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ERGONOMIA

Autoria: Elda Nunes de Carvalho

2ª Edição
Indaial - 2020

UNIASSELVI-PÓS
CENTRO UNIVERSITÁRIO LEONARDO DA VINCI
Rodovia BR 470, Km 71, no 1.040, Bairro Benedito
Cx. P. 191 - 89.130-000 – INDAIAL/SC
Fone Fax: (47) 3281-9000/3281-9090

Reitor: Prof. Hermínio Kloch

Diretor UNIASSELVI-PÓS: Prof. Carlos Fabiano Fistarol

Equipe Multidisciplinar da Pós-Graduação EAD:


Carlos Fabiano Fistarol
Ilana Gunilda Gerber Cavichioli
Jóice Gadotti Consatti
Norberto Siegel
Julia dos Santos
Ariana Monique Dalri
Marcelo Bucci

Revisão Gramatical: Equipe Produção de Materiais

Diagramação e Capa:
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI

Copyright © UNIASSELVI 2020


Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri
UNIASSELVI – Indaial.
C331e

Carvalho, Elda Nunes de

Ergonomia. / Elda Nunes de Carvalho. – Indaial: UNIASSELVI,


2020.

112 p.; il.

ISBN 978-85-7141-444-0
ISBN Digital 978-85-7141-445-7

1. Ergonomia. - Brasil. Centro Universitário Leonardo Da Vinci.

CDD 620.82
Impresso por:
Sumário

APRESENTAÇÃO.............................................................................5

CAPÍTULO 1
HISTÓRIA DA ERGONOMIA.............................................................7

CAPÍTULO 2
BIOMECÂNICA OCUPACIONAL.....................................................39

CAPÍTULO 3
DOENÇAS OCUPACIONAIS..........................................................79
APRESENTAÇÃO
Caro acadêmico!

O livro de Ergonomia tem como principal propósito apresentar a você os


conceitos e as aplicações de Ergonomia, pois com o passar do tempo, nossas
atitudes e exigências mudam, e no trabalho não é diferente. Conhecer essa ciência
tem sua importância em várias áreas profissionais, como engenharia, design,
arquitetura, entre outras.

No seu local de trabalho, você já deve ter observado as mudanças que


contribuíram positivamente para o bem-estar dos funcionários. Assim, você
presenciou de forma direta ou indiretamente esta mudança no ambiente de trabalho.
Essa prática é chamada de Ergonomia, que aplica ações visando ao bem-estar das
pessoas no local de trabalho, em medidas preventivas que influenciam diretamente
na saúde do trabalhador. Entretanto, este livro servirá como uma ferramenta para
que você conheça tal ciência, suas aplicações em diversos ambientes, as normas
envolvidas em cada aspecto analisado, como ocorrem as pesquisas sobre o tema
e as adaptações para que as ações da Ergonomia sejam aplicadas nas empresas.

Assim, para um estudo mais dirigido, o livro está dividido em três capítulos,
nos quais cada um apresenta objetivos, conteúdo, atividades de estudo, dicas,
sugestões e recomendações de referências, que apontam para seu estudo
aprofundado.

No primeiro capítulo, você se familiarizará com a Ergonomia e seus principais


termos relacionados, a história de seu surgimento e evolução, definições e
principais aplicações no campo de trabalho, bem como as áreas de domínio.

Já no segundo capítulo, será possível perceber as principais atividades


que colaboram para a aplicação da Ergonomia, exemplificando como elas são
identificadas nas atuações no campo de trabalho.

No terceiro capítulo, você conhecerá algumas doenças causadas em função


da ocupação do trabalhador, à luz da Norma Regulamentadora nº 17, que é
dedicada à Ergonomia e suas patologias consequentes.

Assim, esta obra fornece instrumentos e material para conhecimento e


desenvolvimento de práticas da Ergonomia que poderão beneficiar os empregados,
a fim de entender melhor a função dos profissionais que estudam tal ciência e
entender melhor a relação “pessoas, posto de trabalho e suas respectivas funções”.
C APÍTULO 1
HISTÓRIA DA ERGONOMIA

A partir da perspectiva do saber-fazer, neste capítulo você terá os seguintes


objetivos de aprendizagem:

 Conhecer os aspectos históricos e a evolução da Ergonomia.

 Desenvolver os conhecimentos da área de Ergonomia para que possa atuar na


promoção da saúde e na prevenção de doenças relacionadas ao trabalho.
ERGONOMIA

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Capítulo 1 HISTÓRIA DA ERGONOMIA

1 CONTEXTUALIZAÇÃO

Ao praticar uma atividade repetitiva, por mais simples que esta seja, por um
longo tempo e exaustivamente, você percebe, mesmo sem nenhum conhecimento
prévio, que algo está incomodando. Empiricamente, surge a necessidade de
amenizar esta ação e seus possíveis danos por conta do trabalho repetitivo,
resultando assim em iniciativas baseadas em Ergonomia.

A Ergonomia apresenta um leque de informações e aplicações essenciais


para o bem-estar, a segurança e a produtividade do trabalhador. Ela aborda um
ramo que busca adequar o homem ao seu local de trabalho, oferecendo sugestões
de melhorias e soluções para problemas recorrentes, que no desenvolvimento de
uma tarefa (com uma postura inadequada ou, ainda, um posto de trabalho mal
estruturado) podem causar prejuízos à saúde do indivíduo.

Imagine só: no seu local de trabalho, ou até mesmo na sua


função no trabalho, podem existir riscos e estes podem estar
afetando a sua saúde. Não! Não é algo bom de se imaginar. Por isso,
é importante conhecer a Ergonomia, seus conceitos, as aplicações e
sugerir soluções para melhorar a vida do trabalhador.

Uma vez familiarizado com o tema, também é importante que saiba que
ele faz parte do seu dia a dia, e o conhecimento adquirido sobre o termo e as
aplicações desenvolvidas nesta área estão se tornando cada vez maiores. Por
isso, não se trata de uma ciência nova, ao contrário, segundo Dul e Weerdmeester
(2004), durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) já era possível perceber
a aplicação dos princípios da Ergonomia. Devido aos avanços tecnológicos,
os postos de trabalho também evoluíram: as tarefas executadas pelo homem
mudaram, surgiu a necessidade de estudos sobre a relação do indivíduo, incluindo
também seu local de trabalho.

Consequentemente, ao longo dessa evolução, muitas melhorias se


estabeleceram: tanto para o trabalhador, que preserva a sua saúde, quanto para
o empregador, que, num mundo competitivo, busca oferecer programas internos
para a saúde do seu empregado, garantindo um constante nível de qualidade

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ERGONOMIA

e alta produtividade. Procurar soluções para que nada ameace esse avanço é
a busca dos especialistas em Ergonomia, que procuram trabalhar na relação
trabalhador versus posto de trabalho, visando sempre ao bem-estar de todos.

Portanto, discutiremos também a influência direta das implementações


tecnológicas que ocorrem no trabalho, direcionando no desenvolvimento da
Ergonomia. Iniciaremos definindo Ergonomia e descrevendo a sua linha do
tempo histórica, com o intuito de compreender a relação do posto de trabalho
e as medidas adotadas pelos especialistas para prevenir a integridade física e
emocional dos trabalhadores.

2 O QUE É ERGONOMIA?
Ergonomia é a ciência que estuda a relação do homem com sua função e
postura, tanto nos processos como no posto de trabalho, visando a sua saúde e
segurança, ou seja, preocupa-se em ajudar o trabalhador, desenvolvendo estudos
e aplicações que produzem conhecimentos sobre o homem e sua relação com o
trabalho.

De onde vem o termo Ergonomia?


Ergonomia: o termo é a junção das palavras gregas ergon
(trabalho) + nomos (leis e regras). Resumindo: regras de trabalho.

De acordo com Iida (2005), o termo Ergonomia foi adotado nos países
europeus substituindo antigas denominações, como fisiologia do trabalho e
psicologia do trabalho. Nos Estados Unidos adotou-se a denominação human
factors (fatores humanos).

Importância da Ergonomia para a Qualidade de Vida no Trabalho.


Disponível em: https://www.conceitozen.com.br/importancia-da-
ergonomia-para-a-qualidade-de-vida-no-trabalho.html.

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Capítulo 1 HISTÓRIA DA ERGONOMIA

A importância da Ergonomia para a prevenção da saúde do trabalhador


remete a minimizar acidentes no posto de trabalho, preservando a saúde e a
integridade física e mental dele. Pense nisso! Enquanto você está no seu local de
trabalho exercendo sua profissão, existe um grupo de especialistas, denominados
ergonomistas, pesquisando soluções que possam minimizar o desconforto no
posto de trabalho.

O que é um ergonomista? São profissionais que estudam


melhorias para o homem e seu local de trabalho.

Esses profissionais trabalham para garantir o exercício da Ergonomia,


que visa proporcionar conforto, qualidade, segurança e produtividade aos
colaboradores. A Ergonomia preocupa-se com vários fatores, que, em conjunto,
visam ao bem-estar dos indivíduos, conforme mostra a Figura 1.

FIGURA 1 – FATORES QUE ENVOLVEM A ATUAÇÃO DIRETA DA ERGONOMIA

FONTE: <https://www.ergotriade.com.br/single-post/2016/07/28/5-ganhos-
quando-se-investe-em-Ergonomia>. Acesso em: 31 ago. 2019.

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ERGONOMIA

Na segurança, a Ergonomia preocupa-se com a integridade física das


pessoas e esta preocupação engloba principalmente a redução de acidentes de
trabalhos, os projetos de máquinas e as ferramentas que ofereçam segurança
e conforto ao serem manuseadas, além de processos bem planejados para a
gestão do tempo.

Exemplo de Ergonomia no que diz respeito à segurança.


Imagine um açougue, onde os funcionários manuseiam uma
ferramenta para cortar ossos. Essa ferramenta não oferece nenhuma
proteção e os funcionários trabalham sem qualquer equipamento de
proteção individual. Aqui entram as medidas de proteção coletiva e
individual.
Sinal de alerta: acidentes podem ser evitados!

No que diz respeito ao conforto, a Ergonomia refere-se à acomodação


adequada do colaborador ao seu posto de trabalho. Assim, ela desenvolve projetos
que consideram o peso, a altura ou qualquer outra limitação do profissional,
porém, também busca meios de adequar o posto de trabalho ao homem.

Exemplo de Ergonomia no que diz respeito ao conforto.


Imagine uma companhia aérea que não oferece aos seus
clientes opções de poltronas e limita-se a atender um público com
um certo biotipo. Um cliente obeso viaja nessa companhia e precisa
se adequar a uma poltrona, que não lhe oferece nenhum conforto.
Se a viagem for longa, como o cliente estará ao final de sua viagem?
Como a Ergonomia pode resolver tal situação?

O fator qualidade na Ergonomia procura oferecer ao trabalhador um ambiente


limpo, saudável, procurando manter o relacionamento profissional amigável,
longe de estresse, tensões e pressão. A qualidade, segundo a Ergonomia, pode
ser validada através de quatro aspectos:

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Capítulo 1 HISTÓRIA DA ERGONOMIA

• Condições mínimas de vida digna.


• Condições do meio urbano em que se vive.
• Qualidade de vida no trabalho.
• Aspectos pessoais.

Exemplo de Ergonomia no que diz respeito à qualidade.


Imagine os funcionários da bolsa de valores. Você sabe como
é a rotina de trabalho de um funcionário neste setor? As pessoas
trabalham no limite de tempo, negociando, vendendo, atendendo
vários clientes ao mesmo tempo e tudo coopera para um trabalho
estressante e fatigante. Você consegue reconhecer um outro
ambiente com um alto grau de estresse, além deste citado?

Quanto aos custos, a Ergonomia está diretamente relacionada a todos os


fatores anteriores, pois um funcionário trabalhando em um ambiente que oferece
segurança, conforto e qualidade, tende a favorecer os atributos positivos da
Ergonomia, uma vez que os custos são elevados para recuperar um profissional
acidentado, que trabalha insatisfeito, ou até num ambiente inadequado. Em casos
assim recorrentes, será difícil competir em um mercado dinâmico, sem todos os
fatores ergonômicos alinhados. A produtividade é o resultado de um trabalho
harmonioso e sem grandes ocorrências, danos ou prejuízos.

Exemplo de Ergonomia no que diz respeito a custos.


Imagine o funcionário que trabalha no supermercado
carregando cargas pesadas, durante um longo período, sem
qualquer preocupação com a saúde. Devido a sua atividade diária,
começa a sentir dores, com isso tem ausências no trabalho, gastos
com médicos e remédios. Restabelecer a saúde é um custo alto a
qualquer trabalhador.

Segundo Silva e Paschoarelli (2010), a busca por melhores índices de


produtividade sempre foi um dos principais objetivos das organizações. Antes do

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ERGONOMIA

surgimento do termo Ergonomia, no século XVIII, a história relata que no período


da Pré-História, o homem criou ferramentas de madeira e pedras para agilizar
atividades do dia a dia, como caçar, cortar ou esmagar. Essas ferramentas
facilitavam o trabalho e ofereciam mais conforto e eficácia ao homem para auxiliar
nas tarefas (Figura 2).

FIGURA 2 – INSTRUMENTO DE CAÇA FEITO DE PEDRA E MADEIRA

FONTE: <https://br.pinterest.com/pin/334955291029435804/>. Acesso em: 30 maio 2019.

De acordo com o objetivo dessas invenções humanas, é possível perceber


aspectos da Ergonomia, mesmo que numa atividade do cotidiano do homem pré-
histórico, pois esses ajustes das ferramentas tornaram mais fácil o manuseio
delas. Ao contrário do que se imagina, a Ergonomia não é aplicada apenas ao
homem com o seu ambiente de trabalho, podemos ser auxiliados pela Ergonomia
em qualquer atividade corriqueira que cause algum tipo de dano a nossa saúde,
até mesmo nas tarefas domésticas.

O papel da Ergonomia é estudar formas de adaptar o homem a atividades


exaustivas e repetitivas, devido a isso, a Ergonomia se expandiu, englobando
muitas atividades humanas. Tal expansão envolve o setor de serviços, como
indústria, transporte, saúde, educação, lazer, comércio, trabalhos domésticos,
entre outros. A Ergonomia surgiu e evoluiu com a história do trabalho. Para
entender o desenvolvimento da Ergonomia, devemos estudar o contexto
socioeconômico no decorrer da história.

Antes de 1750, o trabalho era feito com o uso da força muscular do homem
ou com a ajuda de tração animal (burro, cavalo, boi etc.). Na produção artesanal,
em que os trabalhos não eram automatizados, era notória uma preocupação em
adaptar as tarefas às necessidades dos trabalhadores, porém nada muito óbvio.
Portanto, na era da Revolução Industrial, os problemas causados com o trabalho

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Capítulo 1 HISTÓRIA DA ERGONOMIA

excessivo dos homens e o uso das máquinas ficaram mais evidentes e eram
agravados com o passar do tempo.

As características das primeiras indústrias eram péssimas: sujas, quentes,


muito barulho, escuras e perigosas, além da jornada de trabalho longa e
exaustiva. Muitos consideram o trabalho desse período praticamente um trabalho
escravo, uma vez que os trabalhadores não tinham direitos a férias e os salários
eram baixos, sem nenhum adicional, como plano de saúde, ginástica laboral etc.,
conforme mostrado na Figura 3.

FIGURA 3 – CONDIÇÕES DE TRABALHO NA REVOLUÇÃO


INDUSTRIAL, OCORRIDA NO SÉCULO XVIII

FONTE: <http://www.casadosfocas.com.br/liderancas-necessarias/
revolucao-industrial/>. Acesso em: 10 maio 2019.

Na Revolução Industrial, surgem as máquinas a vapor. Neste período, usou-


se a energia do vapor, originando as fábricas, onde o processo era metódico e
sistemático; com isso, a atividade deixou de ser agrícola e as pessoas migraram
da zona rural para a cidade, que então estava sendo industrializada. Devido a
essa migração, as condições de trabalho eram desumanas e as horas de trabalho
eram excessivas, causando acidentes e doenças.

Segundo Iida (2005), os estudos mais sistemáticos sobre o trabalho


começaram a ser realizados a partir do final do século XIX. Nos Estados Unidos
surgiu um movimento conhecido como Taylorismo, que é um sistema de produção
organizada a fim de sincronizar os processos, conforme apresentado na Figura 4.

O Taylorismo faz parte da Segunda Revolução Industrial, que tem como


princípio a produção em massa aumentando a produtividade das empresas,
fundamentada em uma concepção de produção baseada em um método científico

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ERGONOMIA

de organização do trabalho desenvolvido por Frederick Winslow Taylor (1856-


1915), engenheiro mecânico nos Estados Unidos.

FIGURA 4 – SISTEMA DE GESTÃO TAYLORISMO, NO QUAL AS ATIVIDADES SÃO


SINCRONIZADAS E CRONOMETRADAS A FIM DE AUMENTAR A PRODUTIVIDADE

FONTE: <https://blog.softwareavaliacao.com.br/taylorismo/>. Acesso em: 10 maio 2019.

O que é Taylorismo? É um sistema de gestão de trabalho que


envolve diversas técnicas a fim de aproveitar com maior eficiência a
mão de obra humana, desenvolvido no início do século XIX e baseado
nos estudos sobre os movimentos do operário e das ferramentas de
trabalho no processo industrial.

Em 1900, em alguns países europeus, surgiram as primeiras pesquisas na


área da Ergonomia, pesquisadores estavam preocupados com as condições
difíceis de trabalho e o desgaste dos operários nas minas de carvão, fundição e
outros ambientes insalubres aos trabalhadores.

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Capítulo 1 HISTÓRIA DA ERGONOMIA

O que é um ambiente insalubre? De acordo com a legislação


trabalhista, são consideradas insalubres atividades ou operações
que exponham o trabalhador a agentes nocivos à saúde devido à
natureza, condições ou métodos de trabalho. Portanto, ambiente
insalubre diz respeito à falta de higiene e ambiente hostil de trabalho.

De acordo com Abrahão et al. (2009), o termo Ergonomia foi adotado pela
primeira vez em 1857 por um cientista polonês, Wojciech Jastrzębowski, em um
trabalho intitulado “Ensaio de Ergonomia, ou ciência do trabalho, baseada nas leis
objetivas da ciência sobre a natureza”.

Em 1950, surgiu a Ergonomia nos países industrializados, a fim de entender


a evolução do trabalho nestes países; até então o que se tinha de concreto era o
fato do surgimento de muitos problemas relacionados ao operador e seu posto de
trabalho.

A evolução da Ergonomia ao longo da história teve início em 1949, tornando-


se uma disciplina. Tal ação foi desenvolvida pela Ergonomics Research Society,
Inglaterra. Nos Estados Unidos, em 1959, foram criadas a Human Factors Society
(HFS) e a International Ergonomics Society (IES), assim como em 1963, na
França, foi criada a Societé d’Ergonomie de Langue Française (SELF) (ABRAHÃO
et al., 2009). São órgãos que se constituem como importantes propagadores de
produção técnica e científica em Ergonomia no mundo.

No Brasil, temos a Associação Brasileira de Ergonomia (Abergo), criada em


30 de novembro de 1983. Lucio et al. (2010) afirmam que a Abergo foi aceita
como membro da International Ergonomics Association em 1984.

Na década de 1970, utilizam-se novas tecnologias, mudando a relação


de trabalho e da organização, abrindo precedentes para novas formas de
gerenciamento.

Embora perceba a grande evolução da Ergonomia no Brasil e no mundo, tal


ciência está em constante transformação, uma vez que está diretamente ligada à
adaptação do homem ao seu local de trabalho, conforme apresentado na Figura
5. Devido às mudanças que ocorrem com o domínio da tecnologia, as funções de
trabalho também sofrem mudanças, por isso, elas precisam de assistência. Os

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ERGONOMIA

profissionais da Ergonomia precisam estar atentos e em constante aprendizado


para alcançar êxito nas práticas ergonômicas.

FIGURA 5 – EVOLUÇÃO DO TRABALHO E O USO DA TECNOLOGIA

FONTE: Calvosa (2010, p. 12)

2.1. DEFINIÇÃO E OBJETIVOS DA


ERGONOMIA
Existem muitos conceitos atribuídos à Ergonomia:

O dicionário Aurélio (2010) afirma que Ergonomia é um conjunto de estudos


que visa à organização metódica do trabalho em função do fim proposto e das
relações entre o homem e a máquina.

Para a Sociedade de Ergonomia, ergonomia é o estudo do relacionamento


entre o homem e o seu trabalho, equipamento, ambiente e, particularmente, da
aplicação dos conhecimentos de anatomia e fisiologia na solução dos problemas
surgidos desse relacionamento.

A International Ergonomics Association (IEA) diz que Ergonomia é o estudo


científico da relação entre o homem, seus meios, métodos e espaços de trabalho.
Seu objetivo é elaborar, mediante a contribuição de diversas disciplinas científicas
que a compõem, um corpo de conhecimentos que, dentro de uma perspectiva
de aplicação, deve resultar em uma melhor adaptação ao homem dos meios
tecnológicos e dos ambientes de trabalho e de vida.

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Capítulo 1 HISTÓRIA DA ERGONOMIA

Saiba mais em:


International Ergonomics Association – IEA: www.iea.cc
Societé d´Ergonomie de Langue Francaise – SELF: www.
ergonomie-self.org
Associação Brasileira de Ergonomia – Abergo: www.abergo.org.br

Dentre as diversas definições de Ergonomia, é possível notar que todas elas,


independentemente das palavras usadas, chegam a uma mesma conclusão.
Em resumo, a Ergonomia diz respeito à adaptação do posto de trabalho ao
trabalhador.

Cremos que a definição de Ergonomia está clara. Não acha?


Qual o principal objetivo da Ergonomia? Você é capaz de responder?

A Ergonomia visa ao bem-estar, à segurança, à produtividade e à qualidade


de vida do homem, bem como transformar o ambiente de trabalho considerando
tais fatores. Uma vez estes aspectos alinhados, de forma eficiente o objetivo da
Ergonomia é alcançado. Contudo, não são apenas os fatores listados que devem
ser considerados, existem outros fatores, porém os mais relevantes para prevenir
a integridade do homem devem ser priorizados.

1 Antes a Ergonomia preocupava-se com o homem e o posto de


trabalho. Homem versus posto de trabalho é o suficiente para o
estudo da Ergonomia? Defina Ergonomia.
R.: ____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
________________________.

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ERGONOMIA

2 Você acha que a Ergonomia pode ser adaptada a qualquer setor?


Cite um exemplo.
R.: ____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
________________________.

O conceito e o objetivo apresentados nesta seção são resultados das


transformações que ocorreram ao longo da história da Ergonomia, contudo, são
cada vez mais necessários a pesquisa e o desenvolvimento de aplicações da
Ergonomia no cotidiano das pessoas.

2.1.1 Ergonomia e o Taylorismo


O engenheiro mecânico Taylor acreditava no fluxo de trabalho contínuo, em
que as atividades eram fiscalizadas e realizadas de forma correta, com um tempo
determinado fazendo uso das ferramentas adequadas.

Tais critérios eram controlados para medir a produtividade dos operários e,


quando alcançados os objetivos, recebiam incentivos salariais.

Os princípios básicos considerados por Taylor eram:

• Análise racional do trabalho e a instituição da técnica de trabalho:


baseava-se na análise dos movimentos corporais, cronometragem
do tempo e a organização correta e sistemática da tarefa, visando
basicamente à produção em massa.
• Autoridade técnica do engenheiro para fazer a análise do trabalho:
as tarefas eram desenvolvidas por um especialista na área, alguém
com conhecimento técnico das atividades que seriam executadas pelo
colaborador.
• Adaptação do homem ao trabalho: adequando o homem de acordo
com o seu biotipo a uma tarefa específica, por exemplo, uma tarefa que
exige um grande esforço físico, necessita de uma pessoa forte e biotipo
robusto. Considera peso, altura, sexo, habilidade motora, entre outras,
tais características são consideradas no momento de definir a tarefa de
cada trabalhador.

20
Capítulo 1 HISTÓRIA DA ERGONOMIA

FIGURA 6 – EVOLUÇÃO DO TRABALHO E O USO DA TECNOLOGIA

FONTE: <https://qualitaocupacional.com.br/wpcontent/uploads/2016/02/
Edicao37-2.png>. Acesso em: 13 maio 2019.

• Pagamento diferenciado de produção: maior produtividade e salário


maior, essa era a recompensa para aumentar a produção.

Diante de tais fatores, os trabalhadores não estavam satisfeitos, principalmente


com a cronometragem, uma vez que se sentiam oprimidos e reagiam de modo
a sabotar o andamento do processo. As reais condições de trabalho também
não eram consideradas, causando danos à saúde do trabalhador. Na linha de
produção, exige-se um ritmo determinado pela velocidade do equipamento, sem
considerar os aspectos físicos individuais dos colaboradores.

O Taylorismo surgiu dentro das indústrias por meio da análise da atividade


industrial que o indivíduo desenvolvia. É possível afirmar que o Taylorismo atribuía
a baixa produtividade ao que considerava “corpo mole” dos colaboradores, e os
acidentes de trabalho à negligência deles. Os fatos não ocorrem desta forma, pois
foi constatado pela Ergonomia que existe uma série de fatores que influenciam
diretamente a causa de acidentes, entre eles: funcionários insatisfeitos e
estressados.

Para Iida (2005), os acidentes não acontecem simplesmente, mas são


consequências de diversos fatores preexistentes.

2.2 APLICAÇÕES DA ERGONOMIA


De acordo com Iida (2005), para que a Ergonomia atinja seu objetivo, o
ergonomista deve entender e projetar considerando:

• O homem e as diversidades inerentes a ele, abarcando atributos, como

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ERGONOMIA

idade, tamanho, força, habilidade cognitiva, experiência, cultura e


objetivos.
• A máquina, ou seja, todas as ferramentas, o mobiliário, os equipamentos
e as instalações.
• O ambiente, que contempla temperatura, ruídos, vibrações, luzes, cores
etc.
• A informação, que se refere ao sistema de transmissão das informações.
• A organização, que constitui todos os elementos do sistema produtivo,
como horários, turnos e equipes.
• As consequências do trabalho, que abarcam todas as questões
relacionadas a erros e acidentes, além de fadiga e estresse.

A Ergonomia trabalha para solucionar muitos problemas, principalmente


no que diz respeito à saúde, à segurança e ao conforto do operador. Acidentes
podem ser causados por erros humanos, contudo, conclui-se que tais acidentes
têm como fatores de riscos o fato de o homem desconhecer seu trabalho e a não
ter uma relação adequada entre os colaboradores e suas tarefas.

Dentre as aplicações da Ergonomia, os ergonomistas planejam projetos que


envolvem a avaliação de tarefas, os postos de trabalho, a análise de produtos, o
desenvolvimento de máquinas e ferramentas, estudam o processo organizacional,
levando em conta as necessidades, as habilidades e as limitações do corpo.

A Ergonomia atua com os mais diferentes profissionais, tais como:

• Médicos do trabalho: atuam visando à promoção da saúde do


trabalhador, além de ajudar na análise dos locais que podem provocar
acidentes ou doenças ocupacionais.
• Engenheiros de projetos e processos: elaboram projetos de máquinas
e ferramentas, planejam recursos técnicos específicos, melhorando o
ambiente de trabalho.
• Engenheiros de produção: preocupam-se com a linha de produção,
organizando os processos, cuidando para que o fluxo contínuo de
informações, pessoas e material ocorra sem maiores prejuízos.
• Engenheiros de segurança e manutenção: coordenam, efetuam e
analisam riscos em máquinas e equipamentos que oferecem perigo ao
trabalhador, atuam gerenciando projetos que modifiquem ou substituam
tais máquinas e ferramentas.
• Desenhistas industriais: auxiliam nos projetos de adaptação de
máquinas e ferramentas, postos de trabalho, além de estudar as funções
técnicas de tais equipamentos.
• Analistas do trabalho: dedicam-se à pesquisa de métodos, tempo e
posto de trabalho, a fim de oferecer conforto ao trabalhador.

22
Capítulo 1 HISTÓRIA DA ERGONOMIA

• Psicólogos: pesquisam, analisam e intervêm na relação do homem com


o trabalho, fatores como satisfação, motivação, doenças relacionadas ao
trabalho etc. Também atuam nas empresas na seleção e recrutamento
de pessoal com aplicação de testes psicológicos. Contudo, a psicologia
não tem interesse pela produtividade, resultados e lucros, o principal
objetivo é a saúde física e mental do trabalhador, independentemente de
qualquer outro fator.

FIGURA 7 – O PSICÓLOGO ATUA COMO UM FACILITADOR


NA RELAÇÃO ENTRE AS PESSOAS E O TRABALHO

FONTE: <http://psicocuriosidades.blogspot.com/2009/10/psicologia-
organizacional-e-rh.html>. Acesso em: 20 maio 2019.

• Enfermeiros e fisioterapeutas: atuam na recuperação do profissional,


pois, uma vez diagnosticado com um problema de saúde ocupacional,
tais como dor ou lesão, necessita de profissionais qualificados para
restabelecer sua saúde e poder voltar ao ponto de trabalho sem muitos
danos.
• Terapeutas ocupacionais: responsáveis pela reabilitação,
proporcionando melhor qualidade de vida aos colaboradores com
problemas físicos, mentais, emocionais ou sociais.
• Programadores de produção: possuem conhecimentos técnicos de
toda a estrutura organizacional da empresa, assim como o leiaute das
máquinas e equipamentos. São os profissionais que atuam de modo
a colaborar para um ambiente de trabalho dinâmico, sem atrasos ou
estresses, pois são os responsáveis pela execução e programação de

23
ERGONOMIA

todos os recursos do chão de fábrica. É preciso seguir à risca todo o


planejamento, uma vez que o sucesso da execução do planejado
contribui para alcançar os resultados esperados pela empresa.
• Administradores: planejam os cargos e os salários adequados com
cada função, buscando satisfação dos funcionários.
• Compradores: responsáveis pela compra de máquinas, ferramentas,
equipamentos, matéria-prima e material de uso comum, prezam pelo
conforto e segurança dos produtos adquiridos.

FIGURA 8 – PROFISSIONAIS QUE ATUAM NA ERGONOMIA

FONTE: <www.ergonomics.com.br/solucoes-em-Ergonomia/>. Acesso em: 30 maio 2019.

Todos esses profissionais frequentaram cursos de pós-graduação em


Ergonomia, se especializando para atuar como profissionais da área de segurança
do trabalho, cooperando com a Ergonomia, a fim de atuar na prevenção e na
recuperação da saúde das pessoas.

1 Se você fosse um profissional para atuar na Ergonomia, que


profissional seria? O que você traria de diferente para contribuir
com a Ergonomia?

R.: ____________________________________________________
____________________________________________________
__________________________________________________.

24
Capítulo 1 HISTÓRIA DA ERGONOMIA

A respeito dos profissionais que atuam na Ergonomia, você


citaria algum outro que poderia contribuir ajudando nesta atuação?

A Ergonomia estuda os diversos fatores que influem no desempenho do


sistema produtivo e procura reduzir as suas consequências nocivas sobre
o trabalhador. Assim, ela procura reduzir a fadiga, o estresse, os erros e os
acidentes, proporcionando segurança, satisfação e saúde aos trabalhadores
durante o seu relacionamento com esse sistema produtivo (IIDA, 2005), ou seja,
a Ergonomia tem como principal objetivo a saúde, a segurança e a satisfação do
colaborador.

De acordo com esses fatores, como resultado desta ação, a literatura também
cita a eficiência como objetivo da Ergonomia. A eficiência torna o trabalho mais
produtivo e, consequentemente, mais lucrativo. A seguir, os aspectos relevantes
para que a Ergonomia se faça atuante:

• Saúde: neste aspecto, a Ergonomia considera o desgaste físico, o


estresse, os riscos de acidentes e as doenças causadas devido à
ocupação.
• Segurança: leva em consideração as adaptações no posto de trabalho,
ambiente e organização do trabalho, visando minimizar os erros, os
acidentes, o estresse e a fadiga, fatores que contribuem diretamente
para a segurança do operador.

FIGURA 9 – SEGURANÇA NO POSTO DE TRABALHO, CONSIDERANDO


AS ADAPTAÇÕES DO POSTO DE TRABALHO

FONTE: <https://www.youtube.com/watch?v=7z0Z-Bw8Q4A>. Acesso em: 30 maio 2019.

25
ERGONOMIA

• Satisfação: diz respeito ao sentimento de satisfação do trabalhador


quando as suas necessidades no ambiente de trabalho são atendidas.
O colaborador satisfeito implica resultados melhores, com atitudes mais
seguras e cuidadosas.
• Eficiência: é o resultado de metas alcançadas, planos bem executados
e um trabalho organizado, fatores que contribuem para a saúde, a
segurança e a satisfação ao colaborador.

FIGURA 10 – FATORES QUE INFLUEM NO SISTEMA PRODUTIVO


COLABORAM PARA O BEM-ESTAR DE TODOS

FONTE: <https://pt.pngtree.com/freepng/safety-
awareness_1562148.html>. Acesso em: 23 maio 2019.

2.3 DOMÍNIOS DA ERGONOMIA


Na prática, a Ergonomia deve oferecer ao trabalhador comodidade,
segurança e bem-estar. Um plano de Ergonomia bem desenvolvido em qualquer
área oferece ao empregador e empregado muitos benefícios, ou seja, todos saem
ganhando, pois a aplicação da Ergonomia é uma atitude coletiva, que beneficia
o todo, e também individual, observando o trabalhador como ser único com
características ímpares.

Como é uma prática que beneficia a todos, de acordo com Lugli (2010), a
Ergonomia também é aplicada ao projeto de máquinas, equipamentos, sistemas,
tarefas e ambiente, e além de melhorar a segurança, a saúde e o conforto,
melhora também a eficiência no trabalho.
26
Capítulo 1 HISTÓRIA DA ERGONOMIA

Ao projetar uma máquina e equipamento de trabalho, é importante se


preocupar com a Ergonomia, como o trabalhador se adaptará a tais ferramentas.
Um estudo detalhado de como serão tais adaptações deve ser considerado,
pois manter o homem no posto de trabalho sem qualquer prejuízo à saúde do
trabalhador é a prática bem-sucedida da Ergonomia.

Lugli (2010) destaca que até 1960 as fábricas e os postos de trabalhos eram
construídos sem qualquer consideração sobre o ser humano que ali trabalharia,
apesar de que ainda hoje há equipamentos completamente inadequados aos
trabalhadores.

A Ergonomia deve considerar suas aplicações tanto para o coletivo como


individualmente, alguns projetos devem ser específicos, voltados para adaptar
pessoas com características relevantes. Considerando a importância na aplicação
da Ergonomia, recomenda-se que as máquinas, os equipamentos, os sistemas e
as tarefas sejam desenvolvidas para uso coletivo.

No que diz respeito à diferença individual de cada pessoa, Dul e


Weerdmeester (2004) afirmam que há diferenças individuais em uma população.
Os projetos, em geral, devem atender a 95% dessa população. Isso significa
que há 5% dos extremos dessa população (indivíduos obesos, muito altos,
muito baixos, mulheres grávidas, idosos ou deficientes físicos), para os quais os
projetos de uso coletivo não se adaptam bem.

A International Ergonomics Association (IEA) classifica a Ergonomia em


física, cognitiva e organizacional.

FIGURA 11 – DIVISÃO DA ERGONOMIA

FONTE: <https://Ergonomiadaatividade.com/2018/02/27/Ergonomia-fisica-
cognitiva-e-organizacional-reflexoes-basicas/>. Acesso em: 15 maio 2019.

27
ERGONOMIA

• Ergonomia física: diz respeito aos aspectos físicos no posto de trabalho,


nos quais citamos a postura e os movimentos do corpo ao longo da
jornada de trabalho, tais como sentados, em pé, empurrando, puxando e
levantando cargas. Considerando tais fatores, a Ergonomia física busca
adaptar as exigências dos aspectos físicos dentro do limite e capacidade
do corpo (Figura 12). Contudo, são necessários estudos, a fim de
desenvolver projetos que viabilizem a relação dos aspectos físicos do
homem com as máquinas e ferramentas de trabalho. Por isso é essencial
conhecer o corpo e o ambiente físico onde a atividade é realizada.

FIGURA 12 – POSTURA CORPORAL E MOVIMENTOS DO


CORPO DURANTE A JORNADA DE TRABALHO

FONTE: <http://saudeocupacionalbrasil.com.br/entenda-a-importancia-
da-Ergonomia-no-e-social/>. Acesso em: 20 maio 2019.

O estudo adequado dos aspectos físicos permite desenvolver ambientes


seguros, saudáveis, confortáveis, adequados e eficientes, conforme ilustrado
na Figura 13. A Ergonomia não se limita apenas ao local de trabalho, pode
ser aplicada tanto no lazer, como nos estudos, ou seja, em qualquer tarefa do
cotidiano que envolva tais fatores estudados na Ergonomia. Os fatores ambientais,
tais como ruídos, vibrações, iluminação, clima, agentes químicos, entre outros,
também fazem parte do aspecto físico a ser considerado na Ergonomia física.

Para Vidal (2012), o campo da Ergonomia física, do ponto de vista de sua


aplicabilidade, vai se consubstanciar na realização de especificações relativas ao
posto e ao método de trabalho, bem como sobre o ambiente.

28
Capítulo 1 HISTÓRIA DA ERGONOMIA

FIGURA 13 – ASPECTOS ANALISADOS PARA A


MELHORIA NO AMBIENTE DE TRABALHO

FONTE: <http://diariodoepi.com/seguranca-do-trabalho/
nr-17-Ergonomia/>. Acesso em: 29 maio 2019.

Alguns princípios de postura e movimentos corporais derivam-se de


conhecimentos das áreas de biomecânica, fisiologia e antropometria, por isso a
Ergonomia está em constante evolução, não se limitando apenas ao homem e ao
seu posto de trabalho. Há uma série de aspectos que envolvem um conjunto de
ações voltado para aumentar a segurança, a saúde e o conforto do trabalhador,
além de aumentar a eficiência organizacional, visando à produtividade e aos lucros.
Tais objetivos satisfazem tanto o lado do empregador como o do empregado.

• Biomecânica: ciência que estuda como as forças mecânicas atuam sobre


o homem quando realizam movimentos. É importante ter conhecimento
da mecânica e física, pesquisando e atuando em treinamento físico,
estudando melhorias no rendimento e desempenho de atividades
repetidas, identificando melhor a forma como os movimentos são
executados, adequando a técnicas assistidas, a fim de prevenir lesões
pelo desgaste de movimentos incorretos.

29
ERGONOMIA

FIGURA 14 – EFEITO DE UMA POSTURA PARA LEVANTAR UMA CARGA

FONTE: Adaptada de Wirher (1986 apud MOREIRA; NUNES, 2016)

• Fisiologia: ciência que estuda a adaptação do posto de trabalho


ao homem, analisa o ambiente, a execução da tarefa, as máquinas e
equipamentos e a organização.

FIGURA 15 – ADAPTAÇÃO DO PROFISSIONAL AO POSTO DE TRABALHO

FONTE: <https://janainacintas.com.br/Ergonomia-nas-
aulas-de-pilates/>. Acesso em: 30 maio 2019.

• Antropometria: estuda as medidas e as formas do homem, ou seja, diz


respeito às características físicas de cada um, pois tais características
têm influência direta nos resultados de trabalho. Por fim, as dimensões
antropométricas estão diretamente envolvidas ao alcance dos movimentos
do corpo humano e às posturas adotadas no ambiente de trabalho.
30
Capítulo 1 HISTÓRIA DA ERGONOMIA

FIGURA 16 – DIMENSÕES DO CORPO ESTUDADAS NA ANTROPOMETRIA

FONTE: <https://www.audaces.com/estudo-aponta-importancia-da-
Ergonomia-na-modelagem/>. Acesso em: 30 maio 2019.

1 Faça uma análise do seu dia a dia e cite um exemplo prático de


Ergonomia física.

R.: ____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
_______________________.

• Ergonomia cognitiva: trata-se de aspectos mentais, emocionais e


psicomotores do trabalhador. Estuda o desenvolvimento do homem
na preparação e conclusão de tarefas em ambientes de trabalhos
complexos, o qual exige tempo de execução de tarefas e resolução
de problemas no ambiente de trabalho. Contudo, tal aspecto está
relacionado à percepção, à atenção, à memória e à tomada de decisões
do profissional no ambiente de trabalho.

31
ERGONOMIA

A saúde cognitiva dos trabalhadores tem por objetivo garantir maior


satisfação individual e motivação profissional, com isso, temos melhoria na
relação do indivíduo com as máquinas, equipamentos e processos, melhorando o
relacionamento entre todos os envolvidos no trabalho.

A Ergonomia cognitiva atua de modo positivo na qualidade de vida do


colaborador, contribuindo para o desenvolvimento da performance de toda
a equipe de colaboradores, sentindo-se valorizada e comprometida com os
objetivos da corporação.

Dentre os fatores do aspecto cognitivo, temos como principais temas:

• O raciocínio.
• A percepção.
• A tomada de decisão.
• A inteligência.
• A emoção.
• As memórias de curto e longo prazo.
• A atenção.

No passado, o trabalho era uma atividade exaustivamente física, um


processo puramente sistemático, o operador não usava o intelecto. A atividade
requeria força física, trabalho com as mãos, a cognição era desconhecida.
Atualmente, estamos na era da informação, do conhecimento, os postos de
trabalho mudaram, conforme a tecnologia evoluía, o mercado não buscava mão
de obra, e sim mentes pensantes, capazes de resolver um problema com o menor
tempo, almejando maior produtividade. Quanto maior a produtividade, maior
o lucro e no mundo globalizado, onde a competitividade é acirrada, são fatores
essenciais no mercado de trabalho.

A saúde é condição básica para alcançar desempenho e produtividade


numa corporação. Motivação, treinamento e comprometimento são fatores
que cooperam para favorecer um ambiente saudável entre os colaboradores,
estratégia importante para empresas ou grandes organizações.

Por isso a Ergonomia cognitiva é importante para a era tecnológica, na qual


cada dia mais se procura apropriar-se das tecnologias na solução de problemas.
O trabalho braçal está cada dia mais distante da realidade atual, a exigência do
mercado é o trabalho intelectual.

32
Capítulo 1 HISTÓRIA DA ERGONOMIA

1 Faça uma análise do seu dia a dia e cite um exemplo prático de


Ergonomia cognitiva.

R.: ____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
_______________________.

• Ergonomia organizacional: diz respeito à comunicação entre os


colaboradores da organização, das equipes envolvidas em projetos,
do planejamento para o desenvolvimento do trabalho em equipe. A
Ergonomia organizacional preza pela participação e interação dos
profissionais da organização, o trabalho cooperativo, todos colaborando
com todos, para um bem maior. Em outras palavras, preocupa-se com a
harmonia no ambiente de trabalho.

Dentre os tópicos, destacamos: gerenciamento, trabalho em grupo, ambiente


de trabalho, cultura organizacional e trabalho cooperativo.

FIGURA 17 – TODA ATIVIDADE DE TRABALHO OCORRE NO


AMBIENTE DE UMA ORGANIZAÇÃO, EXIGINDO DO TRABALHADOR
HABILIDADES DE COMUNICAÇÃO E RELACIONAMENTO INTERPESSOAL
DENTRE OS MAIS VARIADOS PROCESSOS E SISTEMAS

FONTE: <https://www.jobposition.com.br/Home/
Organizacional>. Acesso em: 28 maio 2019.

33
ERGONOMIA

Para Lugli (2010), o ser humano constrói a sua qualidade de vida a partir das
relações com o ambiente e consigo mesmo. Nesse contexto, a saúde é o bem-
estar físico e psíquico. Ela não é apenas condição fundamental para a qualidade
de vida, mas também sua expressão mais evidente.

O fluxograma mostrado na Figura 18 resume a divisão da Ergonomia em três


áreas, que englobam subáreas, que juntas contribuem para melhorar a qualidade
de vida do trabalhador no trabalho, considerando seus aspectos físicos, cognitivos
e organizacionais.

FIGURA 18 – DIVISÃO DETALHADA DA ERGONOMIA

FONTE: Adaptada de Freitas (2016)

1 Faça uma análise do seu dia a dia e cite um exemplo prático de


Ergonomia organizacional.
R.: ____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
_______________________.

Um projeto de Ergonomia é considerado viável se os benefícios forem maiores


que os custos, é padrão deixar claro o prazo quanto ao retorno dos investimentos.
Estudos comprovam que a Ergonomia mostra resultado eficaz no que diz respeito
34
Capítulo 1 HISTÓRIA DA ERGONOMIA

a sua atuação, pois se considerarmos um trabalho de conscientização, já se tem


muito significado nos resultados, porém nem sempre esses resultados podem ser
quantificados, pois são apenas considerados o risco de investimento e os fatores
intangíveis.

Os riscos de investimento têm relação com a incerteza em alguns aspectos,


diz respeito a algo inesperado, que sai do planejado, no qual ninguém se
preparou para a situação. Como exemplo, podemos citar os constantes avanços
tecnológicos que mudam a natureza nos postos de trabalho, acabando com
algumas funções e provocando mudanças bruscas em outras.

A Ergonomia requer investimentos, pois nem todos estão abertos aos


aspectos relacionados à Ergonomia. É necessário comprovação que o
desempenho da Ergonomia tem resultados positivos, uma vez que a sua atuação
não está relacionada apenas à indústria. O desenvolvimento da Ergonomia se
estendeu e alcança vários setores, contribuindo para a melhoria nas residências,
nos locais públicos onde circulam muitas pessoas, atuando junto a idosos,
portadores de necessidades especiais, crianças em idade escolar, entre outros.

Exemplo de riscos de investimentos.

Na década de 1990, um banco investiu no redesenho dos postos


de trabalho dos caixas bancários. Pouco tempo depois, muitos destes
funcionários foram substituídos pelos caixas eletrônicos, reduzindo
80% dos postos de trabalho.

Os fatores intangíveis são aqueles não quantificáveis, com relação a dinheiro.


Diz respeito aos aspectos cognitivos, como motivação, conforto, satisfação e bom
relacionamento entre os colaboradores. Contudo, não sendo economicamente
medidos, são importantes para o bom andamento das empresas e contribuem
significativamente para alcançar bons resultados.

Ergonomia (animação) - Fisiologia e Ergonomia Ocupacional:


https://www.youtube.com/watch?v=ZnASW24Sz_4

35
ERGONOMIA

ALGUMAS CONSIDERAÇÕES
Nesse capítulo, você se familiarizou com a Ergonomia, sua história e seus
objetivos. Ao longo da história, é possível notar o quanto é importante essa
ciência para os indivíduos de um modo geral, visando à saúde e ao bem-estar no
ambiente de trabalho.

Sua relevância está associada ao comportamento do homem, em prepará-lo


para várias atividades no dia a dia, desde as atividades simples, como uma leitura
diária, até as atividades mais complexas, que exigem maior esforço, por exemplo,
carregar uma carga pesada. A ergonomia atua em várias áreas, procurando
adaptar o homem às atividades que, de certo modo, trazem um certo conforto.

A evolução das tarefas e das máquinas modernas mostram o quanto o mundo


coorporativo está competitivo, porém, isso não é um argumento para não usar
os princípios da Ergonomia, ao contrário, trabalhadores motivados, com saúde,
rendem mais e sem isso a produtividade não será atingida. É importante que
grandes empresas invistam em programas de Ergonomia eficientes, pensando no
bem comum de todos.

A Ergonomia está cada dia mais inserida nas grandes corporações, pois
preocupa-se em atender tanto os empregados como os empregadores, evoluindo
de acordo com as necessidades humanas e suas tarefas.

Fazemos parte de um ambiente cada vez mais exigente, tais exigências


podem ser físicas e mentais, por isso, é preciso uma atenção especial a
nossa postura, nos proporcionando conforto ao longo do dia no nosso local de
trabalho. Nesse mundo moderno, os trabalhadores passam boa parte do tempo
trabalhando, por isso devemos nos submeter à Ergonomia, pois ela oferece
soluções que tornam o nosso dia a dia durante o expediente melhor, sem maiores
danos à saúde.

A Ergonomia, como estudo multidisciplinar, procura promover o equilíbrio


na relação do homem com o ambiente em que ele vive, tornando essa relação
saudável e sem grandes prejuízos à saúde. Uma empresa preocupada com esse
tema contribui com um bom rendimento dos seus profissionais, além de oferecer
mudanças relevantes na qualidade de vida de todos os envolvidos. Contudo, as
boas práticas realizadas no ambiente de trabalho podem ser levadas para a vida
toda.

36
Capítulo 1 HISTÓRIA DA ERGONOMIA

REFERÊNCIAS
ABRAHÃO, J. et al. Introdução à Ergonomia: da prática à teoria. São Paulo:
Blucher, 2009.

BRASIL. Portaria nº 876, de 24 de outubro de 2018. Altera o item 17.5.3.3 e


revoga os itens 17.5.3.4 e 17.5.3.5 da Norma Regulamentadora nº 17 -
Ergonomia. Disponível em: http://www.trtsp.jus.br/geral/tribunal2/ORGAOS/MTE/
Portaria/P876_18.html. Acesso em: 29 set. 2019.

CALVOSA, M. Tecnologia e organização do trabalho: volume único. Rio de


Janeiro: Fundação CECIERJ, 2010.

DUL, J.; WEERDMEESTER B. Ergonomia prática. 2. ed. rev. e ampl. São


Paulo: Edgard Blucher, 2004.

FERREIRA, A. B. de H. Miniaurélio: o dicionário da língua portuguesa. 8. ed.


Curitiba: Positivo, 2010.

FREITAS, F. K. Projeto de painel elétrico agroindustrial baseado em modelo


de referência: um enfoque na Ergonomia cognitiva. Trabalho de conclusão de
curso. Alegrete, RS, 2016.

IIDA, I. Ergonomia: projeto e produção. 2. ed. rev. e ampl. São Paulo: Edgard
Blucher, 2005.

KROEMER, K. H. E.; GRADJEAN, E. Manual de Ergonomia, adaptando o


trabalho ao homem. 5. ed. Porto Alegre: Bookman, 2005.

LUCIO, C. et al. Trajetória da Ergonomia no Brasil: aspectos expressivos da


aplicação em design. São Paulo: Cultura Acadêmica, 2010.

LUGLI, D. Ergonomia. 2010. Disponível em: http://docplayer.com.br/1092660-


Sumario-1-introducao-a-ergonomia-2-2-conceito-de-ergonomia-3-3-nr-17-7-4-
equacao-de-niosh-28-5-transporte-de-cargas.html. Acesso em: 31 maio 2019.

MOREIRA, E. S.; NUNES, L. E. N. P. A influência da Ergonomia em melhorias


produtivas utilizando a equação NIOSH. Revista Gestão Industrial, Ponta
Grossa, v. 12, n. 4, p. 1-20, 2016.

OMAR, A. 5 ganhos quando se investe em Ergonomia. 2016. Disponível em:


https://www.ergotriade.com.br/single-post/2016/07/28/5-ganhos-quando-se-

37
ERGONOMIA

investe-em-Ergonomia. Acesso em: 31 maio 2019.

ROCHA, G. C. Trabalho, saúde e Ergonomia: relação entre aspectos legais e


médicos. Curitiba: Juruá, 2004.

SILVA, C. P.; PASCHOARELLI, L. C. A evolução histórica da Ergonomia no


mundo e seus pioneiros. São Paulo: Cultura Acadêmica, 2010.

VIDAL, M. C. Introdução à Ergonomia. Apostila para curso de Pós-Graduação


Lato Sensu. Rio de Janeiro: Fundação COPPETEC, 2012.

38
C APÍTULO 2
BIOMECÂNICA OCUPACIONAL

A partir da perspectiva do saber-fazer, neste capítulo você terá os seguintes


objetivos de aprendizagem:

 Instruir e conscientizar da importância da adequação do trabalho ao homem,


tanto no sentido antropocêntrico como de produtividade.

 Aplicar as recomendações sobre a postura correta do corpo e os limites das


forças que podem ser exercidas, sem provocar danos ao trabalhador.
ERGONOMIA

40
Capítulo 2 BIOMECÂNICA OCUPACIONAL

1 CONTEXTUALIZAÇÃO
Prevenir acidentes, aumentar a produtividade e buscar qualidade de vida são
fatores fundamentais tanto para empregadores como empregados, pelo menos
todos deveriam ter como meta tais fatores, pois são benefícios que asseguram
a todos. A aplicação da biomecânica ocupacional no posto de trabalho tem um
papel imprescindível para o bem-estar da corporação.

A biomecânica ocupacional trata da análise e correção dos problemas


que ocorrem devido à má postura e movimentos errados no posto de trabalho,
portanto, este estudo auxilia na promoção de saúde, minimiza os impactos e
orienta o colaborador no que diz respeito à postura correta do corpo no decorrer
da tarefa.

A atuação da biomecânica trata de um ramo da Ergonomia, sendo que tais


especialidades quando atuam em conjunto estudam o comportamento do corpo
humano no que diz respeito às propriedades do aparelho locomotor, bem como a
postura, o movimento das articulações e a força muscular imposta pelo homem.
Essas propriedades estão relacionadas com os limites e as capacidades do
homem para executar a tarefa do dia a dia no local de trabalho, sem prejuízo para
o corpo, tanto com relação ao esqueleto quanto à musculatura.

São muitas as queixas relacionadas à postura inadequada, movimentos


incorretos, excesso de cargas e atividades repetidas em excesso. Tais queixas
poderiam ser sanadas com medidas simples de conhecer o limite do corpo e
respeitá-lo. Os profissionais que exercem funções de transportar cargas precisam
levantar e sustentar cargas excessivas, portanto, merecem uma atenção especial.
Isso não é restrito a tal função, ao contrário, todas as áreas devem ser observadas
e cuidadas para que não ocorram queixas que podem retirar o trabalhador do
seu posto de trabalho para que seja tratado, envolvendo muita burocracia e,
dependendo da queixa, muita dor ao colaborador.

Portanto, ações efetivas que envolvem o trabalho da Ergonomia com a


biomecânica ocupacional trazem benefícios ao setor industrial, uma vez que
minimizam as lesões e melhoram a execução das atividades diárias no posto de
trabalho. A biomecânica ocupacional é uma área interdisciplinar, na qual envolve
muitos profissionais, conforme listado no Capítulo 1 deste livro. Os profissionais
atuam em conjunto para a promoção da saúde e reabilitação do profissional. Este
capítulo mostrará um estudo sobre o corpo humano e seus movimentos e como
podemos respeitar nossas limitações, mesmo em tarefas simples do dia a dia.

41
ERGONOMIA

2 ATIVIDADE MUSCULAR
Dentre as funções do corpo humano que influenciam diretamente no
desempenho do trabalho e interessam à Ergonomia, podemos citar: função
neuromuscular, coluna vertebral, metabolismo, visão, audição e senso cinestésico,
sendo que tais funções dizem respeito aos aspectos operacionais.

Você sabe o que é senso cinestésico? Fornece informações


sobre os movimentos, ou seja, a percepção dos movimentos
corporais sem o auxílio da visão. Alguns trabalhos exigem que os
movimentos dos pés e mãos sejam realizados sem a visão, pois ela
pode ficar concentrada em outras tarefas que devem ser realizadas
simultaneamente. Exemplo: motorista de ônibus, enquanto aciona o
volante e os pedais, sua visão está atenta ao trânsito.

O senso cinestésico fornece informações sobre movimentos de partes do


corpo sem exigir acompanhamento visual. Percebe forças e tensões internas e
externas exercidas pelos músculos e ajuda em trabalhos em que os movimentos
têm que ser comandados sem o acompanhamento visual.

1 Cite um exemplo de profissão em que o senso cinestésico é


fundamental para a realização da tarefa.

R.: ____________________________________________________
____________________________________________________
_________________________________________________.

De acordo com Iida (2005), as forças do organismo são exercidas por


contrações musculares. Os músculos não se contraem por si próprios, mas são

42
Capítulo 2 BIOMECÂNICA OCUPACIONAL

comandados pelo sistema nervoso central, que é composto pelo cérebro e medula
espinhal.

Imagine um trabalhador fazendo suas atividades diárias e sente dores


nas costas, pode ser devido ao assento, ou então sente dor de cabeça, talvez
o trabalho envolva reflexos e contrastes, a tarefa é cansativa, fica muito tempo
executando tal atividade. O papel da Ergonomia é interpretar tais ocorrências e
desenvolver soluções que minimizem os problemas.

O ergonomista tem muitas informações, tanto da tarefa executada como do


tempo de duração, como é executada e principalmente sobre o corpo humano,
como ele se comporta diante de tais tarefas, procurando sempre usar essas
informações da melhor forma possível, promovendo a saúde e o bem-estar do
colaborador.

É importante para o ergonomista conhecer o organismo humano, pois esse


conhecimento interfere diretamente nas ações que serão tomadas para sanar
qualquer desconforto ao trabalhador. Muitas tarefas realizadas no dia a dia
envolvem a capacidade muscular, o quanto o organismo humano suporta um
longo período de trabalho pesado.

Produtos e postos de trabalhos inadequados podem provocar desconforto


muscular, dores e fadiga, em que decisões simples, como um posto de trabalho
adequado, aumentar ou reduzir a altura da mesa ou assento ou pequenos
intervalos, são medidas que causam mudanças significativas para nossa
musculatura. Não somos máquinas, temos que conhecer e respeitar nosso corpo
e, acima de tudo, interpretar os sinais.

De acordo com Kroemer e Grandjean (2005), o corpo humano é capaz de


se mover graças ao seu sistema muscular distribuído em todo o corpo e que
representa proximamente 40% do peso corporal.

Muitos fatores interferem na capacidade de um músculo realizar exercícios


pesados e prolongados, como a alimentação, o metabolismo e a energia gasta. O
movimento do corpo humano, ou seja, sua influência na realização da atividade
diz respeito à biomecânica ocupacional, que estuda o organismo humano, a fim de
compreender todo o processo de interação dos órgãos envolvidos para executar
uma atividade no local de trabalho ou até mesmo em tarefas do cotidiano.

Uma atividade muscular envolve bases fisiológicas importantes: a estrutura


do músculo, a contração muscular, a força muscular, a regulação do trabalho
muscular, as fontes de energia, os nutrientes (açúcar, gordura e proteína), o
oxigênio, o fornecimento de sangue e a produção de calor. Conforme descritos a
seguir:
43
ERGONOMIA

• Estrutura do músculo: a ação do músculo determina os movimentos do


corpo. Um músculo é composto por fibras, cerca de 100 mil e 1 milhão
de fibras.
• Contração muscular: os músculos podem se contrair até a metade do
seu comprimento normal em repouso. A maior e mais frequente fonte de
força gerada dentro do corpo humano é pela contração dos músculos.
• Força muscular: a força gerada por um músculo está relacionada com
a velocidade de contração, com o comprimento do músculo e com o
ângulo de inserção. Segundo Kroemer e Grandjean (2005), homens e
mulheres com o mesmo condicionamento físico podem ter a mesma
força por seção transversal muscular, mas as mulheres geralmente têm
músculos menores e, portanto, exercem, em média, em torno de dois
terços da força de um homem.
• Regulação do trabalho muscular: o número de fibras musculares
ativas na contração determina a força desenvolvida durante o período de
contração, portanto, a velocidade do movimento é regulada pelo número
de fibras musculares que se contraem.
• Fontes de energia: a contração do músculo exige o uso de energias
químicas armazenadas na musculatura. Logo, o trabalho desenvolvido
pelos músculos é o processo de transformação de energia química
em energia mecânica. O ganho de energia para que o músculo possa
trabalhar se dá, principalmente, através da ingestão de alimentos.
• Nutrientes: a alimentação é muito importante para o desenvolvimento
humano, uma alimentação balanceada com os nutrientes adequados
é fundamental para o desenvolvimento das atividades diárias,
principalmente atividades que requerem esforço maior e contínuo do
corpo humano. Alguns alimentos são fundamentais, como açúcar,
gordura e proteínas, pois tais nutrientes são fontes de energia para a
contração muscular, visto que a contração muscular age com as reservas
de energia e tais reservas são adquiridas por meio da alimentação.
• Oxigênio: após atividade física intensa ocorre a fadiga muscular, isso se
dá devido à diminuição de oxigênio nos músculos. Portanto, é importante
a disponibilidade de oxigênio nos músculos durante um trabalho que
exige esforço físico intenso. A Figura 1 mostra um diagrama simplificado
dos processos metabólicos de abastecimento de energia que ocorrem
durante a atividade muscular.

44
Capítulo 2 BIOMECÂNICA OCUPACIONAL

FIGURA 1 – DIAGRAMA DOS PROCESSOS METABÓLICOS


QUE OCORREM DURANTE O TRABALHO MUSCULAR

FONTE: Adaptada de Kroemer e Grandjean (2005)

• Fornecimento de sangue: a glicose e o oxigênio são substâncias


fornecedoras de energia muito importantes. Tais substâncias são
encontradas nos músculos, e o sangue é o responsável por transportar
tais nutrientes para eles.
• Produção de calor: o trabalho muscular produz calor, portanto é preciso
equilíbrio para que o músculo possa trabalhar. A energia fornecida ao
músculo deve ser igual à energia gasta no momento da execução do
trabalho muscular. No decorrer de uma atividade, o músculo precisa de
mais energia, logo o músculo precisa ser irrigado, um fator importante
para suprir a necessidade de nutrientes nos músculos, favorecendo o
desenvolvimento da contração muscular.

Os fatores citados são importantes para que o corpo humano possa exercer
atividade física intensa; o equilíbrio desses fatores evita desconforto, como
fadiga muscular, respiração ofegante (gerada pela diminuição de oxigênio) e
dor muscular. O corpo humano é uma máquina eficiente, trabalhando de forma
harmônica para que o homem execute as tarefas diárias no posto de trabalho.
Conhecer a fisiologia do funcionamento da máquina humana, colabora para a
prevenção da saúde do trabalhador.

As funções do músculo são:

45
ERGONOMIA

• Produzir movimentos.
• Manter a postura e as posições corporais.
• Estabilizar as articulações.
• Proteção das vísceras e órgãos internos.
• Controlar pressões nas cavidades corporais.
• Manter a temperatura corporal.
• Controlar a deglutição, a defecação e a micção.

2.1 TRABALHO ESTÁTICO E


DINÂMICO
O trabalho estático é aquele que exige contração contínua da alguns
músculos para manter uma determinada posição (IIDA, 2005). O conhecimento
básico da biomecânica no trabalho estático é importante para o entendimento do
equilíbrio do corpo. Na postura estática, o corpo pode ser imaginado em blocos ou
conjuntos segmentares, com função definida.

Para Iida (2005), o trabalho dinâmico ocorre quando há contrações e


relaxamentos alternados dos músculos, como nas tarefas de martelar, serrar, girar
um volante ou caminhar. Esse movimento funciona como uma bomba hidráulica,
ativando a circulação, aumentando o volume do sangue em circulação dentro do
corpo, em relação à situação de repouso. A Figura 2 mostra o comportamento
sanguíneo no decorrer do trabalho estático e dinâmico.

FIGURA 2 – IRRIGAÇÃO DO SANGUE DURANTE O


TRABALHO ESTÁTICO E DINÂMICO

FONTE: Adaptada de Iida (2005)

46
Capítulo 2 BIOMECÂNICA OCUPACIONAL

2.2 POSTURA DO CORPO


Ao falarmos em postura, imaginamos uma pessoa parada, em pé alinhada,
entretanto, postura não está apenas relacionada a um corpo ereto, diz respeito
à posição do corpo em geral, com ou em movimento, independentemente do
alinhamento dos pontos anatômicos.

O que são pontos anatômicos? Os pontos anatômicos servem


como referência e padronização para a tomada de medidas físicas
do corpo. Exemplo: Ponto Radial – localizado na cabeça do rádio, em
seu bordo mais superior e lateral. Serve para medir o comprimento
do braço e antebraço.

Segundo Iida (2005), postura é o estudo do posicionamento relativo de


partes do corpo, como cabeça, tronco e membros, no espaço. A postura do corpo
durante a execução de tarefas repetitivas é uma preocupação recorrente tanto
dos profissionais da ergonomia como dos médicos especializados.

A postura corporal é um processo complexo, para manter o equilíbrio da


postura corporal não se restringe apenas ao musculoesquelético, mas também da
integração alinhada do funcionamento dos sistemas vestibular, visual, do sistema
nervoso central e periférico. Os princípios de postura e movimento são o resultado
de estudos das áreas de biomecânica, fisiologia e antropometria.

A biomecânica usa as leis físicas da mecânica ao corpo humano. Músculos


e articulações são estimulados através de impulsos para realizar uma atividade,
porém, a postura é determinada pela natureza da tarefa ou do posto de trabalho.

Uma postura correta é fundamental para a execução da atividade física sem


causar desconforto ou estresse, devido a isso, a Ergonomia preocupa-se em
estudar a postura e o movimento adequado, adaptando o colaborador ao seu
posto de trabalho. Posturas que demandam um longo período podem prejudicar
os músculos e as articulações.

Em trabalho ou em repouso, o corpo humano assume três posturas básicas,


a saber, deitado, sentado e em pé, ou seja, a natureza da tarefa a ser executada

47
ERGONOMIA

pelo trabalhador é determinante para definir a melhor postura para a realização


da atividade, que pode ser: sentada, em pé ou a combinação de ambas (sentada/
em pé). A Figura 3 mostra um roteiro para definir a posição ideal para realização
da tarefa.

FIGURA 3 – DIAGRAMA PARA DETERMINAR A POSTURA BÁSICA


NAS ATIVIDADES REALIZADAS NO POSTO DE TRABALHO

FONTE: Adaptada de Dul e Weerdmeester (2004)

2.2.1 Postura Sentada


Muitas tarefas exigem uma posição sentada por períodos prolongados, como
exemplo podemos citar: digitador, atendente de telemarketing ou secretárias. A
posição sentada requer atividade muscular do dorso e do ventre para manter o
equilíbrio da posição. Com relação à postura em pé, a postura sentada apresenta
algumas vantagens. O corpo é apoiado em superfícies, como piso, assento,
encosto, braço da cadeira, mesa, isso torna o trabalho menos cansativo, pois o
trabalho sentado não exige excesso de força muscular e tem um consumo de
energia de 3 a 10%.

O trabalho sentado não exige tanta força muscular, porém requer uma posição
ideal para que o corpo não fique sobrecarregado e os músculos fadigados. A fim
de evitar tais transtornos, o trabalhador deve adotar durante a atividade medidas

48
Capítulo 2 BIOMECÂNICA OCUPACIONAL

ergonômicas adequadas. A principal medida é alternar a posição sentada/em pé/


andando. Não é viável o trabalhador passar longos períodos em uma mesma
posição. O Quadro 1 faz um comparativo de medidas adequadas para manter a
postura correta do trabalhador durante o trabalho sentado.

QUADRO 1 – COMPARATIVO ENTRE AS EXIGÊNCIAS ADEQUADAS


DA POSIÇÃO SENTADA E O TRABALHO SENTADO
Posição sentada Trabalho sentado
o Exige atividade muscular do dorso e do Durante o trabalho:
ventre.
o O peso do corpo é suportado pela pele que o Alterne com frequência as posições sentada/
cobre o osso ísquio. em pé.
o Tem um consumo de energia de 3 a 10% o Ajuste a altura do assento e a posição do
comparado com a posição deitada. encosto.
o Postura ligeiramente inclinada para frente é o Limite o número de ajustes possíveis da
mais natural e menos fatigante que a ereta. cadeira.
o O assento adequado deve permitir mudan- o Regular a cadeira de forma correta.
ças regulares de postura. o Usar cadeiras específicas, de acordo com a
tarefa.
o A altura da superfície de trabalho depende da
tarefa.
o Compatibilizar as alturas da superfície de
trabalho e do assento.
o Usar apoio para os pés.
FONTE: Adaptado de Dul e Weerdmeester (2004)

Alternar as posições durante o trabalho pode evitar tensão, que provocam


dores no tronco, cabeça, dorso e nos ombros, dependendo das tarefas
executadas. Muitos postos de trabalho permitem alternar as posturas em pé/
andando. O uso de cadeiras mais altas, com apoios para os pés na posição
sentada, é uma medida simples que evita desconforto ao trabalhador.

Passar muito tempo sentado é prejudicial à saúde do corpo, nosso corpo


não foi feito para ficar parado, podem ocorrer dores na coluna, articulações e
dormência devido à má circulação sanguínea. Esses são sintomas de um corpo
na mesma posição por um longo tempo, às vezes em cadeiras inadequadas ou
desconfortáveis.

Medidas simples, como ajustar a altura do assento e a posição do encosto,


são eficientes e auxiliam na execução da tarefa. Devem ser relevantes durante o
trabalho sentado medidas como:

49
ERGONOMIA

• A altura do assento deve ser regulável em movimentos contínuos e


suaves.
• A altura do assento pode ser considerada ideal quando a coxa está
apoiada no assento.
• O encosto da cadeira deve proporcionar apoio para a região lombar.
• A parte inferior do encosto deve ser convexa, para acomodar a curvatura
das nádegas.
• A cadeira pode ser giratória, permitindo maiores variações na postura.
• Sentar-se adequadamente, a posição na cadeira deve ser equilibrada,
ou seja, suas costas devem estar eretas e bem acomodadas no encosto
da cadeira.
• Os pés precisam estar bem posicionados e firmes no chão, um
apoio para a acomodação dos pés também é apropriado.
• Posicionar as pernas em um ângulo de 90 graus, dessa forma o
sangue circula com mais equilíbrio.
• Mantenha os cotovelos apoiados sempre que possível.

FIGURA 4 – POSTURA CORRETA DURANTE O TRABALHO SENTADO

FONTE: <http://www.moemaassessoria.com.br/voce-trabalha-sentado-entao-
acompanhe-estas-8-dicas-valiosas-para-seu-bem-estar/>. Acesso em: 31 maio 2019.

50
Capítulo 2 BIOMECÂNICA OCUPACIONAL

2.2.2 Posição em pé
A posição em pé oferece mobilidade ao trabalhador, por isso, é importante
quando a atividade exige deslocamentos do local de trabalho ou quando há
necessidade de aplicar grandes forças. Essa posição é cansativa e fatigante,
exigindo da musculatura um maior trabalho para o equilíbrio da posição.

São recomendadas algumas medidas ergonômicas para que a saúde do


trabalhador seja preservada. Entre as medidas, destacamos:

• Alternar a posição em pé com aquela sentada e andando: o longo


período na posição em pé provoca fadiga nas costas e pernas, além de
estresse no tronco, dores no pescoço e nas costas e, dependendo da
atividade, os ombros também sofrem desconforto.
• A altura da superfície de trabalho em pé depende da tarefa: o
Quadro 2 mostra algumas recomendações para a posição do corpo de
acordo com as atividades exercidas, fatores, como o tipo de tarefa, as
dimensões do corpo e as preferências individuas são determinantes para
que o trabalho seja executado sem maiores prejuízos.

QUADRO 2 – CRITÉRIOS RECOMENDADOS PARA AS ALTURAS DAS MÃOS


E DOS OLHOS, DE ACORDO COM AS POSTURAS SENTADA OU EM PÉ

Tipo de tarefa Altura da superfície de trabalho

Uso dos olhos: muito

Uso das mãos e braços: pouco 10 a 30 cm abaixo da altura dos olhos.

Uso dos olhos: muito

Uso das mãos e braços: muito 0 a 15 cm acima da altura do cotovelo.

Uso dos olhos: pouco

Uso das mãos e braços: muito 0 a 30 cm abaixo da altura do cotovelo.

FONTE: Adaptado de Dul e Weerdmeester (2004)

• A altura da bancada deve ser ajustável: em uma bancada sendo


usada por várias pessoas é necessário que a altura seja regulável.
Indivíduos possuem diferentes dimensões corporais e atividades a
serem desempenhadas, que necessitam de ajustes conforme a estatura
do trabalhador.
51
ERGONOMIA

• Não use plataformas: para os trabalhadores que executam as tarefas


em pé, não é recomendado o uso de plataformas, pois precisam de
um espaço extra, tornando difícil a higiene e o transporte pode ser
desagradável, além de causar acidente quando os trabalhadores
transitarem pelo espaço de trabalho.
• Reserve espaço suficiente para pernas e pés: o posto de trabalho
precisa de um espaço livre para os pés e pernas, como apresentado na
Figura 5, um espaço para que os trabalhadores possam cultivar o hábito
de mudanças de postura e movimentar as pernas e os pés.

FIGURA 5 – POSTO DE TRABALHO COM ESPAÇO


PARA MOVIMENTO DOS PÉS E PERNAS

FONTE: Adaptada de Dul e Weerdmeester (2004)

• Evite alcance excessivo: para o trabalho em pé, os alcances dos


braços são limitados a fim de evitar a inclinação ou a rotação do corpo.
A Figura 6 apresenta os alcances permitidos pelas mãos no posto de
trabalho. Forçar os músculos além do alcance permitido acarretará sérios
prejuízos à saúde.

52
Capítulo 2 BIOMECÂNICA OCUPACIONAL

FIGURA 6 – ALCANCES PERMITIDOS PELAS MÃOS SEM


PREJUDICAR A SAÚDE DO TRABALHADOR

FONTE: Adaptada de Dul e Weerdmeester (2004)

• Coloque uma superfície inclinada para leitura: para tarefas que


necessitam do auxílio da visão, é necessário o uso de uma superfície
inclinada, conforme mostra a Figura 7.

FIGURA 7 – A POSTURA ADEQUADA PARA ATIVIDADES QUE


REQUEREM ACOMPANHAMENTO VISUAL E ATIVIDADES
MANUAIS COM ACOMPANHAMENTO VISUAL

FONTE: Adaptada de Dul e Weerdmeester (2004)

A postura envolve um conjunto de articulações do corpo para que ele se


mantenha em equilíbrio. O alinhamento correto das articulações permite maior
eficiência fisiológica e biomecânica, diminuindo estresses e sobrecargas infligidas
aos músculos. Contudo, são importantes medidas ergonômicas a fim de manter a
estabilidade corporal.
53
ERGONOMIA

QUADRO 3 – MEDIDAS ERGONÔMICAS ADOTADAS PARA A POSIÇÃO EM PÉ

Posição de pé Trabalho em pé

o Altamente fatigante. o Alterne as posições em pé/sentada/


o O coração encontra maiores andando.
resistências. o A altura da superfície de trabalho em
o Trabalhos dinâmicos em pé pé depende da tarefa.
apresentam menos fadiga que o o A altura da bancada deve ser
estático. ajustável.
o Reserve espaço suficiente para
pernas e pés.
o Evite alcances excessivos.
o Coloque uma superfície inclinada
para leitura.
FONTE: Adaptado de Dul e Weerdmeester (2004)

2.2.3 Posição deitada


Trata-se da posição ideal para o repouso e alívio da fadiga. Logo, não é a
postura recomendada para o trabalho, devido à dificuldade em executar atividades,
principalmente atividades que exigem levantar a cabeça, braços e mãos, a prática
dessa rotina torna a tarefa cansativa. Exemplo: mecânicos de automóveis realizam
algumas tarefas na posição deitada, porém trata-se de uma função fatigante,
sobrecarregando os músculos do pescoço. É comum a reclamação de dores na
região do pescoço pelos profissionais, durante a execução da tarefa.

2.2.4 Posturas inadequadas


A postura inadequada está diretamente relacionada a um planejamento
deficiente do posto de trabalho, máquinas, ferramentas e tarefas a serem
executadas. O planejamento adequado do posto de trabalho pode melhorar
a postura, reduzir a fadiga, as dores musculares, o afastamento do trabalho e
doenças causadas devido à ocupação.

Para Dul e Weerdmeester (2004), existem três situações principais em que a


má postura pode produzir consequências danosas:

• Trabalhos estáticos que envolvem uma postura parada por longos


períodos, ou seja, trabalhadores, como digitadores e motoristas, que
54
Capítulo 2 BIOMECÂNICA OCUPACIONAL

permanecem longos períodos na posição estática sobrecarregam a


região dos membros superiores e pescoço.
• Trabalhos que exigem muita força, denominado como trabalho
dinâmico, como os carteiros, que exercem atividades em pé e em
constante movimento, as regiões mais atingidas são as costas e os
membros inferiores.
• Trabalhos que exigem posturas desfavoráveis, como o tronco
inclinado e torcido, como exemplo os trabalhadores que exercem a
função no setor de embalagens, estoque, almoxarifados.

As posturas assumidas pelos trabalhadores nas diferentes atividades é um


dos indicadores que possibilitam a compreensão da relação exigência-atividade.
Elas constituem uma dimensão importante para nos ajudar a reconhecer
e prevenir problemas de saúde relacionados ao trabalho, assim como na
concepção de postos de trabalho e de instrumentos compatíveis com as tarefas
e as capacidades humanas, associando o conforto, a segurança, o bem-estar e a
produtividade (ABRAHÃO et al., 2009).

Os assentos ou bancadas de trabalho exigem do colaborador aderir


posturas inadequadas. Tais posturas, mantidas por um longo período de tempo,
podem provocar fortes dores localizadas no conjunto de músculos solicitados a
desenvolver a tarefa. O Quadro 4 descreve alguns desconfortos relacionados às
posturas adotadas no decorrer do trabalho.

QUADRO 4 – RELAÇÃO DA POSTURA DO CORPO E OS RISCOS DE DORES


CAUSADOS DURANTE O TRABALHO POR POSTURAS INCORRETAS

FONTE: Adaptado de Iida (2005)

2.3 POSTO DE TRABALHO


Na Ergonomia, o posto de trabalho é uma configuração física importante,
trata-se de um espaço produtivo que envolve o trabalhador e o equipamento

55
ERGONOMIA

que ele utiliza para realizar o trabalho, bem como o ambiente a sua volta. Definir
uma posição para o trabalho depende da atividade a ser executada. A Figura 8
apresenta algumas características importantes para o trabalho em pé.

FIGURA 8 – POSTO DE TRABALHO PARA ATIVIDADE DESENVOLVIDA EM PÉ

FONTE: <http://ergoplenna.com.br/blog/categorias-de-
posto-de-trabalho/>. Acesso em: 31 maio 2019.

O espaço de trabalho deve considerar:

• As posturas possíveis.
• As dificuldades em obter certas informações.
• As necessidades de deslocamento.
• Estratégias operacionais.

A necessidade de integrar a organização do espaço com as dimensões


humanas, com os ritmos biológicos e com a fadiga pode ajudar a explicar o
desconforto, as doenças e os insucessos (ABRAHÃO et al., 2009).

Os estudos sobre as posturas são importantes, pois:

• Exprimem a relação do sujeito com a situação de trabalho.


• Servem de indicadores do tratamento de informações espaciais.

56
Capítulo 2 BIOMECÂNICA OCUPACIONAL

• Fornecem pistas da atividade mental.


• Expressam um componente da carga de trabalho.
• Podem produzir efeitos negativos para o bem-estar dos trabalhadores.

O espaço de trabalho é um lugar importante, pois deve ser adequado às


especificidades de cada trabalhador, promovendo a segurança dos funcionários
e dos equipamentos e, consequentemente, favorece a produção, oferecendo aos
colaboradores conforto e bem-estar ao executarem suas atividades.

Alguns trabalhos são específicos e trazem exigências características para


tal atividade, devido a isso, também temos os trabalhos que são generalizados,
ou seja, adaptados a qualquer pessoa. Atividades no local de trabalho têm muitos
aspectos, entres eles:

• O funcionário que executa.


• Os instrumentos/máquinas/ferramentas que são manuseados.
• As condições do ambiente de trabalho.
• A organização dos tempos, a divisão das tarefas, as relações
hierárquicas, as relações interpessoais.
• A atividade a ser desenvolvida.

A postura adotada é resultado de um compromisso entre o trabalhador e


sua tarefa. Tal compromisso tem como objetivo principal a saúde do trabalhador.
Segundo Abrahão et al. (2009), a construção de soluções articula ao menos três
dimensões. A primeira refere-se aos mobiliários, aos equipamentos e ferramentas;
a segunda, ao conteúdo; e a terceira, à organização do trabalho.

O posto de trabalho baseado no ponto de vista da Ergonomia analisa a


biomecânica da postura e as relações entre o trabalhador, o sistema e o ambiente.
Por outro lado, o taylorista baseia-se no estudo dos movimentos do corpo ao
executar a atividade e o tempo de duração do movimento.

O ponto de vista taylorista tem como referência os conhecimentos adquiridos


ao longo da relação homem e o trabalho a ser executado, priorizando a economia
dos movimentos, ou seja, o trabalho ideal é aquele executado no menor tempo.

Colocar o colaborador em uma boa postura de trabalho é o principal objetivo


do enfoque ergonômico. O posto de trabalho visa garantir que as ferramentas
necessárias para o trabalho estejam ao alcance de quem as manipula, oferecendo
conforto aos movimentos, eficiência e segurança. A Figura 9 mostra um posto
de trabalho do ponto de vista ergonômico, que coloca o trabalhador em um
posto confortável e os objetos de trabalho ao alcance das mãos, nos quais os
movimentos do corpo não trazem maiores prejuízo à saúde.

57
ERGONOMIA

FIGURA 9 – POSTO DE TRABALHO DE UMA CENTRAL DE CONTROLE, EM QUE AS


FERRAMENTAS DE TRABALHO SE ENCONTRAM À DISPOSIÇÃO DO OPERADOR

FONTE: <http://www.colegiobompastor.com.br/apostilas/
APOSTILA_1.pdf>. Acesso em: 31 maio 2019.

Ao adaptar um posto de trabalho são considerados vários critérios, entre eles


o tempo de execução da tarefa, o percentual de erros e acidentes envolvidos,
além da postura e o esforço exigido dos funcionários. Critérios são estabelecidos
levando em conta a dor causada ao executar a tarefa. A dor é o primeiro sinal de
que alguma coisa não está bem, devido a isso, medidas são tomadas para evitar
desconforto muscular ao funcionário.

Os arranjos físicos do local de trabalho são baseados em uma série de


informações pertinentes ao operador como:

• Fadigas físicas, visuais e mentais.


• Dores localizadas no corpo.
• Desconforto ambientais (ruídos, poeiras, vibrações, calor, reflexos,
sombras).
• Absenteísmo, doenças ocupacionais.

Para Iida (2005), no projeto de um posto de trabalho, o projetista deve


conciliar, da melhor forma possível, as necessidades ergonômicas do trabalhador,
considerando a postura, o alcance, a visão e o espaço para os movimentos
corporais, assim como o uso das forças deve ser colocado dentro das capacidades
humanas na medida do possível.

58
Capítulo 2 BIOMECÂNICA OCUPACIONAL

Considerar tais dados no desenvolvimento do projeto do posto de trabalho


é importante tanto para o empregado como para o empregador, pois empregado
satisfeito, trabalhando em segurança, além de preservar a saúde, também
apresenta melhorias na produtividade.

A tarefa a ser executada pelo trabalhador também é um fator importante


para o desenvolvimento do posto de trabalho. Em um conjunto de movimentos
coordenados, torna-se possível realizar um movimento a fim de chegar a um
objetivo. A análise da tarefa realiza-se em três níveis. O primeiro, chamado de
descrição da tarefa, ocorre em um nível mais global, o segundo, chamado de
descrição das ações, em um nível mais detalhado, e o terceiro, uma revisão
crítica, para corrigir os eventuais problemas (IIDA, 2005).

Conhecer a tarefa a ser realizada envolve alguns fatores relevantes como:

• Objetivo: diz respeito aos questionamentos acerca da tarefa, fazer


questionamentos importantes: para que serve a tarefa? O que será
produzido? Qual a quantidade? Esses questionamentos ajudam a
perceber a natureza da atividade.
• Operador: para o posto de trabalho, é fundamental conhecer o perfil
do trabalhador que desenvolverá o trabalho, se homem ou mulher,
faixa etária, dimensões antropométricas, experiências anteriores e
escolaridade.
• Características técnicas: conhecer as ferramentas/máquinas
de trabalho, os materiais que serão usados, como será adquirido
externamente e o que será produzido internamente, a adaptação das
máquinas etc.
• Aplicações: considera a organização do posto de trabalho, se terá um
sistema de transporte, carga e descarga de material e em quanto tempo
será desenvolvida a tarefa.
• Condições operacionais: refere-se à postura adotada pelo operador
(sentado ou em pé), esforço físico e condições desconfortáveis, riscos
de acidentes e uso de equipamentos de proteção individual ou coletivo.
• Condições ambientais: trata-se do ambiente físico em torno do posto
de trabalho, como temperatura, ruídos, vibrações, umidade, ventilação e
iluminação.
• Condições organizacionais: diz respeito às normas da empresa,
horários, turnos, alimentação, renumeração e chefia.

Tais fatores devem ser considerados na análise detalhada para o


desenvolvimento do posto de trabalho. A natureza da tarefa implica conhecer
o posto de trabalho, claro que nem todos os fatores citados são considerados,
tudo depende do tipo de tarefa a ser executada. Há tarefas em que as condições

59
ERGONOMIA

ambientais não têm interferência, por outro lado, existem tarefas em que as
condições ambientais devem ser consideradas, pois interferem diretamente no
bom andamento da atividade.

1 Cite um posto de trabalho em que o risco de atividade envolve


condições ambientais que podem causar danos à saúde do
trabalhador.

R.: ____________________________________________________
____________________________________________________
__________________________________________________.

Os critérios para um arranjo físico ideal são considerados a seguir:

• Importância: organizar os componentes em ordem de importância no


posto de trabalho, facilitando o acesso toda vez que forem utilizados.
A Figura 10 apresenta um exemplo de importância dos instrumentos
no local de trabalho, como a função de secretária, que precisa usar
computador e telefone como instrumentos principais de trabalho, logo
tais instrumentos ficam visíveis e de fácil acesso da profissional.

FIGURA 10 – ORGANIZAÇÃO DO POSTO DE TRABALHO DE


ACORDO COM A IMPORTÂNCIA DOS EQUIPAMENTOS

FONTE: <https://www.madusaude.com.br/blog/qual-o-papel-do-rh-na-saude-
ocupacional-e-na-seguranca-do-trabalho/>. Acesso em: 31 maio 2019.
60
Capítulo 2 BIOMECÂNICA OCUPACIONAL

• Frequência de uso: a frequência que os instrumentos são utilizados


devem ser considerados no desenvolvimento da tarefa, tais instrumentos
devem ficar em posição de destaque e de fácil acesso. Para um soldador,
por exemplo, a ferramenta mais utilizada é o ferro de solda, logo tal
instrumento deve ficar localizado à frente do operador, pois deve ficar
ao alcance das mãos. Os demais componentes podem ficar organizados
nas laterais.
• Agrupamento funcional: funções semelhantes ou equipamentos com
características parecidas podem formar bloco. A Figura 11 mostra um
redesenho do painel de instrumentos de um ônibus com agrupamento de
funções.

FIGURA 11 – REDESENHO DO AGRUPAMENTO FUNCIONAL


DE ACORDO COM AS FUNÇÕES SEMELHANTES

Fonte: Adaptada de Iida (2005)

• Sequência de uso: diz respeito à ordem cronológica do processo,


os instrumentos devem ser organizados de acordo com a sequência
conforme o processo de execução de tarefas. O instrumento que é
utilizado primeiro será colocado no início e assim sucessivamente
conforme a ordem de uso. A Figura 12 mostra um arranjo de sequência
de uso.

61
ERGONOMIA

FIGURA 12 – ARRANJO DE SEQUÊNCIA DE USO EM QUE SE


DESTACA A ORDEM DE EXECUÇÃO DAS RELAÇÕES DE USO

FONTE: Adaptada de Iida (2005)

• Intensidade de fluxo: está relacionada aos elementos que possuem


maior intensidade do fluxo, que, de acordo com o arranjo do posto de
trabalho, são arrumados próximos entre si.
• Ligações preferenciais: os elementos são determinados pelo tipo de
ligações, por isso são colocados próximos. A Figura 13 mostra um arranjo
por ligações preferenciais exemplificado no painel de controle.

FIGURA 13 – ARRANJO POR LIGAÇÕES PREFERENCIAIS, EM QUE OS


ELEMENTOS SÃO ORGANIZADOS DE ACORDO COM UM TIPO DE LIGAÇÃO

FONTE: Adaptada de Iida (2005)

Os critérios listados se referem à natureza dos elementos (importância,


frequência de uso e agrupamento funcional), os demais estão relacionados às
interações entres os componentes (sequência de uso, intensidade de fluxo e ligações
preferenciais). A escolha da relevância dos critérios é específica de cada projeto do
posto de trabalho.
62
Capítulo 2 BIOMECÂNICA OCUPACIONAL

2.3.1 Dimensionamento do posto de


trabalho
O dimensionamento correto do posto de trabalho é uma etapa fundamental para
o bom desempenho da pessoa que ocupará este posto. É possível que essa pessoa
passe várias horas ao dia, durante anos a fio, sentada ou em pé (IIDA, 2005).

O dimensionamento do posto de trabalho considera vários aspectos importantes,


que visam oferecer conforto às pessoas, entre eles:

• A altura do assento em função do plano de trabalho.


• Alcances normais e máximos das mãos.
• O espaço entre as pernas e os pés, a fim de realizar movimentos laterais do
corpo.
• O raio de ação, considerando a altura para a visão e ângulo visual.
• A área de trabalho.
• As distâncias de segurança.

Tais fatores têm o intuito de garantir que as dimensões do local de trabalho


assegurem a realização das tarefas sem riscos e mantenham as boas condições
ergonômicas. A valorização da Ergonomia em todas as áreas garante que esses
aspectos sejam recomendados por meio de normas técnicas. Tais normas não são
obrigatórias, mas padronizam a qualidade e a melhoria do posto de trabalho.

Dentre as normas relacionadas ao posto de trabalho, destacam-se três:

• ISO 6385 – (Ergonomics Principles in the Design of Work Systems).


• ISO 9241 – (Ergonomic Requirements for Office Work with Visual Display
Terminals).
• ISO 11064-1 – (Ergonomic Design of Control Room Layout).

A ISO (International Standardization Organization) é a responsável por normatizar


os postos de trabalhos e se baseia em medidas antropométricas ao redor do mundo.
Conhecer tais medidas é importante para as adaptações no posto de trabalho.

Existem várias normas relacionadas à Ergonomia e ao posto de trabalho. No


Brasil, a ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) criou normas que
padronizam móveis de escritórios, tais como cadeiras, mesas, sistemas de trabalho
e armários. Ao longo dos anos, essas normas sofrem constantes alterações, por isso
recomenda-se sempre consultar as normas para quaisquer esclarecimentos do posto
de trabalho.

63
ERGONOMIA

Para saber mais sobre as normas, consulte:


www.iso.org
http://www.abnt.org.br/
https://www.maconsultoria.com/normas-regulamentadoras-
atualizadas-mte
http://www.trt02.gov.br/geral/tribunal2/LEGIS/CLT/NRs/NR_17.html

A norma apresenta alguns critérios importantes:

• Alturas: leva-se em conta as medidas antropométricas da população e


a diferença de medidas entre homens e mulheres. De um modo geral,
considerando a postura em pé, a altura ideal da bancada de trabalho
fica na altura dos cotovelos para trabalhos de precisão. Para trabalhos
leves, abaixa-se a altura da superfície em 5 cm, para trabalhos pesados,
abaixa-se em 25 cm, conforme apresentado na Figura 14.

FIGURA 14 – ALTURAS RECOMENDADAS PARA TRABALHO EM PÉ DE


ACORDO COM A ALTURA DO COTOVELO E O TIPO DE TAREFA

FONTE: Adaptada de Iida (2005)

No trabalho sentado, a altura recomendada é que o assento esteja na altura


poplítea (parte inferior da coxa), conforme representado na Figura 15.

64
Capítulo 2 BIOMECÂNICA OCUPACIONAL

FIGURA 15 – ALTURAS RECOMENDADAS PARA TRABALHO


SENTADO DE ACORDO COM A ALTURA POPLÍTEA

FONTE: Adaptada de Marcolino et al. (2009)

• Alcance: o alcance normal sobre a superfície de trabalho pode ser


traçado pela ponta do polegar, girando o antebraço em torno do
cotovelo, com o braço caído naturalmente na lateral do corpo, conforme
apresentado na Figura 16 (IIDA, 2005).

FIGURA 16 – ÁREAS DE ALCANCES ADEQUADOS

FONTE: Adaptada de Iida (2005)


65
ERGONOMIA

• Alternância das posturas: é importante que o posto de trabalho


ofereça a troca de postura durante a execução da atividade. Para que
essa movimentação ocorra, é importante organizar os móveis e os
equipamentos. A Figura 17 mostra um posto de trabalho em que ocorre a
mudança de postura no decorrer da atividade.

FIGURA 17 – ESPAÇO DE TRABALHO QUE PERMITE AO


TRABALHADOR FICAR EM PÉ OU SENTADO

FONTE: <https://sites.google.com/site/ergonomiamovimentacaocargas/2-
ergonomia-trabalho-sentado>. Acesso em: 31 maio 2019.

• Espaço para movimentações: o espaço de trabalho deve garantir


a mobilidade do usuário. Trabalhar em ambiente apertado traz
como consequência estresse no trabalho, reduzindo a velocidade e
aumentando os erros.
• Dimensionamento das folgas: é importante considerar as folgas em
corredores, passagens e escadas. Recomenda-se a largura de 90 cm,
permitindo a passagem de cadeiras de rodas.
• Trabalho visual: na posição em pé, os olhos situam-se em torno de
150 cm para a média das mulheres e 160 cm para a média dos homens
(IIDA, 2005). A visão é importante para executar tarefas de precisão, por
isso uma postura adequada garante uma visão do espaço de trabalho
confortável.
• Ajustes individuais: é importante que o posto de trabalho seja flexível
para que acomode pessoas de diferentes medidas antropométricas.

66
Capítulo 2 BIOMECÂNICA OCUPACIONAL

1 Faça uma análise em um posto de trabalho que você conhece ou


que costuma usar com frequência. Cite algumas recomendações
importantes que você julgue necessárias para a melhoria do
ambiente.

R.: _______________________________________________
_______________________________________________
_______________________________________________
____________.

2.4 MOVIMENTOS
A maioria das tarefas exercidas ao longo do dia no nosso trabalho exige
movimento do corpo, aplicando força. Tais movimentos podem causar certo
desconforto ao trabalhador, levando-o a sentir dores musculares. Ao fazer
movimentos nas atividades, gasta-se energia, sobrecarregando os músculos, o
coração e os pulmões.

Reduzir o tempo e o número de movimentos ao executar uma tarefa


são critérios constantemente analisados, pois eles interferem diretamente
na produtividade, pois em trabalhadores satisfeitos, consequentemente, os
resultados são melhores. O Quadro 5 lista os princípios de economia de
movimentos. O trabalhador estabelece uma relação com a empresa que
disponibiliza os meios para a realização do trabalho. Da sua atividade resultam a
qualidade e a quantidade dos produtos e os impactos sobre a saúde, a melhoria
das competências, doenças, ou mesmo acidentes resultantes da interação dos
elementos presentes na situação de trabalho (ABRAHÃO et al., 2009).

67
ERGONOMIA

QUADRO 5 – PRINCÍPIOS DE ECONOMIA QUE VISAM AO


MENOR TEMPO GASTO NA EXECUÇÃO DA TAREFA

FONTE: Adaptado de Iida (2005)

Para Iida (2005), as máquinas, os equipamentos, as ferramentas e os


materiais são adaptados às características do trabalho e capacidades do
trabalhador, visando promover equilíbrio biomecânico, reduzindo as contrações
estáticas da musculatura e o estresse geral.

Garantir a segurança do trabalhador e a produtividade do sistema,


minimizando as tarefas muito repetitivas, são fatores que englobam a Ergonomia.
O Quadro 6 apresenta algumas recomendações ergonômicas que possam reduzir
os desconfortos causados pelas dores e lesões da musculatura com movimentos
incorretos e repetitivos.

68
Capítulo 2 BIOMECÂNICA OCUPACIONAL

QUADRO 6 – RECOMENDAÇÕES ERGONÔMICAS PARA PREVENIR DORES


E LESÕES OSTEOMUSCULARES NOS POSTOS DE TRABALHO

FONTE: Adaptado de Iida (2005)

Algumas atividades exigem mais dos músculos, porém, a fim de evitar


maiores desconfortos aos músculos e aos órgãos responsáveis pelo movimento, a
Ergonomia recomenda algumas práticas que uma vez seguidas podem minimizar tais
desconfortos.

2.4.1 Levantamento de cargas


Muitas atividades envolvem o levantamento manual de cargas, apesar de
todos os recursos tecnológicos. Recomenda-se conhecer alguns aspectos como:
o processo produtivo (manual ou mecânico); a organização do trabalho (projeto do
trabalho, frequência dos levantamentos); o posto de trabalho (posição do peso em
relação ao corpo); o tipo de carga (forma, peso); acessórios de levantamento e o
método de trabalho (individual ou coletivo).

2.4.2 Restrinja o número de tarefas que


envolvam a carga manual
Os sistemas de produção devem ser projetados para uso de equipamentos
69
ERGONOMIA

mecânicos, a fim de aliviar o trabalho manual de levantamento de cargas. Nesse


caso, deve-se tomar cuidado adicional com os problemas de postura e movimentos
(DUL; WEERDMEESTER, 2004).

A Ergonomia recomenda que o trabalho com levantamento de cargas manual


deve ser intercalado com outras atividades diferentes e com menor esforço. O ritmo
da atividade também deve ser considerado, pois cada trabalhador possui o seu
próprio tempo de execução da tarefa.

2.4.3 Crie condições favoráveis para o


levantamento de cargas
Para o levantamento de cargas de até 23 kg, é preciso considerar algumas
condições a fim de prevenir a saúde e o bem-estar do operador:

• Mantenha a carga próxima do corpo (distância da projeção horizontal entre


a mão e o tornozelo com cerca de 25 cm).
• Antes de realizar a tarefa para o levamento da carga, é necessário que ela
esteja em cima da bancada de altura de 75 cm.
• O deslocamento vertical da carga não deve ultrapassar o limite de 25 cm.
• Sempre segure a carga com as duas mãos.
• Alças ou furos nas laterais da carga para o encaixe dos dedos seria o ideal.
• Cuidado com a postura no momento do levantamento.
• O tronco não deve ficar torcido.
• Respeitar o tempo de frequência entre os levantamentos.
• Respeitar a duração do levantamento e o período de descanso.

2.4.4 Limite o levantamento de cargas


para 23 kg, no máximo
As recomendações são para suportar cargas de até 23 kg, pois cargas acima
desse valor não são recomendadas pela Ergonomia. Caso seja necessário, deve-se
fazer um estudo para reduzi-las.

O trabalhador ou qualquer pessoa, antes de levantar um peso, deve conhecer


previamente o trajeto que percorrerá, tal medida garante segurança e confiança
ao executar a tarefa. Eliminar os obstáculos do caminho evita risco de acidentes.
Contudo, nem sempre é possível remover os obstáculos do caminho, mas isso não
impede que a tarefa não seja concluída, certifique-se antecipadamente, verificando
70
Capítulo 2 BIOMECÂNICA OCUPACIONAL

com atenção o peso e o volume que for conduzir, de manter o equilíbrio do


carregamento.

Conheça as NBRs que falam sobre Ergonomia:


NBR ISO 11228-1 de 03/2017 – Ergonomia – Movimentação manual
– Parte 1: Levantamento e transporte de cargas.
NBR ISO 11228-2 de 06/2017 – Ergonomia – Movimentação manual
– Parte 2: Empurrar e puxar.
NBR ISO 11228-3 de 04/2014 – Ergonomia – Movimentação manual
– Parte 3: Movimentação de cargas leves em alta frequência de
repetição.

http://www.colegiobompastor.com.br/apostilas/APOSTILA_1.pdf.
https://sites.google.com/site/ergonomiamovimentacaocargas/2-
ergonomia-trabalho-sentado.
http://ergoplenna.com.br/blog/categorias-de-posto-de-trabalho/.
http://www.moemaassessoria.com.br/voce-trabalha-sentado-entao-
acompanhe-estas-8-dicas-valiosas-para-seu-bem-estar/.

Os estudos biomecânicos são importantes nas tarefas de transporte e


levantamento de cargas, comuns a um grande número de atividades, também
responsáveis por várias lesões, algumas irreversíveis ou de difícil tratamento,
sobretudo na coluna. A coluna vertebral, devido a sua estrutura em discos, não é
resistente a forças contrárias ao seu eixo. Quando se levanta a carga na posição
ereta, o esforço de compressão distribui-se uniformemente sobre a superfície total
de vértebras e discos. Contudo, as medidas recomendadas pela biomecânica
auxiliam os profissionais que trabalham nesta atividade. A Figura 18 mostra o
comportamento do corpo diante de uma tarefa repetitiva e de muito esforço.

71
ERGONOMIA

FIGURA 18 – EXEMPLO DE POSTURA NO DESENVOLVIMENTO


DE TRANSPORTE E LEVANTAMENTO DE CARGA

FONTE: <https://qualidadeonline.wordpress.com/2017/08/14/a-
ergonomia-na-movimentacao-manual-de-cargas-conforme-
as-normas-tecnicas/>. Aceso em: 31 maio 2019.

2.4.5 A carga de trabalho


Muitas condições de trabalho envolvem esforços incorretos ou a manutenção
de uma má postura, sustentada por um determinado grupo muscular e/ou o apoio
de uma mesma parte do corpo em uma determinada superfície. Essas condições
são grandes causadoras de lesões por esforços repetitivos.

As variáreis, mensuradas ao conceito de carga de trabalho, oferecem uma


relação de causa e efeito. As medidas de fadiga, de consumo de oxigênio e de
força física são importantes para conceituar a carga de trabalho.

A carga de trabalho está relacionada a várias situações, principalmente ao


fator de risco que cada atividade apresenta, a saber, o excesso e a sobrecarga.
Segundo Abrahão et al. (2009), quando não é suportável carregar peso, a
manutenção de uma postura traz desconforto e dor, quando o ritmo supera a
recuperação, quando o horário de trabalho traz problemas de sono, quando não é
possível tratar tanta informação, quando não se dá conta de tarefas concomitantes,
quando não se suporta mais a pressão, existe o assédio.

Essas queixas expõem a urgência de mudanças nas tarefas e a organização


do trabalho, evitando prejuízos à saúde, erros, perda de produtividade e
problemas de qualidade. Investigar as características da carga a que o operador
está submetido pode auxiliar na elaboração de diagnósticos e no planejamento de
mudanças nas condições de trabalho, promovendo a saúde e o bem-estar.

72
Capítulo 2 BIOMECÂNICA OCUPACIONAL

Para Frutuoso e Cruz (2005), a carga de trabalho tem papel de destaque


na discussão sobre a saúde e a satisfação no trabalho, tendo em vista que a
percepção de bem-estar ou a condição de adoecimento geralmente está
associada às variações da carga resultantes de modificações das condições
físicas e da organização, juntamente ao investimento e ao aperfeiçoamento das
competências e habilidades do trabalhador. A Figura 19 mostra uma analogia
entre o conceito de carga de trabalho e o funcionamento de uma balança, na qual
as extremidades sintetizam as exigências do trabalho, mostrando as capacidades
biológicas e psicológicas do trabalhador.

FIGURA 19 – REPRESENTAÇÃO DA CARGA DE


TRABALHO, ANALOGIA COM UMA BALANÇA

FONTE: Adaptada de Frutuoso e Cruz (2005)

A carga de trabalho é importante, pois se preocupa com a saúde física,


afetiva e cognitiva do trabalhador. É importante conhecer a tarefa, os esforços
físicos que demandam para realizar o trabalho, qual a postura adotada, a
sequência das tarefas, o desgaste do operador e os aspectos emocionais e
afetivos. De modo geral, a carga de trabalho é dividida em duas dimensões:
mental e física. A dimensão mental refere-se aos aspectos subjetivos, tais como:
sentimentos, afetos, emoções, motivação e cognições (ex.: raciocínio, tomada de
decisão, pensamento, memória, entre outros). A dimensão física está relacionada
a posturas (permanecer sentado, em pé), gestos (movimento estático, dinâmico
ou repetitivo) e deslocamento (andar, correr, dirigir etc.).

73
ERGONOMIA

1 Você considera importante a Ergonomia na atividade de uma


empregada doméstica? Qual o tipo de trabalho: dinâmico ou
estático? Cite algumas recomendações relevantes para evitar
fadigas.

R.: ____________________________________________________
____________________________________________________
__________________________________________________.

ALGUMAS CONSIDERAÇÕES
Nesse capítulo falamos da biomecânica e todo o processo envolvido
para promover a saúde e o bem-estar do trabalhador. Os temas tratados são
precedentes importantes para o homem conhecer o seu corpo e as suas limitações
diante do trabalho.

Existe uma relação funcional entre as exigências do trabalho e as capacidades


biológicas e psicológicas. Discutir a situação de trabalho é a visão de trabalho da
Ergonomia, assim como analisar as determinantes da organização do trabalho e
considerar as variáveis, seja relativo aos funcionários ou ao processo produtivo.

A biomecânica recomenda a postura do corpo e os limites das forças que


podem ser exercidas, sem causar danos ao operador.

Temos ainda a organização do posto de trabalho, visando adequar o homem


ao seu local de trabalho, proporcionando um ambiente de trabalho confortável e
seguro.

A postura do trabalhador também deve ser considerada, é importante


conhecer como será executada a tarefa. A posição para desempenhar a tarefa
tem como objetivo prevenir os aspectos físicos e funcionais das pessoas, adotar
uma postura sem maiores consequências para a saúde é o papel da biomecânica
ocupacional.

Melhorar ou ampliar as competências e as habilidades do trabalhador na


avaliação das exigências do trabalho é uma forma de controlar os efeitos da
sobrecarga de trabalho, evitando-se possíveis agravos à saúde do trabalhador.

74
Capítulo 2 BIOMECÂNICA OCUPACIONAL

O estudo da Ergonomia ajuda a estabelecer uma relação de confiança entre


o trabalhador e a atividade desenvolvida. A análise ergonômica no que diz respeito
ao trabalhador identifica prejuízos à saúde física e psicológica. As características
da situação de trabalho incluem fatores do ambiente físico (iluminação, ruído,
temperatura), organizacionais (jornada de trabalho, desenho do posto, metas
de produção, ritmo de trabalho) e psicossociais (interações profissionais, estilos
gerenciais e processos de comunicação).

A possibilidade de mensurar e avaliar a postura do trabalhador, o posto


de trabalho, os movimentos executados e a carga de trabalho é fundamental e
permite corrigir ou mesmo reduzir problemas físicos e psicológicos que podem
estar associados ao processo de falta de saúde do trabalhador, auxiliando, ao
mesmo tempo, como diagnóstico e prognóstico de melhoria na atividade de
trabalho.

75
ERGONOMIA

REFERÊNCIAS
ABRAHÃO, J. et al. Introdução à Ergonomia: da prática à teoria. São Paulo:
Blucher, 2009.

BRASIL. Portaria nº 876, de 24 de outubro de 2018. Altera o item 17.5.3.3 e


revoga os itens 17.5.3.4 e 17.5.3.5 da Norma Regulamentadora nº 17 -
Ergonomia. Disponível em: http://www.trtsp.jus.br/geral/tribunal2/ORGAOS/MTE/
Portaria/P876_18.html. Acesso em: 29 set. 2019.

CALVOSA, M. Tecnologia e organização do trabalho: volume único. Rio de


Janeiro: Fundação CECIERJ, 2010.

DUL, J.; WEERDMEESTER B. Ergonomia prática. 2. ed. rev. e ampl. São


Paulo: Edgard Blucher, 2004.

FERREIRA, A. B. de H. Miniaurélio: o dicionário da língua portuguesa. 8. ed.


Curitiba: Positivo, 2010.

FILHO, H. R. P. A Ergonomia na movimentação: manual de cargas conforme


as normas técnicas. 2017. Disponível em: https://qualidadeonline.wordpress.
com/2017/08/14/a-ergonomia-na-movimentacao-manual-de-cargas-conforme-as-
normas-tecnicas/. Acesso em: 20 ago. 2019.

FREITAS, F. K. Projeto de painel elétrico agroindustrial baseado em modelo


de referência: um enfoque na Ergonomia cognitiva. Trabalho de conclusão de
curso. Alegrete, RS, 2016.

FRUTUOSO, J. T.; CRUZ, R. M. Mensuração da carga de trabalho e sua relação


com a saúde do trabalhador. Revista Brasileira de Medicina do Trabalho, Belo
Horizonte, v. 3, 2005.

IIDA, I. Ergonomia: projeto e produção. 2. ed. rev. e ampl. São Paulo: Edgard
Blucher, 2005.

KROEMER, K. H. E.; GRADJEAN, E. Manual de Ergonomia, adaptando o


trabalho ao homem. 5. ed. Porto Alegre: Bookman, 2005.

LUCIO, C. et al. Trajetória da Ergonomia no Brasil: aspectos expressivos da


aplicação em design. São Paulo: Cultura Acadêmica, 2010.

LUGLI, D. Ergonomia. 2010. Disponível em: http://docplayer.com.br/1092660-

76
Capítulo 2 BIOMECÂNICA OCUPACIONAL

Sumario-1-introducao-a-ergonomia-2-2-conceito-de-ergonomia-3-3-nr-17-7-4-
equacao-de-niosh-28-5-transporte-de-cargas.html. Acesso em: 31 maio 2019.

MARCOLINO, M. C. et al. Medidas antropométricas para projetar conjunto


mesa - cadeira escolar. 2009. Disponível em: https://www.unicesumar.edu.br/
epcc-2009/wp-content/uploads/sites/77/2016/07/mena_cristina_marcolino2.pdf.
Acesso em: 31 ago. 2019.

MOREIRA, E. S.; NUNES, L. E. N. P. A influência da Ergonomia em melhorias


produtivas utilizando a equação NIOSH. Revista Gestão Industrial, Ponta
Grossa, v. 12, n. 4, p. 1-20, 2016.

OMAR, A. 5 ganhos quando se investe em Ergonomia. 2016. Disponível em:


https://www.ergotriade.com.br/single-post/2016/07/28/5-ganhos-quando-se-
investe-em-Ergonomia. Acesso em: 31 maio 2019.

ROCHA, G. C. Trabalho, saúde e Ergonomia: relação entre aspectos legais e


médicos. Curitiba: Juruá, 2004.

SILVA, C. P.; PASCHOARELLI, L. C. A evolução histórica da Ergonomia no


mundo e seus pioneiros. São Paulo: Cultura Acadêmica, 2010.

VIDAL, M. C. Introdução à Ergonomia. Apostila para curso de Pós-Graduação


Lato Sensu. Rio de Janeiro: Fundação COPPETEC, 2012.

77
ERGONOMIA

78
C APÍTULO 3
DOENÇAS OCUPACIONAIS

A partir da perspectiva do saber-fazer, neste capítulo você terá os seguintes


objetivos de aprendizagem:

 Proporcionar um planejamento e aplicação de condutas para a prevenção e a


reabilitação de portadores de doenças ocupacionais.

 Avaliar os riscos mais comuns no ambiente de trabalho.


ERGONOMIA

80
Capítulo 3 DOENÇAS OCUPACIONAIS

1 CONTEXTUALIZAÇÃO

Devido à evolução tecnológica, o trabalho manual não é tão frequente


se comparado com outros tempos, pois a era da tecnologia da informação e
comunicação é uma realidade nos dias atuais. A chamada era digital faz parte do
nosso sistema produtivo, mas a tecnologia pode trazer benefícios como malefícios.
O lucro se tornou o interesse maior das indústrias, visando à diminuição dos
custos de produção, à redução de mão de obra e ao aumento da produtividade.
Para alcançar o lucro, os empregadores aderem a novas formas de organização,
tecnologia e equipamentos, tornando-se alheios às consequências à saúde do
trabalhador. Uma vez que as condições de trabalho ultrapassam os limites
suportados pelo corpo humano, limites esses recomendados pela ergonomia,
pode ocorrer uma grande possibilidade de doença ao trabalhador. No decorrer
deste capítulo, serão abordadas as principais doenças ocupacionais causadas
pela força excessiva, sobrecarga, posturas incorretas, alta repetibilidade e
compressão mecânica.

A ergonomia se preocupa em prevenir acidentes, buscando qualidade


de vida aos trabalhadores, com postos de trabalho adequados e seguindo as
recomendações ergonômicas, evitando que o trabalhador adquira doenças
ocupacionais. A saúde do trabalhador deve ser a principal preocupação de todos,
tanto do empregador quanto do empregado.

Portanto, conhecer os aspectos conceituais sobre as doenças ocupacionais,


os recursos e os instrumentos adequados para o trabalho podem prevenir ou
evitar danos à saúde do trabalhador, mantendo o equilíbrio nas relações saúde-
trabalho-doença.

2 O QUE SÃO DOENÇAS


OCUPACIONAIS?
Doenças ocupacionais são as complicações decorrentes pela atividade do
trabalhador em uma determinada função ligada à profissão. São as principais
responsáveis pelo afastamento de muitos trabalhadores de seus postos de
trabalho ou funções. As doenças relacionadas ao trabalho podem causar danos
irreversíveis aos trabalhadores, algumas vezes isso ocorre devido à falta de
informação, e ainda os colaboradores não respeitam os limites do seu corpo, tais
atitudes contribuem para o afastamento do trabalhador do exercício da profissão,
doenças graves e até a morte.

81
ERGONOMIA

A saúde dos trabalhadores é uma questão de saúde pública, cujo objetivo


é promover ou restabelecer a saúde do trabalhador, desenvolvendo ações para
analisar os riscos de acidentes de trabalhos, as condições no posto de trabalho, as
exigências físicas do trabalhador, além de oferecer assistência aos trabalhadores,
ouvindo suas queixas e tomando medidas que visem minimizar os problemas.
O tratamento e a reabilitação também devem ser considerados pelo sistema de
saúde pública.

Os trabalhadores são aqueles que executam qualquer atividade para sustento


próprio ou de seus dependentes. São considerados trabalhadores aqueles que
ganham salários, os trabalhadores autônomos, os trabalhadores domésticos, os
trabalhadores agrícolas, os funcionários públicos, os trabalhadores cooperativos
e os empregadores.

Entre os aspectos que determinam a saúde do trabalhador podemos


considerar avaliar as condições de trabalho e os riscos inerentes à ocupação,
classificados como riscos ambientais.

2.1 RISCOS OCUPACIONAIS OU


AMBIENTAIS
Os riscos ambientais são todas as substâncias ou elementos presentes no
ambiente de trabalho que, acima dos limites recomendados, colocam em risco a
saúde do trabalhador devido a sua natureza, concentração ou intensidade, tempo
de exposição e falta de equipamentos de proteção apropriados. Tais riscos podem
ser classificados, como físicos, químicos, biológicos, ergonômicos e mecânicos
(acidentes). A seguir, citaremos alguns exemplos de riscos ambientais:

• Riscos físicos: ruído, vibrações, pressões anormais, temperaturas


extremas, radiações etc. Como exemplo de profissional, podemos citar
o operador de furadeiras, que fica exposto a vibrações excessivas por
longo período.
• Riscos químicos: as substâncias, os compostos ou produtos que
possam penetrar no organismo pelas vias respiratórias, cutânea e
digestiva, como poeiras, fumos, névoas, neblinas, gases, vapores.
Citamos como exemplo os profissionais que trabalham com pintura, pois
sem uma proteção adequada, a exposição a produtos químicos pode
causar sérios danos à saúde.
• Riscos biológicos: bactérias, fungos, bacilos, parasitas, protozoários,
vírus, entre outros. Os trabalhadores da área de saúde estão sujeitos a

82
Capítulo 3 DOENÇAS OCUPACIONAIS

riscos biológicos.
• Riscos ergonômicos: esforço físico intenso, levantamento e transporte
manual de peso, exigência de postura inadequada, controle rígido de
produtividade, imposição de ritmos excessivos, jornadas de trabalho
prolongadas, monotonia e repetitividade, além de fatores relacionados a
aspectos psicológicos. Um analista de sistema que passa longo período
de trabalho sentado, corre risco de ter problemas na coluna por adotar
uma posição errada ao sentar na frente do computador.
• Riscos mecânicos (acidentes): arranjo físico inadequado, máquinas e
equipamentos sem proteção, ferramentas inadequadas ou defeituosas,
iluminação inadequada, eletricidade, probabilidade de incêndio ou
explosão, armazenamento inadequado, animais peçonhentos, entre
outras situações de risco que poderão contribuir para a ocorrência de
acidentes. Um eletricista corre risco de sofrer um acidente grave caso
negligencie o uso de equipamentos de proteção individual.

1 Cite exemplos de profissões em que os trabalhadores estão


expostos a riscos físicos, químicos, biológicos, ergonômicos e
mecânicos.

R.: ____________________________________________________
____________________________________________________
__________________________________________________.

Os riscos ambientais abordados pela legislação brasileira de segurança


do trabalho devem estar identificados no Programa de Prevenção de Riscos
Ambientais – PPRA, o qual deve ser atualizado e aplicado constantemente,
eliminando os riscos ambientais e protegendo a saúde do colaborador.

A Norma Regulamentadora nº 9 (Programa de Prevenção de Riscos


Ambientais) estabelece a obrigatoriedade do PPRA. Os objetivos do PPRA
são antecipar, reconhecer, avaliar e controlar possíveis ocorrências de riscos
ambientes no trabalho ou ainda ocorrências que podem causar acidentes, além
de qualquer prejuízo à saúde do trabalhador.

83
ERGONOMIA

Os objetivos da PPRA estão descritos a seguir:

• Antecipar – diz respeito à análise de projetos de novas instalações,


processos de trabalho e alteração de postos de trabalho existentes,
buscando identificar os possíveis riscos e propor medidas protetivas a
fim de minimizar ou eliminar os riscos. Tais medidas incluem tecnologia
mais segura, materiais e produtos menos nocivos e um local de trabalho
adequado, de acordo com as recomendações da ergonomia.
• Reconhecer – trata-se do reconhecimento dos agentes ambientais
que causam danos à saúde do trabalhador, entre eles identificação dos
produtos utilizados no processo, método de trabalhos, fluxo de processos,
arranjo das instalações, quantidade de trabalhadores envolvidos, entre
outros. Neste objetivo busca-se desenvolver um planejamento seguro
do ambiente, avaliando os métodos definidos e os equipamentos de
avaliação.
• Avaliar – permite medir/dimensionar a exposição dos trabalhadores,
nesta etapa destaca- se aquilo que é suscetível de causar lesões
ou danos, a possibilidade de eliminar os perigos e as medidas de
prevenção para controlar os riscos. Avaliar a exposição e a possibilidade
de mensurar a frequência e a duração da exposição do colaborador a
agentes de riscos e tomar medidas preventivas na causa dos riscos.
• Controlar – desenvolve e implementa estratégias a fim de sanar ou
reduzir a presença de agentes ambientais no trabalho, considerando os
danos da exposição, o número de trabalhadores expostos e os fatores
administrativos.

Dica de Leitura: NR-9. Disponível em: http://www.guiatrabalhista.


com.br/legislacao/nr/nr9.htm.

Segundo Amorim (2014), os trabalhadores podem adoecer ou morrer por


causas relacionadas ao trabalho, em consequência da profissão que exercem ou
exerceram ou pelas condições adversas em que seu trabalho foi realizado.

As características do adoecimento e morte dos trabalhadores estão divididas


em quatro grupos de causas apresentados a seguir:

84
Capítulo 3 DOENÇAS OCUPACIONAIS

• Doenças comuns, aparentemente sem nenhuma relação com a atividade


desenvolvida no trabalho.
• Doenças comuns (crônico-degenerativas, infecciosas, neoplásicas,
traumáticas etc.), algumas vezes pode ocorrer o aumento da frequência
de sua ocorrência ou de acordo com o surgimento em trabalhadores
expostos a determinadas condições de trabalho. Como exemplo, a
hipertensão arterial em motoristas de ônibus urbanos nas grandes
cidades.
• Doenças comuns que são agravadas em função das condições
de trabalho, a asma brônquica, a dermatite de contato alérgica,
a perda auditiva conduzida pelo ruído (ocupacional), doenças
musculoesqueléticas e alguns transtornos mentais exemplificam
esta possibilidade, na qual, em decorrência do trabalho, somam-se,
multiplicam-se as condições provocadoras ou desencadeadoras desses
quadros hospitalares.
• Agravos à saúde específicos, típicos dos acidentes de trabalho e pelas
doenças profissionais. A silicose e o asbesto são exemplos específicos.

Os três últimos grupos são doenças relacionadas ao trabalho. O quadro a


seguir apresenta um resumo e exemplos dos grupos das doenças, tal classificação
foi observada por Richard Scilling, um professor de Saúde Ocupacional da
Universidade de Londres.

QUADRO 1 – CLASSIFICAÇÃO DAS DOENÇAS E A RELAÇÃO COM O TRABALHO

FONTE: Adaptado de Amorim (2014)

A classificação publicada por Schilling em 1984, atualmente, é uma ferramenta


importante que constata casos de atividades no trabalho que afetam a saúde do

85
ERGONOMIA

trabalhador, causando o adoecimento. O conceito observado pelo professor é


aplicado como critério para relacionar os danos causados pelo trabalho, o qual é
utilizado pelo Ministério da Saúde no Brasil.

Existem diferenças entre doenças do trabalho e doenças profissionais, as


quais esclareceremos a seguir:

• Doença profissional ou doença ocupacional, produzida ou


desencadeada pelo exercício do trabalho, condizente a uma atividade
específica do trabalhador, ou seja, é uma doença que tem relação direta
com a função do trabalhador, estabelecida no art. 20, I da Lei 8.213/91.

Como exemplos de doença profissional, temos:

ο Montador de bateria automotiva, dependendo do tempo de trabalho pode


sofrer intoxicação por chumbo.

Segundo Jacob, Alvarenga e Morata (2002), o uso industrial


do chumbo é vasto, porém a produção de baterias (acumuladores)
representa, provavelmente, o segmento industrial responsável pelo
maior consumo desta substância nos países em desenvolvimento.
Em razão das suas propriedades tóxicas e das condições de trabalho
existentes em diversas indústrias, os trabalhadores deste setor
encontram-se frequentemente expostos a elevadas concentrações
de chumbo e, consequentemente, sujeitos à intoxicação.

o Metalúrgico que opera caldeira e operador de motosserra podem sofrer


perda auditiva devido ao longo período expostos a ruído.
o Minerador que trabalha em minas de carvão, devido à inalação de poeira
sofre de pneumoconiose, doença causada pela longa exposição a este
agente químico ou ainda silicose causada pela inalação de pó de sílica,
substância presente em mineração.
o Trabalhador de indústria de plásticos, que em contato direto com benzeno
em operações de colagem de plástico adquiriu anemia aplástica.
o Trabalhadores que desentopem esgotos podem adquirir leptospirose ou
funcionário que trabalhou em laboratório de hematologia pode adquirir
hepatite.
86
Capítulo 3 DOENÇAS OCUPACIONAIS

Leia sobre o Artigo 20, inciso I, da Lei nº 8.213, de 24 de julho


de 1991. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/
l8213cons.htm.

Segundo a Lei 8.213/91, as doenças ocupacionais são equiparadas ao


acidente de trabalho para fins previdenciários e fiscais.

• Doença do trabalho não é específica de uma determinada função


ou profissão, porém tem origem nas atividades desenvolvidas pelo
trabalhador, relacionando-se diretamente com as suas funções e
originando-se em decorrência de condições especiais em que o trabalho
é realizado e com ele tem relação direta definida no art. 20, II da Lei
8.213/91. Portanto, as doenças do trabalho têm relação com o ambiente
onde é desenvolvido o trabalho. O grupo de doenças relacionadas à
doença do trabalho não é reconhecido pela Previdência Social, por não
possuírem um agente causador comum. Significa que o trabalhador é
exposto à doença em função de um causador específico que tem ligação
com o trabalho.

É necessário investigar e comprovar que o adoecimento do trabalhador


está relacionado ao trabalho. A doença do trabalho ocorre devido às condições
especiais em que o trabalho é realizado, apesar de não ser uma regra. Como
exemplo, o trabalhador que orienta aeronaves, seu ambiente de trabalho é
um local de muito ruído. Recomenda-se que esse profissional use protetores
auriculares para evitar perda auditiva. Se ele agir de forma negligente recusando
o uso do equipamento de proteção individual, está sujeito a adquirir graves
problemas de saúde, comprometer ou mesmo perder a audição. Ocorrendo tal
situação, o profissional estará enquadrado em doença do trabalho.

O quadro a seguir mostra as doenças relacionadas ao trabalho, conforme a


Classificação Internacional de Doenças 10 (CID10):

87
ERGONOMIA

QUADRO 2 – GRUPOS DE DOENÇAS PROFISSIONAIS SEGUNDO A CID – 10

FONTE: Adaptado de Amorim (2014)

A Classificação Estatística Internacional de Doenças e


Problemas Relacionados com a Saúde é uma das principais
ferramentas epidemiológicas do cotidiano médico. Desenvolvida
pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a principal função do
CID é monitorar a incidência e a prevalência de doenças através
de uma padronização universal das doenças, problemas de saúde
pública, sinais e sintomas, queixas, causas externas para ferimentos
e circunstâncias sociais, apresentando um panorama amplo da
situação em saúde dos países e suas populações.
Para conhecer a lista de doenças da CID, acesse: https://www.
cid10.com.br/.

88
Capítulo 3 DOENÇAS OCUPACIONAIS

1 Quando um afastamento se faz necessário devido a uma doença


profissional ou uma doença de trabalho? Justifique.

R.: ____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
_______________________.

2 Existem características específicas entre as doenças profissionais


e as doenças do trabalho? Justifique.

R.: ____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
_______________________.

Por lei, o profissional que adquire uma doença ocupacional possui os


mesmos direitos que os envolvidos em acidente de trabalho. Empregadores e
empregados devem estar atentos a saúde, conhecer o seu ambiente de trabalho
e evitar a exposição a doenças. Qualquer desconforto físico ou mental por mais
simples que seja pode ser indício de alguma das doenças ocupacionais, por isso
deve ser investigado e tratado, evitando assim o afastamento do profissional ou
maiores danos à saúde.

Muitas doenças profissionais não são reconhecidas pelos empregadores,


logo não abrem a CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho). Seria proveitoso
para o trabalhador se tal medida fosse feita pelo empregador, uma vez que a
investigação do INSS (Instituto Nacional de Seguro Social) seria melhor
diagnosticada. Por isso, é importante a investigação da perícia médica do INSS,

89
ERGONOMIA

pois muitas investigações são feitas sem registros da CAT, documento emitido
para reconhecer ou registrar a origem tanto de um acidente de trabalho quanto as
doenças ocupacionais.

Nos dias atuais, ainda há uma dificuldade em reconhecer a relação da doença


com o trabalho, diferentemente dos acidentes, nos quais a lesão é exposta. O
diagnóstico da doença ocupacional depende da interpretação da perícia médica,
por isso é importante fazer uma avaliação rigorosa a fim de comprovar que foi o
exercício da função profissional a causa da doença ocupacional.

CAT é um documento de caráter informativo, cujo objetivo é


comunicar ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) a ocorrência
de algum acidente de trabalho. Para conhecer melhor o CAT, acesse:
https://www.inss.gov.br/servicos-do-inss/comunicacao-de-acidente-
de-trabalho-cat/.

Segundo Galafassi (1998 apud AIRES, 2017) as principais doenças laborais


no Brasil estão ligadas às mais diversas profissões e é possível listar as mais
frequentes:

• Doenças Ocupacionais por Repetição: lesão por esforços repetitivos


(LER) ou distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (DORT).
• Doenças Ocupacionais Respiratórias: asma ocupacional, silicose,
antracose, bissinose, siderose.
• Doenças Ocupacionais de Pele: dermatose ocupacional, câncer de
pele.
• Doenças Ocupacionais Auditivas: surdez.
• Doenças Ocupacionais de Visão: catarata, desgaste da visão.
• Doenças Ocupacionais Psicossociais: depressão, estresse, ataques
de ansiedade, síndrome do pânico.

Para Galafassi (1998 apud AIRES, 2017) LER e DORT são as responsáveis
pela alteração das estruturas osteomusculares, como tendões, articulações,
músculos e nervos. Essas doenças acometem principalmente aqueles que
executam movimentos repetitivos excessivamente, como agricultores, bancários,
digitadores, operadores de linha de montagem e operadores de telemarketing.

90
Capítulo 3 DOENÇAS OCUPACIONAIS

A LER/DORT diz respeito a uma terminologia usada para o conjunto de


doenças causadas devido à ocupação, que podem atingir tendões, articulações
sinoviais, músculos, nervos, fáscias, ligamentos, isolada ou associadamente,
com ou sem degeneração dos tecidos, atingindo principalmente, os membros
superiores, a região escapular e pescoço, conforme apresentado na Figura 1.

As articulações sinoviais incluem a maioria das articulações do


corpo. As superfícies ósseas são recobertas por cartilagem articular
e unidas por ligamentos revestidos por membrana sinovial.

FIGURA 1 – REGIÕES AFETADAS PELA DOENÇA OCUPACIONAL LER/DORT

FONTE: <http://www.cerestprudente.com.br/noticias/dia-internacional-
de-combate-as-ler-dort.html>. Acesso em: 23 set. 2019.

Geralmente, as doenças ocupacionais surgem de forma silenciosa, com


longo período de trabalho, em torno de 10 a 15 anos. O tratamento é difícil pela
demora do diagnóstico e, consequentemente, os danos causados pela doença
impossibilitam o retorno ao trabalho. Para muitos trabalhadores, o retorno ao
trabalho acarreta o agravamento da doença, por estar associada à atividade
desenvolvida.

91
ERGONOMIA

De acordo com Aires (2017), muitos pacientes apresentam doenças


relacionadas ao desempenho da atividade profissional, dentre elas, destacam-se
a lesão por esforço repetitivo (LER) e distúrbios osteomusculares relacionados
ao trabalho (DORT), provocados por movimentos repetitivos ou por posturas
inadequadas, chamadas de posturas antiergonômicas.

LER e DORT são as principais doenças detectadas nas unidades de saúde e


serão analisadas mais especificamente a seguir.

2.2 DISTÚRBIOS
OSTEOMUSCULARES
RELACIONADOS AO TRABALHO –
DORT
Para Medeiros e Segatto (2012), são doenças provenientes do uso de
tecnologias modernas, como a mecanização e a automação dos processos de
trabalho, ignorando a falta de adaptação e capacitação dos trabalhadores para
a inserção nessa nova realidade. Os trabalhadores fazem menos esforço para
desempenharem suas tarefas, porém os movimentos são repetidos e muitas vezes
estáticos, sobrecarregando sempre o mesmo grupo muscular, pela manutenção
de uma postura por vezes inadequada e durante longos períodos diários. Este
comportamento, associado a outros fatores predisponentes, pode levar ao
desenvolvimento de distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho.

Os distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho são adquiridos


e desenvolvidos devido à má postura por longo período, riscos ambientais,
sobrecarga por esforço físico e movimentos repetitivos. Dentre as lesões
consideradas DORT, destacam-se:

• Mialgias.
• Tendinites.
• Tenossinovites.
• Bursites (lesões de ombro).
• Dedo em gatilho.
• Dores crônicas (dorsalgia).

Tais doenças podem surgir em qualquer trabalhador e em diversas áreas


de atividade, desde que existam funções e postos de trabalho que exponham
os trabalhadores aos fatores que causem riscos à saúde. Dentre as funções que

92
Capítulo 3 DOENÇAS OCUPACIONAIS

oferecem risco aos trabalhadores, destacamos: operadores de telemarketing,


empacotadores, caixas de mercado, trabalhadores de linha de montagem,
auxiliares de serviços gerais, pedreiros, auxiliares de enfermagem, costureiras,
trabalhadores de frigoríficos, entre outros, conforme apresentado na Figura 2.
A verdade é que devemos zelar pela nossa integridade física independente dos
fatores de risco, cada trabalhador é o principal responsável pela sua saúde, e
mesmo em extrema necessidade de realizar a atividade, avaliar os riscos e adotar
algumas recomendações importantes, como o uso de equipamentos de proteção,
é uma postura que pode prevenir maiores agravamentos à saúde.

FIGURA 2 – TODAS AS PROFISSÕES DE ALGUM MODO ESTÃO SUJEITAS


A ADQUIRIR UMA DOENÇA OCUPACIONAL, DEPENDE DA ATITUDE
A SER ADOTADA PELO TRABALHADOR DIANTE DOS RISCOS

FONTE: <https://www.epi-tuiuti.com.br/blog/curiosidades/veja-algumas-
profissoes-que-utilizam-epi/>. Acesso em: 30 set. 2019.

1 Cite uma profissão e enumere os riscos que ela pode oferecer à


saúde do trabalhador.

R.: ____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
_______________________.

93
ERGONOMIA

Não há um fator único e determinante para a ocorrência da doença, são várias


causas de riscos existentes no trabalho que podem ocasionar o seu surgimento.
Como exemplo, podemos citar:

• Obrigatoriedade de manter o ritmo acelerado de trabalho para garantir a


produção.
• Trabalho dividido, no qual cada trabalhador exerce uma única tarefa de
forma repetitiva, conforme apresentado na Figura 3.

FIGURA 3 – EXECUTAR UMA ÚNICA TAREFA POR LONGO


PERÍODO PODE SER SUSCETÍVEL A ADQUIRIR DORT

FONTE: <http://www.cerestprudente.com.br/noticias/dia-internacional-
de-combate-as-ler-dort.html>. Acesso em: 23 set. 2019.

• Trabalho rigidamente hierarquizado, sob pressão permanente das


chefias.
• Número insuficiente de funcionários.
• Jornadas prolongadas de trabalho com frequente realização de horas
extras.
• Trabalho realizado em ambientes com baixa temperatura, que produz
um efeito direto no tecido exposto e indireto quando há o uso de
equipamentos de proteção individual e ainda ambiente mal ventilado.
• Exposição a vibrações de corpo inteiro, ou membro superior, que podem
causar efeitos vasculares, musculares e neurológicos.
• Exposição a ruído elevado, que produz mudança de comportamento.
• Pressão mecânica localizada, desencadeada pelo contato físico de
cantos retos ou pontiagudos de objetos, ferramentas e móveis com
94
Capítulo 3 DOENÇAS OCUPACIONAIS

tecidos moles e segmentos anatômicos e trajetos nervosos, provocando


compressões de estruturas moles do sistema musculoesquelético.
• Posto de trabalho inadequado, que submeta o trabalhador a adotar
posturas incorretas, suportar certas cargas e a proceder de forma a
causar ou agravar afecções musculoesqueléticas durante a jornada de
trabalho. Relacionado à postura, três fatores são considerados:
ο Posturas extremas que comprometem os limites das articulações.
ο Situações em que a força da gravidade obriga o aumento de carga
sobre os músculos e outros tecidos.
ο Posturas que alteram a geometria musculoesquelética e que podem
causar estresse sobre os tendões, músculos e outros tecidos e/ou
reduzir a tolerância dos tecidos.

Segundo Fagundes (2016), a grande queixa do profissional é a dor. A


parestesia nos membros, a dor articular, a sensação de peso, a fadiga muscular
frequentemente são causas de incapacidade laboral temporária ou permanente.
A LER/DORT é uma doença que leva ao sofrimento físico e mental, pois são
afastados também do convívio social, afetando a qualidade de vida e a autoestima
do trabalhador.

A carga mecânica imposta sob o musculoesquelético resulta em fatores


como: a força, a repetitividade, a duração da carga, o tipo de preensão, a
postura e o método de trabalho, conforme apresentado na Figura 4. A carga no
musculoesquelético está relacionada à carga mecânica exercida sobre tecidos,
entre eles: tensão, pressão, fricção e irritação.

FIGURA 4 – OBRIGAR O CORPO A UM EXCESSO DE CARGA DURANTE O


TRABALHO LEVA O TRABALHADOR A SÉRIAS CONSEQUÊNCIAS À SAÚDE

FONTE: <https://www.prometalepis.com.br/blog/69-nr-17-a-
ergonomia-no-trabalho/>. Acesso em: 23 set. 2019.
95
ERGONOMIA

1 Observando o seu local de trabalho, você é capaz de diagnosticar


um fator que pode ser um risco à saúde do trabalhador? Cite os
riscos.

R.: ____________________________________________________
____________________________________________________
_________________________________________________.

A Previdência Social no ano de 1998 fez uma revisão da norma técnica para
a avaliação da incapacidade laborativa com relação às doenças ocupacionais
e optou-se por substituir LER por DORT, desde então o termo utilizado é LER/
DORT.

2.3 LESÃO POR ESFORÇO


REPETITIVO – LER
As atividades desenvolvidas pelos trabalhadores podem influenciar nas
suas condições psicofisiológicas, sendo importante a prevenção realizada pelas
organizações e a conscientização dos trabalhadores.

Segundo Dias (2001), o trabalho, ou atividades exercidas pelo trabalhador,


pode contribuir de três formas no desenvolvimento de patologias:

• como uma causa necessária;


• como um fator contributivo, mas não necessário;
• como provocador de um distúrbio latente ou agravador de uma doença já
estabelecida.

O critério para a categorização dessas formas é a verificação do trabalho


e das atividades desenvolvidas como um fator de risco ou exposição que está
associado à probabilidade de ocorrência de uma doença (DIAS, 2001). Exemplos
da relação doença e trabalho são apresentados no Quadro 3.

96
Capítulo 3 DOENÇAS OCUPACIONAIS

QUADRO 3 – CLASSIFICAÇÃO DAS DOENÇAS E RELAÇÃO COM O TRABALHO

FONTE: Adaptado de Dias (2001)

Segundo Oliveira (1997 apud AIRES, 2017), as doenças laborais começaram


a ser tratadas com mais seriedade no Brasil em 1970, devido ao aumento da
classe de médicos do trabalho e ao crescimento da indústria, que contribuiu para
o surgimento de enfermidades, doenças e acidentes.

O avanço da tecnologia, a competitividade no mercado de trabalho e a


exposição dos trabalhadores à tensão e ao estresse têm desencadeado problemas
posturais e lesões provocadas por esforço repetitivo (SILVA NETO, 2017).

As lesões por esforço repetitivo (LERs) são manifestações ou síndromes


patológicas do sistema musculoesquelético, que afetam principalmente os
membros superiores, ombros e pescoço, causadas de forma primária por tarefas
que desenvolvem movimentos locais repetitivos ou posturas forçadas (GRAVINA,
2002; CIARLINI et al., 2005).

De acordo com Ciarlini et al. (2005), caracteriza-se pela ocorrência de vários


sintomas concomitantes ou não, tais como: dor, parestesia, sensação de peso e
fadiga que se instalam de forma insidiosa.

As LERs podem ocasionar o afastamento temporário ou o afastamento


definitivo, além de atingir qualquer tipo de profissional, desde trabalhadores do
chão de fábrica a dentistas, professores, fisioterapeutas, entre outros. Como
apresentado na Figura 5, diferentes profissionais podem ser acometidos pela
LER.

97
ERGONOMIA

FIGURA 5 – POSTURA COMUM DOS DENTISTAS E


UM TRABALHADOR DE ESCRITÓRIO

FONTE: A autora

Os nervos, tendões, bainhas tendíneas e músculos da extremidade superior


são os mais acometidos pela LER, mas podem ocorrer em quase todos os tecidos
do corpo. O Ministério da Saúde relatou que os principais fatores que causam
as LERs são repetitividade (fator de risco mais frequente), esforço e força,
postura inadequada, trabalho muscular estático, invariabilidade de tarefas, fatores
organizacionais, entre outros, sendo que sobre todos esses fatores ainda podem
agir a intensidade, a duração e a frequência das atividades.

No Brasil, o termo Lesão por Esforço Repetitivo (LER) também pode


ser conhecido como Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho
(DORT), Síndrome Cervicobraquial Ocupacional, Afecções Musculoesqueléticos
Relacionadas ao Trabalho (AMERT) e Lesões por Traumas Cumulativos (LTC)
(OLIVEIRA; SOUZA, 2015). Em 1998, a Previdência Social substituiu LER por
DORT para permitir o reconhecimento de maior variedade de entidades mórbidas.

Para o Ministério da Saúde e Previdência Social, são grafadas como LER/


DORT por serem sinônimos (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2001; OLIVEIRA; SOUZA,
2015), assim é comum o emprego deste termo em artigos, livros, trabalho de
conclusão de curso, entre outros.

LER e DORT são os mesmos termos? Por que o termo foi


alterado? Para saber mais, acesse:

https://www.scielosp.org/pdf/sausoc/2013.v22n3/714-726/pt.

98
Capítulo 3 DOENÇAS OCUPACIONAIS

A LER/DORT é a doença que mais afeta o trabalhador brasileiro, segundo a


Agência Saúde (BRASIL, 2019), ocorrendo um crescimento de 184% nos casos
registrados, passando de 3.212 casos em 2007, para 9.122 em 2016. Ademais,
a ocorrência de LER/DORT foi maior nos profissionais que atuam nos setores da
indústria, comércio, alimentação, transporte e serviços domésticos/limpeza.

A LER/DORT pode causar afastamento do trabalho, pagamentos de


indenizações, tratamento e processos de reintegração ao trabalho.

2.3.1 Sintomas de LER/DORT


Os sintomas da LER/DORT podem aparecer simultaneamente e com
diferentes graus de intensidade. Maeno (2001) destaca os principais destes como:
dor, formigamento, dormência, sensação de peso, fadiga, fraqueza, queimação,
repuxamento, choque, sensação de queimadura, entre outros.

As lesões por esforço repetitivo podem apresentar três estágios evolutivos


visando ao reconhecimento das fases clínicas, bem como da orientação na
conduta (RODRIGUES, 2003), são estas:

• Grau I: sensação de peso e desconforto no membro afetado. Dor


espontânea, às vezes em pontadas, sem irradiação nítida, de caráter
ocasional durante a jornada de trabalho, sem interferir na produtividade.
Melhora com o repouso, os sinais clínicos estão ausentes, tem bom
prognóstico.
• Grau II: dor mais persistente e mais intensa. Aparece durante a jornada
de trabalho de forma contínua. É tolerável e permite o desempenho de
atividade, mas afeta o rendimento nos períodos de maior esforço. É
mais localizada e pode vir acompanhada de formigamento e calor, além
de leves distúrbios de sensibilidade. Os sinais clínicos, de modo geral,
continuam ausentes.
• Grau III: a dor torna-se mais persistente, forte e tem irradiação mais
definida. O repouso, em geral, só diminui a intensidade, nem sempre
fazendo-a desaparecer por completo. Aparece mais vezes fora da
jornada, especialmente à noite. Os trabalhos domésticos muitas vezes
não podem ser executados, estando presentes os sinais clínicos.
O inchaço é frequente, assim como a transpiração e a alteração da
sensibilidade. Nesta fase, o retorno ao trabalho já se mostra problemático.
• Grau IV: dor forte, contínua, às vezes insuportável. A dor se acentua
com os movimentos, estendendo-se em todo o membro afetado e dói
até quando o membro está imobilizado. A perda de força e controle

99
ERGONOMIA

dos movimentos são constantes. O inchaço é persistente e podem


aparecer deformidades, como as atrofias nos dedos, em função do
desuso. A capacidade do trabalho é anulada e a invalidez se caracteriza
pela impossibilidade de um trabalho produtivo regular. Nesse estágio,
são comuns as alterações psicológicas, com quadros de depressão,
ansiedade e angústia. A reabilitação é difícil, podendo gerar sequelas
irreversíveis.

2.3.2 Diagnóstico
O diagnóstico de LER/DORT é uma tarefa difícil. Segundo o Ministério
da Saúde (2001), o quadro clínico é heterogêneo, vários fatores laborais e
extralaborais concorrem para sua ocorrência, além disso, outro fator complicador é
a intervenção de quem faz o diagnóstico e a conclusão diagnóstica em condições
diferentes da ideal.

Assim, é necessário realizar uma investigação diagnóstica, que segundo o


Ministério da Saúde (2001), deve incluir duas etapas:

Primeira etapa: investigação.

• história clínica detalhada (história da moléstia atual);


• investigação dos diversos aparelhos;
• comportamentos e hábitos relevantes;
• antecedentes pessoais;
• antecedentes familiares;
• anamnese ocupacional;
• exame físico detalhado;
• exames complementares, se necessários.

Os antecedentes familiares são utilizados com a finalidade de identificar a


possível presença de traumas, luxações que podem ter ocasionado a dor crônica,
ou até mesmo histórico de doenças hormonais na família. Enquanto a anamnese
ocupacional visa entender o ambiente de trabalho do paciente, identificando
possíveis fatores que contribuem para o desenvolvimento de LER/DORT.

Considerando os dados levantados é necessário realizar a segunda etapa,


que é a construção da hipótese diagnóstica. O Ministério da Saúde (2001)
estabelece algumas questões direcionadoras. Podemos destacar algumas:

• A idade e o sexo do paciente correspondem à população mais atingida

100
Capítulo 3 DOENÇAS OCUPACIONAIS

pela LER/DORT?
• As queixas clínicas, formas de início e evolução são compatíveis com o
quadro de LER/DORT?
• As queixas do paciente são posteriores ao início do trabalho em
condições ergonomicamente inadequadas?

O paciente deve ser examinado baseado nos conceitos que podem ter
levado a desenvolver a LER, bem como o estresse do ambiente de trabalho
(OLIVEIRA, 1999), devendo ser realizado um processo investigativo, uma vez
que o diagnóstico da doença é difícil, dependendo do relato do paciente.

Medeiros e Segatto (2012) identificam o diagnóstico de LER/DORT em três


categorias que se assemelham ao recomendado pelo Ministério da Saúde, são
elas: o estudo da vida profissional pregressa, da história da doença e de exame
físico minucioso.

De acordo com Moraes e Bastos (2017), o diagnóstico de LER/DORT não


possui expressão no Código Internacional das Doenças (CID-10).

2.3.3 Prevenção
Para prevenir a LER/DORT é necessário verificar as condições em que o
trabalhador desenvolve suas atividades, assim, segundo Soares et al. (2006),
os programas de prevenção precisam priorizar o ambiente de trabalho e atuar
considerando as especificidades da atividade.

Considerando esse propósito, Maciel et al. (2005) afirmam que a ergonomia


tem sido efetiva na prevenção da LER/DORT, pois permite a avaliação das
condições e ambientes de trabalho, propostas de soluções técnicas (mudanças
nos equipamentos e ambientes físicos) e administrativas (programação de
pausas, rodízios e variações na organização e conteúdo das atividades).

Ademais, é praticamente impossível prevenir a LER/DORT sem realizar a


análise das atividades do posto de trabalho suspeito, por se tratar de doenças
multicausais. Assim, é fundamental identificar as causas específicas daquela
determinada situação de trabalho e seu peso relativo na origem do problema.

Ainda segundo Maciel et al. (2005), pode-se citar sete passos para o
desenvolvimento de um bom programa de prevenção de LER/DORT, descritos
de tal forma a permitir que sejam adaptados às situações locais específicas. São
estes:

101
ERGONOMIA

1. Investigação de indicadores de problemas de LER/DORT nos locais de


trabalho, tais como queixas frequentes de dores por parte dos trabalhadores,
trabalhos que exigem movimentos repetitivos ou aplicação de força.
2. Comprometimento da gerência e direção com a prevenção e a participação
dos trabalhadores para a solução dos problemas.
3. Capacitação dos trabalhadores, incluindo a gerência, sobre a LER/DORT, para
que possam avaliar os riscos potenciais dos seus locais de trabalho.
4. Coleta de dados, por meio da análise das atividades dos postos de trabalho,
para identificar as condições de trabalho problemáticas, incluindo a análise de
estatísticas médicas da ocorrência de queixas de dores ou de LER/DORT.
5. Investigação de controles efetivos para neutralização dos riscos de lesões por
esforços repetitivos e avaliação e acompanhamento da sua implantação.
6. Desenvolvimento de um sistema efetivo de comunicação, enfatizando a
importância da detecção e tratamento precoce das afecções para evitar o
agravamento das afecções e a incapacidade para o trabalho.
7. Planejamento de novos postos de trabalho ou novas funções, operações e
maneiras para evitar condições de trabalho que coloquem os trabalhadores em
risco.

É importante que todos estejam envolvidos no processo de implantação de


programas de prevenção, para contribuir, acompanhar e requerer medidas efetivas
e eficazes para a eliminação dos problemas. Assim, com a obrigatoriedade da
análise ergonômica do trabalho exigida pela NR-17, que trata de ergonomia, os
trabalhadores também podem ser assistidos na prevenção das LER/DORT.

O dia 28 de fevereiro é dedicado ao Dia Mundial de Combate


à LER/DORT. A data foi escolhida pela Organização Internacional
do Trabalho para conscientizar a população sobre os Distúrbios
Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT), que incluem as
Lesões por Esforços Repetitivos (LERs).

2.3.4 Tratamento
A ergonomia tem atuado efetivamente na melhoria e no equilíbrio entre o
trabalhador, as ferramentas de trabalho (máquinas e equipamentos), as condições

102
Capítulo 3 DOENÇAS OCUPACIONAIS

de trabalho e o posto de trabalho. Seus estudos são úteis no tratamento e na


prevenção da LER/DORT, porém cada colaborador é responsável por zelar pela
sua integridade.

O tratamento dos trabalhadores que apresentam LER/DORT deve considerar


aspectos clínicos e incluir uma preparação para o retorno ao trabalho.

Medicamentos anti-inflamatórios e analgésicos são usados para o alívio da


dor aguda e crônica. Trata-se de um tratamento acompanhado e recomendado
pelo médico.

Medicamentos corticoides são anti-inflamatórios mais potentes, porém


os efeitos colaterais são maiores, o acompanhamento médico não deve ser
negligenciado.

Medicamentos antidepressivos e outras substâncias com ação no sistema


nervoso central podem ser considerados em quadros de dores crônicas ou
quando associados a sintomas de humor e/ou ansiedade.

Intervenção cirúrgica é um possível tratamento, indicada para casos


associados a malformações ou deformidades osteomusculares irreversíveis ao
tratamento medicamentoso.

Algumas medidas podem ser tomadas, a fim de preservar os danos causados


pelas doenças:

• Medidas ergonômicas são medidas que buscam a melhoria do


ambiente de trabalho. A medida, por menor que seja, faz uma grande
diferença. Como exemplos:

ο Pausas programadas, procure manter as costas eretas, apoiadas num


encosto confortável e os ombros relaxados enquanto estiver trabalhando
sentado. Cuide também para que os punhos não estejam dobrados. A
cada hora, pelo menos, levante-se, ande um pouco e faça alongamentos.
ο Certifique-se de que a cadeira e/ou banco em que se senta para trabalhar
sejam adequados ao tipo de atividade que você exerce.
ο Conscientização que LER/DORT é uma síndrome que acomete apenas
as pessoas que trabalham em determinadas funções. Quem usa o
computador para o lazer por longo período, está propenso a adquirir
doença ocupacional.
ο Esteja ciente de que qualquer região do corpo pode ser afetada por LER/
DORT desde que seja exposta a mecanismos de traumas contínuos.

103
ERGONOMIA

• Exercícios físicos oferecem grandes benefícios e incluem tanto


exercícios aeróbicos como exercícios de alongamento.

• A fisioterapia é empregada para redução da dor e recuperação da


função e movimentos da área atingida.

1 Cite uma atividade do dia a dia que se desenvolvida de forma


incorreta por um longo período, sem qualquer tipo de prevenção,
pode vir a ser uma LER/DORT.

R.: ____________________________________________________
______________________.

FIGURA 6 – A FISIOTERAPIA É UM RECURSO EMPREGADO


PARA REDUZIR A DOR E NA RECUPERAÇÃO DA FUNÇÃO E DOS
MOVIMENTOS DOS MÚSCULOS AFETADOS PELA LER/DORT

FONTE: <http://segurancaesaudedotrabalho.blogspot.com/2009/08/
diagnostico-tratamento-ler-dort.html>. Acesso em: 23 set. 2019.

104
Capítulo 3 DOENÇAS OCUPACIONAIS

2.4 NORMA REGULAMENTADORA Nº 17


As normas regulamentadoras consistem em obrigações, direitos e deveres
a serem cumpridos por empregadores e trabalhadores com o objetivo de garantir
trabalho seguro e sadio, prevenindo a ocorrência de doenças e acidentes de
trabalho.

No total, são especificadas 37 (trinta e sete) normas regulamentadoras,


sendo abordada apenas a norma NR-17, que se refere à ergonomia. Esta norma
foi estabelecida em 8 de junho de 1978 por meio da Portaria GM nº 3.214,
sofrendo constantes atualizações, sendo a última em 24 de outubro de 2018.

A NR-17 visa estabelecer parâmetros para a adaptação das condições


de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores, de modo a
proporcionar um máximo de conforto, segurança e desempenho eficiente.

O item 17.1 da norma NR-17 destaca que as condições de trabalho incluem


levantamento, transporte e descarga de materiais, mobiliário, equipamentos,
condições ambientais do posto de trabalho e organização do trabalho.

Cabe ao empregador, segundo a NR-17, realizar a análise ergonômica do


trabalho visando avaliar a adaptação das condições de trabalho e características
psicofisiológicas dos trabalhadores.

Para conhecer mais sobre a Norma Regulamentadora NR-17,


acesse:
https://enit.trabalho.gov.br/portal/images/Arquivos_SST/SST_
NR/NR-17.pdf.

2.4.1 Laudo Ergonômico


A NR-17 não menciona o termo laudo ergonômico, apenas a realização da
análise ergonômica do trabalho no item 17.1.12 da norma.

Segundo Souza (2011), o laudo ergonômico é um termo bastante utilizado


pelas empresas prestadoras de serviço, mas causa confusões devido à palavra

105
ERGONOMIA

“laudo” denotar resposta a um conjunto de questionamentos ou itens de


conformidade, o que pode não contemplar os itens que circundam uma situação
de trabalho.

Laudo Ergonômico ou Análise Ergonômica tem como objetivo identificar os


riscos ergonômicos, bem como recomendar as intervenções e/ou adaptações
necessárias das condições de trabalho.

O responsável pelo laudo é a pessoa que tem a habilitação para a função, no


caso o Engenheiro de Segurança do Trabalho, o fisioterapeuta com especialização
e conhecimento ou outro profissional que realmente tenha a especialização, a
habilitação e a capacitação para fazer essa análise técnica.

Para verificar um caso prático de laudo ergonômico, acesse:


http://www.unergo.org/uploads/2/5/5/7/25570883/aet_em_
escrit%C3%93rios.pdf.

ALGUMAS CONSIDERAÇÕES
É difícil imaginar que a atividade laboral que fornece o nosso sustento possa
comprometer a nossa saúde. A saúde é o bem mais precioso que temos, por isso
é importante a conscientização dos trabalhadores e empregadores, e a adoção de
políticas voltadas para informar, discutir e prevenir doenças ocupacionais.

As doenças ocupacionais vêm se tornando um caso de saúde pública.


Com o avanço da tecnologia e a produção cada vez mais exigente, o tempo, o
modo como a tarefa é realizada, a velocidade e a repetibilidade são fatores que
influenciam diretamente na produtividade. A tecnologia não pode regredir, contudo
empregadores devem cobrar com rigor as recomendações da ergonomia, pois a
prevenção continua sendo o melhor meio de evitar problemas sérios de saúde.

Desenvolver as atividades laborais com responsabilidade, usando os


equipamentos de proteção, respeitando as recomendações, buscando meios de
se adaptar às mudanças são fatores imprescindíveis que podem evitar danos à
saúde.

106
Capítulo 3 DOENÇAS OCUPACIONAIS

Nenhum trabalhador deseja adoecer, muito menos o empregador quer um


colaborador doente, pois ambos sofrem prejuízos. Os danos à saúde muitas
vezes podem ser imprevisíveis, levando alguns trabalhadores ao afastamento das
suas atividades.

As medidas preventivas de proteção ao trabalhador muitas vezes são


ignoradas, muitas empresas não tratam estas questões como prioridade, devido
à negligência do próprio colaborador. A negligência do trabalhador, na maioria
das vezes, ocorre devido à falta de conscientização ou até mesmo por motivos
culturais, o Ministério da Saúde sempre lança campanhas de conscientização,
pois com toda a tecnologia, prevenir ainda é a melhor solução.

É preciso valorizar o trabalho dos profissionais da ergonomia que estão


sempre atentos à saúde do trabalhador, recomendando soluções eficientes,
profissionais qualificados e um estudo especificado de acordo com a função do
colaborador. Ignorar tais medidas é expor-se a riscos. A equipe de ergonomia visa
oferecer ao trabalhador mais qualidade de vida.

107
ERGONOMIA

REFERÊNCIAS
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