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CURSO: Fonoaudiologia no Transtorno do Espectro Autista

DISCIPLINA: Protocolos de Avaliação no TEA


PROFESSORA: Dra. Clara Esteves
DISCIPLINA: Protocolos de Avaliação no TEA
1. Ementa da Disciplina

UNIDADE IV: AVALIANDO O ADOLESCENTE E O ADULTO

1. Face test;
2. Eye test;
3. Teoria da mente e Coerência central;
4. Casos clínicos.
UNIDADE IV: AVALIANDO O ADOLESCENTE E O ADULTO
1. Face Test
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1. Face Test

Avaliação do Adolescente e Adulto


Quando a criança chega à adolescência,
os profissionais que atuam com ela não
mudam necessariamente. O que
mudam são as demandas.

Na intervenção precoce a gente


trabalha habilidades de base, imitação
motora, segmento de comandos e a
própria fala. Quando essa criança vai
crescendo, a gente tem demandas Imagem: Shutterstock

acadêmicas e sociais mais explícitas de


iniciação de conversa, jogos sociais, faz
de conta.
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Avaliação do Adolescente e Adulto


Na adolescência, as demandas vão
passando para identificação de
emoções, autoconsciência,
identificação de desafios e qualidades
que esse adolescente tem e o que a
gente pode desenvolver e
potencializar para gerar independência
para que, de repente, essa pessoa
possa seguir para uma orientação
profissional, inserção no mercado de
trabalho e faculdade.
Imagem: Shutterstock

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Avaliação do Adolescente e Adulto

A série Atypical, da Netflix, é um


excelente retrato das possíveis
dificuldades enfrentadas pelos
jovens com autismo!

Imagem: https://www.adorocinema.com/series/serie-21143/fotos/

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Avaliação do Adolescente e Adulto


Tarefa de construção: Observar o
comportamento durante uma
atividade estruturada, com o objetivo
de criar uma possível dificuldade para
que o sujeito peça ajuda...

Contar a história de um livro: Avaliar o


diálogo sequencial. Oportunidade para
construção de diálogo

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Avaliação do Adolescente e Adulto


Conversação e narração de fatos cotidianos,
como o trabalho ou a escola: Não se usa
nenhum material, apenas diálogo
dos fatos do dia a dia.
- Observar a construção do diálogo, formas
de linguagem, construção sequencial de
fatos...
- Observar responsabilidade social,
importância social dessas atividades
diárias
- Observar a compreensão das situações
sociais e relações típicas com outros
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sujeitos e contextos
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Dificuldades sociais
- Quais dificuldades tem encontrado nas
relações sociais?
- Dificuldade na convivência com as
pessoas, sensações, contextos sociais
- Observar a compreensão que o sujeito
tem a respeito da natureza desses
problemas
- Se realizou alguma mudança interna ou
em seu comportamento para lidar
melhor com as pessoas e possíveis
dificuldades ou problemas
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Emoção
Compreender acerca da inteligência e
regulação emocional do sujeito

Exemplos de perguntas para diálogo:


1- O que gostas de fazer para ficar alegre ou
feliz ?
2- como se sentes quando esta alegre, o que
você faz nesses momentos?
3- o que você faz quando se sentes
angustiado ou assustado. Como é esse
sentimento. O que você faz nesses
momentos?
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Amizades, relacionamentos e matrimônio

Exemplos de perguntas
1- tem amigos, fale sobre eles?
2- que gostam de fazer juntos, como se
conheceram, com que frequência se veem?
3- que significa ser um amigo para você,
como sabes que tens um amigo?
4- qual a diferença de um amigo para
alguém que só trabalha ou estuda contigo
5- tem namorada (o), qual nome, idade?
Qual foi a ultima vez que se viram?
Como é, o que gostam de fazer juntos?
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Planos e ilusões: Analisar as perspectivas de
futuro. Perguntas livres

Inventar uma história com 6 objetos com


funções definidas: Pedir para que se crie
uma historia com tais objetos. Observar o
uso criativo dos objetos e habilidades de
linguagem.

Desenhos ou filmes: O objetivo é observar a


narração dos fatos do sujeito após assistir a
um desenho, vídeo, filme. Como ele narra a
sucessão de fatos, se narra usando gestos, a
imagem: https://www.wpspublish.com/ados-2-autism-diagnostic- qualidade dessa linguagem e etc
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Descanso: Observar o que o sujeito faz no


tempo livre. Entregue jogos, outros recursos
para ele se entreter enquanto você
(avaliador) preenche suas fichas de
avaliação. E observe se enquanto esse tempo
o sujeito aproveita o tempo livre para jogar
ou fazer outra atividade. Observar
autonomia, se retorna bem para as
atividades, ou se apresenta resistência
quando acaba o tempo de descanso

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Referências
• LORD, C., RUTTER, M., DILAVORE, P., RISI, S. Autism Diagnostic Observation Schedule. 2nd edition. Los
Angeles, CA: Western Psychological, 1999.
http://tede.mackenzie.br/jspui/bitstream/tede/3963/5/Victor%20Namur.pdf

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Obrigada!
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1.1 Face Test
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Avaliação do Adolescente e Adulto


Hoje em dia, é consenso que
pessoas com autismo podem ter
dificuldades para manter o contato
visual, para reconhecer expressões
faciais e, assim, reconhecer as
emoções das outras pessoas.

O livro “Olhe nos meus olhos” de


John Elder Robison é uma
autobiografia e expressa muito bem
essa, e muitas outras dificuldades,
vividas pelo autor, que teve seu Imagem: https://www.travessa.com.br/olhe-nos-meus-

diagnóstico já na vida adulta!


olhos-minha-vida-com-a-sindrome-de-asperger-1-ed-
2008/artigo/04c62230-4524-4787-b74b-8da83d4336d0

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Nesse artigo, os autores realizaram
3 experimentos diferentes: 2 com
adultos neurotípicos e 1 com
adultos com autismo.

Os experimentos consistiam em:


- 10 fotos com emoções básicas
(triste, alegre, surpreso...)
- 10 fotos com estados mentais
mais complexos (pensativo,
admirado, interessado...)
- Amostragens do rosto inteiro ou
somente partes do rosto

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Avaliação do Adolescente e Adulto


Os resultados mostraram que:

- Adultos neurotípicos conseguiram


identificar a maioria dos estados mentais
complexos e emoções básicas, enquanto
adultos autistas não conseguiram,
principalmente, somente pelos olhos
- Para as emoções básicas, as informações
da face inteira foram mais relevantes do
que somente as partes
- Para estados mentais complexos, ver
somente os olhos foi tão significativo
quanto ver a face inteira, e foi melhor do
que somente a boca...

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1.1 Face Test

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Fonte: Cohen et al., 1997)


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Fonte: Cohen et al., 1997)


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Referências
• S. Baron-Cohen, S. Wheelwright and T. Jolliffe, (1997) Is there a “language of the eyes”? Evidence from
normal adults and adults with autism or Asperger syndrome Visual Cognition 4:311-331.
https://docs.autismresearchcentre.com/papers/1997_BC_%20Is%20there%20a%20language_eyes_Vis%20
Cog.pdf

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Obrigada!
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2. Eye Test
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2. Eye Test

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Nesse estudo, os autores
aprimoraram questões
metodológicas relativas à
sensibilidade do teste, para que de
fato, fosse possível identificar
pessoas com dificuldades como
sendo autistas.

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https://www.autismresearchcentre.com/tests/eyes-test-adult/

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Fonte: Cohen et al., 1997)


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2. Eye Test

Fonte: Cohen et al., 1997)


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2. Eye Test

Referências
• S. Baron-Cohen, S. Wheelwright and J. Hill, (2001) The ‘Reading the mind in the eyes’ test revised version: A
study with normal adults, and adults with Asperger Syndrome or High-Functioning autism. Journal of Child
Psychology and Psychiatry 42:241-252.
https://docs.autismresearchcentre.com/papers/2001_BCetal_adulteyes.pdf

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Obrigada!
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3. Teoria da Mente e Coerência Central
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3. Teoria da Mente e Coerência Central

A Teoria da Mente (ToM)


Crianças e adultos com autismo
podem apresentar empobrecimento
no processamento de emoções, no
reconhecimento de faces, do
controle do olhar, da capacidade de
imitação, do uso de gestos, do uso
da linguagem pragmática (metáfora
e ironia) e do reconhecimento de
pensamentos e sentimentos de si
mesmos e de outras pessoas (Frith Imagem: Shuttertsock
& Happé, 1999).

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3. Teoria da Mente e Coerência Central

A Teoria da Mente (ToM)


Em relação à dificuldade dos
autistas em reconhecer seus
próprios eventos mentais e os de
terceiros, diz-se que estes pacientes
carecem de uma "Teoria da mente",
expressão utilizada para nomear a
habilidade automática e espontânea
de se atribuir estados mentais a si
mesmo e a outras pessoas a fim de
Imagem: Shutterstock
se poder predizer e explicar
comportamentos.

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3. Teoria da Mente e Coerência Central

A Teoria da Mente (ToM)


A expressão "Teoria da mente" (ToM) deriva de
um prestigiado artigo publicado na década de
setenta por um primatologista e um psicólogo,
Premack e Woodruff, cujo título questionava
se, a exemplo dos seres humanos, os
chimpanzés também teriam uma "Teoria da
mente" (1978).

Mas foi Baron-Cohen (1995) quem cunhou o


termo "cegueira mental" para descrever os
déficits apresentados por indivíduos autistas
no processamento ToM, isto é, na capacidade
de inferir ou atribuir estados mentais a
terceiros, comprometendo sua capacidade de
interagir socialmente. Imagem: https://www.amazon.com/Mindblindness-
Essay-Autism-Theory-Mind/dp/026252225X

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3. Teoria da Mente e Coerência Central

A Teoria da Mente (ToM)


O conceito de processamento ToM não se
refere, de fato, a uma "teoria", mas a uma
habilidade mental automática de se atribuir
estados mentais a si mesmo e a outros
indivíduos, com a finalidade principal de
compreensão e predição de seus
comportamentos.

É importante destacar o papel da


"automaticidade" desta habilidade, de maneira
semelhante ao que ocorre, por exemplo, com os
processos de decodificação de estímulos
sensoriais ambientais, nos quais também não
Imagem: Shutterstock
ocorrem elaborações teóricas acerca do mundo.

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3. Teoria da Mente e Coerência Central

A Teoria da Mente (ToM)


Dá-se o nome de ToM implícita (ToMi) à
habilidade automática propriamente dita, de
inferência de estados mentais, que permite um
processamento rápido das informações
oriundas do ambiente social; e de ToM
explícita (ToMe) à capacidade de aprender as
regras do jogo social, de forma a otimizar o
convívio com outros seres humanos.

ToMi e ToMe parecem recrutar circuitos


neurais distintos e, do ponto de vista da
eficiência, a ToMe é mais lenta, não
permitindo um processamento online da Imagem: Shutterstock

informação social.

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3. Teoria da Mente e Coerência Central

João e Ana

Esse é o João. Essa é a Ana.

João tem uma cesta. Ana tem uma caixa.

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João tem uma bola.


Ele guarda a bola dentro da sua cesta. Ana tira a bola de João de dentro
da cesta e guarda na caixa.

João sai para passear e


deixa a bola na cesta.

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3. Teoria da Mente e Coerência Central

Agora, João voltou. Ele quer brincar com sua bola.


Onde João vai procurar a sua bola: na cesta ou na caixa?

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3. Teoria da Mente e Coerência Central

Referências
• MOUSINHO, R. et. al. (2009) AQUISIÇÃO DA LINGUAGEM FIGURADA. Rev. Psicopedagogia; 26(80): 200-6.
https://cdn.publisher.gn1.link/revistapsicopedagogia.com.br/pdf/v26n80a05.pdf

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3.1 Teoria da Mente e Coerência Central
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3.1 Teoria da Mente e Coerência Central

Coerência Central
Outra característica bem marcante de
crianças e adultos com autismo é a
dificuldade no processamento das
informações sensoriais e cognitivas de
uma forma integrativa e coerente.

O trabalho de Frith (1989) foi pioneiro


em descrever, no autismo, a falta da
tendência natural em juntar partes de
informações para formar um todo
provido de significado, que seria a
coerência central.
Imagem: https://www.amazon.com.br/Autism-Explaining-Enigma-Uta-
Frith/dp/0631229019

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Coerência Central
Pessoas com autismo teriam uma
tendência em ver partes, ao invés de uma
figura inteira, ou em preferir uma
sequência randômica, ao invés de uma
provida de significado (contexto).

Frith explica que esta é uma possível causa


do fato que pessoas com autismo veem o
mundo fragmentado. Ela faz uma análise
por meio das estereotipias, dos rituais e
das rotinas dessas pessoas, e elimina a
hipótese que a falha na comunicação se dá
por falta de atenção, deficiência nos
sentidos, etc.
Imagem: https://www.amazon.com.br/Autism-Explaining-Enigma-Uta-
Frith/dp/0631229019

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Coerência Central
A autora dá o exemplo do quebra-
cabeça: que crianças com autismo
costumam se dar bem com esses jogos
porque elas unem as partes do quebra-
cabeça e desconsideram a imagem
geral...

Segundo a autora, para a pessoa com


autismo, peças são simplesmente
peças, e não peças de uma imagem, ou
seja, informações que se acumulam
são simplesmente informações sem
utilidade, que podem ser manipuladas
ou não... Imagem: https://www.amazon.com.br/Autism-Explaining-Enigma-Uta-
Frith/dp/0631229019

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Coerência Central e Funções Executivas


Atualmente, sabe-se que essa
dificuldade na habilidade de Coerência
Central apresentada por pessoas com
autismo está relacionada com uma
dificuldade maior nas Funções
Executivas como um todo.

Isso leva a dificuldades como


inflexibilidade, perseveração, primazia
do detalhe e dificuldade de inibição de
respostas, que são comportamentos
bem característicos de pessoas
autistas.
Imagem: https://www.sinopsyseditora.com.br/livros/autismo-
avaliacao-psicologica-e-neuropsicologica-hogrefe-1362
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Coerência Central e Funções Executivas


Além disso, sabe-se também da
extrema variedade de sintomatologia
presente nas pessoas com autismo.

Por isso, se faz extremamente


importante, realizar uma avaliação
neuropsicológica adequada em
adolescentes e adultos com autismo, a
fim de verificar as principais
dificuldades cognitivas que se
encontram naquele determinado
sujeito.

Imagem: https://www.sinopsyseditora.com.br/livros/autismo-
avaliacao-psicologica-e-neuropsicologica-hogrefe-1362

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Habilidades Semântico-Pragmáticas
Mousinho (2003) estudou as
habilidades linguístico-cognitivas
necessárias para a compreensão de
piadas, duplos sentidos, metáforas em
indivíduos com autismo leve, usando o
aporte teórico da Linguística Cognitiva.

Ela identificou 3 tipos de habilidades:

- Projeções Metonímicas
- Mesclagem
- Mudança de Enquadre

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Imagem: Shutterstock

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Habilidades Semântico-pragmáticas

Não é um protocolo padronizado, mas


ajuda a identificar, qualitativamente,
dificuldades de compreensão que
demandam processamento linguístico
mais específico.

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Obrigada!
4. Casos Clínicos
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4. Casos Clínicos

Um Adolescente de 12 anos
Relato da mãe:
Guiga foi diagnosticado quando tinha 4 anos. Ele demorou a falar, somente aos 2 anos e meio. Fez
acompanhamento com fonoaudióloga e teve alta quando tinha 6 anos. Ela já não apresentava mais
dificuldades na fala e estava se alfabetizando adequadamente.

Ele faz acompanhamento com a mesma psicóloga desde pequeno. Ela trabalha bastante com ele as questões
emocionais relacionadas às dificuldades de relacionamento social.

Mas, eu sinto que ele precisava melhor a comunicação, sabe? Ele conversa pouco, ainda é bastante tímido,
não consegue iniciar um diálogo com os amigos da escola e sofre com isso. Por isso, eu procurei outra fono.

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Um Adolescente de 12 anos

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4. Casos Clínicos

Nas tarefas de reconhecimento das emoções básicas, o


paciente não teve tantas dificuldades, contudo, nos estados
mentais complexos, sim.

Fonte: Cohen et al., 1997)


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4. Casos Clínicos

Habilidades Semântico-pragmáticas

Tarefas de Projeções Metonímicas:


paciente não apresentou dificuldades.

Tarefas de Mesclagem:
paciente não apresentou dificuldades.

Tarefas de Mudança de Enquadre:


paciente apresentou muitas dificuldades.

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Obrigada!
4.1 Casos Clínicos
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4.1 Casos Clínicos

Um pré-adolescente de 9 anos (2007)

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4.1 Casos Clínicos

Adolescentes de um CAPSi (2010)

Imagem: Shutterstock

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4.2 Casos Clínicos
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4.2 Casos Clínicos

Um Jovem de 16 ou 17 anos
A série Atypical, da Netflix, é um
excelente retrato das possíveis
dificuldades enfrentadas pelos
jovens com autismo!

Imagem: https://www.adorocinema.com/series/serie-21143/

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4.2 Casos Clínicos

Um Jovem de 16 ou 17 anos

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Obrigada!

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