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TUDO O QUE VOCÊ PRECISA SABER

SOBRE CONFORTO TÉRMICO

Afinal, o que é conforto térmico?

Você já se viu em uma situação em que em um mesmo escritório mantido


condicionado a uma temperatura adequada, digamos 23ºC , 24ºC algumas
pessoas sentem frio, outras se sentem confortáveis e outras sentem calor?

Ou, digamos, você está em sua casa de campo, muito fria, e basta você se
posicionar em frente à uma lareira que já não mais necessita de tantos casacos,
cachecol e luvas? O que você experimentou nessas duas situações foram
variações acerca de sua satisfação com o ambiente que o circunda. Isso é
chamado de conforto térmico.
Ao contrário do que o senso comum tende a acreditar, o conforto térmico não
depende apenas da temperatura do ar que nos circunda.

Qual a definição de conforto térmico?

Conforto térmico é definido pela ASHRAE (https://www.ashrae.org) (American


Society of Heating, Refrigerating, and Air-Conditioning Engineers) como :

“Uma condição mental que expressa satisfação com as condições


térmicas do ambiente que é avaliado de forma subjetiva pelo
indivíduo”.

Repare que estamos diante de engenheiros, profissionais de ciências exatas


falando de “condição mental” e “avaliação subjetiva”. Pois é, o conforto térmico
é experimentado por cada um de nós de forma distinta, mesmo estando
expostos a um mesmo ambiente, como no exemplo do escritório.

Da mesma forma, nossa percepção acerca do conforto térmico pode mudar


abruptamente quando alteramos alguma variável ambiental, como quando nos
aproximamos da lareira em um dia frio, e já não mais precisamos de tantas
roupas para mantermos nosso estado de conforto.

Isso porque, para atingirmos um estado individual de conforto térmico é


necessário que haja uma determinada combinação harmoniosa entre fatores
ambientais, físicos, psicológicos e fisiológicos.

Vamos começar pelos fatores psicológicos que muitas vezes se confundem com
aspectos culturais. Mas primeiro… vamos à praia?
Foto: Viagens Cinematográficas
(https://www.viagenscinematograficas.com.br/2020/02/10-melhores-praias-do-
brasil.html)

Nada mais familiar ao brasileiro do que aproveitar o verão na praia.


Mas o que estamos vendo na imagem acima na verdade são
finlandeses aproveitando seu verão.

Quando saem às ruas durante essa estação do ano, os finlandeses frequentam a


praia, o mar, usam roupas leves.

A temperatura média do verão finlandês varia entre 13ºC e 17ºC. Para o finlandês,
acostumado a temperaturas que podem chegar a -30ºCno inverno, essa banda
de temperatura é considerada absolutamente confortável, enquanto que nós
brasileiros não nos atrevemos a ir à praia se a temperatura está abaixo dos 22ºC
ou  23ºC.

Dessa forma, fatores psicológicos influenciados pela cultura e região geográfica


do indivíduo alteram sua percepção de conforto térmico o que exemplifica a
subjetividade do tema.
Estado Fisiológico e a Percepção de Conforto
Térmico

Nosso estado fisiológico também altera nossa percepção de conforto térmico.


Altas taxas metabólicas por exemplo, quando estamos exercendo atividade física
exige uma condição ambiental diferente de quando estamos em posição
sedentária.

E o que dizer da crença popular de que mulheres costumam sentir mais frio do
que os homens? Isso é explicado cientificamente: mulheres possuem em média
uma taxa metabólica inferior à dos homens, ou seja, produzem menos calor para
manter suas funções vitais, o que faz com que se sintam confortáveis a
temperaturas mais altas.

Estudos indicam que se regulássemos nossos sistemas de ar- condicionado para


atender às necessidades metabólicas das mulheres, poderíamos economizar
muita energia em nossos edifícios (http://www.businessinsider.com/why-
women-are-always-freezing-in-office-buildings-according-to-science-2015-7
(http://www.businessinsider.com/why-women-are-always-freezing-in-office-
buildings-according-to-science-2015-7))

Existem também significativas diferenças na percepção de conforto térmico


entre pessoas de idades diferentes, também devido à diferenças na quantidade
de calor produzida pelo organismo do indivíduo. Do ponto de vista de variação
física entre as pessoas, a quantidade e tipo de roupas que usamos em diferentes
situações e estações também influencia significativamente nossa percepção de
conforto.
  Se abolíssemos por exemplo o uso de terno e gravata nos
escritórios em países tropicais, certamente poderíamos também
economizar muita energia em nossos edifícios de escritórios.

Não se pode controlar fatores culturais, psicológicos, ou metabólicos através de


estratégias de projeto. Não apenas esses fatores são alheios ao projeto do
edifício, mas também, como vimos, são altamente subjetivos.

Os fatores que o projetista de edifícios, seja ele engenheiro ou arquiteto podem


controlar ou manipular de forma precisa são os fatores ambientais.

Arquitetura Bioclimática e o Conforto Térmico

Projetar deve ser sempre voltado para o objetivo de alcançar conforto ambiental
(https://ca-2.com/o-que-e-conforto-ambiental-na-arquitetura/) aos ocupantes.
Para isso, é necessário conhecer muito bem as características do clima local e
levar em consideração as atividades a serem exercidas no espaço.

A arquitetura bioclimática (https://ca-2.com/arquitetura-bioclimatica/)é a


prática de projetar com a observação do clima e o aproveitamento dessas
condições climáticas locais, utilizando materiais adequados para cada superfície,
estratégias passivas de iluminação e ventilação natural (https://ca-
2.com/ventilacao-natural/) e sistemas de sombreamento.

Neutralidade Térmica

Neutralidade térmica é um conceito diferente de conforto térmico. Basicamente


é o estado físico em que ocorre troca de calor entre o organismo (calor gerado
através do metabolismo) e o ambiente, na mesma proporção, mantendo assim
uma temperatura corporal constante.
Qual a Importância do Conforto Térmico?

Segundo pesquisas, nós passamos cerca de 90% do nosso tempo em ambientes


construídos (fonte : Labeee (https://labeee.ufsc.br/linhas-de-pesquisa/conforto-
termico)).  O conforto térmico irá afetar o modo como nos relacionamos com o
ambiente e o desempenho das nossas atividades diárias. Estar em conforto
térmico significa ter condições adequadas e bem-estar físico e mental para
executar ações intelectuais ou manuais.

Estabelecer conforto térmico através de escolhas projetuais aumenta a


eficiência energética da edificação e reduz gastos desnecessários ou
excessivos com aparelhos de refrigeração ou aquecimento.

Conforto Térmico e Produtividade

Já esteve em um escritório em que a sensação de desconforto térmico tirou sua


concentração? A maioria provavelmente dirá que sim. Isso porque o desconforto
causa irritabilidade, inquietação e stress. O conforto térmico promove uma
sensação de bem-estar no ser-humano, sem esse estado de satisfação sofremos
perdas na produtividade e concentração.

“A uma temperatura 30ºC, a produtividade tende a cair em 20% enquanto a


chance de erro aumenta em cerca 75%, esses dados foram analisados pela NASA
(report CR-1205-1) podendo ser muito prejudicial ao rendimento” (Fonte: TMJR
(https://tmjr.com.br/influencia-conforto-termico-produtividade/)) Já em
ambientes mais frios, o corpo responde de maneiras diferentes, ocasionando
Ccansaço, lentidão e sono.

Como Projetar com Conforto Térmico?


Decisões simples, selecionadas nos primeiros estágios de projeto, como a
orientação adequada e aplicação de elementos sombreadores nas fachadas, são
capazes de promover conforto térmico e reduzir drasticamente o consumo
energético.

A ventilação natural é uma estratégia essencial que retira o ar “quente” e fornece


ar fresco de um espaço externo para o interno, sem a utilização de sistemas
mecânicos. Essa troca de ar constante aumenta a qualidade do ar interno e
torna o ambiente saudável e confortável.

Antes de selecionar estratégias que irão promover o conforto em edificações,


devem ser utilizados avançados métodos de simulação e análise computacional
para embasar as decisões corretas de projeto. A atenção às características dos
materiais é um outro fator que deve ser estudado e simulado em programas
próprios para isso.

É necessário conhecer o contexto local, orientação solar, bem como os diversos


conceitos e estratégias para a aplicação correta das soluções e assim alcançar o
objetivo de projetar uma edificação com desempenho e conforto.

Controle Ambiental

O controle ambiental em edifícios está relacionado à 4 variáveis: temperatura


do ar, umidade relativa do ar, velocidade do ar e temperatura radiante.
Foto: Archtrends (https://www.google.com/url?
sa=i&url=https%3A%2F%2Farchtrends.com%2Fblog%2Fbrises%2F&psig=AOvVaw
26JfWEEQjC_OLah5qVM_kf&ust=1603472400670000&source=images&cd=vfe&ve
d=0CAMQjB1qFwoTCJCfj6zWyOwCFQAAAAAdAAAAABAD)

Se conjuntamente refinados entre si e ajustados aos fatores subjetivos, podem


resultar em adequados níveis de percepção de conforto térmico para a maioria
das pessoas no ambiente construído. Os dois primeiros fatores (temperatura do
ar e umidade relativa do ar) são mais facilmente compreendidos.

Sabemos que para cada região geográfica/ cultural considerando um tipo de


atividade exercida, e para um determinado padrão metabólico médio de
indivíduos existe uma banda de temperatura do ar que é considerada
confortável pela maioria das pessoas.

Tanto a temperatura quanto a umidade relativa do ar podem ser controladas


pelos sistemas de ar- condicionado de edifícios. Para edifícios ventilados
naturalmente, o indivíduo fica sujeito às condições climáticas externas para
atingir níveis adequados de conforto térmico.
De maneira similar podemos observar o papel da velocidade do ar. Sistemas
mecânicos de ventilação podem variar a velocidade do ar, tal como pode um
bom e velho ventilador.

Foto: Roca (https://www.rocaceramica.com.br/blog/trends/view/cheio-de-


brasilidade-o-cobogo)

Mesmo quando a temperatura e umidade são desfavoráveis, proporcionar altas


velocidades de ar em contato com a pele humana, auxilia na evaporação do suor
e dissipação do calor, sendo capaz de reduzir significativamente nossa sensação
térmica.

Sendo assim, em nossos projetos, sempre que possível tentamos resgatar a


cultura do ventilador de teto, tão familiar ao nosso clima e muito importante na
manutenção de conforto térmico em grande parte de nosso território nacional.

Temperatura Radiante
A quarta e última variável ambiental que pode ser manipulada pelo
projetista (nesse caso, o arquiteto) é a temperatura radiante.

Lembra da sensação de calor que sentimos em frente à uma lareira? Ou aquele


desconforto térmico quando sentamos próximo à uma janela ensolarada em
nosso escritório? Pois bem, estamos diante de radiação infra-vermelha. Nós não
a enxergamos, como a radiação de luz visível, mas a percebemos como calor.

A temperatura radiante varia em função da exposição do indivíduo à radiação


infra-vermelha, no caso dos edifícios, o Sol.

Vidros de controle solar, principalmente os vidros insulados (https://ca-


2.com/voce-sabe-o-que-e-um-vidro-insulado/), low-e são capazes de reduzir a
temperatura radiante assim como a boa e velha sombra, traduzida em nossos
edifícios em forma de cobogós (https://ca-2.com/cobogo/), brises (https://ca-
2.com/brise-soleil-um-elemento-fundamental-da-arquitetura-bioclimatica/) e
platibandas.

A temperatura radiante talvez seja a mais negligenciada das variáveis do


conforto térmico em projetos atualmente. Se você é arquiteto, da próxima vez
que for projetar visando conforto térmico, lembre-se que uma parcela
significativa da equação está sob seu controle.

E se necessitar de maiores informações, podemos te ajudar : Consultoria em


Conforto Ambiental (https://ca-2.com/conforto-ambiental/)
(https://mailchi.mp/8b77ff1cade3/ebook-desempenho-termico-nbr-15575/?
utm_source=blog&utm_medium=post&utm_campaign=materiais)

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15.575)
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