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AULA 6

UTILIZAÇÃO DO
CANVAS EM PROJETOS

Profª Viviane Suchy


Prof. Sandro Fabiano da Luz
INTRODUÇÃO

Exemplos práticos do Canvas em projetos

Para fechar a disciplina de Utilização do Canvas em Projetos, vamos


apresentar exemplos práticos de preenchimento da ferramenta. Aqui faremos a
utilização de todo o arcabouço teórico apresentado anteriormente e convertê-lo
em casos reais de aplicabilidade.
Cada projeto pressupõe particularidades e preferências por parte da
equipe, por isso, a escolha de qual Canvas utilizar deverá ser feita caso a caso.
Para a demonstração em aula, faremos a utilização do Business Model Canvas e
do Project Model Canvas, não representando, portanto, uma obrigatoriedade ou
mesmo preferência por uma metodologia ou outra. Algumas variações de Canvas,
como são os casos do PM Visual e do Agile Think Canvas, por exemplo, sugerem
uma sequência de documentos complementares em suas metodologias. Faremos
aqui, nesta aula, uma concentração na confecção das telas Canvas
exclusivamente, para melhor fixação do conteúdo.
Ao fechamento da disciplina, traremos o aspecto da utilização de softwares,
programas, sites e aplicativos, como auxiliadores na elaboração de Canvas. Aqui
abordaremos as vantagens e desvantagens da escolha pelo modelo de trabalho
em papel e no formato digital.

TEMA 1 – EXEMPLO 1: LOJA DE QUADROS

Para este exemplo, vamos trabalhar com o cenário de uma loja de quadros.
Esse comércio oferece ao cliente algumas opções de telas modernas com
conceito de personalização. A arte criada pelo artista é reproduzida graficamente,
portanto, são telas que podem ser dimensionadas conforme a necessidade. Utiliza
preferencialmente molduras finas, com cores sólidas, como preto, branco,
amarelo, vermelho, azul, mas também oferece as opções de prateado e dourado.
A arte apresentada para a composição da tela é uma escolha do cliente
entre as opções oferecidas com o repertório de artistas locais. As coleções estão
à disposição para a escolha do cliente, que também tem acesso a conhecer um
pouco da história do artista e suas influências.

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1.1 O Canvas da loja de quadros

Agora já contextualizados de algumas particularidades da loja de quadros,


podemos analisar o preenchimento do Business Model Canvas, que será o
modelo escolhido para esse exemplo. Considere que para o preenchimento foram
acionados os proprietários e também consultores, com a finalidade de iniciar o
projeto de criação desse negócio.

Figura 1 – Business Model Canvas: loja de quadros

Parcerias Principais Atividades Chave Proposta de Valor Relacionamento Segmento de Clientes


com clientes
Vender, montar Personalizar Consumidor
Molduras e entregar os - qual tela Loja Web :
final.
Quadros - tamanho Self-service
Gráfica Uso decoração
- moldura Loja Física
Captação atendimento
Logística Conectar primoroso Contato
artistas Pessoal
Decoradores
para vendas artistas e e Arquitetos
internet consumidores
Recursos Principais Canais

Cursos e Loja Fisica e WEB Venda e Vendas Web Artistas locais


Atieliê de Veículo Distribuição da Loja Própria que querem
Artistas - arte vender sua
Artes Lojistas - Rep Visita ao local

Estrutura de Custo Fontes de Receita


Pessoas Taxa paga
Loja Física / Web
Marketing Venda dos pelos artistas
Cursos e Vendas Quadros para exposição

Fonte: Sandro Fabiano da Luz, 2021.

Sobre o componente segmento de clientes, observe que neste exemplo


a empresa atende a dois segmentos distintos, por isso, podemos considerá-la
uma plataforma multilateral. Atende aos consumidores finais em busca de uma
peça de decoração para sua casa ou escritório e também aos artistas locais que
se utilizam da empresa para fazer a venda de sua arte. Conforme Osterwalder
(2011, p. 76), a “plataforma cria valor facilitando a interação entre diferentes
grupos”.
Sobre a proposta de valor, destacamos através das cores diferentes das
representações de papeis adesivos, as propostas que atendem a cada segmento
mapeado no Canvas. Para o segmento dos artistas, utilizamos a cor verde e, para
os consumidores da arte, utilizamos a cor amarela.
A proposta de valor para os artistas é relacionada ao “fazer o que deve ser
feito”, pois o artista poderá se dedicar à criação das peças e deixará a parte

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comercial e logística com a empresa de quadros. Já sobre a perspectiva dos
consumidores finais e dos arquitetos e decoradores, a proposta de valor está
relacionada à personalização já que podem definir além da escolha da arte da
tela, o tamanho e a moldura. Observando o panorama completo, a proposta de
valor da empresa é a conexão entre os artistas e os consumidores; esse aspecto
é evidenciado por meio da própria elaboração do Business Model Canvas.
Em relação aos canais para atendimento e captação dos artistas, o modelo
de negócios prevê a parceria, ou seja, um canal indireto. Por meio de contatos
com estabelecimentos que oferecem cursos de artes, pode ser feita a captação e
relacionamento com esse segmento de clientes.
Já para o público de consumidores finais, arquitetos e decoradores, os
canais dedicam-se à loja física e também às vendas pela internet. Um terceiro
canal está relacionado a um serviço personalizado, que pode ser prestado por um
representante, ao levar o portfólio de produtos para um determinado local. Esse
atendimento é direcionado aos casos em que o proprietário da casa e decorador
prefiram ir até o local para onde o projeto está sendo executado e fazer a escolha
das obras in loco.
Para o componente de relacionamento com clientes, dedicamos estilos
diferentes conforme os canais e segmentos. Para os artistas, dedicamos o
relacionamento de assistência pessoal, com a interação humana. Para os
arquitetos, decoradores e consumidores finais, uma assistência pessoal voltada
para o máximo de detalhamento e valorização dos produtos e artistas. Já para as
vendas pela internet, o relacionamento enquadra-se na categoria self-service, pois
é o consumidor final quem irá escolher e finalizar a compra por meio das
informações cedidas na loja virtual.
Para o aspecto financeiro do modelo de negócios, na estrutura de custos,
temos algumas decisões direcionadas pelo valor, uma vez que se trata de um
serviço personalizado e que prioriza a conexão dos artistas com os consumidores
finais. No caso das fontes de receita, para esse modelo de negócios, foram
identificadas duas principais entradas de recursos. Primeiramente, os artistas
pagariam um valor mensal para poder participar do repertório de telas da loja e
expor sua arte. A comercialização dos quadros seria a venda de recursos
propriamente dita, que configura a segunda entrada de recursos.
Os recursos principais necessários que foram destacados atendem às
atividades-chave desse modelo de negócios, que são a captação de artistas e a

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venda, montagem e entrega dos quadros. As parcerias principais nesse
exemplo estão relacionadas à aquisição de recursos, como no caso das molduras
e atividades de impressão gráfica ou entrega.
Percebe-se que a utilização da ferramenta favorece muito a clareza de
entendimento sobre o negócio, sobretudo durante a sua elaboração. Mais do que
ler um Canvas pronto, o entendimento do modelo de negócios é construído
durante a sua elaboração. Por isso, a necessidade de envolvimento da equipe
para que todos os esforços estejam alinhados em relação à resultante do Canvas.

TEMA 2 – EXEMPLO 2 –IMPLANTAÇÃO DE UM SISTEMA ERP: INDÚSTRIA A

Para nosso segundo exemplo, faremos o estudo de caso com uma


empresa do ramo industrial. Nesta situação, o foco não é o modelo de negócios
em si, mas um projeto voltado à aquisição de um sistema que permita melhor
gerenciamento das atividades e informações da empresa.
Considere que já se trata de uma empresa estabelecida no mercado e que
cresceu nos últimos anos. Para que possa continuar sua expansão de forma
estruturada, neste momento, a empresa demanda melhores processos e
qualidade das informações. O foco do projeto é, portanto, a busca por um sistema
de gestão integrado, ou seja, um ERP – Enterprise Resource Planning.

Créditos: Panchenko Vladimir/Shutterstock.

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2.1 O Canvas da Implantação ERP – Indústria A

Com o conhecimento das informações básicas sobre o projeto de aquisição


de um ERP para a Indústria A, podemos analisar o preenchimento do Project
Model Canvas, que será o modelo escolhido para esse exemplo. Considere, neste
caso também, que foram acionados para o preenchimento o proprietário, o
gerente e consultores para dar início ao projeto.

Figura 2 – Project Model Canvas – Implantação ERP: Indústria A


GP : Consultor Flávio PITCH: Implantação de um sistema ERP Indústria A
JUSTIFICATIVAS PRODUTO STAKEHOLDERS PREMISSAS RISCOS
Passado EXTERNOS
Causa: processos não
& Fatores externos - Fornecedor façam parte do
Falta controle - Proprietário
escolhido ERP tenha sistema default
processos Sistema ERP (patrocinador) equipe disponivel Risco: muda r
conforme processos
Implantado expectativa p/ ou cus tomizações
Sem visibilidade -Escritório Efeito: enca recer (R$)
entrega
gestão Contabilidade preci sar adaptar

OBJ SMART REQUISITOS EQUIPE GRUPO DE ENTREGAS LINHA DO TEMPO


1º 2ª 3ª 4ª
Implantar, em até Automação Mapeamento
- Gerente /
8 meses, um processos "As is"
pagamentos (Stakeholder)
sistema ERP que
agregue controle bancários - 1 Consultor
Definições "To Be"
Externos (Ger. Proj)
nos processos e
- 2 Consultores
visibilidade da Controle - Fornecedores
(Fornecedor ERP)
informação aos entregas frota (R$ / prazo)
- 1 Colaborador TI
gestores. própria - 3 Key Users
Integrações
- 5 Usuários teste
BENEFÍCIOS Incluir processo Homologações
Futuro fabril
Go Live

- Diminuição dos Dashbords


RESTRIÇÕES CUSTOS
custos (Processos Gerenciais
bem desenhados) Entrega 1 - 5 mil
Entrega 2 - 5 mil
Alçadas Entrega 3 - 300 mil
- Decisões seguras Aprovação Key Users sem Orçamento Entrega 4 - 10 mil
pela gerencia (c/ dedicação máximo Entrega 5 - 5 mil
base em dados)
Processo contábil exclusiva. R$ 450 mil Entrega 6 - 5 mil
é terceirizado Custo base 330 e
400 mil

Fonte: Sandro Fabiano da Luz, 2021.

A Figura 2 apresenta um exemplo de Project Model Canvas preenchido


para o caso de implantação de um recurso tecnológico em uma indústria de porte
médio. Observamos que ele traz uma visão bastante completa das fases,
requisitos e é até detalhado se considerarmos que estas são as informações
iniciais.
A dedicação para preenchimento reflete em um Canvas didático, que
permite a todos os envolvidos um panorama abrangente. Quando analisamos os
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componentes que respondem ao questionamento “Por quê?”, ficam evidentes a
motivação e as justificativas que impulsionaram a necessidade pela implantação
de um sistema de gestão integrado. A falta de visibilidade e agilidade para as
informações de gestão, assim como a falta de controle dos processos podem ser
consideradas as “dores” atuais no negócio que motivaram a existência do projeto.
Para o desenvolvimento do projeto é muito útil que a equipe já tenha
mapeados os requisitos, ou seja, aqueles atendimentos essenciais que produto
deve entregar. Sem essas informações tão explícitas pode ocorrer de a equipe
dedicar tempo de desenvolvimento em uma solução X, que ao ser apresentada
aos patrocinadores é prontamente rejeitada por não atender a um requisito que
não foi externado. Infelizmente isso é muito comum na área de projetos.
No caso desse projeto, os requisitos a serem atendidos compreendem
algumas funcionalidades que o sistema ERP deve contemplar: automação
bancária para os pagamentos, gestão da frota própria, controle do processo fabril,
alçadas de aprovação para fluxos específicos e dashboard com informações
gerenciais. Os requisitos, juntamente ao componente produto formam as
respostas para o questionamento “O quê?” será feito neste projeto.
Em se tratando do questionamento “Quem?”, observamos então os
componentes equipe e stakeholders estruturando as respostas necessárias.
Conforme orientado por Finocchhio (2020), é importante relacionar também os
terceiros que farão entregas durante o decorrer do projeto. Neste exemplo prático,
o proprietário da indústria contratou um consultor externo para trabalhar no
projeto. Observe que o consultor externo está relacionado na parte
correspondente à equipe, pois tem entregas a fazer.
Uma particularidade do Project Model Canvas diz respeito à sugestão de
transcrever o “Como?” através dos grupos de entregas. A sugestão de Finocchio
(2011, p. 72) é de que “simplificar e agrupar as entregas pode tornar o projeto
mais compreensível para os stakeholders”. Foi exatamente o que trouxemos
nesse exemplo: o resultado final é a implantação de um novo sistema ERP, porém,
para chegar lá, será preciso passar pelas etapas de mapeamento do cenário atual
(as is), definições de como deverá ser (to be), mapeamento e escolha dos
fornecedores compatíveis; integração com outros sistemas utilizados pela
empresa, testes e homologações por parte dos usuários chave e, enfim, o dia da
virada, quando as atividades serão feitas exclusivamente no sistema novo (go
live).

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As informações de Quando? e Quanto? estão também relacionadas às
entregas identificadas anteriormente, e essa forma didática traz muita clareza e
entendimento para os envolvidos no projeto. Didaticamente, neste momento do
Canvas, as datas de entrega não são específicas, e sim identificadas por
quadrantes e a qual etapa pertencem. Ficam assim também muito bem
distribuídos os custos relativos a cada entrega e sua participação no custo total
estimado para o projeto.

TEMA 3 – EXEMPLO 3: ABERTURA DE NOVA FILIAL

Em continuidade aos nossos exemplos práticos, temos aqui uma situação


de expansão dos negócios. Uma empresa que é distribuidora de produtos
alimentícios fará a abertura de uma nova filial. Hoje tem sua matriz no estado de
São Paulo, porém observou uma crescente demanda na Região Sul e, por isso,
está propondo a abertura de uma filial em Santa Catarina. Este é um projeto de
expansão dos negócios que envolverá a estrutura física e também adequação
jurídica e sistêmica para acomodar uma nova filial geradora de negócios.

3.1 O Canvas para a abertura de uma nova filial

Para a construção desse exemplo, utilizaremos o modelo do Business


Model Canvas. Consideraremos que foi preenchido nesse caso pelo gerente de
projetos, acompanhado pelo proprietário e dos seguintes profissionais: advogado,
gerente de tecnologia da informação, gerente de logística e gerente comercial.

Figura 3 – Business Model Canvas: abertura de nova filial


Parcerias Principais Atividades Chave Proposta de Valor Relacionamento Segmento de Clientes
com clientes
Distribuição
Fabricas de alimentos Agilidade
alimentos - Call Center
saudáveis entrega Empresas
- Site Web
- Postagens revendedoras
COMPRA alimentos
Redes Sociais
Logística - + VENDA
(saudáveis)
Transporte
Recursos Principais Variedade Canais
Infraestrutura de
CDs Produtos Vendas na Web
Sistemas Equipes: Compras Equipes de Venda
Vendas

Estrutura de Custo Fontes de Receita


Centralizados:
Aluguel Venda produtos
Administrativo, - Pessoas Venda produtos
filial Santa
CD SC Compras, Vendas - Sitemas matriz São Paulo
e Financeiro Catarina

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Fonte: Sandro Fabiano da Luz, 2021.

A proposta de valor da empresa em questão é a variedade de produtos


oferecida pelo distribuidor atacadista e também o fator agilidade na entrega.
Portanto, o projeto de abertura de uma nova filial é muito aderente ao modelo de
negócios, efetivamente permitirá que os clientes da Região Sul tenham mais
agilidade para o recebimento de seus produtos.
Sobre a estrutura de custos, o modelo de negócios é desenhado visando a
economia de escala. Esta é a justificativa financeira que também fundamenta a
existência do projeto. Evidenciamos a oportunidade de crescimento devido ao
aproveitamento da estrutura administrativa, financeira e de vendas para
proporcionar mais um ponto de distribuição. Esse novo ponto de distribuição
poderá gerar vantagens aos clientes, pois possibilita uma entrega mais ágil, o que
é exatamente uma das propostas de valor apresentadas pelo negócio.
É relevante ressaltar a conexão entre os componentes do Business Model
Canvas. Como esclarecido em Sebrae (2013), ao analisar o Canvas como um
todo, é possível ter clareza de como o negócio em análise pode se diferenciar,
reduzir custos e obter mais receitas.
Neste exemplo que estamos estudando, a abertura de uma filial, a decisão
por estabelecer estrutura administrativa centralizada é fundamental. Caso a filial
a ser inaugurada tenha toda a estrutura administrativa e de vendas em cada uma
das unidades, teremos um custo mais elevado para sua implantação. Se a
estrutura for mais enxuta e centralizada, teremos uma oportunidade de minimizar
os custos e, consequentemente, maior lucratividade para o negócio. Pelo prisma
da entrega de valor ao cliente, fica evidente que ter um centro de distribuição mais
próximo de uma determinada região permitirá uma entrega mais ágil.
O que está sendo feito? A abertura de uma nova filial para ter mais agilidade
na entrega aos clientes da Região Sul. Além da agilidade, a variedade de produtos
é a proposta de valor desse modelo de negócio.
Para Quem está sendo feito? Para as empresas revendedoras de alimentos
saudáveis, por meio das vendas pela internet e também pelo atendimento da
equipe de vendas, que está estruturada nas vendas por telefone (callcenter).
Como será feito esse negócio? Para que seja feita a atividade chave da
distribuição dos alimentos, se faz necessário fortalecer as relações comerciais de

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compra e venda. Comprar produtos em condição favorável, administrar seu
armazenamento e fazer a revenda desses alimentos.
Entre os recursos fundamentais dessa operação, está o capital financeiro,
para efetuar as compras dos itens em variedade. Os armazéns, ou CD – Centros
de Distribuição – são os recursos físicos que permitirão guardar os itens até que
seja feita a venda dos mesmos.
As equipes de compras e vendas serão os principais recursos humanos
nessa operação. Para que a operação completa seja realizada, contaremos nesse
modelo de negócios com parcerias dos fornecedores. São exemplos de
fornecedores as fábricas de alimentos e os transportadores que serão executores
da logística de entrega. Outro parceiro importante prestará apoio no fornecimento
de tecnologia para que seja feita a viabilização da operação via sistema de gestão
integrado.
O questionamento “Quanto”? está representado no Canvas pelos
componentes de custos e receitas. O quanto será gasto nesse modelo de
negócios está contemplando as despesas centralizadas, além de pessoas e
sistemas. Mas estamos dando destaque ao aluguel do Centro de Distribuição de
Santa Catarina que é exatamente o motivo de existência do projeto.
Consequentemente, para as fontes de receitas, passará a empresa a contar com
mais uma possibilidade de recebimentos. A partir da instalação em Santa
Catarina, ocorrerão receitas através das vendas na matriz e também na filial.
Uma vez estabelecido todo o Canvas sugerido para atender à mudança no
modelo de negócios, o projeto contará com esse recurso e serão desmembrados
os outros tipos de documentos e tarefas necessários à sua execução. Para a
abertura efetiva da filial, serão feitas várias tarefas ou entregas.
Alguns exemplos de documentos são a alteração no contrato social,
adequação parâmetros no sistema operacional, plano de comunicações com
clientes, plano de vendas, contratação e captação da equipe para nova filial, busca
e adequação do espaço físico em que será feita a nova instalação.

TEMA 4 – EXEMPLO 4: REALIZAÇÃO DE CAMPANHA DE DISTRIBUIÇÃO DE


PRÊMIOS

Consideraremos no contexto do exemplo 4 uma empresa do ramo de


comércio que irá promover uma campanha de distribuição de prêmios aos seus
clientes. Esse varejista quer, além aumentar seu faturamento no período, reforçar
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a marca junto aos seus clientes. Definiu, portanto, que fará uma campanha de
distribuição de prêmios para os clientes que comprarem em seus
estabelecimentos no período de vigência da campanha e que concorrerão a
prêmios. A empresa tem 10 lojas físicas e também faz vendas pelo site na internet
e todas as unidades participarão dessa ação.

4.1 Canvas do Projeto de Campanha de Prêmios

O modelo escolhido para esse exemplo foi o Project Model Canvas – que
está representado já preenchido na figura abaixo, mas consideremos que foi
elaborado em conjunto pela equipe que ficará responsável pelo projeto. Observe
que os elementos foram preenchidos considerando o briefing informado pela
diretoria, que busca com a execução do projeto reforçar a marca junto aos
consumidores e também aumentar o faturamento no período.

Figura 4 – Project Model Canvas: campanha de prêmios

GP : Consultor Paulo Roberto PITCH: Campanha de distribuição de Premios ao Clientes - Loja Varejista
JUSTIFICATIVAS PRODUTO STAKEHOLDERS PREMISSAS RISCOS
Passado EXTERNOS
& Fatores externos Causa: campanhas
Históricamente é um Que o sorteio de concorrentes
Campanha de
período de baixa nas da CEF - Loteria Risco: pouca
sorteio de premios
vendas Federal seja adesão clientes
aos clientes que Escritório
Efeito: não obter
comprarem em Contabilidade feito no
retorno financeiro
Clientes demoram a Fevereiro. período
retornar na loja

OBJ SMART REQUISITOS EQUIPE GRUPO DE ENTREGAS LINHA DO TEMPO


1º 2ª 3ª 4ª
Realizar uma Regulamento
A cada R$ 200
campanha em - Ger. Comercial Campanha
em compras = nº
Fevereiro. - 1 Consultor
sorteio
Distribuição de Externos (Ger. Proj) Definição Premios
premios aos clientes - 2 Área TI
que comprarem no - Key Users (1 de Material Divulgação
Atrelado ao
período, através de cada loja física e 1
sorteio da loteria
sorteios. da estrutura vendas
federal Desenvolvimento site
pela internet)
- Advogado
BENEFÍCIOS - Agência Homologações site
Futuro Período de Marketing
compras Lançamento
Fevereiro
Entrega dos premios
Aumentar Participação 10
faturamento no lojas físicas e RESTRIÇÕES CUSTOS
período online
Entrega 1 - 3 mil
Entrega 2 - 1 mil
Fortalecer marca, 20 mil a distribuir Entrega 3 - 3 mil
Key Users Entrega 4 - 2 mil
promovendo em premios Entrega prêmios
fisicamente em Entrega 5 - 1 mil
retorno mais só no Brasil
locais distintos Entrega 6 - 1 mil
frequente dos
Site para consulta Entrega 7 - 20 mil
clientes
Custo entre 30 e 35

Fonte: Sandro Fabiano da Luz, 2021.

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Em relação a esse projeto, podemos verificar que muitos dos envolvidos na
equipe são terceirizados. É o caso da agência de marketing que fará a produção
do enxoval de divulgação da campanha e também do escritório de serviços
jurídicos que auxiliará na elaboração do regulamento da campanha. Mesmo
terceirizados, eles fazem parta da equipe e são identificados no Canvas, pois têm
entregas a serem feitas no decorrer do projeto. Já o escritório contábil será afetado
pela campanha, pois existirão demandas de lançamentos contábeis diferentes dos
usuais. O escritório de contabilidade, nesse exemplo, será afetado, mas não tem
entregas a fazer para o projeto, por isso está apontado como stakeholder externo.
Com o exemplo dessa campanha de vendas, é possível também identificar
o benefício da construção do Canvas para a visualização macro do projeto.
Conforme Finocchio (2020, p. 129), “um canvas bem-amarrado e coerente será
mais eficaz como ponto de partida para outros documentos e suportes”. Por isso,
a dedicação ao preenchimento dessa ferramenta facilitará toda a sequência do
projeto e também dos documentos adicionais a serem elaborados.
Neste projeto, os documentos adicionais podem ser o cronograma, material
para apresentação e orçamentos, por exemplo. Por se tratar de um projeto para
uma campanha de vendas, alguns materiais específicos serão produzidos, como
o regulamento e o próprio material de divulgação da campanha aos clientes. Esse
material de divulgação também poderá ser utilizado para a capacitação das
equipes de vendas.
Desafio: agora que você já pode se familiarizou com os quatro exemplos
práticos apresentados, nós te propomos um desafio. Pense em algum projeto que
já tenha participado ou que gostaria de participar e preencha um Canvas no
modelo que preferir. As informações podem ser reais ou fictícias, mas o desafio
proposto aqui é o preenchimento e a experiência de confecção da ferramenta. É
a prática que vai consolidar a sua jornada para assimilar esse conhecimento.
Então: mãos à obra!

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Créditos: mind and i/Shutterstock.

TEMA 5 – CANVAS DIGITAL E CANVAS EM PAPEL

A ferramenta Canvas, com seu pioneiro Business Model Canvas, foi


concebida e apresentada direcionando a utilização de papéis e canetas. É um
modelo muito utilizado em eventos presenciais e tem muitos pontos favoráveis,
contando inclusive com forte aceitação por parte dos consultores e gestores.
Entretanto, é possível encontrar e utilizar variados modelos de Canvas em versão
digital. Temos aqui um paradigma: trabalhar o Canvas com folhas A1 e papéis
adesivos ou modelo em versão digital?

5.1 Vantagens e desvantagens da utilização de Canvas em versão digital

As variações de Canvas apresentados ao longo da disciplina também


podem ser encontradas em versões digitais; seja através de sites, aplicativos ou
ainda desenhadas em programas de uso bastante difundido como o Excel ou
PowerPoint. Mas quais são as vantagens ao optar pela utilização da ferramenta
com papéis ou da modalidade digital?
Na referência do livro de Osterwalder (2011, p. 266), também é citada a
questão tecnológica, quando aborda a possibilidade de melhoria através da
utilização de computadores.

Um Canvas impresso em um grande pôster e uma grande caixa de notas


ainda são as melhores ferramentas para ativar a criatividade e gerar
ideias inovadoras de modelos de negócios. Mas este método apoiado
por papel pode ser melhorado, com a ajuda dos computadores.

O relato acima está num contexto de ideações a respeito do uso da


tecnologia. Considera que o avanço tecnológico pode auxiliar construindo

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cenários de prototipação do modelo de negócios e até variações de cenários
financeiros. Além disso, as possibilidades de integrações se apresentariam muito
vantajosas, e esperamos que possam surgir e serem difundidas num futuro
próximo.
Sobre a utilização da ferramenta Canvas com recursos de papel, tem
aplicação aderente aos contextos de sessões colaborativas de brainstorming. Já
o modelo digital tem maior aplicabilidade para equipes remotas (Osterwalder,
2011). Cada uma das versões apresenta vantagens que devem ser consideradas
pela equipe para tomar a decisão de qual é a melhor opção para cada projeto.
Reforçando as vantagens do Canvas na sua versão utilizando papel,
Osterwalder (2011) pontua que a mobilidade é um ponto forte, pois podem ser
criados em qualquer lugar. Esse formado impõe poucas barreiras de entrada por
ser intuitivo, não é necessário aprender a usar um aplicativo.
Como vimos ao longo da disciplina, a utilização da ferramenta em papel
também favorece o trabalho em equipe e encoraja a criatividade e ideação.
Certamente, é oportuna a utilização dessa modalidade em reuniões e encontros,
até mesmo para diversificar o contexto, que é cada vez mais dedicado a
dependência tecnológica. Pensar e interagir sem os computadores, tablets e
smartphones pode trazer abertura e oxigenação para que ideias poderosas
contribuam com o conteúdo do projeto.
Por outro lado, considerando as versões digitais de Canvas, encontramos
vantagens no armazenamento e distribuição da informação. Uma questão
favorável é a possibilidade de colaboração remota, quando participantes não
necessariamente estão fisicamente no mesmo local. Além desses aspectos,
Osterwalder (2011, p. 267) também cita como vantagem para a elaboração de
Canvas auxiliado por computador o “sistema de crítica, banco de dados de
modelos de negócios, ideias de padrões, mecanismos de controle”.
O uso da tecnologia permite o ganho de tempo e de escala, o que favorece
para que os gestores do projeto se dediquem mais à análise e gestão do que a
organização e distribuição das informações. Finocchio (2020, p. 176), quando
aborda o tema da tecnologia x metodologia, reconhece que:

A gestão pode ser mais colaborativa, as equipes podem ser distribuídas


geograficamente, a gestão pode usar múltiplas ferramentas visuais,
filtros e visões construídas em tempo real exibidas em grandes painéis
de vídeo.

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A contribuição da ferramenta Canvas vem a somar para a agilidade do
gerenciamento de projetos. Neste sentido, é natural que também esteja no
contexto digital, pois, citando Veras (2014, p. 58), “as metodologias para
gerenciamento de projetos praticamente exigem a utilização de software de
apoio”. Faz parte do momento atual a mobilidade e distribuição de informações
como facilitadores dos processos.
Concluímos que é o processo de elaboração do Canvas que traz os
benefícios da discussão sobre as dores e soluções em questão. O que trouxemos
das metodologias e instruções das ferramentas Canvas são norteadores para
encontrar essas informações.
O conteúdo escrito em cada componente será fruto da colaboração dos
envolvidos frente ao problema indicado e de acordo com o contexto que está
inserido. Portanto, independente da utilização dos recursos tecnológicos ou da
utilização de papéis e canetas, o importante será prezar pela colaboração e
ideação ao utilizar o Canvas como ferramenta para o repertório de projetos.

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REFERÊNCIAS

FINOCCHIO JUNIOR, J. Project Model Canvas. 2. ed. São Paulo: Saraiva


Educação, 2020.

OSTERWALDER, A.; PIGNEUR, Y. Business Model Generation: inovação em


modelos de negócios – Um manual para visionários, inovadores e revolucionários.
Rio de Janeiro: Alta Books, 2011.

SEBRAE. Quadro de modelo de negócios: um caminho para criar, recriar e


inovar em modelos de negócios. Cartilha, 2013.

VERAS; M. Gerenciamento de projetos: Project Model Canvas (PMC). Rio de


Janeiro: Brasport, 2014.

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