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Fundamentos para simulação dos desmontes de rocha por explosivos
Autor: Márcio C. Gouvêa 23 de fevereiro de 2007

Vários autores têm estudado modelos de interação explosivo-rocha, que fornecem uma descrição útil do processo de detonação como um "background" para modelar o processo de fragmentação da rocha por explosivos. Entre os principais trabalhos destacam-se: Kuznetsov (1973), Cunningham (1983), Lilly (1986), Sarma (1994) e Djordjevic (1999).

1. Introdução Esse artigo apresenta um resumo dos resultados dos trabalhos desses pesquisadores, que estudaram e construíram modelos para a previsão da fragmentação do desmonte a explosivo. Esses modelos foram reunidos para possibilitar a construção de um programa de computador para simulação da fragmentação. A finalidade principal da simulação é a previsão da curva granulométrica da pilha detonada. Isto possibilita a alteração dos parâmetros dos planos de fogo de forma a atingir a fragmentação desejada para cada detonação.

2. Descrição dos modelos As principais equações que compõem 2.1 O modelo Kuz-Ram As propriedades das rochas, as propriedades dos explosivos e as variáveis geométricas são combinadas usando cinco equações que compõem o modelo de fragmentação · Equação de Kuznetsov do plano de fogo Kuz-Ram: os dois modelos de simulação em questão são apresentadas a seguir.

Uma correlação entre o tamanho médio do fragmento e a energia de detonação aplicada por unidade de volume de rocha (razão de carga) foi desenvolvida por Kuznetsov (1973) como uma função do tipo de rocha. Essa equação foi modificada por Cunningham (1983) e é dada por: (1) onde: X50 é o tamanho médio de partícula (cm). A é o fator da rocha. K é a razão de carga (kg/m3). Qe é a massa do explosivo utilizado (kg). Er representa a energia relativa em massa (RWS) do explosivo comparada · Equação de Rosin-Rammler: é calculada pela equação de Rosin-Rammler: (2)

ao ANFO (ANFO=100).

A distribuição de tamanho dos fragmentos

onde: X é o tamanho da malha da peneira. X50 é o tamanho médio de partícula, n é o índice de uniformidade. P é o percentual de material passante na peneira de tamanho X. · Índice de uniformidade de Cunningham: foi desenvolvida através de testes de campo por Cunningham (1987). (3)

Essa expressão

Ela correlaciona todos os parâmetros

geométricos do plano de fogo, como segue:

onde: B é o afastamento (m). S é o espaçamento (m). Dé o diâmetro do furo (mm).
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Esse conjunto de fragmentos abrange uma região muito maior do que a região da primeira componente de fragmentação. tipicamente com granulometria mais grosseira do que o primeiro. 11:00 . CCL é o comprimento da carga de coluna (m). O primeiro conjunto origina-se da rocha relativamente próxima ao furo. RWS representa a energia relativa por massa comparada ao ANFO. VODn é a velocidade de detonação nominal do explosivo (m/s). d representa o coeficiente de uniformidade da primeira distribuição de tamanho de fragmentos. O segundo conjunto de fragmentos de rocha. Nesse modelo.com.Fc. foi desenvolvido o modelo de duas componentes (TCM). respectivamente. · Fator da rocha: O fator da rocha (A) foi originalmente desenvolvido por Lilly (1986) e modificada por Cunningham (1987). a pilha resultante do desmonte pode ser considerada uma mistura de dois conjuntos de fragmentos de rocha. VODe é a velocidade de detonação efetiva do explosivo (medida em campo). http://www.2 O Modelo TCM Para garantir uma maior precisão na previsão da fragmentação obtida no desmonte. compressiva-cisalhante representa a (6) Conseqüentemente. O fator da rocha é usado para ajustar o tamanho médio dos fragmentos do modelo e é obtido por: A = 0. · Equação de Tidman: a partir da equação desenvolvida por Tidman: (4) A energia do explosivo é calculada onde: Er é a energia relativa por massa efetiva do explosivo. Usando a forma de distribuição de Rosin-Rammler. é proveniente da rocha mais distante do furo.com. cada subconjunto de fragmentos de rochas precisa ser representado como uma função distinta de distribuição de tamanho. b é o coeficiente de uniformidade da segunda distribuição de tamanho de fragmentos. Djordjevic (1999). M representa a massa total por furo. 2011.desmontederochas. tem-se: (7) (8) onde: P1 e P2 são os percentuais passantes na peneira de tamanho (x) para as regiões de ruptura por compressão e tração. a qual considera o tipo de rocha. ilustrados na Figura 1. Por causa dos diferentes mecanismos de ruptura. por meio da abertura e extensão de fraturas preexistentes. Esse conjunto de fragmentos tem ruptura compressivacisalhante. A soma das duas funções de distribuição. H é a altura do banco (m). _PDF_GENERATED 12 July.Desmonte de Rochas . a fração de rocha que se rompe por tração ao longo das descontinuidades preexistentes é 1 . c é o tamanho médio de fragmento na primeira região (ruptura por compressão). a influência da estrutura do maciço rochoso tende a ser muito pequena no resultado dessa fragmentação. tem-se: onde: Mo é a massa de rocha fragmentada por compressão/cisalhamento. Esses fragmentos de rocha são criados por ruptura por tração.br multiplicada pelas _PDF_POWERED respectivas frações da massa total.br W é o desvio da perfuração (m). principalmente para os finos. direção e mergulho das descontinuidades com relação à frente livre do desmonte. a representa o tamanho médio de fragmento na segunda região (ruptura por tração). BCL é o comprimento da carga de fundo (m). planos de acamamento e descontinuidades do maciço rochoso. Fc e (1 . Assumindo que a massa de rocha que se fragmenta devido à ruptura fração Fc da massa total de rocha desmontada por furo.Fc). Para determinação desse fator são usados os dados obtidos na classificação da Tabela 1. abs é o valor absoluto referente a (BCL-CCL)/L. Lé o comprimento total de carga (m).06 x (RMD + JF + RDI + HF) (5) 2.

é (Djordjevic. respectivamente. monitor SGVA colorido e placa de rede. 2011. espaçamento etc. para o caso bi-axial de carregamento predominantemente compressivo. na estação-cliente um PC 486 DX4 100 MHz. no mínimo. r é a densidade do explosivo (kg/m3). maior e menor. Desenvolvimento utilizando - I-CASE Visual Basic 4. Hardware: a instalação-padrão do SIMBLAST é em arquitetura departamental. mouse.s2)2 . a equação para cálculo no furo. T0 é a resistência à tração da rocha.25 x r x (VODe)2 (12) onde: Pb é a pressão de detonação aplicada à rocha (Pa).25 e usando s2 do raio da região da primeira componente é: (11) onde: r é o raio da zona de pulverização. Ambas as tensões. que. 2.br representará a distribuição de tamanho dos fragmentos da massa total: (9) A fragmentação fina da rocha é predominantemente controlada pela interação do explosivo com a rocha intacta (rocha matriz) e é gerada na região da primeira componente ilustrada na Figura 1. Nessa região. Servidor de processos de bancos de dados: servidor RISC/Powdwe PC (Unix ou Windows NT). padrão Microsoft.3 O programa SIMBLAST O programa foi desenvolvido com base programa SIMBLAST tem as seguintes Arquitetura-cliente/servidor Interface gráfica - foram estudadas algumas variações desse modelo.0 32 bits.8T0 x (s1 + s2) =0 (10) onde: s1 e s2 são as tensões principais T0 é a resistência à tração da rocha.) não é importante na distribuição granulométrica desses fragmentos. radial e tangencial. a extensão da ruptura cisalhante em volta do furo pode ser estimada usando o critério de ruptura de Griffith. 11:00 . 1999): (s1 . médio e no coeficiente de distribuição dos finos do nos modelos de simulação de fragmentação Kuz-Ram e TCM. Para o desenvolvimento do programa de simulação principalmente no que refere ao cálculo do tamanho desmonte.com. Assumindo um coeficiente de Poisson(n) médio de 0. requerendo.desmontederochas. (na estação-cliente) e sistema operacional Unix ou Windows A Figura 2 mostra a tela principal de simulação para o modelo TCM com a curva granulométrica gerada a partir de um plano de fogo. RAM 16MB. http://www. VODe é a velocidade de detonação efetiva do explosivo (m/s). Software: sistema operacional Windows 95 NT e RDBMS.br _PDF_POWERED _PDF_GENERATED 12 July. são compressivas. Em tal caso. os fragmentos típicos têm tamanho menor que 50mm.s1. O campo de tensões na zona de ruptura cisalhante em volta do furo é compressivo. INTEL (Windows NT). A influência dos aspectos macroestruturais do maciço e dos parâmetros geométricos do plano de fogo (afastamento. O características técnicas e computacionais: com base de dados Oracle.com. D é o diâmetro do furo. Holmberg e Lee (1994): O pico da pressão de detonação no furo é estimado usando a equação de Pb = 0.Desmonte de Rochas . Pb é o pico da pressão de detonação = [n/(1-n)]. Person.

como o objetivo é a redução da geração de finos. Resultados 3. Os maciços rochosos apresentam. Isto mostra que.com. Normalmente.03 na HD). A Tabela 2 apresenta a classificação do fator da rocha para a hematita dura. Isto pode ser comprovado plotando as duas curvas numa mesma tela de simulação. 3.1 Determinação do fator da rocha O simulador foi testado nas detonações de minério de ferro das minas da Companhia Vale do Rio Doce. ocorre uma maior diferença na região dos finos entre as curvas dos dois modelos. também. A Figura 3 mostra a frente de lavra de hematita dura (HD) escolhida para teste do simulador. Segundo Djordjevic (1999). foi utilizada a classificação proposta por Cunningham (1987).3 Comparação dos modelos Kuz-Ram e TCM dos parâmetros do plano de fogo Kuz-Ram e TCM. Essa classificação foi realizada a partir do mapeamento da frente de lavra com o apoio da geologia da mina.br 3. Nesse caso. o modelo de simulação que melhor representa a granulometria dos finos deve ser utilizado. não _PDF_GENERATED 12 July. abaixo do tamanho de fragmento igual a 20cm. foi recalculado o fator da rocha e realizada uma nova rodada de simulação. nesse caso o TCM. No caso das detonações de HD. como mostra a Figura 4. 11:00 . foi realizada. menor espaçamento entre as descontinuidades e menor densidade). os modelos Kuz-Ram e TCM tendem apresentar resultados similares.Desmonte de Rochas .61 (contra 7. Comparando os resultados da Figura 4 com os resultados da Figura 5. Já na fração grossa.Hematita Mole na área detonada. o fator da rocha para a HM reduziu para 2. os modelos TCM e Kuz-Ram apresentam resultados diferentes. para maciços rochosos com um menor fator de rocha (menor resistência à compressão. Para a determinação do fator de rocha.2 Dados do plano de fogo A Tabela 3 mostra os principais parâmetros do plano de fogo utilizados na detonação da HD.br grande variabilidade _PDF_POWERED em suas propriedades.desmontederochas. em Carajás-PA. 3. Após o levantamento dos dados geomecânicos da frente de lavra e a entrada no simulador SIMBLAST foram geradas as curvas granulométricas para os modelos A avaliação dessas curvas mostrou que o modelo TCM apresenta um maior percentual de finos.com. uma simulação considerando a presença de HM . os dois modelos se equivalem. http://www. Como a frente de lavra de HD apresentou grande variabilidade nas propriedades do maciço rochoso. Para isso. 2011. geralmente. conclui-se que. A Figura 5 mostra as novas curvas granulométricas geradas pelos dois modelos para a detonação de HM. para rochas extremamente resistentes e maciças. Nesse caso. o modelo Kuz-Ram subestima a fração dos finos.

J. In: The AusIMM Proceedings. PERSON. W. Soviet Mining Science. E. Um mapeamento detalhado das frentes de lavra permite aumentar a precisão da simulação. N. Essa situação é bastante complexa para a simulação do desmonte. K. pois dificulta a determinação do fator da rocha e da curva granulométrica simulada.four years on. performance of explosives. COCKER.L. Austrália: JKMRC. 1994. 1999.. 341 p. In: Hustrulid. Symp on Rock Fragmentation by Blasting. As propriedades da rocha intacta relevantes para o projeto de desmonte a explosivo são o módulo de Young. transições de HM/HD e HD em um mesmo desmonte. adequação Os Para fatores de rocha maiores (rochas mais resistentes).. Simulação da fragmentação dos desmontes de rochas por explosivos. Rotterdam: Balkema. 9-13.. 1. DJORDJEVIC. (PhD Thesis). Rock Horizonte: blasting and explosives engineering. Austrália: KUZNETSOV.br se tem um fogo de produção com apenas um tipo de rocha. No modelo TCM é evidente que a geração perfuração e da velocidade de detonação de finos no desmonte aumenta com o aumento do diâmetro de do explosivo. 1973. In: CONGRESSO BRASILEIRO 2. os modelos apresentam maiores diferenças na simulação. HIGGINS. (Tese de doutorado). 5. Já para fatores de rocha menores (rochas menos competente). N. Referências bibliográficas para avaliação da fragmentação. R. aliadas ao padrão de fraturamento do maciço rochoso. LARGE OPEN PIT MINING CONFERENCE.com. Fragmentation estimations and the Kuz-Ram model . coeficiente de Poisson. BONATES. determinam a aptidão ao desmonte do maciço. Essas propriedades. Lulea. C. R. Esse padrão de fraturamento. 89-92.M. Os resultados mostraram uma diferença nas curvas simuladas para fragmentos com tamanho abaixo de 20cm. 1. determina o tamanho e forma dos blocos. LILLY. O mapeamento geomecâmico das frentes de lavra para o desmonte é. 2011. Austrália: 1986. Raton.V. Blasting Principles for Open Pit Mining. 160p. 144148. Open pit blast design: analysis and optimisation.. SCOTT. Belo Universidade Federal de Minas Gerais.J. Rotterdam: Balkema. A. 301p. 475-487. J. Blasting Principles for Open Pit Mining. CUNNINGHAN. D.desmontederochas. DJORDJEVIC. p. por essa razão. In: HUSTRULID. modelos Kuz-Ram e TCM apresentam uma diferença na previsão da fração dos finos. An empiral method of assessing rock massing blastability. 1999.B. v. Belo Horizonte. de suma importância para a elaboração do plano de fogo.L. p. v.S. 1999.. R.. de plano de fogo antes de sua execução. resistência à compressão uniaxial e densidade. The University of Queensland.. WEDMAIER. 2000. Models for assessing the blasting Austrália. A. LEE. 4. p..Desmonte de Rochas . 1987. W.br _PDF_POWERED _PDF_GENERATED 12 July. Procedimentos empíricos DE LAVRA A CÉU ABERTO E SUBTERRÂNEA. Ocorrem intrusões de HM. p. 1996. 1994. P. V. A two-component model of Brisbane. A. 2004. Conclusões O simulador SIMBLAST permite testar várias configurações com maior rapidez e menor custo na definição. Queensland. P. M.A. In Proceedings 2nd Int. e implementação de novos planos de fogo. estabelecido pela atitude (direção e mergulho) e espaçamento das famílias de descontinuidades e descontinuidades aleatórias. The mean diameter of the fragments formed by blasting rock. os modelos TCM e Kuz-Ram tendem a apresentar resultados similares de simulação. MORAIS. SARMA. blast fragmentation. 301p. CRC Press Inc: Boca SARMA. 11:00 . LA ROSA.com. HOLMBERG. http://www. THE AusIMM/IE AUST NEWMAN COMNINED GROUP.

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