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1664ISSN 1664-5243

Literário, sem frescuras!

V@R@L D@ S@UD@DE

JunhoAno 2 - Junho- 2011 - Edição Especial

VARAL DO BRASIL - VARAL DA SAUDADE

VARAL DO BRASIL LITERÁRIO, SEM FRESCURAS
Genebra, primavera/verão de 2011

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EXPEDIENTE
Revista Literária VARAL DO BRASIL®

1664ISSN 1664-5243
Edição Especial VARAL DA SAUDADE Genebra - CH Copyright Vários Autores O Varal do Brasil é promovido, organizado e divulgado pelo site: www.coracional.com Site do VARAL: www.varaldobrasil.com Textos: Vários Autores Ilustrações: Vários Autores Revisão parcial de cada autor Revisão geral VARAL DO BRASIL Composição e diagramação: Jacqueline Aisenman Editora-Chefe: Jacqueline Aisenman A distribuição ecológica, por e-mail, é gratuita. Se você deseja par cipar do VARAL DO BRASIL NO. 10, envie seus textos até 10 de JUNHO para: varaldobrasil@bluewin.ch A saudade é a nossa alma dizendo para onde ela quer voltar. Rubem Alves

ENCONTRE O LIVRO VARAL ANTOLÓGICO, PRIMEIRA COLETÂNEA IMPRESSA DA REVISTA VARAL DO BRASIL! No Brasil
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Saudade é aquela palavra que se tenta definir. Talvez para não sentir tanto, talvez para somente compreendê-la. Temos saudades de gente, de bichos, de momentos, de quem fomos... Temos saudades de tudo o que não pôde, por um motivo ou outro, permanecer em nossas vidas. Em algumas vezes, tentando diminuí-la acabamos por sentir sua extensão: a solidão. Em outras, apenas querendo vivê-la, fazemos dela lembranças. Saudade é sim a palavra mais difícil de traduzir. Porque saudade não é exatamente fazer falta. E nem é totalmente não ter mais. Saudade esvazia e preenche. Viagens que fizemos pelo mundo ou dentro de nós mesmos. Pessoas que amamos e que se despediram para ir ali ou para não voltar mais. Objetos, por que não?, deixam saudades. Imaginem então companheiros como cães, gatos, coelhos... A estimação da saudade! Sentimos saudades dos filhos. Porque já estão longe, porque cresceram. Saudades de nossos pais que, de perto ou de muito distante, sempre farão parte de nossas vidas. Saudades daquele amor que um dia conseguiu ser tudo. Saudades de amigos que foram tanto! A saudade não é um sentimento para se lutar contra. Fazer dela uma aliada pode ser um grande trunfo para viver melhor, carregando em nosso coração caixinhas a serem abertas vez ou outra, deixando sair aquele perfume “de um dia”. Mas o importante é falar da saudade, expressá-la, para que não deixemos a vida passar, esquecendo o presente e o futuro. Saudades existem como pontes para que possamos sempre reviver o que um dia sentimos. Mas não façamos desta ponte toda a estrada e nem um ponto final! Façamos, junto com os 100 autores que aqui escreveram, apenas uma parte do caminho!

Abraços da Equipe do Varal

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JAAK BOSMANS SANDRA HELENA Q. SILVA LUIZ OTÁVIO OLIANI SILVIA ARAÚJO MOTTA ANTONIO VENDRAMINI NETO ODYLA PAIVA PEDRO FRANCO FÁTIMA DIÓGENES VÓ FIA DÚ KARMONA LEONIA OLIVEIRA SONIA NOGUEIRA ISABEL C. S. VARGAS BENEVIDES GARCIA B. JÚNIOR DE BARRENSE JACQUELINE AISENMAN MARIA CRISTINA P. S. RAMOS VALDECK ALMEIDA DE JESUS IVANE L. PEROTTI YARA DARIN DULCE CLAUDINO LAUDECY FERREIRA ALESSANDRA NEVES FLÁVIO MACHADO AGUINALDO BECHELLI JOSÉ CARLOS P. BRUNO CIRO TAVARES (ADELE) RENATA IACOVINO GILBERTO N. DE OLIVEIRA

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VALQUÍRIA G. MALAGOLI RITA DE O. MEDEIROS NORÁLIA DE M. CASTRO HIPÓLITO FERRO VARENKA DE F. ARAÚJO FÁTIMA VENUTTI CRISTIANE STANCOVIK TEREZINHA MANCZAK ANNA RIBEIRO LARISSA LORETTI JO MENDONÇA JOÃO DUTRA MARIA ALICE R. DE SOUZA LILIAN MAIAL RENATA FARIAS (IN MEMORIAM) MARILU F. QUEIROZ RAIMUNDO C. TEIXEIRA GRECIANNY C. CORDEIRO JU PETEK FLÁVIO GOULART BARRETO CARLOS D LENY MEL MÁRCIO JOSÉ RODRIGUES IGOR MEDEIROS DE OLIVEIRA JANIA SOUZA DENISE PARMA LUIZ ANTONIO CARDOSO GAROEIRO ROSALIE GALLO

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JOSÉ ALBERTO DE SOUZA PATRÍCIA LARA TINO PORTES LUIZ CARLOS AMORIM ADRIANA PADILHA FLÁVIA ASSAIFE REGINA ARAUJO GLÓRIA SALLES GRAÇA CAMPOS ICLÉIA INÊS R. SCHWARZER CEIÇA ESCH WALNÉLIA C. PEDERNEIRAS ROZELENE FURTADO DE LIMA MARCELO MORAES CAETANO MADAL CRISTINA F. PINTO-BAYLEY IRINEU BARONI LARIEL FROTA CHAJAFREIDA FINKELSTAIN LEONILDA YVONNETI SPINA MADHU MARETIORE ANTONIO MIGUEL CESTARI CÉLIA V. AZEVEDO CIDA MOREIRA CLÁUDIA LEMOS DE MORAES FÁBIO S. DO AMARAL FLÁVIO RODRIGUES HELENA SCANFERLA HENRIETTE EFFENBERGER

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IGNEZ FREITAS JOARES DE OLIVEIRA PRETO JOSÉ GENTIL LEME LEDA MONTANARI LÓLA PRATA LYRSS CABRAL BUOSO MARIA CESTARI MARINA VALENTE MURTHES N. SPINA DE MORAES NORBERTO DE MORAES ALVES THEREZINHA RAMOS DE ÁVILA VLADIMIR INOKOV WADDAD KATTAR

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"As vezes a saudade é tão grande que a gente não sente mais. A gente é." Por Jaak Bosmans

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DESCOBERTA Por Luiz Otávio Oliani
nada detém a vida esvai-se o tempo o tempo em mim caramujo do imo guardo porta-retratos aqueço a memória: a infância me foi roubada

Saudade...
Por Dú Karmona " ... Quando penso que já foi... Volta e rasga, sangra e dói! Nem sei onde está, sei que ficou... O que ficou... é mais que a dor... Dor da falta, da perda... Ficou um vácuo que me devora... E tento sentir o que deixou para estancar toda esta dor... "

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VIDA SEM CANÇÃO Por Sílvia Araújo Motta

Ah! Se eu pudesse ter os seus abraços de madrugada, sem ninguém se opor; parar a hora para atar os laços sem ver a aurora, tempo que traz dor... Ah! Se eu pudesse em pautas ter compassos, prender o amor, manter o seu sabor, fruto de outrora, doce entre os amassos do ser amado, meu melhor cantor. Ele se foi...Mudou a nossa meta; levou também a imagem do prazer; e na saudade marcas da traição; Que faço agora? Trago a dor secreta; triste, sozinha, não sei que fazer! Minha alma chora a vida sem canção.

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ESTAÇÃO BANHARÃO, SAUDADES DE UMA ÉPOCA
Por Antonio Vendramini Neto

A foto que emoldura essa crônica é de 1986, mos- era meu avô materno, o Signori, Giuseppe Gaspatrando a estação ferroviária de Banharão, localiza- rotto, que tinha o apelido Italiano de, “Beppo”. As conversas rolavam na língua pátria e como vivíada no município de Jaú SP. mos nesse meio, aprendemos o linguajar da região Foi inaugurada em 15/11/1941 e permaneceu sob do Veneto, encravada no velho continente. administração da Cia. Paulista de Estradas de Ferro, até 1971, ano em que foi encampada pela Ferro- Enquanto era servido o café, acompanhado de muito leite, pães e broas feito em casa, espiga de via Paulista S.A. milho e ovos cozidos, muitas frutas e mel do poHoje não existe mais, foi demolida em 1986, quanmar, que eram sorvidos com grandes tragos de vido já estava abandonada e depredada, a FEPASA, nho caseiro, onde a molecada aproveitava e alguns através de um relatório, recomendou à sua demolitinham que ser carregados para as charretes. ção e retirada do material, iniciando desta forma, o As conversas giravam sobre o plantio e a colheita triste fim das ferrovias no Brasil. do café, mola-mestra de sobrevivência das famílias Atualmente, no local, só sobraram duas placas que moravam em casas próximas que se chamaamarelas, alguns ladrilhos no chão e mato cobrinvam de “colônias”, onde estavam os filhos vindos do a plataforma, uma escadaria ainda perfeita e da Itália e outros nascidos por aqui, alguns morabem feita, encostada num barranco; e lá em cima, vam no mesmo casarão dos pais (nonnos), formanuma caixa d’água metálica e mais alguns ladrilhos do uma balburdia de imensurável alegria. onde deve ter sido um banheiro. Ao lado da estação, ruínas de uma igreja, que ruiu ou foi demoli- Mas o que me motivou a escrever esse texto foi à da, mas ainda pode se ver muitas partes de már- visão fotográfica da encantadora (na época), estamore e granito, mostrando um sinal de êxodo ru- ção ferroviária. Quando lá estava, sempre saia pela manhã, levado por um cavalo preparado pelo ral. “Capitão da Roça”, o nonno Beppo, com o propósiO panorama atual não lembra nem um pouquinho, to de observar o movimento da estação e depois ir do que era esse lugarejo, nos idos dos anos noveaté o sitio do meu tio Joaquim, filho mais velho do centos e cinqüenta, época em que eu voltava para a meu avô paterno, o “Tonella”, não muito distante, fazenda dos meus avôs, para passar as férias e re(para curtir o lugar que me viu nascer). ver aquele recanto maravilhoso. Ah! Meu Deus! Quantas saudades, tempo ingênuo, que passou por Antes de chegar, tinha que haver uma parada obrinossa memória, que estavam sempre voltados para gatória no pátio de armazenamento da colheita do os alegres passeios nas casas de outras fazendas de café de toda a região, ao lado da estação. plantio de café, pertencentes às pessoas que vieRelembro agora, uma conversa que tive, através da ram da Itália, como colonizadores. janela da estação, perguntando ao Chefe, como As viagens para esses lugares eram capitaneadas funcionava “aquela máquina que emitia alguns pelos meus primos, alguns deles já falecidos, que sons”. Ele disse: preparavam as charretes para os patriarcas, puxa- Meu filho, isso aí é um telégrafo, a gente pode das por elegantes cavalos e outros que iam sobre o “conversar” com o Chefe da outra estação, inforlombo de outros animais. mando se os trens estão no horário e se não há ouÉramos recebidos com muita alegria, e quem tros problemas etc anunciava a chegada da família na porta da casa,
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Aquilo me fascinava, ficava curioso, até que um dia ele chamou-me bem pertinho do telegrafista e mostrou como era, dizendo que no momento do embarque das sacas de café nos vagões, o movimento era muito intenso, para controlar o tráfego dos trens de carga e de passageiros que circulava pela estação.

tios, Atílio e Ninno Bagaiollo, que ficava de fronte ao armazém, bem próximo à estação. Depois de terminado o serviço, ele ia para do outro lado da linha férrea, até a Igrejinha de Santo Antonio, construída por iniciativa de seu primo, que se chamava Ângelo, agradecer os serviços realizados. O fim de minha visão foi no recanto religioso, onde mirava com orgulho, uma inscrição em uma das paredes, o povo agradecendo a iniciativa da família Vendramini, à construção da obra, que também nos dias de hoje, virou um amontoado de tijolos, constituindo uma ruína, denunciando que por ali existiu um bairro promissor.

Foi quando começou a contar historias dos carroceiros que traziam as sacas de café das fazendas, para o beneficiamento (retirar a casca) através da única maquina que existia na região, sendo depois colocadas no grande galpão, aguardando melhor preço, (reunião dos proprietários), para depois em uma grande composição ferroviária, serem levaA visão ficou turva, um trem de passageiro parou das até o porto de Santos para exportação. na estação Banharão, embarquei menino e me tor- Em um dado momento, bateu com a mão no nei gente grande, constituí família e moro aqui em meu ombro e disse: - Olha! Toninho, o mais famo- Jundiaí, onde o meu pensamento ficou carregado so era o seu avô Tonella, ele trazia o seu café e, era de emoções com essas lembranças, do tempo em também contratado, por outros, para trazer a que ainda havia esse meio de transporte, que o mercadoria até o beneficiamento. progresso destruiu e só restou em nossa memória. Continuava dizendo: - Isso aqui era um fervor de gente, na estação, no engenho de beneficiamento, no armazém; eu ficava com muito serviço, até a comida me traziam, a filha descia aquela escadaria, onde tem a casa que eu moro. - Você não sabe disso, disse o Chefe, mas o caboclo Italiano era muito conhecido, de longe as pessoas já sabiam quando estava chegando, com sua famosa tropa. Nesse momento, agora aqui à noite em meu escritório, transportei-me através de outra dimensão, entrando no túnel do tempo, reportando-me àquela época: Escutei ao longe, na estrada poeirenta, um imenso alarido; era uma mistura de voz humana e tropeado de mulas, enxerguei então, algumas pessoas que estavam no armazém, saindo em disparada, para ver aquela sinfonia, pois sabiam pelos aboios, de quem se tratava, O velho vinha sentado no varal da carroça, conduzindo a tropa com seus famosos aboios: - Costa briosa! (era para as mulas ponteiras virarem à esquerda). - Hip, Hip, Hip Ruana! (era para virarem à direita). Eram as oito mulas que puxavam a imensa carroça de quatro rodas, contendo sacas de café para serem beneficiados em uma máquina de fabricação estrangeira, que era de propriedade dos meus

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Saudade de você
Por Odyla Paiva Não há um dia que não lembre de você. Saudade do seu abraço, Saudade da sua voz, Saudade de como você era para mim.

Não há um dia que não lembre de você. Saudade de nossas conversas, Saudade de seus recados ao telefone, Saudade de saber você ao meu alcance.

Não há um dia que não lembre de você. Saudade de fazer perguntas, Saudade das suas respostas, Saudade da sua atenção.

Não há um dia que não lembre de você. Saudade de nossas saídas, Saudade do “tudo bem”, Saudade, saudade, saudade de você.

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Serena

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Saudades Saudades! Sim.. talvez.. e por que não?... Se o sonho foi tão alto e forte Que pensara vê-lo até à morte Deslumbrar-me de luz o coração! Esquecer! Para quê?... Ah, como é vão! Que tudo isso, Amor, nos não importe. Se ele deixou beleza que conforte Deve-nos ser sagrado como o pão. Quantas vezes, Amor, já te esqueci, Para mais doidamente me lembrar Mais decididamente me lembrar de ti! E quem dera que fosse sempre assim: Quanto menos quisesse recordar Mais saudade andasse presa a mim!
Florbela Espanca, in "Livro de Sóror Saudade"

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UM SITE QUE FALA DE SAUDADES!

Um espaço dedicado a todos os lagunenses e lagunistas e a nossa cidade-mãe, Laguna, Santa Catarina. Lá você vai encontrar um arquivo de nossa cidade que remonta a diversas décadas, assim como fotos e fatos de pessoas em épocas distintas. Pessoas que contribuíram para construir o que hoje é a presente Laguna. O site é o resultado da colaboração carinhosa, culta e empenhada de gente que não se contenta em enviar uma ou outra foto! São pessoas incríveis que pesquisam, mantém arquivos, são uma espécie de consciência coletiva de nossa cidade. Hoje o site encontrou o seu verdadeiro objetivo de vida... Tornou-se o nosso álbum de família. Reflete a vontade de todos aqueles que contribuíram e contribuem com fotos, comentários, histórias, com o intuito de resguardar nossa memória. Visite o LAGUNISA! www.lagunista.com

Participe do site enviando fotos, textos, jornais! Comente as fotos, envie suas lembranças! Podemos ir além da saudade de toda uma época se, juntos, rememorarmos nossa cidade! Contatos com Paulo Aisenman: lagunistas@gmail.com

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SAUDADE

dei com nenhuma destas saudades palpáveis e explicáveis. Acordei com uma nostalgia do passado, indefinida, que talvez tenha um ranço de alguma inadaptação atual, pouco percebida. Mas aí já

Por Pedro Franco

Nenhuma outra língua tem tradução perfeita descambo para uma análise, que não quero. Saupara a palavra saudade e nós aceitamos este lega- dade não se coaduna muito com psicanálise, creio. do português e também o usamos bem, na prosa, Saudade pode ser triste, muito triste, mas é sauna poesia, na música e até no sentir. Criamos vá- dável para a alma, que mostra que vive, que se rios tipos de saudade e hoje acordei com um dos interessa, que ficou devendo; saudade não se temmais estranhos: a saudade indefinida. Talvez ela pera com raiva, com aborrecimento, é uma sensaaté ocorra porque a vida, naquele momento, não ção de tristeza e de ternura, nunca de ódio, ou rescorre mal. Felicidade não existe, há sim momen- sentimento forte, mesmo quando é preguiçosa e tos felizes, ou de não infelicidade pessoal. Para caprichosa, como a minha de hoje de manhã, que explicar esta ideia, para os bem formados e não me bateu ainda na cama, de pijama, espreguiçanegoístas de todo, basta abrir o jornal, ou ver um do-me, saudoso. Talvez do menino, que fui e pounoticiário na TV. Alguém pode ser de todo feliz, co sou, saudade da minha credulidade, saudade sabendo do que ocorre no Rio, no Brasil, ou no dos meus puros ideais, alguns perdidos em algum mundo? Talvez possa, se estiver em estado de pai- beco do tempo, saudade da bola de meia, do Garxão, que é estado raro. Mas voltemos ao fio da rincha, da menina do ônibus (ela é tão linda, não meada, a saudade indefinida. Não vem dos senti- a conheço, pensando nela durmo, pensando nela dos, por exemplo, não é o olfato que a chama e, às amanheço), que pouco vi e com quem nunca tive vezes, um cheirinho chama a saudade de alguém. coragem de falar, saudade da primeira namoradiO perfume de uma mulher, que ficou, vamos ao nha, que nunca soube, que a namorei. Enfiava a cafona, nas brumas do passado; o cheiro do cho- linha na agulha para ela, que era sem jeito. Lindicolate, que a vovó preparava para a merenda, com nha, que nome de acordo! No Jardim da Infância! bolo de fubá de milho. Ah, as saudades do cheiro Saudade dela, quando moça, ainda que ela esteja do bolo do fubá de milho grosso! Milharina, fubá aqui e sempre tenha me acompanhado nos meus muito refinado, não serve. E a que prosaísmo caminhos e pelos meus poucos descaminhos. Não trouxe eu a saudade? Mas se o odor pode ser pro- era, pois, para sentir saudade. Mas saudade bate, saico, a lembrança da avó pode ser tão nostálgica, independentemente do que se quer, ou se devia quanto a saudade da mulher amada, que nunca o querer. Talvez seja saudade mesmo de mim, do amou, ou amou e deixou de amar, ainda que estas muito que poderia ter sido e feito e não fiz. E não paixões ardentes e desesperadas não estejam mais fui. em moda. Agora é mais pão pão queijo queijo e por falar nisto, que saudade do romantismo, do flerte, do amor a primeira vista, de raros amores longos, distantes e platônicos! Mas hoje não acor-

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Tributo a uma amiga...

da nossa convivência... E tristeza por não mais ouvir seu riso solto e franco... Lembro da sua bravura diante da doença que não a consumiu... E do seu entusiasmo diante de qualquer possibilidade de cura... Era cheia de ânimo... Durante o seu velório eu me perguntava se ela estaria ali, olhando

Por Fátima Diógenes

Sentada na pequenina varanda do meu para tantos amigos que vieram se despedir...Na apartamento, sinto um vento frio soprar meu ros- minha fantasia eu a vi sorridente e fazendo um to... Fecho os olhos e respiro me deliciando com o dueto com sua amiga cantora, que lhe fazia uma frescor da noite... De repente surge em minha homenagem naquele momento...Sua vida foi um mente a lembrança de uma amiga... Sinto uma hino de Alegria... Abro os olhos e me deparo com terna e conhecida saudade... Volto no tempo: es- um estrelado céu... Agora minha querida amiga tou neste mesmo lugar, também numa fresca noi- vive lá... Quando penso na sua partida tão premate de Abril e de súbito uma dor atravessa meu pei- tura, quero acreditar que precisou de menos temto... Reconheço a dor de saudade antecipada... po para cumprir sua missão, como disse o padre Aquela saudade que a gente só sente na partida de na missa de corpo presente...Ou que era grande alguém muito amado e que sabe que vai demorar demais para este plano... São formas que encontro pra ver... Imediatamente pensei: Minha amiga para amenizar a saudade que ainda é grande... As está indo... Amanhã irei me despedir dela... Mas inúmeras lembranças de alegria, generosidade, ela não pôde esperar pelo dia seguinte: estava can- capacidade de luta, transformação, integridade, sada demais da sobrevida dos últimos meses... garra e otimismo continuam grudadas em Logo ela que não gostava de ficar parada e era só mim...Ela deixou este legado para seus amigos: a movimento!... Desafiando a Medicina, que lhe deu vivência plena do Presente, pois o futuro é simseis meses de vida, minha amiga se valeu da sua plesmente uma possibilidade...A Vida é matemática particular e multiplicou este tempo maravilhosa! nos brindando com sua presença por mais seis anos... Um ato de amor à Vida... Numa das muitas vezes em que fui visitá-la ela disse que não seria “entubada”, que morreria antes... Seu desejo foi prontamente atendido... Ela era assim: desejosa, caprichosa, determinada, prática, firme e cheia de garra... Sempre radiante... Uma mulher feita de um “material” especialmente bom e raro que marcou a vida de quem teve o privilegio de conhecêla... Não sinto pena, este sentimento não combina com ela... Sinto saudades... Uma enorme saudade Mara,

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SAUDADES
Por Vó Fia

Ter saudades de pessoas, acontecimentos e de festas é normal, mas saudades de um cemitério é bem estranho, mas Lilita tinha uma grande saudade do velho cemitério da Vila de São João dos Finados; quando ela se referia a esse assunto a comunidade ria dela, e dizia: Coitada da Lilita, está cada vez mais caduca, apesar de só ter quarenta anos Ela sabia que era motivo de chacotas, mas não se importava, porque seu coração doía quando se lembrava do cemitério de sua infância e juventude; aquele velho de mais de cem anos, era cercado por um muro de pedras superpostas, com a mesma altura na parte de fora como na parte afundada no chão e os mais velhos contavam que os escravos transportaram as pedras na cabeça, uma de cada vez. Parada em frente ao que fora um cemitério, ela se lembrava de coisas que aconteceram ali, como a historia do coveiro Adauto que cultivou uma plantação de melancias, abóboras e mamões na parte reservada aos suicidas, assassinos e mulheres de má fama e quando foi repreendido pelo feito, ele se justificou dizendo: tem importância não gente! E explicava seu entendimento da questão, assim: Uai pessoal, essa parte aqui não é benta, porque os padres acham que eles não merecem e depois quase ninguém é enterrado aqui, suicídio nessa vila é coisa rara, assassinos aqui não tem e mulher de má fama menos ainda; a terra é de cultura, e eu tenho oito filhos para alimentar, entenderam? Entender ninguém entendeu, mas as frutas colhidas ali eram perfeitas, davam água na boca e os filhos do coveiro Adauto cresciam fortes e bonitos; tinha também a lenda de um corpo seco, escondido atrás do altar da capela que existia lá, as crianças da vila acreditavam na sua existência, morriam de curiosidade, mas ninguém foi lá conferir, o medo era maior que a curiosidade. E os fantasmas? Quem morava perto do velho cemitério, contava que ouvia arrastar de correntes e gemidos de almas penadas depois da meia noite, até o primeiro galo cantar anunciando o raiar do dia; o mais famoso fantasma, era o de uma moça que aparecia muito linda e agarrava qualquer homem que passasse por lá antes do dia nascer, muitos a viram. Até ai Lilica ria das lembranças, mas quando ela se lembrava do incêndio que destruiu a linda capela do cemitério, ela chorava e se enraivecia, porque na época do acontecimento, o povo achou que foi incêndio criminoso, para encobrir o roubo do lindo e valioso São Miguel Arcanjo que ornava a capela e tinha desaparecido pouco antes do incêndio. Verdades ou lendas, para Lilica não importava, o certo mesmo era que de seu amado cemitério nada mais restava além de suas lembranças e de suas saudades e o que mais incomodava a saudosa Lilica, era o fato da capela ter virado cinzas e o assunto continuar morto e enterrado, como o ultimo funeral acontecido no velho e esquecido cemitério da Vila de São João dos Finados, só ficaram as saudades.

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DO TEU PRO MEU
Por Leonia Oliveira
Meu coração fala pro teu Vê se não me esquece. Teu coração prometeu, Mas não aparece. Meu coração de judeu Reza uma prece. Teu coração ateu Não reconhece. Mas coração é coração A gente conhece. Coração é sem coração O resto padece Enquanto um coração na mão Se enriquece de amar seu coração Que se apetece Ao ouvir outra canção Nesta quermesse. Coração é sem razão A gente cresce. Mas coração é coração, Nunca envelhece. Meu coração fala pro teu Vê se não me esquece Teu coração prometeu, Mas não aparece. Mas coração é coração A gente conhece Coração é sem coração O resto padece

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Saudade Por Sonia Nogueira Quando a saudade bate a porta O sonho corre longe ao meu sertão Lembranças da criança em compota Adoça devagar meu coração Revejo o gado solta na pastagem O rio nas enchentes percorrendo A terra encharcando, só aragem A lua poderosa pernoitando Relembro a serenata na calçada Menina ainda, a tia se afoitando Chegava tímida na janela disfarçada O violão nas cordas amor cantando A casa tão distante da cidade A paz reinava firme sem barulho De dia a rotina forte da enxada Silêncio e solidão, no sonho o vulto Trazia dois olhares que sonhavam Promessas de amor em jura eterna Sonho de menina que voaram Sumiu na imensidão o sonho hiberna.

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SAUDADE

Por Isabel C. S. Vargas

Sentimento indefinível Indecifrável Que se instala no lugar De alguém muito amado Saudade ... Vontade de ver De abraçar De segurar na mão De sentir o cheiro De sorrir seu sorriso De beijar com ternura Saudade... É o amor que ficou Instalou-se placidamente E mantém viva A lembrança de seres maravilhosos E momentos inesquecíveis. Saudade...

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EU NÃO TENHO MAIS SAUDADES Por Jacqueline Aisenman Eu não tenho mais saudades, tenho cicatrizes. Feridas fechadas de dores abertas, que não sinto mais. Sonhos perdidos e esperanças incertas. Eu não tenho mais saudades, tenho cicatrizes. Lembranças amenas, inventadas talvez, pontes quebradas num caminho sem volta. Eu não tenho mais saudades, tenho cicatrizes e só elas doem, com o tempo, com o vento, com o que sobrou dos sentimentos.

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Minha Saudade
Por Benevides Garcia

Minha saudade parece infinita; Ela vem de séculos, Caminha por muitos cantos, E beija as almas nas lembranças doces. Ela me conforta nos dias sombrios Quando a solidão resolve me abraçar. Está sempre indo e vindo: Às vezes me dá de presente uma alegria Mas, sempre me faz chorar... Tem dias que passa o tempo comigo Depois parte em busca de novos corações. E assim tudo se renova Até chegar o dia, Até chegar o dia... ...

Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida. Clarice Lispector

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Saudade
Por Dé Barrense Me diz! Como tirar saudade Saudade, não tira não! A saudade fica presa Num canto do nosso coração. Quem foi embora e não voltou! Quem ficou não esqueceu, não; A dor de uma saudade é comparada A seca no sertão; Os olhos ficam sem brilho, Igualzinho uma noite sem luar E mesmo com as estrelas Fica difícil de enxergar. E quando estou em meu rancho, E começo a pensar, as lágrimas rolam do rosto Meu amigo! É a saudade dela Que não consigo apagar.

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Dicionário Houaiss

sentimento melancólico devido ao afastamento de uma pessoa, uma coisa ou um lugar, ou à ausência de experiências prazerosas já vividas (freq. us. tb. no pl.)

...Saudade é amar um passado que ainda não passou, É recusar um presente que nos machuca, É não ver o futuro que nos convida... Pablo Neruda

Há dor que mata a pessoa Sem dó nem piedade. Porém não há dor que doa Como a dor de uma saudade. Patativa do Assaré

O tempo não pára! Só a saudade é que faz as coisas pararem no tempo... Mário Quintana

Ausência física, ausência da voz e do cheiro, das risadas e do piscar de olhos, saudade da amizade que ficará na lembrança e em algumas fotos. Martha Medeiros

Também temos saudade do que não existiu, e dói bastante.
Carlos Drummond de Andrade

Hoje não me alegram as amendoeiras do horto. Me lembro de ti. Jorge Luis Borges

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PLAYLIST : MÚSICAS QUE FALAM DE SAUDADE!

1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. 10. 11. 12. 13. 14. 15. 16. 17. 18. 19.

Gostoso Demais (Dominguinhos) Angra dos reis - Legião Urbana Chega de Saudade - Tom Jobim e Vinícius de Moraes Ai que saudades me dá - João Bosco e Vinícius Saudade - Cazuza Saudades da Laguna - Pedro Raimundo Ai que saudades d´ocê - Geraldo Azevedo Tanta saudade - Djavan Ai que saudades da Amélia - Mário Lago Quando bate uma saudade - Roupa Nova Saudade louca - Zeca Pagodinho Pra fugir da saudade - Paulinho da Viola Lembrança de um beijo - Fagner Saudades da Bahia - Dorival Caymmi Baile da saudade - Francisco Petrônio Fonte da saudade - Kleiton e Kleidir Se eu Morresse de saudade - Maria Bethânia (Gilberto Gil) A saudade é uma estrada longa - Almir Sater Saudade - Marcelo Camelo

20. Fogo de saudade - Beth Carvalho

Faça uma busca nas suas lembranças e componha sua playlist da saudade!

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SAUDADE
Por Maria Cristina Pires Silva Ramos Considero a língua portuguesa – o idioma português – o mais completo do mundo pois é o único que possui a palavra “SAUDADE” . Ah! Como eu sinto SAUDADES, sim, assim mesmo, no plural. E feliz é a pessoa que carrega muitas saudades pois elas são sinônimos do bem viver com sentimentos que conseguem justificar tal vivência, tal vida !

- Sim ! Ela nos faz chorar constantemente como se fosse para nos lembrar que somos , ainda , seres humanos ! E continua doendo quando lembro dos meus entes queridos que se foram e dói tanto , tanto que em um determinado instante me vejo rindo das boas lembranças que a SAUDADE está me proporcionando reviver . Dói quando vejo um Irmão mergulhado na bebida e eu “apeada” , sem nada poder fazer a não ser sentir muita SAUDADE da época em que éramos crianças e a minha única preocupação era somente chamá-lo de “Cacumbu de Ressaca” (vejam só o apelido ‘RESSACA’ ; ironia das ironias).

Sinto SAUDADE da minha infância, da nossa casa – do barulhinho de panelas e talheres sendo manipulados na cozinha quando estávamos de férias... Dói quando vejo injustiças e desigualdades; quando engraçado... somente nas férias , isso deve signifi- eu vejo e sinto a palavra “FOME” escrita em cada car alguma coisa, quem sabe mais SAUDADE ain- boca de um meu igual brasileiro... da ? Do “Ovomaltine” que era a sensação das crianças e que na nossa casa não podia faltar nas nossas merendas, pois gostávamos demais. Tenho SAUDADE do meu primeiro velocípede, mas não da primeira queda que levei. Ele conseguiu me mostrar, até certo ponto, o que eu podia e o que eu não podia fazer. Conseguiu apresentar-me a alguns limites, tão importantes nas nossas vidas e para o resto delas. E também tenho SAUDADE da minha primeira bicicleta e do memorável tombo que levei: com os fundilhos sujos , levantei , olhei para ela, e tornei a “montar” e depois que consegui me equilibrar senti-me uma vencedora e somente nessa hora pude notar que joelhos e cotovelos estavam feridos e assim, ali ficavam marcadas, as minhas primeiras tentativas de “andar” de bicicleta “sem as duas rodinhas” , esse era o grande detalhe . Dói... Dói demais! Mas, lembram da Fábula do Beija-Flor no incêndio da floresta (foi severamente criticado por muitos dos animais – que somente criticavam e nada faziam – porque , diante de um incêndio de enormes proporções ele , o pequenino Beija-Flor , estava tentando apagar esse incêndio “fazendo a parte dele” , carregando água no delicado bico que possui ; mesmo criticado ele assim procedeu ... ) . Então eu sigo a minha jornada fazendo a minha parte: participando, arregaçando as mangas – doar é tão bom – esclarecendo a quem pergunta e, para quem se omite , levando “um grito que somente os omissos podem escutar” . Enfim! Vou “fazendo a minha parte”!

Tenho SAUDADE até das minhas tranças, do meu Mas, finalmente o que é SAUDADE ? grupo de dança, da minha turma de acordeom. Sa- - É tudo o que fica de quem se ausenta; e é tudo o que sobra para quem tem coração! bem por quê? - Porque significam a minha doce infância permeada de boas lembranças e que hoje me fazem sentir tanta SAUDADE! SAUDADE dói? - Dói! Dói demais! Porque, para mim, SAUDADE também é participar, é querer fazer para que depois , com o passar do tempo , eu não venha a me arrepender . Creio que a pior SAUDADE é a que é sentida como consequência da omissão . Isso aí já não é mais SAUDADE, é arrependimento. SAUDADE provoca o choro?
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Carnaval em Angra dos Reis
Por: Valdeck Almeida de Jesus
Há cinco anos que eu fujo, literalmente, de muvuca, zoeira, badalação e festa do carnaval de Salvador. Desta vez eu fui para o litoral do Rio de Janeiro, curtir a paz e o sossego da Praia do Machado, em Angra dos Reis. Saí de Salvador às pressas. Trabalhei a manhã inteira e saí do trabalho às 2 horas da tarde. Do trampo para casa eu gasto cinco minutos caminhando. Moleza. As sacolas já estavam arrumadas há uma semana. Faltava colocar um par de sapatos, um par de meia, fechar tudo e correr para o aeroporto, distante de minha casa cerca de 40 quilômetros. Um amigo me acompanhou na viagem, Léo Dragone, poeta e romancista.

tionamento tomando atalhos até chegar à Avenida Brasil. Na rodovia, o que parecia ter sido uma estratégia espetacular, logo se tornou em longa espera atrás de carros que mal saíam do lugar. Em sentido contrário, os veículos estavam literalmente parados. Em direção a Angra, porém, mesmo a passos lentos, o fluxo de carros seguia... O motorista do taxi pegou uma via lateral da BR-116 e conseguimos escapar do trânsito, que permaneceu parado por longo tempo, à espera da retirada de um caminhão que tinha tombado no meio da estrada. Até Angra, gastamos mais de duas horas de carro. E olhe que éramos conduzidos por um profissional experiente no volante. A experiência dele, no entanto, não foi suficiente para se livrar da lentidão nos trechos em duplicação da rodovia que passa por Angra dos Reis. Chegando à praia do Machado, porém, foi tudo festa. Encontrei Zefinha logo na porta de casa. Foram abraços, bate-papos relembrando as últimas temporadas, notícias da viagem etc. Banho e cama foram essenciais para o restabelecimento. No dia seguinte, novo em folha, saí de escuna com meu amigo para passear pelas ilhas. Caipirinha, samba a bordo, sorvete, frutas, banho de mar, mergulho na Lagoa Azul e o retorno para o aconchego do lar. Mais banho, mais cama e os dias se seguiram lentamente.

De casa para o aeroporto gastei quase todo o tempo disponível. O voo sairia às 15:40h e eu cheguei ao balcão de check-in às 15:20hs. Ufa, por pouco meus planos de paz e descanso iriam por água abaixo. Impressas as passagens, embarquei as bagagens: duas mochilas, quatro tapetes de retalho que uma amiga me pediu para levar e uma caixa com doces de leite, goiabada, bananada, pimenta, farinha, tudo adquirido na Feira de São Joaquim, para levar de presente para minha anfitriã, ZefiPraia na porta de casa, voltas pelo centro de Angra, nha. visitinha rápida a Paraty, fotos e mais fotos. No Conheci Zefinha de outros carnavais. Melhor, de carnaval tradicional da cidade, desfile de blocos e outras datas. Esta era a terceira vez que eu passaria apresentação de bandas musicais na Praia do Anil. férias em sua casa, à beira-mar. Zefa é uma típica Na praia do Machado, também, houve desfiles: o carioca, sorridente sempre, super gentil e que rece- bloco das Piranhas e mais um outro grupo de alebe suas visitas como se fossem velhos amigos de gres foliões passaram em frente à casa de Zefinha. infância, com o maior carinho e atenção. Sempre O camarote foi o próprio muro da casa. Flashes, me sinto super em casa quando estou em sua resi- risos, e o tempo se encarregava de me deixar cada dência. Mas a viagem estava apenas começando e o vez mais relaxado e descansado... aeroporto do Rio estava há quase duas horas de Em pouco tempo a semana passou. Agora era a vez avião. da viagem de volta. Passagem na rodoviária, choCheguei ao Galeão, na Ilha do Governador, no ho- ros de Zefinha e de Cintia, sua enteada... abraços, rário previsto, às 17:10h. Desembarquei tranquila- até logo... mente, fui pegar minhas bagagens na esteira e segui para o ponto de taxi, onde paguei uma corrida Aqui estou, de volta à capital baiana, de novo, no até a Rodoviária Novo Rio: R$ 60,00 (sessenta re- estresse, de novo no corre-corre do trânsito... Até o ais). O taxista me advertiu que o trânsito estava próximo carnaval. Enquanto isso, fico na saudamuito ruim. Nem precisava avisar. Já na saída do de… aeroporto o carro não andava um metro. Tudo engarrafado, um caos infernal. O motorista me sugeriu ir direto a Angra, de taxi, ao invés de tomar um ônibus. Àquela altura, não me restou alternativa. Segui seu conselho. Ele conseguiu driblar o congeswww.varaldobrasil.com - Junho 2011 28

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RECORTES DE UMA JANELA
Por Ivane Laurete Perotti Mac Knight

Dependia do fogo da alma seca. Dependia da capacidade de tornar a solidão companheira silenciosa... nem verbo, nem bagagem. Bagagem de alma é diferente! Bagagem sem alça, etiqueta ou ficha de informação. Sem entrada ou saída, sem endereço para entrega em casos de devolução. Fechei os olhos; o longe espichava-se para ainda mais longe.

Eu corria atrás da distância sentida convidando as Era longe o muito longe. Tão absurdamente longe lambidas vesgas do fogo que teimavam em apareque só uma alma desprovida de bagagem poderia cer entre as fronteiras que dividiam o dentro e o compreender a distância sem medidas. fora. Errei ao abrir os olhos para confirmar o que via. Dentro: olhos abertos. Via, apenas isso! Fora: olhos fechados. Olhar para além dos limites da alma implicava Apertei os olhos fechados para abrirem-se mais uma jornada tão silenciosa quanto solitária. longe, mais longe, mais longe... Não! “Solitária” era uma palavra povoada por excesso de significações e não cumpria com o desejo de explorar a imagem única que refletia. Eu queria dizer da solidão quieta do coração apaziguado pelo fogo. Da ardidura branda mas não menos presente. Da solidão capaz de provocar terremotos ininterruptos no terreno dos sentidos. O fogo tem essa potencialidade: impor a submersão. Um mergulho seco! Tuft! Ou boloft! Ou capolot! Dependia do mergulhante.
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Fechei os olhos e a vista alongou-se para muito longe! Não discuti sobre ser ou não ilusão do fogo que crepitava a minha frente.

Então, a bagagem sem alma escorregou com elegância para o pé da primeira nuvem que atravessávamos e embalou o fogo em nesgas de vento frio. O fogo arrepiava-se enquanto eu sorria, olhos fechados, prazer dobrado. Para além da linha dos cílios palavras dançavam pedindo espaço, manipulando as minhas sensações. O fogo lhes animava tanto quanto induzia ao silêncio que tomava forma.

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Eu via! Olhos fechados para ver melhor, via. Uma janela abriu-se embaixo de meus pés. Redonda e gorda engolia a luz que vinha de dentro.

Janelas não são portas, fantasmas ignoram as portas mas perseguem as janelas. Quanto menor a janela maior o número de fantasmas a ocupar o espaço aberto.

Janelas abrigam formas não definidas que rasgam Fantasmas emergiam das dobradiças pregadas de o mundo da realidade em eterno estado de formapouco. ção. Tudo era novo e velho na imprecisão do tempo Janelas são úteros fecundos para a alma da poeque eu parara de contar. sia, da música, da utopia. O fogo, indeciso, subia e descia pelas esquadrias encarquilhadas. Cotovelos fincados à madeira... O fogo desenhava fantasmas. Fantasmas do fogo não fazem doce, fazem mais fantasmas...

O cume das nuvens atrás das imagens fáceis desePululam as frestas rasgadas no céu pelas janelas nhavam o que bem se desejasse ver. abertas... ou fechadas. O horizonte desalinhado fazia uma trajetória perFantasmas espanam o tempo para cima de si mespendicular que talvez começasse em algum lugar mos. daquela janela. Janelas fechadas são um convite às entradas silenSempre uma janela a desenhar o céu. ciosas, sorrateiras, decapitadoras dos olhares oblíquos. Janelas e céu fazem o casamento perfeito: um pa- Quando o vento fica do lado de fora, os fantasmas ra muitas. Sem cobranças, sem divisões, sem acor- instalam-se pelo lado de dentro. dos sobre espaço, sem contrato de ocupação. Eu estava dentro e fora. O fogo espiava para dentro, mas eu estava ocuPersuadido pela força da solidão adocicada eu enpando esse lugar. trara na imensidão do que pensava sentir e saía Instalara-me! vez ou outra. Aliviado pela solidão adocicada feito ambrosia fresca. Ambrósia! Saía e voltava. Voltava sem sair.

Buscava fantasmas, fantasmas sem formas e fanFantasmas não gostam de doces, azedam qualquer tasmas bem contornados. Fantasmas em moda, ponto. esquecidos, destituídos. E todo o doce tem o ponto certo. Qualquer fantasma é sempre fantasma. Errado! Certo! Qualquer coisa assim...interessava decidir se seguiria aquelas quase imagens ou, quase alguma coisa ainda por conceber. Fantasmas ocupam espaço! Um fantasma é um fantasma! E no fogo que minha alma acendia todos eles tomavam lugar. Não serviam ambrosia, eu servia-me dela. Doce azedo na concha dos pensamentos marinados.

Alastram-se por qualquer meia lembrança que Provava a mim mesmo. alcance as janelas e depois viram sombras de verUma servida... dades pegajosas. Satisfeito? Janelas abrigam fantasmas.
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Outra porção... Saciado?

Cumprimentei as formas sem contornos e disse: _ Bom dia!

Fome de conceitos agregados às imagens serviam a A noite começava com a extensão do que eu queria. mesa posta. _ Bom dia! Fantasmas sentem fome. Ouvi o coro de vozes sem dono repetirem-me em Misturas conhecidas estimulavam o gosto que eu retorno: não provara, ou deixara para provar depois. Coisas _ Bom dia! que o fogo a minha frente não permitia. _ Estou aqui!, pensei responder devagar. O fogo exige presença: estou aqui! _ Aqui, onde?, apressaram-se a perguntar. _ Aqui!!! Não adia a sinalização do sentir agora. Desço os olhos para os meus pés. Imagens de meus desejos solidificavam-se em grandes blocos de lava seca. Por fora: lava fria. Por dentro: fogo líquido. Pisava em mim mesmo calçado por pensamentos que via em formas servidas a frio. No vácuo da incursão iniciada, entre labaredas de nuvens e fogo, encontrei o que não buscava. Procurava? Mergulhara, apenas mergulhara para a montanha abaixo das nuvens de fantasmas acompanhados. A cortina de fogo alongando o olhar que entrara umbigo adentro. Via... Apenas via o que desejava ver. _ Aqui não é lugar. _ Eu estou! O fogo lambeu a resposta que subiu em forma de mariposa perdida. O aroma de todas as perguntas desfeitas lançou-se sobre os pensamentos aos meus pés. Toquei o fogo frio. Fantasmas espiam pelas janelas. Estou aqui! E isso basta! Por ora...

Fantasmas e janelas comungavam da calma euforia que o fogo, outra vez o fogo, lançava a partir de meus pés. Estou aqui! O longe cavalgou em silêncio por trás de minhas pálpebras cerradas, desceu languidamente pelos braços descansados, encontrou meus pés fincados sobre a pedra dos pensamentos e não foi embora. Fez meia volta e recomeçou a viagem por dentro do que eu via. Estou aqui!

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SAUDADE
Por Dulce Claudino A tarde se despedia e os raios foscos do sol se espremiam entre as folhas das bananeiras, que ao balanço do vento, vez por outra beijavam a face rosada de Ana Clara. Seu pai caminhava ao lado do carro de bois e observava atentamente os trejeitos de sua bambina que, faceira e graciosa segurava-se aos fueiros , devido aos declives do estreito caminho que os conduzia a nova morada. Na mesma condução, amarrados em feixes com cordas de cipó trafegavam as ferramentas de lavoura e carpintaria. Balaios com artes de pesca ocupavam a parte anterior do carro. Ana Clara cantarolava estrada afora a canção que desde o seu nascimento a fazia adormecer. Autor, para ela desconhecido. Agora, a suavidade da voz era a melodia certa para iniciar o balé das borboletas multicores. O arranjo musical era o assobio de seu pai. Ambos navegavam na canção: " "Alecrim, alecrim dourado Que nasceu no campo Sem ser semeado. Foi o meu amor Que me disse assim Que a flor do campo era o alecrim." Saudade...Saudade intensa...Seus ouvidos, em certas tardes douradas, vivenciam a sonoridade do canto e uma lágrima sorrateira rola de mansinho e descansa nas marcas do tempo.

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ESPOSA DE VIAJANTE

E em cada cena de amor que ver, Desperta logo o desejo De ir correndo pros braços do seu amor. Oh destino danado, Por que não está do seu lado. Aquele Deus que lhe deu?

Por Laudecy Ferreira

Esposa de viajante é coisa pra sofrer. Chega dia e sai dia E ela a padecer. Não se acostuma com a sina, Que lhe ajuda a entristecer. A noite é solidão, E se enfia no colchão, Tentando esconder a saudade que é grande, E conta as horas para lhe ver. Numa noite de inverno, Aqui no seu Ceará, chovia, chovia E a água no telhado batia por lá e pra aí, E essa esposa pensava: Se o meu esposo tivesse cá, Pra eu lhe abraçar, Tinha a certeza Que a noite toda eu só ia amar, Pra natureza festejar. O Homem e a Natureza é coisa especial Que fazem festa no céu Na terra e em qualquer lugar. Oh ,saudade! Oh, felicidade! Oh meu Deus! Traga meu amor para viver ao lado meu E juntos podermos ser felizes. O único jeito é esperar.

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Pra um dia ela voltar
Por Alessandra Neves E é sempre assim, Quando você acha que a saudade se vai Quando você acha que o vazio se acaba Quando você acha que tudo passou A saudade surge! Aparece! E você esta ali impotente... Ela machuca e faz doer E você nada pode fazer Talvez chorar Possa aliviar o peito Mas nunca curar a alma... Talvez sorrir, e Se fizer de conta que não a vê Talvez ela se vá! Que nada! E permanece o tempo que ELA quiser E você não tem escolha Fica remoendo os bons momentos A alegria Ou até mesmo apenas a falta da presença sentida E uma hora, O tempo, que não cura nada, Faz com que você se acostume com a dor... Faz com que você se acostume Com a falta da presença Faz com que você se acostume... Pra um dia ela voltar.

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lembranças oswaldianas

Por Flávio Machado

planícies alagadas o fundo da baía trilhos rio - petrópolis refinaria duque de caxias cheiro de éter e diesel às seis da manhã manchetes dos jornais: - discos voadores sobrevoam os céus do brasil caminhões inflamáveis tambores prateados estação sem nome fome saudades do futuro.

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ELEGIA
RÉQUIEM À MEMÓRIA DE MEU FILHO RENATO
SEM TRISTEZA, QUERO VIVER COM SAUDADE 19.10.1958 / U16.12.2010 AGUINALDO LOYO BECHELLI Se você não foi ao cinema, pra praia ou trabalhar. Não está no quintal. No bar, na padaria. Não vadeia pelaí. Não mais espreita janelas. Não está namorando. Não se debruça no violão. Não afina o bongô. Não me espera no portão, nem conversa na esquina… onde está você, meu filho RENATO? Preciso sentir sua música interior. Desfrutar do nosso faz de conta. Compartilhar das respostas vagas. Perguntar? Sabe-se lá! Pinçar o ridículo com discrição. Valorizar a figura popular. Reverenciar nossos antepassados. Curtir amigos. Cavucar saudade, silentes. Dar as mãos para atravessar a rua. Recordar sambas. Falar bobagens. Mas onde você se meteu? Ué! Não vamos continuar? Benditas alegrias imprevistas. Falar de amores e dissabores. Meu ombro, agora, dispensável. Fim da preguiça que nos unia. Sua coragem já é desnecessária. A pracinha ficou sem graça. O telhado do barracão, triste. A percussão, frouxa.

Há lágrimas no primeiro gole. O apito é lancinante. Em que elevador você entrou? Pro nada sei que não foi. Nato, Renato, Natinho. Eta! Brincou de esconde-esconde com a morte. Sonhou colorido. Poeta de gestos, ambulante. Bolou um bairro no céu. Espalhou doces vislumbres. Seu lá menor ressuscitou a canção. Salvou vidas em terra e mar. Esbanjou bom humor. Cordial. Plácido. Resilente. Sua humildade fez a diferença. Pôs-se pronto pra Nossossinhô. Deu tchauzinho, não adeus.

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Ignota SAUDADE
Adelle de Oliveira Esta grande saudade eu não sei de que veio, E nem sei porque foi que se infiltrou em meu seio. Numa noite de lua eu olhava enleada, Sobre os rolos, na praia, a esquecida jangada, Que a procela, a ulular, destroçara e partira, E que um bom pescador para ali conduzira. E cismei, vendo os paus carcomidos, lodosos, Que é das lendas gentis, que é dos sonhos radiosos, Tantas vezes ouvidos no alto mar pelo estio, Na voz doce e sutil de um pescador tardio, Quando a brisa a soprar toda vela enfunava. Ia a lua subindo e eu cismava, cismava. De repente, no espaço, um claro som magoado, Fez-se ouvir e eu pensei num país encantado, Cheio de estranha luz e de estranha harmonia. De uma flauta era a voz que eu docemente ouvia, Um soluço, um queixume agora, um trilo agora Uma nota que ri, outra, depois, que chora. Manso. O vento do mar encrespando as ondinas, E deixando, depois, exalações marinas, Ora trazia o som, ora ao longe o levava. Ia a lua subindo e eu cismava, cismava. Insondável mistério, o coração humano Tudo, tudo passou e já fez mais de um ano, E hoje, olhando o luar muito branco e suave, Eu senti, dentro em mim, como um canto de um’ave, Que tentasse alegrar a prisão solitária A saudade vibrar os solfejos de um’ária, Mas saudades de que? Do claro som magoado Que eu ouvi e pensei num país encantado. Ou da brisa a passar, muito de leve ungida Do acre cheiro do mar, na janela esquecida?

Esta grande saudade eu não sei de que veio E nem sei porque foi que se infiltrou no meu seio.

(Enviada por Ciro José Tavares)

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MULTADO Por José Carlos Paiva Bruno
Tamanduá bandeira... História faceira... Conto de esteira, parece até prece, apreço de rede de freira! Tem tempo já, pra mais de 30 primaveras... Velhas eras, quimeras que os anos não trazem mais... Meu saudoso avô pecuarista, tinha gado de pista... E o retiro era no muque, naqueles quatro currais, madrugada acenava, e “tavam” lá os tais, personagens rurais... Galo ia cantando, as rezes apartando, vezes destes heróis, mantenedores de nós mamíferos, fazendo leite no balde... Profissionais de banqueta na bunda e muita vergonha na cara, liderados pelo Sô Juca Paiva, remanescente de Tara; aquela que o vento levou. Agora colorida de verdade, original claridade, nossa Princesa liberdade... Simples assim, com respeito e com jeito, lá na minha roça da infância... Tinha novena toda semana, onde juntando os roceiros passageiros e carvoeiros obrageiros, quase setenta obreiros... Revezando em casas dos colonos, cada qual com seus donos; que “despois” da reza do terço, convidavam pra sanfona; arrasta pé “inté” às onze, naqueles sábados de aleluia; de “mendoim” na cuia, café de garapa; dava até tapa, bolão de fubá na gamela, especialidade de Dona Ceição, “muié” do nosso administrador sô Sebastião Guilherme; faceiro e “de confiança”, de meu avô aliança, amizade que não cansa. Do seu Juca esteio, velho guerreiro, amigo do peito, incomensurável respeito... Tem também o irmão daquele, Benedito seresteiro, cantador de calango, algoz de malandro... Melhor dos retireiros, templário zelador, das terras do Cavaleiro... Mais o responsável da “tropa”, e suas mulas do sereno, que transportavam o ouro branco. Contavam mais de vinte, em alternância permanente, “prelas” num ficarem doente, sempre poupadas na mente. Todo dia escalava dez, o valente Zé Tropeiro, levando mil litros de leite, pra cidade e seu deleite! Dez quilômetros de rumo “inté” o ponto mais perto. Chacoalhando cada uma duas latas de cinquenta, em litros barulhenta, cangalha conservada e tropa bem cuidada. Zé tropeiro “mansava” burro e cavalo, dizem que tinha “reza”, e era de cola mesmo, pois que nunca vi este herói cair... Fosse bravo, selvagem ou boleador; terminava sempre cordeirinho, mansinho em rédeas do domador... Respeito pelas “tala e espora” do garbo-

so Zé e sua reza prosa, honrosa... Tinha mais o Jilinho, carpinteiro da emoção, fazia de tudo um pouco, até arado com tração; e o João Colasso pra rimar com atração; o Sebastião Correia, este marido de Dona Corina, mãe daquele Tão, desposador de minha Completa, babá do coração... Predileta de minha avó menina; esta mais Conceição, “muié” daquele Tião, “diministrador” desse rincão! Minha Avó, Dona Cema, nada tinha de pequena, além do porte “mignon” mimosa; enérgica e prendada, tudo controlava... Com suas mãozinhas de Midas, tudo abençoava, laborando incansável, presta turma encantada. Com amor e vigor governava, seus sete filhos, mais doze adotava, bendita em amanhã dessa criançada! Imaginem vinte e três netos em férias, fantasia da garotada... Todos em paz e respeito, em meu Avô e seu jeito; dando moradia aos colonos e participação nos lucros como donos, já naquela época. Onde graças a Deus havia desenvolvimento e respeito, sem invasão de trejeito! Ué... Bicho de pé, esqueci do tamanduá, daquele Leonardo sempre risonho... Bisonho que escondido tinha um defeito, não sabia beber com jeito. Numa de suas “folga”, retornando do Barreiro, embriagado qual gambá em armadilha; pela estrada de Lua cheia, vinha cantarolando faceiro... Até que no alto da subida, curva daquela colina, “trupicou” num “trem” volumoso, tamanduá rancoroso, entre o barranco e o abismo, perda de siso... Em pé se prontificou, defender seu pudor... O hálito da aguardente imaginou diferente, tratar-se de meliante agente... Então o retireiro infante, ébrio galante, faz posição de luta e se atraca com o encurralado selvagem... “Despois” de muita porrada, cambalhota força e ginga, forca esquivando em unhas do bandeira; por Deus despencou dupla mateira, matutos morro abaixo qual água; em disposição de fogo acima, vão parar num brejão menina... Onde ingênuo da madrugada enluarada, caiu por cima do “meliante”, fictício tamanduá, afogado em pancada de brejo... Graças a Deus, não rasgou com suas unhas, aquele panaca do ébrio... Se for dirigir não beba... Escapando da multa em cemitério!

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Mensagem
Por Renata Iacovino A chuva derrama meus dissabores E minha covardia é tão tênue Que nem supera minhas dores E eu sigo... sendo parco Sendo o próprio barco de mim à deriva Sei que o cais está logo ali Mas não é para lá que sigo Vou em meio à tempestade Ao embuste conhecido de velhos tempos Lanço-me ao que me engole Ao que me sorve, sem nada deixar Algum dia terei saudade De tudo o quanto hoje Faz-me respirar.

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VARAL DO BRASIL - VARAL DA SAUDADE

SAUDADE
Por Gilberto Nogueira de Oliveira O que é saudade? É o que está longe E não conseguimos alcançar Ou o que está perto e dispensamos Pensando não prestar? O que é saudade? É uma coisa difícil de definir Ou uma definição de uma coisa difícil? É um lugar que já fomos Ou um lugar que não copiamos? É a falta de quem já foi Ou o excesso de quem vai? É a felicidade de uma lembrança Ou a lembrança de um lugar feliz? É um sentimento concreto Ou uma lembrança abstrata? É a espera de um retorno Ou o retorno de uma lembrança? É uma saudação a quem está longe Ou uma distante lembrança da falta? Mas, chega de arriscar os palpites: O que é saudade? É o que eu não sinto pelos governos Que há muito tempo Destroem o nosso povo. É um sentimento abstrato De um acontecimento concreto.

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Saudade
Por Valquíria Gesqui Malagoli Se a messe É boa... À toa Se canta À santa Saudade Em prece! E o grão Consome A fome De uma alma E a acalma... Saudade É pão! No entanto Se triste Insiste O horror Da dor Saudade É pranto... É um rio Bem cheio Que ao seio Traz manha Traz sanha Saudade É cio!

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A SAUDADE QUE TEM O NOME -Vem cá! DE PAI Devidamente acomodada, em seu colo, encostava a cabeça no seu ombro quentinho e ele, então, dividia comigo as suas saudades, cantarolando as músicas que embalaram a minha infância, tão triste quanto a sua sobrevida. -Marina, morena Marina, você se pintou! Meu Pai era uma pessoa com modo de vida ímpar e durante minha primeira infância dividiu comigo muitas das suas “saudades”, que passaram a ser saudades minhas. -Encosta a tua cabecinha no meu ombro e chora, e conta logo tuas mágoas todas para mim!

Por Rita de Oliveira Medeiros

- No Rancho Fundo, bem prá lá, do fim do Quando não estava limpando suas gaiolas de mundo... passarinhos, ou o quintal, ele estava no escri- Ele sabia quase todas as letras da Emilinha tório fazendo requerimentos para alguma viú- Borba, que ele dizia “ser sua fã”. Nunca adianva de algum colega do “Porto”, solicitando al- tou eu lhe explicar que era ao contrário. Ele gum provento atrasado, o tradicional Imposto sorria e continuava dizendo do mesmo jeito. de Renda, ou curtindo os livros que ele lia e Contudo, eu percebia certa diferença no tom relia sem parar. de sua voz, nas vezes em que ele cantava: Porém, se não estivesse ocupando seu tempo nestas atividades, ele o passava sentado, irre- “Saudade palavra triste, quando se perde um mediavelmente, naquela janela, de onde po- grande amor, dia ver todo o quintal dos fundos, suas gaio- Na estrada longa da vida, eu vou chorando a las, seus passarinhos, e também suas lem- minha dor! branças. Meu primeiro amor, tão cedo acabou só a dor Única criança pequena na casa, o seu colo era deixou neste peito meu. Meu primeiro amor sempre meu. E era a única que podia ficar ao foi como uma flor que desabrochou e logo seu lado o tempo que quisesse, pois a mim, morreu” nesta época, não eram destinadas tarefas doNos momentos em que cantava o refrão, ele mésticas. me embalava mais forte, como se a sua emoQuando eu chegava de mansinho na cozinha, ção chegasse no auge e ,nestes momentos, ele já estava olhando o passado e o futuro na- meu coração desconfiava que ele se embrequela janela. Era muito, muito difícil, naquela nhava mais ainda, num outro passado em que época, encontrá-lo no presente. Em geral, mi- fora tão feliz. Ele recordava-se dela, sua prinha carinha de “Pai, me dá um colo”, tirava- meira paixão de adolescente. lhe do mundo em que se colocou após a tragéUm dia arrisquei perguntar para quem cantadia que se abateu sobre ele, no dia de seu aniva aquela música e ele contou a história do versário. seu primeiro amor, uma tal Mariazinha, naAo perceber minha presença, Ele me dirigia o morisco que minha avó Rosa (madrasta dele) mais doce dos olhares, batia com as mãos nas havia tratado de dar fim, porque moravam na pernas e me dizia: mesma casa.
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Muito surpresa, eu o ouvi contar sobre a tristeza e decepção por não ter podido viver este amor, tão ingênuo e tão belo. Ele, sempre tão sisudo e rígido, transformou-se num garotinho apaixonado, ante meus olhos! Algo inimaginável para mim, que o via como um pedestal de força e coragem. Depois, ele contava algum “causo estranho”, alguma teoria sobre algum extraterrestre, e voltava a cantarolar as músicas que tocavam nos tempos de minha mãe. Eu tentava fazerlhe algumas perguntas sobre ela, que eu não conhecera. Algumas vezes, obtive sucesso, mas o seu olhar sofrido e as lágrimas que nele brilhavam me faziam desistir do intento e eu me conformei a viver sem conhecer aquela que me dera à vida. Então, quando chegava às cinco horas da tarde, minha madrasta deixava a máquina de bordar e vinha fazer o café. Ele me dava uma palmadinha dizendo: -Agora tu vais brincar um pouquinho, cambacica (pequeno pássaro), que eu vou limpar as gaiolas e guardar os passarinhos. A janta então começava a ser preparada e o enlevo se partia, ele não falava de outros amores na frente dela, para não magoá-la, pois eles viveram um casamento muito feliz. E assim, passei minha infância e ele, boa parte dos doloridos anos que se seguiram a morte de minha mãe. Ao dividir comigo suas lembranças mais íntimas, ele me tornou sua cúmplice, e talvez, o único dos filhos a quem permitiu conhecer este seu lado tão romântico. Sentada em seu colo, por vezes, naquelas tardes, embalada por ele e pelas músicas que cantava, eu olhava para ele e no seu rosto marcado, tão criança ainda, eu conheci a descrição e a tradução da palavra: SAUDADE!

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Erva-divina

ção ou renascimento. Sem dores maiores a crucificar os dias, horas e anos. Mas, de repente, num certo instante, vem aquela fisgada, um aperto profundo e forte no coração, lancetando a todos como Dor, aquela lembrança do que passou. E a SAUDADE vem, sem aviso, repentinamente, a lançar uma lembrança de uma felicidade acontecida, num dia, em algum lugar, como por exemplo, a lembrança daquele dia especial quando a filha pequenina se lançou para a Vida, dando seus primeiros passinhos sozinha, sem proteção materna ou de quem quer que fosse. E a saudade vem, ao recordar a alegria da menina diante de seu feito de superação de limites e a alegria da mãe ao ver a filha caminhando os primeiros passos para a Vida.

Por Norália de Mello Castro
Aquela flor roxa, em forma de buquê com pequenas flores delicadas e perfumadas, encantava a todos que viam o jardim daquela casa. Às vezes, por entre as flores roxas, uma lilás aparecia. Surgiam cor-de-rosa e brancas também. À noite, exalavam um perfume que inebriava o ar. Talvez uma lembrança sutil do dia que se fora.

Muitas vezes, essa pequena e linda flor foi vista em velórios. Lá estava ela, predominantemente roxa. No ambiente fechado, seu perfume virava Chico Buarque tem razão: “saudade é uma um cheiro quase insuportável, com tantas lágrimas fisgada”, daquilo que passou e está distante, que vertidas. Talvez a dor da partida definitiva do ser acelera o coração, faz tremer as pernas e a gente ri querido. ou fica sem direção. , que acelera o coração, faz tremer as pernas Por muito tempo, essa pequena flor foi rela- e a gente ri ou fica s cionada ao cheiro da morte. A vida é um sopro de vento e ventania. É um instante de prazer ou de dor. É uma erva diviÉ sempre triste a despedida, ainda mais a na, com raízes divinas, para ser curtida intensadefinitiva. Mas, é quando parentes e amigos falam, mente, dia a dia, e que a saudade seja branca. Pois relembram aquele que partiu. O choro se manifesta é como aquela menina, em frente à morte, responpelo Vazio nos corações, ao se despedirem daquele deu para o seu médico: “Saudade é amor que fica”. que se foi para sempre. Revivem-se sempre em saudade as emoções de amor. De tal forma se identifica esta flor roxa à morte, passagem certeira para todos, que se esqueEITA palavrinha difícil, Saudade, mil deficem de ver a beleza contida numa pequena e sutil nições para sentimentos que são representados por planta que ornamenta o jardim, o caixão e todo o uma pequena flor, que é um buquê de pequenas salão. flores, a formar um todo, do roxo ao rosa e ao branco. A vida é como uma erva sustentada por Confesso que gosto da flor branca. Mas que raízes divinas e a saudade o sustentáculo das emoflor é esta, que apresento aqui? ções mais puras. É a erva-divina ou raiz-divina, melhor me explicando, a flor da saudade, cujo nome, mais conhecido, um dia lhe foi dado por um poeta, no verso: “quando no roxo da tardinha se abre a flor da saudade” . O jardim das saudades já não existe. Nos velórios, nem o cheiro dessa flor invade dolorosamente as narinas. Hoje, usam todas as flores, coloridas e abrasadoras. A erva-divina ficou restrita a uma lembrança. E quero que permaneça assim: uma lembrança, uma memória, sem dores ou sofrimentos, de um sentimento, de uma partida, de uma renovawww.varaldobrasil.com - Junho 2011

Foto de Maria Dias 45

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Saudades Por Hipólito Ferro Uma palavra que nos remete a algo que já se passou, como um instante, uma memória congelada no tempo que às vezes vem à tona no momento presente da nossa vida. Me pergunto: que seria realmente? A saudade do que já se foi... Tudo pode ser um momento mágico que fica registrado na memória e no coração das pessoas, em um texto, na fotografia, na pintura... Em todas as manifestações realmente humanas há um toque de saudade, de um tempo que jamais poderia ter passado, mas já se passou. Então fica aquela saudade, aquele gosto que um dia poderá voltar. Só que de forma diferente, pois nós mudamos e sempre estamos sempre a mudar, só a saudade fica. Saudade! Poderíamos falar de algumas saudades pessoais ou da humanidade, pois ela está em toda a parte como pedaços vivos das pessoas que guardam para si e para os outros a eterna vontade de viver sempre aquilo que realmente foi importante em suas vidas. Saudade como uma onda do mar que acaba de passar naquilo que foi feito na areia e foi levado para o grande oceano da vida, depois retornando para levar novamente outro instante de uma nova saudade ad eternum.

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Tempo Saudoso
Por Varenka de Fátima Araújo Tenho uma saudade da minha infância Papai trazia leite da malhada vaquinha Que delicia o leite tirado da malhada Era saudável o meu tempo de criança Que saudade do tempo adolescente No domingo para o clube a dançarina Todos os ritmos dançando no salão Era tanta alegria com amigos jovens Que saudade do tempo da faculdade Dos colegas sem maldade do teatro Só pra ter um diploma nível superior Quando tudo passa, torna-se saudoso Neste novo tempo pra mim é precioso Tempo que rouba meu sorriso valioso

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SALIVAS, SEMENTES E BONECAS

Vestidos floridos são rendidos pelas calças jeans. Contraio meu tempo

Por Fátima Venutti

e alargo um abraço desmedido e solitário. A saliva seca. As sementes se quebram. As contas de meu terço se perdem e meu único relicário se esconde num beco qualquer de minha farta infância. Meus sonhos são mais velozes que o vento. (In Tempestade, de Fátima Venutti – 2011)

Saliva um tempo de goiabeira. Memória escandalosa de uma infância. Sob os dentes maduros, brincam sementes guardando doces tesouros. Hortênsias azuis florescem no jardim. Regresso o pincelar das imagens num canto rubro qualquer de minha avançada idade e revolto os sonhos a balançarem os galhos calejados dessa saudade. A terra batida amanheceu coberta de piche. Um vento infantil esboça o bocejo da menina. Nele os olhos brincam, esbaforidos, pelas margens bucólicas de suas bonecas.

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SAUDADE BANDIDA
Por Cristiane Stancovik Dor bandida Que não mata Só maltrata Só Sozinha Sem nada Sem tudo Tudo Mas nem todos De que me adianta? De que? Salgado gosto De saber Sem saber De que me adianta?

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UM POEMA SOBRE SAUDADE

Por Terezinha Manczak

tão claro, vejo o cavalo no pasto, a grama molhada de orvalho a caminho do estábulo : um homem e seu destino, um menino pela mão, além das minhas lembranças: uma brisa nômade ocupa o lugar que deixei no alto da colina e às margens do rio e no jardim de hortênsias, olhos vasculham o céu que cobre a madrugada, e não me pertencem mais.

Foto de Márcio Forarte

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LINHAS...
Por Anna Ribeiro Sem rimas ou silabas contadas O poema que não escrevi... Como fábulas encantadas, ficaram em linhas os sonhos adormecidos Entrelinhas, o amor em passos de minutos. Outras linhas; Todos os desejos perfumados com essência de ilusão! Enquanto em reticências, Vou repassando as paginas, Escondendo minhas Saudades...

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PERDI O RUMO DO TEMPO
Por Larissa Loretti

Perdi o rumo do tempo no registro da memória deste amor... Um sentimento sem dimensão... Um sol no horizonte... um chilreio de pássaro na mata... um lírio perfumando a vida! Luz da madrugada sobre a última ilusão... sinais impossíveis vestígios amorosos que jamais se apagarão.. rosas sobre os beirais... e uma última canção DE SAUDADE ouvida no vazio de um cais...

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SAUDADE VÃ
O corpo sente desejo Por Jô Mendonça Alcoforado Saudade, intrusa que invade! Meu coração com tristeza Saudade? Não tem idade Saudade vem e vai embora Passa por dentro E se enrola por fora Do coração que só chora Lágrimas cobertas de sangue Dos olhos brotam as gotas Tão quentes e cristalinas Molha a boca E que sina! Mostra seu sabor salgado Deixa os olhos encantados Vermelhos e dilacerados Soltas em pingos quentes Vão desenhando sua cor Pousam nos lábios rosados Pintando a cor do desejo Geme entre os dentes sem medo Saudade vem me buscar! Leva-me para outro lugar Onde não habite solidão Porque o meu coração Que dói muito nessa hora Pensa em partir Ir embora Aliviando a lembrança O nó sobe a garganta Engole e goteja esperança Saudade que vai embora Mascarou toda tristeza Rosto seco mostra a beleza! Joga a toalha na mesa Ensopada da saudade! A boca solta mil beijos O riso cospe as tristezas Saudade? Não se tem certeza Se um dia vai passar Lembranças de nostalgias Que vem sempre machucar!

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SONETO DA SAUDADE
Por João Dutra É a alma aflita vaporizando numa vontade etérea de voar transpondo o ar, desatinando bem pertinho querendo lá estar. E quando é levada junto ao vento, às flores mortas fazem companhia e se têm em comum um sentimento, este é o fim que traz uma agonia. E o corpo fica defronte à porta entre o limite do pensar e o ser. Quem abre, é um anjo de asa torta ele não veio para entreter, no colo do corpo, a alma solta, que, com muito esforço, grita baixo: volta...

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Maresias
Por Maria Alice Rodovalho de Souza

Me falta você. Fala sério!!! Sem noção? Sou eu. Eu sou. Não sei mentir, nem esperar esta vida passar e talvez saltar em pleno ar de um futuro... sei lá.

Deixo tanta coisa pra trás, meus vícios, meus Já é noite, mas ainda está claro, alguma luz de filhos, meus pais, ideias, ideais, sementes na um sol que se foi. intenção de semear. Só não sei deixar você Entre afazeres da rotina, escolho aquele onde devia estar, onde devia ficar: no altar das cd...que me leva à vc. coisas profanas , de um santo amor que...se foi e ficou na saudade, essa enorme vontade de Uma saudade ardida, pungida (?), f... sentir de novo, de novo, de novo. Como a onParo tudo, quando termino, e vou escrever. da do mar. Vem e vai. Vai e vem. Dedicar-me a você. Quando vem dói. No amor que parte em vida, mora minha trisE quando vai.... finjo esquecer. teza coisas minhas ondas da memória, num vai e vem, sem nunca esquecer, fica lá, fica ali, só eu vejo, sei sentir, segredo meu, maresias. O coração de apertado dá um nó. Tua recusa eu entendo. Minha loucura eu entendo. Minha insistência é demência, não importo... Sei e sinto Sinto e sei Mexe com minhas vontades, com as entranhas do coração, meus desejos Meu desejo não é mais o que foi, não é mais pele, cheiro, visão, sensações. Mudou-se de mim...deu a volta , extrapolou... Pulou a cerca do corpo...virou e desvirou...acho que evaporo, esfumaçou...está no ar. Isso é envelhecer? Ou isso é mais perder o amor que se viveu nos sentidos... ficam os sentimentos, ....um tema. Imaginação!!
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SONETO DA SAUDADE
Por Lilian Maial

Como o sol, atrás de nuvens carregadas, o teu brilho nos meus olhos se apagou. E esse véu, que a tua ausência me deixou, não impede que essa luz seja espalhada. Como lua solitária e abandonada, sigo a trilha que o cometa rabiscou. E o meu céu, que outrora riu, hoje chorou, dando forma à nova estrela apaixonada. Tantas lágrimas brindaram a tua ida, tantas noites o meu peito soluçou, sem amor, agora tão pela metade... Sou pedaço de um planeta suicida, numa órbita febril que alguém traçou, colidindo com o vazio da saudade.

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Saudade-Urso verde
Por Renata Farias (In Memoriam, Maio 2011) Uma saudade corria vestida com bolinhas pelos jardins, seu urso verde e um sorriso. As tardes podiam ser frias ou quentes e lá ia à menina pedalando e sonhado em um braço o urso verde e sua gravata xadrez. Era uma infância dita feliz e cheia de alegrias que por menores que fossem se tornavam infinitamente maiores. Suas brincadeiras não tinha nada tecnológico e a imaginação poderia leva-la a Lua, a Marte e aos mundos que a menina criava junto com seu urso verde de gravata. Contudo foi crescendo e os sonhos se transformando e alguns se tornaram realidade, os jardins da praça continuavam no mesmo local, mas, agora entre um banco ou outro da praça a menina já moça com suas amigas ansiava o primeiro beijo. O urso verde antes dormia na cama e agora estava guardado em uma caixa revestida com um xadrez parecido com o de sua gravata, sândalo dava a ele um ar de descanso e assim foi ficando ali por um tempo adormecido em suas lembranças. Até que em um dia de sol uma saudade forte bateu e então a moça foi até o guarda-roupa e colocou a caixa xadrez na sua cama e com cuidado e carinho retirou seu urso verde de gravata xadrez e o abraçou entre sorrisos e lágrimas foi acalmando o coração foi com ele até a janela e conversou com ele sobre sua vida e prometeu leva-lo a praça e assim fez... pegou sua bicicleta colocou o urso e lá foram os dois e ficaram ali por horas sentindo o cheiro das flores e o sol que os esquentava. Com o tempo a saudade de algumas coisas não pode ser como seu passeio o primeiro beijo era só saudade, o vestido de bolinha, os avós, amigos que partiram para sempre e assim algumas saudades te fazem sorrir e outras são pontadas no peito e nem por isso são tristes por que se assim for, não será saudade... O urso verde de gravata xadrez permanece até hoje na sua caixa e vez por outra sai para passear com a menina vestida de bolinhas e sua mãe se esquenta ao sol.

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Saudade

Por Marilu F. Queiroz

Quando se é criança, o mundo parece infinitamente grande. Os sonhos e a imaginação batem asas num voo sem hora nem lugar para acabar. Morava numa casa cujo quintal era imenso, repleto de árvores. O lugar ideal para uma criança se soltar em brincadeiras das mais diversas possíveis pois, brincar era a atividade diária muito esperada nas manhãs ensolaradas de minha infância. Levantava bem cedo e corria para o quintal na esperança de descobrir pequenos tesouros escondidos sob a camada fina de terra. Eram pedaços do que outrora foram pratos, tigelas, canecas e outros objetos de cerâmica. Cacos coloridos com pequenas flores, singelos bichinhos ou mesmo desenhos geométricos enfeitavam o mundo da minha fase infantil. Costumava colecioná-los, separados por tipo de desenho e imaginava o que teria sido aquele quintal cheio de louça quebrada. Tinha certamente os meus preferidos, separados com carinho e agrupados numa pequena caixa de madeira que ganhara do meu pai. Minúsculos pedaços de sonhos de menina acostumada a fantasiar... e sonhar...

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Ausência Por Raimundo Cândido Teixeira

Sobreveio um daqueles ventos de nostalgia Que apaga velas e acende fogueiras Impregnado de ausências que incomoda. Soprou-me como um aguçado temporal Encharcando meu perplexo silêncio Que escorreu pelos meus olhos. Trouxe uma recordação de mim Na urgência da voz e no anseio do riso No desejo de ilusão do que nunca fui.

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SAUDADE

Por Grecianny Carvalho Cordeiro

Saudade... palavra tão melodiosa que só em pronunciá-la faz rachar o coração. Saudade é palavra de poeta, é palavra de compositor Não sei o que é saudade, saudade ainda não senti Apenas senti falta, uma enorme falta, de algo ou de alguém Saudade é algo pra nunca mais, pode ser de alguém que se foi e nunca voltará, pode ser de algo que acabou ou que sequer chegou a ser Saudade... sei que um dia sentirei, de algo ou de alguém Do cheiro de mar Das flores brotando formando coloridos jardins Da conversa boa jogada fora Do céu celeste, das nuvens brancas feito flocos de neve Do gosto de chuva Só não quero sentir saudade de um grande amor Nem saudade de filho Essa saudade nem pensar.

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SAUDADE
Por Ju Petek

Ah! Essa saudade toda espalhada por todo meu viver Esse sentimento todo espalhado por todo meu coração Essa ternura toda espalhada por todos os momentos passados ..... repassados sentidos e mesmo ressentidos foram os melhores de toda uma vida. Essa saudade espantando meu adormecer trazendo uma lágrima a cada amanhecer entorpecendo todo meu viver. Ahhh se fosse tempo de não perder tempo de deixar-me ficar ao lado teu apenas me aquecendo aquietando esse nobre coração na batida do coração teu. Essa saudade que me envolve me traz um sonho de outra vez apenas estar me inundando no teu olhar. Ah! Essa saudade .... quanta saudade ....

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Saudade e os seis sentidos
Por Flávio Goulart Bareto Sabemos que todos nós quando saudáveis temos, inerentes ao nosso organismo, os chamados cinco sentidos sensoriais: olfato, tato, paladar, visão e audição. Através deles nós nos comunicamos e participamos, de todos os fenômenos e acontecimentos da vida e das relações. Assim o olho percebe a visão, o ouvido capta a audição, o nariz sente a olfação, a língua recebe a gustação ou paladar, a pele sente o tato. Embora esses cinco sentidos sejam constituídos por órgãos, que por si só revelam a existência e a sabedoria de um ser superior, que é Deus, eles são limitados e só lhes são perceptíveis os fenômenos que acontecem no mundo físico visível. No entanto, para entrar em outra dimensão, no espaço e no tempo, nosso organismo possui um sentido extra: o sexto sentido ou mediunidade mais ou menos apurado em cada um de nós. Segundo alguns doutrinadores espíritas há um órgão responsável pela MEDIUNIDADE: este órgão é a Epífise, glândula situada na região centro posterior do cérebro, constituindo a sede fisiológica de todos os fenômenos mediúnicos. Pouco conhecida pela ciência oficial que afirma ser a Epífise tão somente a veladora do sexo, segundo a teoria espírita a epífise passa a controlar outros centros por meio do seu potencial energético, tornando-se um prisma de captação de energias específicas. Pois bem, seja como for, pelo olfato quando sentimos algum perfume que nos faça lembrar um lindo local ou uma pessoa, sentimos saudade. Pelo tato ao tocarmos algum objeto, superfície ou pessoa, podemos sentir saudades de algum momento. Pelo paladar quando estamos nos deliciando com algum vinho, algum alimento ou algo muito bom, podemos sentir saudade de quando em alguma oportunidade, tivemos esta sensação. Pela visão ao depararmos com alguma cachoeira, alguma praia bonita, com certeza vamos sentir saudade de alguém que conosco esteve ali. Pela audição de uma música, uma pregação religiosa ou uma cena de teatro, pode nos levar a sentir saudades. Finalmente, mas não menos importante, aqueles que tem uma mediunidade mais avançada, quando entram em estado de meditação, muito provavelmente também podem ser tocados pela saudade. Como conclusão, pode-se considerar que saudade não é tão somente um sentimento muito brasileiro e até sem tradução na grande maioria dos idiomas, mas é com certeza algo tão poderoso a ponto de tocar todos os nossos sentidos físicos amplamente conhecidos, como até
aqueles dos quais não temos ainda fundamentos científicos completos para argumentar.

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Aquelas saudades
Por Carlos D quero aquelas saudades tempos idos que voaram naquelas nossas vontades de crescer que não param quero aquelas saudades hoje o tempo não pára enfrentar as realidades escondido nesta mascara quero sim aquelas saudades porque o tempo me falta se escapa em sonhos simples voltar a estar entre a malta crescer num tempo infinito onde nada e tudo é dito

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Saudade
Por Leny Mel

Na cadeira de balanço. Balanço uma saudade, Adormecida pela idade, Em meus braços. Mas como uma criança, Ela desperta, Ela dança. Desce e sobe escadas. Faz pirraças. Acha graça. De me ver chorar. Esse seu desassossego. Me deixa louca. Fico roxa. Quero te pegar. Mas ela canta. Tem vozes e cheiros. Ela sabe me machucar. Por que essa saudade não se aquieta Deixa essa pagina em branco. Respeite o meu cabelos brancos. Volte pra cadeira de balanço, E adormeça. E antes que amanheça Eu sei que voltará.

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FALAR DE SAUDADE
por Márcio José Rodrigues Não sei falar de saudade. Existem lembranças e Existe saudade. Mas, é preciso lembrar Para sentir saudade. Ter lembranças boas é preciso. Ter lembranças não é preciso. Elas vêm e se atropelam, Disputam espaços. Canoas e navios Trens de ferro, Veleiros e aviões Fontes e rios Ventos, nuvens e mar. Sóis, luares e tempestades. Nunca estou só em minhas recordações. Lá sempre estão as pessoas. Os elementos e fenômenos São apenas peças cenográficas Para as minhas pessoas Exercerem seu papel no palco Dos momentos em que fui feliz.

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Ponteiro de Saudade
Por Jania Souza abri as pétalas da mais bela rosa em busca do teu sorriso ela devolveu-me teu perfume num frasco invisível folheei meu diário de lembranças dedilhando tua predileta canção no fundo de pano toquei as linhas do teu coração no gira gira do mundo dias e noites passam com chuva e suave orvalho a distância faz-te presente no espelho da minh'alma são anos e anos levados nas asas do vento ponteiro de saudade badala forte em meu peito.

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SAUDADES

Por Igor Medeiros Oliveira

Um dia, guiando meus pés pelos caminhos da minha vida, deparei com um velhinho sentado no mato de beira de estrada, exausto de não andar. Percebi que era um poeta. Conversa vai, conversa vem, ele me indagou por poesia: "Não me julgues tu, pelo fato Que já não mais caminho. Me explique, tu que caminhas Para onde estás indo?" Para não quebrar o clima, improvisei alguns versos: "Estou indo para onde puder ir Trilhando os caminhos Que escolho seguir" Ele se empolgou e disse: "Mas amigo, porque caminhar?" Cansei da brincadeira e lhe expliquei: "Caminhar é viver O sentido da vida é mão única (Até morrer) Se não caminhares pela vida A vida caminha por cima de você Aqui perdi a paciência: A saudade existe, e isso é fato Mas aprendi que Mais vale escrever um novo ato Do que parar pra descansar de nada Bem no meio do mato"
Imagem Lauritz Ring

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Pensando em minha terra

Por Denise Parma

Pensando em minha terra Minha distante quimera Que pra trás pronto deixei Mas da qual nunca me ouvidei Bate a saudade roedeira Da terra que pronto amei Minha terra vermelha Berço da minha eira Por que te abandonei? A terra que mais amei Tanto ontem como agora Pela qual sempre ansiei Tão diferente do teu calor Tão diferente do teu amor É esse frio cortante Gelo, gelado, gelante Saudade aumenta o amor À minha terra distante

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Saudade
Por Garoeiro (in, “Amarga Aprendizagem”, Ed. Alternativa, 1979, pp. 76,77) Existe apenas um tipo de saudade: a curta. Todas as dores são passíveis de cura, e as frustrações mais fundas são passáveis. Há tanto desespero condensado numa fuga, quanto é pouca a reflexiva vontade de amar, quanto é ausente a consciência de que as coisas fluem. Andar buscando as festas altas das estrelas, é esquecer os bafos vegetais da grama quieta. Negar a continuidade, a persistência das horas, é ir plantando bananeira a vida toda, supondo ter virado o mundo de ponta-cabeça. No entanto, como é insuportável um pedacinho micrométrico dessa saudade irresponsável, como dói a menor dor, e tudo é tão difícil: o amor, o verso, meu trabalho! Ficar, jamais, jamais!

Prefiro o salto, a queda longa e certa contra a gravidade das leis a ficar preso à lei da gravidade; soltar-me louco e lúcido, no mundo, cantar uma toada sertaneja, bem caipira, sentado com o amigo, numa praça de Paris, amar qualquer coisa, sem precisão de nada, morder, enfim, a carne fresca da existência e nunca mais deitar-me sob o cobertor de lã! Mas vou esperar você, mulher!

Fotografia Joss

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Amor tardio
Por Rosalie Gallo y Saches

As rugas da mão companheira afagam as cãs adormecidas pela morte. Receosas de atrever-se, agora, em carinho incontido, acariciam com leveza e respeito a delicadeza dos cabelos imóveis. A serenidade do corpo que não mais responde aos apelos faz reagir a viuvez inesperada. Ontem não foi assim. Havia esperança no ar que hoje falta, homem só. E amanhã, será ainda pior, com olhos nublados pela falta de esperança. Encerra-se na sua partida a cena com a batida do claque onde se lê: saudade permanente.

Foto Marina

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IMAGEM ESQUECIDA Por José Alberto de Souza Como o cego Ante a luz que lhe restaura A visão perdida, Como o surdo Ante o som que lhe propaga A melodia proibida, Como o mudo Ante a ocasião de murmurar A palavra refletida, Assim eu Oxalá pudesse Tornar a minha mente A imagem esquecida No momento em que, Na encruzilhada da vida, Nos separamos Eu e minha mãe querida.

Stephen-Armstrong

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Numa manhã de domingo a pensar em ti...
Por Patrícia Lara Descubro, na dormência do dia que se estende, que não há distância maior ou menor entre os sonhos e a realidade que nos separa. Tudo é feito da mesma matéria, do mesmo silêncio compartilhado, da mesma intensidade de desejos a latejar no corpo, a torturar a alma, a devastar como doença cada célula do meu corpo... então, paraliso. Paro no tempo por indeterminado momento... e, em pensamento, vou ao teu encontro. Levada pelo vento transponho montanhas, sigo por estradas de terra batida, pelas margens dos rios límpidos em busca do teu sorriso cristalino, do teu olhar de calmaria, do teu abraço de paz continuada. Diluindo o azul, vem o sol, de um amarelo pálido, quase doente... (as manhãs endomingadas são sempre assim na tua ausência...)

E esta angústia que vai dentro de mim derrama dos olhos e pinta de tristeza a natureza à minha volta... (talvez...) Talvez seja apenas saudade de te ver refletido em minhas pupilas, de te ter em meus braços, num abraço infinito. Ao longe, os pássaros entoam uma canção de lamento. O tempo não passa, quando estou longe de ti... (tudo parece seguir o seu curso, em câmera lenta...) És minha ambição e meu vício e insisto, neste sentimentalismo pobre e vadio, que mais parece uma prece de uma virgem aflita a rezar estações intermináveis, a se impor penitências de pecados não cometidos, a suplicar o teu amor pela eternidade... Apago o sol com a ponta dos dedos, inverto o movimento de rotação da Terra e anoiteço, nesta falta sentida do teu corpo junto ao meu.

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Nostálgico
Por Tino Portes Saudade é coisa mágica! Capaz até de enganar. Coisa por demais nostálgica que pode fazer levitar. Mas, eu prefiro é manter os pés bem junto ao chão. Melhor isso que vir a ter todo choroso o coração! Argh... quem dera – não engano a ninguém, nem a mim mesmo, pois, não há tão grande pano pra esconder que ando a esmo... Vou saudoso lá da infância... Dos amigos, de uns amores... Vou saudoso e à distância, todo cinza... só... sem cores...

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SAUDADE
Por Luiz Carlos Amorim

Ah, essa saudade vadia, a passear, insistente, pelo fundo dos meus olhos; não se decide, afinal, a ir embora de vez... Brinca com a tristeza que transcende o meu olhar, invade o meu coração e mata todas as flores que desabrocharam em mim...

SAUDADE QUE DÓI Por Adriana Padilha SAUDADE DOS BONS MOMENTOS QUE PASSEI COM MEUS FILHOS QUANDO ERAM PEQUENOS E MORAVAM COMIGO, BRINCÁVAMOS DE CASINHA, FANTOCHES, ESCOLINHA, FAZER COMIDINHA, DORMÍAMOS BEM JUNTINHOS... O PAI OS LEVOU DE MIM... DESDE ESTE DIA NÃO SOU MAIS A MESMA... SAUDADE QUE DÓI

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Saudade é o Amor que fica!

Enchendo nosso peito de carinho! Pode ser de uma lágrima de emoção que inunda o coração!

Por Flávia Assaife Mas uma coisa é certa, minha criança Saudade é o amor que fica! Frase dita por uma criança inocente, Em seu leito doente! Sábias e belas palavras que nos levam a pensar... Refletir, raciocinar, ponderar, meditar, matutar, A sabedoria desta forma de amar! A saudade é um sentimento que para muitos é tormento, Mas se ela é o amor que fica, deixa de ser um sofrimento! Saudade é difícil definir, sentir, dirimir... Sentimo-la por momentos vividos, Em cada ciclo da vida, por nós escolhido! Pode ser de um ente muito querido, Ou de um grande amigo! Pode ser de retratos da infância, Ou de sensações, atos, gestos, sons nunca mais jazidos! Pode ser de uma paixão reprimida, Ou quem sabe de um amor perdido! Pode ser de um olhar de incentivo, Recebido naquele momento sofrido! Pode ser de palavras pronunciadas, ditas baixinho,
Foto: Daniel Camacho

santa, A tua sabedoria, nos enche de esperança!

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Vai acontecer...
Por Glória Salles Se hoje a chuva castiga a alma em aflição E o que ronda meu olhar a lagrima delata Se o vento traz na bagagem tanta solidão Mora atrás das sombras, a esperança nata . Se apesar do sol, o inverno se fez presente Trazendo o frio denso que a alma sentia Posso afirmar que o outono, serenamente Traz na brisa amena, de volta minha poesia . Calcina as dores, a aragem entorpecente A agonia que turva o olhar, engavetando Cada átomo dessa saudade remanescente E vão ao longo das utopias, camuflando . O tempo, antídoto que faz a dor arrefecer Garante que alegria em bando vai acontecer

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SAUDADE I

Parasita temporário do meu sonho, amanhã finge não me conhecer. Porque no amanhã, você será real dentro de mim, fora de mim, perto de mim. Saudade que enaltece o amor. Que é sentimento profundo de quem tem alguém neste mundo. Saudade que dói. Saudade que chora. Ferida que ri e me afervora. Saudade que espera na esperança que apodera. Saudade que morre a sorrir, quando em mim vem lhe sentir. Saudade do amor, saudade do olhar. Saudade do meu amigo. Saudade de você, meu eterno abrigo.

Por Regina Araujo

Ansiedade faceira que nos pega, mata e maltrata. Lembrança divina que me faz crer sem cegueira. Saudade que rasga o peito e corta a mansidão. Ausência tratante, vivência intrigante que tem a origem no amor-solidão. Nos traz o passado e recorda o futuro, sempre imperfeito. Saudade que mata e me faz viver. Corrói a realidade abstrata e conta fábulas nos meus sonhos de prazer. Saudade que é esperança, crença infinita de te ver. Boa amiga na andança, sem presente, me dá você. É companheira fiel da ilusão e por momentos, em meu Ser, faz se alegrar o meu coração, enquanto vive pensando em “porque”. Saudade que não tem dono, mas que é só minha.

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SAUDADE...
Por Graça Campos

Palavra privilégio da Língua Portuguesa Da Mãe Latina trouxe consigo sete letras E muito mais que sete vidas Filtro de sentimento, a saudade vem Sem a cerimônia de pedir licença Incontrolável riso, desenfreada lágrima, Ou gestos de reconhecido instante outrora encontrado Desnuda, porém sutil aos olhos de quem vê Mas não está a sentir o que deveras pensa... Datada de lembranças do ser de cada ser Vem a sorrir sorriso leve, Olhar vagueando trechos de um tempo Que se vestiu e foi-se embora Trajando um sobretudo guardião Para em mero instante voltar Disfarçando as horas de ausência... E o choro, às vezes de dor que desatina e dói, A trama que jorra o rir e o chorar Só será mesmo teia da memória, Se for especial e desejável... E somos pegos de surpresa, e presas desse sentimento Mas todos nós sopramos essa leve pena Bem navegando nas ondas do viver... Saudade de um caminho, de uma pedra, De um cheiro doce de um esteio, De um ombro, de um sonoro passarinho De um fim de filme que deixou no ar, Justamente o desfecho “desejado” Saudade do tempo de criança Da chuva fria de uma tarde preguiçosa De um passo na escada, de uma folha que cai, De um tempo e de um mundo mais ameno e belo...

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SAUDADE DOS PAIS
Por Icléia Inês Ruckhaber Schwarzer

Quem nem temos como voltar Somente a saudades pra relembrar Dos bons momentos com meus pais Saudades,

Saudade dos tempos de infância Das corridas pelo campo Atrás dos animais Saudade dos tempos de menina Do colo de pai Do cheiro de mãe Do doce de vó. Saudade dos tempos de adolescência Onde a inocência corria solta Não se tinha medo de nada Saudade dos tempos do respeito Onde palavra de pai bastava Onde professor era autoridade Onde todo domingo era dia de ir à igreja Saudades dos bons tempos Quando a família se reunia Todos juntos na mesma mesa Quando se orava antes das refeições Quando não se tinha TV nem internet Saudades destes tempos Quando uma historia valia mais que uma novela Quando se sentava para ver as estrela s e o azul do céu Quantas saudades São tantas saudades

Somente saudades, Nada mais que saudades Saudades dos meus pais

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Rastro de saudade
Por Ceiça Esch

Perco-me na saudade. Sigo os passos marcados na memória. Todos me trazem você. Refaço caminhos em atalhos sem rumo. Todos me levam a você. E na saudade que a sua falta me traz, Confundo-me em tantos porquês. Luz da minha poesia... Último refúgio da esperança tardia Até que o tempo seque as lembranças, Iluminando novamente os meus versos. Serei eu a rima que tocará seu coração? Em algum momento, A voz do vento soprará seu rosto. A saudade inundará o seu olhar. O som dos céus estremecerá sua alma. Meu pensamento lhe alcançará. E transbordará de tudo O vazio da nossa ausência efêmera.

“Eternamente...” (2011)

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SAUDADE Por Walnélia Corrêa Pederneiras Faz desenhos, monta paisagens, alça voos e permite um olhar que deita como se estivesse dormindo e sonhando... ...é como se fosse uma pintura ou fotografia em preto e branco mas quando o olhar contempla, o efeito é colorido, brilhante, sobrenatural... Mas não é uma vontade de voltar ao tempo, isso não, porque a expressão do presente em suas várias dissertações, me encanta. É só uma tentativa de definição para a palavra, bela palavra chamada SAUDADE.

Por Madhu Maretiore

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A Dançarina do Ipê
A saudade é um instrumento de criação que espera pelo autor pacientemente para ser transformada em obra de arte.

vam. E dançavam. E dançavam rodopiando com vestidos rodados. O espetáculo era bisado todas as tardes até terminar a florada anual. Fui criada num sítio onde a natureza era senhora de tudo. Há pouco tempo, deparei com uma árvore de Ipê, tão esplêndida quanto aquela dos tempos de infância e adolescência. As imagens congeladas foram resgatas com tanta clareza que tive vontade de dançar naquele carpete monocromático. Emocionada com a oferenda generosa da natureza, fui catando as flores e colocando na minha bolsa, queria reter aquele momento de alguma forma. A arte estava ali, internalizada, era minha! Precisava ser liberta para expressar o fascínio daquele encontro. A saudade é um instrumento de criação que espera pelo autor pacientemente para ser transformada em obra de arte. É complicado explicar a capacidade artística latente que despertou iluminada pelas saudosas lembranças. É impossível estancar o movimento no ato da criação, é imperioso como o nascer do dia. Dias depois as flores foram sendo posicionadas, a ideia foi tomando forma, o projeto foi desenvolvendo até revelar-se na obra “A Dançarina do Ipê”. Toda arte tem uma porção de saudade.

Por Rozelene Furtado de Lima A saudade é um sentimento que permeia a vida ligada no tempo em movimentos circulares filtrando fatos e emoções do passado veiculando-os no presente através de uma palavra, um cheiro, um perfume, uma foto, um filme, uma música até mesmo no brilho de uma lágrima. No cenário das minhas saudades tem sempre uma árvore, mestra carinhosa. Uma delas é a Paineira que me impressiona até hoje pelas etapas de mutações: do verde copado ao forte rosa floral, em seguida aos frutos grandes de cor marrom escuro e finalmente na paina com uma sementinha na ponta espalhada pelo vento. Acompanhar esse processo natural é verdadeiramente emocionante. Ela despertou em mim a paixão pela poesia. Já a Figueira do Inferno, é uma árvore de menor porte, com folhas grandes e grossas em formato de coração e tem os figos achatados colados no caule liso. Ela desce os galhos até ao chão formando uma espécie de cabana grande, sombrosa. Aquietada em seus braços ela ensinou-me a escrever poemas. Outra, majestosa e bela é a castanheira! Com ela aprendi a suportar as diversidades da vida. Ela passa por fases longas e muito diferentes até soltar de dentro de um invólucro espinhoso (ouriço) as deliciosas castanhas brilhantes. Entretanto, a que rompia a barreira entre real e o imaginário sem nenhuma dificuldade era o Ipê. A beleza do Ipê florido energiza toda paisagem a sua volta. O tapete de flores amarelas é mais convidativo do que o tapete mágico de Aladim. As flores para mim eram dançarinas. Sentada ali no chão e fazendo e tronco de espaldar, eu atingia os níveis mais sutis da imaginação que fluía como a liquidez de fonte de água pura. Entrava numa dimensão prazerosa, via e ouvia, as flores amarelas transformando-se em dançarinas no meu palco. Levantavam-se uma a uma, e dança-

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Soneto da amargura
Por Marcelo Moraes Caetano Plantei uma rosa cheia de espinhos. Tirei do meu céu o cristal do luar. Mandei calarem-se os passarinhos. Subverti o dom de amar. Escalei a montanha mais alta. Senti a neve em minha pele nua. Fechei os ouvidos ao que a paixão exalta. Vi a terra do deserto, seca e crua. Tudo isso porque não estás aqui comigo, Porque não sabes o quanto eu percorri, Porque não viste as trilhas apagadas Que meus pés sonharam. Não comes o trigo Da colheita farta que ofereço a ti. Por que apagaste o meu amor das tuas pegadas?...

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Saudade Matadora
Por Madal Odeio que meu amado não me ame mais Não que eu queira mas a saudade gravou seu lugar estendeu seu manto pintou com tinta indelével sua presença em mim Todo dia, com uma lágrima molho o lenço e tento apagar um pedacinho de lembrança gravada Recorto pétalas de seu manto que se dispersam pelo ar Ah, como é estranho quando ele se tornou um estranho O olhar é de um transeunte apressado A voz é ininteligível já não distingo o que ele diz Na distância não o reconheço Ah, em quem o verei?

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DES-RAÍZES Por Cristina Ferreira-Pinto Bailey O tempo anuncia a reta final chegadas, partidas, poeira breve, prenúncio da tua ida. Pairo eu— Destroncada Desfolhada. Arrancaram de mim o último torrão da terra. Desenraizada, tropeço no ar da tua perda, vejo o vazio, ausência dos teus olhos— Saudade.

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Tic Tac do tempo
Por Irineu Baroni O tic tac do tempo Conta os segundos vividos No entardecer de nossos dias... Nós contamos estórias de amor No alvorecer de nossas lembranças... Passam-se os dias... Renovam-se as estórias... Ficam as saudades...

FOLHA SECA Por Lariel Frota Um vento não muito forte, Juntou-se ao raio de sol. Entrou pela porta entreaberta, Mudando a sorte Da folha ressecada pelo tempo. A luz vestiu-a de dourado, E ela dançou suavemente, Presa na mágica fagulha de tempo, A folha seca virou joia reluzente. Mas foi só por um segundo, a seguir Voltou a ser folha seca novamente!!!!!

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Por chajafreidafinkelsztain Decidiram que a passagem do ano novo seguinte seria diferente. Diferente em tese, o próximo seria igual aos passados nos anos anteriores onde vinham para aquele hotel com todos os filhos e vários amigos. As crianças ainda pequenas acompanharam até a fase adolescente, numa sucessão de anos... até iniciarem a fase das namoradas/os. Desde o momento que chegavam até a saída, davam a impressão de serem os donos únicos daquele pedaço. Não eram prepotentes, nem pretendiam sê-lo, mas um grupo feliz e alegre, que vinha em busca de descanso e diversão. Lazer in latu sensu... Conseguiam contagiar os demais hóspedes... todos sem exceção. Essa rotina pertenceu à vida deles pelos “réveillons” de muitos e muitos anos... tudo era uma repetição gratificante daquilo que já havia sido feito. E comiam... comiam e comiam... desde o café da manhã até o jantar... só interrompendo para dormir. Quantos hotéis servem filezinho na refeição matinal? As termas com seus banhos de espumas flutuantes e duchas escocesas, o passeio pelo lago, as águas minerais das diferentes fontes, não faltavam diariamente com chuva ou sem ela... as brincadeiras no varandão... a coleção de piadas na piscina e no salão de jogos... e um discreto passeio de charrete a procura de romã para garantir o dinheiro na carteira durante o ano que iniciaria... saudável simpatia! A saudade os conduziu de volta naquela estrada final e difícil, cheia de curvas e enjoos, numa viagem de mais de quatro horas, isso sem considerar o trânsito difícil. O destino seria o mesmo hotel antigo de sempre, a cada ano mais decadente, considerando-se o mobiliário existente até com peça para se guardar penico. Fora... as penteadeiras velhas e maltratadas que só ocupavam espaço e para nada

serviam, pois a iluminação era fraquíssima, e se precisa de muita luz para a pintura ou qualquer tipo de maquiagem. Armários cheios de gavetas mil... todas chaveadas sem nenhuma utilidade, pois sequer fechavam por estarem dilatadas, que dirá trancá-las... e uma penca de chaves penduradas que por qualquer movimento caíam... paisagem pra lá de bucólica! Tantos móveis e nenhum local para se guardar as malas e bolsas... fico pensando que se em tempos idos os viajantes traziam tanta bagagem como nós? Quem sabe somente a roupa do corpo e uma muda? Assim a adequação interna dos apartamentos seria ideal... Olhando ao redor deitada naquela cama, onde sempre esbarramos machucando os dedinhos dos pés (quanto palavrão ali não era dito!!!) ao menos tinha roupa limpa e cheirosa todos os dias, ela analisava pensando o que sobraria dali se por segundos ficasse em suas mãos o destino dos móveis? Com certeza, ficariam somente as camas (cortando e lixando os seus pés) e mandaria colocar prateleiras nas paredes... qual o destino de um telefone preto com disco? O hotel ganharia um enorme espaço ocioso em todos os quartos... e haja quartos... E como seriam os banheiros? Tudo seguia a mesma linha ou tradição... ou seja, das coisas velhas e remendadas... um box com chuveiro que ora aquecia demais ou esfriava, jamais misturando as águas para trazê-las mornas. E como fica o sujeito debaixo de um chuveiro assim? Simplesmente não fica, pula de um lado para outro... ou você queima as costas ou gela a cabeça... haha! Saudades batem e conferindo o local vem a triste constatação que o tempo deteriorou mais ainda o mobiliário... mas tudo bem... a comida continuava com a mesma qualidade, um irresistível e crocante pão de queijo antes do almoço... as sobremesas? Supremas... doces caseiros e fresquíssimos! E o cafezinho?
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Com o mesmo charme de sempre... seu Chico impecável em sua camisa engomada, açucareiro e colherzinha de prata, servindo o café com semente adocicada que dispensava para os que melhor apreciassem o uso de qualquer complemento. Esse ano tomei coragem e lhe perguntei a idade... fingiu que não ouvira, e diante da repetida pergunta, não teve saída... setenta e muitos! Não parece!!!!!!!! (respondi pela minha ousadia). Tivemos uma garçonete excelente a nos atender, parecia entender e fazer leitura de nossos pensamentos, jamais errava ou trocava uma ordem... ali aquilo também era difícil de encontrar. Fácil era esbarrar nos garçons atoladíssimos e com um jeito bem mineiro de ser... faziam que em nada entendiam o que solicitávamos. Iam e voltavam e não traziam o que você pedisse. Descobri que no salão refeitório, os serviçais pelo peso da idade e tempo ganhavam as mesas mais próximas da cozinha. Para lhes ser facilitado o acesso. Melhor para nós... nossa mesa distava muito da cozinha e nos livramos do atendimento lento e prolixo dos antigos... onde você teria de pensar no mínimo uma dez vezes antes de fazer qualquer pedido ou reclamação. Melhor ficar sem aquilo que precisava... sem dúvida não se ficaria desgastado. A digestão se faria com mais prazer! Mesmo com a excelência da garçonete, no primeiro dia em que chegamos duas moscas com a mesma velocidade caíram no consomê da minha amiga... foi vapt e no vupt... elas já nadavam lá dentro. Pareciam atletas disputando provas... aquilo fora só um ensaio... pois à noitinha... no jantar... Entre um e outro prato (dos inúmeros servidos) achei que a verdura do meu prato, tinha uns fiapos estranhos, afastei-os antes de qualquer pronunciamento... mas ao olhar melhor vi que havia mais fiapos... e eram todos brancos... então coloquei a questão oralmente... democraticamente todos deveriam participar da minha desventura... Ah! você está sempre procurando algo... foi o que ouvi... ninguém quis, porém ratificar a minha dúvida ou certeza. Juraria que não eram de vagem nem de outro vegetal... eram humanos... insisti... mas de novo... nenhum dos presentes à mesa gostaria de investigar... nem um olhar furtivo para o lado...

quando de novo foi colocada a questão. Todos “mui” amigos sem sombra de dúvida! “Vai ver que o cozinheiro fez alguma tricotomia? ” Foi o que ouvi. E complementaram... ou “quem sabe ele não estaria fazendo alguma quimioterapia?”

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SAUDADES VISTAS POR TROVADORES
Por Antonio Miguel Cestari

Saudade sem esperança de viver um grande amor. Luto que traz a lembrança de um espinho numa flor. Se há certeza nesta vida, um dia alguém vai partir. Tristeza na despedida, saudade, então, vai sentir.

Por Célia Vasconcellos Azevedo Pendurada na varanda fica a rede a balançar entre flores de lavanda que a saudade vem queimar.

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Por Cida Moreira Nos espelhos me procuro e me encontro estranha assim. Às vezes, eu mesma juro: tenho saudade de mim! Saudade tenho da infância, do meu avô, minha avó. Quase que sinto, a distância, o aroma do pão-de-ló.

Por Cláudia Lemos de Moraes

Saudade é dor que maltrata machucando o coração... Sentimento que desata lágrima de solidão!

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Por Fábio Siqueira do Amaral Gostaria de esquecer... Ser-lhe igual... Nada sentir... Mas... Qual! Bem sei que vou ter a saudade a me oprimir! Da antiga infância... que sinto? Juventude? Não provei... Se falo em saudade... eu minto! Lembro só... quanto chorei... De tornar ao meu passado, sonho até com mais vontade; mas do amar sem ser amado é impossível ter saudade. Todo afeto se alivia no cantar ou no sofrer e a saudade, em sintonia, faz-nos trovas escrever...

Sem meus pais e irmãos aqui; e os amigos que partiram, por saudade traduzi tanta dor que me impingiram... Com toda esta minha idade aventurei-me no amor e a desgraça da saudade não me fez nenhum favor...

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Por Flávio Rodrigues

De lembranças infantis, guardo a imagem saudosa de um presépio (na Matriz) de Dona Placídia Rosa.

Por Helena Scanferla Se a lágrima no chão cai, só maltrata o coração; quando um grande amor se vai, dói se outro amor não vem, não.

Este suspiro dobrado arrancado do meu peito, mostra todo o desagrado de meu grande amor desfeito.

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Foto de Aira Manna

Por Henriette Effenberger Nos meus momentos de insônia, minha saudade acalanto e ela, sem cerimônia, repousa sobre meu pranto. Na quietude da noite onde até o silêncio dorme, a saudade, qual açoite, retalha o sonho disforme. Nunca chame de exagero meu conceito de saudade: você sem mim é inteiro, eu sem você sou metade. A saudade, envelhecida, virou apenas lembrança não dói mais como ferida, pois já perdeu a esperança... Pra espantar felicidade, a maldade tanto fez que se vestiu de saudade pra machucar outra vez. A campa tão nua e fria do morto desconhecido, recebeu a cortesia de um ipê todo florido.

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Por Ignez Freitas Que saudades do passado, de tudo o que nos vivemos, dos momentos encantados, que juntos nós dois tivemos.

Por Joarez de Oliveira Preto No inverno, amor, é frio, é quando dormem as plantas e congela as águas do rio. Saudades de ti, são tantas... Coração saudoso, alado, traz de volta a minha infância. Retorna triste ao passado. Meus amigos a distância.

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Por José Gentil Leme

A saudade foi chegando como alguém que não quer nada; aos poucos se acomodando, no meu peito fez morada.

Por Norberto de Moraes Alves Velhinho que sassarica a vasculhar a cidade, mente muito, diz que “fica...” fica mesmo é na saudade. A saudade é uma constante que bate qual vento forte a nos lembrar todo instante quão perto estamos da morte.

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Por Leda Montanari Longe vai a mocidade, tempo em que fui tão feliz! Dela, sobrou a saudade, e da vida, a cicatriz . Ai, que saudade de mim quando tinha a ilusão da vida, sonho sem fim, enchendo meu coração! Dos muitos Natais passados guardo saudades infindas dos avós, já sepultados, vêm as lembranças mais lindas. Saudades de Portugal, do bom Pastel de Belém! Como é fenomenal o de bacalhau também.

Por Therezinha Ramos de Ávila

De você tenho saudade, meu coração sempre diz, pois amei-o de verdade e contigo fui feliz.

No jardim de minha vida plantei muitas amizades. São algumas, mui queridas; outras, porém, só saudades.

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Por Lóla Prata Vendo a saudade deitada no sofá de minha sala, levanto e saio, calada, com medo de despertá-la. Quanto maior a distância, mais logo a saudade chega; ela vem com arrogância e dentro de nós, se aconchega. O cravo brigou com a rosa... faz tanto tempo, coitada... mas a lágrima saudosa volta a cada madrugada. Chora um coração ferido a triste morte de alguém mas Jesus, do céu ungido, o consola e o sustém!

Procurando pelo autor do crime sem piedade, descobri com amargor: quem matou foi a saudade! Fujo sempre da saudade, não gosto dela nem quero ter qualquer intimidade pois traz dor que não tolero. Não mais enxergo as estrelas, não mais focalizo a lua; só a saudade vem vê-las quando o luto se acentua. Sou diplomada em saudade, pois a vida me ensinou que toda grande amizade por quem já se foi, ficou! Sorrateira, no velório que viúvo me deixou, achegou-se, em ofertório, a saudade... e me beijou... Abraçou-me simplesmente, fingindo ser boa amiga, ela, saudade inclemente cuja presença castiga. Edifiquei os altares para a meu Deus adorar, justamente nos lugares onde aprendi a chorar. Para um amor que se vai, outro alguém se mortifica; mas, reflete bem, pensai: saudade é o amor que fica!

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Por Lyrss Cabral Buoso Nada mais certo que a morte, minha mãe sempre dizia. Só não falou o quão forte era a falta que faria. Ah, Saudade, não me deixe! Sem você, o que é que faço? Sou como um rio sem peixe sem estar no seu regaço. O que é a saudade senão, agridoce sentimento, que entristece o coração, mas parece um acalento. Morte é vazio no peito, uma saudade infinita, uma dor que dói de um jeito que minha alma debilita.

Por Wadad Kattar Quem dera, Deus, eu pudesse deter a morte bandida e só elevar uma prece pela dádiva da vida.

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Por Vladimir Inokov

Fico grato com a visita e pelas flores também e com minha alma, permita amá-los como ninguém.

Por Marina Valente No parque, a minha lembrança pelas alamedas corre. Canta e ri feito criança, mas a saudade, não morre.

Um dia, a força da morte subtraiu-me um ente caro; e deixou como suporte a saudade, em quem me amparo.

Velho relógio da sala, chegou quando era criança; toda vez que ele badala, vem à mente uma lembrança.

A separação, na morte, é dor que dói de verdade; e não há o que conforte o vazio da saudade.

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Por Myrthes Neusali Spina de Moraes Dos folguedos de criança, eu tenho muita saudade. Vovó é a doce lembrança que me traz felicidade! Há tanto tempo te espero, sempre com grande ansiedade, pra reviver nosso amor e matar minha saudade. Minha mãe, quanta saudade, do teu tão doce cantar. Tempo de felicidade, que hoje só posso sonhar. A saudade nos conforta, na dor por alguém ausente, pois abre sempre uma porta, a quem se encontra carente. Mamãe carinhosa e bela, que saudade de você. Da história da Cinderela e do saci-pererê. Quando a saudade dorida sufocar-lhe o coração, prossiga com fé na vida busque a Deus em oração.

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Por Maria Cestari Padre Zequim, em Bragança, construiu a realeza de fé, de amor e esperança e na saudade, a tristeza. A saudade é hospitaleira da maldita solidão. Se alguém foi, vem sorrateira maltratar um coração. Nada mais certo que a morte, minha mãe sempre dizia. Só não falou o quão forte era a falta que faria.

Morte é vazio no peito, uma saudade infinita, uma dor que dói de um jeito que minha alma debilita.

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Por Luiz Antônio Cardoso

Minha amada foi-se embora para bem longe de mim... o que vou fazer agora se a saudade não tem fim?

Minhas dantescas cobranças, que te deixavam tão triste, hoje são, oh mãe, lembranças que te buscam... mas partiste!

Saudade é sentir ausente um sonho que viu florir... é querer, tão de repente, o que deixou de existir.

Minha amada foi-se embora para bem longe de mim... o que vou fazer agora se a saudade não tem fim? Minhas dantescas cobranças, que te deixavam tão triste, hoje são, oh mãe, lembranças que te buscam... mas partiste!

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As horas de amor vividas, Por Leonilda Yvonneti Spina plenas de felicidade, são quais roupas estendidas em meu varal da saudade. Esta saudade pungente que me aflige o coração é prova mais que evidente de minha grande paixão. Eu semeei não-me-deixes no jardim do coração e colhi enormes feixes de saudade e solidão. Se passo pelo jardim onde a sorrir me acenaste, floresce dentro de mim a saudade que plantaste. Lembrando a felicidade que desfrutei com meus pais, a dor de imensa saudade arranca-me tristes ais. Há nos versos de saudade uma confissão de amor. Ninguém sabe se é verdade, ou fantasia do autor. A chuva molhando a terra levanta um aroma do chão. Cheiro que a saudade encerra do meu querido torrão.

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A REVISTA VARAL DO BRASIL AGRADECE A TODOS OS QUE AQUI VIERAM PARA FALAR DE SAUDADE, TRAZENDOS OS SEUS MAIS VERDADEIROS E BELOS SENTIMENTOS! UM MINUTO ESPECIAL DE CARINHO PARA RENATA FARIAS, NOSSA COLEGA AUTORA QUE PARTIU REPENTINAMENTE E, COM CERTEZA, VAI DEIXAR ENTRE NÓS MUITAS SAUDADES!

PARTICIPE DA REVISTA E DO SITE VARAL DO BRASIL! A participação no site e na revista Varal do Brasil está aberta a todos os que desejam expressar seus sentimentos nas mais variadas formas! Envie um e-mail para varaldobrasil@bluewin.ch Informe-se, participe! Inscrições abertas para a revista de julho. Tema livre. Toda participação e contribuição para a revista e/ou site é gratuita. www.varaldobrasil.com
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