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Referência do material estudado:

COÊLHO, Ildeu Moreira. Qual o sentido da Escola?. In: COÊLHO, Ildeu Moreira
(Org.). Escritos sobre os sentidos da escola. Campinas, SP: Mercado de letras,
2012. Cap. 3, p.59-86.

Visão geral sobre o material:

O texto explica que a escola, inclusive universidade, tem sido vista em termos
de instrumentalidade, funcionalidade, produtividade, eficiência e formação
profissional, não se interessando o que ela é ou sua razão de ser, o que a
justifica está fora dela, na esfera dos negócios sendo o aluno comparado a
consumidor, tornando-a apenas um meio para que a economia e os indivíduo
alcancem seus objetivos e metas.
Nesse contexto, nos dias atuais, a boa escola, eficiente e produtiva é vista
como aquela que os professores aplicam conteúdos e metodologias adequadas
ao ensino e utilizam novas e avançadas tecnologias nas aulas, visando
somente o bom resultados dos alunos nas avaliações, concursos e mercado de
trabalho, porém, na verdade, a escola está construindo repetidores de
verdades formadas, incapazes de formar uma opinião ou desenvolver uma
argumentação crítica. No mesmo sentido, o autor traz no texto uma citação de
sua autoria pronunciada no encerramento da conferência de abertura do XIII
Encontro de Pró-Reitores da Graduação – Norte e Nordeste, realizado na data
de 16/09/1992, em Fortaleza/CE:
Mata-se então o desejo de saber, a dúvida, o questionamento, o
espírito crítico, a inquietação que nos conduz à busca, impondo ao
aluno um saber pronto, uma ciência dogmática, uma variedade de
informações na área.

Na mesma citação o autor traz a expressão “túmulo de pensamento” ao se


referir ao ensino, o que nos faz refletir, posto que sem a capacidade de pensar
e com o conhecimento direcionado, não temos uma geração de estudantes,
mas de indivíduos alienados.
Assim, a razão de ser da escola não se confunde com recursos humanos e
mão de obra para o Estado e as empresas, pelo contrário, visa o desenvolver
do pensar para a constituição e a afirmação da existência humana e para
criação de uma sociedade diferente, mais igualitária, autônoma e justa. A
formação do pensamento garante a todos a efetiva convivência com a leitura, a
escrita, as obras de cultura da humanidade, com as ideias, conceitos e
argumentos, com o saber a ser estudado, interrogado, compreendido, pensado
em seu sentido, pressupostos e implicações, com a beleza das formas nas
letras e nas artes.
Cabe ao professor ensinar além do aprendizado básico consistente na leitura,
escrita e estudo, direcionar o aluno ao pensar, a conhecer o real e desenvolver
o hábito do trabalho intelectual que favorecerá a construção de uma sociedade
melhor, mais justa e igualitária.
A simples transmissão de certezas, conteúdos e teorias científicas com
resultados postos, sem despertar no estudante à compreensão, o sentido e o
porquê do que está sendo estudado, irá apenas persuadi-lo a aceitar como
verdadeiro o que foi transmitido, o que transforma a aula é o pensar alto, a
provocação da inteligência dos estudantes, levá-los a participar de um
exercício intelectual de interrogar, compreender e explicar o que está sendo
trabalhado pelo professor. Com efeito, não é o conteúdo do ensino, é a forma
que muda e transforma a realidade.
A educação, a escola, e a universidade fazem parte do presente e futuro da
humanidade, são marcos de sua existência.

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