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“O ÓDIO QUE VOCÊ SEMEIA”

Um Roteiro

de

Bianca Thomé Palhano

Israel Lima

Marcos Wendell

Wolney Rodrigues
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“O ÓDIO QUE VOCÊ SEMEIA”

INÍCIO.

INT. ESCOLA - TARDE


PLANO SEQUÊNCIA

Mais um dia!
Wendell está voltando para casa mancando após levar uma
surra dos valentões da escola BrigAone, onde frequentava
pela manhã.
Seu rosto machucado, seus olhos entristecidos..., mas
mesmo assim ele continua vagarosamente seu trajeto...
arrastando sua velha mochila pela calçada.

Seus dias horríveis se tornam recorrentes, o que


desencadeou em Wendell um bloqueio mental que o empreende
de usar da sua voz no dia-a-dia.

QUARTA-FEIRA – 21/09 – CAXIAS DO SUL/RS

Wendel está saindo da escola ao 12:00; os valentões


Guilherme e Paulo aparecem à sua frente.

GUILHERME:
E aí macaquinho, ainda não desistiu da escola e foi
vender drogas?

WENDELL:
Silêncio...

PAULO:
Ah, esqueci... além de ser negro é mudo!

PAULO E GUILHERME:
Risadas / Vamos ver se tu aguentas outra surra.

Após a surra, Wendell continua a andar sem dizer se quer


uma única palavra até chegar em sua casa.
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Chegando em casa todo machucado, Wendell toma seu banho,


faz curativos... desenha um rosto feliz no espelho e vai
preparar seu café.

Wendell risca o calendário, e comemora! Seu aniversário é


hoje.

Seu pai havia deixado um bilhete escrito “feliz


aniversário” anexado a geladeira, mas Wendell apenas lê e
o ignora.

Seu pai nunca foi presente em seu cotidiano e a única


comunicação mantida pelos dois era através da troca de
bilhetes.

Cláudio trabalhava na S.SUL, uma distribuidora de gás.


Ele dependia deste emprego no qual exigia trocar o dia
pela noite.

Wendell aprendeu a encarar esta situação com sabedoria,


e aos poucos foi se reinventando, o que o fez se tornar
independente antes da hora... era apenas uma criança;

Completando 17 anos, Wendell decide ir ao supermercado


Oásis comprar um pedaço de torta para comer enquanto joga
online.

Chegando lá, é atendido de forma completamente descortês


por Camila, a atendente do caixa.

CAMILA:
Você terá dinheiro para pagar por este bolo? Sairá
correndo? Irá roubar? / Risadas

WENDELL: Silêncio / entrega o dinheiro do bolo a Camila.


Empacota seu bolo e vai para sua casa.

Sempre era assim!

Cada passo dado eram olhares o espiando... e cada produto


em seu sexto era olhares lhe julgando...

Isso se tornou normal no cotidiano de Wendell... seu tom


de pele e jeito de vestir-se sempre resultavam em
desconfianças alheias.
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Enfim, ele chega em casa desta vez sem nenhum ataque


físico no caminho.

WENDELL: Olha para o seu corpo e sorri.

A partida online já iria começar. O jogo era com seus


“parceiros”.

Mas não importa onde ele estivesse, os ataques iriam


surgir em algum momento.

No chat de voz Lucas e Diego ressoavam.

LUCAS: Joga direito macaco!

DIEGO: Não faz serviço de preto mano!

WENDELL: Desliga o computador e vai para sua mesa de


poesias.

Aprofundar a sua mente escrevendo poesias era o que


mais lhe fazia feliz.

POESIA:

"O que que a de errado neste mundo?


Ó quem me via!
Não consigo entender, por isso eu escrevo poesias.
Afundar minha mente, tal me faça sentir melhor.
Como se estivesse quebrado... 'pro'.
Meu futuro, tem nó.
Não sou maior! Não sou feliz, mas causo espanto
Não acredito em igualdade, eu tenho meus próprios
Santos..."

WENDELL: Escreve a poesia, enquanto toca o som ao fundo


da cena.

QUINTA-FEIRA - 22/09 – CAXIAS DO SUL/RS

Um novo dia começa.

WENDELL: Sussurra; hora de levantar e ver se não vou


virar pó.

Já é seu segundo dia na nova escola, e ainda não está


acostumado com a situação... o medo toma conta!
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Tem uma manhã "normal"... Até então!

Paulo e Guilherme aparecem...desta vez com novos ataques.

PAULO: Te vi indo ao mercado ontem, só não te bati porque


estava acompanhado e não iria sujar minhas mãos com o teu
sangue podre na frente da minha garota.

GUILHERME: Teu aniversário ontem né?! Já agradeceu por


estar vivo? Se não, agradeça! Será teu último dia de
vida.

WENDELL: Não fala nada, e corre, corre, corre quando


Guilherme pega uma faca para alvejá-lo...

GUILHERME: Otário, foi pra casa. Amanhã a gente o pega!

A Diretora da escola aparece na hora da ameaça.

DIRETORA MARLUCE: Vocês não vão pegar ninguém, vocês


estão expulsos! Não aceito discriminação em minha escola!

A Diretora Marluce vai até a casa de Wendell;

DIRETORA MARLUCE: Bate na porta / Wendell, é a Diretora


Marluce da Escola BrigAone, vim falar com você. Fiquei
preocupada!

WENDELL: Olha pelo olho mágico da porta, e se espanta!


Abre a porta e aguarda a fala da Diretora.

DIRETORA MARLUCE: Pode ir à escola tranquilo, Paulo e


Guilherme foram expulsos, eu vi o que fizeram com você
hoje pela manhã e os expulsei.

WENDELL: Sorri, e abraça a diretora.

DIRETORA MARLUCE: Lhe aguardo amanhã na escola! Pode


contar comigo sempre, serei sua amiga e terás minha
proteção enquanto estiver em nossa escola.

FIM.
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