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A ADMINISTRAÇÃO ESCOLAR NO COMBATE AO BULLYING: Quais

Caminhos Seguir?

Patrícia dos Anjos Nunes1

Orientador2

RESUMO: Este trabalho parte do princípio em estudar sobre a presença do bullying


na escola. Se trata de uma pesquisa apenas bibliográfica, onde sucintamente, se
explana a respeito do assunto dentro das instituições de ensino. O que, porém, se
descobre, é que este tipo de violência, não está presente apenas no meio escolar,
mas em toda sociedade, sofrendo diferença, apenas nas ações de violências
praticadas pelas mulheres e homens. Nesse sentido, não apenas a escola é
responsável por combater tal situação, mas toda sociedade deve contribuir para
extinguir essas violências. Contudo, a escola deve tomar certas atitudes, como
promover uma gestão democrática, com a participação de toda a comunidade
escolar, promovendo capacitação, que tornem os professores capazes de detectar e
combater essa violência, pois algumas vezes eles próprios são as vítimas. Nesse
sentido, se buscou apoio teórico nos estudos de Pereira (2009), e a presença do
bullying em todas as instituições, em Libâneo (2004) e a importância da participação
de todos na tomada de decisão, também em Voors (2000), dando uma síntese da
história e origem da significação bullying, entre outros teóricos de igual significância
para este trabalho.

PALAVRAS – CHAVE: Gestão. Democrática. Bulying. Educação. Consequências.

ABSTRACT: This work is based on the principle of studying the presence of bullying
at school. This is only a bibliographic research, where it is briefly explained about the
subject within educational institutions. What is discovered, however, is that this type
of violence is not only present in the school environment, but in all of society,
suffering a difference, only in the actions of violence practiced by women and men. In
this sense, not only is the school responsible for combating this situation, but every
society must contribute to extinguishing these violence. However, the school must
take certain actions, such as promoting democratic management, with the
participation of the entire school community, promoting training, which make teachers
capable of detecting and combating this violence, as they are sometimes the victims
themselves. In this sense, theoretical support was sought in the studies of Pereira
(2009), and the presence of bullying in all institutions, in Libâneo (2004) and the
importance of everyone's participation in decision-making, also in Voors (2000),
giving a synthesis of the history and origin of the bullying meaning, among other
theorists of equal significance for this work.

WORD KEY: Management. Democratic. Bulying. Education. Consequences.

1
Acadêmica do curso de ..........................................., na Universidade..............................
2
__________________
2

INTRODUÇÃO

De acordo com Pereira (2009), o bullying é presente em todas as instituições


escolares do mundo, causando muitos males a crianças e adolescentes, levando a
consequências como o comprometimento do aprendizado, aumento de violência
escolar e até a suicídios de muitos jovens.
Nos dias atuais, percebe-se que a violência está presente em todo ambiente
social e não apenas em áreas periféricas, como durante muito tempo se pensou. E
no que diz respeito a violência dentro das escolas, o assunto não é novidade, pois a
muito tempo os telejornais, redes sociais e meios de comunicação retratam tal
realidade.
Algumas famílias, lutam diariamente para tentar impor limites aos filhos,
contudo, a maioria ainda transfere tal responsabilidade para as escolas, o que
acarreta em um descontrole de violências, pois tal papel não pode ser
responsabilidade de apenas um seguimento social, mas como a Lei prevê, do
Estado, da família e sociedade em geral, e se algum destes seguimentos, deixar de
cumprir seu papel, o resultado será catastrófico.
Muito se fala sobre a temática, porém, poucas ações são realizadas em prol do fim
ou combate ao bullyng, principalmente em escolas públicas. Dessa forma este
trabalho se justifica, por trazer um estudo de grande importância, para conhecimento
geral sobre tal situação.
Também se justifica, por proporcionar ideias de uma gestão democrática,
onde as tomadas de decisões e responsabilidades no ambiente escolar, possam ser
compartilhados. A este respeito, Libâneo (2004), afirma que: “A participação é o
principal meio de assegurar gestão democrática na escola, possibilitando o
envolvimento de profissionais e usuário no processo de tomada de decisões e no
funcionamento da organização escolar”.
Nesse contexto, escolhemos o tema: “A Administração Escolar no Combate
Ao Bullying: Quais Caminhos Seguir?”. Tal tema, parte da necessidade em conhecer
e combater com responsabilidade a situação, levando as teorias para futuramente
usar na pratica em uma instituição educacional, através de uma gestão democrática,
com a participação de todos. Pois como pontua Libâneo (2004) as participações dos
3

membros educacionais na tomada de decisão acarretam em grandes benefícios


para a educação.
Assim, o objetivo deste estudo foi buscar teorias que tratam do bullyng
escolar, estudando a história dessa nomeação, aos procedimentos educacionais de
uma gestão democrática para combater tais atos de violência na escola, até as
consequências que acarretam dentro das instituições escolares, para dessa forma
elaborar uma reflexão acerca da gestão escolar para combater tal situação.
Dessa forma este estudo vem dividido em três capítulos, sendo o primeiro
para apresentar uma síntese da história do bullying. O segundo se trata das
inferências de uma gestão democrática os marcos legais que a direcionam para
participação da comunidade escolar nas tomadas de decisões. E o ultimo capitulo,
apresenta uma reflexão, com intuito de combater o bullying escolar.

1 SÍNTESE DA HISTORIA DO BULLYING ESCOLAR

O primeiro estudioso que a perceber o bullying, e passou a observar, mais


profundamente, através de estudo, foi Dan Olweus, com uma pesquisa que se
estendeu de 1978 a 1993. Estudos estes que foram amplamente divulgados na
Noruega, no entanto, o governo apenas voltou atenção para essa questão, quando
aconteceu o suicido de três crianças com idade entre 10 a 14 anos. Tal ato, que
pode ter se dado, pelo extremo de violência sofrida pelas crianças na escola. Apesar
de ser um fato triste, impulsionou as grandes campanhas anti- bullying, a partir do
ano de 1993, não só na Noruega, mas em todo mundo.
Em contexto a este fato na Noruega, Voors (2000), afirma que estas
campanhas, contribuíram para que houvesse uma grande baixa no índice de
violência e evasão das escolas da Noruega, pois,

Encontrou benefícios para todos os alunos quando o programa anti-bullying


reduziu o comportamento agressivo na escola. Não só uma redução de
bullying leva a um menor incidente de violência, mas a moral escolar foi
elevada, a evasão escolar foi reduzida, e o desempenho acadêmico geral
melhorou. (VOORS, 2000, p. 29,

Ações importantes a serem seguidas, pois não se trata apenas de um


assunto, mas situação que abrange quase todas as escolas do mundo. Pois sempre
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vai haver agressores e agredidos, porém no caso do bullying, as consequências


podem ser bem graves.
De acordo com Fante (2005), a significação de bullying, se trata de agressões
ou comportamentos agressivos, onde que se repetem intencionalmente, causando
sofrimento a outros, sem motivos para justificar tais situações. E segundo Chalita
(2008, p. 81): “O fenômeno bullying não escolhe classe social ou econômica, escola
pública ou privada, ensino fundamental ou médio, área rural ou urbana. Está
presente em grupos de crianças e jovens, em escolas de países e culturas
diferentes”.
Mas é importante perceber que nem todo ato de violência escolar pode ser
considerado como bullying, para ser classificados dessa forma, precisa ser
repetitivo, ou seja, acontecer diariamente ou com frequência com as mesmas
pessoas, sendo em maiores incidências com crianças e adolescentes. Assim,

É importante que se saiba diferenciar o bullying de um conflito normal.


Alguns tipos de conflitos são parte da vida. Nem todo o conflito
necessariamente fere, e lidar com essas situações pode ajudar o seu filho
para a vida de maneira positiva. Portanto, não se precipite quando observar
conflito entre seu filho e as outras crianças. (BEANE, 2010, p.17).

Tais situações podem levar a conflitos desnecessários, caso não haja


coerência e certeza que se trata de bullying. Pois muitas vezes as crianças divergem
de determinados assuntos e opiniões e não sabem como litar e acabam agredindo
os colegas, sejam verbalmente ou fisicamente, mas ainda ser apenas violência
escolar. Dessa forma, de acordo com Beane (2010, p. 18), o bullying: “Tem o
objetivo de ferir e prejudicar o seu filho. Parece intenso e tem ocorrido por um
significativo período de tempo. A pessoa que intimida seu filho procura ter poder e
controle sobre ele. Não há pedidos de desculpas”.
Segundo Beane (2010), para poder identificar com certeza a situação, há a
necessidade de ouvir, investigar e observar com atenção cada conflito. Pois como
afirma William Voors (2000), ocorre:

Sentimentos contrastantes entre a criança que pratica o bullying e seu alvo


como resultado do episódio de bullying. A criança que pratica o bullying
pode se sentir excitada, poderosa ou achando graça depois do episódio de
bullying, enquanto que aquela que sofreu o bullying se sente amedrontada,
5

embaraçada ou ferida. (...) as vítimas geralmente se sentem feridas e


bravas quando o bully as ataca. Se tentam expressar sua mágoa ou raiva, a
criança que pratica o bullying geralmente responde com indiferença ou
zombaria, o que leva a mais humilhação ainda. (Tradução do autor).
(VOORS 2000, P.5).

Assim, entende-se que nem todo conflito que ocorre dentro do ambiente
escolar, entre alunos pode ser classificado como o bullying, por este motivo, cabe a
gestão criar estratégias que possam identificar adequadamente a situação, para não
cometer engano e acabar ferindo psicologicamente os alunos.
Três podem ser as definições sem que se apresentam o bullying, segundo
Beane (2010), onde o primeiro se trata do físico, quando ocorre atos de bater,
empurrar, forçar o corpo dos colegas, colocar o pé para que haja a queda de outros
alunos, ou beliscar, em alguns casos, principalmente entre os meninos, enfiam a
cabeça de outros no vaso do banheiro, entre outras escoriações físicas.
A segunda definição que Beane (2010), aponta se trata do verbal, ocorrendo
apelidos, ofensas com palavras pejorativas, insultos, ameaças e intimidações,
provocações, cochichos com outras crianças que intimidam, entre outras situações.
A terceira situação, se trata do social, onde o autor aponta para, destruição de
relacionamentos, ou reputações, com difamações a serem espalhadas, exclusão de
crianças ou pessoas jovens e adultas de grupos escolares ou outros. Também neste
social, há as humilhações em público, bilhetes com mensagens ofensivas, entre
outras.
O termo bullyng se origina do inglês com a significação de alguém que briga
muito ou é considerado valentão na escola, mesmo não tendo uma significação ou
tradução para o português, já traz o significado de algo que causa ameaça,
intimidação, humilhação ao colega, ou até maus tratos.
Segundo Pereira (2009), o primeiro país que demonstrou preocupação com o
bullyng escolar, foi a Suécia, onde em 1970, alguns casos se acentuaram no país,
levando a tomadas de decisões para sanar tal problema. Logo depois, a Noruega
também, no ano de 1989, quando o pesquisador Dan Olweua, da universidade de
Berger, em uma pesquisa realizada com 84 mil alunos, mais ou menos 400
educadores e um mil pais, o professor constatou, que a cada sete alunos
matriculados em escolas, um estava envolvido em agressões a colegas.
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Dessa forma Fante (2003, p.61) afirma que: “pode se afirmar que o bullying
está presente em todas as escolas do mundo”. Em nosso país, de acordo com o
autor:

No Brasil, adotamos o termo que de maneira geral, é empregado na maioria


dos países; bullying bully, enquanto nome é traduzido como “valentão”,
tirano e como verbo, “brutalizar”, amedrontar. Dessa forma, a definição de
bullying é compreendida como um subconjunto de comportamentos
agressivos, sendo caracterizado por sua natureza repetitiva e por
desequilíbrio de poder. Esses critérios nem sempre são aceitos
universalmente, mesmo sendo largamente empregados. Alguns
pesquisadores consideram ser necessário no mínimo três ataques contra a
mesma vítima durante um ano para sua classificação como bullying. O
desequilíbrio de poder caracteriza-se pelo fato de que a vítima não
consegue se defender com facilidade, devido a inúmeros fatores: por ser de
menor estatura ou força física, por estar em minoria, por apresentar pouca
habilidade de defesa pela falta de assertividade e pouca flexibilidade
psicológica perante o autor ou autores dos ataques (FANTE, 2005, p. 28).

Assim compreende-se que esta situação, mesmo com definições algumas


vezes diferenciadas em alguns países, ainda sim é um fator alarmante dentro das
instituições escolares, pois de um lado tem o agressor, que tenta ser popular pela
força bruta, maus tratos a outros colegas, e de outros se tem as vítimas, que não
conseguem se defender por vários fatores, mas que acarretam sérias
consequências psicológicas. Em todo caso, ambos culminam no mal
desenvolvimento escolar, ou em uma aprendizagem defasada dos educandos.
Pereira em seus estudos, apresenta uma causa para o bullyng. Ele diz que
existem muitos, contudo os mais comuns são:

A desagregação da família, a pobreza, a má distribuição de rendas, se


analisados isoladamente, não conseguem explicar a violência, pois deixam
lacunas; visto que não há regras fixas para explicar a violência na
atualidade, pois esta está disseminada em todos os meios sociais. E a
somatória desses determinantes da crescente globalização, do consumismo
pregado pela mídia, a escolarização precária da maioria, o desemprego ou
subemprego, a banalização da violência nos filmes e novelas entre muitas
outras (PEREIRA, 2009, p.26).

Todas as causas apresentadas pelo autor, mostram motivos que levam ao


aumento da violência escolar, a cada ano que passa. Contudo não se pode deixar
de levar em consideração o uso inapropriado das tecnologias. Principalmente as que
permitem jogos online, filmes e desenhos que retratam a violência entre jovens e
crianças.
7

Os pais por não terem tempo para os filhos, deixam que entrem muito cedo
no mundo tecnológico, com celulares, tabletes, as novelas e filmes, que fazem
apologia à violência e acabam influenciando no caráter da criança, adolescentes e
jovens.
Em relação a uma gestão democrática, que possa combater o bullyng, a LDB
no artigo 12 estabelece um processo de articulação da família e a comunidade
escolar, para que haja maior integração entre ambas, em relação a educação dos
alunos. E no artigo 23 a lei dar mais autonomia as escolas para que possam
organizar suas funcionalidades curriculares. E de acordo com essas mudanças
ocorridas nas décadas de 90, o plano nacional de educação estabelece como
prioridade a gestão democrática, que diz:

Democratização da Gestão do ensino público nos estabelecimentos oficiais,


obedecendo aos princípios da participação dos profissionais da educação
na elaboração do projeto pedagógico da escola e a participação da
comunidade escolar e local em conselhos escolares ou equivalentes
(BRASIL, 2001, p. 34).

Dessa forma todos os membros que compões a comunidade escolar,


passaram a ter responsabilidades e dever de participar de forma ativa no
desenvolvimento e execução dos planejamentos escolares. O que nos remete ao
combate ao bullyng, todos os membros escolares, sejam alunos, gestão,
professores e demais profissionais, podem se unir para combater tal violência.

2 AS AÇÕES DE UMA GESTÃO DEMOCRÁTICA PARA ERRADICAR O


BULLYING NA ESCOLA
O bullyng se trata de agressão, de qualquer natureza, sejam verbais ou
físicas, com a intenção de machucar ou magoar outra pessoa, que normalmente se
repete diariamente nas escolas, como é o caso da intenção deste estudo.
O termo se origina do inglês com a significação de alguém que briga muito ou
é considerado valentão na escola, mesmo não tendo uma significação ou tradução
para o português, já traz o significado de algo que causa ameaça, intimidação,
humilhação ao colega, ou até maus tratos.
Segundo Pereira (2009), o primeiro país que demonstrou preocupação com o
bullyng escolar, foi a Suécia, onde em 1970, alguns casos se acentuaram no país,
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levando a tomadas de decisões para sanar tal problema. Logo depois, a Noruega
também, no ano de 1989, quando o pesquisador Dan Olweua, da universidade de
Berger, em uma pesquisa realizada com 84 mil alunos, mais ou menos 400
educadores e um mil pais, o professor constatou, que a cada sete alunos
matriculados em escolas, um estava envolvido em agressões a colegas.
Dessa forma Fante (2003, p.61) afirma que: “pode se afirmar que o bullying
está presente em todas as escolas do mundo”. Em nosso país, de acordo com o
autor:

No Brasil, adotamos o termo que de maneira geral, é empregado na maioria


dos países; bullying bully, enquanto nome é traduzido como “valentão”,
tirano e como verbo, “brutalizar”, amedrontar. Dessa forma, a definição de
bullying é compreendida como um subconjunto de comportamentos
agressivos, sendo caracterizado por sua natureza repetitiva e por
desequilíbrio de poder. Esses critérios nem sempre são aceitos
universalmente, mesmo sendo largamente empregados. Alguns
pesquisadores consideram ser necessário no mínimo três ataques contra a
mesma vítima durante um ano para sua classificação como bullying. O
desequilíbrio de poder caracteriza-se pelo fato de que a vítima não
consegue se defender com facilidade, devido a inúmeros fatores: por ser de
menor estatura ou força física, por estar em minoria, por apresentar pouca
habilidade de defesa pela falta de assertividade e pouca flexibilidade
psicológica perante o autor ou autores dos ataques (FANTE, 2005, p. 28).

Assim compreende-se que esta situação, mesmo com definições algumas


vezes diferenciadas em alguns países, ainda sim é um fator alarmante dentro das
instituições escolares, pois de um lado tem o agressor, que tenta ser popular pela
força bruta, maus tratos a outros colegas, e de outros se tem as vítimas, que não
conseguem se defender por vários fatores, mas que acarretam sérias
consequências psicológicas. Em todo caso, ambos culminam no mal
desenvolvimento escolar, ou em uma aprendizagem defasada dos educandos.
Pereira em seus estudos, apresenta uma causa para o bullyng. Ele diz que
existem muitos, contudo os mais comuns são:

A desagregação da família, a pobreza, a má distribuição de rendas, se


analisados isoladamente, não conseguem explicar a violência, pois deixam
lacunas; visto que não há regras fixas para explicar a violência na
atualidade, pois esta está disseminada em todos os meios sociais. E a
somatória desses determinantes da crescente globalização, do consumismo
pregado pela mídia, a escolarização precária da maioria, o desemprego ou
subemprego, a banalização da violência nos filmes e novelas entre muitas
outras (PEREIRA, 2009, p.26).
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Todas as causas apresentadas pelo autor, mostram motivos que levam ao


aumento da violência escolar, a cada ano que passa. Contudo não se pode deixar
de levar em consideração o uso inapropriado das tecnologias. Principalmente as que
permitem jogos online, filmes e desenhos que retratam a violência entre jovens e
crianças.
Os pais por não terem tempo para os filhos, deixam que entrem muito cedo
no mundo tecnológico, com celulares, tabletes, as novelas e filmes, que fazem
apologia à violência e acabam influenciando no caráter da criança, adolescentes e
jovens.
Em relação a uma gestão democrática, que possa combater o bullyng, a LDB
no artigo 12 estabelece um processo de articulação da família e a comunidade
escolar, para que haja maior integração entre ambas, em relação a educação dos
alunos. E no artigo 23 a lei dar mais autonomia as escolas para que possam
organizar suas funcionalidades curriculares. E de acordo com essas mudanças
ocorridas nas décadas de 90, o plano nacional de educação estabelece como
prioridade a gestão democrática, que diz:

Democratização da Gestão do ensino público nos estabelecimentos oficiais,


obedecendo aos princípios da participação dos profissionais da educação
na elaboração do projeto pedagógico da escola e a participação da
comunidade escolar e local em conselhos escolares ou equivalentes
(BRASIL, 2001, p. 34).

Dessa forma todos os membros que compões a comunidade escolar,


passaram a ter responsabilidades e dever de participar de forma ativa no
desenvolvimento e execução dos planejamentos escolares. O que nos remete ao
combate ao bullyng, todos os membros escolares, sejam alunos, gestão,
professores e demais profissionais, podem se unir para combater tal violência.
Dessa forma este projeto de estudo, visa aprofundar conhecimentos acerca
da temática, formulando assim, ações escolares, no que tange a gestão, podendo
combater dentro da escola tais atitudes que se caracterizam como bullyng.
Abramovay et al. (2003), dedicou estudos voltados para a atuação da gestão,
visando como ele chama, do processo “Escolas Inovadoras”. E segundo suas
conclusões, quanto mais as escolas forem abertas ao diálogo, a possíveis
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mudanças, mais estarão inseridas nas inovações para defini-la com a perspectiva de
seus estudos.
Assim, para combater a violência é preciso elaborar ações e planejamento,
com base em princípios que emergem de uma gestão democrática, que em seu
contexto permite a participação dos demais membros escolares, isto é, que
direciona o trabalho escolar de forma coletiva de todos.
Dessa forma, de acordo com Abramovay e Rua (2004), para enfrentar a
questão do bullying na escola, ou outras formas de violência escolar, é buscar os
motivos que causam tais violências, ou seja, buscar informações acerca de como
iniciou diariamente na escola.
Não há um embasamento de leis que consolidem as práticas de uma gestão,
isto é, documentos oficiais que possam reger suas ações escolares. Contudo,
existem duas leis que podem embasar suas ações, estas são a Constituição Federal
de 1988, a qual encaminha as orientações de uma gestão democrática nas escolas
públicas (206, VI), de forma a viabilizar a participação dos membros escolares nas
tomadas de decisões.
A segunda Lei, se trata da LDB, pois de acordo com o artigo 14, os sistemas
de ensino públicos definem as normas dessa gestão na educação básica, de acordo
com suas “peculiaridades” e conforme os seguintes princípios:
I. participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico
da escola;
II. participação das comunidades escolar e local em conselhos escolares ou
equivalentes.
Funcionando dessa forma, a gestão pode buscar entre a comunidade escolar,
experiências, apoio e estraté4gias que possam combater a violência escolar, dentre
as quais está o bullying. Contudo, não basta apenas ser acessível a ideias e
opiniões, a gestão precisa sensibilizar essa comunidade, da importância de suas
participações no processo de combate a violência, principalmente das famílias dos
alunos que se envolvem em tais situações. ]
Luck et al (2001), em um estudo realizado na década de 70, sobre as
gestões, chegou a conclusão que nenhum gestor consegue governar sozinho, tendo
eficácia em suas tarefas e planejamentos escolares, logo não pode também resolver
todos os problemas que surgem na escola.
Nesse sentido, Carneiro (2000, p. 77) afirma que:
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“[...] as decisões centralizadas no diretor cedem lugar a um processo de


resgate da efetiva função social da escola, através de um trabalho de
construção coletiva entre todos os agentes da escola e, destes com a
comunidade”. (CARNEIRO, 2000, p.77)

Importante dizer que, para contar com a participação de membros escolares,


estes devem ser confiáveis, em uma relação positiva, pois como aponta Gomes
(2005), esperar pelo outro também influencia em nossos comportamentos, logo nos
resultados de um planejamento.
Assim, chega-se a conclusão de que, se um gestor busca estratégias para
combater o bullying, mas os membros escolares não são confiáveis, não dão o apoio
que este gestor espera, a tendência é que o projeto de combate a tal situações não
ocorra com eficácia.

3 REFLEXÕES A RESPEITO DA NECESSIDADE EM COMBATER O BULLYING


ESCOLAR

Nos últimos anos, devido a alguns surtos de alunos em escolas públicas, que
chegaram a promover chacinas dentro das escolas onde estudaram, se busca os
motivos de tais reações e o bullying, é uma das causas mais prováveis para que
esses jovens tomassem tais atitudes de violências. Por este motivo, a mídia, a
escola tem falado bastante sobre o assunto. Alguns municípios já chegaram a criar
leis de anti-bullying, que propõem politicas educativas, a fim de combater a violência.
Em parceria, com a Petrobrás e IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística), a ABRAPIA (Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à
Infância e à Adolescência), atualmente fechada por falta de recursos, realizou um
estudo muito importante a respeito do bullying entre os anos de 2002 e 2003. Que
por sua relevância, pode ser classificado um dos estudos mais importantes, já feitos
com relação ao assunto deste estudo, em nosso país. E de acordo com Fante
(2008):

Alguns fatores propiciam o bullying, sua banalização e legitimação: atitudes


culturais, como desrespeito, a intolerância, a desconsideração ao diferente;
a hierarquização nas relações de poder estabelecidas em detrimento da
fraqueza de outros; o desejo de popularidade e manutenção do status a
qualquer preço; a reprodução do comportamento abusivo como uma
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dinâmica psicossocial expansiva; a falta de habilidades de defesa, a


submissão a passividade, o silêncio e sofrimento das vítimas; a conivência
daqueles que assistem e o incentivo às ações cada vez mais cruéis e
desumanizantes; a violência doméstica, a ausência de limites, a
permissividade familiar, a falta de exemplos positivos; a omissão, o
despreparo, a falta de interesse e comprometimentos de muitos
profissionais e instituições escolares; a impunidade, o descaso e a falta de
investimentos e políticas públicas voltadas à educação e à saúde para o
tratamento e a prevenção, dentre outros. (FANTE 2008, p. 11).

Então, deve-se buscar as causas que levam o agressor a praticar tal


violência, o que nos remete para as definições da gestão escolar, ao buscar ações
de combate dentro das escolas, que é preciso conhecer a fonte do problema para
tentar resolvê-lo. Assim em cada escola onde ocorra o bullying, há a necessidade de
observar os motivos que levam os alunos a praticarem o bullying e não apenas
tentar eliminar as violências, sem tratar do problema gerador.
De acordo com Moz e Zawadski (2007, há uma diferença nas práticas de
bullying realizadas pelos homens, das feitas por mulheres. Pois o que normalmente
ocorre entre as meninas, chegam a boatos maliciosos, intimidações ou
constrangimentos a suas oponentes como risadas em público, tudo voltado para de
certa forma, além de constranger, tentar destruir a reputação de outra menina. Já os
homens, como já citado neste estudo, agridem verbalmente e fisicamente suas
vítimas.
Importante dizer que, apesar deste estudo ser direcionado para o campo
educacional, ou seja, para a escola, o bullying não acontece apenas neste lugar.
Mas praticamente em todos os ugares, onde convivam seres humanos, sejam
empresas, na rua, igreja e até na família. Até os próprios pais praticam com seus
filhos, quando ameaçam, prometendo privações de alguma coisa, seja físico ou
financeiro, porém o bully na família também pode ser caracterizado por físico,
quando empurram os filhos, chutam, batem ou castigam. São ações que de acordo
com Moz e Zawadski (2007), são situações de bullying.
Há também ocorrências em empresas, pois segundo Moz e Zawadski (2007,
p. 104): “os chefes que são bullies podem preparar seus alvos para o fracasso,
dando-lhes tarefas demais, de menos, ignorando-os ou atribuindo-lhes
responsabilidades para as quais não estão qualificados, o que resulta em acusações
de que seu desempenho profissional é inadequado e pode vir a causar a perda do
emprego”. Assim, compreende-se que essa situação de violência, não tem apenas
origem ou destino no meio escolar.
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Na escola as consequências também podem causar sérios danos nos alunos.


E como Moz e Zawadski (2007, p.19), pontuam em seus estudos, houve a situação
de um garoto que cometeu suicídio, deixando um bilhete para a mãe, que dizia o
seguinte:

Eu poderia pegar uma arma e atirar em todos os meninos, mas não sou
uma pessoa má. Também não vou dizer quem são os bullies. Você sabe
que eles são. Eu ria por fora e chorava por dentro. Mãe, depois da minha
morte, vá até a escola e fale com os meninos. Diga para que parem com o
bullying, uns sobre os outros, pois isto machuca profundamente. Estou
tirando a minha vida para mostrar o quanto machuca. (MOHARIB, apud .
Moz e Zawadski, 2007).

Então, por este depoimento, é possível perceber os transtornos que uma


vitima de bullying pode passar, chegando aos extremos, onde alguns pegam uma
arma, e vão até às escolas, matando alunos e professores, que talvez nem tenham
nada a haver com a situação que viveram, mas que pelo fato de os agressores
estarem transtornados, mesmo se passando muito tempo, agem como se
estivessem vingando-se de seus agressores reais.
Algumas crianças co0nseguem relatar aos pais, ou professores o que
passam, buscando ajuda, transferências das escolas ou outras atitudes que os
ajudem sair desses sofrimentos, outras, segundo Moz e Zawadski (2007), não
conseguem, guardando para si, chegando ao extremo e tomando atitude de extrema
violência retrograda, causando assim as conhecidas chacinas escolares.
Em casos menos agressivos, as consequências também existem, pois de
acordo com Fante (2008),

O bullying interfere no processo de aprendizagem e no desenvolvimento


cognitivo, sensorial e emocional. Favorece um clima escolar de medo e
insegurança, tanto para aqueles que são alvos como para os que assistem
calados às mais variadas formas de ataques. O baixo nível de
aproveitamento, a dificuldade de integração social, o desenvolvimento ou
agravamento das síndromes de aprendizagem, os altos índices de
reprovação e evasão escolar têm o bullying como uma de suas causas.
(FANTE 2008, p. 10).

Assim, muitas podem ser as consequências em alunos, o que agrava ainda


mais, pela dificuldade que a maioria dos professores tem em perceber o bullying na
sala de aula. Daí a falta de intervenção para prevenir tal violência. Além do mais,
como se tem visto bastante nas mídias, até o professor é vítima de violência na sala
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de aula, então é uma situação conflituosa, que requer ações onde se busque
soluções entre a família, escola e sociedade em parceria para combater e não
apenas buscar culpados. Pois muitas instituições acham que combater, é expulsar
alunos agressores, mas Moz e Zawadski (2007), colocam que:

Muitas escolas tentaram gerar mais segurança estabelecendo políticas


antibullying, que punem o autor por seu comportamento. Essa estratégia
para tratar o problema mostrou-se ineficaz. Muitas crianças que praticam o
bullying grave se habituaram à punição ao longo de suas vidas. Punições
como detenções escolares, sair da sala de aula, chamar os pais ou
expulsões e envolvimento em disputas de poder geralmente são
enfrentadas pelo aluno com desafio e indiferença . (ZAWADSKI 2007 p.88).

Dessa forma, para combater o bullying, em primeiro lugar, é importante que


os vejamos como um problema social, e não apenas da escola, para que todos que
fazem parte da sociedade, possam contribuir para a extinção do mesmo. E que o
fato de acontecer com mais frequência no âmbito escolar, não pode ser associado
apenas em escolas de periferia, mas que também estão em escola centrais e
privadas.
No ambiente escolar, é importante que aconteçam formações para capacitar
os professores ao detectar a situação de violência a fim de compreender as
consequências e os benefícios se for combatida com eficácia. As escolas, com a
comunidade geral educacional, precisam articular políticas educacionais de
prevenção, mas agindo conscientemente e responsável, com apoio de uma gestão
democrática, que aceitem essas participações e não apenas tentem se livrar dos
problemas, dando transferência dos alunos. Mas criando estratégias que possam
moldar seus caráteres a respeito da importância do outro, da ética, e direitos que
cada aluno possui ao entrar na escola. Somente com a participação de todos,
dividindo as responsabilidades, será possível combater com eficácias as ações e
consequências do bullying escolar.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Com este estudo foi possível perceber que a escola necessita de politicas de
prevenção e de intervenção, mas de maneira consciente e com uma gestão
democrática, para além de todos poderem dar suas opiniões, também sejam
responsáveis pelas ações e intervenções para com bater o bullying. Para isso, além
de contribuir, todos os membros escolares, desde a servente, direção, apoio
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pedagógico e demais funcionários precisam ser capacitados para lidar com tais
violências.
Quanto as ações de combate ao bullying, é preciso aceitar que se trata de um
problema social e não apenas escolar, pois o que ocorre muitas vezes, são pais
assustados tirando seus filhos da escola em vez de sugerir ações de prevenção e
combate. Por outro lado, algumas famílias tentam ajudar, mas são impedidos por
gestões autocráticas, que não permitem a participação dos membros escolares, que
centraliza o poder e não consegue dar conta da situação sozinha e achar uma
solução.
Por outro lado, também através deste estudo foi possível conhecer outras
formas em que o bullying se apresenta, havendo diferenças entre as práticas
cometidas por homens e por mulheres, chegando a conclusão de que os meninos
são bem mais violentos. Assim, de uma forma geral, é preciso haver mais
discussões sobre o assunto, não apenas campanhas de anti-bullying vazias, com
cartazes ou vídeos que muitas vezes os alunos não compreendem, mas levar
situações reais, relatos, vivencias e consequências reais para sensibilizar os alunos
sobre a problemática.
É preciso que a escola, enquanto pessoas, professores, gestão e demais
funcionários conheçam a fundo o bullying, e também tomem atitudes de prevenção,
não excluindo alunos problemáticos, mas dando exemplos de empatia , isto é,
sentindo, se permitindo conhecer o que o outro sente, pois: “As sementes de
cuidado, preocupação e vínculo que germinam e florescem mais tarde, tornando-se
a capacidade de uma criança estabelecer empatia com os sentimentos de outros,
são semeados nos primeiros meses de vida”. (MOZ e ZAWADSKI, 2007, p.60).
Assim, conclui-se este estudo, sabendo que o bullyinh existe não apenas por
um nome, mas com consequências graves se não for tratada, que podem acarretar
desde a dificuldades na aprendizagem do aluno, até atitudes extremas como o
suicídio ou cachinas. Então é preciso haver políticas conscientes e responsáveis de
combate a tal violência.

REFERÊNCIAS
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