PÓS-GRADUAÇÃO EM ENSINO DA MATEMÁTICA

ENSINO DE MATEMÁTICA COM MATERIAIS DIDÁTICOS ALTERNATIVOS

DOCENTE:

JOSÉ HELDER DE MESQUITA FILHO

Fortaleza-Ceará 2008

ACCESSU EDUCAÇÃO SUPERIOR
FACULDADE ATENEU
COORDENADOR GERAL: PROF. JOSÉ WILLIAM FORTE COORDENADORAS PEDAGÓGICAS: PROF.ª LUCIDALVA BACELAR/PROF.ª SOLANGE MESQUITA

CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO

DISCIPLINA:

ENSINO DE MATEMÁTICA COM MATERIAIS DIDÁTICOS ALTERNATIVOS

DOCENTE:

JOSÉ HELDER DE MESQUITA FILHO

Fortaleza-Ceará 2008

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............................................. 3..............................................................................................3.1...... 3.......................................................................... 1................................................... 1............ 4..................... 25 Referências bibliográficas do texto................2....... Introdução ...................................5.....3. 42 APROXIMAÇÃO TEÓRICA À REALIDADE DO JOGO ...................... 3.............. 9 Algumas concepções de LEM ............................... 36 3........org 5 ....................2.Sumário A............................................................3..................................... 1....6.................................... 10 Objeções ao uso do LEM .........................1....3......................... 49 Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof........................................................................................................................................3... 18 O professor e o uso do MD ................................3.. 39 Atividade 1: Construção de um tetraedro regular ...........5.........2....... 7 Carga horária.................................. C....... 1........ 7 1.........................................................................4.............. 12 Material didático (MD) .................................................... OFICINA DE GEOMETRIA COM CANUDOS .......................... 7 Ementa do módulo .........................................................................3.............. 21 Obstáculos ao uso do MD .. 1.............. 26 2....... 1..................3.................... 1............... 4....................................3......1..............................2......... 1............... 19 Potencialidades do MD ......................... Objetivo do módulo .................................................. 16 MD manipulável ........ 1........................... 8 O Laboratório de Ensino de Matemática (LEM) .....2.......2... 27 Referências bibliográficas do texto .....................................4....................................... 25 Para auxiliar a reflexão sobre MD e LEM ...1.... 1. 1................................................helder@accessueducacao.... 1................ DESENVOLVIMENTO E USO DE MATERIAIS DIDÁTICOS NO ENSINO DE MATEMÁTICA ................... 40 Atividade 2: Construção de um octaedro regular ......................................... 44 Sobre a etimologia do termo jogo ..............................4....................... 42 Atividade 4: Construção de um cubo e de suas diagonais ......... LABORATÓRIO DE ENSINO DE MATEMÁTICA E MATERIAIS DIDÁTICOS MANIPULÁVEIS ....3................. 3...... 4.............................................................................. 44 Introdução ......... 4.............2....2...... B......................................................... 9 A construção do LEM .............. 3.................1........................................................................................... 41 Atividade 3: Construção de um icosaedro regular ................................ 16 MD e o processo de ensino-aprendizagem ............................ 8 1.5.... Helder Filho .................................................. 37 Construindo um Dodecaedro com Canudos ... 38 Lista de materiais ............. 3........ 45 Sobre o conceito de jogo ..

...5.................................................................4................ 60 Motivação ................................................. 6........helder@accessueducacao......1.............. 64 Introdução ......................................................3...................................... 4..................................................... 55 Características do jogo ................... 6................ 68 Como ministrar conteúdos com o arquipélago? ......................6...............................................2.... 6....7....... 5..............................org 6 ................ 4...........................4.......................2........ 5............................ 58 5.... Introdução ..................... 6.... 6..................... 4............................... 57 Conclusões ................ 6...... 70 Como ministrar conteúdos com o torneio? . 60 5....... 71 Como transformar pontos ganhos pelas equipes em notas? .................. Sobre a definição do jogo .................................................4.............................................. 6. 61 COMO MINISTRAR CONTEÚDOS COM UM JOGO DE PALAVRAS ...................................3................... 60 O Jogo Didático ...................................... JOGOS DIDÁTICOS: SEU USO E IMPORTÂNCIA NA APRENDIZAGEM .... 6.............. 6.......................... 65 Como ministrar conteúdos com o jogo do telefone? ........................................... 51 Origem do jogo ..........................................1..........................8...... 72 Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof....... 69 Como ministrar conteúdos com o hiper-arquipélago? .................................................................................7........ 67 Como ministrar conteúdos com o cochicho? ......... Helder Filho ................................................ 64 Como ministrar conteúdos com o autódromo? ..........5.....6...........

O papel do professor de Matemática na formação do pensamento científico. Possibilitar aos alunos docentes contato com novas abordagens do conteúdo matemático e ampliar o repertório de estratégias do professor.org 7 . Objetivo do módulo O módulo se insere em uma perspectiva teórica que propõe discutir a metodologia do ensino da matemática. como forma de incitar questionamentos e ampliar as possibilidades de reflexão e ação dos professores sobre as próprias vivências de sala de aula. etc. como: dificuldades básicas. Helder Filho . C.helder@accessueducacao. no contexto social e tecnológico. materiais didáticos alternativos. Ementa do módulo 1. 5. Aplicar materiais didáticos manipuláveis e alternativos através da utilização de experimentos em aulas teóricas e práticas. Análise de temas do ensino da matemática. Carga horária 12 horas-aula Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. diante das novas necessidades de mudanças no paradigma de ensinar e aprender. 3. Despertar o interesse pela matemática experimental como método de ensino. 4. 2. B.A. 6. Também. materiais didáticos convencionais. A influência da concepção desse papel na prática pedagógica.

Pestalozzi e Froebel. Malba Tahan . Georges Cuisenaire. 1. Em termos de sala de aula. nos últimos séculos. por volta de 1800. Assim.) – Campinas. Júlio César de Mello e Souza3 . Helder Filho . Comenius escreveu que o ensino deveria dar-se do concreto ao abstrato. entre outros. Docente da Faculdade de Educação da UNICAMP. No Brasil. na Rússia. Dewey confirmava o pensamento de Comenius. durante a ação pedagógica. esse reconhecimento evidencia o fundamental papel que o material didático pode desempenhar na aprendizagem. (Coleção Formação de Professores).org 8 1 . 3. Aurora. especialmente do tátil. 2006. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. concordaram que as experiências no mundo real constituem o caminho para a criança construir seu raciocínio. na mesma época. em 1680. Rio de Janeiro. Jean-Louis Nicolet. Pelos idos de 1900. Luigi Campedelli e Zoltan P. p. reconheceu que a ação do indivíduo sobre o objeto é básica para a aprendizagem. por justiça. 3 J ú l i o César de Mello e Souza (1957). por exemplo. Caleb Gattegno. nomes como o de Claparède (defensor da inclusão de brincadeiras e jogos na escola) e o de Freinet (que recomendava o uso de cantinhos temáticos na sala de aula). enquanto Piaget deixou claro que o conhecimento se dá pela ação refletida sobre o objeto. Rousseau recomendou a experiência direta sobre os objetos. e Bruner.1. Técnicas e procedimentos didáticos no ensino da matemática. que valorizavam a ativida-de como fator básico para a aprendizagem. por volta de 1650. Emma Castelnuovo. mestre em educação pela UnB (Brasília). Rio de Janeiro. Diretoria do Ensino Secundário/ Campanha de Aperfeiçoamento e Difusão do Ensino Secundário/ MEC. doutor em educação pela UNICAMP (Campinas) e pós-doutor em educação matemática pela Université Laval (Canadá). cada educador.e Manoel Jairo Bezerra4. dizia da necessidade da experiência sensível para alcançar o conhecimento. e Poincaré recomendava o uso de imagens vivas para clarear verdades matemáticas. visando à aprendizagem.1. Dienes. entre muitos outros. ressaltando a importância da experiência direta como fator básico para construção do conhecimento. 2 É licenciado em matemática pela UNESP (Rio Claro). LABORATÓRIO DE ENSINO DE MATEMÁTICA E MATERIAIS DIDÁTICOS MANIPULÁVEIS1 Introdução Sérgio Lorenzato 2 Muitos foram os educadores famosos que. SP: Autores Associados. Vygotsky. Nessa lista de pensadores e educadores podem constar.isto é. a seu modo. Enfim. nos Estados Unidos. Herbart defendeu que a aprendizagem começa pelo campo sensorial. O material didático no ensino da matemática. Cerca de cem anos depois. justificando que o conhecimento começa pelos sentidos e que só se aprende fazendo. Pedro Puig Adam. Essa lista de nomes de expoentes da educação que reconheceram a eficácia do material didático na aprendizagem poderia ser muito maior. muito contribuíram para a divulgação do uso de material didático como apoio às aulas In O Laboratório de Ensino de Matemática na Formação de Professores. se lembrarmos das contribuições de Willy Servais.helder@accessueducacao. Tamas Varga. Sérgio Lorenzato (org. mesmo se restrita ao ensino da matemática. 4 Manoel Jairo Bezerra (1962). Locke. Mais recentemente. Montessori legou-nos inúmeros exemplos de materiais didáticos e atividades de ensino que valorizam a aprendizagem através dos sentidos. também reconheceram que o ensino deveria começar pelo concreto. ressaltaram a importância do apoio visual ou do visual-tátil como facilitador para a aprendizagem.

lembro. discutirem seus projetos. mas também para tirar dúvidas de alunos. exposições. Ele evidenciou isso quando escreveu a Eratóstenes.. filmes. cozinheiro. determinadas verdades matemáticas [. decorre uma inescapável necessidade de as escolas possuírem laboratórios de ensino dotados de materiais didáticos de diferentes tipos. cabeleireiro. E por que local apropriado para trabalhar? Porque o bom desempenho de iodo profissional depende também dos ambientes e dos instrumentos disponíveis. 1. porteiro. se vejo. que torna o LEM simplesmente indispensável à escola. o que é confirmado plenamente pela experiência de todos. é um depósito/arquivo de instrumentos. como facilitadores da aprendizagem. Ampliando essa concepção de LEM.. Justamente por isso. pela Geometria” (apud NICOLET. Arquimedes revelou o modo pelo qual fazia descobertas matemáticas e confirmou a importância das imagens e dos objetos no processo de construção de novos saberes.1. Desse modo. transparências. mais ou menos no ano 250 a. e um deles deve ser o Laboratório de Ensino de Matemática (LEM). Facilitando a realização de experimentos e a prática do ensino-aprendizagem da Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. para aqueles que possuem uma visão atualizada de educação matemática. ele é um local da escola reservado preferencialmente não só para aulas regulares de matemática. materiais manipuláveis. entre outros. tendências e inovações. cada uma com uma função específica. avaliações. Enfim. Em muitas profissões. não é o caso do magistério. inclusive de produção de materiais instru-cionais que possam facilitar o aprimoramento da prática pedagógica. tornando-os acessíveis para as aulas. um local para criação e desenvolvimento de atividades experimentais. É assim para o dentista. não faltam argumentos favoráveis para que as escolas possuam objetos e imagens a serem utilizados nas aulas. médico-cirurgião. entre outras.] as quais eu pude demonstrar. dizendo: “é meu dever comunicar-te particularidades de certo método que poderás utilizar para descobrir. especialmente daqueles que estão em sala de aula. Assim como nossas casas se compõem de partes essenciais. que diz: “se ouço. devido à criatividade dos alunos. depois. para os professores de matemática planejarem suas atividades.C. Nessa mesma linha de pensamento está um antigo provérbio chinês. Helder Filho . sejam elas aulas. muitos de nós aprendemos (e ensinamos?) a fazer contas desse modo. a prática difere pouco do planejamento. nossas escolas também devem ter seus componentes. exige que muitos profissionais tenham seus locais apropriados para desempenharem o trabalho. entre muitos outros. se faço. neste caso. mediante a mecânica. No entanto. alguém poderia lembrar-se de que foi. e ainda é possível. olimpíadas. Algumas concepções de LEM Mas o que é um LEM? Existem diferentes concepções de LEM. ator. 1967). mais do que nunca. Seria injusto faltar o registro a um excepcional matemático que percebeu a influência do ver e do fazer na aprendizagem: Arquimedes. Porém. O Laboratório de Ensino de Matemática (LEM) Nossa sociedade pressupõe e. ensinar assuntos abstratos para alunos sentados em carteiras enfileiradas e com o professor dispondo apenas do quadro-negro. inclusive matérias-primas e instrumentos para confeccionar materiais didáticos. até mesmo.org 9 . tais como: livros. o ensino da matemática se apresenta com necessidades especiais e o LEM pode e deve prover a escola para atender essas necessidades. Afinal. esqueço. o laboratório de ensino é uma grata alternativa metodológica porque.de matemática.helder@accessueducacao. compreendo”. veterinário. Inicialmente ele poderia ser um local para guardar materiais essenciais.2.2. 1.

é mais importante para a formação do indivíduo do que as respostas às indagações. é preciso acreditar naquilo que se deseja fazer. crença e engenhosidade. montar e implementar o seu LEM. o LEM é o lugar da escola onde os professores estão empenhados em tornar a matemática mais compreensível aos alunos. Enfim. Conhecimento porque. não só para conceber. Essa é uma utopia que enfraquece a concepção possível e realizável do LEM. convém que surjam questionamentos pelos alunos ou pelo professor. como também para orientar seus alunos e transformá-los em estudantes e. questionar. se o professor possuir conhecimento. Assim.2. Convém que o LEM seja consequência de uma aspiração grupai. e mesmo a encontrar respostas. isto é. crença porque. de uma conquista de professores. enfim. mesmo em condições desfavoráveis. procurar. nessa concepção. possuir uma boa formação matemática e pedagógica. mesmo dispondo de um LEM. enfim. administradores e de alunos. e provavelmente dois professores com concepções bem diferentes de educação e de LEM. Assim. dando o nome e a definição de cada um. o professor pode simplesmente mostrar aos alunos os cinco poliedros. organizar. é um espaço para facilitar. devido aos questionamentos dos alunos durante as aulas. é preciso conhecer matemática mas também metodologia de ensino e psicologia. num canto ou num armário. que.matemática.org 10 . em aprendizes também. Note que aprender a procurar. porque ela pode induzir professores a não tentarem construir o LEM num certo local da escola em que trabalham. aprender e principalmente aprender a aprender. também. tal como essa. diante dos poliedros de Platão. Helder Filho . O LEM pode ser um espaço especialmente dedicado à criação de situações pedagógicas desafiadoras e para auxiliar no equacionamento de situações previstas pelo professor em seu planejamento mas imprevistas na prática.helder@accessueducacao. planejar e fazer acontecer o pensar matemático. A construção do LEM É difícil para o professor construir sozinho o LEM e. tais como: Por que assim são denominados? Quem foi Platão? Quais foram suas contribuições para a matemática? Por que os poliedros de Platão são somente cinco. pode tornar o trabalho altamente gratificante para o professor e a aprendizagem compreensiva e agradável para o aluno.. o professor pode precisar de diferentes materiais com fácil acesso. é uma sala-ambiente para estruturar. Essa participação de diferentes segmentos da escola pode garantir ao LEM uma diferenciada constituição. seja este numa sala. Note. sala de aula.2. e engenhosidade porque. por meio das possíveis e Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. o LEM deve ser o centro da vida matemática da escola. analisar e concluir. tendo em vista que ninguém ensina o que não sabe. conjecturar. tanto ao aluno como ao professor. todas as salas de aula e todas as suas aulas devem ser um laboratório onde se dão as aprendizagens da matemática. muito frequentemente. biblioteca ou museu de matemática. O LEM. de preferência. Nesse caso.. planejar. por exemplo. então. darem retorno de suas descobertas. poderia ser afixada no LEM para que o professor e os alunos se ponham à procura das respostas ao longo dos dias seguintes para. mais ainda. como tudo na vida. mantê-lo. quais são suas características? Quais são os outros tipos de poliedros? Onde os poliedros estão presentes? Uma lista de indagações. 1. transformar ou construir. experimentar. o LEM. temos dois modos diferentes de utilizar um mesmo LEM. mais que um depósito de materiais. é exigida do professor uma boa dose de criatividade. Para muitos professores.

na prática de ensino e no estágio supervisionado. à percepção da necessidade do emprego de termos ou símbolos. ilusões de ótica) nos campos aritmético. A contribuição dos alunos para a construção da LEM é muito Importante para o processo educacional deles. comparação. entre outros. distribuídos em grupos. o significado dos sentidos para a aprendizagem. a importância dos métodos ativos de aprendizagem. os materiais devem estar fortemente centrados para apoiar o desenvolvimento delas no que se refere aos processos mentais básicos . É inconcebível que. Essa característica deve continuar presente no LEM para as séries seguintes do ensino fundamental. se-qiienciação. geografia. será necessário preparar o material para apresentação do que foi coletado. inclusão e conservação -. para a construção do conceito de medida. seriação. o respeito às diferenças individuais. problemas de aplicação da matemática. A respeito da construção do LEM. posições. mas os materiais devem visar mais diretamente à ampliação de conceitos.org 11 . dos professores das áreas mencionadas. é preciso que a escola possua professores que acreditem no LEM. Se o LEM se destina às quatro primeiras séries do ensino fundamental. mas agora também devem compor o LEM aqueles materiais que desafiam o raciocínio lógico-dedutivo (paradoxos. Certamente. pois é fazendo que se aprende. o LEM irá constituindo-se de acordo com as condições locais e até mesmo tornará possível uma exposição escolar dos trabalhos produzidos pelos alunos. os quais são essenciais para a formação do conceito de número. português. estatístico.indispensáveis contribuições dos professores de história.helder@accessueducacao. E o que dizer do LEM para os cursos de formação de professores? Que ele é. Orientados pelo professor responsável pelo LEM. que reconheçam a necessidade de a escola possuir seu LEM. Ao LEM do ensino médio. educação física. mais que necessário para as instituições de ensino que oferecem tais cursos. à descoberta de propriedades. mas que agora demandam uma análise e interpretação mais aprofundadas por parte dos alunos.correspondência. que se empenhem na construção dele e que considerem as possibilidades da escola. simplesmente. à compreensão de algoritmos. podem ser acrescidos artigos de jornais ou revistas. mas. enfim. tamanhos. Assim. Helder Filho . então não há argumento que justifique a ausência do LEM nas instituições responsáveis pela Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. exemplos de interseção dessas áreas com a matemática. se o LEM se destina para crianças de educação infantil. trigonométrico. questões de vestibulares. algébrico. principalmente se contarem com o apoio bibliográfico ou computacional. é também fundamental considerar a quem ele se destina. geométrico. em suas aulas. entre outros. além desses materiais. por exemplo) e a noção de distância. em seguida. classificação. o apelo ao tátil e visual ainda deve manter-se forte. podem solicitar. ciências. E também várias questões ou situaçõesproblema referentes a temas já abordados no ensino fundamental. para que tudo aconteça. o LEM deve possuir aqueles que poderão favorecer a percepção espacial (formas. aos objetivos matemáticos. Mas. a coleta será quantitativamente maior do que esperavam. os professores desses cursos realcem a necessidade da autoconstrução do saber. Se lembrarmos que mais importante do que ter acesso aos materiais é saber utilizá-los corretamente. os seus alunos não disponham de instrumentos para a realização da prática pedagógica. desafios ao raciocínio topológico ou combinatório. os alunos. educação artística.

org 12 . softwares.3. alunos e professor. • Quebra-cabeças. Lecionar numa escola que não possui LEM é uma ótima oportunidade para construí-lo com a participação dos alunos. é inconcebível um bom curso de formação de professores de matemática sem LEM. uma vez construído. fitas. Apesar de o LEM ser uma excelente alternativa metodológica. o material deve estar. • Registros de episódios da história da matemática. • Quadros murais ou pôsteres. De modo geral. é facilmente constatável que muitos professores não conhecem o LEM. Afinal. • Modelos estáticos ou dinâmicos. sofismas e paradoxos. Vejamos algumas questões referentes a esses assuntos: 1. a lista seguinte de sugestões de materiais didáticos. • Sólidos. a qual. falácias. • Livros paradidáticos. • Calculadoras. • Figuras. • Materiais e instrumentos necessários à produção de materiais didáticos. e alguns o empregam mal. • Instrumentos de medida. outros o rejeitam sem ter experimentado.helder@accessueducacao. Existem diversos tipos de LEM.formação de professores. por sua vez. o LEM pode constituir-se de coleções de: • Livros didáticos. • Ilusões de ótica. pois é nelas que os professores devem aprender a utilizar os materiais de ensino. • Materiais didáticos industrializados. Assim. • Artigos de jornais e revistas. o custo é diminuto e todos. filmes. Helder Filho . cada um adaptado ao contexto em que estiver inserido. • Questões de vestibulares. conhecem a aplicabilidade dos materiais produzidos. sofre prejulgamentos. • Computadores. utilizando sucatas locais. • Problemas interessantes. pois conteúdo e seu ensino devem ser planejados e ensinados de modo simultâneo e integrado. presente no estudo didatico-metodológico de cada assunto do programa de metodologia ou didática do ensino da matemática. O LEM é caro. exige que o professor se mantenha atualizado. e algumas crendices o perseguem. • Livros sobre temas matemáticos. dessa Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. • Materiais didáticos produzidos pelos alunos e professores. ele possui limitações didáticas. em razão dos seus diferentes objetivos e concepções.2. • Transparências. instrumentos ou equipamentos pode ser a base para a constituição de muitos LEM. Apesar dessa diversificação. • Jogos. Objeções ao uso do LEM Na prática escolar. 1. A construção de um LEM não é objetivo para ser atingido a curto prazo. ele demanda constante complementação. sempre que necessário. exige materiais que a escola não dá ao professor e raríssimas escolas possuem um LEM.

2. O LEM não pode ser usado em classes numerosas. e com o professor dando atendimento a cada subgrupo. indispensáveis para a utilização tia quadra e dos equipamentos de esportes. Afinal. O LEM possibilita o “uso pelo uso” dele como também o seu mau uso. pois a manipulação é realizada pelo professor. infelizmente o “fazer” é substituído pelo “ver”. dos computadores. e o material individual manipulável é. com professor despreparado.helder@accessueducacao. O LEM exige do professor uma boa formação. podemos dizer que o LEM exige do professor uma conduta diferente da exigida pela aula tradicional. 5. Por isso. Daí a importância dos saberes do professor. não se trata de limitação própria ao LEM. realmente.org 13 . o uso do LEM. Essa frase insinua uma limitação do LEM. Além disso. 7. o ensino demandará mais tempo que o previsto. utilizando-se de materiais idênticos. então. Se a dificuldade aqui se refere ao aumento de movimentação e de motivação dos alunos e de troca de informações entre eles. Em educação. qual é o método de ensino que não exige do professor uma boa formação matemática e didático-pedagógica? Na verdade. É mais difícil lecionar utilizando o LEM. não é um caminho para todos os momentos da prática pedagógica. É nossa obrigação estar bem preparados para propiciar a aprendizagem da matemática àqueles que nos são confiados. é preciso considerar a qualidade da aprendizagem. mas sim de situações em que os alunos efetivamente trabalham mais do que quando apenas assistem à explanação do Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. O LEM possibilita o “uso pelo uso”. Realmente o LEM não é uma panaceia para o ensino. se a dificuldade for referente ao fato de que os alunos. 6. Sim. substituído pelo material de observação coleti-va. usar o LEM pode ser mais difícil para parte dos professores. passam a fazer perguntas difíceis ou fora do planejamento da aula. todos estudando um mesmo tema. Em contrapartida. inevitavelmente. Em ambos os casos. a quantidade e a qualidade geralmente se desenvolvem inversamente. faz o professor ganhar tempo. da biblioteca. 4. Para turmas maiores. 3. muitas vezes. O LEM exige do professor mais tempo para ensinar. como todo instrumento ou meio. evita-se um fato comum nas escolas que recebem os materiais: muitos não são utilizados por desconhecimento de suas aplicações. cabendo aos alunos apenas a observação. nenhum método produz aprendizagem significativa. é possível distribuí-los em subgrupos. entre outros. se eles forem atendidos. questionando: com o LEM o rendimento dos alunos melhora? Os alunos preferem aulas com ou sem o LEM? Por quê? Apesar de as respostas a essas questões de penderem do perfil profissional do professor.forma. nesse sentido. Antes de considerar o tempo dispendido para que os alunos aprendam. Tudo dependerá do professor. dos interesses dos alunos e dos objetivos da escola. em turmas de até trinta alunos. Helder Filho . é provável que o uso do LEM desperte nos alunos indagações não previstas pelo professor e. O LEM não pode ser aplicado a todos os assuntos do programa. Aqui cabe uma analogia: dize-me como usas o LEM e eu saberei que tipo de professor és. mas seguramente pode disponibilizar uma diversificação de meios e uma excelente prontidão ao uso deles como nenhuma outra alternativa oferece. mais importante do que receber pronto ou comprar o LEM é o processo de construção dele. causadas pelo LEM. influenciados pelo LEM. por facilitar a aprendizagem.

a aquisição do conhecimento apóia-se fortemente no verbal (audição). Divida-o em dois trapézios e dois triângulos. é altamente desejável que essa afirmação seja verdadeira. Continuando indefinidamente este processo (figura 6). confundem constatação de natureza perceptual com demonstração. conforme mostra a figura 1. Em outras palavras. Helder Filho . pois. O LEM pode induzir o aluno a aceitar como verdadeiras as propriedades matemáticas que lhes foram propiciadas pelo material manipulável ou gráfico. se o raio vale 1. Mas onde encontrar uma coleção de sofismas. a curva limite se constituirá de círculos infinitamente pequeEnsino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. c) Veja a figura 3. até o aparecimento do raciocínio lógico-dedutivo por volta dos 13 ou 14 anos de idade. de agora em diante. no gráfico (visão) e na manipulação (tato). Assim. falácias e paradoxos matemáticos com o objetivo de eles perceberem que conclusões baseadas apenas na intuição ou naquilo que se vê podem contrapor-se ao que o raciocínio lógico-dedutivo aponta como verdadeiro. então o comprimento pedido mede 7r. então 2 (1 . observemos as figuras 4 e 5. “se vale para dois ou ires casos então valerá para todos”. com as mesmas quatro partes obtidas do quadrado. resulta 2 = 3.3.professor. o LEM pode ocasionar nos alunos uma mudança de comportamento. você acabou de descobrir que 64 = 65.1) = 3 (1 . Seguem-se alguns exemplos: a) Se 2 .2 = 3 . em cuja construção cada curva gera duas outras menores e o diâmetro de cada curva maior é igual ao dobro do da menor. e não sentem a necessidade de provas lógico-dedutivas porque tomam a percepção visual como prova. pois praticam o “é verdade porque vi”. conforme mostra a figura 2. A medida da semicircunferência de raio igual a 1 é n ou 2? Sabendo que o comprimento da circunferência é dado por C = 2nr. é importante mostrar-lhes sofismas. Confiando plenamente naquilo que vêem. Quando os jovens adquirem o poder de dedução lógica. Dependendo do nível de desenvolvimento dos alunos. 8. Monte um quadrado de 8cm por 8cm.helder@accessueducacao.org 14 . Raciocínio dedutivo será fundamental para todos os estudos posteriores: ele vai logicamente permitir-nos. cuja área é 65cm2. Simples. monte um retângulo.1) e cancelando o fator (1 . cuja área é 64cm2. Qual seria a causa desse desfecho absurdo? b) Veja as figuras 1 e 2. falácias e paradoxos? No LEM. Agora. separar aquilo que parece ser verdadeiro daquilo que essencialmente é verdadeiro.1) comum aos dois termos. temos que o comprimento da semicircunferência da figura é 7ir e. “vale porque tem a mesma medida”. não é? No entanto.

assim. de tamanhos diferentes e firmemente unidas entre si. sem deslizarem. elas rolam ao mesmo tempo sobre dois trilhos C e D colocados em níveis diferentes.helder@accessueducacao. a mesma distância que vai do ponto 1 ao 2. é importante o professor propor situações que realcem o perigo de se acreditar em conclusões baseadas apenas no que foi percebido pelos sentidos. Nessas condições. percorrendo. percorrendo uma distância igual ao comprimento da roda maior. o arco mede n ou 2? d) Observe a figura 7. Helder Filho . porque vale o dobro do raio que mede 1. por outro lado.nos. As rodas partem da posição 1 e rolam até a posição 2.org 15 . As retas r e 5 são paralelas? Elas se parecem paralelas? Se. em que estão representadas duas rodas A e B. Afinal. Mas como explicar que as medidas das circunferências são iguais se as rodas são de diferentes tamanhos? e) Veja a figura 9. não menos desastroso será conduzir os alunos à total descrença em tudo que a observação e a intuição nos revelam Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. cuja medida é 2. conforme mostra a figura 8. por um lado. quando então ela se confundirá com o segmeto AE. quando a roda maior completar uma volta a menor também completará uma volta porque uma está fixa na outra.

o MD não é garantia de um bom ensino. uma embalagem. ainda. por exemplo. permitindo transformações por continuidade. MD pode ser um giz. permitem só a observação. MD manipulável Existem vários tipos de MD. Portanto. Os MD podem desempenhar várias funções.3. pode facilitar o estudo de simetria. que. um jogo. entre outros. todos os MD constituem apenas um dos inúmeros fatores que interferem no rendimento escolar do aluno. Outros já permitem uma maior participação do aluno: é o caso do ábaco. Apesar dessa enorme gama de possibilidades. dos jogos de tabuleiro. Estas são um bom começo para investigar e para aprender. o professor deve perguntar-se para que ele deseja utilizar o MD: para apresentar um assunto. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. que. conforme o objetivo a que se prestam. aqueles dinâmicos. a percepção de propriedades e a construção de uma efetiva aprendizagem. para motivar os alunos. o MD nunca ultrapassa a categoria de meio auxiliar de ensino. nem de uma aprendizagem significativa e não substitui o professor. assim.ou sugerem. de alternativa metodológica à disposição do professor e do aluno. uma transparência. por serem estáticos. por isso. Alguns não possibilitam modificações em suas formas. Helder Filho . para facilitar a redescoberta pelos alunos? São as respostas a essas perguntas que facilitarão a escolha do MD mais conveniente à aula. uma calculadora.org 16 . um filme. Existem. 1.1. Por melhor que seja. do material montessoriano (cuisenaire ou dourado). Devido à impossibilidade de abordar a utilização didática dos distintos tipos de MD que podem compor um LEM. um livro. É o caso da estrela (ver figura 10) construída com 18 palitos ou cotonetes iguais e unidos por borrachas (pedaços de garrote simples nos pontos ímpares e transpassados nos pontos pares). rotação. aqui vamos referir-nos apenas ao MD manipulável concreto. e. reflexão. triângulo. facilitam ao aluno a realização de redescobertas. ela pode ser dobrada de várias maneiras e. como tal.3. e. um quebra-cabeça. é o caso dos sólidos geométricos construídos em madeira ou cartolina. para auxiliar a memorização de resultados. Material didático (MD) Material didático (MD) é qualquer instrumento útil ao processo de ensinoaprendizagem. 1.helder@accessueducacao.

seja por imagem. quando o MD for mudado da posição 1 (figura 15) para a posição 2 (figura 16). coladas uma sobre a outra. interessante. hexaedro. Um outro exemplo de MD é aquele que se refere ao Teorema de Pitágoras: ele compõe-se de um triângulo retângulo com quadrados construídos sobre os respectivos lados do triângulo. só comprimento. Seguem algumas das formas possíveis: a) Ponha os vértices ímpares no centro da estrela (figura 11) b) Coloque 1 e 7 no centro da estrela (figura 12) c) Superponha 1 ao 7 (figura 13) d) Coloque 1. isomeria ótica.hexágono. Este material estático pode transformar-se em dinâmico. Agua ou areia. E o MD pode ser um excelente catalisador para o aluno construir seu saber matemático. entre outros assuntos. faz-se necessária também a atividade mental. Fazendo um furo de A a B e de C a D. por parte do aluno. se for construído em acrílico: são duas placas idênticas (no formato do estático). como mostra a figura seguinte.org 17 . 5. 7 e 11 no centro da estrela (figura 14) Utilizando-se de questões tais como as seguintes. o líquido (ou areia) interno se transferirá dos dois Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. como óleo. Neste tipo de saber. tetraedro. Helder Filho . desafiador e inspirador. Largura e espessura são necessárias à representação. seja por material concreto. de modo que elas possam reter algum material moldável. será possível estimular os alunos para operações além das simplesmente manipulativas: • Que figura plana pode ser construída colocando-se o 4 junto ao 10? • Quantas diferentes figuras planas podem ser construídas? • Qual delas tem o maior perímetro? E a maior área? • Qual é a relação entre a área da figura estrelada inicial e da figura hexagonal em a? • É possível formar um tetraedro (espacial)? • Qual é a área total do hexaedro? • Qual é a diferença entre a representação de uma figura e a sua imagem mental? Convém termos sempre em mente que a realização em si de atividades manipulativas ou visuais não garante a aprendizagem. os lados não possuem largura nem espessura. Para que esta efetivamente aconteça.helder@accessueducacao.

a abstração ocorre pela separação mental das propriedades inerentes a objetos (DAVIDOV. É muito difícil. o real tem sido confundido com o concreto. Essa trajetória é semelhante à que se deve fazer para conseguir o rigor matemático: para consegui-lo. forma e peso. expressões. O abstrato.quadrados menores para o quadrado maior. ainda sobre o concreto. Para as pessoas que já conceituaram esses objetos. 332). para qualquer ser humano caracterizar espelho. ele é aparentemente paradoxal porque. MD e o processo de ensino-aprendizagem A utilização do MD está sempre intimamente relacionada com um processo de ensino que possui uma característica aparentemente paradoxal. sugerindo a existência de uma equivalência entre os quadrados. para voar. Esse processo começa com o apoio dos nossos sentidos e. O avião retrata bem essa característica aparentemente contraditória do processo educacional: ele é feito para voar. mais ampla. inclui também as imagens gráficas. 54). símbolos e raciocínios. é o “isolamento de alguma propriedade sensorialmente acessível do objeto”. telefone. pan se chegar no abstrato. com seus vocábulos. às vezes.helder@accessueducacao. tocado ou utilizado esses objetos. assim. e outra. quando ouvem o nome do objeto. é preciso partir do concreto. Tal característica poderia ser considerada de somenos importância se não conduzisse alguns profissionais à falsa conclusão de que o uso do MD retarda o desenvolvimento intelectual do aluno. p. Faz-se necessário partir do concreto. Helder Filho . precisa partir do chão. sem precisarem dos apoios iniciais que tiveram dos atributos tamanho. Vejamos por quê. mas. O concreto pode ter duas interpretações: uma delas refere-se ao palpável. porque é empírico e baseado no concreto. 1982. que é um ponto distante e oposto ao rigor matemático. flui em suas mentes a ideia correspondente ao objeto. Qual será o tipo de MD que os alunos irão preferir: o estático ou o dinâmico? 1. é preciso começar pelo conhecimento dos alunos. movimento. p.3. Os conceitos evoluem com o processo de abstração. cor. bicicleta ou escada rolante sem ter visto. Não seria a ausência do MD a causa de possíveis retardamentos? Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof.org 18 . ou provavelmente impossível. manipulável. segundo Kopnin (1978.2.

precisa perguntar-se: será conveniente. para que possa ocorrer uma aprendizagem significativa. é um mero reforço à memorização do enunciado matemático que pode ser encontrado nos livros didáticos.3. as consequências do uso do material podem ser mais abrangentes e positivas. a bola. Tese (Doutorado) . • A área do triângulo é o dobro da área de cada retângulo. Note que essa atitude do professor. • O perímetro do triângulo é maior do que o de cada retângulo. o professor está respondendo as questões: “Por que material didático?”. descobertas ou conclusões. se não. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. o quadro-negro. não basta que o professor disponha de um LEM. e em diferentes posições). grande ou pequeno. o sino. • Dá sempre 180 graus. o batom. dá meio círculo. exigem conhecimentos específicos de quem os utiliza. Tão importante quanto a escola possuir um LEM é o professor saber utilizar corretamente os MDs. No entanto. o bisturi. 1. e 70% delas consideravam a matemática uma disciplina difícil para aprender. 5 Sérgio Lorenzato (1976). • Todo triângulo pode ser transformado em dois retângulos. Essas crianças pertenciam a distintas escolas e a diferentes níveis socioeconômicos. por exemplo. o revólver. • Mas tem que dobrar os lados ao meio. Em seguida. escaleno ou retângulo. • O ponto onde se juntam os três ângulos depende das medidas dos ângulos. com idades variando entre 11 e 12 anos e com semelhantes condições de conhecimento matemático. do que o grupo que foi ensinado sem MD. Os resultados revelam que o grupo que foi ensinado com MD reagiu de for-ma muito mais positiva. conforme resultado de pré-teste. se cada aluno desenhar um triângulo qualquer (equilátero. ou até mesmo necessário. com cerca de 180 crianças cursando a 5” série. Para que os alunos aprendam significativamente. a enxada. tais como o pincel.helder@accessueducacao.org 19 . “Qual é o material?” e “Quando utilizá-lo?”.3. ao planejar sua aula. facilitar a aprendizagem com algum material didático? Com qual? Em outras palavras. o automóvel. não. • O ponto onde se juntam os três ângulos é o pé da altura do triângulo. que a “soma dos três ângulos dá 180 graus”. Subsídios metodológicos para o ensino da matemática:cáculo de áreas das figuras planas.FE-UNICAMP. em cada escola. feita em cartolina ou em madeira: com ele. • O ponto onde se juntam os três ângulos varia de triângulo para triângulo. Tomemos. não junta os três ângulos. um mesmo professor lecionou para duas turmas. o professor de matemática. isósceles. o professor pode mostrar aos alunos. embora não suficiente. recortar e dobrar sua figura e mostrar aos colegas suas observações. numa utilizando MD. Helder Filho . O professor e o uso do MD A atuação do professor é determinante para o sucesso ou fracasso escolar. é preciso perguntar-se: “Como este material deverá ser utilizado?”. Algumas destas podem ser: • Quando juntados os três ângulos. como outros instrumentos. pois estes.Uma das pesquisas5 que comprovaram a eficiência do ensino com MD foi realizada em Brasília. na outra. que se resume em apenas apresentar um resultado aos alunos. Esta última questão é fundamental. tanto diante de questões fáceis como de médias e de difíceis. Assim. Campinas. justapondo os três “vértices”. em qualquer tipo de triângulo. a representação de um triângulo qualquer.

O modo de utilizar cada MD depende fortemente da concepção do professor a respeito da matemática e da arte de ensinar. com ou sem o auxílio do professor. pode navegar. cujos resultados são regras ou fórmulas que servem para resolver exercícios em exames. a certeza de que vale a pena procurar soluções e fazer constatações. para representar vários triângulos. é um campo de saber onde ele. Para muitos de nós. avaliações. E o que acontece com as medidas das alturas. tipos de peças e possibilidade de dobra ou decomposição. entre C e D. a eles deve ser dado um tempo para que realizem uma livre exploração. a melhoria da auto-imagem. roncursos. onde os pontos A a B são fixos e Pé móvel.helder@accessueducacao. o P deve deslocar-se pelo corte no papelão. ideias incompletas e percepções vagas ou erróneas. Um pro-fessor que concebe a matemática como um conjunto de proposições dedutíveis. Com referência à manipulação propriamente dita do MD pelos alunos. mais importante que co-nhecer essas verdades matemáticas. não conseguimos admirar a beleza e harmonia dela. Para ilustrar. é obter a alegria da descoberta. mostrar ou provar aos alunos que a soma dos três ângulos dá ISO graus e. através da observação. utilizando-se apenas do quadro-negro. seguramente poderia. Helder Filho . auxiliadas por definições. se AB for paralelo a CD? O que se pode dizer das áreas desses diferentes triângulos? E de seus perímetros? Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. a satisfa-çlo do sucesso. dar alguns exercícios para auxiliar a memorização dessa propriedade. por isso. em seguida. aluno. tal como suas partes e cores. num primeiro momento. feito em papelão. conhecem o superficial do MD. quando o MD for novidade aos alunos. a percepção da sua competência. o MD pode gerar alguma estranheza ou dificuldade e propiciar noções superficiais. tomemos o MD representado pela figura 17. os três pontos A. P são unidos por um fio. a matemática foi ensinada assim e. e compreender que a matemática. São esses banais conhecimentos que possibilitarão.A diferença entre as duas maneiras distintas de utilização de MD aqui apresentadas ressalta que a eficiência do MD depende mais do professor do que do próprio MD. nem ver nela um essencial instrumento para cotidianamente lei colocado a nosso serviço. Todas as pessoas passam por essa primeira etapa em que. Para o aluno. por isso. e ainda mostra a importância que a utilização correta do MD tem no desenvolvimento cognitivo e afetivo do aluno. longe de ser um bicho-papão. a procura e a descoberta de novos conhecimentos.org 20 . B. Os triângulos são diferentes quanto às formas. convém lembrar que. mas todos têm a mesma medida de base.

frequente em nossas salas de aula. por exemplo. de posse do MD. “um quadrado”. Será nesse momento que o professor poderá avaliar como e o que os alunos aprenderam. erros e conclusões.3. se souberem os conceitos de perímetro e de área. porque. para um mesmo MD. “quando o ângulo 1 aumenta. Após a verbalização.helder@accessueducacao. flexível nos pontos 1. Assim. Professor . é recomendável que cada aluno tente registrar em seu caderno. Raios X Analise o seguinte diálogo. Aqui.Diante desse MD. uma vez que ela camufla o perpendicularismo e o paralelismo laterais. apesar de todas as contribuições da perspectiva. “os ângulos opostos são iguais”. mais facilmente. as questões anteriores se tornarão fáceis aos alunos. e a aula em que os alunos manuseiam esse MD. também. 1. em ritmos próprios. “outros paralelogramos”.org 21 . uma vez que poderão. ela não retrata as reais dimensões e posições dos lados e faces dos objetos. Vejamos.“Um segmento”. por eles realizadas. 3 e 4.4. entre os alunos. O MD é o mesmo. como mostra a figura 18. 2. até mesmo em cursos de aperfeiçoamento para experientes professores de ensino fundamental. raciocínios. Aos alunos é dado um MD (figura 19) formado por quatro palitos de mesmo comprimento. é importante que seja realizada entre os alunos a verbalização dos pensamentos. o ângulo 2 diminui”. “um triângulo”. concretas e abstraías. Feito isso. Existem também diferenças de potencialidade entre o MD manipulável e sua representação gráfica. os quais conduzem os alunos a fazer conjecturas e a descobrir caminhos e soluções. as observações e reflexões deles serão mais profícuas. não é menos importante para a formação deles. Talvez a melhor das potencialidades do MD seja revelada no momento de construção do MD pelos próprios alunos. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof.Procurem transformar esta figura em outras e digam o que observaram. então. ações e conclusões deles. porque esse poder depende do estado de cada aluno e. há uma diferença pedagógica entre a aula em que o professor apresenta oralmente o assunto. ilustrando-o com um MD. as novas conquistas decorrentes das atividades. Helder Filho . representando um losango. elo modo como o MD é empregado pelo professor. a socialização das estratégias. realizar suas descobertas e. algumas potencialidades mais específicas dos MD. é provável que os alunos se deparem inicialmente observando e testando o possível movimento do fio e percebendo o paralelismo entre AB e CD. mas os resultados do segundo tipo de aula serão mais benéficos à formação dos alunos porque. Alunos . além disso. Potencialidades do MD Todo MD tem um poder de influência variável sobre os alunos. conforme suas possibilidades. processos. “outros losangos”. a comunicação das ideias. isto é. pois é durante esta que surgem imprevistos e desafios. memorizar os resultados obtidos durante suas atividades.

Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. ou. ele pode ser um complicador. é muito mais fácil dar aula sem MD. Em outras palavras. o quadrado é losango? Alunos . constatações. Um exemplo disso (figura 20) é o que pode acontecer quando se dá ao aluno um triângulo (dobrável pelos pontos médios dos lados). Helder Filho .org 22 . então. Outra observação dos alunos que pode surpreender alguns professores é a de que a área do retângulo (figura 21) é a metade da área do triângulo inicial (figura 20). o que é uma verdade geralmente inesperada por alguns professores e que não consta nos livros didáticos.Não. frequentemente. não estavam previstas no planejamento nem eram do conhecimento do professor. é contraditória para 6 Van Hiele propõe que o desenvolvimento do pensamento geométrico pode se dar em cinco níveis. às vezes. quadrado é quadrado. Complicador Se o MD pode ser para o aluno um facilitador. também. mas.3: Quando se pergunta aos alunos o que eles observaram na transformação anterior. referindo-se à propriedade “todo triângulo pode ser decomposto em seis triângulos menores congruentes dois a dois”. Note que: a) Esta última resposta indica que esses alunos estão no primeiro nível da proposta de Van Hiele6.Professor . para o professor. esperando que ele redescubra que “a soma dos três ângulos é 180 graus” (figura 21). b) Nesse exemplo.Então. é preciso reconhecer que essa dificuldade vem no intuito de melhorar a qualidade do processo de rnsino-aprendizagem.Não. Professor . os alunos dizem que “no triângulo sempre cabem seis triângulos”. c) O MD foi para o professor o mesmo que o aparelho de raios X é para o médico ou dentista. o MD possibilitou ao professor constatar conceitos que precisam ser revistos ou ampliados. descobertas e até mesmo o levantamen-to de hipóteses e a elaboração e testagem de estratégias que. O uso do MD planejado para atingir um determinado objetivo. possibilita ao aluno a realização de observações. às vezes. como foi sugerido em 3.helder@accessueducacao.A sequência de movimentos que transformou losango em quadrado destruiu alguma característica (propriedade) dos losangos? Alunos . No entanto. losango é losango. mas também é mais difícil aprender sem o MD. frequentemente dizem que “o triângulo se transformou em dois retângulos”. os lados continuaram iguais. Tal constatação é válida.

o que conflita com a crendice de que MD só deve ser utilizado com crianças.quem se lembrar das fórmulas para cálculo da área de retângulo e de triângulo. é possível interferir no ritmo dos alunos. Modificador Pelo exemplo do prisma que foi decomposto em três pirâmides pode-se verificar que a utilização do MD favorece a alteração de ordem de abordagem do conteúdo programático. Se de um lado o processo se torna rico. o ritmo aumentará e o tempo gasto no início será. Longe de observar erro de português ou falta de rigor na linguagem matemática. No entanto. Se elas não compreenderem a mensagem. como a abstração é essencial para a aprendizagem da matemática.org 23 . Será que isso significa que é preciso Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. de longe. de matematização do aluno. Em outras palavras. uma vez que ele possibilita ao aluno aprender em seu próprio ritmo e não no pretendido pelo professor. diante da imagem. crianças de 1a série disseram que “as três pontas dá meia roda”. lembrando que. dar o programa ou aprender com compreensão. Regulador O MD pode ser um eficiente regulador do ritmo de ensino para. a maioria das pessoas não compreenderá o que está sendo dito e mostrado. Então. Justificando essa crendice. porque eles ainda não construíram os conceitos de triângulo. Portanto. apresente o desenho da figura em questão. devido à compreensão adquirida pelo aluno. o importante é verificar se o assunto é novidade para os alunos.helder@accessueducacao. E isso é uma façanha. é uma questão de opção: valorizar mais o ensino ou a aprendizagem. fazendo acontecer a chamada descoberta dirigida. mas em seguida. É importante registrar que o MD nunca favorece o adiamento do assunto. é preciso exaltar que intuitivamente as crianças em fase escolar inicial já conseguem detectar a verdade matemática e expressá-la em sua linguagem. círculo e medida. adição. quanto mais o MD concreto for utilizado. recompensado em quantidade e principalmente em qualidade. mesmo assim. o emprego de MD pode “atrasar o programa”. se a todas elas for dado um modelo tridimensional para manusear. e não a idade deles. e essa é uma das críticas mais frequentes ao seu uso. Como se explica essa contradição? Só para crianças A experiência tem mostrado que o MD facilita a aprendizagem. Helder Filho . ele quase sem-pre propicia a antecipação da abordagem. se não há aprendizagem. qualquer que seja o assunto. não podemos considerar que houve ensino. e mais: o professor pode acelerar o ritmo das atividades dos alunos apresentando questões que os auxiliem em suas reflexões. por que utilizar MD só com crianças? Na verdade. diretiva e predeterminada.i liem isso é o seguinte: diante do triângulo cujos ângulos se juntam para mostrar que a soma é 180 graus (assunto de 7a e 8a séries).i aula. alguns dizem que. ângulo. muitas delas imprevistas. ao contrário. Outro exemplo que ilus-n. Na verdade. e certamente não a compreenderão. mais retardado será o processo de abstração. grau. imediatamente indicarão ter compreendido o significado da frase. Por isso. Aqueles que assim pensam provavelmente ainda não fizeram a seguinte experiência: escolha pessoas adultas que não estudaram geometria espacial e diga a elas que “todo prisma triangular pode ser decomposto em três pirâmides”. pois a dupla MD e imaginação infantil quase sempre abre um leque de possibilidades. a utilização de MD pode inicialmente tornar o ensino mais lento. por outro se torna mais difícil para ser conduzido dentro de uma visão fechada. curso ou idade.

pois. apresentado no item 3.org 24 . os conhecimentos são ampliados e aprofundados. Em segundo lugar. para muitos alunos. mais tarde. recorrem ao MD (manipulável) e então prosseguem sem dificul-dades com o computador. então. Primeiramente. Helder Filho . Um mesmo MD pode ser utilizado para um assunto. por parte do aluno. em diferentes níveis de conhecimento. o MD se tornou obsoleto e desnecessário. a condicional (triângulo retângulo). porque muitas escolas que já se equiparam com computadores não sabem bem o que fazer com eles. porém.1: num primeiro momento. ele pode não apresentar o sucesso esperado pelo professor. Como já vimos no item 3. se pretendermos que alunos de 5a série calculem áreas de figuras planas sem usar fórmulas (por equivalência de áreas). os conhecimentos avançam para a constatação numérica (área). faz-se necessário que haja uma atividade mental. tudo indica que comprar o equipamento e conseguir o espaço físi-CO para ele é o mais fácil: o mais difícil é conseguir software (programa) adequado e principalmente professor preparado para elaborar. o objetivo era facilitar a percepção da existência de uma equivalência entre “os quadrados”. Por exemplo. na la/4a séries. e não somente a manipulativa. os mesmos assuntos são retomados e. Assim sendo. estes falam e movimentam-se mais que de costume. explorando a equivalência de suas áreas (por transformação) para. é preciso lembrar que infelizmente o computador não chegou à grande maioria das escolas brasileiras. É o caso do MD sobre o chamado Teorema de Pitágoras. com o apoio de con-tagcm ou medida. o MD desempenha a função de um pré-requisito para que se dê a aprendiam através do computador. o que para muitas pessoas pode significar bagunça. a cada vez. desenvolver e avaliar um processo de ensinar e aprender dilcrente dos que tivemos até hoje. depois para a demonstração (prova) e finalmente para ampliações do tipo: o teorema vale para outras formas ou somente para quadrados? A palavra “quadrado” no enunciado refere-se à forma ou à área de figura? Em quais condições o teorema vale para três dimensões (volume)? Quais aplicações práticas são previsíveis? Computador Uma outra crítica contra o uso de MD se baseia no argumento de que. o MD manipulável tem-se mostrado um eficiente recurso para muitos alunos que. em decorrência da motivação que ele gera nos alunos. serem calculadas as áreas por meio de medidas. Ao professor cabe acreditar no MD como Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. e isso é mais sério do que parece.helder@accessueducacao. para que se dê uma significativa aprendizagem. Dosagem seriada A prática pedagógica tem confirmado a necessidade e a conveniência da adoção do currículo em espiral. em seguida. nele. com a chegada do computador. Funciona sempre? Apesar de o MD geralmente despertar o interesse de quem aprende. finalmente na 5a série. o processo pode começar na educação infantil através da montagem/desmontagem de figuras quaisquer. não compreendendo a mensagem (visual) da tela do computador.abrir mão do rigor para se conseguir o rigor? Será que isso indica que a dosagem seriada deve merecer uma atenção maior do que a escola tem dado? Ou será isso uma indicação de que o MD permite antecipar a abordagem de conteúdos programáticos no currículo escolar? Outro tipo de alteração que quase sempre o uso de MD ocasiona se refere ao nível de atividade dos alunos em sala de aula. tão recomendado por ilustres educadores. ao longo das séries. devem vir jogos livres com figuras de diferentes formas e cores.

ou não dispõem de MD. o MD pode ser ineficaz ou até prejudicial à aprendizagem. diminuindo. onde o temor. é preciso conhecer o porquê. Em decorrência. Obstáculos ao uso do MD De modo geral. em 1990. 7 Sérgio Lorenzatto. o risco de serem criadas ou reforçadas falsas crenças referentes à matemática. Para auxiliar a reflexão sobre MD e LEM • O que é um LEM? • Quais são os fatores a serem considerados no planejamento de um LEM? • Por que escolas de formação de professores devem possuir seus LEMs? • O que você pode fazer para que sua escola venha a ter um LEM? • Como o MD pode influir no processo ensino-aprendizagem? • Quando o uso do MD é recomendável? Justifique.3. que poucas são as instituições responsáveis pela formação de professores que ensinam seus alunos a usarem MD. pois é fácil constatar que a própria política educacional emanada pelos governos federal. o como e o quando colocá-lo em cena. o afetivo. Caso contrário. então fica explicado porque tantos alunos não gostam da matemática. muitos professores não sentem falta de MD em suas práticas pedagógicas. pois. o mais importante efeito será o aumento da autoconfiança e a melhoria da auto-imagem do aluno. e apresentado no III Encontro Nacional de Educação Matemática. trabalho apresentado no Seminário sobre Prática do Ensino. estaduais ou municipais geralmente não preconiza ou orienta os educadores ao uso do MD. Outra consequência provável se refere ao ambiente predominante durante as aulas de matemática. 1. Helder Filho . o histórico. que tenha significado para o aluno. UFRN. A esses todos se somam aqueles que.4. como podem vir a admirá-la? No entanto. E mais: o MD necessita ser corretamente empregado. se empregá-lo corretamente. conseguir uma aprendizagem com compreensão. pela alegria ou pelo prazer. se a eles não foi dado conhecer a matemática. • Quais aspectos educacionais devem ser considerados ao planejar e ao empregar MD: o cognitivo. assim. resistem às mudanças didáticas e. talvez. por diferentes motivos. aqueles que opinam contra o uso do MD sem o conhecerem ou sem o terem experimentado7. ele só produz bons resultados para quem nele acredita.org 25 . Efeitos colaterais Se for verdadeiro que “ninguém ama o que não conhece”.5. e outras semelhantes. em 1989. “muito difícil”. UNESP. isto é. pode-se dizer que os obstáculos ao uso do MD são de ordem extrínseca a ele. Rio Claro. “pronta”. pior ainda. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. Mas. a ansiedade ou a indiferença serão substituídos pela satisfação. Enfim. como a de ser ela uma disciplina “só para poucos privilegiados”. ou não acreditam nas influências positivas do uso do MD na aprendizagem. as causas da ausência do MD nas salas de aulas não são devidas a ele propriamente. que raras são as escolas de ensino fundamental ou médio que possuem seu LEM. o professor pode. o pedagógico ou o epistemológico? • Por quais maneiras se pode dar a má aplicação do MD? • Como construir MD de boa qualidade e de baixo custo? • O uso de MD facilita ou dificulta o magistério? Justifique. 1.helder@accessueducacao. ou não sabem utilizar corretamente o MD. pois como muitas coisas na vida.um auxiliar do processo de ensino-aprendizagem. com o auxílio de MD.

A. l. • Comente: O uso do MD garante uma aprendizagem com compreensão. 1. G. Editorial Pueblo y Educación. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. El material para la ensenanza de las matemáticas. A arte de resolver problemas. (1993). D. London. MANSUTTI. • Comente: O MD só deve ser usado com crianças. Rio de Janeiro. FIORENTINI. Arquimedes e a alavanca em 90 minutos. A dialética como lógica e teoria do conhecimento.SBEM. V. Referências bibliográficas do texto CASTELNUOVO.helder@accessueducacao. K. & MIORIM. Civilização Brasileira. (1967). R. M. Tipos de generalización en la ensenanza. Tradução de Auriphebo B. E. ano 4. Simões. São Paulo. P. ano 1. POLYA. (1973). • Comente: A aritmética e a álgebra escolares podem tornar-se mais fáceis aos alunos se ilustradas com o apoio das formas. DAVIDOV. RÊGO. 123 (Coleção Perspectivas do Homem). 17-29.org 26 . (1978). Boletim SBEM. NICOLET. n. “Uma reflexão sobre o uso de materiais concretos e jogos no ensino da matemática”. THE MATHEMATICAL ASSOCIATION (1968). LOVELL. Rio de Janeiro. “Concepção e produção de materiais institucionais em educação matemática”. Tradução de Maria Helena Geordane. intermedeia as sensações iniciais do mundo físico com as abstrações exigidas pelo processo de formação dos conceitos matemáticos. P.V. (1988). 7. Didáctica de la matemática moderna. João Pessoa. pp. R. Ed. Porto Alegre.V. STRATHERN. (2000). J. O desenvolvimento dos conceitos matemáticos e científicos na criança. por possibilitar as representações visuais. Artmed. Aguilar. (1982). Mathematics Laboratories in Schools. • Comente: As secretarias de educação deveriam implantar LEM em suas escolas. “Intuición matemática y dibujos animados”. vol. Zahar. Tradução de Gonzalo Medina. • Quais dificuldades os professores enfrentam para produzir. Tradução de Felipe Roblelo Vasquez. 55-73. México (DF). Ciudad de La Habana.M. Madrid.G.5. pois é a geometria que.A.• A ausência de MD torna deficiente o ensino? Justifique. • Comente: As características dos MD devem ser distintas de acordo com os níveis escolares ou com as faixas etárias a que se destinam. Bell e Sons. 2. Revista de Educação Matemática . (1978). reimpresión. n. pp. Matematicativa. Rio de Janeiro. In: COMISION INTERNACIONAL PARA EL ESTÚDIO Y MEJORA DE LA ENSENANZA DE LAS MATEMATICAS. G. (1993). São Paulo. Tradução de Heitor Lisboa de Araújo.L. KOPNIN. M. Helder Filho . UFPb. & RÊGO. Trillas. Interciência. (1998). adquirir ou utilizar MD? • Quais são as características de um bom MD? • Por que os alunos preferem aulas com MD? • Quais são os argumentos favoráveis ao uso de MD no ensino? • Quais são os seus argumentos para não usar MD em suas aulas? • Dê exemplo de caso em que o uso de MD provocou a reflexão dos alunos.

palestras e cursos para alunos e professores de matemática. composto de kits didáticos.UFPb Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof.Programa de Apoio aos Cursos de Graduação . As novas demandas sociais educativas apontam para a necessidade de um ensino voltado para a promoção do desenvolvimento da autonomia intelectual. PROLICEN . reflexão e crítica pelo aluno. (Coleção Formação de Professores).UFPb. a comunidade. 39. criatividade e capacidade de ação. em 1991. baseados em um acervo material constantemente renovado e ampliado.2.) – Campinas.Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior. administradores escolares. jogos e quebra-cabeças. fruto de pesquisas realizadas na área de ensino de matemática.estão integradas às diversas ações da equipe do LEPAC. É professora do Departamento de Matemática da UFPb e atua na Pós-Graduação em Educação do Centro de Educação da mesma universidade. a luta por melhores condições de trabalho e por uma formação inicial e continuada de qualidade. oficinas. visando o desenvolvimento de materiais didáticos adequados à realidade das nossas escolas e de sua divulgação por meio de livros.Programa de Licenciatura . ricos de conexões com a matemática. envolvendo a escola. E professor do Departamento de Matemática e Estatística da Universidade Estadual da Paraíba (UEPb) e atua na Pós-Graduação em Educação do Centro de Educação da Universidade Federal da Paraíba (UFPb). vinculado ao Departamento de Matemática do Centro de Ciências Exatas e da Natureza da Universidade Federal da Paraíba (CCEN/UFPb). 2006. médio e superior em estados do Norte e Nordeste. DESENVOLVIMENTO E USO DE MATERIAIS DIDÁTICOS NO ENSINO DE MATEMÁTICA8 Rômulo Marinho do Rego9e Rogéria Gaudêncio do Rego10 A filosofia e política do Laboratório de Estudos e Pesquisa da Aprendizagem Científica (LEPAC). SP: Autores Associados. 11 Significado das siglas: SPEC .helder@accessueducacao. 10 Bacharel em matemática. compromissos políticos na direção de mudanças. PROGRAD. Para tanto. história da matemática . Helder Filho . jogos e quebra-cabeças. lançando as condições de superar as limitações dos cursos de pós-graduação de caráter tecnicista. coleção de elementos da natureza. p. além da realização de uma exposição anual intitulada "Matemática e imaginação". PROLICEN.Programa Institucional de Bolsas de Extensão . PADCT -Programa de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico. as ações da equipe do LEPAC estavam inicialmente direcionadas para a formação de especialistas. mestre em filosofia e doutora em educação matemática. vêm sendo elaboradas e discutidas desde a sua fundação.UFPb. 9 Bacharel e mestre em matemática e doutor em educação matemática. CAPES . passando posteriormente a abranger a assessoria em projetos de implantação de clubes e laboratórios de matemática. PROBEX)11 e realizou cursos e exposições em instituições de ensino fundamental. As diversas linhas de desenvolvimento de conhecimentos matemáticos apontadas como mais apropriadas dentro da perspectiva de mudanças .org 27 8 . Ao lado da pesquisa. faz-se necesIn O Laboratório de Ensino de Matemática na Formação de Professores. PROBEX .Subprograma Educação para a Ciência. PROGRAD . que já executou mais de vinte projetos institucionais (SPEC/PADCT/CAPES. Sérgio Lorenzato (org.entre as quais: resolução de problemas. nos moldes da exposição francesa "Horizontes matemáticos". entre outros recursos. na montagem de módulos e projetos de feiras de ciências na área de matemática. Baseiam-se na crença de que a construção do saber matemático é acessível a todos e que a superação dos baixos índices de desempenho de nossos alunos requer também conhecimentos externos à matemática.

reestruturado. reconheça. ii. 10-13): i. Estreitar as relações entre a instituição e a comunidade. p. baseada em uma sólida formação teórica e prática. Se concebermos uma aula de matemática como um espaço em que os alunos vão experimentar. seu alcance e suas limitações e a sua adequação à competência dos alunos. os laboratórios de ensino. na obra O material didático no ensino da matemática. buscando a melhoria do ensino e constituindo um espaço de divulgação e de implantação de uma cultura de base científica. caso indicado. visando à instalação de clubes e laboratórios de matemática. 2004). descobrir significados e processos para essas experiências ou atividades de aprendizagem. Helder Filho . ou seja. suas principais funções (1962. em especial. considerando-se os objetivos educacionais a serem atingidos. Auxiliar o professor a tornar o ensino da matemática mais atraente e acessível.helder@accessueducacao. está aumentando cada vez mais a dificuldade do ensino dessa matéria e Interessar maior número de alunos no estudo dessa ciência. Acabar com o medo da matemática que. habilidades ou atitudes). baseadas na concepção de que o aluno deve ser o centro do processo de ensino-aprendizagem. quando associado à formação docente. sem as pressões do espaço formal tradicional da sala de aula. resultados de pesquisas disponibilizados na literatura (ver sugestões em Rego & Rego. Manoel Jairo Bezerra destacou. para o professor. sua potencialidade para auxiliar a aprendizagem de conhecimentos de naturezas diversas (informações.org 28 . além de oficinas e cursos de formação continuada para seus professores. conceitos. entre outros elementos. além de incentivar a melhoria da formação inicial e continuada de educadores de matemática. Estimular a prática da pesquisa em sala de aula. 87). levando-se em conta conhecimentos prévios. iii. pesquisa e extensão. novos materiais e metodologias. que tem a oportunidade de avaliar na prática. Uma vez trabalhado e avaliado em sala de aula um recurso didático pode ser. oportuniza a realização de atividades em que professores da educação básica e alunos de cursos de licenciatura possam refletir e elaborar sua avaliação pessoal do sistema de ensino adotado em nossas escolas e construir modelos viáveis de superação de seus aspectos negativos. identifique e considere seus conhecimentos prévios como ponto de partida e o prepare para realizar-se como cidadão em uma sociedade submetida a constantes mudanças. criado por alguns professores e alimentado pelos pais e pelos que não gostam de matemática. materiais adequados são necessários. O Laboratório de Ensino de Matemática (LEM) em uma escola constitui um importante espaço de experimentação para o aluno e. possibilitam: i.sário a introdução da aprendizagem de novos conteúdos de conhecimentos e de metodologias que. ampliando sua formação de modo crítico. faixa etária. Uma das linhas de investigação e ação em um LEM compreende a elaboração. ii. Firmar projetos de parceria com os sistemas locais de ensino. promovendo a integração das ações de ensino. e iii. compreendendo-se que a aprendizagem não reside em Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. como afirmam Grossnickle e Brueckner (1965. adaptação e uso de materiais didáticos de matemática. atuando como parceira na solução dos problemas educacionais que esta apresenta. pp. Quando instalados em instituições de ensino superior.

"a independência mental. vi. sua percepção espacial. Estimular sua concentração. Sabemos. a partir de sua utilização adequada. há até relativamente pouco tempo. Nossa experiência pessoal aponta para a possibilidade de produção e de massificação de materiais de baixo custo e grande potencial didático. apresentamos algumas sugestões. Adquirir estratégias de resolução de problemas e de planejamento de ações. iii.sua estrutura física ou na simples ação sobre ele. o material concreto tem fundamental importância. A aprendizagem pela compreensão é um processo pessoal e único que acontece no interior do indivíduo. Para exemplificar a potencialidade de recursos simples na promoção de atividades didáticas em um LEM. os alunos ampliam sua concepção sobre o que é. que cada aluno tem um modo próprio de pensar e que este varia em cada fase de sua vida. auxiliando-o a: i. perseverança. É Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. REGO & GAUDENCIO JR. ainda no ano de 1911. iv. com um acabamento que torne as atividades a serem realizadas agradáveis aos sentidos. desenvolvendo conhecimentos na direção de uma ação autônoma. 2003) ou em vias de publicação pela equipe do LEPAC. dentro de padrões de segurança que não coloquem em risco o seu usuário. Iniciar-se nos métodos de investigação científica e na notação matemática. discriminação visual e a formação de conceitos. 2004. a reflexão e a criatividade não podem ser metidas em nenhuma cabeça". exigindo do raciocínio o que quase sempre é deixado apenas como tarefa para a memória. As interações do indivíduo com o mundo possibilitam-lhe relacionar fatos. vii. Em razão das características socioeconômicas da nossa população. cujos objetivos e uso em sala de aula poderão ser encontrados com detalhes nos textos já publicados (REGO & REGO. pois. Promover a troca de idéias através de atividades em grupo. Acreditava-se. internalizando-os. a coragem para enfrentar desafios e para vencê-los. Estimular sua compreensão de regras. ii. sendo seguros apenas os resultados dos casos em que a introdução no campo da matemática ocorrer de forma prazerosa.. Helder Filho . um dos grandes desafios enfrentados pelos pesquisadores que atuam à frente de LEMs compreende a socialização dos resultados de seus trabalhos. aqui descritas de modo sucinto.org 29 . favorecendo a aprendizagem pela formação de idéias e modelos. "baseando-se em objetos e exemplos do ambiente cotidiano. 1999b. Assim. embora relacionado a fatores externos. vencendo os mitos e preconceitos negativos. como e para que aprender matemática. v. as atividades realizadas em um LEM estão voltadas para o desenvolvimento de conhecimentos matemáticos e a formação geral do aluno. Desenvolver sua capacidade de fazer estimativas e cálculos mentais. o aluno desenvolve o gosto pela descoberta.helder@accessueducacao. raciocínio e criatividade. Ampliar sua linguagem e promover a comunicação de idéias matemáticas. como afirmava Ignátiev. REGO. Porém. contribuindo para formação do senso estético e direcionando a atenção e a percepção para os aspectos cognitivos a serem trabalhados. acumulando informações e regras. selecionados com a criatividade e interesse correspondentes" (IGNÁTIEV. entretanto. Nessa concepção de aprendizagem. Por meio de experiências pessoais bem-sucedidas. 1999a. 1986). que os alunos aprendiam de igual maneira. estando seu pensamento em constante processo de mudança. mas resulta do aprofundamento de reflexões sobre essa ação. estruturar idéias e organizar informações.

). Que modificações devem ser feitas (no tamanho dos anéis ou na forma de colálos) para que o resultado seja um losango (não quadrado)? ii. jornal etc. para que o resultado seja um paralelogramo (não quadrado)? Outras investigações podem ser feitas: i. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. tentando estimar e verificando o resultado. como indicado na figura 1. Vale notar que.importante lembrar que os roteiros de sugestão de uso de qualquer recurso instrumental devem ser vistos como possíveis caminhos que poderão ou deverão ser reestruturados de acordo com as especificidades dos alunos e dos conhecimentos a serem desenvolvidos. no que trata da análise das propriedades das figuras obtidas e na nomenclatura apresentada. como feito no anel da questão inicial. em cada caso. com mesmo diâmetro e largura. como indicado na figura l (o pontilhado não precisa ser feito. Colar três anéis de mesmo tamanho. dependendo do nível da turma e dos objetivos a serem alcançados. uma em cada extremidade). Que modificações devem ser feitas (no tamanho dos anéis ou na forma de colálos) para que o resultado seja um retângulo (não quadrado)? iii. Depois de feitas as previsões. O que deverá variar. demanda apenas papel (ofício. Em seguida. colar as tiras formando cada uma um anel comum. seguidos fielmente sem a promoção de reflexões. Iniciar a discussão questionando aos alunos o que acontece quando cortamos um desses anéis ao meio. Sugerimos que seja desenvolvida no estudo de quadriláteros. na ilustração serve apenas para indicar onde deverá ser realizado o corte). estimando o que acontece quando cortarmos ao meio os dois anéis colados. cortar a tira ao meio. Verificar o resultado obtido confrontando-o com as hipóteses levantadas.org 30 . e como colá-los.helder@accessueducacao. Depois de recortadas. intitulada estudo de quadriláteros (RÊGO & REGO. e não como receituários. um perpendicular ao outro. pois esta corresponde a uma das argolas que estavam inicialmente coladas. quando o primeiro anel é cortado. cada um perpendicular ao seguinte e cortar os três ao meio. o conjunto fica semelhante a uma algema (uma tira com duas argolas. com menos ou mais rigor. como indicado na figura 2. são as exigências formais envolvidas. cortar o anel e conferir o resultado. Helder Filho . ao longo da linha pontilhada. O procedimento a ser adotado inicia-se com o corte de algumas tiras de papel com aproximadamente 30 cm de comprimento e 4cm de largura. sendo indicada para alunos de todas as séries da educação básica. Os alunos poderão em seguida investigar: i. 1999a). Como devem ser os anéis. colar dois anéis iguais ao primeiro. de revistas. A primeira atividade. cola e tesoura. Em seguida.

correspondendo a cada conjunto de três grampos um vértice do tetraedro. comuns) e canudos de refrigerante. planos de simetria. por exemplo. dispostos entre si como no caso anterior. inclinados etc. levar o aluno a diferenciar o que é uma definição e um conceito. a quantidade de anéis utilizada em cada caso.) e os resultados obtidos. suas definições e interseções entre estas como. como indicado na ilustração do centro na figura 3. facilidade de uso. além do registro e da busca de associação do conhecimento desenvolvido dentro da linguagem.helder@accessueducacao. ou três iguais colados inclinados um em relação ao outro.org 31 . sugerimos para a confecção de esqueletos de poliedros. Essa atividade enseja oportunidade de abordar de maneira intuitiva questões relativas aos quantificadores universais e existenciais e de suas negações. concluindo que todo quadrado é um retângulo. formando quatro sistemas de articulação. modificando-se a quantidade de canudos e/ou a quantidade de grampos em cada sistema de articulações. Ainda em geometria. Nesse caso. Solicitar aos alunos que façam um pequeno relatório ou tabela. abre-se um espaço para discutir as habilidades que estão sendo desenvolvidas com a realização e reflexão sobre ela. Dependendo do nível da turma. como em qualquer caso de construção de esqueletos de poliedros. de acordo com a necessidade. Helder Filho . rapidez do processo e possibilidade de reaproveitamento do material. entre outras. com a construção do esqueleto de um tetraedro (pirâmide de base triangular) regular. O número de canudos utilizados em um poliedro será igual a seu número de arestas e o número de grampos será igual à soma do número de arestas que convergem para cada vértice do sólido. em permanente processo de construção. o uso de grampos pequenos de cabelo (de metal. Depois de prontas as articulações. Este poderá ser posteriormente desmontado e grampos e canudos serem utilizados na construção de outros poliedros. O processo de confecção dos poliedros é bastante simples e as vantagens do material são muitas: baixo custo. bem como o desenvolvimento de atitudes como ver a matemática como um conhecimento social. que poderão ser explorados posteriormente no estudo de propriedades de sólidos. Acompanhe o seguinte exemplo. inserir a parte ondulada dos grampos no interior dos canudos (ilustração da direita na figura 3). para o qual iremos precisar de seis canudos e doze grampos de cabelo. embora o contrário não aconteça. Teorema de Euler. os alunos podem analisar e explorar os elementos das figuras obtidas. Inicialmente prender cada grupo de três grampos entre si. a rigidez da figura dependerá da forma de suas faces: se apenas Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. como estavam colados uns em relação aos outros (se perpendiculares. Após cada atividade. dentre outros.ii. estimando e verificando os resultados. Colar três anéis de tamanhos diferentes. descrevendo a dimensão dos anéis (se todos são de mesmo tamanho ou não).

Helder Filho . uma experiência interessante consiste em dividir a turma em grupos. isto é. Ver foto 1). visando criar ou adaptar kits existentes à realidade das escolas.org 32 . resistência. potencialidade e limitações. Os grampos de cabelo poderão ainda ser substituídos por clipes de papel de tamanho adequado. de modo semelhante aos grampos. fita adesiva. e conexões feitas com borracha de soro e canudos de churrasco ou pirulito. com largura igual ao diâmetro interno do canudo. custo. Em cursos de formação inicial ou continuada. objetivos. 1958). Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. considerando. realizada em Madrid em 1958 (ADAM. clipes de papel. sobre as vantagens e desvantagens de cada um dos materiais empregados. disponibilidade local dos insumos. tempo de elaboração.triangulares a figura será rígida. resistência. riscos de acidentes no processo. direcionamento para os objetivos cognitivos programados e resultados estéticos. cada um deles produzindo esqueletos de poliedros utilizando um material específico (canudos de refrigerante e grampos de cabelo.helder@accessueducacao. durabilidade. conversando. referentes a custo. Baseado em um material sugerido para a construção e o estudo de prismas e pirâmides em uma publicação de uma mostra de materiais concretos para o ensino de matemática. barbante. desenvolvemos um modelo de fácil confecção e uso. caso contrário ficará flexível. aqui exemplificando o processo de constante aperfeiçoamento de nosso acervo. Dentre os diversos materiais didáticos que "evoluíram" no LEPAC destacamos o Geoespaço. onde eles serão inseridos após serem agrupados entre si. durabilidade. depois. como já afirmamos. segurança e apresentação. arame ou outros.

facilitando o seu transporte e armazenamento.helder@accessueducacao. delimitados por ligas que formam polígonos nas duas malhas quadriculadas (ver exemplo na foto 2).Simplificamos o modelo apresentado utilizando uma base de madeira. a visualização de cortes e planos de simetria. evitandose recorrer apenas a figuras planas (no quadro ou livro) com representações de sólidos para tal. Nos dois planos (base de madeira e placa de acrílico) são traçadas malhas quadriculadas semelhantes. preferencialmente iniciando-se com materiais presentes no cotidiano do aluno. Os esqueletos dos sólidos são construídos com ligas de borracha. O modelo pode ser desmontável. requer a realização de atividades voltadas para esses fins. relações entre volumes. como a percepção espacial. Helder Filho . e Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. com quadrados de 3 cm de lado. utilizados pela indústria de mobiliário (e facilmente encontrados em casas de ferragens). O desenvolvimento de habilidades específicas. assim como a identificação e compreensão dos elementos que caracterizam um determinado tipo de sólido. Um simples deslocamento de um dos polígonos e das borrachas correspondentes possibilita a rápida transformação de um prisma reto em um prisma oblíquo de mesma base. entre outras. além da grande versatilidade. tendo-se a visualização das vistas do poliedro facilitada pela transparência do acrílico. quatro cantoneiras que dão sustentação a uma placa quadrada de acrílico transparente de 4 mm. presas entre os ganchos dos dois planos.org 33 . Os dois últimos recursos apresentados. a exemplo de uma eoleção de embalagens diversas. possibilitam trabalhar com geometria espacial em sala de aula com modelos tridimensionais. em cujos vértices são fixados pequenos ganchos de cobre.

posteriormente ampliando-se o estudo dos sólidos geométricos por meio das figuras obtidas com os canudos ou no Geoespaço, na direção da representação destes no plano. Os recursos apresentados nas fotos seguintes, descritos de modo sucinto, indicam a possibilidade de concretização de ideias criativas para um LEM, facilmente reprodutíveis, sem demandar custos financeiros de grande monta. O material da foto 3 é utilizado para substituir os blocos lógicos, nas diversas atividades possíveis de serem realizadas com esse material, sendo socialmente mais significativo e rico em termos de propriedades gerais, o que amplia consideravelmente as categorias para classificação em subconjuntos, entre outras vantagens. Na foto 4, temos dois jogos para as séries iniciais, um compreendendo uma trilha com círculos concêntricos feita com uma base descartável para bolo e outro uma mancala12 com copos de iogurte. Na foto 5, temos um jogo de pares, feito com potes para filmes fotográficos, com materiais semelhantes em seu interior (dois potes cheios até a metade com areia, dois outros com arroz, dois com clipes de papel, etc.) que, depois de misturados, devem ser separados pelos alunos em pares, identificados pela semelhança do som que produzem. Estimulam, além do trabalho com a idéia de par e a classificação de elementos sonoros, a concentração e a prática da auto-avaliação, uma vez que o próprio aluno pode, abrindo as tampas, conferir se suas respostas estão
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Mancala é um jogo de tabuleiro de origem africana, com mais de quatro mil anos, e que apresenta inúmeras variantes. As regras podem ser encontradas na internet ou em livros sobre jogos. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. Helder Filho - helder@accessueducacao.org 34

corretas. As roletas, confeccionadas em EVA e tampas de potes de mostarda ou ketchup, ou com tampas plásticas circulares, substituem com eficiência os dados comuns, podendo ser numeradas de acordo com as necessidades específicas de uma atividade. O terceiro e último material da foto é produzido em EVA e restos de espirais de encadernação, compreendendo um quebra-cabeça com peças articuladas que, quando dobrado, pode gerar figuras de diversas formas, que podem ser classificadas pelos alunos de acordo com o número de lados, concavidade ou convexidade, ângulos internos, número de diagonais, entre outros. Na foto 6 um bingo feito com garrafas PET de diferentes tamanhos transforma-se em um atraente material para a prática do cálculo mental em sala de aula. O ábaco aberto, com base em EVA, pinos em lápis marcadores para quadrobranco e argolas de bases fixadoras de tampas de garrafas PET (de refrigerante ou água mineral) pode ser usado na representação e leitura de números na base dez, destacando-se as características de nosso sistema de numeração, a exemplo do valor posicional. É importante frisar que a utilização de todo e qualquer recurso didático exige cuidados básicos por parte do professor, entre os quais destacamos: i. Dar tempo para que os alunos conheçam o material (inicialmente é importante que os alunos o explorem livremente); ii. Incentivar a comunicação e troca de ideias, além de discutir com a turma os diferentes processos, resultados e estratégias envolvidos; iii. Mediar, sempre que necessário, o desenvolvimento das ati-vidades por meio de perguntas ou da indicação de materiais de apoio, solicitando o registro individual ou coleti-vo das ações realizadas, conclusões e dúvidas; iv. Realizar uma escolha responsável e criteriosa do material; v. Planejar com antecedência as atividades, procurando conhecer bem os recursos a serem utilizados, para que possam ser explorados de forma eficiente, usando o bom senso para adequá-los às necessidades da turma, estando aberto a sugestões e modificações ao longo do processo, e vi. Sempre que possível, estimular a participação do aluno e de outros professores na confecção do material. Alguns princípios a serem promovidos em sala de aula, defendidos por Irene Albuquerque (1951), dentre os quais, possibilitar variadas experiências de ensino relativas a um mesmo conceito matemático; atribuir significado para a aprendizagem; criar situações para que o aluno redescubra padrões, regras e relações e "criar um ambiente agradável em torno do ensino de matemática, promovendo o sucesso e evitando o fracasso", são facilitados no espaço de um LEM.
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Tais princípios, desenvolvidos em todos os níveis de ensino, deverão estar teoricamente bem fundamentados, baseados em um profundo conhecimento dos conteúdos matemáticos, dos resultados de pesquisas, da elaboração, estudo e confecção de recursos didáti-cos e na execução de projetos envolvendo escolas da região, o que possibilita uma permanente avaliação qualitativa do trabalho realizado. Finalizamos defendendo a importância de um LEM em escolas de educação básica e em instituições superiores envolvidas em cursos de formação de professores, considerando em especial o grande distanciamento entre a teoria e a prática, hoje ainda predominante nas salas de aula em todos os níveis de ensino; a baixa conexão entre os conteúdos de matemática e destes com as aplicações práticas do dia-a-dia e a necessidade de promoção do desenvolvimento da criatividade, da agilidade e da capacidade de organização do pensamento e comunicação de nossos alunos.

Referências bibliográficas do texto
ADAM, P. Puig (1958). El material didático matemático actual. Madrid, Espanha, Inspeccion Central de Ensenanza Media. ALBUQUERQUE, Irene de (1951). Metodologia da matemática. Rio de Janeiro, Conquista. BEZERRA, Manoel Jairo (1962a). Recreações e material didático de matemática. Rio de Janeiro. ________ . (1962b). O material didático no ensino de matemática. Rio de Janeiro, MEC/Caderno CEDES. GROSSNICKLE, F.E. &BftUECKNER,Leo J. (1965). O ensino da aritmética pela compreensão. Rio de Janeiro, Fundo de Cultura. IGNÁTIEV, E.I. (1986). En el reino dei ingenio. Moscou, Mir. REGO, Rogéria G. & REGO, Rômulo M. (2004). Matematicativa. 3. ed. João Pessoa, EdUFPb. ________ (1999a). Matematicativa II. João Pessoa, EdUFPb. _________. (1999b). Figuras mágicas. João Pessoa, EdUFPb. REGO, Rogéria G.; REGO, Rômulo M. & GAUDENCIO JR., Severino (2003). A geometria do origami. João Pessoa, EdUFPb.

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Concluída esta etapa temos a estrutura como mostrada na figura ao lado. neste material. sugiro a utilização de canudos de refrigerante na montagem de estruturas geométricas. Helder Filho . to torna possível a visualização de alguns elementos que na atividade com cartolina são menos notados. sinar Portanto. para montá-lo será necessário dispor de 6 lo canudos de refrigerante. a atividade que é proposta aqui. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. além de possibilitar que a criança construa e e estruturas e "brinque" com a geometria espacial. que é um triângulo. como a mostrada na figura ao lado. que também é uma pirâmide de base tria triangular. Assim já podemos levantar o tetraedro. Pegamos a ponta do barbante que acabamos de passar pelo canudo da base e passamos por dois ou outros canudos. Porém. Para começar a construção da estrutura deve iniciar pela deve-se base (alicerce). freqüentemente. mas essa tarefa ficará mais fácil depois de alg algumas tentativas. Mas o mesmo não se pode dizer quando se deseja ensinar os elementos da geometria espacial. Depois de passar o barbante pelos canudos pa passa-se novamente pelo primeiro canudo da fileira. OFICINA DE GEOMETRIA COM CANUDOS A geometria é.helder@accessueducacao. monta um sólido ge geométrico. em que a criança tagem recorta um desenho numa folha de cartolina e. Desse se jeito não será preciso dar um nó. A constr ção da base começa pa construção passando-se sando o barbante por três canudos. Se o tetraedro é regular então o triângulo deverá ser equilátero. atr através de dobraduras e colagem. Na figura ao lado nota nota-se que cada aresta do tetraedro corresponde a um canudo. edro Portanto. Ligar um canudo ao outro pode parecer algo compl complicado a princípio. A estrutura mais simples para se montar é a a do tetraedro (poliedro de quatro f faces) que possui 6 arestas e 4 vértices.3. ensinada no quadro negro ou através de livros didáticos. Pode-se ensinar geometria espacial por i se intermédio da montagem de sólidos.org 37 . Quando se trata de figuras planas esse método não representa grande dificu dificuldade p para o aprendizado da criança. Estes elementos nos são as arestas e os vértices dos sólidos. ai ainda.

Em seguida passamos o barbante por mais um canudo da base. O mesmo procedimento é utilizado para as arestas: temos 5 arestas em cada pentágono. Contudo. resultando em 60/3 = 20 vértices ao todo. Construindo um Dodecaedro com Canudos Um dodecaedro é um poliedro regular de 12 faces. Com isso as extremidades adjacentes dos canudos ficarão conectadas. Há muitas maneiras de se construir um dodecaedro.org 38 . Assim t teremos 60/2 = 30 arestas neste sólid sólido.1. o que resultaria em 5·12 = 60 arestas no dodecaedro. Porém um jeito que achei mais interessante é através da Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. passá-la Assim como fizemos para fechar o triângulo da base. teríamos 5·12 = 60 vértices. Para construí-la serão necessários 8 canudos. Ele tem 6 faces e 12 arestas. Outro poliedro que pode ser montado é o cubo (hexaedro). assim. Mas p . Sendo preciso fazer várias conexões entre os vértices a opostos. podemos perceber que três pentágonos compartilham o me mesmo vértice. Para que a estrutura fique bem firme é interessante passar o barbante duas vezes pelo mesmo canudo. mas se manuseada ela pode deformar deformarse. necessitando.helder@accessueducacao. Porém a estrutura não ficará estável. Ou seja. passaremos mais uma vez o barbante por dentro do canudo mostrado na figura. Em vez de usar barbante para unir os canudos pode se usar bolinhas de isopor ou massa de mod pode-se modelar. Helder Filho . la 3. notamos que dois pentágonos são ligados pela mesma aresta. de 12 canudos. e cada face é um pentágono ecaedro de lado l. ela não fica de pé facilmente. Como cada pentágono possui 5 vértices. faremos para fechar o t tetraedro. ou seja. A ponta sairá na outra extremidade e poderemos passá pelo último canudo. Já a pirâmide de base quadrada fica de pé.

a estrutura não ficará estável e o seu dodecaedro poderá virar um "tortaedro". que é um pentágono. os canudos têm compr comprimentos diferentes. para a estrut estrutura ficar firme. Depois de alguma álgebra é possível concluir que a altura h da pirâmide vale: Lembre-se que l é o lado do pentágono. Lista de materiais 30 canudos de comprimento l para as arestas. no mínimo um barbante de comprimento 116· . Veja a figura: A construção começa pela base. ou seja. Mas não é uma pirâmide qualquer.helder@accessueducacao.4·l. e muita paci paciência. e também o comprimento dos canudos comprimento que formam as arestas. então os canudos internos deverão medir 1. Contudo. se você for construir um 1. De início se nota que cada aresta co corresponderá a um canudo. Ao t todo será necessário usar 50 canudos e muito barbante. 20 canudos de comprimento 1. 30 canudos. Mas. a duas passadas em cada canudo. Helder Filho .4·l. Todavia.4· 1. utilizando Pitágoras.4·20 deverão = 28 cm. para a estrutura interna. d dependendo do método que se o usa para unir estes canudos. Para essa brincadeira precisei de mais 20 canudos! Um para cada vértice. Em seguida são apresentados alguns poliedros que podem ser construídos com canudos: Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. pois o dodecaedro deverá ter no fim do pr processo 12 pentágonos iguais. encontramos o comprimento dos canudos que ligarão os vértices como sendo de 1. 3.estrutura montada com canudos de refrigerante. e para que isso ocorra esta pirâmide deverá ter uma altura específica. precisei ligar todos os vértices ao centro do dodecaedro.4· .org 39 . ou seja. e depois levantamos a p nstrução pirâmide. que corresponde 116·l. Através das características do pentágono podemos encontrar a apótema a e a disavés tância b do centro ao vértice do pentágono. Por fim. como mostrado vértices na figura. dodecaedro de arestas medindo 20 cm.2. Eu usei barbante passando pelos canudos para construir a estrutura.

5 vértices. Mas. V = 8. A = 15: F+V-A = 10+7-15 = 2. V vértices e A arestas.helder@accessueducacao.3. 20 vértices. 3.Pirâmide de base quadrada Pirâmide de base pentagonal Octaedro 5 faces. Pirâmide de base quadrada: F = 5. 6 vértices. V = 20. Dodecaedro 8 faces. V = 5. a título de curiosidade. se pegarmos um poliedro de F faces. 30 arestas e 50 canudos (30 das arestas e 20 dos vértices). A = 12: F+V-A = 6+8-12 = 2. Decaedro 6 faces. teremos a seguinte relação: F + V – A = 2. Icosaedro 10 faces. V = 7. 20 faces. Segundo este teorema. 12 es. º Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. será que funciona mesmo? Vamos ver: Tetraedro: F = 4. 12 vértices. A = 12: F+V-A = 8+6-12 = 2. 7 vértices. A = 8: F+V-A = 5+5-8 = 2. 15 arestas e 15 canudos. A = 30: F+V-A = 12+20-30 = 2. A = 6: F+V-A = 4+4-6 = 2. Cubo: F = 6. 30 arestas e 30 canudos canudos. Para finalizar. Icosaedro: F = 20. V = 12.org 40 . Atividade 1: Construção de um tetraedro regular Material a ser utilizado: Ø Um metro de linha nº 10. A = 30: F+V-A = 20+12-30 = 2. 6 vértices. Helder Filho . Octaedro: F = 8. Dodecaedro: F = 12. V = 6. Decaedro: F = 10. V = 4. 10 arestas e 10 canudos. arestas e 12 canudos. 8 arestas e 8 canudos. o teorema de Euler sobre poliedros pode ser uma brincadeira interessante. 12 faces.

Atividade 2: Construção de um octaedro regular Material a ser utilizado: Ø Dois metros de linha nº 10. para se dar firmeza aos vértices de uma estrutura. ligando-o aos outros dois. Com pedaços de canudos e o fio de linha. passe-o através de três pedaços de canudo. conforme o esquema apresentado abaixo: Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. construindo um triângulo e o feche por meio do um nó. Ø Doze pedaços de canudo de mesma cor e comprimento (novamente sugiro a medida de 8 centímetros). Observe a figura abaixo: 3. passe a linha por um dos lados desse triângulo e pelo pedaço que ainda resta. Finalmente. dois a dois. passe o restante da linha por mais dois pedaços de canudo. Helder Filho .org 41 . Agora.helder@accessueducacao.Ø Seis pedaços de canudo de mesma cor e comprimento (sugiro 8 centímetros).4. Tome o fio de linha. Essa estrutura representa as arestas de um tetraedro regular e as etapas intermediárias de sua construção estão representadas abaixo: Nas construções das estruturas é importante observar que. é necessário reforçá-los passando o fio de linha mais de uma vez por cada pedaço de canudo. juntando-os e formando mais um triângulo com um dos lados do primeiro triângulo. construa quatro triângulos e os uma. fechando a estrutura com um nó.

Observe que ainda faltam dois canudos para completar as arestas do cubo. Ø Doze pedaços de canudo de mesma cor medindo 8 centímetros cada.3. Prenda-os de maneira a completá-lo. Repita essa construção. Ø Trinta pedaços de canudo de mesma cor e comprimento (sugiro a medida de 7 centímetros). como a desenhada na figura b (abaixo).6. Atividade 4: Construção de um cubo e de suas diagonais Material a ser utilizado: Ø Dois metros de linha nº 10. Helder Filho . por meio de pedaços de canudos. Com os doze pedaços de canudo da mesma cor construa um cubo de 8 cm de aresta. Atividade 3: Construção de um icosaedro regular Material a ser utilizado: Ø Três metros de linha nº 10. Considerando um dos lados desse quadrado e passando a linha por mais três canudos. 3. Para isso. passe o fio através de quatro canudos e passe a linha novamente por dentro do primeiro canudo.3 centímetros. construindo um quadrado. Construa quatro triângulos seguindo o esquema abaixo e os una obtendo uma pirâmide regular de base pentagonal. observe o esquema abaixo: Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof.5.helder@accessueducacao. obtendo mais uma pirâmide.org 42 . construa mais um quadrado. de tal forma que em cada vértice se encontrem cinco canudos. Se você não conseguir realizar essa tarefa. Ø Seis pedaços de canudo de mesma cor (cor diferente dos canudos mencionados acima) medindo 11. Una cada uma das pirâmides através dos vértices das bases.

Helder Filho . pois os seus lados não ficam por si só perpendiculares à superfície da mesa. então é necessário tornar essa estrutura rígida. Que estrutura você construiu? Observe a figura abaixo: Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. sugiro a seguinte tarefa: com os seis pedaços de canudo de cor diferente (11. ela se enrijecerá.helder@accessueducacao.3 centímetros).Se você observou que a estrutura construída não tem rigidez própria. Dando continuidade a esse raciocínio. de moda que em cada vértice que determina a diagonal cheguem mais duas diagonais.org 43 . Nesse processo. notamos que se construirmos triângulos nas faces dessa estrutura ou no seu interior. construa uma diagonal em cada face.

é um facilitador da comunicação entre os seres humanos. É uma constante em todas as civilizações. O ser humano sempre jogou. aprendeu normas de comportamento que o ajudaram a se tornar adulto. aos costumes. jogando. Blanchard e Cheska. 1982) em máxima da didática infantil. ao mágico. através do jogo.org 44 13 . Para qualquer aprendizagem. 1938. Apesar disso. ao amor. Dessa forma. 1976. traduzido por Valério Campos. 1986) classificam-no como elemento antropológico fundamental na educação. Helder Filho . Alguns teóricos (Huizinga. esteve sempre unido à cultura dos povos. portanto. à literatura. Moor. Atrevo-me a afirmar que a identidade de um povo está fielmente ligada ao desenvolvimento do jogo. 1976). 2005. 1979. mas. que. favorece os sentimentos de comunidade. A atividade lúdica é tão antiga quanto a humanidade. tão importante como adquirir. A esse respeito. Gruppe. Organizado por Juan Antonio Moreno Murcia. Sob este ponto de vista. é um caminho para a solução defendida por Einstein (1981): "A supervalorização do intelectual em nossa educação. à sua história. à arte. ajudam a enriquecer a personalidade criadora. ele não era bem-visto pela pedagogia tradicional. APROXIMAÇÃO TEÓRICA À REALIDADE DO JOGO13 Jesus Paredes Ortiz14 4. "Jogar não é estudar nem trabalhar. O jogo é um fenômeno antropológico que se deve considerar no estudo do ser humano. à língua. é sentir os conhecimentos. joga às vezes mais. O jogo serviu de vínculo entre povos. Contribui para fomentar a coesão e a solidariedade do grupo e. a criança aprende a conhecer e a compreender o mundo social que a cerca" (Ortega. a posição da pedagogia atual converteu "o princípio do jogo ao trabalho" (Marin. A atividade lúdica é um elemento metodológico ideal para dotar as crianças de uma formação integral. dirigida à eficácia e à praticidade. portanto. Deve-se estimular as atividades lúdicas como meio pedagógico que. Introdução O jogo está intimamente ligado à espécie humana. Felizmente. às vezes menos e. "O verdadeiro valor do jogo reside na quantidade de oportunidades que oferece para que a educação possa ser levada a cabo" (Gruppe. Cagigal. 1990). O jogo. 1981. O jogo deve ser utilizado como meio formativo na infância e na adolescência. como as artísticas e musicais. as crianças aprendem jogando. à guerra. portanto. Aparece como mecanismo de identificação do indivíduo e do grupo. por sua vez. necessária para enfrentar os desafios na vida. Entretanto. a educação e o jogo não eram considerados bons aliados.helder@accessueducacao. prejudicou os valores éticos". Giles Ferry (citado por Bandet Aprendizagem através dos jogos. Desde a infância. o jogo potencializa a identidade do grupo social. a criança aprende valores humanos e éticos destinados à formação integral de sua personalidade e ao desenvolvimento motor e intelectual. O ensino deve favorecer uma participação mais ativa por parte da criança no processo educativo.4. ao sagrado. em todas as circunstâncias e em todas as culturas. (páginas 9 a 28) 14 Universidade Católica San Antonio de Murcia Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof.1. aprendeu a viver. junto com outras atividades. Porto Alegre: Artmed. já que fazem da própria vida um jogo constante. é gerador de cultura.

não se tratará de adquirir conhecimentos. necessária para alcançar o desenvolvimento completo. 4. o jogo teria um papel predominante" (Delgado.helder@accessueducacao. 1974). logo. 1991). Atendendo a essas duas funções que o jogo deve cumprir. da espontaneidade. 7º). a mais pura e espontânea. A palavra jogo aparece como uma simples atividade humana. primeiro na vida escolar e depois em sua vida profissional. que deverão estar orientados para finalidades perseguidas pela educação. mostraremos brevemente a etimologia das palavras que significam jogo em distintas sociedades.e Abbadie. O jogo deve cumprir duas funções na escola como conteúdo e como finalidade: a educação através do jogo e para o jogo. e faz parte de nossa maneira de viver e de pensar. jogo é sinônimo de conduta humana. quase todas. a sociedade e as autoridades públicas se esforçarão para promover o cumprimento desse direito" (Declaração Universal dos Direitos da Criança. 1975) acrescenta que. a realização pessoal e social. Assim. essa palavra está em constante movimento e crescimento. Helder Filho . Aceitou-se com a naturalidade de um simples ato. da alegria e do lazer. Este objetivo aponta para a busca do equilíbrio vital. como comer ou dormir. Divertir-se enquanto aprende e envolver-se com a aprendizagem fazem com que a criança cresça. A seguir. Aprender jogando é o primário. então. a mais natural. Pode ser um elemento essencial para preparar de maneira integral os jovens para a vida. O jogo é um elemento transmissor e dinamizador de costumes e condutas sociais. Buytendijk (1935) oferece-nos uma análise etimológica da palavra "jogo". mude e participe ativamente do processo educativo. Diz que a criança distingue muito bem o que é jogo e o que não merece sê-lo. encontramos um estudo de Dehoux (1965) que inclui a seguinte citação de Flaubert: "As causas principais dos nossos erros provêm. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. art. já que é o menos traumático. A aprendizagem. está continuamente presente. o mais simples e natural na criança. A complexidade do termo é determinada pela preocupação de explicar melhor a natureza humana. As características do jogo fazem com que ele mesmo seja um veículo de aprendizagem e comunicação ideal para o desenvolvimento da personalidade e da inteligência emocional da criança. A importância e a necessidade do jogo como meio educativo foi além do reconhecimento e se converteu em um direito inalienável das crianças: "A criança desfrutará plenamente do jogo e das diversões.org 45 . na escola do futuro. Rojas (1998) vai ainda mais longe e faz uma afirmação tão categórica quanto bela: "A meta do homem na vida é ser feliz". E necessário aprender em todas as etapas da vida para formar de maneira harmónica a personalidade da criança e com ela desenvolver e manter um fio vital de expressão e de entendimento com o mundo que a cerca. tentando deduzir os sinais característicos dos processos a que se refere. a criança deve ser protagonista de sua educação (Imeroni. "Seria ideal que o objetivo máximo da educação fosse a felicidade e. do mau uso das palavras". O jogo é a primeira expressão da criança. tanto na escola quanto na própria vida. Sobre a etimologia do termo jogo Fazendo referência à importância do verdadeiro significado dos termos e sua aplicação à cultura.2. Nos fala do "movimento de vaivém" (hind und her bewegung). a mudar. 1980) e jogar por jogar é a primeira disciplina a ser cursada (Feslikenian. mas de aprender a transformar-se.

festa e ato sagrado). A raiz lila aparece em lilayati. relativo ao jogo infantil. Em hebreu-aramaico. que significa jogar. Em japonês. a saltos ou à dança em geral.org 46 . Ainda há: "παιζω". o alegre. "αγων" é o jogo de competição e luta. ao zombar. que descreve o jogo das crianças. juntam-se os significados de irradiar. a qual se refere a jogo. diversão. Também é interessante comprovar o significado de "jogar um instrumento musical". dos adultos e dos animais. que Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. com o sentido de tocar. Divyati refere-se ao jogo de dardos. O sânscrito possui diferentes raízes para se referir ao conceito de jogo. Assim se expressou o aéreo. soar de novo. torneio. temos a forma éjati e também íngati. mas se diferencia no acento. tscheng. oscilar e mover-se. ao brincar em geral. jogar e estar ocupado ou fazer algo. mas também se refere aos grandes jogos (é impossível separar a competição no mundo grego do trinômio jogo. zombar. a imitação própria do jogo. excursão. que se refere a todo o campo da dança e à representação dramática. rir. Serve também para se referir ao agitar do vento e às ondas. inclusive. ao burlar. la'iba é jogar em geral. e sai. que significa oscilar. Em chinês. de brincadeira e de diversão. O ponto semântico comum em todas essas palavras que expressam o conceito jogo parece ser um movimento rápido. no Antigo Testamento. algo como "criancices". o que poderia indicar alguma influência germânica. os germânicos e o francês em representação dos românicos. recreação. laikan significa jogar e saltar. e. "lila" também é o aparente. jogar dardos. mas também ligada a bom humor e diversão. O grego possui uma expressão para o jogo infantil com o sufixo "inda". que tem em comum o árabe la’iba com alguns idiomas modernos. a palavra mais usada é "παιδια". alegria. de que procede vilasa. que é brincar. Além disso. Refere-se ao jogo. que significa duvidar.A raiz do vocábulo jogo aparece em indoeuropeu como *aig-. que significa algo que se move. Em árabe. o livre e o transcendental do jogo. para se referir a qualquer jogo competitivo. que significa jogar. As coisas são apresentadas como se as classes superiores sempre se expressassem jogando. com o significado de jogo. Nos idiomas semíticos. expressão similar é la'at. mesmo que seu significado primário seja rir. por um lado. aparece "παιγνιωδησ". Na raiz las. aparece. vaivém. o ligeiro. O francês é o único idioma românico que utiliza essa forma. sabemos de palavras mais importantes para se referir à função lúdica: wan. "αθυρω e αδυρµα" referem-se à ação de jogar. conserva-se em algumas canções tradicionais. Com significado parecido. No gótico. competição em que se obtém prémio ou então campeonato. Em hebraico. Em grego clássico. zombar. O termo mais usado é kridati. que significa jogo. por outro. o jogo é marcado pela raiz la'ab.helder@accessueducacao. cujo significado é infância e educação das crianças. especialmente ao infantil. diversão e. Em antigo índio. relacionando-se também com o termo irradiar. Também se utiliza o termo "παιγνια". Helder Filho . la'ab significa zombar e rir. Presente também aparece em sânscrito como kliada. Em castelhano. a forma sahaq. com referência a todas as formas de jogo e de brinquedos. balanço. podendo se referir. distração. com a mesma etimologia. brincar e também dançar e jogar. utiliza-se o substantivo asobi para se referir a jogo e o verbo asobu. há a raiz nrt. jogar e "παιγµα e παιγνιον". não apenas limitada ao jogo infantil. da palavra "παιδια/παιδεια". mesmo que seu primeiro significado seja jogar fora. ao aprontar. aparecer repentinamente. É da mesma etimologia.

Em romeno e catalão: joc. cantor. em alemão: spilan. diversão. o recreio. alegria. que produz grande prazer. em norueguês: spill. Vimos que as línguas germânicas utilizam o verbo jogar para se referir também a tocar algum instrumento musical. russo antigo e atual UGPÁ (igrá). Em húngaro: JÁTEK (játek). de ludicer -era. também se utiliza game (jogo. havia três formas de se referir a jogo com os seguintes significados: huweleec. No antigo anglo-saxão. tocar um instrumento). Segundo Huizinga. brincadeira. Em inglês play (jogo. diversão. No holandês antigo. saltar. ludere abarca o jogo infantil.helder@accessueducacao. A expressão lares ludentes significa dançar. diversão. spelet. Helder Filho . jogos. juglar. ou ludicrum -i. em sueco. huweleic (contrair matrimonio). feestelijk (festa). iocus -i. sacrifício. em servo-croata: URRA (igrá). A base etimológica de ludere seguramente se encontra no que não é Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. a representação litúrgica e teatral e os jogos de azar. Segundo Huizinga (1952). mover-se. espetáculo. Na Idade Média. Por exemplo. com referência a jogo. músico e malabarista. de que procedem o alemão pflegen e o holandês plegen (em latim vulgar. selvagem). ludus. Têm relação direta com essa palavra: ioculator. brincar. Em antigo eslavo. jogo público. No antigo alemão. deve-se considerar também ludus -i. entre os quais tocar instrumentos. entretenimento. divertido. com a corda. Em italiano: giuoco. lusi. esporte. passatempo. vocábulo latino que abarca o campo do jogo.significa jogar. essa palavra era usada para se referir ao significado de burla. passatempo. dança e exercícios físicos. A partir do século XII. dando lugar a lúdicro e não-lúdicot mesmo que aceito em castelhano. brincam de ser rei. plegan. e também provém ludicrus. homem que joga. De onde deriva-se lusus -us.org 47 . em tcheco: HRA (hra). é o gosto pela dificuldade gratuita. Em esloveno: IGRA (igra). desafio). iocari não designa o verdadeiro sentido do jogo ou o jogo autêntico. eiken (atrevido. Em bielo-russo: IRRÁ (igrá). corresponde a spielman. Afirma Corominas (1984) que o vocábulo jogo procede etimologicamente do latim iocus -i (brincadeira. Em ucraniano: RRA (grá). em antigo eslavo. que significa jogo e jogar. spel. passatempo. as crianças gregas jogam com a bola "σφαιριδα". No velho frisão: fyuchtleek. em búlgaro: URRA (igrá). Ludo. russo antigo e atual urpá (igrá). Trapero (1971) afirma que jocus significa chiste. "ελκυστινδα". plegium). diversões. a competição. ligeireza. "στρεπτινδα". utilizava-se o substantivo leich. diversão. Em inglês. tal expressão origina-se do velho inglês plega. Também significa movimento rápido e tocar um instrumento. lusum é o ato de jogar. No velho nórdico. "βασιλινδα". Para o estudo etimológico. gozação. Em antigo escandinavo. dança e exercícios corporais. diversão). diversão. -crum. spel. jogo. um favor e até generosidade. em basco: jolas. movimento rápido e suave como o do pêndulo. presente em geral. em português e galego: jogo. jogo. aparece yogar com vários sentidos. Este plegan corresponde exatamente ao plegan do velho alto-alemão e ao plega do alto frisão. do ponto de vista semântico. joko. lâc e lâcan. leikr. Em eslovaco: HRA (hra). jogo. ioci. significando bardo. jongleur. No castelhano medieval. em polonês: GRA (grã). em neerlandês. jogada. vechtelic (combate). oferenda. leika. músico. jogo de lançamento.

aparecem no Mio Cid e em Gonzalo de Berceo. fazer algo com o único propósito de se entreter ou divertir. entretenimento. "jogo de Adão". "brincar com uma pessoa". Em castelhano. Ao mesmo tempo. Helder Filho . joc e jogar. el juego del amor. a relação é com a arte. em outras ocasiões. espontânea e. joc e juca. diversão ejugar (ludere). que significa brincar. azucrinação. "jogar na bolsa". no simulacro e na trapaça. para descrever um ato fácil ou inocente. ajuste de contas. juego e jugar. do vocábulo ludus i não há apenas palavras indo-européias conhecidas para essa noção. com relação às origens idiomáticas. também se pode empregar com o sentido de se aproveitar ou zombar de alguém. ocupar certa posição. por vezes. "jogos de emoções". designa-se o jogo com apenas um vocábulo. jeu ejouer. turbulenta. "era hrincadeirinha". "pôr em jogo". em romeno. se divertir. "jogar limpo". formando com ela a palavra spielkin. em português. brincar. "desempenhar um papel imprescindível". "jogar-se à vida". ação e efeito de jogar. como se depreende da expressão "brincar com fogo". como em castelhano. juramento do "Jogo de Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. Corominas (1984) assegura que as primeiras documentações da palavra jogo. jouer du piano. aparece juego (ludus). que significa brincar. como no alemão spielen. que designava. ou como obra de honestidade. exercício recreativo submetido a regras. divertir-se com algum jogo.sério. quando utilizados no campo do jogo e de jogar. No Dicionário da Real Academia Espanhola atual. Seguir historicamente a evolução fonética da palavra jogo é um trabalho difícil. manifesta que a abstração do fenómeno jogo teve lugar em algu-tnas culturas de modo secundário. em francês. Os vocábulos juego e jugar têm muitas acepções e interpretações. jugar (iocari). para investidores. Segundo Huizinga. em outros. tanto em inglês quanto em francês: to play the piano. em catalão. "jogar". jogo e jogar. possivelmente de origem etrusca. "brincadeira de crianças". aventura ou risco.helder@accessueducacao. sem dúvida religiosa. ação deflagrada espontaneamente pela mera satisfação que representa. em italiano. comportar-se de forma desleal. ao se referir aos termos jogo e jogar. iocari.org 48 . giuoco e giocare. temos juego (iocus). enquanto a própria função de jogar teve caráter primário. drama semilitúrgico. mais do que no campo do "mover rápido". permanecendo em um nível menos avançado os termos ludus. "jogar com a sorte". Em alguns idiomas. também pode ser utilizada em sentido figurado. como falta de responsabilidade. obras dramáticas e novelas. o desaparecimento do termo ludus pode ser devido tanto a causas fonéticas quanto semânticas. entreter-se. e game quando se alude ao seguimento de uma prática lúdica que se caracteriza por regras estritas. lugares para o jogo de bola no México e na Guatemala. usase mais de um termo. pode se tratar de um termo criado com a instituição. não deixando marca nas línguas românicas. ludere. em que se ganha ou perde. Segundo o dicionário etimológico do latim (Ernout-Meillet). A palavra juego é empregada com o significado de entretenimento ou diversão e jugar. O próprio autor destaca que o termo que abarca o conceito de |ogo e jogar desaparece. Por exemplo. em inglês usa-se play para se referir ao jogo como atividade pouco codificada. No Dicionário da Real Academia Espanhola de 1837. fazer algo de modo arriscado. outras vezes. mas que não impede detectar que todas as línguas românicas ampliaram seus vocábulos iocus. passatempo e diversão. ser um herói. para se referir aos filhos ilegítimos frutos da brincadeira. há conotações eróticas. "Jogo de bola". participar de um jogo.

Segundo diferentes estudiosos do tema. "jogos florais". frivolidade. jogo. diversão. é perigoso". prazer. kliada. recreação. o prazer da dificuldade gratuita. Por outro lado. Esse vocábulo latino dá mais um sentido ao jogo: ludus-ludere. joc. ludus-us e ludicrus (ou cer era. ou da mais inocente criança à mais séria aposta na bolsa de valores com a finalidade de ganhar dinheiro. play. Para Petrovski (citado por Elkonin). Para os gregos antigos. A palavra jogo provém etimologicamente do vocábulo latino iocus. joko. que lhe servem de distração. a palavra jogo era empregada com relação a risadas e brincadeiras. spiel. se denomina "criancices". mas o certo é que elas existem e em diferentes idiomas. o jogo significava as ações próprias das crianças e expressava principalmente o que entre nós. já que aparece a transposição de significados na história da transnominação. jeu. Entre os hebreus. é difícil saber em que momento aparecem e qual o significado dessas locuções e suas conotações. o que nos interessa. como. competição poética. porque. emprega-se o vocábulo tanto no sentido figurado como no direto ou fundamental. satisfação.helder@accessueducacao. promessa solene feita pelos deputados franceses do Terceiro Estado (23-6-1789). graça. as crianças adquirem a palavra jogo dos adultos. Como vimos. A esse respeito. Posteriormente. a palavra juego (jogo. o trabalho. Entre os germânicos. Helder Filho . Para Elkonin (1980). o significado de "jogo" apresenta algumas diferenças entre povos distintos. do jogo mais infantil à mais trágica das encenações no teatro ou à mais divertida comédia circense. e. recordando uma citação de Sófocles: "Quem se esquece de brincar que se afaste do meu caminho. ludus -i significava alegria. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. passatempo. alegria. divertimento e responsabilidade acompanhada de alegria. O ser humano pratica atividades ao longo de sua vida. gioco. a brincadeira não é um conceito científico no sentido estrito. game. crum)". entretenimento. Há contrastes: seriedade e alegria. observamos tanta seriedade como no trabalho mais responsável do adulto. em países germânicos.org 49 . a antiga palavra spilan definia um movimento rápido e suave como o do pêndulo que produzia um grande prazer. etc. relaciona-se ao meio artístico e estético. em muitas ocasiões. Mas quando se estuda a brincadeira no mundo infantil. também há conotações de tipo erótico. Para seu estudo. jolas. Entre os romanos. Houve má familiarização com o termo jogo. É quase impossível compreender os traços de uma pesquisa para o significado etimológico.3. deve-se considerar também o significado do vocábulo ludus -i: o ato de jogar. Em sânscrito. Sobre o conceito de jogo A palavra jugar (do latim iocari) significa fazer algo com espírito de alegria e com a intenção de se divertir ou de se entreter.) começou a significar em todas as línguas um grande grupo de ações que não requerem trabalho árduo e proporcionam alegria. urpa. que se cultiva unicamente pelo prazer. Delgado e Del Campo (1993) nos explicam a brincadeira como necessidade na vida. relaxamento de outras atividades consideradas mais sérias. que significa brincadeira. 4. Como pudemos comprovar.bola". paixão ou amor. educação. hoje. por exemplo. diversão e que ocupam tanto a vida central da criança como o tempo de ócio e recreio do adulto. O aspecto lúdico do jogo (do latim de ludicrus) é essa atividade secundária relativa ao jogo. foi associado a todo ato de falta de seriedade ou feito de forma leviana. giuoco. rapidez. à ideia de luta. para o homem. denominadas lúdicas.

no amadurecimento e na aprendizagem do ser humano. com ele aprendemos a aproveitar. físicos. por conseguinte. traduzindo-se em matéria. o humor. ao vício ou ao pecado. A brincadeira. não-séria. psicoemocional e espiritual do homem. a ternura brotam com a compaixão do quebra-cabeças da vida (Delgado e Del Campo. ao estado adulto e à velhice. Tudo isso pode ser proporcionado pelas vivências do jogo: um enriquecimento integral. Contudo. complementar. O sábio sabe que brinca e saboreia jogar. torna-se jogo. como ela e com ela. se realiza. pode brincar consigo mesmo. muitas vezes associada à perda de tempo. se desafoga. sua gratuidade foi classificada como prova de que é pouco importante. necessita de distração. O jogo não carece de seriedade. é um meio de aprendizagem espontâneo e exercita hábitos intelectuais. em suas distintas formas. divertir-se e aprender são modos verbais inerentes ao ser humano.org 50 . ao se modelar sob parâmetros voluntários ou obrigatórios. Assim. em sua energia. mesmo que com diferentes objetivos. A brincadeira nasce espontânea e cresce junto com a criança durante os diferentes estados evolutivos até chegar. cenário impulsionador de ordem. Graças à racionalidade. todos os jogos fazem jogo.Tal necessidade psicobiológica nasce com a criança e acompanha o ser humano ao longo da vida. O adulto também aprende. ao ser acompanhado de regras ou normas. de tomada de responsabilidade individual ou coletiva. Isto também pode seguir vivo no estado adulto. mas na maioria das iniciativas racionais que tomamos diariamente. e nem por isso deixa de ser séria a realização pessoal do humano adulto. o verbo jogar. O jogo é uma constante vital na evolução. na idade adulta. na própria vida. estado emocional do ser humano e se mostra através do ato motor em movimento. o entretenimento e a alegria. o ócio. como a outra face do trabalho. 1993). indispensáveis na vida de qualquer grupo sociocultural. o sorriso. Helder Filho . em sua personalidade. além disso. O jogo transcorre no mundo da fantasia. realidade lógica. formar e alimentar o crescimento integral da pessoa. Por acaso carece de seriedade e concentração o ato de lutar. qualquer jogo. na configuração da inteligência. improdutiva. O jogo é parte do caráter do ser humano em sua formação. Acompanha o crescimento biológico. flexível e tão ambivalente quanto necessária. heterogénea. superando a idade biológica mesmo que com conteúdo diferente e cumprindo distintos objetivos na vida. brincar está presente na necessidade de motricidade que enriquece a evolução do feto no ventre e vai acompanhar a vida de cada um de nós até a velhice. Cumpre a missão de nutrir. Tente mudar uma regra ou improvisar para ver o que acontece. a luta Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. uma realidade mais ou menos mágica e. O jogo entre crianças é muito sério. em outras. A simplicidade da ação de jogar é absolutamente universal.helder@accessueducacao. e sempre visto como algo insignificante. Traduz-se como espírito. até a mais avançada idade. plural. Assim. mais ou menos relacionada com a vida cotidiana. seriamente. Mesmo que nem sempre se queira reconhecer. de entretenimento e seriedade nos atos. Brincar. A brincadeira envolve toda a vida da criança. Apesar dessa observação pessimista. não apenas na etapa infantil. sociais e/ou morais. O ser humano necessita permanentemente de entusiasmo. como o binômio seriedade-regozijo. precisa de humor. é uma constante de nossas vidas. da seriedade e da alegria.

mesmo lutando para vencer. contudo. afetivas e emocionais) mediante as experiências sociais da criança (Ortega. pois implica um amplo leque de significados e sua leitura é múltipla. O conceito de jogo é tão versátil e elástico que escapa a uma localização conceituai definitiva. 1980). quando a criança pratica repetindo um fato para encaixá-lo e consolidá-lo. Acrescentam que. pegar e largar objetos. diante de tantos adversários. devido ao amadurecimento de certos órgãos ou funções evolutivas. até o segundo ou terceiro mês).helder@accessueducacao. não compreende ou.org 51 . como seus sons guturais. Vimos que. mas também como se esse mundo criado por ela fosse real. O antropólogo Bateson (1958) explica a confusão diante da tentativa de definição do jogo por seu caráter paradoxal. torna-se parte dessa realidade intersubjetiva. O jogo é algo vital para o ser humano: o "homo ludens" passa quase metade da vida em vigília" (Cagigal. Assim. 1981). 'íJogo ou jogar expressa algo claro. certo e incerto) resiste a uma definição categórica. somente será capaz de captar uma parte da verdade do jogo. por meio da brincadeira. sequer uma delimitação exata na vasta esfera de atividade do homem e dos animais e toda busca dessas definições deve ser classificada de jogo científico. sem infringir alguma regra? Jogando com a incerteza do resultado final. por mais erudita que seja. independentemente do idioma que falem. ganhar. as brincadeiras com as mãos em seu Campo visual. a brincadeira é a "assimilação do real ao eu". fazendo dele uma conduta conhecida.4. E sua complexidade responde à sua Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. 4. evidente. como medo ou raiva. Sobre a definição do jogo A Real Academia da Língua Espanhola diz do jogo: "ação de jogar. passatempo ou diversão". excetuando a nutrição ou as emoções observadas. passado. fácil. todas as crianças usam a palavra jogo atribuindo-lhe um significado simples e claro: simplesmente definem-na jogando. Piaget (1946). utilizará e praticará para incorporá-las e dominá-las em seu eu de forma a continuar crescendo plena e harmoniosamente. Nenhum sábio foi capaz de defini-lo. Nesse sentido. porque essa palavra refere-se a uma condição ou realidade primordial da vida. não global ou total. A capacidade lúdica desenvolve-se articulando as estruturas psicológicas globais (cognitivas. Sua significação é polissêmica. 1980). não situa a aparição ou a formação do jogo até o 2a estágio do período sensório-motor (respostas circu-lares primárias. Bajo e Betrán (1998) afirmam que o jogo infantil tende a reproduzir em pequena escala as predileções dos adultos. perder.para obter uma bola e mantê-la. quantitativo. presente. a definição de "jogo" não é possível. qualquer tentativa. podemos ob-servar <|ue a criança reproduz determinadas condutas somente pelo prazer que isso lhe dá. ou seja. atua como se o seu mundo fosse o deles. Alguns autores afirmam que toda atividade é jogo desde os primeiros meses da existência humana. O jogo de condição ambivalente (qualitativo. Por outro lado. a criança projeta um relativo distanciamento do mundo dos adultos. Helder Filho . Nesse período. Segundo Kollarits (citado por Elkonin. O jogo se formará a partir de ações que a criança não domina com suficiente destreza.

1887)."Tanto o animal como o homem jogam com imagens: a imagem é a expressão do caráter que o sujeito projeta sobre a realidade. . O jogo constitui um desafio. algo que é uma ficção. . . O jogo não é uma fuga da vida. 1935).. é essencialmente ficção. mas que."(.) O jogo prepara para a entrada na vida e o surgimento da personalidade" (Chateâu..) o jogo é uma forma privilegiada de expressão infantil" (Gulton. . apesar de tudo."A atividade lúdica contribui para a paidéia .. 1935). .. mas completamente imperiosa. constitui parte integrante desta e permite a todos entender melhor e a compreender nossas vidas" (Schiller.. mas por si mesma" (Russel. 1938). fazê-lo já é razão suficiente. Não há forma de brincadeira que não tenha como modelo alguma ocupação séria que lhe precede no tempo" (Wundt. 1980). vivendo-se como real e com mais intensidade que o trabalho sério e responsável. que se parece com a arte.) uma atividade que os seres vivos superiores realizam sem um fim aparentemente utilitário. 1968).. .) o jogo é uma atividade estética. 1958). às vezes. .. .) é uma atividade livre que tem seu fim em si mesma" (Stern.helder@accessueducacao. .) o jogo é uma atividade geradora de prazer que não se realiza com finalidade exterior a ela."(.) o jogo é uma ação livre.a educação ."No jogo..org 52 ."(. Nele está o prazer da ação livre. .e proporciona as forças e as virtudes que permitem fazer a si mesmo na sociedade (.(."(. como meio de eliminar seu excesso de energia" (Spencer. sem rédeas. o impulso criador" (Lin Yutang. pode entrar a exigência e a liberação de quantidades muito mais consideráveis de energia do que as que exigiria uma tarefa obrigatória" (Wallon.. . combinação espontânea e símbolo" (Buytendijk. resultado ou conclusão da teoria que a contempla. algumas definições: .. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. Poderia se assegurar de que qualquer definição não é mais que uma aproximação parcial do fenómeno lúdico e. 1977). 1988).. 1979). Helder Filho . que se desenvolve em uma ordem submetida a regras e que dá origem a associações propensas a cercar-se de mistério ou a se disfarçar para se destacar do mundo habitual"."O jogo situa-se na intersecção do mundo exterior com o mundo interior" (Winnicott... 1855).. A seguir.. nem se obtenha proveito algum. 1901)."O que define o jogo é que se joga sem razão e que não deve haver motivo para jogar. realizada dentro de certos limites fixados no tempo e no lugar. seguindo uma regra livremente consentida. 1980)."O jogo é a manifestação de uma livre espontaneidade e a expansão de uma atividade em expansão" (Karl Groos. ."(."(.especificidade e indefinição. com a direção que o jogador quer lhe dar. . pode absorver por completo o jogador. "Fique claro que o homem somente joga quando é plenamente tal e somente é um homem completo quando joga. que se executa dentro de um determinado tempo e de um determinado espaço.. executada e sentida como estando fora da vida cotidiana. com um fim em si mesma. acompanhada de um sentido de tensão e de desfrute e da consciência de ser diferente da vida cotidiana" (Huizinga. O excesso de energia é apenas uma condição para a existência do prazer estético que o jogo proporcio na"."A brincadeira é filha do trabalho.) "o jogo é uma ação ou atividade voluntária. sem que haja nela qualquer interesse material.

ao mesmo tempo. de outro. 1970).. (. . 1988). no sentido de equilibrar as situações de preocupação.) é um esforço que. encontro e separação" (Aberastury. fator de socialização. 1988). . tristeza e dor.."O jogo é intrinsecamente essencial para a criatividade (. 1994). . para passar a expressarse como somos.. tanto no nível individual. . sem dúvida. 1923).. . 1996)."O jogo tem duplo significado. 1982). refere-se a uma forma de se comportar e sentir e.Um passo do fantasma ao símbolo. que se ajusta sempre às necessidades do ser humano com relação à incerteza.. oferece-nos um meio de relação social. à diversão. desenvolvimento e afirmação da personalidade" (Zapata."A brincadeira infantil é meio de expressão. . "O jogo é uma atividade que o homem desenvolve. Este exercita atitudes que são as mesmas que servem para o estudo e para as atividades sérias do adulto. Jogar é negar e superar o fantasma arcaico" (Freud. a ausência de esforço exagerado e habilidade com que se realiza" (Russel. como fator de equilíbrio psicológico em sua vida. para fugir. ao exercício ou à atividade coletiva" (Lagardera. levar-se para o mundo irreal. 1958).helder@accessueducacao."O jogo é a arte ou a técnica que o homem possui para suspender virtualmente sua escravidão dentro da realidade. . . um instrumento efetivo de desenvolvimento das estruturas do movimento."O jogo é mais agradável e mais puramente jogo quanto maior é a naturalidade. meio essencial de organização.. ."O jogo é uma das manifestações mais enriquecedoras do tempo livre."O jogo é recreação (. . exerce sobre nós um grau de encanto e absorção de que carecem outras atividades da vida cotidiana que é psicologicamente liberador e nos proporciona a oportunidade de comparar nossa capacidade com a dos outros" (Castellote. da alegria de fazer e criar e seguramente está mutilada em sua capacidade de se sentir viva" (Rosemary Gordon."O jogo leva a experimentar uma sensação de fluir que nos transporta a um entorno em que abstraímos a realidade e outras situações cotidianas. 1996)."O mundo lúdico origina-se nos primeiros jogos de perda e recuperação.org 53 . Helder Filho . A atividade lúdica caracteriza-se pela improdutividade". citada por Trigo.) o jogo é algo muito importante em nossa vida: ajuda-nos a dar uma via de realização à nossa imaginação."Brincar é o que se faz quando se está livre para fazer o que se quer" (Gulich.. (Cillois. nossas carências e virtudes" (Ciskszentmihalyi.. 1997). em uma palavra. reguladora e compensadora da afetividade. . não sendo provocado pelo utilitarismo que inspira o esforço imposto por uma circunstância do trabalho..) Uma pessoa que não sabe brincar está privada. que infiltra no trabalho a necessidade de conseguir um fim a todo custo" (Ortega e Gasset. quanto no nível social. 1988). ."O jogo é um diálogo experimental com o meio ambiente" (Eibl-Eibesfeldt (1967). De um lado. instrumento de conhecimento. ."(.) a função própria do jogo é o jogo mesmo. para estabelecer um meio de relação otimista e positiva com os outros homens (.) porque continuamente cria a sociedade em que se realiza" (Stone e Orlick. 1967).. com toda a personalidade. repousa em si mesmo sem esse desassossego."O jogo é uma atividade multidimensional.. a uma série de atividades concretas claramente delimitadas" (Martinez Criado. 1971). na busca do Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof.

Uma atividade desprovida de todo interesse material. Bekoff (citado por Blanchard e Cheska) propõe o seguinte conceito etológico: "O jogo é o comportamento que se observa nas interações sociais que comportam uma diminuição da distância social entre os protagonistas. Faz-se necessário o jogo em seus diferentes contextos para a busca antropológica da verdadeira natureza do homem. intensa e profundamente. mesmo que tais ações possam ocorrer como atos derivados durante o jogo". sobretudo. Numerosos etólogos estudaram o jogo social dos animais. poderiam existir atividades necessárias e vitais e atividades desinteressadas. na ausência de toda pesquisa social ou de comportamentos agonísticos ou passivos/submissos por parte dos membros de uma díade (tríade. "o jogo é um fenómeno não apenas universal dos seres humanos como é comum a outros animais. viaja. Há uma necessidade escondida de crescer. absorve. acompanha o ser humano e morre com ele.org 54 . de acordo com regras preestabelecidas e que promove a criação de agrupamentos sociais que tendem a atuar secretamente e a se distinguir do resto da sociedade por seus disfarces e por outros meios". Realmente. mas. ao mesmo tempo. são poucas as definições satisfatórias de tais atividades. que se distinguem por uma combinação de traços: é voluntário. amor. Nasce. etc). O jogo permite que se exteriorizem outras facetas da cultura (ritual. Huizinga (1938) afirma que o desenvolvimento da civilização deve-se a mecanismos lúdicos e também. A maioria das espécies animais executa. nasce. porque carece de seriedade. Deveria. O sociólogo Norbeck (1971) define o jogo da seguinte maneira: "Seu comportamento fundamenta-se em um estímulo ou em uma propensão biologicamente herdados. quem a exerce. diferenciado temporalmente de outros comportamentos por sua qualidade transcendental ou fictícia". desenvolve-se e morre com o sentimento ou o campo das emoções do ser humano. ser auto-suficiente e dispor de seu próprio significado e justificativa. política. Huizinga considera o jogo uma forma de cultura mais do que um componente formal da cultura. Helder Filho . ao trabalho. O jogo é criança.helder@accessueducacao. 1997). velho. percorre as etapas evolutivas. Segundo Blanchard e Cheska (1986). de vez em quando. Um conceito de jogo que possa ser aplicado transculturalmente é essencial para a antropologia da motricidade humana e o esporte. de fato. com um denominador comum: o desejo de melhorar a qualidade de vida. até certo ponto descartável. ete). Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. pode-se entender o jogo como atividade que os seres vivos superiores realizam sem um fim aparentemente utilitário e com o objetivo de eliminar o excedente de energia. dentro das quais o jogo (definição do poeta Schiller modificada pelo filósofo Spencer). sobretudo durante a infância". da autonomia e do desfrute da pessoa" (Lavega. como diferentes etapas evolutivas. mas deve crescer e evoluir em suas formas junto ao homem para ajudá-lo em suas diferentes etapas. portanto. amadurecer e ser junto ao jogo espontâneo. adolescente. que não traz qualquer proveito e que se desenvolve ordenadamente dentro de seus próprios limites de tempo e espaço. Como comportamento vital. O jogo não morre com o final da infância ou da adolescência. mas. direito. alguma forma de brincadeira. saúde. homem. Do ponto de vista fisiológico. Começa sua obra dizendo que o jogo é como "uma atividade livre mantida conscientemente fora da vida cotidiana.desenvolvimento.

intencional. é espiritual e se materializa ao ser criado. O ser humano necessita da realidade do jogo para recuperar seu comportamento natural. O jogo nasce espontâneo. O jogo faz cultura. ela se enriquece. Poderia ser a expressão mais pura e simples do comportamento humano integral..5. poderíamos dizer que. No jogo. O jogo em sua formação não necessita de aprendizagem. "(. conectamos nosso micromundo ao macromundo onde vivemos.. nos aproximamos da comunicação com o mundo que nos rodeia. a cultura faz vida: o jogo é vida e a vida. Segundo os antropólogos Blancjard e Cheska. ao se expressar através de emoções. O jogo não é material. na obra do jogo. porque gosto. sua evolução. É agradável. seu amadurecimento e sua observação sistemática são imprescindíveis para a vida. além de fazer parte da realização da capacidade cognitiva de observação. com o jogo.org 55 . Origem do jogo O jogo é parte fundamental do desenvolvimento harmónico infantil e de importância tal que o conhecimento dos interesses lúdicos. diz Martinez Criado (1998). sempre presente na vida do homem. surge espontaneamente. seu equilíbrio vital. ao se fazer com sua alegria ou amor. O mundo mágico do jogo torna possível todo tipo de realizações. Realmente. o jogo deve evoluir. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. Atrevo-me a afirmar que o jogo nos serve de cordão umbilical ou união com a nossa natureza mais íntima. mas por uma variedade de traços. Corredor (1998) afirma que qualquer atividade acompanhada de alegria e/ou riso consciente também é uma forma de jogo. por meio do jogo. expressão da criatividade do homem como resultado das emoções. 4. é intensificada a vida cultural do homem. Por que o ser humano quer modificar isso ao longo de suas diferentes etapas evolutivas? Com elas. cultura. significa a raiz da vida do ser humano e a própria vida. Comprovamos que. recordações. sem outro fim que a necessidade e a alegria de jogar. singular em seus parâmetros temporais. Em seu desenvolvimento. como veículo de comunicação. busca com o homem um significado que cumpra necessidades biológicas. emocionais ou espirituais. crescer e acompanhar durante toda a vida o ser humano e a sua cultura. amplia sua capacidade de imaginação e de representação simbólica da realidade. querer e fazer: tudo pode ser.helder@accessueducacao. qualitativamente fictício e deve sua realização à irrealidade". plasmada na obra da vida. As atividades realizadas no contexto do jogo são produto da ilusão. Helder Filho . Trata-se de uma atividade praticada em todas as épocas e culturas. Por que as crianças brincam ou que causas as levam a brincar? A própria criança poderia responder simplesmente porque sim. Pelo jogo se conhece o espírito. experimentamos a realidade das coisas. é algo instintivo que responde às necessidades da dinâmica infantil. simbolismo e ação. para brincar. Pensar. Através dos jogos. o ser humano se introduz na cultura e. dos sentidos e do pensamento.) o jogo é uma forma de comportamento que inclui tanto dimensões biológicas como culturais.Puigmire-Stoy (1966) define o jogo como a participação ativa em ativida-des físicas ou mentais prazerosas para obter satisfação emocional. podemos conseguir tudo o que desejamos. que se define não por eliminação dos demais comportamentos.

. . Delcroy e Monchamp.Forma privilegiada de expressão infantil (Gutton.. 1959. Aquino. com fim em si mesma (Stern. . 1931.Forma de recapitulação de filogênese. .Forma de cenário pedagógico natural (Ortega e cols. 1946. . . .Forma de se liberar da energia excedente por falta de outras atividades mais sérias em que investi-la (Spencer. . como resposta possivelmente psicobiológica à vida. 1997). . Autoformação (Château. 1960). Froébel. Erikson.Forma de evasão da realidade: não se busca um resultado utilitário.Forma de elaboração (Klein. 1904).Forma de descanso para o organismo e o espírito (Schiller.Forma de aprender.. 1991. defender-se das frustrações. Berne. .Forma de atividade voluntária com fim em si mesma. 1924). 1935).Forma de improdutividade (Caillois. 1920.Forma motivante como princípio motor do jogo (Château. .Forma de atividade lúdica funcional (Buhler. 1977). Secadas.Forma de se preparar para a vida adulta. 1986. reprodução da evolução de atividades de gerações passadas (Hall. 1992). Seria um exercício preparatório das atividades que serão enfrentadas no futuro (assim como osfilhotes dos animais) (Gross. 1897). 1980. .Forma de passar do fantasma ao símbolo: brincar é negar e superar o fantasma arcaico (Freud. Garcia e cols. Helder Filho . . 1958. 1958). 1979. .Forma de organização. atrevo-me a dizer. Klein. 1901). 1988). Case. . .Forma de transformação da realidade segundo as necessidades do eu (Piaget. 1988). citado por Mune.Forma de atividade livre.Forma de terapia e liberdade de criar (Winnicott. Csikzentmilhalyi. 1958). O jogo está relacionado com a capacidade criadora do homem e traduz a necessidade da criança de atuar sobre o mundo (Rubinstein.Forma de construção de conhecimentos sociais e psicológicos da criança (Flavell e Ross.Forma catáltica para reduzir as tensões. 1977).helder@accessueducacao. Linaza. Diferentes autores apontam uma série de razões pelas quais se joga: . 1923). interceptar e conservar os novos hábitos adquiridos (Piaget. 1989).Forma de prolongamento de traços da espécie posteriores ao amadurecimento Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. . 1996). 1946).Forma de fixação de hábitos adquiridos e de garantir as novas habilidades (Bhuler. 1982.Forma original da risada e do prazer (Delgado.Forma de intervenção educativa baseada no conhecimento do desenvolvimento da criança e na busca de metodologia adaptada ao pensamento das crianças e sua forma espontânea de construir conhecimentos (Canal e Porlán. fugir da realidade ou reproduzir as situações de prazer (Freud. 1986). 1986). . . 1955. 1938).Mas o jogo aparece. . Garcia. acompanhada de uma sensação de tensão e de júbilo e da consciência de ser diferente da vida real (Huizinga. . 1955). . 1991). 1987. . desenvolvimento e afirmação da personalidade (Zapata. 1987. 1981). .Forma de aprendizagem e crescimento harmónico. Adeler.org 56 .

Helder Filho . 1972). 1991). Robert. González.O jogo é uma atividade livre.6. É um acontecer voluntário. Sempre se localiza em limitações espaciais e imperativos temporais estabelecidos de antemão. Csikzentmilhalyi. mesmo que isoladamente não o defina. . . . físico e prazer moral ou psíquico. . 1955. original. seu organismo responde de diferentes formas e utiliza distintas atividades lúdicas.org 57 . . 1991). ordens e limitações. .O jogo é uma atividade desinteressada e autotélica.Forma de resposta emocional e intelectual às experiências sensoriais (Brierley e Goleman. podemos vislumbrar uma série de características.helder@accessueducacao. e cativa a todos. Piaget. 1979). 1980). que determinam suas regras. 4.O jogo é gratuito ou improdutivo.Forma de atividade que somente cabe definir a partir do próprio organismo imerso nela (Piaget.Forma ecológica. espontânea. a brincadeira evolui com o desenvolvimento integral. Não cria bens nem riqueza ou qualquer elemento novo de espécie alguma e.O jogo deve ser limpo.O jogo é convencional e regulamentado. Russel. Essa talvez seja uma de suas características centrais. 1990). Caillois. . Bandet. estabelecido pelos jogadores. 1966. salvo deslocamento de propriedade no seio do círculo de jogadores. é desinteressada. Ortega e Caneque. A finalidade do jogo deve ser ele mesmo.O jogo é separado. temos algumas das mais representativas: . física e cultural (Pellegrini. ninguém é obrigado a jogar. permanecendo até a velhice. De acordo com autores como Huizinga. cujo resultado final flutua constantemente.O jogo é incerto. 1997). Groos. Joga-se pelo prazer de jogar. é como uma história contada com ações. . É um mundo à parte. por não possibilitar qualquer fracasso. . 1946. . Tal característica é muito importante na brincadeira infantil. impulso inato que não requer especialização nem aprendizagem prévia. 1989. .O jogo é uma forma natural de troca de ideias e experiências.humano (Bruner. . . . . afetivo e físico da criança e se adapta aos períodos críticos de seu desenvolvimento (aos seus conflitos pessoais e sociais). Moyles. Prazer do tipo sensorial.O jogo deve ser espontâneo.O jogo deve ser prazeroso. distante do cotidiano.O jogo é fictício. Sendo uma atividade criativa. O jogo possui uma auréola mágica. Brunner. acaba em situação idêntica à do começo.Forma de incorporação da criança a uma instituição educativa (Linaza. 1986. entre outros. . Bronfenbrenner. É uma manifestação que tem um fim em si mesma. superação de algum tipo de obstáculo.Forma de assegurar a transmissão de valores promovidos por diferentes culturas (Sutton-Smith. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof.Forma de criatividade (Marin Ibánez. O jogo cresce com a criança até a idade adulta. Características do jogo Ao estudá-lo. Todo jogo coletivo é um acordo social. intelectual. deriva-se da palavra paidia. . é uma contínua mensagem simbólica. não se trata de uma atividade utilitária. Vygotsky. 1982. mesmo que a prática sucessiva leve a isso. . Trigo. ou seja. À medida que a criança cresce.O jogo é um comportamento de caráter simbólico e de desenvolvimento social.O jogo é improvisado. Caneque. Sarazanas. pois apresenta características. Cagigal.

O jogo é uma atitude. como uma moeda comum. O que se entende como jogo ou brincadeira abarca uma infinidade de ações e atividades. o mais importante veículo para o desenvolvimento evolutivo e a adaptação ao meio vital. Tão somente procura a recompensa de um gesto ou de um sorriso como conteúdo mínimo de comunicação. Não necessita passaporte nem entende de idioma.O jogo é como uma bandeira com todas as cores. O benefício dessa prática preenche o desejo de realização e nos proporciona prazer ou satisfação. superando montanhas. explorar. Nenhuma criança se cansa de brincar. bandeira ou moeda. . Essa curiosidade cresce saciando-se de conhecimentos e oportunidades de aprendizagem. Há na criança uma forte necessidade de se expressar e de comunicar-se. . como um idioma internacional. O jogo é incompatível com circunstâncias vitais da doença. já que constantemente estão trocando informações.O jogo reflete em cada momento a forma com que a criança atua. não importa onde e nem com quem.. relaxante. uma característica da saúde.O jogo é como uma vela que ilumina o comportamento do ser humano: é o resultado da busca das melhores coisas escondidas no mais íntimo do ser. desinibida e natural. da vontade. voa como as nuvens pelo ar e se hospeda como a terra em todos os povos e países. . mesmo que não seja o Único. espontânea. É um símbolo de humanidade. pertence a todas as pessoas. porque sente-se confortável. contudo. .O jogo permite à criança relacionar-se com a realidade. Por isso. Tudo o que vivemos pode tomar parte na brincadeira. do otimismo. Helder Filho . é parte da vida. O jogo tem um efeito estimulante.O comportamento lúdico é universal. sem preconceitos. . viaja tão puro como a água através de rios e oceanos. Conclusões Talvez este título não seja o adequado. Já que a aprendizagem é infinita.O jogo não tem fronteiras porque não as conhece e se propaga rapidamente como o fogo. O mundo mágico do jogo torna possível todo tipo de conexões ou interações para atingir diversas realizações. porque nasce da bondade humana. podemos conseguir tudo o que desejamos. 4.org 58 . É. Os atos do jogo são produto da ilusão. porque a passagem de um ao outro é constante e contínua. . porque não tem fronteiras. Somente quando a criança conhece o ambiente brinca.ilegria. Responde à necessidade de motricidade. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof.O jogo é respeitoso. portanto. É realizado em situações de bem-estar e sem pe-rlgo à vista. por isso vou apenas mencionar ideias que podem servir de proposta para encontrar uma definição do tema. A criança brinca sempre. da. restaurador.helder@accessueducacao. de estar ou ser ativo. bandeira da paz e laço de união entre os povos.O comportamento lúdico nasce com a criança e cresce com o interesse e a curiosidade por explorar o seu corpo e o mundo que a cerca. . parece-me. Faz com que se entendam crianças. brinca de diferentes maneiras conforme o meio em que se encontre. estão intercalados. solidário. No jogo. desertos e bosques. adultos e velhos de maneira imediata. deixemos a porta aberta para continuar aprendendo com quem sente o desejo de explorar esse maravilhoso e mágico mundo do jogo: . compreende e se relaciona com o mundo. O mundo real e o mundo criado pelo jogo se movem em um mesmo plano.7. sem nenhum outro vínculo de comunicação. se mover. imitar e à necessidade de enriquecimento por meio do movimento.

bem como o estado de espírito. estimular o senso de humor. por um lado. explora.helder@accessueducacao. por fim. quando adultos. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. colaboração e cooperação: todas as crianças querem brincar). O jogo proporciona ao ser humano um interesse pelo conhecimento. gera valores humanos positivos para a vida e. que nos ajuda a encarála com o otimismo necessário para manter um estado emocional estável e que possa nos proporcionar uma sensação de bem-estar.O modo natural de aprender é através do jogo. por outro lado. na escola e na vida. a ferramentachave para a aprendizagem é o jogo. . melhora a saúde física e emocional.Alguns teóricos afirmam que a brincadeira é o trabalho da criança. além de alcançar a felicidade são objetivos prioritários da educação para evitar o fracasso escolar.Com o jogo. promove a participação e a atividade (com a base da criatividade. relacionar-se bem com os outros e fazer amigos). participativo e significativo: processo que se amplia ao longo da vida. criativo. porque as crianças praticam continuamente e de forma simples os comportamentos e as tarefas necessárias para se converterem em adultos.org 59 . Já que o jogo promove habilidades sociais (talentos maravilhosos). na escola. se poderia afirmar que é uma realidade. Assim. Nesse caso.Desenvolver a inteligência emocional. as crianças expressam-se de forma natural. . positiva e crítica. O jogo fomenta a capacidade para a elaboração de normas da infância à vida adulta. emocional. a mente e o coração da criança e. Intelectual. vive-se em meio a um processo de aprendizagem global.O jogo serve-nos de ligação com a natureza. aumenta a auto-estima (vive-se em um ambiente harmónico). ajuda a canalizar. . A criança cresce aprendendo hábitos de convivência necessários para viver em sociedade. fomentar a curiosidade. pois escolhem uma solução adequada às suas necessidades e possibilidades.Mediante o jogo. social e cultural.A magia da brincadeira se converteria. fomenta as relações sociais frutíferas (aprender as limitações. nos preparamos para a vida ensaiando papéis que desenvolveremos posteriormente na sociedade. uma solução saudável. As crianças e os adultos necessitam da realidade do jogo para conservar ou recuperar seu comportamento natural: seu equilíbrio vital. . a criança aprende normas de comportamento para crescer e aprender a viver na sociedade de forma integral. em um modo de expressão com que se atua. . Uma atitude necessária para encarar a vida diária.A brincadeira proporciona situações que estimulam o senso de humor como estado de espírito. instrumento que lhe ajuda a entender a vida e a sua própria vida.. Helder Filho . . que lhe permite se integrar de maneira gradual na família. nesse sentido. reduzir ou processar condutas agressivas (base para a segurança do indivíduo e do ambiente). . pesquisa.Os jogos evoluem com a criança e ajudam a formar a estrutura de sua personalidade. desenvolvendo os aspectos motor. uma atitude ativa. pelos valores que origina e pelos efeitos que produz).Com o jogo. podemos considerar a brincadeira como um modo mágico de entender o trabalho. . . dada sua importância vital (por seu caráter multidisciplinar. comunica. em um elemento ideal para reconciliar. coloca-se em conexão o nosso micromundo (pessoa) com o macro mundo (sociedade) em que vivemos.

a agradabilidade. Geralmente o que vai acontecer: procura-se o agradável e por ele chegamos ao útil ou necessário. considerando que se trata de “trabalhar”.1. ou. Sabemos que certos condicionamentos externos.Emília Tavares/UFPEL Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. em outras palavras – naquilo que achamos que eles deveriam aprender. ou seja. Nossa pergunta é: basta isso para que haja aprendizagem? Essa modificação interna. Helder Filho . Fatores físicos que tanto podem ser do tipo alimentação. Consideremos a aprendizagem como uma mudança estável e intencional de comportamento e para que isso ocorra. Não vamos entretanto nos ater a isso. Muitos de nós professores de matemática nos deparamos. à sua psique. um motivo inerente a própria pessoa. “estudar”. psicólogos e filósofos já o fizeram e com amplo domínio desse campo do conhecimento.helder@accessueducacao. métodos.. procedimentos de criar uma situação favorável. O que é a motivação? Nada mais do que a predisposição interna que impulsiona a busca de um objetivo. Julgamos que sim. Fatores culturais. Poderíamos particularizar focalizando o processo ensino aprendizagem na nossa área – Matemática.5. ou ego.Profª M. Entendemos que ao se falar em um se fala em outro. Cabe ao professor através de uma variedade de recursos. faz-se necessário desencadear o processo através de um impulso externo – a incentivação. Inúmeros são os fatores que interferem na aprendizagem.org 60 . ou psicológico. estado geral de saúde como também iluminação e adequação do espaço físico. no desenvolvimento de nossa atividade didática. JOGOS DIDÁTICOS: SEU USO E IMPORTÂNCIA NA APRENDIZAGEM15 Introdução 5. processos mecânicos podem levar a repetir uma ação tornando-a automática. muitas vezes é preciso repetir várias vezes. São muitas essas condições 15 Texto retirado da II Reunião da SBM . Fatores que poderíamos classificar de pessoais. 5. Renomados estudiosos. Motivação De todos os fatores que apresentamos ou possamos apresentar queremos abordar um ponto que em nossa opinião é o mais essencial e imprescindível no desenrolar do processo aprendizagem – a motivação. profunda do ser humano com mudanças nas operações mentais e atitudes não necessitam de algo mais do que um estímulo externo? Não será necessário uma força. Muitas vezes o aluno não se interessa por determinada situação de aprendizagem exatamente porque não vê motivos para realizar aquela atividade. Também não o faremos. ou espiritual. Fatores sociais como as oportunidades de interações como as outras que podem ser do mesmo nível ou de nível diferente e que promovem e desenvolvem o espírito de cooperação. Poderíamos tecer várias considerações sobre cada um desses fatores e a forma como influenciam o ser humano em seu processo de aprendizagem. O processo de aprendizagem é desencadeado por um motivo que pode ser a necessidade. aqueles inerentes à própria pessoa. e econômicos. sob diversos aspectos e com experiências variadas uma determinada ação para que ela seja aprendida. a utilidade. lá que nome queiramos dar. ou personalidade.2. As legítimas motivações para a aprendizagem são raras. com um impasse: nossos alunos não têm interesse naquilo que pretendemos lhes ensinar. Faz-se necessário então que o professor crie uma situação em que surja o interesse.. ou seja.

Não é também porque essa atividade apenas possa ser utilizada como elemento propulsor da força motivadora. o “amor” que ele sente pelos seus alunos e por eles é percebido. Basta se ter observado – em grande escala o fenômeno que acontece nos jogos olímpicos.porque a atividade lúdica é intrínseca ao próprio ser humano. Queremos nessa oportunidade.” O despertar desse gosto pela Matemática depende em grande parte do professor. • Pelas atividades recreativas. A criança e o jovem e porque não dizer também o adulto – precisa sentir naquilo que fez uma auto-realização. É ele que a partir do conhecimento da sua turma de alunos vai promover no momento exato. e demonstra. mas especialmente pessoais. aparelhagens. com qualquer grupo de alunos e qualquer professor. Essa incentivação visando orientar o interesse do aluno pela Matemática como objetivo de estudo e trabalho tem formas variadas – já o dissemos – de ser obtida. Isso é fundamental: que tenhamos sempre presente que o “dar certo” para um grupo de alunos num dado momento não significa uma “fórmula de dar certo” em qualquer momento. especialmente dos que trabalham com 2º grau e alegam ou que “os Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. • Pelos livros e revistas de divulgação da Matemática. • Pela importância de valores históricos. Somos de opinião que essa receita não exista. . o estímulo adequado. • Pelas atividades lúdicas. pela Matemática. murais. Helder Filho .porque é uma atividade ainda pouco utilizada em sala de aula e que ainda não conseguiu impor o seu espaço como elemento propulsor no processo ensino-aprendizagem – porque é uma atividade que ainda não ganhou a confiança de muitos professores. • Pelos clubes de matemática. gráficos.org 61 . como por exemplo: • Pela correlação com o real. mas também é resultante dos recursos que ele emprega no ensino. Não temos “receita” para esse despertar do querer aprender. o entusiasmo que tem. independente de qualquer tipo de sectarismo. O fazemos.3. • Pela utilização de meios audio-visuais. Mas ainda achamos que acima de tudo o professor é um dos fatores mais preponderantes nesse processo motivador – sua personalidade. digamos assim – um prazer pessoal e isso fará com que se sinta livre e responsável por sua realização. dentre esses vários aspectos focalizar um em especial: 5. ou – em menor escala – o que acontece a volta de uma “pelada de rua” ou de um “volei familiar”. Acreditamos que o professor de Matemática deve estar preocupado em alcançar um despertar a motivação em seus alunos. • Pela construção de modelos. sociais e psicológicas. • Pela aplicação às demais ciências.favoráveis e não são apenas materiais. mobilizando de crianças a velhos.helder@accessueducacao. isso sim. sabemos. “A Matemática tem significado diferente para pessoas diferentes. O Jogo Didático Porque o fazemos? Não é porque o consideremos a mais eficiente forma de despertar a motivação – já expusemos nossas idéias sobre o que é “mais eficiente”. • Pela seleção adequada de problemas. Mas isso não é tudo. sabendo que é ela a força impulsionadora de toda a aprendizagem.

noutra época. só então a resistências vencidas – comentários do tipo “como eles gostaram!”. material por ele preparado previamente. • Combater certos complexos. b) Escolha e/ou criação do jogo: A escolha ou elaboração do jogo a ser aplicado deve merecer a maior atenção do professor a fim de que se verifique a adequação entre o jogo e a turma para o qual é destinado. • Se o jogo será individual. . Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. pelo próprio entusiasmo com que os participantes se congregam.alunos não gostam (só que nunca vivenciaram!) pois são grandes para brincar” ou que não “dá tempo”. c) Classificação quanto ao material: De acordo com o material empregado o jogo pode ser considerado: .helder@accessueducacao. • Se o jogo será com competição ou sem competição. grau de sociabilidade. tamanho da sala. “vou ter que fazer outro”. após o vivenciar da experiência e muitas vezes. • Educar a atenção.Com material improvisado – aquele em que o professor distribui entre os participantes. como dominó. Nesse planejamento deve o professor atender ao seguinte: • A finalidade específica do jogo. • Cultivar o espírito de solidariedade. Helder Filho . . Em outras palavras é a aplicação desse ou daquele jogo não é inteiramente arbitrário. d) Planejamento e execução do Jogo Como qualquer outra atividade didática o jogo didático a ser praticado em aula deve ser cuidadosamente planejado. “não pensei que eles iam se entusiasmar e trabalhar tão bem!” A seguir vamos analisar o jogo didático quanto as finalidades.Com material permanente – aquele em que o professor utiliza o material já fabricado especialmente para a finalidade. “bah!. material e tempo disponível.org 62 . Não somos rígidos quanto a esse tipo de classificação. Cabe ao professor portanto escolher com cuidado o jogo mais adequado à maturidade da turma. ou que se sentem constrangidos de fazer joguinhos. Por tudo isso. • Desenvolver a lealdade – mesmo que inicialmente isso se faça por “fiscalização”. na verdade nem nos preocupamos com ela em demasia. • Reavivar a simpatia pelo professor e pela disciplina. com satisfação. tipos e objetivos. e porque durante o tempo em que trabalhamos com “Prática de Ensino de Matemática” tivemos a oportunidade de com os nossos estagiários elaborar e aplicar vários tipos de jogos didáticos e ouvir. jogos de armar. destacamos o jogo didático.Simples – aquele em que o professor só utiliza material de uso em sala de aula. número de alunos. • Se o jogo será simples ou vai exigir material. a) Alguns dos objetivos do jogo didático na sala de aula: • Incutir no aluno o espírito de disciplina através do cumprimento e/ou elaboração das regras do jogo. Um jogo realizado com êxito numa turma pode redundar em verdadeiro fracasso quando aplicado noutra turma. • Educar para competir. foi o conteúdo que eles mais gostaram e se saíram melhor”. de grupo ou coletivo.

Lembramo-nos de que “o jogo deve ser uma forma de levar o aluno a querer tudo o que faz e não a fazer tudo o que quer”. analisando se as finalidades foram alcançadas. 2) Sobre a contagem de pontos. mas com bastante energia.helder@accessueducacao.O tempo a ser empregado no jogo. Como será apresentado o jogo. o maior cuidado do professor é evitar e suprimir a fraude. mas sim que é possível de novas aplicações desde que em condições equivalentes e/ou com adaptações convenientes. Como será feito a motivação. Helder Filho . Enfim o professor tem um jogo testado – o que não significa que deva ser aplicado “cegamente” em nova oportunidade. e) Avaliação: Após a aplicação de um jogo didático o professor deve fazer uma avaliação. Tratando-se do jogo com competição é indispensável que o professor esclareça a turma: 1) Sobre o número de partidas. Quando o professor surpreender um aluno em atitude irregular deverá adverti-lo com serenidade. em termos bem claros. as regras que devem presidir a atividade lúdica. Nos jogos escritos. assinalando os pontos que podem ser aperfeiçoados ou que devem ser mudados. Antes de iniciar o jogo deverá o professor explicar.org 63 . f) Sugestão de roteiro do jogo didático I – DADOS DE IDENTIFICAÇÃO Nome do Jogo: Curso: Disciplina: Série: Nº de alunos: Duração: Aplicador (a): II – OBJETIVOS III – CONTEÚDOS IV – MATERIAL UTILIZADO V – DESENVOLVIMENTO VI – AVALIAÇÃO VII – OBSERVAÇÕES • • • • Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. assinalando se as finalidades foram alcançadas. A designação que será dada no jogo. Não havendo esse cuidado o jogo deixará de ter função educativa.

à imagem de quem monta quebra-cabeças. trios ou grupos se contam em classe. será possível trabalhar-se simultaneamente o texto e contexto. será tentar ordenar as frases. Com tantas cópias desse material. com critério e acuidade. duas ou três sentenças sobre o assunto escolhido. No desempenho desse trabalho o professor poderá estar se aproximando dos sonhos de Piaget. específico para cada um.org 64 . por falar estimular as estruturas mentais do pensar. fazendo-os falar e. Mais fácil é quadricularse uma folha antes. amontoadas ao acaso e unidas fora de ordem compõe o recurso material do “jogo de palavras”. trios ou quartetos e. uma. devidamente adaptado.com. Algo. escrever as palavras em cada dos quadrados e somente depois cortála. tornando o apreendido compatível com as estruturas mentais do apreendente e.helder@accessueducacao. impondo a monotonia e o cansaço? Pode esse tema. por exemplo. ainda de quebra. Mas. similar que afirmar “É construção coisa não que de. mas construindo-o interiormente em um processo de assimilação. Helder Filho .1. bem mais que apenas uma compreensão literal do que se expõe. basta entregá-la aos alunos destacando que sua tarefa.php Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. quantas duplas. Em segundo lugar. mas fora processo o inte16 http://www. fragmentá-las separando cada uma das palavras e escrevendo cada palavra em um pequeno quadrado de papel. dessa forma. como fazê-lo? Em primeiro lugar garantindo que os alunos tenham “alguma idéia” sobre o tema. Será possível com esse trabalho alcançar não apenas as disciplinas acima relacionadas como outra qualquer. que se ministrado através de aula expositiva? É possível na regência dessa aula. ao levar o aluno não a conquistar um conhecimento interiorizando-o de fora para dentro. COMO MINISTRAR CONTEÚDOS COM UM JOGO DE PALAVRAS16 Introdução 6. conquistar a certeza de que sua apresentação não suscitará indisciplina.br/pt/projetos. dessa forma. garantir igual ou maior compreensão e lucidez por parte dos alunos. Esse emaranhado de palavras. Após a seleção dessas questões. E tudo isso apenas com a coragem em se substituir uma tradicional exposição por um envolvente e motivador Jogo de Palavras.6. a ela outras conquistas positivas se agregará. ser executado em qualquer série ou nível de escolaridade e. desinteresse e apatia? Pode esse tema garantir ao professor menos dispêndio de energia que o imposto por aula tradicional? A resposta a essa pergunta é afirmativa e. desenvolvendo do raciocínio lógico e levando os alunos a uma aprendizagem significativa e exploração de habilidades operatórias mais amplas que as provocadas por simples explanação. poderá esse trabalho.celsoantunes. dessa forma. Língua Inglesa ou Portuguesa sem ficar à frente da classe expondo e. conquistada através de uma leitura ou de outro processo de informação. Existe a possibilidade de se ministrar um tema de História ou Geografia. Matemática ou Ciências. extremamente pertinentes e significativas em relação a essência e objetivos do texto. organizando os alunos em duplas. posteriormente avaliado. por último organizando. emprestando-lhe sentido lógico.

essa aula. Ao invés de se colocarem de forma passiva diante de um texto. os alunos encontrariam motivação por ver substituída sua postura passiva de ouvinte por ação solidária de jogador. mas a segunda é falsa (Extraindo-se seis de onze o resultado é cinco e não quatro). 6. não se desviariam da tarefa e.2. Helder Filho . a resposta correta a essa questão é VF. por ajuda interativa e. Exemplo Questão 1 – A soma de quatro mais sete é onze / Extraindo-se seis de onze o resultado é quatro. comparação e classificação. estariam exercitando esquemas de assimilação em atividade pura diante do objeto da aprendizagem. e como cada questão pode ser verdadeira (V) ou falsa (F) as duas juntas permitem quatro respostas possíveis: VV – As duas questões são verdadeiras VF – A primeira questão é verdadeira e a segunda falsa FF – As duas questões são falsas FV – A primeira questão é falsa e a segunda verdadeira. Com dez a quinze questões duplas como demonstrado no exemplo e naturalmente dentro do assunto marcado para a atividade. com Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. que cada grupo prepare em meia folha de papel. a freqüência de uso constante acaba desgastando-o Para essa interessante atividade. mas processo interativo de construção interior”. os alunos necessitam estar agrupados em equipes e cada equipe deve abrigar um mínimo de quatro e. Cada equipe deve ter um nome escolhido livremente pelos alunos. pois a primeira (4 + 7 = 11) é verdadeira. trocar idéias. alternando-o com outros jogos operatórios e aulas expositivas diversas. a seguir. estariam interessados e disciplinados. portanto. pois estaria substituindo tradicional discurso. mas a eles se compõe modificando-o.helder@accessueducacao. Como é fácil perceber. Embora cause motivação. Com a classe dividida em equipes e os componentes de cada equipe sentados próximos uns aos outros. buscar esquemas de solução e por essas vias pensar. o professor economizaria energia. levaria o aluno a falar. Nessa atividade o professor transformou texto em contexto.org 65 . mas deve ser aplicado uma vez ou outra. um máximo de sete componentes. dedução e contextualização. Com as equipes constituídas o professor explica o(s) tema(s) ou conteúdos que serão cobrados durante o Autódromo. como no exemplo abaixo. simbolizado pelo texto fragmentado. ao qual buscariam uma estrutura lógica. Ao se envolverem no desafio que essa atividade abriga. o professor organiza uma listagem de questões sobre o assunto trabalhado. colocou em ação mecanismos de uso dos hemisférios cerebrais direito e esquerdo e. envolvimento e participação dos alunos. através do mesmo ensinou que o novo conhecimento não se sobrepõe aos conhecimentos anteriores. Como ministrar conteúdos com o autódromo? O Autódromo é um jogo operatório dos mais interessantes. interesse. Solicita. o professor possui o material necessário ao Autódromo. usando habilidades que envolveriam análise e síntese. Essas questões devem estar agrupadas duas a duas. motivados.rativo de um conhecimento vem do interior” e que ordenado expressaria “O conhecimento não é uma coisa que vem de fora. levando a seus alunos jogo desafiador e atraente.

por exemplo. A lousa. Vamos supor que apenas as equipe AMARELA e BRANCA acertaram. A lousa ficará assim: Equipes 100 200 300 400 500 600 700 800 900 1000 Verde Amarela X Azul Vermelha Branca X Laranja Roxo Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. então. portanto. com uma das quatro papeletas escolhidas voltadas contra o peito. Chama a seguir uma letra. o professor passará em cada equipe iniciando pela que mais alunos tiver e atribuirá aleatoriamente a cada um deles uma letra do alfabeto. quatro papeletas diferentes. o terceiro “C” e o quarto “D”. Agindo dessa forma cada equipe contará com representantes para todas as letras atribuídas. Antes de iniciá-lo.org 66 . Em seguida. hora de começar o Autódromo. o outro o “B” até o último que será o “F”. entretanto. Dirigindo-se a equipe Amarela e percebendo que na mesma existem apenas quatro alunos. marco no espaço da lousa os grupos que acertaram e passam a fazer juz a cem pontos. Assim um aluno será o “A” ou outro “B” e assim por diante. Helder Filho . A seguir o professor chama cada uma das equipes e o aluno exibe a papeleta com a qual acredita ser a resposta correta. dá um sinal avisando que o prazo terminou. a sucessão de pontos que o desempenho das equipes possibilitará alcançar. portanto. Procederá da mesma forma nas demais equipes e caso uma delas tenha menos alunos um mesmo ficará com duas letras. concede as equipe um espaço de tempo de dez a quinze segundos para optarem por uma das quatro respostas possíveis e após esse tempo. Organiza a lousa para o Autódromo e.helder@accessueducacao. sem anunciá-la como “certa” ou como “errada” e após a manifestação do último grupo. o outro “B” e “E”. cada grupo com suas quatro papeletas e o professor com a relação das questões. É. a letra “C” e os alunos de todas as equipes que tiverem essa letra deverão ficar imediatamente de pé. um deles será o “A” e “F”. O professor anota essa resposta na lousa. ficaria assim: Equipes 100 200 300 400 500 600 700 800 900 1000 Verde Amarela Azul Vermelha Branca Laranja Roxo Com a “pista” do Autódromo desenhada na lousa. estão prontos os recursos essenciais a aplicação do Autódromo. na vertical.giz colorido. escreve o nome das equipes um abaixo do outro como demonstra o exemplo e ao alto. anuncia a resposta correta. Por exemplo: A equipe Verde possui seis alunos e dessa forma um aluno será o “A”. onde aparecem com letras graúdas as alternativas possíveis de respostas (VV – VF – FF – FV). O professor lê a primeira questão dupla.

mas o professor que prepara questões intrigantes e desafiadoras. que não aconteceu no Brasil. Tal como o Jogo de Palavras ou o Autódromo.org 67 . O Jogo do Telefone exige de cada equipe pleno domínio do conteúdo marcado para a atividade e extrema criatividade e. Portanto você deve estudar desde as Grandes Navegações dos Séculos XV e XVI e passar pelo Descobrimento do Brasil e a organização das Capitânias Hereditárias. empenho.. Ricardo: – Puxa! É bastante matéria e creio que estou um pouco perdido em relação às Grandes Navegações. faz-se a segunda questão e assim sucessivamente até o final da aula. por exemplo. Com o diálogo telefônico bem organizado. A atividade. entretanto o cuidado de apresentar a fala de apenas um dos personagens (Juliana ou Ricardo) cabendo aos alunos.helder@accessueducacao. o diálogo prossegue com cada um dos personagens apresentando umas oito a dez falas até encerrar-se a “conversa”. deve ser desenvolvido uma vez ou outra.. organizados em grupos. necessita que os alunos estejam organizados em diferentes equipes. Com o tempo. Helder Filho . basta preparar-se uma cópia para cada equipe. abordando o assunto escolhido para a atividade. após a realização do Jogo uma ou duas vezes. entre uma Monocotiledônea e uma Dicotiledônea. Para a realização dessa atividade é necessário que o professor prepare um diálogo telefônico imaginário entre duas pessoas. Veja o exemplo. O sucesso do Autódromo depende sempre da qualidade das questões organizadas. evitando o desgaste inevitável de uma repetitividade constante. O que esse tema. criatividade. Uma relação de questões apenas memorativa em nada contribui para a aprendizagem dos alunos. criar-se diálogos telefônicos imaginários entre. mas podem revelar qualidade se no trabalho existir coerência e envolvimento lógico. interesse e sobretudo aprendizagem. entre uma Rocha Sedimentar e uma Rocha Metamórfica e inúmeros outros. A professora vai organizar questões sobre os primeiros cinqüenta anos da História do Brasil.. E evidente que a resposta de um grupo jamais será idêntica a de outro. Cabral e Pero Vaz de Caminha. obterá empenho. mas tomando por base as colocações de um dos personagens criar uma estrutura de seqüência do diálogo. construírem a fala do outro personagem. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. o professor poderá ir progressivamente apresentando outros com dificuldades crescentes. dessa forma. Ricardo: – Oi Juliana. Ricardo. exigindo assim estudo. 6. personagens históricos ou não humanos podem compor a dupla do diálogo e. baseando nos elementos que dispõe. Como ministrar conteúdos com o jogo do telefone? O Jogo do telefone é outro Jogo Operatório dos mais interessantes e que possui a propriedade de despertar envolvimento.. tal como os jogos operatórios anteriores. interesse. tem a ver com as Capitanias Hereditárias.3. criatividade e plena participação dos alunos.Registrado o desempenho das equipes. A tarefa dos grupos não é a de adivinhar o texto originalmente preparado pelo professor. Você poderia dizer o que vai cair na prova de História amanhã? Juliana: – Pois não. Como destaca o exemplo acima. tomando.

não explorem a reflexão. Ao organizar essas questões o professor deve evitar as de natureza essencialmente memorativas e que. capital de um Estado que se destaca por importante atividade mineral. O professor irá retirando um por um os papéis sobre sua mesa e anunciando a formação de duplas entre aluno de uma equipe contra aluno de outro até esgotar-se o último papel. Como ministrar conteúdos com o cochicho? O cochicho é um jogo operatório vibrante que envolve e emociona os alunos. Dispondo de uma lista de questões reflexivas e envolventes sobre o tema marcado pelo Cochicho. isto é o nome do colega de outra equipe com a qual irão se defrontar. O aluno deverá levar consigo uma caneta e a tira de papel com o nome do grupo que preparou logo no início da aula. deverá ser dividida em outras duas. o professor inicia o Cochicho formulando questões relativas ao tema estudado.4. o professor sinaliza para que cada aluno sente-se em qualquer lugar da classe. Após esse anúncio em cada dupla de alunos assiste três posições possíveis: zero a zero (os dois erraram). pesquisa bibliográfica ou apresentar uma síntese. agroindústria e pecuária e que no passado se identificava como grande produtor de castanha e borracha”. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. solicita-se que cada aluno disponha de uma tira de papel com aproximadamente vinte centímetros de altura e quatro de largura. Com a tira de papel restante. o professor apresenta a primeira questão e oferece aos alunos um tempo para refletirem e anotar sua resposta. se anotará ao alto o nome do grupo. e se presta ao desenvolvimento de qualquer conteúdo curricular para qualquer série ou ciclo de estudos. preferindo outras como “nome de uma cidade. um a zero (um dos dois acertou e o outro não) e um a um (os dois acertaram). situada na Região Norte. Para que exista esse conhecimento prévio sobre o tema. Vale-se da organização dos alunos em grupos ou equipes de quatro a sete componentes e para seu desenvolvimento é essencial que o professor trabalhe um tema do qual os alunos tenham algum conhecimento. Após esse sorteio todos os alunos já saberão com quem deverão jogar. análise. Helder Filho .org 68 . como explicado acima. Com os alunos organizados. em seguida. verdadeiro/falso ou de múltiplas alternativas ou ainda apresentarem resposta que sejam expressas por poucas palavras. Nessa oportunidade. a primeira formando um pequeno quadrado de quatro por quatro centímetros onde cada aluno deverá anotar seu nome e no verso o nome da equipe a que pertence. Por exemplo: evitar questões do tipo “Nome da capital do Estado do Pará”. enriquecida por perguntas diversas que os alunos devem buscar responder. anuncia a resposta correta. o professor pode solicitar uma leitura. solicita que cada aluno apresente sua resposta ao parceiro e. Iniciada a atividade. os três últimos formarão um trio. Essas questões necessitam ser “fechadas” isto é. portanto.6. amontoá-los deixando separado de outros montes com nomes de alunos de outras equipes. desde que ao lado do colega de outra equipe que forma a dupla – ou eventualmente – o trio sorteado. Embora realizado pelos alunos organizados em grupo permite identificar o desempenho individual de cada aluno.helder@accessueducacao. Caso a quantidade de alunos em sala seja um número impar. Com o tema ou conteúdo escolar definido e os alunos organizados em grupos marca-se a aula em que se aplicará o Cochicho. trazer à mesa do professor. dedução e conclusão. Após esses lapsos de tempo. Essa tira de papel. Um aluno de cada grupo deverá recolher o pedaço de papel em que consta o nome de cada participante.

informa o resultado que deve ser registrado pelo professor na lousa ou em seu diário de classe. Parece importante destacar que o sucesso de um Cochicho depende menos da forma com é a atividade organizada pelo professor e bem mais da qualidade reflexiva das questões organizadas. Com os alunos acomodados. Caso a quantidade de alunos por equipe não seja uniforme. São atribuídos pontos (50. o professor afere a contagem final. Segunda etapa. levando um pedaço de papel e uma caneta.O Cochicho prossegue com a formulação de outra e depois mais outra questão. Enquanto essa leitura é feita. como VV. explorando diversas habilidades operatórias. 400 pontos) e os mesmos serão divididos entre as equipes que Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. isto é. interpretação e assimilação de um texto de qualquer disciplina em qualquer nível de escolaridade.helder@accessueducacao. O professor escolhe um aluno de cada grupo que deverá sentar em outro grupo que não o seu. sendo desejável leituras e discussões prévias sobre o mesmo. Informa o valor dessa questão (por exemplo.org 69 . Após anotar as respostas os alunos que representam seu grupo devem retornar ao mesmo. ajudando os alunos no esclarecimento de suas dificuldades. quantos pontos – acertos – foi realizado pelo conjunto de alunos de cada equipe. Helder Filho . destacando as que mais pontos fizeram. A equipe que acolheu o aluno. Concluída essa releitura prévia. possibilitando “respostas fechadas”. o professor percorre os diferentes grupos. Estas devem visar sempre uma aprendizagem efetivamente significativa. Ao final da aula. Previamente os alunos deverão ser informados sobre o texto que deverão analisar. solicita que anotem no papel o nome de seu grupo e a seguir propõe quatro a seis questões sobre o texto. tem início a primeira etapa do Arquipélago: Primeira etapa. Ainda que se preste para inúmeras outras formas de utilização seu uso principal visa a análise. após a correção. O professor autoriza nova e breve consulta sobre o texto e após a mesma formula uma questão geral que cada grupo deverá responder por escrito. deve extrair a média de acertos de cada equipe. 100 ou 150 para cada resposta certa) sendo facultado ao professor “descontar ou não pontos” pelas respostas erradas. VF. Cerca de dez minutos antes de encerrar a aula. Com os alunos reunidos o professor dá início ao Arquipélago solicitando que individualmente façam uma atenta leitura sobre o texto. organizados em equipes. dividindo-se o total de respostas corretas pelos alunos que participaram do Cochicho. até o limite de tempo possível. 6. FF ou FV ou ainda outras. ajuda a construção do conhecimento e domínio de conteúdos. O uso ou não dos pontos conquistados no Cochicho como atributo de uma média do aluno é possível caso o professor assim pretenda e será explicado em outro capítulo deste trabalho. Como ministrar conteúdos com o arquipélago? O Arquipélago é outro jogo operatório muito interessante a atraente e se organizado com questões reflexivas.5. registra o quadro com a classificação das equipes. O desenvolvimento do Arquipélago organiza-se através de quatro etapas. deixando na equipe que os recebeu o papel com suas respostas. levantando o braço no caso de dúvidas. O nome “Arquipélago” deriva do fato dos alunos na maior parte do tempo sentarem-se juntos. tal como “ilhas” de um conjunto. O professor aguarda esse retorno e anuncia as respostas certas que deverá ser corrigida pelo grupo que acolheu esse aluno visitante.

B. respondem para sua equipe e desta for. representar sua equipe.6. Após essa etapa ainda uma vez o “placar” vai sendo progressivamente alterado. para responder as questões formuladas pelo professor. se duas equipes acertaram a resposta apresentada.helder@accessueducacao. Assim a equipe Verde. entretanto. uma atrás das outras. Helder Filho . individualmente. através de análises e interpretações de texto. o Hiper-Arquipélago assemelha-se a uma prova tradicional. 6. o professor com uma listagem de questões significativas que propõe respostas simples (por exemplo: A. Em cada carteira um aluno com uma tira de papel que leva ao alto não seu nome. pois constitui em ocupar durante todo o tempo de uma aula. Este se dirige a outra equipe. A terceira etapa é semelhante à primeira. Carteiras enfileiradas. como arrumadas para uma prova convencional. enquanto que no Hiper-Arquipélago os alunos.acertaram. levando papel e caneta. Quarta etapa. A derradeira etapa do Arquipélago é similar à segunda ou então se caracteriza pela abertura para que uma equipe formule uma questão a outra. mas a sucessão de atividades permite que progressivamente seja aumentada a complexidade do texto e das questões desafiadoras propostas. D. o HiperArquipélago. respondendo individualmente as questões formuladas pelo professor e ao fazê-lo. representando sua equipe. mas desta vez cabe a equipe o direito de escolha de seu representante. Nesse sentido. Alternando participações individuais (na primeira e na terceira etapa) com decisões consensuais (na segunda e a na quarta etapa) a atividade é extremamente dinâmica e envolvente. Assim. Concluída a quarta etapa encerra-se o Arquipélago com o devido registro dos pontos acumulados pelas equipes. Terceira etapa. por exemplo. respondia questões formuladas pelo professor. tal como na primeira etapa do Arquipélago ou na última etapa do Painel Integrado é constituído pelo envolvimento dos alunos.org 70 . mas o nome de seu grupo. a equipe Amarela à equipe Azul e assim por diante. Procure conceber o Hiper-Arquipélago. respondendo individualmente e por escrito as questões formuladas pelo seu professor. Nas primeiras oportunidades em que essa estratégia é aplicada é essencial que o texto seja bastante simples assim como as perguntas formuladas pelo professor com respeito a sua interpretação. todos eles. Pois bem. Ocorre. cada uma delas acrescentará 200 pontos ao saldo acumulado pela participação do aluno representante na primeira etapa. E Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. a primeira etapa caracteriza-se pela participação de um único aluno que. de maneira que todas possam dispor da mesma possibilidade de respostas. C. A frente da classe. os pontos que auferem são computados globalmente para o grupo. que em uma prova convencional o aluno responde as questões em seu nome pessoal e os acertos que conquista representam pontuação própria. destacando a(s) equipe(s) que revela(m) maior capacidade de compreensão do texto. altamente motivadora e permite significativo exercício de aprendizagem significativa. imaginando a seguinte situação. formula uma questão à Amarela. Como foi explicada no “Arquipélago”. com cada aluno e sua carteira. Como ministrar conteúdos com o hiper-arquipélago? O Hiper-Arquipélago é um jogo operatório extremamente simples e seu nome deriva da estratégia anteriormente exposta. Com esse resultado o “placar” vai se alterando e as equipe vão ou não acumulando mais pontos. de uma única etapa do Arquipélago.

FVV. Após essas respostas. corresponde a média sete). com alguns alunos mais capazes. totalizou 42 acertos como seis representantes. sem possibilidade de identificar o colega que respondeu uma vez que essa folha traz apenas nome dos grupos. FFV. um aluno de cada equipe recolhe as de seu grupo. descobrem que a pontuação da equipe ficou reduzida pelo insucesso de alguns. se a equipe Amarela.helder@accessueducacao. Como ministrar conteúdos com o torneio? O Torneio é uma atividade pedagógica que simula um campeonato esportivo onde todas as equipes se enfrentam. sua média será sete (uma vez que 42 dividido por seis. Como é provável que existam equipes com mais ou com menos alunos é sempre importante calcular-se a média dos acertos e. É importante destacar que atividades que individualizam a participação dos alunos ocasionam inevitáveis ressentimentos dos que obtendo maior número de acertos. VFF. É por esse motivo que todo trabalho em grupo necessita que o educador faça um paciente e persistente trabalho com os alunos. apresenta as respostas corretas para a devida correção.7. dessa forma. É interessante mostrar aos alunos que em uma equipe esportiva. Como acima se disse um trabalho dessa natureza não prepara os alunos apenas para as contingências de se aceitar o outro em atividades escolares. mas que a solidariedade se constrói com uma construção laboriosa e recíproca. Em outra circunstância. uma fórmula ou mesmo um conceito apresentado de forma sintética) e que formulará aos alunos. sobre um tema específico. Estabelecida a posição dos grupos e o empenho dos alunos está concluído o Hiper-Arquipélago. FFF. mas até mesmo para a vida social. atingindo este hoje pode alcançar outro amanhã. Apresentadas as questões. traz à frente e o professor passa as questões de um grupo para outro responder.org 71 . de tal forma que todos os alunos recebam a folha com as respostas. Concluída essa providência. chamando a seguir outra equipe até que obtenha a pontuação de todas as equipes. para o mundo do trabalho cooperativo que. o professor pode marcar um conteúdo Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. É por essa razão que esse trabalho não pode ser refletido como “um ou outro eventual conselho”. Helder Filho . ajudando outros em seu preparo para trabalhar esta ou aquela atividade. nesse caso autenticando-as com uma rubrica. Ou ainda questões que proponham o resultado de uma operação matemática. igual a da equipe Azul que obteve 35 acertos. solicita aos alunos de uma equipe – que estão corrigindo questões de outras equipes – que fiquem de pé e informem quantos acertos existem nas folhas corrigidas. VVF. FVF. 6. com cinco representantes. responde questões significativas. VVV. “nem todos são craques”.como em um teste de múltipla escolha. por exemplo. Esse tema pode ou não ter sido antes explicado e em caso positivo o Torneio seria uma oportunidade de se proceder a revisão do conteúdo efetivamente apreendido. mostrando a importância de uma ação solidária e a necessidade de aceitar-se em uma coletividade a desigualdade na produção que. para evitar que a rasura possa ser provocada pelo aluno que corrige e que demonstre interesse em prejudicar a equipe concorrente. por certo necessitarão vivenciar. Nessa oportunidade o professor solicita aos alunos que verifiquem se existem questões rasuradas. preparadas pelo professor. por exemplo. Soma esses acertos e registra na lousa. VFV. mas como uma proposta de educação solidária que deve ser assumida pela maior parte dos professores. mesmo pelos que eventualmente optem por não trabalhar com grupos.

o professor informa. Anotados os resultados da primeira rodada. Caso pretenda desenvolver jogos operatórios sem lhes atribuir valor que se transformem em notas. 3º colocado = 500 pontos e assim por diante). Optando-se por essa forma. Para que o Torneio se concretize é essencial a existência de uma “tabela” como a que abaixo sugerimos. seis ou mais questões fechadas sobre o assunto marcado e dando um tempo para que as equipes apresentem suas respostas.org 72 .8. Com essas providências tomadas. Como transformar pontos ganhos pelas equipes em notas? A primeira e mais importante questão. está agindo de forma tão correta quanto outro colega que opta por fazer dos jogos operatórios uma forma de se obter notas mais elevadas. pode atribuir três pontos para a equipe que venceu seu adversário e um ponto em caso de empate ou ainda considerar como pontuação da equipe o total de acertos. supondo a existência de seis equipes em uma classe. por que transformar pontos ganhos pelas equipes em notas? Não existe a possibilidade de uma resposta única. a se formular sobre o título deste capítulo é sem dúvida. (Por exemplo: Na primeira rodada a equipe Verde acertou 5 das sete questões e portanto venceu a equipe Azul que acertou 3 das sete questões – 5 a 3 – e nesse caso a equipe Verde conquistou três pontos por sua vitória e a equipe Azul nenhum ou. caso o professor prefira. solicita a um membro de cada equipe que traga à frente as anotações das respostas. a Equipe Verde conquistou cinco pontos e a equipe Azul conquistou 3). Helder Filho . confere-as e apresenta o resultado. se assim julgar válido. Cabe ao professor estabelecer se a construção das mesmas será ou não realizadas com consultas e a forma como serão apresentadas. a pontuação que cada equipe receberá por seu desempenho (Por exemplo: 1º colocado = 700 pontos. Essa questão constitui decisão específica do professor. propor o desafio de algumas perguntas sobre esse tema e sugerir que os alunos se preparem. uma vez que deverá ser sempre meio para se aferir a Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. Após a divulgação da tabela. com a classificação definitiva.helder@accessueducacao. estudando individualmente e reunindo-se em grupos para avaliarem-se. cinco. indicar diferentes fontes de pesquisa. tem inicio o torneio com o professor formulando quatro. inicia-se a segunda e assim por diante até a rodada final. A avaliação da aprendizagem escolar não pode se implantar por novas rígidas. Esgotado o tempo previsto. Modelo de uma tabela para o Torneio 1ª Rodada 2ª Rodada 3ª Rodada Verde Laranja Verde Azul Verde Amarela Azul Branca Azul Vermelha Amarela Laranja Vermelha Laranja Amarela Branca Branca Vermelha 4ª Rodada 5ª Rodada Verde Branca Azul Amarela Amarela Vermelha Branca Laranja Laranja Azul Vermelha Verde 6. o professor antes da realização do Torneio deve abrir um espaço para o devido esclarecimento de dúvidas e somente após a certeza de terem sido todas efetivamente superadas é que deve dar início a atividade.a ser estudado. Da mesma maneira como em um campeonato esportivo. 2º colocado = 600 pontos.

A nota vale apenas como uma referência para que o aluno saiba seu desempenho. por exemplo. por exemplo. chegando a uma classificação. Caso. o professor trabalhou com a classe ministrando aulas expositivas diversas e ainda aplicou. os pontos auferidos pela equipe durante sua aplicação.4 Azul 1.500 Branca 600 300 600 1.7 (pois ) Amarela 1.0. Portanto a transformação de pontos ganhos pelas equipes em notas constitui decisão do professor que poderá dispensá-la se acredita que os alunos estão aprendendo o que ensina de forma significativa. a equipe que mais pontos somou no bimestre foi a equipe Branca ( ) e. estabelecer uma relação direta entre cada atividade e o desempenho revelado. se tivesse participado de todos os Jogos Operatórios teriam direito a nota recebida pela equipe.1 Vermelha 1. Alguns.700 9. Fica a critério de o professor descontar ou não do aluno que não tenha participado de um ou de outro jogo. uma regra de três simples nos revela que cada 180 pontos conquistados por qualquer equipe deve equivaler a 1. Por exemplo: A equipe Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof. combinam com a classe que o primeiro lugar em seu desempenho nos diferentes jogos pode valer um ou dois pontos na avaliação final e.100 Azul 400 400 400 1.efetiva aprendizagem.0 Considerando esse exemplo. dessa forma.200 Vermelha 600 600 600 1. entretanto.0). Por exemplo: Durante um bimestre.org 73 . O verdadeiro compromisso do professor é com a aprendizagem significativa e a nota que atribui apenas um elemento que expressa essa aprendizagem. Outra forma de avaliação consiste em se somar os pontos obtidos pelos grupos nos diferentes jogos propostos.100 6. um Autódromo e um Cochicho.800 10.800 Laranja No exemplo destacado acima. Considerando que pontos equivalem a 10. Também está agindo de maneira correta quem assim procede.3 Branca 1. apresentamos uma proposta de transformação de pontos em notas que poderá ou não ser adotada pelo professor. um Arquipélago.0.200 6. Totalizou os pontos e o resultado final do bimestre foi: Equipes Arquipélago Autódromo Cochicho Total 500 400 500 1.6 Laranja 1. Helder Filho .700 Amarela 300 400 400 1. julgue que o desempenho dos alunos nos Jogos Operatórios desenvolvidos resultou de um esforço construtivo e deseje expressar a diferença entre os que mais e que menos se esforçaram. tal como o de equipes que disputam um campeonato.400 Verde 7. entretanto. nessa circunstância merece receber a mais alta nota (que pode ser 10. jamais um critério para selecionar bons ou maus alunos. (Um) Portanto: Equipe Pontuação Nota 1.400 Verde 600 500 600 1.helder@accessueducacao. cada aluno de cada equipe.500 8. atribui pontos sem.

dessa forma. se possível. Ensino de Matemática com Utilização de Materiais Didáticos Alternativos Prof.org 74 .Laranja conquistou 600 pontos no Cochicho e caso um de seus integrantes tenha faltado sem justificativa quando da aplicação do mesmo. atribuído pelo professor.3 pontos como os recebidos por seus colegas que participaram de todas as atividades). dessa forma.helder@accessueducacao. peso sete para as provas individuais e peso três para a participação dos alunos em Jogos Operatórios. Helder Filho . deverá ser submetida a apreciação.3) e. recebendo 5. Seria assim possível o professor atribuir. da Coordenação e Direção da Escola e.3 pontos (pois 600 180 = 3.0 por sua atuação em Jogos Operatórios e não 8. por exemplo. análise do professor envolvido. Torna-se importante destacar que a idéia proposta por este capítulo serve apenas como uma sugestão e que. Os pontos ganhos pelos alunos nos Jogos Operatórios poderiam compor uma de suas notas e esta teria o peso correspondente. do conhecimento de toda equipe discente e docente. estaria perdendo 3.

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