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PESQUISA

EM SERVIÇO
SOCIAL
PROF.a MARIA DE
FATIMA DE CARVALHO
Diretor Geral | Valdir Carrenho Junior


A Faculdade Católica Paulista tem por missão exercer uma
ação integrada de suas atividades educacionais, visando à
geração, sistematização e disseminação do conhecimento,
para formar profissionais empreendedores que promovam
a transformação e o desenvolvimento social, econômico e
cultural da comunidade em que está inserida.

Missão da Faculdade Católica Paulista

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salvo quando indicada a referência, sendo de inteira responsabilidade da autoria a
emissão de conceitos.
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SERVIÇO SOCIAL
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SUMÁRIO
AULA 01 CONHECIMENTO, TIPOS DE CONHECIMENTOS E PESQUISA 07

AULA 02 O SERVIÇO SOCIAL BRASILEIRO: A PESQUISA CIENTÍFICA 19


E INTERDISCIPLINARIDADE

AULA 03 O MÉTODO CIENTÍFICO 34

AULA 04 TIPOLOGIA DA PESQUISA 49

AULA 05 A PESQUISA QUALITATIVA- SEUS FUNDAMENTOS/FASES 59


E A PESQUISA QUANTITATIVA

AULA 06 FASES/ ETAPAS METODOLÓGICAS DA PESQUISA- IDEIAS 71


GERAIS

AULA 07 OS PRESSUPOSTOS TEÓRICOS-METODOLÓGICOS DA 84


PESQUISA: O POSITIVISMO

AULA 08 FENOMENOLOGIA- IDEIAS GERAIS 95

AULA 09 MARXISMO: IDEIAS GERAIS 106

AULA 10 INSTRUMENTAL TÉCNICO, RELACIONADOS AO SERVIÇO 119


SOCIAL- VISITA DOMICILIAR E TRABALHO COM GRUPOS

AULA 11 ENTREVISTA, REUNIÃO, ATIVIDADE SOCIOEDUCATIVA, 135


PALESTRA, ESTUDO SOCIAL, RELATÓRIO SOCIAL,
PARECER SOCIAL E PERÍCIA SOCIAL

AULA 12 INTRODUÇÃO À ESTATÍSTICA APLICADA À PESQUISA EM 155


SERVIÇO SOCIAL

AULA 13 LEITURA E INTERPRETAÇÃO DE INDICADORES 172


SOCIOECONÔMICOS

AULA 14 TÉCNICAS DE PESQUISAS- IDEIAS GERAIS 188

AULA 15 ELABORAÇÃO E EXECUÇÃO DE UM PROJETO DE 201


PESQUISA NO ÂMBITO DO SERVIÇO SOCIAL

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PESQUISA EM
SERVIÇO SOCIAL
PROF.a MARIA DE FATIMA DE CARVALHO

INTRODUÇÃO

Prezado (a) estudante,


Este material foi confeccionado com muito cuidado para você. Pensando que ele
dará alguma contribuição na construção do seu conhecimento. Independentemente
da sua experiência de vida e de mundo.
A partir do curso que você escolheu, já sabe da importância da pesquisa e deve
ter conhecimento anterior nesse assunto, se não, terá aqui nesse material uma
aproximação. Esperamos que esse material contribua muito para a construção da
sua formação, e o instigue a buscar outras fontes de estudo.
Primeiro, porque a pesquisa é um universo inesgotável. Continuamente, uma
pesquisa abre precedente para outras pesquisas, sempre falta contemplar alguma
particularidade que a anterior não deu conta ou não era seu objetivo, ou para atualizar
conceitos, além de acompanhar, avaliar, interpretar e mensurar realidades, opiniões,
qualidade de vida, objetos etc.
Sendo assim, o estudo vai despertar em vocês a necessidade de interlocução com
outras áreas do conhecimento. Pois o homem, ser social e histórico, por quem e para
quem o mundo e a ciência se desenvolve, é também objeto de estudo da ciência, é
objeto de todas as áreas. O que possibilita a troca de conhecimento entre os saberes.
Uma dessas áreas é o Serviço Social, que se constitui no conhecimento estudando
as manifestações da questão social. Nessa articulação apresentamos alguns conceitos
introdutórios que são necessários como: conhecimento, pesquisa, ciência, método,
produção do conhecimento, elementos indispensáveis para articular o entendimento
da pesquisa e sua construção.
Apresentaremos algumas linhas teóricas e métodos utilizados nas ciências humanas
e sociais na confecção da pesquisa. Alguns tipos de pesquisas, classificação e etapas
da pesquisa. Alguns elementos como a estatística e indicadores socioeconômicos
que potencializam as pesquisas e a construção do conhecimento e mencionaremos
a elaboração do Trabalho de Conclusão de Curso.
É fundamental o estudante compreender que o conhecimento é provisório por estar
sujeito às mudanças sociais constantes, sejam de ordem econômica, política, da
cultura etc. Isso abre precedente para concordarmos com a ideia de que não existem

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verdades absolutas e acabadas. As mudanças e alterações, na grade curricular e nos


projetos de ensino e aula etc. são condicionados por essas influências.
O conhecimento vai se amoldando ao que esperam dele, porque ele é também
feito por nós pesquisadores. Motivado pelas necessidades do momento histórico
e influência ideológica do momento. Porém, o conhecimento pode superar crenças
e velhos paradigmas (referência ou base que serve de modelo social e tende a ser
padronizado e seguido). Sendo assim, o conhecimento pode reafirmar e sustentar
velhas crenças e se fechar no conservadorismo, mas o conhecimento, dependendo do
que se quer dele, ele não para. A pesquisa com seus questionamentos, propõe, articula
e elabora novas descobertas, crítica e reflete e propõe mudanças sobre determinado
contexto, população etc.
As influências do Serviço Social, anteriores e atuais, são de conhecimentos de
outras realidades que se amoldam à realidade brasileira e seus contextos, estruturas.
Para atender às necessidades sociais , econômicas, etc. o marxismo, por exemplo,
é uma corrente filosófica que influenciou o Serviço Social, em termos de teoria, sua
prática profissional, pesquisa, ensino. A compreensão de sociedade, relações sociais
e indivíduo são da teoria de Karl Marx. As pesquisas nessa corrente de pensamento
abordam as contradições do modo de produção dominante; o sistema capitalista, a
divisão de classes etc. O marxismo faz uma aproximação dos itens citados porque
uma pesquisa no marxismo é feita por aproximações da relação imediata entre o
contexto, os fenômenos, objetos etc.
Os fenômenos e objetos de pesquisa do Assistente Social, são normalmente os
do cotidiano da prática. Então os movimentos históricos, políticos e econômicos,
revestem o objeto do Serviço Social e marxismo elege a historicidade como uma de
suas categorias. O Assistente Social faz suas questões e as articula com a econômica,
a política e os diversos elementos da realidade. O objeto questionado nunca está
isolado porque está dentro de uma realidade e seus elementos o atinge de forma
negativa ou positiva.
O pesquisador/a de Serviço Social privilegia temas de investigação como a educação
de qualidade para todos, e respeito à diversidade, aos grupos específicos tradicionais;
quilombolas, indígenas, ciganos, a população LGBT e a cidadania etc. Além do respeito
à pluralidade de ideias e culturas, as questões raciais e seus desdobramentos etc.
Esses são temas que permeiam sua prática profissional e se tornam pesquisas para
mudanças no paradigma instalado, para qualificar sua intervenção e contribuir com a

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ciência, com as políticas públicas etc. Isso é feito dialogando e questionando com a
ordem estabelecida, tendo por norte o projeto político profissional e o Código de Ética.
Espera-se que o estudante/a partir da disciplina, possa contextualizar a realidade
de sua área de atuação ou de estágio, e a si com algo a mais, e leve isso para o
seu projeto de pesquisa. Desejamos que siga sempre estudando e pesquisando para
colaborar com uma nova ordem societária.
Bons estudos e ótimas reflexões.

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AULA 1
CONHECIMENTO, TIPOS DE
CONHECIMENTOS E PESQUISA

Nesta aula destacaremos brevemente o conceito de conhecimento, suas elaborações


nos primórdios da civilização humana, citaremos alguns tipos de conhecimento e um
pouco da evolução do conhecimento. Uma maior sistematização e rigor do conhecimento
com o surgimento da ciência e da pesquisa científica, algumas conceituações de
pesquisa científica.
O ser humano quando nasce já encontra um mundo construído e organizado com
elementos sociais culturais, políticos, econômicos e religiosos etc. Enfim, uma estrutura
para que a vida aconteça em sua totalidade. Não imagina que tudo isso foi resultado
de construções ao longo dos séculos, que foram continuamente se desenvolvendo.
Um elemento que contribuiu para a elaboração dessa construção, desde sempre,
foi o desenvolvimento da observação. Diante de necessidades latentes que exigiam
desenvolvimento e para transformação no sentido de facilitar o modo de vida.
No período paleolítico uma das primeiras ferramentas fabricadas pelos homens
pode ter sido o machado de pedra, objetos perfuradores feitos de ossos de animais,
facas etc. Nesse período a caça, pesca, a técnica do uso do arco e da flecha e da
pintura, foram técnicas que vieram se aperfeiçoando, e um elemento fundamental
nesse processo foi a observação, junto com os sentidos, para perceber e interpretar,
fazer associações das informações do mundo à sua volta de acordo com as suas
necessidades.
Desse modo podia entender a natureza e dominar seus elementos para fabricar
abrigo e proteção para si e para sua família dos animais selvagens, das intempéries
do tempo. Foram experiências que exigiram o desenvolvimento de capacidades
motoras e mentais na elaboração do conhecimento que foi se ampliando sobre si,
seus sentimentos, o mundo e como lidar com ele independentemente do período
histórico.
Essa esteira de busca e construção que os saberes foram adquiridos, acumulados
e transmitidos socialmente. Questões cotidianas e sua sistematização foram sendo

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sempre aperfeiçoadas, imaginem, por exemplo, o uso de uma tora de madeira para
rolar blocos de pedras de um lugar para outro e depois seu aperfeiçoamento esse
tornar a roda, uma extraordinária evolução de conhecimento.
Nessa esteira evolutiva, a busca e a construção dos saberes foram adquiridas
e transmitidas socialmente, geralmente eram para resolver questões cotidianas. O
conhecimento era transmitido para as crianças pelos mais velhos; um irmão, os pais,
demais parentes ou lideranças comunitárias e religiosas, etc.

1.1 Conhecimento de onde vem?

O conhecimento pode vir de uma autoridade como pais e professores na


transmissão de mundo para as novas gerações. Governantes, líderes partidários,
jornalistas e líderes religiosos etc. Cada um transmite uma noção de mundo
específica. Esses conhecimentos quando recebem o devido crédito da população
são aceitos como verdadeiros (Gil, 2008). O conhecimento era baseado no senso
comum, o conhecimento construído a partir das experiências da vida do dia a dia,
configurava-se como uma tradição, para se organizar e cooperar socialmente uns
com os outros.
A partir daí o ser humano faz uma associação e interpreta as informações do
mundo exterior. “Olha para o céu e vê formarem-se nuvens cinzentas. Percebe que
vai chover e procura abrigo. A observação constitui, sem dúvida, importante fonte de
conhecimento” (Gil, 2009, p. 1). Conforme o exposto, o conhecimento envolve um estado
de consciência, percepções e sensações e, assim, pode motivar comportamentos,
estados conforme o grau de domínio sobre determinada realidade ou objeto.
A percepção de que vai chover pode fazer o agricultor começar a planejar o plantio e ir
preparando a terra. Em outras realidades pode ser sinônimo de desastres, alagamentos
e caos no trânsito. No entanto, é um conhecimento apreendido da observação e das
sensações.
De uma forma geral, podemos nos referir ao conhecimento como sendo o saber
ou a compreensão de uma determinada realidade ou objeto para utilizá-lo e tomar
decisões e alcançar os seus objetivos propostos. Porém, existem alguns tipos de
conhecimento, de vários lugares, alguns conhecimentos podem não servir para resolver
determinados problemas em diferentes realidades.

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1.2 Tipos de conhecimentos

Conhecimento popular

O conhecimento popular também conhecido como vulgar ou popular ou conhecimento


do senso comum como já mencionamos, parte normalmente da experiência individual
e isolada. Porém, consegue chegar à racionalidade e à objetividade, de modo limitado.
Sendo assim, não pode ser reduzido a uma organização e sistematização geral (Marconi;
Lakatos, 2003).
Esse tipo de conhecimento é justificado na crença e tradição popular no saber
do nosso cotidiano que está ali sem haver o procurado, estudado ou refletido sobre
ele. Diz respeito a espontaneidade, a vivências, estados de ânimo e emoções da vida
diária. Assim, não possuem base crítica e comprovação científica. A não ser que os
submeta a estudos científicos.

Conhecimento filosófico

É um tipo de conhecimento importante, mas na perspectiva da verificação científica,


as suas hipóteses filosóficas não poderão ser submetidas à observação, porque
baseiam-se na experiência, sendo assim, é um conhecimento que tem origem na
experiência e não da experimentação" (Trujillo, 1974 apud Lakatos; Marconi, 2003).
“O objeto de análise da filosofia são idéias, relações conceptuais, exigências lógicas
que não são redutíveis a realidades materiais e, por essa razão, não são passíveis de
observação sensorial direta ou indireta (por instrumentos), como a que é exigida pela
ciência experimental” (Marconi; Lakatos, 2003, p.79).
Conhecimento filosófico possui base na razão. (Marconi; Lakatos, 2003) comentam
que seus conceitos são formados a partir da reflexão sobre a realidade, e possuem
uma correlação com essa, sendo assim, suas hipóteses visam a representação da
realidade estudada, objetivando sua compreensão de modo radical e geral.
Já a investigação científica fragmenta a realidade ou objeto para analisá-lo, essa
fragmentação não cabe na filosofia, pois seu propósito é sempre à procura do geral
nas suas formulações. Sua concepção é de unificação da totalidade do fenômeno ou
do objeto estudado. Se o objeto de estudo for o índice de felicidade do povo brasileiro,
ele vai ser pesquisado de todos os ângulos possíveis.

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ISTO ESTÁ NA REDE

Vídeo/youtube: Tipos de conhecimentos


Link: https://www.youtube.com/watch?v=n7uunPOlvLM
Descrição: Trabalho do curso de jornalismo da UniFOA sobre alguns tipos de
conhecimento que citamos aqui e outros.

Conhecimento religioso
O conhecimento religioso, tem por base as doutrinas com proposições sagradas
reveladas pelo sobrenatural, assim essas afirmações são consideradas infalíveis e
indiscutíveis um conhecimento sistemático do mundo (origem, significado, finalidade
e destino) (Marconi; Lakatos, 2003).
O conhecimento religioso não pode ser identificado, de início, com religião pode
aparecer através de formas sistematizadas e institucionalizadas. Relacionar-se com
a realidade por intermédio da crença (fé). Suas evidências são oriundas de um ser
divino para demonstrar esse conhecimento que é revelado.
Em contraposição ao conhecimento científico que é resultado de um rigoroso
processo de observação, controle e testes, etc. no conhecimento religioso, o fiel não
se remete a investigação científica na procura de evidência, mas busca a revelação
divina.

Conhecimento científico
É um conhecimento que parte dos fatos e situações reais, desse modo conforme
(Marconi; Lakatos, 2003) definem que para a investigação desses fatos se utiliza da
experimentação e também da razão, essa característica e contingente.
O conhecimento científico, parte dos fatos e situações reais, desse modo conforme
(Marconi; Lakatos, 2003) definem que para a investigação desses fatos se utiliza da
experimentação e também da razão, é sistemático, ou seja, organizado e ordenado
logicamente, verificável e deve ser comprovado.
Os diversos conhecimentos possuem sua importância e seu valor apesar da sua
separação. Por exemplo, um Assistente Social desenvolvendo a sua apreensão da
realidade do objeto, pode articular as diversas áreas: ao estudar, por exemplo, a
construção e reprodução social na ocupação de universidades públicas pelos homens
negros (Marconi; Lakatos, 2003).

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O profissional em sua pesquisa, pode-se tirar muitas conclusões sobre sua atuação
na sociedade, com base no senso comum ou na experiência cotidiana; é possível
analisá-lo como um ser social. Isso pode ser feito através da investigação experimental.

Título: A construção do conhecimento


Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Hist%C3%B3ria Acesso em 30 de out. 2021.

Investigando a viabilização de políticas e projetos para a inclusão desse público, a


articulação política pode ser direcionada para repercussão nos órgãos que cuidam dessa
inclusão, o que eles dispõem para essa inserção de modo geral quais os incentivos.
Questionar esses homens “quanto à sua origem e destino, assim como quanto à sua
liberdade na dimensão filosófica fina, pode-se observá-lo como ser criado pela divindade,
à sua imagem e semelhança, e meditar sobre o que dele dizem os textos sagrados”.
Na sua dimensão religiosa ou espiritual (Marconi; Lakatos, 2003, p.80). Assim, vemos
a junção e a articulação de saberes diferentes que podem se complementar.
De outra maneira esses conhecimentos podem coexistir em uma pessoa que pode
ser, por exemplo: “um cientista, voltado, por exemplo, ao estudo da física, pode ser
crente praticante de determinada religião, estar filiado a um sistema filosófico e, em
muitos aspectos, de sua vida cotidiana, agir segundo conhecimentos provenientes do
senso comum” (Marconi; Lakatos, 2003, p.80). Assim, entendemos que o conhecimento
permeia a vida humana desde o seu surgimento, independentemente do momento
histórico e estágio evolutivo que a humanidade está, sempre foi permeada e atravessada
pelo conhecimento (s).
A partir do conhecimento o ser humano faz elaborações, estabelece relações e
consegue se aproximar de determinada realidade, objeto compreender e explicar

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acerca dos fenômenos relacionados à vida, à morte, à organização social, religiosa,


política entre outros. O ser humano sempre é movido pela curiosidade, busca novas
descobertas e, assim, elaborar, aprimorar a construção dos saberes que vão sendo
transmitidos socialmente. Desde questões mais complexas, às mais simples. Assim,
foi sistematizando o conhecimento, essa sistematização, foi dando lugar à elaboração
da ciência, à produção do conhecimento científico e à pesquisa científica.

1.3 Ciência e pesquisa

A ciência como uma forma de conhecimento possui uma proposta racional de


formular, descrever, comparar, comprovar, observar e comprovar por meio de linguagem
rigorosa os fenômenos os problemas que se quer resolver. Portanto, a ciência é
“caracterizada como uma forma de conhecimento objetivo, racional, sistemático, geral,
verificável e falível é objetivo porque descreve a realidade independentemente dos
caprichos do pesquisador[1]”(Gil, 2008, pp.21,22).
Como podemos observar, a racionalidade e a objetividade são algumas das
características marcantes da ciência em relação aos outros conhecimentos, mas todos
os conhecimentos são importantes. Quando o homem passou a questionar e a buscar
explicações essas buscas foram ficando mais elaboradas, de acordo com a evolução
da história. A razão foi ocupando o lugar das emoções e crenças e superstições. As
respostas foram ficando mais realistas, de acordo com a realidade social e, por sua
vez, as pessoas passaram a aceitar essas respostas.
“Pode-se dizer que essa nova forma de pensar do homem foi que criou a possibilidade
do surgimento da ideia de ciência e que sua tentativa de explicar os fenômenos, por
meio da razão, foi o primeiro passo para se fazer ciência” (Oliveira, 2011, p. 6). A
origem da palavra ciência vem do latim scientia e significa conhecimento, sabedoria.
A ciência possui como estrutura um conjunto de princípios, de teorias organizadas
metódica e sistematicamente, construindo uma área do saber humano, referente a
um fenômeno ou objeto de estudo.
A ciência não é um acúmulo de “verdades”, ela se configura em um campo aberto
onde há uma disputa contínua entre as teorias, os princípios e as concepções de mundo
(MORIN, 2001) (Oliveira, 2011, p.6). O conceito de ciência está continuamente em
construção. Vamos falar brevemente de pesquisa que, por sua vez, está intimamente
ligada ao conhecimento, uma das razões da produção do conhecimento.

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1. 4 O que é pesquisa científica?

Pesquisa científica é a aplicação prática de um agrupamento de processos metódicos


de investigação que o pesquisador vai utilizar para fazer para desenvolver um estudo.
Uma das características da pesquisa científica é a disciplina e o rigor, devido ao seu
regramento, procedimentos e técnicas etc. no processo da sua elaboração para
conseguir informações suficientes e a partir daí proceder ao levantamento das
hipóteses que dão suporte à análise feita pelo pesquisador.
Há várias definições de pesquisa, cada teórico se manifesta sobre seu significado de
maneira particular, mas conservam sempre elementos basilares do que ela representa
em termos abstratos e ações. Vamos a algumas definições de alguns teóricos (as).
“Entendemos por pesquisa a atividade básica da ciência na sua indagação e construção
da realidade. A pesquisa que alimenta a atividade de ensino e a atualiza frente à
realidade do mundo” (Minayo, 2009).
A autora menciona ainda que a pesquisa é uma prática de ordem teórica, ela une
pensamento e ação, desse modo, a autora conduz o rumo dessa definição para a
questão prática e teórica no processo da pesquisa quando afirma que “nada pode ser
intelectualmente um problema, se não tiver sido, em primeiro lugar, um problema na
vida prática” (Minayo,1993, p.23).
Entretanto, em um consenso fechado sobre pesquisa não há vemos o que dizem
outros teóricos. “Um procedimento reflexivo, sistemático, controlado e crítico que
permite descobrir novos fatos ou dados, relações ou leis em qualquer campo do
conhecimento” Ander-Egg.(1978, p.3) por Marconi; Lakatos (1996, p. 15).
Para Rummel (1972. P. 3) por Marconi; Lakatos (1996, p. 15). A pesquisa possui
dois significados; “em sentido amplo engloba todas as investigações especializadas
e completas; em sentido restrito abrange os vários tipos de estudos e investigações
mais aprofundados”. Observamos que algumas palavras nessas definições de pesquisa
prevalecem, palavras como: investigação, problema, estudo, e demais palavras que
possuem significados similares.
Portanto, a pesquisa pode ser um conjunto de procedimentos, que objetiva encontrar
respostas através da investigação de determinados problemas ou propostas para
um experimento ou estudo, e produzir novos conhecimentos que visem o benefício

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de uma realidade, uma área do conhecimento ou da ciência. Citando basicamente os


procedimentos para uma pesquisa compreende as seguintes etapas.

Título: Etapas da pesquisa


Fonte: Marconi; Lakatos (1996).

Pesquisa científica é a atividade da ciência, e engloba basicamente essas fases,


vamos falar um pouco sobre elas neste trabalho.

1.5 Para que pesquisar?

Se realiza pesquisa para encontrar respostas e soluções para determinadas questões


ou propostas no cotidiano profissional, na vida acadêmica, para o desenvolvimento de
um experimento ou estudo ou elaborar e atualizar teorias. Enfim, para produzir novos
conhecimentos que visem o benefício de uma determinada área do conhecimento e
da ciência.
Pesquisa científica é a aplicabilidade prática de uma série de processos metódicos
de investigação rigorosos conduzidos pelo pesquisador (a) para o desenvolvimento
de um estudo. Assim, a pesquisa científica é uma investigação metódica e rigorosa
que envolve muita disciplina, ela segue as regras estabelecidas e procedimentos para
chegar ao resultado que se propôs.
Minayo (1993, p.23), considera a pesquisa como atividade básica das ciências
na sua indagação e descoberta da realidade. Assim, compreende-se também que a
pesquisa é feita quando existe um problema que incomoda e não se têm informações

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para solucioná-lo. Portanto, cada pesquisa tem um objetivo específico conforme sua
finalidade.
Nesse caso, boa parte dessas pesquisas “ não está destinada a formular ou testar
teorias; o pesquisador está, apenas, interessado em descobrir a resposta para um
problema específico ou descrever um fenômeno da melhor forma possível”. (Richardson,
2012, p.17), mas constitui uma atividade transformadora, a qual tem o objetivo de
construir os diversos conhecimentos sobre a realidade social.
A postura investigativa é necessária para descortinar as armadilhas da vida
cotidiana, diz (SILVA, 2007), é essencial e insubstituível na intervenção profissional
crítica, propositiva e, não repetitiva. Sem ela, o Assistente Social não cumpre seu papel
de sujeito histórico possível e, consequentemente, não alavanca as possibilidades
históricas de transformação inscritas na própria realidade.
O pesquisador deve possuir algumas qualidades que se somam ao exercício do
desenvolvimento da pesquisa, como qualidades pessoais do pesquisador. Assim, "o
êxito de uma pesquisa depende fundamentalmente de certas qualidades intelectuais
e sociais do pesquisador Gil (2010.p.17).

Título: algumas qualidades que deve ter o pesquisador


Fonte: Gil (2010, p.17) Adaptado.

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O serviço social trabalha com a realidade social, o contexto se movimentam as


relações sociais, em setores em que as condições de vida dos indivíduos e famílias
estão afetadas pela pobreza, marginalidade e múltiplas necessidades. Diante disso,
o Assistente Social (a), mobiliza seu saber para ampliar sua atividade interventiva
e renovar as intervenções, recriar seu fazer profissional, criar conhecimentos para
sua área de atuação. A pesquisa é certamente uma dessas vias de propostas e de
possíveis mudanças e desenvolvimento humano.
(...)”e o objetivo último das Ciências Sociais é o desenvolvimento do ser humano.
Portanto, a pesquisa social deve contribuir nessa direção. Seu objetivo imediato, porém,
é a aquisição de conhecimento”. (Richardson, 2012, p.16), e resolver problemas como
já mencionamos.

Pesquisas para resolver problemas

Muitas pesquisas são direcionadas para resolver problemas práticos, no Serviço


Social são usuais para entender e resolver algo que esteja provocando obstáculo no
desempenho da prática profissional. Fazendo, desse modo, uma aproximação com
o objeto ou realidade pesquisada. Não dá para conhecer o objeto em sua totalidade.
Suponhamos que em um determinado hospital, alguns pacientes na condição
de alta hospitalar, sejam pessoas em situação de rua, no período da convalescença
necessitem de uma casa de acolhida, e essa busca por esse espaço demore até uma
semana ou mais.
O motivo é que a/o assistente social da instituição sempre encontra dificuldades
em inserir esses pacientes, nesses espaços de acolhida, e costumeiramente se depara
com essa dificuldade na sua prática cotidiana. “Não há vagas”. A partir de algo assim e
outros problemas que incidem nas atividades do dia a dia do profissional, esse busca
compreender, estudar e investigar aquele fenômeno para detectar o que causa sua
recorrência, vai partir de um problema real, em uma estrutura real.
Para isso, deve compreender o que ocorre na macroestrutura e microestrutura os
fatores que favorecem a manifestação daquele problema ali na sua realidade profissional,
que torna pouco eficiente o acesso, impactando e repercutindo na dinâmica de vida
do paciente, do profissional e da instituição.
Há vários caminhos para essa compreensão, um deles é a pesquisa que nesse
caso pode ser pesquisa social crítica (pesquisa qualitativa, pesquisa-ação etc.) que é

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SERVIÇO SOCIAL
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a procura coletiva de solução de problemas práticos. Isso pode ser feito em equipe ou
individualmente. Mais adiante citaremos alguns tipos de pesquisas e suas finalidades
Nesse caso, boa parte dessas pesquisas “não está destinada a formular ou testar
teorias; o pesquisador está, apenas, interessado em descobrir a resposta para um
problema específico ou descrever um fenômeno da melhor forma possível” (Richardson,
2012, p.17).

Pesquisas para formular teorias

Em muitos casos, os pesquisadores estudam um problema, cujos pressupostos


teóricos não estão claros ou são difíceis de encontrar. Nessa situação, faz-se uma
pesquisa não apenas para conhecer o tipo de relação existente, mas sobretudo para
determinar a existência de relação com determinada realidade.
Por exemplo, um pesquisador em educação quer estudar o efeito que a mudança
de método de ensino produz no rendimento escolar de uma turma. Antes, porém, de
estudar o efeito, deve pesquisar se existe relação entre método de ensino e rendimento
escolar. Assim existem várias finalidades para pesquisar.
“A finalidade da pesquisa é descobrir respostas para questões mediante a aplicação
de métodos científicos” Selltiz et alii (1965, p. 5) por Marconi; Lakatos (1996, p.16).
Para Trujillo (1974. p. 171) por Marconi; Lakatos (1996, p. 16) “A pesquisa tem como
objetivo tentar conhecer e explicar os fenômenos que ocorrem no mundo existencial”
entender como esses fenômenos funcionam, como estão estruturados, as mudanças
pelas quais o fenômeno passa, como elas se efetuam, se podem ser controladas etc.
Toda pesquisa deve se basear em uma teoria, que serve como ponto de partida
para a investigação bem-sucedida com o problema.
A pesquisa no Serviço social está inserida no campo da pesquisa social. Utiliza
metodologia científica e desse modo pode obter novos conhecimentos da realidade
e seus fenômenos que podem envolver as instituições sociais, os conflitos sociais, a
questão social e suas variadas formas de manifestações.
O Serviço Social brasileiro possui uma notável história relacionado a pesquisa como
sabemos, faremos algumas pinceladas dessa construção, na aula seguinte é importante
o estudante (a) saber mais do Serviço Social, saber de onde ele veio, a que veio e para
onde vai. Assim estará mais seguro para pesquisar e se direcionar nesse caminho.

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SERVIÇO SOCIAL
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Nesta aula estudaremos brevemente o conhecimento, sua evolução, seus


desdobramentos no caminhar histórico, de modo breve. Até chegarmos ao patamar
de conhecimento pela curiosidade, pesquisa e ciência, agora vamos estudar um pouco
como se constituiu a pesquisa no Serviço Social brasileiro.

________________________________________
[1]Pode-se considerar a ciência como uma forma de conhecimento que tem por objetivo formular, mediante linguagem rigorosa e apropriada -
se possível, com auxílio da linguagem matemática -, leis que regem os fenômenos. Embora sendo as mais variadas, essas leis apresentam vários
pontos em comum: são capazes de descrever séries de fenômenos; são comprováveis por meio da observação e da experimentação; são capazes
de prever - pelo menos de forma probabilística - acontecimentos futuros (Gil, 2008, pp.21,22).

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AULA 2
O SERVIÇO SOCIAL BRASILEIRO:
A PESQUISA CIENTÍFICA E
INTERDISCIPLINARIDADE

Caro estudante, nesta aula abordaremos um pouco da inserção do Serviço Social


na produção da pesquisa científica, citaremos o surgimento de alguns dos primeiros
programas de pós-graduação no Brasil, sua expansão e a interdisciplinaridade na
construção do conhecimento.
A regulamentação da profissão de Serviço Social ocorreu em 1953 e, a partir daí,
foram definidas duas competências fundamentais para o Assistente Social; a primeira,
a atuação da profissão no interior das políticas públicas e privadas. A segunda diz
respeito ao planejamento, execução e avaliação dos programas, projetos e políticas
no âmbito do Serviço Social, com esse acúmulo de atribuições as pesquisas passam
a contribuir para a análise da realidade social e ainda colaborar para o mapeamento
de ações profissionais. Nas duas vemos a importância da pesquisa para a elaboração
do conhecimento científico sobre a realidade social e sobre a prática profissional e
suas intervenções.
Essas atribuições e competências, especialmente as últimas, foram construídas,
conquistadas e/ou impostas ao longo da ocupação do espaço sócio ocupacional da
profissão, conforme o desenvolvimento das novas expressões do capitalismo que
requerem novas mediações que surgiam em face das novas mudanças. Pensamos
que nesse momento as pesquisas se fazem mais necessárias para decifrar as novas
configurações da realidade.
O Assistente Social no mercado de trabalho se pauta por meio de relações contratuais,
essas geralmente vão indicar e estabelecer as condições concretas que resultam em
um enquadramento da intervenção profissional e, por outro lado, o profissional possui
um direcionamento profissional que deve seguir (Yazbek, 2001). Esse direcionamento
do profissional no campo de trabalho estabelece o compromisso do profissional com
a pesquisa e a produção do conhecimento, a partir das diretrizes curriculares, o código
de ética profissional e o projeto da profissão foi firmado esse compromisso.

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O Serviço Social constrói no seu campo de atuação ou de estudo seu saber nas
relações sociais “construídas e determinadas na história, na realidade, objeto de trabalho
– prática interventiva e investigativa - e seu processo acontece a partir da interação
dos sujeitos sociais partícipes deste mesmo processo” (Barros Neto, 2014, p.1).

2.1 A produção do conhecimento no Serviço Social e os programas de pós-


graduação

A produção de pesquisa no Serviço Social veio antes mesmo da implantação dos


programas de pós-graduação, por exemplo, (Barros; Neto, 2014) definem que constam
trabalhos de conclusão de curso das formandas das Escolas de Serviço Social e, por
volta das décadas de 1930 e 1940, publicados pela Revista Serviço Social e Sociedade.
As publicações também constam do Centro de Estudos e Ação Social, nos Anais dos
Congressos - o primeiro Congresso Brasileiro de Serviço Social foi promovido pelo
CEAS em 1947, e seguiram as produções seguintes.
Martins (2004), por (Barro; Neto 2014) comentam que nas décadas de 1940 e 1950,
com a influência dos Estados Unidos na profissão, altera-se a formação profissional
do Serviço Social no Brasil. Por exemplo, o trabalho ligado ao desenvolvimento da
comunidade, passou a prevalecer tanto no campo como na cidade.
Os métodos de caso e grupo e comunidade foram reproduzidos também nas décadas
de 1960 e 1970 e as publicações tinham esse viés. A pesquisa no Serviço Social, a
produção do conhecimento, e a pós-graduação no Brasil estão vinculados à criação
dos primeiros programas de pós-graduação na década de 1970.

Os primeiros cursos de pós-graduação no Serviço Social no Brasil

1972 - primeiro curso de mestrado PUC-SP e PUC- RJ

1980 - primeiro curso de doutorado PUC-SP

1976 - primeiro curso de mestrado UFRJ

1977 - Primeiro curso de mestrado PUC-RS

1978 - Primeiro curso de mestrado UFPB-JP

1979 - Primeiro curso de mestrado UFPE

1990 - O primeiro curso em Política Social UnB

1992 - Curso de Economia Doméstica, da Universidade de Viçosa Universidade de Viçosa

1993 - Curso de políticas Públicas UFMA


Tabela 1- dos primeiros programas de Serviço Social
Fonte: (Garcia et al 2016, p.3).

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Nobuco Kameyama (1998, p. 48) por (Barros; Neto, 2014, p. 20) apresenta um
levantamento “realizado entre os anos de 1975 a 1997 sobre a produção de conhecimento
em Serviço Social, a partir das pesquisas realizadas para os cursos de pós-graduação;
assim, foram produzidas 958 dissertações de mestrado e 70 teses de doutorado,
abrangendo vários temas e áreas”.
Em pouco tempo a participação dos pesquisadores do Serviço Social nas agências de
fomento brasileiras do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico
(CNPq e Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de nível superior, esses cursos
e suas pesquisas foram se projetando com mais força a partir dos anos de 1980
(Yazbek, 2013).
É interessante observarmos que o direito à Educação escolar no Brasil encontra-se
firmado na Constituição Federal (CF) de 1988, e na legislação específica do campo
educacional, a CF estabelece a universalização da educação gratuita como um direito
social como direito da família e do Estado.
O amplo acesso e a ampliação da educação, mantiveram-se nos anos seguintes,
mediante as negociações com o Banco Mundial, Fundo Monetário Internacional, junto
com o governo etc. e empresários da educação. Os grupos populares desfavorecidos
estavam nessa pauta inclusiva, havia estratégias nacionais para que se efetivasse
essa igualdade de oportunidade através de programa como “educação para todos”
com critérios pré definidos pelos referidos órgãos internacionais.
Diante disso, houve a ampliação pública e privada desse acesso, o setor privado
passou a entender a educação mais como uma mercadoria do que um bem público
na garantia de lucros e interesses empresariais, não generalizando todo o sistema de
ensino superior privado, mas essa é outra abordagem.
No entanto, fizemos esse parêntese para sinalizar a expansão da educação de
modo geral, especialmente a superior, graduação e pós-graduação e apresentada no
gráfico um pouco mais abaixo, o aumento dos programas de mestrado e doutorado,
alguns vieram do resultado dessa inclusão que segue.
A Medida Provisória nº 213/2004, convertida na Lei nº 11.096/2005[1], a lei das
cotas[2] raciais também tem o objetivo de concessão de bolsas de estudo integrais e
parciais em cursos de graduação em instituições privadas de ensino superior, essas,
recebiam a isenção de impostos federais. As cotas raciais e que foram se ampliando
para outros segmentos da população etc.
O acesso aos programas de pós-graduação fez esses números aumentarem com a
concessão de bolsas pelas agências CAPES e CNPq e outras agências ao mestrado e

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doutorado. Atualmente, o fomento para a pesquisa nas universidades tem sido atacado
com os drásticos cortes nas verbas nos cursos de graduação e da pós-graduação.
Nas décadas de 1970 -1980, as agências de financiamento de pesquisa ( CAPES
e– CNPq) introduzem o Serviço Social como área de conhecimento (Garcia, 2016).
2016). Algo de um enorme ganho para o Serviço Social. “Mais do que um procedimento
burocrático-administrativo, esta inclusão reconhece a luta da categoria em prover status
acadêmico a uma profissão que se legitima por meio de sua dimensão interventiva
na divisão sócio técnica do trabalho” (Garcia et al 2016, p. 4).
Essa fala mostra Garcia se referindo ao processo de luta e conquista, sinalizando
o papel e a importância de atores como a ABEPSS, dos programas de pós-graduação,
dos pesquisadores e da totalidade das coordenações da área na Capes etc. (...) “até
1999, havia 12 Programas, passando para 31 na última trienal, ou seja, um crescimento
de mais de 150%). Essa expansão continuou, pois em 2014, eram 33 Programas,
sendo 16 com Doutorado” (Garcia, et al, 2016, p. 7). Esses números mostram uma
expressividade da pesquisa do Serviço Social também.

Gráfico 1- A expansão dos programas

Título: Programas de pesquisa em Serviço Social- avanço da pesquisa


Fonte: CAPES 2016 por Garcia (2016, p.7).

---------------------
[1]Institui o Programa Universidade para Todos - PROUNI, regula a atuação de entidades beneficentes de assistência social no ensino superior;
altera a Lei nº 10.891, de 9 de julho de 2004, e dá outras providências.Link de acesso: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2005/
lei/l11096.htm
[2] Lei nº 12.711, de 29 de agosto de 2012. Link: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/l12711.htm

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Aqui vemos a escalada dos programas de pós-graduação. Mostra a expressividade


da expansão dos Programas de Pós-Graduação a partir do ano 1998 até 2016. O que
ainda é pouco considerando o Brasil como o quinto país maior do mundo. Todavia, o
crescimento do campo de pesquisa no Serviço Social é de grande peso e importância
e vem se consolidando muito antes da ampliação e universalização da educação de
forma geral.
O estudante deve saber que os cursos de pós-graduação se apresentam nas
modalidades lato sensu e stricto sensu. O stricto sensu é um mestrado ou doutorado
eles possuem como elemento central muito forte; a pesquisa científica, isso é que os
diferencia do lato sensu. O lato sensu não está obrigatoriamente ligado à tradição da
pesquisa científica. São geralmente denominados, também, de especialização, e não
possuem um vínculo acadêmico forte como o stricto sensu.

ISTO ESTÁ NA REDE

Neste link o estudante encontra essas definições de acordo com o Ministério


da Educação e suas leis específicas mais aprofundadas sobre os cursos; lato
sensu e stricto sensu, mestrado e doutorado, os critérios para essa participação
e documentação exigida etc. Determinações em conformidade com as leis
das instituições de ensino e o edital de seleção dos alunos (art. 44, III, Lei nº
9.394/1996). Os cursos de pós-graduação stricto sensu devem observar as
exigências de autorização, reconhecimento e renovação de reconhecimento
previstas na legislação - Resolução CNE/CES nº 1/2001, alterada pela Resolução
CNE/CES nº 24/2002. Os cursos de especialização em nível de pós-graduação
lato sensu presenciais entre esses estão os cursos como MBA - Master Business
Administration), oferecidos pelas instituições de ensino superior, são cursos que
devem atender ao disposto na Resolução CNE/CES nº 1, de 8 de junho de 2007.
Links:http://portal.mec.gov.br/pos-graduacao/pos-lato-sensu e http://portal.mec.gov.
br/pos-graduacao/pos-graduacao

Seguindo sobre a expansão dos programas de pós-graduação no Brasil, em 2015,


foi aprovado o Mestrado em Serviço Social e Política Social na UFRGS, mestrado em
instituição pública no Rio Grande do Sul. O mestrado em Serviço Social da UNIFESP
(primeiro Mestrado em instituição pública federal no estado de São Paulo) e os
Doutorados da UFRN e UFPA (primeiro doutorado da área na região norte. (Garcia,
2016).

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Assim, o conhecimento produzido pelo Serviço Social normalmente tem como


objeto de estudo a questão social. Suas manifestações e seus desdobramentos. Essas
pesquisas contribuem ainda com as Políticas Sociais na contemporaneidade e avanço
teórico-metodológico do Serviço Social (Garcia, 2016).

Título: instalações da CAPES


Fonte:https://ciencia360.com.br/areas-de-avaliacao-da-capes-divulgam-os-documentos-de-
área-2019/

Ademais, a contribuição que a produção de pesquisa científica do Serviço Social vem


trazendo para as Ciências Sociais em geral, ao eleger como objeto de estudo temas
de relevância na atualidade como: trabalho, reestruturação produtiva, Proteção Social,
Seguridade Social, avaliação e análise de políticas e programas sociais, envelhecimento,
terceiro setor, voluntariado, criança e adolescente, entre outros (Yazbek, 2013).
Essa produção também expressa a crescente preocupação com os problemas
sociais brasileiros, decorrentes dos elevados índices de desigualdade social e pobreza,
realçando a importância do Serviço Social contemporâneo no trato das questões
nacionais, regionais e locais.

2. 2 A contribuição da pesquisa no âmbito profissional

Uma importante contribuição da pesquisa para o serviço social é a construção de


tipologias, de diagnósticos e tratamento Pereira (2005) por (Araújo et al, 2020) por
através da conversão do conhecimento das ciências sociais em princípios para a
execução da prática profissional.

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Os autores concordam quanto à diferença do Serviço Social das ciências que, de


modo geral, fazem uma importante descrição e interpretação do mundo social, o
controle desse mundo, através da manipulação de técnicas, formadas por disciplinas,
por exemplo, as tecnologias e as engenharias.
O que os autores/as trazem com muita propriedade neste apontamento é que a
pesquisa no Serviço Social não descreve e explica uma determinada realidade apenas
ou objeto, vai além, avança na reflexão daquela realidade/objeto no mundo real, e
extrapola para a intervenção. Geralmente, assim são as pesquisas nessa área, tornando
essa atividade transformadora.
Essa atividade transformadora possui o objetivo de elaborar diversos conhecimentos
sobre as mais variadas “expressões da Questão Social por meio da aproximação,
explicação e apreensão dos aspectos sociais, econômicos, políticos e culturais da
realidade social, buscando encontrar respostas diante dos desafios que são postos
para a sociedade em geral” (Araújo et al 2020, p. 84).
Por isso, boa parte das pesquisas realizadas no Serviço Social são de natureza
investigativa e interventiva, o objetivo é dar respostas às (aos) usuárias (os) e, para isso,
o pesquisador (a) deve conhecer o cotidiano, os problemas conjunturais e estruturais
que afetam aquele contexto. O Serviço Social está inserido na área das ciências sociais
aplicadas, a pesquisa é um elemento fundamental no curso de Serviço Social, dessa
forma o estudante, profissional e pesquisador em Serviço Social, aproxima-se da
realidade e isso inclui seus problemas e parte do estudo para melhor resolvê-los.
A contribuição do Serviço Social é ligada aos valores profissionais do projeto
que a profissão almeja na sociedade, e não apenas contribui para o debate teórico-
metodológico do Serviço Social, mas também na materialização de intervenções
profissionais individuais e coletivas qualificadas e eficazes.
Para essa contribuição e intervenção acontecer, o profissional pesquisador deve
conhecer os fenômenos de muito perto. Segundo Godoy (1995), (Araújo et all 2020,
p. 84) comenta que na contemporaneidade a pesquisa se destaca por estar entre as
mais variadas possibilidades de estudos sobre fenômenos referentes às pessoas e às
ligações destas com as relações sociais em diversos contextos, e isso corresponde
à dimensão quantitativa ou qualitativa da pesquisa.
Por isso, é fundamental entendermos - ou captar os fenômenos a partir das expressões
e perspectivas das pessoas, englobando todos os pontos de vistas relativos e relevantes
neste sentido. Pois, nesse caso, elas devem expressar suas necessidades, demandas,

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incômodos tendo como porta voz a pesquisa muitas vezes. Nesse processo deve-
se “valorizar como os dados foram coletados, e muito mais importante, como serão
analisados procurando entender a dinâmica do processo”. (Araújo et al 2020, p. 84).
Acrescentaríamos que a questão ética deve sempre ser contemplada.
Nisso se encaixa a construção de um projeto engajado com a construção de uma
sociedade pautada na cidadania, autonomia e emancipação do ser humano pela
expansão dos direitos sociais acessíveis e alcançáveis por todos através da construção
de uma nova ordem societária, sem preconceitos, sem exploração etc. de acordo com
o Código de Ética do Assistente Social. A pesquisa em Serviço Social deve ter esse
compromisso.
Diante do avanço do capital e seus efeitos desumanos na vida da população mais
pobre, as pesquisas priorizam e vão de encontro aos anseios e respostas dos indivíduos
e famílias que não eram vistos como cidadãos, mas denominados até hoje como
“invisíveis”. Com eles e todos indistintamente o pesquisador põe a questão ética na
frente de suas ações de pesquisa.
Eles não devem permanecer à parte ou ser somente pesquisados (as) e/ou
entrevistados (as) (...) ouvir os sujeitos não apenas para obter informações, mas para
saber sua opinião sobre a pesquisa. Dar voz e vez não apenas para conferir visibilidade,
mas para melhor encaminhar a pesquisa a fim de obter solução para o problema
estudado” (Araújo et al 2020, p.83, 84).
Deixar claro os critérios quanto ao direito à informação e ao desenvolvimento
da pesquisa, a sistematização dos dados e seus resultados, afinal, nesse caso, a
pesquisa está sendo realizada e motivada pelas necessidades deles e, por isso, deve-
se democratizar as informações no sentido de fortalecer os interesses da população
usuária e manter o sigilo.
Como estávamos falando há pouco, o Serviço Social passou a contribuir não somente
com a sua prática profissional, mas também com a produção e sistematização do
conhecimento, passou-se a investir em pesquisas. A partir de 1980 e, entre 1990, a
pesquisa passou a integrar o trabalho profissional do Assistente Social, orientado pelo
posicionamento ético estratégico na construção de intervenções críticas na prestação
dos serviços à população.

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ANOTE ISSO

A Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço Social (ABEPSS), ABEPSS


nasceu em 1946, logo após a criação do primeiro curso de Serviço na PUC/SP, é
uma entidade acadêmico-científica, que coordena e articula o projeto de formação
em serviço social no contexto da graduação e pós-graduação brasileira, sendo
assim, possui associados institucionais e/ou individuais em todos os estados
brasileiros. A ABEPSS define as Diretrizes Curriculares para os cursos de Serviço
Social e a Política Nacional de Estágio, é também responsável pela edição da
Revista Temporalis, além de organizar o Encontro dos editores dos periódicos da
área de serviço social entre outros.
Conheça melhor a ABEPSS
Site da instituição: https://www.abepss.org.br/quem-somos-1

Para isso, a profissão avançou na compreensão das representações sociais como


o Estado capitalista, a política, economia, a cultura, os movimentos sociais, cidadania,
democracia, o mundo do trabalho e demais elementos que constituem a sociedade
e a realidade institucional (Yazbek, 2013). Todo esse percurso histórico demandou
pesquisas, estudos, necessários para marcar e ocupar os espaços profissionais e
acadêmicos. Daí veio a projeção nacional e internacional como em alguns países da
América Latina, Portugal, África etc (Yazbek, 2013).

Título: instalações do CNPq


Fonte: https://www.opovo.com.br/noticias/brasil/2021/07/27/sistemas-do-cnpq-estao-fora-do-ar-ha-4-dias--entidade-afirma-que-vai-retomar-funcionamento.html

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Assim, a pesquisa no Serviço Social passou a ser um elemento fundamental na


academia, esse resultado tem servido de base na aprendizagem, ensino e pesquisa
no Serviço Social brasileiro, e vai além dos termos teóricos e de construção das
ações formativas voltadas aos discentes. Portanto, a pesquisa está na centralidade
da profissão, é uma exigência curricular.

ANOTE ISSO

A Lei n. 8662/93 de 7 de junho de 1993, determina que o Assistente Social torne a


pesquisa como um elemento constitutivo do seu trabalho profissional, competente
e de qualidade.
Link da lei: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8662.htm

A pesquisa para o estudante de Serviço Social possibilita melhor direcionamento


e compreensão do contexto no qual está inserido, para isso, deve-se conhecer a
historicidade da profissão, e particularidades que a perpassam como o capitalismo e
suas contradições, além das instituições e a sociedade de classe, as políticas públicas
e suas dinâmicas, e procurar se aproximar o quanto possível do seu objeto de estudo
etc.
O profissional para atuar e/ou pesquisar em um determinado contexto necessita
de ampliação daquela realidade que possa como um microscópio mostrar mais de
perto, a realidade social o objeto. Talvez a área por si deva se movimentar na busca
de conhecimento em outras áreas, ou construir o conhecimento compartilhado devido
à compacidade que a realidade social apresenta.
Assim, possibilitar as articulações com outras áreas de conhecimento, o pesquisador
deve exercitar o respeito ao pluralismo de ideias e às diferentes visões que possam
emergir dessas conexões e articulações de diferentes áreas, locais, regionais para
responder com mais segurança às manifestações da questão social.

2.3 A interdisciplinaridade

O conhecimento pode se construir em conjunto com outras áreas do saber, assim,


possibilita ampliar a visibilidade de âmbitos e perspectivas diferentes de um fenômeno
ou objeto, nesse tipo de pesquisa as diferentes áreas ganham no desenvolvimento de
uma análise mais ampliada.

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Uma razão por esse interesse de trabalho conjunto seja na elaboração de teorias,
na construção de intervenções e na pesquisa é visto por Ely (2014) da fragmentação
do saber. A dança das especializações no ensino superior originou “profissionais cada
vez mais especializados, cujas competências isoladas não conseguem atender às
exigências e complexidades dos problemas atuais” (Ely, 2003, p.114).
A autora define que essa tendência tem gerado discussões em torno do tema
que se tornaram evidentes em 1960, centralizando a necessidade de dar enfoque
interdisciplinar à formação e à intervenção profissional. “Nas décadas de 1970 e 1980,
este debate cresceu de forma lenta e ganhou maiores proporções apenas no final da
década de 1990, adquirindo hoje ampla repercussão nos mais variados campos do
conhecimento” (Ely, 2003, p.114).
A interdisciplinaridade, oportuniza o alargamento e a flexibilização no interior do
conhecimento, pode representar uma instigante disposição para os horizontes do saber.
Assemelha-se a uma postura profissional que possibilita caminhar pelo o “espaço da
diferença’’ (Rodrigues, 1998). Rodrigues ainda define que a interdisciplinaridade possui
em si um sentido de busca, de desenvolvimento da pluralidade de olhares para um
determinado objeto, isso pode gerar uma determinada realidade, e diferentes formas
de abordar o real.
Essa interação de diferentes áreas do conhecimento, seja da graduação e dos
Programas de Pós-Graduação, oferece uma formação aos egressos em uma perspectiva
de análise ampla da realidade social. No Código de Ética profissional inclui, entre os
deveres do assistente social na sua relação com outros profissionais, o incentivo à
participação em equipes interdisciplinares. A Resolução do CFESS nº 557/2009, que
orienta sobre a emissão de documentos e opiniões técnicas em conjunto, também
menciona sobre o trabalho interdisciplinar.
O papel político da pesquisa é importante na construção do conhecimento no
processo investigativo e interventivo da profissão na sociedade, e isso pode ser
compreendido também com a interdisciplinaridade. O Assistente Social pela história
profissional a execução da sua prática é um ser político e naturalmente interdisciplinar
pela natureza da profissão.
A produção ou intervenção não ocorre isoladamente pelos profissionais dessa área,
nos apropriamos de estudos de outras áreas para produzir pesquisas, e outras áreas
se apropriam do conhecimento produzido pelo Serviço Social. Há uma interação de
pesquisadores de áreas onde todos podem ganhar; as diferentes áreas, as profissões e

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os usuários. Na prática profissional a intervenção depende de parcerias, interlocuções


de diferentes áreas e setores etc.

2. 4. Intervenção interdisciplinar e alguns conceitos e características

Segundo Vasconcelos (1997) por (Ely, 2003) ao se discutir interdisciplinaridade deve


observar alguns conceitos que apresentam relações semelhantes, diferenças somente
no grau de cooperação e coordenação entre as disciplinas. Em ordem crescente, assim
podem ser classificados:

O trabalho acontece de forma isolada, geralmente com troca e


Multidisciplinaridade
cooperação mínima entre as disciplinas;

As se agrupam de forma justaposta, com cooperação, porém


Pluridisciplinaridade
cada profissional decide isoladamente

A coordenação é realizada por todas as disciplinas e interdisci-


Transdisciplinaridade: plinar, propondo a criação de um campo com autonomia teórica,
disciplinar e operativa
Tabela 2 - Alguns conceitos
Fonte: Vasconcelos (1997) por (Ely, 2003, p. 117).

A interdisciplinaridade no seu processo auxilia uma disciplina, essa predomina sobre


as demais, coordenando-as. Outra característica que diz respeito à interdisciplinaridade,
refere-se às relações profissionais e de poder, que tendem a se conduzir de modo
horizontal, mas as estratégias de ação são comuns, instala-se uma troca recíproca
de conhecimento entre as diferentes disciplinas.
“A interdisciplinaridade situa-se, portanto, em um nível avançado de cooperação
e coordenação, de forma que todo conhecimento seja valorizado, com relações
de intersubjetividade e de co-propriedade baseadas em uma atitude de diálogo”.
Vasconcelos (1997) por (Ely, 2003, p. 117). Nesta interação e articulação entre as
diversas áreas do saber, deve haver respeito à autonomia e à criatividade inerente a
cada uma destas áreas, para que determinadas disciplinas não sejam influenciadas
ou excluídas deste processo.
Para a profissão exercitar a interdisciplinaridade, deve compreender que o
conhecimento é vasto e nele reside os fenômenos e objetos que, a princípio, não
pertencem a nenhuma área do conhecimento específica. No caso do Serviço Social
por exemplo, em uma pesquisa investigando de algum âmbito as manifestações da

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questão social, pode ter a colaboração das áreas de economia, direito, sociologia,
educação etc.
Portanto, as áreas e as profissões não estão apartadas ou segregadas de outras
profissões no universo de pesquisa comum, assim o conhecimento pode ser construído
em conjunto. Mas é necessário entender essas possibilidades e estudá-las considerando
a prática do Assistente Social que se faz em constante interação com outras áreas
e diferentes políticas como já mencionamos.
A prática política da pesquisa se traduz na interação e conexão com realidade a
fim de compreendê-la em sua amplitude, e sua movimentação para poder refletir
com outras áreas afins, e assim fazer aproximações, análises e ações, com base em
construções conjuntas para a superação de determinada realidade (Garcia, 2016).
Nos âmbitos dos programas de pós-graduação em Serviço Social, estes contam
com a colaboração de outras disciplinas (entre elas ciências sociais, economia,
psicologia, direito entre outras) (Garcia, et al, 2016, p.14). Todas elas têm contribuição
com elaborações e análises que incidem direta ou indiretamente na questão social e
suas diferentes disparidades.
E do mesmo modo o Serviço Social tem contribuído com essas e outras áreas do
conhecimento. Esse possível exercício possibilita levantar o que essas áreas possuem
em comum e o que as afasta, seus objetivos, como é possível trabalharem juntas sem
uma se sobrepor a outra, na troca de conhecimento e sua construção em torno de
um compromisso com a mudança social de indivíduos e famílias.
Aprofundando um pouco mais Sampaio et al. (1989, p.83) por (Ely, 2003, p. 117)
destaca nesse exercício algo como o exercício da humildade profissional, o conhecimento
interdisciplinar envolve a “descoberta, uma abertura recíproca, uma comunicação entre
os domínios do saber, deveria ser uma atitude, que levaria ao perito a reconhecer os
limites de seu saber para receber contribuições de outras disciplinas”.
O Artigo 4° Parágrafo primeiro Resolução CFESS Nº 557/2009 de 15 de setembro
de 2009 Ementa: Dispõe sobre a emissão de pareceres, laudos, opiniões técnicas
conjuntos entre o assistente social e outros profissionais. Destaca a intervenção do
Assistente Social em equipe interdisciplinar. Define que entendimento ou opinião técnica
do profissional de serviço social o objeto da intervenção em equipe com diferente
categoria profissional e/ ou equipe multiprofissional, o profissional precisa pôr em
destaque sua área de conhecimento (...)“definir o âmbito de sua atuação, realidade ou
objeto, definir os instrumentos utilizados, para análise social e outros componentes

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que devem estar contemplados na opinião técnica”. Não deve ser diferente na pesquisa
social” (CFESS1, 2009, p. 2).
Diferentes áreas desse modo estão descobrindo a interdisciplinaridade se integrando
em projetos de pesquisa ou socializando saberes. A dinâmica de trabalho dos
profissionais do Serviço Social tendo em vista as relações e as condições de trabalho,
as mudanças no mundo do trabalho esses fenômenos podem instigar a pesquisa
conjunta no Serviço Social, rumo a um conhecimento mais amplo da realidade.

Título: interdisciplinaridade
Fonte:https://www.pexels.com/pt-br/foto/foto-de-mulheres-no-encontro-3811082/ Acesso em 22 de out. 2021.

Para essa interlocução se efetivar com mais força no Serviço Social, é fundamental
a abertura dos Assistentes Sociais com outras áreas e disposição para mudança
de comportamentos e atitudes. Permitindo abertura para ampliar essa construção,
com menos vaidade acadêmica e mais abertura. Isso entre outras coisas, permitirá
que os profissionais das áreas construam uma visão mais aprofundada de uma
determinada realidade ou objeto, possibilitando ao profissional se colocar no lugar
do outro, fortalecendo as análises de diferentes ângulos de uma mesma realidade.
O Sistema Nacional de Pós-Graduação, a área de Serviço Social tem procurado
interlocução com outras as áreas para contribuir na construção de uma Pós-Graduação
adequada às necessidades da população brasileira para uma formação qualificada
nesse nível (Garcia, 2016). A graduação não está fora dessa realidade com seus
Projetos Integradores, TCCs etc. Observando pelo prisma de (RODRIGUES, 1998) que
compreende a interdisciplinaridade como uma postura, uma concepção de articulação

1 Em:http://www.cfess.org.br/arquivos/Resolucao_CFESS_557-2009.pdf Acesso:21 nov. 2021.

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dos conhecimentos que fica cada vez mais evidente no mundo do trabalho atual
considerar a ação do assistente social fora dessa relação.
Pois o Serviço Social é uma área propícia para a propagação desta tendência, a
profissão possui um sentido interdisciplinar de atuar, que é verificável nos princípios
formativos do Assistente Social, na formação e produção do conhecimento e de
forma marcante em suas ações profissionais (Rodrigues, 1989). Pelos comentários
que estamos tecendo com os teóricos, o pesquisador profissional de Serviço Social
possui digamos algo de base para ingressar na interdisciplinaridade, mas falta algo.
(...), nesse caso, as exigências de aprimoramento e requalificação são maiores,
em função da necessidade de estar continuamente preparado para interagir com o
conhecimento das outras áreas do saber” (Ely, 2003, p. 117). A interdisciplinaridade
na construção do conhecimento no Serviço Social pede que a profissão se abra e
dialogue com outras áreas do conhecimento para ampliar e trilhar outros caminhos,
aprender com o outro e ampliar seu campo de estudo.
Nessa aula estudamos um pouco sobre a cultura da produção acadêmica no Serviço
Social, antes mesmo da regulamentação da profissão. A contribuição da pesquisa
para o Serviço Social. O avanço da pesquisa científica no Serviço Social a partir da
criação dos primeiros programas de pós-graduação nessa área. O reconhecimento e
inclusão da CAPES quanto ao Serviço Social como área do conhecimento científico.
Nesta aula fizemos uma menção à expansão dos cursos de pós-graduação no
Serviço Social, em alguns Estados do Brasil, traduzindo o crescimento e a construção da
pesquisa no Serviço Social brasileiro. Mencionamos para a continuidade do crescimento
a interdisciplinaridade na construção e interlocução dos saberes. Essa construção
exige um método, assim na próxima aula falaremos do método científico.

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AULA 3
O MÉTODO CIENTÍFICO

Nesta aula o (a) estudante se aproximará do conceito de método científico, o


surgimento do método na história, será apresentado a alguns tipos de métodos
científicos. E também conhecerá de modo breve a aplicabilidade do método nas suas
etapas na pesquisa científica e fechamos com uma breve explanação sobre a diferença
entre método e metodologia. Bons estudos!
Toda pesquisa para ser considerada científica deve seguir um método e regras que
demonstrem o caminho que foi feito para produzir algo ou comprovar, refutar algum
conhecimento etc. Um pouco disso já quer dizer genericamente método.
E chega o momento que o pesquisador na construção do conhecimento deve
expressar a partir de uma demonstração, com base em fundamentos , observações,
análises e experimentos e as hipóteses. Mostrar como chegou ao resultado pretendido
na sua investigação. Na vida pratica diversas atividades e situações tem algo de
método, que seguimos regras e etapas para obter resultado em algo. Um esporte
físico, tem algumas regras, cuidados, roupas adequadas, alimentação, um atestado
médico afirmando ou não se estamos aptos para o tipo de esporte etc.
Quando nos referimos ao período paleolítico e a fabricação do machado de pedra
por exemplo, uma flecha, uma canoa. Essa necessidade emergiu das pressões do
cotidiano, da compreensão que devia facilitar sua vida, desenvolver soluções para
obter uma ferramenta para caçar e garantir o alimento. Outras: utilizar a pele do animal
para vencer o frio, a carne para matar a fome e outras ideias vieram para vencer
as dificuldades da natureza etc. Assim foi se encaminhando o aperfeiçoamento das
técnicas.
O que possibilitou à ciência chegar ao nível de conhecimento que vivemos hoje foi
o “núcleo de técnicas de ordem prática, seus fatos empíricos e suas leis, que formam
o elemento de continuidade, que, por sua vez, foi sendo aperfeiçoado e ampliado ao
longo da história do Homo sapiens” CERVO, (2002, p.3).
O autor finaliza contextualizando que a ciência, no formato atual em que conhecemos
hoje, é relativamente recente. Porque foi apenas na Idade Moderna[1] que ela conseguiu

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o caráter científico que tem atualmente. Imaginemos que aquele homem do passado
que tínhamos comentando pode ter passado algum tempo observando, a natureza,
seus elementos e o que estava ao seu redor, foi maturando ideias, fazendo associações,
testando e aperfeiçoando o machado ou a canoa etc.
Mas ele talvez não formulasse o problema do que queria fazer, dependendo do tempo
histórico, não tinha informações referenciais sistematizadas sequer oralmente. Ele
sentia a necessidade e como compreendia que por construir algo útil podia construir
outro objeto e mais outro.
Dentro da cultura que tinha sido capaz de desenvolver fazia uma observação e
experimentação (não como a atual em termos de cientificidade), porque a canoa não
podia afundar, mas não com toda a elaboração necessária que entendemos hoje.
Enfim, naquela época não havia um método científico.
Mas de modo rudimentar eles desenvolveram um método, digamos, com os
conhecimentos que dispunham, chegaram a um produto acabado, o machado, a faca
e a canoa, pense que para cada objeto se aplicava um método diferente dos outros.
Foram pequenos passos, mas também significativos para contribuir com a estrutura
da sociedade atual.
Em tempos como aqueles o conhecimento era do senso comum, os seres humanos
iam adquirindo o cotidiano, e experiências se configuraram em um costume, baseado
em experiências e vivências. O conhecimento não tinha maiores elaborações/reflexões
e uma sistematicidade rigorosa, o período evolutivo era outro, com outras necessidades.
Portanto, não havia um acúmulo de saberes organizados e sistematizados com regras
específicas e suficientes para explicar os procedimentos metodológicos explicando
como se elaborou e se chegou a determinado objetivo.

3.1. Uma aproximação conceitual do método científico

O método científico ao contrário do senso comum, é basicamente, é um conjunto


de procedimentos e regras para se realizar uma experiência, para se produzir
conhecimentos. E aperfeiçoar os conhecimentos existentes também. Ele possui regras
e passos sequenciais, são exigência da ciência que possui como objetivo principal
chegar à verdade dos fatos, e requer a sua descrição de como o pesquisador (a)
percorreu aquele caminho e como chegou àquele resultado e a sua verificabilidade.
Poderia o estudante indagar essa exigência.

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No Serviço Social geralmente se parte de um objeto ou uma realidade incrustada


na matéria, na realidade, da qual o pesquisador vai se aproximar, levantar hipótese.
Estudo concluído, deve dizer como conseguiu chegar na resolução pretendida. Para
isso deve ter claro os conhecimentos teóricos e técnicos que utilizará, e como vai se
desenvolver o processo da pesquisa guiado pelo método.
Porque o método exige esse detalhamento e essa precisão de identificar a sequência
lógica e racional das operações mentais e técnicas e manuais que possibilitam a sua
verificação. Em outras palavras, esses procedimentos determinam características
do método que possibilitou chegar a esse conhecimento. GIL, (2008, p.8). Gil segue
na definição de método científico.“Pode-se definir o método como caminho para se
chegar a determinado fim”.
Método científico como o conjunto de procedimentos intelectuais e técnicos adotados
para se atingir o conhecimento” GIL,( 2008, p.8). Tudo isso em um mundo onde as
descobertas devem acompanhar um ritmo de necessidades que por sua vez exigem
métodos mais exatos e precisos.

ANOTE ISSO

O método experimental foi sendo cada vez mais aperfeiçoado (adquirindo mais
rigor) e passou a ser utilizado em diferentes setores. Com o desenvolvimento
do estudo da química e da biologia e, no século XVIII, foi se instalando um
conhecimento mais preciso da estrutura e das funções dos organismos vivos.
Passando para o século seguinte, observou-se uma mudança significativa geral
nas atividades intelectuais e industriais. Novos estudos e novos dados referentes à
evolução, ao átomo, à luz, à eletricidade, ao magnetismo, à energia. Já no final, no
século XX, a ciência, por meio dos seus métodos objetivos e exatos, empreendeu
e ampliou pesquisas em todos os âmbitos do mundo físico e humano, chegando
a resultados de espantosa precisão na área das; navegações espaciais; dos
transplantes e variados setores da realidade (CERVO, 2002).
Artigo científico: Histórico do método científico
Autor: CERVO A L BERVIAN P. A
Link: https://aedmoodle.ufpa.br/pluginfile.php?file=%2F177321%2Fmod_
resource%2Fcontent%2F1%2F3.%20Metodologia%20Cientifica.pdf

É importante frisar que quando se fala em método, cabe esclarecer qual a motivação
real do pesquisador, o porquê daquela escolha, porque seguiu determinados caminhos e

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não outros. Tudo isso determina a escolha de certa forma de fazer ciência. É importante
o pesquisador saber de novas possibilidades, aprofundar o conhecimento, e não se
perder dentro deles pois a pesquisa possui um cronograma e um tempo determinado
para sua conclusão, mas voltaremos nisso mais tarde. Fechando na conceituação de
método científico, trazemos as elaborações de Richardson, ( 2012), apud Lakatos e
Marconi (1982:39-40) que se referem a algumas definições sobre o método científico.

Fonte: Richardson, (2012, p. 21) apud Lakatos e Marconi (1982, p.39-40).

3.2 Como surgiu o método?

A ideia de método é antiga. Demócrito e Platão elaboraram feituras de uma síntese


teórica da experiência obtida na aplicação dos métodos de conhecimento. Arquimedes
também desenvolveu um método para calcular áreas de figuras planas, já Aristóteles
elaborou o método indutivo que possibilita inferir logicamente as características gerais
de um fenômeno RICHARDSON,( 2012).
Galileu Galilei (1564-1642), contribuiu muito para o desenvolvimento da ciência
moderna. Nessa perspectiva ele não aceitava a “observação pura’’ e as conclusões
filosóficas arbitrárias, “Galileu insistia na necessidade de elaborar hipóteses e submetê-
las a provas experimentais”. Assim, dá os primeiros passos para o método científico
moderno.” RICHARDSON, (2012, p.22).
Muitas são as definições sobre métodos, entretanto, de modo geral, o método é
um instrumento do conhecimento que guia os pesquisadores de diferentes áreas do
conhecimento quanto às diretrizes na elaboração da pesquisa. Algo mais abstrato que
é fundamental para orientar a operação e feitura do material da pesquisa.
O método, como tudo que diz respeito à construção do conhecimento, continua
sendo objeto de discussão nas diversas áreas do conhecimento e desenvolvimento,

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os cientistas seguem aprimorando e debatendo a seu respeito. O debate envolve


desde as definições do método, variações conceituais e suas diferentes técnicas, seus
procedimentos e passos etc.
Algumas etapas/ procedimentos do método científico em Richardson

Observação O fundamento do método científico é a observação


do mundo que nos rodeia, na qual incluímos os
sentidos. A observação deve dar abertura para
questionamentos sobre o que, porque e como são
os fenômenos mensuráveis? Se repetem? São
percebidos por outras pessoas.

Formulação de um problema A curiosidade leva a pessoa. Faça perguntas que


possam ser respondidas. As melhores perguntas
devem ser elaboradas utilizando como, e quando.
As perguntas com a expressão por que não têm
uma resposta fácil desenvolvida pelo método
científico.

Informações referenciais O pesquisador deve procurar informações sobre


seu objeto de pesquisa em fontes como os livros,
a Internet, artigos etc.

Hipóteses Basicamente, uma hipótese é uma resposta capaz


de ser testada e fundamentada para uma pergunta
feita referente ao fenômeno/objeto escolhido. O
pesquisador busca na literatura sobre objeto,
conhece cada vez mais o objeto e seleciona o
maior número de conhecimento possível, para
responder ao problema formulado.

Predição É a tentativa de predizer o resultado do teste


de uma hipótese. Se a resposta é correta,
determinadas situações deveriam ter resultados
específicos.

Experimentação É a manipulação e comparação dos resultados.


Basicamente, um experimento é uma ou várias
ações encadeadas a serem cumpridas muito
específicas. 0 experimento é uma manipulação
intencional. Os elementos manipulados são
as variáveis e sempre existe um elemento não
manipulado (elemento controle)

Análises Diz respeito a aceitação ou rejeição da hipótese.


Através desse processo, utilizamos os resultados
para construir, reforçar ou questionar determinada
teoria.
Tabela 3-Procedimentos do método
Algumas etapas/ procedimentos do método
Fonte: Richardson (2012). Adaptado.

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Portanto, como o estudante pode observar, esses procedimentos são característicos


do método científico e estão alinhados com a elaboração da pesquisa e vão tomando
corpo nas etapas da pesquisa desde o início ao final dela. Mais adiante vamos comentar
um pouco mais a respeito de alguns deles. E dizer que os métodos seguem se
desenvolvendo. Porque ciência é um caminhar progressivo, é o resultado de descobertas
ocasionais, nas primeiras etapas históricas, até chegarmos às pesquisas que foram
cada vez mais elaboradas e metódicas, nas etapas seguintes da história.
Desse modo, a ciência é uma das poucas realidades que podem ser legadas às
gerações seguintes. Os homens de cada tempo histórico assimilam os resultados
científicos das gerações passadas, desenvolvendo e ampliando aspectos novos
CERVO, (2020), isso se aplica também ao método científico. O Serviço Social em
suas pesquisas teve outros métodos de prática e de pesquisa que foram suplantados
com a Conceituação e o marxismo, como o método positivista por exemplo.

3. 3. Alguns tipos de métodos científicos

Existem diversos tipos de métodos científicos, e tomam diferentes linhas de


procedimento. Assim o pesquisador pode trilhar diferentes caminhos para realizar
um trabalho com toda objetividade e precisão científica. Essa precisão contribui para
que o conhecimento possa ser considerado científico.
Os diferentes métodos orientam o pesquisador a respeito dos procedimentos lógicos
que o pesquisador precisa seguir no processo de investigação científica dos fatos da
natureza e da sociedade, se for o objetivo da pesquisa RICHARDSON, (2012). “São,
pois, métodos desenvolvidos a partir de elevado grau de abstração, que possibilitam ao
pesquisador decidir acerca do alcance de sua investigação, das regras de explicação
dos fatos e da validade de suas generalizações” GIL, (2008, p.9).
Cada um desses métodos é geralmente ligado a uma das correntes filosóficas que
se propõe a mostrar como se dá o conhecimento da realidade, citaremos depois um
pouco sobre algumas delas. Nos quais já vêm imbuídos a visão e compreensão de
mundo e seus fenômenos, e a partir dessa visão que o pesquisador vai interpretar
determinada realidade ou fenômeno. Nesse quadro, apresentamos do lado esquerdo
e do direito suas respectivas correntes filosóficas às quais são vinculados.

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Métodos científicos Corrente Filosófica

O método dedutivo relaciona-se ao racionalismo

O método indutivo Relaciona-se ao empirismo

o hipotético-dedutivo Relaciona-se ao neopositivismo

O método dialético Relaciona-se ao dialético

o fenomenológico fenomenologia

Fonte: RICHARDSON, (2012). Adaptado

Vamos citar alguns métodos, e para maior aprofundamento deixamos referências


para o estudante conhecer mais.
Método Dedutivo - como o nome sugere, esse método sugere, é um processo de
análise de informação que nos leva a uma conclusão. Nesse caso, usa-se da dedução
para encontrar o resultado final. Esse método possui uma característica importante;
parte de um enunciado geral e, a seguir, desce ao particular GIL,( 2008).

Exemplo: Todo homem é mortal, (premissa maior) ;; Pedro é homem, (premissa


menor) Logo, Pedro é mortal, (conclusão).
Quadro-1 método dedutivo
Fonte: GIL,( 2008, p. 28). Adaptado.

Há críticas quanto ao método dedutivo, uma delas é sobre a proposição de que


todo homem é mortal foi previamente adotada e não pode ser colocada em dúvida
que é a premissa maior dessa afirmação. Também quando se aceita que todo homem
é mortal, colocar o caso particular de Pedro nada adiciona, pois, essa característica
já foi adicionada na premissa maior que é a condição de mortal.
O Serviço Social trabalha com a ideia da unidade na pluralidade (indivíduos famílias)
dentro da unidade social que pode corresponder uma comunidade, um território onde
contempla a pluralidade de gênero, de saberes, de necessidades, faixas etárias, desigual
de classes , esse método tende a generalizar os fenômenos. Muitas são as objeções
dos críticos sobre esse método, protestam que esse raciocínio é similar ao praticado
pelos teólogos, que partem de posições dogmáticas GIL, (2008). Esse método é mais
utilizado nas ciências da natureza, a Física e a Matemática etc.
Nas ciências sociais seu uso é bem mais restrito, em virtude da dificuldade para se
obter argumentos gerais, cuja veracidade não pode ser questionada. As ciências sociais

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e humanas normalmente têm como ponto de partida a dúvida e questionamentos e não


parte de princípios que podem ser discutidos, diferente do método aqui mencionado.
Esse método é da corrente positivismo da qual falaremos um pouco mais adiante.
Método Indutivo – O método Indutivo é o contrário do Método Dedutivo porque faz
o caminho inverso do Método Dedutivo, pois parte do particular e chega ao geral como
um produto posterior do trabalho de coleta de dados particulares. Nessa perspectiva
o raciocínio indutivo, a generalização não é necessariamente uma prioridade.
No entanto, ela deve ser constatada pela observação de casos concretos e
devidamente confirmados dessa realidade. “Constitui o método proposto pelos
empiristas (Bacon, Hobbes, Locke, Hume), para os quais o conhecimento é fundamentado
exclusivamente na experiência, sem levar em consideração princípios preestabelecidos”
GIL, (2008, p. 8).

O método
Fonte: https://www.pexels.com/pt-br/procurar/pesquisa/ Acesso em: 15 de out. 2021.

No Método Indutivo, o ponto de partida é a observação de fatos ou fenômenos


onde a finalidade é se aproximar e conhecer suas particularidades. E na sequência,
procura-se compará-los com o objetivo de descobrir as relações existentes entre eles
GIL, (2008).

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Método Indutivo
Fonte: GIL, (2008). Adaptado.

As conclusões obtidas como verificamos correspondem a uma verdade não contida


nas premissas consideradas, ao contrário do que ocorre com a dedução. Assim por meio
da dedução chega-se a conclusões verdadeiras baseadas em premissas igualmente
reais. Assim, em determinadas pesquisas o Método Indutivo pode levar a generalizações
de casos específicos que nem sempre poderiam ser considerados como verdade e
levantar objeções e questionamentos a respeito da pesquisa. O raciocínio indutivo
influenciou significativamente o pensamento científico, especialmente nas ciências
naturais e posteriormente também nas ciências sociais GIL,( 2008). Esse método é
também fruto da corrente positivista.
Método Dialético - Na antiguidade o conceito de dialética foi utilizado pelo filósofo
Platão como a arte do diálogo. Mais adiante na Idade Média o conceito empregado
para significar lógica. A compreensão da dialética moderna vem de Hegel, e admite
que o processo dialético influencia a propagação da ideia absoluta GIL, (2008). A ideia
de Hegel de dialética é de caráter idealista, quer dizer, admite a hegemonia das ideias
sobre a matéria.
“Essa concepção foi criticada por Karl Marx e Friedrich Engels, que ‘viraram a
dialética de cabeça para baixo’ e apresentaram-na em bases materialistas, ou seja,
admitindo a hegemonia da matéria em relação às ideias” GIL, (2008, p.13). Assim,
com essa inversão, tem-se o materialismo dialético compreendido como um método
de interpretação da realidade, que se fundamenta em três princípios.
Os 3 princípios do Materialismo Histórico Dialético

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Título: Alguns princípios Do Materialismo Dialético


Fonte: Gil, (2008, p.32). Adaptado.

A dialética proporciona fundamentos para uma interpretação dinâmica da realidade


de forma ampla, inicialmente define que os fatos sociais não são desvinculados da
consciência que vai se desenvolvendo no processo condicionado pelas influências
políticas, econômicas, culturais etc. GIL, (2008).
As coisas não existem isoladas umas das outras e independentes, mas como um
todo coeso, isso explica a unidade dos contrários e opostos, como a vida da sociedade
capitalista que é gerada pela classe trabalhadora. Essa relação contraditória se torna
necessária para o modo de produção capitalista se manter. Tudo dentro de uma divisão
de ideias, de classes, poder de compra diferentes para cada classe etc., coexistem,
dentro de uma mesma sociedade em uma unicidade que possui divisões e tensões
referentes a isso.
Assim o trabalhador produz e reproduz o capital; produz e reproduz a classe
capitalista que o personifica, enfim, cria e recria as condições de sua própria dominação”
YAMAMOTO e CARVALHO, (2007, p. 55). São fenômenos que estão ligados e dependem
um do outro para existir e vão se condicionando reciprocamente. Mas a mudança pode
acontecer, e toda mudança e transformação que se processa através das contradições
ou pela negação de uma coisa - essa negação se refere à transformação das coisas.

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“Dito de outra forma, a negação de uma coisa é o ponto de transformação das


coisas em seu contrário. Ora, a negação, por sua vez, é negada. Por isso, diz-se que
a mudança dialética é a negação da negação” MARCONI; LAKATOS,( 2003, p.102).
Um exemplo desta categoria na prática, quanto a classe trabalhadora que contribui
para a lucratividade da classe capitalista e reproduz o modo de vida e ideias burguesas.
Pode negar essa condição, se organizar para criar as condições favoráveis para romper
com a exploração e essa alienação. E tudo isso envolve movimento que diz respeito
às consciências que vão atuar na matéria, nas condições concretas da estrutura
econômica, política e social.
Nesse método os fenômenos não são analisados do ponto de vista estático ou fixo,
porque estão em constante movimento, e nenhuma coisa está finalizada, encontrando-
se sempre em vias de se transformar, desenvolver; o fim de um ciclo é sempre o
começo de um novo MARCONI; LAKATOS, (). A sociedade e seus elementos envolvem;
construção, mudança e transformação.
Sobre quantidade e qualidade “Trata-se aqui de analisar a mudança contínua, lenta
ou descontínua, através de “saltos” Marconi; Lakatos, (2003, p.103), apud Engels (ln:
Politzer, 1979:255) afirma que, “em certos graus de mudança quantitativa, produz-se,
subitamente, uma conversão qualitativa”.
Essa mudança qualitativa pode se aplicar a classe trabalhadora na fase da negação
descobre o efeito da mistificação que a condicionava a produzir e reproduzir uma
consciência, um padrão de reprodução que os explorava e aprisiona suas consciências.
Agindo ao contrário daquela situação (negando e atuando contra) acontece a mudança
qualitativa.
A dialética prioriza as mudanças qualitativas, contrapõe-se a qualquer modo de
pensar em que a ordem quantitativa se torne norma. Desse modo, as pesquisas que
utilizam esse método distinguem-se bastante das pesquisas fundamentadas na óptica
positivista, que enfatiza os procedimentos quantitativos GIL, (2008). Método Hipotético-
dedutivo – Esse método basicamente se explica assim, a partir do surgimento de um
problema e na tentativa de resolvê-lo, efetua-se o teste pela observação e experimentação.
O Método Hipotético-dedutivo-> é o método da tentativa e erro. Sua utilização ajuda
a identificar os erros da hipótese para a seguinte correção. Não imuniza a hipótese
contra a rejeição, mas, ao contrário, oportuniza todas as condições para, se não for
correta, que seja refutada.

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Um exemplo mais próximo da realidade para o Método Hipotético-dedutivo temos


por a afirmação de que todos os condutores de transporte coletivo possuem habilitação,
seria nesse caso verificar cada motorista individual possível desde os tempos remotos
até a atualidade.
EXPECTATIVAS OU CONHECIMENTO->PROBLEMAS->CONJECTURAS->FALSEAMENTO
Esses são os momentos do processo investigativo no Método Hipotético-dedutivo:
(Marconi; Lakatos, 2003)
Nesses momentos no processo investigatório o método na pesquisa é aplicado
não difere da explicação acima. Em primeiro momento surge um problema no Serviço
Social pode ser o problema de convivência Intergeracional de diferentes gerações
familiares convivendo no mesmo teto por exemplo. Problemas que surgem, em geral,
de conflitos diante de expectativas e teorias já elaboradas; nesse caso os conflitos
se apresentaram no serviço de proteção e convivência Intergeracional da proteção
Social Básica, suponhamos.
Diante disso o Serviço Social e equipe procurará elaborar uma solução através de
uma conjectura (nova teoria); “dedução de consequências na forma de proposições
passíveis de teste” MARCONI; LAKATOS, (2003, p.95). Pode ser uma pesquisa de
ação que envolva encontros e eventos duas vezes por semana com os públicos da
pesquisa por um mês e vão surgindo problemas que consistem em ideias do senso
comum de preconceitos e estereótipos de um grupo com o outro.
Na fase final acontecem os testes de falseamento: tentativas de refutação, entre
outros meios, pela observação e experimentação” MARCONI; LAKATOS, (2003, p.95),
apud (Poper). Ou seja, haverá contraposições para testar a veracidade do resultado do
que foi encontrado. Digamos que os problemas foram levantados e trabalhados, nessa
fase a divisão do público em grupos que mesclavam idosos e crianças e adolescentes,
e no final todos os grupos apresentavam os levantamentos e reflexões e soluções
para os demais grupos. Com a condução do Serviço Social e equipe o problema foi
resolvido. Esse caso não é uma pesquisa científica de fato, mas uma aproximação
distante.
Nesse caso a hipótese foi confinada ao menos naquele momento provisoriamente. O
método hipotético-dedutivo é bem aceito no campo das ciências naturais. Nos círculos
neopositivistas chega mesmo a ser considerado como o único método rigorosamente
lógico. Nas ciências sociais, entretanto, a utilização desse método mostra-se bastante
crítica” GIL,( 2008, p.13).

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Método Fenomenológico: a fenomenologia estuda a essência e a manifestação


das coisas dos fenômenos fundamentalmente através dos sentidos. O método
fenomenológico foi introduzido por Edmund Husserl (1859-1938). A fenomenologia
não se preocupa, pois, com algo desconhecido que se encontre atrás do fenômeno;
só visa o dado, sem querer decidir se este dado é uma realidade ou uma aparência.
GIL, (2008, p.33). haja o que houver, a coisa está ai dada.
Consequentemente, a finalidade do Método fenomenológico é como, as coisas
realmente são e como se manifestam aos sentidos, sem a preocupação com esses
fenômenos a partir de leis. O referido método não capta as informações a partir de
princípios, apenas parte do que está de imediato na consciência: o fenômeno como
ele realmente é. Assim não utiliza técnicas estruturadas de coleta de dados.

Alguns princípios da fenomenologia


Fonte: GIL, (2008,). Adaptado.

Quanto à subjetividade, o método leva em consideração inicialmente o que está


presente na consciência dos pesquisados. Assim o mundo que existe não importa,
“nem o conceito subjetivo, nem uma atividade do sujeito, mas sim o modo como o
conhecimento do mundo se dá, tem lugar, se realiza para cada pessoa” GIL, (2008,
p.14). Desse modo, “o objeto de conhecimento para a Fenomenologia não é o sujeito
nem o mundo, mas o mundo enquanto é vivido pelo sujeito” GIL, (2008, p.14).
Assim, o método Fenomenológico visa analisar o fenômeno contemplando sua
totalidade direta, sem a intervenção de conceitos anteriormente definidos. Isso também
significa não utilizar um quadro teórico prévio que enquadre as aplicações sobre o
fenômeno. O Método Fenomenológico descreve as experiências como os indivíduos

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as apresentam , sem considerar seus aspectos psicológicos e as devidas explicações


que os especialistas podem elaborar. As técnicas de pesquisa mais utilizadas com
esse método são de natureza qualitativa e não estruturada GIL, (2008).
Deixamos mais algumas citações de outros métodos científicos.
Outros métodos científicos de modo geral:
Método Histórico Esse método propõe reconstruir o passado, especialmente com uma hipótese
sustentável. O pesquisador aplica esse método geralmente no conhecimento de
modos de vida social, as suas representações que podem ser as instituições,
os costumes. Importa conhecer o passado, suas raízes, para compreender sua
natureza e função e assim verificar a sua influência desses fenômenos ou objetos
nos dias atuais.
Método comparativo Empregado por Taylor, realiza comparações com o objetivo de verificar
semelhanças e levantar divergências para compreender o comportamento
humano. Mediante faz uso de dados e a partir deles deduz elementos abstratos
e genéricos. Podendo ser utilizado em todas as fases e níveis da investigação,
é utilizado para comparações de grupos no presente, no passado, ou atuais , e
também entre sociedades de iguais ou de diferentes estágios de desenvolvimento
entre outros.
• Método Estatístico É um método de análise, planejado por dados que permite obter de conjuntos
complexos, representações simples e constatar se essas verificações
simplificadas têm relações entre si. Quando, a partir de uma amostragem ou
de um caso particular, fazem-se generalizações, tem-se a probabilidade e não
a certeza da ocorrência de tal fenômeno
Método Monográfico O método foi elaborado por Le Play, que o utilizou para estudar famílias
operárias na Europa. O método compreende que qualquer caso que se estude
em profundidade pode ser representativo de muitos outros casos e também
de casos semelhantes. Nesse sentido o método, pode ser aplicado para o
estudo de indivíduos, profissões específicas, condições, instituições, grupos ou
comunidades. Objetivando- se de obter generalizações. Estudo de determinados
grupos indígenas rurais ou urbanos; o papel social da mulher ; ou dos idosos
na sociedade, entre outros.
Método funcionalista Utilizado por Malinowski. É mais utilizado para interpretação do que de
investigação. O método parte do pressuposto de que a sociedade é formada
por partes componentes, diferentes, inter-relacionadas e interdependentes, onde
cada uma desempenha funções essenciais da vida social, e que as partes são
mais bem entendidas. Desse modo as funções que desempenham no todo. O
método funcionalista estuda a sociedade do ponto de vista da função de suas
unidades, não em sua totalidade. Por exemplo, a sociedade é compreendida
como uma estrutura complexa de grupos ou indivíduos, juntos nas suas ações
e reações sociais; do outro lado há o sistema de instituições correlacionadas
entre si, agindo e reagindo umas em relação às outras. Portanto a sociedade é
um todo em funcionamento, um sistema em operação. E as partes nesse todo
são compreendidas como Junções no complexo de estrutura e organização.
Tabela 5- Outros métodos
Fonte: MARCONI; LAKATOS,( 2003) Adaptado.

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3. 4 Método é o mesmo que metodologia?

O método significa o caminho ou a forma para se chegar a determinado objetivo.


Enquanto a metodologia expressa os procedimentos e regras utilizadas por determinado
método, portanto são, regras estabelecidas para o método científico. Como pudemos
observar nas colaborações que apresentamos.
O método científico é com um telescópio; com variadas lentes com suas aberturas
e “distâncias produzirão formas diversas de ver a natureza, O uso de apenas uma
vista não oferecerá uma representação adequada do espaço total que desejamos
compreender” RICHARDSON, (2012, p.32).
Há ainda muitos outros métodos científicos e nesse momento outros podem
estar sendo testados. Eles são fundamentais na pesquisa científica pois objetivam
proporcionar ao investigador, os meios técnicos para garantir a objetividade e a precisão
no estudo dos fatos sociais, para um melhor aprofundamento deixaremos indicação
de leituras do tema.
Os métodos não são totalmente confiáveis, todos possuem suas vantagens e
desvantagens, mas isso não retira o valor de cada, no entanto há métodos que se
adequam mais a determinadas realidades ou áreas do conhecimento que outros.
Nessa aula fizemos uma aproximação sucinta sobre o conceito de método e sua
evolução da sociedade primitiva até a atualidade na história. Apresentamos alguns
exemplos de alguns métodos científicos procurando relacionar a questão histórica
e o desenvolvimento de modo geral. Como estávamos falando de métodos, que são
indispensáveis nas pesquisas , agora vamos falar um pouco mais sobre a pesquisa
e sua classificação.

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AULA 4
TIPOLOGIA DA PESQUISA

Olá, estudantes! Nesta aula estudaremos a classificação das pesquisas quanto


a sua abordagem, sua natureza, objetivo e procedimento e quanto ao seu método.
Citaremos ainda algumas particularidades mais específicas das pesquisas explicativas,
exploratórias e descritivas .
É importante o estudante (a) compreender que nas ciências sociais em relação a
classificação a sua abordagem, finalidade, o que ela pretende, meios com os quais
vai se fazer a pesquisa, métodos com os quais vai desenvolver etc. Muito de tudo
isso vai está direcionado a áreas de estudo do pesquisador/a com vistas à solução
de reconhecidos problemas práticos que pretende resolver.
Por exemplo, alguém que estude matemática ou física, pode realizar uma pesquisa
qualitativa ou quanti-qualitativa[1], isso às vezes vai depender do objeto da pesquisa,
o que o pesquisador pretende mostrar com a pesquisa e isso pode contemplar ou
não nas duas abordagens.
Pode também se fazer uma pesquisa multidisciplinar onde duas áreas distintas
possam se debruçar sobre determinado fenômeno ou objeto e ampliar as possibilidades
de construção do conhecimento o que possibilita novas aproximações e reflexões de
uma realidade por mais de uma área de investigação.
As áreas de ciências sociais e humanas geralmente tendem a realizar boa parte das
suas pesquisas de caráter qualitativo, como o Serviço Social, pois está mais de acordo
com a sua área de conhecimento, direcionada à obtenção de conhecimentos visando
conhecer, aprofundar e resolver determinados problemas em determinada situação.

4.1. Quanto à classificação da Pesquisa:

Há quase unanimidade quanto a essa classificação nas pesquisas algumas


diferenciações quando se trata da classificação da pesquisa. Marconi e Lakatos (1996)
definem que tais critérios de classificação na visão dos teóricos vão depender dos
tipos de pesquisa, do enfoque dado pelo autor à pesquisa que pode estar relacionado

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também aos interesses, condições metodologias, situações, objetivos, objetos de


estudo, etc.
Quanto à classificação das pesquisas, segundo Gil (2010, p. 26) apud ( KINCHESCKI)
apresentam-se de diferentes maneiras, devido a especificidade de cada uma. Neste
caso, acha prudente correlacionar a pesquisa com a área de conhecimento de acordo
com os termos estabelecidos pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico
e Tecnológico – CNPq.
Assim se justifica que as diferentes pesquisas possuem tenham objetivos diferentes
e maneiras, particulares de se constituírem, dentro do seu campo delimitado e de
suas especificidades de natureza ou origem, abordagem, procedimentos, métodos
etc. que as diferenciam.
Quanto à ABORDAGEM as pesquisas se dividem em quantitativa, qualitativa e quanti-
qualitativa. Ou seja, diz respeito ao que ela vai englobar de forma mais ampla. Envolve
a sua perspectiva de visão, interpretação e análise vão estar ligadas e assim vem a
sua definição que se divide em:
A pesquisa quantitativa – esse tipo de pesquisa compreende que é possível medir
ou quantificar um determinado fenômeno. Esse tipo de pesquisa admite elementos
quantificáveis, estatística.Nesse tipo de pesquisa o pesquisador age mais com a
observação e ao contrário da pesquisa qualitativa, não pode analisar os fatos de
forma subjetiva.
Então possui como característica de destaque além das que mencionamos, a
objetividade. “A objetividade [...] tem a utilização e aplicação de modelos matemáticos
e a estatística para análise dos seus resultados independentes de como eles foram
obtidos; deste ensaio de laboratório, questionário ou entrevista que envolva variáveis
quantificáveis CASARIN; CASARIN, (2012).
Falaremos mais adiante um pouco mais sobre esse tipo de pesquisa, que é pouco
utilizada pelo Serviço Social mas seus dados fazem diferença nas explicações e
interpretações de fatos reais e fenômenos, que ela os representa numericamente.
A pesquisa qualitativa. ao contrário da pesquisa quantitativa, a pesquisa qualitativa
é um tipo de pesquisa que dialoga com a subjetividade do indivíduo, parte da sua
interpretação de mundo, onde suas narrativas são valorizadas e utilizadas por meio
de vários métodos e técnicas que coloca o sujeito na centralidade do processo de
pesquisa.

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Portanto, a pesquisa qualitativa valoriza e dá voz ao sujeito, assim ele pode expressar
sua história, seus valores e crenças e experiências, enfim. Em virtude disso, esse tipo
de pesquisa, de acordo com MINAYO, (2009), responde a questões bem particulares.
A pesquisa qualitativa compreende que não há como traduzir em números e
indicadores quantitativos o contexto das relações humanas, de suas representações,
significados e intencionalidades, emoções, sentimentos etc.
Desse modo, valoriza a subjetividade e a sua diversidade como elemento importante
nas suas análises dos dados. Os instrumentos mais comuns para coleta de dados
nesse tipo de pesquisa são: observação, entrevista, estudos de caso, grupos focais,
etnografia. Voltaremos a falar um pouco mais sobre esse tipo de pesquisa e também
suas fases, pelo fato de que é mais utilizada no Serviço Social.
Quanti-qualitativa. Esse tipo de pesquisa permite o cruzamento dos dados das
pesquisas qualitativa e quantitativa, ou pode ter uma parte de levantamento de dados
e outra e também a conjectura das eventuais causas dos resultados que foram
obtidos. Isso é o que é pesquisa quali-quantitativa.

4.2 A pesquisa quanto à sua natureza

A pesquisa pura, ou básica busca o progresso da ciência, objetivando desenvolver


os conhecimentos científicos sem se preocupar diretamente com suas aplicações
e consequências práticas. Seu desenvolvimento tende a ser bastante formalizado e
objetiva a generalização, com vistas na construção de teorias e leis”. Gil (2010, p.42).
A pesquisa aplicada, por sua vez, possui vários pontos de contato com a pesquisa pura,
de acordo com Gil (2010) especialmente porque esta utiliza a produção de descobertas
da pesquisa pura. Seu objetivo maior é para o desenvolvimento de teorias de valor
universal e menos com a aplicação imediata numa realidade circunstancial. Desse
modo é este o tipo de pesquisa está mais relacionado a produção de conhecimento
dos psicólogos, sociólogos, economistas, assistentes sociais e outros pesquisadores
sociais.
Conforme a expansão das pesquisas, tanto básica como aplicadas, novos sistemas
de classificação foram definidos, segundo Gil (2010) , como a Pesquisa básica pura,
utilizadas somente à ampliação do conhecimento;

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Pesquisa básica estratégica, são caracterizadas pela aquisição “de novos


conhecimentos direcionados a amplas áreas com vistas à solução de reconhecidos
problemas práticos”.
Desenvolvimento Experimental, essa pesquisa envolve um trabalho rigoroso, e faz
uso de conhecimentos da pesquisa ou experiência prática seu propósito e à produção
de novos materiais, equipamentos, políticas e comportamentos etc..
A Pesquisa descritiva, está direcionada a descrever “as características de determinada
população ou fenômeno’’, além de “identificar possíveis relações entre variáveis”
(FACHIM, 2010, p.)
A pesquisa bibliográfica como sendo a mais importante no trajeto da pesquisa,
constitui o ato de ler, selecionar, fichar, organizar, compreender.
A pesquisa de laboratório caracteriza-se como conhecimento experimental, enquanto
que a pesquisa de campo “que se realiza com o fato social situado em seu contexto
natural”. Vergara (2013) classifica os tipos de pesquisa quanto aos meios e quanto
aos fins”(ALVES; FERNANDES 2014).

4.3 Quanto à finalidade da pesquisa

Tipos de pesquisas quanto à finalidade ou objetivos

Exploratória tem pouco ou nenhum conhecimento sobre a realidade ou fenômeno

Descritiva descreve determinado objeto, realidade ou população

Explicativa explicar determinado fenômeno objeto ou realidade

Intervencionista resolver o problema

Metodológica Sua base é a construção de um caminho ou modelo

Aplicada Resolução de problemas existentes


Quadro 2 - Quanto à finalidade
Fonte: Alves e Fernandes (2014) adaptado.

Já falamos dessas pesquisas anteriormente, deixamos mais uma de modo bem


sintético.

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4.4 Pesquisa quanto aos procedimentos da pesquisa

É a pesquisa feita no local da ação e suas investigações são realizadas


Pesquisa de Campo através da coleta de dados junto às pessoas, e acrescentando à pesquisa
bibliográfica e/ou documental.

Executada em ambiente controlado como laboratórios, com métodos e


Pesquisa experimental
técnicas que podem vão dizer como aquele fenômeno acontece.

Realizada a partir de material já publicado, livros, artigos, dissertações,


Pesquisa bibliográfica teses, revistas etc. Essa pesquisa é para consolidar o conhecimento já
produzido. Geralmente é o primeiro estudo que fazemos. Como um TCC.

É feita após o fato já ocorrido. Por exemplo. Fazer uma pesquisa sobre a
tragédia de Mariana-MG, seu saldo negativo, o impacto no meio ambiente
Pesquisa ex post facto
e na vida das pessoas etc, ou para avaliar o final de um governo e suas
ações etc.

O pesquisador está inserido na realidade da pesquisa, interfere na realidade


Pesquisa participante
da situação da pesquisa.

Participação através da intervenção em determinada realidade e transformá-


Pesquisa-ação
la.

É feita com análise e observação em ambientes controlados especialmente


Pesquisa experimental
realizados em laboratórios.

Parte de documentos, dados censitários, fotografias , filmes que ainda


Pesquisa documental
não foram pesquisados.

Pesquisa um indivíduo grupo menor e específico, projetos, programas ,


Estudo de caso uma instituição , tem como objetivo conhecer com profundidade a situação
pesquisada.

Objetiva pesquisar, observar determinado tipo de população ou pessoa e


Pesquisa etnográfica
saber porque ela age de determinada maneira.
Tabela 6- pesquisa quanto aos procedimentos
Fonte: adaptado de Vergara (2013)

4.5 Quanto ao método da pesquisa

Quanto ao método as pesquisas podem ser:método indutivo, dedutivo, e hipotético


dedutivo. O método é um instrumento do conhecimento que possibilita aos
pesquisadores nortear as diretrizes para ordenação da pesquisa. Temos estudado
que nos primórdios da humanidade, o método científico é utilizado para explicar os
diversos fenômenos, quais sejam: da natureza, sociais, econômicos etc.

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Foi um dos elementos que contribuiu na história humana para que o homem
conhecesse e dominasse a natureza e compreendesse como se movimentar no
seu interior para garantir sua estadia na terra e das suas gerações. Essas foram
aprimorando. Vimos que são variados métodos hoje na ciência e suas definições
são diferentes, as técnicas, a maneira de executá-los , mas são fundamentais para
a resolução de problemas cotidianos.
Nesse caso a abordagem da pesquisa quanto à metodologia/método que o
estudante/a utilizará, e como o estudante já conhece há muitos métodos, temos os
seguintes métodos. Mas vamos apenas relembrar sobre o método e metodologia,
Vimos que o método é o caminho, maneira para se chegar a determinado objetivo,
seguindo um encadeamento de procedimentos e regras que são definidos pela
metodologia e são utilizadas por determinado método.
Fachim (2001) por KINCHESCKI (2015) definem que o método é o instrumento do
conhecimento que auxilia aos pesquisadores e dá orientação desde o planejamento da
pesquisa e seguindo todas as suas fases desde a formulação de hipóteses, coordenação
das investigações, realização das experiências e a interpretação dos dados etc.
Há outros métodos, como o hipotético-dedutivo, e abordamos alguns deles.
Falaremos brevemente de algumas pesquisas de forma geral e daremos mais enfoque
a pesquisa qualitativa porque é a mais utilizada nas ciências sociais e no Serviço
Social. Apenas lembrando alguns tipos de métodos e seguiremos com as pesquisas
exploratórias, descritivas e explicativas.

Dedutivo

Métodos científicos
Fonte: Elaboração própria

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Gil (2008) afirma que com base em Duverger (1962) e Selltiz et al. (1967) , sobre
o agrupamento das pesquisas em grandes grupamentos e define três níveis de
pesquisa: descrição, classificação e explicação. Dispondo assim as pesquisas em três
grupos: estudos exploratórios, estudos descritivos e estudos que verificam hipóteses
causais. Gil (2008) informa que essa última é a classificação mais aceita na atualidade
conforme a alteração de nomenclatura:
Vamos explorar um pouco mais sobre elas, as mencionamos quanto a sua finalidade,
aqui estamos destacando enquanto níveis de pesquisa, mas enquanto finalidade elas
estão classificadas conforme os seus objetivos.

Pesquisas exploratórias

Estas pesquisas se propõem a proporcionar maior proximidade com o problema,


e assim com conhecimento mais aprofundado obter mais direcionamento e clareza
para constituir hipóteses,como já mencionamos. As pesquisas exploratórias visam
especialmente o aperfeiçoamento de ideias ou a descoberta de intuições. A elaboração
e planejamento, costuma ser bem flexível, sendo assim possibilita levar em conta os
diversos aspectos referentes ao fato estudado (GIL, 2002).
De modo geral, as pesquisas exploratórias fazem investigações que envolvem: “(a)
levantamento bibliográfico; (b) entrevistas com pessoas que tiveram experiências
práticas com o problema pesquisado; e (c) análise de exemplos que “estimulem a
compreensão” (SELLTIZ et al.1967, p. 63, apud Gil,2002, p. 41).
As pesquisas exploratórias possibilitam ao investigador (a) ampliar sua experiência
sobre uma dada realidade problema. O pesquisador parte de uma hipótese e aprofunda
seus conhecimentos nos limites de uma determinada realidade, como a própria
designação da pesquisa já define (TRIVIÑOS, 1987).

Aprofundando a realidade
Fonte: https://www.pexels.com/pt-br/procurar/pesquisa%20exploratoria/ Acesso em: 19 de out. 2021.

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O estudante vai interpretar a realidade ou objeto partir de um embasamento teórico,


um método de pesquisa e utilizar os instrumentos que se adequarem mais aos seus
objetivos e propostos, para compreender a realidade e resolver o problema, portanto,
uma pesquisa rigorosa na questão da cientificidade. “Este tipo de investigação, por
exemplo, não exime a revisão da literatura, as entrevistas, o emprego de questionários
etc., tudo dentro de um esquema elaborado com a severidade característica de um
trabalho científico (TRIVIÑOS, 1987, p. 110).

Pesquisas descritivas

Esse tipo de estudo, conforme a sua designação, descreve uma determinada realidade,
objeto, que pode ser as características de determinada população, suas particularidades,
características, seus problemas, hábitos, instituições, líderes, cultura, valores, sua
preparação para o trabalho, seus valores, os problemas principais problemas etc.
Geralmente são mais comuns nos TCCs, dissertações, artigos etc. Sendo assim o
pesquisador vai necessitar de todas as informações possíveis a respeito do que deseja
pesquisar. Selecionando cuidadosamente o que vem de encontro aos seus objetivos.
Por exemplo, se um pesquisador (a) deseja pesquisar sobre os interesses de formação
e aperfeiçoamento dos Assistentes Sociais docentes de uma faculdade de ensino do
campo, ele deve saber o tipo de regime de trabalho dos docentes. (TRIVIÑOS,1987).
Ainda, diferentes tipos de campus, e a distribuição dos professores. Elementos
como idade, sexo, estado civil etc. O estudo descritivo objetivo descreve com precisão
exata os fatos e fenômenos da realidade ou objeto estudado. Como essa realidade
que estamos mencionando, o pesquisador deve contemplar muitos elementos, alguns
como:

Os níveis de formação, Distribuição dos professores


Professores ,concursados tipo
especialistas, mestres, no ensino pesquisa e
de contrato, regime
doutores, extensão.

Como os professores se
Elementos como a idade, de
distribuem no ensino pesquisa
sexo, do estado civil
e extensão

Tabela 7 - fenômenos da realidade


Fonte: Triviños (1987).

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Feito a ordenação e classificação dos dados, o pesquisador (a) pode estabelecer


“relações entre variáveis”. Por exemplo, há relação entre os cursos de graduação de
Serviço Social e o curso de Sociologia, com o mestrado e o doutorado nas mesmas
áreas e as aspirações de aperfeiçoamento dos professores? (TRIVIÑOS,1987).
O regime de trabalho dos professores vem de encontro aos seus interesses e
pretensões de aperfeiçoamento? Estar inserido na Educação do Campo se relaciona
com as aspirações de aperfeiçoamento dos professores? (TRIVIÑOS,1987). Este
tipo de estudo se denomina estudo descritivo e correlacional, quando se estabelecem
relações entre variáveis. Outros estudos descritivos se denominam “estudos de casos”
(TRIVIÑOS,1987).
Observamos que a pesquisa descritiva ou estudo descritivo, geralmente, parte de
uma realidade ampla para depois ir delimitando e sempre se aproximando mais do seu
objeto de pesquisa. A se o contexto de pesquisa do pesquisador for a realidade social,
o pesquisador deve se preparar para acolher as contínuas mudanças da realidade no
qual o objeto está inserido.
Por exemplo, caso o pesquisador retorne daqui a 3 ou 5 anos aproximadamente, na
realidade de pesquisa dos professores do campo, alguns professores já aposentaram,
outros possuem outros pontos de vista com relação às mesmas perguntas, outros
faleceram, alguns podem estar participando de pesquisas em outros países etc.

Pesquisas explicativas

As pesquisas explicativas visam principalmente identificar os fatores que determinam


ou contribuem para sua ocorrência e o porquê das coisas. Sendo assim adentram
mais o conhecimento da realidade, porque explica a sua razão, sentido dessas coisas
etc. (GIL, 2002).
Para atingir seus objetivos, que normalmente é o que está ocorrendo dentro de
determinada realidade, esse tipo de pesquisa costuma ser mais criteriosa e complexa,
para não cometer erros que possam a comprometer (GIL,2002).
Para evitar problemas na elaboração da pesquisa descritiva, geralmente se faz
uso de “técnicas padronizadas de coleta de dados, tais como o questionário e a
observação sistemática” (GIL, 2002, p.42). Pode-se dizer que o conhecimento científico
está assentado nos resultados oferecidos pelos estudos explicativos, a pesquisa pode

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se originar a partir de outra pesquisa, neste caso uma mais abrangente, com enfoques
diferentes.

Maior conhecimento sobre determinado fenômeno


Fonte: https://www.pexels.com/pt-br/foto/homem-senior-concentrado-escrevendo-no-bloco-de-notas-378 3052/ Acesso em: 19 de out. 2021.

Pois para o conhecimento profundo de determinada realidade ou objeto, exige-se que


ele esteja bem esquadrinhado e detalhado, e muito bem descrito que possa identificar
as causas daquele objeto. O conhecimento científico está firmado nos resultados
produzidos das pesquisas explicativas. (GIL, 2002, p.42). Mas isso não determina que
as pesquisas exploratórias e descritivas tenham valor inferior, pois, geralmente elas
são o ponto de partida fundamental na obtenção de explicações científicas.
Nesta aula estudamos alguns tipos de pesquisas quanto a sua classificação, isso é
importante o estudante já ter uma noção para direcionar que tipo de leitura e material
selecionar. importante para alcançar os propósitos da pesquisa. Posteriormente já irá
fazendo análises e leituras mais seletivas, ou seja, uma leitura mais aprofundada das
partes que realmente interessam ao objetivo da pesquisa conforme a sua tipologia.
Na próxima nos aproximarmos um pouco mais da pesquisa qualitativa e suas fases
e mencionaremos a pesquisa quantitativas.

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AULA 5
A PESQUISA QUALITATIVA-
SEUS FUNDAMENTOS/FASES
E A PESQUISA QUANTITATIVA

Caro estudante, nesta aula aprofundaremos um pouco mais sobre a pesquisa


qualitativa e suas fases metodológicas para a sua construção. iniciaremos com a
sua conceituação, traremos ainda um pouco das suas principais características de
modo geral e finalizamos com um breve apanhado sobre a pesquisa quantitativa.
As pesquisas no Serviço Social como sabemos geralmente nascem de motivações
que vieram da prática profissional no sentido assegura MARTINELLI, (2012), é pela
prática que pesquisamos para tornar mais eficazes nossa intervenção que já temos
e produzir novas práticas, alinhadas com as demandas postas na realidade.
A professora Martinelli, afirma que não devemos intervir na realidade apenas com
práticas prontas e acabadas, modelos que podem não estar de acordo com as reais
necessidades e carências socialmente reproduzidos.
“Se aceitarmos essa premissa e dela, se dela partilharmos , torna-se imperiosa a
necessidade da pesquisa. Pois não teremos como produzir práticas novas somente
com a reprodução do já produzido `` MARTINELLI’’ (2012, p.17).
O Assistente Social/a trabalha no contexto das contradições e é exatamente por
essas contradições que se manifestam na prática desse/a trabalhador/a que deve está
com os olhos no presente MARTINELLI, (2012) Procurando ver também a demanda do
momento atual, se na sua pesquisa o que ele/a fórmula como problema se evidencia
na área social.
Assim, de onde estamos localizados, devemos redefinir novos caminhos
possíveis,dentro da investigação científica, com base na historicidade, na ética e
colaboração pois não se faz pesquisa, especialmente qualitativa sem outras mãos e
outras mentes, somados ao do pesquisador.
Porque se não for assim a pesquisa não acontece? Acontece sim. Mas não com a
solidariedade, as dádivas, as trocas e os diálogos tão necessários nessa construção.
A pesquisa qualitativa dependendo do seu objetivo e direcionamento exige diálogo e
interações e assim nos situamos nas demandas atuais e as contradições por outras
experiências, visões e perspectivas.

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5.1 O que é pesquisa qualitativa?

A pesquisa qualitativa é caracterizada pelo seu objetivo e tentativa de uma


“compreensão detalhada dos significados e características situacionais apresentadas
pelos entrevistados, em lugar da produção de medidas quantitativas de características
ou comportamentos” RICHARDSON, (2012, p. 90).
Então a pesquisa qualitativa dialoga com a subjetividade do indivíduo, parte da
sua interpretação de mundo, dando destaque suas narrativas que são valorizadas e
utilizadas por meio de vários métodos e técnicas que colocam o sujeito na centralidade
do processo de pesquisa.
O sujeito está nesse tipo de pesquisa, põe em evidência com suas manifestações
(...)não desconectamos esse sujeito da sua estrutura,buscamos entender os fatos a
partir da interpretação que faz dos mesmos em sua vivência cotidiana” MARTINELLI(
2012, p.24).
Portanto a pesquisa qualitativa valoriza e dá voz ao sujeito, assim ele pode expressar
sua história, seus valores e crenças e experiências que servirão de elementos para a
pesquisa. Em virtude disso, de acordo com Minayo (2009), essa característica responde
a questões bem particulares.

ESTÁ NA REDE

Vídeo: O que é pesquisa qualitativa// na prática


Link: https://www.youtube.com/watch?v=TxlJ33Otovo
Descrição: O vídeo conceitua a pesquisa qualitativa, sugere exemplos mais
próximos da realidade com a pesquisa qualitativa, coletas de dados desse tipo de
pesquisa. E ainda passa alguns exemplos de formas de análises de dados.

Concluindo a autora afirma que o indivíduo não se traduz apenas pelo seu agir,
pelo seu pensamento e suas ações, mas sobretudo pelo pensar sobre suas ações e
deve-se interpretá-las inserido na realidade que vive e com os fenômenos do contexto.
Mas as falas e manifestações e experiências de modo são algo mais do senso
comum e empírico? O estudante deve se perguntar, mas deve lembrar que no início
dos seus estudos, aprendendo sobre alguns conhecimento que não são científicos, a
ciência pode pesquisá-los com todo o rigor que ela exige.
Um material de ordem primária que se manifesta na linguagem e possibilita o
entendimento humano, assim é a utilização do senso comum na pesquisa qualitativa

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empírica Costa; Minayo (2018) afirma que é um procedimento correto, pois sobre o
mundo da vida tais estudos se realizam.
Esse reconhecimento parte do princípio de que no mundo da vida, cada pessoa
dispõe de um agrupamento de conhecimentos e experiências, “produto de seu modo
de pensar, sentir, comportar-se e relacionar-se Esse saber prático orienta a forma
de enfrentar problemas, planejar o dia a dia e projetar o futuro” Schütz, (1982) apud
Minayo, (2009, p. 148).
A pesquisa qualitativa procura se aproximar do todo que compõe a produção humana
resumido no mundo das relações sociais, das representações e da intencionalidade,
desse modo objeto da pesquisa qualitativa dificilmente pode ser traduzido em números
e indicadores. (...) MINAYO, (2009, p. 21) e essa construção requer rigor e objetividade.
A objetividade é algo recorrente e debatida pelos pesquisadores da pesquisa
qualitativa. Mesmo que o objeto contemple a neutralidade pode ser considerada um
mito, mas as ações humanas e isso inclui a pesquisa, se originam de um sujeito, suas
escolhas, suas referências etc.
Se originam em muitos casos de seu projeto de vida. “No entanto, nas ciências naturais
e exatas, o termo “objetividade” costuma ser utilizado no sentido de distanciamento
metodológico” COSTA e MINAYO, (2018, p. 150).
Os autores citados concluem que há grande diferença com os estudos qualitativos
em que sujeito e objeto (que também é sujeito) estão em dialética interação, nisso
está o sucesso das pesquisas empíricas depende intrinsecamente da capacidade de
entendimento do outro, o que se dá por aproximação BACHELARD, (1969) apud COSTA
e MINAYO, (2018) e não por distanciamento.

Pesquisa qualitativa o foco no indivíduo


Fonte:https://pixabay.com/pt/illustrations/indiv%c3%adduo-pessoas-lupa-exame-513142.

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Nessa aproximação, a empatia é fundamental MINAYO, (2015) apud COSTA; MINAYO,


(2018) afirma que uma aproximação mais profunda pode dificultar o teste de hipóteses,
também, possibilitar revelar os códigos do grupo e seus significados mais particulares.
Demo (2008) apud Costa e Minayo (2018 ) compreendem esse processo como uma
objetivação que tem o propósito mostrar através do aprimoramento do método, as
técnicas e os instrumentos, mais próximo possível do objeto, no entendimento de suas
particularidades colocando-o no contexto e fazendo a discussão com o conhecimento
acumulado teórico de ordem nacional e internacional.
Situando o conceito objetivação, está relacionado com atualização e uso rigoroso
das técnicas e dos instrumentos quanto ao aprofundamento crítica do objeto, acrescida
por uma visão crítica dos procedimentos usados e da inserção do pesquisador no
campo (COSTA e MINAYO (2018 ).
Sobre a inserção na realidade (1969) o resultado da investigação deve ser apresentado,
no contexto que a investigação se desenvolveu bem como as condições do trabalho
no campo.

5.2 Fases metodológicas da pesquisa qualitativa

Anteriormente a essas fases, a pesquisa deve ter sido planejada conforme o


conhecimento original conforme as exigências científicas. Assim, seu estudo se
caracteriza por um estudo científico que deve obedecer aos critérios de coerência,
consistência, originalidade e objetivação etc.
A realidade social é o palco de atuação do Assistente Social em sentido bastante
amplo, que lida com os aspectos relativos aos usuários e famílias e seus diversos
relacionamentos com outros usuários e instituições sociais na PNAS. Assim, a pesquisa
no Serviço Social investiga questões neste âmbito e seus diversos fatores, assim
evidenciam muitas questões.
Para a realização de uma pesquisa científica, é fundamental o pesquisador se
orientar pela pergunta que deseja responder. E assim seguirá boa parte do seu tempo
no desenvolvimento do processo investigatório para chegar à resposta e também a
indicar o grau de confiabilidade na resposta obtida.
Minayo (2009) dividiu o processo científico da pesquisa qualitativa em 3 fases, a
primeira é a fase exploratória, a segunda a fase campo de trabalho e a terceira, análise
e tratamento de material empírico e documental.

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Um processo de ordem prática, que depende do ritmo da instituição específica e


de cada pesquisador/a. Independente disso, todos pesquisadores passam por essas
fases. Vamos mencionar um pouco das fases da pesquisa qualitativa.

Primeira fase - exploratória

Corresponde a confecção do projeto de pesquisa no movimento do emprego de


todos os meios necessários para definir, delimitar o objeto de estudo, no sentido de
fazer o movimento de desenvolvê-lo teórica e metodologicamente, esse também é
o momento da definição da hipótese MINAYO,( 2009, p. 21). Aqui podemos incluir a
base teórica, o tema, a hipótese, os objetivos da pesquisa com seu recorte definido etc
Anterior a essa fase o estudante já compreendeu que necessita elaborar um roteiro
e planejamento que pode mudar conforme a dinâmica do pesquisador, seu prazo, e
determinantes institucionais ou de outras ordens que venham a influenciar nesse
processo.
A partir do momento que o estudante (a) define o seu objeto de estudo está dentro do
tema que é um grande espaço amplo sobre algum assunto. O objeto é a particularidade
que você vai estudar, os dois são coisas diferentes que estão em direta relação.
Vamos dar exemplo: o estudante (a) quer pesquisar sobre o direito das mulheres
presidiárias em seu TCC. Esse pode ser o tema de sua pesquisa científica, suponhamos.
Mas o objeto ainda não está definido, portanto, é necessário observar com mais
atenção e ir amadurecendo o que você pretende pesquisar dentro do tema direito
das mulheres presidiárias.
É importante que se pesquise o tema e procure observar o que ainda não foi abordado
ou no seu ponto de vista precisa de maiores destaques nessa temática. De que ponto
as pesquisas anteriores pararam, e onde você pode dar sequência, ou dar um enfoque
diferente, que seu objeto de pesquisa vai se delineando. Enfim, você pode encontrar
vários caminhos para isso.
O tema direito das mulheres presidiárias, pode se desdobrar para o direito ao estudo
ou aos cuidados psicossociais, o direito à renda ou a maternagem. Pegando a questão
do estudo, poderia definir o tema como direito das mulheres presidiárias ao ensino
superior. (Objeto, ensino superior).
A definição de alguns pressupostos para o encaminhamento do projeto, como a
descrição dos instrumentos de operacionalização do trabalho, observar a organização

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e montagem do cronograma de ação, efetivar os procedimentos operatórios para a


escolha do espaço e da amostra qualitativa MINAYO, (2009).
O cronograma é obrigatório para o direcionar os procedimentos. Escolher o espaço
da sua pesquisa de campo e for realizar, como uma entidade, pública ou privada,
organizar o tempo dentro das fases da pesquisa. Mencionaremos um pouco sobre isso.
Nesse processo é importante o pesquisador ir definindo, se vai utilizar entrevista,
que tipo, se vai utilizar gravador etc. Se vai utilizar questionário, aberto ou fechado,
etc. ou outros tipos de instrumentos.

Segunda fase- trabalho de campo

Os procedimentos aqui vão se articulando com anteriores. Nessa fase o estudante


(a), já deve ter estabelecido os instrumentos de observação, entrevistas ou outras
técnicas de comunicação com os pesquisados.
Aqui o pesquisador é de fundamental importância exploratória, a confirmação
e refutação da de hipótese e de construção teórica.A verificação e confirmação da
hipótese em um trabalho de investigação científica, pode acontecer ou não. Ou seja,
a hipótese pode ser aceita ou refutada. Falaremos a esse respeito na parte do projeto
de pesquisa.
Mas , esse é o momento em que o pesquisador a partir do seu referencial teórico
vai para a realidade de campo buscando confirmar a realidade fundamentada em uma
teoria que o pesquisador elegeu, porque fazia sentido para sua pesquisa. MINAYO,
(2009).
A base teórica é o conhecimento previamente construído para embasar os argumentos
do pesquisador que se propõe verificar se sua hipótese foi aceita, se fez sentido para
o contexto ou para o fenômeno escolhido.
É o momento que o pesquisador deu uma resposta antecipada para resolver
determinado problema de pesquisa, mas para confirmar ou refutar essa afirmação
(hipótese). O confronto entre teoria e campo, vai revelar se sua hipótese foi precisa,
se confirmou ou não o que foi proposto pelo pesquisador. Se não há necessidade de
reformulação da hipótese ou não.
Nesse processo a teoria e o trabalho de campo são de extrema importância, devem
dialogar, mas às vezes pode não ser possível. Por isso é importante o acompanhamento
pelo orientador (a) porque pode ser a primeira pesquisa do estudante, e esses diálogos

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e correlações são desconhecidos ou deixam dúvidas para ele (a), que desconhece essa
realidade. Deve ser feito todo o processo de aproximação para esse entendimento.
Vamos para a terceira fase.

Terceira fase interpretação dos dados empíricos

Essa fase é referente aos procedimentos que envolvem a compreensão e


interpretação dos dados empíricos. “E realizar a articulação desses dados com a
teoria que fundamentou o projeto, ou com outras leituras teóricas e interpretativas
cuja necessidade foi dada pelo trabalho de campo” MINAYO, (2009, p. 27). O confronto
entre a teoria e a prática.
Observando cada uma dessas fases, de modo abstrato caminhando para
concretização do projeto de pesquisa, todas as fases têm o seu valor e se articulam,
em um encadeamento dialógico o pesquisador não consegue avançar sem efetuá-
las. Por exemplo, não posso realizar a entrevista sem ter desenvolvido a parte de
fundamentação teórica, ou sem ter delimitado o objeto de estudo etc.
Distribuídos assim:

Ordenação dos dados

Classificação dos dados

Análise propriamente dita


Tabela 8
Fonte:MINAYO, (2009, p. 27).

Desde a coleta do material se estabelece uma sequência de procedimentos como


organizar, classificação e análise, se no caso o material foi a coleta de falas, histórias
etc. O pesquisador vai decifrar o que está implícito o além do seu discurso e fala, no
caso de uma entrevista.
A entrevista é bastante utilizada na pesquisa qualitativa, Minayo ressalta a importância
da análise quando define que a “análise qualitativa não é uma mera classificação de
opiniões, dos informantes, é muito mais” MINAYO, (2009, p. 27).
Esse “muito mais” podemos compreender também com a atenção e cuidado nas
análise com o que vai emergir das falas, pois com elas o pesquisador vai empreender
um trabalho intelectual de descobertas importantes, com base na teoria.

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Na análise o pesquisador busca dar um significado maior às respostas, que estão


ali expostas e vai estabelecendo o diálogo e a conexão com a teoria vinculando-se a
outros conhecimentos e teorias.

5.3 Alguns pressupostos da pesquisa qualitativa e tipos correspondentes

É importante na entrevista atenção a outras expressões que não se limitem a


fala, mas como essa fala é, é potente, fraca, carregada de emoção, denota frieza, o
gestual corpóreo, as pausas, o silêncio, e outros elementos que vão enriquecer essa
interpretação e posteriormente os resultados da pesquisa.
Alguns pressupostos da pesquisa qualitativa por Martinelli

Reconhecimento da Conhecer a experiência Reconhecimento do modo de


singularidade do sujeito social do sujeito vida do sujeito

Esse conhecer não deve dizer respeito


Conhecer, ouvir, escutar o O modo de vida do sujeito
apenas às circunstâncias de vida
sujeito e permitir que ele pressupõe o saber como elaborar
do sujeito, visto que é um tipo de
se revele. sua experiência social e cotidiana
fenômeno, o outro é o modo de vida.
Tabela 9- Pressupostos
Fonte: MARTINELLI, (2012, pp. 24-25).

Onde o indivíduo, a família se revela? no discurso na ação? A pesquisa qualitativa


vai até o sujeito e ao seu contexto e estrutura de vida onde sua dinâmica de vida se
revela não apenas pelo que ele diz, mais seu espaço, seu habitat, também expressam
quem ele é . Nesse sentido Godoy também concorda.

Algumas características básicas identificam os estudos denominados


/I qualitativos”. Segundo esta perspectiva, um fenômeno pode ser
melhor compreendido no contexto em que ocorre e do qual é parte,
devendo ser analisado numa perspectiva integrada. Para tanto, o
pesquisador vai a campo buscando captar o fenômeno em estudo a
partir da perspectiva das pessoas nele envolvidas, considerando todos
os pontos de vista relevantes. Vários tipos de dados são coletados
e analisados para que se entenda a dinâmica do fenômeno(GODOY,
2015, p.21).

Conhecer o sujeito deve ir além de conhecer suas condições materiais de vida,


as pesquisas quantitativas fazem o levantamento de dados como salário, e renda,
despesas etc. Esse fenômeno é diferente do modo de vida. Definição que envolve os

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sentimentos, os valores, cultura, crenças etc. Thompson, (1924-1993) por MARTINELLI,


(2012).
O estudo na pesquisa qualitativa procura descrever um objeto, conhecer suas
trajetórias de vida, às vezes pode ser através de documentos, gravações, bibliografias,
cartas etc. Assim a pesquisa qualitativa pode ser conduzida através de diferentes
caminhos.
A pesquisa qualitativa possui de três tipos bastante conhecidos e utilizados e
utilizados de pesquisa qualitativa: a pesquisa documental, o estudo de caso e a
etnografia e mais outras definições:

A pesquisa qualitativa é conhecida também como “estudo de campo”,


“estudo qualitativo”, “interacionismo simbólico”, “perspectiva interna”,
“interpretativa”, “etnometodologia”, “ecológica”, “descritiva”, “observação
participante”, “entrevista qualitativa”, “abordagem de estudo de caso”,
“pesquisa participante”, “pesquisa fenomenológica”, “pesquisa-ação”,
“pesquisa naturalista”, “entrevista em profundidade”, “pesquisa qualitativa
e fenomenológica”, e outras [...]. Sob esses nomes, em geral, não obstante,
devemos estar alertas em relação, pelo menos, a dois aspectos. Alguns
desses enfoques rejeitam total ou parcialmente o ponto de vista
quantitativo na pesquisa educacional; e outros denunciam, claramente,
os suportes teóricos sobre os quais elaboraram seus postulados
interpretativos da realidade (TRIVIÑOS, 1987, p. 124).

A inclusão no estudo de documentos enquanto da pesquisa qualitativa pode, de


início, parecer estranho, pois este tipo de investigação não se reveste de todos os
aspectos básicos que identificam os trabalhos dessa natureza.GODOY, (2015).

5.4 Pesquisa quantitativa

A pesquisa quantitativa está intimamente ligada à quantificação dos dados, na


experimentação, na mensuração e no controle rigoroso dos fatos. De acordo com
Knechtel (2014), essa modalidade de pesquisa embasou o pensamento científico até
a metade do século XX, é uma de suas notáveis particularidades, é a passividade e
neutralidade do pesquisador na investigação da realidade ou fenômeno.
O Serviço Social normalmente utiliza a pesquisa qualitativa em suas pesquisas.
Mas os pesquisadores dessa área de estudo, observa-se que as ciências humanas
e sociais estão considerando também a importância da pesquisa quantitativa

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antes pouco valorizada por eles (as). Ou seja, as duas pesquisas podem se
complementar.
A pesquisa quantitativa é fundamental para a colaboração de dados e informações
para a pesquisa qualitativa e demais estudos. Mas vamos tratar um pouco da
pesquisa qualitativa e mencionaremos a pesquisa quantitativa logo mais. Apenas
quisemos enfatizar a importância das duas.
Os dados analisados, são valores observados de uma junção de variáveis, que
podem representar alguns ou todos os elementos, por exemplo, de uma sociedade,
ou determinada população.
Os dados costumam ser apresentados através de tabelas, gráficos ou textos
KNECHTEL, (2014). Esse tipo de pesquisa é aplicado na realização de pesquisas
sociais, econômicas, comunicação, mercadológicas, administrativas entre outras.
A pesquisa quantitativa de acordo com Richardson (1999) possui um diferencial
peculiar, o emprego da quantificação, seja nas modalidades de coleta ou de
informações e também no tratamento dessas informações através de técnicas
estatísticas, como a porcentagem, a média, o desvio-padrão.
O mesmo autor segue teorizando quanto a referida pesquisa, é é comum nos
estudos descritivos, que objetivam descobrir e classificar a relação entre variáveis,
que propõem descobrir as características de um fenômeno.
E finaliza afirmando que na pesquisa quantitativa, identificam-se primeiramente
as variáveis específicas que possam ser importantes, para em seguida explicar as
complexas características de um problema RICHARDSON, (1999).
A coleta de dados é realizada por meio de questionários que apresentam variáveis
distintas, as análises costumam ser apresentadas por meio de tabelas e gráficos
(FACHIN, 2003). Nesse tipo de pesquisa, a representação dos dados é feita por
técnicas quânticas de análise, o tratamento objetivo dos resultados dinamiza o
processo de relação entre variáveis (MARCONI e LAKATOS, 2011).
A pesquisa qualitativa pode ser usada, também, para analisar os resultados
da pesquisa quantitativa. Na pesquisa quantitativa, a composição e o tamanho
da amostra exige uso da estatística. Assim para se comprovar se uma teoria é
válida ou não isso é feito partir de análises estatísticas.É uma pesquisa ligada à
investigação empírico-descritiva, quando se procura descobrir e classificar a relação
entre as variáveis, as relações de causa e efeito entre os diferentes fenômenos
(KNECHTEL, 2014).

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5.5 Os dados numéricos e sua importância

A base da informação na pesquisa quantitativa são os dados, que, nos métodos


quantitativos, são classificados em (Knechtel, 2014, p. 93):

dados primários dados secundários

obtidos no campo da pesquisa, diretamente dados já processados, normalmente vindos de


com as fontes originais de informação (sujeitos pesquisas oficiais e/ou outras fontes credencia-
respondentes e/ou entrevistados); das.
Tabela Dados 10
Fonte:knechtel,( 2014):

Nesse sentido Gatti (2004) aponta que os métodos quantitativos de análise são
recursos para o pesquisador, desse modo ele deve saber lidar com esses elementos
em seu contexto de reflexão (num certo sentido deve dominá-los).
(...) “e, não, submeter-se cegamente a eles, entendendo que o tratamento desses
dados por meio de indicadores, testes de inferência, etc.oferecem indícios sobre as
questões tratadas, não verdades; que fazem aflorar semelhanças, proximidades”(GATTI,
2004, p.14) mas não trazem a certezas total sobre determinado fenômeno ou realidade.
Este domínio a que a autora se refere é importante para que o pesquisador não
faça utilidade mecânica de técnicas de análise quantitativa, vai além possibilita verificar
os maus usos dessas técnicas e as distorções de análises.
A autora menciona que existem muitas maneiras de se obter quantificações, e isso
está relacionado à natureza do objeto, aos objetivos do investigador e do instrumento
de coleta. Ela dá um exemplo de como a pesquisa quantitativa é importante no estudo
da educação, por exemplo.

Muitos dos estudos sobre os problemas de fluxo escolar, analfabetismo,


fracasso escolar são de natureza demográfica, ou seja, trabalham com
massas de dados populacionais, de sistemas educacionais ou sub-
sistemas. Esses estudos permitem: 1. análises do estado, da situação
geral, ou associada a determinados fatores, em relação a problemas
sociais/educacionais, pelo agrupamento de dados, pelo cálculo de taxas
ou indicadores simples ou mais complexos; 2. análises de movimento,
que propiciam perspectivas sobre ocorrências ao longo de um certo
período de tempo (um ano, vários anos, décadas, etc.) evidenciando a
dinâmica dos eventos.GATTI, (2004, p.14).

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Assim, o uso da pesquisa quantitativa dos usos de estatísticas neste caso na


educação com censos e dos registros escolares, evidenciando a preocupação em
mostrar as diversas possibilidades de utilização das estatísticas educacionais, que
pode ser de modo descritivo ou explicativamente,considerando os limites de todas as
pesquisas e seus métodos e técnica. Esses devem ser dominados por GATTI, (2004).
A pesquisa quantitativa levanta subsídios para o questionando as políticas públicas
em suas contradições, na fala da autora na íntegra aponta a educação na produção
do analfabetismo através da exclusão, que envolve os indivíduos que são excluídos
“sem sequer chegar a ser admitidos a ela na idade de escolarização obrigatória, como
os que, tendo sido admitidos, são depois excluídos no próprio processo de ensino pela
reprovação e a repetência” GATTI,( 2004, p.14).
Na política de Assistência Social a estatística é uma ferramenta que faz levantamentos,
análises e avaliações para subsidiar ações de integração social. E como podemos ver
possui uma abordagem mais qualitativa embora em muitos casos tenha propósitos
qualitativos.
Abordamos a qualitativa, observando a possibilidade de abertura na investigação
científica, uma proposta menos rígida na sua estrutura, que permite que a imaginação
e a criatividade levem os investigadores a propor trabalhos que explorem novos
enfoques”. E fizemos um breve apanhado sobre a pesquisa quantitativa. Na próxima
aula trataremos sobre vamos estudar algumas fases que envolvem o desenvolvimento
e o processo da pesquisa.

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AULA 6
FASES/ ETAPAS
METODOLÓGICAS DA
PESQUISA- IDEIAS GERAIS

Caro estudante, nesta aula vamos nos aproximar de algumas fases que envolvem o
desenvolvimento e o processo da pesquisa. Uma sequência de etapas,mas dependendo
do tipo de pesquisa, objetivos e o que ela pretende enquanto realidade pesquisada etc.

O estudante/a deve conhecer ao menos basicamente essas etapas, pois vai passar
por grande parte delas ou provavelmente todas elas. Assim vai dominando alguns
conceitos e linguagem que serão muito utilizadas na academia quando se trata da
construção de uma pesquisa.
O planejamento e a execução de uma pesquisa dizem respeito a uma parte de um
processo sistematizado e envolve etapas geralmente encadeadas, onde algumas delas
acontecem ao mesmo tempo, ou umas dependerem das outras para se concluírem.
Às vezes podem acontecer juntas ou não.

6.1 Etapas metodológicas da pesquisa

Vamos citar as fases da elaboração da pesquisa científica brevemente aqui:

Fases/ etapas metodológicas da pesquisa científica

1.Escolha do tema; 7. Coleta de dados

2. Revisão de literatura 8. Tabulação dos dados

3. Justificativa 9.Análise e discussão dos resultados

4.Formulação do problema 10. Conclusão da análise dos resultados

5.Objetivos 11. Redação e apresentação do trabalho científico.

6.Metodologia
Tabela 11- das etapas da pesquisa
MARCONI e LAKATOS, (2011, p. 127). Adaptado.

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1. Escolha do tema de pesquisa


O tema de pesquisa é o assunto que se deseja provar ou desenvolver; “é uma
dificuldade, ainda sem solução, que é mister determinar com precisão, para intentar,
em seguida, seu exame, avaliação crítica e solução” ASTI VERA, 1976, p.97 apud
MARCONI e LAKATOS, (2011, p. 127).
A escolha do tema de pesquisa pode ser uma das primeiras ações que o pesquisador
pode fazer na pesquisa, mas essa escolha deve ser feita ponderando de não levar em
consideração apenas fatores emocionais, o tema está na “moda”, agradar o orientador.
O fundamental é que o tema vá muito além disso, deve-se levar em conta a relação
do tema com a área do conhecimento do pesquisador e elementos específicos dentro
daquela área que dialoguem com esse tema, pois o tema é como um comando central
na pesquisa tudo vai girar em torno dele que se desdobra para a área de conhecimento
do pesquisador.
Para iniciar a essa escolha o pesquisador deve definir o campo de trabalho dentro
do âmbito da ciência, no qual a sua pesquisa está situada e fazer a delimitação do
tema. Porque o tema está situado dentro de um universo de outros assuntos e temas.
A escolha do tema significa elencar uma parte delimitada de um assunto, impondo
limites ou restrições para o desenvolvimento da pesquisa, desse modo a definição
do tema pode surgir da experiência do pesquisador e sua prática profissional, por
exemplo, vir da sua observação do cotidiano, desconhecimento e curiosidade sobre
determinado assunto.
Tudo isso pode levar se escolher um tema de pesquisa a partir da sua realidade
acadêmica em programas de pesquisa, em contato e relacionamento com especialistas,
a partir do conhecimento de pesquisas realizadas sobre o assunto etc.
Para pensar sobre o tema inicialmente deixamos um exercício com as seguintes
questões:
Que conhecimento e/ou experiências possuo do tema? • de que documentação e/ou
experimentação necessito? • posso obter a documentação com facilidade? • Existem técnicas
adequadas de experimentação? •
• que possíveis enfoques prevejo? • interesso-me pela procura de soluções para o problema?
• Tenho possibilidade de conseguir a orientação de um especialista no assunto?
Quadro-3 Questões
Fonte: MARCONI; LAKATOS, (2003, p.241).

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Portanto, dentro de um assunto que é um universo de possibilidades, é uma


proposição até certo ponto abrangente, mas que para virar tema vai exigir um pequeno
recorte, é o tema deve ser objetivo e não muito extenso.

2. Revisão de literatura

A identificação das fontes que possam auxiliar fornecer as respostas adequadas à


solução do problema proposto é fundamental. O estudante pode para essa finalidade
consultar livros, artigos e outras publicações, que são elaborados por bibliotecas físicas
ou digitais especializadas, ou instituições que realizam pesquisas em determinado
campo de conhecimento.
Recomenda-se, de início, fazer uma seleção da temática com todo o material
encontrado e que corresponda aos propósitos de sua pesquisa. Por exemplo, as
obras mais atuais devem ser priorizadas pelo pesquisador. Muitas coisas podem
não corresponder às suas buscas, por isso que o pesquisador (a) deve selecionar o
que será lido e analisado.
Nesta fase o estudante (a) deve conhecer os teóricos que publicaram sobre a
temática e quais enfoques que deram ao tema, assim deve fazer as seguintes questões:
1 - Quem já escreveu e o que já foi publicado sobre o assunto? 2 - Que aspectos já
foram abordados? Existem atualizações a fazer na literatura atual?
A revisão de literatura é importante porque atualiza conceitos e oferece elementos
para você evitar a duplicação de pesquisas no mesmo tema e na mesma abordagem
etc. Isso é fundamental para o pesquisador verificar.
Sintetizamos aqui os procedimentos importantes da revisão da literatura em fases
para o estudante (a) se situar.

leitura exploratória leitura seletiva à leitura interpretativa

Nessa etapa, é importante Nessa leitura deve-se Essa fase pode ocorrer
conhecer a obra em sua aprofundar os pontos que junto da leitura analítica.
totalidade, lendo o sumário, realmente interessam. Na leitura interpretativa
o prefácio, a introdução, busca-se estabelecer relação
as “orelhas”, e passagens entre o conteúdo das obras
esparsas do seu texto. pesquisadas e outros
conhecimentos, esse processo
confere um amplo alcance
aos resultados obtidos com a
leitura analítica.
Quadro 4- sobre a revisão da leitura
Fonte: (GIL, 2002, p.75).

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Esse processo em etapas pode ajudar na delimitação de contornos mais precisos


do problema de estudo. O estudante (a) pode solicitar orientação/conversa com um
ou vários especialistas na temática para ir tecendo os fios da sua pesquisa.

3.Justificativa

Richardson (2012) afirma que não existem regras definidas que definem como
escrever uma justificativa, mas recomenda uma divisão e algumas etapas, vamos
citar algumas para facilitar a familiaridade do estudante nesse sentido.
Na justificativa , explicita os motivos de ordem teórica e prática que justificam a
realização da pesquisa. Em outras palavras, deve-se responder à pergunta “ por que
se deseja fazer a pesquisa? ” Para isso, é necessária a presença de alguns (pontos
indicados a seguir).
O autor recomenda iniciar a justificativa expressando sua experiência relativa ao
fenômeno que deseja pesquisar. E pode conter um ou dois parágrafos. Vejamos os
exemplos:
Por exemplo, caso seu objeto seja relacionado a influência das metodologias ativas
na educação básica na pandemia do Covid-19, e você é professor pode mais ou menos
assim:
Meu interesse pelo tema vem da minha observação e experiência como professora da
rede pública de ensino. Passei a observar que após o isolamento social as metodologias
ativas ganharam destaques devido ao isolamento social
Ou se não tiver experiência com o tema mas possui interesse no mesmo, descrever
esse interesse e dizer o motivo do interesse, a contribuição social que o pesquisador
sabe que a pesquisa poderá trazer para um contexto, uma população , a profissão etc.

4. Formulação do problema

No Serviço Social o pesquisador (a) deve ainda na elaboração mental da sua pesquisa
pensar no problema que quer resolver a partir da contribuição da pesquisa. Isso significa
que já existe um problema, talvez ainda não formulado, mas há.
E no processo de investigação, uma das primeiras tarefas é escolher o problema a ser
pesquisado. Esta escolha, de acordo com Gil (2002) , leva o pesquisador naturalmente
a se questionar. Por que pesquisar? Qual a importância do fenômeno/objeto a ser

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pesquisado? Que pessoas ou grupos se beneficiarão com os seus resultados, vou


contribuir com a minha área de conhecimento e a ciência?
Normalmente, a formulação do problema é criada a partir do tema escolhido. Porque
tema e problema estão dialogando, e isso vai ficar mais claro na sua elaboração é
necessário a formulação adequada do problema, essa elaboração deve ser objetiva
na sua solução. O problema é uma pergunta que a pesquisa pretende responder.
Richardson (2012), chama atenção do pesquisador para quando menciona que o
problema deve ser formulado em termos de pergunta (qual, quê, como e quando). E
sua justificativa não deve ocupar mais do que um parágrafo. Exemplos:
Assunto: indicadores de saúde
Tema: Doença cardiovascular
Problema: Mediante ao exposto(...) pretendo, descobrir qual a relação entre os indicadores
das doenças cardiovasculares a notificação e tratamentos nas Unidades Básicas de saúde.
Assunto: meio ambiente
Tema: Pequenos agricultores rurais e a subsistência.
Problema: Qual é o comportamento dos pequenos produtores diante da destruição do
meio ambiente pelas empreiteiras e o mercado imobiliário?
O problema deve ser preciso e passível de resposta. E a escolha de um assunto
apenas não é suficiente para começar uma pesquisa. A problematização é uma tarefa
que exige experiência e muita leitura, reflexão e debate, e isso vai implicar na vivência
intelectual do pesquisador GIL, (2002).
Após a formulação clara do problema e de sua delimitação Gil (2002) recomenda que
se elabore um plano de trabalho, esse vai orientar as etapas seguintes da pesquisa.
Esse plano, geralmente, é provisório e passa por reformulações sucessivas.

4. Objetivos da pesquisa-geral e específico

Nesta etapa o estudante (a) irá definir a respeito dos objetivos, pensando no tema
proposto para a sua pesquisa. Desse modo, deve sintetizar o que objetiva alcançar com
a pesquisa. Com os objetivos definidos o estudante (a) possui mais direcionamento
e clareza quanto aos resultados que pretende alcançar e também a contribuição que
sua pesquisa poderá proporcionar a profissão etc.
Os objetivos devem estar alinhados com a justificativa e o problema proposto. O
objetivo geral será a síntese do que o pesquisador (a) intenciona pretende alcançar,

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e os objetivos específicos explicitar em detalhes de forma mais detalhada ações que


serão desdobramentos do objetivo geral.
Usualmente, em uma pesquisa exploratória o objetivo geral começa pelos verbos;
conhecer, identificar; na pesquisa descritiva inicia-se com os verbos: caracterizar,
descrever e na pesquisa explicativa, começa com os verbos: analisar, avaliar etc.

Verbos correspondente a algumas pesquisas


Fonte: (RICHARDSON, 2012, p.60).

Apresentaremos dois exemplos utilizando o objetivo geral e o objetivo específicos


Estudo sobre os fatores que contribuem para o aumento da segregação racial no
Estado da Bahia.

Objetivo geral Objetivos específicos

Verificar a segregação segregação racial no -Investigar documentos históricos da formação


Estado da Bahia. da sociedade baiana para levantamento desses
fatores.
- Avaliar a ação desses fatores no exercício de
cidadania dos baianos
Tabela - 12 objetivos
Fonte: elaboração própria

Como verificamos, os enunciados dos objetivos devem começar com um verbo no


infinitivo e este verbo deve indicar uma ação passível de mensuração. Agora veremos
o segundo exemplo. Algo fictício também.
O segundo exemplo é sobre um estudo sobre os impactos da Covid-9, na cidade
X e os órfãos/as.

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Objetivo geral Objetivos específicos

Identificar os provedores/as familiares afetados Levantar quantos responsáveis/as familiares


pela Covid-19 na cidade X foram; internados, sequelados e mortos pelo
Covid-19.

-Descobrir os órfãos dessas composições fami-


liares identificadas.

-Mapear o perfil socioeconômico dos cuidado-


res atuais dos órfãos/as.
-Mensurar as ações efetivas das políticas públi-
cas para esses órfãos/as.
Tabela -13
Fonte: elaboração própria

“Recomendamos que o primeiro objetivo específico seja exploratório; o segundo,


seja descritivo, e o terceiro (se necessário) seja explicativo. Essa deve ser a lógica da
pesquisa científica” RICHARDSON, (2012, p.63).
“O objetivo deve referir-se apenas à pesquisa que se pretende realizar. Não são
objetivos de uma pesquisa, propriamente, discussões, reflexões ou debates em tomo a
resultados do trabalho” RICHARDSON, (2012, p.63). Desse modo, quanto mais específico
for o objetivo, mais próximo do rigor que a pesquisa exige.
O autor segue concluindo que essas discussões, debates e ações permeiam todo
o trabalho científico. Aqui fizemos um apenas um exercício para que o estudante/a
possa pensar nos seus objetivos, são supostos objetivos, lembrando que eles devem
ser, sucintos, concisos e sintéticos.

6.Metodologia

Basicamente nessa etapa o pesquisador deve definir onde e de que maneira será
realizada a pesquisa, o tipo de pesquisa, a população, a amostragem, os instrumentos
de coleta de dados e a forma como pretende tabular e analisar seus dados etc.
Essa fase envolve maior número de itens, porque objetiva, em um único momento,
responder às questões; como? Com quê? Onde? Quanto? MARCONI; LAKATOS, (2003).
É um exercício que vai conduzindo a sua pesquisa. Vamos tratar um pouco sobre
algumas destas questões na aula de elaboração do projeto de pesquisa.
Gil (2002) define que isso é fundamental pois os dados obtidos na pesquisa social
não são indiferentes à forma e o processo que foi feito para a obtenção dos dados,
nisso também reside a necessidade de se relatar de modo preciso e minucioso

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os procedimentos adotados na investigação. E saber que eles estão respondendo a


algumas questões, não são procedimentos mecânicos.
Na metodologia, o pesquisador deve relatar sobre o tipo de pesquisa exploratória,
descritiva ou explicativa, meios, métodos e técnicas e como foram feitos os
procedimentos. Se foi uma pesquisa experimental, quais foram os controles? GIL,
(2002). Portanto deve-se descrever todos os procedimentos.
Deve relatar sobre a amostra, deve apresentar qual foi a sua dimensão. Como foram
selecionados os elementos da pesquisa? Os critérios? Marconi e Lakatos (2003)
definem que essas questões dão uma visão para quem vai ler a pesquisa no sentido
que possa avaliar as possibilidades de generalização dos resultados.
O pesquisador deve descrever se fez uso de entrevistas, que tipo de entrevista
foi executada. E como foram testadas as variáveis.Portanto é uma explanação
completa,deve informar sobre as técnicas de coleta de dados, se essas foram
realizadas através de questionários ou entrevistas, que questões foram apresentadas?
O questionário e/ou o roteiro da entrevista pode ser disponibilizado num apêndice.
As formas de tabulação e apresentação de dados que geralmente são por meios
de métodos estatísticos e também por instrumentos manuais ou por tecnologias
modernas de computadores, esses e outros são utilizados para a interpretação e
análise dos dados, que devem ser detalhados explicados como foram aplicados e
ser mostrados.
A elaboração textual da metodologia deve ser clara e direta. A argumentação
deve apoiar-se em dados e provas e não em considerações e opiniões pessoais. O
pesquisador não deve utilizar expressões com duplo sentido e palavras supérfluas,
repetições.

7. Coleta de dados

Etapa é a etapa da pesquisa em que se inicia a aplicação dos instrumentos elaborados


e das técnicas selecionadas, e a seguir se proceder à coleta dos dados previstos. Essa
etapa requer do pesquisador paciência, perseverança, e cuidadoso registro dos dados,
além de um bom preparo e experiência MARCONI; LAKATOS, (2003).
Outro ponto marcante é inevitável e importante é na observação de Marconi e Lakatos
(2003), o entrosamento das tarefas organizacionais e administrativas (burocracias da

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universidade etc.) com as tarefas científicas do processo da pesquisa, que diz respeito
aos prazos estipulados, aos orçamentos previstos.
As teóricas mencionadas acrescentam que quanto mais antecipado e organizado
o planejamento for feito, menos perda de tempo haverá no trabalho de campo
especialmente, facilitando a etapa seguinte. Mas isso pode se aplicar para todas as
fases da pesquisa científica.
O pesquisador deve se atentar ao procedimento, que deve ser rigoroso no controle na
aplicação dos instrumentos de pesquisa, esse rigor é primordial para não comprometer
os procedimentos da pesquisa e desencadear “erros e defeitos resultantes de
entrevistadores inexperientes ou de informantes tendenciosos”. MARCONI; LAKATOS,
(2003, p. 166).
Os procedimentos para proceder a coleta de dados variam conforme as circunstâncias
ou com o tipo de investigação, normalmente as técnicas de pesquisa são; coleta
documental, observação, entrevista, questionário, formulário entre outros” MARCONI;
LAKATOS, (2003. p. 166).
É fundamental que os instrumentos escolhidos possam fornecer informações
adequadas para testar as hipóteses, por exemplo, um questionário ou um roteiro
de entrevistas ou de observações.Por fim, o pesquisador deve testar o instrumento
antes de utilizá-lo, isso vai assegurar seu nível de adequação e precisão e assim evitar
surpresas.

8. Tabulação dos dados

A tabulação é a disposição dos dados em tabelas, o que facilita na verificação das


inter-relações entre os dados. Essa etapa envolve o uso da parte técnica de análise
estatística, pela qual pode-se sintetizar os dados de observação, obtidos pelas diferentes
categorias e representá-los graficamente. Marconi; Lakatos, (2003).
Através da construção dessa sinterização dos dados, eles serão melhor
compreendidos e interpretados mais rapidamente. Marconi e Lakatos (2003) definem
que esses dados sejam classificados através da divisão em subgrupos e reunidos e
assim as hipóteses serão comprovadas ou refutadas.
“A tabulação pode ser feita a mão ou à máquina. Em projetos menos ambiciosos,
geralmente se utiliza a técnica de tabulação manual. Requer menos tempo e esforço,

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lida com pequeno número de casos e com poucas tabulações mistas, sendo menos
dispendioso”.(MARCONI; LAKATOS, (2003, p.165).
As autoras finalizam acrescentando que quando os estudos são maiores, que
possuem casos ou de tabulações mistas mais amplas, a tabulação mecânica é bem
viável, porque economiza tempo, esforço, diminui as margens de erro e, nesse caso,
fica mais econômica. Parece complicado na abstração, mas vamos tentar mostrar
de outra maneira.
A tabulação de dados se resume em organizar informações de vários questionários
ou informações diversas em uma planilha objetivando facilitar o uso e manuseio delas,
ao fazer análises comparativas, montar gráficos etc.
Assim, a tabulação de dados é usada para facilitar a leitura e simplificar o acesso a
dados onde existe uma equipe de pesquisa com vários pesquisadores e todos precisam
ter acesso aquele banco de informação fica mais viável esse processo também.
Imagine centenas de dados sistematizados, ou questionários respondidos e o
pesquisador deve analisar e comparar todos. A tabulação de dados é uma forma
prática e muito mais rápida de organizar todas as respostas para a pesquisa siga
seu processo.

9.Análise e discussão dos resultados

Nesta etapa o pesquisador procederá a interpretação e análise dos dados que tabulou
e organizou conforme já mencionamos. A análise objetiva organizar e sumariar os
dados de modo que possibilitem respostas ao problema proposto pela investigação.
A análise é um processo que ocorre junto com a interpretação sobre isso Gil (2002)
define que mesmo que sejam processos diferentes em termos de conceitos, variam
conforme o plano da pesquisa. Mas independente disso, os dois elementos nas
pesquisas sociais, se processam através dos passos que citaremos:

Estabelecimento de categorias, codificação tabulação, análise estatística dos


dados, avaliação das generalizações obtidas com os dados, inferência nas relações
causais e interpretação dos dados.
Quadro -5
Fonte: GIL, (2002, p.156).

Nesse processo é feita a comparação e confrontação dos dados e provas com o


objetivo de confirmar ou rejeitar a(s) hipótese(s) ou os pressupostos da pesquisa. “O

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processo de análise é sistemático e compreensivo, mas não rígido” GIL, (2002, p.176).
A análise só finda a partir do momento que os novos dados nada mais acrescentam,
quando entram num estado de saturação.
Nas análises qualitativas o acompanhamento e a discussão dos dados envolvem
uma importante atividade reflexiva que se define em um conjunto de notas de análise
que norteiam o processo.
Ainda nas análises qualitativas, Tesch (1990), apud (GIL,2002), uma ferramenta
intelectual relevante que é a comparação. Ela é usada em variados momentos do
processo de análise.
Os dados obtidos, podem ser comparados com modelos já definidos, com dados
de outras pesquisas e também com os próprios dados. Esta comparação é que
possibilita estabelecer as categorias, definir sua amplitude, sumariar o conteúdo de
cada categoria e testar as hipóteses”. TESCH (1990), apud GIL,2002, p.176

10. Conclusão da análise dos resultados

Nesta etapa de modo geral o pesquisador já é capaz de sintetizar os resultados


obtidos com a pesquisa. Deverá explicitar se os objetivos foram atingidos, se a(s)
hipótese(s) ou os pressupostos foram confirmados ou rejeitados. E destacar a
contribuição do seu estudo a para a profissão, sua área de conhecimento, ou para o
desenvolvimento da ciência e da tecnologia etc

11. Redação e apresentação do trabalho científico

Na redação tem a materialização do produto, que é composto pela ideias fruto da


sua investigação que deve ser clara e objetiva. Na condução do texto deve ter em
mente algumas questões como “o quê”,(a relevância da investigação) “para quê” ( a
finalidade da investigação)e “para quem” ( com quem irá contribuir a sua pesquisa).
Na apresentação, o pesquisador vai fazer a discussão dos resultados alcançados, de
acordo com sentido inerente da(s) hipótese(s) da pesquisa.
Essa etapa consiste na escrita e exposição geral da pesquisa, incluindo o
planejamento, conclusões, os processos metodológicos empregados, etc. “Deve ter
como base a lógica, a imaginação e a precisão e ser expresso em linguagem simples,
clara, objetiva, concisa e coerente” MARCONI e LAKATOS, (2003, p.171).

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Observam que a finalidade do relatório de pesquisa é passar todas as informações


sobre os resultados da pesquisa, com detalhes, para que os mesmos possam
alcançar a sua relevância. Detalhes como a objetividade e o estilo, e a expressão
impessoalidade na escrita importam MARCONI e LAKATOS, (2003).
As teóricas finalizam dizendo que o pesquisador deve evitar frases qualificativas
ou valorativas, pois a informação textual do relatório, objetiva na realidade descrever
e explicar, mas não tentar convencer. Deve ter um tom agradável, mas não relatar
apenas o sucesso da pesquisa, mas também as dificuldades, falhas etc. Contemplar
o lado humano é falível.
A comunicação dos resultados da pesquisa é de responsabilidade do pesquisador,
desse modo deve receber o mesmo cuidado e atenção das demais etapas da pesquisa.
E esse instrumento destinado à comunicação deve ser escrito considerando o público
a ser atingido não para si, no caso o pesquisador GIL, (2002).

Etapas do relatório científico


Fonte: Selltiz (1965, p.517 apud MARCONI; LAKATOS (2003, p.172).

Além da estrutura do relatório de pesquisa deve de acordo com Gil fazer a apresentação
dos resultados obtidos, por meio de sua ligação a outros conhecimentos já obtidos
e deve contemplar os seguintes itens
a) o problema de pesquisa;
b) a metodologia;
c) os resultados;
d) as conclusões e sugestões.

O pesquisador deve apontar as razões que motivaram o seu estudo, indicar a


situação do conhecimento disponível sobre o problema quando da investigação, a
sua relevância teórica, entre outros. Na apresentação o pesquisador vai mostrar os

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resultados obtidos, por meio de sua ligação a outros conhecimentos já elaborados


em outras pesquisas (GIL, 2002).
Nesta aula estudamos algumas etapas da elaboração da pesquisa científica, algumas
etapas são mais operacionais e outras mais abstratas, mas todas são etapas que
cabem em muitas pesquisas. Deixaremos material para mais leituras e pesquisas.
Lembrando que os pesquisadores teóricos costumam afirmar que essas etapas,
são sugeridas nessa disposição, mas não devem ser consideradas rigidamente,
esse processo traduz também a criatividade e não deve causar entraves no seu
desenvolvimento. Essas elaborações devem servir como roteiro para o (a) estudante
se nortear.
Falaremos na próxima aula sobre os pressupostos teóricos-metodológicos da
pesquisa , as bases dos pensamentos filosóficos que orientam a pesquisa.

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AULA 7
OS PRESSUPOSTOS TEÓRICOS-
METODOLÓGICOS DA PESQUISA:
O POSITIVISMO

Nesta aula, iremos estudar um pouco sobre os pressupostos teóricos-metodológicos


da pesquisa, que são conhecimentos de ideias básicas da filosofia dentro da ciência.
São pressupostos que vão acompanhar o processo de desenvolvimento da ciência,
na explicação de mundo, sociedade, homem etc.
Os pressupostos teóricos-metodológicos correspondem às estratégias utilizadas em
qualquer pesquisa científica e fundamenta-se em uma rede de pressupostos ontológicos
e da natureza humana que definem o ponto de vista que o pesquisador possui de
homem, sociedade e tudo que o rodeia RICHARDSON,( 2012, p.32).
Esses pressupostos oferecem bases para o pesquisador desenvolver o trabalho
científico, além do pesquisador se capacitar para desenvolver, construir, ver e interpretar
o mundo de determinada perspectiva RICHARDSON, (2012).
A pesquisa no Serviço Social brasileiro é influenciada pela teoria marxiana, essa teoria
foi responsável também pela consolidação da profissão e da produção do conhecimento
científico do Serviço Social. Mas a profissão no seu caminhar histórico do passado,
fez uso dos pressupostos de outras correntes teórico-metodológicas para dar base
a sua prática.
Os fundamentos dizem respeito, os modos de atuar do Serviço Social e muito das
bases , modo a profissão se constituiu. Os fundamentos estiveram de início ancorados
nas prescrições da caridade cristã, orientada pela filosofia neotomista. Iamamoto e
Carvalho (2007)no positivismo e na fenomenologia e nos elementos da Psicologia,
da Sociologia entre outros.
Essa compreensão dos fundamentos, está atrelada a perspectiva da totalidade
histórica, e as demandas das conjunturas sociais, políticas e culturais e econômicas.
São particularidades da profissão, que envolvem o modo de ser e pensar dela,
desde seus primórdios até a atualidade. E não pode ficar de fora três dimensões:

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Teórico-Metodológica, Ético-Político e Técnico-Operativo unificadas e se articulando


continuamente.

As correntes teóricas que orientavam a prática dos agentes (as) do Serviço


Social contribuem com o aprofundamento teórico/prático e a interpretação da sua
realidade de trabalho etc. vieram primeiro da Europa e depois dos Estados Unidos,
realidades distintas da brasileira, e foram adaptadas ao contexto nacional.

ISTO ESTÁ REDE

Artigo científico: A Filosofia e a Ciência Aproximações e Distanciamentos


Autor: Onorato Jonas Fagherazzi
Link: http://xanpedsul.faed.udesc.br/arq_pdf/439-0.pdf
Descrição: Esse artigo fala sobre a história e filosofia das ciências e questiona qual
a relação existente entre a filosofia e a ciência? Fala sobre a aproximação e do
distanciamento entre as duas e da relação necessária entre elas. O conteúdo não é
do Serviço Social mas faz com que o leitor se situe dessa relação independente da
área do conhecimento que esteja inserido.

Destacaremos algumas correntes teórico-metodológicas que se posicionaram na


compreensão de sociedade e homem, iniciaremos com o pensamento de Auguste
Comte (1798 – 1857) , a primeira é o positivismo.

7.1 O Positivismo- Ideias gerais

O Positivismo sucintamente é um método científico que se denomina ser todo


o axioma racional para explicação de tudo, tendo por base a lógica experimental e
matemática. Compreendia que as leis da ciência comandam o mundo, era contrário
às explicações espiritualistas. SANTOS; SANTOS, (2012). abre aspas onde
August Comte, fundador do Positivismo
uniu a filosofia à ciência biológica médica, e a religião para a criação do Positivismo.
“Como positivismo, a fé cristã foi substituída pela fé na ciência, ao mesmo tempo a
Igreja católica foi substituída pela Igreja positivista” SANTOS; SANTOS, (2012, p. 57).
“As raízes do positivismo podem ser encontradas no empirismo, já na antiguidade.
Mas as bases concretas e sistematizadas dele estão, seguramente, nos séculos XVI,
XVII e XVIII, com Bacon, Hobbes e Hume, especialmente” (RICHARDSON, 2012, p.38).

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Assim o Positivismo teve momentos e etapas evolutivas como; positivismo clássico,


do qual Comte é fundador, e outros; Littré, Spencer e Mill. No final do século XIX e
início do XX. O empírico, criticismo de Avenarius (1843-1896) e Mach (1838-1916)
(TRIVIÑOS, 1987).
Deste modo, podemos supor que essas etapas evolutivas estavam relacionadas
a fatores como disputa, rupturas, superação de pensamento, uma corrente se
sobrepondo a outra e transformações, políticas, econômicas etc. perpassando
esse movimento.

O positivismo foi um movimento de pensamento que dominou parte da


cultura européia (filosofia, artes, literatura) de aproximadamente 1840
até a 1ª Guerra Mundial. O termo foi cunhado devido ao período de paz
reinante na Europa e à expansão colonial na África e Ásia, que gerou um
clima de entusiasmo em torno da ideia de progresso humano e social
irrefreável. ( SILVINO, (2007, p. 279).

A última e terceira etapa é o neopositivismo , Triviños(1987) conclui que ela possui


várias influências, como o positivismo lógico, o empirismo lógico, estreitamente
vinculados ao Círculo de Viena. O Iluminismo francês foi um influenciador para Comte.
Enfim outros fatores podem ter contribuído para seu surgimento e permanência,
citamos esses mais gerais que o estudante/a possa relacionar ideias, e assim
compreender que o Positivismo não surge simplesmente sem a influência de
acontecimentos anteriores.
Houve todo um processo e questões que permitiram com ele se estruturasse
como A Revolução Francesa e Revolução Industrial, o desenvolvimento e expansão
das tecnologias, pondo fim ao velho regime societário, e o crescimento da pobreza,
desemprego e muitos fatores que acirraram ainda mais a desigualdade social.
O Positivismo até os anos de 1970 teve seu período áureo na história, depois foi
perdendo espaço para algumas correntes de pensamento, como à fenomenologia e
o marxismo, tem como fundador Auguste Comte (1798-157). Na França teve grande
repercussão, local de origem do seu fundador, e se espalhou pelo mundo.
O Positivismo possui um grande objetivo; contribuir com a solução das crises
sociais e políticas. E a chave dessa solução estava no conhecimento dos fatos sociais
e políticos, a crise política, econômica e social sacudiam os ânimos e revoltas da
população pobre e operária entre outros fatores.

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A multiplicação das grandes cidades, o aumento da produção e da


riqueza, a quebra do equilíbrio da cidade campo e a superação das
grandes doenças infecciosas pela Medicina são alguns exemplos que
fundamentam essa crença. É preciso observar que não se tratava de
um otimismo ingênuo que ignorava os subprodutos do desenvolvimento
industrial. Os males sociais apontados pelo marxismo (proletariado,
concentração financeira nas mãos de poucos, intensa jornada de
trabalho) possuíam outra interpretação, aos olhos dos positivistas: eram
“... fenômenos transitórios elimináveis pelo crescimento do saber, da
educação popular e da riqueza” Reale, (1981, p. 296) apud (Silvino,
2007, p. 279).

Dentro de um pouco desse contexto, fenômenos característicos dessa situação


exigia estudo. Comte um preocupado com as questões sociais, compreendeu que podia
conhecer e controlar os fenômenos. Através do estudo rigoroso/pesquisa científica. E
assim, podia-se resolver e desenvolver a chamada “física social” ou Sociologia científica.

7.2 Alguns objetivos do Positivismo.

O compromisso dessa corrente de pensamento é com a ciência e o desenvolvimento.


Assim utiliza a Sociologia e a Biologia na compreensão dos campos fisiológicos e
sociais de atuação do ser humano na natureza.
A questão social, e suas manifestações relacionadas ao capital-trabalho, a apropriação
privada da riqueza socialmente produzida, figuravam na Europa. Tudo isso rebatia na
vida dos trabalhadores. Fenômenos assim acenderam as ideias no Positivismo, iria
estudar aquela situação, compreendê-la e intervir na resolução dos seus problemas
sociais.
A expressão da questão Social surge na terceira década do século XIX, vem responder
à primeira onda industrializante, na Inglaterra, o fenômeno do pauperismo: aumentava
amplamente o número de pobres, e na mesma proporção a capacidade social da
produção da riqueza,informa Netto (2001). A velha e nova contradição social como
definem alguns teóricos marxistas. Isso traria os mais variados desdobramentos.
A fome e o desemprego fizeram surgir os protestos. Os pobres discordavam da
situação que estavam passando, houve violência e reprimenda para manter a ordem
social, os protestos tomaram dimensão de ameaça às instituições sociais e à burguesia
que preocupada tomar medidas.

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A ação da classe burguesa é de impedir, “posta em primeiro lugar, com caráter de


urgência, na manutenção e na defesa da ordem burguesa (...) NETTO,( 2001, p.43).
Significa que essa ação necessita de intelectuais estudiosos e técnicos para explicar
fenômenos e profissionais técnicos para atuar com a referida realidade.
“Entre os pensadores laicos, as manifestações imediatas da “questão social” (forte
desigualdade, desemprego, fome, doenças, penúria, desamparo, frente à conjuntura
econômica adversa). São vistas como o desdobramento da sociedade moderna” NETO,
(2001, p.44).
Diante disso Comte cultivou a certeza que era possível que a ciência compreendida
como um instrumento de salvação para aquela situação e que podia encontrar elementos
para “debelar todos os problemas da humanidade, até porque, e principalmente, o
modo de produção era fortemente influenciado pela ciência”SILVINO, (2007, p. 280).
A sociedade deve passar por um estudo rigoroso/pesquisa científica. Comte toma
junto com os cientistas o compromisso de desenvolver a “física social” ou Sociologia
científica’’. “Para Comte, a ciência tem, como objetivo, pesquisar as leis que regem os
fenômenos: “só o conhecimento das leis dos fenômenos, cujo resultado constante é
o de fazer com que possamos prevê-los” SILVINO, (2007, p. 279).

7.3 O princípio da neutralidade, alguns elementos e Lei dos três estados.

Ao contrário de tudo isso o Positivismo prima pela harmonia com a questão da


neutralidade e do conhecimento estático, que de certa forma a conservação da ordem
social e a defesa do estudo estático na manutenção da harmonia social, e assim quer
os operários resignados a fim de não comprometer o desenvolvimento capitalista/
tecnológico, e manter a paz social e o progresso.
Porque a defesa do Positivismo é o princípio da neutralidade científica, uma dimensão
que foi defendida e aclamada e ainda é, que explica o estudo da ciência e seus fatos
para conhecê-los de maneira absolutamente desinteressada TRIVIÑOS, (1987).
O Serviço Social em sua reformulação, defende que deve pesquisar a realidade e os
fenômenos para intervir sendo assim não os naturaliza. Mas o saber positivo naturaliza
a questão social e sugere a reforma para amenizar o sofrimento do proletariado.
A compreensão do Positivismo é que a luta de classe e os movimentos sociais, devem
ser reprimidos, são apenas fenômenos por si só, e enquanto tal, estão desvinculados
do conflito de classe, (a totalidade), com esse entendimento fragmenta as expressões

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da luta de classe. Porque essa corrente prima pela disciplina, rigor e ordem que são
essenciais para o crescimento moral e social.
Alguns elementos de valorização do método sociológico, científico e político
positivista.

Alguns elementos do método positivista


Fonte: RICHARDSON, (2012). Adaptado.

O método do Positivismo compreende que o cientista deve apenas observar a


realidade, por meio da experiência sensível, essa seria capaz de levantar dados concretos
sobre a realidade, não deve utilizar seu senso criativo e tão pouco argumentar, defender
posicionamentos etc. Enfim, manter-se neutro.
O conhecimento isolado, sobre os fenômenos isolados, parte da premissa que
a realidade não pode ser conhecida em sua totalidade, mas os cientistas podem
apenas interpretar a natureza, essa interpretação por si importa, pois o importante
era conhecer o fenômeno apenas.Para isso algumas disciplinas foram selecionadas
como a matemática.
Além da matemática, a física, a astronomia, a química, a biologia e a sociologia as
disciplinas eleitas como mais próximas da cientificidade que iriam ajudar a estabelecer
a ordem e leis na sociedade. As ciências humanas e sociais tinham pouca relevância no

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Positivismo e os aspectos religiosos também.Mas voltando às disciplinas, a sociologia


possuía um grande destaque.
A Sociologia, como física social, possui base no conhecimento feito de leis provadas
com base nos fatos. “Para a Sociologia, através do raciocínio e da observação, é
possível estabelecer as leis dos fenômenos sociais, como a Física pode estabelecer
as leis que guiam os fenômenos físicos”SILVINO,( 2007, p. 280).
Sobre algumas leis que a sociedade deveria seguir, Comte escreveu em 1855, a
obra “Apelo aos conservadores”, e definiu a Lei dos três estados, compreendida a
ideia-chave do Positivismo comtiano.

Lei dos três estados

Estado Teológico: o ser humano busca a explicação da vida através de entidades supranaturais,
no qual o imaginário e a criatividade humana se sobrepõe à racionalidade

Estado Positivo: esse estado não se preocupa com os motivos ou propósitos das coisas, mas sim
com a maneira como ocorre o processo;

Estado Teológico: o ser humano busca a explicação da vida através de entidades supranaturais,
no qual o imaginário e a criatividade humana se sobrepõe à racionalidade
Tabela 14- lei dos três estados
Fonte: https://www.preparaenem.com/filosofia/positivismo.htm Acesso em: 12 de nov. 2021. Por Francisco Porfírio

Em Comte, o modo de alcançar o conhecimento sociológico é através da observação,


o experimento, o modo como ocorrem as alterações dos acontecimentos, as diferenças
entre as sociedades e os seus respectivos estados de desenvolvimento.

ISTO ESTÁ REDE

Aula: O que é o Positivismo de Augusto Comte


Link: https://www.youtube.com/watch?v=wvkslsfuY4c
Descrição: Aula sobre o Positivismo, sua origem, principais características e
algumas influências dessa corrente nos dias atuais.

7.4 Na pesquisa

Para a análise dos fenômenos sociais, o Positivismo, determina que os fenômenos


podem ser analisados sim, mas a luz de instrumentos padronizados, através de dados
quantificáveis, que pode prever e determinar a ação humana. A pesquisa nas ciências

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sociais e no Serviço social trabalha com fenômenos e realidades que nem sempre
podem ser quantificáveis do ponto de vista numérico.
A pesquisa nas ciências sociais e no Serviço Social também necessita em seus
estudos de dados quantitativos para fundamentar outros dados, explicar o mundo, o
homem etc. A observação é muito valorizada nas suas investigações. O Positivismo
objetivava explicar os fenômenos à luz das técnicas das ciências naturais, assim, as
outras ciências tinham pouca importância.
Já nas pesquisas das ciências sociais, criaram-se instrumentos, e estratégias
(questionários, escalas de atitudes, escalas de opinião, tipos de amostragem etc.) e
se privilegiou a estatística e, através dela, o conhecimento deixou de ser subjetivo,
alcançando a desejada “objetividade científica”TRIVIÑOS,( 1987, p. 37).
A pesquisa na perspectiva do Positivismo, verifica fatos, descobre seus nexos, mas
não apresenta os resultados no sentido de contribuir com a coletividade ou área de
conhecimento. O Serviço Social depois da ruptura, avançou nessa perspectiva e percebe
que Serviço Social que deve ampliar sua compreensão de mundo, tem utilizado a
estatística como um elemento que vai enriquecer e ajudar a fazer maiores análises
na pesquisa.

Retrato de August Comte


Fonte: Fonte: https://www.filosofia.com.br/historia_show.php?id=111 Acesso em:08 de out. 3021.

Portanto, trazendo o Serviço Social para essa discussão, entendemos que a formação
faz leituras amplas da realidade ou determinado fenômeno, porque o marxismo como
corrente que orienta a profissão propõe isso.

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A leitura e a interpretação da realidade social, de indivíduo e coletivo, não ficam


isoladas se comunicam com as expressões culturais e suas realidades qualitativas e
quantitativas e a neutralidade não é mais um elemento que a profissão prioriza.

7.5 O Positivismo no Brasil

No período monárquico e escravocrata no Brasil, muitos filhos de famílias de grandes


fazendeiros foram cursar escolas superiores na Europa. Esses estudantes foram
influenciados pelas ideias positivas e as difundiram no Brasil. Em pleno século XIX,
estimulando as campanhas abolicionistas , encadearam o movimento que culminou
com a proclamação da República.
De acordo com Morim (1998, p. 88), apud (Santos; Santos. 2012) “a influência
do positivismo no Brasil, especialmente entre término do século XIX e início do XX,
seria uma fator decisivo nas várias formas ações na história do país e imprimia
suas propostas em livros didáticos.
Logo que foi proclamada aRepública, os positivistas procuraram organizar o novo
regime, introduziram ideias no estudo das ciências e ainda revisaram a filosofia com
o objetivo de romper com a tradição das humanidades clássicas na educação. Em
1970, com a escola tecnicista, a influência positivista é percebida SANTOS e SANTOS.
( 2012).
Segundo GÓIS JÚNIOR (2003) apud (SANTOS; SANTOS. 2012) os ideais positivistas
no país indicavam o progresso da consciência humana, contrariando os dogmas cristãos
que predominavam em detrimento do saber racional. Nesse sentido, o Positivismo
trouxe o progresso e a ciência.
Nas escolas militares, o positivismo achou terreno fértil para se expandir. Assim,
o Positivismo influenciou intelectuais, políticos e filósofos, se encaminhando para a
organização pelo fim da monarquia brasileira.
No Brasil, o positivismo encontrou um grande sucesso entre os meios acadêmicos
militares especialmente porque o país não tinha uma tradição em pesquisa científica.
SILVA, (1999) apud SANTOS e SANTOS (2012), afirmam que na ocasião , o país
passava por um um momento político de afirmação de uma nova burguesia
formada por intelectuais, médicos, engenheiros e militares, que lutavam contra
a monarquia, a influência da Igreja a postura feudal dos latifúndios.
O Positivismo incitou os ares da modernidade, da ciência e da pesquisa no Brasil.
Além da modernidade e progresso, o estimulo ao fim da escravidão. Essa corrente foi
uma das grandes responsáveis pelo avanço da ciência e da construção do método
científico e da Sociologia entre outros.

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ANOTE ISSO

Igreja positivista no Brasil


Fonte:https://oglobo.globo.com/rio/bairros/igreja-positivista-do-brasil-pretende-reabrir-templo-em-2019-23288804
Acesso em: 06 de nov. 2021.

Essa Igreja Positivista do Rio de Janeiro no bairro da Glória. O Positivismo


homenageia a ciência racional e as pessoas que contribuem para o conhecimento
humano. O prédio foi construído entre 1890 e 1897. Existem projetos para
reconstrução da igreja onde funcionará um instituto contanto a história da
passagem do positivismo no Brasil.
O “Templo da Humanidade”, esse templo foi tombado nas três âmbitos (federal,
estadual e municipal), como patrimônio histórico seu rico acervo desde 2009),
Museu da República Museu o Museu Casa de
Benjamin Constant, vinculados ao Ibram. A parceria com os museus objetiva a
remoção, higienização e catalogação das coleções, em boa parte inédita. o acervo
da IPB será encaminhado ao Museu da República para tratamento em sua reserva
técnica.
O trabalho técnico objetiva com a parceria ainda produzir novo conhecimento
sobre a história da república no Brasil intencionava em 2018 o historiador Marcos
de Brum Lopes, do Museu Casa de Benjamin Constant, um dos coordenadores
desse movimento, que estavam na fase de tomada de providências quanto aos
documentos.

Reportagem de Bruno Aragão


Fonte: Revista Museu Cultura levada a sério
Link:https://www.revistamuseu.com.br/site/br/noticias/nacionais/4228-22-02-2018-
museus-ibram-e-igreja-positivista-fecham-parceria-para-restauro-de-acervo.html

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A nova ordem que o Positivismo implantou no país e na França e Inglaterra, onde


teve importante destaque e se constituiu também em vertente ideológica para reafirmar
o capitalismo através da proposta de integração das classes, negação de conflitos
sociais, mas que possuía uma vigilante administração Pública dos conflitos, algo
contraditório. A almejada paz social era alimentada com projetos sociais para os
pobres reforçadas por práticas profissionais conservadoras bem intencionadas.
Apresentamos aqui uma exposição de ideias gerais do Positivismo, seu surgimento,
fundador, e o momento histórico e social do seu surgimento, sua relação com as
manifestações da questão social na Europa. Apresentamos em linhas gerais alguns
objetivos do Positivismo, citamos alguns elementos do seu método e uma brevíssima
explanação do positivismo na sociedade brasileira e algumas influências.
Vamos estudar sobre mais uma corrente fundamental na construção do conhecimento
científico de grande influência no mundo da fenomenologia.
Nesta aula estudamos sobre o Positivismo e algumas das suas características,
objetivos e a sua influência na sociedade e a sua tentativa de formar uma nova ordem
um novo homem. E sua influência no Brasil. Na próxima aula estudaremos o marxismo
e a fenomenologia.

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AULA 8
FENOMENOLOGIA-
IDEIAS GERAIS

Vamos estudar sobre a fenomenologia, nos manteremos nessas sucintas elaborações


sobre a fenomenologia de Husserl, sabendo que a fenomenologia possui várias
abordagens distintas, mencionaremos possíveis origens, ideias e objetivos desta
corrente de pensamento.
A fenomenologia que foi desenvolvida por Edmund Husserl (1859-1938), filósofo e
escritor, a fenomenologia influenciou a filosofia contemporânea e também algumas
correntes do pensamento extremamente populares nos tempos de pós-Segunda
TRIVIÑOS, (1987).
Na primeira metade do século XX a fenomenologia influenciou o mundo, e atualmente
ainda está presente na literatura e na filosofia. Ela renovou o pensamento e buscou
que esse pensamento fosse valorizado e compreendido em sua integralidade.
A fenomenologia era contrária aos métodos positivistas e psicologistas que
embasaram as pesquisas naquele período. O conceito de fenomenologia já estava
pronto, não foi criado por Husserl, foi utilizado por outros estudiosos como Hegel por
exemplo. O próprio Husserl foi influenciado por Hegel para desenvolver suas teorias.
A influência da Fenomenologia de Edmund Husserl foi relevante e hoje uma avaliação
da sua contribuição em toda a sua extensão e profundidade seria difícil. As ideias de
Husserl passaram a ser conhecidas pouco antes da Primeira Guerra Mundial e tiveram
o seu ápice por volta de 1920. Portanto, a fenomenologia de Husserl é, diríamos, a
fenomenologia moderna.
Teóricos como Heidegger, Sartre, Merleau Pojity, representam o existencialismo
ateísta, e, por outro, Van Breda, Mareei e Jaspers, etc, seguiram outra linha de
pensamento; a de crença em Deus, que se originou em Soeren Kigrkegaard (1815-
55), ele discute que o mundo íntimo do ser humano é caracterizado, por angústia,
temor, desesperação etc.(TRIVIÑOS, 1987).
Enfim, esse movimento todo, é para que o estudante (a) saiba que houve várias
abordagens da fenomenologia e influências notáveis e complexas que destacaram
muitos pensadores.

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Esses pensadores, mesmo separados por diferenças de ideias sobre a fenomenologia,


eram unidos também em torno dela, cada qual em seus círculos e iam acrescentando
as suas contribuições a essa corrente. Vamos ficar aqui com uma breve apresentação
da fenomenologia a partir de Edmund Husserl, e onde ele foi buscar base para suas
elaborações?
As origens da filosofia de Edmund Husserl, acredita-se que possam vir provavelmente
de Platão, Leibnitz, Descartes e Brentano. De Franz Brentano (1838-1917), filósofo
idealista austríaco, a intencionalidade seria para o estudioso dos um conceito da
fenomenologia de Hassel. Ele defendia a concepção de que o fato da mente estar
dirigida para algo é “intencional” TRIVIÑOS, (1987).
Portanto a fenomenologia é um estudo que fundamenta o conhecimento dos
fenômenos da consciência. Assim presume- se que, todo conhecimento se origina a
partir de como a consciência interpreta os fenômenos.
Assim, essa corrente lança consigo uma nova concepção do conhecimento, e de
representação do mundo. E o que seria então um fenômeno? Já respondemos.
Assim, foram acontecendo desdobramentos da fenomenologia, ela exerceu grande
influência na filosofia contemporânea e em algumas correntes do pensamento como
o existencialismo que buscou bases nas ideias fenomenológicas.
A fenomenologia via como uma das suas grandes funções a de reconstruir a função
da filosofia de valorizar o pensamento e o questionamento.
E também como “aspiração ao conhecimento racional lógico e sistemático da
realidade natural e humana da origem e causa do mundo e de suas transformações
da origem e causa das ações humanas e do próprio pensamento”CHAUÍ, (2001, p.20).

8.1 Três vertentes da Fenomenologia

O Realismo- a representação que fazemos das coisas está subordinada aos objetos
em si mesmo, ou as coisas em si mesma e apreendidas pelos sentidos e depois
registradas pelo intelecto de tal modo que ponto de partida para o conhecimento é
objeto ,as coisas nelas mesmas. SILVA1, (2014).
O idealismo se atém na definição de Silva2(2014) a primazia do sujeito, da mente,
das ideias que constituem um ponto de partida para reconstituição de um acordo entre
as coisas e a mente, entre o objeto e o sujeito, uma correspondência que se estabelece
1 Entrevista no programa Café filosófico em 13 de outubro de 2014 com o Filósofo Franklin Leopoldo e Silva, Sobre fenomenologia. Em:
https://www.youtube.com/watch?v=5sCBjUvwZGA
2 Entrevista no programa Café filosófico em 13 de outubro de 2014 com o Filósofo Franklin Leopoldo e Silva, Sobre fenomenologia. Em:
https://www.youtube.com/watch?v=5sCBjUvwZGA

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a partir das análises das ideias e me fazem chegar a uma certa conformidade entre as
ideias e as coisas.
A filosofia de Kant procurou uma solução de meio termo que procurou solucionar esse
impasse entre o idealismo e o realismo. Redistribuindo as funções do conhecimento, tentando
entender qual é o contributo que o próprio objeto as coisas dão para o conhecimento e qual
é a contribuição que o próprio sujeito ou a mente fornece ao processo de conhecimento.
3
SILVA, (2014).
Assim, a fenomenologia configura o conhecimento como um trabalho conjunto entre a
apreensão sensível das coisas mesmas, e do nosso intelecto que formaliza essa apreensão
resultando em uma síntese desses elementos objetivo e subjetivo. O conhecimento mesmo
sendo captado de determinado contexto, fica a cargo do sujeito fazer suas próprias análises
e concluir algo dali por si mesmo, utilizando sua capacidade intelectual.
A noção da relatividade do conhecimento, sendo o conhecimento algo que ao menos
formalmente se formaliza de modo formal se estrutura por meio do sujeito, mecanismos
lógicos por meio da mente ,tem a ver com o sujeito, isso Kant chamou de fenômeno, a
realidade não como ela poderia ser em si, mas tal como ela aparece para nós.
Agora podemos responder oque é um fenômeno, necessitamos fazer essas elaborações
preliminares. O que é um fenômeno[1]? “Acontecimento passível de observação;
manifestação, sinal, sintoma: fenômeno da natureza. [Filosofia] Tudo o que está sujeito
à ação dos nossos sentidos, ou que nos impressiona de um modo qualquer (física,
moralmente). etc.
Portanto, para Husserl, o mundo só pode ser compreendido a partir da forma como
se apresenta, quer dizer, como aparece para a consciência humana. Não existe mundo
em si e muito menos uma consciência em si. A consciência é incumbida de dar sentido
às coisas, aos fenômenos, objetos. Mas o que a fenomenologia almeja?

Retrato de Edmund Husserl.


Fonte: https://www.todamateria.com.br/fenomenologia/ Acesso em: 08 de out. 2021.

3 Entrevista no programa Café filosófico em 13 de outubro de 2014 com o Filósofo Franklin Leopoldo e Silva, Sobre fenomenologia. Em:
https://www.youtube.com/watch?v=5sCBjUvwZGA

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8.2 O que pretende a fenomenologia?

A fenomenologia almeja obter uma descrição da experiência da forma como ela é,


sem priorizar as questões psicológicas, da experiência, que poderiam ser dadas pelos
especialistas dessa área. Desse modo, o importante mesmo é orientar-se ao que é
dado diretamente à consciência TRIVIÑOS, (1987).
Na psicologia, a fenomenologia tem por base um método que tenciona entender as
experiências dos pacientes no mundo em que vivem, e também busca compreender
como os pacientes percebem o mundo à sua volta.
Conforme já mencionamos, a premissa da fenomenologia é a ideia de intencionalidade,
da consciência, que sempre está direcionada a um objeto em especial, isto tende a
reconhecer o princípio que não existe objeto sem sujeito TRIVIÑOS, (1987).
Assim, Husserl compreende que as coisas do mundo não existem simplesmente
por elas mesmas, o mesmo é aplicado para a consciência, que não possui uma
independência dos fenômenos. Existe crítica importante quanto à separação entre
sujeito e objeto, tradicional das ciências.
Husserl define que o conhecimento é elaborado com bases diversas e em pequenas
perspectivas da consciência, conforme sua organização, dessas são retiradas as suas
particularidades, criam a intuição sobre a essência de um fato, ideia ou pessoa esse
resultado são os fenômenos da consciência.
Para dar um exemplo, imagina-se um círculo, como forma geométrica. Esse círculo,
não se considera seu tamanho, seja grande ou pequeno não importa, sempre será
um círculo em essência na mente de um indivíduo.
Temos abaixo na figura a explicação de Triviños que vai além dos fenômenos.

Fenomenologia
Fonte: TRIVIÑOS,(1987). Adaptado.

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Husserl afirma que a atitude natural, não-fenomenológica, faz o homem olhar o


mundo de maneira ingênua como mundo dos objetos. A fenomenologia, ao contrário,
busca uma fundamentação totalmente nova, não só da filosofia, mas também das
ciências singulares e para essa mudança ele faz uma proposta.

8.3 Redução da existência/chegar à consciência

O primeiro passo do método fenomenológico de Husserl ocorre quando o indivíduo


consegue abster-se da atitude natural, e assim colocando o mundo entre parênteses
ou digamos, em “suspensão”. Isso não significa invalidar a sua existência, mas
metodicamente renunciar ao seu uso em determinado momento ZILLES, (2007).
Após essa “suspensão”, ou essa redução fenomenológica, a corrente de vivências
puras que permanecem, constata que a consciência é consciência de algo. Esse algo
se chama de fenômeno.
Assim, o indivíduo tem o acesso metodológico de acordo com Zilles (2007) à
subjetividade transcendental Husserl a denomina de redução transcendental, como
a “suspensão” da crença na existência das coisas e do mundo natural e de tudo que
envolve essa ligação, o objetivo nesse processo é chegar a consciência pura em que
o seu sentido, o mundo, se transforma em mero objeto intencional.
Através dessa redução a existência efetiva do mundo exterior é colocada entre
parênteses, para que a investigação se ocupe apenas com as operações realizadas
pela consciência, sem perguntar se as coisas visadas por ela existem realmente ou
não” ZILLES, (2007, p.219).
Essa elaboração gira como vimos, no sentido de compreender essas operações,
de modo natural, “mas também filosoficamente segundo a qual o mundo está
sempre “aí”, antes da reflexão, como uma presença inalienável, e cujo esforço está
em reencontrar esse contato ingênuo com o mundo para lhe dar enfim um status
filosófico” TRIVIÑOS,(1987, p. 43).
Aqui percebemos a valorização e o destaque que Husserl que dar a filosofia, ele
a enaltece como uma “ciência exata”, trazendo nessa construção que conforme
TRIVIÑOS,(1987) se refere a uma exposição do espaço, do tempo e do “mundo vivido”.
É algo ousado porque é “o ensaio de uma descrição direta de nossa existência, sem
nenhuma consideração com sua gênese psicológica e com as explicações causais

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que o sábio, o historiador ou o sociólogo podem fornecer dela” TRIVIÑOS, (1987, p.


43). Tudo partindo do conhecimento e visão pessoal de cada um.
Todo esse movimento possui o propósito do conhecimento de si, e do mundo, dos
fatos reais e tudo que se encontra diante de nós e, da maneira mais imediata e direta
de forma sensível, mas o mundo e seus fenômenos são anteriores ao pensamento.
Assim a reflexão é uma forte presença nesse processo.
Assim, a consciência visa estabelecer contato com esse mundo, verificar como as
coisas do mundo se apresentam à consciência e captar as suas particularidades e a
essência dessas coisas.

Percepção e sentidos.
Fonte:https://br.freepik.com/fotos-gratis/concurso-foto-do-jovem-casal-homem-beijando-mulher-na-testa_8741510.htm#page=1&query=sentir&position=1&from_
view=search

A fenomenologia se propõe a perceber a essência das coisas, fenômenos, objetos


que se apresentam através dos sentidos, o modo esses são percebidos no mundo, tem
a ajuda da consciência como um ato intencional, e sua essência é a intencionalidade.
E a significação que dada ao mundo ou a realidade é um correlato intencional da
consciência. O Mundo e a realidade existe apenas para o EU e aqui está a subjetividade.
De acordo com Triviños (1987), a fenomenologia é o estudo das essências das
coisas e nessa perspectiva todos os problemas tornam a definir a essência e ainda é

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uma filosofia que substitui a essência pela existência é assim e também a descrição
direta da experiência da maneira como ela se apresenta no real.

8.4 Fenomenologia na pesquisa

Na pesquisa o uso dessa corrente teórica, Gil (2011) menciona que a falta de
planejamento rígido e a não utilização de técnicas estruturadas para coleta de
dados, algo característico dessas pesquisas, a subjetividade se destaca em peso na
interpretação dos dados.
O que para Husserl seria valorizado com a “suspensão das atitudes, crenças e teorias
- a colocação “entre parênteses” do conhecimento das coisas do mundo exterior - a
fim de concentrar-se exclusivamente na experiência em foco, no que essa realidade
significa para a pessoa”(GIL, 2008, p.23).

ISTO ESTÁ REDE

Vídeo: Café filosófico/ fenomenologia e existencialismo


Link: https://www.youtube.com/watch?v=5sCBjUvwZGA
Descrição: Aula ministrada pelo professor Franklin Leopoldo e Silva sobre a
fenomenologia de Edmund Husserl, sua conceituação, suas principais ideias e
elementos, a importância dessa tendência filosófica e a valorização que ela deu ao
pensamento e a tentativa do seu fundador reconstruir a filosofia. Nessa dinâmica
traz também o existencialismo com a sua continuação em Sartre e as influências
da primeira sobre a segunda, sua aproximações e distanciamentos.

O pesquisador da corrente fenomenológica não realizará pesquisas para, por exemplo,


fazer elaborações maiores que traga elementos das manifestações da questão social
em sua complexidade e correlação com elementos que lhes diz respeito, como a
historicidade, a os conflitos de classe etc., porque esse assunto é conexão não é a
preocupação da fenomenologia.
Quando a realidade do sujeito se apresenta através da compreensão que ele possui de
si, dos fenômenos e do mundo, muitas vezes essa interpretação pode se ousada, mas
também pode ser um limitador para a sua evolução e expansão desse conhecimento em
um mundo dinâmico, e requer sempre novas atualizações compartilhadas dependendo
da intencionalidade do que se busca.

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Aí o pesquisador deve estar focado em obter conhecimento a partir da realidade


do sujeito por ele mesmo, as interpretação, os questionamentos, as discussões vão
girar em torno dos significados dele, as relações com o contexto e com o mundo
serão apenas no conhecimento e na sua visão. Assim o pesquisador deve procurar
conhecer o mundo cultural e o modo vida do sujeito.
Na pesquisa educacional e o mesmo se aplica no Serviço Social TRIVIÑOS, (1987).
Contempla as algumas questões de ordem natural, mas não inclui a historicidade na
interpretação, dos fenômenos, sua omissão do estudo da ideologia, dos conflitos sociais
de classes, da estrutura da economia, das mudanças fundamentais, por priorizar a
exaltação da consciência etc.
O homem e a forma como observa o mundo é o objeto de intervenção, desse modo
as análises se comprometem com a manutenção da ordem vigente e a invalidação
da Questão Social, enquanto, um processo socialmente produzido, político, histórico,
econômico e ideológico GONDIM et al, (2018).
Mas por outro lado a fenomenologia mesmo não fazendo essas relações possui
um importante conceituação e estrutura para o pesquisador na sua teorização de
pesquisa porque possui um importante arcabouço filosófico em sua constituição de
entendimento do ser.
Já na prática profissional do Serviço Social, a fenomenologia apresenta um
entendimento da questão social com uma proposta de análise que permanece centrada
no sujeito e como ele percebe a realidade. E como viria essa mudança se o Serviço
Social trabalhar nessa perspectiva.
Individualmente poderia vir a mudar a sua perspectiva em relação à realidade vivida,
mas sem a intervenção social que basicamente consistiria em o profissional acolher,
ouvir, observar e descrever a situação do indivíduo, sem situá-lo quanto às questões
de poder, de gênero, dominação e os fenômenos sociais estruturais entre outros.
Mas há também o contraponto; algumas teorizações sobre o despreparo intelectual
dos profissionais do serviço social, de como absorveram o pensamento fenomenológico,
ainda na institucionalização da profissão. Algo que não temos elementos para discutir,
apenas citar para o estudante/a buscar se houver interesse.
O pensamento filosófico é muito complexo e possui vários desdobramentos e
correntes. Portanto o que a profissão absorveu contribuiu para o posicionamento de
reforçar as práticas tradicionais e conservadoras, e delas boa parte dos profissionais
buscava superar.

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Apontamos aqui algumas ideias sobre a fenomenologia, seu conceito, surgimento,


fontes históricas, e correntes e influenciadoras e seus principais atores, alguns objetivos
da fenomenologia no final fazemos alguns apontamentos sucintos relativos a pesquisa
e a prática profissional do Assistente Social.
Do ponto de vista fenomenológico a intuição deve guiar o pesquisador quando este
for ele for pensar e conduzir sua investigação científica, seja no exercício da escolha do
seu tema, problema e hipóteses, a utilização das categorias de análises teóricas etc.
Na utilização do método fenomenológico sua aplicação consiste em focar no que
é apresentado, seja um humano ou um objeto ou realidade, mas tudo gira em torno
de como o sujeito o percebe.
A percepção do sujeito não pode ser orientada ou ter qualquer tipo de interferência,
sem nenhuma regra de observação. O estudo tem que ser conduzido assim em torno
da percepção do sujeito, ou seja, estuda-se desse modo o fenômeno em si e como
ele aparece.
O pesquisador que for trabalhar com a abordagem fenomenológica deve:

(..)o pesquisador espera ir além do mundo das aparências e dos


conhecimentos teóricos e se aproximar da experiência humana
sob novas perspectivas para apreendê-la a partir de sua dimensão
existencial, da “ek-stase”, que se anuncia velada. Busca caminhos
que o conduzirão mais próximo do sentir e do pensar de quem
vivencia uma determinada situação, evidenciando, assim, a condição
ontológica do ser humano que está existindo numa experiência
mundana e atribuindo-lhe significados GRAÇAS, (2000, p.28).

E desse modo,inicialmente situar o fenômeno, significa que um sujeito deve


descrever sua vivência/experiência em uma dada situação. É a partir das narrativas
deste sujeito “”.se busca uma aproximação com a essência ou estrutura do fenômeno.
Na experiência do sujeito, portanto, o fenômeno se mostra como essência vinculada
à existência,GRAÇAS, (2000,pp.28, 29).
Para atingir esse objetivo, deve ser percorridos três momentos fundamentais na
trajetória proposta ao pesquisador:
A descrição, a redução e a compreensão fenomenológica GRAÇAS,(2002) que
apesar de descritos em partes, tais momentos não devem ser visualizados como
sequenciais, pois os modos de proceder do investigador estão associados como uma
fusão que se executam no momento da pesquisa.

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O pesquisador /a desenvolvendo seu trabalho com o sujeito deve manter a postura


ética e compreendê-lo a partir da realidade que expressa, considerando e respeitando
seu estágio de conhecimento.

Para conhecer e compreender a experiência vivida pelas pessoas


a serem investigadas, o pesquisador deve propor-lhes uma questão
suficientemente clara, a fim de poderem entender o que delas se
pretende e, ao mesmo tempo, bastante ampla para se expressarem
livremente sobre o fenômeno interrogado. Com o propósito de garantir
ao máximo a liberdade dos depoentes, é preciso atentar-se para que não
haja condução e nem interrupção dos relatos que só devem se encerrar
quando os mesmos deixarem claro que nada mais têm a dizer em relação
à pergunta norteadora GRAÇAS, (2000, p.28, 31).
Graças (2000) menciona que na investigação fenomenológica, o número de
participantes de sujeitos fica definido de acordo com a compreensão do fenômeno
investigado.
Desse modo, o pesquisador só se finaliza a coleta dos depoimentos quando estes
se “mostrarem suficientes para elucidar o fenômeno, o que ficará evidente no instante
em que os discursos começarem a se repetir e não surgirem mais descrições que
tragam novos conteúdos significativos para o seu desvelamento” (GRAÇAS, 2000,p. 31).
Caro estudante (a), todas as correntes filosóficas têm ensinamentos e alguns
dos seus elementos podem não figurar como já figuraram no nosso modelo padrão
estabelecido de investigar hoje, mas alguns já fizeram sentido em outros tempos nem
tão distante assim.
A filosofia e alguma corrente que lhes seja atraente, busque, estude, vão sempre
acrescentar além disso, vão fazer uma revolução de abertura intelectual. Procure
conhecer as correntes, as contra-correntes com a postura de pesquisador, ou a postura
que quiser,mas vá procurar, você vai se surpreender sempre. Não deixe de fazer suas
análises críticas e busque peças e fios condutores para os dias atuais nesse processo.
Nesta aula estudamos a fenomenologia, seu sentido diante da necessidade do
momento histórico. Apresentamos de maneira geral, sua origem, e citamos alguns
influenciadores da fenomenologia, seu objetivo a partir de Husserl, ela é um mundo
vasto e como qualquer corrente filosófica bem complexa a princípio.
Estudaremos nesta sequência o marxismo que o estudante já conhece, e vai estudar
um pouco mais.

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ISTO ESTÁ NA REDE

Aula: Fenomenologia no Serviço Social


Link: https://www.youtube.com/watch?v=VQ15LnvOjQc
Descrição: O professor faz uma explanação sobre a fenomenologia e sua utilização
no Serviço Social e os elementos que ainda imperam na prática profissional. Traz
também ideias do Positivismo e do marxismo, suas aproximações ou não com a
fenomenologia na profissão.
Acesso em: 12 de nov. 2021.

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AULA 9
MARXISMO: IDEIAS GERAIS

Vamos estudar um pouco sobre outra importante corrente filosófica que influenciou
o Serviço Social, sua prática, ensino, currículo e pesquisas. As correntes citadas tiveram
suas influências no Serviço Social, o marxismo, ocupou espaço e mantém orientado
até hoje a bases da profissão, no seu entendimento de mundo, sociedade , indivíduos
e coletivos etc. Estudaremos a sua formação, principais ideias, algumas categorias.
Karl Marx (1818-1838) veio de uma linhagem judeus, de uma pequena cidade
alemã de Trier. Marx podia ter se tornado um religioso, mas resolveu tornar-se filósofo,
economista e político e militante.
Karl Marx ao fundar a doutrina marxista na década de 1840, revolucionou o
pensamento filosófico, especialmente pelas conotações políticas explícitas nas suas
ideias, historicamente essa seria a primeira fase dessa corrente filosófica.
A segunda fase do marxismo, une o trabalho de Marx com o de Friedrich Engels
(1820-1895), na terceira fase do marxismo, juntam se a obra Vladimir Ilich Lênin
(1870-1924) e contribuiu com as bases ao que hoje se denomina marxismo-leninismo
TRIVIÑOS, (1987).
O quarto período na existência do marxismo; o marxismo contemporâneo, mostra
que muitas tendências vieram se incorporar a ele, em especial as ideias soviéticas e
chinesas.
As mudanças no marxismo devem –se em partes, as análises sociais que seus
teóricos iam fazendo em face das importantes mudanças históricas e as alterações
trazidas pelo desenvolvimento, a tecnologia e, principalmente, a globalização e da
expansão do capitalismo que pedia novos estudos e atualizações.
A Revolução Russa foi Podemos dizer que foi um elemento fundamental da influência
dessa corrente filosófica que se expande e chega praticamente em todos os continentes.
Nos países que penetrou política, a economia, educação e áreas do conhecimento
foram influenciados, sociologia, como a filosofia a economia e outras áreas do
conhecimento das ciências humanas e sociais como a educação e o Serviço social etc.

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Um dos objetivos do marxismo é a criação de Estado forte, com um governo


socialista, pondo fim a propriedade privada e domínio dos meios de produção e da
produção por umas únicas classes sociais, onde a classe trabalhadora assumiria
propriedade que se tornaria coletiva.
O marxismo compreende, precisamente, três elementos a saber: o materialismo
dialético, o materialismo histórico e a economia política. Abordaremos sinteticamente
os dois primeiros, no decorrer da aula o estudante compreenderá que o trabalho,
a econômica e a política permeiam essa discussão. Deixamos material para esses
estudos.
E para mais elementos o estudante (a) deve sempre pesquisar, a princípio essa
corrente filosófica parecer de difícil entendimento, pela linguagem, e possui fases
distintas, agrega elementos diferentes.
Mas eles estão sempre conectados com as interferências dos elementos históricos
sociais e políticos etc. há muitos teóricos com maneiras particulares de tratar do tema
que facilita a compreensão.

9.1 Influenciadores do marxismo

Normalmente como todas as correntes filosóficas o marxismo para se constituir


tiveram a contribuição de várias linhas de diferentes pensamentos que por sua
vez incorporam pensamento de sociedades antigas e não europeias. Até porque o
conhecimento europeu se constituiu das antigas civilizações que foram sua grande
fonte de base para construção do conhecimento científico.

Algumas influências do marxismo

As ideias idealistas de Hegel (1770-1831) Partia da compreensão que os fenômenos da natureza


e da sociedade tinham sua base na Ideia Absoluta.

O idealismo clássico alemão (Hegel, Kant, Schelling, São compreendidas como fontes diretas na formulação
Fichte), o socialismo utópico (Sajjit-Simon e Fourier, do marxismo.
na França, e Owen, na Inglaterra) e a economia
política inglesa (David Ricardo e Smith).

A concepção materialista da realidade A ideia materialista do mundo reconhece que a realidade


existe independente da consciência .
Tabela -15 - Ideias que influenciaram o marxismo
Fonte: TRIVIÑOS, (1987, p.54).

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Marx utilizou de Hegel muitos conceitos para a elaboração do marxismo, um deles


foi o de alienação para a explicação e compreensão da realidade. “Mas, ao invés de
vincular essas ideias ao espírito absoluto hegeliano, desenvolveu-as dentro de sua
concepção materialista do mundo” TRIVIÑOS, (1987, p.54).

ISTO ESTÁ REDE

Livro: Friedrich Hegel/ Jürgen-Eckardt Pleines; Sílvio Rosa Filho (org.). – Recife:
Fundação Joaquim Nabuco, Editora Massangana, 2010. Coleção educadores.
Link: http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/me4671.pdf
Descrição: A obra fala sobre a sociedade, a civilização ética e espiritual da arte e
da ciência, dentro da sociedade, Fala o espírito de indivíduo, povo e humanidade.
A meta da educação para fazer do homem um ser independente, a antropológica
para explicar as idades da vida em geral, as idades da vida. Fala sobre As forças
do hábito, e a autoconsciência, a dominação e servidão, espírito prático, direito,
Moralidade, deveres para consigo e com os outros etc. É uma obra voltada para a
educação, mas traz muito do pensamento de Hegel e contribui para o conhecer seu
pensamento e fala de muitas coisas.

Na concepção materialista do mundo, Marx define que a consciência é um produto


da matéria, e o mundo se reflete nela, o que possibilita o homem de conhecer o
universo.Ou seja, as ideias e a consciência não determinam o homem, mas ele que
tem poder de ação e mudança sobre elas.
Esse pensamento foi muito difundido pela Europa e pelo mundo, mas o termo
marxismo não foi criado por Marx nem Engels, foi se constituindo porque Marx se
destacou na fundação e desenvolvimento de estudo e devido a sua atuação que se
ampliou muito no fim do século XIX, após a formação de grandes sindicatos operários.

Retrato de Kar Marx


Fonte: https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/quem-foi-karl-marx.phtml Acesso em: 09 de out. 2021.

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De acordo com Triviños (1997), o materialismo histórico é a ciência filosófica do


marxismo que se dedica ao estudo das leis sociológicas que representam a vida em
sociedade, e também o movimento da história da humanidade.

9.2 O materialismo dialético

O materialismo dialético enfoca em seus princípios a matéria e a transformação


dessa matéria pela prática social através do método tendo como base os referenciais
filosóficos, para a interpretação da realidade e do movimento da sociedade, esse
movimento é captado e apreendido pela consciência TRIVIÑOS, (1987).
Essa elaboração contou com as ideias de Hegel, a concepção de Ideia Absoluta,
Marx levou para a elaboração do seu método, partindo da premissa de que leis gerais
comandam a natureza, a sociedade, o pensamento. Estudando as leis gerais que
comandam a natureza, a sociedade e o pensamento e como ele se reflete na consciência
humana e pode promover mudanças TRIVIÑOS, (1987).
Hegel parte do princípio de que a razão domina o mundo e possui a função de
unificar, conciliar e manter a ordem no todo. Mas em contraposição, nesse movimento
existe a contradição, conceito marcante que é a posição dos contrários, a contradição
se efetua em um processo que cria, transforma o mundo, a sociedade, as coisas e
as consciências.
Portanto os conceitos de alienação, os outros citados vieram de Hegel que na
concepção dialética, foram utilizados para categorização e compreensão da realidade.
“Mas, ao invés de vincular essas ideias ao espírito absoluto hegeliano, desenvolveu-as
dentro de sua concepção materialista do mundo” TRIVIÑOS, (1987, p.50).

Algumas categorias
Fonte: TRIVIÑOS, (1987. p. 55).

Essas categorias representam a conscientização através dos “conceitos dos modos


universais da relação do homem com o mundo, que refletem as propriedades e leis
mais gerais e essenciais da natureza, a sociedade e o pensamento” TRIVIÑOS, (1987.
p. 55). Alguns desses conceitos serão enfatizados logo mais.

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Silva (2007) trazendo o Serviço Social quanto às categorias, que são mais do que
construções teóricas feitas pela razão e sistematizadas em “títulos conceituais”, e
também são reconstruções possíveis da dinâmica do real conforme a historicidade.
O teórico segue afirmando que os assistentes sociais e outros profissionais/
pesquisadores (as) lidam com temas e objetos de estudo no contexto do trabalho, e
da realidade, geralmente imbricados com a vida de seres sociais, tendo as categorias
ao seu dispor para fazer suas leituras e as transpõe para as suas pesquisas.
Assim as categorias se formaram no desenvolvimento histórico do conhecimento
e na prática social. O sistema de categorias é muito utilizado no marxismo e surgiu
da unidade do histórico e do lógico, e movimento do abstrato ao concreto, do exterior
ao interior, do fenômeno à essência TRIVIÑOS, (1987, p. 55).
Tendo em vista um cenário um pensamento socialista que já permeia a Europa
industrial, diante disso o marxista defende a descentralização dos meios de produção
(indústrias) e condições dignas de trabalho e vida da classe operária, e sua libertação
do sistema explorador capitalista.

Materialismo dialético
Fonte:TRIVIÑOS, (1987).Adaptado.

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Caro estudante (a) A filosofia e as correntes filosóficas podem aparentar uma certa
dureza nos seus conceitos e pressupostos, mais o estudante (a), deve dedicar um
tempo para ler e compreendê-las, com paciência e uma reserva de tempo, com se
você chegou até aqui e porque é um curioso (a), ama o conhecimento.

9.3 O materialismo histórico- alguns objetivos gerais

Marx e Engels colocaram pela primeira vez, em sua obra Na obra A ideologia alemã
(1845-46), Triviños (1987) as bases do materialismo histórico e teceram uma crítica
às ideias dos jovens hegelianos e Feuerbach que tinham a concepção que a história
era produto da ação de heróis.
Algo para Marx e Engels, em desacordo com o mundo real e suas e suas elaborações
de pressupostos reais: constituem-nos “os indivíduos reais/ sua ação e suas condições
materiais de vida, tanto aquelas por eles já encontradas como as produzidas por sua
própria ação” Marx-Engels, (2007, p. 86-87) apud (Neto, 2011, p.30).
Para Marx e Engels esses jovens perdiam tempo não se formando em fontes
importantes, como os fundamentos verdadeiros da sociedade e suas relações sociais,
econômicas, culturais e o modo de produção etc.
De acordo com o pensamento de Marx e Engels, o materialismo histórico, produto
da força das ideias, era capaz de promover mudanças nas bases econômicas. Nessa
base menciona a ação dos partidos políticos, da junção humana nos fundamentos
materiais dos grupos sociais. (Triviños, 1987). Assim é a atuação da consciência na
matéria, pelos meios concretos de vida; a produção, as relações sociais etc. pela ação
prática de mudança.
De acordo com Triviños (1997), o materialismo histórico é a ciência filosófica do
marxismo que se dedica ao estudo das leis sociológicas que representam a vida em
sociedade, e também o movimento da história da humanidade.
O Materialismo Histórico teve importante significado e oportunizou significativas
mudanças na interpretação dos fenômenos sociais. Marx e Engels cunharam essa
teoria marxista.
Ela compreende que a humanidade se define por sua produção material, da criação
dos seus meios de vida, transformando a natureza para essa materialização, o homem
se destaca criando a si próprio também, daí vem a palavra “materialismo”.

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9.4 Características do Materialismo Histórico

Como já mencionamos, Marx objetivava fazer com que os trabalhadores


promovessem uma revolução social que subvertesse a ordem vigente de poder da
classe dominante sobre a classe dominada.
Nessa perspectiva, uma marca essencial do entendimento do materialismo histórico
é a mudança social, que o proletariado possa chegar ao poder e definir um governo de
uniformidade social.Trazendo a história nessa compreensão da sociedade moderna
ressalta a história da luta de classes, e a relação dialética entre elas, ao nome da
teoria marxista.

ser social Está relacionado à relação material dos homens individual e coletivamente

Se refere às ideias das mais variadas procedências; políticas, culturais,


consciência social
econômicas etc.

Envolve os instrumentos que os homens utilizam para produzir bens


meios de produção
diversos, energia ,máquinas, etc.

Forças produtivas Os meios de produção; estão relacionados com as

Podem ser de relações mútuas de cooperação, Os vínculos que se


As relações de produção
estabelecem entre os homens nessa dinâmica etc.

Desde a comunidade primitiva, escravismo, feudalismo, capitalismo,


Ao modos de produção
comunista e seus diversos desdobramentos
Tabela- 16 conceitos
Alguns conceitos do materialismo histórico
Fonte: Triviños (1997). Adaptado.

Há uma dinamicidade e ligação nesses conceitos que traduzem o modo dialético


da vida social e suas relações onde o homem está ativamente ligado a elas, como,
na produção e reprodução de ideias que se tornam concretas dentro de relações
também concretas sobre a influência de muitos fenômenos. E a teoria nesse sentido
também tem seu valor.
“Assim, a teoria é o movimento real do objeto transposto para o cérebro do pesquisador
- é o real reproduzido e interpretado no plano ideal (do pensamento)”NETO, (2011, p.21).
O pesquisador em Serviço Social vai pesquisar alguns recortes da sua prática
que vão está diretamente relacionado às manifestações da questão social, e tem a
articulação teórica para ajudar a explicar à sociedade o sujeito social O pesquisador
faz toda essa correlação com sua área de conhecimento, objeto de estudo e objetivos

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de estudo etc.De modo geral a concepção materialista apresenta três características


(categorias) importantes a destacar:

3 características do Materialismo Histórico


Fonte: (TRIVIÑOS, 1987). Adaptado.

Um dos conceitos importantes é o conceito matéria, sobre ela Lênin diz que
representa a “realidade objetiva que é dada ao homem nas suas sensações, que é
copiada, fotografada, refletida pelas nossas sensações, existindo independentemente
delas” TRIVIÑOS, (1987, p. 58).
Já a categoria consciência é uma propriedade da matéria que representa um
elemento altamente complexo e organizado que existe na natureza, a do cérebro
humano, conforme Triviños (1987, p.62). Uma particularidade que surgiu como resultado
de um longo processo de mudança da matéria.
A classe trabalhadora, por exemplo, opera a produção material de quase tudo com
sua força de trabalho, e que muitas vezes é excluída do sistema de oferta educativa,
saúde, segurança, habitação etc.
Não consegue muitas vezes acessar o que é dela por direito, apesar da sua
participação também na manutenção da estrutura social, com impostos diretos ou
indiretos. Essa classe tem consciência dessa situação? Entendemos que a consciência

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é uma construção dinâmica de si, da coletividade de acordo com o contexto e a


estrutura dos fenômenos.
O trabalhador não se vê como criador da riqueza, apenas como alguém que vende
a sua força para a construção do capital, e toda essa materialidade se reflete na
consciência dos homens como se a riqueza unicamente do capital IAMAMOTO; e
CARVALHO,( 2007).
As relações sociais de empregado e empregado, não deixam compreensíveis essa
dinâmica para o trabalhador dependendo do estágio de consciência constituído, ali
produzindo no interior relações sociais no trabalho, esse processo é encoberto e
mistificado, não aparece ou não fica claro para o trabalhador, a materialização de
tempo, o trabalho não pago pelo capitalista etc. IAMAMOTO e CARVALHO, (2007).

9.5 O método em Marx

O método em Marx é um método científico no qual Marx vai estudar a sociedade


burguesa, esse estudo durou aproximadamente 15 anos. No método Marx formula
com precisão os elementos centrais, que resultaram em uma grande pesquisa(NETO,
2011).
Essa pesquisa engloba todas as fases do marxismo materialismo histórico,
materialismo dialético etc. Como sabemos o método é algo comum a qualquer ciência,
assim o marxismo tem o método em Marx, que foi sistematicamente desenvolvido
dentro de todo rigor científico. Marx estudava muito.
O objetivo de Marx com o método; uma análise concreta da sociedade moderna
estabelecida na Europa na transição dos séculos XVII ao século XX e com isso descobrir
sua dinâmica e a estrutura, e o modo como essa sociedade operava detendo os meios
de produção e do capital, enquanto havia grande crescimento e desenvolvimento
econômico, e ao mesmo tempo, havia muita gente vivendo miseravelmente. Isso
intrigou Marx.
Marx nesse processo foi fazendo um acúmulo de conhecimento. Começou pelo
concreto, ou seja, pelo real. “Os pressupostos desenvolvidos ao longo dos anos 1840
encaminham elaborações teóricas que são redefinidas, revisadas, aprofundadas etc”
NETO, (2011, p. 55).
A pesquisa foi avançando, sendo revisada em atenção às mudanças nos fenômenos
sociais e o movimento de suas engrenagens, conforme os encaminhamentos históricos.

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Algumas fontes foram fundamentais para dar base na construção do método


de Marx. Citando temos as obras; Economia Político Inglesa (teoria- valor trabalho),
Filosofia Clássica Alemã, (dialética hegeliana, Luta de Classes Burguesa (historiadores).
Em 1850 Marx faz o tratamento do material histórico-social, sempre guiado pelas
formulações metodológicas já definidas, obtém assim avanços teóricos e os mesmos
redimensionam exigências metodológicas NETO, (2011). Essa formulação da fase
“introdutória” da pesquisa em 1857 é, esse processo na concepção de Marx é visto
como um ponto de chegada e um ponto de partida.

• Ponto de chegada • Ponto de partida

• É compreendida como ponto de chegada • É compreendida como um ponto de partida,


porque é produto de todo o trato teórico porque evidencia um novo tratamento do
anterior, além de conter uma adequação objeto- que vai comparecer nos elementos
da posição (perspectiva) do pesquisador fundamentais para a crítica da economia
às exigências do objeto. política
Tabela -17 A pesquisa
Fonte: NETO, (2011, p.54).

Nas pesquisas em Serviço Social ou em outras áreas, o pesquisador parte de um


referencial teórico (base da pesquisa), como sabemos e faz suas reflexões e críticas,
sempre trazendo seu objeto e objetivo nessa dinâmica. Geralmente, ele utiliza as teorias
clássicas como base e o que foi publicado de mais atual referente tema ou objeto.
Ainda com a pesquisa inconclusa, vão surgindo elementos novos e descobertas
que podem requerer mudanças na metodologia, solicitar um tratamento diferente,
contemplar ou não outras fontes, etc. Ou seja, a pesquisa é dinâmica e pode apontar
normalmente que o pesquisador sai de determinado ponto e chega no final diferente
porque é um processo vivo e mutante.
Conforme o avançar da pesquisa do método de Marx, conforme se encaminham as
novas elaborações e etapas metodológicas, 3 categorias se evidenciam, que já haviam
surgido nas etapas e elaborações anteriores[1], elas se potencializam nas fases dos
tratamento final; totalidade, contradição e mediação (MARCUSE, 1969; LUKÁCS, 1970,
1974, 1979; BARATA MOURA, 1977),Neto, 2011, p.54) apud (Neto, 2011, p.55,56)
• Totalidade->a sociedade burguesa é uma totalidade concreta sua realidade
pode ser apreendida como um complexo constituído por complexos articulados/
dinâmicos em movimento.

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• Contradição-> esse movimento gera a contradição algo que compõem as


totalidades, sem a contradição as totalidades seriam inertes. A contradição
é necessária, é pelo movimento dos contrários para se constituir a mudança.
• Mediação->os controles e soluções dependem da estrutura de cada totalidade
essas relações nunca se dão de modo direto, são mediadas para a construção
da realidade

Articulando estas três categorias nucleares - a totalidade, a contradição e a


mediação que são analisadas em uma perspectiva dialética, de movimento, nesse
caso o movimento do capital, que se estrutura com as ações humanas, suas relações
sociais, cultura,pensamentos, religião, etc.
Desse modo, Marx descobriu o caminho metodológico que possibilitou o erguimento
do seu edifício teórico. Ao compartilhar com o mundo, o exaustivo estudo da “produção
burguesa” NETTO, (2011).

ISTO ESTÁ NA REDE

Filme: O jovem Karl Marx


Link: https://www.youtube.com/watch?v=2M5vo2n6G7Y&t=260s
Descrição: narra a história de Karl Marx e sua esposa Jenny embarcam para
o exílio. Na Paris de 1844, seu encontro com Friedrich Engels, um industrial,
acompanhou de perto o nascimento da classe trabalhadora britânica. Assim, este
contribui com Marx para ampliar a sua compreensão de mundo. Fala da a censura,
e da perseguição e a liderança e renovam os ideais do movimento operário da era
moderna.

Marx definiu após isso que a investigação da realidade se apropria da matéria em


seus maiores detalhes, em diferentes ângulos possíveis e análise suas diferentes formas
de desenvolvimento, rastreia suas particularidades internas etc. Após esse processo
pode-se expor adequadamente o movimento da realidade. Inclusive o movimento do
capital NETTO, (2011).
O processo de reprodução vem da realidade, vem do concreto pensado, porque é
assim que a ideia vai produzir a matéria. Assim o método e conteúdo que vai explicar
essa realidade. E a realidade é dialética, é movimento é o método não pode modular

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essa realidade, portanto o método em Marx não “enquadra’’ a realidade, mas faz uma
aproximação.

9.6 A pesquisa com base no marxismo

O pesquisador(a) que utiliza o materialismo dialético deve ter presente em seu


estudo uma concepção dialética da realidade natural e social e do pensamento, a
materialidade dos fenômenos e que estes são possíveis de conhecer, pois fazem
parte da realidade.
A pesquisa no Serviço Social com base no materialismo dialético geralmente
investiga objetos como; a classe, a consciência de classe, o trabalho suas várias
configurações e manifestações e nisso envolvem a alienação, exploração, mais
valia, adoecimento profissional, desmonte de direitos, contratos inseguros etc.Essas
pesquisas são necessárias pois contribuem para os trabalhadores (Assistentes Sociais
ou não) ultrapassem a prática institucional, mecânica e burocrática.
São pesquisas que saem do “chão da prática profissional ” da materialidade concreta,
elas tecem debates importantes sobre os limites institucionais, os entraves das
políticas públicas, e analisam, criticam e mostram o mundo do trabalho por vários
vieses etc. alertam e aprofunda o conhecimento sobre o que envolve a profissão a
prática profissional em mais de perto.
O pesquisador no Serviço Social utilizando essa corrente filosófica, deve situar seu
objeto de pesquisa na relação da infra-estrutura/superestrutura, acompanhando seu
movimento histórico, suas contradições de forma dialética.
As primeiras aproximações entre o Serviço Social e o marxismo aconteceram ao
longo do “processo de reconceituação”, latino-americano, e gerou um importante debate
teórico-metodológico entre os assistentes sociais entre 1965 e 1975.
O primeiro estudo de Serviço Social mais diretamente fundamentado no marxismo
em 1980 é a obra “Relações Sociais e Serviço Social no Brasil – esboço de uma
interpretação histórico metodológica” (1985), da assistente social Marilda Iamamoto
e do professor Raul de Carvalho SILVA, (2007, p.27). Um clássico que todo estudante
deve conhecer e fazer leituras e interpretações da profissão, da prática e da realidade.
Assim, no seu exercício profissional o Assistente social está inserido na materialidade
da sociedade onde o capital é a força determinante que define a consciência das

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pessoas, define o que vestir, o que consumir, como é o que produzir, define as condições
sociais do trabalho e esses desdobramentos surgem nas pesquisas do Serviço Social.
Nesta aula abordamos sucintamente sobre o marxismo, fazendo um apanhado
histórico sobre essa corrente filosófica, algumas influências e influenciadores, um
pouco do contexto histórico .
Trabalhamos alguns objetivos e categorias e os desdobramentos de algumas delas
na materialidade da vida real. Fizemos um apontamento sucinto do método em Marx
e a pesquisa no Serviço Social baseada no marxismo.
Falaremos agora sobre algo que tem se tornado importante na pesquisa da
instrumentalidade no Serviço Social, uma das maneiras da profissão se mostrar passa
pela instrumentalidade e tem como o estudante sabe bases no marxismo.

_____________
[1] E é nesta conexão que encontramos plenamente articuladas três categorias- de novo: teórico-metodológicas - que nos parecem nuclear a
concepção teórico-metodológica de Marx, tal como esta surge nas elaborações de e posteriores a 1857 (ainda que lastreadas em sua produção
anterior). Trata-se das categorias de totalidade, de contradição e de mediação (MARCUSE, 1969; LUKÁCS, 1970, 1974, 1979; BARATA MOURA,
1977 apud NETO, 2011, p.55-56).

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AULA 10
INSTRUMENTAL TÉCNICO,
RELACIONADOS AO SERVIÇO
SOCIAL- VISITA DOMICILIAR E
TRABALHO COM GRUPOS

Nesta aula abordaremos sobre a visita domiciliar e o trabalho com grupos no Serviço
Social na atuação profissional do Assistente Social. Faremos uma breve menção de
algumas características de cada uma destas ferramentas e apontaremos algumas
menções históricas sobre o sentido do surgimento desses instrumentos na sociedade,
e objetivos ideológicos e culturais do referido contexto .
E citaremos algumas indicações de sua aplicabilidade. Deixamos algumas indicações
do seu uso sem sermos rígidos, pois cada contexto possui especificidades e aplicações
diferentes para essas ferramentas.
E nessa aplicabilidade de instrumentos nesse “fazer” prático está situado na dimensão
técnico-operativa do Serviço Social que pode ser como o “modo de ser” da profissão.
A maneira como ela se expressa na sua atuação social se apresenta na dinâmica
das três dimensões teórico-metodológica, ético-política e técnico-operativa do trabalho
profissional GUERRA,( 2009).
A autora trabalha com essa sensibilização para os Assistentes Sociais quanto a
esta dimensão, de ela não ser compreendida o suficiente e se tornar um conjunto de
tarefas automáticas e tecnicistas.
Guerra pondera no sentido dessa dimensão do Serviço Social, não ser relegada a
análise de “como fazer” simplesmente, sem a necessária conexão da dinâmica reflexiva
baseada na compreensão do “para que” e “para quem” o trabalho do Assistente Social
será realizado e se haverá resultados e mudanças
O uso dos instrumentos exige atualização e desenvolvimento de habilidades
e competências, portanto, são exigências constantes para o exercício da prática
profissional. Devido à complexidade dos múltiplos elementos que se desdobram da
realidade e neles fervilham as manifestações da questão social.

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Esses elementos se multiplicam, se reconfiguram e exigem novas respostas,conforme


os seus condicionantes e determinantes, econômicos, políticos e ideológicos, requerem,
outros olhares e análises capazes o bastante para lhes dar respostas adequadas , é
isso envolve a sua atualização dos conhecimentos. Porque o profissional atua sobre
essa dinâmica.
A realidade social viva muda constantemente. Essas mudanças pedem novas
atualizações, novos saberes, novas intervenções e novos instrumentais, essa aula
abordará um pouco sobre dois alguns instrumentais como já mencionamos.
Por isso, o profissional deve procurar acompanhar e compreender as mudanças
históricas que compõem a realidade que ele (a), atua. Entender os componentes dessa
realidade e seus mecanismos, acompanhar as demandas e requisições produto dessas
mudanças, que exigem apreensão, apropriação e domínio da realidade social.
Sabendo que a realidade social é o campo das novas e novíssimas expressões
que se desdobram em demandas, e estão reguladas de acordo com o termômetro
da economia e da política etc.
Por isso o profissional, além de estar alinhado com a parte técnica-instrumental, deve
fazer aproximações na compreensão desse movimento, capturar a realidade, fazer
associações e chegar nos principais elementos que geraram direta ou indiretamente
essas mudanças. E analisar o que há de intenção por trás das mudanças e suas
requisições. Sobre isso, Guerra aconselha.
Para essa aproximação o profissional deve buscar compreender de forma “substancial
da econômica-atual crise do capitalismo, da cultura, da política, dos movimentos
sociais, das instituições jurídicas- políticas, das organizações sociais e da dinâmica
das relações grupais e interpessoais” FORTI e GUERRA, (2010, p.3).
O conceito de instrumentalidade passou a integrar as discussões na década de
1980, mas foi em 1990 que esse tema passou a compor as discussões e debates
nas instâncias de, organização, pesquisa e formação profissional do Serviço Social
no Brasil FERNANDES,( 2016).
Apoiada em Battini (2004), Fernades (2016) faz um esclarecimento importante
quanto à distinção entre os conceitos da instrumentalidade e instrumentos de trabalho.
“Assim a instrumentalidade é a propriedade de determinado modo de ser que uma
profissão constrói dentro das relações sociais, no confronto entre as condições objetivas
e subjetivas do exercício profissional”. FERNANDES, (2016, p.15).

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Já os instrumentais se dizem respeito ao conjunto de instrumentos e técnicas que


se referem uma prática profissional cotidiana que podem ser utilizados como uma
forma de mediação do profissional com os individuais e famílias FERNANDES, (2016),
nas relações sociais, e não como um arsenal de instrumentos e técnicas aplicáveis
de forma padronizada.
Desse modo, são ferramentas de trabalho utilizados para mediar a ação do trabalho
do Assistente Social em sua prática diária nos diversos espaços de trabalho na
prestação dos serviços sociais, ligado às diversas políticas sociais, o profissional na
esfera da reprodução produção social,
Essa dinâmica se configura na criação de ações que tanto incidem sobre as
condições de vida dos trabalhadores “(saúde, alimentação, educação, habitação, lazer,
dentre outros produzem efeitos ideológicos que reforçam (ou não) a aceitação das
condições de compra e venda da força de trabalho)”TRINDADE, (2001, p. 1).
Atividades estruturadas para destinar bens e recursos complementares à
sobrevivência dos trabalhadores e que atendem às necessidades de normatização e
controle dos comportamentos sociais.
Desse modo, se sobressai a importância da apropriação profissional de forma ampla
do conceito instrumentalidade, e também é necessário a tudo isso, juntar a base teórica
com a base prática para intervenções críticas e reflexivas mais amplas.
Onde a ação profissional, e o pensar possam gerar o planejar para uma execução
da prática robusta, de modo que a metodologia a ser aplicada e construída, faça o
profissional se questionar do “porquê”, “para quê” e ”como” determinado instrumento
deve ser utilizado, não simplesmente aplicá-los desvinculados da realidade e seus
condicionantes históricos ideológicos etc. para atingir as finalidades que a profissão
e o profissional se propõe.
Esta finalidade e “fazer” ganham sentido maior no exercício da dimensão técnico-
operativa que é constituída dos elementos aqui citados:

As estratégias e táticas para orientar a ação profissional, os instrumentos,


técnicas e habilidades utilizadas pelo profissional, o conhecimento
procedimental necessário para a manipulação dos diferentes recursos
técnico-operacionais, bem como a orientação teórico metodológica e
ético política dos agentes profissionais SANTOS, (2006, p. 31).

Ao profissional que tenha a intenção de atender os requisitos do mercado de


trabalho, mas com a clareza de não se limitar a eles, (FORTI e GUERRA, (2010),

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expressam que cabe a esse profissional uma robusta formação teórica (ético-política)
e metodológica, melhor dizendo, uma capacitação suficientemente qualificada, se
tratando de conhecimentos teóricos, aliado a capacidade interventiva.

10.1 Visita domiciliar e suas necessidades

A visita domiciliar é um instrumento técnico-metodológico utilizada no Serviço


Social e em outras áreas do conhecimento, uma característica desse instrumento
que vem de encontro às prerrogativas do Serviço Social, permite maior proximidade
e conhecimento da realidade do usuário.
A visita possibilita também a observação e uso dos sentidos e não apenas a
conversa focada nas perguntas e respostas apenas. O Assistente Social através da
visita domiciliar, coleta as informações, as interpreta e procede o diagnóstico da situação
de famílias e indivíduos e proceder a intervenção.
Pode intervir com mais eficácia, informando e orientando os caminhos que o usuário
possa desconhecer para acessar os seus direitos. Com um olhar e sentidos atentos,
o assistente social busca atingir a meta da visita, que sempre possui um objetivo.
“Historicamente, a visita domiciliar vem sendo utilizada como um instrumento de
controle e inquérito social, com o objetivo de fiscalizar e comprovar relatos feitos pela
população e ensinar os cuidados domésticos” FORTI e GUERRA, (2010, p.53).Mas a
dinâmica histórica em que o profissional se situa, como sabemos, é mutável.

Visita domiciliar
Fonte:https://www.a12.com/redacaoa12/igreja/pastoral-da-crianca-visita-domiciliar-como-pratica-de-acao-integral-a-saude Acesso em : 02 de dez. 2021.

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(Waquil, 2018) apud Closs e Scherer (2017),Em relação à visita domiciliar expressam
que sobre o instrumento, citando os desafios da crise do neo-desenvolvimentismo e a
velocidade de projeto ultraneoliberal associado à ampliação do neo-conservadorismo.
E pontuam a importância da clareza de articulação desse instrumental, pois é
normalmente articulado no sentido da fiscalização e do controle, alheio de sentido e
sua força política no que diz respeito à garantia de direitos, portanto

Demarca-se que a visita domiciliar compõe o instrumental técnico-


operativo profissional desde a gênese do Serviço Social à atualidade,
mas isso não significa a existência de um padrão a-histórico interventivo
do Serviço Social, mas sim uma, complexa re- significação processual
de instrumentos e técnicas, a partir de orientações ético-políticas.Closs
e Scherer (2017) apud (Waquil, 2018, pp.30,31 )

O projeto da profissão nos seus princípios discorda com a atuação do Assistente


Social que não seja pautada no respeito, e no sigilo etc. Assim, a aplicabilidade
da visita domiciliar e demais ações interventivas do Assistente Social, hoje, são
pautadas no Código de Ética profissional que defende o respeito na relação usuário/
profissional, pautada na ética.
A visita domiciliar pode ser também o momento para a utilização de outros
instrumentos, como a observação, a abordagem, a entrevista, a história de vida, o
relato oral, a busca ativa etc. por fim abre muitas possibilidades.
Essas possibilidades de observação e interação possuem mais substância em
relação a uma entrevista realizada no ambiente familiar do usuário daquela realizada
no interior da instituição ROCHA, (2016).
Algumas situações que pedem visita domiciliar por diversas razões.

Algumas razões da visita domiciliar


Fonte: FORTI e GUERRA,( 2010).

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Outras situações da visita domiciliar que a visita domiciliar é necessária; quando o


usuário está doente ou impossibilitado de se deslocar até o espaço socioassistencial,
no caso de um espaço de convivência e fortalecimento de vínculos etc. O Assistente
Social do espaço vai até o indivíduo, caso não obtenha conhecimento do que está
acontecendo com o mesmo de outra forma.
O afastamento do usuário do serviço sem explicação aparente e formalizada, é
motivo para uma visita , se o profissional não conseguiu outros meios para saber
o que aconteceu com o usuário, as visitas domiciliares também são feitas para o
acompanhamento de indivíduos e famílias que participam de algum programa como
o Bolsa Família ou o BPC etc.
A visita do Assistente Social também é determinante para a inclusão em serviços,
programas e projetos socioassistenciais e de outras políticas públicas, isenção de
taxas e impostos, aquisição de bens culturais, lazer etc.
E outras questões que não são necessariamente da competência do Serviço Social,
mas é evidenciada pelo profissional que pode em acordo com os sujeitos e famílias
encaminhar/acionar os meios e órgãos responsáveis para dar tratamento e resolução
a questão evidenciada.
Às vezes o usuário é quem solicita a visita, para si ou para um vizinho (que esteja
em situação de risco ou fragilidade etc.) O Assistente Social pode também fazer
a visita domiciliar compartilhada a partir de mediações com a política de saúde, a
segurança pública, habitação etc., e assim realizar a visita conjunta com as políticas
ou outros setores.

10.2 Alguns cuidados e atenção com a visita domiciliar

Esse instrumento técnico-operativo requer alguns cuidados éticos, pois parte- se


do pressuposto que ele permite a “invasão” do espaço de vida íntima do usuário por
um profissional de Serviço Social. Há muita discussão e polêmica a esse respeito.
Elencamos aqui alguns cuidados, pois a visita é fundamentada em princípios éticos
e com objetivos determinados.

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Alguns cuidados na visita domiciliar


Fonte:

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E o profissional pode fazer a análise e a tradução desses problemas/ necessidades


no espaço gerador dessas manifestações, o usuário as traduz para o Assistente
Social no espaço que possui uma dinâmica e sua, e expressá-las em muitos casos
mais tranquilamente.
Esse pode ser um modo de identificar fenômenos que interferem na qualidade de
vida de ordem individual e coletiva. No caso de um trabalho coletivo, se for o objetivo
da vista, digamos com finalidade informativa, sensibilização, educativa pode alcançar
toda família.
A visita domiciliar também oportuniza conhecer como aquele indivíduo ou família se
relaciona com a vizinhança, com a rede social de serviços e os recursos institucionais
dos entornos e a sua participação nos espaços de decisões políticas etc.
Rocha (2016, p. 228) apud Giongo, Wunsch e Felizardo (2003, p. 38), “algumas vezes
a visita domiciliar pode ser utilizada para realizar busca de ‘coisas’, como provas que
atestem alguma situação”.
Portanto a visita ficará no momento em que a ‘busca’ for satisfeita. “O profissional
que realiza a visita domiciliar dessa forma, orienta-se sabendo de antemão o que
irá ver, desinteressando-se de aspectos estranhos àqueles que previamente elegeu”.
ROCHA, (2016, p.228).
Assim, entendemos que a visita domiciliar é um instrumento necessário para algumas
situações, a partir dela o Assistente Social tem possibilidades de obter informações
referente a realidade que beneficie o usuário.
“Seja para o profissional aprofundar o conhecimento sobre a população atendida,
seja para propiciar o contato do usuário com demais pessoas do seu interesse” FORTI
e GUERRA et al , (2010, p.54).

10.3 Trabalho com grupos: algumas considerações

No Serviço Social os trabalhos de caráter coletivo, como trabalho com grupos,


atividades socioeducativas, reuniões, palestras etc. é fundamental o Assistente Social
proceder um levantamento mais geral da população com quem vai trabalhar.
Um apanhado que contemple como vivem, o que buscam, seus interesses,
conhecer o território porque ele diz muito sobre sua gente, conhecer vulnerabilidades
e potencialidades dos indivíduos e famílias, grupos e a coletividade de modo geral.

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Porque mesmo que muitos usuários vivam no mesmo território e constituam


afinidades similares, os propósitos de vida são diferentes. As visões de realidade
também e no processo de compartilhamento de experiências entre os usuários, essas
manifestações vão surgindo.
O Assistente Social deve estar preparado para os embates que surgem no interior
dessas atividades, e conhecendo, as pessoas um pouco as pessoas, sua realidade e
o território que vivem, está mais preparado para fazer as reflexão e as mediações
que podem surgir no trabalho com grupos.
O trabalho com grupos é uma estratégia no cotidiano profissional, como alternativa
para o profissional levantar elementos na construção do acesso aos direitos dos
indivíduos e famílias de acordo com o Projeto Ético Político do Serviço Social.
Considerando o contexto sociopolítico e cultural do que a profissão veio, as travessias
e as influências que nortearam a abordagem de grupos, os embasamentos teóricos,
as correntes que influenciaram a prática profissional de modo geral merece destaque
e uma discussão profunda que é oportuno sempre fazer.
Não cabe aqui essa abordagem ́ porque envolve outro trabalho, mas essas influências,
ainda estão em menor grau em ações e análises e repercute em algumas práticas.
O estudante/a deve pesquisar essas particularidades para, compreender, criticar,
avaliar essas intervenções e seu desenvolvimento. E analisar sua própria atuação.
Mas de princípio é fundamental frisar que o Serviço social de grupos não se
desenvolveu desvinculado dos fatos sociais, históricos e culturais, havia uma
necessidade, um objeto e um objetivo para justificar sua existência e operacionalização
e operacionalidade na metodologia do trabalho Serviço com grupos ainda nas décadas
de 1930 e 1940.
No início de sua institucionalização e por algum tempo, o Serviço Social brasileiro
elegeu para sua intervenção profissional três métodos diferentes: caso, grupo e
comunidade. Os padrões de modelos de interventivos profissionais seguem técnicas
e instrumentos , no campo de cunho ecológico e reformista,(GUERRA, 2017 ).Sobre
o trabalho com grupos nessa perspectiva outra autora diz:
Os princípios do pensamento moderno de ordem de cientificidade e de controle,
regidos por uma racionalidade instrumental, estavam presentes na materialidade e
operacionalidade da metodologia do trabalho social com grupos VALENTE, (2016).
O trabalho com grupos no Serviço Social tinha, naquele período e décadas depois, um
instrumento de trabalho socioeducativo embutido de autoridade doutrinária, alinhado

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com os propósitos das classes dominantes, da Igreja e do Estado; manter a paz social
nas relações de trabalho VALENTE, (2016). Estudamos isso no Positivismo.
Assim, o profissional a frente do trabalho com grupos certamente não objetivava
trabalhar o empoderamento, a autonomia e a transformação do usuário, entre outros,
e sim manter o status quo e as relações sociais.

[...] a função de estabelecer relações positivas funcionais e de corrigir


as disfunções, a preocupação com a obtenção de metas, e seu
entendimento do grupo como sistema social que visa contribuir para
o estado de funcionamento adequado do sistema maior que faz parte
(CERQUEIRA,1981, p.52 apud WAQUIL, (2018, p.21).

Há polêmicas quanto a essa questão, mas é importante o estudante saber que a


profissão estava se construindo, se conhecendo para elaborar sua identidade, muito
do que foi construído não apenas neste instrumento específico,figuraram as bases
da nossa profissão uma análise sobre isso deve ser feita, há muitos bons estudos
sobre essa temática .
As exigências econômicas e sociopolíticas do desenvolvimento econômico capitalista
e ideológico eram outras, mas “nem tão outras assim” , para a atualidade. Pois passa
o tempo e as exigências vão se moldando em torno de novas condições e novas
relações sociais, em novos contextos e novas estruturas e também nova perspectiva
de grupo.
Essa observação acompanha o pensamento dos teóricos Forti; Guerra et al (2010)
e Eiras (2006), que definem o grupo como uma categoria que por meio dela é possível
compreender as classes sociais, e sua dinamicidade, pensar o grupo envolve pensá-lo
em seu movimento, suas tensões e que é perpassado pelos processos históricos de
dominação e de exploração.
A influência do pensamento burguês que compreendia a classe operária e a pobreza
como um fenômeno que devia ser superado pelas famílias e indivíduos, “foi tratada
pelos primeiros/as assistentes sociais através de ações curativas e promocionais
contra as mazelas físicas e culturais em direção a um movimento de transcendência
da própria pessoa” VALENTE, (2016, p. 114).
As mudanças no interior do Serviço Social e fora dele, foram influenciando as lutas
por mudanças na instrumentalidade e na prática do Serviço Social, trazendo outras
abordagens também para o trabalho com grupos em conformidade com a ideologia

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de sociedade ideal, de homem ideal, que tipo de trabalho e práticas profissionais eram
as ideias para essa construção. Isso gerou muitos questionamentos na profissão.
A sociedade que tinham era que sociedade queriam? O modelo de homem ideal
para o desenvolvimento do progresso e a produtividade era aquele? A profissão foi
convocada para contribuir com o tipo de sociedade ideal e trabalhador ideal. Essas
questões não eram somente dos profissionais do Serviço Social, era das instituições
do Estado, da Igreja, dos empregadores etc.
O trabalho com grupos atualmente não se trata de um trabalho de natureza terapêutica
no âmbito do Serviço Social, “por mais que os participantes possam obter ganhos de
valor terapêutico, pelo simples fato de poderem dividir com os membros do grupo as
suas dificuldades, limites e frustrações” ROCHA, (2016, p.230).
O objetivo principal desse trabalho hoje pode ser a princípio se aproximar da realidade
e modo de vida dos indivíduos e famílias, especialmente na proximidade ali no espaço
socioinstitucional o profissional pode verificar necessidades específicas que aparecem
no espaço.

Trabalho em grupo
Fonte:https://www.pexels.com/pt-br/foto/pessoas-fazendo-torcida-em-grupo-3280130/ Aceso em: 26 de out. 2021.

10. 4 O Serviço Social na atuação do trabalho com grupos

Atualmente no Serviço Social no trabalho com os grupos são utilizados recursos


para o desenvolvimento de trabalhos educativos, de acordo com o que vem sendo

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desenvolvido no interior do CRAS, do CREAS nos demais espaços sócio-ocupacionais


ROCHA, (2016, p.299).
Antes de iniciar um trabalho com grupos, o assistente social deve ter claro se é
capaz de trabalhar com as ansiedades e diversas questões e solicitações que podem
surgir do grupo. Caso não se encontre preparado, o grupo não se sentirá seguro
(ROCHA, 2016).
Esse instrumento com grupos exige que o profissional conheça previamente “o
grupo com o qual vai trabalhar, e sobre o trabalho com as práticas de grupos na
sociedade e “nas sociedades capitalistas e dos processos grupais que atravessam
as ações coletivas e os espaços sócio-institucionais existentes” (...)(FORTI e GUERRA
et al , (2010) apud EIRAS, (2006).
Portanto, como já comentamos no Serviço Social, esse instrumento se relaciona
com uma complexidade maior, e por isso envolve análises da realidade, da luta de
classes, das mudanças que os usuários buscam, de si enquanto pessoas, e do que
encontram estruturalmente na sociedade para definir possibilidades de mudanças.
Visto que o grupo vai trazer à tona esses elementos e tudo o mais que se refira a
realidade que está inserido, suas necessidades e aspirações em contradição com o
modo que a sociedade está posta, as oportunidades que a sociedade lhes nega ou
que lhes dar, o que seria ideal para ele e se há possibilidade para se concretizar etc.
Imaginem que uma empresa têxtil nos anos 1970, com mais de três mil funcionários,
possui também em seu corpo de funcionários uma Assistente Social que trabalha
diretamente com as diversas manifestações da questão social dos trabalhadores e suas
famílias, os funcionários se movimentaram em uma greve que chegou a se efetuar.
A Assistente social foi chamada para fazer uma intervenção com os trabalhadores,
pois o patronato entende que o progresso está na produtividade, no lucro acima de
tudo.

10. 5 Contribuições e novas aberturas

A profissional conduziu suas atividades de modo pedagógico para que os


trabalhadores examinassem e avaliassem suas posturas de perturbadores da paz social.
Isso de acordo com as novas perspectivas da profissão e seus novos embasamentos
mudou.

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A reorganização e ressignificação da profissão, da sua prática e instrumentos,


se encaminharam para que o trabalho com grupos aconteça em uma perspectiva
emancipatória dos sujeitos na atualidade.
O instrumento trabalho com grupos possui um novo sentido para a construção das
relações grupais, que prima pelo fortalecimento dos sujeitos como protagonistas de
suas histórias.
Hoje “O assistente social, antes de tudo, precisa acreditar que as pessoas têm potenciais,
que estes podem ser desenvolvidos através da reflexão sobre sua realidade social e que
tudo pode apontar para a modificação desta realidade” VILEIRINE, (2016, p.130).
A necessidade de organizar pessoas através do trabalho com grupos exige do
Assistente Social objetivo, reflexão e planejamento, e ressignificar a si enquanto
profissional, se despir de preconceitos e vaidades. Verificar sempre o que o grupo
traz que pode ser discutido, refletido e trabalhado.
Imaginem que a composição do grupo poderá ser diversa tendo em vista as
demandas, imagine um grupo no CCINTER- Centro de Convivência Intergeracional
ou no CREAS- Centro Especializado da Assistência Social, são diferentes campos de
atuação do profissional e diferentes intervenções de modo geral.
Desta forma, o assistente social poderá trabalhar com grupos de famílias, de crianças,
de adolescentes, de idosos, de moradores de um bairro, e não os grupos vítimas de
violência, isolamento etc.
Separar por grupos e temas conforme o objetivo ou trabalhar com o público em
geral quando for fazer intervenções mais gerais como o tema cidadania, saúde etc.É
através das expressões dos grupos que o Assistente Social capta necessidades mais
diversas, desde a necessidade de proteção, escolarização, afeto, bens culturais etc.
“O trabalho de grupo exige também do assistente social o domínio de vários
instrumentos – reunião, observação, visita domiciliar, entrevista, etc. – que poderão
ser necessários para o desenvolvimento” VILEIRINE, (2016, p.130).
Nos encontros do grupo o Assistente Social pode utilizar a “observação” verificar
e refletir as expressões do grupo; e através do trabalho do grupo executa através da
“reunião”. Assim o assistente social utiliza os instrumentais conforme a necessidade
momentânea e com um planejamento do trabalho do grupo VILEIRINE, (2016).
No começo o grupo traz representações e variados pontos de vista sobre a mesma
realidade, que são mediados pelo assistente social no intuito de descobrir e construir
as ligações que possam agregar e fortalecer as pessoas.

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“A coesão do grupo em torno dos objetivos têm uma ligação íntima com a formação
da sua consciência coletiva, com o estabelecimento de pontos de vista e anseios
comuns” VILEIRINE, (2016, p.133).
Nesse sentido, Vileirine (2016) define que o grupo é uma estrutura social e possui
importantes vínculos com os seus membros, e resulta em uma totalidade composta
pela soma das partes. Assim vai se estabelecendo um clima de confiança.
O fortalecimento do grupo ocorre também a partir do momento que o indivíduo
apresenta suas expressões/necessidades subjetiva e individual e essas vão passando
se transformando em expressões/necessidades coletivas ou despertando empatia e
respeito.
Um exemplo em determinado hospital dia no tratamento de HIV/AIDS, onde as
mães levavam os filhos para tratamento, no hospital dia, vinham de cidades distantes,
e geralmente precisavam permanecer o dia inteiro no hospital.
Além do atendimento costumeiro, elas se organizavam para passar os filhos no
acompanhamento médico, psicológico, colher exames, elas também faziam seus
tratamentos, passavam no Serviço Social etc.
Assim, surgiu a ideia do trabalho de um grupo com as mães/responsáveis das
crianças e adolescentes nos dias dessas visitas, o Serviço Social organizou o grupo
junto com as mães e responsáveis.
As primeiras questões que foram trabalhadas no grupo depois de toda parte inicial
e introdutória trazidas pelo público foram referentes ao hospital de modo geral, vieram
os apontamentos dos pontos positivos e negativos, e sugestões para melhorar o
atendimento de alguns setores.
Um subgrupo ficou de encaminhar essas questões.Surgiram algumas lideranças,mas
todos na dinâmica participavam. Alguns familiares não se sentiram à vontade para
falar de si e suas questões de início.
Para finalizar o grupo evolui, muitas conquistas foram feitas quanto a instituição e
alguns entraves no atendimento foram resolvidos. As pessoas que não conseguiam se
comunicar no início público passaram a expor suas ideias com segurança, e acolher
os novos integrantes, passado algum tempo algumas pessoas que haviam parado
os estudos voltaram a estudar.
Necessidades gerais eram debatidas, e assim algumas famílias conseguiram inserir
seus familiares em cursinhos populares e amigos, houve a formação de um coral que
se apresentava para os pacientes internados a cada semana e se revezavam.

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A cada semestre realizavam show de talentos, feiras solidárias no final do ano


organizavam um almoço coletivo, uma parte do grupo que buscou iniciativas para
a construção de uma cooperativa de reciclagem. Mesmo em cidades diferentes
tiveram um acompanhamento comum. A partir desse grupo muitas ações foram
desdobradas das manifestações e necessidades individuais para o coletivo. E ocorreu
a transformação do coletivo.
Para a transformação ocorrer mesmo que o Assistente Social esteja na condução
dos trabalhos com o grupo, este deve ser sensível a ponto de ir dando autonomia
para o grupo no sentido de sua expansão como cidadãos e pessoas.
“A função histórica de manutenção ou transformação das relações sociais está no
centro das decisões sobre a abordagem que vamos escolher para trabalhar com os
grupos” VILEIRINE, (2016, p. 137).
O Assistente Social deve se questionar sobre os rumos que assume ao trabalhar
com grupos: seu compromisso e com a transformação ou com a manutenção das
relações sociais? VILEIRINE, (2016, p. 137). Não, e manter o projeto ético-político e o
Código de Ética profissional nessa transformação.
A transformação das relações sociais, redução das desigualdades, justiça e
solidificando direitos e ampliação da cidadania. Com base em uma sociedade plural
e diversa. Esses são alguns dos compromissos
Nesse quadro apresentamos algumas contribuições para a intervenção profissional
em uma perspectiva dialética.

Contribuições para a intervenção profissional no trabalho com grupos em uma perspectiva dialética

Apreensão do impacto da alienação capitalista no âmbito objetivo e subjetivo do sujeito e conexão


com as determinações concretas da realidade;

Compreensão da inserção do grupo nas instituições uma vez que todo grupo ou agrupamento existe
sempre dentro de instituições;

Percepção da história de vida de cada participante, pois tem impacto no processo grupal;

O nível de análise ocorre na ordem interna e externa, entretanto, é na realidade objetiva que a dialética
se manifesta. Ao mesmo tempo os sujeitos vão manifestando as relações de dominação existentes
bem como a possibilidade de seu enfrentamento sempre atentando para não reforçar as relações
capitalistas;

Os papéis sociais são desempenhados não só objetivamente, mas subjetivamente através de


representação ideológicas.
Tabela-18
Fonte: Lane (2012, p.81-82 apud BONFIM et al., 2018, p.82). https://cadernosuninter.com/index.php/humanidades/article/view/642

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Finalizando com essas preposições acima também trazemos a contribuição c


Essa compreensão deve depois se expandir para os aspectos externos que interferem
no processamento dos fenômenos dos grupos como o processo histórico; as questões
materiais, ideológicas, políticas além da luta de classes. Eiras (2009 apud BOMFIM
et al, 2018).
Nos encontros do grupo o Assistente Social pode utilizar a “observação” verificar e
refletir as expressões do grupo; e através do trabalho do grupo pode também executar
a “reunião”. Assim, o assistente social utiliza os instrumentais conforme a necessidade
momentânea e com um planejamento do trabalho do grupo (VILEIRINE, 2016).
No começo o grupo traz representações e variados pontos de vista sobre a mesma
realidade, que são mediados pelo assistente social no intuito de descobrir e construir
as ligações que possam agregar e fortalecer as pessoas.
“A coesão do grupo em torno dos objetivos que possam ter uma ligação íntima
com a formação da sua consciência coletiva, com o estabelecimento de pontos de
vista e anseios comuns” (VILEIRINE, 2016, p.133).
Nesse sentido, Vileirine (2016) define que o grupo é uma estrutura social e possui
importantes vínculos com os seus membros e resulta em uma totalidade composta
pela soma das partes. Assim vai se estabelecendo um clima de confiança.
O fortalecimento do grupo ocorre também a partir do momento que o indivíduo
apresenta suas expressões/necessidades subjetiva e individual e essas vão passando
essas vão se transformando em das expressões/necessidades coletivo ou despertando
empatia e respeito.
Nesta aula falamos sobre a visita domiciliar domiciliar e o trabalho do Serviço
Social com grupos. Mencionamos esses instrumentos situados nas dimensão técnico-
operativa na profissão e mencionamos a questão ideológica que influenciava a prática
profissional reverberando na aplicação do seu instrumental. A mudança e abertura para
a sua aplicabilidade no acesso aos direitos e emancipação dos usuários e famílias.
No próximo capítulo mencionaremos reunião, reunião socioeducativa, palestra, estudo
social, relatório Social e parecer social.

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AULA 11
ENTREVISTA, REUNIÃO,
ATIVIDADE SOCIOEDUCATIVA,
PALESTRA, ESTUDO SOCIAL,
RELATÓRIO SOCIAL, PARECER
SOCIAL E PERÍCIA SOCIAL

Caro(a)s estudantes, nesta aula daremos sequência a temática da aula anterior,


apresentamos a reunião, a palestra , o estudo social, relatório etc. Faremos nesta aula,
uma breve explanação que reforce o estudante(a), a compreensão que os instrumentos
foram adotados e absorvidos pela profissão mediante a alguns fatores que envolve
a contradição, os conflitos de classes sociais, originários dos interesses capitalistas
e seu controle e racionalidade.
Compreendemos que o Serviço Social ocupa seu espaço na divisão social e técnica
do trabalho, em uma atuação socialmente determinada, conforme as circunstâncias
sociais, trabalhando na implementação das condições do processo de reprodução
social.
E que isso se deu no surgimento do capitalismo monopolista, quando se desenvolvem
várias atividades interventivas social no enfrentamento das expressões da questão
social TRINDADE, (2001).
Assim, a profissão passou a se afirmar, legitimar na sua institucionalização na
sociedade atuando através de resposta às suas necessidades e requisições sociais
advindas do mercado, da burguesia e do Estado.
Para responder a essas requisições do desenvolvimento capitalista, os Assistentes
Sociais utilizam o instrumental técnico operativo que se denomina um conjunto de
instrumentos e técnicas TRINDADE, (2001, p. 1).
A partir da utilização dos instrumentos, conforme as necessidades de sua adequação
às exigências de transformação dos objetos, para o atendimento das múltiplas

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necessidades humanas como já mencionamos, apenas para reforçar a compreensão


do(a) estudante.
Esses instrumentos, entre eles a visita domiciliar, a entrevista e a observação, o
relatório etc., foram figurando o cotidiano e a intervenção social com finalidade de estudo
socioeconômico, conhecer a vida e a dinâmica dos usuários. E foram gradativamente
regulamentados nas instituições, e foram gradativamente compondo como elementos
da profissão e as mediações.

Instrumental por Martinelli e Kourmowyon (1994) Instrumental por Guerra (2013)

um elemento potencializador da ação, O instrumental técnico-operativo vai além das


consistindo no conjunto de recursos ou meios técnicas e dos instrumentos, porque envolve o
que permitem a operacionalização da ação conjunto de ações e procedimentos aplicados
profissional. pelo profissional, com objetivo de resolver um
dado problema e outras finalidades.
Tabela -19 - Instrumental e duas visões
Fonte LAVORATTI e COSTA (Org.) (2016)

Completando o quadro são chamadas várias teorias das ciências sociais somadas
as especializações profissionais para a intervenção na intervenção na realidade social
no início do século XX com a pobreza. O Serviço Social e muitas áreas do trabalho e
do conhecimento não podiam deixar de figurar essa passagem histórica.
Esses profissionais além de intervir na realidade social formulam explicações e
ordenação da realidade social, que toma os fenômenos sociais com um padrão de
objetividade semelhante àquele empregado para os fenômenos naturais, como o
Positivismo, por exemplo.
Essa legitimação da ordem burguesa “nega a constituição ontológica do real como
totalidade, referendando uma racionalidade que não considera as determinações
referentes à ruptura entre ser natural e ser social” TRINDADE, (2001, p. 4).
Mas o outro lado dessa realidade, mostra sua face, por algumas razões que já
sabemos, e envolve a exploração do trabalho, a luta pela sobrevivência, a luta de
classes chega no Brasil, Ideias anarquistas, socialistas e marxistas, vão fomentar os
movimentos operários brasileiro. Em 1917, temos a primeira greve operária em São
Paulo.

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Primeira greve operária em São Paulo, 1917.


Fonte: https://www.anarquista.net/guerra-revolucao-e-movimento-operario-as-greves-gerais-de-1917-1919-no-brasil-em-perspectiva-comparada/ Acesso em 25
de out. 2021.

Assim, o Serviço Social foi se projetando no cenário social brasileiro, como menciona
Guerra os modos de aparecer do Serviço Social foram definidos nessas ações por meio
dos instrumentais, gerados na contradição do processo histórico do conflito de classes
sociais e da exploração do capitalismo.
A dinâmica histórica, a economia, política e cultural, e as orientações normativas e legais
da profissão o projeto profissional e o código de ética, alinhados com uma nova ordem
societária, nos convida a redesenhar e criar e recriar novos instrumentos, conforme as
exigências da realidade, sem perdemos a historicidade da sua criação e aplicabilidade.Dito
isso, trazemos aqui de forma geral e breve mais alguns instrumentos para intervenção
profissional.

11. 1 Entrevista- alguns aspectos e cuidados

O Serviço Social brasileiro faz uso da entrevista desde a seus primórdios. Era utilizado o
Serviço Social de Caso e visava resolver as demandas trazidas pelos indivíduos e famílias.
“Focando-se muitas vezes em fatos isolados, sem uma avaliação crítica da complexidade
da situação demandada e da inter-relação entre os problemas apresentados pela totalidade
da realidade social”. LAVORATTI,( 2016, p. 81).
Com o movimento de revisão da profissão e suas práticas profissionais, a entrevista
após sua devida reformulação é compreendida para além de um encadeamento de regras
e técnicas para as demandas dos usuários desarticulada do macro e do micro.

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Portanto, hoje a entrevista é um instrumental técnico-operativo de elevada dimensão


pois possibilita a escuta qualificada e proporciona uma relação de diálogo, com alguma
intenção, algum motivo com o usuário LAVORATTI, (2016).
“Assim pode-se conhecer a realidade social, econômica, cultural e política onde este está
inserido, e isso interfere direta ou indiretamente sobre as suas demandas”. LAVORATTI,(
2016, p. 82).
A entrevista abre muitas possibilidades de dimensões, permite o conhecimento mais
aproximado da realidade do usuário em determinado ângulo que necessite de intervenção
e permite por sua vez que o usuário conheça o profissional,e os dois também aprendam
um com o outro.
Vemos na prática profissional os profissionais que manifestaram essa troca mútua,
que pode orientar também as ações do profissional. Por exemplo, em um território que
o profissional conhece a rede, há sempre novos serviços que os usuários identificam e
que o Assistente Social não sabia, ou mesmo lideranças que não eram conhecidas do
profissional e passam a ser mediante a informação ou indicação etc.
A entrevista se configura em uma mediação importante no processo de levantamento
de informações, conhecimento e intervenção profissional. Esse instrumento se amolda aos
objetivos dos diferentes espaços sócio-ocupacionais do Serviço Social. Esse instrumento
é utilizado em outros campos profissionais para atingir objetivos específicos.
Geralmente no Serviço Social a entrevista possui dois objetivos principais: conhecer
um pouco sobre o usuário sua realidade e com base nas suas informações e demandas,
lhes passar informações sobre as situações e problemas que deva resolver e trabalhar.
Encaminhando-o e orientações para consolidar a garantia de seus direitos fundamentais.

Alguns aspectos trabalhados na entrevista


Fonte: FORTI; GUERRA, (2010). Adaptado.

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A entrevista não é uma conversa sem propósito FORTI e GUERRA, (2010) e muito
menos o levantamento de informações desvinculadas do seu objetivo, concordam as
autoras, e acrescentam que é no transcorrer da entrevista o profissional pode surgir
reflexões a respeito da inserção do usuário na sociedade.
A entrevista deve ir além da demanda objetiva que o indivíduo veio buscar, como um
encaminhamento, orientação e inserção em programas entre outros. Existem alguns
cuidados que devem ser observados pelo profissional FORTI e GUERRA, (2010).
Observações na entrevista relacionadas da condução da entrevista e que esteja em
consonância com o projeto ético político da profissão, quanto a intencionalidade do
instrumental.Outra observação diz respeito a linguagem, com perguntas subjetivas,
sem induzir perguntas e objetivando o entendimento do indivíduo.
Na entrevista existe a possibilidade de executar a observação como mencionamos
anteriormente, a escuta silenciosa que pode vir após uma sumarização pelo profissional
do que ele compreendeu dando assim a oportunidade da população confirmar ou
refazer a impressão do profissional e repensar sobre o que ela mesma disse FORTI
e GUERRA, (2010, p.53).
E comunicação implica também, na escuta e suas diversas formas (escrita, gestual,
oral), na reflexão, na percepção da realidade, no respeito às crenças, valores, cultura,
grupos tradicionais específicos, gênero, etc. TRINDADE, (2001)
A entrevista deve ser executada observando aos princípios éticos fundamentais
da profissão o posicionamento do profissional quanto a eliminação do preconceito,
o respeito à diversidade, contrário a dominação e ao autoritarismo. CFESS, (1993).

Alguns cuidados na entrevista


Fonte: FORTI e GUERRA,( 2010) Adaptado.

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Respeitar o tempo do usuário, às vezes em um primeiro encontro o mesmo pode


não sentir confiança suficiente no profissional para falar das suas necessidades que
estão ligadas à sua história pessoal e familiar.
Alguns cuidados na entrevista

Como a preparação do ambiente e o cuidado com as interrupções, e os


fatores externos e de fatores internos do entrevistador, como: trazer a si mesmo e ter desejo de
atmosfera ajudar; conhecer a si mesmo; confiar nas próprias ideias e ser honesto,
ouvir e absorver.

O acolhimento deve ser executado, importando nesse momento o usuário


e não suas demandas. Isso valoriza-o, reforçando sua autoestima e sua
o acolhimento
confiança que possui os elementos necessários para resolver seus
problemas.

O espaço de atendimento deve ser tranquilo em conformidade com a


Resolução CFESS 493/2006. Isso não quer dizer que em algumas situações
O espaço
a entrevista não possa ocorrer na rua ou em outros espaços, dependendo
da condição de quem demanda o atendimento ao assistente social.

As interrupções promovidas por estagiários e pessoal administrativo,


devem ser evitadas ao máximo. Até o profissional que está conduzindo a
entrevista deverá encontrar um meio de equilíbrio entre interromper sempre
As interrupções
o entrevistado – não o deixando concluir o raciocínio – e não interromper
nunca, dando a impressão de que não está prestando atenção ao discurso
apresentado

Deve-se tomar cuidado com relatórios e pareceres de outros usuários,


Sigilo profissional que não devem ficar sobre a mesa durante a entrevista com os demais
usuários, para preservação do sigilo profissional.

A entrevista deve ser preferencialmente agendada com antecedência e ter


um tempo definido. Se o usuário procurar o profissional sem agendamento
Horário
prévio e caso o atendimento mostra-se inviável, deve ser explicado a ele os
motivos pelos quais não poderá ser atendido naquele momento.

O profissional deve ver o usuário como responsável pelo seu destino, com
Protagonismo potencial para realizar as mudanças que sua vida requisita. Desse modo
acontecerá seu fortalecimento e empoderamento.

O registro do atendimento, que deverá ser feito logo após a entrevista,


evitando assim a perda de detalhes do que foi discutido e acordado na
O registro
entrevista. O profissional deve tomar todo o cuidado com o documento
daí resultante.
Tabela -20
Fonte: ROCHA,( 2016). Adaptado.

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Esses procedimentos são meramente ilustrativos, há muito mais a se abordar, e


pesquisar e experienciar,mas com uma base teórica o estudante no estágio digamos
ou o profissional vai se guiando pelas necessidades do contexto.
Também vai trazer novos elementos, novos modos de conduzir a entrevista,
dependendo do objetivo e das particularidades de cada usuário, entre outros. Mas
ao mesmo tempo, não existe definitivamente um modelo fechado que enquadre todos
os contextos, objetivos e usuários.

11. 2 Sugestão de roteiro básico para a entrevista

Apresentamos a seguir uma sugestão de questões que podem ser utilizadas em


muitas entrevistas por assistentes sociais. No entanto, dependendo do objetivo da
entrevista, do assunto a ser tratado, das demandas institucionais e dos usuários, outras
questões podem ser acrescentadas ao roteiro básico (se possui casa própria, tipo de
habitação, problemas de saúde na família, se todos os filhos estudam, relacionamento
familiar etc.).

SUGESTÃO BÁSICA DE ALGUNS PONTOS PARA ENTREVISTA

1.Identificação 2.Demandas 3.Atitudes, sentimentos, 4.Dificuldades


expectativas

5.Avaliação e 6.Proposta de Ação


encaminhamento
Tabela -21 sugestão
Fonte: ROCHA , (2016). Adaptado.

No item 1 se colhe informações gerais sobre o usuário com; nome completo do


entrevistado, idade, sexo, estado civil; escolaridade, ocupação, renda pessoal e do grupo
familiar, recebe algum benefício assistencial ou aposentadoria (se algum membro
familiar recebe).
A composição familiar (pessoas que residem no mesmo teto, independente de
laços sanguíneos); endereço (com referências de localização), telefone e contato de
algum parente próximo ou amigo, no caso de o profissional não ter contato posterior
com o usuário caso necessite.
No item 2, a sua motivação de procurar o Serviço Social, se veio encaminhado
por outro serviço ou o CRAS, CREAS, veio espontaneamente foi orientado por algum
familiar ou amigo.

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No item 3, as expectativas, sentimentos, que levaram o usuário até o Serviço Social,


e como ele se relaciona com essas expectativas, se há algo que possa ser viabilizado
naquele momento e as necessidades de curto, médio e longo, como ele lida com essa
dinâmica ROCHA ,( 2016).
No item 4, Dificuldades emocionais do usuário frente à questão principal que mais
lhe aflige, por exemplo, o usuário necessita ativar o bilhete de passagens do deficiente
para se locomover, pois utiliza o bilhete para ir à escola e às reuniões de programa
que trabalha o empoderamento e a autonomia e a inserção no mercado de trabalho.
Como exposto ele depende do bilhete, mas não possui internet.
Sua estratégia principal foi conversar com o Serviço. O Assistente Social pode
compreender diante de todos os problemas que ele apresentou que há outros mais
urgentes. É fundamental que ele se sinta acolhido e respeitado no que ele compreende
como prioridade, e a partir de então, junto com o profissional ir ajustando e reavaliando
o objetivo pretendido. Sem impor sua autoridade profissional.
No item 5, nessa etapa se planeja, avalia e se encaminha a retomada dos objetivos
iniciais e busca de alternativas possíveis. (propostas pelo usuário e pelo assistente
social) frente às demandas apresentadas. Uma construção conjunta ROCHA, (2016).
No item 6 Proposta de Ação: conforme as alternativa e suas diferenças, há
mudança de caso para caso conforme o usuário mas a definição das ações e tarefas
e encaminhamentos devem ser feito de forma conjunta (Assistente Social e usuário),
e após isso, definir um tempo para o retorno e verificar, se as ações propostas e a
reavaliação das estratégias adotadas forma realizadas ROCHA, (2016).

11. 3 Reunião

Percebemos a reunião como um instrumento amplamente utilizado pelo assistente


social, que integra o cotidiano de trabalho do profissional. A reunião em situações
como; com grupos, na interação com usuários e comunidades, nas reuniões de equipe,
nos encontros com outros profissionais de diferentes espaços.
Conforme o espaço e a proposta e objetivos da reunião, esse instrumento incorpora
características que dependem da interação com outros instrumentos e da forma de
condução do profissional.

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Vileirine (2016, p. 137) sobre algumas características gerais da reunião define que:
“é instrumento coletivo de reflexão sobre as necessidades, preocupações e interesses
comunitários, assim como de organização e ação”
A reunião é utilizada por muitas áreas do conhecimento, que possuem propósitos
diversos, modo peculiar de elaborar e conduzir esse instrumento. No Serviço Social
as reuniões devem estar sintonizadas com os princípios e diretrizes do projeto ético-
político, com a cidadania e direitos dos indivíduos e famílias.

instrumento coletivo de A reflexão é algo marcante no trabalho do assistente social nas suas
reflexão intervenções com os usuários, na reunião também.

Reuniões confusas, sem foco e objetivo claro, desmotivam as


objetivos claros para todos
pessoas, restringindo a eficácia dos resultados e possivelmente
os envolvidos
esvaziando um próximo encontro.

Pode servir para estimular o debate acerca da realidade cotidiana


agenda sugestiva
da população.

Observar situações de caráter pessoal ou de organização da


Momento oportuno coletividade que impedem encontros em determinados locais, dias
ou horários.

Conduzida de forma Promover espaço para interação de todos os presentes.


democrática e participativa

Uma reunião bem organizada e que gerou uma importante reflexão,


Continuidade pode ter ao seu final um indício de ações que sugerem sequência
noutra reunião.

Objetiva a melhoria contínua, que deve provocar mudanças na


Avaliação
dinâmica do trabalho para que possa ser bem vista pelo grupo.
Tabela -Alguns destaques que podem ser importantes na reunião
Fonte: (SOUZA, 1991 apud VILEIRINE, (2016). Adaptado.

Em reuniões com encontros consecutivos deve-se adotar o retorno do resultado da


avaliação para o grupo, combinado as devidas mudanças como horário, dinâmicas,
forma de condução VILEIRINE, (2016).
Outras questões que digam respeito a mudanças, como pontos positivos para uns
e negativos para outros. É importante ponderar “ainda que não seja prudente avaliar
o que não podemos mudar, por exemplo, o espaço físico” (VILEIRINE, 2016, p. 147).
“Em comunidade, muitas vezes, só podemos dispor de uma determinada infraestrutura
e se não podemos mudar o espaço, a AVALIAÇÃO da adequação do mesmo cria uma
polêmica que não vai poder ser resolvida” VILEIRINE, (2016, p. 147).

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11.4 Atividade socioeducativa

Atividade Socioeducativa pode ter diversos temas e objetivos no geral elas objetivam
informar e propiciar aos usuários contato com temáticas, conteúdos e reflexões que
envolvam o território, seus equipamentos, a aproximação do território e suas instituições
do cotidiano dos indivíduos e famílias.
Objetiva principalmente a aproximação e a convivência dos usuários, com os familiares
também, para que assim possam se apoiar, trocar experiências e conhecimentos
fortalecendo desse modo a coletividade local.
Favorece a construção do processo reflexivo e possibilita a compreensão mais ampla
de que os problemas vivenciados particularmente, por uma família individualmente,
podem ser também vivenciados por outras pessoas e várias famílias. Assim atribuem
mais sentido para si e o grupo.
O fortalecimento do grupo potencializa o despertar de projetos, sonhos gerados
através do trabalho do Assistente Social dos serviços socioassistenciais que potencializa
a capacidade de recuperação da autoestima e procura trabalhar e despertar o sentido
de cuidado e função protetiva das famílias, com seus membros.
Essas atividades possuem a proposta dos Assistentes Sociais contribuam para a
autonomia e emancipação dos indivíduos e famílias, por exemplo, integrar e incluir as
pessoas em determinados espaços e na convivência dar mais sentido ressignificar
suas vidas.
O Serviço Social deve conhecer bem público para ofertar atividades variadas que
envolva o público e mantenha a participação, traga atrações que dialoguem com a
realidade dos usuários e apresenta temas que ampliam a consciência e o conhecimento
para além do seu espaço socioassistencial e do território.
Um exemplo que se aproxima um pouco da utilidade da atividade mencionada,
é o caso do Sr. Farias, idoso passou a fazer parte de um núcleo de convivência de
idosos, chegou lá por indicação do CRAS,residia sozinho, possuía uma única filha e
havia cortado relações há mais de três anos . Saía de casa apenas para receber o
benefício Bolsa Família e fazer algumas compras. Os amigos moravam em outras
cidades e muitos haviam falecido.
O Sr. Farias começou participando das atividades socioeducativas, nas duas
semanas seguintes não compareceu, ele não possuía telefone, quando o Serviço
Social planejou uma visita domiciliar ele apareceu. Ainda participava somente das

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atividades socioeducativas, mas outras coisas começaram a acontecer na vida dele


fora do espaço de convivência, fez amizades no seu caminho de ida e volta e, passou
a frequentar mais a comunidade, passou a ser notado na rua.
Mas soube que havia oficinas de dança e comentou com o Serviço Social o
desejo de aprender a dançar ainda na juventude, e passou a fazer isso no espaço
socioassistencial. Alguns meses depois o Serviço Social o orientou e proporcionou
suporte nesse sentido ele se aposentou por tempo de serviço. Depois de aposentado
passou a viajar, ia ver os amigos em outras cidades. E alguns parentes em outros
Estados, passaram a se preocupar mais com a saúde.
Ele passou a participar de várias atividades que o espaço oferecia, um dia solicitou
matrícula no curso de computação que o espaço oferecia. Um tempo depois participou
de algumas atividades cujo tema era “A família que temos é a família que queremos?”
A atividade propunha um desdobramento final.
Se alguém se sentisse à vontade para conversar sobre questões familiares com a
equipe ou com os profissionais da equipe em particular sobre alguma questão familiar
que fosse da competência da equipe ou de um ou outro profissional desta, isso seria
feito. ( Assistente Social/a, Psicólogo/a) o Sr. Farias foram 6 atendimentos sobre
questões familiares. Dois encontros com a psicóloga e quatro com o Serviço Social.
Um mês depois dos atendimentos na aula de dança, o Sr. Farias entrou na sala de
atendimento do Serviço Social conduzindo a filha pelo braço, apresentando a moça
para todos e mostrando o espaço para ela muito emocionado.

Ressignificando vida
Fonte: https://www.pexels.com/pt-br/foto/barba-computador-idosos-mais-velhos-7330912/

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As atividades socioeducativas objetivam conquistas como a segurança de renda,


segurança de sobrevivência a riscos circunstanciais, segurança, de convívio familiar e
o território, segurança do desenvolvimento da autonomia individual, familiar e social etc.
NORMA TÉCNICA DOS SERVIÇOS SOCIOASSISTENCIAIS PROTEÇÃO SOCIAL BÁSICA/
SP. (2012).
As atividades socioeducativas são de responsabilidade dos técnicos e gerente,
contam com o apoio dos orientadores socioeducativos. A reunião socioeducativa
é essencial para o desenvolvimento da capacidade de vocalização, participação e
interação entre os integrantes nucleados em um grupo NORMA TÉCNICA DOS SERVIÇOS
SOCIOASSISTENCIAIS PROTEÇÃO SOCIAL BÁSICA/SP. (2012).

11.5 Palestra

A palestra tem um caráter informativo a respeito de determinado assunto que esteja


sendo solicitado, para e pelos indivíduos e famílias. A palestra sempre procura definir
temas para uma população que já possuem conhecimento prévio a respeito do tema
que querem saber mais sobre ele.
“O palestrante deve ser especialista no assunto apresentado. Por exemplo, em uma
comunidade o assistente social se depara com vários casos de violência doméstica
e familiar” MASSA e MENDES, (2016, p.171). O Assistente social pode apresentar a
palestra sobre temas pertinentes a sua área.
O Assistente Social também pode palestrar sobre um tema que não seja
necessariamente da sua área de conhecimento, desde que pesquise e estude a respeito,
prepare o tema.
Nos serviços socioassistenciais muitas vezes as demandas de palestras surgem a
partir de situações que emergem no cotidiano das vivências da população, o assistente
social pode promover uma palestra tratando desses assuntos e demais temas.
Mas o contrário também pode acontecer, a palestra não precisa, necessariamente,
ser proferida pelo assistente social, que pode convidar um profissional com domínio
no tema para apresentá-lo à comunidade MASSA; MENDES,( 2016, p.171).
Além da destinação da palestra aos demandantes dos serviços prestados pelo
assistente social, pode ser também organizada uma palestra para os próprios
profissionais, no sentido de ampliar o conhecimento acerca de certa temática.

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Palestra
Fonte:https://www.pexels.com/pt-br/foto/pessoas-em-reuniao-dentro-da-sala-de-conferencias-1181395/ Acesso em: 28 de out. 2021.

11. 6 Estudo social

O Estudo Social é um instrumento específico do assistente social, com objetivo


de conhecer com profundidade de forma crítica, determinada expressão da questão
social objeto da intervenção do Assistente Social.
Para essa intervenção é fundamental que o Assistente Social conheça a realidade de
forma profunda na qual vai intervir, que geralmente envolve os indivíduos, e associado
a fatores socioeconômicos e culturais.
Esse processo pode ter início através da documentação e exige tempo na organização,
planejamento de investigação, conhecimento e análise de documentos já produzidos,
e outros documentos podem ser solicitados para dar sustentáculo à intervenção.
“Além da operacionalização de diferentes instrumentos e técnicas, podendo constar
dos mesmos impressões e dúvidas que motivaram novos aprofundamentos para
melhor manifestação conclusiva” COSTA; OLIVEIRA, (2016, p.210).
Esse instrumental é importante para ajudar na mediação que o assistente social
vai fazer e ainda possibilita conhecer se o sujeito ou família se possuem acesso aos
serviços dos serviços socioassistenciais e das demais políticas públicas.
Possibilita o profissional conhecer, analisar a história do indivíduo ou família de
modo mais profundo para poder tecer suas impressões e manifestar manifestação
sua conclusão.

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Nessa perspectiva, a elaboração do Estudo Social deve estar guiada pelas questões
“ao que fazer, por que fazer, para que fazer e como fazer. Lembremos que elas remetem
ao objeto, aos objetivos, às finalidades e à metodologia para o desenvolvimento da
ação” COSTA; OLIVEIRA, (2016, p.211).
Sabendo que “os objetivos e finalidades respondem, antes de tudo, ao projeto
ético-político e teórico-metodológico da profissão e, posteriormente, à natureza e
determinantes institucionais” (COSTA; OLIVEIRA, 2016).

Fonte: COSTA; OLIVEIRA, (2016) Adaptado.

Há muitos elementos a serem contemplados no processo que dependem do objetivo e


a circunstância que a demanda traz, mas apresentados esses elementos registrados ou
anexados auxiliam o judiciário na decisão final da situação social que está sendo periciada.
“Lembramos que o registro do Estudo Social deve permanecer sigilosamente em
arquivos do Serviço Social, e não ser anexado aos documentos que compõem os
processos sociais em tramitação” COSTA; OLIVEIRA, (2016, p.211, 212).

11.7 Relatório Social

Os relatórios são instrumentos de sistematização da prática do assistente social.


Ele, portanto, é composto das ações, atividades e práticas que são relatadas de modo
descritivo de atividades como as já anteriormente descritas aqui e outras.

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O relatório atravessa a prática do Assistente Social onde faz a apresentação descritiva


de um atendimento socioindividual, coletivo, de uma visita domiciliar, de uma atividade
socioeducativa, de uma entrevista ou de uma reunião de equipe etc.
O relatório social pode ser sobre essas atividades citadas e muitas outras, possui
a finalidade de descrever todas as atividades desenvolvidas pelo profissional. Assim,
existem diferentes tipos de relatórios sociais que são os instrumentos relacionados
à sistematização da prática do Assistente Social.
“O relatório é descrição é uma exposição do trabalho realizado e das informações
adquiridas durante a execução de determinada atividade. Semanticamente falando
é o relato dos dados coletados e das intervenções realizadas pelo Assistente Social”
SOUZA, (1991, p. 130).
A finalidade do relatório é registar ,informar, descrever, interpretar de uma
acontecimento, assim pode servir como objeto de estudo e também para subsidiar
um processo e compor a memória da instituição e do trabalho ali desenvolvido.
Não é nosso objetivo aqui descrever detalhadamente como se produz um relatório.
Isso depende do objetivo do trabalho, do tipo de atividade desenvolvida, contexto e
circunstância etc. Apenas passar informações gerais. O relatório pode ser produzido
para o próprio Assistente Social ou para a equipe de Serviço Social de onde o Assistente
Social está desenvolvendo trabalho.
Portanto, é importante lembrar que há uma pequena classificação entre “relatórios
internos (que serão de uso e manuseio do Assistente Social ou da equipe que ele
compõe) e relatórios externos (que serão de uso e manuseio de agentes exteriores à
equipe)” SOUZA, (1991, p. 130).
Magalhães afirma que existe muitos tipos de relatórios, além do relatório social
tem-se vários outros, podemos destacar alguns:
• Relatório de informação;
• Relatório circunstanciado;
• Relatório de visita domiciliar e de visita institucional.

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Tipos de relatórios
Fonte: Magalhães (2011)

11. 8 Parecer Social

Parecer social é uma avaliação teórica e técnica feita pelo Assistente Social a
partir de dados coletados. Vai além de organização de informações sob a forma de
relatório, assim o Assistente Social vai avaliar essas informações, emitir uma opinião
sobre elas SOUZA, (1991).
Não pode ser uma mera opinião, ela deve estar fundamentada, ancorada em uma
perspectiva teórica de análise. Desse modo, o parecer social é fundamental, porque ele
dá ao “Assistente Social uma identidade profissional – a inexistência de um parecer
reduz o relatório a uma simples descrição dos fatos, não permitindo nenhuma análise
profunda sobre os mesmos” SOUZA, (1991, p. 131).
Localizando o Assistente Social na sua formação profissional, e a partir da sua
inserção na divisão social do trabalho, o parecer social demanda que o profissional
se posicione perante as situações verificadas na realidade social, esse instrumento
possui esse sentido SOUZA, (1991).
E que como viemos falando, essas análises que constam do parecer do Assistente
Social sobre determinado fenômeno, pedem um posicionamento analítico do profissional

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que pode ser de caráter conclusivo ou indicativo, sobre determinado objeto ou realidade,
será sempre a luz do Código de Ética Profissional.
Outro ponto que merece destaque é sobre a resolução do CFESS 557-2009 parágrafo
primeiro, que fala sobre o saber específico do Assistente Social em uma equipe
multidisciplinar que já a mencionamos anteriormente.

Perecer social
Fonte: https://www.pexels.com/pt-br/foto/papel-branco-para-impressora-48195/ Acesso em: 28 de out. 2021.

Na referida resolução que define sobre o entendimento ou opinião técnica do


assistente social a respeito do objeto da intervenção conjunta uma diferente categoria
profissional e/ ou equipe multiprofissional.
O Serviço Social deve destacar a sua área de conhecimento a parte da outra
categoria profissional, e assim delimitar o campo da sua atuação do seu objeto, sua
realidade, instrumentos utilizados, análise social e outros elementos que devem estar
contemplados na opinião técnica.
Na construção do parecer o rigor teórico é necessário, conhecer profundamente a
realidade social, o objeto no qual determinada situação está sendo avaliada, o Assistente
Social terá a capacidade de levantar hipóteses sobre possíveis consequências da
situação.

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11.9 Perícia social

“A perícia social no contexto do judiciário refere-se a uma avaliação, exame ou


vistoria, solicitada ou determinada sempre que a situação exigir um parecer técnico
ou científico de determinada área do conhecimento(...) (FÁVERO, (2005, p. 43). A
citada teórica completa afirmando que diferentes áreas são solicitadas a contribuir
com essa construção de conhecimento para favorecer e formar a decisão judicial.
Portanto, quando a perícia é realizada pelo Assistente Social é chamada de perícia
social, essa denominação vem de encontro a sua proposta que é subsidiar uma decisão
no caso do sistema judiciário, ou seja subsidiar o juiz.
Sua elaboração é através do estudo social e parecer, afirma Fávero (2005), que
logo implica na elaboração e emissão de um parecer. Portanto é feita a partir dos
conhecimentos (técnicas/instrumentos) relativos a cada área profissional específica.
No Serviço Social a perícia é construída com base em fundamentos teóricos-
metodológicos e técnicos-operativos relativos à essa área profissional. Geralmente
possui finalidades de caráter avaliativos e julgadores.
A Lei nº 8.662/1993, que regulamenta a profissão de Assistente Social, no art.
5°, aborda as atribuições privativas para a realização de vistorias, perícias técnicas,
laudos periciais, e outras informações de pareceres sobre a matéria de Serviço Social.
E determina que essas constituem atribuições privativas do Assistente Social diante
disso o profissional deve dispor de qualificação respectiva em sua área de atuação.A
perícia social está ligada a um parecer técnico ou científico de determinadas áreas
do conhecimento. Esse instrumento é geralmente utilizado no âmbito sociojurídico.
É utilizada em situações que o Serviço Social é solicitado a dar respostas às questões
que se originam em instituições no Poder Judiciário de casos como à infância, a
família e também a área criminal etc.

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Perícia
Fonte: https://www.pexels.com/pt-br/foto/adulto-banco-margem-ribanceira-7979437/ Acesso em: 29 de out. 2021.

A perícia social parte de uma situação real expressa pela documentação que chega
para o Assistente social, o profissional vai utilizar os instrumentos como documentação
e demais elementos conforme a sua necessidade e objetivo, como entrevistas, visitas
ou telefonemas etc., para suas análises e interpretações.

Elementos utilizados na perícia social


Fonte: Fávero (2005).

Todos esses instrumentos, inclusive este profissional deve ter orientação sua
para elaboração , o profissional deve ter competência na compreensão e manejo dos
mesmos no Serviço social e habilidade no âmbito teórico –metodológico quanto ao
conhecimento profundo da realidade que vai intervir.
A perícia objetiva auxiliar na intervenção e proporcionar suporte para uma decisão
judicial. Conforme já mencionamos, compreende a tomada de decisões sobre os direitos
fundamentais e sociais dos indivíduos. Aqui se observa o compromisso da profissão

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com a defesa e ampliação dos direitos, e o posicionamento em favor da equidade e


justiça social, os princípios do Código de Ética.
O profissional designado para realizar a perícia é denominado de perito social, ele
é indicado pelo juiz, de acordo com a solicitação ou determinação, o perito poderá
responder a questões elaboradas e apresentadas pelas partes envolvidas diretamente
na ação ou pelos advogados que representam as partes. E também pelos defensores
ou advogados que as representam devem sempre fazê-lo em consonância com as
prerrogativas ,princípios e especificidades da profissão FÁVERO, (2005).
Nesta aula procuramos trazer uma pincelada nos instrumentos utilizados
para a mediação da ação do Assistente Social entrevista palestra, Reunião
socioeducativa,palestra, estudo social, relatório social, parecer social e perícia social.
Citamos sobre a contribuição competente do profissional o uso desses instrumentos
pode provocar mudanças e a ampliação dos direitos e da cidadania na realidade de
vida dos indivíduos e famílias.
Inseridos em um Estado que caminha de braços dados com projeto neoliberal
precarizando os serviços, o trabalho, e a prática profissional e os instrumentos, que
devem sofrem transformações sempre, mas que sejam com a participação da profissão
e a favor da intervenção dos usuários e de acordo com o projeto político de profissão
e o código de ética profissional.
Esse cenário social como todos os anteriores exige muito estudo e muita pesquisa,
aconselhamos que pesquise esses instrumentos, sua história e utilização. Falaremos
na próxima aula da estatística no Serviço Social.

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AULA 12
INTRODUÇÃO À ESTATÍSTICA
APLICADA À PESQUISA EM
SERVIÇO SOCIAL

Nesta aula o estudante vai se aproximar do conceito de estatística, um pouco da


sua historicidade, a razão de sua necessidade na sociedade. Mencionaremos algumas
classificações da estática, divisões e algumas fases na obtenção de dados. Traremos
estatística na PNAS e no Serviço Social e algumas possibilidades nas análise a partir
da estatística. É uma das tantas ferramentas que estão à disposição do Serviço Social.
“As sociedades sempre sentiram a necessidade de conhecer numericamente seus
recursos, como forma de determinar controles além conhecer as características da
população” FERREIRA, (2020,p.17). Logo mais apontaremos alguns exemplos dessas
ações no mundo há muito tempo atrás. E de encontro a essa necessidade surgiu a
Estatística.
A Estatística pode ser entendida de dois modos distintos; uma se refere aos dados
oficiais do Estado, daí deriva o nome estatística. A outra corresponde à matemática
que analisa os dados oficiais. Há muitas definições sobre a Estatística.

A estatística é definida como um conjunto de métodos e técnicas que


envolve todas as etapas de uma pesquisa, desde o planejamento,
coordenação, levantamento de dados por meio de amostragem
ou censo, aplicação de questionários, entrevistas e medições
com a máxima quantidade de informação possível para um dado
custo, a consistência, o processamento, a organização, a análise e
interpretação dos dados para explicar fenômenos socioeconômicos,
a inferência, o cálculo do nível de confiança e do erro existente na
resposta para uma determinada variável e a disseminação das
informações IGNÁCIO, (2010, p.4).

Assim, a Estatística pode ser utilizada na análise de dados como vimos , e também
exclusivamente na análise de dados do Estado e também nos surveys ou pesquisas
de opinião etc. PRATES, (2017).

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Outras definições próximas a essa como:


A Estatística é a ciência que se preocupa com a coleta, a organização, a (descrição)
a apresentação, análise e interpretação de dados experimentais e tem como objetivo
fundamental o estudo de uma população PRATES,( 2017, p. 14). As definições podem
ter algumas variações mas não se afastam da questão da organização, sistematização
numérica, organização interpretação e planejamento etc.
Ignácio (2010) apud FERREIRA, (2020) comentam que os governantes, por interesses
militares e tributários, em tempos remotos as civilizações, elaboravam dados sobre a
população e as riquezas, em especial o Estado. Há indícios de que a 3.000 a.C. os
censos já existiam na Babilônia e o Confúcio apresentou dados colhidos na China
há mais de 2.000 a.C. o imperador da China Yao determinou a realização do primeiro
recenseamento para coletar informações agrícolas e comerciais.

12.1 Possíveis origens da Estatística na história

A origem da palavra Estatística possui ligação com a palavra latina Status (Estado).
Há evidências de que nos 3000 anos A.C. os censos eram tradicionalmente feitos nos
lugares como; a Babilônia, China e Egito.
Outro indício é que a afirmação é que o 4º livro do Velho Testamento que ordena
Moisés de realizar um levantamento dos homens de Israel que estivessem em condições
de ir para a guerra PRATES, (2017).
Outra menção da história nessa perspectiva é que esse controle poderia ser utilizado
para a taxação de impostos ou para o alistamento militar como já citamos. O Imperador
César Augusto, ordenou que se realizasse o Censo de todo o Império Romano.
Por essa época e um pouco antes, a nobreza e/ou igreja faziam listas para ter uma
estimativa de quantos pessoas em situação vulnerável haviam para lhe lhes assistir
em suas paróquias, comunidades etc., os pobres e miseráveis recebiam alimentos e
vestuário entre outras doações, desses figuravam os deficientes físicos, os doentes,
os cegos, as viúvas, os órfãos os velhos, os deficientes etc.
Na Inglaterra em 1085, Guilherme, O Conquistador, ordenou um levantamento
estatístico da Inglaterra, com dados sobre terras, proprietários, uso da terra, empregados
e animais e serviram de base para o cálculo de impostos PRATES, (2017).
Mas a palavra Estatística foi cunhada pelo acadêmico alemão Gottfried Achenwall
(1719- 1772), que foi um notável continuador dos estudos de Hermann Conrig (1606-
1681) , apud PRATES, (2017, p. 10).

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Especialmente a Alemanha fazia a descrição de praticamente tudo, suas ações


nos diversos campos da sociedade viravam dados; da saúde, do clima, da economia,
finanças, esportes etc.
A Inglaterra voltou-se para política que pretendia calcular os fenômenos da cidade
para oferecer dados quantitativos aos políticos para tomar medidas, uma vez que era
crescente a preocupação com o aumento da população pobre.
Ainda no século XVIII com a instalação do capitalismo no mundo e suas influências
na economia, necessitava-se cada vez mais racionar a economia, a política, as relações
sociais e o que envolvesse a classe trabalhadora na instituição da divisão social no
trabalho. Essa classe era o motor da economia.
Nessa dinâmica de acontecimentos em torno da Revolução Industrial e suas novas
exigências com a forma de produção, vão surgindo inovações tecnológicas, diferentes
formas de organização do trabalho e diferentes formas desse trabalho acontecer e
aparecer.
Esse período histórico de avanços e desenvolvimento pede pesquisas estatísticas
que envolvem levantamentos estatísticos dos fenômenos sociais como; doenças,
mortalidade, natalidade, criminalidade etc. A máquina estatal com suas instituições
vão tendo uma fotografia cada vez mais nítida da sociedade e suas expressões.
Por exemplo, esse controle estatístico ajudava muito a assistência pública no
planejamento de assistir as pessoas em situação de extrema vulnerabilidade, e assim
os submetia a um rigoroso controle e regramento determinado pela burguesia industrial.
Portanto, conhecer o desenvolvimento histórico de um objeto, visando compreender
as origens, necessidades e razões da sua existência e desenvolvimento, nesse caso
a Estatística é necessário na atualidade.
O estudante vai perceber nas exposições que trazemos, mesmo em breves
pinceladas, que a Estatística foi se cunhando de acordo com as mudanças sociais
que iam se incorporando e desenvolveu e se instalou no mundo como uma “ferramenta”
fundamental para a tomada de decisões dos governos e das nações no mundo todo.

A partir do século XX começou a ser aplicada nas grandes organizações,


quando os japoneses começaram a falar em qualidade total, surgindo a
estatística moderna, considerada uma disciplina. A partir daí, a estatística
evoluiu de forma significativa, passando a ser utilizada nos diferentes
setores da sociedade como forma de obtenção de informações a partir
do levantamento de dados com base em métodos de amostragem
complexos IGNÁCIO, (2010, p.6).

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A Estatística pode ser encarada como uma ciência ou como um método de estudo.
Duas concepções para a palavra Estatística:

Fonte: (PRATES, 2017, p. 11).

Portanto, podemos observar que a Estatística vai além da sua representação


numérica, como dados, gráficos ou levantamento de dados e análise sobre uma
determinada realidade ou fenômeno ou fato social.

12. 2 Estatística, alguns conceitos e o Serviço Social

O Serviço Social, em boa parte das suas pesquisas opta pela pesquisa qualitativa,
diríamos que a profissão está começando a compreender a importância dos números
nas suas análises e elaborações investigativas. A constituição dos dados numéricos e
informações estatísticas, podem dar base para o desenvolvimento inicial da pesquisa
e também para fundamentar os resultados finais.
O Serviço Social pouco trabalha com dados, devido a natureza do seu objeto de
intervenção e investigação, que são os indivíduos, os fenômenos que atravessam e
se manifestam nas suas vidas frutos da questão social, essas questões e fenômenos
são estudados e medidos pelo Serviço Social de modo qualitativo.
Geralmente os egressos do curso de Serviço Social objetivam ajudar a contribuir
para mudança de algumas realidades e o caminho inicial e para compreensão alguns
fenômenos que muitas vezes fazem parte do seu cotidiano, profissional, de estágio
etc. buscam a pesquisa, que envolve realizar estudos levantar informações e coletar
dados comprová-los.

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“para mudar uma realidade demanda social, comprovando através dos números
a diferença dos resultados alcançados com a intervenção profissional do assistente
social” SCHMITT; WEGRZYNOVSKI, (2015, p.3).

A importância de citar resultados é uma questão que coloca vários


desafios para todas as categorias profissionais, para o serviço social,
em especial, pois encontra demanda nos locais de atuação profissional,
dificultando assim citar e comparar resultados mediante a realidade
estudada, sendo possível somente quando possuir um controle específico
dos resultados coletados. SCHMITT; WEGRZYNOVSKI, (2015, p.3).

A fala acima nos faz pensar na rotina do pesquisador trabalhador no Serviço


Social que de modo geral, não possui incentivo para desenvolver suas investigações
científicas.Isso constitui um desafio para os profissionais. Porque ao mesmo tempo
que possuem material privilegiado concreto da realidade, como as demandas e as
necessidades da população institucional e local.
Se fixam mesmo na resolução dessas demandas e problemas cotidianos da prática.
O tempo, a dinâmica profissional e a cultura institucional não favorecem a pesquisa.
Mas o trabalhador precisa de apoio para isso. Esse apoio pode vir dos serviços,dos
trabalhadores sociais também, das organizações representativas da classe, da PNAS
etc.
Esses e demais envolvidos devem incentivar ,criar, apoiar ações para essas pesquisas,
pois o pesquisador trabalhador está em local privilegiado; um laboratório vivo que é o
contexto da sua atuação profissional nos programas e projetos e políticas públicas.
Uma das competências do Serviço Social na Lei 12.317/2010 que dispõe sobre a
atuação profissional no artigo 4, inciso XI é a realização de estudos socioeconômicos
com os usuários com a finalidade para mensurar a renda dos mesmos e assim através
dessas análises,junto aos órgãos públicos ou privados inclui-los ou não na oferta
desses serviços. Aqui está explícito o uso dos números na prática profissional.
Assim poderá fazer todo um desdobramento abstrato da realidade de trabalho
já que há muitos dados coletados dos seus beneficiários. Falta pesquisar, seguindo
todos os procedimentos da pesquisa científica, como a questão ética. A observação
para a pesquisa já pode ser desenvolvida ali no ambiente, favorecendo as análises,
a comprovação e assim pode tirar conclusões para muitas finalidades.
“A coleta, a apresentação e a caracterização da informação, para assistir à análise
de dados e o processo de decisão” Marcelino (2010, p. 2)apud r(Schmitt;, Wegrzynovski,

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2015, p.3).No quadro abaixo enumeramos alguns conceitos muito utilizados na


estatística.

Alguns conceitos usados na estatística

A amostra é o recorte da população que está sendo pesquisada para análise

A população finita a é aquela que possui um limite quantitativo

População infinita se refere à quantitativos sem limite

Um parâmetro é uma medida sintética que descreve um estado da população

Dados qualitativos contínuo se refere aos que podem ser medidos

Estudos enumerativos envolvem a tomada de decisão, com base nas características de


uma população sob análise

Estudos analíticos envolvem a tomada de uma decisão sobre um processo visando ao


aumento de performance no futuro.
Tabela 22- alguns conceitos usados na Estatística
Fonte: Marcelino (2010, p. 2 apud SCHMITT; WEGRZYNOVSKI, (2015, p.5)

Assim, a partir de um planejamento sistemático que envolve a organização de dados


de um determinado objeto ou realidade, o pesquisador organiza, analisa e interpreta
os dados e retira as conclusões de uma pergunta sobre determinada realidade ou
determinada população, por exemplo, veja as perguntas que podem ter a Estatística
como base.

Pergunta sobre determinada realidade ou determinada população

Porque os níveis de violência doméstica se acirraram na pandemia?

Como passou a se configurar o atendimento do BPC nos CRAS a partir de 2020 em virtude da pandemia?
Tabela 23- perguntas
Fonte: Elaboração própria

Dados dessa natureza não envolvem apenas o fator quantitativo, as razões podem
giram nesse sentido mais há questões humanas envolvidas, pois visa melhorar o
conhecimento de certos fenômenos sociais ou humanos para agir sobre eles em
alguns casos.
A partir das perguntas pode se obter uma pesquisa quantitativa ou qualitativa
depende da finalidade, gráficos ou tabelas apresentando números da violência antes
e após a pandemia, pode ter seu uso para um estudo comparativo ou exploratório
e/ou atualizar dados. Os dados numéricos podem ser levantados pelo pesquisador
de Serviço Social.

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Essa quantificação não está vazia em si pode se melhorar uma realidade que está
precária através dos dados modificá-la e através do “aparecer” quantitativo pode mudar
qualitativamente determinado contexto e vidas e diversos fatores sociais.
Sendo assim, a estatística através do seu levantamento constata e analisa a realidade
social que está em movimento em determinado momento. contexto e tempo. E uma
das funções da estatística nas políticas públicas é identificar e mapear o público
prioritário para determinado serviço, programa etc.
Os dados também são utilizados para “quantificar todos os resultados que são
adquiridos em uma determinada pesquisa, que necessite de certo diagnóstico
estatístico” SCHMITT; WEGRZYNOVSKI, (2015, p.5), por exemplo, a PNAS pode solicitar
os dados da educação básica e fazer um levantamento das crianças e adolescentes
com deficiência para a concessão do BPC.
O estudo em determinada população com a estatística pode ser realizado de duas
maneiras, a saber, essas maneiras são usualmente utilizadas pelo Serviço Social pode
utilizar em suas pesquisas.
• Investigando todo o contexto populacional
• Selecionando algumas pessoas daquele contexto (amostragem)

Esse processo pode envolver as fases de formulação, análise do problema,


planejamento que vai entrar na formulação do projeto, formulação do modelo conceitual,
coleta das informações etc. PRATES, (2017).
Os dados coletados serão avaliados de acordo com as necessidades de atuação,
sendo que o resultado final do trabalho desenvolvido depende especificamente de
cada situação, pois a estatística conforme o conceito acima citado tem conexão
com a realidade dos fatos listados. A pesquisa pode ou não ter sentido interventivo
na Estatística como já compreendemos. No Serviço Social o mesmo ocorre algumas
vezes. São muitas as finalidades.
Mesmo o Serviço Social na sua prática diária trabalha com números e levantamento
de dados, planilhas, Excel, levantamento de dados, assim se relaciona com a Estatística
mesmo sem se dar conta. Por exemplo, quando viabiliza as demandas dos usuários e
faz a sistematização e ordenamento numérico para a prestação de contas de um espaço
socioassistencial, Atribuições assim que chegam na prática social do Assistente
Social se constituiu, na responsabilidade, racionalização e na normatização para as
ações da PNAS.

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ISTO ACONTECE NA PRÁTICA

A Busca Ativa identifica a pessoa que está em situação de pobreza extrema que
vivem muito afastados dos bens e serviços das políticas públicas. Diante disso deve
se estabelecer estratégias e ações, com a colaboração e parcerias, para identificar
e cadastrar as famílias de baixa renda que serão encaminhadas para ações
socioassistenciais A busca ativa acontece nas políticas de Assistência Social, na
política da Saúde, da Educação entre outros.
O objetivo é cadastrar as pessoas no Cadastro Único Programas Sociais do
Governo Federal Proteção Social Básica e Especial e com base em tais
informações, planejar, orientar e coordenar ações pelas equipes dos Centros de
Referência de Assistência Social (CRAS) e Centros de Referência Especializado de
Assistência Social (CREAS) e envolve a Vigilância Socioassistencial em atenção
as necessidades apresentadas e acompanhamento dos usuários. Conheça mais
porque faz ligação com o tema e o Serviço Social envolve a pesquisa.
Livro: O Brasil Sem Miséria do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à
Fome
Site: https://www.mds.gov.br/webarquivos/publicacao/brasil_sem_miseria/livro_o_
brasil_sem_miseria/livro_obrasilsemmiseria.pdf

E pode ter vários desdobramentos que sempre vão envolver a questão numérica
e cálculos e podem levam a corporificação da pesquisa, com todos seus elementos
nessa aproximação; experimentação projeto experimental, análise estatística dos
resultados, e por fim a conclusão que envolve a comparação e a constatação das
soluções mais adequadas, apresentação dos resultados e implementação do projeto.

12.3 A divisão da Estatística e algumas fases do seu processo investigatório

Estatística Descritiva Estatística Indutiva Amostral ou Inferencial

Trata da organização, resumo e A partir de uma amostra, tirar conclusões sobre a,


apresentação dos dados. uma realidade social, um objeto (população) etc.

coleta de dados; • organização Verifica-se aqui a utilização da generalização do


e classificação destes dados; • método indutivo, e está relacionada a uma margem
apresentação através de gráficos de incerteza. Por causa da conclusão que se objetiva
e tabelas; • cálculo de coeficientes chegar para todos os indivíduos pesquisados referente
(estatísticos), que permitem descrever a características comuns, baseia-se em uma parcela
resumidamente os fenômenos. do total de observações.
Tabela-24
Divisão da estatística
Fonte: PRATES[1], (2017). Adaptado

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Na estatística descritiva, a finalidade é resumir os dados coletados e assim extrair deles,


a compreensão sobre o problema que gerou os dados. O pesquisador muitas vezes se
depara com uma grande quantidade de dados, o que pode ser difícil para os iniciantes na
pesquisa, como proceder diante deles? Como começar a trabalhar com eles?
As informações e dados são fontes preciosas, as informações devem ser reduzidas
até o ponto em que se possa interpretá-las o mais claramente possível. A estatística
descritiva vai resumi-las através do uso de certas medidas-síntese, que tornem possível
a interpretação de resultados de forma mais ampla possível. PRATES, (2017).
Estatística Indutiva (Amostral ou Inferencial): parte é uma amostra, que em seguida
estabelece hipóteses, tirar-se conclusões sobre a população ou realidade que se pretende
pesquisar e nessa perspectiva, se elabora previsões com base na teoria das probabilidades.
A estatística indutiva cuida da análise e interpretação dos dados.

Divisão da estatística
Fonte: PRATES, (2017). Adaptado

Vamos deixar um exemplo hipotético mais próximo do entendimento real, observando


onde se localiza a parte Estatística descritiva e a Estatística inferencial no processo
de uma suposta pesquisa no Serviço Social ou em outra área do conhecimento.

Coleta rigorosa Tratamento Apresentação Análise e interpretação


Conclusão
de dados dos dados dos dados dos resultados

Coleta de dados Após o levantamento Concluímos que a


no contexto da que podem ser comunidade Z nega
comunidade Z, sobre por questionários Apresentação a vacina contra
As análises das
a negação da vacina fechados, esses dos dados será o Covid-19 por
narrativas serão
contra o Covid- 19. dados serão sob forma de influência midiática
através da análise de
De qual base essas organizados , gráficos, tabelas e lideranças
discurso.
pessoas partem manipulados , etc. representativas
para sustentar essa apurados e tabulados locais e.......
negação? criteriosamente. ...............
Tabela 25- de uma suposta pesquisa
Pesquisa
Fonte: elaborado pelo autor.

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Esse exemplo contempla as duas fases: começa com a contextualização do


problema, coleta de dados; organização, classificação destes dados; apresentação
através de gráficos e tabelas etc. (parte descritiva).
Depois a conclusão que é parte inferencial e teve um ponto de partida com a
amostra, seguido do estabelecimento da hipótese e depois as conclusões, sobre o
que acontecia com a população na recusa da vacina.

12.4 Fases do trabalho estatístico

Citaremos algumas fases do trabalho estatístico que diz respeito à coleta e crítica
de dados; tratamento dos dados, apresentação dos dados, análise e interpretação
dos resultados e Conclusão.

Coleta e crítica dos dados


Essa fase nos referimos mais de uma vez nesse diálogo, exemplo hipotético acima.
Nessa fase tudo começa com a definição criteriosa do problema que se quer pesquisar,
daí por diante procede-se à coleta dos dados numéricos necessários à sua descrição.
A coleta se divide direta ou indiretamente PRATES, (2017).
A coleta é direta quando é realizada a partir de elementos informativos de
“registro obrigatório (nascimentos, casamentos e óbitos, importação e exportação
de mercadorias), elementos pertinentes aos prontuários dos alunos de uma escola ou,
ainda, quando os dados são coletados pelo próprio pesquisador através de inquéritos
e questionários” PRATES, (2017, p. 16). A coleta direta de dados pode ser classificada
relativamente ao fator tempo em contínua , periódica ou ocasional.

Contínua: é feita Periódica: realizada em Ocasional: quando é realizada


ininterruptamente intervalos de tempo; extemporaneamente, a fim de atender a uma
nascimentos, óbitos censos, campanhas conjuntura ou a uma emergência, no caso de
etc. eleitorais etc. epidemias de gafanhotos assolam ou destroem
plantações inteiras, a Pandemia do Covid- 19
etc.
Tabela 26-Classificação da coleta de dados
Fonte: PRATES,( 2017). Adaptado

O (a) estudante já tinha uma ideia da importância da Estatística na nossa vida


cotidiana, por exemplo, quando ligamos a televisão no jornal de notícias ou vemos
informações que chegam nas nossas redes sociais e WhatsApp, e pode conter a

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contribuição da Estatística no cenário econômico, da educação que repercutem


positivamente ou negativamente na vida prática:

A contribuição da estatística na economia


Fonte: elaboração própria

Coleta indireta
E a coleta de elementos conhecidos realizada levando em consideração informações
conhecidas, obtidas pela coleta direta e/ou do conhecimento de outros fenômenos afins
com o fenômeno estudado. Por exemplo, é possível citar a pesquisa sobre mortalidade
infantil, elaborada através de dados colhidos por uma coleta direta PRATES, (2017).
Aqui podemos citar, por exemplo, que o(a) estudante, elaborou seu projeto de
pesquisa sobre o índice de natalidade entre a zona rural e zona urbana, mas na parte
da coleta de dados, utilizou os levantamentos dos cartórios de ambas as localidades
como fonte.
De posse dos dados coletados “eles devem ser cuidadosamente criticados, à procura
de possíveis falhas e imperfeições, a fim de não incorrermos em erros grosseiros
ou certo vulto, que possam influir sensivelmente nos resultados” PRATES, (2017, p.
17). A seguir apresentaremos as últimas fases do trabalho estatístico. Aqui vamos
mencionar os procedimentos da estatísticas com a coleta dos dados que resultam
em uma pesquisa.

Tratamento dos dados


São procedimentos que o pesquisador vai empreender no processamento dos dados
coletados e deve utilizar critérios de classificação de ordem manual ou eletrônica. É
esperado que o pesquisador encontre ligações entre categorias e conceitos e desse
modo possa construir pressupostos teóricos válidos que permitam a sua generalização.

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Apresentação dos dados


(...) “os dados devem ser apresentados sob forma adequada – tabelas e gráficos –
tornando mais fácil o exame daquilo que está sendo objeto de tratamento estatístico”
PRATES, (2017, p. 17). Diríamos que essa fase depende muito da configuração da
pesquisa, o estudante vai se empolgar com essa tarefa. Porque seu empenho naquele
projeto está se materializando.

Apresentação dos dados


Fonte: https://www.pexels.com/pt-br/foto/computador-laptop-cinza-e-preto-265087/ Acesso em: 12 de out. 2021

Análise dos resultados


Na sequência de faz uma análise dos resultados obtidos, através dos métodos
escolhidos que pode ser de ordem Indutiva ou Inferencial, e assim concluir a partir dos
resultados conclusivos que surgiram na pesquisa e sua contribuição para intervenção
na realidade ou fenômeno pesquisado. Se o que foi pretendido nos objetivos foi atingido.
Essa fase é decisiva para já observarmos a verificação da aceitação ou rejeição
da hipótese. “E assim utilizamos os resultados para construir, reforçar ou questionar
determinada teoria. Deve-se lembrar que uma teoria não é mais que uma hipótese
confirmada por diversos pesquisadores em várias oportunidades RICHARDSON, (2012).

12.5 A pesquisa , os números na PNAS e no Serviço Social

“É primordial compreender que para o serviço social, o referencial estatístico é de


suma importância devido à característica investigativa que a própria profissão possui
da realidade em foco” SCHMITT; WEGRZYNOVSKI, (2015, p.9).

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As autoras reforçam que desse modo o Profissional de Serviço Social na sua atuação
dispõe de parâmetros na elaboração de um diagnóstico social, um relatório que seja
propositivo e analítico diante das demandas sociais que se apresentam no dia a dia
do profissional. E os números podem figurar no trabalho interventivo e investigativo.
E tudo começa da superestrutura, ou seja, do geral.
Estamos nos referindo à implantação da Política Nacional de Assistência Social –
PNAS, de 2004, que tem como referência a classificação dos municípios pelo porte
demográfico de cada um deles, conforme dados do censo do Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística – IBGE. Esses dados são fontes levantadas pela Estatística.
Aqui temos um exemplo de como a política pública tem seguido essas exigências
modernas. Aqui os números não são vazios e duros simplesmente,mas representam
também vidas que necessitam de pesquisa e intervenção do Assistente Social, a partir
da contribuição da estatística.
Classificação do Município Total da população

Classificação do Município Total da população

Municípios pequenos 1 Com população de até 20.000


habitantes

Municípios pequenos 2 Com população de até 20.001 a


50.000 habitantes

Municípios médios Com população de até 50.001 a


100.000 habitantes

Municípios grandes Com população de até 100.001 a


900.000 habitantes

Metrópoles Com população maior que 900.000


habitantes
Tabela 27- dados numéricos na PNA
Fonte:http://blog.mds.gov.br/redesuas/wp-content/uploads/2019/07/PNAS_2004.pdf

“A citação e referência aos dados podem oferecer à análise resultado positivo ou


negativo, que servirão de apoio para o desenvolvimento de programas e projetos,
conforme a necessidade atual” SCHMITT; WEGRZYNOVSKI, (2015, p.9). E também
podem ser utilizados para pesquisas em diversas áreas.
A participação referente às despesas com Assistência Social na execução
orçamentária dos entes refletem a importância dos dados numéricos porque tratam
dos orçamentos que contemplam a PNAS e traduzem a ampliação dos direitos sociais.

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Entes Ano No total (%) Na seguridade (%)

Municípios 2002 0,97 3,70

Estados 2003 0,96 4,13

União 2002 1,01 5,50


Tabela 28- dos entes federados quanto ao orçamento
Fonte: STN Elaboração: CGPA/SPOA/SE/MD por http://blog.mds.gov.br/redesuas/wp-content/uploads/2019/07/PNAS_2004.pdf

Marcelino (2010) apud (Schmitt; Wegrzynovski, 2015), comentam que tem sido
frequente a presença da estatística na participação na linguagem das habilidades
profissionais na atualidade, pois a partir dos números e seus significados que sintetizam
as questões do cotidiano, e isso possibilita as análises de fenômenos e realidade com
apoio dos dados compilados, se evidenciam.
A gestão dos serviços na PNAS, de acordo com as requisições do mercado, exige
parâmetros que garantam a qualidade da execução e o aperfeiçoamento da prestação
dos serviços socioassistenciais. As mudanças macro e micro na política, na econômica
e nas relações sociais pedem cada vez mais controle social das políticas públicas.
Assim, sistemas e mais sistemas e bancos e informações se formam e se integram.
e vão alimentando grandes sistemas de informação assim se elaborar, implantar e
implementar métodos, rotinas e culturas de protocolos, de registro e sistematização
de informações que auxilie o desempenho das políticas e a atuação do Assistente
Social no Estado e no setor privado e nas pesquisas.
A execução da prática da “assistência social’’, atividade que se profissionalizou sob
a denominação de “Serviço Social”, acentuando seu caráter de prática de prestação
de serviços. MARTINELLI, (2009, p.66). Essa prática foi se inserindo e se atualizando
nas modernas configurações sociais.
Os Assistentes Sociais tinham nos primórdios da profissão, uma base de elementos
para fazer seus diagnósticos e análises dos conflitos que a classe trabalhadora e suas
famílias apresentavam sobre diversos aspectos. Mas a objetividade e a racionalidade
no século XX elegeram a estatística como ferramenta na administração pública. O
Brasil criou instituições para o trabalho com a Estatística .
Uma delas foi o Instituto Nacional de Estatística criado em 1934 e que em 1938
mudou o nome para Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. A partir de 1940
inicia a contagem da população brasileira (censos demográficos) e mantém essa
tradição e autoridade nesse tipo de pesquisa até hoje.

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Sua finalidade é pesquisa, a produção, a análise, a difusão de informações e estudos


de natureza estatística, geográfica, demográfica e socioeconômica, de recursos naturais
e de meio ambiente, e conhecimento da realidade física, humana, econômica e social, e
desse modo, contribuir para a execução de programas e projetos de desenvolvimento
nacional IBGE, (2013).
Um exemplo dentre tantos dessa contribuição que como citamos na indicação
de material de leitura, foi criado foi criado o Ministério de Desenvolvimento Social
e Combate à Fome MDS/2004 , para a inclusão social, a segurança alimentar, a
assistência integral e proteção social a indivíduos e famílias.
O IBGE contribui largamente com disponibilização de dados, outras agências e
programas e pesquisas que já tinham esses dados também contribuíram, a PNAS
estava nessa parceria com o MDS, os Assistentes Sociais figuram obrigatoriamente
nas equipes de trabalho com outros profissionais nos programas e projetos. Os dados
tinham direção certa.
Iam para o Cadastro Único, Relação Anual de Informações Sociais, registros de
programas do MDS e outros Ministérios, Censos Demográficos, as edições da Pesquisa
Nacional por Amostra de Domicílio e outras pesquisas do Sistema Estatístico Nacional.
Serviam para diagnosticar, desenvolver, implantar e acompanhar os programas e
dimensionar as ações que se pretendiam.
Com a consolidação democrática do SUAS em 2004, e as ideias progressistas do
buscando a diminuição da miséria nas ações práticas, mas os números que traduzem
a realidade de determinada população nas pesquisas de qualquer área não devem
servir para a exposição dessas pessoas. O SUAS e as leis que tratam da pesquisa e do
acesso à informação e o direcionamento do ético do Assistente Social nesse sentido.
Também não devem servir de controle inadequado e vexatório, mas sim para definir
estratégias efetivas de promoção e proteção e direitos às famílias e indivíduos.O
Programa Brasil Sem Miséria foi uma imensa pesquisa interventiva que apresentava
sempre seus resultados para as instituições e o Brasil, através de cartilhas boletins
e informes de várias naturezas.
Quanto ao sigilo profissional o Assistente Social deve observar as orientações do
Código e Ética profissional e utilizar as informações necessárias com “Proteção à
privacidade dos usuários, observado o sigilo profissional, preservando sua privacidade e
opção e resgatando sua história de vida” NOB-RH/ MDS/SNAS (2011, p.21). E sabendo

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que os usuários têm direito às informações sobre seu destino e o que vai se fazer
com elas.As pesquisas no Serviço Social devem observar essas prerrogativas.

ISTO ESTÁ REDE

Lei nº 12.527 de 18/11/2011 Iniciativa do Deputado Federal Reginaldo Lopes (PT/


MG), Regula o acesso a informações previsto no inciso XXXIII do art. 5º , no inciso
II do § 3º do art. 37 e no § 2º do art. 216 da Constituição Federal; altera a Lei nº
8.112, de 11 de dezembro de 1990; revoga a Lei nº 11.111, de 5 de maio de 2005, e
dispositivos da Lei nº 8.159, de 8 de janeiro de 1991; e dá outras providências.
É um dispositivo jurídico brasileiro importante quanto à regulamentação do direito
da sociedade civil de informações sobre o acesso às informações referentes
aos atos praticados pela administração pública. Sua divulgação independente de
solicitação, sigilo para o estado e a sociedade, a sua não modificação, manipulação
indevida. Se refere quanto à origem, trânsito e destino das informações etc. demais
definições.
Link de acesso da Lei: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2011/lei/
l12527.htm Acesso em:06 de out. 2021.

Alguns sistemas de informações que agrupam dados sobre as pessoas possuem


a estatística elencada para propostas e discussões e planejamento resoluções de
no território de problemas no território como oferta de serviços que diretamente ou
indiretamente incidem na prática e nas pesquisas do Assistente Social. Como a
Vigilância Socioassistencial.
Vigilância socioassistencial, é um órgão que produz, sistematiza, análise e
disseminação informações dos territórios e seus entornos para trabalhar as situações
de vulnerabilidade e risco que acometem a população.
A partir desses dados, planeja, apoia e supervisiona a execução dos serviços
socioassistenciais e acompanha como os serviços são oferecidos e a readequação
dessa distribuição em todos os âmbitos municipal, estadual e federal.
A teoria avança na discussão sobre a questão numérica na pesquisa. Sinaliza que
a partir do momento que o um pesquisador objetiva por dimensionar, avaliar certa
aplicação de uma técnica e introduzir uma variável, ele busca ao estudo quantitativo,mas
se objetiva observar o fenômeno ou objeto aprendê-lo de modo completa e integral,
o pesquisador recorre à pesquisa qualitativa.

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Demandas aparentementes simples que surgem da rotina dos atendimentos do


Assistente Social e mesmo que não passem despercebidos e por alguma razão não
são estudados e melhor compreendidos , se se o profissional se detém sobre elas.
como surgem e por que surgem, a partir do que se originam, a sua frequência etc.
Pode a partir dessas respostas já possui pressupostos para uma pesquisa que pode
ter base na Estatística.
Nesta aula procuramos fazer uma aproximação do Serviço Social com a Estatística. É
difícil encontrar material que trate essas duas áreas juntas, mas fizemos um movimento
que possibilitasse o estudante/a, conhecer um pouco mais esse relacionamento das
duas, trazendo algumas conceituações , exemplos de como a Estatística é mediada
pela PNAS, nas pesquisas e como chega na prática do Assistente Social. Na próxima
aula estudaremos sobre os indicadores socioeconômicos.

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AULA 13
LEITURA E INTERPRETAÇÃO
DE INDICADORES
SOCIOECONÔMICOS

Nesta aula o(a) estudante vai se aproximar do conceito de indicadores


socioeconômicos, sua utilidade e construção e utilização, as principais fontes de
onde são retirados para a pesquisa, para as políticas e subsidiar a prática profissional
do Assistente Social.
Os indicadores sociais podem ser usados na justificação das informações reais
e concretas de certa realidade regional nos seus vários segmentos, e pode orientar
as ações que serão direcionadas, dando um suporte aos processos de gestão social
SCHMITT;WEGRZYNOVSKI, (2015).
O mundo e a sociedade sempre em um dinâmico processo de transformação vão
adquirindo novos elementos para resolver problemas diversos. Essa transformação
vem das expressões da mercantilização financeira nos serviços públicos, nas políticas
públicas e sua oferta de serviços, no mercado de trabalho etc.
Demandas mundiais de várias ordens surgem, nos países, nos estados, nos
municípios, regiões essas necessitam acompanhar esse movimento e incorporam
novas requisições e práticas na solução de problemas sociais na vida das pessoas
e no mundo corporativo etc.
O mercado,conforme seus humores e leis tácitas ou declaradas, desestrutura a
economia local e mundial, o modo de vida , a cultura, trabalho, desmonta direitos, e
a proteção social. Desse modo, fatores como a exploração do trabalho, o acesso e
permanência à educação e o enxugamento da Previdência Social etc.
Dependendo da consciência das pessoas que dependem dessas ofertas, situações
assim geram indignação, manifestações e revoltas sociais. Desse modo, o sistema
compreende que deve se munir de estratégias para atender uma pequena fração dessas
questões que exigem novos conhecimentos, novos métodos, técnicas e reflexões na
elaboração dessas respostas.

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Diante disso é necessário atualizar conhecimentos, adquirir outros e atualizar o


sistema social , que são utilizados pelos trabalhadores/as para o sistema funcionar
de modo geral, inclusive dos assistentes sociais, que devem compreender cada vez
melhor a sociedade e se posicionar nas novas respostas que no início podem dessa
mudanças podem ser desafiadoras.
Na compressão desse processo dialético, às vezes podemos ser atropelados
pela dinâmica exaustiva de aprender tudo rápido, esse movimento não espera. Mas
o profissional (a) deve procurar respostas para essas mudanças, aprofundando
criticamente e se questionando sobre elas como? Por que? E para que? A quem
favorecessem realmente certas adaptações,novos protocolos etc. As pesquisas buscam
respostas.
Assim, o profissional não se torna apenas um cumpridor automático de tarefas, mas
as executa sabendo suas procedências, desvendando as contradições ocultas que
não aparecem, e devem ser desvendadas, não simplesmente cumpri-las no contexto
histórico vigente.
Pensar na sua prática que compreende as respostas automáticas e descontextualizadas
do projeto ético-político. (...) “respondendo às requisições ditadas pela dinâmica da luta
de classes, e destas com o Estado, no movimento progressivo de regulação e produção
de respostas institucionais às demandas postas pela contradição da questão social”
(RAICHELIS, 2018, p. 38). Onde novos saberes são necessários para a apropriação
das novas formas de organização do trabalho.

13.1 O que é um indicador socioeconômico e para que serve?

Apenas para introduzir o tema e situar o conceito indicador econômico, é anterior


ao conceito indicador socioeconômico, as autoridades desse campo entenderam que
o primeiro não traduzia o quadro global econômico da sociedade, era insuficiente
quanto às necessidades e problemas sociais.
Nesse sentido, Silva et al, (2010) apud RAMOS, (2012) definem que essa constatação
levou as autoridades nesse campo do conhecimento a introduzirem os indicadores
sociais, pois eram mais precisos e tornavam mais abrangentes os domínios de estudo
e aplicação dos indicadores bem como as suas relações. Aí chegamos nos indicadores
socioeconômicos.

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Os indicadores socioeconômicos são de grande importância para a economia, são


utilizados para medir a taxa de emprego e desemprego, oferta de políticas públicas, o
Produto Interno Bruto- PIB, é um indicador socioeconômico e o Índice de Desenvolvimento
Humano- IDH etc. que consistem em informações, (dados estatísticos), que serão
avaliadas e utilizadas para tomadas de decisões na sociedade e servem de subsídios
para as pesquisas etc.
Para Giroto et al. (2008, p. 7) SCHMITT; WEGRZYNOVSKI, (2015, p. 20 ).

[...] os indicadores sociais são expressos usualmente, como taxa de


desemprego, taxa de mortalidade infantil, taxa de analfabetismo,
IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), e são termos comumente
utilizados por políticos, jornalistas, estudantes e pela população para
avaliar as políticas públicas, verificar as condições de vida, além
de argumentar, a partir da utilização deles, as prioridades sociais
defendidas por determinada classe social. Ou seja, os indicadores
transcenderam às esferas técnicas, acadêmicas e órgãos de
planejamento público
Os indicadores devem ser compreendidos como variáveis, quer dizer a ilustração
operacional de uma qualidade, característica de uma organização, que pretende agregar
e quantificar conhecimento evidenciado sua significância, e com isso melhorar o
processo de comunicação e entendimento dos fenômenos complexos VAN BELLEN,
(2005) apud RAMOS,( 2012). E assim proceder as devidas mudanças em determinados
contexto e realidades.
Assim, compreendemos que o indicador mede determinado fenômeno, realidade e
estabelece uma indicação de como se encontra o estado de determinada realidade que
pode ser a sociedade. A partir de detalhamento e descrição, e análises se enquadra
a realidade e se estabelece um conhecimento maior sobre o seu estado. A partir dos
objetivos pré definidos.
Os objetivos dos indicadores sociais podem identificar problemas que as pessoas
passam nos seus territórios, cidades e Estados e auxiliam na elaboração de políticas
públicas. O termo indicador socioeconômico pode ser compreendido também como
indicador social. O indicador social apresenta determinada realidade social de modo
objetivo e padronizado JANNUZZI, (2004).
Desse modo a construção de indicadores socioeconômicos está diretamente
relacionado com o planejamento e a previsibilidade na gestão das instituições, pessoas,
acompanhamento, e comparações, obtenção de resultados que possam ser medidos e

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comparados e avaliados sempre que for necessário. Assim, a Estatística é um contínuo


de pesquisas, pois estão sempre levantando informações em grande número.
“As principais funções dos indicadores são as de comparar lugares e situações,
avaliar condições e tendências em relação às metas e aos objetivos, prover informações
de advertência, e antecipar futuras condições e tendências”, conforme Van Bellen
(2005) e Albuquerque et al.(2008) apud Ramos (2012)
Assim, realizar uma leitura sobre determinada realidade social, e contribuir no
monitoramento de pessoas e serviços. “É um recurso metodológico, empiricamente
referido, que informa algo sobre um aspecto da realidade social ou sobre mudanças
que estão se processando na mesma” JANNUZZI, (2004, p.15).
Tudo isso pode partir da identificação das condições de vida da população que
permite aprofundar o conhecimento acadêmico e pesquisas referente às alterações
de hábitos das pessoas na realidade social. Desse modo, um indicador social mostra
evidências do cotidiano e o desenvolvimento de modelos que mostram estas ocorrências
JANNUZZI, (2004.).
Esse quadro explicativo sobre indicadores sociais traduz de certo modo o objetivo
de um resultado qualitativo que necessitava de complementos e dados numéricos para
chegar em um resultado. De acordo com Jannuzzi (2009) o motivo do surgimento
de um indicador social pode ser a melhora na condição de vida das pessoas, de uma
determinada comunidade, cidade, estado etc.

Melhorias das Condições de Vida

Condições de Moradia Busca e combinação de dados de diferentes fontes e pesquisas

Situação de Saúde Cadastros públicos Exemplos de possíveis


indicadores
Perfil Educacional Pesquisas do IBGE e outras
instituições

Inserção ocupacional Registros de programas sociais Taxa de cobertura de rede de


abastecimento de água

Condições de Moradia Taxa de mortalidade infantil

Taxa de evasão

Taxa de desemprego
Tabela 29- indicadores
Fonte: Jannuzzi (2009). http://aplicacoes.mds.gov.br/sagirmps/ferramentas/docs/curso_de_indicadores.pdf indicadores obra mds

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Esses dados trazem elementos apresentam as mais variadas dimensões do


fenômeno “condições de vida” que podem ser sintetizadas nas estatísticas públicas,
(registros administrativos e cadastros, o Cadastro Único, o Censo Demográfico, a
Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), o DataSUS, o Programa de
Disseminação das Estatísticas do Trabalho, a Pesquisa Básica de Informações
Municipais etc.) BRASIL (2012).
Como já mencionamos o planejamento público conforme Jannuzzi, (2005). é uma
peça fundamental na elaboração de políticas sociais nos âmbitos municipais, estaduais
e federais de governo, e possibilitam o controle das condições de vida e bem-estar da
população pelo através do poder público e a sociedade civil. Essas situações citadas
no quadro acima requerem indicações intervenções de políticas públicas.
“A indicação de uma política pública, independente da área de concentração, necessita
de dados que forneçam indicadores com a possibilidade de situar, desempenhar e
propor resultado final para a efetivação da mesma” SCHMITT;WEGRZYNOVSKI, (2015,
p.17 ).

Indicadores socioeconómicos
Fonte: https://www.sogeografia.com.br/Conteudos/GeografiaHumana/Populacao/populacao8.php Acesso em 22 de out. 2021

13.2.O setor público e os indicadores socioeconômicos

As políticas públicas na sua administração seguem as mais diversas e complexas


maneiras de organizações, ultimamente requisita estrutura e desenvolvimento que
se renovam continuamente na consolidação da sistemática do seu planejamento, na
implantação e gestão do acompanhamento das políticas.
No início, os indicadores eram utilizados com propósitos muito específicos: a medição
econômica era o principal motivo. Assim se justifica que o primeiro grupo de indicadores
foi o grupo dos indicadores econômicos. A pretensão central era medir o estado de
desenvolvimento dos países em termos de seu desempenho econômico SILVA et al,
(2010) apud RAMOS (2012).

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Os indicadores se instalaram nas estruturas dos controles administrativos dos


ministérios, com a “mudança da ênfase da auditoria dos Tribunais de Contas da
avaliação da conformidade legal para a avaliação do desempenho dos programas,
com a reforma gerencial da gestão pública em meados dos anos 1990” GARCIA, 2001.
COSTA; CASTANHAR, 2003 apud JANNUZZI, (2005, p. 137). Os indicadores servem
também para avaliar, um programa, uma política, etc.
Porque exige-se novos formatos de infraestrutura humana, material e financeira
no desenvolvimento de programas e projetos, serviços, benefícios e serviços sociais
para a classe trabalhadora ou para o desenvolvimento de funções em nível de gestão
e gerenciamento institucional RAICHELIS, (2018).
Algo que vem de longe, mas ficamos com a explanação de Jannuzzi (2005) apud
RESENDE apud (2002), acrescenta que na década de 1990 foi um período que as
reformas da administração pública se apresentaram com muita força. Nesse contexto
combinam- se elementos como; como a crise fiscal do Estado, o avanço e a ampliação
dos processos de democratização política e de globalização econômica.
Assim, essas reformas foram tendo ao seu favor as tecnologias as repartições
dos escritórios dos ministérios, assembleias, nas câmaras municipais, e locais
administrativos que guardavam levantamento e produção de arquivos foram se
informatizando dando lugar aos computadores e seus sofisticados programas e a
estatística que já era fundamental nesse processo passou a centralizar ainda mais
esse lugar.
Quando a estatística passou a ser vista como ciência Silva et al (2010) apud
RAMOS, (2012) comentam que os indicadores se tornaram cruciais. Quanto mais
dados se coletarem e fossem disponibilizados, mais clara seria a necessidade de
indicadores para o melhor entendimento e monitorização de sistemas complexos,
pois os indicadores representam um compromisso entre a exatidão científica e a
necessidade de informação concisa

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O primeiro eixo O segundo eixo O terceiro eixo

Defende três elementos: a Defende a mudança na Defende a mudança do papel


eficiência, a efetividade e a cultura burocrática dos do Estado, a redução do seu
qualidade na provisão dos controles, que deveria ser tamanho e seus custos e
serviços públicos. sucessivamente trocada por a introdução de elementos
uma cultura gerencial focada de mercado visando maior
nos resultados, onde os privatizações por meios
gestores públicos operariam de quase-mercado no setor
com autonomia,pouco público.
controle burocrático e trariam
resultados mais eficientes.
Tabela 30- eixos nos quais se justificaram o uso dos indicadores com base nas reformas de 1990.
Fonte: RESENDE, (2002).

Outro interesse pelo uso de indicadores na administração pública está relacionado


a questão do aprimoramento do controle social do Estado, a sociedade, os sindicatos
e demais instituições começaram a fiscalizar o gasto público e exigir o uso eficiente
a pressão de grupos organizados cobrando a implementação de direitos sociais que
foram assegurados na Constituição Federal de 1988.

13.3 os indicadores socioeconômicos na formulação de políticas públicas e a PNAS

Assim, a importância na participação da gestão no exercício do controle social das


políticas públicas e dos recursos nelas investidos, vem de encontro a compreensão
de que com a participação e colaboração da sociedade e suas instituições, será mais
fácil controlar os investimentos e os gastos dos governos no país.
Essa comunicação/informação é feita com a sociedade através dos indicadores
socioeconômicos. E por isso também se justifica que o controle social vai além da
fiscalização pois se estende a aplicação dos recursos públicos e na formulação e no
acompanhamento da implementação de políticas dos recursos para as políticas e
seus resultados. Esse acompanhamento diz respeito aos problemas terem partido
de uma determinada realidade (população ).
Nas políticas públicas os indicadores socioeconômicos contribuem com dados
administrativos e estatísticos para o levantamento de informações estatísticas para
a formulação de um programa social como Programa Bolsa Família por exemplo,
programas e projetos em níveis estaduais, municipais etc.

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Esses dados podem vir como já sabemos de fontes como o IBGE – Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística, a Previdência Social, CadÚnico -Cadastro Único
para Programas Sociais, cadastros da conta de luz, dados dos programas sociais
anteriores e outras fontes de cadastros oficiais.
Deixamos o esquema para a construção de um indicador social, o processo de
sua construção de forma geral.
• Objetivo geral do programa (Reduzir a violência doméstica no contexto da
pandemia).
• Que vai demandar algumas ações (levantamento de dados no CREAS,Delegacias,
pronto atendimento de saúde, etc.)
• Cadastro públicos (Cadastro dos programas de benefícios sociais, observatórios
e Vigilância socioassistencial etc.).
• Registros do programa
• Pesquisas do IBGE e de outras instituições
• Dessas demandas feito todos os procedimentos normativos vão se gerar os
indicadores que podem ser mais de um->indicador 1, indicador 2, indicador 3
Etapas da construção de um indicador social
Fonte: (JANNUZZI, 2005, p. 139). Adaptado.

Essa dinâmica apresentada na figura é sintetizada pelo referido autor, traduz o


ciclo das necessidades que podem se constituir em um encadeamento de ações e
se constituir em políticas públicas originadas da evidenciação de necessidades de
interesse popular que são traduzidos por indicadores.
Por exemplo, a solicitação pela implantação de um programa para expansão do
atendimento a vítimas de violência doméstica na pandemia do Covid-19, o aprimoramento
do desempenho desse atendimento promoveria a melhoria das condições de vida de
uma comunidade, a redução desses índices de vulnerabilidade aliados a outras ações
e políticas e podia se extrair outros indicadores.

13.4 Classificação dos indicadores e alguns elementos para diagnóstico da


realidade social

Outro exemplo, Indicadores para a taxa de mortalidade infantil, ou proporção


de crianças com baixo peso ao nascer ou durante seus primeiros meses de vida,
e a proporção de lares com saneamento adequado são dados significativos para

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acompanhamento de programas na área da saúde pública no país JANNUZZI, (2004).


Os indicadores possuem sua classificação.

Indicadores objetivos/quantitativos Indicadores subjetivos/qualitativos

São dados extraídos da realidade social, São levantados a partir da população e


construídos a partir de políticas públicas disponíveis. especialistas a partir de diferentes aspectos da
Exemplo: percentual de desemprego, percentual realidade em pesquisas de opinião pública ou
de domicílio com acesso à rede de água, esgoto e grupos de discussão. Exemplos: indicador de
energia elétrica, taxa de mortalidade infantil, taxa de confiança de uma organização e/ou instituição,
evasão escolar e outros. avaliação da condução dos gestores públicos.
Tabela- 31 Indicadores classificados e básicos ou usuais
Fonte: JANNUZZI,( 2006). Adaptado.

Os indicadores sociais também são classificados como indicadores descritivos e


normativos, sendo descrito por Jannuzzi (2006), da seguinte forma:

Os indicadores simples descrevem particularidades da realidade empírica. Exemplo:


a taxa de natalidade infantil, evasão escolar.

Os indicadores compostos:“refletem explicitamente juízos de valor ou critérios


normativos com respeito à dimensão social estudada” JANNUZZI, (2006, p. 21).

Essas demandas chegam na agenda político-social devem ter por base os indicadores
escolhidos em um sistema de formulação e avaliação de programas sociais específicos
que partiram de um diagnóstico que deve ter todas as informações para a análise
interpretativa.
Nesse quadro temos alguns elementos do diagnóstico para a leitura e compreensão
da realidade social
As características do público prioritário que será a capacidade e experiência de gestão local/territorial,
atendido que definem a maior ou menor complexidade de
realização da intervenção pública

As potencialidades e fragilidades da base econômica O nível de participação da sociedade, que pode


local/territorial, que podem viabilizar condições garantir maior controle social dos recursos e dos
melhores ou desafios para o programa resultados dos programas.

Os condicionantes ambientais, que limitam determinadas


estratégias de desenvolvimento e favorecessem outras
Tabela 32-- elementos do diagnóstico da realidade social
BRASIL (2012).

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Essa análise é importante, pois possibilita conhecer as fases dos processos


político-administrativos envolvidos na realização de uma política pública. Geralmente,
distinguem-se cinco etapas: definição da agenda, definição das alternativas, tomada
de decisão, implementação e avaliação.
Portanto os indicadores socioeconômicos são fundamentais em toda essa dinâmica
na qual está inserido o Assistente social, que deve procurar conhecer e articular esses
conceitos que não estão apenas nas representações abstratas, são construções e
realidades que ele (a) participa direta ou indiretamente visando a qualidade de vida
dos indivíduos e famílias.
O Assistente Social trabalha justamente na universalização dos direitos sociais
para que indivíduos e famílias sejam alcançados e inseridos de forma universal dos
direitos com qualidade, e se torne conhecedor da realidade social e saiba articular
politicamente e ampliar o conhecimento dos indicadores. Mais uma ferramenta na
sua atuação.
As conquistas da sociedade brasileira na construção da política de assistência
social, ocorrem em virtude de seu reconhecimento como direito do cidadão e de
responsabilidade do Estado. Mas foram resultado de negociação, pactuação e
participação política.
A luta pela implementação da PNAS/LOAS pelos direitos de crianças, adolescentes,
idosos e pessoas com deficiência, o Benefício de Prestação Continuada – BPC e sua
universalização, foram fundamentais na redução da pobreza no País. Vieram de um
campo de tensão importante. E envolveu muito levantamento estatístico e mapeamento
de indicadores e para a manutenção da política, exigências assim são pedidas.
Uma importante construção de procedimentos técnicos e operacionais, para
concretização desses direitos, através dos serviços socioassistenciais, e seu
financiamento, implantação, desenvolvimento dos programas e seu acompanhamento
contou com a contribuição dos indicadores assistenciais em diferentes níveis
governamentais: União, Estados, Distrito Federal e Municípios.
A Política Nacional de Assistência Social em consonância com o Sistema Único de
Assistência Social em sua organização, planejamento e acompanhamento das suas
ações acompanhando e se inserindo nas mudanças, sistematiza suas informações,
que devem ser monitoradas e avaliadas e atualizadas periodicamente.

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ISTO ACONTECE NA PRÁTICA

O PIB (produto interno bruto) é a soma do valor de tudo o que é produzido em


um por um espaço de tempo/ período (mês, trimestre, ano, etc.) A soma de tudo
fornece bases para uma aproximação sobre a economia (tendo como base sua
respectiva moeda, no caso de país e sua distribuição etc.
O PIB do Brasil em 2020, por exemplo, foi de R $7,4 trilhões. No último trimestre
divulgado (2º trimestre de 2021). o PIB é um indicador de fluxo de novos bens e
serviços finais produzidos[1] em um ano, por exemplo. Se um país não produzir
nada em um ano, o seu PIB será nulo.
Link: https://www.ibge.gov.br/explica/pib.php. Acesso em: 06 de nov. 2021.

ÍNDICE DE GINI criado pelo matemático italiano Conrado Gini, é um instrumento


para medir o grau de concentração de renda em determinado grupo, resultado é
uma aproximação do tamanho da atividade econômica.
Essa diferença mensura-se assim a variação de zero a um, onde zero (0) demonstra
uma situação de igualdade e um traduz a concentração máxima de renda.
Portanto, quanto maior o Índice de Gini, maior a desigualdade.
Um PIB alto não significa um bom Índice de Gini. O Brasil possui um dos maiores
PIB do mundo, no entanto o seu Índice de Gini ainda é alto se comparado a países
considerados desenvolvidos.
LINK: https://www.ipea.gov.br/desafios/index.php?option=com_
content&id=2048:catid=28

São estratégias para ampliar e qualificar a dinâmica das políticas sociais, que devem
cumprir as exigências econômicas, políticas e técnicas para que a atuação da PNAS
acompanhe essas tendências que envolvem uso da informação, do monitoramento
e da avaliação.
A estatística fornece informações de parâmetros de uma medida perante a realidade
social pesquisada. “O profissional de serviço social tem habilitação para desenvolver o
diagnóstico social nas atividades diárias da profissão através de dados e taxas numéricas
que mostram o foco da realidade social estudada” SCHMITT; WEGRZYNOVSKI, (2015,
p.19).
Periodicamente os indicadores podem ser atualizados e acompanhamento dos
programas e com a avaliação desses programas implementados, corrigir eventuais
distorções de implementação, e com isso se observar que os indicadores levantados
regularmente JANNUZZI, (2005).

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O conhecimento sobre as demandas de proteção social é genérico em medir e classificar


as situações em âmbito nacional, mas não as explicar em suas complexidades. Este
objetivo deverá ser parte do alcance da política nacional em articulação com estudos e
pesquisas.Como percebemos toda essa radiografia ainda não é suficiente por si apenas.
Hoje as ações públicas em determinada realidade se dão com base em pesquisas.
No caso das situações de risco e vulnerabilidade nos territórios, procede-se a análise
da realidade socioterritorial e suas necessidades , por isso se define relações e avaliações
de resultados de impacto das ações planejadas. Muitas pesquisas na PNAS e no Serviço
Social colaboram neste sentido. Seja para identificação, planejamento e implantação
de serviços, ou para definir critérios na definição de territórios e público prioritário ou
mesmo para criar banco de dados e alimentá-los periodicamente registrando essas
ações e medir,comparar seus desdobramentos e sua eficácia. BRASIL, (2011).

13.5 A leitura e interpretação dos indicadores socioeconômicos na PNAS

Na PNAS na concepção do Sistema Único de Assistência Social, põe em evidência


o campo da informação, do monitoramento e da avaliação, em contraposição com a
história do Serviço Social no início da sua institucionalização.
A nova compreensão de assistência social como direito à proteção social, direito à
seguridade social tem duas funções : “o de suprir sob determinado padrão pré-definido
um recebimento e o de desenvolver capacidades para o alargamento da autonomia”
(BRASIL, 2005).
Nessa perspectiva ela comunga com desenvolvimento humano e social de não tutelar
os indivíduos e as famílias, sem assistencialismo, mas de prover as necessidades ou
vulnerabilidades sociais e direitos assegurados na redemocratização brasileira.
Nessa figura temos algumas ações da PNAS para o provimento das necessidades
sociais que são permeadas por dados estatísticos para justificar aquelas necessidades,
nesse novo modelo de política pública como direito do cidadão e dever do Estado.

Os profissionais do serviço social devem utilizar os indicadores


sociais como instrumentos estratégicos para enfrentar as
demandas sociais apresentadas e aproveitar os mesmos para
construção de novos indicadores, podendo subsidiar relatórios das
instituições, organizações de atuação profissional que estejam
comprometidas com as dimensões ético-políticas da profissão
SCHMITT;WEGRZYNOVSKI,( 2015, p. 26 ).

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Nessa figura temos algumas ações da PNAS para o provimento das necessidades
sociais que são permeadas por dados estatísticos para justificar as necessidades
populares, nesse novo modelo de política pública como direito do cidadão e dever do
Estado.

A PNAS e as fontes de informações


Fonte: NOB/SUAS PNAS (2005). Adaptado.

É fundamental conhecer quanto possível, aos grupos sociais de interesse dos


programas, para assim elaborar indicadores sociais de acordo com as necessidades e
os espaços geográficos reduzidos, por exemplo grupos de pessoas com caracterização
do tipo e grau de deficiência física e outros grupos vulneráveis JANNUZZI, (2005).
Jannuzzi (2005) fala de problemas relacionados aos indicadores quanto à validade,
confiabilidade, especificidade etc. que em relação ao levantamento de dados há esforço
importante de instituições em disponibilizar novos conteúdos e informações de seus
cadastros. Nos programas sociais da PNAS é obrigatório a atualização do Cadastro
Único.
Os quais as quais podem ser utilizados para a construção de novos indicadores
sociais, que no ano dessa publicação a maioria dos dados chegavam de dez em dez
anos a partir do IBGE “nem sempre o indicador que reúne todas essas qualidades é
passível de ser obtido na escala territorial e na periodicidade requerida” JANNUZZI,
(2005, p. 143).

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ANOTE ISSO

PNAD- Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios


Descrição: Tem o objetivo de acompanhar e medir o crescimento de médio
e longo prazo da força de trabalho e outros elementos que digam respeito ao
desenvolvimento socioeconômico do país . A pesquisa Utiliza indicadores trimestrais
e também anuais de temas que complementam o já mencionado como; formas de
trabalho, cuidado de pessoas, afazeres domésticos, tecnologias etc. Costuma ser
aplicada nas grandes regiões e nas federações , metrópoles e grandes capitais etc.
Link: https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/trabalho/9173-pesquisa-nacional-
por-amostra-de-domicilios-continua-trimestral.html?=&t=o-que-e

Alguns sistemas de informações que agrupam dados sobre as pessoas e possuem


a estatística elencada para propostas e discussões e planejamento resoluções de
no território de problemas no território como oferta de serviços que diretamente ou
indiretamente incidem na prática do Assistente Social.

Vigilância Esse órgão produz, sistematiza, analisa e dissemina informações dos territórios
socioassistencia1l e seus entornos para trabalhar as situações de vulnerabilidade e risco que
acometem os usuários e a violação de direitos.
Faz levantamento de como está sendo oferecido os serviços ofertados
pela rede socioassistencial para adequar essa oferta conforme as reais
necessidades das pessoas e faz análises , permanente análise do território
através dessas informações
informação, apoiar as atividades de planejamento, de supervisão e de execução
dos serviços socioassistenciais por de dados, indicadores e análises, em todos
os âmbitos municipal, estadual e federal.

MUNIC2 A Pesquisa de Informações Básicas Municipais - MUNIC , começou em 1999,


na totalidade dos municípios do País. Os temas e questões abordados em seu
questionário regularmente visam responder às necessidades de informação da
sociedade e do Estado brasileiro, dados estatísticos e cadastrais, atualizados
e que proporcionem um conjunto relevante de indicadores de avaliação e
monitoramento do município.
O MUNIC traz um caderno suplementar que contempla temas específicos, de
esforço permanente de atualização da pesquisa.
Essa pesquisa tem como unidade de investigação o município e, como
informante principal, a prefeitura, por meio dos diversos setores que a compõem.

1 https://www.gov.br/cidadania/pt-br/acoes-e-programas/assistencia-social/gestao-do-suas/vigilancia-socioassistencial-1 Acesso em:26


de nov. 2021.
2 https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/educacao/10586-pesquisa-de-informacoes-basicas-municipais.html?=&t=o-que-e Acesso
em:26 de nov. 2021.

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ESTADIC3 A Pesquisa de Informações Básicas Estaduais - ESTADIC 2012, e para


todas as Unidades da Federação e o Distrito Federal. Objetiva responder às
necessidades de informação da sociedade e do Estado brasileiro. Utiliza uma
base de dados estatísticos e cadastrais atualizados de indicadores de avaliação
e monitoramento dos quadros institucional e administrativo das Unidades da
Federação. Usualmente, a ESTADIC traz um caderno suplementar sobre temas
específicos, que são resultados permanentes de atualização da pesquisa.

Censo SUAS4 O Censo SUAS faz o monitoramento que coleta dados por meio de um
formulário eletrônico preenchido pelas Secretarias e Conselhos de Assistência
Social dos Estados e Municípios. É realizado anualmente desde 2007, possui
integração com a Secretaria Nacional de Assistência Social (SNAS) e a
Secretaria de Avaliação e Gestão da Informação (SAGI).Para produzir dados
sobre a implementação da política de assistência social no país.
• Melhorar o SUAS e a qualidade dos serviços socioassistenciais prestados à
aos usuários.
• Identificar os pontos negativos e positivos e desafios da institucionalização
do SUAS.
• Apresentar informações pelas quais o governo possa dar transparência e
prestar contas de suas ações à sociedade.
Tabela 33--sistemas de informações socioassistenciais

Como pudemos observar o IBGE em 2005, iniciou a produção de pesquisas no


âmbito dos municípios voltado para a PNAS, porque o órgão compreendeu que os
indicadores a respeito da política de Assistência Social brasileira eram ainda incipientes,
por grupos e determinados grupos populacionais, sem contemplar as áreas geográficas
e as particularidades dos municípios PIRES, (2016).
A ESTADIC foi logo depois iniciada em 2012, como observamos no quadro, e voltada
para questões ligadas ao âmbito estadual é trabalha faz suas pesquisas contribuindo
com o monitoramento trabalha com temas como; recursos humanos, assistência
social, gênero, segurança alimentar entre outros.
A Vigilância Socioassistencial um grande exemplo dessa sistematização de dados
na PNAS temos a Vigilância Socioassistencial. Existem muitos outros, mas deixamos
esses exemplos para que você possa compreender a dimensão da importância da
estatística e dos indicadores na construção do conhecimento, na pesquisa e na prática
do Assistente Social.

3 https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/saude/16770-pesquisa-de-informacoes-basicas-estaduais.html?= & t=o-que-é Acesso em:26


de nov. 2021.
4 https://www.gesuas.com.br/blog/censo-suas/ Acesso em:26 de nov. 2021.

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Famílias com serviços de infraestrutura inadequados: 1.1. Abastecimento de água provenientes de


poço ou nascente ou outra forma 1.2. Sem banheiro ou sanitário 1.3. Destino do lixo inadequado
conforme legislação 1.4. Mais de 2 moradores por dormitório 2. Famílias com renda familiar per
capita inferior a 1 ⁄ 4 salário mínimo: 3. Família com renda familiar per capita inferior a 1 ⁄ 2 salário
mínimo: 3.1. Com pessoas de 0 a 14 anos 3.2. Com responsável com menos de 4 anos de estudo 4.
Família no qual há um chefe de família mulher, sem cônjuge: 4.1. Com filhos menores de 15 anos 4.2.
Ser analfabeta 5. Família no qual há uma pessoa com 16 anos ou mais: 5.1. Desocupada (procurando
trabalho) 5.2. Com quatro ou menos anos de estudo 6. Família na qual uma pessoa de 10 a 15 anos
trabalhem 7. Família na qual há uma pessoa de 4 a 14 anos que não estude 8. Família com renda
familiar per capita inferior a 1 ⁄ 2 salário mínimo: 8.1. Com pessoa com deficiência 8.2. Com pessoas
de 60 anos ou mais etc.

Quadro-6 indicadores nos quais se interpretam risco e vulnerabilidade


Fonte:NOB/SUAS (2005).

O Serviço Social fazendo através dos indicadores das realidades investigadas deve
ampliar a visão sobre o contexto, do macro regional, em nível de País. Sabendo que
a região e os países são também impactados.
Após referenciar esses indicadores, deve-se realizar uma avaliação Regional, (Estados,
Regiões) e também a avaliação na região, que incide na realidade das instituições,
por meio de programas e projetos sociais e na prática do Assistente Social.
Dispor de conhecimento da realidade do seu município e de seus cidadãos, a
situação e da cobertura de sua rede socioassistencial são informações importantes
para o planejamento , a intervenção e a oferta de serviços.
Nesta aula estudamos os indicadores socioeconômicos, algumas de suas finalidades,
no âmbito social, nas políticas públicas, evidenciando sempre seu caráter de pesquisa.
Situamos os indicadores socioeconômicos no âmbito da PNAS, e no Serviço Social.
Ainda sobre pesquisa mencionaremos algumas técnicas de pesquisa na aula seguinte.

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AULA 14
TÉCNICAS DE PESQUISAS-
IDEIAS GERAIS

A palavra técnica vem do grego téchne, que se remete a “arte” ou “ciência”. Uma
técnica é um procedimento que tem uma pretensão/ objetivo de obter determinado
resultado, pode ser na ciência, na tecnologia, na arte e em outras áreas. Portanto,
técnica é um conjunto de regras, normas ou protocolos que se utiliza como meio
para chegar a uma meta1. Vamos a outra definição que não se afasta muito desta.
“Técnica é um conjunto de preceitos ou processos de que se serve uma ciência
ou arte ; é a habilidade para usar esses preceitos ou normas , a parte prática.Toda
ciência utiliza inúmeras técnicas na obtenção de seus propósitos”MARCONI; LAKATOS,
(1996, p. 57).
As pesquisas usam elementos e fontes de variadas fontes e para isso utilizam
diversos métodos e técnicas. Vamos trazer a distinção de modo geral das noções de
método, métodos e técnicas. Já estudamos métodos, mas apresentamos um pouco
desse conceito no plural ( que é uma discussão dos cientistas) e trazemos ainda a
técnica porque está interligada com o método.

O método no singular Os métodos no plural Técnicas de investigação

Envolve um conjunto de estratégias Diz respeito aos modos de encarar Refere-se a um conjunto de
e de operações intelectuais, e organizar as investigações procedimentos sistematicamente
por meio delas uma disciplina concretas, de expor, interpretar ou definidos e transmissíveis,
apresenta e verifica o conhecimento explicar certo domínio da realidade. direcionados a produzir certos
que a caracteriza. Nesse sentido, “Num sentido restrito, para resultados na recolha e tratamento
o método sintetiza regras e destacar um significado comum da informação requerida pela
procedimentos independentes a todos estes métodos, A maioria atividade de pesquisa. As técnicas
das investigações e dos objectos pode entender como um conjunto são ferramentas que o investigador
concretos. articulado de operações que utiliza no momento e da forma
objetiva um ou mais finalidades, requerida pelos métodos.
como um corpo de princípios que
conduzem qualquer investigação
organizada, como um conjunto de
normas que possibilita selecionar
e coordenar as técnicas”.
Tabela- 35 métodos e técnicas
Fonte: Gonçalves (2004).

1 https://conceito. de> técnica

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Na pesquisa de modo geral pode se iniciar o levantamento de informações com


o recolhimento das primeiras fontes sobre o assunto investigado que é uma fase da
pesquisa; o levantamento da documentação indireta.

14.1Documentação indireta-> Marconi e Lakatos (2003), se referem ao levantamento


de documentos e dados de fontes diversas e em maior número possível sobre o
assunto pesquisado. Especialmente nos estágios iniciais da pesquisa.
Este levantamento de dados é feito de dois modos: se divide em pesquisa documental,
Esses levantamentos são divididos em dois momentos, o primeiro é através da pesquisa
documental (fontes primárias), e o segundo é através da pesquisa bibliográfica(fontes
secundárias).São de grande importância pois toda pesquisa científica conforme as
autoras citadas devem fazer esses caminhos.
E na pesquisa bibliográfica que por sua vez se divide em fontes bibliográficas e
seus diversos tipos como identificação, localização, compilação e fichamento. Vamos
falar brevemente das duas principais sem especificarmos as suas divisões.
Apenas reforçando, na documentação indireta Marconi e Lakatos (2003), apontam
como o momento de levantamento de diversas fontes , independentes dos métodos
utilizados.As autoras definem essa documentação como material de fonte geral e
podem trazem conhecimentos e agregar ao campo de interesse. E pode também evitar
possíveis duplicações e retrabalho, sugerir problemas,novas hipóteses e direcionar
para outras fontes de coleta.

Pesquisa documental
Esse tipo de fonte de coleta está restrito a documentos escritos e não escritos,
são definidas como fontes primárias que podem ser feitas a partir da ocorrência do
fenômeno ou depois. São obtidas de livros, revistas e documentos, jornais, publicações
avulsas, teses, arquivos públicos e particulares, fontes estatísticas MARCONI; LAKATOS,
(2003).
Quanto à utilização da estatística como fontes de dados da pesquisa as autoras
definem algumas formas de uso como; fazer correlação entre uma pesquisa limitada
a dados censitários,estudo baseada na análise e interpretação de dados existentes,
atualização de dados estatísticos existentes para verificação de uma teoria social,
publicações administrativas etc.

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Pesquisa bibliográfica
Esse tipo de pesquisa é extensa porque engloba todo estudo já realizado em
determinado assunto publicado em “relação ao tema de estudo, desde publicações
avulsas, boletins, jornais, revistas, livros, pesquisas, monografias, teses, material
cartográfico etc. até meios de comunicação orais, rádio. gravações(...) MARCONI;
LAKATOS, (2003, p. 66).
Marconi e Lakatos (2003) afirmam que esse tipo de pesquisa objetiva o acesso e
o contato direto com o pesquisador com aquela produção do conhecimento, nesse
sentido as conferências e debates que foram transcritos , gravados ou filmados etc.
Alguns tipos de fontes bibliográficas->imprensa escrita, meios audiovisuais,material
cartográfico,publicações etc.
As fontes devem ser procedência confiável e originalidade Ander-Egg (1978, p.189-
90) e Rammel (1997, p.159-60) apud MARCONI e LAKATOS, (2003, p.74), definem
algumas questões que devem ser observadas quantos as obras e documentos utilizados
nas pesquisas. citamos algumas dessas observações que são feitas em foram de
questões e podem fazer o pesquisador/a iniciante refletir sobre a rigorosidade quanto
a documentação que vai utilizar.
1. Onde foi feito?
2. Quando foi escrito?
3. É um documento válido?
4. Quem foi o autor?
5. O documento pode ser aceito como verdadeiro?
6. Caso o autor pertença a uma organização, esta foi imparcial na coleta de dados
ou teria algum interesse em determinado resultado?

Há outras questões dessa natureza, todas com a preocupação voltados para a


utilização de bases de pesquisas que não sejam falsas, as normas metodológicas, os
instrumentos de coletas, como aquela pesquisa chegou a determinados resultados,
quais foram suas hipótese, testes, as categorias utilizadas etc.
Seguindo com o tema documentação vamos falar brevemente sobre documentação
direta de modo geral, o Serviço Social utiliza em suas pesquisas conforme o objetivo
destas documentação de várias fontes para levantamento de informações para análises
e coleta de dados.

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14.2 Documentação direta e algumas técnicas

“A documentação direta pode constituir-se , em geral, no levantamento de dados no


próprio local onde os fenômenos ocorrem. Esses dados podem ser obtidos de duas
maneiras: através da pesquisa de campo ou da pesquisa de laboratório” MARCONI;
LAKATOS, (2003, p.74).
Sobre a pesquisa de campo, Marconi e Lakatos (2003) afirmam que seu uso objetiva
obter informações e aproximações sobre determinado problema do qual o pesquisador
está procurando a resposta. E ainda caso se queria provar uma hipótese, mostrar
novos fenômenos etc.
Essa pesquisa se realiza pela observação de fatos e fenômenos conforme eles
ocorrem espontaneamente, na coleta de dados sobre eles e no registro das variáveis
que se presume relevantes para analisá-los MARCONI e LAKATOS, (2003). Ela não é
tão simples, mencionam Trujillo (1982, p.229) apud MARCONI; LAKATOS, (2003, p. 75).

A pesquisa de campo não deve ser confundida com a simples coleta


de dados( este último corresponde a segunda fase de qualquer
pesquisa); é algo mais que isso,pois exige contar com controles
adequados e objetivos pré-estabelecidos que discriminam suficiente
o que deve ser coletado

Requer técnicas e alguns requisitos Marconi e Lakatos (2003) acrescentam que um


dos primeiros é realizar uma pesquisa bibliográfica daquele tema, determinar técnicas
que serão utilizadas na coleta e na determinação da amostra, estabelecer as técnicas
de registro dos dados e a questão do experimento entre outros encaminhamentos. E
articulação de vários elementos e a técnica vai norteando as fases da pesquisa, mas
o pesquisador deve dominar a técnica.

O que significa dominar uma técnica? Conhecer o seu funcionamento,


com certeza, mas também a sua lógica e pressupostos, as suas
potencialidades e limites, às suas vulnerabilidades, os seus aspectos
mais decisivos e delicados; ser capaz de retirar o melhor rendimento,
atendendo aos recursos e objectivos consignados, e de optimizar o seu
entrosamento com outras técnicas. Eis, em poucas palavras, alguns
dos traços básicos que caracterizam um efectivo domínio das técnicas
GONÇALVES,( 2004, p.43).

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Na documentação direta temos a pesquisa de campo como já citamos e citaremos


alguns tipos de pesquisa de campo como:

Quantitativos-descritivos- é um tipo de investigação empírica que objetiva levantar


ou analisar as características e particularidades de um fenômeno ou de um fato,pode
ser utilizada para avaliar um projeto ou programa, amostras populacionais, quantitativos
e utilizam a coleta sistemática de dados sobre as populações, fazem uso da entrevista,
questionários e formulários e empregam procedimento de amostragem como;
1. estudo de verificação de hipótese
2. estudo de avaliação de programa
3. estudo de descrição de população
4. estudo de relação de variáveis

Estudos exploratórios- são investigações de caráter empírico que pretendem


formular questões ou problema com isso objetiva:

“Desenvolver hipóteses, aumentar a familiaridade do pesquisador com um ambiente,


fato ou fenômeno, para a realização de uma pesquisa futura mais precisa ou modificar
e clarear conceitos” MARCONI; LAKATOS, (2003, p. 77).

Esse tipo de estudo é utilizado para observações empíricas e análises de dados ,


utilizando-se essas duas modalidades ao mesmo tempo.Para essa investigação são
utilizados entrevistas, , observação participante,análise de conteúdo, etc. “Quando ocorre
manipulação independente como a finalidade de descobrir seus efeitos potenciais.

Divide-se em Marconi e Lakatos (2003, p. 77).

1. estudos exploratório- descritivos combinados


2. estudos usando procedimientos específicos para coleta de dados
3. estudos de manipulação experimental

Dentro da modalidade documentação direta há ainda os estudos denominados


experimentais.

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Estudos experimentais- são investigações de pesquisa empírica, seu objetivo maior


é o teste de hipóteses que se refere ao tipo causa-efeito, esses estudos utilizam
projetos experimentais envolvendo;grupo de controle (além do experimental), selecção
de amostra por meio de técnica probabilística e manipulação de variáveis independentes
(MARCONI; LAKATOS, 2003).

As suas técnicas rigorosas de amostragem permitem a generalização das descobertas


pela experiência. Podem ser realizados em ambiente natural ou em laboratórios.
Vamos encontrar ainda a observação intensiva que está no âmbito da documentação
direta temos.

Observação
A observação é um elemento essencial para a pesquisa. Partindo da a formulação
do problema, indo para a construção de hipóteses, coleta, análise e interpretação,
possui um papel relevante no processo de pesquisa.

No período da coleta de dados ela torna-se mais evidente, nessa fase é sempre
utilizada agregada a outras técnicas ou utilizada de forma exclusiva. Por ser utilizada
de forma exclusiva no levantamento de dados em muitas pesquisas, e por figurar
toda a pesquisa , a observação chega mesmo a ser compreendida como método de
investigação GIL, (2008).

Com essa explanação podemos imaginar que a observação, se restringe na


investigação a utilização dos sentidos com objetivo de extrair os conhecimentos do
cotidiano. Sim até certo ponto, porque é submetida aos procedimento científico porque:

É submetida a verificação e controles de validade e


Serve a um objetivo formulado de pesquisa
precisão por Gil (apud SELLTIZ et al., 1967, p. 225).

É sistematicamente planejada
Tabela 36-objetivos
Fonte: GIL,( 2008, p. 101).

A principal vantagem, da observação possui em relação a outras técnicas, é a de que


os fatos são percebidos naturalmente e imediatamente, sem qualquer intermediação.
Desse modo a subjetividade, perpassa todo o processo de investigação social, tende
a ser reduzida.GIL, (2008).

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Dentre as desvantagens, a principal diz respeito às reações das pessoas no processo


da observação por parte de terceiros que devem ser consideradas. Diante disso é
que a observação como técnica de pesquisa pode adotar outras, especialmente em
função dos meios utilizados e do grau de participação do pesquisador GIL, (2008). O
autor cita três tipos de observação.

obser vação simples- no processo o observação participante- também chamada de , ou observação


investigador se mantém alheio à comunidade, ativa, se processa na participação real do conhecimento na vida
grupo ou situação ou objeto de estudo. observa da comunidade, do grupo de dada situação definida. Desse modo
de forma espontânea os fatos que acontecem. observador, comanda até determinado ponto, o papel de um
Ele se coloca no papel de espectador e não membro do grupo, Nessa técnica se chega ao conhecimento
de um ator. da vida de um grupo da inserção do pesquisador naquele grupo.
A técnica foi introduzida pelos antropólogos no estudo das
“sociedades primitivas”.

observação sistemática- essa técnica é


muito usada nas pesquisas com finalidade de
descrição precisa dos fenômenos ou o teste
de hipóteses. Quando o pesquisador sabe
de antemão quais aspectos da comunidade
ou grupo são significativos para alcançar os
objetivos pretendidos. Ela pode ocorrer em
situações de campo ou de laboratório.
Tabela 37-Observação
Fonte: GIL, (2008).

Observação simples e suas vantagens- viabiliza aquisição de elementos para a


definição de problemas de pesquisa. b) Colabora na construção de hipóteses sobre
o problema investigado. c) Facilita na aquisição de de dados sem produzir suspeitas
nos moradores das comunidades, grupos ou instituições pesquisado.Gil, (2008).

Desvantagens da observação simples-a) É direcionada pelas preferências e afeições


do pesquisador. Em muitas situações a atenção do pesquisador é desviada para os
aspectos, exótico ou raro do fenômeno. b) O registro das observações geralmente, da
memória do investigador. c) Possibilitar que a interpretação subjetiva ou parcial do
fenômeno estudado permaneça a cargo do pesquisador GIL, (2008).

Observação participante e suas vantagens- possibilita o rápido acesso a dados


de situações habituais em que uma determinada comunidades e seus integrantes
se encontram envolvidos. b) Permite abertura a dados que a comunidade ou grupo

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define de domínio privado. c) Permite captar as palavras de esclarecimento as quais


definem o comportamento dos observados GIL, (2008).

Desvantagens da observação participante-e, Gil (2008) menciona as restrições


definidas pela assunção de papéis pelo pesquisador, que pode ter sua observação
reduzida a um retrato da população pesquisada.
Em uma comunidade fortemente estratificada, o pesquisador, compreendido com
determinado estrato social, provavelmente terá dificuldades ao tentar penetrar em
outros estratos. Até quando o pesquisador adentrar essas restrições, sua participação
poderá ser diminuída pela desconfiança, isso pode limitar a qualidade das informações
obtidas.
Há outros tipos de observação como técnica da pesquisa científica, citamos essas,
mas o estudante deve pesquisar as diversas técnicas que dialoguem com sua pesquisa
e possa escolher.

Registro das observações


O instrumento de registro pode assumir diferentes níveis de estruturação. Em
algumas pesquisas é aberto, dando ao pesquisador grande liberdade para fazer as
anotações. Mas o contrário também pode acontecer.

Mas também pode assumir a forma de uma grade fechada em que os


comportamentos a serem observados são prévia e minuciosamente
definidos, de forma tal que cabe ao pesquisador apenas assinalá-los.
Neste caso tem-se a lista preestabelecida, que consiste num quadro
de linhas e colunas formando uma grade. Cada coluna corresponde a
um comportamento a ser observado e cada linha indica o momento
em que o comportamento ocorreu GIL, (2008, p.106).

Nas pesquisas que adotam o método da observação sistemática, o pesquisador


deve se posicionar e falar sobre o seu papel de deixar-se conhecer. Falar sobre a
pesquisa. O que está em desacordo com a questão ética. Gil (2008) cita o Código de
Nurenberg, reafirmando a importância do consentimento e o esclarecimento para as
pessoas participarem de qualquer pesquisa, do direito de serem informadas sobre os
propósitos da pesquisa, e ainda de recusar a participar dela.

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ANOTE ISSO

Resolução Nº 196, de 10 de outubro de 1996


Descrição:Em 1996, no Brasil, foi criada a referida Lei do Conselho Nacional de
Saúde, sobre a pesquisa em seres humanos justificação para uso de placebos;
obtenção de consentimento livre e esclarecido; garantia de recursos materiais
para o bem estar do sujeito da pesquisa; indivíduos envolvidos com autonomia
vulnerabilidade; respeito aos valores culturais, sociais, morais, religiosos, éticos e
costumes etc.
Link: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/cns/1996/res0196_10_10_1996.
html

O Serviço Social é todas as áreas do conhecimento e suas instituições possuem um


comitê de ética para normatizar as pesquisas. Especialmente pesquisas que envolve
seres humanos essas são submetidas à apreciação do Sistema CEP/CONEP, Comitês
de Ética em Pesquisa) que são coordenados pela CONEP (Comissão Nacional de Ética
em Pesquisa), que é uma das comissões do Conselho Nacional de Saúde (CNS) do
Ministério da Saúde este, analisa e define, também torna corresponsável por garantir
a proteção dos pesquisados.. (BRASIL, 2021)2.
Assim as pesquisas são cadastradas na Plataforma Brasil é o sistema oficial de
lançamento de pesquisas para análise e monitoramento do Sistema CEP/CONEP. O
cadastro na Plataforma Brasil3 e a submissão do projeto ao CEP. Todo o processo
é feito pela internet onde , lá o pesquisador deposita muitas informações e detalhes
do seu estudo investigativo.
Fizemos essa pequena pequena ruptura na nossa proposta, para citar de modo breve
essas informações sobre o CEP e a plataforma Brasil, que são elementos importantes.
vamos seguir falando um pouco mais a respeito de algumas com as técnicas de
pesquisa.

14.3 A entrevista: um destaque a parte

Agora vamos falar da entrevista, uma técnica muito utilizada na prática profissional
pelo Assistente Social e em boa parte das suas pesquisas. Ela está situada dentro da
documentação direta, como a observação, os estudos exploratórios e os já citados.
Há outras técnicas, mas abordaremos esta está na realidade de muitos estudantes/
2 https://www.gov.br/defesa/pt-br/assuntos/hfa/ensino-e-pesquisa/comite-de-etica-em-pesquisa-cep-hfa-1
3 http://conselho.saude.gov.br/plataforma-brasil-conep?view=default

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a nos seus estágios, no trabalho etc. A definição de Gil (2008) da entrevista com fins
de estudo científico.
Pode-se definir entrevista como a técnica em que o investigador se apresenta frente
ao investigado e lhe formula perguntas, com o objetivo de obtenção dos dados que
interessam à investigação.
A entrevista é, portanto, uma forma de interação social. Mais especificamente, é
uma forma de diálogo assimétrico, em que uma das partes busca coletar dados e a
outra se apresenta como fonte de informação GIL, (2008, p.106).
A entrevista é um encontro de duas pessoas, no qual uma delas tem o objetivo de
obter informações a respeito de determinado assunto, mediante a uma conversão de
natureza profissional. “É um procedimento utilizado na investigação social para coleta
de dados ou para ajudar no diagnóstico”. (... ). (MARCONI; LAKATOS, (2003, p.84).
Enquanto técnica de coleta de dados, a entrevista é significativa para a o levantamento
de dados informações sobre o que “as pessoas sabem, crêem, esperam, sentem ou
desejam, pretendem fazer, fazem ou fizeram, bem como acerca das suas explicações ou
razões a respeito das coisas precedentes SELLTIZ et al., (1967, p. 273) apud MARCONI;
LAKATOS, (2003, p.84).

Entrevista
Fonte:https://pixabay.com/pt/images/search/entrvista/Acesso em:29 de nov 2021.

Muitos autores concordam que a entrevista é uma técnica de excelência na


investigação social, GIL, (2003), contextualiza fazendo uma comparação da ciência
fabricada no laboratório com a entrevista atribuindo seu valor ao tubo de ensaio na
Química e ao microscópio na Microbiologia.
E segue argumentando que devido sua flexibilidade, a entrevista é adotada como
técnica fundamental de investigação nas mais diversas áreas do conhecimento e

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que nas ciências sociais uma grande parte do seu crescimento e desenvolvimento
nos últimos anos foi conseguido devido à sua aplicação.
Sua finalidade pode ser de “averiguar fatos,descobertas de plano de ação,
conduta atual ou do passado, determinações das opiniões sobre os fatos ou de
sentimentos,motivos conscientes para opiniões, condutas”. etc. Selltiz( 1965:286-9)
apud Marconi e Lakatos (2003, p. 84).
Dito isso, vamos citar brevemente quatro tipos de entrevistas classificadas em:
informais, focalizadas, por pautas e formalizadas.

Entrevista informal-> Essa modalidade de entrevista é pouco estruturada e por


definição de Gil (2008) só se diferencia de uma conversação porque possui como
objetivo básico a coleta de dados .Entrevista deste tipo objetiva para obter uma visão
geral do problema investigado, e a identificação de alguns aspectos da personalidade
do entrevistado.
A entrevista informal é recomendada nos estudos exploratórios, que visam abordar
realidades pouco conhecidas pelo pesquisador, ou então oferecer visão aproximada
do problema pesquisado.
É usada na investigação de determinados problemas psicológicos, onde o pesquisado
manifesta completamente suas opiniões e atitudes sobre o objeto de pesquisa. Nesse
exemplo, a entrevista informal é de entrevista clínica ou profunda e, em determinados
casos, não dirigida GIL,( 2008).

Entrevista focalizada- Esse tipo de entrevista é tão flexível quanto a anterior.


“todavia, enfoca um tema bem específico. O entrevistador permite ao entrevistado falar
livremente sobre o assunto, mas, quando este se desvia do tema original, esforça-se
para a sua retomada” GIL,( 2008, p.112).
Este tipo de entrevista é utilizado em situações experimentais, com a intenção de
explorar com mais profundidade experiências vivenciadas em condições precisas.Tem
sua utilidade com grupos que tiveram alguma experiência específica. Desse modo,
o entrevistador concede ao entrevistado grande liberdade para expressar-se sobre o
assunto GIL, (2008). Esse Tipo de entrevista exige habilidade do pesquisador quanto
ao respeito com sujeito e foco no tema.
Entrevista por pautas.- Esse tipo de entrevista já apresenta um determinado nível
de estruturação,porque é norteada por uma relação de pontos de interesse que

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o entrevistador está investigando no decorrer da entrevista. “As pautas devem ser


ordenadas e guardar certa relação entre si. O entrevistador faz poucas perguntas diretas
e deixa o entrevistado falar livremente à medida que se refere às pautas assinaladas”
Gil, (2008, p.112).
Quando o pesquisado se desvia do assunto, o entrevistador retoma do ponto que
foi desviado, Gil (2008) conclui que fazendo isso de modo sutil, para conservar a
espontaneidade do processo. Esse tipo de entrevista é utilizada especialmente nas
situações em que os entrevistados não se sintam à vontade para responder a questões
formuladas com maior rigidez.
“À medida que o pesquisador conduza com habilidade a entrevista por pautas e
seja dotado de boa memória, poderá, após seu término, reconstruí-la de forma mais
estruturada, tornando possível a sua análise objetiva” GIL, (2008, p.112).

Entrevista estruturada- A entrevista estruturada é realizada por meio de uma


relação fixa de perguntas, sua sequência e redação seguem invariáveis para todos
os entrevistados, que normalmente são em grande número. Pelo fato de oportunizar o
tratamento quantitativo dos dados, esta modalidade de entrevista é o mais adequado
para o desenvolvimento de levantamentos sociais GIL, (2008, p.112).
Entre as principais vantagens das entrevistas estruturadas estão a sua rapidez e o
fato de não exigirem exaustiva preparação dos pesquisadores, o que implica custos
relativamente baixos. Outra vantagem é possibilitar a análise estatística dos dados, já
que as respostas obtidas são padronizadas. Em contrapartida, estas entrevistas não
possibilitam a análise dos fatos com maior profundidade, posto que as informações
são obtidas a partir de uma lista prefixada de perguntas GIL, (2008, p.113),
Esta lista de questões é normalmente denominada de questionário ou de formulário.
Este último título é preferível, visto que o questionário expressa melhor o procedimento
autoadministrado, em que o sujeito responde por escrito as perguntas.

Algumas vantagens da entrevista


A entrevista pode ser utilizada como todos os segmentos sociais; alfabetizados e
não alfabetizados, b) possibilita um amostragem da população geral´o pesquisado
não precisa saber ler ou escrever, c) possibilita maior flexibilidade, às perguntas podem
ser repetidas. enfocadas, esclarecidas, formuladas de modo diferentes, etc com a

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certeza de que está sendo compreendido, d)possibilita avaliar atitudes, gestos, condutas,
reações etc. MARCONI; (LAKATOS, 2003).

Algumas limitações da entrevista


a)dificuldade de comunicação por parte do pesquisador e pesquisado, b) possibilidade
do entrevistado exercer influência consciente ou inconsciente sobre as respostas do
pesquisado de acordo com sua aparência, modo,ideias etc, c) retenção de algumas
informações relevantes por parte do entrevistado por receio de se expor etc. MARCONI;
LAKATOS, (2003).
Há outras técnicas para a investigação social como; testes, história de vida, análise
de conteúdo etc.
Nesta aula fizemos um recorte sucinto sobre algumas técnicas de pesquisa nas
ciências sociais. No sentido de que o estudante tenha uma noção da sua aplicabilidade
na pesquisa e na prática profissional. Sua aplicação para produzir resultados pelas
estratégias e operações a partir do método escolhido. Na próxima aula falaremos
sobre a construção do projeto de pesquisa.

ISTO ESTÁ NA REDE

Video: Conceito de método e técnica de pesquisa


Link:https://www.youtube.com/watch?v=1GTb6u6OwvY
Descrição: O vídeo fala sobre a diferença entre método e técnica de pesquisa.Fala
ainda sobre alguns tipos da pesquisa com relação ao método e com relação à
técnica.

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AULA 15
ELABORAÇÃO E EXECUÇÃO DE
UM PROJETO DE PESQUISA NO
ÂMBITO DO SERVIÇO SOCIAL

Esta lição tem como objetivo apresentar os principais componentes de um projeto


de pesquisa no Serviço Social, para auxiliar os estudantes (a) na organização e
programação e elaboração de suas pesquisas. Esperamos que essa lição possibilite
uma aproximação na execução das várias etapas do seu projeto de pesquisa.
Já abordamos no decorrer deste material sobre a pesquisa científica e alguns
dos seus elementos e particularidades, esperamos que nessa reta final o estudante
(a) já tenha adquirido uma visão mais ampliada sobre o conhecimento e a pesquisa
científica. Essa lição é um reforço da lição sobre as fases da pesquisa e ainda um
aprofundamos de alguns elementos.

15.1 O planejamento e projeto

O planejamento de uma pesquisa científica sempre vem de um projeto, que é


a definição de rotas e caminhos para o pesquisador se aproximar de determinada
realidade ou objeto. Para isso deve estudar esse fenômeno ou realidade mais de
perto.O projeto objetiva fazer uma antecipação/ previsão e elaboração das etapas
operacionais de uma investigação científica.
O projeto é uma das etapas do processo de elaboração, execução e apresentação
da pesquisa. Essa etapa deve ser planejada rigorosamente, Marconi e Lakatos (2003),
alertam que se não proceder assim o investigador/a em certa altura do processo pode
correr o risco de se perder em um emaranhado de dados colhidos, sem saber como
fazer uso deles adequadamente ou até não saber o seu significado e importância.
As teóricas seguem fazendo considerações sobre o projeto de pesquisa, que também
já é a pesquisa em si na sua fase inicial e a projeção de como será sua pesquisa de
fato de maneira metódica e sistemática no sentido mais abstrato, diríamos.
Conforme Gil (2017) a pesquisa envolve uma atividade racional e sistemática,
desse modo as ações desenvolvidas para sua concretização devem ser pensadas e
planejadas.

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O planejamento envolve pensar na questão do tempo considerando as intercorrências


que Gil (2017) define como extracientíficas que podem envolver a pesquisa, o
planejamento deve verificar os recursos humanos, materiais e financeiros etc. O projeto
pode anteceder a pesquisa , mas já é a pesquisa em si.

O planejamento da pesquisa concretiza-se mediante a elaboração de um


projeto, que é o documento explicitador das ações a serem desenvolvidas
ao longo do processo de pesquisa. O projeto deve, portanto, especificar os
objetivos da pesquisa, apresentar a justificativa de sua realização, definir
a modalidade de pesquisa e determinar os procedimentos de coleta e
análise de dados. Deve, ainda, esclarecer acerca do cronograma a ser
seguido no desenvolvimento da pesquisa e proporcionar a indicação dos
recursos humanos, materiais e financeiros necessários para assegurar
o êxito da pesquisa GIL,( 2017, p. 18).

O projeto apresenta o roteiro das ações a serem desenvolvidas ao longo da pesquisa,


de modo geral as instituições de ensino superior determinam o planejamento para
ter uma previsão do desenvolvimento das atividades, início, meio e fim Para controle
e planejamento interno e para o planejamento do estudante e do orientador/a.
O roteiro do projeto além de ser de grande utilidade para o pesquisador em si é
também para sua equipe, no caso de grandes pesquisas e para “quem contrata os
serviços de pesquisa, o projeto constitui documento fundamental, posto que esclarece
acerca do que será pesquisado e apresenta a estimativa dos custos” GIL, (2017, p. 18).
Conforme estamos observando a questão é um fator que envolve a pesquisa desde o
seu nascedouro, se um empresa ou agência pede uma pesquisa ou mesmo a pesquisa
acadêmica, etc todas possuem uma previsão de término e isso envolve tempo e para
administrar bem esse templo é necessário fazer um planejamento um cronograma
entre outros.

ATIVIDADE DE PESQUISA DE 2022 JAN. FEV. MAR. ABR. MAI. JUN. JUL.

PESQUISA BIBLIOGRÁFICA xxxxx

ESTUDO E ANÁLISE DE MATERIAL BIBLIOGRÁFICO xxxxx xxxxx

ORIENTAÇÃO xxxxx xxxxx xxxxxxx xxxx

DISCIPLINAS CURSADAS xxxxx xxxxx xxxxx xxxxx xxxx xxxx

REDAÇÃO INICIAL DO TEXTO xxxx xxxx

TRABALHO DE CAMPO xxxx xxxx

ANÁLISE DOS DADOS xxxx xxxx

ESCRITA DO TCC xxxx xxxx xxxx

DEFESA DO TCC xxxx


Tabela 38- cronograma
Fonte: Elaboração própria

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Deixamos um modelo para que o estudante possa ter noção e começar a pensar
na organização do seu projeto de pesquisa, lembrando que essas etapas marcadas
são meramente sugestivas. O estudante possui um ritmo e uma dinâmica de estudo
e organização particular e vai adaptando essas e demais etapas. Sem rigidez.
O cronograma da pesquisa responde às questões: quando? E em quanto tempo?
Esse elemento apresenta as atividades e suas respectivas etapas pré-definidas, como
já compreendemos.Antes de redigir um projeto de pesquisa, estudos preliminares
são necessários porque irão ajudar a verificar o estado da questão que se pretende
desenvolver em termos teóricos e de outros estudos e pesquisas já realizados.
“Tal esforço não será desperdiçado, pois qualquer tema de pesquisa necessita de
adequada integração na teoria existente e a análise do material já disponível será
incluída no projeto sob o título de “revisão da bibliografia”” MARCONI; LAKATOS,( 2003,
p. 215).
O projeto de pesquisa é um instrumento técnico operativo que o estudante de
Serviço Social vai utilizar para organizar a sua pesquisa na construção de elementos
como tema, problemas, objetivos, justificativa, cronograma entre outros, tendo em
vista o TCC. Na pesquisa social e no Serviço Social a pesquisa é perpassada por três
dimensões que citaremos aqui.
Para a Elaboração do projeto de pesquisa Minayo define 3 dimensões fundamentais.

Fonte: Minayo (2009, p. 34).

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Algo importante é que todos os trabalhos acadêmicos, são baseados nas normas da
Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e devem ser consultados sempre
que houver dúvida. Assim, a pesquisa deve seguir um padrão previamente definido.
São padrões utilizados na academia para dar credibilidade ao seu trabalho, desde
o formato e das corretas citações e referências etc. Tudo isso dá legitimidade e
fidelidade à pesquisa. O estudante deve o plágio. Deixamos um material para ajudar
com a ABNT, com normas atualizadas.

ESTÁ NA REDE

Site: https://viacarreira.com/regras-da-abnt-para-tcc-conheca-principais-normas/
Descrição: O site apresenta as normas da ABNT atualizadas e para as mais
diversas elaborações de trabalhos especialmente, regras de formatação e
elementos que compõem a estrutura do TCC.

Então vamos mergulhar nesse processo que pode se iniciar com a escolha do tema
de pesquisa, ou não, os teóricos que estudam e trabalham com o assunto geralmente
concordam que o projeto deve seguir estritamente a um ordenamento fixado. Vamos
começar esse processo pelo tema com perguntas que Marconi; e Lakatos,( 2003).
Elaboraram e responderam sobre as etapas do projeto de pesquisa.

Em uma pesquisa, nada se faz ao acaso. Desde a escolha do tema,


fixação dos objetivos, determinação da metodologia, coleta dos
dados, sua análise e interpretação para a elaboração do relatório final,
tudo é previsto no projeto de pesquisa. Este, portanto, deve responder
às clássicas questões: o quê? porquê? para quê e para quem? onde?
como, com quê, quanto e quando? quem? com quanto?MARCONI e
LAKATOS, (2003, p. 215).

15. 2 Estrutura do projeto

1. Apresentação (quem?)

a) Capa->contém-> • entidade • título (e subtítulo, se houver)


• coordenador (es)
• local e data
Tabela- 39 apresentação
Fonte: MARCONI e LAKATOS, (2003).

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Apresentação do projeto de pesquisa, respondendo à questão quem? Marconi e


Lakatos (2003), mencionam que a escrita do projeto tem início com a capa, nela estão
sinalizados os elementos essenciais à compreensão do estudo que objetiva investigar.
Como sinalizamos logo acima.
“(...)de quem ou para quem e ao conhecimento do responsável pelo trabalho. O
nome da entidade (instituição, organização, empresa, escola) financiada ou comprada
por pessoa (s) e/ou entidades, ou a que custeia a realização da pesquisa. Significa
que existem representantes direta ou indiretamente responsáveis pela pesquisa além
do estudante que a executa.MARCONI; LAKATOS, (2003).
O título-> além do título pode haver ou não um subtítulo, que é diferente do tema.
O tema é submetido a uma delimitação e assim toma- se aplicável à realização da
pesquisa, o título sintetiza o conteúdo da mesma. Portanto, o título de uma pesquisa
não corresponde ao tema, nem à delimitação do tema, mas emana dos objetivos
geral e específicos, quase como uma “síntese” dos mesmos” MARCONI; LAKATOS,
(2003, p.217).
As autoras dão outras informações:
As pesquisas normalmente têm um responsável, que se denomina coordenador/a.
O nome dele/a deve vir em destaque.
O local refere-se à cidade em que se encontra sediada a entidade ou a equipe de
pesquisa. A data refere-se apenas ao ano em que o projeto é apresentado.

2. Objetivo (para quê? para quem?)

a) Tema • especificação
b) Delimitação do Tema • limitação geográfica e temporal

c) Objetivo Geral d) Objetivos Específicos

Tabela 40- objetivo


Fonte: Marconi e Lakatos (2003).

A especificação do objetivo de uma pesquisa responde às questões para quê? e


para quem?
Tema-> é o assunto que o pesquisador busca provar ou desenvolver, como já
mencionamos. E como pode ele pode surgir, citamos alguns exemplos Marconi e
Lakatos (2003) que alertam sobre a curiosidade científica, os desafios observados na
leitura de outros trabalhos ou da própria teoria podem suscitar esses questionamentos
e a elaboração do tema.
O tema é composto por um sujeito e por um objeto, o tema passa por um processo
de especificação, que é a sua delimitação, assim esse processo só se conclui quando

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se faz a sua limitação geográfica e espacial, com vistas na realização da pesquisa


MARCONI; LAKATOS, (2003, p.217). A delimitação do tema pode ser feita pela sua
decomposição em parte.

Essa decomposição possibilita definir a compreensão dos termos, o


que implica na explicação dos conceitos. Ela também pode ser feita
por meio da definição das circunstâncias, de tempo e de espaço. Além
disso, o pesquisador pode definir sob que ponto de vista irá localizá-
lo. “Um mesmo tema pode receber diversos tratamentos, tais como
psicológicos, sociológico, histórico, filosófico, estatístico, etc.” CERVO
& BERVIAN, (2002, p. 8) apud OLIVEIRA, (2011, p.12).

Deixamos exemplos anteriormente, o estudante pode pensar em um assunto por


exemplo a economia, seu tema vai digamos ser retirado, delimitado do assunto que
é amplo. Digamos ainda que o interesse seja pesquisar os bancos comunitários e a
economia. O tema poderia ficar assim: Os bancos comunitários e as suas estratégias
diante da economia ultraliberal.
Objetivo geral-> objetivo geral está articulado com a visão total e ampla do tema. O
tema estabelece relação e diálogo com o conteúdo em questão, seja relacionado aos
fenômenos e eventos, ou das ideias estudadas. Vincula-se de forma direta à própria
significação da tese proposta pelo projeto MARCONI; LAKATOS, (2003).
Por exemplo no exemplo que propomos, podemos definir como objetivo geral:
Investigar as estratégias dos bancos comunitários diante das investidas do mercado
ultraliberal.
Cervo & Bervian (2002, p. 83) apud OLIVEIRA, (2011, p.14) afirmam que, no objetivo
geral, “[...] procura-se determinar com clareza e objetividade, o propósito do estudante
com a realização da pesquisa”.

ANOTE ISSO

Site: http://www.uel.br/graduacao/odontologia/portal/pages/arquivos/NDE/VERBOS.
pdf
Descrição: material proposto pela Universidade Federal da Grande Dourados -ufgd
/ faed, apresenta uma lista de verbos para objetivos gerais e objetivos específicos,
que podem auxiliar na construção de planejamentos e planos de ensino e na
pesquisa científica.

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Objetivos específicos->Os objetivos específicos são desdobramentos do objetivo


geral, possuem o objetivo de definir em detalhes as etapas da pesquisa.
Ainda usando o mesmo exemplo podemos definir os objetivos específicos:
• Investigar as principais estratégias dos bancos comunitários para manter sua
economia solidária no atual cenário econômico de crise.
• Pesquisar de onde o banco comunitário recebe incentivos e subsídios, diante
uma clientela em vulnerabilidade social, beneficiários de programas sociais
governamentais de políticas compensatórias.
• Verificar quantos bancos comunitários foram fechados e abertos nesse período
de flexibilização do mercado financeiro.

Diríamos que aqui cabe mais um objetivo que três objetivos específicos é suficiente,
especialmente na primeira pesquisa, ou dois mesmo. É importante o(a) estudante
delimitar os objetivos para não se perder em seus meandros.Mas se sentir que são
necessários mais objetivos faça, o importante é que eles articulem e dialoguem com
a sua proposta na pesquisa e os demais elementos desta.
Para CERVO e BERVIAN (2002, p. 83), apud OLIVEIRA (2011, p.14). Delimitar os
objetivos específicos é o mesmo que aprofundar as intenções apresentadas nos
objetivos gerais, “que pode ser a intenção de: mostrar novas conexões para o mesmo
problema e identificar novos aspectos ou utilizar os conhecimentos adquiridos para
intervir em determinada realidade”.

3.Justificativa (por quê?)

Justificativa Por que?


Tabela 41-justificativa
Fonte: Marconi e Lakatos (2003).

Justificativa-> de acordo com Marconi e Lakatos (2003), esse é o último elemento


do projeto que apresenta respostas à questão por quê? Geralmente é um item que
contribui mais diretamente na aceitação da pesquisa pela (s) pessoa (s) ou entidades
financiadoras. Diríamos que pode ser a “propaganda” da sua pesquisa que quando
você fala dela desperta interesses diversos a esse respeito.
As autoras orientam que esse item deve ser apresentado de modo sucinto, mas
completo, desde os motivos e razões de ordem teórica bem como os motivos de ordem

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prática que tomam importante a realização da pesquisa. (CERVO; BERVIAN, (2002,


p. 127) apud (OLIVEIRA (2011, p.14), em poucas palavras sintetizam a importância
desse item: “Procura-se aqui demonstrar a legitimidade, a pertinência, o interesse e a
capacidade do aluno em lidar com o referido tema”.
Meu interesse pelo tema Bancos Comunitários vem da minha trajetória de estágio.Me
chamou atenção o trabalho solidário e financeiro, destes bancos na rede comunitária,
voltados para a geração de renda e fomento das economias dos territórios de baixa renda.
De forma geral esses bancos estão inseridos em uma economia cujos determinantes
contribuem para a exclusão social, mas …………………………………….
Aqui podemos destacar o papel político do Serviço Social na pesquisa aliado a prática
profissional é desafiador nesse cenário econômico e político, e ao mesmo tempo, a
sistematização da sua prática quando se torna pesquisa essas podem influenciar
nas políticas públicas que podem originar programas, planos e ações para atender
determinadas realidades e demandas nas quais o profissional está inserido/a.
Marconi;Lakatos (2003) o pesquisador deve apresentar o estágio em que está a
teoria sobre o tema, apontar as contribuições teóricas que a pesquisa pode trazer para
a sociedade ou casos particulares, se for o caso na qual a pesquisa está inserida, a
importância da temática no contexto atual, os principais pontos que o pesquisador
ainda não conseguiu avançar etc. E seguimos com mais algumas considerações das
autoras sobre a justificativa.

A justificativa difere da revisão da bibliografia e, por este motivo, não


apresenta citações de outros autores. Difere, também, da teoria
de base, que vai servir de elemento unificador entre o concreto da
pesquisa e o conhecimento teórico da ciência na qual se insere.
Portanto, quando se trata de analisar as razões de ordem teórica ou
se referir ao estágio de desenvolvimento da teoria, não se pretende
explicitar o referencial teórico que se irá adotar, mas apenas ressaltar
a importância da pesquisa no campo da teoria (MARCONI e LAKATOS,
(2003).

Objeto (o quê)

Objeto o quê

Problema, Hipótese Básica


Hipóteses Secundárias e Variáveis
Tabela 42- objeto
Fonte: Marconi e Lakatos (2003).

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Respondendo à pergunta o quê?, o objeto da pesquisa envolve o problema e a


hipótese:
Problema->Pode-se formular um problema que a sua resposta seja importante para
colaborar com determinada ação. Por exemplo, na prática profissional do Assistente
Social/a de determinada empresa, verificou que não existem mulheres nos cargos
de direção em várias empresas na sua cidade, inclusive na que ela trabalha também.
Seu problema visa esclarecer os impedimentos específicos que levam essas empresas
não proverem mulheres para os cargos de direção. O profissional vai questionar essa
situação por intermédio da pesquisa. E assim vai conhecer os motivos da empresa
quanto a esse problema.

Formular o problema consiste em dizer, de maneira explícita, clara,


compreensível e operacional, qual a dificuldade com a qual nos
defrontamos e que pretendemos resolver, limitando o seu campo e
apresentando suas características. Desta forma, o objetivo da formulação
do problema é torná-lo individualizado, específico, inconfundível (Rudio,
(1980, p. 75). apud (Oliveira (2011, p.14).

Por exemplo:
Quais os fatores que levam as empresas da cidade x não promoverem mulheres nos
cargos de direção?
Hipótese-> Pode ser respostas prévias para os problemas, são afirmativas não
se sabe se estão certas ou erradas, a pesquisa vai dizer. Ao longo do processo da
investigação do trabalho vou descobrir se a resposta para esse problema levantado
será confirmada ou não.
“O ponto básico do tema, individualizado e especificado na formulação do problema,
sendo uma dificuldade sentida, compreendida e definida, necessita de uma resposta,
“provável, suposta e provisória”, isto é, uma hipótese MARCONI e LAKATOS,
(2003. p. 220). Um problema pode apresentar muitas hipóteses, elas vão nortear o
planejamento dos procedimentos metodológicos da pesquisa.

ANOTE ISSO

Site:https://blog.mettzer.com/projeto-de-pesquisa/
Descrição: Apresenta um editor de texto especializado em textos acadêmicos
e cheio de ferramentas para facilitar montar seu projeto de pesquisa, se chama
Mettzer.

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Existe dois tipos de hipóteses:


Hipótese básica-> é a afirmação escolhida pelo pesquisador como a principal
resposta ao problema proposto.
Por exemplo: afirma, em determinada situação, a presença ou ausência de alguns
fenômenos outros diz respeito à natureza ou características de determinados fenômenos,
em uma situação específica entre outros.
Hipóteses Secundárias-> são afirmações complementares e significam outras são
afirmações (toda hipótese é uma afirmação) complementares da básica, podendo:
A hipótese secundária pode conter detalhes que a hipótese básica afirma de modo
geral , a hipótese secundária pode ter aspectos não definidos na hipótese básica
etc. MARCONI e LAKATOS, (2003. p. 220). As duas são afirmações que podem se
complementar sobre a resposta para o problema.
(...) “(a) o problema deve ser formulado como pergunta; (b) o problema deve ser
claro e preciso; (c) o problema deve ser empírico; (d) o problema deve ser suscetível de
solução; e o problema deve ser delimitado a uma dimensão viável”. GIL, (2017, p.23).
Variáveis->Pode- se dizer que uma variável é tudo que pode assumir diferentes
valores numéricos, por exemplo: temperatura, idade, renda familiar e número de filhos
de um casal e altura GIL, (2017, p.27). A variável atribui características, qualidades
para cada pesquisado que está participando da pesquisa. Algo que pode ser mudado
ao longo de um experimento.
Na pesquisa científica define-se como variável qualquer coisa que pode ser
classificada em duas ou mais categorias. Assim, sexo é uma variável porque envolve
duas categorias que podem se articular. (masculino e feminino.) Classe social também,
porque pode ser classificada em alta, média e baixa etc. GIL, (2017).

Toda hipótese é o enunciado geral de relações entre, pelo menos, duas


variáveis. Por sua vez, variável é um conceito que contém ou apresenta
valores, tais como: quantidades, qualidades, características, magnitudes,
traços etc., sendo o conceito um objeto, processo, agente, fenômeno,
problema etc. GIL, (2017, p.27).

4. Metodologia (como? com quê? onde? quanto?)

Metodologia (como? Com quê? Onde? Quanto?) a) Método de Abordagem


b) Método de Procedimento
c) Técnicas
• descrição
• como será aplicado
• codificação e tabulação
Delimitação do Universo (descrição da população)
e) Tipo de Amostragem • carac~ação
• seleção
Tabela 43- metodologia
Fonte: Marconi e Lakatos (2003).

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Metodologia->A parte da metodologia da pesquisa é a que abrange maior número


de itens, pois responde, a um só tempo, às questões como? com quê?, onde?, quanto?
Corresponde aos seguintes componentes: MARCONI; LAKATOS, (2003).
Método de abordagem ->O método se caracteriza por uma abordagem ampliada
da realidade, no sentido da abstração mais elevada dos fenômenos da natureza e da
sociedade. É, portanto, denominado método de abordagem, que engloba o indutivo,
o dedutivo, dialético, etc. MARCONI; LAKATOS ,(2003).
O método em Marx como estudamos objetiva entre outras coisas com a mediação
e a práxis, entre outras coisas que os homens cheguem a uma certa independência
na sua relação com as coisas,onde lhes é negada autonomia e a compreensão da
realidade Essa categoria visa viabilizar ações dinâmicas do plano abstrato (teórico)
se configurando na realidade material.
No Serviço Social é importante o pesquisador conhecer a realidade a ser pesquisada.
O método auxilia na elaboração de interpretações mais amplas. A realidade investigada
também deve fazer articulação com a parte teórica da pesquisa, essa articulação permite
avançar do senso comum para o estudo do empírico e suas múltiplas dimensões e
sua validação científica.
Métodos de procedimento->São etapas mais concretas da investigação, o objetivo é
a explicação um pouco mais restrita geral dos fenômenos menos abstratos. Pressupõem
uma atitude concreta em relação ao fenômeno e estão reduzidas a um domínio
particular MARCONI e LAKATOS, (2003). Alguns desses métodos são: o histórico, o
comparativo, o monográfico ou estudo de caso, funcionalista etc.
Técnicas->“As técnicas são um conjunto de processos ou preceitos de que se
serve uma ciência ou arte; é a habilidade para usar esses preceitos ou normas, a
parte prática. Toda ciência utiliza inúmeras técnicas na obtenção dos seus propósitos”
MARCONI; LAKATOS,(1996, p. 57). Diz respeito, à parte prática de coleta de dados,
levantamento de dados.
O início do processo da pesquisa, é feito de duas maneiras: pesquisa documental
(ou de fontes primárias) e pesquisa bibliográfica (ou de fontes secundárias).
Uma característica da pesquisa documental é que sua fonte de coletas inclui
documentos escritos ou não. Temos como exemplo de documentos primários,
fotografias, gravações, gravuras, filmes, etc. MARCONI; LAKATOS,(1996, p. 57).
Essa parte das técnicas da pesquisa apresenta duas divisões: documentação indireta,
abrangendo a pesquisa documental e a bibliográfica e documentação direta. Esta
última subdivide-se em:
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documentação direta subdivide-se em:

observação direta intensiva e envolve as técnicas : observação direta extensiva envolve as técnicas:

Observação->utiliza os sentidos na coleta de dados Questionário-> composto por uma série de perguntas
e certos aspectos da realidade. Não se limita apenas que devem ser respondidas por escrito e sem a presença
em ver e ouvir, mas envolve examinar fatos ou do pesquisador;
fenômenos que se objetiva pesquisar. Pode ser: Formulário -> roteiro de perguntas enunciadas pelo
Observação Sistemática, observação assistemática; entrevistador e preenchidas por ele com as respostas
observação participante, etc. do pesquisado;
Medidas de opinião e de atitudes - instrumento de
“padronização”, através dele pode-se assegurar a
equivalência de diferentes opiniões e atitudes, com
objetivo de compará-las;
Análise de conteúdo -> permite a descrição sistemática,
objetiva e quantitativa do conteúdo da comunicação,
entre outras técnicas.

Entrevista->é uma conversa realizada face a face,


de maneira metódica; permite ao entrevistador,
verbalmente, a informação necessária.
Tabela 44-documentação
Fonte: Marconi; Lakatos(2003).

“Independentemente da(s) técnica(s) escolhida(s), o pesquisador deve-se descrever


tanto a característica quanto a forma de sua aplicação, indicando, inclusive, como
se pensa codificar e tabular os dados obtidos” MARCONI; LAKATOS, (2003, p. 223).
Delimitação do universo-> (descrição da população)
O universo ou população se refere ao conjunto de seres animados ou inanimados que
mostram pelo menos uma característica em comum: total de elementos do universo
ou população da pesquisa.

ANOTE ISSO

Termo de Consentimento Livre e Esclarecido(TCLE)


Descrição: o Processo de Consentimento Livre e Esclarecido refere-se às etapas
a serem observadas para que o convidado a participar de uma pesquisa possa se
manifestar, de modo autônomo, consciente, livre e esclarecido. O termo deve ser
utilizado em todas as pesquisas que pesquisam seres humanos.
O TCLE deve ser elaborado pelo pesquisador/a responsável em linguagem
acessível à compreensão do participante da pesquisa.
Link: https://www.uniara.com.br/comite-de-etica/termosobrigatorios/termo-de-
consentimento-livre-e-esclarecido-tcle/

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A delimitação do universo objetiva descrever que tipos pessoas ou objetos, fenômenos


etc. serão pesquisados,informando suas particularidades comuns, como sexo, faixa
etária, organização a que pertencem, local onde vivem etc. (MARCONI; LAKATOS,
2003). As amostragens podem ser: a não-probabilista e a probabilista.

5.Embasamento Teórico

Respondendo ainda à questão Como?


Tabela 45- como?
Fonte: Marconi; Lakatos,(2003).

Embasamento teórico->Nessa fase surgem os elementos de fundamentação teórica


da pesquisa e, ainda, a definição dos conceitos e categorias utilizados. Sobre a teoria
de base que o projeto de pesquisa deve ter Marconi e Lakatos afirmam

A finalidade da pesquisa científica não é apenas um relatório ou descrição


de fatos levantados empiricamente, mas o desenvolvimento de um
caráter interpretativo, no que se refere aos dados obtidos. Para tal, é
imprescindível correlacionar a pesquisa com o universo teórico, optando-
se por um modelo teórico que serve de embasamento à interpretação
do significado dos dados e fatos colhidos ou levantados. Todo projeto
de pesquisa deve conter as premissas ou pressupostos teóricos sobre
os quais o pesquisador (o coordenador e os principais elementos de sua
equipe) fundamentará sua interpretação MARCONI e LAKATOS, (2003,
p. 224).

Todo projeto de pesquisa deve conter as premissas ou pressupostos teóricos sobre


os quais o pesquisador fundamentará sua interpretação. Sabemos que o Serviço Social
barsileiro rompeu o Positivismo e o funcionalismo, pressupostos que embasam as
ideias e ideais da profissão, prática profissional e suas pesquisas.
Esse processo crítico vem se construindo há algumas décadas (1960/1970), que tem
entre outras coisas o objetivo de construir a identidade profissional e a compreensão
e o questionamento em torno da sua base científica, trouxesse o marxismo para esse
debate em torno da sua compreensão e da sua reconstrução.Assim os pressupostos
teóricos metodológicos do Serviço Social estão alicerçados na teoria de Karl Marx.
Revisão da bibliografia->O pesquisador apresentará as fontes teóricas que o
sustentam seus argumentos para a elaboração de seu tema, do problema de pesquisa
e das hipóteses levantadas etc.

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Desse modo ficará evidenciado, que a partida é do ponto de outras investigações


é reflexão sobre o tema, isso demonstra um conhecimento anterior e necessário.
Nesta fase do projeto, o pesquisador já deixará demonstra em quais teorias teorias
do conhecimento seu estudo se fundamenta.
Definição dos termos->A ciência lida com conceitos, que significam “os termos
simbólicos que sintetizam as coisas e os fenômenos perceptíveis na natureza, do
mundo psíquico do homem ou na sociedade, de forma direta ou indireta” MARCONI;
LAKATOS, (2003, p. 225 ).
As autoras argumentam que a utilização desses conceitos é para se explicar o fato
ou fenômeno que está sob investigação e assim poder descrevê-lo e comunicá-lo, de
forma não ambígua, e defini-lo com precisão científica.
Termos no Serviço Social, como a “questão social”, projeto ético político do
Serviço Social, triagem socioeconômica, PNAS, vulnerabilidade social, conjuntura,
transformações societárias, exclusão social, as dimensões do Serviço Social etc. termos
que não são exclusivos da profissão)devem ser especificados para a compreensão
de todos.
Essa observação tem muito sentido, afinal são muitas as áreas do conhecimento e
não possuem uma comunicação para esse domínio de conceitos umas das outras. A
acrescentar que a escrita deve ser clara, sem frases muito rebuscadas, dentro do rigor
científico, mas agradável e leve. Marconi e Lakatos faz uma pontuação interessante
ainda sobre os conceitos

Outro fato que deve ser levado em consideração é que os conceitos


podem ter signifIcados diferentes de acordo com o quadro de referência
ou a ciência que os emprega; por exemplo, “cultura” pode ser entendido
como conhecimento literário (popular), conjunto dos aspectos
materiais, espirituais e psicológicos que caracteriza um grupo biologia
e Antropologia) e cultivo de bactérias (Biologia). Além disso, uma mesma
palavra, por exemplo, “função”, pode ter vários significados dentro da
própria ciência que a utiliza. Dessa forma, a definição dos termos
esclarece e indica o emprego dos conceitos na pesquisa MARCONI;
LAKATOS,(2003, pp .225, 256 ).

6.Instrumento(s) de Pesquisa->Ainda indicando como a pesquisa será realizada,


devem-se anexar ao projeto os instrumentos relativos às técnicas selecionadas
para a coleta de dados. Elementos como os tópicos da entrevista, o questionário e
formulário, bem como os testes ou escalas de medida de opiniões e atitudes, mostrar

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os instrumentos de pesquisa, é uma exigência na pesquisa. Somente no caso em


que a técnica escolhida for a de observação não há essa necessidade. MARCONI e
LAKATOS, (2003 ).
Na parte dos apêndices que são elementos pós-textuais e localizam-se no final
do projeto, pode-se colar os instrumentos citados pelas autoras como exemplos os
questionários, formulários da pesquisa ou fotografias etc.
Bibliografia-> A bibliografia final, apresentada no projeto de pesquisa MARCONI e
LAKATOS, (2003, p.227). abrange os livros, artigos, publicações e documentos utilizados,
nas diferentes fases:
• metodologia da pesquisa;
• instrumental teórico;
• revisão da bibliografia.

ISTO ESTÁ NA REDE

Site: https://www.youtube.com/watch?v=0qY-eNHbKpI
Descrição: o vídeo fala sobre o projeto de pesquisa e suas etapas e seu
desenvolvimento.

Finalizamos essa disciplina afirmando que a produção do conhecimento no Serviço


Social necessita avançar muito ainda, mas já temos muitas conquistas nesse campo.
A produção de conhecimento nessa área se constituiu como um registro da profissão
para os futuros profissionais e pesquisadores que são vocês, e irão contribuir com
os próximos.
Além de proporcionar elementos para a construção de bases que dão sustentação
teórica metodológica à prática profissional, e subsidiar na construção de novas
produções investigativas. Produções respaldadas no projeto ético político da profissão.
E ainda afirmar que as pesquisas em Serviço Social contribuem também com
outras áreas do conhecimento como já sabemos e também com a reflexão crítica
para propostas do currículo da profissão e fundamentos teóricos metodológicos e
alimenta a profissão. Bons estudos!!!

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CONCLUSÃO

A construção do conhecimento , sua evolução, no caminhar histórico da humanidade,


por alguns séculos pode ter sido em ritmo lento. Nas últimas décadas, o progresso
científico e a tecnologia aceleraram essa construção.A curiosidade, desde a antiguidade
instigou a ponto de chegarmos à ciência e à pesquisa, e à construção das áreas do
conhecimento como o Serviço Social.
As necessidades de buscas de compreensão da cultura, do contexto planetário e
mundial ou local, nos conhecermos mais e desenvolvermos respostas às demandas
da nossa existência e da nossa realidade profissional. A elaboração de teorias, para
ajudar as diversas áreas que atendem a sociedade,mesmo separados, somos um só
organismo e os diálogos coletivos com outras áreas devem ser feitos.O Serviço Social
tem se movimentado nessa direção também nas práticas e nas pesquisas.
A construção do conhecimento com diferentes áreas é um desafio, a pandemia do
Covid-19, explicitou isso,várias áreas de pesquisas salvem vidas, e assim, todas as áreas
do conhecimento com o seu repertório e se juntaram na formação de uma sinfonia
na investigação e trabalho pela cura. O Serviço Social também. Historicamente tem
contribuído em diferentes contextos. Esses momentos não podem ficar apagados da
história profissional, registro que pode ficar muito mais evidente a partir das pesquisas.
Na temática movimentos sociais, o Serviço Social se fez presente, colaborando ,mas
pouquíssimas pesquisas e estudos existem, houve pouca pesquisa com o Serviço
Social.
O incentivo à pesquisa devia vir na educação básica, de modo peculiar a
compreensão das crianças fosse gradativamente se ampliando, e não somente a
partir da graduação, e especialmente da pós-graduação. Mas o ensino e a pesquisa no
Serviço Social brasileiro, como todas, independente de um método, técnicas, propósito,
atitude crítica para a descobertas etc. Clama por maior incentivo dos grandes órgãos
que ditam as leis e limitam as bases da educação de modo geral, o orçamento para o
ensino e a pesquisa deve aumentar e ser bem distribuído. O ensino e a pesquisa não
dizem respeito somente às instituições e docentes. Há contexto político, econômico e
cultural, curricular etc. incentivo a igualdade para a evolução social sem meritocracia
para o desenvolvimento social de modo geral. Conforme o projeto da profissão.

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Para esse avanço há muitos tipos de pesquisas quanto a sua classificação que
se conectam com diversas realidades de acordo com as leituras e análises teóricas.
Nas ciências sociais e humanas, e Serviço Social utiliza a pesquisa qualitativa que é
uma investigação científica,com proposta menos rígida na sua estrutura, e permite
que a imaginação e a criatividade levem os investigadores a propor trabalhos que
explorem novos enfoques.
O enfoque se relaciona com a realidade profissional; empírico , com as correntes
filosóficas que são o alicerce das investigações como; o positivismo, o marxismo,
a fenomenologia etc. suas e influências na sociedade tem a ver também com as
tentativas destes mencionados pressupostos de formar uma nova sociedade, uma nova
ordem um novo modelo de homem. Influenciam os contextos históricos, a cultura,
os saberes e as pesquisas dentro de determinados contextos históricos, e se tornam
paradigmas.O Serviço Social tem na sua base os seus objetivos e princípios o marxismo.
Grande parte das suas teorias estão embasadas nessa corrente filosófica, nas suas
categorias para a compreensão da materialidade da vida real e seus desdobramentos
na prática profissional e pesquisas.
As dimensões técnico- operativa na profissão teórico-metodológica, técnico-
operativa e ético- política, possibilitam ao profissional colocar-se e refletir, criticar e
agir na tomada de decisões em sua condução profissional,com a classe trabalhadora,
os projetos societários, com a questão política. A dimensão técnico-operativa na
mediação com instrumentos de trabalho,visando o acesso aos direitos dos usuários
que podem ser; entrevista, palestra, reunião, atividade socioeducativa,palestra, estudo
social, relatório social etc. Sua aplicabilidade articula as demais dimensões. Deve-
se estudar e pesquisar essas dimensões do Serviço Social e outros elementos de
diferentes áreas sempre estiveram e estão enriquecendo a prática profissional e as
pesquisas na profissão.
A Estatística os indicadores socioeconômicos, são elementos que possuem
lugares definidos dentro da PNA/SUAS, com muitas finalidades desde planejamento,
levantamento de dados, conhecer realidades e levantar conclusões sobre a população
usuária, e esses dois elementos, são pesquisas e envolvem a pesquisa e as ações
no Serviço Social. Os dados e indicadores podem ser utilizados nas pesquisas do
Serviço Social e no embasamento de ações profissionais e gerar outras pesquisas.
E a produção de pesquisas envolve técnicas, métodos e metodologia. E leituras e
muito estudo no que se deseja pesquisar.

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A pesquisa pede planejamento; o projeto de pesquisa no Serviço Social e nas


demais áreas envolve a escolha do tema, dos objetivos, da metodologia, coleta dos
dados, a análise e sua interpretação etc. e corresponde responder às questões: o quê?
( que assunto pesquisar) por quê? (por determinado tema e não outro) para quê e para
quem?(qual a finalidade da pesquisa que público vou beneficiar, que respostas vou
dar?) onde?( qual será o contexto da pesquisa?) como, ( que tipo de pesquisa) com
quê,( quais instrumentos e técnicas utilizar?) quanto e quando?( recursos financeiros
e quanto tempo eu tenho para concluir?) Entre outras questões. A curiosidade é um
primeiro passo e diz respeito à relação com a escolha do pesquisador, o momento
histórico influencia também, por exemplo, o Serviço Social no contexto do Covid -19,
o pesquisador se propõe a compreender ou contribuir, escolhendo um determinado
recorte para contribuir com uma localidade, sua área de conhecimento e a ciência.

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ELEMENTOS COMPLEMENTARES

LIVRO

Título:Fundamentos da Metodologia Científica


Autoras: Eva Maria Lakatos e Marina de Andrade
Marconi
Editora: Atlas
Sinopse: O livro aborda sobre a Metodologia Científica
e Métodos e Técnicas de Pesquisa, aponta os
procedimentos didáticos, elementos do conhecimento
científico, técnicas de pesquisa, e particularidades
metodológicas dos trabalhos escolares e científicos.

Autor: Friedrich Hegel ;Jürgen-Eckardt Pleines.


Tradução:Sílvio Rosa Filho
Editora: Massangana, 2010.
Link: http://www.dominiopublico.gov.br/download/
texto/me4671.pdf
Descrição: O livro fala sobre a sociedade, a civilização
de acordo com a ética e espiritual da arte e da ciência.
Fala sobre o espírito de indivíduo, povo e humanidade.
E junto com isso a educação para fazer do homem
um ser independente, para explicar as idades da vida
em geral, as idades da vida. Menciona as forças do
hábito, e a autoconsciência, a dominação e servidão,
espírito prático, direito, moralidade, deveres individuais
e coletivos.

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Título: O Brasil Sem Miséria


Autores: Organizadores: Tereza Campello, Tiago
Falcão e Patricia Vieira da Costa
Link:https://www.mds.gov.br/webarquivos/
publicacao/brasil_sem_miseria/livro_o_brasil_
sem_miseria/livro_obrasilsemmiseria.pdf
Descrição:O livro traz artigos sobre a estratégia
de superação da extrema pobreza do Plano
Brasil sem Miséria (BSM), junto com a Política
de Assistência Social; tendo a busca ativa e o
Cadastro Único; transparência e participação
social. Entre outros e isso se dá dentro de uma
grande pesquisa nacional.

Título: Indicadores para diagnósticos e


acompanhamento do SUAS e do BSM
Descrição: A obra traz conceitos de pobreza,
suas diferentes definições, a cita de proteção
social brasileiro e as ações desenvolvidas para
combater a pobreza, como o Plano Brasil sem
Miséria e aborda sobre os indicadores sociais
e sua utilização na PNAS.
Link:http://aplicacoes.mds.gov.br/sagirmps/
ferramentas/docs/curso_de_indicadores.pdf

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Título: Como elaborar projetos de pesquisa


Autor: Antonio Carlos Gil
Editora: Atlas
Descrição: O livro trata da elaboração de projetos de
pesquisa. Aponta aspectos teóricos que envolvem
o processo de criativo da pesquisa científica, é a
natureza prática da mesma. O livro é direcionado
para todas as áreas do conhecimento, estará apto
a elaborar projetos de pesquisa de acordo com os
princípios da Metodologia Científica.
Link:https://files.cercomp.ufg.br/weby/up/150/o/
Anexo_C1_como_elaborar_projeto_de_pesquisa_-_
antonio_carlos_gil.pdf

ARTIGO CIENTÍFICO:

Título: Histórico do método científico


Autor: CERVO A L BERVIAN P. A
Link: https://aedmoodle.ufpa.br/pluginfile.php?file=%2F177321%2Fmod_
resource%2Fcontent%2F1%2F3.%20Metodologia%20Cientifica.pdf
Descrição: O artigo descreve sobre o método científico e sua aplicação experimental
e aperfeiçoamento e rigor e a sua utilização em diferentes setores. Aliado ao
desenvolvimento da química e da biologia e seu avanço no século XVIII, constituindo
um conhecimento da estrutura e das funções dos organismos vivos. E vai trazendo os
séculos seguintes quanto às mudanças gerais nas atividades intelectuais e industriais.

Aula: Ciência, Conhecimento Científico, Métodos Científicos, Pesquisa


Autor: professor Clóvis Antônio Petry
Descrição: O material faz um apanhado dos conceitos de ciência, conhecimento,
método científico e pesquisa. Apresenta ilustrações, apresenta um tipo de escrita
leve e envolvente de fácil entendimento.
Link: https://professorpetry.com.br/Ensino/Repositorio/Docencia_CEFET/Metodologia_
Estudos_Pesquisa/2013_2/Apresentacao_Aula_01.pdf
Artigo científico

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Título: Tipos de Metodologias Adotadas nas Dissertações do Programa de Pós-


Graduação em Administração Universitária da Universidade Federal de Santa Catarina
no Período de 2012 a 2014.
Autores: Geovana Fritzen Kincheski, Tania Regina Tavares Fernandes
Descrição: O artigo analisa os tipos de metodologias adotadas nas dissertações do
Programa de Pós-Graduação em Administração Universitária da Universidade Federal
de Santa Catarina. Mostra o encaminhamento da revisão teórica sobre as principais
ideias e conceitos e procedimentos metodológicos para essa finalidade.
Link:https://repositorio.ufsc.br/bitstream/handle/123456789/136196/102_00127.
pdf?sequence=1

TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO

Título: A Instrumentalidade em Serviço Social: A Visita Domiciliar como Viabilizadora


de Acesso a Direitos
Autora:Glaciana Sebastiana Alves Amâncio Freitas
Descrição: O estudo trata da instrumentalidade no Serviço Social principalmente a
visita domiciliar a técnica operativa e que é considerada uma ferramenta que promove
a aproximação e conhecimento dos usuários que chegam cotidianamente na prática
do Assistente Social.
Link:http://pensaracademico.facig.edu.br/index.php/repositoriotcc/article/view/611

ARTIGO CIENTÍFICO:

Título: estudos quantitativos e educação


Ator: Bernadete Gatti
Descrição: O artigo educação, trata de uma pesquisa quantitativa que conceitua a
pesquisa quantitativa, e faz o levantamento da educação no Brasil, por um período
de tempo Reflete e problematiza também sobre a exclusão na educação.
Link:https://www.scielo.br/j/ep/a/XBpXkMkBSsbBCrCLWjzyWyB/abstract/?lang=pt

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POWERPOINT/AULA

Título: etapas de uma pesquisa


Link:https://docs.ufpr.br/~soniaisoldi/ce220/Etapas.pdf
Descrição:Esse material contém uma aula com algumas etapas da pesquisa científica,
desde o seu planejamento.

ARTIGO CIENTÍFICO

Título: A Filosofia e a Ciência Aproximações e Distanciamentos


Autor:Onorato Jonas Fagherazzi
Link:http://xanpedsul.faed.udesc.br/arq_pdf/439-0.pdf
Descrição: O artigo aborda a história e a filosofia das ciências e questiona a relação
que elas possuem é a necessidade da interação entre elas.

TEXTO

Autor: José Paulo Netto


Link:https://www.gepec.ufscar.br/publicacoes/livros-e-colecoes/livros-diversos/
introducao-aos-estudos-do-metodo-de-marx-j-p-netto.pdf
Descrição: Neste texto o autor traz alguns elementos da teoria social de Marx, abordar
especialmente sobre o metodo em Marx e sue objetivo do conhecimento concreto
sobre a sociedade burguesa e sua correlação com a produção da riqueza.

VÍDEOS

Título: O que é o Positivismo de Augusto Comte


Link: https://www.youtube.com/watch?v=wvkslsfuY4c
Descrição: Aula sobre o Positivismo, sua origem e algumas características e influências
na sua vigência e nos dias atuais.

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Título: O que é pesquisa qualitativa// na prática


Link: https://www.youtube.com/watch?v=TxlJ33Otovo
Descrição: O vídeo conceitua a pesquisa qualitativa, define exemplos na prática com a
pesquisa qualitativa, coletas de dados desse tipo de pesquisa. E dar alguns exemplos
de formas de análises de dados.

Título: Tipos de conhecimentos


Link: https://www.youtube.com/watch?v=n7uunPOlvLM
Descrição: Trabalho do curso de jornalismo da UniFOA sobre alguns tipos de
conhecimento, uns citados no livro e outros não, a linguagem e o enfoque aproximativo,
são praticamente os mesmo de qualquer área do conhecimento.

Título: Pesquisa qualitativa e quantitativa


Link: https://www.youtube.com/watch?v=n-yJFUVIS60
Descrição: O vídeo conceitua a pesquisa qualitativa, e pesquisa quantitativa e aponta
as características,diferenças e objetivos das duas modalidades de pesquisa.

Título: etapas da pesquisa científica


Descrição: o vídeo trata de 7 fases da pesquisa científica com comentários sobre
cada uma delas.
Link:https://www.youtube.com/watch?v=OnywbLpWm2E

Documentário: “ A última religião” (Documentário sobre o Positivismo no Brasil).


Realização: Hugo Pinto
Link: https://www.youtube.com/watch?v=aHpG-cr1eMg&t=77s
Descrição: Mostra alguns valores humanistas, científicos e republicanos de veio
iluminista cultivados pelo Positivismo. São narrativas dos ex- membros da igreja
positivista no Rio Grande do Sul e no Rio de Janeiro, locais que
tiveram essas igrejas.

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Realização: Café filosófico


Link:https://www.youtube.com/watch?v=5sCBjUvwZGA
Descrição: a aula fala sobre a fenomenologia de Edmund Husserl, pelo professor
Franklin Leopoldo e Silva sobre o conceito, principais ideias e elementos, a importância
dessa tendência filosófica e a valorização que ela deu ao pensamento e a tentativa
do seu fundador reconstruir a filosofia entre outros.

Vídeo: Conceito de método e técnica de pesquisa


Descrição: O vídeo fala sobre a diferença entre método e a técnica de pesquisa. Fala
ainda sobre alguns tipos de pesquisas com relação ao método e com relação à técnica.
Link:https://www.youtube.com/watch?v=1GTb6u6OwvY

Título: Como fazer um projeto de pesquisa para TCC, mestrado e doutorado


Link:https://www.youtube.com/watch?v=0qY-eNHbKpI
Descrição: O vídeo mostra sobre a construção e etapas do projeto de pesquisa, seja
TCC, mestrado ou doutorado.

FILME

Título: O jovem Karl Marx


Ano: 2017
Sinopse: narra a história de Karl Marx e sua trajetória
de vida desde Paris de 1844, o trabalho com Friedrich
Engels que contribuiu com Marx para ampliar a sua
compreensão de mundo. Fala da a censura, e da
perseguição e a liderança e estudos de Karl Marx
sobre a renovação dos ideais do movimento operário
da era moderna.
Link: h t t p s : // w w w . y o u t u b e . c o m /
watch?v=2M5vo2n6G7Y&t=260s

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WEB

LEIS, SITES

Lei: nº 9.349/1996
Descrição: A Lei aborda as definições e diferenciações entre as nomenclaturas dos
cursos; lato sensu e stricto sensu- mestrado e doutorado, os critérios para essa
participação e documentação exigida etc. de acordo com o com o Ministério da
Educação. As resoluções Resolução CNE/ nº 1/2001, alterada pela Resolução CNE/
CES nº 24/2002 e Resolução CNE/ nº 1, de 8 de junho de 2007. Reforçam colaboram
com esse entendimento.
Links:http://portal.mec.gov.br/pos-graduacao/pos-lato-sensu e http://portal.mec.gov.
br/pos-graduacao/pos-graduacao
A Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço Social (ABEPSS)
Descrição: A ABEPSS é uma instituição, nasceu em 1946 e que marca a história do
Serviço Social brasileiro, em sua articulação entre o Serviço Social e a pesquisa. A
ABEPSS tem autoridade para interferir no currículo do Serviço Social e formação social
no âmbito da graduação e pós-graduação, entre outros.
Link: https://www.abepss.org.br/quem-somos-1

PIB
O site explica o que é o PIB, produto interno bruto, a soma de tudo que é produzido em
um espaço de tempo, mês/ trimestre/ ano, mas não é O PIB não é o total da riqueza
existente em um país.
Link: https://www.ibge.gov.br/explica/pib.php.

ÍNDICE DE GINI
Fala sobre o índice Gini é um elemento que mede o grau da concentração de renda
em um grupo específico, e mensura a distribuição de renda em especial entre os
ricos e os pobres.

L i n k : h t t p s : // w w w . i p e a . g o v . b r / d e s a f i o s / i n d e x . p h p ? o p t i o n = c o m _
content&id=2048:catid=28

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PNAD
PNAD-Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios
Descrição: Fala sobre o acompanhamento e a mensuração do crescimento de médio e
longo prazo da força de trabalho e outros elementos que envolvem o desenvolvimento
socioeconômico do país. Através de temas: trabalho, cuidado de pessoas, afazeres
domésticos, tecnologias etc.
Link:https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/trabalho/9173-pesquisa-nacional-
por-amostra-de-domicilios-continua-trimestral.html?=&t=o-que-e
Resolução
Resolução nº 196 de 10 de outubro de 1996, do Conselho Nacional de Saúde que
define sobre a pesquisa com seres humanos e a justificação para o uso de placebo,
para tal define sobre o Termo de Livre Consentimento e dar outras definições nesse
sentido.
Link:https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/cns/1996/res0196_10_10_1996.html

A Lei nº 8662/93 de 7 de junho de 1993,


A Lei nº 8662/93 determina que o Assistente Social deve realizar pesquisa como um
elemento constitutivo do seu trabalho profissional, competente e de qualidade.
Link: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8662.htm

Lei

Lei nº 12.527 de 18 de novembro de 2011. É um dispositivo jurídico sobre a


regulamentação do direito da sociedade civil de informações referente aos atos
praticados pela administração pública. O direito da não modificação das informações,
sua manipulação indevida e o trânsito e destino das mesmas.

Link:http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2011/lei/l12527.htm

Site acadêmico
Link:https://viacarreira.com/regras-da-abnt-para-tcc-conheca-principais-normas/
Descrição: O site mostra as normas da ABNT atualizadas para as diversas elaborações
de trabalho como as regras de formatação e demais elementos que compõem a
estrutura do TCC.

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Site:
Descrição: O site apresenta uma lista de verbos para os objetivos gerais e os objetivos
específicos que auxiliam na construção de planejamento e plano de ensino e na pesquisa
científica.
Link:http://www.uel.br/graduacao/odontologia/portal/pages/arquivos/NDE/VERBOS.
pdf

Site
Site:https://blog.mettzer.com/projeto-de-pesquisa/
Descrição: O site apresenta um editor de texto especializado em textos acadêmicos
e com ferramentas para facilitar o projeto de pesquisa por nome de Mettzer.

Site

Site do comitê de ética da Universidade de Araraquara


Assunto: Termo de Consentimento Livre e Esclarecido(TCLE)
Descrição: Fala sobre TCLE,que é aplicado em todas as pesquisas utilizadas com
seres humanos, fala sobre a sua importância, etapas e algumas características etc.

Link:https://www.uniara.com.br/comite-de-etica/termosobrigatorios/termo-de-
consentimento-livre-e-esclarecido-tcle/

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