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PSICOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO E DA APRENDIZAGEM

É dado o nome de Psicologia do Desenvolvimento e da Aprendizagem ao segmento de estudos e


pesquisas que visam descrever os processos psicológicos presentes no indivíduo. Teóricos
como Sigmund Freud, Jean Piaget, Burrhus Frederic Skinner, Carl Rogers, Lev
Vygotsky e Alexander Luria, são tidos como precursores dos estudos em Psicologia do
desenvolvimento humano. São referenciais comuns aos cursos de Pedagogia, Normal Superior e
demais licenciaturas, representando, cada um, vertentes do pensamento psicológico educacional. É
comum na Psicologia referir-se à educação da criança e do adolescente, mas também à educação do
adulto (Pedagogia e Andragogia).

A psicanálise surge com Freud como possibilidade de compreender o fenômeno educativo através da


noção de inconsciente, oferecendo as bases para pensar em uma educação que vise diminuir os
efeitos patogênicos da repressão e oferecer um modo de profilaxia às neuroses. "Freud acreditava
inicialmente que um dos meios para evitar o aparecimento de sintomas neuróticos seria oferecer uma
educação não repressiva que respondesse aos questionamentos da criança à medida que eles fossem
surgindo. Ele também percebia como os sintomas neuróticos poderiam resultar em certa inibição
intelectual. É inquestionável que a pura liberdade não educa e não cria indivíduos saudáveis; pelo
contrário, cria inadaptados, narcísicos que acreditam que o mundo gira à sua volta e que nada existe
além de suas necessidades individuais." (SOUZA, 2003, p.144) Neste sistema de pensamento, pode-
se compreender que a educação não ocorre sem estar vinculada à repressão; que a educação
relaciona-se com a questão do controle dos impulsos através do processo civilizatório.
Jean Piaget, com o construtivismo, formula a ideia de que o conhecimento é resultado do processo de
interação entre o sujeito e o ambiente circundante. Ele dedicou-se a pesquisas que resultaram na
criação da Epistemologia Genética. "(...) Para explicar a interação construtiva da criança com o
ambiente, utilizou os conceitos de assimilação, acomodação e adaptação. A assimilação é a
incorporação de um novo objeto ou ideia à que existia anteriormente, ou seja, ao esquema que a
criança possui. A acomodação implica na transformação do organismo para poder lidar com o
ambiente; diante de um objeto ou nova ideia a criança modifica e aprimora esquemas adquiridos
anteriormente. A adaptação representa a maneira pela qual o organismo estabelece um equilíbrio
entre assimilação e acomodação, adaptando-se continuamente às imposições feitas pelo ambiente
mas também sendo um sujeito ativo e modificando este mesmo ambiente."
De acordo com Antunes (2007 apud BARBOSA 2012 p. 163 – 173) a Psicologia Educacional pode
ser descrita como uma subárea da psicologia que é considerada uma área de conhecimento a qual
entendemos como corpus sistemático e organizado de saberes científicos, produzidos de acordo com
procedimentos definidos, referentes à determinados fenômenos ou conjunto de fenômenos
constituintes da realidade, fundamentado em questões ontológicas, epistemológicas, metodológicas e
éticas determinadas.
Ontologia significa “estudo do ser” e consiste em uma parte da filosofia que estuda a natureza do ser,
a existência e a realidade. A palavra é formada através dos termos gregos ontos (ser) e logos (estudo,
discurso).
Epistemologia significa ciência, conhecimento, é o estudo científico que trata dos problemas
relacionados com a crença e o conhecimento, sua natureza e limitações. É uma palavra que vem do
grego.
Metodologia é uma palavra derivada de “método”, do Latim “methodus” cujo significado é
“caminho ou a via para a realização de algo”. Método é o processo para se atingir um determinado
fim ou para se chegar ao conhecimento.
Ética parte da filosofia responsável pela investigação dos princípios que motivam, distorcem,
disciplinam ou orientam o comportamento humano, refletindo esp. a respeito da essência das normas,
valores, prescrições e exortações presentes em qualquer realidade social.
É importante considerarmos as diversas concepções, abordagens e teorias que constituem esta área de
conhecimento. 

Assim podemos afirmar que a Psicologia do desenvolvimento humano é uma subárea de


conhecimento, que tem como vocação a produção de saberes relativos aos fenômenos psicológicos
constituinte do processo educativo global. 

Segundo Santrock (2010, p. 2) “a psicologia é o estudo científico do comportamento e dos processos


mentais. A Psicologia Educacional é o ramo da psicologia dedicado à compreensão do ensino e da
aprendizagem no ambiente educacional”. Temos então uma área muito abrangente que quando
descrita em seus mínimos detalhes pode nos render um livro com milhares de páginas. 

Mesmo com esta íntima relação entre psicologia e educação Bock (2003, p. 78) afirma que nem
sempre foi assim: 

Enquanto a concepção dominante, na educação ocidental, foi a chamada Escola Tradicional, não
houve necessidade de uma Psicologia para acompanhar a prática educativa. A Psicologia só se tornou
necessária quando o Movimento da Escola Nova revolucionou a educação e construiu demandas
específicas para a psicologia do desenvolvimento e da aprendizagem. 
A autora explica que a Educação Tradicional compreende experiências e concepções pedagógicas
que a caracterizam e de certa forma orientaram a educação desde o século XVIII até o século XX.
Processos educativos que tiveram espaço principalmente nas escolas religiosas. 

Esta concepção tradicional pensou na educação como um trabalho de desenraizamento do mal natural
do ser humano. Acreditava-se que o homem nascia dotado de uma natureza humana dupla: uma parte
era corrompida pelo pecado original e a outra era considerada essencial, consideravelmente boa e
construtiva. 

À educação cabia somente desenvolver a parte boa do ser humano, impedindo que a parte
corrompida se manifestasse nas pessoas, e para isso utilizou-se o instrumento básico do saber. O
conhecimento era visto como único instrumento capaz de dar ao homem o autocontrole necessário
para aquilo que é ruim no homem fosse controlado. 
A Pedagogia da Escola tradicional já recebia o aluno como um ser humano corrompido. Suas ações
no ambiente escolar de certa forma demonstravam isto: alunos inquietos, ora curiosos, ora
destrutivos, indisciplinados, se deixados sozinhos, sem regras e sem vigilância. Perversos, com
hábitos inaceitáveis como pegar as coisas dos outros indevidamente, masturbar-se, não respeitarem
os mais velhos e autoridades, não cumprir com as tarefas e responsabilidades. 

Estes alunos deveriam ser expostos a um modelo de aperfeiçoamento humano para poderem
desenvolver sua parte da natureza humana essencial. Este modelo era desenvolvido pelos professores
e alguém escolhido para dar nome à escola e que deveria ser cultuado e seus feitos deveriam ser
divulgados aos alunos para que eles conhecessem e soubessem sempre que modelo a seguir. Por isso,
as escolas públicas sempre levam o nome de alguém (geralmente de um homem) considerado
aprimorado pela cultura (BOCK, 2003). 

Esta escola era regida ainda por outros princípios, conforme nos cita Bock (2003): disciplinas e
regras rígidas para que os alunos pudessem ir corrigindo seus desvios. Princípios e códigos morais
eram estabelecidos, impostos, divulgados e repetidos exaustivamente. Deveriam a ser aprendidos a
qualquer custo, e para garantir que os resultados fossem alcançados, eram contratados vigilantes
disciplinares como agentes educacionais da escola. 

Para que a Psicologia? Na verdade não havia necessidade alguma de qualquer conhecimento sobre o
ser humano e seu desenvolvimento, de modo que já se sabia tudo sobre a natureza corrompida e
também já se sabia de seu potencial para criar, cooperar, ser honesto, desenvolver relações estáveis e
saudáveis, respeitar a autoridade, ser intelectualmente aprimorado e ser dotado de coerência. 
O campo da Psicologia Educacional foi criado por grandes estudiosos e pioneiros da Psicologia no
final do século IX. Os três principais pioneiros de destaque no início da história da Psicologia
Educacional são Willian James, John Dewey e Edward Lee Thorndike. James lançou um livro
intitulado PrinciplesofPsychology e ministrou diversas palestras através de uma série intitulada
TalkstoTeacher, em que discutia as aplicações da psicologia na educação de crianças, argumentando
que os experimentos laboratoriais em psicologia muitas vezes não conseguem nos dizer, de maneira
eficiente, como ensinar as crianças. Enfatizou ainda a importância de se observar o processo de
ensino/aprendizagem em sala de aula para aprimorar a educação, trazendo como recomendação que
os professores iniciem as aulas em um ponto além do nível de conhecimento e compreensão da
criança a fim de desenvolver a mente delas (SANTROCK, 2010). 

De acordo com Santrock (2010), John Dewey por sua vez tornou-se a força motriz da aplicação na
prática da psicologia. Estabeleceu o primeiro e mais importante laboratório de Psicologia
Educacional nos EUA, mas precisamente na Universidade de Chicago no ano de 1894, continuando
seu trabalho inovador na Universidade de Colúmbia. Muitas ideias importantes partiram deste
teórico, nos mostrando que a criança é um ser em constante e ativa aprendizagem. É importante
destacar que antes de Dewey, as pessoas acreditavam que as crianças deviam permanecer sentadas e
em silêncio de modo que aprendiam passivamente e de uma maneira mecânica, em contraste a esta
crença ele trouxe que as crianças aprendem realizando. 

O teórico nos traz ainda mais uma contribuição, afirmando que a educação deve focar a criança em
sua totalidade enfatizando também a adaptação da criança ao ambiente, elas devem ser educadas de
modo que possam ser estimuladas a pensar e também a se adaptar ao seu ambiente fora da escola, as
crianças devem aprender a serem mais autônomas e solucionadoras de problemas de maneira
reflexiva. Para Dewey toda criança merece ter uma educação de qualidade sem diferenciação de
classe, raça ou sexo, ele lutou para que todas as crianças de uma maneira geral tivessem uma
educação competente. 

Thorndike, outro percursor da Psicologia do desenvolvimento humano, enfocou a avaliação e a


mediação e promoveu os princípios básicos e científicos da aprendizagem. Argumentou que uma das
tarefas mais importantes da escola é a de desenvolver as habilidades de raciocínio das crianças, se
diferenciando ao fazer estudos científicos aprofundados e precisos sobre o ensino e aprendizagem
(BEATTY, 1998 apud SANTROCK 2010, p. 3). Promoveu também a ideia de que a Psicologia deve
ter uma base científica e deve enfocar principalmente a mediação. (O’DONNEL e LEVIN 2001 apud
SANTROCK 2010, p.3). 
Discutindo sobre o início da Psicologia do desenvolvimento humano, nos deparamos com as diversas
transformações que ocorreram no mundo através dos anos. Segundo Bock (2003, p. 81) “as grandes
guerras trouxeram uma valorização da infância, tomada como o futuro. A escola também respondeu a
estas novas ideias com a proposta da Pedagogia da Escola Nova, que se pôs no avesso às ideias da
Escola Tradicional”. A criança passou a ser vista como naturalmente boa. Sua natureza humana era
dividida em duas: a parte boa, que vinha desde o nascimento e a outra corruptível. A escola passou a
ter a responsabilidade de manter a criança na bondade e na espontaneidade que a caracterizavam. 

A escola passou a ser espaço de liberdade e comunicação, lugar onde a criança poderia manifestar
sua afetividade expressa como carinho ou agressividade; sua criatividade expressa como construção
ou destruição; sua liberdade expressa como obediência ou rebeldia. Todas as atitudes infantis foram
tomadas de maneira naturais, como boas e desejáveis. Mas é importante destacar que a escola se
manteve atenta e vigilante no que diz respeito ao desenvolvimento psíquico da criança. Os chamados
vigilantes disciplinados foram substituídos por vigilantes do desenvolvimento pedagogos e
psicólogos. As regras foram extintas, permaneciam somente aquelas construídas pela equipe da
escola. Nenhuma preocupação com a disciplina, pois na bagunça se visualizava o interesse pelo
saber, pela construção coletiva, pela troca (BOCK 2003). 
Vimos que o desenvolvimento humano se dá em dimensões e aspectos, sendo que as dimensões
estudadas nas abordagens psicológicas são: Físico-motora, intelectual, afetivo-emocional e social.
Aqui, apresentarei de forma sucinta a importância das teorias socioconstrutivistas ou
sociointeracionistas para o fazer pedagógico na sala de aula e na escola, ressaltando os pontos que
acho mais básicos em cada uma: a de Vigotsky e a de Piaget. 

Jean Piaget concebe o desenvolvimento dividido em estágios, assim como Vigotsky o faz, só que
ambos possuem especificidades próprias para dar ênfase em um dos aspectos, como estudamos no
módulo. Assim, conforme o que explica Gadotti (1999, p. 156):

“Jean Piaget (1896-1980), psicólogo (sic!) suíço, ganhou renome mundial com seus estudos sobre os
processos de construção do pensamento nas crianças. Ele e seus colaboradores publicaram mais de
trinta volumes a esse respeito. [...] Segundo Piaget, a criança passa por três períodos de
desenvolvimento mental. Durante o estágio preparatório, dos 2 aos 7 anos de idade, a criança
desenvolve certas habilidades, como a linguagem e o desenho. No segundo estágio, dos 7 aos 11
anos, a criança começa a pensar logicamente. O período de operações formais estende-se dos 11 aos
15, quando a criança começa a lidar com abstrações e raciocinar com realismo acerca do futuro.

Segundo o autor, a crítica de Piaget à escola tradicional é ácida. É uma escola que se preocupa em
transmitir conhecimentos livrescos e acabados, não dando possibilidade de o educando assimilar e
acomodar partes desse saber, além de enciclopédico e que respeita apenas o que está historicamente
acumulado pela humanidade.

Enquanto que Vigotsky ressalta mais a importância do ambiente externo para a aprendizagem e
desenvolvimento, Piaget, não que desconsidera o papel do

entorno social, privilegia os aspectos de equilibração através das ações do próprio sujeito nesse
processo. Para Vigotsky, aprender é condição imprescindível para gerar desenvolvimento. Para
Piaget, o desenvolvimento deve anteceder a aprendizagem, já que ninguém pode aprender além ou
aquém do sua estrutura cognitiva permite fazê-lo.

Os conceitos de Zona de Desenvolvimento Proximal e Zona de Desenvolvimento Real de Vigotsky


aproximam mais o professor de suas intervenções tanto no desenvolvimento quanto na aprendizagem
de seus educandos. A ideia de intervenção pedagógica pela Pedagogia Histórico-crítica nos remete ao
conhecimento do papel do professor enquanto agente de mudanças na sociedade, principalmente no
que se refere às relações sociais e de produção, já que o seu pilar básico é o Materialismo Histórico-
dialético.

Fui convidado a entender durante a leitura do material, que zona de desenvolvimento proximal define
a distância entre o nível de desenvolvimento atual e as possibilidades que o sujeito tem de agir
perante a ajuda de um colega mais experiente ou o professor. Com isso, observamos que todos
podem aprender a realizar atividades que, antes pareciam impossíveis, o fator mais determinante
nisso tudo é a interação social mediada pela consciência na realização de atividades humanas durante
o aprendizado, pois segundo Bock (2001, p. 98), “a criança não é um adulto em miniatura”.

A zona de desenvolvimento real geralmente é entendida como o conjunto das atividades que se pode
realizar sozinho, o potencial aqui é o de uma atividade humana que pode e tem condições de sempre
ser aperfeiçoada. Vigotsky estudou com profundidade os níveis de filogênese, ontogênese e cultura,
juntamente com o médico Luria, o que o ajudou a compreender melhor a aprendizagem humana e o
seu desenvolvimento, chegando aos resultados de uma dada mediação social.

O ponto fulcral da teoria Vigotskiana para a educação, imagino que seja essa característica de
proatividade e relevância para o fazer docente em sala de aula e para orientadores e supervisores
educacionais e outros especialista de educação, como o psicólogo escolar. Ao ter conhecimento desta
teoria, o educador possui mais ferramentas pedagógicas para lidar com a chamada mediação na
aprendizagem e no desenvolvimento do aluno e de qualquer que seja o agente na vida prática.

Desta forma, ambos possuem suas relevâncias no desempenho de todos os agentes educacionais,
sendo que o entrelaçamento do social com o individual se dá de forma a atenuar as divergências entre
um estudioso e outro na área do desenvolvimento humano, pois cada um privilegiou, enfocou um
aspecto deste.

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