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19/08/2022 01:08 Giorgio Agamben: um poema e um ensaio – alguma tradução

alguma tradução

nina rizzi

Giorgio Agamben: um poema e um ensaio

 JUNE 9, 2016APRIL 26, 2017


 NINARIZZI
 2 COMMENTS

Clareiras

                                                            Para Martin Heidegger

Coros do olhar,

recua!

Não quero mais reinar.

Agora, fogo, agora:



Estou pronto.

Qual máscara terei que encontrar?

Eu quero.
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19/08/2022 01:08 Giorgio Agamben: um poema e um ensaio – alguma tradução

(1967)

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 A QUEM SE DIRIGE A POESIA?

A quem se dirige a poesia? Só é possível responder esta pergunta se se entende que o destinatário do
poema não é uma pessoa real, mas uma exigência.

Uma exigência nunca coincide com as categorias modais com as quais estamos familiarizados. O
objeto da exigência não é nem necessário, nem contingente, não é possível ou impossível.

Pode-se dizer, em contrapartida, que uma coisa ‘exige’ (‘exacts’) ou demanda outra, quando sucede
que, se a primeira coisa é, a outra coisa também tem que ser, sem que necessariamente a primeira
esteja implicando logicamente a segunda, ou forçando-a a existir no âmbito dos feitos. Uma exigência
é simplesmente algo além de toda necessidade e de toda possibilidade. É similar a uma promessa que
só pode ser cumprida por aquele que a recebe.

Benjamin escreveu alguma vez quer a vida do Píncipe Myshkin exige permanecer inesquecível,
mesmo quando todos a esquecem. Da mesma forma, o poema exige ser lido, mesmo quando
ninguém o leia.

Isto mesmo pode se expressar dizendo que na medida em que a poesia demanda ser lida, deve
permanecer ilegível. Estritamente falando, não há um leitor de poesia.

É isto talvez o que Cesar Vallejo tinha em mente quando, ao definir a intenção última e a dedicatória
de quase toda sua poesia, não encontrou outras palavras mais que dizer para o analfabeto a quem
escrevo. É importante nos determos na formulação aparentemente redundante “para o analfabeto a
quem escrevo”. Aqui “para” significa menos “para” que em “lugar de”; tal como Primo Levi disse
que ele dava testemunho por – isto é, “em lugar de” – aqueles chamados Muselmanner que, no jargão
de Auschwitz nunca puderam dar testemunho. 

O verdadeiro destinatário da poesia é aquele que não está habilitado para lê-la. Mas isto também
significa que o livro, que é destinado a quem nunca o lerá – o iletrado – foi escrito por uma mão que,
em certo sentido, não sabe ler e que é, portanto, uma mãe iletrada. A poesia é aquilo que regressa a
escritura até o lugar de ilegibilidade de onde provém, para onde ela segue se dirigindo.
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19/08/2022 01:08 g g p
Giorgio Agamben: p
um poema g tradução
e um ensaio – alguma g
(2015)

 GIORGIO AGAMBEN

2 thoughts on “Giorgio Agamben: um poema e


um ensaio”

maria says:
APRIL 24, 2017 AT 11:51 PM
Acho que o autor escreveu “uma mão iletrada”, e não “uma mãe iletrada”.

REPLY 
ninarizzi says:
APRIL 26, 2017 AT 12:03 PM
Sim, Maria! grata pela leitura atenta, já corrigi a digitação! abraços

REPLY 

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