PÓS-GRADUAÇÃO EM ENSINO DA MATEMÁTICA

ENSINO DE MATEMÁTICA COM MATERIAIS DIDÁTICOS ALTERNATIVOS

DOCENTE:

JOSÉ HELDER DE MESQUITA FILHO

Fortaleza-Ceará 2008

ACCESSU EDUCAÇÃO SUPERIOR
FACULDADE ATENEU
COORDENADOR GERAL: PROF. JOSÉ WILLIAM FORTE COORDENADORAS PEDAGÓGICAS: PROF.ª LUCIDALVA BACELAR/PROF.ª SOLANGE MESQUITA

CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO

DISCIPLINA:

ENSINO DE MATEMÁTICA COM MATERIAIS DIDÁTICOS ALTERNATIVOS

DOCENTE:

JOSÉ HELDER DE MESQUITA FILHO

Fortaleza-Ceará 2008

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......... 4..... 40 Atividade 2: Construção de um octaedro regular .................. 1........................................................ 1........................................................ Objetivo do módulo ... 4..................3..Sumário A...2.............. 1...................................... 3.....3........................................................................... 1..............................2.............. 7 Carga horária............ 3.....................1.helder@accessueducacao...... 9 Algumas concepções de LEM .................org 5 .............................................. 21 Obstáculos ao uso do MD ......5...................................................4..... 25 Para auxiliar a reflexão sobre MD e LEM ............................................................3...................................................................... 3.............................. 45 Sobre o conceito de jogo ......................... 8 1.....3.... 41 Atividade 3: Construção de um icosaedro regular .......... 12 Material didático (MD) ................................. C..2........................... 27 Referências bibliográficas do texto ...... 1....... OFICINA DE GEOMETRIA COM CANUDOS ....3... 10 Objeções ao uso do LEM ...........................5....................................................... LABORATÓRIO DE ENSINO DE MATEMÁTICA E MATERIAIS DIDÁTICOS MANIPULÁVEIS ..............................................2............... 44 Sobre a etimologia do termo jogo .............. 1........ 44 Introdução .......................... 9 A construção do LEM ........................ 25 Referências bibliográficas do texto. 1................ 42 Atividade 4: Construção de um cubo e de suas diagonais .......................2................................. 3.....1....... 1.................................3..............................2..................2..............................................3......... 38 Lista de materiais ................................. 49 Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof..... 18 O professor e o uso do MD ................................ 3........3....... 39 Atividade 1: Construção de um tetraedro regular ................................. 1............ 3..... 26 2........... 16 MD manipulável ..................................................... 1.......................1............ Introdução .....6...................... 4.. 36 3...... 37 Construindo um Dodecaedro com Canudos ............ 7 Ementa do módulo ....4.................................................................................................................................. 19 Potencialidades do MD ........................................................ B....................................................................... 42 APROXIMAÇÃO TEÓRICA À REALIDADE DO JOGO .. 16 MD e o processo de ensino-aprendizagem .... 1.................................3.................................................4.......................... 8 O Laboratório de Ensino de Matemática (LEM) ......... DESENVOLVIMENTO E USO DE MATERIAIS DIDÁTICOS NO ENSINO DE MATEMÁTICA ..................... 1.........................3......... Helder Filho .........................................................5... 7 1. 4.........................1...............................2....................................................................1..............................................

......................................... 4..org 6 ..............7................ 65 Como ministrar conteúdos com o jogo do telefone? .... 51 Origem do jogo ................................ 6...... 64 Introdução ....8......................... 64 Como ministrar conteúdos com o autódromo? ................................................... 5.................... 4......................1.................. 6....................... Helder Filho ........... 61 COMO MINISTRAR CONTEÚDOS COM UM JOGO DE PALAVRAS .........2.. 60 5....5..... Introdução ......... 60 Motivação ....................................................................... 58 5..............................................4............ 6................ 6.................................................................................4..................................2............................................................. 6.......... 6................... 4............. 68 Como ministrar conteúdos com o arquipélago? ...................... 57 Conclusões .....helder@accessueducacao......................................... 55 Características do jogo ........ Sobre a definição do jogo ..................7.... 5..........................................................................................3.........................3................ 60 O Jogo Didático .........1........................................ 71 Como transformar pontos ganhos pelas equipes em notas? ...... JOGOS DIDÁTICOS: SEU USO E IMPORTÂNCIA NA APRENDIZAGEM .................................................... 6........... 70 Como ministrar conteúdos com o torneio? ......................6.... 67 Como ministrar conteúdos com o cochicho? .............. 6....... 6............. 69 Como ministrar conteúdos com o hiper-arquipélago? ..................5........................................6.................................4........ 72 Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof...........................

materiais didáticos alternativos. 2. como forma de incitar questionamentos e ampliar as possibilidades de reflexão e ação dos professores sobre as próprias vivências de sala de aula. etc. C. 5. Carga horária 12 horas-aula Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. 3. materiais didáticos convencionais. Helder Filho .helder@accessueducacao. no contexto social e tecnológico. Despertar o interesse pela matemática experimental como método de ensino. Análise de temas do ensino da matemática. 6. Possibilitar aos alunos docentes contato com novas abordagens do conteúdo matemático e ampliar o repertório de estratégias do professor. A influência da concepção desse papel na prática pedagógica. O papel do professor de Matemática na formação do pensamento científico.org 7 .A. Aplicar materiais didáticos manipuláveis e alternativos através da utilização de experimentos em aulas teóricas e práticas. 4. Ementa do módulo 1. Objetivo do módulo O módulo se insere em uma perspectiva teórica que propõe discutir a metodologia do ensino da matemática. como: dificuldades básicas. B. diante das novas necessidades de mudanças no paradigma de ensinar e aprender. Também.

Emma Castelnuovo.e Manoel Jairo Bezerra4. Dewey confirmava o pensamento de Comenius. e Poincaré recomendava o uso de imagens vivas para clarear verdades matemáticas. Luigi Campedelli e Zoltan P. e Bruner. dizia da necessidade da experiência sensível para alcançar o conhecimento. ressaltaram a importância do apoio visual ou do visual-tátil como facilitador para a aprendizagem. 4 Manoel Jairo Bezerra (1962). Assim. Rio de Janeiro. Mais recentemente. Essa lista de nomes de expoentes da educação que reconheceram a eficácia do material didático na aprendizagem poderia ser muito maior. Diretoria do Ensino Secundário/ Campanha de Aperfeiçoamento e Difusão do Ensino Secundário/ MEC. concordaram que as experiências no mundo real constituem o caminho para a criança construir seu raciocínio. doutor em educação pela UNICAMP (Campinas) e pós-doutor em educação matemática pela Université Laval (Canadá).helder@accessueducacao. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. reconheceu que a ação do indivíduo sobre o objeto é básica para a aprendizagem. enquanto Piaget deixou claro que o conhecimento se dá pela ação refletida sobre o objeto. Cerca de cem anos depois.1. Locke. entre muitos outros. Enfim. p. por justiça. O material didático no ensino da matemática. 1. No Brasil. justificando que o conhecimento começa pelos sentidos e que só se aprende fazendo. Docente da Faculdade de Educação da UNICAMP. Em termos de sala de aula. por exemplo. também reconheceram que o ensino deveria começar pelo concreto. durante a ação pedagógica. Rio de Janeiro. especialmente do tátil. Tamas Varga. Sérgio Lorenzato (org. se lembrarmos das contribuições de Willy Servais. entre outros.org 8 1 . Jean-Louis Nicolet. em 1680. Caleb Gattegno.) – Campinas. muito contribuíram para a divulgação do uso de material didático como apoio às aulas In O Laboratório de Ensino de Matemática na Formação de Professores. Vygotsky. na Rússia. mesmo se restrita ao ensino da matemática. Georges Cuisenaire. ressaltando a importância da experiência direta como fator básico para construção do conhecimento. por volta de 1800. Pestalozzi e Froebel. mestre em educação pela UnB (Brasília). Herbart defendeu que a aprendizagem começa pelo campo sensorial. 3. Técnicas e procedimentos didáticos no ensino da matemática.1. na mesma época. Aurora. visando à aprendizagem. LABORATÓRIO DE ENSINO DE MATEMÁTICA E MATERIAIS DIDÁTICOS MANIPULÁVEIS1 Introdução Sérgio Lorenzato 2 Muitos foram os educadores famosos que. cada educador. 2 É licenciado em matemática pela UNESP (Rio Claro). que valorizavam a ativida-de como fator básico para a aprendizagem. Júlio César de Mello e Souza3 . Comenius escreveu que o ensino deveria dar-se do concreto ao abstrato. Pedro Puig Adam. Helder Filho . Pelos idos de 1900. Nessa lista de pensadores e educadores podem constar. esse reconhecimento evidencia o fundamental papel que o material didático pode desempenhar na aprendizagem. nos Estados Unidos. (Coleção Formação de Professores). SP: Autores Associados. Montessori legou-nos inúmeros exemplos de materiais didáticos e atividades de ensino que valorizam a aprendizagem através dos sentidos. Dienes. por volta de 1650. nomes como o de Claparède (defensor da inclusão de brincadeiras e jogos na escola) e o de Freinet (que recomendava o uso de cantinhos temáticos na sala de aula). a seu modo.isto é. 3 J ú l i o César de Mello e Souza (1957). 2006. Malba Tahan . Rousseau recomendou a experiência direta sobre os objetos. nos últimos séculos.

inclusive de produção de materiais instru-cionais que possam facilitar o aprimoramento da prática pedagógica. É assim para o dentista. e um deles deve ser o Laboratório de Ensino de Matemática (LEM).. ele é um local da escola reservado preferencialmente não só para aulas regulares de matemática. Inicialmente ele poderia ser um local para guardar materiais essenciais. alguém poderia lembrar-se de que foi. e ainda é possível. compreendo”. Ele evidenciou isso quando escreveu a Eratóstenes. que diz: “se ouço. exige que muitos profissionais tenham seus locais apropriados para desempenharem o trabalho.] as quais eu pude demonstrar. inclusive matérias-primas e instrumentos para confeccionar materiais didáticos. até mesmo. tendências e inovações. discutirem seus projetos. Arquimedes revelou o modo pelo qual fazia descobertas matemáticas e confirmou a importância das imagens e dos objetos no processo de construção de novos saberes. mediante a mecânica.C. materiais manipuláveis. O Laboratório de Ensino de Matemática (LEM) Nossa sociedade pressupõe e. Seria injusto faltar o registro a um excepcional matemático que percebeu a influência do ver e do fazer na aprendizagem: Arquimedes. entre muitos outros. depois.1. filmes. Helder Filho . ator. entre outras. Porém. entre outros. veterinário. mais ou menos no ano 250 a. tornando-os acessíveis para as aulas. Ampliando essa concepção de LEM. Em muitas profissões. Desse modo. porteiro.2. transparências. se vejo. é um depósito/arquivo de instrumentos. a prática difere pouco do planejamento. não é o caso do magistério. especialmente daqueles que estão em sala de aula. Facilitando a realização de experimentos e a prática do ensino-aprendizagem da Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. não faltam argumentos favoráveis para que as escolas possuam objetos e imagens a serem utilizados nas aulas. para os professores de matemática planejarem suas atividades. médico-cirurgião. ensinar assuntos abstratos para alunos sentados em carteiras enfileiradas e com o professor dispondo apenas do quadro-negro. Justamente por isso. dizendo: “é meu dever comunicar-te particularidades de certo método que poderás utilizar para descobrir. muitos de nós aprendemos (e ensinamos?) a fazer contas desse modo. avaliações. Enfim. o que é confirmado plenamente pela experiência de todos.de matemática. decorre uma inescapável necessidade de as escolas possuírem laboratórios de ensino dotados de materiais didáticos de diferentes tipos. Nessa mesma linha de pensamento está um antigo provérbio chinês.2.. 1. lembro. E por que local apropriado para trabalhar? Porque o bom desempenho de iodo profissional depende também dos ambientes e dos instrumentos disponíveis. mas também para tirar dúvidas de alunos. devido à criatividade dos alunos. para aqueles que possuem uma visão atualizada de educação matemática. esqueço.org 9 . que torna o LEM simplesmente indispensável à escola. 1967). 1. cozinheiro. mais do que nunca. Algumas concepções de LEM Mas o que é um LEM? Existem diferentes concepções de LEM. o ensino da matemática se apresenta com necessidades especiais e o LEM pode e deve prover a escola para atender essas necessidades. o laboratório de ensino é uma grata alternativa metodológica porque. neste caso.helder@accessueducacao. um local para criação e desenvolvimento de atividades experimentais. exposições. Afinal. determinadas verdades matemáticas [. pela Geometria” (apud NICOLET. olimpíadas. Assim como nossas casas se compõem de partes essenciais. como facilitadores da aprendizagem. cada uma com uma função específica. sejam elas aulas. No entanto. se faço. tais como: livros. nossas escolas também devem ter seus componentes. cabeleireiro.

seja este numa sala. mais ainda. todas as salas de aula e todas as suas aulas devem ser um laboratório onde se dão as aprendizagens da matemática. diante dos poliedros de Platão. o LEM. possuir uma boa formação matemática e pedagógica. nessa concepção. Conhecimento porque. é preciso acreditar naquilo que se deseja fazer. administradores e de alunos. devido aos questionamentos dos alunos durante as aulas. pode tornar o trabalho altamente gratificante para o professor e a aprendizagem compreensiva e agradável para o aluno. Helder Filho . o LEM deve ser o centro da vida matemática da escola. isto é. planejar. temos dois modos diferentes de utilizar um mesmo LEM. é preciso conhecer matemática mas também metodologia de ensino e psicologia. poderia ser afixada no LEM para que o professor e os alunos se ponham à procura das respostas ao longo dos dias seguintes para. experimentar. de uma conquista de professores.. em aprendizes também. biblioteca ou museu de matemática. e provavelmente dois professores com concepções bem diferentes de educação e de LEM. enfim.2. dando o nome e a definição de cada um. Essa participação de diferentes segmentos da escola pode garantir ao LEM uma diferenciada constituição. Enfim.helder@accessueducacao. planejar e fazer acontecer o pensar matemático.org 10 . crença e engenhosidade. como tudo na vida. num canto ou num armário. e engenhosidade porque. também. aprender e principalmente aprender a aprender. é exigida do professor uma boa dose de criatividade.matemática. Para muitos professores. transformar ou construir. tais como: Por que assim são denominados? Quem foi Platão? Quais foram suas contribuições para a matemática? Por que os poliedros de Platão são somente cinco. e mesmo a encontrar respostas. de preferência. o professor pode simplesmente mostrar aos alunos os cinco poliedros. O LEM. montar e implementar o seu LEM. se o professor possuir conhecimento. procurar. é mais importante para a formação do indivíduo do que as respostas às indagações. Note. organizar. Note que aprender a procurar. conjecturar. tendo em vista que ninguém ensina o que não sabe. crença porque. questionar.. Assim. então. A construção do LEM É difícil para o professor construir sozinho o LEM e. mesmo dispondo de um LEM. é um espaço para facilitar. darem retorno de suas descobertas. Essa é uma utopia que enfraquece a concepção possível e realizável do LEM. analisar e concluir. é uma sala-ambiente para estruturar. mantê-lo. mesmo em condições desfavoráveis. não só para conceber. sala de aula. Nesse caso. quais são suas características? Quais são os outros tipos de poliedros? Onde os poliedros estão presentes? Uma lista de indagações. tal como essa. tanto ao aluno como ao professor. como também para orientar seus alunos e transformá-los em estudantes e. 1. por meio das possíveis e Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. por exemplo.2. que. o LEM é o lugar da escola onde os professores estão empenhados em tornar a matemática mais compreensível aos alunos. Convém que o LEM seja consequência de uma aspiração grupai. o professor pode precisar de diferentes materiais com fácil acesso. mais que um depósito de materiais. muito frequentemente. Assim. porque ela pode induzir professores a não tentarem construir o LEM num certo local da escola em que trabalham. O LEM pode ser um espaço especialmente dedicado à criação de situações pedagógicas desafiadoras e para auxiliar no equacionamento de situações previstas pelo professor em seu planejamento mas imprevistas na prática. convém que surjam questionamentos pelos alunos ou pelo professor. enfim.

E o que dizer do LEM para os cursos de formação de professores? Que ele é. Mas. a coleta será quantitativamente maior do que esperavam. os alunos. exemplos de interseção dessas áreas com a matemática. que reconheçam a necessidade de a escola possuir seu LEM.helder@accessueducacao. à percepção da necessidade do emprego de termos ou símbolos. os professores desses cursos realcem a necessidade da autoconstrução do saber. a importância dos métodos ativos de aprendizagem. podem ser acrescidos artigos de jornais ou revistas. principalmente se contarem com o apoio bibliográfico ou computacional. é preciso que a escola possua professores que acreditem no LEM. o apelo ao tátil e visual ainda deve manter-se forte. Helder Filho . que se empenhem na construção dele e que considerem as possibilidades da escola. mas agora também devem compor o LEM aqueles materiais que desafiam o raciocínio lógico-dedutivo (paradoxos. português. à descoberta de propriedades. para que tudo aconteça. comparação. o significado dos sentidos para a aprendizagem.org 11 . seriação. posições. é também fundamental considerar a quem ele se destina. entre outros. Se o LEM se destina às quatro primeiras séries do ensino fundamental. A contribuição dos alunos para a construção da LEM é muito Importante para o processo educacional deles. se o LEM se destina para crianças de educação infantil. se-qiienciação. problemas de aplicação da matemática. mais que necessário para as instituições de ensino que oferecem tais cursos. o respeito às diferenças individuais. aos objetivos matemáticos. desafios ao raciocínio topológico ou combinatório. inclusão e conservação -. dos professores das áreas mencionadas.indispensáveis contribuições dos professores de história. para a construção do conceito de medida. questões de vestibulares. o LEM irá constituindo-se de acordo com as condições locais e até mesmo tornará possível uma exposição escolar dos trabalhos produzidos pelos alunos. classificação. educação artística. em seguida. os seus alunos não disponham de instrumentos para a realização da prática pedagógica. os quais são essenciais para a formação do conceito de número. Se lembrarmos que mais importante do que ter acesso aos materiais é saber utilizá-los corretamente. podem solicitar. então não há argumento que justifique a ausência do LEM nas instituições responsáveis pela Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. tamanhos. estatístico. E também várias questões ou situaçõesproblema referentes a temas já abordados no ensino fundamental. por exemplo) e a noção de distância. Certamente. Orientados pelo professor responsável pelo LEM. simplesmente. mas os materiais devem visar mais diretamente à ampliação de conceitos. É inconcebível que. distribuídos em grupos. algébrico. em suas aulas. Assim. trigonométrico. ilusões de ótica) nos campos aritmético. o LEM deve possuir aqueles que poderão favorecer a percepção espacial (formas. mas que agora demandam uma análise e interpretação mais aprofundadas por parte dos alunos. geométrico. na prática de ensino e no estágio supervisionado. será necessário preparar o material para apresentação do que foi coletado. pois é fazendo que se aprende. entre outros. educação física. os materiais devem estar fortemente centrados para apoiar o desenvolvimento delas no que se refere aos processos mentais básicos . geografia. além desses materiais. enfim. Essa característica deve continuar presente no LEM para as séries seguintes do ensino fundamental.correspondência. mas. ciências. Ao LEM do ensino médio. A respeito da construção do LEM. à compreensão de algoritmos.

org 12 . • Instrumentos de medida. softwares. e alguns o empregam mal. De modo geral. exige materiais que a escola não dá ao professor e raríssimas escolas possuem um LEM. A construção de um LEM não é objetivo para ser atingido a curto prazo. Apesar de o LEM ser uma excelente alternativa metodológica.2. • Artigos de jornais e revistas. • Computadores.formação de professores. por sua vez. sofismas e paradoxos. • Livros sobre temas matemáticos. instrumentos ou equipamentos pode ser a base para a constituição de muitos LEM. a lista seguinte de sugestões de materiais didáticos.3. • Livros paradidáticos. • Figuras. • Jogos. dessa Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. é facilmente constatável que muitos professores não conhecem o LEM. • Quadros murais ou pôsteres. • Quebra-cabeças. Helder Filho . o LEM pode constituir-se de coleções de: • Livros didáticos. • Ilusões de ótica. Assim. pois é nelas que os professores devem aprender a utilizar os materiais de ensino. 1. • Materiais didáticos industrializados. Objeções ao uso do LEM Na prática escolar. O LEM é caro. • Materiais didáticos produzidos pelos alunos e professores. conhecem a aplicabilidade dos materiais produzidos. fitas. alunos e professor. é inconcebível um bom curso de formação de professores de matemática sem LEM. falácias. • Calculadoras. exige que o professor se mantenha atualizado. filmes. presente no estudo didatico-metodológico de cada assunto do programa de metodologia ou didática do ensino da matemática. sempre que necessário. • Registros de episódios da história da matemática. ele possui limitações didáticas. o material deve estar. ele demanda constante complementação.helder@accessueducacao. Vejamos algumas questões referentes a esses assuntos: 1. Existem diversos tipos de LEM. pois conteúdo e seu ensino devem ser planejados e ensinados de modo simultâneo e integrado. • Problemas interessantes. Apesar dessa diversificação. • Sólidos. uma vez construído. outros o rejeitam sem ter experimentado. a qual. cada um adaptado ao contexto em que estiver inserido. Afinal. utilizando sucatas locais. Lecionar numa escola que não possui LEM é uma ótima oportunidade para construí-lo com a participação dos alunos. • Modelos estáticos ou dinâmicos. • Materiais e instrumentos necessários à produção de materiais didáticos. e algumas crendices o perseguem. o custo é diminuto e todos. sofre prejulgamentos. • Transparências. • Questões de vestibulares. em razão dos seus diferentes objetivos e concepções.

inevitavelmente. 2. Helder Filho . Essa frase insinua uma limitação do LEM. a quantidade e a qualidade geralmente se desenvolvem inversamente. nenhum método produz aprendizagem significativa. pois a manipulação é realizada pelo professor. em turmas de até trinta alunos. se eles forem atendidos.org 13 . Daí a importância dos saberes do professor. Em educação. Aqui cabe uma analogia: dize-me como usas o LEM e eu saberei que tipo de professor és. cabendo aos alunos apenas a observação. 4. Sim. O LEM exige do professor uma boa formação. Realmente o LEM não é uma panaceia para o ensino. evita-se um fato comum nas escolas que recebem os materiais: muitos não são utilizados por desconhecimento de suas aplicações.forma. passam a fazer perguntas difíceis ou fora do planejamento da aula. realmente. Em contrapartida. utilizando-se de materiais idênticos. causadas pelo LEM. Em ambos os casos. 7. se a dificuldade for referente ao fato de que os alunos. O LEM possibilita o “uso pelo uso” dele como também o seu mau uso. Antes de considerar o tempo dispendido para que os alunos aprendam. podemos dizer que o LEM exige do professor uma conduta diferente da exigida pela aula tradicional. nesse sentido. dos computadores. mais importante do que receber pronto ou comprar o LEM é o processo de construção dele. faz o professor ganhar tempo. 3. muitas vezes. O LEM não pode ser usado em classes numerosas. e o material individual manipulável é. o ensino demandará mais tempo que o previsto. infelizmente o “fazer” é substituído pelo “ver”. qual é o método de ensino que não exige do professor uma boa formação matemática e didático-pedagógica? Na verdade. É mais difícil lecionar utilizando o LEM. por facilitar a aprendizagem. é possível distribuí-los em subgrupos. O LEM exige do professor mais tempo para ensinar. e com o professor dando atendimento a cada subgrupo. O LEM possibilita o “uso pelo uso”. é preciso considerar a qualidade da aprendizagem. 6. Se a dificuldade aqui se refere ao aumento de movimentação e de motivação dos alunos e de troca de informações entre eles. indispensáveis para a utilização tia quadra e dos equipamentos de esportes. como todo instrumento ou meio. Por isso. questionando: com o LEM o rendimento dos alunos melhora? Os alunos preferem aulas com ou sem o LEM? Por quê? Apesar de as respostas a essas questões de penderem do perfil profissional do professor.helder@accessueducacao. não é um caminho para todos os momentos da prática pedagógica. é provável que o uso do LEM desperte nos alunos indagações não previstas pelo professor e. 5. O LEM não pode ser aplicado a todos os assuntos do programa. Afinal. então. Além disso. Para turmas maiores. todos estudando um mesmo tema. mas sim de situações em que os alunos efetivamente trabalham mais do que quando apenas assistem à explanação do Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. não se trata de limitação própria ao LEM. influenciados pelo LEM. É nossa obrigação estar bem preparados para propiciar a aprendizagem da matemática àqueles que nos são confiados. mas seguramente pode disponibilizar uma diversificação de meios e uma excelente prontidão ao uso deles como nenhuma outra alternativa oferece. da biblioteca. o uso do LEM. usar o LEM pode ser mais difícil para parte dos professores. dos interesses dos alunos e dos objetivos da escola. entre outros. com professor despreparado. substituído pelo material de observação coleti-va. Tudo dependerá do professor.

cuja área é 64cm2. Em outras palavras.3. a aquisição do conhecimento apóia-se fortemente no verbal (audição). Agora. Divida-o em dois trapézios e dois triângulos. “vale porque tem a mesma medida”. Quando os jovens adquirem o poder de dedução lógica. resulta 2 = 3. falácias e paradoxos matemáticos com o objetivo de eles perceberem que conclusões baseadas apenas na intuição ou naquilo que se vê podem contrapor-se ao que o raciocínio lógico-dedutivo aponta como verdadeiro. 8. com as mesmas quatro partes obtidas do quadrado. temos que o comprimento da semicircunferência da figura é 7ir e. falácias e paradoxos? No LEM. no gráfico (visão) e na manipulação (tato).1) = 3 (1 .1) e cancelando o fator (1 . a curva limite se constituirá de círculos infinitamente pequeEnsino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. O LEM pode induzir o aluno a aceitar como verdadeiras as propriedades matemáticas que lhes foram propiciadas pelo material manipulável ou gráfico. Monte um quadrado de 8cm por 8cm.professor. confundem constatação de natureza perceptual com demonstração. conforme mostra a figura 1.helder@accessueducacao. se o raio vale 1. conforme mostra a figura 2. separar aquilo que parece ser verdadeiro daquilo que essencialmente é verdadeiro. Qual seria a causa desse desfecho absurdo? b) Veja as figuras 1 e 2. então o comprimento pedido mede 7r. é altamente desejável que essa afirmação seja verdadeira. A medida da semicircunferência de raio igual a 1 é n ou 2? Sabendo que o comprimento da circunferência é dado por C = 2nr. Helder Filho .2 = 3 . então 2 (1 . de agora em diante. pois praticam o “é verdade porque vi”.1) comum aos dois termos. o LEM pode ocasionar nos alunos uma mudança de comportamento.org 14 . você acabou de descobrir que 64 = 65. cuja área é 65cm2. até o aparecimento do raciocínio lógico-dedutivo por volta dos 13 ou 14 anos de idade. em cuja construção cada curva gera duas outras menores e o diâmetro de cada curva maior é igual ao dobro do da menor. monte um retângulo. Raciocínio dedutivo será fundamental para todos os estudos posteriores: ele vai logicamente permitir-nos. “se vale para dois ou ires casos então valerá para todos”. Assim. pois. é importante mostrar-lhes sofismas. e não sentem a necessidade de provas lógico-dedutivas porque tomam a percepção visual como prova. observemos as figuras 4 e 5. Seguem-se alguns exemplos: a) Se 2 . c) Veja a figura 3. Continuando indefinidamente este processo (figura 6). Simples. Confiando plenamente naquilo que vêem. não é? No entanto. Dependendo do nível de desenvolvimento dos alunos. Mas onde encontrar uma coleção de sofismas.

o arco mede n ou 2? d) Observe a figura 7. porque vale o dobro do raio que mede 1.nos. cuja medida é 2. por um lado. percorrendo uma distância igual ao comprimento da roda maior. não menos desastroso será conduzir os alunos à total descrença em tudo que a observação e a intuição nos revelam Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. quando então ela se confundirá com o segmeto AE. assim. sem deslizarem. Afinal. Nessas condições. de tamanhos diferentes e firmemente unidas entre si. em que estão representadas duas rodas A e B. Helder Filho . Mas como explicar que as medidas das circunferências são iguais se as rodas são de diferentes tamanhos? e) Veja a figura 9.helder@accessueducacao.org 15 . elas rolam ao mesmo tempo sobre dois trilhos C e D colocados em níveis diferentes. a mesma distância que vai do ponto 1 ao 2. quando a roda maior completar uma volta a menor também completará uma volta porque uma está fixa na outra. As retas r e 5 são paralelas? Elas se parecem paralelas? Se. é importante o professor propor situações que realcem o perigo de se acreditar em conclusões baseadas apenas no que foi percebido pelos sentidos. As rodas partem da posição 1 e rolam até a posição 2. por outro lado. conforme mostra a figura 8. percorrendo.

facilitam ao aluno a realização de redescobertas. assim. conforme o objetivo a que se prestam. para facilitar a redescoberta pelos alunos? São as respostas a essas perguntas que facilitarão a escolha do MD mais conveniente à aula. de alternativa metodológica à disposição do professor e do aluno. é o caso dos sólidos geométricos construídos em madeira ou cartolina. É o caso da estrela (ver figura 10) construída com 18 palitos ou cotonetes iguais e unidos por borrachas (pedaços de garrote simples nos pontos ímpares e transpassados nos pontos pares). Alguns não possibilitam modificações em suas formas. uma calculadora. nem de uma aprendizagem significativa e não substitui o professor. aqui vamos referir-nos apenas ao MD manipulável concreto. um filme. entre outros.helder@accessueducacao. todos os MD constituem apenas um dos inúmeros fatores que interferem no rendimento escolar do aluno. Portanto. Existem. e. para motivar os alunos. rotação. 1. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. Estas são um bom começo para investigar e para aprender.3.3. o MD nunca ultrapassa a categoria de meio auxiliar de ensino. o MD não é garantia de um bom ensino. permitem só a observação. a percepção de propriedades e a construção de uma efetiva aprendizagem. uma transparência.ou sugerem. que. Os MD podem desempenhar várias funções. triângulo.org 16 . Helder Filho . MD manipulável Existem vários tipos de MD. do material montessoriano (cuisenaire ou dourado). o professor deve perguntar-se para que ele deseja utilizar o MD: para apresentar um assunto. como tal. Devido à impossibilidade de abordar a utilização didática dos distintos tipos de MD que podem compor um LEM. um quebra-cabeça. ela pode ser dobrada de várias maneiras e. permitindo transformações por continuidade. um jogo. Material didático (MD) Material didático (MD) é qualquer instrumento útil ao processo de ensinoaprendizagem. que. reflexão. Outros já permitem uma maior participação do aluno: é o caso do ábaco.1. para auxiliar a memorização de resultados. e. MD pode ser um giz. uma embalagem. 1. Por melhor que seja. ainda. por serem estáticos. aqueles dinâmicos. um livro. por exemplo. Apesar dessa enorme gama de possibilidades. por isso. dos jogos de tabuleiro. pode facilitar o estudo de simetria.

Neste tipo de saber. tetraedro. 5. o líquido (ou areia) interno se transferirá dos dois Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. Agua ou areia. Largura e espessura são necessárias à representação. E o MD pode ser um excelente catalisador para o aluno construir seu saber matemático. faz-se necessária também a atividade mental. hexaedro.helder@accessueducacao. de modo que elas possam reter algum material moldável. entre outros assuntos. coladas uma sobre a outra. Este material estático pode transformar-se em dinâmico. será possível estimular os alunos para operações além das simplesmente manipulativas: • Que figura plana pode ser construída colocando-se o 4 junto ao 10? • Quantas diferentes figuras planas podem ser construídas? • Qual delas tem o maior perímetro? E a maior área? • Qual é a relação entre a área da figura estrelada inicial e da figura hexagonal em a? • É possível formar um tetraedro (espacial)? • Qual é a área total do hexaedro? • Qual é a diferença entre a representação de uma figura e a sua imagem mental? Convém termos sempre em mente que a realização em si de atividades manipulativas ou visuais não garante a aprendizagem. Helder Filho . Fazendo um furo de A a B e de C a D. interessante. desafiador e inspirador. os lados não possuem largura nem espessura. como mostra a figura seguinte. por parte do aluno. como óleo. seja por material concreto. 7 e 11 no centro da estrela (figura 14) Utilizando-se de questões tais como as seguintes. Um outro exemplo de MD é aquele que se refere ao Teorema de Pitágoras: ele compõe-se de um triângulo retângulo com quadrados construídos sobre os respectivos lados do triângulo. se for construído em acrílico: são duas placas idênticas (no formato do estático). isomeria ótica. Para que esta efetivamente aconteça.org 17 .hexágono. só comprimento. quando o MD for mudado da posição 1 (figura 15) para a posição 2 (figura 16). seja por imagem. Seguem algumas das formas possíveis: a) Ponha os vértices ímpares no centro da estrela (figura 11) b) Coloque 1 e 7 no centro da estrela (figura 12) c) Superponha 1 ao 7 (figura 13) d) Coloque 1.

o real tem sido confundido com o concreto. mas. forma e peso. é o “isolamento de alguma propriedade sensorialmente acessível do objeto”.3. precisa partir do chão. que é um ponto distante e oposto ao rigor matemático. 332). bicicleta ou escada rolante sem ter visto. sem precisarem dos apoios iniciais que tiveram dos atributos tamanho.quadrados menores para o quadrado maior. movimento. com seus vocábulos. tocado ou utilizado esses objetos. para qualquer ser humano caracterizar espelho. Para as pessoas que já conceituaram esses objetos.2. pan se chegar no abstrato. 1982. Esse processo começa com o apoio dos nossos sentidos e. O avião retrata bem essa característica aparentemente contraditória do processo educacional: ele é feito para voar. porque é empírico e baseado no concreto. Não seria a ausência do MD a causa de possíveis retardamentos? Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. manipulável. telefone. às vezes. ainda sobre o concreto. Essa trajetória é semelhante à que se deve fazer para conseguir o rigor matemático: para consegui-lo. inclui também as imagens gráficas. Qual será o tipo de MD que os alunos irão preferir: o estático ou o dinâmico? 1. Vejamos por quê. 54). a abstração ocorre pela separação mental das propriedades inerentes a objetos (DAVIDOV. O abstrato. cor.helder@accessueducacao. sugerindo a existência de uma equivalência entre os quadrados. segundo Kopnin (1978. assim. para voar. ou provavelmente impossível. símbolos e raciocínios. mais ampla. MD e o processo de ensino-aprendizagem A utilização do MD está sempre intimamente relacionada com um processo de ensino que possui uma característica aparentemente paradoxal. é preciso começar pelo conhecimento dos alunos. Faz-se necessário partir do concreto.org 18 . Tal característica poderia ser considerada de somenos importância se não conduzisse alguns profissionais à falsa conclusão de que o uso do MD retarda o desenvolvimento intelectual do aluno. p. ele é aparentemente paradoxal porque. p. é preciso partir do concreto. É muito difícil. expressões. flui em suas mentes a ideia correspondente ao objeto. Os conceitos evoluem com o processo de abstração. Helder Filho . O concreto pode ter duas interpretações: uma delas refere-se ao palpável. e outra. quando ouvem o nome do objeto.

que a “soma dos três ângulos dá 180 graus”. Helder Filho . Note que essa atitude do professor. • Dá sempre 180 graus. Os resultados revelam que o grupo que foi ensinado com MD reagiu de for-ma muito mais positiva. se não. em qualquer tipo de triângulo. conforme resultado de pré-teste. precisa perguntar-se: será conveniente. é um mero reforço à memorização do enunciado matemático que pode ser encontrado nos livros didáticos. o quadro-negro. o automóvel.Uma das pesquisas5 que comprovaram a eficiência do ensino com MD foi realizada em Brasília. 1.3. “Qual é o material?” e “Quando utilizá-lo?”. não. dá meio círculo. • O perímetro do triângulo é maior do que o de cada retângulo. um mesmo professor lecionou para duas turmas. embora não suficiente. • O ponto onde se juntam os três ângulos é o pé da altura do triângulo. No entanto. é preciso perguntar-se: “Como este material deverá ser utilizado?”. ao planejar sua aula. em cada escola. para que possa ocorrer uma aprendizagem significativa. numa utilizando MD. por exemplo. Tão importante quanto a escola possuir um LEM é o professor saber utilizar corretamente os MDs. O professor e o uso do MD A atuação do professor é determinante para o sucesso ou fracasso escolar. o professor pode mostrar aos alunos. Em seguida. Esta última questão é fundamental. grande ou pequeno. • Mas tem que dobrar os lados ao meio. o revólver. ou até mesmo necessário. tais como o pincel. feita em cartolina ou em madeira: com ele. • O ponto onde se juntam os três ângulos varia de triângulo para triângulo.3. a representação de um triângulo qualquer. exigem conhecimentos específicos de quem os utiliza. escaleno ou retângulo. o bisturi. o professor de matemática. a bola. isósceles. Assim. Campinas.helder@accessueducacao. • O ponto onde se juntam os três ângulos depende das medidas dos ângulos. e 70% delas consideravam a matemática uma disciplina difícil para aprender. o batom. as consequências do uso do material podem ser mais abrangentes e positivas. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. pois estes. tanto diante de questões fáceis como de médias e de difíceis. • Todo triângulo pode ser transformado em dois retângulos. se cada aluno desenhar um triângulo qualquer (equilátero. Tese (Doutorado) . que se resume em apenas apresentar um resultado aos alunos.FE-UNICAMP. • A área do triângulo é o dobro da área de cada retângulo. com cerca de 180 crianças cursando a 5” série. Subsídios metodológicos para o ensino da matemática:cáculo de áreas das figuras planas. facilitar a aprendizagem com algum material didático? Com qual? Em outras palavras. descobertas ou conclusões. Essas crianças pertenciam a distintas escolas e a diferentes níveis socioeconômicos. Para que os alunos aprendam significativamente. como outros instrumentos.org 19 . Tomemos. justapondo os três “vértices”. o sino. com idades variando entre 11 e 12 anos e com semelhantes condições de conhecimento matemático. a enxada. 5 Sérgio Lorenzato (1976). do que o grupo que foi ensinado sem MD. não basta que o professor disponha de um LEM. e em diferentes posições). recortar e dobrar sua figura e mostrar aos colegas suas observações. o professor está respondendo as questões: “Por que material didático?”. na outra. não junta os três ângulos. Algumas destas podem ser: • Quando juntados os três ângulos.

utilizando-se apenas do quadro-negro. por isso. Um pro-fessor que concebe a matemática como um conjunto de proposições dedutíveis. feito em papelão. com ou sem o auxílio do professor. mostrar ou provar aos alunos que a soma dos três ângulos dá ISO graus e. a melhoria da auto-imagem. Para muitos de nós. onde os pontos A a B são fixos e Pé móvel. Com referência à manipulação propriamente dita do MD pelos alunos. a procura e a descoberta de novos conhecimentos. roncursos. em seguida. o MD pode gerar alguma estranheza ou dificuldade e propiciar noções superficiais. convém lembrar que. conhecem o superficial do MD. a certeza de que vale a pena procurar soluções e fazer constatações. aluno. ideias incompletas e percepções vagas ou erróneas. se AB for paralelo a CD? O que se pode dizer das áreas desses diferentes triângulos? E de seus perímetros? Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. é obter a alegria da descoberta. por isso. dar alguns exercícios para auxiliar a memorização dessa propriedade. os três pontos A. mas todos têm a mesma medida de base. O modo de utilizar cada MD depende fortemente da concepção do professor a respeito da matemática e da arte de ensinar. o P deve deslocar-se pelo corte no papelão.A diferença entre as duas maneiras distintas de utilização de MD aqui apresentadas ressalta que a eficiência do MD depende mais do professor do que do próprio MD. Para o aluno. longe de ser um bicho-papão. a matemática foi ensinada assim e. Helder Filho . avaliações. tipos de peças e possibilidade de dobra ou decomposição. Para ilustrar. mais importante que co-nhecer essas verdades matemáticas. através da observação. e ainda mostra a importância que a utilização correta do MD tem no desenvolvimento cognitivo e afetivo do aluno. num primeiro momento.helder@accessueducacao. tal como suas partes e cores. a percepção da sua competência. tomemos o MD representado pela figura 17. B. a satisfa-çlo do sucesso. Todas as pessoas passam por essa primeira etapa em que. e compreender que a matemática. pode navegar. seguramente poderia. E o que acontece com as medidas das alturas. P são unidos por um fio.org 20 . auxiliadas por definições. não conseguimos admirar a beleza e harmonia dela. a eles deve ser dado um tempo para que realizem uma livre exploração. nem ver nela um essencial instrumento para cotidianamente lei colocado a nosso serviço. para representar vários triângulos. quando o MD for novidade aos alunos. São esses banais conhecimentos que possibilitarão. entre C e D. Os triângulos são diferentes quanto às formas. é um campo de saber onde ele. cujos resultados são regras ou fórmulas que servem para resolver exercícios em exames.

2. “outros paralelogramos”. erros e conclusões. além disso. também. então. flexível nos pontos 1. pois é durante esta que surgem imprevistos e desafios.org 21 . como mostra a figura 18. representando um losango.Procurem transformar esta figura em outras e digam o que observaram. para um mesmo MD. é recomendável que cada aluno tente registrar em seu caderno.Diante desse MD. porque esse poder depende do estado de cada aluno e. é importante que seja realizada entre os alunos a verbalização dos pensamentos. “outros losangos”. “um triângulo”. entre os alunos. Será nesse momento que o professor poderá avaliar como e o que os alunos aprenderam. Aqui. Existem também diferenças de potencialidade entre o MD manipulável e sua representação gráfica. e a aula em que os alunos manuseiam esse MD. apesar de todas as contribuições da perspectiva. é provável que os alunos se deparem inicialmente observando e testando o possível movimento do fio e percebendo o paralelismo entre AB e CD. Helder Filho . Assim. a socialização das estratégias. frequente em nossas salas de aula. as questões anteriores se tornarão fáceis aos alunos. “um quadrado”. uma vez que ela camufla o perpendicularismo e o paralelismo laterais. Raios X Analise o seguinte diálogo. não é menos importante para a formação deles. Potencialidades do MD Todo MD tem um poder de influência variável sobre os alunos. ilustrando-o com um MD. raciocínios. processos. mas os resultados do segundo tipo de aula serão mais benéficos à formação dos alunos porque. “os ângulos opostos são iguais”. Aos alunos é dado um MD (figura 19) formado por quatro palitos de mesmo comprimento.3. conforme suas possibilidades. algumas potencialidades mais específicas dos MD. Professor . O MD é o mesmo. se souberem os conceitos de perímetro e de área. elo modo como o MD é empregado pelo professor. “quando o ângulo 1 aumenta. os quais conduzem os alunos a fazer conjecturas e a descobrir caminhos e soluções. Após a verbalização. até mesmo em cursos de aperfeiçoamento para experientes professores de ensino fundamental. ações e conclusões deles. as observações e reflexões deles serão mais profícuas. Vejamos. porque. as novas conquistas decorrentes das atividades. há uma diferença pedagógica entre a aula em que o professor apresenta oralmente o assunto. mais facilmente. 1. por eles realizadas.helder@accessueducacao. realizar suas descobertas e.“Um segmento”. concretas e abstraías. a comunicação das ideias. o ângulo 2 diminui”. por exemplo. uma vez que poderão. de posse do MD. ela não retrata as reais dimensões e posições dos lados e faces dos objetos. Talvez a melhor das potencialidades do MD seja revelada no momento de construção do MD pelos próprios alunos. memorizar os resultados obtidos durante suas atividades. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. 3 e 4. em ritmos próprios. Feito isso. isto é.4. Alunos .

então.helder@accessueducacao. os lados continuaram iguais. às vezes. No entanto. descobertas e até mesmo o levantamen-to de hipóteses e a elaboração e testagem de estratégias que. Um exemplo disso (figura 20) é o que pode acontecer quando se dá ao aluno um triângulo (dobrável pelos pontos médios dos lados). O uso do MD planejado para atingir um determinado objetivo. é preciso reconhecer que essa dificuldade vem no intuito de melhorar a qualidade do processo de rnsino-aprendizagem.3: Quando se pergunta aos alunos o que eles observaram na transformação anterior. Outra observação dos alunos que pode surpreender alguns professores é a de que a área do retângulo (figura 21) é a metade da área do triângulo inicial (figura 20). Helder Filho . possibilita ao aluno a realização de observações. para o professor. frequentemente dizem que “o triângulo se transformou em dois retângulos”. é contraditória para 6 Van Hiele propõe que o desenvolvimento do pensamento geométrico pode se dar em cinco níveis. Em outras palavras. b) Nesse exemplo. o que é uma verdade geralmente inesperada por alguns professores e que não consta nos livros didáticos. mas também é mais difícil aprender sem o MD. é muito mais fácil dar aula sem MD. losango é losango. constatações. às vezes. referindo-se à propriedade “todo triângulo pode ser decomposto em seis triângulos menores congruentes dois a dois”. Complicador Se o MD pode ser para o aluno um facilitador. esperando que ele redescubra que “a soma dos três ângulos é 180 graus” (figura 21). Tal constatação é válida.Professor . também.Não. os alunos dizem que “no triângulo sempre cabem seis triângulos”.A sequência de movimentos que transformou losango em quadrado destruiu alguma característica (propriedade) dos losangos? Alunos .Não. quadrado é quadrado. como foi sugerido em 3. ele pode ser um complicador. mas.Então. o MD possibilitou ao professor constatar conceitos que precisam ser revistos ou ampliados. o quadrado é losango? Alunos . ou. Note que: a) Esta última resposta indica que esses alunos estão no primeiro nível da proposta de Van Hiele6. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. c) O MD foi para o professor o mesmo que o aparelho de raios X é para o médico ou dentista. frequentemente. Professor . não estavam previstas no planejamento nem eram do conhecimento do professor.org 22 .

mais retardado será o processo de abstração. é preciso exaltar que intuitivamente as crianças em fase escolar inicial já conseguem detectar a verdade matemática e expressá-la em sua linguagem. de longe. recompensado em quantidade e principalmente em qualidade. alguns dizem que. ângulo. ao contrário. uma vez que ele possibilita ao aluno aprender em seu próprio ritmo e não no pretendido pelo professor. Então. o importante é verificar se o assunto é novidade para os alunos. e mais: o professor pode acelerar o ritmo das atividades dos alunos apresentando questões que os auxiliem em suas reflexões.helder@accessueducacao. Se elas não compreenderem a mensagem. e não a idade deles. é uma questão de opção: valorizar mais o ensino ou a aprendizagem. e essa é uma das críticas mais frequentes ao seu uso. ele quase sem-pre propicia a antecipação da abordagem. crianças de 1a série disseram que “as três pontas dá meia roda”. diretiva e predeterminada. Aqueles que assim pensam provavelmente ainda não fizeram a seguinte experiência: escolha pessoas adultas que não estudaram geometria espacial e diga a elas que “todo prisma triangular pode ser decomposto em três pirâmides”. de matematização do aluno. por outro se torna mais difícil para ser conduzido dentro de uma visão fechada. quanto mais o MD concreto for utilizado. dar o programa ou aprender com compreensão. Justificando essa crendice. devido à compreensão adquirida pelo aluno. Será que isso significa que é preciso Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. Modificador Pelo exemplo do prisma que foi decomposto em três pirâmides pode-se verificar que a utilização do MD favorece a alteração de ordem de abordagem do conteúdo programático. E isso é uma façanha. É importante registrar que o MD nunca favorece o adiamento do assunto. Como se explica essa contradição? Só para crianças A experiência tem mostrado que o MD facilita a aprendizagem. mas em seguida. o emprego de MD pode “atrasar o programa”. por que utilizar MD só com crianças? Na verdade. se a todas elas for dado um modelo tridimensional para manusear. é possível interferir no ritmo dos alunos. porque eles ainda não construíram os conceitos de triângulo. o que conflita com a crendice de que MD só deve ser utilizado com crianças.i aula. diante da imagem. não podemos considerar que houve ensino. mesmo assim. lembrando que. se não há aprendizagem. a maioria das pessoas não compreenderá o que está sendo dito e mostrado. Se de um lado o processo se torna rico. curso ou idade. o ritmo aumentará e o tempo gasto no início será. como a abstração é essencial para a aprendizagem da matemática. No entanto.i liem isso é o seguinte: diante do triângulo cujos ângulos se juntam para mostrar que a soma é 180 graus (assunto de 7a e 8a séries). grau.org 23 . Na verdade. qualquer que seja o assunto. Outro exemplo que ilus-n. adição. a utilização de MD pode inicialmente tornar o ensino mais lento. Portanto.quem se lembrar das fórmulas para cálculo da área de retângulo e de triângulo. círculo e medida. muitas delas imprevistas. Regulador O MD pode ser um eficiente regulador do ritmo de ensino para. pois a dupla MD e imaginação infantil quase sempre abre um leque de possibilidades. Longe de observar erro de português ou falta de rigor na linguagem matemática. Por isso. apresente o desenho da figura em questão. e certamente não a compreenderão. imediatamente indicarão ter compreendido o significado da frase. fazendo acontecer a chamada descoberta dirigida. Em outras palavras. Helder Filho .

estes falam e movimentam-se mais que de costume. finalmente na 5a série. depois para a demonstração (prova) e finalmente para ampliações do tipo: o teorema vale para outras formas ou somente para quadrados? A palavra “quadrado” no enunciado refere-se à forma ou à área de figura? Em quais condições o teorema vale para três dimensões (volume)? Quais aplicações práticas são previsíveis? Computador Uma outra crítica contra o uso de MD se baseia no argumento de que. o que para muitas pessoas pode significar bagunça. é preciso lembrar que infelizmente o computador não chegou à grande maioria das escolas brasileiras. tudo indica que comprar o equipamento e conseguir o espaço físi-CO para ele é o mais fácil: o mais difícil é conseguir software (programa) adequado e principalmente professor preparado para elaborar. Dosagem seriada A prática pedagógica tem confirmado a necessidade e a conveniência da adoção do currículo em espiral. então. para que se dê uma significativa aprendizagem. e não somente a manipulativa. o objetivo era facilitar a percepção da existência de uma equivalência entre “os quadrados”. apresentado no item 3. serem calculadas as áreas por meio de medidas. porém. em diferentes níveis de conhecimento. os mesmos assuntos são retomados e. É o caso do MD sobre o chamado Teorema de Pitágoras. desenvolver e avaliar um processo de ensinar e aprender dilcrente dos que tivemos até hoje. e isso é mais sério do que parece. não compreendendo a mensagem (visual) da tela do computador. Em segundo lugar. nele. recorrem ao MD (manipulável) e então prosseguem sem dificul-dades com o computador. Um mesmo MD pode ser utilizado para um assunto. ao longo das séries. mais tarde. explorando a equivalência de suas áreas (por transformação) para. Como já vimos no item 3. a condicional (triângulo retângulo). por parte do aluno. o processo pode começar na educação infantil através da montagem/desmontagem de figuras quaisquer. porque muitas escolas que já se equiparam com computadores não sabem bem o que fazer com eles. Helder Filho . tão recomendado por ilustres educadores. em decorrência da motivação que ele gera nos alunos. Primeiramente. na la/4a séries. Por exemplo. Ao professor cabe acreditar no MD como Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. o MD manipulável tem-se mostrado um eficiente recurso para muitos alunos que. para muitos alunos. Assim sendo. Funciona sempre? Apesar de o MD geralmente despertar o interesse de quem aprende. pois. em seguida. com o apoio de con-tagcm ou medida. ele pode não apresentar o sucesso esperado pelo professor. a cada vez. faz-se necessário que haja uma atividade mental. com a chegada do computador.helder@accessueducacao. os conhecimentos avançam para a constatação numérica (área).org 24 . os conhecimentos são ampliados e aprofundados. o MD desempenha a função de um pré-requisito para que se dê a aprendiam através do computador. se pretendermos que alunos de 5a série calculem áreas de figuras planas sem usar fórmulas (por equivalência de áreas).1: num primeiro momento. o MD se tornou obsoleto e desnecessário. devem vir jogos livres com figuras de diferentes formas e cores.abrir mão do rigor para se conseguir o rigor? Será que isso indica que a dosagem seriada deve merecer uma atenção maior do que a escola tem dado? Ou será isso uma indicação de que o MD permite antecipar a abordagem de conteúdos programáticos no currículo escolar? Outro tipo de alteração que quase sempre o uso de MD ocasiona se refere ao nível de atividade dos alunos em sala de aula.

como podem vir a admirá-la? No entanto. Obstáculos ao uso do MD De modo geral. a ansiedade ou a indiferença serão substituídos pela satisfação. Efeitos colaterais Se for verdadeiro que “ninguém ama o que não conhece”. resistem às mudanças didáticas e. ou não acreditam nas influências positivas do uso do MD na aprendizagem. 1. o afetivo. o histórico. Outra consequência provável se refere ao ambiente predominante durante as aulas de matemática. onde o temor.4. E mais: o MD necessita ser corretamente empregado. Caso contrário. “muito difícil”. o MD pode ser ineficaz ou até prejudicial à aprendizagem. trabalho apresentado no Seminário sobre Prática do Ensino. as causas da ausência do MD nas salas de aulas não são devidas a ele propriamente. Helder Filho . Em decorrência. e outras semelhantes. o como e o quando colocá-lo em cena. que raras são as escolas de ensino fundamental ou médio que possuem seu LEM. diminuindo. UNESP.5.3. em 1990. o pedagógico ou o epistemológico? • Por quais maneiras se pode dar a má aplicação do MD? • Como construir MD de boa qualidade e de baixo custo? • O uso de MD facilita ou dificulta o magistério? Justifique. UFRN. pela alegria ou pelo prazer. estaduais ou municipais geralmente não preconiza ou orienta os educadores ao uso do MD. o risco de serem criadas ou reforçadas falsas crenças referentes à matemática. 1. Para auxiliar a reflexão sobre MD e LEM • O que é um LEM? • Quais são os fatores a serem considerados no planejamento de um LEM? • Por que escolas de formação de professores devem possuir seus LEMs? • O que você pode fazer para que sua escola venha a ter um LEM? • Como o MD pode influir no processo ensino-aprendizagem? • Quando o uso do MD é recomendável? Justifique. talvez. isto é.org 25 . o mais importante efeito será o aumento da autoconfiança e a melhoria da auto-imagem do aluno. se empregá-lo corretamente. ele só produz bons resultados para quem nele acredita. muitos professores não sentem falta de MD em suas práticas pedagógicas. se a eles não foi dado conhecer a matemática. pode-se dizer que os obstáculos ao uso do MD são de ordem extrínseca a ele. aqueles que opinam contra o uso do MD sem o conhecerem ou sem o terem experimentado7. e apresentado no III Encontro Nacional de Educação Matemática.um auxiliar do processo de ensino-aprendizagem. em 1989. então fica explicado porque tantos alunos não gostam da matemática. conseguir uma aprendizagem com compreensão. com o auxílio de MD. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. assim. ou não sabem utilizar corretamente o MD. Enfim. por diferentes motivos. pois como muitas coisas na vida. é preciso conhecer o porquê. • Quais aspectos educacionais devem ser considerados ao planejar e ao empregar MD: o cognitivo. Rio Claro. Mas. A esses todos se somam aqueles que. que tenha significado para o aluno. “pronta”. 7 Sérgio Lorenzatto.helder@accessueducacao. como a de ser ela uma disciplina “só para poucos privilegiados”. pior ainda. ou não dispõem de MD. pois é fácil constatar que a própria política educacional emanada pelos governos federal. que poucas são as instituições responsáveis pela formação de professores que ensinam seus alunos a usarem MD. o professor pode. pois.

& MIORIM. M. ano 1. Tradução de Auriphebo B.5. n. n. (1993). RÊGO. MANSUTTI. Matematicativa. Rio de Janeiro.M. por possibilitar as representações visuais.L. • Comente: A aritmética e a álgebra escolares podem tornar-se mais fáceis aos alunos se ilustradas com o apoio das formas. l. A dialética como lógica e teoria do conhecimento. “Concepção e produção de materiais institucionais em educação matemática”. Tradução de Felipe Roblelo Vasquez. “Intuición matemática y dibujos animados”. Boletim SBEM. Porto Alegre. P. NICOLET. Madrid. Mathematics Laboratories in Schools. • Comente: As secretarias de educação deveriam implantar LEM em suas escolas. STRATHERN. A arte de resolver problemas. • Quais dificuldades os professores enfrentam para produzir.org 26 .• A ausência de MD torna deficiente o ensino? Justifique. Simões. 1. ano 4. “Uma reflexão sobre o uso de materiais concretos e jogos no ensino da matemática”. M.A. LOVELL. São Paulo. Tradução de Heitor Lisboa de Araújo. São Paulo. Civilização Brasileira. E. (1978). Tipos de generalización en la ensenanza. J. 2. Rio de Janeiro.G.helder@accessueducacao. Editorial Pueblo y Educación. (2000). intermedeia as sensações iniciais do mundo físico com as abstrações exigidas pelo processo de formação dos conceitos matemáticos. DAVIDOV. London. FIORENTINI. R. Tradução de Maria Helena Geordane. pp. & RÊGO. Revista de Educação Matemática . (1988). (1993). • Comente: O MD só deve ser usado com crianças. (1982). Referências bibliográficas do texto CASTELNUOVO. Interciência. Arquimedes e a alavanca em 90 minutos. Artmed. UFPb. O desenvolvimento dos conceitos matemáticos e científicos na criança. P.V. • Comente: As características dos MD devem ser distintas de acordo com os níveis escolares ou com as faixas etárias a que se destinam. México (DF). pois é a geometria que. 123 (Coleção Perspectivas do Homem). THE MATHEMATICAL ASSOCIATION (1968). Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. (1998). In: COMISION INTERNACIONAL PARA EL ESTÚDIO Y MEJORA DE LA ENSENANZA DE LAS MATEMATICAS. Rio de Janeiro. • Comente: O uso do MD garante uma aprendizagem com compreensão. Bell e Sons. (1967). Zahar.SBEM. Tradução de Gonzalo Medina. KOPNIN. K. João Pessoa. 17-29. 55-73. 7. reimpresión. D. Aguilar. G. G. (1973). Ed.V. El material para la ensenanza de las matemáticas. (1978). Trillas. adquirir ou utilizar MD? • Quais são as características de um bom MD? • Por que os alunos preferem aulas com MD? • Quais são os argumentos favoráveis ao uso de MD no ensino? • Quais são os seus argumentos para não usar MD em suas aulas? • Dê exemplo de caso em que o uso de MD provocou a reflexão dos alunos. R. Didáctica de la matemática moderna. Ciudad de La Habana. Helder Filho . vol. A. pp. V. POLYA.

Ao lado da pesquisa.Programa de Licenciatura . Sérgio Lorenzato (org. As diversas linhas de desenvolvimento de conhecimentos matemáticos apontadas como mais apropriadas dentro da perspectiva de mudanças . (Coleção Formação de Professores). lançando as condições de superar as limitações dos cursos de pós-graduação de caráter tecnicista. a luta por melhores condições de trabalho e por uma formação inicial e continuada de qualidade. PROLICEN . palestras e cursos para alunos e professores de matemática. 2006. além da realização de uma exposição anual intitulada "Matemática e imaginação". PROBEX)11 e realizou cursos e exposições em instituições de ensino fundamental. jogos e quebra-cabeças. história da matemática . na montagem de módulos e projetos de feiras de ciências na área de matemática. administradores escolares.helder@accessueducacao. vêm sendo elaboradas e discutidas desde a sua fundação. 10 Bacharel em matemática. CAPES .Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior. vinculado ao Departamento de Matemática do Centro de Ciências Exatas e da Natureza da Universidade Federal da Paraíba (CCEN/UFPb).UFPb Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. Baseiam-se na crença de que a construção do saber matemático é acessível a todos e que a superação dos baixos índices de desempenho de nossos alunos requer também conhecimentos externos à matemática.estão integradas às diversas ações da equipe do LEPAC. em 1991. compromissos políticos na direção de mudanças. baseados em um acervo material constantemente renovado e ampliado. fruto de pesquisas realizadas na área de ensino de matemática. que já executou mais de vinte projetos institucionais (SPEC/PADCT/CAPES. SP: Autores Associados. oficinas. PADCT -Programa de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico. mestre em filosofia e doutora em educação matemática. 39. a comunidade.entre as quais: resolução de problemas. criatividade e capacidade de ação. nos moldes da exposição francesa "Horizontes matemáticos".UFPb. composto de kits didáticos. PROBEX .Subprograma Educação para a Ciência. E professor do Departamento de Matemática e Estatística da Universidade Estadual da Paraíba (UEPb) e atua na Pós-Graduação em Educação do Centro de Educação da Universidade Federal da Paraíba (UFPb). Para tanto. 11 Significado das siglas: SPEC . DESENVOLVIMENTO E USO DE MATERIAIS DIDÁTICOS NO ENSINO DE MATEMÁTICA8 Rômulo Marinho do Rego9e Rogéria Gaudêncio do Rego10 A filosofia e política do Laboratório de Estudos e Pesquisa da Aprendizagem Científica (LEPAC).2. 9 Bacharel e mestre em matemática e doutor em educação matemática. médio e superior em estados do Norte e Nordeste. coleção de elementos da natureza. p. entre outros recursos. jogos e quebra-cabeças. Helder Filho . envolvendo a escola. as ações da equipe do LEPAC estavam inicialmente direcionadas para a formação de especialistas. visando o desenvolvimento de materiais didáticos adequados à realidade das nossas escolas e de sua divulgação por meio de livros.org 27 8 .) – Campinas.Programa Institucional de Bolsas de Extensão . PROGRAD.Programa de Apoio aos Cursos de Graduação . passando posteriormente a abranger a assessoria em projetos de implantação de clubes e laboratórios de matemática. reflexão e crítica pelo aluno. ricos de conexões com a matemática. É professora do Departamento de Matemática da UFPb e atua na Pós-Graduação em Educação do Centro de Educação da mesma universidade. As novas demandas sociais educativas apontam para a necessidade de um ensino voltado para a promoção do desenvolvimento da autonomia intelectual. PROLICEN. PROGRAD . faz-se necesIn O Laboratório de Ensino de Matemática na Formação de Professores.UFPb.

possibilitam: i. pp. ii. faixa etária. reconheça. quando associado à formação docente. Quando instalados em instituições de ensino superior. adaptação e uso de materiais didáticos de matemática. habilidades ou atitudes). Firmar projetos de parceria com os sistemas locais de ensino. conceitos. materiais adequados são necessários. na obra O material didático no ensino da matemática. Manoel Jairo Bezerra destacou. atuando como parceira na solução dos problemas educacionais que esta apresenta. sem as pressões do espaço formal tradicional da sala de aula. Auxiliar o professor a tornar o ensino da matemática mais atraente e acessível. Helder Filho . Estimular a prática da pesquisa em sala de aula. p. os laboratórios de ensino. Uma vez trabalhado e avaliado em sala de aula um recurso didático pode ser. Estreitar as relações entre a instituição e a comunidade. 10-13): i. novos materiais e metodologias. criado por alguns professores e alimentado pelos pais e pelos que não gostam de matemática. além de oficinas e cursos de formação continuada para seus professores. que tem a oportunidade de avaliar na prática. 87). ou seja.helder@accessueducacao. suas principais funções (1962. entre outros elementos. promovendo a integração das ações de ensino. pesquisa e extensão.org 28 . como afirmam Grossnickle e Brueckner (1965. baseada em uma sólida formação teórica e prática. resultados de pesquisas disponibilizados na literatura (ver sugestões em Rego & Rego. reestruturado. descobrir significados e processos para essas experiências ou atividades de aprendizagem. iii. buscando a melhoria do ensino e constituindo um espaço de divulgação e de implantação de uma cultura de base científica. Acabar com o medo da matemática que.sário a introdução da aprendizagem de novos conteúdos de conhecimentos e de metodologias que. para o professor. Uma das linhas de investigação e ação em um LEM compreende a elaboração. e iii. oportuniza a realização de atividades em que professores da educação básica e alunos de cursos de licenciatura possam refletir e elaborar sua avaliação pessoal do sistema de ensino adotado em nossas escolas e construir modelos viáveis de superação de seus aspectos negativos. seu alcance e suas limitações e a sua adequação à competência dos alunos. identifique e considere seus conhecimentos prévios como ponto de partida e o prepare para realizar-se como cidadão em uma sociedade submetida a constantes mudanças. ampliando sua formação de modo crítico. caso indicado. levando-se em conta conhecimentos prévios. sua potencialidade para auxiliar a aprendizagem de conhecimentos de naturezas diversas (informações. Se concebermos uma aula de matemática como um espaço em que os alunos vão experimentar. em especial. O Laboratório de Ensino de Matemática (LEM) em uma escola constitui um importante espaço de experimentação para o aluno e. visando à instalação de clubes e laboratórios de matemática. baseadas na concepção de que o aluno deve ser o centro do processo de ensino-aprendizagem. 2004). está aumentando cada vez mais a dificuldade do ensino dessa matéria e Interessar maior número de alunos no estudo dessa ciência. considerando-se os objetivos educacionais a serem atingidos. compreendendo-se que a aprendizagem não reside em Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. além de incentivar a melhoria da formação inicial e continuada de educadores de matemática. ii.

Iniciar-se nos métodos de investigação científica e na notação matemática. as atividades realizadas em um LEM estão voltadas para o desenvolvimento de conhecimentos matemáticos e a formação geral do aluno. vii. Sabemos. Desenvolver sua capacidade de fazer estimativas e cálculos mentais. exigindo do raciocínio o que quase sempre é deixado apenas como tarefa para a memória. Estimular sua compreensão de regras. raciocínio e criatividade. desenvolvendo conhecimentos na direção de uma ação autônoma. aqui descritas de modo sucinto. Helder Filho . Para exemplificar a potencialidade de recursos simples na promoção de atividades didáticas em um LEM. Nessa concepção de aprendizagem. 2003) ou em vias de publicação pela equipe do LEPAC. É Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. ainda no ano de 1911. REGO & GAUDENCIO JR. "a independência mental. como e para que aprender matemática. com um acabamento que torne as atividades a serem realizadas agradáveis aos sentidos. que cada aluno tem um modo próprio de pensar e que este varia em cada fase de sua vida. um dos grandes desafios enfrentados pelos pesquisadores que atuam à frente de LEMs compreende a socialização dos resultados de seus trabalhos. v. contribuindo para formação do senso estético e direcionando a atenção e a percepção para os aspectos cognitivos a serem trabalhados. vi. cujos objetivos e uso em sala de aula poderão ser encontrados com detalhes nos textos já publicados (REGO & REGO. iii. 1986).. ii. a coragem para enfrentar desafios e para vencê-los. Nossa experiência pessoal aponta para a possibilidade de produção e de massificação de materiais de baixo custo e grande potencial didático. que os alunos aprendiam de igual maneira. selecionados com a criatividade e interesse correspondentes" (IGNÁTIEV. apresentamos algumas sugestões. há até relativamente pouco tempo. acumulando informações e regras. "baseando-se em objetos e exemplos do ambiente cotidiano. dentro de padrões de segurança que não coloquem em risco o seu usuário. As interações do indivíduo com o mundo possibilitam-lhe relacionar fatos. estando seu pensamento em constante processo de mudança. Porém. iv. Adquirir estratégias de resolução de problemas e de planejamento de ações. internalizando-os. 1999a. Promover a troca de idéias através de atividades em grupo. perseverança. Ampliar sua linguagem e promover a comunicação de idéias matemáticas. a reflexão e a criatividade não podem ser metidas em nenhuma cabeça". A aprendizagem pela compreensão é um processo pessoal e único que acontece no interior do indivíduo. mas resulta do aprofundamento de reflexões sobre essa ação. Por meio de experiências pessoais bem-sucedidas. Estimular sua concentração. o material concreto tem fundamental importância. auxiliando-o a: i. o aluno desenvolve o gosto pela descoberta. vencendo os mitos e preconceitos negativos. Assim. 2004.sua estrutura física ou na simples ação sobre ele. os alunos ampliam sua concepção sobre o que é. Acreditava-se. 1999b. Em razão das características socioeconômicas da nossa população. entretanto. embora relacionado a fatores externos. favorecendo a aprendizagem pela formação de idéias e modelos. REGO. sua percepção espacial. a partir de sua utilização adequada. como afirmava Ignátiev. pois. estruturar idéias e organizar informações. discriminação visual e a formação de conceitos. sendo seguros apenas os resultados dos casos em que a introdução no campo da matemática ocorrer de forma prazerosa.helder@accessueducacao.org 29 .

quando o primeiro anel é cortado. e não como receituários.helder@accessueducacao. para que o resultado seja um paralelogramo (não quadrado)? Outras investigações podem ser feitas: i. O que deverá variar. Iniciar a discussão questionando aos alunos o que acontece quando cortamos um desses anéis ao meio.org 30 . A primeira atividade. de revistas. Os alunos poderão em seguida investigar: i. como feito no anel da questão inicial. Sugerimos que seja desenvolvida no estudo de quadriláteros. na ilustração serve apenas para indicar onde deverá ser realizado o corte). Como devem ser os anéis. um perpendicular ao outro. estimando o que acontece quando cortarmos ao meio os dois anéis colados. e como colá-los. demanda apenas papel (ofício. como indicado na figura l (o pontilhado não precisa ser feito. Que modificações devem ser feitas (no tamanho dos anéis ou na forma de colálos) para que o resultado seja um losango (não quadrado)? ii. cortar o anel e conferir o resultado. seguidos fielmente sem a promoção de reflexões. colar dois anéis iguais ao primeiro. sendo indicada para alunos de todas as séries da educação básica. Em seguida. em cada caso.importante lembrar que os roteiros de sugestão de uso de qualquer recurso instrumental devem ser vistos como possíveis caminhos que poderão ou deverão ser reestruturados de acordo com as especificidades dos alunos e dos conhecimentos a serem desenvolvidos.). são as exigências formais envolvidas. com mesmo diâmetro e largura. no que trata da análise das propriedades das figuras obtidas e na nomenclatura apresentada. cola e tesoura. uma em cada extremidade). Que modificações devem ser feitas (no tamanho dos anéis ou na forma de colálos) para que o resultado seja um retângulo (não quadrado)? iii. pois esta corresponde a uma das argolas que estavam inicialmente coladas. cada um perpendicular ao seguinte e cortar os três ao meio. Colar três anéis de mesmo tamanho. com menos ou mais rigor. dependendo do nível da turma e dos objetivos a serem alcançados. jornal etc. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. Em seguida. colar as tiras formando cada uma um anel comum. cortar a tira ao meio. o conjunto fica semelhante a uma algema (uma tira com duas argolas. Verificar o resultado obtido confrontando-o com as hipóteses levantadas. Depois de feitas as previsões. como indicado na figura 2. tentando estimar e verificando o resultado. como indicado na figura 1. 1999a). intitulada estudo de quadriláteros (RÊGO & REGO. ao longo da linha pontilhada. Depois de recortadas. Vale notar que. O procedimento a ser adotado inicia-se com o corte de algumas tiras de papel com aproximadamente 30 cm de comprimento e 4cm de largura. Helder Filho .

os alunos podem analisar e explorar os elementos das figuras obtidas. inclinados etc. Solicitar aos alunos que façam um pequeno relatório ou tabela. o uso de grampos pequenos de cabelo (de metal. para o qual iremos precisar de seis canudos e doze grampos de cabelo.helder@accessueducacao. suas definições e interseções entre estas como. de acordo com a necessidade. a quantidade de anéis utilizada em cada caso. como em qualquer caso de construção de esqueletos de poliedros. comuns) e canudos de refrigerante. como indicado na ilustração do centro na figura 3. dentre outros. facilidade de uso. formando quatro sistemas de articulação. correspondendo a cada conjunto de três grampos um vértice do tetraedro. Colar três anéis de tamanhos diferentes. ou três iguais colados inclinados um em relação ao outro. modificando-se a quantidade de canudos e/ou a quantidade de grampos em cada sistema de articulações. planos de simetria. rapidez do processo e possibilidade de reaproveitamento do material. O processo de confecção dos poliedros é bastante simples e as vantagens do material são muitas: baixo custo. como estavam colados uns em relação aos outros (se perpendiculares.) e os resultados obtidos. Após cada atividade. Depois de prontas as articulações. estimando e verificando os resultados. Teorema de Euler. por exemplo. Essa atividade enseja oportunidade de abordar de maneira intuitiva questões relativas aos quantificadores universais e existenciais e de suas negações. Ainda em geometria. Inicialmente prender cada grupo de três grampos entre si. levar o aluno a diferenciar o que é uma definição e um conceito. Nesse caso. a rigidez da figura dependerá da forma de suas faces: se apenas Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof.org 31 . entre outras. descrevendo a dimensão dos anéis (se todos são de mesmo tamanho ou não). que poderão ser explorados posteriormente no estudo de propriedades de sólidos.ii. concluindo que todo quadrado é um retângulo. Dependendo do nível da turma. O número de canudos utilizados em um poliedro será igual a seu número de arestas e o número de grampos será igual à soma do número de arestas que convergem para cada vértice do sólido. Helder Filho . em permanente processo de construção. Acompanhe o seguinte exemplo. bem como o desenvolvimento de atitudes como ver a matemática como um conhecimento social. abre-se um espaço para discutir as habilidades que estão sendo desenvolvidas com a realização e reflexão sobre ela. além do registro e da busca de associação do conhecimento desenvolvido dentro da linguagem. sugerimos para a confecção de esqueletos de poliedros. com a construção do esqueleto de um tetraedro (pirâmide de base triangular) regular. dispostos entre si como no caso anterior. embora o contrário não aconteça. Este poderá ser posteriormente desmontado e grampos e canudos serem utilizados na construção de outros poliedros. inserir a parte ondulada dos grampos no interior dos canudos (ilustração da direita na figura 3).

arame ou outros. custo. Helder Filho . resistência. referentes a custo. Os grampos de cabelo poderão ainda ser substituídos por clipes de papel de tamanho adequado. durabilidade. como já afirmamos. clipes de papel. uma experiência interessante consiste em dividir a turma em grupos. aqui exemplificando o processo de constante aperfeiçoamento de nosso acervo. 1958). cada um deles produzindo esqueletos de poliedros utilizando um material específico (canudos de refrigerante e grampos de cabelo. disponibilidade local dos insumos. visando criar ou adaptar kits existentes à realidade das escolas. considerando. e conexões feitas com borracha de soro e canudos de churrasco ou pirulito. conversando. com largura igual ao diâmetro interno do canudo.helder@accessueducacao. Ver foto 1). barbante. objetivos. isto é. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. durabilidade. potencialidade e limitações. onde eles serão inseridos após serem agrupados entre si. direcionamento para os objetivos cognitivos programados e resultados estéticos. fita adesiva. riscos de acidentes no processo. depois. Em cursos de formação inicial ou continuada. de modo semelhante aos grampos. realizada em Madrid em 1958 (ADAM. segurança e apresentação. caso contrário ficará flexível. Dentre os diversos materiais didáticos que "evoluíram" no LEPAC destacamos o Geoespaço. sobre as vantagens e desvantagens de cada um dos materiais empregados.org 32 . Baseado em um material sugerido para a construção e o estudo de prismas e pirâmides em uma publicação de uma mostra de materiais concretos para o ensino de matemática. desenvolvemos um modelo de fácil confecção e uso.triangulares a figura será rígida. resistência. tempo de elaboração.

além da grande versatilidade. preferencialmente iniciando-se com materiais presentes no cotidiano do aluno. em cujos vértices são fixados pequenos ganchos de cobre. Helder Filho .org 33 .helder@accessueducacao. Os dois últimos recursos apresentados. requer a realização de atividades voltadas para esses fins. O modelo pode ser desmontável. como a percepção espacial. Nos dois planos (base de madeira e placa de acrílico) são traçadas malhas quadriculadas semelhantes.Simplificamos o modelo apresentado utilizando uma base de madeira. tendo-se a visualização das vistas do poliedro facilitada pela transparência do acrílico. evitandose recorrer apenas a figuras planas (no quadro ou livro) com representações de sólidos para tal. delimitados por ligas que formam polígonos nas duas malhas quadriculadas (ver exemplo na foto 2). Um simples deslocamento de um dos polígonos e das borrachas correspondentes possibilita a rápida transformação de um prisma reto em um prisma oblíquo de mesma base. e Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. entre outras. a exemplo de uma eoleção de embalagens diversas. O desenvolvimento de habilidades específicas. a visualização de cortes e planos de simetria. relações entre volumes. utilizados pela indústria de mobiliário (e facilmente encontrados em casas de ferragens). presas entre os ganchos dos dois planos. quatro cantoneiras que dão sustentação a uma placa quadrada de acrílico transparente de 4 mm. facilitando o seu transporte e armazenamento. com quadrados de 3 cm de lado. possibilitam trabalhar com geometria espacial em sala de aula com modelos tridimensionais. assim como a identificação e compreensão dos elementos que caracterizam um determinado tipo de sólido. Os esqueletos dos sólidos são construídos com ligas de borracha.

posteriormente ampliando-se o estudo dos sólidos geométricos por meio das figuras obtidas com os canudos ou no Geoespaço, na direção da representação destes no plano. Os recursos apresentados nas fotos seguintes, descritos de modo sucinto, indicam a possibilidade de concretização de ideias criativas para um LEM, facilmente reprodutíveis, sem demandar custos financeiros de grande monta. O material da foto 3 é utilizado para substituir os blocos lógicos, nas diversas atividades possíveis de serem realizadas com esse material, sendo socialmente mais significativo e rico em termos de propriedades gerais, o que amplia consideravelmente as categorias para classificação em subconjuntos, entre outras vantagens. Na foto 4, temos dois jogos para as séries iniciais, um compreendendo uma trilha com círculos concêntricos feita com uma base descartável para bolo e outro uma mancala12 com copos de iogurte. Na foto 5, temos um jogo de pares, feito com potes para filmes fotográficos, com materiais semelhantes em seu interior (dois potes cheios até a metade com areia, dois outros com arroz, dois com clipes de papel, etc.) que, depois de misturados, devem ser separados pelos alunos em pares, identificados pela semelhança do som que produzem. Estimulam, além do trabalho com a idéia de par e a classificação de elementos sonoros, a concentração e a prática da auto-avaliação, uma vez que o próprio aluno pode, abrindo as tampas, conferir se suas respostas estão
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Mancala é um jogo de tabuleiro de origem africana, com mais de quatro mil anos, e que apresenta inúmeras variantes. As regras podem ser encontradas na internet ou em livros sobre jogos. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. Helder Filho - helder@accessueducacao.org 34

corretas. As roletas, confeccionadas em EVA e tampas de potes de mostarda ou ketchup, ou com tampas plásticas circulares, substituem com eficiência os dados comuns, podendo ser numeradas de acordo com as necessidades específicas de uma atividade. O terceiro e último material da foto é produzido em EVA e restos de espirais de encadernação, compreendendo um quebra-cabeça com peças articuladas que, quando dobrado, pode gerar figuras de diversas formas, que podem ser classificadas pelos alunos de acordo com o número de lados, concavidade ou convexidade, ângulos internos, número de diagonais, entre outros. Na foto 6 um bingo feito com garrafas PET de diferentes tamanhos transforma-se em um atraente material para a prática do cálculo mental em sala de aula. O ábaco aberto, com base em EVA, pinos em lápis marcadores para quadrobranco e argolas de bases fixadoras de tampas de garrafas PET (de refrigerante ou água mineral) pode ser usado na representação e leitura de números na base dez, destacando-se as características de nosso sistema de numeração, a exemplo do valor posicional. É importante frisar que a utilização de todo e qualquer recurso didático exige cuidados básicos por parte do professor, entre os quais destacamos: i. Dar tempo para que os alunos conheçam o material (inicialmente é importante que os alunos o explorem livremente); ii. Incentivar a comunicação e troca de ideias, além de discutir com a turma os diferentes processos, resultados e estratégias envolvidos; iii. Mediar, sempre que necessário, o desenvolvimento das ati-vidades por meio de perguntas ou da indicação de materiais de apoio, solicitando o registro individual ou coleti-vo das ações realizadas, conclusões e dúvidas; iv. Realizar uma escolha responsável e criteriosa do material; v. Planejar com antecedência as atividades, procurando conhecer bem os recursos a serem utilizados, para que possam ser explorados de forma eficiente, usando o bom senso para adequá-los às necessidades da turma, estando aberto a sugestões e modificações ao longo do processo, e vi. Sempre que possível, estimular a participação do aluno e de outros professores na confecção do material. Alguns princípios a serem promovidos em sala de aula, defendidos por Irene Albuquerque (1951), dentre os quais, possibilitar variadas experiências de ensino relativas a um mesmo conceito matemático; atribuir significado para a aprendizagem; criar situações para que o aluno redescubra padrões, regras e relações e "criar um ambiente agradável em torno do ensino de matemática, promovendo o sucesso e evitando o fracasso", são facilitados no espaço de um LEM.
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Tais princípios, desenvolvidos em todos os níveis de ensino, deverão estar teoricamente bem fundamentados, baseados em um profundo conhecimento dos conteúdos matemáticos, dos resultados de pesquisas, da elaboração, estudo e confecção de recursos didáti-cos e na execução de projetos envolvendo escolas da região, o que possibilita uma permanente avaliação qualitativa do trabalho realizado. Finalizamos defendendo a importância de um LEM em escolas de educação básica e em instituições superiores envolvidas em cursos de formação de professores, considerando em especial o grande distanciamento entre a teoria e a prática, hoje ainda predominante nas salas de aula em todos os níveis de ensino; a baixa conexão entre os conteúdos de matemática e destes com as aplicações práticas do dia-a-dia e a necessidade de promoção do desenvolvimento da criatividade, da agilidade e da capacidade de organização do pensamento e comunicação de nossos alunos.

Referências bibliográficas do texto
ADAM, P. Puig (1958). El material didático matemático actual. Madrid, Espanha, Inspeccion Central de Ensenanza Media. ALBUQUERQUE, Irene de (1951). Metodologia da matemática. Rio de Janeiro, Conquista. BEZERRA, Manoel Jairo (1962a). Recreações e material didático de matemática. Rio de Janeiro. ________ . (1962b). O material didático no ensino de matemática. Rio de Janeiro, MEC/Caderno CEDES. GROSSNICKLE, F.E. &BftUECKNER,Leo J. (1965). O ensino da aritmética pela compreensão. Rio de Janeiro, Fundo de Cultura. IGNÁTIEV, E.I. (1986). En el reino dei ingenio. Moscou, Mir. REGO, Rogéria G. & REGO, Rômulo M. (2004). Matematicativa. 3. ed. João Pessoa, EdUFPb. ________ (1999a). Matematicativa II. João Pessoa, EdUFPb. _________. (1999b). Figuras mágicas. João Pessoa, EdUFPb. REGO, Rogéria G.; REGO, Rômulo M. & GAUDENCIO JR., Severino (2003). A geometria do origami. João Pessoa, EdUFPb.

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Desse se jeito não será preciso dar um nó. que é um triângulo. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. Estes elementos nos são as arestas e os vértices dos sólidos. Helder Filho . além de possibilitar que a criança construa e e estruturas e "brinque" com a geometria espacial. Na figura ao lado nota nota-se que cada aresta do tetraedro corresponde a um canudo. A estrutura mais simples para se montar é a a do tetraedro (poliedro de quatro f faces) que possui 6 arestas e 4 vértices. mas essa tarefa ficará mais fácil depois de alg algumas tentativas. to torna possível a visualização de alguns elementos que na atividade com cartolina são menos notados.helder@accessueducacao. ensinada no quadro negro ou através de livros didáticos. em que a criança tagem recorta um desenho numa folha de cartolina e. Ligar um canudo ao outro pode parecer algo compl complicado a princípio. sugiro a utilização de canudos de refrigerante na montagem de estruturas geométricas.org 37 . edro Portanto. monta um sólido ge geométrico. Para começar a construção da estrutura deve iniciar pela deve-se base (alicerce). que também é uma pirâmide de base tria triangular. Porém. sinar Portanto. freqüentemente. como a mostrada na figura ao lado. OFICINA DE GEOMETRIA COM CANUDOS A geometria é. Concluída esta etapa temos a estrutura como mostrada na figura ao lado. para montá-lo será necessário dispor de 6 lo canudos de refrigerante. atr através de dobraduras e colagem. A constr ção da base começa pa construção passando-se sando o barbante por três canudos. Quando se trata de figuras planas esse método não representa grande dificu dificuldade p para o aprendizado da criança. Depois de passar o barbante pelos canudos pa passa-se novamente pelo primeiro canudo da fileira. ai ainda. Mas o mesmo não se pode dizer quando se deseja ensinar os elementos da geometria espacial. neste material.3. Assim já podemos levantar o tetraedro. a atividade que é proposta aqui. Pode-se ensinar geometria espacial por i se intermédio da montagem de sólidos. Pegamos a ponta do barbante que acabamos de passar pelo canudo da base e passamos por dois ou outros canudos. Se o tetraedro é regular então o triângulo deverá ser equilátero.

Ou seja. Já a pirâmide de base quadrada fica de pé. Há muitas maneiras de se construir um dodecaedro. notamos que dois pentágonos são ligados pela mesma aresta. Construindo um Dodecaedro com Canudos Um dodecaedro é um poliedro regular de 12 faces.1. necessitando. Sendo preciso fazer várias conexões entre os vértices a opostos. Mas p . Para construí-la serão necessários 8 canudos. faremos para fechar o t tetraedro. Para que a estrutura fique bem firme é interessante passar o barbante duas vezes pelo mesmo canudo.helder@accessueducacao. Helder Filho . Assim t teremos 60/2 = 30 arestas neste sólid sólido. ou seja. O mesmo procedimento é utilizado para as arestas: temos 5 arestas em cada pentágono.Em seguida passamos o barbante por mais um canudo da base. la 3. Como cada pentágono possui 5 vértices. mas se manuseada ela pode deformar deformarse.org 38 . resultando em 60/3 = 20 vértices ao todo. Porém a estrutura não ficará estável. Em vez de usar barbante para unir os canudos pode se usar bolinhas de isopor ou massa de mod pode-se modelar. A ponta sairá na outra extremidade e poderemos passá pelo último canudo. ela não fica de pé facilmente. passaremos mais uma vez o barbante por dentro do canudo mostrado na figura. Com isso as extremidades adjacentes dos canudos ficarão conectadas. o que resultaria em 5·12 = 60 arestas no dodecaedro. teríamos 5·12 = 60 vértices. Contudo. de 12 canudos. e cada face é um pentágono ecaedro de lado l. Ele tem 6 faces e 12 arestas. passá-la Assim como fizemos para fechar o triângulo da base. assim. Outro poliedro que pode ser montado é o cubo (hexaedro). Porém um jeito que achei mais interessante é através da Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. podemos perceber que três pentágonos compartilham o me mesmo vértice.

e para que isso ocorra esta pirâmide deverá ter uma altura específica. então os canudos internos deverão medir 1. para a estrut estrutura ficar firme. a duas passadas em cada canudo. os canudos têm compr comprimentos diferentes. 3.2.4· 1.4·l. utilizando Pitágoras. encontramos o comprimento dos canudos que ligarão os vértices como sendo de 1. Através das características do pentágono podemos encontrar a apótema a e a disavés tância b do centro ao vértice do pentágono. Mas não é uma pirâmide qualquer. que é um pentágono.estrutura montada com canudos de refrigerante. dodecaedro de arestas medindo 20 cm. Ao t todo será necessário usar 50 canudos e muito barbante. Todavia. De início se nota que cada aresta co corresponderá a um canudo. Veja a figura: A construção começa pela base.org 39 . pois o dodecaedro deverá ter no fim do pr processo 12 pentágonos iguais. Em seguida são apresentados alguns poliedros que podem ser construídos com canudos: Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. e depois levantamos a p nstrução pirâmide. ou seja. no mínimo um barbante de comprimento 116· . d dependendo do método que se o usa para unir estes canudos. 30 canudos. para a estrutura interna. Por fim. Mas. precisei ligar todos os vértices ao centro do dodecaedro. e também o comprimento dos canudos comprimento que formam as arestas.4·l. ou seja. Para essa brincadeira precisei de mais 20 canudos! Um para cada vértice. Helder Filho .4· .helder@accessueducacao. como mostrado vértices na figura. Depois de alguma álgebra é possível concluir que a altura h da pirâmide vale: Lembre-se que l é o lado do pentágono. Eu usei barbante passando pelos canudos para construir a estrutura. 20 canudos de comprimento 1. Lista de materiais 30 canudos de comprimento l para as arestas.4·20 deverão = 28 cm. e muita paci paciência. se você for construir um 1. Contudo. que corresponde 116·l. a estrutura não ficará estável e o seu dodecaedro poderá virar um "tortaedro".

V = 4. 30 arestas e 50 canudos (30 das arestas e 20 dos vértices). V = 20. Octaedro: F = 8.Pirâmide de base quadrada Pirâmide de base pentagonal Octaedro 5 faces. Decaedro: F = 10. Atividade 1: Construção de um tetraedro regular Material a ser utilizado: Ø Um metro de linha nº 10. Dodecaedro: F = 12. A = 8: F+V-A = 5+5-8 = 2. se pegarmos um poliedro de F faces. º Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. V = 12. teremos a seguinte relação: F + V – A = 2. a título de curiosidade. Icosaedro: F = 20. 15 arestas e 15 canudos. 6 vértices. será que funciona mesmo? Vamos ver: Tetraedro: F = 4. V vértices e A arestas.helder@accessueducacao. Mas. V = 6. 12 faces. A = 6: F+V-A = 4+4-6 = 2. Dodecaedro 8 faces. A = 30: F+V-A = 12+20-30 = 2. A = 15: F+V-A = 10+7-15 = 2. V = 7. 30 arestas e 30 canudos canudos. Decaedro 6 faces. 20 faces. 7 vértices. 6 vértices. 20 vértices. Para finalizar. Segundo este teorema. V = 8. 10 arestas e 10 canudos. o teorema de Euler sobre poliedros pode ser uma brincadeira interessante. A = 12: F+V-A = 6+8-12 = 2.org 40 .3. Cubo: F = 6. arestas e 12 canudos. 8 arestas e 8 canudos. V = 5. A = 12: F+V-A = 8+6-12 = 2. 5 vértices. Icosaedro 10 faces. 12 vértices. Pirâmide de base quadrada: F = 5. 12 es. Helder Filho . 3. A = 30: F+V-A = 20+12-30 = 2.

construa quatro triângulos e os uma. construindo um triângulo e o feche por meio do um nó. ligando-o aos outros dois.Ø Seis pedaços de canudo de mesma cor e comprimento (sugiro 8 centímetros). Ø Doze pedaços de canudo de mesma cor e comprimento (novamente sugiro a medida de 8 centímetros).4. Tome o fio de linha.helder@accessueducacao. dois a dois.org 41 . Atividade 2: Construção de um octaedro regular Material a ser utilizado: Ø Dois metros de linha nº 10. Agora. é necessário reforçá-los passando o fio de linha mais de uma vez por cada pedaço de canudo. para se dar firmeza aos vértices de uma estrutura. Com pedaços de canudos e o fio de linha. passe o restante da linha por mais dois pedaços de canudo. Finalmente. conforme o esquema apresentado abaixo: Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. fechando a estrutura com um nó. passe-o através de três pedaços de canudo. juntando-os e formando mais um triângulo com um dos lados do primeiro triângulo. passe a linha por um dos lados desse triângulo e pelo pedaço que ainda resta. Observe a figura abaixo: 3. Essa estrutura representa as arestas de um tetraedro regular e as etapas intermediárias de sua construção estão representadas abaixo: Nas construções das estruturas é importante observar que. Helder Filho .

6. observe o esquema abaixo: Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. Se você não conseguir realizar essa tarefa. construindo um quadrado.helder@accessueducacao. construa mais um quadrado. Helder Filho . Atividade 3: Construção de um icosaedro regular Material a ser utilizado: Ø Três metros de linha nº 10. Una cada uma das pirâmides através dos vértices das bases. Repita essa construção.org 42 . Considerando um dos lados desse quadrado e passando a linha por mais três canudos. Com os doze pedaços de canudo da mesma cor construa um cubo de 8 cm de aresta. Para isso. Prenda-os de maneira a completá-lo. Ø Seis pedaços de canudo de mesma cor (cor diferente dos canudos mencionados acima) medindo 11. Ø Trinta pedaços de canudo de mesma cor e comprimento (sugiro a medida de 7 centímetros). passe o fio através de quatro canudos e passe a linha novamente por dentro do primeiro canudo. Ø Doze pedaços de canudo de mesma cor medindo 8 centímetros cada. 3. de tal forma que em cada vértice se encontrem cinco canudos.3 centímetros. Construa quatro triângulos seguindo o esquema abaixo e os una obtendo uma pirâmide regular de base pentagonal.5.3. Atividade 4: Construção de um cubo e de suas diagonais Material a ser utilizado: Ø Dois metros de linha nº 10. por meio de pedaços de canudos. obtendo mais uma pirâmide. como a desenhada na figura b (abaixo). Observe que ainda faltam dois canudos para completar as arestas do cubo.

Nesse processo. construa uma diagonal em cada face. Que estrutura você construiu? Observe a figura abaixo: Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. pois os seus lados não ficam por si só perpendiculares à superfície da mesa.Se você observou que a estrutura construída não tem rigidez própria. sugiro a seguinte tarefa: com os seis pedaços de canudo de cor diferente (11.org 43 . ela se enrijecerá. Dando continuidade a esse raciocínio. Helder Filho . de moda que em cada vértice que determina a diagonal cheguem mais duas diagonais. notamos que se construirmos triângulos nas faces dessa estrutura ou no seu interior.3 centímetros).helder@accessueducacao. então é necessário tornar essa estrutura rígida.

1. as crianças aprendem jogando. à guerra. Giles Ferry (citado por Bandet Aprendizagem através dos jogos. à língua. 2005. joga às vezes mais. 1981. A esse respeito. Desde a infância. aprendeu normas de comportamento que o ajudaram a se tornar adulto. O jogo serviu de vínculo entre povos. A atividade lúdica é um elemento metodológico ideal para dotar as crianças de uma formação integral. Porto Alegre: Artmed. portanto. portanto. junto com outras atividades. ao mágico. à sua história. 1938. Felizmente. 1976. a educação e o jogo não eram considerados bons aliados. é gerador de cultura. É uma constante em todas as civilizações. é um facilitador da comunicação entre os seres humanos. Atrevo-me a afirmar que a identidade de um povo está fielmente ligada ao desenvolvimento do jogo. Alguns teóricos (Huizinga. "O verdadeiro valor do jogo reside na quantidade de oportunidades que oferece para que a educação possa ser levada a cabo" (Gruppe. "Jogar não é estudar nem trabalhar. Cagigal. Blanchard e Cheska. por sua vez. Moor. 1986) classificam-no como elemento antropológico fundamental na educação. APROXIMAÇÃO TEÓRICA À REALIDADE DO JOGO13 Jesus Paredes Ortiz14 4. 1979. Para qualquer aprendizagem. mas. a criança aprende a conhecer e a compreender o mundo social que a cerca" (Ortega. traduzido por Valério Campos. que. necessária para enfrentar os desafios na vida. Sob este ponto de vista. o jogo potencializa a identidade do grupo social.4. ao sagrado. é um caminho para a solução defendida por Einstein (1981): "A supervalorização do intelectual em nossa educação. às vezes menos e. Deve-se estimular as atividades lúdicas como meio pedagógico que. O jogo. portanto.org 44 13 . O ser humano sempre jogou. em todas as circunstâncias e em todas as culturas.helder@accessueducacao. tão importante como adquirir. aos costumes. à arte. Aparece como mecanismo de identificação do indivíduo e do grupo. Gruppe. prejudicou os valores éticos". a posição da pedagogia atual converteu "o princípio do jogo ao trabalho" (Marin. aprendeu a viver. dirigida à eficácia e à praticidade. Apesar disso. já que fazem da própria vida um jogo constante. a criança aprende valores humanos e éticos destinados à formação integral de sua personalidade e ao desenvolvimento motor e intelectual. ajudam a enriquecer a personalidade criadora. 1982) em máxima da didática infantil. O jogo é um fenômeno antropológico que se deve considerar no estudo do ser humano. A atividade lúdica é tão antiga quanto a humanidade. (páginas 9 a 28) 14 Universidade Católica San Antonio de Murcia Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. ao amor. Contribui para fomentar a coesão e a solidariedade do grupo e. Organizado por Juan Antonio Moreno Murcia. Entretanto. jogando. Introdução O jogo está intimamente ligado à espécie humana. à literatura. Helder Filho . através do jogo. O jogo deve ser utilizado como meio formativo na infância e na adolescência. favorece os sentimentos de comunidade. Dessa forma. como as artísticas e musicais. é sentir os conhecimentos. 1976). esteve sempre unido à cultura dos povos. 1990). O ensino deve favorecer uma participação mais ativa por parte da criança no processo educativo. ele não era bem-visto pela pedagogia tradicional.

org 45 . Aprender jogando é o primário. O jogo deve cumprir duas funções na escola como conteúdo e como finalidade: a educação através do jogo e para o jogo. A palavra jogo aparece como uma simples atividade humana. jogo é sinônimo de conduta humana. Aceitou-se com a naturalidade de um simples ato. está continuamente presente. O jogo é um elemento transmissor e dinamizador de costumes e condutas sociais. Atendendo a essas duas funções que o jogo deve cumprir. necessária para alcançar o desenvolvimento completo. A complexidade do termo é determinada pela preocupação de explicar melhor a natureza humana. Diz que a criança distingue muito bem o que é jogo e o que não merece sê-lo. a mais pura e espontânea. A aprendizagem. 1991). Assim. E necessário aprender em todas as etapas da vida para formar de maneira harmónica a personalidade da criança e com ela desenvolver e manter um fio vital de expressão e de entendimento com o mundo que a cerca. Divertir-se enquanto aprende e envolver-se com a aprendizagem fazem com que a criança cresça. e faz parte de nossa maneira de viver e de pensar. "Seria ideal que o objetivo máximo da educação fosse a felicidade e. como comer ou dormir. Este objetivo aponta para a busca do equilíbrio vital. mude e participe ativamente do processo educativo. 4. então. a sociedade e as autoridades públicas se esforçarão para promover o cumprimento desse direito" (Declaração Universal dos Direitos da Criança. Rojas (1998) vai ainda mais longe e faz uma afirmação tão categórica quanto bela: "A meta do homem na vida é ser feliz". da alegria e do lazer. Buytendijk (1935) oferece-nos uma análise etimológica da palavra "jogo". o mais simples e natural na criança. tanto na escola quanto na própria vida.e Abbadie. Nos fala do "movimento de vaivém" (hind und her bewegung). mas de aprender a transformar-se. A seguir. 1975) acrescenta que. art. 1974). logo. primeiro na vida escolar e depois em sua vida profissional. do mau uso das palavras". a mudar. quase todas. A importância e a necessidade do jogo como meio educativo foi além do reconhecimento e se converteu em um direito inalienável das crianças: "A criança desfrutará plenamente do jogo e das diversões. O jogo é a primeira expressão da criança. mostraremos brevemente a etimologia das palavras que significam jogo em distintas sociedades. a criança deve ser protagonista de sua educação (Imeroni.helder@accessueducacao. o jogo teria um papel predominante" (Delgado. a mais natural. Helder Filho . 1980) e jogar por jogar é a primeira disciplina a ser cursada (Feslikenian.2. já que é o menos traumático. não se tratará de adquirir conhecimentos. 7º). na escola do futuro. essa palavra está em constante movimento e crescimento. Sobre a etimologia do termo jogo Fazendo referência à importância do verdadeiro significado dos termos e sua aplicação à cultura. a realização pessoal e social. que deverão estar orientados para finalidades perseguidas pela educação. da espontaneidade. Pode ser um elemento essencial para preparar de maneira integral os jovens para a vida. encontramos um estudo de Dehoux (1965) que inclui a seguinte citação de Flaubert: "As causas principais dos nossos erros provêm. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. As características do jogo fazem com que ele mesmo seja um veículo de aprendizagem e comunicação ideal para o desenvolvimento da personalidade e da inteligência emocional da criança. tentando deduzir os sinais característicos dos processos a que se refere.

que significa oscilar. alegria. com a mesma etimologia. Com significado parecido. Em hebraico. Também se utiliza o termo "παιγνια". la'ab significa zombar e rir. temos a forma éjati e também íngati. torneio. mesmo que seu significado primário seja rir. com o sentido de tocar. ao burlar. la'iba é jogar em geral. por um lado. o ligeiro. que é brincar. cujo significado é infância e educação das crianças. expressão similar é la'at. Divyati refere-se ao jogo de dardos. recreação. Em hebreu-aramaico. que significa jogar. mas também ligada a bom humor e diversão. que tem em comum o árabe la’iba com alguns idiomas modernos. dos adultos e dos animais. mas também se refere aos grandes jogos (é impossível separar a competição no mundo grego do trinômio jogo. podendo se referir. de que procede vilasa. Em antigo índio. Assim se expressou o aéreo. que significa jogar. As coisas são apresentadas como se as classes superiores sempre se expressassem jogando. Ainda há: "παιζω". mas se diferencia no acento. o que poderia indicar alguma influência germânica. por outro. aparece.A raiz do vocábulo jogo aparece em indoeuropeu como *aig-. sabemos de palavras mais importantes para se referir à função lúdica: wan. a imitação própria do jogo. a saltos ou à dança em geral. aparece "παιγνιωδησ". o alegre. Nos idiomas semíticos. Presente também aparece em sânscrito como kliada. no Antigo Testamento. zombar. diversão. com o significado de jogo. relativo ao jogo infantil. a forma sahaq. algo como "criancices". que descreve o jogo das crianças. utiliza-se o substantivo asobi para se referir a jogo e o verbo asobu. O sânscrito possui diferentes raízes para se referir ao conceito de jogo. "αθυρω e αδυρµα" referem-se à ação de jogar. festa e ato sagrado). juntam-se os significados de irradiar. e sai. No gótico. Em castelhano. que significa duvidar. rir. de brincadeira e de diversão. os germânicos e o francês em representação dos românicos. excursão. zombar. ao zombar. que se refere a todo o campo da dança e à representação dramática. brincar e também dançar e jogar. o livre e o transcendental do jogo. O grego possui uma expressão para o jogo infantil com o sufixo "inda". diversão e. "lila" também é o aparente. O francês é o único idioma românico que utiliza essa forma. Helder Filho . O termo mais usado é kridati. Em japonês. conserva-se em algumas canções tradicionais. Também é interessante comprovar o significado de "jogar um instrumento musical". que significa jogo. oscilar e mover-se. relacionando-se também com o termo irradiar. Na raiz las. distração. especialmente ao infantil. Em chinês. e.helder@accessueducacao. vaivém. soar de novo. Serve também para se referir ao agitar do vento e às ondas. A raiz lila aparece em lilayati.org 46 . É da mesma etimologia. ao aprontar. não apenas limitada ao jogo infantil. que significa algo que se move. laikan significa jogar e saltar. jogar e "παιγµα e παιγνιον". tscheng. jogar e estar ocupado ou fazer algo. balanço. a palavra mais usada é "παιδια". ao brincar em geral. com referência a todas as formas de jogo e de brinquedos. jogar dardos. para se referir a qualquer jogo competitivo. Em grego clássico. a qual se refere a jogo. Além disso. competição em que se obtém prémio ou então campeonato. há a raiz nrt. da palavra "παιδια/παιδεια". Em árabe. o jogo é marcado pela raiz la'ab. inclusive. "αγων" é o jogo de competição e luta. O ponto semântico comum em todas essas palavras que expressam o conceito jogo parece ser um movimento rápido. mesmo que seu primeiro significado seja jogar fora. Refere-se ao jogo. aparecer repentinamente. que Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof.

corresponde a spielman. passatempo.helder@accessueducacao. "στρεπτινδα". utilizava-se o substantivo leich. russo antigo e atual urpá (igrá). huweleic (contrair matrimonio). lusum é o ato de jogar. em búlgaro: URRA (igrá). a representação litúrgica e teatral e os jogos de azar. de que procedem o alemão pflegen e o holandês plegen (em latim vulgar. músico. diversão). jogo público. Em inglês play (jogo. Em ucraniano: RRA (grá). diversão. Segundo Huizinga. feestelijk (festa). vocábulo latino que abarca o campo do jogo. Em romeno e catalão: joc. deve-se considerar também ludus -i. divertido. Para o estudo etimológico. No antigo anglo-saxão. em neerlandês. No castelhano medieval. Vimos que as línguas germânicas utilizam o verbo jogar para se referir também a tocar algum instrumento musical. com referência a jogo. em tcheco: HRA (hra). movimento rápido e suave como o do pêndulo. que significa jogo e jogar. é o gosto pela dificuldade gratuita. em basco: jolas. homem que joga. oferenda. joko. leika. Em inglês. A partir do século XII. com a corda. diversão. espetáculo. russo antigo e atual UGPÁ (igrá). e também provém ludicrus. spelet. ludere abarca o jogo infantil. "ελκυστινδα". Na Idade Média. músico e malabarista. em antigo eslavo. do ponto de vista semântico. dança e exercícios corporais. Por exemplo. entretenimento. um favor e até generosidade. spel. dando lugar a lúdicro e não-lúdicot mesmo que aceito em castelhano. Também significa movimento rápido e tocar um instrumento. em português e galego: jogo. A expressão lares ludentes significa dançar. gozação. Helder Filho . diversão. Em antigo escandinavo. a competição. Têm relação direta com essa palavra: ioculator. plegan. vechtelic (combate). ludus. brincadeira. jogos. Em italiano: giuoco. Afirma Corominas (1984) que o vocábulo jogo procede etimologicamente do latim iocus -i (brincadeira. havia três formas de se referir a jogo com os seguintes significados: huweleec. essa palavra era usada para se referir ao significado de burla. iocari não designa o verdadeiro sentido do jogo ou o jogo autêntico. dança e exercícios físicos. jogo de lançamento. Este plegan corresponde exatamente ao plegan do velho alto-alemão e ao plega do alto frisão. passatempo. Ludo. ligeireza. diversão. iocus -i. Trapero (1971) afirma que jocus significa chiste. em servo-croata: URRA (igrá). eiken (atrevido. esporte. No antigo alemão. -crum. lâc e lâcan. No velho frisão: fyuchtleek. spel. o recreio. de ludicer -era. sacrifício. mover-se. aparece yogar com vários sentidos. jogada. em sueco. Em esloveno: IGRA (igra). Em bielo-russo: IRRÁ (igrá). plegium). Em eslovaco: HRA (hra). "βασιλινδα".significa jogar. diversões. brincam de ser rei. A base etimológica de ludere seguramente se encontra no que não é Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. ioci. em polonês: GRA (grã). Em antigo eslavo. lusi. presente em geral. jogo. significando bardo. jogo. juglar. jogo. jongleur. alegria. também se utiliza game (jogo.org 47 . que produz grande prazer. Segundo Huizinga (1952). entre os quais tocar instrumentos. em norueguês: spill. No velho nórdico. selvagem). ou ludicrum -i. desafio). diversão. em alemão: spilan. tal expressão origina-se do velho inglês plega. tocar um instrumento). cantor. saltar. Em húngaro: JÁTEK (játek). De onde deriva-se lusus -us. leikr. passatempo. brincar. as crianças gregas jogam com a bola "σφαιριδα". No holandês antigo.

diversão ejugar (ludere). "jogar limpo". possivelmente de origem etrusca. "desempenhar um papel imprescindível". se divertir. ludere. que designava. Seguir historicamente a evolução fonética da palavra jogo é um trabalho difícil. permanecendo em um nível menos avançado os termos ludus. ou como obra de honestidade. "Jogo de bola". não deixando marca nas línguas românicas. brincar. fazer algo com o único propósito de se entreter ou divertir. Segundo Huizinga. aparecem no Mio Cid e em Gonzalo de Berceo. por vezes. tanto em inglês quanto em francês: to play the piano. entretenimento. jugar (iocari). temos juego (iocus). "jogo de Adão". e game quando se alude ao seguimento de uma prática lúdica que se caracteriza por regras estritas. ocupar certa posição. em português. em que se ganha ou perde. jeu ejouer. "jogar". em inglês usa-se play para se referir ao jogo como atividade pouco codificada. outras vezes. giuoco e giocare. aparece juego (ludus). comportar-se de forma desleal. "jogos de emoções". Os vocábulos juego e jugar têm muitas acepções e interpretações. passatempo e diversão. juego e jugar. no simulacro e na trapaça. jouer du piano. em francês. Por exemplo. A palavra juego é empregada com o significado de entretenimento ou diversão e jugar. usase mais de um termo. manifesta que a abstração do fenómeno jogo teve lugar em algu-tnas culturas de modo secundário. espontânea e. ação deflagrada espontaneamente pela mera satisfação que representa. drama semilitúrgico. formando com ela a palavra spielkin. el juego del amor. pode se tratar de um termo criado com a instituição.helder@accessueducacao. jogo e jogar. exercício recreativo submetido a regras. como em castelhano. sem dúvida religiosa. O próprio autor destaca que o termo que abarca o conceito de |ogo e jogar desaparece. com relação às origens idiomáticas. ser um herói. ação e efeito de jogar. "jogar-se à vida". em romeno. "pôr em jogo". "brincadeira de crianças". mais do que no campo do "mover rápido". participar de um jogo. para investidores. ajuste de contas. divertir-se com algum jogo. joc e jogar. que significa brincar. Helder Filho . No Dicionário da Real Academia Espanhola atual. o desaparecimento do termo ludus pode ser devido tanto a causas fonéticas quanto semânticas. também pode ser utilizada em sentido figurado. aventura ou risco. entreter-se. em outras ocasiões. quando utilizados no campo do jogo e de jogar. "era hrincadeirinha". Segundo o dicionário etimológico do latim (Ernout-Meillet). a relação é com a arte. Em castelhano. para se referir aos filhos ilegítimos frutos da brincadeira. "jogar com a sorte". "brincar com uma pessoa". Em alguns idiomas. há conotações eróticas. iocari. turbulenta.sério. que significa brincar. designa-se o jogo com apenas um vocábulo. em italiano. azucrinação. para descrever um ato fácil ou inocente. como se depreende da expressão "brincar com fogo". também se pode empregar com o sentido de se aproveitar ou zombar de alguém. do vocábulo ludus i não há apenas palavras indo-européias conhecidas para essa noção. Ao mesmo tempo. ao se referir aos termos jogo e jogar. como no alemão spielen. fazer algo de modo arriscado. enquanto a própria função de jogar teve caráter primário. obras dramáticas e novelas. em catalão. lugares para o jogo de bola no México e na Guatemala.org 48 . "jogar na bolsa". juramento do "Jogo de Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. Corominas (1984) assegura que as primeiras documentações da palavra jogo. mas que não impede detectar que todas as línguas românicas ampliaram seus vocábulos iocus. em outros. No Dicionário da Real Academia Espanhola de 1837. como falta de responsabilidade. joc e juca.

a palavra juego (jogo. Helder Filho . Como pudemos comprovar. o jogo significava as ações próprias das crianças e expressava principalmente o que entre nós. diversão e que ocupam tanto a vida central da criança como o tempo de ócio e recreio do adulto. Houve má familiarização com o termo jogo. também há conotações de tipo erótico. competição poética. se denomina "criancices". relaxamento de outras atividades consideradas mais sérias. do jogo mais infantil à mais trágica das encenações no teatro ou à mais divertida comédia circense. que lhe servem de distração. gioco. A palavra jogo provém etimologicamente do vocábulo latino iocus. relaciona-se ao meio artístico e estético. spiel. Esse vocábulo latino dá mais um sentido ao jogo: ludus-ludere. como. o trabalho. Para os gregos antigos. recordando uma citação de Sófocles: "Quem se esquece de brincar que se afaste do meu caminho. etc. a brincadeira não é um conceito científico no sentido estrito. Entre os hebreus. em muitas ocasiões. as crianças adquirem a palavra jogo dos adultos. Segundo diferentes estudiosos do tema. deve-se considerar também o significado do vocábulo ludus -i: o ato de jogar.bola". Por outro lado. e. à ideia de luta. Entre os romanos. é difícil saber em que momento aparecem e qual o significado dessas locuções e suas conotações. Delgado e Del Campo (1993) nos explicam a brincadeira como necessidade na vida. O aspecto lúdico do jogo (do latim de ludicrus) é essa atividade secundária relativa ao jogo. é perigoso". o significado de "jogo" apresenta algumas diferenças entre povos distintos. play. jolas. satisfação. recreação. kliada. game. mas o certo é que elas existem e em diferentes idiomas. por exemplo. promessa solene feita pelos deputados franceses do Terceiro Estado (23-6-1789). joc. paixão ou amor. "jogos florais". observamos tanta seriedade como no trabalho mais responsável do adulto. emprega-se o vocábulo tanto no sentido figurado como no direto ou fundamental.3. entretenimento. jeu. ludus-us e ludicrus (ou cer era. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. Para seu estudo. que se cultiva unicamente pelo prazer. rapidez. Mas quando se estuda a brincadeira no mundo infantil. giuoco.) começou a significar em todas as línguas um grande grupo de ações que não requerem trabalho árduo e proporcionam alegria. divertimento e responsabilidade acompanhada de alegria. Sobre o conceito de jogo A palavra jugar (do latim iocari) significa fazer algo com espírito de alegria e com a intenção de se divertir ou de se entreter. frivolidade. É quase impossível compreender os traços de uma pesquisa para o significado etimológico. passatempo. Para Elkonin (1980). Como vimos. hoje. ludus -i significava alegria. já que aparece a transposição de significados na história da transnominação. o que nos interessa. joko.helder@accessueducacao. que significa brincadeira. A esse respeito. crum)". para o homem. Posteriormente. O ser humano pratica atividades ao longo de sua vida. 4. denominadas lúdicas. o prazer da dificuldade gratuita. porque.org 49 . Entre os germânicos. foi associado a todo ato de falta de seriedade ou feito de forma leviana. Para Petrovski (citado por Elkonin). prazer. a antiga palavra spilan definia um movimento rápido e suave como o do pêndulo que produzia um grande prazer. em países germânicos. ou da mais inocente criança à mais séria aposta na bolsa de valores com a finalidade de ganhar dinheiro. urpa. jogo. a palavra jogo era empregada com relação a risadas e brincadeiras. Em sânscrito. alegria. graça. educação. diversão. Há contrastes: seriedade e alegria.

muitas vezes associada à perda de tempo. na própria vida. Apesar dessa observação pessimista. o ócio. seriamente. de entretenimento e seriedade nos atos. divertir-se e aprender são modos verbais inerentes ao ser humano. improdutiva. é um meio de aprendizagem espontâneo e exercita hábitos intelectuais. como ela e com ela. Tudo isso pode ser proporcionado pelas vivências do jogo: um enriquecimento integral. é uma constante de nossas vidas. mas na maioria das iniciativas racionais que tomamos diariamente. mesmo que com diferentes objetivos. precisa de humor. O jogo é uma constante vital na evolução. uma realidade mais ou menos mágica e. Graças à racionalidade. não-séria. pode brincar consigo mesmo. o entretenimento e a alegria. O jogo entre crianças é muito sério. sociais e/ou morais. o sorriso. Mesmo que nem sempre se queira reconhecer. se realiza. a luta Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. todos os jogos fazem jogo. de tomada de responsabilidade individual ou coletiva. e nem por isso deixa de ser séria a realização pessoal do humano adulto. não apenas na etapa infantil. O sábio sabe que brinca e saboreia jogar. psicoemocional e espiritual do homem. além disso. em sua personalidade. a ternura brotam com a compaixão do quebra-cabeças da vida (Delgado e Del Campo. A simplicidade da ação de jogar é absolutamente universal.org 50 . sua gratuidade foi classificada como prova de que é pouco importante. se desafoga. e sempre visto como algo insignificante. A brincadeira. Tente mudar uma regra ou improvisar para ver o que acontece. Traduz-se como espírito. flexível e tão ambivalente quanto necessária. A brincadeira nasce espontânea e cresce junto com a criança durante os diferentes estados evolutivos até chegar. em sua energia. até a mais avançada idade. heterogénea. Por acaso carece de seriedade e concentração o ato de lutar. Assim. traduzindo-se em matéria.helder@accessueducacao. A brincadeira envolve toda a vida da criança. ao estado adulto e à velhice. O ser humano necessita permanentemente de entusiasmo. por conseguinte. mais ou menos relacionada com a vida cotidiana. superando a idade biológica mesmo que com conteúdo diferente e cumprindo distintos objetivos na vida. cenário impulsionador de ordem. qualquer jogo. Isto também pode seguir vivo no estado adulto. em suas distintas formas. O jogo é parte do caráter do ser humano em sua formação. o verbo jogar. brincar está presente na necessidade de motricidade que enriquece a evolução do feto no ventre e vai acompanhar a vida de cada um de nós até a velhice. O jogo transcorre no mundo da fantasia. torna-se jogo. Helder Filho . ao ser acompanhado de regras ou normas. Cumpre a missão de nutrir. como a outra face do trabalho. na configuração da inteligência. o humor.Tal necessidade psicobiológica nasce com a criança e acompanha o ser humano ao longo da vida. Assim. Acompanha o crescimento biológico. plural. O adulto também aprende. complementar. indispensáveis na vida de qualquer grupo sociocultural. na idade adulta. no amadurecimento e na aprendizagem do ser humano. ao se modelar sob parâmetros voluntários ou obrigatórios. necessita de distração. como o binômio seriedade-regozijo. em outras. ao vício ou ao pecado. com ele aprendemos a aproveitar. 1993). Contudo. físicos. O jogo não carece de seriedade. estado emocional do ser humano e se mostra através do ato motor em movimento. Brincar. formar e alimentar o crescimento integral da pessoa. da seriedade e da alegria. realidade lógica.

a brincadeira é a "assimilação do real ao eu". afetivas e emocionais) mediante as experiências sociais da criança (Ortega. Alguns autores afirmam que toda atividade é jogo desde os primeiros meses da existência humana. O conceito de jogo é tão versátil e elástico que escapa a uma localização conceituai definitiva. quando a criança pratica repetindo um fato para encaixá-lo e consolidá-lo. Nenhum sábio foi capaz de defini-lo. certo e incerto) resiste a uma definição categórica. A capacidade lúdica desenvolve-se articulando as estruturas psicológicas globais (cognitivas. Bajo e Betrán (1998) afirmam que o jogo infantil tende a reproduzir em pequena escala as predileções dos adultos. sem infringir alguma regra? Jogando com a incerteza do resultado final. sequer uma delimitação exata na vasta esfera de atividade do homem e dos animais e toda busca dessas definições deve ser classificada de jogo científico. mesmo lutando para vencer.helder@accessueducacao.para obter uma bola e mantê-la. a definição de "jogo" não é possível. Nesse sentido. não compreende ou. 1980). Vimos que. devido ao amadurecimento de certos órgãos ou funções evolutivas. as brincadeiras com as mãos em seu Campo visual. ganhar. quantitativo. atua como se o seu mundo fosse o deles. não global ou total. Por outro lado. todas as crianças usam a palavra jogo atribuindo-lhe um significado simples e claro: simplesmente definem-na jogando. contudo. até o segundo ou terceiro mês). somente será capaz de captar uma parte da verdade do jogo. podemos ob-servar <|ue a criança reproduz determinadas condutas somente pelo prazer que isso lhe dá. a criança projeta um relativo distanciamento do mundo dos adultos. Sobre a definição do jogo A Real Academia da Língua Espanhola diz do jogo: "ação de jogar. não situa a aparição ou a formação do jogo até o 2a estágio do período sensório-motor (respostas circu-lares primárias. diante de tantos adversários. por meio da brincadeira. porque essa palavra refere-se a uma condição ou realidade primordial da vida. utilizará e praticará para incorporá-las e dominá-las em seu eu de forma a continuar crescendo plena e harmoniosamente. perder. Sua significação é polissêmica. pegar e largar objetos. O jogo se formará a partir de ações que a criança não domina com suficiente destreza. E sua complexidade responde à sua Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. passado. O jogo é algo vital para o ser humano: o "homo ludens" passa quase metade da vida em vigília" (Cagigal. Assim. fazendo dele uma conduta conhecida. O jogo de condição ambivalente (qualitativo. independentemente do idioma que falem. mas também como se esse mundo criado por ela fosse real. 1981). evidente. como medo ou raiva. ou seja. torna-se parte dessa realidade intersubjetiva. Acrescentam que. Nesse período. 'íJogo ou jogar expressa algo claro. Segundo Kollarits (citado por Elkonin. por mais erudita que seja. 4. como seus sons guturais. 1980). excetuando a nutrição ou as emoções observadas.org 51 .4. O antropólogo Bateson (1958) explica a confusão diante da tentativa de definição do jogo por seu caráter paradoxal. pois implica um amplo leque de significados e sua leitura é múltipla. presente. passatempo ou diversão". qualquer tentativa. Piaget (1946). Helder Filho . fácil.

O jogo constitui um desafio. 1988)."(."(. pode entrar a exigência e a liberação de quantidades muito mais consideráveis de energia do que as que exigiria uma tarefa obrigatória" (Wallon. combinação espontânea e símbolo" (Buytendijk. com a direção que o jogador quer lhe dar. 1855). mas que. . mas completamente imperiosa. realizada dentro de certos limites fixados no tempo e no lugar. 1887)... Helder Filho ."(."Tanto o animal como o homem jogam com imagens: a imagem é a expressão do caráter que o sujeito projeta sobre a realidade. executada e sentida como estando fora da vida cotidiana. constitui parte integrante desta e permite a todos entender melhor e a compreender nossas vidas" (Schiller. fazê-lo já é razão suficiente. . Não há forma de brincadeira que não tenha como modelo alguma ocupação séria que lhe precede no tempo" (Wundt. às vezes. o impulso criador" (Lin Yutang. .) o jogo é uma ação livre."O jogo situa-se na intersecção do mundo exterior com o mundo interior" (Winnicott.. é essencialmente ficção. . seguindo uma regra livremente consentida. Nele está o prazer da ação livre.. . . 1980). . pode absorver por completo o jogador.) o jogo é uma atividade geradora de prazer que não se realiza com finalidade exterior a ela.org 52 ."(. algumas definições: ... ."A atividade lúdica contribui para a paidéia . "Fique claro que o homem somente joga quando é plenamente tal e somente é um homem completo quando joga.especificidade e indefinição. sem rédeas.a educação .. nem se obtenha proveito algum. sem que haja nela qualquer interesse material."O que define o jogo é que se joga sem razão e que não deve haver motivo para jogar."(.. algo que é uma ficção. que se executa dentro de um determinado tempo e de um determinado espaço. O jogo não é uma fuga da vida.e proporciona as forças e as virtudes que permitem fazer a si mesmo na sociedade (. 1977). vivendo-se como real e com mais intensidade que o trabalho sério e responsável.. 1935).) o jogo é uma forma privilegiada de expressão infantil" (Gulton. com um fim em si mesma. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof.(. como meio de eliminar seu excesso de energia" (Spencer."No jogo. 1979).. 1980).) é uma atividade livre que tem seu fim em si mesma" (Stern.) uma atividade que os seres vivos superiores realizam sem um fim aparentemente utilitário. . resultado ou conclusão da teoria que a contempla. 1958). acompanhada de um sentido de tensão e de desfrute e da consciência de ser diferente da vida cotidiana" (Huizinga.) o jogo é uma atividade estética. ..helder@accessueducacao. 1901). Poderia se assegurar de que qualquer definição não é mais que uma aproximação parcial do fenómeno lúdico e. .. . 1938).) O jogo prepara para a entrada na vida e o surgimento da personalidade" (Chateâu. 1935). que se desenvolve em uma ordem submetida a regras e que dá origem a associações propensas a cercar-se de mistério ou a se disfarçar para se destacar do mundo habitual". A seguir."(. mas por si mesma" (Russel... que se parece com a arte. apesar de tudo. . O excesso de energia é apenas uma condição para a existência do prazer estético que o jogo proporcio na".) "o jogo é uma ação ou atividade voluntária.."O jogo é a manifestação de uma livre espontaneidade e a expansão de uma atividade em expansão" (Karl Groos. 1968)."A brincadeira é filha do trabalho..

. levar-se para o mundo irreal. como fator de equilíbrio psicológico em sua vida. na busca do Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. repousa em si mesmo sem esse desassossego. . 1958). 1996). quanto no nível social. para passar a expressarse como somos."O jogo é mais agradável e mais puramente jogo quanto maior é a naturalidade. um instrumento efetivo de desenvolvimento das estruturas do movimento. ."O jogo é a arte ou a técnica que o homem possui para suspender virtualmente sua escravidão dentro da realidade...) a função própria do jogo é o jogo mesmo. 1971). Helder Filho . para estabelecer um meio de relação otimista e positiva com os outros homens (. . .. . encontro e separação" (Aberastury. reguladora e compensadora da afetividade.. 1988). meio essencial de organização."O jogo é uma das manifestações mais enriquecedoras do tempo livre. ."A brincadeira infantil é meio de expressão.org 53 . não sendo provocado pelo utilitarismo que inspira o esforço imposto por uma circunstância do trabalho.Um passo do fantasma ao símbolo. . a uma série de atividades concretas claramente delimitadas" (Martinez Criado. exerce sobre nós um grau de encanto e absorção de que carecem outras atividades da vida cotidiana que é psicologicamente liberador e nos proporciona a oportunidade de comparar nossa capacidade com a dos outros" (Castellote. 1923). tanto no nível individual.) porque continuamente cria a sociedade em que se realiza" (Stone e Orlick."O jogo tem duplo significado. (Cillois. . .. para fugir. (."O jogo é uma atividade multidimensional. desenvolvimento e afirmação da personalidade" (Zapata. fator de socialização. ao exercício ou à atividade coletiva" (Lagardera. que infiltra no trabalho a necessidade de conseguir um fim a todo custo" (Ortega e Gasset.helder@accessueducacao.. em uma palavra. 1988)."O jogo é intrinsecamente essencial para a criatividade (."O jogo é recreação (. 1994). . da alegria de fazer e criar e seguramente está mutilada em sua capacidade de se sentir viva" (Rosemary Gordon. ao mesmo tempo. Jogar é negar e superar o fantasma arcaico" (Freud. que se ajusta sempre às necessidades do ser humano com relação à incerteza. 1988)."O jogo leva a experimentar uma sensação de fluir que nos transporta a um entorno em que abstraímos a realidade e outras situações cotidianas.. sem dúvida. oferece-nos um meio de relação social. instrumento de conhecimento. A atividade lúdica caracteriza-se pela improdutividade"."(. 1982). Este exercita atitudes que são as mesmas que servem para o estudo e para as atividades sérias do adulto. 1996).. tristeza e dor."O mundo lúdico origina-se nos primeiros jogos de perda e recuperação.) é um esforço que.) o jogo é algo muito importante em nossa vida: ajuda-nos a dar uma via de realização à nossa imaginação. de outro. nossas carências e virtudes" (Ciskszentmihalyi. no sentido de equilibrar as situações de preocupação. 1997). "O jogo é uma atividade que o homem desenvolve... à diversão.. citada por Trigo. 1970). . com toda a personalidade. De um lado.) Uma pessoa que não sabe brincar está privada. . a ausência de esforço exagerado e habilidade com que se realiza" (Russel. 1967)."O jogo é um diálogo experimental com o meio ambiente" (Eibl-Eibesfeldt (1967)."Brincar é o que se faz quando se está livre para fazer o que se quer" (Gulich. refere-se a uma forma de se comportar e sentir e.

Do ponto de vista fisiológico. Segundo Blanchard e Cheska (1986). percorre as etapas evolutivas. O sociólogo Norbeck (1971) define o jogo da seguinte maneira: "Seu comportamento fundamenta-se em um estímulo ou em uma propensão biologicamente herdados. homem. pode-se entender o jogo como atividade que os seres vivos superiores realizam sem um fim aparentemente utilitário e com o objetivo de eliminar o excedente de energia. de vez em quando.desenvolvimento. saúde. ao mesmo tempo. Um conceito de jogo que possa ser aplicado transculturalmente é essencial para a antropologia da motricidade humana e o esporte. Como comportamento vital.org 54 . nasce. são poucas as definições satisfatórias de tais atividades. na ausência de toda pesquisa social ou de comportamentos agonísticos ou passivos/submissos por parte dos membros de uma díade (tríade. de fato. sobretudo durante a infância". Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. mas. como diferentes etapas evolutivas. A maioria das espécies animais executa. política. mesmo que tais ações possam ocorrer como atos derivados durante o jogo". da autonomia e do desfrute da pessoa" (Lavega. Começa sua obra dizendo que o jogo é como "uma atividade livre mantida conscientemente fora da vida cotidiana. Huizinga considera o jogo uma forma de cultura mais do que um componente formal da cultura. absorve. portanto. Há uma necessidade escondida de crescer. com um denominador comum: o desejo de melhorar a qualidade de vida. quem a exerce. adolescente. porque carece de seriedade. que se distinguem por uma combinação de traços: é voluntário. alguma forma de brincadeira. de acordo com regras preestabelecidas e que promove a criação de agrupamentos sociais que tendem a atuar secretamente e a se distinguir do resto da sociedade por seus disfarces e por outros meios". Nasce. desenvolve-se e morre com o sentimento ou o campo das emoções do ser humano. "o jogo é um fenómeno não apenas universal dos seres humanos como é comum a outros animais. mas deve crescer e evoluir em suas formas junto ao homem para ajudá-lo em suas diferentes etapas. Numerosos etólogos estudaram o jogo social dos animais. O jogo é criança. ete). O jogo não morre com o final da infância ou da adolescência. acompanha o ser humano e morre com ele. Huizinga (1938) afirma que o desenvolvimento da civilização deve-se a mecanismos lúdicos e também. até certo ponto descartável. amor. dentro das quais o jogo (definição do poeta Schiller modificada pelo filósofo Spencer). Deveria. Realmente. velho. etc). ser auto-suficiente e dispor de seu próprio significado e justificativa. ao trabalho. poderiam existir atividades necessárias e vitais e atividades desinteressadas.helder@accessueducacao. Helder Filho . mas. que não traz qualquer proveito e que se desenvolve ordenadamente dentro de seus próprios limites de tempo e espaço. Faz-se necessário o jogo em seus diferentes contextos para a busca antropológica da verdadeira natureza do homem. Bekoff (citado por Blanchard e Cheska) propõe o seguinte conceito etológico: "O jogo é o comportamento que se observa nas interações sociais que comportam uma diminuição da distância social entre os protagonistas. sobretudo. Uma atividade desprovida de todo interesse material. intensa e profundamente. viaja. amadurecer e ser junto ao jogo espontâneo. 1997). direito. O jogo permite que se exteriorizem outras facetas da cultura (ritual. diferenciado temporalmente de outros comportamentos por sua qualidade transcendental ou fictícia".

seu amadurecimento e sua observação sistemática são imprescindíveis para a vida. mas por uma variedade de traços. Realmente. plasmada na obra da vida. porque gosto. No jogo. intencional. dos sentidos e do pensamento. ao se expressar através de emoções. conectamos nosso micromundo ao macromundo onde vivemos. Segundo os antropólogos Blancjard e Cheska. Trata-se de uma atividade praticada em todas as épocas e culturas. é espiritual e se materializa ao ser criado. Comprovamos que. querer e fazer: tudo pode ser. surge espontaneamente. na obra do jogo. ao se fazer com sua alegria ou amor. amplia sua capacidade de imaginação e de representação simbólica da realidade. significa a raiz da vida do ser humano e a própria vida.org 55 .helder@accessueducacao. emocionais ou espirituais. nos aproximamos da comunicação com o mundo que nos rodeia. busca com o homem um significado que cumpra necessidades biológicas. sua evolução. ela se enriquece. Corredor (1998) afirma que qualquer atividade acompanhada de alegria e/ou riso consciente também é uma forma de jogo. que se define não por eliminação dos demais comportamentos.Puigmire-Stoy (1966) define o jogo como a participação ativa em ativida-des físicas ou mentais prazerosas para obter satisfação emocional. para brincar. simbolismo e ação. Através dos jogos. sempre presente na vida do homem. Em seu desenvolvimento. diz Martinez Criado (1998). O jogo não é material. a cultura faz vida: o jogo é vida e a vida.) o jogo é uma forma de comportamento que inclui tanto dimensões biológicas como culturais. é algo instintivo que responde às necessidades da dinâmica infantil. "(. 4. É agradável.. por meio do jogo. Pensar. podemos conseguir tudo o que desejamos. As atividades realizadas no contexto do jogo são produto da ilusão. O jogo faz cultura. além de fazer parte da realização da capacidade cognitiva de observação. O jogo em sua formação não necessita de aprendizagem. experimentamos a realidade das coisas. recordações. O jogo nasce espontâneo. o ser humano se introduz na cultura e. singular em seus parâmetros temporais. expressão da criatividade do homem como resultado das emoções. O ser humano necessita da realidade do jogo para recuperar seu comportamento natural. sem outro fim que a necessidade e a alegria de jogar. o jogo deve evoluir. poderíamos dizer que. Origem do jogo O jogo é parte fundamental do desenvolvimento harmónico infantil e de importância tal que o conhecimento dos interesses lúdicos.5. cultura. seu equilíbrio vital. Atrevo-me a afirmar que o jogo nos serve de cordão umbilical ou união com a nossa natureza mais íntima. Pelo jogo se conhece o espírito. qualitativamente fictício e deve sua realização à irrealidade".. O mundo mágico do jogo torna possível todo tipo de realizações. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. Por que o ser humano quer modificar isso ao longo de suas diferentes etapas evolutivas? Com elas. crescer e acompanhar durante toda a vida o ser humano e a sua cultura. como veículo de comunicação. Por que as crianças brincam ou que causas as levam a brincar? A própria criança poderia responder simplesmente porque sim. com o jogo. Helder Filho . Poderia ser a expressão mais pura e simples do comportamento humano integral. é intensificada a vida cultural do homem.

Berne.Forma de se preparar para a vida adulta.Forma de passar do fantasma ao símbolo: brincar é negar e superar o fantasma arcaico (Freud. . 1955.Forma de elaboração (Klein. 1981). . 1959.Forma de atividade livre. 1997). Secadas. . 1988).Forma de fixação de hábitos adquiridos e de garantir as novas habilidades (Bhuler. . 1987. . 1987. 1923). Csikzentmilhalyi. . 1946). .Forma de cenário pedagógico natural (Ortega e cols. 1946. Klein. 1986). com fim em si mesma (Stern.helder@accessueducacao.. acompanhada de uma sensação de tensão e de júbilo e da consciência de ser diferente da vida real (Huizinga. 1958). desenvolvimento e afirmação da personalidade (Zapata.Forma de aprender. fugir da realidade ou reproduzir as situações de prazer (Freud. Froébel. 1979. 1982. . Delcroy e Monchamp. Autoformação (Château. 1980. Adeler. 1988).Forma de intervenção educativa baseada no conhecimento do desenvolvimento da criança e na busca de metodologia adaptada ao pensamento das crianças e sua forma espontânea de construir conhecimentos (Canal e Porlán.Forma de atividade lúdica funcional (Buhler. Helder Filho .Forma motivante como princípio motor do jogo (Château. 1958. 1996). Garcia. Linaza. . ..Forma privilegiada de expressão infantil (Gutton. 1960).Forma de organização. 1901). . Garcia e cols. . Diferentes autores apontam uma série de razões pelas quais se joga: .Forma de improdutividade (Caillois. 1955). Aquino.Forma de construção de conhecimentos sociais e psicológicos da criança (Flavell e Ross. . .Forma de terapia e liberdade de criar (Winnicott.Forma de transformação da realidade segundo as necessidades do eu (Piaget. 1938). 1991).Forma de atividade voluntária com fim em si mesma. . 1992). O jogo está relacionado com a capacidade criadora do homem e traduz a necessidade da criança de atuar sobre o mundo (Rubinstein. . 1931. .Forma de aprendizagem e crescimento harmónico. como resposta possivelmente psicobiológica à vida.Forma catáltica para reduzir as tensões.Forma de descanso para o organismo e o espírito (Schiller.Forma de se liberar da energia excedente por falta de outras atividades mais sérias em que investi-la (Spencer. 1958). 1977). . 1977).org 56 . reprodução da evolução de atividades de gerações passadas (Hall. 1924). citado por Mune. . . 1935). 1986). atrevo-me a dizer. defender-se das frustrações. 1989). Seria um exercício preparatório das atividades que serão enfrentadas no futuro (assim como osfilhotes dos animais) (Gross. . . Case. 1904). 1920. .Forma de prolongamento de traços da espécie posteriores ao amadurecimento Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. Erikson. 1986.Forma original da risada e do prazer (Delgado. . 1991. 1897).Mas o jogo aparece.Forma de recapitulação de filogênese.Forma de evasão da realidade: não se busca um resultado utilitário. interceptar e conservar os novos hábitos adquiridos (Piaget.

1986. 1980). Helder Filho . . Vygotsky. Não cria bens nem riqueza ou qualquer elemento novo de espécie alguma e. podemos vislumbrar uma série de características.Forma de assegurar a transmissão de valores promovidos por diferentes culturas (Sutton-Smith.humano (Bruner. intelectual. 1979). físico e prazer moral ou psíquico. Essa talvez seja uma de suas características centrais. 1966.O jogo deve ser prazeroso. Caneque. Brunner. . 1989. A finalidade do jogo deve ser ele mesmo. Groos. deriva-se da palavra paidia. .6. por não possibilitar qualquer fracasso. . distante do cotidiano. 4. À medida que a criança cresce. Piaget. afetivo e físico da criança e se adapta aos períodos críticos de seu desenvolvimento (aos seus conflitos pessoais e sociais). pois apresenta características. é desinteressada. . Características do jogo Ao estudá-lo. superação de algum tipo de obstáculo. .O jogo é uma forma natural de troca de ideias e experiências. seu organismo responde de diferentes formas e utiliza distintas atividades lúdicas. permanecendo até a velhice. Bronfenbrenner. estabelecido pelos jogadores.O jogo deve ser limpo. De acordo com autores como Huizinga. . É uma manifestação que tem um fim em si mesma. . . que determinam suas regras. ordens e limitações. González. mesmo que isoladamente não o defina.O jogo é uma atividade livre. Caillois. Sendo uma atividade criativa. impulso inato que não requer especialização nem aprendizagem prévia. 1991).O jogo é fictício. . Ortega e Caneque.O jogo é improvisado. Tal característica é muito importante na brincadeira infantil. .Forma de resposta emocional e intelectual às experiências sensoriais (Brierley e Goleman. ou seja. 1972). original.Forma de criatividade (Marin Ibánez. .O jogo é incerto. é como uma história contada com ações. salvo deslocamento de propriedade no seio do círculo de jogadores. Cagigal.O jogo é uma atividade desinteressada e autotélica.helder@accessueducacao. Sarazanas. mesmo que a prática sucessiva leve a isso. acaba em situação idêntica à do começo. O jogo possui uma auréola mágica. . . 1991). espontânea. a brincadeira evolui com o desenvolvimento integral. e cativa a todos.O jogo é separado. é uma contínua mensagem simbólica. Csikzentmilhalyi.O jogo deve ser espontâneo. Joga-se pelo prazer de jogar.Forma de atividade que somente cabe definir a partir do próprio organismo imerso nela (Piaget. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof.org 57 . Russel. 1955. . Prazer do tipo sensorial. . entre outros. Bandet. temos algumas das mais representativas: .O jogo é um comportamento de caráter simbólico e de desenvolvimento social. física e cultural (Pellegrini. ninguém é obrigado a jogar. O jogo cresce com a criança até a idade adulta. Moyles. Robert. É um acontecer voluntário. Todo jogo coletivo é um acordo social. cujo resultado final flutua constantemente. É um mundo à parte.O jogo é convencional e regulamentado. .Forma ecológica. . 1990). 1997). 1946. Sempre se localiza em limitações espaciais e imperativos temporais estabelecidos de antemão. Trigo. não se trata de uma atividade utilitária.O jogo é gratuito ou improdutivo.Forma de incorporação da criança a uma instituição educativa (Linaza. 1982.

Conclusões Talvez este título não seja o adequado. No jogo. É um símbolo de humanidade. se mover. da vontade. não importa onde e nem com quem. estão intercalados. O que se entende como jogo ou brincadeira abarca uma infinidade de ações e atividades. da.ilegria. O benefício dessa prática preenche o desejo de realização e nos proporciona prazer ou satisfação.O jogo é como uma vela que ilumina o comportamento do ser humano: é o resultado da busca das melhores coisas escondidas no mais íntimo do ser. brinca de diferentes maneiras conforme o meio em que se encontre. O mundo mágico do jogo torna possível todo tipo de conexões ou interações para atingir diversas realizações. Nenhuma criança se cansa de brincar.O comportamento lúdico nasce com a criança e cresce com o interesse e a curiosidade por explorar o seu corpo e o mundo que a cerca. espontânea. Tão somente procura a recompensa de um gesto ou de um sorriso como conteúdo mínimo de comunicação.O jogo permite à criança relacionar-se com a realidade. Já que a aprendizagem é infinita. relaxante. o mais importante veículo para o desenvolvimento evolutivo e a adaptação ao meio vital. sem nenhum outro vínculo de comunicação. uma característica da saúde. pertence a todas as pessoas.org 58 . solidário. Responde à necessidade de motricidade. bandeira ou moeda.O jogo reflete em cada momento a forma com que a criança atua. superando montanhas. Helder Filho . é parte da vida. por isso vou apenas mencionar ideias que podem servir de proposta para encontrar uma definição do tema.O comportamento lúdico é universal.7. Essa curiosidade cresce saciando-se de conhecimentos e oportunidades de aprendizagem. 4. compreende e se relaciona com o mundo. porque sente-se confortável.O jogo não tem fronteiras porque não as conhece e se propaga rapidamente como o fogo. imitar e à necessidade de enriquecimento por meio do movimento. . portanto.. bandeira da paz e laço de união entre os povos. Não necessita passaporte nem entende de idioma. como um idioma internacional. voa como as nuvens pelo ar e se hospeda como a terra em todos os povos e países. O mundo real e o mundo criado pelo jogo se movem em um mesmo plano. O jogo tem um efeito estimulante. Há na criança uma forte necessidade de se expressar e de comunicar-se. adultos e velhos de maneira imediata. . Tudo o que vivemos pode tomar parte na brincadeira. Os atos do jogo são produto da ilusão. do otimismo.O jogo é respeitoso. A criança brinca sempre. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. Somente quando a criança conhece o ambiente brinca. desinibida e natural. como uma moeda comum. restaurador. deixemos a porta aberta para continuar aprendendo com quem sente o desejo de explorar esse maravilhoso e mágico mundo do jogo: . desertos e bosques. podemos conseguir tudo o que desejamos. explorar. porque não tem fronteiras.O jogo é uma atitude.O jogo é como uma bandeira com todas as cores. . porque a passagem de um ao outro é constante e contínua. parece-me. Por isso. já que constantemente estão trocando informações. viaja tão puro como a água através de rios e oceanos. . É. sem preconceitos. . O jogo é incompatível com circunstâncias vitais da doença. . contudo. . É realizado em situações de bem-estar e sem pe-rlgo à vista. porque nasce da bondade humana. de estar ou ser ativo. Faz com que se entendam crianças.helder@accessueducacao. mesmo que não seja o Único.

Mediante o jogo. dada sua importância vital (por seu caráter multidisciplinar.Os jogos evoluem com a criança e ajudam a formar a estrutura de sua personalidade. desenvolvendo os aspectos motor. . . em um modo de expressão com que se atua. . por outro lado. por um lado. as crianças expressam-se de forma natural. colaboração e cooperação: todas as crianças querem brincar). quando adultos.Com o jogo.org 59 . . relacionar-se bem com os outros e fazer amigos). nos preparamos para a vida ensaiando papéis que desenvolveremos posteriormente na sociedade. melhora a saúde física e emocional. a mente e o coração da criança e. ajuda a canalizar. estimular o senso de humor. nesse sentido. explora. por fim. As crianças e os adultos necessitam da realidade do jogo para conservar ou recuperar seu comportamento natural: seu equilíbrio vital.A brincadeira proporciona situações que estimulam o senso de humor como estado de espírito. Uma atitude necessária para encarar a vida diária.Com o jogo. fomenta as relações sociais frutíferas (aprender as limitações. participativo e significativo: processo que se amplia ao longo da vida. . . Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. criativo. podemos considerar a brincadeira como um modo mágico de entender o trabalho. uma atitude ativa. que nos ajuda a encarála com o otimismo necessário para manter um estado emocional estável e que possa nos proporcionar uma sensação de bem-estar.A magia da brincadeira se converteria. além de alcançar a felicidade são objetivos prioritários da educação para evitar o fracasso escolar. emocional. pelos valores que origina e pelos efeitos que produz). porque as crianças praticam continuamente e de forma simples os comportamentos e as tarefas necessárias para se converterem em adultos. pesquisa. Intelectual.O jogo serve-nos de ligação com a natureza. bem como o estado de espírito. aumenta a auto-estima (vive-se em um ambiente harmónico). na escola e na vida. em um elemento ideal para reconciliar. uma solução saudável. a criança aprende normas de comportamento para crescer e aprender a viver na sociedade de forma integral. promove a participação e a atividade (com a base da criatividade.. a ferramentachave para a aprendizagem é o jogo. Nesse caso. gera valores humanos positivos para a vida e. . fomentar a curiosidade. Assim. A criança cresce aprendendo hábitos de convivência necessários para viver em sociedade. reduzir ou processar condutas agressivas (base para a segurança do indivíduo e do ambiente). positiva e crítica. O jogo proporciona ao ser humano um interesse pelo conhecimento. Helder Filho . vive-se em meio a um processo de aprendizagem global. .Alguns teóricos afirmam que a brincadeira é o trabalho da criança. Já que o jogo promove habilidades sociais (talentos maravilhosos). instrumento que lhe ajuda a entender a vida e a sua própria vida. coloca-se em conexão o nosso micromundo (pessoa) com o macro mundo (sociedade) em que vivemos.Desenvolver a inteligência emocional. na escola. O jogo fomenta a capacidade para a elaboração de normas da infância à vida adulta. social e cultural. se poderia afirmar que é uma realidade. que lhe permite se integrar de maneira gradual na família.helder@accessueducacao. .O modo natural de aprender é através do jogo. pois escolhem uma solução adequada às suas necessidades e possibilidades. comunica.

estado geral de saúde como também iluminação e adequação do espaço físico. Fatores físicos que tanto podem ser do tipo alimentação. Renomados estudiosos. com um impasse: nossos alunos não têm interesse naquilo que pretendemos lhes ensinar. ou personalidade. Nossa pergunta é: basta isso para que haja aprendizagem? Essa modificação interna. Não vamos entretanto nos ater a isso. Também não o faremos.Emília Tavares/UFPEL Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. psicólogos e filósofos já o fizeram e com amplo domínio desse campo do conhecimento.helder@accessueducacao. São muitas essas condições 15 Texto retirado da II Reunião da SBM . 5. sob diversos aspectos e com experiências variadas uma determinada ação para que ela seja aprendida.Profª M. Faz-se necessário então que o professor crie uma situação em que surja o interesse. lá que nome queiramos dar. Fatores sociais como as oportunidades de interações como as outras que podem ser do mesmo nível ou de nível diferente e que promovem e desenvolvem o espírito de cooperação. Inúmeros são os fatores que interferem na aprendizagem. procedimentos de criar uma situação favorável. Consideremos a aprendizagem como uma mudança estável e intencional de comportamento e para que isso ocorra. profunda do ser humano com mudanças nas operações mentais e atitudes não necessitam de algo mais do que um estímulo externo? Não será necessário uma força. ou. um motivo inerente a própria pessoa. Entendemos que ao se falar em um se fala em outro. Muitas vezes o aluno não se interessa por determinada situação de aprendizagem exatamente porque não vê motivos para realizar aquela atividade. Poderíamos particularizar focalizando o processo ensino aprendizagem na nossa área – Matemática.. Geralmente o que vai acontecer: procura-se o agradável e por ele chegamos ao útil ou necessário. aqueles inerentes à própria pessoa. O que é a motivação? Nada mais do que a predisposição interna que impulsiona a busca de um objetivo.2. Julgamos que sim. Fatores que poderíamos classificar de pessoais. ou ego. O processo de aprendizagem é desencadeado por um motivo que pode ser a necessidade. ou seja. faz-se necessário desencadear o processo através de um impulso externo – a incentivação. Poderíamos tecer várias considerações sobre cada um desses fatores e a forma como influenciam o ser humano em seu processo de aprendizagem. muitas vezes é preciso repetir várias vezes. Motivação De todos os fatores que apresentamos ou possamos apresentar queremos abordar um ponto que em nossa opinião é o mais essencial e imprescindível no desenrolar do processo aprendizagem – a motivação. processos mecânicos podem levar a repetir uma ação tornando-a automática. ou psicológico. métodos. a agradabilidade.1. considerando que se trata de “trabalhar”.org 60 . Helder Filho . Cabe ao professor através de uma variedade de recursos. a utilidade. em outras palavras – naquilo que achamos que eles deveriam aprender. Sabemos que certos condicionamentos externos. à sua psique. e econômicos. “estudar”.5.. Muitos de nós professores de matemática nos deparamos. no desenvolvimento de nossa atividade didática. ou seja. As legítimas motivações para a aprendizagem são raras. ou espiritual. JOGOS DIDÁTICOS: SEU USO E IMPORTÂNCIA NA APRENDIZAGEM15 Introdução 5. Fatores culturais.

isso sim. • Pela seleção adequada de problemas.favoráveis e não são apenas materiais. • Pela construção de modelos. mas especialmente pessoais. Essa incentivação visando orientar o interesse do aluno pela Matemática como objetivo de estudo e trabalho tem formas variadas – já o dissemos – de ser obtida. A criança e o jovem e porque não dizer também o adulto – precisa sentir naquilo que fez uma auto-realização. O Jogo Didático Porque o fazemos? Não é porque o consideremos a mais eficiente forma de despertar a motivação – já expusemos nossas idéias sobre o que é “mais eficiente”. como por exemplo: • Pela correlação com o real.” O despertar desse gosto pela Matemática depende em grande parte do professor. • Pela importância de valores históricos. sociais e psicológicas. o estímulo adequado. aparelhagens. o “amor” que ele sente pelos seus alunos e por eles é percebido. Queremos nessa oportunidade.3. Basta se ter observado – em grande escala o fenômeno que acontece nos jogos olímpicos. Não temos “receita” para esse despertar do querer aprender. “A Matemática tem significado diferente para pessoas diferentes.porque a atividade lúdica é intrínseca ao próprio ser humano. Mas isso não é tudo.org 61 .helder@accessueducacao. Não é também porque essa atividade apenas possa ser utilizada como elemento propulsor da força motivadora. dentre esses vários aspectos focalizar um em especial: 5. • Pela utilização de meios audio-visuais. mobilizando de crianças a velhos. • Pelas atividades lúdicas. gráficos. . mas também é resultante dos recursos que ele emprega no ensino. pela Matemática. É ele que a partir do conhecimento da sua turma de alunos vai promover no momento exato. o entusiasmo que tem. Somos de opinião que essa receita não exista. sabemos. • Pelas atividades recreativas. Isso é fundamental: que tenhamos sempre presente que o “dar certo” para um grupo de alunos num dado momento não significa uma “fórmula de dar certo” em qualquer momento. Helder Filho . Acreditamos que o professor de Matemática deve estar preocupado em alcançar um despertar a motivação em seus alunos. especialmente dos que trabalham com 2º grau e alegam ou que “os Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. • Pelos clubes de matemática. Mas ainda achamos que acima de tudo o professor é um dos fatores mais preponderantes nesse processo motivador – sua personalidade. • Pela aplicação às demais ciências. • Pelos livros e revistas de divulgação da Matemática. e demonstra. ou – em menor escala – o que acontece a volta de uma “pelada de rua” ou de um “volei familiar”. digamos assim – um prazer pessoal e isso fará com que se sinta livre e responsável por sua realização. O fazemos.porque é uma atividade ainda pouco utilizada em sala de aula e que ainda não conseguiu impor o seu espaço como elemento propulsor no processo ensino-aprendizagem – porque é uma atividade que ainda não ganhou a confiança de muitos professores. sabendo que é ela a força impulsionadora de toda a aprendizagem. com qualquer grupo de alunos e qualquer professor. murais. independente de qualquer tipo de sectarismo.

• Reavivar a simpatia pelo professor e pela disciplina.Com material improvisado – aquele em que o professor distribui entre os participantes. noutra época. Por tudo isso. tamanho da sala. c) Classificação quanto ao material: De acordo com o material empregado o jogo pode ser considerado: . • Se o jogo será individual. • Combater certos complexos. “vou ter que fazer outro”. material por ele preparado previamente.helder@accessueducacao.Simples – aquele em que o professor só utiliza material de uso em sala de aula.alunos não gostam (só que nunca vivenciaram!) pois são grandes para brincar” ou que não “dá tempo”. foi o conteúdo que eles mais gostaram e se saíram melhor”. Um jogo realizado com êxito numa turma pode redundar em verdadeiro fracasso quando aplicado noutra turma. .Com material permanente – aquele em que o professor utiliza o material já fabricado especialmente para a finalidade. tipos e objetivos. b) Escolha e/ou criação do jogo: A escolha ou elaboração do jogo a ser aplicado deve merecer a maior atenção do professor a fim de que se verifique a adequação entre o jogo e a turma para o qual é destinado. Nesse planejamento deve o professor atender ao seguinte: • A finalidade específica do jogo. • Educar para competir. material e tempo disponível. com satisfação. destacamos o jogo didático. na verdade nem nos preocupamos com ela em demasia. e porque durante o tempo em que trabalhamos com “Prática de Ensino de Matemática” tivemos a oportunidade de com os nossos estagiários elaborar e aplicar vários tipos de jogos didáticos e ouvir. • Se o jogo será simples ou vai exigir material. Em outras palavras é a aplicação desse ou daquele jogo não é inteiramente arbitrário. jogos de armar. ou que se sentem constrangidos de fazer joguinhos. Helder Filho .org 62 . • Cultivar o espírito de solidariedade. Cabe ao professor portanto escolher com cuidado o jogo mais adequado à maturidade da turma. pelo próprio entusiasmo com que os participantes se congregam. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. . • Educar a atenção. após o vivenciar da experiência e muitas vezes. • Desenvolver a lealdade – mesmo que inicialmente isso se faça por “fiscalização”. como dominó. número de alunos. “bah!. • Se o jogo será com competição ou sem competição. “não pensei que eles iam se entusiasmar e trabalhar tão bem!” A seguir vamos analisar o jogo didático quanto as finalidades. de grupo ou coletivo. d) Planejamento e execução do Jogo Como qualquer outra atividade didática o jogo didático a ser praticado em aula deve ser cuidadosamente planejado. Não somos rígidos quanto a esse tipo de classificação. grau de sociabilidade. a) Alguns dos objetivos do jogo didático na sala de aula: • Incutir no aluno o espírito de disciplina através do cumprimento e/ou elaboração das regras do jogo. só então a resistências vencidas – comentários do tipo “como eles gostaram!”.

assinalando se as finalidades foram alcançadas. mas sim que é possível de novas aplicações desde que em condições equivalentes e/ou com adaptações convenientes. e) Avaliação: Após a aplicação de um jogo didático o professor deve fazer uma avaliação. Antes de iniciar o jogo deverá o professor explicar. Como será feito a motivação. Lembramo-nos de que “o jogo deve ser uma forma de levar o aluno a querer tudo o que faz e não a fazer tudo o que quer”. as regras que devem presidir a atividade lúdica.O tempo a ser empregado no jogo.helder@accessueducacao. analisando se as finalidades foram alcançadas.org 63 . Helder Filho . Tratando-se do jogo com competição é indispensável que o professor esclareça a turma: 1) Sobre o número de partidas. Quando o professor surpreender um aluno em atitude irregular deverá adverti-lo com serenidade. em termos bem claros. o maior cuidado do professor é evitar e suprimir a fraude. A designação que será dada no jogo. mas com bastante energia. f) Sugestão de roteiro do jogo didático I – DADOS DE IDENTIFICAÇÃO Nome do Jogo: Curso: Disciplina: Série: Nº de alunos: Duração: Aplicador (a): II – OBJETIVOS III – CONTEÚDOS IV – MATERIAL UTILIZADO V – DESENVOLVIMENTO VI – AVALIAÇÃO VII – OBSERVAÇÕES • • • • Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. Enfim o professor tem um jogo testado – o que não significa que deva ser aplicado “cegamente” em nova oportunidade. Nos jogos escritos. 2) Sobre a contagem de pontos. Não havendo esse cuidado o jogo deixará de ter função educativa. assinalando os pontos que podem ser aperfeiçoados ou que devem ser mudados. Como será apresentado o jogo.

Mais fácil é quadricularse uma folha antes. basta entregá-la aos alunos destacando que sua tarefa. desenvolvendo do raciocínio lógico e levando os alunos a uma aprendizagem significativa e exploração de habilidades operatórias mais amplas que as provocadas por simples explanação. Helder Filho .php Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. Esse emaranhado de palavras. posteriormente avaliado. Após a seleção dessas questões. específico para cada um. Com tantas cópias desse material. por exemplo. ser executado em qualquer série ou nível de escolaridade e. com critério e acuidade. impondo a monotonia e o cansaço? Pode esse tema. será tentar ordenar as frases. devidamente adaptado. bem mais que apenas uma compreensão literal do que se expõe. ao levar o aluno não a conquistar um conhecimento interiorizando-o de fora para dentro. Mas. extremamente pertinentes e significativas em relação a essência e objetivos do texto. quantas duplas.1. que se ministrado através de aula expositiva? É possível na regência dessa aula. amontoadas ao acaso e unidas fora de ordem compõe o recurso material do “jogo de palavras”.helder@accessueducacao. escrever as palavras em cada dos quadrados e somente depois cortála. organizando os alunos em duplas. ainda de quebra. fragmentá-las separando cada uma das palavras e escrevendo cada palavra em um pequeno quadrado de papel. por falar estimular as estruturas mentais do pensar. garantir igual ou maior compreensão e lucidez por parte dos alunos.celsoantunes. mas construindo-o interiormente em um processo de assimilação. conquistada através de uma leitura ou de outro processo de informação. similar que afirmar “É construção coisa não que de. Em segundo lugar. mas fora processo o inte16 http://www.com. trios ou grupos se contam em classe.6. tornando o apreendido compatível com as estruturas mentais do apreendente e. Algo. poderá esse trabalho. uma. desinteresse e apatia? Pode esse tema garantir ao professor menos dispêndio de energia que o imposto por aula tradicional? A resposta a essa pergunta é afirmativa e. a ela outras conquistas positivas se agregará. duas ou três sentenças sobre o assunto escolhido.br/pt/projetos. à imagem de quem monta quebra-cabeças. emprestando-lhe sentido lógico. dessa forma. será possível trabalhar-se simultaneamente o texto e contexto. dessa forma. fazendo-os falar e.org 64 . Existe a possibilidade de se ministrar um tema de História ou Geografia. dessa forma. Será possível com esse trabalho alcançar não apenas as disciplinas acima relacionadas como outra qualquer. trios ou quartetos e. Matemática ou Ciências. E tudo isso apenas com a coragem em se substituir uma tradicional exposição por um envolvente e motivador Jogo de Palavras. conquistar a certeza de que sua apresentação não suscitará indisciplina. por último organizando. No desempenho desse trabalho o professor poderá estar se aproximando dos sonhos de Piaget. como fazê-lo? Em primeiro lugar garantindo que os alunos tenham “alguma idéia” sobre o tema. COMO MINISTRAR CONTEÚDOS COM UM JOGO DE PALAVRAS16 Introdução 6. Língua Inglesa ou Portuguesa sem ficar à frente da classe expondo e.

Helder Filho . por ajuda interativa e. buscar esquemas de solução e por essas vias pensar. mas a segunda é falsa (Extraindo-se seis de onze o resultado é cinco e não quatro). motivados. Ao invés de se colocarem de forma passiva diante de um texto.rativo de um conhecimento vem do interior” e que ordenado expressaria “O conhecimento não é uma coisa que vem de fora. levaria o aluno a falar. trocar idéias. ao qual buscariam uma estrutura lógica. o professor economizaria energia. Como ministrar conteúdos com o autódromo? O Autódromo é um jogo operatório dos mais interessantes. os alunos necessitam estar agrupados em equipes e cada equipe deve abrigar um mínimo de quatro e. mas a eles se compõe modificando-o. através do mesmo ensinou que o novo conhecimento não se sobrepõe aos conhecimentos anteriores. alternando-o com outros jogos operatórios e aulas expositivas diversas. pois estaria substituindo tradicional discurso. Embora cause motivação. levando a seus alunos jogo desafiador e atraente. não se desviariam da tarefa e. Solicita. com Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. o professor possui o material necessário ao Autódromo.org 65 . Nessa atividade o professor transformou texto em contexto.helder@accessueducacao.2. pois a primeira (4 + 7 = 11) é verdadeira. que cada grupo prepare em meia folha de papel. simbolizado pelo texto fragmentado. estariam exercitando esquemas de assimilação em atividade pura diante do objeto da aprendizagem. Como é fácil perceber. colocou em ação mecanismos de uso dos hemisférios cerebrais direito e esquerdo e. a seguir. a freqüência de uso constante acaba desgastando-o Para essa interessante atividade. o professor organiza uma listagem de questões sobre o assunto trabalhado. mas deve ser aplicado uma vez ou outra. e como cada questão pode ser verdadeira (V) ou falsa (F) as duas juntas permitem quatro respostas possíveis: VV – As duas questões são verdadeiras VF – A primeira questão é verdadeira e a segunda falsa FF – As duas questões são falsas FV – A primeira questão é falsa e a segunda verdadeira. Essas questões devem estar agrupadas duas a duas. Com as equipes constituídas o professor explica o(s) tema(s) ou conteúdos que serão cobrados durante o Autódromo. estariam interessados e disciplinados. Com a classe dividida em equipes e os componentes de cada equipe sentados próximos uns aos outros. os alunos encontrariam motivação por ver substituída sua postura passiva de ouvinte por ação solidária de jogador. essa aula. a resposta correta a essa questão é VF. interesse. como no exemplo abaixo. usando habilidades que envolveriam análise e síntese. dedução e contextualização. comparação e classificação. envolvimento e participação dos alunos. Ao se envolverem no desafio que essa atividade abriga. Com dez a quinze questões duplas como demonstrado no exemplo e naturalmente dentro do assunto marcado para a atividade. Cada equipe deve ter um nome escolhido livremente pelos alunos. portanto. 6. um máximo de sete componentes. Exemplo Questão 1 – A soma de quatro mais sete é onze / Extraindo-se seis de onze o resultado é quatro. mas processo interativo de construção interior”.

A seguir o professor chama cada uma das equipes e o aluno exibe a papeleta com a qual acredita ser a resposta correta. quatro papeletas diferentes. Chama a seguir uma letra. entretanto. Dirigindo-se a equipe Amarela e percebendo que na mesma existem apenas quatro alunos. a letra “C” e os alunos de todas as equipes que tiverem essa letra deverão ficar imediatamente de pé. O professor lê a primeira questão dupla. então. É. portanto. O professor anota essa resposta na lousa. Agindo dessa forma cada equipe contará com representantes para todas as letras atribuídas. portanto. Vamos supor que apenas as equipe AMARELA e BRANCA acertaram. dá um sinal avisando que o prazo terminou. a sucessão de pontos que o desempenho das equipes possibilitará alcançar. marco no espaço da lousa os grupos que acertaram e passam a fazer juz a cem pontos. na vertical. um deles será o “A” e “F”. concede as equipe um espaço de tempo de dez a quinze segundos para optarem por uma das quatro respostas possíveis e após esse tempo. Helder Filho . o professor passará em cada equipe iniciando pela que mais alunos tiver e atribuirá aleatoriamente a cada um deles uma letra do alfabeto.giz colorido. hora de começar o Autódromo. A lousa. cada grupo com suas quatro papeletas e o professor com a relação das questões. Em seguida. sem anunciá-la como “certa” ou como “errada” e após a manifestação do último grupo. Procederá da mesma forma nas demais equipes e caso uma delas tenha menos alunos um mesmo ficará com duas letras. o terceiro “C” e o quarto “D”. Assim um aluno será o “A” ou outro “B” e assim por diante.helder@accessueducacao. ficaria assim: Equipes 100 200 300 400 500 600 700 800 900 1000 Verde Amarela Azul Vermelha Branca Laranja Roxo Com a “pista” do Autódromo desenhada na lousa. onde aparecem com letras graúdas as alternativas possíveis de respostas (VV – VF – FF – FV). Antes de iniciá-lo. escreve o nome das equipes um abaixo do outro como demonstra o exemplo e ao alto. Organiza a lousa para o Autódromo e. anuncia a resposta correta. A lousa ficará assim: Equipes 100 200 300 400 500 600 700 800 900 1000 Verde Amarela X Azul Vermelha Branca X Laranja Roxo Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof.org 66 . Por exemplo: A equipe Verde possui seis alunos e dessa forma um aluno será o “A”. com uma das quatro papeletas escolhidas voltadas contra o peito. o outro “B” e “E”. o outro o “B” até o último que será o “F”. estão prontos os recursos essenciais a aplicação do Autódromo. por exemplo.

Veja o exemplo. entre uma Monocotiledônea e uma Dicotiledônea. basta preparar-se uma cópia para cada equipe. A tarefa dos grupos não é a de adivinhar o texto originalmente preparado pelo professor.. personagens históricos ou não humanos podem compor a dupla do diálogo e.helder@accessueducacao. entretanto o cuidado de apresentar a fala de apenas um dos personagens (Juliana ou Ricardo) cabendo aos alunos. evitando o desgaste inevitável de uma repetitividade constante. 6. E evidente que a resposta de um grupo jamais será idêntica a de outro. Uma relação de questões apenas memorativa em nada contribui para a aprendizagem dos alunos. faz-se a segunda questão e assim sucessivamente até o final da aula. Você poderia dizer o que vai cair na prova de História amanhã? Juliana: – Pois não. Helder Filho .org 67 .3. Ricardo. Ricardo: – Puxa! É bastante matéria e creio que estou um pouco perdido em relação às Grandes Navegações. interesse. O sucesso do Autódromo depende sempre da qualidade das questões organizadas. Como destaca o exemplo acima. mas tomando por base as colocações de um dos personagens criar uma estrutura de seqüência do diálogo. que não aconteceu no Brasil. abordando o assunto escolhido para a atividade. Como ministrar conteúdos com o jogo do telefone? O Jogo do telefone é outro Jogo Operatório dos mais interessantes e que possui a propriedade de despertar envolvimento. baseando nos elementos que dispõe. Portanto você deve estudar desde as Grandes Navegações dos Séculos XV e XVI e passar pelo Descobrimento do Brasil e a organização das Capitânias Hereditárias. O que esse tema. o diálogo prossegue com cada um dos personagens apresentando umas oito a dez falas até encerrar-se a “conversa”. por exemplo. tal como os jogos operatórios anteriores. interesse e sobretudo aprendizagem. A atividade.. Tal como o Jogo de Palavras ou o Autódromo. após a realização do Jogo uma ou duas vezes. mas podem revelar qualidade se no trabalho existir coerência e envolvimento lógico. tem a ver com as Capitanias Hereditárias. criatividade. deve ser desenvolvido uma vez ou outra. criatividade e plena participação dos alunos. mas o professor que prepara questões intrigantes e desafiadoras. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. obterá empenho. o professor poderá ir progressivamente apresentando outros com dificuldades crescentes.. Para a realização dessa atividade é necessário que o professor prepare um diálogo telefônico imaginário entre duas pessoas. entre uma Rocha Sedimentar e uma Rocha Metamórfica e inúmeros outros. Com o tempo. Com o diálogo telefônico bem organizado.Registrado o desempenho das equipes. criar-se diálogos telefônicos imaginários entre. dessa forma. Ricardo: – Oi Juliana. A professora vai organizar questões sobre os primeiros cinqüenta anos da História do Brasil. O Jogo do Telefone exige de cada equipe pleno domínio do conteúdo marcado para a atividade e extrema criatividade e.. tomando. organizados em grupos. exigindo assim estudo. necessita que os alunos estejam organizados em diferentes equipes. empenho. Cabral e Pero Vaz de Caminha. construírem a fala do outro personagem.

Dispondo de uma lista de questões reflexivas e envolventes sobre o tema marcado pelo Cochicho. deverá ser dividida em outras duas. isto é o nome do colega de outra equipe com a qual irão se defrontar. Helder Filho . o professor sinaliza para que cada aluno sente-se em qualquer lugar da classe. portanto. Com os alunos organizados. Após esse anúncio em cada dupla de alunos assiste três posições possíveis: zero a zero (os dois erraram).4. Com a tira de papel restante. Essas questões necessitam ser “fechadas” isto é. desde que ao lado do colega de outra equipe que forma a dupla – ou eventualmente – o trio sorteado. capital de um Estado que se destaca por importante atividade mineral. anuncia a resposta correta. preferindo outras como “nome de uma cidade. amontoá-los deixando separado de outros montes com nomes de alunos de outras equipes. e se presta ao desenvolvimento de qualquer conteúdo curricular para qualquer série ou ciclo de estudos. Embora realizado pelos alunos organizados em grupo permite identificar o desempenho individual de cada aluno. situada na Região Norte. Após esses lapsos de tempo. se anotará ao alto o nome do grupo. Após esse sorteio todos os alunos já saberão com quem deverão jogar. em seguida. Essa tira de papel. os três últimos formarão um trio. um a zero (um dos dois acertou e o outro não) e um a um (os dois acertaram). Para que exista esse conhecimento prévio sobre o tema. Como ministrar conteúdos com o cochicho? O cochicho é um jogo operatório vibrante que envolve e emociona os alunos. Por exemplo: evitar questões do tipo “Nome da capital do Estado do Pará”. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof.org 68 . Nessa oportunidade. o professor inicia o Cochicho formulando questões relativas ao tema estudado. trazer à mesa do professor. análise. O aluno deverá levar consigo uma caneta e a tira de papel com o nome do grupo que preparou logo no início da aula. dedução e conclusão. pesquisa bibliográfica ou apresentar uma síntese. como explicado acima. Um aluno de cada grupo deverá recolher o pedaço de papel em que consta o nome de cada participante. enriquecida por perguntas diversas que os alunos devem buscar responder.6. solicita que cada aluno apresente sua resposta ao parceiro e. não explorem a reflexão. Iniciada a atividade. o professor pode solicitar uma leitura. agroindústria e pecuária e que no passado se identificava como grande produtor de castanha e borracha”. a primeira formando um pequeno quadrado de quatro por quatro centímetros onde cada aluno deverá anotar seu nome e no verso o nome da equipe a que pertence.helder@accessueducacao. Caso a quantidade de alunos em sala seja um número impar. solicita-se que cada aluno disponha de uma tira de papel com aproximadamente vinte centímetros de altura e quatro de largura. Ao organizar essas questões o professor deve evitar as de natureza essencialmente memorativas e que. Vale-se da organização dos alunos em grupos ou equipes de quatro a sete componentes e para seu desenvolvimento é essencial que o professor trabalhe um tema do qual os alunos tenham algum conhecimento. Com o tema ou conteúdo escolar definido e os alunos organizados em grupos marca-se a aula em que se aplicará o Cochicho. o professor apresenta a primeira questão e oferece aos alunos um tempo para refletirem e anotar sua resposta. verdadeiro/falso ou de múltiplas alternativas ou ainda apresentarem resposta que sejam expressas por poucas palavras. O professor irá retirando um por um os papéis sobre sua mesa e anunciando a formação de duplas entre aluno de uma equipe contra aluno de outro até esgotar-se o último papel.

Ao final da aula.O Cochicho prossegue com a formulação de outra e depois mais outra questão. Ainda que se preste para inúmeras outras formas de utilização seu uso principal visa a análise. 6. O professor escolhe um aluno de cada grupo que deverá sentar em outro grupo que não o seu.org 69 . após a correção. tem início a primeira etapa do Arquipélago: Primeira etapa. Helder Filho . possibilitando “respostas fechadas”. ajudando os alunos no esclarecimento de suas dificuldades. Parece importante destacar que o sucesso de um Cochicho depende menos da forma com é a atividade organizada pelo professor e bem mais da qualidade reflexiva das questões organizadas. Com os alunos acomodados. O professor autoriza nova e breve consulta sobre o texto e após a mesma formula uma questão geral que cada grupo deverá responder por escrito.helder@accessueducacao. Com os alunos reunidos o professor dá início ao Arquipélago solicitando que individualmente façam uma atenta leitura sobre o texto. O nome “Arquipélago” deriva do fato dos alunos na maior parte do tempo sentarem-se juntos. 100 ou 150 para cada resposta certa) sendo facultado ao professor “descontar ou não pontos” pelas respostas erradas. Previamente os alunos deverão ser informados sobre o texto que deverão analisar. explorando diversas habilidades operatórias. A equipe que acolheu o aluno. Enquanto essa leitura é feita. Após anotar as respostas os alunos que representam seu grupo devem retornar ao mesmo. VF. até o limite de tempo possível. Informa o valor dessa questão (por exemplo. interpretação e assimilação de um texto de qualquer disciplina em qualquer nível de escolaridade. deve extrair a média de acertos de cada equipe. solicita que anotem no papel o nome de seu grupo e a seguir propõe quatro a seis questões sobre o texto. isto é. Segunda etapa. Estas devem visar sempre uma aprendizagem efetivamente significativa. sendo desejável leituras e discussões prévias sobre o mesmo. destacando as que mais pontos fizeram. o professor percorre os diferentes grupos. dividindo-se o total de respostas corretas pelos alunos que participaram do Cochicho. O uso ou não dos pontos conquistados no Cochicho como atributo de uma média do aluno é possível caso o professor assim pretenda e será explicado em outro capítulo deste trabalho. deixando na equipe que os recebeu o papel com suas respostas. Cerca de dez minutos antes de encerrar a aula. O desenvolvimento do Arquipélago organiza-se através de quatro etapas. registra o quadro com a classificação das equipes. FF ou FV ou ainda outras. O professor aguarda esse retorno e anuncia as respostas certas que deverá ser corrigida pelo grupo que acolheu esse aluno visitante. São atribuídos pontos (50.5. Caso a quantidade de alunos por equipe não seja uniforme. Como ministrar conteúdos com o arquipélago? O Arquipélago é outro jogo operatório muito interessante a atraente e se organizado com questões reflexivas. quantos pontos – acertos – foi realizado pelo conjunto de alunos de cada equipe. organizados em equipes. o professor afere a contagem final. levantando o braço no caso de dúvidas. ajuda a construção do conhecimento e domínio de conteúdos. Concluída essa releitura prévia. levando um pedaço de papel e uma caneta. como VV. informa o resultado que deve ser registrado pelo professor na lousa ou em seu diário de classe. 400 pontos) e os mesmos serão divididos entre as equipes que Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. tal como “ilhas” de um conjunto.

A derradeira etapa do Arquipélago é similar à segunda ou então se caracteriza pela abertura para que uma equipe formule uma questão a outra. Nesse sentido. pois constitui em ocupar durante todo o tempo de uma aula. para responder as questões formuladas pelo professor. Com esse resultado o “placar” vai se alterando e as equipe vão ou não acumulando mais pontos.6. enquanto que no Hiper-Arquipélago os alunos. o Hiper-Arquipélago assemelha-se a uma prova tradicional. Este se dirige a outra equipe. respondendo individualmente as questões formuladas pelo professor e ao fazê-lo. Como ministrar conteúdos com o hiper-arquipélago? O Hiper-Arquipélago é um jogo operatório extremamente simples e seu nome deriva da estratégia anteriormente exposta.org 70 . B.acertaram. Pois bem. respondem para sua equipe e desta for. Assim. Após essa etapa ainda uma vez o “placar” vai sendo progressivamente alterado. 6. D. Nas primeiras oportunidades em que essa estratégia é aplicada é essencial que o texto seja bastante simples assim como as perguntas formuladas pelo professor com respeito a sua interpretação. entretanto. a equipe Amarela à equipe Azul e assim por diante. altamente motivadora e permite significativo exercício de aprendizagem significativa. mas desta vez cabe a equipe o direito de escolha de seu representante. individualmente. A frente da classe. Assim a equipe Verde. por exemplo. Como foi explicada no “Arquipélago”. Quarta etapa. através de análises e interpretações de texto. representar sua equipe. E Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. Helder Filho . Terceira etapa. cada uma delas acrescentará 200 pontos ao saldo acumulado pela participação do aluno representante na primeira etapa. Alternando participações individuais (na primeira e na terceira etapa) com decisões consensuais (na segunda e a na quarta etapa) a atividade é extremamente dinâmica e envolvente. uma atrás das outras. se duas equipes acertaram a resposta apresentada. respondendo individualmente e por escrito as questões formuladas pelo seu professor. destacando a(s) equipe(s) que revela(m) maior capacidade de compreensão do texto. mas a sucessão de atividades permite que progressivamente seja aumentada a complexidade do texto e das questões desafiadoras propostas. A terceira etapa é semelhante à primeira.helder@accessueducacao. Procure conceber o Hiper-Arquipélago. representando sua equipe. formula uma questão à Amarela. mas o nome de seu grupo. respondia questões formuladas pelo professor. levando papel e caneta. Carteiras enfileiradas. de maneira que todas possam dispor da mesma possibilidade de respostas. a primeira etapa caracteriza-se pela participação de um único aluno que. Em cada carteira um aluno com uma tira de papel que leva ao alto não seu nome. tal como na primeira etapa do Arquipélago ou na última etapa do Painel Integrado é constituído pelo envolvimento dos alunos. imaginando a seguinte situação. o HiperArquipélago. com cada aluno e sua carteira. C. todos eles. o professor com uma listagem de questões significativas que propõe respostas simples (por exemplo: A. Ocorre. Concluída a quarta etapa encerra-se o Arquipélago com o devido registro dos pontos acumulados pelas equipes. que em uma prova convencional o aluno responde as questões em seu nome pessoal e os acertos que conquista representam pontuação própria. os pontos que auferem são computados globalmente para o grupo. como arrumadas para uma prova convencional. de uma única etapa do Arquipélago.

VFV. mesmo pelos que eventualmente optem por não trabalhar com grupos. por exemplo. totalizou 42 acertos como seis representantes. chamando a seguir outra equipe até que obtenha a pontuação de todas as equipes. por certo necessitarão vivenciar. atingindo este hoje pode alcançar outro amanhã. FVF. Em outra circunstância. Concluída essa providência. ajudando outros em seu preparo para trabalhar esta ou aquela atividade.7. apresenta as respostas corretas para a devida correção. É interessante mostrar aos alunos que em uma equipe esportiva. dessa forma. Estabelecida a posição dos grupos e o empenho dos alunos está concluído o Hiper-Arquipélago. Nessa oportunidade o professor solicita aos alunos que verifiquem se existem questões rasuradas. Após essas respostas.como em um teste de múltipla escolha. Como é provável que existam equipes com mais ou com menos alunos é sempre importante calcular-se a média dos acertos e. Soma esses acertos e registra na lousa. mas como uma proposta de educação solidária que deve ser assumida pela maior parte dos professores. VVV. de tal forma que todos os alunos recebam a folha com as respostas. “nem todos são craques”. por exemplo. sua média será sete (uma vez que 42 dividido por seis.helder@accessueducacao. VVF. Como ministrar conteúdos com o torneio? O Torneio é uma atividade pedagógica que simula um campeonato esportivo onde todas as equipes se enfrentam. com cinco representantes. Esse tema pode ou não ter sido antes explicado e em caso positivo o Torneio seria uma oportunidade de se proceder a revisão do conteúdo efetivamente apreendido. É por essa razão que esse trabalho não pode ser refletido como “um ou outro eventual conselho”. solicita aos alunos de uma equipe – que estão corrigindo questões de outras equipes – que fiquem de pé e informem quantos acertos existem nas folhas corrigidas. o professor pode marcar um conteúdo Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. mas até mesmo para a vida social. uma fórmula ou mesmo um conceito apresentado de forma sintética) e que formulará aos alunos. É importante destacar que atividades que individualizam a participação dos alunos ocasionam inevitáveis ressentimentos dos que obtendo maior número de acertos. nesse caso autenticando-as com uma rubrica. preparadas pelo professor. corresponde a média sete). É por esse motivo que todo trabalho em grupo necessita que o educador faça um paciente e persistente trabalho com os alunos. Como acima se disse um trabalho dessa natureza não prepara os alunos apenas para as contingências de se aceitar o outro em atividades escolares. Ou ainda questões que proponham o resultado de uma operação matemática. FFF. FFV. se a equipe Amarela. para evitar que a rasura possa ser provocada pelo aluno que corrige e que demonstre interesse em prejudicar a equipe concorrente. VFF. Apresentadas as questões. 6. Helder Filho . sobre um tema específico. mostrando a importância de uma ação solidária e a necessidade de aceitar-se em uma coletividade a desigualdade na produção que. para o mundo do trabalho cooperativo que. igual a da equipe Azul que obteve 35 acertos. com alguns alunos mais capazes. um aluno de cada equipe recolhe as de seu grupo. traz à frente e o professor passa as questões de um grupo para outro responder. mas que a solidariedade se constrói com uma construção laboriosa e recíproca. descobrem que a pontuação da equipe ficou reduzida pelo insucesso de alguns. responde questões significativas. FVV. sem possibilidade de identificar o colega que respondeu uma vez que essa folha traz apenas nome dos grupos.org 71 .

inicia-se a segunda e assim por diante até a rodada final. pode atribuir três pontos para a equipe que venceu seu adversário e um ponto em caso de empate ou ainda considerar como pontuação da equipe o total de acertos. Essa questão constitui decisão específica do professor. indicar diferentes fontes de pesquisa. estudando individualmente e reunindo-se em grupos para avaliarem-se. por que transformar pontos ganhos pelas equipes em notas? Não existe a possibilidade de uma resposta única. a pontuação que cada equipe receberá por seu desempenho (Por exemplo: 1º colocado = 700 pontos. A avaliação da aprendizagem escolar não pode se implantar por novas rígidas. supondo a existência de seis equipes em uma classe. se assim julgar válido. Como transformar pontos ganhos pelas equipes em notas? A primeira e mais importante questão. o professor informa. Com essas providências tomadas. tem inicio o torneio com o professor formulando quatro.helder@accessueducacao. uma vez que deverá ser sempre meio para se aferir a Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. solicita a um membro de cada equipe que traga à frente as anotações das respostas. Para que o Torneio se concretize é essencial a existência de uma “tabela” como a que abaixo sugerimos. (Por exemplo: Na primeira rodada a equipe Verde acertou 5 das sete questões e portanto venceu a equipe Azul que acertou 3 das sete questões – 5 a 3 – e nesse caso a equipe Verde conquistou três pontos por sua vitória e a equipe Azul nenhum ou. 3º colocado = 500 pontos e assim por diante). caso o professor prefira. 2º colocado = 600 pontos. Cabe ao professor estabelecer se a construção das mesmas será ou não realizadas com consultas e a forma como serão apresentadas. Esgotado o tempo previsto. Caso pretenda desenvolver jogos operatórios sem lhes atribuir valor que se transformem em notas.org 72 . seis ou mais questões fechadas sobre o assunto marcado e dando um tempo para que as equipes apresentem suas respostas.8. Helder Filho . está agindo de forma tão correta quanto outro colega que opta por fazer dos jogos operatórios uma forma de se obter notas mais elevadas. a se formular sobre o título deste capítulo é sem dúvida. o professor antes da realização do Torneio deve abrir um espaço para o devido esclarecimento de dúvidas e somente após a certeza de terem sido todas efetivamente superadas é que deve dar início a atividade. com a classificação definitiva. confere-as e apresenta o resultado. cinco. a Equipe Verde conquistou cinco pontos e a equipe Azul conquistou 3). Modelo de uma tabela para o Torneio 1ª Rodada 2ª Rodada 3ª Rodada Verde Laranja Verde Azul Verde Amarela Azul Branca Azul Vermelha Amarela Laranja Vermelha Laranja Amarela Branca Branca Vermelha 4ª Rodada 5ª Rodada Verde Branca Azul Amarela Amarela Vermelha Branca Laranja Laranja Azul Vermelha Verde 6.a ser estudado. Após a divulgação da tabela. Anotados os resultados da primeira rodada. Da mesma maneira como em um campeonato esportivo. propor o desafio de algumas perguntas sobre esse tema e sugerir que os alunos se preparem. Optando-se por essa forma.

estabelecer uma relação direta entre cada atividade e o desempenho revelado. por exemplo. Considerando que pontos equivalem a 10.org 73 .100 6. Helder Filho . um Autódromo e um Cochicho. um Arquipélago.800 Laranja No exemplo destacado acima. os pontos auferidos pela equipe durante sua aplicação. nessa circunstância merece receber a mais alta nota (que pode ser 10. atribui pontos sem.3 Branca 1. jamais um critério para selecionar bons ou maus alunos. Outra forma de avaliação consiste em se somar os pontos obtidos pelos grupos nos diferentes jogos propostos. Também está agindo de maneira correta quem assim procede.100 Azul 400 400 400 1. o professor trabalhou com a classe ministrando aulas expositivas diversas e ainda aplicou.6 Laranja 1. entretanto. cada aluno de cada equipe. (Um) Portanto: Equipe Pontuação Nota 1. Caso.efetiva aprendizagem. apresentamos uma proposta de transformação de pontos em notas que poderá ou não ser adotada pelo professor.200 Vermelha 600 600 600 1.7 (pois ) Amarela 1. Por exemplo: A equipe Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. Por exemplo: Durante um bimestre.800 10.0.500 8.700 9. dessa forma.500 Branca 600 300 600 1.1 Vermelha 1. julgue que o desempenho dos alunos nos Jogos Operatórios desenvolvidos resultou de um esforço construtivo e deseje expressar a diferença entre os que mais e que menos se esforçaram. Totalizou os pontos e o resultado final do bimestre foi: Equipes Arquipélago Autódromo Cochicho Total 500 400 500 1.400 Verde 600 500 600 1.400 Verde 7.0 Considerando esse exemplo. A nota vale apenas como uma referência para que o aluno saiba seu desempenho. a equipe que mais pontos somou no bimestre foi a equipe Branca ( ) e. Portanto a transformação de pontos ganhos pelas equipes em notas constitui decisão do professor que poderá dispensá-la se acredita que os alunos estão aprendendo o que ensina de forma significativa. combinam com a classe que o primeiro lugar em seu desempenho nos diferentes jogos pode valer um ou dois pontos na avaliação final e.700 Amarela 300 400 400 1.0. uma regra de três simples nos revela que cada 180 pontos conquistados por qualquer equipe deve equivaler a 1. tal como o de equipes que disputam um campeonato.200 6. Alguns. chegando a uma classificação. se tivesse participado de todos os Jogos Operatórios teriam direito a nota recebida pela equipe. Fica a critério de o professor descontar ou não do aluno que não tenha participado de um ou de outro jogo. por exemplo.4 Azul 1.0). entretanto.helder@accessueducacao. O verdadeiro compromisso do professor é com a aprendizagem significativa e a nota que atribui apenas um elemento que expressa essa aprendizagem.

org 74 .Laranja conquistou 600 pontos no Cochicho e caso um de seus integrantes tenha faltado sem justificativa quando da aplicação do mesmo. da Coordenação e Direção da Escola e. peso sete para as provas individuais e peso três para a participação dos alunos em Jogos Operatórios.3 pontos (pois 600 180 = 3. Seria assim possível o professor atribuir. recebendo 5. Torna-se importante destacar que a idéia proposta por este capítulo serve apenas como uma sugestão e que.0 por sua atuação em Jogos Operatórios e não 8. estaria perdendo 3. por exemplo. se possível. do conhecimento de toda equipe discente e docente. análise do professor envolvido. atribuído pelo professor.3 pontos como os recebidos por seus colegas que participaram de todas as atividades). Helder Filho . dessa forma. dessa forma. deverá ser submetida a apreciação.3) e.helder@accessueducacao. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. Os pontos ganhos pelos alunos nos Jogos Operatórios poderiam compor uma de suas notas e esta teria o peso correspondente.

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