Os Movimentos Sociais no Brasil

A análise dos movimentos sociais no Brasil revelam forte enfoque teórico oriundo do marxismo, sejam eles vinculados ao espaço urbano e/ou rural. Tais movimentos, quando se referiam ao espaço urbano possuíam um leque amplo de temáticas como por exemplo, as lutas por creches, por escola pública, por moradia, transporte, saúde, saneamento básico etc. Quanto ao espaço rural, a diversidade de temáticas expressou-se nos movimentos de bóias-frias (das regiões cafeeiras, citricultoras e canavieiras, principalmente), de posseiros, sem-terra, arrendatários e pequenos proprietários. Foi quando a peça musical Hair saiu do circuito chamado off-Broadway para um grande teatro da Broadway em 1968, que a contracultura hippie já estava se diversificando e saindo dos Cada um dos movimentos possuía uma reivindicação específica, no entanto, todos expressavam as centros urbanos tradicionais. contradições econômicas e sociais presentes na sociedade brasileira.

No início do século XX, era muito mais comum a existência de movimentos ligados ao rural, assim como movime lutavam pela conquista do poder político. Em meados de 1950, os movimentos nos espaços rural e urbano adquiriram

através da realização de manifestações em espaços públicos (rodovias, praças, etc.). Os movimentos populares urban

impulsionados pelas Sociedades Amigos de Bairro - SABs - e pelas Comunidades Eclesiais de Base - CEBs. Nos anos 19 direto. Em 1980 destacaram-se as manifestações sociais conhecidas como "Diretas Já".

mesmo diante de forte repressão policial, os movimentos não se calaram. Havia reivindicações por educação, moradia

Em 1990, o MST e as ONGs tiveram destaque, ao lado de outros sujeitos coletivos, tais como os movimentos sin professores. Concomitante às ações coletivas que tocam nos problemas existentes no planeta (violência, por exemplo), há a ações coletivas que denunciam a concentração de terra, ao mesmo tempo que apontam propostas para a geração de

campo, a exemplo do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST); ações coletivas que denunciam o arrocho salari

professores e de operários de indústrias automobilísticas); ações coletivas que denunciam a depredação ambiental e a para a visibilidade da denúncia, reivindicação ou proposição de alternativas.

rios e oceanos (lixo doméstico, acidentes com navios petroleiros, lixo industrial); ações coletivas que têm espaço urban

As passeatas, manifestações em praça pública, difusão de mensagens via internet, ocup prédios em pela forças

públicos, greves, marchas entre outros, são características da ação de um movimento so

praça pública é o que dá visibilidade ao movimento social, principalmente quando este é

mídia em geral. Os movimentos sociais são sinais de maturidade social que podem prov estabelecidas com o Estado e com os demais atores coletivos de uma sociedade.

conjunturais e estruturais, em maior ou menor grau, dependendo de sua organização e d

Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra - MST

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, também conhecido pela sigla MST, é um movimento s

de inspiração marxista cujo objetivo é a implantação da reforma agrária no Brasil. Teve origem na aglutinação de mov

faziam oposição ou estavam desgostosos com o modelo de reforma agrária imposto pelo regime militar, principalment

1970, o qual priorizava a colonização de terras devolutas em regiões remotas, com objetivo de exportação de exceden

populacionais e integração estratégica. Contrariamente a este modelo, o MST declara buscar a redistribuição das terra

Os Hippies não pararam de fazer protestos contra a Guerra do Vietnã, cujo propósito era acabar com a guerra. A massa dos hippies eram soldados que voltaram depois de ter contato com os Indianos e a cultura oriental que, a partir desse contato, se inspiraram na religião e no jeito de viver para protestarem. Seu principal símbolo era o Mandala (Figura circular com 3 intervalos iguais).

1) Souza, Maria Antônia. Movimentos sociais no Brasil contemporâneo: participação e possibilidades no contexto das práticas democráticas. Dissertação de Mestrado em Educação. Universidade Tuiuti de Curitiba, PR. 2) Wikipédia, a enciclopédia livre. 3) http://www.cce.udesc.br/cab/oqueeomovimentoestudantil.htm

Movimento social
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

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movimentos sociais são sistemas de práticas sociais contraditórias de acordo com a ordem social urbana/rural. A primeira delas é a de controle de ação histórica de Alain Touraine.g. de grupos locais e simpatizantes. Já para Manuel Castells. éticos e legais (v. mas buscam transcendê-los por meio de grandes manifestações na praça pública. como são algumas Organizações Não-Governamentais (ONGs). de Goiânia a Brasília (maio de 2005). transnacionais. Movimento Indígena. piqueteiros. etc. para ele. a alteração radical e/ou violenta de ordens e sistemas normativos. cuja natureza é a de transformar a estrutura do sistema. como uma forma de pressão política das mais expressivas no espaço público contemporâneo. os movimentos sociais são a ação conflitante dos agentes das classes sociais (luta de classes). com a finalidade de produzir visibilidade através da mídia e efeitos simbólicos para os próprios manifestantes (no sentido político-pedagógico) e para a sociedade em geral. incluindo a participação de simpatizantes. Movimento dos Catadores de Lixo. As organizações locais também vêm buscando se organizar nacionalmente e. o poder estatal. como a Via Campesina. A categoria é ampla e pode congregar. os movimentos comunitários e sujeitos sociais envolvidos com causas sociais ou culturais do cotidiano. pode-se. como a ABGLT.). desde seu início em 1995 no Rio de Janeiro. etc. ou através de articulações inter-organizacionais. na medida do possível. ou voltados a essas bases. A Parada do Orgulho Gay tem aumentado expressivamente a cada ano. em outro extremo. fortalecendo-se através de redes nacionais. seja através de ações revolucionárias ou não. Movimento Negro. manifestações simbólicas e pressões políticas. o terceiro setor. encontramos o associativismo local. duas definições conceituais clássicas podem ser encontradas no objetivo de acrescer à questão. Observa-se que as mobilizações na esfera pública são fruto da articulação de atores dos movimentos sociais localizados. empreendimentos solidários. Num primeiro nível.Um movimento social é como se fosse uma denuncia de algo que acontece em uma sociedade. incluindo vários setores de participantes: a Marcha Nacional pela Reforma Agrária. concluir que a sociedade civil é a representação de vários níveis de como os interesses e os valores da cidadania se organizam em cada sociedade para encaminhamento de suas ações em prol de políticas sociais e públicas. associações de bairro. ou seja.Movimento social é uma expressão técnicamente usada para denominar movimentos feitos por pessoas sociais e pela sociedade. portanto. Alguns exemplos ilustram essa forma de organização. dos fóruns e redes de redes. e propõe melhorias (reivindicações). em Brasília (outubro de 2005). A realidade dos movimentos sociais é bastante dinâmica e nem sempre as teorizações têm acompanhado esse dinamismo. Para citar apenas alguns exemplos dessas organizações localizadas: núcleos dos movimentos de sem-terra. participar de redes transnacionais de movimentos (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. como as associações civis. das ONGs. Segundo Scherer-Warren. políticos ou econômicos vigentes. A Marcha da Reforma Urbana. mas também de uma integração . o Grito dos Excluídos e o próprio MST e por outras. numa correlação classista e em última instância. sem-teto. dependendo dos critérios de análise empregados. organizações voltadas para a promoção de interesses morais. resultou não só da articulação de organizações de base urbana (Sem Teto e outras). foi organizada por articulações de base como a Comissão Pastoral da Terra (CPT). sob a égide dos mais variados suportes ideológicos). Apesar do movimento social ser fruto de determinados contextos históricos e sociais. protestos sociais. entidades voltadas para a defesa de direitos humanos ou de prerrogativas análogas ou.

pela legalização da posse das terras coletivas. A Marcha vinculada à III Cúpula dos Povos. que. apresenta as várias dimensões definidoras de um movimento social (identidade. Assim. adversário e projeto): unem-se pela força de uma identidade étnica (negra) e de classe (camponeses pobres) – a identidade. Do ponto de vista da ação movimentalista. O ativismo nas redes de movimento Há um outro tipo de ativismo. Nesse momento. relacionados a várias faces da exclusão social. datadas. representantes das populações indígenas e das mulheres. se constitui em torno de uma identidade ou identificação. “comunidades negras rurais” e “terras de preto”. parte desse movimento plural. Por exemplo. um conceito de referência que busca apreender o porvir ou o rumo das ações de movimento. que se alicerça nos valores da democracia. inclui várias redes de redes. que são várias expressões de uma mesma herança cultural e social. juristas. pelo direito à terra comunitária herdada – o projeto. mas mantendo sua especificidade. ou seja. expressando a diversidade de posturas quanto à autonomia em relação ao Estado. transcendendo as experiências empíricas. “foi convocada pela Aliança Social Continental. celebra o encontro. [editar] A transversalidade de direitos na luta pela cidadania O Fórum Social Mundial (FSM) bem como outros fóruns e redes transnacionais de organizações têm sido espaços privilegiados para a articulação das lutas por direitos humanos em suas várias dimensões sociais.mais ampla com a Plataforma Brasileira de Ação Global contra a Pobreza. trabalhadores. “quilombos”. e ONGs e associações que se identificam com a causa. o Movimento Social. unem-se também ao Movimento Nacional pela Reforma Agrária na luta pela terra. como por exemplo. na luta pela manutenção de um território que vive sob constante ameaça de invasão. Em outras palavras. o Movimento de Economia Solidária. até as organizações das comunidades locais “mocambos”. que tem suas expressões empíricas nos empreendimentos populares solidários. isto é. artistas. pela terceira vez. e a demanda de novos direitos. líderes religiosos. para combater o legado colonialista. num contínuo processo em construção e resulta das múltiplas articulações acima mencionadas. A idéia de rede de movimento social é. Essa transversalidade na demanda por direitos implica o alargamento da concepção de direitos humanos e a ampliação da base das mobilizações. após os realizados em Santiago do Chile (1998) e Québec (2001)” A Marcha Zumbi + 10 desmembrou-se em duas manifestações em Brasília (uma em 16 e outra em 22 de novembro de 2005). em Mar Del Plata (novembro de 2005). da definição de adversários ou opositores e de um projeto ou programa. da solidariedade e da cooperação e que vem crescendo significativamente nos últimos anos. por estudantes. Do ponto de vista organizacional. portanto. desde a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ). criada em 1996. concretas. através dessas articulações em rede de movimento observa-se o debate de temas transversais. no Fórum Brasileiro de Economia Solidária (FBES) e na Rede de Entidades Brasileiras . defensores dos direitos humanos. o racismo e a expropriação – o adversário. em sentido mais amplo. A Marcha Mundial das Mulheres tem sido integrada por organizações civis de todos os continentes. localizadas dos sujeitos/atores coletivos.

ou. os centros de poder se democratizam. participação nos conselhos setoriais de parceria entre sociedade civil e Estado. pelo conflito. pelo número de oficinas. socioeconômicos. freqüentemente. Estado e mercado há múltiplas formas de atuação. do que outros elos de conexão da rede. . mesmo em uma rede há elos mais fortes (lideranças. que detêm maior poder de influência. criando novas formas de gestão. um espaço institucional para o encaminhamento de propostas da sociedade civil para uma nova governança junto à esfera estatal. [editar] O empoderamento nos movimentos sociais em rede Pode-se. nos últimos anos. como há muitos centros (nós/elos). circuitos relevantes para o empoderamento das redes de movimento. mostrou sua força organizativa no Fórum Social Mundial de 2005. o poder se redistribui. merecem destaque os conselhos e conferências. Pergunta-se então: Como o trabalho de mediação das ONGs junto aos movimentos de base local pode ser direcionado ao empoderamento dos sujeitos sociais “socialmente mais excluídos”. mediadores. no sentido de não estimular as hierarquias de poder? as seguintes dimensões sociais merecem estar contempladas para um trabalho de empoderamento democrático e de inclusão social das bases: o combate à exclusão em suas múltiplas faces e a respectiva luta por direitos (civis. pelo menos teoricamente. pois. etc. Portanto. que. de direcionamento nas ações. mais discriminados. o que interessa é saber como se dá o equilíbrio entre essas tendências antagônicas do social e como possibilitam ou não a autonomia dos sujeitos sociais. porém. Novas formas de gestão na organização em rede Preparar os sujeitos para se tornarem atores de novas formas de gestão requer a participação em diversos espaços: mobilizações de base local na esfera pública. políticos. freqüentemente. estão sempre impregnadas pelo poder. especialmente os mais excluídos e que. As redes. o reconhecimento da diversidade dos sujeitos sociais e do respectivo pluralismo das idéias. Tais elos são. culturais e ambientais). enfim. mais carentes e mais dominados. Nas parcerias entre sociedade civil. bem como pelas possibilidades de solidariedade. de reciprocidade e de compartilhamento. e. O ativismo de hoje tende a protagonizar um conjunto de ações orientadas aos mais excluídos. a busca de uma representação ativa nas conferências nacionais e globais de iniciativa governamental em parcerias com a sociedade civil organizada. as estruturas de poder se dissolvem? Pressupõe-se. numa organização em rede há uma distribuição do poder. assim como qualquer relação social.). mas em termos de participação para a elaboração de políticas públicas.de Economia Solidária (REBES). Isso é parcialmente verdadeiro. agentes estratégicos. A nova militância passa por essa nova forma de ser sujeito/ator. Nos conselhos setoriais (popular e/ou paritário) é onde há. experimentos e tendas organizados. organizações de referência. são as denominadas “populações-alvo” desses mediadores. indagar: Nos movimentos sob a forma de redes. a promoção da democracia nos mecanismos de participação no interior das organizações e nos comitês da esfera pública. empoderamento através dos fóruns e redes da sociedade civil.

A./abr. jan. Manuel. CASTELLS. Civil society and political theory. criando novos espaços de gestão com o crescimento da participação cidadã. Porto Alegre. 2006/2007. Ativismo em rede e conexões identitárias: novas perspectivas para os movimentos sociais. 2006/2007. no. 2007. Essa é a nova utopia do ativismo: mudanças com engajamento com as causas sociais dos excluídos e discriminados e com defesa da democracia na diversidade. de redes inter-organizacionais e de redes de movimentos e de formação de parcerias entre as esferas públicas privadas e estatais.. 2005. Sociologias.php?pid=S010269922006000100007&script=sci_arttext&tlng=pt [editar] Referências bibliográficas ANJOS. Observação: O texto acima é uma compilação de trechos do artigo de Ilse SCHERER-WARREN.1. Brasília. Jorge. n. Ilse.18. Acesso: http://www. July/Dec. Sociedade e Estado. 109-130. SCHERER-WARREN.br/scielo.1. 109130. 21. Brasília: Mapas Editora & Consultoria. Das Mobilizações às Redes de Movimentos Sociais. . Territórios das comunidades quilombolas no Brasil – segunda configuração espacial. Brasília./abr. Sociedade e Estado.A sociedade civil organizada do novo milênio tende a ser uma sociedade de redes organizacionais. jan. Das Mobilizações às Redes de Movimentos Sociais. COHEN. society and culture. London: Blackwell Publishers. p. Rafael Sanzio Araújo dos. n. 21. teoria social e práticas de governos Um canavial tem a extensão Ante a qual todo metro é vão. Cambridge: MIT Press. v. NPMS A trajetória dos movimentos sociais no campo: história. v. MACHADO. p. 1992. ARATO. The information age: economy. 3 v. 1996.scielo. J.

ao longo dos anos 90 as divergências de condução entre agentes pastorais e lideranças sociais rurais foram tomando corpo e volume. O mercado editorial revela o quanto este tema vem sendo relegado dos anos 80 para cá. Mesmo assim. com raras exceções. Não por outro motivo. intitulada “hibrida” por Nestor Canclini (1997).João Cabral de Melo Neto1[1] 1. notadamente aquelas que envolveram ex-agregados das fazendas do Vale do Jequitinhonha. grande parte desses movimentos foram se cristalizando em organizações estruturadas e hierarquizadas. O que nos impede de perceberemos as origens da cultura hibrida do brasileiro. de domínio público (http://www. Daí não compreendermos claramente os movimentos erráticos dos movimentos sociais rurais. c) Embora a quase totalidade dos movimentos sociais rurais serem oriundos das comunidades eclesiais de base ou similares. indicam a pujança dos movimentos sociais. estranho para grande parte dos brasileiros. os projetos de combate à pobreza (como a construção de cisternas na região do semi-árido). 2[2] Estudos de Moacir Palmeira (1996) revelam uma peculiar cultura política. somos místicos e declaradamente pragmáticos2[2]. O Rural: Estrangeiro em seu próprio país É lugar comum afirmar que o Brasil é país de profundas contradições. No meio acadêmico uma das contradições mais intrigantes é a subestimação dos estudos sobre a realidade social do meio rural. no início do Século XXI já era perceptível que a novidade se transmutava.html ). os movimentos sociais rurais. os modelos de gestão participativa mais radicais (como os processos de reassentamento rural nos casos de construção de barragens). marcados por uma sociabilidade tipicamente rural. somos transgressores sem romper com a ordem social. caminhava sob lógicas pouco coerentes. Margarida Maria Moura (1986) é outra autora que desvela as ambigüidades culturais das lutas sociais. b) Apesar do movimento social de luta pela terra se constituir no maior foco de resistência política e social do país. O mesmo se encontra em estudos sobre assentamentos rurais. os enfrentamentos de natureza estrutural em relação aos projetos governamentais (como é o caso da transposição do Rio São Francisco). ainda. Somos “rururbanos” na alma: meio tradicionais e meio modernos. d) Não obstante os conselhos municipais de desenvolvimento rural sustentável se consolidarem como uma das experiências de gestão participativa mais intensas e de envolvimento de 1[1] Todas as fotos que ilustram este texto são de autoria de Sebastião Salgado. Estrangeiro em seu próprio país. permanecem organizados ao largo da estrutura sindical. . Boaventura Santos (2003) sugeriu que a cultura política latino-americana (incluindo a urbana) expressa uma lógica barroca. que a cultura rural vai se tornando hegemônica na produção cultural nacional. mesmo aqueles com longa trajetória de lutas urbanas. como os desenvolvidos por Conceição D’ Incao (1995).com/specials/salgado/home/drought. Os pesquisadores da área procuram dispor informações que possam reverter este cenário de descaso: revelam que a população rural não se reduziu tal como os institutos de pesquisa quantitativa sugerem. porque se mantém transgressora. rompendo com os mandonismos locais. o caráter quase exclusivamente urbano das pesquisas sociais nacionais gera uma barreira analítica. revelava ambigüidades. Citemos como ilustração. Se nos anos 80 alguns estudos sugeriam uma novidade social que vinha do campo. algumas dessas ambigüidades: a) Apesar do movimento sindical de trabalhadores rurais ser o mais vigoroso de toda estrutura sindical nacional. Outras pesquisas recentes identificam a mesma ambigüidade de nossa cultura polítiica. onde as relações de poder de tipo tradicional são restabelecidas no cotidiano dos assentamentos. as inovações sociais e políticas mais significativas: as lutas pela sustentabilidade econômica. Mas no meio rural encontramos. Em minha tese de doutoramento identifiquei as mesmas ambigüidades de ideário e imaginário social em varias lutas sociais rurais (RICCI:2002). mas nos limites da ordem social. muitas vezes distinta das reações sociais das comunidades rurais. renomeada pelo autor de “carnavilizada”. incluindo nossos pesquisadores sociais. a organização social com maior poder de mobilização do país é o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra.nytimes. o mundo rural continua exótico. Os movimentos sociais brasileiros são nitidamente comunitaristas. alterando paulatinamente seu ideário político e se tornando autoreferentes.

um campo de dupla resistência política. desprezada (a despeito de sua pujança) pelo centro político e econômico do país. novamente. No final dos anos 70 e inicio dos 80. A ambigüidade. o deputado estadual Francisco Julião criou um comitê de apoio envolvendo PTB. foram marcadas. a confederação foi criada em 1963. lideranças conservadoras da igreja católica e Ação Popular. A resistência e a tradição andam ao lado da transgressão. emerge a ambigüidade cultural. que trata da busca de um povo excluído e solitário por uma terra prometida pelo 3[3] No congresso de fundação da CONTAG estavam presentes 10 federações vinculadas ao PCB. UDN e PSB e se tornaria sua principal liderança. . compondo “laços de lealdade” no interior do sistema sindical. que busca amparo na leitura da Bíblia. ocupações de terra. Este é o caso da luta pela terra (defendida pelo sistema contaguiano apenas nos limites do Estatuto da Terra. mas que se traduz numa forte hierarquia social no seu interior. ocupações de órgãos públicos. alinhando-as à Cuba. Uma característica da cultura rural: uma cultura não hegemônica. dirigia 21 federações rurais (de um total de 42 existentes)3[3]. não conseguiram romper com a ingerência do Poder Executivo local nas suas deliberações. pela ambigüidade. seringueiros. oito vinculadas à AP e seis dirigidas por grupos católicos conservadores do nordeste. pouco ou nada assistidas pela legislação ou estrutura sindical vigentes. Esta condição leva ao apartamento social e daí as ações de resistência política sempre estarem revestidas de transgressão ou inovação na gestão territorial. De Organizações e Movimentos Sociais As organizações sociais rurais contemporâneas. desde seu inicio. O PCB. Após o golpe militar de 64. Daí a emergência do que poderíamos denominar de “culto aos dirigentes”. aproximando as Ligas das políticas castristas. As duas mais importantes organizações rurais dos anos 50 e 60 (Ligas Camponesas e Sistema CONTAG) sofreram desta sina. ou melhor. contra a ordem social que os exclui e contra as organizações formais de representação social que não os acolhe. co-gestão de projetos sociais. assim. Os movimentos sociais rurais dos anos 80 são. em especial. é revolucionário e conservador. já que a cúpula de esquerda do sistema sindical rural define como estratégia política a orientação pela defesa restrita da lei (lembremos que a legislação vigente era draconiana contra qualquer mobilização social de massa) e estabelecimento de acordos entre lideranças sindicais já estabelecidas (mesmo entre dirigentes muito conservadores). sem-terra e bóias-frias). o que excluía a luta de ribeirinhos. na época. Daí a explicação para saques em regiões de seca. 2. As Ligas Camponesas nasceram como Sociedade Agrícola de Plantadores e Pecuaristas de Pernambuco (SAPPP). a CONTAG será reconquistada por lideranças vinculadas ao PCB apenas no final da década de 60. portanto. Nascida através da disputa e negociações de cúpula entre lideranças do PCB. Julião protagonizaria embates acirrados com a direção do PCB sobre a condução das lutas no campo e acabaria por dirigir uma radical inflexão de seu ideário. para qualificá-las ideologicamente (RICCI. PST. inferiorizada e que resiste a esta condição. é embalada por forte ressentimento. esta limitação do sistema de representação político-social do meio rural foi duramente questionado por uma série de movimentos sociais que explodem nas regiões e categorias sociais de fronteira. mas logo foram cunhadas pelos jornais locais com o nome das organizações rurais comunistas criadas nos anos 50 na região de Ribeirão Preto (SP). as passagens do Êxodo. como administradores e representantes capacitados para liderar e monopolizar qualquer demanda social rural. ressentimento e revolta. 1999: 67). tendo como presidente Lindolfo Silva (um alfaiate carioca comunista que desconhecia o cotidiano rural). no mundo rural.comunidades do país. E. O novo. formalizada em rituais e tradições definidas pela conduta e costume. Logo em seguida. a ambivalência da cultura política rural parece ser uma marca nítida das ações do homem do campo. que lideraram lutas de resistência política desde meados do século XX. A resistência. lutas de assalariados rurais temporários e tantos outros segmentos sociais. A CONTAG teve sorte semelhante.

mas à uma conjunção de fatores: o avanço do agronegócio em áreas tradicionalmente ocupadas pela agricultura familiar. Esta situação parece estar sendo contornada por ações recentes do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA). passaram a definir dirigentes autorizados a falar em oficialmente em nome das organizações. como as federações de agricultores familiares. que em grande parte foram criados a partir do estimulo gerado pelos recursos envolvendo o PRONAF (Programa Nacional de Apoio a Agricultura Familiar). Permaneceram algumas experiências singulares e particularizadas. aumentando o apoio e as ações de formação técnica dos conselheiros rurais.desejo divino. Daí seu nítido caráter autônomo. trata-se de uma lógica muito próxima do neocorporativismo. e assim por diante. que reformularam a política nacional de assistência e extensão rural. a regra continuou sendo a dificuldade das ações de resistência e luta por novos direitos superarem os limites das praticas reivindicativas. Daí a preferência por estruturas de organização horizontalizadas. deixando de realizar cursos e atividades de formação abertas. As dificuldades para a superação do caráter reivindicatório não estiveram vinculadas apenas à cultura ou ideário político dos movimentos sociais. Permaneceram na resistência e na mobilização por pautas mais imediatas. a forte desconfiança em relação às instituições públicas. o aumento de disputa por recursos entre movimentos e organizações populares. Como organizações. O que merece destaque é a relação direta entre lideranças de movimentos sociais e governos (e nem tanto entre movimentos sociais e Estado). Com efeito. de fato. uma nova estrutura de poder e tomada de decisão pública. durante o ápice da experiência do Estado de Bem Estar Social europeu. Este seria o caso das políticas de descentralização ocorridas no país (merenda escolar. construindo uma nova institucionalidade pública. onde são constituídas arenas de negociação e políticas públicas entre atores portadores de interesses privados e agentes estatais. mas que não chegaram a alterar. Enfim. Nesses 4[4] Este termo foi originalmente elaborado por Claus Offe. criaram sistemas de divulgação de suas ações e captação de recursos financeiros. o assembleísmo na tomada de decisões. Este foi o caso do CMDRS. o envolvimento direto de assessores e lideranças de movimentos sociais em administrações públicas progressistas. A própria filiação da CONTAG à CUT gerou um declínio de todas formas de organização paralela à estrutura sindical federativa que estava em curso até meados dos anos 90. frente aos partidos políticos e estruturas formais de representação. entre outras). Contudo. mas com o que podemos denominar de “estatalização4[4]” dos movimentos sociais: um tipo especifico de parceria que tende a institucionalizar os movimentos sociais numa dimensão extremamente formal e oficial5[5]. consolidando uma relação política e não necessariamente uma nova institucionalidade pública. não conseguiram esgotar sua possibilidade real de substituir a estrutura verticalizada e burocratizada de gestão pública por estruturas mais horizontalizadas e colegiadas. De Movimentos Sociais à Organizações O ideário anti-institucionalista projetado nos anos 80 consolidou uma forte articulação nacional de movimentos sociais e organizações de apoio às lutas sociais rurais. Mesmo algumas inovações implementadas a partir das novidades instituídas pela Constituição de 1988 (mais especificamente os conselhos de gestão pública gerados a partir do artigo 204). Tal constatação não se confunde. é certo. transformando-os em organizações autoreferenciadas. Um ideário de distanciamento do instituído e de crença num futuro utópico. passaram a locomover-se num cenário de autopromoção. Entretanto. Daí o discurso inundado de simbologia. para limitá-las à formação de seus próprios quadros. estudos de Marta Arretche (2000) demonstram que persiste na cultura política nacional a dependência das ações públicas em relação aos órgãos centrais de gestão. para ilustrar o grau de dependência que o cotidiano das praticas sociais passaram a ter em relação aos órgãos estatais. assistência social. O misticismo retorna como energia moral de segmentos sociais que se sentem abandonados. a natureza teleológica (quase proféticas) das palavras de ordem. como é o caso dos Conselhos Municipais de Desenvolvimento Rural Sustentável (CMDRS). 3. em grande parte. Assim. as experiências inovadoras desencadeadas pelos movimentos sociais rurais dos anos 80 foram catapultadas à esfera das ações governamentais. saúde. . com cooptação das experiências. não conseguiu elaborar uma nova institucionalidade ou mesmo políticas públicas mais adequadas aos seus interesses. que envolveram estados e municípios na medida em que o órgão central gerava estímulos financeiros. muitos movimentos sociais rurais se institucionalizaram e assumiram nítidos sistemas de controle e hierarquia no seu interior. a estrutura sindical centralizada e pouco enraizada no cotidiano das lutas sociais no campo. 5[5] Em outros termos.

Ao contrário. 2004:24).termos. c) elevar o profissionalismo dos agricultores familiares e. o que questiona. com competitividade). Os embates de ordem cultural são constantes. O PRONAF adotou quatro objetivos centrais: a) adequar políticas setoriais à realidade da agricultura familiar. o programa é reformulado. CAZELLA & MATTEI. É fato que esta substituição é tema de embate político no interior do governo. altera-se a taxa de juros e as formas de pagamento dos empréstimos bancários. Em 1995. 2004: 69). na Paraíba. Os conselhos municipais passaram a formular os Planos Municipais de Desenvolvimento Rural. há registros de ingerência direta do Poder Público local na definição de representantes das comunidades rurais como conselheiros). b) Não é freqüente. a reforma agrária passou a ser substituída pelo fomento ao desenvolvimento territorial. Há registros de embates sociais para ingresso nos conselhos. entre representantes das comunidades rurais e agentes governamentais. O despreparo de agentes das Secretarias Municipais de Agricultura ou descaso de prefeitos limitam. Com efeito. representações do empresariado são incorporadas aos conselhos (caso mais freqüente no Rio Grande do Sul). a presença dos Sindicatos de Trabalhadores Rurais (STR) e de associações de agricultores familiares (ou suas comunidades). Contudo. de desenvolvimento rural sustentável). Associou-se à histórica oposição do empresariado nacional a reelaboração teórica promovida inicialmente por José Graziano da Silva (1985). 57% dos presidentes dos CMDRS são secretários da agricultura. apenas o credito para custeio foi implementado. c) Não existe uma concepção nítida do que seria a estrutura mais adequada de participação das comunidades rurais nos CMDRS. financiamento da infraestrutura. 2004) revela a pujança e caráter inovador deste programa6[6]. e ganha oficialmente o nome atual.responsável por sua gestão e fiscalização. o PRONAF parece ser a referência mais direta e exitosa desta nova relação política. o que se distancia do caráter emancipatório dessas políticas e ações governamentais. d) estimular o acesso aos mercados de insumos e produtos. em 1994. e) Os CMDRS valorizam o saber prático. que o presidente dos CMDRS sejam eleitos por seus pares. No governo Lula. muitas vezes. em 1996. Em 1999. Enquanto os primeiros participam como voluntários. a reforma agrária passou a ser considerada como política compensatória ou ação focalizada para debelar tensões em áreas de conflito social. . como seria adequado. estudo recente a respeito do PRONAF (SCHNEIDER. o saber técnico da representação governamental (em especial. 6[6] PRONAF nasceu PROVAP (Programa de Valorização da Pequena Produção Rural). d) A composição dos CMDRS não é uniforme ao longo do país. operacionalizados a partir do financiamento da produção. a reforma agrária foi deslizando da agenda oficial dos partidos e das preocupações centrais da agenda estatal. Inicialmente. Em alguns casos. Ao longo dos anos 90. parece provocar disparidades na capacidade de tomada de decisões dos CMDRS. dos técnicos presentes). o novo contorno da política agrícola foi se acentuando e descaracterizando os objetivos tradicionais da reforma agrária. um estudo da FAO classifica a agricultura familiar em três tipos e sugere a prioridade para o fomento da agricultura em vias de se consolidar (articular-se ao mercado. a capacidade política dos conselhos (contudo. Uma importante investigação sobre o funcionamento de CMDRS do Rio de Janeiro. no Rio Grande do Sul. Em alguns casos. b) viabilizar infraestrutura para este segmento social. muitas vezes. técnicos da EMATER (extensão rural) entrevistados consideram que um número elevado de conselheiros e representantes de cada comunidade dificulta a agilidade das decisões. 2004: 54) indica algumas características desses organismos de gestão pública: a) A paridade na sua composição. Quatro anos depois. Uma outra esfera de atuação governamental – as políticas agrárias – não mereceu a mesma atenção e lógica adotada pelo PRONAF. é uma constante. os segundos possuem condições materiais (incluindo salário) que lhes confere mobilidade. como vários casos envolvendo assentados rurais. Não é raro extensionistas rurais selecionarem conteúdos e formulações dos conselhos do que consideram ilusório ou irrealista (MARQUES. apoiado em recursos do BNDES. De política estatal de natureza distributiva que teria como função corrigir distorções na ocupação da terra e natureza da estrutura produtiva rural. Rio Grande do Sul e Paraíba (MARQUES. o programa foi incorporado ao Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e ampliou o papel político dos conselhos (tanto estaduais como municipais. assim como igrejas (caso mais freqüente na Paraíba). desde os anos 80. formação de profissionais e financiamento da pesquisa e extensão rural (SCNEIDER. Neste ano.

revelou a tensão entre a posição dos agentes do MDA (aliados das lideranças sociais) e os do Ministério da Fazenda (defensores dos parâmetros de gasto publico orientados pela garantia do índice de superávit primário do orçamento público). é tortuosa e errática.cultiva. de outro lado.org. Pareciam anunciar novas práticas políticas e sociais nos anos 80. alguns se partidarizaram. outros fatores competem para a contenção ou inflexão dos movimentos sociais rurais brasileiros. organizada pela IV Semana Social Brasileira (CNBB) e Jubileu Sul/Brasil. se corretas. É fato. Ver documento de referencia desta Assembléia em www. Uma última observação sobre as políticas estatais para o meio rural e a relação com movimentos e organizações rurais diz respeito à focalização de diversas iniciativas como é o caso da transposição do Rio São Francisco. Uma carta aberta de D. Ver entrevista de D. Tal escolha. contribuem para uma constante tensão entre uma identidade tradicional das populações rurais e um panorama inovador e volátil que conspira contra as bases de seu imaginário. A primeira opção foi. embora hegemônica.org. 7[7] Dentre tantas evidências do isolamento dos agentes estatais que sustentam a tradicional natureza da reforma agrária como política pública distribuitiva pode ser invocada a dura negociação do último Plano Safra. como era anunciado em diversos estudos elaborados ao longo dos anos 80 e 90. ideológico e econômico como este. 8[8] Além da marcha organizada pelo MST. Tanto a territorialização. o caráter facilitador de realização do capital e dos investimentos no setor. a redução das políticas públicas para o setor à sua dimensão econômica. ainda. contudo. A mais instigante hipótese é a de crise das estruturas de representação política no meio rural em virtude de mudanças aceleradas das condições sociais e de trabalho no campo. Demétrio Vicentini. as possibilidades e impactos sofridos pelas populações rurais gera o que podemos denominar de “tendência à dissocialização”. É possível antever o inicio de reação política dessas forcas sociais rurais aos contornos das políticas públicas federais. dirigida pelos formuladores do Ministério da Fazenda. para utilizarmos termo sugerido recentemente por Touraine (1999). outros mantiveram o ideário original (mas restrito à pequenos territórios de atuação) ou até mesmo mantiveram ações inovadoras temáticas (como no caso de reassentamentos rurais de populacões atingidas pela construção de hidrelétricas). As duas hipóteses indicam. a mudança constante da paisagem rural. uma leitura governamental unificada. que grande parte dessas organizações trilharam. . logo após a chegada da marcha organizada pelo MST à Brasília. Fórum Social Brasileiro e inúmeras entidades do meio rural. que compareceu à mesa de negociações entre lideranças sociais e governo federal.br .br .mas os agentes estatais que sustentam a tradicional versão da política de reforma agrária são francamente minoria no interior da gestão federal7[7]. a Assembléia Popular “Mutirão Por Um Novo Brasil”. e mais especificamente. contudo. quanto as demais ações governamentais voltadas para o fomento à agricultura (em especial. até o momento. de um lado. até o momento. A fragmentação social. Esta parece ser uma lógica que mantém. Demétrio em www. a agricultura familiar). Além do hibridismo (ou ambivalência) da cultura política rural. Os movimentos sociais rurais. Da crise de paradigmas e de representações sociais A historia recente dos movimentos sociais rurais. a escolha.cultiva. que a focalização não se tornou. Num terreno social. as organizações rurais de trabalhadores e agricultura familiar. parece se esgotar gradativamente8[8]. é possível. que deverá ocorrer entre os dias 25 e 28 de outubro deste ano (a expectativa dos organizadores deste evento é a de mobilizar 12 mil pessoas). não universais. ainda que tímida. têm neste enredo um dilema a ser superado: ou disputam programas marginais que indicam mudança na lógica de fomento ao desenvolvimento da agricultura ou aumentam o grau de mobilização social e pressão sobre as agências estatais. se institucionalizaram. com exceção do PRONAF – já comentado – possuem contornos das políticas focalizadas. a crise das relações sociais tradicionais. ganhou apoio do MST. nem teoricamente – um esboço de nova institucionalidade pública ou padrão de formulação ou controle social sobre políticas públicas do setor. Mas não conseguiram produzir – nem prática. como se percebe. sugerir referências à noção de formação de clusters. mas rapidamente tomaram novos rumos. 4.

de formação de uma forte identidade e valorização das populações rurais. O mesmo se encontra em estudos sobre assentamentos rurais. opiniões. onde as relações de poder de tipo tradicional são restabelecidas no cotidiano dos assentamentos. mas nos limites da ordem social. contudo. porque se mantém transgressora. imagens). 13 [6] PRONAF nasceu PROVAP (Programa de Valorização da Pequena Produção Rural). não consegue impor-se como alternativa à constante ruptura social e de expectativas futuras. não raro acolhendo várias representações de natureza distinta que acabam por criar novos elementos morais. que sugerirmos um importante momento de crise de representação social. atitudes.nytimes. de compreensão do seu isolamento frente às opções governamentais e de construção efetiva de uma nova institucionalidade pública. 11 [4] Este termo foi originalmente elaborado por Claus Offe. as comunidades rurais vivenciam um momento de “deslocamento de representações” em virtude da flexibilidade da ordem social contemporânea. um estudo da FAO classifica a agricultura familiar em três tipos e sugere a prioridade para o fomento da agricultura em vias de se consolidar (articular-se ao mercado. No caso em estudo. A cultura comunitária. 12 [5] Em outros termos. e se mantém. num mosaico de informações que constituem um tipo de bricolage. Em minha tese de doutoramento identifiquei as mesmas ambigüidades de ideário e imaginário social em varias lutas sociais rurais (RICCI:2002). ideológicos. Para além do Estado ou para transformá-lo radicalmente. em 1996. trata-se de uma lógica muito próxima do neocorporativismo. para ilustrar o grau de dependência que o cotidiano das praticas sociais passaram a ter em relação aos órgãos estatais. de domínio público (http://www. articulam conteúdos e processos.É importante ressaltar que toda representação social é mutável. Enquanto tendência. como os desenvolvidos por Conceição D’ Incao (1995). Outras pesquisas recentes identificam a mesma ambigüidade de nossa cultura polítiica. o programa é reformulado. alterando o sentimento de pertença social e o julgamento das experiências cotidianas. o programa foi incorporado ao Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e ampliou o papel político dos conselhos (tanto estaduais como municipais. valores. com competitividade). oito vinculadas à AP e seis dirigidas por grupos católicos conservadores do nordeste. Os conselhos municipais passaram a 14 9 10 11 12 13 14 . para tanto. apoiado em recursos do BNDES. onde são constituídas arenas de negociação e políticas públicas entre atores portadores de interesses privados e agentes estatais. Mas. muitas vezes distinta das reações sociais das comunidades rurais. as populações rurais terão que atualizar a trincheira aberta nos anos 80. durante o ápice da experiência do Estado de Bem Estar Social europeu. que considere seu ideário e imaginário social e suas formas de reprodução social. Margarida Maria Moura (1986) é outra autora que desvela as ambigüidades culturais das lutas sociais. intitulada “hibrida” por Nestor Canclini (1997). Inicialmente. Neste ano. __________________ [1] Todas as fotos que ilustram este texto são de autoria de Sebastião Salgado. enfim. em 1994. Nada mais natural. A capacidade de formulação de políticas públicas e controle social rural era. 10 [3] No congresso de fundação da CONTAG estavam presentes 10 federações vinculadas ao PCB. 9 [2] Estudos de Moacir Palmeira (1996) revelam uma peculiar cultura política. de desenvolvimento rural sustentável). Em 1995. dando lugar a teorias espontâneas. cognitivos. se inscrevem nos quadros de pensamento preexistentes e enveredam por uma moral social (JODELET. crenças. apenas o credito para custeio foi implementado. As representações sociais. Boaventura Santos (2003) sugeriu que a cultura política latino-americana (incluindo a urbana) expressa uma lógica barroca. pode gerar inovações.html ).com/specials/salgado/home/drought. Em suma. Em 1999. 2001: 20). renomeada pelo autor de “carnavilizada”. e ganha oficialmente o nome atual. como possibilidade afirmativa do mundo rural tal como elaborado pelos movimentos sociais rurais dos anos 80. normativos. notadamente aquelas que envolveram ex-agregados das fazendas do Vale do Jequitinhonha. as representações incorporam diversos elementos da vida cotidiana (informativos. portanto. o que confere o deslocamento de certezas e verdades sociais. enfim.

Maria Hermínia Tavares de Almeida sugeriu que tais organizações corporativas seriam instrumentos de intermediação de interesses em lugar de representações. O tema surge no bojo de um processo de estranhamento das instituições públicas e de alguns segmentos urbanos frente ao acelerado processo de industrialização da Europa. altera-se a taxa de juros e as formas de pagamento dos empréstimos bancários. muitas vezes fundadas no clientelismo. assumindo o que a autora denomina de governo privado. Quatro anos depois. Demétrio em www.org. [7] Dentre tantas evidências do isolamento dos agentes estatais que sustentam a tradicional natureza da reforma agrária como política pública distribuitiva pode ser invocada a dura negociação do último Plano Safra.responsável por sua gestão e fiscalização. foram se alterando dos anos 80 para cá. alguns autores denominaram vários movimentos sociais contemporâneos de metacorporativistas. que compareceu à mesa de negociações entre lideranças sociais e governo federal. 15 [8] Além da marcha organizada pelo MST.br . Todo este debate para entendermos que.formular os Planos Municipais de Desenvolvimento Rural. E surgiu a partir de uma leitura conservadora e perplexa da emergência do mundo urbano-industrial. principalmente na França e Rússia. as práticas dos movimentos sociais.br . Fórum Social Brasileiro e inúmeras entidades do meio rural. Demétrio Vicentini. Desta ultima vertente. como mobilizações não institucionalizadas de 15 16 . revelou a tensão entre a posição dos agentes do MDA (aliados das lideranças sociais) e os do Ministério da Fazenda (defensores dos parâmetros de gasto publico orientados pela garantia do índice de superávit primário do orçamento público).cultiva. Ver entrevista de D. principalmente os brasileiros. Nasceram dentro da descrição clássica da sociologia. pela pena de Lorenz Von Stein. ao estudo do movimento operário francês e do socialismo. Ver documento de referencia desta Assembléia em www. organizada pela IV Semana Social Brasileira (CNBB) e Jubileu Sul/Brasil. logo após a chegada da marcha organizada pelo MST à Brasília. em 1840. Philippe Schmitter distinguiu corporativismo de Estado (cujas associações de interesse são dependentes do Estado e por ele penetradas) de corporativismo societário (cujas as associações são autônomas e penetram no Estado). Perplexidade que acabou por definir um olhar sobre os movimentos sociais: movimentos que reagiam ao sentimento de marginalização (Barrington Moore Júnior chegou a elaborar um livro denominado Utopia que procurou definir movitações populares para várias revoluções a partir deste sentimento de marginalização e inustiça) ou mesmo práticas corporativas. aos poucos. a Assembléia Popular “Mutirão Por Um Novo Brasil”. É possível antever o inicio de reação política dessas forcas sociais rurais aos contornos das políticas públicas federais. Este autor defendia a necessidade de uma ciência da sociedade que se dedicasse ao estudo dos movimentos sociais.org. ganhou apoio do MST. Uma carta aberta de D. em especial.cultiva. 16 Colunas Rudá Ricci 23/10/2009 O fim da era dos movimentos sociais brasileiros 1. Começando pelo início: o conceito O conceito é conhecido. que deverá ocorrer entre os dias 25 e 28 de outubro deste ano (a expectativa dos organizadores deste evento é a de mobilizar 12 mil pessoas). na medida em que expressam interesses próprios e desempenham papel ativo na definição dos interesses de seus membros.

tornando-se organizações hierarquizadas. focariam as análises nas escolhas racionais e mobilização de recursos. o livro Teoria dos Movimentos Sociais: Paradigmas Clássicos e Contemporâneos. a autora distinguiu as teorias européias das norte-americanas. elaborado por Émile Durkheim. fortemente influenciados pelo funcionalismo de Parsons. Desde o início. no interior do Estado. Maria da Glória Gohn escreveu o que foi possivelmente o estudo mais exaustivo publicado no Brasil sobre as várias teorias de movimentos sociais. muito empregado no Brasil nos anos 90). em especial no Brasil) teriam reformatado o que antes denominávamos de movimentos sociais? . Muitos autores (onde me incluo) publicaram nesta coletânea estudos que revelam uma forte institucionalização e segmentação política e social nas experiências associativas.segmentos sociais que buscavam direitos. com corpo diretivo e administrativo estáveis. participantes (indiretos ou não) de esferas de elaboração de políticas públicas. nos ciclos de protestos. Mas destaca. as vinculadas aos movimentos sociais dos anos 80. com fontes de financiamento sustentáveis. Mas foram se institucionalizando. sugeriu que a produção brasileira sobre o tema foi mais empírica-descritiva que analítica. procurando analisar vários aspectos da cultura associativa da maior cidade do país. Leonardo Avritzer organizou uma coletânea sobre “A Participação em São Paulo”. vários estudos (como o de Christian Adel Mirza. publicado pela Clacso). Mas permaneceu como nomenclatura de muitas forças sociais. segundo a autora. A Escola de Chicago dobraria sua atenção sobre a disfunção da ordem. cuja primeira edição data de 1997 (e sua 7ª edição foi publicada em 2007). Mesmo na América Latina. Basta uma breve olhada sobre as coletâneas que foram publicadas recentemente. em virtude da importação estandartizada dos conceitos produzidos no exterior. Evelina Dagnino. em outra coletânea (“Democracia. retomando o conceito de anomia. em todas vertentes. No Brasil a mudança parece fazer ainda mais sentido porque muitos movimentos sociais se institucionalizaram. Ainda que a partir desta brevíssima exposição. “Movimientos sociales y sistemas políticos en América Latina. relacionam nitidamente o antes conceito de movimentos sociais (não institucionalizado) a partir do Estado e instituições políticas dos países do continente. um consenso: movimentos sociais são fluídos. na identidade coletiva. Os norteamericanos. Neste livro. Estariam mais vinculados às abordagens neomarxistas ou vinculados aos conceitos de novos atores e direitos sociais (que daria emergência ao conceito de “novos movimentos sociais”. Os europeus focariam. formados a partir de espaços não consolidados das estruturas e organizações sociais. no projeto e cultura política. O conceito de sociedade civil vai substituindo a centralidade em vários estudos e investigações sociais. em especial. Ocorre que nos anos 90 este conceito entrou em declínio nos estudos acadêmicos. Sociedade Civil e Participação”) dedica parte significativa dos estudos para avaliar justamente o processo de institucionalização da participação da sociedade civil nas experiências de gestão participativa (como orçamento participativo). fica a dúvida estampada a partir até mesmo da literatura especializada: a Era dos Movimentos Sociais teria terminado? A fragmentação social em curso e a ampliação (ao menos formal) da participação da sociedade civil em esferas públicas (no interior do aparelho de Estado.

ainda. pautados pela mera negação ou sentimento de injustiça. estaduais e federais que ocorreram sob a gestão Lula não alteraram o processo de elaboração das políticas públicas do país e nem mesmo foram incorporadas às peças orçamentárias da maioria dos entes federativos. em todas suas três esferas executivas. Quem se dedica à implantação de sistemas de controle social sobre políticas públicas. Movimentos sociais brasileiros como representação ou parte integrante de anéis burocráticos de elaboração de políticas públicas? Entramos. assim. que antes exigiam inclusão social e fim da marginalização política? Estão todos nesses conselhos e novas estruturas de gestão pública. Enfim. poderiam construir uma nova institucionalidade pública. Motivados ou premidos pelas exigências constitucionais. Mas. por excesso de partidarização de todos movimentos sociais. pastorais sociais. A multiplicação das conferências municipais. conselhos de saúde. muitas vezes. como a gestão de reassentamentos rurais em casos de construção de hidrelétricas. ongs. Tal concepção fomentou a criação da ANAMPOS. organização nacional que articulava sindicatos de oposição à estrutura oficial do sindicalismo nacional e movimentos sociais. Não alteramos a lógica de funcionamento e de execução orçamentária efetivamente. Ao ingressarem no mundo e lógica do Estado. entidades que adotam como principal espaço de atuação as arenas de elaboração de políticas públicas de Estado? Em vários ensaios e artigos venho destacando a emergência de uma nova rede de gestão de políticas sociais institucionalizadas que são os conselhos de gestão pública (totalizando 30 mil em todo país) .2. Segundo o IBGE. E por sua lógica burocratizada. E onde estariam os movimentos sociais. Já existiam experiências nesse sentido. muito acima das ações de prefeitos brasileiros) e do Ministério Público. Com a . Mas parece que tais experiências se diluíram. que denominava de movimento popular. Movimentos sociais foram engolidos pela agenda de Estado. o ideário anti-institucionalista dos movimentos sociais brasileiros dos anos 80 converteu-se rapidamente em ideário do Estado que atacavam. os prefeitos de todo país institucionalizam (e. Se localidades rurais. por inconsistência teórica e programática. Nos anos 80. assistência social e direitos da criança e adolescente proliferam. não por coincidência. O aumento da participação da sociedade civil na gestão pública também não ensejou qualquer mudança na estrutura burocrática altamente verticalizada e especializada do Estado brasileiro. talvez. no tema deste artigo: poderíamos. Talvez. partidos e organizações de base eram ferramentas de um todo. 75% dos municípios brasileiros adotam alguma modalidade de participação da sociedade civil na determinação de prioridades orçamentárias na área social. as traduzem ou interpretam a partir de seu ideário peculiar) vários mecanismos de gestão participativa na deliberação de suas políticas locais. formação de lideranças sociais para compreensão do orçamento público e monitoramento de resultados das políticas sociais ou descentralização administrativa voltada para a participação da sociedade civil na gestão pública sabe que a demanda para estes serviços vem aumentando exponencialmente em todo país. conselhos de desenvolvimento rural sustentável ou de meio ambiente ou de bacias hidrográficas pululam. Frei Betto sugeria que sindicatos. pelos convênios com órgãos federais (dados importantes fornecidos pelo IBGE revelam que governadores e ministérios lideram a criação de conselhos de gestão pública paritários. Se localidades urbanas. utilizar tecnicamente o conceito de movimentos sociais para descrever organizações sociais. gestão autônoma desses empreendimentos a partir do Movimento de Atingidos por Barragens (MAB).

E com a conversão da CUT à conquista da estrutura sindical oficial que criticava (confederações nacionais e federações estaduais). mesmo que apenas no seu esboço mais geral. até determinado momento. para apoiarem tecnicamente os movimentos sociais emergentes. E não conseguiram mais se livrar dela. de organizações vinculadas à social-democracia ou igrejas progressistas. tais movimentos adotaram e aprofundaram o ideário das comunidades eclesiais de base. as organizações não-governamentais (ongs) caminharam.criação da CUT. a única que ainda consegue gerar mobilizações sociais de massa. uma década depois. Nos anos 80. membro da Executiva Nacional do Fórum Brasil do Orçamento e do Observatório Internacional da Democracia Participativa A literatura especializada caracterizou os movimentos sociais brasileiros dos anos 80 como anti-institucionali stas. São. do seu horizontalismo organizativo (em oposição às estruturas verticalizadas das organizações populares dos anos 60) aos mecanismos de democracia direta (o assembleísmo) para tomada de decisão. Evidentemente. que apoiavam o processo de redemocratizaçã o do Brasil. está se isolando á passos largos. com raríssimas exceções. Se isola a partir do governo que ajudou a desenhar. E se isola porque seu aliados de antes estão imergido na agenda do Estado. . articularam fóruns e redes e se atiraram na tarefa de formalizar as estruturas de gestão pública participativa conquistadas na Constituição de 1988. O mundo sindical achou seu caminho alternativo ao ideário dos movimentos sociais. E os próprios movimentos sociais? Também alteraram seu ideário. a ANAMPOS foi minguando. a ANAMPOS se tornou anacrônica. De Organizações Populares e Movimentos Sociais Brasileiros De Organizações Populares e Movimentos Sociais Brasileiros Rudá Ricci Doutor em Ciências Sociais. Marcados pela "legitimação pela mobilização social" ou "mobilismo". em meados dos anos 90. Nos anos 90. Compreendo que esta é o cenário montado para o drama que desenrola nos últimos dias sobre o futuro do MST. em 1983. Recusaram relações políticas perenes com qualquer instituição política. Mas. Recebiam financiamento externo. Basta analisarmos as pautas das conferências nacionais de direitos. de governos a parlamentos. a partir das estruturas criadas e com a eleição de Lula (o ícone do ideário dos anos 80) suas lideranças subsumiram á lógica do Estado. a organização popular mais poderosa do país. a agenda definido a partir do governo federal.

Ações de impacto sobre a auto-estima. identificadas como ações de baixa efetividade na mudança social. EUA. Hoje são 30 mil conselhos públicos (setoriais e de direitos) espalhados por todo território nacional. do novo papel do Ministério Público aos conselhos de gestão pública. Com o fortalecimento de toda uma nova institucionalidade pública. fórum nacional de participação popular. Destaco três. Agendas até então tipicamente européias.Mas tudo se alterou no final dos anos 80. foi questionada pelas agências financiadoras externas. segundo o IBGE). elaboração de projetos. A palavra de ordem passou a ser a observação de resultados concretos. França e Holanda. passaram a ser questionadas. a se debruçar sobre a lógica errática do orçamento público e da execução de ações governamentais. da Alemanha. Enfim. como acompanhamento e execução orçamentária. fórum de entidades de defesa dos direitos da criança e adolescente) . enfim. Tudo ficou ainda mais complexo com o monitoramento progressivo das agências de financiamento externo. mas também do Japão. ongs e movimentos sociais ingressaram no mundo das técnicas e tecnalidades da administração pública. de caráter simbólico. de mudança da qualidade de vida da base social atingida por ações de ongs financiadas por entidades européias. uma gama imensa de temas antes adstritos às agências estatais. entre tantas. Quase 200 municípios adotaram o orçamento participativo. a África despontou como continente mais necessitado de apoios financeiros. saúde pública. em especial: a) a queda do Muro de Berlim. Por vários motivos. Lei Orgânica da Assistência Social e Estatuto da Criança e Adolescente) que gerou uma importante teia de co-gestão de políticas sociais no Brasil. do fortalecimento das centrais sindicais à municipalizaçã o de inúmeras políticas sociais. elaboração de indicadores de monitoramento de execução de políticas públicas. passaram a fazer parte obrigatória dos projetos de entidades brasileiras. A Constituição de 88 foi acompanhada de um corpo legislativo (Lei Orgânica da Saúde. Uma delas foi a aproximação organizacional de ongs e movimentos sociais. ou seja. O fato é que houve queda acentuada de financiamentos às ongs a partir do final dos anos 80 e início dos 90. além de muitas iniciativas municipais de consulta ou participação na definição de investimentos orçamentários municipais (75% dos municípios adotaram mecanismos desta natureza. que abrangeram bandeiras e demandas de políticas públicas (educação pública democrática. uma rede de fóruns de ongs e movimentos sociais. Inter-redes temáticas. Saberes específicos. reforma política democrática. Forjou-se. em muitas situações. em especial. Muitos movimentos sociais se estruturaram. Canadá. O leste europeu passou a demandar ajuda para consolidação de sua tênue democratização. Este é o caso das romarias de agricultores familiares que. como as agendas ambientalistas e direitos da mulher. Tais mudanças de rumo geraram alterações importantes. b) a Constituição de 88 e um conjunto de leis que a sucederam e que aprofundaram mecanismos de co-gestão pública. produção de leis de iniciativa popular foram alguns dos novos temas da pauta das organizações populares do país. tema similar ao Brasil do início dos anos 80. A queda do Muro de Berlim gerou uma nova leitura da geopolítica de investimentos externos. . Obviamente que o impacto sobre as lideranças sociais foi imenso. Passaram a adotar um discurso mais técnico. a partir de então. saúde mental. muitos deles administrando fundos especiais de investimentos. c) a imposição de monitoramento e agendas européias como contraponto ao financiamento externo.

por sua vez.. mais espaço para a sua expansão. ora parcerias com o setor privado. portanto. tendo em vista o crescimento e a diversificação do setor e as mudanças organizacionais observadas nestas instituições. de Adilson Cabral. ou com o Estado. consultores e empresas financiadoras. é encontrar formas de gestão que se adequem às particularidades destas organizações. via a atuação de ex-executivos da área privada. as ONGs e a militância que pensa.790.. num mundo cada vez mais fragmentado. sugere: A gestão das organizações não-governamentais passou a despertar interesse nos meios acadêmicos nos últimos anos. e em conseqüência. Mendes (1997) constata em pesquisa junto a ONGs que seus modelos organizacionais não estão ajustados nem para o presente. criando seu discurso próprio de identidade e sustentação. sua história. sendo a proposta mais recente. há. ora por meio de atividades comerciais. Ficaram mais ongs. para tanto.110). 9.. (desde a Constituição de 1988) pelo Estado.se de uma parafernália tecnológica. a redução dos financiamentos de agências internacionais provocou a busca de alternativas de auto-sustentaçã o destas organizações. O desafio. e. Hoje. Silvia Maria Roesch. além de causar excessiva burocratização. dada a tendência de descentralizaçã o na gestão das políticas sociais. Outro artigo apresenta as contradições relacionadas à representatividade social das ongs ("Movimentos Sociais. com uma atitude altamente crítica em relação ao Estado e ao setor privado (Bailey. a cooperação para o desenvolvimento. a descentralizaçã o na gestão de políticas sociais pelo Estado abriu espaço para a expansão do setor. sofrem pressões para buscar novas formas de sustentação financeira e reduzir sua dependência das agências financiadoras internacionais (cujos recursos estão sendo redirecionados para outros contextos). 2001) mencionam a relutância destas organizações em adotar modelos gerenciais. onde a cooperação para o desenvolvimento se transforma em mercadoria. mantendo seus próprios valores e prioridades" (Lewis. vários outros (citados em Marçom & Escrivão Filho. agora. aparelharam. que define as Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIPs). e que "…lhes permitam fazer o seu trabalho.criaram um corpo técnico permanente. têm necessidade de fortalecer relações com outros organismos privados ou estatais. seu papel na sociedade. aqueles que sustentam os projetos. ao mesmo tempo em que se autonomizam. Por um lado.138). por sua vez. havendo como que uma aversão ao modelo burocrático. 1999. Elas nasceram nos anos 70. logo existe". Comenta-se sobre o risco das parcerias virem a desvirtuar os papéis originais de representação e defesa de interesses.) Marçom & Escrivão Filho (2001) referem tendências diversas apontadas na literatura: por exemplo. de 23 de março de 1999. a própria continuidade das ONGs. Universidade Estácio de Sá/RJ): O fato é que. perda de independência política. As ongs.. Ainda. enquanto Diniz (2000) relata a transposição de técnicas gerenciais empresariais. adotaram a figura do porta-voz oficial. a parceira com o Estado no tratamento de questões sociais. as ONGs também afirmam uma estrutura que se assemelha à de uma espécie de "pequenas empresas que funcionam no contraponto do mercado". num artigo intitulado "Gestão de ONGs". nem para o futuro. formalizada pela Lei No. Por outro lado. operando fora do establishment. como movimentos sociais relativos a direitos civis e combate à pobreza.)O papel das ONGs está em transformação no Brasil. Seus trabalhadores. Por outro lado. p. esboçaram teorizar sobre as novas formas de representação social. (. p. (. estabelecem com .

E o mercado de captação de recursos foi se oligopolizando. Gostaria de agradecer imensamente pelo texto Análises sobre a truncada relação entre ONG's e movimentos sociais apontam para o desafio de forjar um ideário político que não abra mão de transformações reais na cultura política de nosso tempo. (. ONGs e movimentos sociais têm.. . As ongs também se fragmentaram.php?id=26 • Documentos / Textos Fórum Centro Vivo • • Por favor. Enfim. Este é o problema central. Passam a ser vistas pelos governo e órgãos multilaterais como interlocutores privilegiados para a implementação de projetos sociais.org.br/mostraruda. prática que não é conveniente para um setor que se pretende autônomo no interior da sociedade civil. Enviado por foz em dom. a aproximação organizativa entre ongs e movimentos sociais. um momento especial. cooperar num projeto oriundo das diretrizes de um determinado governo resulta na cumplicidade com este. retirado de: http://www.. hoje. que exige. mas sim incorporam a representação do social para a opinião pública através da mídia e institucionalmente em alguns espaços multilaterais. as ONGs não substituem politicamente. a pauta mais complexo de movimentos sociais e ongs brasileiras. uma encruzilhada política e existencial.. Mas. que dificultam mais e mais a elaboração de uma agenda nacional. nem mesmo falam em nome dos movimentos sociais.11:01. porque o ideário de engajamento social vem se rompendo com a busca de sobrevivência financeira. a despeito das possibilidades abertas pelos fóruns nacionais e redes temáticas.. Terceiro. transformando aos poucos muitos movimentos sociais em organizações e afastando a possibilidade das ongs se vincularem aos movimentos sociais como meras assessorias (já que os próprios movimentos sociais possuem as suas assessorias permanentes) . faça o login para enviar comentários tirado da lista. Segundo. Desta forma. uma dedicação quantificada em horas de atuação e resultados. Vivemos.cultiva. mesmo se opondo ideologicamente a esta possível sina. 06/04/2008 .elas uma relação de troca de dinheiro pela força de seu trabalho. as ongs se profissionalizaram e iniciaram uma importante disputa pelo mercado.) Como dissemos anteriormente. enfim. em virtude da acelerada fragmentação social. enfrentam dificuldades de aproximação por conta de um "mercado" político e de financiamento cada vez mais complexo e impessoal. mais a compartilhar que antes. além de um conhecimento específico. de pautas e agendas. tais como fóruns e conselhos a nível estadual e nacional. paradoxalmente. Em primeiro lugar.

anuncia-se outra teoria política das práticas que realizamos. Essa constatação não deve alcançar tons proféticos ou salvacionistas.Há que se pensar sobre qual o estatuto político que está sendo desenhado na sociedade em que vivemos. mas indicar o imenso trabalho de quebra de preconceitos e formulação que está para ser feito. faça o login para enviar comentários . • Por favor. A política se fragmenta e sua contingência tem demandado posicionamentos que não se sustentam nas institucionalidades disponíveis. Ainda que habitemos intervalos. fissuras entre classificações e categorias já formuladas.

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