma das demais. que é o Conselho Fiscal. O art. Claro que nem sempre a sociedade apresenta lucro a ser distribuído. por meio de órgão criado para esse fim. Esse é o objetivo maior do investidor e não pode ser tolhido sob pena de ineficácia da cláusula contratual. Nessas decisões.4. b) a ciência da limitação por parte do terceiro. ou seja.

Para isso. Completando o tópico. vejamos matéria referente à exclusão de sócio minoritário. 1. por falta grave. igualmente aprovada por maioria absoluta. Basta ver a necessária previsão contratual para a exclusão extrajudicial. desde que deliberada em assembléia ou reunião dos sócios. a manifestação de vontade do sócio. mas na hipótese de o sócio ser empresário individual ou. pela pessoa jurídica. estranhos ao quadro social.031 o prazo de noventa dias para pagamento da quota liquidada. Sendo o contrato por prazo indeterminado. A título comparativo. mesmo. do capital investido na empresa. contado a partir da liquidação. O primeiro dispositivo trata da exclusão por ação judicial movida por sócios representantes da maioria do capital social. sobretudo quando comparada às sociedades anônimas. antes mesmo de entrar para a sociedade. Prevêem os arts. o exercício do direito de recesso está diretamente relacionado à ocorrência de situações fáticas. a fusão ou a incorporação. exige-se justo motivo quando a sociedade for contratada por prazo determinado. podemos afirmar que o Código Civil de 2002 dificultou a exclusão de sócio minoritário. não será necessária uma das hipóteses para o exercício do direito de recesso bastando recesso. É por isso que se diz que o Novo Código procurou proteger o sócio minoritário contra abusos dos majoritários. mediante o reembolso. pois trouxe novas exigências para o ato. Contudo. deve o minoritário. mesmo se a companhia for por prazo indeterminado. . Certa permissividade em relação ao direito de recesso explica-se pela relativa dificuldade imposta ao ingresso de novos sócios. após seu ingresso. por falta grave. se forem declarados falidos (essa falência não é da pessoa jurídica aqui abordada. Também prevê o Novo Código a hipótese de exclusão extrajudicial de sócio por justa causa. não pode haver oposição de mais de ¼ do capital social).CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 133 Série Impetus Provas e Concursos sócio ou a terceiro interessado (neste caso. sócio de outra empresa). até. Isso porque. 1. por incapacidade superveniente e. situação em que só será permitida a retirada ao sócio dissidente de deliberação que aprove a modificação do contrato social. previstas na Lei das Sociedades Anônimas. ficará à mercê da vontade da maioria.030 e 1. Nestas. a fim de barganhar suas cláusulas. omisso o contrato. prevendo o parágrafo 2o do art. quando houver previsão expressa no contrato. observar o contrato social.085 do CC/2002 a possibilidade de exclusão de sócios minoritários. por não existir qualquer óbice à alienação das ações a terceiros. A outra possibilidade é chamada de direito de recesso e consiste na retirada do sócio.

que antes era possível. não importa se a nomeação foi via contrato ou através de ato separado: o quórum exigido é a unanimidade. deve ser nomeado no próprio contrato social ou em ato separado. A nomeação de administrador. do capital social. a diretoria. deixou de ser privativa de sócio. o administrador-sócio foi nomeado no contrato social. Nesta última hipótese.011. ou por crime falimentar. desde o início da sociedade. que igualmente deverá ser averbado. Por outro lado. com o capital social sem estar completamente integralizado. o acesso a cargos públicos. De outra forma. Estando o capital já integralizado. não mais pode ser feita. é necessário haver permissão contratual.5. a delegação dos poderes de gestão. baixa para 2/3 dos votos representativos do capital social. em qualquer caso. mas sempre pessoa física (o CC/2002 vedou a gestão à pessoa jurídica). vale o disposto no art. Se a nomeação processar-se por meio do contrato social. sócio ou não. para haver nomeação através do contrato social. situação em que a eficácia dos atos dependerá da participação de todos. o quórum exigido é a maioria absoluta dos votos representativos do capital social. peita ou suborno. cuja alteração será averbada na Junta Comercial. apenas. O administrador. Se for em ato separado. deve o gestor assinar no próprio contrato. conforme a prática vem consagrando nas limitadas. ou contra a economia popular. Lembro que. nem mesmo se houver previsão contratual. ainda que temporariamente. peculato. ficando eles habilitados à prática de todos os atos que digam respeito à gestão empresarial. como em ato separado. que proíbe os poderes de gestão àqueles condenados a penas que vedem. de prevaricação. A administração pode ser concedida a uma pessoa. concussão. a administração da sociedade ou. Se. 1. exige-se aprovação de titulares de 3/4. parágrafo 1o. do CC/2002. Sendo em momento posterior. ou a várias. no mínimo (para sócio). Para tanto. será mediante termo de posse no livro de atas da administração. O que se permite é a constituição de procurador para representar o sócio em atos específicos relacionados aos seus direitos como cotista. em se tratando de administrador que não seja sócio. o contrato deve explicitar se a gestão será exercida individualmente por cada um ou em conjunto. pode ser realizada tanto diretamente no contrato social. Para administrador-sócio nomeado em ato separado.134 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 8. se for o caso. Se omisso o contrato. esse ato decorreu do consenso entre os demais sócios. sócio ou não. Administração da Limitada Com a entrada em vigor do Novo Código Civil. entende-se que a direção tocará individualmente a cada um. não como administrador da sociedade. .

c) tratando-se de operação evidentemente estranha aos negócios da sociedade. 1. b) provando-se que era conhecida do terceiro. ou seja. contra a legislação de consumo.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 135 Série Impetus Provas e Concursos contra o sistema financeiro nacional. contra as normas de defesa da concorrência. não sendo extensiva aos demais. agindo com excesso. fé pública ou propriedade. isso para não repetir todas as hipóteses já comentadas no item 8. salvo estipulação contratual diversa (art.5 deste Capítulo: . salvo se com ele forem coniventes. normalmente.017. e votando a favor de decisão que venha prejudicar a pessoa jurídica. Sendo sócio. Regularmente nomeados. pelo menos enquanto durarem os efeitos da condenação. prevista no art. Restrição existe para venda de bens imóveis. Por último. o administrador não pode ser responsabilizado por atos regulares de gestão que necessariamente deve cometer para exercer a função. em detrimento do interesse da sociedade. que prevê a exoneração da pessoa jurídica por ato ultra vires. conforme prevê o art. tais atos não podiam ser imputados diretamente ao administrador que os cometesse. quando não for do objeto social. hoje o sistema legal brasileiro já prevê essa possibilidade. já que esta assumiria a responsabilidade diante de terceiros. tomando conhecimento. não posso deixar de evidenciar a responsabilidade tributária. No entanto. É a positivação da Teoria da Aparência. Diferente é a responsabilidade do administrador por interesse conflitante. se negligenciarem em descobrir ou. ou mesmo com culpa em não atender aos seus deveres de diligência e lealdade com a pessoa jurídica. que só poderá ser processada com autorização da maioria do capital social. 1. 1. Importante realçar que a responsabilidade deve ser imputada ao administrador que cometeu o ato com culpa. antes. pode ser responsabilizado solidariamente com outros. no trato de determinado negócio. Percebam que.015). previdenciária e trabalhista dos administradores. logicamente a depender da especificação dos poderes estipulada no contrato. O mesmo dispositivo prevê oposição a terceiros dos excessos cometidos pelos administradores. não tentarem inibir sua prática. mas apenas em poder de regresso por parte da sociedade. se presente uma das seguintes situações: a) se a limitação de poderes estiver escrita ou averbada no registro próprio da sociedade. aquele que extrapola a competência legal do administrador. É o que acontece se. perante a própria sociedade ou frente a terceiros prejudicados. ele pretender deliberação que o favoreça pessoalmente. Se. assumirá a responsabilidade dos prejuízos sofridos pela sociedade.016. os administradores podem praticar todos os atos que digam respeito à gestão social.

Sua eficácia perante terceiros terá validade a partir da averbação na Junta. por débitos junto à Seguridade Social. mas dos sócios da sociedade limitada. Se. a menos que tenha agido com abuso de poder. a Diretoria. entretanto. se preferirem os sócios. não havia referência aos órgãos da sociedade.620/93 prevê a responsabilidade não apenas dos administradores. a sociedade limitada possui estrutura bastante simplificada. permitindo-se estipulação contratual diversa. Órgãos da Limitada Geralmente. Não é. que regulava as limitadas. com órgãos de administração e fiscalização. o Código Civil de 2002 trouxe a forma como deve esse tipo societário organizar-se. 8.136 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel • tributária – o art. A destituição de administrador-sócio que tenha sido nomeado no contrato social reclama aprovação de 2/3 do capital social. que tem imputado aos administradores a responsabilidade por débitos de origem trabalhista. o parágrafo único do mesmo artigo dispõe sobre a responsabilidade quando a omissão decorrer de culpa ou dolo. quando recursos tiver a sociedade. Quando se tratar de não-sócio. temos a assembléia de quotistas. o quórum exigido para destituição é de 3/4 do capital social. do CTN prevê a responsabilização do administrador por dívidas tributárias não recolhidas. Contudo. quando comparada com as anônimas. enquanto as outras ficam com os negócios de importância relativa inferior. se for em ato separado. no antigo Decreto no 3. violação do contrato ou da lei. 13 da Lei no 8.6. o Conselho Fiscal e. até o Conselho de Administração. e de mais da metade do capital social. • previdenciária – o art. em se tratando de nomeação através do contrato. Em se tratando de administradores não-sócios. o ato deve ser averbado em até dez dias seguintes à ocorrência. Isto porque as sociedades anônimas são mais apropriadas para grandes empreendimentos. 135. que se materializa com a comunicação por escrito aos demais representantes da pessoa jurídica. Cessa o exercício da função de gestão com a destituição ou com a renúncia. A renúncia é ato volitivo do administrador. • trabalhista – a princípio. Tendo sido em ato separado. o administrador não deve responder por dívidas trabalhistas. será necessária aprovação de mais da metade do capital social. o que vem decidindo a Justiça do Trabalho. Em todos os casos. que exigem um controle e uma organização muito mais complexos.708/1919. isso não impede que a limitada adote estrutura similar à das sociedades anônimas. . Assim. III.

para instalação. raramente encontrado numa limitada. 1. dissolução da sociedade contratada por prazo indeterminado ou cessação da liquidação. pedido de concordata (foi substituída pela recuperação judicial ou extrajudicial) e incorporação. modificação do contrato social. a exemplo da aprovação das contas dos administradores. autorização de concordata (a partir da Lei no 11.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 137 Série Impetus Provas e Concursos • ASSEMBLÉIA DE QUOTISTAS – É órgão competente para decidir a QUOTISTAS estratégia geral dos negócios. em ato separado. além de outros assuntos não previstos na lei. – três quartos do capital social para modificação do contrato social. sócio. fixação de suas remunerações. com o capital não totalmente integralizado. Realiza-se pelo menos uma vez por ano. Para tanto. elencadas no art. quando nomeado pelo contrato social. assim como para dissolução da sociedade por prazo determinado. nos quatro meses seguintes ao término do exercício social. designação quando em ato separado e destituição dos administradores.071 do CC/2002. incorporação. com o capital já integralizado completamente e para a destituição de sócio administrador. Forma-se com a participação dos quotistas e é obrigatória nas limitadas com número de sócios superior a dez (se inferior. social. sendo qualquer número em segunda convocação. – maioria simples para a aprovação das contas dos administradores. • CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO – É órgão de existência facultativa. Desta forma. simples. é necessário respeitar número mínimo de sócios. fusão. o quórum mínimo previsto na primeira convocação é de sócios representativos de 3/4 do capital social. fusão e dissolução da sociedade. sócio.101/05. antes de atingido aquele. dois terços do capital social para designação de administrador não– social. – maioria absoluta para designação de administrador sócio quando procedida absoluta. os membros do conselho deverão submeter-se aos mesmos requisitos . Já as deliberações devem obedecer aos seguintes números: – unanimidade do capital social para designação de administrador nãosocial. tanto na instalação como nas deliberações. Nesta hipótese. destituição de administrador não-sócio ou não-nomeado no contrato. além dos membros do Conselho Fiscal. é preciso a sociedade constituir-se sob a regência de uma sociedade anônima. as decisões podem ser tomadas em reunião de sócios Possui atribuições sócios). leia-se recuperação judicial ou extrajudicial). Para que suas decisões tenham validade.

desde que tenham residência no país e não ocupem assento em outro órgão da sociedade. e de 2/3. Compõe-se de. responsável por acompanhar os atos dos administradores. é composta por sócios (se eleitos no contrato social. pelo menos. cuja existência é facultativa. é necessária aprovação de mais da metade do capital social) ou não-sócios que administram a sociedade (neste caso. • DIRETORIA – Também chamada de gerência. precisa da aprovação de 3/4 do capital social. eleitos pela assembléia ou em reunião de quotistas. Para facilitar o entendimento. com suplentes em igual número. nem sejam seus empregados ou administradores. • CONSELHO FISCAL – É órgão de fiscalização dos negócios. Todos devem ser residentes no país.138 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel exigidos para os da sociedade por ações. vejamos o quadro-resumo a seguir. Suas atribuições e poderes não podem ser outorgados a outros órgãos. se em ato apartado. estando o capital social já integralizado). três membros. . e escolhidos entre sócios ou não. exige-se aprovação unânime dos demais. ou de outra por ela controlada. se o capital não estiver todo integralizado. Os gerentes representam a sociedade e a obrigam pelos seus atos regulares de gestão.

Possui existência obrigatória em todas as sociedades limitadas com número de sócios superior a dez (até dez. podendo ser convocada em outra época qualquer. • autorizar a incorporação. Suas decisões não têm força de obrigar a sociedade para com terceiros. nos quatro meses seguintes ao término do exercício social. Possui atribuições para opinar a respeito dos relatórios anuais dos administradores. todos residentes no país. quando em ato separado. mas residentes no país. a fim de trazer agilidade às decisões. além de prestar parecer nas demonstrações financeiras. residentes ou não no Brasil. É órgão máximo de deliberação. Seus atos obrigam a sociedade tanto interna como externamente. raramente encontrado numa limitada. eleitos e destituíveis pela assembléia. CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO DIRETORIA CONSELHO FISCAL Capítulo 2 — Direito de Empresa Reunião de quotistas. porém. Compõe-se de três membros. dentre outras. com existência obrigatória.071 do CC/2002: • designar. podendo o contrato conferir ao conselho de administração poder originário da assembléia. fiscalizando seus atos e denunciando irregularidades. • autorizar o pedido de concordata. destituir e aprovar as contas dos administradores e membros do conselho fiscal. 139 Série Impetus Provas e Concursos . ou cessação da liquidação. são transferidas ao conselho. Suas atribuições estão discriminadas no art. 1. fusão e dissolução. Deve obedecer ao seguinte quórum: para instalação – 3/4 do capital social em primeira convocação e qualquer número em segunda. cuja existência é facultativa. com permissão do próprio contrato. todos sócios.CAMPUS ASSEMBLÉIA DE QUOTISTAS QUOTISTAS Órgão de representação da limitada. destinada a resolver todos os negócios de interesse da sociedade. Não se permite participarem membros de órgão de administração e empregados da pessoa jurídica. Órgão de fiscalização dos negócios da sociedade. São eleitos pela assembléia. Suas atribuições geralmente são originárias da assembléia. as decisões podem ser tomadas em reunião de sócios Acontece sócios). Compõe-se de um mínimo de três membros. dentre sócios ou não. com existência facultativa. com suplentes em igual número. Compõe-se de sócios ou não. além de parentes até terceiro grau dos administradores. responsável por executar seu objeto. Colegiado de caráter deliberativo. • modificar o contrato social. eleitos e destituíveis pela assembléia.

expulsão de sócio por justa causa e destituição de administrador. quando feita em ato separado. • 2/3 para designação de administrador não-sócio. fixação da remuneração dos administradores. ou dissolução antes do prazo determinado. cessação da liquidação e dissolução da sociedade por prazo indeterminado. no caso de o capital já se encontrar totalmente realizado e destituição de administrador sócio. autorização de concordata.140 Direito Comercial — Carlos Pimentel Série Impetus Provas e Concursos deliberação: para deliberação • 100% do capital social para indicar administrador não-sócio (quando o capital não estiver todo integralizado). e demais assuntos que não exijam quórum qualificado. • maioria absoluta para designação de administrador sócio. . incorporação e fusão. • maioria simples para aprovação das contas dos administradores. que não tenha sido nomeado pelo contrato social. • 3/4 para alterar o contrato social. que tenha sido nomeado no contrato social. sócio ou não.

sendo alienado apenas aos fundadores. Sociedades Anônimas Disposições Preliminares Tipo societário regulado pela Lei no 6. em regra. sociedades de capital. Noutra.404/76. podendo ser qualquer um. Admite-se.2. não sendo possível impor barreiras ao ingresso de novos sócios. Exemplo: Tecelagem João Batista S. denominadas ações. Daí ser desnecessário alterar-se o estatuto social a cada ingresso ou exclusão de sócio. Em qualquer caso. A impessoalidade dos sócios é própria desse tipo social. pois o mais importante é o capital. São. a presença de nome de sócio fundador ou de outro que tenha contribuído com o sucesso da companhia. desde que não contrário à lei. que pode ser uma escritura pública lavrada em cartório ou. constituiem-se a partir de um estatuto. reunidos em assembléia de fundadores. à ordem pública e aos bons costumes. não as qualidades pessoais dos acionistas. a título de homenagem. Em decorrência da modalidade de subscrição do capital social.A. Assim como as sociedades em comandita por ações.1. Tecelagem João Batista etc. acompanhado de uma das expressões companhia ou sociedade anônima. por extenso ou abreviadas. a companhia sempre terá início a partir de um documento escrito. sendo por isso consideradas institucionais. adquirem todo o capital social por eles mesmos fixado. por isso. Entretanto. S. para sua composição. a companhia será sempre empresária. mesmo. 9. esta pode acontecer de duas maneiras: • por subscrição particular – quando a totalidade do capital social inicial é comprada apenas pelos fundadores. Independentemente da opção escolhida. Numa. poderão fazê-lo de duas formas. igual valor nominal. ou com a participação de outros investidores. O nome empresarial será apenas uma denominação..A. Caracteriza-se por apresentar seu capital dividido em partes de. fazem apelo ao público em geral. Companhia Tecelagem João Batista.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 141 Série Impetus Provas e Concursos 9. O objeto da sociedade anônima será definido em seu estatuto. a ata da assembléia de constituição. a sociedade nasce: . • por subscrição pública – quando acontece a oferta das ações ao público. 9. ofertando à venda parte do capital social (ações) que eles não puderam ou não quiseram adquirir. quando falamos da aquisição ou subscrição do capital social. Constituição Quando duas ou mais pessoas pretenderem fundar uma sociedade anônima.

pois. apenas com ações que se transferem de um acionista para outro (mercado secundário). Já o mercado de balcão compõe-se das sociedades corretoras e instituições financeiras que. por meio de agentes muitas vezes designados pelas pessoas jurídicas. Aqui cabe uma digressão a respeito do Mercado de Valores Mobiliários. Ao classificar as companhias entre abertas ou fechadas. enquanto as fechadas. debêntures e bônus de subscrição. ficando adstritas a contatos pessoais com os compradores (a qualquer tempo a companhia pode passar de uma a outra categoria). processarem a oferta via mercado de valores mobiliários. aliená-la a qualquer interessado.404/76 previu ainda a necessidade de a companhia obedecer aos seguintes requisitos para correta constituição: • pluralidade de pessoas – é condição comum a todos os tipos de sociedades previstos no Direito brasileiro. 4o da Lei das Sociedades Anônimas estabelece que as primeiras são as que têm seus valores mobiliários. não usufruem da mesma oportunidade. o art. Poderão. à exceção da subsidiária integral (sociedade anônima cujo capital encontra-se totalmente nas mãos de um único acionista. ainda que emitam esses títulos. o que não é possível é as companhias assim classificadas outrem. de títulos das companhias autorizadas pelo Governo Federal (não é autorização para funcionar. tanto a sociedade como o dono da ação. como ações. pela qual a sociedade fica temporariamente com . pessoa jurídica nacional). o mercado de balcão opera com uma ou outra forma. mas sem o apelo popular.142 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel • fechada – com o capital social inteiramente nas mãos dos fundadores. mas a permissão para o oferecimento público). através de uma autarquia conhecida como Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Este compreende a bolsa de valores e o mercado de balcão. A bolsa é uma instituição de Direito Privado que facilita o intermédio. igualmente. • aberta – com a oferta pública das ações. assim como da unipessoalidade incidental (hipótese prevista tanto no Código Civil de 2002 como na Lei das Sociedades Anônimas. mas realizado fora da bolsa. A Lei no 6. admitidos à negociação no Mercado de Valores Mobiliários. enquanto a primeira não trabalha com novas ações emitidas pelas companhias (mercado primário). posto ser o exercício da atividade livre a qualquer um que satisfaça as condições. Importante o leitor perceber que o fato de a sociedade ser considerada fechada não significa que ela ou os titulares dos valores mobiliários não possam vendê-los a outrem Em absoluto. A bolsa e o mercado de balcão diferem quanto ao produto. executam o trabalho de oferecimento público dos valores disponibilizados pelas sociedades anônimas.

pela satisfação do crédito). quando a sociedade for instituição financeira). quando detentor de parcela do capital social que tenha sido totalmente realizada. no mínimo. 106. conforme previsto no art. caso aquelas ações estejam sem a completa integralização (a lei prevê responsabilidade solidária entre vendedor e comprador dos títulos). o acionista só deixa de ser devedor da sociedade. até o ingresso de outro.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 143 Série Impetus Provas e Concursos um único sócio. de pleno direito. Sócio que não cumprir a obrigação deverá. quando for a sociedade regida pelo Código Civil). situação pela qual nenhuma obrigação mais poderia ser cobrada do subscritor. bens e direitos (sendo com bens. ser constituído em mora. • realização de 10%. do capital subscrito – significa dizer que pelo menos 10% do capital subscrito deverão ser alienados à vista (50% é o percentual exigido. do aumento do capital social. por exemplo. temos: • arquivamento do ato constitutivo – o estatuto social deverá ser arquivado na Junta Comercial. não podendo a penalidade ser superior a dez por cento do valor da prestação. perante a sociedade. 9. parágrafo 2o. a transação pode ser efetivada com o pagamento à vista de numerários ou. Na primeira hipótese. Como formalidade complementar à constituição. que poderá acontecer até a próxima reunião da assembléia geral ordinária. . seja no momento de sua fundação ou em período posterior. em se tratando de sociedade anônima. outra seria a aquisição de ações negociadas diretamente com outro acionista. mesmo. o sócio permanece devedor. Em resumo. continua responsável frente à sociedade. ou no prazo de cento e oitenta dias. sendo o negócio realizado a prazo. se alguém comprar ações de outro sócio. ou seja. se em direitos. mediante o pagamento do valor pactuado entre as partes. responsabiliza-se o subscritor por vícios na coisa. mesmo que tenha quitado sua obrigação com a parte alienante.3. Deveres dos Acionistas Há duas formas de entrar para o quadro social de uma sociedade anônima. quando. sujeitando-se à cobrança de juros e multa. Uma é subscrevendo parcela do capital da empresa. pela quantia não realizada do capital social. Entretanto. Idêntico raciocínio pode ser construído para a segunda hipótese. conforme fixação no estatuto. • depósito bancário – a parte do capital social vendida à vista deverá ser depositada em instituição financeira autorizada pelo Banco Central do Brasil.

o preço de emissão das ações adquiridas. 9. Responsabilidades dos Acionistas A responsabilidade dos acionistas é limitada ao preço de emissão das ações subscritas. O preço de emissão das ações.. o débito é imputado ao acionista controlador (aquele que tem. operação realizada por conta e risco do acionista. para fins de ser ele considerado remisso. maioria de votos nas deliberações e usa seu poder para dirigir a companhia) solidariamente com os administradores. baseado em observações econômicas (valor econômico ou de mercado mercado). Neste último caso. preço . 1.144 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Observem que a disciplina das sociedades anônimas dispensa a prévia notificação do sócio inadimplente. 4 – montante estipulado por analistas de mercado. assim como o não-pagamento de obrigações trabalhistas ou previdenciárias. junto à companhia. Não se confunde com qualquer outro valor atribuído às ações. que a sociedade pode promover execução contra o sócio remisso. valor 5 – valor fixado pela própria sociedade (preço de emissão emissão). ou depois. aspecto que estudaremos em tópico específico. Uma vez pago. como a lealdade. dentre outros. a medida cabível é a redução do capital social. ficam isentos de responder perante terceiros pelas obrigações assumidas em nome da pessoa jurídica. Outros deveres. São exceções a essa regra as hipóteses de desconsideração temporária da personalidade jurídica.4. conforme consta do art. prevê o art. permanentemente.004 do CC/2002. da forma como acontece nas sociedades contratuais. Verificada a mora do acionista. 2 – resultado da divisão do patrimônio líquido pelo número total de ações (valor patrimonial valor patrimonial).A. 107 da Lei das S. são normalmente imputados aos administradores. o zelo e a correta utilização das informações sobre a companhia. É que estas podem ser valoradas de variadas formas. por sua vez. como: 1 – resultado da divisão do capital social pelo número total de ações emitidas (valor nominal valor nominal). Caso não obtenha sucesso. enquanto que o efeito da desconsideração da pessoa jurídica atinge o(s) sócio(s) praticante(s) de ato(s) fraudulento(s). mesmo se o seu ativo for insuficiente para saldar todas as suas dívidas. Outra opção posta à disposição da pessoa jurídica contra o acionista remisso é a venda das ações em bolsa de valores. servindo o boletim de subscrição ou o aviso de chamada expedido pela companhia como título executivo. em assembléia geral ou reunião do conselho de administração. no próprio estatuto social. é fixado quando da fundação da companhia. 3 – quantia acordada entre vendedor e comprador das ações (valor negocial valor negocial).

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Em que pesem as muitas maneiras de enxergar o valor de uma ação, serve à definição da responsabilidade do acionista o preço de emissão. É dele que se permitirá indicar a existência de acionista remisso (inadimplente com a sociedade). Observem que competente para decidir a respeito da fixação do preço de emissão é a própria sociedade, através de seus membros. Estes deverão estar atentos à avaliação que a companhia alcança no mercado, para não emitirem ações com preço muito acima (hipótese na qual dificilmente conseguiriam vendê-las) nem abaixo (para não provocar uma diluição do patrimônio dos demais sócios) do que realmente valem. 9.5. Direitos dos Acionistas

Os acionistas gozam de direitos atribuídos pela lei ou pelo estatuto. São prerrogativas do tipo: fiscalizar a gestão dos negócios, votar nas deliberações da assembléia, colher dividendos proporcionais ao capital investido etc. A fim de facilitar o entendimento, iremos separá-los em duas categorias. A primeira é composta pelos direitos essenciais (os que não podem ser suprimidos), ao passo que a outra compõe-se dos não-essenciais (podem ser suprimidos). Desta forma, são considerados direitos essenciais, segundo o art. 109 da Lei o n 6.404/76: • participação no lucro e acervo da companhia – permite-se a retenção de lucros produzidos pela sociedade, desde que atinja todos os acionistas. Quanto ao acervo, este só se verifica em momento posterior à liquidação, quando é apurada a sobra porventura existente; • fiscalização da gestão – veremos, em seguida, que a administração da sociedade é concedida aos membros da diretoria e, se houver, do conselho de administração. Essas pessoas têm atribuições de conduzir os negócios da sociedade, praticando atos em nome da pessoa jurídica, que trarão repercussões para a vida social. Aos demais acionistas cabe fiscalizar a atuação desses agentes, afinal seus investimentos estão em jogo. O órgão competente para tanto é o conselho fiscal. Mas o acionista não precisa ficar adstrito a ele. Pode acessar livros sociais (desde que titular de, pelo menos, 5% do capital social), observar a prestação de contas dos administradores, além de outros instrumentos; • preferência na compra de valores mobiliários – no momento em que a companhia resolver colocar à venda novas ações ou, mesmo, debêntures, partes beneficiárias e bônus de subscrição (conversíveis em ações), tais títulos devem ser oferecidos inicialmente aos acionistas, que terão prazo de trinta dias para se manifestarem. Só após esse tempo, sem que tenha sido aproveitada a preferência, é que podem ser ofertados a terceiros;

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• direito de retirada – também conhecido como direito de recesso. Consiste no pagamento, por parte da sociedade, ao acionista dissidente de deliberação da assembléia geral na qual tenha sido parte discordante. Não é qualquer decisão contrária ao seu posicionamento, mas aquelas previamente definidas em lei. Assim, se a assembléia deliberou a mudança do objeto social ou a participação em grupo de sociedades, por exemplo, permite-se ao acionista que votou contra retirar-se do quadro social, mediante o pagamento do valor patrimonial das ações, a ser feito pela própria pessoa jurídica. A essa operação confere-se o nome de reembolso. Observem que o exercício desse direito não depende de autorização dos outros sócios; basta a materialização da hipótese legal para o seu exercício. Além desses direitos essenciais, existem outros que, diferentemente dos primeiros, permite-se serem negados ao acionista. Serve como exemplo o direito de voto nas assembléias gerais, que pode ser proibido aos detentores de partes das ações preferenciais (é espécie de ação caracterizada por conferir aos seus titulares direitos diferenciados, como prioridade na distribuição de dividendos e no reembolso do capital investido, mas podem não dar direito a voto). Sobre o tema, o art. 120 prevê a supressão, por parte da assembléia geral, de direitos aos acionistas que se encontrem em débito para com a companhia. É claro que os direitos aqui referidos não podem ser nenhum dos considerados irrenunciáveis, mas outros, a exemplo do direito a voto aos acionistas ordinários. 9.6. Administração da Companhia

A condução dos negócios de uma sociedade anônima compete a dois órgãos componentes de sua estrutura. Um é a diretoria, cuja existência é obrigatória; outro é o conselho de administração, obrigatório apenas nas de capital aberto, nas sociedades de economia mista (aquelas nas quais a maior parte do capital social pertence ao setor público, enquanto outra parcela está nas mãos da iniciativa privada) e nas de capital autorizado (sociedades cujos estatutos contêm, além da definição do capital subscrito, uma autorização para futura subscrição e conseqüente aumento de capital). Nas demais, a existência de conselho de administração é facultativa, ficando a critério dos próprios acionistas decidir sobre a matéria. Ambos os órgãos compõem-se de pessoas naturais. Do conselho somente participam acionistas, enquanto que a diretoria pode reunir sócios ou não. Em todo caso, são esses agentes que irão efetivamente administrar a companhia, sendo, portanto, considerados seus administradores.

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Relacionado a esse tema, o ponto que desperta o maior interesse da doutrina é a definição da responsabilidade dos administradores. O art. 158 da Lei no 6.404/76 estabelece que os administradores não são responsáveis por atos regulares de gestão, ainda que tragam prejuízo à pessoa jurídica. Responderão, contudo, quando procederem com culpa ou dolo, mesmo que no âmbito de seus poderes, ou quando violarem a lei ou o estatuto social. É a chamada responsabilidade subjetiva do agente, diante da empresa prejudicada. Desta forma, durante o período em que está à frente dos negócios, o administrador precisa tomar decisões, celebrar contratos, realizar operações, muitas vezes definindo o destino da organização. Evidente que ele, mesmo se cercando dos cuidados e diligências necessárias, pode cometer erros de previsão, quando determinado resultado seja aquém do esperado. Nesta hipótese, ainda que seu ato incorra em dano patrimonial à companhia, ele não fica obrigado a indenizá-la. Entretanto, se agiu irregularmente, extrapolando os limites de seus poderes, ou, mesmo, de forma negligente, imprudente ou com imperícia, ou, ainda, buscando aquele resultado danoso, estará passível de indenizar a sociedade, mediante ação de responsabilidade civil prevista no art. 159, interposta pela própria companhia, após deliberação da assembléia geral. Na inércia da pessoa jurídica, permite-se a qualquer acionista a iniciativa pela ação, desde que decorridos três meses da assembléia que deliberou pela sua impetração. Outrossim, ainda que contrária à decisão da assembléia, acionistas que representem pelo menos 5% do capital social poderão fazê-lo. Complementa a exegese do art. 158 a responsabilidade por omissão no cumprimento de deveres impostos por lei para assegurar o correto funcionamento da companhia. Significa dizer que o administrador que não providenciou determinada licença junto a um órgão público, por exemplo, pode responder perante a sociedade por prejuízo sofrido pela pessoa jurídica, oriundo da ação governamental no exercício de seu poder de polícia. Neste ponto, o mesmo art. 158 em análise faz uma diferença quanto às sociedades fechadas ou abertas. Sendo companhia de capital fechado, a responsabilidade pelo descumprimento de dever imposto por lei é solidária por todos os administradores, ainda que de áreas de atuação que não digam respeito especificamente àquela onde se deu a omissão. Escapa da responsabilidade o administrador de outra área que consignar, em ata de reunião do órgão do qual participe, sua divergência em relação à atuação omissiva. Por outro lado, em se tratando de sociedade de capital aberto, a solidariedade alcança apenas os administradores que tenham funções correlatas. Livram-se estes se consignarem em ata de reunião do respectivo órgão, desde que comuniquem a divergência à assembléia geral.

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Direito Comercial — Carlos Pimentel

Conclui-se que os administradores de sociedade de capital fechado devem ficar ainda mais vigilantes em relação à atuação dos demais, já que correm risco de responder solidariamente por omissões dos outros. Percebam que a responsabilidade tratada neste tópico é do administrador perante a companhia da qual participe, não diante de terceiros prejudicados. Isso acontece porque, na disciplina da Lei da Sociedades por Ações, não há previsão de o administrador de sociedade por ela regida responder diretamente por danos provocados a terceiros decorrentes de atuação sua. Seguindo aquele diploma, é a pessoa jurídica quem tem obrigação de ressarcir terceiros prejudicados, cabendo-lhe direito regressivo contra o administrador, desde que configuradas hipóteses legais. No entanto, a partir do que estabelece o art. 1.089 do Código Civil, que prevê a regência supletiva das disposições do código para as sociedades anônimas, o art. 1.015 veio suprir uma lacuna da Lei no 6.404/76, ou seja, da combinação de ambos possibilita-se a responsabilização direta do administrador que provocou danos a terceiros, conforme exposto no item específico tanto das sociedades simples como das limitadas. 9.7. Órgãos da Companhia

Na busca em realizar seu objetivo, a sociedade anônima necessita estar organizada, com suas funções distribuídas por órgãos específicos, assim conhecidos: • ASSEMBLÉIA GERAL – reunião dos acionistas competentes para resolver todos os negócios de interesse da companhia. Pode ser: ordinária – acontece sempre nos quatro meses seguintes ao término do exercício social, para tratar de assuntos rotineiros, relacionados no art. 132, quais sejam: tomar as contas dos administradores e votar as demonstrações financeiras, deliberar sobre destinação do lucro e distribuição de dividendos, eleger administradores e membros dos conselho fiscal, além de aprovar a correção da expressão monetária do capital social; extraordinária – acontece a qualquer época, servindo para decidir temas não-rotineiros, tais como: reforma do estatuto, transformação, fusão, incorporação e cisão da companhia, autorização aos administradores para confessar falência ou pedir concordata (esse instituto foi substituído pela recuperação judicial ou extrajudicial), criação de partes beneficiárias, entre outros. Geralmente diz-se que os assuntos concernentes à AGE são determinados por exclusão, ou seja, não sendo nenhum daqueles discriminados no art. 132, compete à assembléia extraordinária.

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Para a legalidade das deliberações de uma assembléia, existem certas formalidades a serem seguidas, como forma de convocação, lavratura das atas e número mínimo de acionistas. O quantitativo de presentes é importante em dois momentos. No primeiro, avalia-se a presença de acionistas para iniciar a reunião. Depois, a quantidade necessária à aprovação das matérias. Logo, tem-se que respeitar os seguintes quóruns: para instalação – a regra geral é a presença de acionistas que representem pelo menos 1/4 do capital social com direito a voto, na primeira convocação. Não atingido esse número, vale qualquer percentual em segunda convocação. Se o objeto da reunião for a reforma do estatuto, eleva-se a representatividade do capital social a 2/3, pelo menos, na primeira convocação, sendo qualquer número na segunda; para deliberação – a regra geral é a maioria dos acionistas com poder de voto presentes à reunião, respeitada a proporcionalidade de participação no capital social de cada um. Versando o assunto sobre matérias constantes do art. 136 da Lei no 6.404/76 (fusão, cisão, participação em grupo de sociedades, mudança de objeto etc.), é necessário voto da metade representativa do capital social. Unanimidade será necessária para aprovar a transformação da companhia, salvo se prevista no estatuto. • CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO – órgão de deliberação colegiada obrigatório nas S.A. de capital aberto, de capital autorizado e nas de economia mista. Compõe-se de, pelo menos, três membros, todos sócios, segundo o caput do art. 146 da Lei das Sociedades Anônimas, residentes ou não no país, eleitos e destituíveis pela assembléia. O art. 142 elenca as atribuições desse órgão, dentre elas: eleger e destituir diretores, fixando suas remunerações; promover orientação geral dos negócios e fiscalização da gestão dos diretores, além de deliberar, quando autorizado pelo estatuto, a emissão de ações e bônus de subscrição. A finalidade da existência do conselho é conferir maior agilidade a decisões originárias da assembléia, porém não-privativas, repassadas por delegação. • DIRETORIA – é órgão de representação da companhia, além de ser responsável pela execução de seu objeto. Compõe-se de, pelo menos, dois membros, acionistas ou não, mas com residência no país, eleitos e destituíveis a qualquer tempo pelo conselho de administração ou, se não houver, pela assembléia. Na sua composição, admite-se até um terço dos membros do conselho de administração. São eles que irão efetivamente administrar a companhia.

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Direito Comercial — Carlos Pimentel

• CONSELHO FISCAL – órgão de fiscalização dos negócios da empresa, com atribuições previstas no art. 163, dentre elas, opinar sobre relatório anual da administração, fiscalizar atos dos administradores; denunciar aos órgãos de administração erros, fraudes ou crimes que descobrirem etc. Compõe-se de, no mínimo, três a, no máximo, cinco membros, além de suplentes em igual número, eleitos pela assembléia, entre acionistas ou não (não podem participar integrantes de outros órgãos da administração). Pode funcionar de forma permanente ou apenas nos exercícios nos quais houver pedido de acionistas (nas sociedades de economia mista, seu funcionamento é permanente). O quadro na folha seguinte facilita a compreensão da matéria.

CAMPUS

ASSEMBLÉIA GERAL

CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO DIRETORIA CONSELHO FISCAL

Capítulo 2 — Direito de Empresa

Reunião de acionistas da companhia. É órgão máximo de deliberação, podendo o estatuto conferir ao conselho de administração poder pertencente à AG, menos os descritos no art. 122, por serem de sua competência privativa, tais como: reforma do estatuto, eleição no conselho fiscal, emissão de debêntures etc. Pode ser: ordinária – acontece sempre nos quatro meses seguintes ao término do exercício social, para tratar de assuntos rotineiros descritos no art. 132, como tomar contas dos administradores, votar as demonstrações financeiras, deliberar sobre destinação do lucro, eleição dos administradores e membros do conselho fiscal; extraordinária – realizada em qualquer época para tratar de temas não-rotineiros, como reforma do estatuto, emissão de debêntures e partes beneficiárias, mudança de objeto, transformação, autorização aos administradores a confessar falência ou pedir concordata etc.

Colegiado de deliberação, com existência facultativa, salvo nas sociedades anônimas de capital aberto, de capital autorizado e nas de economia mista. Suas atribuições estão no art. 142 da Lei das S.A. Geralmente, são originárias da assembléia geral, porém, a fim de trazer agilidade às decisões, são transferidas ao conselho, com permissão do próprio estatuto, senão, vejamos: deliberar sobre a emissão de ações e bônus de subscrição (exigível autorização estatutária), orientação geral dos negócios, eleição e destituição dos diretores, além de auditores independentes, se houver. Suas decisões não obrigam a companhia para com terceiros. Compõe-se de três membros, todos sócios, residentes ou não no Brasil, eleitos e destituíveis pela assembléia geral.

Órgão de representação da companhia, obrigatório em todas as sociedades anônimas, responsável pela execução de seu objeto. Seus atos obrigam a companhia, tanto interna como externamente. Compõe-se de, pelo menos, dois membros, acionistas ou não, residentes no país, eleitos e destituíveis pelo conselho de administração ou pela assembléia geral. O mandato é de três anos, permitida a reeleição.

Órgão de fiscalização dos negócios da companhia, obrigatório em todas as sociedades anônimas, mas de funcionamento permanente facultativo, salvo nas de economia mista. Sua função é opinar a respeito dos relatórios anuais dos administradores, fiscalizando seus atos e denunciando incorreções, além de prestar parecer nas demonstrações financeiras. Compõe-se de três a cinco membros, com suplentes em igual número. São eleitos em assembléia geral, dentre acionistas ou não, mas residentes no país. Não podem participar do conselho membros de órgão de administração, empregados da companhia ou parentes até terceiro grau dos administradores.

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Excetuam-se as hipóteses do art. 1/4 do capital social com direito a voto. Para reforma do estatuto. são 2/3 do capital social votante.152 Série Impetus Provas e Concursos O quórum obedece às seguintes regras: para instalação – em primeira convocação. para deliberação – a regra é a maioria dos acionistas com poder de voto presentes à reunião. salvo se houver no estatuto. Direito Comercial — Carlos Pimentel . passando à metade do capital social com direito a voto (em ambos se respeita a participação de cada sócio no capital social). Unanimidade é para a aprovação de transformação. e qualquer número em segunda. vale qualquer número. Em segunda. 136.

exceto em algumas situações muito especiais previstas nos arts. Valores Mobiliários 9. prevendo sua futura liquidação.8. observando disciplinamento do estatuto.8. o acionista não pode opor-se a ele. desde que já se encontre com um percentual mínimo de 30% de integralização. inclusive. posto que. a finalidade é reduzir a pulverização do capital social. a sociedade adquire ações pertencentes aos sócios.. podendo. ordinárias ou preferenciais.A. seus novos adquirentes passam a titularizar direitos frente à empresa. à sociedade proíbe-se negociar com ações por ela emitidas. Se tiverem.1. estudadas adiante. • amortização – é o adiantamento feito a acionista participante do acervo social cujas ações. são substituídas pelas de gozo ou fruição. senão vejamos: • resgate – através dessa operação. Esse ato possui natureza impositiva. 9. a lei nega a possibilidade de a companhia adquirir dos sócios suas próprias ações. além de ser proprietário de um bem de fácil negociação. posto que a sociedade. São quatro os tipos de papéis: ações. 44 e 45 da Lei das S. a fim de retirá-las definitivamente de circulação. ou até tornar a companhia fechada. Esses papéis constituem verdadeiros instrumentos na canalização de numerário necessário à realização do projeto empresarial. No entanto.2. não pode haver redução do capital social. sob pena de nulidade do ato). decidir os destinos da companhia. Aqui. partes beneficiárias e bônus de subscrição. . obrigatoriamente os valores individuais serão iguais (não se permite a emissão de ações por preço inferior ao seu valor nominal. começa a pagar aos sócios valores que somente seriam devidos quando partilhassem o acervo social. ou 10%. pelo menos na regra geral. debêntures. com redução ou não do capital social. Conceito A fim de captar recursos. Em outras palavras. em se tratando de companhia aberta.8. Não há qualquer óbice ao direito de o acionista vender suas ações. confere-se às sociedades por ações o direito de emitir e alienar títulos no mercado. se a sociedade for fechada. Uma vez negociados. torna-se acionista da sociedade. se autorizado pela assembléia geral. Ações São unidades do capital social e seu número será fixado pelo estatuto da companhia. que vai estabelecer se elas terão ou não valor nominal. Para essa operação. O titular de uma ação de qualquer espécie.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 153 Série Impetus Provas e Concursos 9. trata-se de uma distribuição de quantias em favor dos acionistas a título de antecipação. Na realidade.

Ocorre quando ela adquire tais títulos para permanência em tesouraria. com recursos provenientes dos lucros ou reservas. as ações reembolsadas ficarão em tesouraria pelo prazo máximo de cento e vinte dias. não ordinárias. • ações em tesouraria – é outra forma de a sociedade negociar com suas próprias ações. garantindo-se. De outra forma. pelo prazo fixado no estatuto. O valor do reembolso poderá ser pago à conta de lucros ou reservas. reduz-se o capital social. sem direito a voto. exceto a legal e. 15 da Lei das S.154 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel • reembolso – é a operação pela qual a sociedade adquire ações de sócio que esteja praticando o direito de recesso (ver item 9. enquanto o restante fica em igualdade de condições com as ordinárias.5 deste Capítulo). Significa afirmar que é facultado às companhias emitirem até a metade de suas ações. tais como voto na assembléia e recebimento de dividendos. b) ao . • preferenciais – além de outros direitos definidos na lei. calculado na forma do art. pelo menos. O art. O parágrafo 2o do art. conferem prioridade na distribuição de dividendos. suprimem-se direitos inerentes ao titular das ações. Faculta-se ainda terem poder de voto. prerrogativa que conservarão até que tais pagamentos sejam feitos. além do direito de voto. ações preferenciais sem direito a voto ou com restrição desse direito somente podem ser admitidas à negociação no mercado de valores mobiliários se a elas for atribuído pelo um dos seguintes direitos: a) aos dividendos distribuídos correspondentes a. Sua propriedade confere direitos de participação nos lucros e acervo da companhia.A. Se. fixos ou mínimos. 3% do valor do patrimônio líquido da ação. 25% do lucro líquido. Só que a metade sem esse direito deverá. que não poderá ser superior a três exercícios consecutivos. 202. aqui entendidas de todas as espécies. no mínimo. limitou em 50% do número total de ações emitidas o quantitativo de ações preferenciais sem direito a voto ou com restrição nesse direito. São espécies de ações: • ordinárias – são de existência obrigatória em todas as sociedades por ações. a sociedade não pagar dividendos fixos ou mínimos. ser composta de preferenciais. neste período. 111 garantiu aos acionistas preferenciais sem direito a voto a aquisição desse direito quando. Nesta condição. nesse caso. e no reembolso do capital social. necessariamente. os acionistas não forem substituídos. e com prioridade no recebimento.

vedando-se a separação por classes. nas condições previstas no art. por ação preferencial. o art. De outra forma. as quais podem ser escriturais ou. No entanto. as ações podem ser: • nominativas – possibilitam a identificação de seus titulares. Nesta situação. Na forma. O art. consta o nome do proprietário. Contudo. respeitando-se os mesmos direitos que eram concedidos às substituídas. de sorte que as ações ordinárias das sociedade anônima de capital aberto devem atribuir a seus titulares o mesmo conjunto de direitos. que previam a emissão de ações endossáveis e ao portador.021/90. foram revogados pela Lei no 8. Para que os beneficiários não fiquem sem títulos representativos da pessoa jurídica. 32 e 33. 20. • de gozo ou fruição – apesar do pouco uso. inclusive. os arts. assegurado o dividendo pelo menos igual ao das ações ordinárias. registradas. pertencente à sociedade. além da transferência da cártula. Quando são alienadas. ou c) de serem incluídas na oferta pública de alienação de controle. de acordo com os direitos que conferem a seus titulares. . a pessoa jurídica amortiza parte de sua dívida com os acionistas. quando a companhia resolver antecipar aos titulares desses dois tipos de ações valores a que eles só teriam direito por ocasião da liquidação da sociedade. Permite-se a divisão das ações em classes. e sua propriedade importa em registro no Livro de Ações Nominativas.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 155 Série Impetus Provas e Concursos recebimento de dividendo. prevê como forma das ações apenas as nominativas. A circulação delas se processa por meio de lançamento contábil na conta específica. 254-A. o art. • escriturais – são aquelas que não possuem certificados. parágrafo 1o. pois são mantidas em conta de depósito numa instituição financeira autorizada pela Comissão de Valores Mobiliários. 15. pelo menos 10% maior que o atribuído a cada ação ordinária. Conclui-se. 34 admite a emissão de ações a serem mantidas em conta de depósito aberta em nome do acionista. pois. no registro próprio. ao mesmo tempo em que retira de circulação ações de sua emissão. emitem-se ações de gozo ou fruição. Na verdade. que todas as ações devem ser nominativas. portanto. as ações dessa forma também são nominativas. conforme a doutrina vem consagrando. restringiu tal separação às ações ordinárias de companhia fechada e às preferenciais da companhia aberta ou fechada. Sua principal finalidade é a redução de papéis na companhia. são empregadas na substituição de ordinárias ou preferenciais. faz-se registro no mesmo livro.

e 59. No entanto. . permite-se sua conversão em ação.156 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Em se tratando de ações ordinárias de companhias fechadas. Debêntures São títulos igualmente emitidos pelas sociedades anônimas. contudo. apesar de sua escritura de emissão poder prever a conversibilidade em ação. Em se tratando de debêntures sem garantia ou subordinada.8. ou podem ser atribuídas gratuitamente a fundadores. haver mais de uma classe ou série de partes beneficiárias (art.4. a atribuição para emissão pode ser delegada ao conselho de administração. empréstimos feitos por ela junto ao público. Proíbe-se ao seu titular exercer direito privativo de acionista. cuja propriedade confere direito de crédito contra a companhia pois representam verdadeiros companhia. 46. b) exigência de nacionalidade brasileira do acionista. desde que previsto no estatuto e mediante capitalização de reserva criada para esse fim. parágrafo 1o. direito de um titular desse título é contra parcela de lucro da companhia (não se permite comprometimento de percentual superior a 10% no pagamento de partes beneficiárias). inciso IV.8. Se a sociedade não apresentar resultado positivo. acionistas (como vantagem adicional de classes de ações) ou a prestadores de serviços (por retribuição de trabalhos realizados). prevê o art. com intuito de amealhar recursos para seu caixa. Caracterizam-se por ser estranhas ao capital social e por conferir aos seus proprietários direito de crédito apenas eventual contra a companhia ou seja. c) direito de voto em separado para o preenchimento de determinados cargos de órgãos administrativos. O debenturista não é sócio. mas credor da sociedade. As partes beneficiárias podem ser alienadas pela companhia. o companhia. 16 que podem ser de classes diversas em função de: a) conversibilidade em ações preferenciais. 9. 9. 122. Proíbe-se.3. A deliberação para emissão de debêntures é de competência privativa da assembléia geral e o valor total da emissão não pode ser superior ao capital social. Partes Beneficiárias Constituem outra categoria de títulos emitidos pelas sociedades anônimas de capital fechado. parágrafo 4o). seu proprietário simplesmente não terá valor a reclamar. conforme a combinação dos arts. desde que autorizada pela assembléia geral.

Bônus de Subscrição Esse título pode ser emitido toda vez que a sociedade resolver lançar novas ações no mercado. estes gozam do direito de preferência para adquirir o bônus.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 157 Série Impetus Provas e Concursos O art. é uma forma de seu titular garantir prioridade na aquisição de novas ações. até determinado limite de autorização). seu adquirente deverá desembolsar o preço fixado. se o estatuto não atribuir tal aptidão ao conselho de administração. em função dos direitos conferidos ao titular.8. 9. sendo também conhecida por subquirografária. em caso de falência. • sem garantia – não gozam de qualquer privilégio. 53 permite a emissão de debêntures de mais de uma série. hipoteca. Não se trata. na ordem de subordinada prioridade de satisfação dos créditos. • com garantia flutuante – a maior garantia desta espécie só se materializa em caso de falência da sociedade emissora. portanto.5. Há quatro espécies desse título: • com garantia real – conferem a seu titular uma segurança maior no recebimento de seu crédito. Apesar de não ser uma faculdade restrita aos acionistas. Normalmente é alienado pela companhia. ações ou partes beneficiárias. . mas pode ser atribuído gratuitamente como vantagem adicional a titulares de debêntures. Se alienado. ele será apresentado simultaneamente ao pagamento do percentual mínimo do preço de emissão das ações. É de uso exclusivo das companhias de capital autorizado (aquelas em cujo estatuto já consta previsão para futuro aumento do capital subscrito. Na verdade. A deliberação para sua emissão compete à assembléia geral. assim como é a deliberação a respeito de debêntures e partes beneficiárias. ficando seu titular situado na mesma situação dos credores quirografários. Por ocasião da subscrição das novas ações. anticrese) sobre determinado bem. de competência privativa da assembléia. quando seu titular terá seu crédito classificado junto a outros com privilégio geral geral. • subordinada – esta espécie aparece ainda abaixo da anterior. posto estarem garantidas por um direito real (penhor.

tornou obrigatória às sociedades anônimas a manutenção dos seguintes livros: a) Registro de Ações Nominativas. previstas no art. a diretoria da companhia fará elaborar as seguintes demonstrações financeiras.9. conseqüentemente. ordenada judicialmente. prevê o art. Para tanto. quando apontados atos violadores da lei ou do estatuto. pessoas físicas ou jurídicas. permitindo-se à companhia cobrar o custo do serviço. e. Sim. 9. conforme exposto no item 11 do Capítulo 1. Evidente que nem todos esses livros são de uso obrigatório a todas as companhias. ainda sobre o acesso à escrituração da companhia. b) Transferência de Ações Nominativas. e de Registro e Transferência de Partes Beneficiárias Nominativas podem ser substituídos por registros mecanizados ou eletrônicos A respeito do acesso às informações constantes dos livros. Na hipótese de indeferimento do pedido. a pedido de acionistas que representem 5% do capital social. obrigatório a todos os empresários. devem se destinar à defesa de direitos e ao esclarecimento de situações de interesse pessoal ou dos acionistas ou do mercado de valores mobiliários. g) Atas e Pareceres do Conselho Fiscal.404/76. dispensam tal escrituração. Em se tratando de companhias abertas. 105 a exibição por inteiro dos livros da companhia. especialmente em seu art. c) Registro de Partes Beneficiárias Nominativas e Transferência de Partes Beneficiárias Nominativas. o parágrafo 1o do mesmo art. os Livros de Registro e Transferência de Ações Nominativas. f) Atas das Reuniões do Conselho de Administração e Atas das Reuniões da Diretoria. 100. cabe ao interessado recurso à Comissão de Valores Mobiliários. porque há aquelas que não possuem conselho de administração ou que não emitem partes beneficiárias. De outra forma. 100 garante a qualquer pessoa o fornecimento de certidões dos assentamentos constantes dos livros citados no parágrafo anterior. ou haja fundadas suspeitas de graves irregularidades na atuação dos órgãos da sociedade. por exemplo. a Lei no 6. 176: . d) Atas das Assembléias Gerais. Livros Sociais Além do Livro Diário. e) Presença dos Acionistas.10. Demonstrações Financeiras Ao final de cada exercício social.158 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 9.

a partir da discriminação das receitas e despesas. aquisição de ativo imobilizado. a exemplo do lucro do exercício. da realização do capital social ou dos recursos de terceiros. além das transferências para reservas. b) demonstração dos lucros ou prejuízos acumulados. Por último.1. redução do passivo etc.11. a parcela dos lucros incorporada ao capital e o saldo ao fim do período. os ajustes dos exercícios anteriores e a correção monetária do saldo inicial. até chegar no lucro ou prejuízo líquido do período. Já o patrimônio líquido representa o resultado da equação do ativo subtraído do passivo. quando todos terão que suportar proporcionalmente a perda. d) demonstração das origens e aplicações de recursos. passivo e patrimônio líquido da companhia.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 159 Série Impetus Provas e Concursos a) balanço patrimonial. 981 do Código Civil. No passivo estão contabilizadas as obrigações. É claro que esse pode ser aquém do esperado ou. seja no pagamento de dividendos. negativo. Reservas e Dividendos 9. um instrumento capaz de expor as modificações na posição financeira da companhia. indicando basicamente as fontes dos recursos.Disposições Preliminares Na definição de sociedade. igualmente classificadas em ordem decrescente de exigibilidade. assim como da utilização dos mesmos. A demonstração do resultado do exercício exprime o resultado positivo ou negativo da companhia. Contudo. indicando o saldo do início do período. as reversões de reservas e o lucro líquido do exercício. É no ativo que se localizam as contas representativas de bens e direitos da companhia. dispostas na ordem decrescente do grau de liquidez. os dividendos. . c) demonstração do resultado do exercício. O balanço patrimonial deve apresentar as contas de ativo. posta no art. o legislador deixou claro que as pessoas que dela resolvem participar o fazem na intenção de partilhar o resultado obtido. pois é da essência daquela pessoa jurídica a busca pelo lucro. mesmo. a demonstração das origens e aplicação de recursos. Lucros. ninguém ingressa no quadro social de sociedade pensando em perder. A demonstração de lucros ou prejuízos acumulados reflete o desempenho social. 9.11.

senão vejamos: a) reserva legal.A. explicitando natureza e modo de criação. chega-se ao lucro líquido do exercício. f) reserva de capital. 193 a 200. antes de qualquer participação. Constitui-se com a destinação obrigatória de 5% do lucro líquido. Portanto. 182. nessa ordem (art. d) retenção de lucros. se o produto da aplicação desse percentual sobre o lucro líquido ultrapassar o valor equivalente a 20% do capital social. 9. Isso acontece por várias razões. parágrafo único). havendo prejuízo no exercício. pelas reservas de lucros e pela reserva legal. base para a constituição das reservas e pagamento de dividendos aos acionistas. b) reservas estatutárias. administradores e partes beneficiárias. c) reservas para contingências. o parágrafo 1o. Por lado. De outra forma. 190 a necessária dedução das participações estatutárias de empregados. serão deduzidos os prejuízos acumulados e a provisão para Imposto de Renda.160 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Partindo dessa premissa.2. exceder em 30% o capital social. Somente após todas essas reduções. No entanto. será este último montante o seu limite máximo. 193 permite a não-constituição da reserva legal naquele exercício em que o seu saldo. e) reserva de lucros a realizar. do art. do resultado do exercício. antes de qualquer outro encaminhamento. . está a companhia desobrigada de destinar parte do lucro para a reserva legal. Os arts. somado com as reservas de capital referidas no parágrafo 1o do art. este será absorvido pelos lucros acumulados. o art. 189 da Lei das S. Do que sobrar após a feitura dessa equação. É por essa razão que somente pode ser usada para compensar prejuízos ou aumentar o capital social. da Lei das S. basta somar o saldo de ambas as reservas constantes do patrimônio líquido e comparar o montante com o capital social. conforme a natureza da reserva. prevê o art. nessa ordem. trazem as formas de reservas a serem constituídas por companhia. estabeleceu que. A reserva legal tem por fim assegurar a integridade do capital social. 189.11. Sendo a soma superior ao capital social em 30%.Reservas As reservas são justamente a parcela do lucro líquido do exercício não distribuída aos acionistas.A.

d) doações recebidas e subvenções para investimento. que os recursos que ingressarem na companhia a título de: a) ágio na emissão de ações. . A criação dessa reserva é feita pela assembléia geral. Desta forma. possuem alguma relação com ele. a diminuição do lucro decorrente de perda julgada provável. Por fim. d) incorporação ao capital social. conforme o nome sugere. as reservas de capital. dispõe o art.. sejam todos destinados à formação das reservas de capital. por ocasião de futuros prejuízos. 200 que somente podem ser utilizadas: a) na absorção de prejuízos que ultrapassarem os lucros acumulados e as reservas de lucros. da Lei das S. 182. Apesar da faculdade conferida. Na verdade. mas a criação é feita por meio do estatuto social. b) no resgate. embora contabilizados. pelo menos até não prejudicar a distribuição de dividendos obrigatórios aos acionistas. cujo valor possa ser estimado. somente irão ingressar no caixa da sociedade em exercícios futuros. A diferença entre um e outro valor será a soma da reserva. é uma atitude prudente por parte da sociedade. Uma vez constituídas as reservas de capital. 198 limita a formação desse tipo de reserva. a exemplo da reserva destinada ao pagamento de debêntures. de que trata o art. têm previsão na lei. parágrafo 1o. Desta forma. c) resgate de partes beneficiárias. b) produto na alienação de partes beneficiárias e bônus de subscrição.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 161 Série Impetus Provas e Concursos As reservas estatutárias. e) pagamento de dividendo a ações preferenciais. que são formadas por contas que. será revertida. c) prêmio recebido na emissão de debêntures. Originam-se na conformidade das necessidades da companhia. Para tanto. da mesma forma que as reservas estatutárias. em exercício futuro. por proposta dos órgãos de administração e. previu o art. prevê o art. conforme dispõe o art. não pode prejudicar o pagamento dos dividendos mínimos obrigatórios. depende de deliberação da assembléia geral. no exercício em que deixarem de existir as razões de sua criação ou que ocorrer a perda. As reservas de lucros a realizar são aquelas formadas em função de lucros que. 17. 202. se previstas tal vantagem no estatuto social. reembolso ou compra de ações. Desta forma. seria temerário à sociedade distribuí-los a partir de recursos que efetivamente ainda não deram entrada. a fim de evitar abalo em sua saúde financeira. parágrafo 5o. nos termos do art. A sociedade pode proceder à retenção de lucros para investimentos.A. 202. o art. por proposta dos órgãos de administração e. apesar de obrigada ao pagamento do dividendo legal aos acionistas. apesar de não integrarem o capital social da sociedade. 197 que a companhia pode constituir esse tipo de reserva naqueles exercícios em que o dividendo mínimo obrigatório for superior à parcela realizada do lucro. As reservas para contingências são criadas para compensar.

a serem fixados no estatuto da companhia. diminuído ou aumentado dos seguintes valores: (-) importância destinada à formação da reserva legal. São elas: a) sendo a companhia aberta ou fechada. serão solidariamente responsáveis administradores e membros do conselho fiscal.11. mesmo. pressupõe-se a má-fé quando a distribuição tenha sido feita sem o levantamento de balanço ou em desacordo com os resultados desse. (+) reversão das reservas de contingência formadas em exercícios anteriores. devendo repor ao caixa social a importância distribuída. O art. mas o destino da quantia retida tem que ser para captação de recursos por debêntures não convertidas em ações.11. Entretanto. estes não poderão ser inferiores a 25% do mesmo lucro líquido ajustado. de lucros acumulados. (-) importância destinada à formação da reserva para contingência. citado no parágrafo antecedente. proporcionalmente ao investimento realizado por cada um na sociedade. reduzir-lhes seu valor. 9. por deliberação da assembléia geral. Se o fizerem. 202 determina a destinação para pagamento de dividendos de metade do lucro líquido do exercício. se os órgãos de administração informarem à assembléia geral ser o pagamento incompatível com a sua situação financeira (art.162 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 9. parágrafo 4o). se coniventes.3. Já os acionistas que os tenham recebido de boa-fé não são obrigados à devolução. igualmente por deliberação unânime da assembléia geral. 201 determina que somente pode haver pagamento de dividendos à conta do lucro líquido. De outra forma. 202. na omissão do estatuto. sem prejuízo da ação penal cabível. há hipóteses nas quais a companhia pode deixar de pagar os dividendos obrigatórios ou. desde que não haja oposição de nenhum acionista presente. a lei criou os dividendos obrigatórios. o art. porém. da reserva de lucros ou. se a assembléia geral pretender promover alteração estatutária no sentido de fixar os dividendos obrigatórios. em se tratando de ações preferenciais. não haja tal previsão no estatuto. . Caso. b) em se tratando de companhia fechada. à conta das reservas de capital. claro.1. c) se a companhia for aberta. não podem os administradores determinar o pagamento de dividendos naqueles exercícios nos quais a sociedade apresente prejuízo e não disponha daquelas reservas previstas no caput do art. 201.Dividendos Podem ser conceituados como a parcela do lucro líquido da companhia que será destinada ao pagamento dos acionistas.3. Dividendos Obrigatórios A fim de preservar o interesse dos acionistas minoritários contra abusos dos que detêm o poder de controle na companhia. Pelo parágrafo 2o do art. 201. Desta forma.

os acionistas ordinários simplesmente ficam sem receber seus dividendos.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 163 Série Impetus Provas e Concursos 9. de pleno direito. Por último. prioritários são os dividendos pagos aos acionistas preferenciais. algumas regras. concedendo-se um prazo até a assembléia seguinte para a recomposição do quadro social como. que podem ser fixos ou mínimos. Dissolução. e) pela extinção.3. . esses conceitos não se alteram.8. Na disciplina das sociedades por ações. d) pela existência de um único acionista (unipessoalidade incidental).A. Dividendos Prioritários Vimos no item 9. na forma da lei. Pois bem. A base de cálculo para pagamento dos dividendos prioritários ou preferenciais é o lucro líquido do exercício. 9. no mínimo. da companhia: a) pelo término do prazo de duração. prevê as seguintes hipóteses para dissolução. 203. Fixos são os dividendos prioritários determinados em valores absolutos. c) por deliberação da assembléia geral (exige-se quórum qualificado de metade dos acionistas representantes do capital social). quando comparados com os titulares de ações ordinárias. deste capítulo que os acionistas preferenciais gozam de prioridade na distribuição de dividendos.11. quando acontece o fim da personalidade jurídica. ou em percentual do patrimônio líquido. deste Capítulo). a extinção. O art. de autorização para funcionar. mudam. deduzido apenas da reserva legal. A liquidação representa a alienação do ativo para que seja partilhado entre credores e sócios da pessoa jurídica. b) nos casos previstos no estatuto. contudo. verificada em assembléia geral ordinária. conforme a exegese do art. dois acionistas (excetua-se a subsidiária integral).. deixando de aceitar novos pedidos e comprometendo aqueles já realizados. Liquidação e Extinção Conforme exposto no item referente às sociedades contratuais.2.2. 206 da Lei das S.2. ao passo que os prioritários mínimos são em percentual sobre o valor pago aos acionistas ordinários (o leitor deve se reportar ao item 9. devemos entender por dissolução a etapa na qual a sociedade interrompe a sua atividade econômica. Na hipótese de tal pagamento consumir todo o lucro líquido apurado.12. Essa regra se sobrepõe à dos dividendos obrigatórios.8.

em seu art. sem prévia autorização da assembléia. b) quando. Por outro lado. com destaque para a prática de todos os atos necessários à liquidação.1. competindo à assembléia geral nomear o liquidante e o conselho fiscal. São elas: a) quando. o art. gravar bens nem contrair empréstimo. A dissolução pode ainda se materializar por decisão de autoridade administrativa competente.164 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Por decisão judicial é a dissolução que ocorre nos casos de: a) quando anulada a sua constituição. inclusive alienar bens móveis ou imóveis. para as sociedades por ele regidas. o conselho fiscal pode não ter funcionamento permanente. Essa é a regra geral. receber e dar quitação. Não pode. se autorizado pela assembléia. 209 prevê hipóteses em que a dissolução é amigável. opera-se. dissolvida a companhia de pleno direito por conta de extinção de autorização para funcionar. equipara esse agente aos administradores da sociedade. os administradores ou a maioria dos acionistas se recusarem a proceder à liquidação amigável. salvo quando indispensáveis ao pagamento de obrigações inadiáveis. Se a companhia tiver conselho de administração. o art. são os mesmos do liquidante das sociedades contratuais. bastando o pedido de qualquer acionista.104. contudo. 1. Em relação às responsabilidades do liquidante. igualmente judicial será a liquidação. transigir.1. assim como fez o Código Civil. em regra. já reproduzidos no item 7. em ação proposta por acionistas que representem pelo menos 5% do capital social. No entanto. c) em caso de falência. porém a liquidação passa a ser judicial.A. conforme haja previsão em lei especial. quando a dissolução for judicial. deste Capítulo. salvo. em ação proposta por qualquer acionista. não seja iniciada em trinta dias a liquidação. quando o liquidante será nomeado pelo juiz. 210 e 211 enumeram os deveres e poderes do liquidante que. 217 da Lei das S. b) quando provado que não pode atingir seu fim. ou se o for. Os arts.8. . Também é defeso ao liquidante prosseguir na atividade social. competindo-lhe a nomeação do liquidante. ainda assim de forma temporária. a liquidação extrajudicial ou amigável. que terá funcionamento permanente até o fim do processo. vai depender do que dispuser o estatuto. Neste caso. Sendo a dissolução de pleno direito. em regra. dissolvida a sociedade de pleno direito. deverá mantê-lo. que tenha sido interrompida por prazo superior a quinze dias (depende de requerimento do Ministério Público).

na medida em que seus sócios devem formalizar o ato constitutivo contendo artigos conforme a lei reguladora. que faculta aos contratantes a inserção de cláusulas. a Lei Federal no 5. A título de exemplo. 21. 1. Antes da edição da Constituição de 1988. conforme previsão do art. 219 da Lei das S. em seu art.2. parágrafo único. fusão ou cisão com versão de todo o patrimônio em outras sociedades.1. Regência A sociedade cooperativa. 174. conforme acontece nas sociedades por ações. que prevê a sua constituição a partir da ata da assembléia geral dos fundadores. desde que lícitas. e desde que respeitadas as características relacionadas no Código.764/71 já havia instituído o regime jurídico das sociedades cooperativas. o Código Civil de 2002 trouxe capítulo específico tratando da sociedade cooperativa. em seu art.093 a 1. . que prevê. referindo-se ao ato constitutivo da cooperativa para.096. com as atribuições do Governo Federal para essa área. o que significa afirmar que a Lei no 5. prevê o art. do Código Civil. o funcionamento e o objetivo. o capítulo do Código inseriu alguns novos princípios. O mesmo diploma também definiu a política nacional de cooperativismo. 10. Sociedade Cooperativa 10. 14 da lei. ou de instrumento público. extingue-se a companhia. 3o. sem a liberdade existente nas contratuais. o apoio e estímulo ao cooperativismo e associativismo.096 a regência supletiva das cooperativas pelas normas da sociedade simples em geral. Devemos entender a dicotomia muito mais como uma questão de semântica do que propriamente uma contradição legal. 982. igualmente estatutárias. trazer seção específica a respeito do estatuto social.764/71 se encontra em vigor. abrangendo os arts. que podem ser conciliados com a legislação antiga. Isso fica claro na observação do art. regulando a constituição. 1. encontra respaldo na Carta Magna Federal. apesar de sucinto. Interessante que a lei.A. quais sejam: incorporação. considerada uma sociedade simples por força do art. Constituição A sociedade cooperativa é uma sociedade estatutária. parágrafo 2o. Adiante. utiliza-se do termo “contrato”. além de outros temas relacionados às cooperativas. que também prevê outras três formas de extinção. quando omissa a lei específica. No entanto. Esses dispositivos não estabeleceram um novo regime jurídico para elas. 10. no art.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 165 Série Impetus Provas e Concursos Concluída a liquidação.

do . inciso I. mas sempre perseguindo os objetivos sociais. no 8. não caracteriza circulação de mercadorias. mas sem o objetivo de lucro. 5o. conforme já ressaltado.3. inciso VII. pois visa à prestação de serviços aos associados. inciso XVIII. a própria lei classificou as cooperativas como sociedades de pessoas. embora sendo considerada sociedade simples. O mesmo raciocínio deve ser empregado quando o resultado for negativo. b) nome. profissão e residência dos fundadores. da CF tornou livre a criação de cooperativas e associações. para ser negociada com terceiros. sede e objeto social. conforme prevê o art. de proveito comum. Quanto à natureza. 10. proporcionalmente às operações realizadas por cada um. de uma safra de produtos agrícolas. além da quota parte de cada um. por parte de um sócio. nacionalidade. conforme explicitado no art. conforme ratificado no art. conforme a disposição do art. que previu a impossibilidade de cessão das quotas sociais a terceiros. Isso não significa afirmar que deva ter prejuízo. 4o. passível de tributação pelo imposto de competência estadual. 1. deve ser feito na Junta Comercial. não mais tem validade. Antiga disposição constante dos arts. estranhos à sociedade. Na verdade. 79. havendo resultado positivo. independentemente de permissão para funcionarem. a respeito de necessária autorização governamental para funcionamento. da Lei de Registro Público de Empresas. exige-se o arquivamento de seu ato constitutivo que. idade. que reciprocamente se obrigam a contribuir com bens ou serviços para o exercício de uma atividade econômica. assim entendidos como aqueles praticados entre a cooperativa e os associados. 4o. este é chamado de “sobras líquidas do exercício” e. alínea a.934/94. 32. No entanto. Ao contrário das sociedades em geral. pois o art.166 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Do ato constitutivo devem constar: a) denominação. estado civil. Os atos cooperativos. caput. ou envolvendo mais de uma cooperativa.094. repita-se que a cooperativa não tem objetivo de lucro. d) mesmos dados pessoais dos eleitos para os órgãos de administração e fiscalização. a remessa à cooperativa. deve ser rateado entre os sócios. 17 e 18 da lei. não implica operação de mercado nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. ainda que por herança. Desta forma. c) aprovação do estatuto. e reforçado pelo inciso IV. Apenas quando houver futura comercialização é que poderá haver incidência tributária. Características Principais O objetivo social das cooperativas é de natureza civil. inciso IV. conforme a previsão do art. por exemplo.

desde que o quantitativo seja bastante para compor a sua administração. elas podem ser de diversas espécies. de forma industrial ou artesanal. 6o da lei. Classifica-se como cooperativa de trabalho tanto aquelas que administram os serviços de seus cooperados como as que produzem determinado bem. No que se refere ao objeto ou à natureza das atividades desenvolvidas. No que pese essa disposição. 29 da lei determinou o livre ingresso a todos que desejarem utilizar os serviços prestados pela sociedade. significando afirmar que os sócios podem contribuir apenas com serviços. cada um terá direito a apenas um voto nas deliberações. Outro traço marcante nas cooperativas é variabilidade ou dispensa do capital social. a partir do cumprimento de exigências estatutárias. b) cooperativas centrais ou federação de cooperativas. possibilitando a admissão de associados individuais. Depreende-se que os associados não podem dispor de suas quotas para fins de alienação a terceiros. Assim. c) confederação de cooperativas. que exigia número mínimo de vinte pessoas físicas para compor seu quadro social. 6o. desde que adiram aos propósitos sociais e preencham as condições estabelecidas no estatuto. as constituídas por outras singulares. ou cooperativas de trabalho. o art. alterado na parte relativa ao número mínimo de associados. cooperativas agrícolas. permitindo-se a admissão de pessoas jurídicas que tivessem atividades correlatas às das pessoas físicas. a sociedade não terá capital social.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 167 Série Impetus Provas e Concursos Código. Sobre o nome. Independentemente da forma e do percentual de participação dos sócios. adota um denominação.4. Esta última. que reúne federações ou cooperativas centrais. 1. da mesma ou de diferentes modalidades. inciso I. merece um comentário destacado. nós temos: . Ao contrário do que previa o art. Se todos assim o fizerem. acrescida do termo “cooperativa”. e seguindo a disposição do art.094 do Código aboliu esse patamar inferior para formação da sociedade. mas a estes permite-se o ingresso na cooperativa. as cooperativas podem ser: a) singulares. o inciso II do art. que tenham por objeto atividades econômicas correlatas. pessoas físicas ou jurídicas. na busca pelo objetivo social. que são as constituídas por associados. 10. Classificação das Cooperativas Quanto à forma pela qual se organizam. sendo a espécie mais usual em nosso país. a exemplo das cooperativas de crédito.

com mandato limitado a quatro anos. dissolução voluntária da sociedade e nomeação de liquidantes. mudança do objeto social. c) conselho fiscal. considerando-se cada uma individualmente. Observem que uma característica fundamental a qualquer ramo de atividade da sociedade cooperativa é a ausência de vínculo empregatício entre a cooperativa e os cooperados. tem competência para deliberar a respeito da prestação de contas da administração. Essa previsão encontra respaldo no art. nem entre estes e os tomadores de serviços daquela. por sua vez. fusão. a exemplo de médicos. órgão encarregado da fiscalização dos atos cometidos pelos administradores. sem prejuízo da criação de outros para o mesmo fim. 442. com poderes para decidir os negócios relativos ao objeto social. É claro que a cooperativa pode contratar funcionários. b) cooperativas de produção. pode ser realizada a qualquer época. todos sócios eleitos pela assembléia geral. até que sejam aprovadas as contas do exercício em que ele deixou o emprego. Na hipótese de o associado vir a estabelecer relação empregatícia com a cooperativa. A ordinária. dentistas. eleição dos administradores. De sua competência exclusiva são: a reforma do estatuto. 31 determina a supressão de seu direito de votar e ser votado. c) cooperativas artesanais. necessariamente realizada até o fim dos três meses seguintes ao término do exercício social. da Consolidação das Leis Trabalhistas-CLT. além de outros assuntos. desde que especificados no edital de convocação. que podem. o art. que pode ser ordinária ou extraordinária. parágrafo único. para tratar de assuntos não-rotineiros. composto por três membros efetivos e suplentes em igual número. pois cada um exerce suas atividades de forma autônoma. este último composto exclusivamente por sócios. da Lei. excluídos o que for de competência exclusiva da extraordinária. destinadas a reunir artesãos que confeccionam seus produtos para serem comercializados através da cooperativa. destinadas à fabricação de produtos industriais por parte dos próprios cooperados. Esses são os órgãos encarregados da administração da sociedade. b) diretoria e conselho de administração. mantendo com eles vínculos trabalhistas. conforme prevê o art. além das contas do liquidante. 10. da destinação das sobras. A assembléia é órgão supremo formado pelos associados. . reunir trabalhadores das mais variadas áreas.168 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel a) cooperativas de mão-de-obra ou de serviços.5. Órgãos Compõem a estrutura de uma cooperativa: a) assembléia geral. motoristas de táxi etc. 47. Esta. incorporação ou desmembramento. parágrafo 1o.

49. 10. a responsabilidade dos sócios pode ser limitada ou ilimitada. A responsabilidade dos administradores também acompanha. além dos condenados à pena que vede. Logo. da forma como acontece com os demais tipos sociais.6. de outros órgãos necessários à administração. 147. do CC/2002. que não podem ocupar uma mesma diretoria ou o conselho de administração. pode ser pessoalmente responsabilizado. participantes da diretoria ou do conselho de administração. parágrafo 1o. Em outras palavras. o acesso a cargos públicos. em linha reta ou colateral. ainda. 1. parágrafo 1o. salvo se agirem com culpa ou dolo. têm os sócios obrigação pessoal de integralizar suas quotas adquiridas junto à sociedade.404/76. Na hipótese de o administrador deliberadamente ocultar a natureza da sociedade. criados pelo estatuto especialmente para esse fim. Seu correspondente para as sociedades regidas pelo Código é o art. ou contra a economia popular. 47. uma vez cumprida pena. . de acordo com o disposto no art. salvo se a sociedade ratificá-los. Administração A administração da cooperativa é atribuída a pessoas físicas. Responsabilidade dos Sócios Na cooperativa. Sendo limitada. Outra restrição à função é quanto aos parentes. 51. além de igualmente assumir responsabilidade pelos prejuízos verificados nas operações sociais. Embora constando apenas do artigo concernente ao Código Civil. ou deles tirar proveito. essa disposição tem previsão no art. vai depender do que dispuser o estatuto. a fé pública ou a propriedade. peculato. da Lei no 6. o sócio responde individualmente pelo valor de suas quotas. Na Lei no 5. ou.764/71. entende-se que tal proibição somente perdura enquanto durarem os efeitos da condenação. em operações que gerem obrigações para a pessoa jurídica. concussão.011. ou por crime falimentar. parágrafo 1o.7. de prevaricação. enquanto para as sociedades por ações a normatização aparece no art. não se responsabilizam pelos atos de gestão. sem prejuízo das sanções penais cabíveis. está o indivíduo reabilitado. a dos seus pares nas demais sociedades. conforme consta do art. ainda que temporariamente. conforme prevê o art.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 169 Série Impetus Provas e Concursos 10. pelo menos nas linhas gerais. peita ou suborno. até o segundo grau. Assim como acontece com as demais sociedades. 50. neste caso de forma proporcional às operações realizadas por cada um. pois. não podem ser administradores pessoas impedidas por lei.

se o estatuto prevê responsabilidade ilimitada dos sócios. veremos previsão para a fusão de cooperativas. ou para desmembramento de cooperativa em tantas quantas forem necessárias ao atendimento dos interesses de seus associados. 1. para elas. contudo. d) devido à alteração de sua forma jurídica. entendido como os que saíram em virtude de infração legal ou estatutária.034.8. 57 a 62 da Lei no 5.170 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Diante de terceiros. de sócio que foi eliminado. incorporação de uma(s) cooperativa(s) por outra. vale a regra da subsidiariedade. saíram por conta de dissolução da pessoa jurídica. inciso II. a limitação da responsabilidade aqui referida tem como patamar máximo a proporcionalidade entre a participação do cooperado nas operações que resultaram em prejuízo para a sociedade. e) pela paralisação de suas atividades por prazo superior a cento e vinte dias. previstas no art. 63: a) por deliberação da assembléia geral. a apuração da responsabilidade se faz de maneira proporcional às operações efetivadas por cada cooperado. 36 prevê a responsabilidade deles perante terceiros até a aprovação das contas do exercício em que aconteceu o desligamento. nas seguintes hipóteses. esta será similar à dos sócios da sociedade em nome coletivo. Este dispositivo. no art. c) pela consecução do objetivo social.764/71. da forma como acontece com as demais sociedades. 10. Entretanto. assim considerado o que se retirou a pedido. solidária com os demais e ilimitada. Sobre esse tema. significando afirmar que houve o exaurimento do fim perseguido. mas não há chance para transformação. os que tiveram incapacidade não suprida. Por outro lado. Assim. aí inseridos os que morreram. ou de sócio excluído. Dissolução da Cooperativa A sociedade cooperativa se dissolve. . Em se tratando de sócio demitido. aliás. os que deixaram de atender a requisitos de ingresso ou permanência na sociedade ou. é causa de dissolução judicial. quando constituída por prazo determinado. b) pelo decurso do prazo de duração. quando. de pleno direito. com a possibilidade de consumo de todo o patrimônio particular dos sócios. se observarmos os arts. ou seja. simplesmente. pois a lei não prevê a possibilidade de transformação da cooperativa. em qualquer caso. encontra correspondente para as sociedades regidas pelo Código. o art.

e aqui não relacionadas. contudo. É possível. Configurada uma das hipóteses reproduzidas acima. seria o Código Civil. a Lei no 6. No mais. ainda. que o entendimento do que seja poder de controle difere do aplicado às sociedades por ações. ainda que na qualidade de pessoas jurídicas. em se tratando de sociedades contratuais. teremos as seguintes formas de ligações entre as sociedades. Do contrário. conforme previa a lei.101. Para as primeiras. Melhor explicando. 1. ao ponto de tornar-se sua controladora. compete a qualquer associado promover medida judicial para sua dissolução. torna-se desnecessária qualquer preocupação em identificar qual diploma normativo deva ser seguido. e não havendo iniciativa para dissolução da sociedade. 243 da Lei das Sociedades Anônimas. enquanto que não mais pode ser exigida a autorização para funcionamento. subordinada à Lei Civil. É claro que a definição do tipo de ligação deve reger-se pela norma que regulamenta a sociedade investida. 116 da Lei Federal no 6. in casu. que tratam do número mínimo de sócios e da autorização do Governo Federal para funcionarem. hipótese na qual o tema é regulado a partir do art. abaixo relacionadas. A depender de uma ou de outra espécie. imaginemos uma limitada adquirindo ações de uma sociedade anônima. enquanto. . permite-se adquirir participação no capital social de outras. arts. até mesmo devido à coincidência entre eles. nas outras.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 171 Série Impetus Provas e Concursos Com relação às outras duas hipóteses referidas no artigo. o investimento de uma entidade regida pela Lei das Sociedades Anônimas em outra. ou entre sociedades contratuais. 11. não há grandes distinções entre um e outro regime jurídico.097 a 1. e vice-versa.404/76. Tais investimentos podem acontecer envolvendo sociedades por ações. valem os votos efetivamente proferidos na assembléia ou reunião de quotistas. já foi escrito que o quantitativo mínimo de cooperados deve ser o que for suficiente para compor a administração. a norma legal cabível vai depender da situação concreta. A rigor. De notar. quando o controlador será considerado de conformidade com o art. Ligações entre Sociedades Às sociedades.404/76. Nesta hipótese. quando a disciplina jurídica aplicada será o Código Civil de 2002. possibilita-se haver acordo de acionistas.

• sociedades coligadas ou filiadas – quando uma participa com 10%. com direito a voto. Permite-se a participação da sociedade investida na investidora (participação recíproca). sem controlá-la. ou quando a soma em mais de uma coligada ou controlada é igual ou superior a 15% do patrimônio líquido da companhia) em outra. ou mais. • sociedade controladora e controlada – é controlada a sociedade na qual a controladora. excluída a legal. entendendo-se como tal a aquisição. As demonstrações financeiras de uma coligada devem conter notas explicativas sobre investimento relevante (é aquele cujo valor individualmente considerado é igual ou superior a 10% do patrimônio líquido da investidora. assim como limitações para a participação recíproca. o prazo para alienação das excedentes é de seis meses).172 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel A – Sendo as sociedades contratuais: • simples participação – configura-se quando uma sociedade possui menos de 10% do capital social de outra. desde que aberta a companhia. B – Sendo as sociedades institucionais: • sociedades coligadas – quando uma participa com 10%. suprime-se o direito de voto da parte excedente. que deverá ser alienada no prazo de cento e oitenta dias da aprovação daquela demonstração financeira. preponderância nas deliberações sociais e o poder de eleger a maioria dos administradores. para permanência em tesouraria ou cancelamento (ultrapassado aquele limite. verificado em balanço. • sociedade controladora e controlada – é controlada a sociedade de cujo capital social outra seja majoritária e possua a maioria dos votos na assembléia ou reunião de quotistas. salvo a possibilidade de negociar com as próprias ações. além do poder de eleger a maioria dos administradores. Excedido esse patamar. referida no parágrafo antecedente. de modo permanente. Neste caso. Para estas. A lei veda a participação recíproca entre coligadas. do capital social da outra. ou mais. até o limite do saldo das reservas. sem controlá-la. quando maior que 30% do patrimônio líquido da investidora. seja titular de direitos de sócio que lhe assegurem. valem os mesmos comentários a respeito da participação recíproca. as demonstrações financeiras de ambas serão publicadas de forma consolidada. excluída a de capital. do capital social da outra. diretamente ou através de outras controladas. aproveitam os mesmos . Informações a respeito do investimento relevante. desde que até o limite da soma das reservas da primeira.

Com relação à solidariedade por obrigações sociais. além de um só objetivo. art. art. art. 17). 33. podem elas formar um consórcio. ou por sanções decorrentes de infração à ordem econômica (Lei no 8. desde que presente a plena capacidade civil. • subsidiária integral – é a sociedade anônima (única sociedade unipessoal não-temporária prevista no Direito brasileiro). basta a sociedade de controle ser constituída sob as leis brasileiras.078/90. 28. mesmo. à execução de seus respectivos objetos.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 173 Série Impetus Provas e Concursos comentários do parágrafo antecedente. deve ser acessível a qualquer um. estas terão suspenso o direito de voto. além de possuir sede e administração no país. art. cuja totalidade das ações. § 2o) e previdenciárias (Lei no 8.1. com ou sem poder de voto. art. só pode ser cobrada nas obrigações com os consumidores (Lei no 8. Quanto à solidariedade pelas obrigações sociais. Caracteriza esta forma de ligação societária a inexistência de participação no capital social entre as consorciadas. inciso V). não necessariamente constituída sob a forma de uma sociedade anônima. grupos de sociedade – as sociedades sob relação de controle ou de coligação • podem constituir grupos. A sociedade de controle deverá ser brasileira e cada uma conservará personalidade e patrimônio próprios. 2o. 12. e que não haja qualquer impedimento.666/93. constituindo sociedade empresária. 2o. Sociedades Dependentes de Autorização 12. visando à realização de objetivos comuns ou. § 2o) e nas licitações (Lei no 8. seja como pessoa física ou. 30. § 3o). seja de propriedade de uma outra pessoa jurídica. além de dívidas trabalhistas (CLT. Disposições Gerais O exercício da atividade empresarial no Brasil. O grupo. inciso IX). • consórcio – quando mais de um empresa une-se para executar um empreendimento comum. art. Podem ser de fato ou de direito.212. com o seguinte acréscimo: se a sociedade controlada adquirir ações da controladora. mas brasileira. simplesmente. só existe nas dívidas trabalhistas (CLT. Para o grupo ser considerado nacional. terá designação em que constem as palavras grupo de sociedades ou grupo.884/94. a depender de estarem ou não formalizados na Junta Comercial. conforme análise presente no item 9 do Capítulo 1 (esses requisitos não são opostos aos sócios das limitadas ou das sociedades por ações). . apesar de não possuir personalidade jurídica própria.

135. dentre outras. Esta é a disposição prevista no art. pelo menos se forem consideradas nacionais. 12. Concedida a autorização. se a sociedade não atender às condições econômicas. desde que haja previsão legal. 1. salvo se a lei ou o ato do Poder Público fixar outro prazo. parágrafo único. 1. conforme prevê o art. Para as sociedades que atuarem nos demais ramos da atividade econômica.127. e a sociedade não entrando em funcionamento no prazo de doze meses após a publicação. Ao Poder Executivo é facultado estabelecer condições para a autorização.174 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Há.” Esse entendimento foi contemplado pelo Código Civil de 2002. que permite serem acionistas de sociedade anônima brasileira. as seguradoras e as operadoras de planos de saúde. financeiras ou jurídicas especificadas em lei.123. 1. salvo com unânime consentimento dos sócios. contudo. desde que possua sede e administração no país. E mais: será a título precário.3. disciplinados em leis específicas. o tema encontra-se assim disciplinado: “Nacional é a sociedade constituída sob as leis brasileiras.2. em seu art. que a competência para a autorização será sempre do Poder Executivo federal.126. 1. que reproduziu o teor da EC. Sociedade brasileira não mudará sua nacionalidade. 12. Sociedade Estrangeira Não sendo nacional.125. ambos do CC/2002. ainda que por estabelecimentos subordinados. Sociedade Nacional Quais os critérios para definir a nacionalidade de uma sociedade? A partir da Emenda Constitucional no 06/95. a sociedade é estrangeira e depende de autorização para funcionamento. a pessoa jurídica somente dependerá de autorização na hipótese de seu objeto social ser um daqueles mencionados no tópico anterior. as instituições financeiras. antes do início da atividade. Enquadrando-se como sociedade brasileira. aquela será considerada caduca. . nos casos de infração à ordem pública ou quando a sociedade praticar atos contrários aos fins declarados no seu estatuto. independentemente do ramo. São. por exemplo. Prevêem os arts.134. não é necessário autorização de funcionamento. já que pode ser cassada. convenientes ao interesse nacional. e 1. Ao Poder Executivo é facultado recusar a autorização. as administradoras de consórcios. de acordo com o art. certos ramos empresariais que se sujeitam à autorização de funcionamento por parte do Poder Executivo federal. 1. as sociedades arrendadoras (operadoras de leasing). ou outros. cujo instrumento é um decreto federal.

fazendo deste país sua sede e administração. da CF). pode a sociedade estrangeira autorizada a funcionar no país nacionalizar-se. a sociedade assume a qualidade estrangeira. que limita o exercício de algumas atividades à atuação de estrangeiros. . a fim de produzir efeitos no Brasil (art. 1. deve publicar no órgão oficial da União. 70% do capital social total e do capital votante devam pertencer a brasileiros natos ou naturalizados há mais de dez anos.139). bem como aos atos de administração. Nesta hipótese. Nacional ou estrangeira a sociedade. e mais. por exemplo. Se concedida. § 3o. participação final nos aqüestros ou separação convencional de bens. 1. com restrições previstas na legislação federal.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 175 Série Impetus Provas e Concursos Para os atos e operações praticados no Brasil. 1. pelo menos. salvo se houverem se casado no regime de comunhão parcial de bens. não estará condicionada à autorização do Governo Federal para funcionamento. dispõem os arts. Modificação no contrato ou no estatuto social também dependerá de autorização do Governo Federal. Sociedade entre Cônjuges O art. Outra é requerer a autorização para funcionamento de sociedade estrangeira. 222 da Constituição Federal exige que. da participação de capital ou sociedade estrangeira na assistência à saúde no país (art. e do Estado. 13. em se tratando de sociedade anônima de capital aberto). mediante autorização do Poder Executivo. hipótese em que seria possível. pois se trata de uma sociedade brasileira.137 e 1. É o caso. se for o caso. concernentes ao balanço patrimonial. De outra forma. A qualquer tempo. 199. apto a receber citações judiciais pela sociedade. se o ramo escolhido não for um daqueles dependentes de autorização (a assertiva não exclui a necessária autorização da Comissão de Valores Mobiliários. sob pena de ver cassada sua autorização de funcionamento. ou na composição do capital social de sociedades jornalísticas e de radiodifusão sonora. faz-se necessário registro do ato constitutivo na Junta Comercial. deverá manter representante no Brasil.138 que a sociedade estrangeira se submeterá às leis e aos tribunais brasileiros.140. indicado no instrumento averbado. não importando suas nacionalidades ou a origem do capital empregado. têm eles duas opções: uma é abrir sociedade subordinada à nossa legislação. ao resultado econômico. transferindo sua sede para cá. para respeitar o disposto no art. claro. que assumirão a gestão da empresa. se estrangeiros quiserem ser empreendedores no Brasil. as publicações que a lei de seu país de origem a obrigar a fazer. 977 do Código Civil/2002 veio a obstar a contratação de sociedade entre marido e mulher. quando o art. Desta forma. ainda que participem terceiros.

ou aplicando imposto de renda em investimentos para o desenvolvimento regional ou setorial. Os deveres e as responsabilidades de seus administradores assemelham-se aos administradores da companhia aberta. sendo que o conselho fiscal terá funcionamento permanente. se o regime for de comunhão universal ou de separação obrigatória. . a Lei no 11. o da Lei n 6. contudo. do regime jurídico falimentar ou de recuperação das sociedades. Essas disposições. Em se tratando de instituições financeiras. podemos afirmar que essas sociedades não podem se submeter à falência. da CF em combinação com o art. desde que autorizadas por lei. dissipou qualquer dúvida persistente na doutrina. 235 a 240). a única saída para formação da sociedade seria a alteração do regime por meio de autorização judicial. A partir dessa nova disposição. prevista no art. Já a pessoa jurídica que controla a sociedade tem os deveres e responsabilidades do acionista controlador das demais sociedades anônimas. Sendo o regime de separação obrigatória. essa possibilidade sequer existiria. Sociedades de Economia Mista São sociedades constituídas com a maioria de seu capital social com direito a voto sob a titularidade do Poder Público.429/92. quando obedecidas normas estabelecidas pelo Banco Central. Em se tratando de regime de comunhão universal. são-lhes aplicados dispositivos da Lei no 6. a fim de reprimir a prática de atos de improbidade administrativa. Sua criação depende de prévia autorização legislativa. daquele diploma. significando afirmar que. estaria proibida a constituição de sociedade. a sociedade de economia mista pode participar de outras sociedades. conforme dispõe o art. Esta é a posição defendida pela melhor doutrina. por ser aquele insuscetível de mudança.176 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Por outro lado. Quanto à falência. Terão obrigatoriamente conselho de administração.101/2005. 2o.404/76. não se pode impor novo regramento. sem prejuízo de disposições especiais. para as sociedades constituídas anteriormente à vigência do Código. 14. inciso I. ao excluir.404 de 1976 (arts. tampouco aos processos de recuperação judicial ou extrajudicial. Podem participar de outras sociedades. 236 . não podem ferir o direito adquirido. Por serem sociedades anônimas. quando também se submetem à disciplina da Lei no 8. tanto a empresa pública como a sociedade de economia mista. 37. conhecida como “Nova Lei de Falências”. XIX. Seu objeto somente pode ser aquele previsto na lei que autorizou sua criação.

os administradores podem praticar todos os atos de gestão. Para alterar alguma das cláusulas do art. pessoas físicas ou jurídicas. mas apenas pessoa física não-condenada à pena que vede o acesso a cargo público. menos venda de bens imóveis. adotado um dos tipos da sociedade empresária. bens. pela evicção. Atos de competência conjunta exigem o concurso de todos. Capítulo 2 — Direito de Empresa Podem responder ou não. nos trinta dias subseqüentes à sua lavratura. créditos ou prestação de serviços. parágrafo 1o. 997. acrescida do termo “sociedade simples”. salvo cláusula de responsabilidade solidária. suborno e outros previstos no art. a fim de evitar dano. por extenso ou abreviado. de peita.011. salvo casos urgentes. contudo. a ser feita em dinheiro. 177 Série Impetus Provas e Concursos . Proíbe-se a cessão da quota social. além de outras que os sócios queiram inserir. desde que não conflitem com os termos da lei. Todos os sócios devem participar da formação do capital social. a administração compete separadamente a cada sócio. a regra será a da espécie escolhida. 1. cujas cláusulas devem ser as constantes do art. ou por crime falimentar.CAMPUS TIPOS DE SOCIEDADE SÓCIOS RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA COM TERCEIROS PELOS DÉBITOS SOCIAIS Denominação. vai depender do contrato. por vícios redibitórios e solvência do crédito. Pode ser de sócio ou não. exige-se unanimidade. NOME EMPRESARIAL OBSERV OBSER VAÇÕES ADMINISTRAÇÃO 1 – Simples Cotistas. Os administradores que excederem a atribuição É sociedade contratual. O registro do ato deve ser feito em cartório. Respondem. Silente o contrato. De outra forma. que depende da aprovação majoritária dos sócios. pois se constitui a partir de um contrato escrito. Silente o contrato. a responsabilidade é proporcional à participação de cada um nas perdas. 997. Em caso afirmativo.

b) que o terceiro sabia da limitação. Essa regra vale para a penhora de quotas. c) se por prazo incerto. pela decisão da maioria absoluta. com base: a) anulação de sua constituição. de forma solidária entre eles. conforme prescrição em lei. A função é indelegável. a pessoa jurídica deve assumir a responsabilidade para. nas hipóteses: a) vencimento do prazo. Administrador sócio. e se tratando de ato com excesso de poder (ultra vires). desde que configurada uma das hipóteses: a) limitação inscrita no registro próprio. Judicialmente. salvo com o consentimento dos demais sócios. cobrar do administrador. salvo a possibilidade de constituir mandatário com poderes específicos. isentando a pessoa jurídica. A sociedade pode ser dissolvida de pleno direito. que cause dano a terceiros. Não materializada uma dessas hipóteses. em regresso. c) evidente operação estranha ao objeto. b) consenso entre os sócios. se por prazo determinado. d) se ficar com um só sócio. e) se extinta a autorização para funcionar. Atos com culpa responsabilizam os administradores frente à sociedade e a terceiros prejudicados. por mais de cento e oitenta dias. qualquer sócio pode pleitear a dissolução. b) se o fim social for exaurido ou se tornar inexeqüível.178 Direito Comercial — Carlos Pimentel Série Impetus Provas e Concursos recebida podem arcar com a responsabilidade por seus atos frente a terceiros. .

Tal acordo. por extenso ou abreviada. alguns. Para formação do capital social e cessão ou penhora de quota social. possui poderes irrevogáveis. mas investido por ato separado. pois o credor não pode ser prejudicado. Omitido nome de algum. As demais regras vistas para a sociedade simples valem para esse tipo social. ou todos os sócios. As hipótese de dissolução judicial são as mesmas do art. formada com o nome de um. só tem validade entre eles. quando insuficientes os bens sociais. A administração compete exclusivamente a sócios. copia as hipóteses do art. pois nasce a partir de um contrato social escrito. reconhecida em juízo. salvo justa causa. O nome será sempre firma ou razão social. contudo. Sendo empresária. ou similar. 997. Possível haver pacto para limitação da responsabilidade de cada um. somente Todos os sócios pessoas físicas.”. se empresária. detém poderes revogáveis. respondem solidária e ilimitadamente com seus bens particulares por débitos contraídos em nome da sociedade. acrescida da falência. Série Impetus Provas e Concursos 179 .CAMPUS nomeado pelo contrato. no prazo de trinta dias da lavratura. a pedido de qualquer sócio. 2– Em nome coletivo Capítulo 2 — Direito de Empresa Cotistas.033. Sobre a dissolução de pleno direito. 1. necessária a expressão “e cia.034. ou sócio. com as cláusulas previstas no art. o registro deve ser feito na Junta Comercial. 1. adaptadas à espécie. as regras são similares às da sociedade simples. Administrador não-sócio. É sociedade contratual.

ao comanditário participar das deliberações sociais. todos pessoas físicas. valem as mesmas regras da sociedade simples. Conforme citado na segunda coluna. . este lização de sua ou jurídicas. sob pena de capital social. comanditário que tome parte na gestão assume responsabilidade como se fora comanditado. ou similar. salvo disposição diversa no contrato. No entanto. As regras para a dissolução são similares à da sociedade em nome coletivo. pois o negócio continuará com os sucessores. acrescendo a hipótese de ausência de uma das categorias de sócios por prazo superior a cento e ointenta dias. assume responsaobrigados pela quota. Para a formação do capital social. fiscalizar as operações. para negócio específico. Permite-se. se empresária. Esses se obrigam apenas pela integra.180 Série Impetus Provas e Concursos 3 – Em comandita Comporta duas categorias de simples sócios: a) comanditados. bilidade similar à do formação do comanditado. b) comanditários. com o ato devendo ser registrado na Junta Comercial. para indicar coletivo. Direito Comercial — Carlos Pimentel É sociedade contratual. além de poder ser constituído como procurador da sociedade.Se constar nome de pessoas físicas comanditário. A responsabilidade constituída apenas com nome de comanditado.”. alguns ou sociais é idêntica à somente um. deles pelas dívidas todos. Não podem participar da gestão. A cessão e penhora de quotas também seguem as regras da sociedade simples. em caso de morte de comanditário. aproveitando-se as mesmas disposições já vistas para a sociedade simples. acrescida dos sócios da sociedade em nome da expressão “ e cia. contudo. com missão de gerir a sociedade. Adota como nome apenas a firma ou razão social. a ausência de sócios do nome. A administração compete exclusivamente aos comanditados. contraírem as mesmas responsabilidades dos comanditados. a disposição é diversa.

é ilimitada e solidária com outros administradores. A ela é vedada a existência de conselho de administração. por extenso ou abreviada. mas com algumas diferenças. mesmo que dele não participem. não podem emitir bônus de subscrição. contudo. à parcela do capital não integralizada por outro sócio. A impessoalidade é própria desse tipo social. A primeira distinção diz respeito ao exercício da função de administração da forma como foi vista nas outras colunas. que não podem ser destituídos. Igualmente não podem ser de capital autorizado e. não havendo qualquer impedimento à cessão. Responsabilizam-se até a integralização do preço de emissão de cada ação subscrita. Rege-se pela mesma Lei das Sociedades Anônimas. salvo em deliberação aprovada por sócios representativos de pelo menos 2/3 do capital social. todos os demais administradores. daí ser considerada de capital. Constando nome de outro. Neste caso. debêntures e partes beneficiárias. a emissão de novas ações. a responsabilidade frente a terceiros pelas obrigações contraídas. porque titulares por ação de unidades do capital social chamadas de ação. em ambos os casos acrescida da expressão: “Comandita por Ação”. não podem ser obrigados ao pagamento de dívidas sociais ou. Essa regra não vale para os que assumirem função de gerência ou administração da sociedade. Capítulo 2 — Direito de Empresa É sociedade estatutária. solidária e ilimitadamente. embora subsidiária. venda ou penhora de ações pertencentes a um sócio para terceiros. Permite-se. por se constituir a partir de um estatuto social. Pelos atos de gestão dos administradores respondem. sem que haja solidariedade entre eles. Se for uma razão social. Podem adotar tanto denominação como razão social. Uma vez pago todo valor. apenas sócios que sejam administradores devem emprestar seus nomes à formação daquela. que pode ser uma razão social ou denominação. por conseqüência. 181 Série Impetus Provas e Concursos . não administrador. no que pese a proibição para operar na bolsa ou no mercado de balcão.CAMPUS 4 – Em comandita Acionistas. mesmo. se tiver. este passa a ser tão responsável quanto aqueles. Também em relação ao nome. ou institucional. É conferida apenas a sócios.

por parte da doutrina. Comporta duas categorias de sócios: a) ostensivo. empresário ou não. pessoa física ou jurídica. fiscalizar os negócios. mas as relativas à prestação de contas. na forma da lei processual. mas que exerce o negócio em seu próprio nome. Direito Comercial — Carlos Pimentel É sociedade constituída por contrato. Embora considerada um simples contrato. Não tem personalidade jurídica. Permite-se. que apenas contribui com o fundo social.182 Série Impetus Provas e Concursos 5 – Em conta de participação Sua responsabilidade diante dos credores é pessoal. contudo. quando é facultado ao administrador judicial a rescisão do contrato social. apesar de despersonalizada. que provoca a dissolução da sociedade e liquidação da respectiva conta. Falindo o participante. o Código a definiu como sociedade. . Não tem. Sua responsabilidade diante dos credores não existe. não-subsidiária e ilimitada. Seu objeto pode ser mercantil ou de prestação de serviços. mesmo que o contrato seja registrado. que pode ser pessoa física ou jurídica. Sua falência deve ser tratada como falência do sócio ostensivo. aplica-se a regra dos contratos bilaterais. Compete ao sócio ostensivo. salvo se tomar parte nas relações do ostensivo junto a terceiros. As regras para sua liquidação não são as mesmas das sociedades contratuais. escrito ou verbal. b) participante.

Neste último caso. Rege-se por capítulo próprio. A omissão do termo implica a responsabilidade solidária e ilimitada dos administradores que assim empregarem o nome. que antes era permitida.087 do Código. salvo a constituição de procurador com poderes específicos. Perante credores da sociedade. pois tem como patamar superior à parcela não-integralizada do capital social. pois todos são responsáveis. por extenso ou abreviado.CAMPUS 6 – Limitada Cotistas. das outras quando proíbe a integralização em prestação de serviços. que vai do art. que não poderá aproveitar normas singulares das sociedades anônimas. De qualquer forma. sob pena de nulidade da cláusula que excluir algum. nenhuma obrigação terão os sócios para com as dívidas assumidas em nome da pessoa jurídica. exige-se aprovação mínima de 2/3 do capital social. pessoas físicas ou jurídicas. ou mesmo na Lei das Sociedades por Ações. é solidária. podendo ser conferida a não-sócio. no momento em que o capital estiver totalmente pago. quando o capital não estiver todo integralizado. Apesar da regra geral. 1. pessoas físicas. em qualquer caso seguido do termo “limitada”. exige-se aprovação unânime dos sócios. A administração pertence aos sócios. contudo. a responsabilidade aqui tratada é subsidiária. As regras para destituição do administrador diferem daquelas da sociedade simples. No entanto. mas não integralizado. Vai depender do que dispuser o contrato. ou 2/3 após a integralização. a lei Pode adotar tanto uma razão social como uma denominação. Pode. Difere. mas só se o contrato expressamente permitir. mesmo os que já integralizaram as suas quotas. a exemplo das outras sociedades.052 ao art. e é limitada. A delegação das funções de administrador. da forma Capítulo 2 — Direito de Empresa É sociedade contratual. a exemplo da emissão de valores mobiliários. ou penhora de quota social Série Impetus Provas e Concursos 183 . mas apenas por danos relativos àquela operação específica. contudo. pois ele pode ser destituído a qualquer tempo de suas funções. ter regência supletiva no capítulo das sociedades simples. Também em relação à cessão. não mais pode ser feita. 1. Essa é a regra aplicável aos demais tipos sociais. pois depende do esgotamento do ativo. os sócios respondem até o valor total do capital social subscrito. Significa afirmar que. Da integralização do capital social devem participar todos os sócios. salvo disposição contratual diversa. venda. tratando-se de sócio nomeado administrador no contrato.

para aquelas com número de sócios superior a dez. como as dívidas tributárias e os atos ultra vires. pois a regra geral é pela permissão. Podem ter conselho fiscal. e) desconsideração da pessoa jurídica. Direito Comercial — Carlos Pimentel comporta exceções. até no sentido de excluir qualquer possibilidade de oposição. que permite sua organização através de órgãos similares aos das sociedades anônimas. essa sociedade ganhou estrutura tipificada na lei. Possível. mas pode existir nas limitadas. c) dívida trabalhista. desde que não haja oposição de sócios titulares de 1/4 do capital social. é obrigatória a assembléia de quotista. . disposição contratual diversa. relativamente aos administradores. que não é obrigatório.184 Série Impetus Provas e Concursos como acontece com a sociedade simples. As outras disposições citadas para as sociedades simples. como nas anônimas. As causas para sua dissolução de pleno direito acompanham as da sociedade simples. Logo. Com o Novo Código. d) atos ultra vires. algumas específicas para administrador. são aproveitadas para as limitadas. f) deliberação infrigente do contrato social. contudo. possui norma própria. Também o conselho de administração. Já diretoria é órgão obrigatório. e outras que podem atingir esse ou apenas o sócio. São elas: a) dívida tributária. apesar de não ser obrigatório. b) dívida previdenciária.

conforme lance títulos no MVM. Somente pode adotar uma denominação. Contudo. com violação da lei ou do estatuto. contém mesma previsão do Código quanto à vedação para ocupação do cargo. O sócio pode alienar suas ações livremente a quem se interessar. pois depende de ser exaurido o ativo da pessoa jurídica. os acionistas se responsabilizam pela integralização do preço de emissão das ações adquiridas por cada um. tem que haver autorização Comissão de Valores Mobiliários. ou condenado por crime falimentar. c) partes beneficiárias (este só por cia. obrigatória em toda S/A (reunião de acionistas apta a decidir os destinos Série Impetus Provas e Concursos 185 . concussão. responde pelos prejuízos que causar à sociedade. pessoas físicas ou jurídicas. Significa dizer que não há solidariedade pela soma do capital social não-integralizado. b) debêntures. A sua estrutura comporta os seguintes órgãos: a) assembléia geral. peculato. se agiu com culpa ou dolo. deles tendo conhecimento. Tanto um como outro pode vir no início. dentre outros. credores da companhia. à exceção da que trata sobre responsabilidade por deliberação infrigente do contrato social. peita ou suborno. se negligenciar em descobri-los ou se. daí ser considerada de capital. no meio ou no fim do nome. mas somente a pessoas físicas. A administração pode ser concedida a sócio ou não. É sempre empresária.CAMPUS 7 – Anônima Acionistas. As exceções vistas para as limitadas também são aplicadas aqui. pela pouca importância que se dá à pessoa do sócio. de prevaricação. independente de seu objeto social. Pode ser aberta ou fechada. que não pode ser feita por quem estiver impedido por lei especial. constituindo-se a partir de um estatuto social. Capítulo 2 — Direito de Empresa Frente a terceiros. é uma responsabilidade subsidiária. e d) bônus de subscrição (este só por cia de capital autorizado). por extenso ou abreviados. salvo se com eles for conivente. acompanhada de um dos termos: “companhia” ou “sociedade anônima”. A Lei das S. Os valores mobiliários por ela emitidos são: a) ações. O administrador não é responsável por ato regular de gestão. Atos ilícitos de outros administradores não responsabilizam os demais.A. ainda que traga prejuízo à sociedade. da forma como acontece nas limitadas. Para ser aberta. É sociedade estatutária. deixar de agir para inibir sua prática. De toda forma. fechada).

previstas no parágrafo único do art. . 1. c) diretoria. obrigatória em toda cia. Em ambos os casos. d) conselho fiscal. de existência facultativa.. formado por sócios ou não. de forma solidária.089 prevê aplicação subsidiária do Código para as sociedades anônimas.015 do Código. 1. Sendo de capital fechado. b) conselho de administração. mas responsável pela execução do objeto social. formada por sócios ou não.). cuja competência era originária da assembléia.. se a sociedade for de capital aberto. Isso porque o art. escapa da obrigação o administrador que comunicar o fato à assembléia geral. responsabilizam. da cia. salvo nas de capital aberto. em virtude omissão no cumprimento de deveres impostos por lei para assegurar o funcionamento normal da cia. responsável pela fiscalização dos atos dos administradores e dos negócios sociais. os administradores que tenham atividade correlata. valem as regras concernentes às sociedades simples. a responsabilidade atinge a todos os administradores. de capital autorizado e nas de economia mista (colegiado só de acionistas.186 Direito Comercial — Carlos Pimentel Série Impetus Provas e Concursos Prejuízos causados à sociedade. mas que lhe foi delegada). Em relação a prejuízos causados a terceiros.

que podem ser pessoas físicas ou jurídicas. também chamados de cooperados. não de capital. será solidária com os demais cooperados. sempre acompanhada do termo “cooperativa”. Não pode haver cessão das quotas sociais a terceiros. O capital social não é fixado no estatuto.CAMPUS 8 – Cooperativa Cotistas. Adota como nome uma denominação. Seja qual for o ramo. Se for ilimitada. não em Cartório. segue a proporção das operações realizadas por cada sócio. Capítulo 2 — Direito de Empresa É sociedade estatutária. possui apenas um voto nas deliberações sociais. Pode ser limitada ou ilimitada. Esse instrumento deve ser arquivado na Junta Comercial. Apesar disso. não possui objetivo de lucro. que não pode cair nas mãos dos que tenham praticados certos crimes. por se constituir a partir de um estatuto social. Igualmente às demais. permite-se o livre ingresso de qualquer um que tenha correlação com a atividade. independente da quantidade de quotas. a fim de facilitar a prática de uma atividade econômica. mas sempre pessoa física. neste caso quando se tratar de federação ou confederação de cooperativas. Proíbe-se o vínculo trabalhista entre sócios e cooperativa. há impedimentos legais ao exercício do cargo. A participação de cada um no resultado social é proporcional às operações realizadas com a cooperativa. Sendo limitada. daí ser considerada sociedade de pessoas. Série Impetus Provas e Concursos 187 . A administração pode ser conferida a sócio ou não. vai depender do que dispuser o estatuto. O escopo de sua criação é prestar um serviço ao cooperado. O sócio. podendo até ser dispensado.

c) I. considere as afirmativas seguintes. e) foi desenvolvida pela jurisprudência e tem como pressuposto a fraude e o abuso de direito. II – Somente funcionará se assim dispuser o estatuto ou a pedido dos acionistas. II e IV. I – Terá sempre funcionamento permanente. c) de capital e indústria. IV – As atribuições e os poderes conferidos pela lei não podem ser outorgados a outros órgãos da companhia. d) todas. e não nos de responsabilidade civil dos dirigentes.Exercícios 1. d) não tem aplicação em sociedades anônimas. ESAF (AFTN/1996) A teoria da superação ou desconsideração da personalidade jurídica: a) não é aceita em nosso Direito. III – A sua composição não será inferior a três nem superior a cinco membros efetivos e suplentes em igual número. ESAF (TTN–JULHO/1992) Não tem personalidade jurídica a sociedade: a) em nome coletivo. b) em comandita simples. eleitos dentre aqueles que compõem os órgãos de administração. c) tem aplicação restrita às relações de consumo. . d) em conta de participação. 2. (OAB–CE/99) Sobre o conselho fiscal de sociedade por ações. III e IV. Estão corretas as afirmativas: a) II e IV. e) em comandita por ações. b) II. 3. b) é aceita e aplicável nos casos de responsabilidade penal.

e) limitadas. d) em conta de participação. d) endossáveis. preferenciais e de fruição. ESAF (TTN – JULHO/1992) Todos os sócios são solidária e ilimitadamente responsáveis nas sociedades: a) em nome coletivo. b) ordinárias. c) de capital e indústria. quando houver Conselho de Administração. preferenciais e nominativas. d) ( ) A responsabilidade do acionista é limitada ao valor do capital social a integralizar. não à ordem e de fruição. A respeito desse tema. mesmo assim. e) endossáveis. c) Autorizar a emissão de debêntures. b) ( ) A constituição de sociedade anônima está sujeita à prévia autorização do governo federal e depende da presença de. nominativas e endossáveis. sem controlá-la. 10% do capital da outra. d) Autorizar os administradores a requererem falência de outra companhia e eleger os membros da diretoria. 8. ESAF (PROCURADOR – BACEN/1994) As ações podem ser das seguintes espécies: a) ordinárias. e) ( ) As sociedades anônimas têm capital social dividido em títulos. sem controlá-la. de igual valor nominal. no máximo. (OAB – GO/1999) Na conformidade do que preceitua o parágrafo 1o do art. o que são SOCIEDADES COLIGADAS? a) São coligadas as sociedades quando uma participa com. 5. julgue os itens abaixo (V ou F). 6. à vista do relatório de auditoria independente e do parecer do Conselho de Administração. b) em comandita simples. a) ( ) As denominações são a única forma de nome comercial que poderá ser adotada por sociedades anônimas. detém o controle acionário em face de predominância de ações com direito a voto. c) endossáveis. nominativas e não à ordem. 5% do capital da outra. com 10% ou mais. no mínimo. d) São coligadas as sociedades quando uma participa com 40% do capital da outra e. c) ( ) As companhias podem ser constituídas mediante a subscrição pública de ações. . no mínimo. ações e bônus de subscrição. c) São coligadas as sociedades quando uma participa com. b) São coligadas as sociedades quando uma participa. 7. b) Autorizar os administradores a requererem falência de outra companhia e reforma do estatuto social. 243 da Lei das Sociedades Anônimas. a) Reformar o estatuto social e suspender o exercício dos direitos dos acionistas em mora junto à companhia.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 189 Série Impetus Provas e Concursos 4. sete sócios. e) Autorizar o exercício do direito de recesso do acionista e nomear os auditores independentes da companhia. em regra. ESAF (PROCURADOR – BACEN/1994) Assinale a opção que contém apenas matérias de competência privativa da assembléia geral de uma sociedade anônima. do capital da outra. CESPE – UnB (INSS/1997) A doutrina e a legislação atribuem às sociedades anônimas uma série de características peculiares.

190 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 9. observado o contrato social. ser ou não inscrita no registro de comércio é juridicamente irrelevante para que ela seja considerada comerciante e para que lhe seja aplicado o regime jurídico dos comerciantes.000. o fato de uma pessoa. a) ( ) Mesmo que um indivíduo seja sócio minoritário. b) a modalidade de ações endossáveis somente é admitida nas companhias fechadas. para uma ou mais sociedades. c) 51% do capital social. física ou jurídica. cujo capital social é de R$200. 12. inserta no Capítulo XVIII da legislação pertinente às sociedades anônimas. c) Incorporação é a operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra. d) 20% do capital integralizado. endossáveis ou ao portador. de R$100. . b) Incorporação é a operação pela qual a companhia transfere parcelas de seu patrimônio. julgue os itens abaixo (V ou F). sendo a ambas vedado emitir ações ao portador.000. d) Nenhuma das alternativas está correta..00. Camilo e Dalva são sócios da empresa ABCD Comércio. se parcial a versão. porém as companhias fechadas podem emitir ações nominativas. ou dividindo-se o seu capital. Mas a lei exige. ele terá o direito de influir na escolha dos administradores da sociedade. que lhes sucede em todos os direitos e obrigações. c) ( ) Considere a seguinte situação hipotética: Abigail. pelo menos: a) 5% do capital social. c) as companhias abertas podem emitir ações nominativas ou endossáveis. Bárbara e Camilo pagaram à 10. sempre que acionistas apontem atos violadores da lei ou do respectivo estatuto. (OAB – GO/1999) Assinalar a alternativa que corresponde à conceituação de INCORPORAÇÃO.000. d) as companhias fechadas ou abertas podem emitir ações nominativas ou endossáveis. ainda que com restrições. para formar sociedade nova.00. b) ( ) No Direito brasileiro. para esse fim. a) Incorporação é a operação pela qual se unem duas ou mais sociedades. que os sócios representem.00 e R$10. os papéis e livros da sociedade e o de tomar conta dos gerentes. se houver versão de todo o seu patrimônio. a qualquer tempo. extinguindo-se a companhia cindida. R$50.00. com participação de apenas 1% no capital social. o de fiscalizar. CESPE – UnB (AUDITOR FISCAL DO INSS/2000) Em relação às sociedades comerciais e ao registro mercantil. e) 10% do capital integralizado. 11. b) 10% do capital social. (JUIZ DO TRABALHO – 13a REGIÃO/PB) A exibição dos livros da sociedade anônima pode ser ordenada judicialmente.000. é correto afirmar que: a) podem ser nominativas. e) tanto as companhias abertas quanto as fechadas somente podem emitir ações nominativas. que as sucederá em todos os direitos e obrigações. constituídas para esse fim ou já existentes. respectivamente.00. Abigail integralizou suas quotas.000. As participações deles são. R$40. Bárbara. endossáveis ou ao portador. (FISCAL DO TRABALHO/1994) Com relação às ações emitidas pelas sociedades anônimas. Serviços e Representações Ltda. que pratique atos de comércio.

por insolvência. e) permitidas como resultado de fusão. Nessa situação. Dalva integralizou somente R$1. A credora ajuizou ação em face dos sócios Pedro e Luís. O juiz rejeitou a defesa e condenou os dois sócios. de um estranho na sociedade. c) ao acordo com os credores sociais. que foi totalmente integralizado.000. Como a empresa. c) a que vier determinada na convenção grupal.000. b) a nacionalidade da sede do grupo. Abigail contestou a ação. devido à natureza de direito pessoal que se forma entre os sócios e entre estes e a sociedade. Nessa situação. Usando esse nome e estando representada pelos sócios.000. não eles. 15. se houver o ingresso de novo sócio. o juiz agiu corretamente. Eliana acionou Abigail judicialmente. d) ao acordo entre sócios. e) exclusivamente ao fato de a sociedade ser ou não personificada.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 191 Série Impetus Provas e Concursos sociedade apenas R$5. b) livremente admitidas. provando a insolvência da sociedade e cobrando-lhes o total da dívida. e) a nacionalidade da sociedade controladora. cobrando-lhe o valor da dívida. A sociedade contraiu dívidas com Eliana no valor de R$300. d) a nacionalidade do sócio majoritário de sociedade controladora. Camilo e Dalva não possuíam patrimônio. 13.000. o sócio discordante pode pedir à sociedade que proceda à apuração dos haveres que possuir. ESAF (AFTN – SET/1994) As participações recíprocas entre sociedades são: a) formas de aumentar o controle de uma sociedade sobre a outra.00. Bárbara. O juiz julgou o pedido de Eliana procedente em parte e condenou Abigail a pagar à credora o valor de R$89. . Nos papéis da sociedade. pois a devedora era a sociedade. esta era identificada como Monteiro & Cavalcanti Empreendimento. ESAF (AFTN – SET/1994) O critério para determinar a nacionalidade dos grupos de sociedade no Direito pátrio considera: a) a nacionalidade da maioria dos sócios das sociedades grupadas..00 e não as pagou.00. 14. a sociedade firmou contrato com a empresa XYZ Ltda. por meio da aquisição de ações. sob o fundamento de já haver integralizado sua parte no empreendimento. que não pagou. o juiz sentenciou incorretamente. para retirar-se da empresa. d) ( ) Considere a seguinte situação hipotética: Pedro Monteiro e Luís Cavalcanti constituíram a sociedade por quotas de responsabilidade limitada.00.00 cada um.000. Os sócios defenderam-se com a tese de nada deverem. e porque já haviam integralizado suas quotas.000. com capital de R$100. b) à forma societária adotada. ESAF (AFTN – SET/1994) Nas sociedades mercantis. um sócio pode opor-se ao ingresso. a responsabilidade dos sócios pelas obrigações da sociedade está relacionada: a) à formulação de pactos parassociais.00.. em razão do qual contraiu dívida de R$50. e) ( ) Nas sociedades por ações em geral. c) limitadamente admitidas. d) limitadas entre coligada e controladora. com o nome Monteiro & Cavalcanti Empreendimento Ltda.

consistente na participação nos lucros sociais. pois não está registrada. CESPE – UnB (JUIZ SUBSTITUTO DE PE – DEZ/2000) Divisão do capital social em partes iguais. e) em conta de participação. c) A responsabilidade dos sócios é ilimitada. b) por quotas de responsabilidade limitada. CESPE – UnB (JUIZ SUBSTITUTO DE PE – DEZ/2000) Títulos sem valor nominal. explorarem comercialmente atividade de compra e venda de mercadorias. e) Em face de seu objeto. c) O registro dos atos constitutivos dessa sociedade confere a ela personalidade jurídica própria. emitidos pelas sociedades anônimas. ela sempre será sociedade comercial. assinale a opção correta. juntos. haja vista ter sido omitida a expressão sociedade anônima. 19. b) A sociedade constituída pelos sócios não poderá falir. CESPE – UnB (JUIZ SUBSTITUTO DE PE – DEZ/2000) A inexistência de personalidade jurídica própria. d) As sociedades comerciais adquirem personalidade jurídica a partir da celebração do acordo entre os sócios. responsabilidade de seus sócios limitada ao valor de suas participações no capital social e uso exclusivo de denominação são algumas características das sociedades: a) anônimas. b) em conta de participação. d) ações. CESPE – UnB (JUIZ SUBSTITUTO DE PE – DEZ/2000) João e Joaquim decidiram reunir capital e trabalho para. CESPE – UnB (JUIZ SUBSTITUTO DE PE – DEZ/2000) Considerando uma sociedade que adote o nome empresarial Cia. 20. por extenso ou abreviadamente. ainda que este não esteja registrado. Agrícola do Planalto. haja vista não ter sido registrada em Junta Comercial. . c) em nome coletivo. 18. estranhos ao capital social e que asseguram a seus titulares crédito eventual contra a companhia. e) João e Joaquim somente serão chamados a responder com seus bens pessoais pelas dívidas que venham a contrair em nome da sociedade. e) anônima. d) Independentemente de seu objeto social. trata-se de sociedade civil. a) A sociedade constituída por João e Joaquim não será considerada mercantil. b) Está incompleto o nome da sociedade. a falta de nome empresarial próprio e o fato de não estar sujeita às formalidades necessárias à constituição das demais sociedades comerciais são características da sociedade: a) de fato.192 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 16. d) de capital e indústria. assinale a opção correta. correspondem a: a) partes beneficiárias. c) bônus de subscrição. 17. a) Trata-se de sociedade por quotas de responsabilidade limitada. se for aplicada a teoria da desconsideração da personalidade jurídica. b) debêntures. c) por quotas de responsabilidade limitada. e) opções. d) em comandita. Considerando que o acordo firmado entre os sócios não foi levado a registro em Junta Comercial.

CESPE – UnB (AGU/2002) Para quatro sociedades anônimas – X. ao menos. no máximo. relacionar investimentos feitos na companhia Y e mencionar modificações ocorridas durante o exercício. a) ( ) X e Y são sociedades coligadas. c) ( ) De acordo com o conceito legal de sociedade controlada.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 193 Série Impetus Provas e Concursos 21. aprovada em assembléia geral. c) deliberar. regida pela Lei n o 6. os diretores são considerados administradores e os membros do conselho de administração responsáveis pelo controle social. ESAF (AUDITOR FISCAL DA RECEITA FEDERAL/2002) A emissão de ações por sociedade em comandita por ações. – Y detém 30% do capital de Z e 55% do capital de W. d) a competência das assembléias gerais extraordinárias é formada por exclusão. 23.404/76 com as alterações posteriores. b) ( ) A sociedade Y é controladora de W. b) limitação das ações objeto da oferta a menos de 50% do capital social. em relação à competência das assembléias gerais ordinárias. e) para os efeitos legais de responsabilidade. controladoras ou controladas. Nessa situação e considerando que. – W detém 20% do capital de X. no que se refere à participação acionária de uma sociedade em relação à outra. d) impossibilidade de acionistas comanditados limitarem sua responsabilidade pelas obrigações sociais. a sociedade Z tem possibilidade de ser controlada por Y. ESAF (INSS/2002) Nas sociedades anônimas: a) os diretores devem ser acionistas titulares. c) responsabilidade ilimitada de acionistas titulares de ações votantes por obrigações da sociedade. pauta-se por: a) emissão apenas de ações sem direito de voto para oferta pública. (BNDES/2002) Cumpre à diretoria. sem controlá-la. no seu relatório anual de administração. c) os membros do conselho de administração necessitam invariavelmente ter domicílio no Brasil. devendo prestar contas de seus atos ao conselho de administração e ao conselho fiscal. de ações preferenciais. administrar e executar os atos inerentes à vida negocial da companhia. e) inadmissibilidade do tipo de operar em bolsa. através de deliberações que satisfaçam os anseios dos investidores. Z e W –. e) administrar os interesses de todos os acionistas da sociedade. 22. 10% do capital da outra. e) ( ) Se a sociedade W for controladora de X. . b) executar as deliberações da assembléia geral e do conselho de administração e representar a sociedade em seus atos negociais. nas sociedades anônimas: a) administrar a companhia. necessariamente. b) os membros do conselho de administração devem ser brasileiros. as ações de W pertencentes à companhia X deverão ter direito de voto suspenso. 24. d) representar os interesses dos acionistas controladores na administração da sociedade. as sociedades por ações são classificadas como coligadas. uma vez que a coligação ocorre quando uma sociedade participa de. d) ( ) A sociedade X deverá obrigatoriamente. julgue os itens abaixo (V ou F). verifica-se que: – X detém 7% do capital de Y e 11% do capital de W. Y.

no referido contrato. Carlos. advogado recém-formado. 26. b) exerce atividade econômica com a colaboração de terceiros não-familiares. ESAF (AUDITOR DO TCE-PARANÁ/2002/2003) O negócio constitutivo de sociedades é denominado contrato plurilateral. Após feito e registrado o contrato na Junta Comercial. Procuraram novamente Carlos e solicitaram que ele procedesse à alteração do contrato social. c) redesenhar o controle da sociedade. d) em nada se identificam com as ações das companhias por não ser possível adotar a divisão do capital social em quotas do mesmo valor nominal. de dinheiro de contado para a instituição do capital social. b) ser contrato cuja tipificação é apenas social. tanto civil. apenas o direito à percepção de lucros e à partilha da massa residual. notadamente aquelas entre marido e mulher. altera a disciplina atual das limitadas para: a) torná-las pequenas anônimas. como comercialmente. d) esteja matriculada no registro de empresas. b) serão representadas pela entrada. e) determinar a regularidade do exercício de atividades econômicas. encerrando um direito patrimonial e um direito pessoal do sócio quotista. julgue os seguintes itens (V ou F). d) facilitar a ação das minorias societárias. exclusivamente.406/2001. 28. solicitaram a um amigo comum. ESAF (AUDITOR – TCE – PR/2002/2003) A sociedade limitada prevista no Novo Código Civil. c) conferirão ao quotista. Lei n o 10. d) produzir separação entre patrimônios dos sócios e o da sociedade. que elaborasse para eles o contrato social. FCC (MP – PE/2002) Na sociedade limitada. e) seja mercantil. Acerca da situação hipotética acima descrita. . ESAF (AUDITOR FISCAL DA RECEITA FEDERAL – AFRF/2002) Considera-se empresária a sociedade que: a) assume os riscos da produção. e) têm natureza bifrontal. qual dos sócios seria o gerente da sociedade. ao serem integralizadas por ele. deixando expresso que tanto Antônio quanto Benedito poderiam atuar indistintamente como gerentes da sociedade. 29. 27. que facilitam a separação patrimonial. CESPE – UnB (SEFAZ – MT/2002) Antônio e Benedito decidiram criar a firma AB Toldos Ltda. que se caracteriza por: a) ser contrato de estrutura aberta. é certo que as quotas: a) asseguram que a regra da limitação da responsabilidade dos quotistas seja absoluta. b) dar-lhes estrutura típica. e) dificultar a criação de sociedades de pequeno porte. c) é titular de estabelecimento. Antônio e Benedito descobriram que o amigo Carlos esquecera-se de indicar.194 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 25. Não tendo conhecimentos jurídicos. c) não se aplicar às companhias ou sociedades por ações.

b) garantir a titularidade das participações que ficam lançadas em livros próprios de instituição financeira autorizada. são pouco utilizadas. ESAF (AUDITOR DA PREFEITURA DO RECIFE/2003) As operações de reorganização. c) a manutenção de proporção da participação dos acionistas no capital social. b) a prévia aprovação da emissão pela assembléia geral em qualquer caso. e) a possibilidade de emissões sem aprovação da assembléia geral.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 195 Série Impetus Provas e Concursos a) ( ) Ante a omissão do contrato social quanto à indicação do gerente. nem Antônio nem Benedito poderão exercer a gerência da sociedade. c) ilimitada na hipótese de delegação da função administrativa pelos atos do delegado. e) solidária com a sociedade em certas hipóteses. e) facilitar a negociação dos valores mobiliários pela inexistência de cártula. embora subsidiária. introduzidas no Direito Societário em 1976. d) dificultar a circulação das participações e. c) sucessão nas obrigações. perante credores sociais. b) ilimitada. d) o pagamento integral do preço de emissão em todos os casos. e) com finalidade econômica e com finalidade religiosa ou cultural. c) ( ) Antônio e Benedito. d) grupadas e isoladas. c) dar notoriedade aos portadores. . caracterizam-se por: a) alterar as relações entre sociedades e credores. 30. b) alterar a proporção em que os sócios participam do capital social. servem para: a) reduzir a guarda de papéis e deságio. desde que fizessem constar expressamente a designação no contrato social. ESAF (AUDITOR DA PREFEITURA DO RECIFE/2003) A disciplina da emissão de ações pelas companhias prevê: a) a autorização prévia da CVM para emissões privadas. as sociedades são classificadas: a) empresárias e simples. b) ( ) Enquanto não for realizada a alteração do contrato social. fusão ou cisão. societária como incorporação. salvo se for requerida autorização provisória à Junta Comercial. 32. ESAF (AFTN/2001) As ações escriturais e sem valor nominal. ESAF (AUDITOR DA PREFEITURA DO RECIFE/2003) Nos termos do Código Civil. d) solidária com os demais gerentes pelos atos de gestão. 33. e) modificação tipológica em todas as hipóteses. ESAF (PROCURADOR DA FAZENDA NACIONAL/2002/2003) A responsabilidade de sócios-gerentes das sociedades limitadas é: a) limitada à sua participação no capital social. b) de pessoas e de capitais. se assim desejassem. poderiam designar o amigo Carlos gerente da sociedade. d) modificação da estrutura societária. por isso. 34. c) unipessoais e pluripessoais. 31. a Junta Comercial deveria ter recusado o seu registro.

c) privativo do juiz. caso exerça o direito de fiscalizar a gestão dos negócios sociais. participando os demais apenas dos resultados correspondentes. a) ( ) Nas sociedades simples puras (que não têm outro tipo jurídico). ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo. os sócios não podem decidir contratualmente nem responder subsidiariamente pelas obrigações sociais. se assim o fizerem. . a requerimento da parte. todos os sócios respondem solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais. o exercício desta não se estende automaticamente àqueles que se tornarem sócios após a efetivação do contrato social. ao sócio ostensivo. se caracterizado desvio de finalidade ou ocorrer confusão patrimonial. sempre que se verificar abuso da personalidade da pessoa jurídica em proveito de seus administradores ou sócios. por qualquer autoridade administrativa ou pelo Ministério Público. se verificada fraude contra credores. d) ( ) Em uma sociedade em conta de participação.196 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 35. todos os sócios respondem solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais. ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo. porém é válida cláusula do contrato social que limite a responsabilidade de um dos sócios nas relações entre eles. se caracterizado desvio de finalidade ou se verificar confusão patrimonial. FCC (PROCURADOR DO ESTADO DE PE/2003) A desconsideração da pessoa jurídica. os bens particulares de determinado sócio podem ser executados por dívidas da sociedade. b) que pode ser praticado pelo Juiz. a fim de que os credores privilegiados recebam seus créditos. a sociedade passa a ter natureza jurídica de sociedade em nome coletivo. d) que o juiz pode praticar de ofício. para que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens de seus administradores ou sócios. e) ( ) Nas sociedades simples puras (que não tenham outro tipo jurídico). o sócio participante é sempre responsabilizado nas obrigações sociais perante terceiro. g) ( ) Nas sociedades limitadas em cujo contrato esteja definido o exercício da administração por todos os sócios. c) ( ) Em uma sociedade em conta de participação. 36. a requerimento dos credores privilegiados. pois. é ato: a) privativo do Ministério Público. com prejuízo para os credores em virtude de decretação de falência ou insolvência. CESPE – UnB (AUDITOR FISCAL DO INSS/2003) Marque V ou F. a requerimento da parte. sempre que houver encerramento irregular do estabelecimento comercial. as responsabilidades perante terceiros decorrentes da atividade constitutiva do objeto social limitam-se. em regra. f) ( ) Nas sociedades em nome coletivo. depois de executados os bens sociais. sem o benefício de ordem de primeiro serem executados os bens sociais. b) ( ) Na sociedade não-personificada em comum. e) que pode ser praticado de ofício pela autoridade administrativa ou pelo juiz.

CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 197 Série Impetus Provas e Concursos 37. ESAF (AUDITOR FISCAL DO TRABALHO/2003) Ao instituir a sociedade simples. desde que atuem profissionalmente no seu ramo de atividade. regendo-se supletivamente pela Lei das Sociedades Anônimas. 40. d) atribuem ao sócio uma distribuição nos resultados proporcional às operações por meio delas realizadas. não respondendo pelos atos dos demais administradores. neste caso. b) devem exercer suas funções em atendimento ao dever de diligência. devendo. e) impediu que os bens particulares dos sócios possam ser executados por dívidas sociais. uma quota ou ação do seu capital. b) sempre atribuem responsabilidade limitada aos seus sócios. c) qualquer sócio poderá ser excluído da sociedade. b) todas as deliberações que envolverem compra. o sócio poderá ceder sua quota a não-sócios. ESAF (AUDITOR FISCAL DO TRABALHO/2003) No novo modelo de sociedade limitada: a) continua sendo exigido que os administradores sejam necessariamente sócios. ser designado um representante residente e domiciliado no Brasil. c) exigem que o sócio tenha. e) permitem a transferência das quotas a estranhos. . exceto os créditos trabalhistas e fiscais. desde que não haja oposição de mais de um quarto do capital social. própria para as microempresas. 39. c) respondem solidariamente pelos atos ou omissões danosos dos demais administradores. 38. d) permitiu que os poderes conferidos aos administradores pelo contrato social poderão ser alterados por voto de dois terços dos sócios. d) o contrato social poderá prever a regência supletiva pela Lei das Sociedades por Ações. alienação ou oneração dos bens do ativo permanente dependerão de prévia autorização por assembléia geral dos sócios. ESAF (AUDITOR FISCAL DO TRABALHO/2003) Os administradores da sociedade anônima: a) podem ser pessoas jurídicas. Não o fazendo. provando-se que a limitação era conhecida deste. e) quando eleitos por minoritários. por voto da maioria dos demais. c) estabeleceu que o excesso de poderes dos administradores pode ser oposto contra terceiro. aplicar-se-ão sempre as regras da sociedade simples. ESAF (AUDITOR FISCAL DO TRABALHO/2003) As sociedades cooperativas a) podem ter o capital dividido em ações. ao menos. d) somente podem ser responsabilizados por ação proposta mediante autorização da assembléia geral. quando sua atuação estiver pondo em risco a continuidade da empresa. tendo ação regressiva contra estes quando forem inocentes. devem considerar-se representantes destes nos órgãos de administração. b) determinou que ela não pode ter filiais ou agências. e) no silêncio do contrato social. o Novo Código Civil: a) adotou uma forma societária de estrutura menos complexa.

198 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 41. não havendo solidariedade. ESAF (PROCURADOR DO DISTRITO FEDERAL/2004) Numa sociedade limitada: a) apenas sócios podem ser administradores. e) mantém-se a sociedade exercente da atividade embora com outros sócios. 43. ESAF (AUDITOR DA PREFEITURA DE FORTALEZA/2003) Sociedades empresárias são as que: a) têm como objeto atividade econômica organizada para mercados. e) foram organizadas para atividades econômicas. c) de reordenação patrimonial. d) de combinação do corpo de sócios das envolvidas. d) exercem atividade de intermediação na circulação de serviços. b) a responsabilidade dos sócios é limitada ao valor de suas quotas. 45. c) a decisão final será do conselho de administração. o patrimônio dos sócios pode ser responsabilizado por obrigações da sociedade. Nessa situação: a) trata-se de assembléia geral ordinária. convocou uma assembléia geral para deliberar sobre realização de uma fusão com outro banco. b) destinada a aumentar o patrimônio líquido da incorporadora. c) o conselho fiscal é obrigatório. b) têm como objeto atividade mercantil. b) o novo controlador fica obrigado pelas obrigações anteriores ao negócio de alienação do controle da sociedade. d) não há mudança de denominação do estabelecimento. ambos os bancos deixarão de existir. e) não será necessária assembléia no outro banco. no caso da desconsideração da personalidade jurídica. e) mesmo após a integralização de todo o capital social. d) o capital social é dividido em ações. ESAF (AUDITOR DA PREFEITURA DE FORTALEZA/2003) Diz-se que há sucessão comercial ou empresarial quando: a) o novo titular da atividade era sócio da sociedade que anteriormente exercia a atividade. 42. que apenas houve a assembléia geral. com ações dotadas de alta liquidez e dispersão no mercado. b) caso seja realizada a fusão. c) a atividade exercida pelo empresário é imputada aos filhos que com ele trabalham. d) os titulares de ações sem direito a voto não podem sequer comparecer à assembléia. e) de transformação tipológica em qualquer circunstância. mas são outros os produtos ou serviços oferecidos pelo exercente da atividade. ESAF (AUDITOR DA PREFEITURA DE FORTALEZA/2003) Incorporação de uma sociedade por outra é operação: a) de liquidação da sociedade incorporada. 44. ESAF (PROCURADOR DO DISTRITO FEDERAL/2004) Uma sociedade anônima aberta denominada Banco de Taguatinga S/A. c) têm como objeto a prestação de serviços em estabelecimentos especiais. .

c) ( ) Fernando não pode contratar sociedade com terceiros. Os valores recebidos. são aplicados no ativo patrimonial da referida sociedade empresária. Nessa situação. necessariamente. o imóvel alugado não faz parte do estabelecimento empresarial da mencionada pessoa jurídica. Antônia. 49. b) ( ) As sociedades em comum não possuem personalidade jurídica. a assembléia geral é instalada. a) ( ) Os bens utilizados na atividade desenvolvida por microempresa e que a guarnecem são impenhoráveis. a empresa se confunde com a própria atividade empresarial. o capital social. c) ( ) Considere a seguinte situação hipotética. para que este financiasse sua atividade empresarial. ante o aumento na demanda por seus produtos e diante da pretensão de aumentar sua produção. se for casado sob o regime de comunhão universal de bens. a) ( ) Nas sociedades anônimas. respondem. no prazo de trinta dias contados da data de sua expedição. que deve ser fixo e expresso em moeda corrente. UnB/CESPE (JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO DA 5a REGIÃO/2005) Acerca da empresa e da teoria geral do Direito Societário. b) ( ) Se Francisco e Maria casaram-se sob regime de separação obrigatória de bens. Nessa situação. Um grupo de pessoas resolveu constituir sociedade cooperativa cujo objeto consistia na prestação de serviços de processamento de dados. decidiu constituir sociedade em conta de participação com Manoel. pelas obrigações sociais. requerimento feito por sociedade dependente de autorização. não confere personalidade jurídica à referida sociedade. d) ( ) Considere que o Poder Executivo Federal defira. há dois imóveis. bem como a participação de cada sócio nos lucros e nas perdas. o referido decreto deve ser publicado na imprensa oficial da União. b) ( ) Considere a seguinte situação hipotética. julgue os itens a seguir. d) ( ) Considera-se nula determinada cláusula contratual que exclua sócio de participar dos lucros e das perdas da sociedade. localizado em outra unidade da Federação. jamais poderão contratar sociedade. No acervo patrimonial de determinada pessoa jurídica. UnB/CESPE (JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO DA 5 a REGIÃO/2005) Quanto ao Direito Comercial moderno. julgue os seguintes itens. a) ( ) Nas sociedades em nome coletivo. . a inscrição em registro competente do ato constitutivo da sociedade entre os dois.CAMPUS Capítulo 2 — Direito de Empresa 199 Série Impetus Provas e Concursos 46. UnB/CESPE (JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO DA 5 a REGIÃO/2004) No que concerne às espécies societárias. julgue os itens seguintes. UnB/CESPE (JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO DA 5a REGIÃO/2004) Quanto ao direito de empresa de que cuida o Código Civil. encontra-se alugado. solidariamente e ilimitadamente. enquanto o segundo. O primeiro é sede da sociedade empresária. 48. a título de aluguéis desse segundo imóvel. a) ( ) Em conformidade com a teoria dos perfis da empresa. Nessa situação. em segunda convocação. 47. b) ( ) Considere a seguinte situação hipotética. com qualquer número de acionistas com direito a voto. que pode ser escrito ou verbal. julgue os itens que se seguem. Ficou acordado que os dois dividiriam o lucro das vendas. pelo perfil objetivo. mediante decreto. os sócios. pessoas físicas ou jurídicas. o ato constitutivo da referida sociedade deve conter cláusulas que indiquem. Nessa situação. artesã.

.

887) da moderna Lei Civil tratar a respeito do tema. o cheque e a duplicata. 897 e 914. são normas de caráter geral. embora essas novidades constem do Novo Código. existem normas regulamentadoras específicas que traçam linhas diversas das contidas naqueles artigos supramencionados. tais como a impossibilidade de haver cláusula proibitiva de endosso (não à ordem). não podem ser aproveitadas indistintamente para todo o Direito Cambiário. porque o art. É justamente o que ocorre. Para esses títulos. a vedação ao aval parcial. tornando inócuas as disposições do Código Civil. pelo menos no que forem contrárias. O mesmo raciocínio pode ser repetido para os demais . a nota promissória. ou a desoneração tácita do endossante da qualidade de obrigado indireto pelo pagamento do crédito (salvo cláusula em contrário). sob a coordenação do Deputado Ricardo Fiúza. Disposições Preliminares Considerada uma disciplina independente em relação às demais estudadas no Direito Comercial. E não foi por falta de iniciativa do legislador. o Direito Cambiário abrange os títulos de crédito com suas peculiaridades. Acontece que. as regras de Direito Cambial. permitindo-se ao legislador ordinário dispor diferentemente das leis especiais que regulam cada tipo de título de crédito. encontrados como legislação complementar ao Código Comercial. regem-se os títulos de crédito pelo disposto neste Código”. que. a exemplo dos arts. geralmente dispostas em diplomas legais específicos. sobretudo com a letra de câmbio.Capítulo 3 Direito Cambiário 1. 903 da mesma Lei Civil assevera: “Salvo disposição diversa em lei especial. praticamente não mexeu nessa matéria. contidas no Código Civil de 2002. Como bem escreveram os autores da obra Novo Código Civil Comentado. 890. apesar de o Título VIII (a partir do art. em alguns momentos. Enquanto o Código Civil de 2002 provocou grandes alterações na parte do Direito relativa aos comerciantes e às sociedades comerciais. tentou introduzir mudanças substanciais.

Vejamos: 2 3 Manual de Direito Comercial. 2. 4. Desse modo. igualmente possuidores de normatização própria. Decorre da característica da circulação própria circulação. ed. de conteúdo operacional. Atributos dos Títulos de Crédito São direitos reconhecidos aos seus titulares. . São Paulo: Saraiva.202 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel títulos. Esse atributo é conseqüência do fato de o título de crédito ter força de uma sentença judicial transitada em julgado. • EXECUTIVIDADE – permite ao seu titular buscar a execução imediata da obrigação. a fim de captar recursos de seu interesse. A diferença é que esses outros são regidos por normas que não trazem a riqueza de detalhes dos primeiros. Aquele que obedece ao tradicional rito processual na Justiça. como o título de crédito tem força executiva. o que permite a introdução de certas particularidades postas no Código.2 Podemos também aclamá-los como documentos necessários ao exercício do direito literal e autônomo neles mencionado. 3. 2000. O meio próprio para tanto é a execução que pode ser direta (contra o execução. faz-se a sua imediata cobrança com a penhora dos bens do devedor. 12. que irão beneficiar os credores das obrigações. independentemente de um processo de conhecimento 3 conhecimento. 213. Conceito de Títulos de Crédito Fábio Ulhoa Coelho ensina que: Os títulos de crédito são documentos representativos de obrigações pecuniárias. se este não pagar a dívida dentro de vinte e quatro horas. indispensáveis à legitimidade da obrigação. a cobrança judicial é mais eficaz e célere. São eles: • NEGOCIABILIDADE – é a possibilidade que tem o credor de negociar seu direito antes mesmo do vencimento da obrigação. mas se distinguem dela na exata medida em que a representam. próprio devedor) ou indireta (contra os coobrigados). p. Não se confundem com a própria obrigação. dos títulos de crédito. Características dos Títulos de Crédito Por alguns autores denominadas princípios do Direito Cambiário são Cambiário. Segundo Nelson Godoy.

a fim de furtar-se ao seu cumprimento. • CARTULARIDADE – para o exercício do direito de crédito. o fato de haver vício em uma das assinaturas dos endossantes não terá influência sobre as restantes.CAMPUS Capítulo 3 — Direito Cambiário 203 Série Impetus Provas e Concursos • LITERALIDADE – vale o que estiver escrito no título.. No dizer de Vivante: (. Alguns autores costumam subdividir essa última característica em dois subprincípios: abstração. Exemplo: Carlos adquire um computador de Manuel. pessoais. pois. tal singularidade. cópia de um cheque. Por isso. por exemplo. como a duplicata não se prendem a duplicata. De outra sorte. valor etc. Outros. ao emiti-la. Assim. havia concordado com seus termos. mas por dependerem da ocorrência de um fato para sua emissão. cláusula expressa em papel apartado não será considerada. promover-se a execução • AUTONOMIA – cada obrigação constante em um título de crédito é autônoma em relação às outras. I – o da abstração incomum à totalidade dos títulos de crédito. Refere-se à possibilidade de alguns títulos. não pode alegar uma situação pessoal com outrem. nota promissória poderem ser emitidos sem haver necessariamente uma causa que lhes dê origem. Assim. a exemplo da letra de câmbio ou da promissória. não será eficaz para promover omover-se execução. é necessária a CARTULARIDADE apresentação do documento. pela obrigação resultante de um título. Estes somente são gerados a partir de uma operação de compra e venda mercantil. são intitulados títulos causais não causais.) o possuidor de boa-fé exercita um direito próprio. também chamado de cártula (exceção para o protesto de duplicata. como prazo de vencimento. II – o da inoponibilidade das exceções pessoais Significa dizer que aquele que for regularmente demandado por um terceiro de boa-fé. pagando-o através do cheque . por existir qualquer vinculação entre eles e a situação que os motivou. a nulidade de uma obrigação não invalida as demais. por exemplo. que não pode ser restringido ou destruído em virtude das relações existentes entre os anteriores possuidores do título e o devedor. Nesse contexto. de alongue anexada aos títulos para complementação do espaço para endossos... Exemplo: se o direito de crédito relativo a um cheque for transmitido através de sucessivos endossos. o devedor de uma nota promissória obriga-se a respeitar as condições inseridas no documento. excetuando-se a folha alongue. que pode ser feito sem apresentação do documento).

Competirá a Carlos. a exemplo da ausência do nome no cheque ou de adulteração visível no valor etc. Regina não tem nada a ver com aquela transação. a tradição é possível apenas por meio de uma cessão civil de crédito (conceito no item a seguir). Desta forma. a menos que se tratasse de falha formal no próprio documento. Carlos poderia defender-se da cobrança. mediante a simples apresentação ao devedor. b) não à ordem – com essa cláusula.021/1990 proibiu a circulação de títulos ao portador. Seu portador tem direito à prestação nele indicada. se Manuel ainda fosse seu proprietário.00. Essa norma vem sendo respeitada até hoje. 4 Defeito oculto da coisa. Neste caso. Contudo. tão-somente. Chegando em casa. veda-se a possibilidade de transmissão através de endosso.000. Carlos não poderá oporse ao pagamento do cheque. admite-se a defesa do devedor. . maculado estava por um vício redibitório. Entretanto. a saber: • AO PORTADOR – é o título que não indica o nome do beneficiário pelo PORT crédito. Modo de Circulação É a forma como os títulos de crédito transitam entre seus titulares. descobre que o equipamento não possui a capacidade de memória que aparentava. que reputa nulo o título ao portador emitido sem autorização de lei especial. no mesmo exemplo. endosso Essa disposição pode ser tácita. ao menos enquanto não houver lei específica para esse fim. Há dois modos de circulação. 907 do Código. pleitear em juízo perdas e danos contra Manuel. 5. merece atenção o art.204 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel no 000001. nunca uma exceção pessoal contra Regina. quando o título encontra-se ainda em poder do primeiro titular do crédito. Manuel já havia endossado o cheque em favor de Regina. A Lei Federal no 8. alegando defeito da coisa comprada a Manuel. • NOMINATIVOS – são aqueles que identificam o credor. pois são emitidos NOMINATIVOS a favor de pessoa certa e determinada. A circulação se processa mediante a apresentação do documento. no valor de R$2. Subdividem-se em: a) à ordem – são títulos nominativos que podem ser transferidos via endosso.4 Por outro lado. incapaz de ser percebido no momento da aquisição. cujo nome deve constar da cártula. Da exegese podemos inferir que permanece a vedação à circulação desses títulos.

para dar o título como garantia de uma obrigação. tanto que. crédito. É forma b) próprio. impróprio. não podendo ser processado em documento separado. seus efeitos serão os de uma cessão ordinária de crédito. Endosso. mas o de promover a sua cobrança. só pode ser exercido contra quem se posicione em lugar anterior da cadeia de endosso Em outras palavras. Aceite. na qualidade de mandatário ou procurador. Contudo. É forma de endosso próprio próprio. representado por um título de crédito. o vencimento do título. por procuração ou para cobrança É forma de endosso impróprio d) endosso-caução – também chamado de endosso pignoratício é utilizado pignoratício. O endosso só pode ser total sendo nulo o endosso parcial. impróprio. Aval. ou depois do prazo limite para tal. endosso em preto – quando se indica o nome do endossatário. Lavra-se com a assinatura do titular no próprio título. dando quitação do título. se pagá-lo. se realizado após o protesto. Utiliza-se a cláusula cobrança. conforme explicitadas no quadro abaixo: . a saber: a) endosso em branco – quando não se identifica o nome do endossatário ou favorecido. Utiliza-se a expressão “válido em garantia” ou “válido em penhora”. poderá usar o poder regressivo contra coobrigado que entrou posteriormente a ele naquela relação. Há cinco tipos de endossos. Produz idênticos efeitos àqueles efetuados antes do vencimento. que é instituto do Direito Civil igualmente eficaz para aquele objetivo. É importante destacar que o endosso é a forma usual de um titular de direito creditício. obedecendo às normas do Direito Cambiário. não transferindo sua propriedade. Significa dizer que o endossante assume obrigação solidária pelo pagamento do crédito. que endossatário é quem o recebe. na qualidade de obrigado indireto. Aquele que transfere o título chama-se endossante ou endossador enquanto endossador.CAMPUS Capítulo 3 — Direito Cambiário 205 Série Impetus Provas e Concursos 6. penhora” É forma de endosso impróprio e) endosso póstumo – também conhecido como endosso tardio Ocorre após tardio. tem poder regressivo pelo seu reembolso. Esse poder. Protesto • ENDOSSO – ato pelo qual se transfere a propriedade do título de crédito. se assim não o desejar ou estiver impedido de fazê-lo (título com a cláusula não à ordem a saída é a cessão civil de crédito ordem). mas com diferenças. que passa à propriedade do endossatário. o segundo é a vinculação ao pagamento daquele que transferiu o crédito. Entretanto. transferir seu bem. Produz dois efeitos: o primeiro é a mudança de titularidade do direito expresso no título. de endosso próprio c) endosso-mandato – quando não se transfere ao endossatário o direito de dispor do crédito. Qualquer condição posta pelo endossante considera-se não-escrita. contudo. nunca um endossante endosso.

formalizar a obrigação por escrito. do Direito Cambiário. Quem presta o aval chama-se avalista enquanto que avalizado é o beneficiário. A assertiva vem atualizar edição anterior. Processa-se com a simples assinatura do devedor no anverso (frente) do título. 46 do Decreto no 57. que se incorpora a ele como mais um devedor. parcial. que se guiava pela antiga legislação. Todavia. III. . Com relação à fiança e ao aval. em se tratando de letra de câmbio ou de duplicata. apenas. desde que presente a expressão sem protesto ou sem despesa prevista no art. servindo para garantir contratos. Pode ser pelo valor total avalista. • PROTESTO – é ato pelo qual se prova o não-cumprimento da ordem ou promessa de pagamento contida no título. ou simplesmente ausência de devolução do título remetido ao sacado para aceite. tem causa na falta de pagamento. ligada à obrigação principal. protesto. ao passo que o aval materializa-se tão-somente com a aposição da assinatura do avalista no título.663/66.206 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel • ACEITE – ato pelo qual o sacado reconhece a dívida. enquanto a fiança é uma garantia acessória. É requisito para cobrar-se um título dos obrigados indiretos. no caso de duplicata. Pode ser total ou parcial. possibilita-se o protesto pela recusa do aceite. É possível dispensar-se o protesto até mesmo para cobrança dos obrigados indiretos. do Código Civil de 2002. despesa. que impôs a necessária autorização do outro cônjuge para o ato. 1. Não se confunde com a fiança pois o aval é instituto próprio fiança.647. sendo dispensável quando o demandado for o principal devedor. ou. salvo se o regime for o de separação absoluta de bens. sendo autônomo e independente em relação às outras obrigações incidentes sobre o título. • AVAL – é garantia unilateral e pessoal de pagamento do título. Em regra. é forçoso reconhecer a exegese introduzida pelo art. Na fiança é preciso fiança. assumida por terceiro.

Assim. que o sacador dá ao sacado em benefício do tomador Do conceito. o título é passível de um número ilimitado de endossos. “A” pode emitir a letra em seu próprio favor. 7. com a Lei Uniforme de Genebra (LU). o emitente também pode ser o sacado da letra. • sacado – aquele contra o qual a letra foi emitida (aceitando. 3o da Lei Uniforme permite que uma pessoa ocupe simultaneamente mais de uma das três posições jurídicas. à vista ou a tomador. será o credor do título. que introduziu no ordenamento jurídico brasileiro as normas estabelecidas na Convenção Internacional de Genebra. a fim liquidar sua dívida.2. os endossantes e seus avalistas são coobrigados ou obrigados indiretos. Cada operação como essa irá trazer novos integrantes à cadeia. em matéria de letras de câmbio e notas promissórias. de 24 de janeiro de 1966.044/08.CAMPUS Capítulo 3 — Direito Cambiário 207 Série Impetus Provas e Concursos 7. 7. subsidiado pelo Decreto no 2. constituindo-se em sacador e tomador ao mesmo tempo. que irão interagir na relação criada. Letra de Câmbio Conceito Conceitua-se a letra de câmbio como uma ordem de pagamento. como vimos. assim. hipótese que se assemelha a uma nota promissória. o art. . enquanto que o sacador.3. ao nascer. prazo. Legislação Aplicável Esta espécie de título de crédito é regulada pelo Decreto no 57. • tomador – também chamado de beneficiário. por sua vez.663. será o principal devedor). Para entender a posição de cada uma. que deverá apresentar a obrigação.1. pois. “A” é credor de “B”. Figuras Intervenientes O vínculo jurídico constituído a partir da emissão de uma letra de câmbio pode contar com a participação de muitas pessoas.00 a “C”. “B” (sacado) para que este pague a obrigação A par da formulação usual. 7. vejamos o seguinte exemplo: “A” deve R$100. pela mesma quantia. Entretanto. da mesma forma. O aceitante e seu avalista são os obrigados diretos da letra de câmbio. conta com os seguintes sujeitos: • sacador – é quem emite. “A” (sacador) saca uma letra em favor de “C” (tomador). pode-se observar a presença de três pessoas.

Outros. Requisitos de Validade São requisitos de validade da letra (art. mas por ocasião da cobrança e do protesto do título.” . salvo se contiver expressamente a cláusula não à ordem. Por força do art. que será considerada pagável à vista. no lugar colocado ao lado do nome do sacado (art. que. Endosso Em regra. por exemplo. como quantia a ser paga. • época do pagamento. não no . 11 da LU). nome e assinatura do sacador e o termo letra de câmbio. Neste caso. 7. O terceiro que entrar na relação. 7. conjugado com a Súmula no 387 do STF 5 alguns dos requisitos de validade de uma letra devem estar completos.1. 3o do Decreto no 2. enquanto que “A” será obrigado indireto ou coobrigado. avalizando obrigação do endossante “D”. 5 Súmula no 387 do STF: “A cambial emitida ou aceita com omissões. • nome do tomador (beneficiário). por sua vez. • data e lugar de onde a letra é sacada.208 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Desta forma. • assinatura do sacador. cada uma dessas pessoas irá constituir-se em obrigado indireto para com o credor do título. só é transmissível pela forma e com efeitos de uma cessão civil de créditos (art. e assim sucessivamente. ou em branco. • nome do sacado. desde que tenha aceitado o título. A supressão das datas do vencimento e de emissão. além dos lugares de pagamento ou de emissão.044/08. são indispensáveis e devem acompanhar o documento desde a sua origem. Na hipótese de “C” endossar seu título a “D”. 2o).5. • a quantia a ser paga.4. • lugar do pagamento. toda letra é passível de endosso. não invalida a letra. no nosso exemplo do item 7. pode ser completada pelo credor de boa-fé antes da cobrança ou do protesto. 1o da Lei Uniforme de Genebra): • a palavra letra de câmbio. “B” será o obrigado direto pelo pagamento da letra. nome do sacado. momento do saque. também assumirá o papel de coobrigado pela satisfação do crédito. endossa-o a “E”.

nos R$500. Porém. A esta condição dá-se o nome de endosso sem garantia Assim. ou seja. título de crédito. primeira parte.00. que endossa em favor de “E”. pois. salvo para um endosso-mandato (art. se a ordem que lhe foi endereçada tem valor de R$500. 26 da LU). Uma vez paga. Por exemplo. Melhor explicando. diz-se que o aceite deve ser sempre INCONDICIONADO. mas o sacado só aceita R$250. apenas legitima um procurador para recebê-lo (art. O endossante é garantidor tanto da aceitação como do pagamento da letra. livre de qualquer modificação pelo sacado. • endosso-caução – quando seu titular onera a letra com penhor. o endossatário não pode endossar o título. 20). Insuficiente o espaço do título. na hipótese de “D” colocar a cláusula sem garantia irá eximir-se da responsabilidade garantia. da LU). não poderá endossá-lo a outrem. como garantia da satisfação de uma dívida. permite-se anexar uma folha de alongue alongue. apenas . Para transmissão de seu crédito. ou feito após expirado o prazo para fazer-se o protesto (art. Não há limites para o número de endossos de um título. São elas: • endosso-mandato – não transfere a titularidade do crédito. ainda que o sacado seja reconhecidamente devedor da obrigação. por parte do beneficiário da letra. em favor de um credor. Nesta situação. o aceitante fica obrigado.00. Aceitar parcialmente traz conseqüência similar à recusa total. mesmo que parcial. na qualidade de coobrigado.6. A letra comporta outras duas formas de endosso. pelo pagamento do título. 19 da LU). ao emitir o título. no mesmo exemplo. Por isso.00. A principal é o vencimento antecipado do título. se “A”. 7. Também se furta à obrigação de garantidor da obrigação o endossante de endosso efetuado posteriormente ao protesto por falta de pagamento. garantia. podendo acontecer quantas vezes desejem seus titulares. salvo se inserir cláusula isentando-se dessa responsabilidade (art. opera-se o vencimento antecipado em relação ao sacador. como detentor do direito literal escrito no ordem. Aceite O aceite não é ato obrigatório na letra de câmbio. 15. a única saída é uma cessão civil de crédito. se “C” resolver endossar o título a favor de “D”. provoca o vencimento antecipado do título.1. retorna à posse do endossante. inseriu a cláusula não à ordem “C”. Sua recusa. que poderá ser exigido de imediato. ainda aproveitando nosso exemplo do item 7.CAMPUS Capítulo 3 — Direito Cambiário 209 Série Impetus Provas e Concursos Assim. nos termos de seu aceite (art. 18 da LU). mas tão-somente para o sacador. não estará ele compelido a aceitá-la.

b) modificativo – quando o sacado altera qualquer outra condição presente na letra. tentando evitar seu vencimento antecipado. Contudo. 30 da LU). que é o ato praticado por terceiro. a apresentação dar-se-á no vencimento. a primeira é a AUTONOMIA em relação à do avalizado. total ou parcial prestada por alguém parcial cial. se for detectado que a assinatura do avalizado posta no título é falsa. estar atentos ao teor desse dispositivo. que se . que é aquele que macula a própria caracterização do documento como título de crédito (art. Na sua omissão. que intervém para aceitar o título. estranho ou mesmo já coobrigado na relação. claro. resultar de vício de forma. 32 da LU). Aval Aval é a garantia de pagamento do título. O avalista responsabiliza-se da mesma forma que o avalizado É. O emitente pode. 7. que normalmente é o sacado. enquanto o avalizado é o devedor em favor do qual foi dada a garantia (art. salvo se a nulidade avalizado. através da cláusula não-aceitável proibir a apresentação do não-aceitável. mesmo se for considerada nula a obrigação do avalizado subsiste a do avalista. a descoberta não atinge a obrigação do avalista. diferente do domicílio do sacado (art.210 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel por ocasião do vencimento. Por exemplo. Entretanto. a exemplo do local de pagamento. Exprime-se pela simples assinatura do dador no anverso (frente) da letra. contudo. 31 da LU). avalizado. avalizado o sacador da letra (art. considera-se aval. é necessária a anuência do portador da letra. ainda. 56 e 57 da LU). haver a indicação daquele em honra de quem foi feita a intervenção. que se incorpora à relação jurídica criada. deve conter expressão do tipo bom para aval com a indicação do favorecido. no entanto. na verdade. na parte que aquele aceitou. desde que não se trate de título pagável em domicílio de terceiro.7. a obrigação do avalista não se contamina com qualquer causa presente na do avalizado. Devemos. e diretamente para pagamento. Deve. Por ela. autônoma sua obrigação em relação à daquele. Isto significa que. ou se o avalizado é civilmente incapaz. Possível o ACEITE POR INTERVENÇÃO (arts. caso não haja a indicação. título para aceite. Avalista é o garantidor. Se for colocada no verso. É que duas características permeiam a obrigação do avalista. Nesta hipótese. 22 da LU). o sacado poderá ser cobrado regressivamente pelo sacador que pagar a obrigação. toma-se o sacador por beneficiário. Temos duas formas de aceite parcial ou condicional: a) limitativo – ocorre quando o sacado concorda em aceitar apenas parte do valor constante da cártula. diferentemente do pagamento por intervenção. não significa que o título não vá ser apresentado ao sacado.

37 da LU). 35 da LU). avalista de B. Neste caso. prevista no art. Quer dizer que ele estará imediatamente após o avalizado. senão vejamos: • à vista – quando pagável na apresentação. que é reduzida para R$50.00. O primeiro ocorre quando duas ou mais pessoas avalizam a mesma obrigação.00). Já o aval sucessivo é aquele que se materializa quando um avalista tem garantida sua obrigação por outro avalista (é o aval do aval).1 pagar. Desta forma. claro. terá ação regressiva contra seu avalizado (B). se B1. Porém. por vontade do próprio sacador (art. . • a um certo termo de data – o vencimento será a tantos dias da data de emissão ou saque (art. a característica da EQUIVALÊNCIA. Na hipótese de B1 quitar integralmente o débito. cita Fran Martins. nunca avalista seu (B1. contra o outro avalista. 36 da LU). 34 da LU). se B1. A doutrina. se B1 e B2 resolvem prestar aval à prestação do aceitante B.8. põe-se em prática a regra da solidariedade passiva. Neste último caso. que deve ser em um ano após a emissão. do devedor principal (B). não estará obstado de executar o avalista pela totalidade da obrigação. • a um certo termo de vista – o vencimento conta-se a partir do aceite. conseguir a remissão parcial de dívida quirografária (letra de câmbio com valor de R$100. embora tendo perdido 50% de seu crédito para o devedor. pelo valor total que foi pago. distinguiu duas espécies de avais: o SIMULTÂNEO e o SUCESSIVO. • num dia fixado – o vencimento vem definido na própria letra (art. 283 do CC/2002. 7. Igualmente podemos afirmar que. se o avalizado. só poderá acionar regressivamente o devedor principal (B). que se coaduna com a exegese do art. Vencimento O vencimento da letra obedece à exegese do art. para fins da anterioridade-posterioridade. 33 da LU. considera-se a data do protesto (art. poderá cobrar a integralidade de seu avalizado (B1) e. o credor. De outra forma. somente poderá reaver a metade do que pagou. quando não reduzido ou ampliado.1 como avalista seu. apresentar B1. estaremos diante de um aval sucessivo. 26. Não havendo aceite. Por exemplo. pois não haverá solidariedade entre eles. De outra sorte. se B1 pagar a totalidade da dívida. significa a posição em que o avalista coloca-se numa cadeia de obrigação cambial. em concessão de recuperação judicial.CAMPUS Capítulo 3 — Direito Cambiário 211 Série Impetus Provas e Concursos mantém nas mesmas condições originais.1).

respectivamente. A Lei Uniforme. 59 a 63. O pagamento da cambiária provoca a extinção de todas. sendo o pagamento efetuado por um co-devedor. A. perde o direito contra aqueles que teriam sido beneficiados. E. Contudo. como obrigado indireto (endossantes e avalistas). ficando o terceiro interveniente sub-rogado nos direitos emergentes da letra. Pagamento Sabemos que. Desta forma. assim como contra os que são obrigados para este beneficiário. sacada contra B. . Melhor explicando. Caso o portador recuse o pagamento por intervenção. G. Portanto. a cadeia anterior-posterior . na hipótese de obrigarem-se os avalistas F G. permitindo-se a esse intentar ação regressiva contra os anteriores a ele. É forma de liquidação do título por um terceiro que não participe da relação jurídica. este poderá propor nova ação contra B e F pois G e C não mais poderão ser cobrados. caso o pagamento seja realizado pelo co-devedor que venha por último na relação cambiária. contra aquele por honra de quem pagou. Em resumo. estarão desonerados D e I.9. Importante destacar a obrigatoriedade de o credor dirigir-se ao devedor principal em primeiro lugar. Caso não consiga recebê-la de B. não sem antes providenciar a certidão de protesto (exceto se presente a cláusula “sem despesas” ou “sem protesto”). que posteriormente endossou-a a D. Seu efeito é o de desonerar os endossantes e avalistas posteriores ao signatário por honra de quem foi feito o pagamento. tanto que o devedor principal que paga livra todos os demais. sob pena de perder o direito contra os co-devedores. poderá dirigir-se a qualquer um dos coobrigados. desoneram-se os demais situados na relação posteriormente ao que pagou. que endossou a E. seja na condição de obrigado direto (sacado aceitante da letra ou emitente de nota promissória) ou. pois é ele que se obriga em primeiro lugar. que paga. algumas ou uma das obrigações contraídas por cada um daqueles agentes. em favor de B. Se a regressiva de H for contra A. se o devedor principal pagar o título. deve.212 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 7. a regra é a da desoneração dos obrigados posteriores. H e I. mesmo. no vencimento. que é seu devedor principal. a liberação terá efeito apenas sobre esse. F e B. . se tivermos uma letra emitida por A. em favor de C. procurar B. e mais. Na hipótese de conseguir recebê-la de H. Fábio Ulhoa Coelho organizou relação de responsabilidade a qual denominou “cadeia anterior-posterior”. de outra forma. já que os demais permanecem passíveis de uma cobrança em regresso. estarão quitados todos os demais co-devedores. que é o detentor e credor da letra. permite ainda o PAGAMENTO POR INTERVENÇÃO. ou nota promissória. A fim de simplificar o entendimento. em seus arts. A. estará correta assim: B-F-A-G-C-H-D-I. muitas pessoas poderão assumir obrigação pelo pagamento do título. ficando H com direito à ação regressiva contra C. numa relação cambiária. C e D.

Não impetrada nos prazos abaixo. conforme a nomenclatura constante do Código de Processo Civil. conseguir saldá-la com o endossante E. se a hipótese for a negação do aceite. trata-se de uma execução. desde que presente a cláusula sem despesas. ou contra o sacador • endossantes.CAMPUS Capítulo 3 — Direito Cambiário 213 Série Impetus Provas e Concursos 7. 46 da Lei Uniforme prevê a possibilidade de dispensa do protesto. 70 da LU): • três anos – todas contra o aceitante (sacado) e seus avalistas. contados vencimento. a contar do dia em que o endossante pagou a letra letra. 7. endossantes e respectivos avalistas (art. Não tirado o protesto pelo portador. muito mais demorado que a ação cambial.11. enquanto que. No primeiro caso. E. Protesto Já estudamos que o protesto cambial da letra de câmbio é ato extrajudicial fundamentado tanto na falta de pagamento como na recusa de aceite pelo sacado. contados do protesto ou do vencimento (tratando-se de letra que contenha cláusula sem despesas).10. através do qual o credor pode promover a cobrança judicial da cambial sem que seja necessário regular processo de conhecimento. pois. sua eficácia atingirá tão-somente aquele que a introduziu. C. por força do art. antecederam na relação cambial Prescrita a ação cambial. e seus avalistas. do vencimento • um ano – do portador contra o sacador (emitente) ou endossantes e seus avalistas. Contudo.044/08. Proíbe-se o poder regressivo daquele que pagou contra coobrigados posteriormente posicionados na cadeia de endosso. inclusive contra os próprios obrigados indiretos. o portador terá até o fim do prazo de apresentação para procurar o cartório. Se posta por um dos endossantes. F e G. mas apenas àqueles que o cambial. o prazo para sua execução é de dois dias após o vencimento. .: existindo uma cadeia de endosso composta pelas pessoas B. despesas inserida pelo sacador da letra. o art. Apesar do título. prevê-se a ação contra enriquecimento ilícito do sacador ou aceitante. 53 da LU). faz-se necessário um regular processo de conhecimento (ação ordinária). ou de um processo de execução. perde este o direito creditício contra os coobrigados da letra. quais sejam: sacador. poderá dirigir-se regressivamente a F. na hipótese de G. Para tanto. seis meses – dos endossantes uns contra os outros. Mantém-se. 48 do Decreto no 2. Ex. ou avalistas destes. D. credor da letra. acontece a prescrição do direito (art. este não dirigir-se regr egressivamente F. Ação de Cobrança É providência judicial cabível na hipótese de o titular da letra não ver satisfeito seu crédito literal nela constante. o crédito contra os obrigados diretos (aceitante e seu avalista).

8. introduzida na legislação brasileira pelo Decreto no 57. subsidiado pelo Decreto no 2. uma vez emitida.214 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 7.663/66. o que significa que. a Lei Uniforme de Genebra. através do qual se permite ao portador de uma letra que a tenha pago. Pode-se afirmar que. considerando-se a aposição no título original como suficiente. designada beneficiário beneficiário. Por ser emitida pela mesma parte que se obriga ao seu pagamento. O ressaque deve possuir idêntica natureza do saque primitivo. 37 do Decreto no 2. devidamente protestada e não prescrita. Veremos adiante que muitos dos dispositivos legais aplicados às letras são apropriados também às notas promissórias. 8. tanto que se dispensa até novo aceite do sacado.1. que será a cópia fiel da primitiva. 75 do Decreto no 57. 2) emitindo uma nova letra.663/66. Legislação Aplicável Nota promissória é uma espécie de título de crédito regulado pelas mesmas normas disciplinadoras da letra de câmbio. a nota promissória dispensa a participação de um aceitante da dívida. Ressaque Ressacar é sacar outra vez. Tem previsão no art. 8.044/08. Nota Promissória Conceito Enquanto a letra de câmbio expressa uma ordem de pagamento dada pelo sacador ao sacado do título. com o objetivo de substituir a ação regressiva contra os demais co-responsáveis. ou emitente do documento. com os mesmos requisitos essenciais. especificamente a partir do art. destinam-se a regulamentar pontos singulares da NP. passa a ser considerada título certo. a nota promissória exprime uma promessa feita pelo próprio devedor. se algum obrigado indireto pagar a letra. Outros.12. junto da qual deve seguir. de pagar certa importância em dinheiro a uma outra pessoa. proceder à emissão de um novo título.2. ele poderá demandar os demais de duas formas (respeitando-se a regra da anterioridade): 1) por meio de ação regressiva. podendo ser cobrada diretamente do sacador que a gerou.044/08. ou seja. .

que lhe será entregue após a emissão por parte do sacador.5. senão vejamos (art. especificamente no que se refere a endosso aval vencimento pagamento. Endosso. ao prestar a garantia.4. Aval. Outra forma de inserir terceiros à relação jurídica é através do aval. Vencimento. pois o endossatário assumirá a titularidade sobre o crédito. torna-se coobrigado da obrigação constante na cártula. Requisitos de Validade Para ser considerada válida. Ação de Cobrança. • beneficiário. teremos. o titular do direito creditício poderá livremente negociar seu crédito. vencimento. ação endosso. Figuras Intervenientes Na sua constituição. não dois. pois não há limite para o número de endossos. será considerada à vista) e o lugar de pagamento ou emissão. uma nota promissória deve conter alguns requisitos requisitos. sacador ou subscritor. portanto. ressaque.CAMPUS Capítulo 3 — Direito Cambiário 215 Série Impetus Provas e Concursos 8. Muitas outras pessoas ainda poderão fazer parte do vínculo jurídico criado. cobrança. 76 da LU). enquanto o endossador aparecerá como responsável indireto pela obrigação. • promessa de pagar certa quantia. O beneficiário conservará a posse e propriedade do título.3. mas três sujeitos participando da relação jurídica formada pelo título. aval. transferindo-o por meio de endosso a uma terceira pessoa interveniente na relação. 75 da LU): • a denominação nota promissória. • data e lugar de emissão. Salvo a data (se omitida. • lugar do pagamento. • data do pagamento. observa-se a participação de duas pessoas componentes da relação jurídica: • emitente. • assinatura do emitente. 8. de cobrança protesto e ressaque . Pagamento. a ausência de algum dos elementos discriminados provoca a desconsideração do título como nota promissória (art. Com essas prerrogativas. • nome do beneficiário. Neste momento. Protesto São concernentes às notas promissórias as disposições relativas à letra de câmbio. O avalista. 8.

1. defendida inclusive por Requião.3. Nesse contexto.357. 88. Direito Comercial. de forma subsidiária àquela. elaborada pela Convenção Internacional de Genebra.6 O cheque incide sobre fundos disponíveis do sacador. em poder do sacado. o subscritor da nota promissória é responsável da mesma forma que o aceitante de uma letra de câmbio (art. sacada por uma pessoa contra uma instituição financeira (a favor do sacado ou de terceiro). Cheque Conceito É o cheque uma ordem de pagamento à vista. São Paulo: Meta. pelo Decreto no 57. Considera-se que.1. . Igualmente é inadmissível o protesto por falta de aceite. • beneficiário – o favorecido a quem deve ser pago o cheque (pode ser o próprio sacador). por tratar-se de uma promessa de pagamento declarada pelo próprio agente emissor. notas promissórias. 6 MATIELO. Por ser seu devedor principal. Figuras Intervenientes Participam da relação jurídica decorrente do cheque as seguintes pessoas: • sacador – o correntista emitente do cheque. 78 da LU). que é a própria instituição financeira. A conclusão doutrinária.6. 9. reside no fato de a NP não admitir o aceite. ao proceder à criação do título. inconcebível seria recepcioná-lo para as notas promissórias.2. da Lei Uniforme do Cheque.595. 8. • sacado – a instituição financeira contra a qual se saca o cheque.216 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Exceção deve ser feita ao vencimento a certo termo de vista não-aplicável às vista. como o prazo para esse tipo de vencimento deve ser contado a partir daquele ato. 1994. que nada mais é do que a inserção. Mário Eduardo. Legislação Aplicável O tema é disciplinado pela Lei Federal no 7. p. de 2 de setembro de 1985. Aceite O aceite não se aplica à nota promissória. ed. não há que se falar em vencimento antecipado por falta de aceite. o sacador já está aceitando o encargo dele decorrente. 9. realizada em 1931. 9. logo. e. 9. sendo despiciendo exigir-se nova declaração de sua parte a respeito do débito. de 7 de janeiro de 1966. no Direito brasileiro.

Características Principais Trata-se de título de modelo vinculado determinado pelo Banco Central. . falsificado ou alterado. endossante ou beneficiário (não é responsabilidade cambial. • ordem incondicional de pagar quantia determinada • nome do banco sacado sacado. contudo. considera-se o primeiro.CAMPUS Capítulo 3 — Direito Cambiário 217 Série Impetus Provas e Concursos Obrigados diretos do cheque são o emitente e seu avalista se houver. Responde. 4o da Lei do Cheque. mas civil). a exemplo de um cheque cruzado (aquele que deve ser depositado em conta) pago diretamente ao portador não-cliente. indiretos serão os endossantes e seus avalistas. Outra vinculado. 9. • data e lugar de emissão – não constando lugar de emissão. contudo. • assinatura do emitente ou seu mandatário mandatário. Obrigados avalista. 2o da Lei do Cheque. sem os quais o documento não valerá como cheque. ainda que contenha todos os requisitos ditados no art. salvo lugar de pagamento ou emissão e a data: • a denominação cheque – deve estar inserida no contexto do título. O art. assim como o sacado (banco). não prejudica a validade do título como cheque.4. se pagar cheque falso. Além desses. • lugar de pagamento – não constando lugar de pagamento. determinada. mesmo pré-datado o banco não se deve vincular à data aposta para pagamento. pré-datado. forma de cheque. será o lugar de emissão. Esta é a regra do art. considera-se o local indicado ao lado do nome do emitente. não sendo o beneficiário do título. Significa dizer que.357/85 considera como não-escrita qualquer menção em contrário. A ausência de provisão. se designados vários lugares. mas ao tempo presente. 2o da Lei do Cheque enumera os seguintes requisitos. pode a instituição financeira reaver o que pagou (art. ou de um cheque pago erradamente à pessoa estranha à relação jurídica. O banco que paga cheque endossado obriga-se a verificar a regularidade. Este se responsabiliza apenas quando processar pagamento indevido. se nenhum. O cheque é uma ordem de pagamento à vista. considera-se o lugar junto ao nome do sacado. não é aceita como título de crédito.5. 39 da LC). 9. o cheque deverá possuir fundos disponíveis na instituição financeira. salvo dolo ou culpa do correntista. não a autenticidade das assinaturas dos endossantes. 32 da Lei no 7. Neste caso. Requisitos de Validade O art.

da operação De outra forma. já que o mesmo não detém a propriedade do direito. Aceite O cheque não admite aceite. pode ser branco. o 9. posto que o endosso não se subordina a nenhuma circunstância.218 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel O cheque não é papel de curso forçado É o que dispõe o art.7. O cheque. n 8. como já mencionado. é necessário fazer referência à Lei no 9. Nesse caso. considerando-se não-escrita qualquer declaração neste sentido (art. por ser uma ordem de pagamento à vista. 21 da LC). lançados no verso do título. se inserida qualquer condição para sua efetivação. salvo se. o sacado (banco) não garante o pagamento do cheque. por esse tipo de endosso impróprio. transmitir a titularidade do crédito representado no papel. O endosso próprio transmite todos os direitos do cheque. Quanto ao número possível de endossos. contrapartida recusar o recebimento de cheque ofertado pelo comprador. Endosso posterior ao protesto ou ao prazo de apresentação também produz efeitos de uma cessão civil de crédito crédito. os direitos resultantes do cheque. mas só pode lançar no documento endossomandato (art. Em regra.311/96. Admite-se o pagamento parcial não se facultando ao portador recusá-lo. não admite o endosso-caução endosso-caução. a obrigação só se extingue com a sua compensação. comercial. 6o da LC). O endosso parcial é nulo Outrossim. Exemplificando: o vendedor. Equivale afirmar que ninguém está compelido a recebê-lo como se fora dinheiro. . Isso é lógico. Como conseqüência. Endosso Permite-se o endosso próprio do cheque que. 9.884/94. a transferência opera-se via cessão civil de crédito crédito. como contrapartida operação. Significa dizer que não se permite ao endossatário. pode vendedor. 92 da Lei Federal forçado. 26 da LC). uma vez recebido o cheque. permite o endosso-mandato pelo qual o portador pode exercer todos endosso-mandato. nulo. expressamente proibido endosso posterior. considerar-se-á aquela como não-escrita.6. o endossante é garantidor do pagamento (coobrigado). A essa singularidade confere-se o nome de obrigação pró-solvendo pró-solvendo. em uma transação comercial. recebimento ofertado comprador. que instituiu a Contribuição Provisória Sobre Movimentação Financeira – CPMF Esse . o mesmo vier a ocorrer à revelia de tal vedação (art. Entretanto. é bastante para concretizar o ato. parcial. diploma legal limitou em apenas uma a quantidade de endosso permitida. em preto ou em branco A assinatura do endossante juntamente com o nome do endossatário.

a sua assinatura aposta no momento da expedição do documento já representa seu consentimento em relação ao débito. No entanto. do atributo da executividade. para apresentação ao banco. 31). senão se considera avalizado o emitente (art. A partir dessa data. ou contra os endossantes e seus avalistas (coobrigados coobrigados). portanto. banco aceitar a apresentação no lapso temporal que vai até seis meses do tempo de apresentação. exceto o sacado (art. coobrigados Se o credor não apresentar o cheque ao banco no prazo legal (trinta ou sessenta dias). 33 da LC). não tem sentido cogitar o aceite de um cheque. e de sessenta dias. 29). sendo cheque emitido em outro lugar do país ou até do exterior (art. o título só pode ser cobrado via processo de conhecimento desprovido. contados da emissão. Após essas datas. seu beneficiário tem prazo de trinta dias. se o coobrigados. Em outras palavras.9.10. “faculta-se ao banco o pagamento”. prescreve em seis meses. o prazo para se promover a execução (art. não se submetendo. parágrafo único). 9. A ação pode ser impetrada contra o emitente e seus avalistas (obrigados diretos obrigados diretos). para fins de decadência do direito de ação cambiária. O aval deve indicar a pessoa avalizada. Vencimento e Pagamento Vimos que o cheque é ordem de pagamento cujo vencimento é sempre à vista. desde que ainda não-prescrito (art. Pode ser total ou parcial e exprime-se pela simples assinatura do avalista colocada no anverso do cheque (frente). 35. portanto. a qualquer adiamento daquele ato (cheque pré-datado). se for cheque da praça. permanece o direito contra os obrigados indiretos (art.8. Ação de Cobrança Não honrado o pagamento pelo seu principal devedor (emitente). conhecimento. Com relação aos obrigados diretos a Súmula no 600 do STF veio alterar o dispositivo diretos. 59 da LC). perderá o direito à ação de cobrança contra os coobrigados Claro que. Aval Permite o aval prestado por terceiro. O avalista obriga-se da mesma maneira que o avalizado (art.CAMPUS Capítulo 3 — Direito Cambiário 219 Série Impetus Provas e Concursos Realmente. quando o título foi emitido pelo próprio devedor. 9. 47 da LC). 30). contados da data de expiração do tempo para apresentação (trinta ou sessenta dias da emissão). 9. dispensando a exigência de apresentação ao banco. . supramencionado. que é o principal responsável pela sua solvência.

contra o emitente e outros obrigados. o simples descontrole do saldo. não tipifica o crime. e ainda assim apresentou o cheque ao banco. se lançada por um endossante ou por avalista. prescrição para ação de cobrança. que se locupletaram injustamente com o não-pagamento do cheque (art. ATENÇÃO! Cheque sem fundos constitui tipo penal. o efeito atingirá apenas aqueles (art. o cheque pré-datado.220 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel ATENÇÃO! Não confundir prazo para apresentação ao banco (30 ou 60 dias da emissão). 210 ou 240 dias. fraude – caracteriza-se na forma deliberada do agente de fraudar o credor. 171 do Código Penal. 50 da LC). entre as partes e devolvido por falta de fundos • . previsto no art. não observado pelo correntista. 9. contados a partir da enriquecimento.11. faz-se necessária a conjunção dos seguintes fatores: • dolo – é a intenção na finalidade do ato. Essa condição. se posta pelo emitente. O instrumento legal que vem sendo empregado para tanto é a ação monitória. não há o tipo penal (como exemplo negativo. com prazo prescricional da ação de cobrança (06 meses + 30 ou 60 dias = 210 ou 240 dias). É exigível para propositura de ação de cobrança contra os endossantes e seus avalistas. 61 da LC). produz efeito em relação a todos os obrigados. no entanto. decorridos dela. se a vítima estava ciente de que não havia provisão de fundos. conforme o documento seja da praça ou fora dela A lei prevê ação de enriquecimento no prazo de dois anos. Protesto O protesto do cheque só pode acontecer motivado pela ausência de fundos disponíveis para pagamento. apresentado antes do prazo pactuado fundos). Para configurar-se. Ao banco proíbe-se o pagamento do cheque. Permite-se inserir no título a cláusula sem protesto ou sem despesa para dispensar despesa. a necessidade do protesto contra os coobrigados. mas não o é se o demandado for o emitente ou avalista seu.

banco contra seu caixa. Só produz efeito após o prazo de apresentação (trinta ou sessenta dias). dependendo do local de emissão.13. o nome de um banco. Não sustado. Produz efeito a partir da cientificação ao banco. mediante visto aposto no próprio título. 9. • visado – quando o banco. Em ambas as formas.CAMPUS Capítulo 3 — Direito Cambiário 221 Série Impetus Provas e Concursos • dano – necessário o dano patrimonial à vítima. ou seja. • viagem – já contém a importância que deve ser paga.12. como vimos. não pode ser sacado diretamente no caixa. que é ato privativo do emitente. será de trinta ou de sessenta dias. garantindo o cumprimento da obrigação. por insuficiência de fundos. . 36 da LC. que. 35 da LC. posto per manecer ele com mesmo promissória). Equivale a uma limitação de validade do título ao prazo de apresentação ao banco. direito creditício advindo da nota promissória 9. Sustação A lei admite a sustação do cheque. não compete ao banco julgar a relevância da razão invocada pelo emitente. a devolução. debita de imediato a quantia na conta do sacador. Espécies Os cheques podem ser das seguintes espécies: • cruzado – atravessado por duas linhas paralelas. • especial – confere ao seu titular o direito de emiti-lo além de sua provisão de fundos. bancário – também conhecido por administrativo é emitido pelo próprio • administrativo. assim como a assinatura do sacador. no cruzamento. mas depositado em conta. a diminuição do seu patrimônio (como exemplo negativo. só a este poderá ser apresentado. de cheque utilizado no pagamento de uma nota promissória reduz credor edor. o emitente deve garantir o pagamento do cheque. Pode ser efetuada de duas formas: • revogação ou contra-ordem – prevista no art. apenas cumprir a determinação. que pode dar-se mesmo durante o tempo de apresentação. • oposição – prevista no art. considerando-se inexistente declaração pela qual se exima do cumprimento da obrigação. Se houver. permanecer não reduz o patrimônio do credor.

A emissão da duplicata é facultativa. quantidade. de um documento chamado “nota fiscal fatura”. p. Da fatura. este deverá obrigatoriamente ser uma duplicata (art. depende. os comerciantes que realizassem venda com prazo de pagamento não-inferior a trinta dias estariam obrigados à emissão de fatura da venda respectiva. São Paulo: Saraiva. 2. passou a haver certa regularidade na emissão do título. Daí ser um título causal posto que causal. em toda operação de compra e venda mercantil a prazo. o comerciante era obrigado a extrair duplicata.7 Trata-se. de um título originado a partir de um contrato de compra e venda mercantil ou de prestação de serviços. nesse período. quando realizadas vendas com prazo curto de recebimento. V. Fran Martins lembra que. Curso de Direito Comercial.1. 2o da LD). preço unitário etc. Daí. dificilmente se dava a emissão de duplicatas em vendas com prazos abaixo daquele tempo. permitia-se a emissão da(s) duplicata(s).474/68. não importando se é à vista ou não. até 1968. deixa de haver qualquer vinculação com a causa que lhe deu origem. uma vez emitida.222 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 10. já que poucos processavam a emissão de fatura. Com advento da Lei no 5. 444. os comerciantes signatários que o adotarem obrigam-se à emissão em toda venda efetuada. . portanto. de concretizar-se um prévio negócio mercantil. Rubens. Ocorre que. Entretanto. especificando detalhes como: valor unitário. 7 REQUIÃO. se da operação houver intenção de emitir um título de crédito. circulante por meio de endosso. por parte dos comerciantes. Esse documento tem a finalidade de discriminar o produto da venda. constituindo um saque fundado sobre crédito proveniente de contrato de compra e venda mercantil ou de prestação de serviços. Percebam que. inclusive à vista. para sua existência. desde que foi firmado um convênio entre os Estados para adoção. como a duplicata pode nascer sempre da fatura ou da nota-fiscal-fatura. Entretanto. pelo fato de não ser obrigatória a emissão da fatura em vendas cujos vencimentos fossem inferiores a trinta dias. A respeito da faculdade de expedição da duplicata. assimilado aos títulos cambiários por força de lei. Conceito Requião conceitua duplicata como um título formal. com escopo de servir tanto a fins contábeis como fiscais. Duplicata 10.

duplicata. Legislação Aplicável A Lei Federal no 5. Prestando aval. o art. Nesta situação. . seu direito sobre o título. 23 da Lei no 5.2. • cláusula à ordem. Requisitos de Validade O art. 10.4. • local de pagamento.474/68 reputa como obrigatória a sua extração.474/68 é o diploma normativo aplicável à duplicata. • sacado – é o comprador.CAMPUS Capítulo 3 — Direito Cambiário 223 Série Impetus Provas e Concursos 10. ao menos quando houver perda ou extravio da duplicata. 10. • vencimento (ou declaração de ser à vista). • aceite do devedor (sacado). devendo-se observar idênticas formalidades daquela. Em caso de perda ou extravio. permite-se a emissão da triplicata com os mesmos triplicata. Trata-se. • valor. efeitos e requisitos do documento original. por meio de endosso. a duplicata é título de modelo vinculado significando vinculado. Características Principais Assim como o cheque. dizer que só é válida se emitida de acordo com especificações já definidas. Documento emitido sem obediência àquele modelo não gera efeito cambial. Figuras Intervenientes Duas pessoas são necessárias à relação jurídica: • sacador – é o comerciante que vende a mercadoria (credor). 10. requisitos e efeitos do original. 2o da LD traz requisitos sem os quais o título não valerá como duplicata: • denominação duplicata data de emissão e número de ordem. permite-se ao proprietário de uma duplicata transferir. Sobre a triplicata. • assinatura do emitente. o sacador assumirá o papel de obrigado indireto pelo crédito. • nome e domicílio do vendedor e do comprador.3. o avalista também fará parte da mesma relação decorrente do título. seja como garantidor do obrigado direto ou de um dos coobrigados. na verdade. aquele que se obriga a pagar a obrigação. o endossatário será o novo credor.5. hipótese em que se admitirá o ingresso de terceiros na relação originalmente criada. • número da fatura. Assim como os demais títulos cambiários. de um novo documento com as mesmas características.

mesmo. salvo nas seguintes situações (art.224 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel A doutrina acentua que. Desta forma. o aceite do sacado é obrigatório. também o é a expedição da triplicata. não se deve tomar a disposição “ao pé da letra”. 10. • divergências nos prazos ou nos preços.6. e. . Endosso Permite-se o endosso da duplicata. posto que a lei restringe a possibilidade de o sacado libertar-se da obrigação que lhe é apresentada apenas naquelas hipóteses. muito menos desconsideração do documento como duplicata mercantil. Obriga-se o comerciante que emitir duplicata ao registro no Livro de Registro de Duplicatas. relativas à forma de circulação das duplicatas. o art. como uma faculdade que detém o comerciante ou o prestador de serviço. vendedor. apesar de o dispositivo legal expressar a obrigatoriedade de emissão da triplicata. • vícios na qualidade ou na quantidade dos produtos. 8o da LD. a recusa do sacado em aceitar o título ou. ou seja. Deve. O art. ser interpretado de forma diversa. sempre que acontecer a perda ou extravio da original. claro na hipótese legal. Ressalva para a impossibilidade de ser inserida a cláusula não à ordem desde a origem. 23 ainda está “contaminado” com a antiga obrigatoriedade da emissão da duplicata. assim mesmo. Isso porque. 8o da LD): • avaria ou não-recebimento das mercadorias quando a culpa for do mercadorias. lastreada em uma daquelas razões. inexistindo uma das causas capituladas no art. que terá sempre como primeiro endossante o vendedor da operação de compra e venda que deu origem ao título. 25 da Lei de Duplicatas assegura a aplicação das mesmas regras concernentes à letra de câmbio. é preciso esclarecer que o título só é considerado não-aceito depois de configurado um dos motivos descritos acima. 10. a ausência de devolução dele ao sacador. Quando se ressalta a compulsoriedade do aceite na duplicata. Aceite Diversamente à letra de câmbio. não implicam sua liberação de saldar a duplicata. pois. sendo facultativa a emissão da duplicata. havendo sua devolução juntamente com exposição circunstanciada do sacado.7. Segundo Fran Martins.

b) por presunção acontece sempre que o sacado. o instrumento devido é a ação de cobrança. da LD). Atualmente. Algumas regras. 10. contudo. Ação de Cobrança Para cobrar-se judicialmente uma duplicata.10. devem ser obedecidas (art. essa forma é largamente usada no meio comercial. 2o. o avalizado será o comprador. ainda que posterior ao vencimento do título. presunção: não as devolve ao remetente. 10. ao receber as mercadorias. contudo. este será considerado como aquele que vier indicado logo abaixo de sua assinatura. .8. Fora desses casos. As normas para pagamento seguem as disposições aplicadas à letra de câmbio. comunicação: descontadora do título.9. para que esse aceite o débito custodiado no banco. Aval Admite-se o aval. Essa forma tem pouco uso. 15 da LD): • se houver aceite do devedor – independe de protesto para propositura da ação de cobrança contra o obrigado direto. presumindo-se que ele concordou com o saque efetuado contra ele. retém a cártula. III.CAMPUS Capítulo 3 — Direito Cambiário 225 Série Impetus Provas e Concursos Devemos destacar. 10. pois. produzindo idênticos efeitos (art. ainda que não haja a restituição da duplicata enviada a aceite. devido à utilização mais corriqueira de meio magnético para substituir a emissão de papéis. Vencimento De forma diversa da letra de câmbio. ordinário: condição que o torna título executivo contra o sacado. a duplicata só admite duas formas de vencimento: à vista ou num dia fixado no próprio título (art. para cobrar-se dos obrigados indiretos é necessário o protesto. além de aumentar a quantidade de papel. três formas de aceite do título: a) ordinário ocorre quando o sacado apõe sua assinatura no próprio título. fere o princípio da cartularidade. Se não houver indicação do avalizado. independentemente de estar protestado ou não. c) por comunicação é forma pela qual uma instituição financeira. vista. 12 da LD). ao mesmo tempo em que remete ao sacado algum instrumento de comunicação.

de devolução ou de pagamento (art. Ambos são considerados títulos de crédito impróprios impróprios. as mesmas mercadorias. não impossibilita o mesmo ato lastreado na falta de pagamento. 11. trata-se de uma exceção à característica da cartularidade. . Permite-se o protesto. 8o. Perde o direito creditício contra endossantes e respectivos avalistas o portador que não protestar o título até trinta dias do vencimento. Na verdade. para fins cobrança do crédito. São emitidos pelo titular do armazém geral. • um ano da data do pagamento – quando movida por um coobrigado contra os demais. 10. legitimando seu portador na propriedade das mesmas. Contra o devedor principal (sacado) e seu avalista. desde que tenha aceite.1. já que dispensa vista ao documento. 18 da LD): • três anos da data do vencimento – contra o sacado e respectivos avalistas. § 1o. 13 da LD). A ausência do protesto.226 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel • se não houver aceite nem devolução do título – depende de prévio protesto até mesmo contra o obrigado direto. por solicitação do depositante. Protesto A duplicata pode ser protestada por falta de aceite. O primeiro substitui o recibo da mercadoria. da LD). desde que não tenha havido recusa de aceite por um dos motivos previstos no art. assim como do acompanhamento de documento que comprove a entrega da mercadoria. ainda que sem a apresentação do título no cartório. processando-se por intermédio de indicação do credor (art. por falta de aceite ou de devolução. A prescrição do prazo para propor-se a ação dá-se (art. • um ano da data do protesto – contra endossantes e seus avalistas. 13. não se faz necessário o protesto. ao passo que o warrant é um título fundado numa garantia pignoratícia (vem de penhor) sobre as mercadorias depositadas. 8 Estabelecimento que tem por fim a guarda e a conservação de mercadorias depositadas.11. Conhecimento de Depósito e Warrant 11. Conceito O conhecimento de depósito é título representativo de mercadorias custodiadas em armazéns gerais 8 ao passo que o warrant representa uma garantia real sobre gerais.

quantidade e demais especificações da mercadoria. necessitando de capital de giro para seu negócio. 11. de 21/11/1903. que vem atrelado ao warrant. Uma vez expedidos. • nome do depositante.2. Legislação Aplicável Regem-se pelo Decreto no 1. imaginemos que um comerciante. • declaração dos impostos incidentes sobre a mercadoria. No entanto. Por ocasião do vencimento do warrant. requer ao armazém a emissão de um conhecimento de depósito. sua profissão e domicílio. Contudo.102/03 relaciona os seguintes requisitos impostos aos títulos: • denominação do armazém geral. basta alienar apenas o warrant. mantendo-se na propriedade do conhecimento de depósito. deverá satisfazer o direito creditício nele presente. A posse e propriedade desses títulos irá permitir que o depositante capte recursos financeiros. os próprios títulos podem ser penhorados ou arrestados por dívidas (art. • nome do segurador da mercadoria e valor do seguro. 11. documento legitimador de sua propriedade. • natureza. o seqüestro ou qualquer outro embaraço que prejudique a livre disposição das mercadorias. constará importância do crédito garantido. legítimo proprietário de dez mil quilos de feijão. para só então poder ter a liberação dos produtos depositados. incapaz de armazená-los devido à ausência de instalações adequadas. 17 do Decreto no 1. • data de emissão e assinatura do depositante. 15 do Decreto no 1. Características Principais No warrant. Requisitos de Validade O art. Após o depósito da mercadoria. proíbe-se a penhora. e a retirada da mercadoria do depósito só poderá ser feita com a apresentação dos dois títulos.102/03). Para tanto.102. • lugar e prazo de depósito. sem obrigatoriamente abrir mão de seu domínio. ele pode exigir a entrega de um simples recibo de depósito.4.CAMPUS Capítulo 3 — Direito Cambiário 227 Série Impetus Provas e Concursos Para entender a razão motivadora de alguém requerer a expedição dos títulos. . resolva levá-los à custódia de um armazém geral.3. mas sem querer desfazer-se da propriedade de seu bem. 11.

897 do Novo Código Civil.6. 12. quando não satisfeita a obrigação nele constante. Neste caso.1. no peso ou na quantidade das mercadorias. Endosso Ambos os títulos podem ser transferidos por endosso. O endosso de um e de outro confere ao endossatário direito de livre disposição das mercadorias. Possibilita-se até a venda em leilão das mercadorias necessárias à satisfação da dívida. Por força do art. Conceito Constituem títulos de financiamento assim compreendidos. 903 do Código Civil de 2002. o portador do warrant pode impetrar ação contra os endossantes anteriores. Títulos de Crédito Rural 12.102/03). aplicam-se as mesmas disposições relativas às letras de câmbio. relativamente à divergência na natureza. Perante terceiros. que imediatamente repassará ao portador do warrant (art. que veda o aval parcial. no que se refere à responsabilidade dos endossantes do warrant. 11. sendo do conhecimento de depósito a faculdade de dispor das depósito. Se for apenas do warrant. aqueles financiamento. representativos de obrigações decorrentes de um empréstimo de capital liberado por uma instituição financeira.102/1903. terá que consignar principal e juros ao depositário. 11. cada endossante responsabiliza-se solidariamente pelo débito.7.228 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Se o portador do conhecimento de depósito intencionar retirar a mercadoria antes do vencimento da dívida constante do warrant. responsabiliza-se o armazém geral por inexatidões contidas nos títulos.102/03). Aval Aplica-se o art.5. Protesto Admite-se o protesto por falta de pagamento do warrant. Não ficando integralmente quitada. para haver o saldo. implica o direito de penhor sobre as mercadorias. respeitados os direitos do credor. mercadorias. 18 do Decreto no 102/03). portador do warrant (art. 11. 18 do Decreto no 1. 22 do Decreto no 1. combinado com o art. unidos ou separadamente (art. . 25 do Decreto no 1.

necessitando de recursos para incrementar sua produção. Exemplificando: um produtor rural. que terá como favorecida a mesma instituição que está liberando o dinheiro para o emitente. posto fugir às normas gerais atinentes aos títulos de crédito mais conhecidos. na qualidade de emitente. assina. pois.CAMPUS Capítulo 3 — Direito Cambiário 229 Série Impetus Provas e Concursos Igualmente ao conhecimento de depósito e warrant. cédula comercial) rural) para a construção da casa própria (cédula hipotecária cédula hipotecária). tanto para a indústria (cédula de crédito industrial como para o comércio (cédula de industrial). Nestes casos. Possuem natureza de uma promessa de pagamento em favor do agente financeiro. 14 a 19 do Decretolei no 167/67. com o penhor ou hipoteca de bens. a aplicar o montante recebido na atividade declarada ao financiador.2. através deles. Este se obriga. Os títulos de financiamento em geral configuram-se como um importante meio de fomento da economia. 12. Lá chegando. até mesmo. Apropriada para financiamentos garantidos por um penhor sobre bens móveis. dirige-se a um órgão integrante do Sistema Nacional de Crédito Rural. 12. 12. . dada por quem recebe o benefício da linha de crédito. Legislação Aplicável Regula-se pelo Decreto-lei no 167. ocorre a liberação de verbas. quando não houver garantia real à dívida. sob pena de vencimento antecipado de toda a dívida. os títulos são chamados de cédula de crédito rural. de 14/02/1967. credor do direito creditício. De outra forma. pessoa física ou jurídica. Assim nós temos: • cédula rural pignoratícia – disciplinada pelos arts. satisfeitos todos os requisitos exigidos. expressa na própria cédula (princípio da cedularidade). cédula cédula crédito comercia ou agricultura (cédula ou nota de crédito rural e. o título de crédito.3.4. Características Principais O credor do título pode exigir uma garantia real ao empréstimo. intitula-se de nota de crédito rural. é título de crédito impróprio. devedor do direito creditício. Figuras Intervenientes • Emitente ou sacador – é o produtor rural. • Beneficiário – é o organismo que liberou o recurso.

instalações e benfeitorias. Utilizada para financiamentos desprovidos de garantia real. O quadro-resumo da folha seguinte tem o objetivo de facilitar a compreensão da matéria. Endosso Por força do art. • cédula rural pignoratícia e hipotecária – disciplinada pelos arts. não prevalece o art. assim entendidas as construções. rurais ou urbanos. Protesto Não é necessário. 12. trazendo os principais elementos a respeito dos títulos de crédito próprios. 25 e 26. . 60 daquele Decreto-lei.230 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel • cédula rural hipotecária – disciplinada pelos arts. 20 a 24. para assegurar o direito de regresso contra coobrigados. 60 do Decreto-lei no 167/67. combinado com o art.7. 27 e 28. respectivos terrenos. 897 do CC/2002.5. mantendo-se a possibilidade de o aval ser parcial. aplicam-se as mesmas disposições relativas às letras de câmbio. • nota de crédito rural – disciplinada pelos arts. 12. 903 do Código Civil de 2002.6. Apropriada para financiamentos garantidos por hipoteca sobre imóveis. no que se refere à responsabilidade dos endossantes desses títulos. normalmente mais requisitados nas provas de concursos. 12. Aval Também devido ao mesmo art. Abrange ambas as garantias numa mesma cédula.

044/08. de forma subsidiária.aplicadas às letras de câmbio. que poderá Relativamente ao endosso.663/66 Rege-se pelo Dec. Relativamente ao endosso. CHEQUE Ordem de pagamento à vista. Participam da relação original: sacador – vendedor/ prestador de serviços (credor). pelo no 7. Inserida cláusula não ordem.663/66 Rege-se pela Lei Federal e. adota as mesmas regras aplicadas às letras de câmbio.CAMPUS LETRA DE CÂMBIO Ordem de pagamento à vista ou a prazo. caução. no 57.474/68. beneficiário – credor do título. à exceção do endosso-caução (inadmissível) e do número ilimitado de endossos Capítulo 3 — Direito Cambiário Participam da relação jurídica original: sacador – quem emite o título. Relativamente ao endosso. ou de prestação de serviços.). Dec. pelo e. no 57. pelo emitente. contra provisão de fundos em poder do próprio sacado. sacado – comprador/ tomador do serviço. adota as mesmas regras aplicadas às letras de câmbio. Rege-se pelo Dec. feita pelo emitente do título. à exceção do momento de inserir a cláusula não à Admite o endosso. em favor do beneficiário. NOTA NOTA PROMISSÓRIA Promessa de pagamento à vista ou a prazo. além do endosso próprio. DUPLICAT DUPLICATA Saque efetuado pelo emitente.044/08. pelo Dec. de forma o o subsidiária. 231 Série Impetus Provas e Concursos . pelo emitente. no 57. Rege-se pela Lei Federal no 5. à ordem proíbe-se o endosso. a partir de um contrato de compra e venda mercantil. em favor do beneficiário. sacado – devedor principal do título. n 2. tomador – credor do título.357/85 e. Participam da relação original: sacador – emitente e devedor.595/66. de forma subsidiária. n 2. Participam da relação original: sacador – emitente e devedor. segue as mesmas regras ser: endosso-mandato ou endosso. dada ao sacado. dada ao sacado. Dec. sacado – banco. beneficiário – é o credor do título (terá posse do docum.

.232 Série Impetus Provas e Concursos Cláusula sem garantia livra o endossante da obrigação pelo pagamento do título. caso letras de câmbio. o sacador será devedor principal.311/96 limitou em apenas um). ordem que não pode ser desde a emissão do título. Relativamente ao aval. ordem. salvo por avaria devedor. adota as mesmas regras da letra de câmbio. Ressalva para a proibição de o aval ser prestado pelo banco. aceitável para evitar o vencimento antecipado. Ressalva para a nãoindicação do favorecido pelo aval. Se não houver aceite. Não admite aceite. Possível haver cláusula nãoaceitável. assim como erros nos prazos ou nos preços. adota as mesmas regras aplicadas às letras de câmbio. Não admite aceite. A recusa do sacado ou. vício na qualidade ou quantidade. posto ser Aceite do sacado é o título emitido pelo próprio obrigatório. (a Lei no 9. Apenas nestas hipóteses estará o sacado livre de responder pelo pagamento do título. Permite-se o aval. posto ser o título emitido pelo próprio devedor. O avalista obrigar-se-á nas Relativamente ao aval. segue as parcial. total ou Relativamente ao aval. contrário será o sacador da letra. Direito Comercial — Carlos Pimentel Admite o aceite do sacado. Deve haver a indicação mesmas regras aplicadas às do favorecido pelo aval. mesmo. ou não-entrega do produto. apesar de não ser obrigatório. o aceite parcial provoca o vencimento antecipado. que poderá ser o sacado. obrigando-se o sacado pelo que aceitou.

O vencimento da letra pode ser: à vista – será o prazo de apresentação. Capítulo 3 — Direito Cambiário mesmas condições do avalizado. num dia fixado – vem definido na letra. sem se respeitar a ordem pela qual se obrigaram. se da praça ou não. trinta ou de sessenta dias. a certo termo de data – tantos dias do saque. pelo fato de não admitir aceite. O pagamento deve ser exigido inicialmente do sacado. seja contra o principal devedor ou contra devedores indiretos. Contudo. salvo aquele a certo termo de vista. só após. Vale a ação de cobrança.CAMPUS Relativamente ao vencimento. e até sua prescrição. 233 Série Impetus Provas e Concursos . O pagamento da letra deve ser exigido primeiro do obrigado principal. Após esse tempo. faculta-se o pagamento. a saída é uma ação monitória. contados do fim do prazo de apresentação para promover a execução do título. para. obedecidas as seguintes regras: com aceite – dispensável protesto contra o sacado. nos seguintes prazos: Relativamente ao pagamento. Não satisfeito o crédito. a certo termo de vista – tantos dias do aceite. o título deve ser apresentado para pagamento. No caso de não ser paga. No prazo de trinta ou sessenta dias. o prazo de pode ser à vista ou num apresentação ao banco é de dia fixado. segue as mesmas regras aplicadas às letras de câmbio. conforme o cheque seja da praça ou não. sem aceite – precisa do protesto até mesmo contra sacado. Caso esse não pague. a providência judicial cabível é a execução. O vencimento é sempre à O vencimento da duplicata vista. cobrarse de um coobrigado. segue as mesmas regras aplicadas às letras de câmbio. tem o credor o prazo de cento e oitenta dias. Após esse tempo. qualquer um dos obrigados indiretos poderá ser compelido a fazê-lo.

salvo se posta na origem. O protesto da duplicata pode ser fundado na falta de pagamento. e seu prazo é o mesmo da prescrição (cento e oitenta dias do fim do prazo de apresentação). O instrumento para tanto será igualmente a ação de cobrança. e com comprovante de entrega das mercadorias. e seu prazo é de trinta dias do vencimento. No primeiro caso.234 Série Impetus Provas e Concursos três anos do vencimento – contra obrigado direto. um ano do pagamento – poder regressivo. enquanto. é até o fim do prazo de apresentação. não contra o sacado (com aceite). um ano do venc. O protesto do cheque só pode ser fundado na falta de pagamento. É necessário para se cobrar o título de um coobrigado. lembrando que a cláusula sem protesto vale para o endossante que a inseriu. O prazo da ação é: três anos do vencimento – contra sacado. limitada ao prazo prescricional do cheque. Direito Comercial — Carlos Pimentel O protesto da letra é fundado na falta de pagamento ou de aceite. qual seja: cento e oitenta dias do fim do prazo de apresentação. É necessário contra coobrigados. A cláusula sem protesto dispensa protesto até dos coobrigados. sei meses do pagamento – poder regressivo de quem pagou. No mais. de aceite ou de devolução do título remetido ao sacado para aceite. as regras são iguais àquelas das letras de câmbio. . interposta contra o emitente ou coobrigados. 8o. um ano do protesto – contra coobrigados. já que não admite aceite. as regras são iguais àquelas das letras de câmbio. ou protesto – contra obrigado indireto. O protesto de nota promissória só pode ser fundado na falta de pagamento. Esta segunda hipótese vale se o sacado não tiver razões fundadas no art. No mais. o prazo é de dois dias do vencimento. fazê-lo. no segundo. não do aceitante.

3. assim como todos os endossos anteriores a esse evento. d) permitir o stoppage in transitu. ESAF (AFTN/1994) Os títulos de crédito. e) representar garantia real sobre bens. c) servir para a transferência de propriedade de bens. c) exigir. na cadeia de regresso. criados para facilitar a circulação de direitos com segurança. d) não pode restringir-se a apenas uma parte da obrigação. caracterizam-se por: a) ser numerus clausus. b) torna ineficaz o aval dado antecipadamente. c) só se justifica no caso de vício da relação jurídica subjacente. b) ser independente de qualquer relação fundamental entre emitente e primeiro beneficiário. . e) só servir aos empresários. d) não ser documentos de legitimação. o conhecimento de todos. e) deve ser comunicada por escrito ao sacador no prazo máximo de dez dias após a apresentação. ESAF (AFTN/1994) O warrant é título de crédito que se caracteriza por: a) representar mercadorias depositadas. b) não admitir função diversa daquela que originou sua criação. reputando-se não-escrito o aceite prestado dessa forma. para que possa gerar efeitos cambiais. (JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO – 5 a REGIÃO/1999) A recusa do aceite pelo sacado de um letra de câmbio: a) implica o vencimento antecipado do título e torna o sacador o principal responsável pelo seu pagamento. que seja imputável ao sacador. 2.Exercícios 1.

e) poderá ser imediatamente executada. b) poderá ser executada. ocorreria em face de uma situação de: a) cheque furtado. e) extingue-se o crédito do beneficiário. assim. na qual seria possível a execução do título sem que ele estivesse presente nos autos. ESAF (AFTN/1991) A nota promissória parcialmente avalizada com cláusula não à ordem: a) é transmissível pela via do endosso translativo.236 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 4. porque o endosso parcial é nulo. (FISCAL DO TRABALHO/1994) Com relação a um cheque que não foi apresentado durante o prazo de apresentação fixado em lei. c) apenas poderá ser transmitida através do endosso parcial. . d) não poderá ser objeto de execução. Uma hipótese que caracterizaria exceção a essa regra. c) não poderá ser objeto de ação de execução. c) o termo a quo do prazo prescricional para a ação executiva é o da data em que o cheque foi efetivamente emitido. e) é transmissível somente pela forma e com os efeitos de uma cessão de crédito. ESAF (AFTN/1991) Uma duplicata. Não se admite. em razão de ter valor inferior ao valor de emissão da fatura. é correto afirmar que: a) somente pode ser exigido em processo de conhecimento. d) o termo a quo do prazo prescricional para a ação executiva é o da expiração do prazo de apresentação. 6. b) não é transmissível. desde que protestada e acompanhada de documentos que comprovem a entrega e o recebimento da mercadoria e que o sacado não tenha tempestivamente recusado o aceite. não podendo o documento ser utilizado como fundamento para ação de locupletamento. em razão de o título de crédito ser oriundo de um contrato de compra e venda mercantil. a fim de que possa obrigar o devedor a efetuar o pagamento de sua dívida. aplicável aos títulos de crédito. 7. representativa de contrato de compra e venda mercantil. c) duplicata não-devolvida. (JUIZ SUBSTITUTO DE 1 a ENTRÂNCIA/PE 2000) Em face do princípio da cartularidade. 5. b) o termo a quo do prazo prescricional para a ação executiva é o da data lançada na face do título. que se inicie a ação cambial sem que a petição inicial esteja acompanhada do respectivo título de crédito. porque sua emissão é nula. d) nota promissória protestada por falta de pagamento. b) letra de câmbio não-aceita. vencida sem aceite e de valor inferior ao da fatura que lhe deu causa: a) poderá ser executada somente depois de protestada por falta de aceite e pagamento. e) debênture com garantia flutuante. d) em hipótese alguma é transmissível. porque não tem aceite do sacado. exige-se que o credor apresente o título – cártula –.

mas só pode endossá-lo na qualidade de procurador. portanto. é: a) nota promissória. por procuração ou qualquer outra menção que indique um simples mandato: a) o portador pode exercer todos os direitos resultantes do cheque. b) ( ) É nulo o endosso parcial. julgue os itens seguintes (V ou F) a) ( ) É o meio pelo qual se transfere a propriedade de títulos com a cláusula não à ordem. confirmando a exatidão do saque. quando comparado à fiança. d) ( ) São modalidades de endosso impróprio o endosso-caução e endosso-mandato. o avalista de um título de crédito não pode alegar defeito de forma. Observa-se. b) ( ) O benefício de ordem é comum a ambos os institutos. a) ( ) O aval possui natureza de ato unilateral de vontade. CESPE – UnB (FISCAL DO INSS/1997) O endosso é o meio de transferência de títulos de crédito. e) ( ) Letras de câmbio são endossáveis. e) ( ) Em decorrência da autonomia das relações jurídicas. mas não pode endossá-lo. consistindo na assinatura do seu titular lançada no próprio título. d) ( ) O avalista pode ser demandado independentemente de o avalizado ter sido demandado. 9. Acerca das características dos título de crédito. Acerca do endosso. CESPE – UnB (FISCAL DO INSS/1997) O jurista italiano Cesare Vivante definiu o título de crédito como o documento necessário ao exercício do direito literal e autônomo nele mencionado. . quando um endosso contém a menção valor a cobrar. possui natureza contratual. ainda que não contenham a cláusula não à ordem. CESPE – UnB (FISCAL DO INSS/1997) O aval pode ser entendido como o ato por meio do qual determinada pessoa passa a responder. 12. c) warrant. d) letra de câmbio. b) ( ) A inoponibilidade de exceções em embargos propostos contra ação cambial é decorrência do princípio da autonomia das relações jurídicas. c) ( ) A legislação uniforme em relação à letra de câmbio e a nota promissória admite endosso sem garantia. assim como a fiança. d) ( ) A abstração é a principal característica da duplicata mercantil. 10. em face de determinado título de crédito. c) ( ) A afirmação de que os títulos de crédito valem pelas informações nele mencionadas está vinculada à sua cartularidade. julgue os itens a seguir (V ou F). a) ( ) A literalidade está relacionada ao fato de que o credor de título de crédito somente pode exercer os seus direitos mediante a apresentação do título ao devedor. nas mesmas condições que a pessoa por ela avalizada. (OAB – GO/1998) Em relação ao cheque. c) o portador não pode exercer os direitos resultantes do cheque. para cobrança. d) o portador somente pode exercer os direitos resultantes do cheque com a prévia anuência do endossante. 11. b) o portador pode exercer todos os direitos resultantes do cheque. A propósito das peculiaridades desses dois institutos.CAMPUS Capítulo 3 — Direito Cambiário 237 Série Impetus Provas e Concursos 8. Esta definição tornou-se clássica por indicar duas das várias características aplicáveis aos títulos de créditos. b) cheque. certa semelhança em seu funcionamento. c) ( ) O aval. (OAB – RJ – AGOSTO/1998) O título de crédito que comporta declaração do principal devedor. julgue os itens a seguir (V ou F).

facilitando a sua circulação. 16. A defendeu-se. entre outros aspectos. G pode. a) ( ) O prazo prescricional da ação executiva do cheque é de seis meses. por sua vez. julgue os itens a seguir (V ou F). consignando a promessa de pagar. ainda. que não paga. X pode recusar-se ao pagamento. no futuro. d) ( ) Notas promissórias não admitem aceite cambial. apresente o avalista X. cuja função precípua é incorporar um direito de crédito. pelo fato de que a primeira é uma promessa de pagamento. D. constituiu grande passo para o desenvolvimento do comércio. que significa a confiança de uma pessoa em que outra cumprirá. que. d) considerar-se não-escrita a exclusão de responsabilidade. por ser vinculada à de C. 15. que também é fiador do contrato ao qual está vinculada nota promissória. . A emitiu nota promissória. alegando não ser obrigado. em seguida. e) ( ) O avalista. endossando. Nesse caso. B. E. e este a endosse para C.238 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 13. recusando o pagamento a C. enquanto a segunda é uma ordem de pagamento. c) nulidade do título. ainda que não tenha sido aceita. foram lançados três endossos. abstração e inoponibilidade das exceções pessoais. b) a exclusão de responsabilidade de todos os endossantes. b) ( ) Duplicata mercantil. b) ( ) Considere que seja constituída cadeia cambial em letra de câmbio. De acordo com tais princípios. CESPE – UnB (FISCAL DE ALAGOAS/2002) O surgimento do crédito. a obrigação pecuniária assumida no presente. mas desde que protestada e acompanhada de documento que comprove efetivamente a entrega e o recebimento da mercadoria. eximindo-se de garantir o pagamento do título. CESPE – UnB (FISCAL DO INSS/1997) A disciplina que rege os títulos de crédito norteia-se por uma série de princípios. ligando em seqüência A. é correta a decisão do juiz que acata a defesa de A e indefere o pedido de C. em ação regressiva. autonomia. o título a D. c) ( ) As notas promissórias distinguem-se das letras de câmbio. e que. julgue os itens a seguir (V ou F). CESPE – UnB (INSS/1998) A respeito dos títulos de crédito. lançada na face da letra de câmbio. e) ( ) Pela simples assinatura do sacado. 14. executado por inadimplência. B endossou a nota para C. presume-se o aceite. em face do descumprimento do contrato por parte de B. cobrar de E e de F. a) ( ) Considere a seguinte situação: firmado um contrato entre A (obrigação de pagar) e B (obrigação de entregar coisa certa). é inválida. como os princípios de literalidade. Acerca dos títulos de crédito. Se for executado. c) ( ) Considere que seja emitida um nota promissória por A em favor de B. F e G. alegando que sua obrigação. obriga-se nos termos do contrato. sendo que o primeiro deles contém declaração do endossante. d) ( ) O portador pode recusar o aceite por valor inferior ao consignado no título em face do princípio da literalidade. G cobre de D. o que vai implicar: a) a exclusão de responsabilidade do primeiro endossante. contados da data de emissão do título. (JUIZ FEDERAL – 5a REGIÃO/1995) Em uma nota promissória. Diante disso. julgue os itens a seguir (V ou F). poderá ser executada. Um passo ainda maior foi dado com a criação dos títulos de crédito.

FCC (PROCURADOR DO ESTADO DO RS/1988) A letra de câmbio que não contenha cláusula à ordem expressa: a) é transmissível por via de endosso. regidos pelo princípio da concreção. e) ( ) A letra de câmbio pode ser endossada em favor do aceitante. c) o protesto é necessário para o exercício da ação de execução dos devedores principais da obrigação cambial. é requisito essencial da letra de câmbio. mas este. são requisitos essenciais desse título de crédito a ordem incondicional de pagar quantia determinada. c) ( ) O nome do sacado. a) ( ) Segundo a Lei Uniforme do Cheque. d) é nula de pleno direito. no entanto. salvo estipulação em contrário. ao portador. ESAF (BNDS/2002) No Direito Cambiário: a) as notas promissórias e os cheques independem de protesto para constituírem títulos executivos contra seus emitentes. b) é transmissível por via de endosso. d) ( ) Na hipótese de o sacado recusar-se a aceitar a letra de câmbio. e) é exigível apenas do sacador e do sacado. o aval pode ser parcial ou total e pode ser dado por terceiro ou por signatário da letra. julgue os itens a seguir (V ou F). em regra. o endosso parcial é nulo. a indicação do lugar de pagamento e de emissão. o princípio da inoponibilidade das exceções. devendo. o nome da pessoa que deve pagar. segundo a Lei Uniforme do Cheque. o nome do banco ou da instituição financeira que deve pagar. e) os coobrigados são devedores solidários de todos os outros devedores da obrigação cambial. desde que o detentor do título concorde com o aceite e tenha feito antes o protesto. podendo ser condicionado. e) ( ) Não se aplica ao cheque. porque. produz apenas os efeitos de uma cessão ordinária de créditos. em regra. nela constar para que possa produzir efeito. coresponsável pelo pagamento. c) ( ) Na letra de câmbio. c) só é transmissível pela forma e com os efeitos de uma cessão ordinária de créditos. 17. CESPE – UnB (AGU/2002) Com referência ao cheque e à letra de câmbio. no momento em que desejar exercer o direito de crédito. por ter a obrigação de pagá-la.CAMPUS Capítulo 3 — Direito Cambiário 239 Série Impetus Provas e Concursos a) ( ) O título de crédito é documento indispensável ao exercício do direito nele contido. ficando o endossante. uma vez que são estritamente vinculados ao negócio que originou o título. entretanto. b) o endosso funciona como instituto de garantia ao cumprimento de quaisquer das obrigações assumidas no título. . b) ( ) Os títulos de crédito são. que. o cheque pode ser transferido mediante endosso. b) ( ) Trazendo o nome do beneficiário. isto é. d) ( ) Em letra de câmbio. pode um terceiro aceitá-la. 18. o possuidor deve apresentar o título ao devedor ou à pessoa indicada para fins de pagamento. 19. a data de emissão e a assinatura do emitente e a denominação cheque inscrita no título. necessariamente. segundo a Lei Uniforme do Cheque. A doutrina trata-o como título de apresentação. d) a transferência das obrigações opera-se. não poderá reendossá-la a outra pessoa.

a) ( ) Devem ser emitidas sempre que se trate de venda a prazo. com o objetivo de ter em mãos um instrumento capaz de propiciar-lhe o poder de cobrar o valor da venda: a) pode emitir qualquer título de crédito à sua escolha. ESAF (AUDITOR DA PREFEITURA DE RECIFE/2003) A transferência de um conhecimento de depósito: a) indica que há mercadorias em trânsito. CESPE – UnB (AUDITOR FISCAL DO INSS/2003) Um dos instrumentos de grande utilidade na fiscalização do pagamento de tributos incidentes sobre o faturamento é a auditoria nos registros de duplicatas a receber. FCC (MP – PE/2002) No que tange à duplicata mercantil. b) representa venda dos bens nele mencionados. . c) requer que o warrant esteja a ele ligado. d) serve para facilitar operações de garantia sobre produtos agrícolas. com duas testemunhas. 23. não há previsão legal para que a duplicata tenha vencimento a certo termo de data e a certo termo de vista.240 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 20. d) pode emitir uma triplicata. e) é obrigatório que a duplicata seja garantida por aval e que o pagamento seja feito somente após o aceite. d) o aceite da duplicata não é compulsório. e) transfere ao novo titular do documento a responsabilidade pela guarda dos bens. para enviar a duplicata ao devedor para cobrança e posterior protesto. b) deve redigir contrato escrito a ser assinado pelo comprador. para efeito de exigência da emissão da fatura. b) a emissão da duplicata é sempre obrigatória. Relativamente a essa espécie de títulos – duplicatas mercantis –. decorrentes que são dos contratos de compra e venda a prazo. para a imediata liberação das coisas em poder de terceiro. no caso em que o comprador não haja devolvido a duplicata remetida para o aceite. c) a emissão de triplicata é obrigatória. dispensado o reconhecimento de firma. porque o comprador poderá deixar de aceitá-la por qualquer motivo comercial. enquanto a extração da fatura é facultativa. e) é obrigado a sempre valer-se de banco. 22. b) ( ) Não se considera a prazo. diz-se que: a) são requisitos facultativos da duplicata. mas a duplicata é título de emissão facultativa. c) é obrigado sempre a sacar duplicatas contra o comprador. c) ( ) Diferentemente da letra de câmbio e da nota promissória. a compra contratada para pagamento em trinta dias. 21. entre outros. o vendedor. ESAF (AUDITOR DO TCE-PR/2002/2003) Tendo feito uma venda mercantil. a praça de pagamento e a cláusula à ordem. julgue os itens subseqüentes (V ou F).

seguida da recuperação judicial e da falência. realizada entre devedor e credores. até. sua redação foi finalmente encaminhada à sanção presidencial. esta estava fadada à extinção. teve vigência no Brasil o Decreto-lei no 7. Sob o fundamento de preservar e estimular a cadeia econômica. levando consigo emprego e renda dos trabalhadores. tanto que mais de 80% das empresas concordatárias eram levadas à falência. Editado em um momento no qual a atividade industrial e de serviços no país estava ainda incipiente.661/45. . nesta ordem. Sim. quando se transformou na Lei Federal no 11. Uma vez falidas. Não se chegando a um acordo. passa-se à recuperação judicial ou.Capítulo 4 Direito Falimentar INTRODUÇÃO Por mais de meio século. Quanto à empresa. visando à satisfação dos credores. talvez fosse mais conveniente se o texto legal viesse em outra ordem. recebeu o número 4. Chegando ao Congresso Nacional em 1993. o que se podia observar era a alienação de todos os bens arrecadados. para sanar problema de fluxo de caixa do devedor. inclusive aqueles que antes serviam à atividade fim do negócio. que regula a recuperação judicial. do empresário e da sociedade empresária. não se preocupou o legislador da época com a recuperação e a conseqüente manutenção da atividade produtiva. com a recuperação extrajudicial em primeiro lugar. porque a recuperação extrajudicial deve ser a tentativa inicial. no mês de dezembro de 2004. regulador das falências e concordatas. quase sempre por descumprimento das metas estabelecidas para o processo. de 09/02/2005.376/93. foi elaborado projeto de uma nova lei de falências para o país. Após mais de dez anos de tramitação em ambas as Casas Legislativas. a maioria com chances ínfimas de reaverem seus créditos. à falência. Devido à intenção do legislador.101. a extrajudicial e a falência.

242 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Entendam que. a possibilidade de alienação de filiais ou de unidades produtivas do devedor. parágrafo único. O mesmo pode ser dito para a limitação imposta aos créditos trabalhistas. Estes. o art. A título de exemplificação. é novidade no Direito brasileiro. igualmente podemos perceber a preocupação com a preservação do cenário produtivo. quando se concedeu prioridade àqueles com garantia real (penhor. inclusive de natureza tributária. 2o do Decreto no 7. surgiram sob o fundamento de propiciar ao empresário instrumentos rápidos de solução das suas dificuldades. Claro que essa medida eleva as chances dos que vierem em seqüência. que é dada ao estabelecimento empresarial como um todo. Essa pretensão pode ser observada em dispositivos que transmitem a disposição do Governo Central em preservar ativos que contribuam para a produção industrial. mediante instrumentos que preservem a capacidade da empresa de gerar riquezas para o país. prevê. pois não estarão adquirindo igualmente seus passivos. Basta ver a prioridade para alienação do ativo na falência. perdem a prioridade no recebimento. quando ultrapassarem a cifra de cento e cinqüenta salários mínimos por credor. Sustentam os defensores da nova lei que a maior segurança emprestada aos detentores de tais créditos – geralmente as instituições financeiras – é decisiva para a diminuição das taxas de juros cobradas dos empresários. Diminuindo-se esse encargo. Tal permissivo abre grandes chances de negócios para aqueles que resolverem apostar no soerguimento de empresas que atrevessem momentos de dificuldade financeira. ficando o excesso equiparado aos credores quirografários do falido. A segunda é sucessora da concordata. hipoteca). Não é isso. na recuperação judicial. Quando observamos os processos de recuperação extrajudicial e judicial. 60. tampouco a recuperação extrajudicial tem que anteceder a judicial. pode contribuir para estimular o desenvolvimento da economia. da forma como acontece na falência. para acontecer a falência de uma empresa. antes proibida pelo art. no entanto. sem a sucessão do arrematante pelas obrigações daquele. Ambos os processos. enquanto que a extrajudicial. os chamados spreads bancários. não é requisito obrigatório percorrer os outros dois processos. com conseqüente investimento na produção. .661/45. O que o legislador pretendeu foi oferecer alternativas para o empresário e seus credores resolverem problemas de inadimplência de seus créditos. sem haver sucessão das obrigações trabalhistas ou tributárias do falido. na relação de credores. muitos terão acesso a mais financiamentos dos bancos. sem se tornar também coobrigado pelo seu passivo. Também a mudança feita na ordem dos créditos habilitados em uma falência. Isso significa que alguém poderá adquirir apenas a empresa. em detrimento dos fiscais.

quando da vigência da nova lei. 192. desde essa data. 70 a 72 (art. Ainda assim. senão vejamos: a) para os processos de falência ou concordata ajuizados anteriormente ao início de sua vigência. Neste último caso. conclusão de possível inquérito judicial (art. independentemente da formação do quadro geral de credores ou. não há qualquer empecilho para o devedor pleitear a recuperação judicial.7. a nova lei autoriza a alienação dos bens da massa. estudadas ainda neste Capítulo (art. deste Capítulo. com ressalva para os créditos trabalhistas. 195). b) na hipótese de já existir prévio pedido ou. deduzidas as parcelas pagas pelo concordatário. 197). marcada para 09/06/2005. nem a suspensiva.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 243 Série Impetus Provas e Concursos Ainda na recuperação judicial que.2. instalação de um processo de concordata. a concordata será extinta. conforme veremos no item 2. No entanto. seja a partir da convolação de antigas concordatas ou. Por último. não engloba apenas os créditos quirografários. parágrafo 4o). caput e parágrafo 1o). mesmo. 201 o prazo de cento e vinte dias após a publicação para entrar em vigor. mesmo. sendo o pedido de falência ajuizado ainda na vigência do Decreto no 7. já se aplicam as novas regras (art. parágrafos 2o e 3o). A exegese não se aplica ao plano de recuperação judicial de microempresas e empresas de pequeno porte. continuam valendo as disposições do antigo decreto. . não mais será possível a concessão de novas concordatas. que era aplicada quando já existia falência instalada. estabelece o art. esta lei é aplicada subsidiariamente à legislação que trata da liquidação extrajudicial de instituições financeiras e equiparadas. d) a falência das concessionárias de serviços públicos implica a extinção da concessão. e) da mesma forma que o antigo Decreto no 7. a que se referem os arts. diferente da antiga concordata. com relação à aplicação e vigência da nova lei. a ordem de prioridade no recebimento é determinada no plano de recuperação apresentado pelo devedor em juízo. mas não concluídos. 192.661/45. Advindo a recuperação judicial. e os créditos quirografários submetidos à concordata serão inscritos na recuperação judicial pelos seus valores originais. 192. mesmo. c) em se tratando de falências decretadas no curso da vigência da moderna lei. algumas regras precisam ser respeitadas. desde que cumpridas as exigências no âmbito daquele processo. na forma da lei (art. mas todos (algumas exceções serão tratadas no item específico).661/45.

aqueles que nenhuma garantia têm (quirografários). logo seus credores irão perceber que correm o sério risco de não conseguir a satisfação de seus direitos. ainda. Esses e outros pontos serão desenvolvidos a seguir. 1. que se encontre em situação de iminente dificuldade financeira. ou até com prazos curtos de recebimento. Assim. através do qual se arrecadam judicialmente os bens do falido. Continuando nesta condição. essa lei não terá aplicação para as outras pessoas jurídicas que já eram excluídas do regime da concordata (art. Neste quadro. mas a que entendo de melhor didática. não havendo espaço para ações individuais. aqueles que forem detentores de créditos já vencidos.1. mesmo se decretada a falência ou a recuperação da empresa. Por isso se diz que a execução dos créditos é concursal ou coletiva. ainda. assim considerados de acordo com a qualidade de seus créditos. A expressão par conditio creditorum exprime a condição de equivalência em que se encontram os credores admitidos em um processo de falência. já começando. 199). Para evitar tamanha injustiça. Os iguais. penhor) ou. cuja ordem de abordagem não será a mesma da nova lei. O parágrafo 1o do mesmo artigo ressalta. a faltar com compromissos monetários assumidos. Há também os que possuem créditos lastreados em uma garantia real (hipoteca. Imaginemos determinado empresário. consubstanciada justamente no desfavorecimento de parte dos credores do devedor. Falência Disposições Preliminares Define-se falência como um processo de execução concursal do devedor insolvente. a não-suspensão de contratos de arrendamento mercantil de aeronaves. enquanto que outros demandam dívidas de natureza tributária. inclusive.244 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel f) salvo para as empresas aéreas. uma vez que os demais não poderão reclamar suas obrigações antes dos vencimentos. . poderemos encontrar alguns respaldados em indenizações por acidentes de trabalho. o Direito tutelou o interesse de todos. 1. num estudo pormenorizado de cada um dos capítulos da Nova Lei de Falências. relacionada esta à real probabilidade de cumprimento obrigacional pelo devedor. terão tratamento paritário. de um universo de credores habilitados em uma falência. prescrevendo a igualdade de oportunidades dos que tiverem legítimo interesse na percepção de valores devidos por um empresário insolvente. tampouco a recomendada aos empresários. mesmo. a fim de satisfazerem seus credores. irão obviamente ter maiores chances de escapar de um calote. aqui entendido como um empresário individual ou. uma sociedade empresária.

a um crédito quirografário ser classificado de forma equivalente a um tributário. No que pese a imposição advinda de autoridade judiciária. são excluídas do regime jurídico falimentar. mas apenas em situações especiais. g) sociedade operadora de plano de assistência à saúde. condenação do devedor por crime falimentar. devido ao permissivo contido no art. d) cooperativa de crédito. Claro que. se o falido dispuser de um ativo capaz de satisfazer todo o seu passivo. na hipótese de haver. ou. o art. a falência é. e) administradora de consórcio. b) sociedade de economia mista. parcial ou totalmente. três pressupostos principais devem estar presentes. que possibilita a extinção das obrigações do falido apenas com o pagamento de 50% dos créditos quirografários (o dispositivo correspondente no antigo decreto previa percentual de 40% do passivo). inciso II. pública ou privada. É evidente que. Logo. mesmo sendo reputadas empresariais. . não se permitindo. a exemplo dos bancos. h) sociedade seguradora. i) sociedade de capitalização. para se atingir o percentual naquela categoria de credores. podem até vir a falir. Contudo. pelo decurso do prazo de dez ou de cinco anos após o encerramento da falência. algumas organizações. os antecedentes devem ter sido satisfeitos. da nova lei. e outras a todas essas equiparadas por lei. o efeito prático dessa medida será apenas o momento do pagamento. ou não. 1. já que a totalidade de seus débitos será executada. Caracterização da Falência Para se materializar o estado falimentar.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 245 Série Impetus Provas e Concursos Todos deverão ser agrupados na conformidade da qualidade de seus direitos. considerada um favor legal. c) instituição financeira. mesmo.2. f) entidade de previdência complementar. desde que esgotado todo o ativo. 158. • DEVEDOR EMPRESÁRIO A falência atinge de forma restrita os empresários individuais ou sociedades empresárias. 2o exclui da aplicação da lei as seguintes empresas: a) empresa pública. situada praticamente no final da relação. por alguns. como veremos no item 3 deste Capítulo. por exemplo. que sofrem regulamentação específica. Os parcialmente excluídos. Outras questões pontuais a respeito do processo são esboçadas na seqüência.

b) prescrição. f) vício em protesto ou em seu instrumento. o legislador aumentou a exigência ao processo. 94. 94.246 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel A sociedade totalmente à margem do procedimento falimentar em nenhuma hipótese pode se submeter ao favor legal. por força do art. Com relação à falência requerida com base no art. g) apresentação de pedido de recuperação judicial no prazo da contestação. relacionadas no art. Para essas. . cuja soma ultrapasse quarenta salários mínimos vigentes na data do pedido. que dispõe sobre planos e seguros privados de assistência à saúde. que poderia ser qualquer um.656/98. senão com a existência de um novo texto legislativo específico. Operadoras de plano de assistência à saúde encontram-se nessa situação. II e III. materializada por um ou mais títulos executivos protestados. e) qualquer outro fato que extinga ou suspenda obrigação ou não legitime a cobrança de título. assim como certidões da dívida ativa. se dúvida havia quanto à possibilidade de virem a falir. I. da Nova Lei de Falências. 51 desta lei. observados os requisitos do art. INSOLVÊNCIA • INSOLVÊNCIA DO DEVEDOR A configuração do estado de insolvência não deve ser assimilada no sentido estritamente patrimonial (passivo maior que o ativo). c) nulidade de obrigação ou de título. pois. que trata da documentação necessária ao pedido. Observem que a lei também deixou de fora de sua regulamentação as sociedades de economia mista e as empresas públicas. a exemplo do que ocorre com os bancos nãofederais. conforme citação anterior. o devedor pode obstar a sua instalação se conseguir provar uma das seguintes hipóteses. Nesse ponto. O inciso I enfoca a impontualidade injustificada de obrigação líquida. mas de acordo com as hipóteses fáticas enumeradas pelo art.404/76 que proibia a falência das sociedades de economia mista. desde que comprovada a inadimplência através da certidão de protesto. d) pagamento da dívida. não havia um limite mínimo de valor necessário ao requerimento. Tal dispositivo previu a possibilidade de liquidação extrajudicial daquelas instituições. 96: a) falsidade de título. Servem à materialização da hipótese os títulos de crédito em geral. ao menos a partir da exclusão de dispositivo da Lei no 6. na vigência do antigo decreto. tudo devidamente protestado. não há mais que se falar em tal possibilidade. incisos I. especialmente as primeiras. 23 da Lei Federal no 9.

legislador não colocou como causa a ausência de uma prestação pecuniária como fizera nos dois primeiros incisos. sem o consentimento de todos os credores. na vigência do decreto. aqui. uma justa correção foi realizada. pois nela não se pode reclamar. houve a inserção de uma. Vejamos todas elas: a) procede à liquidação antecipada de seus ativos ou lança mão de meios ruinosos ou fraudulentos para realizar pagamentos. 5o da nova lei. como demonstrado há pouco. Em se tratando de sociedade anônima. equivaleria ao plano proposto pelo extinto devedor concordatário. dizendo respeito ao não-cumprimento do plano de recuperação judicial que. 2o do Decreto no 7. para uma das hipóteses de não-cumprimento de obrigação pecuniária. o que se fez foi retirar uma que tratava da convocação extrajudicial de credores pelo devedor. constava de seu art. não estipula um patamar mínimo de valor para a causa. O inciso II. contudo. o rol de tais créditos. O inciso III relacionou os chamados atos de falência Percebam que. quando a parte não paga.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 247 Série Impetus Provas e Concursos h) cessação das atividades empresariais mais de dois anos antes do pedido de falência. não legitimam o pedido de falência. remissão de créditos. ao se remanejar o teor do inciso I do art. basta que tenha havido a liquidação e partilha de seu ativo. Em seguida. . exceto custas judiciais decorrentes de litígio com o devedor. 23. De outra forma. o que era proibido. onde o credor. que. a fim de lhes propor dilação nos pagamentos ou. o parágrafo 2o do mesmo artigo dispõe a respeito de créditos que. salvo se sobrarem bens suficientes para solver o passivo. mas o cometimento de certos atos tidos como maléficos ou mal-intencionados. o qual não prevalecerá contra prova de exercício posterior do atro registrado. com objetivo de retardar pagamento ou fraudar credores. para impedir a falência. Aqui estamos falando do descumprimento de uma sentença judicial transitada em julgado. assim como as despesas que os credores fizerem para tomar parte na falência. aparece de forma restrita no art. Por último. 94. mesmo líquidos. c) transfere seu estabelecimento a terceiro. mesmo.661/45. por parte do empresário. b) realiza negócio simulado. por título executivo. como veremos mais adiante. refere-se de forma restrita a obrigações líquidas já executadas em juízo. como as obrigações a título gratuito. As alíneas a seguir são quase uma repetição das constantes no art. o falência. comprovada por documento hábil do Registro Público de Empresas. não deposita ou não nomeia bens à penhora suficientes para o pagamento do débito. Entretanto. no inciso II do art. obteve decisão favorável ao seu pleito. 2o do antigo decreto. diferente do anterior.

deste Capítulo.3. sociedades empresárias ou apenas empresários individuais. Merece atenção o teor do parágrafo 1o do art. admitindo-se para elas. salvo se sobrarem bens suficientes para saldar o resto de suas obrigações. A simples tentativa desta prática já tipifica o ato. possuem normas específicas a serem aplicadas em momentos de crise. que irá se manifestar através de sentença. Mais detalhes sobre a sentença serão estudados no item 1. g) deixa de cumprir. independentemente de serem registrados em Junta Comercial. 96. não se submetem às normas da lei falimentar. quando já liquidado e partilhado seu ativo. 1. Percebam que as entidades para as quais existem leis especiais onde há previsão para virem a falir devem se guiar pelos respectivos diplomas. conforme citado no item anterior. prevalece a vedação do já citado art. em momento posterior à constituição do crédito. É o caso dos bancos. Sujeitos Passivos da Falência A falência é um instituto privativo de devedores empresários. Por se tratar de procedimento judicial. a sua existência depende de provocação ao Poder Judiciário. no item antecedente. não deixando representante capaz de saldar suas dívidas. que prevê a falência do espólio de devedor empresário. Para os demais tipos de sociedade . Entrementes. a exemplo da sociedade de economia mista. não existindo previsão legal em lei própria. contudo. f) ausenta-se. introduz-se o devedor em um regime jurídico específico. em situações extremas. com aproveitamento subsidiário da nova lei. Outras. DECLARATÓRIA FALÊNCIA • SENTENÇA DECLARATÓRIA DE FALÊNCIA Completa os pressupostos a própria sentença de falência. mesmo classificados como empresários. 197 desta. Vimos. no prazo estabelecido. Esta pode ser denegatória ao pedido ou declaratória. o que reza o art. como as instituições financeiras ou cooperativas de crédito.248 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel d) simula a transferência de seu principal estabelecimento com o objetivo de burlar a legislação ou a fiscalização ou para prejudicar credor.10. a respeito de certos devedores que. a falência. como prevê o art. Nesta segunda hipótese. assim como a proibição de falência para as sociedades anônimas. até o prazo de um ano da morte do de cujus. como acontece com as sociedades de economia mista. obrigação assumida no plano de recuperação judicial. abandona o estabelecimento ou se oculta propositadamente. regulado pela Lei de Falências. 2o da Nova Lei. 2o. e) dá ou reforça garantia real a algum credor.

no prazo máximo de um ano da morte do devedor. quando o mesmo julgue não atender os requisitos legais para sua recuperação judicial. Se não residir no Brasil. mas tem capacidade processual. Não possui personalidade jurídica. . herdeir deiros • o cônjuge sobrevivente e os herdeiros do devedor. alínea b. conjunto de todos os bens e direitos arrecadados do falido. nos termos do art. • o próprio devedor. persiste a visão doutrinária quanto à submissão ao procedimento falimentar. Sujeitos Ativos da Falência Podem requerer falência do devedor. por parte da Assembléia Geral de Credores do plano de recuperação judicial proposto pelo devedor. a massa pode ingressar em juízo na defesa de seus direitos. Nesta condição. Com relação aos impedidos para o exercício da atividade empresarial que a exercerem. requerer a falência do devedor ao juiz. conforme dispuser a lei ou o ato constitutivo da sociedade devedora. 4o.4. devedor. assim como pela comunhão de interesses dos credores (massa falida subjetiva). Outra hipótese para se chegar a uma falência é a previsão contida no art. não é considerada uma pessoa jurídica. 53. Também é possível que a falência seja proveniente da conversão de um processo de recuperação judicial. Na verdade. compete ao administrador judicial. credor empresário edor. não. assim como se permite ser demandada judicialmente. assim como o inventariante do espólio. mas incompleta.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 249 Série Impetus Provas e Concursos empresária. • o sócio cotista ou acionista da sociedade devedora. parágrafo Credores. mesmo no prazo de dois anos após o encerramento de suas atividades.5. Neste caso. inciso II. ao mesmo tempo em que representa o interesse dos credores do falido. • o credor empresário ou não Sendo empresário. 105 a 107. 1. Contudo. 56. o credor deverá prestar caução pelas custas judiciais e indenização decorrente de dolo no requerimento. através do administrador judicial (antes denominado síndico da massa). 22. Em outras palavras. 97: autofalência. a autoridade judiciária fará a convolação da recuperação judicial em falência. caput. mas um conjunto de coisas destinadas a um fim por vontade legal. nos termos do art. no caso de autofalência prevista nos arts. A definição não parece errada. pode haver a falência. quando não houve o cumprimento de qualquer obrigação considerada essencial. Daí ser considerada uma universalidade de direito. deverá apresentar certidão de inscrição na Junta Comercial. de acordo com o art. que diz respeito à rejeição. A Massa Falida Quando falamos em massa falida normalmente temos a idéia de que seja o falida. 1. a massa deve ser entendida tanto como o complexo formado pelos bens e direitos arrecadados do falido (massa falida objetiva).

• O JUIZ É a autoridade judiciária designada para presidir o processo. b) escolha da modalidade de alienação do ativo. de acordo com os arts. buscando sempre o cumprimento de seu papel constitucional na defesa do interesse público. 24. na forma prevista nos arts. e art. fazendo parte de um inventário. É essa pessoa que irá promover a arrecadação e avaliação de todos os bens e documentos do falido. como veremos em seguida. 154 a 156. . parágrafo 1o. tais como: a) nomeação e destituição do administrador judicial. cujo teor veremos no tópico a seguir. a massa se forma de um ato contínuo à assinatura do compromisso. realçando que a omissão do órgão na promoção da denúncia gera direito a qualquer credor habilitado ou ao próprio administrador judicial para a iniciativa da ação penal privada. conforme art. 4o do projeto. caput. enquanto a figura do síndico cedeu espaço para o administrador judicial. O produto dos bens penhorados entrará para a massa. na forma estipulada pelos arts.6. cujo parágrafo único previa a intervenção desse órgão em toda ação proposta pela massa falida ou contra ela. 99. As razões do veto são no sentido de evitar uma obstaculação do processo. c) julgamento das contas do administrador judicial e encerramento da falência. A sentença que decretar a falência ordenará a intimação do Ministério Público. responsabilizando-se por atos de interesse da massa. Detém atribuição para oferecimento de denúncia por crime falimentar. foi vetado o art. surgiram a Assembléia Geral de Credores e o Comitê Geral de Credores. XIII. 1. cada uma dentro de suas respectivas competências. • O MINISTÉRIO PÚBLICO Esse órgão atua no processo como fiscal da lei. que será subsidiária da pública. conforme dispõe o art. termo de compromisso por parte do administrador judicial. A respeito do MP. 22. assim como a fixação de sua remuneração e de seus auxiliares. 183 a 188. que terá atuação obrigatória no processo. Os demais – o juiz e o Ministério Público – mantiveram-se como órgãos de presença obrigatória na falência. Em relação ao antigo Decreto no 7.250 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Sob a visão puramente objetiva. à exceção daqueles absolutamente impenhoráveis. 142 a 148. inciso III.661/45. Órgãos da Falência São órgãos da falência as instituições designadas na lei para atuarem diretamente no processo falimentar.

papéis. o administrador será intimado para. ao devedor ou aos credores. documentos e demais bens da massa. a título de depósito. No primeiro caso. dolo ou descumprimento das obrigações fixadas na lei. parágrafo 2 ): a) livros obrigatórios e auxiliares do falido. providenciará a arrecadação dos livros. • O ADMINISTRADOR JUDICIAL A este compete a administração da falência. por tratarem de matéria comum aos institutos. parágrafo 2o. d) bens de terceiros em poder do falido. Sua remuneração é fixada pelo juiz. Depois de nomeado. Também não terá direito à remuneração o administrador que tiver suas contas desaprovadas. a remuneração do administrador judicial tem como limite máximo o percentual de 5% dos créditos submetidos ao processo. que não poderá ser substituído sem autorização do juiz (art. Em se tratando de pessoa jurídica. economista. parágrafo único). que se encontram no art. Em seguida. 110. O administrador veio a substituir a figura do síndico. o No inventário constarão (art. Essas últimas disposições. o administrador judicial será pago proporcionalmente ao trabalho realizado. penhor ou retenção. 21. ou contra o processo de alienação de ativo da massa. Em se tratando de recuperação judicial.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 251 Série Impetus Provas e Concursos Outras prerrogativas possui o MP. mesmo. Na hipótese de ser substituído. no prazo de quarenta e oito horas. preferencialmente advogado. não pode ser superior a 5% do valor de venda dos bens. antes existente nas falências. parágrafos 3o e 4o. 24. administrador de empresas ou contador. documentos e bens do falido (incluem-se os particulares do empresário individual ou. assinar termo de compromisso de bem e fielmente desempenhar o cargo. . destacando-se a possibilidade de apresentar ao juiz impugnação contra a relação de credores a que se refere o art. c) bens da massa em poder de terceiros. salvo se renunciar sem relevante razão ou for destituído de suas funções por desídia. sob a imediata direção e superintendência do juiz. Pode ser pessoa física ou jurídica. 32). culpa. 143. na disposição do art. a fim de proceder ao inventário da massa massa. sócio de responsabilidade solidária e ilimitada). será escolhido alguém idôneo. guarda. Na falência. de acordo com a capacidade da massa. obrigatória indicação do profissional responsável pela condução do processo. quando provocados por dolo ou culpa (art. A função de administrador é indelegável e ele responde por prejuízos que causar à massa. 7o. hipótese em que não terá direito à remuneração. valem tanto para a falência como para a recuperação judicial. b) dinheiro.

até para terceiros. parágrafo 3o). salvo com autorização judicial. senão vejamos: a) vetado. assim como os credores por multas contratuais e penas pecuniárias decorrentes de infração às leis penais ou administrativas. 142. titular dos créditos fiscais. ou conceder abatimento de dívidas. com privilégio geral e subordinados. Não pode. contudo. a lei reservou um artigo para elencar as principais atribuições da AGC (art. em se tratando de bens perecíveis. tudo objetivando o melhor resultado para a massa. o administrador judicial transigir sobre obrigações e direitos da massa falida. No entanto. Ficam de fora apenas a Fazenda Pública. VII. cuja regulamentação de constituição e funcionamento vem expressa em seus arts. assim como possíveis ações judiciais de interesse da massa e atos suscetíveis de revogação. após a avaliação. III. responsável por tomar decisões que influenciam diretamente o resultado da falência. 111 e 113 que o juiz poderá autorizar a alienação antecipada de bens. e alíneas. Compõe-se dos titulares de créditos derivados da relação de trabalho ou decorrentes de acidente de trabalho. com privilégio especial.252 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Dispõem os arts. ainda que de difícil recebimento. 83. com escolha e substituição de seus membros. onde constarão os atos necessários à administração da massa. 35. dos titulares de crédito com garantia real. d) qualquer outra matéria que possa afetar os interesses dos credores. 22. Merece destaque a letra e do mesmo dispositivo legal. c) adoção de outras modalidades de realização do ativo. 22. II). A lei contém ainda extensa relação de deveres e atribuições do administrador. • ASSEMBLÉIA GERAL DE CREDORES Trata-se de órgão criado pela nova lei. seja para os próprios credores ou. quirografários. 35 a 46. depois de ouvidos o Comitê e o devedor (art. III. b) constituição do Comitê de Credores. a que se refere o art. além daquelas previstas no art. que enfoca a obrigatoriedade da entrega de um relatório em juízo. enumerados no art. a exemplo da aprovação de outra modalidade para alienação do ativo. valores do passivo e ativo. A assembléia é órgão deliberativo de decisão colegiada. .

ou. Compõe-se de até nove membros. certas questões não são abrangidas pela aptidão atrativa do juízo falimentar. são submetidas a uma Justiça especializada em dirimir conflitos naquela área. mesmo. suas atribuições passam ao administrador judicial. ficam suspensas todas as ações individuais propostas contra o devedor. todos nomeados pelo juiz. em caso de incompatibilidade daquele (art. por exemplo. a dos credores com direitos reais ou com privilégios especiais. mas indicados pelas classes dos credores. outro. Não poderá integrar o comitê a pessoa que. A esse conceito confere-se o nome de juízo falência. deixou de prestar contas no prazo legal ou teve a prestação rejeitada. possuindo atribuições eminentemente fiscalizadoras das atividades do administrador judicial e do devedor. uma vez que as reclamações de créditos deverão correr perante a autoridade judiciária que proferir a sentença. tanto na falência como na recuperação judicial. parágrafo 1o). sendo três efetivos e seis suplentes. 3o). parágrafo 3o. Instalada a falência. 28). seja em processo de falência ou de recuperação judicial. caput.7. relativas ao falido. falimentar As causas trabalhistas. comunicando ao juiz qualquer violação dos direitos ou ocorrência de prejuízo aos credores (art. ou deles for amigo. tenha sido destituída do cargo de administrador judicial ou de membro de comitê.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 253 Série Impetus Provas e Concursos • O COMITÊ GERAL DE CREDORES Órgão de existência facultativa. e parágrafo 1o). em se tratando de organização localizada fora do Brasil. 1. nos últimos cinco anos. O Juízo da Falência É competente para decretar a falência o juiz do local onde se situa o principal estabelecimento do devedor (entenda-se aquele que concentre o maior volume de negócios da empresa) ou. e o último. Também são impedidos de participar os que tiverem relação de parentesco ou de afinidade até o terceiro grau com o devedor. a dos quirografários e com privilégios gerais. Seu papel principal é zelar pelo bom andamento do processo e pelo cumprimento da lei. 30. o juiz da jurisdição de sua filial no país (art. um representará a classe dos credores trabalhistas. Entretanto. Na possibilidade de não existir comitê. inciso I). inimigo ou dependente (art. 26. 26. Dos efetivos. ou até ao juiz. controladores ou representantes legais. seus administradores. . A falta de indicação de algum não prejudica a constituição do comitê (art. reunidas em assembléia geral. universal da falência competente para conhecer e decidir sobre todas as questões de caráter econômico.

caput). cujo resultado irá interferir na massa. São os casos em que o credor já tenha conseguido a definição do leilão de bens do devedor que vier a falir. EM QUE O FALIDO SEJA AUTOR OU LITISCONSORTE ATIVO (art. Não faria sentido suspender todo o processo. Como exemplo. LITISCONSORTE ATIVO (art. pois. No primeiro caso. Porém. como as ações cujo leilão público já está para ser realizado. • RECLAMAÇÕES TRABALHISTAS (art. não faz sentido recomeçar o mesmo procedimento outra vez. que deverá ser concluído e o produto revertido em benefício da massa. PAR ARTICULAR HASTA • AÇÃO PARTICULAR EM ANDAMENTO. cairia na regra da exceção. Assim. Com a nova lei. caput). caput). FALIMENT ALIMENTAR. são exceções ao juízo universal da falência os itens seguintes. prevalecia a atração do juízo falimentar. paga-se ao proponente da ação. se a autoria fosse da massa. TRABALHISTAS (art. • EXECUÇÕES TRIBUTÁRIAS (art. Existe uma Justiça especializada para dirimir conflitos dessa espécie. o que se tem é um processo correndo regularmente em outro juízo. havia uma distinção entre a ação proposta pelo falido ou pela massa falida. devendo correr normalmente na vara de Justiça específica. 76. FALIDO • AÇÕES NÃO-REGULADAS PELA LEI FALIMENTAR. Basta a determinação de que o dinheiro arrecadado com a venda seja revertido em favor da massa. na vigência do antigo Decreto no 7. imaginemos a ocorrência de um acidente de trânsito envolvendo veículo da sociedade falida. se o leilão já tiver sido realizado quando da sentença de falência. CUJA HASTA PÚBLICA JÁ TENHA SIDO DESIGNADA. caput). . revertendo-se o que sobrar para a massa falida. e é lá onde deverão ser resolvidas tais questões. e outro. caput). Percebam que o fato de um crédito ser exceção ao juízo falimentar não significa que o mesmo não seja classificado e incluído no quadro geral de credores.254 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Em outras. enquanto que. em ambos os casos. passando a sobra para a massa. na hipótese de o leilão haver sido concluído. Convém realçar que. a ação de indenização de autoria da empresa falida proposta na vara especializada teria seqüência normalmente. Tanto a nova lei como o Código Tributário Nacional prevêem que as demandas envolvendo tributos não se submetem à habilitação no processo falimentar. pertencente a um particular. sobrepõe-se a exceção. deixa de haver a distinção. Sendo culpado este último. o produto da venda será destinado ao autor da ação. caput).661/45. Contudo. 76. 76.

quando descoberta falsidade. Na falência. tais como os decorrentes de dívida tributária e trabalhista. Há. apresentar ao juiz impugnação contra ausência de algum crédito ou. Outros. sendo considerada a habilitação retardatária. contra a legitimidade. 19). 7o. com base nos livros e documentos arrecadados e na relação de credores fornecida pelo falido. simulação. A habilitação de um crédito na falência é ato que dá conhecimento à dívida. fraude ou erro essencial. o Comitê de Credores.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 255 Série Impetus Provas e Concursos 1. mesmo. O administrador judicial somente pode incluir no quadro de credores aqueles dos quais tenha ciência. reclassificação ou retificação de qualquer crédito. já houver sido homologado o quadro geral de credores contendo o respectivo crédito retardatário (art. documentos ignorados na época da feitura do quadro geral de credores (art. juntamente com a relação de credores fornecida pelo falido. até o encerramento da falência. a ordem a ser obedecida para eles. Não havendo impugnação. O administrador judicial.14). igualmente demonstrando a relação de credores. parágrafo 1o). dolo. a lei classificou-os como créditos extraconcursais por serem pagos extraconcursais. Para estes. mesmo. ou. salvo se. têm os credores um prazo de quinze dias para apresentar ao administrador judicial suas habilitações ou divergências quanto aos créditos relacionados (art. basta a notícia de existência em momento anterior à liquidação. à época da reunião. importância ou classificação daqueles. créditos que não se vinculam ao requisito da habilitação. assume o risco pelo prejuízo que possa advir de sua omissão. com precedência sobre todos os demais. O art. e mais nas provas colhidas junto aos credores. Caso o titular do direito creditício não se manifeste em tempo. os créditos retardatários não podem participar de rateio eventualmente realizado e ficam sujeitos ao pagamento de custas. Entretanto. significando afirmar que não concorrem com nenhum outro. quando será dada oportunidade tanto aos credores como ao devedor ou ao Ministério Público para. Verificação e Classificação dos Créditos A partir da publicação da sentença declaratória de falência. como quadro geral de credores (art. no prazo de dez dias da publicação. 84 dispôs. Também os titulares por esses créditos perdem o direito de voto na Assembléia Geral de Credores. para se tornarem aptos na relação de credores. contudo. o juiz homologará a relação dos credores efetuada pelo administrador judicial. qualquer credor ou o representante do Ministério Público pode pleitear ao juiz exclusão. 10). senão vejamos: . o administrador judicial. inclusive. terá um prazo de quarenta e cinco dias para publicação de outro edital.8.

a disposição decorreu de pressão dos banqueiros detentores de créditos geralmente garantidos por hipoteca ou penhor.256 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel a) remunerações devidas ao administrador judicial e seus auxiliares. ainda que outra lei civil enquadre-os em qualquer categoria de créditos prevista no art. d) custas judiciais relativas às ações e execuções em que a massa falida tenha sido vencida. ou após a decretação da falência. b) quantias fornecidas à massa pelos credores. vejamos. enquanto que seus defensores avaliam uma perspectiva positiva para o futuro da economia no país. realização do ativo e distribuição de seu produto. nessa qualidade. embora dispensando a habilitação. Na visão dos críticos da nova lei. c) despesas com arrecadação. 83. diferente dos créditos fiscais ou trabalhistas. Outra inovação foi a inserção na relação das penas pecuniárias por infração das leis penais ou administrativas. pois esses são credores da massa. nos termos do art. e) obrigações resultantes de atos jurídicos válidos praticados durante a recuperação judicial. a Lei no 11. administração. e créditos derivados da relação de trabalho ou decorrentes de acidentes de trabalho relativos a serviços prestados após a decretação da falência. respeitada a ordem estabelecida no art. 83. . 84. que concorrem com os restantes na ordem de classificação estipulada pelo art. Portanto. posicionando os créditos com garantia real de forma prioritária sobre os créditos fiscais. pois devem ser quitados antes de todos os outros. na íntegra. indispensáveis ao prosseguimento do processo. não-originários do falido e. Inédita também é a limitação imposta aos créditos oriundos da relação de trabalho. Observem que. quando poderemos ver reduzidos os spreads bancários (diferença entre o custo de captação de recursos pelos bancos e os juros cobrados do cliente). 67. provocados justamente pela maior garantia concedida aos agentes financeiros. 83. prevalece o disposto no art. A seguir.101/2005 veio a alterar antiga disposição. a ordem disposta pelo legislador no art. Isso é lógico. os extraconcursais não entram nessa competição. 83. quando a parcela que transpuser a quantia de cento e cinqüenta salários mínimos se equiparará aos quirografários. e tributos relativos a fatos geradores ocorridos após a decretação da falência. que antes não podiam ser exigidas no processo. Quanto à ordem de prioridade no pagamento dos créditos. bem como custas do processo de falência.

ou os salários dos empregados do serviço doméstico do devedor. independentemente da sua natureza e tempo de constituição. até o limite de cinco salários mínimos por trabalhador. créditos trabalhistas cedidos a terceiros serão considerados quirografários. c) aqueles a cujos titulares a lei confira o direito de retenção sobre a coisa dada em garantia. concernentes aos seus últimos seis meses de vida. Dentro dessa classe. excetuadas as multas tributárias.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 257 Série Impetus Provas e Concursos • CAUSAS TRABALHISTAS. conforme dispõe o art. ou do credor de aluguéis sobre as alfaias e utensílios de uso doméstico. e INDENIZAÇÕES POR ACIDENTE DE TRABALHO. parágrafo 4o. até o limite do bem gravado. que compreendem os bens sujeitos. em caso de decretação de falência. a saber: a) os previstos no art. 964 do Código Civil de 2002. A lei assim os especificou: a) aqueles não-previstos nos demais incisos deste artigo. que abrangem todos os outros bens não-sujeitos a crédito com garantia real ou privilégio especial. conforme prevê o art. c) os assim definidos em outras leis civis e comerciais. ao pagamento do crédito que ele favorece. b) os credores quirografários do processo de recuperação judicial que continuarem a fornecer bens ou serviços após o pedido de recuperação terão privilégio geral. • CRÉDITOS QUIROGRAFÁRIOS. a exemplo do credor de custas e despesas judiciais com a coisa arrecadada sobre o mesmo bem. ou ainda. • CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS. b) os assim definidos em outras leis civis e comerciais. que não gozam da garantia atribuída aos demais. salvo disposição contrária desta lei. até o limite de cento e cinqüenta salários mínimos por credor. o credor por sementes. • CRÉDITOS COM GARANTIA REAL. . vencidos nos três meses anteriores à decretação de falência. têm prioridade os créditos por salários atrasados. a exemplo do crédito decorrente do funeral do devedor. • CRÉDITOS COM PRIVILÉGIO GERAL. 151. De outra forma. Na hipótese de o produto da alienação do bem gravado ser inferior ao crédito. quais sejam: a) os relacionados no art. instrumentos e serviços à colheita sobre os frutos agrícolas. 83. • CRÉDITOS COM PRIVILÉGIO ESPECIAL. salvo disposição contrária desta lei. 965 do Código Civil de 2002. a diferença será classificada como crédito quirografário. por expressa disposição de lei.

previstas no art. 58. • CRÉDITOS SUBORDINADOS. mas do representante da sociedade falida. empresa. na antiga legislação. aos seus bens. dos veículos que já se encontrem em processo inicial de montagem. pode ser que seja interessante a conclusão. Quanto ao Negócio do Falido Quando instalado o processo falimentar. as penas pecuniárias não podiam ser exigidas na falência. a exemplo das debêntures subordinadas. Em nosso exemplo. a partir da decretação da quebra.1. 1. c) os saldos dos créditos derivados da legislação do trabalho. Notem que a iniciativa do pedido não é dos credores. pode o representante legal da sociedade falida requerer ao juiz a continuidade temporária do negócio. deixando de aceitar pedidos e podendo. para fins de recebimento do valor acordado. INCLUSIVE MULTAS TRIBUTÁRIAS. de acordo com cada um dos temas a seguir enunciados. No entanto. parágrafo 4o. 103. sejam em relação às dívidas com os credores. que excederem o limite de cento e cinqüenta salários mínimos. Por dissolução entenda-se o fim das atividades econômicas da dissolução. lembrando que. comprometer a entrega de produtos já comercializados. que permite a ele. pelo menos.258 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel b) os saldos dos créditos não-cobertos pelo produto da alienação dos bens vinculados ao seu pagamento. além de fiscalizar a administração da falência. Por exemplo. requerer as providências . contratos ou à atuação profissional. da Lei Federal no 6. se estamos tratando da falência de uma indústria de veículos. sob o fundamento de que a paralisação diminuiria ainda mais as chances de os credores receberem seus créditos. Para facilitar o entendimento da matéria. Efeitos Jurídicos da Falência A sentença declaratória de falência introduz o sujeito passivo em um sistema jurídico delimitado pela Lei de Falências. seu efeito imediato é a dissolução da sociedade falida.9.404/76. b) os créditos dos sócios e dos administradores sem vínculo empregatício. ela deve parar sua linha de produção. a saber: a) os assim previstos em lei ou em contratos. que poderá se fundamentar no parágrafo único do art. inclusive.9. • MULTAS CONTRATUAIS E AS PENAS PECUNIÁRIAS POR INFRAÇÃO DAS LEIS PENAIS OU ADMINISTRATIVAS. devemos estudar os efeitos da falência separadamente. É nesse diploma que se encontram dispostas todas as questões relativas ao falido. 1.

Justifica-se tal medida numa maior celeridade requerida nesses casos. com a venda de seus estabelecimentos em bloco. o devedor perde o direito de administrar os seus bens ou deles dispor” (art. caput. é importante assinalar que a continuidade dos negócios não pode ser por prazo indefinido. Uma delas foi o permissivo contido no parágrafo 2o do art. Também se percebe uma clara intenção do legislador em preservar o ativo produtivo da massa. com a possibilidade de ser adotada mais de uma forma. 140.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 259 Série Impetus Provas e Concursos necessárias para a conservação de seus direitos ou dos bens arrecadados e intervir nos processos em que a massa falida seja parte ou interessada. com a venda de suas filiais ou unidades produtivas isoladamente. conforme já vimos. caput). já que ela não deve obstar a liquidação da sociedade. que estipula uma ordem de preferência na realização do ativo. assim como da coletividade. a lei prescreve a indisponibilidade dos bens do falido como conseqüência imediata à sentença. é a fase onde a massa ativa objetiva é alienada para satisfação dos credores. XI. mas o dos próprios credores.2. na apreciação da matéria. Esse efeito não é o mesmo que perder a propriedade sobre os bens. requerendo o que for de direito e interpondo os recursos cabíveis. 1. Basta ver o teor do art. sobretudo quando a operação acarretar ganho comparativo à massa. Esta perda só se dá quando for procedida à liquidação judicial que. Logo. Entretanto. Entrementes. d) alienação dos bens individualmente considerados. 99. em razão da conveniência ou oportunidade: a) alienação da empresa. Quanto aos Bens do Falido “Desde a declaração da falência ou do seqüestro. não prejudicando as atribuições do administrador. a autoridade judiciária leva em conta não o interesse do requerente. c) alienação em bloco dos bens que integram cada um dos estabelecimentos do devedor. o juiz nomeia pessoa idônea indicada pelo administrador judicial para condução dos negócios. 140. . Se concedida.9. que possibilita a venda dos bens da massa antes mesmo da formação do quadro geral de credores. b) alienação da empresa. 103. A nova lei trouxe novidades a respeito da alienação do ativo do falido. mediante pagamento de remuneração. que trata da continuidade provisória das atividades do falido. representada pela venda do ativo para satisfação do passivo. Igualmente serve à fundamentação do requerimento o art.

inicialmente. o inciso II do art. 141 previu que o objeto da alienação estará livre de qualquer ônus e não haverá sucessão do arrematante nas obrigações do devedor. Tais encargos permanecem compondo as obrigações da massa. Para estimular ainda mais operações como essa. a escolha de uma.260 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Portanto. Neste último caso. ou sociedade controlada pelo falido. consangüíneo ou afim. em linha reta ou colateral. na parte referente à indisponibilidade dos bens do devedor como efeito imediato da falência. contudo. com o objetivo de fraudar a sucessão. geralmente por bom preço. por lances orais. conforme previu o parágrafo 2o do mesmo artigo. o que a lei sugere é que se deve evitar ao máximo uma pulverização dos bens componentes da massa. inclusive as de natureza tributária. c) pregão. Três modalidades para alienação do ativo foram previstas. a sociedade pode ser anônima. sob pena de nulidade (art. Com relação aos empregados do devedor que forem contratados pelo arrematante. é preciso delimitar a incidência da norma de acordo com a qualidade do sujeito passivo. b) propostas fechadas. quais bens seriam afetados pela medida? Os bens pertencentes aos sócios de uma sociedade falida sofrem o mesmo efeito? E aqueles bens particulares do empresário falido? Para o bom entendimento da matéria. São elas: a) leilão. Mas. a fim de torná-los novamente produtivos. A liberalidade retratada não se aplica. Essa nova ordem tende a gerar excelentes oportunidades de negócios aos que pretenderem adquirir ativos de empresas falidas. as derivadas da legislação do trabalho e as decorrentes de acidente de trabalho. dentre as quais compete ao juiz. ou c) identificado como agente do falido. sem o risco de estarem contraindo obrigações inviáveis ao projeto. . quando o arrematante for: a) sócio da sociedade falida. b) parente. do falido ou do sócio da sociedade falida. limitada ou até uma sociedade de responsabilidade ilimitada dos sócios. É que podemos estar falando de um falido. parágrafo 7o). 142. até o quarto grau. empresário individual ou sociedade empresária. ouvido o administrador judicial e atendendo à orientação do Comitê de Credores. voltando ao início do tópico. o Ministério Público será intimado pessoalmente. pois a alienação em bloco do estabelecimento permite ao comprador continuar o processo produtivo antes desenvolvido pelo falido. serão admitidos mediante novos contratos de trabalho e o comprador não responderá por obrigações decorrentes do contrato anterior. Em qualquer modalidade de alienação.

Nestes casos. quanto às dívidas existentes na data do arquivamento da alteração do contrato. caput. o parágrafo 1o estipula a extensão do efeito aos sócios que tenham se retirado voluntariamente ou que tenham sido excluídos da sociedade há menos de dois anos. que passará a compor a massa falida. mesmo na hipótese de o capital social não se encontrar totalmente integralizado. sobre os sócios-gerentes. de ofício ou a requerimento das partes. simples a indisponibilidade alcança apenas os bens dos sócios comanditados. Além da obrigação pela parcela nãorealizada do capital social. Para essas sociedades possuidoras de sócios com responsabilidade ilimitada. o sócio remisso ficará passível de uma ação de integralização pela sua participação no capital ainda não satisfeita. Sendo uma comandita por ações o efeito recai ações.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 261 Série Impetus Provas e Concursos • • • Portanto. . além dos da sociedade. sujeitando-os aos mesmos efeitos jurídicos produzidos em relação à sociedade falida. a disponibilidade sobre todo o seu patrimônio. filhos do devedor LIMITADA SOCIEDADE ANÔNIMA OU LIMITADA – apenas os bens sociais é que serão objeto da arrecadação judicial. DEMAIS TIPOS SOCIETÁRIOS – a falência de uma sociedade em nome coletivo provoca a indisponibilidade tanto dos bens sociais como dos sócios (menos aqueles indisponíveis). além da indisponibilidade dos bens daqueles sócios. até o julgamento da ação de responsabilização. preservando-se o patrimônio particular dos sócios. a falência de tais sócios. controladores e dos administradores da sociedade falida. 81. em quantidade compatível com o dano provocado. por conseguinte. temos a seguinte regra: EMPRESÁRIO INDIVIDUAL – arrecadam-se todos os bens. o art. Excetuam-se apenas os bens absolutamente impenhoráveis (são tratados no Direito Civil). concomitantemente com a da pessoa jurídica. 82 reforçou a aptidão atrativa do juízo falimentar para apurar a responsabilidade pessoal dos sócios de responsabilidade limitada. a depender da qualificação do falido. ou não. Em seguida. que prevê. claro. Julgada procedente a ação. assim como os dotais e os particulares da mulher e dos devedor. no caso de não terem sido solvidas até a data da decretação da falência. poderá haver a penhora de tantos bens particulares quantos bastem à integralização do capital social. sejam os destinados ao exercício do negócio. lembrando a solidariedade presente quando se tratar de sociedade limitada. Se a falida for uma sociedade em comandita simples. Nesta hipótese. pode o juiz. ordenar a indisponibilidade de bens particulares dos réus. aplica-se a regra do art. O empresário individual perde.

Da leitura dos dois parágrafos acima. se ainda não alienada. aberto o processo de falência. habilitando-os no prazo previsto no parágrafo 1o do art. 77). Portanto. Quanto aos Direitos dos Credores O juízo da falência é indivisível e competente para conhecer todas as ações sobre bens. Julgado procedente o pedido. e deverá ser interposto perante o juiz da falência. todas as pessoas que tiverem créditos a receber do sujeito passivo falido devem se dirigir a um só juízo. tendo entregue um bem sem haver ainda a contrapartida da obrigação. 85. podemos visualizar três efeitos imediatos sobre os direitos dos credores advindos da sentença declaratória de falência. que ordenará intimação ao falido. Enquanto isso. A decretação da falência também provoca a suspensão do curso da prescrição e de todas as ações e execuções em face do devedor (art. vale esclarecer que coisa arrecadada da qual o falido detenha sua posse. ao Comitê de Credores e ao administrador judicial para que. pode ser pleiteada pelo seu legítimo proprietário. 7o (quinze dias). a coisa deverá ser restituída em quarenta e oito horas. ressalvadas as causas trabalhistas.262 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Complementando o tópico. O instrumento hábil é o Pedido de Restituição a que se refere o Restituição. no prazo sucessivo de cinco dias. . Significa afirmar que é para lá que os interessados em receber seus créditos devem se dirigir.3. apto para decidir as questões relativas à massa. o procedimento aplicável é o mesmo tratado no parágrafo antecedente. o legislador está resguardando o direito daquele empresário de boa-fé que fez negócio com o falido quando este já se encontrava em situação de crise. não a propriedade. 1. Também pode ser pedida a restituição de coisa vendida a crédito ao falido e entregue a este nos quinze dias anteriores ao requerimento de sua falência. assim como o vencimento antecipado das dívidas do devedor e dos sócios ilimitada e solidariamente responsáveis (art. fiscais e aquelas não reguladas nesta lei em que o falido figurar como autor ou litisconsorte ativo (art. fica o bem indisponível. art. 6o). 76). interesses e negócios do falido. Para melhor explicá-los. a fim de formarem a massa falida subjetiva com direitos paritários de acordo subjetiva. manifestem-se. vejamos o seguinte destaque. aqui. Percebam que. Para tanto.9. • JUÍZO UNIVERSAL O juiz do local em que se situa o estabelecimento de maior volume de negócios do falido atrai todas as questões econômicas que digam respeito à pessoa e aos bens do falido.

CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 263 Série Impetus Provas e Concursos com a classificação de seus créditos. para só depois de concluídas atingirem a massa. FALIDO • SUSPENSÃO DAS AÇÕES INDIVIDUAIS CONTRA O FALIDO Com a decretação da falência. por serem exceção à aptidão atrativa do juízo falimentar. d) credores por dívidas em cuja ação já tenha sido realizada a hasta pública. se. e ainda sobrando ativo. admitindo-se as mesmas exceções já comentadas em tópico anterior. antes de decretada a quebra. 124). O parágrafo único do art. como prescreve o art. ao mesmo tempo em que devem ser deflacionadas aquelas ainda não-vencidas. ANTECIPADO • VENCIMENTO ANTECIPADO DA DÍVIDA Esta conseqüência visa à equalização dos créditos. c) ações não-reguladas pela LF em que o falido seja autor ou litisconsorte . é que incidiriam juros até o pagamento.9. No entanto. São eles: a) credores fiscais. Na verdade. ativo. evidentemente. algum credor já houvesse ajuizado ação tendente a ver satisfeito direito seu. necessariamente haveria a suspensão do processo. tomando-se sempre a data da sentença como base. para decidir as questões que digam respeito à massa. pois ele só será pago após a liquidação do ativo. se este comportar todo o passivo. há credores que não se submetem à habilitação. na medida em que define a data da sentença como parâmetro tanto para o cálculo dos juros devidos como para a conversão dos créditos em moeda estrangeira para a moeda brasileira.4. 124 excetua dessa regra os juros das debêntures e dos créditos com garantia real. Apenas na hipótese de serem satisfeitos todos os credores (dívida mais correção monetária). com a suspensão do prazo prescricional. respeitando-se de novo a ordem de classificação dos créditos (art. o juízo universal é quem passa a ser competente . 1. a antecipação para a época da sentença importa em calcular juros por dívidas já vencidas até aquela data. As questões que envolvam essas matérias terão seqüência normal nos respectivos juízos. desde que os encargos não ultrapassem o produto dos bens que constituem a garantia. 77. b) credores trabalhistas. Por essa razão. Não quer dizer que o credor vá receber seu direito naquela data. Quanto aos Contratos do Falido A sentença de falência introduz o falido e seus negócios em um sistema jurídico regulado pela Lei de Falências. .

cabendo ao contraente pleitear. vindo uma delas a falir. Assim. Essa disposição. Em suma. Os parágrafos 1o e 2o do mesmo art. que passou de cinco para dez dias. relativamente aos contratos bilaterais. . quando isso contribuir para reduzir ou evitar o aumento do passivo da massa (art. mediante autorização do Comitê. a exemplo da locação empresarial ou de contas correntes. é bom que se diga. 117. determinado contrato de compra e venda. desde que em consonância com os ditames legais. não é novidade. a regra é similar. podendo o administrador judicial. o silêncio do administrador confere à parte direito à indenização. para que declare. pois já constava do antigo decreto.264 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Uma conseqüência desse poder constitutivo da sentença é a possibilidade de se modificarem os vínculos constituídos sob a tutela de outros regimes de Direito. novo disciplinamento legal tem início. contrato bilateral envolvendo pessoa futuramente sujeito passivo de uma falência deve ser cumprido na forma como foi pactuado. O que mudou foi o prazo de manifestação do administrador judicial. Vejamos algumas. 118). Para os contratos unilaterais. realizar o pagamento da prestação pela qual está obrigado. se o cumprimento reduzir ou evitar o aumento do passivo da massa falida ou for necessário à manutenção e preservação de seus ativos. até noventa dias da assinatura termo de sua nomeação. se julgar interessante para a massa. como o Código de Defesa do Consumidor e o Código Civil. já no art. ensina que eles não se resolvem pela falência e podem ser cumpridos normalmente pelo administrador judicial. Seguindo o texto da lei. cujo valor constituirá crédito quirografário. desta vez de acordo com o que dispuser a lei falimentar. se cumpre ou não o contrato. mesmo. deverá ter suas cláusulas respeitadas pelas partes. 119. por exemplo. mediante autorização do Comitê. a ser classificada como crédito quirografário. Entretanto. a ser apurada em processo ordinário. pois os contratos nascem para ser cumpridos nas condições em que foram constituídos). A regra geral disposta no art. 117 dispõem que o contratante pode interpelar o administrador judicial. indenização pecuniária. quando pactuadas livremente entre elas. o administrador judicial tem a faculdade de não mais querer dar prosseguimento ao vínculo já constituído (isso não seria possível numa situação normal. dentro de dez dias. há uma série de disposições específicas a respeito de algumas peculiaridades envolvendo tanto os contratos de compra e venda como outros. em processo ordinário. celebrado entre duas sociedades. A declaração negativa ou. No entanto. Tem o administrador judicial a faculdade de rescindi-lo.

Pois bem. IV). 85. esta tem a ver com a realização do ativo processada judicialmente no curso da falência. 119. via pedido de restituição. combinado com o art. cabe restituição ao vendedor. exigindo a devolução dos valores pagos. deve restituir o bem ao vendedor. conforme estipulação contratual (art. a devolução da coisa. • COISA COMPRADA PELO FALIDO. Pois bem. A diferença é que a coisa já fora entregue ao falido. antes do requerimento da falência. tomando-se conhecimento da falência. enquanto aquela se refere a uma operação comum entre vendedor e comprador. é similar à anterior. FALIDO. nos quinze dias que antecederam o requerimento da falência. 117. Percebam que a venda aqui referida não é da mesma natureza da tratada na hipótese antecedente. faculta-se ao comprador devolver a parte recebida. não tendo sido ainda realizada a alienação judicial do bem. não havendo ainda a revenda por parte do comprador. as tiver revendido. na classe própria (art. FALIDO • COISA MÓVEL VENDIDA PELO FALIDO A PRAZO Não tendo o devedor entregue coisa móvel ou prestado serviço que vendera ou contratara a prestações. parágrafo único. Não o fazendo. mas ainda em trânsito. RESERV • COISA MÓVEL COMPRADA PELO F ALIDO. não pode obstar a entrega das coisas já saídas do estabelecimento. antes que aconteça a venda judicial do bem. MAS EM TRÂNSITO O inciso I do art. compete ao vendedor reivindicar. já tendo procedido à entrega parcial dos produtos alienados. III). FALIDO. posteriormente declarado falido. cuja importância constituirá crédito quirografário (art. se o comprador. o crédito relativo aos valores já pagos pelo comprador ou pelo tomador do serviço sujeitar-se-á à habilitação. sem fraude. Subentende-se que. requerendo perdas e danos. 119. 119. 119 estipula que aquele que vender produtos a outrem. COMPOSTAS FALIDO • COISAS COMPOSTAS VENDIDAS PELO FALIDO Coisas compostas são aquelas cuja utilidade desejada depende do todo. é possível barrar a entrega. não sem antes ouvir o Comitê de Credores. e resolvendo o administrador judicial não executar o contrato. previsto no art. • COISA COMPRADA PELO FALIDO. na hipótese de o administrador judicial decidir cancelar contrato no qual aparece o devedor falido como vendedor. JÁ DESPACHADA. prevista no art. II. pois. parágrafo 2o). DESPACHADA. ENTREGUE QUINZE DIAS ANTES DO PEDIDO Essa hipótese. 85.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 265 Série Impetus Provas e Concursos FALIDO. . COM RESER VA DE DOMÍNIO DO VENDEDOR Se o administrador resolver não continuar a execução do contrato.

121). porque poderia o devedor mal-intencionado. o que evidentemente reduziria as chances de satisfação dos créditos. 119. MANDATO FALÊNCIA. CONTRATO CONTA • CONTRATO DE CONTA CORRENTE COM O DEVEDOR É encerrado no momento da decretação da falência. avaliando sua situação de iminente liquidação judicial. cabendo ao mandatário prestar contas de sua gestão. uma vez cometidos não devem produzir qualquer efeito sobre a massa. ANTES DA FALÊNCIA. pois relacionou atos considerados ineficazes para a massa. ficando passíveis de ser declarados . verificando-se o respectivo saldo (art. Quanto à Ineficácia e Revogação de Certos Atos Assim como fizera no antigo decreto. CONTRATOS ENVOLVENDO FALIDO • CONTRATOS DE LOCAÇÃO ENVOLVENDO FALIDO Sendo a falência do locador. nos termos da melhor proposta obtida (art. PARA REALIZAÇÃO DE NEGÓCIOS A quebra provoca a cessação de seus efeitos. Significa afirmar que tais atos. 129 da nova lei). e do produto da venda deve ser deduzido o que for devido aos demais condôminos. mantêm-se os termos do contrato. a qualquer tempo.5. o legislador considerou importante proteger os credores de boa-fé contra atos praticados pelo devedor. De outra forma. em detrimento do seu ativo. a quebra provocará a cessão.266 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel • PROMESSA DE COMPRA E VENDA DE IMÓVEIS O inciso VI do mesmo art. 119 remete o tema à legislação específica. independentemente de haver intenção do devedor de fraudar credores (art. vindo a falir o locatário. a seguir demonstrados. 120). começar a celebrar alguns negócios com intuito de salvaguardar interesse seu. PARA • MANDATO CONFERIDO PELO DEVEDOR. Na hipótese de o falido haver recebido mandato ou comissão antes da falência. Sim. faculta-se ao administrador judicial. denunciar o contrato (art. facultada a estes a compra da quota-parte do falido.9. parágrafo 2o). o legislador foi mais além. Tanto na lei como no antigo decreto. faculta-se ao administrador judicial a revogação. 123. PAR ARTICIPE FALIDO • CONDOMÍNIO INDIVISÍVEL DO QUAL PARTICIPE O FALIDO O bem deverá ser vendido. salvo dos que versem sobre matéria estranha à atividade empresarial (art. antes mesmo da decretação da falência. 1. VII). Em se tratando de mandato para representação judicial do devedor.

que podem se revestir de todos os requisitos legais. • PAGAMENTO DE DÍVIDAS VENCIDAS – quando realizado dentro do termo legal da falência. que será melhor estudado no item 1. chegando a dois anos anteriores à sentença. para surpresa do devedor. de ofício. ou através de ação própria. o juiz pode considerar a transação ineficaz perante a massa. • TRANSFERÊNCIA DE PROPRIEDADE DE IMÓVEL – desde a declaração de falência. o futuro empresário falido resolveu pagar dívida sua. ofertando ao credor um veículo no valor de R$ 40. Na omissão da autoridade judiciária.00. no curso do processo. a massa dispunha de ativo suficiente para saldar todos os créditos. exceto quando tenha havido prenotação anterior.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 267 Série Impetus Provas e Concursos ineficazes. extrapolam o termo legal de falência. • PRÁTICA DE ATOS A TÍTULO GRATUITO – desde dois anos antes da declaração de falência. a ineficácia pode ser alegada na defesa. desde que efetivada por outra forma distinta da prevista no contrato (é o caso do exemplo acima citado). salvo se restarem bens suficientes para solver o seu passivo ou se. mas a eficácia deles perante a massa. no Cartório de Imóveis. o ato é plenamente válido.10 deste Capítulo). Porém. Percebam que não se trata de questionar a nulidade dos atos. • ALIENAÇÃO OU TRANSFERÊNCIA DO ESTABELECIMENTO – quando realizada sem o consentimento ou pagamento de todos os credores. não podendo o falido voltar atrás. pelo juiz.000. Alguns.00. durante o termo legal de falência (período suspeito de até noventa dias anteriores à falência. vejamos o seguinte exemplo: se. para dívidas contraídas anteriormente. Para facilitar o entendimento. alegando a nulidade do negócio. inclusive. • RENÚNCIA À HERANÇA OU AO LEGADO – desde dois anos antes da falência. como veremos à frente. determinando o retorno à situação jurídica anterior. ou até incidentalmente. Desta forma. no valor de R$ 20. . no prazo de trinta dias da notificação. talvez porque.000. • CONSTITUIÇÃO DE DIREITO REAL DE GARANTIA – quando procedido dentro do termo legal de falência. seja ou não a intenção deste fraudar credores: • PAGAMENTO DE DÍVIDAS NÃO-VENCIDAS – quando realizado pelo falido dentro do termo legal da falência. tenha ou não o contratante conhecimento do estado de crise econômico-financeira do devedor. são ineficazes perante a massa. não houver oposição dos credores. se entender que nenhum prejuízo trouxe à comunidade de credores.

Estes. O agravo. e da sentença que julga a improcedência do pedido cabe apelação. nos termos do art. mas da nulidade dos mesmos. com sua falência decretada. trazer de volta. De outra forma. 129. Para melhorar a compreensão. estamos tratando não apenas de impedir os efeitos dos atos diante da massa. pois o devedor não pode ficar esperando muito tempo pelo provimento judicial. conforme já mencionado. desde que praticados com a intenção de fraudar credores. movida pelo administrador judicial. movida pelo administrador judicial. no prazo de três anos contados da decretação da falência. com relação a um agravo contra sentença. justifica-se a medida na necessária celeridade que tem que ser dada ao processo. quando a atuação do juiz depende de uma ação revocatória. diferentemente dos outros. podendo ser qualquer um.10. 1. ou julgada procedente a ação revocatória. até. as partes retornarão ao estado anterior. Da decisão que decreta a falência cabe agravo. permitindo-se. Reconhecida judicialmente a ineficácia dos atos a que se refere o art. Tanto um como outro recurso não possuem efeito suspensivo. convém explorar um pouco mais a distinção entre o sentido jurídico dos termos r evocar e revogar. e se aplica aos casos em que os atos são declarados ineficazes pelo juiz. 130 dispôs a respeito dos atos revogáveis. tem a finalidade de ensejar maior rapidez à decisão judicial. pois normalmente o recurso cabível seria a apelação. não possuem discriminação taxativa na lei. provando-se o conluio fraudulento entre o devedor e o terceiro que com ele contratar e o efetivo prejuízo sofrido pela massa falida. O primeiro tem a ver com restituir. o art. revogar se relaciona à anulação ou invalidação do ato. O instrumento hábil para revogação de tais atos é a ação revocatória. por qualquer credor ou pelo Ministério Público. perante o juiz da falência. que insere o devedor em regime jurídico regulado pela Lei de Falências. sua atuação de ofício. posto que eivados de vício na origem. neste caso do art. . 100. 130. 130. por qualquer credor ou pelo Ministério Público. Percebam que. nesta situação. e o contratante de boa-fé terá direito à restituição dos bens ou valores entregues ao devedor. posta no art. O Processo Falimentar A falência tem início com a sentença judicial declaratória.268 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Além dos atos ineficazes supramencionados. Apesar de parecer estranha a previsão legal. no prazo de três anos contados da sentença de falência.

as pessoas que detêm a faculdade para pleitear a falência. e c) a reabilitação do falido. exige-se a prestação de caução. parágrafo 5o). parágrafo único). Desta forma. incluindo o próprio devedor. deve vir instruído com os títulos originais (se mais de um) ou por cópias autenticadas. a fim de legitimar a petição. O instrumento hábil para pôr fim ao processo é igualmente uma sentença judicial. O pedido fundamentado na impontualidade do devedor. conforme a previsão do art. 156. Na hipótese do pedido lastreado em “atos de falência”. Portanto. a exemplo do balanço patrimonial. Em qualquer caso. deste Capítulo. • O PEDIDO Vimos. dos bens e direitos . são exigidos. juntando-se as provas que houver e especificando as que serão produzidas (art. que são posteriores a ela. parágrafo 3o. Assim. sendo o credor empresário. este deve vir autofalência. deverá conter a descrição dos fatos tipificados na lei. 94. no item 1. o pedido de falência será instruído com certidão expedida pelo juízo em que se processa a execução (art. além dos procedimentos necessários. Alguns requisitos. parágrafo 4o). a lei se reporta a etapas que a antecedem ou. compreendidos na fase falimentar propriamente dita. 94. III. Para credores residentes fora do país. 94. conforme o art. tudo para estabelecer regras. instruído com demonstrações contábeis relativas aos três últimos exercícios sociais. II. combinado com o art. 94. como a arrecadação de bens do falido. podemos afirmar que a falência compreende três etapas distintas: a) o pedido.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 269 Série Impetus Provas e Concursos Esse mesmo diploma normativo prevê o encerramento do processo. 9o. 105. Quando promovido com base no descumprimento de uma execução judicial. parágrafo único. dentre outras. I. contudo. 94. e o recurso cabível contra ela é a apelação. Quando se tratar de pedido de autofalência a que se refere o art. 94. da relação nominal dos credores. se estiverem juntados a outro processo. depois de executadas diversas etapas procedimentais. prevista no art. sempre acompanhados da Certidão de Protesto (art. desde o pedido até a reabilitação do falido. a sentença é o ato que marca tanto o início da falência como seu final. Entretanto. a elaboração do quadro geral de credores e a liquidação do patrimônio do devedor. previstos no art.4. b) a fase falimentar. mesmo. deve fazer prova de sua regularidade mediante certidão do Registro Público de Empresas.

seus efeitos são constitutivos de direitos. 105 requer apenas prova da condição de empresário. a nova lei tornou obrigatória a presença do termo na própria sentença. conforme já referido no subitem 1. c) nulidade de obrigação ou de título. deste Capítulo. b) prescrição. Dentre elas. conforme discorrido no subitem 1. Percebam que. no qual o devedor pode haver cometido atos prejudiciais à massa. pois o inciso IV do mesmo art. 96. A contestação deverá estar baseada em uma das hipóteses do art. diferentemente do antigo decreto. pois introduz devedor e credores num sistema jurídico diverso do previsto no Direito Obrigacional. prorrogável por até cinco dias). deste Capítulo. Após o pedido. FASE FALIMENT ALIMENTAR • A FASE FALIMENTAR Tem início com a sentença declaratória de falência. O art. que poderá apresentar contestação no prazo de dez dias (antes era de vinte e quatro horas. . a identificação do falido e os nomes dos administradores à época. b) fixação obrigatória do termo legal de falência que é um intervalo de falência. admitindo-se até a inexistência de instrumento constitutivo do negócio. o qual não prevalecerá diante de prova de exercício posterior ao ato registrado. e) vício em protesto ou em seu instrumento.270 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel que compõem o ativo e dos administradores nos últimos cinco anos. excluindo-se protestos cancelados. a saber: a) falsidade de título. d) pagamento da dívida.9. além de outras julgadas necessárias pelo juiz. além dos livros obrigatórios e outros documentos contábeis exigidos por lei. como também ampliou seu prazo máximo para noventa dias anteriores ao pedido. g) cessação das atividades empresariais mais de dois anos antes do pedido de falência. 99 contém extenso rol das determinações que devem estar presentes na sentença. Com relação à qualidade de empresário regular. Apesar da qualificação atribuída.4. podemos destacar: a) síntese de pedido. tempo antecedente à sentença. ou contados do primeiro protesto por falta de pagamento. f) apresentação de pedido de recuperação judicial no prazo de contestação. conhecido como “período suspeito”. comprovada por documento hábil do Registro Público de Empresas. assim considerado pelo Registro de Empresas. o juiz ordenará a citação do devedor. e) qualquer outro fato que extinga ou suspenda obrigação ou não legitime a cobrança de título. não é necessário.5.9.

diretores. conselheiros e o próprio administrador judicial (art. Também é nessa parte do processo que. 181): . assim como os que estão em sua posse. equiparam-se ao falido. g) pronúncia a respeito da continuação provisória das atividades do falido por meio do administrador judicial. normalmente. h) ordem de intimação ao Ministério Público e a comunicação por carta às Fazendas Públicas Federal e de todos os Estados e Municípios em que o devedor tiver estabelecimento. 168 a 178 da Lei de Falências e são classificados como de ação pública incondicionada. Ainda na fase falimentar. os pedidos de restituição ou.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 271 Série Impetus Provas e Concursos c) ordem ao falido para que apresente. 187. São efeitos da condenação por crime previsto nesta lei (art. sob pena de desobediência. para que tomem conhecimento da falência. Processa-se também a habilitação dos créditos para elaboração do quadro geral de credores. ou da lacração dos estabelecimentos. pela qual é levantado todo ativo e passivo do devedor. administradores. a fim de compor o inventário. que prevê a medida. na medida da culpabilidade de cada um. 7o. processam-se duas etapas bem distintas: uma. mesmo. sócios. conforme a disposição do art. 184). se ainda não constar dos autos. fazendo constar a expressão: “falido”. chamada de etapa cognitiva (vem de conhecimento). parágrafo 1o. Tais crimes estão tipificados nos arts. apesar da ressalva do parágrafo 2o do art. d) explicitação do prazo de quinze dias para habilitações dos créditos. Para todos os efeitos penais decorrentes desta lei. embora se permita ação privada subsidiária da pública por parte de qualquer credor ou do administrador judicial (art. mas não lhe pertencem. a fim de prevenir riscos. relação nominal dos credores. mas que se encontram em poder de terceiros. f) nomeação do administrador judicial. observando-se os bens de sua propriedade. Os bens arrecadados e avaliados ficarão sob a guarda do administrador judicial ou de pessoa por ele escolhida. no prazo máximo de cinco dias. e) ordem ao Registro Público de Empresas para que proceda à anotação da falência no registro do devedor. 179). podendo o falido ser nomeado depositário. É nesse estágio que são processadas as possíveis ações revocatórias. neste caso observado o que dispõe o art. A competência para o conhecimento da ação penal pertence ao juiz criminal da jurisdição onde tenha sido declarada a falência (art. que permite a impetração da ação penal em qualquer fase processual. 109. sob a responsabilidade daquele. na maioria das vezes cometidos pelo falido. 183). é apurada a existência de possíveis “crimes falimentares”. a declaração de ineficácia de certos atos cometidos pelo devedor antes da sentença.

179. 188 a aplicação subsidiária do Código de Processo Penal. em linha reta ou colateral até o quarto grau. ainda. já que não são singulares da falência.272 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel a) inabilitação para o exercício de atividade empresarial. diretoria ou gerência de qualquer sociedade sujeita à lei falimentar. do falido ou de sócio da sociedade falida. Só a partir daí terão eficácia. contudo. 140. salvo se o arrematante for sócio da sociedade falida ou de sociedade controlada pelo falido. c) impossibilidade de gerir empresa por mandato ou por gestão de negócio. visando ao pagamento dos credores. as derivadas da legislação do trabalho e as decorrentes de acidente de trabalho. Ademais. Essa tendência é manifestada textualmente no parágrafo 3o do art. pode ser adotada mais de uma das formas descritas. conforme se depreende da combinação dos arts. permanecerei com aquela nomenclatura. parágrafo 2o. Esses efeitos. . vendemse os bens de forma unitária. alienação de todos os bens da massa. Nesse ponto. 183 e 187. ou até o conjunto dos bens que integram cada um dos estabelecimentos. Só em último caso. não sendo possível. de suas filiais ou unidades produtivas isoladamente. Igualmente na recuperação judicial e na extrajudicial pode haver apuração da ocorrência deles. Contudo. parente. b) o objeto da alienação estará livre de qualquer ônus e não haverá sucessão do arrematante nas obrigações do devedor. Importante assinalar. ou identificado como agente do falido com o objetivo de fraudar a sucessão. apenas por uma questão de semântica. b) impedimento para o exercício de cargo ou função em conselho de administração. prevê o art. não são automáticos. a saber: a) preferência para venda em bloco da empresa. quando não-incompatível com a lei falimentar. inclusive as de natureza tributária. vem a liquidação quando acontece a liquidação. Por essa razão o legislador optou pela expressão: “crimes previstos nesta lei”. para que não haja a pulverização de uma organização capaz de gerar riqueza ao país. 140 e 141. que os crimes falimentares previstos na lei não são exclusivos do processo falimentar. sempre que a eles se refere. necessitam ser motivadamente declarados na sentença. Concluída a etapa de conhecimento. merecem destaque as dos arts. 180. Se for conveniente à massa. consangüíneo ou afim. neste trabalho. Dentre as medidas inovadoras para se atingir tal objetivo. o legislador procurou deixar clara a intenção governamental de preservar o conjunto produtivo de bens ou serviços do falido.

surgiu o pregão que é pregão. Reforça a assertiva a disposição do parágrafo 2o do art. contado da publicação do aviso de que as contas foram entregues. pois comporta os dois. recomeça a correr o prazo prescricional relativo às obrigações do falido. 111). quando poderá haver autorização judicial aos credores para adquirir ou adjudicar os bens arrecadados. que havia sido suspenso com a sentença de falência (art. será ouvido o administrador judicial. em razão dos custos e do interesse da massa. mas qualquer um. . o administrador judicial apresentará suas contas ao juiz. Transitada em julgado a sentença de encerramento da falência. no prazo de dez dias. os pagamentos feitos aos credores. quando o síndico peticionaria ao juiz sobre a necessidade de venda. Após esse período. o juiz mandará intimar o Ministério Público para. Os interessados têm prazo de dez dias para impugnação. em autos apartados. salvo na hipótese de bens de fácil deterioração. sob pena de nulidade do mesmo. no prazo de trinta dias. mesmo tendo lançado mão de todo seu ativo para satisfação dos credores.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 273 Série Impetus Provas e Concursos c) empregados do falido que forem contratados pelo arrematante celebrarão novo contrato de trabalho e o contratante não responde por obrigações decorrentes da relação jurídica anterior. caso não-satisfeitos todos os credores até o encerramento da falência. o falido permanece na condição de devedor. apresentará relatório final da falência. REABILITAÇÃO FALIDO • A REABILITAÇÃO DO FALIDO Concluída a realização de todo o ativo e distribuído o produto entre os credores. dentre outras informações. onde constarão. 154 e 155). 157). antes mesmo da formação do quadro geral de credores. em seguida. manifestar-se a respeito. no prazo de cinco dias. apenas depois de concluída toda a fase cognitiva é que poderia ter início a outra etapa de liquidação. O Ministério Público será pessoalmente intimado para acompanhar o processo. Apresentado o relatório final. a alienação dar-se-á pelo maior valor oferecido. Quanto à forma a ser escolhida para alienação do ativo. o juiz julgará as contas do administrador por sentença e. que prevê a possibilidade de realização do ativo. uma modalidade híbrida entre as outras duas permitidas – leilão ou por propostas –. o produto da realização do ativo. 156). além das responsabilidades com que continuará o falido (arts. o juiz encerrará a falência por sentença (art. Em qualquer caso. 140. Cumpridas todas essas providências. Observem que. A partir da nova lei. atendida a regra de classificação e preferência entre eles (art. ainda que seja inferior ao de avaliação. De acordo com o antigo decreto. não apenas os bens assim qualificados podem ser objeto de rápida alienação. Havendo impugnação ou parecer contrário do MP.

hipóteses de exonerar a dívida do falido. depois de realizado todo o ativo. a lei prevê..–– - . b) pagamento. é necessária a sentença declaratória da extinção de suas obrigações. o falido poderá requerer ao juízo da falência que suas obrigações sejam declaradas extintas por sentença. não poderá fazê-lo enquanto condenado ou se estiver respondendo a processo por crime falimentar. Percebam que. em seu art. para o falido poder novamente exercer a atividade empresarial. Para o melhor entendimento do tema. contado do dia em que termine o cumprimento da pena privativa de liberdade. Tal dispositivo. Mesmo após o cumprimento da pena. podemos afirmar que a reabilitação devolve à pessoa do falido o direito para o exercício da atividade empresarial. existe um prazo carencial de dois anos a ser respeitado. mesmo sem o seu pagamento integral.--–––—-. Em suma. vejamos a seguinte representação gráfica: (---. se tiver havido condenação por crime falimentar. se para tanto não bastou a integral liquidação do ativo.. pelo menos se comparado com o do antigo decreto. de mais de 50% dos créditos quirografários. contado do encerramento da falência. se o falido tiver sido condenado por prática de crime previsto nesta lei. 94 do Código Penal. sendo facultado ao falido o depósito da quantia necessária para atingir essa porcentagem. contado do encerramento da falência. e b) decurso do tempo de dois anos após a execução da pena privativa de liberdade. pois elevou de 40% para 50% o patamar da alínea b. Para acontecer. de acordo com a exegese do art.--–––—-. é bom que se ressalte. extinguem as obrigações do falido: a) pagamento de todos os créditos.274 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Entretanto. quais sejam: a) sentença de extinção das obrigações. Configurada qualquer das hipóteses descritas acima. Desta forma.–– (---. 158. necessita da conjunção de dois requisitos.) Pode exercer a atividade empresarial –––—––-. Contudo. c) decurso do prazo de cinco anos. d) decurso do prazo de dez anos. tornou mais difícil a liberação do devedor.) Não pode exercer a atividade empresarial –––—––-. se o falido não tiver sido condenado por prática de crime previsto nesta lei.

pois. foi com essa finalidade que surgiu esse instituto......— . Essa é disposição do art. Recuperação de Empresas Recuperação Extrajudicial 2...1. 161 ao art. Deve ser o passo inicial para a tentativa de solução das dificuldades financeiras do devedor..– – . o ensaio do devedor em propor aos seus credores um acordo extrajudicial para equalizar suas dívidas.– – . III.. que deve envolver exclusivamente as partes. reunidos em item específico...– . a fim de provocar efeitos. 2.. Apenas após o entendimento.. ou mesmo na remição parcial de algumas obrigações. pois o mais importante deve ser a resolução das pendências com um mínimo de interferência possível no desenvolvimento da atividade econômica do devedor... 167.– ..1..-/ .../. que vai do art.. a fim de proporcionar uma visão global do tema.... representava ato de falência conforme a exegese de seu art.. Também deve ser ressaltado que a lei não exclui outras modalidades de acordo privado entre devedor e credores... falência.. Anotem que não há intervenção judiciária no pacto..– .....– .. Pelo menos. .....-/ ../-— Sentença de Falência Fim da Falência Sentença de Extinção das Obrigações Início da Pena Fim da Pena 2.. extrajudicial e judicial..-/.1. agora não só foi legalizada como deve ser incentivada. maiores as chances de se manter a atividade econômica desenvolvida pelo devedor.– ..– . A recuperação extrajudicial possui regulamentação no Capítulo VI da nova lei..— . normalmente materializada na dilatação dos prazos de vencimentos dos créditos.. à época do antigo decreto.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 275 Série Impetus Provas e Concursos a) Primeira hipótese: processo falimentar sem condenação criminal do devedor /.. 167. vejamos como funciona o desenrolar do processo de recuperação de empresas. é que o plano de recuperação se submete à homologação do juiz.-/———————————— Sentença de Falência Fim da Falência Sentença de Extinção das Obrigações b) Segunda hipótese: processo falimentar com condenação criminal do devedor 02 anos /. 2o. Se.-/.– . quanto mais precoce e célere for a resolução desses conflitos. Disposições Preliminares Consentâneo com a filosofia motivadora da nova lei.

No entanto. h) sociedade seguradora. . elas estão absolutamente fora do processo de recuperação extrajudicial. para caracterização da recuperação extrajudicial. a exemplo da Lei Federal no 6. há menos de oito anos. d) cooperativa de crédito. obtido concessão de recuperação judicial com base no plano especial para microempresas e empresas de pequeno porte. Logo. obtido concessão de recuperação judicial. mesmo caracterizadas como tal. contudo. b) sociedade de economia mista. parágrafo 3o. enquanto para a falência.276 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 2. as responsabilidades daí decorrentes. 161. estão à margem do processo. conforme a combinação dos arts.1. Igualmente imprescindível à obtenção da homologação judicial é a observância da exegese contida no art. que estejam declaradas extintas.024/74. Assim. e outras para as quais exista lei específica proibindo a concordata. alguns itens fazem-se necessários: • DEVEDOR EMPRESÁRIO – da mesma forma que na falência. que trata da intervenção e da liquidação extrajudicial de instituições financeiras. também só pode celebrar o acordo aquele devedor qualificado como empresário. por sentença transitada em julgado. permite-se até o empresário irregular). prevêem hipóteses de essas sociedades virem a falir. i) sociedade de capitalização. Algumas sociedades. f) entidade de previdência complementar. e) administradora de consórcio. não existe outro diploma legal prevendo a recuperação extrajudicial para as mesmas entidades. à exceção das empresas de serviços aéreos. se o foi.101/05. há menos de cinco anos. somente é admissível o empresário regularmente constituído há mais de dois anos (para a falência. g) sociedade operadora de plano de assistência à saúde. c) não ter. na conformidade do que dispôs a Lei no 11. e ainda válidas. senão vejamos: a) não ser falido e.2. É de bom alvitre salientar que. Caracterização da Recuperação Extrajudicial Nesse tópico são abordados os requisitos principais necessários à instalação do processo. 48. pública ou privada. São elas: a) empresa pública. b) não ter. outras leis específicas mais antigas. 198 e 199. c) instituição financeira. em combinação com a do art.

parágrafo 2o). Não podem participar do plano. 161. • PLANO DE RECUPERAÇÃO EXTRAJUDICIAL E O PEDIDO – diversamente da antiga concordata. enquanto uma estipula prazo mínimo de cinco anos imediatamente anterior ao pedido. parágrafo 1o. parágrafo 3o). os derivados da legislação do trabalho ou decorrentes de acidente de trabalho. encaminhando o pedido diretamente à autoridade judiciária. inclusive em incorporações imobiliárias. pois. os titulares de créditos de natureza tributária. ou de proprietário em contrato de venda com reserva de domínio. Observando cada uma das alíneas reproduzidas (as quatro primeiras estão no art. os titulares de crédito contra o devedor decorrente de adiantamento em moeda nacional de contrato de câmbio para exportação. o devedor deverá encaminhar o pedido ao juiz. de arrendador mercantil. cujos respectivos contratos contenham cláusula de irrevogabilidade ou irretratabilidade. 161. é fácil perceber que há divergência entre as letras “b” e “f”. devidamente acompanhado do plano. ou não ter. como um período no qual o devedor não pode ter obtido a concessão de recuperação judicial. e mais. . 48. como administrador ou sócio controlador (em se tratando de pessoa jurídica). f) não houver obtido recuperação judicial ou homologação de outro plano de recuperação extrajudicial há menos de dois anos. e 86. e) não possuir pedido de recuperação judicial pendente de liberação.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 277 Série Impetus Provas e Concursos d) não ter sido condenado. Somente após esse entendimento a respeito do plano de recuperação. 49. assim como credores titulares da posição de proprietário fiduciário de bens móveis ou imóveis. inciso II. pessoa condenada por qualquer dos crimes previstos na lei falimentar. 161. parágrafo 3o. ao passo que as duas últimas vêm do art. de proprietário ou promitente vendedor de imóvel. Significa assegurar aos titulares dos créditos excluídos do plano garantias de que seus direitos não serão preteridos. quando o devedor elaborava seu plano de pagamento à revelia de prévia consulta aos credores (necessitava estar de acordo com as hipóteses legais). a outra prevê interstício de dois anos para o mesmo impedimento. conforme a combinação dos arts. a nova disciplina impõe a discussão entre devedor e credores como meandro para obtenção do benefício. Todos esses deverão ter conservadas as condições originalmente contratadas. Também o plano não poderá contemplar o pagamento antecipado de dívidas nem o tratamento desfavorável aos credores que a ele não estejam sujeitos (art.

Se homologado (via sentença).1. .1. Nunca é demais repetir. o acordo constituirá título executivo judicial. 48. a homologação do plano não interfere nos direitos dos titulares de créditos citados no parágrafo anterior. caput.4. parágrafo 1o). pessoas físicas ou jurídicas que se enquadrem na qualidade de empresário. que só empresários regularmente constituídos há mais de dois anos podem obter a homologação (art. compete ao devedor requerer ao juiz do local do principal estabelecimento do devedor.1. Significa dizer que os participantes do plano passarão a dispor de um instrumento de execução direta contra o devedor. combinado com o art. a fim de observar as limitações e os requisitos exigidos na lei. a sua homologação. 161. nunca aos credores. o sujeito ativo em processo de recuperação judicial será sempre o devedor empresário. apenas para devedores. contudo. na hipótese de descumprimento do plano.2. Logo. parágrafo 6o. nada impede o pedido de falência. contudo. como veremos adiante. Deve ainda o leitor se reportar ao item anterior. 161. outros efeitos. que deve tramitar em processo distinto da execução.278 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Para os credores não-sujeitos aos efeitos do plano. muito menos para pedidos de decretação de falência daquele. Sujeitos Ativos da Recuperação Extrajudicial O pedido de homologação judicial para o plano de recuperação da empresa compete exclusivamente ao devedor empresário. 2. Tomada tal providência. mantendo-se o devedor à testa do negócio. Não produz. 2. ou da filial da empresa que tenha sede no Brasil. não há qualquer óbice a ações ou execuções contra o devedor. a fim de proporcionar-lhe novamente saúde financeira. assim como dos outros que não aderirem ao plano.3. Sujeitos Passivos da Recuperação Extrajudicial Da mesma forma que na falência. com as mesmas exigências já esboçadas no item 2. pode ser concedida homologação judicial de um plano de recuperação extrajudicial. • SENTENÇA DE HOMOLOGAÇÃO DO PLANO – acordada com os credores as condições do plano. Em outras palavras. conforme prevê o art.

a suspensão do curso da prescrição de outras ações e execuções em face do devedor. Neste. os envolvidos são devedor e credores. parágrafo 2o.6.5. 179. não envolvido no plano. se comparado com a recuperação judicial. 2. quando descumpridas suas condições. ou mesmo a rescisão de contratos bilaterais que envolvam o devedor. na recuperação extrajudicial não há obrigatoriedade da participação do Ministério Público. 180. quando descumpridas suas condições.1. O Ministério Público. Enquanto o juízo da falência atrai todas as outras questões de caráter econômico envolvendo o falido. Igualmente continua a possibilidade de outro credor. requerer a falência do devedor. da mesma forma que não se exige a nomeação de um administrador judicial. da forma como acontece na falência ou na recuperação judicial. Isso quer dizer que a sentença de homologação funciona como uma espécie de referendo legal para devedor e credores colocarem em prática aquilo que eles próprios combinaram.7. conforme a combinação dos arts. Órgãos da Recuperação Extrajudicial Bem mais simplificado que o processo falimentar ou. ou não. somente a autoridade judiciária encarregada da homologação do plano de recuperação é que pode ser considerada órgão no processo. Portanto. Também o Comitê de Credores e a Assembléia Geral de Credores são órgãos exclusivos da falência e da recuperação judicial. o mesmo não se dá no processo de recuperação extrajudicial. A sentença não tem o condão de provocar. limitando-se praticamente à homologação.1. 3o. 2. O Juízo da Recuperação Extrajudicial A escolha do juiz designado para homologação do plano de recuperação extrajudicial deve seguir a prescrição do art. recaindo naquele onde se situe o principal estabelecimento do devedor ou da filial de empresa que tenha sede fora do Brasil. com algumas exceções. 183 e 187.1. Efeitos Jurídicos da Recuperação Extrajudicial A homologação do plano de recuperação extrajudicial altera as relações econômicas das partes envolvidas. mas de forma restrita.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 279 Série Impetus Provas e Concursos 2. quando poderá oferecer denúncia. assim como para os participantes do plano. Ademais. assim como para os participantes do plano. por exemplo. a participação da autoridade judiciária é bem mais restrita. atuará na hipótese de se verificarem indícios de crime falimentar. . mesmo. do plano previamente acordado entre devedor e credores. contudo.

a liberdade que possuem credores e devedor para estabelecerem as condições do plano esbarram no direito dos demais. O Processo de Recuperação Extrajudicial Neste item. pois a homologação da recuperação extrajudicial em nada deverá afetar o funcionamento da empresa. incisos. compete ao juiz homologar o acordo. Em resumo. desde que o plano esteja assinado por credores que representem mais de 3/5 (três quintos) de todos os créditos de cada espécie por ele abrangidos. além dos discriminados no item 2. que prescreve a sujeição.2. Depois de distribuído o pedido à autoridade judiciária. quando poderão redefinir prazos e montantes dos créditos. de receberem seus créditos da forma originariamente contratada. ficam de fora os créditos trabalhistas.2. para repactuarem as dívidas. desde que respeitados os demais termos da lei. 163. 161 proíbe o pagamento antecipado de dívida ou o tratamento desfavorável aos credores que não estejam sujeitos ao plano. VI e VIII. obedecendo à mesma didática empregada no estudo da falência. incluindo os outros credores e o devedor (art.280 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel O mesmo pode ser repetido tanto para o negócio como para os bens do devedor. O objetivo esperado é contornar uma situação de falta de liquidez enfrentada pelo empresário. muito menos a disponibilidade do devedor sobre seus bens. não podem os credores desistir da adesão ao plano. V. 162 traduz a necessária assinatura do plano por todos os credores participantes. os tributários e as multas contratuais e tributárias. destes excluídos os titulares de créditos de origem tributária e trabalhista. parágrafo 5o). Sobre a adesão ao plano. ou seja.1. mesmo. • O PEDIDO Já vimos que a sujeição ativa para dirigir ao juiz requerimento para homologação do plano de recuperação extrajudicial é de empresários regularmente constituídos há mais de dois anos. deste Capítulo. 161. a regra geral contida no art. 2. 83. a fim de emprestar a ele eficácia jurídica.1. II. sem afetar o curso regular de suas atividades econômicas. deste Capítulo. . devem ser analisadas as duas fases componentes do processo: o pedido e a sentença de homologação. IV. Ou seja. De outra forma. que dele não participem. As espécies a que se refere a capitulação legal são as do art. dos outros.8. Exceção está no art. a nova lei propicia a possibilidade de acontecer um livre acordo entre devedor e credores.1. salvo com a anuência dos demais signatários do pacto. o parágrafo 2o do art. Estabelecidas as condições. conforme descrição no item 2.

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Portanto, se credores representativos de pelo menos 3/5 de cada uma das espécies de créditos discriminadas naqueles incisos do art. 83 assinarem o plano, estarão obrigando os demais, exclusivamente em relação aos créditos constituídos até a data do pedido de homologação, e mais, apenas aqueles abrangidos no plano, pois os credores cujos créditos nele não estejam previstos não podem ser compelidos a aceitá-lo. De outra forma, se o plano contemplar a totalidade de uma ou mais espécies de créditos previstas no art. 83, exceto trabalhistas e tributários, a exemplo dos quirografários, ou com garantia real, sua homologação obrigará a todos os credores da espécie. Em resumo, poderíamos fazer a seguinte distinção: a) o plano não abrange a totalidade dos créditos de uma mesma espécie – neste caso, para sua homologação, necessita haver a assinatura de credores que representem mais de 3/5 dos créditos de cada espécie por ele abrangidos, hipótese em que, uma vez homologado, todos os créditos dele constante, não os outros, estariam submetidos às suas regras; b) o plano abrange a totalidade dos créditos de uma mesma espécie – logo, sua homologação, que poderá ser feita igualmente com assinatura de credores representativos de mais de 3/5, neste caso da totalidade dos créditos de cada espécie, estará obrigando a todos. O pedido, além de documento contendo as condições acordadas pelas partes com suas respectivas assinaturas, deve conter uma exposição da situação patrimonial do devedor, assim como suas demonstrações contábeis relativas ao último exercício social, documentos que comprovem os poderes dos subscritores para novar ou transigir, e mais, relação completa dos credores com seus dados pessoais e valor atualizado do crédito. • A SENTENÇA Recebido o pedido, o juiz ordenará a publicação de edital no órgão oficial e em jornal de circulação nacional ou das localidades da sede e das filiais do devedor, quando os credores terão um prazo de trinta dias para impugnar o plano. Para tanto, não poderão alegar mais do que: a) não-preenchimento do percentual mínimo previsto no caput do art. 163 (assinatura de credores representativos de mais de 3/5 de todos os créditos de cada espécie); b) prática, por parte do devedor, de qualquer dos atos de falência a que se refere o art. 94, III (ver item 1.2. deste capítulo), assim como se restar comprovada a intenção de fraudar credores, na forma prescrita no art. 130; c) descumprimento de qualquer outra exigência legal.

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Apresentada a impugnação, será aberto prazo de cinco dias para manifestação do devedor, após o que o juiz decidirá, no prazo de cinco dias, a respeito da homologação do plano, que será feita via sentença. Na hipótese de não-homologação, não há prazo carencial para novo pedido (art. 164, parágrafo 8o). Da sentença que homologar ou negar o plano, cabe apelação sem efeito suspensivo, conforme prevê o art. 164, parágrafo 7o. Embora os efeitos do plano surjam após a sua homologação, o parágrafo 1o do art. 165 prevê a retroatividade em relação à modificação do valor ou da forma de pagamento dos credores signatários. Significa dizer que, antes mesmo da homologação judicial, devedor e credores já podem pôr em prática acordo celebrado entre eles, posto no plano de recuperação traçado. Porém, caso não haja a homologação, devolve-se aos credores o direito de exigir seus créditos nas condições originais, deduzidos os valores efetivamente pagos. Em relação à ordem de prioridade no recebimento dos créditos, deve prevalecer o que foi acordado no plano, não existindo imposição legal a respeito. Por último, nunca é demais lembrar que o parágrafo 2o do art. 187 prevê a possibilidade de, em qualquer fase do processo, haver a apuração da ocorrência de crime falimentar, mesmo em se tratando de recuperação extrajudicial. 2.2. Recuperação Judicial

2.2.1. Disposições Preliminares Após quase sessenta anos de validade do antigo Decreto n o 7.661/45, regulamentador dos processos judiciais de falência e concordata, o Brasil ganha, afinal, uma nova legislação, com a aposta de grande parte dos especialistas de que a moderna lei irá reverter a tendência de quebra das empresas, sempre que atravessavam situações de crise econômico-financeira. Essa realidade estava diretamente relacionada ao excesso de formalismo que permeava o decreto. Para se ter uma idéia, um pedido de concordata que não respeitasse certos requisitos por ele exigidos levava o devedor invariavelmente à falência, trazendo conseqüências nefastas para devedor e credores, mas, sobretudo, à economia do país, que via desaparecerem postos de trabalho, além da redução da atividade econômica. A partir de agora, o devedor terá um prazo de sessenta dias, contados da publicação da decisão judicial que deferir o pedido de recuperação judicial, para apresentar o plano de recuperação. Somente após esse tempo sua falência deverá ser decretada (art. 53).

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O plano de recuperação, ao contrário do que acontecia na concordata, quando o devedor dispunha unicamente da faculdade de prorrogar prazos de vencimentos das obrigações quirografárias ou reduzir seus valores, pode prever outras formas de solução para a situação vivenciada, tais como: a cisão, incorporação, fusão ou transformação da sociedade, redução salarial dos empregados mediante acordo ou convenção coletiva, venda de alguns bens, substituição dos administradores, dentre outras, a serem estudadas adiante. Ainda se comparada com a concordata, a recuperação judicial é bem mais abrangente, pois, enquanto daquela participavam apenas credores quirografários, que tinham seus créditos reduzidos no valor, ou modificados os prazos de vencimentos, a recuperação judicial engloba a totalidade dos credores. Em outras palavras, tanto os titulares de créditos de origem trabalhista e fiscal, os com garantia real, como os quirografários, dentre os outros, podem estar incluídos no plano de pagamento proposto pelo devedor, à semelhança do que ocorre na falência, mas diferente da recuperação extrajudicial, que exclui credores trabalhistas e fiscais. Apesar da regra geral, a lei comporta exceções, no art. 49, parágrafos 3o e 4o, como veremos no item 2.2.6., à frente. Quanto ao fundamento do instituto, é coincidente com o da extinta concordata, pois tem por objetivo oferecer ao empresário instrumento para superação de uma crise econômico-financeira, mantendo, portanto, a atividade produtiva desenvolvida, o que é bom para os trabalhadores, que conservam seus empregos; para o país, por conta dos índices econômicos; para o devedor, que continua com seu negócio; e para os credores, pois suas chances de satisfação dos créditos se mantêm. Em seu teor, a nova lei trouxe disposições comuns à recuperação judicial e à falência, que vão do art. 5o ao art. 46. Nesse âmbito, matérias relacionadas à atuação do administrador judicial, ao Comitê de Credores, à Assembléia Geral de Credores, dentre outras, são tratadas de maneira conjunta. Já as contidas no Capítulo III (arts. 47 a 74) dizem respeito exclusivamente à recuperação judicial. Merece destaque a distinção inserida para as microempresas e empresas de pequeno porte, que receberam procedimento especial de recuperação judicial, conforme dispõem os arts. 70 a 72, assemelhando-se mais à antiga concordata, com dilatação dos prazos de pagamento das obrigações quirografárias para trinta e seis meses, e pagamento da primeira parcela no prazo máximo de cento e oitenta dias. Outra conseqüência do plano especial de recuperação judicial para microempresa e empresa de pequeno porte é que o aumento de despesa ou a contratação de empregados passa a depender de autorização do juiz, após ouvido o administrador judicial e o Comitê de Credores. Por outro lado, a lei não prevê suspensão das ações e execuções em face do devedor, como acontece no processo ordinário de recuperação judicial, e também na falência.

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Tal procedimento especial, é bom que se diga, não exclui a possibilidade de as microempresas e empresas de pequeno porte requererem a recuperação judicial, seguindo as normas aplicáveis aos demais modelos de sociedade, como exposto adiante. A conclusão está arrimada no próprio teor do art. 70, caput, que prescreve a sujeição delas às normas do capítulo que trata da recuperação judicial. Em seguida, já no parágrafo 1o do mesmo artigo, há o permissivo para as referidas empresas adotarem plano especial de recuperação judicial, quando deverão, então, se guiar pelos dispositivos acima citados. Para as empresas de médio e grande porte, a lei reservou apenas procedimento ordinário, o qual o leitor poderá em seguida conferir. 2.2.2. Caracterização da Recuperação Judicial Nesse tópico, são abordados os requisitos principais necessários à instalação do processo, na conformidade do que dispôs a Lei no 11.101/2005. Assim, para caracterização da recuperação judicial, faz-se necessária a combinação dos seguintes requisitos seguintes. • DEVEDOR EMPRESÁRIO – assim como na recuperação extrajudicial, o acesso à recuperação judicial é facultado aos devedores empresários regularmente constituídos há mais de dois anos, com as mesmas exclusões já mencionadas e repetidas abaixo: a) empresa pública; b) sociedade de economia mista; c) instituição financeira, pública ou privada; d) cooperativa de crédito; e) administradora de consórcio; f) entidade de previdência complementar; g) sociedade operadora de plano de assistência à saúde; h) sociedade seguradora; i) sociedade de capitalização, e outras para as quais existam lei específica proibindo a concordata, à exceção das empresas de serviços aéreos, conforme a combinação dos arts. 198 e 199. Igualmente necessário ao pedido é a observância da exegese contida no art. 48, a saber:

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a) não ser falido e, se o foi, que estejam declaradas extintas, por sentença transitada em julgado, as responsabilidades daí decorrentes; b) não ter, há menos de cinco anos, obtido concessão de outra recuperação judicial; c) não ter, há menos de oito anos, obtido concessão de recuperação judicial com base no plano especial para microempresas e empresas de pequeno porte; d) não ter sido condenado, ou não ter, como administrador ou sócio controlador (em se tratando de pessoa jurídica), pessoa condenada por qualquer dos crimes previstos na lei falimentar. • PEDIDO DE RECUPERAÇÃO JUDICIAL – da mesma forma que na extinta concordata, a iniciativa do pedido pertence ao empresário devedor, nunca aos seus credores. O parágrafo único do art. 48 estende a iniciativa ao cônjuge sobrevivente do empresário devedor, aos seus herdeiros, inventariante ou sócio remanescente. A petição inicial deverá vir instruída com os seguintes documentos, previstos no art. 51: a) exposição das causas concretas da situação patrimonial do devedor e das razões da crise econômico-financeira; b) balanço patrimonial e demonstração de resultados acumulados desde o último exercício social, e o relatório gerencial do fluxo de caixa e de sua projeção, estes relativos aos últimos três exercícios, além dos levantados especialmente para instruir o pedido; c) relação nominal completa dos credores, com endereço e dados a respeito do crédito; d) relação integral dos empregados, onde constem informações sobre funções, salários, indenizações e parcelas pendentes de pagamento; e) certidão de regularidade do devedor perante o Registro Público de Empresas, com o ato constitutivo atualizado e nomeação dos administradores; f) relação de bens particulares dos controladores e administradores; g) extratos bancários atualizados do devedor; h) certidões dos cartórios de protestos dos locais da sede e filiais, se tiver; i) relação de todas as ações judiciais em que o devedor seja parte, com estimativa dos valores demandados.

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Observem que não é requisito para o pedido a apresentação do plano de recuperação da empresa, da forma como acontece na recuperação extrajudicial. Lembrem-se de que, nesta, devedor e credores negociam o plano antes do requerimento de homologação judicial, proibindo-se, inclusive, aos credores, a desistência na adesão, salvo com a anuência expressa de todos. Já na recuperação judicial, o art. 53 permite que o devedor apresente o plano em juízo no prazo improrrogável de sessenta dias, contado do deferimento do processo de recuperação judicial. Não o fazendo, cabe ao juiz decretar a falência do devedor. Portanto, se, na recuperação extrajudicial, o plano deve ser apresentado concomitantemente com o pedido de sua homologação, na judicial, o pedido de deferimento do processo não necessita estar instruído com ele, pois o devedor dispõe de um prazo de sessenta dias após a sentença de deferimento. Tem o devedor as seguintes possibilidades para a sua recuperação judicial, qualificadas pelo legislador como “meios de recuperação judicial”, previstos no art. 50: a) concessão de prazos e condições especiais para pagamento das obrigações vencidas ou vincendas; b) cisão, incorporação, fusão ou transformação de sociedade, constituição de subsidiária integral, ou cessão de cotas ou ações, respeitados os direitos dos sócios, nos termos da legislação vigente; c) alteração do controle societário; d) substituição total ou parcial dos administradores do devedor ou modificação de seus órgãos administrativos; e) concessão aos credores do direito de eleição em separado de administradores e de poder de veto em relação às matérias que o plano especificar; f) aumento de capital social; g) trespasse ou arrendamento de estabelecimento, inclusive à sociedade constituída pelos próprios empregados; h) redução salarial, compensação de horários e redução da jornada, mediante acordo ou convenção coletiva; i) dação em pagamento ou novação de dívidas do passivo, com ou sem constituição de garantia própria ou de terceiro; j) constituição de sociedade de credores; k) venda parcial de bens; l) equalização de encargos financeiros relativos a débitos de qualquer natureza, tendo como termo inicial a data da distribuição do pedido de recuperação judicial, aplicando-se inclusive aos contratos de crédito rural, sem prejuízo do disposto em legislação específica;

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m) usufruto da empresa; n) administração compartilhada; o) emissão de valores mobiliários; p) constituição de sociedade de propósito específico para adjudicar, em pagamento dos créditos, os ativos do devedor. Importante salientar que o devedor pode optar por um ou mais meios disponibilizados para sua recuperação, em qualquer caso, fazendo-o(s) constar(em) do plano. • A SENTENÇA DE DEFERIMENTO – estando o pedido devidamente instruído, nos termos do art. 51, o juiz deferirá o processamento da recuperação judicial do devedor, abrindo prazo de sessenta dias para que ele apresente o plano de recuperação, sob pena de convolação em falência (art. 53). Outros detalhes sobre a sentença estão dispostos adiante, no item 2.2.9. 2.2.3. Sujeitos Passivos da Recuperação Judicial Assim como na recuperação extrajudicial, só empresários regularmente constituídos há mais de dois anos podem obter o deferimento do processo de recuperação judicial (art. 48, caput). Outras limitações impostas pelo legislador à figura do devedor que, mesmo sendo classificado como empresário, permanece à margem do processo, já foram relacionadas acima. Deve, pois, o leitor reportar-se ao item 2.2.2. deste Capítulo, a fim de observar as restrições e os requisitos exigidos na lei. 2.2.4. Sujeito Ativo da Recuperação Judicial O sujeito ativo em processo de recuperação judicial será sempre o devedor empresário, com as mesmas exigências já esboçadas no item 2.2.1. deste Capítulo. Significa afirmar que é ele quem detém a competência para o pedido ao juiz. Igualmente pode impetrar o pedido o cônjuge sobrevivente do devedor classificado como empresário individual, seus herdeiros ou o inventariante de seu espólio, todos no prazo de um ano da morte do de cujus, conforme previsão do art. 48, parágrafo único, assim como o sócio remanescente, neste caso quando o devedor for sociedade empresária dissolvida.

quando descoberta falsidade. O MP detém atribuição para oferecimento de denúncia por crime falimentar. responsabilizando-se por atos a ele relacionados. conforme a disposição do art. além de ordenar a publicação de edital em órgão oficial com resumo do pedido (art. a recuperação judicial conta com a intervenção dos mesmos órgãos da falência. c) decretação da falência do devedor. em caso de rejeição ao plano de recuperação por parte da Assembléia Geral de Credores (art. V. fraude. sob a imediata direção e superintendência do juiz. caput. economista. caput. 7o.5. Pode ser pessoa física ou jurídica. com um mínimo possível de participação estatal. • O MINISTÉRIO PÚBLICO Este órgão atua no processo como fiscal da lei.2. . O administrador veio a substituir a figura do comissário antes existente na concordata preventiva. 22. assim como a fixação de sua remuneração e de seus auxiliares. parágrafo 4o).288 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 2. b) deferimento do processo de recuperação judicial. caput. • O ADMINISTRADOR JUDICIAL A este compete a administração do processo. dolo. 56. conforme a combinação dos arts. A sentença que deferir a recuperação judicial ordenará a intimação do Ministério Público. caput. • O JUIZ É a autoridade judiciária designada para presidir o processo. destacando-se a possibilidade de apresentar ao juiz impugnação contra a relação de credores a que se refere o art. mesmo. mesmo. parágrafo 1o. 24. que terá atuação obrigatória no processo. No primeiro caso. preferencialmente advogado. simulação. e 31. conforme arts. conforme veremos a seguir. dentre outros. 183 a 188. parágrafo 2o. Órgãos da Recuperação Judicial Enquanto o procedimento de recuperação extrajudicial se desenvolve de uma forma mais simplificada. 52. tais como: a) nomeação e destituição do administrador judicial. realçando que a omissão do órgão na promoção da denúncia gera direito a qualquer credor habilitado ou ao próprio administrador judicial para a iniciativa da ação penal privada. que será subsidiária da pública. na forma prevista nos arts. pedir a exclusão de qualquer crédito. buscando sempre o cumprimento de seu papel constitucional na defesa do interesse público. e parágrafo 1o). 4o e 52. inciso III. será escolhido alguém idôneo. 19. ou. erro essencial ou. ainda que as atribuições contenham diferenças. Outras prerrogativas possui o MP. documentos antes ignorados.

35 a 46. cuja regulamentação de constituição e funcionamento vem expressa em seus arts. Em seguida deverá enviar correspondência a todos os credores constantes da relação nominal entregue em juízo pelo peticionário do processo. VII. à elaboração da relação de credores e à consolidação do quadro geral de credores (art. assinar termo de compromisso de bem e fielmente desempenhar o cargo (art. De outra forma. A função de administrador é indelegável e ele responde por prejuízos que causar ao devedor ou aos credores.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 289 Série Impetus Provas e Concursos administrador de empresas ou contador. inciso I. quirografários. Compõe-se dos titulares de créditos derivados da relação de trabalho ou decorrentes de acidente de trabalho. após a assembléia indicar os componentes do comitê. Possui atribuições eminentemente fiscalizadoras das atividades do administrador judicial e do devedor. a fim de dar consecução aos atos do processo. 26. é obrigatória indicação do profissional responsável pela condução do processo. o juiz deverá decretar obrigatoriamente a falência do devedor. titular dos créditos fiscais. que não poderá ser substituído sem autorização do juiz (art. 22. quando provocados por dolo ou culpa (art. dando ciência da data do pedido. com privilégio especial. • ASSEMBLÉIA GERAL DE CREDORES Trata-se de órgão criado pela nova lei. a que se refere o art. tanto na falência como na recuperação judicial. rejeição ou modificação do plano de recuperação apresentado pelo devedor. inciso I). visando. o administrador será intimado para. responsável por tomar decisões que influenciam diretamente o interesse dos credores. a exemplo da aprovação. na hipótese de a assembléia rejeitar o plano de recuperação judicial. o juiz providenciará a nomeação dos mesmos. assim como os credores por multas contratuais e penas pecuniárias decorrentes de infração às leis penais ou administrativas. Assim. 21. ou a indicação dos nomes que irão compor o comitê de credores. . no prazo de quarenta e oito horas. com privilégio geral e subordinados. Percebam que as decisões da assembléia são encaminhadas ao juiz. 32). parágrafo único). Ficam de fora apenas a Fazenda Pública. sobretudo. • COMITÊ GERAL DE CREDORES Órgão de existência facultativa. 33). parágrafo 3o. alíneas e e f). Seu papel principal é zelar pelo bom andamento do processo e pelo cumprimento da lei. A assembléia é órgão deliberativo de decisão colegiada. 83. Depois de nomeado. dos titulares de crédito com garantia real. Em se tratando de pessoa jurídica. comunicando ao juiz violações dos direitos ou ocorrência de prejuízo aos credores (art.

parágrafo 4o. 6o. outro. uma vez que as reclamações de créditos deverão correr perante a autoridade judiciária que proferir a sentença. Tal suspensão. nos últimos cinco anos. conforme prevê o art. mesmo. ficam suspensas todas as ações propostas contra o devedor. Na possibilidade de não existir comitê. Passado esse tempo. apesar de o desenrolar do processo não acontecer no juízo da recuperação judicial. 3o). contados do deferimento do processamento da recuperação judicial. está limitada ao prazo de cento e oitenta dias. a dos quirografários e com privilégios gerais. tenha sido destituída do cargo de administrador judicial ou de membro de comitê. não são atraídas ao juízo da recuperação judicial. 28). sendo três efetivos e seis suplentes. tais créditos devem ser inscritos no quadro geral de credores pelo valor determinado em sentença. deixou de prestar contas no prazo legal ou teve a prestação rejeitada. seja em processo de falência ou de recuperação judicial. 26. Em se tratando de uma filial que tenha sede fora do Brasil. Em absoluto. Não poderá integrar o comitê a pessoa que. contudo. 49. parágrafo 1o). O Juízo da Recuperação Judicial O juiz competente para deferir o processamento da recuperação judicial é o do local do principal estabelecimento do devedor. suas atribuições passam ao administrador judicial. em caso de incompatibilidade daquele (art. devendo seguir a tramitação normal de cada uma.6. Entretanto. caput. da mesma forma como ocorre na falência. reunidas em assembléia geral. e parágrafo 1o).2. Para reforçar a assertiva. 2. Instalado o processo. a dos credores com direitos reais ou com privilégios especiais. assim entendido como o de maior volume da atividade econômica. mas indicados pelas classes dos credores. um representará a classe dos credores trabalhistas. ou. todos nomeados pelo juiz. voltam a correr normalmente os prazos prescricionais de todas as ações em face do devedor. Dos efetivos. Também são impedidos de participar os que tiverem relação de parentesco ou de afinidade até o terceiro grau com o devedor. senão vejamos: . A falta de indicação de algum não prejudica a constituição do comitê (art. ou outras que demandarem quantia ilíquida. Entendam que isso não significa a exclusão daqueles créditos do plano de recuperação. ou até ao juiz. 30. as questões que envolvam créditos de origem trabalhista e fiscal. seus administradores. controladores ou representantes legais ou deles for amigo inimigo ou dependente (art. vale reproduzir o caput do art. e o último. será o juiz do local onde ela se situe (art.290 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Compõe-se de até nove membros.

. a retirada do estabelecimento do devedor de bens de capital essenciais à sua atividade empresarial. contudo.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 291 Série Impetus Provas e Concursos Estão sujeitos à recuperação judicial todos os créditos existentes na data do pedido. de arrendador mercantil. 7o. oriunda de adiantamento em contrato de câmbio para a exportação.7. tanto na falência como na recuperação judicial. observada a legislação respectiva. hipótese em que esse conferiria direito ao voto. contendo o resumo do pedido de recuperação judicial do devedor. inclusive em incorporações imobiliárias. Verificação e Classificação dos Créditos A partir da publicação do edital a que se refere o parágrafo 1o do art. O credor retardatário. ou seja.2. em moeda nacional. 2. se na data da realização da assembléia geral já houver sido homologado o quadro geral de credores contendo o crédito retardatário. juntamente com a relação nominal dos credores e os valores de cada crédito. conforme foi visto no item 2. São eles: • titular de crédito que detenha a posição de proprietário fiduciário de bens móveis ou imóveis. estão relacionadas as exceções à regra geral. Já os titulares de créditos fiscais não possuem direito de voto na assembléia. ou de proprietário em contrato de compra e venda com reserva de domínio. • titular de crédito relativo à importância entregue ao devedor. parágrafos 1o e 2o). A habilitação de um crédito é ato que dá conhecimento à dívida. O administrador judicial somente pode incluir no quadro de credores aqueles dos quais tenha ciência. Caso o titular do direito creditício não se manifeste em tempo. os créditos que não podem ser incluídos no plano de recuperação. de proprietário ou promitente vendedor de imóvel cujos respectivos contratos contenham cláusula de irrevogabilidade ou irretratabilidade. perderá direito de voto na assembléia (art. assume o risco pelo prejuízo que possa advir de sua omissão. 6o. No primeiro caso. a lei garante os direitos de propriedade sobre a coisa e a manutenção das condições contratuais.5. A exceção é para os créditos derivados da relação de trabalho. não se permitindo. que mantêm o direito. 52. mesmo sendo considerados retardatários e. já nos parágrafos 3o e 4o do mesmo dispositivo. sendo considerada a habilitação retardatária. Em seguida. 10. em se tratando de falência.2. pelo menos durante o prazo de cento e oitenta dias de suspensão a que se refere o caput do art. parágrafo 1o). ainda que não vencidos. têm os credores um prazo de quinze dias para apresentar ao administrador judicial suas habilitações ou divergências quanto aos créditos relacionados (art.

até esse momento. Mas isso não tem importância.2. Portanto.292 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Percebam que.8. De outra forma. 57 letra morta. não se submetem a ele. A respeito desse tema. observa-se que é requisito obrigatório à concessão da recuperação judicial a apresentação de certidão negativa referente a eles. Efeitos Jurídicos da Recuperação Judicial Os efeitos advindos do processamento da execução judicial são sentidos basicamente pelos titulares de crédito inseridos no quadro geral de credores. Significa afirmar que.2. 57 e 68. b) o plano não poderá prever prazo superior a trinta dias para o pagamento dos créditos por salários em atraso. . Com relação aos débitos de natureza tributária. conforme a disposição do art. o devedor pode ainda não ter apresentado seu plano de recuperação judicial. deste Capítulo. Na verdade. uma vez que exigiu do devedor a prova das quitações. seria muito difícil admitir que o devedor conseguisse quitar a obrigação antes mesmo de iniciar a realização do plano de recuperação. indiretamente. por parte do devedor. deste capítulo. tornando-se inadimplente das demais. 68 permitir o parcelamento de tais débitos. 2. pois a lei fixou um prazo de sessenta dias após a publicação referida no primeiro parágrafo deste item. 83. disposição curiosa está prevista nos arts. observem que normalmente as dívidas tributárias são as que primeiro o devedor em dificuldades deixa de pagar. a possibilidade de parcelamento torna o art. tanto pelas Fazendas Públicas como pelo Instituto Nacional de Seguro Social-INSS. limitado a cinco salários mínimos por trabalhador. aderindo aos meios que entender convenientes para sua recuperação.8. na forma do art. antes de qualquer outro. desde que respeitadas as seguintes condições: a) o plano de recuperação não pode prever prazo superior a um ano para o pagamento dos créditos derivados da legislação do trabalho ou decorrentes de acidentes de trabalho vencidos até a data do pedido. cabe ao devedor elaborar seu plano de acordo com as exigências da lei. e reproduzida no item 1. pois. se a lei não permitisse o parcelamento. 50.6. não vigora a ordem de classificação dos créditos disposta para a falência. o legislador concedeu prioridade ao pagamento dos créditos tributários. sempre lembrando que os titulares por créditos relacionados nos parágrafos 3o e 4o do art. já reproduzido no item 2. Entretanto. pois permite ao devedor o pagamento de apenas uma parcela do acordo. na recuperação judicial. cabe ao devedor emprestar ordem de prioridade no pagamento de suas dívidas. Ademais. Pelo primeiro. somente para cumprir com a exigência legal. 49. veio o art. relativos aos últimos três meses anteriores ao pedido.

eles existem e podem ser relacionados a seguir. . c) houver agido com dolo. salvo evidente utilidade reconhecida pelo juiz.8. O art.2. indicado pela assembléia geral e nomeado pelo juiz. 64 prevê hipóteses de afastamento tanto do devedor como de seus administradores.1. despesas injustificáveis em relação ao negócio. Pelo contrário. e do administrador judicial. previstos na legislação vigente. Mas. Quanto ao Negócio do Devedor O deferimento do processo de recuperação judicial não traz solução de continuidade ao negócio. a partir da distribuição do pedido. e mais. a economia popular ou a ordem econômica. IV. cujos efeitos se resumem aos credores inseridos no plano de recuperação. ou seja.2. b) houver indícios veementes de ter cometido crime previsto na lei falimentar. d) constatados gastos pessoais excessivos. houver descapitalizado injustificadamente a empresa ou realizado operação prejudicial ao funcionamento regular do negócio. tanto no negócio como nos bens e contratos do falido.8. 2. mas sob a fiscalização do comitê. ou em se negando a prestar informações solicitadas pelo administrador judicial ou pelos demais membros do comitê. se constar do plano. os efeitos da recuperação judicial são bem mais amenos. se houver. depois de ouvido o comitê. simulação ou fraude contra os interesses de seus credores. situação em que seria escolhido um gestor. na falência. pudemos observar uma série de conseqüências provocadas com a instalação do processo. mas. se simularem ou omitirem créditos da relação de credores apresentados. Outra possibilidade de afastamento dos administradores está prevista no art. São elas: a) houver sido condenado em sentença penal transitada em julgado por crime cometido em recuperação judicial ou falência anteriores ou por crime contra o patrimônio. 50. ele não poderá alienar bens de seu ativo permanente.2. diferentemente da recuperação extrajudicial. a empresa deve permanecer com sua atividade produtiva dentro da normalidade com o devedor e seus administradores mantidos na condução da atividade empresarial. 2. Quanto aos Bens do Devedor O devedor não perde a disponibilidade de seus bens. por fim. e.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 293 Série Impetus Provas e Concursos Enquanto. na hipótese de o afastamento do devedor estar prevista no próprio plano de recuperação.

b) parente do falido ou de sócio da sociedade falida. 60. 66). Tal suspensão. aplicada à falência. não há qualquer necessidade de prévia autorização (art. conforme o permissivo do art. conforme citação dos parágrafos 3o e 4o do art. estando a venda do bem prevista no plano de recuperação aprovado em juízo. Entretanto. conforme dispõe o parágrafo único do art. 49).8. Em todo caso. Quanto aos Direitos dos Credores Repetindo trecho do item 2. até o quarto grau. 141. Talvez a exclusão dos créditos trabalhistas no dispositivo tenha sido motivada como proteção aos empregados. 60. o objeto da alienação estará livre de qualquer ônus e não haverá sucessão do arrematante nas obrigações do devedor. instalado o processo. Comparando-se essa disposição com a do art. mesmo estando prevista no plano. no entanto. limita-se ao prazo de cento e oitenta dias contado do deferimento do processamento da recuperação judicial. que é a necessária certidão negativa dos débitos. inciso II. em linha reta ou colateral. propostas fechadas ou pregão. c) identificado como agente do falido com o objetivo de fraudar a sucessão.294 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Contudo. 2. Em se tratando da alienação judicial de filiais ou de unidades produtivas isoladas do devedor. parágrafo único. inciso XI.6. 142. não são atraídas ao juízo da recuperação judicial.. anteriormente comentada. cabe ao juiz ordenar a realização em uma das modalidades previstas no art. pois seria teoricamente mais fácil para os trabalhadores receberem seus créditos do comprador dos ativos do que da massa falida. no que pese a possibilidade de parcelamento. observa-se a ausência dos créditos de natureza trabalhista. ficam suspensas todas as ações propostas contra o devedor.3. . ou outras que demandarem quantia ilíquida. quais sejam: leilão por lances orais. uma vez que as reclamações de créditos deverão correr perante a autoridade judiciária que proferir a sentença.2. da exegese do art. devendo seguir a tramitação normal de cada uma (o leitor deve se reportar ao mesmo item para observar os créditos que não podem participar do plano. estes já contam com uma boa segurança no processo de recuperação judicial. Para os credores fiscais. significando dizer que o comprador de ativos de sociedade em recuperação judicial herdará dívidas trabalhistas do vendedor. as questões que envolvam créditos de origem trabalhista e fiscal. Como acontece na falência. o permissivo não se aplica quando o arrematante for: a) sócio da sociedade falida ou controlada pelo falido. colateral ou afim.2. da mesma forma como ocorre na falência. 50. inclusive de natureza tributária.

Em se tratando de dívidas por salários atrasados referentes aos três meses anteriores ao pedido. ainda. salvo se houver aprovação expressa do credor titular da garantia (art.2. o .CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 295 Série Impetus Provas e Concursos O plano de recuperação implica. parágrafos 3o e 4o).2. salvo com aprovação da assembléia geral (art. No plano é que o devedor vai explicar como pretende sair da situação de crise. 52. na recuperação judicial. Ao devedor.2. 59. Observem que. respeitadas as exceções já mencionadas no item 2.8. ou outros que entender mais convenientes. combinado com o art. pelo juiz. 2. 52: a) nomeação do administrador judicial. e) ordem para intimação ao Ministério Público e para comunicação às Fazendas Públicas Federal e de todos os Estados e Municípios em que o devedor tiver estabelecimento. 50. 50. proíbe-se a desistência do processo. para o envio ao juízo. o juiz defere o pedido do devedor sem que tenha havido a entrega do seu plano de recuperação. a partir do deferimento. com a escolha dos meios apropriados que poderão ser os previstos no art. No mesmo ato. O Processo de Recuperação Judicial A recuperação judicial tem início com o deferimento. já reproduzidos no item 2.6. para onde o leitor deve se reportar. 54. Deferido o processamento.2. do pedido do devedor. novação dos créditos anteriores ao pedido. 2. compete aos credores requerer a convocação da assembléia geral para constituição do comitê de credores. Em qualquer caso. b) determinação para dispensa da apresentação de certidões negativas normalmente exigidas. parágrafo 1o). caput. sob pena de destituição de seus administradores. Quanto aos Contratos Celebrados pelo Devedor Devem ser cumpridos da forma como foram celebrados. à exceção para contratações com o Poder Público ou para recebimento de benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios.2.9. deverá também constar. que estipula prazo máximo de um ano para o pagamento dos créditos derivados da legislação do trabalho ou decorrentes de acidentes de trabalho vencidos até a data do pedido. contados desde o deferimento. segundo a disciplina do art. d) determinação ao devedor para apresentação de demonstrativos mensais de sua atividade.4. é preciso respeitar a exegese do art. mas com a manutenção das garantias porventura existentes. deste Capítulo. c) ordem para suspensão de todas as ações ou execuções contra o devedor. deste Capítulo. que terá um prazo improrrogável de sessenta dias.

De outra forma. Publicado o plano do devedor. no prazo de trinta dias. de forma cumulativa. faz-se necessária a obediência aos requisitos impostos pelo art. compete ao juiz convocar a assembléia geral para deliberar. Cumpridas as exigências da lei. 58): . com privilégio geral e subordinados. Observem que a aprovação pela assembléia do plano de recuperação não é requisito para a concessão do processo pelo juiz. desde que o plano não tenha sido contestado por algum credor ou. quando o juiz decretará obrigatoriamente a falência do devedor (arts. Para aprovação da assembléia. senão vejamos: a) voto favorável dos credores representativos de mais da metade dos créditos com garantia real. ainda que tenha havido qualquer objeção. qualquer credor pode se manifestar desfavoravelmente a ele. 59. A decisão da assembléia pode ser: pela aprovação do plano. 55 e 56). a assembléia o tenha aprovado. Esta somente é necessária na hipótese de haver qualquer objeção de credor. b) quanto aos titulares de créditos decorrentes da legislação do trabalho ou por acidente de trabalho. desde que não haja tratamento diferenciado entre credores da classe que o houver rejeitado.296 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel plano deve contemplar o pagamento num prazo máximo de trinta dias. a lei exige aprovação pela maioria simples dos presentes. restringindo-se aos que estiverem presentes na assembléia. os seguintes votos (art. o juiz concederá a recuperação judicial do devedor. c) não terá direito a voto o titular de crédito que não tenha sofrido qualquer alteração no valor ou nas condições originais de pagamento. por sua alteração (desde que não diminua direitos de credores ausentes). tenha obtido. conforme a leitura do art. 45. Neste caso. proposto por qualquer credor ou pelo Ministério Público. quirografários. parágrafo 2o. com privilégio especial. ou pela rejeição. considerados separadamente por cada uma dessas classes. Contra a decisão que conceder a recuperação judicial caberá agravo. limitado a cinco salários mínimos por trabalhador. 45. como acontece com os demais. hipótese na qual se faz necessária a expressa concordância do devedor. e mais. cumulativamente com a aprovação da maioria simples dos presentes. ainda que o plano não tenha sido aprovado pela assembléia. independentemente do valor de cada crédito. ao menos nos termos do art. pode o juiz conceder-lhe aprovação.

voto favorável de credores que representem mais da metade da soma de todos os créditos presentes na assembléia. como prevê o art. pois. Por fim. o juiz decretará por sentença o encerramento da recuperação judicial. Todas devem contar com a credibilidade da população. . De outra forma. que confia nelas suas poupanças. durante aquele período.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 297 Série Impetus Provas e Concursos a) independentemente das classes (quirografários. O parágrafo 1o do mesmo art. o art. 94. ou a falência do devedor. Caso suas obrigações sejam cumpridas em um lapso de tempo inferior. caso seja descumprida qualquer obrigação prevista no plano. 61). por exemplo. desde que obedecido o quórum referido no artigo.). 63 dispõe que. b) aprovação de apenas duas das classes de credores na forma do art. parágrafo o 1 ) e o devedor permanecerá em recuperação judicial pelo prazo máximo de dois anos.1. 3. Ocorrendo o descumprimento após o prazo de dois anos. configura-se ato de falência. esperando ter garantidos seus créditos. além de anunciar algumas providências para conclusão do processo. inciso III. o devedor sairá do processo de recuperação (via sentença do juiz). Liquidação Extrajudicial de Instituições Financeiras Disposições Preliminares O Brasil é possuidor do maior sistema financeiro da América Latina. compete a qualquer credor requerer a respectiva execução da dívida não-cumprida (lembrem-se de que o ato de concessão da recuperação judicial tem força de título executivo). os credores terão restabelecidos seus direitos e garantias nas condições originariamente contratadas. trabalhistas etc. Neste caso. pela classe dos quirografários e dos detentores de garantia real apenas. alínea g. dispõe o parágrafo 2o. contemplando o plano de obrigações com prazos superiores àquele. 59. c) voto favorável de mais de 1/3 (um terço) dos credores da classe pertencente àquele que tenha rejeitado o plano. aquele período será menor (art. e deduzidos os valores já pagos. 3. 45. São diversas organizações bancárias que interferem diretamente no fomento da economia de nosso país. Significa a aprovação. recebendo depósitos e emprestando recursos. Aprovado o plano. 61 prevê a convolação da recuperação judicial em falência. uma vez cumpridas todas as obrigações vencidas no prazo máximo de dois anos. mas continuará vinculado ao plano. a decisão constituirá título executivo judicial (art.

pois seus efeitos são menos drásticos. assim como o Decreto-lei no 2.024/74. porque haveria uma corrida natural dos depositantes aos bancos.661/45). privadas ou públicas. na hipótese de uma quebradeira geral de nossas instituições financeiras. não afastam completamente a possibilidade de falência dos bancos. em prol do passivo da entidade. de 13 de março de 1974. . da Lei no 6. A Nova Lei de Falências não alterou as normas referentes a esses regimes A seguir. quando é possível o soerguimento da pessoa jurídica. Mesmo no caso da liquidação extrajudicial. dispondo sobre a intervenção e a liquidação extrajudicial de instituições financeiras. a instabilidade monetária. veremos os pormenores de cada um dos três institutos. o Governo Federal procurou proteger o sistema de possíveis falências. capaz de coibir desmandos e operações fraudulentas por parte dos administradores. então. igualmente aplicado às instituições financeiras. 1o a 14. pois. de 25 de fevereiro de 1987.2. longe de serem os ideais. sobretudo em se tratando da intervenção ou do regime de administração especial temporária.321. ao nosso país.1. cuja finalidade é o rateio do ativo da sociedade falida. o processo é conduzido com menores empecilhos que na falência (esta regulada pelo Decreto no 7. Esses institutos. Na prática.298 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Imaginemos. Sim. com a normalização de suas atividades. que instituiu o regime de administração especial temporária. quando se dá a extinção da pessoa jurídica. Pensando nisso. com maior ênfase para o da liquidação extrajudicial. quando acontece. financeira e econômica que sucederia. tendo em vista ser o Banco Central do Brasil competente para dar seqüência a ele. a partir de sua recuperação econômico-financeira. inclusive sociais. 3.024. se comparados com os da falência. como veremos adiante. a fim de resgatarem seus valores. Melhor seria uma fiscalização preventiva eficaz. mas podem ser um remédio para estancar uma crise no setor. procedimento próprio das sociedades empresárias em geral. Conceito Encontra guarida nos arts. por ser mais questionado nos concursos. Intervenção 3. é quase certo que a falência sepulta as chances da maioria dos credores de terem satisfeitos seus direitos. não-federais. Foi com base nessas premissas que surgiu a Lei Federal no 6. normalmente as dívidas suplantam em muito os bens e direitos do falido.2. quando os credores daquelas se vêem diante de um concurso geral de credores. fato que traria enormes conseqüências. Constitui-se num regime que visa à reorganização das instituições financeiras.

prorrogável uma única vez por igual período. se o respectivo estatuto conferir-lhes esta competência (art. não resolvidas após atuação do Banco Central.3. Notem que. .4. Durante aquele tempo. com plenos poderes de gestão. 2o da mesma lei enumerou as hipóteses para sua ocorrência. quando possível evitar tanto a falência como a liquidação extrajudicial. assim como admissão e demissão de funcionários. de acordo com a combinação dos arts. 3o). embora a finalidade seja o saneamento da instituição. ou a pedido dos administradores da instituição financeira. São elas: • prejuízo oriundo de má administração. a instituição continuará operando na busca de seu objetivo social. • mora injustificada de título executivo ou ato de falência. que não poderá ultrapassar o prazo de seis meses. pelo menos à primeira vista. o legislador objetivou evitar a liquidação extrajudicial da empresa que enfrenta dificuldade momentânea. a intervenção nem sempre é garantia de que isso vá ocorrer. cuja natureza dos fatos observados possui menor relevância.2. desta feita sob a execução de um interventor. 94 da Nova Lei de Falências. à exceção de atos que impliquem disposição ou oneração do patrimônio da sociedade. ex officio. conforme art. pondo em risco seus credores. falência. com o art. que necessitam de prévia e expressa autorização do Banco Central. Sujeito Ativo A intervenção será sempre decretada pelo Banco Central. • cooperativas de crédito. nomeado pelo Bacen. 3. mesmo. Causas O art.2. quando comparados com outros ensejadores da liquidação extrajudicial. 3. não-federais. a depender da gravidade dos fatos apurados no decorrer do processo de intervenção. públicas ou privadas. contraindo direitos e obrigações. tanto que pode haver a conversão em liquidação extrajudicial ou. 3o da Lei no 10.2.2. 1o e 52.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 299 Série Impetus Provas e Concursos Sob essa ótica.190/01: • instituições financeiras. 3. • infrações à legislação bancária. Sujeito Passivo Sujeitam-se ao regime.

simultaneamente à decretação da intervenção. detentores de recursos sob a guarda da instituição. Ao assumir. mediante “Termo de Posse”. no sentido de os credores não poderem cobrar seus créditos enquanto durar o regime. a intervenção provoca (art.6. • inexigibilidade dos depósitos já existentes à época de sua decretação. • seguradoras. o interventor tomará as seguintes medidas: a) arrecadará todos os livros e documentos da instituição. aí sim. 6o): • suspensão da exigibilidade das obrigações vencidas. falência. 3. prorrogáveis se necessário. lavrado no livro Diário da entidade. o interventor será investido de imediato em suas funções. significando afirmar que os clientes. De outra forma. o interventor entregará ao Bacen relatório contendo: a) exame da escrituração e da situação econômicofinanceira da entidade. c) proposta justificada das providências a serem tomadas pelo Banco Central (estas podem ser dirigidas antes mesmo da apresentação do relatório). . os credores cujos direitos constituíram-se posteriormente à intervenção podem exercê-los normalmente.2. • corretoras de câmbio. com objeto exclusivo na operação de leasing. Dentro de sessenta dias contados da posse. b) indicação dos atos e omissões danosas eventualmente verificados. • suspensão do mandato dos administradores da instituição. pois suas chances de reaver os créditos. O Processo de Intervenção Decretada a intervenção.2. torcendo para que o mesmo não seja convertido em liquidação extrajudicial ou. que será conduzida pelo interventor. • sociedades arrendadoras. terão que aguardar o termo final do regime. seriam bastante reduzidas.5. b) levantará balanço geral e inventário. Efeitos da Intervenção Desde sua decretação. 3. mesmo.300 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel • sociedades distribuidoras de títulos e valores mobiliários no mercado de capitais. • sociedades de capitalização. • suspensão da fluência do prazo das obrigações a vencer. • sociedades de previdência privada. pois não são atingidos pelos seus efeitos.

até o prazo limite de seis meses. a participação do Poder Judicante. decretado pelo Banco Central do Brasil. b) pela normalização da situação. desde que configurada uma das hipóteses de dissolução da sociedade. que pode ser conduzida pelos próprios órgãos da sociedade. que assume um papel similar ao do juiz nas liquidações judiciais. operação que leva à extinção da pessoa jurídica. podemos nominá-las de liquidação extrajudicial e liquidação judicial.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 301 Série Impetus Provas e Concursos À vista do relatório. a exemplo de um cheque ou de uma nota promissória não-lastreados em garantia real) ou. b) manter a intervenção. ou no Código Civil. É conhecida por “liquidação ordinária”. c) se decretada a liquidação extrajudicial. mesmo. públicas ou privadas. sem a participação do Poder Judiciário. . se for companhia. devido à gravidade dos fatos apurados.024/74. significando afirmar que todos os bens e direitos da liquidanda deverão ser vendidos. para as demais sociedades. retornando à situação jurídica anterior. a fim de saldar seu passivo. Entrementes. dependendo do que for apurado. quando se tratar de instituições financeiras e afins. e não judicial. ou pela autoridade judiciária. respectivamente. um processo administrativo. com as regras definidas na Lei no 6. d) autorizar o interventor a requerer a falência. a critério do Bacen. A liquidação extrajudicial de instituições financeiras é. o processo de liquidação é conduzido pelo Banco Central do Brasil.1. prorrogável por igual período. d) pela decretação da falência. quando o ativo da entidade for inferior à metade dos créditos quirografários (aqueles que não gozam de qualquer preferência no recebimento. o Bacen poderá: a) cessar a intervenção. Liquidação Extrajudicial 3. É possível acontecer a qualquer momento. previstas na Lei das Sociedades Anônimas. que pode ser prorrogado. Conceito Sob a ótica do Direito Comercial. pelo simples fato de haver. 3. ou até em conseqüência da complexidade dos negócios.3. embora se sujeite ao controle do Poder Judiciário. c) decretar a liquidação extrajudicial da entidade. que visa à execução concursal da entidade.3. a fim de que sejam saldadas suas obrigações. Percebam que o termo final da intervenção acontece pela materialização das seguintes hipóteses: a) esgotado o prazo de seis meses. “liquidação” significa a alienação de todo o ativo de uma empresa. não-federais. portanto. ou não. Nesses casos.

A propósito.3. Percebam que há certa coincidência de motivos para a decretação da intervenção ou da liquidação extrajudicial. . pois apenas com base nas hipóteses legais é que pode ser expedido. a nomeação e demissão de funcionários. ou qualquer outro ato ensejador de falência. cassada a autorização para funcionar. se seu estatuto permitir. que igualmente é uma forma de execução concursal. • violação grave das normas legais e estatutárias disciplinadoras da atividade da instituição. ou do interventor. • prejuízo que sujeite a risco anormal seus credores quirografários. a instituição não começar em noventa dias sua liquidação ordinária) ou. Uma instituição sob aquele regime tem de imediato afastados seus administradores. De outra forma. competindo-lhe. dentre outras tarefas. julgada a critério do Bacen. a alienação dos bens. São causas para a decretação de ofício: • ocorrências que comprometam a saúde econômica ou financeira. 3. ou aquela relacionada às mesmas causas para a falência. e com prévia autorização do Bacen. 94 da Nova Lei de Falências.2. especialmente inadimplência de título executivo. a representação da sociedade em juízo. 53 da Lei no 6. conforme especificação nos no art. o art. de ofício ou a requerimento dos próprios administradores da entidade. o art.302 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Esse procedimento não exclui a possibilidade de falência das mesmas organizações. • morosidade em dar início (quando. pois é o liquidante que assumirá os poderes de gestão. até. em se tratando de entidade que já esteja sob o regime de intervenção. Basta ver as hipóteses que se referem à ocorrência de prejuízo na instituição.024/74 proibiu a concordata para as mesmas entidades. bem como determinações do Conselho Monetário Nacional ou do Banco Central. à exceção daquelas de transporte aéreo. só que decretada pela autoridade judiciária. O que irá então definir se ela se submeterá a um ou outro regime será a gravidade dos fatos mencionados. neste caso processada através de licitação. Causas O decreto de liquidação extrajudicial é modalidade de ato administrativo vinculado. em conduzir a liquidação ordinária da instituição. como veremos adiante. 198 da Nova Lei de Falências vedou a recuperação judicial e extrajudicial para as empresas antes proibidas de requererem concordata.

3. 3. • sociedades arrendadoras. 1o e 52. não-federais. • vencimento antecipado das obrigações da liquidanda.190/01). a fim de serem calculados os juros devidos. Sujeito Passivo Sujeitam-se ao regime. 3. ainda. . públicas ou privadas. • corretoras de câmbio. 18. São eles: • suspensão das ações e execuções antes iniciadas.3. com objeto exclusivo na operação de leasing. • cooperativas de crédito.5.3. na hipótese de a entidade já se encontrar sob intervenção. mas uma tentativa de trazer para um mesmo dia a base para cômputo daqueles encargos. Efeitos da Liquidação Extrajudicial Os principais efeitos do regime relacionados aos direitos e obrigações da liquidanda estão discriminados no art. as seguintes instituições: • instituições financeiras. Isso não significa a garantia de recebimento por parte dos credores. • sociedades distribuidoras de títulos e valores mobiliários no mercado de capitais. o que implica a impossibilidade de ser decretada sua falência. 15) ou. no que pese a modalidade vinculante do ato que instalar o regime. Sujeito Ativo Apenas o Banco Central do Brasil tem competência para a decretação. no sentido de equalizar os créditos para uma mesma data (a do decreto). • sociedades de capitalização.4. por proposta do interventor. ao menos a pedido de algum credor. se o respectivo estatuto conferir-lhes esta competência (art. o legislador permitiu ao Banco Central atuar de forma discricionária no momento de escolher entre a intervenção ou a liquidação extrajudicial. assim como na proibição de intentarem-se quaisquer outras contra a liquidanda. além de diplomas complementares (Lei no 10. 3.3. • seguradoras. • sociedades de previdência privada. ex officio. de acordo com a combinação dos arts. ou a pedido dos administradores da instituição financeira. pois já vimos que o Bacen pode autorizar o liquidante a requerê-la.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 303 Série Impetus Provas e Concursos Conclui-se que. tudo objetivando a solução que melhor repercuta no mercado financeiro e de capitais.

b) indicação das omissões e atos danosos eventualmente verificados.6. estes perdem seus mandatos. o Decreto-lei no 1. • com relação aos administradores. o Banco Central decidirá dentre uma das alternativas: a) autorizar o liquidante a continuar com o processo de liquidação. o liquidante entregará ao Bacen relatório contendo: a) exame da escrituração e da situação econômico-financeira da entidade. quando seu ativo for inferior à metade do passivo quirografário ou se houver fundados indícios de crime falimentar. lavrado no livro Diário da entidade. mediante “Termo de Posse”. e posteriores à liquidação. Dentro de sessenta dias contados da posse. tendo em vista o vencimento antecipado que provoca nas mesmas. 18. 3. 21. no sentido de torná-la devida.477/76 veio modificar a alínea f do mesmo art. após o que tomará as seguintes medidas: a) arrecadará todos os livros e documentos da instituição. • interrupção da prescrição relativa a todas as obrigações devidas pela liquidanda. tudo conforme dispõe o art. À vista do relatório. pelo menos em sua parte inicial. c) proposta justificada das providências a serem tomadas pelo Banco Central (estas podem ser dirigidas antes mesmo da apresentação do relatório). Se a opção for pela continuidade da liquidação. no prazo de vinte a quarenta dias. . b) autorizá-lo a requerer a falência da entidade. prorrogáveis se necessário. o liquidante será investido de imediato no cargo.304 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel • inexigibilidade das cláusulas penais dos contratos unilaterais vencidos. o liquidante deverá providenciar em jornal de grande circulação aviso aos credores para que declarem os respectivos créditos. Com a decretação. ficando dispensados dessa medida os titulares de depósitos ou de letras de câmbio cujo aceite seja da própria instituição liquidanda. desde a decretação. O Processo de Liquidação Extrajudicial As regras aplicadas ao processo de intervenção também norteiam o da liquidação extrajudicial.3. • não-fluência de juros incidentes sobre as obrigações. o que é lógico. • quanto à correção monetária incidente sobre as obrigações. b) levantará balanço geral e inventário.

40 que os administradores de instituição sujeita a um daqueles regimes respondem solidariamente pelas obrigações por elas assumidas durante suas gestões. o Banco Central detém competência para instaurar inquérito. ou não. b) por transformação em liquidação ordinária. Essa responsabilidade é objetiva.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 305 Série Impetus Provas e Concursos Essa iniciativa tem a finalidade de dar conhecimento à dívida.447/97 (art. ou seja. pelos atos de gestão cometidos por algum.3. c) com a baixa no registro público competente.321/87 (art. independe de culpa ou dolo por parte do agente. a fim de apurar as causas que levaram a entidade àquela situação. como nos de intervenção ou de administração temporária. Na conformidade do art. quando se organiza o quadro geral de credores. respeitada a mesma ordem do processo falimentar. Parte da doutrina costuma compará-la com a responsabilidade dos sócios-gerentes das sociedades em comandita por ações. Observem que. após aprovadas as contas do liquidante. apenas cessará numa das seguintes hipóteses: a) se os interessados (credores) tomarem para si o prosseguimento da atividade econômica da empresa. 3. Essa investigação deve partir da observação do balanço geral que deve ser levantado pelo liquidante ou pelo interventor. Posteriormente. independente de serem. Responsabilidade dos Administradores A responsabilidade aqui tratada atinge os administradores tanto no regime de liquidação extrajudicial. ao final de um possível processo falimentar. assim como a responsabilidade dos administradores. limitada a responsabilidade ao montante dos prejuízos causados. sob critério do Bacen. pois. em combinação com o Decreto-lei no 2. com edição da Lei no 9. que estudaremos em seguida. Preceitua o art. uma vez instalada. . diferente da intervenção. que instituiu o regime de administração especial temporária. invariavelmente a liquidação extrajudicial irá acarretar o fim da pessoa jurídica. 1o). à similitude do que é feito na falência. entre eles. 15). d) com a baixa no registro público competente. 41. administradores). a solidariedade referida no parágrafo antecedente foi estendida aos controladores daquelas instituições (são as pessoas naturais ou jurídicas que detêm percentual de participação no capital social a tal ponto de garantir-lhes o poder de decidir as questões deliberadas na assembléia. quando esses agentes respondem solidariamente.7.

Com relação ao prazo. a administração especial não afeta o curso regular dos negócios. com tantos membros quantos forem necessários para a condução dos negócios sociais.3. Para ser extensiva aos membros do conselho fiscal. c) quanto ao agente. essa medida atinge diretores e membros do conselho de administração.306 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Concluindo-se pela ocorrência de prejuízo. o Bacen precisa encaminhar proposta ao Conselho Monetário Nacional. a indisponibilidade dos bens (salvo os inalienáveis) dos administradores da instituição que exerceram suas funções nos doze meses anteriores à decretação do regime. Para tanto. A princípio. igualmente ao regime de intervenção. o legislador procurou cercar-se de algumas garantias. 3. ou pelo menos não é esse seu objetivo. afastam-se de imediato os administradores e membros do conselho fiscal da instituição (ver responsabilidade dos administradores no item 3. permanecendo os credores com os mesmos direitos que tinham antes da sua . b) quanto aos efeitos. d) quanto às causas. Diferenciam-se. que serão substituídos por um conselho diretor. uma vez decretado pelo Bacen. Administração Especial Temporária 3. Conceito Instituído pelo Decreto-lei no 2. a administração especial temporária não conduz ao fim da pessoa jurídica. Quanto aos efeitos. possibilitando uma reorganização administrativa e financeira. o órgão do Ministério Público será competente para promover. nomeado pelo banco. desde a edição do decreto. A fim de garantir o cumprimento da obrigação. se a conclusão for pela inexistência de prejuízo. e destituíveis a qualquer tempo pelo Banco Central. com atribuições de gestão (dependem de prévia autorização atos que impliquem oneração do patrimônio). esse regime objetiva evitar a liquidação extrajudicial de instituições financeiras e assemelhadas.4.7). no art. qualquer credor é parte legítima para intentá-la. De outra forma. vimos que a intervenção não pode se estender por tempo superior a doze meses. arquivam-se as peças do inquérito no próprio Banco Central. Foi assim que previu. 36. contudo.4. Não o fazendo em trinta dias. nos seguintes aspectos: a) quanto ao prazo de duração. ação de responsabilidade civil contra os responsáveis. sendo definido no ato do Bacen que a decretar. que concordará com ela ou não. junto ao Poder Judiciário. Observem que. Já a administração especial temporária não tem limite máximo de duração pré-fixado.321/87.1.

Ambos. Estas veremos no tópico seguinte.3. c) arrecadar livros e documentos da instituição. • ocorrência de qualquer das razões ensejadoras tanto da intervenção. se na intervenção os depositantes existentes à época de sua decretação ficam com seus créditos inexigíveis. levantar inventário e balanço geral. no prazo de sessenta dias. • existência de passivo a descoberto. liquidação extrajudicial. até.2. como da liquidação extrajudicial. relatório ao Banco Central contendo. 4o da Lei no 9. 3.321/87 tratou de relacionar as causas ensejadoras do regime. do mesmo artigo. . a administração especial temporária não provoca qualquer interferência sobre eles. Outra distinção é quanto ao agente que irá assumir os poderes de gestão. Isso quer dizer que. proposta das providências que lhe pareçam convenientes à instituição. são nomeados pelo Banco Central. 1o do Decreto-lei no 2.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 307 Série Impetus Provas e Concursos instalação. as causas que ensejam um e outro regime são diversas. Conclui-se que sempre o Banco Central pode optar por uma medida menos drástica ou que menos afete a vida dos credores da instituição. dentre outras informações.4. dentre seus membros. a administração especial temporária o é por um conselho diretor. • gestão temerária ou fraudulenta de seus administradores. contudo. Causas O art. assim como entregar. É claro que o que vai nortear a decisão do banco é a gravidade dos fatos inicialmente observados. mantida no Bacen. Enquanto a intervenção é conduzida por um interventor. assim como a possibilidade de recuperação da instituição. em combinação com o art. Por último.447/97. mesmo se configurado motivo para intervenção. independentemente da publicação do ato. ou. • descumprimento das normas referentes à conta de reservas bancárias. Ao conselho incube: a) eleger. 3. o presidente. conforme se depreende da leitura da alínea e. b) fixar atribuições de cada um de seus membros.4. O Processo de Administração Especial Temporária Os membros do conselho diretor são investidos de imediato nas respectivas funções. São elas: • práticas reiteradas de operações contrárias às diretrizes de política econômica ou financeira traçadas em lei federal.

De acordo com o estatuto do Fundo. julgada a critério do Banco Central. em seu art. se solicitado. mediante cessão ao próprio banco dos correspondentes créditos. Com essa premissa foi criado o Fundo Garantidor de Créditos. inciso VI. com ou sem emissão de certificados (CDB/RDB). a Constituição Federal de 1998 havia previsto. De outra forma. que era um programa para recuperação de instituições financeiras em crise. a fim de honrar o pagamento de obrigações das instituições sob os efeitos de um dos três regimes. o Proer. 192. incorporação. 3) letras de câmbio. o Bacen podia autorizar o saque de recursos da reserva monetária. quando cessar o regime ou a qualquer tempo. em nosso país. fusão. • pela normalização da situação. 2) depósitos a prazo. A administração temporária cessará nas seguintes hipóteses: • se a União Federal assumir o controle acionário da instituição. • pela decretação da liquidação extrajudicial. Com o objetivo de evitar uma crise no setor financeiro. Sua vigência estendeu-se até dezembro de 1995. desde que não houvesse participação de recursos da União Federal. são garantidos pelo FGG: 1) depósitos à vista ou sacáveis mediante aviso prévio. . Por meio dele. a criação de fundo ou seguro objetivando proteger a economia popular contra intempéries do sistema financeiro. cisão ou transferência do controle acionário. quando submetidas à falência ou liquidação. Justifica-se a ausência no fato de o patrimônio dos fundos apenas serem administrados pelas instituições financeiras não fazendo parte delas. 4) letras imobiliárias. que nada mais é do que uma instituição privada capaz de garantir a solvência de créditos em poder das instituições financeiras.308 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel O conselho prestará contas ao Banco Central do Brasil. 5) letras hipotecárias. Não estão na abrangência de proteção os fundos de investimentos. foi criado. direitos e ações a serem efetivados pelos respectivos titulares. • pela ocorrência de transformação. tanto que se advir algum problema com o banco basta a assembléia de investidores buscar outro agente financeiro para administrá-lo.

ESAF (AFTN/1989) Os contratos bilaterais de uma empresa. d) é restrita aos credores comerciantes. b) não são rescindidos automaticamente na data da decretação da falência. 4. e) valoração dos créditos admitidos. 2. e) não são rescindidos pela falência e podem ser executados pelo síndico. mas o produto de sua execução será obrigatoriamente contabilizado à parte.Exercícios 1. em qualquer hipótese. depende de: a) ser provada fraude contra credores. e) serem anulados. 3. na data da decretação da falência. (PROCURADOR DO INSS/1993) A fixação do termo legal da falência é importante na: a) continuidade dos negócios do falido. devendo ser retomada após a sentença que encerre o processo falimentar. além daqueles decorrentes da falência. c) têm sua execução interrompida pela decretação da falência. ESAF (AFTN/2001) A ineficácia de certos atos praticados pelo devedor. e) é prolatada por juiz da Justiça Federal. separadamente da massa falida. c) propositura de ação pauliana. c) suspende a prescrição das obrigações do falido. sido praticados no período suspeito. b) não é importante. d) terem. b) causarem danos adicionais aos credores. (JUIZ DO TRABALHO SUBSTITUTO – 22 a REGIÃO/1994) A sentença declaratória de falência: a) interrompe a prescrição de todas as obrigações do falido. se achar de conveniência para a massa. d) ineficacização de negócios. cuja falência foi decretada: a) são declarados rescindidos antecipadamente. devendo ser cumpridos pelo síndico. d) não são afetados pela falência. b) ocasiona o vencimento antecipado somente das obrigações quirografárias. c) serem potencialmente benéficos para o devedor. antes de declaração de falência. . em geral.

e) serão atingidos todos os bens do devedor. FCC (MP – PE/2002) Tendo sido decretada a falência de uma empresa. c) serão também passíveis de arrecadação os bens dotais e os particulares da mulher do falido. 9. d) a todos e quaisquer administradores. ESAF (AUDITOR FISCAL DA RECEITA FEDERAL – AFRF/2002) A legislação falimentar prevê a revocação de atos praticados pelo falido antes da falência por força de: a) fraude contra credores no período suspeito da falência. c) impedir que os administradores retomem suas funções quando tiverem exercido suas funções de forma temerária. ESAF (AUDITOR FISCAL DA RECEITA FEDERAL/2002) Na hipótese de falência de instituição financeira. c) em face do não-pagamento de impostos apurado pela fiscalização. 7. a fim de manter a concorrência no mercado. d) a impenhorabilidade extingue-se. ESAF (AUDITOR DA PREFEITURA DO RECIFE/2003) A decretação da falência ocorre quando: a) o comerciante não tiver crédito na data do pedido. e) não forem pagas dívidas garantidas por hipoteca. salvo direitos e ações existentes na época de sua decretação e os adquiridos no curso do processo. compete ao liquidante nomeado pelo Banco Central do Brasil: a) administrar a instituição financeira para o fim de recuperá-la. d) na eventualidade de insolvabilidade do empresário. ESAF (AUDITOR FISCAL DO INSS/2002) Nas liquidações extrajudiciais. à época da decretação da liquidação. d) pagamento de obrigações naturais antes da falência. Nesse caso: a) o falido perde a disposição. c) apenas ao controlador e aos seus parentes em linha reta. a administração. e) declaração de ilegalidade. eleitos e ocupantes de cargos nos doze meses anteriores à decretação da liquidação.310 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 5. b) declaração de ineficácia. c) conluio para beneficiar um ou poucos credores durante o período de concordata preventiva da falência. e) apenas aos últimos administradores antes da liquidação extrajudicial. bem como a propriedade de seus bens. aplicam-se as regras de liquidação extrajudicial. b) administrar a instituição financeira de forma a pagar todos os depositantes e investidores. sendo lícita a arrecadação dos bens encontrados nessa qualidade. e) tomar as medidas necessárias para liquidar o ativo e solver as obrigações. entre os efeitos decorrentes estão aqueles quanto aos bens do falido. b) na impontualidade ou insolvabilidade do comerciante. d) promover a reorganização das atividades. . b) a todos os administradores exercentes de cargos. à época do ato da autoridade administrativa. 6. 8. b) o falido não perde a propriedade de seus bens. quanto à indisponibilidade de bens: a) ao controlador e administradores. apenas perdendo a disposição e a administração deles.

11. mas não estão sujeitas à liquidação extrajudicial. b) dar aos aplicadores. extrajudicial e da falência do empresário ou da sociedade empresária. b) ( ) O Ministério Público é parte legítima para impor recurso de agravo contra a decisão que conceder pedido de recuperação judicial. as instituições financeiras públicas não-federais: a) podem impetrar concordata. a) ( ) No pedido de recuperação judicial. credores das instituições financeiras. e) garantir igualdade entre credores de mesma classe nos rateios da massa. mas estão sujeitas à liquidação decretada e executada pela Comissão de Valores Mobiliários.024/74 visa a: a) superar as dificuldades típicas das execuções coletivas tal como prescrito no Decreto no 7. e) não podem impetrar concordata. 13. 12. a petição inicial deve ser instruída com as demonstrações contábeis do empresário relativas aos cinco últimos exercícios. mas estão sujeitas ao regime de administração especial temporária e à liquidação extrajudicial. b) o controlador responde solidariamente pelo passivo a descoberto e os membros do conselho de administração respondem. d) impedir pedidos de falência contra instituições financeiras por qualquer credor. ESAF (AUDITOR FISCAL DO INSS/2002) Decretada a liquidação extrajudicial de uma instituição financeira pelo Banco Central do Brasil: a) os diretores respondem solidariamente pelo prejuízo apurado no balanço especial saneado. e) fica impossibilitada a decretação de sua falência pelo Judiciário. c) o liquidante pagará integralmente os depositantes com recursos do fundo garantidor de créditos. d) não podem impetrar concordata. pagando-se todos eles na força da massa. suporte normativo para exercerem suas pretensões. b) podem impetrar concordata e estão sujeitas à liquidação extrajudicial requerida pelo Banco Central do Brasil. julgue os itens seguintes. c) criar condições mais eficientes para atender ao rateio dos créditos contra as instituições financeiras por qualquer credor. . FCC (PROCURADOR DO ESTADO DO RGS/1998) Segundo a legislação brasileira. d) não há credores privilegiados.661/45. se ficar caracterizada a sua omissão. mas estão sujeitas à administração judicial temporária requerida pelo Banco Central do Brasil e executada por um conselho nomeado e supervisionado pelo juiz competente para decretar o regime especial. ambos decretados pelo Banco Central do Brasil. ESAF (AUDITOR FISCAL DO INSS/2002-2003) A liquidação extrajudicial disciplinada pela Lei n o 6. em se tratando de companhias abertas.CAMPUS Capítulo 4 — Direito Falimentar 311 Série Impetus Provas e Concursos 10. UnB/CESPE (Juiz Federal Substituto da 5a Região/2005) Acerca da recuperação judicial. c) não podem impetrar concordata.

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Capítulo 5 Contratos 1. São os chamados contratos administrativos administrativos. e. numa situação de absoluta equivalência com o particular. Exemplos: compra varejo entre comerciante consumidor. colocado em situação de supremacia em relação aos particulares. quando do desenvolvimento da atividade precípua da administração. prestação e venda no varejo entre o comerciante e o consumidor. Assim. prestação de bancários. podendo impor sua vontade de forma a privilegiar o interesse coletivo sobre o privado. o consumidor. Dessa forma. • CONTRATOS DE CONSUMO – disciplinados pelo Código de Defesa do CONTRATOS Consumidor. sorte. se o mesmo Poder Municipal resolver adquirir um aparelho de televisão para equipar o Gabinete do Prefeito. Disposições Preliminares Dependendo das relações jurídicas que nascem com o vínculo contratual. enquanto os demais competem ao Direito Privado. de um lado. Essa distinção ainda não é o bastante para delimitarmos o universo de nosso estudo. para efetuar a coleta de lixo no Município. o Direito reconhece a existência das seguintes espécies de contratos privados: • CONTRATOS DE TRABALHO – são regidos pelas normas da legislação CONTRATOS trabalhista. quando uma Prefeitura contrata uma empresa. destinatário final do produto. está concretizando um contrato administrativo De outra administrativo. do outro. Precisamos estabelecer o campo de abrangência entre os variados contratos regidos pelo Direito Privado. o ordenamento jurídico brasileiro comporta dois ramos bem distintos de contratos. . o faz sob a regência de um contrato regulamentado pelo Direito Privado. existe a participação do setor público. Os primeiros são objeto de estudo do Direito Administrativo. o fornecedor de bens ou serviços. envolvem. Em um. serviços bancários entre outros. sendo objeto de estudo no Direito do Trabalho. celebrados pelos gestores públicos.

entre outros. empregada no processo produtivo (maquinário. tínhamos o Código Comercial disciplinando alguns dos mais importantes contratos mercantis. • comutativos ou aleatórios – nos primeiros (compra e venda as compra venda). . enquanto que. tanto que há autores que normalmente não se referem a mais do que três ou quatro formas de agrupá-los. por exemplo. não há mais qualquer efeito prático na tentativa de enquadrar. com a mercadoria sendo destinada a posterior revenda ou. franquia. alienação fiduciária. mandato mercantil e comissão mercantil. se o bem houver sido adquirido pelo seu destinatário final. Percebam que. a rigor. 2. as cláusulas contratuais encontram guarida no próprio Código Civil. seguro cláusulas e a outra apenas adere. o contrato de compra e venda estará sob a tutela do Direito do Consumidor. como compra e venda mercantil. determinado contrato de compra e venda na esfera civil ou comercial. Se. Nessa nova ordem. não-incluídos nas CONTRATOS outras espécies. Entretanto. matéria-prima). equivalem-se. podemos citar a seguinte classificação: • de adesão ou paritários – nos primeiros (seguro uma parte redige as seguro). e o Código Civil de 1916 encarregando-se daqueles que não eram reputados comerciais. nos paritários (compra e compra venda ambas as partes têm a faculdade de discutir e impor suas condições. instalações. Classificação dos Contratos A doutrina não costuma ser uniforme ao classificar os contratos. arrendamento mercantil e outros que possuam regulamentação fora do Código Civil). além de serem certas e determinadas. ao passo que os unilaterais (doação pura geram dever doação pura) apenas para um lado. hoje o moderno Código Civil traça as cláusulas de todos eles indistintamente (ressalva para contratos como: faturização. 481 a 532 do CC/2002). venda) • bilaterais ou unilaterais – os primeiros (compra e venda obrigam a compra venda) ambas as partes. antes. pois tanto um como outro possuem idêntica regulamentação legal (arts.314 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel • CONTRATOS CIVIS – esses são todos os demais. contraprestações. De maneira geral. É claro que essa condição não impede uma alienação futura do mesmo produto. deixou de haver dois sistemas normativos reguladores desses contratos. na hipótese de as partes serem empresários. Com a entrada em vigor do Código Civil de 2002. pois o mais importante é a intenção no momento da compra. mesmo.

elas podem ser desproporcionais (seguro seguro). enquanto que os contratos reais só se efetivam com a entrega da coisa (o depósito e o o penhor). • forma prescrita ou não-proibida em lei lei. objeto lícito e possível • possível. erro. faturização) e venda mercantil enquanto que os atípicos (faturização podem até faturização ser originados a partir de uma lei. Pode ser tácita ou expressa. fiança compra móvel) bem móvel são livres na forma. No entanto.CAMPUS Capítulo 5 — Contratos 315 Série Impetus Provas e Concursos enquanto que. • vontade das partes – é uma declaração de vontade dos contratantes. • típicos ou atípicos – os primeiros possuem regulamentação legal (compra compra mercantil). nos aleatórios. consensual. oneroso. alienação fiduciária) • solenes ou não-solenes – os primeiros exigem formato previsto em lei (fiança ou seguro enquanto que os não-solenes (compra e venda de seguro). existirem e serem eficazes (compra e venda enquanto que os acessórios (alienação fiduciária nascem em função de um principal. comutativo oneroso não-solene principal típico paritário e consensual 3. para serem reputados válidos. seguro • consensuais ou reais – os primeiros (compra e venda reputam-se compra venda). erro . o contrato de compra e venda é. comutativo. não-solene. afirmando a intenção de celebrar o acordo. ao passo que. assim. Isto é o que ocorre nos contratos de franquia nos quais. doação • principais ou acessórios – os primeiros não dependem de outro para compra venda). quais sejam: • agentes capazes capazes. mas suas principais cláusulas são resolvidas no instrumento de contrato. Convém enfatizar que um só contrato pode abranger vários itens dessa classificação. as obrigações e direitos das partes são definidas no instrumento de contrato.955/94). dolo. nos gratuitos (doação pura e simples só um contraente assume prestação onerosa. penhor • onerosos ou gratuitos – nos primeiros (compra e venda as prestações compra venda). Constituição dos Contratos Os contratos. é imprescindível que esteja isenta de coação dolo fraude ou coação. principal. devem obedecer aos mesmos requisitos dos atos jurídicos em geral. típico. ao mesmo tempo: bilateral bilateral. não obstante haver uma lei instituidora (Lei no 8. realizados a partir da declaração de vontade das partes. das duas partes possuem valor econômico. simples).

contrato 4. Há casos em que se torna indispensável uma revisão das condições econômicas inicialmente pactuadas. As duas singularidades podem ser traduzidas em dois princípios. comutativos lança-se mão de uma cláusula implícita presente nessas espécies de contratos que é a REBUS SIC STANTIBUS. que não se podem furtar de seu fiel cumprimento. . portanto. nas condições em que foram estipulados. À similitude do outro princípio. Acontecendo. Em regra. São os chamados contratos consensuais (compra e venda compra venda). a regra de que se deve manter um equilíbrio entre as obrigações assumidas pelas partes. A conseqüência atinge apenas quem participa da relação contratual fazendo contratual. ninguém poderá ser liberado do cumprimento da obrigação. no sentido de ser considerado irretratável e inalterável salvo inalterável. pelo menos se forem mantidas as condições fixadas na sua origem. Isso significa que os contratos têm implícitas as cláusulas de irretratabilidade (o desejo de uma parte não basta para dissolver a relação jurídica) e intangibilidade (as condições contratuais não se alteram pela vontade de um dos contratantes). São eles: • PRINCÍPIO DA RELATIVIDADE – os contratos geram efeitos apenas entre RELATIVIDADE as partes avençadas. fato imprevisível que venha a onerar uma das partes contratantes. segundo a qual ACTA SERV os pactos nascem para ser cumpridos. Há exceção à regra. Significa afirmar que os contratos nascem para ser executados pelas partes. Efeitos da Celebração dos Contratos O principal e mais importante efeito da celebração de um contrato é o vínculo jurídico que nasce entre as partes. favor de terceiros que irá atingir diretamente pessoa não-contratante. lei entre as partes. a exemplo do seguro de vida em terceiros. isto porque. nos contratos comutativos prevalece comutativos. passando a gerar obrigações entre as partes. a ponto de prejudicar o equilíbrio que deve reger os contratos comutativos. • PACTA SUNT SERVANDA – expressão de origem latina. Em outros. esse também não tem aplicação absoluta em todos os contratos.316 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Na maioria dos contratos. como nos contratos reais é imprescindível a entrega da coisa para reais. bastam essas condições para eles serem reputados concretizados. por vontade de todos os contratantes. que se aperfeiçoem (contrato de depósito ou o penhor mercantil mercantil). por sua própria e única vontade. não sendo possível uma arcar com um ônus adicional àquele previsto no início.

Primeiro. matérias-primas e até máquinas e instalações diretamente usadas na produção. Essa regra é conseqüência da Teoria da Imprevisão que permite a mudança nas Imprevisão evisão. Também em relação ao objeto do contrato. estaremos diante de um contrato de compra e venda mercantil.1. a ponto de seus custos de produção serem majorados de forma a inviabilizar o negócio. a exemplo do estoque de mercadorias. Se assim não fosse. A compra e venda mercantil é classificada como contrato consensual pois se consensual. aleatórios quando uma parte arrisca-se a suportar obrigação não-prevista. o contrato é regido pelas normas do Código de Defesa do Consumidor. Espécies de Contratos Compra e Venda Mercantil Contrato regulado pelos arts. condições originariamente pactuadas. os contratos deixariam de ser comutativos e passariam a aleatórios. Com essas premissas. Neste caso. 481 e seguintes do CC/2002. • as partes devem ser empresárias. são dois os requisitos exigidos para caracterização dessa espécie como contrato mercantil: • o objeto do contrato deve ser bem móvel ou semovente destinado ao processo produtivo ou para revenda ou locação. 5. Assim. o contrato é civil. . que deve ser uma mercadoria. Podem ainda comprar bens de uso da própria empresa.CAMPUS Capítulo 5 — Contratos 317 Série Impetus Provas e Concursos Através dela. por exemplo. mediante o pagamento de certa importância. ao comprar matériaprima na indústria para reposição do estoque. 5. móvel ou semovente. é importante observar que os empresários podem. Distingue-se da compra e venda puramente civil em dois aspectos. Contudo. celebrar contratos de diversas espécies. o empresário individual. realizam contrato regido pelas normas da Consolidação das Leis do Trabalho. a exemplo do mobiliário utilizado na sala da presidência. Se o objetivo é contratar funcionário. firmado entre uma empresa agropecuária e uma outra fabricante de sucos de frutas. necessitando adquirir imóvel para montar a sede administrativa de seu negócio. ao longo de sua vida profissional. mesmo. como tal empregada na atividade econômica. De outra forma. ainda que não tenha sido efetivada a entrega da coisa. considera perfeita e acabada logo que comprador e vendedor acordarem no preço e nas condições. um contrato de fornecimento de laranjas. pelas partes contratantes. É aquele pelo qual uma das partes obriga-se a transferir para outra a propriedade de um bem. seja sociedade empresária ou. pode vir a ter suas condições alteradas com a ocorrência de um fenômeno natural que comprometa a produção da empresa agrícola. que devem ser empresários.

• pagar o frete pelo transporte da mercadoria salvo estipulação em mercadoria. e danos • responder pelos vícios redibitórios – faculta-se ao comprador. via ação redibitória (prazo de trinta dias do recebimento ou da manifestação do vício). que merece receber o produto adquirido.2. contrário. . juridicamente falando. na hipótese de haver terceiros reivindicando o mesmo direito. responde por perdas propriedade perdas danos. cabem ainda perdas e danos Livra-se a danos. sejam mercantis ou civis propriamente ditos. Dispensa-se. considerando todos como contrato de compra e venda. Isto porque a Lei Civil unificou as duas formas. os dois pactuarem que este não responde por aqueles defeitos. rescindir o contrato e reclamar a restituição da quantia já paga. Coube. • receber a coisa – em caso contrário. transfere a propriedade de um bem móvel durável ou imóvel. Essa obrigação deverá vir representada pela cláusula: FOB (free on board). SÃO OBRIGAÇÕES DO VENDEDOR: • transferir a propriedade da coisa – se não o fizer. deixa de haver distinção entre as cláusulas legais previstas para os contratos de compra e venda. No caso de o comprador estar ciente da restrição desde o início do negócio. SÃO OBRIGAÇÕES DO COMPRADOR: • pagar o preço ajustado – se não houver prévio ajuste quanto ao prazo de vencimento. Se o vendedor tinha conhecimento do vício. responsabilidade do alienante se. pode o alienante rescindir o contrato ou demandar o comprador pelo preço da venda. a ação do comprador. no próprio contrato. se não houver justa causa. a salvo de qualquer restrição de domínio. a fim de garantir o pagamento de uma dívida. Alienação Fiduciária É o contrato em garantia pelo qual o devedor. este se dará na entrega da coisa. à doutrina fazer a distinção. portanto. portanto. perde o direito. acrescido de mora. apenas para melhor caracterizar uma e outra espécie. sob condição resolutória da integral quitação do débito. com a entrada em vigor do Novo Código Civil. 5.318 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Notem que. • responder pela evicção – entenda-se por evicção o dever que tem o vendedor de defender a transferência da propriedade da coisa em juízo.

em outras palavras. se aquele já houver quitado pelo menos 40% de seu débito. hipótese em que se desfaz o vencimento antecipado de toda a dívida. aquele que tomou o dinheiro emprestado ou. havendo resistência. na forma prevista nos arts. especificamente a partir de seu art. poderá haver a conversão daquela em depósito. 22. Entretanto. ainda. Em caso de inadimplência do devedor. São partes no negócio: • O CREDOR FIDUCIÁRIO – é a pessoa que emprestou o dinheiro. bastando a caracterização da mora do devedor. 901 a 906 do Código de Processo Civil. resolve com a ocorrência de um fato futuro. O juiz pode conceder liminarmente a busca e apreensão do bem alienado. tem a chance de purgar a mora o que. o que ficou com a posse direta do bem dado em garantia. se houver falência do devedor (art. na hipótese de ele ser alvo de uma ação de busca e apreensão apreensão. a fim de vendê-la para quitação do débito. mora. motivada por sua própria inadimplência. Enquanto ele estiver em dia com o pagamento. 4o do Decreto-lei no 911/69. de outro contrato de financiamento. o objeto da garantia. Regula-se pelo Decreto-lei no 911/69 e pela Lei no 9. que assegura também ao credor fiduciário o direito de pedir a restituição do bem. Essa é a exegese do art. • O DEVEDOR FIDUCIANTE – é a pessoa que alienou o bem em garantia. A inadimplência do devedor fiduciante traz as seguintes conseqüências: • VENCIMENTO ANTECIPADO DE TODA A DÍVIDA – as parcelas ANTECIPADO vincendas consideram-se vencidas desde o inadimplemento da prestação. ou aquele que recebeu a propriedade da coisa em garantia pelo financiamento do bem. ação de depósito caso o bem não seja encontrado. de forma amigável ou judicial. permite-se ao credor tomar. no caso a liquidação do débito pelo devedor fiduciante. que introduziu no sistema jurídico brasileiro a possibilidade de esse tipo de contrato ser aproveitado para bens imóveis. mantém-se na posse do bem como se fora dono. através do qual uma empresa disponibilizou recursos a serem utilizados na aquisição de um bem. • POSSIBILIDADE DE PERDA DO BEM – o credor poderá tomar a coisa amigavelmente ou. .514/97.CAMPUS Capítulo 5 — Contratos 319 Série Impetus Provas e Concursos A alienação fiduciária é contrato acessório pois serve a assegurar o cumprimento acessório. 7o do Decreto-lei no 911/69). O devedor fiduciante assume a função de verdadeiro fiel depositário do bem custodiado tanto que. O domínio da coisa atribuído ao credor fiduciário é resolúvel posto que se resolúvel. significa pagar a parcela vencida. via ação de busca e apreensão apreensão.

resolve fazer uma operação muito mais rápida. Em sua forma mais conhecida. mas não pode o credor alienar a coisa por qualquer preço. esse tipo de contrato somente se prova por escrito. Sem querer submeter-se à tradicional exigência bancária. que possibilitaria um desconto das duplicatas. Questão importante que vem à tona na efetivação do contrato é quanto à responsabilidade do cedente pela solvência do crédito. provando-se a falsidade fraude. requerendo-se o registro do instrumento no Cartório de Títulos e Documentos. mediante a emissão de duplicatas. caso não haja acordo em contrário. cujo percentual de liquidação do débito esteja abaixo dos 40%. em sua maioria. um cheque negociado numa factoring. mediante pagamento de juros. que subtrai parte dos valores a serem recebidos em seu benefício. um operação de antecipação dos valores a serem recebidos pelo cedente cedente. 5. provando-se qualquer encargo pela inadimplência do devedor. Contudo. não se exigindo ser necessariamente uma instituição bancária. Imaginemos.320 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel De forma diversa. pode vir a perder definitivamente a propriedade do bem alienado. Exemplo: se e factoring. pois. Havendo sobra. Por último. um empresário cede créditos a uma instituição em troca de recebimento à vista de numerário. Esse só assume responsabilidade pela existência da dívida. com recebimento à vista pelo cedente.3. A lei é omissa quanto ao prazo de venda. A diferença é o que será pago ao cedente. este será responsabilizado pela fraude . trata-se de um contrato largamente utilizado no âmbito das relações comerciais. aquele que cedeu o crédito não assumirá encargo devedor. através de instrumento público ou particular. necessite do dinheiro das vendas à vista. Duas partes compõem a relação contratual: • CEDENTE OU FATURIZADO – é o empresário que transferiu créditos FA de sua propriedade. o devedor fiduciante inadimplente. O bem resgatado pelo credor fiduciário deverá ser objeto de venda para integral quitação do débito (é vedado ao credor ficar com a coisa). É. do título por ato voluntário do cedente. ainda que de uma prestação. então. for devolvido por insuficiência de fundos. Faturização Embora não se revestindo de regulamentação legal. cujas vendas dão-se. não tem o cedente qualquer responsabilidade pela integral quitação do débito. Mesmo ciente de que a prática indica o contrário. apenas para satisfação de seu crédito. que determinado atacadista de cereais. entregando seus títulos a outro empresário. • FATURIZADORA – é a empresa que assumiu a titularidade pelos créditos. a prazo. restitui-se o devedor.

na qualidade de obrigado indireto pela obrigação. sem que.955/94 traz a definição: Art. É claro que. associado ao direito de distribuição exclusiva ou semi-exclusiva de produtos ou serviços e. O art. no qual um empresário (franqueador libera a outro (franqueado a utilização da marca de seu produto. diz-se que. Nesta situação.4. 2o da Lei no 8. deverá utilizar-se da cláusula endosso sem garantia garantia. para que se exima do encargo. é um contrato atípico. embora existindo lei instituidora. daí ser adesão). no caso de não-pagamento pelo principal devedor? A solução para o impasse se resolve com a transferência na forma uma cessão civil de crédito quando o faturizado (cedente) crédito. Também chamado de contrato de franquia empresarial. pode realizar-se com ou sem venda de produtos entre as partes. estará isento de responsabilidade pela satisfação do crédito. franqueador) franqueado) franqueador franqueado incluindo toda a assistência técnica necessária ao perfeito funcionamento do negócio. contrato de adesão . mediante remuneração direta ou indireta. no entanto. inclusive providenciando sua cobrança e liquidação. Franquia empresarial é o sistema pelo qual um franqueador cede ao franqueado o direito de uso de marca ou patente. em relação à responsabilidade por crédito negociado com a faturizadora.955. atípico pois suas condições de funcionamento poderão ser livremente estipuladas pelos contratantes (a rigor é o franqueador quem estipula suas cláusulas. fique caracterizado vínculo empregatício. também ao direito de uso de tecnologia de implantação e administração de negócios ou sistema operacional desenvolvido ou detido pelo franqueador. até mesmo para que o banco possa admitir a liquidação. Aprendemos (Capítulo 3) que o endossante continua responsável pelo pagamento do título. Por isso. sem que haja vínculo empregatício. para só então transferir os recursos ao cedente. mediante parcela de remuneração. de 15/12/1994. a única forma de promover-se a transferência é o endosso. Além dessa forma para o contrato. como admitir então a exoneração do faturizado. Ora. há outra pela qual a faturizadora realiza a administração do crédito que lhe é repassado. eventualmente. o faturizado e endossante do cheque. 5. se o título for um cheque nominal. Franquia Mercantil Disciplinado pela Lei Federal no 8.CAMPUS Capítulo 5 — Contratos 321 Série Impetus Provas e Concursos Notem que um problema surge se o faturizado resolver transferir ao faturizador um título de crédito nominativo através de endosso. 2o. No instrumento de contrato é que serão definidas as cláusulas que terão validade entre as partes.

contendo informações detalhadas sobre o negócio. após adquirir determinado bem. atualizada pela Lei no 7. irá pagar prestações fixas e continuadas ao primeiro. Trata-se de um contrato pelo qual um financiador. e outra.5. aluga-o a uma pessoa física ou jurídica. O contrato possui natureza complexa. o arrendador obriga-se irrevogavelmente a vender a coisa pelo seu valor residual ao arrendatário. permitindo-se ao residual. além de perdas e danos. Duas partes compõem a relação: • ARRENDADOR – é a pessoa jurídica que adquiriu o bem para posterior arrendamento. ou mesmo do pagamento de qualquer tipo de taxa pelo franqueado ao franqueador. pode o franqueado argüir a anulabilidade do contrato. O franqueador obriga-se a fornecer ao interessado em se tornar franqueado.132/83. por sua vez. locatário. de 12/09/1974. sua aquisição pelo preço residual que será a diferença entre o valor venal do bem e as quantias já desembolsadas pelo seu uso. no prazo de dez dias anteriores à assinatura do contrato ou pré-contrato. uma “circular de oferta de franquia”. operacional Diferem-se basicamente quanto ao valor residual. Há duas espécies de leasing. leasing operacional. Na omissão dessa providência. chamada leasing financeiro. no financeiro. uma vez que. esse praticamente não existe (é embutido nas prestações). uma. • Promessa unilateral de venda – findo contrato. enquanto no operacional o montante pode ser considerado. além de permitir-se exigir a devolução de todas as quantias (devidamente corrigidas) que já houver pago ao franqueador ou a terceiros por ele indicados. móvel ou imóvel. 5. 6o). pois pode compreender as seguintes relações jurídicas: • locação do bem – caracteriza-se pelo fato de o arrendador disponibilizar a posse direta do bem ao arrendatário.322 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel O contrato assume a forma escrita (art. que. Leasing ou Arrendamento Mercantil Tem disciplinamento na Lei Federal no 6. ao final do prazo contratual. a título de taxa de filiação e royalties.099. . devendo ser averbado no Instituto Nacional de Propriedade Industrial – INPI. • ARRENDATÁRIO – é a pessoa física ou jurídica que tomou o bem para ARRENDATÁRIO seu uso.

sem acréscimos financeiros. visando a ser ressarcido pelas operações efetuadas. física ou jurídica. este se obriga a repassar ao fornecedor o montante de seu crédito. o futuro possuidor direto do bem (arrendatário) atuando como um verdadeiro mandatário do arrendador. Para finalizar. • FORNECEDOR – é o empresário credenciado pela administradora. na medida em que permite as transações. independentemente de o adquirente possuir disponibilidade financeira. pode condicionar seu uso a determinado patamar mínimo de valor. aquele que irá financiar a dívida. Observa-se. . acertando preço e especificações. adquirente dos produtos ou • serviços comercializados pelo fornecedor. 5. neste caso. Vemos três pessoas componentes da relação contratual: • EMITENTE – é a administradora do cartão de crédito. poderá responder com multa contratual e descredenciamento junto à administradora. materializado na antecipação de pagamento do preço do bem. Neste caso. Entretanto. Essa forma de contrato constitui elemento propulsor da economia.6. a fim de que este providencie a sua aquisição. Periodicamente. nenhuma responsabilidade terá perante o comprador. pois facilita as relações de consumo. O risco quem corr e é o emissor O fornecedor. A partir desta data. Entendendo ser desinteressante para o seu negócio. há autores que ainda consideram uma quarta relação jurídica presente. Descontada a remuneração do emissor. que serão repassados ao arrendador. incidem correção monetária e juros contratuais. física ou jurídica. Cartão de Crédito Contrato pelo qual uma instituição financeira compromete-se a pagar o crédito oferecido por um fornecedor a uma pessoa. a administradora cobra o débito do titular. mesmo credenciado pela administradora.CAMPUS Capítulo 5 — Contratos 323 Série Impetus Provas e Concursos • Mandato – ocorre quando é o arrendatário que negocia com o vendedor a compra do bem. junto ao fornecedor do bem. Importante esclarecer que o fornecedor não tem responsabilidade subsidiária titular. quem concede o crédito. que é a de um contrato de financiamento. corr emissor. o fornecedor apresenta ao emitente relação contendo as notas de vendas efetuadas via cartão de crédito. não está compelido a processar todas as vendas por meio do cartão de crédito. O valor da compra deverá ser liquidado pelo comprador até o dia do vencimento de seu cartão. TITULAR – é uma pessoa. pela inadimplência do titular. De posse dos documentos trazidos pelo fornecedor.

Este só tem direito à comissão a partir do pagamento do preço pelo comprador ao representado. também deve ter registro na Junta Comercial.7. mas não para concluí-la. evicção etc. representação que seria a impossibilidade de ele representar outros produtos. Isso se deve à impossibilidade de haver vínculo empregatício entre representante e representado. as partes contratantes sempre serão consideradas empresárias. não está obrigado o representante a respeitar exclusividade de representação.324 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 5.8. 5. atualizada pela Lei no 8. mediante remuneração (assume a forma de comissão). permanece devida a comissão. salvo estipulação contratual específica.886/65. No entanto. inclui-se o poder para iniciar a negociação.). Representação Comercial É o contrato regulado pela Lei no 4. impossibilidade de ele vir a comercializar seus produtos na circunscrição do representante. em favor de outra (representado). Concessão Comercial É o contrato regulado pela Lei no 6. pois cabe ao representado aprovar os pedidos de compra obtidos pelo representante. em caráter não-eventual. pelo qual uma parte (representante comercial autônomo) obriga-se. ainda que de representados diversos. ainda que o representante não possua qualquer organização empresarial (elemento de empresa). ainda que informal. . REPRESENTANTE • REPRESENTADO – é o empresário que irá fornecer os bens. a realizar negócios mercantis. Em outras palavras.729/79. pois a representação é uma atividade autônoma. se o comprador não pagou por culpa imputada ao representado (vício nos produtos. atualizada pela Lei no 8. As duas partes componentes da relação são: • REPRESENTANTE – é o agente comercial intermediador dos negócios. Nas competências do representante.420/92. REPRESENTADO Não pode haver vínculos de subordinação ou de emprego entre as partes. pelo qual um empresário (concessionário) obriga-se a comercializar mercadorias produzidas por outro (concedente). fabricante ou apenas revendedor das mercadorias comercializadas. Obriga-se o representado a respeitar a exclusividade de zona que é a zona. A doutrina vem apontando a existência de relação interempresarial sempre presente nesta espécie de contrato.132/90. ficando o representante obrigado a registrar-se no Conselho Regional dos Representantes Comerciais. Sendo pessoa jurídica. salvo estipulação em contrário. Por outro lado.

não há disciplina legal regulamentadora.CAMPUS Capítulo 5 — Contratos 325 Série Impetus Provas e Concursos Duas partes compõem a relação contratual: • CONCESSIONÁRIO – é o que recebe os produtos para revenda. • comprar ao concedente a quantidade de veículos fixada em quota. os clientes. • CONCEDENTE – é quem produz e fornece os bens destinados à comercialização. não terá o concessionário restrição a vender veículos de outra marca. • não vender. concessionário: São obrigações do concessionário • havendo cláusula contratual de exclusividade da marca. corpo diplomático e a clientes especiais nos limites acordados entre as partes. Caso contrário. Para os demais. motocicletas e similares. caminhões. tratores. ônibus. veículos de sua produção no perímetro de atuação do concessionário. a fim de atender. deverá ser respeitada. • respeitar uma distância territorial mínima entre os concessionários. A norma legal abrange a concessão comercial relacionada aos seguintes bens: automóveis. valendo o que for pactuado entre as partes. O percentual será definido de comum acordo com os demais concessionários e concedente. de forma condizente. São obrigações do concedente: • permissão ao uso da marca pelo concessionário. • organizar-se empresarialmente nos padrões definidos pelo concedente. • vender ao concessionário a quantidade de veículos fixada conforme estimativa de mercado. . • respeitar o índice de fidelidade em relação à aquisição dos componentes da marca. salvo se destinados ao Poder Público. diretamente.

ao passo que o alienante é apenas credor com direito de garantia fiduciária. às vezes. b) compreende uma abertura de crédito. ao passo que o fiduciante detém a posse indireta da coisa. ser obrigatoriamente arquivado no Registro de Títulos e Documentos do domicílio do credor. c) podem ser provados por escrito ou verbalmente ou por meio de testemunhas idôneas. ESAF (PROCURADOR DO BACEN/1994) Quanto à natureza jurídica do leasing. d) só podem ser provados por escrito. e) perfaz-se pelo mútuo consentimento e é exeqüível em uma única prestação.Exercícios 1. b) não permitem que o credor ou proprietário fiduciário requeira contra o devedor ou terceiro a busca e apreensão do bem alienado. c) fiduciário. detém a chamada posse direta e indireta da coisa. d) consiste em contrato real. um mandato. ao passo que o alienante detém a posse direta. precedida de avaliação judicial da coisa. devendo o contrato. podemos afirmar que: a) compreende uma locação. que se perfaz com a entrega da coisa. e) só permitem que o credor ou proprietário fiduciário venda a coisa alienada fiduciariamente através de leilão ou hasta pública. detém a chamada posse direta da coisa. detém a propriedade indireta da coisa e o credor detém o direito de reserva da garantia. em caso de falência do devedor. 2. o devedor. e) alienante. o pedido de restituição do bem alienado. ESAF (AFTN/1991) Nos contratos de financiamento com alienação fiduciária. também chamado de (ANULADA): a) fiduciário. 3. ESAF (AFTN/1989) A alienação fiduciária em garantia e o respectivo contrato: a) não permitem ao credor ou proprietário fiduciário. para ter valor contra terceiros. . detém a propriedade e a posse indireta da coisa. com promessa unilateral de compra do bem. c) envolve uma prestação de serviços para financiamento de bens. antes de transitada em julgado ação que reconheça o inadimplemento do devedor. b) fiduciário. detém a propriedade direta da coisa e o credor detém um direito real de garantia fiduciária. uma promessa unilateral de venda e. d) alienante.

c) quando as partes acordam em relação à coisa e ao preço. b) a responsabilidade pelos riscos da coisa passa do vendedor para o comprador apenas quando se faz a entrega efetiva da coisa vendida. com a devolução das quantias pagas ao franqueador e a terceiros a título de taxa ou de royalties. FCC (JUIZ FEDERAL/2002) O não-recebimento da circular de oferta de franquia pelo candidato a franqueado no mínimo dez dias antes da assinatura do contrato. a propriedade da coisa somente passa para o comprador após o pagamento da última parcela. c) faz nulas as cláusulas contratuais que impuserem vantagem excessiva do franqueador sobre o franqueado. e) se a coisa vendida apresenta defeito após a entrega. somente cabe ao comprador pedir abatimento do preço. c) a obrigação do comprador somente surge após a entrega da coisa pelo vendedor. b) constitui venda de duplicatas. do pré-contrato ou do pagamento de taxas ao franqueador ou pessoa a ele ligada: a) permite a resolução imotivada do contrato de franquia. a qualquer tempo. d) com o pagamento de 50% (cinqüenta por cento) do preço. c) com o pagamento do preço total. 7. c) é desconto de duplicatas. b) permite ao franqueado a argüição de anulabilidade do contrato de franquia. d) assegura ao franqueado o direito de obter judicialmente a revisão das cláusulas e condições contratuais que lhe sejam desfavoráveis. ESAF (AUDITOR DA PREFEITURA DO RECIFE/2003) A faturização. (OAB – RJ/1998) A compra e venda mercantil pura e simples aperfeiçoase: a) quando é pago o preço. no preço e nas condições estabelecidas. d) quando feito a prazo. bem como o pagamento de perdas e danos.CAMPUS Capítulo 5 — Contratos 327 Série Impetus Provas e Concursos 4. d) quando o comprador declara-se satisfeito com a coisa e paga o preço. d) é negócio atípico de cessão de crédito. 6. por parte do franqueado. b) quando é entregue a coisa. espécie de operação financeira: a) facilita a obtenção de créditos pelo empresário. (JUIZ DO TRABALHO – 13 a REGIÃO/1995) O contrato de compra e venda mercantil torna-se perfeito e acabado: a) quando as partes acordam na coisa. b) com a entrega da coisa. e) suspende a eficácia do contrato de franquia até que seja sanada a irregularidade. e) é negócio indireto de financiamento. e) com o pagamento de 75% (setenta e cinco por cento) do preço. mesmo que a coisa vendida venha a não existir. . 8. ESAF (AUDITOR DA PREFEITURA DO RECIFE/2003) Em relação a um contrato de compra e venda: a) pode ser celebrado em relação à coisa futura. 5. mantendo-se íntegro.

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V. F F F V . E . c) F a) V. b) V a) V. 3.Gabarito CAPÍTULO 1 1. E C A E B FFF . E D FFFV . B D F F V. c) F C 21. F F . . 6. 23. c) V. 14. f) F. 7. 12. b) F a) F. V. r) F CAPÍTULO 2 1. f) V. e) F. F V. b) V. 7. V. V . c) F a) V. 24. C A a) F. . 29. F V . . 9. 10. 8. . e) V. C B E B A A D C 21. 5. 13. 25. 16. . g) V. l) V. V. V. 10. 3. q) V. 24. V. i) V. 17. 20. V. 20. 8. 18. d) V. b) F. 28. 4. . . 27. F F . 26. 25. n) F. d)V a) V. . 15. c) F. . a) F. 2. b) F. 15. m) F. 13. 17. 5. 2. 19. b) V. B F F V. A V. g) V a) F. 19. 12. 14. 22. d) V. B C E 11. 9. V. h) F. F V . 28. 29. 26. 23. V. 4. F B E C. 27. p) F. j) F. c) F. b) V. 16. 18. 22. 6. b) V. E D A A B A V. o) V. D E C E B B A 11. 30.

21. E A A C D E B D 9. C 6. c) F. F F F . b) V 17. 23. 49. b) V. . C 36. 37. F V. 45. 48. E D C D B 6. b) V a) F. . F V. 6. b) V CAPÍTULO 3 1. 5. 43. B 7. 22. 11. F .330 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 31. A . F V. 3. D 3. 19. V. V. F V. B C D C F F NULA . F . F F V. F V. 3. 2. 5. V . . 42. 2. A V. 12. V. V. . 41. 7. 18. 14. 10. C 35. A 33. 20. V . c) F. 13. E B D E B C 44. 7. 8. F V. . 12. E B a) V. 11. V . 15. F V. . d) V a) F. V. 8. A 4. . 16. 4. 40. A V. CAPÍTULO 4 1. D 2. V. A 32. 39. B B D E 10. C 38. A 5. d) V a) V. A A C a) F. 46. A V. F F V . 13. 9. . 4. F F V . E 34. V. D 8. b) F. 47. CAPÍTULO 05 1.

como. por exemplo. Quem o faz é a pessoa jurídica. o alienante pode ceder seu uso. a proteção ao nome. 6-c) O nome não pode ser objeto de alienação (art.158 do CC/2002. entendimento que pode ser estendido na conceituação de empresário. bastando existirem outros documentos para descaracterizá-los. não modalidade de nome.164 do CC/2002). 1. 7-e) – É o que preceitua o art. . c) V – Servem comentários da letra “b”. 8-b) – É o que preceitua o art. na hipótese de alienado todo o estabelecimento. 5-e) Nenhuma das alternativas contém erro. Entretanto. 1. d) F – Título e “nome fantasia” são expressões sinônimas. e) V – Embora o gabarito tenha considerado a alternativa verdadeira. b) V – Art. entendo que há direitos. 1.Comentário CAPÍTULO 1 1-a) V – Art.160 do CC/2002. 2-b) É denominação que indica tratar-se de uma sociedade limitada. contudo.185 do CC/2002. que são adquiridos com o registro. situação que tornaria falsa a alternativa. b) F – Os atos de registro de comércio não fazem prova absoluta. f) V – Servem comentários da letra “a”.156 do CC/2002. d) V – Servem comentários da letra “a”. desde que precedido da expressão sucessor de. 3-a) F – O Direito brasileiro adotou o critério real na definição de comerciante. 1. c) V – Art. 1. 1. e) F – A proteção ao nome vem com o arquivamento dos atos na Junta Comercial.160 do CC/2002. 4-d) O fundo de comércio (o mesmo que estabelecimento empresarial) não tem poder para ingressar em juízo na defesa de seus interesses. deve ser marcada a mais correta.

com base no art. 3o da Lei Federal no 6. Exemplo: não basta observar se determinado nome empresarial obedece à forma exigida em lei.934/94. d) F – O único tipo societário possível para esse nome é o de sociedade limitada.155. em seus arts.332 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 9-b) – É o que preceitua o art. ou do mesmo artigo do Decreto no 1.A resposta correta é a letra “d”. pois deve ser respeitado o princípio do sigilo. .800/96. 12 – A letra “e” está correta.404/76 prevê apenas denominação. A letra “c” contém erro. 1. 1. A letra “a” está errada porque as Juntas também procedem ao exame material dos atos.) 11. antes utilizadas pelo antigo Decreto no 916.) ou imateriais (nome. sejam materiais (instalações. A letra “b” está errada. 32. por tratar-se necessariamente de uma sociedade em nome coletivo.156 e 1. resposta que retifico. 1. a respeito dos nomes empresariais. 13. colocando-a de acordo com o gabarito oficial.157. Na verdade. pois o art. aparece essa alternativa como falsa. marca. quando obedecidas outras formalidades. mas conceder regularidade à atividade empresarial. apesar de os agentes do fisco não se submeterem ao princípio do sigilo. pois deveria referir-se à escrituração fiscal. Essa conceituação deve abranger todas as espécies de bens. apesar de não haver o detalhamento doutrinário entre firma social e firma individual. título etc. b) F – A assertiva é falsa no que se refere às sociedades anônimas. destinado ao exercício da empresa. veículos etc. pois a eficácia da ação administrativa mede-se com relatórios gerenciais.a) V – O Código Civil de 2002. e) V – Na primeira edição deste livro. da Lei no 8.: essa questão poderia ser respondida por eliminação das demais alternativas). é preciso ver se estão sendo respeitados os princípios da veracidade e/ou da novidade. incorporou idênticas nomenclaturas. A letra “d” está errada. A letra “a” está errada porque. 29 da Lei Federal no 8934/94. 10-a) – O art. de 24/12/1890. alínea c. que trata do registro de comércio. c) F – O princípio da novidade trata da exclusividade contra uso por terceiros. o princípio correto seria o da veracidade. como espécie de nome empresarial aplicado a esse tipo societário. pois o termo “estar escoimada” tem o sentido de “estar livre” (obs. o escopo da escrituração mercantil não é facilitar a atuação da fiscalização.142 do CC/2002 define o estabelecimento como um complexo de bens organizado.

que expõe a melhor doutrina. a princípio.CAMPUS Comentário 333 Série Impetus Provas e Concursos A letra “b” está errada porque a proteção ao nome advém do arquivamento e conseqüente registro do ato constitutivo. é que podem requerer registro perante as Juntas Comerciais. a destinação de bens componentes de seu estabelecimento empresarial seria razão suficiente para admitir-se a distinção entre bens de uso pessoal com os reservados ao negócio. da Lei no 8. inclusive. 18. deverá ser desenvolvida por um empresário. b) F – Respondem à questão os arts. 17. c) F – O patrimônio pessoal do empresário individual confunde-se com aquele destinado ao exercício da sua atividade econômica.245/1991. parágrafo 1o.a) V – Respondem à questão os arts.A resposta correta é a letra “b”. em caso de alienação do estabelecimento. item 6. pois nenhuma das atividades é mercantil. d) V – A proteção ao nome advém do arquivamento do contrato na Junta Comercial. Chega a soar estranhamente a assertiva. apenas se Manoel fosse designado administrador da sociedade. juntamente com as disposições legais sobre a matéria. 1. a . 15. Sociedades simples. deste livro. em que pese a correção da assertiva (art. II. porque as decisões ou certidões das Juntas podem ser elididas em face de melhor prova. uma vez que. A letra “c” está errada na parte final.A resposta correta é a letra “e”.800/96. b) F – A alternativa está errada pelo fato de as sociedades limitadas também admitirem a firma social como espécie de nome empresarial.934/94 como do Decreto no 1. apenas empresário pode ser titular de estabelecimento. apesar de haver sido considerada correta. Quanto à letra “e”. 974 e 975 do CC/2002. sempre será sociedade simples. 14-a) F – Da leitura do art. como cooperativas. não responde à questão. bastando ver o art. conforme podemos observar no Capítulo 1. pois se trata de uma atividade mercantil e. tanto da Lei no 8.934/94. 16. como tal. e ainda assim após a condenação criminal. pessoa física ou jurídica.148. 32. vai de encontro à regra geral disposta no art. As letras “a”. é que a Junta deveria recusar o registro. pois ambos os dispositivos prevêem. Ademais. “c” e “d” não poderiam estar corretas.142. 1. do CC/2002. sendo dispensada qualquer outra providência burocrática. 972 e 973 do CC/2002.A letra “c”. não as associações. 35.142). A letra “e” está errada. Escritório de advocacia. 1. daí a confusão patrimonial. conforme dispõe o art. muito menos possui organização empresarial. Mas o Direito brasileiro não admite a afetação de bens do empresário individual. não havendo processo apartado para tanto. e art. da Lei no 8. 51.

da Lei no 8.A letra “a”. 6o. do CDC. 1.A letra “a” está correta. 40 do CPI.A letra “a” está correta. parágrafos 3o e 4o. com base no art. salvo disposição em contrário. A letra “b” está correta. A letra “c” está errada. 3o. 68 do CPI. parágrafo 3o. com base no art. com base no art.A letra “c” está correta. com base no art. A letra “d” está correta. com base no art. do CPI. A letra “b” está errada. do CPI.884/94. do CDC. apesar de seu forte caráter subjetivo. do CDC. 25. 6o. do CDC. 1. 27. do CDC. do CPI. A letra “d” está correta.179. 23. A letra “d” está correta. com base no art. com base no art. da Lei no 8. com base no art. com base no art.884/94. 6o. A letra “b” está errada. considerada correta. do CDC.A letra “a” está errada. parágrafo 1o. 18 do CPI. 57 e 18. 21. A letra “g” está correta. 973. 54. 3o. com base no art. A letra “e” está errada. inciso VIII. parágrafo 2o. com base no art. A letra “c” está errada. A letra “e” está errada. parágrafo 3o.A letra “a” está errada porque os bens pertencentes à sociedade. a que se refere o art. 21. 6o.A letra “a” está correta. com base no art.884/94. com base no art. 13. com base no art. A letra “b” está errada. com base nos mesmos argumentos da alternativa anterior. do CDC. parágrafo 2o. 23. 6o. A letra “c” está correta. 19. 26. 45 do CPI. 20. com base no art. encontra respaldo no art. A letra “b” está errada. 22.334 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel sub-rogação dos contratos que não tiverem natureza pessoal. 46. da Lei no 8. 3o. com base no art. com base nos arts. com base no art.147 do CC/2002. 2o do CPI. porém que não sejam utilizados no objeto social. do CDC. com base no art. A letra “c” está correta. com base no art. parágrafo 1o. 28. 56. do CC/2002. com base no art. com base nos riscos previsíveis. A letra “b” está correta. caput. 24. inciso V. com base no art. 6o. não fazem parte do estabelecimento. A letra “c” está errada. inciso I. parágrafo 2o. com base no art. inciso XXII. 37. 3o. do CPI. do CDC. inciso I. com base no art. com base no art. A letra “c” está errada.A letra “a” está correta. 3o. 33 do CPI. 54. caput. do CDC. 29. A letra “b” está correta. A letra “f” está correta. com base no art. do CDC. .A letra “c” está correta. parágrafo 1o.A letra “a” está errada. com base no art. 51 do CDC. A letra “b” está correta. 8o do CDC.A letra “a” está correta. inciso V. do CPI. com base no art.

com base no art. 12. do art. da mesma Lei das Sociedades Anônimas. 48 do CDC. A letra “j” está errada. do CDC. acrescentando tratar-se de vício do produto. com base no art. 22. que prevê a continuidade dos serviços públicos essenciais. A letra “o” está errada. parágrafo 1o. que prevê a necessária verificação de culpa. do CDC. 18. temos que o conselho fiscal só funciona de forma permanente nas sociedades de economia mista. parágrafo 2o. 50 do Novo Código Civil ou. 2-d) A ausência de personalidade jurídica decorre do não-registro na Junta. 163. Contudo. 18. do CDC. parágrafo 4o. desde que o orçamento esteja escrito. A letra “g” está correta. 3o. A letra “m” está errada. caput. 26 do CDC. com base no art. 3-a) Sobre o item I. do CDC. pois não podem compor o conselho membros de outros órgãos da companhia (art. que prevê a necessária correção monetária. começa a surgir a positivação da teoria. a não citar expressamente a fraude como pressuposto. com base no art. do CDC. parágrafo 5o. da Lei das Sociedades Anônimas (reforma do estatuto) e no art. § 7o. O item III está errado em sua parte final. que prescreve a necessária remuneração do serviço. 28 do Código de Defesa do Consumidor. 122. que não condiciona a responsabilidade ao conhecimento do vício pelo fornecedor. A letra “h” está errada. observo que a assertiva não vale para as de economia mista. com base no art. sempre que falarmos da teoria da despersonalização. Esses dispositivos legais chegam. o item IV tem respaldo no art. a fraude deve estar presente. do CDC. caput. do mesmo diploma (suspensão de direito de acionistas). A letra “k” está correta. A letra “l” está errada. 20. A letra “q” está errada. do CDC. A letra “n” está correta. A letra “i” está correta. É o que podemos perceber com a leitura do art. 18. mesmo. com base no art. do CDC. 120. com base no art. Por fim. A letra “p” está correta. caput. I. com base no art. do CDC. do CDC.CAMPUS Comentário 335 Série Impetus Provas e Concursos A letra “e” está correta. inclusive. com base no art. 14. este previsto no art. parágrafo único. 18 do CDC. 162. parágrafo 2o. da Lei das Sociedades Anônimas). § 2o. 4-a) A resposta correta tem fundamento no art. com base no art. com base no art. com base no art. 49. A letra “f” está errada. não de fato do produto. 21. desde que adimplente o consumidor. com base no art. 18. considerado verdadeiro. Com relação ao item II. . CAPÍTULO 2 1-e) Atualmente.

c) V – Subscrição pública é a aquisição do capital social inicial. há previsão de as ações possuírem. 6-a) Serve como supedâneo à alternativa o art. pela parte ainda não-integralizada do capital social. § 1o. 10-e) O art.019. junto ao órgão de registro. caput. que independem do percentual da participação no capital social. 11 da mesma lei. da Lei das Sociedades Anônimas responde à questão. através da Comissão de abertas tas. da Lei das Sociedades Anônimas. 9-c) A resposta tem fundamento no art. Se tiverem. mas pelo público em geral. que no caso é de R$89. ou não. 105 da Lei das Sociedades Anônimas responde à questão. c) V – Na sociedade limitada. assim como no art. 243. 1. e) V – O mesmo art. b) F – Necessitam de autorização do Governo Federal.336 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 5-b) A resposta está fundamentada no art. diz o parágrafo 2o desse artigo. 1. d) F – O art.00. 1o estabelece que o capital das sociedades anônimas é dividido em ações. 8-b) A resposta tem fundamento no art. o valor nominal será igual para todas. valor nominal.116 do CC/2002. os sócios respondem. da Lei das Sociedades Anônimas. 12-a) V – Esses são direitos dos sócios. mesmo admitindo que os contratantes poderiam verificar. A seguir. 11-a) O art.160 do CC/2002. pelo menos a partir da edição da Lei no 8. de forma solidária. não apenas pelos sócios fundadores. 1. apenas as companhias que queiram ser abertas O número mínimo de sócios não é sete. 15. 227. d) F – Prevalece o que os autores chamam de Teoria da Aparência. 20. mas dois. caput. e) F – A sociedade anônima é de capital. que é a forma como a sociedade apresenta-se no comércio. não ao capital social que falta integralizar. do CC/2002. da Lei das Sociedades Anônimas. b) V – O Direito brasileiro elegeu o critério real para classificar os comerciantes. o que significa que não pode haver barreiras ao ingresso de novos sócios.099 do CC/2002. assim como no art. que proibiu outra forma de ação. caput. Valores Mobiliários. 1. . e necessariamente a companhia já nasce aberta. caput. 7-a) V – Responde a questão o art. no art.000.021. 1o da Lei das Sociedades Anônimas prevê a responsabilidade do acionista até o preço de emissão das ações por ele subscrita. os papéis da empresa. o que significa ser irrelevante o registro na Junta para qualificá-los.

a forma ou o tipo societário. A letra “e” aproveita comentários da letra “d”. Na letra “b”. por exemplo. § 1o. § 1o. 20-c) A letra “a” está errada por desconsiderar daquela qualidade as sociedades irregulares. 132 da Lei das Sociedades Anônimas traz os assuntos que competem à assembléia geral ordinária. 22-d) O art. A letra “a” está errada.CAMPUS Comentário 337 Série Impetus Provas e Concursos 13-c) O ar t. prevê que é proibida a aquisição de ações de uma companhia por outra. 265. Sendo em nome coletivo. A letra “b” está errada porque a Lei de Falências permite a falência de sociedade irregular. alínea b. 19-d) O termo “cia. 16-b) Respondem à questão os arts. 17-a) Resposta no art. além do que já vimos a quem compete o encargo de administrar a companhia. 1o e 3a da Lei das Sociedades Anônimas. Além do que a prestação de contas é feita perante a assembléia geral ordinária. A letra “e” errou por conta da responsabilidade ilimitada.”. Os de competência da assembléia geral extraordinária não estão relacionados em dispositivo específico. combinado com o art. 21-b) A diretoria é órgão de representação da sociedade perante o público em geral. quando utilizado na frente do nome. responsabilizando-se pela execução de seu objeto. 18-a) Responde à questão a combinação dos arts. em cumprimento às deliberações da assembléia geral ou do conselho de administração. 132 da Lei no 6. indica tratar-se necessariamente de uma sociedade anônima. ao passo que se for uma sociedade anônima.404/76. é ilimitada e solidária. e vice-versa salvo se o objetivo de uma delas for a aquisição para vice-versa. 991 e 992 do CC/2002. quando o correto seria o registro na Junta. posto que quem administra a companhia são os administradores. sendo conhecidos por exclusão. mas sim da companhia. todos da Lei das Sociedades Anônimas. segundo o art. 14-b) Define a responsabilidade. que tanto podem ser membros da diretoria como do conselho de administração. manutenção em tesouraria (ações que são adquiridas pela pessoa jurídica para serem retiradas de circulação). da Lei das Sociedades Anônimas. apenas a palavra executar pode ser considerada como atribuição do órgão. A letra “d” errou ao considerar o início da personalização a partir do acordo. Na letra “a”. A letra “d” está errada por não ser o interesse dos administradores. própria das sociedades irregulares. a responsabilidade vai até o preço de emissão das ações subscritas pelo sócio. não há a necessidade de os diretores serem acionistas. 244. § 1o. Na letra “c”. a lei . 15-e) A resposta correta está embasada no art. 30. 46 da Lei das Sociedades Anônimas.

A letra “d” está errada porque há sociedades simples que também podem estar inscritas na Junta Comercial (cooperativas). por exemplo. e) V – Responde à questão o art. exceto a dos que assumirem função de gerência.338 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel não faz qualquer menção à exigência de nacionalidade brasileira. restringiu apenas às companhias a possibilidade de negociar valores mobiliários na bolsa ou no mercado de balcão. A letra “d” está errada porque. como a organização com elementos de empresa. Na verdade. Isso exclui as sociedades simples. da Lei das Sociedades Anônimas. poderia tipificar a sociedade empresária. A letra “e” está errada ao classificar os membros do conselho de administração como responsáveis pelo controle social. b) F – A alternativa somente seria verdadeira na hipótese de o capital referido (55% de W) conferir poder de voto. 25-c) O art. 1. A letra “c” está errada porque a responsabilidade ilimitada dos sócios acontece quando eles assumem cargo de gerência na sociedade. Correta a assertiva. § 2o. 23-a) F – 7% de participação são considerados simples participação. 244. Na letra “c”. É claro que outras características. a sociedade assume o controle de forma permanente sobre a outra. administradores são tanto os diretores como os membros do conselho de administração. os membros da diretoria é que necessariamente teriam que ter residência no país. pela nova conceituação do Código. Logo. .142 do CC/2002 conceitua o estabelecimento como o complexo de bens organizados para o exercício da empresa. posto se tratar de simples participação. 21 da Lei no 6. d) F – Não é necessário. c) V – 30% de participação no capital social da outra só deixam de caracterizar uma coligação. por acordo de acionistas. a responsabilidade dos acionistas está limitada da mesma forma que nas sociedades anônimas. seja por empresário ou por sociedade empresária. apenas ela pode ser seu titular. A letra “b” está errada porque podem existir sociedades simples na mesma situação. A letra “a” está errada porque as comanditas por ações podem ofertar ações com ou sem poder de voto.385/76. não basta ser mercantil. não pela qualidade das ações. em regra. mas não foi essa a opção de quem elaborou a questão. é necessário haver a forma empresarial de organização. que dispõe sobre o Mercado de Valores Mobiliário. na medida em que. 24-e) O § 1o do art. A letra “b” está errada porque não há tal limitação. Correta a assertiva. A letra “e” está errada porque. A letra “a” está errada porque a assunção dos riscos da produção não é determinante à definição. além de não poderem fazê-lo no Mercado de Valores Mobiliários.

deu-lhes estrutura típica. posto admitir a participação de um número ilimitado de sócios.052 do CC/2002. 1. pois a tipicidade significa previsão em lei. b) Alternativa falsa. enquanto que o direito pessoal é decorrente do status de sócio.CAMPUS Comentário 339 Série Impetus Provas e Concursos 26-a) O contrato de sociedades é de estrutura aberta. 30-e) A alternativa está correta. A letra “c” está errada. com fundamento no art. como o de voto. 27-e) O direito patrimonial está consubstanciado no valor econômico atribuído às quotas.708/19. A letra “c” está errada porque há outros direitos. A letra “d” está errada porque a separação patrimonial acontece quando do arquivamento. com fundamento no art. c) Alternativa falsa. tendo em vista a possibilidade de a designação ser em ato separado.052 do CC/2002. 977 do CC/2002. A letra “b” está errada porque a integralização do capital social também pode ser com bens ou créditos. A letra “b”está errada. A letra “a” está errada porque há casos que fogem à regra da limitação da responsabilidade. A letra “d” está errada porque é possível que as quotas sejam de mesmo valor. 1. Correta a alternativa. . observo que. diferentemente do antigo Decreto no 3. pois não houve alteração na forma de controle. pois terá que haver prévia previsão contratual. A letra “d” foi considerada errada. 28-b) Alternativa correta. apesar de não ser obrigatório. Logo. Contudo. não constando nome do administrador. com fundamento no art. o novo Código protegeu-os. Na letra “c”. 1.012 do CC/2002. a exemplo dos débitos tributários. 29-a) Alternativa falsa. assembléia de quotistas etc. como o Código disciplinou a estrutura das limitadas com conselho fiscal. por exemplo. A letra “b” está errada porque o vínculo é contratual. gerando direitos e obrigações. pois carece de fundamento. 1. no que pese ter sido considerada errada. A letra “e” está errada porque as limitadas não têm nada a ver com a restrição imposta pelo art. com fundamento no art. pois. A letra “a” está errada. não enxergo qualquer incorreção. Correta a assertiva. A letra “a” está errada.013 do CC/2002. quanto à exclusão de sócio minoritário. ambos poderão exercer a gestão dos negócios. e não da lavratura do instrumento. A letra “e” está errada porque a regularidade dá-se apenas com o arquivamento do ato na Junta Comercial.

34. não podemos admitir tratar-se de classificação de sociedade. A letra “a” está errada. A letra “c” está errada porque não possui qualquer fundamento.340 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel A letra “c” está errada. A letra “c” está errada. A letra “d” está errada. não pode ser considerada errada. A letra “d” está errada porque sociedades grupadas são forma de ligação entre sociedades. de acordo com o art. 34-c) O art. Na hipótese de os sócios de A serem os mesmos sócios de B. caso se referisse à classificação doutrinária. A letra “d” está errada porque os atos regulares de gestão não responsabilizam os administradores. A letra “e” está errada porque o objeto social não é fator determinante para classificação societária. apesar de não haver sido marcada pelo gabarito. 80 da Lei das Sociedades Anônimas). da Lei no 6. 142 da Lei das Sociedades Anônimas). pois as ações escriturais não dificultam a negociação. pois. no novo regime do Código. não é necessário autorização da CVM. 32-a) O art. não haverá alteração da relação percentual de cada um. 1. aprovar a emissão de ações (art. seja incidental ou no caso de subsidiária integral (a regra é a pluripessoalidade). não mais pode haver tal delegação. é que nem sempre a relação tem que ser alterada. A letra “b” está errada. . A letra “b” estaria correta. apesar de o Direito brasileiro permitir a unipessoalidade. 31-a) A alternativa está correta. com idênticos percentuais de participação em cada sociedade. que é a sucessão das obrigações. § 1o. 982 do CC/2002 elegeu a bipartição das sociedades em empresárias e simples. Basta ver a possibilidade de haver sociedades simples com ou sem fins lucrativos.404/76. Exemplo: digamos que as sociedades A e B sofrerão fusão para o nascimento da sociedade C. servem comentários da letra “c”. Correta a assertiva. A letra “b” está errada porque as demais também garantem a titularidade. 33-e) A letra “e” está correta. A letra “d” está errada.115 do CC/2002 dispõe justamente a respeito da preservação do direito dos credores. pois a inexistência de papel simplifica a transação. A letra “e”. a exemplo dos 10% exigidos para constituição de companhias (ver art. aproveitando comentários em relação a letra “e”. podendo ser feito até por companhias fechadas. pois pode o conselho de administração. A letra “a” está errada porque. pois existem percentuais mínimos de integralização das ações. A letra “c” está errada porque. para as ofertas privadas. e não um tipo ou uma classificação. posto não ser a competência privativa da assembléia. com autorização do estatuto.

em combinação com o art. pois modificação tipológica seria o mesmo que a sociedade sofrer “transformação”. conforme comentado no tópico 8. A letra “d” está errada em sua parte final. A letra “c” está correta. embora se deva ressaltar que o mesmo dispositivo prevê o contrário. por exemplo). 999.060. pois tem a ver com seus membros (lembro que o contrato é de estrutura aberta. 1. 993. A letra “e” está errada. A letra “d” está errada. que é a passagem de um tipo para outro (limitada para sociedade anônima.A resposta correta é a letra “e”.015. caso aquele administrador. . conforme vimos. apenas quando se tratar de venda ou oneração. 997.2. 158. e não de compra.057. ou seja.1. A letra “c” está errada.071 e 1. da regra da subsidiariedade apenas aquele que representou a sociedade. com base no art. A letra “e” está errada. de acordo com o art. pois o art. 997. ou. conforme a exegese do art. 997. parágrafo único. A letra “f” está correta. de acordo com o art. A letra “b” está errada. de acordo com o art. com base no art.CAMPUS Comentário 341 Série Impetus Provas e Concursos A letra “d” está errada. 36 – A letra “a” está correta. 50 do CC/ 2002. A letra “g” está correta. conforme a exegese do art. já que o majoritário detém o poder de decisão na empresa. Este último. por comportar número ilimitado de sócios) e. 1. estipula a necessidade de deliberação.039. mesmo. 991. A letra “a” está errada. conforme a exegese do art. 39. 1. VIII. prevê a unanimidade.404/76. 1. conforme a exegese do art.061. do CC/2002. não tentar inibir sua prática. parágrafo único. ou negligenciar em descobri-lo. A letra “b” está errada. com base no art. que exclui do benefício de ordem. conforme a exegese do art. 990 do CC/2002. parágrafo 1o. parágrafo único. parágrafo único. conforme a exegese do art. A letra “e” está errada.A letra “b” está correta. se a limitada tiver regência supletiva nas sociedades simples. 37. A letra “d” está errada. VI. do CC/2002.A resposta correta é a letra “c”. da Lei no 6. 997. do Capítulo 2 deste livro. seja conivente. com fundamentação legal no art. inciso II. 35 – A resposta correta é a letra “c”. 1. 38.015. VIII. pois é possível a suplementação da lei pelo contrato social. pode não haver alteração no quadro social. pois a exclusão somente poderia atingir sócios minoritários. não praticante de ato ilícito cometido por outro. de acordo com a combinação dos arts. VIII. 1.

para fins de ser considerada empresária. que reduzirá o patrimônio líquido da incorporadora. se a sucessão referida pelos elaboradores tiver relação com o trespasse. conforme a exegese do art. citado na letra “b”.055 do CC/2002.066 do CC/2002. sem necessariamente ser ilícito. . a Teoria da Desconsideração da Personalidade Jurídica. nem o autor muito menos os demais administradores deverão responder por ele.A letra “c” está correta. a partir da extinção da incorporada. Isso. Também não há necessária mudança do tipo social. Ora. 50 do CC/2002 ou o art. conforme citado na letra “a”. A letra “b” está errada. De outra forma.A letra “e” está correta. A letra “d” está errada. conforme teor do art.A letra “d”. nem sempre acontece o seu aumento. mas que trouxe prejuízo à pessoa jurídica. Não se liquida a sociedade. Pode ser um ato legítimo de gestão. Basta o patrimônio líquido da incorporada ser negativo. Sim. estudada no Capítulo 4 desta obra. 43. 159. está errada. 1.404/76. com base no art. 40. que é a alienação do estabelecimento.342 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel A letra “a” está errada.764/1971. Assim. só se os sócios quiserem fazer a transformação.061 do CC/2002. 1. 146 da Lei no 6. Ato danoso é o que traz dano à sociedade. apesar de considerada correta. 42. Portanto. não se pode falar em manutenção da sociedade exercente da atividade. Quanto ao patrimônio líquido da incorporadora. especificamente a incorporação.A letra “b” está correta. inciso VII. 44. sabemos que a fusão é causa de extinção das sociedades fusionadas para criação de uma outra. A letra “c” está errada. pois. da Lei no 5. assim como a incorporação provoca o fim da personalidade jurídica da incorporada. com base no art. Quanto à letra “a”. independe da forma como ela se organize. com base no art. aí sim. contudo. não ficou claro. é merecedora de comentário. Ressalte-se que mercantil é a atividade própria de empresário. parágrafo 4o. 1. quando a doutrina se refere à “sucessão empresarial”. 28 do CDC ou. o tema está relacionado às formas de modificação ou reaorganização societária. sendo mercantil a atividade desenvolvida pela sociedade. A letra “d” está errada. considerada correta. 4o. 41. 1. encontra respaldo no art. O seu patrimônio é que é agregado ao da incorporadora. pois incorporação é um processo que visa à reorganização entre sociedades. com base no art. A letra “c” está errada. servindo como fundamento legal o art. fusão e cisão entre sociedades. a questão estaria correta.052 do CC/2002. salvo numa cisão parcial.A letra “d”. mesmo. porque.

48. O perfil objetivo é aplicado na Teoria dos Atos de Comércio.A letra “a”. com base no art. 2-a) A expressão numerus clausus empregada significa estarem as espécies de títulos de crédito todas previstas no ordenamento jurídico brasileiro.A letra “b” está correta. inciso VII. 135 da Lei no 6. 993 do CC/2002. .A letra “a” está errada. provoca a extinção das sociedades envolvidas. A letra “c” contém erro porque o warrant não serve à transferência da propriedade.133 do CC/2002. com base no art. não encontra respaldo na legislação específica. com base no art. com base no art. A letra “c” está errada.094. A letra “a” está errada.008. 997. o titular do warrant tem um direito real sobre elas. pois a fusão. com base no art. da mesma lei. 977 do CC/2002. 986 do CC/2002. combinado com o art. 132 da mesma lei. de forma taxativa. com base no art. A letra “b” está correta. 49. com base no art. pois somente compõem o estabelecimento empresarial os bens diretamente utilizados no objeto social. 1. pois somente pessoas físicas podem compor o quadro social da sociedade em nome coletivo. com base no art.404/1976. CAPÍTULO 3 1-e) Enquanto o conhecimento de depósito representa a propriedade sobre as mercadorias depositadas. A letra “b” está correta. a mercadoria deverá ser alienada para pagamento ao seu titular. com base no art. pois não poderiam contratar sociedade entre eles. A letra “b” está errada porque o emitente do título (armazém geral) necessariamente fez um contrato de depósito com o primeiro beneficiário (depositante). pela qual comerciante era aquele que praticasse certos atos previstos em lei ou em antigo regulamento. 46.039 do CC/2002. apesar de considerada verdadeira. 122. A letra “d” está correta. com base no art.CAMPUS Comentário 343 Série Impetus Provas e Concursos 45.404/1976.A letra “a” está correta. A letra “c” está errada.142 do CC/2002. A letra “b” está errada. 1. com base no art. A letra “d” está errada porque a presença na assembléia é facultativa. incisos I e VII. 228 da Lei no 6. 1. enquanto o voto é restrito aos titulares de ações com esse direito. prevista no art. inciso VIII. 47. com base no mesmo art. A letra “d” está correta. 1. A letra “c” está errada. A letra “b” está correta. do CC/2002.A letra “a” está errada porque a qualificação de empresa como atividade empresarial está relacionada ao perfil subjetivo. No caso de inadimplência do título. 977do CC/2002. 1. ambos do CC/2002.

8-d) A declaração aqui referida é o aceite. pelo qual o portador não é proprietário. só que o título permanece transmissível. o fato de a nota estar avalizada.). b) F – O benefício de ordem significa cobrar-se primeiro do beneficiário. 26 do Decreto no 57. Por conseqüência. para. porque. só então. ordem. não precisando de nova declaração a esse respeito. Seu silêncio já indica a recusa. pois os títulos legitimam seus proprietários no direito creditício neles contido. por exemplo. 2 – documentação comprobatória da entrega dos produtos (conhecimento de frete. poder atingir o outro. 3 – que não tenha havido recusa com fundamento no art. pode ser utilizada pelo seu credor para garantia de outra obrigação (endosso-caução). A letra “d” contém erro. seu titular pode cobrar o título de qualquer coobrigado indistintamente. apenas com efeitos de uma cessão civil de crédito. Quanto à letra “d”. no aval. 3-a) O sacado de uma letra não está obrigado a aceitá-la. na utilização do princípio da solidariedade. mesmo que reconhecidamente seja devedor.344 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel A letra “b” está errada porque uma nota promissória emitida para saldar uma dívida de “A” para com “B”. Isso só vale para a fiança. O que faz diferença realmente é a cláusula não à ordem que proíbe novo endosso. 4-c) É hipótese de exceção. o avalista pode ser demandado independentemente do avalizado. sem precisar comunicar aos demais. 9-a) É hipótese de endosso-mandato. conta-se a partir dos trinta ou sessenta dias (prazo de apresentação). lastreado no art. Está correta a assertiva. 6-e) In casu. 10-a) V – O aval é ato unilateral porque independe da concordância expressa do avalizado. ou não. Aqueles títulos constantes das letras “a”. recibos etc. taxando de nulo o endosso parcial. onde o protesto é feito por indicação indicação. A letra “b” está errada pelo fato de as obrigações de um título serem autônomas. A letra “b” tenta confundir. observem três requisitos à execução: 1 – protesto por falta de aceite. 5-d) A expressão a quo significa de início e. o aceite pode ser parcial. No caso de duplicatas sem aceite. 8o da LD. só poderá fazê-lo como procurador do proprietário.663/66. é irrelevante. no caso de cheque. conforme seja o documento da praça ou não. . A letra “d” está errada porque a anuência do endossante já é concedida quando é feito o endosso-mandato. apenas detém a atribuição para sua cobrança. “b” e “c” não exigem o aceite. 7-b) O termo executar significa ser alvo de uma ação de cobrança. se vir a endossar o título. A letra “c” está errada porque.

as notas promissórias já são emitidas pelo próprio devedor. b) V – Não só de E e de F como também de B e de A. c) V – A primeira parte do art. 12 do Decreto no 57. b) V – Serve à fundamentação o art. A questão não está errada . c) F – Neste caso. e) V – O fato de haver contrato de fiança não impede a existência do aval. 15 do Decreto no 57. como. É o subprincípio da inoponibilidade das exceções pessoais. enquanto que o emitente de uma letra dá a ordem ao sacado para que este pague. alegando questão sua com outrem. d) V – Assim como o cheque. titular do direito creditício. não poderia ser contratual o aval (a fiança é contrato). por exemplo. b) V – O princípio da autonomia significa que as obrigações oriundas de um título são independentes entre si. diante de terceiros. razão para dispensar-se o aceite. não-abstrato. seria a literalidade. 13-a) F – Não se permite ao devedor impor uma defesa contra terceiros (credor). 8o da LD. o nome cheque constante do documento. 12-a) F – Neste caso. o devedor de um título não pode negar o pagamento a terceiro. d) V – Valem comentários anteriores. alegando defeito na relação sua com aquele com quem transacionou. Por ele. o devedor pode alegar. o complemento à alternativa seria a ausência de aceite com fundamento no art. 14-a) F – Errado. . e) F – O defeito de forma não tem nada a ver com o princípio da autonomia.CAMPUS Comentário 345 Série Impetus Provas e Concursos c) F – Sendo ato unilateral. Sob essa ótica. c) F – Em decorrência do princípio da autonomia das relações cambiais. porque a contagem dá-se a partir do fim do prazo de apresentação.663/66. d) F – A duplicata é título causal. 18 (endosso-mandato) e 19 (endosso-caução) do Decreto no 57. Sobre o termo endosso impróprio a doutrina classifica-os impróprio.663/66. porque seus termos não excluem a possibilidade da cobrança contra os dois primeiros. que entraram na relação via endosso. cheque. d) V – Respondem à questão os arts. seria cartularidade. ou seja. por depender de uma prévia operação de compra e venda mercantil ou prestação de serviços. como aqueles que fogem ao padrão convencional. c) V – Quem emite uma nota promete pagar certa importância a alguém. d) F – Já vimos que o próprio decreto prevê a possibilidade de aceite parcial. basta não conter não à ordem para estar presente a primeira. que um cheque do qual é cobrado não obedece a um dos requisitos previstos em lei. 11-a) F – A cláusula não à ordem impede a transferência via endosso. b) V – Embora tenha sido considerada correta.663/66 responde à questão. e) V – A cláusula à ordem pode ser tácita.

20-c) Embora tenha sido considerada correta. 1o. 21-d) A alternativa foi considerada correta. o n 57. exime este de responsabilizar-se pelo pagamento. com base no art.346 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel e) V – Responde à questão o art. item 3. mesmo constando do art. d) V – Vale o aval parcial. dispensa-se o protesto para efetivação da cobrança. b) V – É o endosso próprio. salvo cláusula em contrário. Porém. nas hipóteses de perda ou extravio da duplicata.663/66. nas hipóteses de perda ou extravio da duplicata. Neste último caso.663. a emissão da triplicata deve ser entendida como uma faculdade do vendedor. c) V – O art. 15-a) A questão trata da cláusula sem garantia que. 16-a) V – Trata-se do princípio da cartularidade. posta uma condição. e) F – A segunda parte da alternativa contém erro porque o titular da letra é livre para endossá-la a quem bem quiser.663/66 responde à questão. normalmente se exige o protesto. Contudo. basta não vir a cláusula não à ordem para o título ser considerado à ordem. pelo qual só se exime o endossante da responsabilidade pelo pagamento com a cláusula sem garantia garantia. mas a interpretação doutrinária. não importando se é o próprio sacado ou não. . c) F – O endosso parcial é nulo. d) V – A isso chama-se aceite por intervenção previsto no art. se colocada por um endossante. aproveita todos eles. não importando se o avalista já faz parte da cadeia de endosso. nessa qualidade. 25 do Decreto no 57. 17-a) Os emitentes desses títulos são seus devedores principais e. no sentido de um coobrigado só poder exercer seu direito regresso. 19-b) A cláusula à ordem pode ser expressa ou tácita. é transferível por meio de endosso. Quando posta na origem. para cobrá-los dos coobrigados. ou prestador de serviços. e) F – Esse princípio é geral para todos os títulos de crédito. Como tal. daqueles cuja vinculação aconteceu em momento anterior à sua. Reparem que prevaleceu não o texto literal da lei. de regresso em caso de pagamento do título. 23 da LD a obrigatoriedade de emissão da triplicata.595/66. 1o do Decreto no 57. 18-a) V – Responde à questão o art. Quanto à letra “e”. A letra “e” está errada porque a letra pode ser exigida de qualquer um que se obrigue no título. considera-se não-escrita. do Decreto no 57. b) F – O princípio da autonomia prevê justamente o contrário. na obrigação dos devedores solidários de uma cadeia de endossos. 23 da LD. 56 do Decreto intervenção. produzindo todos os efeitos cambiários do endosso. prevalece a anterioridade.

§ 2o. da Lei de Falências responde à questão. fez-se a opção pelo texto legal da Lei de Falências. Quanto ao termo comerciante. por não admitir aceite. conforme o teor do art. caput. na minha opinião não contém vício. Ora. salvo direitos do titular do warrant. no 1. que os empresários que adotarem a nota fiscal fatura ficam obrigados à emissão deste documento em todas as operações de venda mercantil. Isto significa transferência do domínio. considerada errada pelo gabarito oficial. Lembro. 5-b) Embora sem a melhor redação. para fins de liberação das coisas. do mesmo decreto. a parte final do enunciado parece-me correta.CAMPUS Comentário 347 Série Impetus Provas e Concursos 22-c) Embora tenha sido considerada a alternativa correta. a insolvabilidade. 4-d) Valem comentários anteriores. 23. . para os obrigados à expedição deste documento. trinta não é menor. Atualmente. observo que o teor do art. A letra “c” foi anulada porque conteve erro conceitual. 3-c) O período de prescrição volta a contar depois de encerrado o processo. ou seja. ou da nota fiscal fatura.102/1903 permite a retirada da mercadoria do armazém geral apenas com o conhecimento de depósito. pois inclui empresários e sociedades empresárias. 43. não se pode falar em vencimento a certo termo de vista para as notas promissórias. a exigência de emissão obrigatória da fatura é para vendas com prazo não-inferior a trinta dias (vinte e nove dias para baixo não seria obrigatória a emissão). ou insolvência. 22 do Dec.474/68. seu sentido é mais abrangente. é gênero do qual são espécies a impontualidade (art. pelo disposto no art. Portanto. pois. A rigor. quando especificou que tanto as letras de câmbio como as notas promissórias poderiam ter vencimentos a certo termo de data e a certo termo de vista.A letra “a” está errada. 1o da LF) e os atos de falência (art. 2o da LF). A letra “b” está errada. a alternativa está correta. pois a emissão da duplicata é facultativa e é precedida da fatura. pois. Já a letra “b”. uma venda com vencimento para trinta dias enquadra-se na obrigatoriedade da fatura. De outra forma. embora condicionada ao pagamento do warrant. é igual a trinta. sejam a prazo ou à vista. Logo. desde que se consigne no próprio armazém a dívida constante do warrant. contudo. a transferência do conhecimento de depósito confere a faculdade de dispor das mercadorias nele constantes. não vejo a necessidade de o warrant estar ligado ao conhecimento de depósito. 18. CAPÍTULO 4 1-e) O art. 1o da Lei no 5. 2-d) É a chamada ineficacização de certos atos praticados em período suspeito. pois a duplicata não permite tais formas de vencimentos.

com base no art. entendo não haver dúvida quanto à incorreção das letras “d” e “e”. Em todo caso. parágrafo 2o. da Lei no 11. 40 da Lei no 6. assim como na falência. com fundamento no art. As letras “a” e “c” estão erradas porque os controladores. deve ser assinalada essa. 59. Contudo. por coadunar-se perfeitamente com o escopo do procedimento.A resposta correta é a letra “d”. 51. 1o da Lei no 6. para serem considerados ineficazes. Com relação às letras “b” e “c”.A alternativa correta é a letra “e”. já que este é largamente usado na doutrina.024/74. bastando ver teor do art. devido ao alto grau de subjetividade contido. A letra “b” está errada em sua parte final. basta terem sido praticados no período suspeito. 53 do mesmo diploma. A letra “b” está correta. pois existe ordem de classificação de créditos. A letra “e” está errada. É claro que. com base no art. Sobre as demais respostas. com fundamento no art.101/2005. 8. não são as mais verdadeiras.348 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel Quanto à alternativa “d”.A alternativa correta é a letra “c”. a outra devido. embora responsáveis solidários. 7-b) A alternativa está correta. pois o procedimento de liquidação extrajudicial não objetiva o soerguimento do sujeito passivo. da Lei no 6.101/2005. 12. inciso II. combinado com o art. Alerto que “balanço especial saneado” nada mais é do que aquele levantado pelo liquidante. 10.024/74.Essa é uma questão cuja resolução torna-se difícil. 13) A letra “a” está errada. com base no art. ao fato de que tal igualdade também é garantida pela falência. pois a responsabilidade dos administradores independe de prova da omissão. . pois basta um único título em atraso para declaração da falência. A letra “d” está errada. alínea d. 11. uma vez que provoca encerramento das atividades sociais. 52 da LF Esse dispositivo .A resposta correta é a letra “a”. prevê a revocação dos atos independentemente de terem sido cometidos com fraude. 40 da LF . na inexistência de alternativa mais completa. como sabemos.024/76. não se submetem a tal restrição. 6-b) A alternativa está correta. não encontro erro. logo que assumir o cargo. podendo ser enquadrada no art. senão vejamos: a eventualidade na impontualidade não impede a falência. a alternativa mais correta é a letra “a”.024/76. da Lei no 11. 9. A primeira. 36 da Lei no 6. apesar de não conterem erro. 19. pelo fato de ser possível a conversão da liquidação em falência. a solidariedade foi estendida aos controladores da sociedade. A utilização do termo empresário também está correta. com base no art.

Sobre a letra “a”. às vezes. 7-d) A alternativa está correta. há autores que.CAMPUS Comentário 349 Série Impetus Provas e Concursos CAPÍTULO 5 1-d) A anulação dessa questão deveu-se a erro de nomenclatura presente na alternativa considerada correta. e desde que coloquem isso no instrumento. 6-b) Responde à questão o art. pois logo que comprador e vendedor acordarem no preço e nas condições. Quanto à letra “b”. a letra “e” está errada porque a venda também pode ser feita por propostas. como constante na questão. Quanto à letra “b”. para outras espécies. 4o da Lei no 8. Significa afirmar que. em nome do arrendador. a promessa unilateral não é do comprador. o contrato já estará constituído. o contrato de leasing é consensual. pois o arrendador é obrigado a disponibilizar o bem à venda para o arrendatário. quando nem sempre isso ocorre.955/94. a devolução do bem. o contrato reputação é realizado. independente de instrumento. Contudo. de fato. A letra “c” contém erro ao inserir sempre o financiamento de bens. 4-a) Trata-se de contrato consensual e informal. logo que as partes acordarem no preço e nas condições. A letra “b” está errada. a falência do devedor é motivo para pleitear-se. ao mesmo tempo em que concorde em purgar a mora. deve ser considerada a alternativa mais verdadeira. ao invés de propriedade direta. apesar de formal. para descaracterizar financiamento. numa proposta unilateral de venda. mas do vendedor. é o próprio arrendatário que intermedeia. O mesmo não pode ser dito para concordata. Quanto à letra “a”. 3-a) O contrato de leasing possui natureza complexa. não se trata de venda. e. é mais simples adquirir crédito numa faturizadora do que em um banco. posto traduzir-se numa locação. consideram como uma quarta característica desse contrato o financiamento. Se. basta o arrendatário não optar pela compra. Por negócio atípico entenda-se aquele que não tem previsão em lei. Com relação à letra “d”. 5-c) Valem os mesmos comentários da questão anterior. mesmo ainda não havendo a entrega da coisa. em muitos casos. porque basta a simples mora do devedor para dar ensejo à busca e apreensão que só não será eficaz se o devedor já tiver pago 40% do débito. tivesse posse direta a proposição estaria correta. Por fim. um mandato porque. a escolha do bem. como acontece com a faturização. mas de cessão de crédito. salvo cláusula contratual nesse sentido. na medida em que o arrendatário paga o preço de uso. Entretanto. via pedido de restituição. o que tornaria correta a sua primeira parte. . direta. 2-d) É a alienação fiduciária contrato solene exigindo-se formalidades inconcebíveis solene.

o contrato continua íntegro. pois é consensual e. como tal.350 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel 8-a) A alternativa está correta. Contudo. prevendo que o contrato ficará “sem efeito”. . na hipótese de a coisa futura vir a não existir. vale observar o teor do art. Sem efeito não é o mesmo que anulado ou revogado. está perfeito e acabado a partir do acordo de vontades. Logo. 483 do CC/2002.

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Código da Propriedade Industrial (Lei no 9.656/1998. de 15/12/1976. de 11/01/1973). Código Tributário Nacional (Lei no 5. Lei no 6.447/97.132/1990). Registro Público do Comércio (Lei no 8. Decreto-lei no 2. Legislação sobre o Cheque (Lei no 7. de 7/01/1966).886/1965 e Lei no 8. de 10/01/2002). em combinação com o novo Código Civil (Lei no 10.800.474.869.934.514/1997 e Decreto-lei no 911/1969). Legislação sobre contratos de representação comercial (Lei no 4. Legislação sobre Duplicata (Lei no 5. Lei no 8. . de 31/10/2001). Lei no 5. de 2/09/1985. Código de Processo Civil Brasileiro (Lei no 5. Lei das Sociedades Anônimas (Lei no 6.764/1971. e Decreto no 1. que dispõe sobre o mercado de valores mobiliários. que tratam sobre a liquidação extrajudicial de instituições financeiras. de 30/01/1996). Legislação sobre contratos de concessão comercial (Lei no 6.406. de 21/11/1903).099/1974 e Lei no 7.024/76.357.884/1994. Legislação Previdenciária (Leis nos 8. Legislação sobre o Conhecimento de Depósito e Warrant (Decreto n o 1.303.078/1990).101. Código Comercial Brasileiro (Lei no 556.729/1979 e Lei no 8. de 31/12/1908. de 18/07/1968).172/1966). e Decreto no 57.321/87 e Lei Federal no 9. Código Civil Brasileiro (Lei no 3. Legislação Falimentar (Lei Federal no 11. de 24/01/1966).137/1990. que disciplina o contrato de franquia mercantil.102. que define a política nacional de cooperativismo.663.841/99 e Decreto no 3.352 Série Impetus Provas e Concursos Direito Comercial — Carlos Pimentel NORMATIV TIVAS FONTES NORMATIVAS Constituição Federal de 1998. que dispõe sobre a prevenção e a repressão às infrações contra a ordem econômica. Legislação sobre os contratos de arrendamento mercantil (Lei no 6. Letra de Câmbio e Nota Promissória (Decreto no 2.595.474/2000) Legislação do Inquilinato (Lei no 8.620/1993) Lei no 8. Legislação das Micro e Pequenas Empresas (Lei no 9. atualizada pela Lei no 10. Legislação sobre Contrato de Alienação Fiduciária (Lei no 9. Lei Federal no 6. Código de Defesa do Consumidor (Lei no 8.044.420/1992).132/1983). Lei no 8.404. que define crimes contra a ordem tributária. que dispõe sobre planos e seguros privados de assistência à saúde.385/1976.071.955/1994.279/1996). de 09/02/2005). Lei no 9. de 25 /06/1850).245/1991). de 1o/01/1916). e Decreto no 57. de 18/11/1994.

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