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Literário, sem frescuras!

O SEU JEITO DE EXPRESS@R @ VID@ ESTÁ @QUI!

JulhoAno 2 - Julho- 2011 - Edição no. 10

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1664ISSN 1664-5243

LITERÁRIO, SEM FRESCURAS
Genebra, verão de 2011 No. 10

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EXPEDIENTE
Revista Literária VARAL DO BRASIL®

QUANDO A ALMA FALA Um livro de Janice França

1664ISSN 1664-5243
NO. 10- Genebra - CH Copyright Vários Autores O Varal do Brasil é promovido, organizado e divulgado pelo site: www.coracional.com Site do VARAL: www.varaldobrasil.com Textos: Vários Autores Ilustrações: Vários Autores Revisão parcial de cada autor Revisão geral VARAL DO BRASIL Composição e diagramação: Jacqueline Aisenman Editora-Chefe: Jacqueline Aisenman A distribuição ecológica, por e-mail, é gratuita.

Aqui exponho, em versos, um pouco de mim como mulher, pessoa, mãe, esposa, companheira, amante e tantas outras facetas que adquirimos pela vida, principalmente depois dos trinta anos; conflitos vêm à tona assim como a necessidade de autoconhecimento. Viajar para dentro de mim fez surgir a maioria destes poemas. Que eles possam servir de reflexão a quem os leia. Janice França janiceaf@gmail.com

NOSSO CONVIDADO ESPECIAL:

LUIZ CARLOS AMORIM

Se você deseja par cipar do VARAL DO BRASIL NO. Coordenador do Grupo Lite11, envie seus textos até 10 de AGOSTO para: rário A ILHA em SC, com 30 anos de atividades e editor das Edições A varaldobrasil@bluewin.ch (peça o formulário!) ILHA, que publicam as revistas Suplemento Literário A ILHA e Mirandum (Confraria de Quintana) e mais de 50 livros, inclusive a coleCOMO PARTICIPAR DO VARAL ção Poesia Viva, com 12 volumes e a Coleção (REVISTA E SITE): Letra Viva, de crônicas. Editor de conteúdo do portal PROSA, POESIA & CIA.

Enviar seus textos, fotos e/ou desenhos acompanhados de uma foto e de uma minibiogra ia para o email varaldobrasil@bluewin.ch Toda participaçã o é gratuita

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Chegou o verão nas terras do hemisfério norte. E não é só o clima que esquenta: as pessoas ficam mais calorosas, abertas, alegres. As ruas ficam coloridas dos bares e restaurantes que espalham suas mesas pelas calçadas entremeadas por canteiros de flores. O verão sempre chega consolidando as esperanças da primavera e é neste clima que o VARAL DO BRASIL chega até você nestes meses de julho e agosto! Com a imensa alegria que foi o lançamento de nossa primeira coletânea, o VARAL ANTOLÓGICO, realizado em Florianópolis, Santa Catarina, dia 13 de maio. Trinta e oito autores doaram de si as emoções mais fortes e fizeram da coletânea um livro inesquecível. Também iniciamos um novo projeto: a LIVRARIA VARAL DO BRASIL! A livraria, que começará primeiramente online e depois pretende se tornar física, terá sua sede em Genebra, Suíça, mas deseja alcançar muito mais terras e mares. Nossa maior aspiração é levar conosco você que tem livros auto editados ou que foi editado por pequenas e médias editoras. Autores que muitas vezes realizam o sonho de editar um ou mais livros mas não encontram como vender. Não encontravam! Agora nossas portas estão abertas para você! Peça informações no nosso e-mail, venha conosco! A primeira livraria brasileira na suíça será também o seu espaço! Enquanto você recebe esta revista e se emociona com a sensibilidade e o talento dos autores do VARAL, deve estar pensando do mesmo jeito que nós aqui enquanto preparávamos: Nossa, quanta gente boa e inspirada escrevendo nesta belíssima língua Portuguesa! Por isto, se você ainda anda escrevendo e guardando longe dos olhos de todo mundo, veja aqui no VARAL, a sua revista literária sem frescuras, como é bom compartilhar! Em setembro nós vamos, todos juntos, falar de pecados capitais. Dizem que são sete... Talvez tenham mais alguns por aí escondidos na imaginação de alguém, na história, nas mitologias... Venha falar de pecado, a literatura há de perdoar! Que o calor maior em todos os corações seja sempre o das boas amizades e das boas leituras! Sua Equipe do VARAL
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Tempo

Por Walnélia Corrêa Pederneiras

Namoro a Vida em suas nuances... Todos os dias consciente daquilo que se diz Felicidade. É meu presente.
By LimpidD

NO NUKES! Por Teresinka Pereira E' possível imaginar um mundo sem plantas nucleares? Seria um pânico a menos no ar. Seria a tranquilidade de saber que a vida pode seguir em seus hábitos normais em segurança e paz. Seria esperar que os sinos tocassem para enterrar os mortos de um a um e não aos milhões em fossas comuns... Seria deixar que cada recém-nascido nos trouxesse uma nova esperança para fazer um mundo melhor.

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Saudade
Por Juliano Secolo Oh! Saudade Que maltrata Meu peito E aumenta o meu sofrer Oh! Saudade Que traz as trevas Ao meu lado Escurecendo o meu viver Oh! Saudade Que me ajuda Recordar de um amor Que partiu Para jamais voltar Mas quem sabe Se esta paixão Não volte a dominar O coração Fazendo-a retornar E para sempre Ao meu lado ficar Trazendo a felicidade Mas enquanto Tal milagre não acontece, Ficarei olhando O passado Oh! Saudade Apenas saudade Saudade...

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Por Norberto Heinz
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EMAILMENTE” FALANDO
POR AGUINALDO LOYO BECHELLI

das na maca do ginecologista. Estes, não têm a mínima noção do que é tesão poético nos planos físico, emocional, mental, espiritual. Ignoram estética sensual glamorosa e agridem com devassidão, bandalheira, libidinagem. Arrasam o encanto. É tanto SITE, BLOG, MSN, MSN, TWITER, ORKUT, FACEBOOK, FLICKR, TUMBLR, RRAURL, MYSPACE, LAST. FM, NING, VIMEO, e outros “iogurtes” da blogosfera que tais, que o romantismo, o abraço afetuoso, o beijo, o recado íntimo, são alijados. O estranho, muito, é que as pessoas se embolam na maçaroca e ninguém responde. Ninguém agradece ou crítica um texto de sentida criatividade, diga-se, raro. Gastas o latim à toa, ó cronista.

A tecnologia deveria ser uma ferramenta. Virou uma sobrecarga. Nada Kakabadse – Pesquisadora russa..
(Da Faculdade de Administração - Northampton – Inglaterra).

EMEIO – ESSE TRECO: “Pode aproximar quem está longe, mas afasta quem está perto”.

De cara, faço ressalva: alguns e-mails se salvam, a maioria não. E denuncio: o e-mail mata as cartas, a correspondência epistolar, coloquial. Treco impermeável, escrito como folhas ao vento. Afasta o abraço, o aperto de mão, o retrato ao vivo. Tanta técnica acabou com os mistérios do romance, zóio nos zóio. Tapou o buraco da fechadura. Embaçou a janela da vizinha. Pisca-se no escuro. A curiosidade agora é digital, profissional. Adeus à aventura. “Quem ainda sente a textura do papel na mão? Confere a estética tipográfica? Sente o perfume fugidio que se desprende no virar das páginas?”. Não quero aqui criticar o celular nem o Google que acabaram com a nossa memória. Jogar videogame, escrever um blog, navegar na web, são distrações rápidas de frases prensadas numa telinha besta. Formam cambada de distraídos, obtusos. Já o controle remoto nos prega o esqueleto, embrutece a carcaça. Os viciados em emeios não filtram as cacas que recebem e repassam. São horríveis as mensagens de autoajuda. E as correntes, então? Elas rogam pragas: “Se você quebrar esta corrente vai broxar. Ou tua sogra vai morar contigo. Ou ainda, um panarício gigante se instalará no teu dedo”. Ah! Se ainda fosse com essa graça! Mas não. Recuso-me a repetir o sadismo das maldições. Há também os que mandam fotos de mulheres que parecem tiraQuando digo que poucos emeios se salvam, cito este: “Te vi ontem com o rosto colado na janela do ônibus. Olá, amigo, por que aquela tristeza?” Mas tocaria profundamente no nervo da sensibilidade se isso fosse dito pessoalmente ou mesmo por telefone. Prefiro enviar minhas crônicas, poemas, ensaios, pelo Correio. Meio constrangido uso emeio por ser mais barato e seguro. Ainda que não sejam linhas relevantes, sou salvo por estar remetendo coisas da minha lavra e não pedregulhos massificados. Dirá você: “Não gostei do texto do Aguinaldo”. Ótimo. Fez-se o visgo. Meu carinho espero que fique.
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Confesso primarismo em não saber criar, redigir no computador. Escrevo a mão e depois digito. Até na velha máquina Remington-12 eu não redigia. Mas dela tenho saudade. Sou do tipo que prefere pegar a música de surpresa no rádio, do que premeditar ao colocar um CD no aparelho que não sei o nome, repleto de botões. De certa feita, ao passar numa viela, ouvi valsa jogada no ar, só violão e flauta. Vorteei os olhos, deparei com uma velha veneziana, marcada pela dignidade da pátina. Vinha de lá o som. Em vez de janela, as ripas pareciam pauta musical. E uma saudade ainda desconhecida invadiu meu peito. Não esqueço porque ainda tenho vitrola. E quem fala vitrola não precisa dizer a idade. Brotam reminiscências: a campainha da porta pode irritar. E preocupa. Quem será, meu Deus! Diferente de nossa infância. Batiam compassadas palmas no portão: Ôh de casa! E a gente saía saltitando: Oba, quem será? Enfim, as ferramentas da era digital, é claro, têm grande utilidade e já não se pode prescindir delas, mas a concentração doentia forma imenso rebanho de estereotipados e o verniz cultural é desprezado. Defendo-me com deboche. Se você ligar para o meu telefone, vai ouvir o que plantei na secretária eletrônica: Também não gosto de conversar com máquina, mas já que é uma gravação, aproveite para cantar aquele bolero Resta ser justo: esta carapuça elástica não serve em você, mas você sabe em quem serve.

No nosso próximo número: Há muitos pecados rondando o mundo e 7 são considerados capitais. Venha para o Varal escrever sobre pecado. A gente tem certeza de que, com o seu talento, haverá perdão! Se você ainda não tem, peça o formulário através do e-mail varaldobrasil@bluewin.ch PECADOS CAPITAIS: EM SETEMBRO!

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FOLHA SECA
Por Lariel Frota Um vento não muito forte, Juntou-se ao raio de sol. Entrou pela porta entreaberta, Mudando a sorte Da folha ressecada pelo tempo. A luz vestiu-a de dourado, E ela dançou suavemente, Presa na mágica fagulha de tempo, A folha seca virou joia reluzente. Mas foi só por um segundo, a seguir Voltou a ser folha seca novamente!!!!!

AS PALAVRAS

Por Rosana Koerner

São muitas, são poucas Pesam, acariciam, são leves, Voam, tombam, crescem Murcham e ficam pequeninas Voltam a crescer... Brilham, ficam foscas Quem sabe floreiam Espalham novidades Maldades, tristezas, Alegrias também. São breves, se calam Mas quando são estimuladas Falam, falam, falam.

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Ao lobisomem
Por Alex Feitosa Numa noite de sexta-feira, escutei o ruidoso som de uma abominação, Que vagava ao vento perdido sem noção. Com seu instinto selvagem à procura de sua lebre E com o sangue correndo quente como febre! À noite surge o seu rugido, Quando está correndo sempre faz ruído. Muitas ovelhas inocentes se escondem à procura de abrigo E ele sempre demonstra o seu perigo. Em seu corpo, o instinto animal, Que sempre está à procura do mal, Sempre que olha para o céu, ver o mundo intercostal. Muitas das vezes surge através de lenda, Mas ele só aparece em noite de lua cheia, Para desfrutar de toda a sua ceia.

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pédia Mirador Internacional dedica a Fernando Pessoa, Caeiro é apresentado como "poeta das sensações puras, naturalista e cético, hostil às regras métricas"; Reis, como "pagão e estoico, neoclássico que escreve odes horaciaPor Luiz Carlos Amorim nas e construção elíptica (...), sustenta a convicção de que o único caminho a se tomar na vida é o de afrontar a sorte com o silêncio"; Campos "cultiva a audácia e a energia, mas No dia 30 de novembro do ano de 2001, fez 76 contraditoriamente faz a apologia do antianos da morte de Fernando Pessoa. Ao desaheroísmo". parecer, com 47 anos - ele nasceu em Lisboa, em 13 de junho de 1888 e completaria 123 Pessoa era um sujeito alto e franzino, tinha anos naquele aniversário, se vivo fosse - deixapernas longas e o tórax pouco desenvolvido, va uma grande obra em prosa e verso. embora praticasse ginástica sueca. Possuía o Para construir seu singular e complexo univerrosto comprido e as mãos delgadas. Caminhaso poético, Fernando Pessoa parte do fingiva em passos rápidos e desconjuntados. Vesmento e da íntima associação entre o pensar e tia ternos cinzentos, pretos ou azuis. Usava o sentir, exprimindo-os em versos logo tornachapéu inclinado para o lado direito. Os óculos dos verdadeiros emblemas: "O poeta é um fineram redondos, com lentes grossas, que corrigidor. / Finge tão completamente / Que chega giam a miopia e escondiam um pouco os inexa fingir que é dor / A dor que deveras sente." pressivos olhos castanhos. Fumava demais, cerca de 80 cigarros por dia, e adquirira o caOs heterônimos - personagens imaginários, racterístico pigarrear dos tabagistas. Tomava dotados de estilos diferentes, através dos quais diariamente vários cafés e diversos tragos de o "poeta fingidor" passou a se expressar literabagaço, nome popular da bagaceira, aguardenriamente - podem ter nascido na Cervejaria te feita com o bagaço da uva que acabou de Jansen. Na mesma casa e época, Fernando ser usada para o vinho. Pessoa concebeu a revista Orfeu, em parceria com Mário de Sá-Carneiro, outro poeta portuÉ raro um país e guês. Ambas as criações teriam nascido entre uma língua adquigarfadas do famoso bife da casa, que toda Lisrirem quatro granboa comentava. des poetas em um dia. Foi preciFernando Pessoa escreveu em seu nome e no samente o que dos heterônimos Alberto Caeiro, Ricardo Reis ocorreu em Lise Álvaro de Campos. Criou ainda um grupo de boa a 8 de março semi-heterônimos. de 1914. Pessoa é um dos maiores O sentido dessas despersonalizações provoca poetas da língua debates. Em todo o caso, era um fingimento portuguesa, seprodigioso. No exemplar verbete que a Enciclonão o maior.

ANIVERSÁRIO DE FERNANDO PESSOA

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HIGH PARK
A natureza é tão bela... Muitos a cantam em versos e prosas... Eu simplesmente... a reverencio ... Com tamanha grandeza e beleza... Jamais vi ...tantos anjos em orações... Milhares.. em perfeita harmonia e sintonia... Neste High Park...onde ali, mora a primavera.!!!.. 'Arvores em matizes ... estonteantes profusões..... Flores brotando...implacavelmente perfeitas... Eu descalça, em verde gramado pisando... Tão macio... como tapete servindo... O céu primaveril em tons de anil ... Nas águas do lago ...resplandecendo... Caminhar na manhã, neste imenso paraíso.. Um espetáculo só de emoção... Com os anjos em comunhão... Foi demais para o meu coração.!!!..

by sun

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Alexandre e o Pintinho Falante, é um livro para educar e ensinar o verdadeiro valor da amizade, dos estudos e da família em nossa vida. Alexandre e seu único amigo irão viver várias aventuras, se envolvendo em diversas confusões. A obra consegue atingir o coração dos baixinhos e emocionar os altinhos. O autor transmite uma linda mensagem de alegria e muito companheirismo. O final será surpreendente. Um livro para rir e se emocionar do início ao fim. Em seu interior você encontra diversas figuras para colorir e brincar. Curta, sorria, participe, aproveite e emocione-se com Alexandre e o Pintinho Falante. Marcelo Lino: mdlino2008@yahoo.com.br

O livro é uma coletânea de histórias engraçadas que acontecem nas viagens de ônibus pelas ruas das cidades. É uma grandiosa coleção de causos e situações verídicas (ou não) em sua plenitude. Com generosas pitadas de muita imaginação e bom humor, a obra retrata o quão é agitado o co diano dos cidadãos em suas viagens de ônibus diárias. O tom irônico trás um tempero especial. Caso você já tenha passado ou conheça alguém que tenha vividos tais situações retratadas em SOMOS TODOS PASSAGEIROS - O LADO ENGRAÇADO DAS VIAGENS DE ÔNIBUS, isso pode não ser mera coincidência. Surpreenda-se. É um livro para rir do início ao seu final. Fique atento: Os olhos do humor podem estar em sua direção neste momento! Fale com o Autor: E-mail: mdlino2008@yahoo.com.br MSN: mdlino2008@hotmail.com

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Meu jardim
Por Amilton Maciel Vou reformar de novo o meu jardim, que está sem viço algum e, pelo jeito, novas mudas requer, pois o capim já sufocou as plantas de seu leito Encomendei sementes de alecrim e mudas de jasmim e amor-perfeito; quero flores olentes, tanto assim, como o cheiro que as moças põem no peito.... E além de perfumadas, as quero belas, para que sempre encantem o meu olhar, quando as admirar pelas janelas. Quero encantar também a minha amada, com seu olor nas noites de luar, já que eu sonho é senti-la apaixonada!.

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A CONDENA
Por Wenceslau Gonçalves
Era uma região típica da campanha do Rio Grande. Ondulações leves entremeadas de escassos capões de mato. Os alambrados marcados por árvores nativas delineavam as divisões de pastos dos latifúndios a perder de vista. Encontrar uma construção era raro naquela imensidão. Quando muito um rancho de pau a pique que às vezes servia de bolicho próximo à estrada vicinal por onde passavam tropeiros conduzindo lotes de animais para as feiras que ocorriam quase semanalmente. De vez em quando, o viajante cruzava por algum caminhão boiadeiro carregado, em direção ao frigorífico, ou vazio em busca de mais carga. Uma dessas propriedades era a de Gumercindo Barbosa, mais conhecido por seu Guma, descendente de tradicional família daquele município, herança dos tempos em que os índios ainda habitavam aqueles recônditos e dali haviam sido expulsos, quando não mortos à ponta de lança pela voracidade dos conquistadores. Estava ainda meio escuro quando ele abandonou o catre. Apenas uns poucos galos mais madrugadores começavam a sacudir as penas e recém se ouvia os seus primeiros cantos. O cerro, que cruzava o campo, mal se distinguia na sua vã tentativa de alcançar o céu que prometia ser muito azul numa bela manhã ensolarada de verão. Seria talvez um dia de calor de rachar como se costumava dizer por aquelas bandas. O mormaço começaria cedo. Pedro pensou duas vezes. Indeciso entre encilhar a baia troteadeira e voluntária ou o zaino tranquilo e persistente que às vezes até ganhava o apelido de preguiçoso. Decidiu-se pelo zaino, velho companheiro de tropeadas, conhecedor de canhadas e passos como nenhum outro nas casas, porque a missão que tinha pela frente era difícil e a distância era bem regular. O cusco parece que pressentiu alguma novidade porque levantou o focinho, sacudiu a cola e rosnou faceiro, arreganhando os dentes brancos em direção ao vulto que deixava o galpão carregando os bastos de encilhar a montaria. Passaram-se alguns minutos enquanto Pedro molhava a cara com as mãos em concha, embaixo da torneira da pipa, recolhida no dia anterior ao pé da casuarina copada. O terreiro ainda estava deserto àquela hora. Nem mesmo os pe-

ões de empleitada estavam no serviço. As vacas de leite ruminavam calmamente ao redor do curral onde se encontravam os terneiros. Mansas, não estranharam o movimento do madrugador que muitas vezes as ordenhara, quando ele passou perto do alambrado em direção ao piquete para pegar o cavalo. Quase não precisou fazer esforço para enfrenar o animal que escolhera porque o zaino foi ao seu encontro, mal Pedro deixara a porteira que separava o potreiro do resto da estância. Encilhou tranquilo no mas, cuidando de cada detalhe com apreço, desde a badana até a cincha. Procurava não pensar no ato já decidido. Afastou o cusco insistente com um já cachorro, entre dentes, para não correr o riso de despertar os demais que ainda esquentavam os pelegos. Depois do flete apereado a preceito, enrolou a rédea no moirão da porteira e voltou ao galpão. Junto com a mala de garupa, encardida pelas muitas andanças de peão, recolheu as chancletas sebosas pelo uso, já enroladas numa folha do Correio. Pegou o 38 prateado, inseparável em muitas tropeadas. Ultimamente, ele o usava mais por hábito do que por segurança porque agora a coisa já não era mais como antigamente, quando um capão de mato podia abrigar um contrário. Revisou a arma para certificar-se que estava carregada e a colocou na canana, abotoando a presilha com todo cuidado, Enquanto se entregava a essa tarefa, ficou matutando que não o usava há um bom tempo e hoje teria que usá-lo para uma coisa que nunca antes havia pensado em fazer. E olhe que já passara maus bocados neste mundo de Deus, durante seus sessenta e picos de anos de vida. Desde gurizote já emparelhava com os mais velhos na dura lida de campo. Fosse juntando gado para o banho ou marcação, fosse curando bicheira de ovelha ou castrando terneiro como qualquer peão adulto. Esse muito que já havia passado desde então, já lhe deixara saudade e os cabelos tordilhos, mas nunca refugara serviço que isso não o assustava. Já ajudara a enriquecer alguns patrões por essa campanha afora e nada tinha para si. Sua diversão, além de um trago de canha na venda do Torto, era dar uma espiada numa carreira de cancha reta no domingo ou quando muito um truco com amigos mais chegados, depois de uma jerra. No tempo de moço, ainda arriscava um baile de rancho ou algum fandango em batizado ou casamento, mas agora já nem ligava mais para isso. Amigos tinha poucos. Mulher ou amásia nem pensar. Não que não gostasse. Sempre dizia que não queria procurar sarna pra se coçar.
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Era solito e de pouca conversa e meio arredio no trato com as pessoas, principalmente com estranhos. Pedro pegou então o chapéu preto que estava pendurado no braço da carroça onde ficara durante a noite e voltou para onde havia deixado o cavalo. Pegou o zaino pela rédea, saiu e fechou a porteira. Montou e paleteou o animal que deu um arranco e logo repechou a coxilhita num trote largo até atingir o umbu ao lado da porteira velha onde o gado sempre procurava abrigo em inverno brabo. O lusco-fusco do amanhecer já o pegou em pleno chilchal. O céu estava tingido de roxo-avermelhado e os primeiros ameaços de sol começavam a enquadrar as árvores mais altas. O sol já ia alto quando ele a trotezito chegou onde queria. Por algum tempo, andou pelo meio das macegas, cuidando os lugares mais abrigados onde o animal estivesse descansando. De longe, avistou o tordilho deitado. Quando se aproximou, não pode evitar chamá-lo pelo nome. Guri – gritou. E foi reconhecido porque o cavalo levantou a cabeça e mexeu as orelhas, como se respondesse ao cumprimento. Quando chegou junto ao animal, apeou-se e se agachou reparando nas costelas que apontavam nas pelancas desse cavalo velho. Passou-lhe a mão no lombo e segurou-lhe as orelhas, correndo as mãos grossas sobre o pescoço, enquanto falava baixinho: Guri, companheiro velho, estás igual a mim, em final de carreira, solito e atirado que nem rebenque feio. Depois, levantou-se de repente como quem toma uma decisão e procurou no bolso da bombacha os avios de pitar. Cortou um naco de fumo cheiroso e então despacito fez rodelas quase uniformes. Preparou devagar, bem devagar, um palheiro com todo o capricho. Ficou cismando enquanto pitava. Afinal de contas o que é um animal, ou melhor, o que é um homem para se apegar assim a um bicho que não fala e nem pensa. Ou será que pensa? Engraçado, há pouco tivera essa impressão quando pareceu ver no cavalo deitado, sem forças, um olhar de compreensão pelo que iria fazer. Achou mesmo que, se ele pudesse falar, haveria de pedir para que ele fizesse exatamente o que estava pensando fazer. Nunca fora de ter raiva de alguém, mas nesses dias havia lhe passado certo rancor pelo patrão. O que dera naquele homem podre de rico? Afinal não precisava de uns míseros trocados que lhe rende-

ria a venda de um cavalo velho para o frigorífico. Nunca conseguira entender quando outros estancieiros daquela zona também fizeram o mesmo. Isso já estava se tornando um hábito por ali, mas nunca imaginou que um dia o caminhão boiadeiro chegaria à estância do seu Guma para levar cavalos que não servissem nem para pipeiros. Mas esse dia chegara e o tordilho velho, que resistia ao tempo com a mesma fibra com que enfrentava a idade, foi vendido. Eram mesmo dois velhos em fim de carreira, só que o Guri não seria mandado para servir de salsichão em banquete de gola fina. Deu a última tragada terminando o pito, jogou o pucho já apagado no pasto e, por força de hábito, pisou em cima. Desapresilhou a canana e sacou o 38. Agachou-se, esticando o braço. Ficou meio de lado apontando o revólver na nuca do animal. Apertou o gatilho uma, duas, três vezes até ver que este se imobilizava. O sangue jorrou, avermelhando o pasto em redor da cabeça, atingindo as botas de Pedro. Recolocou a arma no lugar, secando a molhadura dos olhos com a mão calejada, disfarçando como se alguém estivesse vendo e limpou as mãos na bombacha. A princípio, ficou estatelado, não acreditando no que ele mesmo acabara de fazer. Em seguida, saiu despacito e montou no zaino que estava por perto de rédea no chão. Rumbiou então em direção à porteira do corredor, no sentido contrario da casa principal.

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Ode à Baleia Encalhada

Por Ana Esther

Esta ode irregular, livre, porque de poeta cujos versos ninguém lê... Pois romântico em século de ganância ignóbil passa por louco... ...dedico a ti Oh, Baleia encalhada. Não interessa que saibam que sofres, que somes... que morres. Destruir a beleza criada por milhões de anos férteis é fácil, é lucro. Porém, salvar nossa morada agora seca, estéril, moribunda custa bilhões de dinheiros podres, vazios, impotentes perante a dor da vida que se esvai pelo ar, pelas matas, pelo mar, pelo asfalto morto. Oh, Baleia encalhada, te vejo agonizar pela TV, pela internet, pelo celular... Sei lá o que fazer sou poeta mudo ninguém quer ler para seguir sem ver que fim igual se aproxima. Oh, Baleia encalhada! Já, já serei eu em teu lugar... e ao lado teu seremos nós a agonizar.

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CIGARRA

Por Leila de Barros

Cantei tanto quanto uma cigarra e me consumi um pouco como ela também. Presa a um alvéolo voluntário e imperceptível, criei e contei histórias que nenhuma editora publicou ainda. O verso de alguém já dizia que a “dor da gente não sai no jornal”. Esse trajeto de vida me fez passar por romarias longas, labirintos prateados e a cada descoberta me era retirado um casulo fino, feito bicho da seda, feito algodão doce. Cheguei ao ponto de ter que me redescobrir e tecer novas tramas para ter aonde ir. Inventei palavras para os anseios que não consegui traduzir. Recortei e coloquei as letras em caixas de textos, para poder refazê-los também, quem sabe com mais estética e elegância. Bebi algumas vezes na taça da insensatez e em outras perdi a pose e a delicadeza. Saía apressada com vestidos leves para buscar elixires curadores onde estivessem. Em muitas noites me senti perdida e na bagagem não havia silêncio, só o timbre de alguma voz praguejante e latidos ao longe. Vivaldi deve ter composto suas Estações todas assim, na balbúrdia dos sonhos noturnos confusos. Não sei ao certo se sonhava ou delirava. Em alguns momentos desejei estar sob um caramanchão e fazer parte de um conto de Shakespeare em uma noite quente de verão. Alguém me disse que eu teria que refazer toda a colcha de retalhos e desfazer os nós dos fios de nylon da cortina de vidrilhos. Mas ele não. Ele me disse que possuía uma alma grande e que não estava acostumado a viver em colmeias. Senti-me como uma abelha laboriosa, com toda a gratidão que aquele momento me permitia.

Achei bom poder fazer mel, mas naquela noite minha alma estava apertada como em um corpete. Logo ele que me enternecera há bem pouco tempo mencionando que eu o conhecia no “seu pior e no seu melhor”. Mesmo usando uma pitada de canela na emoção, desejei sair no meio da noite, quando a lua me dava cobertura. Abri a porta e fui. Voltei no dia seguinte, mas tudo havia mudado, e ele também havia emudecido e saído. Ainda restaram algumas caixas, alguns móveis, mas a alma da casa já havia se mudado também. Parte da mobília e das lembranças ficou guardada em mim, nos DVDs da alma que nunca se apagam. Guardo os aromas, as festividades, as descobertas, as redescobertas e tento esquecer os reveses e os açoites do vento uivante. Sei que haverá noites mais amenas, com direito ao cheiro da dama-da-noite, tangos, cafonices, sorrisos tirados do baú e colares de pérolas sob a caixa de música. Amores e amizades sempre apresentam em algum momento uma face cafona e brega, mas feliz. Sortilégios de verão se desmancharão ao primeiro contato com o mar em um dia nublado. Sinto que as tramas todas agora são apenas fios emaranhados, mas no outono serão novamente uma promessa de peças bordadas e renovadas. Estou solta e quase mais leve, de uma nudez artística e fotográfica, com retoques nas cicatrizes. Importa caminhar hoje, amanhã e sempre. Enquanto isso, reúno minhas coisas espalhadas e os espelhos partidos em mosaico e acredito na boa sorte, a cigana leu a minha mão.
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O CASAMENTO DO LOBISOMEN E A MÃE DAS ÁGUAS

de uma mulher, que o atraía com um canto hipnotizante. Ele já percebia os longos pelos nos braços; uivou em direção aos céus, rosnou com a boca aberta por onde salivava imensamente, desceu a galope, em um trote louco, pensou em sua mãe que não estava ali para segura-lo e acalmar seu ímpeto, uma vez que só ela sabia daquele segredo.

Por Antonio Vendramini Neto

Na pequena cabana do roceiro-lenhador, a tarde se fez noite. Pela janela do casebre, via-se um pequeno clarão, provocado pela vela acesa sobre a mesa, onde estava um pedaço de pão endurecido, para saciar a fome daquele homem, de grande musculatura, provocado pelos golpes vigorosos do machado, no corte de lenha para acender o fogo e aquecer o ambiente naquelas noites frias de invernos chuvosos. Morava sozinho, era o sétimo filho de uma família que se mudou do pequeno vilarejo para melhorar de vida; não acompanhou seu pessoal, ficou a mando do pai, para colher a última safra de milho que ainda demoraria mais alguns meses e, após a colheita, juntar-se-ia aos pais e todas suas irmãs, pois era o único filho homem e, sobravam-lhe todos os serviços pesados da casa. E assim foi vivendo aquela criatura de modos estranhos, arredio, inquieto nas noites de luar, onde contemplava o vazio da escuridão com olhares soturnos, voltados para aquela montanha que predominava o vale, entrecortado por um belo riacho. Acendeu um cigarro de palha, e ficou aguardando a noite esperada de sua vida solitária, olhou pela janela e viu o luar crescendo, sentiu um arrepio no corpo, o sangue ferveu-lhe nas veias, entrou em agonia, meteu o pé na porta e saiu como um foguete em direção a montanha. Subiu vigorosamente o aclive e chegou ao cume, contemplou o vale e o riacho caudaloso, onde avistou com os olhos aguçados, o corpo

Sentiu a fúria dos aloprados penetrando em seu íntimo; não se conteve e partiu em uma desabalada carreira, em busca daquele corpo de mulher que estava sentada as margens do riacho; mostrando uma bela silhueta, uma criatura de água doce, que vivia nas matas, entre lagos, rios e cachoeiras. Tinha cabelos longos e olhos verdes e estava banhando-se no lago; ao avistar aquela figura, mergulhou e logo veio à tona, convidando-o para ser sua amante, contemplou-a com sedução monstruosa, envolvido pelo canto de uma sereia... Não tirou a roupa, pois já estava nu com o corpo coberto por aqueles pelos... Pulou na água, provocando ondas que embalaram os desejos da Mãe D’Água, rolou como um louco e valsou nas águas, a dança dos lobos; e faminto de volúpia saciou sua sede, que mantinha sua vida por uma eternidade.
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O sol raiou para um novo dia, a luz bateu em sua fronte, saiu correndo para refugiar-se da claridade em seu reduto de sofrimento solitário. Mãe D’Água desapareceu daquelas paragens, escondeu-se em uma caverna e depois de alguns meses, deu a luz uma criatura horripilante, o famigerado “Caipora”, que se tornou o protetor da caça e das matas, conforme consta uma lenda indígena. Um velho cacique em uma roda de fogo, contava aos seus netos; que nas noites de luar, viase o seu caminhar no dorso de um porco do mato, notava-se então os seus pés para trás, e dizia que era para despistar seus seguidores, pois deixava rastros confusos. Todos que o encontravam, queriam extingui-lo da face da terra, porque quando o viam, perdiam totalmente o rumo e ficavam confusos nas florestas. Tornou-se o demônio do mata e perseguia suas presas naquela estranha montaria. Nas noites de luar contou o velho cacique, que via um pequeno índio transloucado, fumando cachimbo no dorso do animal e pedindo pinga aos caminhantes das estradas. Tornou-se uma lenda, contada até os dias de hoje, o tem sido então, o guardião da vida animal nas densas florestas.

O Desafio de Aileen

Aileen é uma bruxinha do clã da floresta sagrada de Azlos. Ao completar sete anos, ela recebe a sua primeira vassoura numa cerimônia dirigida pela grande mãe, a bruxa mais velha de Azlos. Logo depois, começam seus problemas – ela se torna alvo das gêmeas Noila e Noirin. Qual é o impacto causado na vida de uma criança que se vê diariamente, muitas vezes durante anos, como o alvo de zombaria de outras crianças no prédio onde mora, na rua, na escola, na igreja? O Desafio de Aileen é uma mensagem de estímulo a todas as crianças que já sofreram, ou ainda sofrem as consequências do bullying. Denise Parma: dparmabr@hotmail.com

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Por José Alberto de Souza

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Passeio
Por Sandra Nascimento

Estrada do Ipatinga Coringa a galope puxava a charrete num passeio com céu aberto cheiro de mato ar fresco poeira, o Sol e depois as estrelas No meio do caminho tinha pitangas gabirobas e goiabas em cercas vivas de gostos e cores que esperavam sempre com os galhos caídos à altura de uma menina Bela paragem para o acaso! Era ali que meu pai – paciente – afrouxava as rédeas e descansava os olhos enquanto eu colhia as frutinhas e aprendia o que é liberdade

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Azedume

Por Antonio Zau ‘’ Makaveli’’

A cor dos cabelos amulata os olhos Quando a confiança perde a cabeça em segundos Na extinção do amor que os mais velhos Tanto esperaram dos seus verdadeiros oriundos

Homens pairam como vento Em cada período curtíssimo do seu espanto Encobridos em cada canto debelam a paz Quando nos seus amparos nada se faz

O profiláctico dos adversos desabrocha Quando sem devoção se aponta a flecha Para um alvo a ninguém não visível Embora a passagem seja acessível

As palavras devaneiam cada pensamento No bolar deste azedume sem manto Os raios solares lascam as paredes da vida No momento que se toma uma água fervida

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Castelos de areia
Por Izabelle Valladares Ouço o murmúrio do mar, E minhas mãos tocam a areia, Sentada fico pensando em você, Imagino seu corpo, seu cheiro Seu toque, e me perco no horizonte. Imagino seu vulto ao meu lado, seu sorriso, Seus afagos. A areia escorre entre meus dedos. E meus olhos se abrem e te contemplam, Você vai se desintegrando lentamente em minha frente, E eu me vejo na realidade. A tristeza me invade novamente, E mais uma vez encho as mãos de areia, Tentando levar minha mente, Novamente, aonde te deixei, Mas em minha interna luta, Não o vejo no momento, Mas em pouco tempo te sinto ao meu lado, Ouço seu sorriso, sinto seus lábios, Respiro seu cheiro, Toco sua pele, E mais uma vez meus olhos se abrem, E volto á dura realidade. Volto para casa sozinha, Sigo meus próprios passos, E erro meu incerto caminho, Mas amanhã voltarei, para pensar em você, Tentar sentir você pulsando novamente em minhas veias, E mais uma vez contemplar meu castelo de areia.

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Deixe-a.
Por Bianca Galdino

Quase frágil Colocando a força no cabide velho Fechou a porta Lá se aguarda e guardo Um tempo. Tomo-lhe na margem do rio Matando a minha sede De outono a inverno. Das folhas que cobrem seu corpo Retiro de leve, tocando-te Com desejo de levar essa secura a mim Me deito sobre sua palidez Logo me vou, de longe Sem endereço.

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O bilhete

Por Odyla Paiva

Antes de ir para o trabalho João passou pelo pequeno mercado de carnes onde sua esposa fazia compras todas as manhãs. Deixou, sobre o balcão, um pequeno livro de contos de amor com um bilhete na contracapa onde terminava seu casamento com Maria. Durante todo o dia ele aguardou um telefonema que não veio. Na volta do trabalho a expectativa de como estaria o clima em sua casa ocupava todo o seu pensamento. Antes mesmo de colocar a chave na porta esta se abriu e Maria, jogando-se em seus braços, o recebeu com beijos e carinhos. Chegando a sala, o jantar já estava na mesa com seu prato de carne preferido. João teve a certeza de que Maria tentava fazer com que ele mudasse de ideia sobre o que havia escrito, mas após o jantar conversaria com ela e deixaria bem claro que sua decisão estava tomada. Nessa noite, ela entregou-se a ele com uma volúpia nunca antes experimentada, o que veio a dificultar qualquer tipo de conversa que se relacionasse ao término de seu casamento. Na manhã seguinte, com todos os quitutes que ele tanto gostava, seu café o esperava acompanhado de uma mensagem. “Fui ajudar uma amiga. À noitinha estarei de volta. Saudades... Maria.” Mais um dia de espera para conversar... Hoje, é o dia das Bodas de Ouro de João e Maria. O livro, que carrega o comunicado do desejo de separação, encontra-se embaixo do balcão do mercadinho completamente destruído pelas traças!

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Harmonia
Por Carlos D Falei com as estrelas que gostam de dançar de realçar a beleza do universo a brilhar Sempre que o fico a olhar meu espirito me lança um desafio de encantar me propõe uma dança Dançar com o universo por entre as estrelas pelo vácuo me dispersar acompanhando os planetas Esta musica afinal é o universo a cantar a harmonia sem igual do sentir, do amar Para o universo sentir temos que saber meditar a natureza conseguir ouvir o nosso eu querer amar

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ANDANÇAS Por Thiago Santhiago Das andanças que tive por esse mundão de meu Deus, encontrei de quase tudo um bucado. Topei com muita porcaria, mais, também encontrei joia rara, pessoa de bom coração, mais também encontrei gente ruim que nem o cão chupando manga. Das muitas viagens que tive por esse universo, cheio de versos, topei com um bucado de gente sorridente, feito o gato de Alice. Mais, cruz credo “Ave Maria”, vi gente que mais parecia limão azedo e pra engrossar o cardo ainda outras que pingavam pimenta no limão. Das muitas idas e vindas nesse vasto mundo da poesia, trombei com palavras que mais pareciam fitas coloridas e se entrelaçavam em rimas e bandeirolas de São João, mais também escorreguei em outras tantas sem graça, que nem mortalha, feito céu de chumbo em dias de frio intenso. Eta nóis poetas do amanhecer. Das muitas doiduras que garimpei por esse mundão de meu Deus, nada se compara à inspiração, coisa pra lá de incrédula pra quem não a conhece... Ela é do tipo que te acorda às cinco horas da manhã e te faz pegar na caneta e no paper, pois as marvadas das palavras te cozinham o cérebro até que se tem de deixá-las cair sobre as linhas. Das muitas traquinagens que rapei das paredes desse mundão de meu Deus nada se compara ao desejo de ser feliz... Eta coisa doida essa tar de felicidade, quando se acasala com a ânsia de estar juntos, mergulha o pobre mortar numa queda de ponta cabeça no negror da incerteza. As veis a princesa vira rã e nóis se esborracha no vazio. Das muitas andanças que tive por esse vasto mundo encontrei de tudo aos bocados, mais ainda ando a procura de argúem que se encaixe no meu encaixe. Enquanto isso não acontece nóis vamu por ai sem eira mais com muita beira e as veis quase na boca do precipício, as veis chorando que nem ovelha desgarrada, outras tão cintilantes que nem decalque de estrelinhas... Nas muitas andanças por esse mundão de meu Deus vamu seguindo a trilha até um dia topar com o outro lado da vida.
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PEDRO CHICO
Por Dé Barrense

NO RANCHO AÍ DO LADO MORA UM VELHO CAÇADOR, ANTES DE ROMPÊ O DIA ELE DESSE SERRA A FORA, PASSA DIAS LÁ NA MATA CAÇANDO SEM PARAR; O POVO DA REGIÃO TEM MEDO DA MIRA DELE NUNCA ERROU UMA SÓ BALA ELE TEM COISA COM O CÃO!... EM NOTE DE LUA CHEIA É A MAIOR DAS CONFUSÃO, EM FRENTE O RANCHO DELE CACHORRO LATE MUITO E A CORUJA VOA NELE, DIZIA AS MULHERES DA NOITE QUE NA JUVENTUDE DELAS ELE BATIA DE PORTA EM PORTA E SEM CHAVE JÁ ENTRAVA, E QUANDO ELAS IAM DORMI EM SUA CAMA ELE JÁ ESTAVA; NO PISPÊIO DA LUA NOVA QUANDO ELE APARECIA OLHANDO O ARÇO FINO QUE LÁ NO CÉU É PRATEADA E A ESTRELA DAS QUATRO HORAS É A SUA DIREÇÃO CHAMADO DE PEDRO BICHO ERA O NOME QUE A FERA TINHA.

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Meu amor, basta-me...
Por João Anilto dos Anjos

Basta-me a doçura da tua voz, aqueles beijos roubados, nossos carinhos trocados nos segundos que ficamos a sós. Basta-me aquele olhar maroto, o sussurro no ouvido, aquele suspiro sentido quando passamos um pelo outro. Para alguns, coisas poucas, para mim, fantasias loucas que disparam minha imaginação. Incendeiam minha alma, abalam a minha calma e alegram o meu coração. (Para M.)

Grant Thomas

Solidão
Por Marcelo Lino Um escuro, a imensidade do nada. Um coração desmanchado, sentimentos que não existem. Dor profunda. Exceto carinho. Exceto afeto. Não há respostas. Não existe um alguém. Som do silêncio. Completo vazio.
Brigantes

Perdido, sigo em frente. Vagando sem direção, me vou. Conhecida, minha companheira de longa data, nada diz. Com ela me entendo bem... A solidão!
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INSPIRAÇÃO...

Nos faz sentir Nos faz seguir no caminho do bem

Por Deise Formentin O amor me inspirou a sonhar mais A querer ver cada um dos meus sonhos realizados A sorrir sempre Lápis, pincel e tinta Com os quais posso colorir as paisagens por onde vou passar E tudo que meus olhos veem ao meu redor O mundo tem o colorido que costumamos pintar E o amor transforma tudo em arco-íris Uma aquarela de cores e sabores O amor nos dá asas para voar Chão sólido para pousar Quebra as gaiolas e algemas E nos traz a liberdade Nos dá paz, paciência e tranquilidade Equilíbrio e lucidez Mas também urgência e loucura E aquela vontade de estar junto de um certo alguém Muito, muito especial Que nos faz viver

De alma limpa Cercado de todos os seres Mais belos e fascinantes do universo Família, amigos, paixões O amor se apresenta de muitas formas Que nos engrandecem quando o sentimos presente Em nossas vidas E que não conseguiríamos viver sem ele Nem um só instante.

First Love 2 by MsCrys

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A noite em Mokum*

Por Denise Parma Encantei-me com a timidez disfarçada O gesto contido harmonizando com o resto Discrição Educação provocativa Abriu-se um sorriso e o paraíso Longa era a noite Curto era o verso A madrugada sorriu em Mokum Frio cortante Vento uivante Aproximação de buscas e de corpos Lado a lado Ao lado dos canais Pulsações desenfreadas Fria era a noite Quente era o verso O despertar de um vulcão Flagrante erupção de um sonho Completa era a noite Inteiro era o verso

*Mokum – Amsterdã em Yiddish.
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Os sinos

Para amigos e inimigos, para amores e desamores, para a alegria e para a tristeza, são companheiros inseparáveis que desnudam a alma inteira. Um sino solitário toca mais fundo, entristece também. Aprendi, então, a colocá-lo num lugar especial. Quando o vento bate no carrilhão, a terra estremece e rejubila, sons de anjos e de mistérios, deste Deus que nos deu o dom.

Por Norália de Mello Castro Lá vêm os sinos... sons agudos, sons graves, em melodias únicas. São tambores colocados ao contrário, sempre a encantarem a quem os ouve. Alcançam a estratosfera em ar de musicalidade. Chamam para as vésperas, chamam para a manhã de sol. Chamam a todos para a reza de orações compartilhadas. Chamam sempre olhares para o alto, acima da terra batida. Vêm pelo vento, vêm pelo ar, saindo de tons graves ao mais poderoso agudo... Seu som tamborilado tem o poder de adentrar coração até o umbigo a fazer o ritual. Os pensamentos, em pura emoção, vão direto para os sinos que nos campanários se alojam. Descobri o meu sino particular: o som que mais me tocou foi um ré bemol. Este ré me acompanha, levando-me sempre a Beethoven... e sua Sonata ao Luar explode, como os sinos que dobram aqui também.

Dos tambores agregados, invertidos, ressonância de terra extensa colada ao fundo no horizonte, onde a outra morada acontece, vem serena com os badalos a chocalhar os céus. Quero que ao tocarem por mim, que os sinos estejam em carrilhão, sonoridade de vozes amigas.

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Por Madhu Maretiore

A AMIZADE ULTRAPASSA OS LIMITES DA VIDA Fazer amigos é um talento que aperfeiçoamos ao longo da vida. Quem não lembra dos primeiros amigos de infância? O quanto importante era passar o tempo com os amigos brincando, estudando, em busca de novas aventuras ou simplesmente conversando e descobrindo similaridades e diferenças. Tudo o que parecia tão complicado e difícil de realizar sozinho ficava mais simples e possível na companhia dos amigos.

Mark e Luiz encontram-se nessa época da vida onde o processo de aprendizado da arte de fazer amigos inicia, durante essa fase de aprendizado e amadurecimento, eles enfrentam dificuldades, dividem alegrias e aventuras. E como todos os amigos, vivem momentos únicos e especiais, lembranças e estórias que nos fazem pensar o quanto importante certas pessoas se tornam em nossa vida sem que nos demos conta...

DEISE FORMENTIN: anjosemalma@hotmail.com
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O LIVRO, HOJE
Por Luiz Carlos Amorim

livro eletrônico, ganhou força, há duas semanas, com o anúncio de que a Amazon, maior vendedora de livros pela internet dos Estados Unidos, vendeu mais e-books do que livros de capa dura nos últimos meses. Não duvido, pois o Kindle, leitor de livros eletrônicos pioneiro e mais popular é da Amazon, é o mais vendido atualmente. A loja vende os livros digitais para o Kindle, mas eles também podem ser lidos no novo leitor multimídia da Apple, o Ipad. No entanto, precisamos levar em consideração que aquela loja, a Apple, edita e vende livros digitais, além do livro comum, é o seu forte. Enquanto o resto do mundo vende os livros impressos, tradicionais, tão nossos conhecidos. Então a percentagem de vendas divulgada se refere a centro de venda específico, sem levar em conta a venda dos livros físicos em todas as outras livrarias tradicionais pelo mundo, que talvez não sejam tantas quanto desejaríamos, mas são em grande número. E é só olhar as relações de livros mais vendidos nas grandes revistas semanais e nos jornais em vários países para ver que a venda dos livros de papel estão num crescendo. De maneira que todo aquele que tem um leitor eletrônico nos Estados Unidos e em vários outros países compram o livro digital na Amazon. O que não tira o mérito das vendas de livro eletrônico, mas não significa que o livro de capa dura, manuseável, folheável, vai sumir. Ele tem vendido cada vez mais. Com a notícia, voltaram as previsões que vaticinam o fim do livro como o conhecíamos até agora. Há quem dê apenas mais dez anos para que apenas vinte e cinco por cento dos livros publicados sejam impressos em papel. Penso que a venda de leitores de livros eletrônicos pode continuar crescendo e com isso a venda de e-books também, mas não dou prazo tão curto para que o consumo dele se equipare ao livro de papel. Como já disse, eles deverão conviver harmonicamente. Até porque não há, como já disse, o livro eletrônico disponível em qualquer livraria. As editoras, a não ser a Amazon, a Apple e outras poucas, ainda não estão publicando na versão eletrônica os livros que são publicados em papel. E não sabemos quando acontecerá a equiparação das duas versões, apesar de já se estar pensando nela. É certo que o e-book é mais barato do que o livro impresso, pois é apenas um arquivo para ser lido em aparelhos como o Kindle ou Ipad ou outro leitor, e o preço desses leitores pode até ser mais barato lá fora do que aqui no Brasil, mas não é tão barato que qualquer um possa comprá -los. E sempre haverá quem prefira o livro físico, com volume, com cheiro, com textura, sem a necessidade de qualquer aparelho para lê-lo, sem necessidade de qualquer energia a não ser a luz e a nossa vontade de ler.

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JARDINS

Por Fabio Renato Villela

O verso caído de um amor ressequido, segue a folha de Outono na trilha do abandono. Uma lágrima caída fertiliza a dor sofrida, pois amores acabados são jardins violados. Suspira-se o fim dos delírios a chegada de velhos martírios e a falta do canteiro de lírios. Agora, após a nossa Aurora, nuvens apagam o Sol e só resta tua ausência no lençol.

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Acabou Chorare
Por Infeto. Acabou Chorare, e eu nem bem comecei a chorar. Sentado sobre a capa dos velhos Baianos, Que continuam mais novos do que a banda que você ainda tenta formar, E que todas essas porcarias, essas merdas pastosas que a mídia solidifica. A solidão corrói a alma como uma escabiose, Um chato desgraçado em meus pelos pubianos. É ferro na boneca, enquanto eu vou descendo a ladeira da praça Das desilusões. E enquanto a pomada seca, só me resta chorar para dentro. Para meus pais não escutarem. Chorar para dentro, para matar a sede de minha alma. Chorar para dentro, para escutar o que tem dentro de mim. Choro para dentro, para ver se consigo desabafar para fora.

Por Rino Montibeller

Hoje não....amanha quem sabe... Segura o tempo...não quero ...não posso... Solta a raiva...não quero...não posso... Calma...calma...calma... Esse amor não é hoje... Esse amor não é amanha... Solta o tempo...segura a saudade Calma...calma...calma... Está logo ai a ...felicidade

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HOSPITAL DE LAGUNA Faça do Hospital de Laguna a sua causa, colabore! www.hospitallaguna.com PROJETO LUZ Ilumine esta ideia! Como você deseja que o Hospital de Laguna seja? Bom? Muito bom? Ó mo? Qual o seu desejo? Com quanto você pode contribuir, na sua conta de luz, para o Hospital ser assim, do jeito que você quer? Você pode! O prêmio maior é a vida. Com certeza o seu maior desejo! CARTÃO DE BENEFÍCIOS O Cartão de Bene cios proporciona a usuários e dependentes descontos nos serviços de internação e de urgência/emergência oferecidos pelo Hospital de Laguna e pela rede de estabelecimentos e profissionais credenciados (visite no site o link do Cartão de Bene cios). Os descontos variam de 10 a 50%, podendo chegar a 90% nas farmácias. procure o representante do hospital no horário comercial. TORNE-SE UM ASSOCIADO Para tornar-se um associado do hospital, basta preencher o formulário que se encontra no site e encaminhá-lo à direção do hospital. O valor da mensalidade e de apenas R$ 10,00. Todo associado poderá usufruir das vantagens do cartão de bene cios sem pagamento adicional.

http://www.hospitallaguna.com.br/
Hospital de Caridade Senhor Bom Jesus Passos R. Osvaldo Aranha, 280, Centro Cep: 88790-000, Laguna SC Fones: Central telefônica: (0xx)48 3646-0522 / DPVAT: (0xx)48 3646-1237 / Fax: (0xx)48 3644-0728

Fotos Históricas do Hospital

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Variações sobre o mesmo trema Por Valquíria Gesqui Malagoli Pouco usado, é bem verdade, e até incompreendido, tinha sua utilidade... Lá se foi... o falecido! Foi alvo de piadistas: “tremam, pois lá vem o trema!”, e, hoje, não estando às vistas... dele dizem: “foi da gema!”. Meio dado a extravagâncias, até que era bem charmoso... Vai por outras reentrâncias... Deus o tenha! Foi, saudoso! Nunca mais... adeus dois pontos sobrepostos nas palavras... Nunca mais? Que somos, tontos? Regras são só doutras lavras.

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Por Tchello D’Barros

coração ocupado o cupido o culpado

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O LIVRO DA VIDA

Por Silmara Oliveira

A primeira luz, nascemos! Vindos de uma história anterior, chegamos e passamos a participar de outra história, aprendemos e crescemos para construir a nossa própria história. E é nela que descobrimos quem somos e quem seremos. Capítulo 1 Em minha infância me vi ali, envolto em auras de suspense e medo. O escuro era o inesperado e o indeciso. Fiquei paralisado, mas como tinha de ir em frente, encarei. Olhando assustado para o alto e para os lados. Em meio a barulhos de folhas secas e vultos de árvores atravessei a escuridão. Isso... Agora que percebi... Eu sabia que alguém me acompanhava pelo caminho! Sim. A escuridão me abriu os olhos. Cresci. Capítulo 2 Meus olhos se abriram para o mundo, depois da escuridão, a claridade era alívio e segurança e já não queria mais meus guias de antes. Vi tanta gente e tanta coisa nova que a luz me trazia, passei anos nessa fantasia. Acertei, errei e aprendi cada vez mais, mas só mais tarde percebi que a claridade me mostrava muitas coisas, mas ao mesmo tempo me cegava. Deixei de ver o que era na verdade importante. Resolvi atravessar a claridade sem buscar a escuridão. Acho que na realidade eu buscava minha verdade. E cresci... A claridade me deixou cego. Capítulo 3 E a verdade apareceu. Deixei de ver apenas a minha escuridão e a minha claridade. Olhei ao redor e aprendi ainda mais. Passei a ajudar outros eus no caminho que eu já havia atravessado. E vi que cada um atravessa com uma estratégia e cada qual com seu objetivo, muitos ficam pelo caminho, muitos ficaram e muitos desistiram... Mas eu não! E continuo... Fim.

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Caros amigos! A revista VARAL DO BRASIL, desde 2009 divulgando autores em Língua Portuguesa, vem até vocês com uma nova proposta! Estamos abrindo uma livraria em Genebra (Suíça) com portas abertas para toda a Europa. A Livraria Varal do Brasil tem como objetivo o mesmo que sempre moveu a revista: promover a literatura sem frescuras! Seremos a primeira livraria brasileira na Suíça, feita para leitores e autores da Língua Portuguesa. Iremos ao encontro dos autores que se auto editam e dos que são ou foram editados por pequenas e médias editoras. Nós buscamos você, escritor, poeta, que tem seu livro, gostaria de expandir seus horizontes e não tem encontrado, infelizmente, muitas oportunidades de divulgação. Se você tem interesse em vender seus livros conosco entre em contato pelo e-mail: varaldobrasil@bluewin.ch Todas as informações serão enviadas com o maior prazer! Esperamos por você!

REVISTA VARAL DO BRASIL

EM SETEMBRO: PECADOS CAPITAIS (PROSA OU VERSO) INSCRIÇÕES ATÉ O DIA 10 DE AGOSTO

EM NOVEMBRO: TEMA LIVRE (PROSA OU VERSO) INSCRIÇÕES ATÉ O DIA 10 DE OUTUBRO

EM DEZEMBRO: NATAL E ANO NOVO INSCRIÇÕES ATÉ O DIA 10 DE NOVEMBRO

PARTICIPE PREENCHENDO O FORMULÁRIO QUE SE ENCONTRA PARA BAIXAR NA PRIMEIRA PÁGINA DO SITE DO VARAL www.varaldobrasil.com OU PEÇA POR E-MAIL varaldobrasil@bluewin.ch

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O FAMOSO CAUSO DA BORDADEIRA

- Hoje vais conhecer teu noivo. Teje aprumada e não me faça passar vergonha.

Por Fátima Venutti

As tardes sempre eram vazias quando Madalena não bordava. Já fazia parte do cenário da pacata vila de Coronel Feliciano do Araçá, a presença religiosa de Madalena, bordadeira das mais requisitadas, emoldurada pelos roliços pilares de Jequitibá da varanda de sua casa, vespertinamente de segunda a segunda, chovesse ou fizesse sol. Aprendera a domar as linhas, esticar o tecido nos bastidores e a compor belíssimos e perfeitos desenhos desde menina moça. No início, era a mais pura obrigação, imposta pela mãe, para montar seu enxoval de núpcias. Com o passar dos anos, precisaram construir um “puxadinho” nos fundos do quintal pra guardar tantas e tantas peças bordadas, pois Madalena e o enxoval não conseguiam mais ocupar o mesmo espaço no quarto. Bordar acabou se tornando um vício em sua vida. .Vez por outra um vizinho, saindo pra roçar logo cedo, a avistava já na varanda de agulhas e tecidos em punho, em plena 5 da manhã. Enquanto Madalena bordava, o tempo passava à sua volta com uma rapidez cruel. Uma noite, durante o jantar, enquanto molhava o pão numa água com três batatas cozidas, seu pai levantou os olhos pra ela e declarou:
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Espantada, virou seu lindo par de olhos azuis pra mãe, pedindo socorro. De nada valeu. Noite dos infernos seria aquela. Já moça passada (como cochichavam na vila), Madalena teve um desarranjo nervoso que não conseguia se levantar da patente do banheiro. As batidas na porta e o ranger dos dentes de seu pai podiam ser ouvidos quase que no quarteirão inteiro. O desarranjo custou-lhe um marido, além da oportunidade de finalmente inaugurar as peças do enxoval, ao invés de somente aumentar as dúzias dos bordados. E como em qualquer vila pequena, o causo do desarranjo ganhou fronteiras além do território de sua casa. Pior. O pai ficou tão desgostoso da situação que não conseguia mais pretendente pra Madalena. Ter uma filha encalhada numa família era pior que praguejar por mais de sete gerações. A vergonha só aumentava seu desejo de morrer. Até que um dia, o sino da igreja badalou fora de hora. Era a notícia que o pai de Madalena tinha ido desta pra melhor por puro desgosto.

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Mesmo durante o velório, Madalena não largava o bastidor, as linhas e agulhas. Rezou o Terço inteirinho (sabia todos os Mistérios de cor) terminando um “caminho de mesa” de linho vermelho. Em um dos beirais, escreveu com perfeição: Só Jesus salva. Quando fecharam o caixão, deu um jeito de colocar a peça bordada dentro. Só cumpriu luto nos trajes. Continuou seus afazeres e alimentava seu vício com mais alegria de viver que antes. Era até de se estranhar. O tempo passou mais rápido ainda depois da morte do pai. Jamais se ouviu falar na redondeza de algum novo pretendente. Mas ela continuava a bordar um enxoval que nunca terminava (e nunca iria usar). O espaço no “puxadinho” já não era mais suficiente. A mãe, já pensava em abrir uma lojinha, um bazar pra vender as peças e ajudar nas despesas da casa e de gastos com mais linhas, mais tecidos e agulhas. E assim o fez. A fama da riqueza, qualidade e perfeição dos bordados de Madalena correu mundo. Recebia encomendas de várias cidades da região, alguns estados e até do exterior. Bordava cada dia mais rápido, mais perfeito e tinha uma variedade de desenhos que impressionava qualquer um que chegasse a sua lojinha. Aumentou o puxadinho, tornando-o um galpão. A mãe teve que aprender a dirigir e Madalena presenteou-a com uma Caravan 1980 muito conservada. Assim, ficava mais prático e rápido de fazer as entregas. Um dia acordou com um mal estar e febre muito alta e depois da visita do médico, ganhou o diagnóstico de Dengue. Pronto. A cidade não falava em outra coisa senão na ausência de Madalena na varanda, bordando. Foram quase 15 dias de furdunço de gente frente ao portão da casa. A mãe acabou acostumando a servir um café com bolo de laranja todas as tardes pra aquele povaréu. Acreditava que estavam orando pelo restabelecimento de Madalena. Que nada! Sem Madalena na varanda da casa, bordando, a cidade ficava sem graça, perdia seu prestígio de Capital do Bordado (e olha que era só Madalena que bordava ali). Por fim, ficou encalhada mesmo. Na vida, um único pretendente e ainda posto à prova pelo desarranjo nervoso da futura noiva. Quando fez 40 anos, perdeu a mãe (que já passava dos 80) por conta de uma pneumonia mal curada. Continuou bordando, mas como não dirigia, não entregava mais as encomendas. O galpão ia se enchendo a cada semana, a cada mês, a cada ano com mais e mais peças bordadas. Mas Madalena começou a se recusar a vender sequer uma toalhinha de mão.
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Um dia, a cidade acordou mais cedo. Um clarão enorme cobria o céu naquele início de manhã. Fogo! Fogo! Gritavam os vizinhos assustados. O galpão da bordadeira queimava e labaredas vermelhas gritavam com o estouro de algumas pedras dos bordados. Precisaram chamar caminhão pipa de duas cidades vizinhas pra conter o fogo e não deixar que tomasse uma proporção maior e um estrago mais incalculável ainda. Foi então que se lembraram da bordadeira: Onde está Madalena? Procuraram-na pela casa inteira meio a fumaça e fuligem que trafegava com o vento. Encontraram-na sentada em sua cadeira na varanda, olhos esbugalhados e o corpo balançando pra frente e pra trás sem cessar. As mãos vazias tinham o movimento do bordar, só que sem bastidor, sem linhas e agulhas. Nunca mais Madalena segurou com firmeza uma de suas agulhas. Nunca mais bordou seu vício num caminho de linho. Encalhada e solitária, terminou seus dias arqueada na cadeira da varanda de sua casa, emoldurada pelos roliços pilares de Jequitibá. A cidade nunca mais teve o título de Capital do Bordado.

A revista VARAL DO BRASIL circula no Brasil do Amazonas ao Rio Grande do Sul... Também leva seus autores até a América Latina, América do Norte e, claro, pela Europa. Quer divulgação melhor? Venha fazer parte do VARAL! E-mail: varaldobrasil@bluewin.ch Site: www.varaldobrasil.com

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Receita de Paula Freire
No site h p://tudogostoso.uol.com.br/

1 alface americana lavada, higienizada e picada grosseiramente 1 peito de frango sem osso, temperado, grelhado e picado em tiras (opcional) 1 xícara de parmesão ralado grosseiramente 2 xícaras de croutons bem crocantes (feitos com pão de forma sem casca) Molho: 1/2 xícara de óleo (milho, canola ou girassol) 1/2 xícara de azeite de boa qualidade 1 gema 2 dentes de alho amassados 5 filés de anchovas 2 colheres de sopa de maionese caseira 1 colher de sopa mostarda 1 colher de sopa de suco de limão

Coloque todos os ingredientes no liquidificador, bata bem pouco, somente para unir os ingredientes, se bater demais irá virar uma maionese Arrume a alface em uma saladeira funda, coloque o frango em tiras (opcional) e regue com o molho, polvilhe o parmesão Cubra com os croutons somente na hora de servir para não amolecer Acompanhado de um bom bife à milanesa não há quem resista É uma refeição completa Obs.: O molho é feito com a gema crua, mas para os mis impressionados poderá ser utilizada a gema do ovo cozido e frio.

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ENTRE OS MORROS DA MINHA INFÂNCIA Um livro de Jacqueline Aisenman
Entre os Morros da Minha Infância está à venda com renda cem por cento rever da ao Hospital de Caridade Senhor Bom Jesus dos Passos de Laguna, Santa Catarina. Encontre aqui: Hospital de Caridade Senhor Bom Jesus Passos R. Osvaldo Aranha, 280, Centro Cep: 88790-000, Laguna SC Fones: Central telefônica: (0xx)48 3646-0522 / DPVAT: (0xx) 48 3646-1237 / Fax: (0xx)48 3644-0728 h p://www.hospitallaguna.com.br/

ESPELHOS Romance poético que narra a história de Mônica, uma jovem escritora brasileira, ao iniciar um novo livro, ela abre uma parte de seu mundo particular e nos leva a crer na fantasia de como o cotidiano pode ser perpetuado em uma obra. Baseado em pessoas de seu próprio convívio, as experiências que tiveram juntos, ela transforma seu cotidiano em uma trama fictícia, o lado psicológico é tema constante, como a introspecção de cada um dos envolvidos neste contexto. Na trajetória do texto, vemos a dificuldade de alguns em vencer seus traumas, momentos difíceis que os levaram a se auto analisar para tentar acreditar na possibilidade de merecer uma segunda chance de ser feliz. Para lhes mostrar uma lúz no fim do túnel da insegurança, surge um protetor que interfere espiritualmente em suas decisões, como um conselheiro, este estranho personagem dá um colorido especial a história de Mônica, tornando-se de fundamental importância para a conclusão de seu trabalho. Mostra também a magia de como os caminhos das pessoas se cruzam, a forma natural como os personagens aceitam as drásticas mudanças em sua vida, é fator relevante neste drama, pois, mostra o potencial de cada um ao buscar levantar sua auto estima. Enfim, o lado psicológico é tema constante, inserido como a introspecção de cada um dos envolvidos neste contexto, há também uma pitada de moderna espiritualidade, onde eles reconhecem os seus próprios valores enquanto seres humanos, vindo então deste reconhecimento a justificativa de suas ações. Vera Fonseca :verafonseca_4@hotmail.com
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Ontem eu tinha você...
Por Tete Crispim

Ficará registrada na minha memória No silêncio que agora fazes Coisas de mistério divino Ou até mesmo de anjo Que excede tempo e limites

Era dezoito de Janeiro, Podia ouvir teus passos Ver teu sorriso ingênuo, Meio de homem meio de menino, de menino Entendia tuas palavras Participava de tuas fantasias Até mesmo da sua agonia Dos desencontros e preconceitos da vida Conseguia sentir o amor que carregava em teu coração Percebia sua inocência Na face marcada pela desigualdade Nos gestos titubeados ou pequenas ousadias Coisas de garoto, de guerreiro Porque não de herói? Pela insistência de ser presente Nas cenas de todo dia De uma história real que só você podia ser a personagem e o autor. Hoje não tenho mais você... É dezenove de janeiro, Não ouvirei mais tua voz Nem teus passos compassados Porque Deus te levou nos braços Pra no céu cuidar de ti pra mim Mas tua alegria autêntica Clara como água cristalina

Obrigada pela oportunidade de me fazer praticar a generosidade sendo sua cuidadora. Jamais te esquecerei. Homenagem ao meu irmão especial Hélio, um grande guerreiro por vencer 65 anos de vida na fragilidade de ser portador de necessidades especiais.

10/12/2010- 18/01/2010- Meu amor eterno

Nagsoto

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CALOR HUMANO Por Leny Mel

Calor Humano É a mão que te navega. Neste mar nebuloso. É a mão estendida. Quando se cai no convés. Dessa vida ferida. É um abraço gostoso. Depois de se jogar. Num oceano piscoso. Sem saber nadar. Calor humano. É a mão que vem te pescar. A que joga a rede ao mar. Mãos que te trazem à tona. Devolvendo o ar da vida. Na respiração boca a boca. E sobe um calor humano. Aquecendo a hipotermia. Da vida que quase se finda. No fundo de um poço. E ao despertar. Se põem a pensar. Que bom seria. Se doassem mais calor humano. Por certo. Muitas vidas iriam se salvar. Salvem vidas. Doem calor humano

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Sonhos
Por José Hilton Rosa São tantos sonhos sem fim na sombra do anoitecer. São claros, lindos, eternos e vivos na luz do amanhecer. São como brisas que sopram, na noite clara do luar. São verdes dentro dos olhos, que correm no rio que vai desaguar. Vai meu rio despertar o amor, deste sonho para onde for! Eles são chorões de estrelas, na luz da escuridão. São sombras de um luar no aflorar, da vida no meu coração. Os sons daqueles que acordam, na voz do meu despertar. Minhas lembranças que existem e ficam, no querer de sempre amar. Vai meu rio despertar o amor, deste sonho.

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As cores e manchas
Por Marilu F. Queiroz

Minha mente ... é busca constante, errante de manifestações pictóricas. Meu corpo sentimento. Meu gesto é pura intuição. Intenção de cores diversas...

Se as cores me induzem, me envolvem, me falam... se expandem em manchas! Minha alma se cala, perplexa de tanta emoção.

As manchas são cores, que me povoam a memória, me causam aflição. Que bom que existem tantas manchas e cores... no meu coração!

Aquarela de Marilu F Queiroz

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BEM-TE-VI Por Vó Fia Que o bem-te-vi é um pássaro ninguém ignora, alias bem bonito e intrometido, porque ele só diz bem-te-vi quando canta e parece que viu realmente alguma coisa ou algum segredo, mas na verdade é seu jeito de cantar apenas, porque pássaros não fazem fofocas e nem se metem na vida dos outros como nós. Na Vila de São João dos Perdidos, o divertimento era quase inexistente, a comunidade trabalhava nas lavouras de café ou em qualquer outra plantação, se cansava demais e nem pensava em se divertir, mas os jovens colonos sentiam falta de coisas diferentes, porque estavam cheios de vigor e energia. Procuravam organizar festinhas com danças e cantoria e no começo tudo corria bem, porque as mães das recatadas mocinhas estavam sempre vigilantes e não as perdia de vista; Tamiro de Souza era um solteirão de mais de quarenta anos e era um homem feio e deselegante, mas comparecia aos bailinhos. Ele era o tormento das moças, porque ninguém queria dançar com ele, mas mandava a boa educação que não se recusasse convite para uma dança e as coitadas dançavam obrigadas com o velhote metido a galã; aborrecer as jovens nas festinhas, era o menor defeito daquele ridículo personagem, tinha coisa pior. Tamiro vigiava as pessoas passo a passo e ao menor deslize, ele bancava o bem ti vi e dava o alarme, colocando o povo do lugar a par do acontecido e como ele era rico, não trabalhava e tinha tempo para fazer espionagem e fofocas, mas quando ele resolveu falar sobre coisas do coronel Segismundo, teve do que se arrepender. O zangado coronel tinha uma amante, que vivia muito bem escondida em uma vila vizinha, e o velho levava seu caso certo de que ninguém sabia do assunto, mas Tamiro Bem-tevi desconfiou das idas repetidas do cidadão a Vila dos Marmelos e o seguiu, descobrindo a moça bem bonita, que o coronel sustentava. Ele adorou a descoberta e tratou de espalhar a novidade por toda a Vila de São João dos Perdidos e a fofoca rolou solta, mas foi parar nos ouvidos de dona Euzébia, a esposa do coronel Sigismundo que muito ofendida, armou um escândalo com o marido; logo o coronel descobriu o autor da descoberta e foi atrás dele. Tamiro Bem-te-vi estava no Boteco do Nego, quando foi encontrado pelo furioso coronel, mas o velho estava acompanhado por dois capangas, que por ordem do patrão pegaram o Bem-te-vi pelas orelhas, o arrastaram para a rua e o exemplaram com uma surra de chicote, diante de toda a população. Terminado o castigo, o velho coronel disse: aprendeu Bem-te-vi? Deixe de ver o que não é assunto seu, ou da próxima vez que se meter nos meus negócios, pode não escapar vivo; proveitosa foi a lição, Tamiro Bem-te-vi nunca mais viu nada e melhor ainda, se fechou em sua fazenda e parou de atrapalhar o pouco divertimento dos jovens e deixou as moças em paz.

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O CLUBE DOS VIRA-LATAS é uma organização não governamental, sem fins lucra vos, que mantém em seu abrigo hoje mais de 400 animais que são cuidados e alimentados diariamente. Boa parte desses animais chegou ao Clube após atropelamentos, acidentes, maus tratos e abandono. Nosso obje vo é resgatá-los das ruas, tratá-los e conseguir um lar responsável para que eles possam ter uma vida feliz.

400 peludos em nosso abrigo, contamos hoje apenas o trabalho dos voluntários e com o dinheiVocê sabia que no Brasil milhões de cães e gatos ro de doações. Todos podem ajudar, seja divulgando o Clube, seja adotando um animal ou mesvivem nas ruas, passando fome, frio e todos os pos de necessidades? Cerca deles 70% acabam mo doando dinheiro, ração ou medicamentos. em abrigos e 90% nunca encontrarão um lar. Par- Qualquer doação, de qualquer valor por menor te será ví ma ainda de atropelamentos, espanca- que seja, é bem-vinda. As contas do Clube bem como o des no de todo o dinheiro estão abertas mentos e todos os po de maus tratos. Infelizmente, não é possível solucionar este pro- para quem quiser blema da noite para o dia. A castração dos animais de rua é uma solução para diminuir as futu- BRADESCO (banco 237 para DOC) Agência: 0557 ras populações mas não resolve o problema do agora. Sendo assim, algumas coisas que você po- CC: 73.760-7 Titular: Clube dos Vira-Latas de fazer para ajudar um animal carente hoje: CNPJ: 05.299.525/0001-93 Ou Adotar um animal de maneira responsável Por que ajudar os animais? Voluntariar-se em algum abrigo. Doar alimento (ração) e/ou remédios para abrigos. Contribuir financeiramente com ONGs. Nunca abandonar seu animal Como o Clube vive? Somente de doações. Todas (Saiba mais sobre o Clube em h p://fras nossas contas são públicas, assim como extrafr.facebook.com/ClubeDosViraLatas?ref=ts) tos bancários e notas fiscais. Como ajudar o Clube? Para manter esses mais de Banco do Brasil (banco 001 para DOC) Agência: 6857-8 CC: 1624-1 Titular: Clube dos Vira-Latas CNPJ: 05.299.525/0001-93

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Tempos de farelo

Por Renata Iacovino A sensação, cada vez mais rápida, do passar do tempo, parece nos fazer desprezá-lo, em dados momentos. É comum, quando nos lembramos de algum fato ocorrido há um, dois ou três anos, exclamarmos: nossa, mas isso já faz tempo! E se a conversa é entre gerações distintas e distantes, o lapso mostra-se ainda maior. O mais velho defende que aquilo aconteceu “ontem mesmo”, enquanto o jovem acha que, de fato, se passou um tempo enorme. Encaixo-me, comumente, no primeiro caso. Quantas vezes, a conversar com conhecidos por aí, refiro-me a algum acontecimento de quinze, vinte anos atrás, como se a tal lacuna temporal fosse mínima. Coisas da idade? Sinal dos tempos, da fugacidade? Que estes tempos não estão para longa prosa, já sabemos. Hoje tudo deve ser objetivo, descartável, superficial. Objetos e sentimentos, coisas e pessoas, tudo vai no bolo, transformando-se num grande nada; um vazio que vai nos atolando e depois corremos atrás de livros de autoajuda, conselhos que não conseguimos ouvir até o fim, milagres para um bem-estar ilusório, e o nada continua com sua bandeira fincada em nosso peito. Músicas, livros, filmes; lembro-me quantos anos durava em nossas mentes cada canção, da mesma forma que discutíamos anos a fio uma clássica publicação, ou um filme marcante. Hoje isto não passa de uma semana. Aliás, quando está passando, já passou! Incrível imaginar que Tico-tico no fubá, choro de Zequinha de Abreu, de 1931 (leia-se: ontem!), foi exaustivamente executado em bailes, sendo gravado somente quatorze anos depois! Algo inconcebível para os dias atuais, não? E estamos falando num acontecimento de oitenta anos atrás. Para uma mudança tão drástica de comportamento, parece-me pouco. O ritmo acelerado, impresso em certo momento da canção, animava os pares dançantes, daí o título da obra, que a princípio era “Tico-tico no farelo”, tamanho alvoroço em que ficavam os dançarinos. Rapidez esta que não deixou para trás a importância da dita música, uma das mais gravadas em todos os tempos, sendo executada, inclusive por cidades essencialmente jazzísticas dos Estados Unidos.

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Vozes da Alma

A poesia como a arte são instrumentos que possibilitam ao homem conduzir suas vontades mais inquietantes de forma a apresentar em fontes límpidas o sentido da sua própria existência. Vozes da Alma se torna um livro que denota a essência dos sentimentos que são traduzidos em poesia, pois conduzir a palavra é um “dom”. Douglas Silva Tenta neste livro descrever de forma clara, aliando sentimentos e sensibilidade do seu próprio eu, onde cada linha possa fazer as pessoas encontrarem, ao lerem seus versos, algo positivo que some a suas necessidades de momento, assim fortalecendo suas visões e trazendo um alento a cada página que transcende o olhar de quem busca conhecer a magnitude poética descrita em versos, e que reflete alma poética do autor. Douglas Silva: dcscristiano@hotmail.com

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Sealand
Por Sandra Santos Vou me 'mbora para Sealand Sealand já está no e-bay ilha fiscal sem pedágio do grande irmão me livrarei não há ágio ou senado gatos não terei no impeachmant no management só vou falar ingles plantando Bandeira em Sealand entre duas torres serei rei

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MAGIA Por Luiz Carlos Amorim A música, poesia do som, embala a emoção, aguça os sentidos, transborda o coração, explode por todos os poros e faz-se movimento, dança e enlevo... A magia do corpo, na ponta dos pés, esparramando poesia...

ENCONTRE MAIS DO POETA E ESCRITOR LUIZ CARLOS AMORIM:

CRÔNICA DO DIA: h p://
luizcarlosamorim.blogspot.com/

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Meu Amor
Por Josane Peer

Naturalmente plena Indissoluta na tua arte Versejante em tua rara beleza Indistintamente divina no teu pulsar Amorosamente tocante em teu Ser Vicejante e harmoniosa em teu estado de se dar Esplendorosa e Linda Infindamente poética no teu cantar Generoso e profundo teu Coração Alma de Mulher ímpar perfeita para ser Amada e Amar

Estrela Brilhante
Por Sílvio Parise Brilha estrela Neste céu sempre aberto E revela-me os segredos Que estão por detrás desses universos Lindos, porém complexos E cheios de vida! Nessa beleza ativa Que em ti vejo Brilhando em noites cujo relevo Vale a pena sonhar.

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Desabrochar da Consciência
Por Flávia Assaife

Na beira do precipício em mim mesmo, a avalanche fria de pensamentos desconexos, rola ribanceira abaixo, confusos, perdidos, desvairados! Atormentado pela fuga das ideias, das fantasias e opiniões, atiro-me entorpecido sobre ele (o precipício), alheio às ponderações, mergulho em meditações, especulações e reflexões!

Nado no oceano das dúvidas, dos medos, dos desenganos, das masmorras onde habitam os fantasmas de mim mesmo, encaro-os de frente, olho no olho, sem receios, o encontro é pesado, sofrido, deixa-me despido!

As ondas do arrependimento crescem e deságuam suas mágoas, sem pena, sob meu corpo desnudo, gelado, dilapidado... lágrimas dimanam em meu coração, dilacerado por tanta ilusão.

Nesse instante, frente a frente, imagem refletida no espelho, uma luz ofusca minha triste visão, sua força e brilho fazem cessar a lamentação, a luz vem se aproximando lentamente, revigorando meu espírito e meu coração, com ela caminham em minha direção, a alegria, o amor, a fraternidade, a compreensão... a sensatez, o equilíbrio e o perdão... É o desabrochar da consciência que pacientemente vem minimizar a tensão Desvendando que a solução sempre está em nossa própria renovação!

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Intervalo...1
Fantasias são viagens que inventamos, Por Vera Lúcia da Fonseca vias de fuga em rotas de contramão, durante o trajeto uma pergunta não cala: de onde veio este sonho? Eu e o meu silêncio, fingindo não ouvir as suas perguntas, escondidas em símbolos inventados, por não ter coragem de falar... Eu e a minha louca espera, sonhando que você entenda alguns sinais... Amamos saber que podemos gostar, não interessa se a chama nasceu da música, pois de cada som claro podemos abusar, a mistura de notas nos facilita o entoar de lágrimas, e também nos mostra que nesta passagem, toda melodia é única e tão ou mais antiga, quanto o nosso lento passar... Quem inventou este desejo?

Pedindo aos anjos que me ajudem, aos seres todos do universo eu imploro, que a minha prece seja mais enérgica, e os deuses da infinita natureza ouçam, compadecidos venham ao meu auxílio, me puxem repentinamente pelas mãos, façam com que a sintonia se torne una, e que eu acorde e você também, do nosso despertar virá o sonho, ou não...

Mas pelo menos sei que haverá uma saída, algo sempre resta de um imenso e eterno repousar, uma nova vida dentro de um novo tempo, a lembrança escondida que se julgava perdida, o simples recomeçar...

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HORAS MORTAS Por Graça Campos Longe, bem na penumbra de meus pensamentos Perecem aos borrões os mensageiros Pétalas secas, cartas e bilhetes De um amor que se perdeu no tempo Bem longe, esmaecidas as lembranças Pedacinhos entre as cinzas Pode-se encontrar uma nuança Morreram as horas descontentes Na há flores Nenhuma cor vibrante Nem palavras, nem dores Apenas horas mortas de saudades!...

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Um Poema

Por Leônia Oliveira

Eu tenho uma tenda É bem isso que tenho Eu sou a própria bagagem de mim. Músicas, poemas, romances, Muitas se perderam pelos lugares por onde andei, Mas eu tenho a mim. Eu tenho sangue cigano Segundo me conta a lenda E também tenho sangue Judeu, africano, ibérico, indígena. Eu não me pareço com meu sangue Minha geografia é confusa, Mas eu conheço os caminhos. Eu tenho uma tenda E tenho sangue cigano Eu não preciso de cartas Para ler o futuro Eu não preciso de mapas Para acertar o rumo. Eu não preciso de cartas náuticas para navegar Eu enxergo as estrelas mesmo quando o céu está nublado. Eu tenho uma tenda Por isso sou livre Eu não me apego às coisas que tenho, Às coisas que tive, Eu me apego a mim. Nem mesmo me apego a esta tenda Posso muito bem viajar sem ela, Eu sou minha própria bagagem.

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GRITO NO VAZIO
Por Marcelo de Oliveira Souza

Preso no vácuo, Onde o meu grito ecoa no espaço Vagando no vazio como se este período Fosse a mais tenra eternidade. Quando a minha melancolia Inspira todo tipo de protesto, Passando-se por todo tipo de revolta Incitando todos ao meu redor para a realidade. A realidade nua e crua, Que por um breve momento Figura nas faces nos sonhadores Colocando-os na sua sã consciência.

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Poema para uma Imagem

Por Jania Souza

Há uma porta no infinito em busca do finito que sou chama-me insistentemente para desconhecida aventura. Pasmo em seus braços envolventes na dúvida sem resposta aos medos seu cheiro encanta-me. Entrego-me sem rodeios. Meu finito funde-se no infinito que cai sobre minha essência são perfumadas pétalas de orvalho dormidas no choro da saudade levadas em asas azuis de borboletas solitárias. Há o espectro do sonho dentro da nuvem da imaterialidade meu espírito é suave pássaro embalado na cantiga da chuva. Meus desejos são explosões de estrelas em seus nascituros carregadas por vagalumes na procissão da paixão. Levito entre o espaço e o que sou não há mais barreiras nem fronteiras entre a palavra e o amor.

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EM TEUS OLHOS FLORESTAS

não confessa a fervura da ideia E teu canto graúna assume a bravura de uma graça que não era para a guerra

Por Hideraldo Montenegro

Em teus olhos florestas acendem palavras demarcadas pelo espanto do invasor O riso é flor em marcha d’alma envolvida em dor Em tua boca o território se recolhe à taba e escondes tua nudez como fosse praga A cicatriz já foi posta em tua alma mata e tua garganta vomita canções de saudades vindas e um passado que não deságua Vontade de ser mãe terra saudade da ausência de quem ficou nos limites extremos entre a civilização e a farsa e a falta de pudor do explorador A tua tribo se levanta e o arco alcança a flecha que não foi arremessada atinge o sangue do arremessador -a submissão do braço

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Saudade da Saudade
Por Leonilda Spina Tenho saudade de pitanga, amora, lírios, dálias, malvas, copos de leite... (Onde essas flores dos jardins de outrora?) De bom-bocados, bem-casados, canudinhos - não havia elaborados docinhos. Tenho saudade das brincadeiras de roda, bola-queimada, pular corda, amarelinha, - me dá foguinho? Vai no vizinho... O tempo passou bem depressa... A infância fugiu de mansinho. Tenho saudade da esperança, verde como a relva macia. Dos sonhos, da confiança de ser feliz algum dia. ... Hoje, mamão papaia, cereja, melão... Frutas sofisticadas em cada estação. Cadê os sapatos de verniz, de pulseirinha (band-aid no calcanhar...) e os românticos boleros com que aprendíamos a dançar? Não havia pagode, forró, lambada... Éramos felizes com quase nada. Apraz-me saborear pitanga, amora, sentindo o gosto de meu ontem no agora. Tenho saudade da saudade que em meu coração florescia. Saudade da esperança de ser feliz alguma dia!

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Bossa Nova Collab by vitaminv

Bossa Nova...
Por José Carlos Paiva Bruno

Tendência nossa, telúrica possa... Gozosa grassa gosta, Promessa sistina... Docente ensina; postre doce por cima... Oportuno clima... Clímax daquela divina, quase divã do analista... Prenda, minha pista... Oferenda razão do meu: nunca desista! Assim, assisto essa diva... Mel... Melissa despista; nudez à vista... Nada invectiva... Total investida... Vestida de merlot sabor! Qual grito do passadiço de Cabral, vigilante sauvignon do sextante... Bendito Infante daquele Sagres levante... Pero Vaz gritante... Precisando ou navegando por Ela... Preciso Terra bela, dentro dela... Curvas de sedução... Atavio da alma... Preciosa entrega integra... Qual nau que atraca içando vela; surpresa d’acoplagem perfeita... Aroma de passado; passando em cabotagem desnudo; amplexo mudo... Assim perplexo, perambulando no agora, vença futuro da demora... Uva ou amora? Fim da mora; harmonia em trêfego namora... Fôlego tráfego avença das taças, crença das ânforas; saboroso sôfrego... Sedução virtual, metamorfose carnal aurora, real qual utopia outrora... Rima cópula com cama, encontro sem pijama, dama chama... Sinto-me Augusto, não àquele do busto, mas o invasor do susto! Quebrador de imagem robusto, aríete ao sonho, gládio vetusto... Venerável vinho, acrópole úmido caminho delicioso ninho... Não há mesmo quem possa; com esta belatriz nova bossa nossa... Intermitência d’alegria em teu corpo sorria... Profana e pia... Arrepia! Despertar do sono... Passa cheia de graça... Garota assobio mania... Calepino mimo... Proficiência Tom... Tonalidade Vinícius... Tempero do Chico!

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MEU POETA
Por Jô Mendonça Alcoforado Estou aqui, sou poeta, e agora vou dizer do que eu faço na vida é ler muito e escrever do que sinto nos momentos e já passo pra você Vida de poeta não é fácil facilidade é escrever as mãos anseiam um lugar os dedos frenéticos rebatem pega a caneta ou o lápis que corre e risca escrevendo o que você está querendo mostrando tudo na hora Hoje de manhã bem cedinho, tarde ou noite, não tem tempo! só quer somente o momento de um papel a amostra que às vezes é amassado liso, branco ou colorido, que fica logo enfeitado e pronto para ser lido Torna-se tão vaidoso contente na mão povo ficando muito feliz de transmitir tanto gozo isso é muito gostoso

mostrando o verso rimado palavras, muitas eu não falo! Pra não sair do compasso Vão ficando eternizadas numa folha de papel talvez gravadas ou filmadas contempladas ou ao leu esperando o seu tempo de brilhar no seu papel depende só de você que está pronto para ler... Pensando talvez no momento Do gozo que pode ter!

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A CAMA
Por Miriam Sales Oliveira

fantasmas do passado, parece que todos que por lá descansaram deixaram um pouco de si, da sua essência, um perfume sutil de passado. As noivas que passaram ali a sua primeira noite de amor, levantado, enfim, o véu de mistério que envolve a procriação. A descoberta do amor ou a triste cruz do dever; lembremo-nos das uniões por conveniência, sem amor, sem desejo, tão comuns nos séculos passados. Tão diferente das largas camas das cortesãs, com seus macios colchões de penas de ganso e seus edredons de seda e matelassê; naquelas camas, fortunas familiares escorriam pelos dedos, perdia-se tudo até mesmo, a alma. Neste mesmo móvel, homens desesperados terminavam suas vidas não aguentando a miséria e o remorso. Mas, havia o lado alegre. Crianças vinham ao mundo soltando seus vagidos inocentes, logo, logo acariciadas por mãos delicadas que as levava aos seios; mãos puras e maternais cumprindo o seu papel de perpetuar a espécie. O marido olha extasiado! A jovem mulher se sente imensamente feliz; pais, avós, todos juntos celebram o milagre da vida. Pois aquela coisinha enrugada e chorosa é o prolongamento daquela família, a certeza da continuidade é a ressurreição da carne.

Manda a caridade cristã que a gente visite os enfermos, mas, essa visita que fiz a D. Veveva não foi uma obrigação, foi um prazer. Essa senhora nonagenária, que nunca perdeu a alma de criança, era uma velha amiga da minha mãe e fazia (quase) parte da família há muitos anos. Alegre, despreocupada, criou filhos e viu chegar os netos e bisnetos com a alegria de menina que ganhou sua primeira boneca. Entrei no seu quarto que cheirava a lavanda e até tinha uns laivos de santidade e logo a avistei, deitada entre lençóis de linho, recostada no centenário leito de jacarandá que antes serviu de descanso a seus pais, avós e bisavós. Essa ânsia de estar sempre mudando de casa e móveis é coisa de classe média e pequenos burgueses, sem nome nem tradição. Olhando a cama monumental, de cabeceira alta onde rosas entalhadas formavam um belo buquê sustentado por Amor e Psique, fiquei ruminando sobre esse móvel de importância vital na vida dos humanos, que é a cama. Nela nascemos, amamos e morremos. Pelo menos era assim, antes das modernidades dos hospitais e enfermarias coletivas, onde a privacidade se esvai e toda a miséria humana é exposta a olhos indiferentes. Quanta coisa importante se desenrola nesse exíguo espaço de madeira talhada; quantos ais de felicidade, quantas aventuras, quantos sonos reparadores ou noites de insônia, quanta dor, quanta felicidade! As camas antigas parecem sempre cheias de

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E a morte, a indesejada das gentes! Quantos últimos suspiros de saudade ou alívio estas madeiras ouviram e guardaram! Muitos gritos, muito sofrimento, muita ansiedade, lágrimas que molharam os lençóis, gritos de dor e tristeza, aflição, angustia! A cama simboliza a vida e nela a vida se desenvolve. E o sono ,momento perfeito de repouso e lassidão! Minha amiga acordou do seu cochilo que eu velava. Sorriu. Acomodou-se entre os travesseiros de pluma, apanhou o seu crochê e tascamos a conversar, enquanto o sol se punha no Porto da Barra, enchendo o mar de ouro líquido.

Pequena elegia para mais uma esperança
Por Luiz de Miranda Chegarás sempre na última palavra na tarde noturna do desejo onde a paixão se recolhe e deposita até os fantasmas febris do desespero Chegarás na bruma das sílabas sonoras do amor o ar sonando no sonho como uma nuvem que se perdeu e fica boiando no horizonte Chegarás como a sombra quente do sol esquecida no adeus Chegarás para dizer que o amor revela-se à luz noturna das palavras

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UTOPIA?
Por Fábio Benini O Questionador

Será que um dia, teremos moradia? Será que um dia, vai acabar a violência, e a covardia? Vai acabar a regalia, e vai prevalecer o trabalho e a maestria? Vai sair a visão da unidade, e entrar a visão da coletividade? Ao invés de crescer na desonestidade, vamos privar os valores, e a moralidade? Será que um dia, vamos nos mobilizar, nos unir e reivindicar? exigir e reclamar?

Será que o povo um dia, vai ter alegria? ou isto tudo, só passa de utopia?

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LUZ E SOMBRA

Por Lílian Maial

dentro de mim luz e sombra gozo e desgosto doce e amargo dentro de mim poesia e tormento paixão e mágoa felicidade e descontentamento dentro de mim cio e ciúme fio e pavio amor e dor dentro de mim anjo e demônio sorriso tristonho você

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Um inesquecível (lança)(mo)mento ou um matuto em Floripa!
Por Raimundo Cândido Teixeira Filho

Sempre que um matuto sai de seu inalterável canto, deve levar consigo seus apetrechos de viagem dentro de um patuá, não se esquecendo de colocar também o imprescindível desconfiômetro, principal instrumento de sobrevivência do capiau. Se este caipira vai para muito longe, muito longe mesmo e se não tiver esse instrumento com certeza estará perdido! Quando a gente tem uma sequidão embutida nas órbitas dos olhos, por herança do meio, por sina de nascença ou por querer mimetizar um sertão queimado pelo excesso inclemente de sol e, de uma hora para outra nos vemos mergulhado nas deliciosas iguarias de uma belíssima paisagem, um alumbramento aflora da nossa pele, uma sofreguidão teima em querer beber toda essa alquimia pela íris e nos embriagamos. Achei-me assim, em Florianópolis, ébrio de tanta beleza! Um aturdimento bom, que deve ser o que acontece quando se chega ao céu, eu acho! Meu desconfiômetro até se ativou, me fazendo pensar que estava no paraíso, no Jardim do Éden. Mas era na mágica Floripa e me belisquei! Ruas adornadas de flores, num asseio e esmero de luxo, com sua gente elegante transitando em traços de uma descendência européia. A idílica Ilha cercada de poemas por todos os lados. Aprendi por aqui, nos ares bravios do nordeste, bebericando nos versos de um poeta sulista, Mário Quintana, a rezar os poemas. Agora sei por que ele rezava versos tão bem, é que vivia celebrando com a natureza. Vi e sentir que andar pelas ruas de Florianópolis é celebrar a poesia, é exaltar a terra, é elevar as serras, é embelecer o mar. No meio de tudo isso, o lançamento de um livro, uma seleta de bons escritores, contistas, cronistas, poetas e um matuto desconfiado, também dependurado neste sui generis Varal Literário. Não um livro qualquer, mas um livro fantástico como a própria cidade de Floripa, por unir, por agrupar mentes tão distantes e ligadas a um grande sonho, hoje concreto. Continuarei aqui, rezando poemas, como me ensinou Quintana na esperança de um dia rever tanta gente boa, que tive o prazer de ver e abraçar e que permanecerão como fotografias em minha memorável saudade, que sempre faz as coisas boas, no tempo, pararem.

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LANÇAMENTO DO LIVRO VARAL ANTOLÓGICO EM FLORIANÓPOLIS
O lançamento da primeira coletânea impressa da revista VARAL DO BRASIL foi em Florianópolis no dia 13 de maio último. Com a presença de mais de vinte dos trinta e oito autores do livro, a noite de autógrafos na Livraria Catarinense foi um sucesso. Reveja alguns momentos conosco (veja mais no site do VARAL no Espaço Livros!

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Amigos
Por Sonia Nogueira São tão necessários, e tão poucos que precisamos peneirar para conseguirmos chamá-los/las de amigos/as. Amigo/a verdadeiro/a é aquela pessoa que confiamos, entregamos nossa alma, nossos problemas, como um confessor.. Problemas estes que muitas vezes não ousamos nos dispor, por falta de compreensão, apoio, segurança. A confiança depositada noutra pessoa é demonstração de firmeza que ela nos demonstrou durante todo o processo na entrega de suas palavras e ações. A amiga/o protege, eleva, cultiva autoestima, parabeniza, no pequeno ou grande sucesso, está sempre presente na alegria na tristeza é um bom ouvinte. Mas percebo que neste mundo acelerado de mudanças constantes o individualismo se apodera cada dia mais das pessoas. Há algo em troca, recompensa ou destaque em promoção para que se façam amigos. O Destaque do outro incomoda, a felicidade causa inveja, no insucesso o outro se vangloria. Assisto tanta pequenez em certas atitudes que realmente me incomodam. As pessoas parecem que não se sentem bem em elogiar, reconhecer no outro algo de grandioso nas pequeninas coisas. É tão fácil um sorriso, um aplauso, um elogio, uma amizade sincera, duradoura. Diz-se que o homem é um animal politicamente sociável e não gosta de estar só. A companhia do outro é sempre necessária e essencial. Porém estou concluindo que ás vezes o homem é um animal antissocial que se dar melhor consigo mesmo em vez de procurar a conivência do outro. Há tantos desentendimentos em família e nos grupos que me impressiona tal comportamento. O eu toma espaço na nossa mente o outro somente se trouxer vantagens. Amigos verdadeiros estão em extinção. Tenho muitos conhecidos e poucos amigos. Quero aumentar minha quota, rsrsrs!

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VIDA NOVA

Por Luiz Carlos Amorim Bebo um gole de vida e saio pelos caminhos, faróis nos olhos, canção nos lábios, o futuro nas mãos e sonhos no coração. Planto sorrisos, cultivo a paz e lanço sementes no chão de um mundo novo. Aprendo poesia e eternizo a essência de um novo ser, num tempo novo onde a emoção me leva. Construo uma nação dentro do meu poema e convido você a morar nele...

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não uso relógio e não suporto o mundo. Por isso escrevo quieto no meu canto. Falo pouco, ouço nada e vejo menos ainda. Mas minha pele sente o sol e arde com o sal desses mares já antes navegados. Camões é referência, amor. Pessoa é paixão --sem fim e sem começo.

OSCILAÇÃO
Por Rubens Jardim

Por isso diga Diga sem frescuras quanto custou essa mistura essa domesticação dos desejos. É claro que toda porta se abre e se fecha e não adianta o sábio explicar o combate das substâncias. O amor oscila entre dois opostos: o cárcere e o refúgio.

Ando por aí paro em qualquer lugar Bebo guaraná e vejo Deus numa casa nova e você sorrindo por dentro. Por isso tomemos um rum neste lugar onde tudo o que era já não é. Diga aonde e quando o amor é explicável. Mas não repita as ladainhas de sempre. Meu coração é sinistro e não está no seguro. Tudo é justificável, claro. Mas às vezes eu preciso ir Não sei para onde mas eu preciso ir. Sou hostil ao meu tempo:

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Mandala da Vida

A luz da alma refletiu nos meus olhos banhados Transmutando gotas aperoladas em joias de perdão E aí... Encontrei Paixão à flor da pele e à raiz dos pelos Que transcende livros e modelos Tecido no coração, gerado no ventre do querer Alimentado nos seios da vida para crescer Amor como eu sempre quis. E aí... sou feliz!

Por Rozelene Furtado de Lima

Rapunzel viveu até eu cortar as tranças. Chapeuzinho da cor vermelho sangue Ficou até lobo me pegar E sonhar com o sapatinho de cristal. Alice, onde está meu anel? E aí... acordei. Na forma do violão adolesci, Solfejos de amor eu escrevi. O salto do sapatinho quebrou O príncipe me abandonou. E aí... me desiludi. Fiz novos amigos: Ceci e Peri, Helenas, Inês, Luisas, Kareninas, Arthur e Merlin, Capitu, Bovary, permeados por poetas e Coralinas E aí... me permiti. Escalei pirâmides de sonhos. No chão escorregadio do amor Andei, dancei, patinei e cai. Na mandala da vida me perdi. E aí... chorei. Descartei farrapos e desfiz emaranhados. Foquei em personagens com nova visão.

Foto de Rozelene Furtado de Lima

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L’Amour
Por Ju Petek E ali estava ela, sentada na areia contemplando o vai e vem das ondas do mar durante um belíssimo por do sol ... ali estava ela contemplando o indo e vindo daquele sentimento que a invadia como as brancas espumas do mar espraiando-se pela areia .... olhou para o lado e ali estava o motivo dela ter o coração abarrotado e perguntou-lhe: Existe melhor fase pra se apaixonar? Sim, ele disse, na adolescência, como é linda esta fase do amor, nesta idade, nesta fase da vida .... E observando mais uma onda a "estourar" linda e esfuziante ela divagou: penso que em qualquer fase da vida o amor é lindo, a sabedoria está em sabermos perpetuá-lo Ele respondeu: sobre a sabedoria ... é exatamente isto que eu quero dizer, sobre a fase da vida, pra mim, esta é a melhor fase para se apaixonar. E encantada com o ir e vir das ondas e belíssimos e dourados raios de sol esparramando-se sobre as ondas, lentamente ela disse ... todos os dias dos dias de nossas vidas é dia de se apaixonar, prá mim ele é perpétuo, há de se ter o coração aberto e pleno. Quando nos apaixonamos nos tornamos todos adolescentes. É um sentimento lindo, puro, encantador e feliz, o mais feliz de todos sentimentos. Pois eternamente as ondas vem e vão e eternamente renova-se o por do sol. Ele num êxtase pegou-lhe na mão e a puxou mar adentro e gritando: como adolescentes somos, como adolescentes eternamente seremos... Vive l'amour!

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A MANGUEIRA

Por Maria Laudecy Ferreira de Carvalho – Coleção Aprender Fazer

A MANGUEIRA QUE DÁ MANGA, FEZ A MANGA DA BLUSA SUJAR. O VERDE DESSA MANGUEIRA É O VERDE MAIS LINDO QUE HÁ. SÓ TOMO SUCO DE MANGA, QUANDO O INVERNO CHEGAR . MATA A SEDE MAMÃE , PAPAI E DAS CRIANÇAS DE LÁ . AS MANGAS QUE ME REFIRO, SÃO AS MANGAS DO CEARÁ.

Foto de Alex Uchoa

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No Luar... Lilases de Dulçor
Por Luli Coutinho Cheia, nua, linda e plena! Entre os eucaliptos te tornaste mais bela Um colar de pérolas a espera do amanhecer! E a noite cresce inglória ao teu fulgor Dançando no vento como um prisma Brilhando o frio da madrugada em torpor Os ares nebulosos se entrelaçam Formando desenhos abstratos instigantes Um mistério de cores azulejadas de amor Num encanto que me fascina a alma, Cria uma energia em meu pequeno corpo Arrepios e êxtases de prazer absoluta cor Eis-me a teus pés em oração, oh Lua! A singela inspiração que me tens absoluta Ao deitar meu sono em teus lilases de dulçor

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FRAQUEZAS

Por Lucy Nakamura

Deus? Como orar diante daquele que tudo vê, que tudo sabe? Mentir para os homens é fácil, mas diante de Deus... seria possível enganar a própria consciência??? O dissimulado trilha o caminho do descrédito, da falta de dignidade, dos erros. Quem opta em semear os erros, perde o foco, perde a firmeza de caráter. Se depois dos dezoito anos de idade, o ser humano ainda não distingue o certo do errado, é porque já optou pela fraqueza, pelo caminho fácil da dissimulação, passar a vida convivendo com as desculpas esfarrapadas, apenas para desfrutar das baixezas torpes e inúteis... Aquele que escolhe para si o mundo baixo, das fraquezas, onde tudo o que é errado é normal, onde a devassidão não é questionada, optou pelos prazeres mundanos, porque nesse mundo baixo ele não é questionado, e isso lhe dá a falsa impressão de que não há culpas, todas as desculpas são aceitas e ninguém irá lhe cobrar nada... Que Deus tenha piedade desses infelizes. Mas, aquele que opta pela vida em elevação, do mundo superior, mais rígido, mais difícil, constrói uma firmeza de caráter para viver no mundo digno, feliz, pleno. Um homem assim passa a ser um exemplo a ser seguido: é inimaginável vê-lo enganando os que o amam. Nem é possível pensar na possibilidade de vêlo magoando-os, ou trocando os momentos com a família para ir ao boteco, ir às jogatinas, às bebedeiras, envolvendo-se com outras mulheres, sendo adúltero, ou mesmo indo a festas mas dizendo que está indo ao culto, ou transformando seu carro em quarto de motel nas festinhas do rancho, festinhas de solteiros... A sua firmeza de caráter lhe dá a felicidade plena de que o ser humano precisa para viver bem. Ele entra e sai de qualquer lugar com a cabeça erguida e é admirado por ser o que parece ser e o que realmente é...
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No mundo, não deveria haver espaço para a mentira, para a dissimulação, para a hipocrisia... Porque elas levam ao desvio de caráter. Mas hoje é tão comum a inversão de valores, provocando o caos da convivência humana. O hipócrita que constrói uma imagem de vidro não consegue andar de cabeça erguida, isso é resultante do seu constante medo de ser desmascarado a qualquer momento... Essa falta de liberdade é a condenação que os dissimulados estipulam para si mesmos... O medo constante de ser questionado... O pavor constante de ver sua falsa imagem maculada diante de sua verdadeira identidade...

Os que se acostumam a mentir sofrem do próprio mal: com o tempo, ninguém mais acredita em sua palavra. Apenas o próprio dissimulado acredita em suas próprias mentiras. Quem opta em construir uma vida feita de mentiras, insiste em parecer ser aquilo que não é, sua frase passa a ser: faça o que eu falo, mas não faça o que eu faço. Como um dissimulado consegue usar a palavra de

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Sempre precisamos ser sinceros conosco e com o próximo. Um nome não se desfaz e não se constrói da noite para o dia. Um bom nome de família ressoa afirmativamente por pelo menos duas gerações vindouras, e isso é muito bom. Entretanto, na mão contrária, o dissimulado, por mais que se esforce a manter uma imagem de vidro de pé, jamais terá êxito em evitar suas rachaduras e até sua queda. O nome se faz através dos caminhos que realmente trilhamos ao longo de nossas vidas, e não através de meras palavras lançadas ao vento, sempre negando tudo, sempre alegando inocência... meu Deus, até onde vai a dissimulação, a hipocrisia, a falta de vergonha na cara... Os mentirosos se acostumam tanto a mentir, que saem do mundo real e passam a acreditar nas próprias mentiras, nas próprias ilusões... Pobres coitados... Que Deus tenha piedade desses infelizes... Os que MENTEM perdem a DIGNIDADE e isso leva à decadência física e moral. Os mentirosos perdem a coragem de erguer a cabeça diante da família, porque deixam de ser um exemplo. Perdem a dignidade diante da palavra de Deus, porque não agem como pregam. Não podem ter uma vida social normal, porque andam cabisbaixos, afinal, podem ser flagrados em sua hipocrisia a qualquer momento. É triste... Vale a pena??? Estes, quando se tornarem velhos lobos infelizes, solitários e repugnantes, talvez reconheçam, olhando para trás, o quanto seu comportamento maléfico magoou os que o amaram ao longo da vida, e talvez reconheça a dor alheia que semeou em sua estrada afora... E perguntar-se-á: o que realmente valeu a pena? E nesse momento perceberá que por várias vezes Deus lhe deu a oportunidade, qualidades, possibilidades de elevar-se, chances a escolher pelo caminho do bem... mas, o fraco tudo desperdiçou quando optou pelo caminho mais fácil e vil, pois no primeiro obstáculo ele desistiu de batalhar e todas as boas possibilidades assim se esvaíram...

Uma literatura gostosa e sem frescura! Vem para o Varal! Próximo número em setembro, com o tema especial Pecados Capitais! Peça o formulário pelo e-mail varaldobrasil@bluewin,ch ou baixe na primeira página do site www.varaldobrasil.com

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O Caminho
Por Maria Alice Lima Ferreira

Caminhar... Sempre caminhar, até encontrar o fim do túnel, a luz que nos atrai e é a inevitável saída de todo ser. Longo é o túnel, escuro, nada se vê. Cada passo vai construindo nossa estrada Dentro dele, um caminho, então, iluminado no trecho já construído e lá, bem adiante a saída, o farol enorme, gigante. Assim vemos o passado e o futuro, Mas, o presente é só escuridão. A cada passada a luz se faz. E o Caminho antes todo escuro, Vai se tornando um lindo clarão. É preciso sempre caminhar, A luz se faz a cada passo Não, não se pode jamais parar.

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Foto de Jony Cunha

GOTAS DE CARINHO
Por Mário Rezende

Pérola dos meus sonhos, uma mulher tão bonita enfeita a minha imaginação. Como encanto, o encontro, no tempo do sonhos, corações em conluio passeando enlaçados pelos jardins dos amores colhendo sorrisos; suspiros de algodão; chuva de pétalas multicores; lágrimas de felicidade, como essência de flores. Gotas de carinho em cada toque... em cada beijo... cupidinosos. Na vigília, graciosa lembrança alimenta a esperança.

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Mãe Rosa
Por Fátima Diógenes

Outro dia, minha amiga me disse que sua filha está se preparando para ser doula, termo que hoje se aplica às mulheres que dão suporte físico e emocional a outras mulheres, antes, durante e após o parto... Imediatamente me lembrei de Mãe Rosa, uma doula da minha pequena cidade... A palavra "doula" vem do grego e significa "mulher que serve”... Fiquei pensando nas mulheres de antigamente que tinham como doula suas mães, avós, tias, madrinhas e amigas... Mulheres que cuidavam de outras mulheres, inclusive das tarefas domésticas e dos outros filhos pequenos, para que aquelas pudessem descansar sossegadas... Além delas existia a imprescindível figura da parteira que aprende seu oficio com uma parenta próxima e o passa para sua filha com a mesma gratuidade... E assim, este abençoado trabalho vai se perpetuando... No interior nordestino, essa ˝mulher que serve˝ ainda é uma figura muito presente... Sem nenhuma formação técnica, a parteira toca o ventre da mulher e sabe com precisão quando a criança vai nascer, usa ervas para sustentar a vida do bebê e se ele está atravessado na barriga da mãe (pasmem!...) ela o vira com uma cuia... Conta com sua experiência, intuição e ajuda divina...E na hora do parto segura na mão da parturiente transmitindo-lhe a confiança pois em geral a conhece desde mocinha...Ela não sabe, mas é uma doula...Rosa foi a parteira mais famosa do lugar onde eu me criei... Era pequena de estatura, magra, negra e de cabelos grisalhos... Corcunda, de tanto ficar de cócoras para exercer seu trabalho, Rosa, com suas hábeis e santas mãos,

ajudou a vir ao mundo quase todas as crianças do povoado... Mãe Rosa, como era tratada, trouxe ao mundo os meus irmãos... Como Rosa não me pegou, é assim mesmo que se fala no interior do nordeste, eu não precisava chamá-la de mãe, como a maioria dos habitantes de Canafístula... Mas eu queria... Como filha mais velha, acompanhei os partos de minha mãe...

Presenciei as aflições, o murmúrio vindo do quarto fechado a sete chaves, o entra e sai da avó e das tias, o semblante concentrado de Rosa, os lençóis cobertos de sangue que alguém lavava no quintal, o cheiro forte de ervas fervendo no fogão de lenha, o ar aflito de meu pai, sentado na sala de estar...E eu, menina de olhos grandes e ainda mais arregalados pelo medo, sabia apenas que estava acontecendo algo muito sério e maior do que minha compreensão alcançava... Por mais que me mandassem brincar fora de casa, eu não conseguia sair de perto da porta do quarto, onde minha mãe sofria... A casa ficava tensa e silenciosa, até um choro romper o silêncio trazendo alívio aos rostos de todos... E meu pai, feliz, dizia: - Graças a Deus!...

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As vozes no quarto se alteravam vibrantes de alegria e os movimentos soavam frenéticos... Meu coração batia mais forte, eu sabia que tinha terminado o sofrimento de minha mãe e também que só me deixariam vê-la dois dias depois... Ela precisava descansar me diziam os adultos... Depois de um tempo, Mãe Rosa saía exausta e banhada de suor... Sentava na soleira da porta da cozinha e esticava as pernas, acendia o cachimbo que tirava do bolso e, sem pressa, soltava baforadas, impregnando o ar com a fumaça e o cheiro forte do fumo... Rosa ficava ali, distraindo-se com os animais soltos no quintal, com o canto de algum passarinho que vinha lhe saudar ou simplesmente olhando o céu... Talvez agradecendo a Deus por mais uma criança saudável que ajudara a botar no mundo... Eu a observava de longe, não sabia o que tinha acontecido dentro daquele quarto, mas intuía a importância daquela mulher... Ela me parecia envolta por algo misterioso e divino...Quando sabia que podia ir tranquila, pois a criança e a mãe estavam bem, ela se levantava, pegava suas coisas e ao passar por mim, afagava minha cabeça e ia embora...Eu, com o coração batendo forte, dizia baixinho: - Sua bênção, Mãe Rosa!

Lágrima (Poema sem verbo)
Por Janice França

Lágrima cristalina e morosa Que nem viajante, Pelo rosto tristonho, De olhar melancólico e sofrido. Lágrima cristalina e manhosa De presença inevitável... Nos lábios cerrados , Um sorriso velado, dolorido. Lágrima cristalina e persistente... Úmida, latente, quente... Amor, sonho impossível; Desilusão de um coração imprudente!

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Vai acontecer...
Por Glória Salles Se hoje a chuva castiga a alma em aflição E o que ronda meu olhar a lagrima delata Se o vento traz na bagagem tanta solidão Mora atrás das sombras, a esperança nata . Se apesar do sol, o inverno se fez presente Trazendo o frio denso que a alma sentia Posso afirmar que o outono, serenamente Traz na brisa amena, de volta minha poesia . Calcina as dores, a aragem entorpecente A agonia que turva o olhar, engavetando Cada átomo dessa saudade remanescente E vão ao longo das utopias, camuflando . O tempo, antídoto que faz a dor arrefecer Garante que alegria em bando vai acontecer

AMORES

Por Isabel C.S. Vargas Amores perfeitos Amores desfeitos Amores eternos Amores fugazes Amores generosos Amores interesseiros Amores companheiros Amores traiçoeiros Amores românticos Amores práticos AMORES! Amores?

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Compaixão
Por Sueli Nassar Carrego neste meu peito Tantas das dores do mundo Não as quero e elas chegam Dou as costas, já me seguem, Se eu fujo, me perseguem, Me atormentam e sufocam Qual criança impertinente Querendo o colo da gente. E o peito vai inchando, O coração inflamando De dor Miséria Desgraça Fome Injustiça Trapaça Saudade Desilusão Dor de amor, Dor de barriga, De ser motivo de intriga, De penúria e solidão.

Cansado de ver sofrer Chora lágrimas de sangue Bate lento Está exangue Quer descansar Quer morrer... Este coração, coitado, Moribundo Destroçado Exaurido e humilhado Cansado de ver sofrer Chora lágrimas de sangue Bate lento Quer morrer...

Foto de Oray D

A dor de um dedo quebrado, Da briga com o namorado, Do menino abandonado, Da moléstia do ancião. Assim, no cofre do peito Um coração condoído
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OS SAPATINHOS DE BALÉ
Ironi Lirio Gonçalves

Por isso aqueles companheiros Foram deixados de lado. Ficaram entristecidos Ouvindo a música tocar Mas nos pés da pequena bailarina Não podiam mais calçar Tinham sido substituídos Por outros que foram comprar. Entre muitos sapatos velhos Viviam amontoados E um dia, pela professora, No lixo foram jogados. A menina pobre correu E pegou os sapatinhos Calçou-os depressa nos pés Que lhe couberam direitinho.

Calçados nos pés da menina rica Estavam os sapatinhos de balé Que subiam rodopiando pelo ar Impulsionados pelo Demi-plié. De tecido leve e macio Foram feitos os sapatinhos E por serem tão sensíveis Eram guardados com carinho. A pequena bailarina rica Com os sapatinhos nos pés Tinha-os por companheiros Nas longas aulas de balé. Do lado de fora do estúdio A menina pobre observava E olhando pela vidraça Em ser bailarina sonhava. Com seus pezinhos descalços A bailarina pobre dançava Sem música e sem professora Passo a passo acompanhava. Flexionavam os joelhos Elevavam a perna para o ar Um salto, uma pirueta E retornavam para o mesmo lugar. Duas pequenas bailarinas Com seus pezinhos a girar Em seus devaneios de meninas Uma pobre e a outra rica Passavam horas a dançar. Um dia, o par de sapatinhos Ficou velho e desgastado

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FLORES PARA UM CASAL FELIZ Por Gilberto Nogueira de Oliveira Certa vez eu andava Por um caminho perfumado, Flores vermelhas de ambos os lados, Todas para mim. Eu me sentia assim; De repente o tédio e a nostalgia Tomou conta de mim. Então compreendi Que aquele lugar não existia, Pelo menos para mim. O lugar não florescia para mim. Talvez para uma mulher, Uma linda mulher. Então eu retornei E as flores brilharam. Brilharam mais ainda Comemorando a minha partida. Será que eu sou tão mau assim? Nem as flores me querem mais? De repente, como que por encanto Apareceu uma linda mulher, Tomou uma rosa vermelha entre as mãos E a rosa sorriu. E eu chorei. E a mulher sorriu com doçura E eu sofri E a mulher não me deu atenção. E a rosa murchou. Depois compreendi Que a rosa queria Era um casal feliz.
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ARMADILHAS DO SEXO
Por Ivane Laurete Perotti Mac Knight

viajava com o amante, trepava com o cunhado, subia na vida e computava muitos casos de sexo animal. Em um desses lapsos da vida quando o tempo e o espaço fazem a curva para o mesmo lado, um dos “casos” da irmã da esposa de Solano conheceu Lúcio que amava Anita que trepava com o Gustavo que pensava amar Rovane que dormia com o chefe que acordava em casa e comia a cunhada. Foi tesão ao primeiro roçar de ombros.

Lúcio amava Anita que transava com o Gus. Lúcio sabia das veredas por onde corria o sangue e o fogo da amada. Mas coração de homem quando se apaixona nega toda a razão que culhões normais levam milhares de anos para fundamentar. Culhões calçados em ciência do comportamento se respeita de longe, com bigodes de molho. Lúcio amava Anita e tendia a pensar que era muita pretensão de sua parte almejar ser visto por uma mulher tão cheia de adjetivos: gostosa, gostosa, gostosa! Lúcio sofria calado engolindo grossos goles de qualquer espuma gelada. Fazia chiste de si mesmo e acalmava o fogo trepador comendo ou sendo comido nas esquinas de noite fácil. Gus trepava com Anita, dormia com Solange, flertava com Alice e acreditava amar Rovane, uma ruiva de sangue azul. Sangue azul é a hierarquia superior das puros-sangues que fecham a cara para os babacas conquistadores. Rovane deitava com o chefe, acordava na própria cama, não dava confiança para ninguém e acreditava amar Solano, um rico empresário do ramo imobiliário. Solano dormia com a esposa, transava com a cunhada, comia as funcionárias e flertava com qualquer mulher que não tivesse cérebro. A esposa de Solano não aparecia no cenário, mas gostava de comparecer aos shoppings da vida e colaborava com a necessidade do marido de aplicar valores na aquisição de produtos desnecessários. A irmã da esposa de Solano dormia em casa,

Lúcio esqueceu Anita que ficou chocada e perdeu o interesse por Gus. Gus foi atingido em seu orgulho de macho e passou muito tempo acordado com Solange que já perdia o interesse pelo companheiro de cama. Solange descobriu-se mulher livre e fez ponto em uma casa de swing onde hoje abriu sociedade participando arduamente em todos os trabalhos de promoção do sexo livre. Alice, objeto de vários flertes tornou-se adepta do sexo tântrico e apaixonada pelo mestre de iniciação partiu com ele para o Egito. Rovane trocou de chefe, esqueceu Solano, conheceu Aníbal que é ateu e resolveu investir em comércio exterior. Lúcio continua feliz e morando com o mesmo parceiro de aventuras inenarráveis. Quem o conheceu tomando cerveja não compreende seu novo gosto por uísque e vodca em pleno meio dia.

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A esposa de Solano descobriu a terapia em alto mar e agora veleja com o professor de ginástica funcional. Comprou vários biquininhos e experimenta novos comportamentos dando à natureza o ar de sua exuberância reprimida. A irmã da esposa de Solano deixou o cabelo crescer, aderiu à meditação prática, tatuou as mamas e partiu para uma jornada interior com vários companheiros de busca. Solano faz terapia três vezes na semana para descobrir onde errou. E Anita? Continua acreditando que dá para alguém que bagunça a sua cama e de vez em quando lembra o seu nome: A-N-I-D-AAAAAAAAAAAA! A grande gozação das funcionárias de Solano é vê-lo pagar processos por assédio sexual sem ter comigo as respectivas vítimas. As vítimas, mulheres fatais, encantam os advogados com choro e lágrimas de répteis, engordam as contas bancárias com o dinheiro do chefe e saem para a noite procurar parceiros. Os parceiros das noites festivas pagam a conta, recebem sexo oral e vez por outra trocam os pares por triângulos ativos. Alguns esperam amor e outros investem em prazer. Crédulos e céticos reúnem-se na arena central dos relacionamentos e aprovam todos os jogos. Lúcio ganhou no final!

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Além do horizonte
Por Vanyr Carlla Olho adiante, tudo azul! Sinto no rosto a brisa, simplesmente. Caminho a esmo, sem preocupação. Diante de tudo lindo, me emociono, Após sentir toda a brisa roçando meu rosto. Vejo que, tão vasto é o mar, Tão longínquo é o céu, Tão profundo são os sentimentos! E, tão vazio é o homem que não se ama. Os azuis se encontravam diante de mim! O mar, ainda calmo pela manhã, O céu radiante e iluminado, Mostraram-me que, eu era importante! Que eu era parte de um mundo lindo! E faziam questão que eu acordasse, Para este mundo de singelas e sutis belezas. O vazio em que eu me encontrava, ficou tão evidente, Como evidente foi encontrar com a amargura. Percebi que, se não acordasse naquela manhã, Que se eu não me encontrasse naquele dia, Poderia me perder para um profundo que eu desconhecia. Há mais além, do que meus olhos mostravam! Só conseguiria ver, se eu me permitisse. Então, da amargura que inundou no meu mundo, Despertei pro mais sublime, pro mais profundo! Olhei dentro de mim, e vi que era uma questão de escolha, Ou eu me amo, ou nada mais!

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Ler pra valer
Por Ju Virginiana

Quero ler, ler pra valer para poder sem temer aprender a dizer, e a ser

Quero esta vida viver O mundo compreender E fazê-la a pena valer

Meus desejos satisfazer Longínquos lugares ver Deter todo o saber Querer é poder Quero ler pra valer O mundo nas mãos receber Ler...ler...ler... Pra valer Pra fazer valer a pena viver!

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Saudade Matadora
Por Madal Odeio que meu amado não me ame mais Não que eu queira mas a saudade gravou seu lugar estendeu seu manto pintou com tinta indelével sua presença em mim Todo dia, com uma lágrima molho o lenço e tento apagar um pedacinho de lembrança gravada Recorto pétalas de seu manto que se dispersam pelo ar Ah, como é estranho quando ele se tornou um estranho O olhar é de um transeunte apressado A voz é ininteligível já não distingo o que ele diz Na distância não o reconheço Ah, em quem o verei?

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QUATRO MÃOS: todas com poesia é uma obra poética que ratifica a inspiração de dois jovens autores, Anna Elizandra e Gil Betto Barros, os quais com essa publicação alinham-se à galeria de seres inspirados pelas musas do Hélicon. Aqui é expresso um perfeito casamento entre um poeta e uma poetisa, unidos pelo prazer insaciável de escrever, pelo encantamento da poesia. Unidos sim, sob duas faces tão distintas, como opostos que se atraem, mas iguais no mágico ofício de plantar palavras no solo de um mesmo livro, pela metáfora de uma aliança contida em cada página. ANA ELIZANDRA GOMES RIBEIRO ana.elizandra@ig.com.br

“Conversa de Alguém que sente” é uma coletânea poética, em que a escritora, Ana Elizandra Ribeiro, oferece ao leitor o seu primeiro apanhado de poemas que cria desde a adolescência. Anna Elizandra, conhecida por outras obras já publicadas, é uma poetisa de quem o canto flui como água nascente de um pródigo manancial. A autora pertence a tradição do lirismo português e ibérico, da mais pura inspiração, como o sopro que se estende à tradição do lirismo brasileiro e lusitano, lirismo da voz feminina que percorre os subterrâneos do tempo e da experiência existencial da mulher amorosa e solitária, destino feminino e esperançoso sempre de um outro recomeço.

ANA ELIZANDRA GOMES RIBEIRO ana.elizandra@ig.com.br

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ESSA MULHER
Por Regina Araujo Alucinada e fria, me desconcerto no teu olhar. Virgem perdida na prostituição social. A moral camuflada que desonra na máfia copiosa do Ser. Ultrajante moral escarnecida que pratica o mal na desculpa do bem. Sociedade despudorada em suas máscaras angelicais. Divino Ser infernizante que sou acompanhada de fogo e tambores revoltados, retumbante e desesperada pela aclamação marginal. O certo e o errado que nunca se juntam, porém separados jamais estarão. Assim, o que sou... Oposta e contraditória vou fazendo o meu lema, onde amor e ódio nascem do mesmo ventre corrompido. Viagem transcendental que purifica o bestial. Rigidez consumada e inefável no afeto. Relações tortas e descompassadas na multidão. Eu esbravejante, que num grito de dor pari o Si-Mesmo, meu Self invisível e intocável na eternidade do vir-a-ser. E vocês, olhando, assustados, a esse

nascimento imperdoável. Surpresa enganosa de poesia romântica. A esperança de um equilíbrio final e mortal. Mas, não! Nunca! Jamais a virgem se mostraria tão nua como aqui: Bela e simples em sua pureza magistralmente revoltada. Natureza rebelde de fala incongruente, sem ser inconsequente lhes mostro a verdadeira alma. Mudanças externas de vestes e ornamentos não poderiam me esconder totalmente. É só o coração falar, e pronto! Lá vem fumaça negra e labaredas altas. O silêncio foi longo, porém a alma nunca se calou. O que é da natureza do homem nem Deus pode tirar. Quem são vocês que pensaram em me calar? São meus amores que expresso pelo olhar, que jamais se apagarão desta alma mulher. O animus pode lhes aliviar, mas a personalidade jamais lhes acariciará aceitando esse afeto mundano de que por hora vim lhes falar.

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COM AMOR NO CORAÇÃO
Por Mário Feijó Havia um tempo Em que a minh’alma Era minha prisioneira... Eu tinha medo Que ao abrir meu coração Ela se fosse E eu sozinho ficasse... Abri meu coração Todas as portas e janelas Hoje abrigo nele Não só a minh’alma Mas outras que a mim vieram... Agora meu coração É um abrigo Que aquece muitas almas...

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AS GAIVOTAS
Por Inês Carmelita Lohn Olhares na busca dos sonhos Na palidez do espaço Andando no contratempo No passo do descompasso Na fúria da tempestade O mar virou calmaria As ondas batiam nas pedras Soavam como uma melodia E na olvides do momento As gaivotas voavam Livres dos sentimentos E o barco sem comandante Soltou suas redes rasgadas Ao relento dos ventos E na imensidão das águas Levadas de norte a sul Asas se cruzavam Na busca da liberdade No espaço branco e azul Milhares de gaivotas Faziam a mesma rota Que a grande embarcação O momento foi tão sublime Que faltou-me a inspiração Muitas asas que se cruzavam No ar da imensidão Foi um momento mágico Não tem explicação As gaivotas voavam Livres e fora de rota No mundo da imaginação.

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Há tanto céu no inferno e inferno no céu...

maldizia seu nome (ódio após ódio) proibiria sua venda ficaria feliz em matá-lo de graça perdoaria sorrindo o que não tem nome seria órfão antes de ele chegar pagaria tudo com poesia (que jamais se entrega)

Por Vânia Lopez

gostaria de construir um céu que sossegasse a alma até enlouquecer (é como devolver um tigre a floresta) mas se eu soubesse que o amor arrasta uma lâmina cega em volta destrói até a última jangada retruca espinhos rosna intensidades afia a lança cegando pede pelo que não precisa separa sua cabeça de seus ombros com os olhos cheios de uma imensa satisfação se eu soubesse que no peito não cresce mais nada atrai para perto da espada roubando nossa vingança despedaçando o caderno se eu soubesse que é uma ovelha por fora mas por dentro... um lobo não sentiria falta dele a cada respiração em branco não o bebia com ferocidade

LIVROS DE VÂNIA LOPEZ

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Calo em Rosa
Por Danny Marks

Era quase minha a família, dela, não tive outra pra não distrair, sabe como são essas coisas, não é doutor? A gente vai se apegando, se firmando.

Calo! Não é, doutor?! Tenho certeza que é, dá uma olhada, lá no fundo. Deve estar amarrado nas cordas vocais. Em algum lugar por ali, sei lá. Se bem que em cinquenta anos deve ter virado câncer, não acha? Será? Devo morrer disso, não é? Foi de Rosinha. É, Rosinha, assim, diminutivo mesmo. Nunca foi grande para eu poder por pra fora. Parece espinho, sabe? Pequeno, fica doendo quando se toca, mas com o tempo a gente acostuma que quase não nota. Se fosse perfume já tinha ido, mas não foi, tem que ser espinho. O que o senhor acha? Conhece Rosinha? Nem queira! Eu não quis, mas conheci. Assim pequena. Passava de bonde em frente à Rosinha, todo dia. Bonde mesmo, que naquele tempo não tinha ônibus. Carro só rico. Carro grande, robusto, de fazer vista, pra levar Rosinha, mas não eu. Maior que eu só o sonho, sabe? Um dia ser alguém e ter Rosinha, com espinho e tudo, que eu ia saber lidar com espinhos. Virar florista, floricultor, fazer muda de Rosinha. No fim, muda fiquei. Não sei, foi assim, meio que parando mesmo. Querendo ir e não podendo. Querendo ficar e indo. Querendo Rosinha, entalada, na garganta, até hoje. Não disse? Está vendo, doutor? Tem que estar ai, procura direito, deve ser grande depois de tanto tempo. Quase como um filho, que cresce. Teve cinco, a Rosinha. Um é doutor, como o senhor. Eu já devia saber, mas não sabia, não é mesmo? Se eu soubesse não estaria aqui com essa coisa na garganta que não sai. Nunca saiu. Nem eu. Só com a família. Moça direita é assim. Ficava à direita a casa dela, quando se ia pra lá. Quando voltava era do outro lado, mas eu não voltava. Só ia, ficava. Entalada.

Estou avançando demais? Às vezes sou assim. Melhor é ficar de lado que perder tudo, não é? Fiquei, de lado. O tempo todo. Na alegria e na tristeza, na saúde e na doença. Dela e dos filhos. Foi! O tempo todo esperando. Se ela me via? Claro. Desde o primeiro sorriso por traz do vidro. Vestido amarelo com rosinhas vermelhas, o dela. Eu não. Ela não viu. Passou tempo, mas não muito, ainda estava bem, verdade. Mudei pra casa em frente só pra ver Rosinha. Me aproximei sim, eu sou assim, devagar, mas vou chegando. Quando cheguei estava noiva. O sorriso de orelha, dava pra ouvir. Calo, não é doutor? Calo que dói fundo. Deve ter algum na garganta, eu sei. Talvez esteja grande depois de tanto tempo. Não dá pra enfrentar quando é grande, não é? Hermelau. Ô sujeito grande, o Hermelau. Filho de Doutor, não do senhor, de outro. Hermes e Nicolau. Pagão e Santo. Tinha que ser dois pra levar a Rosinha e aguentar os espinhos, não é mesmo? Eu aguentei espinho, cravado na garganta. Nem dava pra engolir que ai fazia digestão. Ficou ali, no meio termo. Preso. Eu também.
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Ficar sem Rosinha? Assim, no diminutivo mesmo, porque grande era, mas cabia no coração, entende? Já ocupava tudo lá dentro. Desde a garganta. Amiga da família. Intima. Calo a gente leva e traz, mas fica. Calo. Que fazer? Amarrado, nas cordas vocais. Embarga a voz, não sai. Foi ficando, fiquei também. A gente até se acostuma. Assim de longe, mas não muito, nem percebe que dói. Não mexe. Ela sabia, mas não falava também, nunca falou. Nem quando o Hermelau se foi. Não falei. Nem quando os cinco pegaram rumo. Tentei. Juro! Um não eu já tinha. E foi com o não que fiquei. Não podia perder tudo, a gente se afeiçoa assim, com tanto tempo, vai se acostumando e ficando ali, meio grudada, meio amarrada, deixando crescer. Ela sabia também. Eu sei que sabia. Olho fala demais, não tem cordas vocais, não tem calo. Olho lê. Eu li muito pra ela. Na alegria e na doença. Mais ainda nesta ultima. Agora ela não ouve mais. Nunca mais. E eu aqui. Não calo mais. Nem nas cordas vocais. Doutor, arranca a Rosinha da minha garganta que eu não posso mais.

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TORTA DE MAÇÃ
Receita de Rosaura Fraga

100g de manteiga em temperatura ambiente 2 gemas 4 colheres (sopa) de açúcar cristal ou refinado 2 xícaras de farinha de trigo (aproximadamente) Creme: 500 ml de leite 1 lata de leite condensado 2 colheres de sopa de amido de milho Gotas de essência de baunilha Cobertura: 3 maçãs sem casca cortadas em fatias finas 2 xícaras de água 1 xícara de açúcar 1 caixa de gelatina de abacaxi Massa misture a manteiga, as gemas e o açúcar Junte a farinha aos poucos, até formar uma massa que não grude nas mãos Forre com a massa uma forma de torta redonda untada levemente com manteiga e fure toda a superfície com um garfo e leve ao forno pré-aquecido em temperatura média/baixa para a massa dourar, aproximadamente 15 minutos Creme: leve todos os ingredientes ao fogo Mexendo até engrossar Cobertura: numa panela, coloque a água e o açúcar e leve ao fogo Ao ferver, junte as fatias de maçãs para cozinhar levemente sem deixar desmanchar, apenas uns 2 minutos Retire as maçãs com uma escumadeira e acrescente a gelatina à água que sobrou na panela, mexendo bem Deixe esfriar Leve à geladeira por 10 minutos Montagem: coloque o creme frio sobre a massa assada Decore com a maçã Espalhe a gelatina Leve para a geladeira Sirva gelado

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AGUINALDO BECHELLI ALEX FEITOSA AMILTON MACIEL ANA ESTER ANNA ELIZANDRA ANTONIO VENDRAMINI NETO ANTONIO ZAU BIANCA GALDINO PEREIRA CARLOS D DANNY MARKS DÉ BARRENSE DENISE FORMENTIN DENISE PARMA FÁBIO BENINI FÁBIO RENATO VILELLA FÁTIMA DIÓGENES FÁTIMA VENUTTI FLÁVIA ASSAIFE GILBERTO NOGUEIRA DE OLIVEIRA GLÓRIA SALLES GRAÇA CAMPOS HIDERALDO MONTENEGRO INÊS CARMELITA LOHN INFETO IRONI LÍRIO GONÇALVES ISABEL C. S. VARGAS IVANE LAURETE PEROTTI MAC KNIGHT IZABELLE VALLADARES

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JANIA SOUZA JANICE FRANÇA JÔ MENDONÇA ALCOFORADO JOÃO ANILTO DOS ANJOS JOSANE PEER JOSÉ ALBERTO DE SOUZA JOSÉ CARLOS PAIVA BRUNO JOSÉ HILTON ROSA JU PETEK JU VIRGINIANA JULIANO SECOLO LARIEL FROTA LAUDECY FERREIRA LEILA DE BARROS LENY MELL LEONIA OLIVEIRA LEONILDA SPINHA LILIAN MAIAL LUCY NAKAMURA LULI COUTINHO LUIZ DE MIRANDA MARCELO DE OLIVEIRA SOUZA MARCELO LINO MADAL MADHU MARETIORE MARIA ALICE LIMA FERREIRA MARILU F. QUEIROZ MARIO REZENDE

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MÁRIO ROGÉRIO FEIJÓ MIRIAM DE SALES OLIVEIRA NORÁLIA DE MELLO CASTRO NORBERTO HEINZ ODYLA PAIVA RAIMUNDO CÂNDIDO TEIXEIRA FILHO RENATA IACOVINO RINO MONTBELLER ROSANA KOERNER ROZELENE FURTADO DE LIMA RUBENS JARDIM SANDRA NASCIMENTO SANDRA SANTOS SILMARA DE SOUZA OLIVEIRA SÍLVIO PARISE SUELI NASSAR AZ TCHELLO D’BARROS TERESINKA PEREIRA TETE CRISPIM THIAGO SANTHIAGO VALQUÍRIA GESQUI MALAGOLI VANIA LOPES VANYR CARLLA VERA LUCIA DA FONSECA VÓ FIA WALNÉLIA CORRÊA PEDERNEIRAS WENESLAU GONÇALVES

YARA DARIN (BY SUN)

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