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Trabalho – psicologia do trabalho

O trabalho na ditadura – Brasil campeão de acidentes mundial


https://www.sergiocastro.com.br/historias-do-rio/historia-da-construcao-da-ponte-rio-niteroi-2/84115 - Reportagem site - Ler

https://periodicos.ufsc.br/index.php/mundosdotrabalho/article/view/1984-9222.2015v7n13p151/31305 - ouvir

https://repositorio.ufpe.br/bitstream/123456789/18673/1/Tese%20PPGH%20UFPE%20-%20Ana%20Beatriz%20Ribeiro%20Barros%20Silva
%20-%20O%20desgaste%20e%20a%20recupera%C3%A7%C3%A3o%20dos%20corpos%20para%20o%20capital.pdf

Trabalho atualmente:
Comparação acidentes e direitos

https://www.scielo.br/j/rbso/a/WLqRPd87NwyFw5sq83tS6nM/?format=pdf&lang=pt

https://www.trt4.jus.br/portais/trt4/modulos/noticias/501143 - reportagem ler

https://www.anamt.org.br/portal/2022/03/21/previdencia-divulga-acidentes-de-trabalho-de-2020/

https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2021/08/11/nota-centrais-sindicais-contra-jabutis-minirreforma-trabalhista.htm *

]terceirização

https://repositorio.ipea.gov.br/bitstream/11058/8258/1/Terceiriza%C3%A7%C3%A3o%20do%20trabalho%20no%20Brasil_novas%20e
%20distintas%20perspectivas%20para%20o%20debate.pdf Cap 1-5

Fuga de cérebros

https://www.otempo.com.br/economia/fuga-de-cerebros-salta-40-sob-governo-bolsonaro-1.2496658

https://www.bbc.com/portuguese/brasil-51110626

https://www.brasildefato.com.br/2021/07/26/artigo-de-malas-prontas-migracao-de-jovens-e-fuga-de-cerebros-no-brasil

Trabalho na ditadura
● O inimigo interno da ditadura: Trata-se por isso mesmo de uma ideologia de dominação de classe, que
tem servido para justificar as mais violentas formas de opressão classista.
● Como um regime responsável por tanta barbárie conseguiu manter-se por 21 anos? Ao custo de quem o
“desenvolvimento com segurança” foi efetivado, a exemplo do “milagre” econômico, a ponto de ainda hoje
a ditadura ter tantos defensores saudosistas?
● A compreensão do impacto daqueles governos sobre os trabalhadores tem recebido pouca atenção dos
historiadores
● a classe trabalhadora ter sido o “alvo primordial” do golpe e da ditadura
● o que era ser trabalhador durante a ditadura militar?
● A serviço de quem e a que custo os trabalhadores brasileiros atingiram índices altíssimos de
produtividade? A que riscos os trabalhadores eram submetidos em sua rotina laboral e quais os efeitos
sobre a sua saúde?
● Assim que assumiram o poder, os golpistas eliminaram do cenário político todas as organizações, setores e
pessoas que pudessem representar algum tipo de oposição à ordem autoritária que se instalava. O
movimento sindical foi decapitado, ao passo que os sindicatos e federações foram colocadas sob
intervenção estatal.
● Para garantir o “desenvolvimento com segurança”, mola mestra da Doutrina de Segurança Nacional e
Desenvolvimento, foi criado pelo governo Castelo Branco o Ministério do Planejamento e Coordenação
Econômica, com o objetivo de coordenar e aplicar um novo modelo econômico com vistas a atrair o
capital internacional e garantir o aumento da acumulação capitalista. Tendo a redução do déficit público e
a luta contra a inflação como suas prioridades, o primeiro Programa de Ação Econômica do Governo (PAEG,
1964-1966) tinha três eixos fundamentais: “imposição de uma severa política de crédito ao setor privado;
redução do déficit governamental; e uma política de controle salarial”.
● No mesmo sentido, foi instituído o controle das greves através da Lei de Greve (Lei nº 4.330, de 1º de junho
de 1964) que proibia terminantemente as greves para os funcionários públicos de todas as instâncias e de
empresas estatais, bem como para os trabalhadores dos serviços considerados essenciais. Para serem
consideradas legais, as greves que tinham que obedecer a uma série de condições e exigências burocráticas
que as tornavam impossíveis na prática.15
● foi criado um mecanismo para o cálculo dos reajustes salariais com o intuito de “despolitizar” as
negociações salariais entre patrões e empregados, além de eliminar a atuação política dos sindicatos. Na
nova fórmula, os salários seriam aumentados anualmente, de acordo com um índice determinado pelo
governo, que levaria em conta o salário médio dos dois anos anteriores ao aumento, a previsão inflacionária
para os 12 meses seguintes e a estimativa de aumento da produtividade dos trabalhadores contínua e
proposital subestimação do resíduo inflacionário e das taxas de produtividade, sempre calculadas muito
abaixo do valor real, fizeram os níveis de salário cair espantosamente, o que maximizava a exploração do
trabalho e consequentemente, ampliava os lucros dos empregadores
● A legislação trabalhista era considerada pelos governos militares como outra barreira rumo ao crescimento e
dinamismo econômico do país. Pela lei vigente, os trabalhadores com tempo de serviço entre um e dez
anos na mesma empresa tinham direito a uma indenização, caso fossem demitidos sem justa causa.
Empregados há mais de dez anos na mesma empresa só podiam ser demitidos caso o empregador
demonstrasse falta grave, o que na prática concedia estabilidade aos trabalhadores. Segundo seus críticos,
esse sistema desencorajava demissões em massa e era considerado muito dispendioso, especialmente pelas
empresas multinacionais, que não podiam gozar da liberdade de transferir seus investimentos para outros
lugares com melhores incentivos iscais, por exemplo, sem ter que arcar com o alto custo das indenizações
aos seus empregados demitidos.
● . Para substituir as regras de estabilidade foi criado em 1966 o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço
(FGTS). A partir de então, a priori, não existia mais qualquer tipo de estabilidade e os trabalhadores podiam
ser facilmente demitidos, independentemente do tempo de serviço.
● FGTS: O que é: O FGTS  é uma poupança aberta pela empresa em nome do trabalhador que funciona
como uma garantia para protegê-lo em caso de demissão sem justa causa. Os valores do FGTS pertencem
exclusivamente ao trabalhador e, em algumas situações especiais, pode ser sacado sem que o trabalhador
tenha deixado o emprego. O Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) NÃO pode ser  descontado  do
salário dos empregados. Nesse caso, trata-se de uma OBRIGAÇÃO apenas do EMPREGADOR. Além do salário
a que o empregado tem direito, o empregador deve depositar 8% do salário bruto em conta, no nome do
trabalhador.
● Vale destacar que o controle salarial só foi efetivo devido à ameaça das demissões em massa e à
instabilidade generalizada no mercado a rotatividade crescente dos trabalhadores mantinha os salários
cada vez mais baixos, pois sempre que um trabalhador era readmitido em outra empresa, ele recomeçava
no nível salarial mais baixo
● o crescente número de categorias profissionais que tiveram perdas salariais: em 1974, impressionantes 46%
registraram perda superior a 30% em seu salário. O poder aquisitivo do salário mínimo passou a sofrer
crescente e significativa desvalorização, chegando ao ponto de, em 1976, atingir apenas 31% de seu valor
em 1959. Consequentemente, se em 1959 eram necessárias 65 horas e 5 minutos de trabalho para comprar
a ração alimentar mínima, em 1974 eram necessárias 163 horas e 32 minutos de trabalho para adquirir a
mesma quantia.
 Enquanto isso as empresas apenas se beneficiavam, aproveitando da “elevada produtividade’ devida
ao medo de perder o salário e o aumento do mínimo para sobrevivência
 Um exemplo disso era a Usiminas, a grande empresa siderúrgica de Minas Gerais. Se em 1965 sua
produtividade era de 48,5 toneladas/homem/ano, em 1968 o índice saltou para 121,9 e em 1973
atingiu impressionantes 247 toneladas/homem/ano, o mais alto da América do Sul. Sob o lema “O
recorde de hoje é a média amanhã”, a Usiminas vinha seguidamente batendo recordes de
produtividade comparáveis às grandes indústrias siderúrgicas do mundo. Logo após em uma reforma
técnica e administrativa mais de 2 mil empregados foram demitidos, seções que antes haviam 20
empregados agora haviam 4, sendo aqueles mais qualificados, e os serviços braçais terceirizados para
empreiteiras, chegando a ter 8 mil empregados da empresa e 12 mil empregados terceirizados
 mas o foco principal era o incentivo à disputa entre grupos de trabalho. O prêmio para as equipes que
atingiam suas metas podia ser “um lanche mais caprichado”, um churrasco ou uma visita a um cliente.
(semelhante aos bônus de empresas de telemarketing hoje em dia)
 o salário era b baixo, mas a série de ‘benefícios” na época como casa barata, comida e escola, chamava
mais empregados. Mesmo assim em alguns meses empregados faziam por volta de 200h extras para
poder sobreviver
 mas situação verdadeiramente difícil era enfrentada pelos trabalhadores braçais que prestavam
serviço à empresa e eram muito mal remunerados.
● Corretamente, Antonio Luigi Negro considera a política de estabilização econômica implantada na ditadura como
“o AI-5 dos trabalhadores”,(ou seja, poder supremo dos patrões) o que só pôde ser implantado com base na
“coerção, vigilância, tutela e punições”.
● Devemos enfatizar que os efeitos do arrocho não foram sentidos de forma simultânea e homogênea por toda a
classe trabalhadora, mas teve maior impacto, sobretudo, sobre os trabalhadores menos qualificados, cujos
ganhos dependiam mais “do poder de barganha da classe em conjunto” distanciamento entre o salário mediano
real e o salário médio dos trabalhadores ligados à produção.
● Baseado na nova legislação salarial e trabalhista, nas generosas isenções fiscais para o empresariado, além de
amplos investimentos estatais em áreas estratégicas, objetivou-se favorecer a grande empresa e demais estratos
de alta renda como forma de impulsionar o crescimento econômico. Com tantas vantagens, grande volume de
capital estrangeiro foi investido no Brasil, especialmente nos setores de bens de consumo duráveis e bens de
capital, ao passo que o Estado destinava seus investimentos para as indústrias de base e grandes obras
estruturais. Este conjunto de políticas acabou por dar origem ao chamado “milagre” econômico
● como bem destaca o estudo de John Humphrey, pesquisador inglês que teve a oportunidade de visitar e
examinar o funcionamento de diversas indústrias do setor automobilístico durante a ditadura – setor
considerado “a menina dos olhos” do regime – foram os trabalhadores que, de fato, fizeram o “milagre”. a
pressão sobre os trabalhadores era constante para que dedicassem cada vez mais esforço no trabalho. Mesmo
sem mudanças técnicas, a produção tinha que crescer sempre, o que ficava sob a responsabilidade dos gerentes
de cada setor. “Os tempos agora são arbitrários e reduzidos. Se tem dez pessoas fazendo um serviço, eles já
estão pensando que é demais e que devem tirar mais dois. Às vezes não dá. Todo mundo sai nervoso daqui”.
 relatos de funcionários dizendo que ficavam muito nervosos e afetavam sua saúde mental.
 Ambientes muito inseguros de se trabalhar, devido a alta velocidade e a economia de gastos com
a segurança do trabalhador.
 Era quase obrigatório fazer hora extra e muitos trabalhavam aos sábados e domingos e os que
recusavam tinham chance de demissão aumentada
 Trabalhadores doente, cansados, custo de vida altíssimo, insegurança alimentar, famílias sem
lazer e filhos sem a presença dos pais. Tudo isso, em nome da “grande potência “ do Brasil, para
uma economia melhor. Melhor para quem?
 As empresas diziam que o aumento absurdo de produtividade se devia a qualidade dos
funcionários e as técnicas de meta, quando na verdade era devido ao medo de perder emprego e
as inúmeras horas extras, como por exemplo na wolksvagem que chegava a 300 mil horas extras
por mês (isso com a mesma linha de raciocínio de diminuição de trabalhadores, tendo como
incentivo as horas extras que recebiam cerca de 25% a mais do que as horas normais de trabalho)

● Sendo a única forma de conseguir o mínimo de lazer, os trabalhadores apoiavam as horas extras, por mais
que os líderes de alguns sindicatos tentassem alertar que era apenas uma forma de enganar ele da luta
principal: seus direitos.

ACIDENTES
● Com o aumento de horas trabalhadas, havia o aumento de cansaço e com isso a falta de atenção no
trabalho, que viria a se tornar o grande mal para os acidentes em conjunto com as precárias situações.

● Em 1968, através do Decreto-Lei nº 389, foi regulamentado o pagamento dos adicionais de insalubridade e
periculosidade, cujos limites seriam estabelecidos pelos técnicos do governo. Mas como de costume, os
empresários mostraram-se resistentes a mais este gasto e o descumprimento à lei era comum, restando aos
trabalhadores a via legal. Muita luta para conseguir esse direito.
� Como isso não bastasse, mesmo no caso de amputações, lesões e sequelas que arrastaria pelo
resto da vida, o trabalhador ainda tinha que provar a sua condição de vítima, pois nesse período
ganhava cada vez mais respaldo “cientíico” a culpabilização do trabalhador pelos ATs que sofria.
� a intervenção do Estado nos locais do trabalho através do Decreto-Lei nº 389 com vista a verificar as
condições de trabalho e autuar as empresas que descumprissem a legislação, tinha muito mais um
caráter simbólico, para não dizer fictício, devido à sua evidente inoperância durante a ditadura.
 aumento da oferta de força de trabalho feminina e infantil, que recebiam salários ainda
mais baixos do que os dos homens adultos.

nesse período, o Brasil se tornou o recordista mundial em volume de acidentes de trabalho


 Até quando os trabalhadores iriam aguentar?
 De certo modo, a legislação previdenciária, ampliada durante a ditadura, foi uma forma de compensar
algumas das perdas e restrições de direitos daquele período, além de regulamentar e generalizar as formas
de exploração do trabalho, coibindo a depredação total da força de trabalho.
 Durante a ditadura, paulatinamente, os custos referentes às indenizações por acidentes de
trabalho foram sendo assumidos pelo governo sob a forma de benefícios previdenciários. Assim,
as ações indenizatórias eram desestimuladas em troca de uma irrisória aposentadoria por invalidez
ou morte, por exemplo, sob o irônico nome de “benefício”. Além de haver uma série de requisitos
para confirmar que foi um acidente de trabalho.
 . Efeito colateral da concentração do setor de acidentes de trabalho nas mãos do Estado, que
possibilitou a coleta e elaboração de séries estatísticas sobre a morbidade e a mortalidade no
trabalho, na década de 1970, mesmo com dados manipulados e subestimados (principalmente no
âmbito rural), o Brasil foi considerado o recordista mundial em acidentes de trabalho.
 No primeiro semestre de 1969, foram registrados, em média, 4.000 acidentes por dia útil.*
 ocorreram uma média de 6.238 acidentes por dia em 1975, contabilizando 4,3 acidentes por
minuto.
● Os índices de acidentes tornaram-se uma “vergonha nacional”, o que certamente teve impacto sobre a
opinião pública ao revelar, em números oficiais, as condições de trabalho deploráveis a que os trabalhadores
brasileiros vinham sendo submetidos, alegadamente em nome do desenvolvimento do país. Como
consequência, para além da negação, o governo teve de demonstrar certo comprometimento em resolver a
questão da sinistralidade laboral.
● Ainda em 1964, a antiga Divisão de Higiene e Segurança do Trabalho deu origem ao Departamento Nacional
de Segurança e Higiene do Trabalho (DNSHT), criado pela Lei nº 4.589, de dezembro de 1964.
� parte das funções do DNSHT foi sendo transferida para a Fundacentro , fundada em 1966, mas
que só iniciou suas atividades em janeiro de 1969. Subordinada ao MTPS, a Fundacentro tinha
como objetivo formar técnicos e realizar pesquisas e estudos especializados com o intuito de
identificar as causas dos acidentes e propor soluções para a melhoria da higiene e segurança do
trabalho no Brasil, objetivando reduzir a sinistralidade laboral. Criação de cursos, palestras e etc
em segurança do trabalho.

CONPATs (Congresso Nacional de Prevenção de Acidentes, previamente chamados de Congresso Nacional de


CIPAs),durante a ditadura eles foram ganhando maior envergadura com o passar dos anos, com o aumento do
número de participantes, maior atenção da imprensa e participação de figuras destacadas da política nacional. Os
CONPATs ocorriam anualmente e reuniam especialistas em prevenção das mais diversas áreas e de todo o país, com
o intuito de promover o intercâmbio de informações e a consolidação do conhecimento técnico
● XIII CONPAT em São Paulo, em outubro de 1974, numa conjuntura em que o “milagre” brasileiro já dava sinais
de desaceleração. : os trabalhadores eram considerados os grandes culpados pelos acidentes que sofriam. Logo,
as campanhas prevencionistas do período eram eminentemente voltadas para o trabalhador brasileiro, a fim de
evitar que, com sua alegada imprevidência, imperícia e desconhecimento, causasse mais acidentes, cujos
índices tinham um impacto negativo sobre a imagem do país. (analogia com corrida, num primeiro período,
você da tudo de si, mas depois o ritmo é impossível de ser mantido, e a velocidade decai arduamente, devido a
fadiga.
 O encontro tinha grandes figuras da ditadura como:general-presidente Ernesto Geisel
 Geisel fez um discurso obre as vidas perdidas e etc, De acordo com o presidente, importava a
estruturação de esquemas preventivos, através dos quais, sem prejuízo da produção, mas antes
garantindo maior coeficiente de produtividade, buscar-se-ia reduzir ao mínimo, senão eliminar
completamente a ocorrência de acidente, tornando-o “anomalia excepcional no processo produtivo”.
 Isso novamente seria um dever de todo o povo – cada um fazendo a sua parte “nesta verdadeira
campanha de redenção ao trabalho
 Com o fim de evitar acidentes, bastava ao trabalhador saber fazer o uso correto dos equipamentos de
proteção e obedecer às regras de segurança.
 o ministro do Trabalho Arnaldo Prieto utilizou artifícios discursivos que seriam repetidos à exaustão em
seus pronunciamentos ao longo dos anos seguintes: a construção de cenários idílicos e o uso de uma
linguagem belicosa na qual os acidentes de trabalho se transmutavam em verdadeiro inimigo nacional a
ser combatido por todos.
 o principal argumento para convencer os empresários a investirem em segurança era a possibilidade de
reduzir gastos e garantir maiores lucros em longo prazo “causa ainda mais séria, e percentualmente
importante” do que a melhoria da segurança nos ambientes de trabalho. Segundo ele, o trabalhador
“também deve dar a sua contribuição efetiva na eliminação das causas dos acidentes e só pode fazê-lo
se devidamente orientado e conscientizado do seu papel numa política científica de prevenção”.
 Desse modo, culpando os trabalhadores pelos acidentes e os empresários apenas eram incentivados a
investir mais para que possam reduzir seus gastos. Insinuando que o trabalhar sofria acidentes por não
estar acostumado a uma realidade do país de melhor economia e produtividade
 Contudo, apesar dos elevados índices de sinistros, por vezes os acidentes eram justificados como
indicadores de desenvolvimento, em especial do crescimento vertiginoso pelo qual o Brasil passara após
a “Revolução”.
 “irresponsabilidade” dos trabalhadores de pegarem tantas horas extras estando desatentos e
causando acidentes
 Ao fim do XIII CONPAT, estava oficialmente declarada a “cruzada” contra os acidentes de trabalho no
Brasil, que recebeu grande atenção da imprensa e teve na Funda centro um agente fundamental
● A teoria do “fator humano” ganhou impulso nesse momento, com forte respaldo no senso comum, mas
principalmente em órgãos governamentais como a Fundacentro. Esta instituição, aliás, foi responsável pela
disseminação da ideia de que independente das condições inseguras, mais de 80% dos acidentes era resultado
da imperícia ou ignorância dos trabalhadores, fundamentando “cientificamente” a noção do “ato inseguro”
● o Jornal do Brasil, notadamente conservador e apoiador da ditadura, em seu editorial chamou os
trabalhadores de “ignorantes, analfabetos, incapazes de avaliar o perigo em que se encontram”.
● segundo os ideólogos da segurança, era preciso educar o trabalhador brasileiro, dotá-lo de uma “mentalidade
prevencionista”, conscientizá-lo dos riscos que corria e ensiná-lo a evitar acidentes
● Contudo, manter os índices de produtividade do país – com base no modelo predatório da força de trabalho em
que a economia brasileira estava baseada – aliados à melhoria das condições de trabalho com vistas a reduzir os
acidentes, era no mínimo contraditório
Tal qual se faz com uma máquina, era muito mais barato repor um operário acidentado, incapacitado para o
trabalho, “defeituoso” tal qual um objeto, por outro saudável, em perfeitas condições de “uso”. O juiz Luís
Roberto Ruech admitiu isto claramente: “Custa mais barato substituir o doente que importar equipamentos”.

PEQUENO RELATO SOBRE A PONTE RIO-NITEROI

ponte Rio-Niterói, que liga as cidades do Rio de Janeiro e de Niterói, foi uma das principais obras realizadas durante
a ditadura brasileira. Construída entre os anos de 1969 e 1974, em pleno “milagre econômico”, a ponte tem o nome
oficial do ditador Artur da Costa e Silva. Foi um dos principais símbolos do “Brasil Grande”, projeto nacionalista do
regime. O empreendimento guarda várias marcas da ditadura, como a participação de militares na direção dos
trabalhos, o beneficiamento de empresários afinados ao regime, o reforço do modelo rodoviário de transportes e a
superexploração do trabalho, com particular negligência em relação à saúde e segurança dos trabalhadores.     

A ditadura brasileira foi responsável por algumas obras de grande porte, usadas largamente como peças de
propaganda.

 A publicidade do governo explorava de forma ufanista a realização de projetos como a rodovia


Transamazônica, a usina termonuclear de Angra dos Reis, a hidrelétrica de Itaipu e a ponte Rio-Niterói.

A ponte, construída na antiga capital e em um dos mais famosos cenários do país, tinha uma particular visibilidade e
sensibilidade política para a ditadura. Além disso, eram privilegiados os investimentos rodoviários, associados às
empresas multinacionais automotivas e às empreiteiras de obras públicas, responsáveis pelas obras das estradas de
rodagem, dentre outros serviços de engenharia.

A proposta de uma união física entre as cidades do Rio e de Niterói era antiga, sendo que os primeiros projetos de
túneis e pontes unindo os dois lados da baía de Guanabara remontam ao século XIX. Em 1968, o Departamento
Nacional de Estradas de Rodagem (DNER) desenvolveu um projeto de uma ponte unindo as duas cidades, em uma
via que contabilizava um total de 13,9 quilômetros, sendo 8,9 km sobre as águas da baía. A obra teve financiamento
britânico, com fornecimento de aço especial para a construção do vão central. O projeto foi à concorrência pública e
a obra teve início em 1969.

O primeiro consórcio, formado por construtoras brasileiras, começou a realizar a obra, mas encontrou dificuldades
diversas, dentre as quais algumas derivadas da falta de estudos mais detalhados sobre as condições de construção e,
principalmente, de escavação do fundo da baía de Guanabara para a instalação das fundações como os tubulões. Os
recorrentes atrasos no cronograma da obra provocavam irritação no governo e preocupação com potenciais
desgastes políticos. Com as dificuldades acumuladas pelo consórcio, ele foi dispensado e o conjunto de empresas
que ficou em segundo lugar na licitação foi chamado para gerir a obra, que passaria a ser dirigida por uma empresa
pública, a Empresa de Construção e Exploração da Ponte Presidente Costa e Silva, conduzida por um militar, em
regime de administração.

Cerca de 10 mil operários trabalharam na construção, além de 200 engenheiros. Era o auge da ditadura e as
condições de trabalho eram precárias e sem o atendimento dos itens básicos de segurança. Os acidentes eram
frequentes e, só em um deles morreram mais de dez trabalhadores. De acordo com o jornalista Romildo Guerrante,
“morreram vários operários. Em um dos acidentes, eu me lembro bem, morreram 12 pessoas, inclusive um
engenheiro. O acidente foi no dia 25 de março de 1970, ou seja, um ano após o início das obras.” Oficialmente
faleceram 33 funcionários ao longo da construção, mas existem relatos de até 400 mortes, em especial na edificação
dos pilares da ponte. (DEVE-SE LEVAR EM CONTA A TENDENCIA A OMITIR FATOS QUE PREJUDICARIAM A IMAGEM
DO GOVERNO MILITAR)

Em plena Baía de Guanabara, a construção da Ponte Rio-Niterói escancarava o outro lado do “milagre” e da
propaganda governamental num momento em que o país batia recordes mundiais de acidentes de trabalho.

A maior parte dos trabalhadores era composta por homens jovens, negros e mulatos, muitos dos quais migrantes
nordestinos. Os salários variavam conforme o grau de especialização do operário, girando em torno de um a dois
salários mínimos entre os operários com menos instrução. Muitos deles trabalhavam em determinados projetos e
eram demitidos após a entrega do empreendimento, havendo outros que atuavam em partes específicas da obra .
Obra estratégica, teve especial atenção da ditadura, com um sistema de disciplina, vigilância e controle
particularmente intenso sobre as ações e trabalho dos operários. Eventuais conflitos, brigas e desavenças eram
rapidamente reprimidos pela direção militar do empreendimento.

A ponte Rio-Niterói foi inaugurada em março de 1974. Na cerimônia de lançamento da obra, o ministro dos
Transportes do governo Médici, coronel Mário Andreazza, teceu loas à ponte como um “monumento à Revolução
de 1964” e em um reconhecimento implícito das péssimas condições e dos frequentes acidentes de trabalho,
exaltou a “dedicação e competência do operário brasileiro, cujo ânimo, até nas horas mais dramáticas, jamais
arrefeceu, tendo ao contrário, saído fortalecido dos reveses próprios de obra de tamanha envergadura”.
A ponte como símbolo da subjugação do governo militar sobre os trabalhadores.

O mundo contemporâneo do trabalho e a saúde mental do trabalhador

 Segundo dados do Observatório de Saúde e Segurança do Trabalho (SmartLab), da OIT e do Ministério Público do
Trabalho (MPT), o país registrou 2,5 mil óbitos e 571,8 mil Comunicações de Acidente de Trabalho (CATs) em 2021.
Os números representam um acréscimo de 30% em relação ao ano anterior. Entre 2012 e 2021, foram registradas
22,9 mil mortes e 6,2 milhões de CATs no mercado formal de trabalho brasileiro.

 Ambientes de trabalho seguros e protegidos para todos os trabalhadores estão, também, entre as metas de
desenvolvimento sustentável que mereceram atenção da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU). A
Organização recomenda especial atenção aos migrantes, mulheres e pessoas com empregos precários. O ODS nº 8 é
destinado especificamente a este fim e busca “promover o crescimento econômico sustentado, inclusivo e
sustentável, emprego pleno e produtivo e trabalho decente para todas e todos”. 

 Terceirização
A Lei no 13.429, que trata do trabalho temporário e das empresas prestadoras de serviços (terceirizadas), foi
sancionada em 31 de março de 2017 pelo presidente Michel Temer, mesmo com muita resistência de diversos
segmentos da sociedade, sobretudo dos que representam os trabalhadores. Os setores que apoiaram a aprovação e
a sanção da medida, por sua vez, alegam que é um erro dizer que os trabalhadores terceirizados terão condições de
trabalho diferentes. O que sustenta esse argumento é o fato de trabalhadores diretos e terceirizados serem
contratados pelo mesmo regime: contrato por prazo indeterminado, regido pela Consolidação das Leis do Trabalho
(CLT). Mas se o contrato de trabalho é o mesmo, como explicar as desigualdades existentes nas condições de
trabalho de terceirizados e não terceirizados, demonstradas em diversos estudos acadêmicos, de institutos de
pesquisas, e em relatos dos trabalhadores e do movimento sindical?

Tendo como primeiro marco de trabalhos terceirizados o ano de 1960.

O mercado de trabalho brasileiro é caracterizado por forte heterogeneidade, a despeito da existência de uma
regulação estatal que estabelece uma base única e importante de proteção ao trabalhador. Entretanto, desde que o
Estado passou a regulá-lo, no início dos anos 1930, sempre houve ampla margem para que as condições de
contratação da mão de obra se adaptassem às conveniências empresarias e se mantivessem à margem da regulação
de certos segmentos da classe trabalhadora.

 menores salários,
 menor tempo de emprego,
 maiores jornadas,
 maior rotatividade
 maiores índices de acidentalidade e de adoecimentos ocasionados pela ocupação.
 frequentemente desprotegidos no encerramento dos contratos
 empresas encerram as atividades e os trabalhadores não recebem as verbas rescisórias a que têm direito
 Também são constantemente removidos para diferentes locais de trabalho
 Caso consigam ser imediatamente contratados por outra empresa, ou até pela mesma, com nome
alterado, os trabalhadores não conseguem gozar férias

Segundo diversos estudos acadêmicos, os terceirizados ainda estão mais sujeitos a acidentes de trabalho que os não
terceirizados (CUT, 2011; Laurentys, 2012; Araújo Júnior, 2014; Aquino et al., 2016).6 Um incremento no número de
terceirizados sobrecarrega o Sistema Único de Saúde (SUS) e o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), pois a
maioria desses trabalhadores não possui convênio médico. Em suma, a “fatura” da redução dos custos empresariais
com a terceirização indiscriminada recai sobre o Estado e os trabalhadores.

Na maioria dos casos, os terceirizados que trabalham no mesmo local que os diretamente contratados têm patrões
distintos e são representados por sindicatos de categorias diferentes. Ao se tornar terceirizado, o trabalhador perde
o poder de barganha na negociação coletiva e passa por um rebaixamento dos direitos que possuía quando era
empregado direto, como piso salarial e benefícios (vale-alimentação e refeição, plano de saúde, auxílio-creche e
educação etc.) A negociação coletiva e a legislação trabalhista são os principais mecanismos de proteção social ao
trabalho. Por meio da negociação, os sindicatos tentam elevar o rol de direitos previstos em lei e obter novas
conquistas para os trabalhadores, mas, para que isso ocorra, é preciso que existam sindicatos representativos,
historicamente consolidados e reconhecidos pela sociedade. Ao fragmentar a representação sindical e propiciar a
criação de inúmeros sindicatos frágeis e sem tradição de atuação, a terceirização reduz o poder de barganha dos
trabalhadores nas negociações coletivas. O resultado disso são acordos e convenções que avançam muito pouco em
relação ao previsto na legislação trabalhista, ou que, não raro, ferem a própria lei, redundando em aumento da
judicialização.

O Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS) é a principal fonte de dados primários, que permite identificar
com clareza os trabalhadores terceirizados e os não terceirizados. Entretanto, o governo federal não disponibiliza o
acesso de nenhuma instituição de pesquisa a essa base de dados, apesar de terem sido feitas inúmeras tratativas
nesse sentido. Diante dessa restrição, a Relação Anual de Informações Sociais (Rais), do MTB, é a fonte que tem sido
mais frequentemente utilizada na elaboração de estudos sobre a terceirização no país, apesar de não conter
informações sobre as relações entre o trabalhador e a empresa ou o estabelecimento contratante, nem identificar o
local onde o trabalhador efetivamente executa a atividade laboral. Este capítulo foi elaborado com base na Rais e na
Classificação Nacional de Atividades Econômicas (Cnae)

 Entre 2007 e 2014 as terceirizadas respondem por cerca de um quarto dos vínculos de trabalho formal no
Brasil.

Nas atividades tipicamente contratantes, quando se observa a relação entre vínculos ativos e vínculos rompidos ao
final de 2014, nota-se que, de cada 100 vínculos ativos, pouco mais de 40 foram rompidos. Já nos setores
tipicamente terceirizados, essa relação é de cem vínculos ativos para oitenta rompidos.7 Este último dado indica que
os vínculos nas atividades tipicamente terceirizadas têm alta rotatividade.

O número de acidentes de trabalho registrados em 2008 aumentou 13,4% em relação a 2007. Em 2008 foram
registrados 747.663 casos, contra 659.523 no ano anterior

Em 2021, foram registradas 571,8 mil notificações de acidentes de trabalho, segundo dados do Observatório de
Saúde e Segurança do Trabalhador mantido pelo MPT (Ministério Público do Trabalho e outros parceiros), um
aumento de 28% em comparação com o ano anterior, que somou 446.881 casos

http://sa.previdencia.gov.br/site/2018/09/Apresentacao-AEAT-2017-Alexandre-Zioli.pdf
Enquanto de 2013 até 2017 os acidentes passaram a descer, em 2020 até 2021 o número volta a subir, alguns
estudiosos dizem ser devido a pandemia e outros ao aumento da terceirização, em alguns casos os dois motivos
juntos.

 Por quê a terceirização não é perfeita para ninguém? A elevada rotatividade da mão de obra é um dos
indicadores mais preocupantes do mercado de trabalho. Para os empregadores, representa um custo de
seleção e treinamento, que acaba sendo repassado ao preço final, atingindo todos os consumidores. Para os
trabalhadores, representa a incerteza de encontrar um novo emprego num curto espaço de tempo e o risco
de ter de aceitar menores salários e benefícios, além de ter impactos no cálculo da aposentadoria. Para o
Estado, as despesas com seguro-desemprego tendem a aumentar com a alta rotatividade, além de ocasionar
descapitalização do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço

De 2007 a 2014, essa diferença se manteve entre 23% e 27% em média. Em dezembro de 2014, a remuneração
média nas atividades tipicamente contratantes era de R$ 2.639, enquanto nas tipicamente terceirizadas era de R$
2.021

nota-se que os homens empregados em atividades tipicamente terceirizadas concentram- -se em estratos
intermediários de remuneração e as mulheres, nos estratos com os menores rendimentos

Os jovens de menos 24 anos estão alocados na faixa mais baixa de remuneração, tanto no trabalho terceirizado
quanto no comum.

A maioria dos vínculos, em ambas as atividades, possui ensino médio completo e superior incompleto.

Nas atividades tipicamente contratantes, observa-se uma curva fortemente ascendente em direção aos níveis
superiores de remuneração para os trabalhadores que têm o ensino superior completo.

Nas atividades tipicamente terceirizadas, a correlação do nível superior completo com a remuneração não é tão
forte quanto nas tipicamente contratantes, mas ainda é positiva

Em relação à jornada de trabalho, observa-se que 85,9% dos vínculos nas atividades tipicamente terceirizadas
possuem jornada contratada na faixa de quarenta e uma a quarenta e quatro horas semanais, contra 61,6% nas
atividades tipicamente contratantes ( ou seja, os terceirizados tem uma incidência maior de horas trabalhadas,
mesmo tendo maior incidência de baixa remuneração)

Observa-se claramente que, nas atividades tipicamente contratantes, existe forte correlação da duração do vínculo
de emprego com os níveis de remuneração mais elevados. Tal correlação não se verifica nos vínculos dos setores
tipicamente terceirizados.

Os dados mostram que as desigualdades regionais se refletem nas diferenças remuneratórias entre os dois
segmentos de atividades. A maior proporção de vínculos em atividades tipicamente terceirizadas está na região
Sudeste, seguida pela região Sul. Na região Norte, há menor participação desse tipo de atividade econômica (19,9%).
Em todas as regiões, verifica-se queda no percentual de vínculos nas atividades tipicamente terceirizadas à medida
que se avança em direção aos níveis mais elevados de remuneração.

A Rais traz informações sobre os motivos de afastamentos e licenças do trabalho. Entre os motivos declarados,
incluem-se: i) acidentes típicos de trabalho (que ocorrem no exercício de atividades profissionais a serviço da
empresa); ii) acidentes de trajeto (ocorridos entre a residência e o trabalho); iii) afastamentos por doenças
relacionadas e não relacionadas ao trabalho; iv) licença-maternidade; v) serviço militar obrigatório; e vi) licença sem
vencimento/sem remuneração.

a participação dos afastamentos por acidentes de trabalho típicos é mais elevada nas atividades tipicamente
terceirizadas do que nas tipicamente contratantes, podendo ser duas vezes mais alta em alguns casos.

maior diferenciação salarial entre as mulheres do que entre os homens tanto nas atividades tipicamente
terceirizadas quanto nas contratantes. As diferenças salariais entre as mulheres nas atividades tipicamente
terceirizadas e nas tipicamente contratantes ocorrem desde os centésimos mais baixos de remuneração
Os dados obtidos a partir de recortes específicos na Rais revelam, de um modo geral, que, nas atividades
tipicamente terceirizadas, as condições de trabalho e a remuneração são inferiores às verificadas nas atividades
tipicamente contratantes. Em síntese, e considerando somente o ano de 2014, os dados obtidos revelam o seguinte:
• a taxa de rotatividade descontada é duas vezes maior nas atividades tipicamente terceirizadas (57,7% contra 28,8%
nas atividades tipicamente contratantes); • nas atividades tipicamente terceirizadas, 44,1% dos vínculos de trabalho
foram contratados no mesmo ano, enquanto nas tipicamente contratantes o percentual foi de 29,3%; • 85,9% dos
vínculos nas atividades tipicamente terceirizadas tinham jornada contratada entre quarenta e uma e quarenta e
quatro horas semanais; já nos setores tipicamente contratantes, a proporção era de 61,6%; • os salários pagos nas
atividades tipicamente terceirizadas fora da região Sudeste eram menores, o que reforça as desigualdades regionais;
28 | Terceirização do Trabalho no Brasil: novas e distintas perspectivas para o debate • o percentual de
afastamentos por acidentes de trabalho nas atividades tipicamente terceirizadas é maior do que nas atividades
tipicamente contratantes – 9,6% contra 6,1%; e • os salários nas atividades tipicamente terceirizadas eram, em
média, 23,4% menores do que nas atividades tipicamente contratantes (R$ 2.011 contra R$ 2.639).

Em alguns casos, o processo tem sido até mesmo revertido por algumas empresas, por afetar a qualidade dos
produtos e serviços e fragmentar excessivamente os processos produtivos, levando até à queda na produtividade.10
A regulamentação irrestrita da terceirização, baseada somente numa visão de curto prazo, portato, não apenas
prejudica o trabalhador, como também compromete o desempenho das empresas a longo prazo.

FUGA DE CEREBROS

Cerca de 47% dos jovens brasileiros entre 15 e 29 anos sairiam do país se pudessem . Esse sentimento é reflexo da
falta de oportunidades e da desesperança com uma reversão do atual cenário socioeconômico brasileiro. A taxa de
desemprego entre jovens de 18 a 24 anos foi de 31% no primeiro trimestre de 2021, mais que o dobro da taxa de
desemprego geral, de 14,7%.

Podemos entender a migração de trabalhadores - com maior ou menor qualificação - para outros países,
especialmente do Norte, como uma forma de transferência de valor, ou de riquezas.

Inclusive, porque foi o conjunto da sociedade que custeou os estudos e formação deste trabalhador e, ao final, é
outro país que vai se beneficiar economicamente tanto da mão de obra quanto da produtividade angariada pela
capacitação. Embora esse fenômeno se faça mais presente em outros países, em determinadas conjunturas atinge
também o Brasil.

(2011-2014) a taxa de interesse de sair do Brasil por parte dos jovens era de 20,1%, nos anos seguintes, com a
crise econômica e agravamento do cenário, este número cresceu exponencialmente.

Hoje, 47% dos jovens brasileiros entre 15 e 29 anos sairiam do país se pudessem. Isso significa mais de 20 milhões
de pessoas. Esse sentimento é reflexo da falta de oportunidades e da desesperança com uma reversão do atual
cenário socioeconômico brasileiro.

relação à manutenção das Universidades Federais e da pesquisa científica brasileira, ocorreu, entre 2010 e 2020, a
diminuição em 73% da verba destinada a estas instituições. Neste ano as coisas não melhoraram: em abril de 2021,
no atual governo de Jair Bolsonaro, o Ministério da Educação teve R$ 2,7 bilhões bloqueados e R$ 2,2 bilhões
vetados, colocando a área da educação como a mais afetada por cortes orçamentários. E o novo corte em 2022 que
estamos lutando agora

Tal posicionamento, além de minar qualquer tentativa de desenvolvimento tecnológico nacional, encoraja o bloco
de jovens intelectuais a buscar oportunidades em outros lugares. Mesmo para outros setores, o desemprego
promove a procura por oportunidades fora, em busca de uma melhor qualidade de vida.

Embora o Brasil esteja atrás da média mundial nas últimas décadas, nos últimos anos o nível de investimentos no
Brasil diminuiu em termos absolutos e em comparação ao restante do mundo. Se no quinquênio 2011-2015 a taxa
média de investimentos no país foi de 20%, nos cinco anos subsequentes (2016-2020) foi de apenas 15,4%. vem
descendo cada vez mais durante os anos, tendo uma queda brusca entre 2020 e 2022

Não há dados oficiais sobre esta fuga, porque os jovens doutores que deixam o país o fazem com bolsas das
universidades ou centros de pesquisa do exterior que os contratam, e não das instituições brasileiras, como a Capes
ou o CNPq.

Entre esses migrantes, estão muitos cientistas, de acordo com o relato de acadêmicos ouvidos pela BBC News Brasil.

Segundo o geólogo Atlas Correa Neto, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) "é um dreno geral", que
inclui doutores mais antigos além de candidatos ao mestrado e também ao doutorado. Não se trata apenas de
pessoas indo para realizar um curso, uma especialização ou realizar um projeto de pesquisa.

"Trata-se de saída em definitivo", diz. "Quem tem possibilidade está indo, mesmo sem manter a ocupação de
cientista. Esse movimento não se restringe à área tecnológica e também afeta as ciências sociais. Aliás, se eu
pudesse, se tivesse condições financeiras e sociais adequadas, iria embora também."

Notadamente em ciência da computação, algumas áreas das engenharias, biotecnologia e medicina, por exemplo",
diz. "Em particular, com o crescimento e o impacto da inteligência artificial em todas as atividades econômicas, os
profissionais desta área têm oportunidades no mundo inteiro. Estamos perdendo jovens em áreas científicas, que
são portadoras de futuro. Mundo afora, dominar setores como computação, estatística e matemática tem muito
valor no mercado."

O biólogo Glauco Machado, do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP), também enumera
algumas razões pelas quais a saída de pesquisadores está ocorrendo.

"Ela tem a ver com a redução do número de bolsas, o baixo valor das de mestrado e doutorado, que não são
reajustadas há vários anos, e o pessimismo em relação a uma futura contratação — especialmente para as áreas em
que o principal empregador é a própria academia —, que é fruto da recessão econômica que aflige o país há pelo
menos cinco anos", diz.

Ele acrescenta que, ao mesmo tempo, é importante olhar para o que está acontecendo fora do Brasil.

"Várias universidades no exterior estão criando programas de atração de talentos internacionais", diz.

"O investimento em pesquisa e tecnologia tem crescido em vários países desenvolvidos e as oportunidades de bolsas
e eventualmente trabalho em algumas áreas são maiores no exterior do que aqui. Portanto, sair do país é algo
bastante atrativo para um profissional no início de sua formação."

"Além disso, há melhores condições de trabalho, que são inegavelmente ótimos atrativos a deixar o meu país. No
Brasil, a ciência e a cultura não são estimuladas e a inserção de pessoas altamente capacitadas no mercado de
trabalho, por não haver incentivo à pesquisa e desenvolvimento, se torna muito difícil. É triste admitir que seremos
uma nação meramente exportadora de commodities e importadores de tecnologia de ponta."

medo de ficar desempregada depois de formada foi outro motivo que a levou a ir embora.

"Até pouco tempo antes de me formar, o setor de óleo e gás ainda estava na expectativa de se recuperar da última
crise", diz Renata. "Mas depois, as oportunidades na minha área ficaram um tanto escassas, mesmo para recém-
formados que haviam estagiado anteriormente e buscavam contratação, como era o meu caso."

O atual cenário político brasileiro também foi levado em conta por Renata em sua decisão. "Ele não está muito
favorável para a ciência", explica. "Eu temia, por exemplo, ficar sem bolsa no meio do curso — algo que era crucial
para que eu continuasse a pesquisa."

Em agosto, o CNPq chegou a anunciar que havia risco de não pagamento dos seus mais de 80 mil bolsistas a partir de
outubro. Isso não ocorreu, no entanto. O governo conseguiu cumprir o compromisso.

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