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REDAÇÃO FUVEST 2004

AS DIFERENTES CONCEPÇÕES DO TEMPO

O homem ocupa a Terra há milhares de anos. Animais e plantas podem viver algumas
centenas de anos. Por quanto tempo mais ainda habitaremos a Terra? Essas orações
demonstram alguns conceitos diferentes de tempo: o tempo histórico, o tempo que vivemos e o
tempo futuro. O que é o tempo? Simplificadamente, poderíamos definir tempo como uma noção
primitiva própria do homem utilizada para prever e descobrir a frequência de alguns fenômenos
naturais, como o dia, as estações climáticas e as fases da lua. Existe também o tempo
psicológico, uma noção abstrata, e que varia de acordo com a individualidade do ser humano.
Estudar o tempo passado, histórico, significa entender como os nossos ancestrais
viveram, de que forma eles lidaram com as adversidades de sua época e aprender com eles.
Infelizmente quase nunca temos uma versão neutra e objetiva dos acontecimentos. A história é
registrada do ponto de vista dos dominantes, nunca dos dominados. Dessa forma, a classe
dominante molda os fatos passados de acordo com seus interesses, muitas vezes distorcendo e
omitindo algumas situações.
Grande parte da sociedade não se conscientiza da importância do passado; mas nem
por isso deixa de ser um agente histórico do seu tempo. A mentalidade imediatista, que valoriza
o tempo presente, considera irrelevante os fatos passados e ufana somente a modernidade e a
rapidez das mudanças. Essa é uma forma de pensar preocupante, pois quem não se importa em
conhecer e aprender com o passado, tampouco irá se preocupar com o legado para as gerações
futuras. Interessado nos saltos evolutivos, na rapidez das telecomunicações, nos avanços da
Medicina e da energia nuclear, o homem polui os rios, desmata as florestas, mata animais e
destrói sua existência futura.
Tarô. Horóscopo. Búzios. Essas são exemplos de instrumentos usados para tentar
prever o futura, muitas vezes imprevisível. É a imprevisibilidade do tempo futuro que leva o ser
humano a ter, muitas vezes, atitudes irresponsáveis e a se alienar no tempo presente. O
pensamento humano de que a Terra sempre será habitável, não importando o quanto a
agredimos, está errado e, após décadas de destruição e poluição o homem está tomando
consciência disso. É errado pensar que ainda temos muito tempo futuro para corrigir nossos
erros, enquanto sociedade, e, por isso, podemos gozar do prazer de destruir, de forma predativa
o nosso habitat em favor da nossa economia.
A sociedade é fruto de uma evolução lenta da qual o homem é o único e principal
agente. O tempo e seus diferentes conceitos acompanham essa evolução, podemos até afirmar
metaforicamente, que o homem individualmente é um grão de areia na evolução da sociedade e
o tempo é responsável pelo acúmulo de areia – evolução – no fundo da ampulheta. Não
podemos nos pautar em uma única concepção de tempo para vivermos. Devemos olhar para
trás, no passado, e aprender com os erros e acertos dos nossos antecessores para
aproveitarmos o nosso tempo presente da melhor forma possível; mas sem nos esquecer de
garantir a sobrevivência das futuras gerações.

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