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A desconsideração da personalidade jurídica aplicada às associações
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Publicado em 06/2010

Jairo Cavalcanti Vieira Resumo: Artigo acerca da aplicabilidade da Teoria da Desconsideração da Personalidade Jurídica às associações. Partindo da premissa de que as associações são pessoas jurídicas de direito privado suscetíveis de abuso em sua personalidade jurídica, à semelhança das sociedades, apresenta a teoria da desconsideração da personalidade jurídica como instituto apto à correção e inibição da situação abusiva. Comenta a disciplina legal das associações, concentrando sua atenção no regramento dos membros. Examina a evolução e os elementos da Teoria da Desconsideração da Personalidade Jurídica. Demonstra a possibilidade de desconsiderar a personalidade jurídica das associações e os fundamentos para tanto. Abstract: Article concerning Disregard Doctrine applicability to associations. Working on the premise that the associations are private legal entities susceptible to abuse in its corporate entity, similarity to society, introduce the Disregard Doctrine as an appropriate institute to correct and slow down this abusive situation. It comments the legal association’s disciplines, concentrating attention on members and administrators rules. It examines the Disregard Doctrine evolution and its elements. It demonstrates the possibility for disregard the corporate entity of the associations and the beddings for in such a way. Palavras-chave: Pessoa jurídica – Abuso da personalidade jurídica – Teoria da

desconsideração da personalidade jurídica – Associação. Key-words: Legal entity; Abuse of corporate entity; Disregard Doctrine; Association.

1. Introdução No Brasil a existência de pessoas jurídicas é uma realidade incontestável. Há milhares de sociedades exercendo atividades empresariais, vendendo produtos, prestando serviços. Existem inúmeras sociedades simples, conforme a nomenclatura do atual Código Civil, constituídas de advogados, médicos, contadores etc., os quais conjugam esforços para o exercício de suas atribuições profissionais. Ao lado das sociedades convivem as associações, em meio a seus mais variados objetivos: os consumidores que adquirem produtos e serviços fornecidos pelas sociedades têm integrado associações para a defesa de seus interesses; os empregados das sociedades têm criado

associações com o fito de promover lazer para si, ou realizar atos de caridade; os advogados, médicos, contadores e profissionais, ao tempo em que participam de sociedades simples, são membros de associações de defesa de interesses da classe profissional. Com tamanha importância, a pessoa jurídica infiltrou-se em inúmeras relações sociais e, infelizmente, tem sido alvo de abuso por parte de pessoas físicas que a compõem. Estas se valem da personificação da pessoa jurídica para cometer atos fraudulentos contra credores, assegurados pelo fato de que seu patrimônio pessoal não será atingido. É nesse contexto que reclamam análise as associações, espécie de pessoa jurídica que, ao lado das sociedades, também merece o abrigo do art. 50 do Código Civil de 2002. Afinal de contas, os associados podem abusar da personalidade jurídica das associações, à semelhança dos sócios em relação às sociedades. Tal abuso pode e deve ser coibido à luz da Teoria da Desconsideração da Personalidade Jurídica.

2. A personalidade jurídica da associação Herlita Barreira Custódio (1979) explica que as corporações beneficentes foram as primeiras a se identificarem com a noção de pessoa jurídica formulada na Idade Média, isto em virtude da influência da Igreja Católica. O esboço da pessoa jurídica como ente abstrato autônomo tomou forma no seio da Igreja Católica medieval (CUSTÓDIO, 1979). A Igreja mantinha, além de suas ocupações sacras, instituições ou locais voltados para a filantropia e benemerência, onde religiosos e nobres prestavam auxílio aos pobres e desvalidos. Com o decorrer do tempo, contudo, a idéia de personificação dos entes coletivos se desenvolveu e, ainda na época clássica, definiram-se duas categorias de pessoas jurídicas, ou seja, de universitates, portadoras de personalidade: as universitates personarum, representadas por agrupamentos de indivíduos, compreendendo os colégios, as associações de publicanos, os agrupamentos artesanais etc., e as universitates bonorum, formadas pelos estabelecimentos, que constituíam verdadeiras fundações. Observa Herlita Barreira Custódio (1979, p. 9) que "a personalidade, abrangendo a universitas, não se referia à societas, por ser esta encarada como um fenômeno puramente contratual, não passando de simples vínculo obrigacional entre os sócios, que eram considerados os verdadeiros sujeitos de direitos e obrigações", adicionando:

"De acordo com os dados históricos, as primeiras fundações de beneficência e de culto surgem na época cristã, encontrando-se, inicialmente, incorporadas e confundidas com a personalidade de Igreja. Posteriormente, estas fundações se tornam independentes, com a colaboração, também, do conceito de fundações autônomas pelo Direito canônico". (CUSTÓDIO, 1979, p. 9, grifo do autor).

Generalizado o reconhecimento de existência própria dos grupos de pessoas e bens, como ocorreu no século XIX, o status das associações já havia se sedimentado e, nos anos seguintes, o Direito Continental, do qual descende o brasileiro, conservou a associação em seu arcabouço jurídico, sempre abrangida nas discussões e mutações da pessoa jurídica. O Código Civil, no artigo 44, enumera que são pessoas jurídicas de direito privado: as

os seus membros não pretendem partilhar lucros (pro labore). no sentido de que qualquer finalidade é possível – salvo fins ilícitos e paramilitares. conforme se lê no texto no caput do artigo 53. em pura doutrina. com fins não econômicos. obter acréscimo ao seu patrimônio pessoal. com todos os seus conceitos e definições. são pessoas jurídicas de direito privado. As associações. especialmente em contraste com as sociedades. No regime jurídico da associação. No campo das associações. as organizações religiosas e os partidos políticos. científica. a pessoa jurídica jamais pode ser classificada como associação. p. Pablo Stolze Gagliano e Rodolfo Pamplona Filho (2004. O termo associação não é apenas rotulação ou qualquer coisa dessa ordem. (REALE apud CUSTÓDIO. associação serve para denominar as pessoas jurídicas formadas por um grupo de pessoas. "em uma associação. reconhecidas na nossa legislação. vedados pela Constituição Federal (artigo 5º. no entanto.associações. Os elementos que a caracterizam são: a reunião de diversas pessoas para a obtenção de um fim ideal. estão aquelas pessoas jurídicas de natureza civil. p. e não se trata de questão meramente de denominação. portanto. as sociedades. dotada de personalidade jurídica. pelo contrário. XVII) – contanto que os associados não aufiram lucro por participarem da associação. formadas pela união de indivíduos com o propósito de realizarem fins não-econômicos". piedosa. como ocorre entre os sócios nas sociedades civis e mercantis. O Código Civil delimita a finalidade para a qual uma associação pode ser constituída. Os civilistas não divergem do enunciado legal. uma precisa distinção entre as pessoas jurídicas de fins não econômicos (associações e fundações) e as de escopo econômico (sociedade simples e sociedade empresária)". e com embasamento em vocação doutrinária para distinguir as sociedades das associações. não distribuem dividendos. 39). as fundações. a ausência de finalidade lucrativa. cultural e esportiva. 215) discorrem que "associações são entidades de direito privado. p. o reconhecimento de sua personalidade por parte da autoridade competente. conforme Pablo Stolze Gagliano e Rodolfo Pamplona Filho (2004. Associações não repartem lucros. entretanto. utilizam-no como ponto vestibular para verterem seus próprios conceitos. É um juris. ou dividendos. A receita gerada deve ser revertida em benefício da própria associação visando à melhoria de sua atividade". Caio Mário da Silva Pereira (2000) segue a mesma trilha lecionando que. é impositiva a inexistência de intento lucrativo na sua constituição e existência. ostentando contornos próprios e inconfundíveis. Configura a característica juridicamente eleita na delimitação da associação. Associação é a reunião de várias pessoas para a realização de objetivos sem fins de lucro. que não podem lucrar com as atividades da pessoa jurídica da qual fazem parte. Para o Código Civil pátrio. A vedação legal é de incorporação dos ganhos da associação ao patrimônio dos associados. Por isso Miguel Reale aponta ser fundamental. O aspecto da ausência de finalidade econômica das associações é de extrema relevância. correspondendo às universitates personarum. . semelhante às sociedades. Destarte. Presente a finalidade econômica. 215-216). 1979. "por sua repercussão em todo o sistema. as associações são constituídas pela união de pessoas que se organizam para fins não econômicos. Os associados participam de uma associação por motivos egoísticos ou altruísticos sem.

por isso.2. a associação conta com patrimônio próprio e capacidade para ser sujeito em relações jurídicas e assumir obrigações. por meio de um acordo de vontade informal ou por meio de um instrumento jurídico (proposta associativa. cada um dos associados constituirá uma individualidade e a associação uma outra. Em função da sua natureza de pessoa jurídica. nessa mesma linha de pensamento. segundo o qual "As pessoas jurídicas têm existência distinta da dos seus membros" não tenha sido repetido no Código Civil em vigor. por ser uma nova unidade orgânica. Percebe-se. a utilidade desta construção da pessoa jurídica é o regime jurídico observado como corolário da personificação. em situação análoga à dos sócios perante a sociedade. exercendo direitos outorgados pelo estatuto e gozando deveres conferidos neste instrumento. Os associados são as pessoas físicas ou jurídicas que atendem aos requisitos previstos no estatuto da associação e passam a ter direitos e deveres perante a corporação. De acordo com o entendimento de João Batista Lopes (2003). mediante personificação. A associação passa a ter vida própria e autônoma. adere a um ente jurídico ou empreendimento ou mesmo à sua formação. Todos os nove artigos do capítulo que trata das associações utilizam esta expressão. prática de caridade e outras atividades que beneficiam um determinado grupo de pessoas. Elucidativa a definição de Paulo Sanchez Campos (2004. tendo cada um seus direitos. 2. defesa de direitos coletivos. de seu estatuto ou da própria lei e. deveres e bens. juridicamente exigíveis". conforme ponderam Pablo Stolze Gagliano e Rodolfo Pamplona Filho (2004). Além disso. A conseqüência prática e. Distinção entre a associação e seus membros O Direito brasileiro compreende a pessoa jurídica como tendo existência própria e real. não podendo o ordenamento que a personificou ignorar esta nova realidade ou afastar arbitrariamente os seus efeitos". portanto. 79): "Associado é a qualidade daquele que é sócio. que. Os associados são aquelas pessoas que se unem e se organizam em torno de um fim não lucrativo. a associação adquire aptidão para ser sujeito de direitos e obrigações. 08) frisa que "uma vez personalizado. p. o ente passa a ter existência jurídica. com personalidade conferida pelo Direito. contrato etc. isto é. integrando-a. daquele que. sem qualquer miscigenação com seus membros.Em vista da disciplina legal. No desenrolar de suas atividades. as associações são criadas para lazer. continua válido doutrinariamente.). em última análise. a distinção entre a pessoa jurídica e as pessoas físicas . distinguindo-se dos seus membros. prática de esportes. Suzy Koury (2003. passando a ostentar direitos e obrigações dessa condição constantes do ato de vontade. deixando evidente quem são as pessoas unidas na constituição de uma associação. adquire personalidade e atua no mundo jurídico da mesma forma que as demais pessoas jurídicas. p. goza de capacidade patrimonial e seus bens não se confundem com os bens dos associados. sem propiciar-lhe renda. embora o postulado básico do artigo 20 do Código Civil de 1916. Como observa Maria Helena Diniz (2003). Infere-se do Código Civil que os membros da associação são denominados associados.

Diversamente do que ocorre no tocante às sociedades. Não é aceitável que os associados. se a responsabilidade é limitada. pessoas jurídicas. ocorre uma cisão entre a sua existência e a de seus integrantes. limitação ou supressão de responsabilidades individuais". Afastar a separação patrimonial da associação seria uma contradição ontológica. apto a praticar atos jurígenos e. perfeitamente aplicável hodiernamente. Qual a conseqüência desta omissão? Será que se trata do "silêncio eloqüente" do legislador dando a entender que não há limitação ou descaracterização de responsabilidade dos associados. Enquanto a norma fixa pormenorizadamente os limites e efeitos da constituição da sociedade em relação ao patrimônio dos sócios. 268) quando afirma que "não se pode perder de vista é o fato de ser a personalização uma técnica jurídica utilizada para se atingirem determinados objetivos práticos – autonomia patrimonial. do Código Civil. versamos sobre uma pessoa jurídica. opina Miguel Reale (1998. a associação é pessoa jurídica. Às associações aplica-se esta disciplina. porquanto são. subsidiariamente. anuímos com Fábio Konder Comparato (1979. ilimitada. inciso V. como principal efeito. Ao ser criada a pessoa jurídica. p. Personificado. não o faz quanto às associações. reversamente ao previsto para as sociedades? De modo algum. destarte. ou seja. Inexiste dispositivo legal estabelecendo em que situações os associados são responsáveis por obrigações das associações. ou não. definindo ou delimitando a responsabilidade dos associados por obrigações da associação. contudo. especialmente sob o aspecto patrimonial. Assim sendo. Nesse sentido. porquanto quando falamos de associação. enquadrando-se na conceituação proposta. o ato de registro da associação deve declarar se os membros respondem. Pode-se. A inexistência de responsabilidade dos associados é fator inerente à existência da associação civil. cuja natureza impõe a incomunicabilidade de bens. consoante o artigo 46. pelas obrigações sociais. a distinção entre o ente coletivo e seus membros. após constituírem uma associação com fins não econômicos. Embora não haja disposição explícita sobre o assunto. p. por estas não respondem os seus associados". que passam a ter personalidades próprias e patrimônios inconfundíveis. é possível que o ato de constituição da associação atribua responsabilidade aos associados por obrigações da associação. A fixação de responsabilidade. Ora. Verdade é que. . exponham seus bens ao risco de um insucesso da associação. por definição legal. 234) que "se uma sociedade civil de intuitos recreativos falha em seus objetivos e se vê a braços com imensas dívidas. não fosse essa distinção entre o singular e o coletivo. neste diapasão. Ocupamo-nos em demonstrar que a constituição de uma pessoa jurídica tem. quanto por expressa disposição de lei. contribuírem para a criação de uma pessoa jurídica com finalidade específica. o grupo passa a ser sujeito de direito. da qual os associados não obterão nenhum acréscimo patrimonial. é facultativa. tanto pela sua natureza jurídica. os efeitos da personificação redundam na intangibilidade do patrimônio particular dos associados perante os credores da associação. solidária ou subsidiária. o Código Civil não se preocupou em disciplinar a responsabilidade social das associações. O ente coletivo desprende-se do seu criador e passa a gozar de plena autonomia perante o Direito. bem como entre o acervo de bens de ambos. a pessoa jurídica perderia seu sentido jurídico. Por outro lado.compõem o vetusto brocardo societas distat a singulis.

De outra parte. depois de deduzidas. os meios-de-produção consumiam maiores investimentos. Os bens da associação são só dela e. Aos associados é vedado obter lucro na criação. será destinado a entidade de fins não econômicos. Teoria da desconsideração da personalidade jurídica Nos auspícios do liberalismo econômico. afinal. os direitos e os deveres daquela". A revolução industrial trouxe o aumento dos custos da atividade econômica: a mão-de-obra. se for o caso. antes serão entregues a outra pessoa jurídica com fins semelhantes. o remanescente do seu patrimônio líquido. É forçoso que os associados não fiquem pessoalmente obrigados perante credores da associação. 2003. A partir do século XIX. as quotas ou frações ideais. (COMPARATO apud KOURY. De outro modo. de modo que a estas não possam ser imputadas as condutas. a criação de pessoas jurídicas tornou-se comum. Foi-se tornando cada vez maior a preocupação da doutrina e da jurisprudência com a utilização da pessoa jurídica para fins diversos daqueles tipicamente considerados pelos legisladores. a demanda reclamava alta produtividade. lançou mão da pessoa jurídica para viabilizar a produção. antes escravizada. 63) que dentre esses meios. acarretando a inexistência de qualquer responsabilidade dos associados por obrigações da associação. conforme argumenta Fábio Konder Comparato. A distinção entre os membros e a pessoa jurídica diminuía o impacto dos riscos da atividade econômica. unida à vantagem de união de esforços com outrem. 3. ocasionalmente. p. Isto reforça a separação patrimonial entre associação e associados. . razão pela qual passaram a buscar meios idôneos para reprimi-la. Leciona Suzy Elizabeth Koury (2003. "a função geral da pessoa jurídica consiste na criação de um centro de interesses autônomos em relação às pessoas que lhe deram origem.assentar que não há qualquer responsabilidade dos membros. limitando a perda do patrimônio individual. ninguém se interessaria em criar uma associação ou nela ingressar. verificou-se que a separação patrimonial e a exclusão de responsabilidade propiciavam situações injustas e. então alçada ao poder. 66). A burguesia. p. não podem ingressar no acervo de qualquer associado. durante o funcionamento ou por meio da dissolução da associação. eram usadas como ferramenta para práticas escusas e locupletamento. mesmo após sua extinção. o artigo 61 do Código Civil preconiza que. seus credores não poderão avançar no patrimônio pertencente exclusivamente aos associados. O patrimônio pessoal do sócio de uma empresa ficava resguardado em caso de insucesso do empreendimento a partir do momento em que o capital destinado à atividade empresarial fosse destacado. O instituto da associação tornar-se-ia inócuo e totalmente irrelevante para a coletividade. passou a ser paga. dissolvida a associação. Se a associação quedar insolvente.

elaborada pelo alemão HAUSSMANN e desenvolvida na Itália por MOSSA. 57). porque é necessário coibir a fraude perpetrada graças à manipulação de tais regras". aplicando-se a teoria da desconsideração". também. Na doutrina brasileira. e as técnicas. para preservar a jurisdição dos tribunais sobre as sociedades anônimas. E acrescenta que nela "aprecia-se a situação jurídica tal como se pessoa jurídica não existisse. p. 40). a teoria ingressa no final dos anos 1960. Solomon & Co.] Mas foi no âmbito da common law. não fosse a desconsideração. (grifos do autor) A Teoria da Desconsideração da Personalidade Jurídica surgiu como instrumento de inibição e correção do uso indevido da pessoa jurídica. 444). entre o membro e a pessoa jurídica da qual ele faz parte. Esse é. 55). de 10 de janeiro de 2002). seriam atribuídos (respectivamente) à sociedade ou ao sócio" (JUSTEN FILHO. Posteriormente positivada em várias leis especiais. julgado pelo Juiz Marshal em 1809. a fim de evitar um resultado incompatível com a função da pessoa jurídica". proclamou os acionistas como parte integrante e seu direito e deveres como cidadãos reconhecidos para serem alcançados pela jurisdição. 1987. segundo ele. assentada nos diversos ordenamentos jurídicos. De acordo com Alexandre Couto Silva (2004. que se apegam inflexivelmente ao primado da separação subjetiva das sociedades. inicialmente na jurisprudência. p. para casos concretos e sem retirar a validade de ato jurídico específico. que se desenvolveu. Atribuem-se ao sócio ou à sociedade condutas (ou efeitos jurídicos de conduta) que. no caso Solomon v. Por outro lado. dos efeitos da personificação jurídica validamente reconhecida a uma ou mais sociedades. O juiz Marshal. em percuciente digressão. o que significa que se trata a sociedade e o sócio como se fossem uma mesma e única pessoa. Marçal Justen Filho (1987."VERRUCOLI recorda a chamada teoria da soberania. de 1897. Deveaux. obtempera que a Teoria da Desconsideração da Personalidade Jurídica "é a ignorância. principalmente a norte-americana. que questionam a autonomia patrimonial da pessoa jurídica para responsabilizar sempre os sócios. numa conferência de Rubens Requião expondo seus estudos produzidos na Europa. não se discerne. a desconsideração da personalidade jurídica". p. O princípio . para quem "pela teoria da desconsideração. que. no caso concreto. ignorando a existência da pessoa jurídica num caso concreto. "A maioria dos doutrinadores acredita que a teoria da desconsideração da personalidade jurídica teve sua origem na Inglaterra. Nela a teoria foi apresentada como a superação do conflito entre as soluções éticas.. o juiz pode deixar de aplicar as regras de separação patrimonial entre sociedade e sócios. acerca da personificação da pessoa jurídica e seus corolários. [. Ao aplicar-se a desconsideração. a Teoria da Desconsideração da Personalidade Jurídica foi acolhida no Código Civil em vigor (Lei nº 10.406. constitui um precedente da Disregard Doctrine. A desconsideração vem de encontro a toda a construção teórica.. Ltd. a primeira manifestação de que se tem notícia nos EUA foi no caso Bank of United States v. o entendimento de Fábio Ulhoa Coelho (2002. p.

como afirma com propriedade Rolf Serick. 2. "quem nega sua personalidade é quem abusa dela. juntar-se a outros sócios e constituir uma corporação com tais fins. 2003. (SERICK apud KOURY. o abuso é traduzido na intenção de burlar a lei. pois. a sociedade é espécie de pessoa jurídica utilizada nas atividades econômicas. Em princípio. 2003. subtrair-se às obrigações contratuais ou causar danos a terceiros. se esse direito é utilizado de modo incompatível com a finalidade para a qual a pessoa jurídica foi idealizada pelo ordenamento jurídico. Abuso de direito é o uso excessivo ou impróprio da pessoa jurídica em benefício dos sócios. p.3." (SERIK apud LOPES. e faz-se isto criteriosamente. sendo lícito. a teoria da desconsideração da personalidade jurídica fulcrou-se na teoria do abuso do direito. traduzida na intenção de burlar a lei. temos a configuração do uso abusivo do direito legalmente sancionado. 3. p. na origem de sua elaboração científica. contudo. como enumera Rolf Serick. o reconhecimento de situação concreta na qual a personalidade já foi descaracterizada. 434). Abuso de personalidade jurídica A teoria do abuso de direito foi transportada para o campo do direito comercial como diretriz para o funcionamento das sociedades. A personificação da pessoa jurídica não pode servir como anteparo de fraudes e de atos lesivos a interesses daqueles que mantêm relações jurídicas com a corporação ou membros e administradores desta. Segundo argumenta Alexandre Couto Silva (2004. é direito subjetivo de toda pessoa ser membro ou administrador de uma pessoa jurídica. Quem luta contra semelhante desvirtuamento. ainda. o juiz pode afastar-se da distinção entre sócio e pessoa jurídica. A justificativa para a aplicação da desconsideração reside no desvirtuamento dos fins da pessoa jurídica ou. a quem quiser dedicar-se a este ramo. subtrair-se às obrigações contratuais ou causar danos a terceiros. não se pode desconhecer a autonomia subjetiva da pessoa jurídica só porque não se logrou realizar o escopo de uma norma ou a causa objetiva de um negócio jurídico. mas para se locupletar indevidamente com o descumprimento de obrigações. como forma de combater o abuso da pessoa jurídica. Bem observa Fábio Ulhoa Coelho (2002) que algumas pessoas se valem desse postulado de distinção entre personalidade e patrimônio. grifos do autor). pois. "1. Salvo exceções previstas em lei. 39. graças ao caráter instrumental que tem o reconhecimento da personalidade jurídica como aparato técnico oferecido pela lei à obtenção de finalidade que os indivíduos por si sós não poderiam conseguir".universitas distat singuli é inobservado. acima transcrito. Em caso de abuso da forma da pessoa jurídica. p. . caracterizados pelo abuso da personalidade jurídica. 89). afirma tal personalidade". A licitude das sociedades não é irrestrita. ou seja. não exatamente para preservar os ganhos já consolidados em seu patrimônio pessoal. o que seria absolutamente legítimo de acordo com o escopo da personificação. O abuso da pessoa jurídica é possível. precisamente. "O abuso de direito é a utilização da pessoa jurídica de maneira contrária ao fundamento que a criou ou a reconheceu. Afinal. Do ponto de vista de Serick.

a falha de um objetivo ou finalidade. O desvio da finalidade da pessoa jurídica ocorre quando se faz uso deste instituto de maneira distorcida à luz do Direito. Desvio de finalidade Na dicção do artigo 50 do Código Civil. evidentemente. calcado na teoria do abuso de direito. Passa a atuar conflitantemente com a função a ela atribuída pelo direito. como assenta Marçal Justen Filho (1987. então. Estas duas hipóteses estão expressamente previstas no texto do artigo 50. Esse "defeito" é que se encontra na raiz da desconsideração. Reforça Alexandre Couto Silva (2004. ou aberratio finis legis. p. Assim sendo. o legislador preocupou-se em especificar duas situações que caracterizam o abuso da personalidade jurídica: o desvio de finalidade e a confusão patrimonial.De fato. No ordenamento jurídico encontramos os contornos ditados para o funcionamento da pessoa jurídica. a primeira hipótese caracterizadora do abuso da personalidade jurídica é o desvio de finalidade. para se atingir um alvo ou se chegar a um resultado. como foi dito em paráfrase a consagrada expressão do direito penal". uma via direta que deixou de ser seguida. Só é viável reconhecer o desvio de finalidade ou função através de exame dos atos concretos por meio dos quais se exterioriza o funcionamento da pessoa jurídica.1.68). (grifos do autor). 3. . subtende-se. separadas pela conjunção alternativa "ou".3. O defeito de que se pode falar reside não na estrutura do ato jurídico específico. autorizando a desconsideração. Supõe-se. pois. configurado o desvio de finalidade da pessoa jurídica ou. pois. trata-se de abuso de direito". p. como pressuposto para a desconsideração da pessoa jurídica. O artigo 50 encerra o desvio de finalidade como circunstância que caracteriza o abuso da personalidade jurídica. ou seja. Há um conflito entre a função abstratamente delineada pelo ordenamento e a atividade funcional concretamente desempenhada pela sociedade personificada". antes de tudo. há abuso da personalidade jurídica. p. transparecendo que não são cumulativas. cujo significado é exposto por Fábio Konder Comparato (1979. ressalta Fábio Konder Comparato (1979). "A desconsideração configura-se como um defeito de funcionalidade na atuação de uma pessoa jurídica. 284): "Falando-se de desvio. mas na atividade funcional desempenhada pelo sujeito que praticou tal ato. O Código Civil elegeu especificamente o abuso da personalidade jurídica. contudo é possível que estes não sejam obedecidos na prática. Se a via instituída não é observada e sucede uma deformidade subjetiva na existência da pessoa jurídica. Ao fazê-lo. larga corrente teórica e jurisprudencial tem procurado justificar a desconsideração da personalidade com as noções de abuso de direito. 460) que "deve-se entender que o desvio de finalidade estabelecido no novo Código Civil trata-se do desvio do fim para o qual o ordenamento jurídico reconheceu a personalidade à pessoa jurídica. impostos pelo direito. (grifos do autor). a confusão dos patrimônios da pessoa jurídica e dos seus membros ou administradores.

ou seja. portanto. (grifos do autor). razão pela qual comina a hipótese com a possibilidade de desconsideração da personificação para que os bens dos administradores e integrantes sejam atingidos pelos efeitos de obrigações assumidas pelo ente coletivo. o artigo 50 do Código Civil previu a confusão patrimonial como hipótese de abuso da personalidade jurídica. o critério fundamental para a desconsideração da personalidade jurídica externa corporis. Se o controlador. não se vê bem porque os juízes haveriam de respeitá-lo. descumpre-o na prática.2. mas também qualquer situação na qual os administradores ou sócios tivessem amalgamado seus bens pessoais com os bens de propriedade da sociedade. entendida pelo Código Civil como caracterização de abuso da personalidade jurídica. Neste sentido. Esta tese evoluiu de modo a abarcar não só a confusão patrimonial entre controlador e sociedade controlada. Segundo argumenta Marçal Justen Filho (1987. do que uma técnica de separação patrimonial. . pois a pessoa jurídica nada mais é.3. 138): "a confusão patrimonial será corolário do abuso da pessoa jurídica. Tal preceito deriva da teoria ou concepção objetiva da desconsideração da personalidade jurídica elaborada por Fábio Konder Comparato (1979. destarte. tal constatação pode ser invocada para fazer aplicar a desconsideração. assinala Alexandre Couto Silva (2004. desde que haja utilização inadequada e insatisfatória da pessoa jurídica. 449) que "a concepção objetiva. que assim seja. Ela foi causada por uma utilização abusiva da pessoa jurídica". Comparato escrevia sobre o poder de controle nas sociedades anônimas quando exprimiu a idéia de confusão patrimonial como hipótese de aplicação da desconsideração da personalidade jurídica.3. baseia-se na separação patrimonial destacando os fundamentos da desconsideração conforme negócios interna corporis – desvio de poder e fraude à lei – ou externa corporis da pessoa jurídica – confusão patrimonial entre titular do controle e sociedade controlada". desde que seja causa de uma desfunção. Em decorrência de administração ou utilização da pessoa jurídica em moldes desfigurados da sua interface normativa. transformando-o. p. p. 333). afinal. E compreende-se. Confusão patrimonial Ao lado do desvio de finalidade. numa regra puramente unilateral". p. Havendo procedimento que acarrete a indistinção entre o patrimônio da pessoa jurídica e dos seus membros. A distinção de personalidade implica a separação de patrimônios. (grifos do autor) Assimilando tal construção teórica. apresentada por Comparato. que é o maior interessado na manutenção desse princípio. facilmente. fator já devidamente comentado algures. colocada nos seguintes termos: "A confusão patrimonial entre controlador e sociedade controlada é. o Código Civil entrevê na confusão patrimonial o abuso da personalidade jurídica. é possível ocorrer confusão patrimonial. transparece a infringência ao principal efeito da personificação. Neste caso.

ou simplesmente irrealizáveis. A inserção da desconsideração da personalidade jurídica no corpo do Código Civil ampliou a abrangência da teoria respectiva.4. Se a associação possui patrimônio próprio. posto que as sociedades são as entidades que transitam na seara comercial. Aplicação da teoria da desconsideração da personalidade jurídica às associações A teoria da desconsideração da personalidade jurídica sempre foi abordada como recurso jurídico aplicável às sociedades. De mesma forma. Fábio Ulhoa Coelho (2002. a pessoa jurídica reveste forma associativa ou fundacional. Semelhantemente. Sua finalidade é especificamente delimitada pelo caput artigo 53 do Código Civil. a exemplo das associações. porém. negócios jurídicos e pessoas jurídicas alheias ao Direito Comercial. as associações. Os direitos titularizados pela associação. ao seu integrante ou instituidor não é atribuído nenhum bem correspondente à respectiva participação na constituição do novo sujeito de direito. Entretanto. p. sobretudo para contornar as proibições estatutárias do exercício de comércio ou outras vedações legais". Em hipótese alguma as associações estão autorizadas a desempenhar atividades que redundem na propiciação de lucro para seus administradores ou associados. as associações podem apresentar distorções em seu funcionamento. 751) argumenta que "todos percebem que a personalidade jurídica pode vir a ser usada como anteparo de fraude. resultam da necessidade gregária do homem e da conveniência em unir-se a outros semelhantes de modo a potencializar a capacidade de alcançar fins comuns que. o sócio da associação ou o instituidor da fundação. bem como as obrigações por ela contraídas. a associação não foge dos fundamentos pelos quais a pessoa jurídica surgiu como instituto jurídico. O regime jurídico das pessoas jurídicas sofreu distorções observáveis na dinâmica das sociedades. assim como o abuso de personalidade jurídica pode ser encontrado em qualquer instituto que se valha da personificação. O abuso de direito pode ocorrer onde se apresentar um direito. ele é radicalmente distinto dos bens dos seus membros. de outro modo. Não é só a sociedade que pode ser instrumento de perpetração de fraude. de modo a torná-la aplicável a relações jurídicas. 43) comenta: "Quando. devido a sua instrumentalidade no âmbito comercial. podem concretizar com maior eficácia a fraude do desvio de bens". a saber. não são extensíveis aos seus membros ou administradores. "fins não econômicos". desde que mantenham controle total sobre os seus órgãos administrativos. se administradores ou membros inescrupulosos utilizarem-na de maneira estranha ao intento fixado pelo ordenamento jurídico. p. seriam realizados a custo muito maior. dentre as quais. por ser pessoa jurídica. a associação observa o regime de inconfundibilidade com seus membros e de separação patrimonial. Assim. Rubens Requião (2002. não é difícil . nem somente ela é passível de ter sua personalidade jurídica maculada por abuso. Dada sua natureza. Quer dizer. As associações são pessoas jurídicas de direito privado constituídas pela união de pessoas que se organizam para fins não econômicos.

como também articula todas as maneiras possíveis de canalizar o lucro da instituição em benefício pessoal. com disposições especiais sobre as causas e a forma de exclusão de associados. 216). portanto. mas conseqüências daninhas. O bem senso e a experiência nos levam a admitir a possibilidade das associações serem objeto de abuso de personalidade jurídica. Ou. p. 254) ressalta que "algumas sociedades. A associação pode ter sua sede em um imóvel valiosíssimo e uma infra-estrutura excelente sem . a associação pode padecer desta deficiência endógena de sintomas imperceptíveis. pois até 1997. quando esta for desviada de seus objetivos sócio-econômicos para a prática de atos ilícitos e abusivos". a maioria delas tem um "dono" que não apenas detém o poder total sobre a instituição. para Pablo Stolze Gagliano e Rodolfo Pamplona Filho (2004. Devido ao seu caráter não econômico. visando. contudo. Além dos riscos de desvirtuamento de uso indevido. a coibir abusos por parte de pessoas inescrupulosas. as atividades da corporação. tanto é que. nem destinar quaisquer bens para a composição do patrimônio da associação.. esta era a única modalidade jurídica permitida pelo governo para o setor. [01] Este é apenas um registro de hipótese na qual identificamos traços de abuso da personalidade jurídica por desvio de finalidade relativo às associações e não nos ocuparemos em arrolar outros exemplos. É possível pessoas se unirem e constituírem uma associação sem desembolsar qualquer quantia. situação propícia para o estabelecimento de confusão patrimonial.762 Instituição de Ensino Superior privadas existentes hoje. o ordenamento jurídico não impõe qualquer patamar mínimo de recursos financeiros para que uma associação seja criada ou funcione. colhemos de um sítio eletrônico especializado em Ensino Superior uma matéria jornalística segundo o qual. bem como quanto à repressão de uso indevido da personalidade jurídica. É possível existir associações somente "de fachada" para permitir aos seus associados a execução de atividades profissionais de intuito inegavelmente lucrativo. sobremaneira. ainda. [. principalmente aqueles de fins culturais e religiosos. citando Miguel Reale: "Preocupa-se a lei. das 1. Alexandre Ferreira de Assumpção Alves (2000. Exemplificativamente. quando. Neste caso.vislumbrar uma associação repartindo periodicamente o saldo do seu caixa aos seus associados. seu acervo de bens é mínimo ou inexistente. fato já percebido pelo legislador. na realidade. o funcionamento da associação com bens pertencentes aos seus associados de maneira a aparentar vasto patrimônio aos seus credores..] Daí as regras disciplinadoras da vida associativa em geral. haja vista a plausibilidade de desvio de finalidade das associações independentemente do motivo de suas constituições. muito provavelmente. ou proporcionando ganho patrimonial aos seus membros através de uma complexa ginástica contábil ou mesmo cínica e diretamente. A maior parte das destas são associações "sem fins lucrativos". em estabelecer o conteúdo mínimo necessário do estatuto de uma associação. estima-se que apenas 400 a 500 delas sejam empresas com finalidades lucrativas. serão realizadas mediante a utilização de bens de propriedade dos membros. p. que constituem associações fraudulentas apenas para causar danos à Fazenda Pública ou a terceiros de boa-fé. são constituídas sem capital ou este tem valor simbólico" frase cujo teor menciona nuança deveras relevante na análise das associações em sua função instrumental: insuficiência patrimonial das associações.

ou seja. percebe-se a real possibilidade das associações. como um novo dogma. As corporações também são denominadas pela doutrina como universitas personarum. Ambas são corporações. onis. relativizando o princípio segundo o qual as pessoas jurídicas têm existência distinta da dos seus membros. em razão de ter sido cedido pelos associados. Aos olhos de terceiros. para determinado fim. Por isso. compreende agremiação ou união de pessoas. p. colocando o problema de que essa separação radical pode conduzir a resultados injustos". ou ligadas por interesse comum. enveredarem pela trilha do abuso da personalidade jurídica. (SERICK apud SILVA. subordinadas a uma regra. uma vez que constituem gênero. a associação parece ser proprietária de inúmeros bens. A possibilidade de abuso da personalidade jurídica da associação ocorre. 431). sem negar sua existência. o jurista alemão Rolf Serick afirma que "a desconsideração da personalidade jurídica poderá ser aplicada em qualquer país em que se apresente a separação incisiva entre pessoa jurídica e os membros que a compõem. estas entidades se encontram implicitamente previstas no Direito Privado. configurado pela confusão patrimonial. reputando-o perfeito e acabado. De acordo com a teoria de abalizados mestres. não hesitamos em afirmar que a teoria da desconsideração pode e deve ser usada como instrumento de correção do abuso. de que as sociedades e as associações são espécies". estatuto ou compromisso. (grifos do autor). supera a pessoa jurídica. A similaridade estrutural é de tal ordem que o Código Civil prevê . devido à semelhança estrutural entre associação e sociedade. Desconsiderar a personalidade jurídica é o remédio que a tecnologia do Direito instituiu em face do abuso da pessoa jurídica e não apenas das sociedades. A par destas constatações. como expõe Alexandre Couto Silva (2004. como pessoas jurídicas de direito privado que são. 2004. a corporação. "a proteção do próprio instituto através da teoria da desconsideração da personalidade jurídica que. 451). A teoria da desconsideração da personalidade jurídica visa preservar o espírito da pessoa jurídica. quando na realidade seu patrimônio é nulo ou ocorre um intercambiamento entre o acervo da corporação e de seus membros. segundo escreve Herlita Barreira Custódio (1979. afinal. A positivação do instituto não deve implicar sua fossilização. a teoria da desconsideração da personalidade jurídica surgiu do inconformismo perante situações injustas e redundou no questionamento do dogma da separação radical entre a corporação e seus integrantes. p. no âmbito civil.que tal patrimônio lhe pertença. p. aplicável unicamente às sociedades por ter sido lapidado nos arraiais comercialistas. Sua aplicação imediata às sociedades é conjuntural e não reflete com exatidão a abrangência da teoria. A teoria da desconsideração não pode ser tratada de forma estática. resultam da união de pessoas. 36): "Do latim corporatio. sob pena de torná-lo inadequado às novas realidades. tendo órgãos deliberativos e administradores. atingindo em casos particulares a pessoa do sócio (pessoa natural ou jurídica)". Mais ainda. em parte. É inconcebível que seja posta. nem mesmo pelo fato de vir prevista em norma escrita. agora. Desse modo. Em tais circunstâncias a confusão patrimonial é inevitável.

A teoria da desconsideração da personalidade jurídica vem servindo adequadamente diante do abuso de sociedades. § 2º). como diz Cunha Gonçalves. Quem abusa da personalidade jurídica de uma associação. veda a instituição de impostos sobre o patrimônio. que é o fundamento legal da desconsideração da personalidade jurídica. a exemplo das sociedades. A personalidade jurídica passa a ser considerada doutrinariamente um direito relativo.1. VI. macula um dos direitos fundamentais contidos na Lei Magna. É o entendimento de Rubens Requião (2002. 4. Hermenêutica do artigo 50 do Código Civil 4. Tanto que a Constituição Federal. ou mesmo uma remodelagem da citada teoria. extremamente úteis para a sociedade. no artigo 150. no entanto. renda ou serviços das instituições de educação e de assistência social. e este mesmo Estado tem o dever de relativizar a personalidade das associações caso identifique o seu desvirtuamento. dispensando prévia autorização para criação e vedando interferência estatal (inciso XVIII). isto através da teoria da desconsideração. no inciso XVII.2. O Estado vê na associação um agrupamento permeado de ideais nobres. No caso das associações. Isto requer sua aplicação às associações. sem lançar mão das ferramentas de coibição disponíveis no próprio ordenamento jurídico. a educação. parece-nos que o abuso da personalidade jurídica adquire uma dimensão axiológica mais preocupante. além de uma consistente hermenêutica do artigo 50 do Código Civil. É o Estado que personifica a associação. haja vista os fins não econômicos impostos pelo ordenamento jurídico. sem quaisquer intenções lucrativas. É inaceitável que o Estado contemple passivamente a distorção de uma entidade deste quilate jurídico. para quem: "se a personalidade jurídica constitui uma criação da lei. "c". o bem-estar coletivo. onde se fomenta a filantropia. a faculdade de verificar se o direito concedido está sendo adequadamente usado. Interpretação gramatical O Código Civil dispôs sobre a desconsideração da personalidade jurídica nos termos seguintes: . ainda. Um olhar crítico revela. "a realização de um fim" nada mais procedente do que se reconhecer ao Estado.a aplicação subsidiária às sociedades das disposições concernentes às associações (artigo 44. sem fins lucrativos. 754). como concessão do Estado objetivando. A associação é. Esta similaridade dá azo a abusos da personalidade jurídica em uma e outra espécie de corporação. fitando inseri-la na realidade social do século XXI. permitindo ao juiz penetrar o véu da personalidade para coibir os abusos ou condenar a fraude através de seu uso". O artigo 5º. a cultura. ser imprescindível outra perspectiva. estabelece que é plena a liberdade de associação para fins lícitos. através de sua justiça. atendidos os requisitos de lei. proibindo a dissolução compulsória ou suspensão de atividades. salvo por decisão judicial (inciso XIX) e conferindo-lhe legitimidade para representar seus filiados judicialmente ou extrajudicialmente. p.2. consagrada como agrupamento inerente a um direito fundamental assegurado em nosso Estado Democrático de Direito.

e em sentido estrito. em sentido amplo. ou pela confusão patrimonial. afiliado. p. 2001. sociedade stricto sensu e associação. sob certo aspecto. societário. p. em sentido amplo. lemos que os efeitos de obrigações podem ser estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica. 2003. ou de cumprir um objetivo de interesse comum. O artigo 50. (FERREIRA. na intenção de realizar um fim. grifos do autor). conforme registra De Plácido e Silva em seu Vocabulário Jurídico ao referir que sócio. atinentes ao destino dos bens da associação". . encontramos o comando legal versando sobre abuso da personalidade jurídica. grifos do autor). sócios pode. 1319. p. associado. 1986. quando fala em "sócios da pessoa jurídica". parece-nos que a palavra sócio é utilizada como sinônimo de associados. ainda. com a ressalva do art. Em ambos percebemos que o verbete tem o mesmo sentido que associado. aplicam-se em sentido equivalente. na linguagem técnico-jurídica. agrupamento. entendo nos termos seguintes: Sociedade. Ora. gramaticalmente e em sentido amplo. Portanto. comunidade de interesses). 2003. No entanto. ou ainda. apresentando distinção entre a corporação e seus associados. pode o juiz decidir. diz-nos Maria Helena Diniz (2003.Art. reunião. 1311. sócio pode ter sentido amplo. sem maiores embargos. sociedade significa reunião. Até aqui. indica os membros de sociedade que.. membros de associação. juridicamente. 61. (SILVA. Inicialmente. p.] Nesta lata significação. convém acentuar. submetidas ao mesmo regime normativo. lança mão de uma sinédoque para referir-se a toda pessoa física ou jurídica que seja membro de uma pessoa jurídica. têm personalidade jurídica e têm administradores. Neste mesmo sentido. já registramos que as associações possuem personalidade jurídica. isto é. a pessoa que faz parte. o que tornaria o texto legal assaz extenso e inútil. Outrossim. do Código Civil. membro (HOUAISS.. ou agremiação de pessoas. Do latim societas (associação. Ademais. designa. afinal de contas elas são pessoas jurídicas. Sócio. além de encerrar um significado mais amplo do que aquele instantaneamente apreendido sem reflexão mais detida. caracterizado pelo desvio de finalidade. significar associados. (SILVA. As associações possuem órgãos de representação denominados administradores no Código Civil. ou trabalhar. (grifos do autor). aquele que ingressou em uma associação ou clube. estando. encontramos que o vocábulo sócio significa Membro de associação ou clube. p. Socorrendo-nos em dois do mais reconhecidos dicionários da língua portuguesa. 2596). [. 1602) e. associado. que participa ou é membro de uma sociedade. sociedade e associação. Em caso de abuso da personalidade jurídica. sociedade e associação têm finalidades distintas que bem as identifica. 215) que "a sociedade lato sensu seria o gênero. haja vista serem pessoas jurídicas de direito privado constituídas pela união de pessoas organizadas para fins não econômicos. 50. Sócio e associado na linguagem informal e leiga são sinônimos. em sentido lato. Isto pela impossibilidade de citar todas as figuras jurídicas abrangidas pelo dispositivo. por sua vez. temos por pacífica a aplicabilidade do artigo 50 às associações. para o qual todos devem cooperar. que compreenderia as espécies. Na parte final do artigo. por isso. §§ 1º e 2º. que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica. significa sociedade e associação. correntemente. a requerimento da parte. ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo. pela inconveniência em fazê-lo.

fato que não autorizaria a desconsideração da associação. evidencia a intenção do legislador de estender a aplicação da desconsideração a qualquer pessoa jurídica ou. Dessa maneira. bem como a confusão patrimonial. Ousamos afirmar que a desconsideração independe da espécie de pessoa jurídica em questão. No artigo 51 encontramos disposições sobre o fim da existência da pessoa jurídica e o artigo 52 prevê a aplicação às pessoas jurídicas. O fato do Código ter previsto a teoria da desconsideração da personalidade jurídica no título da parte geral que regula as pessoas jurídicas. Interpretação sistemática Se a desconsideração da personalidade jurídica fosse aplicável exclusivamente às sociedades. Se admitirmos ser o artigo 50 inaplicável às associações basta um grupo de pessoas constituir uma associação para estar a salvo da desconsideração. afinal de contas. do mesmo modo que os demais dispositivos acerca da personalidade da pessoa jurídica. a finalidade do artigo 50 do Código Civil é possibilitar a desconsideração. quando a norma ao ser aplicada produzir efeitos que contradigam os valores . Não há como negar que a idéia da busca da justiça é fator preponderante para aplicação da teoria da desconsideração da personalidade jurídica. em caso de abuso da personalidade jurídica. com vistas a inibir e sancionar o desvio de finalidade do ente coletivo. p. o fim da personalidade e sua proteção) e são integralmente aplicáveis às associações.2. do Livro II da Parte Especial do Código Civil. 4. deve-se aplicar a norma em questão. imputando os atos e obrigações da pessoa jurídica aos seus administradores ou membros. Representação da pessoa jurídica é objeto dos artigos 47. "O juiz deve verificar os resultados práticos que a aplicação da norma produziria em determinadas situações reais. consta da aludida seqüência de artigos. do Título II. se houver abuso da personalidade jurídica. por si só. ou seja. no que couber. o órgão de representação. Caso contrário. o texto do artigo 50 teria sido inserido no Capítulo Único. 57) elucida que "o que justifica toda a teoria da desconsideração é o risco de uma utilização anômala do regime correspondente à pessoa jurídica acarretar um resultado indesejável". Interpretação teleológica Marçal Justen Filho (1987. mesmo utilizando a associação para obter lucro. por conseguinte. em atenção à lógica do sistema. consoante assevera Alexandre Couto Silva (2000).4. a possibilidade de fazê-lo. a desconsideração da personalidade jurídica é aplicável às associações. pois só assim o espírito do dispositivo será alcançado. da proteção dos direitos de personalidade. 48 e 49. De acordo com Luis Recaséns Siches. seja associação.2. A disciplina do começo da existência da pessoa jurídica está nos artigos 45 e 46 do Código Civil. ao menos. Percebe-se que os artigos citados versam sobre a personalidade das pessoas jurídicas (o início da personalidade.2.3. Sempre que esses resultados mostrarem-se de acordo com as valorações que inspiram a ordem jurídica positiva. que trata das disposições gerais sobre as sociedades. Seja sociedade. retirar lucro de uma associação é desviar sua finalidade. Somos forçados a concluir que o artigo 50. que trata do abuso da personalidade da pessoa jurídica. concluímos que a finalidade do artigo 50 é autorizar o afastamento da personificação.

2. nem vontade social para criação de associações. que acarretou a proliferação das sociedades como instrumento para exercício de atividades econômicas. etc. A espécie de pessoa jurídica mais adequada a este desiderato era a sociedade. É possível e provável que.4. excluindo as associações da sua incidência. não titularizados pelas pessoas individualmente. trabalho. via de regra. Posteriormente.Interpretação histórica A teoria é instituto jurídico forjado pelo Direito no contexto do liberalismo econômico. valorização dos meios de produção e conceitos do mesmo quilate. quando da sistematização da teoria da desconsideração da personalidade jurídica. tal norma não deve ser aplicada à situação concreta". Durante o século XX. p. Os valores cultivados pela sociedade eram produtividade. O fim do artigo comentado é ordenar o uso da pessoa jurídica em moldes consentâneos com o ideal do Direito e o seu escopo social. valemo-nos do entendimento de Ingo Wolfgang Sarlet (2001). as transformações econômicas e sociais resultantes da Revolução Industrial e do fortalecimento do Estado Liberal trouxeram a disseminação das pessoas jurídicas com fins econômicos. [02] . 2003.conforme os quais se modelou a ordem jurídica. A 2ª dimensão é tida como dimensão positiva dos direitos em que o Estado deveria intervir para assegurá-los (liberdade por intermédio do Estado). desenvolvimento. para os interesses e necessidades coletivas. Na 3ª dimensão ganham destaque os direitos de fraternidade ou de solidariedade destinados à proteção de grupos humanos. as guerras e o agravamento das desigualdades sociais tornaram obsoleto o liberalismo e o Estado passou de garantidor das liberdades a promotor das liberdades e do bem-estar dos indivíduos. geração de riqueza. 77). posto que dirigidos a uma abstenção por parte dos poderes públicos (liberdade perante o Estado). restando frustrado se tolhermos seu alcance. no final do século XIX e início do século XX. as crises econômicas. Os indivíduos passaram a gozar de direitos a prestações sociais estatais. a jurisprudência norte-americana e inglesa parecem não ter se deparado com casos de desvio de pessoa jurídica sem fins econômicos. garantindo os direitos civis e políticos. As associações eram corporações sem maior relevância na sociedade industrial. O Estado liberal do fim século XIX e início do século XX conferiu às pessoas o direito subjetivo de constituir e integrar entes coletivos sob o pretexto de fomentar o progresso econômico. A título de melhor compreensão acerca das dimensões dos direitos fundamentais. Não havia circunstâncias favoráveis. A titularidade de tais direitos. coletiva ou difusa. tais como saúde. A hipótese torna-se mais palpável ao lembrarmos que. Serick não tenha vislumbrado a possibilidade de abuso das associações. 4. também. Do mesmo modo. porquanto a finalidade desta espécie de pessoa jurídica recebia pouca atenção do Estado e da coletividade. diferente dos das gerações anteriores é. para quem a 1ª dimensão engloba os direitos de cunho negativo. nem incentivos. (SICHES apud KOURY. assistência social. ocorreu nova modificação e o Estado dirigiu sua atenção.

O jurista é o responsável pela interpretação da lei em conformidade com a realidade social vivida e. bem como o legislador do Código Civil. se conseguissem antever a presença maciça das associações na sociedade brasileira. contudo as repercussões daquele ato alcançam o patrimônio dos associados ou administradores das associações. todos os elementos da desconsideração da personalidade jurídica podem ser encontrados quando aplicada às associações. contendo coleta e análise de dados realizadas pelo IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística acerca das associações. 53) que "hodiernamente. revela Herlita Barreira Custódio (1979. direito dos consumidores. . 453). devendo assumir uma função propulsiva capaz de tornar o direito positivo sempre mais de acordo com as necessidades concretas da sociedade". Estes são os que têm ganhado espaço no Brasil a partir do final do século passado. Já o cunho não econômico das associações "cai como uma luva" no contexto de ênfase dos direitos da terceira dimensão. não poderiam levá-las em conta. Por isso. O ato jurídico praticado pela associação é mantido em sua eficácia e validade. o que por si só justifica a aplicação da teoria comentada. de 124% de 1980 para 1990 e. p. de modo que a separação patrimonial é afastada no caso concreto. Considerações finais Além da plausibilidade de abuso da personalidade jurídica das associações. sendo que as sediadas no Norte e Nordeste são bem mais jovens que as do Sul e Sudeste. p. As sociedades não se enquadram na promoção do direito ao meio-ambiente equilibrado. Na obra As Fundações Privadas e Associações sem Fins Lucrativos no Brasil 2002 (IBGE. dado o aparecimento de grande número de entidades em todos os setores da vida". adiantando-se no regramento desta hipótese. Assim sendo. O destaque das associações é recentíssimo. O afastamento da distinção patrimonial e dos efeitos da personificação tem o escopo de evitar a perpetração de fraudes ou o abuso através da associação em detrimento de interesses de pessoas que figuram em relações jurídicas junto àquela corporação. os pioneiros no estudo da teoria da desconsideração da personalidade jurídica. apenas de 1996 para 2002. dentre outros pontos. 5. caracterizada pelo desvio de finalidade ou confusão patrimonial. o problema das associações vem apresentando traços característicos. que foi de 88% de 1970 para 1980.Nessa terceira dimensão houve fortalecimento e proliferação das associações. à educação e outros relacionados à fraternidade e à solidariedade. devido a sua identificação com os direitos enfatizados naquela. conclui. Tal digressão faz-nos concluir que a aplicação da desconsideração da personalidade jurídica às associações é compatível com a evolução histórica desta teoria. como exprime Alexandre Couto Silva (2004. Nas associações ocorre personificação e a desconsideração desta implica na ignorância dos seus efeitos. 2004). que a grande maioria (62%) das associações sem fins lucrativos foi criada a partir dos anos 90. considerariam a possibilidade de abuso destas pessoas jurídicas. "não pode limitar-se à mera interpretação de um direito objetivo que tem a pretensão de ser perfeito e infalível. Indubitavelmente. a par dos resultados do levantamento supra referido. A cada década se acelera o ritmo de crescimento. de 157% [03].

Paulo Sanches. 2. ed. Não são leis de causalidade. leis que asseguram certo grau de certeza e previsibilidade. 2.O trabalho hermenêutico. J. de modo a evidenciar a aplicabilidade da desconsideração da personalidade jurídica às associações. BONAVIDES. 77-85. mas leis de tendência. v. A teoria que lhe dá suporte. Direito constitucional e teoria da constituição. Gomes. CAMPOS. 819. J. 1979. 10. Revistas dos Tribunais. Coimbra: Almedina. como nosso sistema. Encontramos no artigo 50 do Código Civil o fundamento legal para construção do modelo jurídico disciplinador deste abuso.. retornando às lições de Miguel Reale (1998. p. Quando uma ciência social obedece às exigências ora apontadas. 82). jan. lógico-sistemática. ed. à vista da observação positiva dos fenômenos ou fatos sociais". Bibliografia ALVES. a objetividade da observação dos fatos sociais e concordância de seus enunciados. O poder de controla na sociedade anônima. v. 2001. ed. ed. Visto se basearem em dados estatísticos e probabilísticos. . A desconsideração da personalidade jurídica continua sendo um instituto jurídico muito novo e de difícil compreensão. Norberto. São Paulo: Revista dos Tribunais. Brasília: Editora Universidade de Brasília. CANOTILHO. deve ser científico e criterioso. "A certeza das ciências sociais é obtida mediante o rigor do raciocínio. contudo. ela estabelece princípios e leis. 4. A desconsideração da personalidade jurídica e o direito do consumidor: um estudo de direito civil constitucional. (grifos do autor) O abuso da personalidade jurídica das associações é um fato social observável e previsível. São Paulo: Malheiros. Fábio Ulhoa. p. 11. principalmente nos países que derivam do direito continental europeu. Fábio Konder. As associações no novo código civil e a liberdade de religião. São Paulo. 2002. corrigindo as situações injustas decorrentes desta conduta. COMPARATO. Curso de direito comercial. porquanto. In Problemas de direito civil – constitucional / Coordenação Gustavo Tepedino. ed. São Paulo: Saraiva. 2001. por meio das interpretações gramatical. 5. Curso de direito constitucional. ou por terem sido estabelecidas "com rigor". se apresenta como ferramenta jurídica útil e eficaz na tarefa de inibir o abuso da personalidade jurídica das associações. 243-276. São Paulo: Renovar. Teoria do ordenamento jurídico. 7. Paulo. p. 2000. teleológica e histórica. Alexandre Ferreira de Assumpção. 1999. BOBBIO. como as da Física. 2004. embora construtivo. COELHO. isto é.

Rio de Janeiro: Objetiva. v. ed. Rio de Janeiro: Forense. PAMPLONA FILHO. 1997. KOURY. Revistas dos Tribunais. "Disregard of legal entity". São Paulo. MAXIMILIANO. Rodolfo. p. 2003. v. LIMBORÇO. São Paulo: Revista dos Tribunais. Helita Barreira. Revistas dos Tribunais. 2001. João Batista. Rio de Janeiro: Forense. Rio de Janeiro. 2004. FERREIRA.. 1986. 5. Caio Mário da Silva. 1997.. As fundações privadas e associações sem fins lucrativos no Brasil 2002./set. Hermenêutica e aplicação do direito. Marcia Regina. v. Revistas dos Tribunais. MARTINS-COSTA. Thadeu Andrade da. p. 2. Revistas dos Tribunais. mai. São Paulo: Revista dos Tribunais. Marçal. 53-69. JUSTEN FILHO. 1987. ed. 3. 2004. 2006. HOUAISS. jan. 2. 19. ed. FRIGERI. Judith. Instituições de direito civil. Novo dicionário da língua portuguesa. 2529. 19. A desconsideração de personalidade jurídica (disregard doctrine) e os grupos de empresas.(Ed.. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. 819. 2003. LOPES. 2006. Dicionário Houaiss de língua portuguesa. ed. v. A responsabilidade dos sócios e administradores e a desconsideração da pessoa jurídica.CUNHA. Co-editor. São Paulo: Saraiva. jan. jul. São Paulo. GAGLIANO. MARQUES. 1984. Pablo Stolze. CUSTÓDIO. _____.. Curso de direito civil brasileiro. 339. 579. Aurélio Buarque de Holanda (Ed. 1979.). 23-38. 191-205. ed. Novo curso de direito civil. p. Maria Helena. 818. DINIZ./ago. Novo código civil comentado. Rio de Janeiro: IBGE. 36-46. 2003. São Paulo. 2004. Comentários ao código de defesa do consumidor. São Paulo. Suzy Elizabeth Cavalcante.. São Paulo: Saraiva. 20. v. . São Paulo: Revista dos Tribunais. Rio de Janeiro: Forense. p. IBGE. 739. ed. 1. v. PEREIRA. Desconsideração da personalidade societária no direito brasileiro. dez. Culturalismo e experiência no novo código civil.). Mauro Sales Villar. A. São Paulo: Saraiva. Desconsideração da personalidade jurídica no novo código civil. 2 ed. 1. p. Cláudia Lima. v. ed. 2004. Carlos. Revista Forense. 2. Associações e fundações de utilidade pública. Lauro. ed. A dimensão temporal do conceito de pessoa jurídica e sua crise.

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