Gestores ou líderes, quem emerge como enfermeiro-chefe na melhoria das qualificações pessoais e profissionais dos enfermeiros?

Managers or leaders, who surfaces like nurse-chief in the improvement of the personal and professional qualifications of the nurses?
Graça Maria Cainé Salvador - Enfermeira na UCSP Anadia I - gcaine@gmail.com

RESUMO O presente artigo explora as concepções de liderança e gestão, reconhecendo a liderança como uma identidade necessária ao bom desempenho individual e de grupo no seio da comunidade de enfermagem. No sentido de enfrentar as múltiplas fontes de competição, as organizações necessitam de ser mais flexíveis e sensíveis às necessidades ocorrentes manifestadas pelos clientes e mais adequadas às mudanças do dia-a-dia. Numa parte inicial, faz-se uma abordagem conceptual ao que distingue gestão de liderança, seguida de uma reflexão sobre a adequação dessas identidades à enfermagem, nomeadamente às expectativas dos enfermeiros em relação aos enfermeiros-chefes. PALAVRAS-CHAVE: Liderança, gestão, expectativas, enfermagem ABSTRACT The present article explores the conceptions of leadership and management, recognizing the leadership like a necessary identity to the good individual performance and of group in the heart of the community of nursing. In the sense of facing the multiple fountains of competition, the organizations need of being more flexible and sensitive to the happening necessities shown by the clients and more appropriate to the changes of day by day. In an initial part, a conceptual approach is done to what it distinguishes management of leadership followed from a reflection on the adaptation of these identities to the nursing, namely to the expectations of the nurses regarding the nurses-chiefs.

KEYWORDS: Leadership, management, expectations, nursing
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chefes de secção.). Fayol e Max Weber.” Para este autor.NOTA INTRODUTÓRIA Os papéis de gestão e liderança. por exemplo. chefes de serviço. Os povos da pré-história sempre se nortearam por processos mentais de gestão (gestão dos recursos alimentares. necessitando de saber direccionar as políticas administrativas. organização. Ele descreve três níveis de gestão: operacional (onde prevalece a componente técnica.3). por exemplo. intermédio (prevalece a componente táctica. pág. é uma arte. com a introdução da agricultura) e processos mentais de liderança (desde sempre todos os povos e tribos tiveram um chefe. com o surgimento das teorias clássicas de Taylor. por isso passaram de nómadas a sedentários. Os povos da pré-história sempre se nortearam por processos mentais de gestão (gestão dos recursos alimentares. de departamento. começou-se a aprofundar o conceito de gestão. a tarefa de gestão consiste em interpretar objectivos propostos e através de. por isso passaram de nómadas a sedentários. GESTÃO E LIDERANÇA Os conceitos de gestão e liderança. com a introdução da agricultura) e processos mentais de liderança (desde sempre todos os povos e tribos tiveram um chefe. direcção e controlo de esforços realizados. Depois da revolução industrial. estão implícitos desde a pré-história embora só se tenham começado a debater no século passado. etc. uma liderança eficaz pode conduzir ao aumento de produtividade] -e motivação. 2 . regula a movimentação de recursos a curto prazo e a elaboração de planos e programas específicos e onde se enquadram os directores de divisão. A enfermagem como parte considerável e fundamental dessas estruturas organizacionais tem de se interessar com o seu auto desenvolvimento e para gerar produtividade [segundo Tappen. directores funcionais. No presente século. de área. as organizações de saúde têm uma dimensão avultada e são compostas por pessoas que as representam. o papel de quem orienta e regula e coordena equipas de tamanho considerável.) e o nível institucional (onde predomina a componente estratégica. estão implícitos desde a pré-história embora só se tenham começado a debater no século passado. transformar esses objectivos em acção empresarial com a finalidade de os atingir. alguém que eles seguiam ou que os orientava). É desta arte que a liderança faz parte. Para Teixeira (2005. (2001). gestão é um… “processo de se conseguir obter resultados (bens ou serviços) com o esforço dos outros. etc. alguém que eles seguiam ou que os orientava). planeamento. envolvendo todos os recursos disponíveis na determinação do rumo a seguir a médio e longo prazo. regula a execução de rotinas e procedimentos e onde estão incluídos os supervisores.

ou ainda.163) refere que a liderança é… “o processo de influenciar outros de modo a conseguir que eles façam o que o líder quer que seja feito. Golda Meir.um exército sobrevive sem problemas se houver uma boa gestão ao longo da linha hierárquica em simultâneo com uma boa liderança no topo. Margaret Thatcher e Benazir Bhutto.> De facto.163). Os líderes devem saber não só. democrático e laissez-faire. O autocrático estabelece tarefas aos subordinados e espera que sejam concretizadas sem problemas. porque é que os liderados agem de certa forma.regulando políticas de carácter geral. ou seja. torna-se necessária a existência de uma liderança competente em todos os níveis da hierarquia. não uma tensão negativa. pág. Mas em tempo de guerra. e que envolve membros do conselho de administração. estes líderes são catalisadores em vez de controladores criticam construtivamente e não de uma forma punitiva (Tappen. existem basicamente quatro estilos distintos de liderança: autocrático. o líder participativo envolve os subordinados na elaboração da tomada de decisão.” (Teixeira. militar e ocidental. o democrático procura fazer o que a maior parte dos subordinados deseja e isso funciona como gerador de produtividade. a capacidade para influenciar um grupo a actuar no sentido da prossecução dos objectivos do grupo. até ao final do século XX. Já a liderança é um conceito que teve o seu maior desenvolvimento a partir da Segunda Guerra Mundial. ESTILOS DE LIDERANÇA E ABORDAGEM COMPORTAMENTAL Segundo Teixeira (2005). ninguém põe a questão de como se gerem pessoas no campo de batalha. 2004). mas também como influenciar esse comportamento. lideradas. daí o título dado a Adolf Hitler – Der Fürer que quer dizer . 2005. a liderança foi vista como um conceito masculino. Teixeira (2005.” Tappen (2001) menciona que os líderes geram e apoiam a tensão criativa num grupo. mas é sempre ele que tem a última palavra e que aufere de autoridade final. O estilo laissez-faire permite que os subordinados 3 . gerência. mas o tempo veio mostrar-nos grandes líderes feministas como Indira Gandhi. dado que é o que estimula de forma activa o grupo e o orienta para atingir as suas metas. mas uma tensão positiva que mobilize a energia e o entusiasmo do grupo. supostamente devido à visibilidade de liderança demonstrada por indivíduos com um papel de grande responsabilidade no caos desse conflito à escala mundial. Elas precisam é de ser chefiadas. penso que é a versão verdadeira de um bom líder. pág. conselho de gestão e direcção geral). 2001). “A diferença entre gestão e liderança é bem evidenciada numa imagem expressiva de John Kotter¹: <Em tempos de paz.o líder (Hooper e Potter. Segundo estes autores. participativo.

passivo. desenvolvida nos anos 60 (Teixeira. Teixeira (2005) refere estudos na universidade de Ohio identificou duas dimensões no comportamento dos líderes: a estrutura de iniciação (capacidade de estabelecimento de objectivos e estruturação de tarefas de maneira a serem atingidos os objectivos) e a consideração (que é a medida de relação de confiança entre líder e subordinados e do respeito que o líder tem pelas ideias e sentimentos dos subordinados). Resultam daqui combinações que se traduzem em quatro tipos de liderança: Fig. Algumas análises reportam-se ao comportamento como princípio diferenciador dos líderes e não líderes. Este autor refere que esta grelha assenta numa matriz bidimensional (a preocupação com as pessoas e a preocupação com a produção).166) Também se desenvolveram outros estudos sobre estilos de liderança e diferenças comportamentais.tomem as suas próprias decisões e o líder não se envolve no trabalho do grupo. geralmente inactivo. 1 Modelos de liderança da Universidade de Ohio Fonte: Teixeira (2005. estas duas dimensões cruzam-se conforme se verifica na seguinte figura: 4 . absolutamente permissivo e não directivo. 2005). pág. mas uma das teorias mais abordadas é a grelha de gestão de Blake e Mouton.

Fig. decisões e soluções dos problemas estão clarificados) e a posição de poder do líder (autoridade formal).Fig. a estrutura da tarefa (isto é. 2 Grelha de gestão de Blake e Mouton Fonte: Teixeira (2005. 3 Modelo de liderança de Fiedler Fonte: Teixeira (2005. Este considera que a pessoa torna-se líder não só devido às características da sua personalidade. se os objectivos. pág. Fiedler defende que são três os principais factores que estabelecem se uma situação é favorável ou não ao líder: a relação líder/subordinado. mas também devido à inter-relação de alguns factores situacionais e da interacção líder/subordinados. pág173) 5 .169) Segundo Teixeira (2005).a teoria que tem tido melhor aceitação vem da universidade de Illinois e é defendida por Fiedler.

2005). pág.Ainda existe uma teoria situacional de liderança muito adoptada por alguns gestores de grandes empresas e que assenta no pressuposto de que a liderança mais eficaz varia de acordo com a maturidade dos subordinados e as características da situação (Teixeira.176) Fig. 5 Modelo de liderança de Hersey e Blanchard Fonte: Teixeira (2005. 6 . mas Hooper e Potter (2004) separa estes dois processos. 177) GESTÃO VERSUS LIDERANÇA A maior parte dos autores misturam o papel de líder e de gestor na mesma pessoa.4 Estilos de liderança/maturidade dos subordinados Fonte: Teixeira ( 2005. pág. É o modelo de liderança de Hersey e Blanchard e também é bidimensional (usa a dimensão comportamento de tarefa e comportamento de relação) e resume-se nestas duas figuras: Fig. não fazendo uma diferenciação isolada das funções e papéis de cada um. com base na ideia de John Kotter.

Necessitam de ser proactivos numa situação de mudança contínua e capazes de tomar decisões em tempos problemáticos e de crise (Idem). o líder centra-se nas pessoas. tenta-se atingir os resultados organizando e gerindo o pessoal. é uma cópia e mantém. o líder inova. 2004). procura-se estabelecer uma direcção e desenvolver uma visão do futuro. Como resultado proporciona um determinado nível de previsibilidade e ordem e tem o potencial de produzir. O gestor pergunta como e quando e está desperto para a base. delegação de poderes. desafia o status quo e obedece pensando. O gestor imita. para depois planear e organizar de modo a resolver esses problemas. o líder pergunta o quê e porquê e está desperto para o horizonte.Estes mesmos autores referem que no âmbito da gestão. estabelecem uma direcção (visão do futuro) para a organização e são bons transmissores. o método assenta em controlar e resolver problemas. Os líderes conseguem fazer realçar as melhores qualidades das pessoas e isto requer uma abordagem holística que inclui motivação. aprende e cria cultura. como resultado. recebe informação e opera dentro da cultura. orientação e encorajamento. a sua iniciativa vai além do que está definido e têm a coragem de desafiar normas existentes. arrastando uma cauda emocional que os leva a alcançar essa visão e trabalharem conjuntamente para um objectivo comum (Hooper e Potter. delegando responsabilidades e autoridade para a execução. consistentemente. O gestor faz as coisas correctamente. é um original e desenvolve. como a inspirar os seus colaboradores. burocrática e de recursos. No âmbito da liderança. Hooper e Potter (2004) referem (citando Warren Bennis) que o gestor administra. obedecendo. não só a transmitir a sua visão. o líder origina. O método assenta em motivar e inspirar as pessoas a ultrapassar barreiras à mudança política. inspira confiança e tem uma visão de longo alcance. procura-se planear e orçamentar. O gestor centra-se nos sistemas. COMPETÊNCIAS DE UM BOM LÍDER Os bons líderes são grandes influentes porque têm a consciência de que as pessoas se deixam influenciar mais pelo que vêem do que pelo que lhes é dito. identificando os desvios. Preocupam-se com a forma como as pessoas são tratadas e sustentam um perfil de pouco destaque. Conseguem motivação para eles próprios e para os outros. o líder faz as coisas certas. aceita o status quo e não questiona ordens. proporciona mudanças. mantêm um sentido de humor em relação a eles próprios e às situações em que se 7 . de forma a influenciar a criação de equipas que compreendam essa visão. baseia-se no controlo e tem uma visão de curto alcance. tenta-se atingir os resultados alinhando as pessoas e comunicando a direcção através de palavras e acções àqueles cuja colaboração possa ser necessária.

ou as percepções que temos dos papéis dos outros no âmbito da organização” (Trevizan.vêem envolvidos (Ibidem). criatividade. confiança.2) de Blake e Mouton é o totalmente desejável para a maioria dos entrevistados. “O capital humano continua sendo o bem mais valioso de uma empresa” (Balsanelli. o autor refere que “compreende a importância do forte vínculo que deve existir entre as metas e objectivos do serviço de enfermagem e as necessidades das pessoas que vivenciarem um trabalho compensador e estimulante (…) a construção e manutenção de um ambiente de espontaneidade. A capacidade de comunicar é assim o âmago da liderança. a energia. pág. de enfermagem e o raciocínio crítico). Noutro estudo aplicado em dois hospitais do interior do Estado de São Paulo. a acção e as metas como os principais componentes da verdadeira liderança. Tappen (2001) nomeia o conhecimento (de liderança. Esta autora refere que um melhor conhecimento dos conceitos de liderança. Trevizan (2001.117). pág. Fundamentando estes resultados. Higa (2005) também chegou à conclusão que os enfermeiros demonstraram preferência pelo estilo 9. 2006). Embora a liderança seja já um tema muito debatido neste século e ao qual já se dá alguma importância. pois terá que servir de inspiração para que subordinados estejam dispostos a seguir o seu trilho.” A comunicação é um elemento primordial no processo de liderança do enfermeiro. as escolas têm ainda necessidade de rever o seu conteúdo programático em relação a este tema na formação dos seus profissionais (Balsanelli. 2001. Este autor nomeia o enfermeiro líder e não chefe. comprometimento e coesão (…) mudando seu modo de pensar frente a ideias mais pertinentes e adequadas de algum trabalhador” (Trevizan. pois a forma como se transmite a informação vai interferir no resultado requerido (Balsanelli. No entanto. depende da equipa de trabalho que constitui o quadro de pessoal. pág. este autor refere que a escolha do modelo de liderança a ser adoptado. o auto-conhecimento (de si próprio). a capacidade de comunicação (que está no coração da liderança. 2006. as expectativas “são as percepções do comportamento adequado ao nosso próprio papel ou posição.9.24). promove uma maior 8 . 2001.9 (fig. opinião que é também partilhada por outros autores. segundo esta autora). Trevisan (2001) aponta três estudos relacionados com liderança do enfermeiro e conclui que o estilo 9.26). pág 22) refere “… a verdadeira liderança ocorre quando os seguidores decidem seguir seus líderes porque acreditam neles e nas suas visões. sinceridade. AS EXPECTATIVAS DOS ENFERMEIROS EM RELAÇÃO À LIDERANÇA Segundo Hersey e Blanchard (1986). 2006).

de persuadir e traçar mudanças. pág. Podemos todos ser gestores de alguma coisa mesmo no nosso seio familiar. coragem e liberdade criativa. 2001). tudo na vida é de alguma forma gerido. que carece na promoção das suas habilidades ousadia. uns mais desenvolvida do que outros. mas quem de faculdades mentais naturais é que nasce sem ter nenhum sentido de gestão? Numa família nuclear. Futuramente. disposição. está a liderar. Já a liderança não nos é facultada a todos à nascença. o trabalho. ou gestores da nossa própria vida e essência. a liderança de enfermagem é um desafio que emerge perante os profissionais. poderemos assim com essa facilidade liderarmo-nos a nós próprios? Temos todos a oportunidade de experimentar a liderança? Bem. mas. o que constatei das pesquisas feitas é que por exemplo no Brasil está a dar-se muita ênfase à formação na área da liderança no pessoal de enfermagem. e líderes. porque existe uma profissão subordinada ligada à enfermagem (auxiliares de enfermagem) que é liderada por enfermeiros e está por isso a haver um acréscimo de investigação nessa área e do levantamento das necessidades formativas na área da liderança. a autora dá 9 . o desempenho pode melhorar. o respeito. ou sentimentos. todo o ser humano tem inerente a si a capacidade de gestão. quer pele formação que têm. se forem encaminhadas para o rancor e ansiedade. Não concordo com Tappen (2001. pois nem todos temos a faculdade de desenvolver a imaginação. Se as emoções das pessoas forem conduzidas para o entusiasmo. só que alguns desenvolvem melhor a capacidade de gestão que outros. mas que cada um desenvolve mais ou menos essa capacidade. argumentando que todas as ocasiões em que alguém consegue influenciar o comportamento de alguém. sendo para isso indispensável o conhecimento do processo de liderança. quer pela capacidade inata que todos temos. ANÁLISE CRÍTICA Na realidade da minha perspectiva. Na busca da excelência dos serviços.objectividade dos líderes e o conhecimento do próprio desempenho amplia consideravelmente a capacidade crítica do ser humano. enfim.. não gerem os dois adultos? Ou se gere autoridade.5) quando refere que “Qualquer membro do grupo pode agir como deu líder”. 2007). ficam desorientadas e revoltadas (Armada et al. os recursos económicos. Higa (2005) menciona que a liderança é um recurso importante no processo de cuidar do ser humano e de gerir pessoas e que necessita de ser mais bem desenvolvida pela enfermagem. A gestão aprende-se. a humanização e a flexibilidade são princípios fundamentais para o alcance do sucesso e da realização da profissão (Trevizan.

os que proclamam a mudança e desafiam o presente. Como está descrito na teoria de característica de liderança. traços de personalidade para liderar (Tappen. este. pragmáticos e centrados nas tarefas e não nas pessoas. o bom líder poderá ter capacidades de gestor (na grelha de gestão de Blake e Mouton. do ambiente)? Quem é que na política interfere com os nossos ideais e aspirações. O capital humano continua a ser o bem mais valioso de uma organização. pág. não são eles os ministros-adjuntos (da saúde. Fazendo uma retrospectiva pela minha experiência de 20 anos da disciplina de enfermagem e pelos chefes e coordenadores com que me cruzei. Tappen (2001. enquanto que o bom gestor pode não adquirir capacidades de líder (os indivíduos situados na grelha na área 9. uma pessoa tem que ter certas capacidades inatas. Não será a liderança um processo mais complexo de adquirir exequibilidade? Não flui só de alguns indivíduos e não será de mais difícil aprendizagem? Não carecem os processos de mudança de uma orientação inata e mais desenvolvida por aprendizagem? Se reflectirmos na concepção que nos cedem Hooper e Potter.são de facto os bons gestores. o que é que encontrei? Indivíduos com boas capacidades de gestão propriamente dita.1.” Discordo deste ponto de vista. que nos facultaram apenas uma visão de curto alcance. serão líderes os que se enquadram no patamar 9. 10 . conclui que o estudante de enfermagem exerceu liderança. sugere ao interno de medicina que anestesie o doente. Podemos encontrar posições intermédias que tentem equilibrar uma orientação média de cada atribuição. então. mas a liderança ficará sempre um pouco apagada pois a liderança requer uma posição revolucionária. mas com pouca perspectiva de liderança. que lideram e são os elementos capitais. que incentive mudanças. não são os líderes? A autenticidade do líder na sua personalidade é o que faz descobrir novos destinos e inspirar discípulos a seguir um novo rumo.5). influenciado pela sugestão do estudante de enfermagem. pouco inovadores. como presidentes da república e primeiros-ministros? Onde é que se encaixam os bons gestores. tudo isto faz-nos pensar que há uma necessidade de diferenciação de capacidades para orientar e fazer a profissão crescer nas suas condutas e essência.inclusivamente um exemplo prático em que um estudante de enfermagem ao assistir ao desbridamento cirúrgico de uma úlcera. apesar de ser o elemento mais novo. que de líderes não têm grandes qualidades).9). pois não são circunstâncias isoladas que permitem a possibilidade de liderança. acaba por proceder à anestesia. das finanças. citando Tichy refere “Todas as pessoas têm potencial de liderança…a liderança está em si. 2001). por exemplo: quem é que arrasta grandes massas? Não têm sido os revolucionários. Vejamos o que acontece na política.

11 . conhecedores e entusiastas. Penso que o âmago desta questão está precisamente nesta reflexão de Higa. o que autoriza alguém a agir como líder é a percepção positiva que os seguidores mostram em relação à pessoa. do pensamento. limitada nas suas capacidades intelectuais e emocionais. no qual o tal capital humano que vai gerar produtividade não tem nenhuma palavra a dizer.Vendo a liderança como um processo que assenta nas emoções.“A ideia de criatividade sugere aprender a interpretar as relações nos diferentes contextos de actuação da enfermagem. como menciona Higa (2005. Tal como refere Trevizan (1998). reflictamos: quem são os nossos pares que menos denunciam emoções e a quem nós também ocultamos as nossas frustrações. neste sentido. E como refere Ribeiro (2006). ou talvez um processo misto de eleição – avaliação curricular. atendendo a todo este misto de ideias. Considero pois. pois não há líder com entusiasmo que coordene entusiasticamente uma equipa desmotivada. ginástica mental e da criatividade. rude. 2005).64) . de projectos e investimentos pessoais e de grupo e pela união de todos os enfermeiros (Higa. e superar os limites do comodismo e da manutenção do status quo”. limitações e emoções? Não são os nossos chefes? È notório que se verifica aqui uma necessidade de mudança. que a escolha de um enfermeiro-chefe deveria ser por eleição dos subordinados. Não podemos sair da rota da formação. se não for deliberadamente estimulada com atitudes inovadoras. Um grande líder tem normalmente por trás subordinados motivados. a visão de legitimidade da liderança baseada na aceitação do líder indica que grande parte do poder do líder encontra-se no próprio grupo. A liderança tem poucas probabilidades de se desenvolver na enfermagem. O líder do futuro tem que ter a capacidade de criar um ambiente gerador de capital intelectual (Galvão. mas nunca apenas um concurso com avaliação curricular. pág. 1998). entende-se que a liderança seja vista como uma responsabilidade e não como uma posição ou um privilégio. nem escolha a fazer.

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