ASSÉDIO MORAL: AGÜENTE OU DESISTA. SERÁ?

1 Introdução
O assédio moral alcançou maior divulgação acadêmica no Brasil através da dissertação de Mestrado em Psicologia Social da Dra. Margarida Barreto, defendida em 22 de maio de 2000 na PUC/ SP, sob o título "Uma jornada de humilhações´. Esta Médica do Trabalho, profunda estudiosa da matéria, esteve no mês de março de 2005 em Florianópolis palestrando sobre o tema. Ao longo de sua fala lembrou que a vítima do assédio moral, inicialmente, é instigada pel os amigos e familiares a ³agüentar´ a pressão do assédio, afinal, o assediado deve ter força e coragem para ultrapassar os obstáculos da vida e do trabalho. Passa o tempo, recrudesce a violência moral, e o empregado, ao buscar amparo novamente nos amigos e familiares recebe a orientação: ³desista´. E finalmente, pede demissão ou adoece por não suportar a condição degradante de trabalho. O presente estudo busca exatamente uma terceira opção, além do ³agüente ou desista´. Em que pese à atualidade do tema, o a ssédio, tanto no trabalho como no relacionamento interpessoal surge praticamente com a natureza humana, uma vez que é utilizado em geral pelo mais forte - seja em termos econômicos ou psicológicos - para subjugar o mais fraco. Assédio moral é a violência p erversa e silenciosa, também chamada de psicoterror ou terror psicológico e na realidade não ocorre somente nas relações de emprego. Ocorre em qualquer relação de trabalho, seja no setor público ou privado, nas relações familiares e na verdade, em qualquer meio onde exista um relacionamento entre pessoas. Nas relações de emprego o assédio é mais comum pois tem, no mais das vezes, um objetivo claro por trás da conduta insidiosa. O empregado é submetido a situações vexatórias e humilhantes de maneira reiterad a, por vezes até fora da jornada de trabalho. O isolamento e a culpa impingidos à vítima acabam por conduzi-la à depressão, doenças físicas típicas e até ao suicídio. As relações de trabalho são dinâmicas e as situações de fato estão sempre adiante da legislação ou jurisprudência. Cabe ao intérprete do direito, buscar amparo legal para as situações de fato, ainda que não tipificadas especificamente na norma legal. Para tanto, é necessário que se tenha uma visão global do fato e suas implicações e do próprio mundo jurídico. O estudo do assédio moral na relação de emprego, em que pese levantar de imediato matéria nitidamente trabalhista, afinal, envolve o conceito legal de empregador e empregador previsto na Consolidação das Leis do Trabalho, necessita de diversos outros ramos do conhecimento. Sem os direitos civil,

constitucional, penal, a psicologia, administração e até a filosofia e a história, não se alcança a matéria em amplo espectro. Basta que se verifique que um dos grandes responsáveis pelo estágio at ual atingido pelo assédio moral é o modelo administrativo capitalista. Nas empresas de maior porte é descentralizado, e remete toda a responsabilidade da produção ao próprio empregado ou sua equipe de trabalho, além de exigir que todos sejam produtivos, ma leáveis, atentos, criativos, dentre diversos outros atributos fundamentais para que aquela pessoa seja empregável. Assim, as próprias exigências do mercado de trabalho, já são formas de pressão, uma espécie de assédio moral prévio e subliminar. Este modelo decorre do interesse cada vez maior no lucro pessoal, deixando de lado conceitos de dignidade da pessoa humana e solidariedade. Além disso, para a conceituação do assédio e para a determinação dos perfis das vítimas e dos assediadores, a psicologia é fund amental, pois são ligados diretamente à natureza humana e seu desenvolvimento psico -social. Presente o fato, surge o direito revelando -se uma tentativa remendada de consertar um problema comportamental da sociedade. Não existe legislação específica sobre o tema, pouquíssimas decisões judiciais e a doutrina está recém despertando para o tema, sem ir muito além dos precursores da matéria. Desta forma, o estudo do tema é pertinente diante da freqüência com que a situação se estabelece no ambiente de trabalho e da gravidade de suas conseqüências para a saúde física e mental do empregado. As conseqüências do assédio, no mais das vezes, se refletem na saúde do empregado. E como se não bastasse o aviltamento da dignidade deste, como pessoa humana, a sociedade é pr ejudicada, pois a família se desestrutura, aumentam os gastos públicos em virtude dos benefícios previdenciários devidos às vítimas. Muitas vezes, a violência é tão intensa, que conduz à aposentadoria precoce de um empregado, que em condições normais trabalharia ainda muitos anos. Sem falar ainda dos casos de suicídio decorrentes das agressões morais no trabalho. A idéia do presente estudo, é buscar no ordenamento jurídico atual o amparo para as vítimas do assédio, conceituando e caracterizando o assédio moral no direito pátrio, além de questionar se a tipificação legal é suficiente para minimizar os atos de violência moral.

2 Cronologia e história do assédio moral
Em 1972, o médico sueco Paul Heinemann utilizou o termo mobbing para descrever o comportamento hostil entre as crianças nas escolas. Segundo

Hirigoyen, (2002, p. 77) ³o termo mobbing decorre do verbo tomob, ou seja, maltratar, atacar, perseguir, sitiar´. Hirigoyen, (2002, p. 77) salienta que o fenômeno foi identificado nas organizações nos anos 80, pelo psicólogo alemão Hans Leymann, que define o ³mobbingconsiste em manobras hostis freqüentes e repetidas no local de trabalho, visando sistematicamente a mesma pessoa´. Leymann publicou em 1993 os primeiros resultados de suas pesquisas sobre o assédio e a partir da atenção que o tema recebeu na França, surge legislação específica tratando do assunto. Na Inglaterra, paralelamente, a mesma atenção é dispensada ao bulling. Inicialmente, a atitude grosseira e tirânica também descrevia as agressões das crianças nas escolas. HIRIGOYEN (2002, p. 80) esclarece: O termo bulling nos parece de acepção mais ampla do que o termo mobbing. Vai de chacotas e isolamento até condutas abusivas de conotação sexual ou agressões físicas. Refere-se mais a ofensas ou violência individual do que a violência organizacional. Em estudo comparativo entre mobbinge bulling, DieterZapft considera que o bullingé originário majoritariamente de superiores hierárquicos, enquanto o mobbingé muito mais um fenômeno de grupo. (2002, p. 80) Também nos Estados Unidos, o termo harassment é utilizado no mesmo sentido dos mobbing, ou seja, ataques reiterados e i ntencionais de um agente sobre o outro. Literalmente,Wistleblower, segundo Hirigoyen (2002 p. 81) ³é aquele que aperta a campainha do alarme ou que desfaz o estopim´. É a pessoa que decide levar a público uma situação ilegal ou imoral em empresas ou instituições. Neste caso, o assédio moral tem o objetivo de calar quem não aceita as regras sub-reptícias do jogo. Finalmente, no Japão o fenômeno é chamado de ijime. É milenar como a civilização oriental e abrange o assédio tanto nas escolas como no trabalho. Na realidade Hirigoyen (2002, p. 83) ressalta que durante muito tempo os professores consideraram o ijime como um ³rito de iniciação necessário à estruturação psíquica dos adolescentes´. A partir de 1990, com o suicídio de crianças e a evasão escolar, o Ja pão constatou que o rito era na realidade um sério problema social. Em virtude da denúncia dos fatos aos meios de comunicação, o ijimenas escolas tem alcançado maior atenção, apesar de persistir por fazer parte da cultura nacional. No âmbito laboral a pres são persiste, uma vez que o jovem já é educado dentro de uma rivalidade acirrada e chega ao mercado de trabalho considerando a violência moral uma ferramenta de escalada dentro da empresa. Na Espanha o assédio moral é chamado de psicoterror ou acoso moral. Cada termo conduz á uma região e organização diversa, mas o fato é que, independentemente desta terminologia ou ad cultura onde se contextualiza, o assédio moral é, como salienta Hirigoyen (2002,85), um ³fenômeno social´.

3 Assédio Moral
3.1 Conceito e elementos
O conceito do qual partem os doutrinadores sobre o tema é o de HIRIGOYEN (2003, p. 65): Por assédio em um local de trabalho temos que entender toda e qualquer conduta abusiva manifestando -se sobretudo por comportamentos, palavras, atos, gestos, escritos que possam trazer dano à personalidade, à dignidade ou à integridade física ou psíquica de uma pessoa, por em perigo seu emprego ou degradar seu ambiente de trabalho. Nesta linha de raciocínio, define S ILVA (2005, p. 12): [...] o assédio moral vem a ser a submissão do trabalhador a situações humilhantes, vexaminosas e constrangedoras, de maneira reiterada e prolongada, durante a jornada de trabalho ou mesmo fora dela, mas sempre em razão das funções exercidas pela vítima. GUEDES (2003 p. 33) acrescenta que ³o assédio moral, na realidade, decorre da atitude deliberada de um perverso cujo objetivo é destruir a vítima e afastá-la do mundo do trabalho´. Por assédio, segundo Ferreira (1999), entende -se todo o ato que visa ³perseguir com insistência, importunar, molestar, com perguntas ou pretensões insistentes´. O assédio tem por objeto atingir os princípios éticos que permitem aos indivíduos a convivência em sociedade. A existência destas regras é a base para a convivência social, tanto é que ocorrendo mudanças radicais na vida individual, outras mudanças obrigatoriamente ocorrem na vida social. Depreende-se daí, que preambularmente o conceito de assédio moral parece ser subjetivo uma vez que, numa primeira visão, os princípios éticos que norteiam a moral variam de acordo com o tempo e o espaço, conforme se modifica o momento histórico, o local e a estrutura da sociedade. Todavia, exatamente por se tratar de matéria de difícil definição objetiva e principalmente jurídica, o uso da expressão moral é fundamental uma vez que a por si vem imbuída de uma carga aceitável de subjetividade, conforme deixa explica Hirigoyen (2002, p.15): A escolha do termo moral implicou uma tomada de posição. Trata -se efetivamente de bem e de mal, do que se faz e do que não se faz, e do que é considerado aceitável em nossa sociedade. Não é possível estudar este fenômeno sem se levar em conta à perspectiva ética ou moral, portanto, o que sobra para as vítimas do assédio moral é o sentiment o de terem sido maltratadas, desprezadas, humilhadas, rejeitadas...

complementa Coutinho (2003. Na maioria das situações. de forma que desponte como um verdadeiro modus vivendi do assediador em relação à vítima. Hirigoyen (2002. Deve estar caracterizada a habitualidade da conduta ofensiva dirigida à vítima.. o assédio moral somente estará presente quando a conduta ofensiva estiver revestida de continuidade e por tempo prolongado. p. o assediador reitera os atos ao longo do tempo.15) esclarece o tema objetivamente: Primeiramente. O assediador. acidentado do trabalho. Muito mais do que isto. estamos nos referindo a uma situação muito mais complexa. o propósito deliberado de atingir a vítima. ³fixar deste modo um pata mar limite parece excessivo.1 Conduta perversa A conduta perversa envolve principalmente a intencionalidade do agente. Daí surge à perversidade da intenção do assediador uma vez que as agressões. parecem inofensivas apesar de um pouco grosseiras. p. Nesta linha de raciocínio. ou empregada grávida . fixados em torno do aumento da produtividade e sua resultante. . apesar de configurar o objetivo mais freqüente.] Contudo. o assediado não percebe que as atitude s do assediador são intencionais e assume a responsabilidade pelos atos deste.1. Deve estar caracterizada a habitualidade da conduta ofensiva dirigida à vítima. SILVA (2005. se vistas de forma isolada. Esta intencionalidade. tornando insuportável sua permanência na empresa. cipeiro. caracterizando um processo específico de agressões psicológicas. caracterizando um processo específico de agressões psicológicas. 30) noticia que Hans Leymann estabeleceu um padrão objetivo de periodicidade dos comportamentos hostis.sempre com o intuito de contaminar o ambiente de trabalho. p. 49): Fato é que as pressões psicológicas são usadas tanto para afastar da empresa aquele trabalhador que não se adapta ao modelo de gestão. como para conformá-lo aos objetivos da organização. com instinto sád ico por natureza.. pode apenas buscar o prazer de manter seu subordinado sob tortura psicológica. o lucro. agregando a repetição à intenciona lidade.representante sindical. com um objetivo pré-estabelecido. exigindo que os mesmos ocorressem pelo menos uma vez por semana e por no mínimo seis meses. devemos ter em foco que o assédio moral não se caracteriza por eventuais ofensas ou atitudes levianas isoladas por parte do superior. caracterizada por um conjunto de ações habituais que possuem o intento de minar a vítima. [. Mas como bem salienta a psicóloga.Para tornar o conceito de assédio moral juridicamente aceitável Marie France Hirigoyen (2002) salienta dois elementos essenciais para sua caracterização. não visa apenas à demissão do empregado. Assim. pois a gravidade do assédio moral não depende somente da duração. quando falamos de assédio moral. Tais pressões também são utilizadas contra os empregados que gozam de estabilidade de emprego . 3. mas também da violência da agressão´.

A intencionalidade é presumida em virtude da repetição do ato de violência moral atentatório à dignidade da pessoa humana. Neste caso a responsabilidade do empregador também é objetiva. que para a caracterização do assédio moral a repetição do ato perverso . p. e serão detalhadamente analisados adiante. ou seja. Se o ambiente é permissivo desse tipo de procedimento. pois gera a presunção da intencionalidade. pois lhe falta o requisito fundamental da repetitividade. o ataque à dignidade da vítima através de humilhações e a degradação do ambiente de trabalho. até que ela não tenha mais forças para lutar e se veja obrigada a pedir demissão ou motive uma demissão por parte da empresa. pressionando diretamente os empregados especialmente em relação à produção. Sem dúvida.é fundamental.1. além de tratá-los com desrespeito e injúria. fragilizando-a desestabilizando-a e desqualificando-a perante seu ambiente de trabalho e sua vida pessoal. Fundamental ainda é estabelecer um paralelo entre o abuso de direito e o poder diretivo. extrapola o jus variandi e adota posturas manipuladoras. o assédio moral pode ser horizontal. entre colegas de trabalho. DELGADO (2004. que se vê acuado. mas não caracteriza o assédio moral. a perversão gera emulação entre indivíduos que não são propriamente perversos. a falta de comunicação ou comunicação hostil. em nome do desenvolvimento econômico da empresa e da conseqüente obtenção de lucro. Conclui-se. define o poder diretivo do empregador: . detentores de poder diretivo e em geral é aceito pelo empregado. 3. o abuso decorre da existência do empregador de dirigir. 54) salienta: O certo. jornadas de trabalho excessivas e sem qualquer negociação. Pode partir tanto do empregador quanto dos chefes.descompensando-a. Todavia.2 Abuso de poder Regra geral. 631). injuriosa ou humilhante. O agressor. mas perdem seus referenciais e se deixam persuadir.entendido este como o ato atentatório à dignidade da pessoa humana ou aos direitos da personalidade . p. de superior para subordinado(s). Aos poucos perdem a capacidade de se indignar e não se chocam ao ver alguém sendo tratado de forma caluniosa. pois necessita do trabalho. Uma agressão pontual que parte de um superior hierárquico ou de um colega de trabalho pode ser um ato de violência. é que o psicorerror dentro de uma empresa só é possível quando os dirigentes fingem não vê -lo ou o incentivam. sobrecarga de trabalho que não é competência do empregado. Este é o chamado assédio moral vertical ou descendente. portanto. diretores ou gerentes. como veremos adiante. pois reside na permissão do fato. Alguns dos atos perversos mais comuns são: o isolamento da vítima. GUEDES (2003. porém. envolve a subordinação hierárquica da vítima em relação ao agressor. o assédio moral.

decorre da ordem econômica capitalista. O conhecimento por parte do aplicador do direito dos padrões de comportamento de um assediador.2 Sujeitos Para traçar os perfis do agressor e da vítima de assédio moral é fundamental que. O poder diretivo do empregador é normalizado no art.1 Perfil do assediado A discriminação é gênero do qual o assédio moral é espécie. O desrespeito destas cond uz diretamente ao abuso de poder e. 2º da Consolidação das Leis do Trabalho. do empregado ou grupo de empregados em relação ao superior hierárquico também acontece conforme veremos adiante. o assédio moral é mais frequentemente praticado contra minorias. inclusive o processo de trabalho adotado no estabelecimento e na empresa.Poder diretivo (ou poder organizativa ou. E como tal também apresentam perfis psicológicos que se mostram extremamente importantes para a análise do fenômeno. treinado apenas para aplicar a norma jurídica sem preocupar-se com as partes envolvidas. Especificamente em relação ao assédio moral. vulneráveis por diversos fatores que analisaremos a seguir. Todavia. E salienta -se que não necessariamente é o empregado. por exemplo. no mais das vezes. Diante desta evidência o assédio moral ocorre comumente com as pessoas já discriminadas pela sociedade. a análise psicológica parece avessa ao operador do direito. ainda poder de comando) seria o conjunto de prerrogativas tendencialmente concent radas no empregador dirigidas à organização da estrutura e espaço empresariais internos. O assédio moral é também a forma de materializar a discriminação. inclusive no momento julgamento de uma Ação Trabalhista. O que na realidade limita o poder diretivo do empregador é o próprio contrato de trabalho e as normas a ele aderidas. 3. em muitas situações. ao assédio moral. com a especificação e orientação cotidianas no que tange à prestação de serviços.2. À primeira vista.são. pois o assédio ascendente. ou seja. muito antes da norma legal. o comportamento das partes e a forma destas de lidar com o mundo são decisiva. 3. além de analisar a relação de trabalho se entenda que tanto o trabalhador quanto o empregador são seres humanos. os que . que inclui o empregado no rol de bens da empresa. apesar de ser a situação mais usual. quando dispõe que o empregador ³dirige a prestação pessoal de serviço´. pode ser decisivo durante a instrução do processo na inquirição das testemunhas. Os trabalhadores que já contam com algum tempo de serviço independentemente da faixa etária . A fronteira entre o poder diretivo e sua transcendência é tênue além de ser cultural. Todavia.

seja ou não degradante e evidentemente com salários muito menores que o empregado. tem índices de desemprego muito inferiores aos do Brasil. a vítima passa a ser isolada. mas principalmente o avanço tecnológico e o preconceito quanto à adaptabilidade das pessoas com mais de 40 anos aos novos conhecimentos e técnicas de produção. de mais fácil consecução em relação ao depauperado.] ante a fragilidade ínsita à idade. humilhada e maltratada. à mulher grávida não resta melhor sorte. Com a recusa. O preconceito em relação ao gênero também é fator dominante para a prática do assédio moral. n esta faixa etária. A psicóloga francesa aduz que em virtude da re cusa. Em geral o assédio sexual se apresenta primeiro.. FURTADO. que recebe uma demanda de jovens dispostos a trabalhar sob qualquer condição. Além disso. Pior ainda se forem solteiras. À parte das situações em que o assédio moral decorre do sexual. As conotações sexistas ou machistas estão quase sempre presentes. . 304) acrescenta: [. A justificativa para tal situação não é apenas o desemprego. Evidentemente que homens e mulheres não são iguais. quer-lhe retirar vantagem. com escudo na pressão psicológica. O desemprego auxilia o empregador. a violência moral encontra terreno propício perante o idoso. p. Detentora de estabilidade provisória desde a concepção até cinco meses após o parto. 100) salienta que ³o assédio sexual não é mais do que uma evolução do assédio moral´. visando desestabilizar a vítima. O assédio moral em relação às mulheres também é praticado de forma diversa do praticado contra o homem. o agressor passa ao assédio moral. através de propostas por parte de um superior ou colega. apesar de também sofrer com as condições econômicas e sociais globais. Diante destas condições.Redefinindo o Assédio Moral . na pesquisa que deu origem ao seu segundo livro . p. o Ministério do Trabalho e Emprego (2003. desonestamente. sendo de fácil dedução que aquele que se encontra debilitado por conta da idade é presa fácil para o que. 50) concluiu que ³torna-se cada vez mais difícil o reemprego de cidadão com mais de 40 anos´. Em estudo sobre o assunto. É de se salientar que Marie -France Hirigoyen (2002. Finalmente. (2004. em especial quando tratamos de mulhe res grávidas ou com filhos pequenos. Mas ambos devem ter as mesmas oportunidades na sociedade para que possam desenvolver seu potenci al.Mal Estar no Trabalho . p. Hirigoyen (2002. 96 ). especialmente em empresas com tradição ³masculina´. existe o psicoterror praticado apenas pelo fato de a vítima ser mulher e como tal não ter a menor capacidade de ser mantida em qualq uer cargo com o mínimo de responsabilidade. Todavia a pesquisa foi realizada na França que. o assédio moral passa a se tornar uma ³saída´ viável ao empregador inescrupuloso que pretende se desfazer da mão de obra que entende obsoleta.concluiu que a faixa etária de 46 a 55 anos é a que mais sofre com o assédio moral.recebem salários mais altos. o empresário acredita que a incidência de doenças e licenças médicas é maior. em que pese à igualdade constitucional.. Paralelamente seguem os trabalhadores com mais de 40 anos.

a esforçar-se demais.. As pessoas transparentes e escrupulosas também estão mais sujeitas à coação moral. Por incrível que pareça. p. que propagandeia a igualdade. eu que não tenho senso de humor´. deficiência física ou doença e orientação sexual. também objetos de discriminação social. A idéia é a mesma do preconceito social: as minorias. exatamente por se tratar de prática insidiosa e de difícil comprovação. consciente ou inconscientemente [. Nesta mesma situação se enquadram os empregados representantes sindicais e acidentados no trabalho. trabalhando até mais tarde sem recl amar.independentemente da idade . Com isto tentam cada vez qualificar seu trabalho o que.não aceitam o autoritarismo e em geral têm mais competência que o agressor. não tendo confiança em si. É de se salientar. que busca pontos em que pode minar a autoconfiança da vítima visando desestabilizá -la e ridicularizá-la no ambiente de trabalho. Estas pessoas quando são assediadas. empregados que recebem salários muito altos . Neste quadro encaixam-se os empregados que pessoas que se dedicam à empresa. também portadores de estabilidade. tem -se a tendência a pensar que a inveja é provocada. É importante lembrar. acreditam que o problema é com elas e não com o agressor. com o objetivo racionalmente estabelecido por parte do empregador de fazer a gestante pedir demissão.716/89 tipifica a discriminação por raça ou cor como crime. As vítimas ideais dos perversos morais são aquelas que. este acaba se tornando um fator que conduz ao assédio moral. Não conseguindo imaginar que o outro seja fundamentalmente destruidor. Hirigoyen (2002.évítima constante da coação moral. não menos freqüentes são as práticas de assédio moral no trabalho em virtude da religião. Além disso. Quanto à vitalidade. dentro da discriminação por gênero. sentem-se obrigadas a fazer sempre mais. Além do fator discriminatório. aduz: Em nossa sociedade. não é reconhecido pelo assediador. evidentemente. é alvo fácil do assédio moral. que é cultural e ultrapassa os limites do local de trabalho. crédulas. ele vai compreender e pedir desculpas por seu comportamento!´ Para quem não é . 160) ressalta a vitalidade e a transparência da vítima. os perfeccionistas e que não costumam faltar ao trabalho nem doentes e evidentemente os trabalhadores que se sentem culpados facilmente. Assumem a culpa do ato do outro com pensamentos do tipo ³tenho que ser mais flexível´ ou ³ele está só brincando. para dar a qualquer preço uma melhor imagem de si mesmas.]. raça. existem fatores psicológicos que facilitam o assédio moral e envolvem características presentes em qualquer ser humano. o ³diferente´. Também se incluem neste tópico. conforme segue explicando a psicóloga francesa: As vítimas parecem ingênuas. muitas vezes o assédio sobre os homens que trabalham no local também existe. que a Lei 7. que não só as mulheres são discriminadas. elas tentam encontrar explicações lógicas e tentam desfazer um mal-entendido: ³Se eu lhe explicar. Em um ambiente onde predominam as mulheres..

perverso é impossível em um primeiro momento conceber tanta manipulação sendo feita por maldade.acredita ser ³especial´ e singular.dá provas de atitudes e comportamentos arrogantes. .inveja muitas vezes os outros. a personalidade do assediador é narcísica. pelo menos. Alkimim (2005.2. São pessoas apegadas à ordem e com apurado senso de justiça. 142). além de sempre partir para a autocrítica. o sujeito ativo visa destruir a vítima e afastá-la da organização do trabalho.explora o outro nas relações interpessoais. 3. fadiga e outros efeitos maléficos sobre a saúde física e mental em razão da somatização. que evolui para gerar stress. não acredita na perversidade do sujeito.o sujeito tem um senso grandioso da própria importância. . seja este estímulo ativo ou omissivo por parte da empresa. de poder. . p. pois fazem parte da natureza humana. Em primeiro lugar. O perfil psicológico do assediador foi traçado com clareza por Marie-France Hirigoyen (2003. O narciso passa facilmente à perversidade. Na realidade. 47) aduz: Instalado o processo de assédio moral.2 Agressor É mais simples estabelecer um perfil da vítima que do agressor. O que difere o agressor dos demais é a predisposição em colocá-las em prática e sem dúvida o estímulo para tanto. que julgam o próximo por seu próprio comportamento. . . .3 Classificação . todos têm as características do assediador. O transparente se dispõe a compreender e aceitar as atitudes do assediador.pensa que tudo lhe é devido. a autora descreve a pessoa que apresenta. p. imagina -se culpada e busca em si suas falhas. . podendo apresentar queda na produtividade pelo desgaste emocional. As condutas específicas relativas ao assédio serão abordadas oportunamente. E a forma mais imediata e fácil que encon tra é destruindo o próximo. vítima que. questionando-se se de alguma forma pode ter dado causa ao comportamento do outro. tenta uma melhor solução para evitar o desemprego e a instabilidade do clima de trabalho. Como tal.não tem a menor empatia. cinco dos seguintes comportamentos: . pois tem sua existência voltada para o próximo e para o que pode tirar dele para engrandecer a si mesmo.é absorvido por fantasias de sucesso ilimitado. a p rincípio. 3.

hierárquico e controlador. além de prejudicar a produtividade com a queda do rendimento do empregado afetado pela situação assediante ou pelo absenteísmo. pois sua obrigação. Dentro da hierarquia.3.3. p. Esta espécie de assédio ocorre no mais das vezes com a conivência da empresa. p. O primeiro se dá quando o assediador persegue o empregado com o simples objetivo de eliminá -lo. mas entende não ser sua competência interferir no que entende ser uma rusga pessoal entre seus empregados. e.2 Horizontal O assédio horizontal é o praticado entre os colegas de trabalho. desestabilizando o ambiente de trabalho pela in timidação. 43): Entretanto. exatamente em decorrência dos poderes diretivo. desde que de graus hierárquicos diferentes. acabam por incidir no abuso de poder. valorizando egoisticamente seu poder.1 Vertical descendente Neste caso. Com a . afetando o psiquismo do empregado. sob a roupagem do exercício do poder de direção os detentores do poder . é de intervir e harmonizar o ambiente de trabalho. que tem conhecimento do fato.3.visando uma organização do trabalho produtiva e lucrativa. O assédio estratégico busca o pedido de demissão por parte do empregado. 112) divide o assédio vertical descendente em três subgrupos: o assédio perverso. conseqüentemente sua saúde mental e física. A responsabilidade da empresa é objetiva por omissão. estratégico e institucional.). Isto porque a figura do empregador é cada vez mais relativizada diante da descentralização da organização do trabalho. notadamente o superior hierárquico que se vale de uma relação de domínio. o assédio institucional é o que utiliza o assédio como um instrumento de gestão. basta que o superior detenha poderes delegados pelo empregador para dirigir o trabalho de seu subordinado.empregado ou superior hierárquico . insegurança e medo generalizado. cobranças e autoritarismo por insegurança e medo de perder a posição de poder. Finalmente. Salienta Alkimin (2005. e ocorre principalmente quando dois empregados almejam uma mesma posição ou promoção. adotando posturas utilitaristas e manipuladoras através da gestão sob pressão (onde se exige horários variados e prolongados. Esta classificação vale inclusive para o assédio entre dois empregados. diversificaç ão de função. o assédio moral que decorre da hierarquia e em virtude do poder diretivo do empregador. etc. 3. cumprimento a todo custo de metas. Hirigoyen (2002. evidentemente desvirtuado pelo abuso.

Todos os empregados improdutivos. Manoel Jorge e Silva Neto. quando teria perguntado "você não pega essa neguinha aí. Situação impensável nos nossos dias. Pior: como castigo teria obrigado os vendedores que não atingiram novamente a cota a segurar um pênis de borracha. O mais impressionante.3. Margarida Barreto em palestra proferida na cidade de Florianópolis exemplificou esta situação com a narração de fato que acompanhou. acerca dos tristes episódios que tiveram por protagonista o gerente de vendas da Acionada. Os br ancos seguravam um pênis preto e vice versa. Ele é acusado de ter queimado as nádegas da denunciante com um isqueiro. ocorrido na cidade de Salvador. sem dúvida de assédio moral vertical descendente apesar de. mensalmente eram postos sobre um palco. eram queimadas por cigarros. As mulheres eram oferecidas para programas com os colegas produtivos.chega de humilhação descreve: Segundo descreveu na Ação o Procurador Regional do Trabalho. com firmeza e convicção. não?". Estarrecido. não fosse a prova testemunhal que relatou. As que se recusavam. Este fato trata. separados entre brancos e negros. De acordo com denúncia feita por uma funcionária ao Ministério Público do Trabalho. por parte dos empregados produtivos.conivência do empregador ou superior hierárquico. tratar também de assédio horizontal. o Procurador classifica o caso como ignonímia (afronta pública) e atrocidade "tão vis cometidas contra o corpo de trabalhadores da Acionada que se chega a pôr sob dúvida até que nível poderá descer o ser humano quando detém alguma parcela de poder relativamente a outr os indivíduos". em uma distribuidora de bebidas. alcançando mesmo as raias do absurdo e do inacreditável. Os homens obrigatoriamente deveriam estar de saias.3 Vertical ascendente . é que isto ocorreu em 2003 em uma capital brasileira. Rogério Sinzatto". O fato teria ocorrido diversas vezes e foi confirmado por testemunhas ouvida s pelo MPT. O site Assédio Moral no Trabalho . Sinzatto ofendeu a dignidade da trabalhadora ao oferecê -la como "prêmio" aos vendedores que viessem a atingir determinada cota mensal ou a clientes que adquirissem os produtos da empresa. o gerente teria indagado aos vendedores se mantêm relações sexuais com a funcionária. em uma reunião. 3. Além disso. o funcionário é autor de uma série de atos que terminaram "por se converter na mais grave sucessão de transgressões à dignidade dos trabalhadores que tivemos notícia ao longo de 12 anos atuando no Ministério Público do Trabalho. O depoimento colhido por outra testemunha revela que Rogério Sinza tto obrigou colegas de trabalho do sexo masculino a usar saias como prenda por não terem atingido a cota de vendas. o assédio retorna ao vertical ascendente.

Categorias de trabalhadores foram suprimidas frente à automatização da produção e do sistema toyotista e cada vez mais se exige que o empregado seja um super homem. mas não companheirismo. Segundo Hirigoyen (2002. Valores como solidariedade e fraternidade são postos em segundo plano. pisando. cobrando. p. 189) ressalta: Quando estão nos pressionando. não é tão comum quan to o descendente. neste caso. uma vez que o empregado não é encarado como ser humano que pensa e sente como qualquer outro. tolhendo a no mais das vezes das condições físicas de trabalho o que. ³assimilar rapidamen te modificações de procedimentos sem a menor lógica. Instrumentalizando o assédio moral. esquecemos do outro como pessoa. 3. solidariedade. não temos mais tempo de nos deixar envolver emocionalmente por ele. praticamente como um sistema operacional de computador. Existem. fraternidade. ser produtiva. Hirigoyen (2002. sem dúvida. fortalecendo -se o individualismo que imperava no est ado liberal. ou. Hirigoyen (2002.108) destacou cinco condutas típicas do assédio moral se fazem presentes. conforme veremos a seguir. quando todo um grupo de subordinados se une para ³boicotar´ um superior hierárquico indesejado. Complementa Ferreira (2004. Ating e diretamente a dignidade do .O assédio moral vertical ascendente. contatos. mas apenas como força de trabalho que deve. conduz à ineficiência do serviço prestado. p. p. instruções de serviço incessantes.4. claro. reorganizações permanentes. ele deve ser flexível. É o que ocorre de um ou vários subordinados em relação ao superior hierárquico. obrigatoriamente. mas ocorre. 53): A situação pode não ser muito comum. p. é excluir a vítima do ambiente de trabalho. como exemplifica a psicóloga francesa. A expansão da indústria tecnológica e a globalização sob o ideal neoliberal excluíram o estado social sob a acusação de intervencionista.´ O empregado deve ser profissionalmente capacitado e passar por constantes atualizações. 189). ainda. não temos mais tempo de o ³encontrar´ no sentido próprio do termo. Esta evolução influencia diretamente no surgimento com força renovada do assédio moral. diante de falsas acusações de assédio sexual. 3.4 Condutas assediadoras O final do século XX e início do século XXI foram marcados por uma terceira revolução industrial.1 Degradação intencional das condições de trabalho O objetivo.

fazendo-o crer que tem problemas de socialização no trabalho. transferir a vítima para local de trabalho exíguo ou mal iluminado. 3. meramente exemplificativas: a) sonegação de material de trabalho: telefone. c) retirada da autonomia de trabalho do empregado. f ax. f) pressão em virtude de ação judicial ou denúncia a o Ministério do Trabalho e Emprego. sendo a vítima isolada pelo agressor que sempre justifica sua atitude assediante com as seguintes frases: ³Não é verdade que o (a) desprezo. A vítima em geral fica paralisada. Alkimin (2005. pois o agressor ao isolar fisicamente o empregado de seu ambiente de trabalho. menosprezando-o pessoal e profissionalmente através da precariedade do ambiente de trabalho. estamos aqui para trabalhar e não para conversar. segregando a vítima dos companheiros de trabalho. foi colocado (a) numa mesa afastada por falta de espaço etc. papel. Entra -se em um mundo no qual há pouca comunicação verbal. Evidencia-se através das seguintes condutas. computador.4. E como eles não falam. e em virtude de seu perfil. penosas. apenas observações em . quando o restante da empresa o mantém ligado. os pe rversos eludem-na. impedindo o intercâmbio de informações e a conduzindo o empregado a mais total confusão mental. 112) resume a situação: Quando uma questão direta é colocada.´. quando questionado pela vítima acerca de sua conduta. b) tornar o ambiente de trabalho propositalmente insalubre: obrigar o empregado a desligar o ar condicionado no verão.2 Isolamento e recusa de comunicação São as manifestações mais insidiosas e silenciosas do assédio moral. acaba por transferir realmente a responsabilidade da situação para si mesma. p. dos subordinados e d a própria chefia. empresta-se-lhes grandeza ou sabedoria. O isolamento em princípio é físico. d) atribuição de tarefas insalubres. e) determinar ao empregado que execute atividades que inferiores ou superiores à sua qualificação profissional incluindo neste tópico as metas inatingíveis e os desvios de função para atividades de limpeza. exigindo que o empregado não faça valer seus direitos. ou incompatíveis com as condições de saúde da vítima que não fazem parte de seu contrato de trabalho. visto que o ataque não é declarado. O assediador.. perigosas. nega a comunicação e responde aos questionamentos do empregado através de evasivas ou do silêncio. Do isolamento decorre a falta de comunicação. p. Hirigoyen (2003. sem condições de trabalho. quando responde transfere a responsabilidade pela situação ao empregado.empregado. pois não são visíveis a todos. 79 ) salienta: O isolamento e a recusa na comunicação são as forma mais sutil e insidiosa de praticar o assédio moral. etc. caneta.

sem lhe repassar qualquer ativida de. fingindo a inexistência do assediado. condição sócio -cultural. ironia e sarcasmo com a intenção específica de desqualificar o assediado frente aos colegas. cor. No Brasil é uma prática é muito comum em relação aos portadores de estabilidade provisória.4. Neste método. Sexo. tudo pode ser objeto de reprovação. origem. o assediador dirige -se apenas a estas. As ordens ou atividades executadas podem ser transmitidas através de terceiros. um suspiro. A vítima tenta compreender: ³Que é que ele tem contra mim?´ Como nada é dito.3 Atentado contra a dignidade O agressor que tenciona humilhar a vítima. convicção política. . deficientes físicos. em sala sem acesso aos comp anheiros de trabalho. o liame entre a discriminação e o assédio moral se estabelece. b) recusa da comunicação direta. As críticas e são ofensivas e na maioria das vezes os terceiros alheios ao problema percebem a maldade embu tida no ato. pois a forma mais cruel de ataque dignidade da pessoa humana é através de suas diferenças. impedindo -o de concluir seu raciocínio ou mesmo seu trabalho. A seguir. a intenção discriminatória se disfarça. opção sexual. nacionalidade. mulheres solteiras com filhos que realmente necessitam do emprego. g) interrupção constante do assediado. ou simplesmente não acontece. e) proibição explícita por parte do agressor de comunicação da vítima com qualquer pessoa no trabalho e vice versa. Basta um alçar de ombros. Se presente em um ambiente com outras pessoas. crença religiosa. 3. alguns exemplos do isolamento e falta de comunicação: a) isolamento físico do empregado. c) deformação da linguagem através da utilização de voz fria. sem qualquer tonalidade afetiva. f) o agressor superior hierárquico mantém a vítima ociosa no trabalho. A comunicação do assediado com o agressor é feita através de bilhetes. está atentando contra sua dignidade. sã o estopins de discriminação que atentam contra a dignidade da pessoa humana. Através do assédio moral.pequenos toques desestabilizantes. tudo é subentendido. estado civil. idade. São atitudes assediadoras que atentam contra a dignidade: a) insinuações hostis. Nada é nomeado. desagradável ou mesmo irônica. b) boatos relativos à honra e boa fama da vítima. gestos de desdém (piadinhas e r isinhos). beleza). tratando -a de forma desigual com a intenção específica de diferenciá -la dos demais. atributos pessoas (peso. subordinados ou chefia. superiores ou subordinados. d) a vítima é ignorada pelo agressor.

que duas características comportamentais se ressaltam: o isolamento da vítima e os problemas de comunicação. tapinhas.. visível a terceiros. etc. ainda que leve. Isto porque praticamente todas as condutas com exceção da violência física. a violência demonstra um avançado grau de assédio. 67) esclarece: A violência em geral consiste na última conduta adotada pelo agente agressor. d) assédio ou agressão sexual. Fica difícil para a vítima resistir diante da violência. pois compreende que a situação está totalmente fora de controle e já conta com a colaboração de testemunhas que mesmo assustadas. b) agressão física. Como violência direta. como empurrões. é neste ponto que em que geralmente ele busca ajuda dos órgãos competentes. física ou sexual Em que pese ser a forma menos freqüente de assédio.c) críticas ou zombarias relativas a características já discriminadas pela sociedade. que inclusive invade a esfera íntima dela. Se a saúde do assediado persiste até tal grau de assédio e este continua trabalhando. c) intromissão na vida fora do trabalho: ligações telefônicas. que geralmente mais de uma das condutas supracitadas se faz presente no processo de assédio moral. o empregado não se comunica nem com os colegas e muito menos com os superiores hierárquicos que em geral são os agressores. estragos no automóvel. Na realidade. sem dúvida. . cartas. que na realidade são o ponto final do assédio moral . Funciona como o último golpe do assediador e é. se propõem a depor. e) atribuição de tarefas humilhantes. g) comentários acerca da sanidade mental da vítima. verbal ou sexual. segregam o colega. exatamente em virtude da perpetuação temporal da agressão insidiosa. característica obrigatória do psicoterror. f) utilização de palavras ou gestos obscenos. depreende -se de todas as hipóteses mencionadas. e -mail para o endereço pessoal. uma vez que o assédio moral é visivelmente percebido por todos. conforme já analisamos. enquadram -se as seguintes práticas: a) gritos injuriosos e ameaças de violência física.4 Violência verbal. p.4. espionar ou seguir o assediado. Isolado. 3.levam ao isolamento do empregado em relação aos seus pares que. É de se salientar. d) intromissão na vida privada com emissão de juízo de valor. ressabiados com o assédio que presenciam e sem a menor intenção de passar pela mesma situação. Ferreira (2004.

sem qualque r amparo fático. que pode levar ao dano moral. também o caso em que retira os pertences do empregado e os coloca para fora e tranca o recinto.4. mas particularmente h umilhantes. que será maior ou menor de acordo com o grau da perversidade e os sujeitos envolvidos.5 Excludentes: o que não é assédio moral No ambiente de trabalho ocorrem situações que.2 Más condições de trabalho . Portanto. Assim como o dano moral. A perpetuação destas é que causam os efeitos danosos à saúde física e mental da vítima. mas não ao assédio. portanto. retirando-lhe os instrumentos de trabalho e no mesmo dia demiti -lo.3. pode ser o caso em que o empregador ou superior hierárquico demite o empregado. 3. Veremos adiante.5. 3. em muitos casos. não de ixam de caracterizar assédio moral porque são condutas premeditadas e dirigidas com o condão de maltratar e humilhar o trabalhador. 31). que é requerido judicialmente em praticamente toda ação trabalhista ainda que. Desta forma.1 Agressões pontuais Conforme já se salientou anteriormente. a primeira vista. todavia. essas condutas podem até se manifestar num único ato. manter o empregado em ambiente isolado. e barra sua entrada no estabelecimento ou o impede de entrar para retirara seus pertences. uma das características do as sédio moral é a repetitividade. violando a dignidade e direitos de personalidade do empregado. Pedese por pedir. é importante salientar o que não caracteriza o assédio moral. chamando atenção para o tema. existem exceções como as situações mencionadas por Alkimim (2005. p. p. nem mesmo a agressão física. o mesmo risco de banalização.5. como bem salienta Hirigoyen (2002. o psicoterror tem alcançado patamares importantes de divulgação na mídia e no mundo jurídico. São agressões aparentemente solitárias. na maioria dos casos. Nesses exemplos hipotéticos. A conduta perversa se estende no tempo. Corre. escuro. 53): Como exemplo. mas se ocorrem isoladamente não caracterizam a modalidade. as condutas que mencionadas no item 3. para que a figura seja devidamente tipificada. Evidentemente. já enfrentado pelo dano moral. sem justa causa. tomadas isoladamente não caracterizam o assédio moral se forem pontuais. parecem com assédio moral. é que as atitudes tomadas isoladamente parecem inofensivas. O que torna o assédio moral cruel.

Elas trabalham essencialmente nos horários de pico. O fornecimento dos equipamentos de proteção individual e coletiva e o pagamento do respectivo adicional visam compensar as condições de trabalho. e não levar em conta o caso particular de uma outra pode ser tomado como assédio moral. 3. qualquer modificação imprevista da organização é entendida como uma injustiça. em geral. Na maioria das situações o estresse surge como efeito inicial do assédio moral. Quando o emprego é precário . mais complexa é a caracterização do assédio moral. exemplifica Hirigoyen (2002. competitividade e às exigências de um perfil polivalente impingidas a todos os empregados. surge o estresse profissional. por natureza. como reação biológica a este tipo de pressão. cujos horários de trabalho são alternados de um dia para o outro. p. Se moram longe. mas sem a humilhação. Conclui-se que quanto mais penoso. da reestruturação produtiva e de to do o quadro já delineado da nova revolução industrial. insalubres ou penosos. 20) salienta que ³o estresse só se torna destruidor pelo excesso. p.4 Conflito . mas são submetidas a fatores geradores do desequilíbrio. insalubre ou perigoso o trabalho. condição considerada como uma noção subjetiva. pressão ou exigências absurdas. Acerca do assunto. O mesmo se aplica a trabalhos que são. ou seja.3 Estresse Quando o trabalho é acompanhado de más condições sociais ou psicológicas. Alterar de alguma maneira os horários de uma funcionária pode ser interpretado como favorecimento. presente inclusive em pessoas que não trabalham. o desmembramento de seus horários de trabalho não lhes permite ir para casa e desfrutar a vida em família. meio dia. 34): Como detectar a intenção nociva nos casos em que as condições de trabalho já são naturalmente ruins? Tomemos o exemplo das caixas de supermercados. Isoladamente. mas por si só não o caracteriza.5.As más condições de trabalho. o status quo ante era idêntico ao dos demais trabalhadores. e sim situação passível de denúncia ao Ministério do Trabalho e Emprego. resumido como um grande cansaço. Hirigoyen (2002. 3. perigosos. se aplicadas a todos os empregados não caracterizam o assédio moral. O assédio neste caso se caracteriza quando apenas a vítima tem as condições de trabalho reduzidas e. Decorre também. Mesmo que recebam somente por um número restrito de horas elas ficam fora de casa o dia inteiro. o estresse pode surgir sem a necessidade de atuação de outra pessoa. final de tarde e sábado.5. mas o assédio é destruidor por si só´. que conduz à constante ameaça de desemprego.

injuriando -os. 28): Denominamos gestão por injúria o tipo de comportamento despótico d e certos administradores. despreparados. salienta Alkimim (2005. No assédio moral. caracterizar dano moral coletivo.5 Gestão por injúria Conceitua Hirigoyen (2002. objetivando indenização de fato que não ocorreu. que submetem os empregados a uma pressão terrível ou os tratam com violência.5. a ponto de manipular a vítima. 54) q ue ³o ataque é oculto. p. tomado isoladamente não o caracteriza. uma vez que não visa individualmente nenhum empregado. p. Em que pese ser um ambiente que favorece o comportamento. rompendo com seu equilíbrio e capacidade de pronta reação". desde que formuladas com tato e civilidade. O assédio moral é sub reptício.7 Posições vitimárias. não existe perversidade. 68): É preciso levar em conta o fato de algumas pessoas poderem se acomodar no papel de vítimas.Não se pode confundir ainda. Em que pese ser violento e indigno.5. evidentemente. não procuram encontrar uma s aída para . sutil. silencioso. Sua tendência é posicionar -se como vítima em qualquer situação.com exceção das cláusulas abusivas . Acerca do assunto esclarece Hirigoyen (2002.5. 3. assédio moral com conflito. No último. 3. paranóicas ou de má intenção Deve-se dar atenção redobrada à caracterização do assédio quando o suposto assediado tem mania de perseguição ou mesmo está visivelmente mal intencionado. 3. que teoricamente discutem em pé de igualdade.avaliações ou críticas construtivas. e participam ativamente da banalização do tema. A gestão por injúria por si só também não conduz obrigatoriamente ao assédio moral. as condenações são abertas e faladas diretamente entre as partes. e insultandoos com total falta de respeito. A mesma atenção se dá em relação às pessoas têm posição de vítima perante a vida como um todo.6 Poder diretivo legítimo do empregador Evidentemente o empregador pode exigir de seus empregados o exercício das funções previstas em seus contratos de trabalho . enquanto a violência da gestão por injúria é aberta e tota lmente perceptível e atinge todos os empregados. p. Ambas as situações ganham terreno com a publicidade e divulgação do assédio moral. não é assédio moral e a maneira de combate se dá com o auxílio dos sindicatos e Ministério do Trabalho além de. Neste caso.

gestos obscenos ou qualquer forma que possa demonstrar à vítima sua pretensão.8 Assédio sexual O assédio moral e sexual apresentam semelhanças consideráveis. ser severamente prejudicada em seu ambiente de trabalho. como salienta Silva (2005. a violência física é praticamente o último estágio e não tão freqüente porque na maioria das vezes a saúde do empregado não resiste por tanto tempo às condutas assediadoras. três são os elementos básicos caracterizadores do assédio sexual: a) constrangimento consciente e contrário ao ordenamento jurídico. e. para manter esta forma de vida. segundo Silva (2005. Já no assédio moral. No assédio sexual existe mais possibilidade de conduta física. passa a ser assediada moralmente. p. 3. As condutas não verbais no assédio sexual consistem na exibição de material pornográfico. para caracterizar-se o assédio sexual. Além disso. 26) ³somente é necessária a prática de uma conduta. impõe à vítima atitude contrária à sua vontade. O que comumente acontece.sua situação crítica. p. b) finalidade de obtenção de vantagens ou favorecimento sexual. Esta posição de vítima permanente deu um sentido a sua crise existencial. sej a ela direta ou sutil. desde que seja idônea. c) abuso do poder hierárquico. No assédio moral as condutas não verbais são mais intuitivas.que na forma descrita não caracterizam o psicoterror . podem passar a fazê-lo. sobe pena de..´ Dispensada desta forma sem reiteração da conduta exigida no assédio moral. 23) é definido como: [. diante da crueldade. expressamento dos desejos do ofensor e ameaça à vítima. a uma chantagem sexual. terão que perseguir continuamente seu agressor. 59) determina objetivamente os elem entos caracterizadores do assédio sexual extraindo -os da conceituação legal preconizada pelo Código Penal Brasileiro: De acordo com esta conceituação legal. contra sua vontade. Salientamos que todas estas possibilidades .5. O assédio sexual. São declarações facilmente percebidas por terceiros alheios aos fatos. que conduzem à confusão entre os institutos. pois obriga. a conduta verbal no assédi o sexual visa diretamente à obtenção de favores sexuais. caso não ceda aos desejos do assediador. Basta que as características dos envolvidos os . Alkimim (2005. e levam no mais das vezes o assediado a realmente acreditar que tem problemas. seja de forma clara ou através de insinuações.. pois ela lhes confere uma identidade e pretexto de se queixar. a fi m de obter uma reparação. que se revelará insuficiente.dada sua proximidade com o tema. é que a vítima de assédio sexual que recusa a proposta do agressor.] a situação em que a vítima é submetida. Além disso.

Os problemas de comunicação também são geradores de assédio moral. diversos executivos preferem se comunicar com seus subordinados através de resumidos bilhetes. impedindo que a criatividade dos empregados se manifeste. principalmente por insegurança. o risco da atividade econômica para o empregado. Todavia.193) salienta: Quando a organização do trabalho é muito rígida. a política de gestão e organização do trabalho adotada hodiernamente. A possibilidade de mal entendidos boatos e m aledicências é imensa. Esta nova organização de trabalho gera também novas estratégias de funcionamento empresarial que facilitam a propagação do assédio moral. em especial quando o funcionamento é muito centralizado e muito compartimentado.6 Contextos que favorecem assédio moral Em que pese existirem algumas características das vítimas que contribuem para que o assédio moral se manifeste e consolide. o ambiente de trabalho é.predisponham à prática do assédio e evidentemente a intenção de praticá lo. Este contexto facilita o surgimento do assédio moral diante da competitividade muitas vezes estimulada pela empresa. o estresse atinge praticamente todos os empregados. Hirigoyen (2002. esquecendo por completo o conceito de solidariedade hu mana. reestruturações econômicas e produtivas transfere. Uma empresa que não mantém um método de comunicação claro entre seu pessoal é candidata séria a manter seus quadros vários assediadores e assediados. não existe um perfil psicológico definido. Nas empresas que a pressão de produção. a direção-geral e os estabelecimentos de produção. qualidade e quantidade se estabelecem de forma praticamente desumana. Existe assim um fosso entre a sede de uma empresa. uma vez que o e mpregador a partir do momento em que a some a figura do empregador e permanece a equipe de trabalho. O empregado deve . as mensagens não circulam. p. Além disso. A padronização dos procedimentos. Além disso. sem dúvida. onde toda a equipe é responsável pela produção. de forma rígida e imutável. A partir do modelo Toyotista de trabalho que exige a flexibilidade de contratação fragmentam-se as relações jurídicas laborais e quebra -se a possibilidade de identificação do empregador uma vez que as grandes corporações trabalham de forma descentralizada e vendem a image m de ³equipes de trabalho´. Se um dos trabalhadores tem problemas afeta o salário dos demais daí o surgimento de rivalidade e pressão dentro das equipes. também de maneira insidiosa. decisivo para o desenvolvimento livre do assédio moral. 3. envolve privatizações. Daí ao assédio através da má comunicação entre a empresa é um passo.

7. Em um mundo e m que o lema é produzir a redução do ganho é evidente. É o ³agüente´ mencionado na introdução.7. a vítima confunde -se e não sabe se reclama ou cala. e. É uma tática inconsciente para manter o domínio e desqualificar as pessoas". p. 3. inter relacionando a fase de enredamento e suas conseqüências. que não se restrin gem apenas à esfera psíquica da vítima. conforme veremos a seguir. Hirigoyen (2003.1 Processo de enredamento psíquico 3.7 O enredamento psíquico e suas conseqüências para o assediado O assédio moral gera conseqüências gravíssimas. em um movimento altruísta. 171) ressalta que as vítimas ³ficam como .adequar-se sem discutir e adaptar-se às tarefas e locais para os quais for designado. 3. A tendência das organizações modernas. pois no mais das vezes um dos primeiros sintomas do assédio é a redução da produtividade em virtude do estresse. dá origem a danos pecuniários. p. 3. Hirigoyen (2002. p. 203) salienta que ³o desprezo pelo outro é o primeiro passo em direção do assédio moral e da violência. Neste ponto iniciam-se os primeiros efeitos psíquicos do assédio moral perceptíveis externamente. 169) estabelece uma evolução interessante. Tal contexto dispensa qualquer análise diante de sua evidente perversidade. destacam-se as empresas que promovem o assédio moral. tratando -se de ataque direto à auto -estima do empregado. Hirigoyen (2003.1 Renúncia A vítima cede. Finalmente. o desestímulo é iminente. p.7. o assediado procura contemporizar a situação mantendo um ambiente de trabalho harmônico em prejuízo de sua própria auto -estima. Pune o que não produz e não dirige uma palavra ao que produz o que lhe é exigido. mas sem um elo visível de ligação entre o assediador. Além disso. mas transferem -se também para a esfera física. para enxugar o pessoal.2 Confusão Estabelecido o assédio. que visam apenas o lucro. Esquivando -se dos golpes. Hirigoyen (2002. seja hierárquico ou entre os colegas.1. marginaliza -se´. Sem reconhecimento. muito depressa.1. 197) ressalta que ³quem não aderir completamente ao espírito da empresa fica em posição delicada e até angustiante. é acreditar que o empregado q ue produz não faz mais que sua obrigação. intencional e repetitivo e com a situação sob o controle do agressor.

um aniquilamento pa rcial de suas faculdades [. 3. que possibilite não ficar descontente com o outro. descrevem o próprio empobrecimento. Os sintomas vão se agravando conforme a vítima constata que não há defesa neste ponto surgem os afastamentos por doença. com medo de um olhar atravessado ou gesto rude.que anestesiadas.1.7 Choque . duvidando por vezes da sanidade da vítima. a vítima sente a solidão e se isola.1.7.. esforçar-se para não reagir.1. pois acredita que se tentar pedir ajuda.6 Isolamento Diante de todo este quadro. em alguns momentos.7. ansiedade e palpitações. além do que já vinha fazendo. perturbações do sono.1. 3. acalmá -lo quando está nervoso. Neste ponto as manifestações físicas são mais evidentes e variam. gastrites ou perturbações digestivas.7. Essa tensão é geradora de estresse.7.4 Estresse De imediato segue o estresse.]´. obviamente.. Na realidade ainda crê que suas percepções são exageradas. segundo Hirigoyen (2003. chegando. 3. 3. será ridicularizada. irritabilidade. 172): Aceitar essa submissão é algo que só se consegue a custa de uma grande tensão interior.5 Medo O assediado está sempre espreitando. O assediado continua tentando explicar o fato e atrai para si a responsabilidade com frases do tipo ³Que foi que eu fiz para merecer isso?´. de acordo com a suscetibilidade do indivíduo. p. Fisicamente o estresse se manifesta através de fadiga. a questionar o agressor que simplesmente desconversa e desqualifica a pergunta. fal ta de ar.7.1. Isto porque. A vítima passa a se comportar de forma mais gentil e conciliadora. queixam-se de ter um vazio na cabeça e dificuldade de pensar. deixando a vítima perplexa ao perceber que toda esta agressividade dirige -se a ela. 3.3 Dúvida Neste ponto a violência surge mais aberta.

179) ³a resposta é fisiológica: úlceras de estômago.072 trabalhadores (1.7.´. A tensão gerada pelas atitudes violentas do agressor aliada ao quadro social de desemprego resultam em prejuízos emocionais e físicos de toda a ordem. conforme já se frisou. estando a vítima sem contato com o agressor. doen ças cardiovasculares. 3. trás novamente os mesmos efeitos físicos.7. Em algumas situações a resposta pode ser também comportamental. pois percebe que cada vez que retorna de um afastamento por doença o agressor recrudesce no ataque.1 Prejuízos à saúde psíquica e física O assédio moral. pois tem consciência de que em sua idade a possibilidade de empregar -se é mais palpável. A pesquisadora Margarida Barreto (2003. Este é o momento em que o empregado busca amparo legal e reparação financeira judicial. Sem falar em alterações de peso .A violência já havia sido percebida.7.7. 3.1. Muitas vezes a idéia de trabalhar novamente. p..emagrecimento ou ganho de peso súbitos..311 .2 Conseqüências 3.7. mas não a intencionalidade. Na relação de emprego. doenças de pele. segundo Hirigoyen (2003. O assediado quando percebe a manipulação se sente lesado e perceb e o quanto foi condescendente tolerando toda aquela violência.2. que acabam por justificar a agressão.1. p. pois todo o ser humano tem um limite a ser pressionado. ou o assediado permite a agressão ou parte para a demissão. os mais jovens pedem demissão mais cedo.8 Descompensação O limite do estresse é ultrapassado e perturbações mais duradouras podem surgir em virtude do esgotamento psíquico. Surge a depressão propriamente dita e em alguns casos. a situação pode evoluir até para o suicídio. Neste ponto. 3. os efeitos traumáticos se perpetuam de acordo com o grau de penetração na psique da vítima. Opta -se pela primeira opção. ainda que em outro local. 217) apresentou o resultado de sua pesquisa. ataca diretamente a dignidade da pessoa humana e os direitos da personalidade.10 Evolução Mesmo após a demissão. pois já percebeu que simplesmente afastar-se por doença não resolve o problema. 3. que alcançou o universo de 2.1. com crises nervosas em público.9 Separação A vítima busca uma saída.

6 100 89 60 80 100 72 100 100 17 16.3 40 2. distúrbios digestivos Sensação de que foi enganado e traído Sensação de que foi desvalorizado Mulheres % 90 80 56 50 69. tremores Tristeza Sensação de inutilidade Mágoas Vontade de chorar por tudo Sentimento de revolta Pensamentos de suicídio Vergonha dos filhos Pensamentos confusos Indignação Aumento da pressão arterial Desespero/preocupação Diminuição da libido Omissão da humilhação aos familiares Cefaléia Desencadeamento da vontade de beber Enjôos.7 56 7 40 70 60 2.4 100 100 100 36 100 51.2 63 15 42 40 .2 40 5 40 16.homens e 761 mulheres).2 10.6 23 32 70 40 9. Queixas/Sintomas/Diagnóstico Irritação Dores generalizadas e esporádicas Raiva Vontade de vingar-se Alterações do sono Medo exagerado Sensação de piora de dores pré-existentes Manifestações depressivas Palpitações.6 11.5 15 90 33. elemento de sua dissertação de mestrado que nos dá uma idéia quan do a gama de distúrbios físicos somatizados pelas vítimas em virtude da agressão sofrida.6 8.3 Homens % 70 80 100 100 63.

3 19. A s ensação de fracasso e inutilidade persiste inclusive na vida familiar e social do empregado. sem dúvida.3 13. o que por si só funciona como válvula de escape para a mágoa.2 Prejuízos no convívio familiar e social A vítima de assédio moral. Por vezes a própria família auxilia no processo.7. questionando a visão do assediado por acreditar que há um exagero na narrativa.2 2.1 18. 3. especialmente quando este se estende no tempo ou recrudesce. sem dúvida. isola -se do mundo e inclusive de sua família.6 2.3 9 Depreende-se daí.6 13.2 22. enquanto à mulher é concedido o direito de chorar. por sentir -se culpado e rebaixado.6 14 - 35 48 30 5.3 Baixa auto-estima A vítima sente-se inútil.2. a doença típica do assédio moral. aceitando a pecha que lhe é imposta durante as agressões. decorre do paradigma social que exige do homem mais resistência física e mental. pois pensam e tentam o suicídio com mais freqüência que as mulheres. . a depressão é. Além disso. desânimo Vontade de ficar só Insegurança Sentimento de desamparo Falta de ar (dispnéia) Dores no pescoço Dores constantes Tonturas Falta de apetite Tentativa de suicídio Dores nos MMlls Dores no peito 13.7. Esta auto -imagem o denigre pessoal e profissionalmente. O trabalho tem a função apenas de prover a subsistência da família. que evita buscar consolo junto à família por acreditar que está exagerando ou por não desejar admitir sua suposta fraqueza. 3. mas também é fonte de satisfação e parcela importantíssima na definição da personalidade do indivíduo. indigna e desqualificada.2 10 3. que o homem sofre mais com o assédio moral.6 30 10 26.2.Decepção. O comportamento.3 30 3.

4 Produtividade . as conseqüências econômicas na realidade ultrapassam a fronteira pessoal e atingem também a sociedade e o estado .conseqüências econômicas É uma conseqüência ambivalente. isso sem falar do baixo rendimento do empregado assediado. uma vez que mais pessoas estarão gozando de benefícios pre videnciários temporários. sobrecarregando. influir nos vencimentos auferidos pelo empregado ou mesmo legitimar uma dispensa por justa causa. com o objetivo direto de fazer cessar a prática. em muitos aspectos Franz Kafka (1997) em sua obra parece descrever todo o processo do assédio moral e principalmente as conseqüências deste assédio na psique do indivíduo. Em que pese o fato de algumas empresas utilizarem o assédio moral como estratégia. e o seu custo para o empregado é de 180% a mais. Além disso. 70): As conseqüências econômicas atingem também a sociedade como um todo. esta produz além do necessário e atinge metas por vezes exacerbadas. pois metaforicamente o assediado assume que é aquela barata asquerosa e acredita que não tem qualquer utilidade social ou profissional. quando o estresse ainda não se pronunciou de forma definitiva na saúde da vítima. pois pode acarretar tanto o aumento quanto a queda da produtividade. assim. Cabe também à sociedade e ao estad o combater a prática uma vez que ambos são onerados financeiramente. em virtude da incapacidade adquirida. em paralelamente à saúde do empregado.2. a falta de produtividade pode. p. 3. Guedes (2003. 95) informa: Está provado que um trabalhador submetido à violência psicológica tem um rendimento inferior a 60% em termos de produtividade e eficiência. Na realidade. ou mesmo permanentes. a prática prejudica o próprio funcionamento da empresa. a Previdência Social. que é onerado com o auxílio doença do empregado assediado e com as aposentadorias precoces. no caso dos empregados com salário base fixo e acréscimo de comissões. 3. Com passar do tempo e a permanência do assédio. em relação a outros trabalhadores. Até um determinado ponto.A situação é praticamente Kafkaniana. Portanto. a produç ão decai. Em que pese à irredutibilidade salarial prevista no art. o assédio moral ultrapassa o âmbito individual e empresarial e passa ao social. As faltas por doenças. p. substituições e despesas com processos judiciais oneram a empresa.8 Prevenção . 7º inciso VI da Constituição Federal.7. Esclarece Ferreira (2004. sem dúvida .

Todavia. .às suas críticas. escolhendo ignorar o fato fingindo que não acon tece. Acrescenta-se. Inicialmente. que passa a trabalhar mais confiante e com mais vontade. quando se fala na matéria pressupõe-se a existência de um perverso. evidentemente dizimar qualquer traço de gestão por injúria ou de assédio moral estratégico. Isto sem mencionar a pressão que deve ser exercida sobre o mundo político. possibilidade muito comum nos casos de assédio moral. Diante de sua vontade de trabalhar e fazer o melhor. de que a vítima de assédio moral é fraca. que estimula a sociedade a não consumir produtos de empresas que utilizam mão -de-obra infantil pode ser um grande trunfo para os sindicatos. perdedora. ressalta alguns métodos preventivos do assédio moral. seja através de exercícios.145). E a pessoa jurídica que o emprega prefere não vincular sua imagem à de um assediador.2 Pelos sindicatos Guedes (2003. ou seja.de maneira razoável evidentemente . os problemas que existem devem ser falados. 148). Além disso. relaxamento e uma gama de outros métodos criados para este fim. 3. afirma que o ³marketing social ainda é a grande arma dos sindicatos para combater a conduta perversa´.8. tornando os superiores hierárquicos pessoas mais hábeis no trato com seus subordinados. quando na realidade é exatamente ao contrário. p. salienta -se a racionalização das atividades com o objetivo de reservar um período para desafogar -se do estresse.3. a conscientização da sociedade acerca do tema conduz a pressão sobre o meio empresarial. além de. a vítima em geral tem um futuro brilhante. Dentre elas. dando atenção . Além disso. é a mudança das condições de trabalho. música. Guedes (2003. ainda. de forma clara e civilizada. ainda que se comprove que financeiramente o prejuízo de permitir a situação é maior. um sistema de comunicação claro. p. A primeira medida eficaz que pode ser adotada pela empresa. Uma administração que respeita os empregados e tem ética no trato. para a aprovação de legislação federal regulando a matéria. As mudanças no comportamento da direção. salienta-se o preconceito não só do empresário como da sociedade. exigindo a adoção de medidas eficazes no combate do fenômeno.1 Pela empresa A maioria das empresas se recusa a adotar programas preventivos para o combate do assédio moral.8. que não dê ensejo a dualidades e estimule a coragem. eleva a auto-estima do empregado. dificilmente apresenta problemas de assédio moral. O incentivo de programas semelhantes aos aplicados ao trabalho infantil. melhorar a posição social de cada indivíduo.

À sociedade. Participam do evento cerca de quinze sindicatos. seja qual for o contexto. Conforme veremos adiante. Não se pode contar unicamente com a responsabilidade coletiva. permanentemente.Assédio Moral e Sexual nas Relações de Trabalho (2003). Há tempos pipocavam denúncias de casos envolvendo esses dois tipos de assédio.8. e resistindo à padronização imposta pela sociedade. 322): Porém. eliminando o preconceito que envolve o tema. foi desacreditada e posteriormente assediada moralmente pelo empregador. teve sua quarta edição. e algumas leis est aduais e principalmente municipais já aprovadas. possibilidade já descrita anteriormente. Salienta Hirigoyen (2002.Tribunal Popular . por vezes solitárias. Devemos progredir tomando consciência das nossas ambivalências. dirimir os conflitos atinentes à matéria que acabam no judiciário. e discutidas posteriormente pelos debatedores a ao final pela platéia. ações coletivas também são saudáveis e úteis no trato da matéria. que dirige perguntas sobre o assunto. Explica a Comissão Organizadora do livro . Além da análise individual de cada membro da sociedade. que denunciou o fato. existem alguns projetos de lei federal. 3. cabe o apoio irrestrito às vítimas e a derrocada dos rótulos que recebem (fraco ou perdedor). refletira sobre estas práticas e encontrar caminhos que iluminassem as lutas. Sindicatos e Movimentos Populares da cidade de Florianópolis decidiram que estava na hora de enfrentar dois temas tabus nas suas fileiras: o assédio sexual e o assédio moral. p. para ouvir as denúncias. bem como jurisprudência específica sobre a matéria. refletir sobre as próprias atitudes e não seguir sistematicamente o sistema dominante.Assédio Moral e Sexual nas Relações de Trabalho (2003): Era semana do Dia Internacional da Mulher. é preciso começar por respeitar a si mesmo e amar-se suficientemente. para respeitar o outro em sua peculiaridade. aceitando nossas diferenças e as dos outros. é amplamente divulgada a feliz experiência do Tribunal Popular . evidentemente. Santa Catarina já conta com a Associação das Vítimas de Assédio Moral da B rasiltelecom. Durante o evento. diversas situações fáticas são apresentadas por vítima s de assédio moral. A idéia surgiu com a denúncia de assédio sexual por parte de uma empregada. além de políticos e movimentos sociais.3 Sociedade e estado Ao estado cabe elaborar e aprovar legislação específica sobre a matéria além de. somos todos responsáveis por nossos comportamentos e atitudes. A iniciativa é um exemplo claro do quanto os sindicatos podem fazer para eliminar este câncer social. das pessoas envolvidas. Através . devemos começar por nos interrogar a respeito de nós mesmos e tentar conhecer o outro: quem é ele? Como se comporta? Nem todas as nossas dificuldades de relacionamento são imputáveis à patologia alheia. Todos devem. Foi então que n asceu a idéia do Tribunal Popular. Para prevenir a violência perversa. que em 09/03/2005. Mas.Em Santa Catarina.

]. garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida. a prática nesta determinada empresa deve ser coibida.1.. conforme os ditames da justiça social. Art. 170.. morais. 5º Todos são iguais perante a lei.1 Discriminação e os princípios da isonomia e dignidade da pessoa humana Os princípios da igualdade... Art. A esta desigualdade chamamos diversidade. que a intenção do legislador é salvaguardar a dignidade e igualdade da pessoa humana inclusive no ambiente de trabalho. .. é importante que se dê um panorama geral do princípio da isonomia ou da igualdade.os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa. 4. fator importante inclusive para o planejamento de políticas públicas e empresariais. respectivamente: Art. uma vez que o marketing negativo é imenso. que têm por objeto adotar práticas que reconheçam e promovam as diferenças entre as pessoas ou grupos. IV .] III . A ordem econômica. inc isos III e IV. Conclui-se daí. 4 O assédio moral e o ordenamento jurídico Brasileiro 4. Os seres humanos são desiguais em vários aspectos: naturais. bastando para tanto a existência de uma associação com este nome. da dignidade da pessoa humana e da valorização do trabalho estão insculpidos nos artigos 1º.de movimentos deste tipo. à igualdade. físicos.].. utilizando -as para integração social e para auxiliar na produção das empresas. insculpido na Constituição Federal de 1988. 1º A República Federativa do Brasil. etc. à segurança e à propriedade [. sem distinção de qualquer natureza.1 Princípio da isonomia Apesar de tratar-se de tema sobre o qual caberia a elaboração de outro estudo. 5º caput e 170 da Constituição Federal de 1988. constitui -se em Estado Democrático de Direito e tem co mo fundamentos: [. sociais. tem por fim assegurar a todos existência digna. à liberdade. formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal. fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa.a dignidade da pessoa humana. [.

O assédio trás a total desigualdade para o ambiente de trabalho. 4. Mas são desigualdades fenomênicas: naturais. políticas. disposto no art. segundo as circunstâncias fáticas. escapando da esfera puramente jurídico -acadêmica. Acerca do assunto. Não fosse assim. para ser alcançada a igualdade real. como bem explicita Furtado (2004. 4. A igualdade aqui se revela na própria identidade de essência dos membros da espécie. que dar fundamento ao Estado na dignidade da pessoa humana patenteia o reconhecimento do valor do homem enquanto ser livre.] Nossa Constituição Federal.1. [. o alcance da expressão vai muit o além. de natureza econômica. p.1. etc. não se vê como deixar de reconhecer a igualdade entre os homens. em seu art. a partir do momento em que diferencia um dos empregados diante dos demais. não seriam seres da mesma espécie. 5º. Todos os doutrinadores consideram a conceituação de igualdade tarefa árdua. 16) é suficiente: Entende-se que o princípio da isonomia. físicas. 166). observando-se critérios de razoabilidade e proporcionalidade. Não há a menor justificativa para o tratamento desigual promovido pelo agressor. como fundamento do Estado é também um dos fundamentos do princípio da isonomia. Daí depreende-se que na realidade a preservação da dignida de da pessoa humana.Todavia. contempla o conteúdo formal e material na medida em que. salienta José Afonso da Silva (2003. entende que a intenção do legislador ao tratar da dignidade da pessoa humana foi no sentido de prover a subsistência material do indivíduo. como seres humanos. a conclusão alcançada por Coutinho (2003. 120): É de se concluir. o tratamento jurídico há de ser igual entre os iguais e diferenciado entre os desiguais. abrangendo tal principio não somente os direitos individuais. 212) que: Em essência. social e cultural. uma vez que envolve fatores sociais.. Para o presente estudo. caput da Constituição Federal. Em que pese dentro de um termo tão amplo quanto dignidade incluir -se a subsistência material. ao mesmo tempo em que o próprio Estado reconhece ter suas pilas tras na observância do princípio em baila em favor do ser humano.3 Valorização do trabalho . morais. ensina Bastos (2001. restando claramente desafiado o princípio da isonomia quando presente o assédio moral.. p.2 Dignidade da pessoa humana O art. Isso não exclui a possibilidade de inúmeras desigualdades entre eles. 1º da Constituição Federal inclui a dignidade da pessoa humana como fundamento da República. p. 5º caput assegura a igualdade como direito fundamental. ainda que a diferenciação seja escamoteada pela perversidade da atitude. mas os direitos dos outros. sociais.

Um dos mais interessantes é o do deputado Mauro Passos (PL 2.Conforme já verificamos. 1º. p. Cascavel. estadual e municipal a prática é muito comum e conduz à elaboração de outro estudo específico.369/2003). Silva (2003. pois a iniciativa privada é um princípio básico da ordem capitalista. constituem o fundamento não só da ordem econômica. 159) noticia que os estados do Rio de Janeiro e São Paulo promulgaram legislação específica para tratar do assédio mor al no serviço público estadual. 2º Assédio moral consiste no constrangimento do trabalhador por seus superiores hierárquicos ou colegas. a valorização do trabalho é mencionada na Constituição Federal como fundamento da República (art. IV). a degradação das relações de trabalho e que: . mas da própria República Federativa do Brasil (ar.2 Consolidação das Leis do Trabalho No Brasil não existe legislação federal específica sobre a matéria. Existem diversos projetos de lei em tramitação. essa prioridade tem o sentido de orientar a intervenção do Estado. É de se salientar que no serviço público federal. Silva (2005. ao lad o da iniciativa privada. 5º inciso IV) e da Ordem Econômica (170 caput). de natureza capitalista. p. como visando enquadrar o assédio moral na legislação trabalhista. Todavia. o respeito à diversidade e a manutenção da isonomia. no âmbito federal o tema continua inatacado. As cidades de Iracemópolis. 1º É proibido o assédio moral nas relações de trabalho. embora capitalista. Campinas. Guarulhos. Art. também regulam a matéria dentro da administração pública municipal. a probabilidade do surgimento de casos de assédio moral dentro de um ambiente de trabalho é m uito maior. 764) salienta: A Constituição declara que a ordem econômica é fundada na valorização do trabalho humano e na iniciativa privada. tanto buscando a tipificação penal do a ssédio moral. Na realidade todos os fundamentos Constitucionais aqui mencionados se entrelaçam de maneira indissociável. 4. São Paulo. através de atos repetitivos. dentre poucos outros municípios. Sem o cumprimento destes fundamentos. Que significa isso? Em primeiro lugar quer dizer precisamente que a Constituição consagra uma economia de mercado. Em segundo lugar significa que. São Carlos. Conquanto se trate de declaração de princípio. tendo como objetivo. a fim de fazer valer os valores sociais do trabalho que. ou como efei to. Americana. que tem finalidade não só repressiva como preventiva conforme deprende se de seu texto a seguir transcrito: Art. a ordem econômica dá prioridade aos valores do trab alho humano sobre todos os demais valores da economia de mercado. A valorização do trabalho da pessoa humana se dá com a preservação de sua dignidade. deliberado ou não. na economia.

pois se tratando de prática cruel e desumana. Art. § 1º A indenização por assédio moral tem valor mínimo equivalente a 10 (dez) vezes a remuneração do empregado.atente contra sua dignidade ou seus direitos. caso não seja verificada alteração no seu comportamento após orientação do empregador. não pode ficar sem tutela jurídica. sendo o valor elevado ao dobro na reincidência. sendo calculada em dobro em caso de reincidência. a atribuição de serviços alheios ao contrato de trabalho. ou II . após ter sido orientado sobre a sua proibição. § 2º Caso não sejam adotadas medidas de prevenção ao assédio moral e sendo esse verificado. as condições físicas e intelectuais do empregado.afete sua higidez física ou mental. em especial na designação de metas inatingíveis. No assédio moral.00 (um mil reais) por empregado. A Consolidação das Leis do Trabalho permite a possibilidade de enquadramento do assédio moral como motivo para a rescisão indireta do contrato de trabalho. ressalvado o direito de regresso. 483 alíneas ³a´ a ³g´. com base em seu art.I . nos termos do art. obriga. Todavia. por exemplo. Isto . 482 da Consolidação das Leis do Trabalho ± CLT. a secretária da empresa a fazer a limpeza dos banheiros. 5º O assédio moral praticado por empregado. todos os gastos relativos ao tratamento médico serão pagos pelo empregador. O empregador. 483 alínea ³a´ da CLT) é extremamente comum. entre outras. sujeitando o empregado à suspensão e. 3º É devida indenização pelo empregador ao empregado suje ito a assédio moral. enquanto a legislação específica não se apresenta. enseja sanção disciplinadora pelo empregador. evidentemente. Art. A sanção disciplinadora deve considerar a gravidade do ato praticado e a sua reincidência. também é uma forma comum de assédio moral. à rescisão do contrato de trabalho por falta grave. com o objetivo específico de humilhar o empregado diante de seus pares ou mesmo dos clientes do estabelecimento. Art. o empregador está sujeito a pagament o de multa no valor de R$ 1. cumpre ao intérprete ajustar a norma legal existente aos casos de assédio moral. Devem -se levar em consideração. ou III ± comprometa a sua carreira profissional. 4º O empregador deve tomar todas as providências necessárias para evitar e prevenir o assédio moral nas relações de trabalho. Da mesma forma. caso seja verificado dano à saúde do trabalhador. § 2º Além da indenização prevista no § 1º. a exigência de tarefas superiores à força do empregado (art. O inadimplemento das obrigações contratuais e o perigo manifesto de mal considerável (483 alínea ³c´ e ³d´ da CLT) são as possibilidades que mais alcançam a gama de atitudes que podem caracterizar o assédio moral. Parágrafo único.000. § 1º As providências incluem medidas educativas e disciplinadoras.

como salário. que praticar o ass édio moral também poderá sofrer as conseqüências do poder disciplinar do empregador. como veremos adiante. nas quais os empregados são tratados com palavras de baixo calão. inclusive da dignidade da pessoa humana. de forma unilateral e prejudicial altera ou modifica as condições de trabalho. reside no fato de que em momento algum se trata da figura do assédio moral como um fato social que na maioria das vezes abrange várias das situações supramencionadas. incide na prática do assédio moral.. Finalmente. bem como quando não trata o empregado dignamente com respeito e consideração. ou seja. multa administrativa e inclusive tipificação penal. 482 da CLT e respectivos incs. 103) salienta: É relevante ponderar que o superior hierárquico. ter o contrato de trabalho rescindido com enquadramento em uma das justas causas previstas no art. humilhações e gritos. supervisor. o chefe. gerente. dando ensejo ao dano moral e à rescisão indireta.ainda que de 1943 . permanece sem nenhuma regulamentação o assédio moral ascendente e o vertical. Além disso. quando o agressor perdeu seu controle e a vítima está totalmente. Se a transferê ncia importa em reduzir os ganhos do empregado (art. ³j´ e ³k´ .porque. De qualquer forma.de um empregado comissionado. 94). quando: retira ou deixa de fornecer ao empregado os equipamentos ou instrumentos necessários para o trabalho. Alkimin (2005. responsabilidade das empresas em caso de ação ou omissão. localidade de trabalho. acuada. A crítica que resta. a figura existe. isola o empregado e o deixa sem atividade. Conforme já se verificou anteriormente. 483 alínea ³g´). apesar de não comuns ocorrem no grau mais avançado do assédio moral. 483 alínea ³f´). As ofensas físicas (art. por exemplo. Além disso. etc. muitos são os casos dos empregadores que. Todavia. a violência ocorre com todos os empregados. Daí a necessidade da aprovação dos projetos de lei que tramitam no legislativo.ainda que na mesma cidade .dar conta de atender razoavelmente um assunto tão atual. a tutela do assunto permanece apenas no âmbito indenizatório. em que pese o fato de a Consolidação das Leis do Trabalho . automaticamente. existem formas mais objetivas de caracterização do descumprimento das obrigações contratuais: O empregador descumpre obrigações contratuais e. em especial. é parte de todo contrato o respeito dos princípios constitucionais. ³b´. p. Existem pontos que não comportam mais de um empregado e outros que necessitam de vários. conforme salienta Alkimim (2005. já que o contrato de trabalho é de atividade. sem tratar da prevenção. em conjunto com as demais características do assédio moral. p. alteram o local de trabalho . O rigor excessivo (483 alínea ³b´ da Consolidação das Leis do Trabalho) no tratamento surge nas empresas adeptas da gestão por injúria. mas nem sempre caracterizando o assédio moral. é evidente a ilegalidade da transferência e a possibilidade da rescisão indireta. função. reduz trabalho e salário.

Da mesma forma. o assédio moral como conduta violenta não tem tipificação ou previsão legal. mas tal hipótese não pode ser presumida. contidas na referida norma. justamente por ter objetivo manter a relação de emprego. Finalmente.029/95 proíbe a exigência de atestados de gravidez e esterilização para efeitos admissionais ou de permanência da relação jurídica de trabalho.4. 100): Nada impede. Acerca do tema. A empresa não poderá saber se a empregada se encontra ou não grávida se não proceder ao exame. quando possível. esclarece Martins (1996. visando verificar se esta se encontra grávida. que ao manter as gestantes laborando o empregador passe a assediá -las moralmente. Conforme já se comentou. mesmo porque está impedido legalmente de fazê-lo. tem exigido do legislador a regulamentação das situações de discriminação e mais atualmente. Não haveria. origem. Todavia. Proíbe também que o empregador exija teste de gravidez da mulher no momento da admissão.3 Legislação esparsa A sociedade brasileira. pois pretende reduzir seu pessoal e não quer dispensar as empregadas gestantes. se o empregador deixar claro para as empregadas que está solicitando o teste. existem também projetos de lei tipificando o ass édio moral como crime. a menos. Quando a intenção é esta e o teste demonstra que a empregada está grávida. pode -se aplicar a Lei 9. discriminação. da mesma forma que existem projetos de lei federais na área trabalhista. Existem situações em que o empregador solicita o teste de gravide z às mulheres que para ele trabalham. raça. contudo. pois pretende reduzir o pessoal e quer toma r conhecimento de quais são gestantes para garantir a manutenção do emprego das mesmas. estaremos chegando a resultados absurdos. p. Esta permanência da relação jurídica de trabalho sem dúvida significa dizer que a empresa faz o teste para certificar -se de que a empregada não está grávida. É sabido que simplesmente tornar o assédio um tipo penal. vai de encontro com a intenção do legislador que é sem dúvida proteger a maternidade. situação familiar ou idade. é interessante que se façam algumas considerações. Tenta-se aplicar a Consolidação das Leis do Trabalho. estado civil. a empresa de exigir exame médico na dispensa da empregada. mas o empregador estaria apenas tentando verificar se pode ou não dispensar a e mpregada. cor. Em princípio. é cl aro. que coíbe práticas discriminatórias por motivo de sexo. às condutas isoladas. não vai . paulatinamente. A lei 9. não há qualquer traço de discriminação nesta situação.029/95. Se interpretarmos as expressões manutenção da relação de emprego e exigir. do assédio moral. como impossibilidade de exigência de exame quand o da dispensa da empregada. Acerca deste assunto específico. caso o resultado seja positivo. portanto. o empregador acaba assediando moralmente a empregada ou dispensando-a indevidamente. que com certeza não podem ter norteado o legislador.

sua intimidade. juntamente com a aplicação de normas trabalhi stas de cunho indenizatório e a imposição de multas. figura muito mais abrangente. podemos afirmar que o dano moral é aquele que lesiona a esfera personalíssimo. poderá ser um instrumento muito eficaz na tutela jurídica do assédio moral. como já se viu ao longo deste estudo. 4. é a perpetuação da agressão perversa no tempo em conjunto com a intencionalidade do agente. revista . cujo conteúdo não é pecuniário.4 Dano moral trabalhista e indenização decorrente de assédio moral 4. no caso o penal. p. a honra e a imagem das pessoas.coibir de maneira efetiva o assédio moral. a vida privada.] o dano moral consiste no prejuízo ou lesão de direitos. a da pessoa (seus direitos da personalida de) violando. Mas nem todo o dano moral infere a existência do assédio. salientando que tanto empregador quanto empregado pod em ser vítimas de dano moral. por exemplo. Em outras palavras. Em decorrência des ta característica..1 Conceito de dano moral trabalhista Determina o art. bens jurídicos tutelados constitucionalmente. pode caracterizar o dano moral.2 Fases da relação de emprego em que pode ocorrer dano em virtude do assédio moral Uma das principais características do assédio moral. não há possibilidade de se caracterizar o assédio moral na fase pré -contratual em que pese a possibilidade de ocorrer dano moral neste ponto temporal. honra e imagem. complementa Ferreira (2004. Na esfera trabalhista. basta que se transfira o conceito para a relação de emprego. p. é preciso potencializar a aplicabilidade das normas trabalhistas garantindo o efetivo cumprimento de seus princípios e garantias protecionistas. com o início da prestação do serviço. que ³são invioláveis a intimidade. vida privada.4. 52) conceitua dano moral: [. Pamplona Filho (2002. Sobre este assunto.. por si só. 112): A via administrativa. assédio sexual. diversas condutas isoladas como o rebaixamento funcional.4. Antes de se sobrecarregar outro sistema jurídico-legal. como já se viu. 4. 5º inciso X da Constituição Federal. acidente de trabalho. Da mesma forma. Cada ato caracterizador do assédio moral. assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação´. nem comercialmente redutível em dinheiro. A fase onde o assédio moral mais ocorre é na contratual.

114 da Constituição Federal. Na realidade. que podem também caracterizar o assédio moral. Se assim não for. calúnia e difamaçã o) seja efetiva e provada em juízo.que já vem ocorrendo .3 Reparação do dano moral trabalhista e competência A Emenda Constitucional 45. Finda.4. acrescenta diversos incisos ao art. frase que imortalizou Ripert. a conduta típica do assédio pode inclusive reunir todas estas características. etc. psicólogos. quando o senso comum médio da sociedade não vislumbra tal dano. em que pese à subjetividade da situação.. Persistem. psiquiatras. que apesar de parecerem isolados são tão vi olentos e discriminatórios.como também da figura do assédio moral. Todavia. dentre esses os ³estóicos de coração seco´. dentre eles o inciso VI que confere expressamente à Justiça do Trabalho a competência para julgar ³as ações de indenização por dano moral ou patrimonial. p. de competência da justiça comum. 4. Resta ainda o espinhoso tema relativo à reparação do dano moral trabalhista. portanto.e. os peritos. O exemplo do empregado que passa um dia isolado em uma sala abafada e no final do expediente é dispensando de forma discriminatória é violenta pode levar ao entendimento que ocorreu assédio moral. umas mais sensíveis e outras insensíveis. . 168). como salienta Santos (2002. Pamplona Filho (2002) ressalta: É preciso que a intenção dolosa (e a própria injúria. corre-se novamente o risco da banalizaçã o não só do dano moral . dentre outras. de 31/12/2004. se não revestidas da reincidência e da perversidade insidio sa. notadamente de caráter íntimo e pessoal. decorrentes da relação de trabalho´. não caracterizam o assédio moral. já foram mencionados exemplos possíveis de assédio moral. especialmente quando se trata de assédio moral.. Na rescisão contratual. b) o fato de cada pessoa ter um padrão ético e sentimental. portanto a discussão sobre a competência da Justiça Especi alizada para julgar uma ação que por muito tempo foi considerada por alguns doutrinadores como de cunho civil e. os fatores que dificultam a mensuração de qualquer dano moral: a) a subjetividade da lesão. nos casos de despedida injuriosa. i.pessoal. não devendo o julgador apegar -se a duvidosas presunções. mesmo que o lesado seja submetido a técnicos especializados na matéria. c) a dificuldade de mensuração da dor. Para a caracterização do dano moral na rescisão contratual. podem caracterizar o dano moral.

cumulada com danos materiais ou com culpa concorrente da vítima. segundo Santos (2002. pecuniária. 944 e seguintes do Código Civil Brasileiro. b) a intensidade do sofrimento do ofendido. como salienta Santos (2002.d) dependendo do ato lesivo. metaforicamente. a doutrina e a jurisprudência têm sido felizes em estabelecer formas de reparação do dano moral. seja justa para operar a compensação e trazer uma alegria ao lesado. ainda que este tenha ensejado realmente o dano moral´. . e) a dificuldade do juiz na definição do valor pecuniário. que pode ser atestatória ou in natura. Afeta. Diferente e mais rígido é o entendimento de Pamplona Filho. a publicação de sentença ou mesmo uma carta de recomendação podem auxiliar a vítima a esvaziar -se do peso do assédio. com ênfase no assédio moral. é praticamente impossível. ou seja. no sentido de que obrigar o empregador a fornecer carta de referência é uma ³violência contra o empregador. a dignidade. por esta não ter preço. 180) ³a personalidade. inclusive de carta de referência. mas nunca o compensará totalmente. Entende ainda o autor que. A reparação do dano moral tem dupla função: compensatória da dor moral sofrida pela vítima e pedagógica. a fixa ção do valor devido é feita pelo juiz que deve levar em consideração as seguintes variáveis. (2002. fato comum no dano moral. o conceito profissional do trabalhador na sociedade´. p. uma contra publicação. p. e vai depender sempre da comprovação da extensão do dano. Sem embargo. nunca mais será possível o atingimento de uma situação de reequilíbrio. Não sendo possível a comprovação da extensão do dano. a reputação. o restabelecimento do empregado lesado ao status quo ante. uma vez que a equivalência da pecúnia ao dano moral é impossível. em inúmeros casos. Se o empregador praticou ou permitiu que seus subordinados praticassem a violência moral no ambiente de trabalho. que embor a não pague a dor. a reposição do status quo ante. muitas vezes uma retratação por parte do agressor. Raciocinar de outra forma aniquilaria também. pois não envolve um bem tangível. ou seja. A reparação pecuniária é a mais comum em nosso sistema judiciário. 191): a) as condições econômicas. a boa fama. O primeiro ponto a ser ressaltado sobre a indenização pecuniária. é que será proporcional ao dano causado. visando prevenir e desestimular a reincidên cia do dano. p. e nem por isso deixa de ser complexa em virtude da mensuração do valor da indenização. a possibilidade eficaz de um condenado cumprir sua pena através de prestação de serviços à comunidade. sociais e culturais de quem cometeu o dano e principalmente de quem a sofreu. pode sim ser coagido a reparar o dano através de compensação não material. O quantum da indenização se resolve pela aplicação subsidiária do art. A reparação in natura em caso de assédio moral. 200).

decorrentes de uma situação de assédio moral no ambiente de trabalho são.276/2001. O estado de depressão e a baixa na produtividade com a redução das comissões. O STJ pôs fim à discussão através da Súmula 37 que estatui: ³sã o cumuláveis as indenizações por dano material e dano moral oriundas do mesmo fato´. Trata da personalidade vitimista.c) a gravidade da repercussão da ofensa. É de se salientar que decisões que arbitram indenizações por dano moral. h) a eqüidade. do Tribunal Regional do Trabalho da 17ª Região que teve como relatora a Juíza Sônia das Dores Dionísio: . Questionava-se a possibilidade de cumulação na indenização do dano moral e material decorrentes do mesmo ato ilícito. O assédio moral trás uma possibilidade interessante de culpa concorrente da vítima. cabe ao juiz. j) a situação econômica do país e dos litigantes. já descrita ao longo deste estudo. mas poucas utilizam e conceituam corretamente o termo. inclusive com a ampla divulgação da violência de forma exacerbada. p. através do qual o juiz tem a competência de fixar o valor devido para a compensação da lesão. ao mesmo tempo. O sistema adotado pela jurisprudência nacional é o ³sistema aberto´. f) um possível arrependimento evidenciado por fatos concretos. Nem havia porque ser diferente. sem dúvida. d) a posição do ofendido. ao analisar a situação fática e perceber a posição vitimária. 4. requerer laudos técnicos para amainar o quantum da indenização. Neste caso. i) as máximas da experiência e do bom senso. k) o discernimento de quem sofreu e de quem provocou o dano. inclusive em situações comuns de ocorrer durante o assédio moral existem. Silva (2005. Nada impede que a vítima esteja realmente sofrendo o assédio moral e. e) a intensidade do dolo ou o grau de culpa do responsável.5 Algumas decisões judiciais nos Tribunais Brasileiros O assédio moral é matéria recente e poucas foram as situações que chegaram aos TRTs e TST. g) a retratação espontânea e cabal. 180) informa que o primeiro acórdão reconhecendo a existência do fenômeno foi o nº 2. uma vez que as esferas são distintas e causam também prejuízos distintos. indenizáveis moral e materialmente. adotando posição vitimária realçando os efeitos deste assédio. diversa das apontadas normalmente nos casos de dano moral.

É o receio de perder o emprego que alimenta a tirania de alguns maus empregadores. cumpre mencionar o Acórdão 20040071124. Constitui justa causa para ruptura do liame empregatício por iniciativa do empregado a circunstância de ser submetido à constrangedora situação de ir trabalhar e ser privado pelo empregador do desempenho de suas atividades na intenção de forçar o obreiro a pedir a resilição do contrato. criou para o trabalhador situações vexatórias e constrangedoras de forma continuada através das agressões verbais sofridas. O fantasma do desemprego assusta. EXPRESSÕES PEJORATIVAS E PRECONCEITUOSAS. pois ao contrário da figura indefinida e evanescente que povoa o imaginário popular. é tratado em público por superior hierárquico de forma pejorativa e preconceituosa.INDENIZAÇÃO POR DANO MORAL . cujo efeito é o direito à indenização por dano moral.A tortura psicológica. procedimento que beira à discriminação racial. Finalmente. resultam em assédio moral. pois a questão aqui transcende a figura do ofendido. deixando marcas profundas e às vezes indeléveis nos trabalhadores que sofrem o assédio moral. sonegar-lhe informações e fingir que não o vê. quebrando o caráter sinalagmático do contrato de trabalho. Exposta a desumanidade da conduta do empregador. tem assegurado o direito de perceber indenização por dano moral. foram localizadas duas decisões. No TRT da 12º Região. dentre as decisões selecionadas. O acórdão 134/2004. à tipificação da figura de assédio moral. No caso dos Autos. cujo relator foi o jui z Geraldo José Balbinot é pioneiro em Santa Catarina. do qual foi relator o Juiz Godoy Ilha decidiu: ASSÉDIO MORAL. dando margem. o assédio foi além. Trabalhador que. por repetidas vezes. ao determinar o assédio moral como uma das causas de rescisão indireta do contrato de trabalho: RESILIÇÃO INDIRETA. O acórdão 8591/2004. O isolamento decretado pelo empregador. fonte de dignidade do empregado. descumprindo a sua principal obrigação que é a de fornecer trabalho.ASSÉDIO MORAL . porque a empresa transformou o contrato de atividade em contrato de inação. visando forçar sua demissão ou apressar sua dispensa através de métodos que resultem em sobrecarregar o empre gado de tarefas inúteis. eis que minam a saúde física e mental da vítima e corroia a sua auto-estima. e por conseqüência. do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região. do qual foi relator o Juiz Valdir Florindo: Assédio moral. que de forma aética. acaba se expandindo para níveis . projetando as conseqüências pela supressão do seu posto de trabalho a quem dele eventualmente dependa economicamente.CONTRATO DE INAÇÃO . preferindo não detonar uma crise no ambiente de trabalho que fatalmente o prejudicará. A questão da ofensa à moral conflagra um subjetivismo oriundo da própria condição de cada indivíduo. Repercussões sociais. este pesadelo é real. incutindo na psique do recorrente pensamento derrotistas originados de uma suposta incapaci dade profissional. destinada a golpear a auto -estima do empregado. inclusive. porque ultrapassa o âmbito profissional. Não se sente menos constrangido o trabalhador que escolhe adotar uma postura conciliadora.

A busca desenfreada por índices de produção elevados. também por medo de perderem o emprego e cientes da competitividade própria da função. relega à preterição a higidez mental do trabalhador que se vê vitimado por comportamentos agressivos aliado à indiferença ao seu sofrimento. que raciocina e se solidariza com o próximo.hierárquicos inferiores. Os políticos correm na elaboração de projetos de lei. com a retomada do liberalismo e conseqüentemente do individualismo. A jurisprudência e doutrina se contorcem para resolver os fatos que se lhe apresentam. passam a hostilizar o trabalhador. a melhor solução seria a conscencial. que existe um próximo que sente como qualquer outro. pois há muito o ser hu mano sua condição de humano. Restou apenas a condição de ser. associando -se ao detrator na constância da crueldade imposta. Sempre existiu. Depois. Não é redundante. falar em valo res tão ³franceses´ como fraternidade e igualdade parece totalmente utópico. Esta não queima etapas. faz ver que o processo de globalização da economia cria para a sociedade um regime perverso. . pois o comportamento vai além da história e atinge a evolução humana. para regular a matéria. 5 Considerações finais O assédio moral guarda a dualidade: novo e antigo. tudo melhora. configurada a violação do direito e o prejuízo moral derivante. como se fizesse parte do poder diretivo do empregador. Estes. alimentada pela competição sistemática incentivada pela empresa. seria a conscientização mundial de que não se está só no mundo. iniqüidades que não repercutem apenas no ambiente de trabalho. sem qualquer humanidade. necessários sem dúvida. Nesse sentido. A solução deste problema. bastando para tanto ver a realidade do mundo do trabalho. mas nunca se rotulou a existência." Ao trabalhador assedia do pelo constrangimento moral. Recebia o tratamento de grosseria. causando sérios danos a sua qualidade de vida. bem como talvez de todos as demais afl ições que assolam o mundo. gerando grave desnível social. a angústia e outros males psíquicos. eivado de desleal dade e exploração. dentro do relacionamento pessoal. Nunca se associou determinadas empresas na s quais os empregados estavam sempre em auxílio-doença ao assédio. atingindo os próprios colegas de trabalho. Todavia. através da humanização do ser humano. mas seguia ocorrendo. No presente momento histórico. A adoção de uma visão sistêmica sobre o assunto. Todavia. sem que nenhuma legislação se ja aprovada sobre o assunto. Daí a corretíssima afirmação do Ilustre Aguiar Dias de que o "prejuízo imposto ao particular afeta o equilíbrio social. sobra a depressão. entendendo que apenas desta forma tudo muda. como todas as grandes ³invenções´ do ser humano o primeiro pesquisador constatou o efeito das atitudes assediadoras na família. percebeu que o mesmo ocorria em determinadas empresas: surgia o assédio moral no trabalho.

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