Texto de apoio- Como Elaborar Contratos Módulo 1 – Estrutura Contratual 1.1 - Introdução 1.2 - O que é um contrato 1.

3 - Capacidade das partes contratantes 1.4 - Objetivo do Contrato 1.5 - Forma Contratual 1.6 - Resumo Módulo 2 – Formação dos Contratos 2.1 - Proposta 2.2 - Aceitação 2.3 - Descrição dos direitos e obrigações 2.4 - Contrato preliminar 2.5 - Dicas 2.6 - Resumo Módulo 3 – Principais espécies contratuais 3.1 – Compra e Venda 3.2 – Prestação de serviço 3.3 – Empreitada 3.4 - Transporte 3.5 – Locação 3.6 - Resumo Módulo 4 – Extinção do Contrato 4.1 - Distrato 4.2 – Cláusula Resolutiva 4.3 - Onerosidade Excessiva 4.4 - Dicas 4.5 - Resumo

A legislação brasileira estabelece como pessoas capazes para praticar os chamados atos da vida civil. portanto. é também intenção deste treinamento servir de reciclagem para profissionais da área jurídica que necessitem revisar os conhecimentos básicos sobre a elaboração de contratos e atualizar-se sobre principiais questionamentos na sua elaboração. são considerados capazes para celebrar contratos. ou seja. que tenham pouca complexidade. com enfoque prático para que pessoas sem formação jurídica aprendam a elaborar contratos simples. • A pessoa menor de dezoito anos que exerce emprego público efetivo e/ou cola grau em curso de ensino superior torna-se emancipado e também está apto a praticar os atos da vida civil e. deve ser elaborado e firmado por um tabelião que o mantém registrado em seu cartório. Essa é a regra geral que. os excepcionais sem desenvolvimento completo. viciados em tóxicos que não tenham discernimento. A Lei estabelece três requisitos necessários para que um contrato seja válido. objeto lícito. portanto. pródigos (toda pessoa que gasta mais do que o necessário. Exceções 1) Menores de 18 anos com plena capacidade para celebração de contratos. e-mail. O mesmo acontece com quem é proprietário de estabelecimento civil ou comercial e é menor de dezoito anos. será explicado cada um deles mais detalhadamente. fax. tornam-se emancipados e ficam aptos a praticar os atos da vida civil. • homem e a mulher menores de dezoito anos que se casam. Assim. Por outro lado. um cego-surdo-mudo). • • • • • • seus bens). dilapidando . o objetivo deste curso é dar noções gerais sobre os principais aspectos do contrato. de forma que hoje pode-se celebrar contratos através de telefone. A seguir. 2) Maiores de 18 anos que não são plenamente capazes. comporta exceções. que são: capacidade das partes. pode-se dizer que é o encontro de vontade de duas ou mais pessoas que têm o objetivo de estabelecerem direitos e obrigações entre si. e. os maiores de 18 anos. Nesse contexto. O termo de emancipação deve ser lavrado em instrumento público. no entanto. As ofertas feitas na televisão e na internet apresentam produtos e serviços que podem ser adquiridos através de um simples telefonema ou envio de e-mail. A evolução dos meios de comunicação imprimiu uma praticidade à celebração de contratos. Voltando à definição de contrato. os deficientes mentais que não tenham capacidade de discernimento. Através de um contrato uma pessoa se obriga perante outra a entregar determinado bem mediante uma contraprestação.Módulo 1 O contrato é um instrumento de circulação de riquezas. é considerado capaz de celebrar contratos. forma prevista ou não proibida por lei. os que não puderem exprimir sua vontade (Ex. toda pessoa maior de 18 anos preenche o primeiro requisito para elaboração de um contrato. como celebrar contratos. Emancipação é o ato pelo qual as pessoas menores de 18 anos tornam-se aptas a praticar os atos da vida civil. os alcoólatras habituais. As pessoas se utilizam do contrato para estabelecer relações de direitos e obrigações entre si. • Os jovens de dezesseis anos completos podem se tornar capazes para a prática dos atos civis através da concessão da emancipação pelos seus pais.

pode-se entender o objeto contratual como tudo aquilo que as partes estabeleceram ao celebrar o contrato. ou seja. por exemplo. adquirir a especificação exigida pela lei. na forma de seu estatuto ou contrato social.000. O objeto contratual também deve ser lícito. seria nulo o contrato que tivesse como objeto a construção de uma casa na Lua.00”. No entanto. Já mencionamos que o contrato é o encontro de vontade de duas ou mais pessoas. o COMPRADOR pagará a quantia de R$15. Vale salientar ainda que a lei permite que as pessoas enquadradas nas exceções acima possam celebrar contrato desde que assistidas ou representadas por seus representantes legais. A forma pode ser livre ou geral. Assim ficará mais concreto e você entenderá melhor como deve ser o objeto do contrato. também é aceito pelo nosso Direito. ou seja. A determinação do objeto contratual se dá pelo detalhamento do seu gênero. não podendo contrariar a lei e os bons costumes. a exteriorização. modelo. A expressão “objeto do contrato” pode ter dois significados. desde que devidamente representadas por seus procuradores. sem determinar adequadamente o objeto da aquisição. É impossível obrigar alguém a pagar alguma coisa ou executar alguma atividade de maneira indeterminada. onde o objeto é determinável. pode ocorrer do objeto contratual não ser determinado de maneira completa no momento da celebração. permite a exteriorização do conteúdo do contrato por qualquer modo. quando se adquire antecipadamente a safra de um produtor agrícola de laranja. para dar validade ao contrato. por exemplo. placa. etc. • • • O objeto deve ser possível no sentido de que a obrigação contida no contrato deve ser suscetível de ser cumprida. Não seria válido um contrato que tivesse por objeto o contrabando de armas. a despeito de seu objeto ser indeterminado no momento da celebração. “um veículo qualquer”. durante seu curso. Explicaremos o que exatamente isso significa. É o caso. antes de elaborar um contrato é necessário verificar se as partes são maiores de 18 anos e se não se enquadram em umas dessas hipóteses. chassi. protegendo também a boa-fé de terceiros. são capazes para celebrar contratos. pois o cumprimento dessa obrigação é materialmente impossível. A forma também pode ser especial ou solene . e então explicaremos o motivo. ano. é de se destacar que as pessoas jurídicas.Assim. é determinável em um momento seguinte. • Ocorre que. de sua marca. Esse segundo significado é o que nos interessa para conhecer a estrutura dos contratos. Em segundo lugar. essa vontade deve ser exteriorizada de alguma forma. ou uma pessoa que compra um sanduíche numa lanchonete celebra oralmente um contrato de compra e venda. Em primeiro lugar. celebrou de forma oral um contrato de transporte. O contrato nesses moldes. Exemplo: não se pode estabelecer em um contrato de compra e venda em que o comprador pague ao vendedor uma quantia determinada. como por exemplo oralmente. pois. seria necessário descrever detalhadamente o veículo a ser adquirido. pois. espécie e quantidade. também se pode entender o seu objeto como o bem sobre o qual versará o contrato. deve atender a um conjunto de exigências . e. Para validade da redação que mencionei anteriormente. como sociedades e associações. com a menção.que exige um ritual ou uma formalidade. Nesse caso. o objeto do contrato deve ser possível. pois o bem a ser adquirido. Imagine a seguinte redação em um contrato: “pela aquisição de um veículo qualquer. este contrato não pode ser válido. de modo a revelar o conteúdo do contrato. é indeterminado. o conjunto de todos os direitos e obrigações das partes contratantes. Por fim. pelo fato de contrariar a norma jurídica de ordem pública e a moralidade pública. lícito e determinado ou determinável. A forma contratual tem como objetivo principal tornar certa e induvidosa a manifestação de vontade das partes. O comprador não sabe exatamente a quantidade de laranja que irá receber no momento da celebração do contrato. Você verá exemplos de situações em que o objeto do contrato não é válido. Ora. o contrato é válido. muitas vezes. Não é válido o contrato que possui objeto indeterminado. mas essa quantidade torna-se facilmente determinável no momento da colheita e do pagamento fixado. Assim. nesse sentido. como uma pessoa que faz uma viagem de metrô. ou seja.

Um exemplo é um contrato de compra e venda de um imóvel. Em regra. a lei não exige forma específica para a celebração de contratos. o direito à renovação forçada do contrato de locação não residencial para o inquilino que tiver contrato escrito. por exemplo. a escritura pública (contrato de compra e venda de bem imóvel celebrado pelas partes perante um tabelião de notas) é essencial no contrato. Em algumas situações. permitindo as partes optarem pela forma escrita ou verbal (princípio da liberdade da forma). como no exemplo da compra e venda do imóvel que demos no parágrafo anterior. a lei confere direitos mais amplos aos contratantes que obedeceram a determinada forma. Numa outra situação. ele deve necessariamente ser escrito e firmado por um tabelião de notas que o deixará registrado em seu cartório. sendo que sua ausência conduz a sua nulidade. a lei impõe determinada forma para exteriorização do conteúdo contratual. . em alguns casos.que são estabelecidas em lei. sob pena de nulidade do contrato. como. Contudo.

às quais estará vinculado. Pode revogar-se a oferta pela mesma via de sua divulgação. se o contrário não resultar dos termos dela. A proposta de contrato obriga o proponente. nos casos de ofertas feitas aos consumidores de um modo geral através de anúncios. a proposta também pode ser apresentada ao público em geral. da natureza do negócio. A oferta ao público equivale a proposta quando encerra os requisitos essenciais ao contrato. os elementos essenciais do contrato para permitir ao terceiro interessado uma análise apurada que lhe permita formar o seu convencimento sobre a oportunidade de negócio que lhe está sendo apresentada. vitrines. e a mesma se traduz através da proposta e da aceitação. por exemplo. A proposta pode ter endereço certo. A proposta do contrato.078/90) exige de forma expressa que o fornecedor (proponente) apresente de forma clara e adequada informações sobre os produtos ou serviços ofertados. o Código de Defesa do Consumidor (Lei n. Ela deve ser clara e objetiva e deve conter. Nesse sentido. A proposta é a declaração unilateral de vontade do proponente através da qual apresenta a outrem (aceitante) a oferta de um negócio. ela pode ser apresentada especificamente à determinada pessoa. catálogos. 8. definindo como direito básico do consumidor o acesso a essas informações. obriga o proponente. Dessa forma. Parágrafo único. Ou seja. É muito comum.Módulo 2 É preciso ter em mente que o contrato é o encontro de vontade de duas ou mais pessoas que têm o objetivo de estabelecerem direitos e obrigações entre si. em princípio. o proponente só ficará liberado de honrar esse compromisso sem se sujeitar ao pagamento de indenização por perdas e danos nas hipóteses abaixo: Hipóteses que liberam do compromisso da proposta: • • • Se houver disposição em contrário na proposta. físicas ou jurídicas. CC art. Veja abaixo o que a legislação fala a respeito do que acabamos de ver: CC art. 427. na prática. Veja abaixo o que a legislação fala a respeito do assunto que acabamos de ver: . decurso do prazo estipulado na proposta. ou das circunstâncias do caso. desde que ressalvada esta faculdade na oferta realizada. uma vez apresentada a oferta de um negócio com a definição das bases para a sua contratação a um terceiro. etc. É o que se verifica. as características e as quantidades apresentadas na oferta. em caso de verificada a negativa do aceitante. a manifestação de vontade das partes é pressuposto essencial para a formação de uma relação contratual. a princípio. ou grupo de pessoas. o fornecedor é obrigado a garantir o preço. salvo se o contrário resultar das circunstâncias ou dos usos. o proponente consignar em sua proposta que a oferta apresentada se configura como uma mera liberalidade e que a qualquer momento poderá ter o seu conteúdo modificado ou revogado. É importante ressaltar que no caso de proposta apresentada ao público. ou seja. No entanto. 429.

no qual consta o preço do refrigerante. CDC art. A proposta pode se dar entre presentes e ausentes. Se decorrido mais de 30 dias (que é um prazo razoável). ou simultaneamente. . bem como sobre os riscos que apresentem. ou outra forma de correspondência (carta. Já a proposta entre ausentes é aquela que é apresentada pelo proponente ao aceitante. características. A proposta entre presentes é aquela que é apresentada diretamente pelo proponente ao aceitante. enquanto que o intermediário ou mensageiro não age em nome do proponente.CDC art. claras. composição. garantia. 31. Vamos ver algumas situações: Caso a proposta seja feita sem prazo à pessoa presente e não for imediatamente aceita. É importante esclarecer que o representante é o sujeito que age em nome do proponente mediante procuração que lhe é outorgada por este. o mesmo refrigerante pelo mesmo preço. CDC art. veiculada por qualquer forma ou meio de comunicação com relação a produtos e serviços oferecidos ou apresentados. preço. ostensivas e em língua portuguesa sobre suas características. entre outros dados. Ele apenas serve de meio para fazer com que a proposta chegue ao seu destinatário (aceitante). esta deixa de ser obrigatória. o que é muito comum nos contratos menos complexos que não requerem muitas negociações. através de intermediário. essa oferta só será válida até esse prazo. Toda informação ou publicidade. a pessoa ausente não tiver manifestado se sobre a proposta feita pelo revendedor. é de se destacar que a mesma deixa de ser obrigatória em algumas situações. composição. precisas. A proposta realizada por telefone ou meio assemelhado é considerada entre presentes. A oferta e apresentação de produtos ou serviços devem assegurar informações corretas. documentos). sem prazo de validade. Por exemplo. em determinado dia a lanchonete faz uma oferta ao consumidor através do seu cardápio. não podendo o vendedor ser obrigado a honrar a sua proposta num prazo superior a este tempo. Exemplo: um revendedor de eletrodomésticos encaminhou para a casa de uma pessoa que estava ausente uma proposta de venda de um fogão novo. 6. Se o consumidor não aceita a oferta naquele momento ele não poderá exigir que a lanchonete lhe venda. no caso em que uma pessoa recebe em casa um catálogo de produtos com as suas características. e uma dessas condições é a expedição da aceitação até um determinado prazo. preços e condições de pagamento. Procedendo-se a análise dos efeitos de uma proposta realizada entre presentes e ausentes. qualidades. obriga o fornecedor que a fizer veicular ou dela se utilizar e integra o contrato que vier a ser celebrado. Outro caso ocorre quando a proposta é feita sem prazo à pessoa ausente e tiver decorrido tempo suficiente para chegar a resposta ao conhecimento do proponente. ou através dos seus representantes devidamente constituídos através de procuração. prazos de validade e origem. Um exemplo é a compra e venda de um refrigerante numa lanchonete. Nesse caso. bem como sobre os riscos que apresentam à saúde e segurança dos consumidores. São direitos básicos do consumidor: III – a informação adequada e clara sobre os diferentes produtos e serviços. chegar ao conhecimento do aceitante a retratação do proponente. suficientemente precisa. 30. antes da proposta. Ou se. mensageiro. com especificação correta de quantidade. qualidade e preço. quantidade. Se a proposta for feita à pessoa ausente e não tiver sido expedida a resposta dentro do prazo dado. em outro dia.

IV . III – se ela não chegar no prazo convencionado.Exemplo: uma agência de viagens faz uma proposta de venda de um pacote turístico de 8 noites para Aruba por R$ 1 real a um cliente qualquer. salvo algumas exceções legais. Os contratos entre ausentes tornam-se perfeitos desde que a aceitação é expedida. Veja um exemplo: O caso de um leiteiro que entrega diariamente uma quantidade de leite encomendada pelo cliente e o mesmo a aceita costumeiramente. 432. Agora veja o que a legislação fala a respeito disso: CC art. II – se o proponente se houver comprometido a esperar resposta. consideram-se perfeitos a partir do momento que é expedida a aceitação. mas antes mesmo deste consumidor receber esta proposta ou. chegar ao conhecimento da outra parte a retratação do proponente. II . A aceitação é o ato unilateral de vontade do aceitante através do qual o mesmo exprime a sua concordância com a proposta que lhe foi apresentada pelo proponente. restrições. não tiver sido expedida a resposta dentro do prazo dado. Deixa de ser obrigatória a proposta: I . com adições. Se o aceitante realmente aceitar a proposta.se. Considera-se também presente a pessoa que contrata por telefone ou por meio de comunicação semelhante. III . não foi imediatamente aceita. sem nenhuma manifestação expressa. . Após o recebimento da proposta. A partir do momento em que a aceitação chega ao conhecimento do proponente a relação contratual está formada. importará nova proposta.se. Veja o que a legislação fala a respeito desse assunto: CC art. feita sem prazo a pessoa ausente. A aceitação fora do prazo. Agora veja o que a legislação fala a respeito do que acabamos de ver na segunda opção do aceitante. Ela só ocorrerá nos casos em que o proponente dispense a aceitação expressa ou quando esta não seja de costume. simultaneamente ao recebimento desta. pela aceitação o aceitante integra a sua vontade na do proponente. feita sem prazo a pessoa presente. a relação contratual se formará. ou simultaneamente. 434. aceitá-la. A aceitação por presunção é aquela que se verifica desde que não chegue a tempo a recusa do aceitante. como vimos em sua terceira opção. tiver decorrido tempo suficiente para chegar a resposta ao conhecimento do proponente. exceto: I – no caso do artigo antecedente. Veja o que a legislação fala a respeito do que acabamos de ver: CC art. ou seja. impor algumas condições para aceitá-la. a referida agência percebe o equívoco do preço e manda uma mensagem retratando-se da proposta oferecida. conforme estudaremos no próximo ponto. No entanto. que é impor condições à proposta: CC art. hipótese na qual a relação contratual não se perfaz. o aceitante tem três opções: • • • negá-la. antes dela. feita a pessoa ausente.se. 428. encaminhando ao proponente uma contraproposta. ou modificações. A aceitação pode ocorrer de forma expressa ou pode ocorrer por presunção. 431. os contratos entre ausentes.se.

por exemplo. ou seja. sem se configurar hipótese de descumprimento contratual. ou o proponente a tiver dispensado. Conforme já dito. qualquer cláusula contratual que disponha sobre obrigações ilícitas relacionadas a quaisquer das partes contratuais é considerada nula. Veja o que a legislação fala a respeito desse assunto: CC art. 463. Por exemplo. o contrato não se forma. a aceitação é um ato de aderência do aceitante em relação a proposta do proponente. ou mal redigido. e. por conseqüência dessa burocracia. poderá a outra parte considerá-lo desfeito. Portanto. e desde que dele não conste cláusula de arrependimento. exceto quanto à forma. reputar-se-á concluído o contrato. e pedir perda e danos. o contrato preliminar deve conter todos os requisitos essenciais o contrato a ser celebrado. bem como as condições em que o negócio definitivo será celebrado. são contratos concluídos. não produz efeitos jurídicos. Tal cláusula é nula e a parte contratante poderá realizar a retenção dos impostos ao efetuar o pagamento à contratada. É muito comum na prática contratual serem utilizadas cláusulas contratuais intituladas “Das obrigações da contratante” e “Das obrigações da contratada”. não retenha os impostos que por obrigação legal deva reter. é uma “porta de entrada” para a ocorrência de conflitos entre as partes contratantes. Logo. Ademais. deve relacionar de forma exaustiva todos os direitos e obrigações das partes contratantes. que muitas vezes só se resolvem através da via judicial. sem que essa conduta gere qualquer tipo de indenização a qualquer das partes contratantes.Se o negócio for daqueles em que não seja costume aceitação expressa. Um contrato omisso. com observância do disposto no artigo antecedente. 465. nas quais se relacionam de forma exaustiva todas as obrigações das partes contratantes. é um contrato que tem como objetivo resguardar os direitos e obrigações das partes contratantes. requer a formalidade legal de ser elaborado por instrumento público (contrato público celebrado em um cartório com a chancela de um tabelião de notas) e. A parte que desistir de celebrar o contrato definitivo conforme estipulado no contrato preliminar será responsável pelas perdas e danos causadas à outra parte. traduzindo-se como uma contraproposta do aceitante ao proponente. no que diz respeito à celebração de um contrato definitivo. portanto. qualquer das partes terá o direito de exigir a celebração do definitivo. Concluído o contrato preliminar. leva um tempo para ficar pronto para assinatura. ao realizar o pagamento devido à contratada. nesse sentido. é muito comum as partes contratantes celebrarem primeiro um contrato preliminar no qual regulam todos os seus direitos e obrigações. conforme já abordado. assinando prazo à outra parte que o efetive. Portanto. é importante relembrar que o objeto de qualquer contrato tem que ser lícito. Eles são utilizados quando as partes contratantes pretendem deixar previamente acertado as condições nas quais determinado contrato será celebrado. O contrato preliminar. Veja o que a legislação fala a respeito disso: CC art. pode-se concluir que o contrato preliminar. que as partes podem desistir de celebrar o contrato definitivo a qualquer momento. Se o estipulante não der execução ao contrato preliminar. Os contratos preliminares são negócios jurídicos. um contrato com uma cláusula que disponha que a contratante. Por isso. No caso de aceitação modificativa ou com restrições. O contrato de compra e venda de imóvel. a proposta deve ser clara e. deve conter todos os requisitos essenciais ao contrato a ser celebrado. Nesse sentido. com o objetivo de garantir a realização da operação ajustada. salvo se houver cláusula de arrependimento dispondo de outra forma. por exemplo. não chegando a tempo a recusa. . Isso porque é lícito estipular no contrato. CC art. 462. como a sua própria nomenclatura define.

Lembre-se que a regra é que a aceitação deverá ser expressa para vincular a outra parte. Uma forma de evitar a confusão sobre os direitos e obrigações dos contratados é utilizar-se das cláusulas “Das obrigações do Contratante” e “Das obrigações do Contratado”. Assim o simples envio de uma proposta não é suficiente para considerar-se aceito o contrato. como no exemplo do leiteiro. é um contrato que tem como objetivo resguardar os direitos e obrigações das partes contratantes. Veremos agora algumas dicas: • • • A proposta do proponente do contrato deve ser clara. no que diz respeito à celebração de um contrato definitivo.Portanto. salvo quando pela natureza do contrato proposto for de costume a aceitação presumida. pode-se concluir que o contrato preliminar. para evitar confusão sobre os direitos e obrigações contratados. descrevendo e individualizando de forma exaustiva o que cabe a cada uma das partes do contrato. como a sua própria nomenclatura define. .

as despesas com escritura (contrato celebrado perante tabelião de notas) e registro serão de responsabilidade do comprador. não produzindo qualquer efeito. o vendedor é obrigado a entregar o bem no momento do pagamento do preço ajustado. chamada de vendedor. Primeiramente. serão do vendedor ou comprador. a pessoalidade (somente aquela pessoa pode prestar o serviço). sendo que a lei estabelece algumas hipóteses. Nos casos de venda a vista. e após esta. salvo se as partes resolveram pactuar tal possibilidade no contrato.que ainda existirá. Salvo se as partes estipularem de forma diversa. pois tal compra e venda poderá ferir o direito de herança dos mesmos. Isso significa que todas as despesas para a conservação do bem. Vamos começar pelo contrato de Compra e Venda: O contrato de Compra e Venda é aquele no qual uma das partes. a pagar-lhe certo preço em dinheiro. Pode ser objeto da compra e venda qualquer bem atual . mediante o pagamento do preço ajustado. obriga-se a transferir determinado bem a outra parte. Veja o que a legislação fala a respeito: CC “Art.. um dos contratantes se obriga a transferir o domínio de certa coisa . as despesas para transferência do bem vendido ao comprador serão do vendedor. o vendedor não é obrigado a entregar a coisa antes de receber o total do valor devido. como por exemplo manutenção e impostos.pai para filho. como por exemplo um árbitro. avô para neto etc. Este tipo de serviço não poderá ser objeto de contrato de prestação de serviços. Pelo contrato de compra e venda. Um exemplo: um contrato de compra e venda de um bem. para entender o que é esse contrato. ou futuro . em que o contrato deve ser necessariamente escrito. Já nos casos de venda a crédito. se não houve consentimento expresso do cônjuge (esposo ou esposa) do vendedor e dos demais descendentes. índices ou parâmetros. Vamos ver os elementos que caracterizam uma relação de emprego: • Todo serviço que tenha como característica a subordinação (um chefe e um subordinado). .ou seja. já que sobre cada um deles é necessário saber algumas coisas específicas.Módulo 3 Falaremos agora a respeito das principais espécies contratuais. a depender da situação do bem. desde que este seja designado pelos contratantes. podendo ser fixo ou baseado em taxas de mercado. desde que sejam objetivos. a responsabilidade é do comprador. O preço também poderá ser ajustado por um terceiro não vinculado ao contrato. precisamos analisar o que é um serviço sujeito à lei trabalhista e um serviço sujeito a uma lei especial. a onerosidade (serviço não gratuito. Vamos falar agora sobre o contrato de prestação de serviço. chamada de comprador. Até o momento da transferência do bem. o contrato ficará sem efeito se o objeto futuro não vier a existir. como por exemplo a futura colheita de um laranjal. sem que o comprador tenha possibilidade de negociação. como uma colheita perdida. 481. O contrato de compra e venda que atribui à apenas uma das partes a fixação do preço é nulo. no qual o vendedor fixe o preço de acordo com o seu interesse. O preço da compra e venda em regra é pactuado entre as partes. ou seja. em razão do mal tempo. Neste último caso. você conhecerá as particularidades dos tipos de contrato mais comuns com os quais poderá se deparar. a responsabilidade do mesmo é do vendedor. A compra e venda de ascendentes para descendentes . pago) e a não eventualidade (serviço contínuo) é sujeito à lei trabalhista por se constituir numa relação de emprego.pode ser anulada.” O contrato de compra e venda pode ser por escrito ou oral. se já transferido ou não. De outro lado. e o outro. já existente. como a compra e venda de um imóvel.

a parte contratada por tempo certo ou por obra determinada que teve o seu contrato rescindido sem justa causa terá direito por inteiro à retribuição vencida e também a metade do que teria direito se tivesse continuado o contrato até o final. todo serviço que seja regulado por lei especial. Se o transporte for interrompido. contrato de prestação de serviço é aquele no qual uma parte contrata de outra um serviço material (conserto de uma casa) ou imaterial (elaboração de uma marca para um produto) e que não se confunde com a contratação do serviço sujeito à lei trabalhista ou lei especial. sendolhe devida a restituição do valor integral da passagem. ainda que o dano tenha sido causado por culpa de terceiro. salvo se esta foi executada em desacordo com as suas instruções. ainda que sejam introduzidas modificações no projeto. O objeto do contrato de empreitada poderá ter somente a mão de obra do empreiteiro ou. Vamos à próxima espécie de contrato. desde que comunicada em tempo hábil de ser renegociada. O contrato de prestação de serviços poderá ter duração máxima de quatro anos. Quatro dias. como um motorista bêbado que invada o sinal e se choque com um ônibus que transportava passageiros. por exemplo) não se subordina às regras do contrato de transporte. O transporte realizado de forma gratuita (uma carona. este . este será fixado de acordo com o costume do lugar. além desta. correm por sua conta os riscos destes até o momento da entrega da obra. respondem pela segurança e solidez da obra pelo prazo de cinco anos. O de transporte. não poderá exigir acréscimo no preço. A não ser que seja um motivo de força maior. o empreiteiro que aceitar a execução de uma obra de acordo com plano aceito por quem o encomendou. Concluída a obra pelo empreiteiro. O contrato de empreitada é aquele no qual um empreiteiro (pessoa que executa) é contratado por um terceiro (dono) para a execução de uma obra (construção). A parte contratada por tempo certo ou por obra determinada não pode ausentar-se ou despedir-se sem justa causa antes de preenchido o tempo ou terminada a obra. O passageiro tem o direito de rescindir o contrato de transporte antes de iniciada a viagem. Diante disso. também não pode ser objeto de um contrato de prestação de serviços por ter regras próprias que se aplicam ao mesmo. Se o contrato de prestação de serviços não estipulou o valor do serviço. Se o empreiteiro só forneceu mão de obra. mediante pagamento. Se o prazo não foi estipulado no contrato. Em relação ao tempo do pagamento. a regra é que o mesmo seja feito somente depois da prestação de serviço. Véspera. obriga-se a transportar pessoas ou coisas de um lugar para o outro. Os empreiteiros de construções de edifícios que tenham por objeto materiais e mão de obra. Salvo acordo das partes. Quando o empreiteiro fornece também os materiais. salvo se foi pactuado o pagamento antecipado ou o pagamento em prestações. o tempo gasto e a qualidade do serviço. cujo prazo varia conforme a fixação do salário combinada. contados da entrega da obra. Chama-se contrato de empreitada. como uma catástrofe como um terremoto que atingiu um país inteiro. os materiais empregados na obra também. se o salário foi fixado por menos de uma semana. O transportador responde pelos danos causados às pessoas transportadas e suas bagagens. Contrato de transporte é aquele pelo qual uma pessoa. se o salário foi fixado por mês. qualquer das partes pode dar fim ao contrato mediante aviso prévio à outra parte. como por exemplo o serviço público que é regulado pela lei do funcionalismo público. o dono é obrigado a recebê-la. ainda que o transportador não tenha culpa. todos os riscos correm por conta do dono da obra. É o exemplo clássico do empreiteiro que dimensiona mal o projeto e tenta repassar os custos para o dono da obra.• Da mesma forma. Veja: Aviso prévio à outra parte em contrato de prestação de serviço: • • • Oito dias. se o salário foi fixado por semana ou quinzena. Agora vamos falar sobre um outro tipo de contrato. De igual forma. sob pena de responder por perdas e danos.

este terá direito à redução proporcional do valor do aluguel. começando a partir do recebimento da coisa e somente terminando com a entrega do bem ao destinatário. no estado em que recebeu. E agora chegou a vez de conhecer as obrigações do Locatário: Obrigações do Locatário: • • • • utilizar da coisa alugada de acordo com a destinação contratada. Exemplo: Se o movimento dos sem teto tentou invadir o imóvel locado. salvas as deteriorações naturais ao uso regular da mesma. salvo se pagar a multa prevista no contrato. O contrato de locação é aquele no qual uma das partes (Locador) cede a outra (Locatário) um bem (móvel ou imóvel) por um prazo determinado. restituir ao Locador a coisa. vamos conhecer a última espécie contratual de que vamos falar: o contrato de locação. A coisa recebida para transporte deverá estar caracterizada pela sua natureza. inclusive pagando estadia e alimentação para os passageiros. nem o Locatário poderá devolver a coisa ao Locador. devidamente assinada. bem como a que possa por em risco a saúde das pessoas.obriga-se a concluir o transporte dando os meios necessários para tal. não poderá o bem ser utilizado para fins comerciais. Veja abaixo as obrigações do Locador: Obrigações do Locador: • • Entregar ao locatário a coisa alugada. Se durante o contrato de locação a coisa se deteriorar sem culpa do locatário. . valor. o uso pacífico da coisa. Um exemplo: transporte de material inflamável sem embalagem adequada. não poderá o Locador reaver a coisa alugada antes de vencido o prazo. A responsabilidade do transportador pela coisa transportada é limitada ao valor discriminado na relação entregue pelo contratante. Havendo prazo estipulado à duração do contrato. mediante o pagamento de retribuição (aluguel). O transportador poderá exigir que o contratante lhe entregue. pagar o aluguel pontualmente. Por fim. peso e quantidade e o que mais for necessário para que não se confunda com as demais. Garantir-lhe. indicando-se ao menos o nome e o endereço do destinatário. uma relação discriminada das coisas a serem transportadas que passará a fazer parte do contrato de transporte. ou danificar o veículo ou outros bens. comunicar o Locador as tentativas de uso da coisa por terceiros. O transportador poderá recusar o transporte da coisa cuja embalagem esteja inadequada. O transportador tem direito de reter as bagagens do passageiro como forma de garantir o seu pagamento. durante o tempo de contrato. Exemplo: se o contrato foi para fins residenciais. senão ressarcindo o Locatário das perdas e danos resultantes. finda a locação.

deverá a parte lesada recorrer ao Poder Judiciário para obter uma decisão judicial que determine o fim do contrato. Afinal. se o contrato foi feito por escrito. pode-se dizer que o contrato está extinto. que utiliza o distrato como instrumento para formalizar a extinção do contrato. É importante mencionar que existe também a cláusula resolutiva tácita. É importante destacar que. cada um deles. rompendo o vínculo e extinguindo o contrato. pode-se dizer que o distrato é um novo contrato. que tem por objeto colocar fim a outro celebrado anteriormente pelas partes. na prática. Após aprender como confeccionar e utilizar corretamente um contrato deve-se estudar como terminar de maneira apropriada a relação de direitos e obrigações criada por este instrumento. uma vez aberta uma porta. Trata-se de um costume do mercado. A cláusula resolutiva tácita se baseia no dever geral de que todos devem cumprir com as suas obrigações contratuais. Em algumas situações. diante do inadimplemento contratual de uma delas. o contrato é extinto de maneira anormal. para que situações inesperadas não surjam indesejadamente. é essencial saber como fechá-la. pleitear indenização pelas suas perdas e danos. acabando antecipadamente com o conjunto de direitos e obrigações que as partes celebraram. diz-se que ocorreu a resolução do contrato. cumpriram com suas obrigações. a parte lesada pode requerer a extinção do contrato com fundamento na cláusula resolutiva e. as partes costumam elaborar um distrato para formalizar o fim da relação estabelecida entre elas. A primeira forma de extinção contratual disciplinada pelo Código Civil é o distrato. utilizar para o distrato a mesma forma adotada para confeccionar o contrato que se pretende terminar. A maneira mais comum de extinção do contrato ocorre pelo cumprimento espontâneo de todas as obrigações estabelecidas pelas partes. conforme disposto no art. nem sempre o contrato é extinto dessa forma. o distrato também deverá ser feito por escrito. se for o caso. poderão obter a extinção do contrato mediante a elaboração de um distrato. Nesses casos. o que por si só já implicaria na extinção do vínculo contratual. A inexecução contratual ocorre quando uma das partes deixa de cumprir uma obrigação. Trata-se de documento elaborado de comum acordo entre as partes para por fim ao antigo contrato firmado. Vamos ver como ocorre esse proceso. Quando as partes estabelecem no contrato que o inadimplemento de qualquer uma de suas cláusulas permite a resolução do contrato. sob pena de resolução do contrato. A chamada cláusula resolutiva é a figura que permite ao contratante lesado a resolução do contrato em juízo. Uma vez que os contratantes. tornando-se inadimplente. mediante a iniciativa de uma ou de ambas as partes. ocorrendo o descumprimento de uma obrigação contratual. como dispõe o artigo 472 do Código Civil. Ocorre que. tendo havido sucesso no que foi acordado pelas partes. a cláusula resolutiva que não vem escrita expressamente no contrato. infelizmente. Na verdade. Quando um contrato é extinto pelo descumprimento de uma obrigação por qualquer das partes. ou seja. Caso não cheguem a um acordo para terminar o contrato. Se as partes chegarem a um acordo. Assim. Sim. ou seja. Falaremos agora sobre quando um contrato termina porque uma das partes não cumpriu o acordado. os contratantes devem utilizar uma das formas extintivas previstas nos artigos 472 a 480 do Código Civil. estas estipulam uma cláusula resolutiva expressa. jamais verbalmente. mesmo com o fim do contrato pelo cumprimento de todas as obrigações assumidas. 474 do Código Civil.Módulo 4 Entenderemos agora como terminar um contrato. mas decorre da aplicação da lei. Assim. Assim. porque é importante saber como fazê-lo. a parte que foi lesada com o inadimplemento contratual tem o direito de exigir a sua resolução. mas é igualmente importante saber desfazê-lo. Qual a diferença então entre a cláusula resolutiva tácita e a expressa? . deve o elaborador.

pois estes terão que provar ao juiz que o desequilíbrio entre as obrigações contratuais é realmente excessivo e que decorrem de fatos imprevisíveis e extraordinários. um investidor do setor de energia que contrata uma empreiteira para a construção de uma usina hidroelétrica. que não foram detectadas pelos melhores métodos de sondagem do terreno. com extrema vantagem para a outra. inovação trazida nos artigos 478 a 480 do Código Civil de 2002. Assim. pois o contrato termina pelo simples cumprimento satisfatório de todas as obrigações contratuais. Se a cláusula resolutiva vem expressa no contrato. Esse fato. Recomenda-se que a cláusula resolutiva constante em um contrato seja o mais objetiva possível. deve ser levado à apreciação do Poder Judiciário. em primeiro lugar. Para que fique configurada a onerosidade excessiva do contrato. • • . Esse fato fará com que a empresa construtora. irá impor à contratada uma obrigação muito maior do que a inicialmente prevista.A diferença entre a cláusula resolutiva tácita e a expressa reside no fato de que. as partes sempre elaborem um distrato para extinguir o contrato celebrado. recomenda-se que. Como já foi mencionado. Vamos ver algumas: • Independentemente do cumprimento de todas as obrigações contratuais pelos contratantes. Durante a execução da fundação da obra. para ser extinto com base na alegação de onerosidade excessiva. veja a seguinte situação: Imagine. 2. deve haver. ficam evidentes as vantagens de se mencionar expressamente a cláusula resolutiva. de sorte a não deixar dúvidas quanto à intenção das partes de pôr fim ao contrato na hipótese de inadimplemento daquela obrigação específica. decorrente de circunstâncias anormais e imprevisíveis. deverá a parte desfavorecida ajuizar medida judicial para ver extinto o contrato celebrado. a despeito de não ser necessário. registrado no distrato expressamente que nenhuma das partes tem qualquer relação com a outra. A confecção de uma cláusula geral. Existe ainda uma outra forma para um contrato ser extinto. criará uma excessiva diferença em desfavor da empreiteira contratada pelo investidor. para entregar a obra concluída adequadamente. sem a necessidade de dar nova oportunidade para o cumprimento da obrigação. inesperadamente. Somente após esta notificação poderá a parte inocente extinguir o contrato e requerer a recomposição das eventuais perdas e danos que o inadimplemento tiver lhe causado. o que. por uma questão de cautela. Se a prestação de uma das partes se tornar excessivamente onerosa. a resolução do contrato por onerosidade excessiva deve ser alegada com cautela pelos contratantes. certamente. o contratante lesado tem a obrigação de notificar o contratante inadimplente para atribuir-lhe uma última oportunidade de cumprir o contrato. caracterizará a onerosidade excessiva do contrato. a onerosidade excessiva do contrato deve ser decorrente de fatos anormais e imprevisíveis no momento de sua confecção. Trata-se de um costume do mercado. quando o contrato já encontra-se extinto pelo cumprimento de todas as obrigações. uma excessiva diferença entre o valor da obrigação ou do objeto da obrigação entre o momento da celebração do contrato e o instante do seu efetivo cumprimento. Vale salientar que o contrato. e como pagamento foi acordado um preço fixo determinado pela execução do projeto. Além disso. Se as partes não chegarem a um acordo para recompor o equilíbrio entre os direitos e obrigações do contrato. o contratante lesado apenas comunica ao contratado inadimplente a sua vontade de extinguir o contrato. para ser cumprido. O contrato. descobre-se. poderá a parte prejudicada solicitar a resolução do contrato. se a cláusula resolutiva não está expressa. tem por objetivo ratificar a intenção das partes de encerrar a relação contratual. a existência de rochas de alta resistência. É evidente que um tema importante como a extinção dos contratos deve ter as suas dicas. por exemplo. gaste um valor equivalente a 20% do total do contrato para remover as rochas. em virtude de acontecimentos extraordinários e imprevisíveis. Assim. A formalização desse distrato. Para exemplificar. A resolução do contrato também pode ocorrer no caso de onerosidade excessiva. a formalização de um distrato constitui uma prática comum no mercado.

• . É importante que a parte lesada pleiteie a resolução do contrato na iminência de tornar-se inadimplente. pode deixar levar o juiz a considerá-la como cláusula resolutiva tácita. esta deve procurar o Poder Judiciário o mais rápido possível. 3. sob pena de. mediante o ajuizamento da ação competente. do tipo: “o descumprimento de qualquer obrigação prevista neste contrato implica na sua imediata resolução”. pela dificuldade de cumprir a obrigação. Uma vez configurada a onerosidade excessiva de um contrato. de sorte a não permitir que o outro contratante solicite a sua resolução em razão do inadimplemento. deve-se evitar no contrato a confecção de uma cláusula resolutiva geral. É preciso citar qual a obrigação específica que implica na resolução do contrato. considerada como cláusula resolutiva tácita. • Assim. sujeitando uma das partes a uma obrigação desmedida. exigir a prévia notificação do inadimplente.sem menção expressa da obrigação que. inadimplida. põe fim ao contrato.

2006. Curso de Direito Civil – Direito das Obrigações – 2a Parte – Volume 5. Alinne Arquette Leite. 7) _____. v. Atualizada pelo Prof. 3. 2001. 2000.Teoria Geral dos Contratos . 2004. Curso de Direito Civil – Direito das Obrigações – 1a Parte . 1999. Sílvio. 11) GAGLIANO. 1999.Bibliografia 1) DINIZ. v. 1998. 2006 . Instituições de Direito Civil – Volume III. 3) GOMES. 2) GOMES. Pablo Stolze e PAMPLONA FILHO. 10) VENOSA. 1997. Caio Mário da Silva. A Teoria Contratual e o Código de Defesa do Consumidor –Volume 17. 17a edição. 2a edição. 22ª ed. 3. São Paulo: Saraiva. Contratos. Curso de Direito Civil Brasileiro. 2002.Volume 4. Rio de Janeiro: Forense. 30ª ed. Rodolfo. 10a edição. 30a edição. São Paulo: Atlas. 4) RODRIGUES.Dos Contratos e das Declarações Unilaterais da Vontade. Humberto Theodoro Júnior. 9) PEREIRA. atualizada. Rio de Janeiro: Forense.Vol. 2a edição. Sílvio de Salvo. 1) Código Civil Brasileiro (Lei 10. Tomo I. Luiz Roldão de Freitas. São Paulo: Saraiva.406/2006) 6) MONTEIRO. Washington de Barros. São Paulo: Saraiva. IV. Maria Helena. São Paulo: Saraiva. Direito Civil 3 . Rio de Janeiro: Renovar. 8) NOVAIS. 30a edição. Contratos. Novo Curso de Direito Civil . Orlando. São Paulo: Revista dos Tribunais. Direito Civil: Teoria Geral das Obrigações e Teoria Geral dos Contratos – Volume 2. São Paulo: Saraiva.

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